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Imagem sintética e meramente ilustrativa. Não é uma foto real.

Greg Doucette: as lições do Coach Greg para o bodybuilding moderno

Doucette abre as 42 competicoes naturais, os 700 mg de quatro substancias no auge do abuso e os 140 mg que usa hoje, com exames publicados.

Greg Doucette tinha 49 anos quando sentou no Cutler Cast para gravar "#159 - Coach Greg" e passou pouco mais de 2 horas abrindo número por número a própria carreira. Foram 42 competições como natural antes do primeiro esteroide, 10 anos de uso e abuso, 700 mg de 4 substâncias diferentes ao mesmo tempo, cerca de 3.700 publicações longas no canal e uma fase de consultoria que rendia em torno de 750.000 dólares por ano com apenas 50.000 seguidores. O que vem abaixo é relato pessoal e opinião dele, não recomendação, e ele repete o alerta várias vezes ao longo da conversa.

13 anos de triatlo e a conclusão de que o fisiculturismo é pior

Ele começou no triatlo aos 13 anos e parou aos 26, quando decidiu virar profissional de fisiculturismo, cortou todo o cardio e tentou ficar o maior possível. Passou por ciclismo e por powerlifting também. Mesmo com essa lista, coloca o fisiculturismo como o esporte mais duro que praticou, e a razão que ele dá é específica: nenhum outro exige o dia inteiro, todos os dias.

A comparação que ele usa é com o próprio ciclismo. Uma pedalada de 5 horas é dura, mas o atleta pode comer o quanto quiser. Fazer 2 horas de cardio sem poder comer, ou com uma dieta tão baixa em calorias que a energia não existe, é outra coisa. O maior problema dele nunca foi a fome, foi a falta de energia. Ao chegar em torno de 7% de gordura, dizia mal conseguir funcionar como pessoa, tinha dificuldade de levantar de manhã e até de sair da banheira. E ele sempre quis competir com 5% ou menos, o que transformava as últimas 6 semanas de preparação no trecho mais difícil de tudo que já fez.

42 competições como natural antes do primeiro esteroide

Greg competiu em 42 shows naturais. Venceu o overall do campeonato nacional canadense com teste antidoping, competiu de 64,4 kg (142 lb) até o peso pesado e, na época, não existia cartão profissional para atleta natural. Ele faz questão de notar que hoje existiria, e que teria virado profissional sem nunca ter usado nada.

A razão de ter demorado é direta e não tem moralismo nenhum: ele estava melhorando e estava ganhando. A parte divertida do esporte, para ele, era a evolução pessoal. Enquanto o físico progredia e os troféus vinham, não havia motivo. Ele descreve o que tinha como natural: cerca de 7% de gordura no palco, cintura fina, estrutura em X, posteriores de coxa boas e um abdômen que, segundo ele, piorou depois que começou a usar. Com 68 kg parecia ter 82 kg, e já aparecia em revistas sendo natural.

O ponto de virada foi o cartão profissional. Quando parou de evoluir e o objetivo passou a ser esse, concluiu que precisaria de algo a mais. Antes de tomar qualquer coisa, passou a perguntar aos amigos o que usavam, leu fórum, pesquisou substância por substância e diz que, quando enfim usou o primeiro esteroide, sabia mais sobre o assunto do que 99,9% das pessoas. Ele tinha mestrado em cinesiologia e era professor de educação física. Ganhou o cartão profissional já usando, com mais de 86 kg e seco, no Canadian Nationals, na mesma edição em que Antoine Vaillant venceu o superpesado. A diferença total entre o Greg natural e o Greg usuário ele estima em cerca de 11 kg de músculo, o que o levou do peso médio ao meio-pesado e ao pesado.

700 mg de trembolona, 700 de testosterona, 700 de masteron e 700 de boldenona

A parte mais dura da conversa é a admissão do abuso, e ela vem com número. Greg queria ser campeão do Olympia 212 e raciocinava de forma aritmética: se um ciclo pequeno dava 4,5 kg, bastaria dobrar a dose para ganhar mais 4,5, e triplicar, e quadruplicar. Chegou a usar 700 mg de trembolona, 700 mg de testosterona, 700 mg de masteron e 700 mg de boldenona simultaneamente.

O resultado ele descreve sem enfeite. Ansiedade o tempo todo, insônia com noites de 3 horas de sono, suor encharcando os lençóis e uma sensação geral de estar mal. Uma semana nesse protocolo e ele já não conseguia funcionar. A pergunta que faz hoje é a única que importa: se não dá para recuperar, como é que se cresce.

A conclusão prática desmonta a matemática que o levou até ali. Ciclos pequenos rendiam bastante. Ciclos gigantescos rendiam quase nada. Dobrar a dose talvez dê 10% a mais de ganho, e dobrar de novo pode render menos que antes. Ele cita ainda o caso de outro atleta de topo que subiu a dose ao maior número da carreira, perdeu resultado, voltou para metade e recomeçou a crescer.

Greg é hiper-respondedor a dose baixa, e essa é justamente a parte ruim da história. Ele sentia diferença a cada 20 mg. Anavar em 10 mg era, nas palavras dele, o esteroide favorito de todos, e 5 anos depois de parar ele ainda sente vontade de usar de novo. É por isso que avisa que começar é fácil e parar não é.

Os dois sangramentos de nariz que encerraram a carreira

A última competição foi na classic physique, quando o limite de peso da categoria para a altura dele, 1,68 m, era 87,5 kg (193 lb). Ele fez a Niagara Falls e ficou em 4º lugar, e também competiu na Alemanha. Estava com doses que considera modestas para o próprio histórico, algo como 400 mg de uma substância e algumas centenas de miligramas de outra.

A poucos dias do palco, treinando rosca e se achando absurdamente seco, teve um sangramento de nariz. Depois teve outro, no treino seguinte. Foi ali que parou. Ele diz que a mentalidade de invencibilidade durou até aquele momento e que hoje pensa em morte de um jeito que antes não pensava. Nunca mais competiu, e é honesto sobre o motivo de não voltar: não acredita que passaria do 4º lugar em um show profissional, e o limite da classic subiu tanto desde então que ele precisaria voltar às doses antigas para tentar.

Reposição hormonal não é naturalidade, e ele começa por si mesmo

Greg é rígido na definição, e a régua vale contra ele. Quem usou esteroide não é mais natural. Quem usa SARM não é natural. Qualquer substância proibida pela agência mundial antidoping tira a condição. Insulina com finalidade de performance tira. Reposição hormonal prescrita por médico também tira, e a resposta dele à pergunta direta sobre a própria condição é um "não" sem rodeio.

O motivo de ele bater tanto nesse ponto é que a frase mudou de forma. Antes as pessoas diziam "sou natural". Agora dizem "só faço TRT", e isso passa como se fosse a mesma coisa. Ele chama a reposição de o novo falso natural.

No plano pessoal, o protocolo dele é público. Usa 140 mg por semana. A clínica sugeriu subir para 200 mg, ele dividiu a diferença e testou 170 mg por 1 semana, começou a ficar inchado e com o rosto arredondado, e voltou. Os exames dele ficam entre 550 e 765 ng/dL, e ele já publicou os resultados. A recomendação que dá é a menor dose que mantenha a pessoa bem, com os marcadores em ordem. Quando Jay Cutler conta que usa 200 mg por semana e tem testosterona total em 425 ng/dL e pergunta se está baixo, a resposta é que, se ele se sente bem e os exames estão bons, está de bom tamanho. A ideia corrente na maromba de que qualquer valor abaixo de 1.000 é insuficiente ele trata como bobagem.

48,4%, e não 90%

Um dos exemplos mais úteis de como ele trabalha é a discussão sobre recuperação do eixo. Um interlocutor sustentava que, ao sair dos esteroides depois de mais de uma década, teria cerca de 90% de chance de recuperar a função testicular sem problema. Greg foi atrás da literatura e chegou a outro número: em torno de 48,4% de retorno à função normal em 3 anos, em um trabalho com mais de 600 participantes.

A conclusão que ele tira dali é a que interessa. Quem abusou naquele nível provavelmente vai precisar de reposição para o resto da vida, e ele se inclui na conta junto com outros nomes conhecidos do esporte.

Por que o "natty or not" funciona

O formato que o tornou conhecido não olha a foto final. Ele diz explicitamente que o difícil não é analisar um físico enorme e óbvio, e sim o sujeito de aparência mediana. O que ele procura é a velocidade da transformação e o salto repentino, não o resultado. Um físico que qualquer pessoa poderia teoricamente construir de forma natural não prova que aquela pessoa em específico construiu.

Ele tem uma explicação franca para o tamanho da audiência desse tipo de conteúdo. Suspeitar de todo mundo é a desculpa mais confortável para a própria falta de evolução. Se quem está à frente só chegou lá por causa de droga, ninguém precisa olhar para o próprio treino, para a própria dieta ou para os anos desperdiçados. E a resposta dele para os que insistem que os antigos usavam mais do que admitiam é curta: eles simplesmente eram melhores. Ele acredita, por exemplo, que Lee Priest usava as doses baixas que declara, justamente por ser hiper-respondedor.

Ao mesmo tempo, ele traça uma linha ética que respeita. Diz saber de vários falsos naturais que nunca vai expor, porque contaram em confiança, e que a pior parte de tudo isso é o público adolescente comparando o próprio corpo com uma régua falsa.

Anavar, mulheres e a cliente de 88,5 kg com DNP

A crítica mais dura da conversa é sobre o uso por mulheres. Perguntado sobre o que uma mulher pode usar com segurança, a resposta é "nada". Ele só aceita a palavra "mais seguro", nunca "seguro", e mesmo aí faz a ressalva de que aproximadamente metade do que se vende como anavar não é anavar, e que essa estimativa ainda é generosa.

O problema, na leitura dele, é comercial. O treinador precisa do antes e depois para vender consultoria, e no antes e depois não aparece a voz. Uma competidora de bikini tem talvez 5 bons anos de palco, e depois disso convive com a voz alterada, os pelos no rosto e a queda de cabelo. Ele conta que atende gente em segredo justamente porque essas pessoas não podem contar ao próprio treinador o que estão tomando.

O caso concreto que ele descreve é o de uma cliente que ele achou ser homem por causa do nome. Tinha 1,68 m e 88,5 kg, queria competir em women's physique, e o protocolo montado pelo treinador dela trazia 3 substâncias em 350 mg cada, mais DNP. A recomendação foi parar tudo imediatamente. E ele cita o exemplo oposto: uma das atletas de wellness com maior alcance do mundo, com quase 4 milhões de seguidores, que largou porque não estava disposta a usar o que seria preciso para continuar vencendo.

A melhor dieta é a que a pessoa consegue seguir

Greg come cerca de 4.000 kcal por dia e pesava 84,7 kg na manhã da gravação. O café da manhã dele passa de 1.000 kcal. E a filosofia toda nasceu de um problema prático: nas primeiras dietas, com frango, brócolis e arroz, ele simplesmente não conseguia.

Passou mais de 20 anos criando versões menos calóricas de comida que gosta. Pipoca, pasta de amendoim com menos calorias, bolo, sobremesa com iogurte grego e proteína em pó. O teste era simples: se os amigos gostavam, a receita prestava. O livro está na versão 3.1. Ele conta a origem de uma delas com precisão quase divertida, quando trocou 3 ovos inteiros e o óleo de um bolo por 5 bananas e cerca de 12 claras só para ver o que aconteceria.

Como treinador de milhares de pessoas, ele diz que o motivo número 1 do fracasso das dietas é a pessoa não conseguir seguir. Os atletas trapaceiam e não contam ao treinador. Por isso ele prescreve o que sabe que será cumprido. Isso não vira licença para comer qualquer coisa, e ele mantém a defesa de fruta, verdura e alimento com densidade nutricional. Sobre dieta rica em gordura, a objeção é pessoal e honesta: gordura não o sacia, então ele fica com mais fome e não sustenta.

Cardio em jejum ele nunca fez por acreditar em vantagem metabólica. Fazia 1 hora e meia de manhã há 20 anos porque não conhecia a literatura. Hoje só faz em viagem, quando comeu demais na noite anterior e quer resolver às 6 da manhã antes de os amigos acordarem. E a frase que resume a posição dele sobre programa de treino é a mesma: o melhor plano é o que a pessoa efetivamente cumpre.

2.925 inscritos em 2010 e mais de 1 bilhão de visualizações

O canal começou em 2006 por vaidade e por teimosia. Alguém duvidou que ele fazia 143 kg no supino por cerca de 20 repetições sendo um cara pequeno e natural. Ele comprou uma câmera de cerca de 300 dólares, colocou no chão apontada para cima, apertou o botão, levantou e subiu o arquivo. Não tinha nenhuma habilidade técnica e nem sabia o que era um seguidor. Em 2010, olhou a conta e viu 2.925 inscritos sem entender o que aquilo significava.

A virada veio quando começou a falar de substância. Publicou sobre anavar, dose e perigo, e voltou 2 anos depois para encontrar 600.000 visualizações. A partir dali fez uma peça sobre cada esteroide e cada SARM que conseguiu lembrar. Depois começou a analisar a naturalidade de gente famosa, sem saber editar, sem miniatura, sem título trabalhado, e bateu 1 milhão de visualizações. Quando chegou a 10.000 inscritos, ele diz que já sabia que chegaria a 1 milhão, porque tinha achado o atalho.

Hoje são cerca de 3.700 publicações longas, sempre acima de 8 minutos porque é o corte que permite dobrar os anúncios. Ele não edita, não faz miniatura e não escreve título, apenas grava e vai embora. O canal passou de 1 bilhão de visualizações acumuladas. O melhor mês da história dele foram 990.000 inscritos ganhos, o último mês antes da gravação foram 29.000, e ele reconhece sem drama que já não alcança público novo com a mesma facilidade.

A persona gritada também nasceu de dado, não de estratégia. Ele leu comentários dizendo que parecia irritado e apaixonado em uma gravação específica e, em vez de suavizar, decidiu amplificar. Parte daquela intensidade original, ele admite, era trembolona. Hoje diz não tomar nem cafeína, e que 99% das pessoas que o encontram pessoalmente se surpreendem por ele ser calmo.

De 20 milhões de visualizações por mês para 10

A parte menos glamourosa da carreira digital ele também abre. Uma publicação em que defendia o direito de outra pessoa expressar uma opinião com a qual ele nem concorda bateu 92.000 visualizações em 24 horas e, no dia seguinte, caiu para 10. O canal foi de 20 milhões de visualizações por mês para 10 milhões, e ele passou 3 meses com o alcance restringido no Instagram, só liberado 2 semanas antes da gravação.

A lista do que dá problema é longa e às vezes absurda. Falar do sistema de saúde canadense, falar de pandemia, mostrar a própria receita médica de testosterona ou mencionar um peptídeo pelo nome. Ele diz que estava voltando a crescer na época da conversa, com 1 milhão de visualizações no mês.

O ritmo de trabalho por trás disso é o que explica o volume. Ele assiste a cerca de 11 horas de conteúdo alheio por dia para produzir reações. Publica 10 a 12 vezes por semana, já chegou a 14, e usa um critério simples: se uma publicação está indo bem, com 250.000 a 300.000 visualizações em 1 dia, deixa correr e não publica outra. Se está abaixo de 100.000, publica a segunda. Se as duas vão mal, publica a terceira. E o material mais visto da carreira dele não é sobre nenhuma celebridade. É sobre um sujeito comum, com 5.000 seguidores, que usou esteroides, se arrependeu e contou a história com a acne à mostra. Deu 7 a 8 milhões de visualizações.

O país onde ele é mais popular hoje é a China. Um funcionário que lê mandarim garimpa os temas nos comentários, faz a apuração e entrega pronto. Ele grava em 20 minutos, sem entender uma palavra do que foi levantado, e aquilo faz 3 milhões de visualizações.

750.000 dólares por ano com 50.000 seguidores

A conta financeira do esporte é o trecho mais direto da conversa. Greg é profissional da IFBB e nunca ganhou 1 dólar competindo. Pelo contrário, pagava a filiação para poder competir, além do custo alto da preparação. Perguntado se pensava em dinheiro quando começou, responde que não havia um único show pelo qual ele teria se esforçado mais se pagasse 1 milhão.

O dinheiro sempre esteve fora do palco. Quando tinha cerca de 50.000 seguidores, já faturava em torno de 750.000 dólares por ano só com consultoria. E era insustentável: jornadas de 16 horas na frente do computador, check-in no fim de semana, nenhum dia de folga. Ele contratou outros treinadores para montarem os planos que entregava, depois contratou um chef, e a lógica que usa para justificar é fria. Se a hora dele vale cerca de 1.000 dólares, ir ao mercado custa 1.000 dólares. Ele cozinhou talvez 10 refeições em 2 anos.

O contraste que fecha o raciocínio vem dos números de outro atleta citado na conversa, que teria ganhado 55.000 dólares em toda a carreira competindo e cerca de 1,2 milhão por ano em consultoria depois. Nas contas de premiação que discutem, o Arnold Classic paga 25.000 dólares ao vencedor de men's physique, a segunda maior bolsa do mundo naquela divisão, e a organização gasta em torno de 2.500 dólares por atleta só de despesa de viagem. O Olympia, com dezenas de qualificados voando por conta da organização, gastaria entre 600.000 e 800.000 dólares em despesas.

A solução que ele defende não é cortar a premiação do open, e sim subir a das outras divisões. E, sobre o Olympia, quer o oposto do que existe: classificação mais difícil, com show de menos de 10 competidores não valendo vaga e 2 vitórias exigidas. Ele lembra do próprio cartão profissional, disputado com 27 atletas na categoria, em que só os 15 primeiros seguiam para a noite e apenas os 5 melhores faziam rotina, com famílias atravessando o Canadá para ver o atleta ser cortado.

Reduzir o limite da classic em 9 kg

A proposta mais concreta dele sobre regulamento é essa. A classic physique existe, na leitura dele, como um mecanismo de saúde: o limite de peso impede a corrida pelo tamanho. Ele acredita que a categoria permitiu a Chris Bumstead ter as 6 conquistas do Olympia, porque sem ela o atleta teria de competir no open, subir cerca de 6 kg acima do que subia e usar o dobro. Bumstead virou profissional com 100,7 kg, e hoje o limite da categoria para a altura dele está em torno de 108,9 kg (240 lb).

Só que o mesmo limite subiu demais e a categoria começou a se parecer com o open. A solução que ele propõe é baixar 9 kg em toda a tabela. No caso dele, com 1,68 m, o teto cairia de 87,5 kg para 78,5 kg. O objetivo é que a diferença visual entre classic e open volte a ser imediata.

Na mesma linha, quer o fim da 212, que trata como prêmio de consolação, e defende uma divisão nova para físicos menores, algo entre o men's physique e a classic, que permita mostrar as pernas sem exigir o arsenal completo. A crítica que faz ao men's physique é que os shorts escondem a perna e que a categoria já pede mais músculo do que o nome sugere. E ele aposta que a classic vai ultrapassar o open em popularidade, com um argumento simples: quando um garoto de 18 anos fecha os olhos e imagina o corpo que quer, não é o físico do open que aparece.

Por que ele não é mais juiz

Greg foi juiz no Canadá e não é mais. Ele conta que a federação canadense já o havia tirado do quadro 1 ano antes das declarações que costumam ser apontadas como causa, e que usaram as falas como pretexto depois.

As críticas dele eram sobre a sexualização das apresentações femininas e sobre a densidade muscular ter subido demais nas divisões femininas. Ele diz que vários campeões de Olympia o procuraram em particular para dizer que concordavam integralmente, sem nenhuma disposição de dizer isso em público por medo de retaliação. Sente falta de julgar, e diz que faz isso pelo canal agora.

A bicicleta que substituiu a dopamina do palco

A saída do palco deixou um buraco que ele descreve com franqueza: era viciado na dopamina da competição e, se achasse que poderia melhorar, provavelmente teria continuado abusando. O que preencheu foi o ciclismo virtual.

A plataforma que ele usa tem cerca de 115.000 pessoas registradas, divididas por categoria de capacidade. Ele corre na segunda mais dura, algo equivalente a um nível nacional, e às vezes vence. Há prova disponível a cada 10 ou 15 minutos. O treino médio dele é de 1 hora, com 5 a 10 minutos de aquecimento e 40 a 50 minutos de corrida, e ele prefere assim porque não tem constituição de resistência. O equipamento inteiro custa em torno de 3.000 dólares. Em Las Vegas, mesmo em 4 dias de viagem, pedalou 1 hora toda manhã.

A métrica substituiu o troféu. Se ele sustentava 500 watts por 2 minutos e agora sustenta 500 watts por 2 minutos e 2 segundos, melhorou. E a mudança de identidade que isso provoca é o que ele considera mais valioso: em vez de tentar parecer cada vez mais fisiculturista, hoje quer ser um ciclista forte que ainda é musculoso. Foi por isso que recusou os 200 mg de reposição, porque peso a mais é peso a mais na subida.

A equipe virtual dele é formada por gente que assiste ao canal, e ele acha graça no contraste. Esses caras queimam cerca de 1.200 kcal por hora, comem de 5.000 a 6.000 kcal por dia e perguntam como enfiar mais açúcar na garrafa. Um deles usa 550 g de açúcar dissolvido em água. O autor de um livro sobre emagrecer passou a receber perguntas sobre como engordar a bebida.

1 ano para aprender espanhol e 5 aulas por semana

O único arrependimento que ele declara na conversa inteira não tem nada a ver com fisiculturismo: é nunca ter aprendido outro idioma. Resolveu isso em cerca de 1 ano, cortando televisão, usando aplicativo enquanto pedala e contratando 5 aulas por semana com uma professora colombiana, das quais faz 2 ou 3. Também passou a ler livros no lugar da televisão para tentar enxergar o mundo por uma ótica que não fosse a dele.

E a namorada entrou na vida dele por um caminho que resume bem a natureza do negócio: comprou o livro de receitas, mandou mensagem contando que estava em Halifax operando, e o convite para treinar virou jantar. Ela é cirurgiã oftalmológica e irmã de um ciclista que corre o Tour de France. Ele descobriu isso depois de já ter passado 6 semanas se gabando dos próprios watts para ela.

Conclusão

O que sustenta a história de Greg Doucette não é a gritaria e nem a polêmica. É o fato de ele ter competido 42 vezes como natural antes de tomar qualquer coisa, ter abusado depois até o ponto de dormir 3 horas por noite com 700 mg de 4 substâncias no corpo, e hoje conseguir explicar exatamente onde a conta não fechou. Dobrar a dose não dobrou nada, custou o sono, a recuperação e o bem-estar, e o físico não veio junto.

A mensagem que ele repete para quem tem 18 ou 19 anos vem dessa aritmética, não de moral. Quanto mais tempo alguém consegue evoluir sem usar nada, mais tempo tem para aprender a treinar, a comer e a secar sem depender de farmacologia para resolver, e mais longa tende a ser a carreira. Ele começou a treinar aos 10 anos, competiu aos 18 e já tinha mais de 20 shows nas costas aos 25 sem sequer pensar no assunto. Diz que amou o esporte o suficiente para fazer 42 competições naturais, e que é exatamente esse o teste de quem ama.

FAQ

Quantas competições Greg Doucette fez como natural?

Ele afirma ter competido em 42 shows naturais antes de usar qualquer substância, incluindo o overall do campeonato nacional canadense com teste antidoping, de 64,4 kg (142 lb) até o peso pesado. Na época não existia cartão profissional para atleta natural.

Quais doses ele usou no auge do abuso?

Ele relata ter chegado a 700 mg de trembolona, 700 mg de testosterona, 700 mg de masteron e 700 mg de boldenona ao mesmo tempo, com ansiedade constante, noites de 3 horas de sono e suor excessivo. É relato pessoal, não recomendação, e ele mesmo classifica a decisão como burra.

Qual é o protocolo de reposição hormonal dele hoje?

Segundo ele, 140 mg por semana, com testosterona total entre 550 e 765 ng/dL. Testou 170 mg por 1 semana, ficou inchado e voltou. A recomendação que dá é a menor dose que mantenha bem-estar e exames em ordem, sempre com acompanhamento médico.

Greg Doucette se considera natural?

Não. A régua dele é rígida e vale contra ele mesmo: esteroide, SARM, insulina com finalidade de performance e qualquer substância proibida em contexto antidoping tiram a condição, e reposição hormonal prescrita também tira. Ele chama a reposição de o novo falso natural.

Por que ele critica o uso de esteroides por mulheres?

Porque considera que não existe uso seguro, apenas menos agressivo, e porque metade do que se vende como anavar não é anavar. Uma competidora tem talvez 5 anos de palco e convive depois com voz alterada, pelos no rosto e queda de cabelo, colaterais que não aparecem no antes e depois usado pelo treinador para vender consultoria.

Quanto ele ganhou como profissional da IFBB?

Nada. Ele afirma nunca ter ganhado 1 dólar competindo e ainda pagar a filiação para poder disputar. O faturamento vinha do que orbita o palco: com cerca de 50.000 seguidores, já fazia em torno de 750.000 dólares por ano só com consultoria.

O que ele propõe mudar na classic physique?

Reduzir todos os limites de peso em cerca de 9 kg, o que no caso dele, com 1,68 m, levaria o teto de 87,5 kg para 78,5 kg. O objetivo é recuperar a diferença visual entre a classic e o open, já que segundo ele a categoria cresceu a ponto de se confundir com a divisão maior.

Referências

  1. CUTLER CAST. #159 - Coach Greg. [S. l.], 31 mar. 2025. Disponível em: https://youtu.be/hLdZUwun0Tc. Acesso em: 1 ago. 2026.

Vídeo no YouTube sobre o tema

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