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<rss version="2.0"><channel><title>Mat&#xE9;rias</title><link>https://fisiculturismo.com.br/mat%C3%A9rias/</link><description>Conte&#xFA;do aprofundado elaborado por colaboradores.</description><language>pt</language><item><title>Jos&#xE9; Alvarenga: de 103 kg ao palco e por que desistiu do fisiculturismo</title><link>https://fisiculturismo.com.br/mat%C3%A9rias/gente/jos%C3%A9-alvarenga-de-103-kg-ao-palco-e-por-que-desistiu-do-fisiculturismo-r1252/</link><description><![CDATA[
<p><img src="https://cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2026_09/jose-alvarenga-antes-depois-estudio-amarelo-capa.webp.5069e2d58099d87bda7444cb9a7b7818.webp" /></p>
<p>O melhor físico de sua vida veio acompanhado de uma rotina que já não parecia vida. Houve dias com 1 hora e 20 minutos de cardio pela manhã, musculação e uma segunda sessão aeróbica depois do treino. Faltavam carboidratos, energia para trabalhar e espaço para conviver com amigos. Em “A VERDADE POR TRÁS DE EU DESISTIR DO FISICULTURISMO...”, José Alvarenga reconstrói a própria passagem de 103 kg ao palco e explica por que duas competições bastaram.</p><p>A história não termina em derrota nem em arrependimento. Ela começa com baixa autoestima, passa por uma transformação física radical, inclui resultados expressivos logo na estreia e chega a uma escolha consciente: manter saúde, trabalho e vida social pesou mais do que insistir em um projeto que exigia abdicações que ele já não queria fazer.</p><h2>De 103 kg a 76 kg depois de dois exames de testosterona</h2><p>Em 2020, o ponto de partida combinava ganho de gordura, falta de libido e autoestima tão baixa que ele evitava ser fotografado. O peso chegou a 103 kg. A investigação médica começou com um exame de testosterona por volta de 100 e um segundo resultado de 60, valores relatados sem unidade. Depois da repetição do teste, recebeu prescrição de Deposteron e iniciou reposição de testosterona, academia, cardio e mudança de hábitos alimentares.</p><p>Esse detalhe clínico exige precisão. Diretrizes da Endocrine Society recomendam que o diagnóstico de hipogonadismo seja feito apenas quando existem sintomas compatíveis e concentrações de testosterona inequivocamente baixas em duas coletas matinais, além de avaliação da causa. O relato contém os sintomas e dois exames, mas não informa horário, unidade, método laboratorial nem investigação etiológica. Portanto, ele descreve uma decisão tomada por seu médico, não um protocolo que possa ser reproduzido por outra pessoa.</p><p>A primeira grande transformação terminou em 76 kg. Ele afirma ter perdido 23 kg, mas os dois pesos citados, 103 kg e 76 kg, produzem uma diferença aritmética de 27 kg. Sem registros completos, não é possível saber se um dos pesos foi arredondado, se as medições pertenciam a datas diferentes ou se houve um lapso na fala. O resultado visual devolveu autoestima e atraiu mais de 1 milhão de visualizações para a publicação em que mostrou a mudança.</p><h2>76 kg, uma escada na pandemia e a primeira finalização</h2><p>O projeto competitivo começou no início de 2021, com acompanhamento de Manu, treinador que o guiaria até o primeiro palco. Durante a pandemia, o cardio era feito subindo e descendo escadas em casa. Em Trancoso, na Bahia, o abdômen já aparecia. Depois da mudança para Salvador, veio a primeira simulação de finalização, com redução de gordura, treino de poses e uma carga de carboidratos para observar como o corpo responderia.</p><p>Na manhã daquela finalização ele pesava 76 kg, com abdômen profundo, veias aparentes e pouca massa muscular para o padrão da Classic Physique. Pernas e posteriores já apareciam como pontos fortes. Braços, costas e execução das poses ainda estavam atrás. O primeiro período de ganho de massa levou o peso a cerca de 88 kg sem retenção excessiva, seguido por novo cutting e outra simulação na casa do treinador, em Curitiba.</p><p>A tentativa serviu também para errar antes do palco. Uma tinta comprada pela internet deixou a pele escura e irregular, enquanto a estratégia de finalização reduziu a plenitude muscular. As fotos sem tinta pareciam melhores. Em vez de esconder o teste ruim, ele o manteve como registro do que não repetir.</p><h2>O braço chegou a 47 ou 48 cm antes da estreia</h2><p>O ganho de massa seguinte produziu o maior braço que ele diz ter alcançado, entre 47 e 48 cm. A foto feita no elevador marcou o auge desse período. Depois veio o corte para competir de verdade, com redução progressiva do volume do braço, treino de vácuo abdominal e contratação de um professor de poses.</p><p>A evolução do posing foi tão importante quanto a mudança corporal. A base das pernas ficou mais aberta, o sartório passou a aparecer, a cintura ganhou aparência afunilada e os quartos de volta ficaram mais simétricos. Um dia antes da estreia, em Itajaí, treinador e atleta ajustavam refeição e água passo a passo. Depois de cada refeição, ele posava para decidir quanto ainda deveria comer e beber.</p><p>No palco, a dificuldade foi sustentar o vácuo depois de comer. Posar por dez segundos já era exaustivo, e a cintura não ficou tão estreita quanto nos treinos. Mesmo assim, a estreia de 2022 rendeu três colocações: segundo lugar na Novice, terceiro entre estreantes e quarto na Open. Naquele confronto ele ficou à frente de Mateus Menegate, que anos depois chegaria ao top 7 mundial, e perdeu a Novice para um atleta chamado Giovani.</p><h2>Chorar por um pão não era falta de disciplina</h2><p>As fotos de palco escondiam o que decidiu a carreira. Dieta restritiva, muito treino e cardio prolongado produziram lentidão cognitiva, letargia, ansiedade e episódios depressivos. Em um momento, ele chorou depois de comer um pão. Em outro, ligou para o treinador às 3h30 durante uma crise de ansiedade porque precisava conversar com alguém.</p><p>A relação com comida tornava o corte ainda mais difícil. Em uma transmissão anterior, ele havia comido dez Big Macs de uma vez. Conseguir comer muito não ajudava quando o objetivo exigia fazer exatamente o contrário. Próximo da competição, a manhã podia começar com 1 hora e 20 minutos de cardio, seguida por dieta com quase nenhum carboidrato, musculação e mais cardio depois do treino.</p><p>O quadro é coerente com o que já foi observado em atletas de fisiculturismo, embora a experiência de uma pessoa não permita diagnosticar outra. Um estudo de caso com um fisiculturista natural acompanhou aumento acentuado da perturbação de humor, queda de testosterona e redução de força durante seis meses de preparação. O consenso do Comitê Olímpico Internacional sobre deficiência relativa de energia no esporte também reconhece que baixa disponibilidade energética prolongada pode prejudicar funções psicológicas, metabólicas, reprodutivas e cardiovasculares em homens e mulheres.</p><h2>O corpo melhorava enquanto a vida encolhia</h2><p>A preparação exigia recusar encontros, bebida e refeições com amigos. Trabalhando com gravações de comida e morando com pessoas que saíam para comer, ele permanecia com a própria marmita. Não havia energia para passear, socializar ou aproveitar o físico que estava construindo. Algumas das melhores fotos ficaram guardadas justamente como lembrete dessa contradição.</p><p>O retorno financeiro era praticamente inexistente. Subir no palco aumentava a credibilidade de quem trabalhava como influenciador do segmento, mas não pagava diretamente pelo esforço. A combinação entre isolamento, sofrimento mental, uso de hormônios e ausência de remuneração transformou a preparação em um projeto difícil de justificar fora da imagem.</p><p>Isso não apaga o orgulho. Chegar ao palco e apresentar um físico competitivo foi tratado como vitória mesmo sem primeiro lugar. O limite apareceu quando a conquista passou a exigir uma vida inteira organizada em torno de treino, comida e cardio.</p><h2>106 kg antes da segunda competição</h2><p>Em 2023, ele decidiu competir novamente porque o evento cairia em seu aniversário. No período de ganho de massa chegou a 106 kg, com aparência que descreve como grande e retida. Depois do cutting, considerou aquele o melhor equilíbrio entre volume e definição de sua trajetória, especialmente nas fotos com cintura estreita, dorsal aberta e separação das pernas.</p><p>Uma semana antes do campeonato, já em Santa Catarina, começou a vomitar, não conseguia segurar comida e passou dias tentando se recuperar. Na reta final, o treinador ficou sem internet e a comunicação falhou. Sem o acompanhamento presencial que havia funcionado na estreia, ele subiu flat, com musculatura menos cheia do que pretendia.</p><p>A organização juntou atletas de alturas diferentes na categoria amadora, segundo o relato, colocando-o diante de competidores muito mais pesados. Ele subiu uma vez, não avançou à final e foi avisado de que poderia ir embora. Pagou R$ 700 por fotos e filmagens que diz nunca ter recebido. A última competição aconteceu em 3 de setembro de 2023, exatamente no aniversário dele.</p><h2>Duas competições, três anos e uma escolha de vida</h2><p>O encerramento da carreira competitiva não veio de uma única derrota. Foi a soma de restrição alimentar, cardio, crises emocionais, perda de vida social, uso de doses suprafisiológicas de hormônios, retorno financeiro baixo e uma segunda experiência de palco frustrante. Ele calcula que mais dois, três ou quatro períodos de ganho e corte poderiam ter produzido um físico realmente competitivo em 2026. Preferiu não pagar esse preço.</p><p>Hoje relata fazer exames a cada três meses e manter testosterona que varia entre 1.000, 1.200 e 1.500, conforme o momento da coleta. Ele próprio questiona se uma estratégia levemente suprafisiológica pode ser chamada de reposição. A ressalva é correta. Reposição busca níveis fisiológicos sob indicação médica. Valores isolados não demonstram segurança, e exames de fígado e rim dentro da faixa não excluem efeitos cardiovasculares, reprodutivos ou psiquiátricos dos esteroides anabolizantes.</p><p>Revisões médicas associam o uso crônico e suprafisiológico de esteroides a alterações de pressão, colesterol, coagulação, estrutura cardíaca, função do coração, fígado e rins. O risco depende de substância, dose, duração e características individuais. Acompanhamento reduz incerteza, mas não transforma uso supraterapêutico em prática sem risco.</p><p>A porta para um retorno não foi fechada por completo. Com rotina mais tranquila, ele admite que poderia pensar em subir outra vez. No presente, porém, considera mais valioso manter bom físico, saúde monitorada, trabalho, relacionamento e convivência social. A decisão não é abandonar a musculação. É recusar que o palco volte a ocupar tudo.</p><h2>Conclusão</h2><p>A transformação de 103 kg até a estreia mostra disciplina, resposta física e capacidade de aprender. Os resultados de segundo, terceiro e quarto lugares logo na primeira competição confirmam que havia potencial. O que encerrou a trajetória foi perceber que potencial não cria obrigação.</p><p>O dado mais importante não está no peso, no braço de 48 cm nem na colocação. Está na ligação feita às 3h30 durante uma crise de ansiedade e na manhã com 1 hora e 20 minutos de cardio antes de todo o restante. Um físico de palco pode ser uma conquista legítima. Quando ele passa a consumir saúde mental, vínculos e trabalho, desistir também pode ser uma decisão de desempenho: escolher uma vida que continue funcionando fora da competição.</p><h2>FAQ</h2><h3>Quanto peso José Alvarenga perdeu na primeira transformação?</h3><p>Ele afirma ter perdido 23 kg, mas também diz que saiu de 103 kg para 76 kg, diferença de 27 kg. Como os números entram em conflito, o correto é registrar os pesos e a perda declarada sem escolher arbitrariamente um deles.</p><h3>Quando ele começou a se preparar para competir?</h3><p>O trabalho competitivo começou no início de 2021. A primeira competição ocorreu em 2022, depois de ciclos de ganho de massa, cutting, simulações de finalização e treino específico de poses.</p><h3>Quais foram as colocações na estreia?</h3><p>Segundo lugar na Novice, terceiro entre estreantes e quarto na Open. Na mesma competição, ele ficou à frente de Mateus Menegate.</p><h3>Por que ele desistiu do fisiculturismo competitivo?</h3><p>Pela soma de dieta extrema, cardio prolongado, isolamento social, letargia, crises de ansiedade, episódios depressivos, uso de hormônios e retorno financeiro praticamente inexistente. A segunda competição também terminou sem vaga na final e sem o material audiovisual pelo qual havia pago.</p><h3>Qual foi o maior peso alcançado durante a fase competitiva?</h3><p>Ele relata 106 kg no período de ganho de massa antes da segunda competição, em 2023. Antes disso, o primeiro ganho havia chegado a cerca de 88 kg.</p><h3>Ele pretende competir novamente?</h3><p>Não descarta completamente a possibilidade, mas afirma que hoje está satisfeito com o físico, a saúde monitorada, o trabalho e a vida social. No momento, voltar ao palco não é prioridade.</p><h2>Referências</h2><ol><li><p>ALVARENGA CULTURISMO. A VERDADE POR TRÁS DE EU DESISTIR DO FISICULTURISMO... YouTube, 30 ago. 2026. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.youtube.com/watch?v=ZGJT2iYhC_o">https://www.youtube.com/watch?v=ZGJT2iYhC_o</a>. Acesso em: 9 set. 2026.</p></li><li><p>BROOKS, K. A. et al. Biopsychosocial effects of competition preparation in natural bodybuilders. The Journal of Sports Medicine and Physical Fitness, 2022. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34401005/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34401005/</a>. Acesso em: 9 set. 2026.</p></li><li><p>MOUNTJOY, M. et al. 2023 International Olympic Committee’s consensus statement on Relative Energy Deficiency in Sport (REDs). British Journal of Sports Medicine, v. 57, p. 1073-1097, 2023. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://bjsm.bmj.com/content/57/17/1073">https://bjsm.bmj.com/content/57/17/1073</a>. Acesso em: 9 set. 2026.</p></li><li><p>BHASIN, S. et al. Testosterone therapy in men with hypogonadism: an Endocrine Society clinical practice guideline. The Journal of Clinical Endocrinology &amp; Metabolism, v. 103, n. 5, p. 1715-1744, 2018. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://academic.oup.com/jcem/article/103/5/1715/4939465">https://academic.oup.com/jcem/article/103/5/1715/4939465</a>. Acesso em: 9 set. 2026.</p></li><li><p>NIESCHLAG, E.; VORONA, E. Doping with anabolic androgenic steroids (AAS): adverse effects on non-reproductive organs and functions. Reviews in Endocrine and Metabolic Disorders, v. 16, n. 3, p. 199-211, 2015. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/26373946/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/26373946/</a>. Acesso em: 9 set. 2026.</p></li></ol>]]></description><guid isPermaLink="false">1252</guid><pubDate>Wed, 09 Sep 2026 14:04:00 +0000</pubDate></item><item><title>Mounjaro aumenta testosterona e fertilidade? Entenda a evid&#xEA;ncia</title><link>https://fisiculturismo.com.br/mat%C3%A9rias/diversos/mounjaro-aumenta-testosterona-e-fertilidade-entenda-a-evid%C3%AAncia-r1251/</link><description><![CDATA[
<p><img src="https://cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2026_09/mounjaro-testosterona-fertilidade-riscos-capa.webp.4c0e07f7533bc092047b2cbde7631d92.webp" /></p>
<p>Prometer emagrecimento já tornou a tirzepatida um fenômeno. Associar a caneta a testosterona, libido e fertilidade amplia ainda mais o desejo pelo tratamento, mas mistura efeitos possíveis da perda de peso com benefícios diretos que não estão estabelecidos. Em <em>“O que ninguém te contou sobre o MOUNJARO (A manipulação revelada)”</em>, o médico Samuel Dalle Laste usa essas manchetes para questionar como argumentos de venda podem fazer um medicamento parecer solução para problemas muito diferentes.</p><p>A crítica tem um núcleo importante: Mounjaro não é reposição hormonal nem tratamento aprovado para infertilidade. Ao mesmo tempo, chamar todos os benefícios de simples manipulação também perde uma parte da história. A tirzepatida é um medicamento eficaz para diabetes tipo 2 e, nas condições autorizadas, para controle crônico do peso. O ponto decisivo é separar indicação real, efeitos mediados pelo emagrecimento, riscos conhecidos e frases que ultrapassam a evidência.</p><h2>Da carta ao clique: por que o atalho ficou tão atraente</h2><p>A comparação começa com uma rotina de cerca de 200 anos atrás. Sem televisão, celular, rede social ou comida pronta na geladeira, dormir ao anoitecer, esperar uma carta e tolerar períodos de fome eram experiências mais comuns. Essa reconstrução é uma imagem retórica, não um retrato histórico completo, mas ajuda a explicar a mudança de expectativa: hoje, quase tudo promete velocidade, conveniência e recompensa imediata.</p><p>O preço de R$ 299 em vez de R$ 300 resume a lógica de persuasão apresentada sob o rótulo de programação neurolinguística, ou PNL. A diferença de R$ 1 é mínima, porém o primeiro algarismo pode fazer o valor parecer mais baixo. A mesma arquitetura pode aparecer na comunicação em saúde quando uma manchete destaca um benefício secundário e esconde a cadeia causal, as limitações do estudo ou o perfil dos participantes.</p><p>Tirzepatida cara, versão de origem duvidosa, produto trazido do Paraguai e formulação anunciada como manipulada entram nesse ambiente de desejo. O problema deixa de ser apenas decidir se um medicamento é indicado. Procedência, esterilidade, concentração, conservação e autenticidade também passam a determinar o risco.</p><h2>O que a tirzepatida faz de fato</h2><p>A tirzepatida atua nos receptores de GIP e GLP-1. Ela melhora a sensibilidade à insulina, aumenta a saciedade, reduz a ingestão de alimentos e retarda o esvaziamento gástrico, embora esse último efeito diminua com o tempo. Esses mecanismos ajudam no controle glicêmico e na redução de peso.</p><p>No Brasil, a Anvisa autorizou Mounjaro para controle crônico do peso, junto de dieta de baixa caloria e aumento da atividade física, em adultos com IMC igual ou superior a 30 kg/m². A indicação também alcança adultos com IMC igual ou superior a 27 kg/m² quando existe pelo menos uma condição relacionada ao peso, como hipertensão, dislipidemia, apneia obstrutiva do sono, doença cardiovascular, pré-diabetes ou diabetes tipo 2.</p><p>Os resultados que sustentaram essa indicação são relevantes. No SURMOUNT-1, as perdas médias na semana 72 ficaram entre 15% e 20,9% com tirzepatida, diante de 3,1% com placebo. No SURMOUNT-2, ficaram entre 13,4% e 15,7%, ante 3,3% no placebo. Portanto, a caneta não é uma fraude farmacológica. A distorção começa quando eficácia para obesidade vira promessa de corrigir diretamente qualquer problema associado ao excesso de gordura.</p><h2>Testosterona, libido e fertilidade não são indicações do Mounjaro</h2><p>As manchetes que provocaram a crítica apareceram em uma sequência específica: cerca de um mês antes, uma publicação teria associado Mounjaro à fertilidade feminina e masculina. Aproximadamente uma semana antes, outras mensagens teriam ligado o medicamento à libido, à ereção e ao aumento da testosterona.</p><p>O emagrecimento pode participar dessas melhoras sem transformar a tirzepatida em terapia hormonal. Uma meta-análise com 24 estudos encontrou aumento de testosterona total após perda de peso em homens com obesidade. O ganho foi maior em quem perdeu mais peso, o que apoia a relação entre redução da adiposidade e recuperação do eixo hormonal em parte desses pacientes.</p><p>Fertilidade exige ainda mais cautela. Uma revisão de ensaios randomizados encontrou mais gestações e nascidos vivos entre mulheres com sobrepeso ou obesidade submetidas a intervenções combinadas de dieta e exercício, mas os estudos eram pequenos e o resultado não se repetiu em todos os cenários de reprodução assistida. Não foram encontrados ensaios elegíveis em homens. Outra meta-análise concluiu que a melhora de fertilidade não foi estatisticamente significativa quando avaliadas mulheres com obesidade que não haviam sido recrutadas por infertilidade.</p><p>A conclusão correta é mais estreita do que a publicidade sugere. Perder gordura e melhorar a saúde metabólica pode favorecer testosterona, função sexual, ciclo menstrual e chance de gestação em alguns grupos. Isso não prova que Mounjaro tenha ação hormonal ou pró-fertilidade direta, independente da perda de peso. Também não autoriza seu uso com a finalidade de engravidar ou elevar testosterona sem avaliação médica.</p><p>Emagrecer também pode melhorar energia, sono e qualidade de vida. Já prometer melhora previsível de rinite, sinusite ou dermatite como se a tirzepatida corrigisse diretamente essas condições ultrapassa o que essa relação permite concluir. Uma associação mediada pela redução de peso não deve virar uma nova indicação do medicamento.</p><h2>O número de 94% precisa de contexto</h2><p>A afirmação mais contundente é que, de cada 100 pessoas que emagrecem com Mounjaro, 94 voltariam a engordar após interromper o tratamento. Nenhum estudo ou link foi identificado na descrição para sustentar exatamente essa proporção. O reganho é real e frequente, mas o número de 94% não deve ser tratado como estatística confirmada sem a origem.</p><p>O SURMOUNT-4 oferece uma medida mais verificável. Primeiro, 783 adultos receberam tirzepatida por 36 semanas. Entre os 670 randomizados depois dessa fase, a perda média inicial havia sido de 20,9%. Nas 52 semanas seguintes, quem continuou usando o medicamento perdeu mais 5,5%, enquanto o grupo transferido para placebo recuperou em média 14% do peso corporal.</p><p>Ao final de 88 semanas, 89,5% de quem continuou a tirzepatida preservou pelo menos 80% da perda inicial. Entre quem foi transferido para placebo, essa proporção foi de 16,6%. O ensaio confirma que interromper favorece reganho substancial. Ele não demonstra que 94 em cada 100 pessoas recuperam todo o peso e tampouco permite concluir que o tratamento seja um “fracasso total”.</p><p>Obesidade é doença crônica. Medicamentos que controlam apetite e peso podem precisar de estratégia de manutenção, como ocorre com tratamentos de outras condições persistentes. Hábitos continuam essenciais, mas não anulam a biologia que favorece a recuperação do peso.</p><h2>Um casal com pedra na vesícula: alerta importante, prova insuficiente</h2><p>O caso clínico descrito envolve um casal que começou a usar Mounjaro aproximadamente 45 a 60 dias antes da consulta. Os dois teriam ultrassonografias anteriores sem cálculo, passaram a sentir dor atribuída inicialmente a gastrite e receberam diagnóstico de pedra na vesícula após o início do tratamento. A cronologia também é resumida como ocorrida dentro de quatro meses.</p><p>Dois pacientes não provam causalidade. Faltam prontuários, exames, doses, velocidade de emagrecimento, fatores de risco e uma linha do tempo uniforme. Ainda assim, o episódio aponta para um risco reconhecido. Na bula americana, doença aguda da vesícula, incluindo colelitíase, cólica biliar e colecistectomia, apareceu em 0,6% dos adultos tratados com Mounjaro e em 0% no placebo nos ensaios controlados.</p><p>A Anvisa também registra maior incidência de eventos gastrointestinais e relacionados à vesícula nos estudos de controle de peso. Dor abdominal persistente, sobretudo no lado direito superior, febre, vômitos ou pele amarelada exigem avaliação médica. A investigação não deve parar no rótulo de “gastrite”.</p><h2>Esvaziamento gástrico e anestesia: não existe pausa universal de três semanas</h2><p>A lentidão do trato gastrointestinal aparece como outro alerta. A tirzepatida retarda o esvaziamento gástrico, e alimento residual no estômago pode elevar o risco de regurgitação e aspiração durante anestesia geral ou sedação profunda.</p><p>A frase de que nenhum anestesista realiza procedimento em usuário de Mounjaro e sempre exige três semanas de pausa é ampla demais. A orientação multissocietária divulgada em 2024 afirma que a maioria dos pacientes pode continuar agonistas de GLP-1 antes de cirurgia eletiva. O planejamento deve considerar fase de aumento da dose, intensidade dos sintomas gastrointestinais, dose utilizada e outras doenças que retardem o esvaziamento.</p><p>Pacientes de maior risco podem receber dieta líquida por 24 horas, ajuste do plano anestésico, avaliação do conteúdo gástrico por ultrassom ou adiamento do procedimento. A bula informa que ainda não há dados suficientes para definir se mudar o jejum ou suspender temporariamente Mounjaro reduz a aspiração. A regra prática é avisar cirurgião, anestesista e prescritor, sem interromper por conta própria e sem adotar um prazo universal retirado da internet.</p><h2>Pancreatite é rara, mas não pode ser banalizada</h2><p>Pancreatite aguda integra os alertas do medicamento. Nos estudos clínicos reunidos na bula americana, houve 14 eventos confirmados em 13 pacientes tratados com Mounjaro, equivalentes a 0,23 caso por 100 pacientes-ano de exposição. Entre os comparadores, foram três eventos em três pessoas, ou 0,11 por 100 pacientes-ano.</p><p>Em fevereiro de 2026, a Anvisa reforçou o risco para a classe dos agonistas de GLP-1, incluindo tirzepatida. Entre 2020 e 7 de dezembro de 2025, o Brasil registrou 145 notificações de suspeita de eventos adversos e seis suspeitas com desfecho fatal. Notificação não prova que o medicamento causou cada caso, mas funciona como sinal de farmacovigilância que merece investigação.</p><p>Dor abdominal intensa e persistente, com possível irradiação para as costas, náuseas e vômitos exige atendimento imediato. O uso fora de indicação, a automedicação e a dificuldade de reconhecer sintomas podem aumentar o perigo.</p><h2>Produto irregular acrescenta riscos que o ensaio clínico não mediu</h2><p>Comprar tirzepatida de procedência desconhecida não equivale a usar o medicamento registrado. A Anvisa encontrou problemas de identificação de matéria-prima e de controle de qualidade em insumos e produtos manipulados. Em 2026, ações de fiscalização também proibiram marcas irregulares de tirzepatida fabricadas por empresas desconhecidas e anunciadas em redes sociais.</p><p>Uma caixa parecida, uma caneta com rótulo convincente ou a promessa de preço menor não confirmam identidade, dose, esterilidade ou cadeia fria. Essa diferença é decisiva porque a substância é injetável. O risco do princípio ativo se soma ao risco de contaminação, concentração errada e produto falsificado.</p><h2>Sete perguntas antes de considerar o tratamento</h2><ol><li><p><strong>Existe indicação clínica?</strong> IMC, comorbidades, diabetes, histórico de tentativas e risco cardiometabólico precisam entrar na decisão.</p></li><li><p><strong>Qual é o objetivo mensurável?</strong> A Anvisa orienta reavaliar a continuidade quando não houver perda de pelo menos 5% do peso inicial após seis meses da titulação até a maior dose tolerada.</p></li><li><p><strong>A origem é regular?</strong> Farmácia autorizada, receita retida, embalagem íntegra e conservação correta não são detalhes.</p></li><li><p><strong>Há plano para efeitos adversos?</strong> Náusea, vômito, constipação, dor abdominal e sinais de desidratação precisam de orientação prévia.</p></li><li><p><strong>Existe cirurgia ou sedação programada?</strong> A equipe deve saber do uso antes do procedimento.</p></li><li><p><strong>Como será preservada a massa muscular?</strong> Alimentação adequada, proteína, exercício resistido e acompanhamento reduzem o risco de emagrecer às custas de tecido magro.</p></li><li><p><strong>Qual é a estratégia de manutenção?</strong> Parar sem plano aumenta a chance de reganho. O acompanhamento deve continuar mesmo quando a balança melhora.</p></li></ol><h2>Conclusão</h2><p>Mounjaro pode produzir perda de peso expressiva e melhorar controle metabólico em pessoas com indicação. Parte da melhora de testosterona, libido e fertilidade observada após o tratamento pode vir da redução de gordura e da melhora metabólica, não de uma ação hormonal direta comprovada da caneta.</p><p>O mesmo cuidado vale para os riscos. Cálculo biliar, retardo do esvaziamento gástrico, aspiração em procedimentos e pancreatite fazem parte da discussão médica, mas relatos isolados e regras universais não substituem evidência. O número de 94% e a pausa automática de três semanas são exemplos de afirmações que precisam de contexto.</p><p>Informação de qualidade não serve para demonizar nem para vender o medicamento. Serve para colocar eficácia, indicação, manutenção, procedência e segurança na mesma decisão. Este texto é informativo e não substitui avaliação individual por profissional habilitado.</p><h2>FAQ</h2><h3>Mounjaro aumenta a testosterona diretamente?</h3><p>Não há indicação aprovada nem evidência robusta de ação direta da tirzepatida para elevar testosterona. Em homens com obesidade, a perda de peso pode aumentar testosterona, e esse mecanismo pode explicar parte da melhora observada.</p><h3>Mounjaro melhora a fertilidade feminina?</h3><p>Emagrecimento e melhora metabólica podem favorecer ovulação e gestação em alguns grupos, especialmente em mulheres com obesidade ou síndrome dos ovários policísticos. Isso não transforma Mounjaro em tratamento aprovado para infertilidade e a evidência sobre desfechos reprodutivos ainda é limitada.</p><h3>Todo mundo volta a engordar depois de parar?</h3><p>Não. O reganho é frequente, mas varia. No SURMOUNT-4, quem interrompeu recuperou em média 14% do peso corporal durante 52 semanas. Apenas 16,6% preservaram pelo menos 80% da perda inicial, contra 89,5% de quem continuou o tratamento.</p><h3>Mounjaro pode causar pedra na vesícula?</h3><p>Doença aguda da vesícula é um risco reconhecido. Nos ensaios controlados citados na bula americana, ocorreu em 0,6% dos tratados e em 0% do placebo. Um relato individual não prova causa, mas sintomas precisam ser avaliados.</p><h3>É obrigatório suspender Mounjaro três semanas antes da anestesia?</h3><p>Não existe essa regra universal. A maioria dos pacientes pode continuar, segundo orientação multissocietária de 2024. A decisão depende da dose, da fase de titulação, dos sintomas, do procedimento e da avaliação da equipe.</p><h3>Tirzepatida manipulada ou comprada fora da farmácia é igual ao Mounjaro?</h3><p>Não se pode presumir equivalência. Identidade do princípio ativo, concentração, esterilidade, armazenamento e cadeia fria precisam ser comprovados. Produtos irregulares acrescentam riscos que não existem da mesma forma no medicamento registrado.</p><h2>Referências</h2><ol><li><p>DALLE LASTE, Samuel. O que ninguém te contou sobre o MOUNJARO (A manipulação revelada). YouTube, 5 dez. 2025. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.youtube.com/watch?v=EpuI0jHI9Vk">https://www.youtube.com/watch?v=EpuI0jHI9Vk</a>. Acesso em: 8 set. 2026.</p></li><li><p>AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. Mounjaro<span class="ipsEmoji">®</span> (tirzepatida): nova indicação. Brasília, 9 jun. 2025. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/medicamentos/novos-medicamentos-e-indicacoes/mounjaro-r-tirzepatida-nova-indicacao">https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/medicamentos/novos-medicamentos-e-indicacoes/mounjaro-r-tirzepatida-nova-indicacao</a>. Acesso em: 8 set. 2026.</p></li><li><p>ARONNE, Louis J. et al. Continued Treatment With Tirzepatide for Maintenance of Weight Reduction in Adults With Obesity: The SURMOUNT-4 Randomized Clinical Trial. JAMA, v. 331, n. 1, p. 38–48, 2024. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://jamanetwork.com/journals/jama/fullarticle/2812936">https://jamanetwork.com/journals/jama/fullarticle/2812936</a>. Acesso em: 8 set. 2026.</p></li><li><p>U.S. FOOD AND DRUG ADMINISTRATION. Mounjaro (tirzepatide) injection: prescribing information. Silver Spring, 2026. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.accessdata.fda.gov/drugsatfda_docs/label/2026/215866s041lbl.pdf">https://www.accessdata.fda.gov/drugsatfda_docs/label/2026/215866s041lbl.pdf</a>. Acesso em: 8 set. 2026.</p></li><li><p>CORONA, Giovanni et al. Body weight loss reverts obesity-associated hypogonadotropic hypogonadism: a systematic review and meta-analysis. European Journal of Endocrinology, v. 168, n. 6, p. 829–843, 2013. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/23482592/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/23482592/</a>. Acesso em: 8 set. 2026.</p></li><li><p>BEST, Damian et al. The effectiveness of weight-loss lifestyle interventions for improving fertility in women and men with overweight or obesity and infertility: a systematic review update of evidence from randomized controlled trials. Obesity Reviews, v. 22, n. 12, e13325, 2021. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34390109/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34390109/</a>. Acesso em: 8 set. 2026.</p></li><li><p>SOLTANI, H. et al. The effect of weight loss interventions for obesity on fertility and pregnancy outcomes: a systematic review and meta-analysis. International Journal of Gynecology &amp; Obstetrics, v. 160, n. 2, p. 417–429, 2023. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/36440496/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/36440496/</a>. Acesso em: 8 set. 2026.</p></li><li><p>AMERICAN SOCIETY OF ANESTHESIOLOGISTS. Drugs for Diabetes or Weight Loss: What To Know Before Surgery. Schaumburg, 2025. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://madeforthismoment.asahq.org/preparing-for-surgery/risks/drugs-diabetes-weight-loss/">https://madeforthismoment.asahq.org/preparing-for-surgery/risks/drugs-diabetes-weight-loss/</a>. Acesso em: 8 set. 2026.</p></li><li><p>AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. Anvisa emite alerta para risco de pancreatite aguda associada ao uso indevido de canetas emagrecedoras. Brasília, 9 fev. 2026. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/noticias-anvisa/2026/anvisa-emite-alerta-para-risco-de-pancreatite-aguda-associada-ao-uso-indevido-de-canetas-emagrecedoras">https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/noticias-anvisa/2026/anvisa-emite-alerta-para-risco-de-pancreatite-aguda-associada-ao-uso-indevido-de-canetas-emagrecedoras</a>. Acesso em: 8 set. 2026.</p></li><li><p>AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. Anvisa esclarece e determina regras para manipulação de canetas de GLP-1. Brasília, 25 ago. 2025. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/noticias-anvisa/2025/anvisa-esclarece-e-determina-regras-para-manipulacao-de-canetas-de-glp-1">https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/noticias-anvisa/2025/anvisa-esclarece-e-determina-regras-para-manipulacao-de-canetas-de-glp-1</a>. Acesso em: 8 set. 2026.</p></li></ol>]]></description><guid isPermaLink="false">1251</guid><pubDate>Tue, 08 Sep 2026 19:28:00 +0000</pubDate></item><item><title>Marcelo Pelaio: maturidade, dieta simples e a coragem de parar</title><link>https://fisiculturismo.com.br/mat%C3%A9rias/gente/marcelo-pelaio-maturidade-dieta-simples-e-a-coragem-de-parar-r1250/</link><description><![CDATA[
<p><img src="https://cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2026_09/capa.webp.e07caea0087ba5553af7d66d295c7372.webp" /></p>
<p>Subir da categoria leve para a pesada e vencer com mais de 90 kg não foi a consequência de uma arrancada farmacológica. Para Marcelo Pelaio, foi o resultado de amadurecer o físico por etapas, aprender a obedecer um mestre e repetir o trabalho por anos. A frase que resume sua trajetória é direta: só alcança o propósito quem suporta o processo.</p><p>Em <em>Livecast Os Honoráveis #Episódeo 29 Marcelo Pelaio</em>, do canal Os Honoráveis, Pelaio conversa com Alessandro Valentim, Renato Ventura e Samuel Vieira. Como a gravação reúne quatro vozes, as lições desta matéria foram atribuídas a Marcelo apenas quando aparecem em respostas diretas, relatos em primeira pessoa ou fatos biográficos inequivocamente dele.</p><h2>Da barra na praia ao primeiro título em 1983</h2><p>A base começou com barra fixa e paralelas na praia. Depois vieram os treinos com Cláudio Magalhães, o Tibi, e passagens pela antiga Pumping Iron, que mais tarde se tornou Heavy Duty, em Copacabana. Em 1983, Marcelo estreou e venceu tanto a categoria leve quanto o overall do campeonato de novatos.</p><p>Tibi ocupou um lugar maior do que o de treinador. Marcelo o chama de mestre e segundo pai, inclusive porque sabia frear sua ansiedade. Quando perguntava se deveria usar determinada substância, ouvia que era preciso ter calma e amadurecer o físico primeiro. A lição não era passividade. Era fazer a etapa presente antes de tentar comprar a próxima.</p><p>A carreira levou esse princípio para a balança. Marcelo avançou da categoria leve para a média, depois para a meio-pesada e chegou a disputar a pesada. O corpo não saltou de uma divisão à outra. Foi sendo construído.</p><h2>Hugo Faria transformou provocação em combustível</h2><p>Antes de ser campeão, Marcelo encontrou Hugo Faria na academia e pediu uma orientação alimentar. Já consagrado, Hugo respondeu com uma brincadeira: feijão com rapadura. Marcelo percebeu a provocação e fez uma promessa íntima de vencê-lo algum dia.</p><p>A rivalidade não virou inimizade. Hugo passou a ser uma referência concreta de nível. Marcelo competiu por anos, acumulou maturidade e finalmente o superou em um campeonato open em Santos, disputado apenas por campeões brasileiros. Ele situa a vitória em 1996 ou 1997 e recorda estar com mais de 90 kg no overall.</p><p>Quase quinze anos separam a estreia de 1983 daquela vitória. Esse intervalo explica melhor o físico do que qualquer atalho. O adversário serviu como régua, não como desculpa para acelerar o que o corpo ainda não tinha construído.</p><h2>A dieta tinha seis refeições, mas não era sofisticada</h2><p>O conhecimento nutricional vinha de revistas americanas assinadas por Tibi, como <em>Muscle &amp; Fitness</em> e <em>MuscleMag</em>. Marcelo pegava as edições emprestadas, traduzia as orientações e testava aos poucos no próprio corpo. Era um processo empírico, limitado pelo dinheiro disponível e muito distante do acompanhamento em tempo real que existe hoje.</p><p>A alimentação básica ficou descrita com clareza:</p><ul><li><p>ovos como principal fonte de proteína</p></li><li><p>batata-doce como alimento recorrente</p></li><li><p>aveia comprada a granel como principal fonte de carboidrato</p></li><li><p>peixe e frango quando havia mais dinheiro</p></li><li><p>aproximadamente seis refeições por dia</p></li><li><p>tentativa de colocar uma fonte de proteína em cada refeição</p></li></ul><p>Isso é um esqueleto alimentar histórico, não um protocolo completo. Marcelo não informa gramas, calorias, horários, divisão de macronutrientes, modo de preparo nem diferença entre dieta de ganho e preparação. Também não transforma seis refeições em regra universal. Ele descreve o que conseguia fazer com o orçamento e a informação da época.</p><h2>O protocolo hormonal que Marcelo não revelou</h2><p>A cronologia do uso é mais precisa do que as quantidades. Marcelo afirma que passou pelo estreante, pelo Carioca juvenil e pelo Brasileiro juvenil sem usar hormônios, chegando ao vice-campeonato brasileiro nessa fase. Só começou a testar substâncias quando entrou na categoria júnior.</p><p>Ao descrever o início, ele usa uma formulação coloquial: “uma testozinha com uma dequinha”. A referência aponta para testosterona e nandrolona, mas para por aí. Não há miligramas, mililitros, concentração, frequência de aplicação, duração, exames ou terapia pós-ciclo. A afirmação de que usava “muito pouco” é relativa e não pode ser convertida em dose segura.</p><p>Portanto, Marcelo não apresenta um protocolo hormonal reproduzível. Preencher as lacunas com números comuns da época seria inventar informação e transformar memória incompleta em prescrição. O dado realmente verificável é a ordem: anos iniciais sem uso, entrada na farmacologia apenas na categoria júnior e receio de elevar quantidades.</p><p>Essa cautela não torna o uso de esteroides seguro. Uma coorte publicada em 2025 acompanhou 1.189 usuários identificados em um programa antidoping e 59.450 controles por uma média de 11 anos. O uso foi associado a risco três vezes maior de infarto, 8,9 vezes maior de cardiomiopatia e 3,63 vezes maior de insuficiência cardíaca. Outro estudo com 140 homens encontrou pior função ventricular e maior volume de placas coronarianas entre usuários de longo prazo.</p><p>Testosterona, nandrolona ou qualquer outro agente anabólico não deve ser usado com base em relato de atleta. Decisões médicas exigem diagnóstico, indicação clínica, exames e acompanhamento de profissional habilitado.</p><h2>O treino de 100 mais 100 na véspera da competição</h2><p>Marcelo também deixa um exemplo concreto de treino. Na véspera de competir, fazia 100 repetições na cadeira extensora e mais 100 repetições de agachamento. Ele ainda recorda o agachamento frontal como parte do repertório old school e descreve sessões de pernas tão duras que o atleta podia vomitar, recuperar-se e voltar para terminar.</p><p>O relato não informa carga, número de séries, intervalos, cadência, frequência nem supervisão. Sem essas variáveis, 100 mais 100 não é uma ficha pronta e não deve ser copiado como desafio. É o retrato de uma prática extrema de um atleta avançado na fase competitiva.</p><p>Um ensaio com homens treinados mostrou que séries de 25 a 35 repetições e séries de 8 a 12 podem produzir hipertrofia semelhante quando o esforço é alto, enquanto a faixa mais pesada favorece mais a força máxima. Esse resultado não valida séries de 100 repetições nem treino até passar mal. Apenas mostra que a adaptação depende de carga, esforço, volume, recuperação e contexto, não de uma faixa isolada.</p><h2>De 1983 a 1999, com uma volta em 2010</h2><p>A primeira fase competitiva durou de 1983 a 1999. Aproximadamente uma década depois, Marcelo voltou para disputar um Mundial na Alemanha em 2010, com passagem paga por pessoas que o incentivaram. No intervalo, havia mudado o foco para lutas, com muay thai e jiu-jítsu.</p><p>A volta não o convenceu a perseguir o palco indefinidamente. Aos 62 anos, ele associa a própria saúde à capacidade de ter parado no momento certo. Trabalha dando aulas, treina com entusiasmo renovado e diz viver com o suficiente para ter conforto, sem precisar transformar exposição em medida de sucesso.</p><p>Quando recebeu um convite para competir novamente, a recusa foi objetiva. Vontade existia, mas não queria elevar o uso de drogas para entrar com chance real de vitória. Subir apenas para participar também não combinava com a mentalidade de quem sempre competiu para ganhar. Preservar a saúde venceu as duas tentações.</p><h2>A oportunidade na Califórnia ficou atrás da família</h2><p>Em 1991 ou 1992, Marcelo recebeu de um diretor da ESPN o convite para viver na Califórnia e trabalhar em uma programação em espanhol. Teria suporte para treinar, preparar-se e fazer gravações. A condição era ir sozinho, sem levar a família.</p><p>A filha nasceria em 1992. Marcelo sabia que uma oportunidade daquele tamanho talvez não aparecesse novamente, mas decidiu ficar. Décadas depois, ao falar da filha e da neta de sete meses, não trata a escolha como sacrifício desperdiçado. Afirma que não se arrepende.</p><p>A decisão mostra que ambição e prioridade não são sinônimos. A carreira poderia ter crescido nos Estados Unidos, mas também poderia cobrar a ausência em uma fase familiar que não voltaria. O título possível perdeu para a vida que ele queria preservar.</p><h2>Estética antes do excesso</h2><p>Arnold Schwarzenegger e Frank Zane formaram as referências visuais de Marcelo. Ele prefere físicos harmônicos, com proporção e estética, e considera a categoria Classic mais próxima desse ideal do que a Open atual. Tamanho sem linha não representa evolução automática.</p><p>Como árbitro da NPC e ex-árbitro da federação brasileira, ele atribui parte da escalada à própria arbitragem. O físico premiado vira o alvo do restante do elenco. Quando volume extremo, preenchimentos locais e aparência desarmônica recebem a maior nota, outros atletas entendem que precisam perseguir o mesmo padrão.</p><p>Essa pressão se soma às redes sociais, ao comércio de hormônios e à promessa de que um cartão profissional trará dinheiro e status rapidamente. Marcelo reconhece que a internet facilitou o acesso a treino, alimentação e suplementação. Ao mesmo tempo, critica a banalização de substâncias e a pressa de atletas jovens que tentam alcançar em poucos anos o que exigia uma década de maturação.</p><h2>As lições práticas de Marcelo Pelaio</h2><ol><li><p><strong>Construa por categorias, não por ansiedade.</strong> A passagem da leve para mais de 90 kg levou anos e consolidou um físico capaz de vencer atletas antes inalcançáveis.</p></li><li><p><strong>Escolha alguém que saiba dizer “calma”.</strong> Tibi ajudou tanto pelo conhecimento quanto pela disposição de frear decisões prematuras.</p></li><li><p><strong>Use o adversário como régua.</strong> Hugo Faria virou motivação por quase quinze anos sem precisar virar inimigo.</p></li><li><p><strong>Organize o básico com o recurso disponível.</strong> Ovos, aveia, batata-doce e proteína em cerca de seis refeições sustentaram a rotina antes de existir abundância de suplementos.</p></li><li><p><strong>Não invente precisão onde ela não existe.</strong> O relato hormonal não fornece doses, e o bloco de 100 mais 100 não fornece variáveis suficientes para reprodução.</p></li><li><p><strong>Saiba encerrar a fase de performance.</strong> Continuar treinando por prazer é diferente de voltar ao palco e aceitar novamente os riscos de uma preparação competitiva.</p></li><li><p><strong>Defina o que o dinheiro não compra.</strong> Marcelo abriu mão da Califórnia para permanecer com a família e diz que repetiria a escolha.</p></li></ol><h2>Conclusão</h2><p>Marcelo Pelaio não construiu sua principal lição em uma dose secreta ou numa dieta mirabolante. Ela aparece na sequência inteira: barra e paralela na praia, orientação de Tibi, estreia em 1983, subida gradual pelas categorias, vitória sobre Hugo Faria quase quinze anos depois e decisão de parar quando competir voltou a exigir um preço que já não aceitava pagar.</p><p>Os detalhes alimentares e de treino existem e foram preservados. A dieta tinha cerca de seis refeições, proteína em cada uma, ovos, aveia, batata-doce, frango e peixe. A véspera de competição podia trazer 100 repetições na extensora e 100 no agachamento. Na farmacologia, porém, ele não forneceu doses ou duração. A honestidade editorial exige manter exatamente esse limite. O legado mais aplicável não é copiar o extremo, mas aprender a amadurecer, ouvir, escolher e sair na hora certa.</p><h2>FAQ</h2><h3>Quem é Marcelo Pelaio?</h3><p>Marcelo Pelaio é um dos nomes históricos do fisiculturismo brasileiro, campeão em diferentes categorias, ex-árbitro da federação brasileira e árbitro da NPC. Sua primeira fase competitiva foi de 1983 a 1999, com retorno para um Mundial na Alemanha em 2010.</p><h3>Como era a dieta de Marcelo Pelaio?</h3><p>A base tinha ovos, batata-doce, muita aveia comprada a granel e, quando o orçamento permitia, frango e peixe. Ele fazia aproximadamente seis refeições por dia e buscava incluir uma fonte de proteína em cada uma, mas não informou gramas ou calorias.</p><h3>Marcelo Pelaio detalhou um protocolo hormonal?</h3><p>Não. Ele disse que permaneceu sem hormônios até o vice-campeonato brasileiro juvenil e começou na categoria júnior com testosterona e nandrolona em quantidades que chamou de pequenas. Não revelou dose, frequência, duração, exames ou terapia pós-ciclo.</p><h3>Qual protocolo de treino apareceu no relato?</h3><p>Na véspera de competição, Marcelo fazia 100 repetições na cadeira extensora e 100 de agachamento. Como não informou carga, séries, pausas, cadência ou frequência, o exemplo não constitui uma ficha reproduzível e não deve ser copiado como desafio.</p><h3>Por que ele recusou a oportunidade de morar na Califórnia?</h3><p>Porque teria de ir sozinho enquanto a esposa estava grávida. A filha nasceu em 1992, e ele preferiu permanecer com a família, mesmo sabendo que a oportunidade profissional talvez não voltasse.</p><h3>Por que Marcelo não quis voltar a competir?</h3><p>Porque uma volta com ambição de vitória exigiria elevar novamente o risco da preparação e do uso de drogas. Aos 62 anos, preferiu continuar treinando por prazer e preservar a saúde.</p><h2>Referências</h2><ol><li><p>OS HONORÁVEIS. <em>Livecast Os Honoráveis #Episódeo 29 Marcelo Pelaio</em>. YouTube, 18 jun. 2026. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.youtube.com/watch?v=BlQBwYRsWwA">https://www.youtube.com/watch?v=BlQBwYRsWwA</a>. Acesso em: 8 set. 2026.</p></li><li><p>WINDFELD-MATHIASEN, Josefine et al. Cardiovascular disease in anabolic androgenic steroid users. <em>Circulation</em>, v. 151, p. 828-834, 2025. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/39945117/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/39945117/</a>. Acesso em: 8 set. 2026.</p></li><li><p>BAGGISH, Aaron L. et al. Cardiovascular toxicity of illicit anabolic-androgenic steroid use. <em>Circulation</em>, v. 135, n. 21, p. 1991-2002, 2017. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28533317/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28533317/</a>. Acesso em: 8 set. 2026.</p></li><li><p>POPE, Harrison G. et al. Adverse health consequences of performance-enhancing drugs: an Endocrine Society scientific statement. <em>Endocrine Reviews</em>, v. 35, n. 3, p. 341-375, 2014. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/24423981/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/24423981/</a>. Acesso em: 8 set. 2026.</p></li><li><p>SCHOENFELD, Brad J. et al. Effects of low- vs. high-load resistance training on muscle strength and hypertrophy in well-trained men. <em>Journal of Strength and Conditioning Research</em>, v. 29, n. 10, p. 2954-2963, 2015. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/25853914/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/25853914/</a>. Acesso em: 8 set. 2026.</p></li></ol>]]></description><guid isPermaLink="false">1250</guid><pubDate>Tue, 08 Sep 2026 13:24:00 +0000</pubDate></item><item><title>Masteron (drostanolona): por que n&#xE3;o aromatizar n&#xE3;o significa ser seguro</title><link>https://fisiculturismo.com.br/mat%C3%A9rias/esteroides/masteron-drostanolona-por-que-n%C3%A3o-aromatizar-n%C3%A3o-significa-ser-seguro-r1249/</link><description><![CDATA[
<p><img src="https://cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2026_09/masteron-super-manipulacoes-fundo-laranja-capa-v3.webp.a7e232431c8d0af938f22e2371ea9e25.webp" /></p>
<p>A aparência seca e rígida que tornou o Masteron popular no fisiculturismo também ajuda a esconder sua principal armadilha. Como a droga não se converte em estrogênio, muita gente conclui que ela seria leve ou quase livre de efeitos adversos. Em <strong>‘MASTERON (DROSTANOLONA) O PREÇO QUE NINGUÉM FALA’</strong>, o canal eudeleeudela desmonta essa associação e mostra que o custo pode aparecer longe do espelho.</p><p>A drostanolona pode contribuir para manutenção e construção de massa muscular, mas ganhou fama pelo acabamento estético. Esse efeito depende de um físico já construído e com pouca gordura. Ela não derrete gordura, não substitui dieta e não transforma ausência de retenção em prova de segurança.</p><h2>O que é Masteron e por que ele não aromatiza</h2><p>Masteron é o nome pelo qual a drostanolona ficou conhecida. Trata-se de um esteroide anabolizante androgênico derivado da di-hidrotestosterona, a DHT. A molécula foi modificada para resistir melhor à inativação que limita a ação anabólica da DHT natural no músculo.</p><p>Essa estrutura explica uma característica importante: a drostanolona não aromatiza, ou seja, não se converte em estrogênio pela ação da aromatase. A conclusão correta termina aí. Não aromatizar não impede supressão hormonal, alterações em pele e cabelo, virilização, piora do colesterol ou sobrecarga cardiovascular.</p><h2>Dureza muscular aparece quando já existe definição</h2><p>O efeito mais procurado é descrito como músculo mais duro, denso, seco ou “empedrado”. Por isso o composto aparece com frequência em cutting e preparação para o palco. A camada de gordura, porém, funciona como uma cobertura. Quanto maior ela for, menor tende a ser a diferença visual perceptível.</p><p>Masteron não é queimador de gordura. Andrógenos podem influenciar a composição corporal, mas uma aplicação não começa a derreter tecido adiposo. Dieta, gasto calórico e percentual de gordura continuam determinando o processo. Na prática, a droga funciona como acabamento de um físico já construído e condicionado, não como atalho para criar definição.</p><h2>O uso antigo no câncer de mama não transforma Masteron em anastrozol</h2><p>A drostanolona chegou a ser usada décadas atrás no tratamento de câncer de mama disseminado. Esse passado ajudou a construir sua fama de “antiestrogênico”. Um registro clínico de 1970 documenta esse uso histórico, mas ele não coloca o composto no mesmo papel de um inibidor de aromatase moderno.</p><p>Masteron não é anastrozol e não deve ser tratado como ferramenta automática para derrubar estradiol. O organismo masculino também precisa desse hormônio para funções ósseas, sexuais, metabólicas e cardiovasculares. Estradiol baixo demais pode causar problemas. A meta clínica não é zerá-lo.</p><h2>Alterar SHBG não libera todos os hormônios</h2><p>SHBG é uma proteína que transporta hormônios sexuais no sangue. Andrógenos podem alterar sua concentração e mudar a relação entre frações ligadas e livres. Isso não significa que adicionar Masteron libere magicamente toda a testosterona ou potencialize todos os outros compostos de maneira previsível.</p><p>A drostanolona já possui ação androgênica própria. Essa ação pode participar dos resultados, mas também explica parte dos efeitos adversos. Usar a queda de SHBG como sinônimo de benefício ignora a exposição do cabelo, da pele, da próstata e de outros tecidos ao receptor androgênico.</p><h2>Em homens, o custo pode chegar ao eixo hormonal e à fertilidade</h2><p>Introduzir um andrógeno externo reduz os sinais enviados aos testículos para produzir testosterona. A consequência pode incluir supressão do eixo hormonal, redução da produção de espermatozoides e prejuízo da fertilidade. Uma revisão sistemática com 33 estudos e 3.879 participantes encontrou reduções significativas de LH, FSH e testosterona endógena durante o uso de anabolizantes, além de alterações espermáticas e redução do volume testicular.</p><p>Outros sinais merecem atenção:</p><ul><li><p>queda de cabelo acelerada em quem tem predisposição genética à calvície</p></li><li><p>aumento da oleosidade e piora da acne</p></li><li><p>efeitos androgênicos em tecidos como a próstata</p></li><li><p>falsa segurança ao ver pouca retenção e ausência de ginecomastia</p></li></ul><p>O espelho mostra pele e aparência muscular. Ele não mostra supressão hormonal nem qualidade do sêmen.</p><h2>Em mulheres, voz e clitóris exigem atenção imediata</h2><p>Mulheres vivem sob exposição fisiológica muito menor a andrógenos. A elevação dessa carga pode produzir virilização, com oleosidade, acne, aumento de pelos, queda de cabelo, alteração do ciclo menstrual e aumento da libido.</p><p>Voz mais grave e aumento do clitóris são os dois alertas mais delicados porque algumas alterações podem não regredir completamente após a interrupção. Um estudo qualitativo com usuárias descreveu vergonha, arrependimento e impacto social relacionados à mudança vocal, além de efeitos do aumento clitoriano sobre autoestima e sexualidade.</p><p>A resposta é individual. Duas mulheres com exposições parecidas podem evoluir de formas muito diferentes. Exame de sangue não prevê que a voz ficará mais grave na semana seguinte. Observar mudanças corporais desde o início é indispensável, mas isso também não cria uma garantia de segurança.</p><h2>O que o espelho não mostra: HDL, LDL, pressão e coração</h2><p>Anabolizantes podem reduzir HDL, elevar LDL e piorar a pressão arterial. O usuário pode parecer seco enquanto o risco cardiovascular aumenta. Em uma coorte de 140 homens experientes em musculação, 86 com pelo menos dois anos de uso acumulado de anabolizantes apresentaram fração de ejeção média de 52%, contra 63% entre os 54 não usuários. Também houve maior volume de placas coronarianas no grupo exposto.</p><p>Esses dados não provam que Masteron isoladamente causou cada alteração. No fisiculturismo, a drostanolona raramente aparece sozinha. Testosterona e outros compostos costumam ser empilhados, o que dificulta separar o efeito de cada substância. Dose acumulada, duração, pressão, dieta, genética e outras drogas entram na mesma conta.</p><h2>Cargas de 500 mg a 1 g por semana não são detalhe</h2><p>A fonte usa 500 mg por semana e 1 g por semana como exemplos de carga total de esteroides que exige atenção. Esses números não são dose sugerida de Masteron, não descrevem um ciclo e não devem ser copiados. Eles ilustram a diferença entre olhar um frasco isolado e calcular toda a exposição androgênica.</p><p>Quanto mais compostos entram no empilhamento, mais difícil se torna identificar a origem de um sintoma ou alteração laboratorial. O resultado estético pode vir da combinação. O risco também.</p><h2>Exames e sinais que ajudam a reduzir a cegueira</h2><p>Nenhum painel transforma uso não médico em prática segura, mas acompanhamento profissional pode identificar problemas que ainda não chegaram ao espelho. A avaliação citada inclui:</p><ul><li><p>testosterona e estradiol</p></li><li><p>hemograma</p></li><li><p>HDL, LDL e demais componentes do perfil lipídico</p></li><li><p>marcadores hepáticos e renais</p></li><li><p>pressão arterial medida regularmente</p></li><li><p>avaliação cardiovascular quando houver indicação clínica</p></li></ul><p>O histórico precisa registrar todos os compostos, o tempo de exposição e os sintomas. Alterações de voz, ciclo menstrual, libido, pele, cabelo e fertilidade não podem ser reduzidas a um número isolado. Automedicação e ajustes baseados apenas em aparência aumentam a chance de perder sinais precoces.</p><h2>Conclusão</h2><p>Masteron é um derivado de DHT que não aromatiza e pode favorecer a aparência de densidade e rigidez muscular em físicos já definidos. Ele não queima gordura, não substitui dieta e não funciona como anastrozol.</p><p>O preço pode aparecer como supressão hormonal, prejuízo da fertilidade, queda de cabelo, acne, virilização, piora dos lipídios, elevação da pressão e alterações cardiovasculares. Voz mais grave e aumento do clitóris merecem atenção especial em mulheres porque podem não regredir completamente. Não existe custo zero. Qualquer exposição exige avaliação médica individualizada e não deve ser iniciada, mantida ou ajustada a partir de conteúdo da internet.</p><h2>FAQ</h2><h3>Masteron queima gordura?</h3><p>Não. O composto pode realçar dureza e densidade quando o percentual de gordura já está baixo, mas perda de gordura depende principalmente de balanço energético, dieta e gasto calórico.</p><h3>Masteron aromatiza?</h3><p>Não. Drostanolona não se converte em estrogênio pela aromatase. Isso não elimina supressão hormonal, efeitos androgênicos ou risco cardiovascular.</p><h3>Masteron substitui anastrozol?</h3><p>Não. Seu uso histórico em câncer de mama não o transforma em inibidor de aromatase nem justifica usá-lo para derrubar estradiol.</p><h3>Quais são os principais riscos para homens?</h3><p>Supressão da produção natural de testosterona, redução da espermatogênese, prejuízo da fertilidade, acne, oleosidade, queda de cabelo em predispostos e alterações cardiovasculares estão entre os riscos discutidos.</p><h3>Por que Masteron exige mais cuidado em mulheres?</h3><p>Por ser androgênico, pode provocar virilização. Mudança de voz e aumento do clitóris são particularmente preocupantes porque podem não regredir por completo.</p><h3>Exames tornam o uso seguro?</h3><p>Não. Eles podem revelar alterações hormonais, hematológicas, metabólicas, hepáticas, renais e cardiovasculares, mas não preveem todos os efeitos nem eliminam riscos.</p><h2>Referências</h2><ol><li><p>EUDELEEUDela. MASTERON (DROSTANOLONA) O PREÇO QUE NINGUÉM FALA. YouTube, 30 ago. 2026. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.youtube.com/watch?v=E5R9HM7_nMM">https://www.youtube.com/watch?v=E5R9HM7_nMM</a>. Acesso em: 7 set. 2026.</p></li><li><p>BROWN, I. G. Treatment of disseminated mammary carcinoma with drostanolone propionate. <em>The Practitioner</em>, 1970. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/5536680/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/5536680/</a>. Acesso em: 7 set. 2026.</p></li><li><p>ANAWALT, Bradley D. Diagnosis and Management of Anabolic Androgenic Steroid Use. <em>The Journal of Clinical Endocrinology and Metabolism</em>, 2019. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30753550/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30753550/</a>. Acesso em: 7 set. 2026.</p></li><li><p>CHRISTOU, M. A. et al. Effects of Anabolic Androgenic Steroids on the Reproductive System of Athletes and Recreational Users: A Systematic Review and Meta-Analysis. <em>Sports Medicine</em>, 2017. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28258581/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28258581/</a>. Acesso em: 7 set. 2026.</p></li><li><p>BAGGISH, A. L. et al. Cardiovascular Toxicity of Illicit Anabolic-Androgenic Steroid Use. <em>Circulation</em>, 2017. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28533317/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28533317/</a>. Acesso em: 7 set. 2026.</p></li><li><p>BÖRJESSON, A. et al. Anabolic-androgenic steroid use among women: a qualitative study on experiences of masculinizing, gonadal and sexual effects. <em>International Journal of Drug Policy</em>, 2021. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32736958/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32736958/</a>. Acesso em: 7 set. 2026.</p></li></ol>]]></description><guid isPermaLink="false">1249</guid><pubDate>Tue, 08 Sep 2026 03:29:00 +0000</pubDate></item><item><title>Mortes precoces no fisiculturismo: por que n&#xE3;o &#xE9; s&#xF3; culpa dos esteroides</title><link>https://fisiculturismo.com.br/mat%C3%A9rias/diversos/mortes-precoces-no-fisiculturismo-por-que-n%C3%A3o-%C3%A9-s%C3%B3-culpa-dos-esteroides-r1248/</link><description><![CDATA[
<p><img src="https://cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2026_09/mortes-fisiculturismo-estudio-rosa-capa.webp.bb677a622b62935989f5ed954a5e2af3.webp" /></p>
<p>Durante décadas, as mortes precoces no fisiculturismo circularam como uma sequência de nomes, homenagens e suspeitas. Faltava um levantamento capaz de mostrar se os casos formavam um padrão. Quando mais de 20 mil competidores foram acompanhados, a impressão ganhou números: 121 morreram, a idade média dos óbitos ficou em 45 anos e a morte cardíaca súbita apareceu como a causa mais frequente.</p><p>Em “It's Not Just the Steroids Killing Bodybuilders”, o canal bodybuildbeast parte desse levantamento para defender uma tese desconfortável. Os esteroides fazem parte do risco, mas não explicam tudo sozinhos. Coração remodelado, predisposição genética, desidratação, diuréticos, outras drogas, sofrimento psíquico e um sistema que recompensa físicos cada vez mais extremos podem agir ao mesmo tempo.</p><h2>O estudo que transformou suspeitas em números</h2><p>Publicado no <em>European Heart Journal</em> em 2025, o estudo “Mortality in male bodybuilding athletes” identificou 20.286 homens que participaram de 730 eventos da International Federation of Bodybuilding and Fitness, a IFBB, entre 2005 e 2020. O acompanhamento médio foi de 8,1 anos, somando 190.211 atleta-anos de observação até julho de 2023.</p><p>Foram identificadas 121 mortes, com idade média de 45,3 anos. Entre elas, 73 foram classificadas como súbitas e 46 como mortes cardíacas súbitas. Isso representa cerca de 38% de todos os óbitos encontrados.</p><p>Onze mortes cardíacas súbitas ocorreram entre atletas ainda em atividade competitiva. A idade média desse grupo era de 34,7 anos e a incidência calculada chegou a 32,83 casos por 100 mil atleta-anos. Entre profissionais, o risco foi 5,23 vezes o observado entre amadores.</p><p>No subgrupo mais extremo, formado por competidores do Mr. Olympia, 7% morreram durante o período analisado e 5% tiveram morte cardíaca súbita. O número chama atenção, mas não deve ser projetado sobre todas as pessoas que praticam musculação. Trata-se da elite de um esporte que premia volume muscular e definição em níveis muito distantes do treino recreativo.</p><h2>O que o levantamento prova e o que permanece incerto</h2><p>O trabalho documenta um sinal de risco relevante, especialmente entre atletas profissionais. Ele não demonstra que todos os óbitos foram causados por anabolizantes. A identificação das mortes foi retrospectiva e usou buscas padronizadas na internet, notícias, redes sociais e registros disponíveis publicamente.</p><p>Uma causa específica foi encontrada em 78,5% dos casos. Autópsias estavam disponíveis para apenas cinco profissionais que sofreram morte cardíaca súbita. Para grande parte da amostra, faltavam histórico familiar, exames anteriores, substâncias usadas, doses, duração do uso e detalhes completos das circunstâncias da morte.</p><p>Essas limitações não apagam o alerta. Elas mudam a leitura correta: existe uma concentração preocupante de mortes cardíacas precoces, mas a contribuição de cada fator não pode ser reconstruída com precisão para todos os atletas.</p><h2>Os esteroides continuam no centro do risco cardiovascular</h2><p>Dizer que não são a única causa não inocenta os esteroides anabolizantes. Uso prolongado e em doses suprafisiológicas está associado a pressão arterial elevada, piora do perfil lipídico, aumento do hematócrito, hipertrofia do coração, fibrose, redução da função ventricular e aterosclerose coronariana.</p><p>Em uma coorte de levantadores de peso experientes, 86 usuários de anabolizantes apresentaram fração de ejeção média de 52%, contra 63% em 54 não usuários. A carga de placas nas artérias coronárias também foi maior, e o tempo acumulado de exposição se associou a mais aterosclerose.</p><p>Uma meta-análise de 2025 reuniu 35 estudos e 2 mil homens. Em comparação com atletas de força que não usavam anabolizantes, os usuários apresentaram paredes do ventrículo esquerdo mais espessas, maior massa ventricular e indicadores piores de função cardíaca. As médias não determinam o destino individual, mas descrevem um padrão compatível com remodelamento cardíaco adverso.</p><h2>Cinco autópsias mostram o sinal, não toda a história</h2><p>Nas cinco autópsias disponíveis no estudo de mortalidade, quatro atletas apresentavam hipertrofia ventricular esquerda e cardiomegalia. Dois também tinham doença arterial coronariana. Três das cinco análises toxicológicas detectaram uso de esteroides anabolizantes.</p><p>Outro estudo de autópsias citado pelos pesquisadores encontrou corações, em média, 73,7% mais pesados que os valores de referência e parede ventricular esquerda 125% mais espessa que o previsto. Treino intenso pode produzir uma adaptação cardíaca moderada. Hipertrofia concêntrica severa, fibrose, necrose e perda de função fogem do padrão esperado de um coração atlético saudável.</p><h2>Dallas McCarver e Rich Piana: anatomia semelhante, certezas diferentes</h2><p>Dallas McCarver morreu aos 26 anos. A autópsia descrita apontou hipertrofia grave do ventrículo esquerdo e doença coronariana. Seu coração pesava 833 g, quase três vezes os cerca de 300 g usados como referência para um homem saudável de porte comum. O histórico familiar de doença cardíaca acrescentava uma vulnerabilidade que não pode ser separada das demais exposições.</p><p>Rich Piana morreu aos 46 anos poucos dias depois. Coração e fígado estavam muito aumentados e havia doença cardiovascular significativa. Mesmo assim, a causa oficial foi registrada como indeterminada. A diferença entre os dois casos é importante: alterações anatômicas graves sustentam preocupação, mas não autorizam preencher lacunas do laudo com uma causa única.</p><h2>Boston Loyd: quando genética e experimentação se encontram</h2><p>Boston Loyd morreu aos 29 anos por dissecção de aorta, uma ruptura na principal artéria que sai do coração. Seu pai, também fisiculturista, já havia tratado cirurgicamente um aneurisma na mesma região e o alertara para investigar a predisposição familiar.</p><p>Ao mesmo tempo, Loyd relatava combinações extensas de fármacos e já havia sofrido insuficiência renal. Ele próprio associava o dano renal a um peptídeo experimental sem estudos em humanos. O relato incluía um frasco de 5 mg por dia, aplicado perto da região dos rins e em outras áreas na tentativa de destruir células de gordura.</p><p>Esse número não é protocolo. Ele documenta o nível de experimentação envolvido. Dissecções de aorta podem resultar da interação entre fragilidade da parede arterial, hipertensão, elevação abrupta da pressão durante esforço pesado e uso de substâncias. Separar uma causa isolada depois do evento pode ser impossível.</p><h2>A semana final pode ser mais perigosa que o auge do volume muscular</h2><p>Fisiculturistas manipulam carboidratos, água e sódio antes da competição para aumentar o volume muscular aparente e reduzir água subcutânea. Alguns acrescentam diuréticos. A literatura descreve essas estratégias, mas encontra pouca evidência para sustentar muitos protocolos extremos.</p><p>Reduzir água e eletrólitos de forma agressiva pode alterar sódio e potássio, prejudicar os rins e desorganizar o ritmo cardíaco. Um caso publicado descreveu hipocalemia grave de 1,8 mmol/L, paralisia e alteração importante do eletrocardiograma após automedicação com diuréticos e restrição de líquidos.</p><p>A vulnerabilidade aumenta quando desidratação, percentual de gordura muito baixo, restrição calórica, estimulantes, hormônios e esforço intenso se acumulam. Cinco atletas da coorte morreram por causa cardíaca durante ou logo após um evento oficial.</p><h2>Exame normal não é garantia de risco zero</h2><p>Hemograma, perfil lipídico, enzimas hepáticas e função renal são importantes, mas não enxergam sozinhos fibrose, alterações estruturais, placas coronarianas ou todas as arritmias. Um resultado laboratorial dentro da referência não transforma um protocolo extremo em seguro.</p><p>O estudo propõe avaliação específica para o fisiculturismo. Eletrocardiograma, teste de esforço e ecocardiograma podem ajudar a identificar hipertrofia excessiva, cardiomegalia e arritmias. A tomografia coronariana e a ressonância cardíaca podem ser consideradas quando houver indicação clínica. Ainda não existe evidência de que um único pacote de exames elimine o risco nessa população.</p><p>Monitoramento também não deve funcionar como licença para continuar aumentando doses. O objetivo é encontrar sinais precoces, reduzir exposição e permitir uma decisão informada.</p><h2>Dismorfia muscular muda a percepção do próprio limite</h2><p>Dismorfia muscular é a preocupação persistente de não ser grande ou musculoso o suficiente, mesmo quando o físico já está muito acima da média. Uma meta-análise com 31 estudos e 5.880 participantes encontrou mais sintomas entre fisiculturistas do que entre praticantes de treino de força não competitivos. Competidores apresentaram pontuações maiores que não competidores.</p><p>Os sintomas se associaram a ansiedade, depressão, perfeccionismo, baixa autoestima e insatisfação corporal. A direção da relação ainda é incerta. O ambiente competitivo pode agravar vulnerabilidades, enquanto pessoas já vulneráveis também podem ser atraídas por esse ambiente.</p><p>Anabolizantes acrescentam outra camada. Alterações de humor, agressividade, ansiedade e depressão podem ocorrer durante o uso ou a retirada. Isso não significa que toda pessoa que usa esteroides desenvolverá um transtorno, mas saúde mental precisa fazer parte da avaliação de risco.</p><h2>Neil Currey mostra por que uma causa isolada pode enganar</h2><p>Neil Currey morreu aos 34 anos depois de alcançar a classificação para o Olympia. O legista relacionou a morte a uma combinação letal de drogas recreativas, não diretamente aos esteroides. A família relatou, porém, que o uso de anabolizantes havia aumentado muito e coincidido com isolamento e depressão.</p><p>O laudo define a causa tóxica imediata. O relato familiar descreve o caminho que pode ter colocado o atleta naquela situação. Confundir os dois níveis seria incorreto, mas ignorar a interação entre imagem corporal, substâncias, isolamento e sofrimento psíquico também seria uma simplificação.</p><h2>Polifarmácia e alimentação extrema ampliam a carga</h2><p>O físico competitivo não é produzido por uma única droga. Protocolos podem combinar anabolizantes, hormônio do crescimento, insulina, hormônios tireoidianos, estimulantes, diuréticos, peptídeos e substâncias recreativas. Cada item acrescenta efeitos próprios e interações difíceis de prever.</p><p>A alimentação também pode entrar no extremo. Em protocolos com insulina, atletas chegam a consumir shakes com 100 g a 200 g de carboidratos ao redor do treino, numa tentativa de evitar hipoglicemia enquanto alcançam ingestões calóricas muito altas. Esse exemplo não deve ser copiado. Insulina sem indicação médica pode causar hipoglicemia grave, perda de consciência e morte.</p><p>Distensão abdominal, refluxo, alterações gastrointestinais e dificuldade para consumir o volume de comida exigido são consequências possíveis dessa busca por mais massa. O abdômen distendido que se tornou frequente em categorias abertas pode refletir múltiplos fatores, não um único composto.</p><h2>Dinheiro, audiência e troféus apontam para o mesmo extremo</h2><p>Premiação é apenas uma parte da economia do fisiculturismo. Patrocínios, audiência, cursos, suplementos, roupas e participação societária em marcas podem valer mais que o troféu. Quanto mais olhos um atleta atrai, maior sua capacidade de transformar o físico em negócio.</p><p>No palco, tamanho e condicionamento extremo recebem notas. Nas redes sociais, o físico mais chocante interrompe a rolagem e alimenta o algoritmo. A recompensa chega antes que os danos de longo prazo apareçam.</p><p>Treinadores e atletas ainda enfrentam a chamada “febre do cume”, analogia emprestada do montanhismo. Perto do objetivo, sinais de alerta e regras de segurança podem ser ignorados porque desistir parece desperdiçar toda a preparação. No fisiculturismo, o cume pode ser uma competição, uma classificação profissional ou uma foto capaz de viralizar.</p><h2>O que poderia tornar o fisiculturismo mais seguro</h2><ul><li><p>criar registro prospectivo e independente de mortes e eventos cardiovasculares.</p></li><li><p>adotar avaliação médica específica para atletas competitivos, sem tratar exame normal como autorização para risco crescente.</p></li><li><p>aumentar controle antidoping e rastreabilidade de substâncias.</p></li><li><p>proibir práticas coercitivas de treinadores e estabelecer critérios claros para retirar um atleta da competição.</p></li><li><p>disponibilizar desfibriladores e equipes treinadas em eventos.</p></li><li><p>integrar saúde mental, dismorfia muscular e dependência de substâncias ao acompanhamento.</p></li><li><p>valorizar categorias com limites de peso e físicos clássicos, reduzindo o incentivo ao crescimento sem teto.</p></li><li><p>responsabilizar marcas e plataformas pela promoção de protocolos clandestinos ou perigosos.</p></li></ul><h2>A reação ao físico extremo já começou</h2><p>Federações naturais com testes antidoping estão crescendo, enquanto criadores de conteúdo contrários ao abuso de substâncias conquistaram audiências antes reservadas a defensores da química sem limite. A mudança mostra que existe público para um fisiculturismo menos dependente do choque.</p><p>Arnold Schwarzenegger também passou a criticar abdomens distendidos e a defender linhas clássicas, cintura controlada e um físico que o público comum ainda possa desejar. Essa reação cultural disputa espaço com uma sequência recente de mortes entre atletas nos 20 e 30 anos e com plataformas que continuam premiando o que parece maior, mais seco e mais extremo.</p><h2>Conclusão</h2><p>Os esteroides não são a única explicação para as mortes precoces no fisiculturismo, mas permanecem uma peça central. O risco surge da soma entre remodelamento cardíaco, aterosclerose, predisposição genética, polifarmácia, desidratação, diuréticos, pressão psicológica e recompensa financeira pelo extremo.</p><p>O estudo com 20.286 atletas mostra um problema real, sobretudo entre profissionais, sem permitir culpar uma única substância em todos os casos. Reduzir as mortes exige mais que exames ocasionais e homenagens depois da tragédia. É preciso mudar acompanhamento, regras, incentivos e o tipo de físico que o esporte escolhe premiar.</p><h2>FAQ</h2><h3>Quantos fisiculturistas morreram no estudo?</h3><p>Foram identificadas 121 mortes entre 20.286 competidores masculinos da IFBB acompanhados, em média, por 8,1 anos. A idade média nos óbitos foi de 45,3 anos.</p><h3>Qual foi a causa de morte mais frequente?</h3><p>A morte cardíaca súbita foi a causa específica mais frequente, com 46 casos, equivalentes a aproximadamente 38% de todos os óbitos encontrados.</p><h3>Profissionais correm mais risco que amadores?</h3><p>Na coorte, profissionais apresentaram risco de morte cardíaca súbita 5,23 vezes maior que amadores. O estudo é observacional e não demonstra qual exposição produziu individualmente essa diferença.</p><h3>Esteroides foram responsáveis por todas as mortes?</h3><p>Não é possível afirmar isso. Os anabolizantes têm efeitos cardiovasculares documentados, mas havia dados incompletos sobre doses, histórico familiar, outras drogas e autópsias. Diferentes fatores podem ter atuado juntos.</p><h3>Exames de sangue normais significam que o coração está seguro?</h3><p>Não. Exames laboratoriais são importantes, mas podem não detectar alterações estruturais, fibrose, placas coronarianas ou todas as arritmias. Avaliação cardiovascular precisa ser individualizada.</p><h3>Desidratação de competição pode afetar o coração?</h3><p>Sim. Restrição extrema de líquidos e uso de diuréticos podem alterar eletrólitos, prejudicar os rins e favorecer arritmias. Nenhum protocolo de desidratação deve ser improvisado.</p><h2>Referências</h2><ol><li><p>BODYBUILDBEAST. It's Not Just the Steroids Killing Bodybuilders. [S. l.], 7 ago. 2026. YouTube. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.youtube.com/watch?v=AJDpYL29w_Y">https://www.youtube.com/watch?v=AJDpYL29w_Y</a>. Acesso em: 7 set. 2026.</p></li><li><p>VECCHIATO, Marco et al. Mortality in male bodybuilding athletes. <em>European Heart Journal</em>, v. 46, n. 30, p. 3006-3016, 2025. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://academic.oup.com/eurheartj/article/46/30/3006/8131432">https://academic.oup.com/eurheartj/article/46/30/3006/8131432</a>. Acesso em: 7 set. 2026.</p></li><li><p>SMOLIGA, James M.; WILBER, Z. Taggart; ROBINSON, Brooks Taylor. Premature Death in Bodybuilders: What Do We Know? <em>Sports Medicine</em>, v. 53, p. 933-948, 2023. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/36715876/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/36715876/</a>. Acesso em: 7 set. 2026.</p></li><li><p>BAGGISH, Aaron L. et al. Cardiovascular Toxicity of Illicit Anabolic-Androgenic Steroid Use. <em>Circulation</em>, v. 135, n. 21, p. 1991-2002, 2017. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28533317/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28533317/</a>. Acesso em: 7 set. 2026.</p></li><li><p>ALABED, Samer et al. Anabolic-androgenic steroids on cardiac structure and function in resistance-trained athletes: A systematic review and meta-analysis. <em>International Journal of Cardiology</em>, 2025. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/40945618/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/40945618/</a>. Acesso em: 7 set. 2026.</p></li><li><p>ESCALANTE, Guillermo et al. Peak week recommendations for bodybuilders: an evidence based approach. <em>BMC Sports Science, Medicine and Rehabilitation</em>, v. 13, art. 68, 2021. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34120635/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34120635/</a>. Acesso em: 7 set. 2026.</p></li><li><p>MITCHELL, Lachlan et al. Muscle Dysmorphia Symptomatology and Associated Psychological Features in Bodybuilders and Non-Bodybuilder Resistance Trainers: A Systematic Review and Meta-Analysis. <em>Sports Medicine</em>, v. 47, n. 2, p. 233-259, 2017. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/27245060/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/27245060/</a>. Acesso em: 7 set. 2026.</p></li><li><p>MAYR, Alexander et al. Severe Acquired Hypokalemic Paralysis in a Bodybuilder After Self-Medication With Triamterene/Hydrochlorothiazide. <em>Clinical Journal of Sport Medicine</em>, 2019. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31770156/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31770156/</a>. Acesso em: 7 set. 2026.</p></li></ol>]]></description><guid isPermaLink="false">1248</guid><pubDate>Mon, 07 Sep 2026 22:48:00 +0000</pubDate></item><item><title>Trocar Mounjaro por Ozivy vale a pena? Doses, custos e limites</title><link>https://fisiculturismo.com.br/mat%C3%A9rias/diversos/trocar-mounjaro-por-ozivy-vale-a-pena-doses-custos-e-limites-r1247/</link><description><![CDATA[
<p><img src="https://cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2026_09/mounjaro-ozivy-troca-capa.webp.30ca34bc556e2d0ce1d48722b9f28104.webp" /></p>
<p>Um tratamento que funciona por poucos meses, mas se torna financeiramente impossível, pode terminar antes de entregar um resultado sustentável. Isso torna legítima a dúvida sobre trocar Mounjaro por Ozivy. A caneta mais barata, porém, não é uma versão equivalente da mais cara. Tirzepatida e semaglutida são moléculas diferentes, têm potências diferentes e não podem ser convertidas por uma regra simples de miligramas.</p><p>Em “(Mounjaro | Tirzepatida): É Possível Trocar por Ozivy (Semaglutida) em 2026?”, o médico Danilo Lobo considera a transição plausível sobretudo nas doses iniciais de tirzepatida, quando o custo ameaça a continuidade ou em uma fase de manutenção. A hipótese é clínica e individualizada. Não existe tabela validada que diga qual dose de Ozivy substitui determinada dose de Mounjaro.</p><h2>Troca possível não significa dose equivalente</h2><p>O Mounjaro contém tirzepatida, que atua nos receptores de GIP e GLP-1. O Ozivy contém semaglutida, agonista do receptor de GLP-1. Mesmo quando os dois reduzem apetite, melhoram o controle alimentar e produzem perda de peso, a diferença de mecanismo impede uma conversão direta do tipo “x mg de um corresponde a y mg do outro”.</p><p>A decisão também depende do objetivo. O Ozivy foi registrado pela Anvisa para adultos com diabetes tipo 2 insuficientemente controlado, como complemento à dieta e ao exercício. Usá-lo para tratar obesidade é uma conduta fora da bula. Isso pode fazer parte de uma decisão médica, mas exige prescrição, justificativa clínica, discussão de riscos e acompanhamento. Não é autorização para automedicação.</p><p>Na prática, uma transição precisa considerar a dose atual, a resposta obtida, os efeitos adversos, a presença de diabetes, o histórico de ganho e perda de peso, o orçamento e a capacidade de manter o tratamento. O preço isolado não resolve essas variáveis.</p><h2>O que os estudos realmente permitem comparar</h2><h3>Tirzepatida 5 mg no SURMOUNT-1</h3><p>No SURMOUNT-1, adultos com obesidade ou sobrepeso e ao menos uma complicação relacionada ao peso, sem diabetes, receberam tirzepatida ou placebo durante 72 semanas. A redução média do peso foi de 15% com 5 mg por semana, 19,5% com 10 mg e 20,9% com 15 mg. Esses valores são médias de grupos e não garantem a mesma resposta para uma pessoa específica.</p><h3>Semaglutida 2,4 mg no STEP 1</h3><p>No STEP 1, adultos com perfil semelhante, também sem diabetes, receberam semaglutida 2,4 mg ou placebo por 68 semanas, além de intervenção de estilo de vida. A redução média foi de 14,9% com semaglutida e 2,4% com placebo.</p><p>Colocar lado a lado os 15% da tirzepatida 5 mg e os 14,9% da semaglutida 2,4 mg ajuda a formular uma pergunta, mas não prova equivalência. Os resultados vieram de ensaios diferentes, com participantes, cronogramas e estruturas próprias. Além disso, o Ozivy comercializado nas apresentações de 0,25 mg, 0,5 mg e 1 mg não entrega, pela bula, a dose de 2,4 mg usada no STEP 1.</p><h3>O SURMOUNT-5 fez a comparação direta</h3><p>Já existe comparação direta entre as moléculas. Publicado em 2025, o SURMOUNT-5 avaliou 751 adultos com obesidade, sem diabetes, durante 72 semanas. Os participantes receberam a dose máxima tolerada de tirzepatida, 10 mg ou 15 mg, ou de semaglutida, 1,7 mg ou 2,4 mg.</p><p>A redução média do peso foi de 20,2% com tirzepatida e 13,7% com semaglutida. A tirzepatida foi superior também na redução da circunferência da cintura. Esse resultado corrige a afirmação de que não haveria estudo comparativo, mas não cria uma tabela de troca. O ensaio avaliou doses altas toleradas, não a passagem de Mounjaro 2,5 mg ou 5 mg para Ozivy 1 mg.</p><h2>Quando a transição pode ser cogitada</h2><p>A faixa de 2,5 mg a 5 mg de tirzepatida aparece como o cenário em que a transição teria maior plausibilidade clínica. Isso inclui quatro situações:</p><ul><li><p><strong>Início do tratamento:</strong> a pessoa começou com Mounjaro e percebeu que o custo não cabe no orçamento de longo prazo.</p></li><li><p><strong>Entrada por uma opção mais acessível:</strong> iniciar com semaglutida e reavaliar a necessidade de uma alternativa mais potente se a resposta for insuficiente.</p></li><li><p><strong>Continuidade ameaçada:</strong> aceitar possível redução de potência para evitar a interrupção completa do cuidado.</p></li><li><p><strong>Manutenção ou retirada gradual:</strong> após perda de peso com doses maiores de tirzepatida, considerar outra estratégia para sustentar parte do resultado.</p></li></ul><p>Esses cenários não garantem que a troca funcionará. Eles definem situações em que faz sentido discutir o tema em consulta. Sintomas gastrointestinais, controle glicêmico, evolução do peso e fome precisam ser reavaliados durante a mudança.</p><h2>Quando Ozivy 1 mg tende a ficar distante da tirzepatida</h2><p>Quem usa 7,5 mg, 10 mg ou 12,5 mg de tirzepatida pode perceber uma diferença maior ao migrar para semaglutida limitada a 1 mg por semana. O próprio SURMOUNT-1 mostrou uma relação entre doses mais altas de tirzepatida e maior redução média do peso. O SURMOUNT-5 reforçou a superioridade da tirzepatida em doses máximas toleradas.</p><p>Nessas faixas, a troca pode ter mais sentido como estratégia de manutenção ou por necessidade financeira do que como tentativa de preservar exatamente o mesmo efeito. A pessoa pode voltar a sentir mais fome, ter menor saciedade ou observar mudança no ritmo de perda. Isso precisa ser antecipado para que uma diferença esperada não seja interpretada como falha completa.</p><h2>O protocolo mencionado exige uma trava de segurança</h2><p>A apresentação inicial do Ozivy permite aplicações semanais de 0,25 mg e 0,5 mg. A apresentação de manutenção libera 1 mg por aplicação. A bula para diabetes começa com 0,25 mg uma vez por semana por quatro semanas, avança para 0,5 mg e permite elevação para 1 mg quando o controle glicêmico continua inadequado.</p><p>Para aproximar a semaglutida da dose de 2,4 mg usada no STEP 1, a fonte menciona a possibilidade de duas aplicações de 1 mg em dias diferentes. Essa conduta está fora da bula do Ozivy, não foi apresentada como regra para todas as pessoas e não corresponde a uma conversão validada de tirzepatida para semaglutida. Reproduzir esse esquema por conta própria aumenta o risco de erro de dose, eventos gastrointestinais, desidratação e uso inadequado de um medicamento sujeito à retenção de receita.</p><p>Também não se deve multiplicar aplicações porque a fome voltou ou porque outra pessoa tolerou uma dose maior. A titulação existe para equilibrar resposta e segurança. Qualquer mudança precisa ser definida pelo médico que conhece o diagnóstico, as outras medicações e os efeitos adversos já apresentados.</p><h2>O custo pode decidir se o cuidado continua</h2><p>Na fotografia de preços apresentada em julho de 2026, uma caneta de Ozivy custava cerca de R$ 400 a R$ 450, com promoções próximas de R$ 350. O Mounjaro 2,5 mg aparecia por aproximadamente R$ 1.300 a R$ 1.400 por caneta, dependendo do estado e da farmácia.</p><p>A estimativa apresentada chegava a R$ 12 mil ou R$ 13 mil para cerca de dez meses de Mounjaro. Os valores variam com dose, apresentação, impostos, descontos e disponibilidade, portanto não devem ser tratados como cotação atual nem garantia de gasto.</p><p>A diferença financeira sustenta o argumento mais forte a favor da mudança: uma terapia menos potente, mas viável por um ou mais anos, pode ser preferível a usar Mounjaro por dois, três ou quatro meses e abandonar tudo porque o orçamento acabou. Essa escolha não deve ser reduzida ao preço por caneta. É preciso calcular custo mensal real, consultas, exames, alimentação, atividade física e eventual apoio psicológico ou nutricional.</p><h2>Produto regularizado é diferente de mercado paralelo</h2><p>Outra situação apresentada é a saída de uma tirzepatida comprada no mercado paralelo para uma semaglutida adquirida em farmácia com receita. Medicamentos contrabandeados ou de procedência duvidosa podem ter problema de identidade, concentração, armazenamento e cadeia de frio. Mesmo uma molécula potencialmente menos potente pode representar uma decisão mais segura quando vem de canal regular e permanece sob acompanhamento.</p><p>Isso não significa que todo produto estrangeiro seja ineficaz. O problema é a impossibilidade de garantir origem e conservação quando a entrada e a venda ocorrem fora das regras brasileiras. A embalagem, o preço ou o relato de outro usuário não substituem rastreabilidade.</p><h2>Continuidade não depende apenas da caneta</h2><p>Relatos clínicos apresentados incluem pacientes que perderam peso com 0,5 mg, 0,75 mg ou 1 mg de semaglutida. A resposta foi associada a maior controle da compulsão e da impulsividade alimentar, mesmo quando alguma fome e vontade de comer doces permaneceram. Isso não é promessa de resultado e não transforma doses menores em equivalentes ao Mounjaro.</p><p>O período de maior controle alimentar pode ser usado para consolidar refeições mais estruturadas, treino regular e acompanhamento de condições que dificultam o emagrecimento. Resistência à insulina, menopausa, hipogonadismo, sono, saúde mental e deficiências nutricionais precisam ser investigados e tratados apenas quando houver diagnóstico e indicação. “Corrigir hormônios e vitaminas” sem exames ou necessidade clínica acrescenta risco e custo.</p><p>A sobra financeira obtida com uma opção mais acessível também pode ser direcionada a profissionais que sustentem o processo, como nutricionista, educador físico e psicólogo. Esses pilares não substituem o medicamento, mas reduzem a dependência de uma única ferramenta.</p><h2>Parar completamente também tem consequências</h2><p>Obesidade é uma doença crônica e a recuperação de peso após a retirada das medicações é frequente. Na extensão do STEP 1, um ano após suspender a semaglutida 2,4 mg e a intervenção de estilo de vida, os participantes recuperaram cerca de dois terços do peso que haviam perdido.</p><p>No SURMOUNT-4, quem retirou a tirzepatida após 36 semanas recuperou, em média, 14% do peso entre as semanas 36 e 88. Quem continuou perdeu mais 5,5% no mesmo período. Esses dados não obrigam toda pessoa a usar a mesma medicação para sempre, mas mostram por que manutenção, troca e retirada precisam de plano.</p><h2>Checklist para discutir a troca em consulta</h2><ul><li><p>Qual é o objetivo principal: controle do diabetes, tratamento da obesidade ou ambos?</p></li><li><p>Qual dose de Mounjaro está sendo usada e qual resposta ela produziu?</p></li><li><p>O Ozivy seria usado dentro da indicação aprovada ou fora da bula?</p></li><li><p>O orçamento permite sustentar a nova estratégia por quanto tempo?</p></li><li><p>Quais efeitos adversos ocorreram e quais outras medicações estão em uso?</p></li><li><p>Como peso, glicemia, fome, ingestão de proteína, atividade física e composição corporal serão acompanhados?</p></li><li><p>Qual será o critério para manter, ajustar ou interromper a nova estratégia?</p></li></ul><h2>Conclusão</h2><p>Trocar Mounjaro por Ozivy pode fazer sentido quando o custo ameaça a continuidade, principalmente em doses iniciais de tirzepatida ou em uma estratégia de manutenção. Isso não significa que Ozivy 1 mg reproduza o efeito do Mounjaro nem que exista uma dose equivalente.</p><p>Os dados mais sólidos mostram que tirzepatida e semaglutida são eficazes, mas a tirzepatida em doses máximas produziu maior perda média no confronto direto. A decisão racional combina potência, tolerabilidade, indicação regulatória, procedência e capacidade de manter o cuidado. A transição deve ser prescrita e monitorada. Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica individualizada.</p><h2>FAQ</h2><h3>Posso trocar Mounjaro por Ozivy de uma semana para outra?</h3><p>Não existe uma regra universal. O médico precisa definir o momento da última dose, o início da nova caneta, a titulação e o monitoramento conforme resposta, efeitos adversos e objetivo do tratamento.</p><h3>Quantos miligramas de Ozivy equivalem a 5 mg de Mounjaro?</h3><p>Não há equivalência validada. A semelhança entre médias de estudos separados não permite converter 5 mg de tirzepatida em determinada dose de semaglutida.</p><h3>Ozivy 1 mg emagrece tanto quanto Mounjaro?</h3><p>Não é possível garantir. O confronto direto avaliou semaglutida de 1,7 mg ou 2,4 mg contra tirzepatida de 10 mg ou 15 mg e encontrou maior redução média com tirzepatida. Ozivy 1 mg não foi testado nesse desenho como substituto do Mounjaro.</p><h3>Ozivy é aprovado para obesidade?</h3><p>Não. A indicação aprovada pela Anvisa é diabetes tipo 2 em adultos. O uso para obesidade é fora da bula e depende de prescrição e acompanhamento médico.</p><h3>A troca pode ser considerada em doses altas de Mounjaro?</h3><p>Em 7,5 mg, 10 mg ou 12,5 mg de tirzepatida, a diferença para Ozivy 1 mg tende a ser maior. Uma mudança pode ser discutida por custo ou manutenção, mas não deve criar expectativa de potência igual.</p><h3>Vale mais um medicamento potente por poucos meses ou outro mais barato por mais tempo?</h3><p>Quando a opção mais potente é financeiramente insustentável, uma estratégia menos cara pode favorecer continuidade. A escolha precisa considerar resposta, segurança, indicação, orçamento e acompanhamento, não apenas o preço da caneta.</p><h2>Referências</h2><ol><li><p>LOBO, Danilo. (Mounjaro | Tirzepatida): É Possível Trocar por Ozivy (Semaglutida) em 2026? [S. l.], 27 jul. 2026. YouTube. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.youtube.com/watch?v=gsoS-97lc54">https://www.youtube.com/watch?v=gsoS-97lc54</a>. Acesso em: 7 set. 2026.</p></li><li><p>JASTREBOFF, Ania M. et al. Tirzepatide Once Weekly for the Treatment of Obesity. <em>New England Journal of Medicine</em>, v. 387, p. 205-216, 2022. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/35658024/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/35658024/</a>. Acesso em: 7 set. 2026.</p></li><li><p>WILDING, John P. H. et al. Once-Weekly Semaglutide in Adults with Overweight or Obesity. <em>New England Journal of Medicine</em>, v. 384, p. 989-1002, 2021. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33567185/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33567185/</a>. Acesso em: 7 set. 2026.</p></li><li><p>ARONNE, Louis J. et al. Tirzepatide as Compared with Semaglutide for the Treatment of Obesity. <em>New England Journal of Medicine</em>, v. 393, p. 26-36, 2025. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/40353578/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/40353578/</a>. Acesso em: 7 set. 2026.</p></li><li><p>WILDING, John P. H. et al. Weight regain and cardiometabolic effects after withdrawal of semaglutide: The STEP 1 trial extension. <em>Diabetes, Obesity and Metabolism</em>, v. 24, n. 8, p. 1553-1564, 2022. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/35441470/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/35441470/</a>. Acesso em: 7 set. 2026.</p></li><li><p>AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. Anvisa aprova primeira caneta de semaglutida sintética análoga ao Ozempic para diabetes. Brasília, 26 maio 2026. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/noticias-anvisa/2026/anvisa-aprova-primeira-caneta-de-semaglutida-sintetica-analoga-ao-ozempic-para-diabetes">https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/noticias-anvisa/2026/anvisa-aprova-primeira-caneta-de-semaglutida-sintetica-analoga-ao-ozempic-para-diabetes</a>. Acesso em: 7 set. 2026.</p></li><li><p>ARONNE, Louis J. et al. Continued Treatment With Tirzepatide for Maintenance of Weight Reduction in Adults With Obesity. <em>JAMA</em>, v. 331, n. 1, p. 38-48, 2024. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/38078870/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/38078870/</a>. Acesso em: 7 set. 2026.</p></li></ol>]]></description><guid isPermaLink="false">1247</guid><pubDate>Mon, 07 Sep 2026 21:24:00 +0000</pubDate></item><item><title>Whey com Mounjaro: quando ajuda a preservar massa muscular</title><link>https://fisiculturismo.com.br/mat%C3%A9rias/suplementos/whey-com-mounjaro-quando-ajuda-a-preservar-massa-muscular-r1246/</link><description><![CDATA[
<p><img src="https://cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2026_09/whey-mounjaro-super-manipulacoes-capa.webp.e50dfdd088dcec5033cf8a8ed2419a20.webp" /></p>
<p>Começar o tratamento com tirzepatida costuma reduzir a fome e o tamanho das refeições. A mudança ajuda no emagrecimento, mas também pode deixar proteína insuficiente no prato. Em <em>“Mounjaro (Tirzepatida): Whey Protein vale a pena durante o tratamento?”</em>, Danilo Lobo defende o whey como uma ferramenta de conveniência para alguns pacientes, não como item obrigatório ou suplemento milagroso.</p><p>A decisão depende de uma pergunta simples: a alimentação consegue entregar a quantidade de proteína planejada, bem distribuída e sem piorar os sintomas gastrointestinais? Quando a resposta é sim, o whey pode ser dispensável. Quando a saciedade precoce impede refeições completas, uma porção ajustada pode ajudar a preencher a diferença.</p><p>Preservar músculo durante a perda de peso exige mais do que aumentar a proteína. O suplemento fornece aminoácidos, mas o exercício, especialmente o treinamento de força, produz o estímulo que sinaliza ao organismo que aquele tecido continua necessário.</p><h2>O que o whey entrega</h2><p>Whey protein é a fração proteica do soro do leite, separada e concentrada por processos industriais. Ele continua sendo um alimento processado, com calorias e nutrientes declarados no rótulo. Não transforma uma dieta ruim em boa e não provoca ganho de gordura por uma propriedade especial.</p><p>O ganho de gordura depende do excesso energético mantido ao longo do tempo. Uma dose de whey entra nessa conta como qualquer outra fonte alimentar. Por concentrar proteína em volume relativamente pequeno, costuma oferecer uma relação conveniente entre proteína, calorias e praticidade.</p><p>Concentrado, isolado e hidrolisado variam em teor de proteína, lactose, custo e processamento. A escolha deve considerar tolerância, composição do produto e o que falta na alimentação, não a promessa mais chamativa da embalagem.</p><h2>Por que a tirzepatida pode dificultar a meta de proteína</h2><p>A tirzepatida atua nos receptores de GIP e GLP-1, reduz o apetite e aumenta a saciedade. A bula também registra atraso do esvaziamento gástrico. Na prática, algumas pessoas comem menos, ficam satisfeitas mais cedo ou sentem desconforto quando tentam manter porções que toleravam antes do tratamento.</p><p>Se o volume total de comida cai, a ingestão de proteína pode cair junto. Uma pessoa que já fazia apenas duas refeições por dia pode concentrar grande parte da proteína no almoço e não conseguir repetir uma refeição sólida algumas horas depois. Porções de 100 a 150 g de frango, carne ou peixe também podem pesar para quem apresenta saciedade precoce, náusea ou sensação de estômago cheio.</p><p>Whey pode caber nesse intervalo porque é rápido de preparar e permite ajustar o volume. Isso não garante boa tolerância. Leite, lactose, adoçantes, sabor muito doce ou um shake grande podem piorar sintomas em alguns pacientes. A resposta individual deve orientar a escolha.</p><h2>1,2 ou 1,6 g/kg: o cálculo apresentado</h2><p>A referência prática apresentada começa em 1,2 g de proteína por kg de peso corporal ao dia e considera 1,6 g/kg uma meta mais robusta. Para uma pessoa de 70 kg, a conta produz:</p><ul><li><p><strong>1,2 g/kg:</strong> 84 g de proteína por dia, arredondados na explicação para 80 a 85 g.</p></li><li><p><strong>1,6 g/kg:</strong> 112 g de proteína por dia, arredondados para 110 a 115 g.</p></li></ul><p>Esses números não formam uma prescrição universal. Uma orientação conjunta sobre nutrição durante terapias com GLP-1 também apresenta 1,2 a 1,6 g/kg/dia como faixa proposta durante perda ativa de peso. O próprio documento alerta que usar o peso atual em pessoas com obesidade pode superestimar a necessidade. Peso ajustado, massa livre de gordura, idade, intensidade do treino, função renal e outras doenças mudam o cálculo.</p><p>Quem tem doença renal, restrição proteica ou condição clínica relevante não deve adotar uma meta alta sem avaliação médica e nutricional. O número serve para planejar e conferir a dieta, não para substituir diagnóstico.</p><h2>Como distribuir a proteína sem transformar tudo em shake</h2><p>Concentrar toda a proteína em uma refeição pode ser desconfortável e torna a meta diária difícil para quem tem pouco apetite. A estratégia proposta é distribuir fontes proteicas em três ou quatro momentos do dia. Essa divisão também aparece na nutrição esportiva como forma prática de oferecer aminoácidos em mais de uma oportunidade.</p><p>Uma revisão sugere cerca de 0,4 g/kg por refeição em quatro refeições para alcançar 1,6 g/kg/dia. Para 70 kg, isso seria aproximadamente 28 g em cada momento. Trata-se de uma referência baseada em síntese proteica e treinamento, não de uma fronteira rígida de absorção. O organismo absorve proteínas acima desse valor, e a quantidade ideal por refeição varia.</p><p>O whey pode entrar no café da manhã de quem não tolera comida sólida cedo, no lanche da tarde de uma rotina corrida ou como complemento de uma refeição pequena. As refeições principais continuam importantes porque entregam fibras, vitaminas, minerais, gorduras e variedade alimentar que um pote de proteína não oferece sozinho.</p><h2>Quando o whey faz sentido e quando é dispensável</h2><div class="ipsRichText__table-wrapper"><table style="min-width: 40px;"><colgroup><col style="min-width:20px;"><col style="min-width:20px;"></colgroup><tbody><tr><th colspan="1" rowspan="1"><p>Situação</p></th><th colspan="1" rowspan="1"><p>Decisão prática</p></th></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>A meta de proteína já é atingida com alimentos e boa tolerância</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Whey é dispensável</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Saciedade precoce impede completar refeições sólidas</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Uma porção menor pode complementar o dia, se houver tolerância</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>A rotina deixa longos intervalos sem fonte proteica</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>O suplemento pode funcionar como lanche planejado</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>O shake piora náusea, refluxo, distensão ou diarreia</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Rever volume, composição e alternativa com o profissional</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Existe intolerância à lactose ou preferência por proteína vegetal</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Avaliar isolado de whey ou proteínas de soja, ervilha, arroz e outras fontes</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>O whey está substituindo almoço e jantar com frequência</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Reorganizar a dieta para recuperar refeições nutricionalmente completas</p></td></tr></tbody></table></div><p>O critério principal é completar uma necessidade identificada. Comprar whey porque começou a usar uma caneta emagrecedora inverte a ordem. Primeiro se estima a meta, depois se registra o que a alimentação entrega e só então se decide se existe uma lacuna real.</p><h2>Proteína é o tijolo e treino é o construtor</h2><p>A analogia central compara proteína a tijolos e exercício ao construtor que os coloca no lugar. Aminoácidos são matéria-prima, mas consumir cada vez mais whey sem treinar não cria o estímulo necessário para preservar força e tecido muscular.</p><p>No subestudo de composição corporal do SURMOUNT-1, 160 participantes fizeram DXA no início e após 72 semanas. Com tirzepatida, o peso caiu 21,3%, a massa gorda diminuiu 33,9% e a massa magra caiu 10,9%. Aproximadamente 75% do peso perdido foi gordura e 25% foi massa magra. Massa magra inclui água, órgãos e outros tecidos, portanto não corresponde apenas a músculo.</p><p>Uma meta-análise de 25 ensaios encontrou que adicionar treinamento resistido à dieta para perda de peso protegeu a massa livre de gordura e aumentou a perda de gordura, sem produzir diferença relevante no peso total. O dado reforça por que o acompanhamento não deve se limitar à balança. Força, desempenho, medidas corporais e composição corporal ajudam a avaliar a qualidade da perda de peso.</p><h2>Um roteiro para decidir com segurança</h2><ol><li><p><strong>Estime a necessidade individual:</strong> use peso apropriado ao cálculo, massa corporal, idade, função renal, atividade e objetivo.</p></li><li><p><strong>Registre a alimentação:</strong> some a proteína das refeições habituais por alguns dias.</p></li><li><p><strong>Identifique o problema real:</strong> falta quantidade, distribuição, praticidade ou tolerância?</p></li><li><p><strong>Priorize alimentos:</strong> distribua ovos, carnes, peixes, laticínios, leguminosas, soja e outras fontes que a pessoa tolera.</p></li><li><p><strong>Use whey para preencher a lacuna:</strong> ajuste porção e volume em vez de substituir automaticamente refeições completas.</p></li><li><p><strong>Associe treinamento de força:</strong> proteína sem estímulo mecânico não resolve sozinha a preservação muscular.</p></li><li><p><strong>Reavalie sintomas e função:</strong> náusea persistente, vômitos, baixa ingestão, fraqueza ou queda rápida de desempenho exigem contato com a equipe de saúde.</p></li></ol><h2>Conclusão</h2><p>Whey pode valer a pena durante o tratamento com tirzepatida quando a redução do apetite e a saciedade precoce impedem que a alimentação alcance a meta proteica. Para uma pessoa de 70 kg, os exemplos de 1,2 e 1,6 g/kg equivalem a 84 e 112 g por dia. A faixa precisa ser individualizada e pode exigir peso ajustado ou avaliação da massa livre de gordura.</p><p>O suplemento funciona melhor como complemento no café da manhã, no lanche ou ao lado de uma refeição pequena. Se a dieta já entrega proteína suficiente, ele é dispensável. Se substitui repetidamente almoço e jantar, a alimentação perde variedade e densidade nutricional.</p><p>Preservar músculo depende do conjunto: ingestão adequada, distribuição tolerável, treinamento de força e acompanhamento da velocidade de perda de peso. Whey oferece os tijolos. O exercício continua sendo o construtor.</p><h2>FAQ</h2><h3>Quem usa Mounjaro precisa tomar whey?</h3><p>Não. O whey é útil quando falta proteína na alimentação ou quando refeições sólidas não são bem toleradas. Se a meta já é alcançada com comida, o suplemento pode ser dispensado.</p><h3>Whey protein engorda durante o tratamento?</h3><p>Whey contém calorias, mas não engorda por uma propriedade específica. O ganho de gordura depende do balanço energético total mantido ao longo do tempo.</p><h3>Quanto de proteína uma pessoa de 70 kg consumiria?</h3><p>Nos exemplos apresentados, 1,2 g/kg corresponde a 84 g por dia e 1,6 g/kg a 112 g. A meta deve ser ajustada por nutricionista ou médico conforme peso adequado ao cálculo, função renal, idade e atividade.</p><h3>É melhor tomar toda a proteína de uma vez?</h3><p>Distribuir a proteína em três ou quatro refeições pode facilitar a tolerância e o planejamento. Não existe um limite rígido de absorção por refeição.</p><h3>Whey substitui o treinamento de força?</h3><p>Não. Proteína oferece matéria-prima. O treinamento de força fornece o estímulo mais diretamente ligado à preservação de músculo e desempenho durante o emagrecimento.</p><h3>Quem tem intolerância à lactose pode usar whey?</h3><p>Depende da tolerância e do produto. Whey isolado costuma ter menos lactose, e proteínas de soja, ervilha ou arroz podem ser alternativas. Sintomas devem ser discutidos com um profissional.</p><h2>Referências</h2><ol><li><p>LOBO, Danilo. Mounjaro (Tirzepatida): Whey Protein vale a pena durante o tratamento? YouTube, 21 jul. 2026. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.youtube.com/watch?v=IkjrTm_bx9A">https://www.youtube.com/watch?v=IkjrTm_bx9A</a>. Acesso em: 7 set. 2026.</p></li><li><p>MOZAFFARIAN, D. et al. Nutritional priorities to support GLP-1 therapy for obesity: a joint advisory from the American College of Lifestyle Medicine, the American Society for Nutrition, the Obesity Medicine Association, and The Obesity Society. <em>Obesity</em>, 2025. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC12264624/">https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC12264624/</a>. Acesso em: 7 set. 2026.</p></li><li><p>LOOK, M. et al. Body composition changes during weight reduction with tirzepatide in the SURMOUNT-1 study of adults with obesity or overweight. <em>Diabetes, Obesity and Metabolism</em>, v. 27, n. 5, p. 1902–1911, 2025. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/39996356/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/39996356/</a>. Acesso em: 7 set. 2026.</p></li><li><p>U.S. FOOD AND DRUG ADMINISTRATION. Mounjaro (tirzepatide): prescribing information. 2026. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.accessdata.fda.gov/drugsatfda_docs/label/2026/215866s009lbl.pdf">https://www.accessdata.fda.gov/drugsatfda_docs/label/2026/215866s009lbl.pdf</a>. Acesso em: 7 set. 2026.</p></li><li><p>SCHOENFELD, B. J.; ARAGON, A. A. How much protein can the body use in a single meal for muscle-building? Implications for daily protein distribution. <em>Journal of the International Society of Sports Nutrition</em>, v. 15, art. 10, 2018. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/29497353/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/29497353/</a>. Acesso em: 7 set. 2026.</p></li><li><p>SARDIÑA, M. et al. Effect of resistance exercise on body composition, muscle strength and cardiometabolic health during dietary weight loss in people living with overweight or obesity: a systematic review and meta-analysis. <em>BMJ Open Sport &amp; Exercise Medicine</em>, 2025. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/40909191/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/40909191/</a>. Acesso em: 7 set. 2026.</p></li></ol>]]></description><guid isPermaLink="false">1246</guid><pubDate>Mon, 07 Sep 2026 17:57:00 +0000</pubDate></item><item><title>Emagrecer e ganhar m&#xFA;sculo: quando a recomposi&#xE7;&#xE3;o funciona e quando priorizar</title><link>https://fisiculturismo.com.br/mat%C3%A9rias/diversos/emagrecer-e-ganhar-m%C3%BAsculo-quando-a-recomposi%C3%A7%C3%A3o-funciona-e-quando-priorizar-r1245/</link><description><![CDATA[
<p><img src="https://cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2026_09/emagrecer-ou-ganhar-musculo-capa.webp.4adf8816006b629d24f19f8eb785da7f.webp" /></p>
<p>Perder gordura, aumentar massa muscular e transformar o corpo ao mesmo tempo parece a estratégia perfeita. O problema surge quando a balança cai, a pessoa treina cinco vezes por semana, bate a meta de proteína e interpreta a ausência de hipertrofia como fracasso. Em <em>“Você está tentando ganhar músculo na hora errada”</em>, Danilo Lobo explica que emagrecimento e construção muscular máxima exigem prioridades nutricionais diferentes.</p>
<p>Durante o déficit calórico, manter a massa muscular enquanto a gordura diminui já pode representar um resultado excelente. A recomposição corporal existe, principalmente em iniciantes, pessoas que voltam a treinar e indivíduos com maior reserva de gordura. Ela não ocorre na mesma velocidade para todos e fica mais difícil com o avanço do treinamento.</p>
<p>A escolha correta não precisa ser emagrecer ou treinar. A musculação continua sendo uma das principais ferramentas para preservar músculo. O que muda é a expectativa: no déficit, ela protege o tecido conquistado. Depois, em manutenção ou pequeno superávit, o mesmo treino encontra um ambiente mais favorável para construir massa.</p>

<h2>Déficit calórico favorece perda de peso, não hipertrofia máxima</h2>
<p>Emagrecer exige consumir menos energia do que o organismo gasta ao longo do tempo. A dieta pode continuar rica em proteína, fibras, vitaminas e minerais, mas a energia disponível fica menor. Construir músculo, por outro lado, exige treinamento progressivo, aminoácidos, recuperação e energia suficiente para sustentar processos anabólicos.</p>
<p>Uma meta-análise comparou treinamento de força com e sem déficit energético. O déficit prejudicou os ganhos de massa magra, enquanto os ganhos de força permaneceram semelhantes. Na regressão, uma restrição próxima de 500 kcal por dia já apareceu como suficiente para impedir o aumento médio de massa magra.</p>
<p>Esse número não funciona como fronteira universal. O tamanho corporal, a quantidade de gordura, o nível de treino, o sono e a ingestão de proteína mudam a resposta. Ele mostra por que um déficit profundo e prolongado raramente combina com a melhor fase de hipertrofia.</p>

<h2>Preservar músculo durante o emagrecimento é progresso</h2>
<p>A pessoa acorda às 5 horas, treina com personal e repete a rotina de segunda a sexta. Depois perde vários quilos de gordura e se frustra porque a massa magra ficou no “zero a zero”. Essa leitura ignora o custo fisiológico de manter tecido muscular enquanto o corpo recebe menos energia.</p>
<p>O objetivo de um cutting no fisiculturismo é exatamente perder o máximo de gordura preservando o máximo de músculo. O mesmo princípio ajuda quem trata obesidade com dieta, exercício e, quando indicado, medicamentos. A balança não precisa registrar ganho de massa magra para que a estratégia tenha funcionado.</p>
<p>Medidas de cintura, fotografias padronizadas, cargas usadas nos exercícios e exames de composição corporal ajudam a interpretar o processo. Se o peso e a cintura caem enquanto a força é preservada, o treino pode estar cumprindo sua função mesmo sem novo músculo detectável.</p>

<h2>Quando emagrecer e ganhar músculo ao mesmo tempo é possível</h2>
<p>Iniciantes respondem a estímulos que seriam insuficientes para alguém treinado. Uma pessoa que começou com duas sessões semanais e avançou para três ou quatro pode perder gordura e ganhar pequena quantidade de massa magra. Quem retorna depois de meses parado também pode recuperar tecido previamente construído.</p>
<p>Um ensaio de prova de conceito mostra que a recomposição não é mito. Quarenta homens jovens passaram quatro semanas em déficit de aproximadamente 40% e treinaram seis dias por semana. O grupo que consumiu 2,4 g de proteína por kg por dia ganhou, em média, 1,2 kg de massa magra e perdeu 4,8 kg de gordura. Com 1,2 g/kg, o ganho de massa magra foi de 0,1 kg e a perda de gordura, 3,5 kg.</p>
<p>O resultado veio de um protocolo curto, supervisionado e muito intenso. Ele não promete que qualquer pessoa ganhará 1,2 kg de músculo em um mês. Massa magra inclui água e outros tecidos, os participantes eram jovens e o volume de treino não representa uma rotina comum.</p>

<h2>O “platô” da balança pode esconder recomposição</h2>
<p>O peso pode estacionar quando a perda de gordura e o ganho de massa magra acontecem juntos. Isso aparece com mais frequência no início do treinamento, quando a dieta deixa de ser tão restrita e a pessoa começa a treinar de forma consistente.</p>
<p>Antes de chamar qualquer semana sem queda de platô, compare pelo menos quatro sinais:</p>
<ul>
  <li><strong>Peso médio semanal:</strong> reduz o ruído de água, sal e conteúdo intestinal.</li>
  <li><strong>Circunferência da cintura:</strong> pode continuar diminuindo com peso estável.</li>
  <li><strong>Desempenho:</strong> mais carga ou repetições sugerem adaptação ao treino.</li>
  <li><strong>Composição corporal:</strong> use o mesmo método, equipamento e condições sempre que possível.</li>
</ul>
<p>Se peso, cintura e medidas permanecem iguais por semanas, talvez exista equilíbrio energético real. Se a cintura cai e a força aumenta, a balança parada pode representar uma mudança favorável.</p>

<h2>Quanto mais treinado, mais difícil fica recompor</h2>
<p>Os primeiros meses de musculação costumam oferecer ganhos rápidos porque quase qualquer sobrecarga representa um estímulo novo. Depois de seis meses, um ano, dois ou três anos de treino consistente, cada aumento exige programação, volume e recuperação mais precisos.</p>
<p>Esses períodos não são prazos rígidos. Genética, idade, histórico esportivo, alimentação e qualidade do treino alteram a velocidade. A regra útil é progressiva: quanto mais músculo já foi construído e quanto mais perto a pessoa está do próprio potencial, menor a chance de crescer rapidamente durante uma restrição calórica.</p>
<p>Para um praticante avançado e relativamente magro, tentar secar depressa e ganhar músculo ao mesmo tempo costuma produzir frustração. Dividir o ano em fases com prioridade clara torna o resultado mais mensurável.</p>

<h2>Perder peso devagar pode preservar mais massa magra</h2>
<p>Um ensaio com 24 atletas comparou perdas planejadas de 0,7% e 1,4% do peso corporal por semana. Todos incluíram quatro sessões de treinamento de força na rotina. O grupo mais lento levou cerca de 8,5 semanas e aumentou a massa magra em 2,1%. O grupo rápido concluiu em aproximadamente 5,3 semanas e ficou em -0,2%.</p>
<p>Os dois grupos perderam perto de 5,5% do peso. A restrição energética média foi de 19% no ritmo lento e 30% no rápido. O estudo foi pequeno, mas ilustra o custo de tentar acelerar uma fase em que desempenho e músculo precisam ser preservados.</p>
<p>Quem tem obesidade e indicação clínica pode precisar de uma velocidade diferente. O ritmo deve considerar risco metabólico, medicação, idade, função física e acompanhamento profissional.</p>

<h2>Canetas emagrecedoras não escolhem queimar músculo</h2>
<p>Semaglutida e tirzepatida reduzem ingestão energética ao aumentar saciedade e controlar fome. Elas não atacam seletivamente o músculo. Ainda assim, toda perda grande de peso pode incluir massa magra, principalmente quando faltam musculação, proteína, atividade diária e acompanhamento da velocidade de emagrecimento.</p>
<p>No subestudo de composição corporal do SURMOUNT-1, 160 participantes fizeram DXA no início e após 72 semanas. Com tirzepatida, o peso caiu 21,3%, a gordura, 33,9%, e a massa magra, 10,9%. Aproximadamente 75% do peso perdido foi gordura e 25%, massa magra. A proporção foi semelhante no placebo, embora a perda total tenha sido menor.</p>
<p>Massa magra não significa apenas músculo. Ela inclui água, órgãos, tecido conjuntivo e glicogênio. Mesmo assim, a redução reforça a necessidade de acompanhar força e função, principalmente em idosos, pessoas frágeis ou quem perde peso rapidamente.</p>

<h2>Musculação durante o déficit protege o que já foi construído</h2>
<p>Uma meta-análise de 2026 reuniu 34 ensaios randomizados e 1.455 participantes com sobrepeso ou obesidade. Adicionar exercício à restrição calórica preservou, em média, 0,87 kg de massa livre de gordura em comparação com dieta isolada. O exercício evitou cerca de 45,7% da perda dessa medida.</p>
<p>Treino misto apresentou estimativa de 1,20 kg a favor da preservação, e treinamento de força, 0,83 kg. As diferenças entre modalidades não foram conclusivas, mas os resultados sustentam a manutenção da musculação durante o emagrecimento.</p>
<p>Transformar toda sessão em circuito com repetições altas e descansos curtos pode elevar a frequência cardíaca e o gasto da sessão. Isso não é obrigatório para perder gordura e pode reduzir a carga usada. Para preservar músculo, mantenha exercícios estáveis, esforço suficiente e alguma progressão ou manutenção de desempenho.</p>

<h2>Cutting e bulking são fases, não extremos</h2>
<table>
  <thead>
    <tr><th>Fase</th><th>Prioridade</th><th>Alimentação</th><th>Meta do treino</th></tr>
  </thead>
  <tbody>
    <tr><td>Perda de gordura</td><td>Reduzir gordura e preservar músculo</td><td>Déficit calórico compatível com adesão e recuperação</td><td>Manter força, técnica e volume recuperável</td></tr>
    <tr><td>Recomposição</td><td>Reduzir gordura enquanto constrói pequena quantidade de músculo</td><td>Déficit leve ou manutenção, proteína adequada</td><td>Progredir, especialmente em iniciantes e retornos</td></tr>
    <tr><td>Ganho muscular</td><td>Maximizar hipertrofia com mínimo ganho de gordura</td><td>Manutenção alta ou pequeno superávit</td><td>Aumentar gradualmente cargas, repetições e volume</td></tr>
  </tbody>
</table>
<p>Bulking não significa comer sem limite. Um excesso grande acelera o ganho de gordura e exige cutting mais longo depois. Da mesma forma, cutting não significa cortar carboidrato, gordura e micronutrientes indiscriminadamente. São prioridades energéticas com controle.</p>

<h2>A hora de sair do déficit</h2>
<p>Depois de alcançar uma faixa de gordura e peso adequada, algumas pessoas continuam com medo de comer mais. O peso não sobe, a força estagna e a hipertrofia não aparece. A transição começa ao aproximar a ingestão da manutenção e observar peso médio, cintura, desempenho e fome.</p>
<p>Uma fase voltada a ganho muscular faz sentido quando:</p>
<ul>
  <li>o objetivo principal deixou de ser reduzir gordura</li>
  <li>a ingestão já cobre treino e recuperação</li>
  <li>a força estagnou por semanas apesar de programação coerente</li>
  <li>o sono e a rotina permitem recuperar o volume de treino</li>
  <li>a pessoa aceita pequenas variações de peso sem abandonar a estratégia</li>
</ul>
<p>Testosterona, oxandrolona ou outro esteroide não corrigem uma dieta que continua restrita por medo de recuperar gordura. Acrescentar fármacos sem indicação expõe a riscos e deixa intacto o erro de planejamento.</p>

<h2>Um plano em duas etapas reduz frustração</h2>
<ol>
  <li><strong>Defina a prioridade atual:</strong> perder gordura, recompor ou ganhar músculo.</li>
  <li><strong>Escolha a métrica certa:</strong> cintura e gordura na perda, desempenho e medidas musculares no ganho.</li>
  <li><strong>Mantenha musculação em todas as fases:</strong> o papel muda de preservação para construção, mas o estímulo permanece necessário.</li>
  <li><strong>Ajuste a velocidade:</strong> déficits mais agressivos podem comprometer massa magra, desempenho e adesão.</li>
  <li><strong>Reavalie por blocos:</strong> algumas semanas mostram tendência melhor que avaliações isoladas.</li>
  <li><strong>Mude de fase deliberadamente:</strong> ao concluir o emagrecimento, aumente a energia de forma controlada e passe a medir progresso muscular.</li>
</ol>

<h2>Conclusão</h2>
<p>Emagrecer e ganhar músculo ao mesmo tempo é possível, mas não deve ser tratado como resultado obrigatório. Iniciantes, pessoas que retornam ao treino e indivíduos com maior reserva de gordura têm mais espaço para recomposição. Quanto maior a experiência e menor a gordura corporal, mais difícil fica crescer em déficit.</p>
<p>Durante a perda de peso, preservar força e massa muscular já representa sucesso. Um ensaio encontrou ganho de massa magra com proteína alta e treinamento intenso, enquanto outro mostrou vantagem de perder 0,7% em vez de 1,4% do peso por semana. Com tirzepatida, cerca de 25% do peso perdido no subestudo de DXA foi massa magra, o que reforça a importância da musculação.</p>
<p>A estratégia mais clara é definir a fase. Reduza gordura com déficit controlado, proteína adequada e treinamento de força. Ao atingir o objetivo, ajuste a ingestão para manutenção ou pequeno superávit e transfira a prioridade para hipertrofia. Construir músculo leva anos, e alinhar a expectativa evita abandonar um processo que estava funcionando.</p>

<h2>FAQ</h2>
<h3>É possível emagrecer e ganhar massa muscular ao mesmo tempo?</h3>
<p>Sim, principalmente em iniciantes, pessoas que voltam a treinar e indivíduos com maior reserva de gordura. A probabilidade diminui conforme aumenta a experiência e o déficit se torna mais agressivo.</p>
<h3>Manter massa muscular durante o emagrecimento é um bom resultado?</h3>
<p>Sim. Preservar massa magra enquanto a gordura diminui é uma das principais metas de um emagrecimento bem planejado.</p>
<h3>Um platô na balança pode ser ganho de músculo?</h3>
<p>Pode, mas não deve ser presumido. Compare cintura, fotografias, força e composição corporal. Peso e medidas estáveis por semanas sugerem equilíbrio energético.</p>
<h3>Canetas como tirzepatida e semaglutida queimam músculo?</h3>
<p>Elas não selecionam músculo como alvo, mas perdas grandes de peso incluem alguma massa magra. Musculação, proteína, ritmo adequado e acompanhamento ajudam a preservar tecido e função.</p>
<h3>Preciso fazer muitas repetições para emagrecer?</h3>
<p>Não. Repetições altas e descansos curtos podem elevar o gasto durante a sessão, mas a perda de gordura depende do déficit energético. A musculação deve manter estímulo suficiente para preservar força e músculo.</p>
<h3>Quando devo começar uma fase de ganho muscular?</h3>
<p>Quando a redução de gordura deixar de ser a prioridade e alimentação, treino e recuperação permitirem progressão. A transição pode passar pela manutenção antes de um pequeno superávit.</p>

<h2>Referências</h2>
<ol>
  <li>LOBO, Danilo. Você está tentando ganhar músculo na hora ERRADA. YouTube, 4 jul. 2026. Disponível em: <a href="https://www.youtube.com/watch?v=E2E7A_ouIjo" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://www.youtube.com/watch?v=E2E7A_ouIjo</a>. Acesso em: 7 set. 2026.</li>
  <li>MURPHY, C.; KOEHLER, K. Energy deficiency impairs resistance training gains in lean mass but not strength: a meta-analysis and meta-regression. <em>Scandinavian Journal of Medicine &amp; Science in Sports</em>, v. 32, n. 1, p. 125–137, 2022. Disponível em: <a href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34623696/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34623696/</a>. Acesso em: 7 set. 2026.</li>
  <li>LONGLAND, T. M. et al. Higher compared with lower dietary protein during an energy deficit combined with intense exercise promotes greater lean mass gain and fat mass loss. <em>The American Journal of Clinical Nutrition</em>, v. 103, n. 3, p. 738–746, 2016. Disponível em: <a href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/26817506/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/26817506/</a>. Acesso em: 7 set. 2026.</li>
  <li>GARTHE, I. et al. Effect of two different weight-loss rates on body composition and strength and power-related performance in elite athletes. <em>International Journal of Sport Nutrition and Exercise Metabolism</em>, v. 21, n. 2, p. 97–104, 2011. Disponível em: <a href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/21558571/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/21558571/</a>. Acesso em: 7 set. 2026.</li>
  <li>LOOK, M. et al. Body composition changes during weight reduction with tirzepatide in the SURMOUNT-1 study of adults with obesity or overweight. <em>Diabetes, Obesity and Metabolism</em>, v. 27, n. 5, p. 1902–1911, 2025. Disponível em: <a href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/39996356/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/39996356/</a>. Acesso em: 7 set. 2026.</li>
  <li>DELLER, M. et al. Effects of Calorie Restriction With and Without Strength, Endurance or Mixed Training on Fat-Free and Skeletal Muscle Mass in Overweight or Obese Individuals. <em>Diabetes, Obesity and Metabolism</em>, v. 28, n. 8, p. 6810–6823, 2026. Disponível em: <a href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/42144246/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/42144246/</a>. Acesso em: 7 set. 2026.</li>
</ol>]]></description><guid isPermaLink="false">1245</guid><pubDate>Mon, 07 Sep 2026 14:25:44 +0000</pubDate></item><item><title>Parar a TRT ap&#xF3;s cinco anos: testosterona, fertilidade e recupera&#xE7;&#xE3;o hormonal</title><link>https://fisiculturismo.com.br/mat%C3%A9rias/esteroides/parar-a-trt-ap%C3%B3s-cinco-anos-testosterona-fertilidade-e-recupera%C3%A7%C3%A3o-hormonal-r1244/</link><description><![CDATA[
<p><img src="https://cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2026_09/parar-trt-apos-cinco-anos-capa.webp.4a1214de871f63f2553421a72286b59f.webp" /></p>
<p>Interromper testosterona depois de cinco anos não significa apenas deixar de aplicar uma dose semanal. A produção hormonal própria pode permanecer suprimida, a fertilidade pode demorar a se recuperar e sintomas como cansaço, queda de libido e perda de desempenho podem aparecer durante a transição. Em <em>“After 5 Years on TRT, I’m Quitting”</em>, o criador do canal How to Beast expõe essa decisão depois de ter dois filhos, passar por uma cirurgia na coluna e rever o peso que o fisiculturismo ocupa em sua vida.</p><p>O caso chama atenção porque ele não começou com hipogonadismo evidente. Aos 30 anos, após nove anos de treino natural, sua testosterona total estava pouco acima de 500 ng/dL. Ele próprio reconhece que o valor não era clinicamente baixo e relata que a curiosidade sobre ganhos físicos também influenciou a decisão.</p><p>A tentativa de interrupção inclui hCG, redução gradual da testosterona e três meses de enclomifeno. Essa sequência é um relato pessoal, não um protocolo que possa ser copiado. O uso por cinco anos, a ausência de doses informadas para dois dos medicamentos e a resposta imprevisível do eixo hormonal exigem acompanhamento médico e exames seriados.</p><h2>De 200 para 120 mg por semana</h2><p>A dose inicial foi de 200 mg de testosterona por semana. Com resultados laboratoriais considerados inadequados, ela caiu para 140 mg e depois para 120 mg por semana, divididos em aplicações a cada três dias. Nessa dose mais baixa, a testosterona circulante permanecia próxima ao limite superior da faixa de referência, por vezes um pouco acima ou abaixo.</p><p>Os primeiros 12 meses trouxeram aproximadamente 10 lb de ganho corporal, equivalentes a 4,5 kg. Parte teria sido músculo e parte, retenção hídrica. Ombros, trapézios e peitoral superior ficaram mais cheios, mas o físico se estabilizou nos anos seguintes. A experiência não produziu ganhos ilimitados depois que o corpo se adaptou ao novo nível hormonal.</p><p>Esse histórico ajuda a separar duas situações. Reposição hormonal trata homens com sintomas e deficiência confirmada. Usar testosterona com níveis naturais pouco acima de 500 ng/dL para ampliar o físico se aproxima de aprimoramento de desempenho, ainda que exista prescrição, controle laboratorial e doses menores que as de ciclos competitivos.</p><h2>Um exame isolado não diagnostica baixa testosterona</h2><p>A Endocrine Society recomenda diagnosticar hipogonadismo somente quando existem sinais ou sintomas compatíveis e concentrações de testosterona total ou livre inequivocamente e consistentemente baixas. A confirmação deve usar nova coleta matinal em jejum. LH e FSH ajudam a distinguir falha testicular de supressão hipofisária ou hipotalâmica.</p><p>Portanto, um resultado na faixa dos 500 ng/dL não justifica sozinho uma reposição. Horário da coleta, sono, déficit calórico, obesidade, medicamentos, doença aguda e variação do laboratório podem alterar o número. A decisão deve partir do diagnóstico e da causa, não da comparação com o extremo superior do intervalo.</p><h2>Hematócrito e pressão arterial mudaram a avaliação de risco</h2><p>O hematócrito e a contagem de hemácias subiam ao longo do tratamento. Para controlar essa alteração, ele doava sangue uma ou duas vezes por ano. Também percebeu pressão arterial discretamente elevada e passou a considerar que a testosterona poderia contribuir para o problema.</p><p>A testosterona estimula a produção de glóbulos vermelhos. A diretriz da American Urological Association orienta medir hemoglobina e hematócrito antes de iniciar a terapia. Um hematócrito acima de 50% pede investigação antes da prescrição. Durante o tratamento, 54% ou mais exige intervenção.</p><p>Doar sangue pode reduzir temporariamente o hematócrito, mas não substitui a revisão da dose, do intervalo, da formulação e de causas como tabagismo, apneia do sono ou doença pulmonar. Repetir flebotomias sem corrigir a origem também pode reduzir os estoques de ferro.</p><p>Em 2025, a FDA retirou das bulas a advertência em caixa sobre aumento de infarto e acidente vascular cerebral após revisar o ensaio TRAVERSE. Ao mesmo tempo, determinou a inclusão de advertências sobre aumento da pressão arterial nos produtos que demonstraram esse efeito em estudos ambulatoriais. Medir a pressão corretamente continua fazendo parte do acompanhamento.</p><h2>O que o TRAVERSE respondeu e o que permaneceu aberto</h2><p>O TRAVERSE randomizou 5.246 homens entre 45 e 80 anos, todos com sintomas e duas medidas de testosterona abaixo de 300 ng/dL. Eles também apresentavam doença cardiovascular ou risco elevado. Durante seguimento médio de 33 meses, eventos cardiovasculares maiores ocorreram em 7,0% do grupo testosterona e 7,3% do placebo. A razão de risco foi 0,96, atendendo ao critério de não inferioridade.</p><p>Fibrilação atrial, lesão renal aguda e embolia pulmonar apareceram com maior frequência no grupo testosterona. Esses sinais secundários exigem atenção, mas não transformam o estudo em prova de que toda reposição cause doença cardíaca.</p><p>O desenho também não resolve o risco de um homem que iniciou aos 30 anos, sem testosterona abaixo de 300 ng/dL, e pretende permanecer exposto por décadas. O resultado mais honesto é que o risco de eventos maiores foi semelhante ao placebo na população estudada, enquanto pressão arterial, hematócrito e efeitos fora do desfecho principal ainda precisam de monitoramento individual.</p><h2>Ter dois filhos durante a TRT não garante recuperação</h2><p>Dois filhos foram concebidos durante o uso de testosterona. Ele reduziu a dose de 140 para 120 mg por semana e acrescentou hCG, medicamento que age como o LH e estimula as células de Leydig nos testículos. O resultado pessoal mostra que havia produção espermática suficiente naquele período, mas não oferece garantia para outros homens.</p><p>A testosterona externa reduz LH e FSH por retroalimentação hormonal. Com menos testosterona dentro dos testículos, a formação de espermatozoides pode cair muito e chegar à azoospermia. Por isso, diretrizes desaconselham testosterona isolada para homens que desejam fertilidade atual ou futura.</p><p>Paternidade durante o tratamento também não prova que o eixo voltará a produzir testosterona normalmente após a suspensão. Espermatogênese, concentração sérica de testosterona, desejo sexual e bem-estar são resultados relacionados, mas não equivalentes.</p><h2>Quanto tempo a produção de espermatozoides pode levar</h2><p>Uma análise retrospectiva acompanhou 66 homens com infertilidade associada à testosterona após suspensão e tratamento com hCG combinado a um modulador seletivo do receptor de estrogênio. Em até 12 meses, 46 homens, ou 70%, atingiram contagem total de mais de 5 milhões de espermatozoides móveis.</p><p>Idade maior e maior duração do uso atrasaram a recuperação. Entre homens que começaram sem espermatozoides detectáveis, 64,8% alcançaram o critério em 12 meses. Entre aqueles com concentração extremamente baixa, mas não zerada, o resultado chegou a 91,7%.</p><p>Esses números não preveem o resultado individual. O estudo não foi randomizado, avaliou homens que procuraram uma clínica de infertilidade e combinou medicamentos. Ele mostra que três meses podem ser insuficientes para julgar recuperação espermática depois de anos de exposição.</p><h2>O protocolo pessoal de interrupção</h2><p>A sequência anunciada tem três etapas:</p><ol><li><p><strong>Reintrodução do hCG:</strong> iniciada cerca de um mês antes da retirada da testosterona para estimular diretamente os testículos.</p></li><li><p><strong>Redução da testosterona:</strong> uma última semana com 120 mg, seguida de uma semana com metade da dose e então suspensão completa.</p></li><li><p><strong>Enclomifeno por três meses:</strong> iniciado após a testosterona, com o objetivo de elevar o sinal de LH e FSH produzido pelo próprio organismo.</p></li></ol><p>As doses de hCG e enclomifeno não foram informadas. Isso torna o esquema incompleto até como descrição e perigoso como modelo. Momento de início, duração, risco de aumento de estradiol, alterações de humor, cefaleia, eventos tromboembólicos e resposta testicular precisam ser avaliados individualmente.</p><p>Ensaios com enclomifeno oferecem contexto, mas não validam esse protocolo. Em dois estudos de fase 3 com homens acima do peso, hipogonadismo secundário e testosterona de até 300 ng/dL, 16 semanas de enclomifeno aumentaram testosterona, LH e FSH e preservaram a concentração de espermatozoides. A testosterona em gel aumentou o hormônio circulante, mas reduziu LH, FSH e espermatogênese. Esses participantes não estavam necessariamente saindo de cinco anos de testosterona injetável.</p><h2>Exames que mostram partes diferentes da recuperação</h2><p>A avaliação médica precisa responder perguntas separadas:</p><ul><li><p><strong>Testosterona total matinal:</strong> mostra a concentração circulante e deve ser repetida para confirmar um resultado baixo.</p></li><li><p><strong>Testosterona livre e SHBG:</strong> ajudam quando o total não combina com sintomas ou quando a proteína transportadora pode estar alterada.</p></li><li><p><strong>LH e FSH:</strong> indicam se hipófise e hipotálamo retomaram o sinal para os testículos.</p></li><li><p><strong>Hemograma e hematócrito:</strong> acompanham a normalização das hemácias e o risco de eritrocitose.</p></li><li><p><strong>Pressão arterial:</strong> testa se a elevação observada muda depois da retirada.</p></li><li><p><strong>Espermograma:</strong> é necessário quando a pergunta envolve fertilidade. Testosterona no sangue não substitui contagem e motilidade dos espermatozoides.</p></li></ul><p>Um exame feito enquanto hCG ou enclomifeno ainda está ativo mostra a resposta ao medicamento. Para saber se o eixo se sustenta sem apoio farmacológico, o momento da coleta deve ser definido pelo médico depois da retirada, respeitando a meia-vida de cada substância.</p><h2>Sintomas e físico podem mudar na transição</h2><p>Energia, libido, função erétil, humor, força e composição corporal podem piorar enquanto a produção endógena permanece baixa. O sono já menos previsível com filhos pequenos e a rotina de trabalho podem acentuar sintomas sem que todos sejam causados apenas pela testosterona.</p><p>Parte dos 4,5 kg adquiridos no primeiro ano pode não permanecer. Redução de água e glicogênio altera rapidamente a aparência, enquanto perda real de massa muscular depende de treino, alimentação, duração da supressão e nível hormonal recuperado. Creatina pode ajudar a sustentar desempenho no treinamento, mas não reinicia o eixo hormonal.</p><p>A decisão de retornar à dose menor caso os exames fiquem ruins aparece como plano alternativo. Três meses, porém, não são um prazo universal. Voltar ou permanecer sem testosterona deve considerar sintomas, medidas repetidas, causa original, fertilidade, pressão, hematócrito e preferência informada.</p><h2>O que este caso ensina antes de começar</h2><ul><li><p><strong>Confirme o diagnóstico:</strong> sintomas e testosterona baixa em pelo menos duas coletas matinais são mais importantes que buscar o topo da faixa.</p></li><li><p><strong>Discuta fertilidade antes da primeira dose:</strong> testosterona externa pode reduzir ou interromper a produção de espermatozoides.</p></li><li><p><strong>Registre valores basais:</strong> testosterona, LH, FSH, hemograma, pressão arterial e espermograma podem ser essenciais para interpretar mudanças futuras.</p></li><li><p><strong>Não trate a dose como fixa:</strong> 200 mg por semana geraram marcadores menos favoráveis neste caso, e a redução para 120 mg não eliminou todas as dúvidas.</p></li><li><p><strong>Planeje também a saída:</strong> anos de uso podem tornar a recuperação mais lenta e incerta.</p></li><li><p><strong>Separe reposição de aprimoramento:</strong> começar com testosterona acima de 500 ng/dL para melhorar o físico é diferente de corrigir hipogonadismo confirmado.</p></li></ul><h2>Conclusão</h2><p>Depois de cinco anos, a tentativa de parar a TRT reúne motivos pessoais e clínicos concretos: dois filhos, cirurgia na coluna, pressão arterial discretamente elevada, hematócrito em ascensão e um físico que deixou de ser prioridade absoluta. A dose passou de 200 para 140 e então 120 mg por semana, mas a exposição continuou exigindo monitoramento.</p><p>hCG seguido de enclomifeno pode fazer parte de estratégias médicas para estimular o eixo e recuperar fertilidade, porém a resposta não é garantida. Em homens tratados por infertilidade associada à testosterona, 70% atingiram mais de 5 milhões de espermatozoides móveis em até 12 meses. O resultado dependeu da idade, da duração do uso e da condição inicial.</p><p>A principal lição vem antes da primeira aplicação. Diagnóstico correto, discussão de fertilidade, pressão arterial, hematócrito e um plano de acompanhamento importam tanto quanto a dose. Quem já usa testosterona não deve interromper, acrescentar hCG ou iniciar enclomifeno por conta própria.</p><h2>FAQ</h2><h3>É possível recuperar a testosterona natural depois de cinco anos de TRT?</h3><p>É possível, mas não garantido. Idade, função testicular antes do tratamento, duração do uso, causa do hipogonadismo e medicamentos usados na transição influenciam o resultado.</p><h3>Reduzir a dose antes de parar evita sintomas?</h3><p>Não existe garantia. A redução pode mudar a queda hormonal, mas a testosterona externa continua suprimindo LH e FSH. A estratégia precisa ser definida e acompanhada por médico.</p><h3>hCG mantém a fertilidade durante a TRT?</h3><p>Pode preservar a produção intratesticular em alguns homens, mas não funciona para todos. Ter concebido filhos durante o uso não garante espermograma normal nem recuperação futura.</p><h3>Enclomifeno reinicia o eixo hormonal?</h3><p>Ele pode elevar LH, FSH e testosterona em homens com hipogonadismo secundário. As evidências não permitem prometer recuperação permanente depois de cinco anos de testosterona injetável.</p><h3>Doar sangue resolve o hematócrito alto?</h3><p>Pode reduzir o valor temporariamente. A causa precisa ser investigada e a dose, o intervalo e a formulação podem precisar de ajuste. Hematócrito de 54% ou mais exige intervenção segundo a diretriz urológica americana.</p><h3>TRT aumenta o risco de infarto?</h3><p>No TRAVERSE, eventos cardiovasculares maiores ocorreram em 7,0% com testosterona e 7,3% com placebo. O estudo avaliou homens de 45 a 80 anos com hipogonadismo confirmado e risco cardiovascular elevado, portanto não responde a todas as formas de uso.</p><h2>Referências</h2><ol><li><p>HOW TO BEAST. After 5 years on TRT, I'm quitting. YouTube, 3 set. 2026. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.youtube.com/watch?v=BevzQ0_F6ag">https://www.youtube.com/watch?v=BevzQ0_F6ag</a>. Acesso em: 7 set. 2026.</p></li><li><p>ENDOCRINE SOCIETY. Testosterone Therapy for Hypogonadism Guideline Resources. 2018. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.endocrine.org/clinical-practice-guidelines/testosterone-therapy">https://www.endocrine.org/clinical-practice-guidelines/testosterone-therapy</a>. Acesso em: 7 set. 2026.</p></li><li><p>AMERICAN UROLOGICAL ASSOCIATION. Evaluation and Management of Testosterone Deficiency: AUA Guideline. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.auanet.org/documents/Guidelines/PDF/Testosterone-Deficiency-JU.pdf">https://www.auanet.org/documents/Guidelines/PDF/Testosterone-Deficiency-JU.pdf</a>. Acesso em: 7 set. 2026.</p></li><li><p>FOOD AND DRUG ADMINISTRATION. FDA issues class-wide labeling changes for testosterone products. 28 fev. 2025. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.fda.gov/drugs/drug-alerts-and-statements/fda-issues-class-wide-labeling-changes-testosterone-products">https://www.fda.gov/drugs/drug-alerts-and-statements/fda-issues-class-wide-labeling-changes-testosterone-products</a>. Acesso em: 7 set. 2026.</p></li><li><p>LINCOFF, A. M. et al. Cardiovascular Safety of Testosterone-Replacement Therapy. <em>The New England Journal of Medicine</em>, v. 389, n. 2, p. 107–117, 2023. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37326322/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37326322/</a>. Acesso em: 7 set. 2026.</p></li><li><p>KOHN, T. P. et al. Age and duration of testosterone therapy predict time to return of sperm count after human chorionic gonadotropin therapy. <em>Fertility and Sterility</em>, v. 107, n. 2, p. 351–357.e1, 2017. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/27855957/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/27855957/</a>. Acesso em: 7 set. 2026.</p></li><li><p>KIM, E. D. et al. Oral enclomiphene citrate raises testosterone and preserves sperm counts in obese hypogonadal men, unlike topical testosterone. <em>BJU International</em>, v. 117, n. 4, p. 677–685, 2016. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/26496621/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/26496621/</a>. Acesso em: 7 set. 2026.</p></li></ol>]]></description><guid isPermaLink="false">1244</guid><pubDate>Mon, 07 Sep 2026 14:11:00 +0000</pubDate></item><item><title>Carga ou repeti&#xE7;&#xF5;es: o que realmente muda for&#xE7;a, hipertrofia e pot&#xEA;ncia</title><link>https://fisiculturismo.com.br/mat%C3%A9rias/treinamento/carga-ou-repeti%C3%A7%C3%B5es-o-que-realmente-muda-for%C3%A7a-hipertrofia-e-pot%C3%AAncia-r1243/</link><description><![CDATA[
<p><img src="https://cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2026_09/carga-repeticoes-forca-hipertrofia-potencia-capa.webp.722a4ab861ccdf3dbae7aee8010b9cae.webp" /></p>
<p>4 repetições pesadas, uma série de 8 a 12 ou saltos executados na maior velocidade possível podem melhorar o desempenho, mas não pelo mesmo caminho nem com o mesmo custo de fadiga. Em <em>“A ciência explica o único fator que realmente importa no treino”</em>, Paulo Gentil parte de um experimento de oito semanas para mostrar por que o rótulo do protocolo diz menos do que a combinação entre carga, esforço, intenção de velocidade e tarefa esportiva.</p><p>Os resultados desafiam divisões rígidas. O agachamento pesado aumentou a carga máxima em 17,8 kg e o protocolo de 8 a 12 repetições produziu ganho quase idêntico, de 17,7 kg. Os dois também elevaram a massa magra das pernas. Já os saltos sem carga tiveram transferência mais específica para movimentos rápidos e leves.</p><p>Isso não transforma um único fator em regra universal. A proximidade da falha ajuda a explicar força e hipertrofia, enquanto a intenção de acelerar importa para potência. Carga, volume, fadiga e semelhança com a tarefa continuam decidindo qual opção faz sentido para cada pessoa.</p><h2>Como o estudo comparou três formas de treinar</h2><p>O estudo começou com 74 adultos saudáveis e recreacionalmente ativos. Depois das exclusões previstas, 58 participantes, 29 homens e 29 mulheres, entraram na análise. Eles tinham média de 27 anos e não eram fisiculturistas nem praticantes experientes de treinamento de força.</p><p>Durante oito semanas, os três grupos de musculação treinaram o agachamento três vezes por semana. Todos também fizeram duas sessões semanais de sprints. O grupo controle participou apenas dos sprints. Antes e depois da intervenção, os pesquisadores mediram o agachamento de uma repetição máxima, a massa magra das pernas por DXA, a altura do salto agachado e do salto com contramovimento, além da taxa de desenvolvimento de força.</p><div class="ipsRichText__table-wrapper"><table style="min-width: 80px;"><colgroup><col style="min-width:20px;"><col style="min-width:20px;"><col style="min-width:20px;"><col style="min-width:20px;"></colgroup><tbody><tr><th colspan="1" rowspan="1"><p>Grupo</p></th><th colspan="1" rowspan="1"><p>Protocolo</p></th><th colspan="1" rowspan="1"><p>Esforço e velocidade</p></th><th colspan="1" rowspan="1"><p>Progressão</p></th></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Força máxima</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>4 séries de 4 repetições, com pelo menos 85% de 1RM</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Descida de cerca de 3 segundos, pausa de aproximadamente 0,5 segundo e intenção de subir na maior velocidade possível. Descanso de 3 minutos</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Mais 2,5 a 5 kg quando a quinta repetição saía na quarta série com boa técnica</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Hipertrofia</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>3 séries de 8 a 12 repetições, em torno de 70% a 80% de 1RM</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Na maior parte do tempo, 1 a 2 repetições em reserva, com aproximações ocasionais da falha. Descanso de 3 minutos</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Mais 2,5 a 5 kg quando 12 repetições eram concluídas na terceira série com boa técnica</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Explosivo</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Saltos agachados sem carga, 4×6 nas semanas 1 a 4 e 4×7 nas semanas 5 a 8</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Velocidade intencional máxima e séries encerradas longe da fadiga. Descanso de 3 minutos</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Uma repetição a mais por série na segunda metade do programa</p></td></tr></tbody></table></div><h2>Força máxima: 4×4 e 3×8–12 chegaram quase ao mesmo lugar</h2><p>O agachamento 1RM aumentou 17,8 kg no grupo pesado, equivalente a 20,7%. No grupo de 8 a 12 repetições, o avanço foi de 17,7 kg, ou 18,2%. A diferença entre esses dois resultados não foi estatisticamente significativa. O treino explosivo acrescentou 8,9 kg, ou 10,9%, e ficou atrás dos dois protocolos com carga externa.</p><p>A semelhança entre 4×4 e 3×8–12 tem uma condição decisiva. O protocolo moderado foi executado perto da falha e recebeu carga adicional sempre que a faixa superior era completada. Com uma carga relativamente leve, a aproximação da falha recruta progressivamente mais unidades motoras. Uma série leve encerrada muito cedo não oferece o mesmo estímulo.</p><p>Isso também não prova que a carga seja irrelevante para força. Em um ensaio de Lasevicius e colaboradores, séries com 80% de 1RM produziram ganhos de força maiores que séries com 30% de 1RM, mesmo quando os protocolos foram levados à falha. Para quem precisa desenvolver força e não pode acumular muita fadiga, poucas repetições pesadas e submáximas continuam sendo uma escolha eficiente.</p><h2>Massa magra: o grupo moderado fez muito mais trabalho</h2><p>A massa magra das pernas aumentou 498 g no grupo de 4×4 e 645 g no grupo de 8 a 12 repetições. O estudo não encontrou aumento significativo no grupo explosivo. Esses dados sustentam que cargas altas e moderadas podem favorecer hipertrofia quando o esforço é suficiente.</p><p>Um detalhe do artigo original corrige a leitura oral do gráfico: os 335 g adicionais de massa magra pertencem ao grupo controle, que realizou sprints, e não ao grupo de saltos explosivos. O controle teve um aumento inesperado nessa medida, enquanto o treino explosivo não apresentou mudança significativa.</p><p>Outro limite impede declarar empate perfeito entre faixas de repetição. O grupo de 8 a 12 acumulou aproximadamente duas vezes o trabalho do grupo pesado. Dependendo da comparação, o próprio artigo descreve uma diferença de 1,5 a 2,5 vezes. Parte do resultado pode vir do volume total, e não apenas da proximidade da falha.</p><p>DXA também mede massa magra regional, não a espessura de cada músculo. Água, tecido não muscular e a curta duração de oito semanas limitam a interpretação. O achado é compatível com hipertrofia, mas não oferece uma medição muscular direta.</p><h2>Falha ajuda, mas não precisa encerrar toda série</h2><p>Treinar perto da falha aumenta o esforço das séries com cargas moderadas ou baixas. Isso não significa que toda série deva terminar quando outra repetição se torna impossível. Em praticantes treinados, Refalo e colaboradores compararam a falha momentânea com a interrupção em 1 a 2 repetições em reserva durante oito semanas. A hipertrofia do quadríceps foi semelhante, enquanto a falha causou maior perda de repetições e velocidade dentro da sessão.</p><p>Em pessoas não treinadas, cargas de 30% e 80% de 1RM levadas à falha também produziram ganhos semelhantes de força em um estudo de 12 semanas com mulheres. O conjunto das evidências apoia uma regra mais útil: séries leves precisam de esforço alto, mas a margem necessária pode variar conforme experiência, exercício, objetivo e capacidade de recuperação.</p><h2>Saltos: os três grupos melhoraram a altura</h2><p>Os três protocolos aumentaram a altura dos saltos. No salto agachado, os ganhos médios foram de 2,2 cm com o treino pesado, 2,0 cm com 8 a 12 repetições e 2,2 cm com os saltos explosivos. No salto com contramovimento, as mudanças foram de 2,3 cm, 1,6 cm e 1,7 cm, respectivamente.</p><p>A intenção de produzir força rapidamente esteve presente nos três treinos. Até uma barra pesada se move devagar, mas o sistema nervoso pode receber a ordem de acelerá-la ao máximo. Essa intenção ajuda a explicar por que o grupo pesado também saltou mais alto.</p><p>A altura do salto, porém, não conta toda a história da potência. A taxa de desenvolvimento de força mostra quão rapidamente uma pessoa produz força contra resistências diferentes. Com 50% de 1RM, o grupo pesado melhorou 21,7% e o moderado, 14,3%. Com 30% de 1RM, os avanços foram de 17,8% e 14,0%. Sem carga, as mudanças foram de 12,3% e 11,4%, sem diferença clara entre os grupos por causa da variabilidade.</p><p>O treino de saltos teve sua adaptação mais evidente na própria tarefa leve e veloz. A conclusão prática combina intenção e especificidade: tente acelerar em cada repetição, mas escolha uma resistência próxima daquela contra a qual a força precisa aparecer.</p><h2>Jiu-jítsu mostra por que a resistência muda a transferência</h2><p>Uma ponte ou saída de quadril contra um adversário pesado exige produzir força depressa contra uma massa grande. O treino com carga alta se aproxima dessa necessidade. Já uma entrada de queda ou um <em>sprawl</em> rápido movimenta principalmente o próprio corpo e se parece mais com uma tarefa leve e veloz.</p><p>Os dois movimentos pertencem ao mesmo esporte, mas exigem expressões diferentes de força. A preparação pode combinar blocos pesados para empurrar uma resistência alta com movimentos explosivos de baixa carga para acelerar o corpo. Repetir apenas saltos não garante a melhor transferência para deslocar um adversário.</p><h2>Como escolher o protocolo pelo objetivo</h2><ul><li><p><strong>Força com pouco desgaste:</strong> use carga alta, poucas repetições e encerre a série antes da falha. A carga pesada recruta muitas unidades motoras desde o início.</p></li><li><p><strong>Força e hipertrofia na mesma sessão:</strong> cargas moderadas ou altas podem funcionar. Mantenha progressão e aproxime-se da falha dentro da fadiga que consegue recuperar.</p></li><li><p><strong>Potência contra resistência alta:</strong> treine pesado com intenção máxima de acelerar, preservando a técnica.</p></li><li><p><strong>Potência para correr e saltar:</strong> movimentos leves e rápidos têm maior semelhança com a tarefa e permitem limitar a fadiga.</p></li><li><p><strong>Fisiculturismo ou pouco tempo disponível:</strong> chegar muito perto da falha pode concentrar o estímulo, desde que o volume e a recuperação sejam controlados.</p></li><li><p><strong>Atleta em rotina técnica intensa:</strong> séries submáximas ajudam a preservar velocidade, coordenação e disponibilidade para o treino do esporte.</p></li><li><p><strong>Categoria de peso:</strong> reduza volume destinado à hipertrofia quando aumentar massa corporal prejudicar o enquadramento ou a força relativa.</p></li></ul><h2>Dor e retorno de lesão exigem ajuste individual</h2><p>Cargas moderadas ou baixas podem permitir treino produtivo quando existe dor articular, retorno de lesão ou menor tolerância de tendões e ligamentos. A adaptação não consiste em ignorar sintomas nem em levar automaticamente séries leves à falha. Amplitude, exercício, velocidade, carga e volume precisam respeitar diagnóstico e resposta clínica.</p><p>Quem tem lesão, dor persistente ou restrição médica deve montar essa progressão com profissional habilitado. Os protocolos do estudo foram aplicados em adultos saudáveis e não funcionam como prescrição para reabilitação.</p><h2>O que o estudo permite concluir</h2><p>Os resultados mostram que 4×4 pesado e 3×8–12 próximo da falha podem melhorar força máxima e massa magra em iniciantes ou praticantes pouco treinados. A intenção de acelerar também permite que treinos pesados melhorem tarefas explosivas. Já movimentos leves e rápidos apresentam transferência mais restrita quando a tarefa exige força contra resistência alta.</p><p>As conclusões têm limites claros. Apenas 58 dos 74 participantes iniciais foram analisados, o programa durou oito semanas e todos fizeram sprints. O grupo moderado realizou muito mais trabalho que os demais. Pessoas experientes, atletas de elite e fisiculturistas podem responder de outra forma.</p><p>Portanto, não existe um “único fator” isolado. Esforço e intenção de velocidade são peças centrais, mas a melhor combinação depende de carga, volume, fadiga aceitável e especificidade.</p><h2>Conclusão</h2><p>Carga e repetições não devem ser escolhidas pelo nome do método. Para força, 4×4 acima de 85% de 1RM e 3×8–12 perto da falha acrescentaram praticamente os mesmos 17,8 e 17,7 kg ao agachamento em oito semanas. Para massa magra, os aumentos foram de 498 e 645 g, com muito mais trabalho no protocolo moderado.</p><p>Para potência, mova com intenção máxima e considere a resistência real da tarefa. Para preservar desempenho técnico, controle a fadiga. Para hipertrofia, aproxime-se da falha sem presumir que toda série precise terminar nela. O treino eficiente nasce da meta e das limitações do praticante, não de uma faixa de repetições tratada como dogma.</p><h2>FAQ</h2><h3>Treino de 4 repetições gera hipertrofia?</h3><p>Pode gerar. No estudo, 4×4 com pelo menos 85% de 1RM aumentou em 498 g a massa magra das pernas. O resultado foi obtido em praticantes pouco treinados durante oito semanas e não prova que o formato seja superior.</p><h3>8 a 12 repetições também aumentam força?</h3><p>Sim. O grupo de 3×8–12 elevou o agachamento 1RM em 17,7 kg, quase o mesmo que os 17,8 kg do grupo pesado. As séries foram realizadas perto da falha e receberam progressão de carga.</p><h3>É obrigatório treinar até a falha para hipertrofia?</h3><p>Não. Alto esforço é importante, principalmente com cargas leves, mas um ensaio com pessoas treinadas encontrou hipertrofia semelhante na falha e em 1 a 2 repetições em reserva. A falha produziu mais fadiga aguda.</p><h3>Para potência, basta mover a carga rapidamente?</h3><p>A intenção de acelerar importa mesmo quando a carga pesada se move devagar. A transferência também depende da resistência da tarefa. Saltar, correr e empurrar um adversário exigem combinações diferentes.</p><h3>Carga leve serve para ganhar força?</h3><p>Pode servir quando a série chega perto da falha, sobretudo em iniciantes. Cargas altas tendem a ser mais eficientes quando o treino precisa ficar longe da fadiga ou quando a tarefa exige força contra grande resistência.</p><h3>Qual protocolo é melhor para atletas?</h3><p>Depende da modalidade e da fase da preparação. Séries pesadas submáximas podem desenvolver força com menos fadiga. Movimentos leves e explosivos se aproximam de sprints e saltos. O planejamento deve preservar o treino técnico.</p><h2>Referências</h2><ol><li><p>GENTIL, Paulo. A ciência explica o único fator que realmente importa no treino. YouTube, 5 set. 2026. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.youtube.com/watch?v=CF2qegmfrfU">https://www.youtube.com/watch?v=CF2qegmfrfU</a>. Acesso em: 7 set. 2026.</p></li><li><p>TRANE, G. et al. Load- and velocity-specific adaptations to lower-body maximal strength training (MST), hypertrophy training (HT) and explosive strength training (EST). <em>European Journal of Applied Physiology</em>, v. 126, p. 3323–3341, 2026. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://doi.org/10.1007/s00421-026-06156-2">https://doi.org/10.1007/s00421-026-06156-2</a>. Acesso em: 7 set. 2026.</p></li><li><p>LASEVICIUS, T. et al. Muscle Failure Promotes Greater Muscle Hypertrophy in Low-Load but Not in High-Load Resistance Training. <em>Journal of Strength and Conditioning Research</em>, v. 36, n. 2, p. 346–351, 2022. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31895290/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31895290/</a>. Acesso em: 7 set. 2026.</p></li><li><p>REFALO, M. C. et al. Similar muscle hypertrophy following eight weeks of resistance training to momentary muscular failure or with repetitions-in-reserve in resistance-trained individuals. <em>Journal of Sports Sciences</em>, v. 42, n. 9, p. 859–868, 2024. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/38393985/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/38393985/</a>. Acesso em: 7 set. 2026.</p></li><li><p>DINYER, T. K. et al. Low-Load vs. High-Load Resistance Training to Failure on One Repetition Maximum Strength and Body Composition in Untrained Women. <em>Journal of Strength and Conditioning Research</em>, v. 33, n. 7S, p. S173–S182, 2019. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31136545/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31136545/</a>. Acesso em: 7 set. 2026.</p></li></ol>]]></description><guid isPermaLink="false">1243</guid><pubDate>Mon, 07 Sep 2026 13:46:00 +0000</pubDate></item></channel></rss>
