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Dermatologia no Esporte

Bruna Somílio
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A prática de esporte é uma das melhores decisões possíveis que levam ao bem estar, sendo recomendada por todos os médicos, com muito entusiasmo, aos seus pacientes. Alguns problemas de pele melhoram com o simples fato de se aumentar a atividade física, como eczema, psoríase, alergia, vitiligo e até queda de cabelo.

Porém, a pele abafada, a transpiração, o atrito e pequenos ferimentos diminuem a barreira cutânea predispondo os atletas amadores e profissionais a riscos de doenças dermatológicas que alteram a performance esportiva.

A fricção presente na pele, mesmo em moderada intensidade, causa seu descolamento e ocorre a formação da bolha, que só deverá ser drenada em caso de dor, com o uso de agulha descartável na base da lesão. É importante não retirar o teto, que serve como curativo biológico, para evitar infecção.

Durante uma maratona, as zonas de maior atrito devem ser revestidas por uma pele artificial formada por camadas: “bandaid” – vaselina – micropore – vaselina e meia de algodão. O desodorante nos pés (em talco ou spray) ameniza o suor e evita a umidade diminuindo a incidência dessas afecções dermatológicas, assim como o uso de 2 pares de meia, que amortizam o impacto entre a pele e o tecido de algodão.

Os nadadores, especialmente os de pele e cabelos claros podem apresentar coloração esverdeada dos cabelos que é provocada pelo cobre dos algicidas e tubulações associada a participação do cloro usado no tratamento de água. A solução é a aplicação de peróxido de hidrogênio deixando atuar por trinta minutos.

O contato freqüente com a água também pode facilitar a remoção do cerume que protege o canal auditivo e favorece a ocorrência da otite externa, denominada otite dos nadadores. Recomendamos, portanto, o uso de protetores moldáveis durante a prática da natação.

A orelha quebrada dos lutadores ou orelha de “couve-flor” é conseqüência do atrito e do impacto provocados pelo quimono no pavilhão auricular dos judocas e praticantes de jiu-jitsu formando hematoma no local. Passado o quadro agudo, surge aumento do volume da pele, alteração na pigmentação e deformação da região, com descontinuidade da cartilagem.

Nos esportes praticados ao ar livre, apenas 32% dos brasileiros que se expõem ao sol usam protetor solar. As conseqüências do descuido só aparecem com o tempo, pois os raios UVA e UVB do sol são cumulativos e sem volta, responsáveis pelo aparecimento do câncer de pele. Quanto mais escura for a pele, maior é a produção de melanina e sua capacidade de auto proteção.

Nenhum protetor solar até o momento é capaz de garantir 100% de segurança, então, podem ser acrescentados aos cuidados de um atleta, roupas com fios especiais que barram a ação dos raios solares em 98% (usadas em pacientes que já desenvolveram câncer de pele), além da proteção dos olhos com lentes de contato e lentes de óculos que bloqueiam os raios UVA e UVB, porque a radiação do sol predispõe o indivíduo a catarata podendo levar a cegueira.

Procure seu dermatologista que terá condições de fazer uma melhor avaliação para indicar uma terapêutica com maior chance de sucesso. Descansar adequadamente é fundamental, para evitar o overtraining (treinamento excessivo que desgasta o esportista) e proteção extra é necessária em todas as modalidades esportivas!

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    • By fisiculturismo
      O jornal Correio Braziliense apresentou no dia 20 de dezembro de 2009 matéria sobre as orelhas deformadas pelo jiu-jitsu.

      Alguns lutadores dizem que as orelhas não deformadas são um ponto fraco e a dor pode representar a perda de uma luta, por isso esfregam a faixa nas orelhas para deformá-las. Outros dizem que a deformação é consequencia do próprio treinamento. Fato é que as orelhas deformadas já passam a ser uma característica que identifica lutadores de jiu-jitsu.

      Leia a matéria completa abaixo:

      Dia 20 de dezembro de 2009

      JIU-JITSU

      Orelhas marcadas pelo esporte

      Constante atrito com o chão cria hematomas que devem ser tratados por especialistas. Lutadores dizem que deformação não significa status dentro do esporte

      # VAGNER VARGAS

      Acompanhando um treino ou uma luta de jiu-jitsu, é comum logo notar a orelha dos praticantes, muitas vezes deformada. Há quem diga que alguns lutadores provocam a lesão. Quem participa das disputas, no entanto, garante que os hematomas são naturais, consequência dos treinos e das competições. Os especialistas, no entanto, alertam para o perigo da lesão.

      “É muito difícil reconstituir uma orelha, mesmo com cirurgia plástica. Em alguns casos, fica tão feio que até parece que a orelha é malformada de nascimento”, destaca o otorrinolaringologista Francisco José de Paula Lima. O ideal é, ao machucar a região em um treino ou luta, procurar ajuda médica. “O local pode infeccionar e causar dor. No futuro, ele pode perder a sensibilidade, ter inflamação na pele do ouvido e outros problemas.”

      Acostumado a receber casos de orelhas “couve-flor” — como são popularmente conhecidas —, o também otorrino Krishnamurti Sarmento Junior diz que, em muitos casos, o paciente não quer reverter a deformação. “Atendi diversas pessoas que se orgulhavam das lesões e não queriam reconstituir a orelha. Para alguns, é como um troféu, uma conquista, algo que os identifica como lutador. Quanto mais deformada, melhor para eles”, relata.

      Consequência

      Em cima do tatame, os praticantes de jiu-jitsu garantem: orelha ‘estourada’ — como eles dizem — não é sinônimo de bom lutador. Recém-promovido à faixa marrom, Lúcio Fernandes acredita que tudo não passa de consequência do esporte. “Não tem nada a ver com a capacidade do atleta. A orelha sofre muito contato e a cartilagem não aguenta, mas há muita gente graduada que luta há muitos anos e não tem nenhuma deformação”, garante ele, que tentou treinar com protetores, mas não se adaptou.

      De acordo com Lúcio, muitos jovens que entram no jiu-jitsu acham que a orelha é algo importante e identifica o lutador, mas não é algo importante. “Geralmente são os mais novos que procuram até maneiras de machucar a própria orelha para parecer que é mais forte. Mas eu aconselho qualquer um que se machucar a procurar um médico”, afirma.

      Treinando há cinco anos, o educador físico Flávio Henrique, de 29 anos, já teve lesões, porém não ficou com nenhum hematoma. “Depois de machucar, sempre procuro colocar uma compressa de gelo. Tem também os protetores de cabeça, mas não são muito comuns, porque são caros”, informa.

      Felipe Carvalho, 21, é outro que não tem nenhuma deformação. Ele acredita que há maneiras de se evitar o problema. “São ossos do ofício, mas sempre procuro proteger a região durante os treinamentos. Tem gente que acha bonito, mas eu penso o contrário, acho muito feio.”

      Não tem nada a ver com a capacidade do atleta. A orelha sofre muito contato e a cartilagem não aguenta (Lúcio Fernandes, lutador de jiu-jitsu)

      Para alguns, é como um troféu, uma conquista, algo que os identifica como lutador (Krishnamurti Sarmento Junior, otorrinolaringologista)

      Couve-Flor

      O constante atrito da orelha dos lutadores com o solo e com o corpo do adversário causa hematomas entra a cartilagem e o pericôndrio - pele que reveste a orelha. As lesões acarretam em acúmulo de sangue na região, deformando a orelha, que fica parecida com uma couve-flor. Para corrigir a deformidade, é preciso drenar o sangue acumulado e colar a cartilagem a pela novamente. Porém, este processo só dá resultado se for feito logo após alesão. Casos mais antigos só podem ser revertidos com cirurgia plástica, mesmo assim, é difícil a orelha voltar ao estado original.

      Fonte: Jornal Correio Braziliense de 20 de dezembro de 2009 (caderno Super Esportes, fl. 4).

      http://www.correioweb.com.br/
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