Igor_DH
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Igor_DH reagiu a Cláudio Chamini em CALORIAS NÃO EXISTEM!@TribalWolf , a sua resposta é boa e ela deixa o debate mais preciso, porque separa duas perguntas que costumam andar coladas. Uma é o que faz alguém emagrecer. A outra é o que faz alguém conseguir emagrecer e se manter. Elas têm respostas diferentes, e acho que é aí que a nossa conversa converge mais do que parece.
Sobre a crítica ao ambiente controlado, ela é justa e é a limitação padrão desse tipo de estudo. Só que a função da enfermaria metabólica não é imitar a vida real, é isolar uma variável. Ela responde a pergunta estreita, ou seja, se com calorias iguais uma composição de macronutrientes produz mais perda de gordura que outra. A resposta consistente é que a diferença existe mas é pequena, e não da ordem de grandeza que a hipótese carboidrato insulina previa. Isso não invalida nada do que você diz sobre a vida fora do hospital, apenas mostra que a vantagem da low carb não está no metabolismo, está no comportamento.
E é exatamente esse o ponto em que você tem razão, e é o mais importante da sua mensagem. Saciedade não é detalhe, é o mecanismo. Dietas com mais proteína, mais gordura, mais fibra e menos alimento ultraprocessado reduzem fome espontânea, e a pessoa passa a comer menos sem contar nada. Existe estudo do mesmo grupo, também em enfermaria metabólica, comparando dieta ultraprocessada com dieta minimamente processada, ambas liberadas à vontade, e a diferença de consumo espontâneo foi de cerca de 500 calorias por dia, com ganho de peso num grupo e perda no outro. Ou seja, o que muda o resultado no mundo real é a facilidade de comer demais, e isso é uma propriedade da comida, não uma falha moral de quem come.
Onde eu ainda discordaria é na formulação de que a caloria não mede nada. Ela mede, e continua sendo a unidade que fecha a conta no fim. O que ela não é, e nisso você está certo, é um bom instrumento de controle diário para a maioria das pessoas. Contar caloria tem erro grande, tanto na estimativa do que se come quanto na estimativa do que se gasta, e ainda esbarra na adaptação do gasto quando o peso cai. Por isso escolher alimentos que regulam a fome funciona melhor na prática do que planilha, mesmo que a explicação de por que funciona seja, no fim, calórica.
Sobre o efeito sanfona, vale registrar que ele não é exclusivo de dieta de restrição calórica. Ele aparece em qualquer abordagem quando a pessoa volta ao padrão alimentar anterior, inclusive na low carb. O que protege contra ele é justamente o que você descreveu como o problema social da sua abordagem, ou seja, sustentabilidade a longo prazo. Nesse sentido, a melhor dieta segue sendo aquela que a pessoa consegue manter por anos, e para muita gente isso não passa por cortar carboidrato.
Dois pontos técnicos menores. Sobre duas colheres de arroz gerarem gatilho de fome, isso acontece com algumas pessoas, mas depende bastante do contexto da refeição, já que arroz acompanhado de proteína, gordura e fibra tem resposta glicêmica bem diferente do arroz sozinho. E sobre a sensibilidade ao glúten, ela existe como entidade reconhecida, com a ressalva de que quem corta glúten costuma cortar junto pão, massa, cerveja e biscoito, o que muda muita coisa além do glúten. Cortar e melhorar é dado real, mas não identifica sozinho qual foi a peça responsável.
Sobre a bibliografia, Taubes tem o mérito histórico de ter forçado a comunidade científica a testar a hipótese que ele defendeu. O detalhe é que boa parte dos testes desenhados justamente para verificar essa hipótese não a confirmaram, e a versão forte dela, a de que carboidrato engorda independente de calorias, é o que a literatura das últimas duas décadas mais desafiou. A parte que sobreviveu, e que é bastante, é a de que a qualidade do alimento governa o apetite. No fim, acho que é isso que você viveu na prática desde os anos noventa.
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Igor_DH reagiu a TribalWolf em CALORIAS NÃO EXISTEM!Olá, Cláudio, tudo bem?
Que beleza. Não sabia que o fórum estava ainda ativo e pessoas liam e comentavam posts de 20+ anos atrás.
Surpreendente.
Algumas considerações:
1 - o título do post "Calorias não Existem" é evidentemente um "click bait" (embora não existisse essa expressão na época), um recurso meramente retórico. Mas são medidas criadas pelo ser humano, pela ciência, não estão "dadas" na natureza, e nem mesmo são suficientes para o que se propõem, como você mesmo admitiu.
2 - eu não sou profissional de saúde, nutricionista, médico ou educador físico. Minhas observações não passam de provocações a partir de minhas inquietações e minha experiência (ciência p=1, sendo 1 eu mesmo).
3 - eu basicamente AINDA sustento as posições de 2003!!!! (ohhhh)
4 - o experimento que citaste é interessante, não o conhecia, mas parece-me clivado pelo fato de que - justamente - se trata de pacientes internados em ambiente controlado. Do ponto de vista científico, isso garante exatidão mas ao mesmo tempo tem limitações. Não vivemos em ambiente controlado, nem estamos acamados, etc.
5 - Numa dieta paleo ou low carb, ou mesmo cetogênica, produz-se um interessante fenômeno de perda de fome, a pessoa passa a se saciar mais com menos comida. E o grande vilão das dietas com restrição de calorias é justamente esta. Se a pessoa fizer certinho uma dieta de restrição de calorias, vai emagrecer, é óbvio. Mas, convenhamos, qual o percentual de pessoas que "fazem certinho"? E quando "saem da dieta"? Vem o efeito sanfona, além das já conhecidas consequências deletérias para a saúde mental dos envolvidos.
Acúcar vicia, não tem jeito. E é bom pra caralho. Se o sujeito come duas colheres de arroz branco, não vai engordar pelas calorias desse arroz, mas isso vai gerar um gatilho de fome (tem a ver com os picos de insulina, grelina, outros hormônios envolvidos aí)...
Em 2003 pouco se falava disso, mas tive a oportunidade, no final da década de 90, de fazer uma dieta com uma médica que atendia em Porto Alegre que passava a dieta Atkins, à época. Emagreci 12 kilos em um mês. O mais importante: sem fome.
Por volta de 2014 descobri-me sensível ao glúten. Cortei e minha barriga desapareceu.
Eu hoje oscilo entre momentos mais relaxados e momentos em que faço a dieta de restrição de carbos.
Não que esta dieta não tenha problema. Tem! E o maior deles é de cunho social. Agir como um caçador-coletor da era do gelo em pleno capitalismo tardio sim, cobra um preço. "Ah, mas só uma cervejinha"... , "Ah, mas você não vai comer NADA no aniversário"? Pois é...
Por fim, recomendo a obra de Gary Taubes - "Por que engordamos?" (não pulem a parte teórica, desprezem a parte das receitas), e o livro do Dr. Souto, "Uma dieta além da Moda", lançado em 2023, se não me engano, em que ele revê um pouco as teses do Taubes.
Há podcasts interessantes, como o "Senhor Tanquinho" e o "Tribo Forte" (ANTES de junho de 2021, quando o Dr. Souto participava). Hoje o Dr. Souto tem outro podcast intitulado "Comida sem Filtro" mas não é tão dinâmico, engraçado e estimulante quanto os áudios antigos do Tribo Forte.
É isso aí.
Grande abraço e obrigado pelo comentário.
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Igor_DH recebeu uma reação de Cláudio Chamini em CALORIAS NÃO EXISTEM!Pelo que sei qq "caloria" não queimada vira gordura, o que diz dizer é que as proteínas iam ser aproveitadas pelo corpo, já o gordura saturada, trans e o escambau com alcool não, embora possuíssem o mesmo n° de calorias.
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Igor_DH recebeu uma reação de Cláudio Chamini em CALORIAS NÃO EXISTEM!Também penso assim, afinal no pós treino se você ingere 500 Kcal de proteína o que aocntece ? VIra banha ? Não ! Você está "reparando o dano" em seus músculos, mas se você comer 500 Kcal de torresmo frito com cerveja, você vai reparar sua massa muscular ? Não ! Além de perder massa magra por catabolism você está convertendo boa parte da gordura saturada, carboidratos e o alcool da cerveja em gordura corporal, coleterol, triglicérides, etc.
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Você pediu uma resposta direta e embasada, então vou por partes, começando pela premissa que sustenta a sua dúvida. Ela é que se desfaz primeiro.
Não existe uma janela de poucos minutos depois do treino em que o músculo precisa receber proteína, sob pena de perder o estímulo. Isso foi bastante estudado e a janela é larga, de várias horas, e depende muito mais do que você comeu antes de treinar do que do relógio depois. Ou seja: atrasar a sua refeição sólida em trinta ou quarenta minutos porque você foi fazer aeróbico não custa absolutamente nada. Toda a sua preocupação com o espaço entre a suplementação e a comida pode ser aposentada.
Aproveitando, a segunda parte do que te disseram é pior que inútil. A ideia de ficar mais um tempo em jejum depois do aeróbico porque o corpo ainda está queimando gordura não se sustenta. O que decide se você perde gordura é o saldo de calorias ao longo dos dias, não qual combustível estava sendo usado às sete da manhã. Prolongar jejum depois do treino só atrasa a recuperação sem trazer benefício nenhum.
O colega que disse que você sempre está queimando gordura, e que isso se chama metabolismo, acertou em cheio. E ele foi honesto ao dizer que não tinha como afirmar o resto. Pois o resto é justamente o mito: queimar gordura durante a sessão não é o mesmo que perder gordura, porque o corpo faz as contas no fim do dia. Aeróbico em jejum, quando comparado direito com aeróbico alimentado, não produz mais perda de gordura ao longo das semanas. Se você gosta e cai bem, faça. Se te deixa fraco, não perde nada trocando.
Agora a resposta direta sobre a ordem, que é o que você perguntou.
Aeróbico antes atrapalha a musculação de forma mensurável. Você chega para a série principal com menos força e menos repetições, e o efeito é maior em treino de perna. Como carga e repetições são o que produz hipertrofia, você perde justamente onde interessa.
Aeróbico depois atrapalha o aeróbico, porque você corre cansado. Só que isso importa pouco se o seu objetivo é ganhar músculo e perder gordura, e não bater tempo de corrida.
Então, se você tem que escolher, musculação primeiro e aeróbico depois. Melhor ainda, quando a rotina permite, é separar os dois por algumas horas ou colocá-los em dias diferentes, que é a forma de cada um render o máximo. E a quantidade importa mais do que a ordem: vinte a quarenta minutos em ritmo moderado depois do treino não prejudicam ganho de massa. Uma hora de corrida forte todo dia, aí sim, começa a competir.
E deixa eu responder o colega que perguntou no meio e ficou sem resposta, porque a pergunta dele é ótima e a resposta é encorajadora.
Sim, dividir adianta. Meia hora de caminhada rápida até a academia e meia hora na volta valem praticamente o mesmo que uma hora seguida, para o objetivo de gastar calorias e cuidar do coração. O corpo soma o esforço do dia. Aliás, esse arranjo é melhor do que a maioria dos planos de aeróbico que se vê por aí, porque ele já está embutido na rotina e não depende de motivação. Caminhada de ida e volta é o cardio que as pessoas realmente mantêm por anos.
Por fim, sobre a impressão de que o assunto nunca terá fim: ele tem, e o colega que falou em perceber como conciliar de acordo com o objetivo chegou perto. Resumindo em três linhas o que a literatura mostra hoje. Quem quer ganhar músculo, faz musculação primeiro e mantém o aeróbico moderado. Quem quer perder gordura, cuida da comida em primeiro lugar e usa o aeróbico como gasto extra, na hora que couber no dia. E quem quer render na corrida, treina corrida descansado, o que significa antes da musculação ou em outro dia.
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Igor_DH recebeu uma reação de fisiculturismo em Aeróbico depois do treino não prejudica a recuperação muscular?Galerinha, dividir o aeróbico adianta ?
Por exemplo, de minha casa até a academia são +/- meia hora de caminhada rápida, ou seja, faço estes 30 min ante e depois de malhar, no geral, seria o mesmo resultado que caminhar 1 hora ?
Lembrando que no intervalo estarei malhando e não descansando, o seja vou continuar em movimento e fazendo grande esforço.
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Igor_DH recebeu uma reação de Cláudio Chamini em Aeróbico depois do treino não prejudica a recuperação muscular?Galerinha, dividir o aeróbico adianta ?
Por exemplo, de minha casa até a academia são +/- meia hora de caminhada rápida, ou seja, faço estes 30 min ante e depois de malhar, no geral, seria o mesmo resultado que caminhar 1 hora ?
Lembrando que no intervalo estarei malhando e não descansando, o seja vou continuar em movimento e fazendo grande esforço.