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Imagem sintética e meramente ilustrativa. Não é uma foto real.

Dieta carnívora por 5 anos: LDL chegou a 189 e caiu para 91

Em cinco anos de dieta carnívora, o LDL foi de 81 a 189 mg/dL e voltou a 91. A ApoB caiu para 68, mas o HDL terminou em 41.

Um LDL de 91 mg/dL em março de 2026 parece tranquilizador quando visto sozinho. O problema é que, na mesma sequência de exames, ele já havia chegado a 189 mg/dL em abril de 2024. A ApoB alcançou 116 mg/dL e depois caiu para 68 mg/dL. O HDL fez o caminho contrário: começou em 73 mg/dL e terminou em 41 mg/dL.

Em "5 Anos Comendo Carne: Meus Exames de 2026 Mostram o Que Realmente Aconteceu", a nutricionista Lua Ferrari abriu sua série pessoal de exames depois de quase cinco anos de dieta carnívora. O caso é útil justamente porque não entrega uma história linear. Há marcadores favoráveis, picos importantes e quedas posteriores. Ele descreve o que aconteceu com uma pessoa, mas não demonstra que a dieta causou cada mudança nem que produzirá o mesmo resultado em outra pessoa.

A curva inteira dos exames

Os números relatados não cabem em um antes e depois simples. O LDL começou em 81 mg/dL, chegou a 189 mg/dL e terminou em 91 mg/dL. O colesterol total foi de 168 mg/dL a um pico de 246 mg/dL e depois caiu para 142 mg/dL. Os triglicerídeos permaneceram baixos durante toda a série.

MarcadorInício ou primeiro valor informadoPior ou maior valor relatadoMarço de 2026
Colesterol total168 mg/dL em 2021246 mg/dL em abril de 2024142 mg/dL
LDL-C81 mg/dL em julho de 2021189 mg/dL em abril de 202491 mg/dL
ApoB105 mg/dL em novembro de 2022116 mg/dL em abril de 202468 mg/dL
Triglicerídeos24 mg/dL em 2021faixa relatada de 24 a 43 mg/dL34 mg/dL
HDL-C73 mg/dL em julho de 2021menor valor de 39 mg/dL em novembro de 202541 mg/dL
Lp(a)não informadanão informadamenor que 7, sem unidade declarada

Há mais pontos intermediários. O LDL passou por 103, 129, 177, 149 e 129 mg/dL antes do pico de 189. Depois caiu para 129, 115 e 91 mg/dL. A ApoB foi de 105 para 80, subiu a 116, passou por dois resultados de 100, caiu a 81 e chegou a 68 mg/dL em novembro de 2025, valor repetido em março de 2026.

O colesterol total também oscilou. Depois de 168 e 160 mg/dL, foi a 199 em 2021, chegou a 232 em novembro de 2022, caiu posteriormente a 185, atingiu 246 em abril de 2024 e recuou para 186, 164 e 142 mg/dL. Um valor de julho de 2023 não ficou inteligível na fonte e, por isso, não foi reconstruído.

LDL de 91 hoje não apaga o pico de 189

O resultado atual é claramente menor que o pico. Isso é relevante. Mas a conclusão correta não é que o pico deixou de importar. A exposição às partículas aterogênicas se acumula ao longo do tempo, e a interpretação clínica depende de duração, idade, pressão arterial, tabagismo, diabetes, função renal, histórico familiar e outros fatores.

Também não é correto transformar 189 mg/dL em prova isolada de dano já instalado. Um exame lipídico estima exposição e ajuda a orientar risco. Ele não mostra sozinho se existe placa, qual é a condição das artérias ou qual conduta deve ser adotada. A série pede avaliação contextual, não pânico nem comemoração baseada em uma única coleta.

A ApoB explica por que LDL e triglicerídeos não contam tudo

A ApoB aproxima a contagem de partículas aterogênicas porque cada partícula de LDL, IDL e VLDL carrega uma molécula de ApoB. Duas pessoas com o mesmo LDL-C podem transportar quantidades diferentes de partículas. Essa discordância é uma das razões para não usar apenas LDL ou apenas triglicerídeos.

No caso relatado, ApoB e LDL se moveram em direções parecidas nos pontos principais. Em abril de 2024, LDL de 189 mg/dL veio acompanhado de ApoB de 116 mg/dL. Em março de 2026, LDL de 91 mg/dL veio acompanhado de ApoB de 68 mg/dL. O par atual é mais favorável que o pico, mas continua sendo uma fotografia dentro de uma trajetória.

Em uma coorte de 27.533 mulheres acompanhadas por mediana de 17,2 anos, a discordância entre LDL-C e ApoB, colesterol não HDL ou número de partículas alterou a estimativa de eventos coronarianos. O estudo não foi feito em praticantes de dieta carnívora, mas sustenta a utilidade de olhar além do LDL-C quando os marcadores não combinam.

Triglicerídeos de 34 não neutralizam partículas aterogênicas

Os triglicerídeos permaneceram entre 24 e 43 mg/dL durante a série e chegaram a 34 mg/dL em março de 2026. É um achado metabólico favorável dentro do perfil apresentado. O erro seria tratá-lo como um antídoto para LDL ou ApoB altos.

Marcadores descrevem partes diferentes do metabolismo. Triglicerídeos baixos não retiram partículas de ApoB da circulação. Da mesma forma, LDL alto não informa sozinho todo o risco cardiometabólico. O painel precisa ser interpretado em conjunto, sem escolher apenas o número que confirma a preferência alimentar de quem lê.

HDL caiu de 73 para 41: isso também não tem leitura simples

O HDL começou em 73 mg/dL, passou por 50, 60, 48, 71, 47, 47 e 46 mg/dL, chegou a 39 em novembro de 2025 e terminou em 41 mg/dL. A queda é real dentro dos dados relatados. O que ela significa clinicamente não pode ser decidido apenas pelo número.

Estudos genéticos ajudaram a desmontar a ideia de que elevar HDL-C, por si só, necessariamente reduz infarto. HDL é um marcador associado ao risco em muitos contextos, mas não funciona como crédito capaz de cancelar LDL ou ApoB. Portanto, nem o valor inicial de 73 protegia automaticamente contra o pico de LDL, nem o resultado de 41 prova doença.

Lp(a) menor que 7 é favorável, mas não zera o risco

A Lp(a) foi informada apenas em março de 2026 como menor que 7. A unidade do laboratório não foi apresentada, então não é correto completar o dado como mg/dL ou nmol/L por suposição.

Uma Lp(a) baixa evita adicionar um importante fator hereditário de risco ao caso. Ela não elimina a relevância de LDL, ApoB, pressão, glicemia, tabagismo, histórico familiar e exposição acumulada. Lp(a) e ApoB respondem perguntas diferentes.

A dieta carnívora causou a subida e a queda?

Esta série não permite responder. Não há grupo de comparação nem controle de todas as variáveis que mudaram em cinco anos. Peso corporal, quantidade total de calorias, proporção de gordura saturada e insaturada, cortes escolhidos, atividade física, sono, medicamentos, suplementos e condições da coleta podem alterar o perfil.

O mesmo limite vale para os dois sentidos. O pico de LDL não prova que toda dieta carnívora levará qualquer pessoa a 189 mg/dL. A queda posterior para 91 mg/dL também não prova que permanecer nessa dieta reduz colesterol ou previne doença cardiovascular.

O maior levantamento publicado sobre pessoas que declaravam seguir dieta carnívora reuniu 2.029 adultos recrutados pelas redes sociais. Entre os participantes que relataram exames, a mediana foi de 172 mg/dL para LDL, 68 mg/dL para HDL e 68 mg/dL para triglicerídeos. O desenho era transversal, baseado em autorrelato e sujeito a forte seleção de participantes. Serve para descrever uma comunidade, não para demonstrar segurança cardiovascular de longo prazo.

Como acompanhar uma dieta restritiva sem escolher só o exame bonito

Uma leitura prática e responsável desta série inclui:

  1. comparar exames em condições semelhantes e repetir resultados inesperados
  2. acompanhar LDL, colesterol não HDL, triglicerídeos e ApoB quando disponível
  3. medir Lp(a) ao menos uma vez, salvo orientação diferente por condição clínica
  4. registrar pressão arterial, glicemia e outros fatores de risco relevantes
  5. discutir a trajetória completa com profissional habilitado, não apenas o último resultado
  6. revisar a alimentação e a conduta quando a exposição aterogênica permanecer elevada

Nenhum desses passos transforma um artigo em consulta ou autoriza copiar a estratégia de outra pessoa. O objetivo é impedir duas leituras ruins: usar o pico para declarar que o caso terminou mal e usar a queda posterior para declarar que a dieta foi absolvida.

Conclusão

Cinco anos de exames mostram uma história concreta. O LDL foi de 81 a 189 e voltou a 91 mg/dL. A ApoB chegou a 116 e caiu para 68 mg/dL. Os triglicerídeos ficaram entre 24 e 43 mg/dL. O HDL caiu de 73 para 41 mg/dL. A Lp(a) apareceu menor que 7 na última coleta, sem unidade informada.

O resultado de março de 2026 é melhor que o pico para LDL e ApoB. Isso merece ser reconhecido. Também merece ser reconhecido que a trajetória incluiu exposição bem mais alta e que um relato individual não estabelece causa, segurança ou superioridade de uma dieta. Como resume Lua Ferrari, "exame não existe para defender dieta". A dieta é que precisa resistir à leitura honesta dos exames.

FAQ

LDL de 91 mg/dL prova que a dieta carnívora foi segura?

Não. É um resultado atual bem menor que o pico de 189 mg/dL, mas não demonstra segurança cardiovascular nem estabelece a causa da queda. A avaliação depende da trajetória e do risco global.

Triglicerídeos de 34 mg/dL compensam LDL alto?

Não. Triglicerídeos baixos são um dado favorável, mas não anulam a exposição a partículas que contêm ApoB.

Por que medir ApoB se já existe LDL?

Porque a ApoB ajuda a estimar a quantidade de partículas aterogênicas. Em algumas pessoas, LDL-C e número de partículas são discordantes, o que pode mudar a interpretação do risco.

HDL de 41 mg/dL significa que há doença?

Não. O número isolado não diagnostica doença. HDL também não deve ser usado como proteção automática contra LDL ou ApoB elevados.

Lp(a) menor que 7 elimina o risco cardiovascular?

Não. É um resultado favorável dentro do marcador, mas não substitui a avaliação dos demais fatores. A unidade também não foi informada na fonte.

Esse caso prova que carne reduz colesterol?

Não. O próprio relato não controla as muitas variáveis que podem alterar os exames. Ele documenta uma sequência pessoal, não um experimento capaz de provar causa.

Referências

  1. FERRARI, Lua. 5 Anos Comendo Carne: Meus Exames de 2026 Mostram o Que Realmente Aconteceu. YouTube, 19 ago. 2026. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=CRZsWnuU9UA. Acesso em: 21 ago. 2026.
  2. LENNERZ, Belinda S. et al. Behavioral Characteristics and Self-Reported Health Status among 2029 Adults Consuming a “Carnivore Diet”. Current Developments in Nutrition, v. 5, n. 12, 2021. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34934897/. Acesso em: 21 ago. 2026.
  3. FERENCE, Brian A. et al. Low-density lipoproteins cause atherosclerotic cardiovascular disease. 1. Evidence from genetic, epidemiologic, and clinical studies. European Heart Journal, v. 38, n. 32, 2017. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28444290/. Acesso em: 21 ago. 2026.
  4. MORA, Samia; BURING, Julie E.; RIDKER, Paul M. Discordance of low-density lipoprotein cholesterol with alternative LDL-related measures and future coronary events. Circulation, v. 129, n. 5, 2014. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/24345402/. Acesso em: 21 ago. 2026.
  5. VOIGHT, Benjamin F. et al. Plasma HDL cholesterol and risk of myocardial infarction: a Mendelian randomisation study. The Lancet, v. 380, n. 9841, 2012. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/22607825/. Acesso em: 21 ago. 2026.
  6. KRONENBERG, Florian et al. Lipoprotein(a) in atherosclerotic cardiovascular disease and aortic stenosis: a European Atherosclerosis Society consensus statement. European Heart Journal, v. 43, n. 39, 2022. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/36036785/. Acesso em: 21 ago. 2026.

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