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<rss version="2.0"><channel><title>Mat&#xE9;rias: Mat&#xE9;rias - Gente</title><link>https://fisiculturismo.com.br/mat%C3%A9rias/gente/?d=1</link><description>Mat&#xE9;rias: Mat&#xE9;rias - Gente</description><language>pt</language><item><title>Os neg&#xF3;cios de Renato Cariani: como a audi&#xEA;ncia vira receita</title><link>https://fisiculturismo.com.br/mat%C3%A9rias/gente/os-neg%C3%B3cios-de-renato-cariani-como-a-audi%C3%AAncia-vira-receita-r1303/</link><description><![CDATA[
<p><img src="https://cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2026_10/negocios-renato-cariani-audiencia-v2.webp.5971e8f416175a3fbd179c20ca5128af.webp" /></p>
<p>Os negócios de Renato Cariani contam com 149 clipadores, pessoas que selecionam trechos das gravações e os publicam em perfis próprios. Uma equipe de cerca de 60 pessoas trabalha na operação da audiência. Na outra ponta estão patrocínios, cursos, mentorias e academias. A mesma pessoa pode conhecer Cariani por um corte e depois se interessar por um produto ou serviço.</p>
<p>Cariani detalha essa estrutura na entrevista “Renato Cariani AO VIVO: o império, o processo e a decisão sobre 2026”, do Podcast Café com Ferri. Ele atribui R$ 475 milhões de faturamento em 2025 ao ecossistema ao qual está ligado. Faz questão de separar esse total do faturamento exclusivo de suas próprias empresas.</p>
<h2>O que representam os R$ 475 milhões de faturamento</h2>
<p>O valor reúne negócios conectados à sua atuação no fitness. Por isso, chamar os R$ 475 milhões de salário, lucro pessoal ou fortuna de Cariani muda o significado da declaração. Trata-se de faturamento relatado de um conjunto de operações, que pode envolver empresas e parceiros com participações diferentes.</p>
<p>Há um segundo número, mais específico: R$ 70 milhões de faturamento com infoprodutos em 2025, segundo ele. A agência que produz e lança esses produtos teria atendido mais de 300 mil alunos naquele ano. Os dois totais devem ser lidos separadamente, porque a soma poderia contar a mesma receita duas vezes.</p>
<p>Esses valores são declarações do empresário, sem demonstrações financeiras publicadas junto deles. Para avaliar o tamanho do negócio, vale guardar três perguntas: a receita pertence a qual operação, cobre qual período e quanto cabe ao sócio depois dos custos? O faturamento informa quanto foi vendido. Para chegar ao lucro e à renda de cada sócio, faltam os custos e a participação que cabe a ele.</p>
<h2>Três canais e 149 clipadores mantêm o conteúdo circulando</h2>
<p>A distribuição começa em três canais do YouTube, cada um com uma função. O principal concentra o conteúdo amplo de Cariani. O Masterclass Renato Cariani reúne aulas. O CarianiTV publica cortes. No retrato que ele apresentou em agosto de 2026, o principal caminhava para 10 milhões de inscritos e os outros dois tinham cerca de 1 milhão cada.</p>
<p>Depois, os conteúdos chegam ao Instagram e ao TikTok. Ele citou 11,3 milhões de seguidores em seu Instagram, 6,7 milhões no de Júlio Balestrin e 550 mil no perfil da CTRC. No TikTok, estimou 4 milhões em seu perfil e 1 milhão no de Balestrin. Esses públicos podem se repetir entre plataformas, portanto somá-los como pessoas diferentes inflaria o alcance.</p>
<p>Os 149 clipadores entram nessa distribuição com perfis próprios. Cariani também mencionou transmissões diárias na Twitch e presença em Kwai e Kick. Quanto mais canais recebem trechos das gravações, maior a necessidade de manter uma produção constante para abastecer quem corta e publica.</p>
<p>A comparação dele é com uma fábrica: as gravações fornecem a matéria-prima, os clipadores selecionam e remontam os trechos, e cada perfil os distribui. Nesse arranjo, gravar encerra apenas uma etapa. O mesmo conteúdo continua trabalhando em formatos e redes diferentes.</p>
<h2>Como os clipadores ganham dinheiro nessa estrutura</h2>
<p>Os acordos variam. Há prestadores de serviço pagos diretamente, parceiros que recebem premiações e perfis apoiados pelos patrocinadores. Cariani cita clipadores com 500 mil e 700 mil seguidores que recebem um valor fixo por prestação de serviço. Ele próprio corrige a palavra “salário” ao explicar essa relação.</p>
<p>O incentivo também passa pelo crescimento do perfil do clipador. Com mais seguidores, ele pode atrair marcas, promover produtos e receber comissões. Assim, a distribuição pode gerar receita tanto para a operação de Cariani quanto para quem desenvolve a própria página de cortes.</p>
<p>Um dos exemplos é o de um jovem de 18 anos que teria começado a cortar seus conteúdos aos 16. Cariani primeiro fala em R$ 40 mil por mês e, logo depois, menciona R$ 50 mil ao retomar o caso. Ele associa os ganhos a patrocínios, comissões e pagamentos pelo trabalho. É um relato individual, com valores que variam na própria fala, sem base para tratá-lo como remuneração típica de um iniciante.</p>
<h2>A comunidade liga a audiência às vendas</h2>
<p>Para Cariani, a diferença entre produzir conteúdo e influenciar está na capacidade de mudar decisões. Ele usa o entretenimento para exemplificar quem atrai atenção e a comunidade para explicar quem consegue participar das escolhas do público. É a forma como ele organiza seu trabalho, e não uma regra que impeça um humorista de influenciar consumidores.</p>
<p>A aplicação comercial aparece no cupom de suplementos, no lançamento de um curso e no interesse por uma academia. Quem acompanha as aulas de musculação pode procurar um curso de treinamento. Quem quer produzir para a internet encontra uma oferta sobre canais e edição. Cariani apresenta essa proximidade entre interesse e produto como parte do trabalho de sua equipe.</p>
<p>A parceria com a Growth é uma dessas frentes. Ela permite conectar o público que acompanha treino e alimentação a uma marca de suplementos. A relação com a empresa tem sua própria história, detalhada na matéria sobre a <a href="https://fisiculturismo.com.br/mat%C3%A9rias/suplementos/growth-a-mudan%C3%A7a-de-gest%C3%A3o-dos-fundadores-aos-executivos-r1301/" target="_blank" rel="noopener">mudança de gestão da Growth</a>.</p>
<h2>Cursos e mentorias vendem o conhecimento da operação</h2>
<p>Os infoprodutos são cursos e outros conteúdos digitais vendidos ao público. No caso de Cariani, essa frente inclui ensinar o próprio trabalho na internet. A página oficial do Vivendo de YouTube apresenta um treinamento com Cariani e Mauricião sobre gravação, roteiros, edição, canais sem apresentador e cortes de entrevistas.</p>
<p>O produto mostra uma segunda forma de aproveitar a experiência do canal: além de atrair patrocinadores, a equipe vende formação sobre produção e distribuição de conteúdo. O comprador precisa distinguir o conteúdo das aulas das promessas de renda usadas para anunciar o curso.</p>
<p>Na mentoria empresarial descrita por Cariani, o público é mais específico: donos de academias, empresas de alimentação saudável, marcas de suplementos, farmácias de manipulação e médicos. O acompanhamento pode durar seis meses ou um ano, conforme o diagnóstico. O foco declarado é transferir práticas da operação para outro negócio fitness.</p>
<p>Entre as tarefas estão organizar o atendimento comercial, melhorar o acompanhamento de clientes e usar ferramentas digitais. Ele cita o CRM, sistema que ajuda a registrar contatos e acompanhar o relacionamento com cada cliente. A pergunta que orienta esse serviço é concreta: o que mudar na equipe e nas ferramentas para atender e vender melhor?</p>
<p>Ao avaliar uma mentoria desse tipo, procure os entregáveis: diagnóstico, mudanças no processo comercial, ferramentas e acompanhamento. Esse é o critério defendido por Cariani ao criticar programas cujo principal atrativo é almoçar ou passar algumas horas com uma pessoa famosa.</p>
<h2>Os dados ajudam a escolher o produto para cada público</h2>
<p>Dois profissionais concentram o trabalho com dados, segundo Cariani: Felipo e Carlos. A equipe procura entender faixa etária, renda, dificuldades e expectativas do público. O objetivo é compreender quem está interessado em cada oferta, inclusive antes de uma compra.</p>
<p>Essas informações orientam anúncios pagos, apresentações de venda e novos lançamentos. Cariani associa esse trabalho a um custo menor para conquistar clientes. Ele apresenta a lógica da estratégia, sem divulgar uma comparação de custos que permita medir essa redução.</p>
<p>Um exemplo envolve o lançamento de sua rede de academias. Ele conta que a captação de um público, prevista para 15 dias, foi interrompida depois de dois dias porque já havia atingido o necessário. O relato ilustra a rapidez que atribui à segmentação. Sem quantidade de interessados ou de matrículas, esse episódio não permite calcular a conversão em alunos.</p>
<h2>Academias, suplementos e outras marcas têm papéis diferentes</h2>
<p>Cariani apresenta a agência e a CTRC, Centro de Treinamento Renato Cariani, como suas operações, sem abrir os percentuais de participação. Seu site oficial também relaciona marcas de manipulação, alimentação, roupas e seguros entre os parceiros. Essa apresentação comercial identifica as frentes de atuação, mas não substitui o quadro societário de cada empresa.</p>
<p>A Buckler oferece um exemplo claro: quando perguntado se era sócio da marca de equipamentos, Cariani respondeu que era patrocinado. Em agosto de 2026, ele dizia ter 14 patrocinadores. Contar essas marcas como 14 empresas próprias confundiria contratos de publicidade com participações societárias.</p>
<p>Também há um erro antigo que continua aparecendo nas buscas: atribuir a ele parte do faturamento da Supley como se fosse renda pessoal de um sócio. Em nota divulgada em dezembro de 2023, a companhia negou que Cariani fosse sócio, acionista ou administrador. Informou que havia cogitado uma operação de participação em troca de mídia, sem concretizá-la.</p>
<p>Na trajetória anterior às redes, Cariani construiu carreira na indústria química. Esse período ajuda a entender sua experiência empresarial, mas tem um recorte diferente da operação de audiência. O percurso está na matéria sobre a <a href="https://fisiculturismo.com.br/mat%C3%A9rias/gente/a-hist%C3%B3ria-de-renato-cariani-da-ind%C3%BAstria-qu%C3%ADmica-ao-fitness-r1302/" target="_blank" rel="noopener">história de Renato Cariani, da indústria química ao fitness</a>.</p>
<h2>A oportunidade pode estar em um público menor</h2>
<p>Para quem pensa em empreender no fitness, Cariani dá um exemplo de nicho: uma <a href="https://fisiculturismo.com.br/mat%C3%A9rias/diversos/academia-para-maiores-de-40-anos-vale-apostar-nesse-público-r1304/" target="_blank" rel="noopener">academia para maiores de 40 anos</a>, em formato de estúdio. A hipótese é investir menos na estrutura de um espaço menor e cobrar uma mensalidade maior por uma experiência feita para aquele grupo. A proposta inclui acolher quem se incomoda com o ambiente de uma academia voltada a um público mais jovem.</p>
<p>O senso de pertencimento aparece no cliente que reconhece o lugar como adequado para si e chama os amigos. A ideia segue o mesmo raciocínio da audiência digital: conhecer um grupo antes de definir a oferta. É uma hipótese de negócio apresentada por Cariani, que ainda exige verificar demanda, custos e preço no mercado em que será aplicada.</p>
<h2>Cerca de 60 pessoas trabalham por trás dos apresentadores</h2>
<p>Cariani usa o personagem Mickey para explicar sua posição: ele e Balestrin são os rostos conhecidos, enquanto outras pessoas respondem por áreas da operação. Ao negociar um produto, ele encaminha o patrocinador ao profissional responsável. A imagem do apresentador depende de uma equipe que continua trabalhando fora da gravação.</p>
<p>A estimativa é de cerca de 60 pessoas cuidando desse ecossistema. Ele separa esse grupo dos funcionários da farmácia de manipulação e da empresa de alimentação. Os 149 clipadores também são uma contagem de parceiros de distribuição, não um número que se possa somar automaticamente ao quadro interno.</p>
<h2>Conclusão</h2>
<p>A audiência vira negócio quando a operação conecta produção, distribuição, conhecimento do público e uma oferta. No caso relatado por Cariani, os cortes ampliam a circulação, os dados ajudam a selecionar o público e equipes diferentes trabalham em patrocínios, produtos digitais e academias. Quem pretende trabalhar nesse mercado encontra aí tarefas concretas para estudar: produzir, editar, distribuir, atender e vender.</p>
<h2>Perguntas frequentes</h2>
<h3>Quais são os negócios de Renato Cariani?</h3>
<p>A atuação reúne produção de conteúdo, publicidade, cursos digitais, mentorias empresariais e a rede de academias CTRC. A indústria química faz parte de sua trajetória anterior à fama. Growth e Buckler aparecem como relações comerciais, por isso a lista de marcas divulgadas por ele não equivale a uma lista de empresas de sua propriedade.</p>
<h3>Qual foi o faturamento ligado a Renato Cariani em 2025?</h3>
<p>Cariani declarou R$ 475 milhões para o ecossistema ao qual estava ligado em 2025. Separadamente, mencionou R$ 70 milhões com infoprodutos e mais de 300 mil alunos naquele ano. São números de operações comerciais relatados por ele, e não o salário ou o patrimônio pessoal do influenciador.</p>
<h3>Como Renato Cariani ficou rico?</h3>
<p>Sua trajetória empresarial começou antes da audiência fitness, com carreira na indústria química. Depois, a produção de conteúdo se conectou a patrocínios, cursos, mentorias e academias. A experiência como gestor antecedeu, assim, o trabalho de transformar a atenção das redes em vendas.</p>
<h3>O que é o curso Salário Sem Fronteiras de Renato Cariani?</h3>
<p>É um programa apresentado por Cariani para ensinar vendas de produtos digitais ao mercado internacional. A oferta inclui uso de inteligência artificial e materiais de venda. O tema do programa é o comércio digital, uma frente diferente dos seus produtos de treino e alimentação.</p>
<h3>O que é o Desafio Seca Barriga de Renato Cariani?</h3>
<p>É um programa digital com duração anunciada de 15 dias. A página oferece sugestões de alimentação, exercícios e materiais sobre suplementos e manipulados. Ele integra a frente de produtos fitness da operação, ao lado dos programas voltados ao trabalho na internet.</p>
<h3>Quanto custam os cursos de Renato Cariani?</h3>
<p>O preço depende do produto e da oferta. Em consulta de 16 de outubro de 2026, as páginas anunciavam o Desafio Seca Barriga por R$ 197 à vista e o Salário Sem Fronteiras por R$ 497 à vista. São preços publicados nas páginas comerciais, sujeitos à disponibilidade e às condições apresentadas no momento da compra.</p>
<h2>Referências</h2>
<ol>
<li>CARIANI, Renato. <strong>Desafio Seca Barriga - Renato Cariani</strong>. [S. l.], [s.d.]. Disponível em: <a href="https://cariani.com.br/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://cariani.com.br/</a>. Acesso em: 16 out. 2026.</li>
<li>CARIANI, Renato. <strong>Renato Cariani Oficial | Transforme Corpo e Mente</strong>. [S. l.], [s.d.]. Disponível em: <a href="https://www.renatocariani.com.br/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://www.renatocariani.com.br/</a>. Acesso em: 16 out. 2026.</li>
<li>CARIANI, Renato. <strong>Salário sem fronteiras [A]</strong>. [S. l.], [s.d.]. Disponível em: <a href="https://salariosemfronteiras.com.br/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://salariosemfronteiras.com.br/</a>. Acesso em: 16 out. 2026.</li>
<li>CARIANI, Renato; MAURICIÃO. <strong>VIVENDO DE YOUTUBE</strong>. [S. l.], [s.d.]. Disponível em: <a href="https://cariani.com.br/vivendodeyoutube/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://cariani.com.br/vivendodeyoutube/</a>. Acesso em: 16 out. 2026.</li>
<li>LAURIA JÚNIOR, Wagner. <strong>Grupo Supley nega que Cariani seja sócio da empresa</strong>. [S. l.], 15 dez. 2023. Disponível em: <a href="https://sbtnews.sbt.com.br/noticia/brasil/268805-grupo-supley-nega-que-cariani-seja-socio-da-empresa" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://sbtnews.sbt.com.br/noticia/brasil/268805-grupo-supley-nega-que-cariani-seja-socio-da-empresa</a>. Acesso em: 16 out. 2026.</li>
<li>PODCAST CAFÉ COM FERRI. <strong>Renato Cariani AO VIVO: o império, o processo e a decisão sobre 2026</strong>. [S. l.], 14 ago. 2026. YouTube. Disponível em: <a href="https://www.youtube.com/watch?v=PM1we--8Tzw" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://www.youtube.com/watch?v=PM1we--8Tzw</a>. Acesso em: 16 out. 2026.</li>
</ol>]]></description><guid isPermaLink="false">1303</guid><pubDate>Fri, 16 Oct 2026 19:11:48 +0000</pubDate></item><item><title>A hist&#xF3;ria de Renato Cariani: da ind&#xFA;stria qu&#xED;mica ao fitness</title><link>https://fisiculturismo.com.br/mat%C3%A9rias/gente/a-hist%C3%B3ria-de-renato-cariani-da-ind%C3%BAstria-qu%C3%ADmica-ao-fitness-r1302/</link><description><![CDATA[
<p><img src="https://cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2026_10/renato-cariani-industria-quimica-fitness.webp.d1948db195724a0776a36f561700306d.webp" /></p>
<p>A história de Renato Cariani no fitness teve uma pausa decisiva aos 24 anos. Ele deixou as competições para priorizar a carreira na indústria química e construir patrimônio. Por volta dos 40, passou a investir na carreira de influenciador, levando para as redes a competitividade que já aplicava na fábrica.</p>
<p>Cariani reconstrói esse percurso na entrevista “Renato Cariani AO VIVO: o império, o processo e a decisão sobre 2026”, do Podcast Café com Ferri. O contraste que ele faz é direto: depois de comandar uma operação industrial sob pressão, produzir conteúdo sobre musculação passou a ser uma atividade prazerosa. A rotina de publicações, porém, continuou exigindo planejamento e constância.</p>
<h2>A formação foi pensada para a indústria</h2>
<p>Química veio antes da carreira fitness na internet. Cariani conta que cursou a graduação e depois a licenciatura em química porque queria dar aula. Na sequência, estudou administração de empresas com ênfase em marketing e fez uma especialização em processos gerenciais.</p>
<p>Ele lembra que a passagem para administração exigiu cursar a graduação inteira, sem aproveitar disciplinas da formação anterior. O objetivo profissional naquele período era se tornar executivo de indústria.</p>
<p>Cariani também se formou em educação física. Em um comunicado de março de 2025, contou que começou essa graduação aos 40 anos e cursou quatro anos. Na mesma ocasião, anunciou o ingresso em nutrição, sua quarta graduação.</p>
<h3>Da entrada às 8h à saída à noite</h3>
<p>Como diretor de operações, Cariani chegava à fábrica às 8h. Relata saídas às 21h ou às 22h e lembra que, em dias mais curtos, conseguia sair às 19h. A responsabilidade incluía comandar uma equipe, cumprir metas e acompanhar exigências de qualidade.</p>
<p>Entre as tarefas que cita estão boas práticas de fabricação, qualificação de fornecedores e exigências ligadas à ISO 9001. Ele estima em 70% a participação de multinacionais nos negócios da empresa, sem detalhar a base dessa conta. Ele descreve esse período como uma rotina de pressão constante.</p>
<h2>Aos 24 anos, competir deixou de ser a prioridade</h2>
<p>Filho de uma empregada doméstica e de um operário, Cariani diz que queria melhorar a situação financeira da família. Seu primeiro trabalho, segundo recorda, foi entregar panfletos no farol aos 11 anos. Ao lembrar esse percurso, também reconhece a importância dos riscos que assumiu, das pessoas que encontrou e da sorte.</p>
<p>A musculação entrou na adolescência. Ele situa o início dos treinos aos 16 anos e conta que, aos 20, já competia. Em outra entrevista, ao ge, associou a entrada na academia ao bullying que sofria por causa do peso.</p>
<p>Aos 24 anos, a prioridade mudou. Cariani avaliava que as competições não lhe dariam a renda que buscava e decidiu concentrar esforços na carreira profissional. Anos depois, aos 40, voltou aos palcos. A pausa havia sido nas disputas, e ele não a apresenta como um abandono definitivo da musculação.</p>
<h2>A aposta nas redes veio por volta dos 40 anos</h2>
<p>Cariani situa a entrada na carreira de influenciador aos 40 anos e diz que, até então, nem usava Instagram. A produção sobre musculação era um hobby que começou a mostrar potencial de trabalho. Ele viu a chance de ensinar, falar de um assunto que gostava e prosperar fora da rotina industrial.</p>
<p>O site oficial registra o início do canal em 2016 e também produções educativas desde 2006. Assim, os 40 anos marcam a fase profissional descrita por ele, e não sua primeira experiência com gravações. O primeiro milhão de inscritos é datado de 30 de novembro de 2019.</p>
<h2>A competitividade virou meta de audiência</h2>
<p>Na interpretação de Cariani, a competitividade explica parte desse movimento. Para ilustrar, ele usa uma brincadeira de par ou ímpar: um atleta, diz, quer vencer até ali. Essa disposição já orientava sua atuação na indústria e passou a orientar a comparação com outros criadores.</p>
<p>Ele conta que estudou nomes como Leandro Twin e Will Detilli. Observava formatos, inscritos e visualizações para entender o que faziam e procurar um jeito de melhorar suas próprias publicações. Superar aqueles canais virou uma meta pessoal, acompanhada diariamente.</p>
<h3>Duas publicações por dia e uma rotina sem pausas</h3>
<p>A resposta à concorrência foi aumentar a produção. Ao descrever a fase mais intensa, Cariani cita dois lançamentos diários: um ao meio-dia e outro às 18h. Para ele, a vantagem veio da continuidade, com publicações todos os dias mesmo quando, segundo ele, os concorrentes diziam que não aguentavam acompanhar.</p>
<p>Cariani descreve dez anos de trabalho diário para manter o canal. Em sua avaliação, essa regularidade ajudou a construir a confiança do público e o valor de seu nome para as marcas.</p>
<h2>A vontade de ensinar já aparecia antes do canal</h2>
<p>A licenciatura em química vinha do desejo de ser professor. Cariani também lembra que, na escola, era chamado para apresentar os trabalhos do grupo. A leitura, segundo ele, ampliou seu vocabulário e o repertório que mais tarde usaria para explicar assuntos ao público.</p>
<p>Para explicar por que acredita no treino da comunicação, conta a história de um tio que gaguejava e queria falar na igreja. Segundo seu relato, o tio ensaiava o sermão durante a semana e dominava o que pretendia dizer. Para Cariani, a facilidade pessoal ajuda, mas a preparação também faz parte de aprender a se comunicar.</p>
<p>Cariani prevê que a inteligência artificial vai tirar do YouTube a função de ensinar, a menos que a explicação também entretenha. Por isso, defende que o entretenimento venha primeiro, com o conhecimento incorporado à diversão. Quando perguntado se faria tudo de novo, responde que seguiria o mesmo caminho e tentaria agir mais rápido.</p>
<h2>Da audiência às relações comerciais</h2>
<p>O crescimento do canal também mudou a maneira como ele escolhe patrocinadores. Cariani relata ter recusado uma proposta de ação isolada, por um mês, porque preferia construir uma relação mais longa. O valor oferecido não foi revelado. Na sua avaliação, associar o próprio nome a um produto exige confiança que ultrapasse uma campanha curta.</p>
<p>Essa experiência ajuda a entender sua participação no debate sobre a <a href="https://fisiculturismo.com.br/mat%C3%A9rias/suplementos/growth-a-mudança-de-gestão-dos-fundadores-aos-executivos-r1301/" target="_blank" rel="noopener">mudança de gestão da Growth</a>, em que descreve a relação entre fundadores e influenciadores. Naquele momento, era parceiro comercial da marca.</p>
<h2>Conclusão</h2>
<p>A mudança de Cariani para o fitness digital reuniu experiências que ele já carregava: formação técnica, gestão de uma operação, vivência na musculação e vontade de ensinar. Na sua explicação, a competitividade orientou as metas e a constância sustentou as publicações. A internet abriu outra forma de trabalhar com o esporte, que ele descreve como prazerosa depois dos anos de pressão na indústria. Veja também como funciona <a href="https://fisiculturismo.com.br/mat%C3%A9rias/gente/os-negócios-de-renato-cariani-como-a-audiência-vira-receita-r1303/" target="_blank" rel="noopener">a operação que transforma audiência em negócio</a>.</p>
<h2>Perguntas frequentes</h2>
<h3>Qual é a formação de Renato Cariani?</h3>
<p>Renato Cariani é formado em química, administração de empresas e educação física. Também fez licenciatura em química e especialização em processos gerenciais. Em março de 2025, anunciou o início de uma quarta graduação, em nutrição.</p>
<h3>Quem é Renato Cariani e qual é sua profissão?</h3>
<p>Renato Cariani é químico, empresário, profissional de educação física, fisiculturista e criador de conteúdo. Antes de crescer nas redes, trabalhou como diretor de operações na indústria química.</p>
<h3>Como era Renato Cariani antes da fama?</h3>
<p>Ele já tinha uma carreira na indústria química e experiência nas competições de fisiculturismo. Em 2008, entrou na sociedade da Anidrol. Como diretor de operações industriais, dirigia equipes, acompanhava metas e relatava dias que começavam às 8h e terminavam às 21h ou às 22h.</p>
<h3>Como Renato Cariani ficou rico?</h3>
<p>Cariani construiu sua carreira na indústria química e passou a investir em negócios próprios. Tornou-se sócio da Anidrol em 2008. Depois, ampliou sua atuação com produção de conteúdo, patrocínios e cursos digitais sobre fitness e trabalho na internet.</p>
<h3>Renato Cariani é formado em educação física?</h3>
<p>Sim. Cariani cursou quatro anos de educação física e contou que começou a graduação aos 40 anos, quando decidiu investir na carreira fitness. A formação já estava concluída quando anunciou sua quarta faculdade, em março de 2025.</p>
<h3>Renato Cariani é nutricionista?</h3>
<p>Cariani começou a graduação em nutrição em março de 2025, como aluno da Faculdade Católica Paulista. Escolheu a modalidade online e informou uma duração prevista de quatro anos. Química, administração e educação física são as formações que já havia concluído.</p>
<h3>Quantos anos tem Renato Cariani?</h3>
<p>Renato Cariani tem 50 anos em outubro de 2026. Ele entrou na carreira de influenciador por volta dos 40, depois de anos de atuação na indústria.</p>
<h3>Quando Renato Cariani começou no YouTube?</h3>
<p>A linha do tempo de seu site oficial situa a criação do canal em 2016. O mesmo site registra produções educativas desde 2006 e o primeiro milhão de inscritos em novembro de 2019.</p>
<h2>Referências</h2>
<ol>
<li>BAND. <strong>Quem é Roseli Dorth, sócia de Renato Cariani que também responde por tráfico</strong>. Band. [S. l.], 31 jan. 2024. Disponível em: <a href="https://www.band.com.br/nacional/brasil/quem-e-roseli-dorth-socia-de-renato-cariani-que-tambem-responde-por-trafico-16664054" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://www.band.com.br/nacional/brasil/quem-e-roseli-dorth-socia-de-renato-cariani-que-tambem-responde-por-trafico-16664054</a>. Acesso em: 16 out. 2026.</li>
<li>CARIANI, Renato. <strong>COMUNICADO OFICIAL - VOU FAZER MINHA 4ª FACULDADE - SAIBA QUAL E ENTENDA O PORQUÊ !!!</strong>. [S. l.], 24 mar. 2025. YouTube. Disponível em: <a href="https://www.youtube.com/watch?v=_XlMbd1Wrzs" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://www.youtube.com/watch?v=_XlMbd1Wrzs</a>. Acesso em: 16 out. 2026.</li>
<li>CARIANI, Renato. <strong>Renato Cariani Oficial | Transforme Corpo e Mente</strong>. Renato Cariani. [S. l.], [s.d.]. Disponível em: <a href="https://www.renatocariani.com.br/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://www.renatocariani.com.br/</a>. Acesso em: 15 out. 2026.</li>
<li>GIUFRIDA, Bruno; BOTTA, Emilio. <strong>Renato Cariani: astro do mundo fitness usou o fisiculturismo para vencer o bullying e fazer fortuna</strong>. ge. São Paulo, 31 out. 2023. Disponível em: <a href="https://ge.globo.com/sp/noticia/2023/10/31/como-astro-do-mundo-fitness-usou-o-fisiculturismo-para-vencer-o-bullying-e-fazer-fortuna.ghtml" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://ge.globo.com/sp/noticia/2023/10/31/como-astro-do-mundo-fitness-usou-o-fisiculturismo-para-vencer-o-bullying-e-fazer-fortuna.ghtml</a>. Acesso em: 15 out. 2026.</li>
<li>PODCAST CAFÉ COM FERRI. <strong>Renato Cariani AO VIVO: o império, o processo e a decisão sobre 2026</strong>. [S. l.], 14 ago. 2026. YouTube. Disponível em: <a href="https://www.youtube.com/watch?v=PM1we--8Tzw" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://www.youtube.com/watch?v=PM1we--8Tzw</a>. Acesso em: 15 out. 2026.</li>
</ol>]]></description><guid isPermaLink="false">1302</guid><pubDate>Fri, 16 Oct 2026 14:56:47 +0000</pubDate></item><item><title>TRT de Renato Cariani: o que mudou depois dos ciclos</title><link>https://fisiculturismo.com.br/mat%C3%A9rias/gente/trt-de-renato-cariani-o-que-mudou-depois-dos-ciclos-r1299/</link><description><![CDATA[
<p><img src="https://cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2026_10/renato-cariani-dos-ciclos-a-trt-capa.webp.198054087cb1e862ae9690d8a8a89723.webp" /></p>
<p>A TRT de Renato Cariani é uma reposição de testosterona feita, segundo ele, com 70 mg de cipionato a cada cinco dias. Ele conta que fez essa mudança após sua última competição, em 2022. A prioridade declarada agora é cuidar da saúde, com acompanhamento de um endocrinologista e ajuste pelos exames.</p>

<p>Cariani explicou essa decisão na entrevista “Renato Cariani AO VIVO: o império, o processo e a decisão sobre 2026”, do Podcast Café com Ferri. Ele faz uma distinção que importa para quem pensa em seguir o mesmo caminho: tratamento de reposição depende de diagnóstico, e não apenas de uma dose menor.</p>

<h2>O que mudou depois da competição de 2022</h2>

<p>A testosterona continua presente na rotina de Cariani, agora em um tratamento que ele descreve como reposição. O objetivo declarado é preservar a saúde e ter o coração funcionando até os 90 anos.</p>

<p>Cariani não apresenta os exames feitos antes de começar a TRT nem as doses usadas para competir. Também fica sem resposta como estava sua produção hormonal antes do tratamento. Esses dados fazem diferença para entender a indicação individual.</p>

<h2>TRT e dose baixa: qual é a diferença?</h2>

<p>Cariani usa 100 mg e 250 mg de testosterona por semana como exemplos de uma confusão comum: chamar uma quantidade menor de TRT. “Low dose” significa dose baixa em comparação com outro uso. Já a terapia de reposição de testosterona, ou TRT, tem a finalidade de tratar uma deficiência hormonal diagnosticada.</p>

<p>A Endocrine Society reafirmou em 2026 que o diagnóstico precisa reunir sintomas compatíveis e testosterona consistentemente baixa. São necessárias pelo menos duas coletas pela manhã, em jejum. Cansaço e libido baixa também podem ter outras causas, que entram na investigação antes de decidir pelo tratamento.</p>

<p>Por isso, duas pessoas usando a mesma quantidade podem ter indicações e respostas diferentes. O objetivo do uso, o diagnóstico e a concentração alcançada precisam ser considerados juntos. A matéria sobre <a href="https://fisiculturismo.com.br/mat%C3%A9rias/esteroides/anabolizantes-em-dose-baixa-existe-uso-seguro-r1293/" target="_blank" rel="noopener">anabolizantes em dose baixa e seus riscos</a> aprofunda essa diferença.</p>

<h2>70 mg de cipionato a cada cinco dias</h2>

<p>O esquema descrito por Cariani combina a quantidade aplicada com um intervalo definido. Ele também relata testosterona entre 700 e 1.200 ng/dL, atribuindo o valor mais alto a um pico por volta de 48 horas depois da aplicação. Os dados representam sua descrição do tratamento:</p>

<table>
<thead><tr><th>Informação</th><th>O que Cariani relata</th></tr></thead>
<tbody>
<tr><td>Substância</td><td>Cipionato de testosterona</td></tr>
<tr><td>Quantidade por aplicação</td><td>70 mg de cipionato</td></tr>
<tr><td>Intervalo</td><td>Cinco dias</td></tr>
<tr><td>Testosterona no sangue</td><td>Entre 700 e 1.200 ng/dL</td></tr>
<tr><td>Momento atribuído ao pico</td><td>Por volta de 48 horas após a aplicação</td></tr>
</tbody>
</table>

<p>Para comparar intervalos diferentes, vale fazer a conta: 70 mg divididos por cinco dias, multiplicados por sete, equivalem a uma média de 98 mg de cipionato por semana. Essa média serve apenas para comparar quantidades. O esquema relatado continua sendo uma aplicação a cada cinco dias.</p>

<p>Os 70 mg indicam a quantidade de cipionato aplicada. Já ng/dL indica a concentração de testosterona encontrada no sangue. A quantidade aplicada, sozinha, não informa qual será o resultado do exame.</p>

<h2>O que significam os exames entre 700 e 1.200 ng/dL</h2>

<p>O momento da coleta muda a interpretação. A diretriz da Endocrine Society orienta que, para cipionato ou enantato injetáveis, a testosterona seja medida no meio do intervalo entre aplicações. A meta indicada é a parte intermediária da faixa normal, com ajuste da quantidade ou da frequência quando necessário.</p>

<p>Uma coleta feita no pico e outra no meio do intervalo precisam ser interpretadas de formas diferentes. Sem os laudos e o momento exato de cada coleta, o relato de Cariani deixa sem resposta se o pico de 1.200 ng/dL é adequado ao seu tratamento. Para o leitor, a referência clínica é a meta da diretriz, e não reproduzir a faixa de 700 a 1.200 ng/dL de outra pessoa.</p>

<h2>O amigo de mais de 50 anos com 800 ng/dL</h2>

<p>Quando perguntam se todos deveriam fazer reposição, Cariani responde que não. Ele conta que um amigo empresário, de 50 e poucos anos, queria começar apesar de ter aproximadamente 800 ng/dL de testosterona. Sua reação foi desencorajar o início.</p>

<p>Passar dos 50 anos, por si só, não indica reposição. Os critérios de diagnóstico continuam sendo sintomas compatíveis e deficiência hormonal confirmada. Ter vontade de elevar o número do exame oferece pouca informação sobre a necessidade do tratamento.</p>

<h2>A decisão de cuidar do coração e os limites da evidência</h2>

<p>Chegar aos 90 anos com o coração funcionando é um objetivo pessoal de Cariani. Os estudos disponíveis acompanham poucos anos de tratamento. Por isso, esse desejo precisa ser separado do que já foi demonstrado sobre a segurança da TRT.</p>

<p>O estudo TRAVERSE acompanhou 5.246 homens de 45 a 80 anos, com sintomas e deficiência de testosterona confirmada. Todos tinham doença cardiovascular ou risco elevado de desenvolvê-la. Eles receberam gel de testosterona ou placebo, uma preparação sem o hormônio. O acompanhamento durou cerca de 33 meses, em média.</p>

<p>Morte cardiovascular, infarto ou AVC ocorreram em 7,0% do grupo testosterona e 7,3% do grupo placebo. Os grupos tiveram frequências semelhantes desses três eventos.</p>

<p>Houve mais episódios de fibrilação atrial, um tipo de arritmia, lesão renal aguda e embolia pulmonar no grupo testosterona. Além disso, o estudo usou gel ajustado para 350 a 750 ng/dL. Seus resultados se referem a essa população e a esse tratamento, sem testar o esquema de cipionato relatado por Cariani.</p>

<p>Na prática, acompanhar a pressão e o hemograma faz parte do cuidado. A FDA, agência reguladora dos Estados Unidos, passou a exigir alerta sobre aumento da pressão arterial nos produtos de testosterona.</p>

<p>A diretriz também orienta medir o hematócrito, a proporção do sangue ocupada pelos glóbulos vermelhos. Acima de 54%, a diretriz orienta suspender temporariamente a testosterona e investigar a causa do aumento. O médico define a retomada com ajuste de dose depois da normalização.</p>

<h2>Depois dos ciclos, a TRT precisa ser para sempre?</h2>

<p>A necessidade depende da recuperação da produção própria e da causa da deficiência. Uma revisão publicada em 2023 encontrou recuperação hormonal muito variável depois da interrupção de anabolizantes. Ela pode levar meses e, em alguns homens, continuar incompleta. O caso de outra pessoa oferece pouca informação sobre como será a sua recuperação.</p>

<p>A reposição fornece testosterona de fora e pode reduzir a produção de espermatozoides. Por isso, desejo de ter filhos, sintomas e histórico de uso mudam a avaliação. Quem precisa entender a duração do tratamento encontra os critérios em <a href="https://fisiculturismo.com.br/mat%C3%A9rias/esteroides/reposição-de-testosterona-é-para-sempre-depende-da-causa-r1286/" target="_blank" rel="noopener">quando a reposição de testosterona pode ser interrompida</a>.</p>

<p>Passar dos ciclos à reposição também é diferente de recuperar a produção natural. Essa distinção aparece no <a href="https://fisiculturismo.com.br/mat%C3%A9rias/esteroides/eduardo-correa-parar-anabolizantes-é-voltar-a-ser-natural-r1237/" target="_blank" rel="noopener">caso de Eduardo Correa após parar os anabolizantes</a>. Para quem já usa hormônios, a decisão de manter, ajustar ou interromper deve ser planejada com o médico que acompanha o histórico completo.</p>

<h2>Conclusão</h2>

<p>A mudança relatada por Cariani foi de prioridade: encerrar o uso para competir e passar a um tratamento que ele descreve como reposição. Os 70 mg de cipionato a cada cinco dias são um dado de seu caso. O critério que ele reforça para o leitor é outro: começar pelo diagnóstico, acompanhar os exames e ajustar o tratamento à resposta individual, em vez de escolher uma dose só porque ela é menor que a de um ciclo.</p>

<h2>Perguntas frequentes</h2>

<h3>Qual é a diferença entre TRT e ciclo?</h3>

<p>A TRT trata uma deficiência de testosterona confirmada por sintomas e exames. O ciclo busca aumentar o desempenho ou a massa muscular com hormônios. Uma quantidade menor de hormônio, sozinha, não define reposição.</p>

<h3>A TRT precisa ser feita para sempre?</h3>

<p>Pode ser necessária por toda a vida quando a deficiência tem uma causa permanente. Depois de anabolizantes, a produção própria pode se recuperar, mas o tempo e o grau de recuperação variam. A avaliação da causa da deficiência é que orienta a duração.</p>

<h3>Qual é a melhor testosterona para TRT?</h3>

<p>A melhor escolha depende da resposta ao tratamento, dos efeitos adversos e da rotina de aplicação que a pessoa consegue manter. Existem apresentações injetáveis e em gel, com diferenças na forma de usar e acompanhar. A diretriz também considera preferência e custo ao escolher a apresentação.</p>

<h3>Quais são os benefícios da TRT?</h3>

<p>Em homens com deficiência confirmada, a reposição pode melhorar a libido e a função sexual. Na revisão de pesquisas usada pela diretriz de 2018, essas melhoras foram pequenas, em média. Cansaço e libido baixa também podem ter outras causas, que precisam ser investigadas.</p>

<h3>Como começar a reposição de testosterona?</h3>

<p>O primeiro passo é investigar os sintomas e confirmar a deficiência com exames em pelo menos duas manhãs. Se houver indicação, o médico escolhe a apresentação e acompanha a resposta, a testosterona no sangue e possíveis efeitos adversos. Os 70 mg a cada cinco dias são o esquema pessoal relatado por Cariani, sem servir de dose inicial para o leitor.</p>

<h2>Referências</h2>
<ol>
<li>BHASIN, Shalender et al. Testosterone Therapy in Men With Hypogonadism: An Endocrine Society* Clinical Practice Guideline. <strong>The Journal of Clinical Endocrinology &amp; Metabolism</strong>, [S. l.], v. 103, n. 5, p. 1715–1744, maio 2018. DOI: 10.1210/jc.2018-00229. Disponível em: <a href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/29562364/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/29562364/</a>. Acesso em: 15 out. 2026.</li>
<li>ENDOCRINE SOCIETY. <strong>Statement on Testosterone Replacement Therapy</strong>. Endocrine Society. Washington, DC, 16 jul. 2026. Disponível em: <a href="https://www.endocrine.org/news-and-advocacy/news-room/2026/statement-on-testosterone-replacement-therapy" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://www.endocrine.org/news-and-advocacy/news-room/2026/statement-on-testosterone-replacement-therapy</a>. Acesso em: 15 out. 2026.</li>
<li>LINCOFF, A. Michael et al. Cardiovascular Safety of Testosterone-Replacement Therapy. <strong>The New England Journal of Medicine</strong>, [S. l.], v. 389, n. 2, p. 107–117, 13 jul. 2023. DOI: 10.1056/NEJMoa2215025. Disponível em: <a href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37326322/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37326322/</a>. Acesso em: 15 out. 2026.</li>
<li>PODCAST CAFÉ COM FERRI. <strong>Renato Cariani AO VIVO: o império, o processo e a decisão sobre 2026</strong>. [S. l.], 14 ago. 2026. YouTube. Disponível em: <a href="https://www.youtube.com/watch?v=PM1we--8Tzw" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://www.youtube.com/watch?v=PM1we--8Tzw</a>. Acesso em: 15 out. 2026.</li>
<li>SOLANKI, Pravik et al. Physical, psychological and biochemical recovery from anabolic steroid-induced hypogonadism: a scoping review. <strong>Endocrine Connections</strong>, [S. l.], v. 12, n. 12, art. e230358, dez. 2023. DOI: 10.1530/EC-23-0358. Disponível em: <a href="https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC10620455/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC10620455/</a>. Acesso em: 15 out. 2026.</li>
<li>UNITED STATES. FOOD AND DRUG ADMINISTRATION. <strong>FDA issues class-wide labeling changes for testosterone products</strong>. FDA. [S. l.], 28 fev. 2025. Disponível em: <a href="https://www.fda.gov/drugs/drug-alerts-and-statements/fda-issues-class-wide-labeling-changes-testosterone-products" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://www.fda.gov/drugs/drug-alerts-and-statements/fda-issues-class-wide-labeling-changes-testosterone-products</a>. Acesso em: 15 out. 2026.</li>
</ol>
]]></description><guid isPermaLink="false">1299</guid><pubDate>Thu, 15 Oct 2026 14:22:41 +0000</pubDate></item><item><title>Off season no fisiculturismo: treino e horm&#xF4;nios de Jean e Cris</title><link>https://fisiculturismo.com.br/mat%C3%A9rias/gente/off-season-no-fisiculturismo-treino-e-horm%C3%B4nios-de-jean-e-cris-r1295/</link><description><![CDATA[
<p><img src="https://cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2026_10/casal-fisiculturista-capa.webp.079916a3b9f989fdc1c6e58d4c6d156e.webp" /></p>
<p>Jean saiu de uma competição com cerca de 79 kg, chegou a 86 kg e depois voltou para perto de 81 kg. No off season no fisiculturismo, o desafio do casal Jean e Cris é ganhar volume sem perder o controle da cintura. A avaliação também passa pelo treino de pernas, pela apresentação nas poses e pela mudança no uso de hormônios.</p>
<p>Os dois mostram essa rotina em “RUMO AOS PALCOS: TREINO, POSE E PROTOCOLO”, do canal eudeleeudela, acompanhados pelo coach Felipe, conhecido como Felipe.superboy. A visita reúne terapia manual, treino, avaliação presencial e conversa sobre o próximo período de ganho de massa. As doses relatadas pertencem à experiência deles, e algumas aparecem sem unidade ou frequência suficiente para reconstituir um esquema.</p>
<h2>O que é off season no fisiculturismo?</h2>
<p>Off-season é o período fora da preparação imediata para competir. O objetivo é construir músculo e melhorar o físico para a próxima apresentação. Bulking é a estratégia de comer mais calorias do que você gasta para ganhar peso. Pode fazer parte do off-season, enquanto o cutting é a fase de redução de gordura.</p>
<p>Para Jean e Cris, a prioridade naquele momento é o volume muscular. Eles querem continuar com pouca gordura, mas deixam a definição máxima para a preparação final. O casal descreve o físico de palco como uma condição temporária, que envolve até desidratação, e explica por que a aparência muda depois do campeonato.</p>
<h2>O treino de pernas começa pelos exercícios prioritários</h2>
<p>Antes do treino, um terapeuta manual avalia o casal e propõe um trabalho de liberação miofascial. O atendimento inclui a queixa de um ombro machucado. Depois vem o treino de pernas, com aquecimento, séries exigentes e elevação pélvica. A sessão termina com prática de poses.</p>
<p>A preferência do treinador é deixar a cadeira extensora para depois do leg press ou do agachamento. O raciocínio é que cansar o quadríceps primeiro pode reduzir as repetições nos exercícios que ele considera prioritários. Em uma das séries, a expectativa é fazer cerca de oito repetições, mas a orientação é continuar até a falha, quando já não consegue completar outra repetição.</p>
<p>Essa ordem faz sentido quando a prioridade é melhorar nos exercícios compostos. Uma revisão que reuniu 11 estudos, publicada em 2021, encontrou maiores ganhos de força no exercício feito primeiro. Para crescimento muscular, as ordens comparadas tiveram resultados semelhantes. Você pode organizar o começo da sessão pelo movimento que mais precisa melhorar, em vez de tratar a extensora como uma abertura proibida.</p>
<h2>A avaliação junta fotos, poses e encontros presenciais</h2>
<p>O acompanhamento é principalmente online, mesmo com todos morando em São Paulo. A distância dificulta os encontros, que estavam acontecendo a cada dois meses. O plano é passar para uma avaliação presencial por mês, para observar de perto a execução do treino e o físico.</p>
<p>Cris demonstra as poses de lado e de frente. Os ajustes procuram alongar a apresentação do tronco e reduzir o destaque do trapézio. Ela quer manter o treino de membros superiores, enquanto o treinador discute aliviar esse trabalho porque a região já está desenvolvida. Ainda fica sem resposta se o volume de treino mudou e quantas séries Cris passará a fazer para essa região.</p>
<p>A avaliação de Cris também passa pelo quadríceps, pela lateral do glúteo e pela dobra abaixo dele, chamada no dia a dia de “bananinha”. Depois do treino de pernas, o glúteo está mais cheio e alguns cortes aparecem menos. O casal percebe a diferença entre aquele físico com pump, o aumento temporário de volume após treinar, e as fotos em jejum.</p>
<p>Jean pratica duplo bíceps de frente e de costas, peitoral de lado e abdominal e coxa. As correções incluem soltar o ar, fazer o vácuo abdominal e contrair os glúteos. Para consultar as posições e suas variações por categoria, o <a href="https://fisiculturismo.com.br/ferramentas/poses/" target="_blank" rel="noopener">orientador de poses de fisiculturismo</a> ajuda a organizar essa prática.</p>
<p>A aparência logo após uma série merece ser comparada com cuidado. Uma revisão publicada online em 2025 explica que o pump é um aumento agudo de volume e que sua presença, por si só, não demonstra crescimento muscular duradouro. Para acompanhar a evolução, comparar fotos em condições parecidas evita confundir aquele efeito do treino com uma mudança que permaneceu.</p>
<h2>De 79 a 86 kg: o que a balança permite concluir</h2>
<table><thead><tr><th>Momento relatado</th><th>Peso de Jean</th></tr></thead><tbody><tr><td>Competição anterior</td><td>Cerca de 79 kg</td></tr><tr><td>Ponto mais alto depois do campeonato</td><td>86 kg</td></tr><tr><td>Após reduzir o peso</td><td>Perto de 81 kg, com menção também a 82 kg</td></tr></tbody></table>
<p>Jean acredita ter ganhado de 7 a 8 kg de massa magra em três a quatro meses. A estimativa mistura a comparação com o campeonato e uma avaliação com adipômetro, o aparelho que mede dobras de pele. Como os pesos passaram por mudanças para bater a categoria, essa conta fica difícil de conferir. Faltam as medidas completas de antes e depois para reproduzi-la.</p>
<p>Massa magra inclui água e outros tecidos além do músculo. Por isso, 7 a 8 kg de massa magra estimada não demonstram o mesmo ganho em músculo. Uma revisão de 2017, com 11 ensaios e 254 participantes, ilustra esse cuidado: o hormônio do crescimento (GH) aumentou a massa magra em adultos jovens saudáveis, mas os estudos não encontraram melhora da força. Você pode registrar as medidas na <a href="https://fisiculturismo.com.br/ferramentas/calculadoras-percentual-gordura-corporal/" target="_blank" rel="noopener">calculadora de gordura por dobras</a>, mantendo o resultado como estimativa.</p>
<p>O erro competitivo que Jean reconhece é insistir em uma redução de peso para tentar encaixar uma categoria, apesar de o treinador considerar o ajuste desnecessário. Na avaliação dele, a decisão piorou o físico. O episódio deixa um critério para avaliar a escolha de categoria: conferir como a redução de peso afeta a apresentação, além de olhar o número exigido na pesagem.</p>
<h2>A cintura tem história além da dieta</h2>
<p>Jean e Cris relatam ter feito abdominoplastia, com retirada de gordura localizada perto da área operada. Eles diferenciam isso de uma lipo com marcação do abdômen. Ao falar da cintura no off-season, lembram que voltar a comer de forma descontrolada permite recuperar gordura mesmo depois da cirurgia.</p>
<h2>Blast e cruise: como o casal divide o uso de hormônios</h2>
<p>O casal estava saindo de um cruise para voltar ao blast. Na organização relatada, o blast reúne mais substâncias, mais comida e mais treino. O cruise é apresentado como uma fase de doses menores para consolidar os ganhos e dar uma pausa ao corpo.</p>
<p>A redução da dose mantém a exposição aos anabolizantes. Em um estudo dinamarquês publicado em 2025, 1.189 homens que usavam essas substâncias foram comparados com 59.450 controles por cerca de 11 anos. O uso esteve associado a risco aproximadamente três vezes maior de infarto e 8,9 vezes maior de cardiomiopatia, uma doença do músculo do coração. Esse estudo não separa o risco de cada blast ou cruise, mas mostra por que “descansar a saúde” exige mais do que diminuir o protocolo.</p>
<p>Como o uso continua no cruise, ainda há hormônios externos atuando sobre o organismo. A matéria sobre <a href="https://fisiculturismo.com.br/mat%C3%A9rias/esteroides/quando-começar-a-tpc-a-conta-pelo-éster-que-quase-todo-mundo-erra-r1177/" target="_blank" rel="noopener">quando começar a TPC</a> explica por que continuar usando e encerrar um ciclo pedem raciocínios diferentes. Decisões sobre hormônios e peptídeos exigem avaliação e acompanhamento médico, além da orientação de treino.</p>
<h2>O protocolo relatado para Cris e Jean</h2>
<p>Para Cris, o uso até aquela avaliação é descrito como 100 mg de Primobolan®, associado a GH e outros peptídeos. A frequência dos 100 mg fica sem esclarecimento. O GH aparece junto do número “2”, mas sem unidade definida. A proposta seguinte é acrescentar IGF-1, uma proteína que participa do crescimento dos tecidos, com o objetivo declarado de aumentar o volume muscular.</p>
<p>Para Jean, o uso relatado inclui testosterona em “750” e Primobolan® em “300”, após uma dúvida inicial entre 300 e 400. Esses valores vêm sem unidade e frequência confirmadas. O dado mais completo é o Dianabol®: 30 mg em todos os dias de treino. O tempo total desse uso não é informado.</p>
<p>Na nova fase, o plano é manter a base de testosterona, diminuir a deca, apelido usado para nandrolona, e acrescentar DHB. A troca fica sem doses e frequências claramente definidas. Insulina fica de fora naquele momento porque o treinador considera seu uso desnecessário.</p>
<p>Jean associa doses mais altas de deca a uma piora no bem-estar psicológico e diz que já reduziu o uso por esse motivo. Ele também relata ter gostado de Selank e Semax enquanto estudava nutrição. O relato não demonstra que esses peptídeos neutralizem efeitos dos anabolizantes. DHB e boldenona também aparecem associados a possíveis mudanças de humor, com a ressalva de que as respostas variam entre pessoas.</p>
<h2>Como o casal organiza os peptídeos na preparação</h2>
<p>O casal distribui os peptídeos conforme o objetivo do momento. GH e IGF-1 recebem destaque para a fase de ganho de massa. Tesamorelina e GHK-Cu também fazem parte da rotina descrita. TB-500 e BPC-157 são apresentados como recursos para desconforto ou recuperação, inclusive por causa de um problema no ombro.</p>
<p>Ipamorelina com CJC é citada para a etapa final da preparação. Retatrutida aparece como uma possível estratégia para quando o casal voltar a reduzir gordura. Essas escolhas fazem parte dos planos para a próxima fase. O casal não informa doses ou duração dessas combinações, e seus efeitos ainda precisam de comparação controlada.</p>
<p>Para entender a sigla, CJC-1295 é um peptídeo estudado por estimular a liberação de GH pelo organismo. Em dois ensaios curtos com adultos saudáveis, ele elevou GH e IGF-1. O casal fala apenas em CJC, sem identificar a versão. A pesquisa ajuda a explicar o nome, mas não demonstra que a combinação usada por eles seja eficaz para a finalização.</p>
<p>Cris percebe melhora da pele na parte interna das coxas e do cabelo durante essa rotina. Ela conta que o alongamento capilar provocava áreas sem cabelo e que as falhas começaram a fechar em cerca de um mês. Como também usava um tônico capilar, e a musculatura da coxa estava aumentando, o relato reúne várias mudanças ao mesmo tempo. Ele não permite atribuir sozinho o resultado ao GH ou ao GHK-Cu.</p>
<p>A FDA, agência reguladora dos Estados Unidos, registra dados humanos limitados e riscos potenciais para vários desses produtos manipulados. No GHK-Cu injetável, destaca a possibilidade de reação do sistema imune. Também aponta lacunas de segurança para BPC-157, TB-500, Selank e Semax. Isso exige distinguir uma aplicação experimental de um tratamento com benefício e segurança demonstrados.</p>
<h2>IGF-1 para mulheres: virilização e segurança são perguntas diferentes</h2>
<p>A proposta de acrescentar IGF-1 a Cris vem acompanhada da afirmação de que ele não viriliza, isto é, não produz os efeitos masculinizantes associados aos andrógenos. O IGF-1 atua por seu próprio receptor, diferente daquele em que os andrógenos agem. Porém, a ausência daquele mecanismo androgênico não permite concluir que sua aplicação é segura para mulheres que treinam.</p>
<p>A bula da mecasermina, uma forma farmacêutica de IGF-1 humano, alerta para hipoglicemia grave, a queda do açúcar no sangue, inclusive com convulsões. Sua indicação é tratar determinados problemas de crescimento na infância. Os produtos usados no fisiculturismo podem ter outras apresentações e identidade incerta, então essa bula serve para conhecer um risco do IGF-1, e não para validar o frasco ou o protocolo do casal.</p>
<h2>IGF-1 cria novas fibras musculares?</h2>
<p>A expectativa do casal é que o IGF-1 cause hiperplasia, a formação de mais fibras musculares, em vez de apenas hipertrofia, o aumento do tamanho das fibras existentes. A promessa vai além do que se pode demonstrar naquele relato. Pesquisas com IGF-1 local em animais e células ajudam a estudar mecanismos de crescimento, mas não comprovam o mesmo resultado com aplicações em adultos saudáveis.</p>
<p>Uma revisão publicada em 2026 reuniu 11 estudos de musculação em humanos e não encontrou aumento significativo no número estimado de fibras. As intervenções duraram até seis meses e o método de contagem tinha limitações. Ela não testou injeções de IGF-1. Seu resultado ajuda a entender por que prometer novas fibras exige uma prova específica, além de mostrar que o músculo ficou maior.</p>
<h2>Como ganhar peso sem perder o controle da cintura</h2>
<p>Para fisiculturistas naturais iniciantes e intermediários, uma revisão de nutrição de 2019 propõe como referência ganhar cerca de 0,25% a 0,5% do peso por semana. Em alguém com 80 kg, isso corresponde a aproximadamente 200 a 400 g semanais. Atletas avançados precisam de maior cautela. Essas faixas ajudam a planejar a dieta, sem transformar a evolução de um casal que usa hormônios em meta para quem treina natural.</p>
<p>A mesma revisão sugere um excedente de aproximadamente 10% a 20% nas calorias e proteína entre 1,6 e 2,2 g por kg ao dia. O ponto de partida precisa ser ajustado à evolução do peso e das medidas. A <a href="https://fisiculturismo.com.br/ferramentas/bulking/" target="_blank" rel="noopener">calculadora de bulking</a> permite estimar as calorias para levar ao planejamento nutricional. O casal não revela um cardápio ou total calórico que permita comparar sua dieta com essas faixas.</p>
<h2>Conclusão</h2>
<p>Jean e Cris querem voltar ao palco com mais volume, mantendo a cintura sob controle e melhorando a apresentação. A próxima fase combina revisão do treino, avaliações mais próximas, prática de poses e mudança no uso de substâncias. O aprendizado que dá para levar ao seu treino é acompanhar a evolução além da balança e escolher prioridades claras. Os ganhos estimados e as promessas sobre os peptídeos continuam dependentes de provas que a experiência do casal, sozinha, não fornece.</p>
<h2>Perguntas frequentes</h2>
<h3>O que significa off season no fisiculturismo?</h3>
<p>É o período usado para construir o físico fora da preparação imediata para competir. Jean e Cris estavam priorizando volume muscular e deixando a definição máxima para a etapa final. A rotina continua incluindo treino, avaliação e prática de poses.</p>
<h3>Off season e bulking são a mesma coisa?</h3>
<p>Os termos se relacionam, mas descrevem coisas diferentes. Off-season é o período da preparação, enquanto bulking é a estratégia de aumentar a ingestão de calorias para ganhar peso. O bulking pode fazer parte desse período, com o objetivo de aumentar músculo e controlar a gordura.</p>
<h3>Qual é a diferença entre off season e cutting?</h3>
<p>No off-season, o foco é construir e melhorar o físico antes da preparação final. O cutting usa a redução de calorias para perder gordura enquanto se procura preservar músculo. Na experiência de Jean e Cris, a fase mais intensa de definição estava prevista para depois do trabalho de volume.</p>
<h3>Como fazer bulking para ganhar massa muscular?</h3>
<p>Combine treino de musculação com um aumento planejado das calorias e proteína suficiente. A revisão de nutrição para fisiculturistas naturais propõe cerca de 10% a 20% de calorias acima do gasto como referência inicial. Para iniciantes e intermediários, sugere acompanhar um ganho de aproximadamente 0,25% a 0,5% do peso por semana, com maior cautela nos avançados.</p>
<h3>Como calcular as calorias para o bulking?</h3>
<p>Primeiro, estime quantas calorias você gasta para manter o peso. Sobre essa estimativa, a revisão de nutrição para fisiculturistas naturais sugere um excedente de aproximadamente 10% a 20%. Se a manutenção fosse de 2.500 kcal, isso daria cerca de 2.750 a 3.000 kcal por dia. Esse exemplo é uma conta inicial para ajustar com a evolução do peso e das medidas.</p>
<h3>Quanto de proteína comer no bulking?</h3>
<p>A referência da revisão para fisiculturistas naturais é de 1,6 a 2,2 g de proteína por kg de peso ao dia. Para alguém com 80 kg, corresponde a aproximadamente 128 a 176 g por dia. Jean e Cris não informam o consumo de proteína que permitiria comparar a rotina deles com essa faixa.</p>
<h3>Quanto de carboidrato comer no bulking?</h3>
<p>A revisão para fisiculturistas naturais usa cerca de 3 a 5 g por kg ao dia, ou mais conforme a demanda do treino, como referência para carboidratos. Em alguém com 80 kg, 3 a 5 g por kg equivalem a 240 a 400 g por dia. O total deve caber nas calorias planejadas junto da proteína e da gordura.</p>
<h3>Como fazer bulking sem ganhar barriga?</h3>
<p>Planeje o ganho de peso e acompanhe a cintura, em vez de aumentar a comida sem controle. Em um natural iniciante ou intermediário de 80 kg, a referência de 0,25% a 0,5% por semana corresponde a cerca de 200 a 400 g. Compare medidas e fotos em condições parecidas para avaliar a evolução. Essas referências procuram limitar a gordura acumulada, sem prometer que todo o peso ganho será músculo.</p>
<h3>Há quanto tempo Jean e Cris estavam em off season?</h3>
<p>O prazo de encerramento não foi definido para Jean e Cris. Jean fala em três a quatro meses de evolução desde a competição, mas essa conta não estabelece a duração total nem uma recomendação para outras pessoas. O plano relatado é continuar ganhando volume e depois preparar a definição para o próximo palco.</p>
<h3>O que é blast and cruise na musculação?</h3>
<p>É uma organização do uso contínuo de anabolizantes em fases. No caso do casal, o blast reúne mais substâncias, comida e treino, enquanto o cruise é descrito como uma etapa de doses menores para consolidar os ganhos. No cruise, as doses diminuem, mas o uso de hormônios continua.</p>
<h3>Cruise substitui a TPC?</h3>
<p>Cruise mantém o uso de anabolizantes, enquanto a discussão de recuperação hormonal após o ciclo envolve encerrar essa exposição. Anabolizantes podem suprimir a produção hormonal do próprio organismo e afetar a fertilidade. Por isso, passar para doses menores e avaliar a recuperação hormonal depois de parar são situações diferentes, que precisam de avaliação individual.</p>
<h3>Qual é o melhor ciclo para off season?</h3>
<p>A experiência de Jean e Cris não estabelece um ciclo indicado para outros praticantes. Vários valores relatados vêm sem unidade ou frequência, e os produtos e exames não estão detalhados. A escolha de usar hormônios precisa de avaliação médica, com atenção aos riscos cardiovasculares e hormonais.</p>
<h3>O que é IGF-1 e para que serve?</h3>
<p>IGF-1 significa fator de crescimento semelhante à insulina tipo 1, uma proteína envolvida no crescimento dos tecidos. Uma forma farmacêutica, a mecasermina, é indicada para determinados problemas de crescimento em crianças. O casal fala em IGF-1 para aumentar volume muscular, mas a indicação clínica e a expectativa no fisiculturismo são situações distintas.</p>
<h3>IGF-1 faz mal?</h3>
<p>Há riscos conhecidos. A bula da mecasermina, uma forma de IGF-1 humano, alerta para queda grave do açúcar no sangue, inclusive com convulsões. Essa informação identifica um risco da substância, sem provar a composição ou a segurança dos produtos usados no fisiculturismo.</p>
<h3>Como usar IGF-1 para ganhar massa muscular?</h3>
<p>O relato do casal não permite orientar esse uso. Ele não confirma dose, duração nem a apresentação de IGF-1 utilizada, e a bula da mecasermina trata de uma indicação pediátrica específica. A promessa de criar novas fibras musculares também ficou sem demonstração no caso.</p>
<h3>Pode fazer bulking sem treinar?</h3>
<p>Para buscar ganho muscular, a estratégia alimentar precisa acompanhar um estímulo de treino. Aumentar a comida pode aumentar o peso sem produzir o ganho muscular que você procura. A revisão recente sobre hipertrofia destaca a tensão produzida pelo treino como o estímulo principal para o crescimento muscular.</p>
<h2>Referências</h2>
<ol>
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</ol>
]]></description><guid isPermaLink="false">1295</guid><pubDate>Wed, 14 Oct 2026 22:31:32 +0000</pubDate></item><item><title>Nick Walker &#xE9; campe&#xE3;o do Mr. Olympia 2026: vit&#xF3;ria por dois pontos sobre Samson Dauda</title><link>https://fisiculturismo.com.br/mat%C3%A9rias/gente/nick-walker-%C3%A9-campe%C3%A3o-do-mr-olympia-2026-vit%C3%B3ria-por-dois-pontos-sobre-samson-dauda-r1256/</link><description><![CDATA[
<p><img src="https://cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2026_09/nick-walker-mister-olympia-2026-capa.webp.8a373e1f7938606df76c2d24824899d3.webp" /></p>
<p>Samson Dauda foi o melhor pontuado na final da Open, mas Nick Walker levou o título. A diferença veio da soma das duas etapas: Walker terminou com 18 pontos, Dauda com 20. Em uma disputa decidida por apenas dois pontos, acompanhar só a última chamada no palco não bastava para saber quem seria campeão.</p><p>Em “NEW MR Olympia || Nick Walker”, Greg Doucette destaca a volta de Walker após lesões, problemas de saúde e temporadas em que sua capacidade de vencer foi questionada. A transmissão “NICK WALKER CHOCA O MUNDO E É CAMPEÃO DO OLYMPIA! FINAIS MR OLYMPIA 2026”, da BR Bodybuilding News, acrescenta a reação em tempo real às comparações. A súmula da IFBB Pro League permite conferir o que as impressões de palco não resolviam.</p><h2>Como Nick Walker venceu a Open por dois pontos</h2><h3>Por que menos pontos significa uma colocação melhor?</h3><p>Na Open profissional, os árbitros ordenam os competidores por colocação. A orientação de preenchimento das fichas de arbitragem da liga usa 1 para primeiro, 2 para segundo, 3 para terceiro e assim por diante. Portanto, os pontos da súmula não são uma nota de desempenho em que se tenta chegar ao número mais alto. Eles representam posições atribuídas pelos árbitros: quanto mais vezes um atleta aparece perto do primeiro lugar, menor tende a ser sua pontuação. Para visualizar a lógica, cinco indicações de primeiro lugar somariam 5 pontos (1 + 1 + 1 + 1 + 1), enquanto cinco indicações de terceiro somariam 15 (3 + 3 + 3 + 3 + 3). Esse é um exemplo da escala, não uma reconstrução dos votos individuais da final.</p><p>A regra da IFBB Pro League para a Men's Open determina que o julgamento inicial e as finais tenham o mesmo peso, 50% cada. A súmula de 2026 registra a pontuação de cada etapa e a soma que define o resultado. Esses números da competição não devem ser confundidos com os pontos do sistema de classificação para conseguir uma vaga no Olympia, que têm outra finalidade.</p><p>Com essa regra em mente, leia as colunas oficiais de julgamento inicial, finais e total:</p><ul><li><p>Nick Walker: 8 pontos no julgamento inicial + 10 nas finais = 18 pontos, primeiro lugar.</p></li><li><p>Samson Dauda: 15 + 5 = 20 pontos, segundo lugar.</p></li><li><p>Derek Lunsford: 9 + 15 = 24 pontos, terceiro lugar.</p></li><li><p>Andrew Jacked (Chinedu Andrew Obiekea): 20 + 20 = 40 pontos, quarto lugar.</p></li><li><p>Tonio Burton: 25 + 25 = 50 pontos, quinto lugar.</p></li></ul><p>Nick já liderava por 8 a 9 pontos sobre Derek no julgamento inicial. Samson teve a menor pontuação da rodada final, 5, contra 10 de Nick. Mesmo assim, os 15 pontos que Dauda havia recebido na primeira etapa deixaram seu total dois pontos acima do campeão: 15 + 5 = 20 para Samson, contra 8 + 10 = 18 para Nick. Derek, que entrou na noite a apenas um ponto de Nick, recebeu 15 na final e caiu ao terceiro lugar.</p><p>Essa contagem corrige uma leitura repetida durante a cobertura: Derek não liderou oficialmente as prévias. Sua posição no centro dos confrontos e a impressão visual dos comentaristas não substituem os números registrados pelos árbitros.</p><h2>Da sexta posição em 2025 ao primeiro título</h2><p>A vitória encerra uma sequência de frustrações competitivas. Walker ficou fora do Olympia de 2023 após uma lesão no posterior da coxa. Em 2025, voltou ao campeonato, mas terminou em sexto, com 59 pontos na súmula oficial. Em 2026, conquistou o primeiro título da carreira na categoria principal.</p><p>Esse histórico ajuda a entender a reação do público. Antes do anúncio do título, Nick também recebeu o cinturão de “Campeão do Povo”. A torcida por ele aparece com força nas duas análises da final, mas não há pesquisa que permita transformar esse apoio em uma porcentagem confiável. O retorno ao topo é verificável pela classificação: de sexto em 2025 a primeiro em 2026.</p><h2>O confronto entre densidade e linhas estéticas</h2><p>Samson Dauda tinha vantagem visual de proporções e cintura nas poses frontais, segundo a leitura dos comentaristas. Nick Walker compensava com densidade muscular, definição e detalhes nas costas, especialmente no duplo bíceps de costas, além dos posteriores de coxa. O contraste ajudou a tornar a decisão difícil de antecipar para quem acompanhava apenas as comparações.</p><p>Nick manteve a condição ao longo das comparações. Samson apareceu mais cheio na final e venceu aquela etapa na pontuação oficial. As duas observações podem coexistir: melhorar na última rodada não apagou a vantagem que Nick havia construído antes. A súmula registra o placar, mas não declara que uma pose ou um grupo muscular específico decidiu o título. Essa relação permanece uma interpretação técnica de palco.</p><h2>Por que Derek Lunsford terminou em terceiro</h2><p>Derek, campeão da Open em 2023 e 2025, começou perto de Nick no julgamento inicial, com 9 pontos contra 8. Na final, porém, recebeu 15, enquanto Walker recebeu 10 e Samson apenas 5. O total de 24 o colocou seis pontos atrás do campeão e quatro atrás do vice.</p><p>Os comentaristas observaram menor definição nas pernas e nas costas de Derek na noite decisiva. Isso descreve a aparência no palco, sem estabelecer a causa da mudança. Depois do anúncio, ele aceitou o resultado sem desmerecer os adversários, atitude destacada na análise de Greg Doucette.</p><p>Tonio Burton ficou em quinto. Seu tronco chamou atenção, mas a avaliação de palco apontou diferença de volume entre a parte superior e as pernas. Andrew Jacked, quarto colocado, preservou tamanho e linhas que o mantêm entre os favoritos, embora os comentaristas tenham visto menos definição do que em suas melhores apresentações. Essas observações não alteram a ordem confirmada pela IFBB.</p><h2>O que a final ensina sobre ler uma disputa apertada</h2><ul><li><p>Conferir as duas colunas da súmula evita confundir o vencedor da final com o campeão geral. Samson teve 5 pontos na última rodada, mas 20 no total.</p></li><li><p>Uma margem pequena nas prévias deixa a disputa aberta. Nick começou apenas um ponto à frente de Derek e terminou seis à frente.</p></li><li><p>Poses frontais e de costas podem favorecer físicos diferentes. A comparação entre Dauda e Walker mostrou por que julgar apenas uma foto leva a conclusões incompletas.</p></li><li><p>Manter uma apresentação competitiva nas duas etapas pode valer mais que vencer uma só. Nick somou 8 e 10 pontos, sem dominar isoladamente a final.</p></li></ul><p>A Open também terminou com um campeão novo enquanto Niall Darwen venceu a Classic Physique. As categorias têm critérios próprios, portanto a comparação entre o físico de Walker e o de Darwen serve para mostrar propostas de palco diferentes, não para criar uma classificação entre eles. Com ex-campeões ainda competitivos e Walker estreando no topo, a disputa de 2027 fica aberta.</p><h2>Conclusão</h2><p>Nick Walker conquistou o Mr. Olympia 2026 com 18 pontos, dois a menos que Samson Dauda. A vitória reuniu a recuperação competitiva após a lesão e o sexto lugar do ano anterior com uma apresentação consistente nas duas etapas. A final mostrou uma Open sem resultado óbvio até a soma oficial, mesmo quando Samson venceu a rodada decisiva e Derek ainda chegava perto na pontuação inicial.</p><h2>FAQ</h2><h3>Quem ganhou o Mr. Olympia 2026 na categoria Open?</h3><p>Nick Walker venceu a Open com 18 pontos na súmula da IFBB Pro League. Samson Dauda ficou em segundo, com 20, e Derek Lunsford em terceiro, com 24.</p><h3>Qual foi a diferença entre Nick Walker e Samson Dauda?</h3><p>Dois pontos. Nick fez 8 no julgamento inicial e 10 nas finais. Samson fez 15 e 5, respectivamente.</p><h3>Por que vence quem tem menos pontos no fisiculturismo?</h3><p>Porque os números representam colocações dadas pelos árbitros: primeiro lugar corresponde a 1, segundo a 2 e assim por diante. Colocações melhores produzem uma soma menor. Na Open, julgamento inicial e finais valem 50% cada, e o menor total fica à frente.</p><h3>Derek Lunsford venceu as prévias?</h3><p>Não segundo a súmula oficial. Nick recebeu 8 pontos no julgamento inicial, e Derek recebeu 9. Como a pontuação menor é melhor, Nick estava à frente.</p><h3>Como Samson venceu a final e perdeu o título?</h3><p>Samson teve a melhor pontuação da final, com 5 pontos. Sua soma com os 15 pontos do julgamento inicial chegou a 20. Nick terminou com 18 no total.</p><h2>Referências</h2><ol><li><p>DOUCETTE, Greg. NEW MR Olympia || Nick Walker. [S. l.], 27 set. 2026. YouTube. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.youtube.com/watch?v=2EDQQxVnEmU">https://www.youtube.com/watch?v=2EDQQxVnEmU</a>. Acesso em: 27 set. 2026.</p></li><li><p>BR BODYBUILDING NEWS. NICK WALKER CHOCA O MUNDO E É CAMPEÃO DO OLYMPIA! FINAIS MR OLYMPIA 2026. [S. l.], 27 set. 2026. YouTube. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.youtube.com/watch?v=mwoD1oSXKwA">https://www.youtube.com/watch?v=mwoD1oSXKwA</a>. Acesso em: 27 set. 2026.</p></li><li><p>IFBB PRO LEAGUE. 2026 Joe Weider's Olympia Fitness &amp; Performance Weekend: results. Las Vegas, 26 set. 2026. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.ifbbpro.com/competition/2026-joe-weiders-olympia-fitness-performance-weekend/">https://www.ifbbpro.com/competition/2026-joe-weiders-olympia-fitness-performance-weekend/</a>. Acesso em: 27 set. 2026.</p></li><li><p>IFBB PRO LEAGUE. 2025 Joe Weider's Olympia Fitness &amp; Performance Weekend: results. Las Vegas, 11 out. 2025. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.ifbbpro.com/competition/2025-joe-weiders-olympia-fitness-performance-weekend/">https://www.ifbbpro.com/competition/2025-joe-weiders-olympia-fitness-performance-weekend/</a>. Acesso em: 27 set. 2026.</p></li><li><p>MUSCLE &amp; FITNESS. Nick Walker is out of 2023 Mr. Olympia. [S. l.], 2023. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.muscleandfitness.com/flexonline/flex-news/2023-mr-olympia-contender-nick-walker-suffers-hamstring-injury/">https://www.muscleandfitness.com/flexonline/flex-news/2023-mr-olympia-contender-nick-walker-suffers-hamstring-injury/</a>. Acesso em: 27 set. 2026.</p></li><li><p>IFBB PRO LEAGUE. Pro Competition Rules: Men's Open Bodybuilding. [S. l.], 2026. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.ifbbpro.com/rules/">https://www.ifbbpro.com/rules/</a>. Acesso em: 27 set. 2026.</p></li><li><p>MUSCLEWARE; IFBB PRO LEAGUE. 2026 Test Judging Procedures. [S. l.], 2026. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.muscleware.com/system/documentation/testjudges/">https://www.muscleware.com/system/documentation/testjudges/</a>. Acesso em: 27 set. 2026.</p></li></ol>]]></description><guid isPermaLink="false">1256</guid><pubDate>Sun, 27 Sep 2026 14:53:00 +0000</pubDate></item><item><title>Ramon Dino em 3&#xBA; no Olympia 2026: costas, pernas e poses explicam o bronze?</title><link>https://fisiculturismo.com.br/mat%C3%A9rias/gente/ramon-dino-em-3%C2%BA-no-olympia-2026-costas-pernas-e-poses-explicam-o-bronze-r1253/</link><description><![CDATA[
<p><img src="https://cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2026_09/ramon-dino-olympia-2026-terceiro-lugar-capa-v7.webp.ea2678e50428edb4acdbd0d05e83a0cc.webp" /></p>
<p>Ramon Dino chegou ao Olympia de 2026 para defender o título da Classic Physique e saiu com o bronze. Na análise coletiva “RAMON DINO PERDEU - O QUE ACONTECEU ??? MR. OLYMPIA 2026”, a mesa reunida por Renato Cariani acompanhou a mudança de posições no palco. Victor Lelis havia antecipado parte das dúvidas em “Os motivos da QUEDA de RAMON DINO no Mr Olympia!”. A súmula oficial confirma o resultado: Niall Darwen venceu, Mike Sommerfeld ficou em segundo e Ramon em terceiro.</p><h2>O placar oficial da Classic Physique</h2><p>A IFBB Pro League registrou Niall Darwen com 7 pontos, Mike Sommerfeld com 10 e Ramon Rocha Queiroz com 14. Wesley Vissers terminou em quarto, com 21, e Terrence Ruffin em quinto, com 24. Na pontuação da modalidade, menos pontos significam melhor colocação. O número 44 no traje de Ramon identifica o atleta na súmula, não sua posição final.</p><p>Ramon havia conquistado o título em 2025. A disputa de 2026 ganhou outra dinâmica quando o campeão deixou de ocupar o centro dos confrontos decisivos. A posição no palco ajuda a interpretar as comparações feitas pelos árbitros, mas não substitui a nota oficial.</p><h2>Ramon melhorou na final, mas os rivais também</h2><p>Em um dos confrontos, seis atletas foram colocados lado a lado. Ramon apareceu fora das duas posições centrais, ocupadas em momentos diferentes por Niall e Mike. O brasileiro voltou mais cheio em algumas poses, inclusive com mais detalhe na parte baixa das costas. A melhora, porém, não bastou para superar o avanço visual dos adversários.</p><p>Mike surpreendeu quem esperava que o ajuste ao limite de peso diminuísse seu impacto. Entre as prévias e a final, ele pareceu maior, mais seco e com apresentação mais favorável. Niall mostrou pernas mais marcadas e manteve uma estrutura que chamou atenção nos confrontos. O bronze de Ramon foi previsto ainda durante a transmissão por Júlio Balestrin, que projetou Mike em primeiro e Niall em segundo. A previsão acertou a colocação do brasileiro, mas a arbitragem inverteu as duas primeiras posições.</p><p>A passagem de favorito a terceiro não se explica por uma única pose ruim. Na comparação direta, a condição dos outros atletas também conta. Uma melhora individual pode perder valor competitivo quando os rivais melhoram mais.</p><h2>Parte baixa das costas: perda muscular ou ajuste de pose?</h2><p>Antes da final, a região inferior das costas de Ramon pareceu menos espessa e definida do que na apresentação de 2025, sobretudo no duplo bíceps de costas. Mike e Niall mostravam mais preenchimento nessa área. A diferença podia resultar da postura, e não necessariamente de perda muscular.</p><p>Mais tarde, durante a final, Ramon deixou de fazer tanta anteversão e passou a usar mais retroversão do quadril. Com o ajuste, a parte baixa do dorsal e das costas apareceu melhor. Isso não prova que o músculo cresceu entre uma entrada e outra. Mostra que o modo de apresentar a musculatura pode alterar o que os árbitros enxergam.</p><p>As duas leituras registram momentos diferentes da disputa. O problema visto antes da final podia ser parcialmente corrigido pela pose, mas a correção não garantiu vantagem no confronto seguinte.</p><h2>As pernas expuseram a diferença entre Ramon e os adversários</h2><p>As pernas de Ramon pareceram perder definição ao longo das entradas no palco. O sartório e os vastos ficaram menos nítidos, enquanto os adutores deixaram mais espaço entre uma perna e outra do que na apresentação de 2025. Lelis estimou intervalos de 40 minutos a uma hora entre algumas entradas, período em que a aparência de um atleta pode mudar. Essa duração é uma estimativa do comentarista, não uma medição oficial do cronograma.</p><p>O posicionamento também pesa. Ao aproximar as pernas na pose semirrelaxada, o atleta pode mostrar melhor os adutores. Ao abrir demais a base ou não contrair a musculatura de modo consistente, perde parte desse efeito visual. Por isso a comparação entre fotos isoladas não basta para concluir que houve redução real de massa muscular.</p><p>Na final, a perna esquerda de Ramon chamou atenção por menor contração aparente do vasto lateral, extensão incompleta do joelho em algumas poses e vascularização distinta da perna direita. Os comentaristas levantaram hipóteses de lesão e de aplicação no local, mas nenhuma delas foi demonstrada. A aparência em palco permite apontar uma assimetria visual. Não permite dar um diagnóstico ou atribuir uma causa médica.</p><h2>Niall Darwen e Mike Sommerfeld tornaram o título mais difícil</h2><p>Niall venceu com 7 pontos e Mike terminou com 10. O alemão chegou a ser apontado como provável vencedor durante os confrontos. A posição dos atletas e a impressão de quem assiste são pistas, enquanto a ordem final depende das notas dos árbitros.</p><p>O debate sobre Niall chegou à balança. Os comentaristas especularam que ele teria 1,83 m, que poderia chegar a 106 kg e que uma suposta pesagem de 103 kg deixaria 3 kg de margem. Eles próprios reconheceram que não tinham visto o registro oficial da pesagem. Pela tabela vigente da IFBB Pro League, o teto até 1,829 m é de 103,0 kg. O teto de 106,1 kg só se aplica à faixa seguinte, até 1,854 m. Sem altura homologada e peso documentado de Niall, essa conta não sustenta dúvida sobre a regularidade do resultado.</p><h2>Confiança e exposição pública não são notas da súmula</h2><p>A postura de Ramon pareceu menos confiante do que no ano do título para parte dos observadores. Chris Bumstead foi lembrado como exemplo de presença dominante em palco. Essa é uma interpretação da linguagem corporal, não uma medida objetiva do julgamento. A comparação com um passe errado de Neymar ajuda a separar avaliação técnica de torcida contra o atleta: reconhecer uma pose menos eficiente não diminui a carreira de quem a executa.</p><p>Ramon também poderia comunicar melhor sua trajetória ao público internacional, mas exposição e arbitragem são assuntos diferentes. Lelis suspeitou que interesses comerciais dos promotores pudessem favorecer um campeão mais ativo nas redes. Não há nas fontes prova de que seguidores, publicações ou interesses comerciais tenham alterado as notas de 2026.</p><h2>A final podia contar pontos?</h2><p>A afirmação de que as finais da Classic Physique nunca contam pontos precisa de correção. A regra oficial diz que a fase de julgamento vale 100% da nota, mas o árbitro principal pode ordenar uma rodada de confirmação pontuada durante a final. Se isso ocorrer, a pontuação da confirmação substitui a do julgamento anterior.</p><p>Na súmula de 2026, os 7, 10 e 14 pontos dos três primeiros aparecem na coluna de julgamento, enquanto a coluna de finais está vazia. O registro público não autoriza dizer que toda final é irrelevante, nem comprova uma reavaliação pontuada específica nesse confronto. O que está documentado é a classificação final.</p><h2>Conclusão</h2><p>Ramon Dino perdeu a defesa do título e ficou em terceiro porque Niall Darwen e Mike Sommerfeld foram colocados à sua frente pela arbitragem. As duas análises ajudam a entender o que chamou atenção no palco: a leitura variável da lombar com a pose, a definição das pernas, a assimetria visual da perna esquerda e a melhora dos rivais entre as apresentações.</p><p>Lesão, problema de pesagem e favorecimento político continuam sem comprovação nas fontes examinadas. O resultado oficial é claro. As causas exatas de cada mudança física ou decisão dos árbitros exigem evidência adicional antes de virar afirmação.</p><h2>FAQ</h2><h3>Em que posição Ramon Dino terminou no Olympia de 2026?</h3><p>Ramon foi terceiro na Classic Physique, com 14 pontos. Niall Darwen venceu com 7 e Mike Sommerfeld ficou em segundo com 10.</p><h3>O que mudou na pose de costas de Ramon?</h3><p>Durante a final, a mesa percebeu mais retroversão do quadril. Com esse ajuste, a parte baixa das costas apareceu melhor do que em momentos anteriores, sem que isso prove mudança de massa muscular.</p><h3>Ramon lesionou a perna esquerda?</h3><p>Não há confirmação de lesão nas fontes. Os comentaristas observaram diferença de contração e de aparência entre as pernas, mas a causa não foi estabelecida.</p><h3>A final da Classic Physique vale pontos?</h3><p>O julgamento vale 100% da nota, mas a regra permite que o árbitro principal determine uma rodada de confirmação pontuada na final. Quando realizada, ela substitui a pontuação anterior.</p><h3>Por que a previsão de vitória de Mike não se confirmou?</h3><p>Foi uma projeção feita enquanto os atletas ainda eram comparados. A súmula oficial colocou Niall em primeiro com 7 pontos, três a menos que Mike.</p><h2>Referências</h2><ol><li><p>CARIANI, Renato. <em>RAMON DINO PERDEU - O QUE ACONTECEU ??? MR. OLYMPIA 2026</em>. YouTube, 26 set. 2026. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.youtube.com/watch?v=fe2lrhpX5s8">https://www.youtube.com/watch?v=fe2lrhpX5s8</a>. Acesso em: 26 set. 2026.</p></li><li><p>LELIS, Victor. <em>Os motivos da QUEDA de RAMON DINO no Mr Olympia!</em>. YouTube, 26 set. 2026. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.youtube.com/watch?v=lE4y-dBT0oc">https://www.youtube.com/watch?v=lE4y-dBT0oc</a>. Acesso em: 26 set. 2026.</p></li><li><p>IFBB PROFESSIONAL LEAGUE. <em>2026 Joe Weider’s Olympia Fitness &amp; Performance Weekend: results</em>. Las Vegas, 2026. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.ifbbpro.com/competition/2026-joe-weiders-olympia-fitness-performance-weekend/">https://www.ifbbpro.com/competition/2026-joe-weiders-olympia-fitness-performance-weekend/</a>. Acesso em: 26 set. 2026.</p></li><li><p>IFBB PROFESSIONAL LEAGUE. <em>Pro Competition Rules: Men’s Classic Physique</em>. 2026. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.ifbbpro.com/rules/">https://www.ifbbpro.com/rules/</a>. Acesso em: 26 set. 2026.</p></li></ol>]]></description><guid isPermaLink="false">1253</guid><pubDate>Sat, 26 Sep 2026 21:15:00 +0000</pubDate></item><item><title>Jos&#xE9; Alvarenga: de 103 kg ao palco e por que desistiu do fisiculturismo</title><link>https://fisiculturismo.com.br/mat%C3%A9rias/gente/jos%C3%A9-alvarenga-de-103-kg-ao-palco-e-por-que-desistiu-do-fisiculturismo-r1252/</link><description><![CDATA[
<p><img src="https://cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2026_09/jose-alvarenga-antes-depois-estudio-amarelo-capa.webp.5069e2d58099d87bda7444cb9a7b7818.webp" /></p>
<p>O melhor físico de sua vida veio acompanhado de uma rotina que já não parecia vida. Houve dias com 1 hora e 20 minutos de cardio pela manhã, musculação e uma segunda sessão aeróbica depois do treino. Faltavam carboidratos, energia para trabalhar e espaço para conviver com amigos. Em “A VERDADE POR TRÁS DE EU DESISTIR DO FISICULTURISMO...”, José Alvarenga reconstrói a própria passagem de 103 kg ao palco e explica por que duas competições bastaram.</p><p>A história não termina em derrota nem em arrependimento. Ela começa com baixa autoestima, passa por uma transformação física radical, inclui resultados expressivos logo na estreia e chega a uma escolha consciente: manter saúde, trabalho e vida social pesou mais do que insistir em um projeto que exigia abdicações que ele já não queria fazer.</p><h2>De 103 kg a 76 kg depois de dois exames de testosterona</h2><p>Em 2020, o ponto de partida combinava ganho de gordura, falta de libido e autoestima tão baixa que ele evitava ser fotografado. O peso chegou a 103 kg. A investigação médica começou com um exame de testosterona por volta de 100 e um segundo resultado de 60, valores relatados sem unidade. Depois da repetição do teste, recebeu prescrição de Deposteron e iniciou reposição de testosterona, academia, cardio e mudança de hábitos alimentares.</p><p>Esse detalhe clínico exige precisão. Diretrizes da Endocrine Society recomendam que o diagnóstico de hipogonadismo seja feito apenas quando existem sintomas compatíveis e concentrações de testosterona inequivocamente baixas em duas coletas matinais, além de avaliação da causa. O relato contém os sintomas e dois exames, mas não informa horário, unidade, método laboratorial nem investigação etiológica. Portanto, ele descreve uma decisão tomada por seu médico, não um protocolo que possa ser reproduzido por outra pessoa.</p><p>A primeira grande transformação terminou em 76 kg. Ele afirma ter perdido 23 kg, mas os dois pesos citados, 103 kg e 76 kg, produzem uma diferença aritmética de 27 kg. Sem registros completos, não é possível saber se um dos pesos foi arredondado, se as medições pertenciam a datas diferentes ou se houve um lapso na fala. O resultado visual devolveu autoestima e atraiu mais de 1 milhão de visualizações para a publicação em que mostrou a mudança.</p><h2>76 kg, uma escada na pandemia e a primeira finalização</h2><p>O projeto competitivo começou no início de 2021, com acompanhamento de Manu, treinador que o guiaria até o primeiro palco. Durante a pandemia, o cardio era feito subindo e descendo escadas em casa. Em Trancoso, na Bahia, o abdômen já aparecia. Depois da mudança para Salvador, veio a primeira simulação de finalização, com redução de gordura, treino de poses e uma carga de carboidratos para observar como o corpo responderia.</p><p>Na manhã daquela finalização ele pesava 76 kg, com abdômen profundo, veias aparentes e pouca massa muscular para o padrão da Classic Physique. Pernas e posteriores já apareciam como pontos fortes. Braços, costas e execução das poses ainda estavam atrás. O primeiro período de ganho de massa levou o peso a cerca de 88 kg sem retenção excessiva, seguido por novo cutting e outra simulação na casa do treinador, em Curitiba.</p><p>A tentativa serviu também para errar antes do palco. Uma tinta comprada pela internet deixou a pele escura e irregular, enquanto a estratégia de finalização reduziu a plenitude muscular. As fotos sem tinta pareciam melhores. Em vez de esconder o teste ruim, ele o manteve como registro do que não repetir.</p><h2>O braço chegou a 47 ou 48 cm antes da estreia</h2><p>O ganho de massa seguinte produziu o maior braço que ele diz ter alcançado, entre 47 e 48 cm. A foto feita no elevador marcou o auge desse período. Depois veio o corte para competir de verdade, com redução progressiva do volume do braço, treino de vácuo abdominal e contratação de um professor de poses.</p><p>A evolução do posing foi tão importante quanto a mudança corporal. A base das pernas ficou mais aberta, o sartório passou a aparecer, a cintura ganhou aparência afunilada e os quartos de volta ficaram mais simétricos. Um dia antes da estreia, em Itajaí, treinador e atleta ajustavam refeição e água passo a passo. Depois de cada refeição, ele posava para decidir quanto ainda deveria comer e beber.</p><p>No palco, a dificuldade foi sustentar o vácuo depois de comer. Posar por dez segundos já era exaustivo, e a cintura não ficou tão estreita quanto nos treinos. Mesmo assim, a estreia de 2022 rendeu três colocações: segundo lugar na Novice, terceiro entre estreantes e quarto na Open. Naquele confronto ele ficou à frente de Mateus Menegate, que anos depois chegaria ao top 7 mundial, e perdeu a Novice para um atleta chamado Giovani.</p><h2>Chorar por um pão não era falta de disciplina</h2><p>As fotos de palco escondiam o que decidiu a carreira. Dieta restritiva, muito treino e cardio prolongado produziram lentidão cognitiva, letargia, ansiedade e episódios depressivos. Em um momento, ele chorou depois de comer um pão. Em outro, ligou para o treinador às 3h30 durante uma crise de ansiedade porque precisava conversar com alguém.</p><p>A relação com comida tornava o corte ainda mais difícil. Em uma transmissão anterior, ele havia comido dez Big Macs de uma vez. Conseguir comer muito não ajudava quando o objetivo exigia fazer exatamente o contrário. Próximo da competição, a manhã podia começar com 1 hora e 20 minutos de cardio, seguida por dieta com quase nenhum carboidrato, musculação e mais cardio depois do treino.</p><p>O quadro é coerente com o que já foi observado em atletas de fisiculturismo, embora a experiência de uma pessoa não permita diagnosticar outra. Um estudo de caso com um fisiculturista natural acompanhou aumento acentuado da perturbação de humor, queda de testosterona e redução de força durante seis meses de preparação. O consenso do Comitê Olímpico Internacional sobre deficiência relativa de energia no esporte também reconhece que baixa disponibilidade energética prolongada pode prejudicar funções psicológicas, metabólicas, reprodutivas e cardiovasculares em homens e mulheres.</p><h2>O corpo melhorava enquanto a vida encolhia</h2><p>A preparação exigia recusar encontros, bebida e refeições com amigos. Trabalhando com gravações de comida e morando com pessoas que saíam para comer, ele permanecia com a própria marmita. Não havia energia para passear, socializar ou aproveitar o físico que estava construindo. Algumas das melhores fotos ficaram guardadas justamente como lembrete dessa contradição.</p><p>O retorno financeiro era praticamente inexistente. Subir no palco aumentava a credibilidade de quem trabalhava como influenciador do segmento, mas não pagava diretamente pelo esforço. A combinação entre isolamento, sofrimento mental, uso de hormônios e ausência de remuneração transformou a preparação em um projeto difícil de justificar fora da imagem.</p><p>Isso não apaga o orgulho. Chegar ao palco e apresentar um físico competitivo foi tratado como vitória mesmo sem primeiro lugar. O limite apareceu quando a conquista passou a exigir uma vida inteira organizada em torno de treino, comida e cardio.</p><h2>106 kg antes da segunda competição</h2><p>Em 2023, ele decidiu competir novamente porque o evento cairia em seu aniversário. No período de ganho de massa chegou a 106 kg, com aparência que descreve como grande e retida. Depois do cutting, considerou aquele o melhor equilíbrio entre volume e definição de sua trajetória, especialmente nas fotos com cintura estreita, dorsal aberta e separação das pernas.</p><p>Uma semana antes do campeonato, já em Santa Catarina, começou a vomitar, não conseguia segurar comida e passou dias tentando se recuperar. Na reta final, o treinador ficou sem internet e a comunicação falhou. Sem o acompanhamento presencial que havia funcionado na estreia, ele subiu flat, com musculatura menos cheia do que pretendia.</p><p>A organização juntou atletas de alturas diferentes na categoria amadora, segundo o relato, colocando-o diante de competidores muito mais pesados. Ele subiu uma vez, não avançou à final e foi avisado de que poderia ir embora. Pagou R$ 700 por fotos e filmagens que diz nunca ter recebido. A última competição aconteceu em 3 de setembro de 2023, exatamente no aniversário dele.</p><h2>Duas competições, três anos e uma escolha de vida</h2><p>O encerramento da carreira competitiva não veio de uma única derrota. Foi a soma de restrição alimentar, cardio, crises emocionais, perda de vida social, uso de doses suprafisiológicas de hormônios, retorno financeiro baixo e uma segunda experiência de palco frustrante. Ele calcula que mais dois, três ou quatro períodos de ganho e corte poderiam ter produzido um físico realmente competitivo em 2026. Preferiu não pagar esse preço.</p><p>Hoje relata fazer exames a cada três meses e manter testosterona que varia entre 1.000, 1.200 e 1.500, conforme o momento da coleta. Ele próprio questiona se uma estratégia levemente suprafisiológica pode ser chamada de reposição. A ressalva é correta. Reposição busca níveis fisiológicos sob indicação médica. Valores isolados não demonstram segurança, e exames de fígado e rim dentro da faixa não excluem efeitos cardiovasculares, reprodutivos ou psiquiátricos dos esteroides anabolizantes.</p><p>Revisões médicas associam o uso crônico e suprafisiológico de esteroides a alterações de pressão, colesterol, coagulação, estrutura cardíaca, função do coração, fígado e rins. O risco depende de substância, dose, duração e características individuais. Acompanhamento reduz incerteza, mas não transforma uso supraterapêutico em prática sem risco.</p><p>A porta para um retorno não foi fechada por completo. Com rotina mais tranquila, ele admite que poderia pensar em subir outra vez. No presente, porém, considera mais valioso manter bom físico, saúde monitorada, trabalho, relacionamento e convivência social. A decisão não é abandonar a musculação. É recusar que o palco volte a ocupar tudo.</p><h2>Conclusão</h2><p>A transformação de 103 kg até a estreia mostra disciplina, resposta física e capacidade de aprender. Os resultados de segundo, terceiro e quarto lugares logo na primeira competição confirmam que havia potencial. O que encerrou a trajetória foi perceber que potencial não cria obrigação.</p><p>O dado mais importante não está no peso, no braço de 48 cm nem na colocação. Está na ligação feita às 3h30 durante uma crise de ansiedade e na manhã com 1 hora e 20 minutos de cardio antes de todo o restante. Um físico de palco pode ser uma conquista legítima. Quando ele passa a consumir saúde mental, vínculos e trabalho, desistir também pode ser uma decisão de desempenho: escolher uma vida que continue funcionando fora da competição.</p><h2>FAQ</h2><h3>Quanto peso José Alvarenga perdeu na primeira transformação?</h3><p>Ele afirma ter perdido 23 kg, mas também diz que saiu de 103 kg para 76 kg, diferença de 27 kg. Como os números entram em conflito, o correto é registrar os pesos e a perda declarada sem escolher arbitrariamente um deles.</p><h3>Quando ele começou a se preparar para competir?</h3><p>O trabalho competitivo começou no início de 2021. A primeira competição ocorreu em 2022, depois de ciclos de ganho de massa, cutting, simulações de finalização e treino específico de poses.</p><h3>Quais foram as colocações na estreia?</h3><p>Segundo lugar na Novice, terceiro entre estreantes e quarto na Open. Na mesma competição, ele ficou à frente de Mateus Menegate.</p><h3>Por que ele desistiu do fisiculturismo competitivo?</h3><p>Pela soma de dieta extrema, cardio prolongado, isolamento social, letargia, crises de ansiedade, episódios depressivos, uso de hormônios e retorno financeiro praticamente inexistente. A segunda competição também terminou sem vaga na final e sem o material audiovisual pelo qual havia pago.</p><h3>Qual foi o maior peso alcançado durante a fase competitiva?</h3><p>Ele relata 106 kg no período de ganho de massa antes da segunda competição, em 2023. Antes disso, o primeiro ganho havia chegado a cerca de 88 kg.</p><h3>Ele pretende competir novamente?</h3><p>Não descarta completamente a possibilidade, mas afirma que hoje está satisfeito com o físico, a saúde monitorada, o trabalho e a vida social. No momento, voltar ao palco não é prioridade.</p><h2>Referências</h2><ol><li><p>ALVARENGA CULTURISMO. A VERDADE POR TRÁS DE EU DESISTIR DO FISICULTURISMO... YouTube, 30 ago. 2026. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.youtube.com/watch?v=ZGJT2iYhC_o">https://www.youtube.com/watch?v=ZGJT2iYhC_o</a>. Acesso em: 9 set. 2026.</p></li><li><p>BROOKS, K. A. et al. Biopsychosocial effects of competition preparation in natural bodybuilders. The Journal of Sports Medicine and Physical Fitness, 2022. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34401005/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34401005/</a>. Acesso em: 9 set. 2026.</p></li><li><p>MOUNTJOY, M. et al. 2023 International Olympic Committee’s consensus statement on Relative Energy Deficiency in Sport (REDs). British Journal of Sports Medicine, v. 57, p. 1073-1097, 2023. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://bjsm.bmj.com/content/57/17/1073">https://bjsm.bmj.com/content/57/17/1073</a>. Acesso em: 9 set. 2026.</p></li><li><p>BHASIN, S. et al. Testosterone therapy in men with hypogonadism: an Endocrine Society clinical practice guideline. The Journal of Clinical Endocrinology &amp; Metabolism, v. 103, n. 5, p. 1715-1744, 2018. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://academic.oup.com/jcem/article/103/5/1715/4939465">https://academic.oup.com/jcem/article/103/5/1715/4939465</a>. Acesso em: 9 set. 2026.</p></li><li><p>NIESCHLAG, E.; VORONA, E. Doping with anabolic androgenic steroids (AAS): adverse effects on non-reproductive organs and functions. Reviews in Endocrine and Metabolic Disorders, v. 16, n. 3, p. 199-211, 2015. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/26373946/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/26373946/</a>. Acesso em: 9 set. 2026.</p></li></ol>]]></description><guid isPermaLink="false">1252</guid><pubDate>Wed, 09 Sep 2026 14:04:00 +0000</pubDate></item><item><title>Marcelo Pelaio: maturidade, dieta simples e a coragem de parar</title><link>https://fisiculturismo.com.br/mat%C3%A9rias/gente/marcelo-pelaio-maturidade-dieta-simples-e-a-coragem-de-parar-r1250/</link><description><![CDATA[
<p><img src="https://cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2026_09/capa.webp.e07caea0087ba5553af7d66d295c7372.webp" /></p>
<p>Subir da categoria leve para a pesada e vencer com mais de 90 kg não foi a consequência de uma arrancada farmacológica. Para Marcelo Pelaio, foi o resultado de amadurecer o físico por etapas, aprender a obedecer um mestre e repetir o trabalho por anos. A frase que resume sua trajetória é direta: só alcança o propósito quem suporta o processo.</p><p>Em <em>Livecast Os Honoráveis #Episódeo 29 Marcelo Pelaio</em>, do canal Os Honoráveis, Pelaio conversa com Alessandro Valentim, Renato Ventura e Samuel Vieira. Como a gravação reúne quatro vozes, as lições desta matéria foram atribuídas a Marcelo apenas quando aparecem em respostas diretas, relatos em primeira pessoa ou fatos biográficos inequivocamente dele.</p><h2>Da barra na praia ao primeiro título em 1983</h2><p>A base começou com barra fixa e paralelas na praia. Depois vieram os treinos com Cláudio Magalhães, o Tibi, e passagens pela antiga Pumping Iron, que mais tarde se tornou Heavy Duty, em Copacabana. Em 1983, Marcelo estreou e venceu tanto a categoria leve quanto o overall do campeonato de novatos.</p><p>Tibi ocupou um lugar maior do que o de treinador. Marcelo o chama de mestre e segundo pai, inclusive porque sabia frear sua ansiedade. Quando perguntava se deveria usar determinada substância, ouvia que era preciso ter calma e amadurecer o físico primeiro. A lição não era passividade. Era fazer a etapa presente antes de tentar comprar a próxima.</p><p>A carreira levou esse princípio para a balança. Marcelo avançou da categoria leve para a média, depois para a meio-pesada e chegou a disputar a pesada. O corpo não saltou de uma divisão à outra. Foi sendo construído.</p><h2>Hugo Faria transformou provocação em combustível</h2><p>Antes de ser campeão, Marcelo encontrou Hugo Faria na academia e pediu uma orientação alimentar. Já consagrado, Hugo respondeu com uma brincadeira: feijão com rapadura. Marcelo percebeu a provocação e fez uma promessa íntima de vencê-lo algum dia.</p><p>A rivalidade não virou inimizade. Hugo passou a ser uma referência concreta de nível. Marcelo competiu por anos, acumulou maturidade e finalmente o superou em um campeonato open em Santos, disputado apenas por campeões brasileiros. Ele situa a vitória em 1996 ou 1997 e recorda estar com mais de 90 kg no overall.</p><p>Quase quinze anos separam a estreia de 1983 daquela vitória. Esse intervalo explica melhor o físico do que qualquer atalho. O adversário serviu como régua, não como desculpa para acelerar o que o corpo ainda não tinha construído.</p><h2>A dieta tinha seis refeições, mas não era sofisticada</h2><p>O conhecimento nutricional vinha de revistas americanas assinadas por Tibi, como <em>Muscle &amp; Fitness</em> e <em>MuscleMag</em>. Marcelo pegava as edições emprestadas, traduzia as orientações e testava aos poucos no próprio corpo. Era um processo empírico, limitado pelo dinheiro disponível e muito distante do acompanhamento em tempo real que existe hoje.</p><p>A alimentação básica ficou descrita com clareza:</p><ul><li><p>ovos como principal fonte de proteína</p></li><li><p>batata-doce como alimento recorrente</p></li><li><p>aveia comprada a granel como principal fonte de carboidrato</p></li><li><p>peixe e frango quando havia mais dinheiro</p></li><li><p>aproximadamente seis refeições por dia</p></li><li><p>tentativa de colocar uma fonte de proteína em cada refeição</p></li></ul><p>Isso é um esqueleto alimentar histórico, não um protocolo completo. Marcelo não informa gramas, calorias, horários, divisão de macronutrientes, modo de preparo nem diferença entre dieta de ganho e preparação. Também não transforma seis refeições em regra universal. Ele descreve o que conseguia fazer com o orçamento e a informação da época.</p><h2>O protocolo hormonal que Marcelo não revelou</h2><p>A cronologia do uso é mais precisa do que as quantidades. Marcelo afirma que passou pelo estreante, pelo Carioca juvenil e pelo Brasileiro juvenil sem usar hormônios, chegando ao vice-campeonato brasileiro nessa fase. Só começou a testar substâncias quando entrou na categoria júnior.</p><p>Ao descrever o início, ele usa uma formulação coloquial: “uma testozinha com uma dequinha”. A referência aponta para testosterona e nandrolona, mas para por aí. Não há miligramas, mililitros, concentração, frequência de aplicação, duração, exames ou terapia pós-ciclo. A afirmação de que usava “muito pouco” é relativa e não pode ser convertida em dose segura.</p><p>Portanto, Marcelo não apresenta um protocolo hormonal reproduzível. Preencher as lacunas com números comuns da época seria inventar informação e transformar memória incompleta em prescrição. O dado realmente verificável é a ordem: anos iniciais sem uso, entrada na farmacologia apenas na categoria júnior e receio de elevar quantidades.</p><p>Essa cautela não torna o uso de esteroides seguro. Uma coorte publicada em 2025 acompanhou 1.189 usuários identificados em um programa antidoping e 59.450 controles por uma média de 11 anos. O uso foi associado a risco três vezes maior de infarto, 8,9 vezes maior de cardiomiopatia e 3,63 vezes maior de insuficiência cardíaca. Outro estudo com 140 homens encontrou pior função ventricular e maior volume de placas coronarianas entre usuários de longo prazo.</p><p>Testosterona, nandrolona ou qualquer outro agente anabólico não deve ser usado com base em relato de atleta. Decisões médicas exigem diagnóstico, indicação clínica, exames e acompanhamento de profissional habilitado.</p><h2>O treino de 100 mais 100 na véspera da competição</h2><p>Marcelo também deixa um exemplo concreto de treino. Na véspera de competir, fazia 100 repetições na cadeira extensora e mais 100 repetições de agachamento. Ele ainda recorda o agachamento frontal como parte do repertório old school e descreve sessões de pernas tão duras que o atleta podia vomitar, recuperar-se e voltar para terminar.</p><p>O relato não informa carga, número de séries, intervalos, cadência, frequência nem supervisão. Sem essas variáveis, 100 mais 100 não é uma ficha pronta e não deve ser copiado como desafio. É o retrato de uma prática extrema de um atleta avançado na fase competitiva.</p><p>Um ensaio com homens treinados mostrou que séries de 25 a 35 repetições e séries de 8 a 12 podem produzir hipertrofia semelhante quando o esforço é alto, enquanto a faixa mais pesada favorece mais a força máxima. Esse resultado não valida séries de 100 repetições nem treino até passar mal. Apenas mostra que a adaptação depende de carga, esforço, volume, recuperação e contexto, não de uma faixa isolada.</p><h2>De 1983 a 1999, com uma volta em 2010</h2><p>A primeira fase competitiva durou de 1983 a 1999. Aproximadamente uma década depois, Marcelo voltou para disputar um Mundial na Alemanha em 2010, com passagem paga por pessoas que o incentivaram. No intervalo, havia mudado o foco para lutas, com muay thai e jiu-jítsu.</p><p>A volta não o convenceu a perseguir o palco indefinidamente. Aos 62 anos, ele associa a própria saúde à capacidade de ter parado no momento certo. Trabalha dando aulas, treina com entusiasmo renovado e diz viver com o suficiente para ter conforto, sem precisar transformar exposição em medida de sucesso.</p><p>Quando recebeu um convite para competir novamente, a recusa foi objetiva. Vontade existia, mas não queria elevar o uso de drogas para entrar com chance real de vitória. Subir apenas para participar também não combinava com a mentalidade de quem sempre competiu para ganhar. Preservar a saúde venceu as duas tentações.</p><h2>A oportunidade na Califórnia ficou atrás da família</h2><p>Em 1991 ou 1992, Marcelo recebeu de um diretor da ESPN o convite para viver na Califórnia e trabalhar em uma programação em espanhol. Teria suporte para treinar, preparar-se e fazer gravações. A condição era ir sozinho, sem levar a família.</p><p>A filha nasceria em 1992. Marcelo sabia que uma oportunidade daquele tamanho talvez não aparecesse novamente, mas decidiu ficar. Décadas depois, ao falar da filha e da neta de sete meses, não trata a escolha como sacrifício desperdiçado. Afirma que não se arrepende.</p><p>A decisão mostra que ambição e prioridade não são sinônimos. A carreira poderia ter crescido nos Estados Unidos, mas também poderia cobrar a ausência em uma fase familiar que não voltaria. O título possível perdeu para a vida que ele queria preservar.</p><h2>Estética antes do excesso</h2><p>Arnold Schwarzenegger e Frank Zane formaram as referências visuais de Marcelo. Ele prefere físicos harmônicos, com proporção e estética, e considera a categoria Classic mais próxima desse ideal do que a Open atual. Tamanho sem linha não representa evolução automática.</p><p>Como árbitro da NPC e ex-árbitro da federação brasileira, ele atribui parte da escalada à própria arbitragem. O físico premiado vira o alvo do restante do elenco. Quando volume extremo, preenchimentos locais e aparência desarmônica recebem a maior nota, outros atletas entendem que precisam perseguir o mesmo padrão.</p><p>Essa pressão se soma às redes sociais, ao comércio de hormônios e à promessa de que um cartão profissional trará dinheiro e status rapidamente. Marcelo reconhece que a internet facilitou o acesso a treino, alimentação e suplementação. Ao mesmo tempo, critica a banalização de substâncias e a pressa de atletas jovens que tentam alcançar em poucos anos o que exigia uma década de maturação.</p><h2>As lições práticas de Marcelo Pelaio</h2><ol><li><p><strong>Construa por categorias, não por ansiedade.</strong> A passagem da leve para mais de 90 kg levou anos e consolidou um físico capaz de vencer atletas antes inalcançáveis.</p></li><li><p><strong>Escolha alguém que saiba dizer “calma”.</strong> Tibi ajudou tanto pelo conhecimento quanto pela disposição de frear decisões prematuras.</p></li><li><p><strong>Use o adversário como régua.</strong> Hugo Faria virou motivação por quase quinze anos sem precisar virar inimigo.</p></li><li><p><strong>Organize o básico com o recurso disponível.</strong> Ovos, aveia, batata-doce e proteína em cerca de seis refeições sustentaram a rotina antes de existir abundância de suplementos.</p></li><li><p><strong>Não invente precisão onde ela não existe.</strong> O relato hormonal não fornece doses, e o bloco de 100 mais 100 não fornece variáveis suficientes para reprodução.</p></li><li><p><strong>Saiba encerrar a fase de performance.</strong> Continuar treinando por prazer é diferente de voltar ao palco e aceitar novamente os riscos de uma preparação competitiva.</p></li><li><p><strong>Defina o que o dinheiro não compra.</strong> Marcelo abriu mão da Califórnia para permanecer com a família e diz que repetiria a escolha.</p></li></ol><h2>Conclusão</h2><p>Marcelo Pelaio não construiu sua principal lição em uma dose secreta ou numa dieta mirabolante. Ela aparece na sequência inteira: barra e paralela na praia, orientação de Tibi, estreia em 1983, subida gradual pelas categorias, vitória sobre Hugo Faria quase quinze anos depois e decisão de parar quando competir voltou a exigir um preço que já não aceitava pagar.</p><p>Os detalhes alimentares e de treino existem e foram preservados. A dieta tinha cerca de seis refeições, proteína em cada uma, ovos, aveia, batata-doce, frango e peixe. A véspera de competição podia trazer 100 repetições na extensora e 100 no agachamento. Na farmacologia, porém, ele não forneceu doses ou duração. A honestidade editorial exige manter exatamente esse limite. O legado mais aplicável não é copiar o extremo, mas aprender a amadurecer, ouvir, escolher e sair na hora certa.</p><h2>FAQ</h2><h3>Quem é Marcelo Pelaio?</h3><p>Marcelo Pelaio é um dos nomes históricos do fisiculturismo brasileiro, campeão em diferentes categorias, ex-árbitro da federação brasileira e árbitro da NPC. Sua primeira fase competitiva foi de 1983 a 1999, com retorno para um Mundial na Alemanha em 2010.</p><h3>Como era a dieta de Marcelo Pelaio?</h3><p>A base tinha ovos, batata-doce, muita aveia comprada a granel e, quando o orçamento permitia, frango e peixe. Ele fazia aproximadamente seis refeições por dia e buscava incluir uma fonte de proteína em cada uma, mas não informou gramas ou calorias.</p><h3>Marcelo Pelaio detalhou um protocolo hormonal?</h3><p>Não. Ele disse que permaneceu sem hormônios até o vice-campeonato brasileiro juvenil e começou na categoria júnior com testosterona e nandrolona em quantidades que chamou de pequenas. Não revelou dose, frequência, duração, exames ou terapia pós-ciclo.</p><h3>Qual protocolo de treino apareceu no relato?</h3><p>Na véspera de competição, Marcelo fazia 100 repetições na cadeira extensora e 100 de agachamento. Como não informou carga, séries, pausas, cadência ou frequência, o exemplo não constitui uma ficha reproduzível e não deve ser copiado como desafio.</p><h3>Por que ele recusou a oportunidade de morar na Califórnia?</h3><p>Porque teria de ir sozinho enquanto a esposa estava grávida. A filha nasceu em 1992, e ele preferiu permanecer com a família, mesmo sabendo que a oportunidade profissional talvez não voltasse.</p><h3>Por que Marcelo não quis voltar a competir?</h3><p>Porque uma volta com ambição de vitória exigiria elevar novamente o risco da preparação e do uso de drogas. Aos 62 anos, preferiu continuar treinando por prazer e preservar a saúde.</p><h2>Referências</h2><ol><li><p>OS HONORÁVEIS. <em>Livecast Os Honoráveis #Episódeo 29 Marcelo Pelaio</em>. YouTube, 18 jun. 2026. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.youtube.com/watch?v=BlQBwYRsWwA">https://www.youtube.com/watch?v=BlQBwYRsWwA</a>. Acesso em: 8 set. 2026.</p></li><li><p>WINDFELD-MATHIASEN, Josefine et al. Cardiovascular disease in anabolic androgenic steroid users. <em>Circulation</em>, v. 151, p. 828-834, 2025. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/39945117/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/39945117/</a>. Acesso em: 8 set. 2026.</p></li><li><p>BAGGISH, Aaron L. et al. Cardiovascular toxicity of illicit anabolic-androgenic steroid use. <em>Circulation</em>, v. 135, n. 21, p. 1991-2002, 2017. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28533317/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28533317/</a>. Acesso em: 8 set. 2026.</p></li><li><p>POPE, Harrison G. et al. Adverse health consequences of performance-enhancing drugs: an Endocrine Society scientific statement. <em>Endocrine Reviews</em>, v. 35, n. 3, p. 341-375, 2014. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/24423981/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/24423981/</a>. Acesso em: 8 set. 2026.</p></li><li><p>SCHOENFELD, Brad J. et al. Effects of low- vs. high-load resistance training on muscle strength and hypertrophy in well-trained men. <em>Journal of Strength and Conditioning Research</em>, v. 29, n. 10, p. 2954-2963, 2015. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/25853914/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/25853914/</a>. Acesso em: 8 set. 2026.</p></li></ol>]]></description><guid isPermaLink="false">1250</guid><pubDate>Tue, 08 Sep 2026 13:24:00 +0000</pubDate></item><item><title>Jos&#xE9; Carlos Santos: 8 t&#xED;tulos mundiais, m&#xE9;todo pr&#xF3;prio e sa&#xFA;de primeiro</title><link>https://fisiculturismo.com.br/mat%C3%A9rias/gente/jos%C3%A9-carlos-santos-8-t%C3%ADtulos-mundiais-m%C3%A9todo-pr%C3%B3prio-e-sa%C3%BAde-primeiro-r1224/</link><description><![CDATA[
<p><img src="https://cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2026_08/jose-carlos-santos-licoes-fisiculturismo-capa.webp.62877d42ec41b5165d4179ad561e244f.webp" /></p>
<p>Chegar ao segundo lugar de um campeonato com apenas seis meses de musculação seria o ponto alto da história de muita gente. Para José Carlos Santos, foi apenas o começo de uma trajetória que reuniu oito títulos mundiais, décadas de observação do próprio corpo e uma decisão incomum: recusar o caminho profissional quando o preço financeiro e biológico deixou de fazer sentido.</p><p>Em <em>Episódeo #41 - Os Honoráveis com JOSÉ CARLOS SANTOS</em>, do canal Alessandro Valentim, o fisiculturista reconstrói sua formação sem treinador, detalha critérios de preparação e explica por que tratou saúde como limite de carreira. Entre quatro participantes, as informações abaixo foram atribuídas a José apenas quando aparecem em respostas diretas, relatos em primeira pessoa ou blocos biográficos inequivocamente dele.</p><h2>Dos três primeiros meses ao primeiro palco</h2><p>José começou a treinar por volta dos 16 anos, quando já morava sozinho em Biquinha, em São Vicente. Entrou na academia para acompanhar o amigo Pedro, que queria ficar mais forte depois de sofrer uma agressão. Pedro desistiu antes de completar um mês. José continuou.</p><p>No terceiro mês, o dono da academia percebeu sua resposta física e sugeriu uma competição. Cerca de seis meses depois do primeiro treino, José disputou o Mister São Vicente e terminou em segundo lugar. Ele situa a estreia por volta de 1988, mas demonstra dúvida entre 1987 e 1988. Essa incerteza precisa ser preservada em vez de transformar memória em data exata.</p><p>A preparação inicial era rudimentar. A orientação alimentar recebida priorizava ovos e cenoura e retirava arroz, macarrão e batata. O aeróbico consistia em caminhar de São Vicente a Santos pela praia. Suplementos modernos não faziam parte da rotina. Vieram depois a levedura de cerveja e a albumina pura, enquanto revistas importadas chegavam ao Brasil com aproximadamente dois anos de atraso e custavam mais do que ele podia pagar.</p><h2>Seis semanas para testar antes de usar no palco</h2><p>Sem treinador, nutricionista ou médico conduzindo a preparação, José transformou o próprio corpo em um registro de tentativa e resposta. Uma estratégia diferente não entrava diretamente na semana do campeonato. Ele a testava cerca de um mês e meio antes, observava o resultado e só então decidia se faria parte da finalização.</p><p>O critério visual também era específico. Quadríceps e peitoral podiam ganhar definição em aproximadamente duas semanas, mas não confirmavam que o físico estava pronto. Os marcadores decisivos eram glúteos e região lombar. Enquanto essas áreas não aparecessem com o grau de definição esperado, ele não considerava a preparação concluída.</p><p>José também relata que um manejo ruim de água podia fazer um físico pronto parecer atrasado em um ou dois meses. Ele não fornece litros, dias de restrição, quantidade de sódio nem sequência operacional. Portanto, a observação descreve a importância visual que atribuía à água, mas não oferece um protocolo que possa ser reproduzido com segurança.</p><h2>A balança chegou a 92 kg antes da categoria de 65 kg</h2><p>Em uma das fases mais difíceis, o peso fora de competição chegou a 92 kg e precisou descer até a categoria de 65 kg. A diferença é de 27 kg entre a balança do off-season e o limite competitivo. Isso não significa que 27 kg de gordura tenham sido eliminados, porque o relato não separa gordura, massa magra, glicogênio, conteúdo intestinal e água corporal.</p><p>O número mostra principalmente o custo de deixar o peso se afastar demais da categoria. José descreve o processo como sofrimento. A lição prática não é copiar o corte, mas reduzir a distância entre o peso habitual e o peso de palco para evitar que toda a preparação se transforme em correção de um excesso anterior.</p><h2>Panturrilhas: 30 minutos, três vezes por semana</h2><p>O trabalho de panturrilhas foi descrito com uma precisão rara. José reservava aproximadamente 30 minutos para o grupo muscular, três vezes por semana. Variava os ângulos e alternava a natureza do estímulo:</p><ul><li><p>um dia com mais repetições</p></li><li><p>outro dia com menos repetições e mais carga</p></li><li><p>execução intensa, porém controlada</p></li><li><p>em algumas sessões, 10 séries por ângulo</p></li><li><p>séries que podiam chegar a 20 ou 30 repetições</p></li></ul><p>Esse foi o método pessoal usado por um atleta avançado, não uma ficha universal. O valor do exemplo está na frequência, na variação planejada e no volume deliberado aplicado a um ponto que exigia atenção específica.</p><h2>Nem todo músculo respondia à mesma faixa de repetições</h2><p>Anos de treino levaram José a abandonar a ideia de usar a mesma faixa para o corpo inteiro. Alguns grupos respondiam melhor a 6 a 8 repetições com carga maior. Outros exigiam carga menor e séries de 15 a 20 repetições, às vezes prolongadas sem contagem rígida.</p><p>A experiência encontra respaldo parcial na literatura. Em um ensaio com 18 homens treinados durante oito semanas, séries de 25 a 35 repetições e séries de 8 a 12 produziram hipertrofia semelhante quando executadas com esforço elevado, enquanto a faixa mais pesada favoreceu mais o ganho de força máxima. Isso ajuda a explicar por que duas faixas podem construir músculo, mas não autoriza escolher repetições aleatoriamente. Carga, proximidade da falha, volume, recuperação e progressão continuam determinando o estímulo.</p><h2>As poses compulsórias eram treinadas até virar reflexo</h2><p>José considera que campeonatos são decididos nas poses obrigatórias. Por isso, praticava as poses compulsórias repetidamente até que a montagem ficasse natural durante as comparações. Uma rotina livre chamativa não compensava perder controle quando os árbitros pediam as posições que realmente separavam os atletas.</p><p>Uma correção pequena ilustra esse nível de detalhe. Ele atribui a Wilson a orientação de posicionar o polegar entre os dedos para girar melhor o punho e destacar o pico do bíceps. Não é um truque para criar músculo. É ajuste de apresentação para mostrar com mais eficiência o físico já construído.</p><h2>Amino Fuel, BCAA, glutamina e creatina no contexto da época</h2><p>José confirma um consumo histórico de Amino Fuel líquido pela manhã, à tarde e à noite, encerrando uma garrafa por dia. A enumeração das três tomadas indica que a expressão registrada na legenda automática como “em três meses” corresponde ao contexto de três vezes ao dia. Ele também recorda o uso frequente de BCAA, glutamina e creatina, sem informar doses.</p><p>Uma garrafa diária de aminoácidos líquidos não deve ser convertida em recomendação atual. A informação serve para reconstruir o que atletas daquela geração faziam e quanto dependiam de produtos que hoje podem ser substituídos por uma dieta com proteína suficiente e, quando necessário, suplementação calculada pelo conteúdo nutricional real.</p><h2>O que José revelou sobre hormônios e o que não revelou</h2><p>A cronologia é clara. José afirma que começou a fazer protocolos em 2007. O uso ocorria somente em períodos de competição. Depois do campeonato, fazia o que chamou de TPC e permanecia sem uso fora da preparação, mantendo treino e alimentação.</p><p>Em 2008, ao direcionar a carreira para eventos Arnold, passou a aceitar um protocolo que descreve apenas como pequeno, acompanhado por controle de saúde. Ele também afirma que um protocolo ativo próximo de uma competição controlada impediria a aprovação no exame antidoping.</p><p>O relato não informa:</p><ul><li><p>quais compostos foram usados</p></li><li><p>quantos miligramas ou mililitros entravam no protocolo</p></li><li><p>frequência das aplicações</p></li><li><p>duração do período de uso</p></li><li><p>medicamentos, doses ou duração da TPC</p></li><li><p>exames utilizados no acompanhamento</p></li></ul><p>Portanto, não existe na fonte um protocolo hormonal reproduzível. Há uma linha do tempo e uma regra pessoal de limitação. Também não é possível concluir que uso competitivo seja seguro porque ocorreu por menos tempo. A lista de 2026 da Agência Mundial Antidoping mantém agentes anabólicos proibidos em todos os momentos. Estudos com usuários de longo prazo associam a exposição a pior função ventricular e maior carga de placas coronarianas.</p><h2>Por que ele recusou a carreira profissional</h2><p>José afirma ter sido o segundo brasileiro campeão mundial amador da IFBB, depois de Luiz Otávio, campeão em 1987. Seu primeiro título mundial veio em 1997, seguido por conquistas em 1999 e 2001. A trajetória chegaria a oito títulos mundiais.</p><p>Mesmo com convites para migrar ao profissional, decidiu permanecer no circuito amador. A conta incluía o custo financeiro, a necessidade de elevar o investimento e a possibilidade de cobrar mais da saúde sem retorno proporcional. Nenhum título, em sua avaliação, justificava perder a própria saúde.</p><p>A decisão não nasceu de falta de ambição. José afirma que sempre buscava superar a versão do ano anterior e que um campeão começa pela cabeça. A diferença é que disciplina não significava aceitar qualquer preço. A partir de 2016 e 2017, reduziu a frequência competitiva. Depois de aproximadamente um ano e meio parado durante a pandemia, estimou em janeiro de 2021 que precisaria de três meses para voltar ao palco. Hoje, calcula que uma preparação exigiria cerca de quatro meses.</p><h2>O método que atravessou décadas</h2><p>Oito títulos mundiais não nasceram de uma única dieta, faixa de repetições ou estratégia de finalização. O padrão constante foi testar cedo, observar áreas específicas, corrigir pontos fracos e repetir até que treino e pose deixassem de depender de improviso.</p><p>A parte mais atual dessa história é a autonomia. Um treinador pode acelerar decisões e reduzir erros, mas o atleta continua precisando compreender o próprio corpo. José critica a dependência absoluta de quem chega à finalização sem saber interpretar glúteos, lombar, resposta ao treino ou apresentação no palco.</p><h2>Conclusão</h2><p>José Carlos Santos oferece lições que podem ser verificadas e aplicadas sem transformar sua história em receita. Testar mudanças seis semanas antes é melhor do que improvisar na semana do palco. Glúteos e lombar podem dizer mais sobre condicionamento do que grupos que definem cedo. Panturrilhas receberam 30 minutos, três vezes por semana. As faixas de 6 a 8 e 15 a 20 repetições foram escolhidas conforme a resposta do músculo. Poses obrigatórias foram treinadas até parecerem naturais.</p><p>Na farmacologia, a honestidade exige o mesmo rigor. Ele revelou quando começou e em quais períodos usava, mas não revelou substâncias nem doses. Preencher essas lacunas seria fabricar um protocolo que José não apresentou. A principal decisão concreta foi outra: manter a saúde acima da possibilidade de transformar oito títulos mundiais em uma carreira profissional mais arriscada.</p><h2>FAQ</h2><h3>Quantos títulos mundiais José Carlos Santos conquistou?</h3><p>José é apresentado como oito vezes campeão mundial. Três conquistas citadas diretamente ocorreram em 1997, 1999 e 2001.</p><h3>Quanto tempo ele treinou antes do primeiro campeonato?</h3><p>Cerca de seis meses. Ele terminou o Mister São Vicente em segundo lugar, por volta de 1988, embora demonstre dúvida entre 1987 e 1988.</p><h3>Como ele treinava panturrilhas?</h3><p>Reservava aproximadamente 30 minutos, três vezes por semana. Variava ângulos, alternava repetições altas com carga maior e, em algumas sessões, fazia 10 séries por ângulo com 20 a 30 repetições.</p><h3>Quais doses de esteroides ele usou?</h3><p>José não informou compostos, doses, frequência ou duração. Disse apenas que começou protocolos em 2007, usava em preparação competitiva, fazia TPC depois e permanecia sem uso fora das competições.</p><h3>Por que ele não virou profissional?</h3><p>Porque avaliou que o aumento de custo e risco à saúde não compensava. Preferiu preservar a saúde e continuar no circuito amador, mesmo recebendo convites para a transição.</p><h2>Referências</h2><ol><li><p>VALENTIM, Alessandro. <em>Episódeo #41 - Os Honoráveis com JOSÉ CARLOS SANTOS</em>. YouTube, 27 ago. 2026. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.youtube.com/watch?v=BsfLps9Urdg">https://www.youtube.com/watch?v=BsfLps9Urdg</a>. Acesso em: 28 ago. 2026.</p></li><li><p>WORLD ANTI-DOPING AGENCY. <em>The 2026 Prohibited List</em>. Montreal: WADA, 2026. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.wada-ama.org/sites/default/files/2025-09/2026list_en_final_clean_september_2025.pdf">https://www.wada-ama.org/sites/default/files/2025-09/2026list_en_final_clean_september_2025.pdf</a>. Acesso em: 28 ago. 2026.</p></li><li><p>SCHOENFELD, Brad J. et al. Effects of low- vs. high-load resistance training on muscle strength and hypertrophy in well-trained men. <em>Journal of Strength and Conditioning Research</em>, v. 29, n. 10, p. 2954-2963, 2015. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/25853914/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/25853914/</a>. Acesso em: 28 ago. 2026.</p></li><li><p>BAGGISH, Aaron L. et al. Cardiovascular toxicity of illicit anabolic-androgenic steroid use. <em>Circulation</em>, v. 135, n. 21, p. 1991-2002, 2017. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28533317/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28533317/</a>. Acesso em: 28 ago. 2026.</p></li></ol>]]></description><guid isPermaLink="false">1224</guid><pubDate>Fri, 28 Aug 2026 14:18:00 +0000</pubDate></item><item><title>Gabriel Kaminski: pept&#xED;deos, doses e o limite da evid&#xEA;ncia</title><link>https://fisiculturismo.com.br/mat%C3%A9rias/gente/gabriel-kaminski-pept%C3%ADdeos-doses-e-o-limite-da-evid%C3%AAncia-r1217/</link><description><![CDATA[
<p><img src="https://cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2026_08/gabriel-kaminski-peptideos-aula-universidade-capa.webp.c2de592a316daa89b87f6481fc7567b0.webp" /></p>
<p>Peptídeo não é sinônimo de tratamento comprovado. Entre moléculas experimentais, compostos vendidos sem controle e protocolos hormonais de fisiculturismo, a diferença entre uma hipótese promissora e uma conduta clínica pode desaparecer rápido. Em “Gabriel Kaminski - Peptídeos Biorreguladores”, o farmacêutico separa os peptídeos curtos de substâncias como BPC-157 e TB-500, expõe doses enviadas pelos espectadores e insiste em um limite decisivo: novidade bioquímica não é autorização para uso humano.</p><p>A conversa atravessa biologia molecular, manipulação estéril, esteroides e agonistas incretínicos. O valor está nos números concretos, mas também nas correções: 250 mg de testosterona mais 200 mg de Masteron e 200 mg de Primobolan somam 650 mg por semana, retatrutida não possui protocolo comercial aprovado e uma solução transparente não comprova compatibilidade entre peptídeos. As doses abaixo são relatos analisados, nunca receita para copiar.</p><h2>Peptídeos biorreguladores: moléculas curtas, evidência curta</h2><p>Os biorreguladores descritos são sequências de dois a quatro aminoácidos. A comparação ajuda a entender a escala: a insulina humana possui 51 aminoácidos e o hormônio do crescimento, 191. O conceito associado ao pesquisador Vladimir Khavinson propõe que sequências muito pequenas exerçam efeitos seletivos em tecidos específicos.</p><p>Há duas origens diferentes nesse mercado. Uma utiliza sequências sintetizadas em laboratório. Outra extrai misturas peptídicas de órgãos animais. A primeira permite saber qual sequência foi produzida. A segunda pode reunir várias moléculas, com variabilidade maior entre lotes.</p><div class="ipsRichText__table-wrapper"><table style="min-width: 60px;"><colgroup><col style="min-width:20px;"><col style="min-width:20px;"><col style="min-width:20px;"></colgroup><tbody><tr><th colspan="1" rowspan="1"><p>Nome citado</p></th><th colspan="1" rowspan="1"><p>Alvo comercial alegado</p></th><th colspan="1" rowspan="1"><p>O que é possível concluir</p></th></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Epitalon</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Glândula pineal, telômeros e envelhecimento</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Existem achados celulares e animais. Não há prova clínica de prolongamento da vida humana.</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Testagen</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Sistema reprodutivo e fertilidade</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Não há ensaios robustos que definam eficácia, dose e segurança.</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Prostamax</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Próstata</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>A alegação de seletividade tecidual não equivale a tratamento aprovado.</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Cardiogen</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Coração</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Faltam desfechos clínicos humanos que demonstrem regeneração cardíaca.</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Broncogen</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Brônquios e pulmões</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Os trabalhos encontrados são pré-clínicos e não sustentam tratamento respiratório.</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Pancreagen, Ovagen, Livagen e Vesugen</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Pâncreas, rins, fígado e endotélio</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Farmacocinética, biodisponibilidade e dose clínica permanecem mal definidas.</p></td></tr></tbody></table></div><p>O ponto mais honesto foi o reconhecimento de que a maior parte dessa literatura está em células e animais, com poucos estudos humanos e amostras pequenas. A hipótese de que essas sequências entrem na célula, alcancem o núcleo e modulem genes é biologicamente interessante. Ainda assim, mecanismo proposto não demonstra benefício clínico.</p><h2>Epitalon e telômeros não provam longevidade humana</h2><p>Epitalon costuma ser vendido com a promessa de ativar telomerase e retardar o envelhecimento. Um estudo laboratorial mostrou alongamento de telômeros em fibroblastos humanos cultivados. Isso não informa se uma pessoa viverá mais, terá menos câncer ou sofrerá menos eventos cardiovasculares.</p><p>Telomerase também exige cautela porque células tumorais frequentemente exploram essa enzima para manter a replicação. Não significa que Epitalon cause câncer. Significa que uma alteração celular não pode ser apresentada como terapia antienvelhecimento sem estudos de dose, distribuição, duração, desfechos e segurança em humanos.</p><h2>BPC-157 e TB-500 pertencem a outra discussão</h2><p>BPC-157 e TB-500 foram separados dos biorreguladores teciduais. Eles são promovidos para recuperação de tendões, ligamentos e lesões, mas não possuem a mesma proposta de sequências organoespecíficas de dois a quatro aminoácidos.</p><p>O caso concreto foi um cão tratado com a combinação apelidada de “Wolverine”, com recuperação relatada em cerca de duas semanas. É uma experiência veterinária individual. Sem grupo de controle, imagem padronizada, diagnóstico comparável e acompanhamento, não é possível saber quanto veio do tratamento, do repouso ou da evolução natural.</p><p>A FDA mantém BPC-157 e várias outras substâncias de manipulação em listas de risco por falta de dados adequados de segurança, imunogenicidade e impurezas. Comprar biorreguladores ou peptídeos injetáveis em marketplace acrescenta um problema anterior à eficácia: ninguém garante identidade, concentração, esterilidade ou conservação.</p><h2>Misturar cinco peptídeos porque a solução ficou transparente não valida a seringa</h2><p>Um espectador perguntou se poderia reunir cinco peptídeos em uma única aplicação. A resposta prática mencionou que precipitado branco sugeriria desnaturação e que uma solução translúcida pareceria aceitável. Esse critério é insuficiente.</p><p>Transparência só informa que não há partículas visíveis. Ela não confirma estabilidade química, compatibilidade entre excipientes, potência, pH, esterilidade nem ausência de agregados microscópicos. Misturas injetáveis precisam de dados específicos de compatibilidade. Sem esses dados, uma seringa aparentemente limpa continua sendo uma formulação não validada.</p><h2>Os protocolos hormonais apresentados e o que os números realmente significam</h2><p>As perguntas do público levaram à discussão de combinações concretas. A tabela preserva os números, corrige a aritmética e registra o principal limite de cada caso.</p><div class="ipsRichText__table-wrapper"><table style="min-width: 60px;"><colgroup><col style="min-width:20px;"><col style="min-width:20px;"><col style="min-width:20px;"></colgroup><tbody><tr><th colspan="1" rowspan="1"><p>Situação relatada</p></th><th colspan="1" rowspan="1"><p>Doses informadas</p></th><th colspan="1" rowspan="1"><p>Análise</p></th></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>“Manutenção” depois de competição</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>250 mg de enantato de testosterona, 200 mg de Masteron e 200 mg de Primobolan por semana</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>O total é 650 mg por semana. Não é TRT nem manutenção fisiológica.</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Ciclo com Masteron</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>300 mg de testosterona e 300 mg de Masteron por semana</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>A dúvida sobre NPP ou Deca exige considerar duração, efeitos sexuais, exames e objetivo.</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Preparação de palco</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Relato parcialmente audível de trembolona, Masteron e Primobolan, mais anastrozol uma vez por semana</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>As doses individuais ficaram ambíguas e não podem ser reconstruídas com segurança.</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Manipulação final de estradiol</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Letrozol nas três semanas finais para tentar zerar o estradiol</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>É prática de palco de alto risco, não recomendação clínica.</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Nandrolona para articulações</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>50 mg por semana junto de testosterona</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Relato empírico. Não há diretriz que recomende nandrolona para tratar dor articular em atleta saudável.</p></td></tr></tbody></table></div><p>Chamar 650 mg semanais de “manutenção” mascara a exposição. A soma não mede potência relativa, mas deixa claro que três andrógenos em dose suprafisiológica não podem ser confundidos com reposição médica.</p><h2>NPP e Deca: o éster muda a velocidade, não apaga o risco</h2><p>O fenilpropionato de nandrolona, NPP, foi apontado como mais fácil de ajustar quando surgem efeitos adversos. O decanoato, conhecido como Deca, permanece por mais tempo e acumula mais em ciclos curtos. Essa direção farmacocinética faz sentido.</p><p>O número de “três dias de meia-vida” atribuído ao NPP não deve ser tratado como constante universal. Formulação, local de aplicação e desenho do estudo alteram a estimativa. Para o decanoato, um estudo com injeção única encontrou meia-vida terminal entre 7 e 12 dias e metabólitos urinários por muito mais tempo. Éster curto permite correção mais rápida, mas não evita supressão, alteração lipídica ou disfunção sexual.</p><h2>Retatrutida com tirzepatida: 27 mg semanais não são um “reset”</h2><p>Um caso extremo reuniu 12 mg de retatrutida e 15 mg de tirzepatida por semana, além de dieta de aproximadamente 1.200 kcal. A soma chega a 27 mg semanais de agonistas relacionados ao eixo incretínico. A orientação de interromper a escalada, voltar a uma fase normocalórica e aumentar atividade foi prudente. A ideia de “ressensibilizar receptor” com pausa, porém, não possui protocolo clínico estabelecido.</p><p>Outro espectador, com 93 kg e cerca de 10% de gordura, relatou 5 mg de retatrutida por dois meses e retorno da fome. Surgiu a proposta de 3 mg duas vezes por semana e até manutenção indefinida de 1 mg. Os ensaios de retatrutida utilizam aplicação uma vez por semana, e a molécula continua investigacional, sem aprovação para uso comercial. Dividir em duas aplicações e instituir manutenção vitalícia não são esquemas validados.</p><p>Tirzepatida possui dose máxima aprovada de 15 mg uma vez por semana. Somá-la à retatrutida experimental não foi estudado como estratégia rotineira. Náusea, vômito, desidratação, perda de massa magra, doença biliar e pancreatite são preocupações mais concretas do que a promessa de vencer um platô pela combinação.</p><h2>Estradiol zerado pode piorar articulação, libido e composição corporal</h2><p>Anastrozol semanal e letrozol nas últimas três semanas apareceram como ferramentas para reduzir retenção antes do palco. O objetivo descrito foi levar o estradiol a zero. Isso pode produzir aparência transitória mais seca, mas a fisiologia não trata estradiol como impureza.</p><p>Em homens, a supressão experimental de aromatização aumentou gordura corporal e piorou função sexual. Estradiol muito baixo também se relaciona a perda óssea e desconforto articular. A decisão de usar inibidor de aromatase não deveria começar por calendário fixo. Sintomas, estradiol medido por método adequado, dose de testosterona e risco ósseo precisam entrar na avaliação.</p><h2>Hematócrito de 52% não é emergência automática, mas 54% muda a conduta</h2><p>Uma pergunta trouxe hematócrito de 52% durante TRT. A resposta distinguiu eritrocitose secundária de uma doença hematológica primária e lembrou que o número isolado não prova trombose iminente. Isso evita alarmismo, mas não autoriza ignorar a tendência.</p><p>A diretriz da Endocrine Society recomenda interromper a testosterona quando o hematócrito ultrapassa 54%, investigar hipóxia e apneia do sono e, se for apropriado, reiniciar em dose menor. Pressão arterial, tabagismo, desidratação, altitude, apneia, histórico trombótico e evolução do hemograma mudam o risco individual.</p><h2>Nattokinase: o número citado não veio de ensaio clínico decisivo</h2><p>Foi atribuída à nattokinase uma redução de placa de 36%, contra 11% com estatina, usando “800 mg”. A literatura não sustenta essa comparação desse modo. Nattokinase costuma ser quantificada em unidades fibrinolíticas, FU, e não apenas em miligramas.</p><p>Um estudo retrospectivo usou 10.800 FU por dia por 12 meses e relatou regressão de aterosclerose, mas não foi ensaio randomizado e possui limitações importantes. Um estudo menor comparou 6.000 FU com 20 mg de sinvastatina. Já um ensaio duplo-cego com 265 pessoas e 2.000 FU por dia por três anos não encontrou redução da progressão de aterosclerose subclínica. Nattokinase não substitui estatina, controle de pressão, abandono do cigarro nem avaliação cardiovascular.</p><h2>Produzir injetável estéril não é misturar matéria-prima em casa</h2><p>A experiência em farmácia estéril no Canadá foi usada para mostrar o tamanho da estrutura necessária: sala com pressão positiva, monitoramento ambiental e de partículas, placas para detectar contaminação, roupa apropriada e regras contra barba, joias e acessórios.</p><p>O uso de solventes como guaiacol para elevar concentrações também recebeu crítica. Uma solução que comporta mais miligramas por mililitro não se torna automaticamente melhor. Dor, toxicidade do solvente, contaminação e erro de concentração tornam a fabricação doméstica especialmente perigosa.</p><h2>Quatro gramas de proteína por quilo não viraram recomendação</h2><p>A afirmação de que 4 g/kg por dia não prejudicam rins saudáveis precisa de limite. Um ensaio cruzado pequeno acompanhou homens jovens treinados durante quatro meses com médias de 2,6 a 3,3 g/kg por dia e não encontrou piora em marcadores renais, hepáticos ou lipídicos. Outro desenho de um ano também avaliou aproximadamente 2,5 a 3,3 g/kg por dia sem dano laboratorial aparente.</p><p>Esses trabalhos não testaram 4 g/kg como prescrição universal, tinham amostras pequenas e excluíram pessoas com doença renal. Para hipertrofia, 1,6 g/kg por dia costuma cobrir a maior parte do benefício, com ajustes individuais. Mais proteína pode caber na dieta, mas não substitui energia adequada, carboidrato, treinamento e monitoramento clínico.</p><h2>Dez lições que sobrevivem à checagem</h2><ol><li><p>Peptídeo curto e peptídeo terapêutico não são categorias equivalentes.</p></li><li><p>Resultado em célula ou animal não prova regeneração de órgão em humanos.</p></li><li><p>Epitalon não possui demonstração clínica de aumento da longevidade humana.</p></li><li><p>Produto injetável de marketplace não oferece garantia de identidade ou esterilidade.</p></li><li><p>Solução transparente não prova compatibilidade entre cinco peptídeos.</p></li><li><p>250 mg de testosterona mais 200 mg de Masteron e 200 mg de Primobolan totalizam 650 mg por semana, não TRT.</p></li><li><p>Retatrutida segue experimental e foi estudada em aplicação semanal.</p></li><li><p>Zerar estradiol pode comprometer função sexual, osso e articulação.</p></li><li><p>Hematócrito acima de 54% exige interrupção e investigação segundo diretriz de TRT.</p></li><li><p>Nattokinase não deve substituir tratamento cardiovascular comprovado.</p></li></ol><h2>Conclusão</h2><p>A contribuição mais importante desta aula não é uma lista de moléculas exóticas. É a distinção entre possibilidade biológica, experiência pessoal e tratamento demonstrado. Biorreguladores ainda carecem de farmacocinética, dose e ensaios clínicos. BPC-157 e TB-500 permanecem sem aprovação. Retatrutida não deve ser combinada informalmente com tirzepatida. Protocolos de palco com múltiplos esteroides, inibidores de aromatase e peptídeos não se tornam seguros por receberem nomes técnicos.</p><p>Informação concreta é útil quando também carrega seus limites. Este texto é educativo e não substitui endocrinologista, cardiologista, farmacêutico ou outro profissional habilitado.</p><h2>FAQ</h2><h3>O que são peptídeos biorreguladores?</h3><p>São sequências muito curtas, frequentemente de dois a quatro aminoácidos, promovidas como reguladoras seletivas de determinados tecidos. A maior parte das alegações ainda depende de estudos pré-clínicos.</p><h3>Epitalon aumenta a longevidade?</h3><p>Não há prova clínica de que Epitalon prolongue a vida humana. Estudos celulares sobre telômeros não demonstram redução de mortalidade ou doença.</p><h3>Pode misturar vários peptídeos na mesma seringa?</h3><p>Somente se houver dados específicos de compatibilidade, estabilidade e esterilidade. A ausência de precipitado visível não comprova que a mistura seja segura.</p><h3>12 mg de retatrutida com 15 mg de tirzepatida é um protocolo validado?</h3><p>Não. A retatrutida continua investigacional e a combinação com tirzepatida não é um esquema aprovado ou estudado para uso rotineiro.</p><h3>Hematócrito de 52% obriga sangria?</h3><p>Não automaticamente. É necessário repetir e interpretar o exame no contexto. Em TRT, valor acima de 54% é o ponto em que a Endocrine Society recomenda interromper, investigar hipóxia e apneia e considerar reinício em dose menor.</p><h3>Nattokinase substitui estatina?</h3><p>Não. A evidência é inconsistente, e um ensaio randomizado de três anos não mostrou redução da progressão de aterosclerose subclínica com 2.000 FU por dia.</p><h2>Referências</h2><ol><li><p>MONSTER CAST. Gabriel Kaminski - Peptídeos Biorreguladores. YouTube, 21 ago. 2026. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.youtube.com/live/ZkrPiAX3-9c">https://www.youtube.com/live/ZkrPiAX3-9c</a>. Acesso em: 23 ago. 2026.</p></li><li><p>KHAVINSON, Vladimir; BONDAREV, Igor; BUTYUGOV, Alexander. Epithalon peptide induces telomerase activity and telomere elongation in human somatic cells. <em>Bulletin of Experimental Biology and Medicine</em>, v. 135, n. 6, p. 590-592, 2003. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/12937682/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/12937682/</a>. Acesso em: 23 ago. 2026.</p></li><li><p>LIN'KOVA, Natalia et al. Peptide regulation of expression of genes encoding antioxidant and anti-inflammatory proteins in bronchial epithelium. <em>Bulletin of Experimental Biology and Medicine</em>, 2014. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/25015171/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/25015171/</a>. Acesso em: 23 ago. 2026.</p></li><li><p>UNITED STATES FOOD AND DRUG ADMINISTRATION. Certain bulk drug substances for use in compounding may present significant safety risks. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.fda.gov/drugs/human-drug-compounding/certain-bulk-drug-substances-use-compounding-may-present-significant-safety-risks">https://www.fda.gov/drugs/human-drug-compounding/certain-bulk-drug-substances-use-compounding-may-present-significant-safety-risks</a>. Acesso em: 23 ago. 2026.</p></li><li><p>JASTREBOFF, Ania M. et al. Triple-hormone-receptor agonist retatrutide for obesity: a phase 2 trial. <em>The New England Journal of Medicine</em>, 2023. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMoa2301972">https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMoa2301972</a>. Acesso em: 23 ago. 2026.</p></li><li><p>ELI LILLY AND COMPANY. What to know about retatrutide. 2026. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.lilly.com/news/stories/what-to-know-about-retatrutide">https://www.lilly.com/news/stories/what-to-know-about-retatrutide</a>. Acesso em: 23 ago. 2026.</p></li><li><p>UNITED STATES FOOD AND DRUG ADMINISTRATION. Mounjaro: prescribing information. 2026. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.accessdata.fda.gov/drugsatfda_docs/label/2026/215866s009lbl.pdf">https://www.accessdata.fda.gov/drugsatfda_docs/label/2026/215866s009lbl.pdf</a>. Acesso em: 23 ago. 2026.</p></li><li><p>FINKELSTEIN, Joel S. et al. Gonadal steroids and body composition, strength, and sexual function in men. <em>The New England Journal of Medicine</em>, 2013. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMoa1206168">https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMoa1206168</a>. Acesso em: 23 ago. 2026.</p></li><li><p>BHASIN, Shalender et al. Testosterone therapy in men with hypogonadism: an Endocrine Society clinical practice guideline. <em>The Journal of Clinical Endocrinology &amp; Metabolism</em>, 2018. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.endocrine.org/clinical-practice-guidelines/testosterone-therapy">https://www.endocrine.org/clinical-practice-guidelines/testosterone-therapy</a>. Acesso em: 23 ago. 2026.</p></li><li><p>CHEN, Hongjie et al. Nattokinase atherothrombotic prevention study: a randomized controlled trial. <em>Clinical Hemorheology and Microcirculation</em>, 2021. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33843667/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33843667/</a>. Acesso em: 23 ago. 2026.</p></li><li><p>REN, Nina et al. Nattokinase: a promising alternative in prevention and treatment of cardiovascular diseases. <em>Frontiers in Cardiovascular Medicine</em>, 2022. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30013308/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30013308/</a>. Acesso em: 23 ago. 2026.</p></li><li><p>WU, Hong et al. A clinical study on the effect of nattokinase on carotid artery atherosclerosis and hyperlipidaemia. <em>Zhonghua Yi Xue Za Zhi</em>, 2017. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28763875/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28763875/</a>. Acesso em: 23 ago. 2026.</p></li><li><p>BAGCHUS, Wilma M. et al. Pharmacokinetic evaluation of three different intramuscular doses of nandrolone decanoate: analysis of serum and urine samples in healthy men. <em>The Journal of Clinical Endocrinology &amp; Metabolism</em>, 2005. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/15713722/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/15713722/</a>. Acesso em: 23 ago. 2026.</p></li><li><p>UNITED STATES FOOD AND DRUG ADMINISTRATION. Environmental monitoring in compounding. 2024. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.fda.gov/drugs/news-events-human-drugs/environmental-monitoring-compounding-07302024">https://www.fda.gov/drugs/news-events-human-drugs/environmental-monitoring-compounding-07302024</a>. Acesso em: 23 ago. 2026.</p></li><li><p>ANTONIO, Jose et al. The effects of a high protein diet on indices of health and body composition: a crossover trial in resistance-trained men. <em>Journal of the International Society of Sports Nutrition</em>, 2016. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/26778925/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/26778925/</a>. Acesso em: 23 ago. 2026.</p></li><li><p>ANTONIO, Jose et al. A high protein diet has no harmful effects: a one-year crossover study in resistance-trained males. <em>Journal of Nutrition and Metabolism</em>, 2016. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/27807480/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/27807480/</a>. Acesso em: 23 ago. 2026.</p></li></ol>]]></description><guid isPermaLink="false">1217</guid><pubDate>Sun, 23 Aug 2026 15:39:00 +0000</pubDate></item><item><title>Alex dos Anjos: do primeiro campeonato em 7 meses ao sonho do Olympia</title><link>https://fisiculturismo.com.br/mat%C3%A9rias/gente/alex-dos-anjos-do-primeiro-campeonato-em-7-meses-ao-sonho-do-olympia-r1216/</link><description><![CDATA[
<p><img src="https://cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2026_08/alex-dos-anjos-licoes-carreira-capa.webp.0db7e5df6392cbce7624a19326065f37.webp" /></p>
<p>Sete meses depois de começar a treinar musculação de verdade, Alex dos Anjos já estava num palco. Entrou com 78 kg, terminou em quinto entre 12 atletas e ficou uma posição à frente de um veterano que treinava havia 15 anos. O resultado não virou atalho. Abriu uma carreira marcada por genética rara, treino básico, erros de preparação, punições esportivas, cirurgia na coluna e uma ausência que ainda pesa: ele nunca chegou ao Mr. Olympia.</p><p>Em <strong>"Os Honoráveis - Episódio #4 Alex dos Anjos"</strong>, do canal Alessandro Valentim, quatro pessoas participam da conversa. Para não misturar opiniões, esta matéria usa como relato de Alex apenas respostas dirigidas a ele, passagens em primeira pessoa e blocos cuja continuidade deixa o autor identificável. Comentários de Alessandro Valentim, Renato Ventura e Samuel Vieira não foram convertidos em declarações do atleta.</p><h2>O corpo começou no esporte, antes da academia</h2><p>Alex atribui parte importante de sua resposta muscular à família. A mãe e o pai já exibiam musculatura incomum sem rotina de academia. Segundo ele, as costas da mãe ainda mostravam separações musculares aos 70 e poucos anos, embora ela nunca tivesse treinado musculação.</p><p>A genética, porém, encontrou um corpo que já vinha do esporte. Antes do fisiculturismo, ele passou por atletismo, prova de 100 metros, handebol e futsal. A musculação séria começou apenas aos 23 anos, em <strong>9 de novembro de 2000</strong>. Um mês depois, a manga de um quimono novo que chegava ao punho já parava no meio do antebraço.</p><p>Alex também recorda ter começado o supino com cerca de 30 kg de cada lado. O número é um relato pessoal, não um teste padronizado, mas ajuda a dimensionar por que treinadores perceberam rapidamente que havia ali uma resposta fora da curva.</p><h2>Sete meses de treino, uma semana de dieta e o primeiro palco</h2><p>A estreia aconteceu após apenas sete meses de musculação. Alex havia começado perto de 80 kg, chegou a aproximadamente 83 kg durante o período e subiu ao palco com 78 kg. A preparação alimentar durou uma semana.</p><div class="ipsRichText__table-wrapper"><table style="min-width: 40px;"><colgroup><col style="min-width:20px;"><col style="min-width:20px;"></colgroup><tbody><tr><th colspan="1" rowspan="1"><p>Marco</p></th><th colspan="1" rowspan="1"><p>Dado relatado por Alex</p></th></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Início da musculação</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>9 de novembro de 2000, aos 23 anos</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Primeira competição</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Após 7 meses de treino</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Dieta para a estreia</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>1 semana</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Peso antes da preparação</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Cerca de 83 kg</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Peso no palco</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>78 kg</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Resultado</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>5º lugar entre 12 atletas</p></td></tr></tbody></table></div><p>Fernando Sardinha ficou em segundo naquela disputa. O detalhe que fixou a convicção de Alex foi ver um homem que treinava havia cerca de 15 anos terminar em sexto, logo atrás dele. A genética havia acelerado o começo, mas ainda faltavam estrutura, conhecimento e anos de maturidade muscular.</p><h2>O erro de 2008: retirar todo o sal e perder o físico</h2><p>O episódio mais concreto sobre preparação ocorreu no Brasileiro de 2008. Alex havia sido campeão brasileiro em 2007 e tentou aprimorar a finalização eliminando completamente o sal. O frango era cozido duas vezes, o arroz integral saía sem sal e a dieta ficou cada vez mais restritiva.</p><p>O resultado foi o oposto do esperado. Ele perdeu volume muscular, reteve água sob a pele e não conseguiu recuperar o aspecto cheio com a recarga de batata. Terminou em quarto e chorou depois da competição.</p><p>Na semana seguinte, voltou a comer normalmente. Houve lasanha e vinho no domingo, depois arroz, feijão e comida cotidiana. O físico respondeu com mais volume e aparência mais seca. O relato não prova que lasanha ou vinho sejam técnicas de finalização. Mostra que uma intervenção extrema, aplicada sem domínio do mecanismo, pode destruir em poucos dias o visual construído durante meses.</p><p>Retirar sódio indiscriminadamente não garante menos água sob a pele. Sódio, ingestão de água, carboidrato, glicogênio, estresse e resposta renal interagem. Copiar a restrição feita por outro atleta sem conhecer contexto, exames e cronograma é transformar palco em experimento.</p><h2>Mais recursos não substituem treino, comida e ambiente</h2><p>Alex afirma ter começado a usar recursos farmacológicos depois de dois anos de treino, pressionado pela ideia de que ficaria para trás. Ele descreve uma fase com mais comprimidos, poucos injetáveis e baixo volume de aplicação, próximo de 1 mL. Também diz que só usou GH pela primeira vez em 2011.</p><p><strong>Essas informações não formam um protocolo hormonal.</strong> O volume de 1 mL não revela dose. Para converter mililitros em miligramas seria necessário conhecer substância, concentração em mg/mL, frequência, duração e combinação com outros compostos. Nada disso aparece de forma completa. Portanto, não é possível reconstruir ciclo, calcular dose semanal nem apresentar o relato como recomendação.</p><p>A lição prática de Alex é outra: a estrutura da academia, a qualidade do treino, a alimentação e o descanso tiveram mais peso em sua evolução do que simplesmente acrescentar substâncias. Ele critica a inversão comum de treinar com menos intensidade, flexibilizar cada vez mais a dieta e tentar compensar com mais fármacos. Para ele, o recurso farmacológico é a cereja, não o bolo.</p><p>O treino que construiu sua densidade muscular era básico, pesado e baseado em pesos livres. O crescimento não veio em semanas. Alex descreve um acúmulo lento, grão por grão, até que o físico adquirisse maturidade.</p><h2>A coluna obrigou a trocar exercícios, não a abandonar o treino</h2><p>Depois de lesão e cirurgia na coluna, alguns movimentos deixaram a rotina regular. Agachamento livre, remada curvada e levantamento terra saíram porque exigiam sustentação lombar que o corpo já não tolerava da mesma forma.</p><p>As substituições são concretas:</p><ul><li><p>leg press e cadeira extensora continuam no treino de pernas</p></li><li><p>supinos, exercícios de ombro e puxadas permanecem possíveis</p></li><li><p>rosca para bíceps passou a ser feita sentado, reduzindo a exigência de estabilização lombar</p></li><li><p>glúteos e posteriores de coxa continuam recebendo trabalho específico</p></li><li><p>o agachamento frontal com halter provocou dor e foi substituído pelo agachamento sumô, executado sem o mesmo desconforto</p></li><li><p>levantamento terra muito leve e hiperextensão lombar com anilha aparecem apenas ocasionalmente</p></li></ul><p>Isso não transforma a lista em prescrição para quem tem dor lombar. A utilidade está no princípio: após uma lesão importante, preservar o padrão que não dói pode ser mais inteligente do que insistir no exercício que virou símbolo de identidade.</p><h2>103 kg agora, 110 kg como meta e um palco perto de 100 kg</h2><p>Na fase atual, Alex relata estar com <strong>103 kg</strong>. O plano é chegar a aproximadamente <strong>110 kg</strong> antes de voltar a reduzir, com a expectativa de competir entre <strong>98 e 100 kg</strong>.</p><p>A divisão 212, cujo limite é cerca de 96,2 kg, cobra uma redução que prejudica principalmente suas pernas. Por isso, ele considera a possibilidade de competir na Masters Pro ou em uma categoria sem o mesmo corte de peso. Não é uma promessa de retorno. É a maneira como ele tenta compatibilizar o corpo atual, a idade, as limitações e a vontade de voltar ao palco.</p><h2>As punições que interromperam a rota para o Olympia</h2><p>Alex conta que apareceu em um evento de outra federação para distribuir suplementos, tirou a camisa e posou. Três semanas antes do Arnold Ohio, recebeu a notícia de que estava punido por um ano e não poderia competir.</p><p>Quando a suspensão terminou, preparou-se em cerca de um mês. A primeira semana foi extrema, seguida por recarga de carboidratos. Venceu categoria e overall em Minas Gerais e repetiu categoria e overall no Brasileiro de Ribeirão Preto.</p><p>Depois, um controle antidoping no Mundial realizado em Brasília gerou nova suspensão, agora de dois anos e meio. Outra hérnia exigiu cirurgia. Somadas as interrupções, ele calcula aproximadamente três anos longe do percurso competitivo.</p><p>É nesse ponto que aparece o maior arrependimento esportivo. Alex acredita que, sem a lesão de 2003 e as interrupções seguintes, poderia ter chegado ao Mr. Olympia. Foi campeão brasileiro e vice-campeão do Mr. Universo, mas nunca pisou no palco que inspirou seu começo ao assistir Ronnie Coleman.</p><h2>A rotina nos Estados Unidos ainda começa antes do amanhecer</h2><p>Hoje ele vive em Orlando e trabalha como personal trainer. Acorda por volta das <strong>4h20</strong>, chega à academia às <strong>6h</strong> e retorna para casa aproximadamente às <strong>21h30</strong>. Leva as refeições e atende sessões de uma hora em sequência.</p><p>A rotina ajuda a corrigir uma leitura confortável da carreira: o físico não foi mantido por inspiração episódica. Mesmo depois de títulos, cirurgia e mudança de país, o cotidiano continua organizado em torno de horário, comida preparada, atendimento e treino.</p><h2>A recusa em fazer qualquer coisa por alcance</h2><p>Alex diz que não aceita produzir conteúdo fora de seus valores apenas para atingir um milhão de seguidores. Prefere uma audiência menor e fiel a transformar a própria imagem em personagem viral.</p><p>Essa escolha tem custo comercial, mas também funciona como filtro. Para alguém cuja carreira já foi atravessada por pressão competitiva, punições e necessidade de provar valor, recusar a próxima performance vazia pode ser uma forma de preservar identidade.</p><h2>Depressão, crise e o pedido de ajuda</h2><p>O trecho mais delicado da trajetória não envolve colocação nem carga. Alex relata episódios graves de depressão e crises suicidas. Em momentos de risco, a esposa Fabiana interveio e permaneceu ao lado dele durante cirurgia, recuperação e retorno ao treino. Ele também afirma fazer acompanhamento com psicólogo.</p><p>A lição que ele retira não é motivacional. É prática: pedir perdão e pedir ajuda não são sinais de fraqueza. Também aconselha demonstrar afeto antes que a pessoa saia de casa, porque o arrependimento de não ter dito ou feito algo pode permanecer quando já não existe oportunidade de reparar.</p><p><strong>Se houver pensamento de suicídio ou risco imediato, não deixe a pessoa sozinha.</strong> O CVV oferece apoio emocional gratuito pelo telefone 188. CAPS e unidades básicas de saúde podem iniciar o cuidado. Em tentativa em curso ou emergência, ligue para o SAMU 192 ou procure UPA e pronto-socorro.</p><h2>Conclusão</h2><p>A carreira de Alex dos Anjos não cabe na frase “boa genética”. A genética aparece no começo veloz, mas não explica a dieta errada de 2008, a decisão de mudar de ambiente, os anos interrompidos, a cirurgia, as substituições no treino, a rotina de 17 horas fora de casa nem a disposição de procurar ajuda psicológica.</p><p>O que permanece é uma combinação menos glamourosa e mais útil: estrutura, repetição, adaptação e tempo. Sete meses bastaram para entrar no primeiro campeonato. Não bastaram para construir a carreira. Essa exigiu décadas.</p><h2>FAQ</h2><h3>Quanto tempo Alex dos Anjos treinou antes da primeira competição?</h3><p>Ele relata ter competido após sete meses de musculação. Fez uma semana de dieta, entrou com 78 kg e terminou em quinto entre 12 atletas.</p><h3>Qual foi o erro de preparação que ele cometeu em 2008?</h3><p>Alex retirou completamente o sal, passou a comer frango cozido duas vezes e arroz integral sem sal, perdeu volume muscular e reteve água sob a pele. Terminou em quarto no Brasileiro.</p><h3>Alex revelou seu ciclo de esteroides?</h3><p>Não. Ele citou início após dois anos de treino, predominância de comprimidos, poucos injetáveis, cerca de 1 mL de volume e primeiro uso de GH em 2011. Sem substância, concentração, frequência e duração, não existe dose semanal calculável nem protocolo reproduzível.</p><h3>Quais exercícios ele retirou após a cirurgia na coluna?</h3><p>Agachamento livre, remada curvada e levantamento terra deixaram a rotina habitual. Ele manteve exercícios tolerados e adaptou outros, como rosca sentada e agachamento sumô.</p><h3>Qual é a meta de peso atual?</h3><p>Partindo de 103 kg, Alex pretende chegar perto de 110 kg e depois avaliar um retorno ao palco entre 98 e 100 kg, possivelmente na Masters Pro ou em categoria sem o corte da 212.</p><h3>Onde buscar ajuda em uma crise suicida?</h3><p>O CVV atende gratuitamente pelo 188. CAPS e unidades básicas de saúde oferecem cuidado. Em risco imediato ou tentativa em curso, ligue para o SAMU 192 ou procure UPA e pronto-socorro.</p><h2>Referências</h2><ol><li><p>VALENTIM, Alessandro. Os Honoráveis - Episódio #4 Alex dos Anjos. [S. l.], 7 dez. 2025. YouTube. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.youtube.com/watch?v=vH75kB8bGwE">https://www.youtube.com/watch?v=vH75kB8bGwE</a>. Acesso em: 22 ago. 2026.</p></li><li><p>BRASIL. Ministério da Saúde. Suicídio: prevenção. Brasília, DF: Ministério da Saúde, [s. d.]. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/s/suicidio-prevencao">https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/s/suicidio-prevencao</a>. Acesso em: 22 ago. 2026.</p></li><li><p>BRASIL. Ministério da Saúde. SAMU 192. Brasília, DF: Ministério da Saúde, [s. d.]. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/saes/samu-192">https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/saes/samu-192</a>. Acesso em: 22 ago. 2026.</p></li></ol>]]></description><guid isPermaLink="false">1216</guid><pubDate>Sat, 22 Aug 2026 21:10:00 +0000</pubDate></item><item><title>Leyvina Barros: menos cardio e mais descanso no Top 3 Olympia</title><link>https://fisiculturismo.com.br/mat%C3%A9rias/gente/leyvina-barros-menos-cardio-e-mais-descanso-no-top-3-olympia-r1211/</link><description><![CDATA[
<p><img src="https://cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2026_08/leyvina-barros-licoes-top-3-olympia-capa.webp.1f125e3f31907018f09b35ec01bd3d1d.webp" /></p>
<p>Leyvina Barros saiu do sétimo lugar para o terceiro no Ms. Olympia em uma temporada. O salto não veio de fazer mais de tudo. Veio de cortar excesso de cardio, manter carboidrato em momentos estratégicos, programar descanso e trocar a busca constante por carga por um treino orientado a detalhes.</p><p>Em "Leyvina Barros Top 3 Ms. Olympia", do canal Alessandro Valentim, quatro pessoas participam da conversa. As experiências abaixo pertencem a Leyvina porque aparecem em respostas dirigidas a ela e em relatos pessoais sobre sua infância, carreira, preparação, mudança para Los Angeles e rotina com os treinadores Dominic Mutascio e Prince.</p><h2>Do Top 7 ao Top 3: o que mudou na preparação</h2><p>O resultado oficial da IFBB Pro League coloca Leyvina em terceiro lugar no Women’s Bodybuilding do Olympia de 2025, atrás de Andrea Shaw e Ashley Lynnette Jones. Um ano antes, ela havia terminado em sétimo. Na própria cronologia, resume as três participações como Top 15, Top 7 e Top 3.</p><p>Sua preparação de 2025 foi a primeira inteiramente conduzida nos Estados Unidos. A mudança para a Califórnia permitiu organizar o dia em torno de treino, alimentação, sono e descanso. No Brasil, ela conciliava a carreira com aulas de personal que podiam começar por volta das 4h30.</p><p>Edson Prado havia acompanhado Leyvina desde a fase amadora até o profissional. Nos Estados Unidos, Dominic Mutascio assumiu a preparação competitiva. Prince ficou responsável pelo treinamento presencial, com atenção especial às costas.</p><h2>O cardio caiu de até duas horas para 25 a 50 minutos</h2><p>Leyvina relata que já chegou a fazer duas sessões de cardio por dia, com uma hora em cada sessão. Na preparação de 2025, recebeu opções muito menores:</p><div class="ipsRichText__table-wrapper"><table style="min-width: 40px;"><colgroup><col style="min-width:20px;"><col style="min-width:20px;"></colgroup><tbody><tr><th colspan="1" rowspan="1"><p>Situação relatada</p></th><th colspan="1" rowspan="1"><p>Cardio</p></th></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Rotina antiga</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>até 2 sessões de 60 minutos no mesmo dia</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Sessão completa na nova preparação</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>50 minutos</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Opção dividida</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>30 minutos pela manhã + 20 minutos à noite</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Dias com volume reduzido</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>25 a 30 minutos</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Alguns dias sem treino</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>cardio menor ou retirado, conforme a programação</p></td></tr></tbody></table></div><p>Para quem vinha de até 120 minutos diários, 25 ou 30 minutos pareciam insuficientes. O efeito percebido foi o oposto do medo inicial: ela estimou uma redução de quase 50% no cansaço e passou a render melhor na musculação, principalmente quando a dieta já estava restrita.</p><p>A lição é específica ao caso dela. O número não vira prescrição para outra pessoa. A experiência mostra que mais cardio pode deixar de ser vantagem quando compromete treino, recuperação e capacidade de sustentar a preparação.</p><h2>O carboidrato permaneceu no pré e no pós-treino</h2><p>Leyvina conta que já havia passado por preparações com muito "zero carbo". Em 2025, mesmo no dia chamado de zero, as refeições ao redor do treino foram preservadas.</p><p>Outras refeições podiam perder o carboidrato, mas o pré e o pós-treino não eram zerados. Não foram informadas quantidades em gramas, fontes alimentares ou calorias. O dado concreto é a distribuição, não uma dose de carboidrato que possa ser copiada.</p><p>Em dias de fadiga acentuada, o treinador chegou a prescrever um dia inteiro sem treino e sem cardio, acompanhado de mais comida, para que a preparação pudesse continuar forte no dia seguinte.</p><h2>A planilha registra manhã, noite, treino, dieta e cardio</h2><p>O off-season deixou de ser uma volta informal à vida normal. A nova rotina inclui uma planilha preenchida todos os dias com: A rotina do <a href="https://fisiculturismo.com.br/mat%C3%A9rias/gente/off-season-no-fisiculturismo-treino-e-hormônios-de-jean-e-cris-r1295/" target="_blank" rel="noopener">off-season de Jean e Cris</a> reúne treino, avaliação e prática de poses.</p><ol><li><p>peso ao acordar</p></li><li><p>peso antes de dormir</p></li><li><p>treino realizado</p></li><li><p>dieta cumprida</p></li><li><p>minutos de cardio</p></li><li><p>observações usadas no check-in semanal</p></li></ol><p>Ela também menciona pressão arterial, glicemia e exames como parte do acompanhamento. O valor da planilha não está em acumular números. Está em permitir que o treinador compare uma semana com a seguinte e associe mudanças do físico ao que realmente foi feito.</p><h2>Nas costas, detalhes passaram à frente da carga</h2><p>As costas eram o ponto fraco mais repetido nos feedbacks de Leyvina. Prince avaliou que ela já tinha massa e volume suficientes para começar a perseguir detalhes.</p><p>O treino passou a variar ângulos e execução mesmo quando a máquina permanecia a mesma. No off-season, a progressão de carga continua existindo, mas não transforma todas as séries em séries máximas. A organização relatada foi esta:</p><ol><li><p>primeiras séries com carga menor e execução técnica</p></li><li><p>progressão ao longo do exercício</p></li><li><p>penúltima e última séries mais pesadas</p></li><li><p>ajustes frequentes de ângulo e trajetória conforme a região que precisa melhorar</p></li></ol><p>Entre os exemplos, aparecem baixar mais a mão, puxar em direção mais baixa e deprimir o ombro. O objetivo era reduzir a participação excessiva de bíceps e trapézio e aumentar a conexão com a região das costas que deveria trabalhar.</p><p>O ambiente também mudou. Menos gritos e intervalos maiores entre séries ajudaram a concentrar a execução. Em uma puxada, o treinador percebeu que um braço trabalhava mais que o outro. Ao localizar uma área dolorida nas costas, fez uma intervenção manual breve e mudou o exercício seguinte. O exemplo mostra observação em tempo real, não uma ficha rígida repetida apesar do que o corpo apresenta.</p><h2>Recuperação tem hora marcada: quarta-feira, às 10h</h2><p>Leyvina mantém uma sessão de massagem terapêutica toda quarta-feira, às 10h, durante o ano inteiro. Antes, recorria mais a esse cuidado na preparação. Nos Estados Unidos, a rotina foi mantida também no off-season.</p><p>Ela associa a prática à redução de tensão acumulada e ao controle de pontos doloridos. Essa é a interpretação da atleta sobre sua própria recuperação, não prova de que massagem impeça lesões. O aprendizado operacional é mais sólido: recuperação deixou de ser uma medida tomada apenas quando a dor já interrompe o treino e ganhou espaço fixo na agenda.</p><h2>Quatro treinos por semana e descanso antes da exaustão</h2><p>Na fase posterior ao Olympia, a obrigação era cumprir quatro treinos semanais. Isso deixava de dois a três dias de descanso. Leyvina admite que sente vontade de preencher a folga com cardio, abdômen ou panturrilha, mas compara recuperação à bateria do celular: a hora de recarregar é antes de desligar.</p><p>Sua divisão naquele momento usava, em geral, um grupo muscular por dia. Ela cita um dia de costas, um dia de peito, um dia de ombros e maior atenção ao tríceps, inclusive combinando peito com tríceps e voltando ao tríceps no treino de ombros. Não há ficha completa, séries ou repetições. O princípio preservado é priorizar o ponto que precisa crescer sem abolir os dias de recuperação.</p><h2>Aos 16 anos, estreou com biquíni de praia e ficou em segundo</h2><p>A relação com o fisiculturismo começou em casa. O avô serralheiro fabricava equipamentos para o pai de Leyvina, que treinava e comprava gravações do Olympia. Aos 5 ou 6 anos, ela já assistia a Ronnie Coleman e Jay Cutler com a família.</p><p>Aos 8 anos, acompanhava o pai na academia, inicialmente motivada pelo milk-shake e hambúrguer depois do treino. Aos 13, começou a treinar de verdade. Aos 14, passou a trabalhar na academia e dar aulas de jump, step e dança. Aos 15, iniciou a primeira preparação. Aos 16, subiu ao palco.</p><p>Na estreia, não sabia em qual categoria competir. O presidente do evento sugeriu Body Fitness, equivalente à Figure atual. Sem saber onde comprar roupa de palco, escolheu no shopping um biquíni de praia com pedras. Também não dominava as poses e ficava um pouco atrás das adversárias para imitá-las. Terminou em segundo lugar.</p><p>A lembrança sustenta uma de suas lições mais úteis para iniciantes: a estreia serve para ganhar experiência. Esperar estar pronta antes de competir pode impedir que a atleta aprenda justamente o que só o palco ensina.</p><h2>A estreia profissional foi preparada em dois meses</h2><p>Leyvina começou com Edson Prado ainda como amadora e chegou ao profissional sob sua orientação. Em sua estreia profissional, decidiu entrar em um campeonato no Rio com cerca de dois meses de preparação. Prado avisou que o prazo seria extremamente duro, mas aceitou conduzir o processo. Leyvina venceu o show e conquistou ali a primeira vaga para o Olympia.</p><p>O resultado não transforma oito semanas em modelo de preparação. Ela própria reconhece que não era o cenário ideal. A parte reproduzível é a postura: entrou sem certeza de vitória, mas sem usar a expectativa baixa como desculpa para entregar menos.</p><h2>Competir menos também faz parte da longevidade</h2><p>Leyvina normalmente faz até duas competições. Três no mesmo período seriam uma exceção. Para ela, competir demais pode manter o atleta em preparação contínua, limitar o ganho de massa e encurtar a carreira.</p><p>No palco, usa outro filtro para controlar a ansiedade: olha para os árbitros e não acompanha quem está ao lado. Depois de uma competição, já precisou perguntar quem havia dividido o confronto com ela. A estratégia impede que a leitura constante das adversárias roube execução e presença.</p><h2>84 kg na recuperação e 73 kg no Olympia</h2><p>No dia da entrevista, Leyvina informou 185 lb, equivalentes a aproximadamente 83,9 kg. Ela ainda não havia iniciado o off-season completo. No Olympia, subiu com cerca de 73 kg.</p><p>Também relata ter chegado à temporada com 10 lb, ou aproximadamente 4,5 kg, a mais que no ano anterior. O número não foi apresentado como massa muscular medida por exame. É uma comparação de peso entre temporadas, acompanhada de melhora competitiva.</p><div class="ipsRichText__table-wrapper"><table style="min-width: 40px;"><colgroup><col style="min-width:20px;"><col style="min-width:20px;"></colgroup><tbody><tr><th colspan="1" rowspan="1"><p>Dado corporal relatado</p></th><th colspan="1" rowspan="1"><p>Conversão brasileira</p></th></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Peso na fase de recuperação</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>185 lb = aproximadamente 83,9 kg</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Peso no Olympia</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>aproximadamente 73 kg</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Diferença mencionada entre temporadas</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>10 lb = aproximadamente 4,5 kg</p></td></tr></tbody></table></div><p>A altura aparece de forma contraditória na conversa, primeiro como 1,68 m e depois como 1,66 m. Sem confirmação externa, não é seguro escolher um dos dois valores.</p><h2>O relato hormonal não contém doses nem protocolo completo</h2><p>Depois do Olympia, Leyvina diz ter retirado gradualmente os compostos da preparação ao longo de duas semanas. Quase dois meses depois, descreveu a fase como um período "sem uso", mas logo afirmou permanecer com peptídeos e GH.</p><p>Isso impede chamar a fase de ausência total de recursos farmacológicos. GH é hormônio, e "peptídeos" é uma categoria ampla que não identifica a substância. Ela não informa nomes dos peptídeos, doses, frequências, vias, resultados laboratoriais nem prescrição. Também não detalha quais compostos foram retirados.</p><p>O que pode ser preservado com honestidade é o critério declarado para iniciar o off-season: exames, fígado, pressão e demais marcadores precisariam estar adequados. Não existe informação suficiente para reconstruir ou recomendar um protocolo hormonal.</p><h2>Patrocínio é uma troca, não um prêmio por existir</h2><p>Nos Estados Unidos, Leyvina percebeu que marcas observavam sua capacidade de representar o produto e gerar retorno, não apenas número de seguidores ou um conteúdo viral. Sua pergunta para atletas que buscam apoio é prática: se você fosse uma empresa, contrataria a si mesmo?</p><p>Ela relata pagar parte da própria produção de fotos e gravações, inclusive contratando uma pessoa para acompanhá-la durante uma passagem pelo Brasil. Não espera que a empresa banque cada etapa. Redes sociais não são sua atividade favorita, mas fazem parte do trabalho.</p><p>Para Leyvina, aumentar músculo não precisa significar abandonar feminilidade, imagem comercial ou cuidado com a saúde. Ela critica treinadores que olham apenas para o físico e ignoram consequências de produtos que podem virilizar mulheres. A advertência não vem acompanhada de lista de substâncias ou doses, mas define um critério profissional: o treinador deve enxergar a atleta como mulher, não apenas como corpo competitivo.</p><h2>Conclusão</h2><p>O salto de Leyvina Barros para o terceiro lugar no Olympia nasceu de uma redução bem calculada. O cardio caiu de até duas horas para sessões de 25 a 50 minutos. O carboidrato permaneceu no pré e no pós-treino. Descanso entrou no calendário antes da exaustão. O treino de costas trocou brutalidade constante por ângulos, trajetória e conexão mente-músculo. A rotina passou a ser registrada todos os dias.</p><p>Sua trajetória reforça a mesma ideia fora da preparação. Ela começou sem roupa de palco adequada, aprendeu competindo, evitou a pressa por títulos e transformou imagem, conhecimento e disciplina em carreira. O Top 3 não é apresentado como milagre genético nem como consequência de um protocolo secreto. É o resultado de um sistema mais preciso e menos desperdiçador.</p><h2>FAQ</h2><h3>Qual foi a colocação de Leyvina Barros no Olympia 2025?</h3><p>Leyvina ficou em terceiro lugar no Women’s Bodybuilding. O resultado oficial da IFBB Pro League registra Andrea Shaw em primeiro e Ashley Lynnette Jones em segundo.</p><h3>Quanto cardio ela fazia antes e quanto passou a fazer?</h3><p>Ela já chegou a fazer duas sessões de uma hora no mesmo dia. Na preparação de 2025, trabalhou com 25 a 50 minutos, incluindo a opção de dividir 50 minutos em 30 pela manhã e 20 à noite.</p><h3>Leyvina zerou carboidrato durante a preparação?</h3><p>Não completamente. Mesmo nos dias chamados de zero carbo, ela manteve carboidrato no pré e no pós-treino. As quantidades não foram informadas.</p><h3>Como era o treino de costas?</h3><p>As primeiras séries priorizavam técnica e progressão. A penúltima e a última podiam receber mais carga. Ângulos, altura da mão, direção da puxada e depressão do ombro eram ajustados para reduzir compensações de bíceps e trapézio.</p><h3>Quantas vezes por semana ela treinava depois do Olympia?</h3><p>Na fase de recuperação, cumpria quatro treinos por semana e reservava de dois a três dias para descanso.</p><h3>Ela revelou doses ou protocolo hormonal?</h3><p>Não. Leyvina mencionou retirada gradual dos compostos, peptídeos e GH, mas não forneceu substâncias específicas, doses, frequências ou resultados que permitam reconstruir um protocolo.</p><h2>Referências</h2><ol><li><p>VALENTIM, Alessandro. <em>Leyvina Barros Top 3 Ms. Olympia</em>. YouTube, 27 nov. 2025. Disponível em: <a target="_blank" rel="noopener noreferrer external nofollow" href="https://www.youtube.com/watch?v=mDRfq_wS91M">https://www.youtube.com/watch?v=mDRfq_wS91M</a>. Acesso em: 20 ago. 2026.</p></li><li><p>IFBB PROFESSIONAL LEAGUE. <em>2025 Joe Weider’s Olympia Fitness &amp; Performance Weekend</em>. 2025. Disponível em: <a target="_blank" rel="noopener noreferrer external nofollow" href="https://www.ifbbpro.com/competition/2025-joe-weiders-olympia-fitness-performance-weekend/">https://www.ifbbpro.com/competition/2025-joe-weiders-olympia-fitness-performance-weekend/</a>. Acesso em: 20 ago. 2026.</p></li></ol>]]></description><guid isPermaLink="false">1211</guid><pubDate>Thu, 20 Aug 2026 20:09:00 +0000</pubDate></item><item><title>Edson Prado: 9 li&#xE7;&#xF5;es para construir f&#xED;sico e carreira</title><link>https://fisiculturismo.com.br/mat%C3%A9rias/gente/edson-prado-9-li%C3%A7%C3%B5es-para-construir-f%C3%ADsico-e-carreira-r1208/</link><description><![CDATA[
<p><img src="https://cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2026_08/edson-prado-licoes-fisiculturismo-capa.webp.91acf75669cd105d71698e2ecf2502ea.webp" /></p>
<p>Edson Prado não trata o tamanho que alcançou como produto de um segredo. Para ele, o físico nasceu da combinação entre alimentação, treinamento, estudo e capacidade de transformar experiência em método. A mesma lógica aparece quando fala de carreira: músculo abre a porta, mas não sustenta sozinho uma vida profissional.</p><p>Em um episódio de "Os Honoráveis", do canal Alessandro Valentim, o ex-atleta e treinador reconstrói decisões que marcaram sua trajetória no Brasil e nos Estados Unidos. Entre quatro participantes, suas falas se distinguem pelos relatos em primeira pessoa sobre dieta, Heavy Duty, atendimento de alunos, palestras em 63 cidades, patrocínio, televisão, aprendizado de inglês e preparação de atletas.</p><h2>1. O tamanho veio antes da mudança para os Estados Unidos</h2><p>Prado conta que chegou aos Estados Unidos já muito grande. A observação importa porque derruba uma explicação conveniente para o físico que apresentou no início dos anos 2000: ele não precisou sair do Brasil para descobrir como construir volume.</p><p>Com aproximadamente 1,60 m de altura, tornou-se tão volumoso que era parado na rua e perdeu parte da liberdade de circular sem chamar atenção. O conjunto que atribui a esse resultado reúne treino, alimentação e educação. Não há uma substância isolada, um exercício mágico ou uma única dieta ocupando o centro da história.</p><h2>2. A conta de 90 kg e 200 lb mudou sua leitura da proteína</h2><p>Um dos exemplos mais concretos da conversa é uma diferença de unidade. Quando pesava cerca de 90 kg, Prado percebeu que isso correspondia a aproximadamente 198 lb, arredondadas no meio americano para 200 lb. Uma recomendação escrita como 1 g de proteína por libra, portanto, não equivalia a 1 g por quilograma.</p><div class="ipsRichText__table-wrapper"><table style="min-width: 40px;"><colgroup><col style="min-width:20px;"><col style="min-width:20px;"></colgroup><tbody><tr><th colspan="1" rowspan="1"><p>Cálculo</p></th><th colspan="1" rowspan="1"><p>Proteína diária para um atleta de 90 kg</p></th></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>1 g/kg</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>90 g</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>1 g/lb</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>aproximadamente 198 g</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Equivalência de 1 g/lb</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>aproximadamente 2,2 g/kg</p></td></tr></tbody></table></div><p>Na época, a alimentação de muitos fisiculturistas brasileiros ainda trabalhava perto de 1 g/kg. Ele relata que atletas começaram a experimentar 2, 2,5 e até 3 g/kg, com ajustes entre off-season e preparação. A experiência pessoal não transforma 3 g/kg em necessidade universal. Uma meta-análise com 49 estudos encontrou um ponto médio de saturação próximo de 1,6 g/kg por dia para ganhos de massa livre de gordura com treino resistido. A posição da International Society of Sports Nutrition situa 1,4 a 2 g/kg como faixa suficiente para a maioria dos praticantes e admite faixas maiores em restrição calórica para preservar massa magra.</p><p>A lição não é copiar o maior número. É não errar a unidade, calcular a ingestão real e ajustar proteína, carboidrato, água e calorias à fase e à resposta do atleta.</p><h2>3. Heavy Duty funcionou para ele, mas não virou religião</h2><p>Prado foi adepto do Heavy Duty e atribui ao sistema uma aceleração importante do próprio físico. Décadas depois, entretanto, não apresenta um único método como resposta para todos. Sua frase central é mais simples: a base do treinamento é a sobrecarga.</p><p>Isso não significa apenas colocar mais anilhas. Progressão pode ocorrer por carga, repetições, execução, amplitude, controle e melhor aproveitamento das séries. Em um estudo com pessoas treinadas, aumentar carga ou aumentar repetições ao longo de oito semanas produziu adaptações musculares, reforçando que progressão não tem uma única forma.</p><p>Para contestar a ideia de uma receita universal, ele recorda John Defendis, conhecido por sessões que teriam chegado a mais de 100 séries para um grupo muscular. O exemplo não é recomendação para repetir esse volume. É a demonstração de que um caso extremo não pode ser convertido em regra, nem usado para invalidar todo método diferente.</p><h2>4. Com Caike Pro, o primeiro trabalho foi desfazer hábitos</h2><p>Quando começou a treinar Caike Pro, encontrou um atleta experiente, com preferências e vícios de execução. Isso exigiu adaptação gradual. Não bastava mandar trocar a técnica. O atleta precisava compreender por que um estímulo não estava atingindo o pico esperado e aceitar testar outra solução.</p><p>Prado resume a relação em duas obrigações: o atleta precisa ser treinável e o treinador precisa estar aberto a testar. Um trecho curto gravado na academia não revela alimentação, estado emocional, recuperação nem o que foi combinado fora da câmera.</p><p>Ele afirma ter desenvolvido uma técnica eficiente para dorsais e diz observar mudanças expressivas em três ou quatro meses. Esse prazo é uma estimativa do próprio trabalho, não garantia para qualquer pessoa. O dado útil é o processo: identificar a área atrasada, mudar o estímulo, acompanhar a resposta e corrigir de novo.</p><h2>5. Mais de 60 alunos por dia impediram a receita única</h2><p>Prado relata chegar a treinar mais de 60 pessoas em um dia, individualmente. A escala ensinou uma coisa que um único caso pessoal não ensina: carboidrato cíclico funciona para alguns e falha para outros. Dieta baixa em carboidrato pode encaixar em uma pessoa e prejudicar outra. O mesmo vale para exercícios, volume e escolha de alimentos.</p><p>No antigo escritório, mantinha um pôster grande do próprio físico. Quando um cliente perguntava até onde poderia chegar, ele apontava para a imagem e respondia que sabia conduzi-lo até ali. Depois disso, não prometia. A cena resume uma ética profissional rara: mostrar domínio sem vender certeza infinita.</p><h2>6. O físico impressiona por minutos, o método trabalha todos os dias</h2><p>Em palestras, parte do público queria saber quando ele tiraria a camisa. Prado recusava transformar o seminário em exibição. O corpo poderia inspirar temporariamente, mas o progresso do aluno dependeria de variáveis menos cinematográficas:</p><ul><li><p>quantidade diária de carboidrato e proteína</p></li><li><p>sobrecarga compatível com o objetivo</p></li><li><p>intervalo entre as séries</p></li><li><p>recuperação e resposta individual</p></li><li><p>correções feitas ao longo do processo</p></li></ul><p>Essa prioridade também explica por que estudou cinesiologia, biomecânica, anatomia e nutrição esportiva por conta própria. A trajetória competitiva deu visibilidade. A capacidade de explicar e aplicar o que aprendeu deu continuidade à carreira.</p><h2>7. Em 63 cidades, o quarto tópico ficou fora do palco</h2><p>Prado viajou por mais de 63 cidades brasileiras, muitas vezes ficando em casa apenas às segundas e terças-feiras. A partir de quarta, voltava à estrada para falar em eventos e universidades. A estrutura pública de suas aulas seguia uma hierarquia clara:</p><ol><li><p>alimentação correta</p></li><li><p>planos de treinamento coerentes</p></li><li><p>suplementação que realmente agregasse</p></li><li><p>recursos farmacológicos tratados como assunto privado</p></li></ol><p>Ele afirma nunca ter apresentado protocolos hormonais nessas palestras. Sua posição é que a exposição pública de combinações e doses reduz a percepção de risco, facilita a escalada e pode servir mais ao vendedor do que ao aluno. Trata-se de uma escolha de comunicação de Prado. Não significa esconder risco ou impedir educação médica. Significa separar orientação pública de prescrição individual e não transformar uso não terapêutico em tutorial de internet.</p><h2>8. Ele fabricou o próprio uniforme e levou mil camisetas ao público</h2><p>A carreira fora do palco também foi construída com ações concretas. Prado conta que mandou confeccionar o próprio agasalho para uma participação no Programa do Jô, garantindo cerca de dois minutos de exposição contínua ao patrocinador. Em outro evento, pediu aproximadamente mil camisetas para lançar ao público. A quantidade é lembrada de forma aproximada, mas a estratégia era clara: permitir que as pessoas vestissem a marca em vez de apenas observarem um logotipo.</p><p>Durante a fase amadora, decidiu comportar-se como profissional antes de receber o cartão profissional. Depois de 12 anos de treino até atingir esse status, percebeu que troféu e patrocínio poderiam desaparecer. A saída foi converter conhecimento, imagem e relacionamento em ativos próprios.</p><h2>9. Inglês, rede social e negócio protegem o atleta depois do palco</h2><p>Ao chegar aos Estados Unidos e trabalhar na construção, Prado usava intervalos para estudar inglês e ouvir audiolivros. Para ele, um campeão que não consegue conversar com público, imprensa e marcas internacionais limita o próprio valor. A crítica que faz a atletas brasileiros não é estética. É comercial e estratégica.</p><p>Rede social também deve ser um ativo do atleta, não uma corrente que o prende a uma empresa. Prado afirma ganhar hoje cerca de três vezes mais do que recebia quando era patrocinado, porque trabalha em uma indústria fitness muito maior do que o nicho competitivo. Em sua estimativa, uma pessoa consistente pode construir um físico atraente em um a dois anos. Já a busca pelo tamanho profissional pode consumir dez anos ou mais, cobrar saúde e terminar em prêmios que não pagam a jornada.</p><p>Essa conta ajuda a explicar sua defesa de uma carreira híbrida. O atleta pode competir, mas precisa aprender comunicação, inglês, finanças, atendimento e posicionamento. O título tem prazo. A competência acumulada pode continuar produzindo renda quando o palco acabar.</p><h2>Conclusão</h2><p>As lições de Edson Prado formam uma sequência coerente. Primeiro, entender unidades e controlar a dieta. Depois, aplicar sobrecarga sem transformar um método em dogma. Em seguida, individualizar o trabalho, registrar resultados e aprender a comunicar o que se sabe. Por fim, converter o físico em carreira antes que idade, lesão, mercado ou perda de patrocínio imponham a mudança.</p><p>O ponto mais útil para um jovem fisiculturista é também o menos glamouroso: não entregue todo o futuro a uma federação, uma marca ou um protocolo. Construa um corpo, mas construa ao mesmo tempo uma profissão capaz de sobreviver a ele.</p><h2>FAQ</h2><h3>Quanto mede Edson Prado?</h3><p>Ele informa ter aproximadamente 1,60 m. O contraste entre a baixa estatura e o grande volume muscular ajudou a tornar seu físico especialmente marcante.</p><h3>Quanto de proteína ele discutiu?</h3><p>O exemplo parte de 90 kg: 1 g/kg forneceria 90 g por dia, enquanto 1 g/lb equivaleria a aproximadamente 198 g, ou 2,2 g/kg. Ele também relata experiências entre 2 e 3 g/kg, sem apresentá-las como necessidade universal.</p><h3>Qual método de treino Edson Prado usava?</h3><p>Ele foi adepto do Heavy Duty, mas hoje defende sobrecarga e individualização acima da fidelidade a um único sistema.</p><h3>O que ele mudou no treino de Caike Pro?</h3><p>Prado descreve um processo de adaptação de técnica e estímulo, especialmente para dorsais. Ele estima mudanças visíveis em três ou quatro meses, sem divulgar uma ficha completa nem prometer o mesmo prazo para todos.</p><h3>Por que ele não divulgava protocolos hormonais nas palestras?</h3><p>Porque considerava alimentação, treinamento e suplementação os três tópicos públicos prioritários. O uso farmacológico ficava no âmbito privado para não transformar exposição educacional em incentivo ou tutorial.</p><h3>Qual é a principal lição de carreira?</h3><p>Usar o período competitivo para desenvolver comunicação, idioma, rede social, conhecimento técnico e fontes de renda que continuem existindo depois do palco.</p><h2>Referências</h2><ol><li><p>VALENTIM, Alessandro. <em>Episódeo #38 - Os Honoráveis com Edson Prado</em>. YouTube, 16 ago. 2026. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.youtube.com/watch?v=fu0uIZyweRE">https://www.youtube.com/watch?v=fu0uIZyweRE</a>. Acesso em: 17 ago. 2026.</p></li><li><p>MORTON, Robert W. et al. A systematic review, meta-analysis and meta-regression of the effect of protein supplementation on resistance training-induced gains in muscle mass and strength in healthy adults. <em>British Journal of Sports Medicine</em>, v. 52, n. 6, p. 376-384, 2018. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28698222/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28698222/</a>. Acesso em: 17 ago. 2026.</p></li><li><p>JÄGER, Ralf et al. International Society of Sports Nutrition position stand: protein and exercise. <em>Journal of the International Society of Sports Nutrition</em>, v. 14, art. 20, 2017. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28642676/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28642676/</a>. Acesso em: 17 ago. 2026.</p></li><li><p>PLOTKIN, Daniel L. et al. Progressive overload without progressing load? The effects of load or repetition progression on muscular adaptations. <em>PeerJ</em>, v. 10, e14142, 2022. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/36199287/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/36199287/</a>. Acesso em: 17 ago. 2026.</p></li></ol>]]></description><guid isPermaLink="false">1208</guid><pubDate>Thu, 20 Aug 2026 13:19:00 +0000</pubDate></item><item><title>Lucas Rocha: do choque de realidade ao t&#xED;tulo em Campinas</title><link>https://fisiculturismo.com.br/mat%C3%A9rias/gente/lucas-rocha-do-choque-de-realidade-ao-t%C3%ADtulo-em-campinas-r1190/</link><description><![CDATA[
<p><img src="https://cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2026_08/lucas-rocha-aula-licoes-fisiculturismo-capa.webp.5db468a4e60b6e8ac7ad92bbd7544cd6.webp" /></p>
<p>Lucas Rocha precisou ser derrotado, trocar de categoria, errar a finalização e até perder uma subida ao palco antes de conquistar o título Novice no Muscle Contest Campinas. A trajetória começou em 2020, quando estreou sem saber posar, e ganhou método com comparações semanais, treinos de 55 a 70 minutos e anos de prática de posing.</p><p>Em "EP 26 - Musclecontest Campinas com Lucas Rocha", do Saúde &amp; Hipertrofia Podcast, o atleta, coach, árbitro e promotor detalha a preparação que conduziu sozinho. Ele apresenta refeições em gramas, divisão de treino, cardio, carb-up, água, sódio e os recursos farmacológicos utilizados. Os números abaixo documentam a experiência pessoal de um competidor. Não são prescrição para repetição.</p><h2>De estreante sem pose a campeão Novice</h2><p>A estreia ocorreu no Mr. Marília de 2020, na Men's Physique. Lucas terminou entre os cinco primeiros mesmo com o peito que descreve como "uma tábua" e sem domínio das poses. No Mr. Santos do mesmo ano, ficou fora das fotos na Novice, mas conquistou o quinto lugar na Open.</p><p>A primeira passagem pela Classic Physique trouxe um top 5 em uma categoria com aproximadamente 15 atletas e um top 3 na Men's Physique. O Fit Pira mudou sua percepção. Na Open B, faixa de altura entre 1,728 e 1,77 m, encontrou atletas muito mais desenvolvidos, caiu para confrontos secundários e concluiu que a NPC não era para ele. Em 2022, escolheu campeonatos da SPF para ganhar experiência sem abandonar o esporte.</p><p>A sequência produziu top 2, top 3 e novas tentativas na Classic, Bodybuilding e Men's Physique. Depois de uma finalização ruim em Barueri, o suor desfez a pintura, o físico perdeu volume e Lucas ainda perdeu o rejulgamento porque havia saído do local para retocar a cor. Duas semanas depois, corrigiu os erros em Campinas, venceu a Novice e ficou atrás apenas do campeão overall na Open B.</p><h2>Preparar-se sozinho exigiu transformar memória em dados</h2><p>Para a preparação seguinte em Campinas, Lucas atuou como atleta e coach. Toda sexta-feira, em jejum, filmava uma rodada de poses. Comparava a atualização com registros feitos no mesmo ponto de preparações anteriores, observando dobra de pele, textura, volume e pontos fracos. As decisões entravam em prática no sábado.</p><p>Treinos, refeições e observações ficavam registrados em uma conversa consigo mesmo no WhatsApp. O treino do dia não mudava por vontade momentânea. Se havia remada programada, ele não a trocava por uma puxada apenas porque preferia outro exercício naquela manhã.</p><p>A preparação começou em 9 de janeiro. Antes dela, o peso havia subido de aproximadamente 88 a 90 kg no palco para 103 kg no rebote. Lucas reduziu para 95 kg antes de viajar e voltou com 93 kg. Mesmo sem um off-season completo, iniciou o trabalho com abdômen aparente e fibras no vasto lateral.</p><h2>Low volume significou 55 a 70 minutos, não seis séries semanais</h2><p>O treino antigo de pernas durava de 2,5 a 3 horas. Havia seis exercícios, quatro ou cinco séries levadas à falha e repetição frequente do músculo considerado fraco. O agachamento chegou a 248 kg para três repetições. Fisgadas nos joelhos e uma ruptura parcial de bíceps ajudaram a encerrar a obsessão pela carga.</p><p>A nova divisão foi push, pull e legs, descanso, upper e lower. As sessões em jejum passaram a durar de 55 a 70 minutos. Para peito, seu ponto fraco, a estrutura relatada ficou assim:</p><ul><li><p>cinco exercícios por sessão</p></li><li><p>quatro séries no primeiro exercício: aquecimento, reconhecimento e duas séries de trabalho</p></li><li><p>nos quatro exercícios seguintes, uma série de reconhecimento e duas séries de trabalho</p></li><li><p>primeira aproximação entre 12 e 15 repetições</p></li><li><p>séries de trabalho entre 6 e 10 repetições, buscando a falha com progressão de carga</p></li><li><p>início no supino inclinado, frequentemente no Smith ou em máquina articulada</p></li></ul><p>Para costas, o total chegava a 12 a 14 séries válidas semanais. A carga absoluta caiu, mas a conexão com o músculo melhorou. O resultado percebido foi mais pump, melhor recuperação e evolução mesmo sem um off completo.</p><h2>Cardio e dieta foram reduzidos quando o físico começou a definhar</h2><p>O cardio começou em 30 minutos. Ao elevar para 40 minutos, Lucas percebeu queda rápida demais no peso e voltou ao volume anterior. Nas quatro semanas finais, preferiu treinar diariamente e retirar o cardio de um dos dias, em vez de acumular os dois estímulos.</p><p>A dieta passou de cinco para quatro refeições quando faltavam seis semanas. A redução líquida foi de cerca de 200 kcal, porque parte das calorias da refeição retirada foi redistribuída. A janela alimentar ficou entre 10h e 20h, com treino em jejum pela manhã.</p><div class="ipsRichText__table-wrapper"><table style="min-width: 40px;"><colgroup><col style="min-width:20px;"><col style="min-width:20px;"></colgroup><tbody><tr><th colspan="1" rowspan="1"><p>Refeição</p></th><th colspan="1" rowspan="1"><p>Estrutura relatada no início das quatro semanas finais</p></th></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Primeira</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>40 a 50 g de aveia, 200 g de mamão, 70 g de banana, 2 ovos inteiros e 4 claras</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Segunda</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>200 g de arroz, 160 g de frango e 100 a 120 g de cenoura ou pepino</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Terceira</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>200 g de arroz, 160 g de frango e 100 a 120 g de vegetal</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Quarta</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>200 g de frango e 100 a 120 g de vegetal</p></td></tr></tbody></table></div><p>A banana saiu em uma atualização. Depois, o arroz das duas refeições caiu de 200 para 120 g. Uma tentativa de alternar dois dias baixos em carboidrato com um alto durou apenas uma semana. Como 40 minutos de cardio e o carbo baixo estavam deixando o físico pronto cedo demais, o cardio voltou a 30 minutos, a banana retornou e o arroz subiu de 120 para 150 g.</p><p>A gordura da dieta era estimada em aproximadamente 1 a 1,3 g/kg. Quando o peito perdia volume e o pump não se mantinha, Lucas preferia acrescentar gordura, como pasta de amendoim, ou arroz em duas ou três refeições, em vez de insistir no déficit.</p><h2>Tirzepatida controlou a fome, mas não é ferramenta inocente de preparação</h2><p>Na quarta semana, a fome começou a interferir no trabalho e no sono. Lucas entrou com tirzepatida, sem informar a dose pessoal. O apetite caiu e a passagem para quatro refeições tornou-se viável. O medicamento foi retirado 13 dias antes do campeonato, e ele relata ter conseguido completar o carb-up.</p><p>O mecanismo descrito tem base: a tirzepatida retarda o esvaziamento gástrico e pode alterar a absorção de medicamentos orais. Isso não transforma o fármaco em solução rotineira para dieta de atleta. Náusea, vômito, diarreia, constipação, desidratação e interações precisam ser avaliados por médico.</p><h2>O protocolo hormonal relatado mudou nas seis semanas finais</h2><p>Lucas descreve uso não terapêutico de esteroides, hormônios tireoidianos, clembuterol e tirzepatida. A exposição combina riscos cardiovasculares, metabólicos, hepáticos e psiquiátricos. Uma coorte com 1.189 usuários de esteroides encontrou maior incidência de infarto, tromboembolismo, arritmia, cardiomiopatia e insuficiência cardíaca do que em 59.450 controles.</p><div class="ipsRichText__table-wrapper"><table style="min-width: 60px;"><colgroup><col style="min-width:20px;"><col style="min-width:20px;"><col style="min-width:20px;"></colgroup><tbody><tr><th colspan="1" rowspan="1"><p>Fase</p></th><th colspan="1" rowspan="1"><p>Relato pessoal</p></th><th colspan="1" rowspan="1"><p>Limite de interpretação</p></th></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Início até seis semanas antes</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>0,4 mL de enantato e 0,5 mL de Masteron, três vezes por semana. A conversa calcula aproximadamente 300 mg e 150 mg semanais, respectivamente</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>A concentração dos frascos não foi identificada. Volume não permite confirmar dose em mg</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Seis semanas antes</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>300 mg de trembolona, 300 mg de Masteron e 375 mg de enantato por semana</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Relato de escalada, não recomendação</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Cinco semanas antes</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Clembuterol em 1 mL por dia, aumentado para 2 mL na semana seguinte</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Sem concentração em mcg/mL, a dose real é indeterminável</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Quatro semanas antes</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>20 mg de stanozolol antes do treino. Depois, 150 mg de trembolona, 100 mg de Masteron e 125 mg de enantato às segundas, quartas e sextas</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Essas aplicações somariam 450, 300 e 375 mg por semana. Logo depois, a conversa cita 450, 400 e 500 mg. Os dois totais não coincidem</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Três semanas antes</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Stanozolol elevado para 40 mg e 50 mcg de T4 antes de dormir</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Associação com estimulante e déficit aumentou a perda de peso percebida</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Últimos 15 a 16 dias</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>40 mg de oxandrolona e 40 mg de stanozolol a cada 8 horas, totalizando 240 mg de orais por dia</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Exposição oral muito elevada e de alto risco</p></td></tr></tbody></table></div><p>Ele ainda relata 250 mcg de anastrozol uma vez por semana e retirada da testosterona 13 a 14 dias antes da pesagem. Nada disso deve ser copiado sem exames e supervisão. A soma de várias substâncias também impede atribuir o resultado ou um efeito adverso a apenas uma delas.</p><h3>Nattokinase não substitui exame nem tratamento do hematócrito</h3><p>O uso pessoal incluiu 100 mg diários de nattokinase, elevados para 200 mg duas vezes ao dia durante o uso de orais, com a intenção de evitar que o sangue “engrossasse”. Essa promessa não foi confirmada. Em ensaio clínico randomizado, a suplementação não produziu efeito significativo em pressão arterial ou determinações laboratoriais. Hematócrito alto exige hemograma, investigação da causa e decisão médica, não automedicação com suplemento.</p><h2>O carb-up chegou a 7.500 kcal antes da pesagem</h2><p>Lucas pesou 86,7 kg em jejum e 87,8 kg na pesagem, abaixo do limite de 88 kg. O carb-up da sexta-feira foi estimado em 7.500 kcal distribuídas em seis refeições. A primeira, às 6h, trouxe 200 g de goma de tapioca, 3 claras, 40 g de pasta de amendoim e 30 g de uva-passa.</p><p>Outra refeição reuniu 200 g de mamão, 100 g de banana, 50 g de uva-passa, 120 g de farinha láctea, 40 g de mel e 30 g de pasta de amendoim. As refeições de arroz incluíram 600 g de arroz com 50 g de frango e 50 g de uva-passa, além de uma refeição pré-treino com 140 g de farinha de arroz, 30 g de whey, 30 g de mel, 50 g de uva-passa e quatro bolinhos.</p><p>A refeição final planejada tinha cinco hambúrgueres caseiros. Cada um levava 40 g de frango, 40 g de patinho e uma fatia e meia de muçarela. Lucas parou em quatro unidades e meia ao perceber plenitude. Essa decisão de não forçar a quinta unidade foi tão importante quanto o planejamento.</p><h2>Água e sódio: uma finalização extrema e individual</h2><p>A ingestão líquida chegou a 10 L por dia durante três dias. Caiu para 8 L na terça-feira, 7 L na quarta, 5 L na quinta e tinha meta de 2,5 L na sexta. Até a pesagem, porém, foram apenas 700 mL. O total dos primeiros dias incluía 2 L durante o treino, 5 L ao longo das refeições e 3 L de chá de cavalinha e chá verde.</p><p>O sal ficou em 8 g por dia do sábado à quarta-feira e caiu para 3 g na quinta. A maior parte do carb-up foi feita sem sal, exceto perto do treino. No palco, Lucas percebeu que acordou ainda com água subcutânea porque a refeição final caseira forneceu menos sódio do que sua estratégia habitual.</p><p>Manipular 10 L de líquidos, chás diuréticos, sódio, carboidrato e múltiplos fármacos pode causar distúrbios de eletrólitos, pressão, ritmo cardíaco e função renal. O relato explica o que um atleta fez. Não estabelece protocolo seguro.</p><h2>Posing deixou de ser improviso de duas semanas</h2><p>Depois da estreia sem domínio do palco, Lucas treinou pose diariamente por cerca de dois anos. As sessões duravam aproximadamente 40 minutos: 20 a 30 minutos de quartos de volta e poses compulsórias, mais cerca de 20 minutos de coreografia.</p><p>Hoje, mantém uma sala com um espelho à frente e outro inclinado atrás, solução criada para corrigir poses de costas em tempo real. Nas semanas de preparação, fortalece o controle do vácuo e do diafragma. No palco de Campinas, segurou cada pose por aproximadamente oito segundos.</p><p>O feedback final apontou necessidade de mais peitoral superior e largura de ombros. A preparação seguinte ganhou 26 semanas de off-season, duas semanas de transição e nove semanas para puxar condição antes do Nacional. O planejamento também reconheceu que a categoria não é decidida pela balança. Ganha quem parece maior e mais completo sob a luz do palco.</p><h2>Conclusão</h2><p>A evolução de Lucas Rocha não veio de uma única dieta, droga ou divisão de treino. Veio da capacidade de identificar o erro concreto: volume excessivo, pose fraca, pintura improvisada, cardio alto demais, carb-up forçado ou ponto muscular atrasado.</p><p>A lição mais útil para atletas jovens é menos glamourosa do que uma lista de substâncias. Registre treino e dieta, compare o físico nas mesmas condições, pratique posing muito antes do campeonato, peça feedback e não tente compensar refeições puladas, sono ruim e cardio ausente com doses maiores.</p><h2>FAQ</h2><h3>Quantos anos Lucas Rocha tinha na entrevista?</h3><p>Ele informou ter 29 anos e completar 30 poucos dias depois. A carreira competitiva começou em 2020.</p><h3>Quanto duravam os treinos na preparação?</h3><p>As sessões em jejum duravam de 55 a 70 minutos. Antes da mudança para menor volume, alguns treinos de pernas chegavam a 2,5 ou 3 horas.</p><h3>Quanto cardio ele fazia?</h3><p>O padrão foi 30 minutos. Uma tentativa de 40 minutos acelerou demais a perda de peso e foi revertida após três dias.</p><h3>Quanto ele consumiu no carb-up?</h3><p>A estimativa pessoal foi de 7.500 kcal na sexta-feira, divididas em seis refeições planejadas. O atleta interrompeu a última quando percebeu que estava cheio.</p><h3>Qual foi o peso na pesagem?</h3><p>O peso em jejum foi 86,7 kg. A pesagem oficial ficou em 87,8 kg, dentro do limite de 88 kg.</p><h3>As doses hormonais podem ser copiadas?</h3><p>Não. São um relato de uso não terapêutico com inconsistências de concentração e soma, além da combinação de várias drogas de risco. A matéria documenta a fala e acrescenta contexto de segurança.</p><h2>Referências</h2><ol><li><p>SAÚDE &amp; HIPERTROFIA PODCAST. <em>EP 26 - Musclecontest Campinas com Lucas Rocha</em>. YouTube, 27 mar. 2026. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.youtube.com/watch?v=UojPP-_-ggM">https://www.youtube.com/watch?v=UojPP-_-ggM</a>. Acesso em: 13 ago. 2026.</p></li><li><p>ELI LILLY AND COMPANY. <em>Zepbound (tirzepatide) injection: prescribing information</em>. U.S. Food and Drug Administration, 2026. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.accessdata.fda.gov/drugsatfda_docs/label/2026/217806s042lbl.pdf">https://www.accessdata.fda.gov/drugsatfda_docs/label/2026/217806s042lbl.pdf</a>. Acesso em: 13 ago. 2026.</p></li><li><p>WINDING, Kristina M. et al. Cardiovascular Disease in Anabolic Androgenic Steroid Users. <em>Circulation</em>, 2025. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/39945117/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/39945117/</a>. Acesso em: 13 ago. 2026.</p></li><li><p>HODIS, Howard N. et al. Nattokinase atherothrombotic prevention study: a randomized controlled trial. <em>Clinical Hemorheology and Microcirculation</em>, 2021. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33843667/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33843667/</a>. Acesso em: 13 ago. 2026.</p></li></ol>]]></description><guid isPermaLink="false">1190</guid><pubDate>Thu, 13 Aug 2026 13:03:00 +0000</pubDate></item><item><title>Dorian Yates: 6 Olympias, treino at&#xE9; a falha e o tr&#xED;ceps que encerrou sua carreira</title><link>https://fisiculturismo.com.br/mat%C3%A9rias/gente/dorian-yates-6-olympias-treino-at%C3%A9-a-falha-e-o-tr%C3%ADceps-que-encerrou-sua-carreira-r1185/</link><description><![CDATA[
<p><img src="https://cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2026_08/dorian-yates-poses-classicas-estudio-capa.webp.fb0f5940ccd25c9f7be5b16ebd0fd2fd.webp" /></p>
<p>Dorian Yates não dominou o Mr. Olympia treinando durante horas todos os dias. O inglês concentrou o trabalho em cerca de 3,5 horas semanais, levou poucas séries a uma intensidade extrema e registrou cada treino entre 1983 e 1997. A mesma precisão que construiu seis títulos consecutivos também conviveu com sinais de lesão ignorados, anti-inflamatórios, uma transfusão e um tendão do tríceps quase arrancado do osso.</p><p>Em "The Price Of Bodybuilding Success Ep. 2", o cirurgião ortopédico Chris Raynor reconstrói a carreira de Yates e separa duas partes inseparáveis de sua história: a eficiência do método Blood and Guts e o preço de insistir quando dor e perda de função já exigiam outra decisão.</p><h2>De 103,4 para 117,9 kg no palco em uma entressafra</h2><p>Yates venceu seu primeiro Mr. Olympia em 1992 e permaneceu invicto por seis edições, até 1997. Na entressafra posterior ao primeiro título, seu peso de competição teria saltado de 103,4 kg (228 lb) para aproximadamente 117,9 kg (260 lb), aumento de mais de 13,6 kg. Fora de competição, chegava perto de 131,5 kg (290 lb) com 1,78 metro.</p><p>O resultado não era apenas tamanho. A pele muito fina, o percentual de gordura extremamente baixo e a musculatura espessa popularizaram a descrição "granítica". Essa aparência dependia da preparação para o palco, mas também de anos manipulando carga, amplitude, frequência e recuperação.</p><h2>O método Blood and Guts em números</h2><p>O protocolo era econômico no relógio e brutal dentro da série. Cada músculo era treinado aproximadamente uma vez por semana. Yates fazia séries de aproximação até chegar a uma única série principal levada ao limite, frequentemente seguida de repetições forçadas com a ajuda do parceiro.</p><ul><li><p><strong>Frequência:</strong> quatro sessões semanais.</p></li><li><p><strong>Duração total:</strong> cerca de 3,5 horas de musculação por semana durante uma preparação relatada após 1993.</p></li><li><p><strong>Por músculo:</strong> aproximadamente uma sessão semanal.</p></li><li><p><strong>Série decisiva:</strong> uma série principal máxima após aquecimento e aproximação.</p></li><li><p><strong>Intensificação:</strong> algumas repetições forçadas com auxílio do parceiro.</p></li><li><p><strong>Controle:</strong> todos os treinos anotados de 1983 a 1997, alterando uma variável por vez para avaliar o resultado.</p></li></ul><p>A recuperação fazia parte do método. Depois do treino de pernas, ele relatava dificuldade até para sentar no vaso sanitário durante quatro ou cinco dias. Alimentação e descanso ocupavam o restante da rotina. A baixa frequência, portanto, não significava treino leve. Era a forma encontrada para tentar recuperar uma série de altíssimo custo.</p><p>Isso não transforma a falha muscular em obrigação universal. Meta-análises posteriores encontraram hipertrofia semelhante entre séries encerradas na falha e antes dela quando o volume é comparável. Chegar sempre ao limite aumenta fadiga e pode reduzir a qualidade do restante do treinamento. O caso de Yates demonstra que pouco volume pode funcionar quando há progressão, execução e esforço extraordinários. Não demonstra que todo praticante deva copiar o extremo.</p><h2>O corpo cresceu mais rápido que a margem dos tendões</h2><p>Músculo e tendão não respondem do mesmo modo. O tecido muscular recebe mais sangue e costuma recuperar danos com maior velocidade. Tendões têm metabolismo e vascularização mais limitados. Quando força muscular, carga e técnicas de intensidade sobem rapidamente, o sistema contrátil pode tolerar um trabalho que o tecido conjuntivo ainda não acompanha.</p><p>O uso prolongado de esteroides pode ampliar esse descompasso. Em uma coorte com 142 fisiculturistas experientes, 19 dos 88 usuários de esteroides relataram ao menos uma ruptura de tendão, contra 3 dos 54 não usuários. O risco instantâneo estimado para a primeira ruptura foi nove vezes maior entre usuários. Esse resultado observacional não permite atribuir cada lesão de Yates a uma substância, mas impede tratar os fármacos como irrelevantes para a integridade dos tendões.</p><p>Yates relatou uso intermitente de esteroides entre 1985 e 1997, hormônio do crescimento a partir dos anos 1990 e insulina nos dois últimos anos da carreira. Também afirmou realizar exames de sangue sob supervisão médica. Exames normais, porém, não medem diretamente a capacidade de um tendão suportar uma série máxima nem eliminam o risco mecânico.</p><h2>1994: ombro lesionado e bíceps rompido no mesmo lado</h2><p>Em 1994, uma lesão no ombro esquerdo envolveu o supraespinal e a articulação acromioclavicular. Cerca de quatro meses depois, durante a remada curvada com pegada supinada, Yates rompeu o bíceps esquerdo a poucas semanas de seu terceiro título no Mr. Olympia.</p><p>O ombro, o bíceps e o tríceps trabalham dentro da mesma cadeia. Dor, redução de força ou mudança sutil de trajetória em uma articulação podem redistribuir carga para outros tecidos. Chris Raynor apresenta essa conexão como hipótese clínica plausível, não como causa comprovada retrospectivamente. Não há prontuários completos no conteúdo que permitam estabelecer exatamente quanto a primeira lesão contribuiu para a segunda.</p><h2>1997: sangramento, transfusão e o tríceps quase fora do osso</h2><p>A preparação do último título reuniu os sinais mais graves. Seis semanas antes do Mr. Olympia de 1997, Yates foi hospitalizado por sangramento no estômago e recebeu transfusão de sangue. Ele relacionou o episódio aos anti-inflamatórios usados para controlar a dor persistente do ombro.</p><p>Anti-inflamatórios não esteroides podem causar úlcera e sangramento digestivo. O risco varia conforme o medicamento, a dose e a combinação. Em uma meta-análise com 2.472 casos de hemorragia digestiva alta e 5.877 controles, o risco diferiu cerca de 20 vezes entre os fármacos avaliados e aumentou de três a sete vezes conforme a dose. Combinar mais de um anti-inflamatório elevou ainda mais o risco.</p><p>Três semanas depois da hospitalização, durante um movimento que combinava pullover e extensão para tríceps, houve um estalo seguido de dor intensa no braço esquerdo. O tendão do tríceps, que já doía durante o ano, ficou quase totalmente separado do osso.</p><p>Antes da ruptura, a sequência de manejo tinha sido esta:</p><ol><li><p>Treinar ao redor da dor durante meses.</p></li><li><p>Aplicar gelo depois das sessões.</p></li><li><p>Usar anti-inflamatórios para continuar treinando.</p></li><li><p>Receber uma injeção de corticoide para reduzir inflamação e dor.</p></li><li><p>Voltar a impor carga máxima sobre um tendão já sintomático.</p></li></ol><p>Injeções de corticoide podem aliviar sintomas, mas não restauram um tendão rompido ou degenerado. Revisões descrevem ruptura tendínea entre os eventos adversos possíveis de aplicações extra-articulares. O risco individual depende do local, da técnica, do tecido afetado e de exposições repetidas. O problema central é usar o desaparecimento da dor como prova de que o tecido voltou a suportar carga.</p><h2>O que aconteceu nas três semanas finais</h2><p>Em até 36 horas, o braço inteiro inchou, o formato do tríceps se distorceu e o hematoma desceu até o punho. Na véspera da competição, aproximadamente 20 mL de líquido foram aspirados de uma massa ainda visível no braço.</p><p>Yates não fez musculação nas três semanas anteriores ao Olympia. Manteve apenas cardio e dieta, subiu ao palco, conquistou o sexto título e se aposentou aos 35 anos. A recuperação de uma ruptura grave do tríceps exige reparo cirúrgico, imobilização inicial, retorno gradual da amplitude e fisioterapia. O prazo aproximado discutido por Raynor para recuperar função foi de seis meses.</p><p>Ganhar nessas condições é uma demonstração rara de tolerância ao sofrimento. Também é o trecho que não deve ser romantizado. Competir com um tendão quase separado do osso e drenar o braço antes do palco não é um protocolo de superação. É o registro de uma decisão extrema tomada no ponto máximo da carreira.</p><h2>As lições que permanecem úteis</h2><ul><li><p><strong>Registre o treino:</strong> Yates acumulou 14 anos de cadernos e mudava uma variável por vez. Sem registro, carga, repetições e recuperação viram impressão.</p></li><li><p><strong>Volume baixo exige esforço mensurável:</strong> quatro sessões e 3,5 horas semanais funcionavam porque a série principal era planejada e progressiva, não porque "treinar pouco" fosse suficiente.</p></li><li><p><strong>Falha é ferramenta, não destino:</strong> chegar ao limite pode ser usado em momentos e exercícios selecionados. A evidência não exige falha absoluta em todas as séries para hipertrofia.</p></li><li><p><strong>Dor recorrente muda a decisão:</strong> precisar de gelo e medicamento depois de todo treino é sinal para investigar carga e tecido, não autorização para mascarar o sintoma.</p></li><li><p><strong>Lesões alteram a cadeia:</strong> ombro, bíceps e tríceps do mesmo lado lesionados em sequência sugerem que compensações e desequilíbrios precisam ser avaliados antes do retorno às cargas máximas.</p></li><li><p><strong>Exame de sangue não protege tendão:</strong> monitoramento médico é indispensável em quem usa hormônios, mas não substitui avaliação ortopédica, imagem e reabilitação diante de dor ou perda de força.</p></li></ul><h2>Conclusão</h2><p>Dorian Yates mudou o padrão do fisiculturismo com seis títulos, uma transformação de 13,6 kg em uma entressafra e um método construído sobre poucas séries, registro rigoroso e intensidade máxima. O mesmo arquivo de carreira mostra o limite desse sistema: ombro lesionado, bíceps rompido, dor controlada com medicamentos, sangramento digestivo, transfusão e tríceps quase arrancado do osso.</p><p>A lição não é abandonar carga alta ou intensidade. É distinguir treinamento difícil de insistência destrutiva. O próprio Yates resumiu o conselho que daria ao atleta mais jovem: tirar mais tempo de descanso e cuidar das pequenas lesões. Depois da aposentadoria, ele passou a buscar equilíbrio e a ser mais gentil com o próprio corpo.</p><h2>FAQ</h2><h3>Quantas vezes Dorian Yates venceu o Mr. Olympia?</h3><p>Ele venceu seis títulos consecutivos, de 1992 a 1997.</p><h3>Quanto Dorian Yates treinava por semana?</h3><p>Em uma preparação relatada após 1993, ele estimou cerca de 3,5 horas de musculação por semana, distribuídas em quatro sessões. Cada músculo era trabalhado aproximadamente uma vez por semana.</p><h3>Dorian Yates fazia apenas uma série por exercício?</h3><p>Ele realizava aquecimentos e séries de aproximação antes de uma série principal máxima. Essa série podia seguir com repetições forçadas. Dizer apenas "uma série" apaga a preparação anterior e a intensidade real do método.</p><h3>Qual lesão encerrou a carreira de Dorian Yates?</h3><p>Uma ruptura quase completa do tendão do tríceps esquerdo, três semanas antes do Mr. Olympia de 1997. Ele venceu o título sem fazer musculação nas três semanas finais e se aposentou depois da competição.</p><h3>Treinar até a falha é necessário para ganhar massa?</h3><p>Não. Revisões sistemáticas não mostram vantagem consistente da falha absoluta para hipertrofia quando o volume é comparável. Séries próximas da falha podem fornecer estímulo suficiente com menor fadiga aguda.</p><h3>Esteroides protegem os tendões porque aceleram recuperação?</h3><p>Não. O crescimento e a recuperação muscular não significam adaptação equivalente dos tendões. Estudos observacionais associam uso prolongado de esteroides a maior ocorrência de rupturas tendíneas, especialmente na parte superior do corpo.</p><h2>Referências</h2><ol><li><p>RAYNOR, Chris. <em>The Price Of Bodybuilding Success Ep. 2 - Dorian Yates | Surgeon Reacts To 6-Time Mr. Olympia</em>. YouTube, 19 fev. 2023. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.youtube.com/watch?v=wgEB3EjM3LM">https://www.youtube.com/watch?v=wgEB3EjM3LM</a>. Acesso em: 12 ago. 2026.</p></li><li><p>GRGIC, Jozo et al. Effects of resistance training performed to repetition failure or non-failure on muscular strength and hypertrophy: a systematic review and meta-analysis. <em>Journal of Sport and Health Science</em>, v. 11, n. 2, p. 202-211, 2022. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33497853/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33497853/</a>. Acesso em: 12 ago. 2026.</p></li><li><p>KANAYAMA, Gen et al. Ruptured tendons in anabolic-androgenic steroid users: a cross-sectional cohort study. <em>American Journal of Sports Medicine</em>, v. 43, n. 11, p. 2638-2644, 2015. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/26362436/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/26362436/</a>. Acesso em: 12 ago. 2026.</p></li><li><p>BRINKS, A. et al. Adverse effects of extra-articular corticosteroid injections: a systematic review. <em>BMC Musculoskeletal Disorders</em>, v. 11, art. 206, 2010. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/20836867/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/20836867/</a>. Acesso em: 12 ago. 2026.</p></li><li><p>LEWIS, S. C. et al. Dose-response relationships between individual nonaspirin nonsteroidal anti-inflammatory drugs and serious upper gastrointestinal bleeding: a meta-analysis based on individual patient data. <em>British Journal of Clinical Pharmacology</em>, v. 54, n. 3, p. 320-326, 2002. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/12236853/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/12236853/</a>. Acesso em: 12 ago. 2026.</p></li></ol>]]></description><guid isPermaLink="false">1185</guid><pubDate>Wed, 12 Aug 2026 18:06:00 +0000</pubDate></item><item><title>Ronnie Coleman: 362,9 kg no agachamento e o pre&#xE7;o de ignorar a dor</title><link>https://fisiculturismo.com.br/mat%C3%A9rias/gente/ronnie-coleman-3629-kg-no-agachamento-e-o-pre%C3%A7o-de-ignorar-a-dor-r1184/</link><description><![CDATA[
<p><img src="https://cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2026_08/ronnie-coleman-agachamento-362kg-capa.webp.04dee51472f92462626ea4be6da2a641.webp" /></p>
<p>Ronnie Coleman não se tornou oito vezes Mr. Olympia treinando com prudência. A mesma disposição para ultrapassar limites que construiu um dos físicos mais importantes da história também o fez continuar agachando depois de uma hérnia de disco, voltar à barra antes de uma reabilitação adequada e insistir em cargas enormes mesmo após cirurgias. Em “The PRICE Of Bodybuilding Success Ep. 1”, o cirurgião ortopédico Chris Raynor reconstrói essa trajetória e chega a uma conclusão incômoda: o problema não foi um único agachamento, mas décadas acumulando lesão, dor e recuperação incompleta.</p><h2>O agachamento de 362,9 kg que virou símbolo</h2><p>A gravação mais famosa mostra Ronnie agachando 362,9 kg (800 lb) por duas repetições. Anos depois, ele disse que seu único arrependimento era não ter feito quatro, porque a primeira repetição pareceu leve. A frase resume a mentalidade que o levou ao topo e também ajuda a entender por que sinais físicos graves raramente interrompiam seus treinos.</p><p>Ele levou adiante a era dos chamados “monstros de massa” aberta por Dorian Yates e elevou força e volume corporal a outro patamar no fisiculturismo profissional. Entre a primeira vitória em 1998 e a aposentadoria em 2007, conquistou oito títulos consecutivos de Mr. Olympia. Apenas Lee Haney alcançou o mesmo número de vitórias na categoria masculina aberta.</p><p>O recorde não pode ser analisado como se tivesse ocorrido em uma coluna saudável. Ronnie já havia machucado as costas no ensino médio durante um levantamento terra. Depois, sofreu outra lesão jogando futebol americano na universidade. Ele relatou dor recorrente e chegou a procurar tratamento quiroprático diariamente durante meses.</p><p>Chris Raynor diferencia o desconforto esperado de um esforço intenso da dor aguda. Tensão muscular, esforço e queimação não são a mesma coisa que um estalo acompanhado de dor irradiada, perda de força, dormência ou alteração neurológica. Esses sinais pedem interrupção do exercício e avaliação, não mais uma série.</p><h2>1996: o estalo com 272,2 kg e a série que não deveria continuar</h2><p>O episódio decisivo ocorreu em 1996. Depois de aproximadamente duas semanas sem treinar, Ronnie retomou o agachamento com 272,2 kg (600 lb), carga com a qual costumava fazer de 12 a 15 repetições. Na oitava repetição, ouviu um estalo alto e sentiu uma dor que desceu pela perna esquerda até o pé.</p><p>Esse padrão é compatível com irritação ou compressão de uma raiz nervosa por hérnia de disco lombar. Dor em choque descendo pela perna, formigamento, dormência ou fraqueza não devem ser tratados como dor muscular comum. A American Academy of Orthopaedic Surgeons inclui ainda perda do controle da bexiga ou do intestino entre os sinais raros de emergência.</p><p>Ronnie encerrou o agachamento, mas não o treino. Ainda fez leg press, agachamento hack e exercícios para posteriores de coxa. A dor permaneceu quando ele vestiu o uniforme para trabalhar como policial. Só então procurou o pronto-socorro. Uma ressonância magnética confirmou a hérnia de disco.</p><h2>Duas semanas no sofá e retorno com 136,1 kg</h2><p>Uma hérnia de disco não obriga todo atleta a operar. O tratamento conservador pode funcionar, mas isso não significa esperar a dor diminuir e testar a coluna debaixo da barra. Ronnie recusou a cirurgia naquele momento, ficou duas semanas no sofá e voltou ao agachamento com 136,1 kg (300 lb) como primeiro exercício.</p><p>O contraste com a reabilitação esportiva é grande. Em um estudo observacional com 100 atletas sintomáticos, a atividade esportiva foi suspensa inicialmente. O treino individual só recomeçou depois de redução superior a 80% dos sintomas. Ao todo, 79 atletas retornaram ao esporte, em média após 4,8 meses, com intervalo de 1 a 12 meses.</p><p>Também não se recomenda repouso prolongado absoluto. A AAOS orienta, em geral, apenas um ou dois dias de repouso no início, seguidos de retorno gradual e controlado às atividades, com fisioterapia para fortalecer a musculatura lombar e abdominal quando indicada. O caminho fica entre dois erros: imobilidade longa e retorno precoce à mesma exigência que agravou a lesão.</p><h2>Dez anos entre a hérnia e a primeira cirurgia</h2><p>Ronnie esperou cerca de dez anos para realizar a primeira operação. Segundo seu relato, em 2007 a dor já era tão limitante que ele não conseguia caminhar aproximadamente 7,6 metros (25 ft). A primeira laminectomia aliviou a compressão e reduziu a dor, mas não devolveu à coluna a condição anterior à lesão.</p><p>Cerca de um ou dois anos depois, ele precisou de uma cirurgia de revisão. Mesmo aposentado, ainda mencionava agachamentos entre 181,4 e 226,8 kg (400 a 500 lb). Novas hérnias, degeneração de discos e instabilidade levaram a outras operações, incluindo fusões vertebrais com hastes e parafusos.</p><p>Em uma das fusões, parafusos quebraram e lesionaram ossos das costas. Ronnie resumiu sua sequência como cirurgias nas costas, no pescoço, novamente nas costas e nos quadris. Chris Raynor contabilizou dez procedimentos em coluna cervical e lombar no histórico apresentado e observou que algumas operações envolveram mais de um nível vertebral.</p><p>Ronnie chegou a dizer que todos os discos haviam sido operados e que sua coluna estava inteiramente fundida. O cirurgião fez uma ressalva importante: a radiografia pública não sustentava literalmente uma única fusão contínua da cervical ao sacro. O cenário mais provável era o de vários segmentos fundidos, com perda importante de mobilidade, não uma peça óssea única por toda a coluna.</p><h2>As duas próteses de quadril em 2014</h2><p>Os dois quadris foram substituídos em 2014. A perda de mobilidade lombar transfere mais demanda para quadris e pelve. Ao mesmo tempo, menor mobilidade diária pode reduzir o estímulo mecânico recebido pelos ossos. Somados à continuidade do treino pesado, esses fatores ajudam a explicar o desgaste que não terminou com a colocação das próteses.</p><p>O implante também não torna a articulação indestrutível. Ronnie relatou nova cirurgia no quadril e desgaste no componente acetabular, a parte da prótese encaixada na bacia. Cada revisão ocorre em um local que já foi operado, com tecidos alterados e uma recuperação potencialmente mais difícil.</p><p>Em 2022, Ronnie tinha dificuldade para caminhar sem muletas. Já havia passado por mais de 12 cirurgias somando costas, pescoço e quadris e avaliava sua dor diária entre 9 e 10 em uma escala de 0 a 10.</p><h2>Mais volume ajuda até a recuperação deixar de acompanhar</h2><p>Há fundamento para aumentar o volume quando o objetivo é hipertrofia. Uma meta-análise de 15 estudos e 34 grupos encontrou uma relação dose-resposta entre séries semanais e ganho muscular. Cada série adicional foi associada, em média, a 0,37% a mais de ganho percentual. Isso não prova que o benefício cresça para sempre nem que qualquer atleta deva maximizar carga, séries e proximidade da falha ao mesmo tempo.</p><p>Treinar até a falha cobra um preço agudo mensurável. Uma meta-análise de 20 estudos encontrou maior queda de desempenho biomecânico, maior resposta metabólica, mais dano muscular e maior percepção de esforço quando as séries chegaram à falha. Outra revisão não encontrou superioridade consistente da falha para hipertrofia quando o volume de treino foi igualado.</p><p>Na prática, uma sessão só é produtiva quando o atleta consegue se recuperar dela. Carga muito alta, volume elevado, séries levadas repetidamente ao limite e uma lesão ativa competem pela mesma capacidade de recuperação. Ronnie combinou esses fatores durante anos e tratou a dor como parte inevitável do processo.</p><h2>O que a história de Ronnie ensina na prática</h2><ol><li><p><strong>Um estalo com dor irradiada encerra a sessão.</strong> Continuar em outro aparelho não protege a coluna nem elimina a possível compressão nervosa.</p></li><li><p><strong>Ausência de dor não significa disco recuperado.</strong> A inflamação pode diminuir antes de a estrutura tolerar novamente carga alta.</p></li><li><p><strong>Retorno não é definido pelo calendário.</strong> Sintomas, força, mobilidade, controle do tronco e progressão específica precisam ser avaliados.</p></li><li><p><strong>Cirurgia não zera o histórico.</strong> Laminectomia, discectomia e fusão podem aliviar sintomas ou estabilizar segmentos, mas não recriam uma coluna intacta.</p></li><li><p><strong>Carga de campeão não é referência de saúde.</strong> Os 362,9 kg fazem parte de uma carreira excepcional, não de uma progressão replicável para praticantes comuns.</p></li><li><p><strong>Dor persistente exige diagnóstico.</strong> Tratamentos que aliviam o sintoma sem esclarecer sua origem podem atrasar uma decisão importante.</p></li></ol><h2>Ronnie culpa os esteroides pelas cirurgias?</h2><p>A análise reconhece o uso de substâncias para melhora de desempenho, mas não atribui a sequência de operações diretamente aos esteroides. A hipótese central de Chris Raynor é ortopédica: lesões antigas não resolvidas, cargas extremas, treino através da dor e retorno inadequado após lesões e cirurgias.</p><p>Isso não torna o uso de esteroides seguro. Apenas separa duas perguntas diferentes. Riscos cardiovasculares, endócrinos e psiquiátricos dos anabolizantes precisam ser avaliados por evidência própria. No caso da coluna de Ronnie, a cronologia apresentada aponta com mais força para trauma mecânico repetido e recuperação insuficiente.</p><h2>Conclusão</h2><p>Ronnie Coleman aceita o preço que pagou porque os mesmos traços que destruíram sua margem de segurança também o ajudaram a conquistar oito títulos de Mr. Olympia. Essa paz pessoal não transforma o método em recomendação.</p><p>A lição não é abandonar agachamento, levantamento terra ou treino intenso. É não confundir coragem com ignorar sinal neurológico, não usar o desaparecimento da dor como alta médica e não tratar a recuperação como obstáculo ao progresso. O agachamento de 362,9 kg durou alguns segundos. As consequências de treinar sobre uma coluna lesionada atravessaram décadas.</p><h2>FAQ</h2><h3>Quantos quilos Ronnie Coleman agachou na gravação clássica?</h3><p>Foram 362,9 kg (800 lb) por duas repetições. Ele afirmou posteriormente que acreditava ter capacidade para quatro.</p><h3>Qual carga causou o estalo associado à hérnia de disco?</h3><p>Ronnie relatou o estalo na oitava repetição de uma série com 272,2 kg (600 lb), seguido de dor descendo pela perna esquerda até o pé.</p><h3>Quanto tempo ele ficou parado antes de voltar a agachar?</h3><p>Ele ficou aproximadamente duas semanas sem treinar e voltou diretamente ao agachamento com 136,1 kg (300 lb). Esse retorno não deve ser usado como protocolo.</p><h3>Toda hérnia de disco precisa de cirurgia?</h3><p>Não. A maioria começa com tratamento conservador. Cirurgia costuma ser considerada quando o tratamento não cirúrgico falha ou quando há déficit neurológico importante, dificuldade para andar ou perda de controle urinário ou intestinal.</p><h3>Ronnie Coleman teve quantas cirurgias?</h3><p>A fonte descreve mais de 12 cirurgias somando coluna, pescoço e quadris. Dez delas teriam envolvido costas e pescoço, além de substituições e revisões dos dois quadris.</p><h3>Agachamento pesado destrói a coluna?</h3><p>Não automaticamente. Risco depende de técnica, exposição, progressão, fadiga, histórico de lesão e capacidade de recuperação. O caso de Ronnie envolve cargas excepcionais mantidas apesar de dor, hérnia confirmada e múltiplas operações.</p><h2>Referências</h2><ol><li><p>RAYNOR, Chris. <em>The PRICE Of Bodybuilding Success Ep. 1 | Ronnie Coleman Is A Surgeon’s Worst Nightmare</em>. YouTube, 9 out. 2022. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.youtube.com/watch?v=_syjJLpbAGs">https://www.youtube.com/watch?v=_syjJLpbAGs</a>. Acesso em: 12 ago. 2026.</p></li><li><p>SCHOENFELD, Brad J.; OGBORN, Dan; KRIEGER, James W. Dose-response relationship between weekly resistance training volume and increases in muscle mass: a systematic review and meta-analysis. <em>Journal of Sports Sciences</em>, v. 35, n. 11, p. 1073-1082, 2017. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/27433992/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/27433992/</a>. Acesso em: 12 ago. 2026.</p></li><li><p>VIEIRA, João Guilherme et al. Effects of resistance training to muscle failure on acute fatigue: a systematic review and meta-analysis. <em>Sports Medicine</em>, v. 52, n. 5, p. 1103-1125, 2022. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34881412/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34881412/</a>. Acesso em: 12 ago. 2026.</p></li><li><p>GRGIC, Jozo et al. Effects of resistance training performed to repetition failure or non-failure on muscular strength and hypertrophy: a systematic review and meta-analysis. <em>Journal of Sport and Health Science</em>, v. 11, n. 2, p. 202-211, 2022. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33497853/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33497853/</a>. Acesso em: 12 ago. 2026.</p></li><li><p>IWAI, Kazunori et al. Return to play after conservative treatment in athletes with symptomatic lumbar disc herniation: a practice-based observational study. <em>Open Access Journal of Sports Medicine</em>, v. 4, p. 239-244, 2013. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/24198567/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/24198567/</a>. Acesso em: 12 ago. 2026.</p></li><li><p>AMERICAN ACADEMY OF ORTHOPAEDIC SURGEONS. Herniated disk in the lower back. <em>OrthoInfo</em>. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://orthoinfo.aaos.org/diseases--conditions/herniated-disk-in-the-lower-back/">https://orthoinfo.aaos.org/diseases--conditions/herniated-disk-in-the-lower-back/</a>. Acesso em: 12 ago. 2026.</p></li></ol>]]></description><guid isPermaLink="false">1184</guid><pubDate>Wed, 12 Aug 2026 16:38:00 +0000</pubDate></item><item><title>Chris Bumstead: o protocolo de recupera&#xE7;&#xE3;o que gostaria de ter aprendido aos 20</title><link>https://fisiculturismo.com.br/mat%C3%A9rias/gente/chris-bumstead-o-protocolo-de-recupera%C3%A7%C3%A3o-que-gostaria-de-ter-aprendido-aos-20-r1179/</link><description><![CDATA[
<p><img src="https://cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2026_08/chris-bumstead-licoes-recuperacao-escada-capa.webp.a2e72c924da0d330c7771719c242654e.webp" /></p>
<p>Treinar por duas ou três horas, seis ou até sete dias por semana, parecia dedicação máxima. Para Chris Bumstead, porém, essa rotina acabou se tornando o sinal de que esforço sem recuperação também limita o crescimento. Em "The Recovery Protocol I Wish I Had Known In My 20s", o seis vezes campeão do Mr. Olympia Classic Physique organiza a recuperação em quatro pilares: luz, nutrientes, estresse e sono.</p><p>Não é uma lista abstrata. Bumstead descreve horários, hábitos e mudanças concretas. Ele caminha ao acordar e perto do pôr do sol, reserva 30 minutos para meditar, usa 10 minutos após o treino para desacelerar sem celular e reduziu a musculação de seis ou sete para quatro ou cinco dias por semana quando percebeu que havia parado de progredir.</p><h2>1. Luz: caminhar ao acordar e acompanhar o pôr do sol</h2><p>O primeiro pilar começa antes do treino. A luz funciona como um dos principais sinais ambientais para o relógio biológico. Por isso, a rotina apresentada tem dois pontos de contato com a luz natural:</p><ul><li><p>uma caminhada assim que acorda</p></li><li><p>outra caminhada quando o sol está se pondo</p></li><li><p>menos luz artificial à noite</p></li><li><p>tela do celular configurada com filtro vermelho pelos recursos de acessibilidade</p></li></ul><p>Durante preparações competitivas, quando fome, ansiedade e estresse atrapalhavam o sono, as caminhadas matinal e noturna foram o recurso que ele considerou mais útil. A proposta não depende de aparelho caro. É uma forma simples de reforçar a diferença entre dia e noite.</p><p>A ciência sustenta o papel da luz na sincronização circadiana, mas não autoriza transformar qualquer caminhada em tratamento universal. Em um ensaio com 50 adultos, 30 minutos de luz brilhante pela manhã, combinados a horário de sono progressivamente adiantado e melatonina à tarde, anteciparam a fase circadiana. O efeito depende de horário, intensidade luminosa, rotina de sono e condição clínica. O filtro vermelho no telefone pode reduzir luz de comprimento de onda curto, mas não compensa uma noite inteira de tela e estímulo.</p><h2>2. Nutrientes: sair da dieta que só conta proteína</h2><p>Na juventude, a conta era simples demais: atingir proteína e completar as calorias com qualquer alimento disponível. Ele recorda uma dieta universitária com fast-food, hambúrgueres, peito de frango e arroz branco, quase sem frutas e verduras. A mudança veio depois de adoecer em 2018, quando passou a tratar a qualidade da alimentação como parte da recuperação.</p><p>O café da manhã atual mostra a diferença. O smoothie não substitui toda a refeição. Ele acrescenta pelo menos dois ovos e alguma fruta. Quando prepara ou compra uma bebida mais completa, usa combinações como:</p><ul><li><p>banana e pasta de amendoim</p></li><li><p>mirtilos</p></li><li><p>beterraba</p></li><li><p>chia e linhaça</p></li><li><p>cerejas</p></li><li><p>frutas e vegetais de cores diferentes</p></li></ul><p>O objetivo não é criar uma receita obrigatória, e sim corrigir o erro de reduzir nutrição a pó proteico. A variedade alimentar amplia a oferta de fibras, vitaminas, minerais e compostos bioativos que não aparecem quando todas as escolhas giram em torno de frango, arroz e shake.</p><p>Bumstead lembra que houve uma fase do bodybuilding em que se falava em 1 a 2 gramas de proteína por libra de peso corporal. No padrão brasileiro, isso equivale a aproximadamente 2,2 a 4,4 g/kg por dia. Ele cita essa faixa para descrever a obsessão da época, não como recomendação atual.</p><h2>Aminoácidos antes do treino: prática pessoal, não regra universal</h2><p>A rotina inclui aminoácidos essenciais antes e durante o aquecimento, seguidos de proteína logo após o treino. A justificativa apresentada é aproveitar o aumento do fluxo sanguíneo muscular para disponibilizar aminoácidos durante a sessão. Nenhuma dose é informada.</p><p>Esse detalhe precisa de contexto. Em um ensaio com 22 adultos, aminoácidos essenciais com carboidrato ingeridos uma hora antes do treino não elevaram a síntese proteica nas duas horas posteriores em comparação ao treino em jejum. Uma meta-análise de estudos que compararam proteína antes e depois também não encontrou diferença relevante na massa magra. Portanto, o hábito pode ser conveniente para quem treina há muitas horas sem comer, mas não prova que todos precisem de EAA pré ou intratreino nem que a proteína tenha de ser tomada no minuto em que a última série termina.</p><h2>3. Estresse: 20 minutos sem estímulo e 30 minutos de meditação</h2><p>Recuperação também exige sair do estado de alerta. A proposta prática é reduzir a troca constante de tarefas, usar menos o telefone e criar períodos em que nada precisa acontecer.</p><p>Um dos exercícios é deliberadamente simples: sentar e olhar para a parede durante 20 minutos. A meta não é produtividade. É treinar o cérebro para tolerar silêncio e ausência de estímulo sem abrir um aplicativo. Na rotina atual, há ainda cerca de 30 minutos de meditação pela manhã, em uma cadeira de gravidade zero.</p><p>O próprio Bumstead reconhece a contradição: termina a meditação, pega o telefone e volta rapidamente ao ritmo acelerado. A lição não é fingir controle absoluto, mas perceber que descanso psicológico precisa ser colocado na agenda com a mesma intenção do treino.</p><h3>Conexão pode recuperar melhor do que isolamento</h3><p>Durante a preparação de 2020, o medo de adoecer novamente tornou-se explícito. Ele contou à esposa, Courtney, que temia voltar ao hospital e que o bodybuilding pudesse matá-lo. Ela não apresentou uma solução. Ouviu, abraçou e permaneceu ao lado dele. Naquela noite, ele dormiu melhor. Segundo seu relato, foi a primeira preparação desde a doença em que não voltou a adoecer.</p><p>O caso não prova causa e efeito, pois alimentação, treino, saúde e tratamento também mudaram. Ainda assim, mostra por que recuperação não se resume a máscara de dormir e temperatura do quarto. Convívio, segurança emocional, diversão e apoio social também podem reduzir a sensação de ameaça contínua.</p><h2>4. Dez minutos para encerrar o treino antes de voltar ao celular</h2><p>Treinar é um estresse planejado. O problema aparece quando o atleta termina a última série e leva o estado de urgência direto para e-mails, mensagens e trabalho.</p><p>Na última preparação, a orientação do treinador Justin era fazer uma transição deliberada. O protocolo pessoal ficou assim:</p><ol><li><p>terminar o treino</p></li><li><p>deitar em um lugar fresco</p></li><li><p>permanecer cerca de 10 minutos respirando</p></li><li><p>não abrir o telefone nem o e-mail</p></li><li><p>só depois comer e retomar o restante do dia</p></li></ol><p>O ventilador usado durante a preparação não tem poder especial. O valor está na sequência: reduzir calor e estímulos, desacelerar e criar uma fronteira entre esforço e recuperação.</p><h2>De seis ou sete treinos por semana para quatro ou cinco</h2><p>A mudança mais concreta aconteceu por volta dos 24 anos. Bumstead treinava duas a três horas por dia, seis e às vezes sete dias por semana. A progressão parou. Em vez de acrescentar mais trabalho, ele reduziu gradualmente o volume.</p><p>A nova rotina chegou a quatro ou cinco sessões semanais, com treinos de aproximadamente 90 minutos e menos volume. Foi nessa fase que voltou a ficar mais forte, maior e a perceber progresso.</p><p>O exemplo não estabelece que quatro ou cinco dias sejam ideais para todos. Estudos mostram que, quando o volume semanal é igualado, a frequência isolada tem efeito pequeno sobre hipertrofia. A mensagem prática é outra: sete dias de academia não garantem estímulo melhor. Se a performance cai, as dores se acumulam e as cargas não avançam, acrescentar sessões pode apenas consumir a recuperação que falta.</p><p>Em um evento recente, um participante contou que treinava sete dias por semana e não entendia por que as pernas não cresciam. A primeira hipótese foi justamente falta de recuperação. A segunda foi igualmente incômoda: se ele conseguia repetir musculação todos os dias, talvez cada sessão não tivesse intensidade suficiente para exigir descanso. Treinar também poderia estar funcionando como fuga para pensamentos estressantes, criando excesso de exercício e mantendo o problema que a academia deveria aliviar.</p><h2>5. Sono: a memória falha antes de a pessoa admitir cansaço</h2><p>Com um bebê de três meses acordando à noite, a privação de sono deixou de ser teoria. Nas primeiras semanas, ele se sentia incapaz de funcionar. Depois, a sensação de cansaço diminuiu, mas apareceram dificuldade para lembrar palavras e piora da memória.</p><p>Bumstead menciona uma queda de desempenho cerebral para cerca de 60% após uma noite sem dormir. Esse percentual não é acompanhado de uma fonte e não deve ser lido como medida universal. O prejuízo, porém, é real. Uma revisão com 69 publicações encontrou queda média de 7,56% no desempenho físico após perda aguda de sono, com resultados dependentes do tipo de restrição, horário e tarefa. Memória, atenção e tomada de decisão também não respondem todas com a mesma magnitude.</p><p>A armadilha é adaptar-se à sensação de sono ruim e concluir que o organismo se recuperou. Sentir-se menos sonolento não significa recuperar plenamente cognição, desempenho ou capacidade de reparar o estresse do treino.</p><h2>O protocolo completo em uma rotina possível</h2><p>As lições podem ser organizadas sem transformar a vida em um laboratório:</p><div class="ipsRichText__table-wrapper"><table style="min-width: 60px;"><colgroup><col style="min-width:20px;"><col style="min-width:20px;"><col style="min-width:20px;"></colgroup><tbody><tr><th colspan="1" rowspan="1"><p>Momento</p></th><th colspan="1" rowspan="1"><p>Ação concreta apresentada</p></th><th colspan="1" rowspan="1"><p>Finalidade</p></th></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Ao acordar</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Caminhar e receber luz natural</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Reforçar o início do dia para o relógio biológico</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Café da manhã</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Smoothie, pelo menos dois ovos e fruta</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Somar proteína a alimentos com micronutrientes</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Antes e durante o treino</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Aminoácidos essenciais, sem dose informada</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Estratégia pessoal de disponibilidade de aminoácidos</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Após o treino</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Deitar em local fresco por 10 minutos, sem celular</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Sair do estado de esforço antes de voltar à rotina</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Manhã</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Meditar por cerca de 30 minutos</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Criar um período sem estímulo e reduzir aceleração mental</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Em algum momento do dia</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Permanecer 20 minutos sem tarefa nem tela</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Treinar tolerância ao silêncio e interromper a multitarefa</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Perto do anoitecer</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Caminhar e observar a redução da luz natural</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Reforçar a transição para a noite</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Semana de treino</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Quatro ou cinco sessões de cerca de 90 minutos no caso pessoal</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Trocar excesso de volume por trabalho recuperável</p></td></tr></tbody></table></div><h2>Conclusão</h2><p>A grande lição que ele gostaria de ter aprendido aos 20 anos é que recuperação não começa quando o atleta já está quebrado. Ela é construída desde a luz da manhã, passa pelo que entra no prato, exige espaço sem estímulo e termina com sono suficiente.</p><p>O protocolo mais útil não é copiar cada detalhe. É observar a lógica: medir progresso, identificar o que está impedindo adaptação e retirar excesso antes de acrescentar mais treino, suplemento ou tecnologia. No caso dele, fazer menos sessões e recuperar melhor produziu mais força e crescimento do que insistir em duas ou três horas diárias de academia.</p><h2>FAQ</h2><h3>Quantos dias por semana ele passou a treinar?</h3><p>Ele relata ter reduzido a frequência de seis ou sete para quatro ou cinco sessões semanais. Os treinos também caíram de duas ou três horas para aproximadamente 90 minutos, com menos volume.</p><h3>Qual é a rotina de luz usada pela manhã e à noite?</h3><p>A prática descrita é caminhar logo ao acordar e fazer outra caminhada perto do pôr do sol. À noite, ele reduz luz artificial e usa filtro vermelho na tela do telefone.</p><h3>A rotina inclui aminoácidos antes do treino?</h3><p>Ele usa aminoácidos essenciais antes e durante o aquecimento, mas não informa dose. A evidência não mostra que esse timing seja obrigatório quando a ingestão diária de proteína já é adequada.</p><h3>O que ele faz imediatamente depois do treino?</h3><p>Durante a preparação, deitava por cerca de 10 minutos em um ambiente fresco, respirava e evitava telefone e e-mail antes de comer e voltar às tarefas.</p><h3>O exercício de olhar para a parede dura quanto tempo?</h3><p>A proposta é permanecer 20 minutos sem celular, tarefa ou entretenimento. Na rotina pessoal, ele também reserva aproximadamente 30 minutos para meditação pela manhã.</p><h3>Dormir mal reduz o desempenho cerebral para 60%?</h3><p>O percentual foi mencionado sem referência e não deve ser aplicado como regra. Estudos confirmam prejuízos físicos e cognitivos após perda de sono, mas a magnitude varia conforme duração, horário e tipo de tarefa.</p><h2>Referências</h2><ol><li><p>BUMSTEAD, Chris. <em>The Recovery Protocol I Wish I Had Known In My 20s</em>. YouTube, 9 ago. 2026. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.youtube.com/watch?v=yhkacIvaHrM">https://www.youtube.com/watch?v=yhkacIvaHrM</a>. Acesso em: 11 ago. 2026.</p></li><li><p>BURKE, Tina M. et al. Effects of an advanced sleep schedule and morning short wavelength light exposure on circadian phase in young adults with late sleep schedules. <em>Sleep Medicine</em>, 2011. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/21704557/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/21704557/</a>. Acesso em: 11 ago. 2026.</p></li><li><p>FUJITA, Satoshi et al. Essential amino acid and carbohydrate ingestion before resistance exercise does not enhance postexercise muscle protein synthesis. <em>Journal of Applied Physiology</em>, 2009. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/18535123/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/18535123/</a>. Acesso em: 11 ago. 2026.</p></li><li><p>PELLAND, Joshua C. et al. The Resistance Training Dose Response: Meta-Regressions Exploring the Effects of Weekly Volume and Frequency on Muscle Hypertrophy and Strength Gains. <em>Sports Medicine</em>, 2026. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/41343037/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/41343037/</a>. Acesso em: 11 ago. 2026.</p></li><li><p>CRAVEN, J. et al. Effects of Acute Sleep Loss on Physical Performance: A Systematic and Meta-Analytical Review. <em>Sports Medicine</em>, 2022. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/35708888/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/35708888/</a>. Acesso em: 11 ago. 2026.</p></li><li><p>ZHOU, Huan-Huan et al. Effects of Timing and Types of Protein Supplementation on Improving Muscle Mass, Strength, and Physical Performance in Adults Undergoing Resistance Training. <em>International Journal of Sport Nutrition and Exercise Metabolism</em>, 2024. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/38039960/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/38039960/</a>. Acesso em: 11 ago. 2026.</p></li></ol>]]></description><guid isPermaLink="false">1179</guid><pubDate>Tue, 11 Aug 2026 15:18:00 +0000</pubDate></item><item><title>Arlindo de Souza: bra&#xE7;os de 73 cm escondiam &#xF3;leo, fibrose e risco sist&#xEA;mico</title><link>https://fisiculturismo.com.br/mat%C3%A9rias/gente/arlindo-de-souza-bra%C3%A7os-de-73-cm-escondiam-%C3%B3leo-fibrose-e-risco-sist%C3%AAmico-r1174/</link><description><![CDATA[
<p><img src="https://cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2026_08/arlindo-de-souza-oleo-mineral-bar-capa.webp.86029e6cb82925beade672c69ec37c3a.webp" /></p>
<p>Os braços de 73 cm que transformaram Arlindo de Souza no ‘Popeye brasileiro’ não eram o resultado de uma hipertrofia fora da curva. O volume vinha principalmente de óleo mineral injetado, inflamação e tecido cicatricial. A aparência chamou atenção em programas de televisão, mas não entregava força proporcional e deixou um depósito estranho que o organismo não conseguia simplesmente remover.</p><p>Em <em>The Brazilian Popeye Died at 55</em>, o cirurgião ortopédico Chris Raynor reconstrói quatro níveis de dano atribuídos aos óleos de aumento localizado: depósito intramuscular, encapsulamento e fibrose, migração sistêmica e falência de órgãos. A primeira metade dessa cadeia é bem documentada. A ligação direta entre microgotas de óleo e a falência renal específica de Arlindo, porém, não foi demonstrada por prontuário, biópsia ou autópsia divulgados ao público.</p><h2>73 cm de braço sem produzir músculo novo</h2><p>Arlindo ficou conhecido como Arlindo Anomalia, Arlindo Montanha e Popeye brasileiro. Reportagens brasileiras confirmam que ele modificou os braços com óleo mineral e morreu aos 55 anos em Pernambuco. A circunferência de 73 cm, equivalente a 29 polegadas, aparece no conteúdo de Raynor e em reportagens publicadas quando Arlindo ganhou projeção internacional.</p><p>O óleo não cria novas fibras musculares. Ele ocupa espaço entre tecidos, distende a região e provoca uma reação de corpo estranho. O braço aumenta, mas a capacidade de contrair e produzir força não cresce na mesma proporção. Com repetição, o tecido funcional pode ser comprimido por óleo, inflamação e cicatriz.</p><div class="ipsRichText__table-wrapper"><table style="min-width: 40px;"><colgroup><col style="min-width:20px;"><col style="min-width:20px;"></colgroup><tbody><tr><th colspan="1" rowspan="1"><p>Dado do caso</p></th><th colspan="1" rowspan="1"><p>O que é possível afirmar</p></th></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Idade ao morrer</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>55 anos</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Circunferência divulgada dos braços</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>73 cm</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Substância associada ao aumento</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Óleo mineral, descrito também em mistura caseira com álcool</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Efeito visual</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Aumento de volume sem hipertrofia equivalente</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Causa oficial da morte</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Não foi informada nas reportagens brasileiras consultadas</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Hipótese apresentada por Raynor</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Dano renal progressivo associado à exposição crônica ao óleo</p></td></tr></tbody></table></div><h2>O que Arlindo usava não deve ser chamado automaticamente de Synthol</h2><p>Synthol é um nome comercial que virou sinônimo informal de óleo de aumento localizado. A fórmula clássica descrita na literatura contém aproximadamente 85% de óleo de triglicerídeos de cadeia média, 7,5% de lidocaína e 7,5% de álcool benzílico.</p><p>Arlindo foi associado a uma preparação caseira de óleo mineral e álcool, sem controle de esterilidade, concentração ou fabricação. Não há análise química pública do produto usado por ele. Portanto, é mais rigoroso chamá-lo de óleo mineral injetável ou óleo de aumento localizado, e não assumir que era a fórmula comercial de Synthol.</p><p>Essa distinção não torna a mistura caseira menos perigosa. Óleo mineral é um derivado de petróleo que o tecido humano não metaboliza como alimento. Álcool não esteriliza uma mistura improvisada depois que ela é preparada, armazenada e aplicada fora de condições médicas. Contaminação, abscesso, necrose e lesão vascular continuam possíveis.</p><h2>O braço tenta isolar o óleo e acaba construindo cicatriz</h2><p>Macrófagos cercam as gotículas que não conseguem eliminar. A reação recruta fibroblastos, aumenta a deposição de colágeno e forma granulomas e cápsulas fibrosas. Em vez de músculo contrátil, surge uma massa rígida que pode deformar o contorno, reduzir a mobilidade e comprimir fibras musculares, nervos e vasos.</p><p>O caso cirúrgico publicado por Nassar e colegas em 2024 mostra por que parar não faz o problema desaparecer. Um homem de 45 anos precisou retirar tecido fibrótico e tratar infecções recorrentes dez anos depois de apenas duas sessões de Synthol em peitoral, bíceps e tríceps. O intervalo longo não impediu endurecimento, inflamação nem cirurgia.</p><p>As complicações locais mais descritas incluem:</p><ul><li><p>dor, vermelhidão e inchaço</p></li><li><p>abscesso e infecção recorrente</p></li><li><p>nódulos e granulomas por corpo estranho</p></li><li><p>fibrose extensa e perda de elasticidade</p></li><li><p>ulceração e feridas que não cicatrizam</p></li><li><p>deformidade, redução da amplitude e perda de função</p></li><li><p>necrose, lesão nervosa e dano vascular</p></li><li><p>calcificação do tecido inflamado em casos avançados</p></li></ul><h2>O rim pode ser atingido, mas a via comprovada não é tão simples</h2><p>Raynor propõe que microgotas deixem o depósito muscular, atravessem vasos linfáticos, entrem na circulação e se prendam aos capilares dos rins, produzindo glomeruloesclerose progressiva. Embolia por óleo e comprometimento pulmonar após injeção intramuscular ou intravascular estão descritos. O salto para afirmar que esse foi o mecanismo renal de Arlindo não pode ser feito sem exames do próprio caso.</p><p>A literatura sustenta outra via sistêmica com evidência clínica e patológica mais direta. Granulomas formados ao redor do óleo podem produzir calcitriol fora do rim. O excesso eleva o cálcio no sangue, favorece nefrocalcinose e danifica os rins. Em 2023, médicos da Universidade Federal de Goiás descreveram um homem que injetava óleo mineral e um produto veterinário oleoso. Ele apresentou cálcio de 12,62 mg/dL, calcitriol de 138 pg/mL, fósforo de 6,0 mg/dL, nefrocalcinose bilateral e doença renal terminal com necessidade de hemodiálise.</p><p>Outro relato, publicado em 2024 com autópsia, documentou um homem na faixa dos 30 anos que havia injetado parafina nos membros superiores oito anos antes da morte. Foram encontradas calcificações extensas no coração, pulmões e rins. Os autores estimaram que os depósitos cardíacos levaram à parada cardíaca. Esse caso demonstra que a inflamação provocada pelo óleo pode permanecer ativa e terminar em dano multiorgânico muitos anos depois.</p><h2>A morte de Arlindo: o que sabemos e o que não foi provado</h2><p>O conteúdo de Raynor afirma que Arlindo morreu em 13 de janeiro de 2026, que um rim falhou primeiro, que o segundo entrou em falência perto do Natal, que houve acúmulo de líquido nos pulmões e que ocorreu uma parada cardíaca antes do início da hemodiálise. A sequência é fisiologicamente plausível para insuficiência renal grave: retenção de líquido pode causar edema pulmonar, e alterações de potássio e acidez podem desestabilizar o coração.</p><p>Mas plausibilidade não equivale a confirmação individual. A Folha de S.Paulo registrou a morte aos 55 anos e o histórico de óleo mineral, porém informou que a causa não havia sido divulgada. Não foi localizado laudo de autópsia, resultado de cálcio, creatinina, potássio, imagem renal ou biópsia de Arlindo que comprovasse embolia lipídica, nefrocalcinose ou glomeruloesclerose causada pelo óleo.</p><div class="ipsRichText__table-wrapper"><table style="min-width: 40px;"><colgroup><col style="min-width:20px;"><col style="min-width:20px;"></colgroup><tbody><tr><th colspan="1" rowspan="1"><p>Afirmação</p></th><th colspan="1" rowspan="1"><p>Grau de confirmação pública</p></th></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Arlindo morreu aos 55 anos</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Confirmada por veículos brasileiros</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Ele aumentou os braços com óleo mineral</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Confirmada por reportagens e declarações públicas</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Os braços chegaram a 73 cm</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Número amplamente divulgado</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Houve falência renal e tentativa de iniciar diálise</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Relato reproduzido por Raynor, sem prontuário público</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>O óleo causou diretamente a falência renal</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Possível, mas não comprovado no caso individual</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Microgotas causaram cicatrização dos glomérulos</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Hipótese do conteúdo, sem autópsia ou biópsia pública de Arlindo</p></td></tr></tbody></table></div><h2>Parar de aplicar reduz nova exposição, mas não remove o depósito antigo</h2><p>Interromper as aplicações impede que mais óleo seja acrescentado. Isso é importante, mas o material já depositado pode permanecer encapsulado durante anos. Granulomas, fibrose, infecção recorrente e alterações do metabolismo do cálcio podem continuar mesmo sem novas injeções.</p><p>Cirurgia não é uma limpeza simples. O óleo pode estar distribuído em múltiplos planos, misturado a músculo, vasos, nervos e cicatriz. Retirar tudo pode sacrificar tecido funcional e provocar sangramento ou deformidade. Em casos selecionados, a excisão reduz tecido doente e controla infecção, mas a decisão exige imagem, planejamento e equipe cirúrgica.</p><p>Arlindo chegou a alertar outras pessoas para não repetir a prática. O arrependimento tem valor humano e preventivo, mas não consegue dissolver óleo mineral já incorporado aos tecidos.</p><h2>Sinais que exigem avaliação médica</h2><p>Quem já aplicou óleo mineral, parafina, Synthol ou produto veterinário não deve tentar furar, drenar, massagear ou dissolver a massa em casa. A avaliação pode envolver exame físico, ultrassom ou ressonância da área e exames de sangue definidos pelo médico.</p><p>Febre, pus, pele muito quente, vermelhidão que se espalha, dor crescente ou ferida aberta sugerem infecção e precisam de atendimento rápido. Falta de ar súbita, dor no peito, confusão, desmaio ou coloração azulada são sinais de emergência. Endurecimento progressivo, limitação de movimento e nódulos também merecem consulta, mesmo anos depois da última aplicação.</p><p>Quando existe suspeita de reação granulomatosa sistêmica, cálcio total e ionizado, creatinina, taxa de filtração glomerular, fósforo, PTH e calcitriol podem ajudar a esclarecer o mecanismo. Essa lista não é pedido de exame para automedicação. A escolha e a interpretação dependem do quadro clínico.</p><h2>Conclusão</h2><p>Arlindo de Souza virou celebridade por braços de 73 cm que pareciam músculo, mas carregavam óleo mineral, inflamação e cicatriz. A ciência confirma que óleos de aumento localizado podem provocar granulomas, fibrose, infecção, calcificação, hipercalcemia, nefrocalcinose, embolia pulmonar e dano multiorgânico tardio.</p><p>O cuidado editorial está no último passo. A morte aos 55 anos e o uso de óleo são fatos públicos. A falência renal foi relatada no conteúdo médico, mas a cadeia específica de microgotas chegando aos glomérulos não foi comprovada no corpo de Arlindo. O caso continua sendo um alerta forte sem que seja necessário transformar uma hipótese plausível em laudo inexistente.</p><h2>FAQ</h2><h3>Os braços de Arlindo tinham realmente 73 cm?</h3><p>Esse foi o número divulgado em reportagens brasileiras e internacionais. O volume, porém, não representava 73 cm de músculo funcional. Óleo, inflamação e fibrose contribuíam para a medida.</p><h3>Arlindo usava Synthol?</h3><p>Ele foi associado a óleo mineral misturado com álcool. Synthol tem uma formulação clássica diferente, com óleo de triglicerídeos de cadeia média, lidocaína e álcool benzílico. Sem análise do produto, não é correto tratar os dois como idênticos.</p><h3>Óleo mineral injetado pode causar insuficiência renal?</h3><p>Sim. Há relatos de granulomas que elevam calcitriol e cálcio, provocam nefrocalcinose e terminam em doença renal grave. Isso não prova automaticamente que o mesmo mecanismo ocorreu em Arlindo.</p><h3>Parar de aplicar elimina o risco?</h3><p>Reduz a nova exposição, mas o depósito antigo pode persistir. Fibrose, granulomas, infecções e alterações do cálcio podem aparecer ou continuar anos depois.</p><h3>A causa da morte de Arlindo foi confirmada como óleo mineral?</h3><p>Não em documentação pública localizada. Veículos brasileiros confirmaram a morte aos 55 anos e o histórico de aplicações, mas a causa oficial não foi divulgada. A ligação renal apresentada por Raynor deve ser lida como reconstrução médica, não como laudo.</p><h3>Existe forma segura de injetar óleo para aumentar músculo?</h3><p>Não. Esses produtos não criam hipertrofia e podem causar dano local permanente, infecção, embolia e complicações sistêmicas. Misturas caseiras acrescentam risco de contaminação e composição desconhecida.</p><h2>Referências</h2><ol><li><p>RAYNOR, Chris. <em>The Brazilian Popeye Died at 55. His Organs Failed Years After He Stopped Injecting. Here's Why.</em> YouTube, 3 maio 2026. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.youtube.com/watch?v=c3UuLRFjYDk">https://www.youtube.com/watch?v=c3UuLRFjYDk</a>. Acesso em: 10 ago. 2026.</p></li><li><p>FOLHA DE S.PAULO. <em>Morre aos 55 anos Arlindo Souza, conhecido como o Popeye Brasileiro</em>. 14 jan. 2026. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2026/01/morre-aos-55-anos-arlindo-souza-conhecido-como-o-popeye-brasileiro.shtml">https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2026/01/morre-aos-55-anos-arlindo-souza-conhecido-como-o-popeye-brasileiro.shtml</a>. Acesso em: 10 ago. 2026.</p></li><li><p>BONETS, Vitor, SILVESTRE, Yasmin, COELHO, Thomaz. <em>Quem era Arlindo Anomalia, o Popeye brasileiro</em>. CNN Brasil, 15 jan. 2026. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/nordeste/pe/quem-era-arlindo-anomalia-o-popeye-brasileiro/">https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/nordeste/pe/quem-era-arlindo-anomalia-o-popeye-brasileiro/</a>. Acesso em: 10 ago. 2026.</p></li><li><p>SCHÄFER, Christian N., HVOLRIS, Jørgen J., KARLSMARK, Tonny, PLAMBECH, Morten. Muscle enhancement using intramuscular injections of oil in bodybuilding: review on epidemiology, complications, clinical evaluation and treatment. <em>European Surgery</em>, v. 44, n. 2, p. 109-115, 2012. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://doi.org/10.1007/s10353-011-0033-z">https://doi.org/10.1007/s10353-011-0033-z</a>. Acesso em: 10 ago. 2026.</p></li><li><p>REZENDE, Raissa C. et al. Severe hypercalcemia caused by repeated mineral oil injections: a case report. <em>Archives of Endocrinology and Metabolism</em>, v. 67, n. 3, p. 450-455, 2023. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37011375/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37011375/</a>. Acesso em: 10 ago. 2026.</p></li><li><p>ALIMORADI, Mersad et al. Synthol systemic complications: hypercalcemia and pulmonary granulomatosis. A case report. <em>Annals of Medicine and Surgery</em>, v. 69, 102771, 2021. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34522373/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34522373/</a>. Acesso em: 10 ago. 2026.</p></li><li><p>JAKOBSEN, Søren R. et al. Death caused by multi-organ metastatic calcifications as a result of intramuscular injections with paraffin oil. <em>Bone Reports</em>, v. 20, 101749, 2024. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/38487753/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/38487753/</a>. Acesso em: 10 ago. 2026.</p></li><li><p>NASSAR, Aref et al. Management of Synthol-induced fibrosis. <em>Plastic and Reconstructive Surgery Global Open</em>, v. 12, n. 12, e6391, 2024. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/39687419/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/39687419/</a>. Acesso em: 10 ago. 2026.</p></li></ol>]]></description><guid isPermaLink="false">1174</guid><pubDate>Mon, 10 Aug 2026 19:31:00 +0000</pubDate></item><item><title>Leandro Peres e Donaire abrem protocolo Open de 140 kg</title><link>https://fisiculturismo.com.br/mat%C3%A9rias/gente/leandro-peres-e-donaire-abrem-protocolo-open-de-140-kg-r1157/</link><description><![CDATA[
<p><img src="https://cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2026_08/leandro-peres-donaire-protocolo-open-capa.webp.33190b47c3767590114973a4e3573e82.webp" /></p>
<p>Um atleta Open com cerca de 140 kg não é construído com “uma dose moderada” nem com uma lista vaga de recursos. Em “Leandro Peres &amp; Donaire - Protocolos Open + Resenha”, Leandro Peres e seu treinador Donaire abriram o off-season atual com números: 750 mg de enantato de testosterona, 450 mg de NPP, 150 mg de MENT, 50 mg de Hemogenin antes do treino, 8 UI de GH por dia e 15 UI de insulina rápida.</p><p>A utilidade do caso está menos em copiar a planilha e mais nas decisões ao redor dela. O MENT seria retirado porque Leandro perdeu motivação para tarefas de que gostava. Uma experiência anterior com trembolona a cada 12 horas foi abandonada pelo impacto mental. A comida chegou a subir cerca de 30% sem melhorar o físico. O treino reduziu volume, manteve carga e passou a contar apenas as séries realmente produtivas.</p><p>As doses abaixo descrevem um relato de fisiculturismo profissional, não uma prescrição. Testosterona, nandrolona, MENT, oximetolona, GH e insulina em combinação formam um protocolo de alto risco, sem validação clínica para hipertrofia em pessoas saudáveis.</p><h2>O protocolo atual de Leandro Peres</h2><p>Donaire leu a programação compartilhada com o atleta e confirmou os seguintes números para o off-season:</p><div class="ipsRichText__table-wrapper"><table style="min-width: 60px;"><colgroup><col style="min-width:20px;"><col style="min-width:20px;"><col style="min-width:20px;"></colgroup><tbody><tr><th colspan="1" rowspan="1"><p>Recurso</p></th><th colspan="1" rowspan="1"><p>Quantidade relatada</p></th><th colspan="1" rowspan="1"><p>Como entrou na estratégia</p></th></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Enantato de testosterona</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>750 mg por semana</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Base androgênica do protocolo</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>NPP, fenilpropionato de nandrolona</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>450 mg por semana</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Composto que seria mantido no ajuste seguinte</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>MENT, trestolona</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>150 mg por semana</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Teste interrompido por efeito mental indesejado</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Hemogenin, oximetolona</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>50 mg antes do treino</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>O total informado foi de 350 mg por semana, o que pressupõe uso diário</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>GH</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>8 UI por dia</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Com possibilidade de subir para 12 UI em períodos específicos</p></td></tr><tr><td colspan="1" rowspan="1"><p>Insulina rápida</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>15 UI por dia</p></td><td colspan="1" rowspan="1"><p>Dividida entre pré e pós-treino segundo a explicação</p></td></tr></tbody></table></div><p>Somando apenas os esteroides com quantidade semanal expressa, o protocolo chega nominalmente a 1.700 mg por semana: 750 mg de testosterona, 450 mg de NPP, 150 mg de MENT e 350 mg de oximetolona. Essa soma não significa equivalência biológica entre as drogas. Um miligrama de MENT não tem a mesma potência nem o mesmo perfil de risco de um miligrama de testosterona.</p><p>Também não se trata de reposição hormonal. A diretriz da Endocrine Society reserva testosterona para homens com sintomas e níveis inequivocamente baixos confirmados em exames repetidos. O objetivo clínico é restaurar a faixa fisiológica, não sustentar um conjunto de vários andrógenos em doses suprafisiológicas.</p><h2>MENT a 150 mg: a perda de motivação mudou o plano</h2><p>O número mais revelador não foi o que entrou, mas o que saiu. Leandro descreveu redução da vontade de cozinhar e de realizar atividades que normalmente lhe davam prazer. Não relatou agressividade. A sensação foi de apatia e perda de iniciativa. Donaire havia começado com 150 mg por semana e cogitava chegar a 300 mg, mas decidiu interromper o MENT antes de aumentar.</p><p>Essa decisão mostra um critério concreto: se o recurso piora o funcionamento mental durante uma fase em que o atleta deveria treinar, comer e viver bem, o ganho de densidade não compensa. MENT, também chamado de trestolona, é um andrógeno sintético potente estudado experimentalmente como contraceptivo masculino. Em um ensaio com implantes, reduziu testosterona endógena em 93%, LH em 97% e FSH em 95% nos grupos de maior exposição. Esses dados não validam o uso de 150 mg por semana para fisiculturismo e deixam claro o grau de supressão do eixo.</p><p>A fala não prova que o MENT causou a apatia. O protocolo continha várias drogas e não houve retirada controlada. Mesmo assim, reconhecer a mudança comportamental e recuar foi mais responsável do que normalizar o sintoma.</p><h2>Trembolona a cada 12 horas: o físico não pagou a conta mental</h2><p>Uma tentativa anterior usou trembolona a cada 12 horas. O resultado foi considerado ruim porque o estado mental se deteriorou. A avaliação não ficou restrita à percepção do próprio atleta. Pessoas próximas notaram a mudança, enquanto ele dizia estar bem.</p><p>Essa é uma lição prática importante para qualquer acompanhamento: alteração de humor pode ser mais visível para quem convive com o atleta. Ensaios controlados com esteroides mostram, em média, um aumento pequeno de agressividade autorrelatada, mas doses e combinações de palco são muito diferentes das estudadas. A literatura também associa uso prolongado a transtornos de humor, dependência e sintomas de abstinência. Não existe base para prever com segurança quem terá uma reação intensa.</p><p>Na preparação seguinte, a estratégia foi reduzir a exposição. Uma passagem cita 700 mg por semana, mas não identifica com segurança qual composto estava sendo quantificado. Por isso, esse número não pode ser transformado em dose de trembolona ou de testosterona.</p><h2>GH de 8 para 12 UI e insulina limitada a 30 UI</h2><p>O off-season atual usa 8 UI de GH por dia. Donaire relatou períodos anteriores com 12 UI e considerou voltar a esse patamar em momentos específicos. Em outro trecho surgiu 14 UI como máximo, mas a atribuição ficou contraditória sobre quem havia usado essa quantidade. O valor repetido e claramente atribuído ao planejamento de Leandro foi 12 UI.</p><p>A insulina rápida está em 15 UI por dia, distribuída entre pré e pós-treino. O maior total já usado com Leandro foi 30 UI por dia, sempre de ação rápida. A proposta seguinte foi evitar o uso diário: aumentar calorias, GH e insulina nos dias de treino de inferiores, prioridade atual do físico, e segurar calorias nos demais dias.</p><p>Isso descreve a lógica do treinador, mas não torna a estratégia segura. Insulina rápida começa a agir em aproximadamente 15 minutos. Uma dose maior do que a necessidade pode causar hipoglicemia, confusão, convulsão, coma e morte. Há relato médico publicado de um fisiculturista de 30 anos que chegou em coma por hipoglicemia grave após uso oculto de insulina e precisou de infusões repetidas de glicose.</p><p>O GH também não entrega apenas massa magra. Em ensaio randomizado com atletas recreacionais, 2 mg por dia reduziram gordura e aumentaram massa magra, mas parte do aumento veio de água extracelular. Força, salto e capacidade aeróbica não melhoraram de forma significativa. Edema, dor articular, síndrome do túnel do carpo, resistência à insulina e diabetes aparecem entre os riscos prováveis do excesso de GH.</p><h2>Menos comida funcionou melhor para um físico de 140 kg</h2><p>Leandro chegou a manter seis refeições com aproximadamente 300 a 350 g de arroz e pouco mais de 200 g de alimento proteico em cada uma. O peso do alimento proteico não deve ser confundido com 200 g do macronutriente proteína. A dieta foi elevada em cerca de 30%, mas o físico não evoluiu na mesma direção.</p><p>A resposta foi reduzir a pressão digestiva. No off-season atual, ele continuava perto de 140 kg, com menos comida, menos fármacos e aparência mais sólida. O objetivo deixou de ser simplesmente empilhar calorias. Passou a ser digerir, absorver, treinar bem e preservar o trato gastrointestinal para uma carreira Open.</p><p>O treinador relatou exames a cada três meses e investigação das idas frequentes ao banheiro. Esse intervalo é um dado concreto do acompanhamento, mas “exames 100%” não eliminam risco cardiovascular, renal ou psiquiátrico. Em uma coorte dinamarquesa, usuários identificados de esteroides tiveram mortalidade significativamente maior que controles. Outra coorte sueca encontrou o dobro da taxa combinada de morbidade e mortalidade cardiovascular entre homens que testaram positivo para anabolizantes.</p><h2>Teste de sensibilidade alimentar exige cautela</h2><p>O acompanhamento incluiu um painel de “hipersensibilidade alimentar” para orientar trocas na dieta. A validade depende do método. Testes de IgG ou IgG4 vendidos como diagnóstico de intolerância não são recomendados pela American Academy of Allergy, Asthma &amp; Immunology. A presença de IgG pode refletir apenas contato ou tolerância ao alimento.</p><p>Diarreia, distensão, dor, refluxo ou perda de desempenho digestivo merecem investigação clínica. Isso pode envolver histórico alimentar, exclusões direcionadas, testes validados para condições específicas e avaliação gastroenterológica. Retirar dezenas de alimentos com base apenas em um painel de IgG pode aumentar restrições sem resolver a causa.</p><h2>Duas ou três séries válidas, não duas séries totais</h2><p>O treino reduziu o volume em relação ao que Leandro fazia, mas não virou um protocolo minimalista improvisado. Cada exercício inclui várias séries preparatórias de 3 a 4 repetições para reconhecer a carga sem acumular fadiga. Depois entram 2 a 3 séries válidas. No supino descrito, foram aproximadamente 10 a 12 repetições controladas, com ajuda apenas para manter o movimento quando a velocidade começava a cair.</p><p>As regras operacionais foram estas:</p><ul><li><p>manter carga alta sem sacrificar a trajetória</p></li><li><p>conduzir a repetição, em vez de apenas empurrar o peso</p></li><li><p>contar como volume produtivo as séries próximas da falha</p></li><li><p>reduzir volume quando a recuperação piorar, preservando intensidade</p></li><li><p>na semana final, diminuir inflamação do treino para evitar retenção de água</p></li></ul><p>Leandro relatou ficar sem dor após a mudança. Isso não prova superioridade universal de baixo volume. Meta-análises mostram que chegar à falha absoluta não é obrigatório para hipertrofia e que séries próximas da falha podem funcionar em diferentes faixas de repetição. Para um atleta avançado, o benefício prático foi controlar fadiga e manter qualidade em cada repetição.</p><h2>Peptídeos citados não faziam parte do protocolo atual</h2><p>Donaire destacou HGH Frag 176-191 e IGF-1 LR3 como recursos que gostaria de usar se encontrasse procedência confiável. Ele associou experiências pessoais anteriores com IGF-1 LR3 a menor necessidade de insulina. Nenhum dos dois, porém, havia sido usado na preparação atual de Leandro.</p><p>Esse limite é essencial. HGH Frag e IGF-1 LR3 circulam em protocolos informais com evidência humana muito menor do que a propaganda sugere. A lista de substâncias proibidas da WADA inclui GH, seus fragmentos e fatores de crescimento relacionados ao eixo GH-IGF-1. Produto clandestino ainda acrescenta risco de concentração errada, contaminação e substância diferente do rótulo.</p><h2>O que não deve virar protocolo para iniciante</h2><p>Ao responder sobre um segundo ciclo, os participantes citaram testosterona com Deca de farmácia e lembraram apresentações de 50 mg. Faltaram diagnóstico, dose total, duração, fertilidade, pressão arterial, hematócrito, lipídios, função cardíaca e plano de interrupção. Portanto, essa passagem não sustenta uma orientação segura.</p><p>Também houve palpites sobre o que outros atletas usariam, incluindo números extremos. Palpite não é prontuário. Essas estimativas não servem para inferir dose real, resultado ou risco de terceiros e foram excluídas da análise do protocolo de Leandro.</p><h2>Conclusão</h2><p>Leandro Peres e Donaire abriram um protocolo raro em nível de detalhe: 750 mg de testosterona, 450 mg de NPP, 150 mg de MENT, 50 mg de oximetolona antes do treino, 8 UI de GH e 15 UI de insulina rápida. Mais útil do que decorar a tabela é observar as correções. O MENT saiu por apatia. A trembolona frequente saiu por impacto mental. A comida baixou depois de um aumento de 30% não produzir evolução. O treino passou a separar aquecimento de séries realmente válidas.</p><p>O caso também desmonta a ideia de que acompanhamento e exames transformam doses suprafisiológicas em prática segura. Monitorar pode detectar problemas e orientar recuos. Não apaga os riscos de polifarmácia, hipoglicemia, supressão hormonal, doença cardiovascular e efeitos psiquiátricos. Este material é informativo e não substitui avaliação médica individual.</p><h2>FAQ</h2><h3>Qual protocolo Leandro Peres relatou no off-season?</h3><p>Foram citados 750 mg de enantato de testosterona por semana, 450 mg de NPP por semana, 150 mg de MENT por semana, 50 mg de Hemogenin no pré-treino, 8 UI de GH por dia e 15 UI de insulina rápida por dia.</p><h3>Por que o MENT seria retirado?</h3><p>Leandro percebeu apatia e menor vontade de realizar atividades de que gostava. O treinador desistiu de subir de 150 para 300 mg e decidiu trocar o composto, porque o desconforto mental não compensava a densidade percebida.</p><h3>Qual foi o máximo de GH e insulina citado?</h3><p>O planejamento de Leandro repetiu 12 UI de GH por dia como máximo usado em determinados períodos. A insulina chegou a 30 UI por dia, sempre de ação rápida. No off-season atual, os valores eram 8 UI de GH e 15 UI de insulina.</p><h3>Como ficou o treino com menos volume?</h3><p>Entraram várias séries preparatórias de 3 a 4 repetições e depois 2 a 3 séries válidas. No exemplo do supino, Leandro fez aproximadamente 10 a 12 repetições controladas, com carga alta e trajetória conduzida.</p><h3>Os peptídeos HGH Frag e IGF-1 LR3 estavam em uso?</h3><p>Não. Eles foram citados como possibilidades futuras e como experiências anteriores de Donaire, mas não faziam parte da preparação atual de Leandro.</p><h2>Referências</h2><ol><li><p>MONSTER CAST. Leandro Peres &amp; Donaire - Protocolos Open + Resenha. YouTube, 5 set. 2025. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.youtube.com/live/gGq8fX8Ll7s">https://www.youtube.com/live/gGq8fX8Ll7s</a>. Acesso em: 8 ago. 2026.</p></li><li><p>POPE, Harrison G. Jr. et al. Adverse health consequences of performance-enhancing drugs: an Endocrine Society scientific statement. <em>Endocrine Reviews</em>, 2014. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC4026349/">https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC4026349/</a>. Acesso em: 8 ago. 2026.</p></li><li><p>BHASIN, Shalender et al. Testosterone therapy in men with hypogonadism: an Endocrine Society clinical practice guideline. <em>The Journal of Clinical Endocrinology &amp; Metabolism</em>, 2018. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/29562364/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/29562364/</a>. Acesso em: 8 ago. 2026.</p></li><li><p>NOÉ, G. et al. Gonadotrophin and testosterone suppression by 7alpha-methyl-19-nortestosterone acetate administered by subdermal implant to healthy men. <em>Human Reproduction</em>, 1999. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/10469681/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/10469681/</a>. Acesso em: 8 ago. 2026.</p></li><li><p>WINDFELD-MATHIASEN, Josefine et al. Mortality among users of anabolic steroids. <em>JAMA</em>, 2024. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC10941020/">https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC10941020/</a>. Acesso em: 8 ago. 2026.</p></li><li><p>THIBLIN, Ingemar et al. Anabolic steroids and cardiovascular risk: a national population-based cohort study. <em>Drug and Alcohol Dependence</em>, 2015. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/26005042/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/26005042/</a>. Acesso em: 8 ago. 2026.</p></li><li><p>CHEGENI, Rahman et al. 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Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.fda.gov/drugs/emergency-preparedness-drugs/information-regarding-insulin-storage-and-switching-between-products-emergency">https://www.fda.gov/drugs/emergency-preparedness-drugs/information-regarding-insulin-storage-and-switching-between-products-emergency</a>. Acesso em: 8 ago. 2026.</p></li><li><p>MEINHARDT, Udo et al. The effects of growth hormone on body composition and physical performance in recreational athletes: a randomized trial. <em>Annals of Internal Medicine</em>, 2010. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/20439575/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/20439575/</a>. Acesso em: 8 ago. 2026.</p></li><li><p>REFALO, Martin C. et al. Influence of resistance training proximity-to-failure on skeletal muscle hypertrophy: a systematic review with meta-analysis. <em>Sports Medicine</em>, 2023. 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<p><img src="https://cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2026_08/andrew-huberman-escrevendo-livro-protocols-capa.webp.5c5aab485a370d8bc9b46de3ccf7d955.webp" /></p>
<p>Andrew Huberman não construiu sua carreira a partir de uma rotina perfeita. Aos 14 ou 15 anos, passou por um programa residencial fechado depois de abandonar aulas, entrar em conflitos e se perder durante o divórcio conturbado dos pais. Aos 18 anos, dormia em carros e quartos emprestados, tinha um primeiro ano universitário desastroso e continuava se envolvendo em brigas.</p><p>Em “Andrew Huberman: You Must Control Your Dopamine! The Shocking Truth Behind Cold Showers!”, entrevista concedida ao canal The Diary of a CEO, o neurocientista liga essa história aos protocolos que se tornaram sua marca. A tese é concreta: mudar exige atenção, esforço e recuperação. Frio, cafeína e estímulos intensos podem deslocar o estado do corpo por algum tempo, mas não substituem sono, trabalho consistente, alimentação, vínculos e capacidade de atravessar períodos de baixa energia.</p><h2>A carta de 4 de julho de 1994</h2><p>O ponto de virada aconteceu depois de uma briga em uma festa, em 4 de julho de 1994. Huberman voltou para o lugar onde estava hospedado e escreveu duas cartas, uma para os pais e outra para si mesmo. Nelas, decidiu parar de atribuir sua direção ao caos familiar e assumir responsabilidade pela vida que levaria dali em diante.</p><p>Ele não largou a universidade definitivamente. Pediu afastamento, voltou para a casa da família, trabalhou como ajudante de garçom e cursou uma faculdade comunitária. Corrida e musculação permaneceram na agenda aproximadamente três vezes por semana cada. Um ano depois, retornou à universidade, passou a viver sozinho e concentrou a rotina em estudo, treino e trabalho. As notas ruins deram lugar a uma sequência de notas máximas, graduação com honras, mestrado em Berkeley, doutorado, pós-doutorado e, mais tarde, um laboratório em Stanford.</p><p>A mudança não foi um surto de motivação de uma semana. Ela ganhou forma em decisões verificáveis: afastar-se do ambiente que reforçava o comportamento antigo, manter uma base física, reduzir distrações e transformar o aprendizado em ocupação principal.</p><h2>Neuroplasticidade adulta exige três etapas</h2><p>Até aproximadamente os 25 anos, experiências passivas moldam o sistema nervoso com mais facilidade. Esse número não funciona como uma porta que se fecha no aniversário. Ele marca uma transição gradual. Depois disso, adultos continuam capazes de aprender e alterar padrões, mas a mudança tende a exigir três condições:</p><ol><li><p><strong>Alerta:</strong> o cérebro precisa reconhecer que aquela experiência importa.</p></li><li><p><strong>Foco:</strong> a atenção deve permanecer sobre a habilidade, informação ou comportamento que se deseja consolidar.</p></li><li><p><strong>Repouso:</strong> sono e descanso posterior participam da estabilização das conexões modificadas pelo aprendizado.</p></li></ol><p>Ouvir uma aula ao fundo enquanto se faz outra coisa não produz o mesmo ambiente de aprendizado que prestar atenção ativa. O esforço ocorre durante a prática, mas parte da consolidação acontece depois. Estudos em humanos mostram que privação de sono prejudica atenção, memória de trabalho e a capacidade de induzir plasticidade semelhante à potenciação de longo prazo.</p><h2>Para quebrar um hábito, ataque a história que o sustenta</h2><p>Um comportamento repetido costuma vir acompanhado de uma narrativa: “sou desorganizado”, “nunca fui disciplinado” ou “minha família sempre foi assim”. A proposta de Huberman não é repetir uma afirmação positiva até acreditar nela. É interromper a fluência da história antiga.</p><p>O exercício apresentado é escrever uma página inteira defendendo a narrativa oposta. Uma pessoa que se considera bagunceira escreveria sobre as ocasiões em que foi organizada, as condições em que consegue guardar objetos e as razões pelas quais a desordem não precisa ser permanente. O texto parecerá artificial no começo. Esse desconforto obriga a atenção a examinar as exceções e cria uma pergunta nova antes do comportamento automático.</p><p>Bilhetes colados no espelho e alarmes perdem efeito quando deixam de ser novidade. O contraditório escrito funciona de outro modo: ele não lembra apenas uma tarefa, mas questiona a identidade usada para justificar o padrão. A ação seguinte continua necessária. A página não arruma a casa sozinha, mas pode abrir o intervalo no qual a pessoa decide guardar o objeto em vez de largá-lo.</p><h2>Dopamina não é prazer infinito</h2><p>Dopamina participa mais da motivação, antecipação e busca do que do prazer isolado. A analogia usada é a de uma piscina de ondas. Um pico muito alto é seguido por uma queda. Tentar escapar dessa queda com outro estímulo intenso pode aprofundar o vale e elevar a quantidade necessária para sentir o mesmo impulso.</p><p>Isso não significa eliminar festas, sexo, música, comida saborosa ou grandes metas. Significa parar de tratar cada redução de energia como defeito que precisa ser imediatamente coberto por cafeína, telas ou outro pico. Huberman relata que consegue sustentar cerca de 12 horas de trabalho por dia, cinco ou seis dias por semana, e precisa de um dia inteiro de folga. Esse é o limite pessoal dele, não um protocolo universal. A regra transferível é descobrir o volume que pode ser repetido durante quatro ou cinco anos e evitar desvios muito maiores que aproximadamente 15% a 20% desse ritmo.</p><h2>O protocolo matinal descrito na entrevista</h2><p>A sequência apresentada pode ser organizada assim:</p><ol><li><p><strong>Durma o suficiente para você.</strong> A faixa pessoal citada varia de seis a oito horas. A necessidade deve ser julgada também por descanso, funcionamento diurno e regularidade, não por orgulho de dormir pouco.</p></li><li><p><strong>Se acordar sem recuperação, faça 10 a 30 minutos de NSDR ou yoga nidra.</strong> A prática é feita deitado ou sentado, com olhos fechados, expirações longas e varredura consciente do corpo. A instrução é permanecer acordado, embora adormecer não invalide o repouso.</p></li><li><p><strong>Beba entre 473 e 946 mL de água.</strong> Essa é a conversão brasileira das 16 a 32 onças citadas.</p></li><li><p><strong>Procure luz natural cedo.</strong> Em manhã clara, a sugestão é ficar de 5 a 10 minutos ao ar livre. Não é necessário encarar o disco solar. Em dia nublado, o tempo pode precisar ser maior porque a iluminância é menor.</p></li><li><p><strong>Movimente o corpo.</strong> Cinco minutos pulando corda, caminhando, correndo parado ou movimentando os braços já funcionam como sinal de vigília. O treino completo pode ocorrer em outro horário se isso melhorar a constância.</p></li><li><p><strong>Use cafeína conforme tolerância.</strong> Ele prefere luz e exercício antes do café, mas reconhece que não existe regra proibindo café ou chá logo ao acordar.</p></li></ol><p>O efeito de 65% sobre dopamina citado para yoga nidra vem de um pequeno experimento de 2002 com oito praticantes, medido por PET no estriado ventral. O resultado é interessante, mas não prova que qualquer áudio de NSDR “recarrega” dopamina na mesma magnitude. Uma evidência mais prática vem de um ensaio com meditação guiada: 13 minutos por dia durante oito semanas melhoraram atenção, memória de trabalho, humor e resposta de ansiedade em adultos sem experiência. Quatro semanas não foram suficientes para reproduzir todos esses benefícios.</p><h2>Luz, turnos e regularidade</h2><p>Sair pela manhã fornece ao relógio circadiano um sinal muito mais intenso do que a iluminação doméstica. A luz não precisa chegar da direção do nascer do sol. O que importa é receber luz ambiente externa nos olhos, sem olhar diretamente para o sol nem adotar práticas que ofereçam risco ocular.</p><p>Para trabalhadores em turnos, alternar dias e noites a cada poucos dias é apresentado como o pior cenário. Quando houver margem de negociação, a recomendação é manter o mesmo horário por pelo menos duas semanas antes de trocar. Refeições e exercícios em horários regulares também funcionam como sinais temporais. Uma revisão de revisões confirma que trabalho em turnos se associa a vários desfechos adversos, embora a intensidade da evidência varie conforme a doença e o desenho dos estudos.</p><h2>Exercício, alimentação e energia ao longo do dia</h2><p>O mínimo operacional citado é musculação duas ou três vezes por semana, combinada com treinamento cardiovascular. O horário fica subordinado à adesão. Treinar cedo pode elevar estado de alerta, mas um pré-treino tomado tarde perde valor se prejudicar o sono.</p><p>Na alimentação, Huberman descreve uma intervenção que usou informalmente com amigos que carregavam entre 13,6 e 27,2 kg de excesso de peso. Durante alguns meses, eles comeram carne, peixe, ovos, frango, frutas e vegetais, beberam água e cafeína e retiraram calorias líquidas. Segundo o relato, perderam de 13,6 a 27,2 kg e mantiveram a redução. Isso não é ensaio clínico nem demonstra superioridade dessa lista sobre outras dietas. O mecanismo mais provável foi déficit calórico facilitado por alimentos saciantes e menos ultraprocessados.</p><p>Um ensaio controlado do NIH ajuda a testar esse mecanismo. Vinte adultos receberam por duas semanas uma dieta ultraprocessada e por duas semanas uma dieta não processada, com oferta semelhante de calorias, macronutrientes, açúcar, sódio e fibras. Na fase ultraprocessada, consumiram em média 508 kcal extras por dia e ganharam 0,9 kg. Na fase não processada, perderam 0,9 kg.</p><p>A rotina pessoal descrita inclui jejum até aproximadamente 11h ou meio-dia, treino pela manhã, almoço com carne, salada e pequena porção de aveia ou arroz, seguido por jantar entre 19h e 20h com mais carboidrato e menos proteína. Essa distribuição melhora o sono dele, mas não é apresentada como regra. Pessoas com diabetes, histórico de transtorno alimentar, uso de medicamentos ou demandas esportivas específicas precisam individualizar horários e composição com um profissional.</p><h2>Frio: use a menor dose que altere o estado</h2><p>Banho frio e imersão são tratados como ferramentas para aumentar alerta e motivação, não como solução importante para emagrecimento. A orientação concreta é usar o mínimo necessário para perceber mudança de estado. Isso pode significar 30 segundos, um minuto ou até três minutos, interrompendo antes de transformar desconforto controlado em exposição imprudente.</p><p>O exemplo de erro foi um amigo que permaneceu 30 minutos em água fria, adoeceu e passou a se sentir abatido. Mais não foi melhor. Exposição intensa pode provocar choque térmico, hiperventilação, arritmia e perda de coordenação. Pessoas com doença cardiovascular ou outras condições clínicas devem conversar com um médico antes de tentar imersões frias.</p><p>A evidência também pede linguagem mais cuidadosa que a frase “grande aumento de dopamina”. Em um estudo com homens jovens, uma hora de imersão a 14 °C quadruplicou a noradrenalina, elevou discretamente a pressão e não aumentou significativamente dopamina ou adrenalina. O protocolo foi muito mais longo que o banho sugerido na entrevista, portanto não permite calcular o efeito de 30 segundos a três minutos. Ele confirma forte ativação simpática, mas não autoriza prometer um pico específico de dopamina.</p><h2>Um método simples para capturar ideias</h2><p>Criatividade não depende de esperar inspiração. Huberman mantém um caderno como “modo de captura” e revisa as anotações no fim de cada semana ou durante viagens. As ideias que continuam interessantes são desenvolvidas. As demais podem morrer sem ocupar a agenda.</p><p>Ele ainda descreve quatro formas de criar espaço para ideias:</p><ul><li><p>permanecer com o corpo imóvel e pensar em frases completas</p></li><li><p>fazer meditação de monitoramento aberto, observando estímulos sem fixar a atenção apenas na respiração</p></li><li><p>caminhar ou correr sem áudio e sem tarefa mental definida</p></li><li><p>escrever uma pergunta antes de dormir e registrar associações que apareçam depois</p></li></ul><p>A prática pessoal inclui uma corrida leve de 60 a 90 minutos aos domingos. Já o ensaio de Basso e colegas usou 13 minutos diários de meditação por oito semanas. Esses números pertencem a estratégias diferentes e não devem ser misturados como se formassem uma receita obrigatória.</p><h2>Pornografia, estímulo sem esforço e abstinência</h2><p>Pornografia aparece como exemplo de recompensa intensa, acessível e pouco precedida por esforço. A hipótese é que repetição e novidade elevem o limiar de estímulo necessário para excitação e afastem o usuário das habilidades exigidas por relações reais, como conversa, consentimento, tolerância à frustração e intimidade.</p><p>Para pessoas que reconhecem prejuízo, compulsão ou disfunção sexual, a proposta é um período de abstinência ou forte redução, acompanhado pela construção de relações e atividades fora da tela. A entrevista não fornece duração padronizada nem ensaio clínico que permita prescrever “detox de dopamina”. Também reconhece que consumo e impacto variam entre pessoas. Quando há perda de controle, sofrimento ou prejuízo funcional, avaliação com psicólogo, psiquiatra ou terapeuta sexual é mais responsável do que transformar abstinência em desafio de internet.</p><h2>A crise pública mostrou o protocolo menos tecnológico</h2><p>Ao comentar acusações e críticas recebidas em 2024, Huberman descreve três respostas possíveis: contestar, permanecer em silêncio ou concordar. A escolha madura pode combinar as três, reconhecendo erros reais, recusando afirmações falsas e evitando transformar questões privadas em espetáculo público.</p><p>Nesse período, as ferramentas fisiológicas ajudaram a preservar sono e funcionamento, mas não resolveram a situação. O apoio veio de um grupo pequeno de amigos, familiares e colegas capazes de oferecer opiniões diferentes sem transformar a decisão em votação. O aprendizado é escolher poucas pessoas confiáveis, escutar o suficiente para enxergar melhor e então decidir de acordo com consciência e valores.</p><h2>A mensagem de bom-dia pode ser o protocolo mais importante</h2><p>Huberman mantém uma lista de aproximadamente 30 pessoas importantes. Dentro dela, há um núcleo de 10 a 15 amigos com quem procura falar diariamente ou ao menos toda semana. A qualidade do vínculo vale mais que frequência perfeita. Uma conversa de 10 minutos pode ter mais peso que horas de convivência distraída.</p><p>O gesto sugerido é pequeno: enviar uma mensagem de bom-dia, perguntar como a pessoa dormiu e repetir isso com constância. Quem tem dificuldade para fazer amigos pode começar por interesses compartilhados, grupos de corrida, voluntariado ou programas gratuitos de apoio a dependências.</p><p>Essa parte não é apenas sentimental. Uma meta-análise de 90 estudos prospectivos, com 2.205.199 participantes, associou isolamento social a risco 32% maior de morte por todas as causas e solidão a risco 14% maior. Estudos observacionais não provam que uma mensagem matinal prolongará a vida. Eles mostram que vínculo social merece lugar ao lado de sono, treino e alimentação quando se fala em saúde.</p><h2>O livro <em>Protocols</em> mudou de data</h2><p>Na entrevista, <em>Protocols: An Operating Manual for the Human Body</em> era anunciado para 22 de abril de 2025. O lançamento não ocorreu naquela data. A página oficial do Huberman Lab informa agora <strong>15 de setembro de 2026</strong>. O livro continua em pré-venda e promete reunir ferramentas para sono, exercício, estresse, foco, motivação, nutrição e criatividade.</p><p>Essa atualização importa porque uma matéria útil não deve repetir um calendário antigo como se ainda fosse atual. Também combina com a própria proposta do livro: protocolos precisam ser revisados quando surgem dados novos, quando a realidade muda ou quando a aplicação prática revela limites.</p><h2>Conclusão</h2><p>A trajetória de Andrew Huberman não prova que qualquer pessoa pode resolver sofrimento com banho frio e disciplina. Ela mostra algo mais interessante. Aos 18 anos, ele mudou ambiente, rotina e responsabilidade. Décadas depois, continua usando sono, exercício, escrita, repouso e vínculos para sustentar trabalho e atravessar crises.</p><p>Os protocolos mais sólidos não são espetaculares: 5 a 10 minutos de luz matinal quando o dia está claro, 10 a 30 minutos de NSDR quando o sono foi insuficiente, 473 a 946 mL de água, duas ou três sessões semanais de musculação, alimentos menos processados, anotações revisadas e contato regular com pessoas confiáveis. Frio e cafeína podem alterar o estado. Amizade, descanso e constância é que tornam esse estado aproveitável.</p><h2>FAQ</h2><h3>É possível mudar o cérebro depois dos 25 anos?</h3><p>Sim. A plasticidade continua durante a vida adulta. O aprendizado tende a exigir atenção e alerta durante a prática, seguidos por sono e repouso capazes de consolidar a mudança.</p><h3>Quanto tempo de luz matinal foi recomendado?</h3><p>Em manhã clara, a sugestão foi de 5 a 10 minutos ao ar livre. Em dia nublado, pode ser necessário mais tempo. Não se deve olhar diretamente para o sol.</p><h3>Quanto tempo de NSDR deve ser feito?</h3><p>A faixa apresentada foi de 10 a 30 minutos quando a pessoa acorda sem se sentir recuperada. Protocolos mais longos existem, mas a duração deve caber na rotina e não substitui tratamento de distúrbios do sono.</p><h3>Banho frio aumenta dopamina?</h3><p>O frio ativa fortemente o sistema simpático e pode elevar noradrenalina. A evidência direta não permite prometer um aumento específico de dopamina com banhos de 30 segundos a três minutos. A orientação é usar a menor exposição capaz de aumentar alerta, com segurança.</p><h3>Qual dieta Huberman descreveu para perda de peso?</h3><p>O relato informal restringiu a alimentação a carnes, peixes, ovos, frango, frutas e vegetais, com água e cafeína sem calorias. Não foi um ensaio clínico. A parte sustentada por melhor evidência é reduzir ultraprocessados e facilitar déficit calórico com alimentos mais saciantes.</p><h3>Quando o livro <em>Protocols</em> será lançado?</h3><p>A página oficial informa lançamento em 15 de setembro de 2026. A data anunciada na entrevista de 2024, 22 de abril de 2025, foi adiada.</p><h2>Referências</h2><ol><li><p>THE DIARY OF A CEO. Andrew Huberman: You Must Control Your Dopamine! The Shocking Truth Behind Cold Showers! [S. l.], 29 ago. 2024. YouTube. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.youtube.com/watch?v=jSqCL7Npln0">https://www.youtube.com/watch?v=jSqCL7Npln0</a>. Acesso em: 3 ago. 2026.</p></li><li><p>HUBERMAN LAB. When will Protocols be released? [S. l.], 2026. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.hubermanlab.com/faq/when-will-protocols-be-released">https://www.hubermanlab.com/faq/when-will-protocols-be-released</a>. Acesso em: 3 ago. 2026.</p></li><li><p>KJAER, Troels W. et al. Increased dopamine tone during meditation-induced change of consciousness. Cognitive Brain Research, v. 13, n. 2, p. 255-259, 2002. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/11958969/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/11958969/</a>. Acesso em: 3 ago. 2026.</p></li><li><p>BASSO, Julia C. et al. Brief, daily meditation enhances attention, memory, mood, and emotional regulation in non-experienced meditators. Behavioural Brain Research, v. 356, p. 208-220, 2019. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30153464/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30153464/</a>. Acesso em: 3 ago. 2026.</p></li><li><p>SALEHINEJAD, Mohammad Ali et al. Sleep-dependent upscaled excitability, saturated neuroplasticity, and modulated cognition in the human brain. eLife, v. 11, e69308, 2022. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/35666097/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/35666097/</a>. Acesso em: 3 ago. 2026.</p></li><li><p>HALL, Kevin D. et al. Ultra-Processed Diets Cause Excess Calorie Intake and Weight Gain. Cell Metabolism, v. 30, n. 1, p. 67-77, 2019. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31105044/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31105044/</a>. Acesso em: 3 ago. 2026.</p></li><li><p>JANSKÝ, L. et al. Change in sympathetic activity, cardiovascular functions and plasma hormone concentrations due to cold water immersion in men. European Journal of Applied Physiology, v. 74, p. 148-152, 1996. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/8891513/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/8891513/</a>. Acesso em: 3 ago. 2026.</p></li><li><p>WU, Qi-Jun et al. Shift work and health outcomes: an umbrella review of systematic reviews and meta-analyses of epidemiological studies. Journal of Clinical Sleep Medicine, v. 18, n. 2, p. 653-662, 2022. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34473048/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34473048/</a>. Acesso em: 3 ago. 2026.</p></li><li><p>WANG, Fan et al. A systematic review and meta-analysis of 90 cohort studies of social isolation, loneliness and mortality. Nature Human Behaviour, v. 7, p. 1307-1319, 2023. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37337095/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37337095/</a>. Acesso em: 3 ago. 2026.</p></li></ol>]]></description><guid isPermaLink="false">1147</guid><pubDate>Mon, 03 Aug 2026 18:11:00 +0000</pubDate></item><item><title>Leonardo Beguine: suplementos sem mitos e sem desperd&#xED;cio</title><link>https://fisiculturismo.com.br/mat%C3%A9rias/gente/leonardo-beguine-suplementos-sem-mitos-e-sem-desperd%C3%ADcio-r1145/</link><description><![CDATA[
<p><img src="https://cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2026_08/leonardo-beguine-aula-universidade-tecnologica-capa-v2.webp.4197f63b5a4e22a7d614266667adab2c.webp" /></p>
<p>Suplemento bom não compensa treino ruim, sono curto nem dieta que não cabe na rotina. Em “Episódio 11 - Suplementos alimentares”, do Saúde &amp; Hipertrofia Podcast, o nutricionista esportivo Leonardo Beguine desmonta a expectativa de transformação rápida e trata creatina, beta-alanina, cafeína e whey como ferramentas de efeito pequeno, porém útil, quando a indicação e a dose fazem sentido.</p><p>A aula tem números, situações de consultório e critérios que permitem sair da propaganda. A creatina aparece com manutenção diária de 3 a 5 g. A beta-alanina exige uso contínuo, não apenas uma dose antes do treino. A cafeína precisa respeitar sensibilidade, horário e saúde cardiovascular. O whey entra por praticidade, e não por ser superior ao alimento.</p><h2>Da Espanha ao consultório de quem tem vida corrida</h2><p>Beguine concluiu nutrição em 2016 na antiga Universidade do Sagrado Coração, em Bauru. Durante a graduação, tornou-se o primeiro aluno da cidade, segundo seu relato, a cursar parte da formação fora do país. Na Universidade Católica de Múrcia, na Espanha, estudou a relação entre nutrição, treinamento e modalidades que iam do alpinismo ao balé.</p><p>De volta ao Brasil, fez pós-graduação em fisiculturismo por volta de 2018 e chegou a iniciar uma preparação competitiva em janeiro de 2020. A pandemia fechou academias e cancelou campeonatos justamente quando a preparação entraria no cutting. Ele interrompeu treino, ergogênicos e o projeto de palco. A queda de cabelo também pesou na decisão de não retomar a experiência.</p><p>Essa mudança definiu seu público. O conhecimento do fisiculturismo passou a ser aplicado principalmente a pessoas que trabalham, estudam, cuidam da família e têm pouco tempo para treinar. A dieta precisa ser financeiramente sustentável, e suplementos só entram quando resolvem um problema de praticidade ou entregam uma vantagem pequena, mas mensurável.</p><h2>Creatina: 3 a 5 g todos os dias</h2><p>A creatina participa da ressíntese rápida de ATP e tem maior contribuição nos esforços curtos e intensos. Na musculação, ela ajuda principalmente nas primeiras repetições de uma série. Corridas de 100 m, tiros curtos na piscina, levantamento de peso e momentos explosivos do CrossFit também se encaixam nessa lógica.</p><p>O protocolo apresentado tem duas opções:</p><ul><li><p><strong>Manutenção direta:</strong> 3 a 5 g por dia, inclusive nos dias sem treino.</p></li><li><p><strong>Saturação opcional:</strong> cerca de 0,3 g por kg de peso corporal por dia, durante 5 a 7 dias, divididos em várias tomadas. Depois, a dose cai para a manutenção diária.</p></li></ul><p>Uma pessoa de 80 kg chegaria a 24 g por dia na saturação. Isso não significa tomar 24 g de uma vez. A estratégia serve para encher os estoques mais rapidamente e não é obrigatória. Começar diretamente com 3 a 5 g diários produz o mesmo destino, apenas com uma subida mais gradual.</p><p>Beguine cita a saturação como recurso pontual para um atleta de luta que nunca havia usado creatina e estava próximo da competição. Quando existe tempo até a prova, ele prefere começar pela manutenção. O horário não muda o resultado de um suplemento de efeito crônico. A regra prática é tomar diariamente no horário mais fácil de lembrar.</p><p>A posição da International Society of Sports Nutrition confirma a segurança e a eficácia da creatina em pessoas saudáveis. Doença renal conhecida, hemodiálise ou insuficiência renal exigem avaliação médica individual. Também é importante não vender como certeza benefícios cognitivos que ainda dependem do perfil da população e do desenho do estudo.</p><h2>Descanso entre séries também determina o benefício</h2><p>Tomar creatina e descansar apenas 30 ou 40 segundos entre séries pesadas pode limitar a própria vantagem buscada. A aula usa como referência cerca de 2 a 3 minutos para recuperar boa parte dos estoques locais antes de repetir um esforço de força.</p><p>O exemplo prático é começar o treino pelos dois exercícios em que carga e desempenho importam mais, especialmente para o grupo muscular mais fraco. Técnicas como drop set, rest-pause e cluster aparecem depois, quando o objetivo passa a ser aumentar o volume em menos tempo. A creatina não determina essa organização, mas funciona melhor quando o treino permite produzir e repetir esforços intensos.</p><h2>Beta-alanina: uso crônico, não sensação de pinicar</h2><p>A beta-alanina aumenta a disponibilidade de carnosina muscular. A carnosina ajuda a tamponar íons de hidrogênio produzidos durante esforços intensos, retardando a queda do pH e a fadiga. O formigamento, chamado parestesia, é um efeito agudo. Ele não prova que o desempenho melhorou naquela sessão.</p><p>Beguine trabalha com 3 a 6 g por dia e orienta uso diário por cerca de três meses para perceber plenamente a diferença. O consenso científico mais citado usa uma faixa um pouco mais estreita: 4 a 6 g por dia por pelo menos 2 a 4 semanas já aumenta a carnosina e pode melhorar tarefas intensas, especialmente as que duram de 1 a 4 minutos. Três meses podem ampliar a saturação, mas não são um prazo mínimo obrigatório para qualquer efeito.</p><p>Quem sente muita parestesia pode dividir a dose. A posição da ISSN usa porções de até 1,6 g como exemplo para reduzir o desconforto. Essa divisão foi especialmente importante no caso relatado de um jovem nadador que sentiu tanta coceira que não conseguiu executar o treino normalmente.</p><p>O encaixe esportivo também importa. Séries de 6 a 8 repetições com 3 ou 4 minutos de descanso dependem menos desse mecanismo. CrossFit, provas com grande número de repetições e esforços intensos prolongados tendem a oferecer contexto mais favorável. Pré-treinos com uma quantidade pequena no rótulo não substituem automaticamente a dose diária. É preciso somar todas as fontes.</p><h2>Bicarbonato não deve estrear no dia da competição</h2><p>O bicarbonato de sódio também atua como agente tamponante, mas tem efeito agudo. Ele é reservado para treinos e provas específicos, não usado indiscriminadamente em qualquer sessão. Gases, arroto e desconforto gastrointestinal são problemas comuns. A ingestão de sódio ainda exige cautela em pessoas com hipertensão ou restrição médica.</p><p>A regra concreta é testar antes, ajustar a quantidade com profissional habilitado e nunca estrear a estratégia na prova. Fracionar e combinar com carboidrato pode reduzir desconfortos, mas a aula não fornece uma dose completa de bicarbonato. Sem protocolo individualizado, copiar apenas o ingrediente é uma forma fácil de prejudicar a competição.</p><h2>Cafeína: começar baixo vale mais do que “sentir bater”</h2><p>A cafeína bloqueia receptores de adenosina, aumenta o estado de alerta e pode melhorar resistência, força, velocidade e potência. Beguine cita 200 mg como uma dose comum de pré-treino e sugere começar com 100 ou 150 mg para quem ainda não conhece a própria resposta. Doses de 400 mg aparecem como altas para pessoas sensíveis, com relatos de ansiedade intensa, palpitação e piora do sono.</p><p>A literatura esportiva costuma calcular por peso corporal. A faixa com benefício mais consistente é de 3 a 6 mg por kg, tomada aproximadamente 60 minutos antes do exercício. Uma pessoa de 80 kg chegaria a 240 mg no limite inferior. Doses próximas de 9 mg por kg aumentam efeitos adversos sem mostrar vantagem adicional consistente. Isso explica por que começar baixo é mais inteligente do que copiar a cápsula usada por outra pessoa.</p><p>A meia-vida pode variar bastante entre indivíduos. A aula trabalha com uma faixa aproximada de 3 a 10 horas para explicar por que uma pessoa dorme após o café e outra atravessa a noite acordada. Genética, hábito, medicamentos e horário de uso alteram a resposta. Cafeína à tarde ou à noite pode criar um ciclo ruim: sono pior, cansaço no dia seguinte, nova dose para treinar e outra noite prejudicada.</p><p>Ela também não deve ser tratada como queimador de gordura. A estimativa apresentada é de até cerca de 100 kcal extras por dia em um cenário generoso, insuficiente para transformar o resultado sem déficit energético. O benefício indireto pode vir de treinar melhor. Hipertensão, arritmia, crise de pânico, ansiedade importante e uso de outros estimulantes pedem avaliação profissional.</p><h2>Whey concentrado, isolado ou hidrolisado</h2><p>Whey protein é proteína do soro do leite. O concentrado mantém lactose e parte da gordura. O isolado passa por processamento que reduz esses componentes e pode ser mais adequado para quem tem intolerância à lactose. O hidrolisado traz proteínas previamente quebradas em peptídeos menores e costuma ficar reservado a situações digestivas ou clínicas específicas.</p><p>Isolado não é “whey para emagrecer”, e hidrolisado não produz mais hipertrofia apenas por ser absorvido rapidamente. Para uma pessoa sem intolerância e com digestão normal, o concentrado pode cumprir o mesmo papel por um custo menor. Alergia à proteína do leite é diferente de intolerância à lactose. No primeiro caso, retirar apenas a lactose não resolve, porque a reação é às proteínas do leite.</p><p>A função principal é praticidade. Um policial que trabalha 12 horas dentro da viatura pode não conseguir comer uma marmita às 16h, mas consegue levar o pó, adicionar água e consumir 30 g de proteína. Quem já alcança entre 1,6 e 2,2 g de proteína por kg por dia com carne, frango, ovos, leite, iogurte, queijo ou fontes vegetais não precisa obrigatoriamente de whey para hipertrofiar.</p><h2>Como não comprar um hipercalórico fantasiado de whey</h2><p>Scoop não é unidade universal. O tamanho muda de produto para produto, e a porção declarada pode exigir duas, três ou quatro medidas. Por isso, a recomendação é pesar o pó em uma balança e conferir quantos gramas entregam a quantidade de proteína prevista na dieta.</p><p>Um exemplo citado mostra o tamanho da armadilha: certos produtos baratos entregam apenas 20 g de proteína em 120 g de pó. Outro compara uma bebida com 25 g de carboidrato e 12 g de proteína por porção. Em ambos os casos, a frente da embalagem pode sugerir proteína, mas a tabela revela um produto dominado por carboidrato.</p><p>O checklist de compra é direto:</p><ol><li><p>Leia quantos gramas formam a porção da tabela.</p></li><li><p>Confira quantos gramas de proteína e de carboidrato existem nessa porção.</p></li><li><p>Veja quantos scoops são necessários, mas pese o conteúdo quando quiser precisão.</p></li><li><p>Leia a lista de ingredientes, declarada em ordem decrescente de quantidade.</p></li><li><p>Desconfie quando trigo, soja, colágeno ou caseinato aparecem antes da proteína do soro em um produto vendido visualmente como whey.</p></li></ol><p>A Anvisa exige no rótulo a recomendação de uso, a quantidade e a frequência, a tabela nutricional, a lista de ingredientes e as declarações de alergênicos, glúten e lactose. A embalagem não substitui a leitura desses campos.</p><h2>Proteína diária, quatro refeições e comida de verdade</h2><p>A meta-análise de Morton e colaboradores encontrou um ponto de saturação próximo de 1,6 g de proteína por kg por dia para os ganhos de massa livre de gordura durante treinamento resistido. A aula usa de 1,6 a 2,2 g por kg como faixa prática e distribui a proteína em pelo menos quatro refeições, em vez de concentrar tudo no pós-treino.</p><p>Para um praticante de 80 kg, isso representa aproximadamente 128 a 176 g de proteína no dia. Dividir em quatro refeições produziria uma média de 32 a 44 g por refeição, embora a distribuição real possa variar conforme rotina, apetite e tamanho das refeições.</p><p>No bulking, exagerar para 3, 4 ou 5 g por kg encarece a dieta e ocupa espaço que poderia ser usado por carboidratos e gorduras. Para aumentar calorias sem criar um prato impossível de terminar, Beguine usa exemplos de maior densidade energética, como tapioca, suco de uva integral, azeite e pasta de amendoim. Whey e refeições líquidas entram quando mastigar mais comida virou o principal obstáculo.</p><h2>Proteína de soja não derruba testosterona</h2><p>Fitoestrógeno não é sinônimo de feminização. Uma meta-análise com 41 estudos clínicos não encontrou alteração significativa de testosterona total, testosterona livre, estradiol, estrona ou SHBG em homens que consumiram soja, proteína de soja ou isoflavonas. Trocar whey por proteína de soja, ervilha, arroz, carne ou albumina pode ser necessário em casos de alergia à proteína do leite, e a escolha deve considerar tolerância, perfil de aminoácidos, custo e praticidade.</p><h2>Conclusão</h2><p>A principal lição de Leonardo Beguine é econômica e fisiológica ao mesmo tempo: suplemento deve resolver um problema real. Creatina exige constância. Beta-alanina exige semanas de uso e dose suficiente. Cafeína exige respeito à sensibilidade e ao sono. Whey exige leitura de rótulo e só é necessário quando facilita atingir a proteína diária.</p><p>O efeito de cada produto é menor do que a propaganda costuma sugerir. Somados a treino coerente, alimentação sustentável e recuperação, esses pequenos ganhos podem importar. Usados para esconder dieta desorganizada, noite mal dormida ou falta de planejamento, viram apenas despesa.</p><h2>FAQ</h2><h3>Qual dose de creatina foi recomendada?</h3><p>A manutenção apresentada é de 3 a 5 g todos os dias. A saturação é opcional e usa cerca de 0,3 g por kg por dia durante 5 a 7 dias, dividida em várias tomadas, antes de retornar à manutenção.</p><h3>Beta-alanina precisa ser tomada antes do treino?</h3><p>Não obrigatoriamente. O benefício depende do uso diário e do aumento da carnosina muscular. A faixa científica mais consolidada é de 4 a 6 g por dia por pelo menos 2 a 4 semanas. Fracionar em doses de até 1,6 g pode reduzir a parestesia.</p><h3>Quanto de cafeína melhora o treino?</h3><p>Estudos encontram benefício consistente entre 3 e 6 mg por kg, mas pessoas sensíveis podem começar com 100 a 150 mg para avaliar tolerância. Doses maiores aumentam o risco de ansiedade, palpitação e insônia e não garantem resultado superior.</p><h3>Whey isolado emagrece mais que o concentrado?</h3><p>Não. O isolado reduz lactose e gordura e pode ajudar quem tem intolerância. Emagrecimento depende do balanço energético, e a hipertrofia depende principalmente da ingestão diária de proteína e do treinamento.</p><h3>Como saber se um whey é bom?</h3><p>Compare proteína e carboidrato por porção, confira quantos gramas de pó são necessários, pese o scoop e leia a ordem dos ingredientes. Um produto que exige 120 g de pó para fornecer 20 g de proteína se comporta mais como hipercalórico do que como whey concentrado.</p><h2>Referências</h2><ol><li><p>SAÚDE &amp; HIPERTROFIA PODCAST. Episódio 11 - Suplementos alimentares - Nutricionista Leonardo Beguine. YouTube, 8 ago. 2025. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://youtu.be/lvQmscXmsT8">https://youtu.be/lvQmscXmsT8</a>. Acesso em: 3 ago. 2026.</p></li><li><p>KREIDER, Richard B. et al. International Society of Sports Nutrition position stand: safety and efficacy of creatine supplementation in exercise, sport, and medicine. <em>Journal of the International Society of Sports Nutrition</em>, 2017. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28615996/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28615996/</a>. Acesso em: 3 ago. 2026.</p></li><li><p>TREXLER, Eric T. et al. International Society of Sports Nutrition position stand: Beta-Alanine. <em>Journal of the International Society of Sports Nutrition</em>, 2015. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/26175657/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/26175657/</a>. Acesso em: 3 ago. 2026.</p></li><li><p>GUEST, Nanci S. et al. International society of sports nutrition position stand: caffeine and exercise performance. <em>Journal of the International Society of Sports Nutrition</em>, 2021. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33388079/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33388079/</a>. Acesso em: 3 ago. 2026.</p></li><li><p>MORTON, Robert W. et al. A systematic review, meta-analysis and meta-regression of the effect of protein supplementation on resistance training-induced gains in muscle mass and strength in healthy adults. <em>British Journal of Sports Medicine</em>, 2018. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28698222/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28698222/</a>. Acesso em: 3 ago. 2026.</p></li><li><p>REED, Katharine E. et al. Neither soy nor isoflavone intake affects male reproductive hormones: an expanded and updated meta-analysis of clinical studies. <em>Reproductive Toxicology</em>, 2021. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33383165/">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33383165/</a>. Acesso em: 3 ago. 2026.</p></li><li><p>AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. Quais informações precisam estar no rótulo de um suplemento? Brasília, DF, atual. 12 nov. 2025. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/alimentos/suplementos-alimentares/perguntas-frequentes/7-quais-informacoes-precisam-estar">https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/alimentos/suplementos-alimentares/perguntas-frequentes/7-quais-informacoes-precisam-estar</a>. Acesso em: 3 ago. 2026.</p></li></ol>]]></description><guid isPermaLink="false">1145</guid><pubDate>Mon, 03 Aug 2026 16:09:00 +0000</pubDate></item><item><title>Fernando Superman: da academia de Ubatuba &#xE0; conta real de um shape de elite</title><link>https://fisiculturismo.com.br/mat%C3%A9rias/gente/fernando-superman-da-academia-de-ubatuba-%C3%A0-conta-real-de-um-shape-de-elite-r1138/</link><description><![CDATA[
<p><img src="https://cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2026_08/fernando-superman-aula-academia-capa.webp.31e60257c987d17304f743f79794db13.webp" /></p>
<p>Aos 15 anos ele pesava 50 kg e tinha 25 cm de braço. Dois anos depois estava com 105 kg, sem ter usado nada, cheio de estrias e comendo até vomitar. Hoje mantém um físico que custa cerca de R$ 31 mil por mês, conta feita em voz alta e item por item. Entre um ponto e outro cabem um mestre de academia de bairro, um emprego em loja de material de construção, um ano de alcoolismo e a decisão de nunca competir. Foi essa trajetória inteira que Fernando Superman abriu em "FERNANDO SUPERMAN - ESPECIAL BBZINHO CINZA BDAY", do Monster Cast.</p>

<p>É uma história de maromba, mas o que a sustenta não é treino. É trabalho, escolha de gente e uma disposição incomum de dizer em público quanto custa e quanto dói.</p>

<h2>50 kg e um irmão maior</h2>

<p>A entrada na academia não teve nada de inspiradora. Os pais se separaram de forma traumática quando ele tinha entre 12 e 15 anos, os três irmãos ficaram com a mãe e ele escolheu ficar com o pai, que estava em depressão profunda e falava em se matar. A conta dessa escolha veio rápido: o irmão mais velho, com mais de 1,90 m e bem mais pesado, o espancou na rua por causa dela.</p>

<p>Foi essa a origem. Com 50 kg e 25 cm de braço, karatê não resolveria a diferença, e ele foi treinar para conseguir se defender. Largou a escola, virou ajudante de açougueiro em um mercadinho e começou a circular com gente errada, algo que ele descreve com uma clareza que quem viveu perto sabe reconhecer: não é preciso cometer nada para pagar, basta estar do lado de quem tem pendência quando alguém aparece para cobrar.</p>

<h2>Terra, o mestre que segurou a barra</h2>

<p>Quem tirou o adolescente daquela rota foi o dono da academia, conhecido como Terra. A academia ficava perto da rodoviária de Ubatuba, custava R$ 35 por mês, e houve reclamação geral quando a mensalidade subiu R$ 5. A primeira cena de treino que ele viu na vida foi Terra se preparando para o Mister Santos fazendo rosca direta com 50 kg de cada lado.</p>

<p>O método da casa era brutal e literal. Leg press com séries de 40 repetições até vomitar, com balde ao lado. Remada curvada com 70 kg de cada lado por 20 repetições, também até vomitar. Terra treinava com a academia fechada, para não assustar os próprios alunos. O primeiro treino que passaram ao novato foi levantamento terra, com a justificativa de ser o mais completo e o mais básico ao mesmo tempo.</p>

<p>Vale registrar uma coisa que contraria o estereótipo daquela geração. Ninguém ali incentivou o garoto a usar nada. Os atletas da academia, incluindo um campeão mundial de supino que levantava 280 kg pesando 90 kg, diziam que ele tinha que crescer natural, e combinaram que no dia em que ele decidisse usar sentariam juntos para discutir o que seria. As seringas eram escondidas e descartadas longe. Havia um cuidado que hoje soa deslocado.</p>

<h2>De 50 kg a 105 kg comendo até passar mal</h2>

<p>A instrução nutricional cabia em uma frase: para ganhar peso, come à vontade a comida mais calórica que der. Sem contagem, sem macro, sem noção do que era carboidrato ou proteína. Ele saiu de 50 kg aos 15 anos para 105 kg aos 17, natural, com estrias que carrega até hoje.</p>

<p>O relato do que isso significava na prática é desconfortável e útil. Panela inteira de arroz com frango comida de colher, direto da panela. Um episódio em que vomitou no meio da refeição e continuou comendo. Um dia em que comeu 72 ovos, comprados a R$ 2 a dúzia. Uma vez engoliu um ovo visivelmente esverdeado e não passou mal, o que ele atribui a estar alienado demais no objetivo para registrar o que estava fazendo.</p>

<p>A leitura que ele faz hoje disso é mais equilibrada do que a prática de então. Vê muito jovem perdendo tempo tentando crescer limpo demais, quando o que aquela fase pede é comer, construir estrutura e lapidar depois. Treino e dieta são processos biológicos, e a matemática exata serve mais para conversar do que para descrever o que acontece no corpo.</p>

<h2>Cinco anos sem treinar, três horas da manhã na Augusta</h2>

<p>Aos 17 ele foi para São Paulo com o pai, e a maromba sumiu da vida por cinco a seis anos. Trabalhou como ajudante de barman em um restaurante na Augusta e saía do serviço às duas ou três da manhã, quando não havia ônibus. Ia a pé da Augusta até a Vila Madalena, e passou a raspar a cabeça na gilete para parecer mais perigoso no caminho.</p>

<p>Depois veio o Almanara, restaurante de alto padrão em Alphaville, onde a lição foi de observação. Aprendeu que quem tem muito dinheiro costuma andar de chinelo e camiseta simples, que o cara arrumado demais em geral é o assalariado, e que dá para identificar quem realmente importa pela movimentação dos seguranças à paisana ao redor. Também registra não ter sido destratado uma única vez por esse público.</p>

<h2>Meio milhão por mês e um diretor que morreu</h2>

<p>O capítulo mais formativo não aconteceu em academia nenhuma. Contratado como vendedor em uma loja de material de construção, ele perguntou aos veteranos quanto vendiam os melhores. A resposta foi de R$ 120 mil a R$ 130 mil por mês. Ele disse, na inocência, que dava para vender R$ 400 mil, e riram da cara dele.</p>

<p>Em seis meses estava vendendo meio milhão por mês, e chegou a passar de R$ 600 mil. A seção onde trabalhava, na menor loja da rede em metragem, saiu da vigésima terceira posição entre cerca de trinta lojas para a terceira em vendas. Ele ganhava R$ 1.500.</p>

<p>O método não tinha nada de mágico e é inteiramente transferível. O gargalo que ninguém cobria era o pós-venda. Ele anotava o telefone de todos os clientes, marcava a data prevista de entrega e ligava antes de entrar no expediente para perguntar se tinha chegado tudo certo. Caixa de piso quebrada virava troca mais vale-compra, o que gerava uma nova compra e um cliente que não aceitava ser atendido por mais ninguém. Havia dia de loja vazia com fila na mesa dele. A frase que resume o aprendizado é a que ele repete até hoje: você não faz venda, faz cliente.</p>

<p>Foi promovido em um ano e três meses, quando o padrão da empresa era dois anos, e a promoção precisou ser ocultada da equipe para evitar retaliação. O mentor por trás disso era um diretor chamado Alejandro, o mais bem pago da unidade e ao mesmo tempo o mais despojado, sem relógio, sem broches, descendo ao chão de loja para brincar com todo mundo pelo nome. No sábado ele passou pela loja como sempre. No domingo caiu andando de skate no Parque Villa-Lobos com a mulher grávida e morreu.</p>

<h2>Um ano de uísque no café da manhã</h2>

<p>A morte do mentor virou combustível e depois virou doença. Ele decidiu levantar sozinho a bandeira do outro e passou a se cobrar mês a mês, sempre acima do anterior. Acumulou quatro celulares e todas as broncas da seção.</p>

<p>O quadro que ele descreve é de alcoolismo funcional, e ele o nomeia sem eufemismo. Acordava e tomava de um terço a meia garrafa de uísque, misturado com café, no lugar do café da manhã. Fumava cerca de um maço por dia. Não almoçava. O prêmio depois de fechar uma venda grande era ir ao vestiário tomar mais um gole, um café e um cigarro. Aos 24 anos começou a ter cabelos brancos.</p>

<p>Vale a honestidade que veio junto, porque ela é a parte útil para quem passa por isso. Ele diz que continua alcoólatra, no presente, anos depois de ter parado. Passar pelo corredor de bebidas do supermercado ainda o faz salivar, e a lembrança do uísque com café ainda é descrita como um estímulo animal, não racional. Por isso não toma nem uma dose.</p>

<p>A virada veio quando olhou para os chefes e viu o gerente envelhecido dez anos em dezoito meses e a diretora aparentando bem mais que os 39 anos que tinha, ganhando R$ 12 mil. Concluiu que era o melhor vendedor do mundo de uma coisa que odiava, obra, e que se aplicasse o mesmo esforço em algo que amava o resultado seria outro. Voltou de férias e pediu demissão. A seção, que ele deixou vendendo três milhões, voltou para um milhão e meio.</p>

<h2>Loja de suplemento, o primeiro ciclo e a consultoria paga no crediário</h2>

<p>O retorno à musculação passou por uma loja de suplementos no Frei Caneca, onde virou um dos melhores vendedores usando o oposto do empurrão. Se o cliente pedia um produto caro sem precisar, ele oferecia o mais barato e ajustava a dose de verdade, explicando que 3 g de glutamina não fazem efeito e que o útil ali seria algo em torno de 15 g. O ganho vinha da recorrência, não da margem daquela venda.</p>

<p>Foi nessa fase, entre 24 e 25 anos, que veio o primeiro protocolo: boldenona com enantato, três aplicações por semana, finalizando com oxandrolona. Nunca fez terapia pós-ciclo, nem nesse nem depois. O segundo protocolo foi durateston de farmácia com meio mililitro de trembolona em dias alternados, e o resultado imediato foi acne severa. É também o marco que ele aponta para o início dos problemas de sono que o acompanham desde então.</p>

<p>O encontro com Júlio Balestrin merece registro pelo desfecho. Levado por um cliente que virou amigo, pagou R$ 600 de consultoria no cartão de uma loja de departamentos, parcelado em duas vezes. Júlio olhou para ele, mandou o acompanhante sair da sala e disse que ele precisava competir, que a genética, a linha e a proporção eram melhores que as de nomes já estabelecidos. Vindo de alguém conhecido por não elogiar ninguém, aquilo pesou.</p>

<p>O que aconteceu na sequência é a decisão mais madura da história. Na mesma sala ele viu o protocolo de um atleta profissional que estava sendo preparado, comparou com a própria realidade de quem não tinha dinheiro para comer frango direito e concluiu que aquilo não era para ele naquele momento. Escolheu não competir e seguir treinando em paz, para não trocar prazer por frustração.</p>

<h2>O conteúdo que mudou tudo e a demissão que veio junto</h2>

<p>A virada de exposição veio de uma gravação com Toguro, que viralizou. O preço foi imediato: ele foi demitido da loja de suplementos por causa da participação. O apelido Superman já existia antes, herdado das costas largas de quem nadava na infância, e acabou colado por uma namorada.</p>

<p>Duas recusas dessa fase explicam a carreira melhor que qualquer número. A primeira foi não emendar em conteúdo de balada e carnaval, mesmo sendo aconselhado a surfar a onda enquanto ela existia, por entender que estaria se prostituindo por visualização e que depois criticaria o próprio material. Consequência prática: como não ficou dependente da imagem de outra pessoa, sobreviveu ao ciclo que engoliu vários que apareceram depois.</p>

<p>A segunda foi comercial. Depois de mostrar o contrato vigente para provar que não estava blefando sobre o próprio valor, ouviu de um dono de marca a proposta de trabalhar três meses de graça, só por suplemento, para depois discutir salário. Em outra ocasião fechou um acordo no aperto de mão, pediu demissão do patrocinador anterior confiando na palavra, e na hora de assinar o valor combinado tinha sumido. Recusou, e a razão não foi o dinheiro: não se entra em uma relação que já começa errada.</p>

<h2>A caixa aberta: o que ele realmente usa</h2>

<p>Aqui vale o enquadramento antes dos números. O que segue é o relato de um profissional que vive disso, com acompanhamento farmacêutico, exames periódicos e uma estrutura financeira que quase ninguém tem. Não é recomendação, não é dose de referência e não deve ser copiado.</p>

<p>A primeira coisa que ele desmonta é a própria lenda. O número que circula na internet, de 12 g a 15 g por semana, veio de um lote falsificado. A prova é o resultado: usando o que o rótulo dizia ser 15 g, ele definhou até 90 kg. Se houvesse fármaco de verdade naquele frasco, o efeito teria sido o oposto. A conclusão que ele tira é a mais útil de toda a conversa, e vale para qualquer pessoa que use qualquer coisa comprada fora de farmácia: a distância entre o que está no rótulo e o que está no frasco costuma ser enorme, e passar a usar produto de farmácia significou, na prática, poder usar menos da metade.</p>

<p>O uso atual é declarado com limites claros. Trembolona em 1 mL por dois dias seguidos, com queda para meio mililitro no terceiro, porque não aguenta manter. Tentou chegar a 700 mg por semana e não conseguiu, ficando em torno de 500 mg. A base é testosterona com primobolan e NPP. Oximetolona a 25 mg já embrulha o estômago, e ele não usa 50 mg. O HDL estava em 18.</p>

<p>Nunca fez pausa real. Desde os 24 ou 25 anos está sempre com algo em uso, e o mais próximo de um intervalo foram duas semanas em 2018 usando apenas durateston de farmácia duas vezes por semana. Sobre isso ele não constrói justificativa técnica, apenas descreve.</p>

<p>A conversa cobre ainda o que costuma faltar nesse tipo de relato. Trembolona destrói o sono, e ele já chegou a acordar às cinco da tarde. Como carrega um distúrbio de sono grave, que quase exigiu internação, hoje trata sono como inegociável. Para dormir usa combinações simples e baratas, incluindo <a href="https://fisiculturismo.com.br/mat%C3%A9rias/suplementos/glicina-para-dormir-dose-de-3-g-e-o-que-os-estudos-mostram-r1292/" target="_blank" rel="noopener">glicina para dormir</a> na dose aproximada de 5 g, chás de camomila, erva-cidreira e capim-limão, com melatonina em dose mínima, na faixa de 0,5 mg, que já produz efeito. Para acne, orienta procurar médico no caso da isotretinoína e desconfiar de produto de mercado negro que em três doses diárias sequer descama a pele, além de medidas simples como evitar banho quente e usar nicotinamida tópica a 5%.</p>

<h2>A conta que quase ninguém mostra</h2>

<p>O trecho mais valioso do encontro é uma calculadora aberta ao vivo, e ela deveria circular mais que qualquer foto de shape. Somando o que ele usa por mês:</p>

<ul>
  <li>hormônio de crescimento, à razão de cerca de R$ 650 por caneta: em torno de R$ 15 mil</li>
  <li>itens de farmácia: cerca de R$ 2.500</li>
  <li>manipulados, entre <a href="https://fisiculturismo.com.br/mat%C3%A9rias/esteroides/protetor-hep%C3%A1tico-no-ciclo-silimarina-e-xantinon-funcionam-r812/" target="_blank" rel="noopener">protetor hepático</a>, protetor de articulação, enzimas digestivas e sensibilizadores de insulina: cerca de R$ 8.500 somados</li>
  <li>demais hormônios: cerca de R$ 2 mil</li>
  <li>alimentação: entre R$ 4 mil e R$ 5 mil, sem contar refeições fora</li>
  <li>suplementação, avaliada a preço de venda: cerca de R$ 2.500</li>
</ul>

<p>O total fica em torno de R$ 31 mil por mês, aproximadamente R$ 360 mil por ano, e isso cobre apenas a manutenção do físico. Não entra aluguel, lazer, plano de saúde, academia nem transporte. Se entrasse IGF-1 no protocolo, seriam uns R$ 8 mil a mais. A comparação que ele usa é com automobilismo: dá para brincar de kart, mas Fórmula 1 é para poucos, e o carro de Fórmula 1 quebra mais e tem manutenção mais cara que o carro comum.</p>

<p>Duas conclusões desse bloco valem mais que a soma. A primeira é que o gasto com contenção de dano cresce de forma desproporcional quando se sobe a dose, e por isso muitas vezes é mais inteligente ficar no meio-termo do que subir e não conseguir bancar a proteção correspondente. A analogia dele é direta: subir o morro blindado, de colete e capacete, ou não subir. A segunda é que isso não é uma compra, é um aluguel. Interrompido o pagamento, o físico vai embora.</p>

<p>Serve de contraste o começo. Houve uma fase em que R$ 690 era exatamente o valor que faltava para comprar o hormônio de crescimento do mês, e a decisão sobre trabalhar mais ou não passava por isso.</p>

<h2>Por que ele nunca subiu no palco</h2>

<p>Ele mantém a posição de nunca ter competido e não vê incoerência nisso. O argumento é que a musculação importa mais do que o fisiculturismo, e que o fisiculturismo é a ponta, a Fórmula 1, uma bandeira útil justamente porque levantá-la levanta a musculação inteira junto. O que o move é ver a musculação virar o maior esporte do Brasil, acima do futebol.</p>

<p>Sobre uso para quem não vai competir, a resposta é curta e sem heroísmo. Vale muito mais a pena melhorar a vida do que perseguir o extremo, e trembolona não é para quem quer apenas um físico bom. Ele mesmo passou um ano e dois meses sem usar em determinado período, e continua defendendo que o natural bem treinado já está muito acima da média.</p>

<h2>Duas dívidas pagas</h2>

<p>Duas histórias fecham o retrato. A primeira é que ele voltou e reformou a academia do mestre, que estava funcionando literalmente no meio da obra, com o concreto exposto e o dono dormindo na garagem com a mulher durante a pandemia. Virou sócio, colocou equipamentos e a casa saiu de cerca de 80 alunos para mais de 500, com mensalidade de R$ 150. Depois vendeu a própria parte por um valor simbólico, com a justificativa de que entrou para ajudar e que não faria sentido rachar meio a meio um negócio tocado por outra pessoa enquanto ele vive em São Paulo.</p>

<p>A segunda é o costume de dormir no chão, que ele mantém. Nasceu da época em que morava na academia, embaixo de uma escada, e o colchão encharcava toda vez que chovia forte. Passou a dormir sobre um tatame e nunca desfez o hábito, mesmo depois de comprar cama.</p>

<h2>Conclusão</h2>

<p>O que sustenta essa história não é dose nem genética. É um mestre que apareceu na hora certa, um mentor de fora da maromba que ensinou a trabalhar, e um método de venda que vale para qualquer profissão: entregar o combinado e voltar para conferir. As duas decisões que mais pesaram foram recusas, não conquistas. Não competir quando viu que a conta não fechava, e não vender a própria imagem por audiência fácil.</p>

<p>Fica também o alerta que ele mesmo entrega sem que ninguém peça. Um lote falsificado que produziu emagrecimento em vez de ganho, HDL em 18, sono destruído a ponto de exigir tratamento, anos sem nenhuma pausa e uma conta mensal de R$ 31 mil apenas para manter o que está no espelho. Nada disso é receita. Qualquer decisão envolvendo hormônios exige avaliação, exames e acompanhamento de profissional habilitado, e a automedicação continua sendo o caminho mais rápido para transformar objetivo estético em problema clínico.</p>

<h2>FAQ</h2>

<h3>Ele realmente usava 15 g de hormônio por semana?</h3>
<p>Não. Esse número veio de um lote falsificado, e a prova está no resultado: usando o que o rótulo apresentava como 15 g, ele emagreceu até 90 kg. Passar a usar produto de farmácia significou reduzir para menos da metade, com resposta melhor.</p>

<h3>Quanto custa manter um físico desse nível?</h3>
<p>Cerca de R$ 31 mil por mês, ou aproximadamente R$ 360 mil por ano, considerando hormônio de crescimento, itens de farmácia, manipulados de proteção, demais hormônios, alimentação e suplementação. Não estão incluídos moradia, lazer, plano de saúde nem academia.</p>

<h3>Como ele saiu de 50 kg para 105 kg?</h3>
<p>Em dois anos, dos 15 aos 17, sem usar nada e sem qualquer noção de dieta. A instrução do treinador era comer à vontade a comida mais calórica disponível, o que na prática significou panelas inteiras de arroz com frango e episódios como comer 72 ovos em um único dia.</p>

<h3>Por que ele nunca competiu?</h3>
<p>Porque viu de perto o protocolo de um atleta profissional em preparação e comparou com a própria realidade financeira da época, quando não tinha dinheiro nem para comer frango adequadamente. Concluiu que aquilo geraria frustração e preferiu treinar sem a pressão do palco.</p>

<h3>Qual foi a maior lição fora da academia?</h3>
<p>O pós-venda. Anotar o contato de cada cliente, checar se a entrega chegou certa antes de o cliente reclamar e resolver o problema com troca mais crédito transformou vendas isoladas em recompras. A síntese que ele repete é que não se faz venda, se faz cliente.</p>

<h3>O que ele recomenda para quem não pretende competir?</h3>
<p>Que priorize a vida acima do extremo. Considera que um praticante natural bem treinado já está muito acima da média e que substâncias como a trembolona não fazem sentido para quem busca apenas um bom físico, pelo custo em sono, pele e saúde mental.</p>

<h2>Referências</h2>
<ol>
  <li>MONSTER CAST. FERNANDO SUPERMAN - ESPECIAL BBZINHO CINZA BDAY. YouTube, 22 dez. 2022. Disponível em: <a href="https://www.youtube.com/live/WT-d1DqTEfE" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://www.youtube.com/live/WT-d1DqTEfE</a>. Acesso em: 31 jul. 2026.</li>
</ol>]]></description><guid isPermaLink="false">1138</guid><pubDate>Fri, 31 Jul 2026 22:51:00 +0000</pubDate></item><item><title>Dennis Wolf: os segredos reais do fisiculturismo</title><link>https://fisiculturismo.com.br/mat%C3%A9rias/gente/dennis-wolf-os-segredos-reais-do-fisiculturismo-r1128/</link><description><![CDATA[
<p><img src="https://cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2026_08/dennis-wolf-aula-academia-capa.webp.d5f5f9b4c1fdff91f0f74567f227c467.webp" /></p>
<p>Talento e genética privilegiada não seguram ninguém no fisiculturismo de alto nível. Em "Revealing All the Secrets of Bodybuilding", publicado no canal Wolfteam Forum, Dennis Wolf resume o filtro com um número desconfortável: mesmo entre os atletas talentosos, apenas um em cada cem chega ao topo. O resto desaparece pelo caminho, e ele diz ter conhecido muitos desses casos pessoalmente. O Big Bad Wolf, apelido que ele carrega desde os palcos, fala de dentro dessa estatística: foi um dos poucos que atravessou.</p>

<p>O ponto central não é treino nem dieta. É custo, tempo e o preço fisiológico de acelerar o processo cedo demais, com destaque para um órgão que quase nunca entra na conversa da maromba: o coração.</p>

<h2>O que ele afirma de forma direta</h2>

<ul>
  <li>entre atletas talentosos e com boa genética, cerca de um em cada cem chega ao topo.</li>
  <li>o esporte consome dinheiro em comida, academia e suplementação, e a comida é o item mais pesado.</li>
  <li>qualquer lesão pode encerrar a carreira antes mesmo de ela começar.</li>
  <li>todo atleta tem o coração aumentado, seja nadador, corredor ou fisiculturista, porque o órgão trabalha mais do que o de uma pessoa comum.</li>
  <li>esteroides em excesso no início e sem acompanhamento de especialista envelhecem o coração. Alguém com 40 anos pode carregar um coração com idade funcional de 60 ou 70.</li>
  <li>fisiculturismo profissional não é sobre saúde, e sim sobre levar o máximo de massa e condição ao palco.</li>
  <li>hoje há mais informação disponível do que há 20 ou 30 anos, e o problema deixou de ser acesso e passou a ser filtro.</li>
  <li>coach nem sempre é necessário, mas é um grande diferencial quando é o coach certo.</li>
  <li>quem mira a liga profissional precisa se dedicar só ao fisiculturismo, porque qualquer outra atividade em paralelo alonga o caminho.</li>
  <li>o caminho profissional começa por vencer competições, e não por acumular treino em silêncio.</li>
  <li>ou a pessoa nasceu para isso ou não nasceu, e o desfecho depende de como ela trata o próprio corpo.</li>
</ul>

<p>Um dado de contexto pesa sobre tudo isso: quem assina o alerta trabalha em parceria declarada com a fabricante de fármacos ZPHC, citada nominalmente por ele logo na abertura. Alertar contra excesso de esteroides enquanto se divulga uma marca do ramo é uma posição que o leitor precisa conhecer para calibrar o recado.</p>

<h2>O dinheiro entra antes do palco</h2>

<p>A conta do fisiculturismo competitivo começa longe da inscrição na categoria. Comida é a maior despesa recorrente, seguida por academia e suplementação. Quem pretende competir precisa de uma fonte de renda estável, porque boa parte do que ganha volta para o projeto.</p>

<p>Isso muda a pergunta inicial de quem sonha com o palco. Antes de perguntar se o corpo responde bem ao treino, o candidato precisa saber se consegue sustentar a rotina por anos seguidos, não por uma temporada de entusiasmo. Preparação interrompida por falta de dinheiro é tão comum quanto preparação interrompida por lesão.</p>

<p>O detalhe incômodo é que as duas exigências se contradizem. Ele diz que o candidato precisa de um emprego bom o bastante para bancar tudo e, algumas frases depois, que quem quer chegar à liga profissional tem de focar apenas no fisiculturismo, porque toda atividade paralela alonga o percurso. Não há solução limpa para esse conflito, e é justamente aí que a maioria dos projetos morre.</p>

<h2>Genética abre a porta, não garante a permanência</h2>

<p>A estatística de um em cem existe justamente porque a seleção não acontece na largada. Ela acontece ao longo do percurso, e nele pesam lesão, pressa, escolha ruim de orientação e desgaste financeiro.</p>

<p>Uma lesão séria funciona como interruptor. Pode encerrar um projeto antes de qualquer resultado relevante, e é por isso que técnica, progressão de carga e recuperação valem tanto quanto intensidade. O atleta jovem tende a inverter essa ordem, porque sente que está atrasado.</p>

<p>Ele também é direto sobre o formato da meta. Quem quer o cartão profissional precisa definir o objetivo e começar a vencer competições, organizando treino, comida, suplementação e escolha de treinador em torno disso. Sua leitura de fundo é quase fatalista: ou a pessoa nasceu para o esporte ou não nasceu, e o que ela controla é o quanto se preserva no caminho.</p>

<h2>Excesso de informação virou o novo obstáculo</h2>

<p>Há duas ou três décadas, o gargalo era encontrar informação. Hoje o gargalo é separar o que serve. Redes sociais e canais de conteúdo multiplicaram vozes, e o volume não veio acompanhado de critério.</p>

<p>O mesmo raciocínio se aplica a treinadores. Um coach competente encurta erros e organiza prioridades, mas contratar um nome qualquer só porque ele aparece muito costuma custar tempo, dinheiro e saúde. Desenvolver o próprio filtro leva anos, e esse aprendizado é parte inevitável da conta.</p>

<h2>Começar devagar é estratégia, não covardia</h2>

<p>Erros cometidos nos primeiros anos cobram juros. Quem parte para estratégias agressivas antes de construir base, ignora exames e copia protocolo de atleta avançado costuma pagar a diferença mais tarde, quando já não dá para desfazer.</p>

<p>Um corpo jovem tolera abuso, mas tolerância não é imunidade. No fisiculturismo, tempo funciona como ativo, e queimá-lo cedo demais é uma troca ruim mesmo quando o resultado de curto prazo impressiona.</p>

<p>O vocabulário dele merece atenção. Em nenhum momento diz esteroide ao falar de dosagem inicial. Usa a expressão suplementos especiais, e avisa que quem enlouquece e passa da dose com eles dificilmente terá carreira longa. O eufemismo é comum no meio e ajuda a explicar por que o assunto circula tanto sem nunca virar conversa técnica aberta.</p>

<h2>O coração é o alerta que quase ninguém faz</h2>

<p>O aumento cardíaco por si só não é sinal de doença. Ele aparece em nadadores, corredores e atletas de força porque o coração de quem treina trabalha mais do que o de uma pessoa sedentária. O problema é outro: acrescentar esteroides em excesso, cedo e sem acompanhamento, a um órgão que já está sob carga elevada.</p>

<p>A imagem do coração de 40 anos que funciona como um de 60 ou 70 é retórica, não um diagnóstico clínico. Mas a preocupação de fundo tem respaldo. Um estudo publicado na revista <em>Circulation</em> em 2017 comparou usuários de longa data de esteroides anabolizantes com levantadores não usuários e encontrou pior função sistólica do ventrículo esquerdo e maior aterosclerose coronariana no grupo usuário, com associação relacionada ao tempo de exposição. Não é uma sentença individual, e sim um risco populacional que cresce com o uso prolongado.</p>

<p>A implicação prática é simples e não depende de aceitar a retórica: quem treina pesado, e principalmente quem usa recursos hormonais, precisa de exames periódicos e de avaliação com cardiologista ou médico do esporte. Diretrizes de cardiologia esportiva tratam a avaliação individualizada como parte da prática segura, especialmente diante de fatores de risco ou sintomas.</p>

<h2>Fisiculturismo profissional não é projeto de saúde</h2>

<p>Essa é a frase mais honesta que ele diz, e a que mais destoa do discurso comum das redes. A meta do esporte profissional é levar o máximo de massa, detalhe e condição ao palco. Saúde entra como restrição a ser administrada, não como objetivo.</p>

<p>Para o leitor que treina sem intenção de competir, a conclusão prática é usar atletas de elite como referência estética e nunca como modelo de conduta médica. O que sustenta uma carreira profissional curta e vigiada não é o mesmo que sustenta trinta anos de treino saudável.</p>

<h2>Conclusão</h2>

<p>Não existe fórmula secreta, e é justamente por isso que o recado funciona. O que separa quem permanece de quem some não é a série perfeita, e sim dinheiro previsível, paciência, filtro de informação, prevenção de lesão e vigilância cardiovascular.</p>

<p>Nada disso é receita de uso. Qualquer decisão envolvendo hormônios ou fármacos exige avaliação, exames e acompanhamento de profissional habilitado, e a automedicação continua sendo a via mais rápida para transformar ambição estética em problema clínico.</p>

<h2>FAQ</h2>

<h3>Por que apenas um em cada cem talentosos chega ao topo?</h3>
<p>Porque a seleção acontece ao longo dos anos, e não na largada. Lesão, custo financeiro, orientação ruim, pressa na juventude e desgaste da rotina eliminam a maioria antes que o potencial amadureça.</p>

<h3>Coração aumentado em atleta é sempre um problema?</h3>
<p>Não necessariamente. A adaptação cardíaca ao treino é esperada em diversos esportes. A preocupação surge quando se soma uso de esteroides sem acompanhamento, o que está associado a pior função ventricular e mais aterosclerose coronariana em usuários de longa data.</p>

<h3>Vale a pena contratar um coach?</h3>
<p>Um bom treinador é um grande diferencial, embora nem sempre seja indispensável. O risco está na escolha: coach errado desperdiça tempo, dinheiro e margem de saúde.</p>

<h3>Por onde um iniciante deve começar?</h3>
<p>Começar devagar, priorizar técnica e progressão, tratar informação com filtro, planejar o custo antes de mirar competição e incluir exames e avaliação cardiológica na rotina desde cedo.</p>

<h3>Dá para competir em alto nível mantendo outra carreira?</h3>
<p>Na leitura dele, não sem custo de tempo. Quem mira a liga profissional precisa se dedicar exclusivamente ao esporte, ainda que também dependa de renda estável para bancá-lo. É uma contradição prática que ele não resolve.</p>

<h3>Quem patrocina Dennis Wolf?</h3>
<p>A ZPHC, fabricante de fármacos, que ele cita nominalmente como parceira. O patrocínio não invalida os alertas, mas é contexto que o leitor merece ter na hora de pesá-los.</p>

<h2>Referências</h2>
<ol>
  <li>WOLFTEAM FORUM. <em>Revealing All the Secrets of Bodybuilding | Dennis Wolf</em>. [S. l.], 16 jan. 2026. Disponível em: <a href="https://www.youtube.com/watch?v=omuRIUrPM1I" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://www.youtube.com/watch?v=omuRIUrPM1I</a>. Acesso em: 3 ago. 2026.</li>
  <li>BAGGISH, Aaron L. et al. Cardiovascular Toxicity of Illicit Anabolic-Androgenic Steroid Use. <em>Circulation</em>, v. 135, n. 21, p. 1991-2002, 2017. Disponível em: <a href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28533317/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28533317/</a>. Acesso em: 31 jul. 2026.</li>
  <li>EUROPEAN SOCIETY OF CARDIOLOGY. 2020 ESC Guidelines on Sports Cardiology and Exercise in Patients with Cardiovascular Disease. Disponível em: <a href="https://www.escardio.org/guidelines/clinical-practice-guidelines/all-esc-practice-guidelines/sports-cardiology-and-exercise/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://www.escardio.org/guidelines/clinical-practice-guidelines/all-esc-practice-guidelines/sports-cardiology-and-exercise/</a>. Acesso em: 31 jul. 2026.</li>
</ol>]]></description><guid isPermaLink="false">1128</guid><pubDate>Thu, 30 Jul 2026 14:53:00 +0000</pubDate></item><item><title>Mike O'Hearn: processo, legado e a escola da for&#xE7;a</title><link>https://fisiculturismo.com.br/mat%C3%A9rias/gente/mike-ohearn-processo-legado-e-a-escola-da-for%C3%A7a-r1127/</link><description><![CDATA[
<p><img src="https://cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2026_08/mike-ohearn-aula-universidade-capa.webp.f13c683908c140edae4abd8ea5992252.webp" /></p>
<p>Legado não nasce no dia do troféu. Nasce no jeito como o atleta treina quando ninguém está aplaudindo, na pessoa que ele vira durante a preparação e no padrão que deixa para quem vem depois. Em “Mike O'Hearn: Why I Ignored The Judges (And Built a Legacy)”, Ben Pakulski recebe Mike O'Hearn para uma aula longa sobre fisiculturismo, masculinidade, disciplina, família, mentoria e treino para durar décadas.</p>
<p>A pauta vai muito além de uma biografia de campeão. A trajetória de Mike aparece como exemplo de uma escola antiga da maromba: construir o próprio corpo como obra, respeitar o processo mais do que a validação externa, manter atletismo mesmo sendo grande e entender que fama, dinheiro e palco não resolvem a pergunta mais difícil: que tipo de homem sobra quando a competição passa?</p>
<p>A conversa dura 1 hora e 34 minutos e Ben abre apresentando Mike como o atleta de físico mais prolífico depois de Arnold Schwarzenegger em número de capas de revista, com quase 4 décadas de relevância, ainda treinando às 4h da manhã aos 50 e poucos anos. É esse currículo longo, e não um único título, que sustenta os argumentos do episódio.</p>

<h2>O físico como arte, não como obediência</h2>
<p>Uma das ideias mais fortes é a recusa em moldar o corpo apenas para agradar juízes. Mike conta que, ao ouvir a sugestão de ganhar mais massa após uma apresentação, recebeu o comentário sem transformar aquilo em ordem. A visão dele era outra: o físico era uma peça própria, não um produto feito para caber no gosto de nove pessoas sentadas à frente do palco.</p>
<p>A cena é bem concreta. Depois de vencer o Mr. Universe, os juízes o elogiaram e emendaram que com 13,6 kg (30 lb) a mais ele chegaria a outro patamar. Mike agradeceu a informação, virou as costas e pensou que aquilo que tinha acabado de apresentar era a obra dele, não um rascunho a ser corrigido. Ele queria o Mr. Universe porque o pai tinha querido, mas o título nunca foi mais importante que o ato de levantar peso.</p>
<p>A trajetória começou cedo demais para depender de aprovação alheia. Mike subiu ao palco pela primeira vez aos 14 anos e fez powerlifting e fisiculturismo em paralelo o tempo inteiro. Aos 17, no teenage nationals, era o maior adolescente da competição, com 99,8 kg (220 lb) em 1,88 m, e mesmo assim perdeu para Chris Cormier, mais preciso e mais bem desenhado. Aos 20 anos ele recebeu uma bronca de Joe Weider que mudou o rumo dele para sempre.</p>
<p>O contraexemplo veio do próprio Ben, que diz ter mudado o físico por opinião alheia uma única vez na vida: Flex Wheeler mandou parar de treinar panturrilha porque estava grande demais. Ben obedeceu, ficou tanto tempo sem treinar a região que no ano seguinte rasgou as duas panturrilhas em um leg press. É a ilustração mais direta do custo de terceirizar a leitura do próprio corpo.</p>
<p>Essa leitura muda a relação com o fisiculturismo. A competição pode ser importante, mas não deve roubar do atleta a autoria do próprio corpo. Quando o objetivo vira agradar a banca, o risco é abandonar a identidade que levou a pessoa até ali.</p>
<p>O contraste com jovens atletas é direto. Muitos chegam ao esporte prometendo título, profissionalização rápida e Olympia em poucos anos, antes mesmo de fazer exames, construir base ou entender o custo real da jornada. A crítica não é contra sonhar alto. É contra colocar fama e validação antes de processo, saúde, técnica e maturidade.</p>
<p>O episódio foi gravado logo depois da expo de Los Angeles, e o exemplo veio de lá: garotos no fim da adolescência anunciando no próprio canal que virariam profissionais em 2 anos e venceriam o Mr. Olympia em seguida, sem terem feito sequer um exame de sangue. Mike descreve esses meninos como já cheios de hormônio aos 20 anos, com antolhos, cobrando de si um calendário que ninguém cumpre.</p>
<p>Por trás da crítica há uma tese sobre a natureza do esporte. Para os dois, fisiculturismo não é exatamente esporte, é uma mostra de arte julgada por 9 pessoas comparando maçã com laranja. Mike diz que tenta dissuadir do palco todo mundo que quer competir para agradar a banca, porque nesse arranjo o único juiz que precisa terminar satisfeito é o próprio atleta.</p>

<h2>A melhor pergunta não é “vou ganhar?”</h2>
<p>A obsessão pelo resultado cria uma armadilha simples: o atleta acredita que o título vai entregar uma versão nova de si mesmo. A experiência narrada desmonta essa fantasia. Subir no palco desejado pode ser marcante, mas não encerra a busca. Muitas vezes, revela que a meta era apenas a primeira montanha.</p>
<p>Quem viveu isso na pele é Ben. Ele fixou a meta de pisar no palco do Mr. Olympia em 1998, quando tinha 17 anos e pesava 72,6 kg (160 lb) e mal tinha 1 ano de academia. Anos depois, já no palco que sonhara, percebeu que não havia virado uma pessoa diferente, e resumiu assim: aquilo não era o fim, era a primeira montanha.</p>
<p>A conta fechou rápido. O filho dele nasceu em 4 de janeiro de 2012 e ele ainda competiu no Olympia em setembro do mesmo ano, aos 31 anos, já sabendo que tinha acabado. No ano seguinte nasceu a filha e sumiu qualquer dúvida. Ele não desmerece o fisiculturismo, chama o esporte de degrau que lhe deu credibilidade e disciplina, mas diz que o propósito ficou maior que o palco.</p>
<p>A lição mais útil para quem treina é trocar a pergunta “vou ganhar?” por outra muito mais difícil: “quem eu preciso me tornar para buscar isso direito?”. O valor de uma meta grande está na pessoa que ela obriga a construir.</p>
<p>A formulação vem de Jim Rohn, e Ben a trata como o melhor conselho que já recebeu: não estabeleça a meta pelo resultado final, estabeleça pela pessoa que você precisa virar para alcançá-la. Ele ouviu essa frase em repetição durante a hora diária de cardio da preparação para a primeira competição, em 2005, e ela reorganizou tudo o que veio depois.</p>
<p>Na prática, a pergunta que ele passou a devolver aos garotos da expo é outra. Em vez de discutir se o título é possível, ele pergunta o que exatamente o título vai entregar. A resposta costuma ser fama e dinheiro, e é aí que a conversa trava, porque os dois sabem que nada feito por fama e dinheiro dura.</p>
<p>Esse raciocínio vale para o Olympia, para perder 22,7 kg, para voltar à academia depois de anos parado ou para assumir uma rotina mais séria. O palco de cada pessoa é diferente. O ponto em comum é que a conquista vazia dura pouco, enquanto a transformação de comportamento acompanha o sujeito por anos.</p>

<h2>Processo acima de fama</h2>
<p>A cultura atual favorece barulho. Sensacionalismo dá atenção rápida, cria personagem e oferece microfone para quem entretém mais do que educa. A escola defendida por Mike vai na direção oposta: sucesso real exige estudo, persistência, trabalho e repetição.</p>
<p>A frase de Mike é curta e resume a mudança de era: antes o que dava palco era sucesso, hoje é sensacionalismo. Ben traduz o mecanismo em proporção grosseira, mas honesta: 99% das pessoas querem ser entretidas e 1% quer ser educado, então quem escolher entreter sempre vai ganhar em alcance. Os dois brincam que, se tivessem virado comediantes, ganhariam muito mais dinheiro.</p>
<p>Antes, a informação da musculação passava por revistas, academias clássicas e atletas que tinham vencido algo concreto. O acesso era mais difícil, mas havia uma curadoria natural: para aparecer, era preciso ter atravessado a trincheira. Hoje qualquer pessoa pode se apresentar como especialista, desde que saiba chamar atenção.</p>
<p>O filtro era literal: para entrar na revista, era preciso ter vencido alguma coisa. Ben conta que passou a comprar revista em 1995, ainda menino, e que a Gold's Gym de Venice virou a meca que ele precisava alcançar. Quando finalmente parou na porta da academia, aos 21 anos, fez um compromisso consigo mesmo de ser o sujeito mais trabalhador que qualquer pessoa já tivesse conhecido.</p>
<p>O alerta é precioso para quem consome fitness nas redes. Seguir sucesso é diferente de seguir espetáculo. A pergunta prática é: essa pessoa construiu algo que resiste ao tempo ou apenas aprendeu a performar autoridade?</p>

<h2>A infância entre atletas e a força dos mentores</h2>
<p>Mike descreve uma formação muito cedo dentro de ambientes de força. Aos 12 ou 13 anos, convivia com homens fortes, powerlifters e atletas que o tratavam como alguém capaz de aprender, escutar e trabalhar. Essa convivência criou referência concreta de comportamento.</p>
<p>Os nomes existem e os números também. Ele aprendeu a levantar na academia de Jeff McGrder, ao lado de Doyle Kennedy, que puxava 408 kg (900 lb) no levantamento terra, e de Chuck McGrder, primeiro homem a fechar 274 kg (605 lb) no supino na categoria até 110 kg (242 lb). Mike diz que achava que aquilo era gente comum, sem saber que convivia com os homens mais fortes do mundo, e que eles o tratavam como adulto: tapa na cabeça, amônia, empurrão nas costas e cobrança.</p>
<p>O detalhe importante é que a admiração não virou cópia. Vendo aqueles caras enormes e gordos, o garoto de 13 anos concluiu que queria a mesma força, só que definido. Foi essa mistura que ele levou para o resto da carreira.</p>
<p>A casa também pesou. O pai era professor universitário, a mãe escritora, família católica grande, e Mike é o caçula de 10 irmãos. Uma irmã venceu o Miss Seattle e ficou em 4º no norte-americano, outra venceu no caratê, o pai tinha sido fisiculturista e jogador de futebol americano e a mãe era praticante de artes marciais. Quando Joe Weider ligou oferecendo a chance na Califórnia, o pai mandou o filho arrumar as malas e sumir de casa antes das 17h, antes que a mãe chegasse. Aos outros nove filhos ele exigia faculdade, a esse disse apenas que era diferente e para ir embora.</p>
<p>A figura do mentor aparece como atalho legítimo, não como atalho preguiçoso. Um bom mentor encurta tempo porque enxerga erros antes que o iniciante consiga perceber. Pode olhar treino, físico, plano alimentar e mentalidade e dizer onde a promessa não fecha com a prática.</p>
<p>Ben é categórico sobre a velocidade desse diagnóstico: bastam 10 minutos observando alguém treinar para saber se aquela pessoa vai chegar ou não. E ele fala de dentro, porque em 2012, quando virou pai, contratou mentores por se sentir perdido, começou a ler tudo e a perguntar tudo, no lugar de improvisar.</p>
<p>Há também a defesa da figura do “avô” simbólico: homens mais velhos, experientes e respeitados, capazes de orientar uma geração que nem sempre aceita ouvir o próprio pai. A maromba antiga tinha muito disso. Academia não era apenas lugar de aparelho. Era comunidade, correção, provocação, piada, cobrança e pertencimento.</p>
<p>A regra que Ben enuncia é quase cruel de tão exata: o garoto não vai ouvir o pai, mas pode ouvir o avô. O filho dele, de 14 anos, é o exemplo em casa, um bom menino que insiste em bater de frente com os mesmos erros que o pai já cometeu. Do lado de Mike, a versão prática disso é a casa dele, que ele descreve como uma ONU com entrada pela academia: em qualquer hora do dia entra um jogador da NFL, um lutador de MMA ou o Big Show, com 2,18 m e 227 kg, e o filho de 6 anos aparece propondo luta.</p>

<h2>A irmandade que a maromba perdeu</h2>
<p>Um bloco importante compara a cultura old school com o ambiente atual. A antiga irmandade do ferro tinha competição, mas também tinha ajuda. O atleta queria vencer, mas queria que o outro chegasse no melhor nível possível. Havia espaço para cutucar, corrigir, treinar junto e puxar mais forte.</p>
<p>O problema moderno é o excesso de individualismo. Quando tudo gira em torno de “meu shape”, “meu sucesso” e “minha imagem”, fica mais difícil construir comunidade. A musculação perde densidade quando cada um tenta subir colocando o outro para baixo.</p>
<p>Há ainda uma explicação material para o fim daquela convivência. Ben lembra que, antigamente, os atletas profissionais treinavam na mesma academia dos fisiculturistas porque não existia alternativa. Hoje eles têm centros privados de 100 milhões de dólares e contratos de 50 milhões por ano no beisebol, então simplesmente não passam mais pela Gold's. Sem esse cruzamento diário, a camaradagem que existia se dissolveu sozinha.</p>
<p>A comparação com o jiu-jítsu é interessante: ali ainda existe, em muitos lugares, uma cultura de treino compartilhado, graduação, respeito e troca diária. A provocação é trazer esse espírito de volta para o fisiculturismo. Há espaço para todo mundo crescer quando o grupo melhora junto.</p>

<h2>Ser forte para a vida inteira</h2>
<p>O corpo grande não deveria virar prisão. A meta apresentada é clara: ser atleta aos 80 anos. Isso significa manter força, mobilidade, coordenação, capacidade de correr, brincar com filhos e netos, praticar esportes e aceitar desafios físicos variados.</p>
<p>A meta é de Ben, e ele a chama de métrica pessoal: ser atleta aos 80 anos, jogar basquete, beisebol, futebol americano, hóquei, nadar, correr e pedalar. Hoje, viajando muito, ele treina em média 3 vezes por semana em academia e completa o resto com yoga, mobilidade e peso corporal, e diz estar mais capaz fisicamente do que era aos 20 e poucos anos. O critério que ele usa é simples: consigo correr e jogar com meus filhos?</p>
<p>Mike concorda pelo caminho inverso, o de quem nunca parou de ser atleta. Enquanto competia no Mr. Universe, ele também fazia powerlifting e judô e ainda participava do programa Gladiators, aos 20 anos na primeira temporada e de novo aos 40. A referência de longevidade que ele cita é Robby Robinson, que aos 80 anos ainda destrói gente na academia, o que dá a Mike, na conta dele mesmo, mais 20 anos para alcançar.</p>
<p>O contraponto sombrio aparece logo no começo da conversa. Mike lamenta a aceleração das mortes no fisiculturismo, cita parceiros de treino que se foram, entre eles Joe D'Angelus, Rich, Doug e Shad, e conta o caso de um amigo que perguntou a dose a um atleta conhecido e ouviu que ele tomava 1 frasco de testosterona, 1 de deca e 1 de boldenona, não 1 ml. Vale o registro editorial: doses assim não são referência de nada, e a conversa toda do episódio existe justamente para defender o oposto disso.</p>
<p>A musculação entra como base, mas não como limite. Um corpo que só funciona em máquina, com movimento curto e rigidez excessiva, perde liberdade. A ideia de capacidade física é simples: se o corpo impede uma atividade que você gostaria de fazer, uma parte da vida foi tirada da mesa.</p>
<p>Ben chama isso de liberdade física e coloca acima de quase tudo. Se ele acorda com vontade de jogar basquete, correr, pedalar ou treinar jiu-jítsu, o corpo tem que permitir. No dia em que não permitir, aquela atividade sai da mesa e a liberdade encolhe. Lesão vai acontecer, mas o trabalho é manter músculo forte, articulação saudável e tecido resiliente para reduzir o tamanho do estrago.</p>
<p>Por isso aparecem yoga, mobilidade, exercícios com peso corporal, esportes, movimentos reflexivos e práticas que exigem coordenação. O objetivo não é abandonar hipertrofia. É lembrar que músculo precisa servir ao movimento, não apenas à foto.</p>

<h2>Rigidez e fluidez</h2>
<p>Uma distinção técnica ajuda a explicar o raciocínio. A sala de musculação desenvolve rigidez no bom sentido: capacidade de contrair, produzir força e controlar músculo. Isso é indispensável para força e hipertrofia.</p>
<p>Mas existe outro lado: fluidez. Esporte, saltos, mudanças de direção, lutas, brincadeiras e movimentos imprevisíveis exigem resposta rápida do corpo. O sistema nervoso precisa perceber espaço, ajustar posição e reagir sem transformar cada gesto em cálculo consciente.</p>
<p>A distinção tem base neural. A rigidez é controle motor de cima para baixo, com o cérebro mandando o bíceps ou o quadríceps contrair, de forma intencional. A fluidez é de baixo para cima, com os neurônios motores inferiores informando os superiores, e por isso é reflexiva. Ben usa a cama elástica como exemplo: o corpo sente a lona e o cérebro precisa descobrir onde ele está no espaço, sem tempo para pensar.</p>
<p>O treino disso é banal e barato. Cama elástica, saltos sobre superfície instável, alguém jogando uma bola para você pegar, esporte com mudança de direção. Ben pratica ginástica com a filha, que foi ginasta, e diz que quem só treina contração pesada acaba pulando com cara de girafa recém-nascida.</p>
<p>Quando o treino só reforça contração pesada e previsível, o atleta pode ficar grande, forte e travado. A proposta é manter os dois lados: músculo denso e corpo vivo. Para quem quer longevidade, essa combinação vale ouro.</p>

<h2>Hábitos antes de discurso</h2>
<p>A parte sobre filhos e família não aparece como detalhe sentimental. Ela reforça a tese central: padrão é mais forte que palestra. Crianças observam o que os adultos fazem. Se a casa normaliza treino, comida simples, esporte, desafio e responsabilidade, esses hábitos deixam de parecer castigo.</p>
<p>A frase que Ben usa é direta: criança vê 100% do que você faz e escuta 0% do que você fala. Ele conta que o filho já lhe disse, em outras palavras, exatamente isso, que não quer ser ensinado, quer ser liderado. Na casa dele a sala não tem móveis, só tatames de luta, e ele repete que não vai ser o pai que chega do trabalho, senta no sofá, abre uma cerveja e liga a televisão para em seguida mandar o filho ir fazer a lição.</p>
<p>Do lado de Mike, o padrão aparece nas histórias do filho de 6 anos. Aos 3 anos, na pré-escola, o menino viu a professora auxiliar abrindo um pacote de bolachas industrializadas e decretou que aquilo era porcaria, apelido que grudou nela pelo ano inteiro. Em outra ocasião, levado à fábrica de rosquinhas de um amigo da família, viu tudo ser produzido, achou ótimo e recusou a rosquinha no fim do passeio. Mike cresceu em fazenda comendo ovo e aveia de manhã e frango com batata à tarde, o que hoje qualquer pai chamaria de dieta de fisiculturista e que, para ele, é só comida.</p>
<p>A diferença entre expectativa e padrão é importante. Expectativa soa como cobrança: “você precisa fazer”. Padrão soa como cultura: “é assim que vivemos”. O pai que exige disciplina sentado no sofá, bebendo e fugindo do próprio treino, perde autoridade moral.</p>
<p>No caso de Ben, isso significa treinar, comer, pedalar e jogar golfe junto nos fins de semana, sem discurso, o que joga a pressão para cima dele e não para cima das crianças. Ele reconhece que no começo foi militante demais, tratando saúde como imposição, e que o motor daquilo era a própria história: cresceu em família de obesos e alcoolistas e não queria repetir aquele destino. A citação que ele usa para se vigiar é de Mark Twain, sobre filhos serem amaldiçoados pelos sonhos não realizados dos pais.</p>
<p>Mike aplica o mesmo princípio pelo avesso, evitando ser o técnico do próprio filho. Ele não manda o menino lutar nem treinar, apenas deixa disponível e entra na brincadeira quando o filho chega querendo mostrar um golpe. O que ele festeja em casa não é o troféu do torneio, é o menino chegar dizendo que está se esforçando e que precisa trabalhar mais.</p>
<p>A mesma lógica vale para adultos sem filhos. O ambiente molda decisão. Quem se cerca de gente que treina, come melhor, trabalha duro e pergunta melhor tende a elevar o próprio nível. Quem vive em ambiente de desculpa, conforto e gratificação imediata precisa remar contra correnteza todos os dias.</p>
<p>Ben ainda faz uma acusação incômoda sobre comida de criança. Segundo ele, o pai que insiste que criança precisa de açúcar quase sempre está justificando o próprio desejo, porque não suporta a ideia de o filho comer melhor do que ele. E o único hábito que ele considera realmente decisivo para transferir aos filhos é a disposição de escolher o desconforto no lugar do conforto imediato.</p>

<h2>Nutrição nem sempre é o problema</h2>
<p>Ao discutir os pilares de um corpo magro, saudável e musculoso, a estrutura fica simples: comer, pensar, respirar, dormir, mover-se e cuidar do ambiente. Ambiente inclui luz, pessoas, rotina e estímulos. Tudo se conecta.</p>
<p>São 6 pilares, e Ben insiste que não existe um sétimo, porque só há 6 formas de interagir com o organismo humano. Por isso ele se recusa a colocar os pilares em ordem de importância: a ordem é individual, e o método é fazer uma autoavaliação e atacar o pilar mais quebrado, ou o mais fácil de assumir de imediato.</p>
<p>Ele acopla a isso um segundo conceito, o de capacidade funcional, que define como a capacidade de sustentar responsabilidades. Ela se decompõe em 4 medidas: energia, resiliência ao estresse, capacidade física e capacidade mental. É esse quadro que permite dizer a alguém que ele é ótimo nos negócios e um desastre no corpo, sem precisar de julgamento moral.</p>
<p>Uma observação vale atenção: muita gente acha que tem problema de nutrição, mas na verdade tem problema de comportamento. A pessoa sabe o básico do que comer, mas usa comida como anestesia para estresse, ansiedade, medo ou exaustão. Nesse caso, trocar o cardápio sem mexer na causa pode falhar rápido.</p>
<p>A ordem das prioridades muda conforme o indivíduo. Para alguns, sono vem primeiro. Para outros, movimento. Para outros, ambiente, estresse ou comida. O ponto é fazer uma autoavaliação honesta e atacar o gargalo mais importante, não copiar a planilha de outra pessoa.</p>

<h2>Família, missão e a segunda montanha</h2>
<p>Depois de certo nível de conquista, mais músculo, mais dinheiro ou mais aplauso não respondem tudo. A ideia da segunda montanha aparece justamente aí: após alcançar o objetivo que parecia definitivo, o homem precisa descobrir para que serve a força construída.</p>
<p>Ben descreve o percurso em etapas: o homem começa com uma vida centrada em si mesmo, o ego o empurra a conquistar coisas para provar que é significativo e, depois de algum sucesso, sobra tempo, energia e recurso para perguntar por que ele está aqui. É nesse ponto que muitos encontram Deus ou a família, e é onde a autogratificação envelhece.</p>
<p>Com Mike, a virada teve nome. Ele dizia que não queria filhos, só cachorros, justamente por vir de uma família de 10, e quem o demoveu foi o amigo Shad, com conversas longas e repetidas ao longo do tempo. Shad morreu depois, ao entrar no mar para buscar o próprio filho. Mike diz hoje que não liga para o que a internet fala dele, e sim para o que a família vai dizer quando ele morrer.</p>
<p>Família, serviço, mentoria, comunidade e autenticidade entram como parte dessa resposta. O sucesso deixa de ser apenas vencer no palco ou ganhar dinheiro. Passa a ser também ser bom pai, bom parceiro, bom filho, bom irmão, bom líder e alguém lembrado com respeito pelos mais próximos.</p>
<p>Essa virada ajuda a explicar a noção de legado. Legado não é só currículo. É o padrão que outros repetem porque conviveram com ele. É a frase “você me lembra seu pai” soar como elogio, não como peso.</p>
<p>O melhor exemplo dessa contabilidade veio de um bilionário que Mike conheceu viajando. Perguntado sobre o que o fazia bem-sucedido, o sujeito não citou dinheiro: disse que era o fato de os filhos já adultos voltarem para casa no Natal e continuarem procurando o pai. Ben, que passou de solteiro morando sozinho a líder de uma casa de 5 pessoas em 18 meses, resume o próprio desejo em uma frase que repete diariamente aos filhos: que sejam felizes e livres do sofrimento. Ele não faz questão de que sejam ricos.</p>

<h2>Missão, mapa e mentor</h2>
<p>A parte final organiza uma ferramenta simples para aprender qualquer coisa: missão, mapa e mentor. A missão estreita o foco. O mapa antecipa o caminho, os obstáculos e os passos. O mentor encurta tempo, corrige rota e impede desperdício de energia.</p>
<p>A missão, na definição de Ben, tem prazo e nasce de um propósito, porque sem recorte o sujeito se perde diante de toda a informação já produzida na história. Às vezes o mentor vem antes do mapa, já que é ele quem ajuda a desenhar o caminho. Ben conta que passou a construir esquemas assim por necessidade: tem dislexia e uma memória que descreve como atroz, então precisou transformar tudo em estrutura para conseguir lembrar.</p>
<p>Mike reconhece a mesma origem. Ele passou o ensino médio inteiro em classe especial, não conseguia ler, e hoje trata a dislexia como superpoder e não como limitação, do mesmo jeito que Mark Bell, com quem conversa sobre isso. A ressalva que Ben faz é honesta: o obstáculo só vira vantagem quando a pessoa se recusa a se enxergar como vítima dele.</p>
<p>Essa estrutura dialoga com a própria trajetória de Mike. Ele sempre pareceu funcionar por padrões claros: visualizar o físico que queria, trabalhar sobre ele, manter padrão alto, ouvir quem fazia sentido e ignorar validação que desviava da identidade.</p>
<p>Para o leitor, a aplicação é direta. Não basta dizer “quero melhorar”. Melhor em quê? Em quanto tempo? Com qual rotina? Com qual referência? Quem pode corrigir quando o ego atrapalhar? Sem essas respostas, o sonho vira barulho.</p>
<p>O método que os dois usam para ensinar é o socrático: perguntar em vez de responder. Ben faz isso com os filhos, obrigando cada pedido a passar por um porquê, porque considera pensamento crítico a lição mais importante que pode deixar. E estende a regra até a tecnologia, dizendo que a inteligência artificial dá respostas ruins mas funciona bem como parceira, desde que as perguntas sejam boas.</p>

<h2>As lições de Mike O'Hearn</h2>
<p>A trajetória deixa um conjunto de lições úteis para a maromba atual:</p>
<ul>
  <li>o físico deve expressar identidade, não apenas obedecer juiz</li>
  <li>título sem processo não sustenta realização</li>
  <li>meta grande vale pela pessoa que obriga você a se tornar</li>
  <li>sucesso real pede trabalho, estudo, repetição e paciência</li>
  <li>mentores encurtam tempo porque enxergam erros antes do iniciante</li>
  <li>músculo precisa servir ao movimento e à vida</li>
  <li>hábitos familiares ensinam mais que discurso</li>
  <li>legado é o padrão que permanece quando o palco acaba</li>
</ul>
<p>Essa combinação explica por que Mike permanece relevante depois de tantas décadas. Não é apenas por ter sido grande, forte ou famoso. É porque a figura dele representa uma ideia de força que mistura corpo, conduta, longevidade, família e presença.</p>

<h2>Conclusão</h2>
<p>Mike O'Hearn aparece como símbolo de uma maromba menos ansiosa por aplauso e mais comprometida com construção. A mensagem central é dura para uma época de pressa: o caminho importa mais que a foto final, e o corpo só vira legado quando carrega valores junto com massa muscular.</p>
<p>Para quem treina, a aula é simples e incômoda. Pare de buscar validação rápida. Escolha um padrão alto, encontre mentores de verdade, cuide do corpo para durar e transforme disciplina em cultura diária. O troféu pode até vir. Mas a vitória maior é se tornar alguém que continuaria treinando mesmo se ninguém estivesse olhando.</p>
<p>O fecho prático fica com Mike falando do próprio filho, que os médicos estimam que chegará a 2,06 m. Ele não quer campeão, quer que o menino tenha coordenação nessa altura e saiba se defender, sem nunca sentir que foi obrigado. Ben lembra que Jocko Willink obrigou os quatro filhos ao jiu-jítsu, todos pararam em algum momento e depois voltaram por conta própria, e conclui que o que sustenta tudo é criar um padrão familiar em que todo mundo esteja na mesma página.</p>

<h2>FAQ</h2>
<h3>Qual é a principal lição de Mike O'Hearn?</h3>
<p>A principal lição é colocar o processo acima da validação externa. O físico deve ser construído com identidade, disciplina e longevidade, não apenas para agradar juízes.</p>
<h3>Por que Mike O'Hearn fala tanto de legado?</h3>
<p>Porque o legado vai além de títulos. Ele envolve família, mentoria, exemplo diário, comunidade e a forma como uma pessoa influencia quem treina ao seu redor.</p>
<h3>O que significa treinar para ser atleta aos 80 anos?</h3>
<p>Significa manter força, mobilidade, coordenação e liberdade física para praticar esportes, brincar com a família e continuar ativo durante o envelhecimento.</p>
<h3>Bodybuilding deve ser visto como esporte ou arte?</h3>
<p>A leitura apresentada trata o fisiculturismo como arte corporal avaliada em competição. Por isso, o atleta não deveria perder a própria identidade tentando obedecer apenas ao gosto dos juízes.</p>
<h3>Qual é a diferença entre expectativa e padrão na disciplina?</h3>
<p>Expectativa é cobrança isolada. Padrão é cultura vivida todos os dias. Filhos, alunos e atletas aprendem mais quando veem disciplina sendo praticada do que quando apenas escutam ordens.</p>
<h3>Quais são os 6 pilares de um corpo magro e musculoso citados no episódio?</h3>
<p>Comer, pensar, respirar, dormir, mover-se e o ambiente, que inclui luz e pessoas. Segundo Ben Pakulski, existem apenas essas 6 formas de interagir com o organismo, e não há ordem fixa de importância: cada pessoa deve atacar primeiro o pilar mais quebrado.</p>
<h3>O que é capacidade funcional?</h3>
<p>É a capacidade de sustentar responsabilidades, medida em 4 eixos: energia, resiliência ao estresse, capacidade física e capacidade mental. Serve para diagnosticar de forma objetiva onde alguém está falhando.</p>
<h3>Mike O'Hearn já mudou o físico por causa de juízes?</h3>
<p>Não. Depois de vencer o Mr. Universe, ouviu dos juízes que precisaria de mais 13,6 kg (30 lb) e ignorou a sugestão. Quem relata ter cedido uma única vez foi Ben Pakulski, que parou de treinar panturrilha a pedido de Flex Wheeler e rasgou as duas no ano seguinte.</p>

<h2>Referências</h2>
<ol>
  <li>BEN PAKULSKI - MUSCLE INTELLIGENCE. <em>Mike O'Hearn: Why I Ignored The Judges (And Built a Legacy)</em>. [S. l.], 27 jan. 2026. Disponível em: <a href="https://www.youtube.com/watch?v=SdihlIawFrA" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://www.youtube.com/watch?v=SdihlIawFrA</a>. Acesso em: 2 ago. 2026.</li>
</ol>]]></description><guid isPermaLink="false">1127</guid><pubDate>Wed, 29 Jul 2026 22:19:00 +0000</pubDate></item><item><title>Felipe Franco, Olympia e legado: as li&#xE7;&#xF5;es de uma carreira constru&#xED;da no esporte</title><link>https://fisiculturismo.com.br/mat%C3%A9rias/gente/felipe-franco-olympia-e-legado-as-li%C3%A7%C3%B5es-de-uma-carreira-constru%C3%ADda-no-esporte-r1119/</link><description><![CDATA[
<p><img src="https://cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2026_08/felipe-franco-aula-universidade-quadro-negro-capa.webp.628da4fc7363ca734776943b9b1aff3c.webp" /></p>
<p>Um físico competitivo pode abrir portas, mas não sustenta uma carreira inteira sozinho. Em "FELIPE FRANCO - RUMO AO OLYMPIA?", do Monster Cast, Felipe Franco aparece menos como personagem de bastidor maromba e mais como alguém tentando organizar a própria história em torno de 5 eixos: treino, palco, dinheiro, família e política esportiva.</p>
<p>O ponto forte não é só a ambição de chegar ao Olympia. É a forma como ele liga essa ambição a uma trajetória anterior, marcada por sala de musculação, exposição na internet, patrocínios, erros de agenda, amadurecimento público, formação em educação física e tentativa de usar a política como extensão do legado no esporte.</p>
<h2>Do aluno da musculação ao nome que popularizou o fitness</h2>
<p>Felipe se coloca como um dos nomes que ajudaram a levar a musculação brasileira para a internet quando ainda não existia o mercado atual de influenciadores fitness. A lembrança central é de um período em que ensinar execução, falar de técnica e mostrar treino com linguagem direta ainda parecia novidade.</p>
<p>Antes de ser produto, o estilo nasceu de uma paixão pela sala de musculação. Ele descreve a própria transformação a partir da educação física, da prática diária e da disposição de ensinar exercício tanto para atleta quanto para aluno iniciante ou pessoa comum que entrava na academia procurando orientação.</p>
<p>O detalhe que ele usa para medir o estranhamento da época é concreto. Entrou numa sala com 60 pessoas treinando, junto com mais 1 profissional, e deu aula para todas ao mesmo tempo. Explicar a execução de uma remada, o músculo envolvido e a fisiologia por trás disso fazia as pessoas acharem que ele era louco. Também tratou a própria sala como laboratório, comparando resposta de alunos ao supino, ao volume alto com intensidade média e ao volume baixo com intensidade alta, para entender qual biotipo respondia a quê.</p>
<p>A formação sustenta esse hábito. Ele entrou na faculdade de educação física aos 17 anos, direto da escola, cursou 4 anos de licenciatura e só teve a disciplina de musculação no último ano, o que o deixou indignado o suficiente para estudar contração muscular por conta própria. Depois somou 2 pós-graduações.</p>
<p>Essa é uma das lições mais fortes da trajetória: autoridade não nasce apenas de shape. Nasce de repetição, presença, estudo e capacidade de transformar o conhecimento em algo que outra pessoa consegue usar.</p>
<h2>A primeira fase foi desbravar</h2>
<p>Felipe reforça que muita gente que chegou depois não viu o ambiente anterior ao estouro do bodybuilding brasileiro na internet. Ele fala de capas de revista, aparições na televisão, crescimento rápido de audiência e entrada em marcas quando a comunicação fitness ainda era menos profissionalizada. São 6 revistas com ele na capa guardadas em casa, e o estouro levou cerca de 3 anos, tempo em que ele mesmo diz não ter entendido quase nada do que estava acontecendo.</p>
<p>A demora anterior é a parte que costuma sumir da história. Ele levou 6 anos para vencer alguma coisa, e a primeira vitória nem foi no fisiculturismo, foi no fitness. O primeiro canal de musculação também não era dele sozinho, era dividido com um sócio, e cresceu a ponto de virar porta de entrada para outros nomes do meio.</p>
<p>O salto para a categoria de bermuda aparece como parte desse processo. Ao identificar uma categoria nova, mais alinhada ao seu biotipo e ao momento do mercado, ele viu uma oportunidade de competir, comunicar e construir imagem em uma direção diferente do fisiculturismo mais tradicional.</p>
<p>O Arnold Brasil de 2013 surge como marco simbólico. A vitória e a feira fitness fervendo ajudam a explicar por que a carreira de Felipe se tornou uma referência para a geração que aprendeu musculação pela internet, pelas hashtags, pelos treinos filmados e pela estética de lifestyle ligada ao bodybuilding.</p>
<p>O contrato daquela fase mostra o tamanho do mercado na época. Ele venceu esse primeiro Arnold Brasil recebendo cerca de 1.000 reais em suplementos, dentro de um acordo cujo valor de multa girava em torno de 15.000 reais por ano. A virada veio na marca seguinte, com 2.500 reais em dinheiro por mês, número que ele diz lembrar até hoje porque foi a primeira vez que enxergou a possibilidade de ganhar dinheiro sendo atleta.</p>
<h2>Olympia como última fronteira simbólica</h2>
<p>O Olympia aparece como a peça que ainda falta para fechar a narrativa competitiva. Felipe trata a ida ao palco com ambição explícita, fala da frustração por não ter conseguido ir em anos anteriores por causa do visto e demonstra confiança em resolver esse obstáculo.</p>
<p>O problema do visto tem número e culpa assumida. Ele se classificou 2 anos seguidos, tem 2 medalhas de participação em casa e ficou sem ir porque só corria atrás do visto na véspera de subir, erro que reconhece como próprio. Para 2023 ele antecipou o processo, com a primeira tentativa marcada para o fim de fevereiro e mais 2 chances no Rio de Janeiro, em São Paulo e em Brasília. O calendário de classificatórias que ele desenhou tinha 3 paradas: uma na Bahia em junho, uma no Chile em 21 de maio e uma em Curitiba.</p>
<p>Ele também compara o palco de antes com o de agora. Quando subia, a categoria tinha de 13 a 15 atletas no Olympia, contra a lotação atual que ele considera bagunça.</p>
<p>A disputa não é apresentada apenas como medalha. É uma validação simbólica. Depois de ter sido pioneiro em mídia, vencido campeonatos importantes, criado mercado e acumulado história, o Olympia vira o lugar onde a carreira competitiva poderia receber uma resposta definitiva.</p>
<h2>O último lugar no Olympia de 2022 e a campanha que atropelou a preparação</h2>
<p>A parte que ele não esconde é a de 2022, quando subiu na classic physique no Mr. Olympia e ficou em último, sem ser chamado para a primeira comparação. A explicação não é desculpa, é agenda. No meio da preparação ele estava em campanha para deputado, e a conta que apresenta é de 11.000 quilômetros rodados em 31 dias, 100 academias visitadas e mais de 10.000 fotos tiradas.</p>
<p>O custo apareceu no treino e na dieta. Havia dias sem treino por cansaço físico e mental de sorrir, palestrar e atender gente o dia inteiro, e dias sem a comida certa. Ele dormia em uma cama diferente por noite, com a esposa grávida de cerca de 1 mês viajando junto em parte do trajeto. Era também a primeira vez que fazia uma rotina de poses de classic, categoria que exigiu aula específica com um treinador de poses. A frase com que resume a experiência é curta: sabia que não ia forçar, mas não esperava ficar em último.</p>
<p>Essa postura explica o tom de provocação quando ele fala de críticas, comparações de altura, top 5 e julgamento internacional. O recado é direto: a motivação não vem só de elogio. Também vem da contestação.</p>
<p>O estopim foi um árbitro do Olympia dizendo que ele não entraria no top 5 e ficaria no top 10. A resposta de Felipe foi propor que o árbitro tatuasse as iniciais dele caso fosse campeão. A provocação virou aposta ao vivo: 10.000 reais de um dos apresentadores, mais 10.000 de um empresário, mais 5.000 de outro convidado e mais 5.000 de um espectador, chegando a algo em torno de 35.000 reais em jogo, com a cláusula de que nada valeria se o visto não saísse.</p>
<p>Ele também relativiza a derrota mais citada contra ele, que foi por 1 ponto de diferença, e lembra que havia vencido Goiânia e se classificado com 4 meses de preparação pela frente até o Olympia.</p>
<h2>Política como extensão do esporte</h2>
<p>A parte política começa com uma explicação de agenda, mas cresce para uma visão mais ampla. Felipe rejeita a ideia de que entrou na política por salário ou conveniência. O argumento apresentado é que a política pode ser um caminho para dar voz ao esporte, não apenas ao fisiculturismo.</p>
<p>Ele cita a inspiração em Arnold Schwarzenegger e defende que atletas de diferentes modalidades precisam de apoio, reconhecimento e caminhos institucionais. A pauta envolve incentivo à atividade física, atenção à obesidade, apoio a atletas com pouca estrutura e projetos para profissionais de educação física.</p>
<p>O raciocínio é simples: o esporte tem impacto em saúde, juventude, terceira idade e inclusão, mas nem sempre tem representação forte. Se não houver alguém disposto a organizar demanda, projeto e conversa institucional, a reclamação fica solta. O argumento financeiro que ele usa contra a acusação de oportunismo é direto: o salário gira em torno de 30.000 reais, valor que não compensaria para quem já vive de outras fontes.</p>
<p>Os projetos que ele cita são específicos. Um deles leva a educação física para a grade curricular de crianças de 4 a 6 anos, faixa em que hoje ela não existe. Outro é a revitalização de praças com aparelhos de concreto, no modelo de academia de pedra, como primeiro contato para quem nunca treinou. Ele também quer mexer na merenda escolar e discute levar musculação para dentro da escola, no lugar de apenas soltar a bola na aula de educação física. O caminho institucional dele passou por diretor de secretaria de esporte e por suplente de vereador antes da eleição para deputado estadual, com o mandato começando em 15 de março.</p>
<h2>Educação física, conselho profissional e capacitação</h2>
<p>Uma discussão importante envolve a profissão de educação física. Felipe reconhece a crítica ao baixo valor pago por hora em muitas academias, mas defende que a solução não é liberar qualquer pessoa para dar aula de qualquer jeito.</p>
<p>A preocupação central é capacitação. A ideia de proteger a profissão aparece junto de uma comparação com áreas como medicina, nutrição, engenharia e direito, que possuem instâncias de orientação, exigência e responsabilização.</p>
<p>Há uma tensão real nesse ponto. O mercado paga mal, a formação pode ser desigual e muitos profissionais precisam buscar especialização fora do básico. Ainda assim, a resposta defendida não é abandonar critério. É formar melhor, cobrar melhor e organizar a categoria com mais força.</p>
<p>Os números da reclamação aparecem na conversa. Um espectador escreveu que ninguém vai se especializar em osteoporose, diabetes e hipertensão para dar aula por 12 reais a hora. Felipe concorda com o diagnóstico e responde com a própria trajetória: ganhava 5,50 reais por hora-aula na época dele. O modelo que propõe no lugar dos 4 anos de faculdade é 6 meses de teoria, 6 meses de estágio e cerca de 1 ano e meio de prática, somados a uma especialização de 18 meses, com fiscalização do conselho por cima.</p>
<p>Para mostrar por que o critério importa, ele monta um exemplo em cima de um interlocutor com 10 anos de treino e nenhuma formação: chega uma aluna com diabetes, pressão alta e osteoporose ao mesmo tempo. Saber treinar não resolve aquilo.</p>
<h2>Dinheiro, patrocínio e a armadilha do passivo</h2>
<p>Felipe fala de dinheiro com um pragmatismo que vale para qualquer atleta. A carreira pode sair de 1.000 reais por mês para valores muito maiores, mas esse salto pode destruir quem não sabe lidar com a nova realidade.</p>
<p>O perigo descrito é associar todo ganho novo a consumo imediato: carro, casa, roupa, luxo e recompensa sem planejamento. A lógica do passivo aparece como alerta. Se o atleta não cria ativos, reserva e direção, pode voltar ao zero depois de uma fase de visibilidade.</p>
<p>Isso também explica a diferença entre viver bem e comprar símbolos para provar sucesso. A recompensa tem lugar, mas não pode tomar o controle da estratégia.</p>
<p>A estrutura atual dá a dimensão do que ele construiu fora do palco: 13 patrocinadores, 5 clínicas que trabalham coleta de sangue, exame de imagem e acompanhamento de alunos, e um contrato de equipamentos de academia que já dura 8 anos. E há um contraponto ao discurso de acúmulo. Quando venceu uma premiação, ele dividiu os 60.000 reais com outros atletas e não postou nada sobre isso, o que só veio à tona porque um dos beneficiados contou ao vivo.</p>
<h2>Família e maturidade pública</h2>
<p>Outro ponto recorrente é a mudança de postura. Felipe fala de um momento mais calmo, ligado à família, à paternidade, ao cuidado com a esposa e ao amadurecimento trazido pela política.</p>
<p>Isso não significa virar outra pessoa. Significa escolher melhor onde gastar energia. A figura pública que viveu polêmicas, brincadeiras e linguagem mais agressiva passa a tentar organizar uma imagem de pai, empresário, atleta e representante esportivo.</p>
<p>Essa transição é relevante porque mostra que longevidade no meio fitness não depende apenas de continuar grande. Depende de atualizar a própria identidade sem apagar a história que trouxe a audiência até ali.</p>
<h2>O lado sensível dos anabolizantes</h2>
<p>A história inclui uma admissão aberta de que ele não é natural e um relato sobre o primeiro contato com anabolizantes ainda jovem, em um contexto de pouco dinheiro, pouca informação e risco de produto ruim. Esse trecho precisa ser lido com cautela.</p>
<p>O relato tem data e preço. O primeiro ciclo foi aos 17 anos, sozinho, só com comprimido comprado em farmácia de manipulação por cerca de 150 reais, sem base de testosterona e sem saber que ela era necessária. O aprendizado veio de leitura solta, e o dinheiro definia a escolha: pegava o que fosse mais barato. Na mesma conversa ele descreve o frasco injetável de 30 mL que saía por cerca de 90 reais e que, segundo ele, mal tinha princípio ativo, com o resto sendo água.</p>
<p>O anúncio mais forte da conversa, porém, é sobre o presente. Felipe se apresenta como natural naquele momento e diz, com todas as letras, que em 2023 passaria a usar hormônio pela primeira vez em uma preparação, justamente para tentar o Olympia. Ele antecipa o impacto disso em quem o acompanha e afirma que atualizaria o público ao longo do ano. É também ele quem diz preferir dose baixa, quem lembra que fica 15 dias sem treinar nas férias e quem responde a uma pergunta sobre gramas por semana falando em algo em torno de 2 g como teto de princípio ativo, sempre como relato pessoal.</p>
<p>O ponto editorial responsável não é romantizar uso, nem transformar relato pessoal em orientação. A lição mais útil é outra: decisões hormonais tomadas cedo, sem acompanhamento e com informação incompleta podem carregar riscos importantes. Mesmo quando alguém constrói resultado, isso não torna a escolha segura para o público.</p>
<p>Para leitores comuns, especialmente jovens, o recado deve ser claro. Anabolizantes não são atalho educativo. O uso sem indicação médica e sem acompanhamento pode trazer danos cardiovasculares, hormonais, hepáticos, psiquiátricos e reprodutivos. A experiência de um atleta profissional não deve ser copiada como receita.</p>
<h2>Fé, energia e treino como comportamento</h2>
<p>Felipe usa a metáfora da bateria do celular para falar de energia diária. A tomada, na visão dele, é Deus. Essa leitura ajuda a entender o modo como ele mistura disciplina, fé e entrega ao objetivo.</p>
<p>Também há uma lembrança marcante sobre falar em público. A primeira palestra foi em Brasília, para 475 pessoas, logo depois de um palestrante de peso deixar o palco. Ele subiu tremendo, pediu desculpas à plateia e só se soltou depois dos 40 primeiros minutos. O medo vinha da escola, onde era zoado quando precisava falar na frente da turma. A conclusão prática é simples: performance também se treina fora do palco.</p>
<p>No fim, musculação vira linguagem para uma ideia maior. Repetição, coragem, preparo e exposição constroem a pessoa junto com o físico.</p>
<h2>Chegar 7 dias antes e o episódio dos halteres de 100 kg</h2>
<p>A parte operacional da carreira é onde ele é mais específico. A regra é chegar 7 dias antes da competição e não fazer turismo. Ele diz não saber como são as cidades para onde viajou porque a rotina é hotel, academia e evento, e sustenta que os melhores atletas não passeiam na última semana.</p>
<p>O contraexemplo é dele mesmo, no México. Chegou ao hotel do evento e não havia geladeira, micro-ondas nem fogão. A solução foi um cooler com gelo, compra de comida todos os dias para o frango não estragar, um fogão elétrico de 1 boca, uma grelha, os ovos guardados perto do ar-condicionado do quarto e o banheiro transformado em cozinha para cortar os alimentos. Ainda por cima a competição atrasou 5 horas. Ele conta que chegou a chorar de frustração, e transformou aquilo em método: antecipar o erro que ainda não aconteceu, conferindo antes se o hotel tem esteira, se há onde guardar comida e o que precisa ir na mala.</p>
<p>Há também uma correção que ele faz sobre si mesmo. No treino de peitoral que viralizou com halteres de 100 kg, o peso era o mesmo material falso usado por outro criador, e a ideia partiu do roteirista do canal como brincadeira. Felipe assume que topou, que se arrependeu e que ficou triste com o resultado, porque gente que se espelha nele poderia tentar repetir aquilo. A carga real dele naquele exercício estava entre 70 e 80 kg. O raciocínio que ele dá para não perseguir carga máxima é de risco: 8 repetições com 70% da carga máxima entregam o que ele precisa, e uma repetição a 100% pode custar uma lesão. São 31 anos de treino pesado sem lesão grave, e hoje ele convive com uma dor no cotovelo que exige 3 séries de cerca de 20 repetições só para aquecer.</p>
<h2>Conclusão</h2>
<p>A trajetória de Felipe Franco mostra uma carreira que não cabe apenas na pergunta "vai ao Olympia ou não?". O palco importa, mas ele é parte de uma história maior sobre pioneirismo digital, educação física, política esportiva, dinheiro, família, fé e amadurecimento.</p>
<p>O ensinamento mais útil é que shape chama atenção, mas legado exige estrutura. Quem quer viver do esporte precisa treinar, estudar, comunicar, organizar dinheiro, cuidar da imagem pública e entender que influência sem responsabilidade vira ruído.</p>
<h2>FAQ</h2>
<h3>Qual é o tema central desse perfil de Felipe Franco?</h3>
<p>O tema central é a tentativa de conectar a busca pelo Olympia com a trajetória de Felipe no fitness brasileiro, incluindo carreira digital, política, educação física, família e legado no esporte.</p>
<h3>Por que o Olympia aparece como uma meta tão importante?</h3>
<p>Porque representa uma validação competitiva internacional para uma carreira que já teve pioneirismo na internet, vitórias importantes e grande influência no mercado fitness brasileiro.</p>
<h3>Felipe Franco defende a política como carreira separada do esporte?</h3>
<p>Não exatamente. A ideia apresentada é usar a política como uma extensão do trabalho no esporte, com foco em atletas, educação física, atividade física e projetos que deem mais voz ao setor.</p>
<h3>Qual é a principal lição financeira da trajetória?</h3>
<p>A principal lição é que aumento de renda sem planejamento pode virar armadilha. Atletas e influenciadores precisam evitar transformar visibilidade em consumo sem estratégia.</p>
<h3>O relato sobre anabolizantes deve ser visto como orientação?</h3>
<p>Não. Relatos pessoais de atleta não substituem avaliação médica. O uso de anabolizantes sem indicação e acompanhamento pode trazer riscos sérios e não deve ser copiado como receita.</p>
<h3>Felipe Franco era natural quando gravou essa conversa?</h3>
<p>Ele se apresenta como natural naquele momento e anuncia que em 2023 usaria hormônio pela primeira vez em uma preparação, para tentar a vaga no Olympia. Separadamente, relata um primeiro ciclo aos 17 anos, feito sozinho, só com comprimido comprado por cerca de 150 reais e sem base de testosterona.</p>
<h3>Por que ele ficou em último no Mr. Olympia de 2022?</h3>
<p>Pela agenda da campanha eleitoral, que atropelou a preparação. Foram 11.000 quilômetros em 31 dias, 100 academias visitadas e mais de 10.000 fotos, com dias sem treino e sem a dieta correta. Era também a primeira vez que ele fazia uma rotina de poses de classic physique.</p>
<h3>O que impediu Felipe Franco de ir ao Olympia nos anos anteriores?</h3>
<p>O visto americano. Ele se classificou 2 anos seguidos e não conseguiu embarcar porque só corria atrás do documento na véspera, erro que assume como próprio. Para 2023 antecipou o processo, com a primeira tentativa no fim de fevereiro.</p>
<h2>Referências</h2>
<ol>
<li>MONSTER CAST. <em>FELIPE FRANCO - RUMO AO OLYMPIA?</em>. [S. l.], 9 fev. 2023. Disponível em: <a href="https://www.youtube.com/live/uI_Q2R6huf4" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://www.youtube.com/live/uI_Q2R6huf4</a>. Acesso em: 28 jul. 2026.</li>
</ol>]]></description><guid isPermaLink="false">1119</guid><pubDate>Tue, 28 Jul 2026 17:33:00 +0000</pubDate></item><item><title>Gorgonoid: humor, opini&#xE3;o e bastidores da maromba</title><link>https://fisiculturismo.com.br/mat%C3%A9rias/gente/gorgonoid-humor-opini%C3%A3o-e-bastidores-da-maromba-r1104/</link><description><![CDATA[
<p><img src="https://cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2026_08/gorgonoid-aula-redacao-capa.webp.0b2678dcb35e88beb5968dbc31c5e65e.webp" /></p>
<p>Gorgonoid ocupa um lugar curioso na maromba brasileira: não é atleta profissional, não se vende como dono da verdade e mesmo assim virou uma das vozes que muita gente do meio assiste antes de formar opinião. Em <em>"GORGONOID - PODCAST DOS ESPECIALISTAS"</em>, do Monster Cast, o personagem que aparece por trás das piadas é um comunicador que cresceu aprendendo em público, mexendo com tecnologia, testando formatos e criando uma comunidade que acompanha fisiculturismo como quem acompanha noticiário esportivo.</p>
<p>A força dele está justamente nessa mistura. Tem zoeira, irritação, comentário de palco, bastidor de marcas, análise de internet, empreendedorismo, vida no interior, paternidade e uma lealdade rara ao público que ajudou a transformar um canal de musculação em referência cultural da maromba.</p>

<h2>O aprendiz que virou comunicador</h2>
<p>A origem do canal não começou com pose de especialista. Gorgonoid conta que, em 2016, ainda era um praticante tentando aprender e compartilhar o que descobria. Um dos primeiros conteúdos ensinava a estimar percentual de gordura em casa com fita métrica e planilha, usando a habilidade que ele já tinha com Excel e automação. Os números desse começo são modestos e ele faz questão de repetir: tinha cerca de 300 inscritos, não tinha shape e tirou o método de um estudo feito com militares, que mediam pescoço e cintura e chegavam a um valor próximo do real. A planilha foi liberada para download junto com o material, que hoje passa de meio milhão de visualizações.</p>
<p>Esse detalhe explica boa parte da conexão com o público. O ponto de partida não era o físico perfeito, o palco ou o consultório cheio. Era a dor de quem estava começando e encontrava uma ferramenta útil. Quando alguém aprende junto com a audiência, a comunicação muda de tom. Fica menos professoral e mais próxima.</p>
<p>A base técnica também não veio do fitness. Ele é formado em engenharia, trabalhava com automação industrial e chegou a criar o canal da empresa onde trabalhava para gravar aulas de automação. Comprou o primeiro computador com o dinheiro do primeiro emprego, aos 14 anos, e fez curso de informática antes de qualquer coisa ligada a academia. Recém-formado, ganhava 3.600 reais por mês, dos quais 1.300 iam para a faculdade e 600 para o boleto do carro.</p>
<p>Com o tempo, a mesma lógica migrou para outros formatos: vídeos informativos, comentários, vlogs, cortes, análises de campeonato e bastidores da indústria fitness. A persona ficou mais forte, mas a base continuou parecida. O conteúdo nasce de curiosidade, opinião própria e vontade de explicar o que está acontecendo.</p>

<h2>Opinião não é fato</h2>
<p>Um dos blocos mais importantes é a diferença entre opinião e fato no fisiculturismo. Resultado de campeonato, especialmente em categorias mais subjetivas, envolve critério, preferência de arbitragem, comparação de linha, volume, condicionamento e proporção. Dá para discordar de uma colocação sem transformar discordância em verdade absoluta. Ele separa as categorias com critério: biquíni, wellness e physique são as mais subjetivas, porque pesam muito a preferência do árbitro e o contexto do campeonato, enquanto open e classic se apoiam em quatro critérios mais duros, quantidade de massa muscular, simetria, proporção e condicionamento, com o limite de peso funcionando como trava adicional na classic.</p>
<p>Gorgonoid reconhece que comunicadores também precisam lembrar que gente nova chega todos os dias. O público antigo entende o tom, a piada e o contexto. O seguidor novo pode cair em um corte isolado e interpretar brincadeira como ataque, ou opinião como sentença técnica.</p>
<p>O contexto dessa fala é uma cobrança pública feita por Eduardo Correia a quem comenta fisiculturismo sem ter competido. Gorgonoid concorda com o fundo do argumento, mas discorda da premissa: para ele, o que houve foi subestimar a capacidade técnica dos comentaristas. Ele admite que 4 anos antes não sabia nada e diz que hoje sabe o suficiente para olhar um palco e entender o que está sendo julgado, sem disputar com Correia, Balestrin ou Pacholok quem sabe mais.</p>
<p>Essa distinção é central para a mídia maromba atual. Quem comenta palco precisa ter liberdade para discordar, mas também precisa saber quando está falando de critério objetivo e quando está apenas expondo leitura pessoal. O público, por outro lado, precisa aprender a consumir análise sem procurar briga em cada frase. A mesma régua ele aplica fora da maromba, e aí a conta fica mais cara. Cristão declarado, consome canais de filosofia e de acadêmicos que contestam consensos científicos, diz ter estudado terraplanismo e chegado à conclusão de que não sabe de nada, questiona a ida do homem à Lua e a idade estimada do universo. É a parte mais polêmica do repertório dele, rende acusações de ignorância nos comentários e ele mesmo reconhece que evita voltar ao assunto.</p>

<h2>A zoeira como linguagem do bodybuilding</h2>
<p>A zoeira aparece como parte do DNA do personagem. Memes, apelidos e tiradas improvisadas não entram como detalhe lateral. Eles funcionam como linguagem de comunidade. Em um esporte que sempre teve algo de underground, a piada ajuda a transformar nomes, episódios e rivalidades em cultura compartilhada.</p>
<p>O limite defendido é simples: respeito e brincadeira precisam coexistir. Quando qualquer piada vira ofensa imperdoável, a internet perde uma parte importante da sua energia. Ao mesmo tempo, contexto importa, porque o humor que funciona entre quem conhece o ambiente pode soar agressivo para quem chega de fora.</p>
<p>É por isso que Gorgonoid vive entre duas forças. De um lado, a espontaneidade que tornou o canal reconhecível. Do outro, a responsabilidade de saber que atletas, donos de marcas, treinadores e fãs acompanham o que ele diz.</p>

<h2>Quando a maromba virou noticiário</h2>
<p>A fase mais recente do canal ganhou força quando a cobertura de campeonatos e bastidores começou a parecer lenta ou amadora demais para o tamanho do mercado. Gorgonoid descreve uma virada durante o Olympia, quando passou muitas horas acordado publicando resultados, comentários e atualizações quase em tempo real. Os números da virada: 48 horas acordado e 16 publicações em 2 dias, tudo o que acontecia virava conteúdo. Ele conta que a motivação foi achar a cobertura existente amadora demais e concluir que conseguia fazer melhor.</p>
<p>Ali ficou claro que havia espaço para tratar fisiculturismo como notícia. O público queria saber quem venceu, quem foi injustiçado, quem melhorou, qual atleta estava em alta, qual marca estava se movimentando e qual treta tinha potencial de virar assunto.</p>
<p>Essa cobertura ajudou a puxar o nível de todo o ecossistema. Canais passaram a melhorar áudio, edição, roteiro, velocidade e opinião. O esporte continuou sendo esporte, mas ganhou linguagem de mídia diária. Ele faz questão de dividir o crédito e cita nominalmente Igor Kennedy, Brasil Bodybuilding News, Notícia Maromba e o próprio Jason como canais que subiram de nível depois disso, e reconhece que o Notícia Maromba já fazia um trabalho bom porque se propôs desde o início a publicar notícia sem opinião. Para um nicho acostumado a esperar revista, fórum ou bastidor de academia, isso mudou a relação do público com o palco.</p>

<h2>Tecnologia como vantagem competitiva</h2>
<p>O diferencial técnico também pesa. Gorgonoid fala de OBS, atalhos, edição, planilhas, aplicativos e rotina de produção como alguém que realmente entende a ferramenta. O comunicador não depende apenas de carisma. Ele construiu uma operação de conteúdo. A rotina é industrial: edita por volta das 8 horas da manhã para o conteúdo estar no ar às 9, comprime tudo para menos de 1 minuto e publica o mesmo material no Shorts, no Instagram e no TikTok. Faz isso sozinho, todos os dias.</p>
<p>Essa vantagem aparece em detalhes: usar óculos para disfarçar a troca constante de telas, montar atalhos como se estivesse jogando, pagar softwares quando o canal passou a dar dinheiro e transformar conhecimento de computador em agilidade editorial. O OBS dele tem tanta configuração que ele brinca que assusta quem vê a tela, e o teclado durante a gravação parece o de quem está jogando, de tanto atalho. A parte do software pago tem uma justificativa moral explícita: enquanto não ganhava nada, usava versão gratuita, mas a partir do momento em que o canal passou a gerar receita passou a assinar as ferramentas, porque considera sacanagem usar o trabalho dos outros de graça.</p>
<p>No cenário atual, isso importa muito. A maromba não compete apenas em bíceps, carga e palco. Compete também em distribuição, formato, narrativa, corte, título, tempo de resposta e capacidade de transformar uma notícia em conversa antes que o assunto morra. A leitura de plataforma é fria. Ele diz que short paga centavos e não serve para faturar, apenas para alcançar gente nova, e que o mesmo vale para o reels no Instagram, enquanto o stories só fideliza quem já segue. O conselho prático que dá a quem quer crescer na área é volume: se a chance de um reels viralizar é de 1 em 100, publicar 1 por semana significa esperar 2 anos, e publicar 100 em 3 meses muda a conta. Ele mantém um ranking mensal de canais maromba por visualizações e planeja montar no próprio site um ranking de atletas brasileiros por títulos, com critérios e pesos declarados.</p>

<h2>Lealdade, patrocínio e independência</h2>
<p>Outro eixo forte é a relação com marcas. Gorgonoid defende uma lógica de parceria longa, construída com confiança, liberdade e resultado real. Ele diz preferir ganhar menos e manter coerência do que trocar tudo por uma proposta maior que tire sua voz. Não é figura de linguagem. Ele afirma que concorrentes já ofereceram mais que o dobro do que ganha e que não sairia por 200 mil reais por mês nem por 1 milhão, e que as parcerias dele são longas justamente por isso: quase 7 anos com a farmacêutica de manipulados, 6 ou 7 anos com uma loja de suplementos, e nunca foi mandado embora nem pediu para sair de nenhuma. Quando uma marca chega oferecendo muito, ele inverte a proposta e pede menos: em vez de 10 mil, começar com 1 mil por um ou dois meses, para testar se a venda justifica o valor. A lógica é de sobrevivência, porque quem entra caro e não vende é mandado embora.</p>
<p>Essa postura aparece quando ele fala de marcas antigas, de produtos que não gostou, de suplementos que não compraria e de situações em que a sinceridade pode vender mais do que propaganda forçada. Os dois exemplos são concretos: ele gravou um story dizendo que não gostou de um sabor lançado pela própria patrocinadora, quando ainda tinha muito menos audiência, e autorizou a participação numa lista de outro comunicador que enumerava os suplementos mais inúteis, vários deles vendidos pela marca que o patrocina. O raciocínio comercial dele é que a informação honesta redireciona a compra em vez de cancelá-la, e que a fabricante ganha ao produzir mais do que realmente vende. Para ele, credibilidade é patrimônio. Se o público percebe que todo produto é maravilhoso, a confiança desaparece.</p>
<p>A leitura é madura para o mercado fitness. Influenciador que aceita qualquer coisa vira vitrine. Influenciador que preserva critério vira filtro. A diferença entre os dois define se a audiência enxerga publicidade ou recomendação confiável.</p>

<h2>Comunidade não é número</h2>
<p>O relacionamento com os seguidores ocupa boa parte da identidade de Gorgonoid. Ele fala de responder direct, participar de Telegram, lembrar nomes, bloquear quem desrespeita e tratar suas redes como extensão da própria casa. O grupo de Telegram, que ele mantém desde 2018 e considera mais engajado que o Instagram, tem cerca de 25 mil pessoas. A caixa de solicitação do Direct recebe algo como 100 mensagens por dia e ele diz responder todas, salvo quando a mensagem é só um pedido de produto sem nem um cumprimento. Ele já bloqueou perto de 6 mil contas e usa um método próprio: quando um comentário desrespeitoso junta curtidas, bloqueia também quem curtiu, eliminando de uma vez os que viriam depois.</p>
<p>Essa relação é intensa porque o público não aparece apenas como audiência. Aparece como gente que cresceu junto, comprou produtos, assistiu de manhã, mandou mensagem, encontrou em feira, acompanhou família e viu a vida dele mudar. A comunidade ajuda a sustentar o canal, mas também cobra presença. O preço disso aparece na estatística. Ele conta que, para o número de seguidores subir mil no Instagram, costuma ganhar 7 mil e perder 6 mil, efeito direto de ser um perfil que se ama ou se odeia. Admite sem constrangimento que o ego dói ao ver colegas com milhões de seguidores, mas defende que o engajamento dele é melhor que o de muito canal maior.</p>
<p>O ponto mais honesto é reconhecer que existe carinho real e limite real. Um seguidor pode sentir proximidade, mas nem todo mundo é amigo íntimo. Separar admiração, colega, amizade e família evita confusão emocional em um ambiente onde a internet faz parecer que todo mundo se conhece. Ele leva essa separação ao limite, e ao vivo: diz aos apresentadores que não são amigos dele, e sim colegas de profissão, como gente que trabalha em salas diferentes do mesmo escritório. Amigo, para ele, é o primo que cresceu junto. Aplica a mesma régua a Renato Cariani, de quem diz gostar e a quem admira, mas de quem afirma nunca esperar nada, justamente para não se decepcionar.</p>

<h2>Paternidade, rotina e vida fora do centro</h2>
<p>A chegada da filha aparece como virada pessoal. O relato sobre ter ficado natural, tentado recuperar a testosterona e visto a gravidez acontecer mostra uma fase em que saúde, família e rotina ganharam outro peso. O relato tem detalhe. Ele passou 1 mês fazendo a própria terapia de recuperação, com HCG e manipulados, e diz ter saído de uma testosterona batendo em 90 para algo em torno de 470. A gravidez não era o objetivo, foi consequência, e a filha nasceu em março de 2023. A promessa de abandonar refrigerante pela saúde da filha resume bem essa mudança: algo simples, mas emocionalmente forte. A promessa tem uma história anterior que ele conta rindo de si mesmo: já havia prometido, em silêncio, largar refrigerante se a esposa vencesse o Arnold Classic Brasil na classic, e ela ficou em segundo. Quando a gravidez veio, concluiu que não podia prometer menos por algo mais importante e cumpriu. O último refrigerante foi em agosto de 2022, e ele admite ser viciado na bebida.</p>
<p>Mesmo com relevância nacional, Gorgonoid rejeita a ideia de sair do Vale do Aço para morar em São Paulo. A escolha pelo interior tem a ver com casa, família, amigos antigos, academias e uma noção muito prática de liberdade. A casa em que mora é da mãe e foi reformada por ele, num conjunto de 6 lotes sem muro separando, onde a família toda mora junta. Quando perguntado sobre a chance de se mudar para São Paulo, a resposta é zero.</p>
<p>Esse ponto diferencia a trajetória. Enquanto muita gente do fitness acredita que precisa estar no centro da mídia para existir, ele constrói influência a partir de Timóteo, com internet, trabalho constante e uma comunidade que acompanha de qualquer lugar.</p>

<h2>Academias, dinheiro e longo prazo</h2>
<p>O empreendedorismo surge de forma concreta. A compra de participação em academia, a reforma durante a pandemia, a aquisição de outra unidade, o box de CrossFit e o plano de expandir a marca mostram que a internet não virou apenas consumo. Virou capital para construir negócios físicos. Os valores são conhecidos porque ele os narra. A academia onde treinava tinha dois sócios e cada parte valia 100 mil reais. O sócio que queria sair pediu 130 mil, se assustou com a pandemia e acabou aceitando os 100 mil. Com os 30 mil que sobraram, Gorgonoid reformou o lugar: pintura, iluminação de LED, divisórias de vidro e bancos novos no lugar dos antigos, além de televisões que ganhou de presente do dono de uma das marcas que o patrocina.</p>
<p>A filosofia financeira é pouco sofisticada no discurso e muito clara na prática: não criar dívida impagável, reinvestir, colocar dinheiro para rodar e crescer aos poucos. A segunda unidade veio de um divórcio: os donos se separaram e venderam por 150 mil reais, com 75 mil de entrada pagos pelo sócio e os outros 75 mil parcelados sem juros direto com o antigo proprietário, em 24 boletos de 3.125 reais que Gorgonoid assumiu. O box de CrossFit foi aberto do zero e, segundo ele, não vingou como esperado, porque a cidade é horizontal demais e falta público, então a ideia é reconverter o espaço para academia mantendo os alunos atuais. A nova fase inclui trocar o nome de todas as unidades para uma marca única e substituir as máquinas, com o equipamento entrando por uma parceria paga em divulgação em vez de sair do caixa. A ambição declarada é dominar o Vale do Aço antes de pensar em qualquer expansão maior.</p>
<p>Essa visão conversa com a própria trajetória digital. Crescer rápido demais pode quebrar. Aceitar dinheiro fácil demais pode comprometer a voz. O balanço pessoal dele é declarado sem rodeio: não tem um centavo no banco, porque converte tudo em patrimônio físico. Tem 3 lotes, casa própria, carro quitado e nenhuma dívida além da fatura do cartão, que fica bem abaixo do que ganha. Somando tudo, estima passar de 1 milhão de reais, e diz que se o YouTube acabasse amanhã as academias sustentariam o padrão de vida. O carro, aliás, é uma BMW usada comprada por pouco mais de 60 mil reais na troca por um Polo de 20 e poucos mil, e ele conta que andava de vidro aberto para ser reconhecido, coisa da qual ri hoje. A estratégia mais sustentável parece ser construir base, reinvestir e manter controle sobre o próprio nome.</p>
<p>Há também um traço que ele repete em vários momentos: não segurar dinheiro. Durante a obra da casa, com a mão de obra atrasada, aumentou por conta própria a diária dos pedreiros de 140 para 200 reais e a do ajudante de 70 para 100, e manteve o valor até o fim da obra, apesar de ter combinado só o mês de janeiro e de estar no vermelho na época. O objetivo declarado é dominar o Vale do Aço, região de quase 500 mil habitantes somando as três cidades, em um horizonte de 5 a 6 anos, e só então pensar em franquia.</p>

<h2>O mercado fitness ainda está aberto</h2>
<p>A visão sobre o futuro da maromba é otimista. Para Gorgonoid, musculação e fisiculturismo vivem uma expansão comparável à democratização que o YouTube trouxe para a fama. Antes, era preciso depender de grandes emissoras, revistas ou marcas. Hoje, um treinador, atleta ou comunicador pode construir público com conteúdo, shape, consistência e identidade. Ele dimensiona a oportunidade em número: estima algo perto de 10 milhões de brasileiros treinando, cerca de 5% da população, num mercado que considera longe da saturação. E cita casos concretos de gente com 10 mil seguidores tirando renda de consultoria, incluindo um rapaz da cidade dele que atende dezenas de alunos sozinho, morando no interior de Minas.</p>
<p>Isso não significa que o caminho ficou fácil. A régua subiu. Ter shape virou quase pré-requisito para quem quer vender fitness. Produzir conteúdo virou obrigação. Saber se posicionar virou diferença competitiva. O mercado ainda aceita novos nomes, mas não premia mais qualquer câmera ligada sem ideia. Ele descreve o momento como uma retração leve, em que os salários estão voltando ao valor real depois do inchaço que veio com a explosão do mercado, e lembra que a era em que bastava ligar a câmera acabou junto com o auge dos vlogs, quando as marcas passaram a montar estruturas de gravação com equipe própria que criador nenhum conseguia acompanhar sozinho.</p>
<p>A crítica aos atletas profissionais também entra nesse ponto. Virar pro card não garante dinheiro, fama ou relevância. Com mais atletas profissionais no Brasil, a diferença passa a estar em resultado internacional, presença no Olympia, comunicação, marca pessoal e capacidade de gerar negócio. A comparação que ele faz é histórica: houve um tempo em que os profissionais brasileiros cabiam nas duas mãos, com nomes como Felipe Franco, Rafael Brandão e Eduardo Correia, e hoje há mais procard no país do que youtuber de maromba. A conclusão é dura: quem não tem vaga no Olympia, na prática, não se diferencia de um amador bem colocado.</p>

<h2>Conclusão</h2>
<p>Gorgonoid virou referência porque entendeu a maromba como cultura, não apenas como treino. Ele comenta palco, mas também lê internet. Faz piada, mas sabe o peso que uma opinião pode ganhar. Vende, mas tenta preservar confiança. Mora no interior, mas influencia o debate principal.</p>
<p>A grande lição da trajetória é que comunicação fitness não precisa nascer perfeita. Pode começar com planilha, vergonha, curiosidade e poucos inscritos. O que sustenta o crescimento é repetir, melhorar, aprender a ferramenta, respeitar a audiência e ter coragem de assumir uma voz própria.</p>
<p>Em um mercado cheio de personagem polido, Gorgonoid cresceu justamente porque parece menos fabricado. A maromba reconheceu ali um comentarista de sofá, um técnico de internet, um fã do esporte e um sujeito que transformou zoeira em trabalho sério.</p>

<h2>FAQ</h2>
<h3>Quem é Gorgonoid?</h3>
<p>Gorgonoid é um comunicador brasileiro da maromba, conhecido por comentar fisiculturismo, bastidores do mercado fitness, notícias, memes e temas de musculação com linguagem direta.</p>
<h3>Por que ele ficou relevante na maromba?</h3>
<p>Ele ficou relevante por unir opinião, velocidade de cobertura, humor, conhecimento de internet e proximidade com o público em um momento de crescimento do fisiculturismo brasileiro.</p>
<h3>Gorgonoid é atleta profissional?</h3>
<p>Não. A autoridade dele vem principalmente da comunicação, da experiência como praticante, da convivência com o meio e da capacidade de traduzir bastidores para a audiência.</p>
<h3>Qual é a principal marca do conteúdo dele?</h3>
<p>A principal marca é a mistura de análise e zoeira. Ele comenta assuntos sérios do fisiculturismo, mas usa humor, memes e opinião pessoal como linguagem de comunidade.</p>
<h3>O que a trajetória dele ensina para quem quer crescer no fitness?</h3>
<p>Ensina que consistência, identidade, domínio das ferramentas, honestidade com o público e leitura de mercado podem valer tanto quanto estar no centro físico da indústria.</p>
<h3>Como Gorgonoid começou no YouTube?</h3>
<p>Em 2016, com cerca de 300 inscritos e sem shape, ensinando a estimar percentual de gordura em casa com fita métrica e uma planilha que ele mesmo montou. O material passa de meio milhão de visualizações.</p>
<h3>Quais negócios Gorgonoid tem fora da internet?</h3>
<p>Ele é sócio de academias em Timóteo, no Vale do Aço. Comprou a participação na primeira por 100 mil reais, adquiriu uma segunda unidade por 150 mil e abriu um box de CrossFit, com o plano de padronizar tudo sob uma marca só.</p>
<h3>Ele recusa propostas de patrocínio?</h3>
<p>Sim. Afirma já ter recebido ofertas de mais que o dobro do que ganha e diz que não trocaria de marca nem por 200 mil reais por mês, porque a liberdade editorial que tem hoje não teria preço equivalente.</p>

<h2>Referências</h2>
<ol>
  <li>MONSTER CAST. <em>GORGONOID - PODCAST DOS ESPECIALISTAS</em>. [S. l.], 19 jun. 2023. Disponível em: <a href="https://www.youtube.com/watch?v=TbtmoGDR-9w" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://www.youtube.com/watch?v=TbtmoGDR-9w</a>. Acesso em: 26 jul. 2026.</li>
</ol>
]]></description><guid isPermaLink="false">1104</guid><pubDate>Sun, 26 Jul 2026 22:03:57 +0000</pubDate></item><item><title>Paulo Muzy: medicina, muscula&#xE7;&#xE3;o e rotina de professor</title><link>https://fisiculturismo.com.br/mat%C3%A9rias/gente/paulo-muzy-medicina-muscula%C3%A7%C3%A3o-e-rotina-de-professor-r1103/</link><description><![CDATA[
<p><img src="https://cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2026_08/paulo-muzy-aula-universidade-capa.webp.eb7bbce6e78085df521ca6b806cc2ae5.webp" /></p>
<p>Paulo Muzy passou quase 4 horas no Monster Cast em abril de 2024, em "PAULO MUZY - CONVERSA SEM FILTRO E COM HISTÓRIAS", e a conversa não ficou no campo das ideias. Saiu de lá com dados de consultório, cifras de estudo projetadas na tela, a cronologia exata do pior ano da vida dele e a descrição do treino que tinha feito naquela mesma manhã, exercício por exercício. Esta matéria organiza o que é verificável ali, com o aviso que precisa vir antes de qualquer relato hormonal: nada aqui é protocolo, é depoimento e opinião técnica de quem estava falando.</p>

<h2>Marília, 1992, e uma musculação que ninguém queria fazer</h2>

<p>A entrada não veio do fisiculturismo, veio do cinema de ação. Ele cita <em>Comando para Matar</em> e <em>Predador</em> como referência, tinha 3 primos que treinavam, e conheceu a sala de musculação pelo poliesportivo da cidade. O ano é 1992, sem internet e sem publicação em português.</p>

<p>O detalhe que ele faz questão de registrar é o preconceito da época, e ele é específico: em Marília, quem cursava educação física queria ser técnico de natação, não professor de academia. Os técnicos de futebol e de ciclismo diziam que musculação deixava o atleta atarracado, sem flexibilidade e pesado demais. O único que mandava os atletas para a sala de peso era o técnico da equipe de natação do clube local. Ele lembra também que o professor Valdemar foi o primeiro a buscar conhecimento fora do país e mesmo assim foi malvisto no meio acadêmico, e que Rodolfo Peres chegou a ser chamado no conselho para se justificar por ser coautor de um livro sobre o tema.</p>

<h2>A consulta de R$ 200 numa sala alugada por hora</h2>

<p>O começo profissional foi literalmente um coworking. Ele e Rodolfo Peres alugavam por hora a mesma salinha de um fisioterapeuta amigo na Avenida Paulista, e trocavam pacientes entre a parte nutricional e a parte médica. A consulta custava R$ 200. Antes disso, o consultório tinha sido ainda menor: 1 paciente por semana, com R$ 50 pagos de aluguel por hora de sala.</p>

<p>O paciente mais citado da conversa era o próprio entrevistador, atendido em 2011, com ficha guardada até hoje. Os números da ficha: 67,9 kg com 12,1% de gordura, lutador de jiu-jítsu que competia até 61 kg. A demanda era começar a usar hormônio. A resposta foi não, e o argumento é o mais reaproveitável da entrevista: aos 19 anos, só o fato de treinar já produz amadurecimento muscular, e esse amadurecimento vai até os 35 anos. Somado a isso, o jiu-jítsu ocupava exatamente a janela de recuperação. Um atleta profissional de fisiculturismo, na definição dele, é pago para ficar quieto e descansar, não para treinar.</p>

<h2>O músculo é uma obra que nunca sai do prazo</h2>

<p>A parte técnica tem uma analogia que ele desenvolve por vários minutos. Músculo não é prédio que sobe andar por andar, é uma casa em reforma permanente, com pedreiros quebrando de um lado e construindo do outro. O ambiente anabólico é o que define quantos pedreiros ficam de cada lado.</p>

<p>Os números que sustentam a imagem: a taxa de renovação muscular fica entre 1% e 2% ao dia, de modo que entre 50 e 100 dias o tecido é essencialmente novo, o que explica por que se mede ciclo de treinamento em 3 meses. Depois de um treino, as primeiras 6 horas concentram a maior parte da resposta, e há uma síntese tardia que se estende até 72 horas. Estudo de 2016 mostrou que o exercício eleva a síntese independentemente da alimentação, o que muda a conta de quem treina na sexta e passa o sábado fora da rotina: o prejuízo não fica só naquele dia.</p>

<p>Sobre intensidade, ele resume um achado que costuma ser mal citado: treinar até a falha com carga alta ativa todas as células, e treinar até a falha com carga baixa, na faixa de 35% a 40% de 1 RM, desgasta sem ativar tudo. As fibras que não foram ativadas degradam mais. Daí a hierarquia que ele defende, com execução na base, peso em seguida e volume por último. A frase que ele empresta de um colega é direta: o volume é a rainha da hipertrofia, mas o peso é o rei.</p>

<h2>5 anos para descobrir que existia perna</h2>

<p>Um dado curioso de quando era médico da federação, por volta de 2012: mediram quanto tempo um praticante levava, em média, para começar a treinar membros inferiores. A resposta foi 5 anos. Ele credita a mudança de hoje à informação disponível, e cita que virou comum ver alguém com 20 anos já treinando glúteo com técnica, coisa que não existia quando ele fazia agachamento sem saber por quê.</p>

<p>A digressão histórica sobre método também rende. De um lado a escola de volume, com 50 séries por segmento e 3 horas de treino. Do outro, a alta intensidade e baixo volume, que ficou famosa por um experimento em que um fisiculturista aposentado teria ganhado 28 kg em 30 dias, e um segundo caso de 8 kg em 1 mês. O problema da segunda escola, na leitura dele, não foi a carga em si: foi que atleta treinado deixa de sentir a lesão. Ele lembra que Dorian Yates usava nubain, um analgésico potente, para treinar, o que significa treinar anestesiado. E acrescenta uma distinção clínica que raramente aparece em conversa de academia: com esteroide, o que rompe tende a ser a junção miotendínea, sem esteroide, o que rompe tende a ser o tendão.</p>

<h2>A preparação de 24 horas que virou vice-campeonato</h2>

<p>A história do Mister Santos de 2008 é a melhor da entrevista. Ele estava se trocando na academia, sem preparação nenhuma, quando um atleta o viu, pediu para tirar a camiseta, mandou fazer algumas poses e decretou que ele competiria no dia seguinte. A preparação inteira durou 24 horas e consistiu em frango desfiado, nada de água e gravações de Jay Cutler para aprender a posar. Ele diz que assistiu e concluiu que jamais faria aquilo.</p>

<p>O bronzeador manchou o banco do motorista da BMW 1993 dele e a mancha nunca saiu. No palco, sem saber posar, ele procurava o treinador na plateia para saber o que fazer, e chegou a obedecer a um sujeito errado que gritava do outro lado. Terminou em 2º lugar, atrás de Artur Andrade, com Sergião em 3º e Gustavo Alegretti em 4º. Tinha 27 anos e estava no terceiro ano de residência em ortopedia. Meses depois atendeu no pronto-socorro um dos árbitros daquele campeonato, que lhe disse que, com pose melhor, o primeiro lugar era possível.</p>

<p>O plano de voltar em 2009 morreu numa madrugada. Voltando de moto do treino, 2 motociclistas o fecharam batendo a roda traseira na dianteira dele. Ele ralou 50 m no asfalto, quebrou o polegar da mão direita e fraturou o rádio esquerdo. Precisou de 2 cirurgias para recuperar o movimento da mão e ficou com uma artrose pós-traumática que dá para palpar até hoje. Em segundos, como ele mesmo resume, deixou de ser um dos cirurgiões mais rápidos da turma e o vice-campeão do Mister Santos para virar o cara com as 2 mãos imobilizadas.</p>

<h2>Farmácia de cidade pequena nos anos 90</h2>

<p>O que vem daqui em diante é relato de época e opinião médica, não recomendação de uso.</p>

<p>Em 1995 se comprava testosterona e nandrolona na farmácia sem receita. Ele descreve o farmacêutico da cidade como o coach informal do lugar, que orientava 2 ampolas de 50 mg e 2 de 25 mg e mandava voltar 3 semanas depois para pegar HCG. O estanozolol injetável de laboratório conhecido custava R$ 4 e não era falsificado porque ninguém dava a mínima para aquilo. Metenolona era artigo raro, vinha da Alemanha e a ampola precisava ser serrada.</p>

<p>O ciclo daquela geração, segundo ele, era uma pirâmide de 7 semanas, subindo de 1 a 4 e voltando a 1, e acabava ali. O contraste com hoje é o ponto: além de contínuo, o uso virou empilhamento, e ninguém tira nada. Começa com testosterona, entra uma droga para força, entra outra para estética, e quando se percebe são 5 ou 6 substâncias sem que a pessoa saiba o que cada uma está fazendo. A crítica mais dura foi para quem se gaba de usar 6 g por semana sem ser campeão de nada, e o veredicto nesse caso foi que a pessoa não é boa, é imbecil.</p>

<p>O dado de consultório que sustenta o resto: 80% do volume de atendimento dele é gente que se deu mal com medicação. Ele diz que gostaria de estar tratando outra coisa, e que faltam médicos dispostos a atender esse público sem julgar, porque o juramento profissional começa justamente por não julgar o paciente.</p>

<h2>Os slides que ele levou para o estúdio</h2>

<p>A parte mais densa foi projetada na tela. O primeiro ponto derruba uma crença comum: testosterona não é o principal hormônio da síntese proteica, esse papel é da insulina. A ação primária da testosterona é bloquear a miostatina, o que impede a via que inibe proliferação e induz morte celular no músculo. A prova por contraste vem do diabético tipo 1 sem insulina, com braço fino e sarcopenia.</p>

<p>O segundo ponto explica o teto que todo usuário acaba encontrando. Ativação excessiva da via Akt leva à degradação do receptor androgênico, o que significa que aumentar dose passa a produzir menos, e não mais. Estradiol alto age por outro caminho, alterando a produção do receptor. A leitura prática é que o platô nem sempre é falta de comida ou de treino.</p>

<p>O terceiro ponto é a faixa. Ele mostra que o benefício existe em zona fisiológica, com favorecimento entre 600 e 800 ng/dL, e que acima disso aparecem dislipidemia, cardiomegalia, risco de infarto, adiposidade abdominal e queda de sensibilidade à insulina.</p>

<p>Sobre IGF-1, a correção é contraintuitiva. O IGF-1 que interessa para hipertrofia é de resposta local, responde a estímulo tensional e não a GH. O IGF-1 sistêmico, que aparece no exame, é lipogênico. Aplicar IGF-1 direto, na avaliação dele, é erro grave, porque favorece hipertrofia de músculo liso, e é essa a origem do abdômen distendido que virou marca registrada de uma geração de competidores. Sobre ibutamoren, o resumo foi que não se trata de GH oral, e sim de uma máquina de dar fome.</p>

<p>Sobre SARMs, ele mostra um levantamento norte-americano de 2017 com 210 produtos analisados, em que apenas uma pequena minoria continha o que o rótulo declarava. O número que usou em voz alta foi de 9 a cada 100. O recado veio junto: a agência sanitária brasileira pode ser criticada em muitas frentes, mas o filtro que ela aplica antes da venda evita exatamente esse tipo de problema.</p>

<p>Por fim, o estudo observacional de mortalidade, com 11 anos de acompanhamento, apontando risco de morte geral 2,8 vezes maior entre usuários de esteroides anabolizantes, com 2,24 vezes para causas naturais e cerca de 3,5 vezes para causas não naturais. Ele fez questão de apontar a limitação antes de citar o número, lembrando que estudo observacional não é intervencionista e que o trabalho registrou uso, sem quantificar dose. A conclusão que tira não é proibitiva: se a pessoa decidiu dirigir a 200 por hora, que preste mais atenção do que quem está dentro da velocidade.</p>

<h2>Dependência não é a mesma coisa que hipogonadismo</h2>

<p>Uma distinção que ele detalhou item a item. Sintomas de hipogonadismo incluem sensação de perda de massa muscular, queda de função cognitiva, agitação, depressão, sensação de culpa, baixa autoestima, aumento de estresse, fadiga, distúrbio de sono e queda de apetite. Já os critérios de dependência aparecem quando entram perda de tamanho, peso e força acompanhada de incapacidade de descansar, aumento de agressividade, humor deprimido ligado especificamente à alteração da forma física, ideação suicida, insatisfação com a autoimagem, dores de cabeça, insônia e anorexia. O exemplo que ele dá do gatilho é banal e por isso preciso: alguém comenta que a pessoa emagreceu, e o mundo acaba.</p>

<h2>O paciente de 18 anos e a mãe que comprava as ampolas</h2>

<p>O caso mais desconfortável da conversa. Um rapaz de 18 anos parou de estudar para tirar um ano sabático e usava hormônio comprado pela própria mãe, que acreditava que o filho tinha o físico de um influenciador conhecido. O rapaz estava com 35% a 40% de gordura e descrevia a rotina como dieta: passava a noite no videogame e pedia pizza, comendo só o recheio, porque a massa engordaria.</p>

<p>Muzy abriu o perfil do tal influenciador na frente da mãe e perguntou se aquilo ali era o filho dela. Achou que nunca mais os veria. Voltaram, e na consulta de retorno, durante a recuperação glandular, o rapaz contou que estava havia mais de 3 meses sem ereção.</p>

<h2>A hérnia, o braço de 42 cm e a semana seguinte</h2>

<p>Ele conta que sempre quis um número a mais no braço. Queria 36 cm, chegou a 36 e quis 38, chegou a 38 e quis 40, e assim por diante até 54 cm. E então acordou um dia sem conseguir levantar o braço nem escovar os dentes, com 3 hérnias cervicais, e foi para a cirurgia. O braço caiu de 54 cm para 42 cm. Na volta, não conseguia levantar um halter de 1 kg sem a mão tremer, e ele descreve o ponto de partida não como zero, e sim como menos 30.</p>

<p>A cirurgia foi em 7 de agosto. Em 14 de agosto, 7 dias depois, a mãe dele morreu. Ele estava na fisioterapia quando recebeu a ligação, chegou antes da ambulância, colocou a mãe no chão e iniciou a reanimação. O socorro levou 40 minutos. Ele ajudou a carregar a maca com 1 semana de pós-operatório de coluna, seguiu reanimando dentro da ambulância batendo a cabeça no armário a cada solavanco, e só soltou a mãe na porta da sala de emergência, quando um colega pôs a mão no peito dele e disse que dali em diante ele era filho, não médico.</p>

<p>Quem apareceu para tirá-lo daquilo, segundo ele, foram Renato Cariani e Júlio Balestrin, que atravessavam a cidade de São Caetano até a zona oeste para treinar com ele nem que fosse por 30 minutos. Nada disso foi filmado ou postado na época.</p>

<h2>A rotina que ele descreve sem romantizar</h2>

<p>O preço aparece nos exames. Ele tem hipotireoidismo e transtorno de sono crônico, e associa parte disso à restrição de sono de anos. Tem diabetes dos 2 lados da família e monitora a hemoglobina glicada, que fica em torno de 5,25, o equivalente a uma glicemia média entre 98 e 104. Quando usou corticoide na covid, esse número subiu para a faixa de 6,5 a 6,7, no limite do diagnóstico de diabetes, e voltou ao normal depois. Sobre GH, ele relata efeito de inibição da suprarrenal, com sono constante e um vazio de memória entre 2021 e 2023.</p>

<p>A rotina de hoje, na descrição dele: acorda às 5h, estuda até as 7h, faz a transmissão das 7h às 8h, treina até por volta das 9h30, e atende do começo da tarde até as 21h. Sexta é dia de cirurgia, com chegada ao hospital às 5h30 e cirurgias que começam entre 6h e 7h. Na fase da residência era pior: plantão 4 vezes por semana, dormindo em casa 3 noites, durante 2 a 3 anos, e ele conta que acordava tendo de olhar a agenda para saber em que hospital estava. A alimentação daquele período era ficar sem comer e tomar um shake no fim do dia.</p>

<p>A história da faculdade fecha o retrato. O bandejão custava R$ 14,20 por refeição e dava direito a almoçar ou jantar, nunca aos dois. Ele levava um pote de sorvete de presente para a funcionária em troca de um prato reforçado, dividia no meio, jantava metade e almoçava a outra metade no dia seguinte. Quando não conseguia, virava jejum até a noite seguinte.</p>

<h2>4 meses para o físico de um filme</h2>

<p>Sobre a preparação de Marcos Mion para o papel de lutador, ele dá o prazo e a equipe: 4 meses de trabalho, feito por ele com Eduardo Corrêa e Renato Cariani, sendo que a primeira preparação do ator com esse grupo tinha sido por volta de 2017. O comentário mais interessante é o de manejo: o ator estuda por conta própria e chega com 3 ou 4 conceitos novos, quase sempre corretos para outra pessoa e errados para ele. Aos 45 anos, argumenta Muzy, ninguém tem margem para testar por curiosidade.</p>

<h2>O treino que ele tinha feito naquela manhã</h2>

<p>O melhor exemplo prático da entrevista é o dia da própria gravação. Ele tinha voltado de uma viagem de 10 horas de avião com 5 horas de diferença de fuso, dado aula das 8h às 18h no sábado e no domingo, e acordado às 4h30 para treinar às 5h.</p>

<p>A regra que aplicou é a mesma que tinha ensinado no curso: em situação de estresse adrenal ou tireoidiano, se treina intensidade, não volume, porque a demanda metabólica por minuto de treino é menor. Na prática, o treino de peito, deltoide e bíceps que normalmente sairia em 4 exercícios por segmento, totalizando 48 séries e 1 hora e meia, virou uma sequência de bisséries e trisséries concluída em 40 minutos. Ele aumentou a densidade, subiu a intensidade e cortou o volume.</p>

<h2>Conclusão</h2>

<p>O que sustenta essa conversa não é a defesa nem o ataque ao uso hormonal, é a insistência em transformar tudo em número verificável: 1% a 2% de renovação muscular por dia, 600 a 800 ng/dL de faixa fisiológica, 2,8 vezes de mortalidade, 9 em 100 produtos com rótulo confiável, 80% do consultório ocupado por quem se deu mal. O conselho final para quem está pensando em começar foi construído sobre isso, e é o inverso da promessa habitual: esteroide não é resolvedor, é acelerador, e acelera tanto o certo quanto o errado. Quem deveria usar não está pensando nisso, porque já tem estrutura. Quem está pensando é justamente quem não construiu força, técnica nem flexibilidade metabólica. Na formulação dele, a hora boa de usar é quando a pessoa concluir que não precisa.</p>

<h2>FAQ</h2>

<h3>Quantas vezes Paulo Muzy competiu?</h3>

<p>Uma vez, no Mister Santos de 2008, com preparação de 24 horas montada na véspera. Ficou em 2º lugar. O plano de voltar em 2009 acabou num acidente de moto que fraturou o polegar direito e o rádio esquerdo, exigiu 2 cirurgias e deixou artrose pós-traumática.</p>

<h3>O que aconteceu com o braço dele?</h3>

<p>Chegou a 54 cm e caiu para 42 cm depois da cirurgia de 3 hérnias cervicais. Na volta ao treino, não conseguia levantar um halter de 1 kg sem a mão tremer.</p>

<h3>Qual é a faixa de testosterona que ele considera saudável?</h3>

<p>Ele aponta favorecimento entre 600 e 800 ng/dL. Acima disso, na zona suprafisiológica, cita dislipidemia, cardiomegalia, risco de infarto, adiposidade abdominal e queda de sensibilidade à insulina.</p>

<h3>Por que aumentar a dose para de funcionar?</h3>

<p>Porque a ativação excessiva da via Akt leva à degradação do receptor androgênico, e o estradiol alto interfere na produção desse mesmo receptor. O platô, nesse caso, não é falta de comida nem de treino.</p>

<h3>O que ele diz sobre IGF-1 aplicado?</h3>

<p>Que é um erro. O IGF-1 útil para hipertrofia é de resposta local e depende de estímulo tensional, enquanto o sistêmico é lipogênico e favorece hipertrofia de músculo liso, origem do abdômen distendido visto em competidores.</p>

<h3>Qual foi o recado para quem pensa em começar a usar?</h3>

<p>Que esteroide é acelerador, não resolvedor, e que acelera tanto o acerto quanto o erro. Quem está pensando em usar geralmente é quem ainda não construiu força, técnica nem base metabólica. A hora boa, segundo ele, é quando a pessoa concluir que não precisa.</p>

<h2>Referências</h2>

<ol>
<li>MONSTER CAST. <em>PAULO MUZY - CONVERSA SEM FILTRO E COM HISTÓRIAS</em>. 29 abr. 2024. Disponível em: <a href="https://www.youtube.com/watch?v=wP-rrHrdf9c" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://www.youtube.com/watch?v=wP-rrHrdf9c</a>. Acesso em: 1 ago. 2026.</li>
</ol>]]></description><guid isPermaLink="false">1103</guid><pubDate>Sun, 26 Jul 2026 21:53:00 +0000</pubDate></item><item><title>J&#xFA;lio Balestrin: da academia de bairro &#xE0; refer&#xEA;ncia nacional</title><link>https://fisiculturismo.com.br/mat%C3%A9rias/gente/j%C3%BAlio-balestrin-da-academia-de-bairro-%C3%A0-refer%C3%AAncia-nacional-r1102/</link><description><![CDATA[
<p><img src="https://cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2026_07/julio-balestrin-aula-academia-capa.webp.53ddac8316c4ab4578f524a503d0189d.webp" /></p>
<p>Aos 17 anos, Júlio Balestrin tinha 1,84 m e 61 kg. Vinte e poucos anos depois, chegou a 132 kg de off-season, colecionou títulos nacionais, virou pro no Arnold Classic Brasil e passou temporadas treinando no Kuwait ao lado de gente do topo do Mr. Olympia. Em "JULIO BALESTRIN - REFERÊNCIA NO FISICULTURISMO", do Monster Cast, essa travessia é contada com um nível de detalhe raro: pesos, gramas, ciclos antigos, colaterais, valores e os erros que quase encerraram tudo.</p>

<p>A história dele funciona como linha do tempo do próprio fisiculturismo brasileiro, da fase em que a informação vinha de revista e conversa de vestiário até a era dos coaches internacionais e das dietas medidas na balança.</p>

<h2>O menino magro e a academia de bairro</h2>

<p>O ponto de partida foi a Muscle Power, em Camilópolis, onde havia fotos de Barry DeMey, Dorian Yates e Flex Wheeler penduradas na parede. Foi ali que a musculação deixou de ser tentativa de ganhar corpo e virou projeto. Os primeiros elogios chegaram em cerca de seis meses e serviram como combustível.</p>

<p>Informação, naquele momento, era artigo escasso. A base vinha de revistas de musculação, almanaques com exercícios desenhados e empirismo de academia. A primeira grande conclusão prática foi comer mais proteína, algo que hoje soa óbvio e na época se descobria garimpando página por página.</p>

<p>A virada de ambiente veio com a mudança para a Nautilus, em Santo André, academia que formava equipes e levava atletas para competir. As competições de então tinham escala diferente da atual: um campeonato inteiro reunia por volta de 115 a 120 atletas, número que hoje aparece dentro de uma única categoria grande. A categoria pesada ia até 90 kg, e brasileiro acima disso era raridade.</p>

<h2>Quinze dias de dieta e um guardanapo</h2>

<p>A estreia competitiva foi organizada em duas semanas. Wilson Santos, atleta veterano conhecido em uma boate onde Júlio trabalhava, escreveu a preparação inteira em um guardanapo. O esquema envolvia ciclo de sal, redução progressiva com água destilada e frango cozido duas ou três vezes na mesma água para eliminar o máximo de gordura.</p>

<p>Deu 90 kg no palco e um segundo lugar. A leitura que ficou não foi de inferioridade estrutural, e sim de falta de tempo: perdeu para quem estava mais preparado, não para quem era melhor atleta. Foi o suficiente para transformar hobby em carreira.</p>

<p>Wilson aparece como o primeiro consultor de fisiculturismo do país em sentido prático. Intensidade, métodos, número de séries, repetições e pose eram conhecimento que praticamente ninguém sistematizava, e ele fazia isso a partir de conversa com outros atletas em eventos.</p>

<h2>O arsenal de uma geração sem informação</h2>

<p>A caixa de ferramentas nutricional daquele período era curta. Whey protein ainda não circulava, então sobravam albumina, aminoácidos e fígado seco. Batata-doce dominava as refeições, com arroz integral em segundo plano, e arroz branco na fase de definição era impensável. Café preto forte servia de estimulante até aparecer o Franol, que era sulfato de efedrina vendido em farmácia. Clembuterol, na época, era item de uso veterinário.</p>

<p>BCAA era caro a ponto de virar folclore. José Carlos dos Santos declarou em entrevista de revista que tomava 50 cápsulas por dia, número que na década de 1990 beirava o surreal pelo custo.</p>

<p>Os ciclos hormonais eram igualmente rudimentares e monodroga: cerca de seis semanas, um fármaco por vez, com esquemas do tipo 1 mL de estanozolol seis vezes por semana. Não existia combinação planejada, existia relato e lenda urbana. Nada disso é modelo a copiar, é retrato de um período em que a conta chegou em forma de dano.</p>

<p>A conta pessoal foi específica: quatro abscessos causados por estanozolol, ginecomastia, pressão alta e queda de cabelo. O exame cardíaco mais recente ficou em torno de 8 de 10 na avaliação médica, resultado que ele credita a condicionamento mantido a vida inteira e a nunca ter migrado para o extremo das doses.</p>

<h2>Os números que sustentaram a carreira</h2>

<ul>
  <li>Estreia em competição em 2001, com o primeiro título nacional apenas em 2004, pela NABBA.</li>
  <li>Primeiro patrocínio em 2004, de uma empresa de Santo André, mantido até 2011. Depois, doze anos de Max Titanium. Hoje está no terceiro patrocinador em mais de vinte anos de carreira.</li>
  <li>Desde 2004 não colocou dinheiro do próprio bolso em preparação ou viagem.</li>
  <li>2007 marcou a estreia na IFBB e o primeiro Mundial, na Coreia do Sul.</li>
  <li>2008 foi o ano mais forte: nove títulos no país, unificação dos títulos pesados, overall do Brasileiro e Sul-Americano, incluindo vitória sobre José Carlos dos Santos.</li>
  <li>Off-season mais pesado: 132 kg. Regra de trabalho: nunca ficar mais de 8 a 10 kg acima do peso de palco.</li>
  <li>Último ano competitivo antes da pausa foi 2014, entre 114 e 115 kg. A volta, em 2019, aconteceu com 117 kg em Toronto e Chicago, com nono lugar em um dos shows.</li>
</ul>

<p>O limite de 8 a 10 kg acima do peso de competição é a informação mais aproveitável dessa lista para quem treina. Ele nunca ficou solto no off-season porque tinha dificuldade de ganhar peso e sabia que recuperar condicionamento custaria caro depois.</p>

<h2>Dennis James e o método de três repetições lentas</h2>

<p>A preparação para o pro card, conquistado no Arnold Classic Brasil em 2013, foi feita com Dennis James, indicação que veio de Eduardo Corrêa. A mudança principal foi de intensidade e de manipulação de carboidrato, e o método de perna virou o formato que ele usa até hoje por causa da articulação do joelho.</p>

<p>O desenho é direto: três repetições com cadência lenta de cerca de 6 segundos na fase concêntrica, seguidas de três repetições normais, e depois repetições com a fase excêntrica de 6 segundos. Esse bloco se repete quatro ou cinco vezes dentro da mesma série, com progressão de carga a cada rodada. São três ou quatro séries nesse método, cada uma durando por volta de um minuto, dentro de um treino com pelo menos quatro exercícios.</p>

<p>O foco declarado é tempo sob contração, não carga absoluta. O treino próprio hoje trabalha entre 20 e 30 séries por sessão, com faixa preferencial de 8 a 12 repetições, subindo a 20 quando a limitação articular impede carga maior. A justificativa técnica é honesta: há literatura mostrando hipertrofia semelhante trabalhando com 30% a 40% da força máxima ou com 80% a 100% dela, o que retira força do debate de bandeira e devolve a decisão ao contexto individual.</p>

<h2>O agachamento que encerrou a fase Open</h2>

<p>A estreia profissional em 2014 deveria ser o auge. Um mês antes, em um agachamento frontal com 80 kg de cada lado da barra, a descida saiu torta e a subida virou movimento parcial. A sensação foi de corda de violão arrebentando. Não houve ruptura, e sim um osteófito grande sobre a patela.</p>

<p>No último mês só sobrou esteira. O treino de perna acabou, o quadríceps não acompanhou o restante do físico e a estreia aconteceu abaixo do condicionamento pretendido. A lição prática é seca: carga que exige entrar torto já não serve ao objetivo, e uma repetição mal calculada pode redefinir uma carreira inteira.</p>

<p>O que interrompeu de vez o ciclo competitivo veio pouco depois. O pai, que também competia e havia voltado ao palco aos 70 anos, morreu logo após aquele campeonato, ainda em fase de preparação. A motivação de competir desapareceu e Júlio migrou para o trabalho de coach.</p>

<h2>Kuwait: o que existe de verdade no ginásio mais falado do mundo</h2>

<p>O acesso ao Oxygen Gym, no Kuwait, exigiu convite formal de trabalho como instrutor, porque visto de turista dura no máximo 30 dias e precisa ser renovado mensalmente até o sexto mês. A imagem folclórica de atleta trancado em prédio, com alguém na porta controlando a aplicação e a dieta, não corresponde ao que ele encontrou.</p>

<p>O treino segue um padrão claro: sessões curtas e muito densas, com intervalos curtos. Começa com um ou dois exercícios pesados, e depois a carga é reduzida para 20% a 30% do valor inicial em um back-off de 20 a 30 repetições, buscando amplitude completa e pump. A lógica é usar amplitude reduzida com carga alta primeiro e amplitude total com carga baixa depois.</p>

<p>As substâncias, segundo ele, são as mesmas usadas no Brasil, com diferença de qualidade e não de tipo. A comparação mais concreta é a do diurético: hidroclorotiazida trazida de lá em 25 mg produzia o efeito que 100 mg do produto usado no Brasil produzia. Também circulavam por lá apresentações que não se encontram por aqui, como oxandrolona injetável a 100 mg/mL, canetas de hormônio de crescimento marcadas em 15 e 30 UI e IGF-1, aplicado por ele a 100 mcg junto de um shake de carboidrato justamente porque provoca hipoglicemia.</p>

<h2>Um protocolo de ponta lido em voz alta</h2>

<p>O trecho mais delicado da conversa é a leitura de um protocolo real de preparação de 2019, no ponto mais forte do blast de um profissional: 750 de sustanon, 600 de boldenona, 400 de primobolan, 400 de NPP, hemogenina em 50 e anastrozol como inibidor de aromatase, além de GH e IGF-1. Os números aparecem sem unidade e sem frequência declaradas, então não é possível converter esses valores em miligramas por semana com honestidade. As trocas de substâncias dentro da preparação eram feitas por volta das semanas 16 e 8.</p>

<p>Isso não é receita e não deve ser tratado como tal. É a fotografia do que um atleta profissional acompanhado de perto usava em uma janela específica, e a própria conversa reconhece que amador que reproduz isso costuma sair mais machucado do que grande. Qualquer decisão envolvendo hormônios exige exames, avaliação e acompanhamento de médico habilitado, e o histórico de abscessos, ginecomastia e pressão alta relatado ao longo da carreira mostra o preço que a conta cobra mesmo de quem se considera cauteloso.</p>

<p>A dieta que acompanhava aquele protocolo é igualmente específica. A primeira refeição trazia 150 g de aveia, 60 g de proteína em pó e 100 g de pasta de amendoim ou de amêndoa. Outra refeição somava 250 g de frango, 150 g de arroz e 150 g de brócolis. Havia ainda 200 g de peixe com salada grande, cinco ovos e 180 g de batata em outro horário. Volume de comida, e não apenas farmacologia, é o que sustenta esse tipo de físico.</p>

<h2>Aplicação local e o limite do irreversível</h2>

<p>O uso de óleo para corrigir proporção em pontos específicos é tratado sem romantismo e sem fingir que não existe. A ideia por trás da prática é aumentar o sarcoplasma em uma região determinada, chegando ao meio do ventre muscular para preencher aquele ponto e melhorar a razão entre um grupamento e outro, sem envolver hormônio. Aplicação profunda, feita poucas vezes e dentro do volume que a região comporta, tecnicamente não deixa marca aparente. É essa janela estreita que sustenta o uso no meio competitivo.</p>

<p>O problema começa exatamente onde a disciplina termina. Repetir o processo muitas vezes ou exceder o volume que aquele local aceita gera alteração morfológica da musculatura, e o resultado é o físico com ponta, com aquele desenho estranho que denuncia o preenchimento. Braço com desproporção localizada e ombro que não conversa com o restante do corpo são os sinais mais comuns, e é por isso que comparações de proporção entre atletas de topo viram discussão eterna nos bastidores.</p>

<p>Os casos extremos passam longe do óleo. Há relato de gente que aplicou silicone industrial e de substâncias de natureza gordurosa que ficaram pelo menos quatro anos no corpo até serem absorvidas. Nesse território não existe correção simples: o que entra em tecido muscular tende a ficar, e a remoção cirúrgica costuma custar mais deformidade do que o problema original.</p>

<p>Vale o aviso direto. Preenchimento local com óleo ou qualquer substância não farmacológica carrega risco de infecção, abscesso, granuloma, fibrose, embolia gordurosa e dano permanente ao músculo. Não é procedimento médico, não tem margem de reversão confiável e nada aqui deve ser lido como instrução de uso.</p>

<h2>Patrocínio, permuta e valor de imagem</h2>

<p>Um dos pontos mais aplicáveis fora do palco é a diferença entre permuta e patrocínio. Receber produto em troca de postagem é permuta, e permuta não gera renda que cubra preparação, viagem ou inscrição. Para o atleta iniciante, aquele pote de whey pode realmente fazer diferença e o acordo se justifica. Para o atleta estabelecido, aceitar o mesmo arranjo puxa o mercado inteiro para baixo.</p>

<p>Quando trocou de patrocinador depois de doze anos na mesma empresa, a régua declarada foi a mesma de 2004: crescer junto com a marca em vez de vender imagem pelo primeiro pote oferecido. Foi esse critério que permitiu competir sem tirar dinheiro do próprio bolso durante duas décadas.</p>

<h2>Coach, atleta e a parte que ninguém controla</h2>

<p>A leitura sobre treinadores é menos romântica do que o mercado vende. Nenhum coach funciona para todo atleta: o que George Farah fazia não necessariamente servia a quem trabalhava com Dennis James, e atletas que renderam muito com um profissional renderam menos com outro sem que a técnica de ninguém tivesse piorado. Chris Aceto acertou com um, não repetiu o resultado com outro.</p>

<p>Existe ainda o fator que nenhuma planilha resolve. Atleta que chegou impecável na véspera pode não apresentar a melhor versão no dia, e coach inexperiente às vezes entrega trabalho excelente. Por isso a conclusão prática é individualizar em vez de defender bandeira, e reduzir o número de competições por ano quando o objetivo é longevidade, porque cada preparação cobra saúde.</p>

<p>Esse mesmo raciocínio aparece na relação com Rafael Brandão, que preferiu buscar o pro card cedo enquanto a orientação era esperar. O caminho mais longo em competições rendeu experiência e o mais curto pouparia desgaste, e ambos levaram ao mesmo lugar por rotas diferentes.</p>

<h2>Conclusão</h2>

<p>A trajetória de Júlio Balestrin é útil porque não vende atalho. Ela mostra um físico construído com ambiente certo, mentoria, décadas de palco e uma disciplina de off-season que raramente permitia mais do que 8 a 10 kg acima do peso de competição.</p>

<p>Mostra também o que custa. Abscessos, ginecomastia, pressão alta, um joelho comprometido por uma série mal decidida e cinco anos fora do palco compõem a outra metade da conta. Os números de treino e de dieta que aparecem aqui podem inspirar organização e método. Os números farmacológicos são registro de prática de alto rendimento, não recomendação, e qualquer decisão nesse terreno exige exames, avaliação individual e acompanhamento de profissional habilitado.</p>

<h2>FAQ</h2>

<h3>Quem é Júlio Balestrin?</h3>
<p>Fisiculturista, treinador e comunicador brasileiro, campeão brasileiro e sul-americano, pro card conquistado no Arnold Classic Brasil em 2013 e uma das referências do bodybuilding nacional pela influência sobre atletas como Rafael Brandão e Fabrício.</p>

<h3>Quanto ele pesava no off-season e em competição?</h3>
<p>O off-season mais pesado chegou a 132 kg. Em competição ficava entre 114 e 117 kg, e a regra de trabalho era não passar de 8 a 10 kg acima do peso de palco.</p>

<h3>O método de treino de perna dele funciona para iniciante?</h3>
<p>O esquema de três repetições com 6 segundos de fase concêntrica, três repetições normais e repetições com 6 segundos de fase excêntrica, repetido quatro ou cinco vezes por série, é altamente exigente e nasceu de uma limitação articular. Iniciante ganha mais organizando execução, frequência e progressão de carga antes de adotar métodos de alta densidade.</p>

<h3>Quais colaterais ele enfrentou na carreira?</h3>
<p>Quatro abscessos causados por estanozolol, ginecomastia, pressão alta e queda de cabelo. A avaliação cardíaca mais recente ficou em torno de 8 de 10, resultado que ele associa ao condicionamento mantido e à opção por não migrar para o extremo das doses.</p>

<h3>Os protocolos citados servem de referência para amador?</h3>
<p>Não. Os valores citados descrevem a prática de um atleta profissional acompanhado, em uma janela específica de preparação, e aparecem sem unidade ou frequência declaradas. Reproduzir esse tipo de esquema sem exames, indicação e acompanhamento médico multiplica risco sem garantir resultado.</p>

<h3>O que mudou entre o fisiculturismo dos anos 2000 e o atual?</h3>
<p>Naquele período, um campeonato inteiro reunia de 115 a 120 atletas, a categoria pesada ia até 90 kg, whey não circulava e os ciclos eram de um fármaco por vez. Hoje há coaches internacionais, dieta medida em gramas, patrocínio estruturado e atletas brasileiros ganhando mais do que muitos profissionais estrangeiros do topo.</p>

<h2>Referências</h2>
<ol>
  <li>MONSTER CAST. JULIO BALESTRIN - REFERÊNCIA NO FISICULTURISMO. [S. l.], 20 mar. 2024. YouTube. Disponível em: <a href="https://www.youtube.com/watch?v=_jXbHJzpKag" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://www.youtube.com/watch?v=_jXbHJzpKag</a>. Acesso em: 31 jul. 2026.</li>
</ol>]]></description><guid isPermaLink="false">1102</guid><pubDate>Sun, 26 Jul 2026 21:34:00 +0000</pubDate></item><item><title>Dudu Haluch: da f&#xED;sica &#xE0; sala de aula da maromba</title><link>https://fisiculturismo.com.br/mat%C3%A9rias/gente/dudu-haluch-da-f%C3%ADsica-%C3%A0-sala-de-aula-da-maromba-r1101/</link><description><![CDATA[
<p><img src="https://cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2026_08/dudu-haluch-aula-universidade-capa.webp.3921660053f2cd516c66fe5d6319aa3e.webp" /></p>
<p>Antes de virar referência para quem estuda hormônios, nutrição e fisiculturismo, Dudu Haluch era um sujeito de fórum, livro aberto e dúvida na cabeça. Em <em>"DUDU HALUCH - O GURU DOS HORMÔNIOS E NUTRIÇÃO!"</em>, do Monster Cast, a trajetória dele aparece como uma mistura rara no meio maromba: curiosidade de nerd, vivência prática, crítica acadêmica e vontade declarada de ensinar.</p>
<p>Dá para entender pela trajetória dele por que virou uma figura tão citada entre atletas, coaches e praticantes antigos de musculação. Ele não aparece apenas como alguém que sabe nomes de drogas, dietas ou estratégias de preparação. O personagem central é o professor que nasceu antes da sala de aula formal, ainda nas comunidades de Orkut e nos fóruns em que a resposta mais esperada era a dele. E, entre uma história e outra, ele destrincha número, dose, estudo e mecanismo — que é justamente o que fez a audiência dele crescer.</p>

<h2>O começo: filosofia, física e musculação</h2>
<p>A origem não é a rota mais óbvia para alguém associado ao fisiculturismo. Dudu conta que fez um ano de Filosofia, depois migrou para Física e estava no mestrado na USP quando começou a levar a musculação a sério, por volta de 2007 e 2008. Já tinha uns dois anos de treino e nunca havia parado para estudar treino e dieta de verdade.</p>
<p>Esse detalhe explica boa parte do estilo que marcaria sua presença no meio. A formação em exatas trouxe convivência com ambiente acadêmico, leitura crítica e familiaridade com debate sustentado por fonte. Quando percebeu que treinava mal, usava suplemento sem grande utilidade e sabia pouco sobre dieta, não tentou resolver tudo no improviso. Foi estudar. Treinou natural de 2005 a 2011, e por volta de 2010 conheceu Emanuel Martires, o Manu, curitibano como ele e o cara que postava os relatos de esteroide mais bem construídos dos fóruns. Foi a amizade com o Manu que o fez começar a estudar hormônio, até então um assunto que despertava curiosidade e medo em doses iguais.</p>
<p>A cronologia que ele descreve é bem marcada. A consultoria começou por volta de 2011 e 2012, ainda com bolsa de doutorado na USP. As primeiras palestras vieram em 2014, e a fase mais forte como coach ficou entre 2012 e 2016/2017. O livro sobre hormônios saiu em 2017, e daí em diante o trabalho migrou para aulas em pós-graduação, palestras e produção de conteúdo. A frase que resume a virada é simples: o que ele mais gosta de fazer é ensinar.</p>
<p>No meio dessa linha do tempo há dois episódios que ele conta sem tentar embelezar. Competiu natural em 2010 e, nas palavras dele, passou vergonha: não estava bom, mas achava que estava. E contratou um coach para aquela preparação justamente por insegurança, para descobrir logo em seguida que entendia mais do assunto do que o profissional que havia contratado. O primeiro ciclo veio em 2011 e também não seguiu manual nenhum: foram 20 semanas de nandrolona com estanozolol em dose baixa, sem testosterona, tudo misturado na mesma seringa porque o coach da época mandou fazer assim. Ele saía mancando da academia e achava que era assim mesmo.</p>
<p>Hoje o trabalho é declaradamente de professor. São três livros, quatro ebooks, plataforma de aulas, coordenação de duas pós-graduações na Uniguaçu e aula para turmas que incluem médicos. Consultoria ele ainda faz, mas pouca e com preço alto de propósito, porque o foco está em outro lugar.</p>

<h2>Dos fóruns à autoridade informal</h2>
<p>A geração dos fóruns de musculação tinha uma dinâmica própria. Alguém abria um tópico, vários opinavam e muita gente esperava a análise final de quem parecia organizar melhor o caos. Dudu ocupou esse espaço porque escrevia, respondia, corrigia e, principalmente, voltava para checar o que não dominava.</p>
<p>As críticas também fizeram parte da construção. Quando era questionado por falar de temas de saúde sem ser médico, a resposta não foi apenas insistir na própria opinião. Ele relata que passou a buscar livros de nutrição, fisiologia, treinamento e hormônios, além de fóruns estrangeiros e referências técnicas, para sustentar melhor os textos.</p>
<p>Um exemplo que ele mesmo lembra é um texto antigo de comunidade comparando Dianabol e M-Drol, escrito para conter a euforia com os pró-hormonais vendidos como "suplemento". O argumento era direto: gente relatando ganhos de 5 kg com 20 mg de um composto de rótulo não estava tomando suplemento coisa nenhuma — estava tomando esteroide potente, com colateral compatível.</p>

<h2>Os números que ele coloca na mesa</h2>
<p>Dudu discute dose, estudo e comparação abertamente, sempre em contexto de crítica ao uso indiscriminado. Nada do que vem abaixo é recomendação, protocolo ou orientação de uso.</p>
<ul>
  <li><strong>Produção natural:</strong> um homem jovem produz por volta de 50 a 70 mg de testosterona por semana, o que equivale a algo perto de 100 mg semanais de enantato ou cipionato, já descontando que o éster carrega cerca de 70% de testosterona na molécula. A mulher produz cerca de 10 vezes menos.</li>
  <li><strong>Evolução natural por ano:</strong> a estimativa que ele usa para uma genética boa é de aproximadamente 10 kg de massa muscular no primeiro ano de treino sério, 5 a 6 kg no segundo e 2 a 3 kg no terceiro, com a curva sempre achatando.</li>
  <li><strong>Escala do ciclo:</strong> a partir daí, quem usa 500 a 600 mg por semana, ou 1 g, está entre 5 e 12 vezes acima da própria produção. A magnitude de ganho discutida foi de 5 a 8 kg de massa muscular, dependendo de genética — número que ele diz aparecer tanto em estudo quanto na prática.</li>
  <li><strong>Efeito dose-dependente com teto:</strong> 200 mg e 600 mg não dão o mesmo resultado, mas a curva achata. Dentro da faixa fisiológica (ele cita algo como 300 a 800/900 ng/dL), ter testosterona natural mais alta não significa mais hipertrofia.</li>
  <li><strong>Nandrolona:</strong> um estudo com bodybuilders usando 200 mg por semana não mostrou aumento de retenção hídrica. Segundo ele, a fama de "reter" vem do contexto: a galera usa a droga em bulking, comendo muito.</li>
  <li><strong>Proporções simbólicas:</strong> discutindo a lógica de "base de testosterona", ele trata 150 mg de testosterona para 300 de outro composto como praticamente irrelevante perto de esquemas do tipo 1 g de testosterona com 500 de nandrolona.</li>
  <li><strong>História do esporte:</strong> nos anos 80 entram GH (ainda <a href="https://fisiculturismo.com.br/mat%C3%A9rias/esteroides/gh-de-cad%C3%A1ver-grorm-a-hist%C3%B3ria-e-os-riscos-no-fisiculturismo-r842/" target="_blank" rel="noopener">cadavérico</a>, com doses baixas, na casa de 4 UI), clembuterol e trembolona. Ele lembra que Dan Duchaine já escrevia sobre gente usando 2.000 mg semanais, e cita como boato do meio a história de Mike Mentzer com 2 g de nandrolona por semana.</li>
  <li><strong>SARMs:</strong> os estudos de ostarina trabalham com 1 mg a 3 mg, no máximo. Na prática, ele diz ver 20, 30 e até 50 mg — 5 a 10 vezes acima do que foi estudado, o que ajuda a explicar relatos de problema hepático que a literatura de dose baixa simplesmente não capta.</li>
  <li><strong>SARM x testosterona:</strong> nas doses estudadas, o ganho fica em torno de 1 a 1,5 kg de massa magra, contra 5, 6 ou 8 kg dos estudos com testosterona. Quem usa está, nas palavras dele, servindo de cobaia, porque falta dado de longo prazo.</li>
  <li><strong>GH:</strong> em adulto com deficiência diagnosticada, o hormônio muda a composição corporal de forma escancarada, algo como 5 kg de massa magra a mais e 5 kg de gordura a menos. Em quem não tem deficiência e não usa esteroide, o ganho cai para cerca de 2 kg, boa parte disso retenção, porque o GH retém sódio e água.</li>
  <li><strong>Trembolona:</strong> é potente já em dose relativamente baixa, na faixa de 250 a 300 mg por semana, mesmo em atleta grande. Ele conta que testou em si mesmo mantendo treino e dieta estáveis, com 250 mg de testosterona e 300 mg de trembolona, e que o perfil lipídico desandou como nenhum outro injetável havia feito.</li>
  <li><strong>Dependência:</strong> a estimativa que ele cita é de cerca de 30% dos usuários desenvolvendo dependência psicológica de esteroide, e ele se inclui entre quem carregou algum grau disso.</li>
  <li><strong>Pró-hormonais dos fóruns:</strong> compostos como o Superdrol/M-Drol eram usados em 20 mg com relatos de 5 kg de ganho, o que para ele já denunciava que aquilo era esteroide, e dos potentes.</li>
  <li><strong>Metabolismo em dieta:</strong> a cada quilo perdido, o gasto cai algo entre 20 e 30 calorias, enquanto o apetite sobe na ordem de 100 calorias. É por isso que ele diz que o freio do emagrecimento é a fome, não o metabolismo, e que quem segue a dieta à risca só chegaria a um platô real depois de cerca de 3 anos.</li>
  <li><strong>Colateral chega antes do arrependimento:</strong> falando de acne, ele cita mulheres começando com 30 mg de oxandrolona no primeiro ciclo e homens entrando direto em 500 de durateston. O recado é que acne androgênica é difícil de tratar depois de instalada — quem tem medo de colateral deveria pensar nisso antes, não no meio do ciclo.</li>
</ul>
<p>Vale repetir o óbvio que ele mesmo faz questão de deixar claro: esses números são referências de debate e de crítica ao meio, não roteiro. Prescrição de esteroides para estética e desempenho é vedada no Brasil, e nenhuma dessas cifras substitui avaliação médica.</p>

<h2>Por que aumentar dose para de funcionar</h2>
<p>A explicação de platô é a parte mais didática do que ele apresenta. A explicação comum no meio é que "o receptor satura" ou sofre <em>downregulation</em>. Dudu discorda e usa uma comparação simples: se o receptor androgênico realmente parasse de responder, o usuário começaria a catabolizar mesmo tomando hormônio — e não é isso que acontece.</p>
<p>O contraste que ele usa é o clembuterol, que age em receptor beta-adrenérgico. Ali, sim, o estímulo constante degrada receptor, o número cai e o efeito vai sumindo com o tempo — motivo pelo qual não se usa clembuterol continuamente. Com esteroide o mecanismo é outro: a sinalização chega perto do limite e a síntese proteica não consegue subir mais para aquela estrutura muscular, naquele momento.</p>
<p>A conclusão prática é anti-intuitiva para quem só pensa em subir dose. Quem estagnou treinando bem, comendo bem e já usando hormônio ganha pouco ou nada aumentando a miligramagem. O gargalo passa a ser aparato celular, quantidade de mionúcleos, adaptação da fibra — coisa que leva tempo, não miligrama.</p>
<p>Ele vai além e inverte a crença: em vez de derrubar receptor, o esteroide faz suprarregulação. O receptor androgênico fica concentrado nos mionúcleos e nas células satélites, e como testosterona e derivados aumentam a quantidade dessas estruturas, o número de receptores sobe. É limitado, não é infinito, mas é parte do motivo de o esteroide ser tão potente: ele estimula a síntese proteica e, ao mesmo tempo, amplia a máquina que executa essa síntese.</p>
<p>O mesmo mecanismo explica a memória muscular. O treino consistente faz a célula satélite doar núcleo para a fibra, e esses mionúcleos ficam ali mesmo depois que a pessoa para de treinar e murcha. O músculo atrofia porque a sinalização foi interrompida, mas a fibra não volta a ser de iniciante. É o motivo de ninguém virar Mr. Olympia com um ano de treino e de quem voltou depois de anos parado recuperar o físico antigo em uma fração do tempo.</p>

<h2>O caso Bico e a ideia de responsividade</h2>
<p>Entre os exemplos de preparação, o caso do atleta conhecido como Bico ocupa lugar importante: foi o primeiro nome de peso que ele preparou. Dudu conta que o encontrou ainda natural, com 1,70 m e 84 kg, maturidade muscular e um shape que ele fez questão de confirmar duas vezes antes de acreditar.</p>
<p>A leitura dele era que um bom natural tende a ser muito responsivo à própria testosterona e, por isso, poderia responder bem também a doses menores de anabolizantes. Anos depois, ele conecta essa intuição a um estudo de 2018, com 12 semanas de treino, em que a hipertrofia não acompanhou o nível de hormônio circulante, mas sim a quantidade de receptores androgênicos no músculo.</p>
<p>O teste foi feito da forma mais simples possível. O primeiro protocolo do Bico foi apenas Dianabol, 3 comprimidos por dia, apoiado numa frase de Dan Duchaine que Dudu gosta de repetir: quem não cresce com Dianabol e Deca não cresce com nada. O atleta saiu da faixa de 84 a 86 kg e chegou perto de 94 kg naquele off. Depois veio um pré-contest convencional e um problema mais prosaico, dinheiro, que Dudu resolveu conseguindo patrocínio para o rapaz. Ele venceu a primeira competição no fim de 2014, no Rio Grande do Sul, com 90 kg de palco e 1,70 m.</p>
<p>O contraponto tem nome no jargão do meio: o shape anticiclo. É o sujeito que não responde bem nem a hormônio nem a treino, e as duas coisas andam juntas justamente porque a responsividade à testosterona atravessa os dois. Ele resume o resultado disso com franqueza incômoda: a maioria das pessoas que cicla não parece que toma hormônio.</p>
<p>A mesma lógica aparece quando ele explica por que os old school, como Reg Park e Steve Reeves, tinham tronco impressionante e coxas sem cortes profundos: a densidade de receptores androgênicos costuma ser maior no tronco. Não é regra absoluta, varia entre pessoas, mas ajuda a entender por que certos padrões de físico mudaram depois que o uso de esteroides se espalhou.</p>
<p>O ponto para o leitor não é copiar protocolo. É entender que boa parte do fisiculturismo competitivo é construída sobre exceções biológicas — e que exceção não vira método replicável.</p>

<h2>Insulina, metformina e o fetiche por variável nova</h2>
<p>Ele desfaz um mito bem enraizado: a ideia de que insulina seria o grande hormônio anabólico. Para ele, o principal hormônio anabólico é a testosterona, e a insulina age mais como anticatabólico. E há a provocação prática — quem come muito carboidrato já eleva insulina e ganha gordura junto, sem que isso vire físico de palco.</p>
<p>A metformina, que virou febre pelo mecanismo sedutor de melhorar sensibilidade à insulina e atrapalhar parte da absorção de carboidrato, também leva um freio. Ele cita um estudo de 2019/2020 em homens idosos saudáveis, sem diabetes, comparando treino com e sem metformina: quem usou ganhou <em>menos</em> massa muscular. A explicação apontada é o próprio mecanismo — ativação de AMPK e inibição de mTOR, ou seja, a via que anabolismo depende.</p>
<p>Para ele, o verdadeiro divisor de águas do fisiculturismo moderno não é insulina nem esteroide novo: é o GH. Nos anos 80 o hormônio ainda era cadavérico, retirado de hipófise, e por isso usado em doses modestas, por volta de 4 UI. Em 1985 veio a versão sintética por DNA recombinante, e a disponibilidade mudou tudo. Ele estima que a mutação de físico começa a partir de 8 a 10 UI em homens, enquanto atletas de elite mulheres trabalham bem com 2 a 4 UI. Curiosamente, o fisiculturismo estava usando GH cerca de 15 anos antes de o hormônio virar tratamento reconhecido para adulto com deficiência, nos anos 90.</p>
<p>Daí sai a hipótese mais interessante que ele levanta. Se o GH construiu a era freak a partir de meados dos anos 90, o abuso do mesmo hormônio também explicaria a decadência estética dos atletas depois do auge, que ele situa entre 35 e 40 anos. O GH aumenta a síntese de colágeno, que é tecido conjuntivo e não proteína muscular, e o acúmulo disso ao longo de anos deixaria o físico com aquele aspecto grosseiro que o meio apelidou de palumboísmo. Comida forçada e insulina entram na conta, mas ele aponta o GH como o fio condutor.</p>
<p>O raciocínio dele é menos glamouroso do que a internet gostaria: quanto mais variável farmacológica alguém enfia no próprio protocolo, mais difícil fica entender o que está de fato acontecendo no corpo.</p>

<h2>TPC não é apagador de conta</h2>
<p>Outro ponto tratado sem romantismo é a terapia pós-ciclo. Ele diz, por experiência própria e por observação, que TPC não segura ganho — a ideia de "TPC bem feita mantém o shape" é folclore de guru. O motivo é direto: o físico foi construído com uma concentração de hormônio que o corpo não produz sozinho.</p>
<p>Também aparece o custo de recuperação. Mesmo quem faz TPC direitinho pode levar semanas para normalizar o eixo, e ele relata casos em que os sintomas persistem por 4 a 6 meses, mesmo com exame normalizado — sinal de que o nível de testosterona no papel não conta a história toda.</p>
<p>O detalhe cruel do calendário é que a conta chega atrasada. Ele descreve o pós-ciclo como um hipogonadismo temporário, com os mesmos sintomas de uma deficiência de testosterona: libido no chão, desânimo, fadiga, recuperação muscular sofrível. E costuma bater não na primeira semana, mas cerca de 3 meses depois de encerrado o ciclo, quando o sujeito já achou que tinha escapado. O tratamento óbvio para deficiência de testosterona é dar testosterona, exatamente o que não se pode fazer ali.</p>
<p>É essa janela que empurra a pessoa de volta. Ele usa uma analogia de dinheiro: alguém pobre e feliz que enriquece e depois empobrece de novo não volta a ser a mesma pessoa, porque o parâmetro mudou. Com esteroide vale para tudo ao mesmo tempo, físico, disposição e libido. A estimativa de cerca de 30% de dependência psicológica entre usuários vem dessa mesma lógica, e ele admite ter carregado um grau disso por anos.</p>
<p>Daí a crítica ao calendário que virou norma no meio: ciclos de 8 a 10 semanas com dois meses de intervalo, três vezes ao ano, é praticamente uso contínuo disfarçado. Ele admite ter começado assim e conta que o próprio padrão de uso foi ficando mais frequente com o tempo — que é justamente a armadilha.</p>

<h2>Humildade técnica: atleta não é automaticamente especialista</h2>
<p>A distinção entre ter shape e entender o processo é a provocação mais útil que ele faz. Dudu defende que bodybuilder não vira automaticamente especialista em nutrição, treino ou farmacologia apenas porque tem um físico superior. O atleta pode ter genética excepcional, disciplina absurda e experiência prática, mas ainda assim interpretar mal o que funcionou com ele.</p>
<p>Essa ideia incomoda porque o ambiente fitness costuma confundir resultado com ciência. O físico chama atenção, vende produto e gera autoridade. Mas autoridade técnica exige método, capacidade de explicar, leitura de evidência, noção de limite e humildade para admitir dúvida.</p>
<p>A prática dele como coach seguia essa régua sem virar arrogância. Ele conta que preparou gente com shape muito superior ao dele e conhecimento de nutrição muito inferior, e que a relação funcionava justamente porque o atleta reconhecia a própria limitação. Crença inofensiva ele nem discutia: se o sujeito queria tomar glutamina ou BCAA, tudo bem, não atrapalhava a estratégia. O limite era outro. Se o atleta decidisse zerar carboidrato ou enfiar um oral por conta própria, aí a mudança era drástica demais e o trabalho não se sustentava.</p>
<p>Ele também separa funcionar de ser eficiente, que é onde a discussão do meio costuma travar. Zerar carboidrato seca, ninguém nega, só não é o jeito mais eficiente de secar. E a interpretação individual não substitui o desenho de estudo: a mesma turma de pesquisadores que produz evidência clara para creatina e beta-alanina é a que testa BCAA, então desprezar o estudo só quando o resultado desagrada é escolha, não critério.</p>
<p>Para quem consome conteúdo maromba, a lição é direta: admire o físico, mas não entregue sua saúde a qualquer pessoa só porque ela parece saber o que faz.</p>

<h2>Saúde não deveria ser detalhe de protocolo</h2>
<p>Entre uma piada e outra, ele solta vários alertas de saúde. Esteroides podem ter efeitos androgênicos como acne, queda de cabelo e alterações prostáticas. Substâncias vendidas como solução elegante, caso dos SARMs, têm pouca evidência de longo prazo e são usadas em doses muito acima das estudadas. Produtos clandestinos batizados atrapalham até a interpretação de exame.</p>
<p>A Resolução CFM nº 2.333/2023 reforça que a prescrição de esteroides androgênicos e anabolizantes para finalidade estética, ganho de massa muscular ou melhora de desempenho esportivo é vedada no exercício da Medicina, salvo indicações clínicas específicas. Isso não apaga o debate do fisiculturismo, mas deixa uma linha importante: saúde não é território para improviso.</p>
<p>Um esclarecimento técnico dele derruba uma crença popular. Queda de cabelo, acne e hipertrofia prostática não são efeito exclusivo do DHT: são efeitos androgênicos, da natureza do esteroide. Bloquear a conversão com finasterida reduz o DHT, mas a testosterona e todos os outros compostos continuam agindo no mesmo receptor do couro cabeludo. É por isso que ele diz que quem tem medo real de perder cabelo não deveria começar, e lembra que boa parte desses efeitos é tempo-dependente, não só dose-dependente: ele mesmo só começou a notar entradas depois de uns 4 anos.</p>
<p>Há ainda o problema de nem saber o que se está tomando. Primobolan é caro a ponto de rivalizar com GH, o que faz dele alvo predileto de falsificação. Ele conta que usou um frasco que ganhou de laboratório, dentro de um protocolo estável que vinha monitorando de perto, e começou a desenvolver ginecomastia do nada, sinal claro de que ali tinha testosterona e não primobolan. E alerta que a boldenona é o composto que mais aparece como testosterona no exame de sangue, por semelhança estrutural, o que embaralha qualquer tentativa séria de acompanhamento laboratorial.</p>
<p>Quem deseja competir ou cogita hormonização precisa de acompanhamento qualificado, exames, avaliação de risco e disposição para ouvir limites. A cultura maromba melhora quando conhecimento técnico deixa de ser usado para maquiar irresponsabilidade.</p>

<h2>A grande lição: estudar antes de opinar</h2>
<h2>A história que ele foi atrás para escrever o livro</h2>
<p>Um capítulo inteiro do livro de hormônios nasceu de uma curiosidade antiga e meio infantil: descobrir o que os monstros de cada época realmente tomavam. Como ninguém ia responder isso numa entrevista dos anos 70, ele foi atrás de correspondência, relato tardio e material de arquivo.</p>
<p>O marco que ele reconstrói é 1954. Dr. John Ziegler, médico da equipe americana de levantamento de peso, descobriu num campeonato que os soviéticos não estavam ganhando por causa de proteína melhor, e sim porque injetavam alguma coisa. De volta aos Estados Unidos, decidiu testar testosterona não no atleta mediano, mas nos melhores que tinha à mão, entre eles John Grimek, primeiro Mr. Universo da NABBA em 1948 e vencedor do Mr. USA em 1949. Curiosamente, os atletas não gostaram do resultado e o próprio Grimek desistiu.</p>
<p>Nas décadas seguintes, a base dos ciclos não era testosterona, e por um motivo prático: não existia como tratar ginecomastia. Tamoxifeno e clomifeno só entraram no meio nos anos 80, e até lá a testosterona tinha fama de dar peito. Franco Columbu chegou a subir e vencer o Olympia com uma ginecomastia visível. Por isso a nandrolona virou base tantas vezes, tão anabólica quanto a testosterona e sem a mesma agressividade. Trembolona e boldenona só entraram para valer nos anos 80, junto com GH e clembuterol, e é exatamente aí que os físicos começam a ficar mais secos e mais densos nas fotos.</p>
<p>Ele usa esse histórico para desarmar dogma. Quando dizia que dava para fazer ciclo sem testosterona, anos atrás, era tratado como maluco. O argumento dele era simples: Sergio Oliva e a geração dele faziam exatamente isso com nandrolona e Dianabol, e o resultado está registrado em foto. Não é recomendação, é constatação histórica de que não existe protocolo único.</p>
<p>Vale também a nota sobre os naturais de verdade. Ao olhar Reg Park, John Grimek e a turma dos anos 40, ele lembra que eram homens com 20 ou 30 anos de treino, físicos grandes e volumosos, mas nunca extremamente secos, competindo acima de 10% de gordura porque secar demais custava músculo. É a referência honesta de teto natural, e o motivo pelo qual ele desconfia de quase todo natural anunciado hoje.</p>

<p>Dudu ficou conhecido por responder perguntas difíceis, mas a parte mais valiosa da trajetória talvez seja anterior às respostas. Ele estudou porque percebeu que não sabia. Mudou de área porque descobriu onde tinha mais vontade de trabalhar. Saiu da figura de coach para a de professor porque ensinar fazia mais sentido do que apenas ajustar atleta.</p>
<p>Essa é uma mensagem especialmente forte para a nova geração. A internet facilita a pose de especialista, mas também facilita a vergonha de quem fala sem base. No universo de hormônios, nutrição e fisiculturismo, a diferença entre palpite e conhecimento pode custar saúde, dinheiro e anos de treino perdido.</p>

<h2>Conclusão</h2>
<p>A trajetória de Dudu Haluch explica por que ele virou referência para tanta gente no fisiculturismo brasileiro. Não foi só por falar de hormônios. Foi por unir fórum, ciência, prática, livros, sala de aula e uma obsessão visível por organizar informação — inclusive a informação incômoda, do tipo que derruba a promessa de que dose maior resolve.</p>
<p>Em um meio cheio de atalhos, frases prontas e promessas agressivas, a maior aula talvez seja a mais simples: antes de copiar protocolo, entenda o contexto. Antes de confiar no shape, questione o método. Antes de comprar milagre, estude.</p>

<h2>FAQ</h2>
<h3>Quem é Dudu Haluch?</h3>
<p>Dudu Haluch é uma referência brasileira em conteúdo sobre nutrição, hormônios e fisiculturismo, conhecido desde a época dos fóruns e depois por livros, aulas, palestras e produção educacional.</p>
<h3>Dudu Haluch é médico?</h3>
<p>Não. A formação dele é em Física, com mestrado e doutorado na USP, e a atuação é educacional: três livros, quatro ebooks, aulas e coordenação de duas pós-graduações. Temas médicos e hormonais exigem avaliação de profissionais habilitados.</p>
<h3>As doses citadas aqui são recomendação?</h3>
<p>Não. Os números entram como contexto de debate, comparação histórica e crítica ao uso indiscriminado. Reproduzir dose de terceiros é risco à saúde, e a prescrição para fins estéticos é vedada pelo CFM.</p>
<h3>Por que aumentar a dose para de fazer efeito?</h3>
<p>Segundo a explicação dele, não é o receptor androgênico que "satura". A sinalização chega a um limite e a síntese proteica não sobe mais para aquela estrutura muscular. O gargalo passa a ser adaptação celular, e não miligramagem.</p>
<h3>TPC segura os ganhos do ciclo?</h3>
<p>Não. Ele afirma que TPC não mantém o físico construído com concentração hormonal suprafisiológica, e que a recuperação do eixo pode levar semanas, com sintomas persistindo por meses em alguns casos.</p>
<h3>Suplemento que aumenta testosterona funciona?</h3>
<p>Para estética, não. Mesmo quando algum composto eleva a testosterona em 15% ou 20%, o efeito no físico é irrelevante, porque dentro da faixa fisiológica o que determina a resposta é a quantidade de receptores androgênicos, e não o nível circulante.</p>

<h3>O que faz o cabelo cair, o DHT ou o esteroide?</h3>
<p>O efeito é androgênico por natureza, e não exclusivo do DHT. Finasterida reduz a conversão, mas a testosterona e os demais compostos seguem agindo no mesmo receptor do couro cabeludo. A queda também é tempo-dependente, não só dose-dependente.</p>

<h3>GH ou insulina mudou o fisiculturismo?</h3>
<p>Na avaliação dele, o GH. A insulina entra no conjunto, mas ele conhece atletas enormes que nunca abusaram dela. O GH sintético, viável a partir de 1985, é o que ele aponta como divisor de águas da era freak — e também como suspeito pela deterioração estética dos atletas depois dos 40 anos.</p>

<h2>Referências</h2>
<ol>
  <li>MONSTER CAST. <em>DUDU HALUCH - O GURU DOS HORMÔNIOS E NUTRIÇÃO!</em>. [S. l.], 20 fev. 2022. Disponível em: <a href="https://www.youtube.com/watch?v=Q1k_UfCWQjQ" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://www.youtube.com/watch?v=Q1k_UfCWQjQ</a>. Acesso em: 31 jul. 2026.</li>
  <li>CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA. Resolução CFM nº 2.333/2023. Brasília: CFM, 2023. Disponível em: <a href="https://sistemas.cfm.org.br/normas/visualizar/resolucoes/BR/2023/2333" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://sistemas.cfm.org.br/normas/visualizar/resolucoes/BR/2023/2333</a>. Acesso em: 31 jul. 2026.</li>
</ol>]]></description><guid isPermaLink="false">1101</guid><pubDate>Sun, 26 Jul 2026 21:19:00 +0000</pubDate></item><item><title>Jorlan Vieira: treino, palco e desejo de verdade</title><link>https://fisiculturismo.com.br/mat%C3%A9rias/gente/jorlan-vieira-treino-palco-e-desejo-de-verdade-r1099/</link><description><![CDATA[
<p><img src="https://cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2026_08/jorlan-vieira-aula-parque-capa-v2.webp.b27e8c341201e1062200b514cbce67c7.webp" /></p>
<p>Jorlan Vieira sentou no Monster Cast para gravar "JORLAN VIEIRA - ALL DAY IS BACK" por mais de 5 horas e abriu praticamente tudo: a carga que colocou no hack, o quarto onde a geladeira quebrada virava guarda-roupa, o dia em que a polícia entrou na academia com fuzil por causa de uma denúncia, o que ele usa, o quanto usa e o que acha de quem usa muito mais. É uma conversa que fica melhor quanto mais longa fica, porque as histórias vão saindo de dentro das outras.</p>
<p>O que segura tudo é uma tese só, repetida de várias formas: no fisiculturismo existe uma ordem, e quase todo mundo tenta inverter. Primeiro vem querer. Depois a rotina. Depois o corpo. Depois o palco. Quem começa pelo final compra a fantasia do atleta antes de virar um.</p>
<h2>Os 400 kg do hack e os 24 anos que vieram antes</h2>
<p>O ponto de partida da conversa é o hack squat com 400 kg que viralizou. Ele não trata aquilo como treino de terça-feira. Foi o terceiro exercício da sessão, numa máquina que ele elogia pela angulação, com elástico preso para tirar a tensão do fundo do movimento, que é exatamente onde a lesão acontece. E foi a segunda vez na vida que colocou aquele peso.</p>
<p>“Eu tenho 24 anos de treino, então não é uma carga cotidiana.” A frase é o antídoto contra o corte de trinta segundos. Ele não nega o ego, nega a leitura: chama de superação, de assistir a quem admira fazendo aquilo e conseguir entrar na mesma curva. E completa com o exemplo oposto, do mesmo mês: tentou levantamento terra com 240 kg e não tirou do chão. Tirou 220. Contou assim mesmo, sem maquiar, e ainda lembrou que sua pior lesão foi fazendo terra, o que transforma cada tentativa em algo que ele descreve como quebrar o próprio tabu.</p>
<p>Há também o supino inclinado na barra com 80 kg de cada lado, cinco repetições, com a academia parada assistindo. Ele conta que pensou, antes de deitar: se fizer menos de quatro aqui, vai ficar feio.</p>
<h2>A geladeira que virou armário</h2>
<p>A parte mais dura da conversa não tem carga nenhuma. É o inventário do quarto na Ilha do Governador, na época em que tudo que sobrava ia para comida e suplemento.</p>
<p>A maçaneta quebrou e ele parafusou uma chave de boca no lugar, e ficou assim. O guarda-roupa lotou porque, em casa de mãe antiga, metade das portas é da família. A geladeira do pai estragou no andar de cima, ele desceu o aparelho para o quarto e passou a guardar roupa dentro. A cama de madeira quebrou e ele dormiu com o colchão no chão por anos. A frigideira começou preta e terminou cinza de tanto uso, com o revestimento saindo junto com o frango.</p>
<p>Tudo isso porque o dinheiro tinha destino fixo. Naquela época a barra de proteína que ele gostava custava R$ 12, o mesmo preço do quilo do frango, e a escolha era sempre a mesma. Ele trabalhava numa loja de suplementos, pegava ônibus com mochila nas costas, dava consultoria de manhã e cumpria expediente ao meio-dia. Uma academia decente na ilha custava R$ 200 por mês, quase vinte anos atrás, com muito menos estrutura do que o CT onde ele treina hoje, onde a diária sai por cerca de R$ 50.</p>
<h2>O flagrante com fuzil e a matéria que nunca foi ao ar</h2>
<p>Nessa mesma época veio o episódio que ele conta sem tirar o nome de ninguém, mas sem suavizar nada. Alguém que convivia com ele na academia, que já tinha pedido dica de treino e de dieta, denunciou-o por exercício ilegal da profissão. A denúncia foi mapeada em cima da rotina dele: sabiam o horário em que ele passava para ver duas alunas antes de abrir a loja.</p>
<p>Chegou uma equipe do conselho, acompanhada de uma equipe de TV com câmera grande e de dois policiais de fuzil. Ele saiu escoltado no meio do supermercado, sem algema, e foi levado a assinar termo na delegacia, onde a delegada disse que o seguia nas redes. A resposta que ele deu à repórter na porta da academia não foi ao ar. A resposta era que, se o órgão formasse profissionais capazes, ninguém precisaria procurar um atleta para aprender a treinar, e que a falha estava na formação, não em quem era procurado. O que foi ao ar foi a versão de investigação.</p>
<p>O que mais o assustou não foi a delegacia. Foi a mãe, idosa, com histórico de AVC e problema cardíaco, ligando a televisão e vendo aquilo. Anos depois ele voltou à mesma academia e diz que a pessoa continua no mesmo lugar, ganhando o mesmo dinheiro.</p>
<h2>Off não é passeio, é empurrar comida</h2>
<p>Ele ama treinar e detesta a dieta, e diz isso sem rodeio. Pesar comida e comer sem vontade é a pior parte do processo. E ele inverte a crença comum: para ele, pré-contest é mais fácil que um bom off, porque em preparação a fome ajuda, enquanto no off é preciso empurrar comida com o estômago cheio.</p>
<p>A conta que ele dá para ilustrar não é figura de linguagem: 500 a 600 g de arroz com 300 g de carne ou frango a cada três horas, e ainda um mingau com 200 g de aveia no meio. É esse volume que separa quem cresce de quem apenas mantém, e é por isso que ele ironiza quem come 150 g de arroz com 150 g de frango e já procura enzima digestiva. O erro clássico, na leitura dele, é a combinação que virou padrão: comer menos, tomar mais e treinar médio.</p>
<p>Sobre off limpo, a crítica é específica e vale mais que o debate estético. O atleta moderno mantém o abdômen trincado o ano inteiro, mas para isso segue com hormônio de crescimento, insulina e comida alta o tempo todo. O off antigo era feio, e ele lembra que os físicos de off dos anos 90 eram irreconhecíveis, mas era um off de fato descansado. O corpo hoje, diz ele, nunca sai da química, e a rede social é quem cobra a conta.</p>
<h2>A caixa aberta: o que ele diz usar</h2>
<p>Antes dos números, o alerta que ele mesmo faz na conversa: nada ali é prescrição, é relato de um atleta com décadas de estrada, acompanhamento e um corpo que ele conhece. Doses de hormônio fora de contexto médico envolvem risco cardiovascular, hepático, hormonal e psiquiátrico real, e copiar número de podcast é o caminho mais curto para o pronto-socorro.</p>
<p>Feita a ressalva, ele foi direto. O máximo de testosterona que já usou em uma semana foi 1 g, e não como padrão, mas como pico isolado, com retorno logo em seguida. O protocolo dele nunca passou de três substâncias ao mesmo tempo: uma base de testosterona, uma droga de suporte como nandrolona ou boldenona, e um oral, do tipo anabol ou oximetolona. O limite pessoal que ele estabeleceu tem uma imagem que ele repete: uma seringa de 3 mL por dia, e nada além. No momento da conversa estava em cerca de 1,5 mL diário, e brinca que o dia em que treinou bem rende um pouco mais.</p>
<p>Vale separar os dois números, porque eles não se somam. Aquele 1 g de testosterona é peso de substância, o equivalente a 4 mL de um produto a 250 mg/mL, ou 4 ampolas do blend mais comum nas farmácias brasileiras, divididas ao longo da semana. Já os 3 mL diários são volume total de líquido na seringa, somando tudo que ele aplica junto naquele dia, e não testosterona pura. Comparar um com o outro como se fossem a mesma medida é o erro mais frequente de quem lê protocolo alheio.</p>
<p>Aos 39 anos, fora de preparação, ele diz manter sempre uma dose mínima de reposição, aplicada a cada 15 ou 20 dias, com o argumento de que ficar zerado naquela idade já é prejuízo. E há um ponto que ele faz questão de marcar: para ele, o ergogênico hoje serve muito mais à estética do que ao treino. Diz sentir diferença clara apenas nos orais de ação rápida, como oximetolona, e considera ilusão a ideia de que uma boldenona ou uma nandrolona vá mudar o rendimento de uma sessão.</p>
<h2>O hormônio de crescimento que só chegou em 2013</h2>
<p>Esse é o dado que resume a carreira inteira. Ele começou a competir em 2001. Só usou hormônio de crescimento pela primeira vez em 2013, doze anos depois, e a dose foi de 4 UI por dia, por quatro a cinco semanas, que foi o que o bolso permitiu.</p>
<p>Ele usa isso como base de um raciocínio sobre desigualdade no esporte, e é honesto nas duas direções. Diz que sabe exatamente o que é esforço e que não sabe o que é investimento, porque nunca teve patrocínio. E completa com a pergunta que ninguém responde: se com dinheiro para 4 UI ele chegou onde chegou, onde teria chegado com 12. Não trata isso como desculpa, e sim como a medida de quanto estrutura pesa.</p>
<p>Na mesma linha entra a história de ir a pé até a academia, dois a três quilômetros, treinar perna, voltar a pé e ainda cozinhar em casa, preparando o Arnold.</p>
<h2>Os três protocolos</h2>
<p>Uma das passagens mais úteis da conversa é a explicação de por que perguntar "o que você toma" quase nunca produz uma resposta verdadeira. Ele descreve três camadas: existe o protocolo real, que só o atleta conhece, existe o que ele divide com os amigos próximos, e existe o que ele diz publicamente, que costuma ser uma versão manobrada. Às vezes há ainda uma quarta camada, o que o preparador de fato passou, que pode ser mais severo do que qualquer uma das versões.</p>
<p>E cita a frase que ouviu de um atleta, sem revelar o nome: você acha mesmo que eu cheguei até aqui sem saber o que tomar e o quanto tomar. É uma resposta que fecha o assunto e explica todo o resto.</p>
<h2>Quando o número deixa de fazer sentido</h2>
<p>A partir daí ele comenta doses de terceiros, sempre marcando o que é declaração pública e o que é conversa de bastidor. Cita um caso de mercado que circulou nos anos 90, de um profissional flagrado com cerca de 200 ampolas de testosterona para um período de 45 a 60 dias, e faz a divisão em voz alta para mostrar o absurdo. Menciona que Rodrigo Scarpelli chegou a mostrar no próprio Instagram uma aplicação diária de 400 mg de trembolona, e duvida em seguida, com um argumento técnico: se o produto fosse mesmo dosado, seria muito difícil tolerar aquilo. Lembra ainda que o Bad Boy declarou no mesmo estúdio usar 6 mL por dia, um pouco de tudo.</p>
<p>A preocupação central dele, porém, não é a dose em si, é a velocidade. Ele descreve ter visto um atleta de ponta passar de halteres de 65 kg com 15 a 20 repetições para 90 kg em cerca de um mês e meio, e diz que quem levanta peso sabe que a progressão não funciona assim. Compara com Ronnie Coleman, que veio do levantamento básico e já tinha 30 e poucos anos quando fazia as cargas que ficaram famosas, e observa que hoje se pega um garoto cru e ele vira monstro em pouco tempo.</p>
<p>O argumento fecha com uma leitura de corpo: músculo é maturidade, e maturidade leva tempo. Ele diz enxergar volume sem densidade em alguns físicos acelerados, e que essa foi exatamente a sensação que teve ao ver Dallas McCarver competir antes da morte dele. Cita também Luke Sandoe. E lembra o caso do garoto que competiu, foi a uma rave dias depois e morreu: saiu de uma finalização com diurético, voltou a comer normalmente, mexeu com a função cardíaca e ainda somou droga recreativa. Ele conta que decidiu, quando virou atleta, reservar o organismo apenas para química, comida e treino, e diz nunca ter usado nada recreativo.</p>
<h2>Pose antes do corpo</h2>
<p>O conselho mais repetido da conversa é também o mais barato de seguir. Ele começou a treinar pose em 1999, antes de ter físico nenhum, trancado no quarto de cueca assistindo Mr. Olympia em fita VHS, suando como se estivesse na sauna, com a mãe do lado de fora sem entender o que acontecia ali dentro.</p>
<p>A lógica era simples: o corpo ele iria buscar de qualquer jeito, mas a apresentação precisava começar cedo, porque se deixasse para depois iria falhar. Ele conta que a comparação de palco hoje decide justamente aí, quando dois atletas chegam em condição parecida e quem se mostra melhor leva. E cita a resposta que deu ao garoto que apareceu na academia dizendo que um amigo achava que ele tinha condição de virar atleta: tem que partir de você, não do seu amigo.</p>
<h2>A falha que quase ninguém alcança</h2>
<p>Perguntado sobre treinar até a falha em todo exercício, ele responde com uma distinção que vale o ingresso: existe falha do músculo e existe falha do movimento. Parar porque não consegue mais completar a amplitude total não é falha muscular, é o fim daquele padrão de movimento. Falha de verdade é quando nem a musculatura estabilizadora nem a sinergista conseguem mais mover a barra, o supino morre no peito e alguém precisa tirar o peso.</p>
<p>É por isso que ele defende o sistema de bombeamento associado a Ronnie Coleman e Johnnie Jackson, que mantém sangue circulando até um ponto próximo da falha real. E é por isso que acha inviável levar quatro ou cinco exercícios de peito à falha na mesma sessão.</p>
<p>Sobre periodização, a resposta é coerente com o personagem e vem com uma confissão. Ele já testou um sistema com semana de força, semana tensional e semana metabólica, achou o método bom e desistiu porque o engessava: chegava o dia do metabólico com vontade de fazer força e não podia. Prefere deixar o corpo falar, aceita que sua própria semana de estímulo diferente acaba funcionando como um deload informal, mas faz questão de dizer que não é o que preparadores mais técnicos pregam, e que isso vale para um profissional com 25 anos de treino, não para quem treina há um ano e confunde cansaço com preguiça.</p>
<p>Sobre progressão, a regra que ele dá é objetiva: antes de progredir carga, progrida repetição, para ganhar domínio do movimento.</p>
<h2>Condição vence tamanho</h2>
<p>A parte técnica de palco é onde ele fica mais duro. A tese é que o esporte migrou para o volume e que a arbitragem seguiu o gosto do público, e ele acha isso um erro.</p>
<p>Os exemplos são todos verificáveis. Phil Heath competiu ao lado de Kai Greene com cerca de 15 kg a menos e parecia o dobro, porque tinha músculo redondo, fundo e separado. Flex Wheeler, na leitura dele o melhor físico de todos os tempos, deixou de ganhar títulos por condição, não por tamanho. Paul Dillett sempre perdeu para adversários menores porque não tinha costas. Big Ramy, que ele viu de perto na sauna com Ramon pesando 114 kg de palco, ainda estava faltando, e ele imagina o resultado com 109 kg em condição.</p>
<p>A frase que fecha o raciocínio é a mais utilizável de todas: se tamanho fosse o critério, não haveria motivo para fazer dieta nem finalização. E o problema prático que ele aponta é que o atleta pesado não quer subir na balança e ver o número cair.</p>
<p>Ele também aplica isso ao mercado brasileiro. Diz que o país trata os campeonatos como se fossem disputa interna, quando o adversário é o mundo, que a notícia do resultado dos árabes correu e que atletas do Irã, da Arábia Saudita e do Egito estão olhando para cá. Defende, inclusive, que marcas brasileiras patrocinem estrangeiros e façam intercâmbio, mesmo sabendo que o público não vai gostar.</p>
<h2>O quinto lugar que valeu mais que o Arnold</h2>
<p>Perguntado sobre o melhor resultado da carreira, ele não escolhe o título. Escolhe um quinto lugar em Ohio.</p>
<p>Foi a competição em que perdeu a pesagem e teve de subir na categoria acima, em que empurrou um carrinho com barra por cerca de 1,5 km na neve e em que cozinhava a própria comida no banheiro do hotel. Diz que valeu mais que o Arnold que venceu, porque naquele o nível não era alto o bastante para desafiá-lo, e ser campeão sem entregar o próprio máximo é algo com que o atleta ainda dorme depois.</p>
<p>O segundo lugar no Arnold de Ohio, na primeira vez em que competiu nos Estados Unidos, ele conta com a mesma tranquilidade: só percebeu que poderia ter ganhado quando a ficha caiu, dias depois, e na hora estava satisfeito por ter cumprido a missão.</p>
<p>Dessa mesma trajetória vem o detalhe que quase ninguém lembra: ele afirma ter sido o primeiro atleta brasileiro a publicar gravações de treino no YouTube, quando debochavam dele por isso, e admite sem drama que não teve malícia comercial nenhuma, porque nem sabia que aquilo iria monetizar um dia.</p>
<h2>O tripé: genética, dinheiro e dedicação</h2>
<p>No fim, ele resume o esporte em três fatores e pede que o entrevistador escolha o mais importante. A resposta dele é dedicação, com a ressalva imediata de que sem recurso a dedicação trava, e que sem genética o teto existe de qualquer jeito.</p>
<p>O exemplo que usa é o mais honesto possível, porque envolve gente que ele admira. Compara a evolução de dois profissionais brasileiros e observa que um deles progrediu mais rápido depois de largar a vida que tinha e mudar de cidade para focar. Sobre outro, diz que é psicopata no treino de perna, que trabalha de verdade, e que a questão nunca foi esforço. É a demonstração prática do que ele quer dizer: se todo mundo correr o mesmo circuito, ainda assim um vai de Ferrari, outro de Gol e outro de Fusca.</p>
<p>E há um recado final sobre torcida que ele repete de várias maneiras. O bodybuilding brasileiro nunca esteve tão alto, com mais profissionais, mais patrocínio e mais expectativa do que em qualquer momento anterior. O que corrói isso não é o adversário estrangeiro, é a rivalidade interna e a torcida que apoia enquanto o atleta vence e vira as costas na primeira colocação abaixo do esperado. Ele lembra que uma dor de barriga doze horas antes derruba qualquer preparação, e que quem xinga um competidor de 24 anos por um resultado ruim não entende nada do esporte.</p>
<h2>Conclusão</h2>
<p>O que Jorlan Vieira entrega nessa conversa não é um protocolo, é uma escala. Ele mostra o que fez, o quanto usou, quanto tempo levou, o que custou e onde ficou aquém, e usa a própria trajetória como régua para medir o que vê hoje. Quem procurar ali um atalho vai sair frustrado, porque a mensagem é o contrário do atalho.</p>
<p>Sobre a parte hormonal, vale repetir o que ele mesmo diz de outra forma: os números que aparecem em podcast são o relato de quem tem duas décadas de treino, acompanhamento e um corpo conhecido, e ainda assim ele fala em limites, em dose mínima e em ter dinheiro para pagar um médico que não julgue. Qualquer uso fora de acompanhamento médico é decisão de risco, e o próprio episódio traz o lembrete mais concreto disso: os nomes que ele cita ao falar de velocidade e excesso são de gente que morreu jovem.</p>
<h2>FAQ</h2>
<h3>Quanto Jorlan Vieira diz já ter usado de testosterona?</h3>
<p>Ele afirma que o máximo em uma semana foi 1 g, como pico isolado e não como padrão, e que nunca combinou mais de três substâncias ao mesmo tempo: uma base de testosterona, uma droga de suporte e um oral. Não é prescrição nem recomendação.</p>
<h3>Quando ele passou a usar hormônio de crescimento?</h3>
<p>Só em 2013, doze anos depois de estrear em competição, com 4 UI por dia durante quatro a cinco semanas, que foi o que ele tinha condição financeira de comprar.</p>
<h3>Qual carga ele usou no hack squat que viralizou?</h3>
<p>400 kg, no terceiro exercício da sessão, com elástico para reduzir a tensão no fundo do movimento. Ele destaca que foi a segunda vez na vida que colocou aquele peso e que tem 24 anos de treino.</p>
<h3>O que ele quer dizer com "três protocolos"?</h3>
<p>Que existe o protocolo real, conhecido só pelo atleta, o que ele divide com amigos próximos e o que ele declara publicamente, geralmente uma versão amenizada. Por isso desconfia de entrevista sobre dose.</p>
<h3>Qual a crítica dele ao off-season moderno?</h3>
<p>Que o off limpo mantém o atleta sob hormônio de crescimento, insulina e comida alta o ano inteiro, sem descanso real. Para ele, o off antigo era feio, mas era descanso de verdade.</p>
<h3>Por que ele diz que condição vence tamanho?</h3>
<p>Porque a comparação de palco premia separação, glúteo e detalhe de costas. Ele cita Phil Heath com cerca de 15 kg a menos que Kai Greene parecendo maior, e Flex Wheeler perdendo títulos por condição, não por volume.</p>
<h2>Referências</h2>
<ol>
<li>MONSTER CAST. JORLAN VIEIRA - ALL DAY IS BACK. [S. l.], 19 ago. 2022. YouTube. Disponível em: <a href="https://www.youtube.com/watch?v=oat-0hEbvKg" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://www.youtube.com/watch?v=oat-0hEbvKg</a>. Acesso em: 26 jul. 2026.</li>
</ol>]]></description><guid isPermaLink="false">1099</guid><pubDate>Sun, 26 Jul 2026 18:26:00 +0000</pubDate></item></channel></rss>
