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Vítimas de anabolizante - risco de morte


fisiculturismo
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ATENÇÃO PESSOAL: a reportagem a seguir foi publicada hoje no Correio Braziliense, dia 07 de setembro de 2004. Substâncias ANABOLIZANTES podem ser extremamente perigosas para a saúde! Somente um médico habilitado pode prescrevê-las.

VIDAS EM RISCO

Vítimas de anabolizante

Fabíola Góis

e Marcelo Rocha

Do Correio Braziliense

07/09/2004

08h03 - Seis jovens, entre 15 e 25 anos, arriscaram a vida em troca de músculos. Dois deles, internados em coma na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF), lutam para sobreviver às altas doses de Estigor — um esteróide anabolizante produzido na Argentina e usado para engordar vacas. A substância foi aplicada na veia e nos músculos dos rapazes, que começaram a se sentir mal na quinta-feira passada.

Moradores de Padre Bernardo (GO), distante 120 km de Brasília, os jovens foram atraídos pela possibilidade de ganhar músculos sem precisar suar a camisa. Ouviram dizer que injetar a substância no organismo era o suficiente para ter o bíceps aumentado. Contam que foram abordados no meio da rua por um rapaz que vende a substância por R$ 1 cada ml.

O atendente Jackson Vieira de Souza, 21 anos, foi quem mais sofreu as conseqüências do uso irresponsável da droga. ‘‘Ele comprou o anabolizante de um jovem da cidade, que também injetou a droga nos outros garotos’’, afirmou Raquel Alves de Souza, 39 anos, tia de Jackson. A mãe dele, Maria Aparecida Vieira de Souza, 44, ouviu de um médico que só Deus poderia salvar o rapaz. ‘‘Só quero Justiça. Como podem fazer uma coisa dessas com eles?’’ Foram 30ml em cada braço.

Outro que corre risco de morte é Pedro Henrique do Carmo Gonzaga, 15. O garoto também queria ficar com os músculos fortes. ‘‘Encontrei meu filho em casa vomitando e delirando’’, disse a mãe, Luísa Maria do Carmo, 40. Ela diz que processará os responsáveis pelos danos causados ao filho. Pedro e Jackson podem sofrer seqüelas cerebrais irreversíveis. Estão em coma e respiram com a ajuda de aparelhos. Jackson teve de fazer uma cirurgia para retirar urina da bexiga.

Dores

O rapaz acusado de vender a substância aos jovens não foi encontrado pelo Correio. ‘‘Ele ofereceu a droga ao meu irmão de 14 anos’’, disse Sérgio Roberto Gomes dos Santos, internado na emergência do HBDF. Sérgio e os colegas Hemerson Roniton Valadares, 19, e Ivonez Alves de Castro, 25, recuperam-se das lesões provocadas no bíceps no Posto 6 do HBDF. ‘‘Pensei que não fazia mal desse jeito. Usei 20ml em cada braço. Senti dores fortes nos braços’’, contou Hemerson. O jovem confessou ter comprado a droga para ficar forte apenas por vaidade: ‘‘Queria ficar com o bíceps forte’’.

Ivonez, o mais velho do grupo, não consegue dobrar os braços. ‘‘Tomei a injeção às 21h de quarta-feira e passei mal na quinta de manhã. Fiquei parecendo um drogado, delirando e sem falar coisa com coisa.’’ O sexto paciente internado no HBDF já recebeu alta e está em casa.

Os males do Estigor no homem

- O Estigor é um composto com nandrolona (esteróide anabolizante) e vitaminas A, D e E. Quando é injetada, aumenta o volume do músculo

- Provoca miosina, uma lesão muscular que causa dor e liberação de enzima CPK (fosfoquinase). Em doses altas, é tóxica para o organismo

- A injeção pode provocar embolia cerebral. Partículas de gordura são levadas pelo sangue ao cérebro

- Provoca arritmias no coração e parada cardíaca

- Os pacientes apresentam insuficiência respiratória e precisam respirar com a ajuda de aparelhos

- Lesiona os rins, causando insuficiência renal aguda

- Os danos podem ser irreversíveis e até matar

Polícia investiga o caso

A venda do anabolizante Estigor aos seis jovens de Padre Bernardo (GO) será investigada por policiais civis da cidade. O caso também foi registrado na delegacia de Brazlândia, no Distrito Federal, primeiro destino das vítimas quando as reações adversas da substância se manifestaram, ainda na quinta-feira (2). Até o início da noite desta segunda-feira, porém, a polícia ainda não tinha pistas sobre o destino do rapaz acusado de negociar e aplicar o composto ilegalmente. Os pais das vítimas forneceram aos agentes o nome de um jovem que negociaria a droga em Padre Bernardo.

Fabricado na Argentina, o Estigor contém nandrolona e vitaminas A, D e E. Daí vem o apelido: ADE. O produto é de uso veterinário, indicado para vacas no pós-parto. Nessa fase, o organismo do animal sofre queda nos níveis de magnésio e, às vezes, cálcio. O remédio ajuda a recompô-los e fortifica o animal. Mesmo em vacas, recomenda-se diluir a droga em outros produtos, o que não ocorreu com os seis garotos de Padre Bernardo.

Vaidade

Na busca incansável por um corpo torneado, os jovens aplicam o composto de forma irresponsável. De acordo com um jovem de gangue de pichadores ouvido pelo Correio, uma única injeção, com 10ml pode custar até R$ 16. Para produtores pecuários, o frasco com 250ml custa cerca de R$ 90. ‘‘Conheço vários moleques que vendem ADE por aí. Costumam procurar clientes nas portas de academias’’, revelou. Muitos consumidores recorrem à internet para adquirir o produto e saber como usá-lo.

‘‘Os pais devem estar atentos. Essas substâncias podem matar’’, advertiu o médico José Carlos Quinaglia e Silva, diretor do HBDF. Segundo ele, a substância injetável aumenta o volume dos músculos, mas provoca lesões e dores fortes. Os usuários correm risco de ter os rins paralisados, arritmia cardíaca, edema cerebral e embolia pulmonar. ‘‘Dos seis pacientes que deram entrada, dois respiram por aparelho. O quadro é grave’’, explicou.

‘‘Eles apresentaram melhora nas últimas horas, mas ainda correm risco de morte’’, afirmou o intensivista Osório Luís Rangel Almeida, que atende Pedro Henrique Henrique do Carmo Gonzaga e Jackson Vieira de Souza. O especialista contou que o Estigor funciona como silicone para homens. O médico, que conversou também com os outros internados, disse que a vontade de ver os músculos crescer rápido fez com que os jovens procurassem a droga.

Continua a reportagem em 9 de setembro de 2004:

Padre Bernardo (GO)

Anabolizante consumido por jovens é ilegal no Brasil

Marcelo Rocha

Do Correio Braziliense

09/09/2004

08h32 - Uma das substâncias de uso animal injetada no corpo por 11 jovens de Padre Bernardo (GO) tem a venda proibida no país desde 2001. O anabolizante nandrolona foi vetado pelo governo brasileiro depois que estudos encontraram vestígios dele na carne consumida pelo homem. O composto faz parte da fórmula do Estigor, o medicamento veterinário de fabricação argentina que o grupo afirma ter consumido em busca de músculos estufados.

O comércio ilegal do produto indicado para engorda de vacas é alvo de duas investigações policiais, em Goiás e no Distrito Federal. Em Padre Bernardo, o delegado Rodrigo Fontoura de Carvalho abriu inquérito e começou a ouvir ontem os envolvidos. Agentes da 18ª DP (Brazlândia) apuram a transação clandestina do produto antes mesmo de o caso estourar no Entorno. A partir de denúncia, há suspeita de que o fornecedor do Estigor more em Brazlândia.

Na última quinta-feira (2), seis jovens entre 15 e 25 anos foram atendidos no Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF) com reações alérgicas decorrentes da aplicação da droga. Alguns arriscaram doses exageradas do anabolizante. Caso de Jackson Vieira de Souza, 21, que chegou a injetar 80 ml em cada braço. Até para bovinos, recomenda-se diluir o líquido em outros compostos antes do uso, tamanha sua potência. Exames realizados pelo HBDF vão confirmar a substância e a quantidade aplicada nos rapazes.

Até a noite desta quarta-feira, Jackson e Pedro Henrique Gonzaga, 15, permaneciam internados, em coma, na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI). Respiravam com a ajuda de aparelhos, segundo a assessoria de imprensa do hospital. Os dois podem sofrer seqüelas cerebrais irreversíveis.

Embalagens

Depois de receber alta no início da semana, duas vítimas estiveram nesta quarta-feira na delegacia de Padre Bernardo para prestar depoimento. Valderney Ferreira Nascimento e Sérgio Gomes dos Santos, ambos de 20 anos, contaram ao delegado Rodrigo Fontoura que pagaram R$ 1 por cada ml do anabolizante. Achavam que o produto era indicado para humanos. ‘‘Afirmam não ter visto embalagem ou frascos. Apenas seringas’’, explicou o delegado.

Policiais acharam oito seringas dentro de um bueiro ao lado da casa de um dos usuários. Um jovem de 17 anos é apontado pelos demais como vendedor e aplicador do anabolizante. ‘‘Ele seria uma espécie de atravessador. As suspeitas de quem esteja trazendo o produto para a região recaem sobre um morador de Brazlândia’’, adiantou Fontoura. Agentes do DF confirmaram a informação, mas mantêm a identidade do suspeito em sigilo.

Valderney e Sérgio afirmaram ainda não freqüentar academia e que esse teria sido o primeiro contato com anabolizantes. Contaram ter usado o Estigor — que leva nandrolona e vitaminas A, D e E — e um complexo vitamínico: o ADE, feito à base das mesmas vitaminas. ‘‘Precisamos saber se as duas substâncias têm registro, se são permitidas no país. A depender das informações, o caso pode ser enquadrado até em tráfico de drogas’’, explicou o delegado.

Comercialização

O Ministério da Agricultura regula o comércio de medicamentos veterinários em território nacional. ‘‘O Estigor não tem registro no Brasil. Desde 2001, a venda de anabolizantes para bovinos está proibida por causa dos resíduos que ficavam no animal abatido para consumo do homem’’, informou Ricardo Pamplona, coordenador de produtos veterinários. No país, acrescenta ele, existem mais de dez mil pontos de venda de remédios para uso animal.

Quanto ao ADE, Ricardo Pamplona disse que não há restrição na venda, mas não descarta regras mais rígidas para a comercialização. ‘‘É composto vitamínico simples. Ele é indicado apenas para animais e até agora não exigiu regras mais duras. O problema é que tem chegado informações sobre o seu uso por humanos’’, reconheceu o técnico do Ministério da Agricultura.

Entidades que acompanham o setor querem mais rigor na venda desses produtos. ‘‘Falta regulamentação e o comércio é indiscriminado’’, avaliou Alexandre Pagnani, presidente da Associação Brasileira de Estudos e Combate ao Doping, de São Paulo. A entidade já enviou ofício ao ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, pedindo audiência para discutir o assunto. De acordo com a assessoria do ministério, Rodrigues já mandou agendar o encontro.

Os males do Estigor

- O Estigor é um composto com nandrolona (esteróide anabolizante) e vitaminas A, D e E. Quando é injetada, aumenta o volume do músculo

- Provoca miosina, uma lesão muscular que causa dor e liberação de enzima CPK (fosfoquinase). Em doses altas, é tóxica para o organismo

- A injeção pode provocar embolia cerebral. Partículas de gordura são levadas pelo sangue ao cérebro

- Provoca arritmia no coração e parada cardíaca

- Os pacientes apresentam insuficiência respiratória e precisam respirar com a ajuda de aparelhos

- Lesiona os rins, causando insuficiência renal aguda

- Os danos podem ser irreversíveis e até matar

Continua a reportagem em 10 de setembro de 2004:

Bomba

Morre rapaz que injetou anabolizante para ganhar músculos

Marcelo Rocha

Do Correio Braziliense

10/09/2004

07h49 - O ataque começou pelos pulmões. Rins e fígado foram golpeados logo em seguida. O nocaute veio às 14h30 desta quinta-feira. O coração de Jackson Vieira de Souza, 21 anos, perdeu a luta contra o anabolizante nandrolona. Internado há uma semana no Hospital de Base, o morador de Padre Bernardo (GO) morreu por insuficiência múltipla de órgãos.

Complexado com o porte físico — segundo a família o rapaz de 1,75m pesava pouco mais de 50kg —, Jackson consumiu o nandrolona na tentativa de inflar os músculos sem muito esforço. Ele e pelo menos outros dez garotos da cidade, distante 120 km de Brasília, injetaram a droga no corpo. A experiência custou caro. Seis tiveram reações alérgicas à substância e foram parar no hospital. Um ainda permanece na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI).

O rapaz que morreu nesta quinta-feira teria arriscado a dose mais alta. ‘‘Ele queria tomar um remédio para ganhar corpo, mas o remédio certo. Não esse veneno’’, desabafou a mãe da vítima, Maria Aparecida Vieira de Souza, 44 anos, depois de receber a notícia e deixar o Hospital de Base, onde o filho chegou na quinta-feira (2) da semana passada. ‘‘Sempre disse a ele para desistir dessa idéia: ‘Meu filho, você tem o corpo muito bonito’.’’

Jackson, que trabalhava como balconista de videolocadora, chegou ao hospital ainda consciente, mas rapidamente evoluiu para um quadro crítico. ‘‘A droga logo causou falência respiratória. Depois, atacou outros órgãos vitais. Hoje (quinta-feira), o coração não aguentou’’, descreveu o diretor do Hospital de Base, José Carlos Quinaglia. De acordo com o médico, o outro jovem de Padre Bernardo internado na UTI — Pedro Henrique Gonzaga, 15 anos — respira com a ajuda de aparelhos.

Os médicos colheram sangue do rapaz para avaliar o nível de contaminação e confirmar a substância injetada. Relatos dos demais envolvidos apontam para um remédio veterinário fabricado na Argentina. Conhecido no comércio como Estigor e indicado para a engorda de gado, o produto leva em sua fórmula nandrolona — derivado do hormônio masculino testosterona —, além do complexo de vitimas A, D e E.

Proibido

Em 2001, o Ministério da Agricultura vetou a venda de remédios veterinários à base de nandrolona. Estudos detectaram vestígios do anabolizante na carne consumida pelo homem. De acordo com Ricardo Pamplona, da coordenação de produtos agropecuários, a importação do produto está proibida. A polícia pode até mesmo enquadrar o caso em tráfico de drogas.

É importante esclarecer, porém, que o nandrolona é também adicionado a medicamentos de uso humano. Remédios para o combate à osteosporose, por exemplo, levam a substância, indicada para aumento de massa óssea. A diferença está na dosagem, bem inferior. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) controla a comercialização dos produtos feitos a partir dessa droga. Normas estabelecem a apresentação de receita médica em duas vias.

Alguns atletas de nível internacional utilizam a substância proibida. Em junho, o velocista americano Jerome Young, campeão olímpico em Sydney no revezamento 4 x 400 metros, foi considerado culpado de doping, justamente por ter feito uso de nandrolona. Um mês depois, um relatório de 21 páginas emitido pela agência mundial de controle de doping denunciou a presença do esteróide nas amostras de urina de pelo menos sete tenistas.

Os amigos de Jackson afirmam ter usado a substância pela primeira vez. Eles compraram cada mililitro por R$ 1. As doses variaram. Dizem que o rapaz morto chegou a injetar 80ml. Um jovem de 17 anos é apontado como fornecedor e aplicador do nandrolona. Em vacas de 350 a 400kg, a dose recomendada é de 10ml.

A exemplo dos demais, Jackson de Souza queria ganhar corpo. O rapaz tinha complexo de ser magro. ‘‘Sempre brinquei com ele. Dizia que as mulheres gostavam mais dos magros’’, lamentou Maria Aparecida Vieira. O filho da dona-de-casa era o mais velho de três irmãos.

Continua em 11 de setembro:

DROGAS

Confissão na polícia

Adolescente apontado como fornecedor dos anabolizantes aos rapazes de Padre Bernardo confirma que aplicou a substância no jovem que morreu no Hospital de Base. Esteróide foi comprado em Brazlândia

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Fabíola Góis

Da equipe do Correio

Fotos: Edilson Rodrigues

Mais de 200 pessoas acompanharam a chegada do corpo de Jackson Vieira ao cemitério de Padre Bernardo

Encapuzado, rapaz apontado como fornecedor deixa a delegacia

Foram quatro horas de interrogatório. O jovem de 17 anos acusado de ter injetado o anabolizante nandrolona em dez moradores de Padre Bernardo (GO) apresentou-se ontem à polícia goiana na companhia do pai e de um advogado. Confessou ter aplicado a substância nos rapazes. Confirmou ainda que comprava a droga de um lutador de jiu-jitsu de Brazlândia (DF), conhecido como Bombado. Mas negou que vendia o produto clandestinamente. ‘‘Ele não sabia do mal que poderia causar’’, defende o pai, professor de uma escola pública da cidade.

A versão foi contestada por quatro dos seis rapazes internados no sábado passado, no Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF). ‘‘Ele ofereceu o anabolizante para nós. Achei que estava tomando uma substância e ele aplicou outra. O frasco estava sem o rótulo’’, disse Ivonez Alves de Castro, 25 anos.

Com seqüelas aparentes — o braço de Ivonez está tão inchado que quando é apertado, o dedo afunda dois centímetros —, o rapaz ainda fica perturbado e com a visão escurecida. Teve o funcionamento do intestino prejudicado. Sente tontura com freqüência.

Com a morte de Jackson Vieira de Souza, 21 anos, na quinta-feria, o adolescente e Bombado poderão ser indiciados por homicídio doloso (assumir o risco de matar) caso o inquérito instaurado na Delegacia de Padre Bernardo aponte os dois como responsáveis pelo crime. Existe a possibilidade de Bombado ser enquadrado por tráfico de drogas ou contrabando, uma vez que a nandrolona para uso animal está proibida pelo Ministério da Agricultura.

O adolescente prestou depoimento ao delegado Rodrigo Fontoura de Carvalho. ‘‘Só com o final das investigações podemos apurar se foi mesmo o Estigor que provocou a morte de Jackson’’, afirmou. O policial aguarda resultado de necropsia feita pelo Instituto de Medicina Legal (IML), a pedido do Ministério Público do DF, para juntar ao inquérito. Por enquanto, não há provas para pedir a prisão dos acusados, segundo Cardoso.

Quatro rapazes disseram, em depoimento ao delegado, que teriam sido aliciados pelo menor. ‘‘Ele era o modelo do produto’’, afirmou Carvalho. O jovem andava sem camisa pela cidade para mostrar os músculos salientes, conseguídos com anabolizantes. O pai confirmou que o filho usava esteróides desde maio, escondido da família.

Uma outra testemunha também foi ouvida na delegacia de Padre Bernardo. Honório Maurício Lima, 18, presenciou o adolescente aplicar as injeções em Jackson, Ivonez e em Hemerson Roniton Valadares, 19. Ele também injetou cinco mililitros da droga em cada braço há duas semanas, mas nada sentiu até agora. ‘‘Ele vendeu um remédio diferente do que tomava’’, contou.

Ao contrário de Honório, que não sofreu as conseqüências da ingestão da nandrolona, Sérgio Roberto Gomes dos Santos, 19, sente os efeitos colaterais. O pai dele, Sérgio Antônio dos Santos, 50, observou o filho com dificuldades para falar, raciocínio lento e confuso. ‘‘Foram os piores dias da minha vida. Senti que meu filho estava morrendo e não podia fazer nada’’, revelou.

Primeiro caso

Agentes e delegados da 18ªDP (Brazlândia) ajudam nas investigações em Padre Bernardo. ‘‘Esse é um caso pioneiro. Nunca houve registro de morte por anabolizante no DF e em Goiás’’, afirmou o delegado adjunto, Yuri Fernandes. Até o final desta edição, ninguém havia sido preso.

Bombado responde a três ocorrências na 18ªDP. Duas delas por lesão corporal e a terceira por tentativa de homicídio. Na segunda-feira passada, ele prestou depois por ter sido acusado de espancar um jovem de 17 anos. A polícia, desde o início do ano, investiga a participação dele na venda e distribuição de anabolizantes de uso proibido em Brazlândia e cidades vizinhas.

Na noite de quinta-feira, os agentes conseguiram localizar uma vítima de Bombado. Um rapaz de 15 anos teria passado nove dias internado no Hospital Regional de Brazlândia depois de ter recebido aplicação de uma droga, que também pode ser Estigor. Ele usava a substância desde março e injetou, ao todo, 390 mililitros. Existem outras vítimas da substância na cidade, mas os policiais ainda não conseguiram convencê-las a prestar depoimento. ‘‘Ele mete medo entre os moradores. É muito forte e anda com gangues’’, disse um policial.

RISCO DE MORTE

Pedro Henrique Gonzaga, 15 anos, que recebeu injeções de 10 mililitros de nandrolona em cada braço, permanece internado na UTI do Hospital de Base do Distrito Federal. Ele respira com ajuda de aparelhos, mas, de acordo com o médico intensivista Osório Luís Rangel Almeida, o rapaz apresentou melhora significativa na tarde de ontem. Segundo ele, Pedro Henrique ainda corre risco de morte.

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Enterro será hoje de manhã

Pelo menos 200 pessoas estiveram presentes ontem ao velório de Jackson Vieira de Souza, no salão da Igreja Nossa Senhora de Fátima, em Padre Bernardo (GO). Eram 16h30 quando o corpo dele chegou ao cemitério. Pelo menos três colegas do jovem desmaiaram quando viram o caixão. A mãe de Jackson, Maria Aparecida Vieira de Souza, 44 anos, teve uma crise de choro e passou alguns minutos agarrada ao corpo do filho.

Maria Aparecida precisou ser amparada pelas amigas. Pouco antes do velório, ela disse ao Correio: ‘‘Meu filho tinha uma vida inteira pela frente. Era muito querido na cidade. Eu não sei o que vai ser de mim quando passar o efeito dos calmantes’’. Amigo de Jackson, Valdernei Souza Ferreira, 21 anos, se emocionou quando viu o caixão. Ele também injetou a substância no mesmo dia que o rapaz e ficou dois dias internado. O enterro de Jackson está marcado para hoje, às 8h, no cemitério de Padre Bernardo (GO).

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boa a reportagem mas só mostra a falta de informação e burrice de frangos aplicando localizadas pelo que percebi (já que contem as 3 vitaminas A, D e E com nandrolona), isso ai pra mim é mais um caso de falta de informação só. de burros que não sabem nem o que é ciclo. =)

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O problema é mais complexo que isso e não se aplica somente aos "frangos". já tinha comentado aqui que a aDE deverá ser DILUIDA na administração IV para evitar o risco de complicações circulatorias e riram de mim. Agora, acreditar que ADE + nandrolona possa ser feita IV é muita , mas MUITA BURRICE. Essa formulação é INTRAMUSCULAR, e conforme os conhecimentos internacionais de saude, o volume máximo para intramuscular é de 3 ml por aplicação, caso necessite de mais , separar as administrações por 3 centimetros.

Mas parece que o pessoal nao acredita. Esses coitados seduzidos pela facilidade em ganhar formas apolíneas acabaram por usar uma dose muito maior, e além disso utilizaram a medicação NA VEIA.

A falta de informação, ou pior, o IGNORAR a informação é caso sério.

Muita gente deve ver esse caso como mais alguns frangos burros que morreram, mas ao utilizar drogas pela via incorreta , misturar drogas na mesma seringa ou utilizar manipulações caseiras sem o devido rigor higienico so faz aumentar as estatísticas.

Agora é a hora de abrir o olho, estudar e parar de querer ECONOMIZAR DINHEIRO PRA FICAR FORTE. Manipulados em COZINHA, VITAMINA ANABOLICA, DOSES CAVALARES (sou grande preciso de uma dose maior).... Pô galera , atenção... Uma pena. Não quero fazer juizo moral, indepentente do grau de burrice , azar ou franguice desses rapazes. Tem algumas mães chorando hoje....

Todos nos nascemos frangos, burros. Cabe a nós evoluir, e não somente no físico. A vida demanda muito mais de nós. Logo, julgar alguém pela circunferência do braço é a maior IGNORÂNCIA que alguem pode fazer.

O fisiculturismo está aí pra isso. Não pra estimular o uso de anabolizantes sem acompanhamento médico, mas para MINIMIZAR OS RISCOS NUM PROGRAMA DE REDUÇÃO DE DANOS. Já que vão utilizar , que utilizem do modo menos danoso e mais segura. Apesar de alguns acreditarem que isso seja bobagem.

Abração

P.S: Localizada ´pra mim é coisa de preguiçoso e acomodado. Vai malhar.

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Pharmabio escreveu

P.S: Localizada ´pra mim é coisa de preguiçoso e acomodado. Vai malhar.

Concordo em gênero, número e grau... localizada é coisa de nego preguiçoso mesmo!

Agora, excelente post!

Serve para todos nós ampliarmos nosso entendimento no sentido de perceber que A FALTA DE INFORMAÇÃO ou a difusão EQUIVOCADA/ERRONEA de informações é tão ou tanto prejudicial quanto o total desconhecimento.

Se a política de saúde pública voltada para o esporte fosse focada no sentido de minimizar eventuais riscos e não o de proibição total (em relação ao uso de esteróides anabólicos) talvez as mães que hoje choram (citação com propriedade do Pharma) não chorariam e estariam ao lado dos seus filhos.

O Post tbm é exemplo aonde a vaidade aliada ao desconhecimento e ignorçancia "franguil" pode nos levar....

Vejam só... em menos e 30 dias: teve o camarada do óleo de cozinha, o rapaz do "ratinho" e esses moleques aí... a mídia tá dando uma atenção "estranha" pra o assunto, não?

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Achei também o post do Pharmabio perfeito!

E o que é importante dizer: Vocês estão vendo também como as informações foram publicadas, não é?! Algumas pessoas devem conhecer a substância apresentada, porém, claramente ela foi simplesmente citada, sem nenhuma explicação acompanhada, coisa que acredito, é muito importante para evitar esse tipo de situação! De que adianta ele falar que os rapazes morreram, ou estão mal, utilizando um "Esteroide Anabolizante", que eu sinceramente nao conheço, entao nao posso afirmar se é ou não! Porém a maneira como a droga foi utilizada, nas dosagens em que foram utilizadas, e ainda afirmando que foram utilizados para que não fosse necessário suar a camisa... Ou seja, acho que a reportagem demonstrou tanta ou mais desinformação do que os coitados que utilizaram a droga. Acho que talvez, tivesse sido mais sensato ocultar certas informações, ou comentários contidos lá, pois pessoas com certo estudo sobre isso sabem distinguir o que aconteceu realmente, sabem as diferenças das substâncias, e tudo mais, mas a IMENSA MAIORIA desconhece quase que completamente informações sobre Esteroides Anabolizantes, ou qualquer substância utilizada no Fisiculturismo, confundindo Suplementos com "Bolas", e afirmando com seu pleno conhecimento que " Bola deixa brocha" ou " Bola é promessa de músculos sem sacrifício"!! E voc~es estão vendo que essas informações desencontradas foram publicadas em um Jornal!! Por isso tem tanta gente fazendo cag.ada por aí!!! Não sei o que poderia ser feito para minimizar tanta desinformação, mas acho que um artigo como esse deva ser no mínimo criticado pelas palavras apresentadas, por algum profissional de saúde que realmente conheça sobre o assunto, como o Pharmabio por exemplo, pq também tá cheio de médicos e farmacêuticos por aí que não sabem muito sobre isso!

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Nossa , pode cre , la na academia onde eu treino tem uma leva de "comédia" que chega pra vc com perguntas que da vontade de nem sei o que .....

Tipo , "Bomba naum brocha ?" , "Se viu os caras da reportagem , se ta fudido !" "Se tem certeza do que vc ta fazendo ? Se sabe que pode trava os rins ?" "Eu não vou toma bomba não , não sou louco "........e outros absurdos .....

Dai o que que eu andei fazendo esses últimos dias , peguei informações aqui no forum sobre ciclos enfim , todas as possíveis informações CORRETAS sobre Aes daqui e imprimi um monte de folhas e deixei lá na portaria da academia e passeia pra alguns otários desinformados de lá .

Ontem me chega um mané que eu tinha entregado , e começou a fazer um monte de perguntas sem sentido , pior do que aquelas que eu citei acima ........será que o cara não leu ? tem preguiça ? é analfabeto ?

Na minha opnião , sabe quem se fode com o uso de Aes e academia ?

.....desinformados , preguiçosos , vagabundos que naum tem a capacidade de ler nem um folheto informativo sobre o assunto com tudo resumido e facil de entender ,enfim , é o que todo mundo ja sabe .......

Pessoas assim se ferram na vida , mais cedo ou mais tarde ......seja com Aes ou qualquer outra coisa ......

Abraços

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A maioria das pessoas sabem seus riscos mas não pensam na hora de tomar e nem nas consequencias.

Eu mesmo sou um desses eu sei o perigo q é mas sempre quando chega o verão eu fico com vontade, mas eu coloquei na minha cabeça q não iria tomar esse ano, mas acho q não tá dando muito certo, eu já to começando a mudar de idéia.

Mesmo assim eu acho uma ignorancia o q esses garotos fizeram.

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