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<rss version="2.0"><channel><title>Mat&#xE9;rias: Mat&#xE9;rias - Gente</title><link>https://fisiculturismo.com.br/mat%C3%A9rias/gente/page/2/?d=1</link><description>Mat&#xE9;rias: Mat&#xE9;rias - Gente</description><language>pt</language><item><title>Leo Stronda: li&#xE7;&#xF5;es de vida, maromba e prop&#xF3;sito</title><link>https://fisiculturismo.com.br/mat%C3%A9rias/gente/leo-stronda-li%C3%A7%C3%B5es-de-vida-maromba-e-prop%C3%B3sito-r1093/</link><description><![CDATA[
<p><img src="https://cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2026_08/leo-stronda-licoes-de-vida-maromba-capa.webp.82badddeb2d39b62666d1eaa727bf6b2.webp" /></p>
<p>Leo Stronda passou 5 horas no Monster Cast, em "LEO STRONDA - MONSTER COM O MONSTRO", e, ao contrário do que o rótulo de influenciador sugere, quase nada do que ele contou é abstrato. Tem cifra de cachê, nome de laboratório, dose de hormônio de crescimento, carga na barra no dia em que o peitoral descolou do osso e o número de quilos que ele perdeu queimado num leito de hospital. Esta matéria pega o que é verificável na conversa e organiza em ordem, com o aviso que precisa vir antes de qualquer relato hormonal alheio: nada aqui é protocolo, é depoimento.</p>

<h2>O saco preto e a casa que ficou para trás</h2>

<p>A história começa no Catete, no Rio de Janeiro, numa casa própria que a família perdeu para o tráfico. O porão foi usado para guardar arma e droga, o pai foi tirar satisfação e a coisa virou ameaça de morte. No mesmo dia eles juntaram roupa em saco preto e saíram. Dormiram no carro por um período, depois foram para um kitnet do padrinho.</p>

<p>A parada seguinte foi a Tijuca, perto da entrada do morro, numa rua onde ele conta que chegavam a levar nove carros de uma vez. O pai acumulava três frentes de trabalho ao mesmo tempo: plantão no Hospital Pinel, onde dava terapia ocupacional, fotografia de casamento e quinze anos nos fins de semana, e massoterapia à noite. Com isso juntou entre R$ 15 mil e R$ 20 mil e comprou uma casinha no interior, em Maricá. Foi lá que ele conheceu o Diego, o outro integrante do Bonde da Stronda, que também tinha acabado de descer de Copacabana para o mesmo lugar.</p>

<p>Esse pai também tem cinco livros de poesia publicados, dava aula de teatro e enchia a casa de vitrola e disco. Comprou um cavalete e um bloco de cinquenta telas grandes para o filho pintar. O filho usou todas para desenhar Pokémon.</p>

<h2>O caderno vem antes do shape</h2>

<p>A musculação entrou aos 14 anos por indicação médica. Ele demorava a crescer em estatura óssea, já fazia natação e judô no clube municipal da Tijuca sem gastar a energia toda, e o médico sugeriu a academia como estímulo hormonal, numa época em que menor de idade treinando ainda era tabu.</p>

<p>O trote veio na primeira semana. Ele perguntou aos marombeiros o que tomavam para ficar daquele tamanho e ouviu que era dez Mariola com um mineirinho quente. Comprou, tomou no banheiro da academia e passou a treinar vomitando.</p>

<p>O caderno apareceu logo depois, e ele faz questão de dizer que a moda de anotar treino não é de agora. Ele assistia aos treinos de Jay Cutler, Dorian Yates e Kevin Levrone em fórum, porque naquela época era onde se achava esse tipo de material, e anotava detalhe de execução: até onde a mão pegava no úmero, quantas repetições, qual exercício. Depois ia à academia replicar como papagaio.</p>

<p>O mentor foi um sujeito que ele chama de Nasser, meio americano meio brasileiro, que chegava de moto e óculos escuro e não falava com ninguém. Leo pediu para treinar junto e ouviu não. Insistiu até virar desafio: se ainda estivesse treinando depois do carnaval do ano seguinte, teria o treino. Passou o carnaval, e a primeira aula não teve peso nenhum. Foi sentar na escada da academia com um cacho de banana, um pão e 2 litros de leite e comer tudo aquilo para alargar o estômago. A frase que ficou é que treinar é a parte fácil, o difícil é aprender a comer.</p>

<p>Aos 18 anos, depois de quatro anos de treino, ele não pesava 60 kg.</p>

<h2>Trinta e dois shows por mês aos 16</h2>

<p>O primeiro show foi aos 14 anos. Aos 16 os pais precisaram emancipá-lo para que pudesse se apresentar de madrugada e fora do Brasil. A agenda chegou a 32 shows por mês, e o empresário da época, Denis DJ, cortou o teto para 28 porque estavam saindo de van de um show para o outro e quase se envolveram em acidentes.</p>

<p>Os cachês começaram em R$ 20 e passaram para R$ 100 ou R$ 150 divididos entre quatro integrantes. No auge, oscilavam entre R$ 50 mil e R$ 100 mil por apresentação, valor que ele estima em torno de R$ 300 mil em dinheiro de hoje. Foram treze ou quatorze anos de carreira ativa e mais de trezentos clipes. Aos 17 ele já morava sozinho numa cobertura na Barra.</p>

<p>O treino sobreviveu porque ele montou a logística em cima da agenda. Enquanto os outros ficavam no hotel, ele mandava a lista de cidades para quem organizava presença em loja de suplemento, fechava o compromisso da tarde no mesmo dia do show, treinava depois, subia ao palco à meia-noite e às sete e meia da manhã já estava no aeroporto. Cada show durava uma hora e meia e custava cerca de 1 kg de peso em suor, o que ele descreve como o cárdio que nunca precisou fazer.</p>

<h2>Cinco mil por mês transformados em outdoor</h2>

<p>Por volta dos 19 anos, quando a Integral Médica o chamou para fechar, perguntaram qual era o cachê dele. A resposta foi outra pergunta: quanto vocês me pagariam? Ouviu cerca de R$ 5 mil por mês. Em vez de aceitar, pediu que multiplicassem por doze e investissem o total em marketing da própria imagem dentro do mercado fitness. Banner, outdoor, estampa em loja, presença em feira. No ano seguinte a proposta subiu para R$ 10 mil por mês e ele repetiu a jogada. Foram três anos plantando sem tirar um real.</p>

<p>No quarto ano, com o Bonde já em queda, ele sentou para cobrar. Pediu R$ 100 mil por mês, ouviu que não dava, e voltou com uma apresentação mostrando como a empresa pagaria aquilo sem tirar do próprio bolso: cada lojista que comprasse uma cota de suplemento ganhava uma presença VIP dele na cidade, e ele ficava com um percentual. A cota começou em R$ 100 mil, foi para R$ 200 mil e depois R$ 300 mil, e lojinha de interior comprava mesmo assim para ter a data. O modelo pegou e virou fonte de renda para outros atletas da casa, alguns tirando de presença mais do que de salário. Ele ficou cerca de oito anos lá.</p>

<h2>A pizza que foi cortada em sete</h2>

<p>O Fábrica de Monstros nasceu de uma pesquisa de mercado. Ele viu que não existia canal de fitness estruturado como programa, levou o conceito e o nome para uma agência de amigos e combinou que cuidaria do criativo enquanto eles cuidavam da burocracia. Gravaram sem contrato porque o YouTube ainda não monetizava direito e ele não queria brigar por mil reais.</p>

<p>O contrato apareceu um ano e pouco depois, quando já entrava dinheiro, e o classificava como apresentador. A sociedade tinha sido rachada em sete partes e ele era a sétima. Aguentou mais três anos renegociando percentual, até o ponto em que a loja online vendia bem e ele recebia R$ 2 mil por gravação. Quando chegou a renovação, avisou que não assinaria porque estava saindo.</p>

<p>O canal tinha três milhões de inscritos e perdeu cerca de meio milhão logo após a saída dele. O canal novo, aberto depois de seis meses parado por cláusula de concorrência, bateu 100 mil inscritos em três horas e hoje passa dos três milhões. Anos depois, um investidor que havia comprado o Fábrica barato ligou dizendo que se converteu, que aquele canal não era dele e que venderia pelo mesmo valor que pagou. Leo comprou de volta. O plano declarado é transformá-lo numa espécie de emissora dentro do YouTube, com programação fixa e mais de vinte apresentadores.</p>

<h2>O primeiro ciclo tinha bicho no rótulo</h2>

<p>O que vem daqui em diante é relato de uso, não recomendação. Leo assume colaterais concretos e permanentes, e nenhuma das combinações descritas foi conduzida com acompanhamento médico na época em que aconteceram.</p>

<p>Ele levou cerca de dois anos de academia antes do primeiro contato, o que na conversa aparece como comedimento comparado a outros casos citados. O ciclo de estreia foi estanozolol da Landerlan somado a Glicopan, Pulmonil e Cobavital, 3 comprimidos por dia, um de manhã, um à tarde e um à noite. Todos com bicho no rótulo, porque eram de uso veterinário. O ganho declarado foi de cerca de 20 kg em pouco mais de um mês. A creatina da época vinha da veterinária, vendida a granel com pá de pedreiro em saquinho transparente, misturada com feno e terra.</p>

<p>Pró-hormonal ele nunca usou, e diz que era contra por princípio: ou o sujeito fica no suplemento, ou vai direto para o hormônio, porque o que ele via era moleque ficando inchado e com ginecomastia achando que estava tomando algo natural. Marca underground também ficou fora, com uma exceção, porque ele conhecia o amigo que fabricava em casa. Chegou a fazer 2 litros de trembolona em garrafa PET, em banho-maria com potinho de requeijão, filtrando no algodão de uma seringa para outra. Esse mesmo amigo apresentou a ele um oral que virou verso de música do Bonde. Depois de tomar, ele fez rosca com 40 kg de cada lado e ouviu a frase que foi parar na letra: o peso vira isopor.</p>

<h2>Os dois mililitros antes da cirurgia de ginecomastia</h2>

<p>Aos 23 anos ele procurou médico pela primeira vez, já com ginecomastia instalada e diagnóstico de esterilidade. Marcou a cirurgia para uma quinta-feira e cancelou os shows de duas semanas. O médico mandou parar o hormônio de uma a duas semanas antes e ficar o mês seguinte inteiro sem nada.</p>

<p>Na manhã da cirurgia, às 6h30, ele decidiu que ia carregar a bateria antes de ficar um mês parado e aplicou 2 mL, um em cada ombro. Chegou ao centro cirúrgico inchado. Retirou só o nódulo e manteve a glândula, por orientação do próprio cirurgião, que argumentou que a glândula funciona como um filtro em mudança de eixo e que ele voltaria a usar de qualquer forma. Quinze dias depois, ao tirar os pontos, o nódulo já tinha voltado, porque ele nunca chegou a parar. A partir daí virou anastrozol, tamoxifeno e clomifeno, numa briga que ele descreve como aberta até hoje.</p>

<h2>10 UI porque o frasco estraga</h2>

<p>O hormônio de crescimento entrou tarde, bem depois dos esteroides, e ele chama de divisor de águas no shape. Testou Norditropin e Saizen, mas atribui a diferença ao Lertropin, que comprava direto de balcão no Paraguai, onde morou por um período.</p>

<p>A dose diária ilustra bem como uma decisão logística vira decisão de saúde. O frasco vinha com 10 UI e, depois de diluído, tem prazo curto. A intenção era usar cinco por dia, mas guardar metade significava perder o resto, então ele passou a aplicar as 10 UI de uma vez. O resultado foi síndrome do túnel do carpo. Ele conta que acordava com a mão travada e interpretava aquilo como sinal de que estava funcionando.</p>

<p>Quando perguntado sobre o teto, respondeu 20 UI num dia. Pressionado, admitiu 36 UI de uma vez, uma caneta inteira de Norditropin, na semana anterior a um Arnold Classic. A mão travou duas horas depois. Ele acrescenta que ouviu falar em 40 e faz questão de dizer que esse número não é dele.</p>

<h2>O dia em que a insulina quase o pegou</h2>

<p>A insulina entrou porque ele via os moleques da academia ganhando 8 kg no primeiro mês. Comprou lispro, que é a de ação rápida, e passou os primeiros dias sem sentir nada, sempre com carboidrato imediato depois do treino e marmita farta em seguida.</p>

<p>No quarto ou quinto dia ele tomou o shake, chegou em casa, não tinha comida pronta e foi para a cama com a namorada. A hipoglicemia veio no meio: perda de força nas pernas, suor frio, pele que ele descreve como translúcida. Pediu que ela trouxesse tudo que houvesse de doce na geladeira e se recuperou tomando xarope de guaraná puro com biscoito. Nunca mais usou insulina rápida.</p>

<p>Um mês depois voltou com a lenta e chegou a combinar glargina com lispro somadas ao hormônio de crescimento, de manhã à noite. A calorimetria feita na época apontou taxa metabólica basal de 6 mil calorias em repouso. Ele chegou a aplicar NPH em jejum ao acordar. A avaliação dele hoje é categórica e é o único ponto do bloco em que ele fala em morte: as duas coisas que matam de imediato na musculação são insulina e diurético, e o esteroide costuma ser o nome que se dá ao acúmulo de erros.</p>

<h2>Cinco mililitros por dia e a conta que ele evita fazer</h2>

<p>Houve um período em que a aplicação era diária e tudo ia junto. Ele descreve puxar durateston, deca e o que mais houvesse para a mesma seringa, o que dava cerca de 5 mL por dia. Quando o host insistiu para somar em gramas por semana, a estimativa que saiu da conversa foi em torno de 3 g, com a ressalva imediata de que foi um período curto e o pedido explícito para que ninguém repetisse.</p>

<p>Vale separar as duas medidas, porque elas não são a mesma coisa. Os 5 mL são volume total de líquido na seringa, somando tudo que ele misturava naquele dia. A grama é peso de substância, e só dá para converter uma na outra sabendo a concentração de cada frasco, que varia por laboratório. Esse ponto, aliás, apareceu em uma pergunta do público durante a conversa, e a resposta dele foi que a rotulagem de 250 é sempre por mililitro, nunca por frasco, de modo que um frasco de 10 mL a 250 mg/mL carrega 2,5 g no total.</p>

<p>Ele também fez testes isolados por curiosidade, porque tomava tudo ao mesmo tempo e não sabia dizer o que fazia o quê. Ficou três meses só com nandrolona e relata força e volume sem queda de libido. Depois testou enantato sozinho, depois estanozolol sozinho, e diz que a dor articular atribuída ao estanozolol apareceu de fato nele.</p>

<p>A virada veio antes do acidente e antes da conversão. Ele percebeu que uma aplicação semanal do básico com a comida em dia rendia mais que aplicação diária com dieta relaxada, e que o excesso o deixava retido a ponto de não secar. Chegou a pesar 130 kg e hoje está com 106 kg, no que descreve como reposição. O peso do Arnold Classic, que ele tratava como o próprio Olympia, era construído em um mês de aperto, com cerca de 7 kg de oscilação.</p>

<h2>O peitoral que descolou do úmero</h2>

<p>A lesão veio depois de três meses parado, num período de reality show, e o médico atribuiu à combinação clássica: músculo que volta forte rápido demais para um tendão que encolheu. Foi num supino inclinado no Smith, a 45 graus, com 70 kg de cada lado. Na descida, no ponto de esticamento, o tendão saiu inteiro do osso. Ele conta que não doeu na hora, mas que ouviu o estalo por dentro. Foi ao espelho, fez força, viu a vala no peito e foi direto para o hospital. Estava filmando o treino.</p>

<p>A cirurgia aconteceu no quarto ou quinto dia, o que ele credita como decisivo, porque o ventre muscular continua se contraindo sem tendão e vai atrofiando enquanto se espera. O procedimento envolveu abrir, afastar deltoide e bíceps para chegar à cabeça do úmero, furar o osso e ancorar o tendão com fio de titânio. Depois vieram três meses de tipoia, fisioterapia a partir do oitavo mês, carga no nono ou décimo e liberação para treinar em doze meses. Foi cerca de um ano fora, e o peito operado ficou maior que o outro.</p>

<p>O detalhe de bastidor é que ele tinha assinado com a Grow duas semanas antes e gravado o clipe de apresentação. Ligou avisando que o plano do ano não ia acontecer e propôs uma série contando a recuperação. Dois anos depois, na renovação, abriu mão do reajuste previsto em cláusula com o argumento de que não tinha entregue o que havia combinado.</p>

<h2>A emboscada em rede nacional</h2>

<p>O convite original da produção do Cabrini era para uma matéria sobre uso de esteroides, e ele recusou, porque tinha 19 ou 20 anos e não queria discutir aquilo em TV aberta. Duas semanas depois ligaram de novo propondo um perfil sobre a rotina dele, como conseguia manter o corpo fazendo show. Ele aceitou, e a equipe chegou a gravar um show em Santos dias antes.</p>

<p>No estúdio não houve a conversa de camarim de praxe. Ele foi posto sobre um x marcado no chão de uma sala escura, a luz acendeu na cara dele e a gravação começou com uma acusação: um rapaz que se dizia fã teria começado a usar esteroide por influência dele. Em seguida entrou a matéria sobre um garoto que havia morrido, com a mãe chorando no monitor, e a pergunta sobre a culpa.</p>

<p>Aconteceu de ele ter lido a reportagem original antes. Respondeu que o rapaz não morreu de esteroide, e sim de ter aplicado um veículo oleoso na veia. Essa parte não foi ao ar. A repercussão foi ruim para a emissora, e o repórter ligou no dia seguinte, no telefone pessoal dele, pedindo ajuda para conter as ameaças que estava recebendo. Ele recusou.</p>

<h2>A explosão que custou 30 kg</h2>

<p>O acidente foi com um botijão pequeno, daqueles de acampamento, que começou a vazar e encontrou uma fagulha. Ele correu, rolou no chão, se viu no espelho com o rosto derretendo e subiu para o chuveiro frio. Uma vizinha que ouviu a explosão chegou com vaselina por precaução. Ele se enrolou numa toalha encharcada e foi para o carro com o ar condicionado apontado no rosto.</p>

<p>Foram queimaduras de até terceiro grau. O tratamento incluiu debridamento em dia sim dia não, sob anestesia geral, para raspar a pele morta. Ele perdeu 30 kg no processo e passou cerca de dois meses internado. Não havia espelho no quarto, e ele achou que ficaria desfigurado para sempre. Tentou tirar a própria vida ali dentro. No dia seguinte, uma das mãos, que estava com o osso à mostra, cicatrizou de um jeito que o médico disse não saber explicar.</p>

<p>Esse é o ponto em que a conversa muda de assunto sem mudar de tom. Ele já fazia um curso de teologia antes e voltou para a sala de aula assim que teve alta, contra a sugestão dos próprios pastores. A conversão reorganizou o resto: leitura diária de joelhos ao lado da cama, saída do Bonde da Stronda porque não conseguiria mais cantar o que cantava, e a doação de cinquenta pares de tênis, de uma coleção que incluía 23 pares só de um modelo de basquete.</p>

<h2>O que ele diz usar hoje</h2>

<p>A lista atual é longa e quase toda de suplemento e vitamina. Creatina e glutamina medidas na colher de sopa em vez do dosador, multivitamínico, espirulina, cúrcuma, cápsula de óleo de alho tomada junto da refeição para não arrotar, vitamina C que já foi de 5 g e hoje é menor, e uma linha de vitaminas para cabelo e unha, que ele credita por ter melhorado o que sobrou do próprio cabelo depois do transplante. Ele estima passar de sessenta cápsulas por dia.</p>

<p>Pré-treino ele evita como rotina, com uma justificativa que vale para qualquer estimulante: percebeu que precisava aumentar a dose cada vez mais para sentir o mesmo efeito e resolveu espaçar.</p>

<h2>Conclusão</h2>

<p>A conversa vale menos pela moral e mais pela contabilidade. Um adolescente que não pesava 60 kg aos 18 anos chegou a 130 kg somando insulina, hormônio de crescimento e aplicação diária, e hoje treina com 106 kg dizendo que uma aplicação por semana com a comida em dia rendia mais do que tudo aquilo junto. Entre uma coisa e outra ficaram ginecomastia recidivada, esterilidade, coração com hipertrofia, túnel do carpo e um episódio de hipoglicemia que ele descreve como quase fatal.</p>

<p>Nada disso é receita, e o próprio Leo repete a frase mais de uma vez ao longo da conversa. As doses aqui estão registradas porque foram ditas por quem as usou e porque o preço delas aparece na mesma conversa, não porque funcionem. Quem quiser aprender algo aplicável fica melhor servido com a primeira aula que ele recebeu na escada da academia, que era sobre comer, e com o caderno de anotação que ele carregava aos 14 anos.</p>

<h2>FAQ</h2>

<h3>Quantos quilos Leo Stronda ganhou no primeiro ciclo?</h3>

<p>Ele relata cerca de 20 kg em pouco mais de um mês, com estanozolol da Landerlan somado a Glicopan, Pulmonil e Cobavital, 3 comprimidos por dia. Eram produtos de uso veterinário, comprados sem qualquer acompanhamento.</p>

<h3>Qual foi a maior dose de hormônio de crescimento que ele admitiu?</h3>

<p>Respondeu primeiro 20 UI num dia e depois admitiu 36 UI de uma vez, uma caneta inteira, na semana anterior a um Arnold Classic. Duas horas depois a mão travou por síndrome do túnel do carpo.</p>

<h3>Como foi o rompimento do peitoral dele?</h3>

<p>Aconteceu num supino inclinado no Smith a 45 graus, com 70 kg de cada lado, depois de três meses parado. Foi rompimento total do tendão, cirurgia no quarto ou quinto dia com fixação por fio de titânio no úmero, três meses de tipoia e doze meses até voltar a treinar.</p>

<h3>Ele ainda usa esteroides?</h3>

<p>Diz que sim, em quantidade que descreve como reposição, e bem menor do que na fase em que aplicava cerca de 5 mL por dia. Ele já pesou 130 kg naquele período e hoje está com 106 kg.</p>

<h3>Por que ele recusou cachê da primeira patrocinadora?</h3>

<p>Pediu que o valor anual, cerca de R$ 60 mil no primeiro contrato, fosse investido em marketing da imagem dele dentro do mercado fitness. Repetiu no ano seguinte com o dobro e só passou a receber no quarto ano.</p>

<h3>O que aconteceu na entrevista com o Cabrini?</h3>

<p>A pauta combinada era um perfil sobre a rotina dele, mas a gravação virou uma acusação de que teria influenciado a morte de um garoto. Ele respondeu que o rapaz aplicou um veículo oleoso na veia, e essa parte não foi ao ar.</p>

<h2>Referências</h2>

<ol>
<li>MONSTER CAST. <em>LEO STRONDA - MONSTER COM O MONSTRO</em>. 8 fev. 2024. Disponível em: <a href="https://www.youtube.com/watch?v=-kVKtC5mDkQ" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://www.youtube.com/watch?v=-kVKtC5mDkQ</a>. Acesso em: 31 jul. 2026.</li>
</ol>]]></description><guid isPermaLink="false">1093</guid><pubDate>Sun, 26 Jul 2026 15:08:26 +0000</pubDate></item><item><title>Fernando Sardinha e o segredo da longevidade no bodybuilding</title><link>https://fisiculturismo.com.br/mat%C3%A9rias/gente/fernando-sardinha-e-o-segredo-da-longevidade-no-bodybuilding-r1092/</link><description><![CDATA[
<p><img src="https://cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2026_08/fernando-sardinha-longevidade-bodybuilding-capa.webp.f24acf738e6225d9a328729b1d47c87f.webp" /></p>
<p>Fernando Sardinha chegou ao Monster Cast, em "FERNANDO SARDINHA - O SEGREDO DA LONGEVIDADE NO BODYBUILDING", com 57 anos, 41 de treino e uma lista de números que ele faz questão de dizer em voz alta, porque cansou de ouvir que dizer o que fez da vida é carteirada. São cerca de 150 competições, mais de 120 títulos, 4 recordes mundiais e um limite de 11 campeonatos disputados dentro de um mesmo ano. Ele passou mais de 3 horas explicando o que fez e o que deixou de fazer para continuar subindo no palco enquanto muita gente da idade dele parou ou morreu. O que vem abaixo é relato de uso e opinião pessoal, não recomendação, e ele mesmo repete isso ao longo da conversa.</p>

<h2>Campeão regional em 19 de junho de 1986</h2>

<p>A data está gravada porque o troféu está guardado. Sardinha tinha 1 ano de treino quando venceu o regional e 16 anos quando foi campeão paulista júnior. De lá para cá vieram títulos sul-americanos, o vice em um Mister Universe e o Mister Los Angeles conquistado aos 48 anos, no qual ele perdeu o overall por 1 ponto para o vencedor do Mister United States, que virou amigo depois.</p>

<p>Ele também é campeão mundial de duplas, título ganho em 2012 na Eslováquia ao lado de uma parceira argentina naturalizada brasileira. Naquele mesmo campeonato foi campeão mundial na categoria dele, vice em outra e saiu com o primeiro cartão profissional. Hoje soma cartões de 4 organizações diferentes e 7 títulos amadores na IFBB Pro League, onde nunca teve cartão profissional por um detalhe de calendário: o cartão passou a existir em 2020, quando ele estava saindo de uma cirurgia e já tinha 54 anos.</p>

<p>O incômodo com a acusação de petulância aparece cedo. Ele lembra que a conversa toda nasceu da morte de um garoto de 22 anos e que, com essa idade, ele já era campeão paulista. Diz que nunca foi unânime, que já ficou em oitavo e em décimo, e que exatamente por isso a carreira dele foi construída sem o direito de bancar o intocável.</p>

<h2>Off season de 1 ano é conta que não fecha</h2>

<p>O primeiro conselho prático é para quem quer carreira. Sardinha defende dividir o ano em dois, com offs curtos de 3 a 4 meses, e voltar para a dieta. O raciocínio dele é fisiológico e comercial ao mesmo tempo. Off prolongado deixa o atleta redondo, acaba com a linha de cintura e não vira massa magra em bloco, porque ninguém tem a genética de Ronnie Coleman. Fora isso, quem some do palco por 1 ano inteiro não prova nada.</p>

<p>O padrão que ele descreve é sempre o mesmo. O atleta começa a socar castanha, aumenta os refeeds, fica redondo e perde volume justamente na hora de definir. O exemplo que ele usa no sentido contrário é Samson Dauda, que deu um salto de físico sem parar de competir. E Sardinha lembra que o Brasil tem uma quantidade de campeonatos que a Europa não tem, então usar o calendário é vantagem local, não desculpa.</p>

<h2>A lista que ele apaga da cabeça de quem pede conselho</h2>

<p>Ele diz atender por dia, no mínimo, 20 atletas que pedem opinião. E que cancela da cabeça deles sempre os mesmos itens: clembuterol, ioimbina, potenay, termogênico pesado com efedrina e cafeína, e trembolona. A conta é de custo e benefício. Para ele, essas substâncias mudam pouco o físico e cobram muito, e o que mais pesa não é rim nem fígado.</p>

<p>Rim ele diz proteger com água. Fígado ele considera um órgão que se regenera com ajuda de <a href="https://fisiculturismo.com.br/mat%C3%A9rias/esteroides/protetor-hep%C3%A1tico-no-ciclo-silimarina-e-xantinon-funcionam-r812/" target="_blank" rel="noopener">silimarina, metionina</a>, extrato de boldo. O que sai do controle dele é a hipertrofia cardíaca. Por isso a régua que ele aplica é simples: tudo que estressa o coração entra na lista de corte, e cada um desses recursos empurra o organismo por uma via diferente ao mesmo tempo.</p>

<p>Tem também um motivo pessoal. Sardinha teve síndrome do pânico e conta que, se usar ioimbina, pira. Ansiedade e tremedeira são efeitos que, para quem já tem esse histórico, transformam um recurso estético em problema psiquiátrico.</p>

<p>Ele estende a mesma lógica ao dia a dia. Faz 4 saquinhos de chá de camomila espremidos na colher para dormir, toma o café com canela, extrato de baunilha e adoçante de estévia, e diz que aquele café sozinho o segura acordado por 4 ou 5 horas. O objetivo declarado é não perder a sensibilidade, não depender de nada e sentir efeito quando precisar de efeito.</p>

<h2>113 kg com 1,65 m e a insulina que não compensou</h2>

<p>O relato mais duro da conversa é sobre a fase em que ele quis bater o próprio recorde de peso. Usou 7 UI de insulina rápida, 6 vezes por dia, junto com hormônio de crescimento no pós-treino. Chegou a 113 kg medindo 1,65 m, altura que ele mesmo entrega como generosa, já que competia na categoria até 1,65 m e o medidor não encostava nele.</p>

<p>A conta chegou inteira. O perfil lipídico foi para o buraco, a pressão subia a toda hora, apareceu apneia e ele passou a dormir sentado. Perdeu a característica que mais gostava no próprio braço, aquele desenho do antebraço que dava caroço logo depois do punho, porque a retenção emendou tudo. E o abdômen veio para a frente de um jeito que ele carrega até hoje, motivo pelo qual faz pilates para controlar. A resposta dele quando perguntam se compensou é seca: não compensou.</p>

<p>A insulina entra na mesma lista dos diuréticos, e a hierarquia que ele estabelece é clara. Diurético é mais perigoso que insulina, porque com insulina ainda há caminho de reversão, com glicose e outros recursos, e com diurético não. Nas palavras dele, o atleta pode tomar 10 isotônicos que vai morrer do mesmo jeito.</p>

<h2>3 durateston e 3 estanozolol por 4 semanas: o máximo da vida</h2>

<p>Em 2009, com o nutricionista Eduardo Reis, ele fechou um off em 110 kg sem gordura de glúteo e com a parte baixa das costas cheia. Foi o período em que usou o máximo que já usou: 3 durateston e 3 estanozolol por semana, durante 4 semanas. Parou porque não aguentou mais, e não por medo do resultado. Ele odeia agulha e seringa, e diz que hoje precisa tomar cuidado justamente para não empurrar as aplicações e acabar deixando de fazer.</p>

<p>O protocolo que ele mantém é o oposto de ciclo. Masteron e propionato quando está competindo, durateston ou enantato no off. Pouco e frequente, sem ciclo, sem pirâmide, sem empilhamento. Ele conta que 10 anos atrás era criticado em grupos de WhatsApp por usar doses que os outros consideravam de mulher, coisa de 150 mg de testosterona por semana com primobolan, enquanto quem o criticava usava potenay e trembolona.</p>

<p>A testosterona dele em exame fica entre 1300 e 1500 ng/dL, e ele diz não tomar nem mais nem menos do que tomava: é a mesma coisa há 40 anos. A justificativa que ele dá para ter começado é clínica, e ele repete o número duas vezes na conversa: a testosterona dele estava em 80.</p>

<h2>Deca no pai de 82 anos em hemodiálise</h2>

<p>O argumento que ele leva mais a sério não tem nada a ver com palco. O pai dele chegou aos 82 anos pesando 58 kg, com sarcopenia, fazendo hemodiálise 3 vezes por semana. Tinha tido 3 infartos, 1 AVC, COVID com 75% do pulmão comprometido e 5 edemas pulmonares, chegando a acumular 5 kg de água nos pulmões.</p>

<p>Sardinha diz que estudou, conversou com especialistas e montou a estratégia que sustentou o pai: comida, manipulados, nattoquinase e decanoato de nandrolona, trocado depois por testosterona quando o exame mostrou queda. O pai treinava 3 ou 4 vezes por semana e aguentou 4 anos nesse regime. O sogro dele, em situação parecida, foi embora em 12 dias. A frase que ele usa para fechar o assunto é que massa muscular é o que o corpo consome na UTI, e que os próprios nefrologistas do hospital perguntaram quem tinha montado aquilo.</p>

<p>Nesse mesmo bloco ele defende a lógica farmacológica: o recurso foi criado na década de 30 para tratar patologias, não para matar, e nenhuma agência aprovaria um medicamento para osteoporose que matasse o paciente. Ele separa três caminhos possíveis, não usar, usar pouco e equilibrado por necessidade, ou abusar com empilhamento, e diz que só o terceiro grupo produz as manchetes. É opinião dele, declarada como opinião, e não substitui avaliação médica.</p>

<h2>Nenhum remédio cardiovascular</h2>

<p>Perguntado se toma alguma medicação de proteção cardíaca depois de tantos anos, a resposta é curta e repetida cinco vezes: nada. Ele conta que passou por avaliação cardiológica completa e que a idade biológica dele bateu 1 ano abaixo da cronológica, saindo da consulta sem receita. O que ele usa é uma caixa de cápsulas do tamanho de uma maleta, com combinações como nattoquinase e ácido alfa-lipoico com inositol, e diz que o sangue dele é claro mesmo com hematócrito de quem usa hormônio. Ele conta isso depois de sangrar o nariz num dia seco e ver a cor.</p>

<h2>Treino de 40 minutos com uma série que vale por dez</h2>

<p>A adaptação de treino começou por volta de 2022, quando insistir no mesmo volume e na mesma intensidade parou de fazer sentido. O modelo atual é upper e lower alternados, com descanso na quarta e no fim de semana, 4 dias por semana. Em semanas mais livres ele faz 3 sessões A e B alternadas até sábado, cobrindo todos os grupos.</p>

<p>O detalhe interessante é a primeira série. Ele não usa 30% da carga para aquecer rápido. Coloca uma carga que permita 20 repetições em cadência lenta enquanto está fácil e acelerada quando fica difícil, e quer que o músculo já queime ali. Depois sobe para 60 ou 70% da carga e faz uma única série pesada, que pode ser cluster, drop-set, drop-set mecânico ou rest-pause, escolhida quase no impulso. São 2 exercícios por grupo, o que dá cerca de 12 séries semanais para peito. O treino inteiro sai em 35 ou 40 minutos.</p>

<p>Ele também está fazendo oclusão, indicada por um amigo com doutorado, por causa da epicondilite. Só que, ao contrário do protocolo clássico de oclusão com carga leve, ele mantém a carga normal. E não abre mão dos básicos: remada curvada, terra, supino reto, inclinado e principalmente declinado, além do crucifixo de cabeça para baixo num banquinho de 33 graus que o pai dele construiu.</p>

<h2>Nenhuma das lesões veio do esporte</h2>

<p>A lista é longa. Epicondilite nível 3, lateral e medial, nos dois cotovelos. De um lado, 2 fios de aço, 3 parafusos e uma placa, com o bíceps costurado, e o outro bíceps também rompido. Artrose no joelho esquerdo. Ele vive com dor e diz isso sem drama, apontando para o cotovelo no meio da conversa.</p>

<p>O que surpreende é a origem. Perguntado o que faria diferente no treino para evitar as lesões, ele responde que nenhuma delas veio do treino. Uma foi carregando uma televisão de 75 polegadas nos Estados Unidos, de chinelo, no frio, com uma hiperextensão. Outra foi correndo na rua, quando pisou na canaleta de uma guia e rompeu os ligamentos do pé. E ele lembra sem nostalgia da fase em que agachava 250 kg no Smith da Pórtico, máquina sem contrapeso e sem trava, com dois amigos segurando na mão para ele conseguir guardar a barra.</p>

<p>O único arrependimento técnico que assume é ter insistido quando não estava funcionando. Ele cita a preparação que abortou porque o físico não respondia, com o treinador mudando dieta e nada vindo, enquanto ele estava com cortisol alto, a mãe doente, a filha doente e uma venda de casa travada. Diz que deveria ter sido mais maleável e menos marrudo.</p>

<h2>32 horas sem água e o inferno na terra</h2>

<p>Com mais de 150 finalizações no currículo, ele trata a última semana como a área de maior risco de todas. Já fez carbo zero várias vezes e já ficou 32 horas sem tomar água. A definição que dá é literal: inferno na terra, a pior coisa que existe, uma situação em que a pessoa perde tudo, não só a fome.</p>

<p>O caso que ele traz como limite é o de Mohamed Benaziza, que passou 2 dias sem água, venceu o campeonato, foi para o hotel e foi encontrado morto por um bombeiro que competia com ele. Sardinha lembra que, a essa altura, ele próprio já tinha comido pizza e estava se reidratando.</p>

<p>A combinação que ele considera mais assassina é outra: 3 dias de carbo zero, carboidrato voltando na quinta-feira e insulina entrando junto. Como a insulina age muito mais rápido que o carboidrato, não há como o carboidrato alcançar, e ele diz já ter visto o desfecho no sábado. A alternativa que ele defende é ficar pronto antes, como Dorian Yates, que ficava pronto de 7 a 10 dias antes, e como Dexter Jackson, que aparece em imagem na sexta-feira comendo com sal. Sobre atletas que sobem chapados, o comentário dele é que a plateia chama de flat quando na verdade é seco demais, e que quase todo mundo estava melhor na segunda-feira anterior.</p>

<h2>O caso Ganley: hipoglicemia como gatilho</h2>

<p>Foi a primeira vez que ele falou sobre a morte de Gabriel Ganley. Ele explica que se calou por respeito, chegou a publicar 4 apelos pedindo para o público não especular, e que só abriu a boca agora porque acredita que a família está mais calma e porque existe laudo.</p>

<p>A leitura dele é de sequência, não de causa única. Uma hipoglicemia séria como gatilho, uma queda com desmaio e batida de cabeça, e uma parada cardíaca em cima de um problema hereditário que já estava agravado. Agravado por dois motivos, na visão dele: estimulantes em excesso, do tipo clembuterol e companhia, e a própria hipertrofia cardíaca que o uso de esteroides ao longo do tempo traz.</p>

<p>Ele insiste que essa é a única coisa que consegue dizer sobre o assunto, que ninguém sabe de fato e que era um menino carinhoso com ele. E aproveita para desmontar as duas leituras preguiçosas que circulam. Nem o resumo de que foi o esteroide, nem o resumo de que não teve nada a ver.</p>

<h2>Estimulante e droga recreativa como o câncer atual</h2>

<p>A tese geral dele sobre o aumento das mortes tem três pernas. A primeira é estatística: havia 2% da população treinando e hoje há perto de 5,9%, então mais gente praticando produz mais óbitos. A segunda é de exposição, porque hoje a notícia chega em 2 horas e vira internacional no mesmo dia, coisa que nos anos 90 demorava semanas. A terceira é a que ele considera o problema real: a mistura de estimulantes exagerados com drogas recreativas usadas em balada durante preparação, o que ele chama de grande câncer do bodybuilding da atualidade.</p>

<p>Por cima disso tudo vem o que ele identifica como acelerador: a rede social. A necessidade de entregar mais, buscar o like e o aplauso, empurra o atleta para o extremo. E o efeito colateral disso é a intolerância a qualquer físico que não seja o do campeão do momento, ao ponto de um atleta ser esculachado publicamente por mostrar o shape com que ficou entre os 15 melhores.</p>

<h2>Nunca serei Kai Greene, mas posso ser o melhor Sardinha</h2>

<p>A frase é dele e resume a resposta que dá à pressão estética. O argumento que sustenta é biológico. Cada pessoa tem uma impressão digital única, e a variabilidade da biologia humana é a maior que existe, então copiar o corpo de outra pessoa é copiar uma planilha que não roda na sua máquina.</p>

<p>O exemplo que ele usa vem de um programa de televisão do qual participou. Sentaram na mesma bancada ele, a Miss Brasil Plus Size, uma Miss Tatuagem com algo perto de 82% do corpo tatuado, uma vencedora de concurso de dança de laje e um Mister Brasil gay, com uma apresentadora que era modelo fotográfica. A conclusão dele é que o padrão é uma invenção de contexto: coloque a modelo num concurso de fisiculturismo e ela vira esqueleto humano. Ele fecha lembrando que Jô Soares falava nove idiomas e que, para conquistar alguém, isso valia mais que músculo.</p>

<h2>A solução dele não é acabar com a Open, é reciclar arbitragem</h2>

<p>Aqui ele marca discordância pública com amigos do meio. Acabar com a categoria Open, para ele, não tem nexo. O problema está no julgamento, e ele explica por quê com um detalhe jurídico que aprendeu com um árbitro veterano: a legislação não permite proibir de competir um atleta com ginecomastia ou com aplicação local evidente, porque ele pode processar a federação, então a única ferramenta legítima que sobra é a pontuação. O árbitro experiente olha, reconhece que aquele formato muscular não é natural do atleta e pune na nota.</p>

<p>A razão para isso importar tanto é que o campeão vira o modelo. Se o júri premia o físico distorcido, o mundo inteiro passa a perseguir aquilo. Se corrige, o atleta que quer ganhar se ajusta. Ele cita uma disputa em Praga, em 2024, entre um atleta que veio da Classic Physique com 7 kg a mais e o representante da Open, em que ele considera que o resultado saiu invertido por medo de dar o primeiro lugar a quem estava chegando em vez de a quem estava saindo. Cita também o Men's Physique, categoria cuja cartilha pede equilíbrio de forças e triangulação, em que o título foi para o atleta mais volumoso duas vezes seguidas, e um mês e meio depois a organização criou limite de peso na categoria.</p>

<p>As mudanças de regra que ele propõe são específicas. Voltar o overall entre a 212 e a Open, que existiu no passado e foi extinto, porque na visão dele o campeão da 212 é o melhor atleta do mundo hoje e venceria qualquer overall. Na Classic Physique, criar 2 poses clássicas compulsórias iguais para todos, uma de frente com um braço para cima e outro para baixo e uma pose twist, o que levaria o total a 6 compulsórias e reduziria a subjetividade de comparar poses diferentes. No Men's Physique, incluir uma pose de lado, porque a linha de cintura de lado conta uma história diferente da de frente, e encurtar a bermuda. Sobre esse último ponto ele lembra que foi atacado por uma federação e caçado nas redes quando defendeu isso pela primeira vez, ainda na década passada, e faz questão de contextualizar que naquela época a crítica fazia sentido porque os atletas da categoria não treinavam perna.</p>

<h2>160 máquinas e nenhuma importada</h2>

<p>O CT que ele montou em Ribeirão Preto é o plano de aposentadoria da família, não um negócio de porta aberta. São 520 m² divididos em 6 ambientes, com 160 máquinas, todas nacionais, de 8 marcas diferentes, nenhuma igual à outra. Tem sala de pose, cozinha temática para produção de conteúdo, estúdio de podcast, churrasqueira modular, banheira de hidromassagem para 3 pessoas e o mesmo piso em rolo de 200 kg usado em academias que ele admira.</p>

<p>Ele participa do desenho das máquinas, com trena na mão, pedindo para o fabricante girar eixo e recuar apoio até tirar o trapézio de um movimento de deltoide. No meio do maquinário caríssimo estão as relíquias: o primeiro banco que o pai dele fez, um banco de alongamento curvo de 50 anos atrás, os pegadores que o pai também fabricou. E um leg de 2 toneladas com 5 pinos, para o qual ele oferece uma moto a quem zerar.</p>

<p>A recusa em abrir ao público tem motivo declarado. Ele já foi microempresário, não quer imposto nem aluno rodando entre 15 pessoas numa máquina, e quer poder receber amigos famosos que entram de carro por um portão eletrônico sem ninguém saber. Dentro dele treinam a mãe, a sogra e a ex-esposa, e o genro trabalha ali. O plano seguinte são franquias com professores treinados por ele.</p>

<h2>As respostas que ele deu ao público</h2>

<p>Um espectador de 28 anos contou que estava havia 5 meses usando tirzepatida com treino pesado, saiu de 120 kg para 100 kg, começou enantato a 250 mg a cada 15 dias e pensava em passar para semanal por mais 2 meses. A resposta foi para não aumentar, manter os 15 dias, não empilhar e fazer exames a cada 3 meses, porque naquela dose ele fica perto de uma reposição e dificilmente vai precisar de terapia pós-ciclo.</p>

<p>Outro perguntou como sair de um platô estando com 8 semanas de preparação, 1600 kcal, 500 mg de enantato e 400 mg de masteron. Sardinha respondeu que o erro é olhar para o protocolo. Segundo ele, a saída é choque celular de comida e de treino, com dias de carbo zero, ciclagem de carboidrato e sessões fora do padrão que a pessoa faz, e nunca aumentar, diminuir ou trocar a substância. A frase que ele usa é que esteroide anabólico é anticatabólico, e que a mágica aparece quando ele soma com treino e dieta certos.</p>

<p>Nesse ponto ele resgata o exemplo de Arnold Schwarzenegger como o rei do choque celular: panturrilha treinada 6 vezes por semana, porque ele tinha vergonha da panturrilha e escondia atrás de bancos de praça nas fotos, e blocos de cerca de 25 séries de agachamento que o deixavam uma semana sem andar. E o shake noturno de sorvete, leite, ovo e caseína, com algo perto de 80 g de proteína, quando pesava 109 kg.</p>

<h2>Conclusão</h2>

<p>O segredo que dá título à conversa não sai como fórmula. Sai como um conjunto de recusas: recusa a estimulante, recusa a diurético, recusa a insulina depois de ter aprendido na pele o que ela cobrou, recusa a empilhamento, recusa a finalização mirabolante e recusa a insistir num plano que já demonstrou não estar funcionando.</p>

<p>O que resta depois de todas essas recusas é bem menos glamouroso do que a internet vende: dose pequena e constante mantida por 40 anos, exame na mão, treino curto e bem executado, e uma vida montada longe da capital, com família e negócio próprio para não depender de patrocínio. Sardinha não apresenta isso como isento de risco. Ele diz textualmente que carrega mais hipertrofia cardíaca do que carregaria sem nada e que precisa vigiar. A diferença que ele defende é entre vigiar um risco escolhido e somar riscos sem controle.</p>

<h2>FAQ</h2>

<h3>Quantos anos de carreira Fernando Sardinha tem?</h3>

<p>Ele tem 57 anos e 41 de musculação, tendo competido pela primeira vez com 1 ano de treino. Foi campeão regional em 19 de junho de 1986 e campeão paulista júnior aos 16 anos.</p>

<h3>Qual dose de esteroide ele diz usar?</h3>

<p>Ele descreve um protocolo pequeno e constante, com masteron e propionato de testosterona em preparação e durateston ou enantato no off, sem ciclos nem pirâmides. O maior uso da vida dele foram 3 durateston e 3 estanozolol por semana durante 4 semanas, em 2009. A testosterona em exame fica entre 1300 e 1500 ng/dL.</p>

<h3>Por que ele considera diurético mais perigoso que insulina?</h3>

<p>Porque, na leitura dele, um quadro de hipoglicemia por insulina ainda tem caminho de reversão, enquanto o desequilíbrio provocado por diurético não se resolve tomando isotônico. É opinião baseada na experiência dele, não em protocolo clínico.</p>

<h3>O que aconteceu quando ele usou insulina?</h3>

<p>Usou 7 UI de insulina rápida 6 vezes por dia com hormônio de crescimento e chegou a 113 kg com 1,65 m. Relata piora do perfil lipídico, pressão alta, apneia a ponto de dormir sentado, perda do desenho do antebraço e um abdômen projetado que ele controla com pilates até hoje.</p>

<h3>Como é o treino dele hoje?</h3>

<p>Upper e lower alternados 4 vezes por semana, sessões de 35 a 40 minutos, com uma primeira série de 20 repetições em cadência lenta para aquecer com dor e depois uma única série pesada a 60 ou 70% da carga, em cluster, drop-set ou rest-pause. São 2 exercícios por grupo muscular.</p>

<h3>Qual a explicação dele para a morte de Gabriel Ganley?</h3>

<p>Ele descreve uma sequência, não uma causa única: hipoglicemia como gatilho, queda com desmaio e batida de cabeça, e parada cardíaca sobre um problema hereditário agravado por estimulantes em excesso e por hipertrofia cardíaca. Ele apresenta isso como opinião pessoal formada a partir de relatos e do laudo.</p>

<h3>O que ele mudaria no fisiculturismo?</h3>

<p>A arbitragem. Defende reciclagem de árbitros internacionais, punição na pontuação para distorções que a legislação não permite barrar na inscrição, volta do overall entre 212 e Open, 2 poses clássicas compulsórias iguais na Classic Physique e uma pose de lado no Men's Physique.</p>

<h2>Referências</h2>

<ol>
<li>MONSTER CAST. <em>FERNANDO SARDINHA - O SEGREDO DA LONGEVIDADE NO BODYBUILDING</em>. 17 jul. 2026. Disponível em: <a href="https://www.youtube.com/watch?v=dY4wPfayPPk" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://www.youtube.com/watch?v=dY4wPfayPPk</a>. Acesso em: 1 ago. 2026.</li>
</ol>]]></description><guid isPermaLink="false">1092</guid><pubDate>Sun, 26 Jul 2026 14:36:38 +0000</pubDate></item><item><title>Caio Bottura: li&#xE7;&#xF5;es de carreira, maromba e recome&#xE7;o</title><link>https://fisiculturismo.com.br/mat%C3%A9rias/gente/caio-bottura-li%C3%A7%C3%B5es-de-carreira-maromba-e-recome%C3%A7o-r1091/</link><description><![CDATA[
<p><img src="https://cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2026_08/caio-bottura-licoes-escola-capa.webp.b0e694f3c7e415d6b8f3ec860b00d6b0.webp" /></p>
<p>Caio Bottura tinha 29 anos quando sentou no Monster Cast para gravar "CAIO BOTTURA - DE VOLTA PARA O MEIO MAROMBA", direto da Flórida, para explicar por que abandonou um canal que rendia seis dígitos por mês. Ele passou mais de 4 horas destrinchando números que nunca tinha aberto: quanto ganhava, quanto usava, quanto pesava, o que a testosterona dele marcava no exame quando era natural e quanto cobra hoje por hora de tatuagem. O que vem abaixo é relato pessoal e opinião dele, não recomendação, e ele repete isso várias vezes ao longo da conversa.</p>

<h2>De 100.000 inscritos a 115.000 e a sensação de que tinha acabado</h2>

<p>O canal nasceu em 2014, logo depois da primeira competição dele. Quando bateu 100.000 inscritos, achou que aquilo era o teto. "Bati 100.000, já era, esse é o ápice", ele resume. A maromba brasileira não tinha muitos canais grandes na época. Aí veio a estagnação em 115.000, com os vlogs cravando cerca de 30.000 visualizações, e a leitura de que o jogo tinha terminado ali.</p>

<p>Desde antes de crescer ele já operava com uma premissa: aquilo não seria para sempre. O medo declarado não era o fracasso, era virar o cara que já passou e insiste. "Não consigo me ver com 40 anos fazendo vlog", diz. Essa preparação psicológica é o que explica a saída anos depois, e não uma queda que nunca aconteceu.</p>

<h2>O clickbait honesto e o salto para 400.000</h2>

<p>A destravada veio de uma sacada de embalagem. Em vez de intitular um conteúdo informativo como "benefícios da cafeína", ele passou a chamar de "o ingrediente que vai melhorar seu treino em 10 vezes". A regra que ele impôs a si mesmo era que a promessa tinha de estar dentro do material. Com isso, pelo menos uma publicação por semana ia de 100.000 a 1 milhão de visualizações e o canal subiu para a faixa de 300.000 a 400.000 inscritos.</p>

<p>A entrevista com Paulo Muzy é dessa fase e saiu de um e-mail. Um inscrito mandou o endereço, ele escreveu sem esperança e foi respondido. "O maluco me respondeu, como assim", ele conta. Era uma época em que atleta grande era inacessível, e conseguir sentar com um deles mudava o patamar de quem entrevistava.</p>

<h2>1 mês na Breakman e 400.000 inscritos em 30 dias</h2>

<p>Com cerca de 600.000 inscritos, foi convidado por Edukof a passar um tempo na casa de criadores conhecida como Breakman. Ganhou 400.000 inscritos em 1 mês. Antes de se mudar, contratou um editor e passou 3 meses treinando o rapaz, porque até então fazia tudo sozinho: pesquisa, roteiro, gravação e edição.</p>

<p>O acordo era de 1 mês e ele cumpriu ao pé da letra. Chegou em 7 de janeiro e foi embora em 7 de fevereiro, sem nem conseguir se despedir, porque acordou cedo e a casa estava dormindo. "O cara me chamou para ficar 1 mês, não quero abusar", explica. Parte do público antigo detestou a mistura com vlog e trollagem e prometeu abandonar o canal. Boa parte ficou, e até hoje aparece gente que diz ter começado a acompanhar exatamente ali.</p>

<h2>O conteúdo técnico que ninguém quis mais ver</h2>

<p>O ponto de virada editorial tem número. Um dos últimos materiais informativos que publicou comparava treino com carga leve e carga pesada, resolvia o debate em cerca de 15 minutos e parou em 66.000 visualizações. Para ele, aquilo foi o recado de que o público já não queria informação seca, queria informação dentro de uma novela.</p>

<p>Ele também estava esgotado do próprio repertório. Tinha falado de treino, de dieta, de agachamento, de supino, de terra e de macros até o ponto em que só restava reciclar. "Não consigo ficar me repetindo, me sinto meio tonto", diz. E a referência que ele mirava era estrangeira: canais como o de Jeff Nippard entregavam conteúdo 100% informativo com edição que destacava o trecho do estudo na tela e passavam de 500.000 visualizações por publicação. Ele lembra do dado que usava para explicar o desnível: cerca de 5% da internet está em português contra cerca de 60% em inglês.</p>

<h2>Testosterona em 190 ng/dL e 25.000 passos por dia</h2>

<p>A fase natural dele não era simbólica, era extrema. Contava até a gordura do ômega-3 dentro da dieta, o que consumia 9 g de um total de 35 a 40 g de gordura em cerca de 1.800 calorias. Contava BCAA. Não tinha carro e dava 20.000 a 25.000 passos por dia, indo a pé para a academia fazer cardio.</p>

<p>As preparações passavam de 6 meses. O adipômetro apontava algo como 2% a 2,5% de gordura, o que ele mesmo trata como leitura irreal do aparelho. Uma avaliação feita 1 mês após a competição, já em dieta reversa, deu 3% e alguma coisa, e a médica disse que estava baixo demais. No mesmo ano, a testosterona veio em 190 ng/dL.</p>

<p>O custo apareceu fora do palco. Libido zerada, vida social encolhida na faculdade, sem energia para socializar. "Seu corpo não quer reproduzir, você não consegue nem se alimentar, como é que vai alimentar um possível bebê", explica. Ele trocou o curso duas vezes, entrou em fisioterapia, passou por segurança do trabalho e migrou para força e condicionamento faltando 1 ano e meio para se formar, já ganhando dinheiro com o canal.</p>

<h2>Por que ele era natural: whey escondido do pai e o pró-hormonal recusado</h2>

<p>A origem do posicionamento é religiosa e familiar. Criado em casa evangélica em Vinhedo, não podia assistir a certos desenhos e chegou a comprar cartas de um jogo escondido, ler a palavra demônio na carta e jogar tudo no lixo na hora. Quando começou a treinar, escondia whey e creatina do pai, que repetia que aquilo acabava com o rim.</p>

<p>O detalhe mais concreto é o pró-hormonal que quase encerrou a carreira natural antes de começar. Um frequentador da igreja ofereceu um pote sem rótulo, dizendo que tinha ganhado 5 kg em 1 mês. Ele levou o frasco para o banheiro, pesquisou em fórum, leu que a substância funcionava como esteroide só que com todo o colateral, e devolveu. Se tivesse tomado, teria perdido o título natural na prática, porque as federações testadas cobram uma lista de substâncias proibidas nos últimos anos.</p>

<h2>O número vazado e a manada</h2>

<p>A pressão de quem o acusava de mentir sobre o status natural virou perseguição. Um perfil que ele descreve como uma espécie de investigador amador da maromba fazia transmissões prometendo provas e jogava seguidores em cima dele. Em um episódio, o telefone dele vazou em um grupo e o grupo inteiro passou a xingá-lo. Ele chegou a temer pela família no Brasil e pediu ajuda a um amigo policial para identificar o autor.</p>

<p>O que ele diz sobre o mérito da acusação é o mais honesto do trecho: não existia prova possível dos dois lados. "Eu posso fazer exame de sangue, tudo o que você quiser, só que se eu quisesse mentir e burlar eu ia conseguir." Foi só ao hormonizar que ele encerrou a discussão.</p>

<h2>100 mg por semana e 8 kg de massa magra em 8 semanas</h2>

<p>A transição aconteceu em 2018, aos 24 anos, quando ele já morava na Flórida por influência de Coach Rubens. Rubens o levou a um médico local e a prescrição inicial foi de 100 mg de testosterona por semana. "Nem enche a seringa", ele resume. Começou em silêncio, com medo do que aconteceria com a imagem dele se não desse resultado. Em 8 semanas ganhou 8 kg de massa magra e ficou mais seco.</p>

<p>A partir daí ele considerou a linha atravessada de vez. Não tentaria competir como natural usando, porque não passaria no polígrafo e porque não achava certo. Foi para a NPC, na Bodybuilding, e não na Classic Physique, porque ganhou peso rápido demais e não batia o limite da categoria.</p>

<p>O acompanhamento médico tinha preço fixo: cerca de 200 dólares por mês de mensalidade, com a receita indo direto para a farmácia, que enviava a cada 8 semanas um kit com testosterona, HCG, anastrozol e agulhas. A dose prescrita depois subiu para 200 mg por semana. Ele mesmo comenta o modelo com ironia: o médico prescreve, some, e a mensalidade continua saindo da conta.</p>

<h2>Menos de 1 g por semana e o GH que era água</h2>

<p>Quando saiu da dose de reposição, o protocolo dele ficou assim, pelo relato: no off, NPP, boldenona e cipionato, chegando a 1 g ou pouco mais por semana. Na preparação documentada, não passou de 1 g e ficou em cerca de 900 e poucos miligramas, com propionato, masteron e trembolona acetato.</p>

<p>O GH entrou só nas preparações, em 3 a 4 UI por dia, e ele próprio classifica o produto como falso. Era o mais barato que o fornecedor tinha, importado da China, e ele admite que economizou por raciocinar que já secava bem como natural. "Água de inhame", brincam os apresentadores, e ele não discorda.</p>

<p>O único colateral que ele descreve com clareza foi uma crise de acne nos ombros e nas costas logo que passou da reposição para o uso, que sumiu sozinha e não voltou nem quando ele retomou o uso depois.</p>

<h2>A sacola de McDonald's no estacionamento</h2>

<p>A parte de aquisição desmonta o clichê de que nos Estados Unidos tudo é fácil. O primeiro contato veio por indicação de Lucas Pinheiro e o material se mostrou ruim em teste, com água na composição. O fornecedor seguinte vivia com medo. Ele descreve o encontro: um homem com cara de 40 anos, pai de família, esperando no estacionamento, entregando uma sacola de McDonald's com o material dentro, pelo porta-malas.</p>

<p>Um seguidor chegou a ensiná-lo a produzir em casa, com lista de compras, contatos na China e links dos fornos. Ele recusou pelo risco óbvio e pela cena que imaginou: a esposa chegando em casa e encontrando aquilo na cozinha.</p>

<p>A leitura dele sobre os dois países inverte o senso comum. Nas academias americanas viu muita pele arruinada e muita virilização, e atribui isso justamente ao tabu: como o assunto circula menos, a informação sobre uso mais seguro circula menos junto. No Brasil, o excesso de conversa aberta ao menos produziu gente mais informada.</p>

<h2>25 kg a mais no palco e uma crise de pânico na hora de publicar</h2>

<p>A última competição natural foi em 2017. Entre a foto daquele palco e o físico posterior há 25 kg de diferença de palco.</p>

<p>A última competição foi em 2020, decidida 1 semana antes, e ele venceu a categoria. Não adiantou. Tinha ficado sem treinar direito na pandemia, treinando na garagem com uma máquina ruim, e não chegou na condição de antes. Ao ver a gravação, teve uma crise de pânico e não queria publicar. Publicou dizendo que tinha ganhado mas perdido para si mesmo.</p>

<p>Nessa época já fazia cerca de 6 meses que não abria o próprio canal. Entrava, subia o arquivo e saía, sem olhar métrica, sem olhar comentário. Quem lia era a esposa. Foi ela quem trouxe a leitura do público: se ele fica mal até quando ganha, para que está competindo. Ele concordou. "Perdi o tesão e continuei no piloto automático."</p>

<h2>Seis dígitos por mês no último ano e 1.000 fichas vendidas em 1 dia</h2>

<p>O detalhe financeiro derruba a explicação preguiçosa de que ele sumiu porque caiu. O ano em que saiu foi o ano em que mais faturou, na casa dos seis dígitos por mês, puxado por produto próprio e não por audiência. As fichas de treino dele venderam 1.000 unidades no primeiro dia em que foram anunciadas, e ele estima cerca de meio milhão de reais só nesse produto. Mais relevante: aquilo aconteceu num período em que os stories estavam com as visualizações mais baixas.</p>

<p>A conclusão que ele tira dali é a parte útil para qualquer criador. Quem fica quando o número cai é quem compra. Quem infla número em pico de audiência costuma ser curioso, fofoqueiro ou gente esperando a queda. Ele cita o próprio caso mais duro para provar: os stories de maior visualização da vida dele foram os da morte de um amigo, Cristian Figueiredo.</p>

<p>Ao sair, avisou os patrocinadores de que ia parar e ofereceu o cancelamento dos contratos, mesmo tendo prazo a cumprir. E vendeu a própria parte da Universidade Maromba, que continuava rendendo, porque não queria receber por um trabalho que os sócios estavam fazendo sem ele.</p>

<h2>O título que magoou a esposa e virou a gota d'água</h2>

<p>O estopim tem nome e formato. Ele quis anunciar que o casal ia tentar engravidar e escolheu um título provocativo com a palavra gringa, apelido que a própria esposa usava no canal dela, que chegou a 300.000 inscritos. Ele não leu os comentários, ela leu. E o que apareceu não foi a reclamação com a palavra, foi a acusação de que ele só queria engravidar para gerar audiência.</p>

<p>"Criei um público por não sei quantos anos, sempre compartilhei minha vida, e agora eles pensam isso de mim", ele diz. Não foi o insulto que pesou, foi o insulto atingir outra pessoa. A partir dali ele parou de discutir se saía.</p>

<h2>4,4 kg, 57 cm e 30 segundos acreditando que a filha tinha nascido morta</h2>

<p>A parte mais dura da conversa é o parto. A gravidez foi normal, mas passou de 41 semanas e 3 dias. Em uma consulta na semana 40, um médico soltou o dado que ficou martelando na cabeça dele: passando de 40 e 41 semanas o risco de natimorto dobra, de 1% para 2%. A indução foi marcada com erro de data, o que aumentou a tensão. Foram 6 horas empurrando.</p>

<p>A filha nasceu com 4,4 kg e 57 cm, mole, sem chorar, e começou a ficar roxa. Ele descreve os cerca de 30 segundos em que acreditou que ela tinha nascido morta, e a única coisa que conseguia fazer era orar pedindo para ouvir o choro. Ela tinha aspirado mecônio e não conseguia oxigenar. Precisou de pressão positiva, foi transferida para a UTI de outro hospital, e a mãe, que a segurou por cerca de 10 segundos, ficou 2 a 3 dias sem vê-la.</p>

<p>O detalhe que amarra tudo é o pior: entre os comentários que ele recebia havia um sujeito escrevendo que a filha ia nascer morta. Na hora do desespero, foi essa frase que voltou. "Eles ganharam", foi o que passou pela cabeça dele.</p>

<h2>6 meses jogando o dia inteiro para sair do buraco</h2>

<p>Depois de sair, ele não foi para a próxima coisa. Tirou cerca de 6 meses sabáticos jogando um RPG de estratégia com amigos de infância, o dia inteiro, todo dia, para não pegar no celular. Ele nomeia o período como um trecho depressivo.</p>

<p>A explicação que dá para o desgaste é específica sobre a plataforma, não sobre trabalho em geral. "O YouTube pode ser um chefe muito filha da mãe", diz. Terminou uma entrega, já tem outra cobrando. Publicou mal, veio a pergunta do que deu errado. E quando a renda depende disso, ou você repete o que já cansou de falar, ou dramatiza, ou vira, na expressão dele, prostituta de views.</p>

<p>O contraveneno que ele adotou é gratidão, com base religiosa e um argumento que ele repete do jeito que ouviu: a região do cérebro da gratidão e a da ansiedade não operam ao mesmo tempo. Na prática virou rotina de oração em que ele agradece e pede proteção para a esposa e para a filha, não para si.</p>

<h2>2 semanas em pele artificial e 200 dólares por hora</h2>

<p>A tatuagem entrou pela porta dos fundos. O casal maratonou um reality de tatuagem e a esposa perguntou por que ele não fazia aquilo, já que desenhava desde criança. No dia seguinte ele comprou material de desenho no Walmart, começou a desenhar todo dia, comprou as máquinas na Amazon e estudou sozinho, assistindo a aula e cursos online.</p>

<p>Foram 2 semanas em pele artificial. Depois tatuou a própria perna. Depois tatuou Coach Rubens, com o argumento de que se ficasse ruim viraria história. Anunciou 10 cobaias de graça no perfil novo, e o primeiro desconhecido pediu o bíceps, região difícil. Ele suou frio, achou as linhas horríveis, refez com agulha mais grossa, meteu sombreado e cor, e o que devia levar 1 hora e meia levou 4 horas. Ficou bom.</p>

<p>Dois anos depois: cerca de 95% dos clientes são americanos que não fazem ideia de quem ele foi no Brasil. Recebe gente que compra passagem do Texas, da Carolina do Norte, da Geórgia e da Califórnia. Cobra o equivalente a 150 a 200 dólares por hora, o que põe um trabalho de cerca de 4 horas entre 600 e 700 dólares, e uma cliente já disse que teria pago 1.000. Trabalha de 10 a 15 dias por mês, tem patrocínio de agulha e abriu estúdio com um sócio, montado em cerca de 3 dias.</p>

<p>O nicho é a mina de ouro: anime e o estilo patch, que imita um bordado aplicado na pele. Pouca gente faz e menos gente ainda faz bem, então o cliente atravessa o país.</p>

<h2>1 milhão de visualizações no Brasil paga cerca de 1.000 dólares</h2>

<p>A comparação econômica que ele faz é o argumento mais frio da conversa. Produzir em português morando nos Estados Unidos significa receber em dólar um dinheiro que é real convertido, porque o anunciante é brasileiro e paga a plataforma em reais. Pela conta dele, 1 milhão de visualizações no nicho maromba rende algo próximo de 1.000 dólares. Já viu material estrangeiro com CPM de 72, e um único trabalho de 1 milhão de visualizações lá render de 30.000 a 40.000.</p>

<p>Tatuar nos Estados Unidos resolve o desencaixe: ele cobra em dólar de quem vive na mesma economia em que ele paga as contas. Some a isso a casa comprada à vista, que zerou aluguel e financiamento, e o custo de vida baixo explica por que ele pode trabalhar metade do mês.</p>

<h2>Treino de 20 minutos, 4 vezes por semana</h2>

<p>Hoje ele treina 4 vezes por semana, no máximo 20 minutos por sessão, mantém 100 mg de testosterona a cada 10 ou 15 dias e não faz dieta. Ele descreve um dia real: miojo, 8 a 9 horas tatuando, 3 fatias de pizza no estúdio e cama. E não vende isso como modelo, reconhece na hora que precisa cuidar melhor da saúde.</p>

<p>A parte que ele considera mais difícil do desapego não foi o shape, foi parar de contar proteína. Depois de 10 anos de dieta, ainda vinha o impulso de tomar whey ou comer mais frango. Hoje tem dia em que ele não vê proteína no prato e não se importa.</p>

<p>Sobre o corpo, a leitura dele é dura com o próprio passado. Diz que envelheceu vários anos no rosto no período acelerado e que perdeu cabelo. Cita um criador americano que hormonizou recentemente e ficou irreconhecível como exemplo do que ele mesmo não percebia enquanto estava dentro. O agachamento pesado dele, para efeito de escala, parou em 170 kg.</p>

<h2>O único arrependimento que ele quase teve</h2>

<p>Perguntado se se arrepende do uso, ele responde que não, com uma exceção. Quando a gravidez demorou, veio o medo de ter comprometido a fertilidade por 2 anos de uso. "A troco de quê? Não ganhei nada, não virei profissional", ele resume, descrevendo a culpa que sentiria diante da esposa. O espermograma veio normal e o medo passou.</p>

<p>Sobre a guerra entre naturais e usuários, ele se recusa a assumir o lado da inquisição, e o motivo é de coerência: quem o inspirou a treinar foram Arnold, Jay Cutler e Dexter Jackson. "Como é que eu ia falar mal de hormonizado se o cara que me inspirou a treinar foi o Arnold?" Ele defende quem levanta a bandeira natural, lembra que na época dele apanhou sozinho, e ainda assim não aceita transformar isso em tribunal.</p>

<h2>O treino com Big Ramy e o convite que ele não aceitou</h2>

<p>Duas passagens rápidas mostram o tamanho da rede que ele construiu. O treino mais pesado da vida dele foi com Big Ramy, em Dubai, e o deixou dolorido por cerca de 1 semana. A descrição do método é específica: séries até a falha desde a primeira, gritando consigo mesmo e sem deixar o parceiro parar enquanto sobrar repetição.</p>

<p>A outra é o convite recusado. Derek Lunsford o chamou para ser filmmaker dele antes de ficar famoso. A logística não fechou, porque a academia ficava a cerca de 1 hora de distância e ele imaginava algo esporádico. Ele guarda até hoje uma foto ao lado do atleta em que aparece muito menor, e faz questão de registrar que aquela publicação foi uma das de menor engajamento da carreira dele, porque em 2020 quase ninguém no Brasil sabia quem era o rapaz que depois ganharia a 212.</p>

<h2>Conclusão</h2>

<p>O que separa esta história das outras não é a saída, é a contabilidade. Ele saiu no melhor ano financeiro, com produto vendendo, contrato ativo e audiência intacta, porque a conta que não fechava era outra. Do lado do custo estavam a repetição do conteúdo, a competição que já não divertia, o hate atingindo a esposa e um comentário sobre a filha que voltou na pior hora possível da vida dele.</p>

<p>E o recomeço tem número também. Dois anos de tatuagem, cerca de 95% de clientes que nunca ouviram falar do Caio Bottura da maromba, cliente pegando avião de outro estado e preço em dólar dentro da economia em que ele vive. Não é a mesma montanha, é outra, escalada do zero de propósito.</p>

<h2>FAQ</h2>

<h3>Por que Caio Bottura saiu do YouTube?</h3>
<p>Por acúmulo. Ele relata saturação do próprio repertório informativo, perda de prazer na competição, desgaste com a rotina de produção sozinho e, como gota d'água, os comentários acusando-o de querer engravidar a esposa para gerar audiência, que magoaram ela.</p>

<h3>Ele saiu porque o canal estava caindo?</h3>
<p>Não. O ano em que ele parou foi o ano em que mais faturou, na casa dos seis dígitos por mês, puxado pelos produtos próprios e pela Universidade Maromba, cuja parte ele acabou vendendo.</p>

<h3>Qual foi o protocolo hormonal dele?</h3>
<p>Começou com 100 mg de testosterona por semana em 2018, prescritos por um médico na Flórida, e ganhou 8 kg de massa magra em 8 semanas. Depois usou NPP, boldenona e cipionato no off, chegando a cerca de 1 g por semana, e propionato, masteron e trembolona acetato na preparação, sem passar de 1 g. Hoje mantém 100 mg a cada 10 ou 15 dias. É relato pessoal, não recomendação.</p>

<h3>Como era a fase natural dele?</h3>
<p>Contava até a gordura do ômega-3, que consumia 9 g de um total de 35 a 40 g em cerca de 1.800 calorias, dava de 20.000 a 25.000 passos por dia e fazia preparações de mais de 6 meses. A testosterona chegou a 190 ng/dL e a libido sumiu.</p>

<h3>Quanto ele cobra por tatuagem?</h3>
<p>O equivalente a 150 a 200 dólares por hora, o que coloca um trabalho de cerca de 4 horas entre 600 e 700 dólares. Ele trabalha de 10 a 15 dias por mês e cerca de 95% dos clientes são americanos.</p>

<h3>O que aconteceu no parto da filha dele?</h3>
<p>A gravidez passou de 41 semanas e 3 dias, a indução foi marcada com erro de data e foram 6 horas empurrando. A menina nasceu com 4,4 kg e 57 cm, aspirou mecônio, não chorou, precisou de pressão positiva e foi transferida para a UTI de outro hospital.</p>

<h3>Ele pretende voltar para o meio maromba?</h3>
<p>Na conversa, ele diz que hoje é zero a vontade de voltar a competir, mas não descarta produzir de novo em algum momento. O freio que ele aponta é que não conseguiria publicar apenas uma vez, e a rotina semanal é justamente o que ele não quer de volta.</p>

<h2>Referências</h2>
<ol>
  <li>MONSTER CAST. <em>CAIO BOTTURA - DE VOLTA PARA O MEIO MAROMBA</em>. [S. l.], 9 nov. 2023. Disponível em: <a href="https://www.youtube.com/live/4bRfl7b3p2I" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://www.youtube.com/live/4bRfl7b3p2I</a>. Acesso em: 1 ago. 2026.</li>
</ol>]]></description><guid isPermaLink="false">1091</guid><pubDate>Sun, 26 Jul 2026 02:58:00 +0000</pubDate></item><item><title>Toguro: como a m&#xED;dia maromba virou hist&#xF3;ria, trabalho e mercado</title><link>https://fisiculturismo.com.br/mat%C3%A9rias/gente/toguro-como-a-m%C3%ADdia-maromba-virou-hist%C3%B3ria-trabalho-e-mercado-r1090/</link><description><![CDATA[
<p><img src="https://cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2026_08/toguro-licoes-quadro-negro-casa-capa.webp.ea558c64521d006a1a3de11e927fbcb4.webp" /></p>
<p>A mídia maromba brasileira não nasceu pronta, com estúdio bonito, patrocínio grande e atleta sabendo se posicionar. Ela veio de câmera estranha dentro da academia, página de Facebook, insistência em aparecer, gente sendo criticada por gravar treino e uma mistura de bastidor, resenha, shape e empreendedorismo. Em <em>"TOGURO - A HISTÓRIA DA MÍDIA MAROMBA"</em>, do Monster Cast, Toguro aparece como um dos personagens centrais dessa virada.</p>

<p>A lição mais forte não é apenas sobre fama. É sobre transformar musculação em linguagem de internet, transformar atleta em personagem, transformar treino em narrativa e transformar visibilidade em negócio. Antes de pedir palco, patrocínio ou espaço, ele defende uma regra simples: faça alguma coisa com o que já está na mão.</p>

<h2>Antes da mídia maromba, gravar treino era estranho</h2>

<p>Hoje parece normal entrar em uma academia e ver alguém filmando série, gravando bastidor ou fazendo postagem para marca. No começo, a câmera dentro da academia causava estranhamento. Sacar uma câmera na rua ou no treino fazia as pessoas olharem como se aquilo fosse maluquice.</p>

<p>Esse ponto é essencial para entender a história. A mídia maromba não surgiu quando todo mundo já sabia que internet dava dinheiro. Ela começou quando muita gente ainda não enxergava valor em registrar treino, rotina, bastidor e personalidade. O trabalho era de formiguinha: Facebook, Orkut, foto editada, página de humor de academia, postagem em grupo, divulgação para amigo, família e vizinho.</p>

<p>O ponto de partida material era pequeno. Não havia celular que gravasse bem, então ele comprou uma câmera compacta, do tipo Cyber-shot, e passou a gravar material caseiro em casa e na academia. Já treinava havia 17 anos quando o episódio foi gravado, em janeiro de 2023, e a primeira audiência veio do Facebook, onde ele ainda mantém cerca de 3 milhões de seguidores. Um dos encontros que empurraram a virada para o YouTube foi com Léo Araújo, em uma feira, quando canais como o do Under e o de Scarpelli já estouravam no formato.</p>

<p>Essa fase criou uma vantagem para quem insistiu. Quem aprendeu a se filmar, postar, medir resposta do público e continuar produzindo antes da monetização passou a entender uma língua que o mercado só valorizaria depois.</p>

<h2>O treino virou história, não só repetição</h2>

<p>Uma virada importante da mídia maromba foi deixar de mostrar apenas treino solto e passar a construir história. Câmera, microfone, dois atletas treinando, resenha, bastidor, conflito, evolução e personagem mudaram o formato. A musculação deixou de ser apenas o exercício visto de fora e passou a ganhar começo, meio e fim.</p>

<p>Esse modelo abriu espaço para figuras que não eram apenas atletas tradicionais de palco. Gente grande, carismática, engraçada, bruta, disciplinada, polêmica ou simplesmente diferente começou a virar referência. O público não queria só saber o número de séries. Queria acompanhar a caminhada, a dieta, a brincadeira, a dificuldade, o shape e a vida em volta da academia.</p>

<p>Foi aí que a maromba virou entretenimento sem deixar de carregar informação. O treino pesado continuou importante, mas passou a ser embalado em narrativa. Essa combinação explica por que personagens de academia conseguiram furar a bolha de quem já acompanhava fisiculturismo.</p>

<p>O molde veio de um canal patrocinado por uma importadora de acessórios no início da década de 2010, o primeiro a colocar câmera, microfone e duas pessoas treinando com começo, meio e fim, em gravações que chegavam a durar 6 horas para um único material. O projeto que Toguro aponta como divisor de águas foi o de 120 dias com Renato Cariani e Tiozão, o primeiro do meio a misturar transformação física, enredo e explicação didática, incluindo a diferença entre um físico com e sem uso de hormônio. Depois vieram os bordões: o grito no treino de trapézio com Bambam e Felipe Franco, e o meme de 2022 que rendeu reação de Alok e o levou até jornal e transmissão de futebol.</p>

<h2>A insistência veio antes do dinheiro</h2>

<p>A trajetória foi de anos fazendo antes de pedir. Primeiro veio a divulgação para conhecidos, o pedido de curtida, comentário, compartilhamento e atenção para o que era produzido. Depois veio o investimento em páginas grandes da época, inclusive páginas de academia no Facebook e Instagram, para fazer as postagens circularem.</p>

<p>Os números dessa fase são pequenos e explicam a insistência. Foram 3 anos postando no YouTube sem receber R$ 1, porque ele não sabia que precisava se inscrever no programa de monetização. O primeiro patrocínio veio de uma marca pequena de suplementos e pagava R$ 500 por mês, além de cerca de 5 potes de termogênico, e sustentou aquele período. Quando o dinheiro começou a entrar, boa parte voltava para o jogo: ele pagava para aparecer em quase todas as páginas grandes de academia da época, e uma única postagem chegou a bater cerca de 15 mil compartilhamentos. Ao todo, são cerca de 15 anos de trabalho antes de o mercado pagar o que paga hoje.</p>

<p>A lógica era simples: se ninguém conhece você, é preciso criar prova. Uma música boa, um shape bom, uma jogada boa, uma ideia boa ou uma publicação forte chama mais atenção do que apenas pedir oportunidade. O pedido fica vazio quando a pessoa ainda não mostrou nada concreto.</p>

<p>Essa é uma lição dura para quem quer entrar pronto no palco dos outros. Antes de cobrar visibilidade, é preciso produzir algo que mereça ser visto. Antes de pedir parceria, é preciso mostrar entrega. Antes de querer empresário, é preciso criar algum sinal de valor.</p>

<h2>A Mansão Maromba virou comunidade e laboratório</h2>

<p>A Mansão Maromba aparece como um ponto decisivo porque juntou moradia, treino, gravação, convivência, cobrança e oportunidade. A ideia inicial lembrava um centro para atletas e personagens viverem o esporte, mas o funcionamento real era mais complexo. Não era apenas colocar gente em uma casa e mandar gravar.</p>

<p>O trabalho descrito envolvia acolher, cobrar, orientar e criar direção. A dinâmica era quase de pai, psicólogo e produtor ao mesmo tempo: chamar para gravar, orientar o que postar, mostrar como fazer, insistir quando a pessoa travava e tentar transformar potencial em presença pública.</p>

<p>A escala do projeto cresceu junto. A Mansão Maromba começou com 1 quarto, 1 sala e 1 cozinha e chegou a mais de 15 quartos, academia própria em obra de ampliação, sauna e piscina no plano. Manter a casa de pé custava cerca de R$ 50 mil por mês, com aproximadamente R$ 5 mil só de água e outra fatia parecida de comida, e houve período em que ele tirou dinheiro de outro investimento para bancar a operação. A ideia de abrir a casa para visitantes pagantes, com treino e kit, era discutida na faixa de R$ 200 a R$ 300 por pessoa.</p>

<p>Isso também traz um lado difícil. Quando um projeto ajuda muita gente, surgem dependência, expectativa, frustração e discussão sobre mérito. A Mansão podia encurtar caminhos, mas não podia viver a vida de ninguém. Quem aproveitou precisou trabalhar, aparecer, sustentar rotina e construir valor próprio.</p>

<p>A lista de quem passou pela casa dá o tamanho do laboratório: Ramon Dino, a lutadora olímpica Cláudia Gadelha, Japa Morfo, Gnomo e Horse aparecem entre os nomes citados. O método de recrutamento era direto, sem burocracia: ele via um perfil com potencial na internet, mandava mensagem privada, pagava a passagem e a pessoa já começava a gravar na chegada.</p>

<h2>Ramon Dino e a discussão sobre mérito</h2>

<p>A história de Ramon Dino aparece como exemplo importante justamente porque muita gente tenta transformar sucesso em disputa de autoria. Quem ajudou mais? Quem abriu porta? Quem colocou dinheiro? Quem deu visibilidade?</p>

<p>A resposta mais madura é separar apoio de protagonismo. A Mansão encurtou caminho, outras pessoas também abriram portas e marcas ajudaram em diferentes fases. Mas o mérito principal continua sendo do próprio atleta. Sem físico fora da curva, humildade, trabalho, carisma e continuidade, nenhuma casa, câmera ou empresário sustentaria a ascensão.</p>

<p>Os fatos concretos são estes: Ramon Dino morou cerca de 1 ano na Mansão, chegou do Acre depois de um convite por mensagem e de passagem paga, e foi cobrado para gravar quando travava. Toguro compara a discussão de autoria com perguntar quem ajudou Ronaldo a jogar bola, e sustenta que o físico e a continuidade são do atleta. Ele também aponta o tamanho da audiência que Ramon deixa na mesa por não priorizar rede social: uma única foto do acreano citada no episódio marcava cerca de 6,3 milhões de curtidas, proporção que, na avaliação dele, colocaria o atleta como o mais bem pago da América Latina se virasse a chave para produção de conteúdo.</p>

<p>Essa visão também mostra uma mudança pessoal em Toguro. Ele relata ter precisado superar a necessidade de cobrar gratidão e reconhecer que ajudar não deve virar uma dívida eterna na conta emocional de quem foi ajudado. Ajudar alguém a crescer não significa possuir a história dessa pessoa.</p>

<h2>Bodybuilder que não trabalha imagem fica para trás</h2>

<p>Uma das ideias mais atuais é que o atleta antigo, fechado apenas dentro da academia, perdeu espaço. O físico continua sendo o centro, mas hoje o público também quer ver rotina, comida, bastidor, viagem, erro, treino, opinião e personalidade.</p>

<p>Isso não significa que todo atleta precise virar um reality show ambulante. Existe diferença entre espontaneidade, obrigação comercial e exposição forçada. Mas a direção do mercado mudou. Quem sabe contar a própria trajetória, mostrar processo e conversar com a audiência tem uma vantagem que não existia na mesma proporção décadas atrás.</p>

<p>Ele separa a produção em 3 motivos: espontaneidade, trabalho e obrigação contratual com a marca. E dá o exemplo de quem não virou essa chave. Fernando Superman foi encontrado sozinho, em uma sexta-feira chuvosa, fazendo cardio na escada de uma academia da rua Augusta, sem saber usar o Instagram, e levou perto de 2 anos para entender a plataforma. Japa Morfo, com genética que Toguro considera comparável à de Ramon Dino no início, também nunca priorizou rede social e não alcançou o mesmo patamar.</p>

<p>O shape abre a porta. A narrativa mantém a sala cheia.</p>

<h2>Da visibilidade para o produto</h2>

<p>A internet não termina no número de visualizações. A visibilidade vira alavanca para produto, marca, distribuição, negociação e presença de mercado. A etapa seguinte exige estudar histórias de marcas, entender logística, olhar para empresas grandes, testar produto, observar comportamento do consumidor e pensar em escala.</p>

<p>Essa passagem é importante porque mostra a transição de influencer para empresário. A mídia chama atenção, mas produto precisa existir, chegar, vender, repetir compra e disputar espaço. Suplemento, pasta de amendoim, pré-treino, bebida, evento e casa de gravação não sobrevivem apenas de hype. Precisam de operação.</p>

<p>Os números que ele usa para explicar isso são de distribuição, não de audiência. As duas maiores redes de farmácia do país somam mais de 3 mil pontos de venda, e colocar um produto em uma rede grande de varejo, segundo a experiência dele em multinacional, é conversa da ordem de R$ 50 milhões. Ele também estima que o fisiculturismo responde por perto de 1% da venda de suplemento, o que joga o jogo real para fora do palco. Do lado da própria marca, cita pasta de amendoim a R$ 17 o pote, uma linha de tapioca, gelo de coco e energético, um acordo com uma rede de roupa de cerca de 130 lojas e ações fechadas com uma grande cervejaria.</p>

<p>Por isso, a frase “se não entrar repertório, não sai resultado” resume bem a cabeça do projeto. Estudar mercado, história, economia, marca e comportamento vira parte do treino. Só que o treino, nesse caso, é de negócio.</p>

<p>A conta de aprendizado teve preço. Ele conta ter perdido perto de R$ 10 milhões ao aceitar valor fixo em vez de porcentagem em uma plataforma de conteúdo adulto, contrato que exigiu 5 advogados para ser analisado, e diz ter passado a negociar participação em empresa e royalties no lugar de cachê. A mudança de plataforma também foi forçada por números: um canal que batia perto de 100 milhões de visualizações por mês caiu para a casa dos 3 milhões, o que empurrou a produção para o Instagram e para os formatos curtos, onde os stories rodam na faixa de 1 milhão de visualizações e um comentário na foto de um jogador rendeu cerca de 2 milhões de curtidas. Ele parou um canal com 500 mil inscritos e abriu outro, com 200 mil, que passou a render mais visualização que o principal.</p>

<h2>Competir pode não ser o centro da vida</h2>

<p>A musculação pode mudar a vida de uma pessoa sem que competir vire paixão absoluta. Treinar, gostar do próprio físico e respeitar o palco não obrigam ninguém a viver preparação extrema. Dieta dura, desidratação, aplicação, desgaste, tempo e foco cobram um preço alto.</p>

<p>Essa leitura é útil porque separa amor pela academia de obrigação de competir. Nem todo marombeiro precisa virar atleta. Nem todo influenciador fitness precisa buscar medalha. Para alguns, o centro é palco. Para outros, é treino, negócio, comunidade, produto, comunicação ou transformação pessoal.</p>

<p>Ele se descreve como um marombeiro de rotina, que treina praticamente todos os dias e faz no máximo um ciclo curto por ano, sem prepará-lo para palco. Sobre o outro extremo, relata ter visto na Mansão uma pessoa sair de 1 mL de um vasodilatador injetável de uso local para 16 mL em poucos minutos, apenas para sentir o efeito. É um relato de terceiro, sem qualquer respaldo, e serve como alerta: doses assim não têm justificativa estética ou esportiva e podem causar infecção, necrose e embolia. Quando um ouvinte pediu um combo de hormônios no fim da transmissão, ele mesmo lembrou que o custo escondido está no acompanhamento e nos exames, e citou pacotes que passavam de R$ 5 mil por mês.</p>

<p>A maturidade está em escolher o preço que faz sentido pagar.</p>

<h2>As principais lições de Toguro</h2>

<ul>
  <li><strong>Faça antes de pedir:</strong> oportunidade fica mais palpável quando já existe alguma entrega concreta.</li>
  <li><strong>Conte uma história:</strong> treino sozinho informa pouco. Jornada, contexto e personagem fazem o público acompanhar.</li>
  <li><strong>Apareça com consistência:</strong> quem insistiu quando gravar era estranho aprendeu antes da massa chegar.</li>
  <li><strong>Ajude quem começa:</strong> abrir espaço para gente pequena pode criar uma nova geração, desde que a pessoa também trabalhe.</li>
  <li><strong>Não cobre posse sobre o sucesso alheio:</strong> apoio encurta caminho, mas mérito real continua com quem constrói a própria caminhada.</li>
  <li><strong>Estude o mercado:</strong> visibilidade sem produto, logística e operação vira barulho passageiro.</li>
  <li><strong>Entenda o próprio jogo:</strong> competir, vender, gravar, treinar e empreender cobram preços diferentes.</li>
</ul>

<h2>Conclusão</h2>

<p>A história de Toguro é a história de uma transição: a maromba saiu do canto fechado da academia e virou mídia, comunidade, entretenimento, negócio e vitrine para atletas. Ele não foi o único personagem dessa virada, mas foi uma peça importante na popularização do formato que misturou treino, bastidor, resenha, personagem e mercado.</p>

<p>A maior lição não é copiar a estética, a fala ou o estilo. É entender a lógica: produzir antes de pedir, construir narrativa, aparecer com consistência, estudar o mercado e usar a visibilidade para erguer algo que continue existindo quando a postagem passa.</p>

<p>A parte menos glamorosa dessa lógica é o tempo. Cerca de 7 anos antes do episódio, ele esteve em uma gravação de treino com nomes grandes da época e ficou de fora do material, como espectador, sem pedir para aparecer. A frase que ele tirou dali resume a paciência que a trajetória exigiu: aplaudir a vez do outro até chegar a sua.</p>

<h2>FAQ</h2>

<h3>Qual é a principal lição da história de Toguro?</h3>
<p>A principal lição é fazer antes de pedir. A trajetória mostra que oportunidade aparece com mais força quando a pessoa já construiu entrega, presença e alguma prova de valor.</p>

<h3>Por que a câmera na academia foi tão importante?</h3>
<p>Porque ela transformou treino em narrativa. A musculação deixou de ser apenas exercício filmado e passou a mostrar bastidor, personagem, rotina e evolução.</p>

<h3>O que a Mansão Maromba representou?</h3>
<p>Representou comunidade, laboratório de mídia e encurtamento de caminho para atletas e personagens. Mas o projeto dependia de cobrança, constância e trabalho individual de quem passava por lá.</p>

<h3>Toguro defende que todo marombeiro precisa competir?</h3>
<p>Não. A história separa amor pela academia de obrigação de palco. Competir cobra um preço alto, e cada pessoa precisa decidir se esse preço combina com seus objetivos.</p>

<h3>O que atletas podem aprender com essa fase da mídia maromba?</h3>
<p>O físico ainda importa, mas imagem, rotina, comunicação e capacidade de contar a própria jornada também viraram parte do jogo.</p>

<h3>Quanto tempo Toguro passou sem ganhar dinheiro com o que publicava?</h3>
<p>Foram 3 anos postando no YouTube sem receber R$ 1, porque ele não sabia que era preciso se inscrever no programa de monetização. O primeiro patrocínio pagava R$ 500 por mês mais alguns potes de termogênico.</p>

<h3>Quanto tempo Ramon Dino ficou na Mansão Maromba?</h3>
<p>Cerca de 1 ano. Ele chegou do Acre após um convite por mensagem privada e passagem paga, e era cobrado para gravar. Toguro atribui o mérito da ascensão ao próprio atleta.</p>

<h2>Referências</h2>
<ol>
  <li>MONSTER CAST. <em>TOGURO - A história da mídia maromba</em>. [S. l.], 10 jan. 2023. Disponível em: <a href="https://www.youtube.com/watch?v=4m0i4IQ5F7g" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://www.youtube.com/watch?v=4m0i4IQ5F7g</a>. Acesso em: 2 ago. 2026.</li>
</ol>
]]></description><guid isPermaLink="false">1090</guid><pubDate>Sat, 25 Jul 2026 23:30:00 +0000</pubDate></item><item><title>Marc&#xE3;o dos Veneno: base, treino pesado e o resultado que aparece</title><link>https://fisiculturismo.com.br/mat%C3%A9rias/gente/marc%C3%A3o-dos-veneno-base-treino-pesado-e-o-resultado-que-aparece-r1089/</link><description><![CDATA[
<p><img src="https://cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2026_08/marcao-dos-veneno-licoes-quadro-branco-capa.webp.126ed6e4ff730ba26ca9aa57eed1efea.webp" /></p>
<p>Marcão dos Veneno sentou no Monster Cast em janeiro de 2022, em "MARCÃO DOS VENENO - RESULTADO TA DANDO!", e passou quase 3 horas respondendo pergunta de super chat com número na mão. Saiu de lá com a conta do próprio auge somada ao vivo, com o relato da hipoglicemia em que ele não tinha força para levar o garfo à boca e com a lista de cargas que sustenta o físico dele. Esta matéria organiza o que é verificável naquela conversa, com o aviso que precisa vir antes de qualquer relato hormonal alheio: nada aqui é protocolo, é depoimento.</p>

<h2>1,74 m por 50 kg</h2>

<p>A imagem pública é de um homem enorme. A origem é o oposto exato. Marcão conta que tinha a mesma altura de hoje, 1,74 m, e pesava 50 kg. Na primeira avaliação física da vida dele o braço mediu 24 cm. Ele se descreve como definido e magro ao mesmo tempo, do tipo que jogava bola, corria, gastava energia o dia inteiro e às vezes esquecia de comer. Chegou a ter hipoglicemia ainda criança, brincando na rua, muito antes de a palavra virar rotina técnica na vida dele.</p>

<p>O empurrão veio de casa. O irmão 2 anos mais velho começou a treinar, ficou mais forte e passou a vencer as brigas entre os dois. Marcão fazia flexão e se pendurava nas portas tentando improvisar treino, e foi justamente isso que convenceu a mãe. Havia 20 e poucos anos não era comum menino de 12 ou 14 anos entrar em academia, então ela segurou até ele fazer 16 para 17 anos e liberou com o argumento de que era melhor ter um professor por perto do que ele se machucar sozinho em casa.</p>

<p>Dentro da academia ele treinava 1 hora e ficava mais 2 ou 3 conversando. Perguntava aos professores, via os outros treinarem e tentava entender dieta e suplementação numa época em que a internet era discada e a informação era precária. Um dos professores cursava educação física e passava as apostilas para ele. Marcão hoje é dono de academia e faz questão de dizer que não é do tipo que deixa o negócio na mão dos outros, fica lá o dia inteiro.</p>

<h2>A roça como choque de realidade</h2>

<p>A virada de comportamento não foi motivacional. Ele admite que era rebelde, foi reprovado 1 ano e chegou a ser expulso de alguns colégios. O pai deu o ultimato: se não queria estudar, ia trabalhar. E o trabalho era capinar lote e carregar saco de ração na roça. A frase que ficou foi a de que ali ele nunca conseguiria ter nada além daquilo. Marcão diz que hoje agradece, e brinca que no fundo pouca coisa mudou, porque ele continua carregando peso, só que agora o peso é direcionado.</p>

<h2>Ronnie Coleman era a régua errada</h2>

<p>Quando ficou grande, a própria mãe cobrou uma função para aquele tamanho, que só dava despesa. O problema é que a referência mental dele era Ronnie Coleman, e competir contra aquilo parecia impossível. Um amigo o levou para assistir ao campeonato mineiro e a régua mudou na hora. Não era contra o maior de todos que ele ia subir, era contra gente do nível dele. Vieram dieta, primeiras disputas e a virada de chave.</p>

<p>A frustração também veio. Ele perdeu um campeonato para alguém que, na avaliação dele e na de gente que estava no ginásio, estava nitidamente pior no palco. Isso o afastou do fisiculturismo e o empurrou para o powerlifting, onde a régua não admite gosto pessoal: levantou 100 kg ou não levantou. Passou 2012 e 2013 praticamente sem usar nada, comendo entre 6 mil e 8 mil calorias por dia, com 200 a 300 gramas de sucrilhos no café da manhã, e chegou a 130 kg bem roliços. Ele afirma que essa base de força é o que ainda hoje permite treinar pesado mesmo em preparação com dieta restrita.</p>

<h2>O ano de 2017 e a vaquinha da família</h2>

<p>A volta ao palco aconteceu por conveniência geográfica. A WBBF marcou o mineiro e o brasileiro em Belo Horizonte, e o sul-americano em São Paulo. Ele decidiu tentar, ganhou o mineiro, ganhou o brasileiro, fez o que chama de preparação muito boa para o sul-americano e ganhou também. A vaga do mundial na Lituânia veio junto com um gasto que ele não tinha condição de bancar. A família se juntou e fez vaquinha, uns dando 50, outros dando 200, até fechar a passagem. Marcão foi campeão mundial no amador, ganhou também a categoria no profissional e perdeu o overall para o Gleisinho, outro mineiro. O canal dele só nasceria no ano seguinte.</p>

<h2>O nome saiu de uma conversa no podcast do Cariani</h2>

<p>O canal começou em 2018 com Bruno Pina, que era o treinador dele, e emplacou rápido justamente porque quase ninguém falava de hormônio abertamente na época. Com 2 semanas de canal já eram 2 mil ou 3 mil inscritos. As gravações não eram roteirizadas, os dois chegavam na academia, olhavam um para o outro e sentavam para conversar. Quando Pina saiu por problemas pessoais, Marcão foi ao podcast do Renato Cariani e ouviu que precisava mudar o nome, porque a galera o conhecia como Marcão dos Veneno. Seguidores mandaram vinheta e arte gráfica de graça, e o canal virou isso.</p>

<p>Foi de lá que saiu o bordão. Ele resolveu gravar um material contando o protocolo completo que estava usando, o material virou meme, e a partir daí a cara dele já dispensava a legenda. O primeiro patrocínio só chegou no fim de 2018, e era pagamento em produto, sem valor nenhum: uma creatina, umas barrinhas. Depois vieram Blackstone, Landerlan e Barato Suplementos, e o canal começou a monetizar.</p>

<h2>4 semanas de Durateston a 750 mg</h2>

<p>O que vem daqui em diante é relato de uso, não recomendação. Marcão assume erros graves e um episódio de quase morte, e ele mesmo pede no meio da conversa que ninguém tente repetir o que ele fez.</p>

<p>A primeira vez foi aos 18 anos, com 1 ano e meio para 2 de musculação, a partir de uma conversa com o cara mais forte do colégio. Foram 4 semanas de Durateston, 2 ou 3 aplicações por semana, 750 mg semanais, num corpo que pesava entre 60 e 70 kg. Ele comenta que hoje sabe que a dose era desproporcional, e que na época o único colateral perceptível foi espinha. Como ainda carregava a ideia de que aquilo era droga, o padrão virou 1 ciclo curto por ano e nada no resto do tempo. Isso durou até por volta de 2011.</p>

<p>A mudança veio em 2014, com um amigo que tinha mais conhecimento e o apresentou ao blast and cruise. Desde então ele nunca mais parou. Mesmo assim, no começo, o freio era financeiro: um frasco de trembolona Landerlan de 10 mL a 75 mg custava R$ 250 e, na dose de 500 mg por semana, acabava em menos de 2 semanas. Ele usava menos do que o protocolo mandava porque não tinha dinheiro, não era patrocinado e ainda estava montando a academia. Foi só quando o negócio começou a render, entre 2015 e 2016, que ele passou a comprar de laboratório clandestino a preço menor e entrou com hormônio de crescimento.</p>

<h2>A conta somada ao vivo: 4 gramas por semana</h2>

<p>O GH mudou o raciocínio dele, na lógica de que o corpo aproveitaria melhor tudo que estivesse entrando. Foi aí que as doses subiram e ele bateu os 127 kg. No estúdio, os apresentadores pediram a conta e ele fez em voz alta.</p>

<p>Na fase final daquele ciclo eram 900 mg de testosterona por semana, 900 mg de boldenona, cerca de 500 mg de nandrolona, mais 350 mg de trembolona e 350 mg de primobolan, já que estava em off e não fazia sentido carregar na trembolona. Só isso somava aproximadamente 2.650 mg. No final entraram ainda dois orais ao mesmo tempo: 75 mg de Hemogenin por dia, em 3 comprimidos de 25 mg, e 80 mg de Dianabol por dia, em 4 de 20 mg. Arredondando para 700 mg semanais de cada, dá mais 1.400 mg. O total que ele mesmo anunciou foi de cerca de 4 gramas por semana, fora o hormônio de crescimento. Ele faz questão de dizer que isso não foi o ciclo inteiro, foi só o período final, e que o Hemogenin depois de 4 semanas já derruba o estômago a ponto de a pessoa não conseguir comer, o que transforma o recurso em tiro no pé.</p>

<p>A conta cobrou. Ele acordava com a sensação de ter acabado de correr, sentia o coração batendo na garganta, com pressão alta e retenção pesada. Gravou justamente sobre isso depois do material que virou meme. Cortou tudo, ficou só com testosterona em dose baixa e passou a fazer o cardio que vinha empurrando com a barriga. Perdeu cerca de 15 kg em 2 semanas, quase tudo água, e a pressão normalizou. O comentário dele sobre o assunto virou uma das melhores frases da conversa: quem usa 5 fármacos para controlar colateral de 3 está fazendo alguma coisa errada e deveria repensar o que está usando, em vez de tampar o sol com a peneira.</p>

<h2>A insulina foi a que quase o levou</h2>

<p>Marcão é categórico sobre a hierarquia de risco. Para ele, o que mata fisiculturista são 3 coisas: insulina, diurético em excesso e estimulante em excesso. Sobre hormônio ele argumenta que dá para errar, perceber pelo exame e consertar. Sobre insulina, a frase é que só dá para errar uma vez.</p>

<p>Ele fala isso porque errou. A ideia era provocar hipoglicemia leve, porque o estado hipoglicêmico eleva o IGF-1, e ele queria justamente esse efeito. Passou a testar até onde conseguia ficar, chegando a cronometrar quanto tempo aguentava. O problema é que comer não resolve na hora, a sensação piora antes de melhorar. Numa dessas ele tentou segurar demais. Ficou mais branco que a parede, sem força para levar o garfo à boca, e quem o socorreu foi a esposa, que estava por perto e sabia exatamente o que ele estava usando. Ela deu maltodextrina primeiro e depois comida na boca dele, até ele conseguir comer sozinho. A avaliação dele é que estava a ponto de entrar em colapso e que, sem atendimento rápido, poderia morrer ali.</p>

<p>A regra que ele tirou disso é prática e vale ser repetida: quem usa insulina precisa de rede de segurança. Alguém da casa, da academia ou do trabalho tem que saber que a pessoa usa e o que fazer se algo acontecer. Ele lembra ainda que o risco não é só o desmaio, porque quem come com pressa nesse estado pode engasgar, e cita o caso de Dallas McCarver.</p>

<p>A primeira experiência já tinha dado um susto menor. Ele aplicou 5 UI, achou que não estava acontecendo nada, aplicou mais e ainda tomou caldo de cana, que liberou insulina endógena por cima da exógena. O amigo que estava junto viu a cena: ele abriu o armário e comeu tudo, pacote de biscoito, pão, suco, fruta, frango, sem mastigar. O amigo estimou entre 3 mil e 4 mil calorias em 20 minutos. A explicação dele é que a insulina limpa a glicose do sangue, e o corpo passa a pedir açúcar em modo de sobrevivência. Daí a conclusão prática: quem usa insulina sem GH e come porcaria não fica grande, fica gordo.</p>

<p>No protocolo do momento da conversa, a dose declarada era de 15 UI no total do dia, fracionada, e não de uma vez.</p>

<h2>A tosse da trembolona e o vaso sanitário</h2>

<p>A história que ele contou no canal como sendo de um amigo era dele mesmo. Na primeira vez que usou trembolona, com anos de outros hormônios nas costas e sem ninguém ter avisado do efeito, a tosse veio antes de ele terminar de tirar a agulha do ombro. Não é só tosse: vem uma sensação de sufoco em que a respiração não fecha, e quanto mais se tosse, pior fica. Ele conta que sentou no vaso sanitário achando que ia morrer ali, e que a esposa, tentando acalmar, o desesperou mais.</p>

<p>A explicação técnica que ele dá é local. A trembolona carrega mais solvente, e basta a agulha suja passar perto de um capilar para disparar o efeito. Como cada aplicação repetida no mesmo ponto aumenta a vascularização daquela região, a chance de tosse cresce com o tempo de uso naquele local, e não na estreia.</p>

<p>O outro colateral que ele assume é a agressividade, principalmente quando a trembolona alta encontra dieta restrita de preparação. O episódio que ele narra aconteceu na própria academia. Ele avisou 2 vezes um aluno que não guardasse a anilha porque ia usar o aparelho, o aluno continuou guardando, a anilha quase caiu no pé dele, e Marcão pegou o peso e jogou de volta, quase acertando o rapaz. O aluno sumiu da academia com medo, e só voltou a falar por mensagem depois que a raiva passou. Ele reconhece que a esposa também sofreu com isso, e descreve a tensão de estar em preparação com horário de refeição contado no relógio, quando qualquer atraso vira estopim.</p>

<h2>240 kg no supino</h2>

<p>Marcão separa treinar pesado de treinar ego. Ele admite abrir mão de um pouco de técnica em favor da carga, mas diz que a consciência corporal de hoje garante que a musculatura alvo esteja trabalhando mesmo com o movimento imperfeito. Jogar peso para cima, na definição dele, é outra coisa.</p>

<p>Os números que ele lista vêm do histórico de powerlifting. O recorde pessoal de supino foi de 240 kg para uma repetição máxima, feita sozinho, e ele afirma que com ajuda chegava a 4 ou 5 repetições nessa faixa. Em campeonato recente pegou 200 kg e ficou em segundo lugar, com melhor marca de competição em 215 kg. No levantamento terra chegou perto de 300 kg, no agachamento ficou nos 200 e poucos quilos, e no desenvolvimento fez 80 kg de cada lado. A rosca Scott, que é o exercício de assinatura dele, saiu com 65 kg de cada lado. Ele deixa claro que supino sempre foi o ponto forte e que terra e agachamento eram os movimentos em que precisava forçar mais, o que ele associa ao problema de joelho que apareceu depois.</p>

<h2>O bíceps rompeu numa demonstração</h2>

<p>A lesão mais séria não aconteceu em competição de queda de braço. Ele estava ensinando o movimento para um rapaz interessado no esporte. O rapaz era forte, e quando chegou o ponto em que um atleta experiente teria parado, ele deu um tranco para finalizar. O braço de Marcão esticou e o punho girou ao mesmo tempo, e o bíceps rompeu.</p>

<p>A leitura que ele faz é honesta e vale para qualquer leitor: lesão raramente tem causa isolada. O bíceps dele já vinha de desgaste acumulado de anos de rosca com carga muito alta. Ele aproveita para defender a queda de braço, argumentando que atleta de verdade faz fortalecimento específico e que os acidentes que circulam na internet acontecem em mesa de boteco, com gente que não sabe o que está fazendo. No joelho, o aviso foi anterior à lesão: disseram que continuar treinando em cima daquela dor poderia romper o tendão, e ele segurou os treinos de perna.</p>

<h2>O protocolo declarado no dia da conversa</h2>

<p>Perguntado direto sobre o que estava usando naquele momento, sob orientação do novo preparador, ele respondeu com os números: 630 mg de enantato de testosterona, 450 mg de primobolan e 450 mg de NPP por semana, que era a primeira vez que ele usava esse éster de nandrolona e o pegou de surpresa pela velocidade de resposta. O hormônio de crescimento estava entre 4 e 6 UI, com 6 nos dias de treino e 4 nos dias sem treinar. A insulina, como já foi dito, somava 15 UI ao longo do dia. Ele mesmo comenta, no encerramento, que decepcionou quem esperava encontrar 10 gramas em cima da mesa.</p>

<p>A mudança de treinador também mudou o treino. Ele conta que fazia sempre o próprio programa, escolhendo os exercícios em que pegava mais peso, com séries básicas e descanso longo. O novo trabalho introduziu rest pause, drop set e descansos mais curtos, e a divisão passou a treinar peito e ombro 2 vezes por semana, perna 2 vezes, e costas 1. Ele diz que passou a chegar na academia sem saber o que faria, e que isso aumentou a empolgação. O objetivo declarado para 2022 era o pro card, com um off mais longo até o meio do ano e 2 competições no radar, o amador do Mister Olympia em São Paulo em setembro e o de Campinas em novembro, competindo até 102 kg. No Rio ele havia pesado 101 kg e pouco.</p>

<h2>As respostas que ele deu ao público</h2>

<p>Boa parte da conversa foi ditada pelos super chats, e algumas respostas valem mais do que o resto do material. Sobre fracionar dose, ele foi taxativo: quanto menor a oscilação hormonal, menor a chance de colateral, porque aplicação única cria pico e queda, e a maioria dos problemas aparece justamente no começo e no fim do ciclo. Sobre dose de tamoxifeno para conter início de ginecomastia, ele se recusou a dar número, argumentando que sem anamnese, sem saber a massa magra e o que a pessoa usa, qualquer resposta é tiro no escuro.</p>

<p>A um leitor que ganhou 13 kg secos com 250 mg de enantato e estava cansado, ele respondeu que ou a pessoa parou, ou precisa ajustar para cima, porque o corpo que carrega mais massa magra demanda mais. A outro, que tomava 250 mg semanais por hipogonadismo diagnosticado e queria dobrar a dose para chegar aos 90 kg, ele disse o contrário: enquanto o ganho estiver constante, não há motivo para aumentar, e não se gasta cartucho à toa. Sobre crescer natural, a posição é que existe ganho real, porém limitado, e que o limite varia de pessoa para pessoa. Sobre linha de cintura, a resposta foi dieta e cardio, no caso dele 1 hora em jejum com pelo menos 12 horas sem comer contando o sono, e o aviso de que cinta não queima gordura subcutânea.</p>

<h2>20 cachorros e uma conta de R$ 6 mil</h2>

<p>Fora do assunto treino, o que mais ocupou espaço foi a casa dele. Ele e a esposa cuidavam de 20 cachorros, 2 gatos e 1 filhote de pombo que caiu do ninho durante 15 dias seguidos de chuva em Belo Horizonte. Uma das cadelas quase morreu e deixou uma conta de R$ 6 mil, que ele cobriu rifando suplementos do patrocinador. Na pandemia, sem feira de adoção e com as doações em queda, a situação apertou. Ele fez o pedido no ar de forma bem específica: não precisa ser dinheiro, serve cobertor, panela velha, roupa em bom estado ou remédio perto do vencimento, que vai para o próprio canil ou para outros protetores da rede.</p>

<p>A comida também rendeu 2 histórias. Ele brigou numa padaria porque pediu um prato com 190 gramas de arroz e 190 de frango, disse que pagaria o que fosse cobrado, e ouviu que não dava para fazer. E deixou de comprar 15 kg de frango porcionado num açougue porque o dono se recusou a entregar mesmo com frete pago. Perguntado sobre comida fora da dieta, respondeu que prefere japonês a pizza ou hambúrguer, e que fora de campeonato o que ele quer mesmo é arroz, feijão e farofa de prato feito de boteco.</p>

<h2>Conclusão</h2>

<p>O bordão de Marcão é sobre resultado, mas a conversa inteira é sobre preço. O físico dele nasceu de um corpo de 50 kg, passou por anos de powerlifting comendo 8 mil calorias e chegou aos 127 kg com um total semanal de aproximadamente 4 gramas somado em voz alta no estúdio e um coração batendo na garganta. O que ele salva dessa história não são as doses, são os freios: cortar tudo quando a pressão subiu, não usar insulina sem alguém por perto que saiba, não aumentar dose enquanto o ganho ainda vem, e desconfiar de quem precisa de mais fármaco para segurar colateral do que para produzir efeito. A parte replicável é a mais barata de todas, que é a curiosidade de ficar 3 horas na academia perguntando, e a disposição de aprender técnica com um pedreiro que nunca leu um livro.</p>

<h2>FAQ</h2>

<h3>Qual foi o primeiro ciclo de Marcão dos Veneno?</h3>

<p>Ele relata 4 semanas de Durateston aos 18 anos, com 750 mg por semana divididas em 2 ou 3 aplicações, pesando entre 60 e 70 kg. Depois disso passou anos fazendo apenas 1 ciclo curto por ano.</p>

<h3>Qual foi a dose máxima que ele já usou?</h3>

<p>Na fase final de um ciclo, no auge dos 127 kg, ele somou ao vivo cerca de 2.650 mg semanais de injetáveis mais aproximadamente 1.400 mg de orais, chegando a cerca de 4 gramas por semana, fora o hormônio de crescimento. Ele cortou tudo quando a pressão arterial saiu do controle.</p>

<h3>O que aconteceu com ele na insulina?</h3>

<p>Ele provocava hipoglicemia de propósito atrás do efeito do IGF-1 e exagerou. Ficou sem força para levar o garfo à boca e foi socorrido pela esposa, que deu maltodextrina e depois comida na boca dele. Ele classifica o episódio como quase morte e pede que ninguém repita.</p>

<h3>Quais são as maiores cargas dele?</h3>

<p>Supino de 240 kg para uma repetição máxima, 215 kg como melhor marca de competição, levantamento terra perto de 300 kg, agachamento nos 200 e poucos quilos, desenvolvimento com 80 kg de cada lado e rosca Scott com 65 kg de cada lado.</p>

<h3>Como ele rompeu o bíceps?</h3>

<p>Demonstrando movimento de queda de braço para um aluno inexperiente, que deu um tranco quando deveria ter parado. Ele credita a lesão ao desgaste acumulado de anos de rosca com carga alta, e não ao esporte em si.</p>

<h3>Que títulos ele tem?</h3>

<p>Em 2017 venceu o mineiro, o brasileiro e o sul-americano pela WBBF, e foi campeão mundial amador na Lituânia, com a viagem bancada por uma vaquinha da família. No mesmo mundial venceu a categoria no profissional e ficou com o segundo lugar no overall.</p>

<h2>Referências</h2>

<ol>
<li>MONSTER CAST. <em>MARCÃO DOS VENENO - RESULTADO TA DANDO!</em>. 22 jan. 2022. Disponível em: <a href="https://www.youtube.com/watch?v=ihLgom7DHGw" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://www.youtube.com/watch?v=ihLgom7DHGw</a>. Acesso em: 1 ago. 2026.</li>
</ol>]]></description><guid isPermaLink="false">1089</guid><pubDate>Sat, 25 Jul 2026 21:24:00 +0000</pubDate></item><item><title>Rafael Brand&#xE3;o: ego controlado, plano claro e palco no momento certo</title><link>https://fisiculturismo.com.br/mat%C3%A9rias/gente/rafael-brand%C3%A3o-ego-controlado-plano-claro-e-palco-no-momento-certo-r1088/</link><description><![CDATA[
<p><img src="https://cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2026_08/rafael-brandao-licoes-quadro-negro-capa.webp.0bff09a3e457a9d52d990e81b6a667cc.webp" /></p>
<p>Quatro campeonatos em doze meses, uma filha nascida no meio da preparação e um oitavo lugar no Mr. Olympia que ele mesmo se recusa a comemorar. Foi assim a temporada de Rafael Brandão, e em "RAFAEL BRANDÃO - ABRINDO A CAIXA DE PANDORA", do Monster Cast, ela é destrinchada até o fundo: calendário, dieta em gramas, finalização, protocolo hormonal lido em voz alta, exames alterados, cirurgia marcada e a briga com o próprio treinador. Poucas vezes um atleta de Open desse nível expõe a operação inteira com tanta precisão.</p>

<p>O que segue é o inventário dessa temporada. Nada aqui é receita, e boa parte é matematicamente perigosa fora do contexto em que foi aplicada. A leitura útil é outra: entender o custo real da categoria mais extrema do fisiculturismo, contado por quem está entre os dez melhores do mundo nela.</p>

<h2>Quatro campeonatos em doze meses</h2>

<p>A preparação começou em novembro do ano anterior, com o off-season conduzido por Neil Hill, e nunca mais parou. Arnold Classic Ohio primeiro, depois Arnold Classic Brasil com apenas sete dias de descanso entre um palco e outro, na sequência o Mr. Olympia e, para fechar, o Romênia Pro. Um ano inteiro de preparação encadeada.</p>

<p>O saldo justifica a insistência. Top 3 no Arnold Classic Ohio, algo que nenhum brasileiro tinha feito. Bicampeonato no Arnold Classic Brasil. Oitavo lugar no Olympia, duas posições acima do ano anterior. Bicampeonato no Romênia Pro. Vale o contexto de raridade: em toda a história da Open no Mr. Olympia, só existem dois anos com um brasileiro dentro do top 10, 2022 e 2024, e os dois são dele. Antes disso foram mais de três décadas sem sequer um brasileiro classificado na categoria.</p>

<p>O calendário seguinte inverte a lógica. Depois de uma carreira inteira emendando competições, 2025 tem um alvo só, o Olympia, com preparação exclusiva pela primeira vez. O ano seguinte é que volta a ter agenda cheia, com New York Pro, California State e o Pittsburgh, que passa a ter categoria Open.</p>

<h2>O convite de Praga e a regra de dizer não</h2>

<p>A polêmica da temporada foi não subir em Praga contra Chris Bumstead. O promotor sondou várias vezes, antes mesmo do anúncio público do evento, oferecendo passagem e hotel. A resposta foi não, e a explicação é operacional antes de ser emocional: seria o quinto campeonato seguido, com uma única semana entre uma finalização e outra, e nenhum físico responde bem a isso.</p>

<p>O raciocínio vale para qualquer atleta que negocia calendário: subir a 80% ou 90% do próprio potencial contra alguém em condição plena não é uma aposta, é uma derrota agendada. O plano B, aliás, existia e era outro. Se o Romênia não garantisse a vaga, o alvo seria o Big Man na Espanha, quatro semanas depois, justamente porque esse intervalo permitiria uma semana mais folgada seguida de três semanas de finalização de verdade.</p>

<p>Há também uma regra prática de negociação que ele adotou depois de se queimar: diante de um convite fora do planejamento, dizer não primeiro. Um sim precipitado vira cobrança, e desistir depois custa relacionamento. É mais fácil converter um não em sim do que o contrário.</p>

<h2>A filha que nasceu no meio da preparação</h2>

<p>Mariana nasceu no miolo da preparação para o Olympia, e o efeito no físico foi imediato. Uma semana inteira no hospital sem dormir, com a mãe em recuperação de cesárea, seguida de outra semana em casa em estado de alerta permanente. Na primeira semana a babá foi flagrada cochilando com a recém-nascida no colo, o que basicamente encerrou qualquer chance de sono tranquilo.</p>

<p>Sem sono, o corpo não responde ao que está sendo feito. Treino em dia e dieta em dia não sustentam nada quando a recuperação não acontece, e a primeira coisa a cair é a imunidade. A resposta do treinador foi ajustar em vez de insistir: mais calorias, menos cardio, refeições livres pontuais espaçadas a cada três dias. Isso protegeu a saúde e o volume muscular, mas cobrou o preço previsível no condicionamento, e ele subiu ao palco de Las Vegas mais cheio e menos detalhado do que costuma competir.</p>

<p>Houve ainda uma escolha deliberada que atravessa a parte farmacológica. A trembolona só entrou duas semanas depois do parto, totalizando quatro ou cinco semanas de uso naquela preparação, contra o ciclo completo que ele faria normalmente. O motivo é humano e ele não disfarça: queria estar emocionalmente presente no nascimento da filha, e trembolona e sensibilidade emocional não convivem. O custo competitivo dessa decisão apareceu no palco, e mesmo assim ele a manteve.</p>

<p>Um detalhe do próprio percurso ajuda a interpretar o resultado. Ele é um atleta de reta final, cujo físico muda muito no último mês. A contrapartida é cruel: quem muda muito no último mês precisa chegar bem nesse último mês, porque a mesma alavanca que transforma um físico já afiado apenas deixa razoável um físico atrasado.</p>

<h2>O que mudou quando ele trocou de treinador</h2>

<p>A virada da carreira não foi um exercício novo nem uma droga nova. Foi comida. Trabalhando com Chris Aceto, a rotina incluía até duas horas de cardio e dias de carboidrato zerado. Com Neil Hill, o cardio caiu para trinta minutos e o piso de carboidrato passou a ser 300 g por dia, o equivalente a cerca de 1.200 g de arroz cozido. Houve dias de preparação com 1.000 g de carboidrato.</p>

<p>A desconfiança inicial foi grande, e ela é compreensível para quem passou anos associando corte a privação. Mas o físico secou comendo, e o resultado foi o pacote que ele considera o melhor da carreira, o de Ohio, com músculo cheio e condicionamento simultâneos. A diferença entre os dois métodos aparece com clareza na filosofia de finalização, tratada mais adiante.</p>

<p>Vale registrar o critério de planejamento que Neil impõe: estar pronto duas semanas antes da data do campeonato, não no dia. As duas últimas semanas viram administração e ajuste fino, não corrida contra o relógio.</p>

<h2>Tilápia, batata e um exame de fezes de R$ 3.500</h2>

<p>Depois do Olympia, com três semanas até o Romênia, o objetivo era recuperar condicionamento sem tempo hábil para nada elaborado. A estratégia foi radical e monótona: nenhuma refeição livre, ciclo de quatro dias de carboidrato baixo e três de alto, e um cardápio reduzido a aveia, ovo, tilápia, batata e uma refeição de carne vermelha.</p>

<p>A troca de frango por tilápia é o ponto técnico dessa fase. Mantendo a mesma quantidade de proteína, a substituição derruba cerca de 600 calorias diárias vindas da gordura, o que ao longo de uma semana produz um déficit relevante sem mexer em porções nem gerar fome adicional. O número exato depende do corte e da quantidade, mas a direção é real e explica por que atletas de reta final tratam peixe magro como ferramenta de condicionamento, e não como preferência gastronômica. Na Romênia não havia tilápia disponível, e a solução foi cozinhar o frango três vezes para extrair o máximo de gordura.</p>

<p>A batata também entrou no lugar do arroz na finalização, por dois motivos: deixa o físico mais denso e é mais fácil de digerir. Digestão, aliás, é o eixo escondido de toda essa história. Um exame de microbiota chamado Copromax, que exige coleta de fezes por três a quatro dias, envio do material para análise na Europa e custa cerca de R$ 3.500 sem cobertura de convênio, apontou um problema com histamina. Cortados os alimentos que faziam mal, o quadro intestinal se estabilizou e a absorção melhorou a ponto de mudar a conta do off-season: antes ele comia muito e absorvia pouco, agora come menos e aproveita mais.</p>

<h2>A finalização: o sal que não sai e a água que entra</h2>

<p>Aqui está a diferença mais concreta entre as duas escolas que ele viveu. Neil Hill não retira sódio em momento nenhum. O padrão é fixo, dez rodadas de moedor por refeição, com ajustes finos pontuais para cinco rodadas em uma ou outra refeição e retorno imediato às dez. A hiper-hidratação chegou a 10 litros, caiu para 6 litros no dia anterior e, no dia do evento, virou goles de 250 mL a cada refeição.</p>

<p>A lógica de leitura do atleta durante a finalização é simples de entender e difícil de executar. Se o carboidrato entrou e o músculo não está cheio, não é falta de glicogênio nem de sódio, porque ambos estão presentes. É falta de água. Aí se coloca água, se espera, e o músculo enche.</p>

<p>Os diuréticos entraram tarde e em dose baixa. Espironolactona a 12,5 mg pela manhã e 12,5 mg à noite, com hidroclorotiazida aparecendo apenas no dia anterior e no dia da competição. A comparação com o método anterior é direta: mudanças mais abruptas, retirada de sal, água derrubada com força e mais dias de diurético entregam pele muito colada, mas sem volume suficiente para empurrar essa pele e criar o aspecto tridimensional.</p>

<p>Há ainda a parte que ninguém filma. Restringir água resseca o intestino, e o final dele trava. Enzimas digestivas, abacaxi, glutamina e, quando necessário, supositório entram como estratégia para resolver isso antes do palco. Ele é literal ao dizer que evacuar bem na manhã da competição é um dos melhores indicadores de que o vácuo abdominal vai sair.</p>

<h2>A caixa aberta: o protocolo relatado para o Olympia</h2>

<p>Este é o trecho que dá nome ao encontro, e ele foi lido em voz alta, item por item. Antes dos números, o enquadramento honesto: trata-se do protocolo de um profissional de Open acompanhado por treinador experiente, com exames periódicos, medicação contínua de pressão e uma estrutura de suporte que praticamente ninguém que lê isto possui. Não é modelo, não é referência de dose e não deve ser copiado em nenhuma fração.</p>

<ul>
  <li>Segunda, quarta e sexta: 100 mg de propionato de testosterona, 100 mg de masteron e 100 mg de trembolona, somando 300 mg por dia de aplicação e 900 mg na semana.</li>
  <li>Terça e quinta: 250 mg de sustanon e 100 mg de primobolan.</li>
  <li>Pré-treino: 20 mg de estanozolol somados a 20 mg de um segundo oral, cujo nome não é possível identificar com segurança na fala.</li>
  <li>Mesterolona entre 45 mg e 50 mg por dia, divididos em duas tomadas.</li>
  <li>Anastrozol 1 mg em dias alternados.</li>
  <li>Hormônio de crescimento a 6 UI por dia nas semanas finais.</li>
  <li>T3 a 12,5 mcg com T4 a 50 mcg, depois ajustado para 100 mcg de T4.</li>
  <li>Nas duas últimas semanas, sustanon e primobolan saem e propionato, masteron e trembolona sobem de 100 mg para 150 mg cada.</li>
</ul>

<p>O total semanal foi estimado por ele mesmo em torno de 2 g, contando os orais. O primeiro ciclo da carreira, para efeito de contraste, foram 10 ampolas de durateston e 30 mL de estanozolol distribuídos em cerca de cinco semanas, com duas aplicações de durateston por semana.</p>

<p>Um detalhe operacional atravessa tudo isso e é o mais transferível para qualquer pessoa que use qualquer coisa injetável: volume por ponto de aplicação. Três mililitros em um único ponto inflamam, e a solução adotada é distribuir 1 mL por ponto, o que multiplica o número de aplicações no dia. Vale lembrar que 1 cc equivale a 1 mL, e que volume não é dose — a quantidade em miligramas depende inteiramente da concentração declarada de cada produto.</p>

<p>A qualidade do insumo aparece como o problema central no Brasil, e não a dose. Ele trocou de marca várias vezes durante a preparação do Olympia, e os exames de testosterona oscilavam para cima e para baixo sem explicação, o que inviabiliza qualquer leitura séria do que está funcionando. O único produto de comportamento previsível era o de farmácia. Uma marca específica inflamava o ponto de aplicação a ponto de exigir dexametasona junto.</p>

<h2>Por que ele usa menos hormônio de crescimento do que se imagina</h2>

<p>A parte mais contraintuitiva da conversa é a dose de GH. 6 UI por dia nas semanas finais, com 12 UI divididas em duas tomadas como teto histórico recente. E não é falta de acesso: ele comprou vinte canetas para a preparação.</p>

<p>A justificativa é fisiológica e vale mais que o número. Ele já usou 16, 18, 20, 25, 30 e até 36 UI em outras fases da carreira. Em preparação, com déficit calórico instalado e hormônio tireoidiano em uso, a dose alta "puxa" demais e o atleta definha em vez de encher. O mesmo raciocínio explica a moderação com T3: com Aceto chegou a usar 75 mcg e o resultado era um físico impossível de preencher, preso num vaivém de esvaziar e encher que atrapalha a finalização. Os 12,5 mcg atuais são calibrados por exame, mirando o limite superior da faixa natural, e não acima dela.</p>

<p>Marca também importa por causa de retenção. Saizen retinha menos, Hormotrop retém mais, e uma apresentação de 30 UI que ele testou retém bastante e sobe a pressão. Como já há retenção vinda da dieta e dos demais hormônios, o GH que retém menos é preferível. E existe um relato antigo que serve de alerta sobre excesso: numa fase em que tomava uma caixa inteira de GH por dia, comprada muito barata, ele perdeu força de preensão e derrubou dois copos seguidos numa padaria, sem conseguir fechar a mão. A dose foi reduzida.</p>

<p>Sobre IGF-1, a avaliação é morna e comercialmente inconveniente: usou até uma semana antes e depois no carb-up, mas considera que a diferença aparece na primeira tomada e não sustenta o custo de uma preparação inteira. Clembuterol foi usado com cetotifeno na preparação do Olympia, pouco na do Romênia, e a retirada foi feita sem nenhum manipulado para conter rebote.</p>

<h2>A conta que aparece nos exames</h2>

<p>O preço não é abstrato e ele não o esconde. O HDL está zerado. A pressão arterial já era naturalmente mais alta antes de qualquer hormônio, e por isso ele usa medicação anti-hipertensiva de forma contínua e preventiva, com a justificativa correta de que pressão alta é silenciosa e vai danificando órgãos sem sintoma até o dia em que o estrago está feito. Depois de um ano ininterrupto de preparação, a avaliação sobre o fígado é resignada, na linha de que só houve ataque e nenhuma defesa.</p>

<p>Há também limites individuais que ele respeita. Oximetolona é intolerável para ele, com impacto claro no fígado e no estômago, e nem a versão sublingual passou de quatro ou cinco dias seguidos. Cipionato nunca entrou na rotina, que se resume a durateston, propionato e enantato.</p>

<p>É justamente por isso que a fase de recuperação existe. Doze semanas com testosterona em 500 mg por semana e nada além, treinando quatro vezes por semana, com o objetivo declarado de recuperar articulações e órgãos. Não é fase de ganho, é fase de manutenção, com dieta em torno de 500 g de carboidrato e 350 g de proteína para segurar o peso em cerca de 125 kg antes de abrir o off-season.</p>

<p>Sobre o off, a meta mudou de natureza. No anterior ele bateu 136 kg, mas não sustentou o número, oscilando para baixo no dia seguinte. O objetivo agora é manter acima de 130 kg por uns três meses para consolidar massa de verdade, e ele já descarta a corrida por 140 kg por não enxergar vantagem.</p>

<p>Fecha o quadro clínico uma cirurgia marcada para 10 de janeiro. A primeira intervenção no septo falhou, a cartilagem enxertada não aderiu e hoje as duas narinas fecham, com o osso restringindo o fluxo de ar. A reconstrução exige quebrar e reestruturar, com cerca de dez dias de recuperação, e ainda depende de um tratamento prévio para afinar a pele do nariz, que não aderiu ao osso e vive inchando. O motivo declarado é performance pura: ele respira pela boca, acorda com a garganta seca e não conseguiu sustentar o vácuo abdominal no palco do Olympia porque, ao puxar o ar com força, a passagem fecha.</p>

<h2>O treino, e a crítica que não colou</h2>

<p>A estrutura de trabalho tem três camadas. Neil Hill orienta à distância e aprova tudo, Jorlan Vieira puxa os treinos e escolhe parte dos exercícios, e Rodrigão executa o apoio na academia. As orientações do treinador para aquela fase foram específicas: mais pico de contração, mais drop-set e mais intensidade dentro da série.</p>

<p>Isso responde à crítica que viralizou, de que ele chegava à academia sem saber o que ia treinar e portanto não poderia ser profissional. Os exercícios já eram os mesmos de sempre, a orientação vinha de fora e a conversa na chegada decidia variação, não estrutura. A comparação que ele faz com a própria história é ainda mais desconfortável para a plateia da periodização: a fase em que mais evoluiu foi treinando com Flex Wheeler, em séries de trinta repetições ou mais, sem nenhuma periodização formal, com Neil Hill supervisionando e pedindo ainda mais repetição.</p>

<p>A divisão da fase de recuperação tem quatro dias. Segunda com peito e tríceps, terça com perna completa, quarta de descanso, quinta com costas e bíceps, sexta com ombro, fim de semana livre. E há um achado prático relevante para quem tem braço estagnado: enquanto treinava braço em dia isolado, ele patinava. Quando bíceps passou a acompanhar costas e tríceps passou a acompanhar peito, o braço voltou a crescer. A explicação é de gestão de volume, já que o braço trabalha praticamente todos os dias como músculo auxiliar em stiff, remada, puxada e supino.</p>

<p>No ombro, a ordem é deliberada: começa sempre com dois exercícios de lateral, porque a porção lateral responde pela largura, depois um ou dois de frontal e um ou dois de posterior. Ele evita insistir na porção anterior porque o treino de peito já a ativa bastante, e valoriza a posterior pelo desenho que ela dá ao ombro visto de lado. Panturrilha é treinada três vezes por semana, alternando em pé e sentado, com uma semana enfatizando carga e outra enfatizando alongamento.</p>

<p>Para aprofundar cortes na perna na reta final, o recurso preferido é pico de contração na cadeira extensora, com sustentação real na contração, além de séries em escada e mais repetições, com a ressalva de que escada em excesso pode consumir musculatura. E existe uma hérnia lombar no meio disso, que ele aprendeu a contornar: com o movimento certo e aquecimento prévio, treina como se não existisse, e um episódio de recusa a pegar carga sem aquecer virou até briga pública com terceiros que assistiram à cena pela metade.</p>

<h2>Doze mãos de tinta</h2>

<p>Um dos trechos mais úteis e menos glamourosos é o protocolo de pintura, que ele trata como fator decisivo e não como detalhe cosmético. Tinta errada esconde detalhe e apaga quatro ou cinco meses de preparação.</p>

<p>A sequência começa com preparação de pele dois dias antes. Não é preciso esfoliação agressiva, e um banho com detergente já remove a gordura da pele, que é o que realmente importa. Estar desidratado ajuda, porque a pele puxa a tinta para dentro e ela deixa de sair. A mistura usada combinou dois produtos de competição com dois de base, mais um de espuma para o acabamento escuro.</p>

<p>A aplicação foi feita com esponja bem encharcada, esfregando e espalhando, com cerca de trinta minutos de intervalo entre as mãos, na sexta à noite, no sábado e no domingo de manhã. No total, entre dez e doze mãos. O detalhe que faz a diferença é o banho entre as sessões: ele lava e tira o excesso antes de aplicar de novo, porque o objetivo é que a camada final seja fina. Tinta grossa escorre com o suor no palco.</p>

<p>Joelhos e cotovelos ficam propositalmente sem tinta até a última demão do domingo, porque essas regiões absorvem muito mais pigmento e escurecem demais sob a luz. Nas fotos do pré-julgamento a diferença é visível, e rendeu piada de que ele teria sido pintado de quatro.</p>

<h2>O que separa a Open de todo o resto</h2>

<p>Um dos pontos que ele mais faz questão de martelar é que a Open não é uma versão maior das outras categorias, é outro esporte. A diferença não é ganhar 10 kg, é uma escala inteiramente diferente de genética, alimentação e substância. E existe um agravante estrutural: nas categorias com limite de peso há um parâmetro, na Open não há nenhum. Aparece um atleta com 140 kg secos no palco e a régua muda no mesmo dia.</p>

<p>Sobre a leitura de resultado, ele oferece um argumento que costuma passar despercebido. Perdeu para dois campeões do Olympia naquele palco. Posição não está sob controle do atleta, porque depende de quem mais chegou bem e de julgamento subjetivo. O que está sob controle é a evolução, e é isso que ele anota. Existe um diário de finalização onde tudo que funcionou e tudo que falhou é registrado para a temporada seguinte, e ele questiona o próprio resultado justamente para achar o erro, não para se consolar.</p>

<p>A régua de tempo também merece atenção de quem tem pressa. Samson Dauda ganhou o primeiro Olympia aos 38 anos. Shawn Rhoden ganhou aos 43. Os campeões precoces são a exceção, não a regra. E existe um enquadramento que ele usa contra quem menospreza a colocação: qual médico, nutricionista ou piloto brasileiro é o oitavo melhor do mundo na própria profissão?</p>

<h2>Coach, energia e o custo invisível da equipe</h2>

<p>Neil Hill é descrito como metódico ao extremo. Foto às 8 horas significa 8 horas, não 8h01, e ao longo do dia chegam áudios cobrando quantos litros de água já foram bebidos. É desgastante, e ele admite que teve dias de não querer responder o treinador. Mas a lógica é coerente: o nome de quem prepara vai junto no palco.</p>

<p>Esse nível de atenção impõe um limite matemático ao tamanho da lista de atletas. Ele viu o treinador administrando quatro ou cinco atletas e já achou difícil. Um coach com quinze atletas de ponta numa mesma Olympia inevitavelmente deixa alguém para trás. Serve de critério para quem escolhe profissional: portfólio grande não significa atenção disponível, e nome famoso não substitui presença na reta final. Um caso concreto ilustra a exigência, com Felipe Franco perdendo a parceria por não enviar os registros diários de dois minutos que o método exige.</p>

<p>Mas a passagem mais dura é sobre o treinador anterior, Pinduca. A evolução técnica foi real e ele faz questão de dizer que o conhecimento do outro é enorme. O problema foi energético. Manter aquela parceria funcionando exigia sustentar emocionalmente o próprio treinador, a ponto de custear terapia para ele. Havia ainda um problema de comunicação que corroía a credibilidade do trabalho: um profissional que fala o tempo todo de si mesmo, transformando cada orientação em anedota pessoal, perde autoridade sobre o que está prescrevendo.</p>

<p>A conclusão que ele tira é aplicável muito além do fisiculturismo. Em fase de esforço máximo, a pessoa não pode ser a única do grupo puxando todo mundo para cima. É preciso ter ao lado alguém disponível para puxá-la quando ela cair.</p>

<h2>Conclusão</h2>

<p>A caixa aberta mostra que quase nada ali é segredo farmacológico. O protocolo, nas palavras dele, é arroz com feijão, e o que os atletas de ponta usam varia menos do que a internet imagina. O que decide é a soma de coisas menos vendáveis: acertar a comida, resolver o problema digestivo que estava sabotando a absorção, dormir, calibrar a finalização com sal presente e água manejada, distribuir o volume das aplicações, medir pressão, tratar o septo que impede o vácuo e registrar por escrito o que funcionou.</p>

<p>Vale o aviso, e ele não é decorativo. As doses relatadas aqui pertencem a um atleta profissional de Open com acompanhamento, exames e décadas de adaptação, e mesmo nesse cenário aparecem HDL zerado, pressão controlada por medicação contínua e um fígado que ele mesmo descreve como no limite. Fora desse contexto, esses números produzem dano cardiovascular, hepático e endócrino com muito mais facilidade do que produzem físico. Qualquer decisão envolvendo hormônios exige avaliação, exames e acompanhamento de profissional habilitado.</p>

<h2>FAQ</h2>

<h3>Quantos campeonatos ele fez na temporada e com que resultado?</h3>
<p>Quatro, com um ano inteiro de preparação encadeada. Top 3 no Arnold Classic Ohio, bicampeonato no Arnold Classic Brasil, oitavo lugar no Mr. Olympia e bicampeonato no Romênia Pro. Recusou um quinto palco em Praga por entender que não conseguiria subir em condição plena.</p>

<h3>Quanto carboidrato ele come em preparação?</h3>
<p>O piso é 300 g por dia, o equivalente a cerca de 1.200 g de arroz cozido, com dias chegando a 1.000 g de carboidrato. O cardio ficou em trinta minutos. É o oposto da estratégia anterior, que combinava até duas horas de cardio com dias de carboidrato zerado.</p>

<h3>Por que ele usa apenas 6 UI de hormônio de crescimento?</h3>
<p>Por experiência própria com doses de 16 a 36 UI em outras fases. Em preparação, com déficit calórico e hormônio tireoidiano em uso, a dose alta consome o atleta e impede o preenchimento muscular. A escolha da marca também pesa, porque as que retêm mais líquido somam retenção à que já vem da dieta e sobem a pressão.</p>

<h3>O que ele faz de diferente na finalização?</h3>
<p>Não retira sódio em momento algum, mantendo um padrão fixo por refeição. Faz hiper-hidratação chegando a 10 litros, reduz para 6 litros no dia anterior e passa a beber 250 mL por refeição no dia. Os diuréticos entram tarde e em dose baixa, com a tiazida aparecendo só no último dia.</p>

<h3>Qual foi o problema de saúde que mudou os resultados dele?</h3>
<p>Uma alteração intestinal ligada a histamina, identificada por um exame de microbiota que exige dias de coleta e análise no exterior, com custo em torno de R$ 3.500. Depois de cortar os alimentos envolvidos, a absorção melhorou a ponto de ele passar a comer menos e aproveitar mais.</p>

<h3>Como é feita a pintura de palco?</h3>
<p>Entre dez e doze mãos aplicadas da sexta ao domingo, com cerca de trinta minutos entre elas, sobre pele desengordurada com detergente dois dias antes. Entre as sessões ele toma banho para tirar o excesso, porque camada grossa escorre com o suor. Joelhos e cotovelos só recebem tinta na última demão, já que absorvem pigmento demais.</p>

<h2>Referências</h2>
<ol>
  <li>MONSTER CAST. RAFAEL BRANDÃO - ABRINDO A CAIXA DE PANDORA. YouTube, 22 nov. 2024. Disponível em: <a href="https://www.youtube.com/live/tkxxrvZQSlY" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://www.youtube.com/live/tkxxrvZQSlY</a>. Acesso em: 31 jul. 2026.</li>
</ol>]]></description><guid isPermaLink="false">1088</guid><pubDate>Sat, 25 Jul 2026 21:10:00 +0000</pubDate></item><item><title>Daniel Montalv&#xE3;o: 35 anos de fisiculturismo e a quebra do dogma do carboidrato</title><link>https://fisiculturismo.com.br/mat%C3%A9rias/gente/daniel-montalv%C3%A3o-35-anos-de-fisiculturismo-e-a-quebra-do-dogma-do-carboidrato-r1085/</link><description><![CDATA[
<p><img src="https://cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2026_08/daniel-montalvao-churrascaria-capa.webp.b730990273941be11f517bc7dbeee019.webp" /></p>
<p>Na entrevista "Depois de 35 anos no fisiculturismo, descobri que NÃO precisava de carboidrato para ganhar músculos", do Modo Primal Podcast, Daniel Montalvão coloca em discussão uma das crenças mais resistentes da musculação: a ideia de que carboidrato alto, muitas refeições, marmita o dia inteiro e carga agressiva de comida são obrigatórios para construir ou manter um físico competitivo.</p>

<p>A história é interessante porque não vem de alguém olhando o fisiculturismo de fora. Vem de um atleta, treinador e promotor de evento que começou a competir em 1991, passou por décadas de frango, batata, off-season, pré-contest, finalizações e estratégias tradicionais, e só depois de muito tempo resolveu testar outro caminho.</p>

<h2>O dogma começa cedo</h2>

<p>A primeira preparação de Daniel, aos 18 anos, seguiu a cartilha rudimentar da época: frango cozido sem sal e batata inglesa cozida sem sal. A batata-doce era vista com desconfiança porque era "doce". Esse detalhe parece quase engraçado hoje, mas mostra como o fisiculturismo sempre misturou disciplina extrema com certezas frágeis.</p>

<p>Ele subiu naquele primeiro palco em 1991, quando praticamente não havia informação disponível fora da academia. Treinava desde os 13 anos e já tinha absorvido de um instrutor sem formação formal, mas com boa experiência prática, a orientação de não exagerar na carga e priorizar contração e conexão mental com o músculo. Hoje, aos 53 anos, ele descreve o fisiculturista como alguém de resiliência fora do comum: se disserem que é preciso comer pedra com farinha para chegar na condição, ele come.</p>

<p>Com o tempo, a estratégia foi ficando mais sofisticada, mas a lógica continuou parecida. Para ganhar volume, comia-se muito. Para definir, cortava-se muito. Entre uma fase e outra, entravam peso corporal alto, retenção, muitas refeições por dia, marmitas, horários rígidos e a crença de que o carboidrato era o centro do processo.</p>

<p>No auge do off-season, ele chegou a fazer 8 refeições por dia para atingir o peso máximo antes do pré-contest. Nos últimos 10 anos, o padrão dele já tinha caído para 4 refeições diárias, e mesmo assim o preço aparecia na rotina: dirigindo o motorhome em que mora com a esposa, bastava uma hora ao volante depois de comer para bater o sono e precisar parar.</p>

<p>O ponto de virada não é negar que isso funciona. Funciona. Atletas cresceram, secaram e venceram campeonatos usando carboidrato. A pergunta mais útil é outra: quanto desse sofrimento é realmente necessário?</p>

<h2>Funcionar não significa ser obrigatório</h2>

<p>Uma das ideias mais fortes da trajetória de Daniel é separar resultado de necessidade. Um método pode produzir shape e, mesmo assim, ser trabalhoso demais, arriscado demais ou simplesmente desnecessário para certo atleta.</p>

<p>Comer oito vezes por dia pode funcionar para alguém que precisa bater calorias e tolera bem a rotina. Mas isso não transforma oito refeições em regra biológica. Fazer uma carga de carboidratos antes do palco pode melhorar volume em determinados contextos. Mas isso não significa que todo atleta precise se esvaziar, se encher e aceitar uma gangorra corporal agressiva como preço obrigatório.</p>

<p>O que o incomodava não era o esforço, e sim a interrupção. Parar o atendimento a um cliente 8 vezes ao dia para comer, carregar marmita e planejar a próxima refeição antes de terminar a atual custa tempo de trabalho. Ele reconhece que continua vendo atletas fazendo exatamente isso e admite a dificuldade de discutir o assunto: o método também entrega resultado, e por isso quase ninguém aceita chamá-lo de desnecessário.</p>

<p>Essa distinção muda o raciocínio. A pergunta deixa de ser "carboidrato presta ou não presta?" e vira "para quem, em que fase, com qual objetivo, com qual saúde metabólica e com qual custo?"</p>

<h2>A experiência carnívora entrou como teste</h2>

<p>Daniel não começou direto com uma dieta carnívora estrita. Primeiro retirou grãos, arroz, feijão e farináceos. Manteve carnes, ovos, legumes, frutas e whey protein. Depois percebeu que continuava com fome, vontade de doce e necessidade psicológica de alguns alimentos.</p>

<p>Essa primeira fase começou em janeiro de 2026 e foi tratada como adaptação. O whey era o vício mais antigo da lista: ele passou mais de 30 anos sem ficar um único dia sem tomar, batido à tarde com leite, fruta e pasta de amendoim, e ainda por cima tinha loja de suplemento, ou seja, acesso ilimitado. Nem essa retirada resolveu a fome, e foi aí que ele concluiu que precisava cortar também os carboidratos considerados bons, raízes e frutas incluídas, para interromper de vez a entrada frequente de glicose.</p>

<p>Não era a primeira tentativa. Em 2016, quando disputou o campeonato mundial master acima de 40 anos realizado no Brasil, um treinador holandês já tinha levado ele para uma dieta cetogênica, com reposição de carboidrato a cada 3 ou 4 dias. Funcionou, mas gerou compulsividade: ele comia até quase passar mal no dia da reposição e acordava no dia seguinte querendo repetir. O gatilho para tentar de novo, uma década depois, foi assistir a uma entrevista do triatleta brasileiro Alessandro Medeiros, que aos 64 anos completa provas após 72 horas de jejum comendo apenas carne, água, gordura e sal.</p>

<p>O passo seguinte foi mais radical. Saíram frutas, raízes, whey, leite, laticínios, adoçantes, refrigerante zero, goma, gelatina, creatina e BCAA. Ficaram basicamente carne, ovos, gordura, água e sal, com algumas exceções pontuais como coco e castanhas. A ideia era observar o corpo sem ruído alimentar, sem sabor doce recorrente e sem entrada frequente de glicose.</p>

<p>A fase estrita começou em 28 de abril de 2026, por sugestão da esposa, Patrícia, com meta de 100 dias. Na data da entrevista corriam cerca de 70 dias sem nenhuma exceção. As únicas gorduras não animais admitidas foram a massa do coco e castanhas de caju e do Pará. A creatina saiu mesmo com patrocínio de uma farmácia de manipulação, pelo argumento de que ele já come no mínimo 1 kg de carne por dia, fonte natural do composto, e queria sentir o efeito sem ela. Ele também descreve ter inserido bastante gordura de propósito, vencendo a própria aritmética calórica que assombra fisiculturista: 1 g de gordura tem 9 calorias contra 4 calorias de 1 g de carboidrato, e chegar a 70% das calorias vindas de gordura parecia garantia de engordar.</p>

<p>Esse tipo de teste exige uma observação importante. Dieta carnívora não é atalho recreativo, nem fantasia de internet para copiar de segunda-feira. É uma estratégia restritiva. Pode funcionar para algumas pessoas, mas exige adaptação, atenção a sintomas, eletrólitos, exames, histórico clínico e acompanhamento quando houver doença, uso de medicamentos ou risco metabólico.</p>

<h2>Carboidrato não é essencial no mesmo sentido que proteína</h2>

<p>A frase "não precisava de carboidrato para ganhar músculos" incomoda porque bate de frente com décadas de cultura marombeira. Mas ela precisa ser entendida com precisão. O corpo precisa de energia. Também precisa de aminoácidos, treino resistido, recuperação e sinalização adequada para construir tecido muscular. O carboidrato pode ajudar muito no desempenho e na adesão, mas não ocupa o mesmo lugar fisiológico da proteína.</p>

<p>A posição da International Society of Sports Nutrition sobre proteína e exercício reforça a importância de ingestão proteica adequada para adaptação ao treino, hipertrofia e recuperação. Já a posição da mesma sociedade sobre dietas cetogênicas mostra que estratégias muito baixas em carboidrato podem ser usadas em alguns cenários, especialmente quando há controle energético e boa ingestão de proteína, mas não devem ser vendidas como superiores para todo objetivo esportivo.</p>

<p>Em outras palavras: carboidrato pode ser ferramenta. Não precisa virar religião. Para alguns treinos, atletas e fases, ele ajuda desempenho, volume de treino, prazer alimentar e recuperação. Para outros, reduzir carboidrato melhora saciedade, controle de fome, estabilidade de energia e facilidade de manter dieta. O erro é transformar uma ferramenta em mandamento universal.</p>

<h2>O corpo precisa passar pela adaptação</h2>

<p>A retirada brusca de carboidrato costuma cobrar preço nos primeiros dias. Dor de cabeça, queda de rendimento, irritação, fome psicológica, vontade de doce e sensação de fraqueza podem aparecer. Muitas vezes, parte do problema não é ausência mágica de carboidrato, mas adaptação incompleta, sódio baixo, hidratação mal conduzida, gordura insuficiente ou expectativa errada.</p>

<p>A experiência de Daniel destaca um ponto que muitos praticantes ignoram: não basta cortar arroz e batata. Se a pessoa tira carboidrato, mantém medo de gordura, restringe sal e continua tentando treinar como antes, a chance de se sentir destruída aumenta. Uma dieta muito baixa em carboidrato depende de outra lógica energética.</p>

<p>Ele fala disso comparando as duas próprias tentativas. Em 2016 sentiu perda de força, e atribui isso à falta de gordura e de minerais, não à ausência de carboidrato. Existe registro daquela fase: numa entrevista gravada no mundial, o rosto dele parecia, nas palavras dele, uma caveira, porque tinha zerado carboidrato sem repor sal nem gordura. Na tentativa atual, relata o oposto, aumento de força e recuperação mais rápida. O intervalo entre treinos do mesmo grupo caiu de cerca de 4 dias para 2. A rotina virou 1 hora de musculação mais cardíaco diário, e ele descreve fazer hoje puxador e desenvolvimento por trás, exercícios que evitava havia mais de 10 anos por dor.</p>

<p>As dores articulares, aliás, foram um dos motivos da busca. Uma lesão no ombro direito apareceu na ressonância com indicação cirúrgica e o obrigou a 3 meses sem treinar, a primeira parada em mais de 3 décadas, com quadril e joelho doendo junto. Ele também usa hidrogênio molecular, que ajudou sem resolver. E faz a ressalva honesta: começou a desinflamar em janeiro, são poucos meses contra mais de 5 décadas de inflamação, então não está 100%.</p>

<p>Por isso, o teste sério não é "fiquei três dias sem carboidrato e não gostei". O teste sério envolve tempo, ajuste de eletrólitos, ingestão suficiente de proteína e gordura, treino compatível, sono e avaliação honesta de sinais corporais.</p>

<h2>Menos refeições pode significar mais liberdade</h2>

<p>Um dos ganhos práticos mais relevantes foi sair da prisão das refeições constantes. Para quem já viveu carregando marmita, parando trabalho para comer, pesando alimento o dia inteiro e pensando na próxima refeição antes de terminar a atual, a saciedade muda tudo.</p>

<p>Quando a dieta deixa de gerar fome repetida, a vida fica mais simples. Uma ou duas refeições podem ser suficientes para algumas pessoas. Viagem, trabalho, rotina em motorhome, mercado e preparação de comida deixam de ser uma operação diária tão pesada.</p>

<p>No caso dele isso virou número. O casal tem residência fixa em São José do Rio Preto, sede do evento que promove, mas roda o país em um microônibus adaptado, sem espaço para estocar comida. A compra passou a ser açougue, limão e produto de limpeza, no máximo R$ 200 a cada 3 dias. Ele contesta a ideia de que dieta carnívora é cara e diz que, na ponta do lápis, sai mais barata do que a rotina anterior, mesmo comprando cortes como contrafilé.</p>

<p>A estabilidade de peso é o dado que mais impressiona ele. Ectomorfo, quando comia carboidrato bastava uma noite mal dormida ou uma refeição pulada para o peso cair 2 kg. Agora relata passar 24 horas em jejum sem mudança de peso, energia, força ou densidade. Do lado digestivo, descreve ficar de domingo a quarta-feira sem evacuar, comendo bastante gordura, e sem ressecamento quando acontece.</p>

<p>Isso não quer dizer que todo fisiculturista deva comer poucas vezes. Algumas pessoas rendem melhor com mais refeições. Outras precisam distribuir proteína. Outras têm desconforto digestivo com refeições grandes. A lição é que frequência alimentar deve servir ao corpo e à rotina, não ao medo de "catabolizar" a cada três horas.</p>

<h2>A finalização é onde muita gente se machuca</h2>

<p>A parte mais séria da história não é o carboidrato em si. É a cultura de levar o corpo ao limite para parecer melhor por algumas horas. Super-hidratação, retirada agressiva de água, restrição de sal, diuréticos, termogênicos e aceleradores metabólicos podem transformar uma preparação em risco real.</p>

<p>Ele descreve o protocolo clássico com detalhe. A super-hidratação começava no domingo anterior ao sábado de competição, com até 10 L de água por dia, para depois ir cortando. Nos 3 dias finais, os atletas comem tilápia e peito de frango com muita água e nada de sal. Cerca de 24 horas antes de subir ao palco entra a carga de carboidrato, e aí vale tudo: bala, sorvete, arroz branco, uva. O problema, segundo ele, é que nenhum manual de finalização mandava aumentar o sal, porque o meio associa sal a pressão alta e retenção. Resultado: o atleta bebe muito, elimina muito e perde minerais junto, chegando fraco.</p>

<p>Na preparação atual ele passou a beber água normal com sal e comia torresmo e panceta na semana da competição. E é categórico sobre o que de fato mata no esporte: para quem olha de fora, a culpa é da testosterona, mas o risco maior está nos diuréticos usados na reta final, nos termogênicos e nos aceleradores metabólicos.</p>

<p>Daniel defende que, ao não passar por um ciclo extremo de carboidrato, água e sal, conseguiu chegar mais seco sem precisar da mesma agressividade de finalização. Essa experiência individual não prova que todos terão o mesmo resultado, mas aponta uma reflexão importante: quanto mais instável é a preparação, maior a tentação de corrigir tudo no fim com medidas perigosas.</p>

<p>O raciocínio dele é simples: não precisa encher porque não esvaziou. Como não retirou gordura nem manipulou água, diz ter secado mantendo densidade e não vê sentido em comer carboidrato para inchar uma barriga que precisa estar chapada. Sem água retida no subcutâneo, também não precisaria de diurético nem correria risco de cãibra no palco.</p>

<p>O contraste com o passado é o que dá peso ao argumento. Depois de competir, o ritual antigo era pizza e sorvete na mesma noite, e na terça-feira seguinte ele estava com 10 kg a mais de água. No Campeonato Brasileiro de 2012, em Natal, comeu tanto e hidratou tão pouco que, sentado na praia no dia seguinte, olhou para o próprio pé e o encontrou inchado.</p>

<p>O fisiculturismo competitivo já é uma prática de alto desgaste. Quanto mais a preparação depende de desidratar, manipular eletrólitos e usar recursos farmacológicos de última hora, maior deve ser o cuidado. Saúde não pode ser tratada como detalhe depois que o troféu passa.</p>

<h2>Menos esteroide também entra na conta</h2>

<p>Outro ponto forte é a ideia de "menos é mais". Daniel diferencia uso competitivo de hormônios e otimização hormonal, reconhece que já usou mais do que precisava no passado e afirma que hoje usa muito menos do que em fases antigas.</p>

<p>Ele quantifica: usa hoje cerca de 1 quarto do que usava na melhor fase competitiva, e pretende manter testosterona em regime de otimização pelo resto da vida, o mesmo que o pai, de 85 anos, faz. A crítica dele à conduta médica corrente é direta: considera que um homem com testosterona total abaixo de 600 está mal e cita o caso comum do rapaz de 30 anos que faz checkup, aparece com 350 e ouve que está normal.</p>

<p>O contraponto interessante vem de um atleta que ele prepara sem nenhuma substância, João Regini, que compete em categoria natural com exame antidoping e faz preparação carnívora. Segundo Daniel, a testosterona do rapaz subiu sem uso de nada, e os exames vieram com colesterol total acima de 700, LDL acima de 400, HDL 101, triglicerídeos abaixo de 100, insulina 5 e hemoglobina glicada 5,1, com ferritina baixa. Ele mesmo reconhece o problema prático disso: levado a um consultório comum, esse exame recebe estatina imediata. Vale registrar que colesterol total e LDL nessa faixa não são achado banal, e a interpretação de que "está tudo redondo" é dele, não um consenso, o que reforça a necessidade de acompanhamento médico de verdade em quem adota a estratégia.</p>

<p>Esse trecho é importante porque desmonta uma fantasia comum. Não existe dieta capaz de tornar esteroides irrelevantes para quem está no fisiculturismo competitivo hormonizado. Também não existe hormônio capaz de corrigir dieta ruim, sono ruim, compulsão alimentar e preparação mal planejada sem custo.</p>

<p>O raciocínio mais maduro é integrar as variáveis. Se alimentação, saciedade, treino, recuperação, exames e rotina melhoram, talvez a pessoa dependa menos de extremos. Isso vale para comida, para cardio, para manipulação de água e para farmacologia.</p>

<p>Essa preocupação aparece também no evento que ele promove com a esposa, o Montalvão Classic, que chegou à oitava edição em 2025 com 84 categorias. Foi o segundo campeonato do país a adotar categorias naturais com exame antidoping, tem categoria teen a partir dos 15 anos e apresentação infantil sem competição. Patrícia é explícita sobre o motivo: eles já pensaram em desistir de organizar, porque fica difícil ver sair dali atleta que adoece, desenvolve compulsão ou depressão, e pior ainda quando o esporte mata.</p>

<h2>Experiência pessoal não é diretriz para todo mundo</h2>

<p>A trajetória de Daniel tem força justamente por ser uma experiência longa, vivida no corpo e dentro do esporte. Mas experiência pessoal não substitui ciência, nem consulta, nem individualização. Ela serve como provocação inteligente contra dogmas.</p>

<p>Ele próprio resume o limite numa frase que criou: a dieta carnívora é para todos, mas nem todos são para ela. E reconhece o próprio vício em questionar consenso, dizendo que quando vê todo mundo fazendo a mesma coisa desconfia. É uma postura útil para furar dogma e perigosa quando vira regra, porque a mesma lógica que derruba a obrigatoriedade do carboidrato pode ser usada para descartar orientação médica pertinente.</p>

<p>Meta-análise publicada em 2024 sobre dieta cetogênica e desempenho de força em homens e mulheres treinados sugere que dietas cetogênicas não necessariamente prejudicam força quando bem conduzidas, embora as respostas dependam do contexto. A posição da ISSN sobre dietas cetogênicas também reforça que os efeitos variam conforme adesão, proteína, calorias, modalidade e período de adaptação.</p>

<p>Então a conclusão honesta não é "todo fisiculturista deve virar carnívoro". A conclusão é melhor: carboidrato não é um passaporte obrigatório para hipertrofia, e muitas práticas tradicionais do fisiculturismo merecem ser questionadas.</p>

<h2>O papel da mente</h2>

<p>A mudança alimentar também aparece como mudança mental. Cortar doces, whey saborizado, refrigerante zero, gelatina, goma e outros estímulos palatáveis não mexe só com glicose. Mexe com hábito, recompensa, ansiedade, socialização e identidade.</p>

<p>Por isso, a frase "tudo começa na mente" faz sentido nesse contexto. Muita gente já sabe o básico: comer melhor, treinar, dormir, reduzir exageros, organizar rotina. O problema é sustentar. Uma estratégia alimentar só vira estilo de vida quando deixa de depender de motivação diária e passa a fazer sentido para a pessoa.</p>

<p>Ao mesmo tempo, radicalismo cego pode virar outro problema. Se a pessoa começa a adoecer mentalmente por medo de qualquer alimento fora do plano, a dieta deixou de ser ferramenta e virou prisão. O equilíbrio está em testar, observar, aprender e ajustar sem transformar cada escolha alimentar em drama moral.</p>

<p>O próprio Daniel não trata os 100 dias como destino final. Planeja testar frutas depois do prazo, cogita abrir um dia pontual para carboidrato de forma consciente e admite que pode voltar a tomar uma cerveja em alguma ocasião, coisa que fazia toda semana antes. Ele também descreve como lida com a pressão social sem virar chato: numa visita em que a mesa estava posta com pão, café, leite e doce de leite, explicou que estava em uma estratégia por tempo determinado e que faria exames ao fim, e ninguém levou a recusa como desfeita. Prefere ser chamado de mentor a coach, justamente porque considera que o trabalho começa na cabeça: quem procura ajuda quase sempre já sabe o que fazer e trava na constância.</p>

<h2>O que praticantes comuns podem aprender</h2>

<p>A primeira lição é abandonar o medo automático de ficar sem comer por algumas horas. Um corpo bem nutrido, com proteína suficiente e rotina organizada, não perde músculo porque atrasou uma refeição.</p>

<p>A segunda é olhar para a fome. Se a dieta exige força de vontade o dia inteiro, talvez falte saciedade. Em algumas pessoas, aumentar proteína, trocar ultraprocessados por comida de verdade, reduzir açúcar líquido e ajustar gordura já muda a relação com comida sem precisar copiar uma dieta carnívora.</p>

<p>A terceira é separar preparação competitiva de saúde. Estratégias de palco podem ser úteis para atleta competitivo, mas não devem ser imitadas por quem só quer melhorar o corpo, viver melhor e treinar com constância.</p>

<p>Vale olhar também para detalhes pequenos que ele ajustou por observação, não por dogma. Percebeu que o café em jejum era agressivo para o intestino e que a cafeína atrapalhava o sono, então passou a pagar o dobro pelo descafeinado, com óleo de coco. Hoje descreve acordar às 4h45, treinar às 6h e atravessar o dia sem o sono pós-refeição que o obrigava a parar o veículo. Nada disso depende de dieta carnívora, depende de reparar no que o próprio corpo devolve.</p>

<p>A quarta é questionar tradições. Arroz, batata, aveia, frango e whey podem funcionar. Carne, ovos, gordura e sal também podem funcionar para algumas pessoas. O corpo não respeita ideologia alimentar. Ele responde a energia, proteína, treino, sono, adesão, saúde metabólica e tempo.</p>

<h2>Conclusão</h2>

<p>A história de Daniel Montalvão é valiosa porque junta experiência de palco, maturidade e disposição para abandonar certezas antigas. Depois de décadas repetindo o modelo clássico do fisiculturismo, ele encontrou em uma estratégia cetogênica/carnívora uma forma de reduzir fome, simplificar rotina, manter densidade, melhorar recuperação e questionar a dependência psicológica do carboidrato.</p>

<p>Na entrevista, o teste ainda estava em aberto. O casal tinha rodado mais de 1.500 km até Balneário Camboriú para competir dias depois, ele em duas categorias, a de acima de 50 anos e a imediatamente mais nova, ela na biquíni. Patrícia já havia competido pela primeira vez em 21 de março de 2026, preparada em dieta cetogênica, em 4 categorias, vencendo 3 e ficando em segundo na outra, com finalização concluída em 3 semanas. Ambos sabiam que a maior parte das pessoas ali não acreditava no resultado que apareceria no palco, e diziam estar em paz com isso.</p>

<p>Isso não transforma a dieta carnívora em solução universal. Transforma a experiência em um lembrete poderoso: o fisiculturismo precisa de menos dogma e mais observação. Carboidrato pode ser útil. Pode até ser excelente. Mas não precisa ser tratado como obrigatório para todo físico, toda fase e toda pessoa. A melhor dieta é aquela que entrega resultado, saúde, adesão e liberdade suficiente para continuar.</p>

<h2>FAQ</h2>

<h3>Daniel Montalvão defende que ninguém precisa de carboidrato?</h3>
<p>Não. A ideia central é que carboidrato não deve ser tratado como obrigatório para todos os fisiculturistas. A experiência dele mostra que é possível manter desempenho e físico com outra estratégia, mas isso não elimina a individualidade.</p>

<h3>Dá para ganhar músculo sem carboidrato?</h3>
<p>Pode ser possível, desde que haja treino resistido adequado, proteína suficiente, energia total compatível, recuperação e adaptação à dieta. Carboidrato ajuda muitos atletas, mas não é o único caminho para hipertrofia.</p>

<h3>Dieta carnívora é indicada para qualquer pessoa?</h3>
<p>Não. É uma estratégia restritiva e deve ser avaliada com cuidado, especialmente em pessoas com doenças, uso de medicamentos, histórico renal, diabetes, gestação, distúrbios alimentares ou alterações importantes em exames.</p>

<h3>Por que a fase de adaptação pode ser difícil?</h3>
<p>Porque o corpo sai de uma rotina baseada em carboidrato frequente e precisa ajustar energia, eletrólitos, hidratação, treino e apetite. Nos primeiros dias, algumas pessoas sentem queda de rendimento, dor de cabeça ou vontade intensa de carboidrato.</p>

<h3>O maior risco no fisiculturismo é o carboidrato?</h3>
<p>Não. O maior risco costuma aparecer na soma de extremos: desidratação, manipulação agressiva de sal e água, diuréticos, termogênicos, uso farmacológico sem controle, compulsão alimentar e pressão competitiva.</p>

<h3>Quem treina por estética precisa fazer dieta de atleta?</h3>
<p>Não. A maioria das pessoas melhora muito com treino consistente, proteína suficiente, comida de verdade, sono adequado e redução de ultraprocessados. Estratégias de palco são específicas e não devem virar rotina de saúde.</p>

<h3>O que Daniel Montalvão comia exatamente nos 100 dias?</h3>
<p>Carne, ovos, gordura animal, água e sal, com exceção pontual de massa de coco e castanhas de caju e do Pará. Saíram grãos, frutas, raízes, laticínios, whey, adoçantes, refrigerante zero, gelatina, creatina e BCAA. Ele relata comer no mínimo 1 kg de carne por dia.</p>

<h3>Como é a finalização tradicional que ele critica?</h3>
<p>Super-hidratação com até 10 L de água por dia começando quase uma semana antes, retirada progressiva de água, 3 dias finais de tilápia e frango sem sal e uma carga de carboidrato cerca de 24 horas antes do palco. Ele afirma que o risco maior no esporte vem dos diuréticos, termogênicos e aceleradores metabólicos usados nessa fase.</p>

<h3>Ele parou de usar hormônios?</h3>
<p>Não. Ele separa ciclo para competir de otimização hormonal e diz usar hoje cerca de 1 quarto do que usava na melhor fase competitiva, com intenção de manter testosterona em dose de otimização por toda a vida.</p>

<h2>Referências</h2>
<ol>
  <li>MODO PRIMAL PODCAST. <em>Depois de 35 anos no fisiculturismo, descobri que NÃO precisava de carboidrato para ganhar músculos</em>. [S. l.], 13 jul. 2026. Disponível em: <a href="https://www.youtube.com/watch?v=dPS6DDm_kcQ" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://www.youtube.com/watch?v=dPS6DDm_kcQ</a>. Acesso em: 2 ago. 2026.</li>
  <li>BURKE, Louise M. et al. International society of sports nutrition position stand: ketogenic diets. Journal of the International Society of Sports Nutrition, 2024. Disponível em: <a href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/38934469/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/38934469/</a>. Acesso em: 22 jul. 2026.</li>
  <li>VARGAS-MOLINA, Sergio et al. Effects of the Ketogenic Diet on Strength Performance in Trained Men and Women: A Systematic Review and Meta-Analysis. Nutrients, 2024. Disponível em: <a href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/39064644/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/39064644/</a>. Acesso em: 22 jul. 2026.</li>
  <li>JÄGER, Ralf et al. International Society of Sports Nutrition Position Stand: protein and exercise. Journal of the International Society of Sports Nutrition, 2017. Disponível em: <a href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28642676/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28642676/</a>. Acesso em: 22 jul. 2026.</li>
</ol>]]></description><guid isPermaLink="false">1085</guid><pubDate>Wed, 22 Jul 2026 23:04:00 +0000</pubDate></item><item><title>Larry Wheels: for&#xE7;a, v&#xED;cios e a responsabilidade por tr&#xE1;s do monstro</title><link>https://fisiculturismo.com.br/mat%C3%A9rias/gente/larry-wheels-for%C3%A7a-v%C3%ADcios-e-a-responsabilidade-por-tr%C3%A1s-do-monstro-r1084/</link><description><![CDATA[
<p><img src="https://cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2026_08/larry-wheels-licoes-capa.webp.740a969c332b5b52b7d28c34f5fa7a17.webp" /></p>
<p>Larry Wheels é um daqueles nomes que parecem maiores do que o esporte que o revelou. Ele não virou famoso apenas por levantar cargas absurdas. Virou símbolo de força extrema, genética privilegiada, exposição digital, uso pesado de recursos hormonais e uma sinceridade rara sobre o preço pago por tudo isso.</p>

<p>Em "I Spent $300K on P*rn. Larry Wheels Reveals Dark Side Of Steroids No One Talks About", do Jack Neel Podcast, a história passa longe da fantasia simples do jovem talentoso que ficou grande, rico e famoso. O que aparece é uma aula dura sobre trauma, ambição, compulsão, casamento, internet e responsabilidade pessoal.</p>

<h2>Força como defesa antes de virar carreira</h2>

<p>A origem da força de Larry não começa em uma academia perfeita. Aos 7 ou 8 anos, ele já percebia que era mais forte do que outras crianças em desafios físicos simples. Só muito depois entendeu que aquilo poderia virar um caminho real no powerlifting.</p>

<p>Aos 14 anos, longe de uma rotina escolar normal e vivendo um período de tédio, baixa autoestima e bullying, ele começou a treinar com o que tinha: cabo de vassoura, blocos de concreto, flexões, barras e calistenia. A motivação inicial era simples e crua. Se ficasse maior e mais forte, talvez os outros o respeitassem. Talvez parassem de vê-lo como alvo fácil.</p>

<p>Os números dessa fase ajudam a dimensionar o ponto de partida. Ele largou a escola na oitava série, quando a mãe o levou para St. Martin e passou 2 anos e meio fora da sala de aula. Era jovem demais para se matricular em uma academia e pesava cerca de 40,8 kg (90 lb), o que ele resume como ser um palito. Bastaram 6 meses de barra improvisada e calistenia para o corpo mudar de forma visível. De volta aos Estados Unidos aos 16, tirou o certificado de conclusão em poucos meses, mas não encontrou nenhum programa esportivo disponível depois das aulas.</p>

<p>O motivo do bullying também é específico e diz muito sobre o absurdo da situação. Por vir de Nova York, os outros garotos presumiam que ele era rico e mimado, e chegavam a tomar dele o pouco dinheiro que tinha, como se aquilo fosse uma espécie de direito. A realidade era o oposto: mãe solo trabalhando em vários empregos, um deles como barman em um bar local por salário baixo.</p>

<p>Esse detalhe importa porque explica o que a força representava antes de qualquer troféu. Para um garoto sem figura paterna presente, que passou por instabilidade familiar, abrigo temporário e casas de acolhimento, músculo era linguagem de autoproteção. Não era estética. Era uma forma de recuperar controle.</p>

<p>A cronologia é dura. O pai saiu de casa quando ele tinha por volta de 1 ano, depois de tê-lo aos 19 anos de idade. A mãe perdeu a guarda quando ele tinha cerca de 7 anos, em um contexto de companheiros violentos, uso de drogas, falta de emprego fixo e episódios de falta de moradia. Ele morou um tempo com a avó e depois passou por três famílias de acolhimento diferentes, sempre trocando de casa porque agia mal. Ele faz questão de dizer que foi bem tratado nessas casas e que o único sofrimento real era estar longe da mãe, e evita falar mal dela em qualquer momento da conversa.</p>

<p>O reencontro com o pai fecha o assunto de forma quase cruel. Ele topou dar uma nova chance, aceitou recebê-lo no apartamento no Bronx, e o homem passou cerca de 2 horas trancado com a mãe dele tentando reatar, enquanto a namorada esperava no carro lá embaixo e o filho fazia hora na calçada. Quando finalmente desceu, quase não trocou palavra com Larry e pediu dinheiro para comprar bebida. Desde então eles não se falam.</p>

<h2>O talento aparece cedo, mas a régua muda rápido</h2>

<p>Quando voltou aos Estados Unidos e entrou em uma academia pública, por volta dos 16 ou 17 anos, Larry percebeu que levantava mais peso do que homens muito maiores. A comparação com powerlifters jovens como Pete Rubish e Eric Lilliebridge ajudou a encaixar a percepção: ele não era apenas forte para a idade. Estava perto da elite de uma modalidade extremamente específica.</p>

<p>O talento bruto já aparecia bem antes. Aos 7 ou 8 anos, ele vencia todo mundo em queda de braço, ganhava os desafios de flexão e aguentava mais tempo que os colegas nas corridas de vai e vem da escola. Faltava a moldura. A conta que fez aos 17 foi direta: se aos 16 ou 17 anos ele estava onde Rubish e Lilliebridge estavam aos 17 ou 18, com um treinador e foco daria para brigar entre os melhores do mundo naquele esporte de nicho.</p>

<p>A evolução foi brutal. Aos 17 anos, ele ainda lutava para fazer um supino de 183,7 kg (405 lb). Um ano depois, já falava em cerca de 249,5 kg (550 lb) no supino, 317,5 kg (700 lb) no agachamento e 347 kg (765 lb) no levantamento terra. O primeiro recorde mundial veio aos 21 anos, no total do powerlifting, com 367,4 kg (810 lb) no agachamento, 259,9 kg (573 lb) no supino e 374,7 kg (826 lb) no terra, na categoria de 109,8 kg (242 lb).</p>

<p>Entre os feitos que mais marcaram sua cabeça, o primeiro levantamento terra de 408,2 kg (900 lb), puxado por volta dos 23 anos em uma academia chamada Warhouse, ocupou um lugar especial. A descrição da sensação é reveladora: nada parecia mais importante do que completar aquela carga. Ele compara a sensação a um orgasmo multiplicado por mil, e admite que passou a perseguir aquele pico emocional desde então. É aí que a história deixa de ser apenas sobre força e começa a virar história de reforço, vício e identidade.</p>

<p>Ao todo foram três recordes mundiais quebrados, um em cada categoria de peso em que competiu: 109,8 kg, 124,7 kg e 139,7 kg (242 lb, 275 lb e 308 lb). O preço físico aparece quando ele explica por que nunca levou adiante a ideia de entrar para a WWE, sondada uns 7 ou 8 anos atrás. Além dos cerca de 300 dias por ano na estrada que descreveram para ele, havia o medo que o acompanhou a carreira inteira no powerlifting, o de que a próxima tentativa rompesse alguma coisa e custasse de 6 a 9 meses de recuperação, médico toda semana e fisioterapia.</p>

<h2>Esteroides, resposta individual e retorno decrescente</h2>

<p>A entrada nesse mundo teve um contexto pouco confortável. Aos 16 anos, no Bronx, ele usava drogas recreativas e chegou a experimentar metanfetamina. O que o fez parar foi ver o amigo que o apresentou aos esteroides e ao powerlifting, um veterano de guerra que trabalhava em três empregos e estudava na faculdade, perder tudo para o vício em metanfetamina e acabar morando na rua, onde está até hoje. Larry parou de uma vez e escolheu o que chamou de mal menor: com droga recreativa não havia nenhum desfecho bom possível, enquanto com esteroide ele ao menos poderia quebrar um recorde, conseguir patrocínio e viver daquilo, mesmo sabendo que estaria apodrecendo por dentro.</p>

<p>Um dos pontos mais úteis da trajetória de Larry é a forma como ele desmonta a fantasia de que mais droga sempre significa mais resultado. A lógica é falsa. A resposta a esteroides depende de genética, treino, dieta, tolerância, saúde, sensibilidade aos compostos e capacidade de suportar o estilo de vida que acompanha o alto rendimento.</p>

<p>O exemplo é direto: 300 mg de testosterona não viram o dobro de resultado se a dose for para 600 mg. Há retorno decrescente. Ele diz conhecer pessoalmente sujeitos que usam trembolona praticamente o ano inteiro, sem nunca sair de ciclo, e que não supinam 158,8 kg (350 lb) nem parecem estar usando qualquer coisa. O fármaco pode ampliar possibilidades, mas não cria genética, não ensina técnica e não constrói disciplina sozinho.</p>

<p>Ele também avisa que ninguém sabe como vai responder antes de usar, e que boa parte do salto inicial é ilusão de água. Segundo o relato, um primeiro ciclo só com testosterona costuma render de 6,8 kg a 18 kg (15 lb a 40 lb) dependendo do tamanho de quem começa, muito disso por retenção hídrica. A margem entre ganhar alguns quilos e explodir é genética, não mérito.</p>

<p>No auge da busca por recordes, Larry cita combinações pesadas com Anadrol, trembolona, doses altas de testosterona e Halotestin. Em outro trecho, compara o uso atual com o período de abuso dos 20 e poucos anos: hoje fala em 300 mg de testosterona, Anavar e hormônio do crescimento. Antes, relata fases com 1 g de testosterona por semana, 500 mg de trembolona por semana, 100 mg de Anadrol por dia, HGH e NPP.</p>

<p>Esses números não são recomendação. São parte de uma história de alto risco contada por alguém que associa aquele período a comprometimento de saúde. Em linguagem prática: há diferença entre entender o que foi feito e copiar o que foi feito. A primeira atitude informa. A segunda pode destruir.</p>

<h2>Insulina, bulking absurdo e o vício no pump</h2>

<p>A obsessão por peso e performance também aparece no uso de insulina. Em uma preparação para competição em Dubai, Larry relata ter subido de cerca de 123,4 kg para 137 kg (272 lb para 302 lb) em poucas semanas, com insulina e uma dieta de 10 mil calorias por dia baseada em comidas como torta de maçã, pizza e hambúrguer. O resultado foi ganho rápido de peso, mas também muita gordura e sensação ruim. Ele estima que 13,6 kg (30 lb) daquilo era gordura pura.</p>

<p>A descrição do pump ajuda a entender por que esse tipo de ambiente seduz tantos atletas. Esteroides aceleram transformação, força e aparência. A insulina, segundo a experiência dele, produzia um pump ainda mais intenso. Só que o mesmo mecanismo que parece glorioso em dia de braço podia se tornar incapacitante em treinos pesados de pernas ou costas, com a lombar tão cheia e pressionada que o treino precisava ser interrompido.</p>

<p>Os detalhes são bem concretos. A dose que ele usava era de 5 UI antes e depois do treino, algo que ele mesmo classifica como modesto, e o efeito aparecia por volta de 15 minutos depois da aplicação. Na segunda ou terceira série de agachamento ou terra a lombar já estava, nas palavras dele, gritando, com pressão suficiente para impedir que ele contraísse qualquer outro músculo. Várias vezes teve de encerrar o treino e ficar cerca de 20 minutos deitado de costas com as pernas apoiadas na parede até o sangue circular. Por isso hoje reserva a insulina para dia de braço ou treinos só de máquina, e nem leg press ele arrisca.</p>

<p>Vale registrar também o que ele diz sobre como o pump aparece, porque isso independe de farmacologia. Treinar como powerlifter não produz aquela sensação. É preciso volume alto, intensidade alta e descanso curto, com repetições entre 12 e 20 no caso dele. E o que manda mesmo é o tempo sob tensão: uma série de 10 repetições com 3 segundos na subida e 3 segundos na descida rende tanto pump quanto 35 repetições apressadas.</p>

<p>A lição é simples: sensações extremas viciam. Quando o corpo começa a associar treino a uma recompensa quase eufórica, o atleta pode confundir performance com compulsão. O treino deixa de ser ferramenta e vira busca por pico.</p>

<h2>O lado menos comentado: libido fora de controle</h2>

<p>Quando se fala em efeitos adversos de esteroides, os exemplos comuns são acne, agressividade, queda de cabelo, alteração de exames e risco cardiovascular. Na experiência de Larry, o lado mais sombrio foi outro: libido elevada a um nível difícil de controlar.</p>

<p>O problema não nasceu do nada. A exposição à pornografia começou cedo, por volta dos 14 anos. O uso de androgênios em doses elevadas não criou sozinho a compulsão, mas parece ter jogado gasolina em um padrão que já existia. Pensamentos sexuais passaram a ocupar espaço excessivo. Pornografia, vídeos personalizados, sessões ao vivo e busca por estímulos cada vez mais fortes viraram uma rotina cara, isolante e destrutiva.</p>

<p>O valor que chama atenção é o dinheiro: centenas de milhares de dólares gastos. Mas o prejuízo mais importante, na avaliação dele, foi o tempo. Horas e anos de juventude foram consumidos diante de telas, buscando uma descarga rápida de prazer que não resolvia tédio, estresse, solidão ou ansiedade.</p>

<p>A escala do gasto fica clara na conta que ele mesmo faz. Na época em que faturava cerca de 100 mil dólares por mês, tudo o que sobrava depois das despesas ia para aquilo, e ele afirma sem rodeios que, se ganhasse 1 milhão por mês, gastaria o milhão inteiro. Nada material o interessava: carro, relógio e aquisição de patrimônio não coçavam aquela coçeira. Ele chama esse período de o ponto mais baixo da vida dele.</p>

<p>A escalada também tem uma lógica descrita passo a passo. Primeiro o material comum deixa de fazer efeito, e ele explica com a comparação de que ver mil mulheres em 5 minutos de graça vence qualquer alternativa que exija esforço. Depois nem isso basta, e começa a fase das gravações sob encomenda e das sessões ao vivo. Ele conta que só percebeu que havia um problema quando o dinheiro entrou na conta, muitos anos depois de começar, e lembra que na adolescência lia artigos garantindo que aquilo era saudável e bom para a próstata.</p>

<p>A literatura sobre dependência de esteroides reconhece que o uso de anabolizantes pode se conectar a mecanismos de recompensa e compulsão. Já o transtorno do comportamento sexual compulsivo, incluído na CID-11, exige sofrimento, prejuízo funcional e perda de controle, não simples moralismo sobre desejo. Esse enquadramento é importante porque separa culpa religiosa, vergonha social e problema clínico real.</p>

<h2>O ciclo da vergonha e a saída pela responsabilidade</h2>

<p>O padrão descrito é típico de muitas compulsões: isolamento, segredo, culpa, recaída e mais isolamento. A vergonha impede a pessoa de pedir ajuda justamente às pessoas que poderiam criar barreiras reais contra o comportamento.</p>

<p>A virada veio por responsabilidade explícita. Larry relata ter contado a verdade à esposa, permitido monitoramento financeiro e criado barreiras para reduzir recaídas. Não se trata de romantizar vigilância dentro de casamento. Trata-se de reconhecer que, em uma compulsão cara e acessível, esconder extrato bancário, ficar sozinho por horas e viver sem prestação de contas alimenta o problema.</p>

<p>O mecanismo que ele descreve é simples e por isso funciona: Shayla tem acesso ao extrato bancário, então qualquer gasto seria visto, e saber disso basta para ele não gastar. A confissão incluía avisar cada recaída em vez de esconder. Nesse mesmo período ele largou os esteroides e passou alguns anos apenas em reposição de testosterona, na dose mínima para se manter funcional sem cair em depressão.</p>

<p>A estratégia prática foi trocar prazer sem esforço por conexão e ação: socializar, conversar com amigos, falar com a esposa, trabalhar, fazer lives, evitar longos períodos sozinho no quarto e reduzir gatilhos. Trocar pornografia por rolagem infinita, jogos ou séries não resolve o núcleo do problema quando o padrão continua sendo prazer fácil sem custo emocional ou esforço real.</p>

<h2>Casamento como estabilidade, não como prisão</h2>

<p>A parte sobre casamento contrasta com o discurso comum de internet. Larry rejeita a ideia de que compromisso seja automaticamente perda de liberdade. Para ele, a relação trouxe paz, apoio, conexão e redução de distrações. A esposa é apresentada como parte importante do processo de recuperação, não como acessório de imagem.</p>

<p>Os dois se conheceram em Dubai, pelas mensagens diretas, com uma troca curta seguida de um jantar poucos dias depois, e estão juntos há 5 anos. Ele casou sem contrato pré-nupcial e explica a decisão por uma única qualidade dela, a de nunca ser confrontadora. Depois de meia dúzia de relacionamentos longos em que a briga era rotina, ter paz dentro de casa virou o critério principal. Ele acrescenta que a carreira de streaming decolou em boa parte por causa dela, que carrega as transmissões com uma personalidade forte e sem medo de polêmica.</p>

<p>Isso também explica por que ataques online ao relacionamento não parecem ter o mesmo peso fora da internet. Comentários, cortes maliciosos e narrativas negativas podem distorcer uma dinâmica que só quem vive conhece. A decisão de olhar menos comentários e focar mais na vida real aparece como medida de saúde mental.</p>

<p>O contraste que ele usa é concreto. Na primeira semana em que passaram a falar do relacionamento publicamente, os dois ficaram obsessivamente lendo os comentários, e a partir daí decidiram reduzir muito o tempo em rede social. Do outro lado, ele lembra da fila de 2 horas para encontrá-lo no Arnold em Columbus, com milhares de pessoas e nenhuma única hostilidade dita na cara. A conclusão dele é que quem escreve aquilo nem acredita no que está escrevendo. Nada disso custou patrocínio, e as oportunidades só aumentaram.</p>

<p>A lição aqui é maior do que a vida pessoal dele. Relação saudável não se mede só por desejo sexual, aparência ou status. Conexão cotidiana, paz dentro de casa, lealdade, amizade e capacidade de atravessar problemas juntos podem valer mais do que a fantasia de opções infinitas.</p>

<h2>A armadilha dos jovens que usam o corpo como plano de carreira</h2>

<p>Uma das críticas mais fortes é contra a nova geração que vê esteroides como atalho para virar influenciador fitness. A promessa parece simples: ficar enorme, postar vídeos, ganhar seguidores e enriquecer. Na prática, aparência extrema não garante confiança, produto vendável, comunidade, negócio ou autoridade.</p>

<p>Os números que ele solta sobre a própria carreira explicam por que a conta não fecha do jeito que os garotos imaginam. Antes das redes sociais, quebrar um recorde mundial rendia no máximo cerca de mil dólares, menos do que ele já gastou em um jantar. Do outro lado, o corte em que ele encara os cinco maiores da academia na queda de braço passou de 235 milhões de visualizações e pagou por volta de 30 mil dólares, porque era um formato curto de 30 segundos. Ele também lembra que levou 4 anos vivendo de outra coisa antes de conseguir sustentar-se só com o powerlifting, depois de largar um semestre de justiça criminal na faculdade.</p>

<p>O próprio Larry reconhece que força e físico chamam atenção, mas nem sempre convertem em renda sólida. Conteúdo que ajuda pessoas, ensina, resolve problemas e cria confiança costuma valer mais do que apenas mostrar cargas absurdas ou shape mutante. Um atleta pode ter milhões de seguidores e vender pouco se nunca construiu credibilidade. Outro pode ter uma audiência menor e ganhar muito mais por entregar transformação real.</p>

<p>Esse ponto deveria assustar adolescentes fascinados por anabolizantes. Usar drogas para parecer diferente aos 14, 15 ou 16 anos, esperando virar celebridade fitness, é trocar saúde por uma promessa frágil. O caminho mais sustentável é aprender, treinar, ensinar, ajudar pessoas, construir prova social e criar valor antes de vender qualquer imagem.</p>

<p>Ele cita nomes para mostrar onde o dinheiro realmente está. Derek do More Plates More Dates, Mike Israetel e Greg Doucette são apontados como gente que se posicionou como autoridade e vende qualquer coisa porque construiu confiança, sem que ninguém sequer saiba quanto eles levantam. Larry conta que conheceu na Sérvia sujeitos com cerca de 30 mil seguidores faturando milhões com curso e consultoria, com prova de resultado de quem eles atenderam, e que ele mesmo viveu a outra ponta: teve um período em que só postava levantamentos e, na hora de vender um programa, ninguém comprava.</p>

<p>Ele também aponta uma armadilha mais imediata na venda de treinos. Há muito coach inventando exercício obscuro, em cima de meia bola e de lado, só para parecer inovador e vender programa, e o alvo dessa jogada é sempre o iniciante que não tem base para perceber a bobagem.</p>

<h2>As maiores lições de Larry Wheels</h2>

<p>A trajetória deixa algumas lições muito claras:</p>

<ul>
  <li><strong>Força pode nascer de dor, mas precisa amadurecer.</strong> O músculo pode proteger o garoto inseguro, mas não resolve sozinho trauma, vazio, vício ou raiva.</li>
  <li><strong>Talento precisa de direção.</strong> Ser fora da curva não basta. Comparar-se com os melhores ajudou Larry a entender onde poderia chegar.</li>
  <li><strong>Droga não substitui genética e trabalho.</strong> Mais dose não significa mais resultado. O risco sobe antes da garantia de retorno.</li>
  <li><strong>Prazer extremo pode sequestrar a vida.</strong> Pump, recorde, sexo, pornografia e dinheiro podem virar busca pelo mesmo pico emocional.</li>
  <li><strong>Segredo alimenta compulsão.</strong> Responsabilidade, apoio e barreiras práticas podem ser mais eficazes do que vergonha silenciosa.</li>
  <li><strong>Construir valor é melhor do que construir só aparência.</strong> No longo prazo, confiança e utilidade sustentam carreira melhor do que tamanho muscular isolado.</li>
  <li><strong>O adversário principal é interno.</strong> A frase que resume sua visão é "você contra você": comparar menos, refletir mais e assumir responsabilidade.</li>
</ul>

<h2>Conclusão</h2>

<p>Larry Wheels representa a versão extrema de uma tensão que muita gente vive em escala menor: transformar dor em força, força em identidade, identidade em carreira e carreira em risco. A diferença é que ele fala sobre o preço com uma honestidade incomum.</p>

<p>A matéria não deixa uma mensagem contra força, ambição ou sucesso. Deixa uma mensagem contra a ilusão de que músculo, recorde, sexo, dinheiro ou fama resolvem tudo. Sem responsabilidade, qualquer recompensa pode virar prisão. Com responsabilidade, até os erros mais caros podem virar alerta para quem ainda está escolhendo o caminho.</p>

<h2>FAQ</h2>

<h3>Larry Wheels começou a treinar por estética?</h3>
<p>Não apenas. A estética apareceu depois, mas o impulso inicial veio de tédio, bullying, insegurança e desejo de não se sentir indefeso.</p>

<h3>Quais compostos Larry Wheels citou no histórico de uso?</h3>
<p>Ele cita Anadrol, trembolona, doses altas de testosterona, Halotestin, HGH, NPP, Anavar e insulina em diferentes fases. Esses relatos não são orientação de uso.</p>

<h3>Qual foi o pior efeito dos esteroides para Larry Wheels?</h3>
<p>Na experiência dele, o pior lado foi a libido fora de controle, especialmente por piorar uma compulsão por pornografia que já existia antes.</p>

<h3>Ele culpa apenas os esteroides pelo vício em pornografia?</h3>
<p>Não. A exposição começou na adolescência. Os esteroides aparecem como fator que pode intensificar libido, compulsividade e dificuldade de controle em quem já tem vulnerabilidade.</p>

<h3>Qual é a maior lição para jovens influenciadores fitness?</h3>
<p>Shape e carga chamam atenção, mas carreira duradoura exige confiança, conteúdo útil, prova real de transformação e capacidade de ajudar pessoas.</p>

<h3>Qual conselho resume melhor a filosofia de Larry Wheels?</h3>
<p>"Você contra você": comparar-se menos, refletir mais, assumir responsabilidade e parar de culpar apenas os outros pelas próprias decisões.</p>

<h3>Quais foram os recordes mundiais de Larry Wheels em quilos?</h3>
<p>Foram três recordes de total, um em cada categoria: 109,8 kg, 124,7 kg e 139,7 kg. O primeiro, aos 21 anos, somou 367,4 kg no agachamento, 259,9 kg no supino e 374,7 kg no terra.</p>

<h3>Quanto rende um recorde mundial de powerlifting?</h3>
<p>Segundo ele, antes das redes sociais o máximo que recebeu por quebrar um recorde foi cerca de mil dólares. Um corte de queda de braço com 235 milhões de visualizações pagou por volta de 30 mil dólares.</p>

<h3>Que dose de insulina Larry Wheels usava e por que ela atrapalhava o treino?</h3>
<p>Ele descreve 5 UI antes e depois do treino. O problema é a congestão de lombar em agachamento e terra, que já na segunda ou terceira série o obrigava a parar e deitar cerca de 20 minutos com as pernas na parede.</p>

<h2>Referências</h2>
<ol>
  <li>JACK NEEL. <em>“I Spent $300K on P*rn.” Larry Wheels Reveals Dark Side Of Steroids No One Talks About</em>. [S. l.], 27 mar. 2026. Disponível em: <a href="https://www.youtube.com/watch?v=f3NcR15xS2A" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://www.youtube.com/watch?v=f3NcR15xS2A</a>. Acesso em: 2 ago. 2026.</li>
  <li>KANAYAMA, Gen et al. Anabolic-Androgenic Steroid Dependence: An Emerging Disorder. <em>Addiction</em>, 2009. Disponível em: <a href="https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC2780436/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC2780436/</a>. Acesso em: 22 jul. 2026.</li>
  <li>BRIKEN, Peer et al. Assessment and treatment of compulsive sexual behavior disorder: a sexual medicine perspective. <em>Sexual Medicine Reviews</em>, 2024. Disponível em: <a href="https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC11214846/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC11214846/</a>. Acesso em: 22 jul. 2026.</li>
</ol>]]></description><guid isPermaLink="false">1084</guid><pubDate>Wed, 22 Jul 2026 18:38:00 +0000</pubDate></item><item><title>Dorian Yates: intensidade, disciplina e a sombra que mudou o fisiculturismo</title><link>https://fisiculturismo.com.br/mat%C3%A9rias/gente/dorian-yates-intensidade-disciplina-e-a-sombra-que-mudou-o-fisiculturismo-r1082/</link><description><![CDATA[
<p><img src="https://cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2026_08/dorian-yates-licoes-capa.webp.756c43937a916188216af696e2b60d4b.webp" /></p>
<p>Dorian Yates não virou lenda apenas por vencer seis vezes o Mr. Olympia. Ele mudou a régua visual do fisiculturismo porque trouxe ao palco uma combinação que intimidava antes mesmo da comparação começar: massa densa, condicionamento extremo, apresentação fria, pouca exposição e uma mentalidade de combate que destoava da imagem mais glamourosa do esporte.</p>

<p>Em "DORIAN YATES | True Geordie Podcast #148", do True Geordie, Yates revisita a própria trajetória, da adolescência turbulenta em Birmingham ao domínio no Olympia, passando pelo método de treino, pela fama de "The Shadow", pelo preço físico da carreira e pela necessidade de continuar mudando depois que o personagem competitivo deixa de servir. Das histórias, sai uma aula sobre intensidade, realismo, responsabilidade e identidade.</p>

<h2>Genética ajuda, mas não fabrica um Mr. Olympia sozinha</h2>

<p>A primeira lição desmonta uma fantasia comum: esteroide não transforma qualquer pessoa em campeão. O próprio Yates reconhece que os fármacos fazem parte do jogo em alto nível, mas também lembra que milhões de homens usam esteroides no mundo e só existe um Mr. Olympia por ano.</p>

<p>O corpo dele tinha características raras: estrutura, densidade, proporções, resposta ao treino, facilidade para ficar extremamente condicionado e uma aparência muscular que continuava impressionante mesmo anos depois da aposentadoria. Ele lista o que procura num físico de campeão: clavícula larga com quadril estreito, perna comprida em relação ao tronco, ventre muscular longo, que é o que dá potencial de crescimento, e pele fina. Nada disso se treina. E a facilidade de secar também é herdada, a ponto de os dois filhos dele terem abdômen aparente sem nunca terem treinado para isso. Isso não significa que genética substitui trabalho. Significa que trabalho sem matéria-prima não chega ao mesmo teto.</p>

<p>Ele usa a si mesmo como escala. Por volta dos 50 anos, mais de uma década depois de parar, ainda andava entre 117 kg e 121 kg. No auge, no período de off-season, ficava entre 133 kg e 140 kg. Para o praticante comum, a mensagem é libertadora e dura ao mesmo tempo. Todo mundo pode melhorar muito. Nem todo mundo nasceu para ser profissional. Confundir essas duas coisas é o começo de muita frustração, gasto inútil e risco desnecessário.</p>

<h2>O treino era curto, mas brutal</h2>

<p>Yates ficou associado ao treinamento de alta intensidade porque levou a lógica até o limite. A base vinha de ideias ligadas a Arthur Jones e Mike Mentzer, e o que o atraiu foi a coerência do raciocínio, porque ele descreve a própria cabeça como uma máquina de lógica, matemática e linha reta. Mas ele não tratava teoria como religião. O método precisava funcionar no corpo, no diário de treino e na progressão real.</p>

<p>Entre 1983 e 1997, cada sessão foi registrada. Carga, repetições, frequência, recuperação e desempenho viravam dados. Quando treinava um pouco mais, acrescentando um dia na semana, e o progresso travava, o ajuste vinha do próprio histórico. A conclusão se repetia com todo mundo que ele acompanhou depois: pouco tempo e pouco volume, intensidade altíssima. Não era treino por sensação solta. Era intensidade com controle.</p>

<p>A ideia central era simples: pouco volume, muito esforço e recuperação suficiente para o corpo superar o estímulo. O treino não era leve por ser curto. Era curto porque a intensidade real não permite muito teatro. Quando a série passa do ponto em que a mente quer parar, começa a parte que separa o treino comum do treino que Yates chamava de guerra. A frase que ele repete para quem treina com ele é essa: a mente falha antes do corpo. O aluno queria parar em 10 repetições e, com alguém gritando ao lado, fez 14, 15. Não foi outro que levantou o peso.</p>

<h2>O logbook era uma arma</h2>

<p>Muita gente associa Dorian apenas ao grito, ao peso e à imagem em preto e branco. Mas o lado mais importante talvez seja o caderno. Registrar tudo impedia autoengano. Se o peso não subia, se a repetição caía, se a recuperação piorava, o diário mostrava.</p>

<p>Esse é um detalhe enorme para atletas avançados. Sem registro, o treino vira memória seletiva. O aluno lembra da série heroica, esquece a queda de rendimento e chama excesso de dedicação. O logbook obriga o ego a negociar com fatos.</p>

<p>Yates não treinava mais para parecer mais dedicado. Treinava o mínimo necessário para produzir resposta máxima. Essa diferença é uma das razões pelas quais o método dele ainda desperta fascínio.</p>

<h2>Blood and Guts mostrou o treino sem maquiagem</h2>

<p>Antes de "Blood and Guts", muitos registros de fisiculturistas pareciam ensaios de revista. Boa luz, pose bonita, clima de praia, pouco suor real. Yates queria outra coisa: capturar o treino como acontecia no subsolo da Temple Gym.</p>

<p>A força veio justamente da decisão de filmar sem interromper a sessão. A câmera não mandava no treino. O treino mandava na câmera. A instrução a Kevin Horton foi literal: não fale comigo, não mexa em luz, não interrompa nada. Depois, ao ver o resultado, transformar tudo em preto e branco reforçou a atmosfera crua que combinava com o personagem, uma ideia tirada de "Touro Indomável", o filme de boxe rodado em preto e branco.</p>

<p>O impacto foi cultural. O espectador não via apenas exercícios. Via um padrão de intensidade. A fita virou ritual de motivação porque mostrava algo que muita gente dizia fazer, mas poucos sustentavam de verdade.</p>

<h2>The Shadow era estratégia, mas também personalidade</h2>

<p>O apelido "The Shadow" funcionou porque Yates quase desaparecia entre uma temporada e outra. Ele treinava em Birmingham, longe da cena de Venice Beach, aparecia pouco, não mostrava o shape o ano inteiro e chegava ao Olympia como uma ameaça difícil de medir.</p>

<p>Não era apenas marketing planejado. Havia introversão real. Ele não gostava de exposição constante e não queria ouvir elogios de quem não sabia avaliar um físico de Olympia. Até parceiros de treino raramente viam o corpo dele sem camisa. O primeiro a ver era um grupo pequeno de gente do meio cuja opinião ele respeitava, convidada à Temple Gym de 3 a 4 semanas antes do Olympia. Se tirasse a camisa todo dia na academia, ouviria só elogio de quem não sabia julgar um físico.</p>

<p>Esse silêncio virava vantagem psicológica. O rival não sabia exatamente o que estava vindo. No backstage, Yates ainda usava o controle da própria exposição como jogo mental. Tirar o agasalho por último fazia os outros esperarem, olharem, perderem energia e pensarem nele em vez de pensarem na própria apresentação. Ele aprendeu isso apanhando: Lee Haney fez exatamente essa jogada com ele, tirou o agasalho do outro lado dos bastidores e mostrou umas costas grossas de propósito. Funcionou.</p>

<h2>A origem dura virou combustível</h2>

<p>A história começa longe do glamour. Yates saiu de casa cedo, viveu uma fase caótica, perdeu o pai jovem e passou por um centro de detenção. Lá dentro, entre centenas de rapazes, percebeu que tinha o melhor físico natural e era um dos mais fortes.</p>

<p>A musculação apareceu como uma rota concreta para tirar energia de um lugar destrutivo e colocar em algo produtivo. Antes dela, o único esporte da vida dele tinha sido caratê na infância, o que ele credita pela pose mais dura e marcial que usava no palco. No começo, a meta não era virar Mr. Olympia. Era mudar de vida, talvez vencer competições, talvez abrir uma academia.</p>

<p>A conta era apertada de verdade. O pai ensinou o filho a dirigir num campo aos 11 anos, mas Yates só conseguiu comprar um carro aos 25, porque até ali ia de ônibus para a academia. Essa origem explica parte da mentalidade. Para ele, competir não era um hobby estético. Era sobrevivência, comida na mesa, família e chance de reconstrução. O palco recebia um atleta que tratava cada preparação como batalha.</p>

<h2>Reconhecimento não substitui ambiente</h2>

<p>Ron Davis, então à frente da EFBB, o braço inglês da IFBB, enxergou rapidamente que Yates não parecia um novato comum. Ele tinha cerca de 1 ano e meio de treino e se inscreveu na categoria de novatos por achar que ainda não servia para os pesados. Saiu do palco e os dirigentes praticamente riram dele: o lugar dele era nos pesados, e provavelmente era o melhor peso pesado do país naquele momento. Depois de pouco tempo de treino competitivo, ele já era tratado como alguém com potencial de Mr. Olympia. Esse tipo de validação importa, principalmente para quem ainda não tem referência clara do próprio teto.</p>

<p>Mesmo assim, o ambiente precisava combinar com a cabeça do atleta. Uma academia civilizada demais, com gente treinando no horário de almoço, não servia para aquele temperamento. Yates precisava da energia bruta da Temple Gym, do subsolo, do barulho, do suor e da atmosfera que permitia treinar como ele achava necessário. O apoio material veio de outro lado: um empresário de Birmingham dono da linha de suplementos Tropicana bancou o primeiro patrocínio da carreira, 10 mil libras por ano, e ainda avisou que, se aparecesse oferta melhor, era para aceitar sem constrangimento.</p>

<p>A lição é forte: motivação externa ajuda, mas o ambiente certo sustenta a identidade do atleta. O lugar errado pode até ser bonito, mas não alimenta o tipo de monstro que precisa nascer ali.</p>

<h2>Realismo também é disciplina</h2>

<p>Antes de virar uma lenda, Yates colocou um prazo para si mesmo. Já era campeão britânico e profissional, mas sabia que competir em alto nível cobrava saúde, tempo, dinheiro, família e vida social. Se no primeiro grande teste profissional, o Night of Champions de 1990, não entrasse no top 5, encerraria a busca competitiva e direcionaria energia para academias ou outro caminho dentro do esporte.</p>

<p>O resultado foi segundo lugar, atrás de Mohamed Benaziza, e a história seguiu. Mas a mentalidade é mais importante do que a colocação. Ele não estava disposto a sacrificar tudo por uma fantasia sem resposta objetiva.</p>

<p>Esse ponto falta em muito atleta amador. Gastar tudo, destruir relacionamentos, viver irritado, colocar saúde em risco e sofrer por troféu irrelevante pode parecer dedicação, mas muitas vezes é falta de realidade. Sonho grande precisa de critério. Caso contrário, vira vício de personagem.</p>

<h2>O físico é julgado por um conjunto</h2>

<p>Yates explica o julgamento de forma simples: proporção, tamanho e condicionamento entram na mesma conta. São 7 poses obrigatórias mais 4 posições semirrelaxadas, de frente, de lado e de costas, para que nenhum ângulo escape. Não basta vencer uma pose de forma espetacular se o adversário vence mais poses no conjunto. Yates explica com uma conta de boxe: o rival pode ser 10 vezes melhor em 3 poses, mas quem vence 4 leva o título.</p>

<p>Essa leitura ajuda a entender por que o físico dele foi tão difícil de bater. Não era só costas. Não era só massa. A combinação de densidade, cintura, membros, condição e presença criava uma ameaça completa.</p>

<p>O palco não premia apenas músculo acumulado. Premia a forma como esse músculo aparece, como se distribui, como se apresenta e como chega no dia da comparação.</p>

<h2>As fotos de 1993 viraram aviso de guerra</h2>

<p>As imagens em preto e branco feitas na Temple Gym, semanas antes do Olympia de 1993, nasceram quase como registro pessoal. Kevin Horton fotografou Yates no mesmo ambiente de treino, no mesmo ponto do subsolo e com a mesma luz do ano anterior, porque a ideia era apenas comparar um ano com o outro. Foi feito 6 semanas antes do Olympia, sem glamour, inclusive com as meias ainda nos pés depois da sessão, já que o chão da Temple Gym era imundo.</p>

<p>Quando as fotos chegaram à revista, quem não gostou foi o próprio Joe Weider, que reclamou da iluminação e das sombras. Yates respondeu que ninguém dava a mínima para isso. Mas justamente aquilo que parecia imperfeito tornou as imagens históricas. Elas mostravam um físico denso, cheio, seco, agressivo e diferente de tudo que os rivais estavam acostumados a ver.</p>

<p>Peter McGough, britânico e então editor da Flex, aproveitou o efeito: deixava as fotos caírem na mesa quando os concorrentes passavam pelo escritório da revista em Venice e observava a cara deles murchar. A disputa acabou antes de começar. Aquele ano consolidou a ideia de antes e depois de Dorian. A partir dali, tamanho sem condição já não bastava. A nova régua exigia massa absurda com dureza absurda.</p>

<h2>Tamanho sem condição não era o objetivo</h2>

<p>Os números daquela virada explicam o impacto. Nas fotos em preto e branco ele estava com cerca de 122 kg. No palco, entrou com 117 kg, porque abriu mão de tamanho e volume para chegar mais seco. O campeão anterior, Lee Haney, competia por volta de 109 kg. Yates subiu com uns 8 kg a mais de músculo, na mesma altura e mais definido. Uma crítica recorrente de Yates ao fisiculturismo mais recente é a perda de condicionamento. Muitos atletas conseguiram tamanho, mas não necessariamente a mesma aparência seca, dura e profunda. Para ele, chegar realmente condicionado exige aceitar perder um pouco de peso e plenitude.</p>

<p>Essa é uma lição desconfortável porque o ego gosta da balança. O número maior parece progresso. No palco, porém, uma cintura mais pesada, um rosto cheio e um abdômen sem controle podem entregar que o atleta preferiu manter volume em vez de buscar acabamento. Ele conta que, nos anos 1990, sabia quem estava em forma mesmo com o agasalho fechado até o queixo, porque o rosto entregava: bochecha funda e músculo aparecendo na lateral da mandíbula. Hoje, na avaliação dele, os competidores chegam de rosto redondo e barriga estufada.</p>

<p>O físico lendário não é o maior possível. É o maior que ainda consegue aparecer com detalhe, separação e domínio visual.</p>

<h2>Insulina foi uma experiência que ele não romantiza</h2>

<p>Yates fala de esteroides com franqueza, mas não vende a ideia de que qualquer estratégia química vale a pena. Em 1996 e 1997, os dois últimos anos de carreira, usou insulina como recurso anabólico e associa essa fase ao estufamento do abdômen que o meio apelidou de bubble gut. Perguntado se valeu a pena, responde que não: perdeu um pouco de qualidade e ganhou risco metabólico. Ele lembra que o diabético que depende de insulina tem expectativa de vida menor, e somar insulina, esteroide e o resto vira uma bomba-relógio.</p>

<p>O recado é importante porque vem de alguém que competiu no mais alto nível. Nem todo recurso que aumenta peso melhora o físico. Nem todo recurso que funciona em teoria vale o custo. No bodybuilding extremo, a pergunta não é apenas "isso ajuda a crescer?". A pergunta é "o que isso cobra em saúde, estética e controle?".</p>

<p>Para quem não vive de palco, a conclusão é ainda mais clara. Copiar práticas de elite, sem estrutura médica e sem motivo competitivo real, é uma forma cara de brincar com o próprio corpo.</p>

<h2>As doses de antigamente eram outras</h2>

<p>O trecho mais concreto sobre farmacologia é a comparação de época. A trembolona que o grupo dele usava vinha da França, na forma de parabolan, com 76 mg por ampola. O padrão aceito era de 2 a 3 ampolas por semana, algo em torno de 200 mg, e ninguém passava disso porque o composto era considerado potente e tóxico demais. Hoje aparecem pessoas que nem competem dizendo a ele que estão em 800 mg de trembolona por semana. A reação dele é sempre a mesma pergunta: de onde saiu essa informação.</p>

<p>A conta que ele faz é simples. Existe um ponto em que o copo já está cheio e o que se acrescenta apenas transborda. Passado esse limite, não há mais ganho, só estresse extra no organismo, retenção e um físico que fica mais liso em vez de mais denso. É por isso que ele diz ouvir de amadores doses maiores do que as que ele próprio usou para vencer o Mr. Olympia.</p>

<p>O conselho dele para quem não compete é direto: não usar esteroide. A exceção que ele abre é a reposição hormonal depois dos 40 anos, quando a testosterona está baixa, feita para devolver os níveis de um homem de 25 ou 30 anos. Ele mesmo faz reposição hoje, e atribui parte da queda à supressão acumulada por anos de uso na carreira. Registrar o que ele diz não é recomendação de uso, e nada disso substitui acompanhamento médico.</p>

<h2>Esporte extremo não é sinônimo de saúde</h2>

<p>Yates separa exercício para saúde de esporte competitivo. Musculação, cardio e movimento podem melhorar a vida. Levar o corpo ao extremo para vencer pode cobrar outro preço. Essa diferença precisa ficar clara.</p>

<p>Bodybuilding profissional exige peso corporal alto, dieta extrema, restrição, sobrecarga articular, uso de fármacos, estresse psicológico e anos de repetição. Não é a mesma coisa que treinar para envelhecer melhor. A lista de mortes que ele cita não é abstrata: Mike Matarazzo, que competiu contra ele, fez ponte de safena aos 38 anos e morreu aos 48. Mohamed Benaziza, o homem que o venceu na estreia profissional, morreu pouco depois dos 30, em turnê pela Europa, com o corpo inteiro entrando em cãibra por perda de eletrólitos causada por diurético. Shawn Rhoden venceu o Olympia perto dos 44 anos e morreu aos 46.</p>

<p>Ele não trata a carreira com arrependimento. Pelo contrário, assume que fez o que queria fazer. Mas também reconhece que, depois, precisou ser mais gentil com o corpo. O corpo que vence títulos é o mesmo veículo que precisa funcionar quando os títulos acabam.</p>

<h2>A aposentadoria exigiu outro tipo de força</h2>

<p>Yates encerrou a carreira cedo para os padrões atuais. O último campeonato veio aos 35 anos, e a aposentadoria chegou aos 36. Na carreira, rompeu um bíceps e um tendão do tríceps, e chegou ao fim com o ombro esquerdo desgastado. O estrago final veio depois: treinando luta com amigos, caiu sobre o ombro e rompeu o manguito rotador. Fez 2 cirurgias, nenhuma resolveu, e desistiu de operar de novo quando deslocou o mesmo ombro numa queda de mountain bike. Não sente dor, mas perdeu força para empurrar e para qualquer movimento acima da cabeça.</p>

<p>Depois do palco, a prioridade mudou. Yoga, alongamento, cardio, respiração, meditação, sol, caminhada e treinamento mais leve entraram como ferramentas de funcionalidade. O ponto de partida foi humilhante para quem agachava carga absurda: ele não conseguia ficar em pé sobre um pé só sem perder o equilíbrio, não girava o tronco para olhar para trás dentro do carro e ia ao quiroprata duas vezes por mês para soltar a região. A fáscia estava tão presa que os primeiros alongamentos ardiam e chegavam a dar náusea. Depois do yoga, parou de precisar do quiroprata. O homem que agachava e puxava cargas absurdas precisou reaprender equilíbrio, mobilidade e relação com o próprio corpo. Hoje o parâmetro de forma é outro: ele mede se está bem pela capacidade de ultrapassar rapazes de 20 anos numa trilha de montanha.</p>

<p>Essa virada talvez seja uma das lições mais maduras da história. Continuar tentando ser o mesmo personagem para sempre seria prisão. Evoluir significou aceitar que a versão campeã cumpriu sua missão.</p>

<h2>Não cristalizar é parte da vitória</h2>

<p>Yates usa a ideia de ficar "cristalizado" para explicar um erro comum: a pessoa chega aos 30 ou 40 anos, define quem é e passa o resto da vida defendendo essa forma antiga. No fisiculturismo, isso aparece quando o atleta acredita que só será amado se continuar enorme, intimidador e preso ao personagem.</p>

<p>A pergunta que ele mais ouve de gente jovem é se não se sente mal por estar menor. A resposta é que está menor porque quer estar menor. A vida dele depois do Olympia mostra outra possibilidade. O campeão continua existindo, mas não precisa mandar em tudo. É possível virar mentor, empresário, praticante de outros métodos, defensor de novas experiências e figura mais aberta sem apagar o passado. Ele cita como divisor a experiência com psicodélicos, que descreve como o momento em que entendeu que precisava tratar melhor o próprio corpo, e hoje organiza retiros de ayahuasca na Costa Rica, com grupos de cerca de 20 pessoas, vários vindos do meio fitness por curiosidade.</p>

<p>O ponto não é abandonar a identidade. É permitir que ela cresça. Um corpo muda. A reputação muda. A visão de mundo muda. Quem não aceita isso fica refém da própria foto antiga.</p>

<h2>Faça do seu jeito</h2>

<p>Perguntado como gostaria de ser lembrado, ele responde com o título de uma música de Frank Sinatra, "My Way". A frase que resume Dorian Yates é simples: fazer do próprio jeito. Ela explica a Temple Gym, o silêncio, o treino registrado, o preto e branco, o afastamento da cena americana, a recusa em depender de equipe e a coragem de mudar depois da aposentadoria.</p>

<p>Ele nunca teve equipe. Recusava a lógica de time no que considerava um esporte individual e dizia, com todas as letras, que não é uma pessoa treinável, porque um técnico manda fazer e ele pergunta por quê. A teimosia apareceu já no primeiro ensaio para as revistas em Venice, quando recusou os óculos escuros e o borrifador de água que davam aparência de suor e exigiu peso de verdade: fez remada com um halter de 90 kg e avisou ao fotógrafo que não conseguiria sorrir nem segurar a pose, era erguer e clicar. Aquela foi a primeira capa dele na Flex e mudou o padrão de fotografia do meio. Fazer do próprio jeito não significa ignorar informação. Yates ouvia, filtrava, testava e decidia. A diferença é que a responsabilidade final ficava com ele. Se vencesse, era consequência das escolhas. Se perdesse, também.</p>

<p>Essa talvez seja a maior lição para qualquer maromba. Copiar método, ciclo, divisão de treino, dieta ou personalidade de campeão sem entender o próprio corpo é terceirizar a vida. Aprender com Dorian não é imitar tudo que ele fez. É desenvolver coragem para medir, ajustar, assumir risco e construir uma identidade própria.</p>

<h2>Lições práticas de Dorian Yates</h2>

<ul>
  <li>Genética importa, mas só vira legado com trabalho brutal.</li>
  <li>Esteroides não substituem estrutura, resposta individual, treino e cabeça.</li>
  <li>Treino curto pode ser devastador quando a intensidade é real.</li>
  <li>Registrar tudo protege contra autoengano, e ele registrou cada treino de 1983 a 1997.</li>
  <li>Recuperação faz parte do método, não é preguiça.</li>
  <li>O ambiente de treino precisa combinar com a identidade do atleta.</li>
  <li>Silêncio e foco podem ser vantagem competitiva.</li>
  <li>Tamanho sem condicionamento não constrói físico histórico: ele largou 5 kg de volume para subir ao palco com 117 kg mais secos.</li>
  <li>Recursos químicos precisam ser avaliados pelo custo, não só pelo ganho: ele venceu o Olympia com cerca de 200 mg de trembolona por semana e vê amadores em 800 mg.</li>
  <li>Insulina como anabolizante ele classifica como erro dos 2 últimos anos de carreira.</li>
  <li>Esporte extremo cobra uma conta diferente de exercício para saúde.</li>
  <li>Aposentar um personagem também é sinal de força.</li>
  <li>Fazer do próprio jeito exige informação, teste e responsabilidade.</li>
</ul>

<h2>Conclusão</h2>

<p>Dorian Yates marcou o fisiculturismo porque uniu brutalidade e método. A imagem do monstro que surgia das sombras só funcionava porque havia diário de treino, análise fria, rotina repetida, sacrifício real e uma noção clara de que palco não perdoa fantasia.</p>

<p>A história dele também mostra o outro lado da grandeza. O corpo campeão tem prazo, o esporte extremo cobra preço e a identidade precisa continuar respirando depois da última pose. A melhor forma de aprender com Dorian não é copiar a casca do personagem. É entender a lógica por trás dele: intensidade, recuperação, disciplina, verdade consigo mesmo e coragem de mudar quando a fase muda.</p>

<h2>FAQ</h2>

<h3>Quem é Dorian Yates?</h3>
<p>Dorian Yates é um fisiculturista britânico, seis vezes Mr. Olympia, conhecido pela densidade muscular extrema, pelo condicionamento agressivo e pela personalidade reservada que rendeu o apelido "The Shadow".</p>

<h3>Por que Dorian Yates mudou o fisiculturismo?</h3>
<p>Porque elevou a régua de massa muscular combinada com condicionamento. Depois dele, o físico campeão passou a exigir mais densidade, dureza e presença intimidadora.</p>

<h3>O que era o treino HIT de Dorian Yates?</h3>
<p>Era uma abordagem de baixo volume e altíssima intensidade, com séries levadas muito perto ou além da falha, controle rigoroso em logbook e grande atenção à recuperação.</p>

<h3>Por que o logbook era tão importante para Dorian?</h3>
<p>Porque permitia avaliar progresso de forma objetiva. Carga, repetições, frequência e resposta do corpo mostravam se o método estava funcionando ou se precisava ser ajustado.</p>

<h3>Dorian Yates recomenda copiar tudo que ele fazia?</h3>
<p>Não. A grande lição é entender princípios: intensidade, recuperação, registro, realismo e responsabilidade. Copiar literalmente a rotina de um campeão pode ser inadequado para a maioria das pessoas.</p>

<h3>Com quanto Dorian Yates competia?</h3>
<p>No Olympia de 1993, o que consolidou o domínio dele, subiu ao palco com cerca de 117 kg. Nas fotos em preto e branco feitas 6 semanas antes, estava por volta de 122 kg. No off-season da carreira, chegava a variar entre 133 kg e 140 kg.</p>

<h3>Quais fármacos Dorian Yates admite ter usado?</h3>
<p>Ele fala abertamente de esteroides, cita a trembolona em forma de parabolan, com 76 mg por ampola e de 2 a 3 ampolas por semana, e assume o uso de insulina em 1996 e 1997. Hoje faz reposição de testosterona. Ele não recomenda esteroide para quem não compete, e o registro aqui é factual, não orientação de uso.</p>

<h3>Por que Dorian Yates se aposentou tão cedo?</h3>
<p>O último título veio aos 35 anos e a aposentadoria aos 36, com rompimento de bíceps, rompimento de tendão do tríceps e o ombro comprometido. Depois da carreira, um acidente de treino terminou de romper o manguito rotador, e 2 cirurgias não resolveram.</p>

<h3>Qual é a principal lição da carreira de Dorian Yates?</h3>
<p>A principal lição é fazer do próprio jeito, mas com método. Ouvir, testar, registrar, assumir responsabilidade e mudar quando a vida exigir outra versão de você.</p>

<h2>Referências</h2>
<ol>
  <li>TRUE GEORDIE. <em>DORIAN YATES | True Geordie Podcast #148</em>. [S. l.], 2 jan. 2022. Disponível em: <a href="https://www.youtube.com/watch?v=P3oIBhBGQpg" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://www.youtube.com/watch?v=P3oIBhBGQpg</a>. Acesso em: 3 ago. 2026.</li>
</ol>]]></description><guid isPermaLink="false">1082</guid><pubDate>Wed, 22 Jul 2026 16:13:00 +0000</pubDate></item><item><title>Ramon Dino e Fabr&#xED;cio Pacholok: li&#xE7;&#xF5;es de campe&#xE3;o para treinar, competir e liderar</title><link>https://fisiculturismo.com.br/mat%C3%A9rias/gente/ramon-dino-e-fabr%C3%ADcio-pacholok-li%C3%A7%C3%B5es-de-campe%C3%A3o-para-treinar-competir-e-liderar-r1072/</link><description><![CDATA[
<p><img src="https://cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2026_08/ramon-dino-fabricio-pacholok-licoes-capa.webp.9c92256337235eb5fcec00ac2570b42d.webp" /></p>
<p>Ganhar um título muda a vitrine, mas não muda a regra principal do fisiculturismo: quem chega ao topo precisa continuar merecendo o topo todos os dias. Em <em>"RAMON DINO + FABRICIO PACHOLOK - Flow #509"</em>, do Flow Podcast, Ramon Dino e Fabrício Pacholok deixam uma aula rara sobre preparação, confiança, treino, equipe, estratégia e maturidade competitiva.</p>

<p>A história interessa porque não é apenas sobre uma medalha. É sobre como um atleta brasileiro saiu do Acre, furou a bolha do esporte, chegou ao ponto mais alto da Classic Physique e, ao lado do treinador, transformou um ano difícil em construção. O título aparece como consequência. O método aparece como lição.</p>

<h2>O título não começa no palco</h2>

<p>O momento em que o nome do campeão é anunciado parece explosão emocional, mas o resultado começa muito antes. Começa nas refeições limpas quando a vontade era comer outra coisa. Começa nos treinos de pose repetidos até o atleta saber exatamente o que mostrar. Começa na escolha de ficar calmo porque todo o trabalho foi feito.</p>

<p>Essa é uma das primeiras lições de Ramon: confiança não nasce de frase motivacional. Confiança nasce de evidência. Quando treino, dieta, pose e rotina foram cumpridos, o palco deixa de ser um lugar de improviso e vira um lugar de apresentação.</p>

<p>Os números ajudam a entender o tamanho do controle. Ramon subiu ao palco com 101 kg, e o limite da Classic Physique para a altura dele é 103 kg. Ou seja, ele venceu ainda com 2 kg de margem sobrando dentro da categoria, o que significa espaço para crescer sem precisar mudar de divisão. A escolha de fazer todas as refeições limpas até o dia da competição, sugerida pelo nutricionista da equipe, entrou nessa conta, e os treinos de pose foram conduzidos por um profissional específico para isso.</p>

<p>A melhora física também conta, claro. Peitoral, costas, detalhes de perna, profundidade dos cortes e capacidade de valorizar o frame continuam sendo pontos técnicos. Só que, em fisiculturismo de elite, shape bom sem postura pode parecer menor do que realmente é. Um atleta que não acredita no próprio pacote posa pior, mostra menos e perde presença.</p>

<p>Fabrício é específico sobre o que mudou e sobre o que ainda falta. O peitoral foi o ponto de maior evolução no ano, a ponto de a pose de peitoral virar uma das preferidas do treinador, e Ramon passou a ganhar o duplo bíceps de costas do principal rival. A lista do que precisa continuar subindo é curta e clara: mais massa no dorsal, porque os dois adversários diretos têm cintura escapular maior e o dorsal é o que valoriza o frame nas poses de frente, além de mais detalhe nas pernas e mais profundidade nos cortes. O plano para o ano seguinte é dar volume de treino maior a esses grupos e casar isso com a dieta, comendo um pouco mais justamente nos dias em que eles são treinados.</p>

<h2>Postura de campeão também é treino</h2>

<p>Ramon deixa claro que a confiança em 2025 foi diferente. Não era só estar grande ou condicionado. Era subir sabendo o que fazer, como se posicionar e como expressar vitória antes de qualquer placar.</p>

<p>Esse detalhe é importante para qualquer atleta. A apresentação não deve ser tratada como enfeite final. Pose é parte do resultado. Controle emocional é parte do resultado. Segurança em palco é parte do resultado.</p>

<p>Quando o físico está no limite, pequenos detalhes ficam enormes. Uma transição mal feita, uma pose sem convicção ou um olhar inseguro podem reduzir a impressão de densidade, linha e domínio. O corpo precisa estar pronto, mas a cabeça precisa permitir que o corpo apareça.</p>

<h2>A conexão entre atleta e treinador virou vantagem competitiva</h2>

<p>A parceria entre Ramon e Fabrício não aparece como relação distante de planilha. É convivência, leitura diária e confiança real. Eles passaram longos períodos juntos, viajaram, treinaram, dividiram casa, rotina e pressão. Isso muda o nível de ajuste possível.</p>

<p>A convivência tem número. Foram 5 viagens aos Estados Unidos no mesmo ano, sempre com os dois na mesma casa, e a reta final foi cumprida em regime de concentração, com o atleta, o treinador, o cinegrafista da equipe e mais uma atleta dividindo o mesmo teto em Tampa. O patrocinador bancou passagem, hospedagem e suplementação, incluindo temporadas de treino ao lado do campeão da Open, uma apresentação convidada em Pittsburgh e uma rodada de avaliação com árbitros para colher feedback antes do Olympia.</p>

<p>Na reta final, o treinador precisa perceber quando insistir e quando recuar. Precisa saber se a queda de desempenho é cansaço normal, risco de lesão, falta de recuperação ou apenas um dia ruim. Esse tipo de decisão não nasce só de teoria. Nasce de observação constante.</p>

<p>O critério é objetivo. Cada exercício tinha 2 séries válidas planejadas. Quando Fabrício via o rendimento cair já no segundo exercício, o treino seguinte passava a ter apenas 1 série válida naquele ponto, com treino mais curto, mesma carga e repetições o mais próximo possível das da semana anterior. Carga e repetições eram anotadas treino a treino, e a informação do nutricionista entrava na decisão: em dia de restrição mais alta se tirava uma série, em dia depois de refeed já se esperava render mais.</p>

<p>Para Ramon, a presença de Fabrício aumentou a entrega. A lógica é simples: quando o atleta confia em quem está conduzindo, ele consegue sofrer com direção. Em vez de gastar energia duvidando do processo, ele executa.</p>

<h2>Treinar pesado comendo pouco é a fase mais cruel</h2>

<p>Uma das partes mais fortes da preparação é a fase em que o atleta precisa continuar treinando pesado mesmo com o corpo desgastado por meses de restrição. A força já não vem com a mesma facilidade. As articulações reclamam mais. A energia mental cai. Ainda assim, a musculatura precisa receber sinal suficiente para preservar volume e densidade.</p>

<p>A solução não é simplesmente treinar mais. O ajuste fino passa por preservar carga e intensidade onde ainda faz sentido, reduzindo volume quando necessário. Em vez de empilhar séries por orgulho, a estratégia pode ser fazer menos séries válidas, encurtar o treino e manter a qualidade do estímulo.</p>

<p>Isso também explica por que presença, registro e controle importam. Saber a carga usada, o número de repetições, o rendimento da semana anterior e o efeito de um refeed permite tomar decisões melhores. Sem isso, a preparação vira chute com aparência de coragem.</p>

<p>As cargas dão a dimensão do trabalho. Na remada curvada com barra, Ramon chegou a 80 kg de cada lado, o equivalente a 4 anilhas de 20 kg por lado, e também fez séries com 120 kg em menos repetições. No hack, chegou a 9 anilhas. No leg press, que vinha depois do hack e já pegava o atleta desgastado, eram cerca de 500 kg somados a 2 elásticos grossos. Supino com barra livre ele não usa, e o exercício sequer existe no centro de treinamento, por ser um dos que mais produzem lesão.</p>

<p>Há ainda um detalhe de método que quase ninguém considera. Máquinas de marcas diferentes não pesam igual: o que no Brasil ele fazia com 4 pratos, nos equipamentos usados nos Estados Unidos exigia 5. Por isso a equipe escolheu em Las Vegas uma academia com o mesmo maquinário da que usava em Tampa, para não precisar recalibrar carga e readaptar movimento na semana mais delicada da preparação. O acompanhamento com fisioterapia ao longo do ano resolveu as dores de ombro e de lombar que antes limitavam os treinos de perna.</p>

<h2>Intensidade sem imprudência</h2>

<p>Fisiculturismo de alto nível exige treino duro, mas treino duro não é licença para ignorar risco. A experiência de Fabrício com lesões ajuda a entender esse limite. No caso de Derek Lunsford, uma lesão no peitoral a poucas semanas do Olympia exigiu adaptação imediata, controle de amplitude, redução de risco e manutenção de estímulo sem transformar o problema em desastre.</p>

<p>O quadro era pior do que parece de fora. Faltando 5 semanas para o Olympia, Lunsford fez uma contratura em um supino e rompeu algumas fibras internas do peitoral, com hematoma. No retorno, o supino recomeçou com 15 kg, em cadência bem lenta, com pico de contração e sem alongar a musculatura. A estratégia que acelerou a recuperação foi treinar as costas dentro de uma faixa de intensidade adequada, porque a ordem de ativar o dorsal obriga o peitoral a relaxar e ajuda a desfazer a contratura mais rápido. Fabrício já havia enfrentado exatamente o mesmo problema com Rafael Brandão, a 54 dias de um campeonato que o atleta acabou vencendo, e foi essa experiência que sustentou a decisão de não interromper a preparação.</p>

<p>A mesma lógica serve para qualquer praticante em escala menor. Quando o corpo dá sinal de alerta, insistir no padrão exato por vaidade pode custar caro. Às vezes, a melhor decisão é mudar amplitude, trocar exercício, reduzir volume, preservar carga possível ou trabalhar músculos que permitam manter condicionamento sem agravar a área sensível.</p>

<p>Treinar de verdade não é se machucar. Treinar de verdade é sustentar progresso pelo maior tempo possível.</p>

<p>O relato de um companheiro de equipe mostra o outro extremo do risco. O atleta saiu do hotel com 112 kg, que era o limite previsto para a altura dele, mas a medição oficial no dia deu menos, e o limite caiu para 109 kg. Com pouco mais de 1 hora para resolver, ele recorreu a imersão em água muito quente com sal grosso e álcool, e perdeu 4 kg em 40 minutos, terminando o corte com roupa pesada e ar quente no carro. Bateu o peso, mas é o tipo de manobra que cobra caro e só existe porque algo saiu do controle antes.</p>

<h2>O campeão não precisa competir toda hora</h2>

<p>Depois de conquistar o Olympia, a estratégia muda. Competir em outros campeonatos pode parecer tentador, mas traz custo físico, mental e simbólico. Uma preparação extra rouba tempo de recuperação, aumenta desgaste articular, exige nova finalização e ainda abre risco de perda de prestígio caso algo dê errado.</p>

<p>A ideia de focar apenas no Olympia tem lógica esportiva. O campeão protege tempo de descanso, reorganiza o off-season, consolida melhorias e deixa outros atletas disputarem espaço no circuito. Enquanto isso, prepara a defesa do título com mais qualidade.</p>

<p>A conta de calendário é direta. Os campeonatos de peso no início do ano acontecem entre março e maio, e entrar em um deles significaria fechar o físico, descansar de novo e só então recomeçar a preparação do Olympia, com o descanso empurrado para o meio do ano. Fabrício cita um caso concreto do circuito: o campeão da Open resolveu competir em março, perdeu para o adversário direto e chegou ao Olympia seguinte já sem o peso simbólico de favorito isolado. Por isso Ramon, o campeão da Open e mais uma atleta do time vão direto ao Olympia, sem competição prévia.</p>

<p>Vale registrar como é esse off-season na prática, porque ele explica a saúde do projeto. Ramon circula entre 120 kg e 122 kg fora de competição, com pico já registrado perto de 126 kg, e come em torno de 6.000 calorias por dia nessa fase. É muito, mas é contido pelo teto da categoria. Na descida até o peso de palco entra também o <a href="https://fisiculturismo.com.br/mat%C3%A9rias/esteroides/ciclo-do-ramon-dino-a-lista-lida-no-podcast-e-a-briga-das-doses-r850/" target="_blank" rel="noopener">protocolo hormonal que Ramon declarou</a>. O próprio Fabrício, quando era atleta de Open, chegou a 150 kg com uma dieta de 10.000 calorias e refeições de 1 kg batidas no liquidificador para conseguir engolir. O preço foi apneia do sono, refluxo, pressão alta e insuficiência cardíaca. Hoje ele se mantém entre 117 kg e 118 kg e diz que até 140 kg estava bem, que o excesso foi a parte desnecessária da história.</p>

<p>Essa lição vale além do palco. Nem toda oportunidade boa cabe no plano. Às vezes, dizer não é o que permite construir algo maior.</p>

<h2>Furar a bolha aumenta a responsabilidade</h2>

<p>O título de Ramon levou o fisiculturismo brasileiro para fora do nicho. O esporte apareceu em portais, conversas gerais e públicos que antes não acompanhavam a modalidade. Isso cria uma nova função: o campeão deixa de ser apenas atleta e passa a representar uma história.</p>

<p>Representar o Brasil, o Acre, a família e o fisiculturismo nacional não é detalhe emocional. É combustível, mas também é peso. A vitória de Ramon não carrega só o nome dele. Carrega a ideia de que um atleta brasileiro pode chegar ao topo mundial com trabalho, equipe e constância.</p>

<p>Fabrício também entra nessa virada. Preparar atletas no maior nível do mundo e receber reconhecimento latino mostra que o treinador brasileiro pode disputar espaço fora do país. O mérito não veio de marketing vazio. Veio de entrega acumulada, experiência e resultado.</p>

<p>O ineditismo é verificável. O Mister Olympia existe há 61 anos e, até 2025, nenhum treinador latino havia preparado um campeão norte-americano da competição. O retorno veio de público que a equipe não esperava, com atletas e treinadores da Venezuela, do Paraguai, da Argentina, da Colômbia e do México procurando Fabrício no evento. Ele tinha se preparado para isso: a plataforma de treino que mantém no Brasil, com 100.000 alunos, foi inteiramente regravada em inglês e espanhol antes do Olympia, apostando no que aconteceria se o resultado viesse.</p>

<h2>Família, fé e motivação correta</h2>

<p>Uma preparação desse tamanho cobra muito da vida pessoal. A saudade da família apareceu como um dos pontos mais difíceis. Ao mesmo tempo, a família foi uma das fontes de reconstrução depois de frustração, cobrança pública e comentários ruins.</p>

<p>A lição mental é forte: não dá para deixar 10 comentários negativos pesarem mais do que milhares de pessoas torcendo de verdade. Crítica existe, previsão errada existe, desconfiança existe. O atleta precisa escolher onde deposita a atenção.</p>

<p>Para Ramon, a motivação não parece vir de ódio ao crítico. Vem de propósito, família, fé e compromisso com quem acredita. Isso é mais sustentável do que viver tentando responder hater.</p>

<h2>Teoria e prática precisam andar juntas</h2>

<p>Fabrício resume bem o caminho para quem quer ser treinador: não basta teoria, e não basta prática. Um bom coach precisa estudar, entender treinamento, conhecer preparação e também ter vivência real de treino pesado, dieta, desgaste e adaptação.</p>

<p>A prática sem estudo vira repetição de hábito. A teoria sem prática pode virar prescrição bonita que desmorona no primeiro problema real. No fisiculturismo, o treinador precisa saber ler o atleta, ajustar o treino e respeitar o contexto.</p>

<p>A própria trajetória de Fabrício mostra isso. Ele não virou treinador de campeão mundial por acaso. Houve anos de academia, formação, experiência como atleta, lesões, cursos, trabalho com atletas, presença diária e capacidade de resolver problemas quando o cenário não estava perfeito.</p>

<p>São 25 anos de musculação contados desde o primeiro dia de academia e formação em educação física concluída em 2006. Ele parou de competir por causa das lesões, incluindo uma ruptura de peitoral que precisou de cirurgia, e é essa vivência que ele aponta como parte da qualificação. A recomendação prática que dá a quem quer seguir o caminho é somar as duas frentes, inclusive passando pela experiência de uma preparação real, e ele lembra que o Brasil tem pós-graduação específica para treinadores de fisiculturismo, algo que quase não existe fora do país.</p>

<h2>Depois da queda, vem a reconstrução</h2>

<p>O ano anterior trouxe frustração e desacreditação. A resposta não foi reclamar do julgamento para sempre. A resposta foi reorganizar rota. Fabrício diminuiu o número de atletas, deixou negócios em segundo plano e focou mais na preparação. Ramon também mudou postura, rotina e entrega.</p>

<p>A trajetória explica por que 2024 doeu tanto. Ramon estreou no profissional em 2021 e já ficou entre os 5 primeiros, foi vice em 2022 e vice de novo em 2023. Em 2024 caiu para 4º lugar por um problema de finalização, com retenção e inchaço aparecendo justamente na hora de subir ao palco. A recuperação começou algumas semanas depois, com a vaga garantida no Olympia Brasil, e só então a dupla voltou a trabalhar junta.</p>

<p>Do lado do treinador, a reorganização foi patrimonial. Fabrício tinha 3 academias em sociedade e vendeu a parte dele para se dedicar apenas à preparação de atletas e aos cursos. Mesmo assim, treinou 6 atletas diariamente para o Olympia de 2025 e considerou que foi trabalho demais. Para o ano seguinte, tem 4 nomes classificados e diz que quer manter o time pequeno, inspirado no modelo do treinador mais vitorioso da história da competição, que trabalhava com 2 ou 3 atletas por vez.</p>

<p>Essa é talvez a lição mais útil da história. Fracasso competitivo não precisa virar identidade. Pode virar diagnóstico. O resultado ruim obriga a perguntar o que precisa mudar: ambiente, foco, equipe, detalhe técnico, rotina, pose, treino ou cabeça.</p>

<p>Quem usa a derrota apenas como desculpa fica preso nela. Quem usa a derrota como auditoria volta diferente.</p>

<h2>As lições práticas de Ramon Dino e Fabrício Pacholok</h2>

<ul>
  <li><strong>Confiança vem de preparo:</strong> quanto mais o trabalho foi cumprido, menos espaço sobra para pânico na hora decisiva.</li>
  <li><strong>Pose é parte do pacote:</strong> físico excelente precisa ser apresentado com segurança, postura e repetição.</li>
  <li><strong>Equipe muda resultado:</strong> atleta, treinador, nutrição, pose e suporte emocional precisam conversar entre si.</li>
  <li><strong>Volume não resolve tudo:</strong> na reta final, reduzir séries pode preservar desempenho e diminuir risco.</li>
  <li><strong>Registro importa:</strong> carga, repetições, resposta à dieta e rendimento do dia ajudam a ajustar o treino com precisão.</li>
  <li><strong>Estratégia também ganha campeonato:</strong> competir menos pode ser mais inteligente do que aceitar todo palco disponível.</li>
  <li><strong>Família e propósito sustentam a mente:</strong> a motivação correta protege contra barulho externo.</li>
  <li><strong>Teoria e prática são inseparáveis:</strong> treinador bom precisa estudar e viver a realidade do treino.</li>
</ul>

<h2>Conclusão</h2>

<p>A vitória de Ramon Dino não é só uma história de shape. É uma história de direção. Um atleta com potencial absurdo encontrou uma estrutura mais madura, uma equipe alinhada, uma preparação mais tranquila, uma cabeça mais forte e uma estratégia mais clara.</p>

<p>A grande lição de Fabrício Pacholok é que treinador de elite não é apenas quem passa treino pesado. É quem sabe quando apertar, quando adaptar, quando preservar, quando calar o barulho externo e quando transformar um resultado ruim em plano melhor.</p>

<p>No fim, o título confirma algo maior: talento abre a porta, mas constância, equipe, estratégia e cabeça forte sustentam o lugar no topo.</p>

<h2>FAQ</h2>

<h3>Qual foi a principal lição de Ramon Dino?</h3>
<p>A principal lição é que confiança nasce de preparo real. Dieta, treino, pose, equipe e repetição criam segurança para apresentar o físico com domínio.</p>

<h3>Por que Fabrício Pacholok foi tão importante na preparação?</h3>
<p>Porque a relação próxima permitiu ajustes diários de treino, volume, intensidade e risco. A presença do treinador ajudou Ramon a confiar mais no processo e entregar mais nos dias difíceis.</p>

<h3>O que muda depois de vencer o Olympia?</h3>
<p>O campeão passa a administrar recuperação, prestígio, calendário e responsabilidade pública. Competir menos pode ser uma decisão estratégica para chegar melhor à defesa do título.</p>

<h3>Treinar pesado na reta final é sempre necessário?</h3>
<p>O estímulo precisa continuar forte, mas não de qualquer jeito. Quando a dieta aperta e o corpo está desgastado, pode fazer sentido reduzir volume e preservar a qualidade das séries principais.</p>

<h3>O que um treinador pode aprender com Fabrício Pacholok?</h3>
<p>Que teoria e prática precisam andar juntas. Estudar é indispensável, mas viver o treino, entender o atleta e adaptar o plano em tempo real também fazem parte do trabalho.</p>

<h3>Quanto Ramon Dino pesou no Olympia de 2025?</h3>
<p>Ele subiu ao palco com 101 kg. O limite da Classic Physique para a altura dele é 103 kg, então venceu com 2 kg de margem ainda disponíveis dentro da categoria.</p>

<h3>Quanto Ramon Dino pesa no off-season?</h3>
<p>Fora de competição ele fica entre 120 kg e 122 kg, com pico já registrado perto de 126 kg, comendo cerca de 6.000 calorias por dia. O teto da categoria impede que esse peso suba de forma descontrolada.</p>

<h2>Referências</h2>
<ol>
  <li>FLOW PODCAST. <em>RAMON DINO + FABRICIO PACHOLOK - Flow #509</em>. [S. l.], 22 out. 2025. Disponível em: <a href="https://www.youtube.com/live/FKS5sQ4SPDs" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://www.youtube.com/live/FKS5sQ4SPDs</a>. Acesso em: 21 jul. 2026.</li>
</ol>]]></description><guid isPermaLink="false">1072</guid><pubDate>Tue, 21 Jul 2026 23:17:00 +0000</pubDate></item><item><title>Yarishna Ayala: disciplina, palco e as li&#xE7;&#xF5;es da rainha wellness</title><link>https://fisiculturismo.com.br/mat%C3%A9rias/gente/yarishna-ayala-disciplina-palco-e-as-li%C3%A7%C3%B5es-da-rainha-wellness-r1065/</link><description><![CDATA[
<p><img src="https://cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2026_08/yarishna-ayala-licoes-quadro-negro-capa.webp.bd3d5df0dcf4614846fd2b63c026ab28.webp" /></p>
<p>Yarishna Ayala virou um daqueles nomes que dispensam sobrenome dentro do fisiculturismo feminino. Na entrevista "#22 - Yarishna Ayala", do Cutler Cast, a atleta porto-riquenha aparece como uma personagem perfeita para entender o que existe por trás do palco: esporte desde cedo, dança, família, dificuldade de adaptação, genética fora da curva, pressão competitiva, disciplina e uma relação muito forte com os fãs.</p>

<p>A história dela ensina algo simples e poderoso. Um físico marcante não nasce apenas no dia da competição. Ele é construído por anos de movimento, escolhas repetidas, frustrações bem aproveitadas e capacidade de transformar identidade em carreira.</p>

<h2>Atleta antes de fisiculturista</h2>

<p>A base de Yarishna começa em Porto Rico, dentro de uma vida muito ligada ao movimento. Antes do bikini, do wellness, das redes sociais e dos palcos internacionais, havia esporte. Futebol e atletismo desde criança, com passagem pela seleção nacional porto-riquenha e premiação todo ano, numa relação natural com desempenho.</p>

<p>Esse ponto ajuda a explicar parte do físico que chamou atenção depois. Pernas fortes, coordenação, consciência corporal e facilidade para responder ao treino raramente aparecem do nada. Muitas vezes, o shape que parece "genética pura" também carrega anos de estímulo esportivo acumulado.</p>

<p>A lição para quem treina é importante: a história corporal conta. Quem passou anos praticando esporte, dançando, correndo ou competindo chega à musculação com vantagens invisíveis. Isso não diminui o trabalho. Apenas mostra que o corpo lembra do caminho que percorreu.</p>

<h2>A dança virou escola de palco</h2>

<p>A dança também teve papel decisivo. Yarishna começou a dançar salsa aos 15 anos, ao lado da irmã gêmea, e a dupla passou a circular pelos congressos de salsa da ilha. Foi num desses congressos, em Porto Rico, que uma produção de TV as viu e chamou para uma audição de reality show ligado a Jennifer Lopez e Marc Anthony. Passaram para a fase seguinte, gravaram em Los Angeles, e a parceria só acabou quando a irmã engravidou.</p>

<p>Para uma atleta de palco, dança não é detalhe decorativo. Ela ensina postura, presença, ritmo, expressão, controle de quadril, confiança e capacidade de ocupar espaço sem parecer travada. No wellness, em que a estrutura do corpo precisa conversar com apresentação, isso vira vantagem real.</p>

<p>Muita gente pensa em fisiculturismo como se fosse apenas músculo, dieta e pose obrigatória. A carreira de Yarishna mostra outra camada. O palco premia físico, mas também premia domínio cênico. Quem sabe se apresentar parece maior, mais confiante e mais memorável.</p>

<h2>Nem toda categoria cabe em todo corpo</h2>

<p>A entrada foi rápida demais para dar tempo de escolher direito. Ela aceitou competir uma única vez, para agradar quem insistia, subiu ao Mr. Puerto Rico de 2012 com cerca de 18 anos e levou o overall. Venceu mais 3 competições na ilha, foi para os Estados Unidos, ficou em quarto num show da NPC em Nova York e, 1 semana depois, ganhou o pro card no Junior Nationals de Chicago. Foram cerca de 8 meses entre o primeiro palco e o cartão profissional, numa viagem que ela fez sozinha, sem falar inglês, tendo que espiar as adversárias para saber para que lado virar nos quartos de volta.</p>

<p>A passagem pelo bikini trouxe uma contradição curiosa. Yarishna tinha facilidade para desenvolver pernas e gostava de treinar pesado, mas a categoria exigia contenção. Em certos momentos, o caminho era o oposto exato do desejo natural dela: zero peso, 1 hora de corrida e elástico pela manhã, dieta que ela resume como “eu comia ar”, praticamente sem carboidrato, só para segurar músculo.</p>

<p>O resultado competitivo acompanhou a frustração: foram 5 anos como bikini pro sem vencer nenhuma etapa, com um teto de quinto lugar no Puerto Rico Pro, repetido 3 vezes. Quando a atleta ama treinar pesado e precisa se segurar para caber numa categoria, a rotina perde sentido. A decisão de parar 3 anos e voltar a treinar com cargas altas mostra uma lição prática: a categoria precisa respeitar a estrutura do atleta.</p>

<p>Forçar um corpo feito para pernas, glúteos e densidade a parecer menor pode até funcionar por um tempo. Mas existe um custo emocional e esportivo. Quando o wellness cresceu, a estrutura de Yarishna encontrou um lugar mais coerente.</p>

<h2>Genética ajuda, mas precisa de direção</h2>

<p>A facilidade de Yarishna para pernas é evidente na própria forma como a carreira é narrada. Ela agacha 142,9 kg (315 lb), abre o treino de glúteo pelo exercício mais pesado do dia e vê a musculatura responder rápido demais. Só que genética sem direção pode virar excesso no lugar errado.</p>

<p>No wellness, o objetivo não é simplesmente ter pernas enormes. A leitura passa por cintura, proporção, glúteos, linhas, condição e ilusão visual. Por isso, o treino dela não é uma corrida cega por mais volume em tudo. O trem superior recebe 1 sessão de ombros e 1 de costas por semana, em formato de circuito, enquanto o feedback dos juízes redirecionou o esforço para glúteos, justamente porque as pernas já eram grandes demais para a ilusão que o wellness premia.</p>

<p>Essa é uma lição muito útil para praticantes comuns. Ponto forte também precisa ser treinado com inteligência. Às vezes, o músculo que cresce fácil não precisa de mais volume indiscriminado. Precisa de acabamento, proporção e encaixe no conjunto.</p>

<h2>Disciplina o ano todo muda a carreira</h2>

<p>Yarishna costuma ficar perto do peso de competição. A diferença é pequena, de 2,3 a 4,5 kg (5 a 10 lb) na maior parte do ano. Isso não significa viver em sofrimento permanente, mas revela uma visão profissional do corpo.</p>

<p>Para quem trabalha com imagem, treino, eventos, seguidores e apresentações, estar em forma não é apenas vaidade. É parte do ofício. A atleta que inspira outras pessoas a treinar e comer melhor precisa sustentar uma coerência visível entre discurso e rotina.</p>

<p>A lição aqui não é exigir que todo praticante viva seco o ano inteiro. A mensagem é outra: quanto mais importante o físico é para o seu objetivo, menos espaço existe para largar tudo fora de temporada. Consistência reduz a distância entre o corpo atual e o corpo necessário.</p>

<h2>Viagem não pode virar desculpa</h2>

<p>A rotina de eventos e compromissos aparece como uma das marcas da carreira de Yarishna. Numa mesma temporada, ela emendou Virgínia, Nova Jersey, San Diego, Reno, Las Vegas e Nova York, e chegou a passar 2 semanas em Dubai pouco antes de competir no Texas. A conversa com o Cutler Cast acontece a 5 semanas do primeiro Arnold Classic dela, com refeições, cardio e treino em dia.</p>

<p>Esse ponto separa amadorismo de profissionalismo. Viajar atrapalha, muda horários, complica comida, tira sono e exige adaptação. Mas, para quem vive do esporte, o plano precisa viajar junto. Marmitas, escolhas simples, horários e disciplina viram ferramentas de sobrevivência competitiva.</p>

<p>Quem treina por estética também pode aprender com isso. A rotina perfeita quase nunca existe. O que existe é capacidade de manter o essencial mesmo quando o cenário não ajuda.</p>

<h2>Pressão demais também cobra preço</h2>

<p>A estreia do wellness no Olympia, em 2021, trouxe uma carga simbólica enorme. Yarishna era tratada como a favorita natural da divisão, e todo mundo repetia isso para ela na academia e nas redes. Entre meet and greets, entrevistas e compromissos, ela praticamente não dormiu na semana do evento e terminou em quarto lugar. Expectativa pública empurra uma atleta para frente, mas também tira sono, clareza e leveza.</p>

<p>O fisiculturismo exige controle emocional porque o corpo responde à rotina inteira. Sono ruim, ansiedade e pressão constante interferem na preparação. Não basta estar bem treinada. É preciso chegar ao palco com cabeça suficiente para executar.</p>

<p>A correção veio como regra simples: 8 horas de sono por noite nas semanas finais e atenção no próprio preparo, não nas entrevistas nem nos comentários. A lição é dura: a expectativa dos outros não pode comandar a preparação. O atleta precisa ouvir feedback, respeitar o tamanho do evento e, ao mesmo tempo, proteger a própria estabilidade.</p>

<h2>Derrota pode ser ajuste, não sentença</h2>

<p>Uma das histórias mais fortes é a sequência entre Pittsburgh e Nova York, no retorno dela aos palcos. Em Pittsburgh ficou em segundo, atrás de Angela, e saiu frustrada. Foram 14 dias de ajuste concentrado em glúteos até a etapa seguinte, e o pacote apresentado em Nova York já era outro: ela venceu, e Angela ficou em segundo.</p>

<p>Essa virada mostra como uma derrota útil funciona. Ela não vira drama eterno, nem desculpa. Vira informação. O placar aponta onde mexer, o atleta faz o ajuste e volta melhor.</p>

<p>Perder também ensina maturidade. Um quarto lugar no Olympia, uma segunda colocação ou uma crítica dos juízes podem doer. Mas o bodybuilding é feito de versões. Quem entende isso para de tratar cada resultado como identidade definitiva e passa a usar cada competição como diagnóstico.</p>

<h2>O público também faz parte do esporte</h2>

<p>Yarishna chegou perto de 3 milhões de seguidores no Instagram, contra cerca de 1 milhão quando se mudou para Miami em 2017, e não trata isso como número. Responde comentários aos poucos, de 10 a 15 por vez, sempre que sobra brecha no dia. Atender quem viajou 5 ou 10 horas só para tirar uma foto faz parte do ofício, e ela costuma ser a última a querer encerrar.</p>

<p>Isso muda a leitura do fisiculturismo moderno. O atleta não compete só no palco. Ele também comunica, inspira, vende, ensina, aparece e cria comunidade. Quem entende essa dimensão prolonga a carreira e transforma popularidade em vínculo real.</p>

<p>Existe uma lição humana nessa postura. O fã que espera uma foto, uma palavra ou um gesto pode lembrar daquele momento por anos. Para o atleta cansado, pode parecer pequeno. Para quem admira, pode ser enorme.</p>

<h2>Imagem pessoal também é trabalho</h2>

<p>A ligação de Yarishna com moda, cabelo e maquiagem não é superficial dentro da história. O tio dela, Carlos Alberto, é estilista conhecido por vestir candidatas do Miss Universo, e ela cresceu vendo aquilo de perto. Trabalhou 4 anos como modelo, parou porque a altura não atendia às exigências das agências, aprendeu a fazer o próprio cabelo e a própria maquiagem e planeja lançar uma linha de roupas de treino.</p>

<p>No fisiculturismo feminino, imagem pessoal é parte da mensagem. Roupa, cabelo, maquiagem, pose, postura e estética não substituem músculo, mas ajudam a traduzir o físico. A atleta que domina a própria imagem comunica melhor o que construiu.</p>

<p>Isso vale especialmente para quem deseja viver do esporte. Treinar bem é o centro. Mas carreira também exige apresentação, identidade e capacidade de ser lembrada.</p>

<h2>Lições práticas de Yarishna Ayala</h2>

<ul>
  <li>use sua história corporal a favor do treino atual.</li>
  <li>não escolha uma categoria que briga contra sua estrutura.</li>
  <li>treine pontos fortes com direção, não apenas com volume.</li>
  <li>mantenha consistência fora da temporada.</li>
  <li>aprenda a viajar sem abandonar o plano.</li>
  <li>trate derrota como feedback prático.</li>
  <li>proteja sono e cabeça nas fases de maior pressão.</li>
  <li>entenda que fãs, imagem e comunicação fazem parte da carreira.</li>
  <li>mantenha coerência com patrocinadores em vez de trocar de marca a cada semana.</li>
</ul>

<h2>Conclusão</h2>

<p>Yarishna Ayala representa uma versão moderna do fisiculturismo feminino: atlética, midiática, disciplinada, estética e conectada ao público. A trajetória dela mostra que o palco é apenas a parte visível de uma construção muito maior.</p>

<p>A maior lição talvez seja essa. O físico chama atenção, mas a carreira se sustenta por escolhas repetidas: treinar com propósito, ajustar o caminho quando a categoria não encaixa, lidar com pressão, respeitar a rotina e valorizar as pessoas que acompanham a jornada. O resultado é uma atleta que não parece ter surgido do nada. Parece ter encontrado, aos poucos, a categoria certa para uma história que já estava sendo escrita havia muitos anos.</p>

<h2>FAQ</h2>

<h3>Quem é Yarishna Ayala?</h3>
<p>Yarishna Ayala é uma atleta porto-riquenha de fisiculturismo feminino, muito associada à divisão wellness e conhecida pela combinação de pernas fortes, cintura marcada, presença de palco e grande alcance nas redes sociais.</p>

<h3>Qual foi a base esportiva dela antes do fisiculturismo?</h3>
<p>Antes de se consolidar no bodybuilding, Yarishna jogou futebol e competiu no atletismo, chegando à seleção nacional de Porto Rico, e dançou salsa com a irmã gêmea a partir dos 15 anos, inclusive em um reality show de TV. Toda essa vivência de palco foi para a carreira competitiva.</p>

<h3>Por que o wellness fez sentido para Yarishna?</h3>
<p>Porque o corpo dela respondia muito bem ao treino de pernas e glúteos. No bikini, foram 5 anos como profissional sem vencer nenhuma etapa e um teto de quinto lugar, treinando só com elástico e corrida. O wellness valorizou essa estrutura em vez de puni-la.</p>

<h3>Qual é a principal lição da história dela?</h3>
<p>A principal lição é alinhar genética, categoria, rotina e identidade. Quando o atleta encontra um caminho coerente com o próprio corpo, a evolução fica mais sustentável.</p>

<h3>O que praticantes comuns podem aprender com Yarishna?</h3>
<p>Podem aprender a treinar com propósito, manter consistência, usar derrotas como feedback, cuidar da apresentação pessoal e não abandonar o plano quando a rotina fica difícil.</p>

<h2>Referências</h2>
<ol>
  <li>CUTLER CAST. #22 - Yarishna Ayala. [S. l.], 9 fev. 2022. YouTube. Disponível em: <a href="https://youtu.be/FM3pUq97Ddc" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://youtu.be/FM3pUq97Ddc</a>. Acesso em: 19 jul. 2026.</li>
</ol>]]></description><guid isPermaLink="false">1065</guid><pubDate>Sun, 19 Jul 2026 22:44:00 +0000</pubDate></item><item><title>Nick Walker: disciplina, controle e as li&#xE7;&#xF5;es do Mutante</title><link>https://fisiculturismo.com.br/mat%C3%A9rias/gente/nick-walker-disciplina-controle-e-as-li%C3%A7%C3%B5es-do-mutante-r1064/</link><description><![CDATA[
<p><img src="https://cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2026_08/nick-walker-licoes-estadio-capa.webp.b7409cb79a665ca91bf691b98b28f90e.webp" /></p>
<p>Poucos físicos modernos carregam uma mensagem tão simples quanto Nick Walker: vontade não vale nada se não vira rotina. Em "#90 - Nick Walker - \"I will win the 2023 Mr. Olympia\"", do Cutler Cast, o apelido "The Mutant" aparece menos como marketing e mais como consequência de uma cabeça treinada para obedecer ao plano. A história que interessa não é só a de um atleta gigante tentando vencer o Mr. Olympia. É a de alguém que aprendeu cedo a transformar ambição, derrota, treino e exposição pública em método.</p>

<p>Nick Walker chama atenção pelo tamanho, mas a parte mais útil da trajetória está no modo como ele pensa. O corpo é extremo. A lógica por trás dele é ainda mais interessante: escolher uma meta cedo, aceitar o preço social dela, ajustar o treino quando o ego atrapalha, estudar os adversários, mostrar confiança e continuar profissional mesmo quando o ambiente só quer espetáculo.</p>

<h2>A meta nasceu antes do palco</h2>

<p>Nick não entrou no fisiculturismo como quem apenas queria treinar um pouco mais pesado. A influência começou em casa. O pai chegou a competir em um ou dois shows. O irmão gostava muito de treinar, embora não competisse. Esse ambiente colocou a musculação perto dele desde cedo, mas a decisão de competir foi pessoal.</p>

<p>Aos 14 ou 15 anos, ele viu Jay Cutler em um registro de treino no YouTube, com camiseta vermelha sem mangas, grande, seco, denso e duro. Na cabeça de um adolescente que ainda não entendia a diferença entre fase de competição e off-season, aquilo parecia o corpo que um campeão carregava o ano inteiro. A referência visual virou direção: era daquele tipo de físico que ele queria se aproximar.</p>

<p>O detalhe importante é que a ambição não apareceu depois da primeira vitória. Antes mesmo de subir ao palco pela primeira vez, Nick já dizia que um dia venceria o Olympia. Essa frase poderia soar como arrogância vazia em outro contexto. No caso dele, virou compromisso de longo prazo.</p>

<h2>Trocar o beisebol pelo fisiculturismo foi escolher um tipo de vida</h2>

<p>A mudança não foi pequena. Nick era bom no beisebol, e a mãe via possibilidade de futuro naquele esporte. O problema é que ele já não gostava tanto do ambiente coletivo. O incômodo de perder por erro de outra pessoa e a vontade de controlar mais diretamente o próprio resultado o empurraram para uma modalidade individual.</p>

<p>Fisiculturismo combina com esse perfil porque entrega responsabilidade quase sem desculpa. A dieta é sua. O treino é seu. O sono é seu. O palco expõe o que foi feito e o que não foi feito. Para alguém com mentalidade muito competitiva, isso pode ser libertador e cruel ao mesmo tempo.</p>

<p>A família também precisou se adaptar. No começo, a mãe não entendia por que ele queria comer frango com arroz enquanto a casa girava em torno de jantares familiares. A primeira preparação foi difícil, com humor ruim e tensão. Com o tempo, conforme as vitórias e a evolução apareciam, a resistência virou apoio. A mesma mãe que não queria vê-lo naquele caminho passou a acompanhar comentários, entender o esporte e agir quase como juíza particular.</p>

<h2>Grande cedo não significava pronto cedo</h2>

<p>Nick terminou o ensino médio com cerca de 104,3 kg (230 lb). Não era um adolescente pequeno tentando descobrir academia. Era um garoto naturalmente grande, que já treinava e chamava atenção.</p>

<p>O início, curiosamente, passou por uma Planet Fitness. Depois veio uma academia mais dura, a Extreme Fitness, com halteres de 45,4 a 90,7 kg (100 a 200 lb), máquinas Hammer Strength, Precor e Cybex. Aos 16 anos, aquele ambiente parecia um parque de diversões para alguém que queria viver do ferro. Aos 17, ele já subia ao palco, algo que hoje nem seria possível: a NPC passou a exigir 18 anos.</p>

<p>O primeiro sinal claro veio em 2016, no USA Championships, o primeiro nacional dele: sexto lugar entre mais de 40 atletas, aos 21 ou 22 anos, sem qualquer expectativa. Mesmo assim, virar profissional demorou quase 10 anos. Esse ponto é essencial para entender a carreira. Ter físico de profissional antes do cartão pro não significava estar maduro para competir como profissional. O atraso, visto de fora como frustração, acabou funcionando como tempo de construção.</p>

<h2>A derrota de 2019 virou plano</h2>

<p>Em 2019, Nick ficou em segundo no USA Championships quando muita gente esperava que ele vencesse. Ele também esperava. A queda foi dura porque não parecia apenas uma colocação pior. Parecia uma interrupção no roteiro que ele já tinha escrito para si mesmo.</p>

<p>No dia seguinte, por volta do meio-dia, ele mandou uma mensagem ao treinador Matt Jansen com a resposta pronta: North Americans no ano seguinte, sem perder. A referência mental foi Jay Cutler em 2009, ano em que Jay recuperou o título do Olympia depois de perder para Dexter Jackson em 2008. A ideia não era copiar um físico, mas copiar uma atitude: voltar diferente, mais forte, mais perigoso e sem espaço para dúvida.</p>

<p>A pandemia ainda atravessou o caminho, mas o foco permaneceu. Quando finalmente conquistou o cartão profissional, Nick enxergou a vitória como algo no tempo certo. Talvez ganhar antes tivesse sido bom para o ego. Ganhar quando estava pronto foi melhor para a carreira. A estreia profissional veio 6 semanas depois, no Chicago Pro, com um quarto lugar atrás de 3 adversários que, segundo ele avisou ao sair do palco, nunca mais o venceriam. Não venceram.</p>

<h2>O ego saiu da carga e entrou no controle</h2>

<p>Um dos pontos mais valiosos da trajetória é a mudança de treino. Nick ficou conhecido por cargas absurdas. Halteres de 102,1 kg (225 lb) no supino inclinado não estavam fora da realidade dele. O problema é que levantar muito peso não garante que o músculo-alvo receba o melhor estímulo.</p>

<p>A virada veio quando ele voltou a trabalhar com Matt Jansen e trocou o volume alto por volume baixo com carga controlada, gravando série por série para receber correção. Na prática: negativa lenta, pausa curta embaixo, contração forte no topo e halteres de 54,4 kg (120 lb) no lugar dos 102,1 kg. O peito, ponto historicamente criticado nele, foi o que mais evoluiu com essa mudança. Em vez de transformar cada série em demonstração de força bruta, o objetivo passou a ser fazer o peito trabalhar como peito, as costas como costas, os braços como braços.</p>

<p>O corpo dele continua fora de escala em outros lugares: os braços chegam perto de 61 cm (24 polegadas). O ajuste explica por que um atleta desse porte pode treinar com menos carga e ainda assim evoluir mais. O fisiculturismo não premia o número na anilha. Premia o resultado visual. Quando a carga rouba a tensão do músculo que deveria trabalhar, ela vira vaidade cara demais.</p>

<h2>Pump e contração também são inteligência</h2>

<p>O treino de hipertrofia em alto nível não é apenas entrar na academia e sobreviver à pancadaria. Existe uma espécie de mapa corporal por trás de cada exercício. Posição do tronco, ângulo do cotovelo, caminho da carga, amplitude, velocidade e intenção mudam o lugar onde a tensão cai.</p>

<p>Nick reconhece que algumas regiões precisavam melhorar para equilibrar o físico. Peito, costas, sweep de quadríceps e poses receberam atenção específica, e a leitura dele é que a combinação a perseguir é a condição que levou ao Arnold com a plenitude muscular que levou ao Olympia. Isso desmonta a ideia de que atleta freak treina como robô. O físico extremo exige leitura fina do próprio corpo.</p>

<p>A lição para qualquer praticante é clara: intensidade sem percepção vira bagunça. Treinar pesado é importante, mas saber onde o peso está batendo é tão importante quanto.</p>

<h2>Posar é esconder falhas e mostrar domínio</h2>

<p>Fisiculturismo não é só construir músculo. É apresentar músculo. Nick fala em encontrar formas de esconder falhas, valorizar pontos fortes e transformar poses em vantagem competitiva. Isso é parte do jogo, não detalhe cosmético.</p>

<p>Todo campeão tem ângulos melhores e piores. Ronnie Coleman, usado como comparação, também tinha poses menos fortes, mesmo sendo dominante pelo tamanho e pela parte posterior. A diferença é que campeões aprendem a não entregar fraqueza de graça.</p>

<p>Para Nick, estudar adversários como Hadi Choopan, Derek Lunsford, Samson Dauda e Brandon Curry não é paranoia. É preparação. Choopan e Lunsford foram os únicos a passar à frente dele no Olympia anterior, quando terminou em terceiro, e a leitura que ele faz é específica: contra Lunsford, o que separa os dois é o desenho estético, não condição nem dureza. O palco é comparação direta. Saber onde atacar, onde se proteger e como se posicionar faz parte do trabalho.</p>

<h2>Confiança também pontua</h2>

<p>Nick não fala como alguém satisfeito em estar no top 5. Ele fala como alguém que se considera capaz de vencer, e repete isso desde antes do primeiro título profissional, no New York Pro, quando ninguém sabia quem ele era. A meta declarada não é ganhar 1 Olympia: são 6 Sandows e 4 Arnolds. Essa confiança incomoda muita gente porque soa dura, mas no palco ela tem função prática.</p>

<p>Fisiculturismo é julgamento visual, e julgamento visual também percebe atitude. Entrar tímido, bater pose fraca, pedir licença para existir ao lado dos rivais e parecer inseguro enfraquece o pacote. Mesmo quando a confiança real oscila, o atleta precisa apresentar domínio.</p>

<p>A mentalidade dele parte de uma ideia simples: se outro atleta acorda com mais fogo, mais obsessão e mais disposição para fazer o necessário, esse outro atleta passa na frente. No nível Olympia, talento sem fome não sustenta posição por muito tempo.</p>

<h2>A disciplina aparece quando ninguém está celebrando</h2>

<p>A rotina alimentar de Nick é rígida. São 6 refeições por dia, em preparações de cerca de 20 semanas que quase sempre atravessam o aniversário dele, com 2 refeições contendo gordura adicionada, na casa de 20 g de pasta de amêndoa, e 2 com carne vermelha. Ele ama comer, especialmente doces, mas gostar de comida não autoriza destruir o plano: não lembra a última vez que pulou uma refeição, e os molhos sem açúcar que usa durante a fase são retirados algumas semanas antes do palco justamente porque enxerga diferença no visual.</p>

<p>Em um aniversário, a 14 semanas do Olympia, a refeição livre só aconteceu porque Maria conversou por fora com Matt Jansen e recebeu autorização. Sem isso, a comemoração poderia ter sido apenas cinema ou algo fora da comida. Esse episódio pequeno revela a diferença entre disciplina real e discurso motivacional.</p>

<p>O ponto não é idolatrar rigidez cega. O ponto é entender que atleta profissional não vive negociando regra com o próprio desejo. Quando existe plano, a vontade individual entra depois.</p>

<h2>Ser profissional também é parecer profissional</h2>

<p>Nick entende que a era atual do fisiculturismo exige presença pública. Só nesta temporada foram 3 ou 4 viagens ao Canadá e mais algumas apresentações como convidado, um volume novo para alguém que tem medo de altura e detesta a logística de voar. Não basta competir, sumir e reaparecer no palco. O atleta moderno interage com fãs, atende mídia, mostra bastidores, aparece em eventos, conversa com patrocinadores e mantém uma imagem coerente com o esporte que representa.</p>

<p>Isso inclui estar apresentável o ano inteiro. Não é necessário ficar em condição de palco o tempo todo, o que seria inviável e perigoso. Mas o profissional precisa parecer profissional quando tira a camiseta, aparece em uma feira ou sobe em um palco como convidado.</p>

<p>Essa visão também ajuda a explicar a popularidade de Nick. O público quer ver o freak, mas também quer acompanhar a pessoa, a rotina, a confiança, a evolução e a vulnerabilidade de quem está tentando chegar ao topo. Um empurrão veio de fora do esporte: Arnold Schwarzenegger declarou publicamente que ele tinha condições de vencer o Mr. Olympia.</p>

<h2>O apelido Mutante não precisa ser prisão</h2>

<p>"The Mutant" combina com a imagem de Nick Walker: volume absurdo, densidade, braços enormes e uma aparência que parece desafiar proporção comum. Mas existe uma questão interessante: o apelido pode ser uma porta de entrada, não necessariamente o destino final.</p>

<p>Com o tempo, a própria carreira pede transição. O atleta que começa conhecido como aberração de tamanho precisa mostrar refinamento, controle, shape mais estético, inteligência competitiva e capacidade de vencer de forma completa. Ser freak chama atenção. Ser campeão exige mais camadas.</p>

<p>Essa talvez seja a maior evolução de Nick: sair da categoria de "monstro impressionante" para tentar ocupar o espaço de atleta dominante, estrategista e possível Mr. Olympia.</p>

<h2>Negócio, marca e família também entram no jogo</h2>

<p>A parte empresarial aparece de forma simples, mas importante. Nick tem a própria linha de roupas, a Mutant Apparel, patrocínios, presença em mídia e apoia a marca de molhos criada por Maria com a mãe dela, que trabalha com formulação de alimentos, com sabores como mostarda com mel e barbecue picante. A proposta gira em torno de molhos mais compatíveis com dieta, sem transformar todo sabor em sabotagem.</p>

<p>Esse bloco mostra que a carreira de um fisiculturista moderno não termina no treino. O físico cria atenção. A atenção pode virar marca, produto, evento, comunidade e oportunidade. Mas isso só funciona quando existe coerência com a imagem construída.</p>

<p>Para Nick, a exigência é alta até nesses detalhes. A mesma cabeça que cobra forma perfeita no treino também cobra produto bem feito, apresentação premium e algo que ele próprio consumiria.</p>

<h2>Conclusão</h2>

<p>Detalhes práticos completam o quadro. Ele passou a usar CPAP por apneia do sono e diz que isso mudou o rendimento: mais volume tolerado na academia e mais disposição no dia. E chegou às 12 semanas de preparação pesando 129,3 kg (285 lb) mais seco do que estava a 7 ou 8 semanas do palco no ano anterior, com 122,5 kg (270 lb). São ajustes pequenos que explicam saltos grandes.</p>

<p>Nick Walker ensina uma combinação rara: sonhar grande cedo, aceitar demora, usar derrota como roteiro, treinar com mais inteligência do que ego e entrar no palco como alguém que pertence ao topo. O tamanho impressiona, mas a mentalidade explica por que o tamanho virou carreira.</p>

<p>A lição mais útil não é copiar a rotina de um fisiculturista de elite. É entender a lógica por trás dela. Meta sem disciplina vira fantasia. Carga sem controle vira vaidade. Confiança sem trabalho vira personagem. No caso de Nick Walker, o Mutante nasce justamente quando essas peças deixam de ser discurso e viram vida diária.</p>

<h2>FAQ</h2>

<h3>Quem é Nick Walker?</h3>
<p>Nick Walker é um fisiculturista profissional da divisão Open, conhecido pelo apelido "The Mutant" e por um físico extremamente denso, volumoso e competitivo no cenário do Mr. Olympia.</p>

<h3>Por que Nick Walker é chamado de Mutante?</h3>
<p>O apelido vem da aparência extrema do físico: braços muito grandes, muita densidade muscular, proporções impactantes e uma presença visual que chama atenção mesmo entre atletas profissionais.</p>

<h3>Qual foi uma virada importante na carreira dele?</h3>
<p>A derrota no USA Championships de 2019, quando ficou em segundo sendo favorito, virou ponto de reorganização. No dia seguinte já tinha avisado ao treinador que voltaria no North Americans, com uma postura inspirada no retorno de Jay Cutler em 2009.</p>

<h3>Nick Walker treina sempre com cargas máximas?</h3>
<p>Não. Apesar de ser muito forte, ele passou a valorizar controle, contração, execução limpa e estímulo no músculo certo. No supino inclinado, trocou halteres de 102,1 kg (225 lb) por 54,4 kg (120 lb) e viu o peito evoluir. Em fisiculturismo, a carga precisa servir ao físico, não ao ego.</p>

<h3>Qual é a principal lição da história de Nick Walker?</h3>
<p>A principal lição é que ambição só funciona quando vira rotina. O físico extremo depende de disciplina diária, leitura do próprio corpo, confiança competitiva e capacidade de transformar derrota em plano.</p>

<h2>Referências</h2>
<ol>
  <li>CUTLER CAST. #90 - Nick Walker - "I will win the 2023 Mr. Olympia". [S. l.], 31 ago. 2023. YouTube. Disponível em: <a href="https://youtu.be/oLBtlCvob0E" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://youtu.be/oLBtlCvob0E</a>. Acesso em: 19 jul. 2026.</li>
</ol>]]></description><guid isPermaLink="false">1064</guid><pubDate>Sun, 19 Jul 2026 17:18:00 +0000</pubDate></item><item><title>Brian Shaw: for&#xE7;a, m&#xE9;todo e as li&#xE7;&#xF5;es do homem mais forte do mundo</title><link>https://fisiculturismo.com.br/mat%C3%A9rias/gente/brian-shaw-for%C3%A7a-m%C3%A9todo-e-as-li%C3%A7%C3%B5es-do-homem-mais-forte-do-mundo-r1063/</link><description><![CDATA[
<p><img src="https://cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2026_08/brian-shaw-aula-levantamento-terra-capa.webp.dbfff28ab9680d51232514092537039f.webp" /></p>
<p>Força extrema impressiona pelo número na barra, mas raramente nasce só do número. Em "#13 - Brian Shaw | Cutler Cast", primeiro episódio do canal Cutler Cast, Brian Shaw aparece menos como uma aberração genética isolada e mais como um atleta que transformou tamanho, disciplina, comida, improviso e negócios em um sistema de vida. A imagem pública é a do tetracampeão do World's Strongest Man, mas a parte mais útil da história está no caminho: acordar cedo, treinar quando ninguém está olhando, aprender a construir ferramenta, comer quando já não há vontade e apostar no próprio nome antes que o mercado aposte nele.</p>
<h2>Antes do strongman, havia um garoto grande tentando abrir portas</h2>
<p>Brian Shaw não começa a própria história como alguém que simplesmente nasceu campeão de strongman. Ele era grande desde cedo, chegou perto de 136 kg (300 pounds) ainda no ensino médio, antes de treinar de verdade, mas ainda era um atleta de esportes coletivos, especialmente basquete. Cresceu em Fort Lupton, no Colorado, numa escola pequena, e diz que isso atrapalhou o recrutamento, porque universidade grande olha o nível dos adversários que o garoto enfrenta. O ponto importante não é apenas o tamanho. O diferencial estava na forma como ele já organizava a vida em torno de melhora.</p>
<p>Ainda no sétimo ano, ele se ofereceu para ser gerente do time de calouros, treinado por um tio dele, e participar dos treinos antes da escola. Isso significava acordar por volta de 5h ou 5h30, ir para a quadra no frio e no escuro, treinar com atletas mais velhos, tomar banho, estudar e depois voltar para treinar com a própria equipe. Essa rotina parece pequena quando comparada a um título mundial, mas revela o padrão mental que mais tarde sustentaria cargas absurdas: a melhora vinha antes do conforto.</p>
<p>Foram 2 anos de junior college no Colorado, escolhidos justamente para jogar contra competição mais forte, e depois a mudança para uma faculdade em South Dakota. A escolha foi prática e afetiva ao mesmo tempo. Havia convites para a Costa Leste e até para o Alasca, onde jogaria contra times como Duke, mas South Dakota ficava a 5 ou 6 horas de carro da casa dos pais, que assistiam a tudo. Ele também preferiu ser titular numa escola menor a brigar por minutos numa grande. Havia o sonho de jogar em nível alto, até com a ideia de NBA passando pela cabeça, mas a relação com o treino de força começou a mudar tudo. Na pré-temporada, ele ganhava de 7 a 9 kg (15 a 20 pounds) porque gostava de ficar mais forte. Aí a temporada começava, o treinador reclamava que ele tinha voltado 9 kg acima do peso que queria, e ele passava os meses seguintes perdendo o que tinha construído. A frustração era clara: a musculação já estava virando mais importante do que o jogo.</p>
<h2>A primeira lição: força também é identidade</h2>
<p>O salto para o strongman fica mais fácil de entender quando se percebe que Brian não estava apenas treinando para competir. Ele estava procurando uma identidade. O objetivo inicial era trabalhar com força e condicionamento, abrir portas como treinador e permanecer dentro do mundo da performance. Ele fez estágio no Colorado Athletic Club e depois foi para o Arizona estudar sob Joe Ken, então treinador-chefe de força de lá, com quem aprendeu lições duras sobre técnica e sobre quando não insistir numa série. O strongman entrou porque a força bruta, a adaptação e a competição combinavam com a pessoa que ele estava se tornando.</p>
<p>Essa é uma lição valiosa para atletas de qualquer modalidade. Treino só se sustenta por anos quando conversa com a identidade do praticante. Quando o atleta precisa se violentar psicologicamente para caber em uma modalidade, a chance de ruptura aumenta. Quando a prática parece ampliar quem ele é, a disciplina deixa de depender apenas de motivação.</p>
<p>Brian gostava de treinar pesado, gostava de ficar maior e gostava de resolver problemas físicos. Strongman é exatamente isso em forma competitiva: carregar, puxar, empurrar, levantar objetos estranhos, adaptar técnica e produzir força mesmo quando o evento não parece limpo como um exercício de academia.</p>
<h2>O encontro com Jay Cutler e a lição da humildade pública</h2>
<p>Uma das histórias mais simbólicas acontece no Colorado Athletic Club. Brian era o estagiário do local, por volta de 2004, quando Jay Cutler entrou para treinar e foi cobrado na recepção. Brian reconheceu imediatamente quem era Jay, ficou incomodado com a cobrança e foi se desculpar. O detalhe não está nos 10, 15 ou 20 dólares de entrada. Está na percepção de respeito por alguém que já tinha construído muito no esporte.</p>
<p>Mais tarde, essa mesma lógica aparece nas aparições públicas de Brian. No último World's Strongest Man em que competiu, com restrições de público, ele mesmo pediu que organizassem um encontro aberto. Chegou às 16h e saiu perto das 23h30, numa segunda-feira, depois de 4 dias de competição, com uma fila de quase 400 metros. Havia gente que tinha dirigido 8 ou 9 horas para estar ali. Ficar horas atendendo fãs, mesmo cansado, com fome e fora da rotina alimentar, faz parte de entender que cada pessoa terá poucos segundos de contato. Para o atleta, pode ser só mais uma foto. Para o fã, pode ser uma memória permanente.</p>
<p>Essa postura vira lição de carreira: troféu chama atenção, mas respeito constrói legado. A forma como um campeão trata desconhecidos costuma dizer muito sobre a maturidade com que ele carrega o próprio sucesso.</p>
<h2>Comida não era prazer, era trabalho</h2>
<p>No auge, Brian fala em algo perto de 204 a 209 kg (450 a 460 pounds) de peso corporal. Em 2021, competindo mais leve, ainda estava por volta de 188 a 190 kg. Para sustentar esse tamanho, a comida deixava de ser apenas nutrição e virava expediente. O problema não era comer muito uma vez. O problema era repetir refeições enormes todos os dias, no horário certo, sem poder compensar depois uma refeição perdida. Chegou a fazer 7 refeições diárias e, já mais leve, trabalhava com 5 a 6. Sair de casa significava levar cooler, e ele costumava levar uma refeição a mais do que o previsto para o caso de o compromisso se estender.</p>
<p>Uma refeição típica podia ter de 340 a 400 g de proteína já cozida, o que significa bem mais de 450 g antes do preparo, acompanhada por 2 xícaras de arroz ou porções equivalentes de batata ou massa, mais fruta e às vezes espinafre. Em fases específicas, o café da manhã tinha 230 g de bisão com 6 a 8 ovos por cima, de 4 a 6 waffles nos dias de treino e fruta. Em fases de ganho extremo, entravam refeições de fast food todos os dias, e não como refeição livre semanal, mas como parte do plano: 2 hambúrgueres duplos, batata frita e um refrigerante grande, ou uma pizza inteira para fechar a noite. A dieta era montada por Nathan Payton, e a proteína girava entre bisão, carne bovina e salmão para não enjoar. Só de bisão, ele estima consumir perto de 45 kg por mês.</p>
<p>Isso não deve ser lido como recomendação alimentar para gente comum. O ponto é outro: desempenho extremo cobra uma rotina extrema. Para um atleta desse porte, comer podia exigir foco parecido com levantar peso. Em alguns momentos, terminar a comida exigia levantar da mesa, caminhar, olhar para o prato e encarar aquilo como parte do treino, do mesmo jeito que se encara uma barra carregada. Antes de fechar contrato com uma empresa de marmita, ele resolvia o custo comprando meia rês ou uma rês inteira de uma vez e congelando tudo, boa parte moída para digerir melhor. Comer em restaurante, sozinho, já saía perto de 100 dólares por refeição.</p>
<h2>Trabalho duro aprendido fora da academia</h2>
<p>A conversa sobre fazenda, fardos de feno e trabalho manual ajuda a explicar por que o strongman parece natural na história de Brian. Ele trabalhava no sítio do tio empilhando fardos e era pago por fardo, o que transformava cada carga em conta de cabeça. Aos 12 anos já dirigia o caminhão de câmbio manual para o irmão poder empilhar, e os dois se revezavam. Empilhar feno, carregar peso, lidar com tarefas cansativas e receber por produção criam uma educação física e mental que nenhuma planilha moderna consegue copiar exatamente.</p>
<p>O ponto não é romantizar sofrimento. O valor está em aprender que algumas tarefas precisam ser concluídas mesmo quando são chatas, pesadas e desconfortáveis. Ele conta que levava amigos do time de basquete para ajudar e que vários largavam na metade do dia, deixando o serviço para ele terminar sozinho. No esporte de força, essa familiaridade com esforço prolongado faz diferença. Há momentos em que técnica, talento e programa de treino não substituem a capacidade de continuar fazendo o que precisa ser feito.</p>
<p>A mesma teimosia aparece numa lembrança de infância: ele não entrava em casa para dormir enquanto não acertasse 10 lances livres seguidos, e recomeçava a contagem se errasse o nono. Brian também cita um treinador de perfil militar no junior college, que montava situações justamente para fazer os avulsos do elenco desistirem. A soma desses episódios cria uma espécie de blindagem: o atleta aprende que desconforto não é sinal automático de parada.</p>
<h2>Começou sem equipamento, sem dinheiro e sem ninguém para copiar</h2>
<p>A primeira competição de strongman aconteceu sem nenhuma preparação específica. Ele treinava numa academia comum, não tinha implemento nenhum e se inscreveu porque comparou o próprio tamanho com o dos competidores e achou que dava. Ganhou assim mesmo. O problema veio depois: para continuar, precisava de equipamento que não existia para comprar perto dele e que ele não teria como pagar.</p>
<p>A saída foi achar um sujeito que soldava peças na própria garagem. Dele saíram o primeiro yoke e o primeiro par de farmers, que os dois enchiam de terra para ficarem mais pesados, e depois um frame. O log veio de encomenda, algo em torno de 300 dólares, comprado com dinheiro juntado aos poucos. Nesse período ele trabalhava em manutenção comercial de ar-condicionado, acordava às 5h, começava o serviço às 7h, subia escada o dia inteiro, comia o que tinha levado no cooler, treinava até a academia fechar e recomeçava no dia seguinte. Bisão estava fora do orçamento e a proteína vinha de atum.</p>
<p>O ginásio era a garagem dos pais, sem isolamento e sem aquecimento, e ele acabou quebrando o piso de concreto levantando pedra ali dentro. No inverno, tinha de limpar a neve da entrada e jogar sal para fazer as caminhadas carregadas do lado de fora, e mantinha um aquecedor pequeno perto para esquentar as mãos entre as séries, porque a barra ficava gelada demais para segurar. Muita gente disse a ele que os estrangeiros eram maiores e mais fortes e que não valia tentar.</p>
<h2>O voo de 16 horas que virou "be great"</h2>
<p>O episódio mais forte da carreira competitiva aparece depois do World's Strongest Man de 2010. A competição foi na África do Sul e terminou na única situação do tipo na história da prova: empate no resultado final, resolvido no critério de desempate, e ele ficou com o segundo lugar. Na primeira prova, uma corrida de carregamento dentro da água, ele tinha a vitória praticamente na mão quando chegou ao terceiro saco. Os sacos eram cheios de pedra, entrava água dentro deles e o peso escorria de um lado para o outro, e o terceiro caiu da plataforma depois de ser colocado. Ele teve de tirar o saco da água e recarregar, caiu para terceiro lugar naquela prova e perdeu 2 pontos.</p>
<p>Na volta, em um voo de cerca de 16 horas até Atlanta, ele não dormiu um minuto. A pergunta era simples e cruel: será que ele seria mais um atleta que chegou perto e nunca venceu? A resposta virou uma frase escrita em letras maiúsculas num pedaço de madeira e pregada na parede do lugar onde treinava na época, o depósito de um supermercado desativado: "be great".</p>
<p>Essa frase não era marketing. Era um lembrete de direção. Diziam que ele era atlético demais e forte de menos para ganhar o Arnold. Em 2011, com 28 ou 29 anos, ele venceu o Arnold com folga, venceu o World's Strongest Man na Wingate University, na Carolina do Norte, e levou todas as outras competições do ano. O título não veio limpo: ele tinha uma boa vantagem, estourou o ritmo no desenvolvimento com log para repetições, saiu rápido demais, não respirou direito, ficou tonto e entregou a liderança. Chegou empatado para a última prova, a das pedras, e ganhou ali. O ponto central é que a derrota não virou identidade. Virou combustível organizado.</p>
<h2>Treinar para o evento, não para parecer forte</h2>
<p>Strongman exige uma mentalidade diferente da academia comum. Nem tudo é barra perfeita, banco perfeito, aparelho calibrado e movimento previsível. Uma prova pode envolver carregar objetos na água, levantar pedras, mover implementos assimétricos ou lidar com situações que só aparecem naquele evento. E a carga sobe ano após ano. O halter de circo que ele levantou no Arnold de 2016 tinha 136 kg, e hoje a mesma prova já apareceu com 145 kg. Numa das edições, com 124 kg no implemento, ele conta ter sido o único a subir o peso tanto com a mão direita quanto com a esquerda, hábito que atribui ao basquete, onde treinou o lado fraco até equilibrar.</p>
<p>Por isso, a preparação de Brian tinha uma marca forte de adaptação. Para treinar a corrida de carregamento na água, ele chegou a levar plataforma e implementos até o lago de um campo de golfe, arrastando barris e estrutura por mais de 180 metros do estacionamento até a margem, toda semana, antes de sequer começar o treino. Esse tipo de treino parece absurdo, mas é exatamente o que separa preparação real de treino bonito.</p>
<p>No strongman, o atleta não ganha por parecer forte em um exercício isolado. Ele ganha por transferir força para um problema concreto. Essa é uma lição que serve até para quem treina musculação: o exercício precisa conversar com o objetivo. Técnica, carga e escolha de movimento devem servir ao resultado desejado.</p>
<h2>Improvisar ferramenta também é inteligência de atleta</h2>
<p>Um dos blocos mais interessantes da história de Brian é a costura. Ele precisava proteger os braços no levantamento de pedras, tanto por irritação da pele com o concreto quanto para criar uma superfície melhor de contato. Em vez de esperar que alguém resolvesse isso, achou um fornecedor de couro em peça inteira, comprou velcro e uma máquina de costura comercial e aprendeu sozinho, olhando material sobre moldes e testando o pedal até entender a máquina.</p>
<p>Desse processo nasceram protótipos de mangas, ajustes de cintos e modificações no equipamento que ele usava. Ele chegava ao treino com um protótipo novo de manga e testava couros diferentes com os parceiros para ver qual aderia melhor à pedra. Foram mais de 10 anos modificando por conta própria o cinto que usava. Ele dividiu essas ideias com terceiros, viu outras pessoas tocarem os projetos adiante e resolveu parar de entregar o que era dele, o que deu origem à Evolution Athletics.</p>
<p>A lição aqui é poderosa: atleta de elite não é apenas quem executa. É quem observa atrito, identifica problema, testa solução e melhora o ambiente ao redor. Equipamento bom não nasce só de desenho bonito. Nasce de uso real, falha real e ajuste repetido.</p>
<h2>Aposte em si mesmo, mas entregue qualidade</h2>
<p>Nada disso começou grande. A primeira remessa de camisetas dele saiu em 2006, com cerca de 24 peças, pagas com dinheiro juntado, e os primeiros conteúdos gravados vieram por volta de 2008, antes de qualquer atleta de força tratar aquilo como negócio. Brian resume uma parte da própria filosofia em uma ideia direta: apostar em si mesmo. Isso não significa vender qualquer coisa com o próprio nome. Pelo contrário. A lógica dele é que o melhor investimento é construir algo que ele usaria de verdade, com qualidade suficiente para não depender apenas de propaganda.</p>
<p>Esse ponto separa marca pessoal séria de oportunismo. Existe uma escolha financeira entre fazer mais barato e fazer melhor. Brian deixa claro que prefere gastar mais, fazer direito e entregar um produto que dure. Mesmo que isso reduza margem no curto prazo, fortalece confiança no longo prazo, e ele reconhece que um produto que dura muito até atrapalha a recompra. A mesma cabeça aparece no que fez com o dinheiro de um comercial gravado em 2012, depois do primeiro título mundial: comprou galpões de armazenamento, usou um deles como academia e ficou com o imóvel. O ginásio atual ficou pronto no começo de 2020 e ele já tinha dito à esposa que a meta era ficar pequeno em cerca de 1 ano, o que aconteceu quando a marca de nutrição entrou na conta.</p>
<p>Para atletas, treinadores e empreendedores do fitness, essa talvez seja uma das lições mais práticas: reputação demora a nascer e morre rápido quando o produto não acompanha o discurso.</p>
<h2>O obstáculo de ser grande demais</h2>
<p>Ser Brian Shaw também tem custo cotidiano. Camiseta é tamanho 5X e roupa melhor tem de ser feita sob medida. O calçado é 17 ou 18 americano, algo como 51 ou 52 no Brasil, e ele conta que, passado o 15, sobrou depender de catálogo por correspondência ainda na adolescência, porque loja física simplesmente não tinha. Avião, carro, restaurante, agenda e até compras simples exigem planejamento. Há vários veículos em que ele não entra, e o carro esportivo que queria desde criança nunca foi possível, então o lugar dele é uma picape. Brinquedo de parque de diversões com trava que desce sobre o corpo está fora. Quem organiza as viagens precisa checar se o destino tem voo com assento maior antes de fechar qualquer compromisso. Comer fora da rotina vira problema porque a agenda precisa abrir espaço para refeições gigantes a cada 2 horas, e quem monta a agenda tem de contar esse tempo, além das idas ao banheiro que uma ingestão dessas cobra.</p>
<p>Esse lado desmonta a fantasia de que tamanho extremo é só vantagem. Em nível profissional, o corpo que vence competições também cria limitações práticas. A rotina precisa ser planejada ao redor dele.</p>
<p>O interessante é que Brian trata isso menos como reclamação e mais como parte do trabalho. É um preço embutido na escolha de perseguir uma grandeza física fora do normal.</p>
<h2>História da força e respeito por quem veio antes</h2>
<p>A participação em "The Strongest Man in History" revela outro lado importante: Brian gosta da história da força. O piloto foi gravado no Canadá, em torno do gigante Angus MacAskill, e a série virou uma rotina pesada de produção, com cerca de 5 dias de 13 horas de gravação para cada episódio de 45 minutos. Não é apenas levantar mais que outros atletas modernos. É entender de onde vêm as lendas, os objetos, as histórias e os feitos antigos, inclusive checando o que é verdade. Muito feito antigo não tem documentação, só relato, e o número cresce a cada vez que a história é recontada. Nas Dinnie Stones, na Escócia, ele bateu o recorde de carregar as pedras pela ponte, sendo a mais pesada perto de 190 kg e a outra cerca de 45 kg mais leve, o que deixa a carga completamente torta para um lado. Em outro episódio, sobre Peter Francisco, que tinha por volta de 2,03 m e carregou um canhão para fora de um campo de batalha, foi o único do grupo que conseguiu erguer e carregar a réplica.</p>
<p>Na casa de Paul Anderson, por exemplo, ele se impressiona com as anilhas fundas antigas guardadas no porão onde o sujeito treinava, com uma espécie de barra hexagonal artesanal e com a solução mais bruta de todas: concreto despejado dentro de um cofre, enterrado num buraco, que Anderson levantava preso a um cinto por falta de peso disponível. Ele ainda resolveu um mistério da família. Faltava o halter de 100 do conjunto antigo da casa, e Brian reconheceu, numa sala de recordações, o implemento redondo que Anderson usava para levantar com os dedos mínimos em apresentações: era o halter que faltava, cortado para virar demonstração. A visita mostra uma continuidade entre gerações: antes das arenas, câmeras e marcas, havia gente tentando ficar mais forte com o que tinha.</p>
<p>Esse respeito histórico evita que o atleta moderno se veja como centro absoluto do esporte. Ser grande também é reconhecer que existe uma linhagem antes de você.</p>
<h2>Deixar o strongman maior do que encontrou</h2>
<p>Brian fala do strongman como algo que precisa crescer e ficar melhor. Essa é uma diferença importante entre competir apenas para vencer e competir para elevar a modalidade. A meta não é só acumular títulos. É ajudar o esporte a alcançar mais público, mais estrutura e mais respeito.</p>
<p>Essa visão aparece na forma como ele trata fãs, na preocupação com qualidade, na vontade de ampliar o alcance do strongman e na transição para negócios, conteúdo e projetos próprios. A série de TV, que teve só uma temporada apesar de audiência boa e de uma segunda já planejada, levou o esporte a quem nunca assistiria a uma competição de força. Ele cita como prova disso ter sido chamado para uma festa de rua na Pensilvânia, sem nenhuma relação com esporte, onde até o prefeito apareceu para cumprimentar. O atleta envelhece, mas a contribuição pode continuar.</p>
<p>No fim, a história de Brian Shaw ensina que força máxima não é só fisiologia. É rotina, identidade, comida, logística, humildade, adaptação e coragem para construir caminho quando o caminho ainda não está pronto.</p>
<h2>Conclusão</h2>
<p>Brian Shaw é lembrado como um dos maiores nomes da história do strongman porque venceu quatro vezes o World's Strongest Man. Mas a lição mais duradoura talvez esteja fora do pódio: grandeza não aparece por acidente. Ela é construída em detalhes repetidos, em escolhas difíceis, em derrotas bem processadas e em uma disposição rara de transformar problema em ferramenta.</p>
<p>Para quem treina, compete ou vive do esporte, a mensagem é simples: talento ajuda, tamanho impressiona e título consagra. Mas o que sustenta tudo é método. Sem método, força vira espetáculo passageiro. Com método, força vira legado.</p>
<h2>FAQ</h2>
<h3>Brian Shaw ganhou quantos títulos de World's Strongest Man?</h3>
<p>Brian Shaw é tetracampeão do World's Strongest Man, uma das maiores conquistas possíveis no esporte de força.</p>
<h3>Brian Shaw veio do basquete?</h3>
<p>Sim. Antes do strongman, ele jogou basquete, passou por junior college e seguiu para uma faculdade em South Dakota. A musculação acabou tomando cada vez mais espaço até virar o centro da vida esportiva.</p>
<h3>Qual foi a importância da frase "be great"?</h3>
<p>A frase nasceu depois da derrota no World's Strongest Man de 2010, quando Brian voltou para casa frustrado após perder no critério de desempate. Ela virou um lembrete diário de direção, trabalho e ambição.</p>
<h3>A dieta de Brian Shaw serve para praticantes comuns?</h3>
<p>Não. As quantidades citadas pertencem a um atleta extremo, com peso corporal e demanda competitiva muito fora do normal. Para praticantes comuns, copiar esse padrão seria inadequado.</p>
<h3>Por que Brian Shaw aprendeu a costurar?</h3>
<p>Ele queria criar proteções melhores para os braços no levantamento de pedras. A necessidade prática levou à criação de protótipos, ajustes de equipamentos e, depois, ideias de produto.</p>
<h3>Quanto pesava Brian Shaw?</h3>
<p>O topo ficou entre 204 e 209 kg. Em 2021, competindo mais leve, ele estava por volta de 188 a 190 kg.</p>
<h3>Quantas refeições Brian Shaw fazia por dia?</h3>
<p>Chegou a 7 refeições diárias no período mais pesado e trabalhava com 5 a 6 quando estava mais leve, com intervalo perto de 2 horas e porções de 340 a 400 g de proteína já cozida.</p>
<h3>Como Brian Shaw treinava no começo da carreira?</h3>
<p>Na garagem dos pais, sem aquecimento, com equipamento soldado sob encomenda por um conhecido e enchido de terra para pesar mais, enquanto trabalhava em manutenção de ar-condicionado durante o dia.</p>
<h3>Qual é a principal lição da carreira de Brian Shaw?</h3>
<p>A principal lição é que força extrema depende de um sistema completo: treino específico, comida, recuperação, adaptação, mentalidade e respeito pelo esporte.</p>
<h2>Referências</h2>
<ol>
  <li>CUTLER CAST. <em>#13 - Brian Shaw | Cutler Cast</em>. [S. l.], 17 nov. 2021. Disponível em: <a href="https://www.youtube.com/watch?v=KFSOFWZukCA" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://www.youtube.com/watch?v=KFSOFWZukCA</a>. Acesso em: 3 ago. 2026.</li>
</ol>]]></description><guid isPermaLink="false">1063</guid><pubDate>Sun, 19 Jul 2026 15:19:00 +0000</pubDate></item><item><title>Shawn Ray: disciplina, identidade e as li&#xE7;&#xF5;es de uma lenda sem coroa</title><link>https://fisiculturismo.com.br/mat%C3%A9rias/gente/shawn-ray-disciplina-identidade-e-as-li%C3%A7%C3%B5es-de-uma-lenda-sem-coroa-r1062/</link><description><![CDATA[
<p><img src="https://cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2026_08/shawn-ray-aula-ginasio-capa.webp.34c7e4fef06240d369b2967fd6b532f2.webp" /></p>
<p>Shawn Ray ocupa um lugar estranho e fascinante no fisiculturismo: é tratado como uma das grandes referências estéticas da era de ouro moderna, passou anos batendo na porta do Mr. Olympia, construiu carreira antes da internet e ainda assim virou uma voz incômoda justamente por falar com franqueza. Em "#97 - Shawn Ray", do Cutler Cast, a trajetória dele aparece menos como nostalgia e mais como uma aula sobre identidade, ambição, bastidor e saída inteligente do palco.</p>

<p>A história é forte porque não depende de uma coroa do Olympia para ter peso. Ray foi campeão nacional, campeão do Arnold Classic, presença constante entre os melhores do mundo e um dos físicos que ajudaram a formar o imaginário de muita gente que começou a treinar nos anos 1990. O ensinamento central é simples: no fisiculturismo, vencer não é apenas levantar troféu. Também é entender o próprio valor, saber quando mudar de rota e não deixar que o esporte consuma toda a vida.</p>

<h2>O mentor que mostrou o fim da estrada</h2>

<p>Antes de Shawn Ray existir como nome forte do bodybuilding, havia um adolescente com passado no futebol americano e um mentor chamado John Brown. A importância de Brown não foi apenas ensinar exercício. Ele mostrou, na prática, o que a linha de chegada poderia ser.</p>

<p>Ver um fisiculturista viajando, negociando, aparecendo em revistas, circulando em clubes e sendo tratado como celebridade deu forma a um sonho que ainda parecia distante. Para um garoto que não tinha amigos no esporte e vinha de outra cultura atlética, isso mudou tudo.</p>

<p>A ordem era direta: comer, dormir e treinar. Ray copiava o que via. Se o mentor tirava cochilo, ele tirava cochilo. Se mandava comer carne moída com carboidrato, ele comia. O método podia parecer bruto, mas trouxe uma lição que atravessa gerações: no começo, uma referência concreta pode valer mais do que mil teorias soltas.</p>

<p>Ray tinha 17 anos quando começou a trocar as anilhas de Brown na academia e treinar com o colega de quarto dele. Apanhou tanto que chegou a vomitar algumas vezes e a sumir dos treinos que sabia que seriam duros. Brown insistia com uma frase que Ray compara à relação de Cus D'Amato com Mike Tyson: você vai ser campeão nacional juvenil. A rotina de imitação incluía 1 kg de carne moída com massa por dia, porque era o que um adolescente conseguia preparar sozinho.</p>

<p>O lado promocional também foi copiado. Ray só descobriu tempo depois que, sempre que entrava em uma boate, Brown passava um bilhete ao DJ pedindo que a música parasse 15 ou 20 minutos depois para anunciar que havia um Mr. Universo na casa. Era publicidade fabricada, e o adolescente sentado ao lado achava que aquilo era fama espontânea.</p>

<h2>Do futebol ao palco</h2>

<p>O plano original era o futebol americano. Ray era atleta de destaque na escola, teve camisa aposentada e chegou a ter o nome da família marcado em uma rua ligada à memória esportiva local. A mudança de rota veio após uma lesão no joelho e uma escolha prática: voltar ao caminho do futebol ou perseguir o Teen Nationals.</p>

<p>Os detalhes ajudam a entender o tamanho da decisão. A camisa aposentada na El Dorado High School era a número 1, e a rua com o sobrenome da família fica em uma cidade que também homenageia Michael Chang, Janet Evans e os irmãos Boone. A lesão no joelho foi um estiramento, não uma ruptura, e o tempo parado empurrou o calendário: o jogo das estrelas caía no mesmo fim de semana do Teen Nationals.</p>

<p>A primeira tentativa não entregou o título geral. Esse segundo lugar, longe de matar o projeto, deu motivo para voltar. Aos 19 anos, Ray venceu o Teen Nationals. Depois vieram Junior Worlds, California, NPC Nationals e a marca de se tornar um dos mais jovens campeões gerais do Nationals.</p>

<p>O segundo lugar veio aos 18 anos. Na volta, em 1985, ele bateu Shane DiMora, Bob Cicherillo e Chris Faildo para levar o geral do Teen Nationals. O Junior World Championships foi na Austrália, onde conheceu Paul Graham. O NPC Nationals veio em outubro de 1987, poucas semanas depois de ele completar 22 anos, e tirou de Lee Haney o recorde de campeão geral mais jovem do torneio, marca que Ray afirma seguir de pé.</p>

<p>A lição aqui não é romântica. Ele não virou profissional porque "seguiu o coração" de forma vaga. Virou porque uma derrota específica acendeu um compromisso específico. Em atleta de alto nível, frustração bem usada vira combustível.</p>

<h2>A primeira surra no Olympia foi uma escola</h2>

<p>O Mr. Olympia de 1988 trouxe um choque. Ray chegava como promessa, já aparecia em capas, fazia participações e começava a ganhar dinheiro com o nome. Mas preparação de Olympia não se resolve desligando a agenda apenas um mês antes.</p>

<p>Ele sabia que estava fora do ponto ideal. Em vez de vender desculpa, usou o backstage como sala de aula. Observou Gary Strydom, Rich Gaspari, Lee Labrada, Albert Beckles, Robby Robinson e outros nomes que antes estavam nas paredes do quarto. Alguns ele já conseguia vencer mesmo em dia ruim. Outros ainda estavam acima.</p>

<p>O resultado foi duro: ficou fora do top 10, e Phil Hill, o atleta que tinha batido no Nationals do ano anterior, terminou uma posição à frente, por volta do 12º lugar. Ray passou o dia passando bronzeador em Gary Strydom e ajudando os concorrentes nos bastidores. A conta era simples de explicar: em janeiro ele já estava em todas as capas e viajando para fazer guest posing, e só desligou a agenda em agosto, a um mês do Olympia.</p>

<p>Naquele momento ele ainda vivia com pouco. O contrato inicial com Joe Weider era de US$ 1.000, o aluguel do apartamento era de US$ 700 por mês e o resto tinha que sair de aparições e fotos. O acordo de 1 ano assinado com Weider depois do Nationals durou 18 anos, com reajustes sempre combinados de boca, sem nenhum contrato novo no papel.</p>

<p>Essa é uma leitura madura de derrota: apanhar, medir a distância real e voltar ao trabalho. O palco mostrou que ele não estava pronto para vencer os melhores, mas também mostrou que não estava tão longe quanto imaginava.</p>

<h2>A suspensão que virou vantagem</h2>

<p>Em 1989, uma lesão no pescoço atrapalhou o treino para o Olympia. O acordo assinado com a organização gerou suspensão por não competir. O curioso é que Ray interpreta esse episódio como uma das melhores coisas que aconteceram na carreira.</p>

<p>Sem aparecer no mapa competitivo daquele ano, pôde se reorganizar. Ainda fazia guest posing, ainda mantinha o nome circulando, mas saiu da pressão imediata. Em 1990, venceu o Iron Man e mostrou que estava ali para ficar.</p>

<p>A lesão apareceu treinando com Mike Christian e travou elevação lateral, remada e levantamento terra. A quatro ou cinco semanas do Olympia, ele assinou o acordo de desistência e recebeu a suspensão.</p>

<p>O ano seguinte trouxe o episódio mais espinhoso da carreira. Ray venceu o Arnold Classic de 1990 e perdeu o título depois de um teste positivo para estanozolol que ele mesmo assume ter usado em janeiro, acreditando que a substância já teria saído do organismo. Não contestou a contraprova, devolveu o troféu no balcão da Gold's Gym e ficou sem uma premiação que estava reservada para a entrada de uma casa. Outros cinco competidores foram flagrados na mesma época. No Olympia daquele ano, com testagem antes do palco, ele passou e ficou em terceiro. Em 1991 voltou a Columbus e venceu o Arnold Classic, dessa vez com o título mantido.</p>

<p>Nem toda pausa é fracasso. Às vezes, o corpo força uma interrupção que a vaidade não teria coragem de escolher. O ponto é o que o atleta faz com esse intervalo.</p>

<h2>O físico atingível que virou referência</h2>

<p>Uma parte importante do apelo de Shawn Ray era parecer mais "atingível" do que monstros maiores. Isso não significa comum. Significa que a estética dele comunicava proporção, beleza corporal e possibilidade. Para quem via capas de revista, especialmente aquela imagem de estudante com livros, havia uma ponte entre o jovem comum e o fisiculturista profissional.</p>

<p>Essa foi a primeira capa dele na Flex, fotografada na escadaria da sede da Weider Enterprises, em Woodland Hills. Deu tão certo que, quando parou de competir, Ray era o modelo mais fotografado em capas da revista, marca que pertencia a Arnold Schwarzenegger.</p>

<p>Os números do físico explicam a sensação de proporção. Com 1,70 m, ele virou profissional pesando 89,4 kg (197 lb), subiu ao primeiro Olympia com 91,2 kg (201 lb) e considera que seus melhores anos foram por volta de 92,5 kg a 93,4 kg (204 a 206 lb), entre 1994 e 1996. Em 13 anos de carreira profissional, portanto, a variação de peso de palco foi de pouco mais de 4 kg.</p>

<p>Essa é uma das razões pelas quais o físico dele envelheceu bem. Nem todo corpo histórico continua desejável para novas gerações. Alguns impressionam pelo excesso. Ray impressionava pela combinação de massa, linha, cintura, apresentação e identidade visual.</p>

<p>A comparação com o Classic Physique é inevitável. O público costuma se aproximar de físicos que parecem aspiracionais, não apenas extremos. O tamanho assusta. A linha convence.</p>

<h2>Não copiar o monstro da vez</h2>

<p>Todo atleta sente pressão para perseguir o padrão vencedor. Nos anos de Dorian Yates, o recado era tamanho, densidade e dureza. Com Ronnie Coleman, o esporte viu algo ainda mais difícil de acompanhar. Ray reconhece que muita gente falava que ele precisava treinar como Ronnie, ser maior, mudar a abordagem e entrar na guerra de massa.</p>

<p>A resposta dele foi preservar o próprio caminho. Isso não significa que não buscasse evolução. Significa que sabia que sua arma principal era outra. Um atleta com linha, simetria e proporção raras pode perder exatamente o diferencial se tentar virar uma cópia mal-acabada do campeão dominante.</p>

<p>A comparação de escala deixa a escolha mais clara. Flex Wheeler estreou em 1993 com cerca de 98 kg (216 lb) e chegou perto de 111 a 113 kg (245 a 250 lb) alguns anos depois, com 1,78 m de altura. Ray manteve o mesmo padrão porque avaliava que não tinha estrutura para acompanhar aquela corrida, e credita a isso o fato de nunca ter sofrido lesão grave: não treinava na faixa de 3 a 5 repetições nem tentava provar força, e diz que tirava anilhas da barra em Venice Beach mesmo sob provocação.</p>

<p>Ele também é um dos pouquíssimos casos de carreira longa sem treinador e sem controle numérico da dieta. Nunca pesou comida, nunca contou caloria, ajustava carboidrato e água na última semana e usava cardio em jejum para secar. A imagem que usa em palestras é a do pintor: mesmo papel, mesmas tintas, quadros completamente diferentes, e alguém precisa vencer no fim.</p>

<p>A lição serve para qualquer nível: copiar o vencedor sem entender por que ele vence é uma armadilha. O treino, o shape, a estratégia e até o personagem precisam respeitar a matéria-prima individual.</p>

<h2>O Olympia que nunca veio</h2>

<p>Ray esteve perto do Mr. Olympia em mais de um momento. As discussões com Dorian Yates, as colocações altas, a leitura sobre lesões, abdômen, apresentação e critérios de julgamento fazem parte da memória do esporte. Ele não fala como espectador distante. Fala como alguém que esteve ao lado do campeão e sentiu a decisão no corpo.</p>

<p>Mas existe uma diferença entre criticar critério e inventar conspiração. Quando analisa derrota, ele separa o que é físico do que é política imaginada. Um bíceps rompido, um abdômen dilatado, uma apresentação ruim ou uma condição inferior são elementos julgáveis. Nacionalidade, religião e torcida não deveriam entrar nessa conta.</p>

<p>A conta da carreira dá 12 anos seguidos entre os cinco primeiros do Mr. Olympia. O segundo lugar de 1994, o mais doloroso, rendeu US$ 50 mil e a convicção de que a rotina final tinha fechado a disputa contra um Dorian Yates com bíceps machucado, abdômen estufado e bronzeamento escorrendo. Depois do prejulgamento, Ray conta que ninguém soube apontar o que estava errado nele.</p>

<p>A escadinha até lá foi feita perseguindo Lee Labrada, atleta de 79 kg a 84 kg (175 a 185 lb) que ele considerava a referência de apresentação. Em 1990 Labrada foi segundo e Ray terceiro, em 1991 Labrada foi quarto e Ray quinto, e só em 1993 Ray passou à frente. Em 1996 voltou ao segundo lugar em Chicago e em 1997 ficou em terceiro, em uma edição marcada pela reprovação de Nasser El Sonbaty no exame de diurético no ano anterior, episódio em que Kevin Levrone nunca recebeu a diferença de premiação nem a medalha de terceiro.</p>

<p>Essa postura é útil em tempos de internet. Torcida pode transformar resultado apertado em guerra cultural. Bodybuilding já é subjetivo o suficiente sem misturar narrativa externa com comparação de físicos.</p>

<h2>A briga por transparência e pelos menores</h2>

<p>Ray também tentou mexer no sistema por dentro. Defendeu mais transparência na pontuação, premiação para todos os classificados e reconhecimento de que os atletas usados para promover o evento também deveriam ser valorizados financeiramente.</p>

<p>O ponto mais interessante é que muitas mudanças não o beneficiariam diretamente. Ele já estava na reta final da fase competitiva. A defesa era para quem vinha depois.</p>

<p>A briga aconteceu na coletiva do Olympia de 2001, o ano da aposentadoria, e ele estava praticamente sozinho até Kevin Levrone apoiar em público. Quando se candidatou a representante dos atletas, Craig Titus o acusou de falsificar uma assinatura. Ray foi escolhido mesmo assim e acabou excluído da reunião, o que o fez desistir do cargo.</p>

<p>Esse incômodo aparece de novo na criação de espaço para atletas menores. Em 2007, ajudou a colocar de pé o primeiro 202 no New York Pro, com David Henry como vencedor. A ideia vinha de uma frustração real: homens do tamanho de Ray estavam desaparecendo do mapa em um esporte cada vez mais dominado por gigantes.</p>

<p>O detalhe pouco lembrado é que o dinheiro saiu do bolso dele. O acordo com a organização do New York Pro era simples: Ray bancava a premiação e a categoria entrava no evento já existente. Cinco atletas foram premiados, o nome dele não apareceu na disputa e o crédito ficou com o show. David Henry venceu aquela estreia e depois faturou o primeiro 202 do Olympia.</p>

<p>Hoje ele defende o caminho oposto, o de extinguir a 212, porque avalia que a diferença de nível encolheu. E cobra rédea nas concessões de shows profissionais: com uma taxa de sanção de US$ 8.000 mais juízes, hospedagem e premiação, um evento fraco acaba prejudicando a imagem da federação inteira.</p>

<p>Essa visão antecipa parte do raciocínio que sustentaria categorias mais leves e estéticas. Quando o esporte só premia tamanho absoluto, perde personagens, estilos e histórias que também vendem ingresso.</p>

<h2>Sair do palco antes de virar refém dele</h2>

<p>A aposentadoria não aparece como fuga covarde. Aparece como uma decisão de alguém que percebeu ter opções. Depois do Olympia de 2001, Ray já estava esgotado emocionalmente. Queria encerrar aquela rotina, construir família e descobrir um segundo capítulo.</p>

<p>O detalhe mais humano é a consciência do preço. Ele tinha carros, viagens, imóveis, status, contratos e reconhecimento. Ainda faltava algo que não se compra com troféu: família. Queria casar, ter filho e deixar de viver apenas como atleta.</p>

<p>A saída foi negociada em parcelas. Aos 36 anos, depois do Olympia de 2001, ele pediu a Joe Weider 1 ano de folga. No ano seguinte pediu mais um, porque ia se casar, o que aconteceu em 2003. Em 2004 veio a gravidez e, com ela, uma perda gestacional com 12 semanas, episódio que ele descreve como traumático e que Weider acolheu. Eram 13 anos sem nenhuma pausa desde a estreia profissional.</p>

<p>Fisiculturismo de elite é uma das atividades mais egoístas que existem. A rotina gira em torno do corpo, da comida, do sono, da imagem, da competição e do controle. Para vencer, é preciso aceitar certa dose de egoísmo. Para viver bem depois, é preciso saber desarmá-lo.</p>

<h2>A carreira depois da carreira</h2>

<p>Ray não desapareceu. Virou comentarista, mestre de cerimônias, promotor, embaixador, articulador de negócios e presença constante nos grandes eventos. A aposentadoria foi menos uma saída do esporte e mais uma troca de função.</p>

<p>Isso só é possível quando o atleta constrói repertório enquanto compete. Quem vive apenas de shape pode ficar perdido quando o shape deixa de ser o produto principal. Ray já pensava em promoção, rede de contatos e mercado antes de pendurar a sunga.</p>

<p>A conta que sustentava a carreira era feita de várias fontes pequenas. Ele cobrava cerca de US$ 2.000 por guest posing, fazia perto de três por mês, vendia por volta de 200 fotos a US$ 10 cada, lançou seis ou sete fitas de treino e alguns DVDs, e ainda encaixava aparições pagas em lojas de suplemento e seminários em academias próximas. Somando tudo, ganhava mais do que um show com US$ 10 mil de premiação, sem oscilar de peso e sem preparação química.</p>

<p>Antes da internet, a prospecção era manual: Ray pegava a lista de promotores publicada no fim das revistas, assinava à mão de 200 a 300 fotos e mandava tudo pelo correio, de graça, só para estar presente nas lojas e academias com o contato dele impresso atrás.</p>

<p>Ele também criou o formato de seminário no dia seguinte ao Olympia, reunindo de 10 a 12 atletas, com prêmio de US$ 10 mil para melhor poser e sorteios de viagens. O modelo pegou, o comitê do Olympia incorporou o evento ao ingresso oficial e Ray perdeu a possibilidade de competir com a própria criação.</p>

<p>Essa talvez seja uma das melhores lições para atletas jovens: a carreira competitiva é curta, mas a reputação pode ser longa. O corpo abre portas. O comportamento decide se elas continuam abertas.</p>

<h2>A internet mudou o bodybuilding</h2>

<p>Ray passou pela fase das revistas, fitas, DVDs, televisão e pay-per-view. A leitura dele é clara: a internet mudou a distribuição do esporte. A televisão não abandonou simplesmente o bodybuilding por falta de valor. O esporte encontrou outro caminho, mais barato, mais global e mais direto.</p>

<p>Isso explica por que Brasil, Oriente Médio, Rússia, China, Irã e outros mercados conseguem acompanhar competições e atletas sem depender de uma grade televisiva americana. O palco ficou mundial, mas também mais barulhento.</p>

<p>O gargalo, para ele, é o preço. Um pay-per-view de US$ 80 nos Estados Unidos pode equivaler a um mês de aluguel em outros países, e por isso Ray defende transmissão gratuita bancada por patrocínio, seguindo o caminho anunciado pelo Arnold. A conta é a mesma que o próprio esporte fez ao trocar a televisão pela internet: custo de produção menor e alcance maior.</p>

<p>Com mais alcance, vem mais opinião. Com mais opinião, vem mais confusão entre análise técnica, torcida, recorte político e ataque pessoal. A voz de Ray incomoda porque ele fala como ex-atleta que esteve no centro da comparação. Para alguns, isso é autoridade. Para outros, é arrogância.</p>

<h2>Ser controverso às vezes é apenas ser direto</h2>

<p>A fama de controverso nasce da franqueza. Quando um ex-campeão diz que um físico perdeu por determinado motivo, a crítica pesa mais do que a opinião de um comentarista comum. O atleta criticado pode sentir como ataque pessoal, mesmo quando o ponto é técnico.</p>

<p>A frase que resume bem essa função é dura: é melhor ouvir a crítica antes do show do que ouvir dos juízes depois que tudo acabou. Ninguém gosta de ser confrontado, mas bodybuilding é julgamento público do corpo. Quem entra nesse jogo precisa aprender a separar crítica de humilhação.</p>

<p>Ray paga o preço dessa postura. É amado e odiado. Ainda assim, mantém presença, opinião e utilidade. No fim, a pergunta não é se todo mundo gosta dele. A pergunta é se a análise ajuda o esporte a ficar mais honesto.</p>

<p>Ele dá exemplos de como isso funciona na prática. No Arnold Classic, William Bonac recusou posar para uma foto que Ray fazia como fotógrafo credenciado, alegando não querer se meter no atrito entre Ray e o treinador dele. E Ray reconhece que hoje pesa a mão diferente: comentar que Brandon Curry não mereceria o quarto lugar seria ignorar que ele competiu com uma úlcera no esôfago, tem quatro filhos em casa e ainda assim subiu ao palco. Na época em que competia, diz, teria chamado o resultado do que era.</p>

<p>O caso mais caro foi Dexter Jackson. Ray afirmou em um podcast que Jackson, um dos atletas mais vitoriosos da história, nunca o venceu. Os dois passaram um bom tempo sem se falar. Ray sustenta o fato e admite que, se tivesse continuado competindo até a idade em que Jackson ainda subia ao palco, aos 50 anos, provavelmente teria sido batido.</p>

<h2>Descansar também virou aprendizado</h2>

<p>Depois de décadas treinando desde os 17 anos, tirar um ano longe da academia virou experiência terapêutica. Caminhar na praia, ouvir podcasts, observar a vida fora da rotina de shake, treino e dor muscular trouxe outra relação com o corpo.</p>

<p>A pausa começou em 15 de novembro de 2022 e não foi planejada. Ele parou por causa da correria de um evento que promovia no Havaí, adiou o retorno para o Natal, adiou de novo para o Ano-Novo e acabou decidindo ficar 1 ano inteiro sem levantar peso, aos 58 anos, com retorno marcado para janeiro de 2024. Nesse período seguiu indo à academia apenas para caminhar na esteira, além de andar de bicicleta pela primeira vez desde o ensino médio.</p>

<p>Vale dimensionar o quanto ele continua dentro do esporte: na época da conversa, Ray tinha acabado de assistir ao seu 37º Mr. Olympia consecutivo, faz mestre de cerimônias em eventos na Alemanha, na China e no Japão, promove a própria competição no Havaí e trabalha como embaixador de uma marca de suplemento.</p>

<p>Isso não significa abandono da musculação. Ele reconhece que precisa voltar pelo prazer e pela funcionalidade. Mas o afastamento mostrou que identidade não pode depender apenas de estar dolorido, pumpado ou disponível para treinar todos os dias.</p>

<p>Para um fisiculturista, descansar de verdade pode ser mais difícil do que treinar pesado. O ferro é conhecido. O silêncio assusta.</p>

<h2>Lições de Shawn Ray</h2>

<ul>
  <li>Um mentor pode acelerar anos de aprendizado quando mostra o caminho na prática.</li>
  <li>Derrota só vira fracasso quando não vira ajuste.</li>
  <li>O físico mais valioso é aquele que respeita a própria identidade.</li>
  <li>Copiar o campeão dominante pode destruir o diferencial de um atleta.</li>
  <li>Criticar julgamento não exige inventar conspiração.</li>
  <li>Atletas menores também precisam de espaço, prêmio e narrativa.</li>
  <li>A carreira competitiva é curta demais para ser o único plano.</li>
  <li>Família, saúde e liberdade podem pesar mais do que mais uma temporada.</li>
  <li>Falar a verdade pode custar popularidade, mas também cria autoridade.</li>
  <li>O esporte muda, e quem não entende mídia, internet e mercado fica preso ao passado.</li>
</ul>

<h2>Conclusão</h2>

<p>Shawn Ray é uma lenda sem coroa do Olympia, mas isso não diminui a grandeza da história. Pelo contrário. A ausência do título força uma leitura mais interessante: como alguém pode marcar o esporte sem vencer o maior troféu?</p>

<p>A resposta está na combinação de físico memorável, carreira consistente, opinião forte, visão de mercado, defesa de atletas menores e coragem de sair antes de ser engolido pelo personagem competitivo. Ray ensina que legado não é só primeiro lugar. Legado é continuar sendo estudado, discutido e usado como referência quando as luzes do palco já mudaram de dono.</p>

<h2>FAQ</h2>

<h3>Quem é Shawn Ray?</h3>
<p>Shawn Ray é um fisiculturista profissional norte-americano, ícone dos anos 1990, conhecido por simetria, proporção, presença constante entre os melhores do Mr. Olympia e atuação posterior como comentarista, promotor e figura de bastidor do esporte.</p>

<h3>Shawn Ray venceu o Mr. Olympia?</h3>
<p>Não. Ele ficou muito perto em mais de uma edição, mas nunca venceu o Mr. Olympia. Mesmo assim, é considerado uma das maiores referências estéticas da história do fisiculturismo profissional.</p>

<h3>Qual foi o papel de John Brown na carreira de Shawn Ray?</h3>
<p>John Brown foi um mentor decisivo. Ele mostrou a Ray como um fisiculturista profissional vivia, treinava, viajava e construía carreira, além de convencê-lo de que poderia vencer ainda jovem.</p>

<h3>Por que Shawn Ray é chamado de controverso?</h3>
<p>Porque costuma fazer análises diretas sobre atletas, julgamentos e decisões do bodybuilding. A franqueza gera incômodo, principalmente quando vem de alguém que competiu no nível mais alto.</p>

<h3>Qual é a maior lição da carreira de Shawn Ray?</h3>
<p>A maior lição é preservar identidade. Um atleta pode melhorar, evoluir e competir contra gigantes, mas não deve abandonar o que tem de único apenas para copiar o padrão vencedor do momento.</p>

<h3>Quanto Shawn Ray pesava nas competições?</h3>
<p>Com 1,70 m, ele virou profissional com 89,4 kg (197 lb), subiu ao primeiro Mr. Olympia com 91,2 kg (201 lb) e considera que seu melhor período foi entre 92,5 kg e 93,4 kg (204 a 206 lb), de 1994 a 1996.</p>

<h3>Shawn Ray perdeu algum título por exame antidoping?</h3>
<p>Sim. Ele venceu o Arnold Classic de 1990 e teve o título cassado após um teste positivo para estanozolol, substância que assume ter usado em janeiro daquele ano. Devolveu o troféu, não contestou o resultado e voltou a vencer o Arnold Classic em 1991.</p>

<h2>Referências</h2>
<ol>
  <li>CUTLER CAST. <em>#97 - Shawn Ray</em>. [S. l.], 12 nov. 2023. Disponível em: <a href="https://www.youtube.com/watch?v=7YhumbUHvG4" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://www.youtube.com/watch?v=7YhumbUHvG4</a>. Acesso em: 2 ago. 2026.</li>
</ol>]]></description><guid isPermaLink="false">1062</guid><pubDate>Sun, 19 Jul 2026 14:52:00 +0000</pubDate></item><item><title>Flex Wheeler: a simetria, a dor e as li&#xE7;&#xF5;es de uma lenda do fisiculturismo</title><link>https://fisiculturismo.com.br/mat%C3%A9rias/gente/flex-wheeler-a-simetria-a-dor-e-as-li%C3%A7%C3%B5es-de-uma-lenda-do-fisiculturismo-r1061/</link><description><![CDATA[
<p><img src="https://cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2026_08/flex-wheeler-aula-central-park-capa.webp.818940f5347dbb2be16a2a44863ade00.webp" /></p>
<p>Flex Wheeler costuma ser lembrado como um dos físicos mais bonitos que já pisaram no palco: cintura fina, linhas absurdas, volume suficiente, poses icônicas e uma estética que ainda parece moderna décadas depois. Mas reduzir Kenneth "Flex" Wheeler ao "Sultão da Simetria" é perder a parte mais importante da história. Em "#43 - Flex Wheeler - I wish you loved yourself more...", do Cutler Cast, a lenda aparece como alguém que precisou sobreviver ao próprio personagem para finalmente tentar ajudar outras pessoas.</p>

<p>A frase que resume tudo é dolorosa: ao olhar para fotos antigas, ele não pensa apenas no shape. Pensa que gostaria de ter se amado mais. O corpo era admirado pelo mundo. Por dentro, havia abuso sexual iniciado aos 5 anos, baixa autoestima, uma primeira tentativa de suicídio aos 12, raiva, fé, doença renal, transplante, amputação e uma busca por paz que só começou a dar resultado perto dos 57 anos.</p>

<h2>O físico perfeito não resolveu a necessidade de aceitação</h2>

<p>Flex recebeu alguns dos maiores elogios possíveis dentro do bodybuilding. O físico dele de 1993, especialmente a pose de costas com torção, é tratado até hoje como uma das imagens mais perfeitas da história do esporte. E ele mesmo diz que aquele pacote ainda podia melhorar em tudo, porque na época não entendia de dieta nem de diurético: para aquele campeonato, tomou 1 comprimido de espironolactona e mais nada. O dado diz menos sobre protocolo e mais sobre improviso, e vale lembrar que usar diurético por conta própria é conduta de risco real, inclusive fatal, que exige indicação médica.</p>

<p>A resposta de Flex desmonta qualquer fantasia simples sobre autoestima. Ele diz que não podia levar crédito absoluto por aquilo, do mesmo modo que ninguém leva crédito pela própria altura ou cor de pele. A estrutura, as linhas e a estética vieram como uma bênção genética, comparável, no raciocínio dele, a altura ou cor de pele. O trabalho existiu, mas a base era rara.</p>

<p>Mesmo assim, o elogio tinha outro peso para ele. Não era só vaidade. Era aceitação. A criança e o homem que se sentiram julgados, violentados e deslocados ouviam dos próprios pares que aquele corpo merecia respeito. Para alguém que passou a vida tentando provar valor, esse reconhecimento não era pequeno.</p>

<h2>O personagem Flex nasceu para proteger Kenneth Wheeler</h2>

<p>A história mais dura começa antes dos troféus. O abuso sexual começou aos 5 anos. Somaram-se surras dentro de casa, inclusive do irmão e da irmã mais velhos, que chegavam a gravar as agressões e exibir as fitas para a família como piada, e a certeza precoce de que as pessoas usam a fraqueza dos outros contra eles assim que descobrem onde dói.</p>

<p>Kenneth Wheeler era o menino sensível que, mesmo sendo muito bom em artes marciais, apanhava calado porque travava na hora de revidar, com medo de quebrar o nariz ou as costelas do outro. Flex Wheeler foi o personagem criado para sobreviver: mais duro, mais arrogante, mais perigoso, menos vulnerável. Por volta dos 19 ou 20 anos, o personagem tinha assumido em tempo integral, porque as pessoas gostavam mais dele do que da pessoa real.</p>

<p>Essa divisão ajuda a entender por que tantos fisiculturistas parecem confiantes por fora e destruídos por dentro. O músculo vira armadura. O palco vira prova de valor. O carro, a mulher, o dinheiro, o status e o shape viram tentativas de preencher uma ferida que não fecha com aplauso.</p>

<h2>O ginásio era abrigo, mas fora dele vinha a destruição</h2>

<p>O treino funcionava como saída temporária. Dentro da academia, Flex não pensava em se destruir. Fora dela, a impulsividade e a dor voltavam. Fora dela, dirigia a até 306 km/h (190 mph) sem se importar com o desfecho, e chegou a levar o ator Mickey Rourke para um passeio de Porsche entre 225 e 241 km/h (140 a 150 mph). O carona achou diversão. Não era.</p>

<p>A primeira tentativa concreta de suicídio aconteceu aos 12 anos e terminou em hospital, com a família acreditando que tinha sido uma overdose acidental de aspirina. Só a namorada de então, que viraria a mãe do primeiro filho dele, sabia a verdade. Ao longo da carreira, a vontade de desaparecer continuou aparecendo por trás da imagem do campeão, e a decisão de parar com isso só veio numa internação recente, quando o coração dele falhou 8 vezes seguidas nos monitores e a equipe avisou que pouco faltava. Esse ponto é essencial: aparência física não mede saúde mental.</p>

<p>O bodybuilding pode salvar muita gente porque dá rotina, identidade, disciplina e pertencimento. Mas também pode esconder sofrimento quando o atleta aprende a performar força o tempo todo. O corpo cresce, a persona fica famosa e a dor segue intacta.</p>

<p>Dinheiro também não resolveu nada disso. Na fase mais forte, ele não saía de casa com menos de 10 mil dólares no bolso, tinha uma casa de 7 andares em Venice, 2 carros de 200 mil dólares e uma Harley na garagem, e ainda assim disparava arma dentro de casa se acostumando com a ideia de tirar a própria vida. A conclusão dele é seca: quando a pessoa não está bem por dentro, nenhuma mulher e nenhum dinheiro resolvem.</p>

<h2>O erro de perseguir outro corpo</h2>

<p>O Flex de 1993 talvez tenha sido perto do limite máximo do que aquele corpo podia ser em estética, proporção e impacto visual. O problema é que o esporte começou a empurrá-lo para outra direção.</p>

<p>Depois de vencer o Ironman e o Arnold Classic logo na estreia profissional, batendo atletas então classificados como número 2 do mundo e assinando a melhor estreia da história entre profissionais, ouviu de um juiz que tinha vencido, sim, mas que aquele físico nunca ficaria de frente com Dorian Yates. Em vez de apenas lapidar o que já era único, passou a perseguir o tipo de físico que estava vencendo. Mais tamanho, mais densidade, mais tentativa de encaixar em outra régua. Chris Cormier, parceiro de treino da época, enxergou o erro na hora e ficou calado de propósito, porque queria vencê-lo, e só admitiu isso anos depois da aposentadoria dele.</p>

<p>Anos depois, a leitura ficou mais clara: esse caminho foi um erro. Flex não precisava virar Dorian. Não precisava virar Ronnie. Precisava melhorar o próprio Flex, que em 1993 já estava, pela avaliação dele mesmo, perto de 90% do teto daquele corpo. Essa talvez seja uma das lições mais valiosas para qualquer atleta: quando alguém abandona o que tem de raro para copiar o que está vencendo, pode perder justamente o que o tornava especial.</p>

<h2>O Olympia contra Ronnie e a dignidade na derrota</h2>

<p>A rivalidade com Ronnie Coleman marca um dos capítulos mais conhecidos. Em 1998, no Madison Square Garden, o Olympia parecia destinado a Flex: Dorian Yates tinha se aposentado, as revistas já davam o troféu a ele e Ronnie Coleman, que chegou a se hospedar na casa dele para se preparar, nem apareceu nas comparações do pré-julgamento. Coleman entrou nas chamadas depois, venceu o pose-down e tirou o título por 3 pontos de diferença. Em 1999, mesmo tendo subido 7,7 kg (17 lb) e voltado ao palco em melhor forma, Flex perdeu de novo, dessa vez com pontuação perfeita para Coleman, e a frustração ficou visível quando tirou a medalha de prata do pescoço.</p>

<p>A explicação dele não é de birra simples. O bodybuilding é subjetivo. O atleta pode ter certeza de que venceu, enquanto os juízes preferem outro físico. Nada muda no corpo em segundos. O que muda é o reconhecimento externo.</p>

<p>Mesmo sentindo que era número um, Flex fala de respeito pelo adversário. Ronnie estava tentando vencer, sustentar a própria carreira e mudar a própria vida. Não fazia sentido odiar outro atleta por buscar o mesmo sonho. O gesto mais forte é o abraço, o “parabéns, eu te amo” sussurrado no ouvido do vencedor e a recusa em estragar a festa do outro com a própria tristeza, mesmo avisando, meio de brincadeira, que não apareceria na comemoração daquela noite.</p>

<h2>Saúde, fé e a vida depois da imagem perfeita</h2>

<p>A carreira de Flex também foi marcada por uma doença renal rara e sem cura, transplante de rim, transplante no olho esquerdo, dor crônica e a amputação de uma perna. Durante as tentativas de salvar esse membro, um stent que ia do tórax até a perna rompeu dentro do hospital, e o contato do sangue com o nervo custou boa parte do uso do braço direito: ele passou mais de 1 ano sem conseguir escrever, perdeu o bíceps daquele lado e convive com formigamento permanente no polegar e em 2 dedos. Ele fala dessas experiências sem transformá-las em frase motivacional barata.</p>

<p>A doença renal aparece ligada a uma virada espiritual. O amigo Rico McClinton, conhecido aos 19 anos num campeonato em Fresno e reencontrado por acaso na Gold's Gym de Venice, teve papel importante nesse retorno à fé. A ida de Flex de volta à igreja acabou conectada, na visão dele, ao encontro com a mulher que doaria o rim e ajudaria a salvar sua vida.</p>

<p>A perda de saúde muda a escala de valores. Dinheiro, carro, fama, curtidas e troféus ficam pequenos quando a pessoa enfrenta risco real de morte, transplante, perda de visão, dor crônica ou amputação. Não é que sucesso deixe de importar. É que ele passa a ocupar um lugar menor diante da sobrevivência.</p>

<p>A dor crônica virou o adversário diário. Ele descreve dias inteiros em nível 10 numa escala até 10, deitado em posição fetal, com opiáceos fortes que não dão conta. O alívio parcial que relata, de 10 para 7 ou 8, veio de um produto à base de cânhamo em que passou a acreditar depois de testar por semanas e do qual acabou virando sócio. É experiência pessoal, não recomendação: dor desse tipo exige acompanhamento médico contínuo, e nenhum suplemento substitui isso.</p>

<h2>A dor virou obrigação de ajudar</h2>

<p>Flex diz que consegue usar muitos "chapéus": milionário, pessoa sem-teto, alguém em assistência social, alguém abusado, alguém que abusou, paciente transplantado, pessoa com doença rara, pessoa que perdeu um membro. Essa lista é pesada porque não é pose. É vivência.</p>

<p>A conclusão dele é que essas experiências permitem conversar com pessoas que talvez não aceitassem conselho de alguém protegido demais. Quem foi abusado tende a desconfiar de quem fala de fora. Quem vive dor crônica pode rejeitar frases prontas. Quem pensou em suicídio sabe quando alguém está apenas repetindo slogan.</p>

<p>A autobiografia de 2003 nasceu justamente daí, depois que um representante de editora insistiu durante anos, com cartão de Natal atrás de cartão de Natal, até ele topar. O empresário dele avisou que meia verdade acabaria com a carreira, e a escolha foi contar tudo, trocando os nomes reais das pessoas envolvidas para não expor ninguém. Foi ali que a própria família soube da história pela primeira vez, e os irmãos que batiam nele pediram desculpas. Por isso, a biografia dele não é só sobre palco. É sobre transformar sofrimento em linguagem. A dor não vira bonita. Mas pode virar ponte.</p>

<h2>Mentorar talento exige honestidade</h2>

<p>A relação com Andrew Jacked mostra outro lado de Flex. A dica veio de Dexter Jackson, que apontou o atleta e devolveu a pergunta: por que você não treina esse cara? Flex mandou mensagem direta no Instagram, ouviu do nigeriano que o sonho era ser o próximo Flex Wheeler, chamou para uma conversa presencial e ele pegou um avião de Dubai para a Califórnia. A aprovação veio menos pelo físico e mais pela cabeça: o único pedido do atleta foi manter no time o treinador que o ajudava desde antes de qualquer fama. Pelo contrário: quando não acredita que alguém tenha condições reais de construir carreira, prefere não pegar dinheiro alimentando sonho improvável.</p>

<p>Esse ponto é raro em uma indústria cheia de promessas. Muito treinador lucra dizendo que qualquer pessoa pode virar profissional se pagar o plano certo. Flex coloca um limite: talento existe, estrutura existe, genética existe. Quando a combinação aparece, vale investir energia. Quando não aparece, vender ilusão é errado.</p>

<p>Com Andrew, a história foi diferente porque havia potencial evidente: cintura estreitíssima para um atleta daquele porte, panturrilhas fora do padrão e, na leitura de Flex, só largura e detalhe de dorsais separando-o dos melhores do mundo. O objetivo deixou de ser apenas ajudar um aluno. Era ajudar alguém que dizia querer ser o próximo Flex Wheeler, sem apagar a própria identidade no processo.</p>

<h2>O orgulho também precisa saber sair de cena</h2>

<p>Um dos trechos mais humanos envolve a vontade de estar presente em momentos importantes de Andrew, mesmo quando a própria condição física não permitia. Recém-saído de mais uma internação, ele já tinha comprado passagem para ver Andrew competir no Texas quando ouviu do próprio atleta e do sócio que sua presença deslocaria o foco: Andrew ficaria mais preocupado com a saúde dele do que com o palco.</p>

<p>A metáfora da máscara de oxigênio é precisa: primeiro proteja a si mesmo para poder proteger quem ama. Às vezes, ir a um evento parece apoio. Mas, se a presença cria preocupação, vira necessidade pessoal disfarçada de generosidade.</p>

<p>Essa é uma lição dura para ex-campeões, pais, mentores e treinadores. Nem todo gesto emocionalmente bonito é o gesto certo para o outro. Às vezes, amar é não ocupar o centro da cena.</p>

<h2>Troféu fica menor quando a vida cobra a conta</h2>

<p>Flex admite nem saber onde estão muitas medalhas e premiações. Os troféus maiores do Arnold Classic são difíceis de perder fisicamente, mas o resto já não carrega o mesmo peso. Dinheiro veio e foi embora. Em 1999, 17 dias antes do Olympia, ele assinou o maior contrato do fisiculturismo da época: 17 mil dólares por mês, 3 anos garantidos, passagem em primeira classe, hotel em suíte e apenas 3 aparições obrigatórias por ano, contra os cerca de 5 mil dólares mensais renovados ano a ano que recebia antes. Negociou 1 mil dólares por aparição extra e acabou fazendo 20 a 30 delas por ano. Anos depois, foi dispensado por outra marca no Natal, perdeu a perna, acumulou contas médicas na casa dos milhões, encarou a possibilidade de falência e passou a viver de auxílio por invalidez. O retroativo de 1 ano desse benefício virou o capital inicial da própria linha de suplementos. Carros vieram e foram embora, incluindo uma caminhonete customizada por mais de 100 mil dólares que terminou apreendida na porta de casa. O que fica é como as pessoas se sentiram ao cruzar o caminho dele, ideia que ele resume lembrando que ninguém nunca viu um caminhão de mudança atrás de um carro funerário.</p>

<p>Essa visão não diminui o bodybuilding. Pelo contrário. Ela dá profundidade ao esporte. O palco importa, mas não pode ser a única medida da vida. Um corpo lendário pode inspirar por fotos. Uma história honesta pode salvar alguém que nunca competiu.</p>

<h2>Lições práticas de Flex Wheeler</h2>

<p>Da trajetória de Flex, ficam algumas lições fortes:</p>

<ul>
  <li>um físico perfeito não garante autoestima.</li>
  <li>o personagem que protege também pode aprisionar.</li>
  <li>copiar o corpo vencedor pode destruir o que você tem de único.</li>
  <li>genética é bênção, mas não substitui paz interna.</li>
  <li>derrota subjetiva não precisa virar ódio contra o adversário.</li>
  <li>dor mental não aparece no shape.</li>
  <li>saúde muda completamente a escala de prioridades.</li>
  <li>mentoria séria não vende sonho para quem não tem base real.</li>
  <li>ajudar alguém às vezes exige sair do centro da cena.</li>
  <li>contrato não é garantia: com mais advogados e mais dinheiro, a outra parte rompe quando quiser.</li>
  <li>o legado mais forte pode ser a forma como você faz os outros se sentirem.</li>
</ul>

<h2>Conclusão</h2>

<p>Flex Wheeler é uma das maiores obras estéticas do fisiculturismo, mas a matéria mais importante não está apenas no corpo. Está no homem que olha para a própria foto lendária e pensa que gostaria de ter se amado mais.</p>

<p>A história dele ensina que músculo, fama, dinheiro e reconhecimento não curam automaticamente vergonha, trauma e dor. Também ensina que sobreviver pode virar missão. Flex talvez nunca tenha vencido o Mr. Olympia, mas venceu algo que muitos campeões nem conseguem encarar: a obrigação de contar a verdade sobre o que existia por trás da simetria.</p>

<h2>FAQ</h2>

<h3>Quem é Flex Wheeler?</h3>
<p>Flex Wheeler, nome artístico de Kenneth Wheeler, é uma lenda do fisiculturismo profissional, conhecido pela estética, simetria e por ser considerado um dos físicos mais bonitos da história do bodybuilding.</p>

<h3>Por que Flex Wheeler é chamado de Sultão da Simetria?</h3>
<p>Porque seu físico reunia proporção, linhas, cintura fina, volume e apresentação visual rara, especialmente na temporada de 1993, quando venceu Ironman e Arnold Classic logo na estreia profissional.</p>

<h3>Flex Wheeler venceu o Mr. Olympia?</h3>
<p>Não. Apesar de ser tratado por muitos como um dos maiores físicos de todos os tempos, Flex nunca venceu o Mr. Olympia. Ficou em segundo em 1998, perdendo por 3 pontos, e novamente em 1999, nas duas vezes para Ronnie Coleman.</p>

<h3>Qual foi o grande erro competitivo que ele reconhece?</h3>
<p>O grande erro foi tentar perseguir o tipo de físico que estava vencendo, especialmente mais tamanho e densidade, em vez de lapidar o que fazia o próprio Flex ser único. Ele calcula que, já em 1993, estava perto de 90% do próprio teto.</p>

<h3>Qual é a principal lição da história de Flex Wheeler?</h3>
<p>A principal lição é que reconhecimento externo não substitui amor próprio. O shape pode ser lendário e, ainda assim, a pessoa pode estar em sofrimento profundo por dentro.</p>

<h2>Referências</h2>
<ol>
  <li>CUTLER CAST. #43 - Flex Wheeler - I wish you loved yourself more.... [S. l.], 8 set. 2022. YouTube. Disponível em: <a href="https://youtu.be/RnmYFLcikKQ" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://youtu.be/RnmYFLcikKQ</a>. Acesso em: 19 jul. 2026.</li>
</ol>]]></description><guid isPermaLink="false">1061</guid><pubDate>Sun, 19 Jul 2026 14:30:00 +0000</pubDate></item><item><title>Jared Feather e Dr. Mike Israetel: ci&#xEA;ncia, treino pesado e li&#xE7;&#xF5;es da RP Strength</title><link>https://fisiculturismo.com.br/mat%C3%A9rias/gente/jared-feather-e-dr-mike-israetel-ci%C3%AAncia-treino-pesado-e-li%C3%A7%C3%B5es-da-rp-strength-r1060/</link><description><![CDATA[
<p><img src="https://cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2026_08/jared-feather-mike-israetel-aula-academia-capa.webp.c4b8f559d9db727f82ff0a4c99f33849.webp" /></p>
<p>Jared Feather e Dr. Mike Israetel representam uma ponte rara no fisiculturismo: de um lado, a ciência do esporte tentando organizar treino e dieta com lógica. Do outro, o bodybuilding real, feito de atletas extremos, preparação dura, genética fora da curva e muita prática acumulada. Em "#143 - Dr. Mike / Jared Feather - RP Strength", do Cutler Cast, essa combinação aparece como uma aula sobre como pensar melhor antes de copiar campeão, modinha ou frase pronta de academia.</p>

<p>A grande lição é simples e incômoda: quem quer evoluir precisa aprender com os melhores sem transformar exceções em regras. O atleta campeão pode ter feito muita coisa certa, mas também pode ter vencido apesar de alguns erros. Separar uma coisa da outra é o que diferencia admiração de imitação cega.</p>

<h2>A RP Strength nasceu para traduzir ciência em prática</h2>

<p>A Renaissance Periodization, conhecida como RP Strength, funciona como empresa de tecnologia, coaching e educação. A proposta não é apenas falar de ciência, mas criar ferramentas para aplicar princípios de treino e dieta na rotina de quem treina.</p>

<p>Mike Israetel aparece como cofundador da RP ao lado de Nick Shaw, com base acadêmica em ciência do esporte. Jared Feather entra como peça prática dessa engrenagem: atleta, coach, autor, colaborador de aplicativos e uma espécie de representante da RP dentro do bodybuilding competitivo.</p>

<p>A empresa começou vendendo modelos prontos de treino e dieta e hoje sustenta um aplicativo de treino, um de dieta, uma equipe de coaches, livros e um canal com 2,74 milhões de inscritos. Jared brinca que os inscritos vêm do moicano que ele mantém há 12 anos, adotado em parte por achar bonito e em parte por puro despeito contra quem manda ele cortar nos comentários.</p>

<p>A parceria entre os dois começou na universidade. Jared conhecia o trabalho acadêmico de Mike, aproximou-se dele no ambiente de treino e acabou tendo Mike como professor e orientador em um grupo de treinamento e dieta científica. Depois, a relação virou amizade, trabalho, produção de livros, coaching, apps e conteúdo.</p>

<p>Os detalhes ajudam a datar a história. Jared era assistente de moradia na Universidade Central do Missouri e precisava chegar duas semanas antes do semestre para treinamento. Já tinha lido a tese de doutorado de Mike, orientada por Michael Stone, e o abordou na academia no segundo ou terceiro dia dizendo que acabara de fundar uma associação de treino e dieta científica. Mike foi orientador desse grupo e professor dele nos três primeiros semestres. A conta bate em 2012 ou 2013 para o encontro e 2014 para a RP engrenar de verdade.</p>

<p>Esse início explica muito do estilo da RP. Não é ciência isolada em laboratório e também não é "bro science" sem filtro. A tentativa é cruzar dados, experiência, treino de verdade e linguagem acessível.</p>

<h2>Musculatura e magreza importam, mas média não é exceção</h2>

<p>Uma base importante vem da pesquisa de Mike com 88 atletas universitários da primeira divisão americana. Foram avaliados atletas de baseball, futebol masculino, futebol feminino e vôlei feminino, com medidas corporais, força, velocidade, salto e ranking dos treinadores. O objetivo declarado era montar um conjunto de equações que descrevesse, do jeito mais simples possível, o que faz um bom atleta.</p>

<p>A conclusão prática foi que atletas mais musculosos e mais magros tendiam a correr melhor, saltar melhor e aparecer melhor nas avaliações dos treinadores. Isso não significa que todo atleta excelente precise parecer fisiculturista. Significa que, na média, força, massa muscular útil e baixo excesso de gordura ajudam muito no desempenho.</p>

<p>O valor prático do estudo aparece na conversa com treinadores. Mike conta que técnicos de esporte costumam chegar desconfiados, com a frase de sempre, não machuque meus meninos na academia. Num ambiente universitário de primeira divisão todo mundo já é razoavelmente musculoso e magro, então o olho nu não separa bem os graus, e sempre existe o atleta que parece um lixo e joga muito ao lado do atleta com abdômen definido e mãos de manteiga. Mostrar o dado do grupo inteiro é o que faz o treinador aceitar o plano de musculação e de dieta.</p>

<p>O erro começa quando alguém pega uma exceção e tenta transformá-la em regra. Um quarterback extraordinário pode não parecer o atleta mais musculoso do mundo, mas isso não elimina o valor do treinamento de força. Ronnie Coleman pode não ter sido o maior exemplo técnico de pose em todos os detalhes, mas isso não autoriza um iniciante a ignorar pose só porque Ronnie venceu oito Olympias.</p>

<p>O exemplo do quarterback é desenvolvido com cuidado. A função exige cálculo rápido de posições e velocidades, leitura de campo e técnica de arremesso, não força bruta. Colocar o braço de Brian Shaw num quarterback não faria a bola ir mais longe, porque o fator limitante não é força. O motivo número um de um quarterback treinar pesado é ficar menos frágil, já que o time inteiro do outro lado quer quebrá-lo em pedaços. E, quando se compara nível por nível, da NFL à primeira divisão, depois NAIA e ensino médio, os quarterbacks melhores são mais altos, mais largos, mais fortes, mais rápidos, mais musculosos e mais magros. Patrick Mahomes e Tom Brady são exceções, não a regra.</p>

<p>Campeões extremos são perigosos como manual único. Eles carregam genética, tolerância, histórico, drogas, resiliência e contexto que quase ninguém tem. A pergunta útil não é "o que o monstro fez?". A pergunta útil é "o que desse monstro serve para uma pessoa normal evoluir sem quebrar no meio do caminho?".</p>

<h2>Respeitar campeões não significa copiar tudo</h2>

<p>O olhar crítico da RP sobre atletas famosos tem uma nuance importante. Bodybuilders de elite merecem respeito porque construíram físicos que pouquíssimas pessoas no planeta conseguem construir. Ao mesmo tempo, respeito não exige concordância absoluta.</p>

<p>Um campeão pode ter excelente intensidade, disciplina, consistência e percepção corporal. Também pode usar técnica discutível, amplitude incompleta ou escolhas de exercício que funcionam para ele, mas seriam ruins para a maioria. Copiar Dorian Yates, Jay Cutler, Ronnie Coleman ou Branch Warren como se todos os detalhes fossem transferíveis é uma receita para confusão.</p>

<p>Mike descreve o próprio critério com franqueza. No quadro semanal em que analisa treinos alheios, atores de Hollywood viram circo e mentirosos contumazes levam pancada do começo ao fim, mas fisiculturistas e atletas profissionais recebem reverência. A postura declarada é assistir, apontar o que dá para melhorar e reconhecer o que faz sentido, porque Ronnie tem mais Olympias que ele. O contraexemplo que ele usa é direto: Jay Cutler foi maior e mais musculoso que Dorian Yates treinando num estilo oposto, o que já mostra que copiar detalhes ao pé da letra não explica resultado.</p>

<p>O ponto não é desprezar o atleta prático. É aprender com ele sem desligar o cérebro. O fisiculturismo melhora quando a experiência de palco conversa com a ciência, não quando uma tenta humilhar a outra. Perguntado sobre quem admira treinando hoje, Mike cita John Jewett e Justin Shier, esse último por intenção total, concentração na técnica e trabalho no alongamento, e classifica Jared como o cara da execução.</p>

<p>Há também uma crítica dura à execução média da categoria. Mike compara o fisiculturista sem técnica ao sujeito atlético que joga tênis sem aula, acerta a bola com força e ainda assim segura a raquete errado e bate errado, enquanto uma senhora de 65 anos com quatro meses de aula se posiciona, executa e finaliza o movimento corretamente. A observação dele é que esse problema quase não aparece no levantamento olímpico nem no powerlifting, mas é comum no fisiculturismo.</p>

<h2>Treino bom tem técnica, esforço e corpo inteiro pensando junto</h2>

<p>A discussão sobre execução reforça um princípio simples: controlar a fase excêntrica, entrar bem no alongamento e fazer a fase concêntrica com força costuma ser uma excelente forma de treinar hipertrofia.</p>

<p>Também não existe evidência sólida de que dá para escolher tipos de fibra pela cadência. O corpo tende a trabalhar como uma unidade integrada, e a manipulação de tempo entra como ajuste de estímulo, não como um seletor de fibra.</p>

<p>Não é necessário transformar cada repetição em câmera lenta. A descida pode variar, com algo entre 1 e 6 segundos produzindo estímulos parecidos quando o resto do treino está bem montado. O problema é perder totalmente o controle, despencar a carga e fingir que isso é intensidade. Com excêntricas mais longas, o ajuste natural é fazer menos repetições, porque cada uma leva mais tempo.</p>

<p>A técnica também não deve virar frescura estética. Ela serve para colocar tensão no músculo certo, repetir o padrão com segurança e manter progressão por anos. Treinar duro continua obrigatório. A diferença é que dureza sem controle cobra caro demais.</p>

<p>Sobre tentar esculpir o formato do músculo, a resposta é igualmente prática. Treinar só na porção encurtada de uma rosca pode até depositar um pouco mais de tecido na parte proximal do bíceps e criar algum pico, só que o crescimento total fica muito pior e a diferença após anos é de poucos pontos percentuais, invisível a olho nu. Mike resume que fazer todos os músculos ficarem maiores ou menores em proporção uns aos outros é 95% do trabalho, e que moldar formato é o resto.</p>

<h2>Lesão é probabilidade, não destino</h2>

<p>A parte sobre lesões é uma das mais úteis para quem treina pesado. Lesão tem componente aleatório. Às vezes a pessoa se machuca fazendo algo aparentemente normal. Ainda assim, o risco sobe ou desce conforme fadiga, técnica, velocidade de progressão, escolha de carga, idade, preparação, drogas e tomada de decisão no treino.</p>

<p>O caso que abre o assunto é do próprio Jay Cutler. Ele arrancou o bíceps do ombro, uma lesão que costuma ser chamada de ruptura de gente mais velha, jogando halteres para cima num ensaio fotográfico, a 3 semanas de um show, com 37 ou 38 anos, e nem era a carga mais pesada que já tinha usado. Ele conta que sempre foi obsessivo com terapia manual, alongamento e mobilidade de ombro, o que reforça o argumento de que nada disso elimina o acaso.</p>

<p>Gerenciar fadiga é uma das formas de empilhar chances a favor do atleta. Outra é não deixar o ego escolher a carga. Outra ainda é a velocidade com que a força sobe. Terminar uma preparação muito depletado, ficar irritado e passar a comer oximetolona feito bala até ganhar 18,1 kg (40 lb) em 3 semanas e atingir a maior força da vida coloca tendão e músculo em ritmos diferentes, e é assim que o atleta se machuca. A diferença entre halteres de 45,4 kg (100 lb) e 47,6 kg (105 lb) pode ser quase irrelevante para hipertrofia quando as repetições e o esforço são ajustados. Se o atleta tivesse ficado nos 45,4 kg e feito duas repetições a mais, o estímulo de hipertrofia seria idêntico. Mas uma ruptura de peitoral, bíceps ou tendão pode mudar o corpo e a carreira para sempre.</p>

<p>Esse raciocínio é cruel porque o ganho de ego é imediato e o prejuízo pode ser permanente. O atleta sente que provou algo por alguns segundos. Se rompe uma estrutura importante, passa anos pagando por uma decisão que talvez nem gerasse mais músculo.</p>

<p>Os fármacos entram nessa conta em duas direções. Alguns enfraquecem ou ressecam o tendão, e a trembolona aparece citada nesse grupo, enquanto o estanozolol soma dois problemas: ressecar o tecido, que fica mais quebradiço pela própria física, e dar um drive androgênico que faz o sujeito trocar cinco anilhas por seis achando que aguenta. Do outro lado, peptídeos e uma dose decente de hormônio do crescimento reconstroem tecido de forma mais completa, incluindo o complexo tendíneo, e funcionam a favor do atleta.</p>

<p>O custo do erro fica claro nos exemplos citados. Kevin Levrone tinha um dos melhores físicos da história e rompeu o peitoral, e Tony Freeman também. A ruptura completa muda a aparência para sempre, mesmo com a cirurgia moderna. Foi por isso que Jay repetia a frase de deixar o ego na porta, lembrando que ninguém pergunta no palco quanto peso o atleta empurrou.</p>

<h2>Genética também inclui não quebrar</h2>

<p>Quando se fala em genética no fisiculturismo, muita gente pensa apenas em formato muscular, inserções, cintura, resposta de hipertrofia e facilidade para ficar seco. Esse conceito precisa ser ampliado. Genética também envolve resistência a lesões e tolerância aos fármacos.</p>

<p>Alguns atletas crescem muito, treinam pesado por décadas, suportam cargas absurdas e parecem atravessar fases extremas sem desmontar. Outros tentam imitar a mesma receita e somem porque o corpo não aguenta. Esse é o viés de sobrevivência do bodybuilding: os que chegaram ao Olympia estão visíveis, enquanto os que quebraram antes viram lembrança de academia. Branch Warren é o exemplo que aparece na conversa, alguém que treina de um jeito que ninguém consegue copiar e mesmo assim não se quebrou.</p>

<p>Por isso, a comparação com atletas de elite precisa ser feita com humildade. O campeão mostra o que é possível para alguém com uma combinação rara de genética, trabalho, tolerância e oportunidade. Ele não prova que o caminho é seguro para todos.</p>

<p>A analogia usada é a dos veteranos da Segunda Guerra: se você só entrevista quem voltou, conclui que ninguém morreu. Os fisiculturistas que tentaram imitar o estilo mais brusco e se partiram no meio não estão no palco do Olympia para contar. Jared resume que resiliência a lesão e tolerância aos fármacos pesam mais que qualquer outra coisa no esporte, e Mike acrescenta que genética, trabalho duro por anos e fármacos respondem por cerca de 90% do resultado, desde que o atleta não se machuque.</p>

<h2>Dieta de fisiculturista é mais simples do que glamourosa</h2>

<p>A alimentação aparece sem romantismo. Jay Cutler relata uma rotina extremamente estruturada, com refeições repetidas, clara de ovo, aveia, arroz, frango e pouca variação. A disciplina estava menos em encontrar alimentos mágicos e mais em repetir o plano sem ficar negociando toda refeição. Ele descreve o pico da preparação com números altos: cerca de 1.000 g de carboidrato e 300 g de proteína por dia, sem gordura adicionada, peixe branco em todas as refeições, nada de carne vermelha, arroz branco como base e mel por cima da comida para fechar o carboidrato. O plano de 6 refeições escrito por Chris Aceto aos 18 anos era seguido na ordem exata, sem trocar nem misturar, com 12 claras de ovo e aveia no café. Aceto proibia condimentos, então nada de ketchup ou barbecue, e Jay só experimentou KFC pela primeira vez aos 50 anos, de propósito, para não gostar.</p>

<p>Essa simplicidade tem valor. Quanto mais sabor hiperpalatável alguém tenta encaixar em déficit calórico, maior a chance de abrir espaço para desejo, belisco e perda de controle. Para muita gente, comida simples não é punição. É ferramenta de adesão.</p>

<p>Comida sem graça também serve de teste de fome. Mike conta que oferece uma porção extra de peixe ou de pudim de caseína a quem reclama de fome, e a recusa entrega a resposta na hora: não era fome, era desejo por outra coisa. O contraexemplo é a pessoa que fica negociando quantos salgadinhos ainda cabem nos macros e só aumenta a vontade.</p>

<p>O exemplo do peixe branco desmonta outro mito. Peixe branco não "afina a pele" por alguma magia própria. Ele costuma funcionar em preparação porque tem pouca gordura, pesa pouco no estômago e facilita controlar calorias e macros. O efeito vem do contexto nutricional, não de uma propriedade mística do alimento. Quem troca bife por peixe branco corta a gordura do bife, baixa as calorias e chega mais seco algumas semanas depois, e outros 50 alimentos na mesma conta calórica fariam o mesmo.</p>

<p>A dieta do tipo sanguíneo recebe o mesmo tratamento. Jay conta que a seguiu para o Mr. Olympia de 2006, cortou ovo e aveia porque disseram que faziam mal para o tipo dele, trocou aveia por canjica e apresentou o pão Ezequiel ao meio do fisiculturismo, comendo 7 fatias por refeição. Mike responde que ele venceu o Olympia apesar da dieta, não por causa dela, já que a única constante da carreira foi ganhar títulos enquanto todo o resto mudava. O episódio terminou mal: Jay desenvolveu colite em 2009, ficou 1 ano medicado e não conseguia segurar nada, o que quase interrompeu a preparação.</p>

<h2>Detalhes importam mais no topo da pirâmide</h2>

<p>Macronutrientes, calorias, consistência e escolha geral de alimentos carregam a maior parte do resultado. Depois que a base está pronta, os detalhes começam a importar mais.</p>

<p>O cardio entra no mesmo pacote de coisas superestimadas. Mike abandonou o cardio formal e usa um contador de passos: testou 12 mil a 14 mil passos por dia, sentiu os pés doerem e as pernas fracas, e ficou em torno de 10 mil numa fase de perda de gordura. O raciocínio é que muito cardio faz o corpo ficar eficiente e economizar energia o resto do dia, de modo que o gasto real fica abaixo do imaginado. Chris Aceto tinha chegado à mesma conclusão por outro caminho e preferia mandar Jay treinar com pesos 2 vezes por dia, cortando o cardio a 10 semanas do show. Jay ainda lembra que sua melhor forma, em 2001, veio sem cardio nenhum, e Jared cita Martin Fitzwater e John Jewett como os mais condicionados do último Olympia, também sem cardio.</p>

<p>Para um iniciante ou intermediário, brigar entre arroz branco e arroz integral costuma ser menos importante do que comer proteína suficiente, treinar bem e manter a rotina. Para um atleta em alto nível, perto do limite competitivo, pequenas diferenças de digestão, volume alimentar, saciedade e tolerância podem ajudar. A analogia é automotiva: contar macros é ter um motor V12, e nada supera isso, mas um V12 num Honda Civic não vira Lamborghini, e é aí que qualidade de alimento e detalhes entram.</p>

<p>Essa é uma lição central da boa ciência aplicada: contexto manda. Uma ferramenta pode ser irrelevante para uma pessoa e decisiva para outra. O erro é vender detalhe de atleta avançado como regra universal para todo mundo.</p>

<p>A discussão sobre proteína segue a mesma lógica. Concentrado, isolado e hidrolisado diferem sobretudo na velocidade de liberação e na companhia que trazem. O hidrolisado é praticamente só proteína do soro, enquanto o concentrado é mais barato e carrega imunoglobulinas e outros compostos, o que o torna a escolha sensata para quem não tem intolerância à lactose. Caseína antes de dormir libera aminoácidos pela noite toda, enquanto o isolado se esgota por volta da segunda hora. E a aplicação prática mais óbvia é de tempo de digestão: Mike conta que comeu comida de restaurante de beira de estrada achando que treinaria horas depois, foi chamado para treinar pernas e passou o treino vomitando e com diarreia.</p>

<h2>Recuperação não é preguiça</h2>

<p>O culto ao "grind" aparece como um problema. Trabalhar, treinar e produzir sem descanso pode parecer virtuoso, mas recuperação ruim destrói performance e físico. Dormir pouco, treinar no meio da madrugada só para parecer hardcore e viver sempre no limite não é estratégia avançada. É desgaste acumulado. O exemplo citado é o de um profissional que postou orgulhoso ter conseguido treinar à 1h da manhã. O contraste é o próprio Jay, que respondia às perguntas sobre a noitada pós-Olympia dizendo que ia dormir por volta das 23h.</p>

<p>A recuperação também precisa ser entendida sem modinha. Banho frio e imersão gelada podem ter lugar em esportes que precisam reduzir dor e inflamação antes de outro jogo ou treino técnico. Para hipertrofia, especialmente logo após musculação, a aplicação de frio pode atrapalhar adaptações desejadas. Mike afirma que cerca de uma dúzia de estudos já confirmou essa redução de crescimento quando o frio é aplicado nas horas seguintes ao treino de força.</p>

<p>Treino em jejum recebe resposta parecida, de preferência individual. Se a pessoa treina às 6h, acorda às 5h30, rende bem e come logo depois, a ciência não vê problema. Quem treina às 15h em jejum vai chegar sem energia. Jared sugere pelo menos beber carboidrato de rápida absorção a caminho da academia e ao longo da sessão, e diz que não faria treino em jejum se estivesse preparando um Olympia. Já o cardio em jejum queima quase a mesma gordura que o cardio alimentado, com uma vantagem mínima, e a recomendação é encarar a sessão como 400 calorias extras por dia até o show.</p>

<p>O mesmo vale para terapia manual. Massagem pode melhorar sensação, relaxamento e percepção corporal. Isso não significa que todos os mecanismos vendidos por terapeutas estejam corretos. O benefício pode ser neurológico, psicológico e de curto prazo, o que ainda pode ser útil quando bem encaixado.</p>

<p>O argumento contra a explicação usual é mecânico. Já se calculou a força necessária para deformar a fáscia de verdade e ela é comparável à de um rolo compressor de asfalto, ou seja, o músculo se destruiria antes. O que sobra são três efeitos plausíveis: fluxo de sangue na região, um relaxamento local do sistema nervoso e uma descarga de endorfina que faz a pessoa sair leve depois de apanhar por uma hora. Jared aplica a versão barata disso no próprio treino, enfiando o polegar no joelho por 10 segundos, fazendo a série, repetindo três ou quatro vezes, e chama o efeito pelo nome, retorno proprioceptivo.</p>

<p>A eletroestimulação de alta frequência recebe a mesma leitura de contexto. Para o fisiculturista avançado que tem dificuldade real de recrutar um músculo específico, usar o aparelho durante o treino pode render bastante. Para quem ainda não sabe executar o movimento, é como dar um capacete de Fórmula 1 a quem dirige um carro popular pela cidade, já que 90% do ganho viria simplesmente de aprender a levantar peso.</p>

<h2>Metas de processo vencem metas de vaidade</h2>

<p>A divisão entre metas de processo, performance e resultado é uma das melhores lições para atletas e criadores. Meta de processo é aquilo que depende quase totalmente da pessoa: comer as refeições, treinar com qualidade, dormir, estudar, produzir, repetir. Meta de performance já depende do corpo responder. Meta de resultado depende ainda mais do ambiente, dos concorrentes, da plataforma, dos juízes ou do mercado.</p>

<p>O exemplo usado para meta de performance é ganhar 2,5 cm de braço em 1 ano. Se a pessoa ganha 2,4 cm, o processo continuou impecável e só a medida ficou um pouco abaixo, o que não caracteriza fracasso. Já a meta de resultado, como terminar em quinto no Olympia ou bater determinada receita, não está sob controle direto de ninguém.</p>

<p>Ganhar um título, bater milhões de visualizações ou conquistar determinado lugar no Olympia não está sob controle direto. O que está sob controle é executar melhor todos os dias. Mike diz que não trabalha com metas, que é uma pessoa de processo, e que não pode obrigar ninguém a se inscrever no canal do mesmo jeito que Jared não pode arrancar o troféu Olympia da mão de Chris Bumstead.</p>

<p>Essa visão explica a própria RP. O foco está em produzir, otimizar, educar, ajustar e melhorar as ferramentas. O tamanho final do alcance não pode ser garantido. A qualidade do processo pode.</p>

<p>A engrenagem por trás do conteúdo segue essa lógica. As ideias saem da cabeça de Mike e passam por um filtro conduzido por Scott, engenheiro de áudio de formação que hoje coordena a equipe de edição e usa dados do próprio canal para decidir o que vira material publicado. Ele fica dois dias por semana na casa de Mike para gravar, e a maior parte do que vai ao ar foi produzida com meses de antecedência, a ponto de Mike brincar que o canal seguiria publicando normalmente por vários meses se ele morresse hoje.</p>

<h2>Bodybuilding também precisa de amor pelo próprio corpo</h2>

<p>O esporte costuma ser alimentado por insatisfação. A pessoa olha para o físico e vê o que falta. Mais braço, mais dorsal, mais perna, menos cintura, mais detalhe. Só que viver apenas de ódio ao próprio corpo não sustenta uma carreira saudável por muito tempo.</p>

<p>Existe espaço para agressividade no treino, foco absoluto na série e mentalidade competitiva. Mas também precisa existir orgulho pelo que já foi construído. Gostar de olhar para o próprio físico em alguns momentos não é vaidade vazia. Pode ser combustível emocional para continuar. A ideia veio de uma fala de Hadi Choopan sobre não xingar o próprio músculo, e Jay reconhece que sempre se achou equilibrado o bastante para não odiar nenhuma parte, mesmo enfrentando um Ronnie de costas melhores, porque tinha abdômen mais liso e mais detalhe de quadríceps.</p>

<p>Essa ideia é especialmente importante para jovens. Se o atleta só consegue treinar porque se odeia, cada evolução apenas muda o alvo da insatisfação. O corpo melhora, mas a cabeça continua presa no mesmo buraco.</p>

<p>O caso extremo citado é o de Ronnie Coleman depois de perder para Jay. Segundo o relato feito no episódio, Ronnie quis cancelar as próprias aparições dizendo que era um perdedor e que ninguém ia querer vê-lo, e foi Lee Haney quem o dissuadiu. Mike observa que dá para vencer oito Mr. Olympia e sair achando que virou um deus ou sair achando que fracassou por não ter alcançado o nono e superado Lee Haney, com os mesmos resultados objetivos e percepções opostas.</p>

<h2>Drogas não apagam a genética e não criam outro corpo do zero</h2>

<p>A naturalidade e a genética exigem uma correção importante. Existem físicos naturais que muita gente não acredita serem naturais. Também existem usuários de drogas que não impressionam porque têm genética ruim, dieta ruim, treino ruim ou todos esses fatores juntos.</p>

<p>Esteroides ajudam muito na média, especialmente ao longo do tempo, mas não transformam qualquer pessoa em Jay Cutler ou Ronnie Coleman. A resposta individual varia demais. Usar uma celebridade como régua única é errado tanto para naturais quanto para hormonizados. Mike estima que os fármacos aumentam a força em torno de 10% na média, descontado o ganho de peso corporal, o que significa que quem levanta 226,8 kg (500 lb) no levantamento terra não chega a 340,2 kg (750 lb) por causa deles, enquanto existe gente de braço comprido puxando 317,5 kg (700 lb) a vida inteira sem usar nada.</p>

<p>O caso usado para ilustrar a genética é o de Big Ramy. Jared estima que Ramy, que subiu ao palco em torno de 143,1 kg (315,5 lb) numa condição enxuta, poderia estar em algo como 106,6 a 111,1 kg (235 a 245 lb) completamente livre de fármacos. O argumento paralelo é o inverso: existe quem esteja em um ciclo pesado e não impressione ninguém, porque genética, dieta e treino não acompanham. O caso de Ronnie Coleman é lembrado como o mais desconcertante de todos, já que ele obteve o cartão profissional ainda natural.</p>

<p>A referência mais honesta é construir uma versão melhor de si mesmo. O atleta pode admirar ídolos, mas precisa parar de medir a própria jornada por corpos que nasceram com outro conjunto de cartas.</p>

<h2>O conteúdo fitness vive de educação, mas também de entretenimento</h2>

<p>A RP produz livros, aplicativos, coaching, redes sociais e YouTube com antecedência e planejamento. Ao mesmo tempo, os temas mudam conforme a atenção do público. Glúteos entram em alta, depois dieta cetogênica volta, depois Mike Mentzer retorna ao debate, depois Tom Platz vira referência histórica para uma geração que nem sempre conhece o passado. O público do canal é de aproximadamente 65% de homens e 35% de mulheres, concentrado na faixa dos 20 aos 50 anos, e a proporção já foi mais próxima de metade a metade antes de o material migrar para uma plataforma de perfil mais masculino.</p>

<p>Isso mostra uma realidade do fitness moderno: ensinar exige embalagem. Não basta ter razão. É preciso transformar uma ideia boa em algo que as pessoas queiram assistir, ler, compartilhar e aplicar.</p>

<p>A diferença está em não deixar o entretenimento engolir a verdade. Quando a piada, o título chamativo ou a polêmica servem para levar o público a treinar melhor, ótimo. Quando viram mentira vendável, o conteúdo perde valor.</p>

<p>Jay compara o estilo de Mike ao de George Carlin, que segurava a atenção com humor e entregava a mensagem quando o ouvinte menos esperava. Mike agradece o elogio e responde que consumiu pouco Carlin porque discordava frontalmente das posições políticas dele, mas admite que a explicação mais provável para o próprio alcance é simples: ele fala apenas de assuntos pelos quais tem interesse real, e o público percebe quando um professor não quer estar ali.</p>

<h2>Conclusão</h2>

<p>Jared Feather e Dr. Mike Israetel mostram que o fisiculturismo evolui melhor quando ciência e prática param de brigar. O atleta de verdade sabe que laboratório não substitui palco. O pesquisador honesto sabe que campeão não vira regra só porque venceu.</p>

<p>A melhor lição da RP Strength é pensar em camadas: treinar duro, controlar execução, progredir com inteligência, recuperar de verdade, simplificar dieta, respeitar genética e medir sucesso pelo processo. Copiar exceção pode até parecer inspiração. Na prática, construir uma versão melhor de si mesmo costuma ser muito mais poderoso.</p>

<h2>FAQ</h2>

<h3>Quem é Jared Feather?</h3>
<p>Jared Feather é fisiculturista, coach e colaborador da RP Strength, atuando como uma ponte entre a ciência aplicada da empresa e o bodybuilding competitivo.</p>

<h3>Quem é Dr. Mike Israetel?</h3>
<p>Dr. Mike Israetel é cientista do esporte, cofundador da Renaissance Periodization e um dos nomes mais conhecidos da divulgação científica aplicada ao treino de hipertrofia.</p>

<h3>Qual é a principal lição dessa parceria?</h3>
<p>A principal lição é usar ciência e prática juntas. Atletas campeões têm muito a ensinar, mas suas exceções genéticas e históricas não devem virar regra para todo mundo.</p>

<h3>Por que copiar campeões pode dar errado?</h3>
<p>Porque campeões carregam genética, tolerância, experiência e contexto que a maioria não tem. Um método que funcionou para um atleta extremo pode gerar lesão, confusão ou estagnação em outra pessoa.</p>

<h3>O que a RP Strength defende sobre treino?</h3>
<p>A RP Strength valoriza treino duro, controle técnico, progressão, recuperação, dieta bem planejada e aplicação prática da ciência sem abandonar a experiência de academia.</p>

<h3>Banho gelado atrapalha o crescimento muscular?</h3>
<p>Aplicar frio nas horas seguintes ao treino de força reduz o crescimento muscular, e Mike Israetel afirma que cerca de uma dúzia de estudos confirmou isso. O uso faz sentido para atletas que precisam reduzir dor antes de um jogo próximo, não para quem busca hipertrofia.</p>

<h3>Quanto cardio é necessário para chegar seco?</h3>
<p>Menos do que a maioria imagina. Mike Israetel trocou o cardio formal por algo em torno de 10 mil passos por dia numa fase de perda de gordura, e Jay Cutler afirma que sua melhor forma, em 2001, veio sem cardio nenhum. Dieta e treino com pesos carregam o resultado.</p>

<h3>Peixe branco realmente afina a pele?</h3>
<p>Não. O peixe branco funciona em preparação porque tem pouca gordura, pesa pouco no estômago e derruba as calorias quando substitui carne vermelha. Outros 50 alimentos com o mesmo perfil calórico teriam efeito equivalente.</p>

<h2>Referências</h2>
<ol>
  <li>CUTLER CAST. <em>#143 - Dr. Mike / Jared Feather - RP Strength</em>. [S. l.], 14 nov. 2024. Disponível em: <a href="https://www.youtube.com/watch?v=h9FWGsI9lKs" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://www.youtube.com/watch?v=h9FWGsI9lKs</a>. Acesso em: 18 jul. 2026.</li>
</ol>]]></description><guid isPermaLink="false">1060</guid><pubDate>Sun, 19 Jul 2026 14:08:00 +0000</pubDate></item><item><title>Greg Doucette: as li&#xE7;&#xF5;es do Coach Greg para o bodybuilding moderno</title><link>https://fisiculturismo.com.br/mat%C3%A9rias/gente/greg-doucette-as-li%C3%A7%C3%B5es-do-coach-greg-para-o-bodybuilding-moderno-r1059/</link><description><![CDATA[
<p><img src="https://cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2026_08/greg-doucette-aula-evento-capa.webp.34c6d39629e6af4565c67d4578fc0e71.webp" /></p>
<p>Greg Doucette tinha 49 anos quando sentou no Cutler Cast para gravar "#159 - Coach Greg" e passou pouco mais de 2 horas abrindo número por número a própria carreira. Foram 42 competições como natural antes do primeiro esteroide, 10 anos de uso e abuso, 700 mg de 4 substâncias diferentes ao mesmo tempo, cerca de 3.700 publicações longas no canal e uma fase de consultoria que rendia em torno de 750.000 dólares por ano com apenas 50.000 seguidores. O que vem abaixo é relato pessoal e opinião dele, não recomendação, e ele repete o alerta várias vezes ao longo da conversa.</p>

<h2>13 anos de triatlo e a conclusão de que o fisiculturismo é pior</h2>

<p>Ele começou no triatlo aos 13 anos e parou aos 26, quando decidiu virar profissional de fisiculturismo, cortou todo o cardio e tentou ficar o maior possível. Passou por ciclismo e por powerlifting também. Mesmo com essa lista, coloca o fisiculturismo como o esporte mais duro que praticou, e a razão que ele dá é específica: nenhum outro exige o dia inteiro, todos os dias.</p>

<p>A comparação que ele usa é com o próprio ciclismo. Uma pedalada de 5 horas é dura, mas o atleta pode comer o quanto quiser. Fazer 2 horas de cardio sem poder comer, ou com uma dieta tão baixa em calorias que a energia não existe, é outra coisa. O maior problema dele nunca foi a fome, foi a falta de energia. Ao chegar em torno de 7% de gordura, dizia mal conseguir funcionar como pessoa, tinha dificuldade de levantar de manhã e até de sair da banheira. E ele sempre quis competir com 5% ou menos, o que transformava as últimas 6 semanas de preparação no trecho mais difícil de tudo que já fez.</p>

<h2>42 competições como natural antes do primeiro esteroide</h2>

<p>Greg competiu em 42 shows naturais. Venceu o overall do campeonato nacional canadense com teste antidoping, competiu de 64,4 kg (142 lb) até o peso pesado e, na época, não existia cartão profissional para atleta natural. Ele faz questão de notar que hoje existiria, e que teria virado profissional sem nunca ter usado nada.</p>

<p>A razão de ter demorado é direta e não tem moralismo nenhum: ele estava melhorando e estava ganhando. A parte divertida do esporte, para ele, era a evolução pessoal. Enquanto o físico progredia e os troféus vinham, não havia motivo. Ele descreve o que tinha como natural: cerca de 7% de gordura no palco, cintura fina, estrutura em X, posteriores de coxa boas e um abdômen que, segundo ele, piorou depois que começou a usar. Com 68 kg parecia ter 82 kg, e já aparecia em revistas sendo natural.</p>

<p>O ponto de virada foi o cartão profissional. Quando parou de evoluir e o objetivo passou a ser esse, concluiu que precisaria de algo a mais. Antes de tomar qualquer coisa, passou a perguntar aos amigos o que usavam, leu fórum, pesquisou substância por substância e diz que, quando enfim usou o primeiro esteroide, sabia mais sobre o assunto do que 99,9% das pessoas. Ele tinha mestrado em cinesiologia e era professor de educação física. Ganhou o cartão profissional já usando, com mais de 86 kg e seco, no Canadian Nationals, na mesma edição em que Antoine Vaillant venceu o superpesado. A diferença total entre o Greg natural e o Greg usuário ele estima em cerca de 11 kg de músculo, o que o levou do peso médio ao meio-pesado e ao pesado.</p>

<h2>700 mg de trembolona, 700 de testosterona, 700 de masteron e 700 de boldenona</h2>

<p>A parte mais dura da conversa é a admissão do abuso, e ela vem com número. Greg queria ser campeão do Olympia 212 e raciocinava de forma aritmética: se um ciclo pequeno dava 4,5 kg, bastaria dobrar a dose para ganhar mais 4,5, e triplicar, e quadruplicar. Chegou a usar 700 mg de trembolona, 700 mg de testosterona, 700 mg de masteron e 700 mg de boldenona simultaneamente.</p>

<p>O resultado ele descreve sem enfeite. Ansiedade o tempo todo, insônia com noites de 3 horas de sono, suor encharcando os lençóis e uma sensação geral de estar mal. Uma semana nesse protocolo e ele já não conseguia funcionar. A pergunta que faz hoje é a única que importa: se não dá para recuperar, como é que se cresce.</p>

<p>A conclusão prática desmonta a matemática que o levou até ali. Ciclos pequenos rendiam bastante. Ciclos gigantescos rendiam quase nada. Dobrar a dose talvez dê 10% a mais de ganho, e dobrar de novo pode render menos que antes. Ele cita ainda o caso de outro atleta de topo que subiu a dose ao maior número da carreira, perdeu resultado, voltou para metade e recomeçou a crescer.</p>

<p>Greg é hiper-respondedor a dose baixa, e essa é justamente a parte ruim da história. Ele sentia diferença a cada 20 mg. Anavar em 10 mg era, nas palavras dele, o esteroide favorito de todos, e 5 anos depois de parar ele ainda sente vontade de usar de novo. É por isso que avisa que começar é fácil e parar não é.</p>

<h2>Os dois sangramentos de nariz que encerraram a carreira</h2>

<p>A última competição foi na classic physique, quando o limite de peso da categoria para a altura dele, 1,68 m, era 87,5 kg (193 lb). Ele fez a Niagara Falls e ficou em 4º lugar, e também competiu na Alemanha. Estava com doses que considera modestas para o próprio histórico, algo como 400 mg de uma substância e algumas centenas de miligramas de outra.</p>

<p>A poucos dias do palco, treinando rosca e se achando absurdamente seco, teve um sangramento de nariz. Depois teve outro, no treino seguinte. Foi ali que parou. Ele diz que a mentalidade de invencibilidade durou até aquele momento e que hoje pensa em morte de um jeito que antes não pensava. Nunca mais competiu, e é honesto sobre o motivo de não voltar: não acredita que passaria do 4º lugar em um show profissional, e o limite da classic subiu tanto desde então que ele precisaria voltar às doses antigas para tentar.</p>

<h2>Reposição hormonal não é naturalidade, e ele começa por si mesmo</h2>

<p>Greg é rígido na definição, e a régua vale contra ele. Quem usou esteroide não é mais natural. Quem usa SARM não é natural. Qualquer substância proibida pela agência mundial antidoping tira a condição. Insulina com finalidade de performance tira. Reposição hormonal prescrita por médico também tira, e a resposta dele à pergunta direta sobre a própria condição é um "não" sem rodeio.</p>

<p>O motivo de ele bater tanto nesse ponto é que a frase mudou de forma. Antes as pessoas diziam "sou natural". Agora dizem "só faço TRT", e isso passa como se fosse a mesma coisa. Ele chama a reposição de o novo falso natural.</p>

<p>No plano pessoal, o protocolo dele é público. Usa 140 mg por semana. A clínica sugeriu subir para 200 mg, ele dividiu a diferença e testou 170 mg por 1 semana, começou a ficar inchado e com o rosto arredondado, e voltou. Os exames dele ficam entre 550 e 765 ng/dL, e ele já publicou os resultados. A recomendação que dá é a menor dose que mantenha a pessoa bem, com os marcadores em ordem. Quando Jay Cutler conta que usa 200 mg por semana e tem testosterona total em 425 ng/dL e pergunta se está baixo, a resposta é que, se ele se sente bem e os exames estão bons, está de bom tamanho. A ideia corrente na maromba de que qualquer valor abaixo de 1.000 é insuficiente ele trata como bobagem.</p>

<h2>48,4%, e não 90%</h2>

<p>Um dos exemplos mais úteis de como ele trabalha é a discussão sobre recuperação do eixo. Um interlocutor sustentava que, ao sair dos esteroides depois de mais de uma década, teria cerca de 90% de chance de recuperar a função testicular sem problema. Greg foi atrás da literatura e chegou a outro número: em torno de 48,4% de retorno à função normal em 3 anos, em um trabalho com mais de 600 participantes.</p>

<p>A conclusão que ele tira dali é a que interessa. Quem abusou naquele nível provavelmente vai precisar de reposição para o resto da vida, e ele se inclui na conta junto com outros nomes conhecidos do esporte.</p>

<h2>Por que o "natty or not" funciona</h2>

<p>O formato que o tornou conhecido não olha a foto final. Ele diz explicitamente que o difícil não é analisar um físico enorme e óbvio, e sim o sujeito de aparência mediana. O que ele procura é a velocidade da transformação e o salto repentino, não o resultado. Um físico que qualquer pessoa poderia teoricamente construir de forma natural não prova que aquela pessoa em específico construiu.</p>

<p>Ele tem uma explicação franca para o tamanho da audiência desse tipo de conteúdo. Suspeitar de todo mundo é a desculpa mais confortável para a própria falta de evolução. Se quem está à frente só chegou lá por causa de droga, ninguém precisa olhar para o próprio treino, para a própria dieta ou para os anos desperdiçados. E a resposta dele para os que insistem que os antigos usavam mais do que admitiam é curta: eles simplesmente eram melhores. Ele acredita, por exemplo, que Lee Priest usava as doses baixas que declara, justamente por ser hiper-respondedor.</p>

<p>Ao mesmo tempo, ele traça uma linha ética que respeita. Diz saber de vários falsos naturais que nunca vai expor, porque contaram em confiança, e que a pior parte de tudo isso é o público adolescente comparando o próprio corpo com uma régua falsa.</p>

<h2>Anavar, mulheres e a cliente de 88,5 kg com DNP</h2>

<p>A crítica mais dura da conversa é sobre o uso por mulheres. Perguntado sobre o que uma mulher pode usar com segurança, a resposta é "nada". Ele só aceita a palavra "mais seguro", nunca "seguro", e mesmo aí faz a ressalva de que aproximadamente metade do que se vende como anavar não é anavar, e que essa estimativa ainda é generosa.</p>

<p>O problema, na leitura dele, é comercial. O treinador precisa do antes e depois para vender consultoria, e no antes e depois não aparece a voz. Uma competidora de bikini tem talvez 5 bons anos de palco, e depois disso convive com a voz alterada, os pelos no rosto e a queda de cabelo. Ele conta que atende gente em segredo justamente porque essas pessoas não podem contar ao próprio treinador o que estão tomando.</p>

<p>O caso concreto que ele descreve é o de uma cliente que ele achou ser homem por causa do nome. Tinha 1,68 m e 88,5 kg, queria competir em women's physique, e o protocolo montado pelo treinador dela trazia 3 substâncias em 350 mg cada, mais DNP. A recomendação foi parar tudo imediatamente. E ele cita o exemplo oposto: uma das atletas de wellness com maior alcance do mundo, com quase 4 milhões de seguidores, que largou porque não estava disposta a usar o que seria preciso para continuar vencendo.</p>

<h2>A melhor dieta é a que a pessoa consegue seguir</h2>

<p>Greg come cerca de 4.000 kcal por dia e pesava 84,7 kg na manhã da gravação. O café da manhã dele passa de 1.000 kcal. E a filosofia toda nasceu de um problema prático: nas primeiras dietas, com frango, brócolis e arroz, ele simplesmente não conseguia.</p>

<p>Passou mais de 20 anos criando versões menos calóricas de comida que gosta. Pipoca, pasta de amendoim com menos calorias, bolo, sobremesa com iogurte grego e proteína em pó. O teste era simples: se os amigos gostavam, a receita prestava. O livro está na versão 3.1. Ele conta a origem de uma delas com precisão quase divertida, quando trocou 3 ovos inteiros e o óleo de um bolo por 5 bananas e cerca de 12 claras só para ver o que aconteceria.</p>

<p>Como treinador de milhares de pessoas, ele diz que o motivo número 1 do fracasso das dietas é a pessoa não conseguir seguir. Os atletas trapaceiam e não contam ao treinador. Por isso ele prescreve o que sabe que será cumprido. Isso não vira licença para comer qualquer coisa, e ele mantém a defesa de fruta, verdura e alimento com densidade nutricional. Sobre dieta rica em gordura, a objeção é pessoal e honesta: gordura não o sacia, então ele fica com mais fome e não sustenta.</p>

<p>Cardio em jejum ele nunca fez por acreditar em vantagem metabólica. Fazia 1 hora e meia de manhã há 20 anos porque não conhecia a literatura. Hoje só faz em viagem, quando comeu demais na noite anterior e quer resolver às 6 da manhã antes de os amigos acordarem. E a frase que resume a posição dele sobre programa de treino é a mesma: o melhor plano é o que a pessoa efetivamente cumpre.</p>

<h2>2.925 inscritos em 2010 e mais de 1 bilhão de visualizações</h2>

<p>O canal começou em 2006 por vaidade e por teimosia. Alguém duvidou que ele fazia 143 kg no supino por cerca de 20 repetições sendo um cara pequeno e natural. Ele comprou uma câmera de cerca de 300 dólares, colocou no chão apontada para cima, apertou o botão, levantou e subiu o arquivo. Não tinha nenhuma habilidade técnica e nem sabia o que era um seguidor. Em 2010, olhou a conta e viu 2.925 inscritos sem entender o que aquilo significava.</p>

<p>A virada veio quando começou a falar de substância. Publicou sobre anavar, dose e perigo, e voltou 2 anos depois para encontrar 600.000 visualizações. A partir dali fez uma peça sobre cada esteroide e cada SARM que conseguiu lembrar. Depois começou a analisar a naturalidade de gente famosa, sem saber editar, sem miniatura, sem título trabalhado, e bateu 1 milhão de visualizações. Quando chegou a 10.000 inscritos, ele diz que já sabia que chegaria a 1 milhão, porque tinha achado o atalho.</p>

<p>Hoje são cerca de 3.700 publicações longas, sempre acima de 8 minutos porque é o corte que permite dobrar os anúncios. Ele não edita, não faz miniatura e não escreve título, apenas grava e vai embora. O canal passou de 1 bilhão de visualizações acumuladas. O melhor mês da história dele foram 990.000 inscritos ganhos, o último mês antes da gravação foram 29.000, e ele reconhece sem drama que já não alcança público novo com a mesma facilidade.</p>

<p>A persona gritada também nasceu de dado, não de estratégia. Ele leu comentários dizendo que parecia irritado e apaixonado em uma gravação específica e, em vez de suavizar, decidiu amplificar. Parte daquela intensidade original, ele admite, era trembolona. Hoje diz não tomar nem cafeína, e que 99% das pessoas que o encontram pessoalmente se surpreendem por ele ser calmo.</p>

<h2>De 20 milhões de visualizações por mês para 10</h2>

<p>A parte menos glamourosa da carreira digital ele também abre. Uma publicação em que defendia o direito de outra pessoa expressar uma opinião com a qual ele nem concorda bateu 92.000 visualizações em 24 horas e, no dia seguinte, caiu para 10. O canal foi de 20 milhões de visualizações por mês para 10 milhões, e ele passou 3 meses com o alcance restringido no Instagram, só liberado 2 semanas antes da gravação.</p>

<p>A lista do que dá problema é longa e às vezes absurda. Falar do sistema de saúde canadense, falar de pandemia, mostrar a própria receita médica de testosterona ou mencionar um peptídeo pelo nome. Ele diz que estava voltando a crescer na época da conversa, com 1 milhão de visualizações no mês.</p>

<p>O ritmo de trabalho por trás disso é o que explica o volume. Ele assiste a cerca de 11 horas de conteúdo alheio por dia para produzir reações. Publica 10 a 12 vezes por semana, já chegou a 14, e usa um critério simples: se uma publicação está indo bem, com 250.000 a 300.000 visualizações em 1 dia, deixa correr e não publica outra. Se está abaixo de 100.000, publica a segunda. Se as duas vão mal, publica a terceira. E o material mais visto da carreira dele não é sobre nenhuma celebridade. É sobre um sujeito comum, com 5.000 seguidores, que usou esteroides, se arrependeu e contou a história com a acne à mostra. Deu 7 a 8 milhões de visualizações.</p>

<p>O país onde ele é mais popular hoje é a China. Um funcionário que lê mandarim garimpa os temas nos comentários, faz a apuração e entrega pronto. Ele grava em 20 minutos, sem entender uma palavra do que foi levantado, e aquilo faz 3 milhões de visualizações.</p>

<h2>750.000 dólares por ano com 50.000 seguidores</h2>

<p>A conta financeira do esporte é o trecho mais direto da conversa. Greg é profissional da IFBB e nunca ganhou 1 dólar competindo. Pelo contrário, pagava a filiação para poder competir, além do custo alto da preparação. Perguntado se pensava em dinheiro quando começou, responde que não havia um único show pelo qual ele teria se esforçado mais se pagasse 1 milhão.</p>

<p>O dinheiro sempre esteve fora do palco. Quando tinha cerca de 50.000 seguidores, já faturava em torno de 750.000 dólares por ano só com consultoria. E era insustentável: jornadas de 16 horas na frente do computador, check-in no fim de semana, nenhum dia de folga. Ele contratou outros treinadores para montarem os planos que entregava, depois contratou um chef, e a lógica que usa para justificar é fria. Se a hora dele vale cerca de 1.000 dólares, ir ao mercado custa 1.000 dólares. Ele cozinhou talvez 10 refeições em 2 anos.</p>

<p>O contraste que fecha o raciocínio vem dos números de outro atleta citado na conversa, que teria ganhado 55.000 dólares em toda a carreira competindo e cerca de 1,2 milhão por ano em consultoria depois. Nas contas de premiação que discutem, o Arnold Classic paga 25.000 dólares ao vencedor de men's physique, a segunda maior bolsa do mundo naquela divisão, e a organização gasta em torno de 2.500 dólares por atleta só de despesa de viagem. O Olympia, com dezenas de qualificados voando por conta da organização, gastaria entre 600.000 e 800.000 dólares em despesas.</p>

<p>A solução que ele defende não é cortar a premiação do open, e sim subir a das outras divisões. E, sobre o Olympia, quer o oposto do que existe: classificação mais difícil, com show de menos de 10 competidores não valendo vaga e 2 vitórias exigidas. Ele lembra do próprio cartão profissional, disputado com 27 atletas na categoria, em que só os 15 primeiros seguiam para a noite e apenas os 5 melhores faziam rotina, com famílias atravessando o Canadá para ver o atleta ser cortado.</p>

<h2>Reduzir o limite da classic em 9 kg</h2>

<p>A proposta mais concreta dele sobre regulamento é essa. A classic physique existe, na leitura dele, como um mecanismo de saúde: o limite de peso impede a corrida pelo tamanho. Ele acredita que a categoria permitiu a Chris Bumstead ter as 6 conquistas do Olympia, porque sem ela o atleta teria de competir no open, subir cerca de 6 kg acima do que subia e usar o dobro. Bumstead virou profissional com 100,7 kg, e hoje o limite da categoria para a altura dele está em torno de 108,9 kg (240 lb).</p>

<p>Só que o mesmo limite subiu demais e a categoria começou a se parecer com o open. A solução que ele propõe é baixar 9 kg em toda a tabela. No caso dele, com 1,68 m, o teto cairia de 87,5 kg para 78,5 kg. O objetivo é que a diferença visual entre classic e open volte a ser imediata.</p>

<p>Na mesma linha, quer o fim da 212, que trata como prêmio de consolação, e defende uma divisão nova para físicos menores, algo entre o men's physique e a classic, que permita mostrar as pernas sem exigir o arsenal completo. A crítica que faz ao men's physique é que os shorts escondem a perna e que a categoria já pede mais músculo do que o nome sugere. E ele aposta que a classic vai ultrapassar o open em popularidade, com um argumento simples: quando um garoto de 18 anos fecha os olhos e imagina o corpo que quer, não é o físico do open que aparece.</p>

<h2>Por que ele não é mais juiz</h2>

<p>Greg foi juiz no Canadá e não é mais. Ele conta que a federação canadense já o havia tirado do quadro 1 ano antes das declarações que costumam ser apontadas como causa, e que usaram as falas como pretexto depois.</p>

<p>As críticas dele eram sobre a sexualização das apresentações femininas e sobre a densidade muscular ter subido demais nas divisões femininas. Ele diz que vários campeões de Olympia o procuraram em particular para dizer que concordavam integralmente, sem nenhuma disposição de dizer isso em público por medo de retaliação. Sente falta de julgar, e diz que faz isso pelo canal agora.</p>

<h2>A bicicleta que substituiu a dopamina do palco</h2>

<p>A saída do palco deixou um buraco que ele descreve com franqueza: era viciado na dopamina da competição e, se achasse que poderia melhorar, provavelmente teria continuado abusando. O que preencheu foi o ciclismo virtual.</p>

<p>A plataforma que ele usa tem cerca de 115.000 pessoas registradas, divididas por categoria de capacidade. Ele corre na segunda mais dura, algo equivalente a um nível nacional, e às vezes vence. Há prova disponível a cada 10 ou 15 minutos. O treino médio dele é de 1 hora, com 5 a 10 minutos de aquecimento e 40 a 50 minutos de corrida, e ele prefere assim porque não tem constituição de resistência. O equipamento inteiro custa em torno de 3.000 dólares. Em Las Vegas, mesmo em 4 dias de viagem, pedalou 1 hora toda manhã.</p>

<p>A métrica substituiu o troféu. Se ele sustentava 500 watts por 2 minutos e agora sustenta 500 watts por 2 minutos e 2 segundos, melhorou. E a mudança de identidade que isso provoca é o que ele considera mais valioso: em vez de tentar parecer cada vez mais fisiculturista, hoje quer ser um ciclista forte que ainda é musculoso. Foi por isso que recusou os 200 mg de reposição, porque peso a mais é peso a mais na subida.</p>

<p>A equipe virtual dele é formada por gente que assiste ao canal, e ele acha graça no contraste. Esses caras queimam cerca de 1.200 kcal por hora, comem de 5.000 a 6.000 kcal por dia e perguntam como enfiar mais açúcar na garrafa. Um deles usa 550 g de açúcar dissolvido em água. O autor de um livro sobre emagrecer passou a receber perguntas sobre como engordar a bebida.</p>

<h2>1 ano para aprender espanhol e 5 aulas por semana</h2>

<p>O único arrependimento que ele declara na conversa inteira não tem nada a ver com fisiculturismo: é nunca ter aprendido outro idioma. Resolveu isso em cerca de 1 ano, cortando televisão, usando aplicativo enquanto pedala e contratando 5 aulas por semana com uma professora colombiana, das quais faz 2 ou 3. Também passou a ler livros no lugar da televisão para tentar enxergar o mundo por uma ótica que não fosse a dele.</p>

<p>E a namorada entrou na vida dele por um caminho que resume bem a natureza do negócio: comprou o livro de receitas, mandou mensagem contando que estava em Halifax operando, e o convite para treinar virou jantar. Ela é cirurgiã oftalmológica e irmã de um ciclista que corre o Tour de France. Ele descobriu isso depois de já ter passado 6 semanas se gabando dos próprios watts para ela.</p>

<h2>Conclusão</h2>

<p>O que sustenta a história de Greg Doucette não é a gritaria e nem a polêmica. É o fato de ele ter competido 42 vezes como natural antes de tomar qualquer coisa, ter abusado depois até o ponto de dormir 3 horas por noite com 700 mg de 4 substâncias no corpo, e hoje conseguir explicar exatamente onde a conta não fechou. Dobrar a dose não dobrou nada, custou o sono, a recuperação e o bem-estar, e o físico não veio junto.</p>

<p>A mensagem que ele repete para quem tem 18 ou 19 anos vem dessa aritmética, não de moral. Quanto mais tempo alguém consegue evoluir sem usar nada, mais tempo tem para aprender a treinar, a comer e a secar sem depender de farmacologia para resolver, e mais longa tende a ser a carreira. Ele começou a treinar aos 10 anos, competiu aos 18 e já tinha mais de 20 shows nas costas aos 25 sem sequer pensar no assunto. Diz que amou o esporte o suficiente para fazer 42 competições naturais, e que é exatamente esse o teste de quem ama.</p>

<h2>FAQ</h2>

<h3>Quantas competições Greg Doucette fez como natural?</h3>
<p>Ele afirma ter competido em 42 shows naturais antes de usar qualquer substância, incluindo o overall do campeonato nacional canadense com teste antidoping, de 64,4 kg (142 lb) até o peso pesado. Na época não existia cartão profissional para atleta natural.</p>

<h3>Quais doses ele usou no auge do abuso?</h3>
<p>Ele relata ter chegado a 700 mg de trembolona, 700 mg de testosterona, 700 mg de masteron e 700 mg de boldenona ao mesmo tempo, com ansiedade constante, noites de 3 horas de sono e suor excessivo. É relato pessoal, não recomendação, e ele mesmo classifica a decisão como burra.</p>

<h3>Qual é o protocolo de reposição hormonal dele hoje?</h3>
<p>Segundo ele, 140 mg por semana, com testosterona total entre 550 e 765 ng/dL. Testou 170 mg por 1 semana, ficou inchado e voltou. A recomendação que dá é a menor dose que mantenha bem-estar e exames em ordem, sempre com acompanhamento médico.</p>

<h3>Greg Doucette se considera natural?</h3>
<p>Não. A régua dele é rígida e vale contra ele mesmo: esteroide, SARM, insulina com finalidade de performance e qualquer substância proibida em contexto antidoping tiram a condição, e reposição hormonal prescrita também tira. Ele chama a reposição de o novo falso natural.</p>

<h3>Por que ele critica o uso de esteroides por mulheres?</h3>
<p>Porque considera que não existe uso seguro, apenas menos agressivo, e porque metade do que se vende como anavar não é anavar. Uma competidora tem talvez 5 anos de palco e convive depois com voz alterada, pelos no rosto e queda de cabelo, colaterais que não aparecem no antes e depois usado pelo treinador para vender consultoria.</p>

<h3>Quanto ele ganhou como profissional da IFBB?</h3>
<p>Nada. Ele afirma nunca ter ganhado 1 dólar competindo e ainda pagar a filiação para poder disputar. O faturamento vinha do que orbita o palco: com cerca de 50.000 seguidores, já fazia em torno de 750.000 dólares por ano só com consultoria.</p>

<h3>O que ele propõe mudar na classic physique?</h3>
<p>Reduzir todos os limites de peso em cerca de 9 kg, o que no caso dele, com 1,68 m, levaria o teto de 87,5 kg para 78,5 kg. O objetivo é recuperar a diferença visual entre a classic e o open, já que segundo ele a categoria cresceu a ponto de se confundir com a divisão maior.</p>

<h2>Referências</h2>
<ol>
  <li>CUTLER CAST. <em>#159 - Coach Greg</em>. [S. l.], 31 mar. 2025. Disponível em: <a href="https://youtu.be/hLdZUwun0Tc" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://youtu.be/hLdZUwun0Tc</a>. Acesso em: 1 ago. 2026.</li>
</ol>]]></description><guid isPermaLink="false">1059</guid><pubDate>Sat, 18 Jul 2026 23:12:00 +0000</pubDate></item><item><title>Sam Sulek: treino, disciplina e li&#xE7;&#xF5;es para a nova gera&#xE7;&#xE3;o</title><link>https://fisiculturismo.com.br/mat%C3%A9rias/gente/sam-sulek-treino-disciplina-e-li%C3%A7%C3%B5es-para-a-nova-gera%C3%A7%C3%A3o-r1058/</link><description><![CDATA[
<p><img src="https://cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2026_08/sam-sulek-aula-academia-capa.webp.eb97ed280c5e84ac00b7d5695471ef01.webp" /></p>
<p>Sam Sulek virou um fenômeno porque parece simples, mas não é raso. Em "#147 - Sam Sulek", do Cutler Cast, Jay Cutler e Matt recebem um jovem fisiculturista que cresceu nas redes sem transformar o treino em espetáculo falso: ele grava o que já faria, ajusta o que precisa ajustar e repete o básico todos os dias.</p>

<p>Essa é a parte mais útil da história. O personagem chama atenção pelo tamanho, pelo jeito tranquilo, pelo boné, pelo cabelo e pelo contraste entre aparência desajeitada e físico absurdo. Mas a lição real está menos no visual e mais no processo: constância, rastreamento, prática, tentativa e erro, abertura para críticas e amor genuíno pelo treino.</p>

<p>A conversa foi gravada em Las Vegas em dezembro de 2024, com Sam aos 21 anos e o canal dele em torno de 3,8 milhões de inscritos no YouTube. Ele mesmo avisa que dá quase nenhum trabalho manter o ritmo diário, porque grava algo que aconteceria de qualquer forma, e que a intenção é começar a se afastar do formato diário ao longo do ano seguinte para não empilhar mil materiais de treino praticamente iguais.</p>

<h2>O sucesso não começou perfeito</h2>

<p>A ascensão de Sam não nasceu de uma produção sofisticada. O início teve celular ruim, áudio ruim, tentativa fracassada e gravação que ele mesmo achou fraca. A primeira experiência de edição veio de uma disciplina de cinema sobre máfia, quando precisou montar um material acadêmico. Depois, a lógica foi transferida para o treino: trocar cenas de filme por séries de peito, deslocamentos de carro e comentários sobre o próprio processo.</p>

<p>Os detalhes do fracasso inicial são específicos. Foram 3 tentativas antes de publicar qualquer coisa. Ele levou o celular para a academia, deixou o aparelho a uns 6 metros de distância, sem microfone, e o áudio simplesmente não existia. Mandou o resultado para o irmão com um veredito próprio: aquilo era ruim demais para ser assistido. O aparelho era um iPhone 7 que tremia tanto que ele precisou colar um ímã atrás para estabilizar, e só trocou de celular quando pediu o upgrade aos pais.</p>

<p>Antes de publicar com consistência no YouTube, houve uma fase de testes no TikTok. Pequenos cortes, edições rápidas, música, piadas e trechos de treino criaram curiosidade. Quem via um agachamento pesado ou um supino forte queria entender como era a sessão inteira por trás daquele recorte. A migração para materiais longos veio quando a demanda apareceu naturalmente.</p>

<p>Foram cerca de 6 meses de TikTok antes do primeiro material longo, publicado em janeiro de 2023. Os cortes tinham 5 segundos, música e piada, e mostravam coisas como 5 anilhas no agachamento ou 3 anilhas no supino. Ele guarda a lembrança de ter tirado print das 100 primeiras curtidas. Perto dos 3 meses de TikTok já pediam a sessão inteira, e por volta dos 4 meses a conta passava de 10 mil e depois de 100 mil seguidores.</p>

<p>A primeira grande lição é essa: não precisa nascer profissional. Precisa começar, observar a resposta, melhorar o som, melhorar a imagem, mudar o que atrapalha e manter o que funciona. O formato diário não mudou muito porque a essência já estava lá: dirigir até a academia, treinar, posar, voltar para casa e falar com a câmera como quem organiza o próprio pensamento.</p>

<p>Levou uns 4 meses até o formato longo parecer natural. Ele detesta ouvir os 3 primeiros meses de gravação, porque falava de maneira empolada com a câmera em vez de falar como falaria normalmente. Também não corta os momentos ruins: no primeiro material longo ficou registrado o trecho em que ele admite estar sem vontade e faz mais uma série de posteriores mesmo assim.</p>

<h2>A autenticidade virou método</h2>

<p>O conteúdo diário funciona porque não parece um roteiro montado para vender uma persona. O treino aconteceria de qualquer jeito. A câmera entra como extensão da rotina, não como substituta dela. Isso muda tudo.</p>

<p>Quando alguém transforma cada gravação em uma produção separada, precisa montar cenário, chamar equipe, criar pauta e performar. No caso de Sam, a pauta é o próprio dia. Ele já ia treinar, já ia dirigir, já ia comer, já ia posar e já ia pensar sobre aquilo. A câmera apenas captura esse fluxo.</p>

<p>Ele chegou a considerar contratar um cinegrafista e desistiu depois de poucas semanas, porque o tripé resolvia. E responde a uma acusação recorrente do público, a de que os treinos gravados seriam encenação e o treino de verdade aconteceria depois, fora da câmera. Segundo ele, a câmera na verdade aumenta a constância, porque abandonar uma série difícil na frente dela é constrangedor.</p>

<p>Essa naturalidade explica por que tantos jovens se conectam. A fala parece monólogo interno. Às vezes há comentário rápido depois de uma série ruim, troca de exercício, ajuste de sensação muscular ou decisão tomada ali, dentro do treino. O espectador não recebe apenas o resultado final. Ele vê o raciocínio acontecendo.</p>

<p>A mecânica é simples. O aquecimento não entra, e a gravação começa na primeira série valendo. Dentro da academia ele fala uns 5 segundos depois de cada série, e todo o resto da conversa acontece no carro, na ida e na volta. Sobre a duração, o alvo é 30 minutos: abaixo disso chegam reclamações, porque parte do público assiste durante o cardio e fica sem material para os minutos finais. Alguns chegam a 1 hora quando a academia escolhida fica a 45 minutos de casa.</p>

<h2>Postar todo dia é parecido com treinar todo dia</h2>

<p>A comparação entre rede social e musculação aparece como uma das melhores analogias da história. Ninguém fica enorme depois de três treinos. Do mesmo modo, ninguém constrói uma audiência sólida depois de três postagens.</p>

<p>A consistência precisa vir antes da recompensa. Publicar durante meses sem garantia de retorno é parecido com treinar durante meses antes de parecer fisiculturista. Existe um período em que o trabalho ainda não virou aparência, número ou reconhecimento. Muita gente desiste justamente ali.</p>

<p>Mas constância sozinha não resolve tudo. Também é preciso ajustar. Se uma postagem funciona melhor, vale olhar o que havia nela: música, edição, naturalidade, assunto, ritmo ou contexto. A melhora vem da soma entre repetição e leitura de feedback. Repetir sem observar vira teimosia. Observar sem repetir vira ansiedade.</p>

<p>Existe um limite nesse ajuste, e ele nomeia esse limite. Perseguir apenas o que rende número leva a caçar tendência até virar caricatura, com título de isca e assunto que nada tem a ver com o que a pessoa faz. A régua que ele propõe é publicar o que a própria pessoa gostaria de assistir, e usar as métricas só para escolher entre coisas que já cabem nesse critério. Ele estima que a qualidade técnica, som e imagem, responda por uns 30% do resultado.</p>

<h2>A fama veio em rampa, não em explosão</h2>

<p>O crescimento de Sam teve uma característica importante: foi gradual. Primeiro, 500 visualizações pareciam muito. Depois vieram os primeiros comentários recorrentes, os seguidores fiéis, os pedidos por materiais longos, o reconhecimento na escola, no mercado, em eventos e finalmente as filas enormes em encontros presenciais.</p>

<p>Os números da rampa no YouTube ajudam a entender a escala. Entre agosto e dezembro de 2023 a conta dobrou de tamanho quase todo mês: de 40 mil para 50 mil, depois 100 mil, 200 mil, 400 mil, até passar de 1 milhão antes do fim do ano. O público também é mais amplo do que se imagina. Pelos dados que ele cita, cerca de 50% tem menos de 18 anos e cerca de 30% está entre 18 e 30 anos, com uma parcela feminina de aproximadamente 4%.</p>

<p>Esse crescimento em rampa provavelmente ajudou a tornar a fama mais suportável. Em vez de acordar famoso de uma vez, ele foi se acostumando a ser reconhecido. Primeiro uma pessoa abordava. Depois duas. Depois várias. Em algum momento, estava em Las Vegas encontrando Jay Cutler, Arnold Schwarzenegger, Lee Priest, Hafthor Bjornsson e outros nomes que antes apareciam apenas na tela do celular.</p>

<p>A mudança de escala é absurda. Dois anos antes, uma conversa desse tamanho com Jay Cutler pareceria impensável. Depois de meses vivendo pequenas novas camadas de exposição, o impossível começa a parecer apenas o próximo compromisso.</p>

<p>Ele mede essa mudança com dois Arnold Classic. No primeiro, com uns 6 a 9 meses de publicações, autografou cerca de 10 potes de pré-treino em um estande e a única presença marcada foi essa. No mais recente, apareceu em um cartaz ao lado de Ronnie Coleman e Chris Bumstead. No Arnold antigo, inclusive, ele estava do outro lado da fila: pagou 20 dólares a um segurança para furar uma fila de mais de mil pessoas e perguntar a Jay Cutler o que um amigo deveria fazer para entrar no Classic Physique.</p>

<h2>O introvertido que aprendeu a falar</h2>

<p>Uma parte forte da história é o contraste entre o Sam introspectivo e o comunicador que surgiu. Ele relata que era muito mais introvertido, com pouca vida social e sem o hábito de se expor. A própria irmã notou a mudança depois dos primeiros materiais longos, dizendo que nunca tinha ouvido ele falar tanto.</p>

<p>A frase da irmã veio depois de umas 2 ou 3 semanas de materiais longos. Ele descreve a infância e a adolescência como pouco sociais, sem muitos amigos, sem dormir na casa de ninguém. Em uma apresentação na faculdade, em uma disciplina introdutória de negócios ligada ao curso de engenharia mecânica, dois colegas disseram que ele deveria gravar audiolivro. Ele conta que naquele dia estava nervoso, o que já não é a regra.</p>

<p>O bodybuilding entrou como ambiente natural para esse perfil. Treinar sozinho, medir progresso, controlar rotina e depender mais do próprio esforço do que de aprovação social combinavam com a personalidade dele. Com o tempo, falar para a câmera virou treino de comunicação. A academia continuou sendo o centro, mas a câmera virou uma espécie de ponte para fora.</p>

<p>Isso também ajuda a explicar a aura calma. A fala não parece palestra ensaiada. Parece alguém pensando em voz alta sobre o que está fazendo. Para uma geração saturada de cortes agressivos, personagem forçado e fórmula pronta, essa simplicidade vira diferencial.</p>

<h2>A base atlética veio antes da musculação</h2>

<p>Sam não começou do zero motor. Antes da musculação, passou anos na ginástica e no mergulho competitivo. A ginástica ocupava horas por dia, quase todos os dias, com deslocamento, aquecimento, técnica, impacto, força de tronco, coordenação e disciplina. Quando essa rotina saiu da vida dele, abriu-se um vazio de tempo e identidade.</p>

<p>A conta de tempo é concreta. Ginástica artística dos 11 aos 16 anos, 3 horas de treino por dia todos os dias menos domingo, com mais 30 minutos de deslocamento em cada sentido, o que consumia um bloco de cerca de 4 horas do dia depois da escola. Ele parou porque os joelhos doíam com o impacto e a coluna reclamava do tracionamento na barra fixa. O salto ornamental durou até o primeiro ano da faculdade. Nessa modalidade o peso virou empecilho: acima de 84 kg a 86 kg (185 lb a 190 lb) a prancha já batia na água, porque não foi projetada para alguém daquele tamanho. A ginástica também explica uma herança curiosa, a de ter dorsais visíveis antes mesmo de treinar com peso, de tanto sustentar o corpo em barras.</p>

<p>A musculação preencheu esse espaço. O corpo já tinha alguma base de controle, força relativa e exposição a treinamento repetitivo. Mesmo assim, o começo teve os erros normais de quem ama o treino demais: volume exagerado, longas sessões, muita vontade de fazer tudo ao mesmo tempo e pouca noção de recuperação.</p>

<p>Ele começou a treinar com peso no segundo ano do ensino médio, aos 16 anos e meio, pesando por volta de 75 kg (165 lb). Formou-se pesando cerca de 88 kg (195 lb), com 1,81 m. A academia era um cantinho no porão de casa, com rack e halteres, montada ao lado do próprio quarto. E o gatilho foi o vazio deixado pela ginástica: sem as 4 horas diárias de atividade, ele passou a comer sacos inteiros de salgadinho e percebeu que estava amolecendo. Chegou a cobrir o espelho por 2 meses para só olhar de novo quando houvesse diferença.</p>

<p>Essa fase não foi inútil. Fazer 25 séries de bíceps em um treino pode ser excesso, mas também ensina. O erro praticado com atenção vira experiência. Com o tempo, ele reduziu volume, refinou execução, percebeu melhor o papel da falha e aprendeu a dar mais valor à qualidade do estímulo.</p>

<p>A regra de bolso da época era anotada em um caderno: 1 grama de proteína por libra de peso corporal, cada músculo treinado 2 vezes por semana e 50 séries semanais por grupo muscular, o que dava as tais 25 séries por sessão. Havia até uma tabela de pareamento, um grupo grande com um pequeno, quadríceps com tríceps, peito com um menor, para manter tudo equilibrado. Hoje o volume caiu de 25 para 11 séries, algo como 5 exercícios de pouco mais de 2 séries, e a avaliação dele é que teria evoluído mais fazendo menos séries e levando cada uma até a falha de verdade.</p>

<h2>Treino pesado não significa treino burro</h2>

<p>Uma das melhores discussões é a tensão entre treinar pesado e treinar limpo. Sam não defende uma execução caricaturalmente perfeita em todas as séries, nem compra a ideia de que só cargas leves e movimentos lentos constroem músculo. Também não trata peso como desculpa para fazer qualquer coisa.</p>

<p>Ele se define como um treinador desleixado e desenha a distribuição como uma curva. A maioria das séries deve ficar em cadência normal, sem pausa e sem contração exagerada. Nas pontas cabe tanto uma série leve de crucifixo com 20 repetições apertando a contração quanto uma série mais pesada de supino em máquina na casa das 8 repetições. O incômodo dele é com o iniciante que aprendeu que jamais pode pegar pesado e só rosca com 15 kg em câmera lenta.</p>

<p>A lógica é mais madura: existe valor em mover carga pesada com intenção, desde que o exercício continue servindo ao músculo-alvo. Em peito, por exemplo, ele passou a prestar mais atenção em escápulas, ombros para trás, alongamento e contração. As críticas recebidas nas próprias gravações e os treinos com atletas mais experientes foram moldando esse ajuste.</p>

<p>Esse ajuste no peito ele persegue há mais de 1 ano, e não veio de um único conselho. Veio de repetição: comentários sobre execução, mais um treino de peito ao lado de Fouad Abiad e Samson Dauda em que alguém posicionou os ombros dele no aparelho e a sensação enfim mudou. Jay Cutler conta o equivalente da geração dele, enrolar uma toalha sob a coluna no supino para projetar o peito, tendo aprendido que o objetivo não era mover carga e sim contrair.</p>

<p>O exemplo dos tríceps mostra bem essa evolução. Antes, a extensão na polia podia virar uma série pesada demais, curta demais e sem alongamento real. Depois, a carga caiu, a amplitude aumentou e a série passou a falhar em uma zona mais produtiva. O músculo deixou de ser apenas movimentado e passou a ser melhor treinado.</p>

<p>Em números: antes eram 3 anilhas de 20 kg (45 lb) penduradas na pilha, com barra reta, e o cotovelo mal passava dos 90 graus. O estímulo existia, o músculo ficava dolorido, mas a posição alongada era simplesmente pulada. Hoje ele usa corda com cerca de metade da pilha e falha entre 8 e 10 repetições. Tríceps é justamente o grupo que ele aponta como o que mais mudou de aparência, e um dos poucos que ainda quer subir.</p>

<h2>Oito repetições como linha prática</h2>

<p>Na organização do treino, uma regra simples aparece: quando uma carga no Smith ou em uma máquina rende menos de oito repetições, ela provavelmente passou do ponto para o objetivo de hipertrofia daquele momento. Nesse caso, a série pode virar drop set ou a carga precisa ser ajustada.</p>

<p>Essa regra não é uma lei universal. É uma régua prática. Ela protege contra o erro de transformar todo treino em demonstração de força. Para fisiculturismo, a carga importa, mas precisa caber dentro de uma faixa em que ainda haja tensão, controle, amplitude e estímulo muscular suficiente.</p>

<p>Sobre referências de treino, ele cita o canal de compilações antigas onde passou horas assistindo Dorian Yates, Tom Platz, Lee Priest e Kevin Levrone, além dos materiais didáticos de Jeff Nippard sobre número de séries por semana e divisões de treino. A única coisa que ele copiou diretamente de alguém foi o agachamento inspirado em Tom Platz, e mesmo assim a maior série de repetições altas que já fez foi 4 anilhas por 20 repetições. Ele também admite ter passado meses sem treinar costas, apoiado na herança da ginástica, e ter demorado a treinar posteriores de coxa porque só queria quadríceps.</p>

<h2>Dieta: o que muda o corpo é o controle</h2>

<p>O discurso sobre alimentação é direto. Cardio, calorias, consistência e rastreamento aparecem como pilares. Não existe transformação séria sem algum grau de controle alimentar.</p>

<p>A recomendação mais acessível não começa com obsessão. Começa com ferramentas simples: baixar um aplicativo de macros, ter uma balança de comida por perto, olhar rótulos, criar curiosidade sobre calorias e acompanhar pelo menos proteína. A partir daí, a pessoa aprende. Primeiro rastreia proteína. Depois entende carboidratos, gorduras, fome, energia, ganho de peso e perda de gordura.</p>

<p>Ele conta essa recomendação sem exigir compromisso: baixe o aplicativo, peça uma balança de cozinha à mãe e deixe as duas coisas ali, porque a curiosidade faz o resto. É um método que ele aplica em si mesmo. Em um dia inteiro de alimentação gravado, mostrou à câmera um contador de macros com mais de 1.300 dias registrados.</p>

<p>O ponto central é brutalmente simples: se o treino for dobrado, mas a dieta ficar em 2.000 calorias quando o corpo precisa de mais para crescer, o resultado não aparece. O estímulo existe, mas o ambiente de recuperação não acompanha. Para ganhar massa, comer o suficiente é tão importante quanto treinar forte.</p>

<p>Na fase de perda de gordura do episódio, os alvos diários dele eram cerca de 250 g de proteína, 150 g de carboidrato e 75 g de gordura. Uma escolha prática chama atenção: ele deixa de propósito uma refeição de aproximadamente 800 calorias para o fim da noite, para conseguir dormir. A justificativa é direta, quem esgota as calorias às 15 horas acaba beliscando de madrugada, e aguentar fome a noite inteira não é virtude.</p>

<h2>Bulking e cutting sem histeria</h2>

<p>A fase de ganho de peso também mudou com a experiência. Antes, o salto podia ser agressivo: sair de uma dieta com cerca de 2.500 calorias e jogar rapidamente para algo como 5.000 calorias. O resultado era um pico rápido de peso, seguido de estagnação e bagunça na percepção do progresso.</p>

<p>Com o tempo, o aumento ficou mais gradual. Subir calorias em blocos menores, observar o peso semanal e ajustar mês a mês tornou o bulking mais controlável. A qualidade dos alimentos também melhorou. O básico passou a ocupar mais espaço: aveia, arroz, batata, carne, carne moída e fontes proteicas consistentes.</p>

<p>O passo agora é de mais ou menos 500 calorias a cada mês, com acompanhamento do ganho semanal. Foi assim que ele chegou ao maior peso da vida, acima de 123 kg (270 lb) pela primeira vez. E a proporção do que ele chama de comida convencional de fisiculturista subiu para perto de 70% do total. A observação dele sobre proteína é simples, é difícil errar nessa parte, os ajustes de verdade acontecem no carboidrato e na gordura.</p>

<p>Isso não significa dieta limpa o tempo inteiro. Ele ainda fala de donuts, salgadinhos, lanches de viagem e da dificuldade de comer bem fora de casa. A diferença é que esses itens deixam de comandar a fase. Entram como exceção dentro de um sistema que continua sendo medido.</p>

<p>Ele desmonta de passagem uma armadilha comum de viagem, a das barras com aparência saudável. Uma barra com 15 g de gordura e 30 g de carboidrato entrega praticamente o mesmo que uma barra de chocolate comum, e o rótulo é que cria a ilusão. A solução dele em viagem é banal e funciona: parar em uma conveniência a caminho do hotel e abastecer o quarto com peru, bebidas isotônicas sem açúcar e comida comum.</p>

<h2>A estreia no palco ainda é um passo, não uma fantasia</h2>

<p>Apesar da fama, a competição ainda aparece como processo em construção. O objetivo imediato é levar uma fase de perda de gordura até o ponto de subir em um campeonato local. Antes de falar em Olympia, pro card ou destino grandioso, existe uma sequência mais pé no chão: secar, bater o limite de peso, aprender a posar, escolher música, ajustar desidratação e carb-up, entender o próprio corpo em condição real de palco.</p>

<p>O interesse pela Classic Physique aparece como direção provável, mas o peso limite é uma barreira concreta. A conta mencionada é simples: chegar perto do teto, manipular peso final e ver se o físico encaixa. Se estiver pesado demais, o palco responde.</p>

<p>Os números do plano são estes. No pico com carga de carboidrato, 2 meses antes da gravação, ele estava em torno de 123,8 kg (273 lb), e no dia do episódio pesava por volta de 108 kg (238 lb), com Jay Cutler ao lado em cerca de 106,6 kg (235 lb). O teto da Classic Physique amadora para a altura dele é 98,4 kg (217 lb), e o plano é entrar na semana com cerca de 103 kg (227 lb) três dias antes e perder o restante na manipulação final. O ritmo previsto é de aproximadamente 0,5 kg por semana, subindo para algo perto de 0,7 kg nas últimas semanas, com 2 sessões de cardio por dia na reta final, mirando um campeonato local em meados de fevereiro, a cerca de 10 semanas dali.</p>

<p>Essa postura é uma boa lição para jovens atletas. Ter ambição não exige falar como se o topo já estivesse garantido. O caminho fica mais sério quando cada etapa recebe o peso correto.</p>

<p>Vale registrar que ele reconhece o próprio limite de experiência. Gostaria de conduzir sozinho a depleção e a carga de carboidrato, mas admite não ter nenhuma vivência nisso e pretende procurar orientação externa para essa parte. Sobre a rotina de palco, ainda não escolheu música e brinca que precisa de algo que combine com um rapaz de Ohio. Sobre o tamanho, os comentários se contradizem: metade diz que ele é pequeno demais para o Open, metade diz que é grande demais para a Classic. E o objetivo declarado permanece vago de propósito, ficar maior enquanto der, sem número final, e um dia estabilizar e migrar para um treino mais atlético.</p>

<h2>Influência sobre jovens: o risco e o valor</h2>

<p>Sam atrai uma audiência enorme de jovens, inclusive adolescentes. Isso cria responsabilidade. A mensagem mais útil não é “copie tudo”. É “comece com o que você consegue sustentar”.</p>

<p>Para um jovem que treina futebol, luta, escola ou outra modalidade, musculação pode coexistir com o esporte. Três treinos duros por semana já colocam alguém muito à frente de quem não faz nada. Não é necessário abandonar todo o resto da vida para começar a construir físico.</p>

<p>A pergunta chega a ele com frequência, sempre pelo mesmo caminho: um primo ou irmão que joga futebol americano ou luta na escola e quer largar o esporte para se dedicar só à musculação. A resposta é que dá para fazer os dois, ajustando a ordem, treinando peito no dia seguinte ao treino de pernas do esporte, por exemplo. Ele também conta a interação de que mais gosta, encontrar na academia um rapaz de 17 ou 18 anos que mostra no celular a sequência de fotos de 54 kg (120 lb) perdidos em pouco mais de 1 ano. Esse tipo de pessoa, diz ele, já sabe de cardio e caloria porque não teve como não saber.</p>

<p>A internet, porém, distorce a régua. Transformações extremas, rotinas perfeitas e personagens de disciplina absoluta podem fazer o iniciante pensar que, se não conseguir fazer tudo, não vale fazer nada. Essa é uma armadilha. A evolução real quase sempre começa com passos simples: ir treinar, controlar proteína, caminhar mais, aprender exercícios, registrar progresso e repetir.</p>

<p>Ele cita David Goggins como o caso extremo que serve de inspiração e de distorção ao mesmo tempo. E responde à pergunta mais repetida da caixa de comentários, a do jovem que estacionou e quer saber o que mudar no treino. A resposta dele é que provavelmente não é o treino: full body, push pull legs ou divisão por grupo entregam estímulos parecidos, e o que costuma travar o progresso é não comer o suficiente para estar em estado de recuperação.</p>

<h2>O valor de aceitar que estava errado</h2>

<p>Um dos traços mais importantes para evolução é conseguir admitir erro sem destruir o próprio ego. Muita gente fica anos igual na academia porque prefere culpar genética, limite natural ou circunstância, em vez de revisar treino, dieta e recuperação.</p>

<p>Sam usa a própria trajetória como exemplo. Já treinou volume demais. Já fez supino inclinado pesado às 2 horas da manhã, sozinho, com 183,7 kg (405 lb), sem barra de segurança e sem presilhas nas anilhas, porque a barra era lisa e as anilhas escorregavam. Hoje, esse tipo de decisão parece assustadora até para ele. O aprendizado mudou a conduta.</p>

<p>Essa maturidade separa dedicação de teimosia. Quem evolui não é quem nunca erra. É quem consegue olhar para trás, reconhecer que fazia algo pior e mudar antes que o erro vire identidade.</p>

<p>Hoje ele prefere o Smith em exercícios de risco justamente por causa daquele episódio, e diz não gostar mais de fazer supino inclinado com peso nenhum sem alguém atrás. Jay Cutler acrescenta a versão dele do mesmo erro de juventude, 6 horas dentro da Gold’s Gym de Venice aos 19 anos, achando que o músculo crescia dentro da academia. A conclusão vale para os dois: admitir que se treinava errado é mais difícil do que culpar a genética, e é exatamente a parte que separa quem evolui de quem fica igual por anos.</p>

<h2>Conclusão</h2>

<p>A história de Sam Sulek não ensina que todo jovem deve virar influenciador, treinar pesado sem filtro ou copiar uma rotina alheia. A lição é mais interessante: construir algo grande exige repetição, autenticidade, atenção ao feedback e coragem para melhorar o próprio método.</p>

<p>O físico impressiona, mas o processo explica. Treinar, comer, registrar, errar, ajustar e continuar. Para a nova geração da musculação, talvez essa seja a mensagem mais valiosa: não existe atalho mágico, mas existe um caminho simples o suficiente para começar hoje e difícil o suficiente para separar curiosidade de compromisso.</p>

<h2>FAQ</h2>

<h3>Quem é Sam Sulek?</h3>
<p>Sam Sulek é um jovem fisiculturista e criador de conteúdo que ganhou enorme projeção com materiais de treino, dieta e rotina diária. Ele ficou conhecido pelo estilo simples, pela constância e pela conexão forte com o público jovem.</p>

<h3>Qual é a principal lição da trajetória de Sam Sulek?</h3>
<p>A principal lição é que consistência vence aparência de perfeição. Ele cresceu repetindo um formato simples, ajustando pelo feedback e mantendo o treino como centro da rotina.</p>

<h3>Sam Sulek já compete no fisiculturismo?</h3>
<p>A competição aparece como meta em construção. A ideia é começar por um campeonato local, aprender a rotina de palco e depois avaliar os próximos passos com base no físico real em condição de competição.</p>

<h3>O que jovens podem aprender com Sam Sulek?</h3>
<p>Jovens podem aprender a começar com o básico: treinar com regularidade, controlar proteína e calorias, fazer cardio quando necessário, registrar progresso e não esperar uma rotina perfeita para agir.</p>

<h3>Treinar pesado é sempre melhor?</h3>
<p>Não. Carga pesada pode ser útil, mas precisa continuar servindo ao músculo-alvo. Para hipertrofia, tensão, amplitude, controle e progressão importam tanto quanto o peso na máquina ou na barra.</p>

<h3>Quais eram os macros de Sam Sulek na fase de perda de gordura?</h3>
<p>Na época da conversa ele mirava cerca de 250 g de proteína, 150 g de carboidrato e 75 g de gordura por dia, deixando de propósito uma refeição de aproximadamente 800 calorias para o fim da noite.</p>

<h3>Quanto Sam Sulek pesava?</h3>
<p>Ele relatou pico de cerca de 123,8 kg (273 lb) com carga de carboidrato, aproximadamente 108 kg (238 lb) no dia da gravação, e a meta de chegar ao teto de 98,4 kg (217 lb) da Classic Physique amadora. Começou a treinar com cerca de 75 kg (165 lb) aos 16 anos e meio.</p>

<h3>Quanto volume de treino Sam Sulek faz?</h3>
<p>Ele reduziu de 25 séries por grupo muscular em uma sessão para algo em torno de 11, e usa a régua de que menos de 8 repetições em máquina ou Smith indica carga alta demais para o objetivo daquele momento.</p>

<h2>Referências</h2>
<ol>
  <li>CUTLER CAST. <em>#147 - Sam Sulek</em>. [S. l.], 23 dez. 2024. Disponível em: <a href="https://www.youtube.com/watch?v=1ugnYoB5XGM" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://www.youtube.com/watch?v=1ugnYoB5XGM</a>. Acesso em: 3 ago. 2026.</li>
</ol>]]></description><guid isPermaLink="false">1058</guid><pubDate>Sat, 18 Jul 2026 20:15:00 +0000</pubDate></item><item><title>Ronnie Coleman: li&#xE7;&#xF5;es do oito vezes Mr. Olympia</title><link>https://fisiculturismo.com.br/mat%C3%A9rias/gente/ronnie-coleman-li%C3%A7%C3%B5es-do-oito-vezes-mr-olympia-r1057/</link><description><![CDATA[
<p><img src="https://cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2026_08/ronnie-coleman-aula-academia-capa.webp.9c3e3f7c3c8c0d8eb2ad6532d1dd46f1.webp" /></p>
<p>Ronnie Coleman virou lenda porque parecia impossível. 8 títulos de Mr. Olympia, treinos brutais, frases que atravessaram gerações e uma combinação rara de genética, força e simplicidade. Mas a parte mais interessante da história não é só o tamanho que ele levou ao palco. É a forma como ele fala de trabalho, medo, dor, família e do próprio corpo depois de ter vencido tudo.</p>
<p>No material “#141 - 8x Mr. Olympia - Ronnie Coleman”, do Cutler Cast, Jay Cutler conversa com o antigo rival e amigo sobre os bastidores de uma carreira que mudou o fisiculturismo. A imagem que fica é menos a de um campeão inalcançável e mais a de um homem que nunca parou de se enxergar como trabalhador.</p>
<h2>O primeiro Olympia foi o mais improvável</h2>
<p>8 Sandows depois, o título mais marcante ainda parece ser o primeiro. Em 1998, no Madison Square Garden e já com 34 anos, Coleman não entrou no Mr. Olympia pensando em dominar o esporte. A meta íntima era muito menor: ficar no top 5. Para ele, que tinha ficado em sétimo em 1996 e caído para nono em 1997, estar entre os 5 melhores já encerraria uma missão de vida.</p>
<p>A contagem regressiva mudou tudo. Quando o sexto lugar não foi chamado com seu nome, a sensação já era de missão cumprida. Quando o quinto também passou, depois o quarto e o terceiro, a surpresa virou história. Até ali, a melhor colocação dele num Olympia tinha sido um sétimo lugar, e o favorito da noite, no palpite do próprio Coleman e de quase todo mundo, era Flex Wheeler. A vitória de 1998 nasceu de um atleta que ainda não se via como favorito, mesmo carregando um físico que depois seria tratado como um dos maiores da história.</p>
<p>Essa é uma das lições mais fortes de Coleman: às vezes o salto definitivo vem depois de anos em que o próprio atleta só tenta sobreviver no jogo. A glória não aparece como certeza. Ela aparece quando a rotina já foi repetida por tempo suficiente para o corpo estar pronto antes da cabeça acreditar.</p>
<h2>Antes da dinastia, quase veio a desistência</h2>
<p>O ano anterior ao primeiro Olympia foi duro. Em 1997 ele abriu a temporada no Ironman e ficou em terceiro, atrás de Lee Priest, um adversário bem mais baixo e mais leve. Na semana seguinte, no Arnold Classic, o pré-julgamento colocou Priest de novo à frente dele, e foi no quarto de hotel, depois daquele chamado, que Coleman pensou em abandonar o fisiculturismo. Ele tinha um bom emprego no departamento de polícia, com renda anual de 6 dígitos em dólares, já contando 25 mil a 30 mil dólares por ano de hora extra em serviços paralelos, além de benefícios e uma vida que não dependia de placar de palco. Na final daquela mesma noite ele reagiu, ficou em quarto e passou à frente de Priest.</p>
<p>O curioso é que um dos motivos para continuar foi simples demais para parecer épico: a musculação tinha começado com uma promessa de academia gratuita, feita por Brian Dobson, do Metroflex, em troca de ele subir ao palco. Se parasse de competir, poderia perder aquilo que mais gostava de fazer. A resposta da namorada Vicki, lembrada por ele de forma bem direta, também ajudou a cortar o drama. O recado era um “garoto, cala a boca” e mais nada.</p>
<p>Esse detalhe humaniza a lenda. O maior fisiculturista de todos os tempos também teve quarto de hotel, frustração, vontade de largar tudo e alguém por perto para lembrá-lo de que ele não era desistente.</p>
<h2>Flex Wheeler e Chad Nicholls mudaram o caminho</h2>
<p>Flex Wheeler aparece como uma figura decisiva. Coleman o descreve como um dos melhores amigos que teve no esporte, alguém que não sabotou, não enganou e ainda ajudou a abrir portas. Foi Flex quem explicou a ele o lado farmacológico do esporte, apresentou onde os grandes se abasteciam, indicou Chad Nicholls e mostrou que, para competir naquele nível, Coleman precisava organizar melhor a preparação. Nicholls demorou a retornar as ligações, e a primeira preparação em dupla só saiu no Toronto Pro de 1998.</p>
<p>A mudança alimentar foi brutal. Coleman reconhece que comia pouco para o nível que queria alcançar: eram cerca de 340 g (12 oz) de proteína animal por refeição. Com Nicholls, o alvo passou para cerca de 600 g de proteína por dia, com cada refeição subindo para 450 g (16 oz) de frango, peru ou carne. Levou uns 3 meses para conseguir engolir tudo aquilo, e o peso corporal subiu de algo em torno de 122,5 a 127 kg (270 a 280 lb) para cerca de 147,4 kg (325 lb).</p>
<p>A lição não é copiar números. A lição é entender que, para um atleta daquele nível, tamanho não apareceu por misticismo. Havia genética absurda, mas também comida em quantidade difícil de sustentar, treino, constância e uma preparação conduzida com método.</p>
<h2>O policial que também era Mr. Olympia</h2>
<p>Uma parte fascinante da história é a relação de Coleman com o trabalho. Ele não fala da polícia como uma fase menor antes da fama. Fala como uma paixão real. Em vários momentos, deixa claro que gostava de trabalhar, de se sentir útil e de ter pessoas dependendo dele.</p>
<p>Essa mentalidade vinha de antes. No ensino médio, ele acumulava 3 empregos ao mesmo tempo. Começou por volta dos 8 ou 9 anos varrendo o estacionamento de um mercado, depois foi repor prateleiras, trabalhou em restaurante limpando mesas, lavando louça e passando pano no chão e, às terças e quintas, operava o placar dos jogos de basquete. Na faculdade, jogou futebol americano, escreveu para o jornal universitário e depois virou editor de esportes, com a tarefa de editar os textos dos outros e fechar a página inteira dentro das medidas certas. Também trabalhou com a polícia do campus escrevendo multas de estacionamento. E, numa outra fase, na Domino's, jantava pizza todos os dias porque era de graça.</p>
<p>O padrão é evidente: Coleman não nasceu apenas forte. Nasceu acostumado a estar ocupado. O bodybuilding, nesse contexto, não foi fuga do trabalho. Foi mais um trabalho levado ao extremo.</p>
<p>Na rua, ele também não fingia ser o que não era. Com cerca de 145,1 kg (320 lb) de peso e mais uns 13,6 kg (30 lb) de equipamento, sua tática diante de suspeito que corria era o rádio, não a perseguição: descrevia a direção da fuga e deixava a corrida para os colegas. O tamanho, esse sim, aparecia antes de qualquer palavra. Os braços, medidos numa unidade da Gold's Gym, chegaram a 61 cm (24 polegadas).
<h2>O treino era simples, mas não era fácil</h2>
<p>O mito de Ronnie Coleman muitas vezes é reduzido aos registros de cargas absurdas. Mas a troca com Jay Cutler mostra outro ponto: a estrutura do treino podia ser muito simples. No peito, por exemplo, apareciam básicos como supino inclinado com barra, supino reto e supino declinado, em séries de 12 repetições, com progressão direta do tipo 61,2 kg (135 lb), 102,1 kg (225 lb) e 142,9 kg (315 lb) nos treinos de viagem. Nada de transformar cada sessão em uma tese de biomecânica.</p>
<p>Isso não significa treino relaxado. Significa execução repetida, progressão, peso de verdade e uma confiança enorme nos fundamentos. O próprio Jay se surpreendia com a simplicidade de algumas sessões quando treinavam viajando. Enquanto muita gente procura variação sofisticada, Coleman confiava no que podia repetir com intensidade, 6 dias por semana, num hábito que já dura cerca de 48 anos.</p>
<p>As frases famosas também nasceram desse ambiente. “Lightweight baby”, “yeah buddy” e “nothing but a peanut” não foram criadas como campanha de marketing. Eram ferramentas mentais nascidas em dias quentes de academia, para transformar cargas gigantes em algo psicologicamente atacável, e o “peanut” veio da paixão dele por pasta de amendoim. Era autoengano útil, quase uma forma de dizer ao cérebro que o impossível seria só mais uma repetição.</p>
<h2>A rivalidade com Jay Cutler foi competição sem ódio</h2>
<p>Ronnie Coleman e Jay Cutler construíram uma das maiores rivalidades do fisiculturismo. O interessante é que ela não dependia de ódio. Fora do palco, viajavam, comiam juntos, riam e conviviam. No Olympia, porém, virava negócio. Ali, cada um precisava se separar emocionalmente do outro.</p>
<p>Cutler admite que entrava todos os anos acreditando que poderia vencê-lo. Coleman, por sua vez, não gastava energia tentando controlar o que os outros faziam, a ponto de nunca ter assistido a treino filmado de rival e de nunca ter visto os próprios DVDs, incluindo os dois mais vendidos, “The Unbelievable” e “Cost of Redemption”. A lógica era direta: não dá para controlar o adversário, mas dá para controlar a própria preparação.</p>
<p>Essa talvez seja uma das grandes aulas competitivas de Coleman. O campeão não precisa viver obcecado pelo rival. Precisa viver obcecado pelo próprio padrão. O adversário é combustível, não bússola.</p>
<p>A conta chegou em 2006, quando Cutler venceu e Coleman perdeu o título pela primeira vez desde 1998. Nos bastidores, ele já tinha decidido cancelar tudo, inclusive uma apresentação como convidado marcada na Austrália, achando que ninguém ia querer foto com um perdedor. Foi Lee Haney, o outro dono de 8 Sandows, quem repetiu a mesma frase até ela entrar: vá fazer o seu dinheiro. Ele foi.
<h2>2001 mostrou o limite entre vitória e sobrevivência</h2>
<p>Um dos relatos mais fortes envolve o Olympia de 2001. Realizado em outubro, poucas semanas depois dos atentados de 11 de setembro, o evento quase não aconteceu para ele. Coleman acordou exausto, sem conseguir rolar na cama nem puxar o ar direito, depois de uma sequência pesada de entrevistas de TV, rádios, revistas e aparições. Na noite anterior, enquanto a namorada raspava os pelos do corpo dele, apagou de pé e acordou dentro da banheira, sem lembrar da queda. Foi o segundo desmaio da carreira, depois de um episódio parecido no primeiro Olympia.</p>
<p>A sensação foi tão assustadora que ele ligou para Chad Nicholls avisando que ia para o hospital, porque não pretendia morrer por causa de um título. A orientação foi outra: beber água até se sentir melhor. Ele tomou o galão inteiro, cerca de 3,8 L, e a força voltou. Como o pré-julgamento era por volta do meio-dia, sobravam 2 ou 3 horas, tempo insuficiente para tirar todo aquele líquido antes do palco. Competiu segurando mais água do que gostaria, e ainda venceu.</p>
<p>Esse episódio quebra a fantasia de que campeão de elite vive em controle absoluto. Às vezes, o limite aparece de forma violenta. E quando aparece, o palco deixa de ser o centro do mundo.</p>
<p>Semanas depois, ele foi ao Arnold Classic sem sair da dieta, e é essa versão que muita gente aponta como o melhor físico que ele já levou a um palco. Chegou em torno de 112 kg (247 lb), o mesmo peso do primeiro Mr. Olympia, mais seco do que estava no evento anterior, e ganhou o único Arnold da carreira.
<h2>As lesões não começaram no fim da carreira</h2>
<p>As dores de Coleman não surgiram do nada depois da aposentadoria. Ele associa parte da história a uma lesão nas costas ainda no futebol americano. Antes disso, passou a carreira universitária inteira indo ao quiroprata pelo menos 2 vezes por semana, incluindo sessões numa mesa de descompressão. Mais tarde, no auge do fisiculturismo, veio o caso marcante do agachamento com 265,4 kg (585 lb), na oitava repetição de uma série que ele costumava fazer por 10, quando ouviu um estalo alto e sentiu dor irradiando pela perna.</p>
<p>O diagnóstico posterior indicou hérnia de disco. A recomendação cirúrgica apareceu, mas ele preferiu reabilitação naquele momento. Ficou 2 semanas parado, voltou aos treinos com cargas menores, enfrentou o medo do agachamento e reconstruiu a confiança aos poucos: foram uns 5 a 6 meses agachando 142,9 kg (315 lb) por 20 repetições antes de subir para 183,7 kg (405 lb) e, depois, 224,5 kg (495 lb).</p>
<p>Anos depois, a conta física se tornou pesada. São 13 a 14 cirurgias no total, sendo 8 nas costas e 3 no pescoço. Os parafusos colocados na coluna quebraram cerca de 4 vezes, o que em certos períodos significou 2 a 3 cirurgias por ano, com perda de força a cada uma delas e necessidade de adaptar os exercícios. Hoje, grande parte do treino é sentado, com leg press, extensora e máquinas que não coloquem carga diretamente sobre a coluna.</p>
<h2>A meta atual é voltar a andar melhor</h2>
<p>A fase atual não é de pena. Coleman rejeita essa leitura. Ele continua treinando, fazendo terapia e mantendo uma rotina de recuperação. São 2 sessões semanais com o terapeuta, de 1 hora a 1 hora e meia cada, mais 3 sessões de piscina em casa, de cerca de 45 minutos, com caminhada dentro da água, chutes altos, agachamentos e apoios em uma perna só. Ele também faz aplicações de células-tronco no México, na casa de 300 milhões de células a cada 5 meses, um recurso caro, sem garantia de resultado e que exige avaliação médica séria antes de qualquer entusiasmo.</p>
<p>Ele já tinha voltado a andar uma vez, ainda que mancando bastante, largou a fisioterapia achando que resolveria sozinho na academia e piorou, porque treinava só os grandes grupos e deixava a musculatura menor de fora. Hoje o trabalho é separado perna a perna, para igualar o quadríceps e o posterior esquerdos, mais fracos que os direitos. A explicação central é que a força das pernas depende também de nervos voltando a responder. Por isso, a meta é tratada como projeto de longo prazo. A conta dele é de pelo menos 6 meses para recuperar força de verdade nas pernas, cerca de 1 ano e meio para caminhar com bengala e perto de 2 anos para tentar caminhar sem ela. O parâmetro vem da própria história: depois da cirurgia de pescoço, a dormência na mão direita levou exatamente os 2 anos previstos pelo médico para passar.</p>
<p>Não é promessa milagrosa. É persistência aplicada a outro tipo de treino. O palco saiu do centro, mas a mentalidade de repetição continua lá.</p>
<h2>Dar pausa também fazia parte do método</h2>
<p>Talvez a parte mais subestimada da carreira seja a pausa. Depois de cada Olympia, ele passava 5 meses sem usar nada, sem TRT e sem ponte hormonal, e 3 desses meses sem treinar e sem cardio. Mesmo parado, o peso corporal ficava em torno de 129,3 a 131,5 kg (285 a 290 lb). A justificativa era preservar o corpo para durar mais. O objetivo era dar descanso a músculos, órgãos e sistema geral antes de reiniciar a caminhada pesada.</p>
<p>Esse ponto contrasta com a cultura atual de não desligar nunca. O próprio Coleman demonstra preocupação com atletas que não param, não deixam o corpo respirar e tentam ficar em estado de performance permanente. Para ele, o corpo humano precisa ser cuidado se a ideia é continuar rendendo.</p>
<p>Essa mensagem importa muito porque vem de alguém conhecido pelo extremo. O homem dos treinos brutais também defendia pausa. Não por fraqueza, mas por longevidade competitiva.</p>
<h2>A família virou o novo centro</h2>
<p>A fama de “yeah buddy” continua, mas Coleman não parece viver preso a ela. Hoje, a família ocupa o espaço mais importante. São 8 filhas, uma para cada Sandow, depois de 8 tentativas de ter um menino, e a rotina agora é levar e buscar na escola, acompanhar competições de ginástica e vôlei, viajar junto e garantir que cresçam com estrutura.</p>
<p>O campeão também fala com orgulho das 3 irmãs e do irmão, que virou policial rodoviário estadual, de 2 delas serem enfermeiras, uma já cursando doutorado, da mãe que trabalhou duro para criar todo mundo e do caminho familiar ligado a estudo, profissão e estabilidade. A lição aqui é menos sobre troféu e mais sobre continuidade: construir uma vida que não dependa apenas do aplauso.</p>
<p>Mesmo assim, o bodybuilding não desapareceu. Ele continua viajando, participando de eventos e feiras, tocando a própria linha de suplementos, presente em cerca de 13 países, a academia em Orlando e uma parceria com fabricante de equipamentos. E ainda responde de 2 a 3 horas de e-mails de fãs por noite, quase sempre gente pedindo motivação ou treino. Só que agora o palco divide espaço com paz doméstica, filhos e uma rotina que parece mais humana.</p>
<h2>Frango com arroz ainda resume muita coisa</h2>
<p>Antes da gravação, Coleman comeu frango com arroz. O detalhe parece pequeno, mas diz muito. Depois de 8 Olympias, fama mundial, marcas, cirurgias e décadas de estrada, a resposta para “o que você quer comer?” continua sendo simples.</p>
<p>Não é glamour. É hábito. O mesmo sujeito que comprou pelo menos 20 carros na vida, e chegou a ter 4 ao mesmo tempo, entre Hummer, Bentley, Escalade e Dodge Charger, rodou só 46,7 mil km (29 mil milhas) com o Hummer H1 em 10 anos, porque quase sempre emprestava o carro para os outros dirigirem. O mesmo padrão que construiu o físico também aparece na comida, no treino e no jeito de pensar. Coleman não parece ter vencido porque procurava novidade o tempo inteiro. Venceu porque repetia o necessário por mais tempo e com mais força do que quase todo mundo.</p>
<h2>Conclusão</h2>
<p>Ronnie Coleman ensina que grandeza não é só vencer 8 Mr. Olympia. Grandeza é quase desistir e continuar. É ter genética absurda, mas ainda precisar comer até não aguentar. É treinar pesado, mas também saber parar para preservar o corpo. É rivalizar com Jay Cutler sem transformar competição em ódio. É perder, ouvir um conselho de Lee Haney e entender que a vida profissional não terminou.</p>
<p>A carreira de Coleman é uma aula de extremos, mas a mensagem final é simples: paixão, trabalho e consistência precisam de corpo para existir. O legado não está apenas nas cargas ou nos títulos. Está na forma como ele continua sendo bodybuilder mesmo depois que o palco deixou de ser o destino principal.</p>
<h2>FAQ</h2>
<h3>Quantas vezes Ronnie Coleman venceu o Mr. Olympia?</h3>
<p>Ronnie Coleman venceu o Mr. Olympia 8 vezes seguidas, de 1998 a 2005, empatando o recorde histórico de Lee Haney no masculino.</p>
<h3>Qual título foi mais importante para Ronnie Coleman?</h3>
<p>O primeiro Mr. Olympia, em 1998, aparece como o mais marcante. Ele chegou lá aos 34 anos, vindo de um sétimo lugar em 1996 e um nono em 1997, querendo apenas ficar no top 5, e acabou vencendo.</p>
<h3>Ronnie Coleman quase desistiu do fisiculturismo?</h3>
<p>Sim. Em 1997, depois de perder para Lee Priest no Ironman e ficar atrás dele no pré-julgamento do Arnold Classic, chegou a pensar em parar porque tinha estabilidade como policial. A paixão pelo treino e a mentalidade de não desistir o mantiveram no esporte.</p>
<h3>Como era o treino de Ronnie Coleman?</h3>
<p>O treino combinava fundamentos simples com intensidade enorme. Exercícios básicos, cargas altas, repetições fortes e consistência eram mais importantes do que excesso de variações. Um treino de peito em viagem podia ser supino inclinado, reto e declinado em séries de 12 repetições.</p>
<h3>Qual foi a importância de Jay Cutler na carreira de Coleman?</h3>
<p>Jay Cutler foi o grande rival da fase mais famosa de Coleman. A disputa obrigava o campeão a melhorar todos os anos, mas a relação fora do palco era de respeito e amizade.</p>
<h3>Ronnie Coleman ainda treina?</h3>
<p>Sim. Mesmo depois de 13 a 14 cirurgias e de trocar agachamento livre por trabalho sentado, ele treina 6 dias por semana e mantém rotina de terapia, com foco em força, mobilidade e recuperação.</p>
<h2>Referências</h2>
<ol>
<li>CUTLER CAST. #141 - 8x Mr. Olympia - Ronnie Coleman. [S. l.], 28 out. 2024. YouTube. Disponível em: <a href="https://www.youtube.com/watch?v=7nxHIFx9LDg" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://www.youtube.com/watch?v=7nxHIFx9LDg</a>. Acesso em: 18 jul. 2026.</li>
</ol>]]></description><guid isPermaLink="false">1057</guid><pubDate>Sat, 18 Jul 2026 14:45:00 +0000</pubDate></item><item><title>Phil Heath: hist&#xF3;rias e li&#xE7;&#xF5;es do sete vezes Mr. Olympia</title><link>https://fisiculturismo.com.br/mat%C3%A9rias/gente/phil-heath-hist%C3%B3rias-e-li%C3%A7%C3%B5es-do-sete-vezes-mr-olympia-r1053/</link><description><![CDATA[
<p><img src="https://cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2026_08/phil-heath-professor-universidade-capa.webp.30ef60b62a0408c7708d265d2b86ea10.webp" /></p>
<p>Phil Heath não é lembrado apenas por ter vencido sete vezes o Mr. Olympia. O que faz a história dele continuar relevante é a combinação rara entre genética absurda, frieza competitiva, leitura técnica do palco, sinceridade desconfortável e uma transição curiosa para a vida de comentarista, palestrante e mentor. A carreira de Heath mostra que dominar o fisiculturismo não depende só de volume muscular. Depende de cabeça, ambiente, paciência, disciplina e capacidade de continuar útil depois que as luzes do palco apagam.</p><p>Na entrevista "#156 - Phil Heath - 7x. Mr Olympia", do Cutler Cast, Jay Cutler e Matt Daniels conversam com Heath sobre a fase atual do esporte, o Arnold Classic de 2025, Derek Lunsford, Samson Dauda, Kai Greene, redes sociais, dinheiro, genética, preparação extrema e o novo papel de Phil como voz técnica do fisiculturismo. Das histórias, saem lições que servem tanto para atletas quanto para qualquer praticante que acompanha a cultura maromba.</p><h2>A derrota precisa incomodar</h2><p>Uma das primeiras lições aparece na análise da vitória de Derek Lunsford no Arnold Classic. Heath valoriza o fato de Derek ter admitido que ficou irritado depois de perder posições importantes. Para Phil, fingir que nada dói pode parecer maturidade, mas muitas vezes é só falta de honestidade.</p><p>O contexto ajuda a medir o tamanho do feito. Derek venceu o Arnold Classic depois de chegar como Mr. Olympia, algo que não acontecia desde 2001, quando Ronnie Coleman ganhou o Arnold e quase perdeu o Olympia no mesmo ano por ter chegado destruído. Heath conta que Chris Aceto, responsável pela preparação, descreveu as últimas 6 semanas como torturantes, porque a equipe segurou o processo para corrigir o tamanho das pernas apontado no Olympia anterior. Ganhar perna visível em 15 semanas é algo que o próprio Phil diz nunca ter visto.</p><p>Competidor de alto nível precisa sentir a derrota. O problema não é ficar bravo. O problema é morar nessa raiva. A frustração serve quando vira combustível para reorganizar treino, dieta, equipe, rotina e cabeça. Quando vira desculpa, destrói.</p><p>Heath relembra um diálogo de 2008 com Jay Cutler depois de uma derrota. Cutler estava oscilando emocionalmente, sem saber exatamente qual seria o próximo passo, até transformar aquele momento em decisão. A cena tem endereço: os dois foram jantar sushi no Katsuya e conversaram por cerca de 3 horas dentro do SUV BMW de Jay, num vaivém entre desistir e recomeçar. A mensagem é forte para qualquer atleta: campeão também duvida, também desaba e também precisa reconstruir a própria convicção.</p><h2>O “lugar escuro” das últimas semanas</h2><p>Para Heath, as últimas quatro a seis semanas de preparação exigem um tipo de isolamento mental que pouca gente entende. Ele chama isso de lugar escuro. No relato dele, são as últimas 4 semanas em que a cabeça precisa entrar nesse estado, e a preparação de Derek para o Arnold de 2025 esticou isso para 6. Não é romantização de sofrimento vazio. É a fase em que o atleta já está cansado, com fome, irritado, pressionado e ainda precisa executar o plano com precisão.</p><p>É nesse ponto que muitos físicos bonitos deixam de virar físicos campeões. A diferença entre bom e histórico pode estar em repetir o cardio quando ninguém quer, comer de forma monótona quando todo mundo flexibiliza e aceitar dias ruins sem desmontar o plano.</p><p>Essa leitura aparece quando ele compara o nível de dureza exigido no passado com o que enxerga em parte da geração atual. A crítica não é que ninguém sofra hoje. É que alguns protocolos tentam tornar a preparação confortável demais para um esporte que, no topo, nunca foi confortável.</p><p>Phil é explícito sobre quem ele acha responsável. Para ele, a maioria dos técnicos passou a tentar transformar o protocolo em jogo, para que o cliente não precise sofrer, e o resultado aparece no palco: atletas competindo em peso maior sem a pele fina que a condição extrema exige. Ele lembra que Ramy sofreu para vencer o primeiro Olympia, que Samson sofreu à sua maneira, mas que o nível de sofrimento praticado por ele, por Jay e por Kai Greene era outro patamar.</p><h2>Peixe, stepmill e a disciplina que ninguém posta</h2><p>Um ponto clássico da velha escola é a combinação entre peixe em várias refeições e stepmill de manhã. As últimas semanas podiam ter refeições repetitivas, 45 minutos de escada em jejum e uma mudança diária na condição física. Os números que Phil e Jay confessam no episódio são específicos: stepmill 2 vezes por dia, 45 minutos por sessão, a primeira em jejum, 6 dias por semana no caso de Jay e 7 no caso de Phil, além de várias refeições diárias à base de peixe nas últimas 6 semanas. Phil ainda diz que treinava tudo isso em Denver, na altitude, o que funcionava como uma espécie de EPO natural: quando chegava a Las Vegas, simplesmente não suava como os adversários.</p><p>A lição não é que todo mundo precise copiar exatamente a dieta deles. O ponto é que, para chegar em condição extrema, existia uma disposição real para pagar o preço. Cheat meal não era regra semanal. Phil ergue as duas mãos para mostrar quantos ele fez em toda a passagem pelo Olympia, algo em torno de 10 no total, e admite que ama hambúrguer justamente para deixar claro que a abstenção era decisão, não falta de vontade. Se precisava de mais energia, ajustava-se comida limpa, batata, arroz, carne ou outra fonte prevista no plano. Ele detalha o cardápio de emergência: uma batata-doce a mais, uma batata inglesa assada, manteiga por cima dela uma única vez, ou mais uma refeição de carne vermelha.</p><p>Também aparece uma dica simples sobre o stepmill: não adianta se pendurar na máquina. Quando o aluno joga boa parte do peso nos braços, rouba o estímulo das pernas e transforma um exercício duro em faz de conta. Phil quantifica o erro: com 60% do peso corporal apoiado na máquina, o glúteo e o posterior até podem receber alguma coisa, mas o quadríceps fica de fora. E complementa que não adianta acelerar, porque velocidade alta na escada é justamente onde a maioria se perde. É uma metáfora perfeita para o fisiculturismo inteiro. Muita gente quer o visual de quem sofre, mas treina como quem negocia cada desconforto.</p><h2>Condição vence quando o físico já é grande</h2><p>Na análise de Samson Dauda, Heath reconhece fluxo, volume, separação e estrutura. Ao mesmo tempo, aponta o que ainda falta para dominar: dureza, peito mais estriado, condição mais agressiva e capacidade de não apagar durante a comparação. A leitura dele é que Samson não tem nenhuma pose em que seja atropelado, mas também não tem nenhuma em que nocauteie o resto, e que o que falta é costas mais espessa, uma árvore de natal marcada e a dureza que Derek entrega.</p><p>Essa é uma lição importante para quem acha que fisiculturismo se resume a tamanho. Em alto nível, todos são grandes. O campeão precisa ser grande, completo e condicionado no dia certo. Um físico mais bonito pode perder para um físico mais seco se a diferença de condição for clara.</p><p>Heath também chama atenção para pose e estratégia. Contra um adversário específico, a forma de abrir uma pose, posicionar a perna ou transicionar pode mudar a percepção do conjunto. O exemplo citado é o duplo bíceps de costas de Samson: ele arma a pose chutando a perna esquerda para trás, e quando trocava para a direita ficava visivelmente melhor. Phil resume isso com a frase de boxe que usa o tempo todo, styles make fights. No palco, detalhe vira argumento visual.</p><p>Esse tipo de leitura era método, não intuição. Phil mantinha uma lista escrita do próprio retrospecto contra cada adversário, pose por pose. Contra Jay o placar ficou empatado. Contra o resto, ele fala em vantagens de 5 a 1, 8 a 1, 10 a 1. A partir dessa lista ele decidia onde investir: sabia que nunca teria o quadríceps de Ramy, então buscava ficar mais duro e mais redondo, e sabia que nunca teria a largura de Jay, então treinava menos braço para o deltoide parecer maior. A pergunta que ele faz até hoje a quem orienta é direta: quais são as suas armas?</p><h2>A geração da pressa perdeu a paciência</h2><p>A crítica à era das redes sociais é uma das partes mais fortes da análise de Phil. A social media matou parte da construção lenta do fisiculturismo. Jovens de 18 ou 19 anos já querem usar tudo, copiar atletas prontos e aparecer como produto acabado antes de amadurecer. Jay resume o desconforto assim: hoje se encontra um garoto de 19 anos competindo que já tomou tudo o que Phil só tomou quando já era profissional rodado. E Phil confirma sem rodeio que os atletas de agora provavelmente usam mais do que ele usou em toda a passagem pelo Olympia.</p><p>Heath admite que a genética dele teve papel enorme e que respondeu muito bem quando passou a usar recursos mais avançados. Mas também destaca uma diferença essencial: ele já era profissional, já tinha vencido o USA, já tinha ganhado shows profissionais e já tinha sido quinto no Arnold Classic antes de certas decisões entrarem na carreira. A data é precisa: a diferença entre as fotos do Arnold de 2007 e as do Arnold de 2008 é a primeira experiência dele com hormônio do crescimento. Pouco depois, num guest posing na costa leste, Jay perguntou quanto ele estava pesando e ouviu 121,6 kg (268 lb). Vale registrar a régua dessa época: no primeiro Arnold, Phil subiu com 98 kg (216 lb) e viu Dexter Jackson ao lado com 104,3 kg (230 lb).</p><p>A lição é direta: não existe gratificação adiada quando o atleta quer virar personagem antes de virar atleta. O corpo precisa de anos para construir maturidade muscular, densidade, controle de pose e leitura competitiva. A internet, porém, premia o atalho visual.</p><p>Ele também usa os próprios exames para separar resposta genética de abuso. As transaminases dele, segundo conta, nunca passaram de 100, com pico em torno de 88, num intervalo de referência que vai até cerca de 40. O contraste veio em 2014 e 2015, quando o corpo parou de responder à mesma dieta e ao mesmo treino que o levaram a quatro títulos, e depois em 2017, com uma estrangulação intestinal que o fazia sangrar e impedia a absorção de nutrientes. Um mês antes daquele Olympia, as enzimas apareceram na casa dos 20 mesmo com ele usando orais, sinal de que nada estava sendo aproveitado. A distensão abdominal que os fãs comentavam vinha daí, e o primeiro alerta foi ainda em 2014, quando ele não conseguia respirar e Dylan notou o umbigo saltando.</p><h2>O próximo Phil Heath talvez esteja em outro esporte</h2><p>Ao imaginar “o próximo Phil Heath”, a resposta fica provocativa. Talvez esse atleta esteja jogando futebol americano, ganhando dinheiro universitário, seguindo outro caminho e sem motivo financeiro para migrar ao fisiculturismo. O exemplo que Phil dá é o de um running back de conferência forte, tipo Saquon Barkley, assinando contrato de imagem de milhões de dólares ainda na universidade. Ele faz questão de dizer que o esporte não vive um ano ruim, e sim um ciclo de talento diferente, como aconteceu entre a geração de Flex Wheeler e Chris Cormier e a geração de Jay, Dexter e Branch.</p><p>Isso toca em um problema estrutural: o retorno financeiro do fisiculturismo nem sempre acompanha o sacrifício. Heath fala sobre ROI, retorno sobre investimento, e lembra que um competidor pode gastar centenas de milhares de dólares entre preparação, comida, viagens, drogas, técnicos e rotina. Os valores citados no episódio dão a medida. Uma preparação isolada custa em torno de 30 mil dólares. Phil, somando ano após ano de Olympia, calcula ter gasto perto de 100 mil dólares só em comida, incluindo jantares de 1.000 dólares. Do outro lado do balcão, um guest posing pagava entre 10 mil e 20 mil dólares, e ele confirma ter recebido 50 mil dólares por um único compromisso. Sem patrocínio e sem premiação relevante, a conta pode ser brutal.</p><p>A escala de prêmios explica por que ele insiste na conta. O primeiro lugar do Arnold Classic saltou de 130 mil para 200 mil, depois 300 mil e agora 500 mil dólares. O Olympia saiu de 200 mil, passou por 300 mil, ficou parado em 400 mil por quase 10 anos e chegou a 600 mil. Nas categorias de baixo a queda é abrupta: o segundo lugar do Olympia leva 250 mil, o terceiro 100 mil e o quarto 40 mil dólares. O primeiro lugar do men’s physique no Arnold ficou em 25 mil dólares, e Phil lembra que boa parte dos shows dessa categoria trabalha com bolsa total de 6 mil dólares. Quando Samson Dauda acumulou 1,1 milhão de dólares em 6 meses de temporada, Phil diz que nem se incomodou com o próprio recorde de premiação, que ele espera ver caído em pouco tempo.</p><p>Por isso ele defende uma leitura pragmática das divisões. Se o atleta quer dinheiro maior e está disposto a sofrer como open bodybuilder, precisa entender onde está o prêmio. Ele é categórico ao dizer que, se recomeçasse hoje, faria open outra vez, porque não passaria por todo aquele estresse para receber menos do que ganharia como professor de escola. O romantismo do palco não paga sozinho a conta de uma carreira.</p><h2>Open, Classic e a verdade sobre querer ser grande</h2><p>Phil também cutuca a lógica das divisões. Muitos atletas dizem que não querem ficar tão grandes, mas ao mesmo tempo torcem para que o limite de peso da Classic suba. Para ele, isso revela uma contradição: no fundo, quase todo mundo quer ser maior.</p><p>Isso não diminui a Classic Physique nem outras categorias. Apenas recoloca a discussão no lugar certo. Se o desejo real é crescer, ganhar densidade e buscar mais massa, talvez o atleta precise encarar o open, inclusive com os custos e riscos que isso traz.</p><p>A mensagem não é “todo mundo deveria ser open”. É: escolha a divisão com honestidade. Não esconda ambição por trás de discurso estético se, na prática, você quer mais peso, mais volume e mais liberdade para crescer.</p><p>Na discussão sobre a premiação do men’s physique, Phil separa o que é indignação legítima do que é argumento frágil. O ponto que ele contesta é usar o número de inscritos do NPC, que é a liga amadora, para exigir prêmio maior na IFBB, que é profissional e funciona com promotores independentes pagando sanções. Segundo ele, o dinheiro do amador não escorre para o profissional, e o competidor sabia quanto pagava o primeiro lugar quando assinou a inscrição. A saída que ele propõe é empresarial: montar a proposta que mostre quantas pessoas aquela categoria coloca sentada na plateia. Ele também esvazia a polêmica com Arnold Schwarzenegger, dizendo que estava sentado no palco e ouviu apenas uma reclamação sobre o comprimento do short atrapalhar a avaliação das coxas, além da piada sobre pijama.</p><h2>Genética existe e não deve ser fingida</h2><p>Jay Cutler reforça que Phil foi um dos campeões mais dominantes da história recente, muitas vezes sem parecer realmente atrás nas comparações. A discussão sobre genética coloca nomes como Ronnie Coleman, Chris Cormier, Flex Wheeler e o próprio Heath entre físicos de resposta extraordinária.</p><p>Essa parte é valiosa porque desmonta duas mentiras comuns. A primeira é dizer que tudo é genética, como se trabalho não importasse. A segunda é dizer que genética não importa, como se qualquer pessoa pudesse virar Phil Heath com o protocolo certo.</p><p>O ensinamento mais honesto fica entre os dois extremos. Genética abre portas que a maioria não tem. Trabalho decide o que o atleta faz quando essas portas aparecem.</p><h2>Rivalidade, respeito tardio e domínio</h2><p>Phil viveu uma fase em que parte do público torcia intensamente por seus rivais, especialmente por quem ficava em segundo. Isso tirou brilho de alguns momentos e tornou sua relação com a audiência mais áspera. Jay reconhece que Heath às vezes respondia de forma dura, mas também lembra que essa postura vinha de um competidor treinado para vencer.</p><p>Com o tempo, a percepção mudou. A dominância dele ficou mais fácil de enxergar depois que a poeira baixou. Sete títulos de Mr. Olympia não acontecem por acaso, e o debate sobre simpatia não apaga o fato competitivo: Phil aparecia pronto, consistente e difícil de bater.</p><p>Essa é uma lição sobre legado. Enquanto a carreira acontece, o público discute narrativa, carisma e rivalidade. Os números de balança ajudam a entender a trajetória: Phil venceu um New York Pro com 94,3 kg (208 lb), batendo Dennis James, Kai Greene e Alexander Fedorov, ganhou o primeiro Olympia com 123,8 kg (273 lb), chegou ao pico de 112,5 kg (248 lb) em 2013 e competiu com 111,6 kg (246 lb) em 2017, quando pretendia chegar a 114,3 kg (252 lb). Olhando para trás, diz que teria competido abaixo de 108,9 kg (240 lb) se pudesse escolher de novo, já que venceu boa parte dos títulos nessa faixa. Depois, a história costuma olhar mais friamente para resultado, consistência e nível técnico.</p><p>Vale dizer que a coleção de títulos não foi feita de noites perfeitas. Ele ganhou o apelido de Mr. Saturday Night porque melhorava do pré-julgamento para a final, e explica que jamais entrou atrás na sexta-feira, apenas fechava a porta no sábado. Em 2012, percebeu junto com Hany Rambod, ainda no quarto do hotel, que tinham acertado o pico cedo demais. Em 2014, a discussão com Kai Greene no pré-julgamento disparou o cortisol dos dois, e os juízes simplesmente não voltaram a compará-los. Depois de 2015, ele reformulou o treino para 2016 com mais ênfase em excêntricas, levantamento terra parcial pesado e agachamento chegando a cinco anilhas por lado, algo que nunca filmou porque não era a imagem que se esperava dele. E ele guarda uma mágoa específica: no Arnold Classic de 2010 estava 3 pontos à frente no pré-julgamento e perdeu por 7. Nunca mais competiu em Columbus, e diz até hoje que gostaria de ter aquele troféu.</p><h2>Kai Greene ainda mexe com a imaginação</h2><p>Quando surge Kai Greene, Phil se mostra disposto até a treiná-lo se o cenário certo aparecesse. A ideia tem valor simbólico enorme. Dois rivais históricos, um ajudando o outro, virariam um evento para a cultura do fisiculturismo. Phil diz que treinaria Kai de graça e que a coisa se pagaria só na audiência. Sobre a exigência de Kai de receber para competir, ele é frontalmente favorável e conta algo que nunca havia dito em público: ele mesmo foi pago para competir uma vez, e ninguém soube. Lee Priest já tinha feito a mesma exigência anos antes.</p><p>Heath reconhece Kai como um bodybuilder de verdade, não apenas um ex-competidor. A diferença é importante. Há atletas que competem, param e se afastam da identidade. Kai continuou treinando, mantendo massa e preservando aura de fisiculturista. Como prova de que a rotina segue de pé, Phil e Jay lembram que Kai, ao visitar o estúdio, comeu duas refeições completas de bife de 283 g cada uma. Ele completa 50 anos neste ano.</p><p>O ponto técnico seria condição, idade, cintura e capacidade de voltar ao nível exigido. Phil observa que a cintura tende mesmo a alargar com a idade, e usa o próprio caso: o abdome dele melhorou depois que parou de competir, mas isso veio junto com a perda de 13,6 kg (30 lb). O ponto cultural seria ainda maior: rivalidade madura pode virar respeito, colaboração e história.</p><h2>Depois do palco, ainda existe carreira</h2><p>Phil parece cada vez mais confortável em uma nova fase. Ele fala sobre comentar transmissões, fazer análises, palestrar, viajar, participar de eventos, fazer coaching ao vivo e buscar espaço em broadcasting. A ambição mudou de forma, mas não desapareceu.</p><p>Antes de virar comentarista, ele já operava como estrategista. A preparação era calibrada pelo horário do palco: como subia por volta das 19 horas, atrasava as refeições para chegar com 4 delas no corpo em vez de 6, e ainda assim precisava estar seco depois de um galão e meio de água. Um mês antes do show, treinava poses dentro de uma sauna de infravermelho para aguentar o calor das luzes, prática que nunca contou a ninguém. Nos bastidores, quebrava bolsas de gelo para ficar em pé sobre elas e deitava no concreto frio, sabendo que passar do ponto achata o físico. Evitava o aquecimento agressivo que faz o adversário apagar depois de duas ou três chamadas. Em 2020, no entanto, tudo isso não bastou: ele deveria entrar às 19h45 e só subiu às 21h20, já aquecido e murcho, além de não ter atingido o pico naquela semana final.</p><p>Isso talvez seja uma das lições mais úteis para atletas. A carreira competitiva é curta. A identidade precisa ser maior do que o placar. Quem constrói comunicação, análise, reputação e capacidade de ensinar pode continuar relevante sem precisar voltar ao palco.</p><p>Heath diz gostar de comentar porque consegue assistir com propósito, entreter e explicar. É uma inversão simpática para quem construiu a carreira treinando sozinho na Armbrust, em Denver, quase sempre por volta das 23 horas, com apenas alguns spots acesos para não parecer que a academia estava aberta, muitas vezes sem música, filho único acostumado a ficar sozinho na quadra. Não é apenas nostalgia. É uma forma de devolver conhecimento ao esporte e, ao mesmo tempo, abrir outra avenida profissional.</p><p>A operação atual já tem formato definido. O site dele vende treinos por cerca de 6 dólares por mês, mas o que mais funciona é a consultoria ao vivo por chamada, contratada em blocos de 30 minutos que ele costuma esticar para 45 minutos ou 1 hora, cobrindo treino, dieta, pose e também pressão e vida pessoal. Ele faz preparação física com equipes universitárias, palestra, viaja com patrocinadores e quer espaço em televisão aberta, com a ressalva sincera de que ainda não é o palestrante de 100 mil dólares que gostaria de ser. Em fevereiro de 2025 esteve na Casa Branca num evento do Mês da História Negra e foi chamado pelo nome pelo presidente, que o apresentou como sete vezes Mr. Olympia. Ele já havia conhecido Biden em 2015 e nunca publicou.</p><h2>Lições práticas de Phil Heath</h2><p>Das histórias, ficam algumas lições claras:</p><ul><li>derrota precisa incomodar, mas não pode virar prisão.</li><li>preparação extrema cobra disciplina que quase ninguém vê.</li><li>tamanho sem condição não domina no palco.</li><li>pose é estratégia, não só coreografia.</li><li>redes sociais aceleraram demais a pressa dos jovens.</li><li>genética existe, mas precisa ser explorada com trabalho.</li><li>carreira precisa ter retorno financeiro e plano de longo prazo.</li><li>a divisão escolhida deve combinar com a ambição real do atleta.</li><li>legado competitivo muitas vezes é entendido melhor depois.</li><li>ex-campeão inteligente encontra função depois de competir.</li></ul><h2>Conclusão</h2><p>Phil Heath ensina porque sua história reúne tudo que o fisiculturismo tem de fascinante e desconfortável: genética rara, sofrimento calculado, rivalidade, dinheiro, ego, crítica pública, disciplina e reinvenção. O sete vezes Mr. Olympia não aparece apenas como campeão aposentado, mas como alguém tentando traduzir o esporte para uma geração que vê mais tela do que bastidor. Ele descarta o Masters Olympia e afirma que só voltaria se fosse pago, embora admita que, se tivesse vencido o oitavo título na volta de 2020 e não tivesse rota de cinema, teria tentado o nono. A cronologia dele explica a paciência que prega: virou profissional em 2005, ficou em terceiro no Olympia de 2008 e levou cerca de 5 anos, incluindo 2 temporadas fora do Olympia só para crescer, até brigar pelo primeiro lugar.</p><p>A grande lição é que o físico campeão nasce antes do palco. Nasce na resposta à derrota, na dieta repetitiva, no cardio que ninguém posta, na paciência para crescer sem virar produto precoce e na coragem de continuar evoluindo quando a carreira competitiva termina.</p><h2>FAQ</h2><h3>Quem é Phil Heath?</h3><p>Phil Heath é um fisiculturista norte-americano que venceu o Mr. Olympia sete vezes e se tornou um dos campeões mais dominantes da era moderna do bodybuilding.</p><h3>Qual é a principal lição da história de Phil Heath?</h3><p>A principal lição é que talento e genética só viram legado quando encontram disciplina, paciência, leitura competitiva e capacidade de suportar pressão.</p><h3>Phil Heath critica a geração atual do fisiculturismo?</h3><p>Ele critica principalmente a pressa criada pelas redes sociais, em que jovens tentam copiar atletas prontos antes de construir base, maturidade muscular e carreira real.</p><h3>Por que a condição física é tão importante no palco?</h3><p>Porque, em alto nível, todos são grandes. A diferença costuma aparecer na dureza, separação, controle de pose e capacidade de manter o físico cheio e seco nas comparações.</p><h3>Phil Heath pretende voltar a competir?</h3><p>Ele não sinaliza intenção de voltar ao Masters Olympia. A fase atual está mais ligada a comentário técnico, eventos, palestras, coaching e broadcasting.</p><h3>Quanto Phil Heath pesava no palco?</h3><p>Ele venceu o primeiro Mr. Olympia com 123,8 kg, chegou ao pico de 112,5 kg em 2013 depois de perder peso ao longo da carreira e diz que, se pudesse recomeçar, competiria abaixo de 108,9 kg.</p><h3>Qual era o cardio de Phil Heath na preparação?</h3><p>Duas sessões diárias de 45 minutos no stepmill, a primeira em jejum, até 7 dias por semana, feitas na altitude de Denver.</p><h3>Quanto custa preparar um Mr. Olympia?</h3><p>Phil estima cerca de 30 mil dólares por show e calcula perto de 100 mil dólares gastos só em comida ao longo dos anos de Olympia, contra um primeiro lugar que hoje paga 600 mil dólares.</p><h2>Referências</h2><ol><li>CUTLER CAST. <em>#156 - Phil Heath - 7x. Mr Olympia</em>. [S. l.], 13 mar. 2025. Disponível em: <a href="https://www.youtube.com/watch?v=gJF32JhlpbQ" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://www.youtube.com/watch?v=gJF32JhlpbQ</a>. Acesso em: 3 ago. 2026.</li></ol>]]></description><guid isPermaLink="false">1053</guid><pubDate>Thu, 16 Jul 2026 13:37:00 +0000</pubDate></item><item><title>Johann Schatz e a era Mass Monsters: farm&#xE1;cia, Dorian Yates e a ilus&#xE3;o dos protocolos antigos</title><link>https://fisiculturismo.com.br/mat%C3%A9rias/gente/johann-schatz-e-a-era-mass-monsters-farm%C3%A1cia-dorian-yates-e-a-ilus%C3%A3o-dos-protocolos-antigos-r1046/</link><description><![CDATA[
<p><img src="https://cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2026_08/johann-schatz-dorian-farmacia-capa-v3.webp.17e6491a01b82b75dcc57e0ca9474931.webp" /></p>
<p>Nos anos 1990, o fisiculturismo profissional entrou em uma fase de volume muscular extremo. Dorian Yates virou o símbolo maior dessa virada, e atletas que dividiram palco com ele ajudam a entender uma parte menos glamourosa da história: o uso de esteroides era real, mas não tinha o mesmo desenho caótico, volumoso e permanente que aparece em muitos relatos modernos de academia.</p><p>No material "JOHANN SCHATZ ABRE SEM FILTRO OS SEGREDOS DOS PROTOCOLOS DA ERA MASS DOS MONSTERS !", do canal Cortes - Monster Cast, Johann Schatz descreve uma época em que os atletas falavam menos em combinações infinitas e mais em alguns produtos considerados básicos, muitos deles comprados em farmácias europeias ou trazidos de países vizinhos. O ponto mais importante não é copiar a prática. É perceber como uma experiência histórica virou, nas mãos de muita gente, uma justificativa ruim para abuso atual.</p><h2>A farmácia como retrato de uma época</h2><p>O relato começa com uma diferença cultural forte. Em vez de laboratórios clandestinos, marcas obscuras e listas enormes de compostos, a memória apresentada por Schatz passa por farmácias, viagens entre países e produtos que circulavam de maneira mais previsível dentro daquele contexto.</p><p>A logística era literalmente rodoviária. A testosterona ele comprava em farmácia na própria Áustria, sem dificuldade. A deca vinha da Grécia, e ele descia de carro para buscar. O dianabol vinha da Hungria, também de carro, com a caixa na mala na volta. Ele resume o arranjo como outros tempos, e é exatamente esse acesso balcão que explica a confiança dele na procedência.</p><p>Entre os nomes citados aparecem testosterona, primobolan, deca, stanozolol, dianabol e parabolan. A lista mostra uma realidade conhecida do fisiculturismo profissional antigo: os recursos hormonais faziam parte do cenário. Ao mesmo tempo, a fala também desmonta a fantasia de que todo físico extremo nasceu apenas de quantidades absurdas e combinações sem fim.</p><p>Schatz é específico sobre a estrutura. Segundo ele, eram 4 produtos considerados os melhores, e a base injetável semanal era 1 ampola de testosterona de 250 mg, 1 de deca de 200 mg e 1 de primobolan de 200 mg, o que fecha 650 mg por semana. Por cima disso entrava dianabol em comprimido, 15 mg por dia divididos em 3 comprimidos, usado na fase de treino. O stanozolol ficava reservado para a proximidade do campeonato.</p>
<p>O teto que ele declara é o dado mais citável do relato: afirma nunca ter passado de 1 grama por semana em toda a carreira. Perto da competição trocava o éster longo por uma testosterona de 25 mg, o propionato, justamente para reter menos água, algo que hoje seria feito com propionato ou blends de éster curto.</p><p>A comparação com o presente é inevitável. Hoje, muitos praticantes amadores falam em múltiplas drogas, aplicações frequentes, peptídeos, insulina, hormônio do crescimento, estimulantes e ajustes feitos por tentativa e erro. A complexidade aumentou, mas isso não significa que a inteligência do processo aumentou junto.</p><h2>Poucos produtos não significam pouco risco</h2><p>Existe uma armadilha em romantizar a velha escola. Quando um atleta antigo relata um conjunto menor de substâncias, muita gente escuta apenas a parte conveniente: "era simples". O problema é que simples não quer dizer seguro.</p><p>Esteroides anabolizantes podem alterar pressão arterial, perfil lipídico, função hepática, fertilidade, eixo hormonal, pele, humor, sono e saúde cardiovascular. A revisão de Bond, Smit e de Ronde resume bem esse ponto: os efeitos anabólicos existem, mas os riscos dependem de dose, tempo de uso, tipo de composto, via de administração, histórico individual e acompanhamento.</p><p>O erro moderno é transformar o passado em permissão. Se um atleta profissional usou determinado recurso em uma época específica, isso não vira recomendação para um praticante comum. Contexto competitivo, genética, seleção natural do esporte, acesso médico e tolerância individual mudam totalmente a leitura.</p><h2>A frase mais perigosa: "naquela época era mais puro"</h2><p>Schatz sugere que os produtos daquela fase tinham qualidade mais previsível. Esse é um ponto historicamente compreensível, porque parte do acesso relatado vinha de farmácia ou de produtos conhecidos em determinados países. Mas essa lembrança não deve virar saudosismo químico.</p><p>A frase dele é direta: era coisa muito pura, tudo de qualidade, porque saía de farmácia. Faz sentido dentro do contexto europeu dos anos 1980 e 1990, quando esses medicamentos ainda tinham circulação farmacêutica normal em vários países. O que não se transfere é a conclusão.</p><p>Mesmo quando a procedência é melhor, a substância continua tendo efeito biológico forte. Uma testosterona farmacêutica não deixa de suprimir o eixo hormonal por ser farmacêutica. Uma nandrolona de qualidade não deixa de carregar risco cardiovascular, sexual, psicológico e reprodutivo por ter boa procedência. Pureza reduz um tipo de incerteza, mas não elimina o impacto do abuso.</p><p>No mercado atual, o problema fica ainda pior. Além dos efeitos próprios das drogas, entram falsificação, subdosagem, contaminação, mistura de compostos e rotulagem enganosa. O praticante acha que está repetindo um passado lendário, mas muitas vezes está usando um produto sem identidade confiável.</p><h2>O detalhe que separa relato histórico de manual</h2><p>Schatz fala em quantidades que, segundo ele, ficavam abaixo do que muita gente imagina para atletas daquele nível. Esse ponto precisa ser interpretado com cuidado. A informação tem valor histórico, não prescritivo.</p><p>O corpo dele, a carreira dele, a época dele e o ambiente competitivo dele não são transferíveis. O mesmo vale para qualquer comparação com Dorian Yates. O fato de dois atletas dividirem palco não significa que o leitor possa olhar para um relato e deduzir uma fórmula universal.</p><p>Fisiculturismo profissional sempre foi um esporte de exceções. O público vê quem sobreviveu, venceu ou ficou famoso. Não vê todos os corpos que quebraram no caminho, todos os atletas que perderam saúde, todos os que não responderam bem e todos os que nunca chegaram perto do palco grande mesmo assumindo riscos enormes.</p><h2>Dianabol, força e antidoping</h2><p>Um trecho importante envolve o uso de dianabol para força e a ideia de escolher substâncias que saíssem mais rápido do organismo em contextos com antidoping. Esse tipo de relato mostra como a lógica competitiva influenciava decisões.</p><p>O relato tem nome e público. Schatz conta que os strongmen daquela época usavam dianabol precisamente porque as competições já tinham antidoping, e eles precisavam de algo que desse força sem ficar muito tempo no corpo. Ele afirma que o composto saía em 12 horas, e que era esse conhecimento empírico, testado no próprio grupo, que permitia competir em federação com controle.</p>
<p>Vale a ressalva técnica, porque o número não se sustenta hoje. A meia-vida curta da metandienona não equivale à janela de detecção: metabólitos do composto são identificáveis por semanas nos métodos atuais. O que era estratégia possível em 1994 é caminho para punição em 2026.</p><p>O problema é que essa lógica não combina com saúde. Escolher uma droga porque ela melhora força ou porque teria uma janela de detecção diferente não torna a escolha inteligente para o corpo. Apenas mostra que o objetivo competitivo pode empurrar o atleta para decisões orientadas por resultado, não por segurança.</p><p>Para o leitor comum, a lição é oposta à curiosidade maromba. A pergunta não deve ser qual substância era usada para "funcionar". A pergunta deveria ser por que uma pessoa sem carreira profissional, sem palco de elite e sem equipe médica tentaria imitar uma lógica criada para competição de alto risco.</p><h2>Trembolona: de coringa antigo a abuso moderno</h2><p>A parte mais forte do relato aparece quando entra o parabolan, uma forma histórica associada à trembolona. Schatz descreve um uso limitado em fase final e critica o que vê hoje: gente usando trembolona com frequência alta, sem tolerância psicológica e sem entender o custo.</p><p>Os números do parabolan também estão lá. Cada ampola tinha 76 mg de trembolona hexa-hidrobenzilcarbonato, e ele usava no máximo 2 por semana. Como o produto só existia na França, comprava uma caixa de 10 ampolas, o que dava exatamente 5 semanas de uso. Eram as últimas 5 semanas antes do campeonato, e ponto final.</p>
<p>A comparação que ele mesmo faz com o presente é grosseira de propósito. Ao ouvir que hoje há quem use trembolona todos os dias, ele chama esses usuários de idiotas e liga o ponto direto ao que vê depois: o sujeito bate na mulher, bate nos filhos, vive brigando. Não é uma tese de literatura, é observação de quem atravessou a época, e coincide com o que a pesquisa sobre agressividade vem apontando.</p><p>Aqui a matéria precisa ser direta. Trembolona tem fama de potente, mas potência não é virtude isolada. Em relatos de usuários, ela aparece associada a piora de sono, irritabilidade, ansiedade, sudorese, queda de apetite, alteração de humor e comportamento mais explosivo. A literatura sobre esteroides anabolizantes, de forma geral, também relaciona a exposição a mudanças comportamentais e aumento de agressividade em determinados contextos.</p><p>Quando alguém começa a normalizar insônia, raiva, paranoia, conflitos familiares e instabilidade emocional como "parte do processo", o fisiculturismo deixa de ser disciplina e vira desorganização química. O corpo pode até parecer mais duro por um tempo, mas a vida ao redor começa a perder forma.</p><h2>Uso contínuo e a lógica do atleta profissional</h2><p>Outro ponto delicado é a defesa de manter uma base contínua em vez de fazer ciclos e parar completamente. A justificativa apresentada é simples: parar faria perder peso, força e aparência, depois seria necessário reconstruir tudo novamente.</p><p>A conta dele é explícita. Schatz diz que chegou no máximo a 98 kg e nunca conseguiu ultrapassar os 100 kg. Se parasse, perderia uns 10 kg e depois teria que subir de novo até o mesmo teto que já sabia ser intransponível, então concluiu que não fazia sentido parar. Ele afirma nunca ter interrompido o uso, e defende essa posição até hoje: tomar o ano inteiro, sempre um pouco.</p>
<p>A condição que ele coloca é o exame. Se o sangue está certo, ele mantém a base baixa. Se aparece alteração, descansa. E ele próprio traça a fronteira: isso só funciona com dosagem baixa, porque com dosagem alta parar é obrigatório, já que o corpo não aguenta. Como prova pessoal de que o eixo dele resistiu, cita ter engravidado a mulher mesmo sem nunca ter feito uma pausa.</p><p>Essa lógica pode fazer sentido dentro da mentalidade de um atleta profissional que assume o esporte como vida. Mas ela é perigosa quando chega ao praticante recreativo. Uso contínuo significa supressão hormonal prolongada, possível dificuldade de recuperação, impacto reprodutivo e necessidade de monitoramento real.</p><p>El Osta e colaboradores revisam como o abuso de esteroides pode afetar fertilidade masculina por supressão do eixo hormonal e prejuízo da espermatogênese. A recuperação pode ocorrer, mas não é garantida no mesmo prazo para todos. Quanto mais longo, intenso e combinado for o uso, maior a chance de o retorno ser complicado.</p><p>Para mulheres, a conversa é ainda mais sensível. A fala menciona atletas femininas e menstruação, mas esse tema exige cautela médica. Virilização, alteração de voz, acne, queda de cabelo, mudanças menstruais e efeitos psicológicos podem ser difíceis ou impossíveis de reverter dependendo do caso.</p><p>O argumento que ele apresenta é justamente o mais problemático de todos. Falando de atleta profissional, Schatz sustenta que não adianta suspender o primobolan de uma mulher que já parou de menstruar, porque a menstruação não voltaria de qualquer forma, e a suspensão só traria queda de força, frustração e depressão. Ele descreve a cena da atleta que treinava com 25 kg e cai para 18 kg ou 15 kg.</p>
<p>É preciso dizer com todas as letras que esse raciocínio não se sustenta como orientação. Amenorreia induzida por androgênio pode ser reversível em parte dos casos, e tratar a irreversibilidade como certeza serve para justificar a continuidade do uso. Perder carga no treino é um custo trivial diante de virilização permanente, e qualquer decisão desse tipo pertence a acompanhamento médico, não a um relato de vestiário.</p><h2>Por que Johann Schatz virou referência no Brasil</h2><p>A parte histórica brasileira também importa. Schatz lembra que, ao chegar ao Brasil, havia poucos atletas profissionais em evidência no país. Ele se via como alguém acessível, "normal" no convívio, capaz de mostrar que um atleta daqui também poderia mirar o mundo.</p><p>O quadro que ele descreve tem nomes e contagem. Quando chegou, existiam cerca de 5 atletas brasileiros em evidência, entre eles Wilson Santos, Serafim e Hugo Faria, com Luiz Otávio já morando nos Estados Unidos. Schatz era o único profissional vivendo no Brasil, e diz que o efeito prático era simples: se aquele sujeito acessível e humilde tinha chegado ao Mundial e ao Olympia, os brasileiros também poderiam chegar.</p><p>Essa presença teve efeito simbólico. Quando um profissional que já esteve ao lado de nomes gigantes aparece treinando, convivendo e falando com atletas locais, a distância entre sonho e realidade diminui. O fisiculturismo brasileiro dos anos 1990 e 2000 cresceu muito também por figuras que serviram de ponte entre o palco internacional e a academia comum.</p><p>Os pesos ajudam a dimensionar o palco daquela era. Schatz venceu o Mundial pesando 80 kg, em federação com antidoping, o que o obrigou a parar completamente e a ser testado, e ele faz questão de dizer que na final estava natural. Depois disso subiu de 80 kg para 88 kg, e o maior peso de palco da carreira foi 90 kg, um ano após o Mundial. Isso foi em 1994. Perguntado sobre Dorian Yates, ele chuta algo entre 114 kg e 115 kg de palco, quase 25 kg acima.</p><p>Essa é uma das partes mais valiosas do relato: a influência não veio apenas do corpo. Veio da convivência, da humildade, da disponibilidade e do exemplo de que um atleta de alto nível ainda podia ser alguém próximo.</p><h2>O preço físico da carreira</h2><p>A história não termina apenas em massa muscular. Schatz relata lesões graves, incluindo rompimento de tríceps, cirurgia mal conduzida, perda de simetria, problemas de ombro e prótese de quadril. Esse lado costuma aparecer menos nas conversas sobre protocolos, mas talvez seja o mais honesto.</p><p>A sequência é específica e vale ser contada inteira. Depois do Olympia ele ainda fez um Grand Prix na Alemanha, o segundo campeonato como profissional, veio para o Brasil e queria continuar competindo. Rompeu o tríceps empurrando uma máquina na academia, com o pino retirado para aumentar a carga, um detalhe que ele diz lembrar até hoje.</p>
<p>O desastre veio depois. O dono da academia indicou um médico que era especialista em joelho e nunca tinha operado um tríceps na vida. Segundo Schatz, o cirurgião arrancou o tríceps fora, e quando ele tirou o gesso e perguntou o que tinha acontecido, ouviu que a culpa era dos anos de hormônio, que teria sido preciso cortar o tecido. Ele rejeita a explicação por inteiro. A simetria acabou e a carreira competitiva junto.</p>
<p>Ele continuou treinando com Pinduca na academia Fórmula, e é de Pinduca a frase de que Schatz foi o homem mais forte que ele já viu treinar leg press, muita carga com muitas repetições. O preço dessa conta aparece no corpo de hoje: uma prótese no quadril. Perto dos 60 anos, ele diz que competiria de novo se pudesse.</p><p>Físicos extremos exigem treino extremo, cargas altas, anos de repetição e decisões que acumulam custo. A lesão não precisa ser causada diretamente por esteroide para fazer parte da conta. Mais força, mais volume muscular, mais expectativa competitiva e mais pressão por performance mudam a relação com o risco.</p><p>O glamour do palco dura minutos. A articulação, o tendão e a coluna continuam com o atleta depois que a luz apaga. A velha escola também deixou essa lição.</p><h2>O erro de copiar sobreviventes</h2><p>Quando alguém olha para Johann Schatz, Dorian Yates ou qualquer atleta da era mass monster, é fácil cair no viés do sobrevivente. O público enxerga quem chegou ao topo, quem manteve história e quem ainda tem nome. Isso cria a falsa impressão de que o caminho é reproduzível.</p><p>Mas os campeões são exceções biológicas e psicológicas. Eles combinam genética rara, resposta ao treino, tolerância a dieta, estrutura mental, ambiente competitivo, acesso a informação e, muitas vezes, capacidade incomum de suportar efeitos adversos. Copiar apenas a parte farmacológica é pegar o pedaço mais arriscado e ignorar todo o resto.</p><p>A revisão de Chegeni e colaboradores sobre administração de esteroides e agressividade reforça que efeitos comportamentais não podem ser tratados como folclore de academia. Existem sinais suficientes para levar mudanças de humor, irritabilidade e agressividade a sério, especialmente quando o uso sai do controle.</p><h2>O que fica da era Mass Monsters</h2><p>A era mass monsters ensinou que o fisiculturismo profissional pode empurrar o corpo humano para extremos quase inacreditáveis. Também ensinou que esses extremos cobram caro. Dorian Yates virou ícone porque juntou massa, densidade, condicionamento e uma mentalidade brutal. Johann Schatz aparece nessa história como uma testemunha direta de uma fase em que os corpos cresciam, os métodos mudavam e o Brasil começava a olhar para o palco mundial com outra ambição.</p><p>O problema é transformar essa memória em fetiche de protocolo. A conversa correta não é "o que eles usavam?". A conversa correta é: que preço esse ambiente cobrava, que tipo de atleta conseguia sobreviver ali e por que isso não deve virar cartilha para gente comum.</p><h2>Conclusão</h2><p>O relato de Johann Schatz é valioso porque abre uma janela para a velha escola sem maquiagem. Havia esteroides, havia farmácia, havia viagens, havia produtos clássicos e havia uma lógica competitiva própria. Mas também havia lesões, risco, experimentação, perda de saúde e uma seleção brutal de quem conseguia continuar.</p><p>Para o leitor, a lição mais inteligente não é copiar a era mass monsters. É entender que até os relatos de uso "menor" pertencem a um universo extremo, profissional e cheio de custos. O físico lendário não veio de um segredo escondido na farmácia. Veio de genética, treino, dieta, obsessão, risco e consequências que quase nunca cabem em uma frase de academia.</p><h2>FAQ</h2><h3>Johann Schatz usou esteroides na carreira?</h3><p>Sim. No relato, ele fala abertamente sobre substâncias usadas por atletas da época. Isso deve ser entendido como contexto histórico do fisiculturismo profissional, não como recomendação.</p><h3>A velha escola usava menos drogas do que hoje?</h3><p>Em alguns relatos, sim. O próprio Schatz descreve um conjunto mais limitado de produtos e critica abusos modernos. Mesmo assim, menor complexidade não significa segurança.</p><h3>Produtos de farmácia eram mais seguros?</h3><p>Produtos de procedência farmacêutica reduzem incertezas de falsificação e contaminação, mas não eliminam riscos hormonais, cardiovasculares, reprodutivos e psicológicos do abuso.</p><h3>Trembolona é especialmente perigosa?</h3><p>Ela é tratada no meio como uma droga potente e frequentemente associada a efeitos colaterais intensos. O ponto prático é simples: potência não justifica normalizar insônia, irritabilidade, instabilidade emocional e deterioração da saúde.</p><h3>Dá para copiar protocolos de atletas antigos?</h3><p>Não. Relatos de atletas profissionais pertencem a contextos extremos, com genética rara, objetivos competitivos e riscos assumidos. Copiar a parte farmacológica sem o resto é uma decisão ruim.</p><h3>Quais doses Johann Schatz relata ter usado?</h3>
<p>Uma base semanal de 250 mg de testosterona, 200 mg de deca e 200 mg de primobolan, totalizando 650 mg, mais 15 mg diários de dianabol, com parabolan de 76 mg no máximo 2 vezes por semana nas 5 semanas finais de preparação. Ele afirma nunca ter passado de 1 grama semanal. O registro é histórico e não serve de referência para ninguém.</p>
<h3>Quanto Johann Schatz pesava no palco?</h3>
<p>Venceu o Mundial com 80 kg em federação com antidoping, subiu depois para 88 kg e chegou ao maior peso de palco da carreira, 90 kg, em 1994. Ele estima Dorian Yates entre 114 kg e 115 kg no mesmo período.</p>
<h3>Por que a carreira dele terminou?</h3>
<p>Por uma ruptura de tríceps em máquina seguida de uma cirurgia feita por um especialista em joelho, que segundo o próprio Schatz removeu parte do músculo. A perda de simetria inviabilizou a competição, e hoje ele usa prótese no quadril.</p><h2>Referências</h2><ol><li>CORTES - MONSTER CAST. <em>JOHANN SCHATZ ABRE SEM FILTRO OS SEGREDOS DOS PROTOCOLOS DA ERA MASS DOS MONSTERS !</em>. [S. l.], 7 jul. 2026. Disponível em: <a href="https://www.youtube.com/watch?v=xXAaRP3fYXg" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://www.youtube.com/watch?v=xXAaRP3fYXg</a>. Acesso em: 2 ago. 2026.</li><li>BOND, Peter, SMIT, Diederik L., DE RONDE, Willem. Anabolic-androgenic steroids: How do they work and what are the risks? Frontiers in Endocrinology, 2022. Disponível em: <a href="https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC9837614/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC9837614/</a>. Acesso em: 12 jul. 2026.</li><li>EL OSTA, Rany et al. Anabolic steroids abuse and male infertility. Basic and Clinical Andrology, 2016. Disponível em: <a href="https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC4744441/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC4744441/</a>. Acesso em: 12 jul. 2026.</li><li>CHEGENI, Razieh et al. Anabolic-androgenic steroid administration increases self-reported aggression in healthy males: a systematic review and meta-analysis of experimental studies. Psychopharmacology, 2021. Disponível em: <a href="https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC8233285/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC8233285/</a>. Acesso em: 12 jul. 2026.</li></ol>]]></description><guid isPermaLink="false">1046</guid><pubDate>Sun, 12 Jul 2026 16:53:00 +0000</pubDate></item><item><title>Lee Priest: hist&#xF3;rias e li&#xE7;&#xF5;es de um dos nomes mais aut&#xEA;nticos do fisiculturismo</title><link>https://fisiculturismo.com.br/mat%C3%A9rias/gente/lee-priest-hist%C3%B3rias-e-li%C3%A7%C3%B5es-de-um-dos-nomes-mais-aut%C3%AAnticos-do-fisiculturismo-r1045/</link><description><![CDATA[
<p><img src="https://cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2026_08/lee-priest-golds-gym-capa.webp.d7a510257fed854f17b9efd9802c8f31.webp" /></p>
<p>Lee Priest virou um daqueles personagens raros do fisiculturismo que não cabem apenas em placings, fotos antigas ou estatísticas de palco. O físico era absurdo, sobretudo para a altura. Os braços pareciam desproporcionais até para os padrões profissionais. Mas a permanência dele no imaginário maromba vem de outra coisa: uma mistura de genética fora da curva, treino pesado, humor agressivo, histórias improváveis e uma recusa quase infantil a fingir ser mais polido do que realmente é.</p><p>Na entrevista "#183 - Lee Priest", do Cutler Cast, Jay Cutler e Matt Daniels deixam Priest contar sua própria história com o tipo de caos que sempre acompanhou sua imagem pública. Por trás das piadas e exageros, aparecem ensinamentos muito úteis sobre treino, carreira, drogas, fama, ego e a velha cultura das academias.</p><h2>O adolescente australiano que chegou pronto</h2><p>Priest começou cedo demais para parecer normal. Aos 13 anos, venceu suas primeiras competições. Aos 15, já acumulava títulos estaduais. Aos 17, venceu o overall do Mr. Australia pela primeira vez. Depois venceu de novo aos 18 e aos 19, mas continuou ouvindo que era jovem demais para receber o cartão profissional.</p><p>Os números da fase amadora são mais brutos do que parecem. Aos 13 anos ele venceu as três primeiras competições que disputou, na divisão escolar aberta a menores de 18. Aos 14 ficou em terceiro em uma categoria adulta. Aos 15 veio o primeiro título estadual. Aos 16 ele odiou fazer dieta, largou o regime e engordou, o único ano em que saiu da linha. Em 1989, com 17 anos, fez a primeira viagem aos Estados Unidos para o Mr. Universe amador da AAU, em Tucson, e ficou em segundo na categoria.</p><p>Esse detalhe explica muito da carreira dele. Priest não foi um adulto que descobriu musculação, montou um protocolo e decidiu virar atleta. Ele cresceu dentro daquilo. Antes de qualquer fama internacional, já tinha anos de palco, pose, dieta, treino e comparação corporal. A base não veio pronta em seringa, veio de repetição.</p><p>A rotina de base também tinha um fiscal. O avô acompanhava a preparação dele e fazia o cardio junto: aos 14 e 15 anos eram pedaladas de 20 km às 4 horas da manhã, no inverno australiano. Priest conta que acordava com chuva lá fora, comemorava por dentro que o treino estava cancelado e então via o avô batendo na janela do quarto, de capa de chuva, em cima da bicicleta.</p><p>Uma das histórias mais fortes é a competição em dupla com a própria mãe. Aos 17 anos, ele aceitou subir ao palco com ela depois de duvidar que ela entraria em forma. Oito meses depois, ela apareceu definida, competiram juntos e venceram um título nacional como mãe e filho. A cena é quase cômica, mas mostra o ambiente familiar em que a musculação não era apenas estética. Era uma linguagem comum.</p><p>Os detalhes da história: a mãe tinha 38 anos e estava acima do peso quando fez a proposta. Oito meses depois ela subiu ao palco seca, e os dois se tornaram a primeira dupla de mãe e filho do mundo a vencer um título nacional. Ela ainda competiu por mais 2 anos e parou. Priest brinca que ela foi a inteligente da família, porque ele continuou.</p><h2>A chegada aos Estados Unidos</h2><p>Quando chegou aos Estados Unidos, Priest encontrou o centro simbólico do fisiculturismo mundial: Gold's Gym, Venice, revistas, fotógrafos, atletas consagrados, contratos e a sensação de que tudo que ele via nas páginas das publicações agora estava vivo no mesmo ambiente.</p><p>A chegada foi em julho de 1993, e ele tinha passagem de volta marcada. Priest diz que veio para os Estados Unidos por 2 semanas, disputou o Niagara Falls já como profissional depois que Jim Manion foi acionado por intermediários, conseguiu o cartão profissional aos 20 anos, comemorou o aniversário de 21 na casa de Ed Connors e acabou ficando 20 anos no país. O contrato com a Weider saiu na mesma semana das primeiras fotos.</p><p>Jay Cutler relembra o impacto de vê-lo em 1993, recém-chegado, perto dos 21 anos, com braços gigantes e uma densidade que chamava atenção até entre profissionais. Priest menciona que, em fase mais pesada, seus braços chegaram a cerca de 61 cm (24 polegadas). Em competição, geralmente ficava na faixa de 92,5 a 95 kg (204 a 210 lb), com um visual que fazia muita gente apostar pesos bem maiores.</p><p>Os pesos de bastidor ajudam a dimensionar o personagem. Em julho de 1993, recém-chegado, ele estava por volta de 118 kg (260 lb). O mais pesado que já ficou foi 129 kg (285 lb). O mais pesado que já competiu foi 98,9 kg (218 lb), no Night of Champions em que ficou em quinto.</p><p>Essa é uma lição importante para qualquer praticante: no palco, proporção e condição podem criar uma ilusão mais poderosa do que o número da balança. Priest era baixo, cheio, redondo e extremamente denso. Quando entrava seco, parecia maior do que pesava. A obsessão moderna por peso corporal ignora isso.</p><p>Priest tem 1,66 m, e o exemplo favorito dele é o Pro de São Francisco que venceu: subiu ao palco com 90 kg (199 lb) e, quando perguntava aos fãs quanto achavam que ele pesava, o chute vinha em torno de 104 kg (230 lb). A regra prática que ele repete é direta: quem chega condicionado, com boas barrigas musculares e proporção, perde 2 kg a mais e parece 7 kg maior no palco.</p><h2>Gold's Gym, World Gym e a velha cultura</h2><p>A parte mais nostálgica da história aparece quando Priest descreve a rotina em Gold's Gym e World Gym. Não era só um lugar para treinar. Era um ecossistema. Atletas, atores, fotógrafos e figuras históricas conviviam no mesmo espaço. Arnold treinava pela manhã. Joe Gold funcionava como uma presença quase familiar. World Gym tinha regras duras, pouca tolerância para exibicionismo e uma atmosfera que forçava respeito pelo treino.</p><p>Os detalhes do ambiente: no World Gym não tocava música, e quem largava peso no chão ou fazia escândalo era expulso por Joe Gold em pessoa. Arnold aparecia quase todo dia por volta das 7 horas, mesmo em período de filmagem. Lou Ferrigno também era presença diária. Nas outras horas circulavam James Caan, Dennis Hopper, Keanu Reeves e Gregory Hines. E havia o detalhe do ferro: a Gold's tinha halteres até 81,6 kg (180 lb), e Joe mandou fabricar halteres de 90 kg (200 lb) para o World Gym, que Priest chegou a usar em supino.</p><p>Priest conta que Joe Gold se tornou uma espécie de avô adotivo. A relação foi tão próxima que, quando Joe morreu, deixou seus cães para ele. Depois disso, o ambiente já não parecia o mesmo, e Priest acabou se mudando.</p><p>A mudança foi para o Texas, e depois para o Arizona, antes da volta definitiva à Austrália. Vale registrar que academia, para ele, nunca foi obrigatória: na preparação para o Pro de São Francisco que venceu, ele treinou 6 meses inteiros em casa, com um Smith machine de cabos e um aparelho de halteres assistidos, e só descia até a Gold's para fazer cardio e olhar as pessoas treinarem.</p><p>O ensinamento por trás da nostalgia é simples: academia boa não é só equipamento. É cultura. É gente olhando, aprendendo, ajudando, dando spot, convivendo e levando treino a sério. Priest critica a era dos fones enormes, celulares e treinos isolados porque, na visão dele, parte da formação vinha justamente de observar quem sabia fazer.</p><h2>O celular tirou a cabeça do treino</h2><p>Uma das críticas mais diretas de Priest é ao uso de telefone durante a musculação. Para ele, quem quer ser realmente sério no fisiculturismo precisa conseguir passar uma ou duas horas sem mexer no aparelho. A frase dele é mais grosseira: a menos que você seja cirurgião cardiovascular de plantão, não existe justificativa para não largar o telefone por 1 ou 2 horas. A justificativa é prática: mudar uma música, ler uma mensagem ruim ou abrir uma rede social tira o foco mental do treino.</p><p>A mensagem não é contra tecnologia. É contra treinar com a cabeça em outro lugar. Na velha escola, o treino tinha presença. O atleta entrava, treinava, interagia com o parceiro e saía. Hoje, muita gente transforma a sessão em bastidor para conteúdo, gravação, música, mensagem e comparação.</p><p>A perda prática que ele aponta não é só de foco individual. Priest diz que hoje vê gente travada embaixo da barra sem ninguém ir ajudar, porque todo mundo está de fone. E que não entende dois parceiros de treino que passam a sessão inteira ouvindo música cada um por conta própria. Segundo ele, a música do ginásio deveria ser ruído de fundo a ponto de o atleta não saber dizer que faixa estava tocando.</p><p>Para quem treina de verdade, a recomendação continua atual: celular longe, execução consciente, parceiro atento e treino com início, meio e fim. O corpo sente quando a mente está dispersa.</p><h2>Não existe atalho para a base</h2><p>Priest insiste em um ponto que vale ouro para jovens: antes de pensar em drogas, construa base. Ele lembra que treinou natural dos 13 aos 19 anos, mesmo vencendo competições importantes. Quando finalmente usou recursos hormonais, já tinha estrutura, simetria, disciplina de palco e resposta genética evidente.</p><p>O primeiro ciclo dele está documentado no relato: 8 semanas, na metade dos 19 anos, com 200 mg de deca-durabolina por semana e nada além disso. Priest diz que ganhou cerca de 9 kg (20 lb) de músculo de imediato e que dá para ver a virada nas fotos daquele ano. Mais importante para quem está começando: ele usou um composto isolado primeiro e só acrescentou testosterona alguns meses depois, justamente para saber o que cada coisa fazia no corpo dele.</p><p>A crítica dele aos jovens atuais não é moralista. É prática. Muitos querem começar com combinações complexas, doses altas e substâncias agressivas antes de provar que têm a base mínima para justificar qualquer risco. O resultado é uma geração que tenta comprar, em poucos meses, uma maturidade muscular que leva anos.</p><p>O número que ele dá aos garotos é de 5 a 7 anos de trabalho de base antes de tocar em qualquer fármaco, com um argumento fisiológico simples: na adolescência a testosterona natural já está no pico, e não faz sentido desligar a própria produção justamente nessa fase. Em seminários na Inglaterra, ele conta ter encontrado garotos usando de 2 a 5 gramas por semana, e diz não saber sequer onde essas pessoas aplicam tanta coisa.</p><p>O ponto central é desconfortável: esteroide não transforma qualquer pessoa em profissional. Ele conta o caso de um garoto no quinto ano de medicina, filho de médicos, que mandou fotos perguntando se devia largar a faculdade para virar fisiculturista. A resposta foi que ele treinava bem, mas não tinha estrutura para ser um bom profissional de palco, e que deveria terminar medicina e continuar treinando. O garoto respondeu xingando. Pode aumentar massa, recuperação e aparência, mas não cria genética, estrutura óssea, inserções, simetria, disciplina ou inteligência de treino. Priest usa uma analogia simples: colocar combustível de dragster em um carro comum não faz o carro virar dragster.</p><p>A analogia é literal, porque ele foi piloto de arrancada e ganhou campeonato na categoria: o combustível especial do top fuel dentro de um Toyota Camry não transforma o Camry em top fuel. Ele estende o raciocínio para outros esportes. Existe muita gente rápida no mundo, mas nenhuma droga transforma um velocista comum em Usain Bolt ou Carl Lewis. E a conclusão incomoda: se todo mundo parasse de usar tudo hoje, os mesmos nomes que estão no palco do Olympia continuariam lá, apenas menores.</p><h2>O alerta sobre exageros hormonais</h2><p>Priest fala abertamente sobre o que usou e sobre o que considera exagero moderno. Ele relata que, em sua experiência, respondia bem a quantidades que muitos atletas atuais chamariam de baixas. Também afirma que via amadores usando mais do que profissionais, especialmente por acreditarem que o tamanho de um atleta sempre reflete uma dose maior.</p><p>Os números que ele cita da própria carreira: no máximo 400 mg de testosterona por semana, dose que manteve por quase toda a carreira. Uma vez aceitou subir para 800 mg por sugestão de um patrocinador, passou mal, se sentiu péssimo e voltou aos 400. Com dianabol nunca ultrapassou 30 a 40 mg por dia. Usou hormônio de crescimento apenas duas vezes na vida, em 1994 e em 1996, e diz não ter sentido resultado nenhum. Nunca usou insulina. O ciclo mais caro que fez custou por volta de 1.300 dólares. Fora de preparação, ficava até 4 meses sem tocar em nada, parava as injeções 2 semanas antes do palco e nunca fez terapia pós-ciclo.</p><p>Essa parte exige cuidado. Não é convite para copiar número, droga ou estratégia. O valor do relato está no alerta: mais substância não significa automaticamente mais físico, mais segurança ou mais carreira. A única pessoa que ganha de forma garantida quando um praticante aumenta tudo sem critério é quem vende.</p><p>O contraste que ele usa é desconfortável de propósito. A ex-esposa dele, que competia, dizia conhecer mulheres usando mais do que ele usava como profissional de topo. E o exemplo atual citado no encontro é de uma atleta de bikini tomando de 40 a 50 mg de oxandrolona por dia porque o treinador dela afirmou que as profissionais tomam 100 mg. O desafio que Priest costuma propor aos garotos é prático: fique limpo 4 meses, volte com uma dose pequena e compare o resultado, porque não há nada a perder no teste.</p><p>Priest também cita experiências ruins, como desconforto intenso com trembolona e problemas com aplicações. Foram quatro usos de trembolona na vida inteira. A última vez foi na preparação para o Night of Champions de 2000: aplicou no ombro, veio uma tosse súbita e em seguida uma pressão no peito que ele descreve como uma paulada, achou que estava tendo um infarto com a agulha ainda na mão e nunca mais usou. Ele lembra também de uma aplicação de estanozolol que inflamou o ombro antes do Ironman de 2006 e terminou em hospital, com o médico abrindo o local e não achando infecção nenhuma. E de uma cardiomiopatia causada por infecção viral que o tirou de um show. Desde o início dos anos 2000 ele faz check-up cardíaco todo ano. O recado é brutalmente simples: se uma droga tira sono, apetite, humor, saúde e lucidez, a pergunta não deveria ser como encaixá-la no protocolo, mas por que continuar usando.</p><p>Priest também ri da precisão falsa dos protocolos rígidos. Conta que ele e um colega deixavam a ampola de estanozolol na fruteira da sala e passavam dias sem aplicar, sem que isso mudasse o resultado, enquanto conhecidos entravam em pânico se atrasassem a aplicação da sexta-feira em algumas horas. E que, ao ler pela primeira vez o rótulo veterinário do frasco, viu que a recomendação era de 2 ml por 100 kg de cavalo a cada 8 dias e começou a se perguntar por que estava aplicando 1 ml em dias alternados em si mesmo.</p><h2>Treinar pesado ainda importa</h2><p>O estilo de treino de Priest era volumoso, frequente e sem muito romantismo. Ele fala em pelo menos 20 séries para bíceps, 20 para tríceps e 30 ou mais para pernas. Também defende que muitos atletas de sua época treinavam duas vezes ao dia e não tratavam 45 minutos como limite sagrado.</p><p>O resto da rotina acompanhava o volume. Em preparação, Priest fazia de 2 a 3 horas de cardio por dia, além dos dois treinos. E ele lembra que Arnold contava treinar três vezes ao dia em algumas fases, intercalando com praia e comida. A provocação que ele faz é difícil de responder: mostre outro esporte em que o melhor do mundo treina 45 minutos por dia.</p><p>Não significa que todo leitor deva copiar esse volume. Significa que a busca atual pelo mínimo esforço muitas vezes distorceu a conversa. O fisiculturismo nasceu de trabalho repetido, cargas progressivas, volume acumulado, alimentação e descanso. Métodos existem, mas nenhum método salva preguiça.</p><p>A crítica dele a certos discursos de "menos é sempre melhor" vem dessa vivência. Para Priest, o corpo aguenta muito quando existe comida, sono, recuperação e uma rotina compatível. Ele admite, por outro lado, que o próprio ponto fraco era a fase fora de competição. Chegava a subir mais de 23 kg (50 lb) no off-season, batia 129 kg e em alguns anos ficava em 115,7 kg (255 lb), comendo só duas refeições grandes por dia e, na maioria dos anos, sem usar nada. O maior erro da carreira, na avaliação dele, não foi ter usado pouco. Foi ter sido desleixado na alimentação de off-season. O problema não é treinar forte. O problema é treinar forte sem recuperação, sem estrutura e sem honestidade sobre o próprio limite.</p><h2>Autenticidade, política e punição</h2><p>Lee Priest foi suspenso, multado e frequentemente colocado em conflito com dirigentes. Ele conta episódios de briga com a política do esporte, questionamento de julgamentos e decisões que custaram dinheiro ou oportunidades. O total de multas que ele calcula ter pago à federação chega a 17 mil dólares. Em um dos anos precisou escolher entre 12 meses de suspensão e uma multa de 5 mil dólares, e pagou a multa para poder disputar o Olympia. Em outro, foi suspenso por ter pulado um Pro de Houston com autorização de Joe Weider, que não valia nada para quem organizava as competições. Em 2001 chegou a processar a federação por um teste positivo, com 60 mil dólares em jogo. E, em um Olympia, foi rebaixado do quinto para o sexto lugar depois do show já encerrado, o que custou 10 mil dólares a ele e 20 mil ao atleta que também caiu na remanejada. O mais interessante é que ele não parece tratar isso como tragédia pessoal.</p><p>A primeira ferroada veio bem antes disso. Aos 19 anos, no Mundial amador em Katowice, na Polônia, ele foi desclassificado por doping depois do prejuízo, mesmo tendo passado por dois testes negativos do Instituto Australiano do Esporte antes de viajar. A amostra B foi perdida, e o pedido da mãe para pagar do próprio bolso um novo teste, que custava cerca de 370 dólares, foi vetado pelo dirigente australiano. Os técnicos das outras delegações lhe deram relógios e presentes naquela noite, porque todo mundo sabia o que tinha acontecido.</p><p>Essa postura explica por que tantos fãs se conectaram com ele. Priest parecia menos interessado em ser o atleta perfeito e mais interessado em ser ele mesmo. Pagava entrada quando chegava a uma academia, sem usar "você sabe quem eu sou?" como cartão. O episódio mais conhecido é o dia em que pagou cerca de 30 dólares de diária para treinar na própria Gold's, sem reclamar. Alguém fotografou e publicou, a academia levou uma enxurrada de mensagens raivosas que continuava chegando anos depois, e ele nunca alimentou a briga. No mesmo espírito, diz que em mais de 40 anos de treino nunca perguntou a ninguém quantas séries faltavam para liberar um aparelho, porque perder 20 kg importa para a pessoa do lado tanto quanto o Olympia importava para ele. Dava atenção aos fãs. Preferia admitir falhas e histórias constrangedoras a vender uma imagem higienizada.</p><p>No fisiculturismo, onde pose, aparência e hierarquia importam tanto, essa falta de reverência virou parte do personagem. Ele não era apenas o corpo diferente. Era o profissional que parecia rir do próprio pedestal.</p><h2>O público antes do troféu</h2><p>Priest admite que nunca amou competir do jeito que muita gente imagina. Gostava de treinar, gostava de encontrar fãs e gostava da cultura ao redor. As competições eram parte do trabalho, mas não o centro emocional de tudo. Em determinado momento, ele percebeu que podia ganhar mais ficando na feira, vendendo fotos e atendendo pessoas do que subindo ao palco em um cenário político desfavorável.</p><p>O episódio que ele descreve tem números. Em um Arnold Classic, uma repórter do jornal local o avisou de que tinha ouvido os juízes passando um artigo dele de mão em mão e combinando de derrubá-lo no dia seguinte. Priest se recusou a subir, ficou no estande o fim de semana inteiro e faturou cerca de 15 mil dólares em dinheiro vendendo fotos, mais do que ganharia com uma colocação média. Para efeito de comparação, os prêmios da época giravam entre 10 e 15 mil dólares para quem vencia.</p><p>Isso não diminui o atleta. Pelo contrário, humaniza. Alguns competidores vivem para o troféu. Outros vivem pela rotina, pela identidade e pela conexão com quem acompanha. Priest parecia pertencer ao segundo grupo.</p><p>O dinheiro entrava e saía sem drama. No auge, ele calcula ter faturado por volta de 18 mil dólares por mês em contratos. Quando perdeu tudo de uma vez, caiu para 4 mil e diz que não se abalou, porque as contas continuavam pagas e a academia continuava aberta. Nesse período chegou a recusar convites para posar como convidado em competições só porque preferia ficar em casa assistindo.</p><p>Também há uma lição para quem coloca toda autoestima em colocação. O julgamento muda, o critério muda, o atleta do lado muda, e o próprio corpo pode responder pior depois de várias competições. Se a carreira inteira depende de um placar, qualquer decisão externa destrói a paz. Ele conta que administrava isso com uma meta baixa de propósito: nos anos em que os 10 primeiros do Olympia garantiam vaga no ano seguinte, ele entrava mirando o décimo lugar, e qualquer coisa acima disso era bônus. Ficou entre os cinco primeiros do Olympia três vezes. Priest parecia entender cedo que o público e a própria história valiam mais do que algumas decisões de mesa.</p><h2>A maturidade muda a régua</h2><p>Um trecho importante aparece quando ele fala sobre envelhecer. Quando jovem, a ideia de morrer cedo por causa do esporte podia parecer distante ou até aceitável dentro de uma mentalidade extrema. Aos 50 e poucos anos, a régua muda. Agora ele fala em querer chegar aos 60, 70 e continuar vivendo.</p><p>A conta de tempo dele também tem uma marca externa. A carreira competitiva terminou por volta dos 40 anos, com uma volta no NABA Universe em 2013 e o último show na federação principal em 2006. O plano de competir de novo em 2015 morreu em um acidente de carro que esmagou os nervos do pescoço dele, aos 45 anos.</p><p>Essa virada é uma das melhores mensagens da entrevista. O que parece coragem aos 20 pode parecer burrice aos 50. O corpo cobra. Lesões aparecem. Acidentes encerram planos. A saúde deixa de ser detalhe.</p><p>Priest ainda treina, ainda viaja, ainda faz aparições e ainda mantém o humor corrosivo. A rotina atual é outra: acorda às 3 horas da manhã todos os dias, cuida de sete gatos e dois cachorros, leva a mulher ao trabalho e vai para a academia, onde hoje faz trabalho em circuito porque acumulou lesões demais. O critério de sucesso mudou de lugar. Se conseguiu bombear sem se machucar, o dia foi bom. Ele lembra que, na época das excursões europeias, chegou a competir 11 vezes em um único ano. Mas a visão é menos romântica sobre destruir tudo por um sonho. Ele aconselha jovens a serem realistas, a não largarem uma carreira sólida por uma fantasia improvável e a entenderem que gostar de musculação não significa ter potencial profissional.</p><h2>O que Lee Priest ensina sem tentar ensinar</h2><p>O legado de Lee Priest não é um manual educado. É quase o contrário. Ele ensina porque viveu muito, errou muito, treinou muito e fala sem embalagem. Das histórias, ficam algumas lições:</p><ul><li>Base vem antes de qualquer atalho.</li><li>Genética existe, mesmo quando muita gente prefere fingir que não.</li><li>Mais droga não transforma físico comum em elite.</li><li>Academia forte é cultura, não apenas equipamento caro.</li><li>Celular e distração roubam intensidade.</li><li>Treinar pesado, comer, descansar e repetir ainda são fundamentos.</li><li>Fama sem autenticidade vira personagem vazio.</li><li>Envelhecer obriga o atleta a pensar em saúde, não só em impacto visual.</li></ul><h2>Conclusão</h2><p>Lee Priest permanece relevante porque representa uma era em que o fisiculturismo parecia menos filtrado, menos ensaiado e mais físico. Ele foi freak, foi popular, foi problemático, foi engraçado, foi punido e foi amado justamente por não parecer fabricado. As histórias são exageradas, mas os ensinamentos são práticos: construa base, respeite a genética, pare de procurar segredo, treine com foco, cuide da saúde e não venda a alma para parecer atleta antes de ser atleta.</p><h2>FAQ</h2><h3>Quem é Lee Priest?</h3><p>Lee Priest é um fisiculturista australiano conhecido por sua massa muscular extrema, braços gigantes, baixa estatura, carisma com os fãs e personalidade sem filtro. Ele competiu no fisiculturismo profissional e se tornou uma figura cultuada da velha escola.</p><h3>Por que Lee Priest ficou tão popular?</h3><p>A popularidade veio da combinação entre físico impressionante, visual marcante, fotos icônicas, presença nas revistas, ligação com Gold's Gym e World Gym, além de um jeito direto que contrastava com atletas mais polidos.</p><h3>Qual é a principal lição de treino de Lee Priest?</h3><p>A principal lição é que não existe substituto para base. Anos de treino consistente, esforço real, comida, recuperação e presença mental importam mais do que procurar fórmulas secretas.</p><h3>Lee Priest defendia doses altas de esteroides?</h3><p>Não. Na entrevista, ele critica justamente a lógica de que doses maiores produzem automaticamente físicos melhores. O relato dele reforça cautela, individualidade e a ideia de que drogas não criam genética.</p><h3>O que a história dele ensina para jovens marombas?</h3><p>Ensina a ter paciência, construir estrutura antes de buscar atalhos, ser realista sobre potencial competitivo e não sacrificar saúde, profissão e vida pessoal por uma fantasia sem base.</p><h3>Quanto Lee Priest usava de esteroides?</h3><p>Segundo o relato dele, no máximo 400 mg de testosterona por semana, dianabol nunca acima de 30 a 40 mg por dia, hormônio de crescimento apenas em 1994 e em 1996, nenhuma insulina e trembolona quatro vezes na vida inteira. O relato é histórico e não serve como protocolo para ninguém.</p><h3>Quanto Lee Priest pesava e qual era a altura dele?</h3><p>Ele tem 1,66 m. Competia em geral entre 92,5 e 95 kg, chegou a 98,9 kg no palco e desceu a 90 kg no Pro de São Francisco que venceu. Fora de competição, o mais pesado que ficou foi 129 kg.</p><h3>Qual era o volume de treino de Lee Priest?</h3><p>No mínimo 20 séries por grupo muscular, com 20 séries para bíceps, 20 para tríceps e 30 ou mais para pernas, somadas a dois treinos por dia e de 2 a 3 horas de cardio nas fases de preparação.</p><h2>Referências</h2><ol><li>CUTLER CAST. <em>#183 - Lee Priest</em>. [S. l.], 28 out. 2025. Disponível em: <a href="https://www.youtube.com/watch?v=tf1fmBdmFLM" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://www.youtube.com/watch?v=tf1fmBdmFLM</a>. Acesso em: 3 ago. 2026.</li></ol>]]></description><guid isPermaLink="false">1045</guid><pubDate>Sun, 12 Jul 2026 15:23:00 +0000</pubDate></item><item><title>Os melhores coaches de fisiculturismo: quem s&#xE3;o, como trabalham e como fazer parte dos seus times!</title><link>https://fisiculturismo.com.br/mat%C3%A9rias/gente/os-melhores-coaches-de-fisiculturismo-quem-s%C3%A3o-como-trabalham-e-como-fazer-parte-dos-seus-times-r960/</link><description><![CDATA[
<p><img src="https://cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2025_10/coaches-capa.webp.c245178e7325c1c740f46d69ba75d774.webp" /></p>
<h2>Introdução</h2><p>No universo do fisiculturismo, onde cada detalhe da preparação física e mental pode ser o divisor de águas entre o pódio e a plateia, a figura do treinador de elite transcende a de um mero instrutor. Eles são os arquitetos por trás dos físicos mais impressionantes, os estrategistas que guiam atletas através de dietas rigorosas, treinos exaustivos e a arte da apresentação no palco. Alcançar o auge no fisiculturismo brasileiro, um cenário cada vez mais competitivo e reconhecido mundialmente, exige não apenas talento e dedicação do atleta, mas também a expertise de um mentor capaz de otimizar cada variável da complexa jornada rumo à excelência.</p><p>Esta matéria se propõe a apresentar os principais coaches de fisiculturismo em atividade no Brasil. Para construir este panorama abrangente, mergulhamos em um levantamento detalhado de dezenas de sites e perfis em redes sociais. O nosso objetivo é trazer clareza e insights valiosos sobre os profissionais que estão moldando campeões.</p><p>Ao longo desta matéria, você descobrirá quem são esses renomados treinadores, conhecerá os atletas de destaque que passaram por suas mãos (ou que atualmente integram seus times), terá uma perspectiva sobre os custos envolvidos para contar com seus serviços, entenderá as especialidades que definem o trabalho de cada um e, crucialmente, o que é preciso fazer para ter a chance de integrar suas cobiçadas equipes. Prepare-se para conhecer os bastidores do alto rendimento e os mestres por trás de alguns dos maiores nomes do fisiculturismo nacional!</p><h2>Um mapa dos mestres: quem vamos conhecer nesta matéria?</h2><p>Antes de mergulharmos de cabeça nos perfis individuais, é útil ter um panorama de quem são os profissionais do fisiculturismo que destacaremos. Nossa matéria se concentrará em apresentar treinadores renomados e influenciadores digitais.</p><p>Para entender quem está por trás dos maiores físicos e das maiores transformações do Brasil e também do mundo, preparamos um guia completo. A seguir, apresentamos os profissionais que vamos analisar em profundidade, cada um com sua especialidade e filosofia de trabalho:</p><ol><li><p>Fabrício Pacholok – O Arquiteto de Campeões</p></li><li><p>Renato Cariani – O Mentor e Comunicador</p></li><li><p>Rubens Gomes – A Lenda da Overall Team</p></li><li><p>Carol Vaz – A Rainha do Treino Feminino</p></li><li><p>Ricardo Pannain – O Mestre das Categorias Femininas</p></li><li><p>Júlio Balestrin – O Atleta-Educador</p></li><li><p>Chris Aceto – O "Guru" Internacional</p></li><li><p>Neil Hill – O Criador do Sistema Y3T</p></li><li><p>Rodrigo Góes – O Pioneiro da Nutrição Flexível</p></li><li><p>Vitor Bizzo – O Estrategista da Força</p></li><li><p>Rodrigo Coach – O Nome da Nova Geração</p></li><li><p>Caroline Sanches – A Influenciadora da Técnica</p></li><li><p>Flex Lewis – O Campeão que Forma Campeões</p></li></ol><p>Com este mapa em mãos, você estará pronto para conhecer as trajetórias, métodos e particularidades de cada um desses notáveis profissionais. <strong>Quanto aos valores cobrados, vale anotar que podem mudar diariamente, ficando a informação apenas como estimativa na data em que publicamos esta matéria. Entre em contato com o profissional para saber o valor vigente.</strong> Vamos começar!</p><h2>1. Fabrício Pacholok</h2><p><a href="//cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2025_10/1-fabricio-pacholok.webp.67c4d5881932ea35a81eae6796d53161.webp" class="ipsAttachLink ipsAttachLink_image ipsRichText__align--block" data-fileid="58439" data-fileext="webp" rel=""><img class="ipsImage ipsImage_thumbnailed" data-fileid="58439" src="//cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2025_10/1-fabricio-pacholok.thumb.webp.c4c732b587da5103366c225fad1ee5b7.webp" alt="1-fabricio-pacholok.webp" title="1-fabricio-pacholok.webp" width="1024" height="576" loading="lazy"></a></p><p>Fabrício Pacholok consolidou-se como uma das figuras de maior prestígio no treinamento de fisiculturistas no Brasil e com crescente reconhecimento internacional. Com um mestrado em treinamento físico e mais de duas décadas de experiência prática, incluindo sua própria trajetória como atleta, Pacholok desenvolveu uma metodologia que ele descreve como abrangente e altamente individualizada. Seu trabalho é centrado na plataforma PacholokTeam.com, onde oferece uma abordagem completa que engloba desde cronogramas de treinamento e planos de dieta meticulosamente personalizados até orientação detalhada sobre suplementação e um canal de suporte direto para seus atletas.</p><p>A filosofia de Pacholok visa auxiliar os atletas a alcançarem o "físico dos seus sonhos", com um olhar atento para a identificação de pontos fortes e fracos, buscando a construção de um corpo completo e simétrico. Uma de suas marcas registradas é sua aguçada capacidade analítica, como demonstrado quando identificou um problema no ombro do campeão do Mr. Olympia Derek Lunsford apenas por meio de vídeos e fotos, permitindo que Lunsford voltasse a treinar sem dor após sua intervenção. Além do físico, Pacholok dá grande ênfase ao aspecto mental da competição. Ele é especializado na preparação de atletas de alto nível, especialmente nas categorias Open Bodybuilding e Classic Physique, aplicando as mesmas estratégias de treinamento dos campeões e priorizando a evolução constante de força e condicionamento, combinando ciência e prática para moldar físicos de elite.</p><h3>Atletas que treina ou treinou </h3><p>O nome de Fabrício Pacholok está associado a grandes estrelas do fisiculturismo, tais como o brasileiro <strong>Ramon "Dino" Rocha Queiroz</strong> e o americano campeão do Mr. Olympia, <strong>Derek Lunsford</strong>. <strong>Caike Pro (Caio Bonfim)</strong> também é um de seus atletas. Além disso, <strong>Rafael Brandão</strong>, <strong>Gabriel Zancanelli</strong> e o atleta internacional russo<strong> GoodVito (Vitaliy Ugolnikov)</strong>. Seu site oficial, PacholokTeam.com, também exibe imagens de outros atletas, sugerindo uma equipe extensa.</p><h3>Estimativas de custos e modelos de consultoria </h3><p>O investimento para contar com o acompanhamento de Fabrício Pacholok reflete seu status no mercado. A SEÇÃO 1 do PDF informa que os valores, explicitados em dólar americano em seu site PacholokTeam.com, são:</p><ul><li><p>Trimestral: U$ 1050 (~R$ 2.699);</p></li><li><p>Semestral: U$ 2100 (~R$ 4.799);</p></li><li><p>Anual: U$ 4200 (~R$ 8.398).</p></li></ul><p>Isso equivaleria a cerca de R$ 900 mensais no plano trimestral, reduzindo para aproximadamente R$ 700 mensais no pacote anual .</p><p>Trata-se de um serviço premium onde Pacholok e sua equipe acompanham dieta, treino e realizam ajustes periódicos via plataforma online e WhatsApp.</p><h3>Como fazer parte do time</h3><p>Para quem almeja ser treinado por Fabrício Pacholok, o caminho principal é através de sua consultoria online oficial, centralizada no site PacholokTeam.com. O processo envolve:</p><ul><li><p>O interessado deve acessar o site, selecionar um dos planos de consultoria disponíveis e preencher uma anamnese detalhada (questionário de avaliação inicial), que inclui o envio de fotos e informações sobre seus objetivos;</p></li><li><p>Com base nesses dados, Fabrício e sua equipe montam uma programação personalizada de treino e dieta;</p></li><li><p>O acompanhamento e o esclarecimento de dúvidas são realizados principalmente por WhatsApp . Para atletas competidores, são comuns avaliações constantes com feedbacks semanais e ajustes no protocolo a cada quatro semanas, conforme a evolução .</p></li></ul><p>É fundamental estar disposto a seguir seu método de treinamento, descrito como "difícil e doloroso", para alcançar a evolução constante . As redes sociais, como o Instagram @fabriciopacholok e o canal no YouTube "Fabricio Pacholok", também servem como pontos de contato e divulgação.</p><h2>2. Renato Cariani</h2><p><a href="//cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2025_10/2-renato-cariani.webp.39ef002470fbd5ace129e382f3dd4dba.webp" class="ipsAttachLink ipsAttachLink_image ipsRichText__align--block" data-fileid="58438" data-fileext="webp" rel=""><img class="ipsImage ipsImage_thumbnailed" data-fileid="58438" src="//cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2025_10/2-renato-cariani.thumb.webp.d4d0677688a34e149ca0ba544bb4b45f.webp" alt="2-renato-cariani.webp" title="2-renato-cariani.webp" width="1024" height="576" loading="lazy"></a></p><p>Renato Cariani firmou-se como uma das personalidades mais influentes do universo fitness e do fisiculturismo no Brasil, sendo amplamente reconhecido tanto por sua trajetória como atleta quanto por seu papel como um poderoso influenciador digital e empresário. Embora sua atuação principal não seja a de um coach tradicional com consultorias individualizadas, Cariani desempenha um papel crucial como mentor, especialmente na descoberta e preparação de novos talentos, além de inspirar uma vasta audiência a adotar a disciplina e o estilo de vida do atleta .</p><p>Sua especialidade reside na motivação e na estruturação da rotina de treino, dieta e mentalidade para aqueles que buscam uma transformação física, desde iniciantes até atletas em desenvolvimento. Ele é conhecido por uma abordagem didática e intensa, integrando conceitos de powerlifting ao bodybuilding – com foco na força em exercícios básicos como agachamento, supino e levantamento terra – e por enfatizar a importância da consistência extrema. Em seus projetos documentados, Cariani não apenas fornece direcionamento técnico, mas atua fortemente na mentoria motivacional, exigindo comprometimento total de seus pupilos.</p><h3>Atletas e projetos de destaque</h3><p>A influência de Renato Cariani como mentor é visível em diversos projetos e colaborações. Ele orientou e patrocinou atletas emergentes, como no caso do bodybuilder<strong> Vitor "Horse" Capial</strong>, a quem ajudou a conquistar o Pro Card (cartão de profissional) . Cariani também foi fundamental na integração do atleta russo <strong>GoodVito</strong> ao cenário brasileiro, treinando com ele em seu centro de treinamento (CT Ironberg) e proporcionando-lhe grande visibilidade entre 2022 e 2023 . Frequentemente, treina ao lado de estrelas consagradas como <strong>Rafael Brandão</strong> e <strong>Ramon Dino</strong>, compartilhando sua experiência – inclusive, criou um módulo chamado "Treino das Estrelas" com esses atletas para sua plataforma online . Seu popular canal no YouTube documenta transformações de alunos anônimos e também de celebridades, como o projeto de 60 dias com o coach de vida <strong>Pablo Marçal</strong>, demonstrando sua capacidade de aplicar seus princípios a diferentes perfis.</p><h3>Custos e modelo de "consultoria" </h3><p>Renato Cariani não oferece um serviço de consultoria personalizada tradicional. Seu principal meio de "treinamento" para o grande público é através de sua plataforma de mentoria online em grupo, a "Nação Renato Cariani".</p><p>A assinatura da plataforma tem um custo aproximado de R$ 49,90 mensais, ou um valor promocional de cerca de R$ 29,90 mensais no plano anual.</p><p>Os membros da "Nação Renato Cariani" têm acesso a conteúdos exclusivos sobre treinamento, nutrição e motivação, aulas ministradas por Cariani e especialistas convidados, além de uma comunidade para troca de experiências e suporte mútuo . Este formato permite que milhares de seguidores sejam orientados indiretamente por seus métodos e filosofia. Para quem busca um acompanhamento individualizado, Cariani geralmente indica coaches parceiros de sua confiança, dada sua agenda como empresário e criador de conteúdo que dificulta atendimentos um-a-um. Seu foco, portanto, está na mentoria coletiva e nos projetos especiais que são amplamente documentados.</p><h3>Como fazer parte do time ou ter acesso à sua mentoria </h3><p>A maneira oficial de se juntar ao grupo de alunos e ter acesso à mentoria de Renato Cariani é através da assinatura de sua plataforma online, "Nação Renato Cariani", disponível em seu site oficial .</p><p>Após a inscrição, o membro ganha acesso a todos os cursos, materiais, fóruns de discussão e desafios propostos dentro da comunidade. Para participar de projetos presenciais ou transformações documentadas em vídeo, o processo é diferente: geralmente ocorre por convite ou seleção feita pelo próprio Cariani e sua equipe. Ele costuma identificar atletas promissores ou personalidades que o procuram, avaliando o perfil e a história de cada um, com muitos contatos surgindo através das redes sociais ou indicações . Em resumo, qualquer pessoa pode aderir à comunidade online da "Nação Renato Cariani" (o único pré-requisito é a assinatura), enquanto o acompanhamento direto e presencial é reservado para casos especiais, alinhados com seus projetos de conteúdo.</p><h2>3. Rubens Gomes (Coach Rubens)</h2><p><a href="//cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2025_10/3-rubens-gomes.webp.47c3be019ac8121331c3eb7805ebe572.webp" class="ipsAttachLink ipsAttachLink_image ipsRichText__align--block" data-fileid="58440" data-fileext="webp" rel=""><img class="ipsImage ipsImage_thumbnailed" data-fileid="58440" src="//cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2025_10/3-rubens-gomes.thumb.webp.677c9c8f9709f09bd21a37f1f155b342.webp" alt="3-rubens-gomes.webp" title="3-rubens-gomes.webp" width="1024" height="576" loading="lazy"></a></p><p>Fundador da Overall Team, equipe que dominou o cenário do fisiculturismo brasileiro na última década, Rubens Gomes — conhecido como Coach Rubens ou "Rubão" — consolidou-se como uma das maiores referências em preparação de atletas no país. Sob sua liderança, a Overall Team acumulou mais de 60 títulos internacionais e centenas de conquistas nacionais, tornando-se a equipe mais vitoriosa do Brasil. Formado em Educação Física e com especialização em nutrição esportiva, Rubens une o conhecimento acadêmico à vasta experiência prática para entregar resultados de alta performance. Atualmente radicado em Orlando, nos Estados Unidos, ele continua a treinar uma base de clientes diversificada em mais de 16 países, mantendo uma forte presença online como um dos coaches brasileiros de maior prestígio internacional.</p><h3>Atletas de Destaque</h3><p>Ao longo de sua carreira, Rubens Gomes foi o treinador por trás de inúmeros atletas de elite. Entre os nomes mais notáveis estão <strong>Dora Rodrigues</strong> (campeã Miss Universo pela NABBA e cofundadora da Overall Team) e <strong>Felipe Franco</strong>, um dos pioneiros e principais nomes da categoria Men's Physique no Brasil. Sua influência estende-se por gerações de campeões brasileiros e sul-americanos que passaram por sua orientação desde os anos 2000. Além do universo competitivo, Rubens também aplicou seu conhecimento na preparação de celebridades, como o cantor <strong>Belo</strong> e a modelo <strong>Gracyanne Barbosa</strong>, que integraram seu time em diferentes fases de suas carreiras.</p><h3>Custos e modelo de consultoria</h3><p>O modelo de trabalho do Coach Rubens reflete seu status e experiência no mercado, com foco em um serviço premium e exclusivo. A porta de entrada para seu acompanhamento é uma consulta particular, que pode ser realizada presencialmente em Orlando ou por videochamada, ao custo de US$ 300 (aproximadamente R$ 1.500). Este pacote inicial é abrangente: inclui uma avaliação detalhada e a entrega de um protocolo completo de treino e dieta, válido por 8 semanas, com o suporte online sendo realizado por um coach da equipe Overall nesse período. Para quem busca opções mais acessíveis, a Overall Team também disponibiliza programas online padronizados e focados em objetivos específicos. Em suma, o serviço direto com Rubens posiciona-se na faixa mais alta do mercado, sendo um investimento na sua longa e comprovada trajetória de sucesso.</p><h3>Como fazer parte do time</h3><p>O caminho para ser orientado por Rubens Gomes começa pelo agendamento da consulta exclusiva através do site oficial da Overall Team. No site, é possível escolher o horário e realizar a contratação do serviço diretamente. Para atletas que almejam uma vaga na equipe de competição, o processo é mais seletivo e envolve uma triagem, na qual Rubens avalia o currículo, o físico atual e os objetivos do candidato antes de uma aprovação. É importante notar que, após a consultoria principal com Rubens, o acompanhamento diário durante as 8 semanas do plano inicial é conduzido por outro coach qualificado da sua equipe, que segue rigorosamente as diretrizes traçadas por ele. Portanto, para ter acesso ao seu método, basta contratar a consulta e estar disposto a seguir as orientações com disciplina máxima.</p><h2>4. Carol Vaz</h2><p><a href="//cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2025_10/4-carol-vaz.webp.aaeb3cccf6f97c5dd41b78d0ae3b528e.webp" class="ipsAttachLink ipsAttachLink_image ipsRichText__align--block" data-fileid="58441" data-fileext="webp" rel=""><img class="ipsImage ipsImage_thumbnailed" data-fileid="58441" src="//cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2025_10/4-carol-vaz.thumb.webp.b3d36284751f6c96f21835e8cf023e70.webp" alt="4-carol-vaz.webp" title="4-carol-vaz.webp" width="1024" height="576" loading="lazy"></a></p><p>Carol Vaz se firmou como um fenômeno no universo fitness brasileiro, atuando principalmente como a personal trainer das celebridades e uma influenciadora de enorme alcance. Com quase 6 milhões de seguidores no Instagram , seu foco não está na preparação de atletas para os palcos do fisiculturismo tradicional, mas sim na transformação corporal de mulheres, o que a tornou uma referência absoluta nesse nicho. Sua metodologia, aplicada em seu centro de treinamento DNA Experience, no Rio de Janeiro, ficou famosa pelo estilo "linha dura" e pelos resultados estéticos impressionantes, especialmente no que diz respeito ao trabalho de glúteos e pernas.</p><h3>Clientes de destaque</h3><p>A lista de clientes de Carol Vaz é repleta de estrelas do meio artístico e da internet. Ela já foi a responsável pelos treinos de famosas como a atriz <strong>Mel Maia</strong>, a cantora <strong>Jojo Todynho</strong>, a rainha de bateria <strong>Viviane Araújo</strong> e as cantoras <strong>Pocah</strong> e <strong>Lexa</strong>. Sua influência é tão grande que outras celebridades, como a atriz <strong>Bruna Marquezine</strong> e a ex-BBB <strong>Juliette</strong>, já declararam seguir rotinas de treino inspiradas em seus métodos. Essa clientela de alto perfil solidificou sua imagem como a principal especialista na preparação física de musas do Carnaval e influenciadoras digitais.</p><h3>Custos e modelo de consultoria</h3><p>Carol Vaz trabalha com dois modelos principais: o treino presencial personalizado e a consultoria online. O acompanhamento presencial em sua academia é um serviço VIP e exclusivo, com um investimento naturalmente elevado, condizente com o atendimento a celebridades. Em contrapartida, seus programas de consultoria online são desenhados para serem acessíveis a um público muito mais amplo, com valores competitivos no mercado de personal trainers virtuais. Embora os preços exatos não sejam divulgados publicamente, a proposta é oferecer um planejamento personalizado que pode ser executado tanto em casa quanto na academia, bastando entrar em contato com sua equipe para conhecer os planos.</p><h3>Como fazer parte do time</h3><p>O ingresso no #TeamCarolVaz é feito por contato direto, geralmente via WhatsApp ou e-mail, cujos links são disponibilizados em seu perfil oficial no Instagram (@teamcarolvaz). As interessadas preenchem um formulário com seus dados e objetivos para que a equipe apresente os planos disponíveis. Não há pré-requisitos físicos para ser aceita; o principal requisito é a disposição para seguir com seriedade a rotina de treinos intensos proposta por ela. Para o modelo presencial, é necessário se matricular na academia DNA Experience (RJ) e agendar a participação nas turmas de treino. Já no modelo online, após a inscrição, a aluna recebe seu planejamento individual e tem um acompanhamento periódico com a equipe por meio de mensagens e vídeos.</p><h2>5. Ricardo Pannain</h2><p><a href="//cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2025_10/5-ricardo-pannain.webp.5950259d5228598c00a5470d71b74caa.webp" class="ipsAttachLink ipsAttachLink_image ipsRichText__align--block" data-fileid="58442" data-fileext="webp" rel=""><img class="ipsImage ipsImage_thumbnailed" data-fileid="58442" src="//cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2025_10/5-ricardo-pannain.thumb.webp.0a34d5ba08d85afaba7e95840919e0ee.webp" alt="5-ricardo-pannain.webp" title="5-ricardo-pannain.webp" width="1024" height="576" loading="lazy"></a></p><p>Ricardo Pannain é frequentemente chamado de "o maior coach de fisiculturismo do Brasil", um título justificado por um currículo impressionante e uma verdadeira fábrica de campeãs. Com mais de duas décadas de experiência, Pannain desenvolveu uma metodologia que ele descreve como a "mais comprovada e premiada do mundo" , focada não apenas em esculpir físicos, mas em transformar a vida de seus atletas em todos os aspectos: corpo, mente e espírito. Sua especialidade são as categorias femininas, onde ele se tornou o único treinador a conquistar três títulos na categoria Wellness no Mr. Olympia.</p><h3>Atletas de destaque</h3><p>O "Team Pannain" é uma força dominante nos palcos, especialmente nas categorias femininas. Ricardo foi o treinador por trás de nomes icônicos como <strong>Francielle Mattos</strong>, a primeira Miss Wellness Olympia da história, <strong>Isa Pecini</strong>, campeã mundial e Miss Bikini Olympia em 2019 , e <strong>Anne Luise Freitas</strong>, multicampeã na categoria Figure. Seu time também incluiu outras campeãs como <strong>Elisa Pecini</strong> (Bikini), <strong>Priscila Rodrigues</strong> (Wellness) e <strong>Gessica Brun</strong> (Figure). Embora também prepare atletas masculinos de alto nível, seu reconhecimento máximo vem das conquistas de suas alunas, tendo formado gerações de campeãs no Brasil e no mundo.</p><h3>Custos e modelo de consultoria</h3><p>As consultorias de Ricardo Pannain são exclusivas e seus valores não são anunciados publicamente, pois ele trabalha com um grupo seleto de atletas. O investimento é personalizado, combinado diretamente com o atleta e varia conforme o nível de acompanhamento necessário. Estima-se que uma preparação completa com ele possa custar entre R$ 500 a R$ 1.000 por mês ou mais, um valor que reflete sua expertise e a dedicação de um serviço "full service", que muitas vezes inclui acompanhar suas atletas em campeonatos internacionais. Para um público mais amplo, ele também organiza workshops e camps de poses com preços mais acessíveis.</p><h3>Como fazer parte do time</h3><p>Integrar o Team Pannain é um processo seletivo e muito pessoal. Não há um formulário de inscrição público. O primeiro passo é entrar em contato diretamente com Ricardo ou sua equipe, geralmente via redes sociais, manifestando o interesse. O candidato a atleta deve enviar fotos atuais, seu histórico de treinos e competições, e seus objetivos. Pannain então avalia se há potencial e alinhamento com sua filosofia de trabalho. Se aprovado, o atleta entra em um regime de dedicação total, seguindo o protocolo 100% orientado por ele. O relacionamento é descrito quase como de "mestre-discípulo", exigindo iniciativa do atleta, a aceitação do coach e um comprometimento absoluto com o processo.</p><h2>6. Júlio Balestrin</h2><p><a href="//cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2025_10/6-julio-balestrin.webp.c114ee8379e2a879abeb1243d613079b.webp" class="ipsAttachLink ipsAttachLink_image ipsRichText__align--block" data-fileid="58443" data-fileext="webp" rel=""><img class="ipsImage ipsImage_thumbnailed" data-fileid="58443" src="//cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2025_10/6-julio-balestrin.thumb.webp.73fed3082684c88d1f5cfe32a11b0a85.webp" alt="6-julio-balestrin.webp" title="6-julio-balestrin.webp" width="1024" height="576" loading="lazy"></a></p><p>Júlio Balestrin é uma das figuras mais respeitadas e queridas na comunidade do fisiculturismo brasileiro. Bicampeão brasileiro e ainda um atleta ativo na categoria Masters, ele transita com naturalidade entre os palcos e a função de treinador e consultor, utilizando seu vasto alcance digital para orientar centenas de alunos. Com formação em Educação Física, Balestrin é conhecido por uma abordagem que une ciência e experiência prática, sempre com uma didática clara e um forte apelo motivacional que inspira seus seguidores a buscarem a resiliência e a disciplina do esporte.</p><h3>Atletas e projetos de destaque</h3><p>Diferente de outros coaches que mantêm um time formal de competição, Balestrin é mais conhecido por seus "projetos" de transformação e por suas consultorias com um público diversificado. Ele já colaborou em projetos com celebridades como Pablo Marçal e Danilo Gentili , e também com o atleta de elite Ramon Dino. Um de seus trabalhos de maior destaque foi o treinamento de Lecão, um atleta com paralisia cerebral, mostrando um lado inspirador e inclusivo do seu trabalho. Embora não seja conhecido por ser o treinador principal de um campeão específico de renome, ele já auxiliou na preparação de colegas como Renato Cariani e deu orientações técnicas para inúmeros atletas, incluindo jovens promissores em Angola.</p><h3>Custos e modelo de consultoria</h3><p>Júlio Balestrin oferece um serviço de consultoria online personalizada, amplamente divulgado em suas redes sociais, onde os interessados encontram os links para inscrição. O modelo é considerado um dos melhores em custo-benefício do mercado, com estimativas da comunidade indicando que os pacotes mensais de acompanhamento variam entre R$ 300 e R$ 500. Esse valor geralmente inclui a montagem de um plano de treino e dieta, com ajustes periódicos via e-mail ou WhatsApp. Além disso, por ser patrocinado pela Growth Supplements, ele frequentemente oferece descontos e outros benefícios aos seus alunos, agregando ainda mais valor ao serviço.</p><h3>Como fazer parte do time</h3><p>O processo para se tornar um aluno de Júlio Balestrin é simples e acessível. Não há pré-requisitos ou exigências de nível físico; ele atende desde iniciantes e pais de família até atletas amadores que buscam evoluir. O primeiro passo é acessar o link em suas redes sociais e preencher um formulário com dados pessoais, rotina e objetivos. Com base nessas informações, Júlio monta o planejamento e, geralmente, agenda uma conversa inicial para passar as primeiras orientações. Ele é conhecido por ser um coach muito acessível e engajado com seus alunos, criando um dos "times" mais acolhedores do cenário nacional para quem busca uma orientação séria e experiente.</p><h2>7. Chris Aceto</h2><p><a href="//cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2025_10/7-chris-aceto.webp.93d831842606340d1fdf417ef26fee58.webp" class="ipsAttachLink ipsAttachLink_image ipsRichText__align--block" data-fileid="58444" data-fileext="webp" rel=""><img class="ipsImage ipsImage_thumbnailed" data-fileid="58444" src="//cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2025_10/7-chris-aceto.thumb.webp.10611e9430815d6e74a4b5c56960ff5a.webp" alt="7-chris-aceto.webp" title="7-chris-aceto.webp" width="1024" height="576" loading="lazy"></a></p><p>Chris Aceto é uma figura lendária no fisiculturismo mundial, frequentemente descrito como um dos "gurus" originais do esporte, com uma carreira que se estende por mais de duas décadas. Autor de diversos livros, sua filosofia de treinamento é baseada no aprendizado contínuo com seus atletas e na exigência de um comprometimento absoluto com o plano. Embora seja um coach com clientes ao redor do globo, seu método é procurado por atletas brasileiros de elite que buscam o mais alto nível de condicionamento para os palcos, que é sua grande especialidade.</p><h3>Atletas de destaque</h3><p>A lista de atletas de Aceto inclui alguns dos maiores nomes da história do esporte, como os campeões do Mr. Olympia <strong>Jay Cutler</strong> e <strong>Shawn Rhoden</strong>. No Brasil, seu trabalho de maior impacto foi com <strong>Ramon "Dino" Rocha Queiroz</strong>, sendo o responsável por uma finalização que resultou no "melhor físico" que o atleta já havia apresentado no Olympia. Além de Dino, Aceto teve uma forte ligação com <strong>Rafael Brandão</strong>, como sugerido por diversas fontes, e há indicações de que ele tenha treinado pelo menos seis atletas brasileiros de ponta, solidificando sua influência no cenário nacional.</p><h3>Custos e modelo de consultoria</h3><p>Não há informações públicas sobre os valores cobrados por Chris Aceto. Alinhado ao seu perfil de "guru" estabelecido, que trabalha com a elite do esporte, presume-se que suas taxas sejam premium e negociadas individualmente, em vez de pacotes com preços fixos. O modelo de trabalho não é abertamente comercializado em plataformas online.</p><h3>Como fazer parte do time</h3><p>Contratar Chris Aceto parece ser um processo muito mais exclusivo e menos direto do que com outros treinadores. Não há um site de consultoria ou um portal de inscrição. Fontes indicam que ele estaria "diminuindo o ritmo" de sua carreira de treinador, o que sugere que ele seja altamente seletivo, trabalhando principalmente por meio de indicações e conexões dentro da indústria do fisiculturismo. A forma mais provável de conseguir sua orientação seria através de uma rede de contatos no nível profissional do esporte.</p><h2>8. Neil "Yoda" Hill</h2><p><a href="//cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2025_10/8-nail-yoda-hill.webp.9fc0e1836ae8aa8725104642f6b18f77.webp" class="ipsAttachLink ipsAttachLink_image ipsRichText__align--block" data-fileid="58445" data-fileext="webp" rel=""><img class="ipsImage ipsImage_thumbnailed" data-fileid="58445" src="//cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2025_10/8-nail-yoda-hill.thumb.webp.3e96db5bf7cb7fca15d80c43f9a85ee5.webp" alt="8-nail-yoda-hill.webp" title="8-nail-yoda-hill.webp" width="1024" height="576" loading="lazy"></a></p><p>Diretamente do Reino Unido, Neil "Yoda" Hill é um ex-fisiculturista profissional da IFBB e um dos treinadores mais inovadores do cenário internacional. Sua fama global vem da criação do sistema de treinamento Y3T (Yoda 3 Training), uma metodologia desenvolvida ao longo de 30 anos que visa maximizar o ganho de massa muscular através da ciclagem estratégica de intensidade e faixas de repetição. O sistema ataca a adaptação corporal e promete, além do crescimento, uma redução no risco de lesões, tratando todos os seus clientes — de competidores a empresários — como verdadeiros "atletas".</p><h3>Atletas de destaque</h3><p>A eficácia do método Y3T no mais alto nível é comprovada por seu trabalho com o lendário Flex Lewis, a quem treinou durante sua jornada de múltiplos títulos no Mr. Olympia na categoria 212. No Brasil, sua influência se destacou através da parceria com Rafael Brandão, um dos principais profissionais brasileiros, que buscou a expertise de Hill para atingir um novo patamar competitivo em sua carreira.</p><h3>Custos e modelo de consultoria</h3><p>Assim como outros treinadores internacionais de elite, Neil Hill não divulga publicamente uma tabela de preços para seu acompanhamento individual. Seus serviços são disseminados por múltiplos canais, incluindo um site de assinatura (mencionado como em lançamento) e um banco de dados de e-mails diários, onde os inscritos recebem conteúdo e informações sobre seus métodos. O custo para um treinamento personalizado provavelmente é comunicado mediante consulta direta, enquanto o modelo de assinatura deve oferecer uma alternativa mais acessível.</p><h3>Como fazer parte do time</h3><p>Para ter acesso ao sistema Y3T e à orientação de Neil Hill, os principais caminhos são suas plataformas digitais. Os interessados podem se inscrever em sua lista de e-mails, cujos detalhes são encontrados em suas redes sociais (Instagram, Twitter e Facebook), ou aguardar o lançamento de seu site de assinatura. Este modelo multicanal permite que entusiastas do mundo todo possam se engajar com seu conteúdo e, eventualmente, contratar seus serviços, seja através de programas estruturados ou de um acompanhamento mais direto.</p><h2>9. Rodrigo Góes (Goes Maltez)</h2><p><a href="//cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2025_10/9-rodrigo-goes.webp.315599d350a21d4944f8aec9cfd15d0c.webp" class="ipsAttachLink ipsAttachLink_image ipsRichText__align--block" data-fileid="58446" data-fileext="webp" rel=""><img class="ipsImage ipsImage_thumbnailed" data-fileid="58446" src="//cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2025_10/9-rodrigo-goes.thumb.webp.2cab0199fc065b3a29cfacece5b035a1.webp" alt="9-rodrigo-goes.webp" title="9-rodrigo-goes.webp" width="1024" height="576" loading="lazy"></a></p><p>Rodrigo Góes, junto com sua esposa Bárbara, destaca-se no cenário fitness brasileiro por uma abordagem única e inovadora. Ambos são competidores de fisiculturismo, mas a grande especialidade de Góes é a "Nutrição Flexível", conceito do qual ele é um dos pioneiros no Brasil. Sua filosofia se afasta das dietas extremamente restritivas, comuns no esporte, e foca em criar um estilo de vida sustentável, "sem proibições ou culpas". Ele trabalha a relação do paciente com a comida, buscando entender a rotina e as preferências de cada um para montar um plano prazeroso e eficaz a longo prazo. Essa abordagem mais saudável e psicologicamente sustentável é amplamente divulgada em seu popular canal no YouTube.</p><h3>Atletas e clientes de destaque</h3><p>Diferente de outros coaches focados em competição, as informações públicas sobre Rodrigo Góes enfatizam mais sua filosofia nutricional do que uma lista de atletas de elite que ele treina. Seu site oficial exibe fotos de diversos clientes que alcançaram excelentes resultados físicos, servindo como testemunho da eficácia de sua abordagem de Nutrição Flexível. Seu impacto parece ser maior em clientes focados em estilo de vida ou atletas que buscam uma relação mais equilibrada e duradoura com a alimentação, em vez de exclusivamente na preparação para campeonatos.</p><h3>Custos e modelo de consultoria</h3><p>As fontes disponíveis não detalham os valores exatos dos serviços de Rodrigo Góes. Os preços são provavelmente comunicados diretamente aos interessados durante o processo de agendamento. Seu modelo de trabalho é focado em consultas e teleconsultas, nas quais ele e sua equipe traçam um plano nutricional personalizado para o cliente.</p><h3>Como fazer parte do time</h3><p>O processo para contratar os serviços de Rodrigo Góes é bastante direto e acessível. O principal canal é seu site oficial, <a rel="external nofollow" href="https://Goesmaltez.com">Goesmaltez.com</a>, onde há um link direto para "AGENDAR UMA CONSULTA OU TELE CONSULTA". Além disso, o site fornece contatos diretos como e-mail e telefone, facilitando o engajamento de potenciais clientes que buscam sua orientação especializada em Nutrição Flexível.</p><h2>10. Vitor Bizzo</h2><p><a href="//cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2025_10/10-vitor-bizzo.webp.bfc9a388b09a5c2376ba93fdc36b7976.webp" class="ipsAttachLink ipsAttachLink_image ipsRichText__align--block" data-fileid="58447" data-fileext="webp" rel=""><img class="ipsImage ipsImage_thumbnailed" data-fileid="58447" src="//cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2025_10/10-vitor-bizzo.thumb.webp.dc00199609c96ff59231b3b61fea901f.webp" alt="10-vitor-bizzo.webp" title="10-vitor-bizzo.webp" width="1024" height="576" loading="lazy"></a></p><p>Vitor Bizzo é apontado como uma das figuras de maior destaque na nova geração de treinadores do Brasil, sendo frequentemente mencionado em comunidades online como um dos "provavelmente top 5 no Brasil hoje". Sua trajetória no fisiculturismo começou após uma transição do MMA, esporte que praticava antes de se dedicar integralmente ao treinamento com pesos. Essa bagagem diversificada contribuiu para uma perspectiva única sobre disciplina e performance.</p><p>Sua filosofia de treinamento, que sugere um foco em intensidade e nos fundamentos do treinamento de força, é evidenciada em seu trabalho como coautor do livro "Não Treine Fofo: Os Princípios Esquecidos do Treinamento de Força". Bizzo defende um método baseado na ciência e na aplicação prática, priorizando a progressão de carga inteligente e a execução técnica perfeita em detrimento de um volume excessivo ou da busca pela exaustão sem critério. Além de seu trabalho como coach, ele é uma voz ativa na comunidade, participando do podcast "Trash Talk", onde discute temas relevantes do universo da musculação e do fisiculturismo.</p><h3>Atletas e clientes de destaque</h3><p>As fontes disponíveis para a elaboração desta matéria não detalham uma lista pública de atletas de elite ou clientes notáveis treinados por Vitor Bizzo. O treinador parece manter a privacidade de seus clientes, focando a divulgação de seu trabalho nos métodos e nos resultados gerais de sua abordagem, em vez de se associar a nomes específicos do cenário competitivo.</p><h3>Custos e modelo de consultoria</h3><p>A consultoria de Vitor Bizzo é percebida como um serviço de alto padrão, sendo descrita como "cara" por usuários em discussões online. De acordo com seu site oficial, ele oferece diferentes pacotes de acompanhamento, com valores que variam conforme o nível de suporte e a frequência de feedbacks. Os planos podem incluir apenas treino ou a combinação de treino e dieta, com ajustes e análises periódicas.</p><p>Além da consultoria individualizada, Bizzo também disponibiliza planilhas de treino avulsas com focos específicos (hipertrofia, força, cutting, etc.), que representam um investimento mais acessível para quem deseja ter um primeiro contato com sua metodologia.</p><h3>Como fazer parte do time</h3><p>O principal canal para quem deseja contratar os serviços de Vitor Bizzo é seu site oficial, <a rel="external nofollow" href="https://vitorbizzo.com.br">vitorbizzo.com.br</a>, onde detalha os planos de consultoria e disponibiliza os links para contratação. Seu perfil no Instagram, @vitorbizzocoach, também funciona como uma importante via de comunicação e divulgação de seu trabalho, onde interessados podem acompanhar seu conteúdo e encontrar mais informações para iniciar o contato.</p><h2>11. Rodrigo Coach (Rodrigo Silva)</h2><p><a href="//cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2025_10/11-rodrigo-silva.webp.70ff3932ceaf473a6231cc90e054a739.webp" class="ipsAttachLink ipsAttachLink_image ipsRichText__align--block" data-fileid="58448" data-fileext="webp" rel=""><img class="ipsImage ipsImage_thumbnailed" data-fileid="58448" src="//cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2025_10/11-rodrigo-silva.thumb.webp.14de5a986face9f911ee8b1b41a2f417.webp" alt="11-rodrigo-silva.webp" title="11-rodrigo-silva.webp" width="1024" height="576" loading="lazy"></a></p><p>Identificado como Rodrigo Silva, o "Rodrigo Coach" consolidou-se como um treinador e educador físico de forte presença online. Através de suas plataformas, como o Instagram @rodricoach e o site RodriCoach School, ele se posiciona não apenas como um preparador, mas como um educador que busca capacitar seus seguidores a entenderem os processos por trás da hipertrofia e do emagrecimento. Sua filosofia é centrada na aplicação da ciência ao treinamento de forma prática e sustentável, com foco total na biomecânica para maximizar estímulos e minimizar lesões.</p><h3>Atletas e clientes de destaque</h3><p>O foco principal de Rodrigo Silva são as transformações de pessoas comuns. Em suas redes sociais, ele exibe de forma consistente os resultados de seus alunos da consultoria ("RC Team"), utilizando evoluções de "antes e depois" como a principal prova da eficácia de seu método. Seu marketing é voltado para mostrar o impacto real de seu trabalho na vida de clientes não-competidores que buscam uma mudança física significativa.</p><h3>Custos e modelo de consultoria</h3><p>O modelo de negócio de Rodrigo é diversificado e acessível. Sua plataforma, a RodriCoach School, oferece diferentes portas de entrada para seus serviços, incluindo a consultoria online individualizada, que é seu produto principal. Além disso, ele disponibiliza cursos sobre temas específicos e planilhas de treino avulsas, permitindo que o público aprenda seu método por um custo menor e de acordo com suas necessidades.</p><h3>Como fazer parte do time</h3><p>O principal ponto de acesso aos seus serviços é a sua página de links, encontrada na bio do seu perfil no Instagram (@rodricoach). Através dela, os interessados podem aplicar para a consultoria online, adquirir seus cursos e planilhas ou acessar seus outros canais de conteúdo. Seu perfil no Instagram funciona como o canal fundamental onde ele compartilha dicas diárias, responde perguntas e anuncia a abertura de vagas para seus acompanhamentos.</p><h2>12. Caroline Sanches</h2><p><a href="//cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2025_10/12-caroline-sanches.webp.0c74136b06b6adc5992b76cb237b4fcf.webp" class="ipsAttachLink ipsAttachLink_image ipsRichText__align--block" data-fileid="58449" data-fileext="webp" rel=""><img class="ipsImage ipsImage_thumbnailed" data-fileid="58449" src="//cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2025_10/12-caroline-sanches.thumb.webp.107a9967aa1c864d1ab58907c8da7e00.webp" alt="12-caroline-sanches.webp" title="12-caroline-sanches.webp" width="1024" height="576" loading="lazy"></a></p><p>Caroline Sanches (CRN-3 42363) se estabeleceu como uma referência em nutrição e bem-estar, unindo uma sólida base acadêmica a uma forte e influente presença digital. Como nutricionista clínica, esportiva e estética, sua abordagem vai além da simples prescrição de dietas. Ela defende uma filosofia de estilo de vida holístico, que busca o equilíbrio entre corpo, alma e mente, educando seu público sobre a importância de uma relação saudável e sustentável com a alimentação.</p><h3>Clientes de destaque</h3><p>O foco do trabalho de Caroline Sanches está nas transformações reais de seus pacientes, e não na associação com atletas de elite do fisiculturismo. Seus canais de divulgação, como o perfil @teamcarolsanches, funcionam como um grande portfólio de resultados de pessoas com diversos objetivos (emagrecimento, hipertrofia, melhora na saúde), reforçando a eficácia de seu método para o público em geral.</p><h3>Custos e modelo de consultoria</h3><p>O modelo de negócio de Caroline é centrado na consultoria nutricional individualizada, oferecida tanto presencialmente em São Paulo-SP quanto online. Seus pacotes (bimestrais, trimestrais, etc.) incluem um processo detalhado que começa com questionários pré-consulta e, no atendimento presencial, conta com avaliação por bioimpedância InBody 270. Os valores são informados via contato direto. Além da consultoria, ela complementa seu trabalho com produtos digitais, como e-books, que tornam seu conhecimento acessível a um público ainda maior.</p><h3>Como fazer parte do time</h3><p>A marca "Team Carol Sanches" (@teamcarolsanches) é a comunidade que une seus pacientes. Para contratar seus serviços, o principal caminho é através de seu site oficial, onde os interessados podem conhecer os detalhes e entrar na lista de espera. O contato para agendamentos é centralizado via WhatsApp. Seu perfil principal no Instagram, @carolinessanches, é onde ela compartilha diariamente sua filosofia de trabalho, com dicas, receitas e conteúdos educativos.</p><h2>13. Flex Lewis</h2><p><a href="//cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2025_10/13-flex-lewis.webp.85f678d7eaa28c698198d70afce174f0.webp" class="ipsAttachLink ipsAttachLink_image ipsRichText__align--block" data-fileid="58450" data-fileext="webp" rel=""><img class="ipsImage ipsImage_thumbnailed" data-fileid="58450" src="//cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2025_10/13-flex-lewis.thumb.webp.92dfd8ca8ca695ced795d60e667dce74.webp" alt="13-flex-lewis.webp" title="13-flex-lewis.webp" width="1024" height="576" loading="lazy"></a></p><p>Embora não seja brasileiro, a inclusão de Flex Lewis nesta lista é fundamental para entender o nível que os atletas do Brasil buscam no cenário internacional. Um renomado profissional da IFBB e recordista de títulos no Mr. Olympia na categoria 212, Flex Lewis se destaca não apenas por sua carreira vitoriosa, mas também por seu papel como treinador e mentor de talentos brasileiros de ponta, atuando como um "campeão que forma campeões".</p><h3>Atletas e projetos de destaque</h3><p>A conexão mais notável de Flex Lewis com o Brasil é seu trabalho com o atleta <strong>Rafael Brandão</strong>. Ele se tornou o treinador de Brandão em 2019, quando o fisiculturista brasileiro se mudou para os Estados Unidos para elevar sua preparação. Além do treinamento individual, Lewis assumiu um papel de mentoria para a equipe Max Titanium, orientando os atletas da marca que competiram no Mr. Olympia de 2024, o que demonstra sua contínua influência no desenvolvimento de atletas brasileiros de elite.</p><h3>Custos e modelo de consultoria</h3><p>As fontes fornecidas não detalham um modelo de consultoria ou os custos para ser treinado por Flex Lewis. Seu trabalho de coaching parece ser de um nível extremamente exclusivo, provavelmente ocorrendo através de acordos diretos com atletas profissionais ou por meio de parcerias com patrocinadores, como no caso da Max Titanium, em vez de um serviço aberto ao público em geral.</p><h3>Como fazer parte do time</h3><p>Não há um processo formal divulgado para se tornar um atleta de Flex Lewis. Sua orientação é reservada para um círculo de atletas de elite, e a entrada nesse grupo provavelmente depende de conexões na indústria do fisiculturismo profissional e de um nível competitivo que chame a atenção de uma lenda como ele.</p><h2>Conclusão</h2><p>O cenário de treinadores de fisiculturismo no Brasil é rico e diversificado, oferecendo um leque de opções que vai de lendas nacionais a "gurus" internacionais. A escolha do coach ideal é uma das decisões mais impactantes na carreira de um atleta, devendo alinhar objetivos, filosofia e recursos. Essa robusta estrutura de mentores e especialistas não apenas abre caminhos para o sucesso, mas consolida o Brasil como uma verdadeira potência nos palcos do fisiculturismo mundial.</p><p>Qual é o seu coach preferido? Deixe nos comentários. Deixamos de mencionar algum coach especial? Sugira o nome para novas matérias.</p><p><strong>Fontes de consulta</strong></p><ol><li><p>ACETO dá resposta dura para Cariani e imprensa BR - sobrou até pra Rafael Brandão + Ramon Dino. In: IRONCAST CORTES. YouTube, 2025. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.youtube.com/watch?v=dOCj4YWFSvg">https://www.youtube.com/watch?v=dOCj4YWFSvg</a>. Acesso em: 8 de maio de 2025.</p></li><li><p>ACETO CHEGOU E SE ASSUSTOU COM O SHAPE DO BRANDÃO. In: MAX TITANIUM. YouTube, 2025. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.youtube.com/watch?v=G0XUXEaGmN8">https://www.youtube.com/watch?v=G0XUXEaGmN8</a>. Acesso em: 8 de maio de 2025.</p></li><li><p>AMAZON. Chris Aceto: books, biography, latest update. <a rel="external nofollow" href="https://Amazon.com">Amazon.com</a>. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.amazon.com/stores/author/B00J8MWL76">https://www.amazon.com/stores/author/B00J8MWL76</a>. Acesso em: 8 de maio de 2025.</p></li><li><p>AMAZON. Chris Aceto: Books. <a rel="external nofollow" href="https://Amazon.com">Amazon.com</a>. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.amazon.com/Books-Chris-Aceto/s?rh=n%3A283155%2Cp_27%3AChris%2BAceto">https://www.amazon.com/Books-Chris-Aceto/s?rh=n%3A283155%2Cp_27%3AChris%2BAceto</a>. Acesso em: 8 de maio de 2025.</p></li><li><p>AMAZON. Não Treine Fofo: Os Segredos Esquecidos do Treinamento Resistido! eBook. <a rel="external nofollow" href="https://Amazon.com.br">Amazon.com.br</a>. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.amazon.com.br/N%C3%A3o-Treine-Fofo-Esquecidos-Treinamento-ebook/dp/B08WTTMCZR">https://www.amazon.com.br/N%C3%A3o-Treine-Fofo-Esquecidos-Treinamento-ebook/dp/B08WTTMCZR</a>. Acesso em: 8 de maio de 2025.</p></li><li><p>APPLE PODCASTS. EP. 297 - Chris Aceto. Mark Bell's Power Project. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://podcasts.apple.com/fi/podcast/ep-297-chris-aceto/id1341346059?i=1000459947304">https://podcasts.apple.com/fi/podcast/ep-297-chris-aceto/id1341346059?i=1000459947304</a>. Acesso em: 8 de maio de 2025.</p></li><li><p>APPLE PODCASTS. Mutant and The Mouth. Apple Podcasts. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://podcasts.apple.com/us/podcast/mutant-and-the-mouth/id1493890424">https://podcasts.apple.com/us/podcast/mutant-and-the-mouth/id1493890424</a>. Acesso em: 8 de maio de 2025.</p></li><li><p>ATÉ o Aceto vem para Pittsburgh - Guestposing mais importante? + Edvan e Chaves excelentes. In: CANAL DO GORGONOID. YouTube, 2025. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.youtube.com/watch?v=J14HwX0nTQo">https://www.youtube.com/watch?v=J14HwX0nTQo</a>. Acesso em: 8 de maio de 2025.</p></li><li><p>BALESTRIN CONHECEU A REALIDADE DO ATLETA MAIS FORTE DA GROWTH !!!. In: GROWTH TV. YouTube, 2025. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.youtube.com/watch?v=tYjHEQ4msVQ">https://www.youtube.com/watch?v=tYjHEQ4msVQ</a>. Acesso em: 8 de maio de 2025.</p></li><li><p>BIZZO TALKS ABOUT HOW TO USE YOUR STRENGTH INTELLIGENTLY IN BODYBUILDING! REVIEW WHILE TRAINING! Pt2. In: JUNKYARD TV. YouTube, 2025. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.youtube.com/watch?v=eYBWR4fvpRU">https://www.youtube.com/watch?v=eYBWR4fvpRU</a>. Acesso em: 8 de maio de 2025.</p></li><li><p>BODYBUILDING WAREHOUSE. Y3T Training | Week 1 | Blog. Bodybuilding Warehouse. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.bodybuildingwarehouse.co.uk/blogs/bw-blog/y3t-training-explained">https://www.bodybuildingwarehouse.co.uk/blogs/bw-blog/y3t-training-explained</a>. Acesso em: 8 de maio de 2025.</p></li><li><p>BODYBUILDERGYMBRASIL. Caike pro esta Insano, 3 dias para sua estreia na Classic Physique. TikTok. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.tiktok.com/@bodybuildergymbrasil/video/7501824885832846598">https://www.tiktok.com/@bodybuildergymbrasil/video/7501824885832846598</a>. Acesso em: 8 de maio de 2025.</p></li><li><p>BSN U.K. Neil Hill. BSN U.K. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.bsn-supplements.com/en-gb/athletes/neil-hill/">https://www.bsn-supplements.com/en-gb/athletes/neil-hill/</a>. Acesso em: 8 de maio de 2025.</p></li><li><p>CAROL SANCHES SEM FILTRO EP. #3 | ROTINA ATUAL &amp; TREINO DE PERNAS COMPLETO. In: GROWTH TV. YouTube, 2025. 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Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.cnnbrasil.com.br/esportes/fisiculturismo/saiba-como-treinador-de-ramon-dino-deixou-campeao-do-olympia-impressionado/">https://www.cnnbrasil.com.br/esportes/fisiculturismo/saiba-como-treinador-de-ramon-dino-deixou-campeao-do-olympia-impressionado/</a>. Acesso em: 8 de maio de 2025.</p></li><li><p>CNN BRASIL. Treinador de Ramon Dino diz o que mais pesou para derrota no Mr Olympia. CNN Brasil. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.cnnbrasil.com.br/esportes/fisiculturismo/treinador-de-ramon-dino-diz-o-que-mais-pesou-para-derrota-no-mr-olympia/">https://www.cnnbrasil.com.br/esportes/fisiculturismo/treinador-de-ramon-dino-diz-o-que-mais-pesou-para-derrota-no-mr-olympia/</a>. Acesso em: 8 de maio de 2025.</p></li><li><p>CNN BRASIL. Treinador de Ramon Dino pode levar 3 títulos no Mr. Olympia 2025; entenda. CNN Brasil. 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Nutricionista Brasília | Rodrigo Goes. Dietbox. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://dietbox.me/pt-BR/goesmaltez">https://dietbox.me/pt-BR/goesmaltez</a>. Acesso em: 8 de maio de 2025.</p></li><li><p>DICAS PARA EVOLUIR SEU SHAPE | CAROL SANCHES NO TREINAMENTO DE SUCESSO. In: MAX TITANIUM. YouTube, 2025. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.youtube.com/watch?v=9PtEFyj14M">https://www.youtube.com/watch?v=9PtEFyj14M</a>. Acesso em: 8 de maio de 2025.</p></li><li><p>DNA EXPERIENCE. Academia Oficial de Carol Vaz. DNA Experience. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://dnaexperience.com/">https://dnaexperience.com/</a>. Acesso em: 8 de maio de 2025.</p></li><li><p>FACEBOOK. Balestrin Team. Facebook. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.facebook.com/BalestrinTeam/">https://www.facebook.com/BalestrinTeam/</a>. Acesso em: 8 de maio de 2025.</p></li><li><p>FIT&amp;STRONG. 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Julio Balestrin: veja tudo sobre o fisiculturista brasileiro. O POVO. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.opovo.com.br/esportes/mais-esportes/2024/10/11/julio-balestrin-veja-tudo-sobre-o-fisiculturista-brasileiro.html">https://www.opovo.com.br/esportes/mais-esportes/2024/10/11/julio-balestrin-veja-tudo-sobre-o-fisiculturista-brasileiro.html</a>. Acesso em: 8 de maio de 2025.</p></li><li><p>OVERALL TEAM. Consultoria Personal Prime. Overall Team. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://overallteam.com.br/">https://overallteam.com.br/</a>. Acesso em: 8 de maio de 2025.</p></li><li><p>PACHOLOK, Fabrício. Fabricio Pacholok - About. YouTube. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.youtube.com/channel/UCTmAy9D7NR8sHdn3Oup1wlQ/about">https://www.youtube.com/channel/UCTmAy9D7NR8sHdn3Oup1wlQ/about</a>. Acesso em: 8 de maio de 2025.</p></li><li><p>PACHOLOK, Fabrício. Site oficial de Fabrício Pacholok. 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Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.youtube.com/@Rodrigo_Goes/videos">https://www.youtube.com/@Rodrigo_Goes/videos</a>. Acesso em: 8 de maio de 2025.</p></li><li><p>RODRIGO GÓES vai te EXPLICAR o que o SUCO FAZ no SEU CORPO!. In: PODCORTESHIGH. YouTube, 2025. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.youtube.com/watch?v=5FwlX7Mc3bM">https://www.youtube.com/watch?v=5FwlX7Mc3bM</a>. Acesso em: 8 de maio de 2025.</p></li><li><p>TEAM PANNAIN. Programs. Team Pannain. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://teampannain.com/en/programas/">https://teampannain.com/en/programas/</a>. Acesso em: 8 de maio de 2025.</p></li><li><p>TEAM PANNAIN. Ricardo Pannain. Team Pannain. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://teampannain.com/en/time/ricardo-pannain/">https://teampannain.com/en/time/ricardo-pannain/</a>. Acesso em: 8 de maio de 2025.</p></li><li><p>TEAM PANNAIN. Site Oficial. Team Pannain. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://teampannain.com/en/">https://teampannain.com/en/</a>. Acesso em: 8 de maio de 2025.</p></li><li><p>TEAM PANNAIN. Who we are. Team Pannain. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://teampannain.com/en/quem-somos/">https://teampannain.com/en/quem-somos/</a>. Acesso em: 8 de maio de 2025.</p></li><li><p>THRIFTBOOKS. List of books by author Chris Aceto. Thriftbooks. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.thriftbooks.com/a/chris-aceto/285503/">https://www.thriftbooks.com/a/chris-aceto/285503/</a>. Acesso em: 8 de maio de 2025.</p></li><li><p>VITOR BIZZO E LUCAS GARCIA - OS SEGREDOS DO BULKING. In: GROWTH TV. YouTube, 2025. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.youtube.com/watch?v=4JOXDO7vqgA">https://www.youtube.com/watch?v=4JOXDO7vqgA</a>. Acesso em: 8 de maio de 2025.</p></li><li><p>WIKIPEDIA. Rafael Brandão. Wikipédia, a enciclopédia livre. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Rafael_Brand%C3%A3o">https://pt.wikipedia.org/wiki/Rafael_Brand%C3%A3o</a>. Acesso em: 8 de maio de 2025.</p></li><li><p>WIKIPEDIA. Ramon Dino. Wikipedia. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://en.wikipedia.org/wiki/Ramon_Dino">https://en.wikipedia.org/wiki/Ramon_Dino</a>. Acesso em: 8 de maio de 2025.</p></li><li><p>WIKIPEDIA. Ramon Dino. Wikipédia, a enciclopédia livre. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Ramon_Dino">https://pt.wikipedia.org/wiki/Ramon_Dino</a>. Acesso em: 8 de maio de 2025.</p></li><li><p>WIKIPEDIA. Rodrygo. Wikipédia, a enciclopédia livre. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Rodrygo">https://pt.wikipedia.org/wiki/Rodrygo</a>. Acesso em: 8 de maio de 2025.</p></li><li><p>Y3T Training with Neil Hill: Everything You Need to Know for Muscle Mass. In: BSN. YouTube, 2025. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://www.youtube.com/watch?v=a2Vq2NhcoN8">https://www.youtube.com/watch?v=a2Vq2NhcoN8</a>. Acesso em: 8 de maio de 2025.</p></li><li><p>YOUTUBE. Bizzo talks about his athletes. YouTube. Disponível em: <a rel="external nofollow" href="https://m.youtube.com/shorts/4tLnPVNyVTw">https://m.youtube.com/shorts/4tLnPVNyVTw</a>. Acesso em: 8 de maio de 2025.</p></li></ol>]]></description><guid isPermaLink="false">960</guid><pubDate>Thu, 08 May 2025 23:10:00 +0000</pubDate></item><item><title>Lucas Pinheiro: "Parei com esteroides por 1 ano e esse &#xE9; o resultado!". Conhe&#xE7;a a experi&#xEA;ncia do fisiculturista sem anabolizantes.</title><link>https://fisiculturismo.com.br/mat%C3%A9rias/gente/lucas-pinheiro-parei-com-esteroides-por-1-ano-e-esse-%C3%A9-o-resultado-conhe%C3%A7a-a-experi%C3%AAncia-do-fisiculturista-sem-anabolizantes-r918/</link><description><![CDATA[
<p><img src="https://cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2025_01/lucas-pinheiro.webp.1c0dfadc600440ec580e6c4bf54b43f8.webp" /></p>
<p>
	O renomado fisiculturista Lucas Pinheiro compartilha uma jornada de transformação e autoconhecimento em seu recente relato. Após oito anos competindo no cenário do fisiculturismo, período em que utilizou doses suprafisiológicas de esteroides anabolizantes, Lucas tomou a corajosa decisão de interromper o uso dessas substâncias. Os resultados, segundo ele, foram surpreendentes e revelam uma profunda mudança em sua vida, tanto física quanto mentalmente.
</p>

<h2>
	A decisão e a escolha pela TRT
</h2>

<p>
	Ao optar por se afastar dos palcos e cessar o uso de esteroides, Lucas buscou auxílio médico e se deparou com uma decisão crucial: interromper o uso abruptamente, reduzir as doses gradativamente até atingir um nível fisiológico de testosterona, ou aderir à Terapia de Reposição de Testosterona (TRT).
</p>

<p>
	A TRT, como o próprio nome sugere, consiste na administração de testosterona exógena para suprir a deficiência hormonal que o corpo não consegue mais produzir naturalmente. Diversos fatores podem levar ao hipogonadismo, como idade, doenças congênitas, uso de medicamentos e, como no caso de Lucas, o uso prolongado de esteroides anabolizantes.
</p>

<p>
	Após anos de uso contínuo, os testículos de Lucas haviam diminuído sua produção natural de testosterona. O corpo, ao receber doses suprafisiológicas, entende que não há necessidade de produção endógena, levando à atrofia testicular e a uma série de efeitos colaterais decorrentes do eixo hormonal desregulado.
</p>

<p>
	Diante desse cenário, Lucas optou pela TRT. Ele esclarece que essa não é uma recomendação universal, mas sim a escolha que melhor se adequava à sua situação naquele momento, ressaltando a importância da avaliação individualizada e do acompanhamento médico.
</p>

<h2>
	Relembrando a trajetória: do natural ao palco
</h2>

<p>
	Antes de detalhar as mudanças pós-esteroides, Lucas relembra sua trajetória. Ele compartilha fotos de sua adolescência, quando mantinha um físico natural, até os 20 anos, quando decidiu ingressar no fisiculturismo competitivo e iniciou seu primeiro ciclo com esteroides. Ele destaca o papel crucial da genética nesse processo, influenciando não apenas o ganho de massa muscular, mas também a perda de gordura e a capacidade de manutenção muscular.
</p>

<p>
	Graças à sua genética, que ele considera abençoada, mesmo não sendo a melhor do mundo, Lucas conseguiu manter um físico acima da média, mesmo com doses fisiológicas de testosterona após a interrupção do uso de esteroides.
</p>

<h2>
	Treino e força: adaptações e melhorias inesperadas
</h2>

<p>
	Um dos questionamentos mais frequentes que Lucas recebe diz respeito às mudanças em seus treinos. Naturalmente, houve perda de volume muscular e força, estimada em cerca de 30%.
</p>

<p>
	No entanto, em grupos musculares como costas e pernas, nos quais ele nunca teve tanta força, houve uma manutenção significativa. Ele acredita que, atualmente, possui uma melhor proporção muscular, devido ao equilíbrio de força entre os diferentes grupamentos.
</p>

<p>
	Um fator determinante para essa mudança foi a melhora significativa em suas lesões. A ausência de dores no joelho permitiu que ele treinasse pernas sem limitações, o que representou um divisor de águas em sua rotina de exercícios.
</p>

<p>
	Outra alteração notável foi em relação ao "pump" muscular.
</p>

<p>
	A <a href="https://fisiculturismo.com.br/anabolizantes/oxandrolona-r13/" rel="">oxandrolona</a>, entre outros esteroides, impacta significativamente o "pump", que é o fluxo sanguíneo e a passagem de nutrientes para os músculos. Lucas relata que, atualmente, não experimenta o "pump" intenso de antes, sendo este mais moderado e de menor duração.
</p>

<h2>
	Performance cardiovascular: uma transformação surpreendente
</h2>

<p>
	Lucas destaca a melhora em sua performance cardiovascular como um dos pontos mais positivos desde a interrupção do uso de esteroides. Ironicamente, muitos utilizam essas substâncias buscando melhora de performance em esportes, mas, no fisiculturismo, o aumento da massa muscular pode sobrecarregar o sistema cardiovascular.
</p>

<p>
	Como muitos fisiculturistas que utilizam hormônios, Lucas desenvolveu um grau de <a href="https://fisiculturismo.com.br/mat%C3%A9rias/esteroides/cora%C3%A7%C3%A3o-em-risco-a-hipertrofia-exagerada-do-cora%C3%A7%C3%A3o-pelo-uso-de-anabolizantes-r862/" rel="">insuficiência cardíaca</a>. Exames revelaram uma redução na capacidade de distensão e contração das fibras cardíacas (o "strain"), uma capacidade aeróbica (VO2) muito baixa e um aumento da rigidez arterial.
</p>

<p>
	Anteriormente, ele se sentia constantemente cansado, letárgico e com falta de ar durante séries intensas, muitas vezes precisando interromper os exercícios antes da falha muscular por exaustão. Atualmente, ele consegue correr, se movimentar com facilidade e treinar com mais intensidade. Sua performance, segundo ele, melhorou pelo menos dez vezes.
</p>

<h2>
	Transparência e a realidade dos colaterais
</h2>

<p>
	Lucas sempre prezou pela transparência em sua comunicação com o público. Ele mantém essa postura ao abordar as consequências e os efeitos colaterais que vivenciou e ainda enfrenta em decorrência do uso prolongado de esteroides.
</p>

<p>
	Ele enfatiza que seu objetivo não é julgar ou condenar o uso dessas substâncias, mas sim compartilhar sua experiência e alertar sobre os riscos envolvidos. Lucas reitera que não se arrepende de suas escolhas passadas, pois elas faziam parte de seu sonho e carreira naquele momento, mas destaca a importância de tomar decisões conscientes e bem-informadas.
</p>

<h2>
	Os motivos da decisão: mais do que estética
</h2>

<p>
	Lucas revela os motivos que o levaram a interromper o uso de esteroides, enfatizando que a decisão foi baseada em questões de saúde e não apenas estética. Ele compartilha que enfrentou problemas como pressão arterial elevada, que negligenciou por um tempo, dores na nuca, semelhantes às relatadas pelo fisiculturista Joesthetics (que faleceu de aneurisma), fadiga constante e treinos que não rendiam devido à falta de fôlego.
</p>

<p>
	A sensação de que algo estava errado e a incerteza sobre sua condição geraram ansiedade significativa, levando a crises de ansiedade e ataques de pânico. Chegou um momento crucial em que ele precisou ponderar entre sua carreira, imagem e sustento financeiro, e sua saúde. Foi nesse momento que ele decidiu buscar ajuda médica.
</p>

<h2>
	O processo de "desmame" e o acompanhamento médico
</h2>

<p>
	Ao procurar auxílio médico, Lucas foi diagnosticado como um paciente hipertenso, com diversas complicações decorrentes do uso de anabolizantes. Com os exames e o direcionamento medicamentoso em mãos, ele decidiu priorizar sua saúde.
</p>

<p>
	A interrupção do uso de esteroides foi gradual e cuidadosamente planejada. Inicialmente, ele cortou todos os compostos que estava utilizando, exceto a testosterona, cuja dose foi reduzida para 250mg.
</p>

<p>
	Após dois meses, a dose foi ajustada para 200mg e, posteriormente, para 150mg. Nesse ponto, seus níveis de testosterona se estabilizaram entre 800 e 900 ng/dL, indicando um nível fisiológico, mantido através da administração de testosterona exógena.
</p>

<p>
	Lucas enfatiza que não se considera "natural", não apenas por ainda utilizar testosterona, mas também porque acredita que o uso prolongado de esteroides deixa marcas permanentes no físico, tornando inadequado o uso desse termo.
</p>

<h2>
	Outros colaterais: a lista é longa
</h2>

<p>
	Além dos colaterais mais graves já mencionados, Lucas lista outros efeitos indesejados que experimentou, como oleosidade da pele, retenção de líquidos e queda de cabelo, que o levou a realizar um transplante capilar. Ele ressalta que a lista completa de colaterais é extensa.
</p>

<h2>
	Ergoespirometria: acompanhando a evolução
</h2>

<p>
	Lucas realizou sua primeira ergoespirometria, exame que avalia a capacidade cardiorrespiratória, no início desse processo de mudança. Ele descreve a experiência como intensa, mas fundamental para o diagnóstico e tratamento precoce de problemas cardiovasculares.
</p>

<p>
	Ao longo desse período, ele realizou quatro avaliações, em média uma a cada três meses. Os resultados demonstraram uma melhora expressiva em sua performance. Seu "strain" cardíaco evoluiu de 14,9 para 21,2, e sua capacidade cardiopulmonar, antes classificada como "muito fraca", passou a ser considerada "excelente", evidenciando a eficácia do tratamento para a insuficiência cardíaca.
</p>

<p>
	Na última ergoespirometria, Lucas conseguiu atingir seu desempenho máximo sem passar mal ou ter crises de pânico, o que contrasta com suas experiências anteriores. Ele atribui essa melhora significativa em sua capacidade cardiovascular a uma combinação de fatores.
</p>

<h2>
	Fatores que influenciaram a melhora
</h2>

<p>
	Três fatores principais foram determinantes para a melhora na saúde cardiovascular de Lucas:
</p>

<ul>
	<li>
		<strong>Perda de peso drástica:</strong> ele perdeu 13kg, aliviando a sobrecarga no coração, independentemente da composição corporal (massa muscular ou gordura).
	</li>
	<li>
		<strong>Interrupção do uso de esteroides anabolizantes: </strong>essa medida reduziu o estresse cardíaco e contribuiu para a perda de peso.
	</li>
	<li>
		<strong>Tratamento e medicações:</strong> o acompanhamento médico com o Dr. Alexandre e o Dr. Luciano, incluindo o uso de medicações específicas, foi crucial para a reversão do quadro de insuficiência cardíaca.
	</li>
</ul>

<h2>
	Rotina atual: vida de atleta, sem competição
</h2>

<p>
	Apesar de não competir mais, Lucas mantém uma rotina de atleta. Ele segue uma dieta rigorosa, faz uso de suplementos e se alimenta de forma saudável. Eventualmente, ele se permite algumas exceções, mas a alimentação balanceada continua sendo a base de seu dia a dia.
</p>

<h2>
	O shape atual: 1 ano depois
</h2>

<p>
	Lucas compartilha fotos que ilustram sua transformação física. Ele compara seu físico atual com o de períodos anteriores, tanto em fase de preparação para campeonatos quanto em off-season, quando chegou a pesar 117kg.
</p>

<p>
	<a class="ipsAttachLink ipsAttachLink_image" data-fileext="webp" data-fileid="57940" href="//cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2025_01/lucas-pinheiro-antes-depois-esteroides.webp.feffc1d101ccd0a82bf34bf124a0db0f.webp" rel=""><img alt="lucas-pinheiro-antes-depois-esteroides.webp" class="ipsImage ipsImage_thumbnailed" data-fileid="57940" data-ratio="56.25" data-unique="4mlohkxky" src="//cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2025_01/lucas-pinheiro-antes-depois-esteroides.thumb.webp.4ab24ae65042fa1c170a6db6af605c10.webp" loading="lazy"></a>
</p>

<p>
	Atualmente, ele pesa cerca de 101kg, praticamente o mesmo peso que mantinha durante as competições, porém, com uma composição corporal significativamente diferente. Antes, ele apresentava maior quantidade de massa muscular e densidade, com menor percentual de gordura. Hoje, seu percentual de gordura é mais elevado, há maior retenção de líquidos e menor quantidade de massa muscular.
</p>

<h2>
	<strong>Reflexões sobre a cultura do "shape" e os falsos naturais</strong>
</h2>

<p>
	Lucas expressa sua satisfação com seu físico atual, mas reconhece que, para muitos, especialmente os mais jovens, a definição de um "shape" ideal é distorcida e inatingível, baseada em padrões irreais, como o de atletas profissionais do Mr. Olympia.
</p>

<p>
	Essa pressão estética, segundo ele, contribui para o surgimento de "falsos naturais", indivíduos que omitem o uso de esteroides para obter validação e admiração nas redes sociais.
</p>

<p>
	Ele argumenta que a construção de uma carreira sólida e duradoura não se baseia apenas na aparência física, mas sim na personalidade, na capacidade de gerar valor e impactar positivamente a vida das pessoas.
</p>

<p>
	Essa é a filosofia que ele tem aplicado em seu trabalho nos últimos oito anos e que, segundo ele, tem gerado resultados positivos e um engajamento crescente em suas redes sociais.
</p>

<h2>
	Conclusão: uma decisão difícil, mas libertadora
</h2>

<p>
	A decisão de interromper o uso de esteroides foi, para Lucas, extremamente desafiadora. Ele precisou abrir mão de seu maior objetivo na época, que era competir no Mr. Olympia. No entanto, ele conseguiu redirecionar sua energia e propósito para outras áreas de sua vida, encontrando uma realização ainda maior.
</p>

<p>
	Atualmente, ele se sente saudável, capaz de realizar atividades cotidianas sem desconforto, treinar com intensidade e praticar esportes sem o medo constante de problemas de saúde. Para ele, não faz mais sentido buscar um físico extremamente musculoso e seco, com 120kg, e se submeter a todos os colaterais associados.
</p>

<p>
	Lucas enfatiza que essa é a sua experiência e que cada indivíduo deve avaliar sua própria situação e objetivos. Ele espera que seu relato sirva como um alerta e uma fonte de informação para aqueles que consideram o uso de esteroides, incentivando a busca por orientação médica e a tomada de decisões conscientes.
</p>

<p>
	Ele finaliza reforçando que não se arrepende de suas escolhas passadas, pois o fisiculturismo teve um papel fundamental em sua formação, ensinando-lhe lições valiosas sobre resiliência, disciplina e determinação.
</p>

<p>
	A história de Lucas Pinheiro é um relato inspirador de superação, transformação e busca por uma vida mais saudável e autêntica. Sua experiência serve como um valioso lembrete sobre a importância de priorizar a saúde, tomar decisões conscientes e buscar a verdadeira realização, que vai muito além da aparência física.
</p>

<p>
	<strong>Fontes de consulta</strong>
</p>

<p>
	1. PINHEIRO, Lucas. PAREI Com Esteroides Por 1 ANO e Esse É o RESULTADO!! (Experimento). Disponível em: &lt;https://youtu.be/DHat1qib1ag&gt;. Acesso em: 12 jan. 2025.
</p>

<p>
	<strong>Você faz uso contínuo de esteroides em doses supra-fisiológicas? Já pensou em mudar em hábito? Compartilhe nos comentários.</strong>
</p>
]]></description><guid isPermaLink="false">918</guid><pubDate>Sun, 12 Jan 2025 17:28:00 +0000</pubDate></item><item><title>Toguro &#xE9; detido em Balne&#xE1;rio Cambori&#xFA; e Balestrin corre para o resgate!</title><link>https://fisiculturismo.com.br/mat%C3%A9rias/gente/toguro-%C3%A9-detido-em-balne%C3%A1rio-cambori%C3%BA-e-balestrin-corre-para-o-resgate-r917/</link><description><![CDATA[
<p><img src="https://cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2025_01/toguro-preso-balestrin-salva.webp.15154c67af44d98ab708b7a55ccd9fcb.webp" /></p>
<p>
	O influenciador fitness Júlio Balestrin se viu em uma situação inusitada nesta semana. Em meio a uma gripe que o deixou de molho, ele precisou interromper seu descanso para ir até a delegacia de Balneário Camboriú resgatar o amigo e também influenciador, Thiago Toguro, que havia sido detido.
</p>

<h2>
	A prisão: "YouTube Estrelinha" e desacato
</h2>

<p>
	O incidente, segundo Toguro, começou quando ele, na tentativa de passar despercebido, retirou a placa de seu carro. Um guarda de trânsito o abordou e, de acordo com Toguro, o chamou repetidamente de "YouTube estrelinha", o que teria iniciado uma discussão. Toguro alega que não se exaltou, mas o guarda chamou a Guarda Civil Municipal (GCM) e ele acabou sendo levado para a delegacia por desacato.
</p>

<h2>
	Balestrin ao resgate: gripe e apoio ao amigo
</h2>

<p>
	Balestrin, mesmo debilitado pela gripe, foi até o local para entender a situação e prestar apoio ao amigo. Em um vídeo publicado no canal de Renato Cariani, os dois relataram o ocorrido. Toguro, visivelmente abalado, contou que foi bem tratado pela Polícia Civil de Balneário Camboriú, mas que se sentiu desrespeitado pelo guarda de trânsito e pela GCM. Ele afirma que foi xingado e preso injustamente, e que pretende processar os envolvidos por abuso de autoridade.
</p>

<h2>
	"Shape" em questão: as alfinetadas de Balestrin
</h2>

<p>
	Durante a conversa, Balestrin, com seu humor característico, não perdeu a oportunidade de alfinetar o amigo sobre sua forma física. Ele criticou o "shape" de Toguro, dizendo que ele estava fora de forma e fazendo piadas sobre sua aparência. Toguro, por sua vez, se defendeu dizendo que estava com 102 kg e que isso era "doença". Balestrin chegou a dizer que Toguro estava com o "pior shape de Carneiros" e o "pior shape de BC", referindo-se a praias onde eles estiveram recentemente.
</p>

<h2>
	Green Valley: planos para o sábado e a regata proibida
</h2>

<p>
	Apesar do incidente, os dois planejam ir ao Green Valley no sábado. Balestrin, no entanto, brincou que não queria ser visto com Toguro devido à sua forma física, temendo que isso "queimasse seu filme". Ele ainda relembrou um episódio em que ele próprio foi impedido de entrar no clube por estar de regata, mostrando que as regras do local são rígidas. Balestrin chegou a mencionar que existe um "detector de gordura" na porta do Green Valley, sugerindo que Toguro não conseguiria entrar.
</p>

<h2>
	"Queimado" com o trânsito e advogado em ação
</h2>

<p>
	Toguro, que disse estar sendo criticado nas redes sociais por estar fora de forma, afirmou que, a partir de agora, vai andar de bicicleta para evitar problemas com o trânsito. Ele também mencionou que foi orientado por seu advogado a não assinar o boletim de ocorrência e que prestará depoimento perante o juiz. Toguro disse que se sente "queimado" com o pessoal do trânsito e que todos estão falando mal dele nas redes sociais.
</p>

<h2>
	Cigarro, companhia e amizade
</h2>

<p>
	Balestrin comentou que Toguro parecia alterado, sugerindo que ele havia fumado antes de sair, o que Toguro negou, dizendo que Balestrin é quem havia fumado. Balestrin também mencionou que Toguro estava acompanhado de uma pessoa (não identificada) no dia do incidente, mas Toguro negou, dizendo para as pessoas pesquisarem, pois não havia ninguém com ele. Em tom de brincadeira, Balestrin perguntou a Toguro quem foi o único amigo que o visitou no hospital e quem lhe deu um perfume, insinuando que ele era um bom amigo, mesmo em meio às provocações.
</p>

<h2>
	Humor e companheirismo
</h2>

<p>
	No episódio, vemos que termina com os dois se despedindo, e Balestrin reforçando que não irá ao Green Valley com Toguro. A situação, apesar de tensa, foi tratada com humor pelos influenciadores, que compartilharam a história com seus seguidores de forma descontraída.
</p>

<h2>
	Considerações
</h2>

<p>
	É importante ressaltar que esta matéria apresenta a versão dos fatos segundo Toguro e Júlio Balestrin, presentes no vídeo a seguir compartilhado. Não é possível confirmar a veracidade das informações de forma independente. A matéria buscou relatar todos os pontos abordados no vídeo, mantendo o tom leve e bem-humorado da conversa entre os dois influenciadores.
</p>

<p>
	<strong>Fontes de consulta</strong>
</p>

<p>
	1. CARIANI, Renato. TUDO SOBRE A PRISÃO DE TOGURO! BALESTRIN FEZ O RESGATE E ELE ABRIU O JOGO!. Disponível em: &lt;https://youtu.be/7qdHZO9tm5c&gt;. Acesso em: 11 jan. 2025.
</p>

<p>
	<strong>Você é fã do Toguro? Fã do Balestrin? Compartilhe nos comentários.</strong>
</p>
]]></description><guid isPermaLink="false">917</guid><pubDate>Sat, 11 Jan 2025 22:00:00 +0000</pubDate></item><item><title>Cedric McMillan: a trajet&#xF3;ria de um gigante, os alertas ignorados e um legado de reflex&#xE3;o para o fisiculturismo</title><link>https://fisiculturismo.com.br/mat%C3%A9rias/gente/cedric-mcmillan-a-trajet%C3%B3ria-de-um-gigante-os-alertas-ignorados-e-um-legado-de-reflex%C3%A3o-para-o-fisiculturismo-r903/</link><description><![CDATA[
<p><img src="https://cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2024_12/cedric-mcmillan.webp.46e51f8091903d1346d952689020bca1.webp" /></p>
<p>
	O mundo do fisiculturismo foi pego de surpresa com a trágica notícia da morte de Cedric McMillan, aos 44 anos. Isso ocorreu há aproximadamente 2 anos. Um ícone do esporte, conhecido por seu físico que mesclava a estética da era dourada com o volume moderno, Cedric era um gigante gentil, admirado por fãs, colegas e até mesmo pelo lendário Arnold Schwarzenegger.
</p>

<p>
	Sua partida prematura, no entanto, vai além da perda de um grande atleta. Ela escancara os perigos muitas vezes negligenciados do fisiculturismo de alta performance e serve como um chamado urgente à conscientização sobre a saúde no esporte.
</p>

<h2>
	Das telas da infância ao topo do Arnold Classic: uma paixão precoce
</h2>

<p>
	A jornada de Cedric no fisiculturismo começou aos 5 anos de idade, quando, fascinado pelos físicos que via na TV, prometeu a si mesmo que um dia teria músculos como aqueles. A inspiração se intensificou ao assistir Arnold Schwarzenegger em <em>"Conan, o Bárbaro"</em>. O que era admiração virou paixão, e a paixão se transformou em um sonho de vida.
</p>

<p>
	Escondido da mãe, que temia que ele se machucasse, Cedric começou a se exercitar com pesos em casa. Sua mãe não permitia que ele montasse os pesos sem supervisão, então ele os pegava secretamente debaixo da cama, se exercitava e os guardava antes que ela voltasse do trabalho.
</p>

<p>
	Mais tarde, após se formar na faculdade, ele se juntou ao exército americano, onde continuou a treinar. Foi lá que conheceu Mark, um fisiculturista amador que se tornou seu mentor, ensinando-o sobre alimentação e treinamento. Foi em uma loja de suplementos, onde Cedric foi comprar whey protein, que ele conheceu Mark. Seguindo os conselhos de Mark, Cedric ganhou impressionantes 13 kg em apenas duas semanas, um prenúncio do gigante que estava por vir.
</p>

<h2>
	Um desfile no palco e o peso da ansiedade
</h2>

<p>
	Cedric rapidamente ascendeu no cenário competitivo. Ele competiu na categoria peso-pesado, onde havia apenas um concorrente, bem menor que ele. Serviu no Iraque (onde construiu uma academia improvisada para manter a forma) e, em 2009, tornou-se profissional. Sua presença no palco era única.
</p>

<p>
	Ele não apenas posava, mas, como bem descreveu Leandro Osti, <em>"desfilava com muita leveza"</em>. Osti também mencionou que Cedric era um de seus atletas favoritos.
</p>

<p>
	Sua vitória no Arnold Classic em 2017 foi o ápice de sua carreira, um momento em que até mesmo Arnold Schwarzenegger o elogiou por seu estômago controlado, uma característica rara no fisiculturismo moderno. No entanto, por trás do sorriso vitorioso e do físico impressionante, Cedric lutava contra um inimigo invisível: a ansiedade.
</p>

<p>
	Ele revelou mais tarde que a ansiedade antes das competições o fazia reter líquidos, prejudicando seu condicionamento e, consequentemente, suas colocações.
</p>

<p>
	O apelido "terror das lasanhas", dado carinhosamente pelos fãs devido à sua retenção, escondia uma batalha interna que poucos conheciam. Cedric revelou em seu próprio Instagram que sofria de ansiedade e que, um ou dois dias antes da competição, ele estava <em>"muito na pele"</em>, mas a ansiedade o fazia reter líquidos momentos antes de subir no palco.
</p>

<h2>
	Os sinais de alerta: uma saúde em declínio
</h2>

<p>
	A partir de 2020, a saúde de Cedric começou a se deteriorar. Ele quebrou a mão, contraiu COVID-19 e, em 2021, começou a sofrer de sérios problemas cardíacos, um ano após a infecção pelo vírus.
</p>

<p>
	Cedric teve uma experiência de quase morte em julho de 2021. Ele chegou a notificar seus parentes mais próximos, temendo pelo pior. Essa informação é crucial, pois mostra que os problemas cardíacos se manifestaram de forma aguda.
</p>

<p>
	 Após a experiência de quase morte, Cedric passou três semanas no hospital e perdeu 13 kg. No mês seguinte, ele ignorou o conselho médico e tentou recuperar o peso perdido.
</p>

<p>
	Em um vídeo emocionante analisado por Babalanda James, Cedric compartilhou suas últimas palavras, revelando a luta que estava travando.
</p>

<p>
	Ele descreveu sintomas alarmantes: incapacidade de manter alimentos no estômago, soluços constantes e refluxo. Ele tentou fazer esse vídeo 4 vezes, mas sempre o apagava por ser uma pessoa reservada. Ele estava recebendo mensagens de amigos que viram na internet rumores sobre seus problemas de saúde.
</p>

<p>
	Mesmo assim, contra as recomendações médicas, ele tentou se preparar para uma competição, da qual só desistiu 2 semanas antes. A pressão do esporte, o medo de ser <em>"descartado" </em>por seu patrocinador (Black Skull) e a incerteza sobre o futuro o consumiam.
</p>

<p>
	Ele estava preocupado com o que as pessoas na internet diriam (<em>"Cedric não é mais um fisiculturista"</em>) e como sua família e amigos se sentiriam. Ele sentia que ainda tinha algo a provar e queria continuar fazendo o que amava.
</p>

<p>
	Ele estava tomando um medicamento para úlceras estomacais que parecia estar ajudando. A Black Skull se ofereceu para levá-lo ao Brasil para ser examinado por seus médicos. Ele conseguia comer cerca de uma refeição sólida por dia e sentia que as coisas estavam começando a melhorar.
</p>

<h2>
	As análises contundentes: esteroides anabolizantes, dismorfia e a busca implacável
</h2>

<p>
	Greg Doucette, em sua análise, foi direto ao ponto: a pressão do fisiculturismo e o uso de esteroides anabolizantes provavelmente contribuíram significativamente para os problemas de saúde de Cedric.
</p>

<p>
	Ele apontou para a dismorfia corporal, um transtorno que distorce a percepção da própria imagem, como um fator que pode levar à busca incessante por mais tamanho, muitas vezes através do abuso de substâncias perigosas. 
</p>

<p>
	Doucette opinou que McMillan deveria ter se aposentado após a experiência de quase morte em julho. Ele também mencionou que Cedric tinha um contrato que o obrigava a manter uma certa imagem para vender produtos. Doucette usou seu próprio exemplo, revelando que agora está em  terapia de reposição hormonal (TRH) prescrita por um médico, pratica cardio e faz exames de sangue regularmente. Ele enfatizou a importância de fazer exames regulares e não se enganar pensando que problemas de saúde não podem acontecer com você.
</p>

<p>
	Greg Doucette, em sua análise, foi enfático ao apontar a pressão do fisiculturismo como um fator crucial para a fatalidade. A necessidade de manter uma certa imagem, a pressão por resultados e até mesmo as cláusulas contratuais podem levar os atletas a tomarem decisões perigosas.
</p>

<p>
	Doucette acredita que, mesmo que a COVID-19 (contraída por Cedric em 2020) tenha contribuído para o morte, o uso prolongado de esteroides provavelmente teve um papel significativo nos problemas cardíacos de Cedric, incluindo o <a href="https://fisiculturismo.com.br/mat%C3%A9rias/esteroides/cora%C3%A7%C3%A3o-em-risco-a-hipertrofia-exagerada-do-cora%C3%A7%C3%A3o-pelo-uso-de-anabolizantes-r862/" rel="">coração aumentado</a>, uma condição comum em usuários de esteroides.
</p>

<p>
	Por outro lado, Jeff Medeiros questiona se a morte de Cedric tem ligação com a doença de 2019 (COVID-19) ou com o excesso de esteroides. Segundo relatos, Cedric sofreu um ataque cardíaco enquanto treinava em uma esteira. A Black Skull, seu patrocinador, confirmou a triste notícia.
</p>

<p>
	Julio Balestrin e Renato Cariani, em um podcast, também destacaram os riscos do esporte de alta performance, enfatizando que <em>"tudo que você faz de abuso, um dia paga a conta"</em>. Eles mencionaram que a morte de Cedric ocorreu durante o horário do almoço e que ele provavelmente estava fazendo seu cardio matinal quando tudo aconteceu. A morte de Cedric, infelizmente, não era um caso isolado. Outras tragédias recentes no fisiculturismo, como a de <a href="https://fisiculturismo.com.br/mat%C3%A9rias/gente/o-ciclo-insano-de-drogas-anabolizantes-de-dallas-mccarver-r876/" rel="">Dallas McCarver</a>, reforçam a urgência de uma mudança de paradigma no esporte.
</p>

<h2>
	Um chamado à consciência: o legado de Cedric
</h2>

<p>
	A morte de Cedric McMillan é uma tragédia que transcende o indivíduo. É um alerta para todos os envolvidos no fisiculturismo: atletas, treinadores, patrocinadores e fãs. É hora de repensar as práticas, os padrões e as pressões que levam os atletas a colocarem suas vidas em risco.
</p>

<p>
	O legado de Cedric deve ser mais do que a lembrança de um físico impressionante e um competidor carismático. Deve ser um chamado à conscientização, um lembrete de que a saúde e a longevidade devem ser priorizadas acima de troféus e glórias efêmeras.
</p>

<p>
	A última competição de Cedric foi em 2020 no Arnold Classic, onde ficou em sexto lugar.
</p>

<p>
	Descanse em paz, Cedric McMillan. Sua história nos deixa uma lição valiosa e um alerta que não pode ser ignorado. Que sua jornada inspire uma transformação profunda no fisiculturismo, para que a busca pela excelência física nunca mais se sobreponha à preservação da vida.
</p>

<p>
	<strong>Fontes de consulta</strong>
</p>

<p>
	1. CORTES DO INTELIGÊNCIA. Os perigos de abusar do fisiculturismo - Renato Cariani e Julio Balestrin. Disponível em: &lt;https://youtu.be/QwW6qGLbNv8&gt;. Acesso em: 30 dez. 2024.
</p>

<p>
	2. DOUCETTE, Greg. What Caused His Death? || Cedric McMillan. Disponível em: &lt;https://youtu.be/kvELqXcail8&gt;. Acesso em: 30 dez. 2024.
</p>

<p>
	3. MEDEIROS, Jeff. O que aconteceu com Cedric McMillan?! Disponível em: &lt;https://youtu.be/EQAB5bOQ4c4&gt;. Acesso em: 30 dez. 2024.
</p>

<p>
	4. JAMES, Babalanda. RIP, Cedric McMillan Final Moments before he died. He knew his his time had come. Disponível em: &lt;https://youtu.be/yeb5-PAF_VE&gt;. Acesso em: 30 dez. 2024.
</p>

<p>
	5. OSTI, Leandro. Cedric McMillan morre aos 44 anos. Disponível em: &lt;https://youtu.be/7O3nVeGhxtU&gt;. Acesso em: 30 dez. 2024.
</p>

<p>
	<strong>Você acompanhou a carreira de Cedric McMillan? Deixe nos comentários.</strong>
</p>
]]></description><guid isPermaLink="false">903</guid><pubDate>Mon, 30 Dec 2024 03:32:00 +0000</pubDate></item><item><title>Fisiculturismo feminino com Al&#xEA; Grimaldi: horm&#xF4;nios, dieta e experi&#xEA;ncia de vida!</title><link>https://fisiculturismo.com.br/mat%C3%A9rias/gente/fisiculturismo-feminino-com-al%C3%AA-grimaldi-horm%C3%B4nios-dieta-e-experi%C3%AAncia-de-vida-r882/</link><description><![CDATA[
<p><img src="https://cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2024_12/Ale-Grimaldi.webp.7e8ffee892704fddefd8f2608ec801c1.webp" /></p>
<h2>
	O universo do fisiculturismo feminino com Alê Grimaldi: dieta, hormônios e experiência de vida
</h2>

<p>
	Alê Grimaldi, fisiculturista e referência no mundo fitness, compartilhou sua trajetória pessoal e profissional em uma entrevista repleta de insights sobre os desafios, as escolhas e os aprendizados no fisiculturismo feminino. De uma rotina rigorosa de treinos e dieta desde a infância até os impactos do uso de hormônios no corpo feminino, Alê abordou questões que vão desde saúde e disciplina até os perigos de práticas inadequadas no esporte.
</p>

<h2>
	A base do estilo de vida esportivo
</h2>

<p>
	Desde jovem, Alê teve uma vida dedicada ao esporte. Criada por uma mãe que incentivava hábitos saudáveis para os filhos, ela cresceu em um ambiente sem refrigerantes, açúcar ou alimentos processados. Segundo Alê, nunca provou hambúrguer ou batata frita, o que moldou uma rotina disciplinada que favoreceu sua vida como atleta.
</p>

<p>
	Com quatro filhos em sua família, três deles atletas, Alê destacou como essa base foi essencial para sua trajetória no esporte.
</p>

<h2>
	A transição para o fisiculturismo
</h2>

<p>
	Em 2012, aos 42 anos, Alê estreou na categoria <em>Woman Physique</em>, uma modalidade que considerou mais adequada ao seu estilo e objetivos. Embora já tivesse uma rotina intensa de treinos e dieta, ela destacou a diferença entre treinar para a vida e treinar para competir. Segundo ela, o palco a “chamou”, e não o contrário.
</p>

<p>
	Nesse início, Alê optou por não usar hormônios devido a preconceitos e receios pessoais, o que a levou a enfrentar desafios extremos. Para alcançar o nível de definição necessário, sua dieta era extremamente restritiva, resultando em perda de glicogênio, água e densidade muscular. Esse processo revelou as dificuldades de competir sem suporte hormonal, o que a levou a reconsiderar sua abordagem.
</p>

<h2>
	O uso de hormônios e seus impactos
</h2>

<p>
	Após muita pesquisa e estudo sobre hormônios, Alê decidiu incorporar o propionato de drostanolona (Masteron®) em doses consideradas baixas (200 mg por semana) nas 12 semanas finais antes das competições. Esse hormônio, derivado de DHT, é conhecido por seus efeitos menos severos em mulheres, mas mesmo assim trouxe efeitos colaterais.
</p>

<p>
	Entre os principais impactos, Alê mencionou:
</p>

<ul>
	<li>
		<strong>Virilização:</strong> crescimento de pelos faciais e corporais, alteração no tom de voz (ficando mais rouca) e mudanças permanentes causadas pelo uso de hormônios.
	</li>
	<li>
		<strong>Pelos corporais:</strong> necessidade constante de depilação com cera e uso de lâminas no rosto, já que tratamentos como laser têm pouca eficácia.
	</li>
	<li>
		<strong>Efeitos positivos: </strong>aumento da densidade muscular e melhora na retenção de massa magra durante a dieta restritiva, mas ao custo de mudanças hormonais significativas.
	</li>
</ul>

<p>
	Ela enfatizou que esses efeitos podem variar de pessoa para pessoa e alertou sobre o uso indiscriminado de hormônios por mulheres não atletas, destacando os altos riscos e as consequências irreversíveis.
</p>

<h2>
	Entendendo os hormônios e o ciclo do corpo
</h2>

<p>
	Alê explicou com detalhes o impacto dos hormônios anabólicos no corpo humano, tanto em homens quanto em mulheres:
</p>

<ul>
	<li>
		<strong>Supressão do eixo hormonal:</strong> o uso de hormônios sintéticos como testosterona ou seus derivados causa supressão do eixo hipotalâmico-hipofisário, inibindo a produção natural de testosterona nos homens e de estradiol nas mulheres.
	</li>
	<li>
		<strong>Feedback negativo: </strong>O corpo entende que já há hormônio suficiente e reduz a produção natural, o que pode levar a problemas como hipogonadismo.
	</li>
	<li>
		<strong>Impactos cardiovasculares:</strong> o uso prolongado de hormônios pode causar aterosclerose, hipertrofia do ventrículo esquerdo e outras complicações cardíacas.
	</li>
	<li>
		<strong>Perigos do uso indevido:</strong> Alê alertou sobre jovens que usam hormônios sem necessidade médica, causando danos irreversíveis à saúde, como infertilidade e problemas cardíacos.
	</li>
</ul>

<h2>
	O papel da dieta e do treino
</h2>

<p>
	Além do uso de hormônios, Alê destacou a importância de uma base sólida de dieta e treino. Para ela, o hormônio é apenas a “cereja do bolo”, e o verdadeiro trabalho está na construção de uma rotina consistente:
</p>

<ul>
	<li>
		<strong>Dieta rigorosa:</strong> desde a infância, Alê manteve uma alimentação limpa, o que facilitou sua adaptação às exigências do fisiculturismo.
	</li>
	<li>
		<strong>Treino intenso:</strong> em vez de fazer múltiplas sessões de cardio, ela preferiu ajustar sua alimentação, mostrando que disciplina e equilíbrio são mais importantes do que extremos.
	</li>
	<li>
		<strong>Descanso e paciência:</strong> Alê criticou a cultura do “atalho”, enfatizando que um físico de qualidade é construído ao longo de anos de dedicação.
	</li>
</ul>

<h2>
	O alerta contra o uso desinformado de hormônios
</h2>

<p>
	Alê compartilhou histórias de jovens e atletas que buscaram resultados rápidos por meio do uso inadequado de hormônios. Ela descreveu casos de pessoas que enfrentaram complicações sérias, como infartos precoces, e enfatizou que muitos não entendem os riscos envolvidos.
</p>

<p>
	Segundo ela, a desinformação na internet e a má interpretação de informações técnicas contribuem para práticas perigosas. Alê reforçou que, antes de qualquer decisão, é essencial buscar orientação de profissionais capacitados.
</p>

<h2>
	Lições de vida e consciência no fisiculturismo
</h2>

<p>
	Alê encerrou sua entrevista com reflexões sobre o equilíbrio entre saúde e performance. Apesar dos desafios enfrentados, ela destacou os benefícios de uma vida saudável na menopausa, atribuindo sua qualidade de vida ao treino e à dieta consistente ao longo dos anos.
</p>

<p>
	"Se você quer resultados, precisa estar disposto a abrir mão de algumas coisas", disse Alê, enfatizando que não há atalhos no esporte ou na saúde.
</p>

<h2>
	Conclusão
</h2>

<p>
	A experiência de Alê Grimaldi é um testemunho dos altos e baixos do fisiculturismo. Com uma visão honesta e realista, ela trouxe luz à importância da disciplina, dos cuidados com a saúde e dos limites que precisam ser respeitados no uso de hormônios. Sua mensagem final é clara: resultados consistentes e sustentáveis vêm do trabalho duro e da paciência, não de atalhos perigosos.
</p>

<p>
	Siga <a href="https://www.instagram.com/alegrimaldi_pro/" rel="external nofollow">@alegrimaldi_pro</a> no Instagram.
</p>

<p>
	<strong>Fontes de consulta</strong>
</p>

<p>
	1. A VIDA É UM CAOS - CORTES. Alê Grimaldi dá uma aula sobre hormônios anabolizantes. Disponível em: &lt;<span ipsnoautolink="true">https://youtu.be/BkddWV86quA</span>&gt;. Acesso em 22 dez. 2024.
</p>

<p>
	<strong>Você aprendeu alguma coisa com Alê Grimaldi? Compartilhe nos comentários.</strong>
</p>
]]></description><guid isPermaLink="false">882</guid><pubDate>Sun, 22 Dec 2024 15:56:13 +0000</pubDate></item><item><title>Dorian Yates: 62 anos e segue treinando sem parar!</title><link>https://fisiculturismo.com.br/mat%C3%A9rias/gente/dorian-yates-62-anos-e-segue-treinando-sem-parar-r880/</link><description><![CDATA[
<p><img src="https://cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2024_12/dorian-yates-62-anos-2.webp.ed79ef2439c58434a3f4d4c6c168621a.webp" /></p>
<h2>
	Dorian Yates aos 62 Anos: um legado vivo no Bodybuilding e uma Inspiração para a longevidade
</h2>

<p>
	Dorian Yates, um dos maiores fisiculturistas de todos os tempos, continua sendo um exemplo de dedicação e adaptação, mesmo aos 62 anos. Conhecido por sua determinação e método revolucionário de treino, Dorian mantém um estilo de vida saudável e ativo que inspira fãs ao redor do mundo.
</p>

<h2>
	A rotina atual de treino de Dorian Yates
</h2>

<p>
	Aos 62 anos, Dorian mantém uma rotina de treinos que prioriza a longevidade e a saúde. Ele treina de duas a três vezes por semana, alternando sessões para a parte superior e inferior do corpo. Cada treino dura no máximo uma hora, demonstrando que a qualidade e a eficiência podem substituir a quantidade.
</p>

<p>
	Dorian opta por pesos mais leves, permitindo melhor controle dos movimentos e minimizando o risco de lesões, mas ainda treina até a falha muscular para garantir intensidade e eficácia. Essa abordagem reflete sua transição de um fisiculturista competitivo para um atleta preocupado com a saúde a longo prazo.
</p>

<h2>
	Um histórico de excelência no bodybuilding
</h2>

<p>
	Durante sua carreira, Dorian Yates redefiniu o que significava ser um fisiculturista de elite. Ele venceu o prestigiado Mr. Olympia seis vezes consecutivas, de 1992 a 1997, solidificando seu nome entre os maiores da história. Sua capacidade de atingir uma condição física impecável em competições, com o menor percentual de gordura possível, e seu formato corporal em "V" foram marcantes.
</p>

<p>
	Dorian foi um verdadeiro "monstro" na offseason, alcançando um peso impressionante de 315 libras (cerca de 143 kg). Ele também era conhecido por seu treinamento de alta intensidade, adaptado do método de Mike Mentzer, que priorizava menos volume e mais brutalidade. Seu foco em períodos de recuperação mais longos, aliados a treinos extremamente intensos, destacou sua abordagem inovadora e eficiente.
</p>

<h2>
	Foco em saúde e longevidade
</h2>

<p>
	Atualmente, Dorian prioriza o isolamento de grupos musculares em seus treinos, visando uma melhor contração muscular e a prevenção de lesões. Ele também modificou seu treinamento, abandonando os pesos extremos que marcaram sua carreira competitiva. Agora, seu foco está em um estilo de vida que promova longevidade e bem-estar.
</p>

<p>
	Dorian complementa sua rotina com uma dieta equilibrada e saudável. Um de seus smoothies favoritos inclui proteína vegana, pó de moringa, nozes e mel, refletindo sua atenção à nutrição para sustentar sua saúde.
</p>

<h2>
	Desafios e adaptação
</h2>

<p>
	Com o passar dos anos, Dorian enfrentou os desafios físicos que acompanham uma carreira de alta intensidade no fisiculturismo. Este ano, ele passou por uma cirurgia de substituição de quadril, resultado dos danos acumulados por décadas de treinos intensos. Apesar disso, sua resiliência e compromisso com a saúde continuam a inspirar.
</p>

<h2>
	O legado de Dorian Yates
</h2>

<p>
	O que torna Dorian Yates uma lenda não é apenas sua coleção de títulos ou seus impressionantes feitos físicos, mas também sua capacidade de se reinventar. Sua dedicação ao esporte e sua motivação para ser o melhor continuam a inspirar gerações de fisiculturistas e fãs.
</p>

<p>
	Hoje, Dorian é procurado para treinar outros atletas e compartilhar seus conselhos sobre treino, nutrição e longevidade. Ele prova que é possível equilibrar uma vida saudável e ativa mesmo após uma carreira marcada por extremo esforço físico.
</p>

<h2>
	Uma inspiração duradoura
</h2>

<p>
	Enquanto desfruta do sol e do estilo de vida saudável, Dorian Yates permanece uma inspiração para aqueles que buscam longevidade e equilíbrio em suas vidas. Seu compromisso com a saúde, aliado ao seu legado no fisiculturismo, é um lembrete de que a verdadeira grandeza vai além dos troféus e dos músculos.
</p>

<p>
	Siga <a href="https://www.instagram.com/thedorianyates/" rel="external nofollow">@thedorianyates</a> no Instagram.
</p>

<p>
	<strong>Fontes de consulta</strong>
</p>

<p>
	1. BODYBUILDING FOR LIFE. 62 years old Dorian Yates motivation - age is nothing but a number. Disponível em: &lt;<span ipsnoautolink="true">https://youtu.be/EkD_pKVVa00</span>&gt;. Acesso em: 22 dez. 2024.
</p>

<p>
	<strong>Gostou desta história? Deixe nos comentários se você acompanhou a jornada de Dorian no fisiculturismo.</strong>
</p>
]]></description><guid isPermaLink="false">880</guid><pubDate>Sun, 22 Dec 2024 03:36:00 +0000</pubDate></item><item><title>O ciclo insano de drogas anabolizantes de Dallas McCarver</title><link>https://fisiculturismo.com.br/mat%C3%A9rias/gente/o-ciclo-insano-de-drogas-anabolizantes-de-dallas-mccarver-r876/</link><description><![CDATA[
<p><img src="https://cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2024_12/dallas-mccarver.webp.4fd3ab04ab3f27b8a00141f638ad3963.webp" /></p>
<h2>
	A ascensão e queda trágica de Dallas McCarver: uma história do fisiculturismo moderno
</h2>

<p>
	Em 2017, o mundo do fisiculturismo foi abalado com a notícia do falecimento de Dallas McCarver, um talento promissor que nos deixou com apenas 26 anos de idade. Considerado um prodígio da indústria, Dallas era visto como o próximo grande "monstro das massas" a emergir dos Estados Unidos, mas seu futuro brilhante foi tragicamente interrompido. Esta é sua história.
</p>

<h2>
	Os primeiros anos e o início nas competições
</h2>

<p>
	Desde jovem, Dallas McCarver já demonstrava seu potencial extraordinário. Sua estrutura imponente e musculatura impressionante o destacavam mesmo durante seus anos como jogador do time de futebol americano da escola. No entanto, foi apenas quando começou a treinar com pesos que verdadeiramente encontrou sua paixão.
</p>

<p>
	Após o ensino médio, Dallas decidiu canalizar sua força e dedicação para o fisiculturismo. Sua ascensão no esporte foi meteórica: conquistou duas competições e garantiu seu cartão profissional com apenas 21 anos de idade. Com ambições grandiosas, passou a competir em algumas das maiores competições de fisiculturismo do mundo.
</p>

<p>
	Em seus primeiros anos como profissional, Dallas provou ser um verdadeiro campeão, vencendo três das cinco competições IFBB em que participou durante o início dos seus 20 anos. Seus títulos incluíram:
</p>

<ul>
	<li>
		NPC Battle at the River Championships (2011).
	</li>
	<li>
		IFBB North American Championships (2012).
	</li>
	<li>
		IFBB California State Pro (2015).
	</li>
</ul>

<p>
	Mas Dallas não se contentava apenas com essas vitórias. Ele almejava competir contra os melhores do mundo, e foi exatamente isso que fez. No IFBB Olympia Weekend de 2015, mesmo enfrentando veteranos experientes, conseguiu um respeitável 13º lugar. No ano seguinte, superou as expectativas ao conquistar a 8ª posição no prestigioso Mr. Olympia, um feito notável para alguém tão jovem.
</p>

<h2>
	Presença nas mídias sociais e empreendimentos
</h2>

<p>
	Dallas McCarver não era apenas um atleta talentoso, mas também um influenciador digital e empresário bem-sucedido. Sua presença nas redes sociais era massiva:
</p>

<ul>
	<li>
		No Instagram, mantinha meio milhão de seguidores atualizados com vídeos de treinos, fotos de sua evolução física e divulgação de produtos.
	</li>
	<li>
		Sua página no Facebook contava com 75 mil seguidores.
	</li>
	<li>
		Mesmo com uma presença menor no Twitter (atual X), mantinha atualizações semanais regulares.
	</li>
</ul>

<p>
	Como empreendedor, Dallas desenvolveu seu próprio website onde comercializava roupas e sua linha de suplementos, a Redcon1. Um de seus produtos mais impressionantes era o MRE (meal replacement), que fornecia mais de 500 calorias e 50 gramas de proteína por porção, formulado com ingredientes diferenciados como aveia, inhame, batata-doce, pera, blend proteico e frutas.
</p>

<h2>
	O colapso e a controvérsia
</h2>

<p>
	Em março de 2017, um incidente alarmante ocorreu durante o Arnold Classic na Austrália: Dallas sofreu um colapso enquanto realizava suas poses. O evento chocou a comunidade do fitness e levantou sérias preocupações sobre sua saúde.
</p>

<p>
	Inicialmente, Dallas atribuiu o incidente a uma infecção respiratória e bronquite, combinadas com hidratação e nutrição inadequadas. Envergonhado pelo ocorrido, pediu desculpas aos fãs.
</p>

<p>
	No entanto, a situação ganhou novos contornos quando Boston Lloyd publicou um vídeo acusando Dallas de mentir sobre sua condição. Lloyd alegava que o real motivo do colapso era o uso excessivo de diuréticos e estimulantes.
</p>

<p>
	Mark Lobliner também se manifestou sobre o incidente, responsabilizando os diuréticos e expressando surpresa por incidentes similares não serem mais frequentes, considerando o uso de drogas, estimulantes, insulina e o estresse geral que os fisiculturistas impõem a seus corpos.
</p>

<h2>
	 Treino e nutrição
</h2>

<p>
	A abordagem de Dallas aos treinos e nutrição era peculiar e intensiva. Sua rotina incluía:
</p>

<ul>
	<li>
		Dois treinos diários focados em grupos musculares específicos.
	</li>
	<li>
		Predileção por barras fixas com pegada aberta, que considerava fundamentais para desenvolver suas costas impressionantes.
	</li>
	<li>
		Variação constante nas pegadas durante exercícios de puxada para trabalhar diferentes áreas das costas.
	</li>
</ul>

<p>
	McCarver tinha uma visão particular sobre desenvolvimento físico. Para ele, manter uma cintura fina (86 cm) era tão importante quanto desenvolver coxas e peitoral volumosos. Seu sucesso era medido não pelo ganho geral de massa, mas pela capacidade de manter essa proporção específica.
</p>

<p>
	Quanto à nutrição, Dallas seguia princípios próprios:
</p>

<ul>
	<li>
		Acreditava que o corpo tinha um limite de absorção proteica.
	</li>
	<li>
		Abandonou o hábito de comer até passar mal.
	</li>
	<li>
		Adotou uma dieta limpa baseada em:
		<ul>
			<li>
				  Peixe.
			</li>
			<li>
				  Ovos.
			</li>
			<li>
				  Frango.
			</li>
			<li>
				  Batata-doce.
			</li>
			<li>
				  Arroz.
			</li>
			<li>
				  Vegetais verdes.
			</li>
		</ul>
	</li>
</ul>

<h2>
	O trágico fim
</h2>

<p>
	Em agosto de 2017, Dallas McCarver foi encontrado inconsciente em sua residência, cercado por alimentos espalhados, o que inicialmente levou a suspeitas de asfixia. Contudo, a autópsia revelou uma verdade ainda mais devastadora: ele sofria de cardiomegalia severa, uma condição caracterizada pelo aumento anormal do coração, comumente associada ao uso de esteroides anabolizantes e hormônio do crescimento.
</p>

<p>
	Os resultados da autópsia foram alarmantes:
</p>

<ul>
	<li>
		Seu coração pesava 833 gramas, quase três vezes o peso de um coração humano saudável.
	</li>
	<li>
		Para comparação, Rich Piana, 20 anos mais velho que Dallas, tinha um coração de 670 gramas.
	</li>
	<li>
		Apresentava hipertrofia nos rins e fígado.
	</li>
</ul>

<p>
	A causa oficial da morte foi registrada como um evento cardíaco agudo não testemunhado, precipitado por fatores predisponentes de hipertrofia ventricular esquerda concêntrica severa. O relatório explicitamente vinculou o aumento do coração ao uso crônico de esteroides exógenos e hormônios não esteroides.
</p>

<h2>
	O controverso ciclo de esteroides
</h2>

<p>
	Após sua morte, vieram à tona informações sobre o extensivo uso de substâncias para melhoramento de performance. Relatos sugerem que Dallas utilizava uma combinação complexa de drogas, incluindo:
</p>

<ul>
	<li>
		22 UI de HGH diárias.
	</li>
	<li>
		Insulina de ação rápida várias vezes ao dia.
	</li>
	<li>
		Insulina de ação longa pela manhã.
	</li>
	<li>
		Altas doses de IGF-1.
	</li>
	<li>
		Diversos esteroides anabolizantes:
		<ul>
			<li>
				  Anadrol.
			</li>
			<li>
				  EPO.
			</li>
			<li>
				  Halotestin.
			</li>
			<li>
				  Masteron.
			</li>
			<li>
				  T3.
			</li>
			<li>
				  Nandrolona.
			</li>
			<li>
				  NPP.
			</li>
			<li>
				  Primobolan.
			</li>
			<li>
				  Winstrol.
			</li>
			<li>
				  Diversos compostos de testosterona (Test-D, suspensão de testosterona e Sustanon).
			</li>
		</ul>
	</li>
</ul>

<p>
	O custo estimado desse ciclo era astronômico: aproximadamente 70 mil dólares mensais, com o IGF-1 representando uma parcela significativa desse valor. Embora existam dúvidas sobre a precisão exata desse ciclo, é inequívoco que Dallas estava assumindo riscos extraordinários com sua saúde.
</p>

<h2>
	Legado
</h2>

<p>
	A história de Dallas McCarver serve como um alerta contundente sobre os perigos do uso excessivo de substâncias para melhoramento de performance no fisiculturismo profissional. Seu falecimento prematuro destaca a necessidade urgente de discussões mais sérias sobre saúde e segurança no esporte, especialmente considerando a pressão crescente por físicos cada vez mais extremos.
</p>

<p>
	Aos 26 anos, Dallas estava apenas começando sua jornada no fisiculturismo profissional, com muitos especialistas prevendo que ele poderia se tornar um forte candidato ao título de Mr. Olympia nos anos seguintes. Sua morte prematura não apenas encerrou uma carreira promissora, mas também deixou uma marca indelével na história do esporte, servindo como um lembrete sombrio dos riscos associados à busca pela perfeição física a qualquer custo.
</p>

<p>
	<strong>Fontes de consulta</strong>
</p>

<p>
	1. BODYBUILDING LEGENDS. Dallas McCarver's Insane Steroid Cycle! (SHOCKING). Disponível em: &lt;<span ipsnoautolink="true">https://youtu.be/vGF3YUHjDdc</span>&gt;. Acesso em: 20 dez. 2024.
</p>

<p>
	<strong>Você conhecia a história chocante de Dallas McCarver e seu ciclo monstruoso? Deixe nos comentários.</strong>
</p>
]]></description><guid isPermaLink="false">876</guid><pubDate>Fri, 20 Dec 2024 15:57:00 +0000</pubDate></item><item><title>A mulher do corpo perfeito &#xE9; brasileira: Karol Rosalin!</title><link>https://fisiculturismo.com.br/mat%C3%A9rias/gente/a-mulher-do-corpo-perfeito-%C3%A9-brasileira-karol-rosalin-r847/</link><description><![CDATA[
<p><img src="https://cdn.fisiculturismo.com.br/monthly_2024_12/karol-rosalin.webp.7caf0191510509e223a983d69eb125ff.webp" /></p>
<h2>
	Karol Rosalin e o novo padrão fitness: o equilíbrio entre saúde e estética
</h2>

<p>
	No mundo fitness, é comum ouvirmos falar de corpos extremamente musculosos ou magros como objetivos a serem alcançados. Mas, a recente escolha da influenciadora brasileira Karol Rosalin como a "Mulher Fitness Perfeita" pela Playboy Austrália aponta para uma nova direção. Este título, definido com ajuda de inteligência artificial, celebra o equilíbrio entre força, saúde e bem-estar, fugindo dos estereótipos extremos.
</p>

<p>
	Acredito que a história de Karol oferece inspiração e lições importantes para quem busca não apenas resultados estéticos, mas uma vida saudável e sustentável. Vamos explorar o que a tornou um símbolo dessa tendência crescente.
</p>

<p>
	<video class="ipsEmbeddedVideo" controls="" data-controller="core.global.core.embeddedvideo" data-fileid="57723" data-unique="ub02vr0gb" preload="metadata">
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	</source></video>
</p>

<h2>
	A jornada de Karol: o equilíbrio como meta
</h2>

<p>
	Karol Rosalin, de 25 anos, iniciou sua trajetória fitness há oito anos, enfrentando os desafios comuns a muitos de nós: não saber como treinar corretamente e experimentar diferentes fases no corpo. <em>“Passei por períodos em que fui mais magrinha ou mais musculosa, mas hoje encontrei o equilíbrio para o meu corpo”</em>, compartilhou a influenciadora.
</p>

<p>
	Essa jornada é um lembrete de que cada pessoa tem um caminho único no universo fitness. Nem sempre acertamos de primeira, mas o importante é continuar aprendendo e ajustando até encontrar o que funciona melhor.
</p>

<h2>
	Rotina e alimentação: simplicidade que funciona
</h2>

<p>
	Karol alcançou seu equilíbrio seguindo uma rotina simples, mas eficaz:
</p>

<h3>
	Treinos:
</h3>

<ul>
	<li>
		Musculação cinco vezes por semana.
	</li>
	<li>
		Exercícios aeróbicos diários, essenciais para saúde cardiovascular e queima de gordura.
	</li>
</ul>

<h3>
	Alimentação:
</h3>

<ul>
	<li>
		Baseada em alimentos naturais e acessíveis, como batata-doce, mandioca, frutas, frango, ovos e aveia.
	</li>
	<li>
		Sem dietas extremas ou restrições radicais, mas com planejamento focado na saúde.
	</li>
</ul>

<p>
	Esse estilo de vida reflete o que defendo como personal trainer: não há necessidade de métodos extremos para alcançar resultados. Um plano consistente, ajustado às necessidades e ao ritmo de vida de cada um, é o que traz mudanças duradouras.
</p>

<h2>
	Um novo padrão de beleza no universo fitness
</h2>

<p>
	A escolha de Karol, feita com critérios avaliados por inteligência artificial, destacou atributos como simetria, proporção e harmonia estética. Mas o mais interessante foi o afastamento dos estereótipos de corpos excessivamente musculosos que ainda dominam o mercado fitness.
</p>

<p>
	Karol representa uma nova perspectiva: a valorização de corpos que equilibram força e feminilidade, promovendo um estilo de vida mais acessível e sustentável.
</p>

<p>
	Para quem busca inspiração, ela prova que o equilíbrio entre saúde, bem-estar e estética é não apenas possível, mas também muito desejável.
</p>

<h2>
	Inspiração para todos nós
</h2>

<p>
	Karol Rosalin não apenas conquistou um título impressionante, mas também mostrou que o sucesso no universo fitness vai além da aparência. Ele envolve dedicação, autoconhecimento e a busca por um estilo de vida equilibrado.
</p>

<p>
	Inspire-se na história dela, mas lembre-se de que seu corpo e suas metas são únicos. Não há um “ideal” universal. O mais importante é encontrar a sua versão de saúde, bem-estar e felicidade.
</p>

<p>
	Se precisar de orientação nessa jornada, crie seu tópico no fórum para que a comunidade possa lhe ajudar. Juntos, podemos criar um plano que funcione para você, do treino à alimentação, sempre respeitando suas necessidades e seu ritmo. Afinal, o equilíbrio é o verdadeiro segredo para alcançar o que você deseja!
</p>

<p>
	Siga @<span style="background-color: transparent; border-style: none; border-width: 0px; color: rgb(var(--ig-link)); font-size: 14px; padding: 0px; text-align: start;"><a href="https://www.instagram.com/karolrosalin/" rel="external nofollow">karolrosalin</a> no Instagram.</span>
</p>

<p>
	<strong>Fontes de consulta</strong>
</p>

<p>
	1. TERRA. Brasileira é eleita a 'Mulher Fitness Perfeita' de acordo com a inteligência artificial. Disponível em: &lt;https://www.terra.com.br/vida-e-estilo/autocuidado/brasileira-e-eleita-a-mulher-fitness-perfeita-de-acordo-com-a-inteligencia-artificial&gt;. Acesso em: 8 dez. 2024.
</p>

<p>
	2. PLAYBOY AUSTRALIA. According to artificial intelligence fitness influencer @karolrosalin has the perfect body in terms of definition and is ideal in this fitness world. Disponível em: &lt;<span ipsnoautolink="true">https://www.instagram.com/p/DDMtgreu2kD</span>&gt;. Acesso em: 8 dez. 2024.
</p>

<p>
	<strong>Essa matéria foi inspiradora para você começar ou seguir na busca do corpo perfeito? Deixe nos comentários.</strong>
</p>
]]></description><guid isPermaLink="false">847</guid><pubDate>Sun, 08 Dec 2024 15:52:00 +0000</pubDate></item></channel></rss>
