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Jejum intermitente sem mistério e sem neura


Pexao Nutricionista
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Jejum intermitente sem mistério e sem neura

O que é jejum intermitente?

O jejum intermitente se baseia em uma estratégia nutricional na qual você come durante um determinado período do dia e faz ingestão apenas de chás, café sem açúcar e água em outro período.

Não há uma regra específica acerca do tempo em jejum. Todavia, há consenso quanto ao tempo mínimo sem a ingestão de alimentos, que é de 12 horas. Em relação ao período máximo de jejum, há nutricionistas que sugerem aos pacientes até 48 horas sem alimentação (acreditam nisso?!).

Tipos de jejum intermitente

  • jejum de 12 horas: durante 12 horas do dia o corpo é alimentado e nas outras 12 horas não é alimentado. Sem nem perceber, muitas pessoas naturalmente fazem esse tipo de jejum. É bem comum as pessoas jantarem às 20h, após voltarem do trabalho, e alimentarem novamente apenas às 8h do dia seguinte, no momento do café-da-manhã;
  • jejum de 16 horas: durante 16 horas o corpo não é alimentado, sendo de 8 horas o período de alimentação;
  • jejum de 5/2: alimentação normal durante 5 dias e jejum durante 2 dias;
  • jejum do guerreiro: alimentação apenas à noite (o dia inteiro sem alimentação).

O que comer durante o jejum intermitente

Muitos profissionais da saúde, ao tratar do jejum intermitente, atentam-se apenas à quantidade horas de jejum por dia ou dias por semana em jejum.

Porém, se esquecem de mencionar o que comer no período de alimentação. Essa é, para mim, a questão mais importante no jejum intermitente!

O jejum intermitente é uma estratégia que, caso utilizada, pode ser associada a um planejamento alimentar low carb, à dieta cetogênica ou até mesmo às refeições livres, independentemente da qualidade dos alimentos.

Isso depende da conduta escolhida pelo nutricionista em conjunto com o paciente. Mas acredite, a qualidade do desjejum é mais importante que a quantidade e periodicidade do próprio jejum. Explico melhor nos próximos tópicos.

Benefícios do jejum intermitente

Primeiramente, ele estimula a autofagia, que é o processo pelo qual as células se livram de proteínas e organelas danificadas, diminuindo o envelhecimento do corpo, protegendo-o de doenças como o Mal de Parkinson, de alguns tipos de demência e de inflamação excessiva.

Foi comprovado que o jejum intermitente promove essa autofagia em camundongos, que ficaram em jejum pelo período de 24 (vinte e quatro) horas.

No entanto, em que pese o resultado obtido em camundongos, esse benefício ainda não foi cientificamente comprovado para os seres humanos.

Relativamente ao estudo com camundongos, devem-se explicar dois pontos:

  • 24 (vinte e quatro) horas para um camundongo, levando em consideração que sua estimativa de vida é de aproximadamente 2 (dois) anos, é muito tempo. Em humanos, não se sabe quanto tempo de jejum seria necessário para que pudéssemos colher o “benefício” da autofagia, como consequência do jejum intermitente;
  • Existem outras maneiras de alcançar a autofagia, tais como a prática de atividade física intensa e o baixo consumo de carboidratos, os quais comprovadamente também levam a esse processo.

Em segundo lugar, o jejum intermitente promove a redução da resistência insulínica e da glicemia. Não se pode desconsiderar, contudo, que a prática regular de atividade física, principalmente de alta intensidade, também reduz a resistência insulínica.

Ainda, o jejum intermitente melhora a saúde cardiovascular, promovendo a diminuição nos níveis do colesterol LDL, dos triglicerídeos, e o aumento do colesterol HDL.

Desjejum com bacon?

Os benefícios do jejum intermitente seriam um grande trunfo, não fosse o contrassenso de condutas adotadas pela grande maioria dos nutricionistas que se autodenominam “especialistas em jejum intermitente”.

Eles glorificam e prescrevem o jejum intermitente aos seus pacientes, porém, sugerem desjejuar mediante a ingesta de bacon, uma fonte de gordura saturada, que é responsável por aumentar o colesterol LDL (conhecido como “colesterol ruim”).

Comer bacon não é um problema por si só, mas não faz sentido algum jejuar por horas, com a intenção de melhorar o perfil lipídico, e começar o dia comendo bacon.

Se é para criar terror e pânico com determinado grupo alimentar, tal como fazem com os carboidratos, por que sugerir o consumo de bacon?

Desjejum com gorduras insaturadas

Já que é para radicalizar, vamos levar isso a sério e sugerir ao paciente que comece o dia consumindo gorduras insaturadas, como aquelas encontradas em peixes de água fria, amêndoas e linhaça, por exemplo.

Como profissional da nutrição, não gosto de fazer prescrições utilizando nomes bonitos, loucos ou mirabolantes para qualquer que seja a conduta nutricional: jejum intermitente, leangains, eat stop eat, dieta do guerreiro, dieta do ninja maluco, dieta low carb, dieta cetogênica e etc.

O planejamento alimentar deve ser adequado ao indivíduo, e não o indivíduo se adequar a um planejamento alimentar genérico ou universal. Quando o indivíduo tenta se adequar à dieta, e não o inverso, as chances de fracasso da conduta nutricional são enormes. Falta aderência.

Recebo muitas perguntas do tipo: você prescreve jejum intermitente?, Você prescreve dieta low carb?. A resposta é sim e não!

As prescrições têm que ser feitas de acordo com a rotina, hábitos alimentares e costumes pessoais, independentemente da prática de jejum, da quantidade de carboidrato ingerido, entre outras variáveis.

Jejum intermitente não é adequado para fisiculturistas

Uma pessoa degrada 1 a 2% do seu peso por dia. Ou seja, uma pessoa que pesa 100 quilos “perde” de 1 a 2 quilos por dia.

Assim como degradamos proteínas (catabolismo), sintetizamos proteínas (anabolismo). Caso você se alimente apenas em um curto período de tempo do seu dia, sua capacidade de sintetizar proteínas ficará muito limitada.

Você poderá até absorver bastante proteína, mas não irá sintetizar o suficiente para manter ou aumentar a massa muscular.

Outro ponto a se considerar quanto à prática do jejum intermitente por fisiculturistas é que um atleta (principalmente o profissional) precisa ingerir muitas calorias para ganhar massa muscular e aumentar seu peso.

Com seis ou sete refeições ao dia, muitas vezes é difícil fornecer ao corpo do fisiculturista o aporte calórico necessário.

Imagine o quão desafiador seria ingerir a mesma quantidade de calorias em apenas uma a quatro refeições ao dia?

Talvez na fase de pré-competição faça sentido, mas não parece a estratégia mais inteligente, exatamente pelo motivo que citei anteriormente.

Jejum intermitente para não atletas

Para pessoas medianas ou normais, não atletas, o jejum intermitente pode sim ser adotado.

Mas deixo claro: PODE ser adotado, e não necessariamente DEVE ser adotado.

Para aquelas pessoas que naturalmente costumam jantar, vão dormir e acordam sem vontade de comer ou até se sentem indispostos ao se alimentar, é uma ótima ideia.

A reflexão que deve ser feita é a de que a prática (ou não) do jejum intermitente se torna uma consequência da individualidade da pessoa que o adota.

Não existe motivo para dar nome para a estratégia alimentar adotada. Se for para dar um nome, que seja: “estratégia nutricional do fulano”.

Princípios básicos da alimentação saudável

Para se alimentar de maneira saudável, não há mistério:

  • Ingira o mínimo possível de alimentos industrializados (ricos em aditivos químicos, flavorizantes, conservantes e gordura trans);
  • Monte pratos coloridos (a variedade de pigmentos dos alimentos está associada aos nutrientes que eles contêm);
  • Procure comer carboidratos de baixo e médio índice glicêmico (fibras ou alimentos ricos em fibras ajudam a abaixar a carga glicêmica da refeição);
  • Não consuma gorduras saturadas e/ou trans em excesso (a primeira deve ser consumida com moderação e a segunda deve ser evitada ao máximo);
  • Beba bastante água (transporta nutrientes, toxinas, regula a temperatura, auxilia o metabolismo, dentre outras inúmeras funções).

Para se tornar mais saudável ainda, adote os seguintes hábitos:

  • Pratique atividades físicas regularmente;
  • Tenha um bom sono (tempo x qualidade).

A alimentação livre (ou quase livre) de produtos industrializados, a ingestão da quantidade necessária de fibras, a ingestão de carboidratos de médio e baixo índice glicêmico, o cuidado com o consumo de gordura saturada e trans, aliado à prática de atividades físicas, lhe trará muito mais benefícios do que qualquer dieta da moda. Não adianta comer “bonitinho” e tomar um monte de remédio para curar a neura que a alimentação lhe causou.

Nutricionistas preguiçosos

Desconfie de profissionais que tentam “empurrar” qualquer tipo de conduta. Muitos fazem pela facilidade de prescrição. É muito mais rápido e fácil calcular (se é que calculam) um planejamento alimentar com apenas uma ou duas refeições que individualizar todo planejamento alimentar de acordo com seus gostos e rotina.

Conclusão

É possível ter uma alimentação saudável e ganhar massa muscular ao mesmo tempo. Mais que isso: não é preciso se tornar um neurótico para comer bem e ter saúde e qualidade de vida. Bastam alguns cuidados, bom senso e a ajuda de um profissional qualificado e de confiança, que poderá analisar seus hábitos alimentares e sua rotina, elaborando um planejamento alimentar que caiba na sua vida e que seja mais facilmente adotado por você.

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Comentários

Comentários Destacados

  • Moderador

Poderia trazer o link do estudo em camundongos? Seria interessante para enriquecer a matéria.

Duas perguntas: 

1) Minha alimentação é carregada . gorduras saturadas, inclusive, muito bacon, gordura animal, salami, queijos gordos, etc, entretanto, meu colesterol está dentro dos limites considerados os mais saudáveis possíveis. Há alguma explicação para o fenômeno? Ou será que a história não é bem assim????

2) se perdemos/degradamos 1%-2% de massa por dia, uma pessoa de 100kg perderá os 100kg em 100 dias??? Ficou controversa a afirmação.

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Em 23/06/2021 em 06:34, Keto disse:

Poderia trazer o link do estudo em camundongos? Seria interessante para enriquecer a matéria.

Duas perguntas: 

1) Minha alimentação é carregada . gorduras saturadas, inclusive, muito bacon, gordura animal, salami, queijos gordos, etc, entretanto, meu colesterol está dentro dos limites considerados os mais saudáveis possíveis. Há alguma explicação para o fenômeno? Ou será que a história não é bem assim????

2) se perdemos/degradamos 1%-2% de massa por dia, uma pessoa de 100kg perderá os 100kg em 100 dias??? Ficou controversa a afirmação.

São diversos os estudos com camundongos. Você acha facilmente artigos acadêmicos conclusivos de jejum em camundongos. 
Em humanos, apontam evidências mas não apresentam nada conclusivo.

Em relação ao seu questionamento, já que acha o jejum fundamental, VOCÊ deve me mostrar estudos conclusivos em humanos. Eu desconheço. Só vejo artigo de médicos e nutricionistas que querem chamar atenção. 
 

Como deixei claro no texto, existem outras condutas adequadas para atingir longevidade, qualidade de vida e estética que não sejam o jejum intermitente (ainda que um dia seja provado os benefícios do Jejum intermitente). O mais importante é adequar a conduta ao paciente. Dependendo do paciente, eu prescrevo sim o J.I. Mas ele não deve ser imposto ou visto como “salvador”.

Em relação ao seu colesterol, não devemos analisar de uma maneira tão leviana assim. Temos que analisar especificamente seu Hdl, Ldl, triglicérides e etc... Ainda que estejam todos regulados, não torna saudável uma alimentação rica nesses alimentos. Os hábitos a longo prazo que trazem benefícios ou prejuízos.

Todos sabemos que esteróides utilizados sem cautela causam prejuízo à saúde cardiovascular, hdl, ldl, ao fígado e ao rim a longo prazo. Não é pq um usuário tem o hemograma “controlado” em um determinado espaço de tempo que torna anabolizante seguro e saudável.

Não sou eu quem crucifico determinados alimentos, até por isso não costumo ser radical em condutas. Mas um consenso da comunidade científica.

Trago fatos.

 

Em relação a degradação de proteínas: 

Sim, realmente uma pessoa de 100kgs degrada entre 1 e 2 kgs de massa muscular diariamente. Mas ela também sintetiza proteínas diariamente.
 

Alguns fatores aumentam a degradação de proteína (noite de sono perdida, stress, consumo de bebidas alcoólicas, sedentarismo, cigarro, JEJUM...)

Outros fatores aumentam a síntese proteica (treino com peso, repouso, boa alimentação, anabolizantes e etc...)

O que determina o resultado é o balanço dessa conta: se você degrada mais proteínas ou sintetiza proteínas.

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Boa tarde,

Treino a algum tempo, mas ao mudar de personal. O mesmo sugeriu o jejum intermitente de 16hs.

Estava gostando bastante, e obtive bons resultados nos primeiros meses, pois não era complicado ter só 8hs de janela.

Mas em abril, em uma consulta com o otorrino, descobri por meio de um exame que eu estava desenvolvendo gastrite. 1 mês e meio tomando remédios para o estômago. Com ajuda de uma endocrinologista, a mesma pediu que eu suspendesse o jejum intermitente pois estava me prejudicando.  Atualmente faço uma refeição a mais (pela manhã).

Claro que visando a minha saúde e a possibilidade de não tomar mais algum tipo de remédio não o pratico. Mas gostaria de voltar, até é super válida a prática do jejum intermitente.

 

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    • Por Keto
      Antes de mais, este post não tem a intenção de incentivar, recomendar ou influenciar qualquer pessoa. Minha intenção é apenas relatar algo sobre mim e demonstrar duas coisas: 1) por que eu defendo e prático a alimentação cetogênica / low carb; 2) que pratico aquilo que prego, é dizer,  que a redução de BF  é o maior e mais rápido causador de impacto visual contundente, e de melhora da autoestima
       
      Long story short:
      2015 - lesões de menisco (joelhos Dir e Esq) + artrite e artrose na articulação acrômio-clavicular ombro dir.
      2016 - cirurgia em ambos os joelhos
      2017 - ressecção do terço distal da clavícula (ombro direito).
      2018 - retorno aos treinos em março e mudança para Portugal em set.
      Desde que cheguei a Portugal, em razão de escolhas e prioridades, não mais treinei. Entretanto, retornei no início da semana.
      Pois bem, adido a tudo isso, tenho transtorno bipolar tipo 2, e boa parte da medicação (quetiapina, olanzapina, etc) têm como colaterais o aumento do apetite, o ganho de peso e a resistência insulínica.
      Por fim, síndrome metabólica.
      Resultado: em agosto de 2020 eu estava assim 👇👇👇 (em dezembro eu estava um pouco pior).

      Pois bem. Quando vi essa foto (não gosto de tirar fotos) me senti super mal e desgostoso, o que me levou a refletir sobre o que eu estava a fazer com meu corpo e qualidade de vida.
      Para além disso, o soprepeso me presenteou com a apneia do sono, ao ponto de eu ter que fazer uso de un CPAP.
      Em dezembro de 2020 eu decidi que voltaria a fazer dieta cetogênica (que já havia experimentado em 2014) e, dia 4 de janeiro de 2021, simplesmente cortei, da noite para o dia, quase que totalmente os carbos da minha vida.
      Idade: 40
      Altura: 174cm
      Evolução (data, peso, circunferência abdominal): 
      04.01.21 - 77kg - 105cm
      05.02.21 - 73kg - 99cm
      04.03.21 - 70kg - 98cm
      04.04.21 - 69kg - 96cm
      04.05.21 - 66kg - 92cm
      04.06.21 - 64kg - 90cm
      04.07.21 - 61kg - 89cm
      04.08.21 - 59kg - 86cm
      04.09.21 - 58kg - 85cm
      (A intenção aqui não é salientar o peso em si, mas, sim, demonstrar a variação, o quanto foi perdido).
      Resultado (foto tirada ontem): 👇👇👇 

      Sem exercícios, sem restrição calorica, apenas reduzindo drasticamente os carbos.
      A quem interessar possa, em tese, não houve prejuízo aos níveis "normais" de massa muscular👇👇👇

      Para além da redução de peso, a qualidade de vida e a autoestima melhoraram, a apneia do sono cessou, e a quantidade de medicamentos que eu tomava para o transtorno bipolar foram reduzidas a apenas 100mg de lamotrigina pela manhã (os medicamentos para bipolaridade são medicamentos para epilepsia utilizados off label e, a dieta cetogênica é tratamento para epilepsia há mais de um século, ou seja, funcionou na bipolaridade e, depois de sentir a diferença, fui procurar artigos que suportassem aquilo que eu empiricamente percebi, e os encontrei... poucos, recentes, mas estão lá).
      Uma vez mais, não estou a indicar, sugerir, prescrever ou incentivar qualquer pessoa a fazer o mesmo. É uma questão de escolha pessoal.
      Entretanto, embora seja uma dieta simples de fazer (mas difícil de manter como qualquer plano alimentar levado à sério), estou à disposição para conversar e trocar idéias.
      Meu próximo passo é ver até que ponto é possível a hipertrofia com alimentação cetogênica.
    • Por fisiculturismo
      Somente quem está fazendo uma dieta restritiva em carboidratos (low carb) sabe o quanto o humor fica pessimamente alterado, além de ser evidente a queda no desempenho físico.
      A cafeína é bem conhecida como uma substância capaz de aumentar a performance nas atividades físicas por reduzir o grau subjetivo de fatiga e esforço.
      Um grupo na Griffith Universy In Australia estudou se a cafeína poderia superar a queda de performance dos indivíduos sujeitos a dietas restritivas em carboidratos.
      Foram analisadas pessoas em dietas restritivas em carboidratos e pessoas em dietas sem restrição de carbo. Além disso, dentro de cada grupo, algumas pessoas receberam uma pequena dose de cafeína (3mg por kg de peso corporal - ex. um indivíduo de 80 kg receberia 240mg) ou um placebo. Todos realizaram exercícios de alta intensidade.
      Os pesquisadores descobriram que os indivíduos que ingeriram cafeína tiveram aumento de performance, seja no grupo em dieta restritiva em carboidratos, sejam em dieta não restritiva.
      Os indivíduos em dieta restritiva em carboidratos não tiveram o mesmo desempenho daqueles em dieta sem restrição, mas a cafeína ajudou a melhorar a performance física.
      Concluíram os cientistas que a cafeína pode aumentar a performance física independentemente da concentração de glicogênio nos músculos, mas ainda assim não seria capaz de equiparar o desempenho do indivíduo em dieta restritiva em carbo com o indivíduo em dieta sem restrição.
      Fonte:
      Carb-Free Focus: Caffeine Enhances Performance onLow-Carb Diets. FLEX, pp. 128, maio de 2013.
    • Por Leena Fabrini
      Quase dois terços dos americanos estão acima do peso ou obesos. Muitas dessas pessoas desenvolvem resistência à insulina e diabetes tipo 2, o que aumenta o risco de doença hepática gordurosa não alcoólica (DHGNA).
      O aumento de gordura no fígado leva à inflamação e ao deficiente processamento metabólico de gorduras, carboidratos e proteínas.
      Um diagnóstico inicial da esteatose hepática é feita a partir do elevado número de enzimas hepáticas. Uma revisão da literatura por pesquisadores da University School of Medicine, em Whashington, St. Louis, concluiu que o baixo teor de carboidratos da dieta cetogênica pode causar DHGNA.
      No entanto, os efeitos dessas dietas são mínimos sobre a função do fígado se feitas a curto prazo.
      Fontes: Current Opinion Clinical Nutrition & Metabolic Care, 15: 374-380, 2012 e Revista Muscular Development, janeiro/2013, pg. 76.
    • Por Leena Fabrini
      A primeira dieta cetogênica, dieta do cetônico ou dieta da proteína foi criada por um médico americano: trata-se da Dieta do Dr. Atkins Scardale. Alguns profissionais na área de nutrição esportiva fizeram alterações para adaptá-la ao culturismo e conseguir um nível maior de volume muscular com a maior definição possível. Cada um nomeou sua dieta de maneira diferente, a exemplo do Dr. Mauro Di Pasquali com a sua Dieta Anabólica, e de outro americano e guru dos esteróides que a chamou de Body Opus Diet.
      O regime alimentar proteinado restringe o consumo de carboidratos, fazendo com que o organismo utilize a gordura como fonte de energia principal, assim, o indivíduo elimina peso rapidamente mantendo a massa muscular. A mudança no metabolismo provoca um condição chamada cetose, que diminui o apetite e cria uma sensação de bem-estar.
      A cetose foi identificada pelo Dr. Alfred Bauer em 1962; é um estágio no catabolismo que ocorre quando o pâncreas converte gorduras em ácidos graxos e corpos cetônicos. Frise-se que a cetose acontece quando o organismo usa os depósitos de gordura como fonte energética (quando não há mais glicogênio).
      As dietas restritivas de carboidratos promovem um rápido emagrecimento, mas elas podem ser perigosas para pessoas acima do peso ou obesas que apresentam maiores riscos às doenças do coração. Stephen Lloyd, numa apresentação promovida num encontro ocorrido no Colégio Americano de Cardiologia (American College of Cardiology), explanou que descobriu, num estudo feito em ratos, que altos níveis de gordura e poucos carboidratos desregulam a quantidade de açúcar no sangue, o que prejudica a energia metabólica no músculo cardíaco. Tais dietas também diminuem as chances de sobrevivência caso ocorra um ataque do coração.
      Fontes:
      Revista Muscular Development de junho/2012 à pág. 82
      http://musclemassablog.site.br.com/?p=1849
      http://www.tuasaude.com/dieta-cetogenica/
      http://pt.wikipedia.org/wiki/Cetose
    • Por Daniela R Del Giorno
      Estou de volta, amantes do ferro! Desta vez, para fazer algumas considerações sobre jejum intermitente. Primeiro, é necessária uma definição: jejuar é uma prática alimentar, não uma dieta. Você pode praticar o jejum, mas ter uma dieta hipocalórica, hipercalórica, low-carb, hipoproteica, alguma combinação entre essas citadas ou mesmo nenhum modelo pré-definido, sem controle algum.
      Tendo isso em mente, deve ser estabelecida a motivação para adotar esta prática, ou seja, por quê jejuar? Nos dias de hoje, a prática de abstenção alimentar tem relação estreita com culturas religiosas. O exemplo mais notório é no Islamismo, onde no período do Ramadan se jejua desde a alvorada ao pôr do sol.
      Porém, a prática de privar-se de alimentos por uma determinada lacuna de horas ganhou destaque recente entre os praticantes de treinamento resistido, mais especificamente, entusiastas do fisiculturismo, sob a ideia de que seria uma boa estratégia para reduzir percentual de gordura.
      Conhecida nas academias como Dieta do Guerreiro, o conceito do jejum intermitente no meio fitness foi introduzido através de um livro lançado em 2001 pelo artista/sátiro e editor chefe da revista pornográfica Penthouse Ori Hofmekler, cujo nome é, justamente, Warrior Diet. Basicamente, o protocolo de alimentação que Hofmekler propôs foi de 18 horas de jejum, que ele chama de undereating, com 6 horas para se alimentar quantitativamente livre, desde que priorizando boas fontes de gorduras, proteínas e carboidratos complexos. Segundo o autor, a recomendação traria inúmeros benefícios, tais como lipólise acentuada ao longo do dia e melhor eficiência do sistema autonômico, para citar apenas dois.
      O jejum intermitente, na verdade, é estudado desde o início do séc. XX. Uma busca no Pubmed - não sabe o que é? Dá uma googladinha!  - nos aponta para a publicação mais antiga sobre o tema indexada no Medline, que data de julho de 1946. O artigo, Intermittent Fasting and Longevity in Rats, de A. J. Carlson e F. Hoelzel, foi publicado na revista Nutrition Reviews, da Universidade de Oxford.
      O estudo, feito em ratos, menciona que, de uma maneira geral, os machos que jejuaram tiveram uma expectativa de vida aumentada. O mesmo benefício não foi observado nas fêmeas. Muito embora o resultado pareça positivo, vários ratos dos grupos de jejum desenvolveram úlcera de estômago, o que não costuma ser comum neste animal.
      Já o artigo com humanos mais antigo indexado na base de dados data de 1962. Chama-se Intermittent Fasts in the Correction and Control of Intractable Obesity, de Garfield G. Duncan, e foi publicado pela American Clinical and Climatological Association. Ele aponta resultados positivos em redução ponderal de pacientes obesos, na manutenção do novo peso adquirido e eficácia em adesão, pois o estudo permitia que nos períodos de alimentação os pacientes tivessem uma dieta “mais liberal” – uma barganha psicológica convincente, em se tratando de obesos.
      Ao longo dos anos, a maioria dos estudos se debruçou sobre o uso do jejum intermitente tentando sucesso em administrar (ou mesmo curar) sintomas de algumas patologias. Geralmente, os estudos obtêm sucesso em casos de obesidade e síndrome metabólica, principalmente pela rápida resposta insulinêmica que a prática proporciona e melhora do metabolismo lipídico.
      Todavia, “evidências em humanos permanecem pequenas e há apenas uma revisão sistemática publicada examinando os benefícios de saúde desta abordagem” (Jane L. et al, 2015). Uma das poucas investigações que envolvem desempenho atlético, examina o desempenho de atletas islâmicos de futebol no período do Ramadan, apontando queda de rendimento, maior índice de fadiga, perda de força e resistência e modificação do ciclo circadiano de potência muscular (H. Chtourou et al, 2012).
      Agora que conhecemos o contexto do jejum intermitente, passemos para a fisiologia do exercício, mas, antes, gostaria que o leitor refletisse: por quê você levanta pesos como forma de se exercitar? Se você não buscou o treinamento resistido como uma medida de tratamento não medicamentoso para algum problema de saúde, certamente seus objetivos são força e/ou hipertrofia e você é uma pessoa saudável.
      Logo, você precisa obter desempenho atlético para atingir seus objetivos. Você, então, é um atleta, independente de subir ou não em um palco ou tablado. Atletas buscam o melhor rendimento a fim de obterem o melhor resultado. No seu caso, é o seu objetivo; seu projeto palco, tablado, praia, tirar a camisa sem vergonha, descobrir-se no espelho, envelhecer com autonomia e vigor físico ou tudo isso junto.
      Seja lá qual for seu objetivo, sempre será dependente do quanto o seu desempenho dentro da sala de pesos é bom. Quanto melhor, mais resultados. Do ponto de vista fisiológico, é inviável boa performance sem boa nutrição – essas variáveis são interdependentes. A distribuição correta não só de macros, mas também de micronutrientes ao longo do dia, de forma adequada à sua periodização de treinamento, é um elemento chave do sucesso.
      Na nutrição esportiva, isto se chama Nutrient Timing. O exercício resistido é um sinalizador fisiológico com efeito prolongado, em média, de 48h, onde há desgaste tanto muscular local quanto metabólico. Nessas 48h, vários mecanismos fisiológicos são acionados em momentos distintos, principalmente nas horas 1, 3 e 5 após o treinamento e a nutrição adequada em cada um desses momentos é essencial no processo de recuperação, supercompensação e otimização de performance e resultados.
      A nutrição é a resposta ao que o corpo pede para atingir determinados fins. Se não há controle fisiológico dessas 48h, sua sinalização foi mal aproveitada, sua performance será prejudicada cedo ou tarde e, por fim, ficará difícil concretizar objetivos. É aquela máxima da administração que eu adoro: o que não tem controle, não pode ser controlado.
      Hoje, 27/08/2016, uma busca no Pubmed com os termos “intermittent fasting” e “strength training” não aponta para nem um resultado. “Intermittent fasting” e “hypertrophy” também não resulta em nenhum estudo. Ou seja, até então, não há nenhuma investigação científica que ligue a dieta do guerreiro ou alguma similar à melhora do desempenho de força ou hipertrofia muscular. Mas, evidências contrárias parecem óbvias, pois o aumento do cortisol que advém de períodos em jejum, a maior liberação de miostatina durante o exercício devido à falta de sinalização contrária pré-treino, entre outros aspectos, contribuem para uma degradação do tecido muscular que você se esforça tanto para adquirir!
      Mesmo os estudos de resultados positivos que medem marcadores inflamatórios em pessoas com diabetes, esteatose hepática, câncer e outros problemas de saúde, não obtêm os mesmos resultados para mulheres, ou seja, os homens parecem se beneficiar mais desta prática alimentar. Todavia, é justamente entre o sexo feminino que a restrição alimentar ganhou mais popularidade. Só que a mulher atleta se esquece (ou mesmo desconhece!) que perder três quilinhos não é reduzir 3% de percentual de gordura. A atleta jamais pode se utilizar da mesma estratégia da vizinha obesa!
      Enfim, a Dieta do Guerreiro não parece ser eficaz para desenvolvimento de força e hipertrofia e não há nenhuma base científica que a sustente para tal fim. Alguns atletas que usam hormônios exógenos para otimizar seus resultados podem até não sofrer tanto os efeitos negativos do jejum prolongado; porém, certamente, perdem chances de otimizar ainda mais seus resultados.
      Basta notar que não há nenhum indício sequer de que algum atleta de alto rendimento da atualidade, homem ou mulher, seja do palco ou do tablado, pratique o jejum intermitente.  Se funcionasse, a tecnologia já estaria nas pistas, ou seja, no Olympia, no MET-RX World`s Strongest Man...
      E se a ideia for reduzir percentual de gordura, a probabilidade de acontecer às custas de perda de performance (força) e massa muscular é muito grande. Portanto, consultem um nutricionista para planejar a melhor estratégia alimentar para o seu objetivo. E confiem nele – ele se qualificou para isso!
      Bota mais 10!
      Referências:
      CHTOUROU, H.; HAMMOUDA1, O.; CHAOUACHI, A; CHAMARI, K.; SOUISSI, N.; The Effect of Time-of-Day and Ramadan Fasting on Anaerobic Performances, Int J Sports Med 2012; 33(02): 142-14
      JANE, L. ; ATKINSON, G.; JAIME, V; HAMILTON, S; WALLER, G; HARRISON, S.; Intermittent fasting interventions for the treatment of overweight and obesity in adults aged 18 years and over: a systematic review protocol., JBI Database System Rev Implement Rep. 2015 Oct;13(10):60-8.
      CARLSON, A. J.; HOELZEL, F. ; Intermittent Fasting and Longevity in Rats, Nutrition Reviews, 1946 Jul.
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