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Benefícios da irisina liberada pelo exercício físico

A substância irisina secretada pelo músculo em razão do exercício físico ficou famosa ao ser associada como eficaz contra o coronavírus. Saiba mais.

Thiago Carneiro
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Benefícios da irisina liberada pelo exercício físico

Exercício físico e benefícios metabólicos

O exercício físico sempre foi utilizado como uma ferramenta eficaz na prevenção e manejo do risco cardiometabólico e no tratamento da síndrome metabólica e suas complicações.

No entanto, a resposta ao exercício não é uniforme, com a heterogeneidade sendo influenciada por genes e uma série de fatores não modificáveis (sexo, idade) ou modificáveis (aptidão cardiorrespiratória, tipo de treinamento e tempo).

Irisina secretada pelo músculo esquelético

As miocinas secretadas pelo músculo esquelético representam um desses fatores que contribuem para a adaptação ao exercício. Dentre elas, a irisina é a adipomiocina de grande esperança para a saúde cardiometabólica, sendo responsável pela regulação da UCP1 na formação das células marrom.

A irisina é uma versão clivada do gene FNDC5, e tem esse nome em homenagem à deusa mensageira grega Iris.

Tecido adiposo branco

O tecido adiposo branco é um órgão endócrino altamente integrado na homeostase e capaz de estabelecer formas de comunicar e influenciar múltiplos processos metabólicos.

Tecido adiposo marrom

O tecido adiposo marrom promove gasto de energia por meio da incorporação da proteína desacopladora 1 (UCP1), também conhecida como termogenina, que desacopla a respiração celular e a produção de calor nas membranas mitocondriais.

Células termogênicas e o esforço físico

Dados recentes sugerem a presença de formação de células termogênicas a partir de adipócitos brancos com potencial papel na prevenção da obesidade e da síndrome metabólica.

A formação dessas células é influenciada pelo esforço físico que induz a expressão do coativador-1 PPARγ (PGC1) e da proteína de membrana a jusante, a proteína 5, contendo o domínio da fibronectina tipo III (FNDC5) no músculo esquelético.

A irisina está envolvida no escurecimento do tecido adiposo.

Irisina e densidade óssea

E ainda em camundongos, a irisina liberada do músculo esquelético durante o exercício age diretamente no osso, aumentando a densidade mineral óssea cortical, o perímetro ósseo e o momento polar de inércia.

Porém, embora os estudos em animais sejam congruentes no que diz respeito à relação entre o esforço físico e a liberação de irisina, os resultados dos estudos em humanos são menos que claros sobre o papel duplo potencial da irisina como mioquina e adipocina, o que ainda precisa ser esclarecido em estudos longitudinais.

Efeito terapêutico da irisina

Por fim, um estudo conduzido na Universidade Estadual Paulista (Unesp) sugere que a irisina pode ter efeito terapêutico em casos de Covid-19 (os pesquisadores observaram que a substância tem efeito modulador em genes associados à maior replicação do novo coronavírus dentro de células humanas).


Referências bibliográficas:

1-Mai, S., Grugni, G., Mele, C. et al. Irisin levels in genetic and essential obesity: clues for a potential dual role. Sci Rep 10, 1020 (2020). https://doi.org/10.1038/s41598-020-57855-5

2-Lidia I. Arhire Laura Mihalache,and Mihai Covasa. Irisin: A Hope in Understanding and Managing Obesity and Metabolic Syndrome. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC6687775/

3-Vargas-Castillo A, Fuentes-Romero R, Rodriguez-Lopez LA, Torres N, Tovar AR. Understanding the biology of thermogenic fat: is browning a new approach to the treatment of obesity? Arch Med Res. (2017) 48:401–13. 10.1016/j.arcmed.2017.10.002 [PubMed] [CrossRef] [Google Scholar]

4-"A molecule that helps the 'exercise hormone' do its work". Nature. 2018-12-13. Retrieved 2018-12-21.

5- Colaianni G, Cuscito C, Mongelli T, Pignataro P, Buccoliero C, Liu P, Lu P, Sartini L, Di Comite M, Mori G, Di Benedetto A, Brunetti G, Yuen T, Sun L, Reseland JE, Colucci S, New MI, Zaidi M, Cinti S, Grano M (September 2015). "The myokine irisin increases cortical bone mass". Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America. 112 (39): 12157–62. doi:10.1073/pnas.1516622112. PMC 4593131. PMID 26374841.

6-Miriane de Oliveira,Lucas Solla Mathias,Bruna Moretto Rodrigues,Bianca Gonçalves Mariani,Jones Bernardes Graceli,Maria Teresa De Sibio,Regiane Marques Castro Olimpio,Fernanda Cristina Fontes Moretto,Igor Carvalho Deprá,Célia Regina Nogueira.The roles of triiodothyronine and irisin in improving the lipid profile and directing the browning of human adipose subcutaneous cells.Molecular and Cellular Endocrinology ,15 April 2020


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    • By Leena Fabrini
      A gordura branca é a massa disforme que paira sobre sua cintura e armazena energia em excesso.
      A gordura marrom é altamente termogênica, convertendo a energia dos alimentos em calor em vez de armazená-la como gordura.
      Pesquisadores do Instituto do Câncer Dana-Farber descobriram um novo tipo de célula de gordura, a chamada gordura bege, que trabalha juntamente com os exercícios para promover a perda de gordura branca.
      Durante o exercício, os músculos produzem um hormônio chamado irisina, o que aumenta a atividade da gordura marrom e promove a perda de peso. As células de gordura bege aumentam a conversão de energia química em calor em resposta aos níveis elevados de irisina.
      As células de gordura bege podem ser um importante material para promover a perda de gordura induzida pelo exercício.
      Fontes: Célula, publicado online em 12 de julho de 2012 e Revista Muscular Development, janeiro/2013, pg. 76.
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