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ESTUDO SOBRE HORMÔNIOS E DIETA

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Saudações, colegas do fórum. O intuito deste tópico é claro: promover aprendizado e discussão entre os participantes. Como costumo produzir bastante conteúdo na internet (que em redes sociais) resolvi trazer pra cá algumas publicações. Agora estou me atentando a postar mais, quero contribuir, especialmente porque nos últimos tempos o fórum tem recebido pouco conteúdo, normalmente os usuários só vem aqui pra sugar e então somem.

Nesta contrapartida, venho trazendo uma série de postagens. Podem sugerir temas, podem discutir, podem comentar, discutam, isso nos agrega a todos. Deixo aqui o sumário de postagens e vou atualizando conforme for postando, isso facilitará o acesso rápido mesmo com as postagens.

 

 

Bons estudos!

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CAFÉ, CYP1A2, ESTROGÊNIO E TAMOXIFENO: POSSÍVEL EFEITO ANTIESTROGÊNICO

Este é um daqueles temas de pesquisa que você esbarra por acidente. Na verdade, você apenas percebe que o metabolismo da cafeína e do estrogênio passam pela mesma enzima e então começa a se fazer perguntas. Perguntas precisam de respostas e respostas precisam de pesquisa. Esse texto provavelmente não te levará a certeza alguma, contudo, é possível que te faça refletir sobre algumas coisas.

A imagem pode conter: carro e atividades ao ar livre

Cerca de 90% a 95% da cafeína (principal substância do café) é metabolizada por uma enzima chamada de CYP1A2 (THORN et al., 2012). Acontece que essa enzima participa do metabolismo de muita coisa, de interesse para agora citamos os estrógenos e tamoxifeno.

Para entendermos o efeito da cafeína como um possível antiestrogênico precisamos, primeiro, compreender que o estrogênio (propriamente a estrona) pode sofrer um processo de hidroxilase o que a torna uma molécula hidroxiladas. Você precisa entender como isso funciona? Evidente que não. Apenas precisará se ater em três dos vários possíveis produtos dessa reação: a 2-hidroxi-estrona, 4-hidroxi-estrona e 16alfa-hidroxi-estrona (FIGURA 1).

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A 2-hidroxi-estrona é um metabólito mais fraco do estrogênio, ou seja, vai se ligar ao receptor de estrogênio e desencadear um efeito mais fraco do que se ali tivesse se ligado uma estrona ou algum outro metabólito. A 4-hidroxi-estrona tem duração bem maior, isso porque quando se liga no receptor ela demora mais pra se desprender, então tende a ter um efeito ligeiramente mais potente que os estrógenos, justamente pela duração. Agora a 16alfa-hidroxi-estrona é poderosa e muito mais potente.

As formas hidroxiladas na posição 4 e 16a estão associadas com câncer, especialmente por causarem produção de radicais livres e danos ao DNA. Elas vão piorar (e muito) um quadro de câncer do tipo que expressa vários receptores de estrogênio. De maneira bem diferente, a forma 2hidroxi desencadeará um efeito protetor. Pense comigo, quando um estrógeno fraco, como ao 2-hidroxi-estrona, se liga ao receptor ela não só está desencadeando um efeito FRACO dos estrógenos, mas ao mesmo tempo impedindo que outro estrógeno mais potente se ligue a ela (FIGURA 2). Efeito semelhante ao que o tamoxifeno faz em alguns tecidos no seu corpo. Entende o que isso quer dizer? Não? Então deixa eu te dar um exemplo...

Você tem células com receptores de estrogênio e estes receptores desempenham várias funções. Agora imagine que esses receptores são como motores e os diferentes tipos de estrógenos são como combustíveis. Vamos supor que a 2-hidroxi-estrona seja como gasolina comum, ela faz seu motor funcionar de maneira leve e macia sem grandes transtornos. Agora as versões 4-hidroxi e 16a-hidroxi são como nitrometano (combustível de Dragster), isto é, altamente potente. Esses combustíveis são acionam os mecanismos de maneira muito muito forte, o que acaba destruindo as funções normais do carro (que seria sua célula). Só por curiosidade, o amigo de um professor meu colocou nitrometano em um Uno, no Uno da mãe dele pra ser mais preciso. O carrinho andou bastante, porém o motor literalmente derreteu depois de alguns minutos. Uno não é um carro feito pra funcionar com nitrometano, assim como suas células não são feitas pra funcionarem com 16a-hidroxi-estrona.

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Agora vejamos onde o café entra nessa história. Já é discutido que o consumo de café pode reduzir os níveis de E2, vulgo estradiol (SCHLIEP et al., 2012). Uma explicação plausível é porque aparentemente o consumo desta bebida maravilhosa tende a aumentar a expressão de CYP1A2 (DJORDJEVIC et al., 2008) e ela é a principal responsável pela produção da queridíssima 2-hidroxi-estrona, muito embora seja responsável também pela produção da forma tóxica 4-hidroxilada. Felizmente, a preferência da enzima fica em torno de 80% na produção da forma 2-hidroxi e somente 20% para 4-hidroxi (TSUCHIYA; NAKAJIMA; YOKOI, 2005)(CRIBB et al., 2006). Por tanto, esse citocromo seria um mecanismo para aumentar a produção de “combustível” saudável em detrimento dos mais agressivos. É proposto que aumentar a proporção de 2-hidroxi-estrona em detrimento da 16a-hidroxi-estrona confere ao indivíduo mais sáude.

Outro possível mecanismo pode ser o aumento do SHBG que está relacionado com o consumo de café (JERNSTRÖM et al., 2008), já que isso levaria a menores níveis de estrogênio livres no sangue.

A má notícia é que nem todo mundo pode se beneficiar com o consumo de café, pois existem diferentes genótipos de expressão pra CYP1A2 (DJORDJEVIC et al., 2010). Existem os que metabolizam mais rapidamente a cafeína (com alelo A/A) e os que metabolizam mais lentamente (com alelo C), a predominância é de aproximadamente 50% pra cada. Quem metaboliza a cafeína mais rapidamente (alelo A/A), também tem a enzima mais induzível. Há evidências mostrando que somente aqueles com o alelo A/A são capazes de desfrutar dos benefícios do aumento do consumo de café (BAGEMAN et al., 2008) ao mesmo tempo em que outras dizem o contrário (JERNSTRÖM et al., 2008).

Reposição de estrogênio, bem como uso de anticoncepcional, foi relatado em diferentes estudos como supressor da CYP1A2. Já foi proposto que o estrogênio tende a reduzir a atividade enzimática dela (POLLOCK et al., 1999)(JERNSTRÖM et al., 2008).

Em ratos a expressão da enzima CYP1A2 parece aumentar ligeiramente a conversão do tamoxifeno em alfa-hidroxitamoxifeno, que é um metabólito carcinogênico (CHEN et al., 2004). Porém, em humanos a história é bem diferente. A enzima está envolvida no metabolismo de tamoxifeno para N-desmetiltamoxifeno, que é precursor de outro metabólito ainda mais interessante: o endoxifeno. Esse metabólito é o mais efetivo para o efeito do tamoxifeno, pois diminui os níveis de Receptores de Estrogênio Alfa, enquanto os outros metabolitos apenas os estabilizam (KLEIN et al., 2013). Contudo, não é somente por aumentar a atividade da CYP1A2 que mais tamox irá obrigatoriamente para esta via. Aqui fiz apenas uma expeculação.

Usando do bom senso e da lógica, é bem provável que um aumento na atividade de CYP1A2 melhore o efeito do tamoxifeno. Em alguns receptores (por exemplo, nas mamas) o tamoxifeno tem a função de se ligar e desativá-los. É pouco provável que o medicamento se ligue em todos os receptores estrogênicos do tecido, mesmo em doses altas. Se o objetivo é reduzir a atividade de estrogênio em algum lugar, provavelmente devido a um câncer ou desenvolvimento de ginecomastia, você vai querer que aqueles receptores que o tamoxifeno não alcançar tenham, pelo menos, um ligante mais fraco. Quem seria um candidato ideal? Exatamente, 2-hidroxi-estrona. Inclusive, já foi demonstrado em estudos com câncer que o café pode auxiliar significativamente na terapia com tamoxifeno (SIMONSSON et al., 2013).

Exemplifico: Imagine que por algum motivo desconhecido seu Uno Mille foi abastecido com gasolina (representando a 2-hidroxi-estrona) misturada ao poderoso nitrometano (representando as formas 4-hidroxi e 16a-hidroxi). O tamoxifeno seria uma espécie de “filtro” impedindo que o nitrometano entre no motor. Infelizmente, não há como filtrar todo o combustível que entra no motor. O que você faz? Coloca mais gasolina no tanque. Assim, aquele combustível que por ventura não seja filtrado, terá menos nitrometano e muito mais gasolina (que não fará mal pro veículo). Enfim...

A genética ainda é o fator mais influente na variação da enzima, sendo o café um dos fatores menos impactantes pra isso (LE MARCHAND et al., 1997). Ainda não podemos quantificar os efeitos do café como um antiestrógeno, apenas especular que sua terapia auxiliar talvez seja útil. Provavelmente nem todos podem desfrutar dos efeitos dele, pois geneticamente existem diferentes modelos de manifestação da CYP1A2: uma de metabolismo rápido, porém mais induzível e outra de metabolismo lento, deixando o indivíduo mais sujeito aos efeitos da cafeína. Repare que eu não falo somente cafeína, mas sim café, já que o café por si possui fitoquímicos que podem atuar de maneira auxiliar na atividade antiestrogênica.

- REFERÊNCIAS:

BAGEMAN, E.; INGVAR, C.; ROSE, C.; JERNSTRÖM, H. Coffee consumption and CYP1A2*1F genotype modify age at breast cancer diagnosis and estrogen receptor status. Cancer Epidemiology Biomarkers and Prevention, v. 17, n. 4, p. 895–901, 2008.

CHEN, J.; HALLS, S. C.; ALFARO, J. F.; ZHOU, Z.; HU, M. Potential Beneficial Metabolic Interactions Between Tamoxifen and Isoflavones via Cytochrome P450 – Mediated Pathways in Female Rat Liver Microsomes. Interactions, v. 21, n. 11, 2004.

CRIBB, A. E.; KNIGHT, M. J.; DRYER, D.; GUERNSEY, J.; HENDER, K.; TESCH, M.; SALEH, T. M. Role of polymorphic human cytochrome P450 enzymes in estrone oxidation. Cancer Epidemiology Biomarkers and Prevention, v. 15, n. 3, p. 551–558, 2006.

DJORDJEVIC, N.; GHOTBI, R.; BERTILSSON, L.; JANKOVIC, S.; AKLILLU, E. Induction of CYP1A2 by heavy coffee consumption in Serbs and Swedes. European Journal of Clinical Pharmacology, v. 64, n. 4, p. 381–385, 2008.

DJORDJEVIC, N.; GHOTBI, R.; JANKOVIC, S.; AKLILLU, E. Induction of CYP1A2 by heavy coffee consumption is associated with the CYP1A2 -163C>A polymorphism. European Journal of Clinical Pharmacology, v. 66, n. 7, p. 697–703, 2010.

JERNSTRÖM, H.; HENNINGSON, M.; JOHANSSON, U.; OLSSON, H. Coffee intake and CYP1A2*1F genotype predict breast volume in young women: Implications for breast cancer. British Journal of Cancer, v. 99, n. 9, p. 1534–1538, 2008.

KLEIN, D. J.; THORN, C. F.; DESTA, Z.; FLOCKHART, D. A.; ALTMAN, R. B.; KLEIN, T. E. PharmGKB summary: tamoxifen pathway, pharmacokinetics. Pharmacogenetics and Genomics, v. 23, n. 11, p. 643–647, 2013.

LE MARCHAND, L. Le; FRANKE, A. A.; CUSTER, L.; WILKENS, L. R.; COONEY, R. V. Lifestyle and nutritional correlates of cytochrome CYP1A2 activity: inverse associations with plasma lutein and alpha-tocopherol. Pharmacogenetics, 1997.

POLLOCK, B. G.; WYLIE, M.; STACK, J. a.; SORISIO, D. a.; THOMPSON, D. S.; KIRSHNER, M. a.; FOLAN, M. M.; CONDIFER, K. a. Inhibition of Caffeine Metabolism by Estrogen Replacement Therapy in Postmenopausal Women. The Journal of Clinical Pharmacology, v. 39, n. 9, p. 936–940, 1999.

REN, J.; CHEN, G. G.; LIU, Y.; SU, X.; HU, B.; LEUNG, B. C. S.; WANG, Y.; HO, R. L. K.; YANG, S.; LU, G.; LEE, C. G.; LAI, P. B. S. Cytochrome P4501A2 metabolizes 17β-estradiol to suppress hepatocellular carcinomaPLoS ONE, 2016.

SCHLIEP, K. C.; SCHISTERMAN, E. F.; MUMFORD, S. L.; POLLACK, A. Z.; ZHANG, C.; YE, A.; STANFORD, J. B.; HAMMOUD, A. O.; PORUCZNIK, C. A.; WACTAWSKI-WENDE, J. Caffeinated beverage intake and reproductive hormones among premenopausal women in the BioCycle Study. American Journal of Clinical Nutrition, v. 95, n. 2, p. 488–497, 2012.

SHOU, M. Role of human hepatic cytochrome P450 1A2 and 3A4 in the metabolic activation of estrone. Carcinogenesis, v. 18, n. 1, p. 207–214, 1997.

SIMONSSON, M.; SÖDERLIND, V.; HENNINGSON, M.; HJERTBERG, M.; ROSE, C.; INGVAR, C.; JERNSTRÖM, H. Coffee prevents early events in tamoxifen-treated breast cancer patients and modulates hormone receptor status. Cancer Causes and Control, v. 24, n. 5, p. 929–940, 2013.

THORN, C. F.; AKLILLU, E.; MCDONAGH, E. M.; KLEIN, T. E.; ALTMAN, R. B. PharmGKB summary: Caffeine pathway. Pharmacogenetics and Genomics, v. 22, n. 5, p. 389–395, 2012.

TSUCHIYA, Y.; NAKAJIMA, M.; YOKOI, T. Cytochrome P450-mediated metabolism of estrogens and its regulation in human. Cancer Letters, v. 227, n. 2, p. 115–124, 2005.

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PROLACTINA (Parte 1): EFEITOS NA RESPOSTA À GLICEMIA

Este texto é o primeiro (de alguns) onde quero abordar sobre os efeitos metabólicos da prolactina. Pra tornar o texto mais organizado, vou primeiro explicar os efeitos da prolactina e mais tarde porque isso é bom ou ruim, ok, parsa? Se você não gosta de textão é só ir lá pra baixo onde diz RESUMO DA TRETA (tem até um íconezinho pra você saber onde é) que já vai ter uma ideia do que acontece.

Assim como qualquer hormônio, a prolactina possui vários efeitos biológicos. Apesar de ser negligenciada por muitos, ela exerce mais funções do que todos os outros hormônios pituitários JUNTOS. A secreção dela não é exclusiva da hipófise, sendo regulada por vários fatores. Naturalmente se encontra elevada na gravidez e/ou na fase de amamentação (já que participa ativamente da lactação), embora outros quadros clínicos e diversos fármacos também possam exercer efeito sobre ela.

Como é de se esperar quando falamos em endocrinologia as coisas não são fáceis e nem sempre parecem lógicas aos nossos olhos, com a prolactina não é diferente, pois diferentes concentrações causam efeitos distintos. O que as evidências trazem é que ela pode melhorar ou piorar a sensibilidade à insulina, conforme a concentração plasmática.

Os efeitos da prolactina sobre insulina se dão de duas maneiras: (1) alteração na quantidade/tamanho de células Beta do pâncreas (onde a insulina é produzida) e (2) alteração no funcionamento destas células. Os dois efeitos são regulados, aparentemente, pela ativação do Transdutor de Sinal e Ativador de Transcrição 5 (abreviado em inglês pra STAT-5) e pela inibição da proteína chamada Menin. O STAT5 promove crescimento e melhora no metabolismo das células Beta, enquanto que a proteína Menin inibe o crescimento das mesmas.

Comparado ao GH, que ativa de maneira mais curta o receptor de prolactina (em torno de 1h), a prolactina promove uma resposta em dois tempos, sendo um pico inicial de 30 min seguido de uma ativação prolongada de aproximadamente 4 horas (BRELJE et al., 2004).

Num recente estudo com ratos (PARK et al., 2012) níveis moderados de prolactina estimularam a proliferação das células Beta, melhoraram a estocagem de glicogênio no fígado, estimularam a atividade de enzimas glicolíticas (especialmente glicoquinase) e a expressão de genes de GLUT-2 nas células Beta.
Níveis altos de prolactina aumentaram a proliferação das células Beta, mas também causaram mais morte delas, no final das contas não houve grande aumento na quantidade por causa disso. Interessante que a prolactina alta também impediu a melhora da função das células Beta já que não melhoraram as enzimas glicolíticas e nem a expressão dos gentes de GLUT-2. Ainda diminuíram a Adiponectina (citocina anti-inflamatória) e a testosterona. Não bastasse isso, também elevaram o cortisol.

Em outro estudo (WEINHAUS et al., 2007) também ficou demonstrado que o STAT5 quando estimulado pela prolactina não trás efeitos diretamente, mas que ele ativa OUTRAS vias e essas sim é que promovem melhoria. Como você pode ver na figura, a prolactina se liga no seu receptor e isso ativa o STAT5, esse cara vai promover a transcrição de genes que vão desempenhar várias funções: aumentando a quantidade de receptores de prolactina (melhorando o sinal dela), aumentando a produção de GLUT-2 (que faz a glicose entrar na célula Beta), estimulando a produção de enzimas glicoquinase (que estimulam a degradação de glicose), estimulando a produção de insulina e aumentando a produção da Ciclina D2 (que vai fazer as células Beta se proliferarem).

Há ainda evidências de que a prolactina promove a expressão das proteínas SNARE, que tem papel fundamental na secreção da insulina. São elas que permitem que as vesículas carregadoras de insulina liberarem esse hormônio pra fora das células beta (CUNHA, 2004).

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203c.pngRESUMO DA TRETA TODA: Pra entender o que essas alterações significam imagine que o seu pâncreas é um maravilhoso motor (eu gosto de motores, não que isso importe pra você). Essa máquina está cheia de células beta, agora imagine que essas células são como cilindros onde a glicose é queimada pra liberar insulina. A prolactina basicamente é um cara que vai mexer nesse motor pra você e fazer ele render muito mais, quer ver só? Primeiro aumenta os dutos (GLUT-2) que levam combustível (glicose) pros cilindros, depois vai aumentar a quantidade de cilindros (células Beta), também vai aumentar a quantidade de glicoquinase que é quem começa a combustão. Depois vai melhorar o escapamento do motor (proteínas SNARE) com isso fica mais fácil para o produto final (insulina) sair dele. Então, supunhetamos que se antes o seu motor usava 2 kg de glicose pra produzir 500g de insulina, agora ele precisa de apenas 1,3kg pra produzir a mesma quantidade, ou seja, o motor produz a mesma coisa, mas precisa de bem menos combustível. As células Beta do pâncreas precisam, entre outras coisas, de glicose pra produzir energia e aí usam essa energia pra liberar insulina na corrente sanguínea. Quanto mais eficientes elas forem, melhor a produção de insulina então melhor a tolerância a glicose (a glicemia sanguínea se eleva menos).

Mas não se engane, se houver muita prolactina o seu motor pancreático não vai aguentar tanto tuning e vai te acontecer o mesmo que o Paul Walker sofreu em Velozes e Furiosos 1: estourar o motor todo. Pelas evidências, prolactina em excesso reduz Adiponectina e testosterona além de elevar cortisol (PARK et al., 2012) isso pode causar resistência à insulina/baixa tolerância a glicose. Tão prejudicial quanto prolactina alta é problema, a baixa concentração dela também é ruim. Há evidências de que a deficiência do hormônio reduz a secreção de insulina (FREEMARK et al., 2002). Então o segredo fica a cargo do equilíbrio.

O segredo então é manter os níveis controlados, preferencialmente dentro dos valores de referência. Nem sempre ela sozinha pode não ser um fator impactante na resposta à glicemia, por isso é importante analisar os níveis da mesma JUNTO de outros marcadores.

1f4f0.png? REFERÊNCIAS

BRELJE, T. C. et al. Distinctive roles for prolactin and growth hormone in the activation of signal transducer and activator of transcription 5 in pancreatic islets of Langerhans. Endocrinology, 2004. v. 145, n. 9, p. 4162–4175.

CUNHA, D. A. Da. Prolactina induz aumento na expressão das proteínas SNARE e da sinaptotagmina 4 em ilhotas de ratos. 2004. 67 p. Tese (Mestrado em Biologia Funcional e Molecular). Instituto de Biologia, Universidade Estadual de Campinas. <http://repositorio.unicamp.br/jspui/handle/REPOSIP/313941>

FREEMARK, M. et al. Targeted deletion of the PRL receptor: Effects on islet development, insulin production, and glucose tolerance. Endocrinology, 2002. v. 143, n. 4, p. 1378–1385.

PARK, S. et al. Central prolactin modulates insulin sensitivity and insulin secretion in diabetic rats. Neuroendocrinology, 2012. v. 95, n. 4, p. 332–343.

WEINHAUS, A. J. et al. Regulation of glucokinase in pancreatic islets by prolactin: A mechanism for increasing glucose-stimulated insulin secretion during pregnancy. Journal of Endocrinology, 2007. v. 193, n. 3, p. 367–381.

 

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PUMP MUSCULAR: DA HIDRATAÇÃO AO ANABOLISMO

Há exatamente duas semanas fiz uma postagem sobre retenção e anabolismo (link https://goo.gl/EGsYPh), aparentemente, o pump muscular favorece o crescimento muscular num mecanismo semelhante, entretanto, agora os mecanismos parecem mais esclarecidos.

O pump ocorre porque durante a contração muscular as veias que tiram o sangue dos músculos se contraem, diminuindo seu tamanho, enquanto que as artérias continuam levando sangue até eles normalmente, com isso, a musculatura em atividade vai se enchendo e a pressão local aumenta de forma a “empurrar” o sangue para o espaço intersticial (entre as células). Agora pense que o músculo tá cheio de sangue, esse volume todo vai ter que ir pra algum lugar. Quem vai ter que receber esse líquido extra são justamente as células musculares que estão no meio dessa confusão.

Uma hipótese proposta por Schoenfeld e Contreras em 2014 é que a entrada de água em excesso acaba forçando as paredes da célula, o que poderia danifica-las, por isso, existem osmosensores de volume associados à integrina dentro das fibras musculares, esses receptores percebem o alongamento que a membrana da célula sofre com a entrada de água. Então eles pensam “epa, isso aqui não tá certo, o bagulho tá ficando estranho” e ativam sinais anabólicos e anticatabólicos pra reforçar as paredes da célula e impedir que ela exploda. Aparentemente essas vias podem ser via MAPK e dependentes ou não de mTOR.

Também em 2000 os pesquisadores Dangott, Schultz e Mozdziak presumiram que a entrada de água nos músculos pode contribuir pra ativação das chamadas Células Satélite. Elas desempenham um papel importante pra reparar danos musculares causados por sobrecarga mecânica (leia-se treino). Pra esse reparo acontecer elas se diferenciam em mioblastos, depois se fundem às fibras lesionadas e doam seus núcleos, isso aumenta a capacidade de sintetizar novas proteínas contráteis.

é possível que as adaptações causadas pela hidratação do pump – especialmente o estresse nas paredes celulares – possam favorecer o ganho de massa muscular, mesmo sendo um efeito de duração relativamente curta. O próprio Arnold sempre foi admirador do efeito de pump, contudo, ainda não sabemos na prática o quanto isso influencia na hipertrofia.

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REFERÊNCIAS:

SCHOENFELD, Brad J; CONTRERAS, Bret. The Muscle Pump: Potential Mechanisms and Applications for Enhancing Hypertrophic Adaptations. Strength & Conditioning Journal. 36(3):21-25, June 2014.

DANGOTT B, SCHULTZ E, and MOZDZIAK PE. Dietary creatine monohydrate supplementation increases satellite cell mitotic activity during compensatory hypertrophy. Int J Sports Med 21: 13–16, 2000.

SCHLIESS, Freimut; HÄUSSINGER, Dieter. Cell hydration and mTOR-dependent signalling. Acta Physiol (Oxf) 187: 223–229, 2006.

 

 

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? RECEPTORES ADRENÉRGICOS BETA 3 PODEM MELHORAR O COLESTEROL VIA PRODUÇÃO DA APOLIPOPROTEÍNA A1

Estimulantes com atividades nos receptores adrenérgicos Beta 3 (B3) podem diminuir o colesterol plasmático e prevenir a aterosclerose, é o que estou sugerindo com base no estudo de Xiaojing Cao e Yanfang Li, publicado mês passado no Journal of Clinical Lipidology.

O que os caras fizeram foi basicamente testar o estímulo de receptores adrenérgicos Beta 3 em células do fígado (HepG2) cultivadas. No estudo, foi aplicado ou não um inibidor de PKA nas células e também fornecida uma substância que ligava e outra que desativava (agonista e antagonista) o receptor adrenérgico B3 e claro, um grupo controle (sem tratamento algum).

Eles perceberam que os receptores B3 estimulados promoviam o aumento da ApoA-1, a apolipoproteína mais abundante no colesterol HDL, tendo ela papel essencial no transporte do colesterol em excesso até o fígado (onde há de ser eliminado), além disso, tendo também papel anti-inflamatório.

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A expressão gênica da ApoA-1 acontece através de um gene específico, esse pequeno amigo tem 3 locais de ligação (A, B e C). O que os receptores Beta3 fazem é ativar os HFN 3 e 4 (Fatores Nucleares de Hepatócito) que se ligam nos sítios B e A, respectivamente. O HNF 4 também estimula uma outra proteína: a ABCA1 (Transportadores de Cassetes Ligante de ATP A1). Essa gracinha basicamente tem a função de jogar o colesterol pra fora das células. Ora, pois vejam só: lá fora estará uma ApoA-1 esperando pra pegar esse colesterol e dar um fim nele. Percebe, Ivair, a sinergia do cavalo?

Quando inibida a PKA, os efeitos estimuladores do receptor B3 foram quase que totalmente anulados, supondo que essa via está diretamente envolvida na estimulação da produção e secreção de ApoA-1 nas células do fígado.

Importante lembrar que as células HepG2 tem funcionamento bem parecido com o das células do fígado, contudo são derivadas de carcinoma hepático, por tanto a expressão e regulação de genes pode ser diferente do habitual.

CAO, Xiaojing. & LI, Yanfang. Adrenergic receptor regulates hepatic apolipoprotein A-I gene expression. Journal of Clinical Lipidology. Set. 2017. doi.org/10.1016/j.jacl.2017.07.007

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GAME OF THRONES, PROLACTINA E SISTEMA IMUNE?

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O que a prolactina tem a ver com sistema imunes? Aliás, o que é que tem a ver com Game of Thrones? Pois bem, sei que faço umas associações doidas, mas o tema é complexo e é só assim que eu consigo deixa-lo menos chato. Menos chato pra que seja mais fácil ser compreendido. Já explico, calma.

Pimeiro preciso te informar que prolactina é produzida em todos os tecidos do sistema imunológico (MARANO & BEN-JONATHAN, 2014), por alguns tipos de câncer e também pelas próprias células do sistema imune (aquelas que sua professora do fundamental chama de glóbulos brancos ou glóbulos de defesa), mas principalmente por uma célula de defesa chamada de Linfócito T. Caso você não se lembre das funções específicas de cada célula do sistema imune, tudo bem, não é essencial pra entender o texto. Se você apenas lembrar que linfócitos, células NK, etc. etc. são células de defesa já é um grande progresso.

Óbvio que se a prolactina é produzida em tudo quanto é canto do sistema imune, é de se esperar que ela desempenhe funções bem específicas nesse meio, não é mesmo? E desempenha mesmo, muita coisa.

Agora olhe para a foto, é Game of Thrones. Você verá a então rainha Cersei Lannister conversando com o Alto Pardal. Para fins didáticos imagine que Cersei representa a prolactina e que o Alto Pardal representa o conjunto de células do sistema imune. Esse exercício de imaginação tornará mais fácil o entendimento.

No mundo de Game of Thrones a Cersei deu poder ao Alto Pardal e reativou a Fé Militante, uma espécie de ordem militar sob o comando dele e com autoridade de distribuir justiça. Ora, então a Fé Militante funciona basicamente com o sistema imune: distribuindo pancadaria naquilo que parece errado. Muito bom.

É na hipófise que a maior parte de prolactina é produzida. Em estudos onde essa glândula é removida, a suplementação de prolactina provocou aumento de tamanho nos órgãos que participam do sistema imunológico (linfoides, baço e timo) e em linfócitos reverteu anemia, leucopenia e trombocitopenia. A prolactina também parece aumentar a quantidade de receptores de prolactina e de Interleucina 2 (IL-2) nas células de defesa, essa IL-2 é necessária para o amadurecimento de algumas células específicas do sistema imune. Não só isso, a prolactina não só estimula a produção de IL-2, mas trabalha em conjunto com ela melhorando a proliferação celular imune. Além disso, ela também prolonga a vida dos linfócitos por atrasar a morte programada dos mesmos (DÍAZ et al. 2012). Por fim, a prolactina também estimula a produção de anticorpos, bem como maturação de células dendríticas (WALKER, 2010).

Então Cersei deu poder ao Alto Pardal, ele agora tem autonomia como um bom moço do sistema imune, para investigar e destruir aquilo que não deveria estar por aí (no seu corpo).

Engraçado que apesar da evidência de um papel positivo na imunidade da prolactina, demonstrou-se que o desenvolvimento do sistema imune não foi afetado em ratos com deficiência de prolactina ou de sinalização de prolactina. Só que é complicado avaliar esses estudos, por dois simples motivos: o primeiro é que a cascata da prolactina (principalmente a via do Stat5) não é regulado somente por ela, então não tem como saber se suprimindo apenas prolactina iria causar problemas no sistema imune. Será que as outras ativadores dessa via não seriam capazes de segurar o tranco na ausência dela? Será que ao tirar a Cersei do comando o restante do pequeno conselho não iria continuar dando poder ao Alto Septo pra continuar vigiando? Difícil dizer. O segundo problema é que pra eliminar somente a prolactina é difícil, você acaba suprimindo ou promovendo atividade de hormônios também. A dopamina, por exemplo, é usada como contrarregulador. Alguns medicamentos, como bromocriptina, imitam os efeitos dela. Porém, a bromocriptina vai desativar a prolactina, mas funcionará como dopamina (DORSHKIND & HORSEMAN, 2000). E adivinhe só, células do sistema imune também tem receptores para dopamina, sendo regulados por ela. Seria como tirar o trono da mão da rainha, mas colocar outro rei que vai manter a Fé Militante também.

O estresse também causa liberação de prolactina e aqui ela parece exercer outro efeito imunomodulador interessante. Glicocorticoides são substâncias liberadas durante o estresse com papel fundamental na sobrevivência, acontece que eles apresentam como efeito colateral a morte de certas células de defesa. Isso se dá após a ligação dos glicocorticoides com seus devidos receptores. A prolactina naturalmente ativa uma proteína chamada Stat5, essa por sua vez se liga ao receptor de glicocorticoide e reduz sua atividade em aproximadamente 75%, podemos observar na IMAGEM 2 (STÖCKLIN et al., 1996). Lembrando que receptor de glicocorticoide ativa a enzima lipoproteína lipase, a inibição dele é um mecanismo suposto pelo qual a prolactina pode favorecer o ganho de gordura (MINGRONE et al., 2008), mas isso é assunto para outro post.

Nenhum texto alternativo automático disponível.

Então chegamos ao ponto de que ela participa do sistema imune, exerce efeitos positivos, mas não sabemos ao certo se ela é ou não ESSENCIAL para a imunidade. Vamos guardar essa dúvida pra mais tarde. Ah, e talvez (somente talvez) seja interessante ressaltar que após a ativação das células imunes, a vitamina D3 também estimula a produção de prolactina.

Em algum momento da série algo deu errado. Cersei deu poder demais ao Alto Pardal e agora ele está quase que fora de controle atacando o que “não deveria”. Com a prolactina e o sistema imune ocorre o mesmo: excesso de prolactina (efeito chamado hiperprolactinoma) turbina tanto seu sistema imune que ele começa a atacar ao seu próprio corpo. Com prolactina alta é como se suas células imunes se transformassem em Black Blocs enraivecidos baixando a porrada no que aparecer pela frente. Vamos entender como isso ocorre agora mesmo.

Níveis elevados de prolactina acabam por reduzir a morte programada e o limiar de ativação dos linfócitos B, além de evitar a destruição dos que são autorreativos (que atacam os tecidos do seu próprio corpo). É como se a Fé Militante não só fosse mais poderosa, mas tivesse um tolerância bem menor. O que antes não parecia pecado tão grave, agora parece e é motivo de porrada e represália. Outro fato intrigante é que nesse ponto perde-se a capacidade de destruir as células B são defeituosos já no amadurecimento e tendem a ter atividade autoimune. Digamos que até então a Fé Militante recrutava, mas os jovens que pareciam muito violentos eram descartados da seleção, pois bem, agora eles podem fazer parte da ordem e tretar com quem achar. A prolactina melhora ainda aumenta a multiplicação de antígenos e mitógenos, citocinas e autoanticorpos. O nome já sugere o que eles podem desencadear: doenças autoimunes.

Excesso de prolactina foi observado em pacientes com doenças autoimunes como lúpus eritematoso sistêmico, artrite reumatoide, síndrome de Sjogren, tireoidite de Hashimoto e esclerose múltipla.

Correlação é não é algo conclusivo, mas vamos prestar atenção em alguns números. Na população em geral é esperado que a hiperprolactinoma atinja algo em torno de 0,4%. Mas nas doenças autoimunes esse número é bem mais alto. No lúpus a presença de hiperprolactinoma varia de 15% a 33%. Na síndrome de Sjogren varia de 3,6% a até 45,5%. Na hepatite C crônica foi de 10,1%. Bem mais que o normal. Curioso, não?

Não só quantidade de prolactina, mas também o TIPO parece influenciar na resposta imune. Existem três isoformas principais de prolactina: pequena prolactina ou monomérica (forma mais potente), grande prolactina e muito grande prolactina (macroprolactina). A macroprolactina é formada basicamente por prolactinas pequenas unidas com um anticorpo G. A maior predominância de pequena prolactina foi relacionada com lúpus, enquanto menores níveis dela e/ou maiores níveis de macroprolactina foram negativamente correlacionados. Talvez você se pergunte como alterar a distribuição delas, pois eu também me pergunto, haja vista que não sei.

Assim como alguns membros da Fé Militante tem maior interesse em punir pecados sexuais, há os que prefiram proibir pecados de desonestidade, enfim, o sistema imune parece igual. O desequilíbrio nas células de defesa Th1 e Th2 altera o tipo de desordem autoimune que o indivíduo pode apresentar. As células Th1 tendem a estar presentes no acometimento de artrite reumatoide, esclerose múltipla e diabetes mellitus. Enquanto que as Th2 estão mais presentes no lúpus eritematoso sistêmico e tireoide de Hashimoto. Como podemos observar na IMAGEM 3, a prolactina induz maturação de monócitos para células dendríticas, aumentando o complexo de histocompatibilidade principal e as moléculas coestimuladoras, ativando células do sistema imune Th1 e Th2 e na sequência células B. Elas acabam produzindo prolactina também, gerando uma espécie de feedback positivo. É instalado um sistema que se sustenta.

A imagem pode conter: texto

Infelizmente a capacidade da prolactina em evitar a morte programada pode contribuir para a manutenção e sobrevivência de alguns tipos de câncer, fazendo 0 hiperprolactinoma mais desagradável (PERKS et al., 2004) (BERINDER et al., 2011)(THOMAS; MOREHOUSE; TOO, 2012). Há ainda evidências de mostrando a presença de receptores de prolactina em macrófagos de placa aterosclerótica em locais de inflamação mais ativa. Pode ser que a sinalização do receptor de prolactina contribua para a resposta inflamatória local dentro da placa aterosclerótica o que aumentaria a aterogênese (REUWER et al., 2011).

Por fim, existe uma desconfiança de que a prolactina ainda pode alterar o estado do sistema imunológico já que exerce efeitos do sono (OBAL, 2005)(BLYTON et al., 2002). E o sono, ou melhor dizendo o ciclo circadiano, promove mudanças na atividade imune. O sono aumenta consideravelmente no número de precursores de células dendríticas produzindo IL-12, com consequente resposta de células Th1; reduz as células dendríticas plasmocitóides e a contagem de células T e reduz o número de algumas subpopulações de monócitos. Isso quer dizer que eu sei como o sono influencia no sistema imune? Não, mas quer dizer que ele exerce alguma influência, e é hipotetizado que como há certa melhora dele graças a prolactina, também pode haver contribuição disso pra exacerbação da resposta imune.

A que conclusão isso pode nos levar? Bem, fica claro que a prolactina atua no sistema imunológico como fator de sobrevivência, por promover proliferação, ativação e inibir a morte programada das células de defesa. Isso talvez possa ajudar a manter o número adequado de células imunes em condições fisiológicas e a manter a tolerância imune. Já o excesso de prolactina desequilibra o sistema imunológico, podendo causar reatividade e até mesmo o desenvolvimento ou agravo de doenças autoimunes. Talvez esses dados possam nos indicar uma terapia alternativa para o tratamento de doenças autoimunes.

Acho que é isso, mas não tenho certeza de nada.

?REFERÊNCIAS

BERINDER, K.; AKRE, O.; GRANATHAND, F.; HULTING, A. L. Cancer risk in hyperprolactinemia patients: A population-based cohort study. European Journal of Endocrinology, v. 165, n. 2, p. 209–215, 2011.

BLYTON, D. M.; SULLIVAN, C. E.; EDWARDS, N. Lactation is associated with an increase in slow-wave sleep in women. Journal of Sleep Research, v. 11, n. 4, p. 297–303, 2002.

DORSHKIND, K.; HORSEMAN, N. D. The roles of prolactin, growth hormone, insulin-like growth factor-I, and thyroid hormones in lymphocyte development and function: insights from genetic models of hormone and hormone receptor deficiencyEndocr Rev, 2000. .

DÍAZ, L. et al. and I. M. Prolactin in the Immune System. Design, Control and Applications of Mechatronic Systems in Engineering, p. 135–152, 2012.

MARANO, R. J.; BEN-JONATHAN, N. Minireview: Extrapituitary Prolactin: An Update on the Distribution, Regulation, and Functions. Molecular Endocrinology, v. 28, n. 5, p. 622–633, 2014.

MINGRONE, G. et al.. Prolactin and insulin ultradian secretion and adipose tissue lipoprotein lipase expression in severely obese women after bariatric surgery. Obesity, v. 16, n. 8, p. 1831–1837, 2008.

OBAL, F. Rapid Eye Movement Sleep Is Reduced in Prolactin-Deficient Mice. Journal of Neuroscience, v. 25, n. 44, p. 10282–10289, 2005.

PERKS, C. M. et al. Prolactin acts as a potent survival factor for human breast cancer cell lines. British journal of cancer, v. 91, n. 2, p. 305–11, 2004.

REUWER, A. Q. et al. The prolactin receptor is expressed in macrophages within human carotid atherosclerotic plaques: A role for prolactin in atherogenesis? Journal of Endocrinology, v. 208, n. 2, p. 107–117, 2011.

STÖCKLIN, E.; WISSLER, M.; GOUILLEUX, F.; GRONER, B. SL7 Functional interactions between Stat5 and the glucocorticoid receptor.Nature, 1996. .

THOMAS, L. N.; MOREHOUSE, T. J.; TOO, C. K. L. Testosterone and prolactin increase carboxypeptidase-D and nitric oxide levels to promote survival of prostate cancer cells. Prostate, v. 72, n. 4, p. 450–460, 2012.

WALKER, S. E. Prolactin and Autoimmunity. Principles of Gender-Specific Medicine, v. 11, n. 6–7, p. 597–614, 2010.

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ESTEROIDES E MULHERES: DA OBESIDADE CENTRAL À RESISTÊNCIA INSULÍNICA

Bom, não é segredo pra ninguém que o uso de esteroides vem aumentando consideravelmente ano após ano, nem é preciso que o IBGE vá as ruas perguntar “Nos escuse a petulância, mas você utiliza bombas?” pra descobrir isso. A busca pelo uso de esteroides (leia-se hormônios anabólicos androgênicos) é, obviamente, a melhora da composição corporal ao diminuir o percentual de gordura e aumentar o volume/qualidade muscular. No público feminino os colaterais mais conhecidos são o aumento da acne, queda do cabelo, retenção de líquidos, engrossamento da voz, crescimento anormal de pelos, não sendo tão raro encontrar moças detentoras de corpos esculturais, mas com barbinha e em alguns casos falando mais grosso até que eu (pouco provável). Tem várias tretas cardiovasculares, neuronais etc, só pra constar, é claro.

Pra infortúnio da mulherada existem alguns efeitos colaterais que vão contra os objetivos estéticos, são eles: resistência à insulina, adiposidade abdominal e redução do gasto energético. Epa, peraí, mas os esteroides, especialmente a testosterona, não deveriam fazer o oposto? E o post do dotô falando sobre suplementar com testosterona porque esse é melhor hormônio existente nesta nessa terra de incertezas e mágoas? Bem, é complicado, mas calma lá, tentaremos entender. VEM COMIGO MONSTRO (A), vamos ver o que a literatura (também conhecida como CIÊNCIA) tem a dizer sobre isso.

Não tem a menor chance de um comitê de ética aprovar um estudo prescrevendo esteroides pra mulheres só pra ver o que acontece com elas a nível molecular, mas felizmente (ou não) existe uma condição patológica que faz com que as damas produzam mais testosterona do que o normal: a síndrome de ovário policístico. Essa patologia faz com que o ovário e as adrenais produzam andrógenos em excesso, condição chamada hiperandrogenismo. É com esse tipo de evidência que vou tentar explicar como os esteroides podem afetar o metabolismo feminino.

Uma revisão (1) comparou os efeitos dos andrógenos em homens e mulheres. Aparentemente a deficiência de testosterona em masculinos tem efeitos parecidos com o excesso do mesmo hormônios em femininas. Nos caras a testosterona é uma maravilha: reduz a gordura visceral, diminui adiponectina, melhora sensibilidade insulínica periférica, estimula PGC1a, reduz a síntese de lipídeos no fígado, aumenta o gasto energético, melhora sensibilidade a leptina e a secreção de insulina (IMAGEM 1).

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Só que nas moças o contrário é evidenciado. Se você der uma boa olhada na IMAGEM 2 verá que o hiperandrogenismo maltrata bastante as damas.

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Pra começar, há um incremento no estresse oxidativo sistêmico pela ativação do Fator Nuclear Kappa B (NFkB), o que leva a uma mobilização de macrófagos tipo 1, esses monstrinhos são como tratores dentro do seu corpo produzindo bilhões de citocinas inflamatórias e agentes pró-oxidantes. Não os leve a mal, é o papel deles, isso é uma resposta imunológica (claro que mal desencadeada).

O tecido adiposo também passa por remodelação. Naturalmente as mulheres tem uma proporção de gordura bem maior que os homens (aproximadamente o dobro), só que distribuído na região gluteal/femural, enquanto que os homens tem mais gordura visceral e na região da cintura. O hiperandrogenismo também altera a expressão de proteínas no tecido adiposo (1), levando a uma “masculinização” da gordura nas mulheres, ou seja, elas passam a ter maior estocagem de gordura na região da cintura. Percebe, Ivair, a petulância dos andrógenos? Virilizam até sua pança!

Alterações na secreção e funcionalidade da leptina também são evidenciadas (1)(2)(6)(7). O mecanismo não parece claro, mas foi relatada diminuição da atividade da Leptina na termogênese do tecido gordo marrom, lavando a um menor gasto energético. Também foi relatada produção excessiva de leptina (hiperletpinemia) e resistência à ela. Outro interessante ocorrido foi a redução da expressão de proopiomelacortina (POMC), responsável por controlar o apetite entre várias outras coisas.

Mas o que mais me intriga é a resistência insulínica. Na verdade a insulina e eu sempre fomos grandes amigos e nunca tivemos segredos entre nós. Eu sempre soube o que precisava saber, mas agora estamos falando de MULHERES. Mulher é complicada, mesmo a nível molecular. Isso simplesmente não deveria acontecer, mas acontece e vários fatores são associados a esta resistência.

O que se sabe é que em mulheres com hiperandrogenismo a insulina tem uma eficácia de 35% a 40% menos, isso já obriga o pâncreas a produzir mais insulina pra compensar e então se instala uma hiperinsulinemia. Uma parada interessante é que o hiperandrogenismo parece aumentar as fibras musculares tipo II (menos sensíveis a insulina) e inibir a atividade da glicogênio sintase no músculo (6)(7), aí você já tem resistência insulínica na musculatura.

O aumento do estresse oxidativo sistêmico e do tecido adiposo abdominal/visceral contribuem pra resistência insulínica, já expliquei sobre nesse vídeo https://goo.gl/RtbA7p Diminuição dos GLUT-4 na gordura (4) também é um mecanismo adicional pra essa condição. Na IMAGEM 3 você pode perceber resumidamente o que acontece: o excesso de andrógenos promove aumento da gordura visceral que por sua vez secreta uma porrada de citocinas inflamatórias e essas detonam a cascata da insulina nos tecidos alvos, impedindo a glicose de entrar (via redução de GLUT-4), o pobre pâncreas é que tem que segurar a onda e passa a produzir mais insulina pra dar conta do recado e impedir que você mulher linda e maravilhosa tenha hiperglicemia. Óbvio que ninguém é de ferro, de tanto trabalhar em algum momento o pâncreas vai começar a travar e aí eu te desejo boa sorte.

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Creio eu (eu creio, porque a ciência crê, e nela minha fé está) que os maiores problemas acontecem depois do receptor de insulina. Veja bem, a insulina se liga normalmente ao receptor, contudo a cascata de efeitos não ocorre normalmente. Na IMAGEM 4 fica detalhada a vasta cascata de sinalização da insulina. O hiperandrogenismo atua negativamente aqui de várias maneiras: a PKC (circulada em verde) parece ter seu efeito reduzido, tendo ela participação ativa na translocação de GLUT-4. Entretanto, o fator mais impactante é a fosforilação em serina do IRS (substrato do receptor de insulina), aliás, se um dia você for pro Show do Milhão e o Sílvio te perguntar qual o defeito mais presente na resistência insulínica, você pode falar sem pensar que é fosforilação em serina do IRS, é muito provável que acerte e fique rico.

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Caso você não saiba, o IRS tem diferentes sítios onde um fosfato pode se ligar, normalmente o receptor da insulina coloca um fosfatinho em TREONINA do IRS e com isso ele segue saltitante e alegre propagar a sinalização da insulina. Agora se um fosfato for colado em SERINA ele será desativado e não fará nada.

Outra coisa importante é que a resistência insulínica é seletiva. Na FIGURA 4 circulado em azul está a Proteína Ligada ao Receptor do fator de Crescimento 2 (GRB2), esta via pode funcionar independente da atividade o IRS, logo, a insulina pode exercer seus efeitos mitogênicos (expressão de genes, proliferação, etc.) mesmo sem exercer seus efeitos metabólicos (captação de glicose, síntese de glicogênio, anabolismo e por aí vai). Esta via pode agravar a resistência insulina uma vez que os ERKs 1/2 podem ativar a via da JNK, conhecida inimiga dos efeitos metabólicos insulínicos.

É CONFUSO? Calma, vou resumir. Na IMAGEM 5 vemos claramente que através do excesso de andrógenos, aqui demonstrado através da PCOS (síndrome de ovário policístico, na sigla em inglês), o receptor de insulina é fosforilado em serinas, o que o desativa. Aquela outra via, a do GRB2, entretanto, pode funcionar sozinha induzindo os efeitos mitogênicos da insulina. Só que sem IRS funcionando, não terá também AKT trabalhando, tampouco PI3K. Se essas gracinhas estão desocupadas você não tem os efeitos benéficos da insulina e o que isso te trará? Mais glicose no sangue, já que ela não está entrando pros tecidos que deveria.

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Agora façamo-nos uma pergunta: por que maldição o IRS é fosforilado em serina? Seria o Mr. M capaz de desvendar esse mistério? Eu aposto que não, já que até a ciência está com dificuldade pra isso. Pra tentar explicar essa inativação da IRS foi sugerido uma hipotética serina-kinase (7), onde a mesma estaria inativando a atividade da AKT e também estimulando a atividade dos Citocromos P450 envolvidos na “fabricação” de esteroides (IMAGEM 6).

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Agora na IMAGEM 7 os caras foram ainda mais longe e propuseram que essa fosforilação em serina é causada pelos ácidos graxos livres nas células. É conhecido que esteroides androgênicos melhoram o funcionamento dos receptores Beta Adrenérgicos a Lipase Hormônio Sensível no tecido adiposo visceral. Provavelmente com isso você tem maior liberação de ácidos graxos livres vindos os quais em excesso vão zoar tudo, pela fosforilação em serina do IRS.

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Outras coisas que é importante observarmos: atividade física e dieta são diretrizes no tratamento de atividade física, levando em consideração que a maioria das mulheres que usam esteroides treina e se alimenta corretamente (ou pelo menos deveria, né?) é explicável porque resistência insulínica e adiposidade abdominal não são tão presentes.

O uso de esteroides menos androgênicos que a testosterona, como oxandrolona e metenolona, podem interferir nisso, já que esses efeitos deletérios se dão especificamente pelo receptor de andrógenos. O tempo de uso também é impactante, logo é algo a se levar em conta. Interessante observar que o hiperandrogenismo provavelmente não é o único fator que desencadeia resistência insulínica, até porque o tratamento pra reduzir os andrógenos ou desativar o receptor androgênico nem sempre revertem o quadro.

Por fim, dê uma nova olhada nas imagens 3 e 7. Você percebe algo estranho? Está bem claro que os andrógenos contribuem pra resistência insulínica, mas também fica evidenciado que a resistência insulínica por si causa hiperandrogenismo, especialmente pela ativação da CYP450c17. É uma espécie de bola de neve onde um alimenta o outro. Será que o uso de esteroides exógenos não poderia fazer essa bola de neve metabólica começar rolar e, a partir daí, quem vai segurá-la?

RESUMINDO:

274c.png "Masculiniza" a gordura feminina: as mulheres naturalmente tem o percentual de gordura maior que os homens, entretanto a distribuição da gordura nas mulheres costuma ser melhor que nos homens. No público masculina a gordura é normalmente concentrada na região da cintura/abdome enquanto que nas mulheres ela é distribuída nos flancos, coxas e quadril. Acontece que a gordura abdominal é mais prejudicial a saúde que as outras. Ela também estimula o aumento dos macrófagos, piorando a sensibilidade a insulina e favorecendo a obesidade. Acontece que com o uso de andrógenos as mulheres sofrem alterações a nível genético que favorece o depósito de gordura na região abdominal.

274c.png Resistência insulínica no músculo: o uso de andrógenos altera a proporção de fibras musculares I e II, essa proporção desequilibrada acaba resultando numa menor captação de glicose pelo músculo, levando a resistência insulínica.

274c.png Alteração de receptores no hipotálamo: o hipotálamo feminino fica menos responsivo a leptina e à produção de POMC, isso leva a diminuição da ativação da gordura marrom, levando a um menor gasto energético.

274c.png Hiperinsulinemia: mulheres ficam 35% a 40% menos sensíveis a insulina com o excesso de andrógenos. Isso leva a um aumento da produção de insulina pra compensar esse efeito negativo. Isso, obviamente, pode dificultar a queima de gordura, engordar e até levar a um caso de diabetes tipo II.

 

Infelizmente a ciência não elucidou completamente como se dão os efeitos deletérios do hiperandrogenismo em mulheres, mas já podemos ter uma luz na situação. Todavia, nada nos impede de especular e discutir em cima do que já está elucidado.

 

1f4f0.png REFERÊNCIAS:

Navarro, G., Allard, C., Xu, W. and Mauvais-Jarvis, F. (2015), The role of androgens in metabolism, obesity, and diabetes in males and females. Obesity, 23: 713–719. DOI: 10.1002/oby.21033

Baptiste, Catherine G. et al. Insulin and Hyperandrogenism in Women with Polycystic Ovary Syndrome. The Journal of steroid biochemistry and molecular biology 122.0 (2010): DOI: 10.1016/j.jsbmb.2009.12.010

A E Newell-Fugate. The role of sex steroids in white adipose tissue adipocyte function. Reproduction. 2017 Apr;153(4):R133-R149. DOI: 10.1530/REP-16-0417

Rosenbaum D, Haber R & Dunaif A. 1993 Insulin resistance in polycystic ovary syndrome: decreased expression of GLUT-4 glucose transporters in adipocytes. American Journal of Physiology – Endocrinology and Metabolism 264 E197–E202.

Corbould A. 2007 Chronic testosterone treatment induces selective insulin resistance in subcutaneous adipocytes of women. Journal of Endocrinology. 192 585–594. DOI: 10.1677/joe.1.07070

Evanthia Diamanti-Kandarakis, Andrea Dunaif; Insulin Resistance and the Polycystic Ovary Syndrome Revisited: An Update on Mechanisms and Implications, Endocrine Reviews, Volume 33, Issue 6, 1 December 2012, Pages 981–1030. DOI: 10.1210/er.2011-1034

Joselyn Rojas, Mervin Chávez, Luis Olivar, et al. Polycystic Ovary Syndrome, Insulin Resistance, and Obesity: Navigating the Pathophysiologic Labyrinth. International Journal of Reproductive Medicine, vol. 2014, Article ID 719050, 17 pages, 2014. DOI: 10.1155/2014/719050

Escobar-Morreale HF, San Millán JL. Abdominal adiposity and the polycystic ovary syndrome. Trends Endocrinol Metab. 2007 Sep;18(7):266-72. Epub 2007 Aug. DOI: 10.1016/j.tem.2007.07.003

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Deca, Stanozolol e suas articulações
Separando fatos da ficção

Eu estive de certa forma amaldiçoado por certas questões desde que eu comecei a ler sobre esteroides uma década atras. Certas ideias nunca encaixaram bem comigo...e infelizmente, quando eu fiz mais perguntas, eu somente recebi respostas parecidas. Quando eu fui apresentado ao mundo dos grupos de esteroides da internet cerca de meia década atras, eu fiz as mesmas perguntas aos "poderosos" dos grupos que eu era membro. Eu recebi muitas das mesmas respostas, mas as minhas mensagens privadas e e-mails aos moderadores e os staffs em vários grupos pedindo referencias ou algum tipo de lógica foram todas deixadas sem resposta. As vezes eu era avisado de que "isso é bem conhecido...etc..." e dito para parar de perguntar. Bem conhecido pra quem? Certamente não é bem conhecido pra mim.

Um dos mais irritantes "fatos bem conhecidos" é o que Decanoato de Nandrolona (Deca) melhora e suaviza suas articulações por reter água nelas. E, vice versa, Stanozolol tem um efeito "reverso osmótico" nas suas articulações, que faz elas doerem quando você o usa, porque ele extrai água do seu corpo, incluindo as articulações. Reverso Osmótico? Wow...se nós usamos palavras realmente grandes, talvez pareceremos espertos e as pessoas irão parar de fazer perguntas. Eu acredito que este seja o dito mais encontrado em grupos de esteroides anabolizantes ,e provavelmente como os staffs nesses grupos começam suas orações noturnas...

Minha primeira pista para resolver esse mistério é que Stanozolol é um derivado de DHT, assim como Masteron, e eu tenho um amigo que teve problemas de articulação quando usava ambos eles. Um pouco de pesquisa revelou que muitas pessoas dividem essa aflição. E é bem obvio que muitas pessoas que usaram Deca encontraram um alívio em problemas crônicos de articulação e dor. Eu sei que Deca é um esteroide derivado 19-nor, e também sei que é uma progestina, e por isso pode estimular o receptor de progesterona (15) cerca de 20% bem como a progesterona. Eu também sei que ela aromatiza (converte em estrogênio) em um nível muito menor que testosterona (16). Será que a resposta de alguma forma se encontra nos níveis de estrogênio? Bem, Deca realmente não aromatiza tanto, então talvez tenha uma sinergia entre a estimulação de progesterona da Deca e seu baixo efeito estrogênico?

Nós certamente sabemos que a depleção de Estrogênio pode diminuir a densidade mineral óssea e a reposição de estrogênio rapidamente restaura a perda óssea (18). Além disso, nós sabemos que estrogênio é auxiliado nisso pela progesterona, porém estrogênio é mais importante (19). Colágeno também melhoraria pela adição de estrogênio e progesterona (20). Mas isso é tudo? Por que suas juntas "sentem" melhor com deca? E onde isso nos leva, em termos de que Stanozolol e Masteron causar dor nas articulações? Eu sempre achei que tinha algo mais além disso. E eu acho que a resposta se encontra em DHT.

Veja, a administração de DHT é documentada por diminuir os níveis de estrogênio através de uma variedade dos mecanismos no tecido periférico (1). DHT inibe diretamente atividade estrogênica nos tecidos, ou agindo como um competitivo antagonista no receptor de estrogênio ou diminuindo a ligação do receptor de estrogênio. De qualquer jeito, esses são dois mecanismos claros da possibilidade de ação no tecido periférico.

DHT e seus metabolitos têm ainda demonstrado inibir aromatização, e esse é um possível mecanismo onde pode reduzir os níveis circulantes de estrogênio no seu corpo. De fato, DHT, androsterona, e 5alpha-androstandiona são todos potentes inibidores da formação de estrona por androstandiona. Finalmente, DHT age no HPT para diminuir a secreção de gonadotropinas (ela à inibe). De fato, é tão potente em reduzir estrogênio que o gel transdérmico DHT aplicado na área afetada tem sido usado para tratar ginecomastia (5)(6). Estrogênio é o culpado primário em gineco (8), contudo nós sabemos que progesterona pode ser sinergista com estrogênio nesse (e outros) aspecto(s).

DHT também tem um efeito negativo nas células de biossíntese de Progesterona (7), e ainda tem a capacidade de inibir a elevação de progesterona causada pelo estrogênio (10). Portanto DHT seria (e é) muito efetivo em reduzir gineco porque ele reduz ambos estrogênio bem como a progesterona. Essa propriedade tem com esteróides derivados do DHT, em sua maior parte, desde que Masteron foi observado em alguns casos em ter efeitos positivos em reduzir tumores no tecido mamário(9), que é essencialmente o que ginecomastia é (embora benigno). Você continua comigo? Bom, porque eu quero que você guarde essa primeira ideia (DHT reduz estrogênio e progesterona), e ponha isso na parte de trás da sua mente enquanto você lê essa próxima parte, que é sobre seu sistema imunológico.

Células T auxiliares 1 (TH1) secretam citosinas pró-inflamatórias bem como promove respostas imunes mediada por células, enquanto que as células TH2 desencadeiam produção de anticorpos (2). Hormônios sexuais (tal como progesterona) que promove o desenvolvimento de uma resposta de TH2 também aparece para antagonizar o aparecimento de células TH1. Por isso, quando os níveis de progesterona (ou o receptor de progesterona, PgR) forem estimulados, você terá mais citosinas anti-inflamatórias flutuando e menos citosinas pro-inflamatórias. Aspirina, Tylenol, e todos os anti-inflamatórios de balcão também são úteis como analgésicos. Os efeitos anti-inflamatórios estão altamente ligados com a atividade analgésica. O que acontece quando mulheres com artrite engravidam? Elas apresentam uma típica redução de dor nas articulações. Isso, eu afirmo, é devido ao aumento do estrogênio e progesterona durante a gravidez, e o efeito anti-inflamatório que eles geram.

Progesterona, assim como testosterona, ambos estimulam a imunidade humoral, (o TH2) e suprimem a imunidade celular (resposta TH1). Logo, progesterona tem um efeito anti-inflamatório. Deca é uma progestina, que significa que ela estimula o receptor de progesterona. E é por isso que ela alivia dores articulares. Lembra daquela velha ideia de que Deca promove "retenção de água" nas articulações, e por isso ajuda na melhora de suas articulações? Besteira. Você acabou de ler o real motivo de deca ajudar nas articulações. Deca realmente funciona de dois modos como um andrógeno —que tem efeitos bem documentados nos corticoesteroides— e como uma progestina para reduzir inflamação.

Vamos em frente....

Estrogênio exerce um conhecido efeito bifásico (duas fases). Em baixas quantidades, como um pró-inflamatório, porque ela estimula o braço de TH1 do sistema imune (imunidade celular) e inflamação. Em maior(es) quantidade(s), é na verdade um anti-inflamatório (2). Então quando alguém usa um anti-estrogênico muito forte (ou inibidor de aromatase), esse alguém perde água (porque estrogênio causa retenção hídrica) bem como sente dores nas articulações devido ao efeito pró-inflamatório gerado pelos baixos níveis de estrogênio. Letrozol, que reduz níveis de estrogênio no plasma sanguíneo devido a inibição de aromatase, é o melhor exemplo disso. Ele é famoso por causar dores nas articulações. Letrozol diminui ambos atividade da aromatase bem como (obviamente) níveis de estrogênio no plasma, em adição reduz níveis de progesterona (3). Por isso quando pessoas usam Letrozol, elas afirmam que ele "tira água de suas juntas" e faz eles sofrerem. Novamente, isso é uma total besteira.

Baixando o estrogênio reduz a retenção de água, mas com a mesma importância ele também vai limitar a habilidade do seu corpo de produzir reações anti-inflamatórias mediados por estrogênio para a musculação. Você perde água e suas articulações doem, por isso há o mito de que quando você perde água nas articulações é a causa do desconforto. É verdade que você perde água subcutânea quando os níveis de estrogênio estão baixos, mas simplesmente não é verdade que perdendo essa água vai fazer suas articulações doerem. Nós também podemos afirmar que Testosterona pode ter algum efeito anti-inflamatório ambos pela sua aromatização em estrogênio tão bem como os efeitos nos corticoesteroides. Isso também, é bem documentado.

Agora, vamos ver se podemos trazer de volta o trecho que eu pedi que você se lembrasse....o trecho onde eu te disse que DHT reduz estrogênio e progesterona. Até agora nós estabelecemos que a redução de ambos os hormônios (Estrogênio e Progesterona) são causados por DHT e derivados do DHT, que carregam muitas das mesmas propriedades e produzem metabolitos semelhantes. E essa redução no Estrogênio/Progesterona, causado pelo DHT, reduz a produção de citosinas anti-inflamatórias e analgésicas do seu corpo. E é isso que Stanozolol, Masteron, etc. fazem causando dor nas articulações. E como percebemos no começo desse artigo, quando alguém diminui estrogênio e progesterona, a densidade mineral óssea e o colágeno irão sofrer efeitos deletérios.

Então nós temos finalmente uma explicação plausível para os efeitos contrastantes de Deca e Stanozolol sobre as articulações.

Desconheço o autor do texto, caso alguém conheça, sinta-se a vontade pra deixar os devidos créditos.


Referências
1. MacDonald PC, Madden JD, Brenner PF, Wilson JD, Siiteri PK 1979 Origin of estrogen in normal men and in women with testicular feminization. J Clin Endocrinol Metab 49:905–916
2. Science, Vol 283, Issue 5406, 1277-1278 , 26 February 1999
3. Eur J Obstet Gynecol Reprod Biol. 2002 Nov 15;105(2):161-5.
4. J Clin Endocrinol Metab. 1995 Sep;80(9):2658-60.
5. Successful percutaneous dihydrotestosterone treatment of gynecomastia occurring during highly active antiretroviral therapy: four cases and a review of the literature.
6. Clin Infect Dis. 2001 Sep 15;33(6):891-3. Epub 2001 Aug 10.
7. Androgens and the immunocompetence handicap hypothesis: unraveling direct and indirect pathways of immunosuppression in song sparrows.
8. Am Nat. 2004 Oct;164(4):490-505. Epub 2004 Sep 1.
9. Nippon Sanka Fujinka Gakkai Zasshi. 1988 Mar;40(3):331-7.
10. Progesterone is not essential to the differentiative potential of mammary epithelium in the male mouse. Freeman, Topper. Endocrinology. 1978 Jul;103(1):186-92
11. Eur J Cancer Clin Oncol. 1983 Sep;19(9):1231-7.
12. Biol Reprod. 1989 Jun;40(6):1201-7.
13. Metabolism. 1990 Nov;39(11):1167-9.
14. Effects of nandrolone decanoate on bone mineral content R, Righi GA, Turchetti V, Vattimo A.
15. Cancer Res 1978 Nov;38(11 Pt 2):4186-98
16. Biosynthesis of Estrogens, Gual C. et al. Endocrinology 71 (1962) 920-25
17. Comparative effects and mechanisms of castration, estrogen anti-androgen, and anti-estrogen-induced regression of accessory sex organ epithelium and muscle.Invest Urol. 1981 Jan;18(4):229-34.
18. [Clinical aspects of estrogen and bone metabolism]
Clin Calcium. 2002 Sep;12(9):1246-51. Japanese.
19. The effects of progestins on bone density and bone metabolism in postmenopausal women: a randomized controlled trial.
20. Bone response to treatment with lower doses of conjugated estrogens with and without medroxyprogesterone acetate in early postmenopausal women.
Osteoporos Int. 2005 Apr;16(4):372-9. Epub 2005 Jan 15.
21. Am J Obstet Gynecol. 2005 Apr;192(4):1316-23; discussion 1323-4.

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Antes de mais nada, o tópico não é de minha autoria, veio de um fórum estilo "GH15". As informações contidas aqui são bem amplas, mas ainda precisam de revisão, tomem este tópico como um guia, mas não como verdade absoluta, sempre questionem o conteúdo que lhes é oferecido.

 

Mecanismos da Ginecomastia

Primeiramente, existem 3 tipos de gyno: induzida pelo estrogenio, induzida pela progesterona e induzida pela prolactina. É claro que você pode evitar todos os 3 tipos de gyno ao manter seu estrogênio dentro do normal. O precursor de qualquer tipo de gyno é o estrogênio. Uma vez q vc deixa o estrogenio aumentar de concentração você sinaliza para o seu cérebro que você procriou, não importando se você eh homem ou Mulher. Saiba que neste ponto o seu corpo terá que passar por certos processos para preparar você para a lactação. Em primeiro lugar, o seu corpo irá se apressar em usar o estrogênio e construir tecido mamário (você percebe isso quando aparece o caroçinho) o que eh primordial para o processo de lactação. Uma vez que este estagio seja completo, e se você ainda estiver com uma alta concentração de estrogênio no seu organismo, a sua progesterona irá aumentar (mesmo depois disso a concentração de estrogênio ainda pode permanecer alta) isso é uma tentativa do seu corpo de fazer que o seu tecido mamário fique maior, fazendo que as suas aerolas fiquem maiores (mamilos saltados e sensíveis), isso tudo, novamente, para te preparar para o processo da lactação. O último estagio da gyno é a prolactina/lactação, os estágios anteriores estavam preparando o seu corpo para este momento e agora os seus níveis de progesterona e estrogênio irão diminuir e a sua prolactina vai crescer, aqui é quando você começa o processo de lactação.

ESTROGÊNIO ESTROGÊNIO ESTROGÊNIO!!

O hormônio mais desafiador para o usuário de esteróides é, de longe, o estrogênio. Pense, ele é a causa de qualquer mudança nos seus peitos, humor, libido, condicionamento, retenção, pele, próstata, apetite, você escolhe. Em 90% das vezes q vc se sente estranho é por conta de baixo/alto nível de estrogenio.

Uma vez que você encontrar o seu ponto ideal (em relação ao nível de estrogênio) você vai saber, não tem erro. Você vai se sentir mais feliz, contente, vai meter feito um ator pornô, comer feito um boi, treinar como um rinoceronte e além disso tudo, você também vai estar muito feliz.
Aqui vai um indicativo que eu usei desde q comecei com os AES:

Baixo E2 = Ereções fortes, dificuldade pra ejacular, orgasmo fraco.

Alto E2 – Dificuldade pra manter ereção, sendo assim, GRANDE dificuldade pra gozar..esqueça.

E2 Normal – Ereções normais, habilidade de controlar a ejaculação, orgasmo forte.

Os colaterais de baixo e alto nivel de estrogênio sao bem parecidos, quanto mais experiente você for, mais fácil vai ser diferenciá-los, porém, não importa o quão experiente você seja, isso sempre vai ser uma coisa complicada, se você ficar na dúvida meça o seu e2 em um exame de sangue.

Colaterais de alto nível de E2

Acne, perda de libido, retença de agua, urinando menos agua do que você ingere, cara de syndrome de down, testiculos atrofiados, o escroto fica mais grudado com o pênios, testiculos macios, oleosidade extrema pra todo lado, roid rage, depressaão, frescura, letargia, insonia, ereções fracas, MUITA vontade de açúcar e chocolate, PA alta, Picos de PA, prostata aumentada, uma pressao na parte inferior dos abdominais quando estiver urinando, jato de urina muito fino, resfriados (causados pela retenção).

Colaterais de baixo nível de E2

Pele seca, lábios secos, desidratação, perda de libido, ereção matinal e falta de ereção na hora do sexo, perda da ereção durante o sexo, perda de sensibilidade, glande do pênis seca, glande do pênis branca, perda de “girth” (não sei o que é isso, girth é circunferência em inglês), irritabilidade, oscilações no humor, hesitação antes de urinar, transpiração excessiva de noite, perda de apetite, fadiga constante, letargia, resfriados (por conta da desidratação), efeito diurético (urinar mais água do que você toma) (por isso a dor nas juntas), coceira no couro cabeludo, pensamentos obcessivos.

Como vocês podem imaginar, eu já tive cada um desses colaterais nesses ultimos anos em que eu venho fazendo uso de esteróides. E eu tenho certeza que estou esquecendo de citar alguns colaterais. Quando você apresentar um desses efeitos colaterais, encare isso como um sinal, use essa lista pra ter uma noção geral da coisa. Digamos que você apresenta os colaterais "perda de libido", pele seca e sem acne, pela lista de colaterais que eu passei você saberá q o seu E2 está muito baixo. Agora digamos q você apresente os colaterais perda de libido, acne, agressividade incontrolavel e retenção, novamente de acordo com a lista de colaterais você saberá q o seu E2 está alto. Nunca se baseie em apenas um colateral para tentar adivinhar o seu nível de E2, estar retido e apenas retido nao quer dizer nada, assim como estar com a colateral "pele seca" e só com a pele seca também nao significa nada.

Tenha em mente uma coisa, estrogênio é bom para você de varias formas diferentes (libido, humor, qualidade da pele, cabelo, unhas etc) mas, MAIS IMPORTANTE AINDA, ESTROGENIO É BOM PRO SEU FIGADO. Com certeza vc já escutou que o anastrozol e o letrozol podem ser nocivos ao seu fígado e que o aromasin seria uma melhor escolha, mas, a verdade é que todos os IAs são ruins para o seu fígado. No momento q vc começa a baixar o seu nível de E2 pior o seu figado vai ficar, nao importando qual IA vc ta usando, unica coisa q importa é o QUANTO você baixou o seu E2. Se vc baixa o seu e2 para, vamos dizer 10nl/dl, você não vai perceber se você despencar o seu e2 para a casa de um dígito. Te garanto q o seu HDL e LDL estarão completamente modificados, não importanto qual IA vc optou por usar.

IA suicidas x IAs não suicidas/que se ligam

Anastrozol e Letrozol são IAs Não Suicidas, tudo o que eles fazem é ligar qualquer estrógeno que tenha sido convertido diretamente com a sua enzima da aromataze. Cada IA liga uma diferente porcentagem de estrogênio. O Letrozol liga mais que o Anastrozol, com certeza. O problema com esses IAS é que quando você para o uso deles, todo aquele estrogênio acumulado pelas semanas/meses que você passou usando o IA, derrepende se soltam das suas enzimas da aromataze e caem direto no seu plasma sanguíneo, esse processo é chamado de efeito rebote do estrogênio e eu tenho certeza que você já sabe que esse efeito rebote pode ser pior que a alta concentração de estrogênio no seu organismo durante o ciclo, pois, normalmente, quando você para de usar o seu IA você opta por: ou entrar em Cruise com low test ou fazer TPC. Em ambos os casos você tem bem menos testosterona no seu organismo do que você tinha antes e uma vez que todo aquele estrogênio é liberado você tem uma chance muito maior de ter ginecomastia e, com absoluta certeza, você vai ficar parecendo um daqueles peixe-balão e, além disso tudo, você vai ficar se sentindo um molenga (depressivo, sem libido) por varias semanas até q o seu nível de E2 e testosterona voltem ao normal.

O Aromasin é a nova geração dos IAs. Ele é suicida! A diferença entre ele e outros IAS é que o Aromasin vai destruir uma certa porcentagem das suas enzimas da aromataze e, ao fazer isso, ele também acaba matando qualquer molécula de estrogênio que estava sendo criada (via processo de aromatização das moléculas da testosterona) por esta enzima. Significa que quando você para de usar o Aromasin não existe a possibilidade do efeito rebote q você teria com os IAS não suicidas..de jeito nenhum! (sem estrogênio, sem efeito rebote, visto que o estrogênio é morto, não é liberado no plasma sanguíneo). No máximo você vai ter que esperar um tempinho ate o seu corpo começar a produzir mais enzimas da aromatase (uma coisa pessíma, caso você tenha despencado com o seu nível de e2, quando comparado aos outros IAS. (não entendi mto bem essa parte, leiam o original aqui e vejam se entendem melhor: “if anything you will have to wait for a while for your body to start producing more aromataze (very bad if you crashed your estro comparing to the other AIs)”

Cada pessoa é diferente no tocante ao tempo que leva pra que o organismo volte a criar novas enzimas aromatase, para mim esse processo demora mais ou menos 2 semanas, pra outra pessoa pode demorar de 1 à 3 semanas. A única maneira de acelerar esse processo é usando HGH, você pode usar toda a Dbol ou TNE que você quiser, se vc tiver despencado seu nível de E2 com o Aromasin e não tiver mais enzimas da aromatase atuantes, você não irá reter nada de água por conta do uso desses compostos, não vai haver aromatização, mas por outro lado você não vai ter nenhum resultado..com o Dbol pelo menos.


Anastrozol/Arimidex

Adex vai baixar seu E2 em 50-60 por cento. Claro que se você continuar tomando a porcentagem vai acumulando, então você baixa o seu 50 por cento de E2 em outros 50 por cento e assim vai. Você pode facilmente acabar com o seu E2 em níveis baixíssimos caso você faça o uso desse medicamento por um período de tempo suficiente aliado a uma dose alta o suficiente e ao fato de você não estar convertendo muito estrogênio por conta de AES que aromatizam (quando você está usando dose baixa de testosterona e alta de Adex). O Adex, na minha opinião, é o que se encaixa melhor para TRT, a razão é a taxa que ele baixa o seu estrogênio, quando comparado aos outros IAS, é a menor. Para TRT você só precisa de 1mg Adex/semana pra manter seu nível de E2 dentro do normal (e2 = 20-25ng/dl = ponto ideal)
Porquê o Adex é ruim pro blast? Este pequeno post foi retirado de outro fórum, foi escrito por um médico, não são minhas palavras, mas refletem muito bem as minhas experiencias com o Adex.

Adex nao é muito eficiente para drogas q tem tendência a aromatização “peripheral”, Dbol em particular. Muitas vezes uma dose cheia de 2mg de Adex por dia não vai dar conta da retenção do Dbol. Adex é melhor para a supressão do E1, affinity tecido, gonadal, adrenal, etc e pelo fato de ser um inibidor competitivo (não saquei mto bem..essas parada mto cientifica me fodem as vezes). Ele suprime o E1 até mesmo nas mais baixas das doses, mas precisa doses bem maiores para que se possa ver algum impacto significativo na aromatase peripheral.

Em cutting com low test e AES não aromatizantes ele é tão bom quanto qualquer outro IA, mas quando em um bulking com drogas que aromatizam bastante o Adex é o pior IA q você pode escolher. Não importa o quanto você use, você ainda vai ficar bem mais retido do que você ficaria se estivesse usando Letro ou Aromasin.

Dose comum qdo em blast: 0,5mg TSD/DSDN

Dose de TRT: 0,25mg DSDN ou 1mg por semana

Aromasin/Exemestane

Sem duvida é a melhor escolha para o seu blast. Porém ele também tem as suas contrapartidas. Eu acabei descobrindo que quanto mais você usa o Aromasin mais sensível a ele você vai ficando. Quando você começa com Aromasin, 25mg ao dia é uma dose comum para um ciclo mediano, por exemplo 750mg Testosterona e 500mg de Decanoato de Nandrolona. Com o passar do tempo você vai precisando de cada vez menos Aromasin para controlar o seu E2, com o passar do tempo você vai acabar precisando só de 12,5mg DSDN (se não menos) para esse mesmo ciclo mediano citado. Porém saibam isso não acontece em alguns dias, demora meses. Outra coisa ruim do Aromasin é a perda de cabelo, quando comparado aos outros Ias, eu cheguei a conclusão q ele me faz perder bem mais cabelo. Um colateral do Aromasin é a Alopecia, os outros dois IAs até tem perda/afinamento do cabelo como efeito colateral, mas não essa perda não chega não é grande o bastante para chegar a se enquadrar em um quadro de Alopecia (Em tempo: Alopecia ou alopecia é a redução parcial ou total de pelos ou cabelos em uma determinada área de pele.)

Como mencionado antes, o maior medo com o Aromasin é você acabar abaixando demais o seu E2. Se você chegar nesse ponto a única saída será esperar ou aumentar a dose de HGH. Caso isso ocorra, espere pelo menos uns 10 dias para recomeçar a administrar qualquer dosagem de Aromasin, isso vale até mesmo se você for mudar pro Arimidex ou outro qualquer.

O melhor post que eu já vi sobre aromasin, e que reflete minha experiência em 100%, é o que segue:

Ahhhhhhh-romasin?! O rei dos Anti-Estrogenio

Esse post vai ser meio longo, mas tire um tempinho pra ler ele com atenção, é provavelmente a coisa mais importante que você vai ler na sua vida, caso você seja um bodybuilder (haha talvez não, mas tem umas pérolas aqui).

O Exemesane, comercializado sob o nome de Aromasin, fabricado pela Pfizer, é um inibidor suicida das enzimas da Aromatase disponível em via oral. < essa sentença descreve examente porque o Aromasin é o rei dos IAs pra fins de bodybuilding.
Por conta do Aromasin ser esteroidal, isto cria uma cena de supressão do estrogênio favorável, concede alguns vantagens ótimas quando comparado aos outros IAs, isso ocorre tanto no papel (ou bula) quanto em experiências na vida real. Os IAs esteroidais tem a vantagem de serem amigáveis ao perfil lipídico, todos eles abaixam o nível de SHBG o que acarreta em um aumento da proporção de testosterona livre para fazer ligações no seu organismo, o que, como muitos bodybuilder profissionais sabem, pode ter um impacto relativamente grande nos ganhos.
Eu acho que é importante entender como as drogas trabalham para se saber como dosá-las corretamente. O Aromasin é um IA suicida, isso significa que ele se liga as enzimas da Aromatase e, ao fazer isso, ele as desliga e as destrói. Por isso que ele é chamado de “suicida”. Esse composto químico é tipo um piloto kamikaze que você soltou no seu corpo com o intuito de destruir suas enzimas da Aromatase, e é isso o que o torna tão especial.
A meia vida do Aromasin em machos humanos é na verdade bem pequena, 9 horas, e ele é rapidamente eliminado pelo seu organismo, entretanto, já que no momento que ele entra na sua corrente sanguínea ele rapidamente destrói 80-90% das suas enzimas da Aromatase, ele mantém uma redução significativa da concentração de estrogênio no seu organismo, isso ocorre por até 72 horas depois de uma única dose de 25mg de Aromasin. Os níveis de estrogênio só começam a subir outra vez depois que o seu corpo começa a criar novas enzimas da Aromatase para substituir aquelas que foram destruídas pelo Aromasin.
Existe um ótimo estudo acerca das consequências da administração do medicamento Aromasin em homens que descobriu o seguinte:

-24hrs depois de uma dose de 25mg os níveis de estrogênio são reduzidos em 70-80%

-72hrs depois os níveis de estrogênio ainda estão 40% abaixo do padrão, ainda que a droga em si tenha sido quase completamente eliminada.

-120hrs depois da dose inicial os níveis de estrogênio voltam ao normal (sem efeito rebote)

Isso significa dizer que você pode achar o timing e a dosagem desse medicamento que funciona melhor em você. Eu já vi alguns caras recomendarem 25mg por dia e também já vi recomendarem 12.5mg a cada 4 dias, por esse estudo você pode ver o porquê ambas são eficientes visto que promovem níveis diferentes de supressão de estrogênio, sendo corretas ou incorretas de acordo com o caso em questão. É essa flexibilidade que torna o Aromasin um IA tão versátil.

Mas calma aí, tem mais! O Aromasin é também uma droga para TPC considerada excelente! Em homens adultos, foi descoberto que o Aromasin pode aumentar o nível de testosterona total em até 60% depois de apenas 10 dias em 25mg/dia, porém o mesmo estudo descobriu que, ao mesmo tempo que o medicamento aumentou o nível de testosterona total em 60%, a quantidade de testosterona livre no organismo foi aumentada em mais de 100%. Isso mesmo, ele duplica a testosterona bio-disponível (estamos falando da testosterona endógena, é claro. Isso não se aplica a uma injeção de testosterona sintética).
Eu posso te falar o seguinte: Quando eu tomo Aromasin durante a TPC os resultados são dramáticos. Falando honestamente, a minha libido nunca desaparece, isso em qualquer ponto da TPC, e eu me sinto absolutamente fantástico dentro de apenas alguns dias, e isso tudo tomando apenas 12.5mg ao dia, o único colateral que eu notei foi articulações e outras áreas um pouco enrijecidas (isso se dá por conta do nível baixo de E2).

Prós:

-Poderoso IA capaz de parar a ginecomastia completamente sozinho (isso se aplica para compostos que aromatizam)
-Tem efeitos poderoso contra a retenção
- Abaixa o nível de SHBG, aumentanto a testosterona livre, tornando os outros esteroides anabólicos mais bio-disponíveis (leia: mais ganhos)
- Pode ocasionar um aumentando da libido tanto dentro quanto fora do ciclo (TPC)
- Aumenta o IGF-1
- Não ocasiona mudanças adversas ao perfil lipídico em homens (Saiba que o seu perfil lipídico não ficará intacto caso você estiver ciclando, porém esse medicamento não piora a situação)
- Não eh hepatotóxico (nocivo ao fígado)
- Não apresenta o efeito rebote

Contras:

-Problemas típicos de IAs como articulações enrijecidas e possível letargia, mas isso só ocorre caso você deixe o seu nível de E2 abaixo do normal.
- Ele é mais difícil de achar do que o Arimidex ou o Letrozol.

Uso apropriado do Aromasin:

1) Controle de Estrogênio dentro do ciclo – Isso mesmo, qualquer problema relacionados ao nível de estrogênio que você possa vir a apresentar deve ser tratado com esse medicamento, desde ginecomastia até acne e retenção hídrica, o Aromasin é tiro e queda. Use 12.5mg a cada 4 dias para prevenção contra ginecomastia e controle de retenção, ou use 25mg todos os dias na fase de pré-contest ou caso você seja um cara com tendência a apresentar ginecomastia ou a “cara de síndrome de down”. A beleza do Aromasin é que ele é OK para você usar como método prevenção, e não somente deixar para começar a administrar quando a ginecomastia já estiver aparente e ele não atrapalha os ganhos tanto quanto os outros IAs. Eu ainda recomendaria usar IAs só caso você realmente precise deles, mas se você faz questão de faze o uso de um juntamente com o seu ciclo, você não conseguiria escolher um medicamento melhor que esse.

2) TPC – O Aromasin é a principal droga de TPC na minha experiencia. Honestamente, a TPC fica até legalzinha quando você inclui o Aromasin (talvez eu esteja forçando a barra um pouco) mas ele é show de bola comparado ao clomid/tamox e significativamente melhor que o Arimidex (mais potente e menos colaterais). Ele trabalha muito bem com o HCG e mantém a aromatização extra causa pelas injeções de HCG sob controle (dando até pra você usar mais HCG, mais que 500iu por injeção), outro bônus é que, jé que é um medicamento seguro e relativamente confortável para ser usado por grandes períodos de tempo, você pode esticar a sua TPC para 6 ou 8 semanas quando estiver se recuperando de ciclos muito supressivos só para ter certeza que você terá tudo funcionando em ordem denovo no momento em que você sair da TPC.

3) Reverter a Ginecomastia – juntamente com um SERM (tamox) e/ou um composto derivado do DHT o Aromasin pode ser muito eficiente em reverter/reduzir uma ginecomastia preexistente.

4) Aumento do nível de testosterona fora do ciclo – As vezes eu não estou afim de ciclar, mas ainda quero aquele algo a mais, então eu tomo 25mg DSDN por 4 a 6 semanas, os meus ganhos não melhoram taaaaanto assim, mas definitivamente melhoram, mas de qualquerr jeito eu faço isso mais pelos efeitos na libido e psicológico.

5) Hipogonadismo – Então você está envelhecendo, você tem ciclado desde que tinha 21 aninhos e os seus níveis naturais de testosterona simplesmente nunca ficam em um nível aceitável, mas mesmo assim você não está afim de fazer HRT. Bom, o Aromasin vai te trazer de volta para o jogo sem que você precise mergulhar de cabeça no HRT.

Uso inapropriado do Aromasin:

1) Proporcionar “hot flashes” à sua namorada. (é uma piadinha, que por sinal eu não entendi, então desconsiderem.)

Bom, isso é o que eu tinha para escrever sobre o melhor IA existente, com certeza deve ter faltado algumas coisas, então se alguém tiver alguma pergunta a fazer, sinta-se livre pra me mandar PM ou me perguntar nesse tópico (ISSO EH O CARA FALANDO LÁ! NÃO VENHAM ME MANDAR MP QUE EU NÃO SEI QUASE PORRA NENHUMA!!!!)

Doses comuns: 12.5mg TSD/DSDN/A CADA 4 DIAS, 25mg TSD/DSDN

Dose de TRT: 6.25mg TSD. 12.5mg 2 ou 3 vezes na semana

Letrozol:

Esse é um IA que você pode viver sem. É de longe o mais nocivo de todos os IAs, não necessariamente porque quando você usar ele o seu nível de estrogênio vai ficar baixo de mais, mas o composto químico/ingredientes ativos do Letrozol são considerados bem nocivos ao nosso organismo.
Alguma vez você já subiu uns lances de escadas e quando chegou lá em cima sentiu que estava morrendo, tipo o que um cara de 250kgs sentiria depois de dar dois passos na rua? Bom, isso é o que o Letrozol pode fazer com você. O que eu quero dizer é que esse negócio afeta os seus triglicerídeos, se você fazer o uso de Letrozol por um período de tempo suficiente combinado com uma dose alta suficiente, você vai acabar com os seus triglicerídeos tão altos que até mesmo depois de ter dado uns 10 passos você já vai estar sofrendo pra respirar.

A única aplicação para o Letrozol (que pode ser evitada/substituida por Aromasin) é na fase de pre-contest. Eu jamais usaria em um bulking, cutting ou tratamento de reversão de ginecomastia. É colateral de mais para efeito de menos.

Alguma vez você já tomou o Letrozol e ainda assim sentiu os mamilos sensíveis? Sabe porquê? O Letrozol abaixa o SHGB dramaticamente, isso permite que o seu nível de testosterona livre tenha um pico e, como resultado disso, que alguma fração dela aromatize e se torne estrogênio, essa é a razão que os protocolos de reversão de ginecomastia com Letrozol não funcionam (especialmente quando sugerem q você use esse medicamento por apenas 1 semana). Para que você tenha pouco estrogênio livre no seu organismo (Isso os IAs não conseguem abaixar) você precisa abaixar o seu estrogênio total. Entretanto todos que estão tentando reverter a ginecomastia necessariamente já estão com o estrogênio alto, então no momento que você insere Letrozol você pode vir a liberar uma quantidade ainda maior de estrogênio livre na sua corrente sanguínea, o que pode acabar fazendo com que a sua ginecomastia piore! Para se proteger desses estrógenios livres na sua corrente sanguínea você precisa de um SERM, é por essa razão que você não pode reverter a ginecomastia sem um SERM já que todos os IAs abaixam o SHGB. (aumentando a testosterona livre, podendo fazer com que essa testosterona livre aromatize e se transforme em estrogênio livre, que então poderiam se ligar aos receptores de estrogênio localizados no seu peito o que ocasionaria em uma piora no quadro de ginecomastia. Os SERMs evitam que os estrogênios se liguem aos receptores de estrogênio localizados no seu peito, sendo assim impossibilitam que esses estrogênios extras ocasionem a ginecomastia, porém eles não evitam o aparecimento de outros colaterais por conta de um alto nível de estrogênio).

Tenha em mente também que você não deve usar Tamoxifeno/Clomid juntamente com Anastrozol ou Letrozol, pois você minimiza a eficiência desses dois IAs em 40% (isso não ocorre vice-versa, a eficiência dos SERMS continuará em 100%)

Dose comum: 0,62 mg TSD/DSDN , 1.25mg TSD/DSDN

SERMS:

Tenha em mente que todos os 3 SERMS citados aqui vão trabalhar em favor do seu fígado (Agonistas), visto que eles são estrogênios medianos e, como dito antes, estrogênio é bom para o seu fígado, sendo assim a adição de um SERM sempre vai fazer com que o seu HDL/LDL melhore. Nenhum dos SERMS abaixa o seu estrogênio, na verdade eles aumentam o seu nível de estrogênio total. Eles também bloqueiam a ação do estrogênio na área do mamilo, mas, assim como os IAs não suicidas uma vez que esses estrogênios são liberados (quando você cessa o uso do medicamento) você tem o efeito rebote, o que acarreta com que o seu nível de estrogênio fique maior do que antes.

Nolvadex/Tamoxifeno

Agonista (significa dizer que este medicamento trará benefícios) : Figado, Utero

Antagonista (significa dizer que este medicamento não trará benefícios, no caso em questão ele não trará benefício à região do mamilo, visto que irá bloquear a ação dos estrogênios nesta área): Seio/mamilo

Como eu tenho certeza que você já escutou, O Nolvadex reduz os níveis de IGF-1 em 25% então isso pode parecer como a maior desvantagem do mundo, mas se você levar em conta que o seu fígado vai estar mais saudável enquanto você faz o uso deste medicamento, vai acabar equilibrando o fato de os seus níveis de IGF-1 serem reduzidos.
O Nolvadex é mais indicado para TPC e não pra ser usado dentro do ciclo, já que promove um aumenta de 60% dos níveis de testosterona natural (o que é ótimo durante o período de TPC) e diminui os níveis de IGF-1 (o que é péssimo se você está procurando otimizar os seus ganhos).

Dosagem no ciclo: 20-40mg/TODOS OS DIAS/DIA SIM DIA NÃO

Raloxifeno/Evista

Agonista: Fígado, ossos (assim como o Decanoato de Nandrolona este medicamento aumenta a densidade ossea, sendo um reconhecido tratamento contra osteoporose)

Antagonista: Seios/mamilos (Mais forte que o Nolvadex).

O Raloxifeno não afeta os níveis de IGF-1 de jeito nenhum, ele também ele aumenta a sua densidade óssea, porém não chega nem perto de trazer o benefício aos seus tendões que o Decanoato de Nandrolona traz, então ele pode ser uma espada de duas pontas no caso de você não estar fazendo o uso conjunto de Decanoato de Nandrolona, visto que ao você ter ossos e músculos mais densos/fortes a chance de lesões nos tendões aumenta.
O Raloxifeno é o SERM ideal pra terapia dentro do ciclo, já que é ele é agonista dos seus ossos, não afeta os níveis de IGF-1 e é perfeitamente seguro administrá-lo com um 19nor. Raloxifene não deve ser usado em TPC, já que ele aumenta os seus níveis de testosterona natural em apenas 40%, isso é 20% a menos que o Tamoxifeno.

Dosagem dentro do ciclo: 60mg-120mg/DIA/DIA SIM DIA NÃO/A CADA 2 DIAS

Tamox vs Raloxifene (em relação ao HGH/IGF-1)

Objetivo do Estudo: Comparar o impacto do Tamoxifeno e do Raloxifeno no nível de GH/IGF-1 e gonadal axes (termo técnico, não consegui traduzir então deixei no original) em machos saudáveis.

Formato: Nós conduzimos um estudo customizado, open-label crossover study (termo técnico, não consegui traduzir então deixei no original)
Pacientes e Intervenção: 10 homens saudáveis foram submetidos a um tratamento sequencial de 2 semanas com Tamoxifeno (10 e 20mg/dia) e Raloxifeno (60 e 120mg/dia), com um período de 2 semanas de intervenção para desintoxicação dos medicamentos.

Medidas Tomadas no Estudo: Nós medimos a resposta do GH à arginina e níveis circulantes de IGF-1, LH, FSH, Testosterona e SHGB.
Resultados: O Tamoxifeno, porém não o Raloxifeno, diminuiu significativamente os níveis de IGF-1 em 25% (P < 0.01) e aumentou os níveis de SHGB em 20% (P < -0.05) na maior dose terapêutica administrada. Houve uma significante tendência que não foi acompanhada estatisticamente em relação a redução da resposta do GH à arginina com ambos os SERMS. (There was a nonstatistically significant trend toward a reduction in the GH response to arginine with both SERMs.) Ambas as drogas significativamente aumentaram as concentrações de LH, FSH e Testosterona. O aumento no nível de Testosterona (40% vs 25%) e LH (70% vs 30%) foi significativamente maior com o Tamoxifeno.

Conclusões: Tamoxifeno, mas não o Raloxifeno, diminui os níveis de IGF-1. Ambos os SERMS estimularam a “gonadal axis”, com o Tamoxifeno causando um efeito maior sobre ela. Nós concluímos que, nessas doses terapêuticas, o Raloxifeno perturba o GH e as “gonadal axes” em um proporção menor que o Tamoxifeno.

Tamoxifeno vs. Raloxifeno: Ginecomastia

(Bom, aqui ele coloca um estudo, cheio de termos técnicos, que explica o que eles vão fazer com os pacientes, quais são os objetivos, como eles vão verificar o que aconteceu com os pacientes, enfim, é uma coisa maçante demais para ser traduzida, cheia de termos que eu sinceramente não consigo entender/traduzir e é uma coisa que não vai agregar muito para o intuito do texto, a parte que nos interessa, os resultados, foram traduzidos e são extremamente interessantes e importantes. Quanto ao estudo em si, eu vou deixar o original aqui para caso vocês tenham interesse em verificar como foi conduzido o experimento)

OBJECTIVES: To assess the efficacy of the anti-estrogens tamoxifen and raloxifen in the medical management of persistent pubertal gynecomastia. STUDY DESIGN: Retrospective chart review of 38 consecutive patients with persistent pubertal gynecomastia who presented to a pediatric endocrinology clinic. Patients received reassurance alone or a 3- to 9-month course of an estrogen receptor modifier (tamoxifen or raloxifene).

Resultados: A idade média dos pacientes era de 15 anos, com ginecomastia presente a 28.3 (16.4) meses. Em média, a redução do diâmetro da glândula mamária foi de 2.1 (95%) depois do tratamento com Tamoxifeno e de 2.5 (95%) depois do tratamento com Raloxifeno. Uma melhora considerável foi vista em 86% dos pacientes recebendo Tamoxifeno e em 91% dos que estavam recebendo Raloxifeno, porém uma maior proporção dos pacientes obteve uma redução significante da ginecomastia (redução maior que 50%) com o Raloxifeno (86% dos pacientes recebendo Raloxifeno tiveram uma redução da ginecomastia maior que 50%) do que com o Tamoxifeno (41% dos pacientes recebendo Tamoxifeno tiveram uma redução da ginecomastia maior que 50%). Nenhum efeito colateral foi visto em nenhum dos pacientes.

Conclusão: A inibição da ação do receptor de estrogênio na área do peito aparenta ser segura e eficiente, proporcionando uma redução da ginecomastia recorrente desde a puberdade, com o medicamento Raloxifeno apresentando um melhor resultado em relação ao Tamoxifeno.

Clomid

Agonista: Fígado

Antagonista: Seio/mamilo

O Clomid é uma droga bem nociva. Deve ser evitada a todo custo, se você vier a apresentar os colaterais relacionados à visão que este medicamento pode vir a causar, como por exemplo, a vista embaçada, eles continuarão para o resto da sua vida. São casos raros, mas acontecem.
O Clomid só deve ser introduzido em protocolos com a supervisão de um médico, visto que se você quer voltar a produzir esperma novamente, você irá ter que fazer o uso contínuo de Clomid, aliado ao HCG, por 9-12 meses seguidos. Este medicamento até tem algum uso para a TPC, mas ele pode ser completamente evitado usando somente um SERM ou usando o ideal (Tamox + aromasin)

Algumas informações sobre o Clomid:

- O Clomiphene é um misto de agonista/antagonista. Isto se dá pelo fato de o clomiphene ser composto de dois isômeros: enclomiphene e zuclomiphene. Enclomiphene é um receptor antagonista de estradiol (E2). Zuclomiphene é um receptor agonista de estradiol (E2). De qualquer maneira, o fato de o efeito antagonista ser mais pronunciado se dá pelo fato de sua composição ser 70% trans (enclomiphene) e 30% cis (zuclomiphene). O Tamoxifeno é um SERM mais estrito, diminui o efeito do estrogênio no corpo, potencializando a ação do Clomid. Esta combinação veio após 100 anos de experiências médicas.
Então o Tamoxifeno é mais antagonista (para a região do mamilo/seio, lembram?) do que o Clomid. É melhor em bloquear o ER (ação do estrogênios na área do mamilo) do que o Clomid. O Clomid também aparente exercer efeitos agonistas nas partes que cérebro que controlam as emoções. Isso explica o porque alguns homens ficam parecendo “mulherzinhas de TPM” durante o uso de Clomid.

- O Tamoxifeno é também feito de um pouco mais de isômeros, o isomero cis do Tamoxifeno (que é inativo), trans-tamoxifen e o isômero trans-4-OHT.

- O Clomid vai duplicar o seu LH (em 100mg/dia) no período de 5-7 dias e aumentar o FSH em 20-50%. O LH aumenta rapidamente depois do ciclo, mas não tanto assim

- Clomid vai aumentar a testosterona endógena (total) em 146% depois de 3 meses em 25mg/TSD.

- Clomid em 100mg/dia vai aumentar a testosterona endógena (total) em 268% em 8 semanas e a testosterona livre em 1.410% (isso não é um erro de digitação).

- O Tamoxifeno aumentou a testosterona na corrente sanguínea (testosterona livre) em 142% do nível padrão em apenas 10 dias. Foram necessários 150mg/dia de Clomid para conseguir o mesmo resultado de 142%. Depois de 6 semanas ele aumentou os níveis de testosterona e LH numa média de 183% e 172% dos valores iniciais.

- Outra coisa para se tomar nota depois do estudo mencionado acima é o quão sensível a glândula pituitária ficou ao GnRH. Quanto mais sensível a glândula pituitária é ao GnRH, mais LH ela vai produzir. O Tamoxifeno aumenta a sensibilidade da glândula pituitária ao GnRH e o Clomid aparenta diminuir.

- Estrogênio vai diminuir a sensibilidade ào GnRH. Não vai aumentar. Se o estrogênio por um acaso aumentasse a sensibilidade da pituitária ao GnRH esse acontecimento se chamaria “estrogênio no auge”. Aprimorar a pituitária a ser mais sensível ao GnRH. Isso acontece em fêmeas, mas não em machos. Não há evidencia da aprimoração do estrogênio em machos.

-O Tamoxifeno é mais anti-estrogênico do que o CLOMID. Ambos são SERMs, com efeitos agonistas/antagonistas nos tecidos “selecionados”. Ambos irão bloquear a aromatização no tecido mamário. Ambos são agonistas ao fígado, o que deve explicar o aumento das proteínas que se ligam ao IGF e consequentemente a diminuição do IGF no plasma.

Dose no ciclo: 50mg/DSDN

Alguns dizem que este medicamento pode substituir o HCG, mas eu prefiro não ir por esse caminho. O Clomid causa muitos problemas mentais para ser usado em um ciclo, na minha opinião.

Suporte à Prolactina:

Caber/Cabergolina/Dostinex/Cabaser

O Caber irá baixar a sua progesterona e inibir a prolactina/lactação. É um agonista da dopamina, o que significa que ele não vai deixar o seu corpo lactar pois ele vai ocupar os seus receptores de dopamina (esses receptores são os responsáveis pela lactação). Caber é o suporte perfeito para a prolactina quando você estiver administrando algum 19nor, isso na minha opinião. Os seus efeitos colaterais são mínimos, nada de sonolência, não afeta os padrões de sono e em geral, no tocante às doses, é bem mais flexível que o Pramipexole ou Bromo. Também não existe nenhum efeito adverso por você cessar o uso do Caber, diferente do que acontece com o Pramipexole.

O Caber é um medicamente de renome, ele reduz o tempo de inatividade (pelo que eu entendi o Caber reduz o tempo que você tem que esperar até ficar sexualmente ativo outra vez), não confundam isso com ele proporcionando orgasmos múltiplos, então digamos que você precisa de 1 dia para estar inteiro denovo depois de sessão de sexo, duas semanas depois de começar com o Caber você vai sentir uma diminuição significante nesse tempo de inatividade, você passaria a precisar de apenas 12-16hrs pra estar pronto pra próxima sessão, se você precisa de 2hrs pra estar pronto de novo você passaria a precisar de 1h e assim vai.

Esse medicamento é também conhecido pelo seu efeito de orgasmo multiplicado, então quando você ejacular vai parecer que você está ejaculando o dobro ou o triplo. Isso necessita ser explicado melhor para o usuário. Explicando, no que toca a ejaculação, mesmo que ela não seja instantâneo, quanto mais você segurar dentro de você maior será o prazer que você sentirá quando finalmente você deixá-la sair (Funciona assim: Quanto mais tempo você ficar se segurando para não gozar, maior vai ser o seu orgasmo quando você finalmente gozar). Outra coisa, digamos que você esteja sem o Caber no seu sistema, aí você deixa um pouquinho de ejaculação escapar (sabe quando você está se segurando pra não ejacular, mas um pouquinho dela escapa mesmo assim?). Geralmente, quando isso acontece, você tem uma grande chance de perder a ereção, mas uma vez que você estiver com o Caber no seu sistema, se você por um acaso deixar esse pouquinho de ejaculação escapar, a sua ereção vai ficando cada vez mais forte e o seu clímax vai ser insano. Dito isso, você pode ter, digamos 4-5 pequenos orgasmos, combinando-os com um orgasmo gigantesco no final, que irá parecer com o dobro ou triplo de um orgasmo que já seria gigante (Um orgasmo gigante triplificado!). Enfim, isso precisa de prática e auto-controle por parte do usuário.

Dose comum em ciclo (para prevenção): 0.25-0.50mg/a cada 3 dias

Dose comum para parar lactação: 1-1.5mg/a cada 3-5 dias.

Pramipexole/Mirapex

O Prami, assim como o Caber, vai diminuir a progesterora e vai inibir a prolactina/lactação. É um agonista da dopamina, assim como o Caber, logo ele irá agir ocupando os receptores da dopamina, que são os responsáveis pela lactação.

Como dito antes em alguns tópicos, o Prami é uma droga muito peculiar! Você precisa lentamente ir aumentando as doses até chegar a dose que você quer usar e também precisa ir diminuindo gradativamente as doses, para evitar o efeito rebote (mediano) que ele vai causar. O Prami é uma substância viciante, eu não recomendaria para nenhum ciclo que dure mais de 8 semanas, visto que quanto mais você usa mais difícil é parar de usar, você também vai descobrir que você ira precisar ir aumentando a dose cada vez mais e mais para conseguir o mesmo efeito. O efeito do Prami não é nem de perto tão bom quanto o do Caber. Ele também irá reduzir o seu tempo de inatividade entre uma ejaculação e outra, assim como o caber faz, mas os seus benefícios em relação à isso param por aí. Ele não proporciona nenhum aumento na libido ou na potência dos seus orgasmos, ao contrário do Caber. A única vantagem do Prami em relação ao Caber é que, se tomado na hora certa (2-3hrs) antes de dormir, ele funciona tão bem quanto um benzo (medicamento pra dormir) para te derrubar. O que quando usando tren é um bônus (visto que, como vocês sabem, um dos colaterais da Tren é a insônia).

Entretanto se você calcular errado (sem querer é claro), digamos que você tome ele 30min-1hr antes da hora de dormir, você vai acabar descobrindo que depois de 2-3hrs de sono você estará se sentindo completamente acordado e, muito provavelmente, também estará transpirando excessivamente, isto ocorre pois a dopamina que você suprimiu 4 horas atrás irá ter um efeito rebote, você vai sentir como se tivesse cheirado um pouco de cocaína enquanto dormia. Não é lá uma das melhores sensações. Outra coisa, toda vez que você aumenta a dose, você precisa se adaptar a essa dose, mesmo que você já esteja acostumado à substancia. Eu descobri que com o passar do tempo, esse aumento nas doses faria, nas primeiras noites, com que eu tivesse um sono muito leve quase como se eu estivesse dormindo acordado, até meu organismo se acostumar com a nova dosagem.

Os principais colaterais relacionados ao sono, como sonhos que parecem verdade e acordar no meio da noite, podem ser evitados se você administrar Prami na hora certa, então você tem que ir por tentativa e erro (quanto antes você tomar é melhor) até achar o timing certo do seu organismo. Só tenha certeza de nunca tomar Prami de manhã ou no começo da noite, pois você vai acabar se sentindo esgotado, tonto, com náuseas, tipo um zumbi, tudo o que você pensa é que horas que você vai poder cair no sono.

Dose comum dentro do ciclo: aumente gradualmente de 0.125mg pra 0.25mg-0.50mg (0.50mg só será necessário caso você estiver tomando dois 19nor junto ou estiver em altas doses de Tren). Depois que você terminar o seu ciclo diminua gradualmente de uma forma ainda mais lenta do que a forma que você aumentou, vá dos 0.50mg (dose máxima) até 0.125mg, fique uma semana em cada dose e depois pare. Não importa o que você faça ou como você faça, você vai experienciar algum desconforto nos 3-5 primeiros dias depois que você parar de administrar esse medicamento.

Dose contra lactação: Você irá provavelmente precisar de 1 a 2mg por dia para parar a lactação, mas eu não recomendaria, iria demorar séculos até chegar nessa dose (pelo fato de você ter que ir aumentando gradativamente a dose), se você já estiver em processo de lactação use o Caber, a pior coisa que pode acontecer quando você começar a administrar uma dose alta de caber de uma forma repentina é você ficar com uma cara de quem dormiu na privada que dura umas 12horas (é uma coisa meio chata, mas é bem melhor do que ficar vomitando suas tripas por horas a fio).

O Bromo é parte da família dos LSD, então isso já é o suficiente para fazer com que eu não queira o experimentar. Eu tenho certeza que ele é uma boa droga, eficiente para suporte à prolactina, mas, como eu não experimentei, não vou falar nada. O Toremifene eu também nunca tomei, então também não vou falar nada.

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[ESTUDO] Melatonina reduz o estresse oxidativo e as alterações cardiovasculares induzidos por Stanozolol em ratos expostos a natação

Pesquisadores da UNICAMP realizaram um estudo para determinar se o uso prolongado com altas doses de stanozolol modifica as atividades de algumas enzimas antioxidantes no coração em ratos sedentários e treinados e se isso causa alterações cardiovasculares. Também foi analisada a eficácia da melatonina como antioxidante e como um modulador dos efeitos colaterais cardiovasculares do tratamento com stanozolol.

Para a pesquisa 30 ratos Wistar machos foram divididos em seis grupos: sedentário, sedentário com stanozolol, sedentário com stanozolol e melatonina, treinado, treinado com stanozolol e treinado com stanozolol melatonina. O estudo durou 6 semanas e a atividade física que eles realizaram foi natação 5x por semana numa banheira com água na temperatura de 31~32 graus.

Foi injetado nos ratinhos uma dose de stanozolol (Zambom) de 5 mg/kg antes de cada sessão de exercício, ou seja, 5 vezes por semana. Se fossemos traduzir isso pra dose de humano, um cara com 80kg iria usar 400mg de stano pré-treino, no estudo ficaria 2g de stano por semana. Os ratinhos do grupo controle receberam apenas uma injeção de solução salina (pra que tenham o mesmo estresse da injeção). Os grupos de tratamento com melatonina receberam injeções intraperitoneais de melatonina (10 mg/kg), por 5 dias durante 6 semanas. Novamente, se fosse manter a proporção num indivíduo de 80kg, isso daria 8g de melatonina por dia.

As medidas de eletrocardiografia, pressão sanguínea e atividade enzimática antioxidante foram realizadas no final do período experimental para avaliação da função cardíaca e molecular.

O stano induziu bradicardia e aumentou significativamente as atividades das enzimas antioxidantes superóxido dismutase cardíaca e catalase. Os ratos treinados que receberam stanozolol tiveram aumento na pressão arterial e no peso relativo do coração e desenvolveram “desvio” no eixo cardíaco esquerdo. A melatonina não preveniu a hipertrofia cardíaca nos roedores tratados com stano, mas manteve a pressão arterial e a atividade da catalase cardíaca e evitou alterações induzidas pelo hormônio no lado esquerdo do coração.

Em suma, os pesquisadores concluíram que a combinação de melatonina e exercício poderia minimizar os efeitos colaterais do stanozolol no sistema cardiovascular.

Referências: Eurasian J Med 2013; 45: 155-62

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O artigo é de inteira autoria de Bruno Pina. Na minha opinião, um tópico objetivo, detalhado e inteligente.

APRENDA A CONTROLAR A GINECOMASTIA

Muitos homens usuários de hormônios se deparam com esse problema frequentemente, e brincadeiras à parte, isso é um assunto bem sério… Possivelmente um dos piores colaterais é ginecomastia em homens. Apesar de parecer algo “simples”, ginecomastia pode gerar uma imagem corporal extremamente negativa e ser algo traumatizante para qualquer homem, usuário de hormônios ou não. Ex-obesos muitas vezes têm problemas sérios nesse sentido, ou adultos que quando crianças tiveram distúrbios hormonais acentuados durante a puberdade e desenvolveram ginecomastia puberal, que é a famosa “pedrinha” nos mamilos que os coleguinhas diziam que era fruto de masturbação, mas que não foi revertida naturalmente como acontece com a grande maioria.

Para abordar esse tema, claro, como sempre, nós precisamos de entender todo o contexto que nos permeia antes de ir direto ao ponto, então eu espero que você esteja confortável bebendo Piña Colada.

GINECOMASTIA, HOMENS E MULHERES

Antes de mais nada, claro, vocês precisam de entender a diferença entre meninos e meninas. Todos nós seres humanos compartilhamos diversas características femininas em comum. Homens são na sua grande maioria homens no que tange quadro hormonal, mas uma pequena parte femininos também (sim), assim como mulher são na sua grande maioria mulheres, mas um pouco homens.

O que eu quero dizer com essa loucura? Na verdade não tem nada de loucura… Homens e mulheres dividem os mesmos hormônios: Testosterona, estrogênio, prolactina, progesterona… A questão é que mulheres precisam de desenvolver as mamas, desenvolver suas características femininas, desenvolver leite… e para isso o nível de estrogênio delas é muito mais alto do que de homens (desenvolvimento das mamas por exemplo), prolactina também, sobretudo na gravidez (para amamentar) e por aí vai. Seus níveis de testosterona, por outro lado, são muito mais baixos do que o dos homens, uma vez que a “fábrica” de produção de testosterona das mulheres é bem fraca (glândula adrenal e ovários), já homens possuem testículos, uma fábrica específica pra produção de testosterona. Mulheres produzem estradiol em grandes quantidades através dos ovários, homens possuem apenas uma “fábrica” indireta que é a enzima aromatase localizada no tecido adiposo, o que faz com seus níveis de estrogênio sejam muito mais baixos do que o das mulheres.

O que isso quer dizer é que meninos possuem alta testosterona e baixo estrogênio, meninas possuem baixa testosterona e alto estrogênio. Isso é uma das principais diferenças entre homens e mulheres e existe uma linha muito tênue entre estar “tudo bem” e “problemas”, ou seja, um pequeno desequilíbrio nos níveis de testosterona pra cima ou pra baixo em um homem já pode gerar um desequilíbrio de testosterona / estrogênio, e se esse homem tiver tendência a aromatizar (converter testosterona em estrogênio através daquela enzima que eu falei acima) excessivamente, acredite… problemas podem acontecer, como, por exemplo… ginecomastia.

GINECOMASTIA é nada mais nada menos que o desenvolvimento das glândulas mamárias em homens, ou seja, quando há um desequilíbrio na relação testosterona / estrogênio (estrogênio fica alto demais com relação à testosterona), o TECIDO glandular é desenvolvido, porque afinal de contas você agora é uma mulherzinha e como boa mulherzinha que é, precisa de tetas para amamentar seus nenéns!!! Parece brincadeira, mas não é, é isso que seu corpo pensa, para todos os fins ele foi “programado” pra agir dessa forma nesse cenário.

Vale ressaltar que ginecomastia NÃO é mamilo inchado, mamilo inchado, retido, acumulando líquido tem sim relação com os processos de desenvolvimento de ginecomastia (prolactina elevada é um dos precursores, mas prolactina geralmente só fica elevada em grandes quantidades com estrogênio elevado antes), mas ginecomastia propriamente dita é DESENVOLVIMENTO DAS GLÂNDULAS, ou seja, sem pedrinha, sem tecido desenvolvido ali… isso não é ginecomastia. É importante saber disso… o visual pode ser parecido, o impacto psicológico pode ser tão ruim quanto, mas ginecomastia não é, é “mamilo inchado”. Não vou nem falar de lipomastia porque lipomastia é acúmulo de gordura na região, nada tem a ver com desenvolvimento das glândulas.

VOCÊ JÁ FALOU DEMAIS, COMO POSSO REVERTER GINECOMASTIA?

Calma jovem gafanhoto, eu hein… você leu o que eu disse lá em cima? É importante.

Tudo bem, já que você insiste, eu vou dizer o que tem que ser feito, mas antes deixa só eu fazer uma introdução, não fique afobado.

A primeira coisa que você tem que entender antes de partir pra um processo de reversão de ginecomastia é o seguinte:

1) Se a ginecomastia está ali há muito, muito tempo, estou falando 2, 3, 5 anos… Provavelmente o tecido já vai estar consolidado e vai ser bem mais difícil reverter esse quadro. Não é impossível, mas vai ser bem difícil, e por mais que você consiga reduzir consideravelmente, muito provavelmente no primeiro vacilo ela já vai se manifestar novamente, então talvez valha a pena considerar a cirurgia;

2) Se a ginecomastia for grande, bem grande mesmo, já tiver atingido um volume de “teta”, aquela com aspecto bem bizarro e uma verdadeira bola no peitoral, vai ser bemmmm difícil reverter isso, como eu disse no ponto acima, dá até pra diminuir, mas “bão bão mesmo” não vai ficar, melhor considerar a cirurgia se isso te incomoda muito, porque o investimento de tempo, dinheiro etc. nisso, talvez faça o investimento da cirurgia valer muito mais a pena.

TÁ BOM, MAS COMO EU REVERTO ISSO?!

Não existe uma solução específica, o que eu vou fazer é te dar uma lista de possibilidades de tudo que pode ser feito. Assimile o que for útil e descarte o que for inútil.

1) Se o mamilo está inchado, não mexa muito nele, pare de tocar o tempo todo. Isso vai aumentar seus níveis de prolactina e vai piorar o aspecto. Prolactina elevada = mamilo inchado. Pense em um bebê puxando o mamilo o tempo todo, estimula o leite, certo? Mesma lógica aqui;

2) Se você começou a sentir sensibilidade durante o protocolo, não fique com receio de considerar talvez reduzir um pouco as substâncias aromatizantes, as vezes é melhor supostamente ter resultados “piores” mas manter um visual decente do que forçar a barra e terminar um lixo;

3) A relação testosterona/estrogênio é muito importante, não necessariamente reduzir testosterona a níveis baixíssimos é a solução. Lembre-se, é a RELAÇÃO que interessa, só um exemplo… muitas vezes 400mg de testosterona/semana vão te dar menos problemas do que 200mg/semana;

4) Reduzir os níveis de prolactina diretamente pode ajudar bastante o aspecto do mamilo, uma vez que mamilos inchados geralmente são o que mais deixa o aspecto ruim/feio/esquisito. Considere tudo que estiver ao seu alcance para reduzir os níveis de prolactina:

Agnus-Castus (Vitex), redutor de prolactina supostamente por ser dopaminérgico (> Dopamina < Prolactina);
Mucuna Pruriens com cerca de 20% de L-Dopa preferencialmente (agonista da Dopamina);
Vitamina B6;
Gingko Biloba.
OBS.: Não, você não precisa de fármacos como cabergolina, pramiprexol e bromocriptina. Se absolutamente precisa, é porque não sabe o que faz. Pode acreditar.

5) O uso de cafeína pode inibir a excreção de estrogênio pelo fígado por competir com o sistema P-450 oxidase. Vale a pena considerar reduzir ou remover cafeína;

6) Aumente o consumo de fibras, estudos mostram que o consumo de fibras pode reduzir os níveis de estrogênio em até 22%; [1]

7) Reduza o seu percentual de gordura, isso é IMPORTANTE! Quanto mais gordo, mais enzima aromatase, quanto mais enzima aromatase, maior será a aromatização. Aromatase fica no tecido adiposo;

8) Reduzir estrogênio abaixo dos níveis normais (crashar o estrogênio) por usar inibidores de aromatase em excesso pode na verdade reduzir os níveis de SHBG excessivamente, permitindo que mais estrogênio circule. Mais estrogênio… maior potencial de desenvolvimento da ginecomastia. Em suma, evitar que o SHBG seja reduzido em excesso vai ajudar a controlar ginecomastia; [2,3]

9) Trembolona e Nandrolona podem SIM causar ginecomastia indiretamente (sem mencionar o fato de Nandrolona aromatizar) pelo fato de não terem um metabólito 5a-reduzido forte presente na sua composição, uma vez que dihidro-nandrolona é mais fraca que dihidrotestosterona [4], por isso muitas pessoas mesmo com supostamente tudo sob controle manifestam ginecomastia, ou seja, desenvolvimento DE FATO da glândula com essas substâncias (não só mamilo inchado). IAs NÃO vão resolver! Você precisa de DHT, ou seja, a ação antagônica de metabólitos 5a provindos da 5a-redutase.

10) Beba bastante água, faça bastante cardio, ingira sódio adequado. Mamilos em algumas pessoas “seguram” muita água, controlar seus níveis de água subcutânea pode ajudar nesse sentido;

11) SERMs (tamoxifeno, raloxifeno, clomifeno etc.) vão fazer muito pouco pela sua ginecomastia (no sentido de controlar), evite o máximo possível, vá na raiz do problema, se você precisa de SERMs por tempo demais, salvo situações específicas, é porque seu protocolo está mal elaborado;

12) AUMENTE OS NÍVEIS DE METÁBOLITOS 5a (PROVINDOS DA 5a-REDUTASE), ou seja, substâncias como Masteron (Drostanolona), Stanozolol, Oxandrolona etc., derivados do DHT em geral, que competem pelos mesmos receptores do estrogênio e portanto bloqueiam/atrapalham a ação do estrogênio;

13) Utilize inibidores de aromatase (muito cuidado para não errar a mão), USE COM CAUTELA. DHT ainda é superior!

14) Aumente os níveis de resveratrol, indol-3-carbinol (brócolis) e afins;

15) Aumente o consumo de ZINCO. Zinco é antagonista do Cobre, que possuímos em excesso na nossa alimentação por ser um excelente conservante, porém Cobre faz com que fiquemos excessivamente sensíveis a estrogênio.

Tente colocar a maioria destas sugestões em prática e provavelmente você deve notar uma bela melhora com relação a esse problema. Se ainda sim não resolver…

1) Seu protocolo está MUITO mal estruturado;

2) Sua ginecomastia realmente está em um nível bem avançado.

Boa sorte. :)

REFERÊNCIAS:


1. Dietary fiber intake and endogenous serum hormone levels in naturally postmenopausal Mexican American women: the Multiethnic Cohort Study.
Monroe KR et al.
Nutr Cancer. 2007;58(2):127-35.

2. Sex steroid binding protein receptor (SBP-R) is related to a reduced proliferation rate in human breast cancer.
Catalano MG, et al.
Breast Cancer Res Treat. 42(3):227-34, 1997

3. Biological relevance of the interaction between sex steroid binding protein and its specific receptor of MCF-7 cells under SBP and estradiol treatment.
Fissore F, et al.
Steroids, 59(11):661-7, 1994

4. Metabolism and receptor binding of nandrolone and testosterone under invitro and invivo conditions.
Bergink et al.
Acta Endocrinol Suppl (Copenh). 271:31-7, 1985

5. 16 Ways to Fight Gynecomastia. 2010. Disponível em: http://www.worldclassbodybuilding.com/forums/showthread.php?t=81608. Acesso em: 03/01/2016

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[ESTUDO] TESTOSTERONA vs. STANOZOLOL: Comparação dos efeitos no colesterol

Esteroides anabolizantes orais produzem grandes reduções nas concentrações séricas de lipoproteína de alta densidade-HDL (colesterol bom). Nossa hipótese é que este efeito relacionado com a sua via de administração e não estava relacionado com a sua potência androgênica.

Nós administrada Stanozolol oral (6 mg/dia) ou doses supra fisiológicas de enantato de testosterona intramuscular (200 mg/semana) a 11 levantadores de peso do sexo masculino durante seis semanas em um desenho cruzado. O Stanozolol reduziu o HDL-colesterol e a subfração HDL2 por 33% e 71%, respectivamente. Em contraste, a testosterona diminuiu a concentração de HDL-colesterol em apenas 9% e a diminuição foi na subfração HDL3.

O nível de apolipoproteína A-I (principal componente proteico do HDL) diminuiu em 40% durante o uso de Stanozolol, mas apenas 8% durante o tratamento com testosterona. A concentração de colesterol de lipoproteína de baixa densidade-LDL (colesterol ruim) aumentou 29% com Stanozolol e diminuiu 16% com o tratamento com testosterona.

Além disso, o Stanozolol aumentou a atividade hepática da pós-heparina triglicérides Lipase em 123% (a deficiência dessa enzima evolui com hipertrigliceridemia), enquanto a variação máxima durante a terapia com testosterona (+ 25%) não foi significativa. O ganho de peso foi similar com ambas as drogas, mas a testosterona foi mais eficaz na supressão de hormônios gonadotróficos. Conclui-se que os efeitos indesejáveis de lipoproteínas de esteroides 17-alfa-alquilados administrados por via oral são diferentes daquelas de testosterona parentérica (injetada) e que a testosterona pode ser preferível em muitas situações clínicas.

Traduzido e adaptado de http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/2915439

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[TOXI] Stanozolol Oral vs. Injetável para mulheres

Se me perguntassem qual a melhor opção de stanozolol para mulheres (oral ou injetável) eu certamente diria para usar o injetável. Não só pela questão de hepatoxicidade (já que stano oral é um dos esteroides mais tóxicos para o fígado), que pode não vir a ser um problema se você fizer o uso da droga oral de maneira inteligente com alimentação ideal, mas a questão está no que o Oral faz muito melhor do que o Injetável: diminuir a Globulina Transportadora de Hormônio Sexual (SHBG).

A SHBG é uma proteína cuja função é o transporte plasmático de alguns hormônios sexuais (estradiol, testosterona e outros andrógenos). Enquanto estão ligados a essa proteína, os hormônios não tem seu real efeito, quando eles se desvinculam dela ficam livres no sangue é que realizam suas atividades. E aí é que mora o perigo. Como o Stanozolol oral baixa de mais o SHBG, acaba que há mais testosterona livre circulante, e essa testosterona acaba gerando efeitos virilizantes na mulher (engrossamento da voz, aumento do clitóris, crescimento de pelos). Pra se ter uma ideia, 10 a 15mg de Stanozolol é suficiente pra baixar METADE da SHBG em uma pessoa de 50 a 75kg.

Há uma correlação entre baixos níveis de SHBG em mulheres e hirsutismo (crescimento de pelos) e outros efeitos virilizantes, como citei. Além disso, baixos níveis do SHBG ainda contribuem para irregularidades menstruais.

Vemos também uma maior incidência de acne e aumento do clitóris quando a versão Oral de Stanozolol é usada por mulheres, se comparada a Injetável. As razões para isso são óbvias. Quando aumenta a testosterona livre, diminuindo SHBG, aumenta a quantidade de testosterona que é capaz de ser convertida em DHT (dihidrotestosterona) pea enzima 5-alfa redutase. O DHT é o culpado principal pela acne induzida por esteroides e também é o hormônio responsável pelo alargamento genital externo (no caso, crescimento do clítoris). 

Para se comparar o Oral com o Injetável em termos de redução da SHBG, 10mg por dia de Stano Oral (70mg/semana) são mais potentes pra diminuir a proteína do que usar 57mg por dia de Stano Injetável (400mg por semana).

Curiosamente, quando você injeta Stanozolol, em vez de tomá-lo por via oral, você realmente tem mais retenção de nitrogênio (e, portanto, pode-se supor, mais tecido muscular está sendo construído). Então, se você está tentando usar Stano para aumentar a massa muscular, a versão injetável vai ser muito superior à versão oral.

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[ESTUDO] Consequências emocionais de Finasterida

A alopecia androgenética, a gradual perda progressiva de cabelo frequentemente resulta em desespero psicológico, em parte relacionada com alterações da auto-imagem. Atuais tratamentos para alopecia androgenética são limitados a transplante de cabelo e medicamentos que inibem a dihidrotestosterona (DHT), um potente andrógeno associado a micronização folicular.

Usuários de finasterida, o que impede a produção de dihidrotestosterona, relatam graves efeitos adversos físicos e emocionais, conhecidos coletivamente como síndrome pós-finasterida. Doenças psiquiátricas e traços de personalidade, especificamente neuroticismo influenciam o bem-estar emocional. A pesquisa limitada existe explorar os corolários psicológicos da síndrome pós-finasterida e condições pré-existentes de saúde mental do Eixo I e Eixo II. O objetivo desse estudo foi explorar e verificar uma história pessoal e/ou familiar preexistente de um diagnóstico psiquiátrico e certos traços de personalidade que podem influenciar a ansiedade e depressão entre os usuários de finasterida. Os participantes neste inquérito online preencheram o Inventário de Depressão de Beck, o Inventário de Ansiedade de Beck e Ten-Item Personality Inventory.

Um achado importante desse estudo foi que quase 57% (n = 97) dos homens relataram um diagnóstico psiquiátrico e 28% (n = 27) tinham um parente de primeiro grau com um distúrbio de saúde mental, desse grupo 17 tinham apenas um histórico familiar. Quase 50% dos homens pesquisados relataram depressão clinicamente significativa como evidenciado pela pontuação Beck Depression Inventory e 34% ansiedade experiente no Inventário de Ansiedade Beck. Não houve tendências estatisticamente significativas nos traços de personalidade relatados. Os resultados fornecem evidências sobre a necessidade de triagem de pacientes de histórico e aconselhamento psiquiátrico sobre as potenciais consequências psicológicas de finasterida. Médicos que prescrevem o medicamento devem pesar cuidadosamente a relação risco/benefício com esses pacientes.

 

Texto original: http://jmh.sagepub.com/content/early/2016/02/10/1557988316631624.abstract

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Aplicações Clínicas das Vitaminas do Complexo B

Telma Sígolo Roberto
Médica
Clínica
Especialista em Terapia Nutricional
Responsável pelo serviço de Terapia Nutricional do Hospital São Cristóvão

Daniel Magnoni
Médico Cardiologista e Nutrólogo
Diretor do Instituto de Metabolismo e Nutrição (IMeN)

Celso Cukier
Médico Cirurgião do Aparelho Digestório e Nutrólogo
Diretor do Instituto de Metabolismo e Nutrição (IMeN)


RESUMO

As vitaminas, especialmente as do complexo B ganham destaque na prática clínica diária. Inúmeros trabalhos ressaltam a necessidade de suplementação, principalmente em grupos especiais ( idosos, gravidez, infância e recuperação clínica de doenças agudas ou crônicas).

As evidências clínicas apontam que todas as vitaminas do complexo B têm participação fundamental no metabolismo dos carboidratos, lipídeos e proteínas. Atuam de formas diferentes e em diversos sistemas enzimáticos, mas sempre participam como coenzimas na ativação de inúmeros processos metabólicos.

As manifestações encontradas nos trabalhos científicos, relacionadas as deficiências de vitaminas do complexo B são, em sua grande maioria, neurológicas, dermatológicas e gastrointestinais. Existem também descrições de situações clínicas em que as vitaminas do complexo B atuam como fator terapêutico, entre elas, destacam–se, principalmente, gestação, lactação e envelhecimento. Nos casos de deficiências severas, naqueles que a atuação de saúde necessita de uma rápida recomposição dos estoques orgânicos, e em grupos especiais, a alimentação regular e/ou orientada não supre as necessidades clínicas. 

Outro aspecto interessante na suplementação de vitaminas do complexo B reside no manuseio clínico de pacientes operados de obesidade mórbida, cirurgias restritivas e que causam síndromes disabsortivas. Nesses pacientes observa-se a nítida necessidade de suplementação dessas vitaminas, visto que, aumenta a incidência de casos graves de deficiências nutricionais no pós-operatório tardio.

Existem inúmeras possibilidades de suplementação por via oral, nos produtos comerciais Devem ser observadas as características absortivas do tubo digestivo, explorando as possibilidades de incremento de absorção mediante utilização de intervalos entre as principais refeições.

 

INTRODUÇÃO

As vitaminas do complexo B têm como pontos em comum o fato de serem solúveis em água e participarem de sistemas enzimáticos essenciais para o metabolismoenergético de carboidratos, proteínas, lipídeos e ácidos nucléicos. Por serem hidrossolúveis não são armazenadas no organismo de forma
considerável, de forma que um suprimento diário através da alimentação é fundamental para a prevenção de suas deficiências.

As principais fontes destas vitaminas são as carnes vermelhas e o fígado. Como estão bastante inter-relacionadas em seus processos metabólicos, a deficiência de apenas uma vitamina do complexo B é rara. Da mesma forma, a ingestão inadequada de uma pode prejudicar a utilização das outras.
As vitaminas do complexo B não têm valor calórico e são compostas por Tiamina (vitamina B1), Riboflavina (vitamina B2), Niacina (vitamina B3), Ácido
Pantotênico (vitamina B5), Piridoxina (vitamina B6), Biotina (vitamina B7), Ácido Fólico (vitamina B9) e Cobalamina (vitamina B12).

A seguir, será descrito detalhadamente a função de cada uma delas, bem como seu metabolismo, sinais clínicos de deficiência, principais fontes alimentícias e recomendações nutricionias diárias.

 

Vitamina B1 - TIAMINA

A tiamina, também conhecida como vitamina anti – neurítica, é fundamental para o metabolismo dos carboidratos, proteínas e gorduras, pois em combinação com o fósforo forma a coenzima tiaminapirofosfato (TPP) que participa da reação de descarboxilação do piruvato a acetato e acetil Coa, substância doadora de energia no ciclo de Krebs. A TPP também participa da descarboxilção de outros alfa – cetoácidos derivados de aminoácidos.

Por ser essencial ao metabolismo dos carboidratos quando há grande consumo deste macronutriente ou em situações de grande esforço físico, deve – se aumentar o consumo de tiamina para evitar sinais de deficiência. A tiamina também está envolvida nos processos digestórios, participa da manutenção do apetite e da transmissão de impulsos nervosos. É instável em meio alcalino, à radiação e à cocção dos alimentos (com perda de aproximadamente 25% deste nutriente neste processo). Alguns chás , peixes de água doce e moluscos produzem antitiaminases, fatores anti – vitamina B.

A absorção de tiamina é feita no duodeno proximal e jejuno, na presença de meio ácido. Sua metabolização é feita no fígado e a excreção é renal. Quando a quantidade ingerida ultrapassa a capacidade de absorção, a tiamina é excretada nas fezes. A absorção está prejudicada com o consumo elevado de álcool que interfere no transporte ativo da substância e em situações de deficiências de folatos. O álcool também interfere na metabolização hepática da tiamina e aumenta sua excreção renal. Algumas drogas, principalmente as que causam náuseas e diminuição do apetite e as que aumentam o trânsito intestinal, diminuem a biodisponibilidade da tiamina por efeito antagônico. 

As outras vitaminas do complexo B apresentam propriedade sinérgica à tiamina. A deficiência franca de vitamina B1 manifesta –se principalmente em pacientes alcoólatras e é denominada beribéri. Os sintomas principais são decorrentes da falta de energia ao sistema nervoso central e manifestam – se como fadiga, depressão, anorexia e instabilidade emocional em casos iniciais (ou crônicos) e na forma aguda levam à confusão mental, incoordenação motora e paralisia de nervo ocular. Podem aparecer também sintomas gastrointestinais e insuficiência cardíaca.

Os sinais de deficiência de tiamina aparecem quando menos de 70 μg são excretados na urina. As reservas corporais de tiamina concentram – se em musculatura cardíaca e esquelética, fígado, rins e SNC. A mensuração de tiamina pode ser feita pelo sangue (valores de referência: 5 -
7μg / 100 ml), pela urina (valores de referência: > ou igual a 27μg / g de creatinina) ou pela atividade da transcetalose eritrocitária, enzima que depende de TPP.

A tiamina em altas doses pode ser tóxica somente em soluções de nutrição parenteral, porém, efeitos colaterais são relatados com a ingestão de doses diárias maiores que 400mg (náuseas, vômitos, prurido, urticária e hemorragia digestiva). A suplementação de tiamina pode ser feita através de complexos
multivitamínicos orais. Nos casos de beribéri, as doses recomendadas vão de 100mg/dia em casos leves até 300mg / dia nos casos avançados. A polineuropatia alcoólica responde bem com doses de 10 – 15 mg/dia, enquanto no Delirium Tremens, podem ser administradas altas doses, intamuscular ou endovenosa, de tiamina associada com outras vitaminas. Altas doses de vitaminas diárias (100 – 600 mg) podem ser utilizadas para o tratamento de lombociatalgias, neurite trigeminal ou ótica e paralisia facial.

 

Vitamina B2 - RIBOFLAVINA

A riboflavina é fundamental no processo metabólico de proteínas, carboidratos e gorduras. Junta – se ao fósforo para formar duas coenzimas, FMN (flavina mononucleotídeo) e FAD (flavina adenina dinucleotídeo) que participam dos processos de oxi – redução celulares e transporte de elétrons, principalmente de hidrogênio. Além disso, a coenzima FMN participa do processo de ativação da piridoxina (Vitamina B6) e a FAD, da conversão do aminoácido triptofano em niacina (Vitamina B3). A riboflavina também está envolvida nos processos de manutenção da integridade cutânea.

A reação de transformação da riboflavina em coenzima é mediada pelo hormônio tireiodiano tiroxina, de maneira que em situações de hipotireoidismo pode haver deficiência dessas coenzimas, mesmo com suprimento nutricional adequado. A riboflavina é estável ao calor, de forma que a cocção dos alimentos não leva a perdas desta vitamina. Porém, é instável em meio alcalino.

Sua absorção é feita por difusão facilitada no intestino delgado, onde é fosforilada em FMN, transportada no plasma e excretada pela urina (a ingestão de
riboflavina superior à dose recomendada deixa a urina muito amarelada devido à pigmentação dessa substância). Fígado e rins podem armazenar riboflavina, porém em quantidades mínimas. O uso de algumas drogas, tais como, clopromazina, imipramina e amitriptilna inibem o metabolismo da vitamina B2. Outras substâncias (zinco, cobre, ferro, teofilina, cafeína, ácido ascórbico, uréia e triptofano) alteram sua solubilidade com conseqüente
diminuição de sua utilização. Indivíduos alcoólatras também apresentam diminuição da absorção de riboflavina.

Como fatores sinérgicos à ela, encontramos a tiroxina e a triodotiroxina. Não existe doença relatada devido a deficiência franca de riboflavina,
normalmente apresenta – se em conjunto com a depleção das outras vitaminas do complexo B. Porém, a deficiência crônica pode levar a alguns sintomas neuropáticos, dermatológicos (estomatite angular, seborréia nasolabial), gastrointestinais (glossite,anorexia) e oculares (fotofobia, ardência, prurido).
Estes sinais aparecem quando menos de 10% da riboflavina consumida é excretada na urina, ou seja, consumo menor que 0,55μg/dia. Sua mensuração pode ser feita pelo sangue (valores de referência: 20μg / 100ml) ou pela atividade da glutationa redutase eritrocitária, enzima dependente de FAD.

A suplementação de riboflavina é feita com sua forma fosfatada, em soluções injetáveis ou preparados orais. A FMN também está disponível para comercialização e é bastante hidrossolúvel. Nas deficiências de vitamina B2 as doses orais, diárias, de 5 – 10 mg estão associadas à boa resposta terapêutica. Em casos de absorção ou utilização diminuídas, a reposição deve ser feita por via endovenosa. Em pacientes com úlceras córneas e fotofobias, a utilização de riboflavina está bem indicada.

 

Vitamina B3 - NIACINA

Também chamada de vitamina PP, engloba duas substâncias ativas: a nicotinamida e o ácido nicotínico, sendo que o ácido nicotínico converte – se facilmente em nicotinamida. O aminoácido triptofano é precursor da niacina , portanto, a vitamina B3 pode ser produzida a partir dele na seguinte equação: 60mg de triptofano produzem 1mg de niacina (equivalente de niacina – NE). Esta reação é dependente de vitaminas B1, B2, B6 e de bactérias intestinais.
A niacina participa da formação das coenzimas NAD (nicotinamida adenina dinucleotídeo) e NADP (nicotinamida adenina dinucleotídeo fosfato), responsáveis pela transferência de elétrons e hidrogênio de enzimas participantes do metabolismo dos carboidratos, gorduras e proteínas.

A coenzima NAD é mais ativa em reações de catabolismo, enquanto a NADP está envolvida nas reações de síntese. A niacina é estável ao calor, à luz, ao ar e em meios alcalino e ácido. A absorção ocorre por difusão em estômago e intestino delgado, converte –se em suas formas ativas na circulação sanguínea, rins, fígado e cérebro e é excretada pela urina nas suas formas metiladas. O uso abusivo do álcool leva a diminuição do armazenamento hepático e da conversão da niacina em suas coenzimas. 

A suplementação de niacina deve ser feita na forma de nicotinamida para evitar os efeitos vasodilatadores do ácido nicotínico.
Atualmente, existe uma tendência à afirmação de que altas doses de niacina (acima de 3g/dia) podem levar à redução do colesterol sérico em situações de refratariedade ao tratamento convencional, porém, são necessários maiores estudos que comprovem esse uso. Neste caso, é importante lembrar que altas doses de niacina (acima de 1,7g ao dia) podem ter efeitos tóxicos, tais como: arritmia; náuseas; vômitos; diarréia; úlcera péptica; hiperuricemia e aumento das bilirrubinas e das transaminases hepáticas.

A deficiência de niacina, que se manifesta quando há ingestão menor que 8,8NE/dia, leva à uma doença conhecida como pelagra, a doença dos três “D” – demência, diarréia e dermatite. A mensuração de niacina pode ser feita através de um metabólito seu excretado pela urina , a metilnicotinamida (valores de referência: >1,6 mg / g de creatinina urinária).

 

Vitamina B5 – ÁCIDO PANTOTÊNICO

Substância amplamente distribuída entre os alimentos, a vitamina B5 aparece como fator constituinte da coenzima A, essencial para várias etapas do metabolismo celular e para obtenção de energia. Está envolvida na síntese de colesterol, fosfolipídeos, hormônios esteróides e porfirina para hemoglobina.

É bastante utilizada em produtos cosméticos por sua propriedade hidratante e de reparação tecidual. Pode ser aplicado de maneira tópica e auxilia na cicatrização de feridas, úlceras, inflamações e escaras. É estável ao cozimento e em soluções neutras, porém é perdido em processos de refinamento e processamento.

A Coenzima A é hidrolisada e absorvida através da veia porta, sendo armazenada no fígado, onde ocorre a ressíntese a coenzima A. A excreção é urinária (60 – 70%) ou fecal (30 – 40%). O álcool diminui sua absorção e o ácido acetilsalicílico é uma droga de ação antagonista. A vitamina B12 tem ação de sinergismo na conversão do ácido pantotênico livre em coenzima A.

Sinais de deficiência são raros, devido à sua farta apresentação na natureza, mas formigamento em mãos e pés pode indicar falta desta vitamina. A mensuração da vitamina B5 é feita pelo seu nível sanguineo total, sendo que os valores de referência variam de acordo com a situação: adultos - 183μg / dl; gestação - 103μg / dl e lactação - 112μg / dl. Não existe toxicidade relatada, porém, doses maiores que 10g ao dia podem levar à diarréia.

A suplementação de ácido pantotênico é feita pela suas formas alcoólica (usado em preparações multivitamínicas) ou em sais de cálcio, o pantotenol (utilizado para monopreparações) que estão disponíveis nas formas de soluções para injeção local, aerossóis, comprimidos e cremes. O tratamento para deficiência de vitamina B5 em situações em que a absorção está comprometida é feito com injeções intramusculares ou endovenosas de 500mg ao dia.

Existe uma tendência a considerar o uso de vitamina B5 em doenças hepáticas, na constipação em idosos e contra calvície.

 

Vitamina B6 – PIRIDOXINA

A piridoxina é o nome comum dado à três substâncias interconversíveis entre si, a piridoxina (um álcool), o piridoxal (um aldeído) e a piridoxamina (uma amina). Todas têm como composto ativo a coenzima piridoxal 5- fosfato (PLP). A PLP participa ativamente do metabolismo das proteínas, principalmente pelas reações de transaminação, dissulfidração e descarboxilação dos aminoácidos. A PLP também é fundamental para ativação das enzimas responsáveis pela síntese de neurotransmissores (dopamina, histamina, serotonina e epinefrina), sendo, portanto, fundamental para a manutenção da integridade funcional do cérebro.

A piridoxina também é catalisadora das reações de transformação do triptofano em niacina e participa da formação do heme das moléculas de hemoglobina. Nas reações metabólicas dos carboidratos auxilia na liberação do glicogênio hepático e muscular para utilização periférica. A vitamina B6 é estável ao calor, mas pouco estável à luz. A absorção se dá em duodeno e intestino delgado por difusão passiva. Na circulção sanguínea é fosforilada em sua forma ativa e circula ligada às proteínas plasmáticas, principalmente a albumina. Sua excreção é renal.

Algumas drogas têm ação antagonista à vitamina B6, formando complexos com o PLP, desativando - o. Os principais medicamentos que tem essa ação são a isoniazida, a hidralazida, a cicloserina e penicilamina. O álcool diminui o armazenamento hepático e aumenta a excreção urinária de piridoxina.

Algumas outras situações predispõem à deficiência de piridoxina, nas quais devemos estar atentos para sua dosagem: gestantes e em período de lactação (pelos requisitos adicionais da criança); mulheres em uso de anticoncepcionais orais com alto teor de estrogênio e em situações de elevada ingestão protéica. 

Não existe nenhuma doença, de sintomatologia específica, que determine a deficiência de piridoxina, porém, em casos de depleção crônica podemos observar irritabilidade, depressão, convulsões, neuropatia periférica e alterações dermatológicas.

A mensuração da piridoxina pode ser feita pelos níveis séricos de PLP (valores de referência: 37 – 60 pmol/ml) ou pela atividade da aminotransferase eritrocitária, enzima que depende da PLP para sua ativação. Não é relatada toxicidade e mesmo em doses de até 40mg/ dia não se observaram efeitos colaterais.

A suplementação de piridoxina é feita pela reposição do hidrocloreto de piridoxina, utilizado em preparados orais, cápsulas, comprimidos e ampolas.
Em situações em que há deficiência genética de piridoxina (algumas anemias e anormalidades no metabolismo de aminoácidos), devem ser utilizadas doses diárias de 40 – 200 mg. Ainda na dose de 40 mg / dia, pode ser usada para o tratamento da hipermese gravídica e para alivia da depressão, principalmente em mulheres que tomam anticoncepcionais orais.

 

Vitamina B7 – BIOTINA
Também conhecida como vitamina H ou coenzima RR, a biotina tem a D – biotina como isômero ativo e componente das formulações farmacológicas.
Participa como coenzima das reações de carboxilação catalisadas pelas enzimas carboxilases, envolvidas em reações de gliconeogênese, síntese de ácidos graxos e do metabolismo dos aminoácidos, principalmente a leucina. É solúvel em água e álcool, estável ao calor e instável à oxidação, luz e radiação.

A absorção é feita por transporte ativo no intestino delgado e na circulação sanguínea é transportada por proteínas plasmáticas. A excreção é principalmente fecal e uma pequena porção é feita por via urinária. Pode ser sintetizada por bactérias intestinais e é de difícil mensuração em sangue
e urina.

Algumas situações predispõem ao aparecimento de deficiência de biotina, a principal relaciona –se ao consumo de ovos crus que contêm avidina, uma glicoproteína que impede a absorção de biotina. Outras situações incluem: cirrose hepática; gestação; antibioticoterapia prolongada, por diminuição da microflora intestinal e conseqüente diminuição da síntese de biotina e nutrição parenteral prolongada por mais de oito semanas.

A carbamazepina inibe o transporte de biotina pelo trato gastrointestinal. Apesar de serem raros, os sinais de deficiência relacionam – se às situações
clínicas descritas acima e incluem manifestações dermatológicas (alopecia, dermatites); neurológicas (perda de memória, depressão) e gastrointestinais (glossite, náuseas, anorexia). Podem aparecer algumas alterações não específicas no eletrocardiograma desses pacientes.

A mensuração da biotina é feita através de seus níveis plasmático (215 – 750pg/ml), eritrocitário (55 – 170pg/ ml) ou sanguíneo total (200 – 500pg / ml).
Não existe toxicidade relatada, nem efeitos colaterais mesmo em doses de até 40mg ao dia.

 

Vitamina B9 – ÁCIDO FÓLICO

Também conhecido como folacina ou folato, participa da síntese de purinas e pirimidina, compostos utilizados na formação do DNA – guanina, adenina e timina. Neste processo, atua em conjunto com cobalamina. O ácido fólico participa dos processos de interconversão de aminoácidos, entre
eles: catabolismo da histidina à ácido glutâmico, transformação da serina em glicina e conversão da homocisteína à metionina.

É essencial para maturação das hemácias e dos leucóitos na medula óssea. É instável ao calor e por isso se perde com o processo de cozimento dos
alimentos. Sua formulação farmacológica é o ácido pteroglutâmico. A forma presente nos alimentos é o poliglutamato que é quebrado em monoglutamato e nesta forma é absorvido por transporte ativo mediado por carreadores pelo intestino delgado.

Nos eritrócitos transforma – se em metilfolato e no plasma circula livre ou ligado à proteínas plasmáticas, como a beta – globulina. É armazenado no fígado sob a forma de poliglutamato. A excreção é urinária e fecal. Os folatos também podem ser sintetizados por bactérias intestinais. Sua metabolização pode estar prejudicada em pessoas que usam medicações como o metotrexato, trimetropim ou pirimetamina e sua absorção está diminuída em
pacientes alcoólatras, em uso de contraceptivos orais ou medicação antiácida.

Algumas situações clínicas levam à deficiência de ácido fólico, entre elas, destacam – se : gestação, pelo aumento da demanda deste nutriente; doenças
inflamatórias intestinais, por diminuição da superfície de absorção; pacientes com câncer em quimioterapia; queimaduras; doenças hepáticas e nutrição parenteral prolongada. È importante destacar que durante a gestação a suplementação de ácido fólico previne contra má – formações do tubo neural em fetos. 

Nas situações descritas acima é necessário suplementar folatos para evitar sinais de deficiência.

A baixa ingestão de ácido fólico leva à anemia megaloblástica em curto espaço de tempo, e os sintomas mais freqüentes desta patologia são: cansaço,
irritabilidade,perda de peso. Leucopenia no henograma também pode ser um sinal desta doença. Sintomas gastrointestinais também são comuns, entre eles: anorexia, enjôos, diarréia, glossite. Porém, estes sinais não se manifestam até que a concentração hepática de ácido fólico esteja abaixo de 1μg / g de tecido hepático. A deficiência de ácido fólico pode levar a hiperhomocisteinemia que atualmente vem sendo reconhecida como importante fator de risco cardiovascular.

A mensuração de ácido fólico pode ser feita pela sua concentração plasmática (valores de referência: > ou igual a 6ng / ml) ou eritrócitária (160 – 800ng / ml). Não são relatados efeitos tóxicos, mas a administração de doses superiores a 15mg ao dia leva ao depósito de cristais de ácido fólico nos rins, levando a sua hipertrofia. A suplementação de vitamina B9 é feita por sais de ácido fólico, usado em soluções orais ou injetáveis. O ácido folínico é usado para reposição intramuscular em para contrapor o efeito antagônico do metotrexato. 

As deficiências de ácido fólico devem ser tratadas com doses de 400 – 500 mg/dia. Na gravidez, a suplementação é feita com doses de 5 mg ao dia.
O uso de 10 mg ao dia de folatos está indicado para o tratamento de diversas displasias, alterando favoravelmente o curso da doença. Nos casos agudos de anemia megaloblástica, a reposição deve ser feita em associação à cobalamina antes de ser feito um diagnóstico preciso da doença.

 

Vitamina B12 – COBALAMINA

É o nome genérico dado às substâncias conhecidas como corrinóides - cianocobalamina, hidroxicobalamina e aquocobalamina, sendo que as três são
biologicamente ativas. A cobalamina é coenzima fundamental no metabolismo dos carboidratos, gorduras e proteínas (participa da síntese de aminoácidos). Atua na formação dos ácidos nucléicos e portanto é imprescindível para o funcionamento de todas as células, principalmente do trato gastrointestinal, tecido nervoso e médula óssea. No tecido nervoso seu papel específico é na formação da bainha de mielina dos neurônios. No sistema hematopoiético, é responsável pela maturação das hemácias.

A vitamina B12 é instável à luz, ácidos, bases, agentes oxidantes ou redutores e por isso é perdida no processo de cocção. É absorvida no íleo, dependente de fator intrínseco gástrico, ácido clorídrico e cálcio. A quebra das ligações peptídicas é feita no estômago pela ação do HCl, daí a
cobalamina combina –se com o fator intrínseco para ser absorvida no íleo em um processo dependente do cálcio. Na circulação sanguínea liga – se à proteínas transportadoras, as transcobalaminas I, II e III, e pode ser estocada no fígado ou nos rins.

O estoque corpóreo de cobalamina é mantido às custas da circulação entero – hepática que a recicla e pela produção de bactérias intestinais (principalmente os acitenomices), de forma que as manifestações de deficiência podem demorar até cinco anos para aparecerem. A excreção é urinária ou fecal, nos casos de saturação dos transportadores plsmáticos.

Na presença excessiva de álcool e em situações de deficiência de vitamnia B6 (que participa da formação do fator intrínseco gástrico) a absorção de cobalamina fica diminuída. Todas as doenças que levam a um estado de má – absorção intestinal que envolvem o íleo e em situações de hipocloridria (Síndrome do intestino curto, Gastrectomias parciais ou totais, Gastrite Atrófica, Doença celíaca, entre outras) também podem diminuir a absorção de vitamina B12.

As drogas de ação antagonista à cobalamina são: colchicina, neomicina, contraceptivos orais, metformina, cloreto de potássio e barbitúricos.
A deficiência de vitamina B12 leva à anemia perniciosa (por ausência de fator intrínseco) ou megaloblástica. Podem aparecer sintomas neurológicos associados, posteriores aos sinais se anemia, tais como, perda da memória, perestesias, diminuição da sensibilidade em membros inferiores e em casos avançados, desmielinização da medula espinal. Sintomas gerais como anorexia e perda do apetite, além de diarréia e manifestações dermatológicas também são comuns. Os sintomas relacionados à anemia respondem melhor à suplementação de vitamina B12 do que os neurológicos.

A vitamina B12, quando convertida em sua forma adenosil B12 na mitocôndrias, participa das reações de catabolismo do ácido metilmalônico, de maneira que em situações de deficiência de cobalamina, pode ocorrer acidúria metilmalônica por comprometimento desta reação, levando à dificuldade de aprendizado e outros sintomas neurológicos. Diante desta situação, a suplementação de cobalamina deve ser feita de forma endovenosa.

A mensuração da cobalamina é feita através de seus valores plasmáticos (valores de referência: > ou igual à 450 pg / ml), valores abaixo de 200pg / ml indicam deficiência. A dosagem urinária de ácido metilmalônico é um método de maior sensibilidade e especificidade do que a dosagem sérica de cobalamina. Não existe toxicidade relatada à essa substância.

A reposição de vitamina B12 é feita pela cianocobalamina e pela hidroxicobalamina, disponíveis para uso oral ou injetável. Em pacientes com deficiência de fator intrínseco, a reposição de cobalamina é vitalícia em doses diárias de 150 mg. Nas fases iniciais da doença são dadas doses maiores (até 1000 mg duas vezes por semana). A hidroxicobalamina tem retenção melhor que a cianocobalamina e por isso é preferível para utilização em tratamentos prolongados.

Outras utilizações terapêuticas para a cobalamina incluem ambliopia tabágica, neurite ótica, acidúria metilmalônica em crianças e como analgésico (em associação com as vitaminas B1 e B6).

 

SITUAÇÕES ESPECIAIS – REPOSIÇÃO E SUPLEMENTAÇÃO DE VITAMINAS DO COMPLEXO B

1. Envelhecimento

Os idosos são candidatos à suplementação de ácido fólico, vitamina B6 e vitamina B12, já que devemos considerar maior predisposição para situações de
gastrite atrófica e hipocloridria, com diminuição na absorção de folatos e cobalamina, dependentes de meio ácido.

Outras situações de má–absorção, prevalentes em idosos, tais como: doença celíaca, doenças inflamatórias intestinais e ressecções cirúrgicas, levam a
menor absorção também. A deficiência destas substâncias está ligada a diversas situações clinícas,
entre elas, destacam – se:

- Anemia Megaloblástica: caracteriza – se pela produção de hemácias grandes e imaturas, levando aos sintomas clássicos de anemia, acompanhados de
manifestações neurológicas que aparecem como parestesias, astenia, pertubações psiquiátricas. Neste caso, indica –se tanto a reposição de ácido fólico quanto de cobalamina.

- Hiperhomocisteinemia: recentemente descoberto como um fator de risco predisponente para doenças cardiovasculares, a concentração sérica de homocisteína encontra – se aumentada em situações de depleção principalmente de ácido fólico, mas também relaciona – se à deficiência de
piridoxina e cobalamina. (26) A hiperhomocisteinemia parece estar relacionada também ao desenvolvimento de diabetes mellitus, hipertensão arterial sistêmica, Parkinson e Alzheimer.

- Desordens Cognitivas: manifestam – se sem a presença de anemia megaloblástica, podem incluir doenças do tipo Alzheimer que relaciona –se à deficiência de cobalamina e ácido fólico, porém, maiores estudos são necessários para comprovar esta relação.

2. Gestação
A gravidez é uma situação clínica especial que requer suplementação de todas as vitaminas do complexo B, devido à maior demanda metabólica e alta renovação celular, algumas delas merecem destaque:

- Ácido Fólico: deve –se iniciar a suplementação três meses antes da gestação com o intuito de prevenir defeitos de formação do tubo neural, tais como anencefalia e espinha bífida.

- Cobalamina: a suplementação está indicada devido à maior síntese de aminoácidos não essenciais para o crescimento do feto e à maior síntese de niacina proveniente do triptofano. 

3. Cirurgias do Trato Gastrointestinal
Essas cirurgias podem afetar a absorção das vitaminas do complexo B, principalmente de cobalamina. As gastrectomias, procedimento cirúrgico utilizado tanto em pacientes com obesidade mórbida quanto para aqueles que necessitam de ressecção por tumores, levam à diminuição no metabolismo e  transporte da cobalamina pela menor produção de fator intrínseco. As ressecções intestinais que incluem o íleo levam à diminuição na absorção de
cobalamina.

Tanto as gastrectomias quanto as ressecções intestinais podem levar a diminuição na absorção de tiamina, levando a síndrome de Wernicke – Korsakoff (19) com todos seus sinais e sintomas típicos já descritos anteriormente. Assim, os pacientes submetidos à estes procedimentos cirúrgicos devem ter seus níveis séricos de vitamina B12 monitorados periodicamente . A reposição está indicada para todos a fim de se evitarem os sintomas relacionados à sua deficiência.

4. Atividade Física

Por participarem intensamente dos processos de obtenção de energia do organismo humano, as vitaminas do complexo B podem se apresentar deficientes em indivíduos com atividade física intensa, com alimentação rica em carboidratos e proteínas. É importante observar que em atletas, mesmo com consumo adequado de carboidratos, pode ocorrer acúmulo de lactato se houver deficiência de tiamina. As vitaminas que participam da maturação das hemácias, B3, B6, B9 e B12, também devem ser monitoradas periodicamente. 

5. Câncer

A suplementação de folatos (doses acima de 400 mg/dia) de uma forma contínua e por longos períodos, parece estar relacionada à diminuição de câncer colônico, principalmente em pacientes submetidos a longos tratamentos com drogas de ação antagonista à eles, como por exemplo, o metotrexato. Em indivíduos alcoólatras esta relação não se estabelece.

Existem evidências (18) de que o uso de suplementação com tiamina, riboflavina, ácido fólico e cobalamina inibem o processo de carcinogênese em pacientes com displasia de colo uterino. Algumas evidências não tão fortes, relacionam a ingestão aumentada de ácido fólico à prevenção do câncer de mama

6. Catarata

O uso prolongado de suplementação das vitaminas do complexo B, principalmente o ácido fólico, em asociação com a vitamina A, parece ter efeito protetor contra o desenvolvimento de catarata dos tipos cortical e nuclear. (20)

7. Dietas Hipocalóricas

A associação de dietas com restrição calórica a um composto de tiamina, arginina, cafeína e ácido cítrico foi efetiva na redução de peso, bem como dos
triglicerídeos e da insulina plasmática, em pacientes com diabetes mellitus submetidos a esse tratamento (21). Além disso, recomenda – se a utilização de um composto multivitamínico em pacientes seguindo dietas de muito baixa calorias (menos de 800Kcal ao dia), para evitar sinais de deficiência (22).

8. Suplementação de Tiamina

Em algumas situações clínicas especias, em que os sintomas neurológicos podem ser predominantes, observou – se deficiência de vitamina B1. Entre elas, as mais importantes são: pacientes com cardiomiopatia em uso de diuréticos (23); pacientes com infecção pelo vírus HIV, independente de estágio da doença, uso de zidovudina ou estado nutricional (24) e em pacientes com anorexia nervosa (25).

9. Hiperêmese Gravídica
O uso de piridoxina em doses elevadas pode amenizar os sintomas de vômitos incoercíveis nos primeiros meses de gestação (27).

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
1. Cukier, C.; Magnoni, D.; Rodríguez, A., B. Micronutrientes, Vitaminas e Minerais. In: Magnoni, D., Cukier, C., Perguntas e Respostas em Nutrição Clínica, Cap. 6. São Paulo: Roca, 2001. pp 37 – 44

2. Longo, S. Nutrição Esportiva. In: Magnoni, D. , Cukier, C.. Perguntas e Respostas em Nutrição Clínica, Cap. 41. São Paulo: Roca, 2001. pp 331 – 335

3. Ferrini, M.,T.; Borges, V.,C.; Marco, D.; Aguiar, J.,E.; Bottoni, A.; Waitzberg, D.,L. Vitaminas. In: Nutrição Oral, Enteral e Parenteral na Prática Clínica. Cap 6. São Paulo: Atheneu, 2004. pp 95 – 115

4. Garrido, A., B.; Rodrihues, J., G.; Waitzberg, D., L. Obesidade Mórbida: Tratamento Cirúrgico. In: Waitzberg, D., L. Nutrição Oral, Enteral e Parenteral na prática Clínica.Cap 67. São Paulo: Atheneu, 2004. pp 1041 – 1050.

5. Recommended Dietary Allowances (RDA). 10th edition. Subcomitte on the tenth edition of the Board Comission on Life. Sciences, National Research Council. Washington: National Academy Press, 1989.

6. Cruz, M.,R.,R.; Morimoto,I.,M.,I. Intervenção Nutricional no Tratamento Cirúrgico da Obesidade: Resultados de um Protocolo Diferenciado. Rev Nut, Vol 17, No 2 – Campinas, 2004.

7. Neves, L.,B.; Macedo, D., M.; Lopes, A., C. Homocisteína. J. Bras Patol Med Lab, Vol 40, No 5 – Rio de Janeiro, 2004.

8. Prioste, R.,N. and cols. Alterações no Metabolismo da Homocisteína induzidas por aguardente de cana de açúcar em alcoólatras. J. Bras Patol Med Lab, Vol 39 No 3 - Rio de Janeiro.

9. Vannucchi, H.; Jordão, A.,A. Vitaminas Hidrossolúveis. In: Oliveira, J.,E.,D. Ciências Nutricionais, Cap. 11. São Paulo: Sarvier, 1998. pp 191 – 203

10. Frederico, M.,H.,H.; Snitcovsky,I.,M.,L. Vitaminas e Câncer. In: Waitzberg, D., L. Dieta, Nutrição e Câncer. Cap 20. São Paulo: Atheneu. pp 191 –192

11. Mahan,L.,K.; Stump S.,E. Viatminas. In: Krause – Alimentos, Nutrição e Dietoterapia. Cap. 6. São Paulo: Roca,1998. pp 94 - 111

12. Mahan, L.,K.; Stump, S.,E. Nutrição durante a Gravidez e a Lactação. In: Krause – Alimentos, Nutrição e Dietoterapia. São Paulo: Roca, 1998. pp 187 – 191

13. Shuman, J.,M. Nutrição no Envelhecimento. In: Krause – Alimentos, Nutrição Dietoterapia. Cap. 14.São Paulo: Roca, 1998, pp193 – 311

14. Mahan, L.,K.;Stump,S.,E. Nutrição para o Desempenho Atlético. In: Krause – Alimentos, Nutrição e Dietoterapia. Cap 22. São Paulo: Roca,1998. pp 505 – 514.

15. Burns, B.,L.; Davis, E.,M.,C. Cuidado Nutricional nas Dienças do sistema Nervoso. In: Krause – Alimentos, Nutrição e Dietoterapia. Cap 39. São Paulo: Roca, 1998. pp 883 – 899 16. Frank, A.,A.; Soares, E., A. Vitaminas Hidrossolúveis : Tiamina, Riboflavina e Niacina. In: Nutrição no envelhecer. Cap 9. São Paulo: Atheneu, 2004. pp 129 – 142.

17. Frank, A.,A.; Soares, E.,A. Participação do Ácido Fólico,Vitamina B6 e B12 na Prevenção de Enfermidades Associadas ao Envelhecimento. Cap 7. São Paulo: Atheneu, 2004. pp 129 – 142

18. Hernandez, B.D. Diet and Premalignant lesions of the cervix; evidence of a protective role for folato, riboflavin, thiamin and vitamin B12. Cancer Causes
Control, 14 (9): 859-70, Netherlands, 2003.

19. Shimura, T.; Mori, E.; Imamura, T.; Yamoshite, H. Development of Wernicke – Korsakoff syndrome after long intervals following gastrectomy. Arch Neurol, 55 (9); 1242 – 5, Scotland, 1998

20. Kuzniarz, M.; Mitchell, P.; Cumming, R., G.; Flood, V., M. Use of vitamin supplements and catarct: Blue Mountain Eyes Study. Am J Ophthamol; 132 (1): 19 – 26, USA, 2001

21. Muriyama, K. and cols. Anti – obesity effects of a mixture of thiamin, arginine, caffeine and citric acid in non insulin dependent diabetic KK mice. J Nutr Sci Vitaminol; 49(1): 56 – 63, Japan, 2003

22. Bowman, S., A.; Spence, J., T. A comparision of low – carbohydrate vs. high – carbohydrate diets: energy restriction, nutrient quality and correlation to body mass index. J Am Col Nutr, vol 21, No. 3, 268 – 274, USA, 2002

23. Cunha, S. and cols. Thiamin, selenium and copper levels in patients with idiopatic dilated miocardophaty taking diuretics. Arq Bras Cardiol; 79(5): 454 –65, Brasil, 2002

24. Muri, R., M. and cols. Thiamin deficiency in HIV- patients: evaluation by erytrocite transketolase activity and thiamin phyrophosphatase effect. Clin Nutr;
18(6): 375- 8, Scotland, 1995

25. Winston A., P. ando cols. Prevalence of thiamin deficiency in anorexia nervosa. Int J Eat Disord; 28(4): 451- 4, USA, 2000.

26. De Caterine, R. and cols. New cardiovascular risk factors: homocysteine and vitamins involved in homocystein metabolism. Ital Heart J; 5 Supll 6: 191-245, Italy, 2004.

27. Smith, C.; Crowther, C.; Wilson, K. A randomized trial of ginger to treat nausea and vomit pregnancy. Obstet Gynecol, 104(4): 639-45, USA, 2004

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Dentre os efeitos dos hormônios anabólico-androgênicos está o de elevar a produção de hemácias (os glóbulos vermelhos) na medula óssea e promover dilatação dos vasos sanguíneos.

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Pra entender como isso é bom pro seu desempeno (ou mal pra sua saúde) posso comparar o seu músculo com um motor. Motores utilizam oxigênio e combustível pra produzir energia, o músculo também. Aumentando a entrada de oxigênio ou de combustível podemos permitir que mais energia seja produzida, logo, mais potência!

Quando um esteroide chega à medula ele é convertido num composto chamado de 17-keto esteroide. O que ele faz é basicamente deixar as células da medula de prontidão, aguardando um sinal pra começar a produzir eritrócitos. Essa molécula é a chamada eritropoietina, produzida no rim, sua produção também é elevada pelos esteroides (fig. 2 JELKMANN, 2000).

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Os motores possuem entradas de ar, obviamente, pra que o ar entre e ocorra a queima de combustível. Existe um caminho que o oxigênio precisa percorrer desde sua entrada até que chegue ao motor. Semelhante processo ocorre no corpo humano, o ar entra e então percorre um caminho até chegar aos tecidos. É hemácia que leva o oxigênio dos pulmões até seu destino.

Os esteroides então aumentam a quantidade de hemácias e também a capacidade delas da incorporarem ferro. É o ferro que “segura” o oxigênio na hemácia. Não só isso, também ocorre aumento do chamado de 2,3-Difosfoglicerato que é quem faz a hemácia “soltar” o oxigênio por aí. Então, temos aumento na: quantidade de hemácias, capacidade de transportar o oxigênio e capacidade de liberar esse oxigênio.

Assim como os compressores aumentam a entrada de ar no motor, o melhoramento no funcionamento e quantidade de hemácias permitirá mais oxigênio disponível e, com mais oxigênio pode se produzir mais energia (pra contração muscular).

Os esteroides ainda reduzem a entrada de cálcio na célula epitelial (aquela do vaso sanguíneo). É através do cálcio que os vasos se contraem (fig. 3. JONES et al., 2003), sendo assim, se há menos cálcio há menor contração dos vasos sanguíneos.

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Ao mesmo tempo ativam a produção de Óxido Nítrico que causa vasodilatação (fig.4. AKISHITA; YU, 2012). Isso tudo permitirá que o sangue corra mais livremente, facilitando aquelas hemácias multiplicadas e melhoradas chegarem a seus músculos. É como se houvesse um aumento na admissão do motor: chega mais oxigênio e mais combustível, o resultado é claro só pode ser melhora de rendimento.

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Isso tudo é saudável quando os esteroides estão em níveis fisiológicos, isto é, que o próprio corpo produz, mas o uso exacerbado pode gerar produção excessiva de hemácias (chama-se policitemia), aumentando muito o volume de sangue. Alguns hormônios ainda se convertem em estrogênio que conhecidamente podem causar retenção de água, inclusive no sangue. Acontece que os vasos sanguíneos dilatam só até certo ponto, nem sempre sendo o suficiente pra sustentar esse volume extra de líquido. O resultado pode ser hipertensão e risco de trombose aumentado.

Importante salientar que uso de esteroides em cápsula e anticoagulantes requer cuidado, já que os hormônios orais (17-a alquilados) reduzem a coagulação sanguínea por elevar os níveis de plasminogênio, proteína C e Antitrombina 11.

Alguns usuários de esteroides ainda procuram usar AAS Infantil pra reduzir a produção de hemácias, acontece que esse medicamento só reduz os fatores de coagulação sendo útil só pra evitar trombose. Assim como o excesso é prejudicial à saúde, a deficiência de hormônios anabólico-androgênicos também causará problemas, pois com a falta deles os efeitos vasodilatadores e antitrombóticos são perdidos. Podemos observar na figura 5 (BORS et al., 2014) que existe um meio termo onde os andrógenos são saudáveis pro sistema cardiovascular, acima ou abaixo disso pode ocorrer problemas.

Nenhuma descrição de foto disponível.

Referências
doi.org/10.1016/S0149-2918(01)80114-4
doi.org/10.3275/6149
doi.org/10.2174/1389201003379068
doi.org/10.1038/sj.bjp.0705141
doi.org/10.1186/s12916-014-0211-5

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