Panturrilhas: Genética, Descanso ou Treino?
Baseie sua rotina em 2 ou até 3 exercÃcios para as panturrilhas, de preferência os exercÃcios realizados com os joelhos estendidos, para priorizar o trabalho dos gastrocnêmios medial e lateral, 3 a 6 séries por exercÃcio, 6 a 12 repetições por série, boa amplitude na execução dos exercÃcios e cadência adequada, tente produzir tensão para a musculatura por um perÃodo de 30 a 70 segundos e de forma cadenciada, valorizando a fase excêntrica do movimento

Qual o problema com as minhas Panturrilhas? Será a genética, o descanso ou o treino?
O tema é interessante, porém, facilmente abandonado por parte dos praticantes de musculação quando observam pouco ou nenhum resultado na região. O discurso destes praticantes é de que a genética é a maior culpada, alguns poucos atribuem ao treino, destes, poucos assumem a deficiência do treino e alguns simplesmente nem começam a treinar o grupo muscular em questão.
Falando de anatomia e fisiologia:
A musculatura da panturrilha, ou trÃceps sural é formada por 3 músculos: sóleo, gastrocnêmio medial e lateral. Esse grupo muscular, destacando o sóleo, possui uma grande quantidade de fibras do tipo 1, de contração lenta (Andersen & Kroese, 1978; Sjogaard, 1982), inespecÃficas para hipertrofia, o que implica diretamente no desenvolvimento da musculatura desta região.
Ainda segundo estudos² apesar de apresentar uma sÃntese protéica normal, o sóleo tem menor resposta aos exercÃcios do que outros músculos. Porém, a musculatura solear se encontra por baixo dos músculos gastrocnêmio medial e lateral, não sendo assim a mais importante para o volume dessa região, ainda que participativa.
Há mais alguns fatos que certamente interferem em bons resultados para esse grupo muscular, é uma região que tem descanso prejudicado, pois a musculatura tem atuação durante quase todo o dia, quando estamos em pé parados ou nos deslocando de qualquer forma e até mesmo em alguns momentos quando estamos sentados.
Falando de treinos:
Nos treinos é muito comum nos depararmos com rotinas e estÃmulos no mÃnimo questionáveis quando destinadas à s panturrilhas, comumente pautadas em verdadeiros mitos, rotinas com maior volume e menor intensidade, o que caracteriza um treino de resistência, com a justificativa de que nesses músculos prevalecem as fibras do tipo 1.
Mas, o que você tem como objetivo para a região? Se é hipertrofia, treine da forma adequada para hipertrofiar, maior intensidade e menor volume. É mais simples do que parece, pelo menos na teoria.
Treinar com a mesma intensidade e vontade que você treina peitoral, sempre tentando se superar no Supino, buscando aumentar o peso a cada semana, com um colega para ajudar a forçar repetições, ou mesmo para uma segurança na execução. Ou da mesma forma como você treinar as coxas fazendo um Leg Press com metade das anilhas da academia.
Será que você já tentou treinar as panturrilhas assim?
Não podemos negar falta de força, porque estamos falando de uma musculatura com um esquema de alavanca que favorece o emprego de altas cargas, o apoio para realizar os exercÃcios pode não ser o melhor, mas aà pode até entrar o auxÃlio de algum colega de treino, além disso, caso os pés comecem a escorregar durante a execução faça uma rápida correção no posicionamento deles e continue o exercÃcio, o uso de lixas adesivas nos aparelhos melhora a fixação dos pés nos apoios, por oferecerem uma superfÃcie áspera para o calçado.
Recomendações:
Baseie sua rotina em 2 ou até 3 exercÃcios para as panturrilhas, de preferência os exercÃcios realizados com os joelhos estendidos, para priorizar o trabalho dos gastrocnêmios medial e lateral, 3 a 6 séries por exercÃcio, 6 a 12 repetições por série, boa amplitude na execução dos exercÃcios e cadência adequada, tente produzir tensão para a musculatura por um perÃodo de 30 a 70 segundos e de forma cadenciada, valorizando a fase excêntrica do movimento (provavelmente a descida no movimento).
Treine-as da mesma forma com que treina os outros grupos musculares, alta intensidade, boa execução, de forma consciente, proporcionando um bom descanso entre os treinos, dar 2 estÃmulos na semana já deve ser o suficiente.
Você que costuma fazer até 3 exercÃcios para o trÃceps braquial quantos faz para o trÃceps sural?
Perceba que aqueles que reclamam da falta de resultados tendem a se encaixar em pelo menos um dos problemas citados nessa matéria. Ou estimula de forma equivocada a musculatura ou estimula pouco, não dá o devido descanso ou simplesmente não treina. E o que poucos assumem é a falta do emprego da mesma vontade em ambos os treinos.
Treine de verdade, se quer resultados de verdade.
Referências:
Andersen P & Kroese AJ. (1978). Capillary supply in soleus and gastrocnemius muscles of man. Pflugers Arch 375, 245-249.
Trappe TA, Raue U & Tesch PA. (2004). Human soleus muscle protein synthesis following resistance exercise. Acta Physiol Scand 182, 189-196.²
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