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Imagem sintética e meramente ilustrativa. Não é uma foto real.

Masteron® Actiza (MasteroBolic): o que o teste químico mostrou

O Masteron® da Actiza ficou lilás e roxo no teste de reagente, a cor esperada, sem o verde que indicaria testosterona. Veja o que a cor não prova.

O Masteron® Actiza, drostanolona vendida com o nome MasteroBolic, passou no teste de reagente. A mistura começou amarelo-clara e foi ficando lilás e depois roxa, a cor que a tabela do kit espera para a drostanolona, a substância do Masteron®. Também não apareceu a borda verde que, nesse kit, aponta testosterona misturada. O teste mostra que há no óleo algo que reage como drostanolona. A quantidade é outra pergunta.

O teste é do canal Testes Ergogênicos, em “A VERDADE SOBRE O MASTERON® ACTIZA | TESTE QUÍMICO”, parte de uma série que testa marcas de anabolizantes. O objetivo declarado é conferir se o produto tem o que diz no rótulo, sem incentivar ninguém a comprar ou usar. A unidade foi enviada por uma revenda e aberta diante da câmera, sem cortes.

O que é o Masteron® da Actiza

É drostanolona propionato a 100 mg/mL. Na página do produto no site do fabricante, a foto mostra o nome comercial MasteroBolic, um frasco de 10 mL para várias aplicações (multidose), uso só por injeção no músculo e a inscrição “for export only”: o produto é feito para exportação. A versão enantato é outro produto, e a diferença está em Masteron® enantato ou propionato.

A Actiza Pharmaceutical fica em Surat, no estado de Gujarat, na Índia. No teste, ela aparece como uma farmacêutica licenciada na Índia, com certificado, muitos remédios no catálogo e uma linha própria de hormônios. O site da empresa diz seguir as boas práticas de fabricação da Organização Mundial da Saúde (WHO-GMP) e tem uma página para conferir o número de série da embalagem. O porte e o registro da empresa no comércio indiano estão no teste da Dura Actiza, a testosterona da mesma marca.

O produto é difícil de achar no Brasil e tem preço mais alto. O motivo apontado é a matéria-prima, que vem da Índia, e não da China. Ela é mais cara, o que encarece o produto, mas a qualidade costuma ser melhor. Só que a origem da matéria-prima não aparece no frasco nem na cor do reagente. Pureza e dose só se medem em laboratório.

ItemRótulo e teste
Nome comercialMasteroBolic, da Actiza Pharmaceutical (rótulo no site do fabricante)
Substância no rótuloDrostanolona propionato
Concentração declarada100 mg/mL
Frasco10 mL, multidose (rótulo no site do fabricante)
Tampa da unidade testadaBorracha transparente
Aspecto do óleoMuito fino e transparente
Óleo colocado no teste0,5 mL
Reagente3 gotas do reagente para anabolizantes derivados da testosterona
Cor logo após as gotasAmarelo-claro, marrom muito leve
Cor final, sob a luz azulLilás a roxo
Borda verdeNenhuma

Um frasco caprichado e um óleo que parece água

A caixa traz a bula e os dados do lote, que se repetem no rótulo do frasco. O rótulo lista ainda a conservação, os cuidados, o local de fabricação e a validade. O acabamento chamou atenção, principalmente a tampa de borracha transparente, diferente da borracha cinza que quase todas as marcas usam. Até a entrada da agulha foi diferente.

O óleo era tão fino e transparente que, no recipiente, quase não dava para ver que ele estava ali. A dúvida virou brincadeira: “será que é água?”. O tipo de óleo foi dito com cautela: seria óleo de semente de uva, muito refinado e filtrado, talvez o mesmo da Landerlan. No teste do Masteron® Bratva, o óleo também era transparente como água e lembrou o da Actiza.

No teste, o fato de o óleo não ser de amendoim, ao qual “a maioria do pessoal tem alergia”, contou a favor. O óleo refinado, porém, quase não dá alergia. Num ensaio de 1997 com 60 pessoas com alergia comprovada a amendoim, nenhuma reagiu ao óleo de amendoim refinado, e 6 reagiram ao óleo bruto. O ensaio foi feito com óleo ingerido. Para injeção não há teste equivalente, mas o Durateston®, injetável com registro na Anvisa, usa óleo de amendoim na fórmula.

A tampa foi limpa com álcool antes de furar porque o frasco ia continuar em uso, e a ideia era não levar bactérias para dentro dele. O cuidado tem razão de ser, porque óleo limpo não quer dizer óleo estéril. Um estudo holandês de 2025 procurou bactérias em anabolizantes do mercado ilegal e achou contaminação em 2 de 22 frascos multidose já em uso e em 1 de 41 frascos e ampolas ainda fechados.

Como foi o teste com 0,5 mL

Depois da limpeza com algodão e álcool, o óleo foi puxado com seringa nova de 1 mL e agulha grossa, de 1,2 mm (a 40x12), que facilita a passagem do óleo e não enche de bolhas. Saíram 0,5 mL exatos, e a seringa de 1 mL foi escolhida pela precisão. O óleo foi para um recipiente raso, também limpo com álcool.

Evitar bolhas faz parte do método usado: cada bolha leva ar para a amostra, e o oxigênio atrapalharia a leitura. O recipiente de fundo reto deixa o óleo espalhado, o que dá uma reação mais limpa que a de um pote. Depois, entraram três gotas do reagente do kit para anabolizantes derivados da testosterona, grupo do qual a drostanolona faz parte.

Do amarelo-claro ao roxo

Logo depois das gotas, a mistura ficou bem clara, num amarelo que puxa para um marrom muito leve. É a cor esperada para o Masteron® nesse kit. A testosterona, no mesmo reagente, fica marrom muito escuro. Pela cor inicial, uma troca grosseira por testosterona já parecia improvável.

A tabela do kit manda esperar um pouco até o roxo aparecer. Pouco depois, surgiu um lilás bem claro nas bordas. Com mais tempo e mais mistura, a cor foi ficando roxa, primeiro nas bordas e depois no meio da camada de óleo.

Para a cor aparecer na câmera, a luz, azul, foi posta de lado, e não por cima. Com ela, o lilás clarinho foi virando roxo e chegou perto do roxo de um Primobolan®, outro anabolizante. Quanto mais tempo a amostra ficava, mais roxa ela ficava.

O tipo de luz pesa na leitura. Uma revisão de métodos de teste de drogas, publicada em 2017, explica que o tom e a intensidade de um teste de cor mudam com a concentração, com o que está misturado ao produto e com a iluminação. A reação seguiu a ordem da tabela do kit, mas a comparação foi feita a olho.

Sem borda verde dá para descartar mistura?

Pelo critério do kit, a borda verde é o sinal de mistura, em geral com propionato de testosterona, que aparece em produtos de laboratórios ruins. No Masteron® da Actiza, a borda ficou lilás, sem verde. Por esse critério, o teste concluiu que não havia outros hormônios e que a matéria-prima era de primeira, porque “não é qualquer produto” que chega a esse tom.

São dois propionatos diferentes. O produto declara drostanolona propionato. A mistura que se procura é com testosterona propionato, que é outra substância.

A ausência de verde é um bom sinal, mas não basta para descartar mistura. A revisão de 2017 explica que um reagente sozinho não serve para investigar uma mistura suspeita. Um dos motivos é que o ácido do reagente reage com uma parte da molécula que vários esteroides têm em comum. Num caso italiano de 2013, comprimidos apreendidos reagiram no reagente Marquis como se fossem anfetamina. A análise de laboratório achou dois anabolizantes, metandienona e metiltestosterona.

Roxo forte prova os 100 mg/mL?

Não. A intensidade do roxo depende de luz, tempo e óleo, e o kit não vem calibrado para medir quantidade. Para saber quantos miligramas há em cada mililitro, o laboratório usa um método conferido para aquela substância e compara a amostra com drostanolona pura em quantidade conhecida, que serve de régua. Ao procurar um laboratório, pergunte se ele identifica e quantifica drostanolona em óleo.

Há motivo para desconfiar da dose. Uma revisão de 2022 juntou 19 estudos com 5.413 amostras de anabolizantes do mercado ilegal. Em média, 36% eram falsificadas e outros 37% tinham qualidade abaixo do padrão. Dose diferente da anunciada e princípio ativo errado ou ausente estão entre os problemas descritos.

Num estudo de 2025, amostras foram medidas em laboratório com cromatografia líquida e espectrometria de massas (LC-MS), um método que separa as substâncias e pesa cada uma. Das 36 medidas, 15 tinham problema de concentração. O teste do Masteron® King Pharma mostra o mesmo limite em outra marca: a cor certa ainda deixa a dose sem prova.

Como saber se o Masteron® Actiza é original?

A caixa traz um código para conferir no site da Actiza, e a ideia era raspá-lo depois do teste. O resultado da consulta não foi mostrado. O verificador da empresa pede o número de série impresso na embalagem. Ele ajuda a descobrir uma caixa copiada, mas não diz o que há dentro do frasco.

Falsificação costuma copiar bem a caixa. A Polícia Federal analisou 2.818 anabolizantes apreendidos no Brasil entre 2006 e 2011. Do total, 31,7% eram falsos, e só em 4,6% dos falsos a embalagem bastou para revelar a fraude. Nos outros, foi preciso análise química.

No Brasil, a Lei nº 6.360/1976 exige registro na Anvisa antes da venda de qualquer medicamento industrializado, inclusive importado. A lista oficial de medicamentos da Anvisa, de 13 de outubro de 2026, não tem nenhum produto da Actiza, nenhum Masteron® e nenhum medicamento com drostanolona, nem entre os registros cancelados. O MasteroBolic, feito para exportação, não tem registro no Brasil.

Os riscos da drostanolona, como os de qualquer anabolizante, estão na matéria sobre por que o Masteron® não aromatizar não o torna seguro. Se você pensa em usar um injetável, leve o produto e estas dúvidas a um médico.

Conclusão

No teste de cor, o Masteron® Actiza fez o que se espera da drostanolona: começou amarelo-claro, ficou lilás nas bordas, foi ao roxo com o tempo e não mostrou borda verde. Com o óleo finíssimo e o acabamento caprichado, o veredito foi “aprovado, muito aprovado”, de “outro nível”. A comparação com Landerlan e King faz parte da série, que quer montar uma base das melhores marcas. O teste de cor não alcança a dose, a pureza e a esterilidade, que só um laboratório mede.

Perguntas frequentes

O Masteron® Actiza é bom?

No teste de cor, a unidade analisada foi muito bem. Ficou lilás e depois roxa, sem a borda verde que indicaria testosterona misturada, e o óleo veio limpo. Ninguém mediu a dose nem procurou bactérias, então o “bom” vale para a reação, e não para todo o conteúdo do frasco.

O que é o MasteroBolic e para que serve?

É o nome comercial do Masteron® da Actiza: drostanolona propionato injetável, a 100 mg/mL. Como remédio, a drostanolona foi aprovada para o tratamento paliativo do câncer de mama que volta em mulheres na pós-menopausa. No fisiculturismo, ela é usada fora dessa indicação, com os riscos descritos em Masteron® (drostanolona).

Onde se aplica o Masteron®?

No músculo. O rótulo do MasteroBolic diz “for intramuscular injection only”, ou seja, só injeção intramuscular. Num produto sem garantia de esterilidade, a aplicação soma o risco de infecção ao risco do hormônio.

A Actiza Pharmaceutical é confiável?

A empresa existe, tem cadastro comercial na Índia e um verificador de número de série. Isso não garante o conteúdo de cada frasco que circula no Brasil, porque a falsificação costuma copiar caixa e lote. Só a análise de laboratório de cada lote responde.

De onde é a Actiza?

Da Índia. A Actiza Pharmaceutical fica em Surat, no estado de Gujarat, e a caixa do MasteroBolic diz que ele é feito para exportação. Nenhum medicamento da Actiza tem registro na Anvisa.

A Actiza também tem testosterona?

Tem. A Dura Actiza, vendida como Susta Depot, é um blend de testosterona com a fórmula declarada do Durateston®. O teste dela, com reação de testosterona e óleo igualmente claro, está em Dura Actiza bateu no teste químico?.

Referências

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