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Máscaras de simulação de altitude funcionam para treino de força?

Você viu o blogueirinho famoso usando máscara de simulação de altitude para treinar musculação, certo? Isso funciona? Quais são os benefícios?

Rodney Wenke
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Musculação e máscara de simulação de altitude

Máscaras viraram modinha de blogueiro nas academias

Ultimamente eu tenho visto algumas postagens no Instagram de pessoas utilizando máscaras durante os treinos de musculação, crossfit e até mesmo nos exercícios de LPF (low pressure fitness).

Não estou falando de máscaras cirúrgicas para prevenção do coronavírus, mas de máscaras de simulação de altitude (elevation training masks -  ETM). Talvez você se pergunte: De onde vem essa ideia? 

Blogueiros usando máscaras para treinar
Blogueiros usando máscaras para treinar

Quando surgiram as máscaras de simulação de altitude

Esse equipamento ou acessório de treino não é novidade, foi introduzido no esporte nos anos 90, com times de futebol. Os treinadores dos jogadores buscavam soluções para melhor desempenho em jogos contra equipes de países localizados em altitude elevada.  Os ciclistas também usam a técnica para preparação para provas de montanha. 

Porém, os resultados não foram os esperados e a técnica caiu em desuso. Na teoria, essas máscaras simulam o ar rarefeito das montanhas,  o que forçaria o organismo a se adaptar a essas condições, elevando o nível de VO2max (capacidade aeróbica). 

Para que servem as máscaras: aumentar a capacidade aeróbia ou anaeróbia?

Apenas acompanhando o histórico do seu uso, já podemos questionar:  por que alguém usaria algo que aumenta a capacidade aeróbica (com oxigênio) em um treino de força?

No treino de força a aptidão anaeróbia (sem oxigênio) é a exercitada, certo? Quais seriam os benefícios dessas máscaras no treino de musculação? Por não saber a resposta, e por muita curiosidade, fui pesquisar sobre o assunto. Quem sabe os bloguerinhos de plantão estejam mais atualizados do que eu?

Máscaras que simulam altitude funcionam?

Fiz uma busca nas bases da PubMed (base de artigos científicos ligada à medicina e saúde) com as seguintes palavras-chave: elevation training masks, training masks, resistance traininglow pressure fitness, exercise e anaerobic training.

Usando todas as variáveis possíveis, com artigos publicados nos últimos 5 (cinco) anos, após refinar a pesquisa, encontrei 4 (quatro) artigos publicados em periódicos internacionais indexados. Eu vou comentar esses artigos neste texto. 

Jung, et al, 2019, avaliou 15 (quinze) ciclistas em um protocolo de HIIT, e não encontrou diferença significativa na variação de frequência cardíaca e Vo2Max entre os grupos que usaram ou não a máscara (ETM). 

Seleris, et al, 2016, investigou 17 (dezessete) cadetes em treinamento militar, com e sem o uso da ETM, por 6 semanas. Não encontrou diferença significativa entre os grupos na Vo2Max e na capacidade anaeróbia. Importante ressaltar que esse foi o único artigo que avaliou a capacidade anaeróbia, que é o que efetivamente treinamos na musculação.

Porcari, et al, 2016, estudou a Vo2Max, a capacidade ventilatória e a força inspiratória em 24 ciclistas submetidos a um protocolo de HIIT, com e sem a máscara. Mais uma vez não houve diferença significativa entre os grupos. 

Bigges, et al, 2017, também investigou ciclistas submetidos a HIIT, e concluiu que os dados sugerem que o treinamento HIIT pode ser um método viável para melhorar o VO2máx e a função pulmonar, no entanto, as máscaras de treinamento como o ETM não proporcionam melhores resultados.

Conclusão

Como podemos ver, o uso da máscara não tem eficiência nem para o que foi desenvolvida, que é a melhora do Vo2Max. No único artigo que avaliou a capacidade anaeróbia, também não se obteve sucesso. 

Estudos com LPF nem aparecem na pesquisa. Portanto, não vejo nenhum sentido em se utilizar esse acessório na musculação. 

Você pode dizer: “eu usei e senti que é mais difícil”.  Repondo: "E dai? Ser mais difícil não torna o exercício melhor para hipertrofia". A dificuldade pela falta de oxigênio tem o efeito contrário ao desejado. Pode tornar o treino menos volumoso, menos intenso para os músculos, logo, promovendo menos hipertrofia.

Com base nos estudos científicos apresentados, podemos dar uma dura nos personais trainers: não iludam seus clientes com máscaras que não trazem qualquer resultado para hipertrofia. O planejamento de treino deve ser baseado em evidências ou estudos científicos, devidamente fundamentados. A modinha da vez não deve ter vez num treinamento eficiente.


Fontes:

  1. The elevation training mask induces modest hypoxaemia but does not affect heart rate variability during cycling in healthy adults;
  2. Effects of Simulated Altitude on Maximal Oxygen Uptake and Inspiratory Fitness;
  3. Efficacy of a Ventilatory Training Mask to Improve Anaerobic and Aerobic Capacity in Reserve Officers' Training Corps Cadets;
  4. Effect of Wearing the Elevation Training Mask on Aerobic Capacity, Lung Function, and Hematological Variables.

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