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A nova pirâmide alimentar dos EUA: mais proteína, menos ultraprocessados — e a absolvição da gordura natural!

Nova pirâmide alimentar dos EUA prioriza proteínas, reduz carboidratos refinados e absolve gorduras naturais. Veja o que mudou.

Por décadas, a pirâmide alimentar que influenciou o mundo inteiro tinha uma mensagem clara: coma muitos carboidratos, evite gordura. Agora, os Estados Unidos estão oficialmente virando essa lógica de cabeça para baixo. As Diretrizes Dietéticas Americanas 2025–2030 marcam a maior mudança nutricional do país em quase 50 anos, recolocando proteínas e alimentos integrais no centro do prato — e encerrando a “guerra” contra gorduras naturais.

Com base na pesquisa anexa, publicada após a revisão oficial conduzida pelo Departamento de Agricultura (USDA) e pelo Departamento de Saúde (HHS), esta mudança não é apenas estética. Ela representa uma ruptura científica, política e cultural .


O que motivou essa virada histórica?

Os próprios órgãos federais reconhecem um dado alarmante: cerca de 90% dos gastos com saúde nos EUA estão ligados a doenças crônicas associadas à alimentação, como obesidade, diabetes tipo 2 e síndrome metabólica .

Segundo o relatório, o crescimento dessas doenças coincidiu historicamente com as diretrizes adotadas a partir de 1980 — e reforçadas pela famosa pirâmide alimentar de 1992 — que incentivavam:

  • 6 a 11 porções diárias de grãos,

  • substituição de gorduras naturais por óleos vegetais industriais,

  • redução drástica de carnes e laticínios integrais.

O resultado? Menos gordura saturada no prato, mas mais carboidratos refinados, mais óleos de sementes e mais ultraprocessados — sem a prometida melhora na saúde populacional .


A nova lógica do prato: comida de verdade no centro

A revisão de 2025–2030 abandona o foco exclusivo em nutrientes isolados (calorias, gordura total, colesterol) e adota uma filosofia clara: “Real Food” — comida de verdade.

Na prática, isso significa priorizar:

  • alimentos integrais,

  • alta densidade nutricional,

  • mínimo processamento industrial.

A nova pirâmide — muitas vezes descrita como invertida — traz três pilares centrais.


1. Proteína vira o macronutriente âncora

A mudança mais contundente é o destaque à proteína. As novas diretrizes recomendam 1,2 a 1,6 g de proteína por quilo de peso corporal por dia, um valor bem acima do que era implicitamente estimulado antes .

Na prática:

  • todas as refeições devem conter uma fonte relevante de proteína;

  • cafés da manhã baseados apenas em pães e cereais perdem espaço;

  • ovos, carnes, aves, peixes, laticínios integrais, leguminosas e nozes são explicitamente valorizados.

A justificativa é metabólica: proteína aumenta saciedade, preserva massa magra e reduz o consumo excessivo de calorias ao longo do dia — conceito conhecido como alavancagem proteica .


2. Gorduras naturais deixam de ser vilãs

Outro ponto central da nova diretriz é a reabilitação das gorduras naturais, especialmente quando fazem parte de alimentos integrais.

Pela primeira vez em décadas, documentos oficiais citam como opções aceitáveis:

  • manteiga,

  • sebo bovino,

  • azeite de oliva,

  • óleo de abacate,

  • laticínios integrais.

A principal mudança não é apenas “liberar gordura”, mas diferenciar gordura natural de gordura industrial. Óleos de sementes refinados (soja, milho, canola), ricos em ácido linoleico, passam a ser vistos com cautela devido a possíveis efeitos inflamatórios quando consumidos em excesso .

Em outras palavras: o problema não é a gordura do alimento, mas o grau de processamento.


3. Grãos e ultraprocessados perdem protagonismo

Os carboidratos não desaparecem, mas mudam radicalmente de status:

  • grãos deixam de ser a base da dieta;

  • a recomendação cai para 2 a 4 porções diárias, e apenas na forma integral e minimamente processada;

  • carboidratos refinados (pão branco, biscoitos, massas comuns) são desencorajados.

Mais duro ainda é o posicionamento contra os alimentos ultraprocessados. A recomendação é clara: evitar. Produtos com aditivos artificiais, corantes, açúcares adicionados e adoçantes não nutritivos deixam de ser considerados compatíveis com uma alimentação saudável .


Por que isso reacende um debate global?

Essa mudança coloca os EUA em rota de colisão com diretrizes tradicionais de entidades como a Organização Mundial da Saúde, que ainda defendem a substituição de gorduras saturadas por óleos vegetais. Ao mesmo tempo, aproxima os americanos de abordagens já adotadas em países como o Brasil, que priorizam o grau de processamento dos alimentosem vez da simples contagem de macronutrientes .

O resultado é um debate internacional intenso — mas inevitável — sobre o fracasso do modelo alimentar do final do século XX.


O que essa mudança sinaliza para o futuro?

As novas diretrizes americanas não são apenas uma atualização técnica. Elas representam:

  • o reconhecimento oficial de que medo de gordura e excesso de carboidratos não resolveram a crise de saúde;

  • a valorização de padrões alimentares mais ancestrais e menos industrializados;

  • um convite global para repensar o que realmente significa “comer saudável”.

Se essa experiência vai reduzir obesidade e doenças metabólicas em larga escala, só o tempo dirá. Mas uma coisa já é clara: a pirâmide alimentar clássica ficou no passado — e, com ela, a ideia de que gordura natural é o inimigo número um da saúde.


Fontes de consulta:

  1. ACADEMY OF NUTRITION AND DIETETICS. Statement from the Academy of Nutrition and Dietetics on the Release of the Dietary Guidelines for Americans, 2025–2030. Chicago, 2026. Disponível em: https://www.eatrightpro.org/about-us/who-we-are/public-statements/academy-statement-on-2025-2030-dgas-release. Acesso em: 15 jan. 2026.

  2. AHCA/NCAL. DHHS and USDA Release 2025–2030 Dietary Guidelines for Americans. Washington, DC, 2026. Disponível em: https://www.ahcancal.org/News-and-Communications/Blog/Pages/DHHS-and-USDA-Release-2025-2030-Dietary-Guidelines-for-Americans-.aspx. Acesso em: 15 jan. 2026.

  3. BEAL, T.; RAMSDEN, C. The Scientific Foundation for the Dietary Guidelines for Americans 2025–2030. National CACFP Sponsors Association, 2026. Disponível em: https://www.cacfp.org/assets/pdf/The+Scientific+Foundation+for+the+Dietary+Guidelines+for+Americans%2C+2025%E2%80%932030. Acesso em: 15 jan. 2026.

  4. BRASIL. Ministério da Saúde. Guia alimentar para a população brasileira. 2. ed. Brasília: Ministério da Saúde, 2014.

  5. DLA PIPER. Updated 2025–2030 Dietary Guidelines for Americans emphasize consumption of “real foods”. Washington, DC, 2026. Disponível em: https://www.dlapiper.com/en/insights/publications/2026/01/2025-2030-dietary-guidelines-for-americans-top-points. Acesso em: 15 jan. 2026.

  6. HARVARD T. H. CHAN SCHOOL OF PUBLIC HEALTH. Dietary Guidelines for Americans 2025–2030: progress on added sugar, protein hype, saturated fat contradictions. Boston, 2026. Disponível em: https://nutritionsource.hsph.harvard.edu/2026/01/09/dietary-guidelines-for-americans-2025-2030/. Acesso em: 15 jan. 2026.

  7. METABOLIC MIND. For Clinicians. 2026. Disponível em: https://www.metabolicmind.org/for-clinicians/. Acesso em: 15 jan. 2026.

  8. ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. WHO updates guidelines on fats and carbohydrates. Genebra, 2023. Disponível em: https://www.who.int/news/item/17-07-2023-who-updates-guidelines-on-fats-and-carbohydrates. Acesso em: 15 jan. 2026.

  9. PAGE, A. Dietary Guidelines for Americans 2025–2030. Medium, 2026. Disponível em: https://medium.com/@aydapage/dietary-guidelines-for-americans-2025-2030-eaec593aa258. Acesso em: 15 jan. 2026.

  10. UNITED STATES DEPARTMENT OF AGRICULTURE (USDA). Dietary Guidelines for Americans 2025–2030. Washington, DC, 2026. Disponível em: https://www.dietaryguidelines.gov/. Acesso em: 15 jan. 2026.

  11. UNITED STATES DEPARTMENT OF AGRICULTURE (USDA). Kennedy, Rollins Unveil Historic Reset of U.S. Nutrition Policy. Washington, DC, 2026. Disponível em: https://www.usda.gov/about-usda/news/press-releases/2026/01/07/kennedy-rollins-unveil-historic-reset-us-nutrition-policy-put-real-food-back-center-health. Acesso em: 15 jan. 2026.

  12. UNITED STATES DEPARTMENT OF HEALTH AND HUMAN SERVICES (HHS). Fact Sheet: Trump Administration Resets U.S. Nutrition Policy. Washington, DC, 2026. Disponível em: https://www.hhs.gov/press-room/fact-sheet-historic-reset-federal-nutrition-policy.html. Acesso em: 15 jan. 2026.

  13. UNITED STATES GOVERNMENT. Eat Real Food. 2026. Disponível em: https://www.realfood.gov/. Acesso em: 15 jan. 2026.

  14. ZOË HARCOMBE. The 2025–2030 Dietary Guidelines for Americans. 2026. Disponível em: https://www.zoeharcombe.com/2026/01/the-2025-2030-dietary-guidelines-for-americans/. Acesso em: 15 jan. 2026.

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