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Pre-Balada
@Steve-O, o tópico inteiro respondeu por intuição e acertou. Vale só colocar os números — e existe um dado sobre a parte que ninguém levou a sério, que é a balada em si. Começando pela sua pergunta. @dl15, @CKIKO e o @ReNaTu estavam certos: ninguém fica bombeado por quatro ou cinco horas. O que produz o pump são duas coisas somadas. Hiperemia — o aumento do fluxo sanguíneo para o músculo que trabalhou — e edema celular, que é o acúmulo temporário de líquido dentro da fibra por conta dos metabólitos ali concentrados. Ambos são transitórios e dependem de o músculo estar em atividade ou recém-ativo. O fluxo volta ao basal em poucos minutos depois que você para, e o inchaço celular se dissipa ao longo de algo entre quinze minutos e uma ou duas horas. Em quatro ou cinco horas não sobra nada. O seu amigo chegou na festa exatamente do tamanho que ele é. E a resposta técnica à sua outra pergunta, sobre carga alta com poucas repetições ou carga baixa com muitas: @GORO acertou. Para pump agudo, repetições altas com carga moderada e descanso curto produzem muito mais, porque é isso que acumula metabólito e retém líquido dentro da célula. Carga alta com poucas repetições produz muita tensão e pouco inchaço. Por isso os competidores fazem justamente isso nos bastidores, minutos antes de subir ao palco — e não cinco horas antes. Agora a correção mais útil, que é para o @carlosernani_. Você escreveu que treinar horas antes faz a pessoa chegar menor, porque entra em processo catabólico. Não é assim. Ninguém encolhe depois do treino. O que acontece é só o pump indo embora — você volta ao tamanho de base, não para baixo dele. A janela catabólica pós-treino, do jeito que circula em academia, é uma ideia bem mais dramática do que a fisiologia sustenta: com alimentação adequada ao longo do dia, o balanço proteico não desaba porque você demorou duas horas para comer. Agora o dado que faltava no tópico, e ele vem do comentário do @Leandro-SP, que foi o mais lúcido de todos e passou como piada: "O cara vai na academia e fica inchadão, depois vai pra balada e enche a cara de álcool. O que adianta?" Existe um estudo do Parr e colaboradores, publicado no PLoS ONE em 2014, que mediu exatamente isso. Os participantes treinaram e depois receberam uma de três coisas: 25 g de whey protein; álcool junto com a mesma proteína; ou álcool com carboidrato. A dose de álcool foi de 1,5 g por quilo — o equivalente a cerca de doze doses, ou seja, uma noite de verdade. O resultado: a síntese proteica miofibrilar caiu 37% no grupo que bebeu, em relação ao que tomou só proteína. E — esta é a parte que importa — mesmo com os 25 g de whey tomados junto com o álcool, a síntese ainda ficou 24% abaixo. Ou seja: tomar o shake não protege. O álcool derruba a resposta ao treino mesmo com a proteína dentro do estômago. Então a piada do @Leandro-SP era, na verdade, a melhor informação do tópico. Não é o treino de sexta à tarde que se perde. É o treino da semana inteira que rende menos, porque o dia em que o estímulo estava mais fresco foi o dia em que a resposta foi cortada quase pela metade. Isso não é para ninguém parar de sair — é informação para calibrar expectativa. Quem treina bem a semana toda, come direito e bebe em uma noite de fim de semana continua progredindo. Quem faz isso duas ou três vezes por semana e não entende por que não evolui tem aqui uma explicação que nenhum suplemento resolve. Duas observações para fechar, porque o tópico é de 2003 e algumas coisas envelheceram. @Steve-O, você escreveu que definição "é só para competidor e para quem não quer passar vergonha na praia". Vale reconsiderar por um motivo que não é estético: o percentual de gordura corporal é um marcador de saúde metabólica, e ele aparece em pressão arterial, perfil lipídico e sensibilidade à insulina muito antes de aparecer no espelho. Ficar grande e ficar saudável não são objetivos opostos — mas também não são automaticamente o mesmo objetivo. E a dica do @Aveia Quaker, de comprar a camisa dois números menores, continua sendo o conselho de melhor custo-benefício de todo o fórum. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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Crescer as pernas (localizada)
@Leonice Castro, respondendo a sua pergunta direta, que ficou sem resposta objetiva: sim, o ADE injetável é produto de uso veterinário. Ele é registrado para bovinos. Não existe apresentação injetável dele aprovada para uso humano no Brasil. Isso sozinho já responde muita coisa. Mas o tópico tem uma afirmação que precisa de correção, porque ela é falsa e perigosa. @danielfm escreveu que "ADE não faz mal ao organismo da forma como os esteroides fazem" e que "somente promove um processo inflamatório no local da aplicação". A segunda metade está certa. É justamente por ser verdade que a primeira metade é falsa. Não existe processo inflamatório crônico inofensivo. O que acontece quando se injeta óleo no músculo é bem descrito na literatura médica: o organismo não consegue eliminar o material, então ele o isola, cercando-o com tecido inflamatório. Isso se chama granuloma de corpo estranho. Com aplicações repetidas, o granuloma cresce e o tecido muscular vai sendo substituído por fibrose. E aqui está a parte que ninguém no tópico sabia: o material não fica necessariamente onde foi colocado. Existe relato publicado de granulomatose pulmonar e hipercalcemia em uma pessoa que usou óleo de aplicação local — com granulomas encontrados tanto no glúteo, local da aplicação, quanto nos pulmões, por migração do material pela corrente sanguínea. No mesmo relato, houve insuficiência renal, e a única conduta razoável para tratar a hipercalcemia foi a remoção cirúrgica do material. A literatura sobre esses óleos também descreve dano a nervos, embolia pulmonar por óleo, oclusão de artéria pulmonar, infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral e complicações infecciosas. Há relato de material migrado simulando sarcoma metastático em exame de imagem — ou seja, alguém foi investigado para câncer por causa disso. E existe literatura de cirurgia plástica dedicada ao manejo da fibrose induzida por esses óleos, que exige ressecção sob anestesia geral. Sobre o texto em inglês que foi colado aqui, com a explicação de que 30% é metabolizado e 70% fica encapsulado sendo degradado em 3 a 5 anos, e que "o corpo tem dificuldade de identificar a substância": isso é material promocional, não evidência. E a parte final é o contrário do que ocorre — o corpo identifica sim, reage intensamente, e é exatamente essa reação que produz o granuloma e a fibrose. Quanto ao ADE especificamente, além do granuloma há um risco próprio que o @kakabh citou e vale confirmar: hipervitaminose. Aplicações repetidas de um preparado concentrado de vitaminas A e D podem produzir intoxicação real — a vitamina A em excesso tem hepatotoxicidade e hipertensão intracraniana entre as manifestações descritas, e a vitamina D em excesso causa hipercalcemia. Não é vitamina "extra". É dose farmacológica por via injetável de um produto formulado para gado. E @kakabh estava certo também sobre a cristalização e a necessidade de drenagem. @Batata descreveu a mesma coisa em 2018. Agora o argumento que, para mim, é o mais forte do tópico inteiro, e ele foi feito pelo @nattis em 2003: "De que adianta ter uma perna toda grande sem força?" Isso vai direto ao ponto. Óleo entre os feixes musculares não contrai. Ele ocupa espaço no lugar do que contrairia, e a fibrose que se forma depois limita a excursão das fibras que restam. O resultado não é um músculo maior — é um músculo menor, envolvido por material inerte, com pior função. Quem faz isso na panturrilha ou no bíceps troca capacidade por circunferência, e a troca não se desfaz. Sobre o exemplo citado aqui como caso de sucesso, do fisiculturista que chegou a quase 80 cm de braço: vale saber o desfecho. Ele precisou de cirurgia para remover abscessos e tecido comprometido dos braços. A foto que circulava era um momento, não o resultado final. @Ratao, você chegou sozinho na conclusão certa quando disse que o custo-benefício não parecia bom e que ia treinar as pernas com ênfase. Era isso mesmo. Duas observações para fechar, quinze anos depois: Pernas finas com tronco desenvolvido quase nunca são genética. São o resultado previsível de um histórico de treino em que o inferior recebeu menos atenção, menos carga e menos consistência — e é o padrão mais comum em quem começa a treinar sozinho, porque o retorno visual do braço e do peito vem mais rápido e motiva mais. Agachamento e levantamento terra, com carga progredindo ao longo de anos, resolvem isso na maioria das pessoas. E sobre o "estimil" que você mencionou: @kakabh identificou corretamente como propionato de testosterona. A sensação de crescimento imediato que ele descreveu é inflamação local pelo veículo, não hipertrofia, e cai em poucos dias. Aplicar anabolizante no músculo que se quer desenvolver não faz aquele músculo crescer mais — o hormônio age por via sistêmica, chegando a todos os músculos pelo sangue, independentemente de onde a agulha entrou. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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HIT FAQ
Esse tópico é um documento histórico — uma tradução coletiva do HIT FAQ, feita em 2002 por voluntários do fórum. Vale ler com o duplo respeito: pelo esforço da tradução e pelo fato de que ele foi escrito antes de existir grande parte da evidência que temos hoje. Passadas mais de duas décadas, vale separar o que se sustentou do que não se sustentou. Porque as duas listas são grandes, e o texto continua sendo lido. Começo pela afirmação central do documento, que é também a que não resistiu. "Uma única série de exercícios executados com alta intensidade provê todo o estímulo que você precisa para conseguir a hipertrofia muscular." Existe uma metanálise do Krieger, publicada em 2010 no Journal of Strength and Conditioning Research, que comparou diretamente série única contra múltiplas séries. O achado: duas a três séries produzem cerca de 40% mais hipertrofia do que uma série. E há uma segunda informação no mesmo trabalho que dá razão parcial ao HIT: entre duas a três séries e quatro a seis séries, não houve diferença significativa. Ou seja, o documento errou na direção, mas acertou no espírito. Não é verdade que uma série basta. Também não é verdade que mais é sempre melhor — o retorno se achata rápido. A crítica do HIT às rotinas maratonianas das revistas continua correta; a prescrição dele é que era enxuta demais. Segundo ponto: "a intensidade é o fator isolado mais crucial para o sucesso no seu treinamento" e "a pesquisa de 100 anos atrás tem mostrado conclusivamente". A ênfase de hoje é diferente. O que a literatura das últimas duas décadas mostra é uma relação dose-resposta com o volume — o número total de séries semanais por grupo muscular —, e não uma relação simples com a proximidade da falha. Intensidade importa; ela não é a variável dominante que o texto descreve. E "conclusivamente" é uma palavra que praticamente não aparece em fisiologia do exercício. Terceiro, e é o ajuste mais útil na prática: treinar até a falha muscular concêntrica em toda série não é necessário para hipertrofia. Séries levadas até perto da falha — deixando uma ou duas repetições em reserva — produzem hipertrofia comparável, com fadiga sistêmica bem menor, menos desgaste articular e melhor qualidade das séries seguintes. Isso é especialmente relevante para quem treina em casa, sem parceiro, e para quem faz exercícios livres pesados, onde a falha é justamente onde a técnica se desfaz. O documento diz que "o fracasso em alcançar o nível desejável de intensidade resultará em pouco ou nenhum ganho". Isso é forte demais. Quem para a uma repetição da falha ganha praticamente o mesmo. Agora o que envelheceu bem, e não é pouco. A ênfase em sobrecarga e progressão como os dois fatores universais. Continua sendo o núcleo de tudo, e continua sendo o que a maioria das pessoas ignora enquanto discute a escolha de exercícios. A definição de intensidade como percentual da capacidade momentânea, e não como percentual de uma repetição máxima. Essa distinção é sofisticada e é frequentemente perdida até hoje. A insistência em execução controlada com tensão contínua. Sustentada. A observação de que não dá para treinar de verdade por duas ou três horas como diziam as revistas. Isso era profundamente correto, e o texto chega perto do motivo sem nomeá-lo: aquelas rotinas eram publicadas por atletas em uso de anabolizantes, cuja capacidade de recuperação não é a de quem lê a revista. O HIT nasceu, em boa parte, como reação honesta a esse descompasso. E a preocupação explícita com segurança e prevenção de lesão como objetivo fundamental. Isso é raro em metodologia de treino, inclusive hoje. Uma observação sobre a frequência. O documento recomenda não mais que três vezes por semana, às vezes duas ou até uma. A evidência atual aponta que, igualando o volume semanal total, distribuir em duas sessões por grupo muscular tende a render mais que concentrar em uma. Não porque uma vez não funcione, mas porque fica mais fácil acumular volume de qualidade. Um comentário para quem chegar aqui pelo título procurando um método. O HIT foi uma resposta a um problema real: o volume absurdo e improdutivo que se prescrevia nos anos 70 e 80. A correção foi necessária e parte dela se incorporou ao que se pratica hoje. Mas o pêndulo foi longe demais na outra direção, e a série única com falha absoluta ficou no caminho. O ponto de equilíbrio que a literatura sustenta hoje fica mais ou menos assim: algo em torno de dez séries semanais por grupo muscular como referência inicial, distribuídas em duas sessões, com séries levadas para perto da falha mas não necessariamente até ela, e — acima de tudo — carga registrada e crescendo ao longo dos meses. Isso não é HIT nem é o volume das revistas. É o que sobrou depois que as duas escolas foram testadas. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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Melhor exercício pra defenir peito
@nebur, a sua pergunta tem uma resposta que muda tudo: não existe o melhor exercício para definir peito, porque exercício nenhum define região nenhuma. @lalala já tinha dito isso em 2004 — "definir é dieta mais aeróbio" — e estava certo. Vale trazer o estudo que fecha a questão, porque ele foi feito exatamente para responder isso. Katch e colaboradores, em 1984, testaram o abdominal. Vinte e sete dias de treino progressivo, chegando a 5.004 abdominais no total. E o desfecho não foi fita métrica nem foto: eles colheram biópsias de gordura por aspiração com agulha, em três locais diferentes do corpo, antes e depois, isolaram as células adiposas e mediram o diâmetro delas ao microscópio. Resultado: houve redução significativa do diâmetro das células nos três locais. E nenhuma diferença entre os locais. Ou seja, a gordura do abdome não reduziu mais que a das costas ou a do glúteo, apesar de terem sido feitos cinco mil abdominais e nenhuma costa-dominal. É a demonstração mais direta que existe: o músculo que trabalha não consome a gordura que está por cima dele. A gordura é mobilizada do corpo inteiro, conforme o balanço calórico e a genética de distribuição de cada um — e nenhum dos dois obedece à escolha de exercício. Isso resolve a sua pergunta e também justifica o que o @gmz te disse sobre os abdominais. Você estava fazendo 200 por dia e 400 aos sábados. Essas repetições não estão removendo gordura do abdome, e em número tão alto elas também não estão gerando estímulo de hipertrofia — carga baixa com repetição altíssima treina resistência, não tamanho. São duas horas por semana produzindo pouco dos dois objetivos. O que o exercício de peito faz é construir o músculo por baixo. O que revela esse músculo é reduzir a camada de gordura por cima, e isso é dieta. Os dois juntos produzem a aparência que você chama de definido. Separados, nenhum produz. Sobre o seu treino, três ajustes. @lalala e @gmz apontaram que faltava costas, e você respondeu que estava lá, junto com ombros e bíceps. Está mesmo. Mas repare no que acontece na prática: três grupos no mesmo dia significa que o último deles — e costas é o maior grupo muscular do tronco — vai ser treinado com você já cansado, ou vai ficar com dois exercícios de sobra. Como você treina peito e tríceps num dia inteiro só para dois grupos, existe um desequilíbrio estrutural aí. Se puder, separe costas do dia de ombro. E isso tem relação direta com a sua queixa. Peito e tríceps duas vezes por semana, com costas dividindo espaço com mais dois grupos, é a receita clássica para ombros anteriorizados e caixa torácica fechada — o que piora justamente a aparência do peito que você quer melhorar. Segundo: você escreveu que faz 3 séries de 10, 8 e 6 subindo o peso. É um esquema válido. O que falta é registro. Anote carga e repetições de cada série, toda semana. Sem isso você não tem como saber se está progredindo, e progressão de carga ao longo dos meses é o que constrói músculo — não a escolha do exercício. Terceiro, e @Maria Lucia levantou o ponto mais afiado do tópico: você diz ter saído de 58 para 67 kg em quatro meses, treinando sem método e sem suplementar. Nove quilos nesse período, partindo de 58 kg com alimentação ruim, é plausível — mas quase certamente não são nove quilos de músculo. Quem estava comendo mal e passa a comer e treinar ganha, ao mesmo tempo: músculo de fato, água intramuscular, glicogênio e gordura. A proporção entre eles é justamente o que você não sabe, porque nunca mediu. Ela perguntou isso em 2004 e a resposta continua valendo hoje: sem avaliação no início, o número da balança não diz nada sobre composição corporal. E você mesmo notou o problema quando escreveu que "nas balanças de farmácia tenho muito mais" — balanças diferentes não são comparáveis. Use sempre a mesma, no mesmo horário, em jejum, depois de ir ao banheiro. Dá para fazer isso em casa, sem academia: adipômetro simples ou fita métrica em pontos fixos — braço, peito, cintura no umbigo, quadril, coxa —, medidos sempre do mesmo jeito, uma vez por mês, com foto no mesmo local e mesma luz. A fita na cintura e a foto, juntas, dizem muito mais sobre definição do que a balança. E uma última, que responde sua pergunta sobre quantos dias treinar: a sua divisão em seis dias com cada grupo duas vezes por semana está boa. A frequência de duas vezes por grupo é bem sustentada. O que costuma faltar em quem treina em casa não é frequência — é carga suficiente para forçar adaptação. Se os pesos que você tem já permitem fazer mais de doze repetições confortáveis, o limite passou a ser o equipamento, e nenhuma mudança de exercício resolve isso. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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Dificultade em desenvolver parte superior peito
@Felipelkruger, o @Locemar te deu a resposta certa e vou sustentá-la com anatomia e com número. Mas o dado mais importante do seu relato é o que você escreveu quase como observação lateral, e é dele que eu quero tratar por último. Primeiro, confirmando a premissa: sim, dá para enfatizar regiões do peitoral, e isso não é conversa de academia. O peitoral maior tem duas porções com origens diferentes — a clavicular, que é a parte de cima, e a esternocostal, que é o resto. E elas não são só regiões do mesmo músculo: a porção clavicular recebe inervação predominante do nervo peitoral lateral, enquanto a esternocostal é servida também pelo peitoral medial. Fibras com origens distintas, ângulos de tração distintos e inervação distinta se recrutam em proporções diferentes conforme o ângulo do movimento. Por isso a ideia de que "todo exercício de peito trabalha o músculo inteiro de forma completa" não se sustenta. O músculo participa inteiro de qualquer supino, mas não participa na mesma proporção. Sobre qual ângulo usar, os estudos de eletromiografia não convergem perfeitamente, e vale saber disso. Um trabalho que comparou cinco inclinações encontrou pico de atividade da porção clavicular aos 30 graus. Outro encontrou ativação significativamente maior aos 44 graus do que aos 28. O que os estudos concordam é no outro lado da curva: a partir daí, quem passa a dominar é o deltoide anterior, com pico observado em torno de 60 graus. A leitura prática: a faixa útil vai de 30 a 45 graus, e acima disso você está fazendo desenvolvimento, não supino inclinado. Se a sua academia tem banco regulável, vale variar dentro dessa faixa em vez de fixar num ângulo só. Se o banco inclinado é fixo e íngreme — e muitos são —, esse pode ser boa parte do seu problema: você acha que treina peito superior e está treinando ombro. E é aí que a recomendação do @Locemar de começar o treino pelo inclinado faz diferença. Não é detalhe de ordem: o primeiro exercício é o que recebe você descansado, com mais carga disponível e mais qualidade de execução. Se o inclinado vem depois do reto, ele sempre pega o resto. Agora o ponto que eu acho o mais importante, e que você mesmo levantou sem dar o peso devido. Você escreveu: "sinto também que um pouco representa porque minha postura está meio errada, ombros caídos para frente." Isso não é um detalhe à parte da sua queixa. Pode ser a queixa inteira. Ombros anteriorizados significam escápulas protraídas — deslizadas para a frente sobre a caixa torácica. Isso produz dois efeitos ao mesmo tempo. O visual: com a escápula à frente e a caixa torácica deprimida, a região superior do peito perde projeção. O músculo pode até existir; ele não aparece porque a estrutura sobre a qual ele se apoia está rodada para dentro. E o mecânico, que é pior: com a escápula solta e protraída, o supino perde o ponto fixo de onde o peitoral deveria tracionar. Sem base estável, a carga migra para o deltoide anterior e para o tríceps — exatamente o que o @Locemar apontou quando falou em encaixar a escápula. Ou seja: a postura não é uma coisa que acompanha o problema. Ela é o que impede o estímulo de chegar e ao mesmo tempo esconde o que já foi construído. Você pode passar mais um ano fazendo inclinado com escápula solta e continuar com a mesma queixa. O que eu faria, na ordem: Trabalhar retração e depressão escapular como habilidade, antes de pensar em carga. No banco, a sequência é: deitar, puxar as escápulas para trás e para baixo, travar nessa posição, e só então descer a barra. Se a escápula se solta durante a série, a carga está alta demais para o que você consegue estabilizar. Equilibrar o volume de puxada com o de empurrão. Ombro anteriorizado quase sempre acompanha excesso de peito e ombro em relação a dorsal e trapézio médio. Remadas, face pull e trabalho específico de trapézio inferior fazem mais pela sua postura — e pela aparência do seu peito — do que mais uma variação de supino. E uma expectativa honesta: você treina há um ano. A porção clavicular é a que mais demora a aparecer em praticamente todo mundo, e um ano de treino é pouco tempo para julgar um ponto fraco. Se a dorsal e o trapézio subirem, a escápula voltar ao lugar e a caixa torácica se abrir, é bem provável que o peito superior que você acha que não existe apareça sem você ter mudado nada no peito. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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Faça a clara do ovo em 1 minuto
@MariaEduarda, a dica é boa e a premissa dela também — vou confirmar, porque eu esperava ter que corrigir e os números dizem o contrário. A proteína do ovo cozido tem velocidade de absorção em torno de 3 g por hora, valor próximo ao da caseína, que é a referência de proteína lenta. Para comparação, o whey fica na faixa de 8 a 10 g por hora. Então classificar a clara como proteína de absorção lenta, e indicá-la para antes de dormir, está correto. Vinte gramas de proteína de ovo levam várias horas para serem absorvidas, contra cerca de duas horas do whey. Agora o dado que transforma a sua dica de conveniência em necessidade nutricional. Existe um estudo do Evenepoel e colaboradores que mediu a digestibilidade da proteína do ovo usando ovo marcado isotopicamente — ou seja, rastreando o que efetivamente foi absorvido, e não estimando. O resultado: ovo cozido, 90,9% da proteína absorvida. Ovo cru, 51,3%. Quase metade da proteína do ovo cru não é aproveitada. São dois motivos somados. A avidina, presente na clara crua, se liga à biotina e impede a absorção dela. E as proteínas ainda enoveladas resistem à ação das enzimas digestivas — o calor desnatura a estrutura e abre a cadeia para a digestão. Ou seja: o seu método de micro-ondas não é só mais rápido que o fogão. Ele garante a parte que realmente conta, que é cozinhar. E quem bate clara crua no liquidificador com aveia — hábito que aparece aqui no tópico — está jogando fora quase 40 pontos percentuais de aproveitamento, além de correr risco de salmonela. Duas observações práticas sobre o micro-ondas. @pedrolopes665 acertou sobre a gema explodir, e o motivo é físico: a gema é envolvida por uma membrana, a vitelina, que retém o vapor gerado no aquecimento. A pressão sobe até romper de uma vez. Se for aquecer ovo inteiro, fure a gema com um garfo antes. Resolve. E um cuidado que ninguém levantou: o micro-ondas aquece de forma desigual, e pode deixar pontos frios. A referência visual é simples — a clara tem que estar completamente opaca e firme, sem nenhuma região translúcida ou gelatinosa. Se sobrou parte transparente, faltou tempo, e ali a digestibilidade continua sendo a do ovo cru. @senomaR, sua pergunta ficou sem resposta e é boa: qual a diferença entre fazer isso e hidratar albumina? Nutricionalmente, quase nenhuma — a albumina em pó é clara de ovo pasteurizada e desidratada. As diferenças estão em três pontos práticos. O preço por grama de proteína, que costuma ser desfavorável ao pó em relação ao ovo in natura. O sódio, geralmente mais alto na versão em pó. E a saciedade: clara cozida sacia bem mais que o mesmo tanto de proteína batida em líquido, o que importa em dieta de restrição. A favor do pó ficam a praticidade e a validade. Agora a correção mais importante do tópico. @juggernautman escreveu que "colesterol ingerido não entra em nossa corrente sanguínea como colesterol" e que "para aumentar a taxa de colesterol ruim basta consumir gordura saturada". A segunda metade está certa e é o ponto principal: gordura saturada move o LDL mais do que o colesterol da dieta. Mas a primeira metade não procede. O colesterol dietético é sim absorvido — a fração varia bastante entre pessoas, e é justamente essa variação que explica os hiper-respondedores, aquele grupo em que o colesterol da comida eleva o LDL de forma mensurável. Na prática isso significa que ninguém sabe em qual grupo está sem medir. Para a maioria, comer três ovos inteiros por dia é tranquilo. Para uma parcela, não é. Quem come cinco ovos inteiros em três ou quatro refeições, como o @juggernautman descreveu, tem motivo de sobra para colher um lipidograma completo a cada seis meses — não por medo, por informação. E sobre o dilema que atravessou o tópico, de jogar a gema fora com pena: a pena é justificada. Praticamente todo o valor micronutricional do ovo está na gema — vitaminas A, D, E e K, B12, colina, ferro, fósforo. A clara é essencialmente água e albumina. @Andy Whitfield, comer uma gema por dia em fase de ganho de massa, por receio de colesterol, é abrir mão dos micronutrientes justamente na fase em que você mais precisa deles. Um ajuste final, @MariaEduarda: você disse que o problema da gema é a gordura. A gordura da gema é, em números redondos, cerca de 38% saturada, 44% monoinsaturada e 16% poli-insaturada — e vem acompanhada de todas as vitaminas lipossolúveis do ovo. Ela não é o problema. Em dieta de corte severo, descartar a gema é uma escolha legítima de economia calórica. Fora disso, é desperdício. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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Ovos na alimentacao de atletas
@ninga tinha razão em 2004: o artigo prometia discutir colesterol "posteriormente" e nunca discutiu. E @fisiculturismo voltou em 2019 para fechar a lacuna. Vale completar, porque a resposta é mais interessante que os dois extremos. A frase "finalmente está comprovado que o consumo da gema não aumenta o colesterol ruim" precisa de ajuste. Ela está próxima do que se sabe, mas é mais categórica do que a evidência permite — e a diferença importa para quem lê e decide. O que realmente mudou: o Guia Alimentar americano, na edição de 2015, retirou o limite fixo de 300 mg diários de colesterol dietético que vigorava havia décadas. A razão é sólida: o colesterol sérico é determinado muito mais pela síntese hepática do que pela ingestão, e o fígado compensa parcialmente o que chega pela comida. Para a maior parte das pessoas, comer ovo move pouco o LDL. O que não mudou: "pouco na média" não é "nada em todo mundo". Existe um grupo descrito como hiper-respondedores — pessoas em que o colesterol dietético eleva o LDL de forma mensurável. Não é raridade estatística, é uma fração relevante da população, e não há como saber a qual grupo você pertence sem medir. E existe evidência em sentido contrário que não pode ser omitida. Um estudo publicado no JAMA em 2019, do Zhong e colaboradores, reuniu dados individuais de seis coortes prospectivas norte-americanas, com 29.615 participantes acompanhados ao longo de décadas. O achado: cada 300 mg adicionais de colesterol dietético por dia, ou cada meio ovo adicional por dia, associou-se a maior risco de doença cardiovascular incidente e de mortalidade por todas as causas. Estudo observacional não prova causa, e há limitações conhecidas — o que mais se come junto com ovo, na dieta americana, costuma ser bacon e salsicha. Mas um trabalho desse porte publicado no JAMA não permite dizer que o assunto está encerrado. A leitura honesta, então: o pânico com ovo era exagerado e o limite fixo caiu com boa base. Dois a três ovos por dia, em pessoa saudável, com dieta no geral equilibrada, é razoável. Se você come muito mais que isso — e em fórum de musculação isso é comum —, vale medir o próprio perfil lipídico antes e depois de alguns meses, em vez de decidir pela manchete. É barato, e responde para você especificamente. Agora duas correções ao artigo original, que envelheceu em mais de um ponto. Ele afirma que "a gordura da gema dos ovos é insaturada". Não é bem assim. A gordura da gema é, em números redondos, cerca de 38% saturada, 44% monoinsaturada e 16% poli-insaturada. Predominantemente insaturada, sim; mas a fração saturada é considerável e a frase, do jeito que está, sugere ausência dela. E ele diz que quando apenas as claras são usadas "o valor nutritivo diminui muito". Isso está certo e merece ênfase, porque o hábito de descartar a gema ainda é comum. Praticamente todos os micronutrientes do ovo estão na gema: vitaminas A, D, E e K, a B12, a colina, o ferro, o fósforo. A clara é essencialmente água e albumina. Quem come seis claras e joga seis gemas fora está descartando a parte nutricionalmente densa e ficando com a parte proteica pura — o que faz sentido se o objetivo for só proteína com pouquíssima caloria, e é desperdício em qualquer outro cenário. E uma informação que falta no artigo e que é a mais útil de todas para quem treina. Existe um estudo do Evenepoel e colaboradores que mediu a digestibilidade da proteína do ovo usando ovo marcado isotopicamente. O resultado: cozido, 90,9% da proteína é absorvida. Cru, apenas 51,3%. Quase metade da proteína do ovo cru não é aproveitada. O motivo é duplo: a avidina da clara crua se liga à biotina e impede sua absorção, e as proteínas ainda enoveladas resistem à ação das enzimas digestivas. O calor desnatura a estrutura e abre a cadeia para a digestão. Ou seja: quem bate ovo cru no liquidificador para "não perder proteína no cozimento" perde quase 40 pontos percentuais de aproveitamento — e ainda corre risco de salmonela. Não existe cenário em que o ovo cru seja superior. Para fechar, um número prático que o artigo traz e vale guardar: cerca de 7 g de proteína por ovo inteiro, aproximadamente 4 na clara e 3 na gema. É a referência para montar dieta sem depender de aplicativo. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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Glutamina+agua ou malto? Animal Pack, bom??
@filiperary, a sua pergunta — glutamina pode ser tomada com água? — foi respondida três vezes e sempre sobre o "com o quê". Ninguém tocou no "se". A resposta curta: pode ser tomada com água, sim. A resposta útil é que, em pessoa saudável que treina, a glutamina em pó não tem efeito demonstrado sobre massa muscular, força ou recuperação. Então o veículo é o menor dos problemas. Existe um ensaio controlado do Candow e colaboradores, publicado no European Journal of Applied Physiology em 2002, que testou isso com rigor incomum para suplemento: 31 jovens de 18 a 24 anos, seis semanas de treino de corpo inteiro, recebendo glutamina a 0,9 g por quilo de massa magra por dia — uma dose muito acima do que qualquer pote recomenda — ou placebo. Resultado: os dois grupos melhoraram com o treino, sem diferença significativa entre eles. O agachamento subiu cerca de 30% nos dois. O supino, cerca de 14% nos dois. Massa magra subiu 2% no grupo glutamina e 1,7% no placebo. E vale reparar no desenho: se nem 0,9 g/kg por dia produziu diferença, a colher de chá do pote não vai produzir. A razão fisiológica é interessante e explica por que ela decepciona. A glutamina é o combustível preferencial dos enterócitos, as células que revestem o intestino. Boa parte do que você engole é consumida ali mesmo e no fígado, antes de chegar à circulação. O músculo recebe pouco — e o músculo, aliás, é o maior produtor de glutamina do corpo, não um receptor carente dela. Isso não quer dizer que ela nunca sirva para nada. Em contextos clínicos específicos — grande queimado, paciente crítico, síndrome do intestino curto — a glutamina tem uso estabelecido. É aí que vem a confusão: a evidência real existe, só que em situações de catabolismo extremo, e foi transportada para a academia onde não se sustenta. @Luan, respondendo você, que perguntou em 2020 e ficou sem resposta: Hipercalórico com glutamina antes e hipercalórico com glutamina e malto depois. Duas observações. A glutamina pode sair das duas — pelo que está acima. E repare no que sobra: hipercalórico já é, na maior parte, maltodextrina com um pouco de proteína. Somar mais maltodextrina a ele é somar a mesma coisa duas vezes, pagando o preço do suplemento pelo carboidrato mais barato que existe. Se o objetivo é ganhar peso, funciona — caloria é caloria. Se o objetivo é ganhar músculo, o que falta nesse shake é proteína, não carboidrato. A conta que importa é: quanta proteína tem a porção inteira? Em muitos hipercalóricos, menos do que dois ovos. Duas correções ao que ficou registrado no tópico. @GUILSILVA respondeu ao @filiperary que não é a maltodextrina que engorda, e sim o consumo calórico diário. Está correto, e é uma das melhores frases do tópico. Só falta a outra metade: a maltodextrina é uma das formas mais eficientes que existem de ingerir muitas calorias sem perceber, porque ela não sacia, não tem sabor marcante e dissolve em líquido. Ou seja, a culpa não é dela, mas ela é excelente ferramenta para quem quer errar sem notar. @filiperary não estava enganado ao associar uma coisa à outra — ele só atribuía ao ingrediente o que era do formato. E a recomendação de tomar creatina no pós-treino para aproveitar o pico de insulina da maltodextrina: aquilo veio de estudos antigos usando quantidades grandes de carboidrato, e o efeito sobre a saturação final é pequeno. O que determina o resultado da creatina é tomar todo dia, incluindo dias sem treino. Horário e acompanhamento não decidem nada — nem antes, nem depois, nem com malto. @filiperary, sobre a sua ideia de reduzir a creatina de 10 g para 5 g por dia: perfeito, e pelo motivo certo, ainda que por intuição. A dose de manutenção estabelecida é de 3 a 5 g diários. Dez gramas por dia é desperdício — o excesso é excretado. Por último, respondendo a pergunta do @PALAU sobre qual a melhor marca de glutamina: a melhor é a que você não compra. Pelo preço de um pote, você compra whey suficiente para cobrir várias refeições — e o whey já contém glutamina, junto com os outros oito aminoácidos essenciais que a glutamina isolada não traz. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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Oxandrolona Sublingual + Gel de Testo e Progesterona
@Cláudio Chamini Eu dei início a modulação hormonal em 2016 após uma cirurgia de tireoidecttomia total e por conta disso o endócrino disse que eu estava entrando em uma menopausa precoce pós cirúrgica, na época minha testo total estava em 4,5 ng/dl e a livre em 0,043 pg/ml. Esse valor de 47 ng/dl que vc citou aí é valor que eu estava quando retomei com a modulação em 01/2028 após ter pausado provisoriamente para fazer o implante mamário em 09/2017 por orientação do cirurgião . E quando eu disse que mantenho a modulação até hj eu me refiro a testo e a progesterona bioidentica em gel. Conforme eu já disse em alguns depoimentos atrás, a gestrinona eu fiz uso experimental por apenas 3 meses , como não tive boa experiência com ela em seguida a médica entrou com a Oxa sublingual de 5mg na época e apesar de as vezes dar uma parada eu até hj utilizo, só vamos modificando a miligramagem/divisão de doses, mas desde que iniciei nunca fiquei mais de 3 meses sem ela .
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Andréas_G começou a seguir Oxandrolona Sublingual + Gel de Testo e Progesterona
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Suplementos, vitaminas e alimentos antioxidantes
@tuner, a resposta do @ninga é a melhor do tópico e continua certa: fitoquímico é padrão alimentar, não é comprimido, e não existe efeito protetor de curto prazo que se compre em cápsula. @Heraldo Costa apontou na mesma direção. Vale acrescentar duas coisas que mudam a conversa — uma contra os suplementos, outra sobre o que você realmente ia tomar. Começo pelos antioxidantes, porque existe evidência que vira a lógica de cabeça para baixo. A intuição de todo mundo é que antioxidante em dose alta protege quem treina. Dois ensaios bem conduzidos mostram o contrário. O primeiro é do grupo do Ristow, publicado no PNAS em 2009. Homens jovens saudáveis, treinados e destreinados, receberam 1.000 mg de vitamina C e 400 UI de vitamina E por dia, ou nada. O exercício melhorou a sensibilidade à insulina apenas no grupo sem antioxidantes. E os genes de defesa antioxidante do próprio corpo, que o exercício normalmente estimula, também só subiram no grupo sem suplemento. O título do artigo é direto: antioxidantes impedem os efeitos promotores de saúde do exercício em humanos. O segundo é do Paulsen, publicado no Journal of Physiology em 2014. Cinquenta e quatro homens e mulheres jovens, onze semanas, 1.000 mg de vitamina C e 235 mg de vitamina E ou placebo. O suplemento reduziu o aumento das proteínas mitocondriais induzido pelo treino — justamente as que sustentam a melhora de resistência. O mecanismo faz sentido quando se entende. Os radicais livres produzidos durante o exercício não são só dano: eles são o sinal que avisa a célula para se adaptar. Encharcar o sistema de antioxidante em dose farmacológica apaga o sinal. Você bloqueia o recado junto com o ruído. Repare na diferença crucial: isso vale para dose alta isolada em cápsula. Não vale para alimento. A fruta, a folha e o chá entregam quantidades muito menores, em matriz complexa, e nenhum desses estudos encontrou prejuízo com padrão alimentar rico. É exatamente a distinção que o @ninga fez por intuição e que a literatura sustenta. Então, respondendo diretamente o que você perguntou: não, empilhar polivitamínico, vitamina C de 500 mg, complexo B e antioxidantes durante o ciclo não protege nada — e a parte de vitamina C e E em dose alta pode atrapalhar a adaptação ao treino que você está pagando caro para obter. Agora a parte mais importante, e é sobre a premissa do tópico. Três pessoas aqui disseram que o Halovar é fraquinho e que não precisa de cuidado especial. Isso está errado, e errado justamente no eixo que te preocupava. O princípio ativo dele é a metilepitiostanol — também chamada epistano. É um derivado da di-hidrotestosterona 17-alfa-alquilado. O 17-alfa-metil é exatamente a modificação que permite ao composto sobreviver à passagem pelo fígado, e é ela que produz hepatotoxicidade. Existem relatos de caso publicados de lesão hepática colestática grave e prolongada, com icterícia importante em homens jovens usando epistano, com elevação de ácidos biliares de 14 a 61 vezes. O mecanismo foi estudado: ele aumenta a síntese de ácidos biliares e provoca acúmulo deles dentro do hepatócito. Não é "sobrecarga" — é colestase, um quadro em que a bile deixa de fluir. E é uma das razões pelas quais a venda foi proibida. Ou seja: a percepção de "fraquinho" veio do ganho de massa, que de fato é modesto. Mas ganho modesto e risco hepático alto não é um bom negócio — é o pior dos dois mundos. Você estava certo em se preocupar com o fígado, e foi convencido a não se preocupar. E aqui está o ponto que fecha o argumento: se a hepatotoxicidade dele é colestática, nenhuma das coisas discutidas neste tópico teria efeito. Antioxidante não desobstrui fluxo biliar. Chá não desobstrui fluxo biliar. O que protege é não expor o fígado. Sobre os chás sugeridos, com uma ironia que vale registrar: o boldo, recomendado aqui justamente para "cuidar do fígado", contém ascaridol e tem relatos de hepatotoxicidade em uso prolongado ou em doses altas. Ele não é o protetor que a fama sugere. E a silimarina, que você mencionou: como já se discutiu em outros tópicos aqui, ela não isola o fígado de nada. O que reduz carga hepática é menos fármaco passando por ele. Só isso. Duas observações menores. @oozaru acertou ao comparar ômega-3 por EPA e DHA em vez de por miligramas totais de óleo. É o único jeito honesto de comparar preço entre marcas, e a diferença que ele apontou — 500/250 contra 180/120 — significa que um dos produtos exige quase três cápsulas para entregar o mesmo. E sobre chá verde emagrecer: o efeito existe, é mediado por cafeína e catequinas, e é pequeno — na ordem de grandeza de algumas dezenas de calorias por dia. Não é irrelevante somado a tudo o mais, e não é o que faz diferença sozinho. Se você ainda pretende usar qualquer oral 17-alfa-alquilado, o único cuidado que vale é o que ninguém citou aqui: transaminases, bilirrubinas totais e frações, fosfatase alcalina e gama-GT antes, durante e depois. Em colestase, a fosfatase alcalina e a bilirrubina sobem antes de aparecer icterícia — e é essa janela que permite parar a tempo. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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1MR X Anadraulic
Esse tópico documentou, sem perceber, o melhor experimento controlado que já vi neste fórum. Vale destrinchar, porque a conclusão está toda aqui dentro. O que aconteceu: a fabricante reformulou o produto, e vocês compararam as duas versões. @ippo apontou a diferença exata — "a nova fórmula não tem o 1,3-DMAA". @oozaru observou que os relatos da nova versão eram todos ruins, "perdeu toda a mágica". @ippo confirmou: "quando tiraram o 1,3-DMAA a galera começou a reclamar que não tá mais fazendo efeito". E @ninga, que tinha os dois potes em casa, comemorou: "que beleza, o meu é o velho". Repare no que isso demonstra. Mesma marca, mesma beta-alanina, mesma creatina, mesma cafeína, mesma arginina, mesmo rótulo — muda um ingrediente e o produto deixa de funcionar na percepção de todo mundo. Isso não é opinião. É a prova, obtida por vocês mesmos, de que o efeito inteiro daqueles pré-treinos vinha da DMAA, e que o restante da fórmula não produzia nada perceptível. Agora o que ninguém sabia em 2011, e que vale registrar aqui. A reformulação não foi capricho da fabricante. Ela veio antes da queda. Em 2012, Claire Squires, corredora britânica de 30 anos, morreu depois de entrar em colapso nos metros finais da Maratona de Londres. O inquérito apontou uma dose única de DMAA como causa mais provável do ataque cardíaco. No mesmo ano, dois soldados norte-americanos que usavam pré-treino com DMAA morreram de parada cardíaca durante exercícios, e o produto foi banido das bases militares. A FDA declarou a DMAA ilegal como ingrediente de suplemento, depois de 86 relatos de eventos adversos incluindo dor torácica, perda de consciência e morte. Reino Unido, Austrália e Canadá proibiram em seguida. Ou seja: a versão que vocês procuravam pelo mercado, o pote "The Original", era o que estava sendo retirado de circulação. E a busca por ele — que este tópico registra em detalhe — era exatamente o comportamento que a proibição tentava interromper. E tem uma coisa nos relatos de vocês que hoje lê diferente. @Hellfox escreveu: "simplesmente dopante, muito forte... tu fica muito nervoso, eu tenho até que evitar me socializar depois do treino pra não mandar ninguém tnc." @lcuminato escreveu que uma dose inteira o deixava "meio grogue" e "passa do limite", e que por isso tomava três quartos. Esses são efeitos adversos. Irritabilidade acentuada e sensação de estar passando do ponto são exatamente o que aparece nas listas de eventos adversos daquele composto. Só que, dentro da lógica do tópico, eles funcionaram como atestado de potência — quanto pior a sensação, melhor o produto. Isso é o inverso de como se avalia qualquer substância, e é o mecanismo que faz produto perigoso vender melhor que produto seguro. Mais duas coisas que o tópico registrou e valem leitura. @Hellfox descreveu que, depois de um mês e uma semana sem usar, o efeito voltou forte. Isso é tolerância — e tolerância é a assinatura de efeito estimulante, não de efeito ergogênico. Creatina não perde efeito com o tempo e não precisa de "descanso" para voltar a funcionar. O que precisa de intervalo para voltar a ser sentido é aquilo cujo efeito é sentido. E o costume de tomar em jejum, que todos seguiam: ele realmente acelera a absorção e intensifica a percepção. Também intensifica a resposta cardiovascular. Estômago vazio, estimulante em dose alta e esforço intenso logo em seguida é justamente a combinação dos casos que levaram às proibições. Agora a parte construtiva, porque @ninga chegou na resposta certa e ela merece ser desenvolvida. Ele escreveu: "o que importa ali pra mim é a beta-alanina + creatina + cafeína. Acho que depois vou só manipular umas fórmulas assim." Está correto — esses três são os que têm evidência, e comprados separados custam uma fração. Mas as doses e o modo de usar são diferentes do que o pote sugere: Cafeína: cerca de 3 a 6 mg por quilo, de 30 a 60 minutos antes. Para 80 kg, algo entre 240 e 480 mg. Atenção ao teto: o limite diário habitualmente citado para adulto saudável é 400 mg, somando café, refrigerante e tudo o mais. Creatina: 3 a 5 g por dia, todos os dias, inclusive nos dias sem treino. O horário não importa — o que importa é a saturação do músculo. Tomar creatina só no pré-treino é desperdiçar o mecanismo. Beta-alanina: e aqui está o erro que todo pré-treino comete. Segundo o posicionamento da Sociedade Internacional de Nutrição Esportiva, ela age acumulando carnosina no músculo, o que exige 4 a 6 g por dia durante pelo menos duas a quatro semanas. Ela não tem efeito agudo. O formigamento que a pessoa sente ao tomar — a parestesia — é efeito colateral, não é a substância funcionando. Ou seja: em pré-treino, a beta-alanina está no lugar errado, na hora errada, e o único sinal que ela dá é o que não interessa. O recomendado é dividir em doses de 0,8 a 1,6 g ao longo do dia, todos os dias, justamente para reduzir o formigamento. Uma última: @oozaru levantou o problema das proprietary blends, e ele estava certíssimo. Blend proprietário informa a soma dos ingredientes, não a quantidade de cada um. Isso permite colocar uma pitada do ingrediente caro que aparece no marketing e encher o resto com o barato. Se o rótulo não diz quanto tem de cada coisa, ele não está te informando — está te impedindo de comparar. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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Arnold 3D - Pior que não é filme em 3D...
Esse tópico discutiu, por 22 mensagens e quase um ano, se copiar o nome do Jack3d era sacanagem comercial. Ninguém chegou perto do que realmente importava naquele produto — e a história respondeu poucos meses depois. O que fazia o Jack3d funcionar tão bem não era a criatina nem a beta-alanina. Era a DMAA — 1,3-dimetilamilamina, também chamada metilhexanamina. Um estimulante com estrutura aparentada às anfetaminas, vendido como se fosse extrato natural de gerânio. O que aconteceu com ela: Em 2012, Claire Squires, uma corredora britânica de 30 anos, morreu depois de entrar em colapso nos metros finais da Maratona de Londres. O inquérito concluiu que uma dose única de DMAA foi a causa mais provável do ataque cardíaco que a matou. No mesmo ano, dois soldados norte-americanos que usavam o suplemento morreram de parada cardíaca durante exercícios militares, o que levou à proibição da venda em bases militares. A FDA declarou a DMAA ilegal como ingrediente de suplemento, após receber 86 relatos de eventos adversos — incluindo dor torácica, perda de consciência e morte. Reino Unido, Austrália e Canadá proibiram em seguida. Os produtos com DMAA foram retirados do mercado. Ou seja: enquanto o tópico debatia se o nome era plágio, o problema real era que uma parte dos produtos daquela categoria continha um estimulante que veio a ser retirado do mercado depois de mortes. Isso muda a leitura da discussão que o @dscj.tec e o @oozaru travaram, e vale reabrir, porque ela é a discussão mais importante daqui. @dscj.tec defendeu que só quem usou pode opinar. @oozaru respondeu que basta olhar a tabela nutricional. Os dois estavam parcialmente certos e os dois erraram no mesmo ponto. @oozaru está certo quanto a poder avaliar sem consumir — e acertou em cheio ao responder com ironia ao relato de quem treinava havia um mês. Mas a tabela não basta, e a DMAA é a prova: ela aparecia no rótulo com nome de extrato de gerânio, o que não soa como estimulante potente para ninguém. Rótulo informa o que o fabricante quer informar. @dscj.tec está certo quando diz que o produto pode fazer o que promete e arrebentar fígado ou rim — frase notavelmente premonitória, aliás. Mas a conclusão que ele tirou, de que relato de usuário resolveria, é justamente o que não funciona aqui. E a razão está nos próprios relatos deste tópico. @Jgpv, 16 anos, escreveu no dia seguinte à primeira dose que deu "um gás incrível" e "uma força incrível". @XdanielX, com um mês de treino, relatou sensação excelente logo na primeira vez, em jejum. Os dois estavam descrevendo, com honestidade, o efeito agudo de um estimulante. Esse efeito é real e imediato: aumenta disposição, adia a percepção de fadiga, dá sensação de força. E ele acontece independentemente de o produto conter qualquer coisa útil para hipertrofia. O problema é que o estimulante é justamente a parte que pode te matar, e é também a única parte que você sente. O relato de usuário não distingue entre "tem boa fórmula" e "tem muito estimulante" — e a segunda opção produz relatos melhores. @ninga já tinha apontado isso em 2011, e o comentário dele é o mais lúcido do tópico: com 420 mg de cafeína, qualquer coisa dá gás. Para comparação, o limite diário habitualmente citado para adulto saudável é 400 mg. Uma dose daquele produto passava do limite do dia inteiro. Três coisas para levar daqui, que valem para pré-treino de qualquer marca, nacional ou importada: A primeira: o ingrediente que produz a sensação é quase sempre um estimulante, e o efeito percebido cresce com a dose do estimulante, não com a qualidade da fórmula. Relato entusiasmado é informação sobre potência estimulante, não sobre eficácia. A segunda: desconfie de nome de planta em lista de ingredientes de pré-treino. Gerânio virou DMAA. A mesma estratégia se repetiu depois com outros compostos vendidos sob nomes botânicos. Se um ingrediente "natural" produz efeito de anfetamina, ele provavelmente não é o que o nome diz. A terceira, e é a que eu mais gostaria que ficasse: @Jgpv tinha 16 anos quando tomou aquilo. Pré-treino com alta carga de estimulante, em adolescente, em jejum, antes de esforço intenso — é exatamente a combinação dos casos que levaram à proibição. Não porque o produto fosse ruim, mas porque o cenário some as variáveis. Sobre a discussão de marca nacional versus importada que dominou o tópico: ela se provou irrelevante. O produto original, importado, americano, de marca consolidada, foi o que saiu do mercado por causa de mortes. A cópia nacional era só uma cópia. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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Soro de leite 25kg (primeira parte da análise)
Esse tópico tem uma pergunta que ficou sem resposta em 174 mensagens, e ela é a mais importante de todas. @Franck fez, ninguém respondeu. Ele olhou a ficha técnica e perguntou: "Proteína (base seca) 80% mín. Proteína (base úmida) 75% mín. Lactose 7% máx. Gordura 8% máx. Isso quer dizer que em 100 g temos 80 g de proteína? Tô certo?" Não. E a diferença entre as duas leituras é justamente onde mora o problema de comprar insumo a granel. Base seca significa a proporção depois de retirar toda a água. Base úmida é a proporção no produto como ele chega no saco, com a umidade dentro. O número que interessa para quem vai consumir é o segundo. Os 80% descrevem o pó teórico sem água; os 75% descrevem o pó real. E repare no que a ficha está dizendo, porque isso confunde todo mundo: 80% de proteína, mais 7% de lactose, mais 8% de gordura já somam 95%, sem sobrar espaço para umidade nem para cinzas — que existem obrigatoriamente. A explicação é que aqueles não são valores de composição: são especificações de limite. Mínimo de proteína, máximo de lactose, máximo de gordura. Eles não somam 100 porque não descrevem um lote, descrevem um contrato. Na prática, isso significa que um lote pode legitimamente chegar com o mínimo de proteína e o máximo de gordura e de lactose ao mesmo tempo, e ainda estar conforme. Quem compra 40 kg está comprando a faixa, não o número. Agora a pergunta seguinte, que o @Franck também fez e também ficou solta: "como vamos saber se esse whey realmente é de qualidade?" Aqui entra a coisa mais importante do tópico, e o @Madrugão chegou perto dela quando disse que não se compra whey no escuro em cima de análise de amostra do próprio fabricante. Ele estava certo, e por um motivo técnico que na época quase ninguém no Brasil conhecia. O teor de proteína, em praticamente toda análise de rotina, não é medido diretamente. Mede-se o nitrogênio — pelo método de Kjeldahl ou pelo de Dumas — e multiplica-se por um fator para estimar a proteína. O ensaio não distingue de onde o nitrogênio veio. Menos de um ano depois das mensagens deste tópico, o mundo descobriu o que isso permite. Em 2008, o escândalo do leite na China: melamina adicionada a leite diluído, porque a melamina tem cerca de 67% de nitrogênio em massa e, portanto, inflava artificialmente o resultado do teste de proteína. Estima-se que 300 mil crianças tenham adoecido e pelo menos seis morreram, por insuficiência renal e cálculos. A versão branda e legal desse mesmo truque existe até hoje na suplementação e se chama amino spiking: adicionam-se aminoácidos baratos e ricos em nitrogênio — glicina, taurina, alanina — que sobem o número da proteína no laudo sem contribuir nada para construção muscular. O laudo fecha, o produto não entrega. Então, respondendo ao @Franck com o que se sabe hoje: percentual de proteína no laudo não prova qualidade. O que prova é o perfil de aminoácidos — especificamente a presença e a proporção dos essenciais. Um marcador prático e barato: se o triptofano estiver ausente ou irrisório, aquilo não é proteína de soro íntegra. Soro de leite tem triptofano; colágeno e os aminoácidos de recheio, não. Duas correções ao que ficou registrado. @galloV017 alertou que soro é usado para alimentar porcos e ligou o produto ao escândalo de adulteração do leite no Brasil. O alerta foi útil e fez o @dougwar checar a origem, o que foi ótimo. Mas a leitura precisa de ajuste: a fraude brasileira daquele período não era vender soro como suplemento — era adicionar soro ao leite fluido para aumentar volume e mascarar leite de má qualidade, com água oxigenada e soda cáustica por cima. O crime estava na substituição e nos aditivos, não no soro. Soro de leite é ingrediente alimentar legítimo, e é a matéria-prima de todo whey do mundo, inclusive dos caros. E a discussão sobre qual seria "o melhor" entre concentrado, isolado e hidrolisado, que atravessou o tópico: o @Madrugão acertou ao dizer que depende da finalidade. Para ganho de massa em pessoa sem intolerância, o concentrado entrega o mesmo resultado do isolado a um custo bem menor — a diferença está em lactose e gordura, não em eficácia. O isolado faz sentido para quem tem intolerância à lactose ou está cortando calorias com rigor. O hidrolisado tem absorção mais rápida e uma desvantagem prática conhecida: gosto amargo. Uma última coisa, que ficou implícita no tópico e vale dizer com todas as letras: a ideia de tomar 200 a 300 g de whey por dia, que apareceu mais de uma vez aqui, não tem base. A metanálise de referência nesse assunto encontrou que, acima de cerca de 1,62 g de proteína por quilo por dia, não há ganho adicional de massa magra. Para um homem de 80 kg, isso são cerca de 130 g de proteína no dia inteiro, somando comida e suplemento. Comprar 40 kg de proteína em pó pode fazer sentido pelo preço por quilo. Não faz sentido pelo volume que o corpo aproveita. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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Qual creatina comprar? Ethia, Athletica ou Body Action?
@japo., a resposta que você recebeu em 2011 — "creatina é tudo igual, vai na mais barata" — foi a resposta padrão da época, e ela está certa pela metade. @fisiculturismo voltou oito anos depois para corrigir o outro lado, sugerindo o selo Creapure. Vale explicar por que essa correção importa, porque o motivo não é marketing. A molécula é igual. Monoidrato de creatina é monoidrato de creatina, e não existe forma "melhor absorvida" que justifique pagar mais — as versões alcalinas, cloridrato, éster etílico e companhia nunca demonstraram superioridade sobre o monoidrato. Nisso o @Heraldo Costa está coberto de razão. O que não é igual é o que vem junto. A creatina é produzida por síntese química, e o processo deixa resíduos previsíveis: diciandiamida, que é um precursor da reação; di-hidrotriazina, que se forma quando a síntese não é bem controlada; e creatinina, que é o produto de degradação da própria creatina. Os três são marcadores de processo mal conduzido ou de armazenamento ruim. Existe uma análise por cromatografia de 33 suplementos comerciais de creatina, publicada em 2011, que mediu isso. Os achados: creatinina acima de 100 mg/kg em 44% das amostras; cerca de 15% com diciandiamida acima de 50 mg/kg e di-hidrotriazina detectável. Algumas amostras chegaram a 5,4% de diciandiamida, 0,09% de di-hidrotriazina e mais de 1% de creatinina, além de metais pesados elevados. Para comparação, a especificação do Creapure é: no mínimo 99,9% de creatina monoidratada, creatinina no máximo 100 mg/kg, diciandiamida no máximo 50 mg/kg e di-hidrotriazina no máximo 3 mg/kg. Ou seja: o que o selo compra não é uma creatina diferente. É o compromisso com um teto de impureza — e quase metade do mercado analisado naquele estudo estaria acima do teto só no item creatinina. E existe um segundo problema, que no Brasil pesa mais que a impureza de síntese: a adulteração por diluição. Creatina é pó branco, fino, sem sabor marcante. Maltodextrina e amido também. Misturar os dois é barato, invisível e difícil de perceber no uso. Aí entra um teste que qualquer um faz em casa, custa poucos reais e leva dez segundos: iodo. Pingue uma gota de solução de iodo — aquele iodo comum de farmácia — sobre uma pequena porção do pó seco, num prato. Se houver amido, a mancha fica azul-escura, quase preta, na hora. Creatina pura não produz essa cor. O teste não detecta maltodextrina, que não reage com iodo, e não mede impureza de síntese. Mas ele pega a fraude mais comum e mais grosseira, que é o corte com amido. Vale fazer com todo pote novo. Mais dois sinais práticos, já que você estava comprando de um terceiro na academia: Creatina bem armazenada é pó branco, solto, sem cheiro forte. Empedrada, amarelada ou com odor pronunciado indica umidade — e umidade converte creatina em creatinina, que é justamente o marcador de degradação do estudo. O produto não fica perigoso, fica fraco: parte do que você comprou já deixou de ser creatina. E lote, validade e registro impressos no rótulo. Produto avulso, sem lacre ou vendido fora de embalagem original é onde a diluição acontece. Uma última coisa, que vale para quem fizer exame de sangue: a creatina eleva a creatinina sérica, porque a creatinina é o metabólito normal dela. Isso é confundido com alteração de função renal com uma frequência absurda. Avise ao médico que usa creatina antes de colher — evita susto e exame desnecessário. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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Creatina + BCAA é uma boa combinação?
Esse tópico tem dezesseis anos e é um retrato honesto de como a discussão sobre suplementação mudou. @fisiculturismo fechou com a leitura correta — BCAA isolado tem custo-benefício duvidoso. Vale colocar os números que sustentam isso, e de quebra corrigir duas coisas que ficaram registradas no caminho. Começo pelo BCAA, porque a resposta hoje é clara. Existe um estudo do Jackman e colaboradores, publicado na Frontiers in Physiology em 2017, que fez exatamente o teste que faltava: dez homens treinados receberam 5,6 g de BCAA isolado — sem proteína inteira, sem outros aminoácidos essenciais — imediatamente após o treino de força, e a síntese proteica miofibrilar foi medida ao longo das quatro horas seguintes. O resultado foi 22% acima do controle. Ou seja: BCAA isolado faz alguma coisa. Não é nada. Mas os próprios autores apontaram o problema: essa resposta fica em torno da metade do que se observa com uma dose comparável de proteína de soro. Ingerir só os três ramificados produz metade do efeito de ingerir a proteína inteira — e a proteína inteira custa menos por dose. A razão é simples de entender. Construir tecido muscular exige os nove aminoácidos essenciais. Você não monta uma proteína com três deles, por mais leucina que coloque. Quando só os ramificados chegam em excesso, a maquinaria é estimulada e logo esbarra na falta dos outros seis. É como acelerar uma linha de montagem que só recebeu três dos nove componentes. E existe uma consequência que quase nunca se menciona: os três ramificados competem entre si pelo mesmo transportador. Doses altas de leucina reduzem a entrada de valina e isoleucina. O suplemento atrapalha parcialmente a si próprio. Isso resolve a discussão que atravessou o tópico inteiro, de 2004 a 2018. O @megaf, o @Carioca-JPA e o @Kami Back estavam certos: se você já consome proteína suficiente — de whey, ovo, carne, leite —, os ramificados já chegaram junto com os outros seis, e em proporção adequada. O BCAA separado é o mesmo insumo vendido mais caro e pela metade. Agora a creatina, onde o tópico acumulou três crenças que a literatura já resolveu. A primeira, e vale dar o crédito: o @bernard0 escreveu em 2004 que creatina tem que ser tomada todos os dias, senão o nível cai. Ele estava certo, e foi corrigido pelo @Urso. O que interessa para a creatina é a saturação do músculo, não o horário nem o dia. Dia sem treino conta igual. A segunda é a ciclagem — tomar dois meses, parar dois meses. Não existe fundamento. A creatina não tem tolerância, não tem receptor que dessensibiliza, e o único efeito de parar é deixar o músculo dessaturar para depois saturar de novo. A terceira é a mais custosa: "se quer definição não use creatina porque retém líquido". A água que a creatina retém é intracelular — ela entra dentro da fibra muscular, junto com a creatina. Não é a água subcutânea, que é a que borra o contorno. É por isso que atleta não suspende creatina para competir. E sobre @Urso e outros que evitavam tomar nos dias de folga para não sobrecarregar rim e fígado: em pessoa com função renal normal, a creatina é dos suplementos com melhor perfil de segurança que existem, com uso monitorado por muitos anos na literatura. O que ela faz é elevar a creatinina sérica — que é o metabólito dela — e isso confunde quem lê o exame achando que é lesão renal. Se você fizer exame de sangue, avise que usa creatina. Uma correção ao @Léo Bahia, que escreveu que a ANVISA recomenda 3 g por dia independentemente do peso, para não sobrecarregar os rins. Esse número existiu, mas vinha da norma de 2010, que já foi revogada. O marco atual é a RDC 243/2018 com a Instrução Normativa 28/2018, e ele não trabalha mais com aquele limite fixo. E o motivo daquele valor nunca foi proteção renal — era enquadramento regulatório de rotulagem. As doses usadas em pesquisa há décadas giram em torno de 3 a 5 g por dia de manutenção, e a fase de saturação com 20 g diários por cinco a sete dias é opcional: serve só para antecipar em algumas semanas um resultado que a dose baixa alcança sozinha. Duas observações finais sobre coisas que aparecem no tópico e não envelheceram bem. O costume de tomar creatina com maltodextrina para "absorver melhor" veio de estudos antigos usando quantidades grandes de carboidrato. O efeito sobre a saturação final é pequeno e, na prática, desnecessário: tomar todo dia resolve sozinho. E a pergunta do @diegorigobello, de 2004, merece resposta: parando a creatina você não murcha. Você perde a água intracelular que ela mantinha, o que dá uma redução discreta de volume, e um pouco de força nos treinos mais pesados. O músculo construído continua lá. Para fechar respondendo o que o @thiago4054 perguntou lá em 2003: sim, creatina e BCAA podem ser tomados juntos, não há interação. Mas se a pergunta for onde colocar o dinheiro, a resposta hoje é outra — creatina todo dia, proteína suficiente ao longo do dia, e o BCAA fica de fora. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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Tomei uma ampola de Durateston. Preciso fazer TPC?
@brunosilv, a resposta prática que o @Locemar te deu está certa: uma ampola isolada não pede pós-ciclo. Mas tem número para colocar nisso, e ele muda o que você deve fazer nas próximas semanas — principalmente em relação ao exame que te sugeriram. Existe um estudo com 25 voluntários saudáveis que mediu exatamente isso: dose única de enantato de testosterona, com o perfil hormonal avaliado antes, no quarto e no décimo quarto dia. Com a dose única de 250 mg, o LH caiu 77% no quarto dia e 78% no décimo quarto. O FSH caiu 71% e 83% nos mesmos momentos. Duas leituras importantes. A primeira: uma única ampola suprime o eixo, e suprime bastante. Duas semanas depois a supressão ainda estava no fundo — não havia começado a subir. Isso não é motivo de pânico, porque supressão transitória é diferente de dano permanente, mas serve para desfazer a ideia de que "uma só não faz nada". Faz, e é mensurável. A segunda, e é a que interessa ao seu caso concreto: te sugeriram esperar um mês e dosar testosterona, LH e FSH. Tenha cuidado com esse prazo. O produto que você usou é um blend de quatro ésteres, e o mais longo deles é o decanoato, que continua liberando hormônio por cerca de três semanas. Se você somar o tempo de liberação com o tempo de recuperação do eixo, um mês é cedo demais. Você tem boa chance de colher LH e FSH ainda no chão, ver um laudo assustador, e concluir que destruiu alguma coisa — quando o que o exame estaria mostrando é o processo normal de recuperação ainda em curso. Pior: com 19 anos e um laudo desses na mão, existe risco real de alguém te oferecer "tratamento" para um quadro que ia se resolver sozinho. Se você quiser fazer exame por tranquilidade, espere pelo menos oito a doze semanas da aplicação. E colha de manhã, entre 7h e 10h, em jejum: testosterona total e livre, LH, FSH, estradiol. Aí o resultado significa alguma coisa. Um detalhe desse mesmo estudo que vale guardar: a dose de 125 mg suprimiu LH e FSH de forma significativa mesmo sem produzir alteração mensurável na testosterona sérica. Ou seja, as gonadotrofinas são um sensor muito mais fino do que a testosterona. É por isso que dosar só testosterona total não conta a história toda — sem LH e FSH você não sabe se um valor normal é produção própria ou reflexo do que ainda está saindo do depósito. Agora dois ajustes ao que foi dito. A frase de que seu corpo está desenvolvendo os testículos até os 23 anos não procede. O desenvolvimento testicular se completa ao longo da puberdade, tipicamente por volta dos 17 ou 18 anos. O que continua em desenvolvimento nessa faixa é a massa óssea, que atinge o pico entre o fim da adolescência e o início dos 20 e poucos anos — e essa, sim, é afetada por desequilíbrio hormonal prolongado. E o alerta de que você pode ficar impotente ou infértil para o resto da vida por causa de uma ampola é forte demais para o que aconteceu. O risco de hipogonadismo persistente existe e está bem documentado, mas ele se associa a uso prolongado e repetido, não a dose única. Digo isso não para te tranquilizar demais, e sim porque medo desproporcional produz o pior desfecho possível: a pessoa fica com vergonha, não procura médico e não faz exame nenhum. @Kami Back foi ríspido, mas o item três da lista dele é o mais útil: você aplicou primeiro e pesquisou depois. Repare que, quando você foi procurar informação, já não dava para desfazer nada. Essa ordem é o que separa os tópicos tranquilos dos tópicos ruins aqui do fórum. Uma última coisa, e talvez a mais importante: você tem 19 anos e 58 kg. Sem saber sua altura, é um peso baixo. A pergunta que vale mais que qualquer discussão sobre pós-ciclo é quanta comida você está colocando para dentro por dia. Se a resposta for pouca — e em quem pesa 58 kg aos 19 costuma ser —, nenhuma substância vai resolver isso, porque não existe anabolizante que construa tecido com matéria-prima que não chegou. Comece por aí, e dê a si mesmo pelo menos um ano sem nada para descobrir do que o seu corpo é capaz. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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QUEM CICLA UMA VEZ TEM QUE CICLAR A VIDA TODA PARA MANTER OS GANHOS
@henriquesilvasp, sua pergunta tem duas metades e elas costumam ser respondidas como se fossem uma só. O tópico respondeu bem a primeira e não tocou na segunda — que é a que importa mais. A primeira metade: dá para manter os ganhos? @davidevh resumiu certo. Ganho até o seu teto natural é sustentável com treino e dieta; ganho acima do teto não é. O músculo que existe porque a concentração hormonal era suprafisiológica precisa daquela concentração para continuar existindo. Não é questão de disciplina, é questão de qual sinal mantém aquela massa. Mas existe um detalhe que muda a resposta e quase ninguém conhece, e ele é a favor do uso pontual. Existe uma linha de pesquisa sobre memória muscular liderada pelo grupo do Gundersen, na Noruega. Num experimento publicado por Egner e colaboradores, camundongos receberam testosterona por apenas duas semanas. Depois vieram três meses sem nada — tempo suficiente para a fibra muscular voltar ao tamanho original de antes da exposição. Ou seja, o ganho visível tinha ido embora por completo. Só que os núcleos celulares adquiridos durante aquelas duas semanas permaneceram. E quando esses animais foram submetidos a sobrecarga de novo, eles hipertrofiaram cerca do dobro em relação aos que nunca tinham recebido testosterona. A leitura é interessante e vale nos dois sentidos. Para o seu caso: o ciclo pode deixar uma vantagem estrutural que sobrevive à perda do volume — o tamanho vai embora, a capacidade de reconstruir talvez não. Para o esporte: é um argumento forte contra a ideia de que banimento temporário resolve, porque a vantagem pode durar muito além da substância. Preciso ser honesto sobre o tamanho dessa evidência: em roedores ela é robusta, em humanos é contestada. Há revisões recentes questionando se a permanência dos núcleos se sustenta com o mesmo peso em pessoas. Então trate como hipótese promissora, não como fato estabelecido. Agora a segunda metade da sua pergunta, que ficou sem resposta: "o eixo nunca mais volta a ser o mesmo?" Aqui existe dado concreto, e ele é o mais importante do tópico. Um estudo de caso-controle publicado no PLoS One em 2016, do grupo do Rasmussen, comparou três grupos: ex-usuários de anabolizantes, usuários atuais e controles saudáveis. Os ex-usuários estavam, em média, dois anos e meio depois de terem parado. O resultado: os ex-usuários apresentavam testosterona plasmática significativamente mais baixa que os controles saudáveis e maior frequência de sintomas sugestivos de hipogonadismo — anos após a suspensão. A mediana dos controles ficou em 18,8 nmol/L contra 14 nmol/L nos ex-usuários. Ou seja, respondendo você diretamente: não, o eixo não volta necessariamente ao mesmo. Para uma parte das pessoas, ele não voltou nem depois de dois anos e meio. Existe inclusive um nome para isso na literatura — hipogonadismo induzido por esteroide anabolizante —, e há revisões sistemáticas discutindo justamente até que ponto ele é reversível. Isso muda a leitura da resposta do @Deku e do @Arnaldo Santos. sobre pós-ciclo. Uma boa pós-ciclo melhora as chances, e é certo fazê-la. Mas ela não é garantia, e é aí que mora o problema da pergunta que você fez: muita gente cicla a vida toda não porque escolheu manter ganhos, e sim porque o eixo não recuperou e a alternativa virou conviver com sintomas de testosterona baixa. Essa é a forma mais comum de alguém acabar em uso permanente — não por decisão, por consequência. Uma ressalva à recomendação do @Arnaldo Santos. Sugerir oxandrolona como a opção mais segura para quem tem dúvidas, e mencionar que até 10 mg pode ser usado por vários meses, precisa de contexto. Oxandrolona é 17-alfa-alquilada e derruba HDL de forma marcante — em praticantes de musculação foram documentados valores em torno de 24 mg/dL durante o uso, contra referência acima de 40. Uso por vários meses é exposição prolongada a isso. E ela suprime o eixo como qualquer outro anabolizante: ser "leve" na percepção não significa ser leve no hipotálamo. Então resumindo o que eu levaria daqui: Ganho acima do teto natural não se mantém sem a substância — isso está certo e o tópico acertou. O ciclo pode deixar uma vantagem estrutural de longo prazo, e isso é a melhor notícia disponível, com a ressalva de que a evidência em humanos ainda é discutida. E o eixo hormonal é a variável que realmente decide se alguém cicla a vida toda: não é a vaidade, é a recuperação que não veio. Se você for adiante com o ciclo único que mencionou, colha exames antes — testosterona total e livre de manhã, LH, FSH, estradiol, hemograma, lipidograma e enzimas hepáticas. Guarde esses papéis. Sem o antes, você não tem como saber, depois, se voltou ao seu ponto de partida ou se parou num lugar diferente. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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Qual é a REAL meia vida do Enantato de testosterona?
@jowes, a sua pergunta tem resposta, e a razão de as fontes divergirem é mais interessante que o número. O valor mais citado na literatura farmacocinética para o enantato de testosterona é meia-vida de eliminação em torno de 4,5 dias, com tempo médio de residência de cerca de 8,5 dias e pico sérico por volta de 96 horas após a aplicação. Repare que são três números diferentes descrevendo a mesma coisa — e é daí que vem a confusão que você notou. Agora a parte que responde de verdade "por que ninguém concorda". Meia-vida de eliminação, no sentido estrito, é o tempo que o corpo leva para eliminar metade do que está circulando. E aqui está o detalhe: a testosterona livre tem meia-vida verdadeira de 10 a 100 minutos. Minutos, não dias. Então o que são os 4,5 dias? É o tempo de liberação a partir do depósito de óleo no músculo, não o tempo de eliminação da testosterona. Quando você aplica enantato, você cria um reservatório oleoso no tecido, e a molécula vai saindo dali aos poucos. A saída do depósito é muito mais lenta do que a capacidade do corpo de metabolizar — então quem dita o ritmo da curva é a liberação, e não a eliminação. Isso tem nome em farmacocinética: cinética flip-flop, ou cinética de absorção limitante. É quando a etapa mais lenta não é a saída, é a entrada. E é exatamente por isso que os números não batem entre as fontes. Não existe um valor único porque o que está sendo medido depende do depósito, e o depósito depende de coisas que variam de pessoa para pessoa e de aplicação para aplicação: volume injetado, concentração do produto, qual óleo veicula, qual músculo recebeu, quanto de tecido adiposo tem ali, e a vascularização local. Não é imprecisão da literatura. É uma variável que genuinamente muda. Sobre o @davidevh ter perguntado qual a diferença entre 5 e 6 dias: em uma aplicação isolada, ele tem razão, não muda quase nada. Mas existe uma situação em que muda, e vale você saber qual é. A diferença aparece no acúmulo. Com aplicações repetidas, a concentração sobe até o estado de equilíbrio, e esse platô é alcançado depois de cerca de quatro a cinco meias-vidas. Com 4,5 dias, isso são aproximadamente 19 dias — quase três semanas. Traduzindo para a prática: quem aplica na segunda-feira e avalia o efeito no fim da primeira semana está julgando um nível que ainda vai subir por mais duas. É a origem do erro clássico de achar que a dose está fraca na segunda semana e aumentar — e receber o efeito da dose aumentada somado ao acúmulo que já estava a caminho. E vale para os dois lados. Na hora de parar, três semanas depois da última aplicação ainda há hormônio saindo do depósito. É por isso que começar pós-ciclo cedo demais não funciona: você estimula um eixo que ainda está sendo suprimido pelo que sobrou no músculo. Então, respondendo a sua pergunta com o que é útil: use 4,5 a 5 dias para raciocinar sobre frequência de aplicação, e use três semanas para raciocinar sobre quando o nível estabiliza e quando ele realmente termina. O segundo número é o que costuma faltar e é o que mais muda decisão. Uma observação sobre o número da bula: bula não é artigo farmacocinético. Ela traz o valor que o fabricante considera representativo para a apresentação dele, naquele veículo e naquela concentração. Produto de outro fabricante, com outro óleo e outra concentração, vai ter comportamento de depósito diferente — mesmo éster, mesma molécula. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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Testosterona via subcutânea
@Levrone2000, você perguntou sobre a via subcutânea e ninguém tocou no detalhe que decide o seu caso — que não é a via, é qual produto você escolheu para ela. A via subcutânea funciona para testosterona. Isso está estabelecido: absorção adequada, níveis séricos comparáveis, e é a via preferida por muita gente pelo conforto. @FitCoupleHim acertou nisso. O problema é que você está usando um blend de testosterona, e esse produto específico é dos piores candidatos para aplicação subcutânea. O motivo está no veículo, não no hormônio. O blend de quatro ésteres carrega cerca de 100 mg de álcool benzílico por mL — 10% do volume. Para comparação, o cipionato de testosterona traz algo em torno de 9,45 mg por mL. É dez vezes mais. Álcool benzílico é conservante e é irritante de tecido. No músculo, que é grande e bem vascularizado, isso dilui e passa. No subcutâneo, que é pouco vascularizado e tem muito menos volume para distribuir, ele fica concentrado no lugar. É exatamente isso que você descreveu quando escreveu que "ardeu um pouco na hora". Não foi impressão. Foi o conservante. A consequência prática, com aplicações repetidas, é nódulo, endurecimento local e reação inflamatória persistente. E tem uma segunda questão: o veículo desse produto é óleo de amendoim, que é alergênico conhecido — vale saber se você tem qualquer sensibilidade a amendoim antes de continuar. Se a via subcutânea é o que você quer, a escolha coerente é um éster único em veículo com pouco conservante — cipionato ou enantato —, e volumes menores por ponto. E atenção à sua seringa: você escreveu "0,30 UI". Seringa de insulina é graduada em unidades, e 100 unidades correspondem a 1 mL. Trinta unidades são 0,3 mL. Essa confusão entre unidade e mililitro já produziu erro de dose de dez vezes em gente experiente — confira sempre em mL antes de aplicar. Agora a parte que precisa de correção maior, e ela é sobre o estradiol. @FitCoupleHim te disse que em 48 horas a droga alcança o pico máximo de concentração e a libido deve aumentar consideravelmente. Isso vale só para um dos quatro ésteres. O propionato, que é o mais curto, chega ao pico nesse prazo. Mas os ésteres longos — isocaproato e principalmente decanoato — se acumulam ao longo de semanas, e o efeito sistêmico pleno só aparece por volta da terceira ou quarta semana. Existe um pico inicial em 24 a 48 horas, sim, mas ele não é o estado final. Isso importa para você, porque você planeja começar anastrozol 0,5 mg por dia desde já. Você estaria calibrando um inibidor de aromatase contra um estradiol que ainda vai subir por semanas — e a probabilidade de errar a dose nos dois sentidos é alta. E aqui vem a coisa mais importante do tópico, que vale para você e para o @x6NurbWiLL. Vocês dois relataram ginecomastia adquirida na puberdade e estão usando anastrozol contra ela. Existe um ensaio randomizado, duplo-cego, controlado por placebo, publicado no JCEM em 2004, que testou exatamente isso: anastrozol 1 mg por dia durante seis meses em ginecomastia puberal. Resposta de 38,5% no grupo anastrozol contra 31,4% no placebo. Diferença não significativa, com p de 0,47. E o detalhe que fecha o argumento: no mesmo estudo, a razão testosterona/estradiol melhorou 166% com anastrozol, contra 39% no placebo. O remédio fez perfeitamente o que promete no exame de sangue e, ainda assim, a mama não regrediu mais do que com placebo. Ou seja: o anastrozol tem papel em controlar estradiol durante o ciclo, e esse é um objetivo legítimo. Mas ele não é tratamento para a ginecomastia puberal que vocês já têm. Essa glândula não vai embora por essa via. @x6NurbWiLL, sobre o seu relato de ter tomado um tamoxifeno e no dia seguinte a dor ter resolvido: um comprimido não modifica tecido glandular em 24 horas — a escala de tempo de resposta a modulador de receptor é de semanas. O que passou provavelmente ia passar. Guarde isso, porque essa sequência — sintoma, comprimido, alívio no dia seguinte — é como se constroem certezas erradas sobre o que funciona. E a decisão de deixar para investigar a ginecomastia depois do ciclo tem um custo. Ginecomastia responde a medicamento enquanto está em fase proliferativa; depois que fibrosa, só cirurgia. A literatura trata o que passa de seis meses como pouco provável de regredir e o que passa de doze meses como indicação cirúrgica. Adiar a investigação para depois do ciclo pode ser justamente o que fecha essa janela — ainda mais fazendo um ciclo de testosterona no meio. Uma última coisa, @Levrone2000, sobre a sua preocupação com libido. @FitCoupleHim te deu o alerta certo e ele merece ser repetido com ênfase: estradiol no chão derruba libido tanto quanto estradiol alto, e os dois quadros têm sintomas quase idênticos. Quem se guia só pela sensação tende a aumentar o inibidor quando devia reduzir. A única forma de saber é dosar estradiol — e, se você mantiver o anastrozol, dosar antes e durante. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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Problema com aplicação no Vasto
@M&M, vou ser direto porque o seu relato descreve um quadro que não é de bolsa quente. Você escreveu quatro coisas juntas: dor que piorou a partir do segundo dia até ficar insuportável, perna inchada e vermelha, impossibilidade de dobrar o joelho e de andar sem mancar, e — a mais importante de todas — "uma teia de aranha por baixo da pele, avermelhado". Esse desenho em teia ou em riscos vermelhos partindo do local tem nome: linfangite. São os vasos linfáticos inflamados, desenhando na pele o caminho por onde o processo está se propagando em direção aos gânglios. É um dos sinais clássicos de infecção bacteriana em disseminação a partir de um foco cutâneo, e é motivo de avaliação médica no mesmo dia — não de acompanhamento em fórum. Entendo que na sexta você já estava assim desde segunda. Se esse quadro ainda persistir, ou se voltar a acontecer com alguém que leia isso aqui, a conduta é pronto-socorro. Vou explicar por que as respostas do tópico, ainda que bem-intencionadas, apontaram na direção errada. O ponto que separa as duas hipóteses é a curva do tempo. Reação inflamatória ao óleo — o que se chama de spot virgem, que foi a explicação sugerida — tem um comportamento previsível: pico entre 24 e 48 horas e melhora progressiva a partir daí. Infecção faz o contrário: começa modesta e piora a cada dia. O seu relato é o segundo. No primeiro dia "aquela dorzinha normal". No segundo, insuportável. No quarto, ainda igual. Esse é o padrão que exclui reação simples ao veículo. E tem três detalhes que reforçam: vermelhidão que se espalha, limitação funcional articular — você não conseguia dobrar o joelho — e a linfangite. Nenhum dos três pertence ao quadro de irritação oleosa. Agora, e isso importa para a sua tranquilidade: você fez tudo certo. Assepsia, aspiração, agulha inserida devagar, aplicação lenta. Aspirar e não vir sangue exclui injeção intravascular, não exclui contaminação. A técnica impecável protege contra o que entra pela sua pele; ela não protege contra o que já estava no frasco. Preparação injetável feita fora de ambiente farmacêutico pode simplesmente não ser estéril — e aí a porta de entrada foi o produto, não você. Repare no dado que você mesmo forneceu e que aponta para isso: você aplicou na outra perna, com a mesma técnica, e não teve complicação nenhuma. Mesma pessoa, mesma técnica, mesmo músculo, resultados opostos. O que mudou não foi o método. Sobre a bolsa quente que foi sugerida: em reação inflamatória estéril ela ajuda. Em infecção em propagação, calor local não resolve e faz perder tempo. E sobre o toragesic e os anti-inflamatórios — eles eram necessários para a dor, então não é uma crítica ao uso. Mas vale saber de uma coisa: anti-inflamatórios não hormonais podem mascarar a evolução de infecção de partes moles, reduzindo febre e dor justamente quando esses sinais seriam a informação mais valiosa. Existe literatura apontando uso recente de anti-inflamatório como fator associado a diagnóstico tardio em infecções graves de partes moles. Não significa que você não devia ter tomado — significa que tomar torna ainda mais necessário ser avaliado, e não menos. Um comentário sobre o volume, já que seu coach levantou e o @Locemar respondeu. Os dois têm razão em parte. O vasto lateral é músculo grande e tolera 2 mL com folga — nisso o @Locemar está certo, e volume não explica linfangite. Mas a observação do seu coach tem valor em outro sentido: volume maior em sítio nunca usado produz mais desconforto inicial, e esse desconforto inicial foi o que fez você atribuir a piora do segundo dia a uma causa banal. A explicação confortável estava disponível, e ela atrasou a leitura correta. Sobre a técnica descrita pelo @Locemar de inserir a agulha aos poucos para perceber contato com terminação nervosa: é uma prática razoável e vale manter. Só não é o que explica o seu caso — lesão de nervo dá choque, dormência e alteração de sensibilidade no trajeto, não vermelhidão em teia. O que fica registrado para quem chegar aqui com quadro parecido, e essa é a parte que eu queria que ficasse: Dor que piora depois de 48 horas em vez de melhorar. Vermelhidão que se espalha. Riscos ou teias vermelhas partindo do ponto. Calor local. Área que endurece ou dá sensação de líquido por baixo. Febre. Dificuldade de mover a articulação ou de apoiar o peso. Sensação de estar muito mal no geral. Qualquer um desses é atendimento médico, contando o que foi aplicado. Nenhum deles é caso de esperar passar, e nenhum deles é caso de bolsa quente. Conta como terminou, @M&M. O tópico está aberto há tempo e quem passar por isso vai procurar exatamente esse desfecho. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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Stanozolol Oleoso! Onde Aplicar? Qual Agulha? É Normal Muita Dor no Local?
@Schynzo, esse tópico resolveu bem a parte da dor e normalizou a parte da febre. É a segunda que precisa de revisão, porque a conclusão coletiva foi "é do stano, aguenta ou desiste", e esse raciocínio tem um buraco. Começo pelo que o tópico acertou, que não é pouco. A dor do stanozolol aquoso tem explicação física: ele é uma suspensão de microcristais, não uma solução. Os cristais não se dissolvem no tecido — eles ficam lá, produzindo reação inflamatória local até serem lentamente removidos. É por isso que dói mais que óleo, e é por isso que @Toxi está certo ao dizer que a versão oleosa costuma doer muito menos: ali o veículo é outro. E a sua observação de que a dor apareceu na frente da coxa, e não no ponto da aplicação, também tem explicação: o material se distribui ao longo dos planos entre os músculos, e a inflamação acompanha esse caminho. Não significa que você errou o alvo. As soluções propostas foram boas — fracionar em 1 mL, alternar sítios, dar tempo para o local se recuperar. Vale acrescentar que o deltoide, que o @Mestre citou como exemplo ruim, é realmente a pior escolha possível para suspensão cristalina: é o menor dos sítios, tolera cerca de 1 mL, e é onde o volume e o cristal têm menos espaço para se dispersar. O caso do rapaz que ficou sem mexer o braço não é exagero. Agora a febre. Vocês três relataram o mesmo quadro — @Schynzo, @Locemar e @ficagrandeporra — e concluíram que é característica do produto. Pode ser. Reação inflamatória sistêmica a suspensão cristalina existe e produz febre. Mas repare em como a conclusão foi construída: três pessoas com o mesmo sintoma, nenhuma investigou, e o fato de ter passado sozinha foi tomado como prova de que era inofensiva. Existem pelo menos três explicações compatíveis com o que vocês descreveram, e elas têm condutas completamente diferentes. A primeira é a reação inflamatória estéril aos cristais. Essa febre é travada no tempo: ela aparece nas primeiras horas após cada aplicação e cede antes da seguinte. Se você marcar num papel o horário de cada aplicação e o horário de cada pico de febre, o padrão fica evidente. A segunda é infecção de sítio de injeção. E aqui a diferença crítica: ela acompanha dor local que piora em vez de melhorar, vermelhidão que se espalha, calor, endurecimento ou sensação de líquido sob a pele. Febre isolada sem nada disso torna a infecção menos provável — mas o seu caso tinha dor forte junto, o que impedia essa conclusão no momento em que foi tirada. A terceira é a que ninguém levantou e que explica melhor uma febre que se arrasta por duas ou três semanas em vários usuários diferentes: contaminação do produto. Preparação injetável feita fora de ambiente estéril pode carregar material pirogênico mesmo sem bactéria viva — resíduos que produzem febre por si próprios. Isso não fica localizado, não gera abscesso, e dá exatamente o quadro descrito: febre recorrente, sem foco, que some quando o frasco acaba. @Locemar chegou perto disso ao dizer que é característico "dependendo do laboratório". Essa frase merecia mais peso do que teve: se depende do laboratório, não é propriedade da molécula — é propriedade daquele frasco. Agora a parte que mais me preocupa no tópico, e é sobre o antitérmico. @Mestre sugeriu dipirona em vez de paracetamol pela sobrecarga hepática, e o raciocínio sobre o fígado é legítimo em quem usa oral 17-alfa-alquilado. Mas a dipirona tem um risco próprio que precisa ser dito: ela pode causar agranulocitose, que é a queda severa dos neutrófilos. É raro e não depende de dose, mas o risco parece aumentar com a duração do uso. E aqui está o encadeamento perigoso. A agranulocitose induzida por dipirona se apresenta justamente com febre, dor de garganta, aftas e mal-estar — os mesmos sintomas que levariam a pessoa a tomar mais dipirona. Ou seja: alguém com febre de origem não esclarecida, tomando dipirona por semanas, pode entrar num quadro em que o remédio produz o sintoma que ele está sendo usado para tratar, e a piora é interpretada como "a febre não passa". @Schynzo, você relatou febre e, num tópico anterior aqui do fórum, outro membro relatou febre com dor de garganta junto. Essa combinação, em quem usa dipirona com frequência, é motivo de hemograma. Não de mais um comprimido. E tem o problema de fundo: tomar antitérmico para suprimir uma febre que você não sabe de onde vem apaga o único sinal que você tinha para acompanhar. Se a origem for infecciosa, você não some com a infecção — você some com o aviso dela. Então o que eu faria, e o que fica registrado para quem chegar aqui com o mesmo quadro: Anotar o horário de cada aplicação e de cada pico de febre. Se o padrão for travado nas primeiras horas após cada aplicação, isso aponta para reação aos cristais. Se a febre for aleatória, arrastada ou acompanhada de calafrio, não aponta. Procurar atendimento sem hesitar diante de: febre acima de 38 graus que persiste, vermelhidão que se espalha, calor local, endurecimento, dor que piora após 48 horas, dor de garganta ou aftas junto, ou sensação de estar muito mal no geral. Hemograma completo. Ele responde de uma vez pela infecção e pela agranulocitose, e custa pouco. E @Rafael borja, respondendo o que você perguntou: não sentir dor com o stanozolol oleoso não indica nada de errado. É o comportamento esperado do veículo oleoso. Dor não é medida de que o produto está funcionando — nesse caso é medida de qual cristal foi colocado dentro de você. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
- 15 respostas
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- agulha
- coxa
- dor
- estanozolol
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Marcado com:
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Aplicar com agulha 30x7 no deltoide, é valido?
@jowes, respondendo direto à sua pergunta e depois ao que ela abre. A nomenclatura primeiro, porque ela confunde e você citou as duas. Numa agulha 30x7, o 30 é o comprimento em milímetros e o 7 é o diâmetro em décimos de milímetro — 0,7 mm. A 25x7 tem o mesmo calibre e 5 mm a menos de comprimento. Ou seja, a diferença entre as duas não é a grossura, é só a profundidade que alcançam. Sobre absorção: se o medicamento foi depositado dentro do ventre muscular, a absorção é a mesma, independentemente de a agulha ser de 25 ou 30 mm. O músculo é bem vascularizado de ponta a ponta. Onde a absorção muda é nos dois extremos — se ficou raso demais, no subcutâneo, ou se foi depositado contra o periósteo. E sobre o seu receio específico: se a ponta tivesse encostado no osso, você teria sentido. O periósteo é uma das estruturas mais inervadas do corpo, e o contato dá dor aguda, localizada e inconfundível no momento. Não é o tipo de coisa que passa despercebida e se descobre depois. Se a aplicação foi tranquila, quase certamente ela ficou no músculo. Dito isso, @davidevh te deu o conselho certo e vale explicar por quê, porque o motivo é mais sério do que a impressão de "pegar no osso". O deltoide é o menor dos sítios usuais de aplicação intramuscular, e a recomendação padrão de comprimento de agulha para adulto nesse local fica entre 25 e 38 mm, com 25 mm sendo a escolha habitual — e menos ainda em pessoas magras. O problema de passar do ventre muscular não é a absorção: abaixo e por dentro do deltoide correm o nervo axilar e, mais distalmente, o nervo radial. Lesão de nervo axilar por injeção existe, é descrita, e deixa sequela de força e sensibilidade no ombro. Some a isso outro risco que quase ninguém conhece: aplicar alto demais, perto do acrômio, atinge a bursa subacromial em vez do músculo. Isso produz um quadro de dor e limitação de ombro que pode durar meses e é frequentemente confundido com lesão de treino. Então a referência anatômica vale a pena decorar, porque ela resolve os dois problemas de uma vez: o ponto fica dois a três dedos abaixo do acrômio — a ponta óssea no alto do ombro —, no meio do ventre muscular, na face lateral do braço. Nem acima disso, nem descendo em direção ao cotovelo. E o volume importa tanto quanto o ponto. O deltoide tolera cerca de 1 mL, no máximo 2. É bem menos que o glúteo, que aceita volumes maiores com folga. Óleo em excesso num músculo pequeno é a receita para dor prolongada, nódulo e reação inflamatória local — e isso não tem nada a ver com a qualidade do produto. Três coisas práticas que valem para qualquer aplicação, já que o assunto está aberto: Aspirar antes de injetar continua sendo a prática mais sensata em anabolizante oleoso. Em vacinação a recomendação atual dispensa a aspiração, mas ali o volume é pequeno, aquoso e o sítio é padronizado. Óleo em vaso é um problema de outra ordem — é o que produz a tosse súbita e o gosto metálico que se relata com trembolona. Custa dois segundos. Rodízio de sítios. Aplicar sempre no mesmo ponto produz fibrose local, e músculo fibrosado absorve pior e dói mais. E nunca aplicar em local que ainda está inflamado, endurecido ou dolorido da vez anterior. Um último ponto, e é o que eu mais gostaria que ficasse: dor forte no local somada a febre, vermelhidão que se espalha, calor ou área que endurece não é reação normal de aplicação. É a apresentação de infecção de sítio de injeção, que é complicação descrita e frequente o suficiente para valer o alerta. Nesse caso é atendimento médico, contando o que foi aplicado — não esperar passar. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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Segundo mês de ciclo feminino de boldenona e oxandrolona
@aninhaxaxa, seus resultados são visíveis e você está sendo honesta ao relatar os efeitos, o que é raro e vale reconhecer. Mas tem uma frase no seu post que passou como piada e não é piada nenhuma. Você escreveu: "meu clitóris cresceu um pouco sim! Mas é isso hehehe." E @abcabc3 respondeu: "os efeitos androgênicos não estão tão expressivos então." Essa leitura está invertida, e é a coisa mais importante desse tópico. O aumento do clitóris — clitoromegalia — não é um efeito androgênico leve. É um dos marcadores mais fortes de virilização que existem, e está na mesma categoria da alteração de voz: é permanente. Ele não volta quando o ciclo termina, não volta na pausa, não volta com tempo. Acne some. Isso não. Repare na comparação dentro do seu próprio relato: você citou espinhas e clitóris na mesma frase, com o mesmo peso. São coisas de naturezas completamente diferentes. A espinha é o efeito que incomoda e passa; o outro é o efeito que não incomoda e fica. E ele apareceu no segundo mês. Não no fim de anos de uso. Isso leva direto ao ponto seguinte, que é o que mais me preocupa: você escreveu que não para mais de ciclar, e que vai fazer uma ponte com outros medicamentos na pausa para não perder o que ganhou. O efeito de virilização é dependente de dose e de tempo de exposição. Uso contínuo, sem intervalo real, é a condição em que ele progride. Um sinal que apareceu aos dois meses, mantido sob exposição permanente, tende a avançar — e cada milímetro que avança é definitivo. Agora a boldenona, porque ela tem um detalhe que ninguém mencionou e que importa muito para mulher. A boldenona usada é o undecilenato, que carrega um dos ésteres mais longos que existem. A meia-vida descrita fica em torno de 14 a 15 dias, e metabólitos permanecem detectáveis por meses após a última aplicação. Traduzindo para o que isso significa na prática: se amanhã a sua voz começar a mudar, ou o clitóris avançar mais, você não tem como interromper a exposição. Você pode parar de aplicar, mas o que já está no seu corpo vai continuar liberando por semanas. Com um oral como a oxandrolona, meia-vida de cerca de 10 horas, parar é parar de verdade em um ou dois dias. Essa é a razão pela qual éster longo é a pior escolha possível para mulher: ele remove justamente a capacidade de reagir a tempo ao sinal que avisa. E o sinal que avisa é o único recurso que existe, porque não há como prever quem vai virilizar. Sobre o acompanhamento médico: você disse que tem médico e que ele faz tudo. Isso é melhor que não ter. Mas há duas perguntas que valem a próxima consulta, e são suas por direito. A primeira: o que exatamente estamos fazendo com o clitóris que já cresceu? A resposta honesta é que não há como desfazer — e se for essa a resposta, a conversa passa a ser sobre impedir que avance. A segunda, e é a que separa bom acompanhamento de acompanhamento complacente: quais efeitos, se aparecerem, não revertem quando eu parar? Se a resposta cobrir voz, clitóris e pelos faciais com clareza, ótimo. Se minimizar, você tem a sua informação. E vale registrar uma coisa que mudou desde esse tópico: em 2023, o Conselho Federal de Medicina publicou a Resolução 2.333, que proíbe a prescrição de esteroides anabolizantes com finalidade estética. O protocolo descrito aqui, hoje, está fora do que o conselho autoriza — independentemente de quem prescreve. @Jéssica Priscila Cordeiro, você escreveu que pensa em fazer o mesmo ciclo. Leve daqui o que o tópico entregou de mais útil, que não são as medidas: uma mulher relatando crescimento de clitóris no segundo mês, num ciclo que ela própria descreve como leve e sem exageros. Esse é o dado. Se você seguir adiante, ao menos prefira substâncias de meia-vida curta, para que parar seja uma opção real. E os dois marcadores de parada imediata, que valem para qualquer mulher em qualquer ciclo: qualquer alteração de voz e qualquer alteração genital. Não "termino o ciclo e vejo depois". Imediata. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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Oxandrolona Sublingual + Gel de Testo e Progesterona
@Andréas_G, o seu acompanhamento é organizado — bioimpedância, exames, datas, tudo registrado. Vale usar esse mesmo rigor para olhar um número do seu painel que passou sem comentário. Você escreveu que, por ter ficado uma semana sem os géis antes da coleta, "os valores caíram drasticamente". Sua testosterona total deu 47 ng/dL. Em mulher, a faixa de referência habitual vai de cerca de 15 a 70 ng/dL. Quarenta e sete não é um valor baixo — é um valor de meio de faixa. O seu estradiol em 88 pg/mL também é compatível com início de ciclo menstrual em mulher que não usa contraceptivo, que é exatamente a condição em que você colheu. Isso importa porque muda a natureza do que você está fazendo. Se a testosterona estivesse abaixo da faixa, o gel seria reposição — repor o que falta. Com 47, não há o que repor: o gel está elevando acima do seu próprio basal. É suplementação suprafisiológica, não reposição. São conversas diferentes, com riscos diferentes, e a palavra usada muda a percepção de segurança. Sobre o que a evidência sustenta: existe um documento de consenso global publicado em 2019, assinado pelas principais sociedades de endocrinologia e menopausa do mundo, sobre uso de testosterona em mulheres. A conclusão é estreita. A única indicação com evidência é o desejo sexual hipoativo em mulher na pós-menopausa. Para disposição, bem-estar, energia, força, composição corporal e massa muscular, o consenso é explícito em dizer que não há evidência de benefício. E ele recomenda que a dose mantenha a testosterona dentro da faixa fisiológica feminina — não acima dela. Agora um ponto que você precisa saber, porque a regulação mudou depois desse tópico. Em 2023, o Conselho Federal de Medicina publicou a Resolução 2.333, que proíbe a prescrição de esteroides androgênicos e anabolizantes com finalidade estética. E a ANVISA suspendeu a manipulação, a venda, a propaganda e o uso de implantes hormonais manipulados — os chamados chips da beleza —, depois de denúncias de entidades médicas sobre aumento de complicações graves. Os hormônios citados nominalmente nessas medidas são justamente gestrinona, testosterona e oxandrolona, que são os três que aparecem no seu tópico. Isso não torna a sua médica de 2018 irregular, porque a norma veio depois. Mas define o terreno hoje: se o protocolo continua, ele está fora do que o conselho autoriza. Tem um detalhe na sua prescrição que merece ser lido com atenção, e é o que mais me chama atenção no tópico inteiro. Você escreveu que ela receitou dutasterida e espironolactona "para os possíveis efeitos colaterais", e que você optou por não usar a menos que os efeitos apareçam com intensidade. Prescrever um bloqueador de DHT e um antiandrogênico junto com o protocolo é, na prática, reconhecer que a virilização é esperada — não possível, esperada. Ninguém prescreve antídoto preventivo para um efeito improvável. E a sua decisão de deixar para usar só se aparecer tem uma falha que vale corrigir: nem todos os efeitos avisam com antecedência. Acne e queda de cabelo dão tempo de reagir. Alteração de voz e aumento do clitóris, não — quando ficam evidentes, já se instalaram, e são permanentes. A voz, em particular, tem literatura descrevendo mudança irreversível mesmo após uso de curta duração. Uma observação sobre a dutasterida: ela é teratogênica, com advertência de que mulher em idade fértil não deve manipular a cápsula partida. Você escreveu que não usa contraceptivo. Isso precisa entrar na conversa com a sua médica antes de qualquer coisa. @Beta1978, uma conta na sua mensagem. Você escreveu que usou oxandrolona sublingual 10 mg de 8 em 8 horas. São 30 mg por dia. É uma dose alta para mulher — a faixa que costuma produzir resultado sem virilização fica em torno de 5 mg diários. Você relatou zero colateral, e acredito. Mas a parte que não dá sintoma é a que interessa: a oxandrolona derruba HDL de forma marcante, e alteração de transaminases é silenciosa. "Zero colateral" descreve como você se sentiu, não o que o exame mostraria. @Locemar, uma ressalva à sua frase de que uma vez iniciado o uso de hormônios ele passa a ser contínuo. Como descrição do que acontece, você está certo: ganho que depende de hormônio exógeno não se mantém sem ele. Mas essa constatação costuma ser apresentada como se fosse a natureza das coisas, quando na verdade ela é o melhor argumento para pensar duas vezes antes de começar. Uma coisa é reposição em quem tem deficiência comprovada — aí a continuidade é o tratamento. Outra é alguém com testosterona em 47 ng/dL entrando num protocolo estético e descobrindo depois que a saída custa o que foi ganho. @Andréas_G, o que eu levaria ao consultório: lipidograma completo com HDL, transaminases, hemograma, e a pergunta direta — considerando que minha testosterona estava em 47, o que exatamente estamos repondo? A resposta a essa pergunta organiza todo o resto. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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1º Ciclo Feminino de Oxandrolona com 40 mg por dia é muito forte? Medo dos efeitos colaterais!
Esse tópico tem uma das melhores conversas sobre dieta que já li aqui — o @Locemar montou um esqueleto alimentar decente de graça e ainda revisou ficha de treino. Mas ficaram três coisas para ajustar, e uma pessoa ficou sem resposta. Primeiro a farmacocinética, porque a conta apresentada leva a uma conclusão errada. @Locemar explicou que, com meia-vida de 12 horas, 20 mg caem para 10 mg em 12 horas e para 5 mg em 24 horas, e que ao somar a próxima dose chega-se a 25 mg, com a concentração subindo ao longo dos dias. A meia-vida de eliminação da oxandrolona está descrita em torno de 9,4 a 10,4 horas em adultos jovens — e chega perto de 13 horas em idosos, o que interessa diretamente à @Anna Maria, que aparece mais adiante. Com 10 horas, em 24 horas se passaram quase dois ciclos e meio, e sobra algo em torno de 15% da dose, não 25%. A consequência prática é o oposto da que foi tirada: com dose única diária e meia-vida de 10 horas, o acúmulo é pequeno. Não existe uma concentração que vai subindo por dias até "começar a fazer efeito". O que existe é um pico e uma queda razoavelmente completos dentro de cada 24 horas. Mas repare que a recomendação final estava certa por outro motivo: tomar uma cápsula por dia em vez de duas é melhor, não porque empilha, e sim porque são 20 mg em vez de 40. @Elainelamao, você não precisava ter ficado com medo de "perder efeito" — 20 mg por dia numa mulher de 60 kg é dose que funciona, e era justamente o que você queria. Segundo ponto, e é o que mais circula neste fórum sem base. A ideia de que interromper de forma brusca faz perder os ganhos, e que descer devagar até 0,5 mg em dias alternados preserva tudo. Não há evidência sustentando isso. O que acontece depois de qualquer ciclo é previsível: parte do volume era água e glicogênio intracelular e sai nas primeiras semanas, e a síntese proteica volta ao patamar que a sua fisiologia sustenta. O desmame não muda nenhum dos dois — ele adia. E adiar com dose baixa significa estender o tempo total de exposição a um 17-alfa-alquilado, que é justamente a variável que conta para fígado e para HDL. Sobre o relato da colega que comparou os dois ciclos dela: ele é honesto, mas está confundido. No segundo ciclo ela tinha mais tempo de treino, mais experiência e — como ela mesma escreveu — dieta melhor. Qualquer um dos três explica a diferença tão bem quanto o desmame. É o problema de todo experimento com uma pessoa só e uma variável não controlada. @Anna Maria, agora você, porque a sua mensagem ficou sem resposta e é a que mais precisava de uma. Você tem 54 anos, 60 kg, e está em 40 mg de oxandrolona por dia, depois de três ciclos de 30 dias, usando junto um termogênico. Escreveu que não sentiu efeito colateral ainda. O problema está no "sentir". Os efeitos que importam nessa dose não produzem sensação nenhuma. A oxandrolona derruba HDL de forma marcante — em usuários de musculação foram documentados valores em torno de 24 mg/dL durante o uso, contra referência acima de 40. Alteração de enzimas hepáticas também é silenciosa. Nenhum dos dois avisa. Quando avisam, já não são mais alteração de exame. E na sua faixa etária entram duas coisas a mais. Depois da menopausa, a perda de densidade óssea se acelera, e anabolizante não é tratamento para isso — quem acompanha densidade óssea é o médico, com exame próprio. E a meia-vida da oxandrolona é mais longa em pessoas mais velhas, o que significa exposição maior com a mesma dose. Some a isso a dieta que você descreveu: sem carne, com café da manhã de torrada e queijo, e proteína concentrada só no pós-treino. É pouca proteína para alguém em qualquer ciclo — e proteína insuficiente é exatamente o que faz o ciclo não entregar o que promete. Se você não come carne, o ajuste passa por ovos, laticínios e leguminosas distribuídos ao longo do dia, e vale uma consulta com nutricionista de verdade para montar isso direito. O que eu faria no seu lugar: parar o empilhamento de ciclos de 30 dias, colher lipidograma completo, transaminases, hemograma e glicemia, e levar tudo a um endocrinologista contando o que usou e por quanto tempo. @Leti's Lê, a sua é a mais simples de resolver e ninguém fez a conta com você. Você queria 10 mg por dia. Comprou cápsulas de 5 mg. E escreveu que está tomando 10 mg de 8 em 8 horas — isso são três tomadas de 10 mg, ou seja, 30 mg por dia. Três vezes o que você pretendia, por sete dias. O que você queria é uma cápsula de 5 mg de manhã e outra à noite. Só isso. @Foston respondeu que não há problema em reduzir, e é verdade — vá direto para 10 mg por dia, sem desmame, porque foram só sete dias. E fica o registro de que esse erro é comum e vale conferir sempre: dose por cápsula vezes número de cápsulas vezes número de tomadas. Por último, @Elainelamao, uma coisa que passou batida no seu primeiro post: você escreveu que usou OxyElite. Esse produto foi retirado do mercado após um surto de hepatite aguda grave no Havaí, com dezenas de hospitalizações, transplantes de fígado e um óbito. Se você usou e vai entrar num oral 17-alfa-alquilado agora, com mais razão ainda vale colher transaminases antes de começar. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.