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<rss version="2.0"><channel><title>Mat&#xE9;rias: Mat&#xE9;rias - Assuntos Diversos</title><link>https://fisiculturismo.com.br/mat%C3%A9rias/diversos/?d=1</link><description>Mat&#xE9;rias: Mat&#xE9;rias - Assuntos Diversos</description><language>pt</language><item><title>Mounjaro aumenta testosterona e fertilidade? Entenda a evid&#xEA;ncia</title><link>https://fisiculturismo.com.br/mat%C3%A9rias/diversos/mounjaro-aumenta-testosterona-e-fertilidade-entenda-a-evid%C3%AAncia-r1251/</link><description><![CDATA[
<p><img src="https://cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2026_09/mounjaro-testosterona-fertilidade-riscos-capa.webp.4c0e07f7533bc092047b2cbde7631d92.webp" /></p>
<p>Prometer emagrecimento já tornou a tirzepatida um fenômeno. Associar a caneta a testosterona, libido e fertilidade amplia ainda mais o desejo pelo tratamento, mas mistura efeitos possíveis da perda de peso com benefícios diretos que não estão estabelecidos. Em <em>“O que ninguém te contou sobre o MOUNJARO (A manipulação revelada)”</em>, o médico Samuel Dalle Laste usa essas manchetes para questionar como argumentos de venda podem fazer um medicamento parecer solução para problemas muito diferentes.</p><p>A crítica tem um núcleo importante: Mounjaro não é reposição hormonal nem tratamento aprovado para infertilidade. Ao mesmo tempo, chamar todos os benefícios de simples manipulação também perde uma parte da história. A tirzepatida é um medicamento eficaz para diabetes tipo 2 e, nas condições autorizadas, para controle crônico do peso. O ponto decisivo é separar indicação real, efeitos mediados pelo emagrecimento, riscos conhecidos e frases que ultrapassam a evidência.</p><h2>Da carta ao clique: por que o atalho ficou tão atraente</h2><p>A comparação começa com uma rotina de cerca de 200 anos atrás. Sem televisão, celular, rede social ou comida pronta na geladeira, dormir ao anoitecer, esperar uma carta e tolerar períodos de fome eram experiências mais comuns. Essa reconstrução é uma imagem retórica, não um retrato histórico completo, mas ajuda a explicar a mudança de expectativa: hoje, quase tudo promete velocidade, conveniência e recompensa imediata.</p><p>O preço de R$ 299 em vez de R$ 300 resume a lógica de persuasão apresentada sob o rótulo de programação neurolinguística, ou PNL. A diferença de R$ 1 é mínima, porém o primeiro algarismo pode fazer o valor parecer mais baixo. A mesma arquitetura pode aparecer na comunicação em saúde quando uma manchete destaca um benefício secundário e esconde a cadeia causal, as limitações do estudo ou o perfil dos participantes.</p><p>Tirzepatida cara, versão de origem duvidosa, produto trazido do Paraguai e formulação anunciada como manipulada entram nesse ambiente de desejo. O problema deixa de ser apenas decidir se um medicamento é indicado. Procedência, esterilidade, concentração, conservação e autenticidade também passam a determinar o risco.</p><h2>O que a tirzepatida faz de fato</h2><p>A tirzepatida atua nos receptores de GIP e GLP-1. Ela melhora a sensibilidade à insulina, aumenta a saciedade, reduz a ingestão de alimentos e retarda o esvaziamento gástrico, embora esse último efeito diminua com o tempo. Esses mecanismos ajudam no controle glicêmico e na redução de peso.</p><p>No Brasil, a Anvisa autorizou Mounjaro para controle crônico do peso, junto de dieta de baixa caloria e aumento da atividade física, em adultos com IMC igual ou superior a 30 kg/m². A indicação também alcança adultos com IMC igual ou superior a 27 kg/m² quando existe pelo menos uma condição relacionada ao peso, como hipertensão, dislipidemia, apneia obstrutiva do sono, doença cardiovascular, pré-diabetes ou diabetes tipo 2.</p><p>Os resultados que sustentaram essa indicação são relevantes. No SURMOUNT-1, as perdas médias na semana 72 ficaram entre 15% e 20,9% com tirzepatida, diante de 3,1% com placebo. No SURMOUNT-2, ficaram entre 13,4% e 15,7%, ante 3,3% no placebo. Portanto, a caneta não é uma fraude farmacológica. A distorção começa quando eficácia para obesidade vira promessa de corrigir diretamente qualquer problema associado ao excesso de gordura.</p><h2>Testosterona, libido e fertilidade não são indicações do Mounjaro</h2><p>As manchetes que provocaram a crítica apareceram em uma sequência específica: cerca de um mês antes, uma publicação teria associado Mounjaro à fertilidade feminina e masculina. Aproximadamente uma semana antes, outras mensagens teriam ligado o medicamento à libido, à ereção e ao aumento da testosterona.</p><p>O emagrecimento pode participar dessas melhoras sem transformar a tirzepatida em terapia hormonal. Uma meta-análise com 24 estudos encontrou aumento de testosterona total após perda de peso em homens com obesidade. O ganho foi maior em quem perdeu mais peso, o que apoia a relação entre redução da adiposidade e recuperação do eixo hormonal em parte desses pacientes.</p><p>Fertilidade exige ainda mais cautela. Uma revisão de ensaios randomizados encontrou mais gestações e nascidos vivos entre mulheres com sobrepeso ou obesidade submetidas a intervenções combinadas de dieta e exercício, mas os estudos eram pequenos e o resultado não se repetiu em todos os cenários de reprodução assistida. Não foram encontrados ensaios elegíveis em homens. Outra meta-análise concluiu que a melhora de fertilidade não foi estatisticamente significativa quando avaliadas mulheres com obesidade que não haviam sido recrutadas por infertilidade.</p><p>A conclusão correta é mais estreita do que a publicidade sugere. Perder gordura e melhorar a saúde metabólica pode favorecer testosterona, função sexual, ciclo menstrual e chance de gestação em alguns grupos. Isso não prova que Mounjaro tenha ação hormonal ou pró-fertilidade direta, independente da perda de peso. Também não autoriza seu uso com a finalidade de engravidar ou elevar testosterona sem avaliação médica.</p><p>Emagrecer também pode melhorar energia, sono e qualidade de vida. Já prometer melhora previsível de rinite, sinusite ou dermatite como se a tirzepatida corrigisse diretamente essas condições ultrapassa o que essa relação permite concluir. Uma associação mediada pela redução de peso não deve virar uma nova indicação do medicamento.</p><h2>O número de 94% precisa de contexto</h2><p>A afirmação mais contundente é que, de cada 100 pessoas que emagrecem com Mounjaro, 94 voltariam a engordar após interromper o tratamento. Nenhum estudo ou link foi identificado na descrição para sustentar exatamente essa proporção. O reganho é real e frequente, mas o número de 94% não deve ser tratado como estatística confirmada sem a origem.</p><p>O SURMOUNT-4 oferece uma medida mais verificável. Primeiro, 783 adultos receberam tirzepatida por 36 semanas. Entre os 670 randomizados depois dessa fase, a perda média inicial havia sido de 20,9%. Nas 52 semanas seguintes, quem continuou usando o medicamento perdeu mais 5,5%, enquanto o grupo transferido para placebo recuperou em média 14% do peso corporal.</p><p>Ao final de 88 semanas, 89,5% de quem continuou a tirzepatida preservou pelo menos 80% da perda inicial. Entre quem foi transferido para placebo, essa proporção foi de 16,6%. O ensaio confirma que interromper favorece reganho substancial. Ele não demonstra que 94 em cada 100 pessoas recuperam todo o peso e tampouco permite concluir que o tratamento seja um “fracasso total”.</p><p>Obesidade é doença crônica. Medicamentos que controlam apetite e peso podem precisar de estratégia de manutenção, como ocorre com tratamentos de outras condições persistentes. Hábitos continuam essenciais, mas não anulam a biologia que favorece a recuperação do peso.</p><h2>Um casal com pedra na vesícula: alerta importante, prova insuficiente</h2><p>O caso clínico descrito envolve um casal que começou a usar Mounjaro aproximadamente 45 a 60 dias antes da consulta. Os dois teriam ultrassonografias anteriores sem cálculo, passaram a sentir dor atribuída inicialmente a gastrite e receberam diagnóstico de pedra na vesícula após o início do tratamento. A cronologia também é resumida como ocorrida dentro de quatro meses.</p><p>Dois pacientes não provam causalidade. Faltam prontuários, exames, doses, velocidade de emagrecimento, fatores de risco e uma linha do tempo uniforme. Ainda assim, o episódio aponta para um risco reconhecido. Na bula americana, doença aguda da vesícula, incluindo colelitíase, cólica biliar e colecistectomia, apareceu em 0,6% dos adultos tratados com Mounjaro e em 0% no placebo nos ensaios controlados.</p><p>A Anvisa também registra maior incidência de eventos gastrointestinais e relacionados à vesícula nos estudos de controle de peso. Dor abdominal persistente, sobretudo no lado direito superior, febre, vômitos ou pele amarelada exigem avaliação médica. A investigação não deve parar no rótulo de “gastrite”.</p><h2>Esvaziamento gástrico e anestesia: não existe pausa universal de três semanas</h2><p>A lentidão do trato gastrointestinal aparece como outro alerta. A tirzepatida retarda o esvaziamento gástrico, e alimento residual no estômago pode elevar o risco de regurgitação e aspiração durante anestesia geral ou sedação profunda.</p><p>A frase de que nenhum anestesista realiza procedimento em usuário de Mounjaro e sempre exige três semanas de pausa é ampla demais. A orientação multissocietária divulgada em 2024 afirma que a maioria dos pacientes pode continuar agonistas de GLP-1 antes de cirurgia eletiva. O planejamento deve considerar fase de aumento da dose, intensidade dos sintomas gastrointestinais, dose utilizada e outras doenças que retardem o esvaziamento.</p><p>Pacientes de maior risco podem receber dieta líquida por 24 horas, ajuste do plano anestésico, avaliação do conteúdo gástrico por ultrassom ou adiamento do procedimento. A bula informa que ainda não há dados suficientes para definir se mudar o jejum ou suspender temporariamente Mounjaro reduz a aspiração. A regra prática é avisar cirurgião, anestesista e prescritor, sem interromper por conta própria e sem adotar um prazo universal retirado da internet.</p><h2>Pancreatite é rara, mas não pode ser banalizada</h2><p>Pancreatite aguda integra os alertas do medicamento. Nos estudos clínicos reunidos na bula americana, houve 14 eventos confirmados em 13 pacientes tratados com Mounjaro, equivalentes a 0,23 caso por 100 pacientes-ano de exposição. Entre os comparadores, foram três eventos em três pessoas, ou 0,11 por 100 pacientes-ano.</p><p>Em fevereiro de 2026, a Anvisa reforçou o risco para a classe dos agonistas de GLP-1, incluindo tirzepatida. Entre 2020 e 7 de dezembro de 2025, o Brasil registrou 145 notificações de suspeita de eventos adversos e seis suspeitas com desfecho fatal. Notificação não prova que o medicamento causou cada caso, mas funciona como sinal de farmacovigilância que merece investigação.</p><p>Dor abdominal intensa e persistente, com possível irradiação para as costas, náuseas e vômitos exige atendimento imediato. O uso fora de indicação, a automedicação e a dificuldade de reconhecer sintomas podem aumentar o perigo.</p><h2>Produto irregular acrescenta riscos que o ensaio clínico não mediu</h2><p>Comprar tirzepatida de procedência desconhecida não equivale a usar o medicamento registrado. A Anvisa encontrou problemas de identificação de matéria-prima e de controle de qualidade em insumos e produtos manipulados. Em 2026, ações de fiscalização também proibiram marcas irregulares de tirzepatida fabricadas por empresas desconhecidas e anunciadas em redes sociais.</p><p>Uma caixa parecida, uma caneta com rótulo convincente ou a promessa de preço menor não confirmam identidade, dose, esterilidade ou cadeia fria. Essa diferença é decisiva porque a substância é injetável. O risco do princípio ativo se soma ao risco de contaminação, concentração errada e produto falsificado.</p><h2>Sete perguntas antes de considerar o tratamento</h2><ol><li><p><strong>Existe indicação clínica?</strong> IMC, comorbidades, diabetes, histórico de tentativas e risco cardiometabólico precisam entrar na decisão.</p></li><li><p><strong>Qual é o objetivo mensurável?</strong> A Anvisa orienta reavaliar a continuidade quando não houver perda de pelo menos 5% do peso inicial após seis meses da titulação até a maior dose tolerada.</p></li><li><p><strong>A origem é regular?</strong> Farmácia autorizada, receita retida, embalagem íntegra e conservação correta não são detalhes.</p></li><li><p><strong>Há plano para efeitos adversos?</strong> Náusea, vômito, constipação, dor abdominal e sinais de desidratação precisam de orientação prévia.</p></li><li><p><strong>Existe cirurgia ou sedação programada?</strong> A equipe deve saber do uso antes do procedimento.</p></li><li><p><strong>Como será preservada a massa muscular?</strong> Alimentação adequada, proteína, exercício resistido e acompanhamento reduzem o risco de emagrecer às custas de tecido magro.</p></li><li><p><strong>Qual é a estratégia de manutenção?</strong> Parar sem plano aumenta a chance de reganho. O acompanhamento deve continuar mesmo quando a balança melhora.</p></li></ol><h2>Conclusão</h2><p>Mounjaro pode produzir perda de peso expressiva e melhorar controle metabólico em pessoas com indicação. Parte da melhora de testosterona, libido e fertilidade observada após o tratamento pode vir da redução de gordura e da melhora metabólica, não de uma ação hormonal direta comprovada da caneta.</p><p>O mesmo cuidado vale para os riscos. Cálculo biliar, retardo do esvaziamento gástrico, aspiração em procedimentos e pancreatite fazem parte da discussão médica, mas relatos isolados e regras universais não substituem evidência. O número de 94% e a pausa automática de três semanas são exemplos de afirmações que precisam de contexto.</p><p>Informação de qualidade não serve para demonizar nem para vender o medicamento. Serve para colocar eficácia, indicação, manutenção, procedência e segurança na mesma decisão. Este texto é informativo e não substitui avaliação individual por profissional habilitado.</p><h2>FAQ</h2><h3>Mounjaro aumenta a testosterona diretamente?</h3><p>Não há indicação aprovada nem evidência robusta de ação direta da tirzepatida para elevar testosterona. Em homens com obesidade, a perda de peso pode aumentar testosterona, e esse mecanismo pode explicar parte da melhora observada.</p><h3>Mounjaro melhora a fertilidade feminina?</h3><p>Emagrecimento e melhora metabólica podem favorecer ovulação e gestação em alguns grupos, especialmente em mulheres com obesidade ou síndrome dos ovários policísticos. Isso não transforma Mounjaro em tratamento aprovado para infertilidade e a evidência sobre desfechos reprodutivos ainda é limitada.</p><h3>Todo mundo volta a engordar depois de parar?</h3><p>Não. O reganho é frequente, mas varia. No SURMOUNT-4, quem interrompeu recuperou em média 14% do peso corporal durante 52 semanas. Apenas 16,6% preservaram pelo menos 80% da perda inicial, contra 89,5% de quem continuou o tratamento.</p><h3>Mounjaro pode causar pedra na vesícula?</h3><p>Doença aguda da vesícula é um risco reconhecido. Nos ensaios controlados citados na bula americana, ocorreu em 0,6% dos tratados e em 0% do placebo. Um relato individual não prova causa, mas sintomas precisam ser avaliados.</p><h3>É obrigatório suspender Mounjaro três semanas antes da anestesia?</h3><p>Não existe essa regra universal. A maioria dos pacientes pode continuar, segundo orientação multissocietária de 2024. A decisão depende da dose, da fase de titulação, dos sintomas, do procedimento e da avaliação da equipe.</p><h3>Tirzepatida manipulada ou comprada fora da farmácia é igual ao Mounjaro?</h3><p>Não se pode presumir equivalência. Identidade do princípio ativo, concentração, esterilidade, armazenamento e cadeia fria precisam ser comprovados. Produtos irregulares acrescentam riscos que não existem da mesma forma no medicamento registrado.</p><h2>Referências</h2><ol><li><p>DALLE LASTE, Samuel. O que ninguém te contou sobre o MOUNJARO (A manipulação revelada). YouTube, 5 dez. 2025. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.youtube.com/watch?v=EpuI0jHI9Vk">https://www.youtube.com/watch?v=EpuI0jHI9Vk</a>. Acesso em: 8 set. 2026.</p></li><li><p>AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. Mounjaro<span class="ipsEmoji">®</span> (tirzepatida): nova indicação. Brasília, 9 jun. 2025. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/medicamentos/novos-medicamentos-e-indicacoes/mounjaro-r-tirzepatida-nova-indicacao">https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/medicamentos/novos-medicamentos-e-indicacoes/mounjaro-r-tirzepatida-nova-indicacao</a>. Acesso em: 8 set. 2026.</p></li><li><p>ARONNE, Louis J. et al. Continued Treatment With Tirzepatide for Maintenance of Weight Reduction in Adults With Obesity: The SURMOUNT-4 Randomized Clinical Trial. JAMA, v. 331, n. 1, p. 38–48, 2024. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://jamanetwork.com/journals/jama/fullarticle/2812936">https://jamanetwork.com/journals/jama/fullarticle/2812936</a>. Acesso em: 8 set. 2026.</p></li><li><p>U.S. FOOD AND DRUG ADMINISTRATION. Mounjaro (tirzepatide) injection: prescribing information. Silver Spring, 2026. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.accessdata.fda.gov/drugsatfda_docs/label/2026/215866s041lbl.pdf">https://www.accessdata.fda.gov/drugsatfda_docs/label/2026/215866s041lbl.pdf</a>. Acesso em: 8 set. 2026.</p></li><li><p>CORONA, Giovanni et al. Body weight loss reverts obesity-associated hypogonadotropic hypogonadism: a systematic review and meta-analysis. European Journal of Endocrinology, v. 168, n. 6, p. 829–843, 2013. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/23482592/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/23482592/</a>. Acesso em: 8 set. 2026.</p></li><li><p>BEST, Damian et al. The effectiveness of weight-loss lifestyle interventions for improving fertility in women and men with overweight or obesity and infertility: a systematic review update of evidence from randomized controlled trials. Obesity Reviews, v. 22, n. 12, e13325, 2021. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34390109/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34390109/</a>. Acesso em: 8 set. 2026.</p></li><li><p>SOLTANI, H. et al. The effect of weight loss interventions for obesity on fertility and pregnancy outcomes: a systematic review and meta-analysis. International Journal of Gynecology &amp; Obstetrics, v. 160, n. 2, p. 417–429, 2023. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/36440496/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/36440496/</a>. Acesso em: 8 set. 2026.</p></li><li><p>AMERICAN SOCIETY OF ANESTHESIOLOGISTS. Drugs for Diabetes or Weight Loss: What To Know Before Surgery. Schaumburg, 2025. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://madeforthismoment.asahq.org/preparing-for-surgery/risks/drugs-diabetes-weight-loss/">https://madeforthismoment.asahq.org/preparing-for-surgery/risks/drugs-diabetes-weight-loss/</a>. Acesso em: 8 set. 2026.</p></li><li><p>AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. Anvisa emite alerta para risco de pancreatite aguda associada ao uso indevido de canetas emagrecedoras. Brasília, 9 fev. 2026. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/noticias-anvisa/2026/anvisa-emite-alerta-para-risco-de-pancreatite-aguda-associada-ao-uso-indevido-de-canetas-emagrecedoras">https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/noticias-anvisa/2026/anvisa-emite-alerta-para-risco-de-pancreatite-aguda-associada-ao-uso-indevido-de-canetas-emagrecedoras</a>. Acesso em: 8 set. 2026.</p></li><li><p>AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. Anvisa esclarece e determina regras para manipulação de canetas de GLP-1. Brasília, 25 ago. 2025. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/noticias-anvisa/2025/anvisa-esclarece-e-determina-regras-para-manipulacao-de-canetas-de-glp-1">https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/noticias-anvisa/2025/anvisa-esclarece-e-determina-regras-para-manipulacao-de-canetas-de-glp-1</a>. Acesso em: 8 set. 2026.</p></li></ol>]]></description><guid isPermaLink="false">1251</guid><pubDate>Tue, 08 Sep 2026 19:28:00 +0000</pubDate></item><item><title>Mortes precoces no fisiculturismo: por que n&#xE3;o &#xE9; s&#xF3; culpa dos esteroides</title><link>https://fisiculturismo.com.br/mat%C3%A9rias/diversos/mortes-precoces-no-fisiculturismo-por-que-n%C3%A3o-%C3%A9-s%C3%B3-culpa-dos-esteroides-r1248/</link><description><![CDATA[
<p><img src="https://cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2026_09/mortes-fisiculturismo-estudio-rosa-capa.webp.bb677a622b62935989f5ed954a5e2af3.webp" /></p>
<p>Durante décadas, as mortes precoces no fisiculturismo circularam como uma sequência de nomes, homenagens e suspeitas. Faltava um levantamento capaz de mostrar se os casos formavam um padrão. Quando mais de 20 mil competidores foram acompanhados, a impressão ganhou números: 121 morreram, a idade média dos óbitos ficou em 45 anos e a morte cardíaca súbita apareceu como a causa mais frequente.</p><p>Em “It's Not Just the Steroids Killing Bodybuilders”, o canal bodybuildbeast parte desse levantamento para defender uma tese desconfortável. Os esteroides fazem parte do risco, mas não explicam tudo sozinhos. Coração remodelado, predisposição genética, desidratação, diuréticos, outras drogas, sofrimento psíquico e um sistema que recompensa físicos cada vez mais extremos podem agir ao mesmo tempo.</p><h2>O estudo que transformou suspeitas em números</h2><p>Publicado no <em>European Heart Journal</em> em 2025, o estudo “Mortality in male bodybuilding athletes” identificou 20.286 homens que participaram de 730 eventos da International Federation of Bodybuilding and Fitness, a IFBB, entre 2005 e 2020. O acompanhamento médio foi de 8,1 anos, somando 190.211 atleta-anos de observação até julho de 2023.</p><p>Foram identificadas 121 mortes, com idade média de 45,3 anos. Entre elas, 73 foram classificadas como súbitas e 46 como mortes cardíacas súbitas. Isso representa cerca de 38% de todos os óbitos encontrados.</p><p>Onze mortes cardíacas súbitas ocorreram entre atletas ainda em atividade competitiva. A idade média desse grupo era de 34,7 anos e a incidência calculada chegou a 32,83 casos por 100 mil atleta-anos. Entre profissionais, o risco foi 5,23 vezes o observado entre amadores.</p><p>No subgrupo mais extremo, formado por competidores do Mr. Olympia, 7% morreram durante o período analisado e 5% tiveram morte cardíaca súbita. O número chama atenção, mas não deve ser projetado sobre todas as pessoas que praticam musculação. Trata-se da elite de um esporte que premia volume muscular e definição em níveis muito distantes do treino recreativo.</p><h2>O que o levantamento prova e o que permanece incerto</h2><p>O trabalho documenta um sinal de risco relevante, especialmente entre atletas profissionais. Ele não demonstra que todos os óbitos foram causados por anabolizantes. A identificação das mortes foi retrospectiva e usou buscas padronizadas na internet, notícias, redes sociais e registros disponíveis publicamente.</p><p>Uma causa específica foi encontrada em 78,5% dos casos. Autópsias estavam disponíveis para apenas cinco profissionais que sofreram morte cardíaca súbita. Para grande parte da amostra, faltavam histórico familiar, exames anteriores, substâncias usadas, doses, duração do uso e detalhes completos das circunstâncias da morte.</p><p>Essas limitações não apagam o alerta. Elas mudam a leitura correta: existe uma concentração preocupante de mortes cardíacas precoces, mas a contribuição de cada fator não pode ser reconstruída com precisão para todos os atletas.</p><h2>Os esteroides continuam no centro do risco cardiovascular</h2><p>Dizer que não são a única causa não inocenta os esteroides anabolizantes. Uso prolongado e em doses suprafisiológicas está associado a pressão arterial elevada, piora do perfil lipídico, aumento do hematócrito, hipertrofia do coração, fibrose, redução da função ventricular e aterosclerose coronariana.</p><p>Em uma coorte de levantadores de peso experientes, 86 usuários de anabolizantes apresentaram fração de ejeção média de 52%, contra 63% em 54 não usuários. A carga de placas nas artérias coronárias também foi maior, e o tempo acumulado de exposição se associou a mais aterosclerose.</p><p>Uma meta-análise de 2025 reuniu 35 estudos e 2 mil homens. Em comparação com atletas de força que não usavam anabolizantes, os usuários apresentaram paredes do ventrículo esquerdo mais espessas, maior massa ventricular e indicadores piores de função cardíaca. As médias não determinam o destino individual, mas descrevem um padrão compatível com remodelamento cardíaco adverso.</p><h2>Cinco autópsias mostram o sinal, não toda a história</h2><p>Nas cinco autópsias disponíveis no estudo de mortalidade, quatro atletas apresentavam hipertrofia ventricular esquerda e cardiomegalia. Dois também tinham doença arterial coronariana. Três das cinco análises toxicológicas detectaram uso de esteroides anabolizantes.</p><p>Outro estudo de autópsias citado pelos pesquisadores encontrou corações, em média, 73,7% mais pesados que os valores de referência e parede ventricular esquerda 125% mais espessa que o previsto. Treino intenso pode produzir uma adaptação cardíaca moderada. Hipertrofia concêntrica severa, fibrose, necrose e perda de função fogem do padrão esperado de um coração atlético saudável.</p><h2>Dallas McCarver e Rich Piana: anatomia semelhante, certezas diferentes</h2><p>Dallas McCarver morreu aos 26 anos. A autópsia descrita apontou hipertrofia grave do ventrículo esquerdo e doença coronariana. Seu coração pesava 833 g, quase três vezes os cerca de 300 g usados como referência para um homem saudável de porte comum. O histórico familiar de doença cardíaca acrescentava uma vulnerabilidade que não pode ser separada das demais exposições.</p><p>Rich Piana morreu aos 46 anos poucos dias depois. Coração e fígado estavam muito aumentados e havia doença cardiovascular significativa. Mesmo assim, a causa oficial foi registrada como indeterminada. A diferença entre os dois casos é importante: alterações anatômicas graves sustentam preocupação, mas não autorizam preencher lacunas do laudo com uma causa única.</p><h2>Boston Loyd: quando genética e experimentação se encontram</h2><p>Boston Loyd morreu aos 29 anos por dissecção de aorta, uma ruptura na principal artéria que sai do coração. Seu pai, também fisiculturista, já havia tratado cirurgicamente um aneurisma na mesma região e o alertara para investigar a predisposição familiar.</p><p>Ao mesmo tempo, Loyd relatava combinações extensas de fármacos e já havia sofrido insuficiência renal. Ele próprio associava o dano renal a um peptídeo experimental sem estudos em humanos. O relato incluía um frasco de 5 mg por dia, aplicado perto da região dos rins e em outras áreas na tentativa de destruir células de gordura.</p><p>Esse número não é protocolo. Ele documenta o nível de experimentação envolvido. Dissecções de aorta podem resultar da interação entre fragilidade da parede arterial, hipertensão, elevação abrupta da pressão durante esforço pesado e uso de substâncias. Separar uma causa isolada depois do evento pode ser impossível.</p><h2>A semana final pode ser mais perigosa que o auge do volume muscular</h2><p>Fisiculturistas manipulam carboidratos, água e sódio antes da competição para aumentar o volume muscular aparente e reduzir água subcutânea. Alguns acrescentam diuréticos. A literatura descreve essas estratégias, mas encontra pouca evidência para sustentar muitos protocolos extremos.</p><p>Reduzir água e eletrólitos de forma agressiva pode alterar sódio e potássio, prejudicar os rins e desorganizar o ritmo cardíaco. Um caso publicado descreveu hipocalemia grave de 1,8 mmol/L, paralisia e alteração importante do eletrocardiograma após automedicação com diuréticos e restrição de líquidos.</p><p>A vulnerabilidade aumenta quando desidratação, percentual de gordura muito baixo, restrição calórica, estimulantes, hormônios e esforço intenso se acumulam. Cinco atletas da coorte morreram por causa cardíaca durante ou logo após um evento oficial.</p><h2>Exame normal não é garantia de risco zero</h2><p>Hemograma, perfil lipídico, enzimas hepáticas e função renal são importantes, mas não enxergam sozinhos fibrose, alterações estruturais, placas coronarianas ou todas as arritmias. Um resultado laboratorial dentro da referência não transforma um protocolo extremo em seguro.</p><p>O estudo propõe avaliação específica para o fisiculturismo. Eletrocardiograma, teste de esforço e ecocardiograma podem ajudar a identificar hipertrofia excessiva, cardiomegalia e arritmias. A tomografia coronariana e a ressonância cardíaca podem ser consideradas quando houver indicação clínica. Ainda não existe evidência de que um único pacote de exames elimine o risco nessa população.</p><p>Monitoramento também não deve funcionar como licença para continuar aumentando doses. O objetivo é encontrar sinais precoces, reduzir exposição e permitir uma decisão informada.</p><h2>Dismorfia muscular muda a percepção do próprio limite</h2><p>Dismorfia muscular é a preocupação persistente de não ser grande ou musculoso o suficiente, mesmo quando o físico já está muito acima da média. Uma meta-análise com 31 estudos e 5.880 participantes encontrou mais sintomas entre fisiculturistas do que entre praticantes de treino de força não competitivos. Competidores apresentaram pontuações maiores que não competidores.</p><p>Os sintomas se associaram a ansiedade, depressão, perfeccionismo, baixa autoestima e insatisfação corporal. A direção da relação ainda é incerta. O ambiente competitivo pode agravar vulnerabilidades, enquanto pessoas já vulneráveis também podem ser atraídas por esse ambiente.</p><p>Anabolizantes acrescentam outra camada. Alterações de humor, agressividade, ansiedade e depressão podem ocorrer durante o uso ou a retirada. Isso não significa que toda pessoa que usa esteroides desenvolverá um transtorno, mas saúde mental precisa fazer parte da avaliação de risco.</p><h2>Neil Currey mostra por que uma causa isolada pode enganar</h2><p>Neil Currey morreu aos 34 anos depois de alcançar a classificação para o Olympia. O legista relacionou a morte a uma combinação letal de drogas recreativas, não diretamente aos esteroides. A família relatou, porém, que o uso de anabolizantes havia aumentado muito e coincidido com isolamento e depressão.</p><p>O laudo define a causa tóxica imediata. O relato familiar descreve o caminho que pode ter colocado o atleta naquela situação. Confundir os dois níveis seria incorreto, mas ignorar a interação entre imagem corporal, substâncias, isolamento e sofrimento psíquico também seria uma simplificação.</p><h2>Polifarmácia e alimentação extrema ampliam a carga</h2><p>O físico competitivo não é produzido por uma única droga. Protocolos podem combinar anabolizantes, hormônio do crescimento, insulina, hormônios tireoidianos, estimulantes, diuréticos, peptídeos e substâncias recreativas. Cada item acrescenta efeitos próprios e interações difíceis de prever.</p><p>A alimentação também pode entrar no extremo. Em protocolos com insulina, atletas chegam a consumir shakes com 100 g a 200 g de carboidratos ao redor do treino, numa tentativa de evitar hipoglicemia enquanto alcançam ingestões calóricas muito altas. Esse exemplo não deve ser copiado. Insulina sem indicação médica pode causar hipoglicemia grave, perda de consciência e morte.</p><p>Distensão abdominal, refluxo, alterações gastrointestinais e dificuldade para consumir o volume de comida exigido são consequências possíveis dessa busca por mais massa. O abdômen distendido que se tornou frequente em categorias abertas pode refletir múltiplos fatores, não um único composto.</p><h2>Dinheiro, audiência e troféus apontam para o mesmo extremo</h2><p>Premiação é apenas uma parte da economia do fisiculturismo. Patrocínios, audiência, cursos, suplementos, roupas e participação societária em marcas podem valer mais que o troféu. Quanto mais olhos um atleta atrai, maior sua capacidade de transformar o físico em negócio.</p><p>No palco, tamanho e condicionamento extremo recebem notas. Nas redes sociais, o físico mais chocante interrompe a rolagem e alimenta o algoritmo. A recompensa chega antes que os danos de longo prazo apareçam.</p><p>Treinadores e atletas ainda enfrentam a chamada “febre do cume”, analogia emprestada do montanhismo. Perto do objetivo, sinais de alerta e regras de segurança podem ser ignorados porque desistir parece desperdiçar toda a preparação. No fisiculturismo, o cume pode ser uma competição, uma classificação profissional ou uma foto capaz de viralizar.</p><h2>O que poderia tornar o fisiculturismo mais seguro</h2><ul><li><p>criar registro prospectivo e independente de mortes e eventos cardiovasculares.</p></li><li><p>adotar avaliação médica específica para atletas competitivos, sem tratar exame normal como autorização para risco crescente.</p></li><li><p>aumentar controle antidoping e rastreabilidade de substâncias.</p></li><li><p>proibir práticas coercitivas de treinadores e estabelecer critérios claros para retirar um atleta da competição.</p></li><li><p>disponibilizar desfibriladores e equipes treinadas em eventos.</p></li><li><p>integrar saúde mental, dismorfia muscular e dependência de substâncias ao acompanhamento.</p></li><li><p>valorizar categorias com limites de peso e físicos clássicos, reduzindo o incentivo ao crescimento sem teto.</p></li><li><p>responsabilizar marcas e plataformas pela promoção de protocolos clandestinos ou perigosos.</p></li></ul><h2>A reação ao físico extremo já começou</h2><p>Federações naturais com testes antidoping estão crescendo, enquanto criadores de conteúdo contrários ao abuso de substâncias conquistaram audiências antes reservadas a defensores da química sem limite. A mudança mostra que existe público para um fisiculturismo menos dependente do choque.</p><p>Arnold Schwarzenegger também passou a criticar abdomens distendidos e a defender linhas clássicas, cintura controlada e um físico que o público comum ainda possa desejar. Essa reação cultural disputa espaço com uma sequência recente de mortes entre atletas nos 20 e 30 anos e com plataformas que continuam premiando o que parece maior, mais seco e mais extremo.</p><h2>Conclusão</h2><p>Os esteroides não são a única explicação para as mortes precoces no fisiculturismo, mas permanecem uma peça central. O risco surge da soma entre remodelamento cardíaco, aterosclerose, predisposição genética, polifarmácia, desidratação, diuréticos, pressão psicológica e recompensa financeira pelo extremo.</p><p>O estudo com 20.286 atletas mostra um problema real, sobretudo entre profissionais, sem permitir culpar uma única substância em todos os casos. Reduzir as mortes exige mais que exames ocasionais e homenagens depois da tragédia. É preciso mudar acompanhamento, regras, incentivos e o tipo de físico que o esporte escolhe premiar.</p><h2>FAQ</h2><h3>Quantos fisiculturistas morreram no estudo?</h3><p>Foram identificadas 121 mortes entre 20.286 competidores masculinos da IFBB acompanhados, em média, por 8,1 anos. A idade média nos óbitos foi de 45,3 anos.</p><h3>Qual foi a causa de morte mais frequente?</h3><p>A morte cardíaca súbita foi a causa específica mais frequente, com 46 casos, equivalentes a aproximadamente 38% de todos os óbitos encontrados.</p><h3>Profissionais correm mais risco que amadores?</h3><p>Na coorte, profissionais apresentaram risco de morte cardíaca súbita 5,23 vezes maior que amadores. O estudo é observacional e não demonstra qual exposição produziu individualmente essa diferença.</p><h3>Esteroides foram responsáveis por todas as mortes?</h3><p>Não é possível afirmar isso. Os anabolizantes têm efeitos cardiovasculares documentados, mas havia dados incompletos sobre doses, histórico familiar, outras drogas e autópsias. Diferentes fatores podem ter atuado juntos.</p><h3>Exames de sangue normais significam que o coração está seguro?</h3><p>Não. Exames laboratoriais são importantes, mas podem não detectar alterações estruturais, fibrose, placas coronarianas ou todas as arritmias. Avaliação cardiovascular precisa ser individualizada.</p><h3>Desidratação de competição pode afetar o coração?</h3><p>Sim. Restrição extrema de líquidos e uso de diuréticos podem alterar eletrólitos, prejudicar os rins e favorecer arritmias. Nenhum protocolo de desidratação deve ser improvisado.</p><h2>Referências</h2><ol><li><p>BODYBUILDBEAST. It's Not Just the Steroids Killing Bodybuilders. [S. l.], 7 ago. 2026. YouTube. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.youtube.com/watch?v=AJDpYL29w_Y">https://www.youtube.com/watch?v=AJDpYL29w_Y</a>. Acesso em: 7 set. 2026.</p></li><li><p>VECCHIATO, Marco et al. Mortality in male bodybuilding athletes. <em>European Heart Journal</em>, v. 46, n. 30, p. 3006-3016, 2025. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://academic.oup.com/eurheartj/article/46/30/3006/8131432">https://academic.oup.com/eurheartj/article/46/30/3006/8131432</a>. Acesso em: 7 set. 2026.</p></li><li><p>SMOLIGA, James M.; WILBER, Z. Taggart; ROBINSON, Brooks Taylor. Premature Death in Bodybuilders: What Do We Know? <em>Sports Medicine</em>, v. 53, p. 933-948, 2023. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/36715876/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/36715876/</a>. Acesso em: 7 set. 2026.</p></li><li><p>BAGGISH, Aaron L. et al. Cardiovascular Toxicity of Illicit Anabolic-Androgenic Steroid Use. <em>Circulation</em>, v. 135, n. 21, p. 1991-2002, 2017. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28533317/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28533317/</a>. Acesso em: 7 set. 2026.</p></li><li><p>ALABED, Samer et al. Anabolic-androgenic steroids on cardiac structure and function in resistance-trained athletes: A systematic review and meta-analysis. <em>International Journal of Cardiology</em>, 2025. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/40945618/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/40945618/</a>. Acesso em: 7 set. 2026.</p></li><li><p>ESCALANTE, Guillermo et al. Peak week recommendations for bodybuilders: an evidence based approach. <em>BMC Sports Science, Medicine and Rehabilitation</em>, v. 13, art. 68, 2021. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34120635/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34120635/</a>. Acesso em: 7 set. 2026.</p></li><li><p>MITCHELL, Lachlan et al. Muscle Dysmorphia Symptomatology and Associated Psychological Features in Bodybuilders and Non-Bodybuilder Resistance Trainers: A Systematic Review and Meta-Analysis. <em>Sports Medicine</em>, v. 47, n. 2, p. 233-259, 2017. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/27245060/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/27245060/</a>. Acesso em: 7 set. 2026.</p></li><li><p>MAYR, Alexander et al. Severe Acquired Hypokalemic Paralysis in a Bodybuilder After Self-Medication With Triamterene/Hydrochlorothiazide. <em>Clinical Journal of Sport Medicine</em>, 2019. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31770156/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31770156/</a>. Acesso em: 7 set. 2026.</p></li></ol>]]></description><guid isPermaLink="false">1248</guid><pubDate>Mon, 07 Sep 2026 22:48:00 +0000</pubDate></item><item><title>Trocar Mounjaro por Ozivy vale a pena? Doses, custos e limites</title><link>https://fisiculturismo.com.br/mat%C3%A9rias/diversos/trocar-mounjaro-por-ozivy-vale-a-pena-doses-custos-e-limites-r1247/</link><description><![CDATA[
<p><img src="https://cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2026_09/mounjaro-ozivy-troca-capa.webp.30ca34bc556e2d0ce1d48722b9f28104.webp" /></p>
<p>Um tratamento que funciona por poucos meses, mas se torna financeiramente impossível, pode terminar antes de entregar um resultado sustentável. Isso torna legítima a dúvida sobre trocar Mounjaro por Ozivy. A caneta mais barata, porém, não é uma versão equivalente da mais cara. Tirzepatida e semaglutida são moléculas diferentes, têm potências diferentes e não podem ser convertidas por uma regra simples de miligramas.</p><p>Em “(Mounjaro | Tirzepatida): É Possível Trocar por Ozivy (Semaglutida) em 2026?”, o médico Danilo Lobo considera a transição plausível sobretudo nas doses iniciais de tirzepatida, quando o custo ameaça a continuidade ou em uma fase de manutenção. A hipótese é clínica e individualizada. Não existe tabela validada que diga qual dose de Ozivy substitui determinada dose de Mounjaro.</p><h2>Troca possível não significa dose equivalente</h2><p>O Mounjaro contém tirzepatida, que atua nos receptores de GIP e GLP-1. O Ozivy contém semaglutida, agonista do receptor de GLP-1. Mesmo quando os dois reduzem apetite, melhoram o controle alimentar e produzem perda de peso, a diferença de mecanismo impede uma conversão direta do tipo “x mg de um corresponde a y mg do outro”.</p><p>A decisão também depende do objetivo. O Ozivy foi registrado pela Anvisa para adultos com diabetes tipo 2 insuficientemente controlado, como complemento à dieta e ao exercício. Usá-lo para tratar obesidade é uma conduta fora da bula. Isso pode fazer parte de uma decisão médica, mas exige prescrição, justificativa clínica, discussão de riscos e acompanhamento. Não é autorização para automedicação.</p><p>Na prática, uma transição precisa considerar a dose atual, a resposta obtida, os efeitos adversos, a presença de diabetes, o histórico de ganho e perda de peso, o orçamento e a capacidade de manter o tratamento. O preço isolado não resolve essas variáveis.</p><h2>O que os estudos realmente permitem comparar</h2><h3>Tirzepatida 5 mg no SURMOUNT-1</h3><p>No SURMOUNT-1, adultos com obesidade ou sobrepeso e ao menos uma complicação relacionada ao peso, sem diabetes, receberam tirzepatida ou placebo durante 72 semanas. A redução média do peso foi de 15% com 5 mg por semana, 19,5% com 10 mg e 20,9% com 15 mg. Esses valores são médias de grupos e não garantem a mesma resposta para uma pessoa específica.</p><h3>Semaglutida 2,4 mg no STEP 1</h3><p>No STEP 1, adultos com perfil semelhante, também sem diabetes, receberam semaglutida 2,4 mg ou placebo por 68 semanas, além de intervenção de estilo de vida. A redução média foi de 14,9% com semaglutida e 2,4% com placebo.</p><p>Colocar lado a lado os 15% da tirzepatida 5 mg e os 14,9% da semaglutida 2,4 mg ajuda a formular uma pergunta, mas não prova equivalência. Os resultados vieram de ensaios diferentes, com participantes, cronogramas e estruturas próprias. Além disso, o Ozivy comercializado nas apresentações de 0,25 mg, 0,5 mg e 1 mg não entrega, pela bula, a dose de 2,4 mg usada no STEP 1.</p><h3>O SURMOUNT-5 fez a comparação direta</h3><p>Já existe comparação direta entre as moléculas. Publicado em 2025, o SURMOUNT-5 avaliou 751 adultos com obesidade, sem diabetes, durante 72 semanas. Os participantes receberam a dose máxima tolerada de tirzepatida, 10 mg ou 15 mg, ou de semaglutida, 1,7 mg ou 2,4 mg.</p><p>A redução média do peso foi de 20,2% com tirzepatida e 13,7% com semaglutida. A tirzepatida foi superior também na redução da circunferência da cintura. Esse resultado corrige a afirmação de que não haveria estudo comparativo, mas não cria uma tabela de troca. O ensaio avaliou doses altas toleradas, não a passagem de Mounjaro 2,5 mg ou 5 mg para Ozivy 1 mg.</p><h2>Quando a transição pode ser cogitada</h2><p>A faixa de 2,5 mg a 5 mg de tirzepatida aparece como o cenário em que a transição teria maior plausibilidade clínica. Isso inclui quatro situações:</p><ul><li><p><strong>Início do tratamento:</strong> a pessoa começou com Mounjaro e percebeu que o custo não cabe no orçamento de longo prazo.</p></li><li><p><strong>Entrada por uma opção mais acessível:</strong> iniciar com semaglutida e reavaliar a necessidade de uma alternativa mais potente se a resposta for insuficiente.</p></li><li><p><strong>Continuidade ameaçada:</strong> aceitar possível redução de potência para evitar a interrupção completa do cuidado.</p></li><li><p><strong>Manutenção ou retirada gradual:</strong> após perda de peso com doses maiores de tirzepatida, considerar outra estratégia para sustentar parte do resultado.</p></li></ul><p>Esses cenários não garantem que a troca funcionará. Eles definem situações em que faz sentido discutir o tema em consulta. Sintomas gastrointestinais, controle glicêmico, evolução do peso e fome precisam ser reavaliados durante a mudança.</p><h2>Quando Ozivy 1 mg tende a ficar distante da tirzepatida</h2><p>Quem usa 7,5 mg, 10 mg ou 12,5 mg de tirzepatida pode perceber uma diferença maior ao migrar para semaglutida limitada a 1 mg por semana. O próprio SURMOUNT-1 mostrou uma relação entre doses mais altas de tirzepatida e maior redução média do peso. O SURMOUNT-5 reforçou a superioridade da tirzepatida em doses máximas toleradas.</p><p>Nessas faixas, a troca pode ter mais sentido como estratégia de manutenção ou por necessidade financeira do que como tentativa de preservar exatamente o mesmo efeito. A pessoa pode voltar a sentir mais fome, ter menor saciedade ou observar mudança no ritmo de perda. Isso precisa ser antecipado para que uma diferença esperada não seja interpretada como falha completa.</p><h2>O protocolo mencionado exige uma trava de segurança</h2><p>A apresentação inicial do Ozivy permite aplicações semanais de 0,25 mg e 0,5 mg. A apresentação de manutenção libera 1 mg por aplicação. A bula para diabetes começa com 0,25 mg uma vez por semana por quatro semanas, avança para 0,5 mg e permite elevação para 1 mg quando o controle glicêmico continua inadequado.</p><p>Para aproximar a semaglutida da dose de 2,4 mg usada no STEP 1, a fonte menciona a possibilidade de duas aplicações de 1 mg em dias diferentes. Essa conduta está fora da bula do Ozivy, não foi apresentada como regra para todas as pessoas e não corresponde a uma conversão validada de tirzepatida para semaglutida. Reproduzir esse esquema por conta própria aumenta o risco de erro de dose, eventos gastrointestinais, desidratação e uso inadequado de um medicamento sujeito à retenção de receita.</p><p>Também não se deve multiplicar aplicações porque a fome voltou ou porque outra pessoa tolerou uma dose maior. A titulação existe para equilibrar resposta e segurança. Qualquer mudança precisa ser definida pelo médico que conhece o diagnóstico, as outras medicações e os efeitos adversos já apresentados.</p><h2>O custo pode decidir se o cuidado continua</h2><p>Na fotografia de preços apresentada em julho de 2026, uma caneta de Ozivy custava cerca de R$ 400 a R$ 450, com promoções próximas de R$ 350. O Mounjaro 2,5 mg aparecia por aproximadamente R$ 1.300 a R$ 1.400 por caneta, dependendo do estado e da farmácia.</p><p>A estimativa apresentada chegava a R$ 12 mil ou R$ 13 mil para cerca de dez meses de Mounjaro. Os valores variam com dose, apresentação, impostos, descontos e disponibilidade, portanto não devem ser tratados como cotação atual nem garantia de gasto.</p><p>A diferença financeira sustenta o argumento mais forte a favor da mudança: uma terapia menos potente, mas viável por um ou mais anos, pode ser preferível a usar Mounjaro por dois, três ou quatro meses e abandonar tudo porque o orçamento acabou. Essa escolha não deve ser reduzida ao preço por caneta. É preciso calcular custo mensal real, consultas, exames, alimentação, atividade física e eventual apoio psicológico ou nutricional.</p><h2>Produto regularizado é diferente de mercado paralelo</h2><p>Outra situação apresentada é a saída de uma tirzepatida comprada no mercado paralelo para uma semaglutida adquirida em farmácia com receita. Medicamentos contrabandeados ou de procedência duvidosa podem ter problema de identidade, concentração, armazenamento e cadeia de frio. Mesmo uma molécula potencialmente menos potente pode representar uma decisão mais segura quando vem de canal regular e permanece sob acompanhamento.</p><p>Isso não significa que todo produto estrangeiro seja ineficaz. O problema é a impossibilidade de garantir origem e conservação quando a entrada e a venda ocorrem fora das regras brasileiras. A embalagem, o preço ou o relato de outro usuário não substituem rastreabilidade.</p><h2>Continuidade não depende apenas da caneta</h2><p>Relatos clínicos apresentados incluem pacientes que perderam peso com 0,5 mg, 0,75 mg ou 1 mg de semaglutida. A resposta foi associada a maior controle da compulsão e da impulsividade alimentar, mesmo quando alguma fome e vontade de comer doces permaneceram. Isso não é promessa de resultado e não transforma doses menores em equivalentes ao Mounjaro.</p><p>O período de maior controle alimentar pode ser usado para consolidar refeições mais estruturadas, treino regular e acompanhamento de condições que dificultam o emagrecimento. Resistência à insulina, menopausa, hipogonadismo, sono, saúde mental e deficiências nutricionais precisam ser investigados e tratados apenas quando houver diagnóstico e indicação. “Corrigir hormônios e vitaminas” sem exames ou necessidade clínica acrescenta risco e custo.</p><p>A sobra financeira obtida com uma opção mais acessível também pode ser direcionada a profissionais que sustentem o processo, como nutricionista, educador físico e psicólogo. Esses pilares não substituem o medicamento, mas reduzem a dependência de uma única ferramenta.</p><h2>Parar completamente também tem consequências</h2><p>Obesidade é uma doença crônica e a recuperação de peso após a retirada das medicações é frequente. Na extensão do STEP 1, um ano após suspender a semaglutida 2,4 mg e a intervenção de estilo de vida, os participantes recuperaram cerca de dois terços do peso que haviam perdido.</p><p>No SURMOUNT-4, quem retirou a tirzepatida após 36 semanas recuperou, em média, 14% do peso entre as semanas 36 e 88. Quem continuou perdeu mais 5,5% no mesmo período. Esses dados não obrigam toda pessoa a usar a mesma medicação para sempre, mas mostram por que manutenção, troca e retirada precisam de plano.</p><h2>Checklist para discutir a troca em consulta</h2><ul><li><p>Qual é o objetivo principal: controle do diabetes, tratamento da obesidade ou ambos?</p></li><li><p>Qual dose de Mounjaro está sendo usada e qual resposta ela produziu?</p></li><li><p>O Ozivy seria usado dentro da indicação aprovada ou fora da bula?</p></li><li><p>O orçamento permite sustentar a nova estratégia por quanto tempo?</p></li><li><p>Quais efeitos adversos ocorreram e quais outras medicações estão em uso?</p></li><li><p>Como peso, glicemia, fome, ingestão de proteína, atividade física e composição corporal serão acompanhados?</p></li><li><p>Qual será o critério para manter, ajustar ou interromper a nova estratégia?</p></li></ul><h2>Conclusão</h2><p>Trocar Mounjaro por Ozivy pode fazer sentido quando o custo ameaça a continuidade, principalmente em doses iniciais de tirzepatida ou em uma estratégia de manutenção. Isso não significa que Ozivy 1 mg reproduza o efeito do Mounjaro nem que exista uma dose equivalente.</p><p>Os dados mais sólidos mostram que tirzepatida e semaglutida são eficazes, mas a tirzepatida em doses máximas produziu maior perda média no confronto direto. A decisão racional combina potência, tolerabilidade, indicação regulatória, procedência e capacidade de manter o cuidado. A transição deve ser prescrita e monitorada. Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica individualizada.</p><h2>FAQ</h2><h3>Posso trocar Mounjaro por Ozivy de uma semana para outra?</h3><p>Não existe uma regra universal. O médico precisa definir o momento da última dose, o início da nova caneta, a titulação e o monitoramento conforme resposta, efeitos adversos e objetivo do tratamento.</p><h3>Quantos miligramas de Ozivy equivalem a 5 mg de Mounjaro?</h3><p>Não há equivalência validada. A semelhança entre médias de estudos separados não permite converter 5 mg de tirzepatida em determinada dose de semaglutida.</p><h3>Ozivy 1 mg emagrece tanto quanto Mounjaro?</h3><p>Não é possível garantir. O confronto direto avaliou semaglutida de 1,7 mg ou 2,4 mg contra tirzepatida de 10 mg ou 15 mg e encontrou maior redução média com tirzepatida. Ozivy 1 mg não foi testado nesse desenho como substituto do Mounjaro.</p><h3>Ozivy é aprovado para obesidade?</h3><p>Não. A indicação aprovada pela Anvisa é diabetes tipo 2 em adultos. O uso para obesidade é fora da bula e depende de prescrição e acompanhamento médico.</p><h3>A troca pode ser considerada em doses altas de Mounjaro?</h3><p>Em 7,5 mg, 10 mg ou 12,5 mg de tirzepatida, a diferença para Ozivy 1 mg tende a ser maior. Uma mudança pode ser discutida por custo ou manutenção, mas não deve criar expectativa de potência igual.</p><h3>Vale mais um medicamento potente por poucos meses ou outro mais barato por mais tempo?</h3><p>Quando a opção mais potente é financeiramente insustentável, uma estratégia menos cara pode favorecer continuidade. A escolha precisa considerar resposta, segurança, indicação, orçamento e acompanhamento, não apenas o preço da caneta.</p><h2>Referências</h2><ol><li><p>LOBO, Danilo. (Mounjaro | Tirzepatida): É Possível Trocar por Ozivy (Semaglutida) em 2026? [S. l.], 27 jul. 2026. YouTube. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.youtube.com/watch?v=gsoS-97lc54">https://www.youtube.com/watch?v=gsoS-97lc54</a>. Acesso em: 7 set. 2026.</p></li><li><p>JASTREBOFF, Ania M. et al. Tirzepatide Once Weekly for the Treatment of Obesity. <em>New England Journal of Medicine</em>, v. 387, p. 205-216, 2022. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/35658024/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/35658024/</a>. Acesso em: 7 set. 2026.</p></li><li><p>WILDING, John P. H. et al. Once-Weekly Semaglutide in Adults with Overweight or Obesity. <em>New England Journal of Medicine</em>, v. 384, p. 989-1002, 2021. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33567185/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33567185/</a>. Acesso em: 7 set. 2026.</p></li><li><p>ARONNE, Louis J. et al. Tirzepatide as Compared with Semaglutide for the Treatment of Obesity. <em>New England Journal of Medicine</em>, v. 393, p. 26-36, 2025. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/40353578/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/40353578/</a>. Acesso em: 7 set. 2026.</p></li><li><p>WILDING, John P. H. et al. Weight regain and cardiometabolic effects after withdrawal of semaglutide: The STEP 1 trial extension. <em>Diabetes, Obesity and Metabolism</em>, v. 24, n. 8, p. 1553-1564, 2022. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/35441470/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/35441470/</a>. Acesso em: 7 set. 2026.</p></li><li><p>AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. Anvisa aprova primeira caneta de semaglutida sintética análoga ao Ozempic para diabetes. Brasília, 26 maio 2026. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/noticias-anvisa/2026/anvisa-aprova-primeira-caneta-de-semaglutida-sintetica-analoga-ao-ozempic-para-diabetes">https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/noticias-anvisa/2026/anvisa-aprova-primeira-caneta-de-semaglutida-sintetica-analoga-ao-ozempic-para-diabetes</a>. Acesso em: 7 set. 2026.</p></li><li><p>ARONNE, Louis J. et al. Continued Treatment With Tirzepatide for Maintenance of Weight Reduction in Adults With Obesity. <em>JAMA</em>, v. 331, n. 1, p. 38-48, 2024. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/38078870/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/38078870/</a>. Acesso em: 7 set. 2026.</p></li></ol>]]></description><guid isPermaLink="false">1247</guid><pubDate>Mon, 07 Sep 2026 21:24:00 +0000</pubDate></item><item><title>Emagrecer e ganhar m&#xFA;sculo: quando a recomposi&#xE7;&#xE3;o funciona e quando priorizar</title><link>https://fisiculturismo.com.br/mat%C3%A9rias/diversos/emagrecer-e-ganhar-m%C3%BAsculo-quando-a-recomposi%C3%A7%C3%A3o-funciona-e-quando-priorizar-r1245/</link><description><![CDATA[
<p><img src="https://cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2026_09/emagrecer-ou-ganhar-musculo-capa.webp.4adf8816006b629d24f19f8eb785da7f.webp" /></p>
<p>Perder gordura, aumentar massa muscular e transformar o corpo ao mesmo tempo parece a estratégia perfeita. O problema surge quando a balança cai, a pessoa treina cinco vezes por semana, bate a meta de proteína e interpreta a ausência de hipertrofia como fracasso. Em <em>“Você está tentando ganhar músculo na hora errada”</em>, Danilo Lobo explica que emagrecimento e construção muscular máxima exigem prioridades nutricionais diferentes.</p>
<p>Durante o déficit calórico, manter a massa muscular enquanto a gordura diminui já pode representar um resultado excelente. A recomposição corporal existe, principalmente em iniciantes, pessoas que voltam a treinar e indivíduos com maior reserva de gordura. Ela não ocorre na mesma velocidade para todos e fica mais difícil com o avanço do treinamento.</p>
<p>A escolha correta não precisa ser emagrecer ou treinar. A musculação continua sendo uma das principais ferramentas para preservar músculo. O que muda é a expectativa: no déficit, ela protege o tecido conquistado. Depois, em manutenção ou pequeno superávit, o mesmo treino encontra um ambiente mais favorável para construir massa.</p>

<h2>Déficit calórico favorece perda de peso, não hipertrofia máxima</h2>
<p>Emagrecer exige consumir menos energia do que o organismo gasta ao longo do tempo. A dieta pode continuar rica em proteína, fibras, vitaminas e minerais, mas a energia disponível fica menor. Construir músculo, por outro lado, exige treinamento progressivo, aminoácidos, recuperação e energia suficiente para sustentar processos anabólicos.</p>
<p>Uma meta-análise comparou treinamento de força com e sem déficit energético. O déficit prejudicou os ganhos de massa magra, enquanto os ganhos de força permaneceram semelhantes. Na regressão, uma restrição próxima de 500 kcal por dia já apareceu como suficiente para impedir o aumento médio de massa magra.</p>
<p>Esse número não funciona como fronteira universal. O tamanho corporal, a quantidade de gordura, o nível de treino, o sono e a ingestão de proteína mudam a resposta. Ele mostra por que um déficit profundo e prolongado raramente combina com a melhor fase de hipertrofia.</p>

<h2>Preservar músculo durante o emagrecimento é progresso</h2>
<p>A pessoa acorda às 5 horas, treina com personal e repete a rotina de segunda a sexta. Depois perde vários quilos de gordura e se frustra porque a massa magra ficou no “zero a zero”. Essa leitura ignora o custo fisiológico de manter tecido muscular enquanto o corpo recebe menos energia.</p>
<p>O objetivo de um cutting no fisiculturismo é exatamente perder o máximo de gordura preservando o máximo de músculo. O mesmo princípio ajuda quem trata obesidade com dieta, exercício e, quando indicado, medicamentos. A balança não precisa registrar ganho de massa magra para que a estratégia tenha funcionado.</p>
<p>Medidas de cintura, fotografias padronizadas, cargas usadas nos exercícios e exames de composição corporal ajudam a interpretar o processo. Se o peso e a cintura caem enquanto a força é preservada, o treino pode estar cumprindo sua função mesmo sem novo músculo detectável.</p>

<h2>Quando emagrecer e ganhar músculo ao mesmo tempo é possível</h2>
<p>Iniciantes respondem a estímulos que seriam insuficientes para alguém treinado. Uma pessoa que começou com duas sessões semanais e avançou para três ou quatro pode perder gordura e ganhar pequena quantidade de massa magra. Quem retorna depois de meses parado também pode recuperar tecido previamente construído.</p>
<p>Um ensaio de prova de conceito mostra que a recomposição não é mito. Quarenta homens jovens passaram quatro semanas em déficit de aproximadamente 40% e treinaram seis dias por semana. O grupo que consumiu 2,4 g de proteína por kg por dia ganhou, em média, 1,2 kg de massa magra e perdeu 4,8 kg de gordura. Com 1,2 g/kg, o ganho de massa magra foi de 0,1 kg e a perda de gordura, 3,5 kg.</p>
<p>O resultado veio de um protocolo curto, supervisionado e muito intenso. Ele não promete que qualquer pessoa ganhará 1,2 kg de músculo em um mês. Massa magra inclui água e outros tecidos, os participantes eram jovens e o volume de treino não representa uma rotina comum.</p>

<h2>O “platô” da balança pode esconder recomposição</h2>
<p>O peso pode estacionar quando a perda de gordura e o ganho de massa magra acontecem juntos. Isso aparece com mais frequência no início do treinamento, quando a dieta deixa de ser tão restrita e a pessoa começa a treinar de forma consistente.</p>
<p>Antes de chamar qualquer semana sem queda de platô, compare pelo menos quatro sinais:</p>
<ul>
  <li><strong>Peso médio semanal:</strong> reduz o ruído de água, sal e conteúdo intestinal.</li>
  <li><strong>Circunferência da cintura:</strong> pode continuar diminuindo com peso estável.</li>
  <li><strong>Desempenho:</strong> mais carga ou repetições sugerem adaptação ao treino.</li>
  <li><strong>Composição corporal:</strong> use o mesmo método, equipamento e condições sempre que possível.</li>
</ul>
<p>Se peso, cintura e medidas permanecem iguais por semanas, talvez exista equilíbrio energético real. Se a cintura cai e a força aumenta, a balança parada pode representar uma mudança favorável.</p>

<h2>Quanto mais treinado, mais difícil fica recompor</h2>
<p>Os primeiros meses de musculação costumam oferecer ganhos rápidos porque quase qualquer sobrecarga representa um estímulo novo. Depois de seis meses, um ano, dois ou três anos de treino consistente, cada aumento exige programação, volume e recuperação mais precisos.</p>
<p>Esses períodos não são prazos rígidos. Genética, idade, histórico esportivo, alimentação e qualidade do treino alteram a velocidade. A regra útil é progressiva: quanto mais músculo já foi construído e quanto mais perto a pessoa está do próprio potencial, menor a chance de crescer rapidamente durante uma restrição calórica.</p>
<p>Para um praticante avançado e relativamente magro, tentar secar depressa e ganhar músculo ao mesmo tempo costuma produzir frustração. Dividir o ano em fases com prioridade clara torna o resultado mais mensurável.</p>

<h2>Perder peso devagar pode preservar mais massa magra</h2>
<p>Um ensaio com 24 atletas comparou perdas planejadas de 0,7% e 1,4% do peso corporal por semana. Todos incluíram quatro sessões de treinamento de força na rotina. O grupo mais lento levou cerca de 8,5 semanas e aumentou a massa magra em 2,1%. O grupo rápido concluiu em aproximadamente 5,3 semanas e ficou em -0,2%.</p>
<p>Os dois grupos perderam perto de 5,5% do peso. A restrição energética média foi de 19% no ritmo lento e 30% no rápido. O estudo foi pequeno, mas ilustra o custo de tentar acelerar uma fase em que desempenho e músculo precisam ser preservados.</p>
<p>Quem tem obesidade e indicação clínica pode precisar de uma velocidade diferente. O ritmo deve considerar risco metabólico, medicação, idade, função física e acompanhamento profissional.</p>

<h2>Canetas emagrecedoras não escolhem queimar músculo</h2>
<p>Semaglutida e tirzepatida reduzem ingestão energética ao aumentar saciedade e controlar fome. Elas não atacam seletivamente o músculo. Ainda assim, toda perda grande de peso pode incluir massa magra, principalmente quando faltam musculação, proteína, atividade diária e acompanhamento da velocidade de emagrecimento.</p>
<p>No subestudo de composição corporal do SURMOUNT-1, 160 participantes fizeram DXA no início e após 72 semanas. Com tirzepatida, o peso caiu 21,3%, a gordura, 33,9%, e a massa magra, 10,9%. Aproximadamente 75% do peso perdido foi gordura e 25%, massa magra. A proporção foi semelhante no placebo, embora a perda total tenha sido menor.</p>
<p>Massa magra não significa apenas músculo. Ela inclui água, órgãos, tecido conjuntivo e glicogênio. Mesmo assim, a redução reforça a necessidade de acompanhar força e função, principalmente em idosos, pessoas frágeis ou quem perde peso rapidamente.</p>

<h2>Musculação durante o déficit protege o que já foi construído</h2>
<p>Uma meta-análise de 2026 reuniu 34 ensaios randomizados e 1.455 participantes com sobrepeso ou obesidade. Adicionar exercício à restrição calórica preservou, em média, 0,87 kg de massa livre de gordura em comparação com dieta isolada. O exercício evitou cerca de 45,7% da perda dessa medida.</p>
<p>Treino misto apresentou estimativa de 1,20 kg a favor da preservação, e treinamento de força, 0,83 kg. As diferenças entre modalidades não foram conclusivas, mas os resultados sustentam a manutenção da musculação durante o emagrecimento.</p>
<p>Transformar toda sessão em circuito com repetições altas e descansos curtos pode elevar a frequência cardíaca e o gasto da sessão. Isso não é obrigatório para perder gordura e pode reduzir a carga usada. Para preservar músculo, mantenha exercícios estáveis, esforço suficiente e alguma progressão ou manutenção de desempenho.</p>

<h2>Cutting e bulking são fases, não extremos</h2>
<table>
  <thead>
    <tr><th>Fase</th><th>Prioridade</th><th>Alimentação</th><th>Meta do treino</th></tr>
  </thead>
  <tbody>
    <tr><td>Perda de gordura</td><td>Reduzir gordura e preservar músculo</td><td>Déficit calórico compatível com adesão e recuperação</td><td>Manter força, técnica e volume recuperável</td></tr>
    <tr><td>Recomposição</td><td>Reduzir gordura enquanto constrói pequena quantidade de músculo</td><td>Déficit leve ou manutenção, proteína adequada</td><td>Progredir, especialmente em iniciantes e retornos</td></tr>
    <tr><td>Ganho muscular</td><td>Maximizar hipertrofia com mínimo ganho de gordura</td><td>Manutenção alta ou pequeno superávit</td><td>Aumentar gradualmente cargas, repetições e volume</td></tr>
  </tbody>
</table>
<p>Bulking não significa comer sem limite. Um excesso grande acelera o ganho de gordura e exige cutting mais longo depois. Da mesma forma, cutting não significa cortar carboidrato, gordura e micronutrientes indiscriminadamente. São prioridades energéticas com controle.</p>

<h2>A hora de sair do déficit</h2>
<p>Depois de alcançar uma faixa de gordura e peso adequada, algumas pessoas continuam com medo de comer mais. O peso não sobe, a força estagna e a hipertrofia não aparece. A transição começa ao aproximar a ingestão da manutenção e observar peso médio, cintura, desempenho e fome.</p>
<p>Uma fase voltada a ganho muscular faz sentido quando:</p>
<ul>
  <li>o objetivo principal deixou de ser reduzir gordura</li>
  <li>a ingestão já cobre treino e recuperação</li>
  <li>a força estagnou por semanas apesar de programação coerente</li>
  <li>o sono e a rotina permitem recuperar o volume de treino</li>
  <li>a pessoa aceita pequenas variações de peso sem abandonar a estratégia</li>
</ul>
<p>Testosterona, oxandrolona ou outro esteroide não corrigem uma dieta que continua restrita por medo de recuperar gordura. Acrescentar fármacos sem indicação expõe a riscos e deixa intacto o erro de planejamento.</p>

<h2>Um plano em duas etapas reduz frustração</h2>
<ol>
  <li><strong>Defina a prioridade atual:</strong> perder gordura, recompor ou ganhar músculo.</li>
  <li><strong>Escolha a métrica certa:</strong> cintura e gordura na perda, desempenho e medidas musculares no ganho.</li>
  <li><strong>Mantenha musculação em todas as fases:</strong> o papel muda de preservação para construção, mas o estímulo permanece necessário.</li>
  <li><strong>Ajuste a velocidade:</strong> déficits mais agressivos podem comprometer massa magra, desempenho e adesão.</li>
  <li><strong>Reavalie por blocos:</strong> algumas semanas mostram tendência melhor que avaliações isoladas.</li>
  <li><strong>Mude de fase deliberadamente:</strong> ao concluir o emagrecimento, aumente a energia de forma controlada e passe a medir progresso muscular.</li>
</ol>

<h2>Conclusão</h2>
<p>Emagrecer e ganhar músculo ao mesmo tempo é possível, mas não deve ser tratado como resultado obrigatório. Iniciantes, pessoas que retornam ao treino e indivíduos com maior reserva de gordura têm mais espaço para recomposição. Quanto maior a experiência e menor a gordura corporal, mais difícil fica crescer em déficit.</p>
<p>Durante a perda de peso, preservar força e massa muscular já representa sucesso. Um ensaio encontrou ganho de massa magra com proteína alta e treinamento intenso, enquanto outro mostrou vantagem de perder 0,7% em vez de 1,4% do peso por semana. Com tirzepatida, cerca de 25% do peso perdido no subestudo de DXA foi massa magra, o que reforça a importância da musculação.</p>
<p>A estratégia mais clara é definir a fase. Reduza gordura com déficit controlado, proteína adequada e treinamento de força. Ao atingir o objetivo, ajuste a ingestão para manutenção ou pequeno superávit e transfira a prioridade para hipertrofia. Construir músculo leva anos, e alinhar a expectativa evita abandonar um processo que estava funcionando.</p>

<h2>FAQ</h2>
<h3>É possível emagrecer e ganhar massa muscular ao mesmo tempo?</h3>
<p>Sim, principalmente em iniciantes, pessoas que voltam a treinar e indivíduos com maior reserva de gordura. A probabilidade diminui conforme aumenta a experiência e o déficit se torna mais agressivo.</p>
<h3>Manter massa muscular durante o emagrecimento é um bom resultado?</h3>
<p>Sim. Preservar massa magra enquanto a gordura diminui é uma das principais metas de um emagrecimento bem planejado.</p>
<h3>Um platô na balança pode ser ganho de músculo?</h3>
<p>Pode, mas não deve ser presumido. Compare cintura, fotografias, força e composição corporal. Peso e medidas estáveis por semanas sugerem equilíbrio energético.</p>
<h3>Canetas como tirzepatida e semaglutida queimam músculo?</h3>
<p>Elas não selecionam músculo como alvo, mas perdas grandes de peso incluem alguma massa magra. Musculação, proteína, ritmo adequado e acompanhamento ajudam a preservar tecido e função.</p>
<h3>Preciso fazer muitas repetições para emagrecer?</h3>
<p>Não. Repetições altas e descansos curtos podem elevar o gasto durante a sessão, mas a perda de gordura depende do déficit energético. A musculação deve manter estímulo suficiente para preservar força e músculo.</p>
<h3>Quando devo começar uma fase de ganho muscular?</h3>
<p>Quando a redução de gordura deixar de ser a prioridade e alimentação, treino e recuperação permitirem progressão. A transição pode passar pela manutenção antes de um pequeno superávit.</p>

<h2>Referências</h2>
<ol>
  <li>LOBO, Danilo. Você está tentando ganhar músculo na hora ERRADA. YouTube, 4 jul. 2026. Disponível em: <a href="https://www.youtube.com/watch?v=E2E7A_ouIjo" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://www.youtube.com/watch?v=E2E7A_ouIjo</a>. Acesso em: 7 set. 2026.</li>
  <li>MURPHY, C.; KOEHLER, K. Energy deficiency impairs resistance training gains in lean mass but not strength: a meta-analysis and meta-regression. <em>Scandinavian Journal of Medicine &amp; Science in Sports</em>, v. 32, n. 1, p. 125–137, 2022. Disponível em: <a href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34623696/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34623696/</a>. Acesso em: 7 set. 2026.</li>
  <li>LONGLAND, T. M. et al. Higher compared with lower dietary protein during an energy deficit combined with intense exercise promotes greater lean mass gain and fat mass loss. <em>The American Journal of Clinical Nutrition</em>, v. 103, n. 3, p. 738–746, 2016. Disponível em: <a href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/26817506/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/26817506/</a>. Acesso em: 7 set. 2026.</li>
  <li>GARTHE, I. et al. Effect of two different weight-loss rates on body composition and strength and power-related performance in elite athletes. <em>International Journal of Sport Nutrition and Exercise Metabolism</em>, v. 21, n. 2, p. 97–104, 2011. Disponível em: <a href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/21558571/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/21558571/</a>. Acesso em: 7 set. 2026.</li>
  <li>LOOK, M. et al. Body composition changes during weight reduction with tirzepatide in the SURMOUNT-1 study of adults with obesity or overweight. <em>Diabetes, Obesity and Metabolism</em>, v. 27, n. 5, p. 1902–1911, 2025. Disponível em: <a href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/39996356/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/39996356/</a>. Acesso em: 7 set. 2026.</li>
  <li>DELLER, M. et al. Effects of Calorie Restriction With and Without Strength, Endurance or Mixed Training on Fat-Free and Skeletal Muscle Mass in Overweight or Obese Individuals. <em>Diabetes, Obesity and Metabolism</em>, v. 28, n. 8, p. 6810–6823, 2026. Disponível em: <a href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/42144246/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/42144246/</a>. Acesso em: 7 set. 2026.</li>
</ol>]]></description><guid isPermaLink="false">1245</guid><pubDate>Mon, 07 Sep 2026 14:25:44 +0000</pubDate></item><item><title>Fisiculturismo feminino: quem responde pelos extremos?</title><link>https://fisiculturismo.com.br/mat%C3%A9rias/diversos/fisiculturismo-feminino-quem-responde-pelos-extremos-r1241/</link><description><![CDATA[
<p><img src="https://cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2026_09/capa-v2.webp.67131d0048749af8f52058f7ab991708.webp" /></p>
<p>Se uma competição premia cada vez mais tamanho e definição, faz sentido culpar apenas as mulheres que se preparam para vencer? Em <em>A situação do fisiculturismo feminino é pior do que imaginávamos</em>, o canal Sofa Especialist defende que a arbitragem ajudou a construir o padrão que depois passou a ser usado contra as próprias competidoras. A provocação merece debate: <strong>a responsabilidade não pode terminar nas atletas</strong>. [1]</p><p>Esta é uma análise de opinião sobre os incentivos do fisiculturismo feminino. Seu argumento central é que federações, organizadores e juízes precisam responder pelo rumo das categorias que administram. Isso não autoriza transformar preferência estética em diagnóstico de saúde, nem reduzir uma mulher ao quanto seu corpo agrada ao público.</p><h2>O pódio ensina qual físico vale a pena construir</h2><p>Nos anos 1980 e 1990, a presença de mulheres musculosas em revistas, televisão e publicidade compõe a lembrança de uma fase de maior aproximação com o público. A interpretação defendida aqui é que a busca posterior por físicos mais extremos dificultou essa relação. Essa leitura histórica, porém, não equivale a uma série de dados de audiência capaz de provar que toda a mudança comercial decorreu do tamanho muscular. [1]</p><p>Dentro de uma competição estética, o resultado tem uma função que vai além de distribuir medalhas. Ele sinaliza o que será valorizado na próxima preparação. A sequência é simples:</p><ol><li><p><strong>O pódio define a referência.</strong> As características das vencedoras ganham autoridade prática.</p></li><li><p><strong>A referência vira meta.</strong> Atletas e treinadores ajustam o desenvolvimento físico ao padrão vencedor.</p></li><li><p><strong>A meta orienta a próxima disputa.</strong> Se mais volume, densidade e definição continuam sendo recompensados, crescer e chegar mais condicionada parecem caminhos competitivos previsíveis.</p></li></ol><p>A aparência de pele fina, com separação muscular muito evidente, também entra nessa corrida. O problema surge quando o padrão avança sucessivamente e, depois, a organização trata o resultado como uma escolha isolada das competidoras. Uma atleta pode decidir como se preparar, mas não decide sozinha quais características recebem o primeiro lugar.</p><p>As regras da IFBB Professional League organizam o Women's Bodybuilding com poses obrigatórias e comparações conduzidas pela arbitragem. Isso ajuda a localizar quem operacionaliza a avaliação. O regulamento, por si só, não comprova que os juízes tenham ordenado uma escalada farmacológica ou causado perda de audiência. [2]</p><h2>Iris Kyle: 10 títulos e o peso de representar um padrão</h2><p><strong>Iris Kyle conquistou 10 títulos de Ms. Olympia</strong>. O décimo veio em 2014, conquista registrada em entrevista realizada pela Generation Iron após a vitória. Seu domínio é o exemplo mais forte da distância que pode existir entre excelência competitiva e aceitação fora do ambiente especializado. [3]</p><p>Vencer repetidamente significa ter correspondido ao julgamento aplicado àquela disputa. Por isso, não é coerente celebrar uma campeã como referência técnica e depois tratá-la como culpada solitária pelo padrão que suas vitórias consolidaram.</p><p>Iris representa, nessa crítica, a atleta que executa com disciplina os critérios valorizados e recebe pessoalmente a rejeição dirigida ao resultado. A campeã acaba absorvendo ataques que também deveriam provocar perguntas sobre a mesa de julgamento: o que foi premiado, por quanto tempo e com quais consequências para a categoria?</p><p>Essa discussão tem um limite: <strong>o histórico de títulos e a aparência de Iris não permitem reconstruir seu uso de medicamentos</strong>. Não há na fonte documentação clínica de um protocolo individual. Associar genericamente a elite a preparações arriscadas não comprova quais substâncias uma pessoa utilizou, suas doses ou os efeitos que sofreu.</p><h2>Ms. Olympia: a interrupção após 2014 e o retorno em 2020</h2><p>A cronologia precisa ficar clara: <strong>houve Ms. Olympia em 2014, a disputa ficou ausente de 2015 a 2019 e retornou em 2020</strong>. Portanto, não se trata de dizer que a edição de 2014 não aconteceu ou que todo o fisiculturismo feminino deixou de existir. [3, 4]</p><p>Em 2015, o Rising Phoenix foi criado pela Wings of Strength em conjunto com Tim Gardner para oferecer uma competição de referência mundial às atletas. O comunicado da organizadora também registra a parceria com o Olympia em 2019 e o anúncio da volta do Ms. Olympia para 2020. A modalidade continuou encontrando caminhos competitivos durante a interrupção. [4]</p><h3>Baixo interesse comercial não explica sozinho a responsabilidade</h3><p>A hipótese comercial é que a categoria perdeu apelo para uma parcela do público. Mesmo que essa hipótese seja aceita, ainda falta discutir como os padrões foram construídos e quais decisões de promoção, exposição e organização influenciaram a demanda.</p><p>Culpar exclusivamente as atletas por uma suposta falta de interesse ignora que elas competiam segundo uma avaliação institucional. Quem organiza o espetáculo e quem decide seus resultados também participa da definição do produto oferecido ao público.</p><p>Ao mesmo tempo, afirmações de arquibancadas sempre vazias ou de rejeição generalizada exigiriam dados de ocupação, vendas e audiência. A opinião de origem não apresenta essa série de dados. A crítica aos incentivos permanece pertinente como argumento, mas não demonstra uma causa única para a interrupção do Ms. Olympia. [1]</p><h2>Andrea Shaw e Natalia Amazonka: palco e redes premiam coisas diferentes</h2><h3>Andrea Shaw e a vitória no retorno do Ms. Olympia</h3><p><strong>Andrea Shaw venceu o Ms. Olympia em 2020</strong>, justamente na retomada da disputa. Seu histórico competitivo está registrado pela Wings of Strength. Ela simboliza a continuidade de uma categoria que exige grande desenvolvimento muscular e condicionamento. [5]</p><p>Na avaliação estética defendida nesta análise, Andrea combina esse volume com uma apresentação capaz de ampliar a identificação do público. Isso é um julgamento de imagem, não a comprovação de que a federação tenha publicado uma política de “feminilidade ideal” ou decidido deliberadamente construir uma campeã para reparar sua reputação.</p><p>Uma campeã pode ser admirada pelo físico e pela apresentação sem precisar representar um limite universal de como mulheres devem parecer. O desafio institucional é explicar os critérios e aplicá-los com consistência, sem transferir às atletas a obrigação de satisfazer todas as expectativas sociais.</p><h3>Natalia Amazonka e a atenção ao físico extremo</h3><p>A russa <strong>Natalia Amazonka</strong> ocupa o outro lado da comparação: a visibilidade de um físico muito musculoso nas redes sociais. Segundo a análise de Sofa Especialist, ela tem <strong>quase 1,70 m de altura, peso que por vezes ultrapassa 100 kg, 50 cm de braço e levantamento terra acima de 240 kg</strong>. [1]</p><p>Esses números não vêm acompanhados de data de aferição, método de medição ou registro de competição que homologue a carga. Devem ser entendidos como medidas e desempenho atribuídos a Natalia, não como uma ficha antropométrica atual certificada. O rótulo de “mulher mais musculosa do mundo” também não define, sozinho, um recorde verificável.</p><p>O caso desafia a ideia de que um físico extremo necessariamente afasta toda audiência. Uma imagem pode despertar admiração, curiosidade ou surpresa e encontrar um público específico. Isso não significa que visualizações se convertam automaticamente em ingressos, assinaturas ou interesse em acompanhar um campeonato inteiro.</p><p><strong>O palco distribui colocações. As redes distribuem atenção.</strong> Andrea representa o êxito dentro de uma competição julgada. Natalia ilustra a visibilidade digital para uma estética extrema. As duas formas de reconhecimento podem coexistir, mas uma não mede o sucesso da outra. Essa comparação tampouco exige afirmar que Natalia nunca participou de competições.</p><h2>Saúde não pode ser deduzida pelo tamanho muscular</h2><p>A preocupação com preparações farmacológicas merece ser levada a sério. Em estudo qualitativo com <strong>16 mulheres com uso atual ou anterior de esteroides anabolizantes</strong>, Havnes e colegas investigaram experiências com alterações corporais e seus impactos pessoais. As entrevistas descreveram mudanças na voz, na menstruação e na genitália, além de dificuldades de autoestima e convivência social. [6]</p><p>Os pesquisadores alertam para efeitos de virilização que podem ser irreversíveis. O trabalho não estima a frequência desses problemas entre todas as fisiculturistas e não permite diagnosticar Iris, Andrea ou Natalia. Seu valor é mostrar que as consequências não se encerram na aparência apresentada ao palco. [6]</p><p>Criticar incentivos que favoreçam exposições perigosas é diferente de presumir que toda mulher muito musculosa tem a mesma história clínica. Quem utiliza anabolizantes precisa de avaliação por profissionais de saúde habilitados. Este texto é informativo e não substitui acompanhamento individual.</p><h2>O que cobrar da arbitragem e da organização</h2><p>O público participa do financiamento por meio de <strong>ingressos, pay-per-view e produtos de patrocinadores</strong>. Ignorar essa relação pode comprometer a sustentabilidade de um evento. Mas “o público” reúne interesses diferentes, como a própria comparação entre campeonato e redes sociais demonstra.</p><p>A cobrança mais consistente não é obrigar todas as atletas a buscar uma aparência única. É exigir coerência entre julgamento, comunicação e promoção. Três perguntas ajudam a tornar essa discussão concreta:</p><ul><li><p><strong>O tamanho foi recompensado antes de ser criticado?</strong> Se sim, a análise precisa incluir quem distribuiu as colocações, não apenas quem desenvolveu o físico.</p></li><li><p><strong>A alegação de desinteresse tem dados?</strong> Vendas, ocupação e audiência são evidências mais úteis do que comentários isolados sobre a aparência das atletas.</p></li><li><p><strong>A cobrança recai sobre o critério ou sobre a mulher?</strong> Discutir volume, condicionamento e apresentação não exige insultos, diagnósticos à distância ou questionamentos sobre o valor pessoal da competidora.</p></li></ul><p>A mesma pergunta sobre escalada de tamanho aparece em <strong>Physique e Bikini</strong>: se uma categoria passa a ser considerada “grande demais”, quais resultados incentivaram esse crescimento? É uma provocação sobre consistência de julgamento, não a afirmação de que categorias diferentes tenham a mesma proposta ou precisem do mesmo físico.</p><h2>Conclusão</h2><p>O fisiculturismo feminino não pode premiar um padrão durante anos e depois explicar seus problemas apenas pelas escolhas das atletas. Iris Kyle, a interrupção do Ms. Olympia, o retorno com Andrea Shaw e a visibilidade de Natalia Amazonka ajudam a discutir incentivos, responsabilidade institucional e diferentes formas de interesse do público.</p><p>A opinião mais defensável é cobrar de juízes e organizadores a responsabilidade proporcional ao poder que exercem. As competidoras continuam tendo escolhas, mas fazem essas escolhas dentro de um ambiente que valoriza determinados resultados. Respeitar seu trabalho e discutir riscos à saúde são atitudes compatíveis.</p><p>Antes de perguntar por que uma atleta ficou “grande demais”, vale perguntar quem transformou aquele tamanho em vantagem competitiva.</p><h2>FAQ</h2><h3>A arbitragem influencia o tamanho das fisiculturistas?</h3><p>As colocações sinalizam quais características têm valor competitivo e podem orientar as preparações seguintes. Isso sustenta a crítica aos incentivos, mas não prova que os juízes determinem todas as escolhas individuais.</p><h3>O Ms. Olympia acabou em 2014?</h3><p>A edição de 2014 aconteceu. Depois, a disputa ficou ausente de 2015 a 2019 e voltou em 2020. Outras competições, como o Rising Phoenix, mantiveram espaço para o Women's Bodybuilding durante esse período.</p><h3>Quantos títulos de Ms. Olympia Iris Kyle conquistou?</h3><p>Iris Kyle conquistou 10 títulos. O décimo foi obtido em 2014 e ilustra seu domínio competitivo, sem permitir conclusões sobre protocolos farmacológicos individuais.</p><h3>Popularidade nas redes prova que uma categoria vende ingressos?</h3><p>Não. Atenção digital e compra de acesso a um campeonato são comportamentos diferentes. O interesse por Natalia Amazonka ajuda a questionar a rejeição universal a físicos extremos, mas não substitui dados comerciais de eventos.</p><h3>É possível avaliar a saúde de uma atleta pela aparência?</h3><p>Não. Tamanho muscular e definição não revelam histórico clínico, substâncias utilizadas ou efeitos adversos. Riscos associados a anabolizantes precisam ser discutidos com evidências e avaliados individualmente.</p><h2>Referências</h2><ol><li><p>SOFA ESPECIALIST. <em>A situação do fisiculturismo feminino é pior do que imaginávamos</em>. YouTube, 4 ago. 2026. 1 vídeo (11 min 26 s). Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.youtube.com/watch?v=K5SBMPoZxks">https://www.youtube.com/watch?v=K5SBMPoZxks</a>. Acesso em: 6 set. 2026.</p></li><li><p>IFBB PROFESSIONAL LEAGUE. <em>Pro Competition Rules</em>. [S. l.], [s. d.]. Seção Women's Bodybuilding. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.ifbbpro.com/rules/">https://www.ifbbpro.com/rules/</a>. Acesso em: 6 set. 2026.</p></li><li><p>GI TEAM. <em>Iris Kyle right after winning 10th Ms. Olympia</em>. Generation Iron, 25 set. 2014. Entrevista após a conquista. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://generationiron.com/iris-kyle-right-winning-10th-ms-olympia/">https://generationiron.com/iris-kyle-right-winning-10th-ms-olympia/</a>. Acesso em: 6 set. 2026.</p></li><li><p>WINGS OF STRENGTH. <em>Rising Phoenix Invitational</em>. Phoenix, 3 jan. 2020. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://wingsofstrength.net/rising-phoenix-invitational/">https://wingsofstrength.net/rising-phoenix-invitational/</a>. Acesso em: 6 set. 2026.</p></li><li><p>WINGS OF STRENGTH. <em>Andrea Shaw</em>. [S. l.], [s. d.]. Perfil e histórico competitivo. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://wingsofstrength.net/ambassador/andrea-shaw-2/">https://wingsofstrength.net/ambassador/andrea-shaw-2/</a>. Acesso em: 6 set. 2026.</p></li><li><p>HAVNES, Ingrid Amalia et al. Anabolic-androgenic steroid use among women: a qualitative study on experiences of masculinizing, gonadal and sexual effects. <em>International Journal of Drug Policy</em>, v. 95, art. 102876, 2021. Publicação antecipada em 28 jul. 2020. DOI: 10.1016/j.drugpo.2020.102876. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32736958/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32736958/</a>. Acesso em: 6 set. 2026.</p></li></ol>]]></description><guid isPermaLink="false">1241</guid><pubDate>Sun, 06 Sep 2026 22:33:00 +0000</pubDate></item><item><title>Autonomia no envelhecimento: 3 capacidades al&#xE9;m da for&#xE7;a</title><link>https://fisiculturismo.com.br/mat%C3%A9rias/diversos/autonomia-no-envelhecimento-3-capacidades-al%C3%A9m-da-for%C3%A7a-r1232/</link><description><![CDATA[
<p><img src="https://cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2026_09/fisiculturista-80-anos-banco-supino-capa.webp.9dd3fb1d36d69940ea6dbeacfdb9a67c.webp" /></p>
<p>Levantar da cadeira sem usar as mãos, vestir uma meia sem perder o equilíbrio e descer uma escada com segurança exigem mais do que músculos grandes. Para chegar aos 80 anos com independência, importa também conseguir produzir força rapidamente, perceber a posição do corpo e movimentar as articulações com controle.</p><p>Em “ALÉM DA MUSCULAÇÃO | as práticas diárias que preservam sua autonomia até os 80+ anos”, a médica Luciana Haddad, do FalaLu!, defende que potência, equilíbrio e mobilidade precisam acompanhar o treinamento de força. A preparação começa antes da velhice, mas continua fazendo sentido para quem já passou dos 50 ou dos 60 anos.</p><h2>Força, potência, equilíbrio e mobilidade não são a mesma coisa</h2><p>Força é a capacidade de produzir tensão para vencer ou sustentar uma resistência. Potência combina força e velocidade. Quando você tropeça na guia, não basta conseguir fazer força: é preciso reposicionar o pé a tempo de recuperar a estabilidade. Empurrar o apoio da cadeira para levantar também depende da capacidade de movimentar o corpo, não apenas de sustentar uma carga.</p><p>O equilíbrio mantém o corpo estável parado ou em movimento. A propriocepção informa a posição e o movimento das partes do corpo por meio de sensores nos músculos, tendões e articulações. Ela trabalha em conjunto com a visão e o sistema vestibular, localizado no ouvido interno, para ajustar a postura sem que você precise olhar para cada membro.</p><p>Já a mobilidade é a amplitude de movimento que você consegue usar com controle. Girar o tronco para olhar para trás, alcançar uma prateleira alta e agachar exigem essa combinação. Ser colocado passivamente em determinada posição não significa conseguir entrar nela e sair dela com autonomia.</p><p>A musculação continua sendo uma base importante. Entretanto, um programa restrito a repetições lentas, apoios estáveis e movimentos curtos pode deixar de trabalhar algumas dessas exigências. Isso não torna as máquinas inúteis nem significa que toda musculação limite a mobilidade. O problema é esperar que um único tipo de estímulo resolva todas as necessidades de movimento.</p><h2>Potência muscular: reagir rápido também precisa de treino</h2><p>A potência tende a diminuir mais cedo e mais rapidamente do que a força máxima com o avanço da idade. Essa perda pode aparecer em tarefas como levantar do chão, subir num banco ou recuperar um passo em falso, mesmo quando a pessoa ainda consegue movimentar uma carga considerável devagar.</p><p>As fibras musculares do tipo I têm contração mais lenta e participam de esforços sustentados. As do tipo II conseguem produzir força mais rapidamente. O envelhecimento está associado a alterações neuromusculares e à atrofia preferencial dessas fibras rápidas. Por isso, preservar massa muscular não é apenas uma questão de aparência: também envolve manter capacidade de resposta.</p><h3>O que os atletas mais velhos ajudam a entender</h3><p>Um estudo de 2023 comparou homens com mais de 70 anos, incluindo atletas com longa trajetória de treinamento de força ou de endurance, com adultos jovens. Os atletas de força apresentaram características das fibras rápidas e indicadores neuromusculares mais próximos dos jovens do que os demais grupos mais velhos.</p><p>Esse resultado reforça o valor de manter o treino de força ao longo da vida, mas não prova que qualquer pessoa terá a mesma resposta. Foi uma comparação entre grupos selecionados, não um experimento que acompanhou pessoas aleatoriamente desde a juventude. A amostra também era masculina.</p><p>Na prática, força e velocidade podem coexistir no programa. Uma parte do treino pode trabalhar a intenção de executar a fase de subida mais rapidamente, mantendo a descida controlada, com exercício e resistência compatíveis com a capacidade da pessoa. Pliometria, saltos e salto na caixa são possibilidades para quem tem preparo, não requisitos universais para envelhecer bem.</p><p><strong>Carga alta é relativa à capacidade individual.</strong> Não significa usar a maior quantidade possível de peso nem tentar mover rapidamente uma carga que já compromete a técnica. Descanso e recuperação também precisam acompanhar a progressão, especialmente quando entram estímulos novos.</p><h2>Equilíbrio: o que significam os testes de 10 segundos e de levantar do chão</h2><p>Dois estudos brasileiros ajudam a mostrar por que vale observar tarefas simples. Eles avaliaram a relação entre desempenho físico e mortalidade, mas não demonstraram que passar em um teste, por si só, prolonga a vida.</p><h3>Ficar em um pé só por 10 segundos</h3><p>Uma pesquisa acompanhou 1.702 pessoas de 51 a 75 anos. Quem não conseguiu permanecer 10 segundos em apoio unipodal apresentou uma medida ajustada de risco de mortalidade de 1,84 em relação a quem conseguiu, ao longo de um acompanhamento mediano de sete anos. É daí que vem a expressão “quase duas vezes maior”.</p><p>O resultado é uma associação observacional. Falhar não determina quanto alguém vai viver, e conseguir completar o teste não elimina outros riscos. O desempenho pode servir como sinal para avaliar melhor a capacidade funcional junto com o histórico de saúde.</p><h3>Sentar e levantar do chão com menos apoios</h3><p>Outro estudo avaliou 2.002 adultos de 51 a 80 anos com um teste de sentar e levantar do chão. O uso de mãos, joelhos e outros apoios, além da instabilidade, reduz a pontuação. Escores mais baixos se associaram a maior mortalidade no acompanhamento mediano de 6,3 anos.</p><p>O teste reúne várias exigências ao mesmo tempo, como força, equilíbrio, coordenação e amplitude de movimento. Ele não identifica sozinho a causa de uma dificuldade e não deve virar competição doméstica. Quem tem dor, tontura, histórico de quedas ou insegurança deve fazer a avaliação com um profissional e usar os apoios necessários.</p><h2>Exercícios de equilíbrio ajudam a reduzir quedas</h2><p>A evidência sobre prevenção de quedas não se limita a esses testes. Uma revisão Cochrane de 2019 reuniu 108 ensaios randomizados, com 23.407 participantes idosos que viviam na comunidade. Na análise da taxa de quedas, 59 estudos com 12.981 participantes mostraram redução de 23% com exercício, aproximadamente um quarto.</p><p>Programas de equilíbrio e exercícios funcionais apresentaram redução de 24% na taxa de quedas. Essa taxa contabiliza eventos ao longo do acompanhamento, não é o mesmo que a proporção de pessoas que caíram. Também não significa que qualquer exercício isolado produza esse resultado: foram programas, com características e durações próprias.</p><h3>Como incluir desafios simples na rotina</h3><ul><li><p><strong>Apoio em uma perna:</strong> em piso seco e firme, ao lado de uma bancada estável, retire um pé do chão apenas se conseguir manter segurança. Alterne os lados e use a mão como apoio quando necessário.</p></li><li><p><strong>Associar o equilíbrio a um hábito:</strong> para quem já tem estabilidade, a escovação dos dentes pode lembrar a prática de apoio unipodal, alternando a perna entre momentos da escovação. Se a tarefa dividida aumentar a insegurança, faça o exercício separadamente.</p></li><li><p><strong>Levantar da cadeira:</strong> use uma cadeira firme, que não deslize. Reduza a ajuda das mãos conforme a capacidade, sem transformar a retirada do apoio em obrigação.</p></li><li><p><strong>Exercícios unilaterais no treino:</strong> movimentos com um lado de cada vez podem compor o programa, com apoio e orientação compatíveis com o nível de equilíbrio.</p></li></ul><p>Essas práticas não precisam de equipamentos sofisticados, mas precisam de um ambiente seguro. Calçar uma meia em pé é um exemplo de demanda funcional, não um desafio recomendado a quem corre risco de cair. Sentar para se vestir é uma adaptação sensata quando necessário.</p><h2>Tendões: ganhar força rápido não autoriza aumentar tudo de uma vez</h2><p>Os tendões transmitem a força dos músculos aos ossos. A sensação de ficar mais forte pode surgir em poucas semanas, mas isso não significa que todos os tecidos estejam prontos para um aumento brusco de carga, volume ou impacto.</p><p>Um estudo com carbono-14 investigou a renovação do núcleo do tendão de Aquiles. Os resultados indicaram que essa região se forma principalmente durante o crescimento, aproximadamente nos primeiros 17 anos de vida, e apresenta renovação muito limitada depois disso. No tecido muscular analisado, a renovação era contínua.</p><p>Isso não significa que o tendão inteiro seja incapaz de mudar ou que uma lesão não possa melhorar. Renovação do tecido e adaptação mecânica são processos diferentes.</p><p>Uma meta-análise de 2015 encontrou adaptações dos tendões à sobrecarga, especialmente relacionadas à intensidade do estímulo. O aumento de rigidez mecânica, nesse contexto, significa maior resistência à deformação, não uma articulação “travada”. Os estudos incluíam adultos saudáveis de 18 a 50 anos, o que limita a aplicação direta dos resultados a pessoas idosas ou com tendinopatia.</p><p>Programas mais longos apresentaram tendência a maiores efeitos, mas a comparação entre durações não foi estatisticamente conclusiva. Portanto, não existe um prazo único que autorize todo mundo a subir a carga. A progressão precisa considerar resposta ao treino, técnica e sintomas, e não apenas a disposição muscular naquele dia.</p><h2>Mobilidade: usar a amplitude que você consegue controlar</h2><p>Agachar e voltar, alcançar objetos acima da cabeça e girar o corpo pedem amplitude útil. Treinar força sem abandonar essa amplitude pode trabalhar duas necessidades no mesmo exercício, desde que a carga não obrigue a encurtar ou desorganizar o movimento.</p><p>Uma revisão sistemática com 55 estudos, publicada em 2023, encontrou melhora da amplitude articular com treinamento resistido. Na comparação com alongamento, não houve diferença estatisticamente significativa entre os métodos. Isso sustenta a possibilidade de desenvolver mobilidade com cargas, mas não prova que ambos sejam idênticos em qualquer situação.</p><p>Pessoas sedentárias ou não treinadas tiveram ganhos maiores de amplitude do que participantes ativos ou treinados. Essa classificação não equivale a um diagnóstico de “encurtamento”, nem permite prometer quem terá o maior benefício individual.</p><p><strong>Amplitude completa deve respeitar a anatomia, o controle e a condição da articulação.</strong> Não é forçar profundidade com dor nem exigir que todas as pessoas agachem até o chão. Alongamentos podem continuar úteis conforme o objetivo e a avaliação. Começar a treinar depois dos 50 ainda pode melhorar capacidades importantes, sem a exigência de recuperar imediatamente movimentos que ficaram anos fora da rotina.</p><h2>Como as prioridades mudam dos 20 aos 60 anos ou mais</h2><p>As faixas etárias ajudam a organizar prioridades, mas não são fronteiras biológicas rígidas. Histórico de treinamento, doenças, limitações e objetivos importam mais do que copiar uma rotina apenas porque alguém tem a mesma idade.</p><h3>Dos 20 aos 30 e poucos: construir uma base duradoura</h3><p>Treinar força com consistência, preservar amplitude e experimentar movimentos que exijam equilíbrio cria uma base para as décadas seguintes. Exercícios com uma perna ou um lado de cada vez podem entrar nessa construção, sem dispensar técnica por se tratar de alguém jovem.</p><p>Músculos e ossos podem ser entendidos como um patrimônio físico, mas não como uma reserva intocável: o que foi construído precisa continuar sendo estimulado. Ter sido forte no passado não substitui manter-se ativo no presente.</p><h3>Dos 40 aos 50 e poucos: manter força e não esquecer a velocidade</h3><p>A manutenção passa a ser mais deliberada. Vale conferir se o treino conserva amplitude, se inclui alguma tarefa de produção rápida de força e se oferece desafios de equilíbrio apropriados.</p><p>Uma fase de movimento executada mais rapidamente pode ser uma alternativa aos saltos. Para quem já tem experiência e condições adequadas, a pliometria pode compor o programa. Equilíbrio também pode entrar em blocos próprios ou entre exercícios, desde que não seja praticado num estado de fadiga que comprometa a segurança.</p><h3>A partir dos 60: potência e equilíbrio deixam de ser detalhe</h3><p>A prioridade não é abandonar o treino de força, mas garantir espaço para tarefas funcionais e respostas rápidas compatíveis com a capacidade individual. Levantar de uma cadeira com intenção de subir mais rapidamente ou subir um degrau são exemplos que podem ser adaptados. Aumentar a velocidade só faz sentido depois que a execução está estável.</p><p>O equilíbrio merece atenção planejada, com apoios unilaterais e progressão segura. A mobilidade pode ser praticada diariamente por meio de movimentos controlados. Saltos continuam sendo uma opção selecionada, não uma obrigação para todas as pessoas acima dos 60 anos.</p><p>Não há uma receita única de séries, repetições, cargas ou altura de caixa para essas faixas. Um profissional de educação física ou fisioterapeuta pode ajustar os exercícios, com avaliação médica quando houver condições de saúde ou sintomas que exijam esse cuidado.</p><h2>Conclusão</h2><p>A autonomia no envelhecimento depende de usar a força na hora certa, manter estabilidade e alcançar as posições necessárias à vida cotidiana. Musculação, potência, equilíbrio e mobilidade são complementares: a meta não é trocar a força por exercícios leves, mas construir um programa que não deixe essas capacidades de fora.</p><p>Levantar, descer uma escada e caminhar numa trilha com mais segurança são resultados que importam tanto quanto aumentar uma carga. Começar cedo ajuda a criar uma base, e começar mais tarde ainda permite trabalhar limitações e preservar independência. Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação profissional.</p><h2>FAQ</h2><h3>Musculação sozinha garante autonomia na velhice?</h3><p>Não. Ela ajuda a desenvolver força e massa muscular, mas o programa também precisa contemplar potência, equilíbrio e amplitude controlada. Dependendo dos exercícios e da execução, a própria musculação pode trabalhar parte dessas capacidades.</p><h3>Qual é a diferença entre força e potência muscular?</h3><p>Força é a capacidade de produzir tensão. Potência combina força e velocidade. Recuperar um passo após tropeçar exige uma resposta rápida, não apenas capacidade de movimentar peso lentamente.</p><h3>Falhar no teste de equilíbrio de 10 segundos significa risco de morte iminente?</h3><p>Não. O estudo encontrou uma associação entre desempenho e mortalidade em um grupo acompanhado por anos. Um resultado isolado não prevê o futuro individual, mas pode justificar avaliação da capacidade funcional.</p><h3>É obrigatório fazer saltos depois dos 60 anos?</h3><p>Não. A potência pode ser trabalhada com movimentos adaptados, como levantar de uma cadeira com maior intenção de velocidade. Saltos exigem preparo e avaliação da segurança, especialmente quando há limitações articulares ou risco de quedas.</p><h3>Treinar força pode melhorar a mobilidade?</h3><p>Sim. O treinamento resistido pode ampliar a capacidade de movimento. A amplitude deve ser compatível com o controle, a anatomia e a condição da articulação. Alongamentos continuam sendo uma opção conforme a necessidade.</p><h2>Referências</h2><ol><li><p>HADDAD, Luciana. ALÉM DA MUSCULAÇÃO | as práticas diárias que preservam sua autonomia até os 80+ anos. FalaLu!, [S. l.], 27 ago. 2026. YouTube. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.youtube.com/watch?v=yGIeptMKOxY">https://www.youtube.com/watch?v=yGIeptMKOxY</a>. Acesso em: 3 set. 2026.</p></li><li><p>REID, Kieran F. e FIELDING, Roger A. Skeletal muscle power: a critical determinant of physical functioning in older adults. Exercise and Sport Sciences Reviews, v. 40, n. 1, p. 4–12, 2012. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/22016147/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/22016147/</a>. Acesso em: 3 set. 2026.</p></li><li><p>NILWIK, Rachel et al. The decline in skeletal muscle mass with aging is mainly attributed to a reduction in type II muscle fiber size. Experimental Gerontology, v. 48, n. 5, p. 492–498, 2013. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/23425621/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/23425621/</a>. Acesso em: 3 set. 2026.</p></li><li><p>TØIEN, Tiril et al. The impact of life-long strength versus endurance training on muscle fiber morphology and phenotype composition in older men. Journal of Applied Physiology, v. 135, n. 6, p. 1360–1371, 2023. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37881849/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37881849/</a>. Acesso em: 3 set. 2026.</p></li><li><p>ARAUJO, Claudio Gil et al. Successful 10-second one-legged stance performance predicts survival in middle-aged and older individuals. British Journal of Sports Medicine, v. 56, n. 17, p. 975–980, 2022. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/35728834/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/35728834/</a>. Acesso em: 3 set. 2026.</p></li><li><p>BRITO, Leonardo Barbosa Barreto de et al. Ability to sit and rise from the floor as a predictor of all-cause mortality. European Journal of Preventive Cardiology, v. 21, n. 7, p. 892–898, 2014. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://academic.oup.com/eurjpc/article/21/7/892/5925784?login=false">https://academic.oup.com/eurjpc/article/21/7/892/5925784?login=false</a>. Acesso em: 3 set. 2026.</p></li><li><p>SHERRINGTON, Cathie et al. Exercise for preventing falls in older people living in the community. Cochrane Database of Systematic Reviews, n. 1, CD012424, 2019. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.cochrane.org/evidence/CD012424_exercise-preventing-falls-older-people-living-community">https://www.cochrane.org/evidence/CD012424_exercise-preventing-falls-older-people-living-community</a>. Acesso em: 3 set. 2026.</p></li><li><p>HEINEMEIER, Katja Maria et al. Lack of tissue renewal in human adult Achilles tendon is revealed by nuclear bomb (14)C. The FASEB Journal, v. 27, n. 5, p. 2074–2079, 2013. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/23401563/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/23401563/</a>. Acesso em: 3 set. 2026.</p></li><li><p>BOHM, Sebastian, MERSMANN, Falk e ARAMPATZIS, Adamantios. Human tendon adaptation in response to mechanical loading: a systematic review and meta-analysis of exercise intervention studies on healthy adults. Sports Medicine - Open, v. 1, art. 7, 2015. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://link.springer.com/article/10.1186/s40798-015-0009-9">https://link.springer.com/article/10.1186/s40798-015-0009-9</a>. Acesso em: 3 set. 2026.</p></li><li><p>ALIZADEH, Shahab et al. Resistance Training Induces Improvements in Range of Motion: A Systematic Review and Meta-Analysis. Sports Medicine, v. 53, n. 3, p. 707–722, 2023. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://link.springer.com/article/10.1007/s40279-022-01804-x">https://link.springer.com/article/10.1007/s40279-022-01804-x</a>. Acesso em: 3 set. 2026.</p></li></ol>]]></description><guid isPermaLink="false">1232</guid><pubDate>Thu, 03 Sep 2026 19:06:00 +0000</pubDate></item><item><title>&#x201C;Ozempic face&#x201D;: por que o rosto pode parecer envelhecido ap&#xF3;s emagrecer</title><link>https://fisiculturismo.com.br/mat%C3%A9rias/diversos/ozempic-face-por-que-o-rosto-pode-parecer-envelhecido-ap%C3%B3s-emagrecer-r1229/</link><description><![CDATA[
<p><img src="https://cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2026_09/canetas-emagrecedoras-rosto-envelhecido-estudio-capa.webp.44a94dbda36ee87c13fe2c35311485af.webp" /></p>
<p>Perder peso pode melhorar diabetes, pressão arterial, mobilidade e qualidade de vida. O espelho, porém, nem sempre acompanha a balança da forma esperada. Quando o emagrecimento é grande ou rápido, parte do volume que sustentava têmporas, bochechas e região dos olhos também pode diminuir. O resultado é um rosto mais anguloso, cansado ou aparentemente envelhecido.</p><p>Em <em>“O efeito das canetas emagrecedoras que quase ninguém mostra no espelho”</em>, o dermatologista Gustavo Borchardt explica o fenômeno popularmente chamado de “Ozempic face”. A expressão ganhou força com a popularização das canetas, mas não descreve uma doença oficial, não acontece com todo usuário e não é exclusividade do Ozempic. A transformação está ligada principalmente à magnitude e à velocidade da perda de peso, embora existam hipóteses de efeitos adicionais dos agonistas de GLP-1 sobre a pele e o tecido adiposo.</p><h2>Ozempic, Wegovy, Saxenda, Mounjaro e Zepbound não são a mesma caneta</h2><p>Os cinco nomes aparecem na discussão, mas correspondem a três princípios ativos e a indicações diferentes:</p><ul><li><p><strong>Ozempic:</strong> contém semaglutida e foi desenvolvido para o tratamento do diabetes tipo 2</p></li><li><p><strong>Wegovy:</strong> também contém semaglutida, em esquema aprovado para controle crônico do peso</p></li><li><p><strong>Saxenda:</strong> contém liraglutida e, ao contrário das opções semanais, é aplicado diariamente</p></li><li><p><strong>Mounjaro:</strong> contém tirzepatida e tem indicação para diabetes tipo 2</p></li><li><p><strong>Zepbound:</strong> também contém tirzepatida e foi aprovado para controle crônico do peso em mercados como os Estados Unidos</p></li></ul><p>Semaglutida e liraglutida atuam no receptor do GLP-1. A tirzepatida atua nos receptores de GLP-1 e GIP. Essas sinalizações aumentam a saciedade, reduzem o apetite e podem retardar o esvaziamento do estômago. A analogia do “termostato da fome” ajuda a entender o efeito, mas a duração farmacológica não deve ser confundida com saciedade contínua e idêntica durante sete dias.</p><p>Essas medicações não são apenas uma moda estética. Elas transformaram o tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2 e podem reduzir riscos clínicos relevantes quando bem indicadas. O problema começa quando a potência do tratamento é confundida com licença para emagrecer o mais rápido possível, sem planejamento alimentar, exercício ou monitoramento.</p><h2>Semaglutida perdeu 14,9% e tirzepatida chegou a 20,9% nos grandes ensaios</h2><p>No estudo STEP 1, 1.961 adultos com sobrepeso ou obesidade, sem diabetes, receberam semaglutida 2,4 mg ou placebo junto com intervenção de estilo de vida. Após 68 semanas, a redução média do peso foi de <strong>14,9%</strong> no grupo da semaglutida e de <strong>2,4%</strong> no placebo.</p><p>No SURMOUNT-1, 2.539 adultos foram acompanhados por 72 semanas. A perda média chegou a <strong>20,9%</strong> com tirzepatida 15 mg, enquanto o placebo registrou <strong>3,1%</strong>. Para alguém com 100 kg, 14,9% correspondem a 14,9 kg e 20,9% representam 20,9 kg.</p><p>Essas médias não prometem resultado individual e não autorizam copiar doses. Elas mostram por que mudanças corporais antes associadas sobretudo a cirurgia bariátrica passaram a aparecer também no consultório de quem usa farmacoterapia. Uma redução desse tamanho não retira apenas gordura abdominal. O organismo perde gordura em diferentes regiões e também pode perder massa magra.</p><h2>O rosto não tem uma única camada de gordura</h2><p>Tratar a face como osso, uma camada uniforme de gordura e pele esconde o mecanismo real. O tecido adiposo facial é organizado em compartimentos com profundidades e funções distintas.</p><p>Uma forma didática de visualizar essa anatomia é pensar em um prédio de três andares:</p><ol><li><p><strong>Compartimentos profundos:</strong> ficam próximos ao esqueleto e participam da projeção estrutural do terço médio.</p></li><li><p><strong>Compartimentos intermediários:</strong> ajudam a sustentar a bochecha e o contorno que é mais cheio na parte superior e mais estreito perto do queixo.</p></li><li><p><strong>Compartimentos superficiais:</strong> ficam logo abaixo da pele e suavizam a transição entre estruturas, dando aspecto mais preenchido e uniforme.</p></li></ol><p>Quando o volume diminui, a pele continua cobrindo a mesma área. Se a retração não acompanha a perda, o tecido pode parecer uma almofada que perdeu parte do enchimento. Surgem sombras mais fortes, sulcos, flacidez e maior exposição do relevo ósseo.</p><h2>Tomografias encontraram maior redução nos compartimentos superficiais</h2><p>Um estudo retrospectivo de 2025 analisou exames de tomografia ou ressonância feitos antes e depois do uso de agonistas de GLP-1. Foram incluídos <strong>20 pacientes</strong>, com idade mediana de 54 anos, perda média de <strong>11 kg</strong> e exposição média de <strong>321 dias</strong>.</p><p>A mediana de redução foi de <strong>9% no volume total do terço médio da face</strong>, <strong>11% nos compartimentos superficiais</strong> e <strong>7% nos profundos</strong>. A análise estimou cerca de <strong>7% de perda de volume facial para cada 10 kg de peso corporal perdidos</strong>. A associação estatística apareceu para a gordura superficial, mas não para a profunda.</p><p>Esses dados corrigem uma comparação mais extrema citada na fonte, de mais de 20% contra cerca de 5%. O estudo publicado não encontrou essas medianas. Além disso, a amostra foi pequena, retrospectiva e composta por pessoas de meia-idade. O resultado oferece uma pista quantitativa importante, mas não permite prever exatamente o rosto de uma pessoa de 30 anos.</p><h2>Cinco sinais que podem aparecer no espelho</h2><p>O padrão visual descrito combina mudanças que também podem ocorrer com envelhecimento natural, genética, exposição solar, tabagismo e emagrecimento sem medicação. Nenhum sinal isolado prova uso de caneta.</p><h3>1. Têmporas afundadas</h3><p>A perda de preenchimento na lateral da testa deixa o contorno ósseo mais evidente e cria uma sombra semelhante a uma pequena depressão.</p><h3>2. Olheiras mais profundas</h3><p>Menos volume abaixo dos olhos aumenta o contraste entre pálpebra e bochecha. A pele fina também pode deixar vasos e pigmentação mais aparentes, produzindo aspecto de cansaço.</p><h3>3. Sulcos mais marcados</h3><p>O sulco nasogeniano, conhecido como bigode chinês, e as linhas que descem dos cantos da boca podem aprofundar quando a bochecha perde suporte.</p><h3>4. Bochechas esvaziadas e queda do terço inferior</h3><p>O volume que antes se concentrava na parte alta da face diminui. A região inferior pode parecer mais pesada ou flácida, invertendo o contorno triangular associado a uma face jovem.</p><h3>5. Pescoço com pele e bandas mais visíveis</h3><p>A redução de gordura subcutânea pode destacar músculos e dobras horizontais. Em perdas expressivas, a flacidez não fica restrita ao rosto.</p><h2>Perda rápida de peso explica mais do que o nome “Ozempic face” sugere</h2><p>Uma revisão sistemática sobre emagrecimento maciço após intervenções médicas e cirúrgicas encontrou maior esvaziamento na região central das bochechas, flacidez no pescoço e aumento da idade aparente. Isso reforça que a mudança não pertence a uma marca específica.</p><p>Revisões recentes discutem mecanismos adicionais. Células-tronco derivadas do tecido adiposo e fibroblastos possuem receptores de GLP-1. Experimentos sugerem alterações em sinalização celular, estresse oxidativo, produção de energia e estímulo de colágeno. A redução do tecido adiposo dérmico também poderia diminuir a produção local de estrogênio que participa da função dos fibroblastos.</p><p>Essas hipóteses não têm o mesmo grau de confirmação dos ensaios de perda de peso. A relevância clínica direta para a pele humana ainda não foi estabelecida de forma definitiva. Portanto, é incorreto afirmar que a caneta “mata” células-tronco ou destrói colágeno em todo usuário. A explicação mais segura permanece multifatorial: grande redução de gordura, velocidade do emagrecimento, idade, elasticidade da pele, genética, exposição solar, tabagismo, ingestão nutricional e composição corporal.</p><h2>Comer muito pouco pode piorar a qualidade do emagrecimento</h2><p>Redução do apetite não garante alimentação adequada. Duas pessoas podem ingerir poucas calorias e chegar a resultados nutricionais completamente diferentes. Uma pode concentrar o pouco que come em doces e ultraprocessados. Outra pode distribuir proteína, vegetais, frutas, fontes de energia e micronutrientes de acordo com sua tolerância e necessidade.</p><p>Uma meta-análise com 22 ensaios e 2.258 participantes estimou que cerca de <strong>25% do peso perdido</strong> com agonistas de GLP-1 e terapias relacionadas correspondia a massa magra. Isso não significa que um quarto seja músculo puro, porque massa magra também inclui água e outros tecidos. Ainda assim, a redução absoluta merece atenção, sobretudo em idosos, pessoas frágeis e quem começa com pouca musculatura.</p><p>O objetivo não é forçar comida apesar de náusea nem montar uma dieta universal. É evitar que falta de fome se transforme em ingestão insuficiente de proteína, vitaminas, minerais, fibras e líquidos. Náuseas persistentes, vômitos, fraqueza, tontura, dificuldade para comer ou perda muito acelerada precisam ser comunicados ao profissional que prescreveu o tratamento.</p><h2>O que pode reduzir o risco sem prometer prevenção total</h2><p>Não existe um protocolo capaz de garantir que o rosto não mude. Algumas medidas melhoram a qualidade do emagrecimento e ajudam a preservar função e massa magra:</p><ul><li><p><strong>usar apenas com indicação e acompanhamento médico:</strong> dose, progressão e tolerabilidade precisam ser individualizadas</p></li><li><p><strong>planejar as refeições com nutricionista:</strong> menos apetite exige mais atenção à densidade nutricional do que uma dieta improvisada</p></li><li><p><strong>priorizar proteína adequada ao contexto clínico:</strong> quantidade e distribuição dependem de peso, idade, atividade física, função renal e ingestão total</p></li><li><p><strong>fazer treinamento resistido:</strong> musculação e exercícios equivalentes ajudam a preservar massa livre de gordura e força durante a perda de peso</p></li><li><p><strong>acompanhar ritmo e composição corporal:</strong> balança isolada não mostra quanto veio de gordura, água ou tecido magro</p></li><li><p><strong>proteger a pele do sol e evitar tabagismo:</strong> esses fatores não restauram volume, mas reduzem agressões adicionais ao colágeno e à elasticidade</p></li><li><p><strong>reavaliar perda excessiva ou sintomas:</strong> alcançar o menor número possível na balança não é sinônimo de melhor resultado clínico</p></li></ul><p>O relato clínico apresentado contrasta pessoas que perderam <strong>15 a 20 kg</strong> com pouca mudança facial e outras que perderam apenas <strong>5 a 7 kg</strong> com transformação marcante. Isso não comprova uma regra causal, mas ilustra a variabilidade individual e a importância de observar o processo, não apenas o total de quilos.</p><h2>Autoimagem também faz parte do tratamento</h2><p>Uma mudança rápida na face pode criar um descompasso entre a identidade sentida e a imagem percebida. A pessoa atinge uma meta de peso, mas passa a ouvir que parece cansada ou doente. Comentários de familiares, colegas e redes sociais podem intensificar desconforto e estigma.</p><p>Esse sofrimento não deve ser tratado como vaidade irrelevante. Rosto, funcionalidade, controle metabólico e relação com o corpo fazem parte do resultado. Se a alteração incomodar, o primeiro passo é discutir peso, ritmo de perda, alimentação, treino, hidratação, sono e saúde geral com a equipe. Procedimentos estéticos devem ser avaliados por profissional habilitado, sem promessas de reversão total.</p><h2>Conclusão</h2><p>“Ozempic face” é um nome popular para perda de volume e flacidez facial percebidas após emagrecimento importante, especialmente quando ele acontece depressa. Ozempic, Wegovy, Saxenda, Mounjaro e Zepbound podem produzir reduções substanciais de peso, mas não envelhecem automaticamente o rosto de todo usuário.</p><p>O estudo radiológico disponível encontrou maior redução nos compartimentos superficiais da face e estimou 7% de perda de volume facial para cada 10 kg perdidos. A evidência ainda é limitada, e os mecanismos celulares propostos precisam de confirmação clínica. O caminho mais responsável é usar a medicação quando indicada, ajustar a velocidade de perda, garantir qualidade nutricional, preservar força com treino resistido e manter acompanhamento médico e nutricional.</p><h2>FAQ</h2><h3>Ozempic face é uma doença?</h3><p>Não. É uma expressão popular para descrever esvaziamento de têmporas e bochechas, olheiras mais profundas, sulcos marcados e flacidez após perda importante de peso. Não existe um diagnóstico formal com esse nome.</p><h3>Só Ozempic causa esse aspecto?</h3><p>Não. Mudanças semelhantes podem ocorrer com semaglutida, tirzepatida, liraglutida, cirurgia bariátrica ou qualquer processo que provoque perda grande ou rápida de peso. O nome ficou associado ao primeiro produto que popularizou a discussão.</p><h3>O rosto volta ao normal se a pessoa recuperar peso?</h3><p>Pode haver recuperação parcial de volume, mas não existe garantia de retorno completo. Idade, elasticidade, duração da perda, distribuição de gordura e outros fatores influenciam a resposta.</p><h3>Treino e proteína impedem o envelhecimento facial?</h3><p>Não há garantia. Alimentação adequada e treino resistido ajudam a preservar massa magra e a qualidade do emagrecimento, mas não controlam exatamente onde o organismo retirará gordura.</p><h3>É preciso parar a caneta ao notar mudança no rosto?</h3><p>Não interrompa nem ajuste por conta própria. Procure o médico responsável para revisar indicação, dose, ritmo de perda, sintomas e metas. A decisão deve considerar benefícios metabólicos e efeitos adversos de forma individual.</p><h2>Referências</h2><ol><li><p>BORCHARDT, Gustavo. <em>O efeito das canetas emagrecedoras que quase ninguém mostra no espelho</em>. Sem Filtro | Borchardt, 2026. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.youtube.com/watch?v=jVWCkaXZ83c">https://www.youtube.com/watch?v=jVWCkaXZ83c</a>. Acesso em: 1 set. 2026.</p></li><li><p>SHARMA, Rahul K. et al. Radiographic Midfacial Volume Changes in Patients on GLP-1 Agonists. <em>Otolaryngology–Head and Neck Surgery</em>, v. 173, n. 2, p. 360-366, 2025. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/40407186/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/40407186/</a>.</p></li><li><p>RIDHA, Zainab et al. Decoding the Implications of Glucagon-like Peptide-1 Receptor Agonists on Accelerated Facial and Skin Aging. <em>Aesthetic Surgery Journal</em>, v. 44, n. 11, p. NP809-NP818, 2024. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/38874170/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/38874170/</a>.</p></li><li><p>BIKOU, Olga et al. GLP-1RA and the possible skin aging. <em>Exploration of Medicine</em>, 2025. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/40498168/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/40498168/</a>.</p></li><li><p>WILDING, John P. H. et al. Once-Weekly Semaglutide in Adults with Overweight or Obesity. <em>The New England Journal of Medicine</em>, v. 384, p. 989-1002, 2021. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMoa2032183">https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMoa2032183</a>.</p></li><li><p>JASTREBOFF, Ania M. et al. Tirzepatide Once Weekly for the Treatment of Obesity. <em>The New England Journal of Medicine</em>, v. 387, p. 205-216, 2022. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMoa2206038">https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMoa2206038</a>.</p></li><li><p>MAVROEIDI, Vasiliki et al. Effect of glucagon-like peptide-1 receptor agonists and co-agonists on body composition: systematic review and network meta-analysis. <em>Metabolism</em>, v. 165, 156113, 2025. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/39719170/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/39719170/</a>.</p></li><li><p>GORDON, Alexander et al. Soft Tissue Facial Changes Following Massive Weight Loss Secondary to Medical and Surgical Bariatric Interventions: A Systematic Review. <em>Aesthetic Surgery Journal</em>, 2024. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/39346804/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/39346804/</a>.</p></li></ol>]]></description><guid isPermaLink="false">1229</guid><pubDate>Tue, 01 Sep 2026 17:45:00 +0000</pubDate></item><item><title>Cortisol e estresse: quando a resposta &#xFA;til come&#xE7;a a fazer mal</title><link>https://fisiculturismo.com.br/mat%C3%A9rias/diversos/cortisol-e-estresse-quando-a-resposta-%C3%BAtil-come%C3%A7a-a-fazer-mal-r1225/</link><description><![CDATA[
<p><img src="https://cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2026_08/cortisol-estresse-mulher-fisiculturista-transito-capa.webp.82b8f8463fe4b79bb64fccd691c738ba.webp" /></p>
<p>Baixar o cortisol a qualquer custo parece uma meta saudável, mas parte de uma premissa errada. Sem uma resposta adequada ao estresse, faltaria capacidade para mobilizar energia, reagir a uma ameaça, ajustar o metabolismo e atravessar desafios comuns. O alvo não deve ser zerar o hormônio. Deve ser evitar que uma resposta útil permaneça ativada além do necessário.</p><p>Em <em>“Como evitar que o CORTISOL e STRESS acabem com sua saúde”</em>, o médico Samuel Dalle Laste parte de dúvidas surgidas após uma explicação sobre hormese para separar o estresse que promove adaptação daquele que vira sobrecarga. A distinção é valiosa, desde que “fadiga adrenal”, “roubo da pregnenolona” e algumas afirmações sobre alimentação e cérebro sejam lidas à luz das evidências disponíveis.</p><h2>Cortisol não é um erro de fabricação do corpo</h2><p>As glândulas adrenais ficam acima dos rins e produzem diferentes hormônios esteroides. A matéria-prima inicial é o colesterol, convertido em pregnenolona. A partir daí, enzimas específicas conduzem vias que resultam em cortisol, aldosterona, DHEA e outros esteroides.</p><p>Uma forma didática de resumir a cascata é:</p><ul><li><p>colesterol → pregnenolona</p></li><li><p>pregnenolona → 17-hidroxipregnenolona → 17-hidroxiprogesterona → 11-desoxicortisol → cortisol</p></li><li><p>17-hidroxipregnenolona → DHEA → androstenediona, que pode participar da formação periférica ou gonadal de testosterona e estrógenos</p></li></ul><p>O cortisol ajuda a disponibilizar energia e glicose durante jejum e situações de demanda. Também participa da regulação imune e da adaptação a ameaças. Diante de um assalto, por exemplo, a resposta de luta ou fuga pode acelerar decisões e mobilizar o corpo. A versão ancestral do mesmo problema seria escapar de um predador.</p><p>O efeito depende de intensidade, duração e contexto. Respostas agudas favorecem adaptação e sobrevivência. Ativação repetida, recuperação insuficiente ou desregulação podem aumentar a carga alostática, o desgaste acumulado de sistemas metabólicos, cardiovasculares, imunes e neurais.</p><h2>A criança na bolha é uma metáfora, não uma previsão clínica</h2><p>A metáfora coloca uma criança durante um ano em uma bolha: ar filtrado, luz controlada e comida esterilizada em autoclave. Ao sair, ela morreria em 24 horas diante do primeiro agente infeccioso.</p><p>A cena funciona como hipérbole sobre adaptação. Não é um experimento real nem permite prever sobrevivência por 24 horas. O aprendizado que permanece é mais simples: o organismo se desenvolve respondendo a estímulos, e a vida não acontece sem demandas metabólicas, imunes e psicológicas. Proteger-se de sobrecarga não significa eliminar todo desconforto.</p><h2>Eustresse e distresse dependem de carga e recuperação</h2><p>Eustresse descreve um desafio que o organismo consegue tolerar e após o qual consegue se recuperar. Musculação, uma apresentação escolar e uma cobrança pontual no trabalho podem gerar tensão sem produzir doença. O estímulo força adaptação, mas tem limite e encerramento.</p><p>Distresse aparece quando a demanda excede repetidamente a capacidade de recuperação. O exemplo extremo é uma prova de ultramaratona que se prolonga por 15 dias. No trabalho, seria a cobrança que continua independentemente do que foi entregue. O problema deixa de ser um pico e vira exposição persistente.</p><p>No treinamento, esse desequilíbrio pode contribuir para queda de desempenho, fadiga, alteração de humor e síndrome de overtraining. Não existe uma linha universal em minutos, quilômetros ou concentração de cortisol. A mesma carga muda de significado conforme histórico de treino, sono, alimentação, saúde, outras pressões e tempo disponível para recuperar.</p><h2>A tolerância é individual e também é específica da tarefa</h2><p>Um operador de investimentos pode trabalhar diante de cinco telas, conversar em inglês com um fuso seis horas à frente e em espanhol com outro quatro horas atrás sem perder o sono. Um controlador de tráfego aéreo em Heathrow coordena pousos e decolagens com enorme responsabilidade porque acumulou seleção, treinamento e experiência.</p><p>Colocar outra pessoa na mesma cadeira pode produzir confusão, hiperativação e uma noite em claro. Isso não prova fraqueza. Mostra que adaptação depende de repertório, previsibilidade, prática, autonomia, condição física e significado atribuído à tarefa.</p><p>Treinar a resposta ao estresse não exige buscar caos deliberadamente. Significa aumentar capacidade em doses toleráveis, praticar recuperação e aprender a reconhecer quando a carga ultrapassou o limite. Se o desafio continua prejudicando sono, humor, desempenho, relações ou segurança, insistir deixa de ser treino de resiliência.</p><h2>Fadiga adrenal não é o mesmo que insuficiência adrenal</h2><p>O termo “fadiga adrenal” aparece para descrever uma adrenal que teria produzido tanto cortisol que acabaria falhando. Essa explicação não é aceita pelas sociedades de endocrinologia. Uma revisão sistemática de 58 estudos não encontrou sustentação para “fadiga adrenal” como condição médica estabelecida.</p><p>Insuficiência adrenal é outra situação. Nela, existe produção inadequada de cortisol por doença das adrenais, alteração da hipófise ou outras causas reconhecidas. A investigação pode envolver cortisol, ACTH, eletrólitos e testes de estímulo, sempre interpretados no contexto clínico. Cansaço, dificuldade para dormir, desejo por açúcar e uso de cafeína são inespecíficos e não confirmam que a adrenal “entrou em pane”.</p><p>Aceitar um rótulo sem diagnóstico pode atrasar a busca por anemia, depressão, apneia do sono, distúrbios da tireoide, efeitos de medicamentos ou insuficiência adrenal verdadeira. Fraqueza intensa, vômitos, pressão muito baixa, desmaio ou piora aguda exigem atendimento médico.</p><h2>O “roubo da pregnenolona” simplifica demais a bioquímica</h2><p>A hipótese do “roubo” supõe que a produção contínua de cortisol consumiria pregnenolona, reduziria DHEA e, por consequência, derrubaria testosterona em homens e mulheres. As substâncias realmente compartilham o colesterol como precursor inicial, e DHEA pode dar origem a androstenediona e outros hormônios sexuais.</p><p>O problema está em imaginar um único reservatório com uma disputa direta. Cortisol e andrógenos adrenais são produzidos predominantemente em zonas diferentes do córtex adrenal e dependem de enzimas próprias. Estresse crônico pode alterar eixos hormonais, sono, metabolismo e função reprodutiva, mas um DHEA ou uma testosterona baixos não demonstram automaticamente “roubo da pregnenolona”.</p><p>Exames hormonais precisam considerar horário da coleta, sexo, idade, medicamentos, sintomas e outras doenças. Usar suplementos de DHEA ou hormônios adrenais por conta própria pode criar riscos e mascarar a causa real.</p><h2>Sofrimento = dor × resistência é uma ferramenta, não uma lei</h2><p>A fórmula psicológica central é “sofrimento = dor × resistência”. Resistência, nesse contexto, não significa suportar pancadas. Significa continuar lutando mentalmente contra um fato que já ocorreu.</p><p>Um para-choque raspado produz prejuízo e frustração. Resolver o seguro e seguir o dia limita o tempo ocupado pelo evento. Descer à garagem a cada duas horas, reconstruir todas as decisões da manhã e pensar repetidamente que outro horário ou um táxi teria evitado a batida multiplica o impacto da mesma dor.</p><p>O exemplo inverso é perder o emprego, uma dor maior, mas recebê-la com menor ruminação e começar a organizar os próximos passos. A fórmula ajuda a perceber o custo de remoer. Ela não significa que todo sofrimento seja opcional, nem que depressão, ansiedade, luto ou trauma possam ser desligados por força de vontade.</p><h2>Nove em dez preocupações podem não acontecer, mas há um recorte</h2><p>A virada pessoal começou em São Paulo, durante um evento organizado pelo neurocientista Fábio Gabas. A participação previa uma palestra sobre intestino, neurotransmissores e hábitos. Depois, veio a afirmação de que nove de cada dez situações temidas não aconteceriam.</p><p>Há um estudo compatível com essa proporção. Vinte e nove participantes com transtorno de ansiedade generalizada registraram preocupações por 10 dias e acompanharam por 30 dias se as previsões testáveis se realizavam. Ao todo, 91,4% não aconteceram.</p><p>O número não autoriza dizer que 91,4% das preocupações de qualquer pessoa são falsas. A amostra era pequena, clínica e orientada a previsões verificáveis dentro de 30 dias. A aplicação prática é manter um diário com três campos: previsão, prazo e resultado. Depois de algumas semanas, a pessoa consegue comparar o risco imaginado com o que realmente ocorreu, uma estratégia coerente com técnicas cognitivas.</p><h2>A evolução de 2016 a 2026 não foi instantânea</h2><p>A comparação entre 2016 e 2026 parte de uma rotina em que qualquer contratempo afetava o sono. A melhora ao longo da década é tratada como busca contínua, não chegada a um estado permanente de calma.</p><p>Essa década reforça que resiliência não é ficar “zen” o tempo inteiro. É criar uma pausa entre estímulo e resposta, reduzir impulsividade e escolher quais batalhas merecem energia. O córtex pré-frontal participa de planejamento, controle inibitório e avaliação de contexto, mas não existe um botão cerebral que simplesmente desliga luta ou fuga.</p><h2>Uma ordem prática para lidar com a sobrecarga</h2><p>Sono insuficiente, desidratação, sedentarismo, alimentação desequilibrada, doença e consumo excessivo de álcool ou estimulantes podem reduzir disposição e capacidade de regulação emocional. Nenhum alimento isolado, incluindo trigo ou laticínios, impede por definição o gerenciamento do estresse para todas as pessoas.</p><p>Uma sequência mais segura é:</p><ol><li><p>Identificar o estressor, sua frequência e o que está sob controle.</p></li><li><p>Observar se a recuperação acontece entre as exposições.</p></li><li><p>Proteger sono, hidratação, alimentação adequada, movimento e vínculos sociais.</p></li><li><p>Registrar previsões catastróficas e comparar com os resultados reais.</p></li><li><p>Criar uma pausa antes de responder a cobranças, mensagens ou conflitos.</p></li><li><p>Reduzir carga quando surgirem prejuízos persistentes no sono, humor, desempenho ou saúde.</p></li><li><p>Procurar psicólogo ou médico quando os sintomas forem intensos, duradouros ou acompanhados por sinais físicos preocupantes.</p></li></ol><p>Intervenções de manejo do estresse não são apenas conselhos vagos. Uma meta-análise de 58 estudos randomizados, com 3.508 participantes, encontrou efeito positivo das intervenções psicológicas sobre medidas de cortisol, com resultados mais consistentes para meditação, mindfulness e relaxamento. Isso não transforma cortisol em placar diário de sucesso. Mostra que habilidades treináveis podem alterar parte da resposta fisiológica.</p><h2>Conclusão</h2><p>Cortisol não é o vilão e estresse não é uma experiência única. Uma resposta aguda pode sustentar energia, defesa e adaptação. O prejuízo surge quando intensidade, repetição e recuperação formam uma sobrecarga que o organismo já não consegue compensar.</p><p>Os exemplos da bolha, da ultramaratona de 15 dias, das cinco telas, do para-choque raspado e da década de mudança pessoal tornam essa diferença concreta. Ao mesmo tempo, “fadiga adrenal” e “roubo da pregnenolona” não devem virar diagnósticos automáticos. O caminho mais útil combina base física, exposição tolerável, recuperação, observação de pensamentos e ajuda profissional quando necessário.</p><h2>FAQ</h2><h3>Cortisol alto significa que a pessoa está doente?</h3><p>Não necessariamente. O cortisol varia ao longo do dia e aumenta em situações de demanda. Um resultado isolado precisa ser interpretado com horário, sintomas, medicamentos e contexto clínico.</p><h3>Existe estresse saudável?</h3><p>Sim. Um desafio agudo e recuperável pode promover adaptação. Ele vira problema quando intensidade ou duração ultrapassam repetidamente a capacidade de recuperação.</p><h3>Fadiga adrenal existe?</h3><p>“Fadiga adrenal” não é reconhecida como diagnóstico médico pelas sociedades de endocrinologia. Insuficiência adrenal existe, tem causas definidas e requer avaliação e testes apropriados.</p><h3>O estresse rouba pregnenolona e derruba testosterona?</h3><p>Essa frase simplifica vias hormonais complexas. Estresse crônico pode interferir em diferentes eixos, mas exames baixos não provam uma disputa direta em que o cortisol roubou matéria-prima.</p><h3>É verdade que 90% das preocupações não acontecem?</h3><p>Um estudo encontrou 91,4% entre previsões registradas por 29 pessoas com transtorno de ansiedade generalizada. O resultado não pode ser aplicado automaticamente a toda pessoa ou preocupação.</p><h3>O que fazer quando o estresse começa a prejudicar o sono?</h3><p>Reduza a carga possível, proteja rotina de sono e registre gatilhos. Se a insônia persistir, afetar o funcionamento diário ou vier com ansiedade intensa, procure avaliação profissional.</p><h2>Referências</h2><ol><li><p>DALLE LASTE, Samuel. <em>Como evitar que o CORTISOL e STRESS acabem com sua saúde</em>. [S. l.], 28 ago. 2026. YouTube. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.youtube.com/watch?v=sDpjhW81QU0">https://www.youtube.com/watch?v=sDpjhW81QU0</a>. Acesso em: 29 ago. 2026.</p></li><li><p>NICOLAIDES, Nicolas C. et al. <em>Adrenal Cortex: Embryonic Development, Anatomy, Histology and Physiology</em>. Endotext, 12 jun. 2023. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK278945/">https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK278945/</a>. Acesso em: 29 ago. 2026.</p></li><li><p>MCEWEN, Bruce S. Central effects of stress hormones in health and disease: understanding the protective and damaging effects of stress and stress mediators. <em>European Journal of Pharmacology</em>, v. 583, n. 2-3, p. 174-185, 2008. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/18282566/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/18282566/</a>. Acesso em: 29 ago. 2026.</p></li><li><p>CADEGIANI, Flavio A.; KATER, Claudio E. Adrenal fatigue does not exist: a systematic review. <em>BMC Endocrine Disorders</em>, v. 16, art. 48, 2016. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/27557747/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/27557747/</a>. Acesso em: 29 ago. 2026.</p></li><li><p>LAFRENIERE, Lucas S.; NEWMAN, Michelle G. Exposing Worry's Deceit: Percentage of Untrue Worries in Generalized Anxiety Disorder Treatment. <em>Behavior Therapy</em>, v. 51, n. 3, p. 413-423, 2020. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32402257/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32402257/</a>. Acesso em: 29 ago. 2026.</p></li><li><p>ROGERSON, Olivia et al. Effectiveness of stress management interventions to change cortisol levels: a systematic review and meta-analysis. <em>Psychoneuroendocrinology</em>, v. 159, art. 106415, 2024. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37879237/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37879237/</a>. Acesso em: 29 ago. 2026.</p></li></ol>]]></description><guid isPermaLink="false">1225</guid><pubDate>Sat, 29 Aug 2026 14:10:00 +0000</pubDate></item><item><title>&#xC1;lcool &#xE9; a droga mais danosa? O ranking que colocou a bebida em primeiro</title><link>https://fisiculturismo.com.br/mat%C3%A9rias/diversos/%C3%A1lcool-%C3%A9-a-droga-mais-danosa-o-ranking-que-colocou-a-bebida-em-primeiro-r1223/</link><description><![CDATA[
<p><img src="https://cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2026_08/alcool-droga-mais-danosa-ranking-capa.webp.961f93551724bf00c88a8a0b3730954c.webp" /></p>
<p>Não é preciso desenvolver dependência para sofrer uma queda, provocar um acidente, piorar a pressão arterial, aumentar o risco de câncer ou ferir outra pessoa depois de beber. Essa é a chave para entender por que o álcool ficou acima de heroína e crack em um ranking científico de danos: a conta não mede apenas o potencial de vício nem compara uma dose isolada de cada substância.</p><p>Em <em>“Álcool é a droga mais danosa, mas 85% de quem bebe não desenvolve dependência”</em>, do UOL, o psiquiatra Dartiu Xavier parte de um estudo britânico de 2010 para comparar álcool, cocaína, cannabis, MDMA e psicodélicos. A comparação é útil, mas exige duas correções importantes. O álcool marcou 72 pontos no estudo original, não 75. Além disso, dizer que cerca de 15 em cada 100 consumidores desenvolvem dependência não transforma os outros 85 em pessoas imunes aos demais danos.</p><h2>O álcool marcou 72 pontos, não 75</h2><p>O estudo liderado por David Nutt reuniu especialistas para avaliar 20 substâncias em 16 critérios. Nove critérios mediam danos ao próprio usuário e sete mediam danos causados a outras pessoas. Os resultados selecionados mostram por que chamar esse placar simplesmente de “risco da droga” é impreciso:</p><div class="ipsRichText__table-wrapper"><table style="min-width: 80px;"><colgroup><col style="min-width:20px;"><col style="min-width:20px;"><col style="min-width:20px;"><col style="min-width:20px;"></colgroup><tbody><tr><th colspan="1" rowspan="1"><p>Substância</p></th><th colspan="1" rowspan="1"><p>Dano ao usuário</p></th><th colspan="1" rowspan="1"><p>Dano a terceiros</p></th><th colspan="1" rowspan="1"><p>Pontuação total</p></th></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Álcool</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>26</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>46</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>72</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Heroína</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>34</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>21</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>55</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Crack</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>37</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>17</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>54</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Metanfetamina</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>32</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>1</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>33</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Cocaína</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>16</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>11</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>27</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Tabaco</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>12</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>14</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>26</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Cannabis</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>8</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>12</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>20</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>MDMA</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>7</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>2</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>9</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>LSD</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>5</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>2</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>7</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Cogumelos com psilocibina</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>5</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>1</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>6</p></td></tr></tbody></table></div><p>O álcool liderou por causa da combinação de dano individual com um impacto excepcionalmente alto sobre terceiros. Violência, acidentes, prejuízo familiar, criminalidade e custo econômico entram na conta. Heroína e crack tiveram pontuações individuais maiores, mas impacto agregado menor sobre outras pessoas naquele modelo.</p><h2>Primeiro lugar não significa maior toxicidade em qualquer dose</h2><p>O placar de 72 não prova que uma taça de cerveja seja biologicamente mais perigosa do que uma dose de heroína ou crack. Ele também não permite concluir que LSD, MDMA ou cogumelos sejam “dez vezes mais seguros” para qualquer pessoa e em qualquer situação.</p><p>O estudo fez uma análise multicritério da realidade do Reino Unido naquele momento. Disponibilidade, frequência de uso e consequências sociais pesam muito. O álcool é legal, barato, amplamente consumido e presente em acidentes de trânsito, conflitos domésticos e doenças crônicas. Uma substância rara pode ter risco agudo elevado para quem a usa e ainda produzir pontuação populacional menor por circular menos.</p><p>Portanto, há duas perguntas diferentes:</p><ol><li><p>Qual substância produz mais dano agregado à sociedade?</p></li><li><p>Qual é o risco de uma pessoa específica, naquela dose, naquele contexto e com aquela vulnerabilidade?</p></li></ol><p>O ranking responde melhor à primeira. A segunda depende de dose, frequência, idade, saúde mental, medicamentos, combinação com outras substâncias, ambiente e comportamento.</p><h2>Dependência em 15% não significa segurança para os outros 85%</h2><p>A proporção de 15 dependentes a cada 100 pessoas que bebem aparece como uma regra prática na conversa. Ela não deve ser tratada como prevalência universal. Estudos usam definições, países, faixas etárias e denominadores diferentes. A Organização Mundial da Saúde estimou que, em 2019, 7% da população mundial com 15 anos ou mais vivia com algum transtorno por uso de álcool e 3,7% com dependência. Esses percentuais são calculados sobre toda a população adulta, não apenas sobre quem bebe, por isso não podem ser comparados diretamente com os 15% citados.</p><p>O ponto decisivo é outro: dependência não é o único desfecho relevante. A OMS atribuiu 2,6 milhões de mortes ao álcool em 2019 e reconhece relação causal com mais de 200 doenças, lesões e outras condições. Mesmo níveis baixos de consumo carregam algum risco, embora a maior parte dos danos recaia sobre padrões pesados, episódios de grande ingestão e uso contínuo.</p><p>Uma pessoa pode não preencher critérios de dependência e ainda assim:</p><ul><li><p>dirigir alcoolizada uma única vez</p></li><li><p>sofrer uma queda ou agressão</p></li><li><p>piorar hipertensão, arritmia, doença hepática ou depressão</p></li><li><p>aumentar o risco de câncer ao longo dos anos</p></li><li><p>misturar álcool com sedativos ou outros medicamentos</p></li><li><p>prejudicar trabalho, treino, sono e relações familiares</p></li></ul><p>Não ser dependente é muito diferente de beber sem consequência.</p><h2>Quando o consumo vira transtorno por uso de álcool</h2><p>O diagnóstico moderno não depende de um rótulo moral nem de beber diariamente. O transtorno por uso de álcool é definido por um padrão problemático que causa prejuízo ou sofrimento. Segundo os critérios clínicos resumidos pelo NIAAA, pelo menos dois de 11 sinais em um período de 12 meses já justificam avaliação diagnóstica.</p><p>Entre os sinais estão beber mais ou por mais tempo do que pretendia, tentar reduzir sem conseguir, gastar muito tempo bebendo ou se recuperando, sentir fissura, falhar em obrigações, continuar apesar de conflitos, abandonar atividades, usar em situações perigosas, persistir mesmo com dano físico ou mental, desenvolver tolerância e apresentar abstinência.</p><p>A gravidade é classificada pelo número de critérios:</p><ul><li><p>2 ou 3: leve</p></li><li><p>4 ou 5: moderado</p></li><li><p>6 ou mais: grave</p></li></ul><p>Essa régua é mais útil do que perguntar apenas quantas vezes a pessoa bebe. Um consumo aparentemente “social” pode ter perda de controle, e alguém que bebe com menor frequência pode concentrar grande quantidade em uma noite e assumir risco agudo alto.</p><h2>Cannabis: 9% e 30% não estão medindo exatamente a mesma coisa</h2><p>A conversa atribui à cannabis risco de dependência de 9% e destaca duas vulnerabilidades: começar na adolescência e ter histórico familiar de psicose. A direção do alerta continua válida, mas o número precisa de contexto.</p><p>O percentual de 9% aparece em estimativas antigas de dependência. O CDC usa uma definição mais ampla de transtorno por uso de cannabis e informa que aproximadamente 3 em cada 10 consumidores apresentam esse transtorno. Isso não quer dizer que 30% sejam dependentes graves. A categoria inclui um espectro de perda de controle e prejuízo, com risco maior entre quem começa jovem e quem usa com frequência.</p><p>Também não é correto transformar a pontuação 20 da cannabis no ranking britânico em autorização para uso irrestrito. O modelo atribuiu dano agregado menor do que ao álcool, mas não elimina prejuízo cognitivo, acidentes, ansiedade, transtorno por uso ou descompensação psiquiátrica em pessoas vulneráveis.</p><h2>Cocaína: euforia, queda e repetição</h2><p>A cocaína é descrita como estimulante capaz de produzir euforia, sensação de poder e autoconfiança. O problema aparece na descida: humor deprimido, cansaço, vazio e vontade de recuperar rapidamente o estado anterior. Esse contraste pode alimentar um ciclo de repetição.</p><p>A avaliação precisa separar uma depressão que já existia de sintomas provocados ou agravados pelo uso. A resposta também varia entre indivíduos. História de vida, padrão de consumo, saúde mental e contexto social mudam o risco, o que impede aplicar uma conclusão automática a todos os usuários.</p><p>O alerta social também importa. Pobreza, situação de rua, violência e falta de acesso a cuidado aumentam danos que costumam ser atribuídos apenas à substância. Reconhecer essa interação não torna crack ou cocaína inofensivos. Evita confundir farmacologia com todas as consequências da exclusão social.</p><h2>MDMA: “terça-feira triste” não resume o risco</h2><p>O MDMA é comparado com a cocaína por produzir empatia, bem-estar e maior abertura social, com menor tendência à repetição compulsiva em algumas pessoas. A chamada “Blue Tuesday” descreve o relato de tristeza ou queda de humor alguns dias depois do uso.</p><p>Explicar esse fenômeno apenas como neurotransmissores que “acabaram” três dias depois é uma simplificação. Sono perdido, esforço físico prolongado, calor, desidratação, outras substâncias e adulterantes também podem participar do mal-estar. O NIDA alerta que o MDMA pode elevar temperatura corporal, frequência cardíaca e pressão arterial. Em ambientes quentes e lotados, hipertermia, desmaio, convulsão e outras complicações podem ser graves.</p><p>Pontuação 9 no ranking e menor potencial de dependência do que cocaína não significam produto puro, dose previsível ou uso recreativo seguro.</p><h2>LSD, ayahuasca e DMT: pouca dependência não é ausência de perigo</h2><p>Psicodélicos clássicos costumam apresentar baixo potencial de dependência. Ainda assim, podem alterar intensamente percepção, tempo, emoções e julgamento. A experiência pode ser agradável ou se transformar em pânico, confusão e comportamento perigoso.</p><p>Reações psicóticas persistentes são incomuns, mas merecem atenção imediata, sobretudo quando há histórico pessoal ou familiar de psicose. Sintomas que continuam depois do período esperado de intoxicação não devem ser tratados como uma viagem normal. A pessoa precisa de avaliação médica.</p><p>As durações citadas ajudam a diferenciar as experiências sem funcionar como relógio universal:</p><ul><li><p>ayahuasca: cerca de 4 a 6 horas, podendo chegar a 8 horas</p></li><li><p>DMT de ação curta: aproximadamente 1 hora</p></li></ul><p>A forma de administração, a concentração, a composição e a própria pessoa alteram duração e intensidade. DMT também está presente em plantas, incluindo espécies conhecidas como jurema. A origem vegetal não garante segurança nem padronização.</p><h2>A decisão prática exige olhar padrão, dose e contexto</h2><p>Comparar drogas por uma única palavra, como “forte”, “natural”, “legal” ou “viciante”, esconde o que realmente muda o risco. Uma avaliação útil precisa responder:</p><ul><li><p>qual substância e qual quantidade foram usadas</p></li><li><p>com que frequência e há quanto tempo</p></li><li><p>se existem episódios de grande ingestão</p></li><li><p>se houve perda de controle ou tentativas frustradas de reduzir</p></li><li><p>se há combinação com medicamentos ou outras drogas</p></li><li><p>se a pessoa dirige, opera máquinas ou se expõe a violência</p></li><li><p>se existem depressão, ansiedade, psicose ou histórico familiar relevante</p></li><li><p>quais danos já apareceram no corpo, no trabalho e nas relações</p></li></ul><p>Para o álcool, a banalização é parte do problema. A substância que liderou o ranking de dano agregado é vendida, presenteada e servida em celebrações. Isso não significa que toda pessoa que bebe desenvolverá dependência. Significa que avaliar apenas dependência deixa fora grande parte da conta.</p><h2>Conclusão</h2><p>O álcool ficou em primeiro no estudo de David Nutt com 72 pontos porque reuniu dano ao usuário e, principalmente, dano a terceiros. Heroína e crack tiveram maior pontuação individual, mas menor impacto agregado no modelo. O resultado não é uma comparação de toxicidade por dose e não transforma substâncias de pontuação baixa em escolhas seguras.</p><p>A frase de que 85% das pessoas não se tornam dependentes também precisa ser lida com cuidado. Dependência é um desfecho específico. Acidentes, câncer, doença cardiovascular, violência, interação com medicamentos e prejuízo familiar podem ocorrer fora dela. A pergunta correta não é apenas “isso vicia?”. É “qual dano esta substância pode produzir, para quem, em qual dose e em qual contexto?”.</p><h2>FAQ</h2><h3>O álcool é realmente pior do que heroína e crack?</h3><p>No ranking britânico de 2010, sim, quando são somados danos ao usuário e a terceiros. O resultado não afirma que uma dose de álcool seja mais tóxica do que uma dose de heroína ou crack.</p><h3>Qual foi a pontuação correta do álcool?</h3><p>O estudo original atribuiu 72 pontos ao álcool. A cifra de 75 citada na conversa é uma aproximação incorreta.</p><h3>Se a pessoa não é dependente, beber faz mal?</h3><p>Pode fazer. Dependência não inclui todos os riscos. Acidentes, lesões, câncer, piora de doenças, interação com medicamentos e dano a terceiros podem ocorrer sem dependência.</p><h3>Como saber se existe transtorno por uso de álcool?</h3><p>Dois ou mais critérios clínicos em 12 meses já podem caracterizar o transtorno. Perda de controle, fissura, tentativas frustradas de reduzir, uso perigoso, tolerância e abstinência estão entre os sinais.</p><h3>Cannabis causa dependência em 9% ou transtorno em 30%?</h3><p>Os números usam definições diferentes. Cerca de 9% é uma estimativa antiga de dependência. O CDC informa aproximadamente 3 em cada 10 consumidores com transtorno por uso de cannabis, uma categoria mais ampla e com diferentes graus de gravidade.</p><h3>Psicodélicos de baixa pontuação são seguros?</h3><p>Não. Baixo potencial de dependência e menor dano agregado não eliminam pânico, acidentes, adulteração, interação com doenças mentais ou reações psiquiátricas persistentes.</p><h2>Referências</h2><ol><li><p>UOL. <em>Álcool é a droga mais danosa, mas 85% de quem bebe não desenvolve dependência, explica médico</em>. [S. l.], 23 jul. 2025. YouTube. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.youtube.com/watch?v=0jm1Mm3lPi8">https://www.youtube.com/watch?v=0jm1Mm3lPi8</a>. Acesso em: 27 ago. 2026.</p></li><li><p>NUTT, David J.; KING, Leslie A.; PHILLIPS, Lawrence D. Drug harms in the UK: a multicriteria decision analysis. <em>The Lancet</em>, v. 376, n. 9752, p. 1558-1565, 2010. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/21036393/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/21036393/</a>. Acesso em: 27 ago. 2026.</p></li><li><p>WORLD HEALTH ORGANIZATION. Alcohol. Geneva, 28 jun. 2024. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/alcohol">https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/alcohol</a>. Acesso em: 27 ago. 2026.</p></li><li><p>NATIONAL INSTITUTE ON ALCOHOL ABUSE AND ALCOHOLISM. Alcohol use disorder: from risk to diagnosis to recovery. Bethesda, [s. d.]. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.niaaa.nih.gov/health-professionals-communities/core-resource-on-alcohol/alcohol-use-disorder-risk-diagnosis-recovery">https://www.niaaa.nih.gov/health-professionals-communities/core-resource-on-alcohol/alcohol-use-disorder-risk-diagnosis-recovery</a>. Acesso em: 27 ago. 2026.</p></li><li><p>CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION. Cannabis use disorder. Atlanta, 5 dez. 2024. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.cdc.gov/cannabis/health-effects/cannabis-use-disorder.html">https://www.cdc.gov/cannabis/health-effects/cannabis-use-disorder.html</a>. Acesso em: 27 ago. 2026.</p></li><li><p>NATIONAL INSTITUTE ON DRUG ABUSE. MDMA (Ecstasy/Molly). Bethesda, abr. 2024. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://nida.nih.gov/Infofacts/clubdrugs.html">https://nida.nih.gov/Infofacts/clubdrugs.html</a>. Acesso em: 27 ago. 2026.</p></li><li><p>NATIONAL INSTITUTE ON DRUG ABUSE. Psychedelic and dissociative drugs. Bethesda, abr. 2023. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://nida.nih.gov/Infofacts/LSD-Sp.html">https://nida.nih.gov/Infofacts/LSD-Sp.html</a>. Acesso em: 27 ago. 2026.</p></li></ol>]]></description><guid isPermaLink="false">1223</guid><pubDate>Thu, 27 Aug 2026 21:52:00 +0000</pubDate></item><item><title>Semaglutida fez a cartilagem do joelho crescer 17%? O que o estudo provou</title><link>https://fisiculturismo.com.br/mat%C3%A9rias/diversos/semaglutida-fez-a-cartilagem-do-joelho-crescer-17-o-que-o-estudo-provou-r1220/</link><description><![CDATA[
<p><img src="https://cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2026_08/semaglutida-cartilagem-joelho-capa.webp.5cd2258aa67e9528320e7dfb0df6af90.webp" /></p>
<p>Um estudo publicado em 2026 encontrou aumento médio próximo de 17% na espessura da cartilagem do joelho entre participantes que receberam semaglutida e ácido hialurônico. O número chama atenção, mas ainda não prova que a semaglutida reconstrói cartilagem humana destruída pela artrose.</p><p>O ensaio começou com 20 pessoas e somente 14 concluíram as 24 semanas. A medida foi feita por ressonância magnética, não por análise microscópica do tecido. Também não houve um grupo usando apenas semaglutida, e o estudo humano não separou o possível efeito direto na articulação do efeito da perda de peso.</p><h2>A resposta curta: houve um sinal estrutural, não uma cura comprovada</h2><div class="ipsRichText__table-wrapper"><table style="min-width: 40px;"><colgroup><col style="min-width:20px;"><col style="min-width:20px;"></colgroup><tbody><tr><th colspan="1" rowspan="1"><p>Pergunta</p></th><th colspan="1" rowspan="1"><p>O que a evidência permite responder</p></th></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>A semaglutida reduz dor em pessoas com obesidade e artrose do joelho?</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Sim. Um ensaio com 407 participantes mostrou redução maior de dor, peso e limitação funcional do que placebo.</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>A semaglutida aumentou a espessura da cartilagem em humanos?</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Um piloto pequeno encontrou aproximadamente 17% de aumento na ressonância após 24 semanas.</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Isso prova regeneração de cartilagem hialina?</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Não. Espessura na ressonância não comprova qualidade, composição, durabilidade nem regeneração microscópica do tecido.</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>O efeito independe do emagrecimento?</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Em camundongos, o desenho pareado por perda de peso sugere que sim. Em humanos, isso ainda não foi demonstrado.</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Já é tratamento aprovado para artrose?</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Não. A semaglutida não tem indicação aprovada no Brasil para regenerar cartilagem ou tratar artrose.</p></td></tr></tbody></table></div><h2>O ensaio robusto: 407 pessoas, menos peso e menos dor</h2><p>O resultado clínico mais sólido veio do STEP 9, publicado em 2024 no <em>New England Journal of Medicine</em>. O estudo incluiu 407 adultos com obesidade e artrose moderada do joelho. Durante 68 semanas, o grupo experimental recebeu semaglutida 2,4 mg uma vez por semana, além de orientação de atividade física e dieta. O grupo controle recebeu placebo e a mesma intervenção de estilo de vida.</p><p>O peso corporal caiu 13,7% com semaglutida e 3,2% com placebo. Na escala WOMAC de dor, em que pontuação menor indica melhora, a redução média foi de 41,7 pontos com semaglutida e de 27,5 pontos com placebo. A função física também melhorou mais: 41,5 pontos contra 26,7.</p><p>Esse ensaio demonstra benefício para peso, dor e função em pessoas com obesidade e artrose do joelho. Ele não mediu regeneração da cartilagem. Eventos adversos levaram 6,7% do grupo da semaglutida e 3,0% do grupo placebo a abandonar o tratamento. Os problemas gastrointestinais foram os mais frequentes.</p><h2>O estudo de 2026: protocolo completo e só 14 concluintes</h2><p>O artigo que gerou o número de 17% reuniu experimentos em animais e um piloto clínico registrado como ChiCTR2200066291. O braço humano incluiu adultos de 50 a 75 anos, com índice de massa corporal igual ou superior a 28 kg/m², artrose primária do joelho confirmada por imagem e dor moderada.</p><p>Vinte participantes foram distribuídos em dois grupos de dez:</p><ol><li><p>ácido hialurônico intra-articular: 25 mg por semana durante cinco semanas</p></li><li><p>o mesmo ácido hialurônico mais semaglutida subcutânea: 0,25 mg na primeira semana, com aumento de 0,125 mg por semana até 0,5 mg semanal</p></li></ol><p>As doses descrevem o protocolo experimental e não constituem orientação de uso. Somente seis participantes do grupo do ácido hialurônico e oito do grupo combinado completaram as 24 semanas. Portanto, a análise final envolveu 14 pessoas.</p><p>O índice de massa corporal caiu 7,96% no grupo combinado e subiu 0,49% no grupo do ácido hialurônico. Isso já impede atribuir o resultado humano exclusivamente a uma ação direta da semaglutida sobre a cartilagem.</p><h2>De onde saiu o número de 17%</h2><p>Os pesquisadores utilizaram ressonância magnética de 3 teslas e dividiram a cartilagem do joelho em 21 sub-regiões. A segmentação foi manual e cada medida foi repetida três vezes. Após 24 semanas, a espessura média aumentou cerca de 17% no grupo que recebeu semaglutida e ácido hialurônico, enquanto a variação ficou abaixo de 1% no grupo que recebeu apenas ácido hialurônico.</p><p>O achado merece investigação porque a perda progressiva de cartilagem é uma característica central da artrose. Ainda assim, espessura maior na ressonância não revela se apareceu cartilagem hialina funcional, fibrocartilagem, alteração de hidratação ou variação de medida. Também não mostra se o resultado permaneceria depois de um ou dois anos.</p><p>O próprio método impõe cautela. A cartilagem tem espessura milimétrica e a resolução da ressonância é limitada para detectar mudanças pequenas. O artigo reconhece que são necessários ensaios maiores, com mais poder estatístico e imagem de resolução superior.</p><h2>Dor e rigidez não acompanharam a manchete</h2><p>No piloto de 2026, a melhora da função física favoreceu o grupo combinado: redução de 32,75 pontos contra 16,2 no grupo controle. Entretanto, não houve diferença significativa entre os grupos nos componentes de dor e rigidez do WOMAC.</p><p>Esse detalhe é decisivo. Não é correto resumir o estudo dizendo que 17% de cartilagem nova eliminou a dor. A evidência clínica forte para redução de dor vem do STEP 9, com 407 pessoas e 68 semanas, mas esse ensaio não demonstrou crescimento de cartilagem.</p><h2>A hipótese de efeito direto veio de camundongos</h2><p>Para separar o efeito do medicamento do efeito mecânico do emagrecimento, os pesquisadores usaram camundongos obesos com artrose. Um grupo recebeu semaglutida. Outro teve a alimentação ajustada para perder a mesma quantidade de peso, sem receber o medicamento.</p><p>Apesar da perda de peso semelhante, os animais tratados com semaglutida apresentaram menos degeneração da cartilagem, osteófitos, lesões sinoviais e comportamento compatível com dor. Nos condrócitos, células que mantêm a cartilagem, os autores propuseram ativação da via GLP-1R–AMPK–PFKFB3 e mudança do metabolismo energético da glicólise para a fosforilação oxidativa.</p><p>Esse experimento sustenta a hipótese de uma ação independente do peso, mas ainda em animais. O estudo humano não teve um grupo pareado pela mesma perda de peso e não consegue confirmar o mesmo mecanismo em pessoas.</p><h2>Para quem esse achado pode fazer sentido</h2><p>Os participantes tinham obesidade e artrose do joelho com componente metabólico. O resultado não pode ser extrapolado automaticamente para uma pessoa magra com lesão traumática, artrose pós-cirúrgica, alteração de alinhamento, doença inflamatória ou desgaste avançado por outra causa.</p><p>O benefício mais bem demonstrado da semaglutida nesse cenário continua sendo a redução de peso acompanhada de melhora da dor e da função. Cada quilograma perdido pode reduzir em aproximadamente quatro quilogramas a carga exercida sobre o joelho a cada passo. A possibilidade de efeito direto sobre a cartilagem é promissora, mas permanece experimental.</p><h2>Semaglutida está aprovada para artrose?</h2><p>Não. No Brasil, a semaglutida é aprovada em apresentações e doses específicas para diabetes tipo 2 e controle crônico do peso, conforme indicação de cada produto. Regeneração de cartilagem e tratamento da artrose não fazem parte das indicações aprovadas.</p><p>Usar o medicamento “para fazer a cartilagem crescer” seria uso fora da bula baseado em evidência preliminar. A venda das canetas agonistas de GLP-1 passou a exigir retenção da receita no Brasil. Prescrição, escolha da apresentação, escalonamento e avaliação de contraindicações devem ser feitos por médico.</p><h2>O que fazer hoje para artrose do joelho</h2><p>Enquanto a hipótese estrutural é testada, o tratamento atual não deve ficar parado esperando uma futura indicação. As medidas com aplicação clínica incluem:</p><ul><li><p>exercício terapêutico adaptado, com fortalecimento e progressão de carga</p></li><li><p>redução de peso quando há sobrepeso ou obesidade</p></li><li><p>avaliação de alinhamento, mobilidade, força e causas de sobrecarga</p></li><li><p>analgesia e outros tratamentos individualizados por profissional de saúde</p></li><li><p>investigação rápida de inchaço intenso, bloqueio, febre, trauma ou piora súbita</p></li></ul><p>Semaglutida não substitui reabilitação. Para uma pessoa que já tem indicação médica de tratamento da obesidade, a melhora do peso pode ajudar o joelho. Isso é diferente de prescrever a caneta como regenerador de cartilagem.</p><h2>Conclusão</h2><p>O número de 17% é real dentro de um piloto, mas a interpretação popular é maior do que o estudo permite. Foram 20 participantes no início, 14 concluintes, 24 semanas e uma medida de espessura obtida por ressonância. Não houve prova microscópica de cartilagem hialina regenerada, não houve grupo de semaglutida isolada e o estudo humano não separou o efeito direto do emagrecimento.</p><p>A evidência robusta já mostra que semaglutida 2,4 mg por semana pode reduzir peso, dor e limitação funcional em adultos com obesidade e artrose do joelho. A possibilidade de também modificar a estrutura da cartilagem é uma hipótese importante, apoiada por animais e por um pequeno sinal humano. Ainda precisa de estudo grande, longo, cego e desenhado especificamente para provar regeneração.</p><h2>FAQ</h2><h3>A semaglutida regenera a cartilagem do joelho?</h3><p>Ainda não foi provado. Um piloto encontrou aumento de espessura na ressonância, mas não demonstrou a qualidade nem a durabilidade do tecido e teve somente 14 concluintes.</p><h3>De onde veio o aumento de 17%?</h3><p>Da comparação por ressonância magnética após 24 semanas entre ácido hialurônico isolado e ácido hialurônico combinado com semaglutida. O grupo combinado apresentou aumento médio próximo de 17%. O controle ficou abaixo de 1%.</p><h3>A dor também melhorou 17%?</h3><p>Não. O número se refere à espessura da cartilagem. No piloto, dor e rigidez não tiveram diferença significativa entre os grupos. Um ensaio maior e separado demonstrou melhora de dor com semaglutida em pessoas com obesidade.</p><h3>Qual dose foi usada nos estudos?</h3><p>No piloto estrutural, a semaglutida começou em 0,25 mg por semana e subiu 0,125 mg por semana até 0,5 mg. No STEP 9, a dose-alvo foi 2,4 mg por semana. São protocolos de pesquisa em populações específicas, não recomendações individuais.</p><h3>Posso usar semaglutida apenas para tratar artrose?</h3><p>Não há indicação aprovada para isso. A decisão de usar semaglutida deve partir de uma indicação reconhecida, avaliação médica e análise de riscos, benefícios e contraindicações.</p><h2>Referências</h2><ol><li><p>AZZINI, Gabriel. <em>Peptídeo conhecido pode ter recuperado a cartilagem com artrose. Cresceu cartilagem?</em> YouTube, 24 ago. 2026. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.youtube.com/watch?v=vZGbpaYL2n8">https://www.youtube.com/watch?v=vZGbpaYL2n8</a>. Acesso em: 25 ago. 2026.</p></li><li><p>QIN, X. et al. <em>Semaglutide ameliorates osteoarthritis progression through a weight loss-independent metabolic restoration mechanism</em>. Cell Metabolism, v. 38, n. 3, p. 582-597.e6, 2026. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://doi.org/10.1016/j.cmet.2026.01.008">https://doi.org/10.1016/j.cmet.2026.01.008</a>. Acesso em: 25 ago. 2026.</p></li><li><p>BLIDDAL, Henning et al. <em>Once-weekly semaglutide in persons with obesity and knee osteoarthritis</em>. New England Journal of Medicine, v. 391, n. 17, p. 1573-1583, 2024. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://doi.org/10.1056/NEJMoa2403664">https://doi.org/10.1056/NEJMoa2403664</a>. Acesso em: 25 ago. 2026.</p></li><li><p>AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. <em>Wegovy (semaglutida)</em>. Brasília, DF. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/medicamentos/novos-medicamentos-e-indicacoes/wegovy-semaglutida">https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/medicamentos/novos-medicamentos-e-indicacoes/wegovy-semaglutida</a>. Acesso em: 25 ago. 2026.</p></li><li><p>AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. <em>Canetas emagrecedoras só poderão ser vendidas com retenção de receita</em>. Brasília, DF, 16 abr. 2025. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/noticias-anvisa/2025/canetas-emagrecedoras-so-poderao-ser-vendidas-com-retencao-de-receita">https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/noticias-anvisa/2025/canetas-emagrecedoras-so-poderao-ser-vendidas-com-retencao-de-receita</a>. Acesso em: 25 ago. 2026.</p></li><li><p>NATIONAL INSTITUTE FOR HEALTH AND CARE EXCELLENCE. <em>Osteoarthritis in over 16s: diagnosis and management: recommendations</em>. London, 2022. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.nice.org.uk/guidance/NG226/chapter/recommendations">https://www.nice.org.uk/guidance/NG226/chapter/recommendations</a>. Acesso em: 25 ago. 2026.</p></li><li><p>ENG, J. et al. <em>Isolation and characterization of exendin-4, an exendin-3 analogue, from Heloderma suspectum venom</em>. Journal of Biological Chemistry, v. 267, n. 11, p. 7402-7405, 1992. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/1313797/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/1313797/</a>. Acesso em: 25 ago. 2026.</p></li></ol>]]></description><guid isPermaLink="false">1220</guid><pubDate>Tue, 25 Aug 2026 12:56:00 +0000</pubDate></item><item><title>Baf&#xF4;metro da gordura mede a queima pelo h&#xE1;lito, mas n&#xE3;o prova emagrecimento</title><link>https://fisiculturismo.com.br/mat%C3%A9rias/diversos/baf%C3%B4metro-da-gordura-mede-a-queima-pelo-h%C3%A1lito-mas-n%C3%A3o-prova-emagrecimento-r1219/</link><description><![CDATA[
<p><img src="https://cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2026_08/bafometro-gordura-acetona-halito-capa.webp.d47b1d39fcb8d538493b66cb64073d85.webp" /></p>
<p>Soprar em um aparelho e ver o metabolismo de gordura subir parece um atalho para descobrir se o treino está emagrecendo. Não é. O Nutrion, desenvolvido a partir de pesquisas da ETH Zürich, mede acetona no ar expirado. Esse composto acompanha a produção de corpos cetônicos e ajuda a mostrar quando a participação da gordura como combustível aumentou.</p><p>O aparelho entrega uma fotografia metabólica daquele momento. Ele não mede quantos gramas de gordura corporal desapareceram, não calcula o déficit calórico e não diz se a barriga diminuiu. Essa diferença é o que separa uma ferramenta interessante de mais uma promessa de emagrecimento instantâneo.</p><h2>O que o aparelho realmente mede</h2><p>Quando os ácidos graxos chegam ao fígado em quantidade suficiente, parte deles é convertida em corpos cetônicos. Os principais são beta-hidroxibutirato, acetoacetato e acetona. A acetona é volátil, passa do sangue para os pulmões e sai na respiração.</p><p>O Nutrion mede a concentração dessa acetona no hálito. Um valor maior sugere aumento da cetogênese e da utilização de gordura naquele contexto. Jejum, restrição de carboidratos, dieta cetogênica e exercício podem elevar a leitura. A composição da dieta é um dos fatores que mais altera o resultado.</p><p>Isso não transforma acetona em contador de gordura perdida. A leitura também depende do padrão respiratório, da troca gasosa pulmonar, do horário, da alimentação anterior e da adaptação individual.</p><h2>312 sopros em 12 adultos: como o Nutrion foi validado</h2><p>O estudo de validação publicado em 2026 reuniu 12 adultos e realizou 312 medições. Os pesquisadores criaram cenários com atividade física leve e intensa e diferentes dietas. Cada leitura do aparelho portátil foi comparada com exames de sangue e com espectrometria de massa, usada como referência laboratorial para medir moléculas no ar expirado.</p><p>Segundo a ETH Zürich, os resultados do aparelho ficaram praticamente idênticos aos do laboratório e permaneceram confiáveis durante meses de uso. O estudo mostra que o sensor consegue detectar pequenas diferenças no estado metabólico. A amostra, porém, foi pequena e o desfecho era precisão de medição, não emagrecimento.</p><h2>Por que não basta soprar de qualquer jeito</h2><p>O primeiro ar da expiração vem principalmente das vias aéreas e não representa da mesma forma as trocas que ocorreram nas regiões profundas dos pulmões. Por isso, o aplicativo acompanha a expiração, mede o volume soprado e seleciona a amostra depois de um intervalo específico.</p><p>O sistema usa um filtro para reduzir a interferência de outras moléculas e precisa ser calibrado de acordo com o volume pulmonar do usuário. Na prática, três cuidados mudam a qualidade da comparação:</p><ul><li><p>usar sempre o mesmo protocolo de expiração</p></li><li><p>medir em horários e condições semelhantes</p></li><li><p>evitar comparar um teste em jejum com outro feito logo depois de uma refeição sem registrar a diferença</p></li></ul><p>Sem padronização, uma mudança no sopro pode parecer uma mudança no metabolismo.</p><h2>Queimar gordura agora não significa perder gordura corporal</h2><p>Oxidação de gordura é o uso de gordura como combustível. Perda de gordura corporal é a redução líquida dos estoques ao longo dos dias e semanas. Uma pessoa pode oxidar muita gordura pela manhã e armazenar mais gordura do que usou até o fim do dia se consumir energia acima do gasto.</p><p>O contrário também importa. Um treino intenso pode usar bastante carboidrato porque precisa gerar energia rapidamente. Isso não torna o exercício pior para reduzir gordura corporal. O gasto total, a ingestão energética, a recuperação e a capacidade de manter o programa pesam mais do que tentar maximizar a oxidação de gordura em cada minuto.</p><p>Um experimento controlado ajuda a visualizar a diferença. Dezessete homens passaram quatro semanas em dieta rica em carboidratos e depois quatro semanas em dieta cetogênica com as mesmas calorias e a mesma proteína. A dieta cetogênica reduziu fortemente o quociente respiratório, sinal de maior uso de gordura, mas não acelerou a perda de gordura corporal. Durante essa fase, a perda de gordura desacelerou.</p><p>O bafômetro pode mostrar que a mistura de combustíveis mudou. Ele não substitui balança, medidas corporais, fotos padronizadas e avaliação da tendência ao longo do tempo.</p><h2>O ensaio com 47 pessoas: o que melhorou de verdade</h2><p>Um ensaio clínico publicado em 2024 distribuiu 47 adultos em três grupos durante uma dieta com pouco carboidrato por três semanas:</p><ol><li><p>monitoramento diário de acetona no hálito</p></li><li><p>monitoramento diário do peso corporal</p></li><li><p>dieta sem uma dessas duas formas de feedback</p></li></ol><p>Quarenta e cinco participantes concluíram o estudo. O grupo que acompanhou a acetona apresentou redução de massa de gordura 1,1 kg maior do que o grupo da balança e 1,3 kg maior do que o grupo de controle. Na direção calculada pelos autores, as diferenças ajustadas foram de −1,1 kg, com intervalo de confiança de 95% de −2,3 a −0,2 kg, e de −1,3 kg, com intervalo de −2,1 a −0,4 kg, respectivamente.</p><p>O resultado é interessante, mas precisa ser lido por inteiro. Não houve diferença significativa entre os grupos no percentual de gordura nem na massa muscular esquelética. O aparelho também não derreteu gordura. Os autores propõem que o feedback diário pode ter aumentado a motivação e a adesão à dieta.</p><p>O ensaio avaliou monitoramento de acetona como estratégia comportamental. Ele não prova que qualquer aparelho de hálito seja preciso, nem que o Nutrion produza o mesmo efeito fora de um protocolo alimentar.</p><h2>O que um atleta consegue testar sem se enganar</h2><p>O aparelho pode ser útil para comparar respostas da mesma pessoa quando o restante do protocolo permanece estável. Exemplos:</p><div class="ipsRichText__table-wrapper"><table style="min-width: 60px;"><colgroup><col style="min-width:20px;"><col style="min-width:20px;"><col style="min-width:20px;"></colgroup><tbody><tr><th colspan="1" rowspan="1"><p>Comparação</p></th><th colspan="1" rowspan="1"><p>O que precisa permanecer semelhante</p></th><th colspan="1" rowspan="1"><p>O que a leitura pode mostrar</p></th></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Cardio em jejum e alimentado</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>duração, intensidade e horário</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>diferença aguda na cetogênese</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Cardio leve e intenso</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>duração ou trabalho total registrados</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>mudança no combustível usado</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Dia com mais e menos carboidrato</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>calorias e proteína anotadas</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>resposta da acetona à dieta</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Antes e depois do treino</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>mesmo aparelho e técnica de sopro</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>trajetória metabólica da sessão</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Dieta cetogênica ao longo dos dias</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>horário fixo e registro alimentar</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>entrada e manutenção da cetose</p></td></tr></tbody></table></div><p>O erro seria perseguir a maior leitura possível. Um número alto depois de jejum prolongado não prova que a estratégia preserva desempenho, músculo ou saúde. Para um fisiculturista, glicogênio suficiente pode melhorar carga, volume de treino e recuperação mesmo quando a acetona fica baixa.</p><h2>Onde a tecnologia está hoje</h2><p>A ETH Zürich licenciou a tecnologia para a Alivion AG, que lançou o aparelho com o nome Nutrion. Em agosto de 2026, ele era usado principalmente em estudos internacionais e instalações médicas. A empresa ainda buscava parceiros para ampliar escala e aplicações.</p><p>Os pesquisadores estudam usos em dietas cetogênicas para epilepsia, dietas médicas, terapias com agonistas de GLP-1 e esporte amador. A própria equipe afirma que novos estudos precisam demonstrar se a medição realmente ajuda a personalizar tratamentos.</p><p>Preço ao consumidor, disponibilidade ampla no Brasil e benefício clínico de longo prazo não foram demonstrados nas fontes consultadas. Portanto, não há base para tratar o Nutrion como acessório obrigatório de dieta ou treino.</p><h2>Conclusão</h2><p>O Nutrion mede acetona no hálito com precisão próxima à espectrometria de massa nas condições testadas. Foram 312 leituras em 12 adultos, com exercícios e dietas diferentes. A tecnologia consegue acompanhar alterações agudas no metabolismo de gordura sem coleta de sangue.</p><p>O dado mais importante é o limite. Acetona alta significa maior cetogênese e maior participação da gordura como combustível naquele contexto. Não significa, sozinha, perda de gordura corporal. O ensaio de três semanas sugere que acompanhar o número pode melhorar adesão e reduzir mais massa de gordura, mas não prova efeito direto do aparelho nem benefício duradouro.</p><p>Para dieta e treinamento, o bafômetro pode responder “o que meu corpo está usando agora?”. Para responder “estou emagrecendo?”, ainda é necessário acompanhar a tendência do peso, das medidas, da composição corporal, da ingestão e do desempenho.</p><h2>FAQ</h2><h3>Acetona alta no hálito significa que estou emagrecendo?</h3><p>Não necessariamente. Ela indica aumento da cetogênese e do uso de gordura naquele momento. A perda de gordura corporal depende do balanço energético acumulado e da adesão ao longo do tempo.</p><h3>O aparelho mede calorias queimadas?</h3><p>Não. Ele mede acetona no ar expirado. Não calcula gasto calórico, percentual de gordura nem gramas de gordura eliminados.</p><h3>Cardio em jejum deve produzir leitura maior?</h3><p>Pode produzir em algumas pessoas porque a disponibilidade de carboidrato e a insulina tendem a estar menores. Isso não garante maior perda de gordura ao longo das semanas.</p><h3>Uma leitura baixa depois da musculação significa treino ruim?</h3><p>Não. Musculação intensa depende bastante de carboidrato. Usar mais glicogênio durante a sessão não impede perda de gordura quando dieta e gasto produzem déficit energético.</p><h3>O Nutrion já é vendido no Brasil?</h3><p>As fontes consultadas informam uso em pesquisas e instalações médicas, mas não documentam venda ampla ao consumidor brasileiro nem preço local.</p><h3>Monitorar acetona ajudou pessoas a perder gordura?</h3><p>Em um ensaio de três semanas, o grupo que monitorou acetona perdeu mais massa de gordura do que os outros dois grupos. Os autores atribuem o resultado possivelmente a maior motivação e adesão, não a uma ação direta do aparelho.</p><h2>Referências</h2><ol><li><p>ETH ZÜRICH. <em>Breath, not blood: device measures fat burning in exhaled air</em>. Zürich, 22 jul. 2026. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://ethz.ch/en/news-and-events/eth-news/news/2026/07/press-release-breath-not-blood-device-measures-fat-burning-in-exhaled-air.html">https://ethz.ch/en/news-and-events/eth-news/news/2026/07/press-release-breath-not-blood-device-measures-fat-burning-in-exhaled-air.html</a>. Acesso em: 24 ago. 2026.</p></li><li><p>HERSBERGER, Simone et al. <em>Self-monitoring of Fat Metabolic Status with Smartphone-assisted Breath Acetone Detector</em>. Device, 22 jul. 2026. DOI: 10.1016/j.device.2026.101226. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://doi.org/10.1016/j.device.2026.101226">https://doi.org/10.1016/j.device.2026.101226</a>. Acesso em: 24 ago. 2026.</p></li><li><p>ANDERSON, Joseph C. <em>Measuring breath acetone for monitoring fat loss: Review</em>. Obesity, v. 23, n. 12, p. 2327-2334, 2015. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC4737348/">https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC4737348/</a>. Acesso em: 24 ago. 2026.</p></li><li><p>CHOI, Ri et al. <em>Effectiveness of breath acetone monitoring in reducing body fat and improving body composition: a randomized controlled study</em>. Journal of Breath Research, v. 18, n. 2, 2024. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/38176080/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/38176080/</a>. Acesso em: 24 ago. 2026.</p></li><li><p>HALL, Kevin D. et al. <em>Energy expenditure and body composition changes after an isocaloric ketogenic diet in overweight and obese men</em>. The American Journal of Clinical Nutrition, v. 104, n. 2, p. 324-333, 2016. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC4962163/">https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC4962163/</a>. Acesso em: 24 ago. 2026.</p></li></ol>]]></description><guid isPermaLink="false">1219</guid><pubDate>Tue, 25 Aug 2026 11:46:00 +0000</pubDate></item><item><title>Barriga de fisiculturista n&#xE3;o &#xE9; s&#xF3; incha&#xE7;o: rins eram mais de 50% maiores</title><link>https://fisiculturismo.com.br/mat%C3%A9rias/diversos/barriga-de-fisiculturista-n%C3%A3o-%C3%A9-s%C3%B3-incha%C3%A7o-rins-eram-mais-de-50-maiores-r1218/</link><description><![CDATA[
<p><img src="https://cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2026_08/steroid-gut-visceromegalia-capa.webp.41c957b596f56e302571be332aba63cc.webp" /></p>
<p>Um fisiculturista pode subir ao palco com gordura corporal muito baixa e ainda apresentar o abdômen redondo e projetado. A aparência costuma ser chamada de <em>steroid gut</em>, <em>bubble gut</em> ou palumboísmo. Durante anos, as explicações ficaram entre comida acumulada, retenção, musculatura abdominal espessa, uso de hormônio do crescimento e crescimento dos órgãos internos.</p><p>Uma pesquisa publicada em 2026 finalmente mediu parte dessa discussão com ressonância magnética. Menno Henselmans apresentou o estudo em seu canal e destacou o resultado central: entre 45 homens, somente o grupo de fisiculturistas que relatava uso de fármacos para aparência e performance apresentou aumento consistente do coração, fígado, baço e rins.</p><p>O achado documenta visceromegalia nesse grupo. Ele não prova que todo abdômen distendido tenha uma única causa, nem permite culpar isoladamente testosterona, GH, insulina ou qualquer outro composto.</p><h2>O que a ressonância comparou</h2><p>Os pesquisadores dividiram 45 homens em três grupos de 15 participantes: praticantes recreativos ativos, fisiculturistas naturais competitivos e fisiculturistas competitivos que usavam fármacos para aparência e performance. Todos fizeram ressonância para medir músculos e órgãos. A massa magra foi avaliada por DXA e a alimentação foi registrada durante sete dias.</p><div class="ipsRichText__table-wrapper"><table style="min-width: 80px;"><colgroup><col style="min-width:20px;"><col style="min-width:20px;"><col style="min-width:20px;"><col style="min-width:20px;"></colgroup><tbody><tr><th colspan="1" rowspan="1"><p>Medida</p></th><th colspan="1" rowspan="1"><p>Ativos recreativos</p></th><th colspan="1" rowspan="1"><p>Fisiculturistas naturais</p></th><th colspan="1" rowspan="1"><p>Fisiculturistas com uso de fármacos</p></th></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Idade média</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>29 anos</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>30 anos</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>31 anos</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Massa corporal</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>80,9 kg</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>86,1 kg</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>102,4 kg</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Gordura corporal</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>17,8%</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>11,7%</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>10,7%</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Massa magra</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>62,8 kg</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>72,7 kg</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>87,8 kg</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Proteína diária</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>1,4 g/kg</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>2,5 g/kg</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>2,9 g/kg</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Treinos por semana</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>não se aplica</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>6</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>6</p></td></tr></tbody></table></div><p>Os dois grupos de fisiculturistas tinham percentual de gordura semelhante. O grupo que usava fármacos carregava, em média, 15,1 kg a mais de massa magra do que os naturais.</p><h2>Coração, fígado, baço e rins eram maiores</h2><p>Os fisiculturistas naturais tinham mais massa muscular do que os controles, mas não apresentaram órgãos maiores. O resultado mudou completamente no grupo que usava fármacos.</p><div class="ipsRichText__table-wrapper"><table style="min-width: 80px;"><colgroup><col style="min-width:20px;"><col style="min-width:20px;"><col style="min-width:20px;"><col style="min-width:20px;"></colgroup><tbody><tr><th colspan="1" rowspan="1"><p>Órgão</p></th><th colspan="1" rowspan="1"><p>Ativos recreativos</p></th><th colspan="1" rowspan="1"><p>Naturais</p></th><th colspan="1" rowspan="1"><p>Uso de fármacos</p></th></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Coração</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>0,83 L</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>0,89 L</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>1,20 L</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Fígado</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>1,79 L</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>1,82 L</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>2,57 L</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Rim esquerdo</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>215 mL</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>219 mL</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>337 mL</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Rim direito</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>190 mL</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>210 mL</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>317 mL</p></td></tr></tbody></table></div><p>Comparado aos naturais, o coração era aproximadamente 35% maior e o fígado 41% maior. A média dos dois rins passou de cerca de 215 mL para 327 mL, uma diferença superior a 50%. O artigo também encontrou aumento do baço e resume as diferenças em cerca de 35% a 40% para coração, fígado e baço, além de mais de 50% para os rins.</p><p>Esses números são médias de grupos. Não significam que todo usuário terá a mesma alteração ou que um órgão maior esteja automaticamente doente. O próprio estudo afirma que ainda não está claro se o crescimento representa remodelamento patológico, adaptação à maior demanda metabólica ou uma combinação dos dois.</p><h2>A proteína alta não explicou a visceromegalia</h2><p>Uma hipótese antiga é que comer muita proteína obrigaria fígado e rins a crescer. O desenho do estudo permitiu testar essa ideia porque os naturais consumiam 2,5 g/kg por dia e os usuários, 2,9 g/kg por dia. A diferença entre esses dois grupos não foi estatisticamente significativa.</p><p>Mesmo com ingestão proteica aproximadamente 80% maior do que a dos controles, os naturais não apresentaram coração, fígado, baço ou rins significativamente maiores. Isso enfraquece a explicação de que musculação e dieta hiperproteica, sozinhas, produziriam o padrão observado.</p><p>O estudo não transforma 2,5 ou 2,9 g/kg em meta nutricional. Os autores lembram que ingestões acima de aproximadamente 1,5 g/kg por dia dificilmente oferecem benefício adicional relevante para o condicionamento muscular. O ponto da comparação é outro: a proteína alta estava presente nos dois grupos de fisiculturistas, mas a visceromegalia apareceu apenas entre os usuários.</p><h2>As doses relatadas estavam longe de uma reposição comum</h2><p>O grupo relatou uso de fármacos por 6 ± 3 anos. Quatorze dos 15 participantes usavam ésteres de testosterona. A dose média de testosterona era 435 ± 257 mg por semana, com faixa de 131 a 750 mg. Quando todos os andrógenos foram somados, a média chegou a 1.019 ± 760 mg por semana, variando de 58 a 2.100 mg.</p><p>O inventário atual era amplo:</p><ul><li><p>93,3% usavam ésteres de testosterona</p></li><li><p>60% usavam derivados de DHT, como metenolona, drostanolona, oxandrolona e stanozolol</p></li><li><p>46,7% usavam derivados de 19-nortestosterona, como nandrolona ou trembolona</p></li><li><p>33,3% usavam inibidores de aromatase</p></li><li><p>20% usavam GH ou insulina</p></li><li><p>20% usavam hormônios tireoidianos</p></li><li><p>20% usavam clenbuterol</p></li></ul><p>Essa mistura impede transformar o estudo em um ranking de culpados. A associação é com o conjunto de fármacos relatados pelo grupo, não com um composto isolado.</p><h2>GH e insulina explicam o steroid gut?</h2><p>GH e insulina são frequentemente apontados como a explicação completa para o abdômen distendido dos fisiculturistas modernos. Apenas três dos 15 participantes relataram uso atual de GH ou insulina. Isso torna insuficiente a ideia de que somente esses dois agentes explicariam todos os resultados.</p><p>Também não os absolve. O estudo registrou uso atual, não reconstruiu com precisão toda a exposição acumulada e não publicou protocolos individuais por motivos de privacidade. Alguns atletas poderiam ter usado GH ou insulina anteriormente. Outros compostos, doses elevadas de andrógenos, retenção de água e o próprio tamanho corporal podem participar do quadro.</p><p>A conclusão cientificamente correta é mais estreita: os usuários apresentaram visceromegalia, mas a pesquisa não consegue atribuir quanto do resultado veio de testosterona, outros esteroides, GH, insulina, hormônios tireoidianos ou combinações.</p><h2>Órgão maior não é automaticamente órgão melhor</h2><p>O coração de atleta pode aumentar como adaptação ao treinamento. Isso não permite assumir que qualquer aumento cardíaco em usuários de esteroides seja benigno. No grupo que usava fármacos, a frequência cardíaca de repouso foi 71 batimentos por minuto, contra 58 nos outros dois grupos. A pressão sistólica média chegou a 130 mmHg, contra 117 mmHg nos controles.</p><p>Pesquisas anteriores também associam o uso prolongado de esteroides a maior massa ventricular, pior função sistólica e diastólica e doença coronariana. A nova ressonância não mediu sozinha todas essas consequências, mas mostra que o crescimento interno acompanha o crescimento externo e merece investigação clínica.</p><p>Fígado e rins maiores também não autorizam diagnóstico pela imagem. O estudo não demonstrou falência desses órgãos e reconhece que faltam dados consistentes para classificar o aumento como dano, adaptação ou ambos. A utilidade prática é impedir que a alteração seja descartada como simples estética.</p><h2>O que a pesquisa não prova</h2><ul><li><p>O desenho é transversal e mostra associação, não causalidade</p></li><li><p>Havia apenas 15 homens em cada grupo</p></li><li><p>O uso de fármacos foi autorrelatado e não foi confirmado por exames de sangue</p></li><li><p>Os usuários combinavam substâncias, doses e vias diferentes</p></li><li><p>Retenção de água pode ter aumentado parcialmente as estimativas de tecido</p></li><li><p>A pesquisa mediu órgãos, mas não provou que a visceromegalia seja a única causa visual de todo caso de <em>steroid gut</em></p></li><li><p>Os resultados não podem ser automaticamente aplicados a mulheres, iniciantes ou pessoas em reposição médica</p></li></ul><h2>Conclusão</h2><p>O <em>steroid gut</em> não deve ser explicado automaticamente como comida, gases ou retenção. Em 15 fisiculturistas que usavam fármacos, a ressonância encontrou coração, fígado e baço cerca de 35% a 40% maiores e rins mais de 50% maiores do que nos fisiculturistas naturais. Os naturais, apesar de mais musculosos e de consumirem 2,5 g/kg de proteína por dia, não apresentaram aumento dos órgãos em relação aos controles.</p><p>O estudo ainda não identifica qual substância produz cada alteração nem demonstra que órgãos maiores sejam a única causa da barriga projetada. Ele resolve uma parte importante da discussão: a visceromegalia em fisiculturistas usuários deixou de ser apenas uma hipótese baseada em fotos, relatos e autópsias isoladas. Agora existe medição direta por ressonância, e o resultado não parece benigno o bastante para ser ignorado.</p><h2>FAQ</h2><h3>Steroid gut é apenas retenção ou excesso de comida?</h3><p>Não necessariamente. Retenção, conteúdo intestinal, controle abdominal e espessura muscular podem alterar a aparência, mas a ressonância encontrou órgãos internos significativamente maiores no grupo que usava fármacos.</p><h3>Comer muita proteína aumenta os órgãos?</h3><p>Não foi o que esta comparação encontrou. Os naturais consumiam 2,5 g/kg por dia e tinham órgãos semelhantes aos controles, que consumiam 1,4 g/kg.</p><h3>O culpado é o hormônio do crescimento?</h3><p>O estudo não consegue responder. Somente 20% do grupo relatou uso atual de GH ou insulina, mas não houve reconstrução completa da exposição passada. Vários andrógenos e outros fármacos eram usados ao mesmo tempo.</p><h3>Mais de 1 g de andrógenos por semana foi a média do grupo?</h3><p>Sim. A média autorrelatada foi 1.019 mg por semana, com grande variação entre 58 e 2.100 mg. Isso descreve a amostra e não é recomendação de uso.</p><h3>Órgão maior significa falência do órgão?</h3><p>Não. Volume maior não determina sozinho a função. O estudo pede novas pesquisas para separar adaptação, estresse e dano. Ainda assim, aumento cardíaco, pressão mais alta e outras evidências sobre esteroides justificam avaliação médica.</p><h3>Todo fisiculturista com barriga projetada tem visceromegalia?</h3><p>Não é possível afirmar. A aparência pode ter várias causas e o estudo não examinou todo atleta com esse sinal. A confirmação de volume dos órgãos exige exame de imagem.</p><h2>Referências</h2><ol><li><p>HENSELMANS, Menno. <em>Steroid gut isn’t bloat. It's much worse – MRI study</em>. [S. l.], 18 ago. 2026. YouTube. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.youtube.com/watch?v=Uu8Brlm2rLs">https://www.youtube.com/watch?v=Uu8Brlm2rLs</a>. Acesso em: 23 ago. 2026.</p></li><li><p>FUCHS, Cas J. et al. <em>When Size Goes Inside: Visceromegaly in Bodybuilders Is Not Attributed to High Protein Intake but More Likely Associated with the Use of Appearance- and Performance-Enhancing Drugs</em>. Medicine &amp; Science in Sports &amp; Exercise, 2026. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/42044299/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/42044299/</a>. Acesso em: 23 ago. 2026.</p></li><li><p>BAGGISH, Aaron L. et al. <em>Cardiovascular Toxicity of Illicit Anabolic-Androgenic Steroid Use</em>. Circulation, v. 135, n. 21, p. 1991-2002, 2017. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28533317/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28533317/</a>. Acesso em: 23 ago. 2026.</p></li><li><p>SMIT, Diederik L. et al. <em>Positive and negative side effects of androgen abuse. The HAARLEM study: A one-year prospective cohort study in 100 men</em>. Scandinavian Journal of Medicine &amp; Science in Sports, v. 31, n. 2, p. 427-438, 2021. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33038020/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33038020/</a>. Acesso em: 23 ago. 2026.</p></li></ol>]]></description><guid isPermaLink="false">1218</guid><pubDate>Sun, 23 Aug 2026 16:24:00 +0000</pubDate></item><item><title>Emagrecer sem perder m&#xFA;sculo: apitegromab cortou 55% da perda de massa magra</title><link>https://fisiculturismo.com.br/mat%C3%A9rias/diversos/emagrecer-sem-perder-m%C3%BAsculo-apitegromab-cortou-55-da-perda-de-massa-magra-r1214/</link><description><![CDATA[
<p><img src="https://cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2026_08/emagrecer-sem-perder-musculo-apitegromab-capa.webp.6f45f3aa1fb36e15f9a7813bc8772233.webp" /></p>
<p>Perder 12 kg não significa eliminar 12 kg de gordura. A balança soma gordura, água, glicogênio, conteúdo intestinal, órgãos e massa muscular no mesmo número. Em <em>“Perder gordura sem perder músculo”</em>, o canal FalaLu! parte desse problema para analisar uma nova geração de medicamentos que tenta tornar o emagrecimento mais seletivo. O resultado mais chamativo veio do apitegromab: combinado à tirzepatida, ele reduziu em 54,9% a perda de massa magra em 24 semanas.</p><p>O dado é promissor, mas precisa ser lido inteiro. O estudo reuniu 102 adultos, durou seis meses e avaliou um anticorpo experimental aplicado por via intravenosa. A preservação medida por DEXA não produziu ganho adicional detectável de força ou função física. Apitegromab e bimagrumab ainda não são tratamentos disponíveis para alguém comprar e acrescentar por conta própria a uma caneta emagrecedora.</p><h2>Quanto músculo pode ir embora junto com o peso</h2><p>A regra de que aproximadamente um quarto do peso perdido vem de massa magra é uma referência populacional, não uma sentença individual. Revisões costumam situar essa fração entre 25% e 40%, com grande variação conforme idade, sexo, quantidade de gordura inicial, velocidade do emagrecimento, proteína ingerida e treinamento.</p><p>Uma meta-análise de 2026 reuniu 20 ensaios clínicos e 15.782 participantes. A parcela da perda de peso atribuída à massa magra foi de 35,2% com semaglutida, 25,4% com tirzepatida e 26,8% com liraglutida. Intervenções de estilo de vida ficaram em 26,2%. Quando o programa incluía treinamento resistido, a média caiu para 17,5%.</p><div class="ipsRichText__table-wrapper"><table style="min-width: 40px;"><colgroup><col style="min-width:20px;"><col style="min-width:20px;"></colgroup><tbody><tr><th colspan="1" rowspan="1"><p>Estratégia analisada</p></th><th colspan="1" rowspan="1"><p>Parcela média da perda de peso atribuída à massa magra</p></th></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Semaglutida</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>35,2%</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Tirzepatida</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>25,4%</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Liraglutida</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>26,8%</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Mudança de estilo de vida</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>26,2%</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Estilo de vida com treino resistido</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>17,5%</p></td></tr></tbody></table></div><p>Esses percentuais não permitem prever o resultado de uma pessoa específica. Também não significam que toda “massa magra” perdida seja músculo contrátil. A DEXA inclui água e outros tecidos livres de gordura nessa medida.</p><h2>Retatrutida chegou a 24,2% de perda de peso em 48 semanas</h2><p>A retatrutida ajuda a entender por que preservar tecido magro virou uma prioridade. No ensaio de fase 2 com 338 adultos, a dose de 12 mg uma vez por semana produziu redução média de 24,2% do peso em 48 semanas, contra 2,1% com placebo. Em uma pessoa de 110 kg, a mesma proporção representaria 26,6 kg. Esse cálculo apenas ilustra a escala e não prevê a resposta individual.</p><p>O estudo mediu perda total de peso, não autoriza presumir que exatamente um quarto dos 26,6 kg seria músculo. Quanto maior a redução absoluta, porém, maior a importância de acompanhar composição corporal, capacidade funcional, ingestão proteica e desempenho no treino.</p><h2>Por que a miostatina virou o alvo</h2><p>A miostatina funciona como um freio biológico para o crescimento muscular. Em 1997, pesquisadores mostraram que camundongos sem o gene da miostatina desenvolviam massa muscular duas a três vezes maior do que animais normais. Em 2004, um relato no <em>New England Journal of Medicine</em> descreveu uma criança com mutação de perda de função nesse gene, hipertrofia acentuada e força incomum.</p><p>O acompanhamento não havia identificado problemas de saúde aos 4,5 anos, mas os próprios autores alertaram que a criança era jovem demais para excluir consequências futuras. Essa observação importa: bloquear um regulador humano não pode ser tratado como se fosse apenas retirar um limitador indesejado.</p><p>Os medicamentos experimentais seguem caminhos diferentes. O apitegromab inibe seletivamente a ativação da miostatina. O bimagrumab bloqueia os receptores de activina tipo II, interferindo na sinalização de miostatina e de outras activinas. A segunda ação é mais ampla e ajuda a explicar por que os efeitos sobre gordura, músculo e eventos adversos não são iguais.</p><h2>Bimagrumab perdeu 20,5% de gordura e acrescentou 3,6% de massa magra</h2><p>Em um ensaio anterior com adultos que tinham obesidade e diabetes tipo 2, o bimagrumab foi administrado por via intravenosa a cada quatro semanas durante 48 semanas. A massa de gordura caiu 20,5%, equivalentes a 7,5 kg. A massa magra aumentou 3,6%, ou 1,7 kg. O peso corporal total diminuiu 6,5%.</p><p>O ensaio BELIEVE ampliou a pergunta ao combinar bimagrumab e semaglutida. Foram 507 adultos com obesidade, sem diabetes, distribuídos em nove grupos por 48 semanas. O bimagrumab foi testado em 10 ou 30 mg por kg por via intravenosa a cada 12 semanas. A semaglutida foi usada em 1 ou 2,4 mg por semana.</p><div class="ipsRichText__table-wrapper"><table style="min-width: 80px;"><colgroup><col style="min-width:20px;"><col style="min-width:20px;"><col style="min-width:20px;"><col style="min-width:20px;"></colgroup><tbody><tr><th colspan="1" rowspan="1"><p>Grupo de maior dose</p></th><th colspan="1" rowspan="1"><p>Mudança de peso em 48 semanas</p></th><th colspan="1" rowspan="1"><p>Mudança de massa magra</p></th><th colspan="1" rowspan="1"><p>Parcela da perda vinda de gordura</p></th></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Bimagrumab 30 mg/kg</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>-9,3 kg</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>+1,0% a +1,1% na análise principal</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>100%</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Semaglutida 2,4 mg</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>-14,2 kg</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>-4,7% a -6,9% entre as doses</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>71,1%</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Bimagrumab 30 mg/kg + semaglutida 2,4 mg</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>-17,8 kg</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>-0,8% a -2,3% entre as combinações</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>92,3%</p></td></tr></tbody></table></div><p>A combinação de maior dose não eliminou toda a perda de massa magra, mas concentrou 92,3% da redução de peso na gordura. O custo dessa intervenção também apareceu. Eventos comuns ligados ao bimagrumab incluíram espasmos musculares, diarreia e acne. Entre os grupos que receberam apenas o anticorpo, 14,0% a 21,4% interromperam o tratamento por eventos adversos.</p><h2>EMBRAZE: 1,9 kg a mais de massa magra preservada</h2><p>O EMBRAZE comparou 51 pessoas que receberam apitegromab com 51 que receberam placebo. Todos usaram tirzepatida, iniciada e aumentada em passos de 2,5 mg a cada quatro semanas, conforme tolerância, até o máximo de 15 mg por semana. O apitegromab foi administrado em 10 mg por kg por via intravenosa a cada quatro semanas.</p><div class="ipsRichText__table-wrapper"><table style="min-width: 60px;"><colgroup><col style="min-width:20px;"><col style="min-width:20px;"><col style="min-width:20px;"></colgroup><tbody><tr><th colspan="1" rowspan="1"><p>Resultado em 24 semanas</p></th><th colspan="1" rowspan="1"><p>Apitegromab + tirzepatida</p></th><th colspan="1" rowspan="1"><p>Placebo + tirzepatida</p></th></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Perda total de peso</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>11,2 kg</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>12,5 kg</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Perda de massa magra</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>1,6 kg</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>3,5 kg</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Parcela da perda vinda de massa magra</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>14,6%</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>30,2%</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Perda de gordura</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>8,5 kg</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>8,0 kg</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Parcela da perda vinda de gordura</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>85,3%</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>69,5%</p></td></tr></tbody></table></div><p>A diferença de 1,9 kg correspondeu a 54,9% menos perda de massa magra no grupo do apitegromab. A perda total de peso foi semelhante, portanto o anticorpo alterou principalmente a composição do peso perdido. Eventos adversos ocorreram em 76% no grupo experimental e 71% no placebo. Eventos graves atingiram uma pessoa em cada grupo.</p><h2>Preservar massa magra no exame não garantiu mais força</h2><p>O resultado corporal não veio acompanhado de diferença relevante nos testes de função física. Força de preensão, desempenho e outras medidas funcionais permaneceram semelhantes entre os grupos após 24 semanas.</p><p>Há três explicações possíveis que não se excluem. O estudo pode ter sido curto e pequeno para detectar diferença funcional. Parte da massa preservada na DEXA pode refletir água e tecidos não contráteis. Por fim, músculo só aprende a produzir força quando recebe estímulo mecânico e prática específica. Um medicamento pode preservar tecido sem substituir treinamento.</p><p>Esse limite muda a pergunta útil. O objetivo não é apenas terminar mais pesado na coluna de massa magra. É conservar força, mobilidade, autonomia e capacidade de treinar durante e depois do emagrecimento.</p><h2>O que já funciona enquanto os anticorpos continuam experimentais</h2><p>Treinamento resistido continua sendo a intervenção disponível com melhor relação entre evidência, acesso e benefício funcional. Uma meta-análise de 25 ensaios clínicos mostrou que acrescentar musculação à dieta protegeu massa livre de gordura, aumentou a perda de gordura e melhorou força, mesmo sem produzir perda adicional relevante no peso total.</p><p>Na prática, a estratégia começa por pelo menos duas sessões de musculação por semana, com exercícios adaptados à capacidade e progressão registrada. O desempenho também precisa ser acompanhado. Queda contínua de carga, repetições e tolerância ao treino pode indicar déficit agressivo, recuperação insuficiente ou ingestão inadequada.</p><p>A proteína entra como matéria-prima, não como substituta do estímulo. Uma meta-análise de 47 estudos, com 3.218 adultos com sobrepeso ou obesidade, associou ingestão abaixo de 1,0 g por kg ao dia a maior risco de queda de massa muscular. Ingestões acima de 1,3 g por kg ao dia favoreceram retenção ou aumento. Para uma pessoa de 80 kg, essas referências correspondem a menos de 80 g e a mais de 104 g por dia, respectivamente.</p><p>Esses valores descrevem médias de estudos e não uma prescrição universal. Doença renal, idade, volume de treino, tamanho do déficit e tratamento medicamentoso exigem avaliação individual. Whey pode facilitar a meta, mas comida, musculação e distribuição adequada das refeições continuam sendo a base.</p><h2>Produto de mercado cinza não é atalho para o EMBRAZE</h2><p>Produtos anunciados na internet como YK-11, peptídeos ou bloqueadores de miostatina não são versões acessíveis do apitegromab. Não há ensaios humanos controlados que demonstrem que esses produtos preservem músculo com a eficácia e a segurança observadas no EMBRAZE. Também não existe garantia de identidade, dose, esterilidade ou ausência de contaminantes.</p><p>Apitegromab e bimagrumab são anticorpos monoclonais investigacionais estudados com dose controlada, produto rastreável e acompanhamento clínico. Comprar um frasco de mercado cinza com uma alegação parecida no rótulo não reproduz o medicamento, o protocolo nem a vigilância do ensaio.</p><h2>Conclusão</h2><p>O apitegromab reduziu de 3,5 para 1,6 kg a perda média de massa magra durante 24 semanas de tirzepatida. Isso equivale a 1,9 kg preservado e a uma redução relativa de 54,9%. O bimagrumab também mudou a composição da perda, fazendo com que 92,3% do peso eliminado pela combinação de maior dose com semaglutida viesse da gordura.</p><p>Os dois resultados ainda pertencem a ensaios de fase 2. Não existe aprovação para acrescentar esses anticorpos a um tratamento de emagrecimento, e massa magra preservada não se converteu automaticamente em mais força. Hoje, a conduta concreta permanece menos futurista: musculação regular, proteína suficiente, déficit compatível com a recuperação e acompanhamento do desempenho, da composição corporal e da saúde.</p><h2>FAQ</h2><h3>É possível emagrecer sem perder nenhum músculo?</h3><p>Não há garantia. A perda de peso costuma incluir algum tecido livre de gordura. Musculação, proteína suficiente, déficit bem dimensionado e acompanhamento ajudam a reduzir essa parcela.</p><h3>O que significa o apitegromab ter preservado 55%?</h3><p>O grupo placebo perdeu 3,5 kg de massa magra e o grupo apitegromab perdeu 1,6 kg. A diferença de 1,9 kg representa 54,9% menos perda relativa, não preservação de 55% de toda a massa muscular do corpo.</p><h3>Apitegromab já pode ser comprado?</h3><p>Não para essa finalidade. É um anticorpo monoclonal investigacional testado em fase 2, administrado por via intravenosa dentro de protocolo de pesquisa.</p><h3>Bimagrumab fez os participantes ganharem músculo?</h3><p>Em um ensaio com obesidade e diabetes tipo 2, a massa magra aumentou 3,6%. No BELIEVE, o bimagrumab isolado elevou a massa magra, enquanto as combinações reduziram fortemente a perda provocada pela semaglutida.</p><h3>Preservar massa magra significa preservar força?</h3><p>Não necessariamente. No EMBRAZE, a diferença na DEXA não produziu melhora adicional detectável nos testes de função física. Treinamento continua necessário para conservar desempenho.</p><h3>Quanto de proteína ajuda a preservar músculo?</h3><p>Em uma meta-análise de adultos com sobrepeso ou obesidade, menos de 1,0 g por kg ao dia esteve ligado a maior risco de perda muscular, enquanto mais de 1,3 g por kg ao dia favoreceu retenção. A meta individual deve considerar saúde, treino e orientação profissional.</p><h2>Referências</h2><ol><li><p>FALALU! <em>Perder gordura sem perder músculo: o que os novos remédios já conseguem, e o que ainda não</em>. YouTube, 20 ago. 2026. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.youtube.com/watch?v=sJxNrW81XtE">https://www.youtube.com/watch?v=sJxNrW81XtE</a>. Acesso em: 21 ago. 2026.</p></li><li><p>HEYMSFIELD, Steven B. et al. Weight loss composition is one-fourth fat-free mass: a critical review and critique of this widely cited rule. <em>Obesity Reviews</em>, v. 15, n. 4, p. 310-321, 2014. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/24447775/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/24447775/</a>. Acesso em: 21 ago. 2026.</p></li><li><p>JAISWAL, Amit et al. Lean mass loss with glucagon-like peptide-1 receptor agonists and lifestyle interventions: a systematic review and meta-analysis. 2026. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/41877354/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/41877354/</a>. Acesso em: 21 ago. 2026.</p></li><li><p>JASTREBOFF, Ania M. et al. Triple-hormone-receptor agonist retatrutide for obesity: a phase 2 trial. <em>New England Journal of Medicine</em>, v. 389, p. 514-526, 2023. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37366315/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37366315/</a>. Acesso em: 21 ago. 2026.</p></li><li><p>SCHUELKE, Markus et al. Myostatin mutation associated with gross muscle hypertrophy in a child. <em>New England Journal of Medicine</em>, v. 350, p. 2682-2688, 2004. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMoa040933">https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMoa040933</a>. Acesso em: 21 ago. 2026.</p></li><li><p>HEYMSFIELD, Steven B. et al. Effect of bimagrumab vs placebo on body fat mass among adults with type 2 diabetes and obesity: a phase 2 randomized clinical trial. <em>JAMA Network Open</em>, v. 4, n. 1, e2033457, 2021. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33439265/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33439265/</a>. Acesso em: 21 ago. 2026.</p></li><li><p>HEYMSFIELD, Steven B. et al. Bimagrumab plus semaglutide alone or in combination for the treatment of obesity: a randomized phase 2 trial. <em>Nature Medicine</em>, v. 32, p. 869-882, 2026. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.nature.com/articles/s41591-026-04204-0">https://www.nature.com/articles/s41591-026-04204-0</a>. Acesso em: 21 ago. 2026.</p></li><li><p>PRATLEY, Richard E. et al. Apitegromab for lean mass preservation during tirzepatide-induced weight loss: a randomized, double-blind, placebo-controlled phase 2 trial. <em>Nature Medicine</em>, v. 32, p. 2673-2678, 2026. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.nature.com/articles/s41591-026-04440-4">https://www.nature.com/articles/s41591-026-04440-4</a>. Acesso em: 21 ago. 2026.</p></li><li><p>LOPEZ, Patrick et al. Effect of resistance exercise on body composition, muscle strength and cardiometabolic health during dietary weight loss in people with overweight or obesity: a systematic review and meta-analysis. <em>BMJ Open Sport &amp; Exercise Medicine</em>, 2025. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/40909191/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/40909191/</a>. Acesso em: 21 ago. 2026.</p></li><li><p>KIM, Jisu et al. Enhanced protein intake on maintaining muscle mass, strength, and physical function in adults with overweight/obesity: a systematic review and meta-analysis. <em>Clinical Nutrition</em>, v. 63, p. 417-426, 2024. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/39002131/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/39002131/</a>. Acesso em: 21 ago. 2026.</p></li></ol>]]></description><guid isPermaLink="false">1214</guid><pubDate>Fri, 21 Aug 2026 21:47:00 +0000</pubDate></item><item><title>Lipedema ou gordura localizada: os sinais que realmente diferenciam</title><link>https://fisiculturismo.com.br/mat%C3%A9rias/diversos/lipedema-ou-gordura-localizada-os-sinais-que-realmente-diferenciam-r1206/</link><description><![CDATA[
<p><img src="https://cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2026_08/lipedema-ou-gordura-localizada-copacabana-capa.webp.f87c9fe1d4a1020da49b927fadb58222.webp" /></p>
<p>Quadril largo, coxas volumosas ou celulite não fecham diagnóstico de lipedema. A diferença aparece no conjunto formado por distribuição bilateral e simétrica, dor ou sensibilidade, hematomas fáceis, peso nas pernas, pés poupados e evolução crônica.</p><p>O episódio <em>Lipedema e gordura localizada</em>, do canal Dr. Paulo Gentil, parte de um caso com 1,65 m, cintura de 81 cm, quadril de 138 cm e peso próximo de 100 kg para mostrar por que uma fotografia e uma proporção corporal chamativa não bastam. A apuração científica confirma essa cautela, mas corrige um ponto importante: obesidade não exclui lipedema. As duas condições podem coexistir.</p><h2>Lipedema, gordura localizada, linfedema e doença venosa</h2><div class="ipsRichText__table-wrapper"><table style="min-width: 100px;"><colgroup><col style="min-width:20px;"><col style="min-width:20px;"><col style="min-width:20px;"><col style="min-width:20px;"><col style="min-width:20px;"></colgroup><tbody><tr><th colspan="1" rowspan="1"><p>Pista</p></th><th colspan="1" rowspan="1"><p>Lipedema</p></th><th colspan="1" rowspan="1"><p>Gordura localizada ou lipohipertrofia</p></th><th colspan="1" rowspan="1"><p>Linfedema</p></th><th colspan="1" rowspan="1"><p>Insuficiência venosa</p></th></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Distribuição</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Bilateral e geralmente simétrica</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Pode se concentrar em abdômen, flancos, quadris ou coxas</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Frequentemente unilateral ou assimétrica</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Pode ser bilateral, geralmente pior nas pernas</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Pés</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Costumam ser poupados</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Sem padrão diagnóstico</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Costumam ser atingidos</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Pode haver edema em torno dos tornozelos</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Dor ao apertar</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Frequente</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Geralmente ausente</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Pode haver peso e tensão</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Peso, queimação ou desconforto podem ocorrer</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Hematomas fáceis</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Frequentes, mas não exclusivos</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Não são característica típica</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Não são característica principal</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Não são critério central</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Elevar as pernas</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Pode aliviar sintomas, mas não elimina a gordura</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Não muda a gordura</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Pode reduzir parte do edema</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Costuma aliviar o inchaço venoso</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Perda de peso</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Reduz gordura geral, mas a desproporção pode persistir</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Costuma acompanhar a redução global de gordura</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Não trata a falha linfática</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Pode ajudar, mas não corrige sozinho o retorno venoso</p></td></tr></tbody></table></div><h2>O que realmente aumenta a suspeita</h2><ul><li><p>aumento desproporcional e simétrico das pernas, quadris, nádegas ou braços</p></li><li><p>pés e mãos relativamente poupados</p></li><li><p>transição abrupta acima do tornozelo, conhecida como sinal do manguito</p></li><li><p>dor, sensibilidade à pressão ou sensação de peso</p></li><li><p>hematomas com facilidade</p></li><li><p>tecido subcutâneo nodular ou endurecido</p></li><li><p>início ou piora perto da puberdade, gravidez ou menopausa</p></li><li><p>história familiar semelhante</p></li><li><p>desproporção que permanece mesmo após perda relevante de peso</p></li></ul><p>Nenhum item isolado é um teste definitivo. Não existe exame de sangue, ultrassom ou biomarcador que confirme lipedema sozinho. O diagnóstico combina história, exame físico e exclusão de causas como obesidade, linfedema, doença venosa, alterações renais, cardíacas ou hepáticas e efeitos de medicamentos.</p><h2>O que não basta para diagnosticar</h2><p>Uma cintura de 81 cm e um quadril de 138 cm produzem relação cintura-quadril de aproximadamente 0,59. O número descreve a forma corporal, não a causa. Ele não informa se existe dor, hematoma fácil, pés poupados, edema, progressão hormonal, cirurgia plástica prévia ou resposta à perda de peso.</p><p>Também não basta observar uma imagem e procurar um manguito dramático. O sinal é útil quando está presente, mas quadros iniciais podem ter pele lisa e contorno menos evidente. No extremo oposto, uma perna grossa em alguém com obesidade não deve receber automaticamente o rótulo de lipedema.</p><h2>Lipedema pode coexistir com obesidade</h2><p>Obesidade e lipedema são condições diferentes, mas podem aparecer na mesma pessoa. A obesidade tende a aumentar gordura de forma mais geral e eleva o risco cardiometabólico. O lipedema produz uma distribuição desproporcional nos membros e pode trazer dor, hematomas e limitação funcional.</p><p>Emagrecer continua sendo útil quando há excesso de gordura corporal. Reduz carga articular, pressão arterial e risco metabólico, além de facilitar a leitura da desproporção. O erro está em prometer que dieta e exercício removerão seletivamente o tecido do lipedema ou em concluir que toda gordura resistente é lipedema.</p><h2>Peso ao fim do dia pode ser outra coisa</h2><p>Pernas que incham depois de muitas horas em pé e melhoram claramente com elevação exigem investigação venosa. Inchaço súbito, unilateral, quente ou avermelhado não combina com a evolução crônica e simétrica esperada no lipedema e precisa de avaliação rápida para excluir trombose, infecção ou outra causa aguda.</p><p>No linfedema, o pé costuma participar do inchaço. O sinal de Stemmer positivo, quando não é possível pinçar uma dobra de pele na base do segundo dedo do pé, favorece linfedema. Ele pode ser negativo no começo e não deve ser usado sozinho.</p><h2>Como é feita uma avaliação decente</h2><ol><li><p>Registrar quando a desproporção começou e se mudou na puberdade, gravidez ou menopausa.</p></li><li><p>Perguntar sobre dor ao toque, peso, hematomas e limitação para caminhar ou treinar.</p></li><li><p>Comparar os dois lados e examinar pés, tornozelos, joelhos, pele e tecido subcutâneo.</p></li><li><p>Medir peso, cintura e circunferências dos membros, sem transformar uma medida em diagnóstico.</p></li><li><p>Investigar obesidade, insuficiência venosa, linfedema e causas sistêmicas de edema.</p></li><li><p>Usar ultrassom vascular, exames de imagem ou linfocintilografia quando a hipótese diferencial justificar.</p></li><li><p>Reavaliar a evolução depois de manejo de peso, movimento e tratamento das condições associadas.</p></li></ol><p>Angiologista ou cirurgião vascular com experiência em doenças linfáticas costuma coordenar a investigação. Dermatologista, endocrinologista, fisioterapeuta, nutricionista e profissional de saúde mental podem participar conforme os sintomas.</p><h2>O que o tratamento consegue fazer</h2><p>Não existe comprimido aprovado que dissolva lipedema. Gestrinona, testosterona e outros anabolizantes não fazem parte do tratamento recomendado e podem criar novos riscos hormonais, cardiovasculares e reprodutivos.</p><p>O manejo conservador reúne exercício tolerável, fortalecimento, atividade aeróbica de baixo impacto quando necessário, controle do peso associado, compressão ajustada e cuidado da pele. A terapia manual e a drenagem linfática podem aliviar dor, peso e edema em algumas pacientes, mas não deslocam nem eliminam gordura.</p><p>A lipoaspiração poupadora de vasos linfáticos pode reduzir volume, dor e limitação em pacientes selecionadas. Ainda assim, a qualidade da evidência é limitada. O NICE britânico mantém a recomendação de realizá-la apenas em pesquisa, em centros especializados e com seleção multidisciplinar, por riscos como trombose, embolia gordurosa, infecção e desequilíbrio de fluidos.</p><h2>Conclusão</h2><p>Lipedema não é sinônimo de perna grossa, quadril largo, celulite ou gordura resistente. A suspeita aumenta quando há distribuição bilateral e simétrica, pés poupados, dor, hematomas, peso nas pernas e desproporção persistente. Gordura localizada tende a não doer e não segue esse conjunto clínico.</p><p>A resposta útil não vem de uma foto. Vem de história, exame físico e exclusão de obesidade, linfedema, doença venosa e causas sistêmicas de edema. A avaliação correta evita dois erros: transformar toda variação corporal em doença e mandar uma paciente com sintomas reais apenas emagrecer.</p><h2>FAQ</h2><h3>Lipedema sempre causa dor?</h3><p>Dor ou sensibilidade é uma pista importante e faz parte de diretrizes recentes, mas intensidade e apresentação variam. A ausência de dor exige cautela e amplia a investigação de lipohipertrofia, obesidade e outras causas.</p><h3>Quem tem obesidade pode ter lipedema?</h3><p>Pode. Obesidade não exclui lipedema e pode agravar volume, mobilidade e sintomas. O diagnóstico precisa separar a gordura geral da distribuição desproporcional e dolorosa nos membros.</p><h3>Se o pé incha, ainda pode ser lipedema?</h3><p>O lipedema puro costuma poupar os pés. Quando eles incham, é necessário investigar linfedema, doença venosa ou lipolinfedema, que é a coexistência de lipedema com comprometimento linfático.</p><h3>Drenagem linfática elimina a gordura do lipedema?</h3><p>Não. Pode aliviar edema, peso e dor em algumas pacientes, mas não remove tecido adiposo. Prometer que massagem desloca ou destrói gordura não tem sustentação clínica.</p><h3>Existe exame que confirma lipedema?</h3><p>Não existe teste único validado. Ultrassom, ressonância, linfocintilografia e exames laboratoriais ajudam a investigar diagnósticos diferenciais, mas a conclusão continua clínica.</p><h3>Quando o inchaço exige atendimento rápido?</h3><p>Quando surge de repente, acomete apenas uma perna, vem com calor, vermelhidão, dor forte, febre, falta de ar ou dor no peito. Esses sinais podem indicar trombose, infecção ou outra condição aguda.</p><h2>Referências</h2><ol><li><p>DR. PAULO GENTIL. <em>Lipedema e gordura localizada</em>. YouTube, 13 ago. 2026. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.youtube.com/watch?v=K90DN758lV8">https://www.youtube.com/watch?v=K90DN758lV8</a>. Acesso em: 17 ago. 2026.</p></li><li><p>AMATO, Alexandre Campos Moraes et al. Consenso Brasileiro de Lipedema pela metodologia Delphi. <em>Jornal Vascular Brasileiro</em>, v. 24, e20230183, 2025. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.scielo.br/j/jvb/a/BjWVDJpPcdTPKx5MqJQ9NRs/">https://www.scielo.br/j/jvb/a/BjWVDJpPcdTPKx5MqJQ9NRs/</a>. Acesso em: 17 ago. 2026.</p></li><li><p>FAERBER, Gabriele et al. S2k guideline lipedema. <em>Journal der Deutschen Dermatologischen Gesellschaft</em>, v. 22, n. 9, p. 1303-1315, 2024. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/39188170/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/39188170/</a>. Acesso em: 17 ago. 2026.</p></li><li><p>HERBST, Karen L. et al. Standard of care for lipedema in the United States. <em>Phlebology</em>, v. 36, n. 10, p. 779-796, 2021. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC8652358/">https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC8652358/</a>. Acesso em: 17 ago. 2026.</p></li><li><p>DAL'FORNO-DINI, Taciana et al. Lipedema: pathophysiological insights and therapeutic strategies - An update for dermatologists. <em>Anais Brasileiros de Dermatologia</em>, v. 101, 501270, 2026. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.scielo.br/j/abd/a/rPSfHZVSYZNCkwmx4mLTJJr/">https://www.scielo.br/j/abd/a/rPSfHZVSYZNCkwmx4mLTJJr/</a>. Acesso em: 17 ago. 2026.</p></li><li><p>NATIONAL INSTITUTE FOR HEALTH AND CARE EXCELLENCE. <em>Liposuction for chronic lipoedema</em>. HealthTech guidance 618. Londres, 2022. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.nice.org.uk/guidance/HTG618">https://www.nice.org.uk/guidance/HTG618</a>. Acesso em: 17 ago. 2026.</p></li></ol>]]></description><guid isPermaLink="false">1206</guid><pubDate>Mon, 17 Aug 2026 21:26:00 +0000</pubDate></item><item><title>Longevidade sem c&#xE1;psulas: 8 h&#xE1;bitos que valem mais que 29 suplementos</title><link>https://fisiculturismo.com.br/mat%C3%A9rias/diversos/longevidade-sem-c%C3%A1psulas-8-h%C3%A1bitos-que-valem-mais-que-29-suplementos-r1205/</link><description><![CDATA[
<p><img src="https://cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2026_08/longevidade-oito-habitos-capa.webp.6f7ae4b08238bb9688e6c1255ec843b8.webp" /></p>
<p>NAD+, resveratrol, espermidina, quercetina e outros produtos dominam vitrines de longevidade. O problema é que a lista fica muito menor quando o critério deixa de ser mecanismo bioquímico ou estudo em animais e passa a ser mortalidade em grandes grupos de seres humanos.</p><p>Em "Você está sendo enganado pela indústria da longevidade?", do canal Endocrine talks with Dr. Carlos Seraphim, 29 suplementos citados em conteúdos de internet são confrontados com oito hábitos apoiados por coortes e meta-análises com dezenas ou centenas de milhares de participantes. O ranking é didático e sua ordem pode ser discutida. Os números, porém, deixam uma mensagem difícil de contornar: nenhuma cápsula compensa cigarro, baixo condicionamento, excesso de álcool, sono caótico e doença metabólica.</p><h2>O ranking e os números que sustentam cada posição</h2><div class="ipsRichText__table-wrapper"><table style="min-width: 60px;"><colgroup><col style="min-width:20px;"><col style="min-width:20px;"><col style="min-width:20px;"></colgroup><tbody><tr><th colspan="1" rowspan="1"><p>Posição</p></th><th colspan="1" rowspan="1"><p>Hábito ou marcador</p></th><th colspan="1" rowspan="1"><p>Número concreto apresentado</p></th></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>8</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Preservar força muscular</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Cada redução de 5 kg na força de preensão foi associada a 16% mais mortalidade por todas as causas em 139.691 pessoas</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>7</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Manter vínculos sociais</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Relações sociais mais fortes foram associadas a 50% mais chance de sobrevivência em 148 estudos com 308.849 participantes</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>6</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Dormir bem e com regularidade</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Cinco fatores favoráveis de sono foram associados a mais 4,7 anos para homens e 2,4 anos para mulheres aos 30 anos</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>5</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Limitar ou evitar álcool</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Acima de 100 g por semana, a expectativa de vida começou a cair entre bebedores atuais. Acima de 350 g, a diferença estimada chegou a quatro ou cinco anos</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>4</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Evitar obesidade e doença metabólica</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>IMC de 30 a 35 foi associado a dois a quatro anos a menos. IMC de 40 a 45, a oito a dez anos a menos</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>3</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Melhorar o padrão alimentar</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Trocar uma dieta ocidental por uma dieta otimizada aos 20 anos foi associado, em modelo, a mais 10,7 anos para mulheres e 13 anos para homens</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>2</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Elevar a aptidão cardiorrespiratória</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Atividade equivalente a 150 minutos semanais de caminhada rápida foi associada a aproximadamente 3,4 a 3,5 anos adicionais depois dos 40</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>1</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Não fumar</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Fumantes persistentes perderam cerca de dez anos de vida. Parar aos 30 recuperou quase toda essa diferença</p></td></tr></tbody></table></div><p>Esses resultados não permitem prometer a uma pessoa um número exato de anos. A maior parte vem de estudos observacionais, sujeitos ao chamado viés do usuário saudável. Quem treina, dorme bem e come melhor também costuma procurar atendimento, aderir a tratamentos e evitar outros riscos. Existe ainda causalidade reversa: uma doença não diagnosticada pode reduzir força e atividade antes de causar a morte. O valor das coortes está na consistência, na relação dose-resposta e na convergência entre estudos, não em transformar associação em destino individual.</p><h2>8º lugar: força de preensão é um marcador, não uma profecia</h2><p>O estudo PURE acompanhou 139.691 adultos de 17 países. Para cada queda de 5 kg na força de preensão manual, houve associação com aumento de 16% na mortalidade por todas as causas, 17% na mortalidade cardiovascular e 7% no risco de infarto.</p><p>O dinamômetro não descobre sozinho quanto tempo alguém viverá. A força de preensão resume várias condições ao mesmo tempo: massa e função muscular, estado nutricional, atividade física, inflamação, saúde neurológica e doença já instalada. Também não torna pressão arterial irrelevante. A leitura correta é que perda de força, especialmente quando progressiva, merece atenção e não deve ser tratada como parte inevitável do envelhecimento.</p><p>Para quem treina, o objetivo prático é preservar capacidade de produzir força e realizar tarefas, não apenas manter o peso corporal. Um idoso leve e forte pode estar funcionalmente melhor do que outro de peso semelhante que perdeu músculo e autonomia.</p><h2>7º lugar: isolamento social aparece no risco de mortalidade</h2><p>A meta-análise de Holt-Lunstad reuniu 148 estudos e 308.849 participantes. Pessoas com relações sociais mais fortes apresentaram 50% mais chance de sobrevivência durante os períodos observados. O tamanho da associação foi comparado pelos autores a fatores de risco conhecidos, mas isso não autoriza converter solidão em um número exato de cigarros por dia.</p><p>Vínculo social não significa acumular seguidores. Inclui contato frequente, apoio recebido e oferecido, integração em família, amizade e comunidade. A medida concreta é simples: quantas pessoas poderiam ser chamadas diante de um problema real e quantas interações presenciais significativas existem na semana?</p><h2>6º lugar: o sono regular pesa tanto quanto a duração</h2><p>Uma análise com 172.321 adultos dos Estados Unidos avaliou cinco critérios: dormir de sete a oito horas, adormecer com facilidade, não despertar repetidamente, não usar medicamento para dormir e acordar descansado na maioria dos dias. Aos 30 anos, cumprir os cinco critérios foi associado a expectativa de vida 4,7 anos maior nos homens e 2,4 anos maior nas mulheres, em comparação com cumprir nenhum ou apenas um.</p><p>Outro estudo, com 60.977 participantes do UK Biobank monitorados por acelerômetro, encontrou redução de 20% a 48% na mortalidade por todas as causas entre os grupos de sono mais regular. A regularidade foi preditor mais forte do que a duração isolada.</p><p>Isso muda a pergunta prática. Não basta alcançar oito horas em uma noite e cinco na seguinte. Horários muito variáveis, despertares frequentes e dependência contínua de sedativos pedem investigação. Melatonina pode ter indicação em situações específicas, mas não corrige sozinha uma rotina desorganizada, luz intensa à noite, estimulantes tarde demais ou apneia do sono.</p><h2>5º lugar: a antiga ideia de que beber pouco protege perdeu força</h2><p>No estudo de 599.912 bebedores atuais, o menor risco combinado ocorreu perto de 100 g de álcool por semana. Acima desse nível, a expectativa de vida aos 40 anos caiu progressivamente.</p><div class="ipsRichText__table-wrapper"><table style="min-width: 40px;"><colgroup><col style="min-width:20px;"><col style="min-width:20px;"></colgroup><tbody><tr><th colspan="1" rowspan="1"><p>Consumo semanal de álcool</p></th><th colspan="1" rowspan="1"><p>Diferença estimada na expectativa de vida aos 40 anos</p></th></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Acima de 100 até 200 g</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>aproximadamente seis meses a menos</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Acima de 200 até 350 g</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>aproximadamente um a dois anos a menos</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Acima de 350 g</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>aproximadamente quatro a cinco anos a menos</p></td></tr></tbody></table></div><p>Gramas de álcool não são gramas de bebida. Uma lata de cerveja de 350 mL a 5% contém perto de 14 g de álcool. Assim, 100 g correspondem a aproximadamente sete latas, dependendo do teor. O estudo não estabelece uma cota saudável. Ele descreve risco entre pessoas que já bebiam, e análises genéticas posteriores enfraqueceram a interpretação de que consumo leve protegeria contra acidente vascular cerebral.</p><p>O resveratrol também não transforma vinho em intervenção de longevidade. Uma investigação da Universidade de Connecticut encontrou 145 ocorrências de fabricação ou falsificação de dados ligadas ao laboratório de Dipak Das, pesquisador influente na área. Isso compromete aquela linha de pesquisa. Não prova que toda investigação sobre resveratrol seja fraudulenta, mas torna ainda mais imprudente vender o composto como seguro de vida em cápsula.</p><h2>4º lugar: o problema não é apenas o peso, mas o risco metabólico</h2><p>Uma colaboração com 894.576 adultos encontrou a menor mortalidade perto de IMC entre 22,5 e 25. IMC de 30 a 35 foi associado a dois a quatro anos a menos de vida. Entre 40 e 45, a redução chegou a oito a dez anos.</p><p>O IMC é uma triagem populacional, não um diagnóstico individual. Ele pode classificar como sobrepeso um fisiculturista com grande massa muscular e não revela onde a gordura está acumulada. Circunferência abdominal, pressão arterial, glicemia, hemoglobina glicada, lipídios, fígado gorduroso, condicionamento e composição corporal completam a leitura.</p><p>A conclusão não é perseguir o menor número na balança. É reduzir gordura visceral e controlar hipertensão, resistência à insulina, dislipidemia e doença hepática sem sacrificar músculo e força.</p><h2>3º lugar: melhorar a dieta ainda produz benefício aos 80</h2><p>O modelo de Fadnes estimou o efeito de trocar uma alimentação ocidental típica por outra com mais leguminosas, grãos integrais, castanhas, frutas, vegetais e peixe, além de menos carne processada, carne vermelha, bebidas açucaradas e grãos refinados.</p><div class="ipsRichText__table-wrapper"><table style="min-width: 60px;"><colgroup><col style="min-width:20px;"><col style="min-width:20px;"><col style="min-width:20px;"></colgroup><tbody><tr><th colspan="1" rowspan="1"><p>Idade da mudança</p></th><th colspan="1" rowspan="1"><p>Mulheres</p></th><th colspan="1" rowspan="1"><p>Homens</p></th></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>20 anos</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>mais 10,7 anos</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>mais 13 anos</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>60 anos</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>mais 8 anos</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>mais 8,8 anos</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>80 anos</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>mais 3,4 anos</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>mais 3,4 anos</p></td></tr></tbody></table></div><p>São estimativas de um modelo baseado em associações populacionais, não garantias. Ainda assim, a direção é útil: começar tarde continua melhor do que não começar. Os maiores ganhos estimados vieram de mais leguminosas, grãos integrais e castanhas, junto da redução de carnes processadas e excesso de carne vermelha.</p><p>Detox e dieta alcalina não aparecem como atalhos. Também é errado concluir que qualquer antioxidante concentrado seja automaticamente protetor. No estudo ATBC, suplementação com betacaroteno aumentou câncer de pulmão entre fumantes. No SELECT, vitamina E elevou o risco de câncer de próstata. Esses resultados são sobre suplementos em doses e populações específicas, não sobre eliminar frutas e verduras.</p><h2>2º lugar: VO2 máximo separa muito mais risco do que parece</h2><p>No estudo de Mandsager, 122.007 pacientes fizeram teste em esteira. A menor aptidão cardiorrespiratória esteve associada a mortalidade muito maior, e não apareceu um limite em que condicionamento elevado se tornasse prejudicial. Comparar os extremos produziu diferença próxima de cinco vezes no risco, mas esse número também carrega diferenças de doença, capacidade funcional e estilo de vida entre os grupos.</p><p>Em outra análise com 654.827 adultos, atividade equivalente a 150 minutos de caminhada rápida por semana foi associada a 3,4 anos adicionais de vida para mulheres e 3,5 para homens depois dos 40. Níveis mais altos chegaram a aproximadamente 4,5 anos.</p><p>VO2 máximo mede a capacidade de captar, transportar e utilizar oxigênio. O teste cardiopulmonar de exercício é a medida mais completa. Relógios e bicicletas fornecem estimativas úteis para acompanhar tendência, mas não substituem o exame quando existe indicação clínica.</p><h2>1º lugar: parar de fumar vence qualquer suplemento do ranking</h2><p>O acompanhamento de 34.439 médicos britânicos durante 50 anos mostrou diferença de aproximadamente dez anos entre fumantes persistentes e pessoas que nunca fumaram. Parar aos 60, 50, 40 e 30 anos recuperou, respectivamente, cerca de três, seis, nove e dez anos em comparação com continuar.</p><p>Uma análise posterior nos Estados Unidos chegou à mesma ordem de grandeza. Quem abandonou o cigarro entre 35 e 44 anos recuperou aproximadamente nove anos de vida. Não é necessário esperar um suplemento melhor. O ganho mais consistente começa ao interromper a exposição.</p><h2>Blue Zones: hábitos úteis não dependem de uma história perfeita</h2><p>As chamadas Zonas Azuis ganharam fama como regiões com concentração excepcional de centenários. Em 2024, um trabalho ainda em formato de preprint recebeu atenção ao apontar falhas de documentação, erros de idade e possíveis fraudes em bancos de supercentenários. No caso da Costa Rica, correções de dados reduziram grande parte da aparente vantagem de Nicoya.</p><p>O trabalho não passou por revisão por pares e pesquisadores ligados às Zonas Azuis contestam a generalização, citando processos de validação em regiões como a Sardenha. Portanto, não é correto declarar que todas as Zonas Azuis são falsas. Também não é necessário acreditar integralmente na narrativa para reconhecer que alimentação minimamente processada, movimento diário e conexão social têm apoio independente.</p><h2>A ordem prática para não gastar energia no detalhe errado</h2><ol><li><p>Se fuma, tratar a cessação vem antes de comprar suplemento de longevidade.</p></li><li><p>Medir pressão, cintura, glicemia, lipídios e risco metabólico vem antes de discutir moléculas experimentais.</p></li><li><p>Construir condicionamento com atividade aeróbica regular e preservar força cobre dois marcadores centrais.</p></li><li><p>Fixar horário de sono e investigar ronco, despertares e sonolência vale mais do que empilhar sedativos.</p></li><li><p>Contar gramas de álcool por semana evita a ilusão criada pelo tamanho variável das doses.</p></li><li><p>Trocar parte dos ultraprocessados por leguminosas, grãos integrais, castanhas, frutas e vegetais produz uma mudança mensurável sem depender de dieta da moda.</p></li><li><p>Reservar tempo real para vínculos sociais trata um fator que nenhum exame de sangue substitui.</p></li></ol><h2>Conclusão</h2><p>O ranking não oferece imortalidade. Ele apenas reorganiza prioridades. Antes de procurar a vigésima nona cápsula, vale perguntar se os oito fatores básicos estão minimamente sob controle. Na maior parte dos casos, é aí que está a diferença de risco grande o bastante para aparecer em centenas de milhares de pessoas.</p><h2>FAQ</h2><h3>Existe suplemento comprovado para aumentar a expectativa de vida?</h3><p>Nenhum dos 29 suplementos analisados apresenta evidência comparável à dos oito hábitos em mortalidade humana. Isso não significa que nenhum suplemento tenha indicação clínica. Significa que corrigir uma deficiência é diferente de prometer longevidade a pessoas sem deficiência.</p><h3>Quantos minutos de exercício já fazem diferença?</h3><p>Na análise de Moore, atividade equivalente a 150 minutos semanais de caminhada rápida foi associada a aproximadamente 3,4 a 3,5 anos adicionais depois dos 40. A quantidade ideal depende de saúde, condicionamento e tolerância individual.</p><h3>Uma taça de vinho por dia protege o coração?</h3><p>Não é uma recomendação sustentada com segurança. Estudos genéticos enfraqueceram a hipótese de proteção cardiovascular do consumo leve, enquanto grandes coortes mostram aumento de risco com a elevação da dose.</p><h3>Dormir oito horas basta?</h3><p>Não. Duração é apenas um componente. Regularidade, continuidade, facilidade para dormir, ausência de dependência de medicamentos e sensação de descanso também importam.</p><h3>Vale mudar a alimentação depois dos 60 anos?</h3><p>Sim. O modelo de Fadnes estimou ganhos de oito anos para mulheres e 8,8 anos para homens que mudassem de uma dieta ocidental típica para uma dieta otimizada aos 60. O valor é uma estimativa populacional, não promessa individual.</p><h2>Referências</h2><ol><li><p>SERAPHIM, Carlos. <em>Você está sendo enganado pela indústria da longevidade?</em> YouTube, 17 ago. 2026. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.youtube.com/watch?v=0GovYX2CvTM">https://www.youtube.com/watch?v=0GovYX2CvTM</a>. Acesso em: 17 ago. 2026.</p></li><li><p>LEONG, Darryl P. et al. Prognostic value of grip strength: findings from the Prospective Urban Rural Epidemiology study. <em>The Lancet</em>, v. 386, n. 9990, p. 266-273, 2015. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/25982160/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/25982160/</a>. Acesso em: 17 ago. 2026.</p></li><li><p>HOLT-LUNSTAD, Julianne et al. Social relationships and mortality risk: a meta-analytic review. <em>PLOS Medicine</em>, v. 7, n. 7, e1000316, 2010. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://journals.plos.org/plosmedicine/article?id=10.1371/journal.pmed.1000316">https://journals.plos.org/plosmedicine/article?id=10.1371/journal.pmed.1000316</a>. Acesso em: 17 ago. 2026.</p></li><li><p>LI, H. et al. 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Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/29676281/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/29676281/</a>. Acesso em: 17 ago. 2026.</p></li><li><p>MILLWOOD, Iona Y. et al. Conventional and genetic evidence on alcohol and vascular disease aetiology: a prospective study of 500,000 men and women in China. <em>The Lancet</em>, v. 393, n. 10183, p. 1831-1842, 2019. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://doi.org/10.1016/S0140-6736(18)31772-0">https://doi.org/10.1016/S0140-6736(18)31772-0</a>. Acesso em: 17 ago. 2026.</p></li><li><p>UNIVERSITY OF CONNECTICUT. Scientific journals notified following research misconduct investigation. 2012. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://today.uconn.edu/2012/01/scientific-journals-notified-following-research-misconduct-investigation/">https://today.uconn.edu/2012/01/scientific-journals-notified-following-research-misconduct-investigation/</a>. Acesso em: 17 ago. 2026.</p></li><li><p>PROSPECTIVE STUDIES COLLABORATION. Body-mass index and cause-specific mortality in 900,000 adults: collaborative analyses of 57 prospective studies. <em>The Lancet</em>, v. 373, n. 9669, p. 1083-1096, 2009. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/19299006/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/19299006/</a>. Acesso em: 17 ago. 2026.</p></li><li><p>FADNES, Lars T. et al. Estimating impact of food choices on life expectancy: a modeling study. <em>PLOS Medicine</em>, v. 19, n. 2, e1003889, 2022. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://journals.plos.org/plosmedicine/article?id=10.1371/journal.pmed.1003889">https://journals.plos.org/plosmedicine/article?id=10.1371/journal.pmed.1003889</a>. Acesso em: 17 ago. 2026.</p></li><li><p>THE ALPHA-TOCOPHEROL, BETA CAROTENE CANCER PREVENTION STUDY GROUP. The effect of vitamin E and beta carotene on the incidence of lung cancer and other cancers in male smokers. <em>The New England Journal of Medicine</em>, v. 330, p. 1029-1035, 1994. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/8127329/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/8127329/</a>. Acesso em: 17 ago. 2026.</p></li><li><p>KLEIN, Eric A. et al. Vitamin E and the risk of prostate cancer: the Selenium and Vitamin E Cancer Prevention Trial. <em>JAMA</em>, v. 306, n. 14, p. 1549-1556, 2011. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/21990298/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/21990298/</a>. Acesso em: 17 ago. 2026.</p></li><li><p>MANDSAGER, Kyle et al. Association of cardiorespiratory fitness with long-term mortality among adults undergoing exercise treadmill testing. <em>JAMA Network Open</em>, v. 1, n. 6, e183605, 2018. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30646252/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30646252/</a>. Acesso em: 17 ago. 2026.</p></li><li><p>MOORE, Steven C. et al. Leisure time physical activity of moderate to vigorous intensity and mortality: a large pooled cohort analysis. <em>PLOS Medicine</em>, v. 9, n. 11, e1001335, 2012. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/23139642/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/23139642/</a>. Acesso em: 17 ago. 2026.</p></li><li><p>DOLL, Richard et al. Mortality in relation to smoking: 50 years' observations on male British doctors. <em>BMJ</em>, v. 328, p. 1519, 2004. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC437139/">https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC437139/</a>. Acesso em: 17 ago. 2026.</p></li><li><p>JHA, Prabhat et al. 21st-century hazards of smoking and benefits of cessation in the United States. <em>The New England Journal of Medicine</em>, v. 368, p. 341-350, 2013. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMsa1211128">https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMsa1211128</a>. Acesso em: 17 ago. 2026.</p></li><li><p>NEWMAN, Saul Justin. Supercentenarian and remarkable age records exhibit patterns indicative of clerical errors and pension fraud. <em>bioRxiv</em>, preprint, 2019. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.biorxiv.org/content/10.1101/704080v3">https://www.biorxiv.org/content/10.1101/704080v3</a>. Acesso em: 17 ago. 2026.</p></li></ol>]]></description><guid isPermaLink="false">1205</guid><pubDate>Mon, 17 Aug 2026 19:00:00 +0000</pubDate></item><item><title>Mounjaro e Wegovy: quanto emagrecem e como j&#xE1; mudam o mundo</title><link>https://fisiculturismo.com.br/mat%C3%A9rias/diversos/mounjaro-e-wegovy-quanto-emagrecem-e-como-j%C3%A1-mudam-o-mundo-r1202/</link><description><![CDATA[
<p><img src="https://cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2026_08/canetas-emagrecedoras-mudam-mundo-capa-v2.webp.d0b07f905c512ba6054cecc9e6d66ba1.webp" /></p>
<p>Pela primeira vez em anos, a taxa de obesidade medida pela Gallup nos Estados Unidos recuou de forma estatisticamente relevante. A queda de 39,9% em 2022 para 37,0% em 2025 equivale a aproximadamente 7,6 milhões de adultos a menos na faixa de obesidade. O avanço das canetas emagrecedoras coincide com essa mudança, mas a pesquisa não prova que os medicamentos sejam sua única causa.</p><p>Em <em>“Canetas emagrecedoras: como Mounjaro e Wegovy estão transformando o mundo”</em>, a BBC News Brasil mostra que o efeito já ultrapassa a balança. Semaglutida e tirzepatida alteraram o tratamento da obesidade, o padrão de consumo, o tamanho das porções, a indústria de alimentos e até a estratégia de restaurantes. A transformação vem acompanhada de preço alto, efeitos adversos, reganho após a interrupção e uma pergunta ainda sem resposta: o que ocorre depois de 20, 30 ou 40 anos de uso?</p><h2>Por que emagrecer e manter o peso é tão difícil</h2><p>O organismo humano foi moldado em um ambiente de escassez. Economizar energia, aumentar a fome depois da perda de peso e recuperar reservas ajudava na sobrevivência. No ambiente atual, com alimentos muito calóricos disponíveis a qualquer hora e pouco esforço físico necessário para obtê-los, esses mecanismos favorecem o ganho e o reganho de peso.</p><p>A Organização Mundial da Saúde estima que 43% dos adultos viviam com sobrepeso em 2022 e 16% com obesidade. A obesidade é uma doença crônica e recidivante, associada a diabetes tipo 2, doença cardiovascular, alguns tipos de câncer, problemas respiratórios e outras complicações. Dieta, atividade física e sono continuam fundamentais, mas pessoas com obesidade mais grave frequentemente enfrentam adaptações biológicas que tornam a manutenção da perda muito mais difícil.</p><h2>O que as canetas fazem no cérebro, no estômago e na glicose</h2><p>O GLP-1 é um hormônio produzido no intestino depois das refeições. Ele participa do controle da glicose, aumenta a saciedade e retarda o esvaziamento do estômago. A semaglutida imita sua ação e alcança receptores em regiões cerebrais ligadas à fome, como o hipotálamo.</p><p>A tirzepatida atua em dois receptores, GIP e GLP-1. Essa diferença ajuda a explicar por que ela produziu perda média maior nos principais ensaios de obesidade. Os dois medicamentos são aplicados por via subcutânea uma vez por semana.</p><p>Wegovy e Ozempic contêm semaglutida, mas não são apresentações intercambiáveis por conta própria. Wegovy foi desenvolvido e registrado para controle crônico do peso. Ozempic nasceu com indicação para diabetes tipo 2 e usa esquemas de dose próprios. Mounjaro contém tirzepatida e, no Brasil, recebeu indicação para controle crônico do peso em adultos com obesidade ou sobrepeso acompanhado de comorbidade.</p><h2>Wegovy perdeu 14,9% e tirzepatida chegou a 20,9% em média</h2><p>Os percentuais de propaganda e manchete costumam destacar os melhores resultados. Os ensaios principais permitem uma leitura mais precisa:</p><div class="ipsRichText__table-wrapper"><table style="min-width: 80px;"><colgroup><col style="min-width:20px;"><col style="min-width:20px;"><col style="min-width:20px;"><col style="min-width:20px;"></colgroup><tbody><tr><th colspan="1" rowspan="1"><p>Ensaio</p></th><th colspan="1" rowspan="1"><p>Participantes e duração</p></th><th colspan="1" rowspan="1"><p>Tratamento</p></th><th colspan="1" rowspan="1"><p>Mudança média no peso</p></th></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>STEP 1</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>1.961 adultos, 68 semanas</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Semaglutida 2,4 mg por semana</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>-14,9%, contra -2,4% com placebo</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>SURMOUNT-1</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>2.539 adultos, 72 semanas</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Tirzepatida 5 mg por semana</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>-15,0%, contra -3,1% com placebo</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>SURMOUNT-1</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Mesmo ensaio</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Tirzepatida 10 mg por semana</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>-19,5%</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>SURMOUNT-1</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Mesmo ensaio</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Tirzepatida 15 mg por semana</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>-20,9%</p></td></tr></tbody></table></div><p>No STEP 1, a análise de quem permaneceu no tratamento como planejado chegou a 16,9% com semaglutida. Isso ajuda a entender a afirmação de perda “de até 17%”. No SURMOUNT-1, 56,7% dos participantes que receberam 15 mg de tirzepatida perderam pelo menos 20% do peso, mas a média do grupo foi 20,9%, não 26%.</p><p>Os números não são promessa individual. Os ensaios incluíram seleção de participantes, escalonamento de dose e intervenção de estilo de vida. Diabetes, tolerância gastrointestinal, adesão, dose alcançada e interrupções mudam o resultado.</p><h2>Quem entra na indicação aprovada no Brasil</h2><p>A indicação da Anvisa para controle de peso não se resume a quem deseja secar alguns quilos. Wegovy e Mounjaro entram como adjuvantes de dieta de baixa caloria e aumento da atividade física para adultos com:</p><ul><li><p>IMC igual ou superior a 30 kg/m²</p></li><li><p>IMC entre 27 e 29,9 kg/m² acompanhado de pelo menos uma condição relacionada ao peso, como hipertensão, dislipidemia, apneia do sono, doença cardiovascular, pré-diabetes ou diabetes tipo 2</p></li></ul><p>Desde junho de 2025, agonistas de GLP-1 vendidos no Brasil exigem retenção da receita. A regra procura reduzir automedicação, falsificação, uso puramente estético e eventos adversos sem acompanhamento.</p><h2>Parar costuma trazer parte importante do peso de volta</h2><p>O tratamento não corrige permanentemente todos os mecanismos que aumentam a fome. Na extensão do STEP 1, 327 participantes foram acompanhados por mais um ano depois da retirada da semaglutida e da intervenção estruturada de estilo de vida. O grupo havia perdido 17,3% do peso em 68 semanas. Até a semana 120, recuperou 11,6 pontos percentuais, cerca de dois terços do que havia perdido.</p><p>Uma revisão sistemática de 2026 reuniu 37 estudos e 9.199 adultos. Depois da suspensão de medicamentos para controle de peso, o reganho estimado foi de 0,4 kg por mês. A projeção indicou retorno ao peso inicial em aproximadamente 1,7 ano. O reganho foi 0,3 kg por mês mais rápido do que após programas comportamentais, embora os estudos tenham reunido medicamentos diferentes e pouco acompanhamento dos fármacos mais novos.</p><p>Esses resultados não significam que toda pessoa precise usar a mesma dose para sempre. Significam que interromper sem plano de manutenção costuma reabrir a fome e reduzir a saciedade que estavam sendo farmacologicamente controladas. A decisão sobre manutenção, redução, troca ou suspensão precisa considerar resposta, efeitos adversos, custo e risco clínico.</p><h2>De R$ 1.000 a R$ 3.000 por mês: a desigualdade entra na receita</h2><p>A faixa apresentada pela BBC varia de aproximadamente R$ 1.000 a R$ 3.000 por mês, conforme produto e dose. Preços mudam com apresentação, farmácia e momento da compra, mas o impacto é evidente porque o tratamento é prolongado.</p><p>Quem mais sofre com obesidade também costuma enfrentar menor acesso a alimentação adequada, espaços para atividade física e acompanhamento multiprofissional. Quando apenas uma parcela consegue pagar, a inovação pode reduzir peso e risco cardiovascular para uns enquanto amplia a desigualdade para outros. A eventual incorporação ao SUS exige discutir custo por paciente, critérios de prioridade e capacidade de manter o tratamento.</p><h2>Náusea e diarreia são comuns, pancreatite é alerta</h2><p>Na bula do Wegovy, os eventos mais frequentes nos ensaios com adultos foram náusea em 44%, diarreia em 30% e vômito em 25%. Na tirzepatida, náusea, diarreia, vômito, constipação, dor abdominal e dispepsia aparecem entre as reações mais comuns. Parte dos sintomas surge ou piora durante o aumento da dose.</p><p>Pancreatite aguda, doença da vesícula, desidratação com lesão renal, reações alérgicas e hipoglicemia quando há combinação com determinados medicamentos para diabetes exigem atenção. Dor abdominal forte e persistente, especialmente quando irradia para as costas ou vem acompanhada de vômitos, justifica avaliação imediata.</p><p>Os ensaios atuais sustentam eficácia e segurança por alguns anos, mas não permitem descrever com a mesma confiança o que ocorrerá após quatro décadas de exposição. A ausência desse acompanhamento não prova que haverá um desastre, nem autoriza afirmar risco zero. É uma incerteza real que farmacovigilância e estudos de longo prazo precisam responder.</p><h2>A compra no supermercado já começou a mudar</h2><p>O efeito econômico aparece onde a fome encontra a oferta de comida. Relatórios citados pela BBC apontam menor interesse de usuários por salgadinhos, bolachas e outros produtos muito calóricos. A rede britânica Greggs percebeu maior procura por porções menores e opções com mais proteína e fibra.</p><p>Outras mudanças ainda precisam de tempo para serem confirmadas:</p><ul><li><p>menor consumo de bebidas alcoólicas entre usuários de semaglutida e tirzepatida</p></li><li><p>maior procura por academias e por cirurgias para excesso de pele</p></li><li><p>restaurantes de rodízio no Brasil oferecendo desconto a clientes que apresentam receita de Wegovy ou Mounjaro</p></li><li><p>reformulação de produtos e porções pela indústria de alimentos</p></li><li><p>expansão de roubos, falsificações e comércio ilegal diante da demanda</p></li></ul><p>O colapso financeiro da WeightWatchers também entrou no debate sobre a mudança do mercado de emagrecimento. Não é possível atribuir a falência a uma única causa, mas medicamentos que reduzem diretamente a fome mudaram o valor percebido de programas tradicionais baseados apenas em acompanhamento e comportamento.</p><h2>Revolução semelhante à pílula ou crise semelhante aos opioides?</h2><p>A comparação com a pílula anticoncepcional representa o cenário otimista: um medicamento que não apenas trata um problema, mas reorganiza escolhas individuais, mercados e relações sociais. A comparação com a crise dos opioides representa o alerta: marketing agressivo, banalização de riscos e expansão do uso muito além de quem realmente se beneficia.</p><p>Nenhuma das analogias é uma previsão. As canetas já demonstraram benefícios clínicos sólidos e, no caso da semaglutida, redução de eventos cardiovasculares em pessoas com doença cardiovascular estabelecida e sobrepeso ou obesidade. Ao mesmo tempo, uso estético sem indicação, falsificação, automedicação e promessas de resultado permanente exigem vigilância.</p><h2>Conclusão</h2><p>Mounjaro e Wegovy abriram uma fase em que perdas médias próximas de 15% a 21% do peso deixaram de depender exclusivamente de cirurgia bariátrica. Esse avanço ajuda a explicar a redução recente da obesidade nos Estados Unidos, mas não prova causalidade isolada e não elimina dieta, exercício, sono e acompanhamento.</p><p>O preço mensal citado chega a R$ 3.000, náusea e diarreia são frequentes, e a retirada costuma devolver parte importante do peso. Ao mesmo tempo, supermercados, restaurantes, programas de emagrecimento e academias já reagem à mudança de apetite. A revolução é real, mas não cabe na frase “uma injeção resolve tudo”.</p><h2>FAQ</h2><h3>Quanto peso o Wegovy faz perder?</h3><p>No STEP 1, semaglutida 2,4 mg por semana produziu perda média de 14,9% em 68 semanas, contra 2,4% com placebo. Entre participantes que permaneceram no tratamento conforme planejado, a estimativa chegou a 16,9%.</p><h3>Quanto peso o Mounjaro faz perder?</h3><p>No SURMOUNT-1, a tirzepatida produziu perdas médias de 15,0%, 19,5% e 20,9% nas doses semanais de 5, 10 e 15 mg, respectivamente, em 72 semanas.</p><h3>Ozempic e Wegovy são a mesma coisa?</h3><p>Ambos contêm semaglutida, mas têm indicações, apresentações e esquemas de dose próprios. No Brasil, Wegovy é registrado para controle crônico do peso. Ozempic foi registrado para diabetes tipo 2.</p><h3>O peso volta quando a pessoa para?</h3><p>Frequentemente, sim. Na extensão do STEP 1, os participantes recuperaram cerca de dois terços da perda um ano após retirar a semaglutida. A magnitude varia e um plano de manutenção continua necessário.</p><h3>Quais são os efeitos colaterais mais comuns?</h3><p>Náusea, diarreia, vômito, constipação e dor abdominal estão entre os mais relatados. Sintomas intensos, desidratação ou dor abdominal persistente precisam de avaliação.</p><h3>Caneta emagrecedora substitui dieta e exercício?</h3><p>Não. Os ensaios e as indicações aprovadas usam os medicamentos como complemento de dieta de baixa caloria e aumento da atividade física. O remédio facilita o controle da fome, mas não entrega sozinho proteína, fibra, condicionamento, força ou sono adequado.</p><h2>Referências</h2><ol><li><p>BBC NEWS BRASIL. <em>Canetas emagrecedoras: como Mounjaro e Wegovy estão transformando o mundo</em>. YouTube, 23 jul. 2026. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.youtube.com/watch?v=1-FJxXz2GWk">https://www.youtube.com/watch?v=1-FJxXz2GWk</a>. Acesso em: 16 ago. 2026.</p></li><li><p>GALLUP. <em>Obesity rate declining in U.S.</em> 2025. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://news.gallup.com/poll/696599/obesity-rate-declining.aspx">https://news.gallup.com/poll/696599/obesity-rate-declining.aspx</a>. Acesso em: 16 ago. 2026.</p></li><li><p>WORLD HEALTH ORGANIZATION. <em>Obesity and overweight</em>. 2025. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/obesity-and-overweight">https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/obesity-and-overweight</a>. Acesso em: 16 ago. 2026.</p></li><li><p>WILDING, John P. H. et al. Once-weekly semaglutide in adults with overweight or obesity. <em>The New England Journal of Medicine</em>, v. 384, p. 989-1002, 2021. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMoa2032183">https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMoa2032183</a>. Acesso em: 16 ago. 2026.</p></li><li><p>JASTREBOFF, Ania M. et al. Tirzepatide once weekly for the treatment of obesity. <em>The New England Journal of Medicine</em>, v. 387, p. 205-216, 2022. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMoa2206038">https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMoa2206038</a>. Acesso em: 16 ago. 2026.</p></li><li><p>WILDING, John P. H. et al. Weight regain and cardiometabolic effects after withdrawal of semaglutide: the STEP 1 trial extension. <em>Diabetes, Obesity and Metabolism</em>, v. 24, n. 8, p. 1553-1564, 2022. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC9542252/">https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC9542252/</a>. Acesso em: 16 ago. 2026.</p></li><li><p>WEST, Sam et al. Weight regain after cessation of medication for weight management: systematic review and meta-analysis. <em>The BMJ</em>, v. 392, e085304, 2026. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.bmj.com/content/392/bmj-2025-085304">https://www.bmj.com/content/392/bmj-2025-085304</a>. Acesso em: 16 ago. 2026.</p></li><li><p>AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. <em>Wegovy (semaglutida)</em>. Brasília, 2025. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/medicamentos/novos-medicamentos-e-indicacoes/wegovy-semaglutida">https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/medicamentos/novos-medicamentos-e-indicacoes/wegovy-semaglutida</a>. Acesso em: 16 ago. 2026.</p></li><li><p>AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. <em>Mounjaro (tirzepatida): nova indicação</em>. Brasília, 2025. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/medicamentos/novos-medicamentos-e-indicacoes/mounjaro-r-tirzepatida-nova-indicacao">https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/medicamentos/novos-medicamentos-e-indicacoes/mounjaro-r-tirzepatida-nova-indicacao</a>. Acesso em: 16 ago. 2026.</p></li><li><p>AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. <em>Medicamentos agonistas GLP-1 só poderão ser vendidos com retenção da receita</em>. Brasília, 2025. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/noticias-anvisa/2025/canetas-emagrecedoras-so-poderao-ser-vendidas-com-retencao-de-receita">https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/noticias-anvisa/2025/canetas-emagrecedoras-so-poderao-ser-vendidas-com-retencao-de-receita</a>. Acesso em: 16 ago. 2026.</p></li><li><p>U.S. NATIONAL LIBRARY OF MEDICINE. <em>Wegovy: semaglutide injection, solution</em>. DailyMed, 2026. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=ee06186f-2aa3-4990-a760-757579d8f77b">https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=ee06186f-2aa3-4990-a760-757579d8f77b</a>. Acesso em: 16 ago. 2026.</p></li></ol>]]></description><guid isPermaLink="false">1202</guid><pubDate>Mon, 17 Aug 2026 03:11:00 +0000</pubDate></item><item><title>Enzimas corporais: a nova aliada no refinamento do contorno corporal</title><link>https://fisiculturismo.com.br/mat%C3%A9rias/diversos/enzimas-corporais-a-nova-aliada-no-refinamento-do-contorno-corporal-r1193/</link><description><![CDATA[
<p><img src="https://cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2026_08/enzimas.webp.db33d714bf6123b1f694a1e5550d36c6.webp" /></p>
<p>Durante muito tempo, quando falávamos em gordura localizada, parecia que existiam apenas duas possibilidades: aceitar aquela região ou recorrer a uma cirurgia.</p><p>Hoje, a estética avançou — e, com ela, surgiu uma possibilidade interessante para pacientes que desejam melhorar o desenho do corpo sem necessariamente passar por um procedimento cirúrgico.</p><p>É nesse contexto que entram as chamadas enzimas corporais, utilizadas em protocolos de lipólise injetável para auxiliar na redução de pequenas áreas de gordura localizada e no refinamento do contorno corporal.</p><p>Na minha prática, esse é justamente o ponto que considero mais interessante: não estamos falando de emagrecimento, mas de lapidar o contorno.</p><h2>Quando o corpo está bem, mas ainda existe aquela gordura que incomoda</h2><p>É muito comum receber pacientes que já emagreceram, treinam, cuidam da alimentação e, mesmo assim, continuam incomodados com determinadas regiões.</p><p>Pode ser aquela gordura abaixo do abdômen, nos flancos, nas costas, nos braços, na parte interna das coxas ou em outras pequenas áreas que parecem não acompanhar o restante do corpo.</p><p>Esses pacientes não necessariamente precisam emagrecer mais.</p><p>Muitas vezes, precisam apenas de uma estratégia direcionada para aquela região.</p><p>É aí que vejo um dos grandes benefícios da lipólise injetável: trabalhar de forma localizada, buscando melhorar o desenho corporal e tornar o contorno mais harmônico.</p><h2>E existe ciência por trás disso?</h2><p>Sim.</p><p>Um dos principais ativos estudados nessa área é o desoxicolato, uma substância capaz de romper as membranas das células de gordura. Quando utilizado de maneira adequada, ocorre um processo de destruição dessas células, seguido pelo trabalho natural do organismo na remoção dos resíduos celulares. (PubMed Central (PMC)⁠￼)</p><p>Um estudo clínico controlado avaliou aplicações na região abdominal e encontrou redução significativa da espessura da gordura subcutânea na área tratada. Os pesquisadores observaram que o tratamento foi capaz de reduzir o volume e a espessura da gordura localizada. (PubMed Central (PMC)⁠￼)</p><p>Outro estudo, realizado com 441 pacientes, avaliou a utilização de lipólise injetável em diferentes regiões com gordura localizada. Foram observadas reduções médias de circunferência após as aplicações, incluindo aproximadamente 3,7 cm na parte superior do abdômen, 3,9 cm na parte inferior do abdômen, 1,9 cm nas coxas e 1,6 cm nos braços, embora os resultados variem de acordo com a região e com cada paciente. (ScienceDirect⁠￼)</p><p>Ou seja: há evidência clínica de que determinados protocolos de lipólise injetável podem contribuir para a redução de gordura localizada e para a melhora do contorno corporal.</p><p>E é justamente essa possibilidade de tratar pequenas áreas que torna o procedimento tão interessante.</p><h2>O objetivo não é emagrecer. É refinar.</h2><p>Essa diferença muda completamente a forma como devemos enxergar o tratamento.</p><p>Eu não indico enzimas para substituir dieta, exercício ou emagrecimento.</p><p>O paciente ideal é aquele que já apresenta uma condição corporal relativamente estável e possui depósitos localizados de gordura que comprometem o contorno de determinada região.</p><p>Nesses casos, podemos utilizar a estratégia para buscar uma silhueta mais definida, proporcional e harmônica.</p><p>É aquele detalhe que muitas vezes faz diferença no resultado final.</p><h2>O que podemos esperar do tratamento?</h2><p>O resultado acontece de maneira progressiva.</p><p>Não é um procedimento que deve ser vendido como uma transformação imediata. O organismo precisa de tempo para responder ao tratamento e para que o processo de redução daquele tecido seja percebido visualmente.</p><p>Um estudo multicêntrico que avaliou 221 pacientes e 273 áreas de gordura localizada utilizou aplicações com intervalo de aproximadamente seis semanas. Foram necessárias, em média, 3,14 sessões por área tratada até que o resultado clínico fosse considerado satisfatório. Abdômen e flancos estiveram entre as regiões com melhores respostas. (PubMed⁠￼)</p><p>Outro trabalho com 1.269 pacientes utilizou, em média, quatro sessões com intervalos de quatro semanas, demonstrando resultados particularmente interessantes em algumas regiões, incluindo braços e determinadas áreas de gordura localizada. (PubMed Central (PMC)⁠￼)</p><p>Por isso, quando falamos em número de sessões, gosto de explicar que não existe uma receita única.</p><h2>Cada corpo responde de uma maneira</h2><p>A quantidade de gordura, a região tratada, a qualidade da pele, o metabolismo individual e a resposta obtida ao longo das sessões são fatores que influenciam diretamente o planejamento.</p><p>O que considero mais importante no meu trabalho</p><p>Para mim, a grande diferença não está simplesmente em aplicar um produto.</p><p>Está em saber quem realmente tem indicação.</p><p>Antes de qualquer procedimento, é necessário avaliar o corpo como um todo.</p><p>Não adianta reduzir gordura de uma determinada região se existe uma flacidez importante naquela área. Da mesma forma, não faz sentido indicar um tratamento localizado para alguém que ainda precisa trabalhar questões relacionadas ao peso corporal.</p><p>O resultado mais bonito é aquele em que conseguimos equilibrar redução de gordura, qualidade da pele e proporção corporal.</p><p>É por isso que considero o refinamento corporal uma estratégia individualizada.</p><h2>O mercado está evoluindo</h2><p>A estética corporal está passando por uma mudança importante.</p><p>Estamos saindo daquela ideia de que todos os pacientes precisam do mesmo protocolo e caminhando para tratamentos cada vez mais personalizados.</p><p>Uma revisão sistemática publicada recentemente avaliou os estudos disponíveis sobre agentes lipolíticos injetáveis utilizados para redução de gordura em regiões corporais diferentes da região abaixo do queixo. Os autores identificaram resultados promissores em diferentes áreas e destacaram o crescimento dessa linha de tratamento como uma alternativa minimamente invasiva para o contorno corporal. (PubMed⁠￼)</p><p>Também existem estudos mais recentes avaliando especificamente o uso do ácido desoxicólico para gordura nos flancos, utilizando medidas por ultrassom, avaliação clínica e satisfação dos pacientes. (PubMed⁠￼)</p><p>Isso mostra algo que considero muito importante: o mercado está deixando de olhar para a lipólise injetável apenas como uma tendência estética e passando a estudá-la de maneira cada vez mais estruturada.</p><h2>A estética do futuro será cada vez mais personalizada</h2><p>Acredito que o futuro dos tratamentos corporais não está em prometer grandes transformações em poucas sessões.</p><p>Está em entender cada corpo.</p><p>Um paciente pode precisar emagrecer.</p><p>Outro pode precisar melhorar a flacidez.</p><p>Outro pode ter uma excelente composição corporal, mas apresentar uma pequena área de gordura localizada que interfere no contorno.</p><p>É nesse último perfil que as enzimas podem se tornar uma ferramenta extremamente interessante.</p><h2>Conclusão</h2><p>Quando existe indicação, planejamento e acompanhamento, podemos utilizar a tecnologia para valorizar o que o paciente já conquistou, refinando determinadas regiões e buscando um contorno corporal mais definido e proporcional.</p><p>E talvez essa seja a melhor maneira de explicar o tratamento: não é sobre mudar o corpo inteiro.</p><p>É sobre cuidar dos detalhes que fazem esse corpo ficar ainda mais harmônico.</p><p>É justamente nessa busca pelo detalhe, pela proporção e pela individualização que vejo uma das grandes oportunidades da estética corporal atual.</p><h2>Referências científicas</h2><ol><li><p>Klein AW, et al. Metabolic and Structural Effects of Phosphatidylcholine and Deoxycholate Injections on Subcutaneous Fat: A Randomized, Controlled Trial. Dermatologic Surgery. (PubMed Central (PMC)⁠￼)</p></li><li><p>Salti G, Ghersetich I, Tantussi F, et al. Phosphatidylcholine and Sodium Deoxycholate in the Treatment of Localized Fat: A Double-Blind, Randomized Study. Dermatologic Surgery. 2008. (Biblioteca Online Wiley⁠￼)</p></li><li><p>Thomas MK, D’Silva JA, Borole A. Injection Lipolysis: A Systematic Review of Literature and Our Experience with a Combination of Phosphatidylcholine and Deoxycholate over a Period of 14 Years in 1269 Patients. (PubMed Central (PMC)⁠￼)</p></li><li><p>Bertossi D, et al. Evaluation of Safe and Effectiveness of an Injectable Solution Acid Deoxycholic Based for Reduction of Localized Adiposities. (PubMed⁠￼)</p></li><li><p>Carrion K, et al. A Systematic Review of Injectable Lipolytic Agents for Non-Submental Fat Reduction. Plastic and Reconstructive Surgery. 2025. (PubMed⁠￼)</p></li><li><p>Namakizadeh Esfahani N, et al. Evaluating the Efficacy and Safety of Deoxycholic Acid Injection in Reduction of Flank Fat. Journal of Cosmetic Dermatology. 2025. (PubMed⁠￼)</p></li></ol><p></p>]]></description><guid isPermaLink="false">1193</guid><pubDate>Fri, 14 Aug 2026 13:39:01 +0000</pubDate></item><item><title>Canetas para emagrecer: quem deve usar e quanto se perde de verdade</title><link>https://fisiculturismo.com.br/mat%C3%A9rias/diversos/canetas-para-emagrecer-quem-deve-usar-e-quanto-se-perde-de-verdade-r1192/</link><description><![CDATA[
<p><img src="https://cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2026_08/canetas-emagrecer-dr-thiago-viana-palestra-capa.webp.1251abd1428b81d7501c6f616cd8417c.webp" /></p>
<p>As canetas reduziram o peso médio em proporções que antes pertenciam quase exclusivamente à cirurgia bariátrica. Isso não significa que qualquer pessoa com dois quilos a perder deva usá-las, nem que uma dose maior seja sempre melhor. A pergunta correta começa pela indicação clínica e termina na capacidade de preservar músculo e sustentar o resultado.</p><p>Em <em>"Episódio 07: Utilização de medicamentos no processo de emagrecimento"</em>, do Saúde &amp; Hipertrofia Podcast, o médico Thiago Viana organiza essa decisão em torno do perfil do paciente, da intensidade da fome, dos efeitos adversos e da composição corporal. A comparação dos ensaios confirma uma diferença grande entre liraglutida, semaglutida e tirzepatida, mas também corrige exageros comuns sobre perda localizada de gordura e percentuais acima dos realmente observados.</p><p>Esta matéria é informativa e não substitui avaliação médica. As doses abaixo pertencem a ensaios clínicos e não constituem prescrição individual.</p><h2>A indicação começa em IMC 30 ou em IMC 27 com comorbidade</h2><p>No Brasil, a indicação aprovada para controle crônico do peso segue dois pontos de entrada em adultos:</p><ul><li><p>IMC igual ou superior a 30 kg/m²</p></li><li><p>IMC igual ou superior a 27 kg/m² quando existe pelo menos uma condição associada ao peso, como hipertensão, dislipidemia, apneia obstrutiva do sono, doença cardiovascular, pré-diabetes ou diabetes tipo 2</p></li></ul><p>Isso não transforma o IMC em diagnóstico completo. Circunferência da cintura, composição corporal, histórico de tentativas, medicamentos em uso, sintomas, transtornos alimentares e risco cardiometabólico também importam. O critério serve para impedir que uma terapia de doença crônica vire resposta automática para refinamento estético de 2 ou 3 kg.</p><p>Desde 23 de junho de 2025, agonistas de GLP-1 como semaglutida, liraglutida e tirzepatida só podem ser vendidos no Brasil com retenção da receita. A prescrição é emitida em duas vias e vale por até 90 dias.</p><h2>Liraglutida, semaglutida e tirzepatida: resultados sem inflar números</h2><p>Os estudos não podem ser comparados como se fossem uma disputa perfeita. Eles usaram moléculas, doses, populações e desenhos distintos. Ainda assim, mostram a ordem de grandeza que sustentou a mudança no tratamento da obesidade.</p><div class="ipsRichText__table-wrapper"><table style="min-width: 80px;"><colgroup><col style="min-width:20px;"><col style="min-width:20px;"><col style="min-width:20px;"><col style="min-width:20px;"></colgroup><tbody><tr><th colspan="1" rowspan="1"><p>Estudo</p></th><th colspan="1" rowspan="1"><p>Tratamento estudado</p></th><th colspan="1" rowspan="1"><p>Duração</p></th><th colspan="1" rowspan="1"><p>Perda média de peso</p></th></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>SCALE Obesity and Prediabetes</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>liraglutida 3 mg todos os dias</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>56 semanas</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>8,0%</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>STEP 1</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>semaglutida 2,4 mg uma vez por semana</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>68 semanas</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>14,9%</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>SURMOUNT-1</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>tirzepatida 5 mg uma vez por semana</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>72 semanas</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>15,0%</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>SURMOUNT-1</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>tirzepatida 10 mg uma vez por semana</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>72 semanas</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>19,5%</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>SURMOUNT-1</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>tirzepatida 15 mg uma vez por semana</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>72 semanas</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>20,9%</p></td></tr></tbody></table></div><p>No SCALE, o placebo associado a dieta e exercício perdeu em média 2,6%. No STEP 1, o placebo perdeu 2,4%. No SURMOUNT-1, o placebo perdeu 3,1%. Portanto, os resultados não vieram apenas da injeção, e a diferença correta considera a intervenção de estilo de vida aplicada também ao grupo de controle.</p><p>A tirzepatida de 15 mg não produziu perda média de 25% no SURMOUNT-1. O valor foi 20,9%. Alguns participantes perderam 20% ou mais, mas isso não converte a média do grupo em 25%.</p><h2>Retatrutida ainda não é tratamento aprovado</h2><p>A retatrutida age nos receptores de GIP, GLP-1 e glucagon. Em um ensaio de fase 2, a dose de 12 mg por semana produziu perda média de 24,2% em 48 semanas. Não foram 30%, e o resultado não autoriza uso fora de pesquisa.</p><p>Em 2026, a molécula continua em desenvolvimento clínico e sem registro da Anvisa. Produto vendido na internet com esse nome não equivale ao medicamento de um ensaio controlado. Faltam aprovação, cadeia regular, garantia de concentração e farmacovigilância de uso comercial.</p><h2>O remédio reduz ingestão, não escolhe sozinho de onde o peso sairá</h2><p>Agonistas de GLP-1 aumentam saciedade, reduzem ingestão de alimentos e retardam o esvaziamento gástrico. A tirzepatida também atua no receptor de GIP. O déficit energético continua sendo o elo entre menor ingestão e perda de peso.</p><p>A comparação entre densidades calóricas ajuda a entender o problema: um lanche, batata e refrigerante podem concentrar calorias semelhantes às de várias refeições com 100 g de arroz e 100 g de carne. O volume visual de comida não revela a energia total. Quem troca uma combinação muito densa por refeições com proteína, vegetais e alimentos menos densos consegue comer mais volume dentro do mesmo orçamento energético.</p><p>Não há demonstração de que, a cada 5 kg perdidos com tirzepatida, 4 kg saiam especificamente da barriga. Essa distribuição foi uma analogia clínica, não resultado do SURMOUNT-1. A tirzepatida reduz peso e gordura visceral, mas não funciona como redução localizada programável.</p><h2>Fome fisiológica, fome hedônica e o paciente que belisca</h2><p>Três padrões práticos mudam a decisão clínica:</p><ol><li><p>A pessoa que sente grande fome fisiológica e come porções volumosas</p></li><li><p>A pessoa que não come muito volume, mas escolhe alimentos de alta densidade calórica</p></li><li><p>A pessoa que belisca continuamente e quase nunca percebe uma refeição grande</p></li></ol><p>O terceiro perfil apareceu com o exemplo de quem bebe refrigerante repetidamente ao longo do dia. Topiramato pode reduzir apetite e alterar percepção de sabor em alguns pacientes, mas seu uso para perda de peso isoladamente é fora da bula e pode causar lentificação cognitiva, dificuldade de memória, parestesias e outros efeitos. Não é uma solução inocente para "perder a vontade de Coca-Cola".</p><p>O padrão gatilho, rotina e recompensa também oferece uma intervenção concreta. Estresse, prova, TPM ou sexta-feira à noite podem funcionar como gatilhos. O gatilho nem sempre desaparece, mas a rotina pode mudar. Retirar doces da vista, levar a roupa de treino ao trabalho e planejar uma refeição antes do horário de maior fome reduzem decisões tomadas no impulso.</p><h2>Escalonar a dose não significa perseguir a dose máxima</h2><p>Os grandes ensaios usaram escalonamento para melhorar tolerabilidade. No STEP 1, a semaglutida levou 16 semanas para chegar ao alvo de 2,4 mg. No SURMOUNT-1, a tirzepatida teve 20 semanas de escalonamento.</p><p>Esses cronogramas descrevem estudos e não servem como receita individual. O princípio útil é outro: começar baixo, observar resposta e tolerância e não elevar automaticamente porque a náusea diminuiu ou porque outra pessoa usa mais. Ausência de efeito adverso não significa ausência de ação.</p><p>A dose também não deve suprimir a alimentação a ponto de impedir ingestão de proteína, carboidrato e micronutrientes. Apatia, fraqueza, incapacidade de treinar, vômitos persistentes e ingestão quase nula não são sinais de que o tratamento está "funcionando bem".</p><h2>A balança pode cair enquanto o músculo vai junto</h2><p>Na subanálise de composição corporal do SURMOUNT-1, a tirzepatida reduziu em média 33,9% da massa gorda e 10,9% da massa magra em 72 semanas. Aproximadamente 75% do peso perdido correspondeu a gordura e 25% a massa magra.</p><p>Massa magra não é sinônimo perfeito de músculo, porque inclui água e outros tecidos. Mesmo assim, a proporção mostra por que a balança sozinha é insuficiente. Perder 8 kg não responde quanto veio de gordura, tecido magro ou água.</p><p>Treino resistido, proteína adequada, déficit que permita adesão e acompanhamento da força ajudam a preservar tecido funcional. A alegação de que jejum intermitente protege mais músculo do que uma restrição calórica equivalente não pode ser tratada como regra. Quando energia e proteína são comparáveis, o horário alimentar não substitui treinamento e dieta bem montada.</p><h2>Parar sem plano favorece reganho</h2><p>Na extensão do STEP 1, um subgrupo acompanhado por mais um ano após interromper semaglutida 2,4 mg recuperou aproximadamente dois terços do peso que havia perdido. Variáveis cardiometabólicas também caminharam de volta em direção aos valores iniciais.</p><p>Isso não prova que toda pessoa precise usar a mesma medicação para sempre. Prova que obesidade é crônica e que retirar o agente que controlava fome e ingestão sem construir manutenção deixa um vazio previsível.</p><p>A imagem da "ponte estreita" resume o ajuste: apetite baixo demais dificulta comer e treinar. Retirada abrupta pode trazer fome e peso de volta. O plano precisa definir como alimentação, treino, sono, comportamento e acompanhamento serão sustentados quando a dose mudar.</p><h2>Efeitos adversos e sinais que não devem ser normalizados</h2><p>Náusea, vômito, diarreia, constipação, refluxo e desconforto abdominal estão entre os eventos mais frequentes. No SURMOUNT-1, os eventos gastrointestinais ocorreram principalmente durante o escalonamento e foram em sua maioria leves ou moderados. Ainda assim, 4,3% a 7,1% interromperam tirzepatida por eventos adversos, conforme a dose, contra 2,6% no placebo.</p><p>No Brasil, a Anvisa cita riscos como pancreatite, desidratação, insuficiência renal aguda, eventos de vesícula, hipersensibilidade e reações no local da aplicação. Dor abdominal intensa e persistente, vômitos repetidos, sinais de desidratação ou vários dias sem evacuar acompanhados de dor e distensão exigem avaliação médica.</p><p>Comparar a própria resposta com a de um amigo é pouco útil. Dois extremos relatados no consultório foram: 13 kg em 26 dias e 4 kg em três meses. São relatos individuais, não metas. Perda excepcionalmente rápida pode representar desidratação, ingestão insuficiente e perda de massa magra, não superioridade do tratamento.</p><h2>O que levar para a consulta</h2><p>Uma avaliação útil precisa ir além de pedir a caneta da moda. Vale chegar com:</p><ul><li><p>peso, altura e circunferência da cintura</p></li><li><p>doenças associadas ao peso e medicamentos em uso</p></li><li><p>histórico de pancreatite, doença da vesícula e sintomas gastrointestinais</p></li><li><p>padrão de fome, beliscos, compulsão e horários de maior ingestão</p></li><li><p>rotina de treino, força e ingestão de proteína</p></li><li><p>tratamentos anteriores, resposta e motivos de interrupção</p></li><li><p>plano de acompanhamento e manutenção</p></li></ul><p>O medicamento pode facilitar o déficit. Ele não monta a dieta, não treina, não corrige gatilhos e não escolhe preservar músculo. O resultado depende de integrar essas partes antes que a balança esconda um processo mal conduzido.</p><h2>Conclusão</h2><p>Liraglutida, semaglutida e tirzepatida mudaram o tratamento da obesidade, com perdas médias de 8,0%, 14,9% e até 20,9% nos ensaios centrais. A indicação, porém, continua clínica: IMC igual ou superior a 30, ou igual ou superior a 27 com comorbidade relacionada ao peso.</p><p>O melhor tratamento não é o que zera a fome nem o que produz o maior número em poucas semanas. É aquele que reduz risco, preserva capacidade de comer e treinar, controla efeitos adversos e chega à manutenção com mais saúde e força.</p><h2>FAQ</h2><h3>Quem tem indicação para usar caneta para emagrecer?</h3><p>Em adultos, produtos aprovados para controle do peso usam como referência IMC igual ou superior a 30 kg/m², ou IMC igual ou superior a 27 kg/m² com pelo menos uma comorbidade relacionada ao peso. Avaliação médica individual continua necessária.</p><h3>Quanto se perde com semaglutida 2,4 mg?</h3><p>No STEP 1, a perda média foi de 14,9% em 68 semanas, contra 2,4% com placebo. Os dois grupos receberam intervenção de estilo de vida.</p><h3>Quanto se perde com tirzepatida?</h3><p>No SURMOUNT-1, as perdas médias em 72 semanas foram 15,0% com 5 mg, 19,5% com 10 mg e 20,9% com 15 mg por semana. Esses dados não são uma prescrição.</p><h3>Tirzepatida queima gordura da barriga primeiro?</h3><p>Ela reduz gordura visceral, mas não há regra clínica de que 4 em cada 5 kg perdidos saiam da barriga. A distribuição depende da composição corporal e não pode ser escolhida como redução localizada.</p><h3>É preciso chegar à dose máxima?</h3><p>Não. A dose deve ser escalonada e individualizada pelo prescritor. A meta é obter benefício com tolerabilidade, não alcançar automaticamente o maior número da caneta.</p><h3>O peso volta depois de parar?</h3><p>Pode voltar. Na extensão do STEP 1, participantes recuperaram em média cerca de dois terços do peso perdido um ano após interromper semaglutida. A retirada precisa de plano de manutenção.</p><h2>Referências</h2><ol><li><p>SAÚDE &amp; HIPERTROFIA PODCAST. <em>Episódio 07: utilização de medicamentos no processo de emagrecimento - Dr. Thiago Viana</em>. YouTube, 7 jun. 2025. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.youtube.com/watch?v=GhKBgvKjScA">https://www.youtube.com/watch?v=GhKBgvKjScA</a>. Acesso em: 13 ago. 2026.</p></li><li><p>AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. <em>Mounjaro<span class="ipsEmoji">®</span> (tirzepatida): nova indicação</em>. Brasília, 9 jun. 2025. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/medicamentos/novos-medicamentos-e-indicacoes/mounjaro-r-tirzepatida-nova-indicacao">https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/medicamentos/novos-medicamentos-e-indicacoes/mounjaro-r-tirzepatida-nova-indicacao</a>. Acesso em: 13 ago. 2026.</p></li><li><p>PI-SUNYER, Xavier et al. A Randomized, Controlled Trial of 3.0 mg of Liraglutide in Weight Management. <em>The New England Journal of Medicine</em>, v. 373, p. 11-22, 2015. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.nejm.org/doi/abs/10.1056/NEJMoa1411892">https://www.nejm.org/doi/abs/10.1056/NEJMoa1411892</a>. Acesso em: 13 ago. 2026.</p></li><li><p>WILDING, John P. H. et al. Once-Weekly Semaglutide in Adults with Overweight or Obesity. <em>The New England Journal of Medicine</em>, v. 384, p. 989-1002, 2021. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMoa2032183">https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMoa2032183</a>. Acesso em: 13 ago. 2026.</p></li><li><p>JASTREBOFF, Ania M. et al. Tirzepatide Once Weekly for the Treatment of Obesity. <em>The New England Journal of Medicine</em>, v. 387, p. 205-216, 2022. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMoa2206038">https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMoa2206038</a>. Acesso em: 13 ago. 2026.</p></li><li><p>LOOK, Michelle et al. Body composition changes during weight reduction with tirzepatide in the SURMOUNT-1 study of adults with obesity or overweight. <em>Diabetes, Obesity and Metabolism</em>, v. 27, n. 5, p. 2720-2729, 2025. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC11965027/">https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC11965027/</a>. Acesso em: 13 ago. 2026.</p></li><li><p>WILDING, John P. H. et al. Weight regain and cardiometabolic effects after withdrawal of semaglutide: The STEP 1 trial extension. <em>Diabetes, Obesity and Metabolism</em>, v. 24, n. 8, p. 1553-1564, 2022. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/35441470/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/35441470/</a>. Acesso em: 13 ago. 2026.</p></li><li><p>JASTREBOFF, Ania M. et al. Triple-Hormone-Receptor Agonist Retatrutide for Obesity: A Phase 2 Trial. <em>The New England Journal of Medicine</em>, v. 389, p. 514-526, 2023. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37366315/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37366315/</a>. Acesso em: 13 ago. 2026.</p></li><li><p>AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. <em>Entra em vigor norma que prevê retenção de receita para medicamentos agonistas GLP-1</em>. Brasília, 23 jun. 2025. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/noticias-anvisa/2025/entra-em-vigor-norma-que-preve-retencao-de-receita-para-medicamentos-agonistas-glp-1">https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/noticias-anvisa/2025/entra-em-vigor-norma-que-preve-retencao-de-receita-para-medicamentos-agonistas-glp-1</a>. Acesso em: 13 ago. 2026.</p></li></ol>]]></description><guid isPermaLink="false">1192</guid><pubDate>Thu, 13 Aug 2026 23:36:00 +0000</pubDate></item><item><title>Inje&#xE7;&#xE3;o para queimar gordura funciona? Lipostabil, enzimas e o alerta da Anvisa</title><link>https://fisiculturismo.com.br/mat%C3%A9rias/diversos/inje%C3%A7%C3%A3o-para-queimar-gordura-funciona-lipostabil-enzimas-e-o-alerta-da-anvisa-r1181/</link><description><![CDATA[
<p><img src="https://cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2026_08/injecao-queimar-gordura-lipostabil-enzimas-capa.webp.be1495dad21e0238a94b3af841b4000d.webp" /></p>
<p>“Injeção de enzimas” é um nome comercialmente conveniente para produtos muito diferentes. Pode significar fosfatidilcolina com desoxicolato, hialuronidase, uma combinação experimental de lipase e colagenase ou até uma mistura sem composição clara. Colocar todos no mesmo grupo esconde a pergunta decisiva: <strong>qual substância será injetada, com que registro e para qual indicação?</strong></p><p>A resposta curta para a dúvida recorrente é direta. Lipostabil não é um método autorizado de redução de gordura no Brasil. O x.prof 018 Mesostabyl também contém fosfatidilcolina e continua sendo divulgado pela fabricante, mas teve sua regularização cosmética cancelada pela Anvisa. Hialuronidase não dissolve gordura. Ácido desoxicólico realmente destrói células no local da aplicação, mas sua evidência clínica mais sólida é restrita à gordura sob o queixo e inclui riscos como necrose, lesão nervosa e dificuldade para engolir. O pequeno estudo mais citado sobre “enzimas recombinantes” reuniu apenas 10 mulheres e não teve grupo-controle.</p><h2>Resposta curta para a dúvida do fórum</h2><div class="ipsRichText__table-wrapper"><table style="min-width: 60px;"><colgroup><col style="min-width:20px;"><col style="min-width:20px;"><col style="min-width:20px;"></colgroup><tbody><tr><th colspan="1" rowspan="1"><p>Produto ou nome usado na clínica</p></th><th colspan="1" rowspan="1"><p>O que realmente faz</p></th><th colspan="1" rowspan="1"><p>Situação prática</p></th></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Lipostabil ou fosfatidilcolina injetável</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>As fórmulas historicamente usadas para “lipodissolve” continham fosfatidilcolina e desoxicolato. O desoxicolato rompe membranas e causa morte celular sem selecionar apenas adipócitos</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Uso estético sem autorização. A Anvisa mantém suspensos fabricação, importação, distribuição, venda, propaganda e uso da fosfatidilcolina injetável</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Mesoestetic x.prof 018 Mesostabyl</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>A fabricante declara fosfatidilcolina poli-insaturada, apresenta ampolas de 5 mL e atribui ao ativo propriedades lipolíticas</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Não é um medicamento injetável autorizado. A Anvisa cancelou a regularização cosmética do produto e negou o recurso administrativo da importadora</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Hialuronidase</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Degrada ácido hialurônico e altera a permeabilidade do tecido</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Não degrada triglicerídeos nem “derrete” gordura corporal</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Ácido desoxicólico</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>É citolítico. Rompe a membrana da célula no ponto aplicado e provoca inflamação para remoção dos detritos</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Há evidência para gordura submentoniana. No Brasil, Belkyra teve registro, mas ele foi cancelado em 2021 e aparece como inativo</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Lipase + colagenase + hialuronidase</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Combinação experimental estudada na papada</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Estudo piloto com 10 mulheres, sem controle e com apenas quatro semanas de acompanhamento após a última sessão</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>“Mescla de enzimas”, cafeína, L-carnitina e silício</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Misturas variáveis, muitas vezes sem ensaio clínico do produto final</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>O nome “enzima” não prova eficácia, esterilidade, indicação nem autorização sanitária</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Semaglutida e tirzepatida</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Medicamentos sistêmicos para indicações metabólicas específicas. Agem principalmente sobre apetite, saciedade e controle glicêmico</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Não são injeções locais para dissolver a gordura do ponto onde a agulha entra</p></td></tr></tbody></table></div><h2>Lipostabil não faz a gordura evaporar</h2><p>Lipostabil ficou conhecido como nome informal de uma solução de fosfatidilcolina usada por clínicas para reduzir depósitos de gordura. O problema começa na composição. Preparações comerciais de fosfatidilcolina costumavam empregar desoxicolato de sódio como solvente. Esse sal biliar funciona como detergente biológico e rompe membranas celulares.</p><p>Em um estudo comparativo, fosfatidilcolina com desoxicolato e desoxicolato isolado produziram quase 100% de lise de adipócitos após 24 horas nas concentrações testadas. A citotoxicidade também apareceu em fibroblastos, células endoteliais e músculo esquelético. Isso não descreve uma lipólise elegante e seletiva. Descreve dano celular local.</p><p>Outro experimento não encontrou ativação relevante de uma via enzimática de lipólise. A redução do tecido foi atribuída principalmente ao efeito detergente do desoxicolato e à ruptura de membranas. Revisões posteriores chegaram à mesma cautela: as misturas de fosfatidilcolina e desoxicolato, assim como o desoxicolato isolado, agem predominantemente de forma não seletiva.</p><p>Essa distinção explica por que o resultado pode vir acompanhado de inflamação, dor, nódulos, irregularidades, ulceração ou necrose. A célula não “esvazia” como um balão preservado. Ela é lesionada ou destruída, e o organismo precisa lidar com o tecido danificado.</p><h2>O que a Anvisa proíbe no Brasil</h2><p>A comunicação de risco da Anvisa sobre fosfatidilcolina é explícita. O produto não possui registro ou autorização para uso estético, e as resoluções RE 30/2003 e RE 2.473/2007 suspenderam fabricação, importação, distribuição, venda e uso em todo o território nacional. A propaganda também foi proibida.</p><p>Uma farmácia de manipulação não transforma uma substância suspensa em tratamento regular apenas imprimindo um rótulo. A fórmula magistral continua sujeita às regras sanitárias e não pode contornar a proibição aplicável à fosfatidilcolina injetável.</p><p>A Anvisa também alerta que cosmético é produto de uso externo. Produto anunciado como cosmético, ampola cosmética ou solução de uso externo não pode ser injetado. Para uma aplicação injetável, a apresentação precisa estar regularizada na categoria sanitária correta e para a via de administração correspondente.</p><h2>Mesostabyl não é um Lipostabil liberado com nome novo</h2><p>O x.prof 018 Mesostabyl é um exemplo concreto de como embalagem profissional e linguagem cosmética podem produzir uma impressão enganosa de regularidade. A página brasileira da Mesoestetic apresenta o produto em 20 ampolas de 5 mL, identifica a fosfatidilcolina poli-insaturada como ingrediente principal e afirma que ela possui propriedades lipolíticas. A indicação comercial é melhorar a aparência da silhueta e de áreas localizadas no rosto e no corpo.</p><p>Isso não o transforma em medicamento injetável. A própria página da linha meso.prof descreve tratamentos profissionais não invasivos, sem necessidade de agulhas. Mais importante: a Anvisa analisou nominalmente o X.PROF 018 MESOSTABYL MESOESTETIC e cancelou o processo de regularização cosmética nº 25351.831801/2020-12 por entender que as características combinadas do produto permitiam inferir uso além do externo.</p><p>O Voto nº 29/2024 da Anvisa registrou uma contradição objetiva. Embora a rotulagem trouxesse “Atenção: não injetável” e “Uso externo”, a apresentação em ampolas de 5 mL, a associação comercial com aplicação transcutânea e microagulhamento e as alegações de ação lipolítica e redução da síntese de triglicerídeos apontavam para mecanismos que não seriam obtidos por um cosmético restrito à epiderme. Em fevereiro de 2024, a Diretoria Colegiada retirou por unanimidade o efeito suspensivo do recurso. Em março, a Gerência-Geral de Recursos conheceu o recurso da importadora e negou provimento também por unanimidade.</p><p>Mesostabyl e Lipostabil não devem ser tratados como fórmulas idênticas. As preparações históricas associadas ao nome Lipostabil continham fosfatidilcolina e desoxicolato. A página atual do Mesostabyl declara fosfatidilcolina poli-insaturada, mas não demonstra que o produto comercial tenha a mesma composição do Lipostabil. O elo entre eles é o uso da fosfatidilcolina e a promessa de atuar sobre gordura localizada, não uma equivalência farmacêutica comprovada.</p><p>Também não foi localizado ensaio clínico randomizado do próprio X.PROF 018 Mesostabyl que demonstre redução de gordura ou segurança superior. Estudos com outras soluções injetáveis de fosfatidilcolina, com ou sem desoxicolato, não validam a aplicação transcutânea do Mesostabyl e muito menos autorizam injetar uma ampola rotulada para uso externo. Neste caso, mudou a apresentação comercial, mas não apareceu evidência capaz de provar que o produto específico resolveu os problemas de eficácia, via e segurança.</p><h2>Hialuronidase não dissolve gordura</h2><p>Hialuronidase é uma enzima que degrada ácido hialurônico. Na medicina, ela pode aumentar a dispersão de líquidos no tecido e é usada em situações específicas, inclusive na correção de preenchimentos de ácido hialurônico. Triglicerídeo armazenado no adipócito não é ácido hialurônico.</p><p>Portanto, aplicar hialuronidase isolada não equivale a destruir gordura. Uma redução transitória de inchaço ou alteração na matriz extracelular pode mudar o contorno visual sem representar perda de tecido adiposo. O nome “hialuronidase” também não autoriza inferir o efeito de uma combinação que contenha outras enzimas.</p><p>Esse erro aparece quando o resultado de um coquetel com lipase, colagenase e hialuronidase é atribuído à hialuronidase sozinha. O estudo não separou os três componentes. Ele não consegue dizer qual enzima produziu qual parte do resultado.</p><h2>Ácido desoxicólico funciona, mas não é uma caneta para o corpo inteiro</h2><p>O ácido desoxicólico é diferente da hialuronidase. Ele tem ação citolítica e foi estudado de forma controlada para gordura submentoniana, a papada. Nos Estados Unidos, Kybella é aprovado pela FDA apenas para adultos com gordura moderada ou acentuada sob o queixo. A segurança e a eficácia fora dessa região não foram estabelecidas na bula.</p><p>Dois ensaios de fase 3 incluíram 1.019 pessoas, sendo 513 tratadas com ácido desoxicólico e 506 com placebo. A melhora de pelo menos um grau ocorreu em 70,0% contra 18,6% em um estudo e em 66,5% contra 22,2% no outro. Na avaliação por ressonância magnética, 43% dos tratados tiveram redução de pelo menos 10% do volume de gordura, contra 5% no placebo.</p><p>O benefício veio com reações muito frequentes. Entre os tratados, 96% apresentaram alguma reação no local. Inchaço ocorreu em 87%, hematoma em 72%, dor em 70% e dormência em 66%. Lesão do ramo marginal do nervo mandibular apareceu em 4% e dificuldade para engolir em 2%. Os casos de lesão nervosa se resolveram entre 1 e 298 dias, com mediana de 44 dias.</p><p>A bula permite até seis sessões com intervalo mínimo de um mês, usando até 50 aplicações de 0,2 mL por sessão, total máximo de 10 mL. Esses números descrevem o produto aprovado, a região estudada e a técnica de um profissional habilitado. Não validam frasco manipulado de procedência diferente, aplicação no abdômen ou reprodução doméstica do procedimento.</p><p>No Brasil, Belkyra 10 mg/mL chegou a obter registro. A apresentação aparece na lista oficial de medicamentos inativados, e o cancelamento foi publicado em 2021. Isso corrige duas simplificações comuns: não é verdade que o país nunca registrou ácido desoxicólico, e também não é correto tratar a antiga aprovação como autorização vigente para qualquer produto atual.</p><h2>O estudo das três enzimas teve apenas 10 mulheres</h2><p>Um estudo de 2024 avaliou uma combinação de lipase, colagenase e hialuronidase em 10 mulheres com gordura submentoniana moderada ou acentuada. Cada participante recebeu três sessões, separadas por 21 dias. Em cada sessão foram usados 4 mL da mistura enzimática, composta por 1 mL de colagenase, 1 mL de hialuronidase e 2 mL de lipase, além de 2 mL de lidocaína a 2%.</p><p>Quatro semanas após a terceira sessão, nove das 10 participantes tiveram melhora de pelo menos um grau na avaliação clínica. A ultrassonografia também apontou redução superior a 10% na espessura do tecido em nove participantes.</p><p>Os números são interessantes, mas o desenho do estudo impede chamar o tratamento de comprovado. Não houve grupo placebo, a amostra tinha apenas 10 pessoas, todas eram mulheres, o tratamento foi limitado à papada e o acompanhamento terminou quatro semanas depois da última sessão. O trabalho não responde se o resultado persiste, se funciona no abdômen ou nos flancos, qual componente foi responsável pelo efeito nem a frequência de eventos raros e graves.</p><h2>“Enzima” não é uma categoria de eficácia</h2><p>O rótulo “enzimas para gordura localizada” pode esconder quatro problemas:</p><ol><li><p>o nome exato dos princípios ativos não é informado</p></li><li><p>a concentração de cada componente não aparece</p></li><li><p>a clínica apresenta como injetável um produto regularizado apenas para uso externo</p></li><li><p>o resultado de um estudo pequeno com uma fórmula é transferido para outra mistura</p></li></ol><p>Lipase, colagenase e hialuronidase têm substratos diferentes. Cafeína e L-carnitina também não se tornam eficazes para redução localizada apenas por estarem dentro de uma seringa. O produto final precisa ser avaliado como produto final. Não basta cada palavra do rótulo parecer científica.</p><h2>Os riscos não terminam no inchaço</h2><p>A FDA recebeu relatos de cicatrizes permanentes, infecção grave, deformidades, cistos e nódulos profundos e dolorosos após injeções de dissolução de gordura não aprovadas. A própria bula do ácido desoxicólico registra, no uso pós-comercialização, ulceração, necrose, infecção, abscesso e cicatriz.</p><p>Os sinais que exigem avaliação médica rápida são:</p><ul><li><p>dor que piora em vez de melhorar</p></li><li><p>vermelhidão ou calor que se expandem</p></li><li><p>febre, secreção ou mau cheiro</p></li><li><p>bolhas, pele arroxeada, escura ou ulcerada</p></li><li><p>nódulo crescente ou muito doloroso</p></li><li><p>assimetria do sorriso ou fraqueza facial</p></li><li><p>dificuldade para engolir ou respirar</p></li></ul><p>Não massageie uma área suspeita de necrose ou abscesso e não comece antibiótico por conta própria. O tratamento depende da causa e pode exigir drenagem, cultura, antibiótico direcionado ou avaliação cirúrgica.</p><h2>Como avaliar a proposta antes de qualquer aplicação</h2><p>Antes de aceitar uma “mescla”, peça respostas documentadas para sete perguntas:</p><ol><li><p>Qual é o nome completo de cada princípio ativo?</p></li><li><p>Qual é a concentração em mg/mL ou em unidade enzimática por mL?</p></li><li><p>Qual é o fabricante e o número de lote?</p></li><li><p>Em qual categoria o produto está regularizado na Anvisa?</p></li><li><p>A via injetável e a indicação estética aparecem no registro ou na bula?</p></li><li><p>Quem fará a aplicação e qual é a habilitação desse profissional?</p></li><li><p>Qual é o plano da clínica para necrose, infecção, lesão nervosa ou reação alérgica?</p></li></ol><p>Recuse seringa previamente preenchida sem o frasco original, coquetel de composição “secreta”, produto sem lote, ampola rotulada como cosmético ou promessa de que “é natural e não oferece risco”. O registro pode ser consultado nos sistemas oficiais da Anvisa. A consulta precisa conferir produto, fabricante, apresentação, situação e via, não apenas encontrar um nome parecido.</p><h2>Canetas para obesidade não são mesoterapia</h2><p>Semaglutida e tirzepatida aparecem na mesma conversa porque também são injetáveis associados à perda de peso. O mecanismo e a finalidade são outros. Elas são medicamentos sistêmicos, usados em indicações específicas e com acompanhamento médico. A aplicação subcutânea não remove preferencialmente a gordura ao redor da agulha.</p><p>Misturar canetas para obesidade, ácido desoxicólico e “enzimas” na mesma categoria de injeção que queima gordura gera uma falsa equivalência. Uma atua no organismo inteiro e altera ingestão alimentar e metabolismo. Outra destrói células localmente. As demais podem não ter eficácia clínica demonstrada para gordura.</p><h2>Conclusão</h2><p>Lipostabil não é uma solução leve ou antiga que apenas saiu de moda. A fosfatidilcolina injetável para fins estéticos permanece sem autorização e com medidas sanitárias de suspensão no Brasil. Nas misturas históricas, o desoxicolato explica boa parte da destruição celular e não seleciona apenas adipócitos. Mesostabyl não escapa desse debate por ter embalagem moderna. A regularização cosmética do produto foi cancelada, e não há ensaio clínico do produto comercial que demonstre uma versão comprovadamente eficaz e mais segura do conceito.</p><p>Hialuronidase não dissolve gordura. A combinação de três enzimas tem apenas um estudo piloto com 10 mulheres e não autoriza extrapolar o resultado para qualquer coquetel ou parte do corpo. Ácido desoxicólico possui evidência clínica real para papada, mas a apresentação brasileira conhecida teve o registro cancelado e os riscos incluem lesão nervosa, dificuldade para engolir, ulceração e necrose.</p><p>A pergunta certa antes de uma aplicação não é “qual enzima está na moda?”. É “qual produto exato, com qual registro vigente, para qual indicação e sustentado por qual estudo do próprio produto?”. Quando a clínica não consegue responder, a incerteza já é um motivo concreto para não aplicar.</p><h2>FAQ</h2><h3>Lipostabil é proibido no Brasil?</h3><p>Sim. A Anvisa informa que a fosfatidilcolina injetável não possui registro ou autorização e mantém suspensos fabricação, importação, distribuição, venda, propaganda e uso no país.</p><h3>Farmácia de manipulação pode fazer Lipostabil com receita?</h3><p>Uma receita e um rótulo magistral não anulam a suspensão sanitária da fosfatidilcolina injetável. A manipulação não regulariza uma substância cujo uso está suspenso.</p><h3>Mesostabyl é uma versão liberada e mais segura do Lipostabil?</h3><p>Não. A fabricante divulga o X.PROF 018 Mesostabyl com fosfatidilcolina poli-insaturada, mas a Anvisa cancelou sua regularização cosmética e negou o recurso da importadora. O produto não é um injetável autorizado, não possui equivalência farmacêutica demonstrada com o Lipostabil e não tem ensaio clínico próprio que comprove maior segurança.</p><h3>Hialuronidase quebra gordura?</h3><p>Não. Ela degrada ácido hialurônico e pode alterar a dispersão de líquidos e a matriz do tecido. Não rompe triglicerídeos armazenados nos adipócitos.</p><h3>Ácido desoxicólico é seguro para barriga e flancos?</h3><p>A evidência e a aprovação da FDA se referem à gordura submentoniana. A segurança e a eficácia em outras áreas não foram estabelecidas na bula. Aplicações fora da região estudada não podem ser tratadas como equivalentes.</p><h3>As enzimas recombinantes já foram comprovadas?</h3><p>Ainda não. O estudo de 2024 teve 10 mulheres, três sessões e nenhum grupo-controle. Nove melhoraram, mas a amostra e o acompanhamento são insuficientes para confirmar eficácia duradoura e segurança ampla.</p><h3>Como consultar se um produto é autorizado?</h3><p>Use a consulta de medicamentos da Anvisa e confira nome, fabricante, número de registro, apresentação, situação e via de administração. Produto “notificado” como cosmético não está autorizado para injeção.</p><h2>Referências</h2><ol><li><p>AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. Cosméticos para tratamentos estéticos. Brasília, DF: Anvisa, 2023. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/cosmeticos/cosmeticos-para-tratamentos-esteticos">https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/cosmeticos/cosmeticos-para-tratamentos-esteticos</a>. Acesso em: 11 ago. 2026.</p></li><li><p>AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. Anvisa publica novas medidas para proibir produtos cosméticos utilizados de forma injetável. Brasília, DF: Anvisa, 2023. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/noticias-anvisa/2023/anvisa-publica-novas-medidas-para-proibir-produtos-cosmeticos-utilizados-de-forma-injetavel/">https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/noticias-anvisa/2023/anvisa-publica-novas-medidas-para-proibir-produtos-cosmeticos-utilizados-de-forma-injetavel/</a>. Acesso em: 11 ago. 2026.</p></li><li><p>AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. Comunicado de Risco n. 002/2014, revisado: fosfatidilcolina. Brasília, DF: Anvisa. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.gov.br/anvisa/pt-br/centraisdeconteudo/publicacoes/servicosdesaude/comunicados-de-risco-1/comunicado-de-risco-002-2014-revisado">https://www.gov.br/anvisa/pt-br/centraisdeconteudo/publicacoes/servicosdesaude/comunicados-de-risco-1/comunicado-de-risco-002-2014-revisado</a>. Acesso em: 11 ago. 2026.</p></li><li><p>UNITED STATES. Food and Drug Administration. Using fat-dissolving injections that are not FDA-approved can be harmful. Silver Spring: FDA, 2023. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.fda.gov/drugs/buying-using-medicine-safely/using-fat-dissolving-injections-are-not-fda-approved-can-be-harmful">https://www.fda.gov/drugs/buying-using-medicine-safely/using-fat-dissolving-injections-are-not-fda-approved-can-be-harmful</a>. Acesso em: 11 ago. 2026.</p></li><li><p>UNITED STATES. Food and Drug Administration. Kybella: prescribing information. Silver Spring: FDA, 2022. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.accessdata.fda.gov/drugsatfda_docs/label/2022/206333s005lbl.pdf">https://www.accessdata.fda.gov/drugsatfda_docs/label/2022/206333s005lbl.pdf</a>. Acesso em: 11 ago. 2026.</p></li><li><p>PALUMBO, P. et al. Comparative effects of phosphatidylcholine and sodium deoxycholate on human fat cells and other tissue cells. Dermatologic Surgery, v. 35, n. 1, p. 55-63, 2009. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/19198927/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/19198927/</a>. Acesso em: 11 ago. 2026.</p></li><li><p>DUNCAN, D. et al. The effects of phosphatidylcholine and deoxycholate compound injections to the subcutaneous fat. Dermatologic Surgery, v. 35, n. 10, p. 1495-1501, 2009. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/19644256/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/19644256/</a>. Acesso em: 11 ago. 2026.</p></li><li><p>COUTO, R. A. et al. Injectable adipolytic agents for body contouring: a systematic review. Aesthetic Plastic Surgery, v. 46, p. 1802-1823, 2022. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/35399925/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/35399925/</a>. Acesso em: 11 ago. 2026.</p></li><li><p>ALBALAT, W. et al. Efficacy and safety of recombinant enzymes for submental fat reduction. Heliyon, v. 10, n. 4, e25759, 2024. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC10875420/">https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC10875420/</a>. Acesso em: 11 ago. 2026.</p></li><li><p>COSTA, P. S. et al. Deoxycholic acid for submental fat reduction: a systematic review and meta-analysis. Aesthetic Plastic Surgery, 2023. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37806137/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37806137/</a>. Acesso em: 11 ago. 2026.</p></li><li><p>AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. Lista de apresentações inativadas, Sammed, Portaria CMED n. 2/2024. Brasília, DF: Anvisa, 2024. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/medicamentos/cmed/legislacao/Listadeapresentaesinativadas_Sammed_PortariaCMEDn.2_2024.pdf">https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/medicamentos/cmed/legislacao/Listadeapresentaesinativadas_Sammed_PortariaCMEDn.2_2024.pdf</a>. Acesso em: 11 ago. 2026.</p></li><li><p>AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. Como saber se um produto é autorizado pela Anvisa. Brasília, DF: Anvisa. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.gov.br/anvisa/pt-br/comunicacao/campanhas/estetica/como-saber-se-um-produto-e-autorizado-pela-anvisa">https://www.gov.br/anvisa/pt-br/comunicacao/campanhas/estetica/como-saber-se-um-produto-e-autorizado-pela-anvisa</a>. Acesso em: 11 ago. 2026.</p></li><li><p>UNITED STATES. Food and Drug Administration. Hylenex recombinant: prescribing information. Silver Spring: FDA, 2024. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.accessdata.fda.gov/drugsatfda_docs/label/2024/021859s031lbl.pdf">https://www.accessdata.fda.gov/drugsatfda_docs/label/2024/021859s031lbl.pdf</a>. Acesso em: 11 ago. 2026.</p></li><li><p>MESOESTETIC. x.prof 018 Mesostabyl ampoules: fosfatidilcolina. Viladecans: Mesoestetic Pharma Group. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.mesoestetic.com.br/profissional/x-prof-018-mesostabyl.html">https://www.mesoestetic.com.br/profissional/x-prof-018-mesostabyl.html</a>. Acesso em: 14 ago. 2026.</p></li><li><p>AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. Voto nº 29/2024/SEI/DIRE5/ANVISA: retirada de efeito suspensivo do recurso referente ao X.PROF 018 MESOSTABYL MESOESTETIC. Brasília, DF: Anvisa, 2024. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.gov.br/anvisa/pt-br/composicao/diretoria-colegiada/reunioes-da-diretoria/votos-dos-circuitos-deliberativos-1/2024/cd-198-2024-voto.pdf">https://www.gov.br/anvisa/pt-br/composicao/diretoria-colegiada/reunioes-da-diretoria/votos-dos-circuitos-deliberativos-1/2024/cd-198-2024-voto.pdf</a>. Acesso em: 14 ago. 2026.</p></li><li><p>AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. Ata da 8ª Sessão de Julgamento Ordinária da Gerência-Geral de Recursos de 2024. Brasília, DF: Anvisa, 2024. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.gov.br/anvisa/pt-br/setorregulado/recursos-administrativos/2a-instancia/atas/2024/ata-da-8a-sessao-de-julgamento-ordinaria-da-ggrec.pdf">https://www.gov.br/anvisa/pt-br/setorregulado/recursos-administrativos/2a-instancia/atas/2024/ata-da-8a-sessao-de-julgamento-ordinaria-da-ggrec.pdf</a>. Acesso em: 14 ago. 2026.</p></li></ol>]]></description><guid isPermaLink="false">1181</guid><pubDate>Tue, 11 Aug 2026 22:13:00 +0000</pubDate></item><item><title>Shiatsu ajuda na recupera&#xE7;&#xE3;o muscular? Menos dor n&#xE3;o significa mais for&#xE7;a</title><link>https://fisiculturismo.com.br/mat%C3%A9rias/diversos/shiatsu-ajuda-na-recupera%C3%A7%C3%A3o-muscular-menos-dor-n%C3%A3o-significa-mais-for%C3%A7a-r1176/</link><description><![CDATA[
<p><img src="https://cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2026_08/shiatsu-recuperacao-muscular-dra-cristina-capa.webp.0726e615ad5d9388739c5738b225dcf4.webp" /></p>
<p>Shiatsu pode deixar o corpo menos dolorido depois de um treino pesado. Isso não significa que a técnica acelere hipertrofia, aumente força ou previna lesão. A diferença parece pequena, mas separa um uso complementar honesto de uma promessa que a ciência ainda não consegue sustentar.</p><p>Shiatsu, massagem esportiva, acupressão e acupuntura não são intervenções intercambiáveis. Há evidência de que massagens manuais podem reduzir modestamente a dor muscular tardia e aumentar a flexibilidade no curto prazo. Para shiatsu em praticantes de musculação, porém, faltam ensaios clínicos diretos.</p><h2>Shiatsu não é sinônimo de massagem esportiva</h2><p>Shiatsu combina pressão com dedos e palmas, manipulações e alongamentos ao longo de pontos e trajetos definidos pela tradição japonesa. A sessão pode usar polegares, mãos, cotovelos e o peso do corpo do terapeuta. Massagem esportiva costuma empregar deslizamento, amassamento, fricção e vibração sobre grupos musculares específicos.</p><p>Essa distinção importa porque o estudo mais próximo do fisiculturismo não testou shiatsu. Ele testou massagem ocidental com deslizamento, amassamento e vibração. Também não é correto usar resultados de acupuntura com agulhas como prova de que a pressão manual produz o mesmo efeito.</p><p>Uma revisão sistemática específica de shiatsu e acupressão, publicada em 2011, encontrou uma base científica ainda inicial, com poucos estudos de boa qualidade e grande mistura entre técnicas. Os próprios autores alertaram que resultados de acupressão protocolada não podem ser transferidos automaticamente para sessões individualizadas de shiatsu.</p><h2>O estudo com 30 fisiculturistas</h2><p>O ensaio mais aplicável ao leitor treinado recrutou 30 homens com pelo menos dois anos de experiência em fisiculturismo. Eles fizeram cinco séries de agachamento ou leg press a 75% a 77% de 1RM até a exaustão, com um minuto de descanso entre as séries.</p><p>Depois do treino, 15 participantes receberam 30 minutos de massagem nas pernas. Os outros 15 fizeram recuperação passiva. Os pesquisadores mediram dor, creatina quinase, torque isométrico, salto vertical e agilidade antes do treino, logo depois e novamente em 24, 48 e 72 horas.</p><p>O grupo massageado apresentou recuperação geral melhor, com menos dor e evolução mais favorável de alguns marcadores e testes ao longo das 72 horas. O achado é relevante porque envolve fisiculturistas e um protocolo concreto. Ainda assim, foi um estudo pequeno, com homens jovens e uma única sessão de massagem ocidental. Ele não demonstra que shiatsu semanal aumenta massa muscular ou força ao longo de meses.</p><h3>O protocolo que realmente foi testado</h3><div class="ipsRichText__table-wrapper"><table style="min-width: 40px;"><colgroup><col style="min-width:20px;"><col style="min-width:20px;"></colgroup><tbody><tr><th colspan="1" rowspan="1"><p>Item</p></th><th colspan="1" rowspan="1"><p>Procedimento do estudo</p></th></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Participantes</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>30 fisiculturistas homens, divididos em 15 por grupo</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Exercício</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>5 séries de agachamento ou leg press a 75% a 77% de 1RM até a exaustão</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Descanso</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>1 minuto entre séries</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Intervenção</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>30 minutos de massagem ocidental após o treino</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Técnicas</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>deslizamento, amassamento e vibração</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Avaliações</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>imediatamente, 24, 48 e 72 horas depois</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>O que o estudo não testou</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>shiatsu, hipertrofia, prevenção de lesão ou frequência semanal ideal</p></td></tr></tbody></table></div><h2>A redução da dor é real, mas modesta</h2><p>Uma revisão de 29 estudos randomizados, com 1.012 participantes, encontrou melhora média de 13% na dor muscular tardia após massagem. A heterogeneidade foi alta, de 86%, o que significa que técnicas, duração, população e resultados variaram bastante entre os trabalhos.</p><p>Na mesma análise, a massagem não melhorou de forma consistente força, salto, sprint, resistência ou fadiga. Houve um ganho agudo de 7% nas medidas de flexibilidade, também com heterogeneidade muito alta. Parte desse aumento desapareceu rapidamente em estudos individuais.</p><p>Outra meta-análise, com 11 ensaios e 504 participantes, encontrou redução da dor em 24, 48 e 72 horas. O efeito foi maior em 48 e 72 horas, justamente quando a dor tardia costuma incomodar mais. A síntese também encontrou melhora de força isométrica e torque de pico, mas a revisão posterior e maior não confirmou benefício consistente de desempenho.</p><p>O jeito correto de conciliar os resultados é simples: massagem pode melhorar como a pessoa se sente e produzir pequena mudança aguda de mobilidade. Não há base para prometer que ela levantará mais peso, crescerá mais ou voltará a treinar plenamente recuperada.</p><h2>Creatina quinase não decide se o músculo recuperou</h2><p>Creatina quinase, ou CK, aparece com frequência em estudos de dano muscular. Ela pode subir depois de treino pesado e cair de forma diferente entre pessoas. Uma CK menor no grupo massageado é um dado interessante, mas não prova sozinho que o músculo está reparado ou pronto para outra sessão máxima.</p><p>Recuperação funcional exige olhar junto para dor, amplitude, produção de força, desempenho no exercício e evolução ao longo do tempo. Um atleta pode ter CK alta e funcionar bem. Outro pode ter CK discreta, dor forte e queda de rendimento.</p><p>O estudo de Crane e colaboradores ajuda a entender o mecanismo sem resolver a questão clínica. Onze homens fizeram exercício até causar dano muscular. Um quadríceps recebeu 10 minutos de massagem e o outro serviu como controle. Biópsias mostraram alterações em vias celulares ligadas à mecanotransdução, sinalização mitocondrial e inflamação. A massagem, porém, não alterou glicogênio nem lactato.</p><p>Isso enfraquece a explicação popular de que a técnica “expulsa ácido lático” ou remove resíduos do treino. Lactato não permanece preso no músculo por dias e não causa a dor muscular tardia.</p><h2>Shiatsu não constrói músculo nem substitui recuperação básica</h2><p>Nenhum ensaio controlado demonstrou que shiatsu aumenta hipertrofia em praticantes de musculação. Também não existe uma dose validada de uma, duas ou três sessões por semana para crescer mais.</p><p>Se a sessão reduz dor e tensão, ela pode ajudar indiretamente o atleta a se sentir melhor. O ganho muscular, porém, continua dependendo de treino com progressão, volume tolerável, proteína, energia suficiente e sono. Usar massagem para mascarar um programa que excede a capacidade de recuperação apenas adia o ajuste necessário.</p><p>O mesmo vale para prevenção de lesão. Não há ensaio mostrando que shiatsu evite distensão, ruptura ou lesão articular na musculação. Mobilidade aguda maior também não garante proteção. Técnica, controle de carga, exposição progressiva e manejo de fadiga permanecem mais importantes.</p><h2>Um teste de uma sessão que não inventa protocolo</h2><p>Como não existe dose-resposta estabelecida para shiatsu em atletas de força, o caminho mais honesto é testar uma sessão e registrar o efeito. O modelo abaixo adapta os horários usados no ensaio com fisiculturistas. Ele serve para monitoramento, não para diagnóstico ou prescrição.</p><ol><li><p>Escolha um treino normalmente associado a dor tardia, sem mudar carga ou volume apenas para provocar sofrimento.</p></li><li><p>Antes do treino, registre dor de 0 a 10 e uma medida simples de amplitude relacionada ao grupo muscular.</p></li><li><p>Faça uma sessão de até 30 minutos depois do treino ou no mesmo dia, com profissional qualificado e pressão tolerável.</p></li><li><p>Registre novamente dor, rigidez e amplitude em 24, 48 e 72 horas.</p></li><li><p>Compare também o desempenho no treino seguinte, usando o mesmo exercício, carga, repetições e RIR quando possível.</p></li><li><p>Repita em outra semana sem shiatsu, mantendo treino, sono e alimentação semelhantes.</p></li></ol><h3>Exemplo de registro</h3><div class="ipsRichText__table-wrapper"><table style="min-width: 100px;"><colgroup><col style="min-width:20px;"><col style="min-width:20px;"><col style="min-width:20px;"><col style="min-width:20px;"><col style="min-width:20px;"></colgroup><tbody><tr><th colspan="1" rowspan="1"><p>Momento</p></th><th colspan="1" rowspan="1"><p>Dor de 0 a 10</p></th><th colspan="1" rowspan="1"><p>Rigidez de 0 a 10</p></th><th colspan="1" rowspan="1"><p>Amplitude</p></th><th colspan="1" rowspan="1"><p>Desempenho</p></th></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Antes do treino</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p></p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p></p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p></p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>carga, repetições e RIR</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>24 horas</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p></p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p></p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p></p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>não se aplica ou treino planejado</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>48 horas</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p></p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p></p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p></p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>carga, repetições e RIR</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>72 horas</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p></p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p></p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p></p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>retorno ao padrão habitual</p></td></tr></tbody></table></div><p>Uma redução de dor sem melhora de desempenho ainda pode ter valor de conforto. Ela não deve ser vendida como recuperação muscular completa. Se o atleta percebe menos dor, mas perde carga, amplitude ou coordenação, a decisão do treino deve seguir a função, não apenas a sensação.</p><h2>Antes ou depois do treino?</h2><p>O protocolo mais diretamente ligado ao fisiculturismo aplicou massagem depois do exercício. Não há ensaio que defina a melhor hora para shiatsu antes de musculação pesada.</p><p>Uma sessão profunda imediatamente antes de testar carga máxima não oferece benefício demonstrado. Pressão intensa, alongamentos e relaxamento podem mudar temporariamente percepção corporal e amplitude. Quem gosta de toque antes do treino deve preferir intervenção breve e leve, sem usar a sessão como substituta do aquecimento específico com a própria carga.</p><p>Para recuperação, o mesmo dia ou o dia seguinte são escolhas plausíveis, mas não existe horário mágico. A decisão pode seguir conforto, resposta individual e disponibilidade, desde que o tratamento não seja aplicado sobre uma lesão que ainda precisa de diagnóstico.</p><h2>Quando não apertar o local dolorido</h2><p>Massagem costuma ter baixo risco quando aplicada corretamente. Eventos graves são raros, mas já foram descritos coágulo deslocado, lesão nervosa e fratura, principalmente após técnicas vigorosas ou em pessoas vulneráveis.</p><p>Não faça pressão intensa sobre uma área com:</p><ul><li><p>suspeita ou diagnóstico de trombose venosa profunda</p></li><li><p>fratura recente, osteoporose avançada ou trauma importante</p></li><li><p>ferida aberta, infecção de pele, febre ou inflamação aguda</p></li><li><p>sangramento, hematoma em expansão ou uso de anticoagulante sem liberação profissional</p></li><li><p>cirurgia recente sem autorização da equipe assistente</p></li><li><p>perda de força súbita, dormência, alteração neurológica ou dor inexplicável intensa</p></li><li><p>inchaço unilateral, calor, vermelhidão e dor na panturrilha</p></li></ul><p>Dor forte não é prova de que a técnica está “soltando” o músculo. Pressão deve ser tolerável e ajustada durante a sessão. Dor aguda, choque, formigamento persistente, tontura, falta de ar ou piora importante exigem interrupção e avaliação.</p><h2>Como escolher um profissional</h2><p>Pergunte qual é a formação, quanto tempo de experiência existe com atletas e como o profissional adapta pressão, posição e duração. Um bom atendimento começa por histórico de lesões, medicamentos, cirurgias, sintomas e objetivo da sessão.</p><p>Desconfie de promessa de “desintoxicar”, curar lesão, reposicionar órgãos, eliminar inflamação do corpo inteiro ou garantir hipertrofia. Shiatsu pode ser uma experiência de cuidado e alívio. Isso já é diferente de tratamento comprovado para qualquer doença.</p><h2>Conclusão</h2><p>Shiatsu pode fazer sentido como ferramenta complementar de conforto e recuperação percebida. A melhor evidência esportiva, porém, vem de outras massagens. Em 30 fisiculturistas, 30 minutos após um treino exaustivo de pernas favoreceram a recuperação até 72 horas. Em uma revisão de 1.012 participantes, a melhora média foi de 13% na dor tardia e 7% na flexibilidade, sem ganho consistente de força ou desempenho.</p><p>Não existe protocolo validado de frequência semanal para shiatsu em musculação. Também não há prova de hipertrofia, prevenção de lesão ou aumento de força. A decisão prática é testar uma sessão, registrar dor e função por 72 horas e manter apenas se o benefício individual justificar tempo e custo. Menos dor pode valer a pena. Só não deve ser confundida com mais músculo.</p><h2>FAQ</h2><h3>Shiatsu ajuda a diminuir a dor depois da musculação?</h3><p>Pode ajudar, mas a evidência direta em musculação é de massagem esportiva, não de shiatsu. Meta-análises de massagem mostram redução modesta da dor muscular tardia entre 24 e 72 horas.</p><h3>Shiatsu aumenta força ou hipertrofia?</h3><p>Não há ensaio clínico que demonstre aumento de força ou hipertrofia por shiatsu. Uma revisão ampla de massagem esportiva não encontrou melhora consistente em força, salto, sprint, resistência ou fadiga.</p><h3>Quantas sessões por semana devo fazer?</h3><p>Não existe frequência semanal validada para atletas de força. Em vez de adotar uma a três sessões por semana como regra, teste uma sessão, acompanhe dor e desempenho por 72 horas e decida pela resposta e pelo custo.</p><h3>Uma sessão de 30 minutos funciona?</h3><p>Trinta minutos foi a duração usada no ensaio com 30 fisiculturistas. O estudo avaliou massagem ocidental após treino exaustivo de pernas. Isso não estabelece uma dose universal para shiatsu, mas oferece um ponto concreto para teste individual.</p><h3>Posso fazer shiatsu antes de treinar pesado?</h3><p>Não existe benefício demonstrado para uma sessão profunda imediatamente antes de carga máxima. Se houver trabalho manual antes do treino, prefira pressão leve e mantenha o aquecimento específico com séries progressivas do exercício.</p><h3>Dor durante o shiatsu significa que está funcionando?</h3><p>Não. A pressão pode gerar desconforto tolerável, mas dor aguda, choque, dormência, náusea ou piora importante não são metas terapêuticas. A sessão deve ser ajustada ou interrompida.</p><h2>Referências</h2><ol><li><p>KARGARFARD, Mehdi et al. Efficacy of massage on muscle soreness, perceived recovery, physiological restoration and physical performance in male bodybuilders. <em>Journal of Sports Sciences</em>, v. 34, n. 10, p. 959-965, 2016. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/26334128/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/26334128/</a>. Acesso em: 10 ago. 2026.</p></li><li><p>DAVIS, Holly Louisa, ALABED, Samer, CHICO, Timothy James Ainsley. Effect of sports massage on performance and recovery: a systematic review and meta-analysis. <em>BMJ Open Sport &amp; Exercise Medicine</em>, v. 6, e000614, 2020. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://bmjopensem.bmj.com/content/6/1/e000614">https://bmjopensem.bmj.com/content/6/1/e000614</a>. Acesso em: 10 ago. 2026.</p></li><li><p>GUO, Jianmin et al. Massage Alleviates Delayed Onset Muscle Soreness after Strenuous Exercise: A Systematic Review and Meta-Analysis. <em>Frontiers in Physiology</em>, v. 8, 747, 2017. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.frontiersin.org/journals/physiology/articles/10.3389/fphys.2017.00747/full">https://www.frontiersin.org/journals/physiology/articles/10.3389/fphys.2017.00747/full</a>. Acesso em: 10 ago. 2026.</p></li><li><p>CRANE, Justin D. et al. Massage therapy attenuates inflammatory signaling after exercise-induced muscle damage. <em>Science Translational Medicine</em>, v. 4, n. 119, 119ra13, 2012. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/22301554/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/22301554/</a>. Acesso em: 10 ago. 2026.</p></li><li><p>ROBINSON, Nicola, LORENC, Ava, LIAO, Xing. The evidence for Shiatsu: a systematic review of Shiatsu and acupressure. <em>BMC Complementary and Alternative Medicine</em>, v. 11, 88, 2011. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://link.springer.com/article/10.1186/1472-6882-11-88">https://link.springer.com/article/10.1186/1472-6882-11-88</a>. Acesso em: 10 ago. 2026.</p></li><li><p>NATIONAL CENTER FOR COMPLEMENTARY AND INTEGRATIVE HEALTH. Massage Therapy: What You Need To Know. Bethesda, 2024. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.nccih.nih.gov/health/massage-therapy-what-you-need-to-know">https://www.nccih.nih.gov/health/massage-therapy-what-you-need-to-know</a>. Acesso em: 10 ago. 2026.</p></li></ol>]]></description><guid isPermaLink="false">1176</guid><pubDate>Mon, 10 Aug 2026 21:56:00 +0000</pubDate></item><item><title>Minoxidil 5% ou oral? Dose, prazo e riscos que mudam a escolha</title><link>https://fisiculturismo.com.br/mat%C3%A9rias/diversos/minoxidil-5-ou-oral-dose-prazo-e-riscos-que-mudam-a-escolha-r1171/</link><description><![CDATA[
<p><img src="https://cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2026_08/minoxidil-5-fundo-amarelo-capa.webp.91a0733ba3082a0484a06bc42a03cbe4.webp" /></p>
<p>Minoxidil parece simples porque está em prateleiras, anúncios e fórmulas manipuladas. Mas a escolha entre pingar uma solução no couro cabeludo e tomar um comprimido muda completamente a exposição do organismo e o perfil de risco. Em “Tudo o que você precisa saber sobre o minoxidil”, o médico Gustavo Lenci Marques percorre a origem do fármaco, o uso contra queda de cabelo e barba, as concentrações tópicas e os efeitos cardiovasculares da via oral.</p><p>A parte prática pode ser resumida com números claros. Para homens com alopecia androgenética, a formulação tópica de 5% tem evidência com 1 mL diretamente no couro cabeludo, duas vezes ao dia. O efeito costuma exigir meses e depende de continuidade. Já o minoxidil oral em baixa dose é usado fora da bula para alopecia. Um ensaio brasileiro com 5 mg por dia não demonstrou superioridade global sobre o tópico de 5%, embora tenha produzido mais hipertricose e cefaleia.</p><h2>O remédio para pressão que fez os pelos crescerem</h2><p>O minoxidil não nasceu como cosmético. A Upjohn investigava compostos que acabaram levando a um vasodilatador potente para hipertensão grave. Em uma série com 11 pacientes, a pressão arterial média caiu de 188/124 mmHg para 159/108 mmHg com minoxidil isolado e chegou a 134/86 mmHg após a associação de propranolol.</p><p>O preço fisiológico da vasodilatação era previsível: aumento reflexo da frequência cardíaca e retenção de sódio e água. Por isso, a bula do comprimido para hipertensão grave exige supervisão estreita e normalmente associação a betabloqueador e diurético.</p><p>No início da década de 1970, Charles Chidsey observou crescimento excessivo de pelos em pacientes expostos ao minoxidil oral. Guinter Kahn e Paul Grant testaram a aplicação local. A disputa sobre a invenção terminou com Chidsey e Kahn reconhecidos como coinventores na patente de 1986. A formulação tópica chegou à aprovação norte-americana para calvície masculina em 1988.</p><h2>O crescimento capilar não acontece apenas por “levar mais sangue”</h2><p>Minoxidil é vasodilatador, mas reduzir o efeito capilar a maior irrigação do folículo é uma simplificação. No folículo, o fármaco precisa ser convertido em minoxidil sulfato por enzimas sulfotransferases. O metabólito ativo abre canais de potássio sensíveis ao ATP e interfere no ciclo do cabelo, favorecendo a passagem para a fase anágena de crescimento.</p><p>A resposta varia entre pessoas. Atividade enzimática no folículo, estágio da alopecia, duração da perda, adesão e diagnóstico correto ajudam a explicar por que alguns respondem e outros não. Minoxidil não corrige automaticamente queda causada por cicatriz, inflamação, tração, deficiência nutricional, alteração hormonal ou outra doença.</p><h2>Minoxidil tópico 5%: 1 mL duas vezes ao dia</h2><p>No ensaio citado na fonte original, 393 homens de 18 a 49 anos foram distribuídos entre minoxidil tópico de 5%, minoxidil de 2% e placebo durante 48 semanas. As duas soluções foram aplicadas duas vezes ao dia. Ao final, a concentração de 5% produziu 45% mais crescimento de cabelos não velos do que a de 2% e começou a responder mais cedo. Em troca, provocou mais coceira e irritação local.</p><p>As instruções do rótulo norte-americano para solução masculina de 5% são objetivas:</p><ol><li><p>Aplicar 1 mL duas vezes ao dia diretamente no couro cabeludo da área afetada.</p></li><li><p>Usar com o couro cabeludo seco e espalhar a solução na pele, não apenas nos fios.</p></li><li><p>Deixar o produto em contato por cerca de quatro horas antes de lavar.</p></li><li><p>Não dobrar a quantidade após esquecer uma aplicação.</p></li><li><p>Não ultrapassar duas aplicações diárias, porque mais produto não acelera o resultado e pode aumentar efeitos adversos.</p></li></ol><p>Resultados podem aparecer a partir de dois meses, mas algumas pessoas precisam de pelo menos quatro meses. Nas primeiras semanas pode ocorrer aumento transitório da queda, frequentemente chamado de <em>shedding</em>. O rótulo descreve duração de até duas semanas e orienta avaliação se a queda persistir.</p><p>O resultado não é permanente após a retirada. Quem responde e interrompe tende a perder os fios recuperados em três a quatro meses. Isso transforma o minoxidil em tratamento de manutenção, não em cura definitiva da alopecia androgenética.</p><h2>Minoxidil oral de 5 mg não foi superior ao tópico de 5%</h2><p>Um ensaio clínico brasileiro de 2024 comparou duas estratégias por 24 semanas em 90 homens com alopecia androgenética:</p><div class="ipsRichText__table-wrapper"><table style="min-width: 40px;"><colgroup><col style="min-width:20px;"><col style="min-width:20px;"></colgroup><tbody><tr><th colspan="1" rowspan="1"><p>Grupo</p></th><th colspan="1" rowspan="1"><p>Protocolo</p></th></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Oral</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>5 mg de minoxidil uma vez ao dia mais solução placebo</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Tópico</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>1 mL de minoxidil 5% duas vezes ao dia mais cápsula placebo</p></td></tr></tbody></table></div><p>Sessenta e oito participantes concluíram o acompanhamento. Na contagem de densidade de fios terminais e totais, o comprimido não demonstrou superioridade global. Pela avaliação fotográfica, houve melhora no vértex em 70% do grupo oral e 46% do grupo tópico, diferença de 24 pontos percentuais. Na região frontal, a diferença de 12 pontos percentuais não foi estatisticamente significativa.</p><p>Os efeitos adversos separaram melhor as vias:</p><div class="ipsRichText__table-wrapper"><table style="min-width: 60px;"><colgroup><col style="min-width:20px;"><col style="min-width:20px;"><col style="min-width:20px;"></colgroup><tbody><tr><th colspan="1" rowspan="1"><p>Efeito adverso</p></th><th colspan="1" rowspan="1"><p>Oral 5 mg</p></th><th colspan="1" rowspan="1"><p>Tópico 5%</p></th></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Hipertricose</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>49%</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>25%</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Cefaleia</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>14%</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>2%</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Coceira no couro cabeludo</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>2%</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>11%</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Eczema no couro cabeludo</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>2%</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>16%</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Edema em membros inferiores</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>2%</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>0%</p></td></tr></tbody></table></div><p>O comprimido pode ser uma alternativa quando a pessoa não tolera ou não consegue aderir ao tópico, mas não é simplesmente “mais forte”. Para alopecia, o uso oral em baixa dose é fora da bula e expõe todo o organismo ao vasodilatador.</p><h2>O número de 3% para derrame pericárdico exige contexto</h2><p>A bula do minoxidil oral para hipertensão registra derrame pericárdico, às vezes com tamponamento, em aproximadamente 3% dos pacientes tratados que não estavam em diálise. O evento apareceu sobretudo em pessoas com função renal comprometida, insuficiência cardíaca, retenção importante de líquido ou outras doenças graves.</p><p>Esse número vem do uso anti-hipertensivo em pacientes de alto risco e não pode ser transferido como incidência comprovada para 2 a 5 mg usados contra alopecia. Isso não torna a baixa dose isenta de risco. O alerta cardiovascular permanece relevante, mas sua frequência nessa indicação é incerta.</p><p>Em uma coorte retrospectiva de 1.404 pacientes tratados com baixa dose oral por pelo menos três meses, hipertricose ocorreu em 15,1%. Tontura apareceu em 1,7%, retenção de líquido em 1,3%, taquicardia em 0,9%, cefaleia em 0,4% e edema ao redor dos olhos em 0,3%. Não foram observados eventos com risco de morte nessa série, mas o desenho retrospectivo e a ausência de grupo controle limitam a segurança da conclusão.</p><p>Histórico de doença cardíaca ou renal, pressão baixa, edema, uso de anti-hipertensivos e outros fatores de risco precisam entrar na decisão médica. Palpitação persistente, dor no peito, falta de ar, desmaio, ganho rápido de peso ou inchaço exigem avaliação.</p><h2>Minoxidil na barba funciona, mas continua fora da indicação de couro cabeludo</h2><p>Aplicar minoxidil na barba é uso fora da bula. Existe evidência pequena, mas não é correto tratar a prática como se tivesse o mesmo volume de dados da alopecia androgenética do couro cabeludo.</p><p>Um estudo randomizado de 2016 incluiu 48 homens de 20 a 60 anos. Eles usaram 0,5 mL de minoxidil 3% ou placebo duas vezes ao dia por 16 semanas. Quarenta e seis concluíram o estudo. O minoxidil melhorou a avaliação fotográfica e a contagem de pelos, mas não aumentou significativamente o diâmetro dos fios. As reações foram leves e semelhantes às do placebo.</p><p>Isso sustenta a possibilidade de benefício, não uma autorização para aplicar indiscriminadamente solução de 5% no rosto. Irritação, dermatite, crescimento de pelos fora da área desejada e absorção sistêmica continuam possíveis.</p><h2>Solução ou espuma: a tolerância pode decidir a adesão</h2><p>Soluções alcoólicas frequentemente usam propilenoglicol, veículo associado a ardor, descamação e dermatite de contato em parte dos usuários. Formulações em espuma podem ser melhor toleradas porque evitam esse componente em algumas apresentações. O melhor veículo é aquele compatível com a indicação, a pele e uma rotina que a pessoa realmente consegue manter.</p><p>Antes de trocar concentração, via ou frequência, vale confirmar o diagnóstico. Queda em placas, coceira intensa, feridas, cicatriz, perda de sobrancelhas, início súbito ou grande desprendimento de fios pedem investigação dermatológica em vez de automedicação.</p><h2>Conclusão</h2><p>Para homens com alopecia androgenética, o minoxidil tópico de 5% tem um protocolo bem definido: 1 mL diretamente no couro cabeludo, duas vezes ao dia, por meses e com manutenção contínua. Em 48 semanas, entregou 45% mais crescimento do que a solução de 2% no ensaio de 393 homens.</p><p>O minoxidil oral de 5 mg por dia não superou globalmente o tópico de 5% em 24 semanas. Ele evitou a irritação do couro cabeludo, mas aumentou hipertricose e cefaleia e carrega riscos sistêmicos que exigem seleção e acompanhamento médico. Na barba, há sinal de eficácia com 3% e 0,5 mL duas vezes ao dia por 16 semanas, porém o uso permanece fora da bula.</p><h2>FAQ</h2><h3>Minoxidil 5% deve ser usado quantas vezes por dia?</h3><p>Na solução tópica masculina estudada e descrita em rótulo, a orientação é 1 mL diretamente no couro cabeludo duas vezes ao dia. Usar mais não acelera o crescimento.</p><h3>Quanto tempo demora para o minoxidil fazer efeito?</h3><p>Alguns resultados podem aparecer a partir de dois meses. Muitas pessoas precisam de pelo menos quatro meses, e estudos clínicos avaliam respostas em 24 a 48 semanas.</p><h3>O cabelo cai quando o minoxidil é interrompido?</h3><p>O ganho tende a regredir. O rótulo da solução de 5% informa que os novos fios costumam ser perdidos em três a quatro meses após a interrupção.</p><h3>Minoxidil oral de 5 mg funciona melhor que o tópico?</h3><p>Não de forma global. Em um ensaio com 90 homens, 5 mg por dia não foi superior a 1 mL de solução 5% duas vezes ao dia após 24 semanas.</p><h3>Minoxidil pode ser usado na barba?</h3><p>É um uso fora da bula. Um estudo pequeno com 48 homens encontrou benefício com solução de 3%, 0,5 mL duas vezes ao dia por 16 semanas, mas a evidência é bem menor do que para o couro cabeludo.</p><h3>Minoxidil oral pode causar problema no coração?</h3><p>Pode causar retenção de líquido, taquicardia e outros efeitos cardiovasculares. O derrame pericárdico é um alerta conhecido da formulação oral, mas a incidência de 3% da bula anti-hipertensiva não representa uma taxa comprovada nas baixas doses usadas para alopecia.</p><h2>Referências</h2><ol><li><p>MARQUES, Gustavo Lenci. <em>Tudo o que você precisa saber sobre o minoxidil! Médico explica</em>. YouTube, 27 out. 2022. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.youtube.com/watch?v=ddwEJwbOcUw">https://www.youtube.com/watch?v=ddwEJwbOcUw</a>. Acesso em: 10 ago. 2026.</p></li><li><p>OLSEN, Elise A. et al. A randomized clinical trial of 5% topical minoxidil versus 2% topical minoxidil and placebo in the treatment of androgenetic alopecia in men. <em>Journal of the American Academy of Dermatology</em>, v. 47, n. 3, p. 377-385, 2002. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/12196747/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/12196747/</a>. Acesso em: 10 ago. 2026.</p></li><li><p>PENHA, Mariana Alvares et al. Oral minoxidil vs topical minoxidil for male androgenetic alopecia: a randomized clinical trial. <em>JAMA Dermatology</em>, v. 160, n. 6, p. 600-605, 2024. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC11007651/">https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC11007651/</a>. Acesso em: 10 ago. 2026.</p></li><li><p>VAÑÓ-GALVÁN, Sergio et al. Safety of low-dose oral minoxidil for hair loss: a multicenter study of 1404 patients. <em>Journal of the American Academy of Dermatology</em>, v. 84, n. 6, p. 1644-1651, 2021. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33639244/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33639244/</a>. Acesso em: 10 ago. 2026.</p></li><li><p>INGPRASERT, Sittichai et al. Efficacy and safety of minoxidil 3% lotion for beard enhancement: a randomized, double-masked, placebo-controlled study. <em>The Journal of Dermatology</em>, v. 43, n. 8, p. 968-969, 2016. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/26893270/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/26893270/</a>. Acesso em: 10 ago. 2026.</p></li><li><p>U.S. NATIONAL LIBRARY OF MEDICINE. <em>Minoxidil topical solution 5%: drug label information</em>. DailyMed. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=a05bc954-d369-4eb6-8a7d-d68955af874f">https://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/drugInfo.cfm?setid=a05bc954-d369-4eb6-8a7d-d68955af874f</a>. Acesso em: 10 ago. 2026.</p></li><li><p>U.S. FOOD AND DRUG ADMINISTRATION. <em>Loniten: minoxidil tablets, USP</em>. 2015. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.accessdata.fda.gov/drugsatfda_docs/label/2015/018154s026lbl.pdf">https://www.accessdata.fda.gov/drugsatfda_docs/label/2015/018154s026lbl.pdf</a>. Acesso em: 10 ago. 2026.</p></li></ol>]]></description><guid isPermaLink="false">1171</guid><pubDate>Mon, 10 Aug 2026 15:46:00 +0000</pubDate></item><item><title>Canetinha sem exerc&#xED;cio: menos peso, mas sem melhora no f&#xF4;lego</title><link>https://fisiculturismo.com.br/mat%C3%A9rias/diversos/canetinha-sem-exerc%C3%ADcio-menos-peso-mas-sem-melhora-no-f%C3%B4lego-r1168/</link><description><![CDATA[
<p><img src="https://cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2026_08/canetinha-mounjaro-exercicio-sedentarismo-capa-1600.webp.b134e56f78786986691028e6f736d9d8.webp" /></p>
<p>Emagrecer não significa automaticamente ganhar fôlego, mobilidade ou força. Em ‘Canetinhas emagrecedoras: informações valiosas’, Paulo Gentil usa um ensaio dinamarquês para mostrar essa diferença. Depois de uma perda média de 13,1 kg, a liraglutida ajudou a segurar e ampliar a redução do peso, mas a melhora objetiva para subir escadas e pedalar até o limite apareceu nos grupos que fizeram exercício estruturado.</p><p>O resultado mais importante não é uma disputa simplista entre remédio e academia. Liraglutida e exercício fizeram trabalhos diferentes. A medicação favoreceu o controle do peso. O exercício melhorou capacidade cardiorrespiratória e desempenho físico. A combinação entregou a maior queda de peso com melhora funcional. E há uma correção necessária: o estudo não demonstrou que a caneta derrubou a força absoluta.</p><h2>O experimento começou com 800 kcal por dia durante oito semanas</h2><p>O estudo S-LiTE incluiu 193 adultos de 18 a 65 anos, com IMC entre 32 e 43 kg/m², sem diabetes e sem doença crônica grave conhecida. Antes da comparação entre remédio e exercício, todos passaram por oito semanas de dieta de baixa caloria.</p><p>O plano usou quatro substitutos de refeição por dia, somando aproximadamente:</p><ul><li><p>800 kcal por dia</p></li><li><p>15 g de gordura</p></li><li><p>110 g de carboidratos</p></li><li><p>56 g de proteína</p></li></ul><p>Para entrar na fase randomizada, era necessário perder pelo menos 5% do peso inicial. A perda média foi muito maior: 13,1 kg em oito semanas. Essa etapa não usou caneta emagrecedora. Foi uma intervenção alimentar intensa, acompanhada pela equipe do estudo.</p><p>A restrição produziu um número forte na balança, mas também reduziu ligeiramente o VO₂ de pico absoluto e a tolerância ao exercício. Quando o VO₂ foi ajustado ao peso ou à massa livre de gordura, alguns indicadores melhoraram. Portanto, não é correto resumir a primeira fase como ‘toda a função física piorou’. Houve respostas diferentes conforme a variável analisada.</p><h2>Quatro grupos separaram o efeito da liraglutida e do exercício</h2><p>Depois do emagrecimento inicial, os participantes foram distribuídos por 52 semanas em quatro grupos:</p><div class="ipsRichText__table-wrapper"><table style="min-width: 60px;"><colgroup><col style="min-width:20px;"><col style="min-width:20px;"><col style="min-width:20px;"></colgroup><tbody><tr><th colspan="1" rowspan="1"><p>Grupo</p></th><th colspan="1" rowspan="1"><p>Medicação</p></th><th colspan="1" rowspan="1"><p>Atividade</p></th></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Placebo</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Injeção placebo</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Atividade habitual</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Exercício</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Injeção placebo</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Programa estruturado</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Liraglutida</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Liraglutida diária</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Atividade habitual</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Combinação</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Liraglutida diária</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Programa estruturado</p></td></tr></tbody></table></div><p>Todos receberam 12 consultas programadas sobre manutenção do peso, escolhas alimentares de maior ou menor saciedade e mudança de hábitos. Isso importa porque o grupo placebo não ficou completamente abandonado. A comparação foi feita sobre uma base comum de aconselhamento dietético.</p><h2>A dose foi de 0,6 mg até 3,0 mg de liraglutida por dia</h2><p>A medicação estudada foi liraglutida, e não semaglutida ou tirzepatida. A aplicação começou em 0,6 mg uma vez ao dia. A dose subiu 0,6 mg por semana até atingir 3,0 mg diários. Quem não tolerava 3,0 mg permanecia na maior dose tolerada, definida com a equipe médica.</p><p>Entre os participantes avaliados, 85% do grupo liraglutida e 89% do grupo combinado atingiram média diária entre 2,4 e 3,0 mg. A dose descrita serve para identificar o protocolo científico. Não é recomendação para copiar, ajustar ou iniciar tratamento sem prescrição.</p><h2>O treino não foi apenas ‘faça atividade física’</h2><p>O programa começou com seis semanas de adaptação e progressão. Da semana 7 até a 52, a meta era atingir pelo menos 150 minutos semanais de atividade moderada, 75 minutos de atividade vigorosa ou uma combinação equivalente.</p><p>A prescrição encorajava duas sessões supervisionadas e duas sessões individuais por semana. Cada encontro em grupo tinha:</p><ol><li><p>30 minutos de ciclismo indoor intervalado, buscando média de pelo menos 80% da frequência cardíaca máxima</p></li><li><p>15 minutos de circuito, normalmente com três voltas de cinco exercícios</p></li><li><p>40 segundos de trabalho e 20 segundos de intervalo em cada exercício</p></li></ol><p>O circuito combinava elíptico, remo, corrida ou caminhada rápida, giro de braços, step e boxe no saco com agachamentos, avanços, elevação pélvica, abdominais, prancha, flexões, remadas, chest press e kettlebell swing. Nas sessões individuais, as escolhas mais comuns foram bicicleta, corrida, caminhada rápida e circuitos. Relógios esportivos e monitores de frequência cardíaca registraram duração e intensidade.</p><p>Na prática, a adesão ficou abaixo da prescrição nominal de quatro sessões. A mediana foi de 2,65 sessões por semana e 108 minutos semanais de exercício moderado a vigoroso. Desses, 71 minutos foram vigorosos. Essa diferença entre o plano e o que realmente foi executado é essencial para interpretar o resultado.</p><h2>A combinação perdeu mais peso, enquanto o placebo recuperou 5,9 kg</h2><p>Nas 52 semanas posteriores à dieta, as mudanças observadas no peso foram:</p><div class="ipsRichText__table-wrapper"><table style="min-width: 40px;"><colgroup><col style="min-width:20px;"><col style="min-width:20px;"></colgroup><tbody><tr><th colspan="1" rowspan="1"><p>Grupo</p></th><th colspan="1" rowspan="1"><p>Mudança no peso após a randomização</p></th></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Placebo</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>+5,9 kg</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Exercício</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>+1,7 kg</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Liraglutida</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>-1,4 kg</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Liraglutida + exercício</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>-3,7 kg</p></td></tr></tbody></table></div><p>Como todos já haviam perdido 13,1 kg, o sinal positivo não significa que o grupo de exercício voltou ao ponto inicial. Significa que, durante a manutenção, ele recuperou em média 1,7 kg. O placebo recuperou 5,9 kg, enquanto a combinação ainda perdeu mais 3,7 kg.</p><p>No relatório principal do ensaio, a perda total desde antes da dieta até o fim do ano foi de 6,7% no placebo, 10,9% no exercício, 13,4% na liraglutida e 15,7% na combinação. A estratégia combinada também reduziu o percentual de gordura quase duas vezes mais do que cada intervenção isolada.</p><h2>Na escada, exercício venceu com e sem liraglutida</h2><p>O teste funcional exigia subir e descer duas vezes uma escada de 11 degraus, o mais rápido possível. Após 52 semanas, exercício isolado completou a tarefa 1,36 segundo mais rápido do que liraglutida isolada. A combinação foi 1,24 segundo mais rápida do que liraglutida isolada, uma melhora equivalente a 8,6%.</p><p>Liraglutida sem exercício não superou significativamente o placebo. A diferença foi de 0,46 segundo a favor do placebo, com intervalo de confiança entre -0,16 e 1,08 segundo. Como o intervalo inclui zero, não há base para afirmar que a liraglutida piorou a escada. A conclusão sustentada é outra: perder peso com o medicamento não acrescentou melhora funcional mensurável nesse teste.</p><h2>O VO₂ de pico melhorou por causa do exercício</h2><p>A capacidade cardiorrespiratória foi medida em bicicleta ergométrica até a exaustão. Mulheres começaram com estágios de 40 e 80 watts. Homens começaram com 50 e 100 watts. Depois, a carga subiu 20 watts por minuto para mulheres e 25 watts por minuto para homens.</p><p>Em comparação com liraglutida isolada, o VO₂ de pico ajustado à massa livre de gordura foi:</p><ul><li><p>3,8 mL/min/kg maior com exercício isolado</p></li><li><p>3,0 mL/min/kg maior com liraglutida mais exercício</p></li></ul><p>Contra placebo, as diferenças foram de 6,1 mL/min/kg para exercício e 5,3 mL/min/kg para a combinação. A liraglutida isolada não apresentou melhora estatisticamente significativa sobre o placebo. O grupo combinado melhorou 4,2 mL/min/kg dentro do próprio grupo, equivalente a 10,3%.</p><p>A associação com dose de treino foi mensurável. Cada acréscimo de 10 minutos semanais de exercício moderado a vigoroso esteve associado a aumento de 0,33 mL/min/kg no VO₂ de pico e redução de 0,057 segundo no teste da escada. É uma associação dentro do estudo, não uma garantia linear para qualquer pessoa.</p><h2>A caneta não derrubou a força absoluta</h2><p>A força foi testada no extensor de joelho com cinco contrações isométricas máximas de cinco segundos, separadas por 60 segundos de descanso. O melhor pico de torque foi usado na análise.</p><p>Não houve mudança significativa na força absoluta em nenhum dos quatro grupos, e nenhuma comparação entre grupos foi estatisticamente significativa. Por isso, a interpretação de que a liraglutida prejudicou a função neuromuscular ou fez o grupo combinado perder força vai além do que os dados demonstram.</p><p>A força relativa ao peso corporal contou uma história mais favorável. Contra queda de 7,8% no placebo, os resultados foram:</p><ul><li><p>-0,4% com exercício</p></li><li><p>+1,0% com liraglutida</p></li><li><p>+3,3% com liraglutida e exercício</p></li></ul><p>Os grupos ativos pesavam menos e preservaram a força absoluta. A relação entre força e peso, portanto, melhorou em comparação com o placebo. O circuito do estudo também não foi desenhado para maximizar hipertrofia ou 1RM. Não havia progressão baseada em zonas de repetição máxima, e o teste foi isométrico. Esses detalhes impedem transformar o resultado em previsão direta sobre carga no supino ou no leg press.</p><h2>O estudo não testou Mounjaro</h2><p>Mounjaro contém tirzepatida, um agonista dos receptores de GIP e GLP-1 aplicado uma vez por semana. O ensaio dinamarquês usou liraglutida, agonista de GLP-1 aplicado diariamente. As duas medicações reduzem ingestão e peso, mas não têm a mesma molécula, potência, dose ou esquema. Os resultados de escada, VO₂ e força não podem ser atribuídos automaticamente à tirzepatida.</p><p>Uma subanálise do SURMOUNT-1 avaliou 160 participantes por DXA durante 72 semanas. Com tirzepatida, o peso caiu 21,3%, a massa de gordura 33,9% e a massa magra 10,9%. Aproximadamente 75% do peso perdido veio de gordura e 25% de massa magra, proporção semelhante à observada no placebo. Essa análise mediu composição corporal, não reproduziu o programa estruturado nem os testes objetivos do S-LiTE.</p><p>Também existe diferença entre massa magra e músculo contrátil. O DXA inclui água, órgãos e outros tecidos livres de gordura. A redução de massa magra não prova, sozinha, perda proporcional de força ou incapacidade física. Para responder isso, são necessários testes de desempenho e força como os usados no estudo com liraglutida.</p><h2>O protocolo prático que pode ser extraído sem copiar a medicação</h2><p>O ensaio não entrega uma receita universal de treino, mas oferece uma estrutura concreta para discutir com médico, nutricionista e profissional de educação física:</p><ol><li><p>Não avaliar o tratamento apenas pelo peso. Acompanhar também desempenho em tarefas diárias, capacidade cardiorrespiratória e força.</p></li><li><p>Usar uma fase inicial de adaptação. No estudo, ela durou seis semanas.</p></li><li><p>Combinar sessões supervisionadas e autônomas, com monitoramento de duração e intensidade.</p></li><li><p>Buscar progressivamente pelo menos 150 minutos moderados, 75 vigorosos ou combinação equivalente, ajustados à condição clínica.</p></li><li><p>Incluir treino resistido progressivo. O circuito leve do ensaio preservou força, mas não foi construído para maximizar hipertrofia.</p></li><li><p>Manter acompanhamento alimentar. Todos os grupos tiveram 12 consultas durante o ano.</p></li></ol><p>Pessoas com obesidade podem precisar de adaptação de máquinas, amplitude, impacto, posição corporal e volume. Náusea, vômitos, desidratação, ingestão muito baixa, hipoglicemia em combinações medicamentosas, dor no peito, tontura ou queda anormal de desempenho exigem avaliação, não insistência cega no treino.</p><h2>Conclusão</h2><p>A liraglutida ajudou a manter e ampliar a perda de peso, mas não melhorou sozinha o teste de escada nem o condicionamento cardiorrespiratório. O exercício fez isso com e sem a medicação. A combinação produziu a maior redução de peso e preservou a força absoluta enquanto melhorava a função física.</p><p>O estudo também impede dois exageros opostos. Canetinha não substitui treinamento, porque emagrecer não cria automaticamente condicionamento. Mas os dados também não autorizam dizer que a liraglutida derrubou força ou bloqueou a resposta ao exercício. O resultado mais honesto é concreto: 108 minutos semanais de exercício moderado a vigoroso, em mediana, foram suficientes para melhorar escada e VO₂ durante a manutenção do emagrecimento.</p><h2>FAQ</h2><h3>Qual canetinha foi usada no estudo?</h3><p>Liraglutida diária, iniciada em 0,6 mg e aumentada semanalmente em 0,6 mg até 3,0 mg ou a maior dose tolerada. O estudo não usou Mounjaro.</p><h3>Quem usou liraglutida sem exercício perdeu peso?</h3><p>Sim. Depois da perda inicial de 13,1 kg, o grupo perdeu mais 1,4 kg em 52 semanas. O grupo combinado perdeu mais 3,7 kg, enquanto o placebo recuperou 5,9 kg.</p><h3>A canetinha melhorou o condicionamento físico?</h3><p>Liraglutida isolada não melhorou significativamente o teste de escada nem o VO₂ de pico sobre o placebo. Os ganhos apareceram com exercício isolado e com exercício combinado à medicação.</p><h3>A liraglutida fez os participantes perderem força?</h3><p>Não foi isso que a análise estatística mostrou. A força absoluta não mudou significativamente em nenhum grupo. A força relativa ao peso ficou melhor nos três tratamentos ativos do que no placebo.</p><h3>Quanto exercício os participantes realmente fizeram?</h3><p>A mediana foi de 2,65 sessões e 108 minutos semanais de intensidade moderada a vigorosa. Desses, 71 minutos foram vigorosos. O plano nominal recomendava duas sessões supervisionadas e duas individuais.</p><h3>Os resultados valem para Mounjaro?</h3><p>Não diretamente. Mounjaro contém tirzepatida semanal, enquanto o estudo testou liraglutida diária. A conclusão geral de que exercício melhora aptidão é plausível, mas os efeitos numéricos não podem ser transferidos de uma molécula para outra.</p><h2>Referências</h2><ol><li><p>GENTIL, Paulo. <em>Canetinhas emagrecedoras: informações valiosas</em>. YouTube, 9 ago. 2026. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.youtube.com/watch?v=OwYnVwqr0oc">https://www.youtube.com/watch?v=OwYnVwqr0oc</a>. Acesso em: 9 ago. 2026.</p></li><li><p>JENSEN, Simon Birk Kjær et al. Physical Fitness with Exercise and GLP-1 Receptor Agonist Treatment Alone or Combined After Diet-Induced Weight Loss: A Secondary Analysis of a Randomized Controlled Trial in Adults with Obesity. <em>Sports Medicine</em>, 2026. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://doi.org/10.1007/s40279-025-02386-0">https://doi.org/10.1007/s40279-025-02386-0</a>. Acesso em: 9 ago. 2026.</p></li><li><p>LUNDGREN, Julie R. et al. Healthy Weight Loss Maintenance with Exercise, Liraglutide, or Both Combined. <em>The New England Journal of Medicine</em>, v. 384, p. 1719-1730, 2021. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://doi.org/10.1056/NEJMoa2028198">https://doi.org/10.1056/NEJMoa2028198</a>. Acesso em: 9 ago. 2026.</p></li><li><p>LOOK, Michelle et al. Body composition changes during weight reduction with tirzepatide in the SURMOUNT-1 study of adults with obesity or overweight. <em>Diabetes, Obesity and Metabolism</em>, v. 27, n. 5, p. 2720-2729, 2025. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/39996356/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/39996356/</a>. Acesso em: 9 ago. 2026.</p></li><li><p>WORLD HEALTH ORGANIZATION. <em>WHO guidelines on physical activity and sedentary behaviour: at a glance</em>. 2020. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.who.int/publications/i/item/9789240014886">https://www.who.int/publications/i/item/9789240014886</a>. Acesso em: 9 ago. 2026.</p></li></ol>]]></description><guid isPermaLink="false">1168</guid><pubDate>Sun, 09 Aug 2026 20:29:00 +0000</pubDate></item><item><title>Gordura visceral: cintura acima de metade da altura acende o alerta</title><link>https://fisiculturismo.com.br/mat%C3%A9rias/diversos/gordura-visceral-cintura-acima-de-metade-da-altura-acende-o-alerta-r1158/</link><description><![CDATA[
<p><img src="https://cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2026_08/gordura-visceral-cintura-metade-altura-capa.webp.83656ac177d920d80cbca43aca29d96b.webp" /></p>
<p>Duas pessoas podem ter a mesma medida de cintura e quantidades muito diferentes de gordura ao redor do fígado, do pâncreas e do intestino. Essa é a provocação central de “Gordura visceral: o que é, como medir em casa e como perder de verdade!”, conteúdo publicado pelo endocrinologista Carlos Eduardo Seraphim. A balança e o espelho não mostram onde a gordura está armazenada, mas uma fita métrica já permite identificar quando a adiposidade central merece atenção.</p><p>O teste mais útil para fazer em casa é a relação cintura-altura. Meça a cintura em centímetros, divida pela altura também em centímetros e observe o resultado. Abaixo de 0,5 fica a faixa de menor risco. Entre 0,5 e 0,59 há adiposidade central aumentada. A partir de 0,6, o risco é ainda maior. O número não diagnostica gordura visceral nem substitui exames, mas é muito mais informativo do que olhar apenas o peso.</p><h2>O teste de 30 segundos com uma fita métrica</h2><p>A medida deve ser feita em pé, com a barriga relaxada e sem prender a respiração. Posicione a fita horizontalmente no ponto médio entre a última costela e a parte superior do osso do quadril. A fita deve encostar na pele sem comprimi-la.</p><ol><li><p>Meça a cintura em centímetros.</p></li><li><p>Meça ou confirme a altura em centímetros.</p></li><li><p>Divida cintura por altura.</p></li><li><p>Registre o valor e repita a medida sempre no mesmo ponto e em condições parecidas.</p></li></ol><div class="ipsRichText__table-wrapper"><table style="min-width: 80px;"><colgroup><col style="min-width:20px;"><col style="min-width:20px;"><col style="min-width:20px;"><col style="min-width:20px;"></colgroup><tbody><tr><th colspan="1" rowspan="1"><p>Exemplo</p></th><th colspan="1" rowspan="1"><p>Cálculo</p></th><th colspan="1" rowspan="1"><p>Resultado</p></th><th colspan="1" rowspan="1"><p>Leitura</p></th></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Cintura de 78 cm e altura de 170 cm</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>78 ÷ 170</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>0,46</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Abaixo de 0,5</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Cintura de 90 cm e altura de 180 cm</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>90 ÷ 180</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>0,50</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Adiposidade central aumentada</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Cintura de 105 cm e altura de 175 cm</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>105 ÷ 175</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>0,60</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Adiposidade central elevada</p></td></tr></tbody></table></div><p>O National Institute for Health and Care Excellence classifica de 0,5 a 0,59 como adiposidade central aumentada e 0,6 ou mais como alta. A mensagem simples é manter a cintura abaixo da metade da altura. Para alguém com 1,70 m, isso significa menos de 85 cm. Para alguém com 1,80 m, menos de 90 cm.</p><h2>Os cortes de 102 e 88 cm ainda servem, mas têm limites</h2><p>Os limites clássicos de cintura usados para risco metabólico são 102 cm para homens e 88 cm para mulheres. Eles continuam úteis como referência, mas ignoram a altura e foram desenvolvidos principalmente a partir de populações de origem europeia. Usar o mesmo teto para uma pessoa de 1,55 m e outra de 1,90 m reduz a precisão da triagem.</p><p>A relação cintura-altura corrige parte desse problema. Ela usa a mesma lógica para homens e mulheres e funciona melhor como alerta inicial entre pessoas de estaturas diferentes. Ainda assim, etnia, idade, menopausa, massa muscular e distribuição individual de gordura precisam entrar na avaliação clínica.</p><h2>A fita não mede gordura visceral diretamente</h2><p>Cintura aumentada sugere maior adiposidade abdominal, mas não revela quanto desse tecido está debaixo da pele e quanto está dentro da cavidade abdominal. A tomografia computadorizada e a ressonância magnética conseguem separar e quantificar melhor esses compartimentos. A bioimpedância doméstica apenas estima a gordura visceral por equações e pode variar com hidratação, alimentação e aparelho.</p><div class="ipsRichText__table-wrapper"><table style="min-width: 60px;"><colgroup><col style="min-width:20px;"><col style="min-width:20px;"><col style="min-width:20px;"></colgroup><tbody><tr><th colspan="1" rowspan="1"><p>Método</p></th><th colspan="1" rowspan="1"><p>O que entrega</p></th><th colspan="1" rowspan="1"><p>Principal limite</p></th></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Relação cintura-altura</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Triagem barata e repetível de adiposidade central</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Não separa gordura visceral de subcutânea</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Bioimpedância</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Estimativa indireta de composição corporal</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Depende do equipamento e das condições da medição</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Tomografia ou ressonância</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Imagem e quantificação dos depósitos internos</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Custo, acesso e falta de indicação para acompanhamento rotineiro</p></td></tr></tbody></table></div><p>Por isso, a fita é excelente para acompanhar tendência. Uma cintura que cai ao longo das semanas costuma indicar melhora da gordura abdominal. Ela não autoriza afirmar quantos quilos de gordura visceral foram perdidos.</p><h2>Por que a gordura ao redor dos órgãos preocupa mais</h2><p>A gordura subcutânea fica logo abaixo da pele. A visceral ocupa o interior do abdômen e se distribui entre os órgãos. Esse tecido é metabolicamente ativo e libera ácidos graxos e mediadores inflamatórios. Parte dessa drenagem chega diretamente ao fígado pela circulação portal.</p><p>Quando o armazenamento seguro no tecido subcutâneo chega ao limite individual, o excesso de energia tende a se acumular em locais inadequados, como fígado, pâncreas, músculo e vísceras. Diacilgliceróis e ceramidas podem atrapalhar etapas da sinalização da insulina dentro da célula. A explicação, portanto, não se resume a “picos de glicose escondendo receptores”.</p><p>Esse mecanismo ajuda a entender o chamado falso magro. Uma pessoa com IMC normal pode ultrapassar seu limite pessoal de armazenamento e acumular gordura ectópica. Ao mesmo tempo, duas pessoas com obesidade e o mesmo peso podem ter distribuições internas e perfis metabólicos diferentes.</p><h2>Homens, menopausa, genética e sono mudam a distribuição</h2><p>Homens tendem a acumular mais gordura abdominal do que mulheres antes da menopausa. Com a queda do estrogênio, parte da gordura feminina migra do padrão glúteo-femoral para o abdômen. Pessoas sul-asiáticas também podem desenvolver risco metabólico com cintura e IMC menores do que os observados em populações europeias.</p><p>Genética não é destino, mas altera o tamanho do “cofre” subcutâneo de cada pessoa. Sedentarismo, excesso energético, ultraprocessados, álcool, estresse crônico e sono insuficiente aumentam a pressão sobre esse sistema.</p><p>Em um ensaio cruzado com 12 adultos saudáveis, duas semanas com oportunidade de apenas 4 horas de sono elevaram a ingestão em 308 kcal por dia e aumentaram a gordura visceral em aproximadamente 11% quando comparadas à condição com 9 horas disponíveis para dormir. O estudo é pequeno, mas mostra que sono ruim pode alterar onde o corpo acumula energia, e não apenas o cansaço do dia seguinte.</p><h2>Abdominal, detox e picos hormonais não escolhem de onde a gordura sai</h2><p>Treinar o abdômen fortalece a musculatura, mas não obriga o corpo a retirar gordura da região treinada. Vinagre de maçã, farinha de banana verde e chás detox também não produzem uma remoção seletiva da gordura visceral. O corpo mobiliza gordura de acordo com o balanço energético, a resposta ao exercício e a genética de distribuição.</p><p>Também não há base para atribuir a perda de gordura visceral aos picos agudos de testosterona, GH ou insulina após a musculação. Em uma coorte de 56 homens treinando por 12 semanas, elevações agudas de GH, testosterona livre e IGF-1 não se correlacionaram com ganho de massa magra ou força no leg press. A musculação funciona por adaptações do treinamento, não por uma breve “onda hormonal” que derrete um depósito específico.</p><h2>O que reduz gordura visceral de verdade</h2><p>A prioridade é criar perda sustentada de gordura corporal. A gordura visceral costuma responder mais rapidamente do que alguns depósitos subcutâneos, mas a proporção varia entre pessoas. A estimativa citada de que 10% de perda do peso pode retirar cerca de 20% a 30% da gordura visceral é plausível como média de estudos, não como promessa individual.</p><div class="ipsRichText__table-wrapper"><table style="min-width: 60px;"><colgroup><col style="min-width:20px;"><col style="min-width:20px;"><col style="min-width:20px;"></colgroup><tbody><tr><th colspan="1" rowspan="1"><p>Alvo prático</p></th><th colspan="1" rowspan="1"><p>Referência concreta</p></th><th colspan="1" rowspan="1"><p>Por que entra no plano</p></th></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Primeira meta de peso</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Reduzir de 5% a 10% do peso inicial</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Faixa associada a melhora metabólica relevante</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Atividade aeróbia</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>150 a 300 minutos moderados por semana, ou 75 a 150 vigorosos</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Reduz gordura visceral e melhora capacidade cardiorrespiratória</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Treino de força</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Pelo menos 2 dias por semana</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Ajuda a preservar massa muscular durante o déficit energético</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Proteína</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Em geral, 1,2 a 1,6 g por kg de peso por dia para adultos em dieta com mais proteína</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Aumenta saciedade e favorece preservação de massa magra</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Acompanhamento</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Peso médio semanal e cintura uma vez por semana</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Mostra tendência sem reagir a oscilações de um único dia</p></td></tr></tbody></table></div><p>Para uma pessoa de 100 kg, a primeira faixa concreta seria perder de 5 a 10 kg. Se ela escolher uma ingestão proteica de 1,2 a 1,6 g por kg, isso corresponderia nominalmente a 120 a 160 g por dia. O cálculo é uma referência geral. Doença renal, gestação, idade avançada, uso de medicamentos e outras condições exigem ajuste profissional.</p><p>Uma forma simples de distribuir 150 minutos de atividade moderada é fazer cinco sessões de 30 minutos. Outra é combinar três sessões de 50 minutos. A musculação entra em dois ou mais dias, trabalhando os grandes grupos musculares. Meta-análise de 34 estudos, com 2.285 participantes, confirmou que o treino resistido reduz gordura visceral. Outra revisão com 61 ensaios e 4.136 participantes encontrou benefício com HIIT, aeróbio, musculação e a combinação entre aeróbio e força. O melhor plano é aquele que reúne gasto energético, preservação muscular e adesão.</p><h2>Um painel semanal que mostra se a estratégia está funcionando</h2><p>Em vez de procurar um chá ou exercício especial, acompanhe cinco indicadores:</p><ol><li><p>peso corporal em vários dias e média da semana</p></li><li><p>cintura uma vez por semana no mesmo ponto anatômico</p></li><li><p>relação cintura-altura recalculada a cada redução relevante</p></li><li><p>minutos de atividade aeróbia acumulados na semana</p></li><li><p>número de sessões de força concluídas</p></li></ol><p>Considere uma pessoa com 1,75 m, 100 kg e cintura de 105 cm. A relação inicial é 0,60. Depois de algum tempo, se a cintura cair para 96 cm, a relação passa a 0,55. Ainda há adiposidade central aumentada, mas houve uma mudança objetiva. A meta de ficar abaixo de 0,5 exigiria cintura inferior a 87,5 cm. Não existe obrigação de alcançar esse número em prazo curto, e a velocidade adequada depende do estado clínico.</p><h2>Perder gordura do fígado e do pâncreas pode mudar o diabetes</h2><p>O Diabetes Remission Clinical Trial mostrou que perda substancial de peso pode colocar diabetes tipo 2 recente em remissão em parte dos pacientes. Em uma análise metabólica, 46% dos participantes da intervenção recuperaram controle glicêmico sem diabetes aos 12 meses. A gordura do fígado caiu de 16,0% para 3,1% após o emagrecimento.</p><p>A remissão não é cura garantida e depende, entre outros fatores, da capacidade de recuperação das células beta e do tempo de doença. O resultado reforça o ponto central: reduzir gordura dentro dos órgãos tem efeitos que vão muito além da estética da cintura.</p><h2>Conclusão</h2><p>A gordura visceral não pode ser vista no espelho nem medida diretamente por uma balança doméstica. Ainda assim, qualquer pessoa pode fazer uma triagem útil: cintura dividida pela altura. Resultado abaixo de 0,5 é a referência desejável. De 0,5 a 0,59 indica adiposidade central aumentada. A partir de 0,6, o alerta é maior.</p><p>O caminho para reduzir esse depósito não passa por abdominal localizado, detox ou manipulação de picos hormonais. Passa por perda sustentada de gordura, 150 a 300 minutos semanais de atividade aeróbia moderada, musculação em pelo menos dois dias, proteína suficiente, sono protegido e redução de álcool e ultraprocessados. A fita métrica mostra a direção. Exames e avaliação profissional esclarecem o risco individual.</p><h2>FAQ</h2><h3>Como saber se minha cintura está alta para minha altura?</h3><p>Divida a cintura em centímetros pela altura em centímetros. Resultado de 0,5 a 0,59 indica adiposidade central aumentada. Resultado de 0,6 ou mais indica adiposidade central alta.</p><h3>Cintura acima de metade da altura prova que tenho gordura visceral?</h3><p>Não. A medida é uma triagem de gordura central e risco cardiometabólico. Tomografia e ressonância conseguem separar melhor gordura visceral e subcutânea.</p><h3>A bioimpedância mede gordura visceral com precisão?</h3><p>Ela estima por equações. O valor pode variar com aparelho, hidratação, alimentação e horário. É mais útil para acompanhar tendência sob condições padronizadas do que como medida exata.</p><h3>Musculação ou aeróbio reduz mais gordura visceral?</h3><p>Ambos ajudam. O aeróbio tem evidência consistente para reduzir gordura visceral, enquanto a musculação também reduz esse depósito e ajuda a preservar massa magra. A combinação atende objetivos diferentes e costuma ser mais completa.</p><h3>Perder 10% do peso elimina 30% da gordura visceral?</h3><p>Esse intervalo aparece como estimativa média em estudos e materiais de referência. Não é uma conversão fixa. Sexo, genética, depósito inicial, método de imagem, dieta e exercício alteram a proporção perdida.</p><h2>Referências</h2><ol><li><p>SERAPHIM, Carlos Eduardo. Gordura VISCERAL: o que é, como medir em casa e como perder de verdade! YouTube, 2 ago. 2026. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.youtube.com/watch?v=Wu26rRlNHLQ">https://www.youtube.com/watch?v=Wu26rRlNHLQ</a>. Acesso em: 8 ago. 2026.</p></li><li><p>NATIONAL INSTITUTE FOR HEALTH AND CARE EXCELLENCE. Identifying and assessing overweight, obesity and central adiposity. 2026. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.nice.org.uk/guidance/ng246/chapter/Identifying-and-assessing-overweight-obesity-and-central-adiposity">https://www.nice.org.uk/guidance/ng246/chapter/Identifying-and-assessing-overweight-obesity-and-central-adiposity</a>. Acesso em: 8 ago. 2026.</p></li><li><p>ROSS, Robert et al. Waist circumference as a vital sign in clinical practice: a Consensus Statement from the IAS and ICCR Working Group on Visceral Obesity. <em>Nature Reviews Endocrinology</em>, 2020. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32020062/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32020062/</a>. Acesso em: 8 ago. 2026.</p></li><li><p>TCHERNOF, André; DESPRÉS, Jean-Pierre. Pathophysiology of human visceral obesity: an update. <em>Physiological Reviews</em>, 2013. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/23303913/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/23303913/</a>. Acesso em: 8 ago. 2026.</p></li><li><p>CHANG, Yuanbo et al. Unveiling the perfect workout: exercise modalities and dosages to combat visceral adipose tissue in individuals with overweight and obesity. <em>Nutrition &amp; Metabolism</em>, 2026. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/42098808/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/42098808/</a>. Acesso em: 8 ago. 2026.</p></li><li><p>KHALAFI, Mousa et al. Effect of resistance training with and without caloric restriction on visceral fat: a systematic review and meta-analysis. <em>Obesity Reviews</em>, 2021. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33998135/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33998135/</a>. Acesso em: 8 ago. 2026.</p></li><li><p>WORLD HEALTH ORGANIZATION. WHO guidelines on physical activity and sedentary behaviour: at a glance. 2021. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.who.int/publications/i/item/9789240014886">https://www.who.int/publications/i/item/9789240014886</a>. Acesso em: 8 ago. 2026.</p></li><li><p>LEIDY, Heather J. et al. The role of protein in weight loss and maintenance. <em>The American Journal of Clinical Nutrition</em>, 2015. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/25926512/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/25926512/</a>. Acesso em: 8 ago. 2026.</p></li><li><p>COVASSIN, Naima et al. Effects of experimental sleep restriction on energy intake, energy expenditure, and visceral obesity. <em>Journal of the American College of Cardiology</em>, 2022. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/35361348/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/35361348/</a>. Acesso em: 8 ago. 2026.</p></li><li><p>WEST, Daniel W. D. et al. Associations of exercise-induced hormone profiles and gains in strength and hypertrophy in a large cohort after weight training. <em>European Journal of Applied Physiology</em>, 2012. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/22105707/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/22105707/</a>. Acesso em: 8 ago. 2026.</p></li><li><p>TAYLOR, Roy et al. Remission of human type 2 diabetes requires decrease in liver and pancreas fat content but is dependent upon capacity for beta cell recovery. <em>Cell Metabolism</em>, 2018. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30078554/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30078554/</a>. Acesso em: 8 ago. 2026.</p></li></ol>]]></description><guid isPermaLink="false">1158</guid><pubDate>Sat, 08 Aug 2026 19:26:00 +0000</pubDate></item><item><title>M&#xFA;sculo melhora a ere&#xE7;&#xE3;o? O efeito de 150 minutos de exerc&#xED;cio</title><link>https://fisiculturismo.com.br/mat%C3%A9rias/diversos/m%C3%BAsculo-melhora-a-ere%C3%A7%C3%A3o-o-efeito-de-150-minutos-de-exerc%C3%ADcio-r1155/</link><description><![CDATA[
<p><img src="https://cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2026_08/musculo-erecao-dr-tobias-kohler-personal-capa.webp.055ef2db1beb8f67bc4751bbc288b9d2.webp" /></p>
<p>A ereção pode piorar antes de outros sinais de doença ficarem óbvios. Isso acontece porque ela depende, ao mesmo tempo, de circulação, integridade nervosa, equilíbrio hormonal e saúde mental. Em “Why Every Man Should Prioritize Muscle Mass”, a médica Gabrielle Lyon e o urologista Tobias Köhler usam essa sensibilidade para defender uma ideia prática: preservar força, massa muscular e condicionamento também protege a saúde sexual masculina.</p>
<p>Os números são mais úteis do que a promessa genérica. Entre 150 e 300 minutos semanais de atividade aeróbica moderada equivalente foram associados a 34% menos chance de disfunção erétil. Homens que diziam não ter perdido força muscular apresentaram 66% menos chance de relatar dois ou mais problemas sexuais. Em idosos, sarcopenia apareceu ligada a risco 2,71 vezes maior de disfunção erétil moderada ou grave.</p>

<h2>150 a 300 minutos por semana: o que o estudo realmente encontrou</h2>
<p>A análise mais próxima da dose apresentada usou dados de 3.250 homens do levantamento norte-americano NHANES de 2001 a 2004. A atividade física foi convertida em minutos semanais de intensidade moderada equivalente. O grupo que cumpria de 150 a 300 minutos por semana teve <strong>34% menos chance de disfunção erétil</strong> que os homens abaixo da recomendação, após ajustes para idade, tabagismo, índice de massa corporal, hipertensão, diabetes, doença cardiovascular e outros fatores.</p>
<table>
  <thead>
    <tr>
      <th>Volume semanal</th>
      <th>Resultado observado</th>
      <th>Como interpretar</th>
    </tr>
  </thead>
  <tbody>
    <tr>
      <td>Abaixo de 150 minutos</td>
      <td>Grupo de referência</td>
      <td>Menor volume de atividade</td>
    </tr>
    <tr>
      <td>150 a 300 minutos</td>
      <td>OR 0,66, IC 95% de 0,48 a 0,90</td>
      <td>34% menos chance de disfunção erétil</td>
    </tr>
    <tr>
      <td>Cada 50 minutos adicionais</td>
      <td>OR 0,97 para disfunção moderada</td>
      <td>3% menos chance na análise ajustada</td>
    </tr>
    <tr>
      <td>Mais de 300 minutos</td>
      <td>Benefício adicional na associação</td>
      <td>Não significa ereção perfeita nem ganho linear infinito</td>
    </tr>
  </tbody>
</table>
<p>O estudo foi transversal. Ele mostra associação, não prova que dobrar o treino reduz exatamente pela metade o risco de cada indivíduo. Homens mais ativos também podem dormir melhor, fumar menos, controlar o peso e procurar atendimento com maior frequência. Por isso, a afirmação de que 150 minutos melhorariam a ereção em 20% e 300 minutos em 40% é uma simplificação. O resultado publicado mais sólido é a razão de chances de 0,66 para quem cumpria de 150 a 300 minutos.</p>

<h2>Perder 10% do peso ajudou um terço dos homens obesos</h2>
<p>Um ensaio clínico randomizado acompanhou 110 homens obesos de 35 a 55 anos com disfunção erétil durante dois anos. O grupo de intervenção recebeu orientação para perder pelo menos 10% do peso por meio de redução calórica e mais atividade física. O grupo de controle recebeu informações gerais sobre alimentação e exercício.</p>
<p>Na intervenção, o tempo semanal de atividade subiu de 48 para 195 minutos. O índice de função erétil IIEF aumentou de 13,9 para 17 pontos. No controle, ficou praticamente parado, de 13,5 para 13,6. Ao final, 17 dos 55 homens da intervenção atingiram IIEF de pelo menos 22, contra 3 dos 55 no controle. Em termos práticos, mudanças de estilo de vida recuperaram a função sexual em aproximadamente um terço dos participantes, não em todos.</p>
<p>Esse ensaio não comparou diretamente emagrecimento com Cialis ou Viagra. Dizer que perder 10% do peso é “tão poderoso quanto uma pílula” transforma dois tipos de evidência em uma equivalência que não foi testada naquele estudo. A conclusão correta é que perda de peso e atividade física podem melhorar significativamente a ereção em homens obesos e devem integrar o tratamento, sem substituir avaliação médica quando o problema persiste.</p>

<h2>Força preservada: 66% menos chance de múltiplos sintomas sexuais</h2>
<p>O estudo RHINE reuniu 2.116 homens de 48 a 75 anos em quatro países nórdicos e bálticos. Os participantes informaram se percebiam perda de força e responderam sobre redução de ereções matinais, desempenho sexual e libido. Depois dos ajustes, homens que não relatavam perda de força tiveram:</p>
<ul>
  <li><strong>62% menos chance</strong> de queda moderada ou grave das ereções matinais, com OR 0,38.</li>
  <li><strong>63% menos chance</strong> de piora do desempenho sexual, com OR 0,37.</li>
  <li><strong>63% menos chance</strong> de queda de libido, com OR 0,37.</li>
  <li><strong>66% menos chance</strong> de apresentar dois ou mais desses sintomas, com OR 0,34.</li>
</ul>
<p>Força e função sexual foram autorrelatadas. O trabalho não mediu dinamometria, massa muscular por DXA nem fluxo peniano. A associação pode refletir um conjunto maior de comportamentos saudáveis. Mesmo assim, permaneceu após ajustes para idade, índice de massa corporal, tabagismo, diabetes, hipertensão, exercício e centro de pesquisa.</p>
<p>Isso também esclarece por que musculação e atividade aeróbica não competem. O treino de força preserva capacidade física e tecido muscular. O aeróbico trabalha condicionamento e função vascular. Para a saúde sexual, os dois componentes são complementares.</p>

<h2>Sarcopenia elevou em 2,71 vezes o risco de disfunção moderada ou grave</h2>
<p>Em uma amostra clínica de 193 homens com 60 anos ou mais, 24,9% tinham sarcopenia e 49,2% apresentavam disfunção erétil moderada ou grave. O problema sexual apareceu em 70,8% dos homens com sarcopenia, contra 42,1% entre os demais.</p>
<p>Depois do ajuste para idade e índice de comorbidades, a sarcopenia permaneceu associada a risco 2,71 vezes maior, com intervalo de confiança de 1,29 a 5,73. Força e massa muscular também apareceram separadamente ligadas a menor risco, enquanto velocidade de marcha não manteve associação.</p>
<p>O estudo não demonstra que aumentar bíceps cure disfunção erétil. Sarcopenia, diabetes, doença vascular, sedentarismo e envelhecimento compartilham mecanismos e podem avançar juntos. O valor clínico está em não tratar perda de força como detalhe estético em um homem mais velho com piora sexual.</p>

<h2>Testosterona abaixo de 300 ng/dL exige confirmação, não aplicação imediata</h2>
<p>Testosterona é necessária para libido, sinalização do óxido nítrico e resposta adequada aos inibidores de PDE5, classe de sildenafil e tadalafil. Isso não significa que elevar uma testosterona já normal melhore automaticamente a ereção. Quando a causa predominante é vascular, acrescentar hormônio sem deficiência documentada costuma atacar o alvo errado.</p>
<p>A American Urological Association adota testosterona total abaixo de <strong>300 ng/dL</strong> como ponto de corte razoável, mas exige duas medições em manhãs diferentes e presença de sinais ou sintomas. Uma coleta baixa durante doença aguda, privação importante de sono ou uso de certos medicamentos não fecha diagnóstico sozinha.</p>
<p>A fala também cita testosterona livre abaixo de 5, mas não informa unidade, método laboratorial nem faixa de referência. Esse número não deve virar um corte universal. Testosterona livre varia conforme ensaio, SHBG e cálculo utilizado. Em disfunção erétil, a diretriz recomenda medir testosterona total matinal e interpretar o resultado dentro do quadro clínico.</p>

<h2>Ereção é um marcador vascular, mas não um exame cardiológico</h2>
<p>Artérias penianas têm calibre pequeno. Alterações endoteliais e redução de fluxo podem prejudicar a ereção antes de sintomas cardiovasculares mais evidentes. Hipertensão, diabetes, obesidade, tabagismo e aterosclerose aparecem repetidamente associados à disfunção erétil.</p>
<p>Saúde mental também entra na equação. Ansiedade, depressão, estresse, conflito de relacionamento e medo de falhar podem comprometer desejo e resposta erétil mesmo em alguém fisicamente treinado. Função sexual ruim não prova doença cardíaca, assim como uma ereção satisfatória não substitui pressão arterial, glicemia, perfil lipídico e avaliação de risco.</p>
<p>Piora nova ou persistente merece consulta. Dor no peito, falta de ar ao esforço, desmaio, déficit neurológico ou sintomas durante atividade sexual exigem avaliação urgente.</p>

<h2>Ficar três meses sem ereção tira 1 a 2 cm? Não para todo homem</h2>
<p>A afirmação de perda de 1 a 2 cm após três meses sem ereções não pode ser aplicada automaticamente a homens saudáveis que passaram um período sem atividade sexual. A base clínica mais consistente envolve situações específicas, especialmente prostatectomia radical, lesão dos nervos eretores, diabetes grave e hipóxia prolongada do tecido cavernoso.</p>
<p>Após retirada da próstata, estudos documentaram encurtamento maior que 1 cm em 48% dos pacientes avaliados e reduções próximas de 2 cm em alguns grupos nos primeiros meses. Nessa população, ausência de ereções noturnas e induzidas pode favorecer hipóxia, perda de músculo liso e fibrose.</p>
<p>Um estudo com 42 homens iniciou dispositivo a vácuo depois da retirada do cateter e orientou uso diário por 90 dias. Entre os 36 que aderiram bem, 1 apresentou perda de pelo menos 1 cm. Entre os 3 com baixa adesão, 2 perderam pelo menos 1 cm. O resultado é promissor, mas pequeno e restrito à reabilitação após cirurgia.</p>
<p>Bombas a vácuo não devem ser tratadas como “academia para o pênis” em qualquer pessoa. Pressão, duração, indicação e uso de anel constritor precisam de orientação. Uso inadequado pode causar dor, hematoma, sangramento e lesão. Para curvatura adquirida, placa palpável ou dor, a investigação deve considerar doença de Peyronie, não improvisação com dispositivos.</p>

<h2>Um plano concreto sem transformar saúde sexual em promessa</h2>
<ol>
  <li><strong>Acumule de 150 a 300 minutos semanais de atividade aeróbica moderada equivalente.</strong> Uma divisão simples é 30 a 60 minutos em cinco dias.</li>
  <li><strong>Mantenha treino de força ao menos duas vezes por semana.</strong> O objetivo é preservar força e massa muscular, sobretudo com o avanço da idade.</li>
  <li><strong>Se houver obesidade, trate perda de 5% a 10% do peso como meta clínica progressiva.</strong> No ensaio citado, a intervenção mirou pelo menos 10% e levou dois anos.</li>
  <li><strong>Meça pressão, glicemia e lipídios.</strong> Ereção pior não deve ser tratada isoladamente quando há risco metabólico e vascular.</li>
  <li><strong>Não use testosterona porque um único exame veio baixo.</strong> Confirme em duas manhãs e avalie sintomas e causas com médico.</li>
  <li><strong>Procure atendimento quando a piora persiste por semanas ou meses.</strong> Disfunção erétil tem tratamento, mas a escolha depende da causa.</li>
</ol>
<p>Essas metas são referências populacionais, não prescrição individual. Doença cardiovascular, limitações ortopédicas, cirurgia pélvica recente e medicamentos exigem adaptação profissional.</p>

<h2>Conclusão</h2>
<p>Músculo não funciona como remédio erétil isolado. Ele integra um sistema que melhora controle glicêmico, capacidade física e saúde vascular. Os dados mais concretos sustentam a direção da mensagem: cumprir de 150 a 300 minutos de atividade semanal esteve associado a 34% menos chance de disfunção erétil, força preservada a 66% menos chance de múltiplos sintomas sexuais e sarcopenia a risco 2,71 vezes maior de disfunção moderada ou grave.</p>
<p>A utilidade está em agir antes que a piora se acumule. Treinar força, fazer aeróbico, controlar peso, pressão, glicose e tabagismo protege muito mais do que aparência. Quando a ereção muda, o corpo pode estar avisando que circulação, hormônios, nervos ou saúde mental precisam de atenção.</p>

<h2>FAQ</h2>
<h3>Musculação melhora a ereção?</h3>
<p>Pode ajudar ao preservar força, massa muscular e saúde metabólica. Estudos observacionais mostram forte associação entre força preservada e menos sintomas sexuais, mas não provam que musculação isolada cure disfunção erétil.</p>
<h3>Quantos minutos de exercício ajudam a saúde sexual?</h3>
<p>Entre 150 e 300 minutos por semana de atividade aeróbica moderada equivalente foram associados a 34% menos chance de disfunção erétil em uma análise do NHANES. Mais de 300 minutos apresentaram benefício adicional, sem garantir melhora linear para todos.</p>
<h3>Testosterona resolve disfunção erétil?</h3>
<p>Ajuda principalmente quando existe deficiência confirmada com sintomas. A diretriz da AUA usa testosterona total abaixo de 300 ng/dL em duas coletas matinais. Em homens com nível normal e causa vascular, acrescentar testosterona geralmente não corrige o problema.</p>
<h3>Perder peso melhora a ereção?</h3>
<p>Em um ensaio com 110 homens obesos, uma intervenção para perder pelo menos 10% do peso e aumentar atividade melhorou o IIEF e recuperou a função sexual em aproximadamente um terço dos participantes após dois anos.</p>
<h3>Três meses sem sexo diminuem o pênis?</h3>
<p>Não há base para aplicar essa regra a todo homem saudável. Perdas de 1 a 2 cm foram documentadas principalmente após prostatectomia radical e outras condições com ausência prolongada de ereções e dano neurovascular.</p>
<h3>Disfunção erétil pode ser sinal de problema cardíaco?</h3>
<p>Pode acompanhar doença vascular e fatores como hipertensão, diabetes, obesidade e tabagismo. Ela não substitui avaliação cardiológica, mas uma piora nova ou persistente merece investigação clínica.</p>

<h2>Referências</h2>
<ol>
  <li>LYON, Gabrielle. Why Every Man Should Prioritize Muscle Mass | Dr Tobias Kohler. [S. l.], 18 set. 2025. YouTube. Disponível em: <a href="https://www.youtube.com/watch?v=PgBntuDnzTQ" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://www.youtube.com/watch?v=PgBntuDnzTQ</a>. Acesso em: 5 ago. 2026.</li>
  <li>ZHANG, Mingming et al. Association between the recommended volume of leisure-time physical activity and erectile dysfunction: a cross-sectional analysis of the National Health and Nutrition Examination Survey, 2001-2004. <em>Heliyon</em>, v. 10, n. 12, e32884, 2024. Disponível em: <a href="https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC11226895/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC11226895/</a>. Acesso em: 5 ago. 2026.</li>
  <li>EINARSSON, Hjalti et al. Muscle Strength and Male Sexual Function. <em>Journal of Clinical Medicine</em>, v. 13, n. 2, 426, 2024. Disponível em: <a href="https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC10816204/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC10816204/</a>. Acesso em: 5 ago. 2026.</li>
  <li>ÖZKAN, Birkan et al. Association between sarcopenia and erectile dysfunction in older males. <em>Archives of Gerontology and Geriatrics</em>, v. 99, 104619, 2022. Disponível em: <a href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34998130/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34998130/</a>. Acesso em: 5 ago. 2026.</li>
  <li>ESPOSITO, Katherine et al. Effect of lifestyle changes on erectile dysfunction in obese men: a randomized controlled trial. <em>JAMA</em>, v. 291, n. 24, p. 2978-2984, 2004. Disponível em: <a href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/15213209/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/15213209/</a>. Acesso em: 5 ago. 2026.</li>
  <li>AMERICAN UROLOGICAL ASSOCIATION. Erectile Dysfunction (ED) Guideline. Linthicum, MD, 2018. Disponível em: <a href="https://www.auanet.org/guidelines-and-quality/guidelines/erectile-dysfunction-(ed)-guideline" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://www.auanet.org/guidelines-and-quality/guidelines/erectile-dysfunction-(ed)-guideline</a>. Acesso em: 5 ago. 2026.</li>
  <li>QIN, Feng et al. The science of vacuum erectile device in penile rehabilitation after radical prostatectomy. <em>Translational Andrology and Urology</em>, v. 5, n. 1, p. 79-86, 2016. Disponível em: <a href="https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC4708600/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC4708600/</a>. Acesso em: 5 ago. 2026.</li>
</ol>]]></description><guid isPermaLink="false">1155</guid><pubDate>Wed, 05 Aug 2026 18:41:44 +0000</pubDate></item><item><title>Shape de palco x offseason: o que o percentual de gordura realmente mostra</title><link>https://fisiculturismo.com.br/mat%C3%A9rias/diversos/shape-de-palco-x-offseason-o-que-o-percentual-de-gordura-realmente-mostra-r1149/</link><description><![CDATA[
<p><img src="https://cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2026_08/percentual-gordura-feminino-shape-palco-offseason-capa.webp.c296409f661b186c17812aa5a5bcf7ef.webp" /></p>
<p>Uma fisiculturista pode manter praticamente a mesma massa muscular e parecer outra pessoa quando sai da condição de palco. O abdômen perde os cortes profundos, glúteos e coxas ficam mais suaves e a vascularização diminui. Isso não significa que ela perdeu o shape. Significa que voltou a carregar uma quantidade de gordura e água mais compatível com a vida fora da competição.</p><p>Em <em>BODY FAT Myths BUSTED</em>, o cirurgião ortopédico Chris Raynor comenta uma comparação de Jeff Nippard que percorre físicos de aproximadamente 50% de gordura corporal até níveis de um dígito. O contraste desmonta duas ilusões comuns: a maioria das pessoas estima mal o próprio percentual e a aparência sozinha não revela quanto músculo, gordura visceral, gordura subcutânea ou risco metabólico existe naquele corpo.</p><h2>O mesmo número pode produzir corpos completamente diferentes</h2><p>Dois homens avaliados por DEXA ilustram o problema. Septarshi apareceu com 33,3% de gordura e 44 kg de massa magra. Greg registrou 32,5% de gordura, mas tinha 68 kg de massa magra. A diferença de apenas 0,8 ponto percentual escondia uma diferença de 24 kg de tecido magro.</p><p>O percentual informa qual fração do peso é gordura. Ele não mostra sozinho o tamanho do esqueleto, o volume muscular nem onde a gordura está armazenada. Por isso, duas pessoas com o mesmo percentual podem ter cintura, braços, pernas e aparência geral muito diferentes.</p><p>O sexo também altera a leitura. Mulheres tendem a acumular mais gordura subcutânea na região glúteo-femoral, enquanto homens apresentam, em média, maior depósito abdominal e visceral. Essa diferença ajuda a explicar por que 30% em uma mulher não produz o mesmo aspecto nem o mesmo perfil de risco que 30% em um homem.</p><p>Uma análise de 16.415 adultos do NHANES acompanhados por até 19 anos reforça que quantidade e distribuição precisam ser avaliadas juntas. As faixas usadas como referência de menor mortalidade no estudo foram 25% a 30% nos homens e 30% a 35% nas mulheres, mas a relação mudou conforme a razão cintura-quadril. Isso não cria uma meta individual. Mostra que o local da gordura importa tanto quanto o total.</p><h2>DEXA e bioimpedância não entregam o mesmo percentual</h2><p>Tratar um resultado isolado como verdade absoluta é um erro. Três comparações apresentadas deixam isso evidente:</p><div class="ipsRichText__table-wrapper"><table style="min-width: 80px;"><colgroup><col style="min-width:20px;"><col style="min-width:20px;"><col style="min-width:20px;"><col style="min-width:20px;"></colgroup><tbody><tr><th colspan="1" rowspan="1"><p>Pessoa</p></th><th colspan="1" rowspan="1"><p>Bioimpedância</p></th><th colspan="1" rowspan="1"><p>DEXA</p></th><th colspan="1" rowspan="1"><p>Diferença</p></th></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Septarshi</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>30,1%</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>33,3%</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>3,2 pontos</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Brecken</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>28,2%</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>28,4%</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>0,2 ponto</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Christina</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>17,5%</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>21,4%</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>3,9 pontos</p></td></tr></tbody></table></div><p>Em outra competidora, a DEXA marcou 12,2% e a bioimpedância apontou 14,7%, diferença de 2,5 pontos. O aparelho, o algoritmo, a hidratação, a alimentação, o exercício recente e o momento da preparação podem alterar o resultado.</p><p>Um experimento com 39 adultos mediu a composição antes e depois da ingestão de 2 litros de água. A bioimpedância multifrequencial elevou artificialmente o percentual estimado em 2,1 pontos nos homens e 2,6 pontos nas mulheres. A água ingerida foi interpretada em parte como mudança de gordura.</p><p>Para acompanhar evolução, o método precisa ser repetido em condições semelhantes. Mesmo aparelho, mesmo horário, hidratação parecida, intervalo semelhante desde a última refeição e ausência de treino intenso imediatamente antes tornam a comparação mais útil. Trocar de método e discutir décimos de ponto cria precisão que não existe.</p><h2>O que muda de 30% para 20% em uma mulher treinada</h2><p>Brecken registrou 28,4% na DEXA e 28,2% na bioimpedância. O físico continuava atlético, com cintura definida e musculatura visível, sem aparência de preparação extrema. Christina, que treinava havia mais de dez anos, apareceu com 21,4% na DEXA e 17,5% na bioimpedância. Nela já havia separação muscular, abdômen visível e alguma vascularização.</p><p>Essa comparação mostra por que 20% não é um físico comum obtido apenas com dieta. Para uma mulher manter massa muscular e chegar a esse grau de definição, normalmente entram anos de musculação, ingestão controlada e rotina consistente. Ainda assim, o resultado não permite concluir sozinho se o organismo está funcionando bem.</p><p>O intervalo de 20% a 32% costuma aparecer em manuais de exercício como faixa satisfatória para mulheres adultas. Ele funciona como referência geral, não como diagnóstico. O próprio manual do NHANES informa aos participantes que ainda não existe um percentual exato universalmente aceito como saudável para cada idade e sexo.</p><p>Na distribuição americana usada na comparação original, a mulher média aparecia perto de 39%. Para uma mulher de 70,3 kg, isso corresponderia a aproximadamente 27,4 kg de gordura. Chegar a 30% já colocava a pessoa entre as mulheres mais magras daquela base. Em 20%, menos de 1% aparecia com percentual inferior, e apenas cerca de 2% ficava abaixo de 25%. Esses percentis descrevem aquela população, não uma obrigação estética nem uma régua mundial.</p><h2>Palco feminino: de 8,1% a 18,3% nos estudos</h2><p>Uma revisão sistemática reuniu 16 estudos com fisiculturistas competitivos. Entre as mulheres, os percentuais ficaram entre 15,3% e 25,2% na fase geral de preparação. Perto da competição, caíram para 8,1% a 18,3%. Nos estudos longitudinais, a redução relativa da gordura ficou entre 30% e 60%, enquanto a massa magra foi majoritariamente preservada.</p><p>Essa amplitude enorme não significa que todas chegaram ao palco com condicionamentos realmente tão diferentes. Parte dela vem dos métodos usados para estimar gordura. DEXA, bioimpedância, dobras cutâneas e modelos matemáticos não são intercambiáveis. O número de uma atleta só faz sentido acompanhado pelo método e pelo momento da preparação.</p><p>Um estudo com 27 competidoras acompanhou quatro meses de dieta. O peso corporal caiu cerca de 12% e a massa de gordura diminuiu de 35% a 50%, dependendo do método. A estratégia reduziu carboidratos, aumentou aeróbio e manteve musculação, proteína alta e ingestão moderada de gorduras. A maior parte das alterações hormonais voltou ao basal após três a quatro meses de recuperação com maior ingestão energética.</p><p>Outro caso acompanhou uma atleta natural por 20 semanas de preparação e 20 semanas de recuperação. Ela perdeu 5,1 kg e 6,5 pontos percentuais de gordura. A irregularidade menstrual apareceu no primeiro mês e a última menstruação ocorreu na semana 11 da preparação. Peso, composição corporal, ingestão e disponibilidade energética voltaram aos valores iniciais ao fim da recuperação.</p><p>O shape de palco, portanto, é uma condição temporária produzida por meses de restrição e treino. Não é um novo peso corporal neutro que o organismo necessariamente aceitará manter o ano inteiro.</p><h2>A gordura essencial não cabe em um corte matemático perfeito</h2><p>A comparação usa de 10% a 12% como estimativa de gordura necessária às funções básicas femininas. Essa reserva participa de produção hormonal, proteção de órgãos, regulação térmica, membranas celulares e absorção das vitaminas A, D, E e K. O número ajuda a entender por que mulheres naturalmente carregam mais gordura que homens, mas não deve ser tratado como uma fronteira clínica precisa.</p><p>Uma mulher com 15% teria pouca margem acima dessa estimativa e um físico encontrado principalmente entre atletas em preparação. Em 12% ou menos, a probabilidade de que o resultado esteja associado a restrição prolongada e baixa disponibilidade energética aumenta. O problema não começa magicamente ao atravessar um ponto decimal. Ele aparece quando o organismo deixa de receber energia suficiente para manter treinamento, reprodução, ossos, recuperação e vida cotidiana.</p><h2>Amenorreia não é troféu de condicionamento</h2><p>Em uma amostra de 104 atletas de físico, 58,65% relataram interrupção da menstruação por três meses consecutivos ou mais. O questionário LEAF-Q classificou 46,15% como em risco de baixa disponibilidade energética e das consequências associadas à deficiência energética relativa no esporte. Afastamento de treino por lesão apareceu em 27,88% das participantes.</p><p>A causa central não é um número mágico de gordura. A síndrome de deficiência energética relativa no esporte, conhecida como REDs, surge quando a energia ingerida permanece insuficiente diante do gasto do treinamento. Percentual muito baixo, queda rápida de peso e dieta prolongada são sinais de contexto, mas duas atletas com o mesmo resultado na DEXA podem ter ingestão, ciclo menstrual, saúde óssea e resposta hormonal diferentes.</p><p>O consenso de 2023 do Comitê Olímpico Internacional relaciona a baixa disponibilidade energética problemática a prejuízos reprodutivos, ósseos, metabólicos, imunológicos, hematológicos, cardiovasculares, gastrointestinais e psicológicos, além de piora no desempenho. A avaliação precisa combinar sintomas, histórico, exames e contexto esportivo.</p><h2>Cabelo caindo, ciclo ausente e cérebro lento são alertas</h2><p>Na condição mais extrema mostrada, uma atleta relatou queda de cabelo, ausência de menstruação havia meses, desejo intenso por comida e lentidão mental. Outro teste simples expôs dificuldade de concentração e de encontrar palavras. Esses sinais não devem ser tratados como medalhas invisíveis da preparação.</p><p>Os alertas que pedem revisão da estratégia incluem:</p><ul><li><p>menstruação irregular ou ausente</p></li><li><p>queda persistente de força e rendimento</p></li><li><p>fadiga que não melhora com descanso</p></li><li><p>sono pior e irritabilidade</p></li><li><p>fome e pensamentos sobre comida difíceis de controlar</p></li><li><p>lesões repetidas ou recuperação lenta</p></li><li><p>queda de cabelo e sensação constante de frio</p></li><li><p>piora de concentração, memória ou tomada de decisão</p></li></ul><p>Anticoncepcionais hormonais podem produzir sangramento programado ou mascarar alterações do eixo reprodutivo. Por isso, sangrar usando contraceptivo não prova que a disponibilidade energética está adequada.</p><h2>A recuperação também faz parte da preparação</h2><p>Um acompanhamento recente avaliou atletas 23 semanas antes da competição, uma semana antes do palco e 23 semanas depois. Durante a dieta, disponibilidade energética, IGF-1, IGFBP-3 e força absoluta diminuíram nos competidores. Nos homens, testosterona total e livre também caíram, enquanto SHBG e cortisol aumentaram. As alterações se recuperaram quando a disponibilidade energética subiu no período pós-competição.</p><p>Para a mulher fisiculturista, recuperar gordura após o palco não apaga a musculatura construída. A aparência mais cheia pode preservar o mesmo volume de ombros, costas, glúteos e pernas com menos separação visual. A diferença está na camada que cobre o músculo, não necessariamente na quantidade de músculo.</p><p>Uma offseason bem conduzida deve devolver margem para treinar forte, dormir, recuperar, normalizar sinais hormonais e sustentar vida social. A balança pode subir enquanto desempenho e saúde melhoram. Julgar esse processo apenas pela visibilidade do abdômen é confundir estética competitiva com função.</p><h2>Daniel: 68 kg separavam o corpo atual do paraquedismo</h2><p>No extremo oposto, Daniel tinha 167,8 kg, media aproximadamente 1,80 m e apresentava IMC de 51,6. O limite informado para saltar de paraquedas ficava entre 99,8 e 108,9 kg. Para chegar a 99,8 kg, seriam 68 kg de perda.</p><p>Usando a velocidade de aproximadamente 0,9 kg por semana citada como sustentável, a conta chega a 75 semanas, ou cerca de um ano e três meses. O exemplo mostra por que uma meta funcional pode ser mais poderosa do que apenas perseguir um número. Também mostra que excesso e escassez extremos de gordura podem produzir fadiga, piora do sono, limitação física e perda de qualidade de vida por mecanismos diferentes.</p><h2>Como interpretar o próprio percentual sem cair em paranoia</h2><p>Alimentação costuma mover o percentual de gordura de forma mais direta do que trocar um exercício por outro. A musculação continua indispensável porque ajuda a preservar ou construir massa muscular, sustentar força e dar forma ao físico durante a perda de peso. Dieta determina o déficit. Treino ajuda a decidir quanto do peso perdido será gordura e quanta capacidade física permanecerá.</p><ol><li><p><strong>Use o número como tendência.</strong> Uma sequência feita no mesmo aparelho e nas mesmas condições vale mais do que um resultado isolado.</p></li><li><p><strong>Anote o método.</strong> 17,5% na bioimpedância e 21,4% na DEXA podem descrever a mesma pessoa no mesmo período.</p></li><li><p><strong>Olhe a cintura e a distribuição.</strong> Gordura visceral e abdominal têm implicações diferentes da gordura subcutânea glúteo-femoral.</p></li><li><p><strong>Acompanhe função.</strong> Força, sono, ciclo menstrual, libido, humor, temperatura corporal, recuperação e lesões ajudam a dizer se a condição é sustentável.</p></li><li><p><strong>Separe palco de saúde.</strong> O menor percentual possível não é automaticamente o melhor percentual para treinar, viver ou envelhecer.</p></li><li><p><strong>Planeje a saída.</strong> Preparação competitiva precisa incluir recuperação nutricional e acompanhamento, não apenas a data do campeonato.</p></li></ol><h2>Nos homens, 10% também não é o ponto neutro vendido pela internet</h2><p>A comparação masculina mostra o mesmo erro de percepção. Em 20%, já havia contorno muscular e apenas cerca de 12% dos homens da base americana eram mais magros. Em 15%, a definição aumentava e somente aproximadamente 2% ficava abaixo daquele nível. Abaixo de 12%, o levantamento citado encontrou raríssimos casos entre mais de 9 mil homens.</p><p>Perto de 10%, abdômen, quadríceps, peitoral e tríceps apresentam separação nítida. Isso pode parecer comum nas redes sociais, mas costuma exigir dieta rígida, treino disciplinado e desconforto contínuo. Em níveis de 5% a 8%, vistos perto do palco masculino, fome, queda de força, redução de testosterona, perda de massa magra e piora cognitiva se tornam preocupações concretas.</p><p>O intervalo de 10% a 22% aparece como referência geral satisfatória para homens. A parte inferior favorece a estética mais seca, enquanto a parte superior pode oferecer mais margem para força e qualidade de vida. Ainda assim, não existe motivo de saúde para obrigar todo homem a viver em 10%.</p><h2>Conclusão</h2><p>Percentual de gordura não é nota de beleza nem diagnóstico completo. Ele é uma estimativa que muda com o método e ganha sentido apenas quando se conhece massa muscular, distribuição da gordura, sintomas, desempenho e contexto.</p><p>Uma mulher pode subir ao palco entre valores extremamente baixos, preservar grande parte da massa magra e ainda assim pagar um custo hormonal e psicológico. Meses depois, a mesma atleta pode estar mais pesada e visualmente mais suave, mas continuar com praticamente a mesma musculatura e funcionar melhor.</p><p>O físico competitivo foi feito para uma data. O físico sustentável precisa caber no restante do calendário.</p><h2>FAQ</h2><h3>Qual é um percentual de gordura saudável para mulheres?</h3><p>O intervalo de 20% a 32% é usado como referência geral em alguns manuais, mas não existe um corte universal que diagnostique saúde. Idade, distribuição da gordura, massa muscular, ciclo menstrual, exames e desempenho precisam entrar na avaliação.</p><h3>Uma fisiculturista perde músculo quando ganha gordura na offseason?</h3><p>Não necessariamente. Ela pode manter massa muscular e apenas recuperar gordura subcutânea e água, o que suaviza definição, vascularização e separação muscular.</p><h3>DEXA é mais confiável que bioimpedância?</h3><p>A DEXA costuma ser mais consistente, mas também tem limitações. A bioimpedância é mais sensível à hidratação e às condições do teste. O melhor acompanhamento compara resultados obtidos pelo mesmo método em condições semelhantes.</p><h3>12% de gordura é seguro para uma mulher?</h3><p>É uma condição observada principalmente perto de competições e não deve ser presumida como sustentável. O risco depende da disponibilidade energética, da duração, dos sintomas e da resposta individual. Amenorreia, fadiga e queda de desempenho exigem avaliação.</p><h3>Parar de menstruar é normal na preparação?</h3><p>É frequente, mas não deve ser normalizado. A ausência de menstruação pode sinalizar baixa disponibilidade energética e integrar um quadro de REDs, com possíveis efeitos sobre ossos, hormônios e desempenho.</p><h3>Dois aparelhos podem mostrar resultados diferentes no mesmo dia?</h3><p>Sim. No exemplo de Christina, a DEXA marcou 21,4% e a bioimpedância 17,5%, diferença de 3,9 pontos. Hidratação, algoritmo e método explicam parte dessa divergência.</p><h2>Referências</h2><ol><li><p>RAYNOR, Chris. BODY FAT Myths BUSTED — Surgeon's CONTROVERSIAL Take (Jeff Nippard Rxn). YouTube, 4 jan. 2026. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.youtube.com/watch?v=_VJjgb4NeyU">https://www.youtube.com/watch?v=_VJjgb4NeyU</a>. Acesso em: 4 ago. 2026.</p></li><li><p>BAUER, Pascal et al. Body Composition of Competitive Bodybuilders: A Systematic Review of Published Data and Recommendations for Future Work. <em>Journal of Strength and Conditioning Research</em>, v. 37, n. 3, p. 726-732, 2023. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/36727905/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/36727905/</a>. Acesso em: 4 ago. 2026.</p></li><li><p>WITKOŚ, Joanna et al. Menstrual cycle disorders as an early symptom of energy deficiency among female physique athletes assessed using the Low Energy Availability in Females Questionnaire (LEAF-Q). <em>PLOS ONE</em>, v. 19, n. 6, e0303703, 2024. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/38848428/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/38848428/</a>. Acesso em: 4 ago. 2026.</p></li><li><p>MOUNTJOY, Margo et al. 2023 International Olympic Committee's consensus statement on Relative Energy Deficiency in Sport (REDs). <em>British Journal of Sports Medicine</em>, v. 57, n. 17, p. 1073-1097, 2023. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37752011/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37752011/</a>. Acesso em: 4 ago. 2026.</p></li><li><p>HULMI, Juha J. et al. The Effects of Intensive Weight Reduction on Body Composition and Serum Hormones in Female Fitness Competitors. <em>Frontiers in Physiology</em>, v. 7, art. 689, 2017. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28119632/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28119632/</a>. Acesso em: 4 ago. 2026.</p></li><li><p>ISOLA, Ville et al. Changes in hormonal profiles during competition preparation in physique athletes. <em>European Journal of Applied Physiology</em>, v. 125, n. 2, p. 393-408, 2025. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/39261323/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/39261323/</a>. Acesso em: 4 ago. 2026.</p></li><li><p>HALLIDAY, Tanya M.; LOENNEKE, Jeremy P.; DAVY, Brenda M. Dietary Intake, Body Composition, and Menstrual Cycle Changes during Competition Preparation and Recovery in a Drug-Free Figure Competitor: A Case Study. <em>Nutrients</em>, v. 8, n. 11, art. 740, 2016. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/27879627/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/27879627/</a>. Acesso em: 4 ago. 2026.</p></li><li><p>JEONG, Soolim et al. The effect of acute hydration on body composition assessed by multi-frequency and single-frequency bioelectrical impedance. <em>The Journal of Sports Medicine and Physical Fitness</em>, v. 63, n. 10, p. 1069-1074, 2023. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37335581/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37335581/</a>. Acesso em: 4 ago. 2026.</p></li><li><p>DONG, Bin et al. Joint association between body fat and its distribution with all-cause mortality: a data linkage cohort study based on NHANES (1988-2011). <em>PLOS ONE</em>, v. 13, n. 2, e0193368, 2018. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/29474498/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/29474498/</a>. Acesso em: 4 ago. 2026.</p></li><li><p>NATIONAL CENTER FOR HEALTH STATISTICS. National Health and Nutrition Examination Survey: Body Composition Procedures Manual. Hyattsville, 2013. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://wwwn.cdc.gov/nchs/data/nhanes/public/2013/manuals/2013_Body_Composition_DXA.pdf">https://wwwn.cdc.gov/nchs/data/nhanes/public/2013/manuals/2013_Body_Composition_DXA.pdf</a>. Acesso em: 4 ago. 2026.</p></li></ol>]]></description><guid isPermaLink="false">1149</guid><pubDate>Tue, 04 Aug 2026 12:58:00 +0000</pubDate></item><item><title>Obesidade e positividade corporal: sa&#xFA;de sem estigma nem nega&#xE7;&#xE3;o</title><link>https://fisiculturismo.com.br/mat%C3%A9rias/diversos/obesidade-e-positividade-corporal-sa%C3%BAde-sem-estigma-nem-nega%C3%A7%C3%A3o-r1146/</link><description><![CDATA[
<p><img src="https://cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2026_08/obesidade-positividade-corporal-passarela-paris-capa.webp.73270bda03131ff9e7cfb16189a9eece.webp" /></p>
<p>Uma pessoa pode gostar do próprio corpo, vestir o que quiser e ocupar qualquer espaço sem que isso transforme obesidade em sinônimo de saúde. Também pode receber um diagnóstico de obesidade sem ser reduzida a preguiça, descontrole ou fracasso moral. Essas duas afirmações não se anulam.</p><p>Em “Is THIS Healthy? Surgeon Reacts to Obesity Epidemic &amp; Fat Shaming”, o cirurgião ortopédico Chris Raynor defende uma abordagem com três obrigações: comunicar riscos com objetividade, reconhecer a dificuldade real de mudar o peso e oferecer caminhos práticos. O ponto mais útil é justamente escapar dos dois extremos: humilhar não trata ninguém, mas negar risco também não.</p><h2>41,9% dos adultos: o tamanho real do problema</h2><p>Nos Estados Unidos, 41,9% dos adultos tinham obesidade entre 2017 e março de 2020. A obesidade grave atingia 9,2%. Em 1999 e 2000, a prevalência era de 30,5%. Portanto, o aumento foi de 11,4 pontos percentuais, e não de dez vezes, como uma leitura apressada da fala poderia sugerir.</p><p>O IMC igual ou superior a 30 kg/m² é usado para classificar obesidade, enquanto o valor igual ou superior a 40 kg/m² caracteriza obesidade grave. Essa classificação ajuda a estudar populações, mas não resume a saúde de uma pessoa. Pressão arterial, glicemia, perfil lipídico, sono, mobilidade, condicionamento e distribuição de gordura acrescentam informações que a balança não entrega.</p><p>O excesso de gordura corporal está associado a maior ocorrência de doença cardiovascular, diabetes tipo 2, apneia do sono, alterações respiratórias, problemas musculoesqueléticos e alguns tipos de câncer. Em quadros extremos, tarefas como mudar de posição na cama e cuidar da higiene podem exigir assistência. A imobilidade prolongada ainda eleva o risco de lesões por pressão e infecções.</p><h2>“Coma menos e se mexa” não explica a obesidade</h2><p>O peso corporal é influenciado pelo balanço energético, mas esse balanço não funciona isolado de fome, saciedade, sono, ambiente, medicamentos, renda, trauma, saúde mental e acesso a alimentos. Leptina e grelina ilustram parte dessa regulação. A leptina informa ao cérebro sobre a energia armazenada no tecido adiposo. A grelina aumenta antes das refeições e participa do sinal de fome.</p><p>Após uma perda de peso, adaptações biológicas podem aumentar a fome e reduzir o gasto energético. A teoria do ponto de ajuste tenta descrever essa tendência de o organismo defender uma faixa de peso. Ela não significa que o peso seja imutável, nem que hábitos sejam irrelevantes. Significa que força de vontade, sozinha, é uma explicação ruim para uma doença crônica e multifatorial.</p><p>Experiências adversas, estresse, privação de sono, medicamentos que favorecem ganho de peso e transtorno de compulsão alimentar também podem participar do quadro. Identificar esses fatores muda a intervenção. Uma pessoa com apneia, compulsão e dor no joelho não precisa apenas de uma dieta impressa. Precisa de um plano que trate os obstáculos que tornam a adesão improvável.</p><h2>A regra dos “95% de fracasso” é simplificação</h2><p>A frase de que 95% das pessoas recuperam todo o peso perdido por dieta e exercício é repetida como se fosse uma lei. Não é. Os resultados variam conforme a definição de sucesso, a duração do acompanhamento, o tratamento oferecido e o perfil dos participantes.</p><p>Uma revisão de 22 intervenções encontrou manutenção média de 54% do peso inicialmente perdido após pelo menos um ano sem acompanhamento intensivo. Outra revisão, com 45 ensaios e 7.788 participantes, mostrou que programas comportamentais voltados simultaneamente à alimentação e à atividade física reduziram a recuperação de peso em 1,56 kg, em média, após 12 meses, quando comparados aos controles.</p><p>Isso não torna a manutenção fácil. Recuperar parte do peso é frequente, e apoio contínuo produz resultados melhores do que entregar uma orientação e abandonar o paciente. O erro está em transformar dificuldade estatística em sentença individual ou em argumento para desistir antes de começar.</p><h2>Cirurgia bariátrica ajuda muito, mas não é infalível</h2><p>Bypass gástrico, gastrectomia vertical e derivação biliopancreática com duodenal switch reduzem a capacidade de ingestão e, dependendo da técnica, alteram absorção, sinais hormonais e saciedade. Em uma coorte de 480.075 operações realizadas nos Estados Unidos e no Canadá entre 2015 e 2017, ocorreram 511 mortes em até 30 dias, uma taxa de 0,1%.</p><p>O risco baixo não torna a operação banal. Complicações, deficiências nutricionais, reoperações e recuperação de peso continuam possíveis. Também não existe uma definição única de “fracasso” cirúrgico. Um critério antigo para o bypass considerava falha manter menos de 50% da perda do excesso de peso entre 18 e 24 meses ou permanecer com IMC acima de 35 kg/m². Nesse recorte, foram relatadas taxas próximas de 15%, chegando a 20% a 35% no longo prazo, com revisão cirúrgica em 4,5%.</p><p>Uma revisão mais recente mostra por que esses números não podem ser usados como placar universal. A frequência de perda insuficiente ou recuperação relevante costuma ficar entre 20% e 30%, mas varia de 3,9% a 71% quando mudam a técnica, o tempo de acompanhamento e a definição de falha. A conclusão prática é simples: cirurgia é tratamento potente, não garantia automática, e exige seguimento prolongado.</p><h2>Gordura visceral explica por que aparência não basta</h2><p>Duas pessoas com o mesmo IMC podem ter riscos muito diferentes. A gordura subcutânea fica sob a pele. A gordura visceral se acumula ao redor dos órgãos abdominais e, quando medida por tomografia ou ressonância, funciona como marcador independente de risco cardiovascular e metabólico.</p><p>Isso ajuda a entender o chamado TOFI, sigla em inglês para “magro por fora, gordo por dentro”. Uma pessoa pode parecer magra e carregar excesso de gordura visceral. No sentido oposto, um atleta com muita massa muscular pode receber IMC elevado sem ter excesso equivalente de gordura. O exemplo mais evidente é o de um fisiculturista com percentual de gordura muito baixo que pode registrar IMC maior que o de um sedentário de 81,6 kg.</p><p>O IMC não deve ser jogado fora. Ele funciona como triagem populacional barata. O erro é usá-lo sozinho para concluir que alguém está saudável ou doente.</p><h2>Positividade corporal não apaga diagnóstico</h2><p>Combater discriminação por peso não exige declarar que obesidade é inofensiva. O consenso internacional sobre estigma da obesidade concluiu que o preconceito aparece no trabalho, na educação e até nos serviços de saúde, causa danos físicos e psicológicos e reduz a chance de receber atendimento adequado.</p><p>Uma meta-análise com 105 estudos, 59.172 participantes e 497 tamanhos de efeito encontrou associação negativa de intensidade moderada a alta entre estigma de peso e saúde mental, com correlação de -0,35. Humilhação, portanto, não é uma versão dura de cuidado. É mais um fator capaz de piorar o problema.</p><p>Uma campanha de moda com corpos maiores não é prescrição médica. Ela pode ampliar representação, reduzir vergonha e fazer alguém se sentir autorizado a sair de casa, nadar, caminhar ou entrar em uma academia. O diagnóstico continua existindo. A mensagem coerente é: seu corpo merece respeito agora e sua saúde merece atenção agora.</p><h2>Um começo prático que não depende de vergonha</h2><p>O caminho proposto não começa com uma meta estética gigantesca. Começa com decisões que possam ser repetidas:</p><ol><li><p><strong>Mapeie risco, não apenas peso.</strong> Pressão arterial, circunferência abdominal, glicemia, perfil lipídico, sintomas de apneia, dor e limitação de movimento ajudam a definir prioridade.</p></li><li><p><strong>Escolha uma atividade que você tolere e, idealmente, goste.</strong> Caminhada, dança, musculação, natação ou bicicleta são mais úteis quando cabem na rotina e podem progredir.</p></li><li><p><strong>Troque parte dos ultraprocessados por alimentos in natura ou minimamente processados.</strong> A mudança não precisa acontecer em todas as refeições no primeiro dia.</p></li><li><p><strong>Investigue barreiras clínicas e emocionais.</strong> Compulsão alimentar, trauma, depressão, sono ruim, dor e medicamentos associados ao ganho de peso pedem abordagens específicas.</p></li><li><p><strong>Construa apoio.</strong> Médico, nutricionista, psicólogo, profissional de educação física e uma comunidade acolhedora podem reduzir abandono. Encontrar a equipe certa também é um processo.</p></li><li><p><strong>Avalie tratamento além do estilo de vida quando houver indicação.</strong> Medicamentos e cirurgia bariátrica podem integrar o cuidado. Nenhum deles deve ser tratado como atalho vergonhoso ou solução sem acompanhamento.</p></li></ol><p>Responsabilidade pessoal existe, mas não significa culpa. Significa usar os recursos disponíveis para tomar a próxima decisão possível. A sociedade e o sistema de saúde continuam responsáveis por oferecer ambientes, informação e tratamento que tornem essa decisão viável.</p><h2>Conclusão</h2><p>Obesidade aumenta riscos clínicos reais, e esconder isso não protege ninguém. Estigma também causa dano real, e humilhar uma pessoa não melhora pressão arterial, sono, mobilidade ou relação com a comida.</p><p>Positividade corporal e cuidado médico podem ocupar o mesmo espaço. É possível rejeitar discriminação, reconhecer a complexidade biológica do peso, medir riscos com precisão e agir sobre eles. Saúde sem respeito afasta pessoas do tratamento. Respeito sem honestidade clínica abandona quem precisa de cuidado.</p><h2>FAQ</h2><h3>Positividade corporal significa dizer que obesidade é saudável?</h3><p>Não. O movimento pode combater discriminação e ampliar representação sem negar que a obesidade está associada a riscos cardiovasculares, metabólicos, respiratórios e musculoesqueléticos.</p><h3>É verdade que 95% das pessoas recuperam todo o peso perdido?</h3><p>Esse número não deve ser tratado como regra universal. A manutenção é difícil e a recuperação parcial é comum, mas os resultados variam muito conforme tratamento, acompanhamento e definição de sucesso. Revisões mostram manutenção relevante e benefício de suporte continuado.</p><h3>IMC alto sempre significa excesso de gordura?</h3><p>Não. O IMC não separa músculo de gordura nem mostra onde a gordura está armazenada. Ele é útil como triagem, mas precisa ser interpretado com outros dados clínicos e de composição corporal.</p><h3>Uma pessoa magra pode ter gordura visceral alta?</h3><p>Sim. A gordura visceral fica ao redor dos órgãos e pode estar elevada mesmo quando a aparência e o IMC parecem normais. Ela está associada a risco cardiovascular e metabólico independentemente do IMC.</p><h3>Cirurgia bariátrica sempre resolve a obesidade?</h3><p>Não. Ela costuma produzir perda de peso maior e mais duradoura que intervenções isoladas, mas recuperação de peso, complicações e necessidade de revisão podem ocorrer. Seguimento nutricional e médico continua necessário.</p><h3>Falar sobre peso com o paciente é preconceito?</h3><p>Não quando a conversa tem pertinência clínica, respeito e plano de cuidado. Preconceito é reduzir a pessoa ao corpo, presumir falta de caráter ou oferecer tratamento inferior por causa do peso.</p><h2>Referências</h2><ol><li><p>RAYNOR, Chris. Is THIS Healthy? Surgeon Reacts to Obesity Epidemic &amp; Fat Shaming. [S. l.], 6 nov. 2022. YouTube. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.youtube.com/watch?v=LB1A8UBfUEE">https://www.youtube.com/watch?v=LB1A8UBfUEE</a>. Acesso em: 3 ago. 2026.</p></li><li><p>CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION. Adult Obesity Facts. Atlanta, 14 maio 2024. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.cdc.gov/obesity/adult-obesity-facts/">https://www.cdc.gov/obesity/adult-obesity-facts/</a>. Acesso em: 3 ago. 2026.</p></li><li><p>RUBINO, Francesco et al. Joint international consensus statement for ending stigma of obesity. Nature Medicine, v. 26, p. 485-497, 2020. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32127716/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32127716/</a>. Acesso em: 3 ago. 2026.</p></li><li><p>EMMER, Christine; BOSNJAK, Michael; MATA, Jutta. The association between weight stigma and mental health: a meta-analysis. Obesity Reviews, v. 21, n. 1, e12935, 2020. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31507062/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31507062/</a>. Acesso em: 3 ago. 2026.</p></li><li><p>SNIEHOTTA, Falko F. et al. Long term maintenance of weight loss with non-surgical interventions in obese adults: systematic review and meta-analyses of randomised controlled trials. BMJ, v. 348, g2646, 2014. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/25134100/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/25134100/</a>. Acesso em: 3 ago. 2026.</p></li><li><p>SUN, Yijun et al. Association of preoperative body weight and weight loss with risk of death after bariatric surgery. JAMA Network Open, v. 3, n. 5, e204803, 2020. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32407504/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32407504/</a>. Acesso em: 3 ago. 2026.</p></li><li><p>KIM, Eun Young. Definition, mechanisms and predictors of weight loss failure after bariatric surgery. Journal of Metabolic and Bariatric Surgery, v. 11, n. 2, p. 39-48, 2022. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC10011675/">https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC10011675/</a>. Acesso em: 3 ago. 2026.</p></li><li><p>NEELAND, Ian J. et al. Visceral and ectopic fat, atherosclerosis, and cardiometabolic disease: a position statement. The Lancet Diabetes &amp; Endocrinology, v. 7, n. 9, p. 715-725, 2019. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31301983/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31301983/</a>. Acesso em: 3 ago. 2026.</p></li></ol>]]></description><guid isPermaLink="false">1146</guid><pubDate>Mon, 03 Aug 2026 17:46:00 +0000</pubDate></item><item><title>Ozivy &#xE9; seguro? Pre&#xE7;o, doses e diferen&#xE7;as para Ozempic e Mounjaro</title><link>https://fisiculturismo.com.br/mat%C3%A9rias/diversos/ozivy-%C3%A9-seguro-pre%C3%A7o-doses-e-diferen%C3%A7as-para-ozempic-e-mounjaro-r1143/</link><description><![CDATA[
<p><img src="https://cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2026_08/ozivy-semaglutida-brasileira-capa.webp.3e97eed8874d5e50fcdb093dbead48ba.webp" /></p>
<p>O Ozivy chegou às farmácias com uma promessa difícil de ignorar: oferecer semaglutida produzida no Brasil por um preço menor que o das marcas importadas. A economia é real, mas a comparação exige cuidado. O produto não é um Ozempic genérico, não tem indicação aprovada para obesidade e precisa permanecer refrigerado até durante o uso.</p><p>Em “Ozivy: NOVO Ozempic nacional BARATO é SEGURO?”, o cardiologista Gustavo Lenci Marques analisa por que a nova caneta custa menos, como ela é fabricada e o que sua entrada pode fazer com a concorrência. A resposta curta sobre segurança é esta: o Ozivy foi aprovado pela Anvisa após avaliação de qualidade, eficácia e segurança para diabetes tipo 2. Isso não transforma o medicamento em opção sem risco, nem autoriza automedicação para emagrecer.</p><h2>O que o Ozivy realmente é</h2><p>O Ozivy contém semaglutida na concentração de 1,34 mg/mL, a mesma substância ativa presente no Ozempic. A semaglutida é um agonista do receptor de GLP-1 que aumenta a liberação de insulina quando a glicose está elevada, reduz a secreção de glucagon e retarda o esvaziamento do estômago.</p><p>A Anvisa registrou o produto em 26 de maio de 2026 como <strong>medicamento novo e análogo sintético de um produto biológico</strong>. Portanto, três descrições comuns estão erradas:</p><ul><li><p>não é genérico do Ozempic.</p></li><li><p>não é medicamento similar.</p></li><li><p>não é biossimilar, porque sua semaglutida é obtida por síntese química.</p></li></ul><p>Em julho de 2026, o Ozivy entrou na Lista de Medicamentos de Referência da Anvisa para a semaglutida sintética de 1,34 mg/mL. Isso significa que futuros concorrentes sintéticos poderão usá-lo como parâmetro regulatório. Não significa que sua indicação tenha sido ampliada.</p><h2>A indicação aprovada é diabetes tipo 2, não obesidade</h2><p>A bula autoriza o Ozivy para adultos com diabetes mellitus tipo 2 insuficientemente controlado, sempre como complemento à dieta e ao exercício. Ele pode ser usado sozinho quando a metformina é inadequada por intolerância ou contraindicação, ou associado a outros medicamentos para diabetes.</p><p>Perda de peso aparece entre os efeitos observados da semaglutida, mas o Ozivy não recebeu registro específico para tratamento da obesidade. Essa diferença importa porque a dose semanal de semaglutida estudada e aprovada para obesidade em outras apresentações pode ser maior que o teto de 1 mg do Ozivy. Comprar a caneta de diabetes e improvisar um protocolo para emagrecer é uso fora da bula e exige decisão médica individualizada.</p><p>Mounjaro também não é equivalente ao Ozivy. O Ozivy contém semaglutida e atua no receptor de GLP-1. O Mounjaro contém tirzepatida e atua nos receptores de GIP e GLP-1. São moléculas, esquemas e registros diferentes.</p><h2>As doses aprovadas na bula</h2><p>O esquema de Ozivy para diabetes tipo 2 começa devagar para melhorar a tolerância gastrointestinal:</p><ol><li><p><strong>Semanas 1 a 4:</strong> 0,25 mg uma vez por semana.</p></li><li><p><strong>A partir da semana 5:</strong> 0,5 mg uma vez por semana.</p></li><li><p><strong>Se a glicemia continuar sem controle adequado:</strong> o médico pode elevar para 1 mg uma vez por semana.</p></li></ol><p>A aplicação é subcutânea no abdômen, na parte anterior das coxas ou na parte superior do braço. Pode ser feita a qualquer hora, com ou sem refeição, preferencialmente no mesmo dia de cada semana. A injeção não deve ser aplicada na veia nem no músculo.</p><p>Para trocar o dia semanal, precisam ter transcorrido pelo menos três dias desde a última aplicação. Quando o atraso é de até cinco dias, a bula orienta aplicar assim que lembrar e manter a próxima dose na data planejada. Passados mais de cinco dias, a dose esquecida deve ser pulada. Nunca se deve aplicar uma dose extra para compensar.</p><p>Essas informações descrevem a bula e não substituem prescrição. A dose não deve ser aumentada porque a fome voltou, porque o peso parou de cair ou porque outra pessoa tolerou uma quantidade maior.</p><h2>O detalhe da geladeira muda a rotina</h2><p>O Ozivy precisa ficar entre 2 °C e 8 °C antes e durante o tratamento. Depois de aberto, permanece válido por oito semanas, equivalentes a 56 dias, desde que continue refrigerado, protegido da luz e sem congelar.</p><p>Essa exigência é diferente da conservação do Ozempic, que pode permanecer por até seis semanas em temperatura de até 30 °C após o início do uso. Para o Ozivy, deixar a caneta na bolsa, no carro ou sobre a pia pode comprometer o produto.</p><p>Em viagens, a bula recomenda proteção térmica contra mudanças bruscas de temperatura, luz e vibração. A caneta não deve ser despachada na bagagem do avião, pois o compartimento pode atingir temperaturas capazes de congelá-la. Se a solução deixar de ser límpida, incolor e sem partículas, não deve ser usada.</p><h2>Por que o Ozivy ficou mais barato</h2><p>A patente brasileira da semaglutida expirou em 20 de março de 2026. Isso abriu espaço para novos fabricantes e para uma disputa de preços que não existia quando o mercado dependia de poucas marcas.</p><p>Há também uma diferença industrial. A semaglutida do Ozempic é produzida por processo biotecnológico com DNA recombinante. A do Ozivy é montada por síntese química. O método sintético evita a etapa com microrganismos modificados, mas cria seus próprios desafios, como controle de resíduos de solventes, catalisadores metálicos, moléculas estruturalmente parecidas, agregados e imunogenicidade. Esses riscos de fabricação fazem parte da avaliação regulatória e não são algo que o consumidor possa julgar pela aparência da caneta.</p><p>O produto final é fabricado em Hortolândia, no interior de São Paulo. O insumo farmacêutico ativo usado no início da produção vem da chinesa Sinopep-Allsino, empresa que recebeu da Anvisa a documentação de adequação para fornecer semaglutida à EMS. A companhia brasileira informa ter um processo de transferência de tecnologia para internalizar etapas da produção. Portanto, “produzido no Brasil” descreve a fabricação local, mas não significa que toda a cadeia já seja nacional.</p><h2>Quanto custa e até onde o preço pode cair</h2><p>No lançamento, a caneta para as doses iniciais de 0,25 mg e 0,5 mg apareceu a partir de aproximadamente R$ 452. A apresentação de manutenção de 1 mg foi anunciada por cerca de R$ 498. O programa de adesão da fabricante ofereceu um pacote para os três primeiros meses por R$ 863,23, o equivalente a aproximadamente R$ 287,74 por mês naquele pacote.</p><p>Esses valores podem variar por estado, farmácia, impostos, disponibilidade e programa de desconto. Também não devem ser confundidos com o Preço Máximo ao Consumidor da CMED, que é um teto regulatório e não necessariamente o preço praticado no balcão.</p><p>Antes da nova concorrência, uma caneta de semaglutida de marca importada custava perto de R$ 900 em muitas farmácias. A redução já é relevante. A aposta de que uma caneta de 1 mg poderá custar entre R$ 130 e R$ 150 em julho de 2027 é apenas uma projeção. Não existe garantia de que esse valor será alcançado.</p><p>A pressão competitiva, porém, é concreta. Em abril de 2026, a Anvisa informou que havia oito processos de semaglutida em análise, sete sintéticos e um biológico, além de outros nove aguardando o início da avaliação. Após o registro do Ozivy, a Agência ainda contabilizava cinco sintéticos e um biológico em análise. Mais produtos aprovados podem reduzir preços, mas cada fabricante precisa demonstrar qualidade, eficácia e segurança antes de vender.</p><h2>Ozivy é seguro?</h2><p>O registro da Anvisa é a evidência regulatória de que o produto atendeu aos requisitos exigidos para sua indicação. A via sintética não torna a caneta automaticamente mais perigosa nem mais segura que a biológica. Ela apenas muda os pontos que precisam ser controlados na fabricação.</p><p>Na prática, a segurança depende de quatro fatores: indicação correta, produto regularizado, conservação adequada e acompanhamento médico. Comprar de origem desconhecida, usar caneta manipulada sem rastreabilidade, deixar o produto fora da geladeira ou aumentar a dose por conta própria elimina parte das garantias que sustentaram a aprovação.</p><p>Náusea e diarreia aparecem na bula como reações muito comuns, acima de 1 em cada 10 usuários. Vômito, indigestão, refluxo, dor abdominal, distensão, prisão de ventre, cálculo biliar, tontura, cansaço, perda de apetite e dor de cabeça aparecem como reações comuns, em até 1 em cada 10 pessoas.</p><p>O risco de hipoglicemia aumenta quando a semaglutida é combinada com insulina ou sulfonilureia. Nesses casos, o médico pode precisar ajustar as outras medicações e intensificar o controle da glicose.</p><h2>Sinais que exigem atendimento médico</h2><p>Alguns sintomas não devem ser tratados como “efeito normal da caneta”:</p><ul><li><p>dor abdominal intensa e persistente, com possível irradiação para as costas, náuseas e vômitos, que pode indicar pancreatite.</p></li><li><p>piora súbita ou rápida da visão.</p></li><li><p>inchaço de rosto, lábios, língua ou garganta, dificuldade para respirar ou engolir.</p></li><li><p>prisão de ventre grave acompanhada de distensão, dor e vômitos.</p></li><li><p>vômitos ou diarreia persistentes com sinais de desidratação.</p></li></ul><p>A semaglutida não deve ser usada durante a gravidez. Quem planeja engravidar deve conversar com o médico para interromper o tratamento pelo menos dois meses antes. Gastroparesia, retinopatia diabética, uso de insulina, doença renal terminal e histórico pessoal ou familiar de carcinoma medular de tireoide ou neoplasia endócrina múltipla tipo 2 exigem avaliação cuidadosa.</p><h2>Conclusão</h2><p>O Ozivy é uma semaglutida sintética brasileira aprovada para diabetes tipo 2, com concentração de 1,34 mg/mL e dose semanal máxima de 1 mg na bula atual. Ele não é genérico do Ozempic, não é Mounjaro e não tem indicação aprovada para obesidade.</p><p>Seu preço menor pode ampliar o acesso e pressionar todo o mercado de GLP-1. A vantagem econômica, porém, só existe de verdade quando o produto é prescrito para a pessoa certa, comprado em canal regular e mantido entre 2 °C e 8 °C. Fora dessas condições, a economia pode virar tratamento ineficaz ou risco desnecessário.</p><h2>FAQ</h2><h3>Ozivy é o genérico do Ozempic?</h3><p>Não. A Anvisa registrou o Ozivy como medicamento novo e análogo sintético de um produto biológico. Ambos contêm semaglutida, mas são fabricados por processos diferentes.</p><h3>Ozivy é aprovado para emagrecer?</h3><p>Não na bula atual. A indicação aprovada é o tratamento de adultos com diabetes tipo 2 insuficientemente controlado. Uso para obesidade é fora da bula e depende de decisão médica individualizada.</p><h3>Qual é a dose do Ozivy?</h3><p>A bula começa com 0,25 mg uma vez por semana por quatro semanas, passa para 0,5 mg semanal e permite aumento médico para 1 mg semanal se a glicemia continuar sem controle adequado.</p><h3>Ozivy pode ficar fora da geladeira?</h3><p>Não. A orientação aprovada exige armazenamento entre 2 °C e 8 °C antes e durante o uso. Depois de aberta, a caneta vale por até 56 dias nessas condições.</p><h3>Ozivy e Mounjaro são a mesma coisa?</h3><p>Não. Ozivy contém semaglutida e age no receptor de GLP-1. Mounjaro contém tirzepatida e atua nos receptores de GIP e GLP-1.</p><h3>Quanto custa o Ozivy?</h3><p>No lançamento, os preços anunciados partiram de cerca de R$ 452 para a apresentação inicial e R$ 498 para a caneta de 1 mg. Valores reais variam por farmácia, estado e programa de desconto.</p><h2>Referências</h2><ol><li><p>MARQUES, Gustavo Lenci. Ozivy: NOVO Ozempic nacional BARATO é SEGURO? [S. l.], 28 jul. 2026. YouTube. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.youtube.com/watch?v=mGk84lWh3ak">https://www.youtube.com/watch?v=mGk84lWh3ak</a>. Acesso em: 2 ago. 2026.</p></li><li><p>AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. Anvisa aprova primeira caneta de semaglutida sintética análoga ao Ozempic para diabetes. Brasília, 26 maio 2026. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/noticias-anvisa/2026/anvisa-aprova-primeira-caneta-de-semaglutida-sintetica-analoga-ao-ozempic-para-diabetes/">https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/noticias-anvisa/2026/anvisa-aprova-primeira-caneta-de-semaglutida-sintetica-analoga-ao-ozempic-para-diabetes/</a>. Acesso em: 2 ago. 2026.</p></li><li><p>EMS S/A. Ozivy<span class="ipsEmoji">®</span>: semaglutida 1,34 mg/mL. Bula do paciente aprovada pela Anvisa em 26 maio 2026. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://bulas-ecommerce.s3.sa-east-1.amazonaws.com/ozivy.bula_46739bbe-50f9-47dc-b126-4c1de23c1699.pdf">https://bulas-ecommerce.s3.sa-east-1.amazonaws.com/ozivy.bula_46739bbe-50f9-47dc-b126-4c1de23c1699.pdf</a>. Acesso em: 2 ago. 2026.</p></li><li><p>AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. Anvisa anuncia novas medidas de combate a irregularidades na importação e manipulação de canetas emagrecedoras. Brasília, 6 abr. 2026. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/noticias-anvisa/2026/anvisa-anuncia-novas-medidas-de-combate-a-irregularidades-na-importacao-e-manipulacao-de-canetas-emagrecedoras">https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/noticias-anvisa/2026/anvisa-anuncia-novas-medidas-de-combate-a-irregularidades-na-importacao-e-manipulacao-de-canetas-emagrecedoras</a>. Acesso em: 2 ago. 2026.</p></li><li><p>AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. Anvisa emite alerta para risco de pancreatite aguda associada ao uso indevido de canetas emagrecedoras. Brasília, 9 fev. 2026. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/noticias-anvisa/2026/anvisa-emite-alerta-para-risco-de-pancreatite-aguda-associada-ao-uso-indevido-de-canetas-emagrecedoras">https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/noticias-anvisa/2026/anvisa-emite-alerta-para-risco-de-pancreatite-aguda-associada-ao-uso-indevido-de-canetas-emagrecedoras</a>. Acesso em: 2 ago. 2026.</p></li><li><p>CONSELHO FEDERAL DE FARMÁCIA. Anvisa inclui semaglutida nacional na lista de medicamentos de referência. Brasília, 15 jul. 2026. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://site.cff.org.br/noticia/Noticias-gerais/15/07/2026/anvisa-inclui-semaglutida-nacional-na-lista-de-medicamentos-de-referencia">https://site.cff.org.br/noticia/Noticias-gerais/15/07/2026/anvisa-inclui-semaglutida-nacional-na-lista-de-medicamentos-de-referencia</a>. Acesso em: 2 ago. 2026.</p></li></ol>]]></description><guid isPermaLink="false">1143</guid><pubDate>Sun, 02 Aug 2026 18:23:00 +0000</pubDate></item><item><title>Sexo melhor come&#xE7;a antes: comunica&#xE7;&#xE3;o, calma e desejo no casal</title><link>https://fisiculturismo.com.br/mat%C3%A9rias/diversos/sexo-melhor-come%C3%A7a-antes-comunica%C3%A7%C3%A3o-calma-e-desejo-no-casal-r1133/</link><description><![CDATA[
<p><img src="https://cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2026_07/intimidade-casal-fitness-quarto-capa.webp.d2f546f588a00aa750ea81ff4011dd72.webp" /></p>
<p>Muita vida sexual ruim não nasce de falta de amor, de falta de atração ou de alguma “falha” misteriosa no corpo. Nasce de pressa, vergonha, comparação, pouco repertório e silêncio. Em “Orgasm Queen: Do This For 20 Minutes Before Having Sex &amp; Your Sex Will Feel Brand New!”, Susan Bratton, no The Diary Of A CEO, defende que prazer adulto depende menos de performance e mais de segurança, comunicação, aprendizado e presença.</p><h2>O problema não é só frequência</h2><p>Uma das ideias centrais é que qualidade vem antes de quantidade. Casais podem tentar resolver a distância íntima contando dias, cobrando frequência ou se comparando com amigos, filmes e expectativas externas. Isso costuma aumentar culpa e pressão.</p><p>Quando a intimidade vira obrigação, o corpo tende a responder pior. A pessoa entra na cama pensando no que “deveria” acontecer, no que o parceiro espera ou no medo de frustrar alguém. A resposta sexual, especialmente em muitas mulheres, não funciona bem sob cobrança.</p><p>Por isso a proposta prática começa pequena: voltar ao toque, ao abraço, à fala honesta e à sensação de segurança antes de transformar tudo em meta.</p><h2>Os 20 minutos antes podem mudar tudo</h2><p>O ponto mais repetido é simples: muita gente tenta chegar ao sexo como se o corpo já estivesse pronto. Para muitas mulheres, a excitação precisa de tempo para sair da cabeça, reduzir tensão, aumentar fluxo sanguíneo genital e transformar toque em prazer.</p><p>A marca de 15, 20 ou 30 minutos aparece como um lembrete contra a pressa. Não se trata de cronômetro rígido. A mensagem é desacelerar. Beijo, abraço, massagem, elogio, carinho e presença não são “preliminares” menores. Eles são parte do sexo.</p><p>Essa ideia dialoga com modelos mais modernos de resposta sexual, que dão espaço para desejo responsivo, contexto emocional e fatores de relacionamento. Nem todo mundo começa com desejo espontâneo. Às vezes, o desejo aparece depois que o ambiente fica seguro, agradável e sem cobrança.</p><h2>Segurança sem novidade vira rotina</h2><p>Segurança é fundamental: confiança, respeito, consentimento, cuidado com ISTs e liberdade para dizer sim, não ou talvez. Mas segurança sozinha pode virar previsibilidade excessiva.</p><p>A equação defendida é que desejo precisa de segurança e variedade. O casal precisa sentir que pode falar de vontade, fantasia e limite sem humilhação. A partir daí, entra a novidade: lugares diferentes, roupas diferentes, brinquedos, combinações novas, rituais de encontro, diálogos sobre curiosidades e experiências que os dois queiram testar.</p><p>A novidade não precisa ser extrema. Pode ser apenas trocar o roteiro automático por uma noite sem pressa, sem obrigação de penetração, sem cobrança de orgasmo e com foco em descobrir o que está vivo naquele momento.</p><h2>Comunicação é habilidade, não bronca</h2><p>Falar sobre sexo costuma ser difícil porque muita gente ouve desejo como crítica. “Eu queria tentar algo” vira “você não é suficiente”. “Isso não está funcionando para mim” vira “você falhou”.</p><p>O acordo sugerido é outro: quando alguém fala do que sente, deseja ou teme, o parceiro recebe aquilo como informação útil, não como ataque. Essa mudança de postura é enorme. O objetivo não é vencer discussão, é criar um espaço onde necessidades possam aparecer antes de virarem ressentimento.</p><p>Na prática, isso pode significar perguntas simples:</p><ul><li><p>O que faria você se sentir mais relaxado hoje?</p></li><li><p>Tem algo pequeno que você gostaria de testar sem compromisso?</p></li><li><p>Existe algo que está criando pressão ou vergonha?</p></li><li><p>O que você quer manter igual e o que gostaria de variar?</p></li></ul><h2>Trauma, vergonha e desconexão precisam de cuidado</h2><p>A história pessoal apresentada inclui trauma, dissociação e uma fase de afastamento no casamento. A dissociação é descrita como estar fisicamente presente, mas emocionalmente distante, como uma forma de proteção.</p><p>Esse ponto exige cuidado. Trauma sexual, dor, vergonha intensa, medo, repulsa persistente ou sensação de “sair do corpo” durante a intimidade não devem ser tratados como simples falta de técnica. Terapia sexual, psicoterapia, terapia de casal ou acompanhamento especializado podem ser necessários.</p><p>A própria ciência reconhece que trauma sexual pode se associar a dificuldades sexuais e sintomas de estresse pós-traumático. Portanto, a leitura mais responsável é esta: aprender habilidades ajuda muitos casais, mas não substitui tratamento quando há sofrimento relevante.</p><h2>Libido, desejo e excitação não são sinônimos</h2><p>Outro bloco importante separa libido, desejo e excitação. Libido aparece ligada ao estado geral de saúde, energia, sono, estresse, hormônios e bem-estar. Desejo envolve autoestima, imagem corporal, vínculo e vontade de se aproximar. Excitação é a resposta fisiológica e sensorial do corpo.</p><p>Confundir tudo em uma palavra só atrapalha. Uma pessoa pode amar o parceiro e ainda estar exausta. Pode querer intimidade emocional, mas não estar excitada. Pode ter desejo depois de começar, não antes. Pode precisar de mais tempo, mais segurança ou menos cobrança.</p><p>Essa distinção também evita respostas simplistas. Menopausa, queda hormonal, medicamentos, dor, depressão, ansiedade, conflitos de relacionamento e rotina podem afetar a vida íntima. Quando há mudança importante de libido, dor persistente ou disfunção sexual, vale procurar avaliação profissional.</p><h2>Brinquedos, pornografia e rotina</h2><p>Brinquedos sexuais são tratados como ferramentas, não como ameaça. O raciocínio é parecido com qualquer outro recurso: se os dois adultos consentem, se não há dor, coerção ou constrangimento, pode ser uma forma de explorar sensações e reduzir o roteiro automático.</p><p>Pornografia recebe uma crítica mais cultural do que moralista. O problema não é apenas assistir ou não assistir, mas usar pornografia como modelo principal de sexo. Isso pode empurrar pessoas para uma lógica de pressa, performance e fricção, quando a proposta central é conexão, presença e prazer compartilhado.</p><p>Masturbação, por outro lado, é apresentada sem vergonha. Pode ajudar a conhecer o próprio corpo, fantasias e respostas. O limite aparece quando o hábito substitui vínculo, alimenta compulsão ou cria expectativas desconectadas da vida real.</p><h2>ISTs, consentimento e limites</h2><p>Quando o casal considera múltiplos parceiros, novas experiências ou relações abertas, a segurança deixa de ser detalhe. Testagem de IST, preservativo, consentimento claro e acordos transparentes precisam vir antes da aventura.</p><p>A OMS define saúde sexual como bem-estar físico, emocional, mental e social relacionado à sexualidade, com experiências prazerosas e seguras, livres de coerção, discriminação e violência. Isso resume o limite ético da pauta: prazer adulto só faz sentido com autonomia, respeito e proteção.</p><h2>Conclusão</h2><p>Sexo melhor não nasce de cobrança. Nasce de repertório, honestidade, cuidado com o corpo, tempo suficiente para excitação, proteção contra ISTs e coragem para dizer o que sente sem transformar desejo em acusação.</p><p>A grande lição é trocar a pergunta “por que não estamos fazendo mais?” por “como podemos criar mais segurança, prazer e curiosidade juntos?”. Para muitos casais, esse deslocamento já muda o clima do quarto antes de qualquer técnica.</p><h2>FAQ</h2><h3>Os 20 minutos antes do sexo são uma regra?</h3><p>Não. O número funciona como lembrete contra a pressa. Algumas pessoas precisam de menos tempo, outras de mais. O ponto é criar relaxamento, conexão e excitação antes de exigir resposta do corpo.</p><h3>Falta de desejo significa falta de amor?</h3><p>Não necessariamente. Estresse, sono ruim, dor, medicamentos, vergonha, conflito, rotina e mudanças hormonais podem afetar desejo e excitação mesmo quando há amor.</p><h3>Brinquedos sexuais atrapalham o relacionamento?</h3><p>Não por si só. Quando existe consentimento e diálogo, podem ser ferramentas de exploração. O problema é usar qualquer prática como pressão, substituição de diálogo ou imposição.</p><h3>Pornografia sempre faz mal?</h3><p>Não é possível reduzir o tema a uma regra única. O risco aumenta quando a pornografia vira modelo principal de sexo, cria expectativa irreal ou substitui conexão com o parceiro.</p><h3>Quando procurar ajuda profissional?</h3><p>Quando há dor, trauma, medo, dissociação, sofrimento persistente, queda importante de libido, conflito recorrente ou dificuldade que o casal não consegue resolver sozinho.</p><h2>Referências</h2><ol><li><p>THE DIARY OF A CEO. Orgasm Queen: Do This For 20 Minutes Before Having Sex and Your Sex Will Feel Brand New! [S. l.], 5 dez. 2024. YouTube. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://youtu.be/LLMCd3WbgGk">https://youtu.be/LLMCd3WbgGk</a>. Acesso em: 30 jul. 2026.</p></li><li><p>WORLD HEALTH ORGANIZATION. Sexual health. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.who.int/health-topics/sexual-health">https://www.who.int/health-topics/sexual-health</a>. Acesso em: 30 jul. 2026.</p></li><li><p>BASSON, Rosemary. Human sex-response cycles. <em>Journal of Sex &amp; Marital Therapy</em>, 2001. DOI: 10.1080/00926230152035831. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/11224952/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/11224952/</a>. Acesso em: 30 jul. 2026.</p></li><li><p>MALLORY, Allen B. Dimensions of couples' sexual communication, relationship satisfaction, and sexual satisfaction: a meta-analysis. <em>Journal of Family Psychology</em>, 2022. DOI: 10.1037/fam0000946. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34968095/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34968095/</a>. Acesso em: 30 jul. 2026.</p></li><li><p>O'DRISCOLL, Ciarán. FLANAGAN, Esther. Sexual problems and post-traumatic stress disorder following sexual trauma: a meta-analytic review. <em>Psychology and Psychotherapy</em>, 2016. DOI: 10.1111/papt.12077. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/26449962/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/26449962/</a>. Acesso em: 30 jul. 2026.</p></li><li><p>CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION. STI testing. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.cdc.gov/sti/testing/index.html">https://www.cdc.gov/sti/testing/index.html</a>. Acesso em: 30 jul. 2026.</p></li></ol>]]></description><guid isPermaLink="false">1133</guid><pubDate>Thu, 30 Jul 2026 22:56:00 +0000</pubDate></item><item><title>Finaliza&#xE7;&#xE3;o no fisiculturismo: &#xE1;gua, s&#xF3;dio, carbo e os erros que custam o palco</title><link>https://fisiculturismo.com.br/mat%C3%A9rias/diversos/finaliza%C3%A7%C3%A3o-no-fisiculturismo-%C3%A1gua-s%C3%B3dio-carbo-e-os-erros-que-custam-o-palco-r1120/</link><description><![CDATA[
<p><img src="https://cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2026_07/marcelo-veronez-aula-finalizacao-fisiculturismo-capa.webp.db59ea936d6ded9cd2b0348f48e6712a.webp" /></p>
<p>Peak week não é a semana de inventar milagre. É a semana em que um físico pronto pode ser polido ou destruído por detalhes pequenos: 100 ml de água, alguns gramas de sódio, um corte de carboidrato mal calculado, gordura demais no backstage ou uma tentativa desesperada de bater peso. Em "Estratégias de Finalização no Fisiculturismo", do Saúde &amp; Hipertrofia Podcast, Marcelo Veronez apresenta a finalização como uma operação de precisão, cheia de números, exemplos práticos e alertas de risco.</p><p>Esta matéria é informativa. As quantidades abaixo aparecem como exemplos de preparação competitiva relatados na aula, não como prescrição. Manipular água, sódio, carboidrato, diuréticos, estimulantes ou hormônios pode trazer risco real, especialmente sem exames, equipe habilitada e acompanhamento individual.</p><h2>Finalização não corrige uma preparação atrasada</h2><p>A primeira lição concreta é dura: finalização não afina pele que ainda está grossa. Se o atleta chega à semana final com dobra alta, gordura restante, água difícil de controlar ou categoria mal escolhida, não existe truque limpo capaz de compensar meses mal conduzidos.</p><p>O alvo da peak week é encaixar o que já está pronto. O trabalho anterior precisa entregar pele fina, boa condição, pose treinada, categoria coerente, saúde monitorada e histórico de resposta. Quando isso não existe, a última semana vira palco para desespero: cortar demais, desidratar demais, usar fármaco demais e acabar piorando o físico.</p><p>Por isso o erro de finalização costuma custar caro. Um atleta pode parecer ruim no palco e ficar excelente horas depois. Também pode chegar espetacular na pesagem e aparecer murcho, flat ou embaçado no dia seguinte. O detalhe decide porque o fisiculturismo julga aparência em uma janela curta.</p><h2>Os números de água e sódio citados</h2><p>A estratégia de hiperidratação apresentada trabalha com uma faixa aproximada de <strong>100 a 140 ml de água por kg corporal</strong>. O exemplo mais didático é um atleta de 100 kg chegando a algo próximo de <strong>12 a 13 litros de água por dia</strong>.</p><p>O sódio não é tratado como inimigo. Pelo contrário, entra como ferramenta para manter pressão, treino e volume intramuscular. A regra prática citada foi de aproximadamente <strong>1 g de sódio para cada litro de água</strong>. No exemplo de 12 litros de água, entram cerca de <strong>12 g de sódio</strong>.</p><p>Antes da finalização, a ingestão diária relatada para muitos atletas fica em torno de <strong>3 a 4 g de sódio</strong>. Na semana final, o sódio passa a ser monitorado de forma mais rígida. A lógica é simples: sem sódio, a pressão cai, o treino desliga, a água não fica onde deveria e o músculo pode perder volume.</p><p>Um exemplo operacional apareceu no treino sem carboidrato: dentro de uma meta diária de 12 g de sódio, uma estratégia citada foi separar <strong>1 g no pré-treino</strong> e <strong>1 g no intra-treino</strong>, deixando o restante distribuído no dia. A função seria evitar queda de pressão e manter o atleta funcional em uma fase de carbo muito baixo.</p><h2>Como o corte de água foi descrito</h2><p>A água não sobe em pirâmide na estratégia descrita. Ela fica alta desde o começo e depois cai em etapas. O exemplo para campeonato no sábado foi:</p><ul><li><p>sábado a quarta: água alta constante</p></li><li><p>quinta: primeiro corte, cerca de <strong>50%</strong> da água</p></li><li><p>sexta: novo corte para aproximadamente <strong>1/4</strong> da água inicial</p></li><li><p>sábado: apenas um resto de água para refeição, aquecimento, sódio e backstage</p></li></ul><p>No exemplo de 12 litros, isso poderia significar algo como 6 litros na quinta, cerca de 1,5 litro na sexta e algo próximo de <strong>300 a 400 ml</strong> no dia do palco, sempre dependendo do atleta, da categoria e do horário de apresentação.</p><p>O ponto mais importante é evitar o corte total. A ideia apresentada é que cortar água cedo demais pode acionar compensações hormonais, especialmente via aldosterona, favorecendo retenção no momento errado. O objetivo não é subir sem água nenhuma. É manter água suficiente para carb-up, pump, sódio e controle visual.</p><h2>Carboidrato: deserto no começo, paulada depois</h2><p>No início da semana, o carboidrato cai muito. A fase foi descrita quase como um deserto: proteína, folhas, alguma gordura e praticamente nada de carboidrato direto, salvo pequenas quantidades vindas de vegetais.</p><p>A lógica é depletar glicogênio para depois supercompensar. Quando o carboidrato volta, ele entra com água ainda presente e com sódio controlado, para preencher o músculo. A referência fisiológica usada é conhecida: cada grama de glicogênio pode carregar cerca de <strong>3 g de água</strong>.</p><p>O exemplo prático de carb-up foi:</p><ul><li><p>quinta-feira: início do carbo com cerca de <strong>4 g/kg</strong></p></li><li><p>sexta-feira: carga maior, chegando a cerca de <strong>10 g/kg</strong></p></li><li><p>sábado: ajuste fino com carboidratos simples, sódio, água residual e aquecimento</p></li></ul><p>Esses números não são universais. O próprio raciocínio depende de peso, categoria, condição, digestão, resposta ao treino, quantidade de água restante e aparência a cada feedback. A regra prática é avaliar o físico o tempo todo, não seguir planilha cega.</p><h2>Feedback não é detalhe: é o painel de controle</h2><p>Na semana final, feedback pouco frequente é receita para erro. A prática descrita envolve atualizações constantes, com fotos, peso, poses e aparência visual.</p><p>Na fase geral da preparação, as atualizações podem acontecer a cada 15 dias. A seis semanas do campeonato, tendem a virar semanais. Na finalização, o controle pode ficar muito mais apertado, com checagens várias vezes ao dia. Um exemplo citado foi avaliar o atleta a cada três refeições durante o carb-up.</p><p>Sem registro, ninguém sabe por que algo funcionou. Pode ter sido água, sódio, carbo, treino, pose, horário, digestão ou apenas sorte. Anotar permite repetir acertos e evitar que a próxima finalização vire adivinhação.</p><h2>Categoria muda completamente a mão</h2><p>Bikini, wellness, men's physique, classic physique e bodybuilding não pedem o mesmo visual. Esse ponto muda água, treino, carbo, pump, corte e até o quanto a pele deve parecer marcada.</p><p>Na bikini, puxar demais pode criar estriamentos e marcações indesejadas. A aparência precisa manter glúteo cheio, cintura limpa e sutileza. Por isso, uma bikini pode não ficar tempo demais em procedimento agressivo.</p><p>Na wellness, o glúteo precisa aparecer cheio, tridimensional e com mais corte. A finalização pode ser mais parecida com rotinas de bodybuilder em alguns casos, porque a categoria exige condição mais dura no conjunto inferior.</p><p>Em categorias masculinas, especialmente classic e bodybuilding, o cuidado com perna perto do palco é grande. Estimular demais quadríceps pode gerar edema e embaçar cortes. O foco pode ir para ombros, dorsal, peito, braços e pontos fracos que ajudam o físico a parecer mais cheio no lineup.</p><h2>Treino na reta final: 30 a 40 minutos e sem heroísmo</h2><p>Treinar pesado demais na reta final pode cobrar caro. O atleta está com pouco carbo, menos água intramuscular e maior risco de lesão. A proposta prática é treino curto, rápido e direcionado, muitas vezes na faixa de <strong>30 a 40 minutos</strong>.</p><p>O foco não é recorde de carga. É sinalizar musculatura, depletar onde precisa, favorecer entrada de carboidrato e melhorar a apresentação. Na linguagem prática: menos força máxima, mais estímulo eficiente.</p><p>Para wellness, a sinalização de glúteo pode aparecer todos os dias, mas com exercícios que não destruam a perna: extensão de quadril, abdução, polia, banco romano e movimentos que gerem pump sem edema pesado. Agachamento e passada perto do palco podem ser má escolha se aumentarem inflamação ou inchaço.</p><p>Para homens, o estímulo tende a mirar upper body e pontos que precisam aparecer cheios: deltoides, dorsal, peito e braços. Pernas podem descansar por vários dias quando o risco de edema atrapalha mais do que ajuda.</p><h2>Cárdio: mínimo, máximo e quando reduzir</h2><p>O cárdio entra como ferramenta de condição, não como castigo automático. A referência prática citada foi trabalhar acima de cerca de <strong>120 batimentos por minuto</strong> para manter uma zona útil de gasto e oxidação de gordura.</p><p>Um mínimo recorrente apareceu em torno de <strong>40 minutos</strong>, mas há atletas que chegam a <strong>2 horas por dia</strong>, dependendo da condição, da categoria e da necessidade de bater peso. Em atletas já muito condicionados, o cárdio pode ser reduzido para não depletar demais.</p><p>Também existe uma hierarquia: musculação vem antes, cárdio depois. Fazer cárdio pesado antes do treino pode gastar o pouco glicogênio disponível e piorar a sessão que deveria sinalizar o músculo certo.</p><h2>Pose também é treino</h2><p>Pose não é decoração. É parte do condicionamento. Segurar poses aumenta frequência cardíaca, gasta energia, ensina respiração, melhora controle corporal e ajuda o atleta a mostrar o que construiu.</p><p>A prática extrema citada chegou a <strong>4 horas de pose por dia</strong> em preparação pessoal. Em alguns casos, pose pode substituir parte do cárdio, porque mantém gasto e treina exatamente o que será exigido no palco.</p><p>O detalhe visual importa. Um tríceps mostrado no ângulo certo, uma dorsal melhor aberta, um sorriso, uma transição limpa ou uma coreografia mais segura podem mudar o olhar da arbitragem. Físico bom sem pose vira oportunidade desperdiçada.</p><h2>Backstage: carbo simples, sódio e pouca gordura</h2><p>No backstage, a competição ainda está acontecendo. O físico pode encher, apagar, distender cintura ou ganhar pump conforme comida, sódio, água, aquecimento e tempo.</p><p>Os alimentos mais citados para essa fase foram:</p><ul><li><p>bolacha de arroz</p></li><li><p>mel</p></li><li><p>banana</p></li><li><p>aveia em situações específicas</p></li><li><p>pão branco com cuidado por causa de fermentação</p></li><li><p>doce de leite em ajustes pontuais</p></li></ul><p>Gordura foi colocada como algo a evitar perto do palco, porque atrasa digestão e pode piorar a linha de cintura. A função ali não é prazer alimentar. É glicemia, glicogênio, sódio, água residual e pump.</p><p>O aquecimento também tem método. Uma wellness deve estimular glúteo. Um bodybuilder precisa entrar com peito, braços e dorsal vivos. Bikini precisa preservar sutileza. Aquecer tudo sem critério pode roubar o foco da categoria.</p><p>O tempo de aquecimento citado pode chegar a <strong>1h30 a 2h</strong>, com monitoramento visual. Não é apenas fazer 10 minutos antes de subir. É observar o físico e ajustar até o momento certo.</p><h2>Bomba de sódio não é festa livre</h2><p>A ideia de bomba de sódio foi tratada com cuidado. Se o sódio já foi monitorado durante a semana, não faz sentido jogar hambúrguer, salgadinho ou pizza por impulso apenas porque alguém acredita que “precisa de sal”.</p><p>Quando o físico está flat, a solução tende a ser carboidrato. Quando o físico começa a perder densidade, uma entrada de sódio pode fazer sentido. São problemas diferentes.</p><p>O exemplo mais controlado foi manipular sódio com sachês de <strong>1 g</strong>, não com comida aleatória. Em um atleta muito consolidado e empedrado, foi citado uso pontual de pizza cerca de <strong>4 horas antes</strong> do palco, mas isso apareceu como caso específico, não como regra.</p><h2>Diurético: carta extrema para peso, não ferramenta comum</h2><p>Diurético foi apresentado como a parte mais perigosa da finalização. A utilidade defendida foi muito restrita: bater peso quando a categoria exige, não “puxar água” de qualquer atleta.</p><p>Um exemplo real envolveu atleta que deveria bater <strong>82 kg</strong>, mas chegou na balança entre <strong>86 e 87 kg</strong> por erro de balança própria. A solução extrema combinou supositório, corrida, exercícios como polichinelo e burpee, além de diurético em janela curta. O atleta bateu peso, mas subiu pior e ficou vice. A lição é clara: dar certo na balança pode custar o título no palco.</p><p>O alerta fisiológico é sério. Diuréticos podem mexer com água intramuscular e eletrólitos. Quando entram junto com desidratação, estimulantes e uso hormonal, o risco deixa de ser estético e passa a ser cardiovascular.</p><p>O texto responsável é direto: diurético não é ferramenta recreativa de academia. O uso sem indicação e acompanhamento médico pode causar desequilíbrio de potássio, sódio, pressão, ritmo cardíaco e função renal.</p><h2>Farmacologia apareceu, mas não como receita</h2><p>A aula entrou em farmacologia competitiva de forma explícita, com menções a retirada de injetáveis, testosterona, GH, orais de finalização, estimulantes, tireoidianos, clembuterol, diuréticos e drogas usadas em pulso. Essa parte precisa ser lida como retrato de bastidor do fisiculturismo, não como recomendação.</p><p>Foram citadas práticas como retirar testosterona injetável alguns dias antes, cortar GH entre <strong>7 e 10 dias</strong> em determinados cenários e usar orais de finalização apenas quando necessário. Também apareceram exemplos de drogas de pulso antes do treino, além de estanozolol em mulheres e halotestin, superdrol ou hemogenin em homens.</p><p>Esses exemplos têm risco. Esteroides, estimulantes, tireoidianos, GH, clembuterol e diuréticos podem afetar pressão, coração, lipídios, fígado, rim, humor, sono, fertilidade e eixo hormonal. A informação útil para o leitor não é copiar nomes. É entender que quanto mais variável farmacológica entra, mais obrigação existe de exame, experiência, critério e supervisão profissional.</p><h2>O erro que mata: fazer demais tarde demais</h2><p>A explicação para tragédias na semana final foi direta: muita gente não faz o processo, chega atrasada e tenta acelerar com desidratação extrema, diurético, estimulante e fármaco em cima da hora.</p><p>O risco aumenta quando o atleta já usa hormônios, está com hematócrito alto, hidrata mal e ainda corta água agressivamente. Uma referência prática citada foi hidratação diária de cerca de <strong>30 ml/kg</strong> para uma pessoa comum e <strong>50 ml/kg</strong> para quem usa esteroides, como raciocínio de cuidado com massa muscular, sangue e hidratação. Isso também não é prescrição individual, mas mostra a preocupação com sangue mais denso, pressão e risco trombótico.</p><p>Se exames mostram risco real, a preparação deve parar. Troféu nenhum compensa colapso renal, arritmia, trombose, pancreatite, desmaio ou internação. O atleta precisa sair vivo do palco.</p><h2>Exames e tempo de preparação são parte do protocolo</h2><p>Uma regra prática importante foi não preparar atleta em janela curta demais. A preferência apresentada é trabalhar com cerca de <strong>20 semanas</strong>, porque isso permite ajustar dieta, treino, cárdio, saúde e resposta sem precisar socar medidas extremas no fim.</p><p>A promessa de “preparar em 8 semanas” foi tratada como erro. Quanto menor a janela, maior a tentação de corrigir tudo com agressividade. O corpo pode até responder por algum tempo, mas a margem de segurança fica menor.</p><p>Exames laboratoriais entram como linha vermelha. Hematócrito, eletrólitos, função renal, pressão, marcadores hepáticos, glicemia, perfil lipídico e avaliação clínica são parte da responsabilidade. Monitorar não torna abuso seguro, mas reduz cegueira.</p><h2>Alimentos, microbiota e cintura</h2><p>A cintura não depende apenas de abdômen contraído. Digestão, microbiota, fibras, frutas, iogurte e controle de fermentação também entram no físico de palco.</p><p>Foram citados recursos digestivos e de controle de distensão, como enzimas digestivas, simeticona, domperidona, vitamina C e estratégias intestinais em casos específicos. Isso não deve virar automedicação. O ponto principal é que digestão e linha de cintura fazem parte da preparação, especialmente quando o carb-up sobe e o atleta precisa parecer cheio sem parecer estufado.</p><p>Também apareceu um recado forte contra a ideia de que medicamento “seca”. Não seca. Condição vem de déficit calórico, cárdio, treino, rotina, tempo e aderência. Fármacos podem mudar apetite, retenção, performance ou risco, mas não substituem o processo.</p><h2>As lições concretas da aula</h2><ul><li><p>finalização polimenta físico pronto, não salva preparação atrasada</p></li><li><p>água pode chegar a 100-140 ml/kg em hiperidratação, conforme categoria e resposta</p></li><li><p>sódio foi usado no exemplo como 1 g por litro de água</p></li><li><p>cortar sódio cedo demais pode derrubar pressão, treino e volume muscular</p></li><li><p>carbo pode cair quase a zero no começo e voltar com 4 g/kg a 10 g/kg em exemplos de carb-up</p></li><li><p>água não precisa zerar no palco, ainda pode restar 300-400 ml para manejo final</p></li><li><p>treino final deve sinalizar, não destruir</p></li><li><p>pose é treino e pode decidir comparação</p></li><li><p>backstage exige carbo simples, sódio calculado, pouca gordura e aquecimento específico</p></li><li><p>diurético é medida extrema, não rotina</p></li><li><p>exames e tempo de preparação são parte da segurança</p></li><li><p>o atleta precisa de registro, feedback e treinador capaz de ajustar sem improviso</p></li></ul><h2>Conclusão</h2><p>Finalização no fisiculturismo não é frase genérica sobre água, sódio e carboidrato. É uma sequência de decisões concretas: quanto beber, quando cortar, quanto sódio manter, quando iniciar carbo, que músculo estimular, que alimento usar no backstage, quanto aquecer e quando parar.</p><p>A grande lição é que precisão não significa agressividade cega. Os números só fazem sentido dentro de categoria, histórico, exames, resposta individual e acompanhamento competente. Sem isso, o que parece protocolo vira roleta. O atleta que chega pronto precisa de ajuste fino. O atleta que chega atrasado não deveria pagar a conta com a própria saúde.</p><h2>FAQ</h2><h3>Quais números de água foram citados para peak week?</h3><p>A faixa relatada foi de cerca de 100 a 140 ml/kg, com exemplo de atleta de 100 kg usando algo próximo de 12 a 13 litros por dia. Isso não é recomendação universal.</p><h3>Quanto sódio apareceu no exemplo?</h3><p>O exemplo foi de aproximadamente 1 g de sódio por litro de água. Em 12 litros de água, seriam cerca de 12 g de sódio, com ajustes conforme atleta e categoria.</p><h3>O carboidrato zera na finalização?</h3><p>No começo da estratégia relatada, o carbo cai ao mínimo possível. Depois volta no carb-up, com exemplos de 4 g/kg na quinta e até 10 g/kg na sexta para campeonato no sábado.</p><h3>A água deve ser cortada totalmente?</h3><p>Não dentro da lógica apresentada. O corte total foi tratado como armadilha. Ainda pode restar pequena quantidade de água para refeição, sódio, pump e backstage.</p><h3>Diurético é parte normal da finalização?</h3><p>Não deveria ser. A utilidade apresentada foi extrema e ligada a bater peso. Diuréticos podem causar desequilíbrio de eletrólitos, piora de função renal e risco cardiovascular.</p><h3>Esses números podem ser copiados por atletas amadores?</h3><p>Não. São exemplos de preparação competitiva. Copiar água, sódio, carbo ou fármacos sem avaliação individual pode piorar o físico e colocar a saúde em risco.</p><h2>Referências</h2><ol><li><p>SAÚDE &amp; HIPERTROFIA PODCAST. Episódio - 05: ESTRATÉGIAS DE FINALIZAÇÃO NO FISICULTURISMO - TREINADOR E COACH MARCELO VERONEZ. YouTube, 11 maio 2025. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.youtube.com/live/_2AihrTSrxw">https://www.youtube.com/live/_2AihrTSrxw</a>. Acesso em: 31 jul. 2026.</p></li><li><p>ESCALANTE, Guillermo et al. Peak week recommendations for bodybuilders: an evidence based approach. <em>Journal of the International Society of Sports Nutrition</em>, 2021. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC8201693/">https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC8201693/</a>. Acesso em: 31 jul. 2026.</p></li><li><p>HELMS, Eric R. et al. Evidence-based recommendations for natural bodybuilding contest preparation: nutrition and supplementation. <em>Journal of the International Society of Sports Nutrition</em>, 2014. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/24864135/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/24864135/</a>. Acesso em: 31 jul. 2026.</p></li><li><p>ANAWALT, Bradley D. Diagnosis and Management of Anabolic Androgenic Steroid Use. <em>The Journal of Clinical Endocrinology &amp; Metabolism</em>, 2019. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30753550/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30753550/</a>. Acesso em: 31 jul. 2026.</p></li></ol>]]></description><guid isPermaLink="false">1120</guid><pubDate>Tue, 28 Jul 2026 19:49:00 +0000</pubDate></item><item><title>Menopausa e terapia hormonal: rem&#xE9;dio certo depende do risco certo</title><link>https://fisiculturismo.com.br/mat%C3%A9rias/diversos/menopausa-e-terapia-hormonal-rem%C3%A9dio-certo-depende-do-risco-certo-r1116/</link><description><![CDATA[
<p><img src="https://cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2026_07/terapia-hormonal-menopausa-medicamentos-capa.webp.35164b818f92a2ea1853895de5d753bd.webp" /></p>
<p>Perimenopausa e menopausa não se resumem a calorão. Em <em>"The Real Truth About Menopause Treatments"</em>, a ginecologista Mary Claire Haver defende que a queda de estrogênio deve ser entendida como uma mudança biológica ampla, capaz de afetar sono, humor, trato geniturinário, ossos, composição corporal, cabelo, pele e saúde metabólica. A mensagem mais importante é simples: terapia hormonal pode ser útil, mas depende de indicação, janela de oportunidade, via de uso, tipo de hormônio e contraindicações.</p><p>Duas simplificações precisam cair. A primeira é achar que toda reposição hormonal é perigosa porque o estudo Women's Health Initiative mudou a percepção pública no início dos anos 2000. A segunda é imaginar que qualquer suplemento, erva ou protocolo manipulado substitui uma avaliação médica bem feita. Na prática, os medicamentos entram como parte de um conjunto maior que inclui nutrição, treino de força, sono, exames e acompanhamento.</p><h2>O erro de tratar menopausa como um único sintoma</h2><p>A definição clássica de menopausa exige 12 meses sem menstruação, mas a transição ovariana começa antes. Muitas mulheres chegam à fase final após anos de oscilação hormonal, com ciclos irregulares ou ainda menstruando, mas já com sintomas. Fogachos e suor noturno são marcadores conhecidos, só que não esgotam o quadro.</p><p>A queda de estrogênio pode aparecer como insônia, névoa mental, ressecamento vaginal, dor na relação sexual, infecções urinárias recorrentes, piora de dores articulares, perda de massa magra, aumento de gordura visceral, alteração de colesterol, queda de cabelo e mudança de pele. Nem toda queixa nessa fase é menopausa. Tireoide, anemia, deficiência de ferro, deficiência de vitamina D, depressão, distúrbios do sono, doenças autoimunes e medicamentos também precisam entrar na investigação.</p><h2>WHI: o estudo que assustou uma geração</h2><p>O Women's Health Initiative foi um ensaio grande e importante, mas sua interpretação pública virou uma frase curta demais: "estrogênio causa câncer de mama". O braço de estrogênio mais progestina foi interrompido em 2002 após aumento de alguns desfechos, incluindo câncer de mama invasivo, AVC e embolia pulmonar. O regime estudado era estrogênios conjugados equinos associados a acetato de medroxiprogesterona em mulheres de 50 a 79 anos, com média de idade acima da mulher recém-menopausada típica.</p><p>Esse detalhe muda a leitura. O próprio seguimento posterior do WHI mostrou um padrão complexo, com diferenças entre estrogênio isolado e estrogênio combinado com progestina, além de variação conforme idade e tempo desde a menopausa. Diretrizes atuais não recomendam terapia hormonal para prevenir doença crônica de forma ampla, mas reconhecem sua utilidade para sintomas vasomotores, síndrome geniturinária da menopausa e prevenção de perda óssea em mulheres selecionadas.</p><h2>Janela de oportunidade não é passe livre</h2><p>A posição de 2022 da North American Menopause Society resume bem a lógica atual. Para mulheres com menos de 60 anos ou até 10 anos após o início da menopausa, sem contraindicações, a relação risco-benefício tende a ser mais favorável para tratar sintomas incômodos e prevenir perda óssea. Depois dos 60 anos ou mais de 10 anos após a menopausa, o risco absoluto de doença coronariana, AVC, tromboembolismo venoso e demência pesa mais.</p><p>Isso não transforma reposição hormonal em tratamento automático. Histórico de câncer sensível a estrogênio, trombose, AVC, doença coronariana, doença hepática, sangramento uterino sem causa definida e outros fatores podem mudar completamente a conduta. O ponto correto é individualizar, reavaliar periodicamente e usar a menor estratégia eficaz para o objetivo clínico real.</p><h2>Estradiol: adesivo, gel, creme, comprimido e anel não são iguais</h2><p>O estradiol pode ser administrado por vias diferentes. A via transdérmica, como adesivo ou gel, costuma ser valorizada porque evita o primeiro metabolismo hepático. Isso pode ser relevante para risco trombótico, inflamação e perfil de coagulação, especialmente em mulheres com fatores de risco.</p><p>O comprimido oral pode ter vantagens pontuais em alguns marcadores, mas também passa pelo fígado antes de circular pelo corpo. Já o estrogênio vaginal de baixa dose tem outro papel: tratar sintomas geniturinários locais, como ressecamento, dor, ardor e recorrência urinária, com menor exposição sistêmica. Para mulheres sem indicação de terapia hormonal sistêmica, diretrizes citam estrogênio vaginal de baixa dose, dehidroepiandrosterona vaginal ou ospemifeno como opções possíveis.</p><h2>Progesterona protege o endométrio quando há útero</h2><p>Quando uma mulher com útero usa estrogênio sistêmico, a progesterona ou um progestagênio geralmente entra para proteger o endométrio. Estrogênio sem oposição pode estimular o revestimento uterino e aumentar risco de hiperplasia e câncer endometrial.</p><p>A diferença entre progesterona micronizada e progestinas sintéticas também importa. O WHI usou acetato de medroxiprogesterona, que não é a mesma coisa que progesterona micronizada. Isso não significa que uma opção seja isenta de risco, mas significa que não dá para colocar todos os regimes na mesma caixa. Tipo, dose, via, duração e perfil da paciente mudam a equação.</p><h2>"Bioidêntico" virou palavra de marketing</h2><p>"Bioidêntico" costuma ser vendido como sinônimo de natural e seguro, mas essa leitura é fraca. Mesmo moléculas obtidas a partir de precursores vegetais passam por processamento em laboratório. A pergunta clínica mais útil não é se o rótulo parece natural. É se a formulação tem dose previsível, controle de qualidade, evidência, acompanhamento e indicação.</p><p>Formulações manipuladas podem ter lugar quando opções comerciais não atendem uma necessidade específica, mas também podem abrir espaço para excesso de promessa, variação de dose e protocolos caros. Menopausa não precisa virar um cardápio confuso de ratios hormonais, exames repetidos sem propósito e suplementos vendidos como se fossem reposição ovariana.</p><h2>Testosterona feminina: possível, mas muito mais limitada</h2><p>A testosterona aparece na pauta por libido, bem-estar sexual, energia, clareza mental e massa muscular. A evidência mais consistente, porém, é para desejo sexual hipoativo em mulheres pós-menopáusicas selecionadas. O consenso global de 2019 e a posição brasileira da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia são cautelosos: pode haver benefício, mas o efeito é modesto, faltam dados robustos de segurança em longo prazo e não há formulação aprovada para mulheres em muitos países, incluindo Brasil e Estados Unidos.</p><p>Usar produto masculino ajustado "no olho" é má ideia. Acompanhamento deve observar sinais de excesso androgênico, como acne, oleosidade, queda de cabelo, crescimento de pelos, alteração de voz e mudanças laboratoriais. Para massa muscular, treino de força, proteína adequada e sono continuam sendo a base.</p><h2>Cabelo: minoxidil e espironolactona não dispensam diagnóstico</h2><p>Queda de cabelo na perimenopausa pode ter componente hormonal, mas também pode envolver deficiência de ferro, vitamina D baixa, hipotireoidismo, dermatites, doenças autoimunes, genética, estresse e medicamentos. Antes de gastar com procedimentos caros, vale investigar causa.</p><p>Minoxidil tópico é uma opção conhecida para alguns tipos de alopecia e costuma aparecer antes de medidas mais agressivas. Minoxidil oral em baixa dose existe na prática dermatológica, mas é off-label em muitos contextos e exige acompanhamento por possíveis efeitos cardiovasculares, edema, queda de pressão e aumento de pelos. Espironolactona pode ajudar em quadros de hiperandrogenismo e acne, mas também pede cuidado com pressão, potássio, função renal, gravidez e efeitos sexuais em algumas mulheres.</p><h2>Suplementos ajudam no básico, não substituem estrogênio</h2><p>Fibra e vitamina D entram como ferramentas de base. Fibra melhora saciedade, trânsito intestinal, microbiota e resposta glicêmica. Vitamina D deve ser avaliada e corrigida quando há deficiência, especialmente por sua relação com ossos, músculo e saúde geral.</p><p>Ervas como black cohosh, ashwagandha, chasteberry e fitoestrógenos aparecem com frequência em promessas para fogachos e "equilíbrio hormonal". A posição de 2023 da Menopause Society não recomenda suplementos e fitoterápicos como estratégia baseada em evidência consistente para sintomas vasomotores. Algumas mulheres podem relatar melhora, mas isso não equivale a proteção de cérebro, osso, trato urinário ou metabolismo.</p><h2>FAQ</h2><h3>Toda mulher na menopausa deve usar terapia hormonal?</h3><p>Não. Terapia hormonal pode ser útil para sintomas e prevenção de perda óssea em mulheres selecionadas, mas contraindicações e fatores de risco precisam ser avaliados.</p><h3>Estrogênio causa câncer de mama?</h3><p>A resposta não cabe em uma frase. O risco varia conforme regime, uso de progestagênio, idade, tempo desde a menopausa, histórico pessoal e familiar. O WHI mostrou aumento com estrogênio conjugado mais acetato de medroxiprogesterona, mas os achados não podem ser extrapolados para todos os formatos de terapia.</p><h3>Adesivo de estradiol é melhor que comprimido?</h3><p>Pode ser preferível em muitos casos por evitar o primeiro metabolismo hepático, mas a escolha depende de sintomas, risco trombótico, pele, custo, disponibilidade e tolerância.</p><h3>Progesterona é sempre necessária?</h3><p>Ela costuma ser necessária quando há útero e uso de estrogênio sistêmico. Mulheres sem útero podem não precisar, mas isso deve ser decidido em consulta.</p><h3>Testosterona para mulher é reposição normal?</h3><p>Não deve ser tratada como rotina estética ou de performance. A indicação mais sustentada é desejo sexual hipoativo em mulheres selecionadas, com dose e monitoramento cuidadosos.</p><h3>Suplementos podem substituir terapia hormonal?</h3><p>Não. Fibra, vitamina D e outros ajustes podem melhorar saúde geral, mas não revertem a queda ovariana nem substituem tratamento hormonal quando há indicação clara.</p><h2>Conclusão</h2><p>Menopausa é inevitável, mas sofrimento intenso e anos de sintomas negligenciados não precisam ser tratados como destino. A terapia hormonal moderna é menos uma decisão ideológica e mais uma decisão clínica: quem é a paciente, qual é o sintoma, qual é o risco, qual é a via, qual é o hormônio e qual é o objetivo.</p><p>O erro está nos extremos. Negar qualquer tratamento por medo antigo deixa muita mulher sem opção. Vender hormônios, testosterona, fitoterápicos e manipulações como pacote universal também é ruim. Entre esses extremos, existe medicina individualizada, revisão periódica e uma conversa honesta sobre benefícios, limites e segurança.</p><h2>Referências</h2><ol><li><p>LYON, Gabrielle. The Real Truth About Menopause Treatments | Dr. Mary Claire Haver. [S. l.], 4 jan. 2024. YouTube. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.youtube.com/watch?v=8uyDgHe5DO4">https://www.youtube.com/watch?v=8uyDgHe5DO4</a>. Acesso em: 28 jul. 2026.</p></li><li><p>THE NORTH AMERICAN MENOPAUSE SOCIETY. The 2022 hormone therapy position statement of The North American Menopause Society. <em>Menopause</em>, 2022. DOI: 10.1097/GME.0000000000002028. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/35797481/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/35797481/</a>. Acesso em: 28 jul. 2026.</p></li><li><p>SHUFELT, Chrisandra L. et al. The 2023 nonhormone therapy position statement of The North American Menopause Society. <em>Menopause</em>, 2023. DOI: 10.1097/GME.0000000000002200. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37252752/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37252752/</a>. Acesso em: 28 jul. 2026.</p></li><li><p>DAVIS, Susan R. et al. Global Consensus Position Statement on the Use of Testosterone Therapy for Women. <em>The Journal of Clinical Endocrinology &amp; Metabolism</em>, 2019. DOI: 10.1210/jc.2019-01603. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31498871/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31498871/</a>. Acesso em: 28 jul. 2026.</p></li><li><p>WEISS, Rita V. et al. Testosterone therapy for women with low sexual desire: a position statement from the Brazilian Society of Endocrinology and Metabolism. <em>Archives of Endocrinology and Metabolism</em>, 2019. DOI: 10.20945/2359-3997000000152. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31340240/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31340240/</a>. Acesso em: 28 jul. 2026.</p></li><li><p>ROSSOUW, Jacques E. et al. Risks and benefits of estrogen plus progestin in healthy postmenopausal women: principal results from the Women's Health Initiative randomized controlled trial. <em>JAMA</em>, 2002. DOI: 10.1001/jama.288.3.321. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/12117397/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/12117397/</a>. Acesso em: 28 jul. 2026.</p></li><li><p>MANSON, JoAnn E. et al. Menopausal hormone therapy and health outcomes during the intervention and extended poststopping phases of the Women's Health Initiative randomized trials. <em>JAMA</em>, 2013. DOI: 10.1001/jama.2013.278040. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/24084921/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/24084921/</a>. Acesso em: 28 jul. 2026.</p></li></ol>]]></description><guid isPermaLink="false">1116</guid><pubDate>Tue, 28 Jul 2026 15:02:00 +0000</pubDate></item></channel></rss>
