A urologista Rena Malik aborda carga, repetições, descanso e ordem dos exercícios em “How to naturally increase testosterone with exercise (types of exercise, reps, rest period, etc.)”. A proposta é priorizar musculação com grandes grupos musculares, intensidade moderada a alta e volume suficiente. A testosterona pode subir depois de cada sessão e continuar parecida no restante do dia.
Como a musculação aumenta a testosterona?
Cerca de 95% da testosterona masculina é produzida nos testículos, nas células de Leydig. O cérebro envia o comando: o hipotálamo libera um sinal chamado GnRH, que leva a hipófise a liberar o hormônio LH. O LH chega aos testículos e estimula a produção.
No músculo, o hormônio se liga ao receptor androgênico, a estrutura que permite à célula responder à testosterona e produzir proteínas. O treino pode mudar tanto a quantidade de hormônio no sangue quanto a desses receptores.
Uma pesquisa com três sessões sucessivas de musculação encontrou aumentos hormonais após cada sessão e mudanças nos receptores musculares. Isso ajuda a explicar a resposta ao exercício. A hipótese de que um pico maior resulte em mais hipertrofia, porém, continua em discussão: pesquisas também encontraram crescimento muscular sem vantagem ligada a esse pico.
Carga e volume: o que muda na prática
Imagine que você faça cinco repetições com 45,4 kg. Se fizer as mesmas cinco com 68 kg, aumentou a intensidade, porque levantou mais peso. Se mantiver os 45,4 kg e passar de cinco para dez repetições, aumentou o volume de trabalho.
Na musculação, esse volume depende de séries, repetições e carga. Uma série muito pesada e curta pode gerar uma resposta diferente de várias séries com um peso moderado. Por isso, olhar apenas para os quilos na barra deixa parte da história de fora.
Dois exemplos de pesquisa usam cargas definidas por 6RM e 10RM. A carga de 6RM é aquela com que a pessoa consegue fazer, no máximo, seis repetições. A de 10RM permite dez. Um dos exemplos envolve cinco séries de dez repetições com carga de 10RM.
Usar 100% da carga de 10RM significa usar o peso correspondente a essas dez repetições. Já a carga máxima para uma única repetição é a 1RM. Confundir os dois termos mudaria completamente o treino. A calculadora de carga máxima ajuda a estimar a 1RM a partir de uma série que você já consegue fazer.
Quais exercícios aumentam mais a testosterona?
Exercícios que mobilizam pernas e tronco tendem a provocar uma resposta hormonal aguda maior do que movimentos que usam pouca massa muscular. Os exemplos incluem agachamentos, agachamentos com salto e levantamentos olímpicos. O agachamento com salto envolve pernas e tronco, enquanto o supino concentra o esforço na parte superior.
Uma rosca de bíceps pode exigir muito do braço e ainda assim usar pouco músculo no conjunto do corpo. Carga, séries e esforço também interferem na resposta hormonal.
Pesos livres ou máquinas?
Em um estudo de 2014, dez homens que já treinavam fizeram seis séries de dez repetições de agachamento ou leg press. A testosterona subiu imediatamente após ambos, com resposta maior no agachamento. Uma possível explicação é o trabalho adicional do tronco para estabilizar o corpo.
Essa comparação trata de dois exercícios específicos e da resposta logo depois da sessão. Para escolher entre barra e máquina, considere também a execução, o conforto e a capacidade de progredir. O orientador de exercícios permite consultar os músculos trabalhados e os cuidados de cada movimento.
Treinar até a falha aumenta mais a testosterona?
A falha acontece quando você tenta outra repetição e já não consegue completá-la. Um estudo de 2006 comparou treino com falha, treino sem falha e um grupo de controle. Participaram 42 homens, com 11 semanas de treinamento e mais cinco semanas de uma fase voltada à força máxima e à potência.
O grupo que treinou sem falhar apresentou redução do cortisol em repouso e aumento da testosterona total em repouso. Também teve vantagem na potência das pernas durante a fase final. Já o treino com falha trouxe maior melhora no número de repetições do supino.
Portanto, levar toda série até a última repetição possível acrescenta fadiga e pode mudar as adaptações. Nesse estudo, parar antes da falha foi suficiente para ganhar força e trouxe a resposta hormonal mais favorável. O resultado ajuda a escolher a estratégia, mas se refere àquele programa e àqueles participantes.
Descansar 60 ou 90 segundos faz diferença?
Intervalos curtos aparecem em protocolos que elevam a testosterona após o treino. Em uma pesquisa de 2012 com seis homens, foram comparadas pausas de 60 e 90 segundos. O protocolo com três séries de dez repetições, a 70% da carga máxima, aumentou a testosterona com ambos os intervalos.
Outra pesquisa, de 2010, estudou dez homens com quatro séries de agachamento e supino a 85% da carga máxima. Nela, a testosterona imediatamente após o esforço foi maior com 90 ou 120 segundos de descanso do que com 60 segundos. A carga e a quantidade de trabalho que a pessoa consegue completar interferem no resultado.
Por isso, 60 segundos é um intervalo estudado, e a escolha precisa considerar o restante do treino. Se a pausa curta faz você perder muitas repetições ou comprometer a técnica, o pico hormonal deixa de ser um bom critério para organizar a sessão. O objetivo prático é completar o trabalho planejado com boa execução.
Cardio aumenta ou diminui a testosterona?
O cardio também pode elevar a testosterona por pouco tempo. Um exemplo envolve esforços de dois a cinco minutos a 90% a 100% do consumo máximo de oxigênio, o VO2máx. Essa medida representa a capacidade máxima do corpo de usar oxigênio durante o exercício e pode ser determinada em um teste de esforço com análise dos gases da respiração.
São esforços muito intensos. Estudos pequenos com treino intervalado de alta intensidade, o HIIT, também observaram aumentos hormonais. Esse esforço exige preparo. A intensidade precisa aumentar aos poucos.
Com endurance prolongado e grande carga de treinamento, alguns atletas apresentam testosterona mais baixa. Cortisol elevado, recuperação insuficiente e alterações provocadas pelo estresse do esforço são mecanismos discutidos. O estresse oxidativo, um desequilíbrio que pode prejudicar as células, também é uma hipótese para alterações nos sinais entre cérebro e testículos.
Esse cenário diz respeito sobretudo ao treino muito exigente e prolongado. O cardio da rotina precisa ser avaliado pelo volume, pela intensidade e pela recuperação, em vez de ser retirado por medo de baixar a testosterona.
Musculação ou cardio primeiro?
Quando os dois entram na mesma sessão, uma proposta é começar pela musculação com grandes grupos musculares e fazer o cardio depois. A lógica é iniciar a resposta hormonal cedo e chegar aos pesos com menos cansaço. Se a prioridade é levantar pesos, começar por eles também facilita manter a qualidade das séries.
Quanto tempo dura o aumento da testosterona?
Em muitos estudos, o aumento dura cerca de uma hora ou menos. A duração varia conforme o protocolo e o momento da coleta. A cifra de 48 horas aparece em algumas discussões sobre o tema, mas o estudo de agachamento de 2009 mediu até esse momento e destacou a elevação imediatamente após a sessão. Portanto, 48 horas de aumento contínuo seria uma expectativa pouco segura. Essas diferenças explicam por que um exame feito perto do treino pode mostrar algo diferente do nível habitual.
A testosterona basal é o nível em repouso, fora da resposta imediata ao exercício. Uma revisão de 2021 juntou 11 estudos controlados com 421 homens pouco ativos, aparentemente saudáveis e com testosterona dentro da faixa normal. Os programas duraram uma mediana de 12 semanas. No conjunto, o efeito sobre a testosterona em repouso foi praticamente nulo.
O treino continua útil para força, músculos e saúde. A expectativa mais realista é melhorar essas condições, em vez de esperar que cada sessão faça o resultado do exame subir de forma permanente.
Por que idade e obesidade mudam a resposta?
Homens mais velhos e homens com obesidade podem apresentar um aumento menor após o exercício. A resposta dos testículos aos sinais hormonais pode mudar com a idade. Uma revisão de 2010 descreve queda média de 1% a 3% ao ano nas concentrações circulantes após aproximadamente 35 a 40 anos, com variação entre pessoas.
Na obesidade, alterações metabólicas e hormonais também entram na conta. Quando o treino acompanha perda de gordura e redução da cintura, alguns estudos encontram melhora nos níveis em repouso. Nesse caso, separar o efeito direto da sessão do efeito do emagrecimento fica mais difícil.
Se a preocupação é testosterona baixa acompanhada de sintomas persistentes, procure avaliação médica. Um profissional de educação física pode ajustar carga, volume e descanso à sua condição. Acrescentar séries só para tentar elevar o hormônio pode aumentar o cansaço sem resolver a causa.
Como aplicar esses critérios no treino
Exercício: priorize movimentos que trabalham bastante músculo e que você sabe executar. Carga e repetições: 6RM e 10RM descrevem cargas para seis ou dez repetições. Cinco séries de dez são um exemplo de pesquisa, e a quantidade precisa caber no seu treino. Esforço: treinar sem falhar em toda série também produz adaptações e permite controlar o cansaço. Descanso: 60, 90 e 120 segundos foram estudados. Use o intervalo que permite manter as repetições e a técnica, considerando a carga. Cardio: se a prioridade da sessão são os pesos, faça a musculação primeiro. Conclusão
A musculação com grandes grupos musculares, esforço moderado a alto, volume suficiente pode aumentar a testosterona após o treino. Agachamentos e outros movimentos que usam bastante músculo são exemplos úteis. A regularidade permite repetir esse estímulo, com descanso suficiente para completar as séries com boa execução.
Até um agachamento com salto em casa aparece como possibilidade, desde que o movimento caiba no seu condicionamento. Para organizar a rotina, a decisão principal é escolher exercícios que você executa bem, uma carga adequada e descanso que permita completar as séries. O aumento passageiro da testosterona deve ser entendido dentro desses limites.
FAQ
Como a musculação aumenta a testosterona?
A musculação pode elevar temporariamente a testosterona quando a sessão exige bastante trabalho muscular. Carga, séries, repetições e quantidade de músculo envolvida influenciam essa resposta. Por isso, uma série isolada de bíceps pode ter um efeito diferente de várias séries de agachamento.
Musculação aumenta a testosterona em quanto?
O aumento depende da pessoa, do protocolo e do momento em que o sangue é coletado. Os estudos encontram respostas diferentes, então uma porcentagem única seria enganosa. Em homens com níveis normais, uma revisão com 421 participantes encontrou efeito praticamente nulo sobre a testosterona em repouso, apesar da prática regular de exercícios.
Musculação aumenta ou diminui a testosterona?
Pode aumentar logo após uma sessão exigente, principalmente quando bastante músculo participa. Já treinos muito prolongados e recuperação insuficiente podem acompanhar níveis mais baixos em alguns atletas. Para interpretar o resultado de um exame, importa considerar a rotina e o intervalo entre a sessão e a coleta.
Musculação aumenta a testosterona na mulher?
A resposta em mulheres varia entre os estudos. Alguns encontram aumento após o esforço, enquanto outros encontram pouca mudança. Ainda há pouca base para escolher o treino de uma mulher pelo aumento da testosterona.
Musculação aumenta a testosterona no homem?
Sim, vários protocolos de musculação provocam aumento logo após o treino em homens. A resposta tende a ser mais evidente quando há esforço moderado a alto, volume suficiente e grandes grupos musculares envolvidos. Homens mais velhos e homens com obesidade podem apresentar uma elevação menor.
Por que a musculação aumenta a testosterona?
O corpo responde ao esforço liberando hormônios ligados ao uso de energia e à recuperação, entre eles a testosterona. No músculo, ela se liga a receptores e ajuda a regular a produção de proteínas. Essa ação explica a importância do hormônio, mas ainda há dúvidas sobre a vantagem de buscar um pico maior após cada sessão.
Por que a musculação aumenta a testosterona por pouco tempo?
Porque o aumento após a sessão faz parte da resposta imediata ao esforço e tende a diminuir durante a recuperação. Em muitos estudos, dura cerca de uma hora ou menos. Treinar com regularidade permite repetir essa resposta, enquanto o nível hormonal no restante do dia pode continuar semelhante.
Quais exercícios podem aumentar a testosterona?
Agachamentos, agachamentos com salto e levantamentos olímpicos estão entre os exemplos discutidos. Eles envolvem bastante músculo, sobretudo pernas e tronco. O efeito também depende da carga e do trabalho acumulado na sessão, além da escolha do movimento.
Quais exercícios para aumentar a testosterona posso fazer em casa?
O agachamento com salto é um dos exemplos que podem ser feitos em casa, desde que você tenha condição de executá-lo com controle. Ele usa pernas e tronco e exige esforço mesmo sem uma academia. Comece pelo movimento que cabe no seu condicionamento e aumente a dificuldade aos poucos.
Quais são os melhores exercícios para aumentar a testosterona?
Para essa resposta hormonal, boas escolhas combinam grandes grupos musculares, esforço moderado a alto e volume suficiente. Para decidir entre os exercícios, prefira aqueles em que você mantém a técnica e consegue aumentar gradualmente o trabalho. Um movimento difícil de executar pode atrapalhar mais do que ajudar, mesmo que envolva bastante músculo.
Quais exercícios para aumentar a testosterona fazer antes do cardio?
Uma proposta é começar pelos exercícios de musculação que trabalham bastante músculo, como o agachamento, e deixar o cardio para depois. Essa ordem permite chegar aos pesos com menos cansaço. A duração do aumento hormonal, sozinha, oferece pouca base para prever os resultados de meses de treinamento.
Quais exercícios aumentam mais a testosterona: pesos livres ou máquinas?
Em uma comparação com dez homens treinados, o agachamento com barra provocou uma elevação imediata maior do que o leg press. Os dois exercícios aumentaram a testosterona, e o trabalho do tronco para estabilizar o agachamento é uma possível explicação para a diferença. O resultado se refere àquela comparação, então escolha o equipamento também pela qualidade da execução e pela progressão de carga.
Qual é o melhor exercício para aumentar a testosterona?
A evidência apresentada permite destacar o agachamento como uma opção útil, mas não definir um vencedor universal. A resposta depende de carga, séries, descanso e características da pessoa. Um exercício que você executa bem e consegue progredir é uma escolha mais prática do que trocar toda a rotina para perseguir o maior pico hormonal.
Referências
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