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Fisiculturista teve parada cardíaca aos 26: o alerta por trás do caso Patrick

Patrick sofreu uma parada cardíaca de aproximadamente 70 minutos aos 26 anos. Veja o que o caso realmente revela e quais dados nunca foram divulgados.

Aos 26 anos, Patrick tinha um físico enorme e aparecia na praia com a noiva. Cerca de dois meses depois, estava em uma cama hospitalar. A companheira relatou que foram aproximadamente 70 minutos de parada cardíaca até o coração voltar a bater, seguidos de coma, lesão cerebral grave, cinco meses até o retorno para casa e uma nova rotina de cuidados em tempo integral.

Em "His Heart Stopped Beating At 26 Years Old", do canal More Plates More Dates, o caso é usado para discutir o custo cardiovascular do fisiculturismo extremo. A história tem números fortes, mas também uma limitação decisiva: não foram apresentados prontuário, causa médica da parada, exames, peso corporal, substâncias, doses ou duração de uso. Qualquer tentativa de reconstruir o ciclo de Patrick seria invenção.

A cronologia disponível do caso Patrick

O relato público permite organizar cinco marcos concretos:

  1. Patrick é apresentado como um fisiculturista de 26 anos. A idade é associada a um bolo de aniversário preparado aproximadamente um mês antes da parada.
  2. Uma gravação feita cerca de dois meses antes do episódio mostra Patrick muito musculoso na praia com a companheira.
  3. A parada cardíaca teria durado aproximadamente 70 minutos até o retorno dos batimentos, segundo a publicação da noiva.
  4. Ele sobreviveu com lesão cerebral grave e iniciou um processo intenso de reabilitação.
  5. Patrick voltou para casa depois de cinco meses. A companheira passou a atuar como cuidadora em tempo integral.

O número de 70 minutos descreve o intervalo informado até o retorno da circulação espontânea. Ele não revela quanto tempo levou para iniciar a reanimação, se houve compressões contínuas, qual era o ritmo cardíaco, quantos choques foram aplicados ou o que causou a parada. Esses dados mudam radicalmente a interpretação clínica e não foram divulgados.

"Morte cerebral" não é sinônimo de coma grave

A publicação da companheira afirmou que médicos teriam declarado Patrick em "morte cerebral" e que ele jamais acordaria. A recuperação posterior exige cuidado com essa expressão.

Morte encefálica formalmente confirmada equivale à morte da pessoa. A diretriz de 2023 da American Academy of Neurology exige lesão cerebral catastrófica permanente, exclusão de condições que imitam o quadro, coma, ausência de reflexos do tronco cerebral e incapacidade de respirar espontaneamente no teste apropriado. Não se trata de um prognóstico pessimista nem de uma forma mais intensa de coma.

Sem prontuário, a formulação correta é que Patrick sofreu lesão cerebral hipóxico-isquêmica grave e, segundo a companheira, recebeu um prognóstico neurológico extremamente ruim. Não há documentação pública que permita afirmar que um protocolo formal de morte encefálica tenha sido concluído.

O que se sabe sobre esteroides neste caso

A ligação com anabolizantes aparece de duas maneiras. Primeiro, Derek relata que usuários de uma comunidade on-line diziam que Patrick teria admitido o uso no Instagram, mas reconhece que não conseguiu verificar as publicações em outro idioma. Depois, a própria companheira publicou outro conteúdo identificado como alerta sobre esteroides, acompanhado de referências a fisiculturismo e bigorexia.

Isso demonstra que a companheira associou publicamente o caso a esteroides. Não confirma o que Patrick utilizava nem demonstra que uma droga específica provocou a parada.

Não foram divulgados:

  • nome de qualquer esteroide usado por Patrick
  • dose em miligramas ou volume em mililitros
  • frequência de aplicação
  • duração de ciclo ou tempo total de exposição
  • uso confirmado de hormônio do crescimento, insulina, estimulantes ou diuréticos
  • pressão arterial, colesterol, hematócrito ou marcadores renais
  • eletrocardiograma, ecocardiograma ou exame das coronárias
  • ritmo inicial da parada e diagnóstico cardiológico final

Hormônio do crescimento e insulina são mencionados apenas como possibilidades associadas ao tamanho corporal observado. Trembolona aparece em uma discussão geral sobre ativação simpática. Nenhum desses nomes pode ser apresentado como parte do protocolo de Patrick.

Os números que ligam anabolizantes a dano cardíaco

O caso individual não prova causalidade, mas existem dados objetivos que impedem tratar o risco cardiovascular como abstração.

Em 2017, Baggish e colaboradores avaliaram 140 homens experientes em musculação, com idades entre 34 e 54 anos. O grupo incluía 86 usuários com pelo menos dois anos acumulados de exposição a esteroides anabólico-androgênicos e 54 não usuários.

Nos usuários, a fração de ejeção média do ventrículo esquerdo foi de 52%, contra 63% nos não usuários. Entre os 58 que estavam usando anabolizantes no momento da avaliação, a média caiu para 49%. Quarenta e um desses 58 homens, ou 71%, ficaram abaixo do limite de normalidade de 52% adotado pelos pesquisadores. O grupo também apresentou pior relaxamento ventricular e maior volume de placa nas artérias coronárias. Quanto maior o tempo acumulado de exposição, maior foi a carga de aterosclerose observada.

Um estudo dinamarquês publicado no JAMA em 2024 acompanhou 1.189 homens sancionados por doping com AAS após inspeções em academias e 59.450 controles pareados por idade. Em aproximadamente 11 anos, morreram 33 usuários, equivalentes a 2,8% do grupo, e 578 controles, equivalentes a cerca de 1,0%. O risco de morte foi 2,81 vezes maior entre os usuários, com intervalo de confiança de 95% entre 1,98 e 3,99.

Esses estudos são observacionais. Eles não provam que esteroides causaram cada morte nem permitem calcular o risco de uma dose específica. Ainda assim, mostram diferenças mensuráveis de função cardíaca, aterosclerose e mortalidade em grupos expostos.

Exame de sangue não mostra a estrutura do coração

Um dos pontos mais úteis da análise é a crítica ao usuário que considera hematócrito e enzimas hepáticas suficientes. Exames laboratoriais podem revelar parte do risco, mas não mostram diretamente espessamento das paredes, redução da força de bombeamento, placa coronariana ou determinadas arritmias.

A avaliação discutida inclui pressão arterial, perfil lipídico, histórico familiar, eletrocardiograma, ecocardiograma e investigação de arritmias ou doença coronariana quando houver indicação médica. Cistatina C é lembrada como alternativa para avaliar função renal quando a creatinina pode ser influenciada por muita massa muscular. Lipoproteína(a) aparece como marcador de risco hereditário que pode acrescentar contexto.

Isso não forma um pacote universal de exames para liberar ciclo. A escolha e a frequência dependem da história, dos sintomas, da exposição e da avaliação médica. O artigo clínico de Anawalt também destaca HDL muito baixo, SHBG reduzida e eritrocitose sem explicação como pistas que podem acompanhar o uso de anabolizantes.

BRA, betabloqueador e estatina não formam um protocolo de proteção

Bloqueadores do receptor de angiotensina, betabloqueadores, estatinas e ezetimiba são citados como medicamentos que podem entrar no tratamento de pressão, frequência cardíaca ou colesterol. Nenhuma dose, combinação ou indicação é apresentada.

Esses fármacos não neutralizam um ciclo e não devem ser empilhados por conta própria. Um betabloqueador pode ser inadequado em determinadas alterações de condução. Um anti-hipertensivo pode provocar queda excessiva da pressão. Estatina e ezetimiba dependem do risco cardiovascular, do perfil lipídico e de decisão clínica. Transformar nomes de medicamentos em receita de academia criaria exatamente a falsa segurança criticada na discussão.

O que 70 minutos de parada não permitem concluir

O tempo prolongado ajuda a explicar a gravidade da lesão cerebral, mas não determina sozinho o prognóstico. Ritmo inicial, início e qualidade da reanimação, oxigenação, temperatura, causa reversível e estado anterior do paciente também importam.

A diretriz da American Heart Association de 2025 recomenda prognóstico neurológico multimodal após o retorno da circulação. Exame clínico, eletroencefalograma, imagem e biomarcadores devem ser interpretados em conjunto e no momento adequado. A mesma diretriz recomenda manter controle de temperatura por pelo menos 36 horas em adultos que continuam sem responder a comandos verbais.

No caso de Patrick, nenhum desses registros foi publicado. O que pode ser afirmado é que houve sobrevivência com comprometimento neurológico importante, retorno para casa após cinco meses e necessidade de assistência contínua.

As perguntas concretas que ficaram sem resposta

Não saber o ciclo não torna o caso inútil. Mostra por que relatos de rede social não substituem documentação clínica. Para compreender a parada de maneira responsável, seriam necessários pelo menos:

  • causa definida, como arritmia primária, cardiomiopatia, infarto, tromboembolismo ou distúrbio metabólico
  • ritmo inicial registrado no atendimento
  • tempo até o início da reanimação e uso de desfibrilador
  • histórico familiar de morte súbita ou cardiomiopatia
  • pressão arterial e exames cardiovasculares anteriores
  • lista completa de medicamentos e drogas, com dose e duração
  • função cardíaca e anatomia coronariana depois da reanimação

Sem isso, é possível discutir risco. Não é possível assinar uma causa.

Conclusão

Patrick tinha 26 anos, sofreu uma parada cardíaca relatada como próxima de 70 minutos, voltou para casa depois de cinco meses e passou a depender da companheira para cuidados diários. Esses são os elementos concretos.

O caso foi associado publicamente a esteroides pela companheira, mas o protocolo nunca foi divulgado. A ciência mostra associação entre uso prolongado de anabolizantes, pior função ventricular, maior aterosclerose e mortalidade elevada. Ela não autoriza afirmar qual substância causou a parada de Patrick.

O alerta mais honesto não é inventar a dose que faltou. É reconhecer que um físico impressionante não informa fração de ejeção, placa coronariana, pressão arterial nem risco de arritmia. Sem histórico farmacológico e avaliação cardiovascular, a aparência externa diz muito pouco sobre a margem de segurança.

FAQ

Qual era o ciclo de Patrick?

Não foi divulgado. O relato não informa substâncias, doses, frequência, duração ou exames. GH, insulina e trembolona aparecem apenas em hipóteses ou exemplos gerais.

Os esteroides causaram a parada cardíaca?

Não é possível determinar. O caso foi publicamente associado a esteroides, mas faltam prontuário, diagnóstico cardiológico e protocolo farmacológico. Associação de risco não equivale à causa comprovada de um caso individual.

Patrick ficou 70 minutos sem receber circulação alguma?

O relato informa aproximadamente 70 minutos até o coração voltar a bater, mas não descreve a reanimação. Compressões torácicas podem produzir circulação parcial. Por isso, o número não significa necessariamente 70 minutos sem qualquer fluxo sanguíneo.

Ele teve morte cerebral?

A companheira usou essa expressão, mas a recuperação posterior é incompatível com morte encefálica formalmente confirmada. O dado sustentado é lesão cerebral grave após a parada.

Exames normais tornam o uso de anabolizantes seguro?

Não. Exames reduzem incerteza, mas não anulam a exposição. Além disso, sangue normal não exclui alteração estrutural do coração, placa coronariana ou arritmia.

Existe medicamento que proteja o coração durante um ciclo?

Não existe combinação que neutralize o risco. Anti-hipertensivos e redutores de colesterol têm indicações clínicas próprias e podem causar danos quando usados sem avaliação médica.

Referências

  1. MORE PLATES MORE DATES. His Heart Stopped Beating At 26 Years Old. YouTube, 10 mar. 2022. Disponível em: https://youtu.be/NOW_zmHnPQc. Acesso em: 31 jul. 2026.
  2. CHIRA, Simo. Steroid awareness. TikTok, mar. 2022. Disponível em: https://www.tiktok.com/@simochira/video/7075408131009924357. Acesso em: 31 jul. 2026.
  3. BAGGISH, Aaron L. et al. Cardiovascular Toxicity of Illicit Anabolic-Androgenic Steroid Use. Circulation, 2017. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28533317/. Acesso em: 31 jul. 2026.
  4. WINDFELD-MATHIASEN, Josefine et al. Mortality Among Users of Anabolic Steroids. JAMA, 2024. Disponível em: https://jamanetwork.com/journals/jama/fullarticle/2816584. Acesso em: 31 jul. 2026.
  5. ANAWALT, Bradley D. Diagnosis and Management of Anabolic Androgenic Steroid Use. The Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism, 2019. Disponível em: https://academic.oup.com/jcem/article/104/7/2490/5310131. Acesso em: 31 jul. 2026.
  6. HIRSCH, Karen G. et al. Part 11: Post-Cardiac Arrest Care: 2025 American Heart Association Guidelines for Cardiopulmonary Resuscitation and Emergency Cardiovascular Care. Circulation, 2025. Disponível em: https://www.ahajournals.org/doi/10.1161/CIR.0000000000001375. Acesso em: 31 jul. 2026.
  7. GREER, David M. et al. Pediatric and Adult Brain Death/Death by Neurologic Criteria Consensus Practice Guideline. Neurology, 2023. Disponível em: https://www.neurology.org/doi/10.1212/WNL.0000000000207740. Acesso em: 31 jul. 2026.

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