O Androxon® é testosterona em cápsulas, vendida em farmácia com receita retida. Cada cápsula tem 40 mg de undecilato de testosterona, e a bula manda começar com três a quatro por dia. Na injeção, a testosterona se conta por semana, e aqui são várias cápsulas por dia. O motivo é o caminho da cápsula até o sangue, e entender esse caminho é o que faz o remédio funcionar.
Leandro Twin resume o produto em "Tudo sobre o Androxon®": funciona, mas absorve mal, pede muitas cápsulas e por isso pouca gente usa. A bula e os estudos explicam o motivo e mostram como tomar, o que acontece com o fígado e por que a cápsula serve mal para musculação.
O que é o Androxon® e para que serve
O Androxon® Testocaps® é indicado para reposição de testosterona em homens com hipogonadismo, quando a deficiência é confirmada por sintomas e exame de sangue. O homem produz testosterona a vida toda, mas a produção pode cair com a idade ou por doença, e aí entra a reposição. O princípio ativo é o undecilato de testosterona (também chamado de undecanoato), um éster (a testosterona presa a uma cadeia de gordura) que o corpo transforma em testosterona.
A diretriz da Endocrine Society, de 2018, pede duas dosagens de testosterona total, de manhã e em jejum, antes de fechar o diagnóstico. Pede também acompanhamento da testosterona e do hematócrito (a proporção de glóbulos vermelhos no sangue) durante o tratamento. É esse exame que guia a dose do Androxon® ao longo do tratamento.
Em dose fisiológica, aquela que devolve a testosterona à faixa normal, a reposição melhora a libido, ajuda a ganhar massa muscular e a perder gordura, e melhora o humor. A bula do Androxon® registra também aumento da densidade óssea e da massa magra, queda da gordura corporal e, em homens obesos com testosterona baixa, melhora da sensibilidade à insulina.
A saúde do coração costuma entrar nessa lista, mas o maior ensaio sobre o tema não confirmou benefício. No estudo TRAVERSE, de 2023, mais de 5 mil homens com hipogonadismo e doença cardiovascular ou alto risco usaram gel de testosterona ou placebo. Os eventos cardíacos graves foram parecidos (7,0% contra 7,3%). A reposição não aumentou esse risco, mas também não protegeu o coração. O grupo da testosterona teve mais fibrilação atrial, lesão renal aguda e embolia pulmonar.
Como tomar o Androxon®
O esquema clássico é começar alto para a testosterona subir rápido e depois baixar pelo exame: três a quatro cápsulas por dia, durante duas a três semanas, e depois uma a três cápsulas por dia. Há médicos que preferem o caminho inverso: começam com duas cápsulas por um mês, conferem como o paciente reage e sobem para três, e assim por diante, até achar a dose. Mesmo na dose certa podem aparecer efeitos colaterais.
| Item | O que diz a bula |
|---|---|
| Conteúdo da cápsula | 40 mg de undecilato de testosterona |
| Dose inicial | 120 a 160 mg por dia (3 a 4 cápsulas), por 2 a 3 semanas |
| Dose de manutenção | 40 a 120 mg por dia (1 a 3 cápsulas), conforme a resposta |
| Horário | Metade da dose de manhã e metade depois do jantar |
| Como engolir | Inteira, sem mastigar, com líquido e junto com uma refeição |
| Pico de testosterona no sangue | Cerca de 4 a 5 horas depois da tomada, e continua alta por pelo menos 8 horas |
A refeição é a parte que mais gente erra. Num estudo de 2003 com 16 mulheres na pós-menopausa, a mesma dose de 80 mg levou o pico de testosterona a 0,67 ng/mL em jejum e a 10,7 ng/mL depois de um café da manhã, quase 16 vezes mais. Em jejum, a cápsula praticamente não funciona.
Também não precisa de refeição gordurosa. Em 2007, 24 voluntárias, também na pós-menopausa, tomaram 80 mg depois de quatro refeições diferentes. Com cerca de 20 g de gordura (dois pães com queijo, presunto e margarina), a absorção ficou quase cinco vezes maior que com uma refeição sem gordura. Subir para 44 g não acrescentou nada.
Por que são tantas cápsulas por dia?
Quem conhece doses de reposição injetável, na faixa de 50 a 70 mg de testosterona por semana, estranha a conta. Para atingir uma reposição pela boca, são 80 a 120 mg por dia, ou 560 a 840 mg por semana, e a dose inicial chega a 160 mg por dia. A diferença é a absorção: pela boca, só uma pequena parte chega ao sangue.
A testosterona pura, engolida, é quase toda destruída na parede do intestino e na primeira passagem pelo fígado, que inativa cerca de 98% do que foi absorvido. O undecilato contorna parte disso: vem dissolvido em óleo, pega carona na gordura da refeição e entra pelos vasos linfáticos do intestino, que desembocam na circulação sem passar primeiro pelo fígado. Com isso, em vez de quase nada, chega ao sangue uma fração pequena, que a bula calcula em cerca de 7% (a biodisponibilidade).
Numa conta grosseira, só para ter a ordem de grandeza, 7% de 560 a 840 mg dá perto de 40 a 60 mg por semana, a mesma faixa da injeção. É por isso que a dose em miligramas parece enorme e o efeito fica parecido com o de uma reposição comum. Essa perda, somada a quatro cápsulas por dia, sempre com comida, explica por que os médicos raramente escolhem o Androxon®.
Androxon® faz mal ao fígado?
A testosterona oral que lesa o fígado é a metilada. A metiltestosterona e os outros esteroides 17-alfa-alquilados (com uma mudança química que os deixa atravessar o fígado sem ser destruídos) foram associados a colestase (bile parada), peliose hepática (bolsas de sangue no fígado), hepatite e tumores. O uso contínuo dessa classe faz pouco sentido quando existe uma injeção que não força o fígado.
O Androxon® pertence a outra família: o undecilato não é metilado e chega ao sangue pela linfa. Nos estudos com a cápsula, a bula registra que não houve alteração clinicamente relevante das enzimas do fígado. A revisão de 2022 sobre as testosteronas orais descreve toxicidade hepática muito menor que a dos metilados. "Função hepática anormal" aparece na lista de reações da bula, sem frequência conhecida. Lesão grave (peliose, colestase, insuficiência) aparece só na parte da bula sobre abuso, com doses altas e outros esteroides juntos.
Androxon® para musculação e como pré-treino
Quem procura o Androxon® normalmente não está atrás de dose acima do normal. Quem faz dose suprafisiológica, e deveria fazer sempre com acompanhamento médico, vai de testosterona injetável, como Deposteron® (cipionato) ou Durateston® (mistura de ésteres), que entregam muito mais miligramas por aplicação. A cápsula existe para quem faz reposição e não pode ou não quer tomar injeção.
Há fisiculturistas que tomam todas as cápsulas do dia de uma vez antes do treino, atrás de um "punch" para treinar. O remédio não foi feito para isso, e a dose concentrada traz efeitos colaterais. Mesmo entre esses, a preferência costuma ir para a testosterona suspensão ou para outros esteroides orais, como a oxandrolona, o Hemogenin® e o Halotestin®.
A farmacocinética também atrapalha o pré-treino. O pico de testosterona vem cerca de 4 a 5 horas depois da dose, e só se ela for tomada com comida. Engolida em jejum minutos antes da série, a cápsula quase não muda a testosterona do sangue durante o treino. Para comparar mecanismo, dose e efeitos colaterais de cada um desses esteroides, a ferramenta de fármacos do site reúne as fichas.
Efeitos colaterais do Androxon®
Na dose de reposição, a bula lista policitemia (sangue grosso, com glóbulos vermelhos demais), hipertensão, retenção de líquido, acne, ginecomastia, oligospermia (pouco esperma), alteração de humor e de libido, náusea, diarreia e dor abdominal. Ela também lista queda do LDL, do HDL (o colesterol "bom") e dos triglicérides. A bula não informa a frequência de cada reação. A queda do HDL é a que preocupa.
Acima da dose fisiológica, quem usa relata humor alterado, fertilidade em queda, sono pior e colesterol ruim. A fertilidade cai porque a testosterona de fora desliga o sinal do cérebro para os testículos produzirem esperma, e a bula registra isso mesmo na dose de tratamento. Por isso a diretriz desaconselha começar a reposição em quem planeja filhos em breve. Ela também desaconselha em quem tem hematócrito alto ou apneia do sono grave sem tratamento.
As cápsulas novas, aprovadas nos Estados Unidos, trouxeram um alerta extra: pressão. No estudo do Jatenzo®, com 166 homens, a pressão sistólica (o número de cima) subiu em média 3 a 5 mmHg. Num estudo de 2021 com outra cápsula, o Tlando®, a alta foi de 3,8 mmHg na média de 24 horas. Nos homens cujo sangue mais engrossou (maior subida do hematócrito), a alta média foi de 8,3 mmHg. O Androxon® é outra fórmula, mas tem o mesmo princípio ativo, e a bula dele também lista hipertensão.
Androxon®, injeções e as outras opções
Quem quer fugir da injeção tem outros caminhos além da cápsula, como o gel de testosterona e o implante. Entre as injeções, o enantato, o cipionato (Deposteron®) e a mistura de ésteres (Durateston®) pedem aplicação a cada uma ou duas semanas, e a comparação entre enantato, Durateston® e Deposteron® mostra o que muda entre eles. Para quem vai começar e quer entender exames, dose e controles, o gerador de protocolo hormonal do site monta um plano de reposição com os exames de acompanhamento.
O undecilato também existe em injeção, e aí ele muda de comportamento. O Nebido® tem 1.000 mg de undecilato numa ampola aplicada a cada 10 a 14 semanas. É o mesmo éster do Androxon®, mas a injeção profunda no músculo libera a testosterona aos poucos, por meses, enquanto a cápsula precisa de duas tomadas por dia.
Nos Estados Unidos, as cápsulas de nova geração (Jatenzo®, Tlando®) usam um veículo que forma uma emulsão sozinho no intestino. No ensaio de fase 3 do Jatenzo®, 87% dos homens chegaram à testosterona normal, a mesma taxa do gel, com a alta de pressão já descrita.
Testosterona em cápsulas para mulher
O Androxon® não é para mulheres: a bula contraindica o uso, e na gravidez ele pode masculinizar o feto. O consenso internacional de 2019 sobre testosterona em mulheres reprova a via oral porque ela piora o colesterol (HDL e LDL). A única indicação com evidência nesse documento é a falta de desejo sexual na pós-menopausa, tratada com testosterona aplicada na pele, em dose que imita o nível natural da mulher antes da menopausa. Injeções e implantes que levam a níveis acima disso não são recomendados.
Conclusão
O Androxon® funciona como reposição: põe a testosterona na faixa normal em quem tem deficiência confirmada. O problema é o custo-benefício. São até quatro cápsulas por dia, sempre com comida, e só cerca de 7% chega ao sangue. Por isso ele é pouco popular e fica como opção para quem não pode ou não quer tomar injeção.
A fama de vilão do fígado pertence aos metilados, e o Androxon® não é um deles. Para musculação ou pré-treino, a cápsula é uma escolha ruim. Qualquer uso, mesmo na reposição, depende de diagnóstico e de exames com médico, pelos riscos de fertilidade, sangue e pressão. Antes de começar, vale conhecer os cinco motivos para pensar antes de iniciar a TRT.
FAQ
Para que serve o Androxon®?
Serve para repor testosterona em homens com hipogonadismo confirmado por sintomas e exame. Cada cápsula tem 40 mg de undecilato de testosterona. A reposição melhora a libido, a massa magra e outros sinais da falta do hormônio.
Androxon® funciona?
Funciona, desde que seja tomado com comida. Em jejum, a absorção cai a quase nada. Com refeição, chega ao sangue cerca de 7% da dose, o suficiente para uma reposição, mas à custa de várias cápsulas por dia.
Como tomar testosterona em cápsulas?
Junto com uma refeição, engolindo a cápsula inteira com líquido. O Androxon® começa com 3 a 4 cápsulas por dia por 2 a 3 semanas e depois cai para 1 a 3, conforme o exame. Uma refeição comum, com perto de 20 g de gordura, já basta para a absorção.
Qual o melhor horário para tomar testosterona em cápsulas?
A bula do Androxon® divide a dose: metade de manhã, com o café, e metade depois do jantar. O horário importa menos que a comida, porque a cápsula precisa da gordura da refeição para ser absorvida.
Androxon® aumenta a massa muscular?
Em quem tem deficiência, sim: a bula registra aumento de massa magra e queda de gordura com a reposição. Para musculação acima do normal, a cápsula é uma escolha ruim, porque absorve pouco e exigiria um número enorme de cápsulas. Quem busca isso costuma usar testosterona injetável, com os riscos de qualquer dose acima da fisiológica.
Testosterona em cápsulas faz mal?
Depende de qual. A metiltestosterona, que é metilada, pode lesar o fígado. O Androxon® não é metilado e não mostrou alteração relevante das enzimas do fígado nos estudos da bula, mas pode engrossar o sangue, subir a pressão, baixar a fertilidade e mexer no colesterol.
Androxon® é anabolizante?
Sim. É testosterona, e a própria bula a coloca entre os esteroides androgênicos anabólicos. Na dose indicada, é remédio de reposição. A bula alerta para o abuso em doses altas, junto com outros esteroides, e avisa que o Androxon® pode dar positivo no antidoping.
Androxon® precisa de receita?
Sim. É venda sob prescrição médica, e a farmácia retém a receita.
Existe Androxon® injetável?
Não. O Androxon® de farmácia é só em cápsulas de 40 mg. O undecilato de testosterona injetável é o Nebido®, uma ampola de 1.000 mg aplicada a cada 10 a 14 semanas.
Androxon® ou Durateston®: qual a diferença?
O Androxon® é cápsula, tomada duas vezes ao dia com comida, e perde a maior parte da dose no caminho. O Durateston® é injeção de uma mistura de ésteres de testosterona, sem a perda da via oral. Por isso quem quer dose alta escolhe a injeção, e a cápsula fica para quem faz reposição sem agulha.
Mulher pode tomar testosterona em cápsulas?
Não. O Androxon® é contraindicado para mulheres e pode masculinizar o feto na gravidez. Para a falta de desejo sexual na pós-menopausa, o consenso de 2019 aceita só testosterona na pele, em dose baixa.
Referências
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