Toda a Atividade
Este fluxo atualiza automaticamente
Última hora
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
-
Hipercalórico com leite integral dá caganeira
@fitness2006, respondendo direto: pode tomar com água sim, não perde eficiência nenhuma. O leite só acrescenta calorias e proteína, ele não ativa nem potencializa nada dentro do hipercalórico. Mas a sua hipótese sobre a causa está errada, e vale desmontar porque é a suspeita que todo mundo levanta. Não é a gordura. Seis gramas de gordura por copo é quantidade trivial, menos do que tem em dois ovos. Ninguém tem diarreia por causa disso. As causas reais são duas, e o bom é que dá para separar uma da outra com um teste caseiro. A primeira é intolerância à lactose. Um copo de leite tem cerca de 10 a 12 gramas de lactose. Se você tomava três shakes por dia, com dois ou três copos em cada, estava ingerindo algo entre 60 e 100 gramas de lactose diárias. Isso derruba quase qualquer pessoa. E aqui vai o dado que surpreende: a deficiência de lactase na vida adulta é a regra na espécie humana, não a exceção. O normal do mamífero é perder a enzima depois do desmame. Quem continua digerindo leite bem na fase adulta é quem tem uma mutação de persistência da lactase, mais comum em descendentes do norte europeu. Na população brasileira, a má absorção de lactose atinge metade ou mais dos adultos. Ou seja, é bem provável que seja o seu caso, e não tem nada de errado com você. O quadro típico é gases, estufamento, cólica e diarreia entre trinta minutos e duas horas depois, que é exatamente o padrão de quem toma shake com leite. A segunda causa é a carga osmótica de carboidrato. Hipercalórico é basicamente maltodextrina e açúcar. Quando você joga 100 ou 150 gramas de carboidrato simples de uma vez, dissolvidos em pouco líquido, essa solução concentrada puxa água para dentro do intestino e gera diarreia osmótica. É o mesmo mecanismo que faz corredor passar mal com gel concentrado. O @fisiculturismo apontou isso, e o @Leandro_Calibrados chegou na solução prática pelo caminho da experiência, que é reduzir a dose por vez. O teste para descobrir qual das duas é a sua: tome o hipercalórico com água, exatamente como você pensou em fazer. Se a diarreia sumir, era a lactose. Se continuar igual, é a carga de carboidrato, e aí a solução é dividir a dose em duas menores e usar mais líquido para deixar a mistura menos concentrada. Um ponto importante para corrigir: @zapatista e @Knjaz, leite desnatado não resolve intolerância à lactose. Desnatado tem a mesma lactose do integral, às vezes até um pouco mais por volume, porque o que se tira é a gordura e a lactose fica intacta. Trocar integral por desnatado só faria sentido se a gordura fosse o problema, e ela não é. O que resolve de verdade, se for lactose e você quiser manter o leite pelas calorias: leite sem lactose, que tem a mesma caloria, a mesma proteína e o mesmo cálcio, só com o açúcar já quebrado pela enzima. Para o seu objetivo, que é ganhar peso, ele é melhor escolha que o desnatado, porque você não perde as calorias da gordura. A outra opção é lactase em cápsula tomada junto. E se for tomar com água mesmo, o sabor fica mais ralo, mas isso se resolve. Se a preocupação é repor as calorias que o leite dava, acrescente ao shake uma colher de pasta de amendoim, aveia ou meio abacate. Nenhum dos três tem lactose e todos são bem mais densos em caloria que o leite. Por fim, uma observação que vale mais que o ajuste do shake: três doses de hipercalórico por dia é caro e quase sempre desnecessário. Hipercalórico é maltodextrina com um pouco de proteína, e você monta o equivalente em casa com leite, aveia, banana, pasta de amendoim e uma dose de whey, por uma fração do preço e com muito menos açúcar de uma vez só. Quem tem intestino sensível costuma tolerar bem melhor a versão caseira justamente por isso.
-
Afinal, creatina engorda?
Respondendo a pergunta do @Verardi: não, creatina não engorda. Isso o pessoal acertou. Mas a segunda parte, que virou consenso no tópico, está errada e vale corrigir, porque é justamente ela que faz muita gente largar a creatina na hora em que ela é mais útil. A ideia de que a creatina "incha" e por isso não serve para quem quer definir não se sustenta. O detalhe que muda tudo é onde a água fica. A retenção provocada pela creatina é intracelular, ou seja, a água entra dentro da fibra muscular, junto com a própria creatina, que é osmoticamente ativa. Isso é diferente de retenção subcutânea, que é a água que se acumula entre a pele e o músculo e é essa sim a que borra o contorno e dá aspecto inchado. Trabalhos que mediram separadamente a água intracelular e a extracelular mostram que a creatina aumenta o compartimento de dentro da célula sem piorar a proporção do compartimento de fora. Traduzindo para o que interessa no espelho: o efeito visual é o oposto do que o tópico descreveu. Músculo com mais água dentro fica mais cheio e mais rígido, não mais liso. Ninguém fica com aparência de gordo por causa de creatina. E, por isso, a recomendação hoje é justamente a inversa da que foi dada aqui: mantenha a creatina durante o período de perda de gordura. É nessa fase, com o déficit calórico batendo, que você mais precisa de algo que preserve força e massa magra. Tirar a creatina no cutting é abrir mão da proteção bem na hora do risco. Sobre o peso na balança, que é de onde nasce a confusão toda: é esperado subir de 1 a 2 quilos nas primeiras semanas. Esse número é maior quando se faz o protocolo de saturação com 20 gramas por dia durante cinco a sete dias, e bem mais discreto quando se usa 3 a 5 gramas por dia direto. Os dois caminhos chegam ao mesmo lugar, a diferença é que o segundo leva cerca de quatro semanas para saturar o músculo, mas sem o salto de peso e sem o desconforto intestinal que a dose alta às vezes causa. Aproveitando, alguns pontos que economizam dinheiro e evitam bobagem: Não precisa ciclar nem fazer pausa. A creatina monoidratada tem décadas de uso e de acompanhamento, e o uso contínuo é seguro em pessoa com função renal normal. Não precisa tomar com carboidrato, nem com suco de uva, nem no pós-treino. Ela funciona por saturação ao longo de semanas, então qualquer horário serve, inclusive em dia sem treino. Aliás, principalmente em dia sem treino, porque o que importa é não falhar. Monoidratada é a forma com evidência. Etil éster, Kre-Alkalyn, cloridrato e as demais versões mais caras nunca demonstraram superioridade, e o etil éster é de fato inferior, porque se degrada em creatinina com mais facilidade. Nem todo mundo responde. Algo entre 20 e 30 por cento das pessoas são pouco responsivas, geralmente porque já têm o estoque muscular alto por comer bastante carne vermelha. Não há o que fazer nesse caso, e não significa que o produto é ruim. E uma informação que evita susto lá na frente: a creatina eleva a creatinina do exame de sangue. É consequência do metabolismo normal dela, não é lesão renal. Se você fizer exame de rotina usando creatina e o resultado vier no limite, avise o médico que está suplementando, porque isso muda a interpretação.
-
É desperdício tomar BCAA junto com Whey?
Respondendo direto a pergunta do @malandvingador: sim, é desperdício. Mas não pelo motivo que você imaginou. Não é que o corpo pare de absorver acima de certa quantidade. É que o whey já é, de longe, a fonte mais rica de BCAA que existe. Os números resolvem a discussão. Cerca de 25 por cento do whey é BCAA. Uma dose de 30 gramas entrega algo entre 6 e 7 gramas de BCAA, dos quais aproximadamente 3 gramas são de leucina. E a leucina é a que importa, porque é ela que dispara a sinalização de síntese proteica, com um limiar em torno de 2 a 3 gramas por refeição. Ou seja, quando você termina o shake, o gatilho já foi puxado. As cápsulas tomadas junto chegam para acionar um interruptor que já está ligado. Agora sobre a discussão mais interessante do tópico, entre o @Reinaldo.Gomes e o @Heraldo Costa, sobre se o BCAA da proteína completa tem o mesmo efeito do BCAA isolado. Em 2011 isso era hipótese em aberto, e a ideia de que o isolado teria efeito próprio era defendida com seriedade. Ela envelheceu mal, e hoje sabemos que o resultado é o inverso do que se pensava. Quando se comparam os dois diretamente, medindo síntese proteica muscular, a proteína completa vence com folga. O BCAA isolado eleva a síntese em torno de 20 por cento acima do basal, enquanto uma dose equivalente de whey eleva algo perto de 50 a 60 por cento. E o mecanismo é elegante. Para construir tecido muscular você precisa dos nove aminoácidos essenciais, não de três. A leucina manda a fábrica acelerar, mas se os outros seis não chegarem, não há matéria-prima para montar nada. Tomar BCAA isolado é acelerar a linha de montagem sem entregar as peças. O corpo acaba tendo que canibalizar proteína de outros tecidos para completar a receita, o que anula boa parte do objetivo. Ou seja, @Heraldo Costa, a sua posição estava mais próxima do que se confirmou depois. A leucina do frango e do whey conta, e conta melhor. Tem um detalhe extra que praticamente ninguém sabe e que joga mais contra a cápsula. Leucina, isoleucina e valina competem pelo mesmo transportador para entrar na célula. Então, na proporção clássica de dois para um para um, a valina e a isoleucina atrapalham um pouco a entrada da própria leucina. Na prática, leucina sozinha eleva mais a leucina plasmática que o BCAA completo na mesma dose. O @maxalain chegou perto disso ao sugerir comprar leucina em pó em vez do BCAA, e estava certo na lógica de custo. Hoje eu diria que nem isso é necessário para quem come bem. Vale fazer a conta do @japo., porque ela é didática. Doze cápsulas daquele produto entregam cerca de 10 gramas de BCAA. Cento e cinquenta gramas de peito de frango entregam cerca de 6 gramas, e custam uma fração disso. Uma dose de whey entrega outros 6 ou 7. Quem come três refeições com proteína e toma um shake já passa de 20 gramas de BCAA por dia sem comprar cápsula nenhuma. @noveneno, respondendo sua pergunta sobre colateral: BCAA em dose alta não é tóxico. O efeito indesejado real é outro, e é financeiro. Existe também um detalhe fisiológico curioso, que é a competição com o triptofano pelo transporte para o cérebro, mas isso não tem consequência prática relevante na dose que se usa em academia. Resumindo a recomendação de hoje, que é bem mais simples do que esse tópico inteiro: se a sua ingestão total de proteína está adequada, entre 1,6 e 2,2 gramas por quilo, BCAA em cápsula não acrescenta nada mensurável. Nem em ganho de massa, nem em recuperação, nem em redução de dor muscular. O dinheiro do pote rende muito mais em whey, ovo ou carne. E se alguém realmente precisar de algo isolado por alguma razão específica, como treinar em jejum sem poder comer antes, a escolha melhor é um composto de aminoácidos essenciais completos, e não só os três.
-
Malhar não atrapalha o crescimento de adolescentes. Opinem
Vou fechar esse assunto com o que se sabe hoje, porque a dúvida continua chegando aqui pela busca e a resposta é bem estabelecida: musculação não atrapalha o crescimento. Esse mito tem origem conhecida. Ele vem de observações antigas em crianças submetidas a trabalho braçal pesado, em jornadas longas e com desnutrição, somadas ao medo de lesão na placa de crescimento. A extrapolação foi indevida. Carregar peso dez horas por dia, malnutrido, não é a mesma coisa que treinar com carga de forma programada três vezes por semana. Hoje as principais sociedades de pediatria e de medicina do esporte não apenas consideram o treino de força seguro para crianças e adolescentes, como o recomendam, desde que haja orientação e técnica. O mecanismo explica bem por que não existe esse risco. A estatura final é determinada pelo momento em que as placas de crescimento, as cartilagens nas extremidades dos ossos longos, se fecham. E quem comanda esse fechamento é hormônio, não carga mecânica. O principal responsável é o estradiol, inclusive no homem, formado a partir da aromatização da testosterona. Peso na barra não tem como fechar placa de crescimento. Na verdade o efeito é o oposto. Carga mecânica é o principal estímulo para mineralização óssea, e a adolescência é a janela mais importante da vida para construir pico de massa óssea, algo que protege contra fratura e osteoporose décadas depois. Um adolescente que treina com carga está investindo no esqueleto, não prejudicando. O risco real existe, mas é outro: fratura da placa epifisária por trauma agudo, que acontece com queda de barra, carga descontrolada ou execução ruim. E, quando se mede a incidência, ela é menor no treino de força supervisionado do que em futebol, basquete, skate e ciclismo. Ninguém proíbe adolescente de jogar bola por causa disso. @gabows888, respondendo direto sobre o seu instrutor: a restrição ao supino com barra não se justifica por crescimento. Existe um argumento legítimo para adiar esse exercício, mas é outro, e é sobre segurança. A barra exige estabilização dos dois lados ao mesmo tempo e é o exercício com maior potencial de acidente grave quando falha sem alguém observando. Máquina e peck deck evitam esse risco mecânico. Só que eles não protegem placa de crescimento nenhuma, e sua evolução não está sendo prejudicada por usá-los. Sobre o relato de quem começou a treinar e parou de crescer, tanto o @Night_Wolf quanto o strong_mouse descreveram a mesma armadilha de raciocínio. As pessoas começam a treinar justamente na adolescência mais tardia, que é quando o estirão já aconteceu e as placas estão fechando. A musculação chega no fim da festa e leva a culpa pelo que já estava acontecendo. É coincidência de calendário, não causa. E os dois acabaram apontando o preditor certo sem perceber, que é a altura dos pais. Existe uma conta simples de estatura-alvo familiar. Para menino, some a altura do pai com a da mãe, acrescente 13 centímetros e divida por dois. Para menina, subtraia 13 em vez de somar. O resultado tem uma margem de cerca de 8 centímetros para mais ou para menos. E o @bernardoz está certo ao lembrar dos avós, porque a herança é poligênica e existe regressão à média, o que explica o filho bem mais alto que os pais. Agora a parte mais importante do tópico, e que ficou sem resposta lá em 2005. @GBGaDRiaNo perguntou se conseguiria ganhar altura ciclando com GH, mencionando que já tinha usado durateston e hemogenin aos 17 anos. Para quem chegar aqui hoje com a mesma dúvida, a resposta é a seguinte. GH só aumenta estatura se as placas de crescimento ainda estiverem abertas, e isso não se adivinha, se mede: com radiografia de mão e punho esquerdos para determinar a idade óssea. Se as placas já fecharam, nenhuma dose de GH acrescenta um centímetro. O que ele faz a partir daí é engrossar ossos das extremidades e tecidos moles, e não é isso que se quer. E existe uma ironia cruel nessa pergunta que precisa ser dita com clareza. Usar testosterona e oximetolona na adolescência é justamente o que mais acelera o fechamento das placas de crescimento. A testosterona aromatiza em estradiol, e o estradiol é o hormônio que fecha a epífise. Quem cicla antes de terminar de crescer pode encerrar o próprio crescimento mais cedo e perder altura definitiva. É provavelmente o único cenário em que anabolizante realmente prejudica a estatura, e é exatamente o oposto do que se pretendia. Quem estiver nessa situação faz a coisa certa procurando endocrinologista, e o mais importante é contar a verdade sobre o que usou. Sem essa informação o médico pede os exames errados. O básico ali é idade óssea, IGF-1 e avaliação do eixo do crescimento. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
Hoje
-
M-DROL - estou com um colateral [sensibilidade no mamilo]
Esse tópico virou referência sobre M-Drol e ginecomastia, então vale corrigir um ponto central dele, porque quem chega aqui pelo Google vai tomar decisão com base no que está escrito. E o mecanismo que foi dado está errado. @ninga, a ginecomastia do M-Drol não é prolactinêmica. O M-Drol é metildrostanolona, derivada da di-hidrotestosterona. Ela não aromatiza, ou seja, não vira estrogênio, e também não tem atividade progestagênica como a nandrolona e a trembolona têm. Não existe via pela qual ela eleve prolactina de forma relevante. Consequência prática, e essa é a parte que dói: cabergolina não era o medicamento indicado nesse caso. Cabergolina trata hiperprolactinemia. Sem prolactina alta comprovada em exame, ela não resolve ginecomastia. @WEBIER quase gastou 280 reais num remédio que não atacaria o problema dele. Então o que causou? O rebote pós-ciclo. E o próprio relato confirma isso. Durante o uso, o composto suprime a produção própria de testosterona. Quando o ciclo termina sem TPC, a testosterona fica no chão enquanto o estrogênio volta ao normal ou sobe relativamente. O que dispara a proliferação do tecido mamário não é o estrogênio alto em termos absolutos, é a razão entre estrogênio e androgênio ficar desfavorável. Por isso o sintoma apareceu dois meses depois de terminar o ciclo, e não durante ele. Esse atraso é a assinatura do rebote. E é por isso que o medicamento certo aqui é modulador seletivo do receptor de estrogênio, que ocupa o receptor no tecido mamário e bloqueia o sinal. Entre clomifeno e tamoxifeno, o tamoxifeno é bem superior nessa indicação específica, tem afinidade maior pelo receptor mamário e é o que tem uso consagrado em ginecomastia. Respondendo direto a pergunta original do tópico: tamoxifeno, não clomid. E tem outro detalhe no relato que explica a recaída. Dez comprimidos, um por dia, não é tratamento, é uma amostra. A sensibilidade caiu 80 por cento e voltou porque o remédio acabou antes de o tecido regredir. Tratamento de ginecomastia se conta em semanas a meses, com reavaliação. Sobre a urgência, o @ippo estava certo e vale explicar por quê. A ginecomastia tem duas fases. Nos primeiros seis a doze meses ela é florida, com tecido glandular ativo e inflamado, e é justamente nessa janela que responde a tratamento clínico. Depois disso o tecido sofre fibrose e vira colágeno denso, e aí não há medicamento que desfaça. Só cirurgia. Ou seja, "quanto mais você demora, mais difícil reverter" não é força de expressão, é a história natural da doença. Agora um ponto que ninguém levantou e que eu não deixaria passar, porque envolve o caroço unilateral. Ginecomastia verdadeira é um disco de tecido firme, centrado atrás do mamilo, mais ou menos simétrico em relação a ele, móvel e doloroso à palpação. Existem achados que fogem desse padrão e que pedem avaliação sem demora: nódulo duro, deslocado para o lado em vez de centrado no mamilo, aderido à pele ou ao músculo, retração ou covinha na pele, secreção pelo mamilo, principalmente se for sanguinolenta, e gânglio palpável na axila. Câncer de mama em homem é raro, mas existe, e o padrão típico dele é exatamente esse: unilateral e excêntrico. Não estou dizendo que era o caso, estou dizendo que caroço unilateral merece exame físico de médico e ultrassom, não palpação própria e palpite de fórum. Sobre as cabeçadas do filho, o @Fernando Bull acertou. Trauma pode causar hematoma ou um nódulo de gordura endurecida, mas não produz proliferação glandular. E a cronologia aqui fala por si: o ciclo foi feito sem TPC, a sensibilidade apareceu dois meses depois e o caroço veio na sequência. Trauma seria uma coincidência conveniente demais. Os exames que fecham o diagnóstico, todos em uma coleta só: estradiol, testosterona total e livre, LH, FSH, prolactina, TSH, além de função hepática e renal. Vale incluir beta-HCG, porque alguns tumores testiculares produzem esse hormônio e causam ginecomastia, e essa é uma causa que não pode passar batido em homem jovem. Junte ultrassom de mama bilateral, que também separa ginecomastia verdadeira de pseudoginecomastia, que é só gordura. Para quem está lendo antes de começar, a lição prática em uma frase: pró-hormonal oral suprime o eixo do mesmo jeito que injetável suprime, e é justamente na saída, com o androgênio no chão, que a mama fica vulnerável. O SERM na TPC não é enfeite, é o que cobre essa janela. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
-
Emagrecimento e sobra de pele
@Medo_do_Cruise, existe sim o que fazer, e a boa notícia é que a maior parte disso está sob o seu controle. Mas começo pelo mais importante: não freie o emagrecimento por medo de sobra de pele. O ganho de saúde ao sair de 125 kg é incomparavelmente maior do que qualquer flacidez, e flacidez tem solução, enquanto as consequências da obesidade prolongada nem sempre. O que determina quanta pele vai sobrar são basicamente cinco coisas: o total de peso perdido, quanto tempo você passou no peso mais alto, a sua idade, a genética do seu tecido conjuntivo e se você fuma. As três primeiras você não muda. As duas últimas, parcialmente. O que efetivamente ajuda: Velocidade moderada de perda. A pele tem capacidade de retração, mas ela depende de remodelamento da derme, que é um processo lento. Perder muito rápido não dá tempo a esse processo. Na sua faixa de peso, algo entre 800 gramas e 1 kg por semana é o ponto em que a gordura sai e a pele acompanha melhor. Construir músculo. Esse é de longe o fator com maior impacto visual e o mais negligenciado. Boa parte do que as pessoas chamam de sobra de pele é, na verdade, falta de volume por baixo. Músculo preenche, e a pele que sobrava passa a ter o que revestir. É especialmente verdadeiro justamente onde você mencionou, na parte superior da coxa, porque quadríceps e adutores respondem muito bem a treino pesado. Por isso, treino de força não é opcional no seu caso, é parte do tratamento. Tempo. A retração da pele continua acontecendo por doze a vinte e quatro meses depois que o peso estabiliza. Esse dado é importante porque muita gente olha o resultado três meses depois de atingir a meta, se assusta e marca cirurgia. Aos doze meses, o mesmo corpo está visivelmente melhor. Não julgue nada antes disso. Proteína suficiente, na faixa de 1,8 a 2 g por quilo, vitamina C adequada, já que ela é cofator obrigatório na síntese de colágeno, hidratação e sono. E não fumar, porque o cigarro compromete diretamente colágeno e elastina e é um dos piores fatores para qualidade de pele. Sobre o que não funciona, para você não gastar dinheiro à toa: creme nenhum retrai pele. Massagem e drenagem não retraem pele. Os procedimentos de radiofrequência e ultrassom microfocado têm algum efeito documentado, mas modesto, e servem para flacidez leve. Em quem perdeu 30 ou 40 kg, eles não substituem cirurgia. Quem promete o contrário está vendendo. Agora, uma expectativa realista para o seu caso. Você saiu de 125 kg e está em 109,5. Com 1,85 m, se a meta for algo em torno de 85 a 90 kg, serão 35 a 40 kg perdidos no total. Nessa magnitude, alguma sobra é provável. Por outro lado, você mesmo disse que nem no pico o abdômen formava aquela dobra caindo por cima da calça, e isso é um bom indicador, sugere pele com boa elasticidade e distribuição de gordura mais visceral do que subcutânea. O prognóstico é melhor do que o seu receio. Sobre a cirurgia, já que você tocou no assunto, duas informações honestas. A abdominoplastia realmente deixa cicatriz longa, mas ela é posicionada na linha da roupa íntima e fica escondida, o que é bem diferente de uma cesariana em termos de visibilidade. Já a cirurgia de coxa, a dermolipectomia crural, é uma história diferente e vale você saber: ela tem a cicatriz mais problemática de todas as cirurgias pós-bariátrica ou pós-emagrecimento, fica na face interna da coxa, em região de atrito e umidade, e tem a maior taxa de complicação de cicatrização do grupo. É justamente por isso que essa é a última que se indica, e só quando o incômodo funcional é grande. Resumindo o caminho: continue perdendo, mas a 1 kg por semana e não mais, treine pesado com foco em construir massa, mantenha proteína alta, e espere pelo menos um ano de peso estável antes de sequer conversar sobre cirurgia. Na maioria dos casos, o que parecia que ia precisar de faca resolve com músculo e tempo. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
-
Iniciando um ciclo de Boldenona
@Levin, respondendo a sua pergunta e também a do @DiegoTK, porque os dois planos têm o mesmo problema de estrutura. O ponto principal: em ambos os casos a testosterona ficou como coadjuvante. Você propôs 400 mg de boldenona com 200 mg de propionato, ou seja, o composto secundário em dose dobrada em relação à base. E o @DiegoTK propôs 400 a 500 mg de cada, o que soma 800 a 1000 mg semanais em um primeiro ciclo, que é dose de usuário avançado, não de iniciante. Para um primeiro ciclo, o protocolo com melhor relação entre risco e retorno é testosterona sozinha, num éster único, entre 300 e 500 mg por semana, por doze semanas. E a razão não é conservadorismo, é aprendizado. Usando um composto só, quando aparecer qualquer coisa, acne, pressão alterada, hematócrito subindo, oscilação de humor, você sabe exatamente de onde veio e em qual dose. Com dois compostos juntos logo de cara, você fica sem saber o que ajustar, e a única saída acaba sendo parar tudo. Essa informação sobre o próprio corpo vale mais do que os poucos quilos a mais que a segunda droga entregaria. Sobre a boldenona especificamente, dois pontos que decidem o planejamento. Primeiro, o éster. Boldenona é undecilenato, um dos ésteres mais longos que existem, com meia-vida de cerca de duas semanas. Isso significa que ela leva de seis a oito semanas só para atingir concentração estável. Num ciclo de doze semanas, você passaria mais da metade dele com o nível ainda subindo. É por isso que quem usa boldenona trabalha com ciclos de dezesseis a vinte semanas. Em doze semanas você paga o preço da supressão sem colher a maior parte do efeito. E ela permanece detectável por muitos meses, o que importa para quem faz qualquer exame antidoping. Segundo, o colateral característico dela: aumento importante do hematócrito. Boldenona é conhecida por estimular a produção de glóbulos vermelhos mais que a maioria dos outros compostos. Sangue mais espesso significa mais risco trombótico, pressão mais alta e dor de cabeça. Na prática isso quer dizer hemograma obrigatório antes, no meio e no fim, e doação de sangue como conduta se o hematócrito subir demais. Outro relato comum é aumento de ansiedade, que varia bastante de pessoa para pessoa. Sobre o propionato, ele tem meia-vida de menos de um dia. Para manter nível estável, precisa ser aplicado em dias alternados ou até diariamente, e é reconhecidamente o éster de testosterona que mais dói no local da aplicação. Para um primeiro ciclo, enantato ou cipionato aplicados duas vezes por semana entregam o mesmo resultado com muito menos agulhada e muito menos incômodo. Agora, olhando os seus números, @Levin. Com 1,70 m, 71 a 72 kg e 16 a 18 por cento de gordura, você tem cerca de 59 kg de massa magra. Com quatro anos de treino, isso é razoável, mas está longe do teto natural para a sua estrutura. E entrar em bulking partindo de 18 por cento significa terminar o ciclo em torno de 23 a 25 por cento, com boa parte do ganho aparecendo como gordura e água. Se o objetivo é resultado visível, eu passaria alguns meses reduzindo para a faixa de 12 por cento antes de começar. Você chegaria mais leve, o ciclo renderia melhor, e o resultado final seria bem mais evidente. O mínimo de exames, independentemente do que você decidir: antes, hemograma completo, perfil lipídico, glicemia e hemoglobina glicada, TGO, TGP, gama GT, creatinina e ureia, testosterona total e livre, LH, FSH, estradiol, além da pressão arterial aferida em casa por alguns dias. Repita o hemograma e a pressão no meio do ciclo, porque é o hematócrito que mais costuma sair do lugar. E planeje a TPC com modulador seletivo do receptor de estrogênio antes de aplicar a primeira dose, começando de acordo com o éster mais longo que você usou. Com boldenona, isso significa esperar bem mais tempo depois da última aplicação do que a maioria das tabelas de internet sugere. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
-
TPC ideal para um ciclo com Primobolan + Oxandrolona
Tem uma premissa errada logo no começo desse tópico que precisa ser corrigida, porque ela muda a resposta inteira. @Micael Silva, a afirmação de que nada desse protocolo vai suprimir o eixo não se sustenta. Qualquer androgênio exógeno em dose acima da fisiológica faz feedback negativo no hipotálamo e na hipófise, derrubando LH e FSH. Isso vale para primobolan e vale também para a oxandrolona, que tem supressão documentada e nada desprezível mesmo em doses moderadas, apesar da fama de composto leve. Somando 300 mg semanais de metenolona, 30 mg diários de oxandrolona e ainda testosterona em gel por cima, @ferrazarantes vai terminar seis semanas com LH e FSH no chão. A questão não é se haverá supressão, é o tamanho dela. Sobre o debate do HCG, os dois lados estão capturando metade da coisa. O HCG é um análogo do LH e age diretamente no testículo, não na hipófise. Ou seja, ele não recupera o eixo, ele substitui o sinal que o eixo deixou de mandar. Por isso o lugar natural dele é durante o ciclo, para manter a função e o volume testicular, e não depois. Usado por tempo prolongado, ele inclusive suprime mais ainda o LH próprio, porque o testículo continua produzindo testosterona e o feedback negativo segue ativo. E a ideia de que HCG é coisa de deca e trembolona é folclore antigo. O critério não é qual composto, é quanto tempo e quão profunda foi a supressão. Ciclo curto, de seis a oito semanas, na maioria das vezes não precisa. Ciclos longos, encadeados ou com anos de uso, é outra conversa. Sobre a TPC em si, o que funciona é modulador seletivo do receptor de estrogênio, tamoxifeno ou clomifeno. @Arnaldo Santos, sobre o resto da lista, vou ser direto: tribulus, ZMA e vitaminas C, D e E não recuperam eixo, não elevam LH e não fazem parte de TPC. Podem ser mantidos como suplemento se a pessoa gosta, mas não contam como tratamento. O detalhe que mais decide o sucesso da TPC é o momento de começar, e ele depende do éster de cada coisa. O gel de testosterona sai do organismo em um ou dois dias. A oxandrolona, com meia-vida de cerca de nove horas, sai em menos de um dia. O primobolan injetável é enantato de metenolona, com éster longo e meia-vida em torno de dez dias, então ele ainda estará circulando por semanas. Começar SERM enquanto há androgênio exógeno alto no sangue é desperdiçar o medicamento, porque a supressão continua vindo do que está no seu sangue. Com primobolan enantato, o razoável é iniciar de duas a três semanas após a última aplicação. @ferrazarantes, duas observações sobre o plano. Seis semanas com um éster longo é curto demais, o @Micael Silva tem razão nisso. O primobolan enantato leva de quatro a cinco semanas só para atingir concentração estável, ou seja, o ciclo terminaria quando ele estivesse começando a funcionar direito. Se for a versão oral, acetato de metenolona, o raciocínio é outro. Vale confirmar qual é. E colha exames antes e depois: LH, FSH, testosterona total e livre, estradiol, perfil lipídico completo e função hepática, com a segunda coleta de quatro a seis semanas depois de terminar a TPC. Sem isso não há como saber se recuperou. @Reno, o seu caso é diferente e merece resposta própria, porque a esteatose hepática muda tudo. Você está certo em um ponto: primobolan e masteron injetáveis não são 17 alfa alquilados, então não têm a hepatotoxicidade colestática típica dos orais. Nesse quesito, são de fato mais tranquilos para o fígado. Só que existe um caminho indireto que você não considerou, e é justamente o que importa no seu caso. A esteatose hepática não alcoólica é dirigida por resistência à insulina e por alteração do metabolismo lipídico. E os anabolizantes, principalmente os derivados de DHT como o masteron, derrubam o HDL de forma acentuada, elevam o LDL e pioram a sensibilidade à insulina. Ou seja, eles não agridem o hepatócito diretamente, mas alimentam exatamente os dois mecanismos que produzem e mantêm a esteatose. Escolher um composto que não é hepatotóxico e piorar o motor da doença é um ganho só aparente. O que reverte esteatose, com evidência sólida, é perda de peso. Uma redução de 7 a 10 por cento do peso corporal melhora a esteatose na maior parte dos casos e pode reverter inflamação. Treino de força e aeróbico ajudam mesmo sem perda de peso, e cortar álcool, refrigerante e frutose líquida tem efeito direto. Esse é o tratamento, e o resultado é muito maior que o de qualquer ciclo. E tem uma pergunta anterior no seu caso. Aos 49 anos, antes de pensar em ciclo com TPC, o exame a fazer é dosar testosterona total e livre, em duas coletas matinais, junto com LH, FSH, estradiol, glicemia, hemoglobina glicada, perfil lipídico, TGO, TGP, gama GT e hemograma. Se aparecer hipogonadismo real, com sintomas e confirmado, a conversa deixa de ser sobre ciclo e TPC e passa a ser sobre reposição acompanhada por endocrinologista. Reposição é contínua e não tem TPC. São caminhos completamente diferentes, e escolher errado nessa bifurcação custa caro. E vale lembrar que com dois anos de treino ainda há bastante a ganhar sem nada disso. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
-
Uso de banda elástica no Leg Press.
@marcus_poly, sua desconfiança está certa, e o correto é acima dos joelhos. O @Locemar descreveu bem a parte do torque. Colocando o elástico mais distal, você aumenta a distância até o eixo do quadril e portanto exige mais dos abdutores. Isso é verdade. O problema é o preço que se paga por esse ganho, e é exatamente o que você intuiu. Analisando o vetor: o elástico puxa os segmentos para dentro. Quando ele está na coxa distal, logo acima da patela, essa força atua sobre o fêmur, ou seja, num ponto proximal ao joelho. O momento gerado atravessa o quadril e praticamente não cria cisalhamento na articulação do joelho, porque joelho e ponto de aplicação se deslocam juntos. Quando o elástico está na tíbia proximal, a força medial passa a ser aplicada abaixo da interlinha articular. Agora fêmur e tíbia são puxados em pontos diferentes e em condições diferentes, e a resultante no joelho é um momento em valgo. Quem resiste a isso é o ligamento colateral medial, com participação do cruzado anterior no controle rotacional. Ou seja, você está aplicando carga justamente no vetor de lesão mais clássico do joelho. E isso fica pior no leg press por causa da cadeia cinética fechada. O pé está travado na plataforma, então ele não pode acompanhar o movimento. O joelho vira o elo intermediário obrigado a absorver o desvio, e a carga da máquina está em cima disso tudo. Tem também uma ironia no uso. O elástico no leg press normalmente é colocado para ativar glúteo médio e treinar o controle contra o valgo dinâmico. Posicionado abaixo do joelho, ele passa a impor à articulação exatamente o valgo que se pretendia treinar para resistir. O objetivo e o efeito ficam invertidos. Um detalhe prático a mais: a tíbia proximal na face lateral é onde fica a cabeça da fíbula, e o nervo fibular comum passa contornando esse ponto, bem superficial. Elástico apertado ali, mantido por várias séries, é uma causa conhecida de formigamento e dormência na lateral da perna e no dorso do pé. Além disso, nessa região o elástico tende a escorregar durante o movimento, e ajustar no meio da série é a receita para perder posição sob carga. Então, respondendo direto: acima dos joelhos, na porção distal das coxas, logo acima da patela. Se quiser mais resistência abdutora, aumente a força do elástico, dê mais voltas ou use um elástico mais curto. Não desça a posição, porque isso não é progressão de carga, é troca de resistência muscular por estresse ligamentar. E em quem tem histórico de entorse, lesão de colateral medial, reconstrução de cruzado anterior ou valgo dinâmico evidente na agachamento, eu evitaria a versão distal de forma categórica.
-
OXANDROLONA: Comprimido ou manipulado?
@Estelamelo, a explicação técnica de por que manipulado costuma dar problema com oxandrolona vale a pena, porque não é preconceito com farmácia de manipulação, é um problema real de processo. Oxandrolona é dosada em miligramas, normalmente 10 ou 20 por cápsula, dentro de uma cápsula que carrega algumas centenas de miligramas de excipiente. Ou seja, o princípio ativo é uma fração pequena do conteúdo. Para que todas as cápsulas do lote tenham a mesma dose, a mistura precisa ser feita por diluição geométrica, em etapas, com equipamento e controle adequados. Quando isso é feito às pressas ou sem processo validado, a distribuição fica desigual e você acaba com cápsulas de 3 mg e cápsulas de 30 mg no mesmo pote. Acrescente a isso a matéria-prima, que é cara e de procedência muitas vezes incerta, e você tem exatamente o padrão que o pessoal do fórum relata. Sobre a suspeita de substituição por outro composto, o raciocínio que apareceu acima faz sentido e tem um sinal prático. Se aparecerem colaterais androgênicos fortes e rápidos, como acne intensa, pelos e principalmente mudança de voz, com uma dose que deveria ser baixa, isso sugere que o conteúdo não é oxandrolona. O substituto habitual é stanozolol, que custa uma fração do preço e é muito mais androgênico. E aqui vale insistir: mudança de voz e aumento do clitóris costumam ser permanentes. Não são colaterais que você observa para ver no que dá. Agora uma ressalva que eu acho importante fazer, com todo respeito a quem respondeu antes. Comparar um laboratório desse mercado com Bayer ou Medley não é equivalente. Indústria farmacêutica registrada opera sob inspeção sanitária, com controle de qualidade auditado lote a lote. Laboratórios do circuito veterinário ou paralelo não têm esse tipo de fiscalização para essa finalidade, mesmo sendo mais consistentes que manipulação de fundo de quintal. E "fornecedor oficial" não muda isso, porque rótulo e embalagem são justamente a parte mais fácil de copiar. Se a marca tiver sistema próprio de autenticação, use. Mas a escala continua sendo "menos ruim", não "garantido". O único jeito objetivo de saber o que está dentro do pote é análise laboratorial por cromatografia. Existe quem faça isso no Brasil com amostra enviada pelo usuário. Tudo que não passa por aí é inferência. Dito isso, tem uma pergunta anterior a essa que eu faria no seu lugar. Escolher entre manipulado e comprimido pressupõe que a decisão de usar já está tomada, e como você é mulher, alguns pontos precisam estar claros antes: Oxandrolona é realmente o composto mais usado em mulher, porque tem a razão entre efeito anabólico e efeito androgênico mais favorável do grupo. Isso é verdade. Mas favorável não quer dizer seguro: ela viriliza sim conforme a dose sobe e o tempo se estende, e o limiar é individual e imprevisível. Ela é oral 17 alfa alquilado, o que significa hepatotoxicidade e um impacto severo no colesterol. A queda de HDL com orais desse grupo é rápida e acentuada, e isso importa mesmo em mulher jovem e saudável. Não existe protetor hepático que resolva isso. O que controla é dose baixa, tempo curto e exame. O mínimo antes de começar, e repetido durante: TGO, TGP, gama GT, fosfatase alcalina, bilirrubinas, perfil lipídico completo, hemograma e pressão arterial aferida. Se estiver em uso de anticoncepcional, vale conversar com a ginecologista, porque a combinação muda o perfil de risco. E uma dica prática para monitorar o que mais importa: grave sua voz lendo o mesmo texto uma vez por mês. Alteração de voz é gradual e a própria pessoa é sempre a última a notar. A gravação comparada denuncia cedo, e cedo é quando ainda dá para reverter. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
-
Androgel ajudaria no meu perfil?
@FranGrupioni, o @Obliterado resumiu em cinco palavras e ele está certo. Vale colocar número nisso, porque o número explica melhor que o aviso. Androgel é gel de testosterona formulado para homem com deficiência. Uma aplicação padrão entrega 50 mg de testosterona na pele, dos quais cerca de 10 por cento são absorvidos, algo perto de 5 mg por dia chegando à circulação. A produção diária normal de uma mulher fica entre 0,1 e 0,4 mg. Ou seja, mesmo um quarto de sachê já coloca você muitas vezes acima da sua própria produção. Não existe forma confiável de fracionar gel de bisnaga ou de sachê para chegar perto de uma dose feminina, e é exatamente por isso que ele viriliza tão rápido. Os efeitos que preocupam, e a diferença entre eles: acne, pele oleosa, aumento de pelos e alteração menstrual normalmente regridem depois da suspensão. Engrossamento da voz e aumento do clitóris frequentemente não regridem. A alteração da laringe em especial tende a ser definitiva, e quanto mais tempo a pessoa continua depois do primeiro sinal, menor a chance de voltar. Rouquidão que não passa em poucos dias é o sinal para interromper na hora, sem esperar para ver no que dá. E existe um risco específico do gel que quase ninguém comenta, porque ele não existe nas outras vias: a transferência por contato de pele. Há casos documentados de virilização em crianças e em parceiros que encostaram na região de aplicação de quem usa. Isso obriga a cuidados que na prática ninguém mantém por muito tempo, como cobrir a área, lavar as mãos sempre e evitar contato até a secagem completa. É um problema que o gel cria e a injeção não. Agora, sendo justo com o tema em vez de só alarmar: testosterona funciona para hipertrofia em mulher, isso é fato e não adianta fingir o contrário. O problema é a razão entre o ganho e o risco. A dose que produz ganho visível em mulher fica próxima ou acima do limiar em que a virilização começa, e esse limiar é individual e não dá para prever. Em homem, se o colateral aparece, quase tudo volta. Em mulher, parte não volta. É por isso que a mesma conta dá resultados diferentes nos dois casos. Se o seu objetivo é hipertrofia e você quer discutir isso com seriedade, três observações que valem mais do que a escolha do composto. Primeiro, olhando a divisão que você postou: quadríceps na segunda, costas e bíceps na terça, posterior na quinta e ombro, peito e tríceps na sexta. Você tem dois dias de perna e, para todo o membro superior de empurrar, um único dia, dividido entre três grupos. Se hipertrofia é a meta, esse é o buraco mais evidente. Com cinco dias, eu trocaria um dos dias de cardio por um segundo dia de superior, ou reorganizaria em superior e inferior alternados, para cada grupo ser treinado duas vezes por semana. Segundo, você já tem nutricionista esportivo acompanhando, o que é uma vantagem real. Vale confirmar com ele se a dieta está de fato em superávit calórico e qual é a taxa de ganho esperada por semana, porque dieta "focada em ganho" às vezes não passa de manutenção bem montada. Sem superávit não há hipertrofia, com ou sem hormônio. Terceiro, o teto natural de uma mulher treinando sério é bem mais alto do que se imagina, e leva anos para ser alcançado. Vale saber onde você está nessa curva antes de aceitar os riscos da outra estratégia. E se ainda assim você decidir seguir por esse caminho, o mínimo aceitável é: acompanhamento médico de verdade, exames basais de testosterona total e livre, SHBG, estradiol, hemograma, perfil lipídico e enzimas hepáticas, repetidos ao longo do uso, e um acompanhamento objetivo dos sinais precoces. Uma dica prática para isso: grave sua voz lendo o mesmo texto uma vez por mês. Mudança de voz é gradual e a própria pessoa é a última a perceber, enquanto a gravação comparada denuncia cedo. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
-
Meia vida de drogas
Discussão boa, e ela tem resposta objetiva na farmacocinética. Vou ficar só na parte técnica. Primeiro, o número de partida. O enantato de testosterona tem meia-vida de eliminação em torno de quatro dias e meio, não de nove. O @Foston está certo nesse ponto. Nove dias costuma vir de tabelas que misturam meia-vida com duração de efeito percebido, ou que confundem enantato com cipionato, que é um pouco mais longo, ou com o undecanoato, que é muito mais longo, na casa de um mês. A partir daí, a regra vale para qualquer medicamento e não depende de opinião: a flutuação entre o pico e o vale, em estado estacionário, é determinada pela razão entre o intervalo de aplicação e a meia-vida. Quando o intervalo é igual à meia-vida, a concentração cai pela metade entre uma dose e outra, ou seja, o pico é o dobro do vale. Quando o intervalo é maior que a meia-vida, essa diferença aumenta. Quando é menor, diminui. Aplicando ao caso concreto de 500 mg semanais de enantato: em dose única semanal, o intervalo de sete dias é cerca de uma vez e meia a meia-vida, então a oscilação fica um pouco acima de dois para um. Dividindo em duas aplicações de 250 mg a cada três dias e meio, o intervalo passa a ser menor que a meia-vida e a oscilação cai para algo perto de um e meio para um. Ou seja, a divisão realmente reduz a variação. Não elimina, e o @Apollo Galeno está certo ao dizer que oscilação sempre vai existir, mas reduz de forma mensurável. Vale a ressalva de que "os níveis estarão lá embaixo no dia cinco" é forte demais. Depois que o estado estacionário é atingido, o que leva de quatro a cinco meias-vidas, cerca de três semanas com enantato, o vale de um esquema semanal fica em torno de metade do pico, e não no chão. A diferença é real, mas não é um despencar. Por que isso importa na prática, e não é só estética de gráfico: as enzimas que convertem testosterona em estradiol e em DHT não estão saturadas nessa faixa, então a conversão acompanha aproximadamente a concentração. Picos altos significam mais aromatização naquele momento. E vales significam sintomas de queda, que é o que muita gente descreve como os dois dias ruins antes da próxima aplicação. Reduzir a amplitude tende a suavizar as duas pontas. Para ésteres curtos a conversa nem existe. Propionato tem meia-vida de menos de um dia, então aplicação em dias alternados ou diária não é preferência, é necessidade. Vale reconhecer também o ponto por trás do argumento do @Obliterado, porque ele não é bobagem. A literatura clínica de reposição de fato adotou intervalos longos, e a razão histórica é justamente conveniência de adesão. Para a maioria dos pacientes em dose de reposição, funciona bem. O que mudou é que a prática mais recente vem migrando para aplicações mais frequentes, e também para a via subcutânea, que tem absorção mais lenta e níveis mais estáveis. Ou seja, a ideia de dividir a dose não é invenção de fórum contra a medicina, é coerente tanto com a farmacocinética básica quanto com a direção que a prática clínica tomou. E aqui está, provavelmente, a explicação para dois interlocutores olharem exames e chegarem a conclusões opostas: o momento da coleta. Testosterona colhida no dia seguinte à aplicação mostra o pico. Colhida na véspera da próxima mostra o vale. O mesmo protocolo, no mesmo paciente, dá resultados que parecem contraditórios se ninguém registra quando a amostra foi tirada. A forma de comparar esquemas com honestidade é padronizar: colher sempre no vale, imediatamente antes da próxima aplicação, e dosar estradiol na mesma amostra. Isso responde a pergunta que interessa, que é se o nível mais baixo da semana está dentro da faixa desejada e se o estradiol está acompanhando. Se alguém quiser fechar a conta de verdade, colhe pico e vale na mesma semana, e aí o gráfico deixa de ser teoria. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
-
Exame de Testosterona: valores baixos
@Andis775, a sua pergunta é boa e merece uma resposta mais completa, porque ela toca em algo que confunde muita gente: por que o número no papel não bate com o que a pessoa sente no corpo. O @Locemar e o @Apollo Galeno já deram a conclusão certa, tratar sintoma e não número. Vou explicar os motivos pelos quais isso é verdade. Primeiro, a testosterona total mede tudo que está circulando, mas a maior parte dela não está disponível. Algo entre 60 e 70 por cento fica firmemente presa à SHBG e não tem atividade biológica. Outra parte grande está fracamente ligada à albumina, e essa sim está disponível. Livre mesmo é uma fração pequena. Consequência prática: dois homens com a mesma testosterona total, mas com SHBG diferente, vivem realidades completamente diferentes. Quem tem SHBG baixa tem mais hormônio disponível com a mesma total. Por isso, ler só a total é ler meia informação. Segundo, o horário. A testosterona segue ritmo circadiano, com pico de manhã cedo e queda ao longo do dia, e a diferença entre a primeira hora da manhã e o fim da tarde chega facilmente a 30 ou 40 por cento. Uma coleta feita ao meio-dia mostra um homem diferente do mesmo homem às sete da manhã. Terceiro, a variação entre dias. O mesmo indivíduo, colhendo em duas manhãs diferentes, pode ter resultados bem distintos. É por isso que a prática correta é confirmar valor alterado com uma segunda coleta antes de concluir qualquer coisa. E agora o motivo que provavelmente responde melhor a sua pergunta, e que quase nunca é comentado. O efeito da testosterona depende também da sensibilidade do receptor de andrógeno, e essa sensibilidade varia de pessoa para pessoa por causa de uma característica genética do próprio receptor, o número de repetições de um trecho chamado CAG. Quem tem menos repetições tem receptor mais responsivo, e sente mais efeito com a mesma quantidade de hormônio. Quem tem mais repetições precisa de mais hormônio para o mesmo efeito. Isso está descrito na literatura e explica exatamente o seu caso: um valor mediano no exame com corpo respondendo como se fosse alto. Aproveitando, uma precisão sobre o comentário do @Obliterado, que estava indo no caminho certo. A variação de sensibilidade é individual, não é característica de raça. A frequência dos diferentes tamanhos desse trecho realmente difere um pouco entre populações estudadas, mas o que determina a sua resposta é a sua variante pessoal, e dentro de qualquer grupo existe o espectro inteiro. Dois irmãos podem ser diferentes nisso. Tem mais um ponto que interessa diretamente a quem treina. Dentro da faixa fisiológica normal, a variação de testosterona não prediz bem ganho de massa nem de força. Os estudos que mostram relação clara entre dose e hipertrofia usam doses suprafisiológicas, bem acima do que o corpo produz. Ou seja, alguém com 450 ng/dL e alguém com 750 ng/dL, ambos dentro da normalidade, não têm resultados proporcionalmente diferentes na academia. O que separa os dois é treino, comida e consistência. É por isso que você está evoluindo bem com um valor que achou modesto, e é por isso que procurar reposição para transformar um número normal em um número alto é má ideia. Você desligaria um eixo que funciona bem em troca de um ganho incerto. Se algum dia quiser reavaliar com mais precisão, o pacote que dá a leitura completa é: testosterona total, SHBG e albumina, para calcular a livre e a biodisponível, mais LH, FSH e estradiol. Coleta entre sete e dez da manhã, em jejum, sem treino pesado no dia anterior, e sem noite mal dormida. E prefira a testosterona livre calculada a partir de total, SHBG e albumina, porque os ensaios que medem a livre diretamente têm qualidade ruim na maioria dos laboratórios. Por fim, o que de fato move o ponteiro dentro da faixa natural, e vale bem mais do que qualquer exame de acompanhamento: dormir sete a oito horas, já que restrição de sono derruba testosterona de forma mensurável em poucos dias, manter percentual de gordura em faixa saudável, porque o tecido adiposo converte testosterona em estradiol, não passar longos períodos em déficit calórico agressivo nem com gordura dietética muito baixa, corrigir deficiência de vitamina D se houver, e moderar álcool. Pelo que você descreveu, você já está fazendo tudo isso. Continue. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
-
Franol: passei mal, coração a mil por hora!
@keven123, o cansaço que você sentiu nos dias seguintes tem explicação e ele é consequência direta do episódio, não um problema novo. Primeiro, um detalhe que quase todo mundo ignora: Franol não é só efedrina. Ele associa efedrina com teofilina, e a teofilina é a parte mais delicada da fórmula. Ela é um broncodilatador com janela terapêutica estreita, ou seja, a distância entre a dose que funciona e a dose que intoxica é pequena. Acima dessa faixa ela causa exatamente o que você descreveu, taquicardia, tremor, agitação, náusea e insônia, e em quadros graves chega a arritmia e convulsão. Quando você dobrou o comprimido, dobrou as duas substâncias ao mesmo tempo. A efedrina, por sua vez, age liberando noradrenalina dos seus próprios estoques e estimulando receptores adrenérgicos. É daí que vem tanto o efeito estimulante quanto o coração acelerado. E aqui está a resposta para o seu cansaço: esse mecanismo esgota o estoque. Depois de um estímulo forte, os depósitos de catecolamina ficam reduzidos, e o corpo cobra a conta com fadiga, apatia e sensação de estar sem bateria. Some a isso a noite mal dormida que um episódio desses provoca e você tem o quadro completo dos dois dias seguintes. Sobre o tempo, para você se tranquilizar: a efedrina tem meia-vida de três a seis horas e a teofilina, de seis a doze em adulto. Em um ou dois dias as duas já saíram do seu organismo. O que ficou depois disso não é a droga circulando, é a recuperação do sistema nervoso e do sono. Isso normaliza em poucos dias a uma semana. O que ajuda nesse período: dormir bem, hidratar, não pular refeições e manter o carboidrato normal. E treinar leve por alguns dias, sem intensidade, em vez de ficar parado esperando melhorar. Movimento leve ajuda a regular sono e ansiedade, e ficar parado com medo tende a alimentar o medo. O que não pode ser ignorado: se aparecerem palpitações persistentes mesmo em repouso, dor no peito, falta de ar, desmaio ou quase desmaio, procure avaliação médica e peça um eletrocardiograma. Vale a pena mencionar exatamente o que você tomou e a dose, porque isso direciona a investigação. E uma observação sobre a prática em si. Franol é medicamento para broncoespasmo e asma, não é suplemento nem pré-treino. Ele foi formulado para outra finalidade, em outra população, e a efedrina no Brasil é substância controlada justamente pelo perfil cardiovascular. Usar como estimulante de treino significa assumir todo o risco sem nenhum controle de dose para essa finalidade. Se o que você buscava era rendimento no treino, cafeína entrega quase o mesmo benefício ergogênico com um perfil incomparavelmente melhor. Na faixa de 3 a 6 mg por quilo de peso, tomada uns quarenta minutos antes, ela melhora percepção de esforço, força e resistência, e é uma das substâncias mais estudadas do esporte. Para 80 kg, isso dá algo entre 240 e 480 mg, e eu começaria pela metade da faixa baixa para avaliar tolerância. Sem teofilina junto e sem essa margem estreita entre o efeito e a intoxicação. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
-
Proteinúria: espuma na urina
@Destroyer., começando por uma correção que muda a forma de encarar isso: proteinúria não é uma doença. É um achado de exame, do mesmo jeito que febre é um sinal e não um diagnóstico. Ela pode ser passageira e completamente benigna, pode ser postural, ou pode apontar para algo nos rins. O que define é o contexto e a quantidade. E espuma na urina também nem sempre significa proteinúria. Jato forte caindo de altura no vaso faz espuma em qualquer pessoa, resíduo de produto de limpeza no vaso faz espuma, e urina muito concentrada também. O que chama atenção é espuma abundante, que demora a desfazer e que aparece de forma persistente, todos os dias. Agora o ponto mais importante do seu relato, e o que mais me preocupou: você baixou a proteína de 2,0 para 0,8 g por quilo por medo, antes mesmo do resultado sair. Essa decisão não tinha base. Dieta rica em proteína não causa doença renal em pessoa com rim saudável. Isso já foi investigado em revisões e meta-análises, inclusive com ingestões altas e sustentadas por longos períodos, e o que se observa é um aumento fisiológico da filtração, não lesão. A restrição de proteína só faz sentido como conduta em quem já tem doença renal estabelecida, e mesmo aí sob orientação de nefrologista e nutricionista. Para alguém de 82 kg que treina, 0,8 g por quilo é restritivo, custa massa magra e, no seu caso, não protege de nada. Se os exames vierem normais, volte para a faixa que você usava. Sobre os exames, três coisas que valem muito saber: Primeiro, o exame certo hoje em dia. A urina de 24 horas está em desuso por ser trabalhosa e cheia de erro de coleta. O padrão atual é a relação proteína-creatinina, ou albumina-creatinina, em amostra isolada de urina. Ela estima bem o total do dia com uma amostra só. Se ainda não pediram, vale pedir. Segundo, e essa é a armadilha que mais pega quem treina: exercício intenso causa proteinúria transitória. É um fenômeno conhecido e benigno, e uma urina colhida no dia seguinte a um treino pesado pode dar proteína positiva sem que exista nada de errado. Por isso, colha a amostra depois de pelo menos 48 horas sem treino forte, e de preferência a primeira urina da manhã. Essa mesma amostra matinal ajuda a identificar a proteinúria ortostática, que é aquela que aparece só quando a pessoa está em pé ao longo do dia e some quando deitada. Ela é comum em gente jovem, é benigna e não precisa de tratamento. Terceiro, sobre a creatinina do sangue, que é onde o pessoal daqui mais se assusta à toa. Creatinina vem do metabolismo muscular, então quem tem mais massa muscular tem creatinina basal mais alta sem ter nada nos rins. E quem suplementa creatina eleva a creatinina sérica sem lesão nenhuma, apenas porque parte dela se converte. Resultado: as fórmulas de estimativa de filtração, que foram calibradas na população geral, subestimam a função renal em praticante de musculação. Se a sua creatinina vier no limite ou pouco acima, e o resto estiver normal, o exame que resolve a dúvida é a cistatina C, que não depende de massa muscular. Vale muito pedir antes de aceitar um diagnóstico de função renal reduzida. Os sinais que mudariam a urgência, e que você deve observar: inchaço, principalmente nas pálpebras ao acordar e nos tornozelos no fim do dia, urina escura ou avermelhada, pressão arterial alta, espuma que piora progressivamente, redução do volume de urina. Qualquer um desses pede nefrologista sem demora. Além dos exames de urina, vale ter creatinina, ureia, albumina sérica, glicemia com hemoglobina glicada e a pressão aferida em casa por alguns dias, porque diabetes e hipertensão são as duas causas mais comuns de perda de proteína pela urina. E sobre o comentário final do seu post, de estar pensando em usar hormônios: resolva isso primeiro. Anabolizantes elevam pressão arterial e hematócrito, e se existir qualquer alteração renal em andamento, é exatamente o pior cenário para colocar essa carga em cima. Com os exames normais, a conversa é outra. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
-
Osteoartrite no ombro não melhora com fisioterapia
@davidpanka, três meses de dor, sem treinar, tomando remédio e fazendo fisioterapia, sem nenhuma melhora, é o quadro em que a pergunta certa deixa de ser "o que mais eu faço" e passa a ser "será que o diagnóstico está certo". Começo por aí, porque em quem treina o rótulo de osteoartrite no ombro costuma esconder coisas diferentes. Artrose glenoumeral de verdade, que é o desgaste da articulação principal do ombro, é relativamente incomum, bem menos frequente que no joelho e no quadril, e aparece mais em idade avançada ou depois de fratura, luxação de repetição e lesão grande de manguito. Ela dá dor profunda, difusa, com crepitação e, o sinal mais característico, perda de rotação externa passiva, ou seja, mesmo alguém girando o seu braço para fora, sem você fazer força, ele trava. O que é muito comum em quem levanta peso há anos é outra coisa: a artrose acromioclavicular, na juntinha entre a clavícula e o acrômio, em cima do ombro. Em praticante de musculação ela aparece cedo e tem até nome próprio, osteólise distal da clavícula. Essa dor é bem localizada, você consegue apontar com um dedo, e piora em movimentos que cruzam o braço à frente do corpo, como crucifixo, supino com amplitude grande, paralelas e flexões. Diferenciar uma da outra muda tudo, porque a acromioclavicular tem soluções muito mais simples, incluindo infiltração guiada por imagem e, em caso que não responde, a ressecção da extremidade distal da clavícula, um procedimento pequeno com bom resultado e retorno ao treino pesado. Existe uma terceira possibilidade que precisa ser descartada no seu caso, e ela combina demais com "três meses, dói e não melhora": capsulite adesiva, o ombro congelado. Ela evolui em fases que duram meses, dói muito na fase inicial e trava progressivamente a amplitude. O sinal que a denuncia é exatamente o mesmo da artrose glenoumeral, perda de rotação externa passiva, e o tratamento é bem diferente do de artrose. Sobre a radiografia, aqui ela é útil, ao contrário do que acontece em suspeita de lesão de tendão ou lábrum. Artrose é diagnóstico de osso, e o raio-X mostra redução do espaço articular, osteófito e esclerose. Peça especificamente incidência para a articulação acromioclavicular, porque na radiografia padrão de ombro essa região costuma ficar mal visualizada. Agora a parte da fisioterapia, e essa é a que eu mais questionaria. Vale você olhar o que exatamente está sendo feito nas sessões. Se o programa é basicamente calor, corrente, ultrassom, alongamento passivo e mobilização, isso não vai resolver. O tratamento com melhor evidência para osteoartrite é exercício terapêutico com carga progressiva, e em vários estudos o efeito analgésico dele é comparável ao de anti-inflamatório, com a diferença de que ele melhora a função em vez de só mascarar a dor. Eletroterapia é coadjuvante, não é o tratamento. E ficar três meses sem treinar trabalha contra você. O manguito rotador e a musculatura escapular são os estabilizadores da articulação. Parados, eles atrofiam, e a articulação fica ainda menos protegida. Quando você voltar, vai voltar mais fraco do que quando parou, com a mesma dor esperando. O caminho é adaptar em vez de parar. Na prática: Mantenha o treino de tudo que não dói, incluindo pernas, abdômen e o que for possível de superior. Trabalhe rotação externa com elástico ou halter leve, com o cotovelo colado ao corpo, e o conjunto escapular, com trapézio inferior, serrátil e face pull. Carga baixa, muita repetição, quase todo dia. Use isometria para dor. Segurar uma contração de trinta a quarenta e cinco segundos, com carga moderada, repetida algumas vezes, tem efeito analgésico consistente e permite carregar a articulação sem provocar. Nos exercícios de peito, se a suspeita for acromioclavicular, reduza a amplitude na descida, prefira halteres com as palmas voltadas uma para a outra e evite crucifixo com abertura máxima, paralelas profundas e supino atrás da nuca. A regra de dor: até dois ou três em dez durante o exercício, que some depois e não piora no dia seguinte, é aceitável e não está danificando nada. Acima disso, ou dor que aumenta no dia seguinte, recue a carga. Por fim, uma ressalva honesta sobre suplemento, já que é a pergunta que sempre vem depois: colágeno, glucosamina e condroitina têm evidência fraca e inconsistente, e o pouco que existe é para joelho, não para ombro. Não custa caro nem faz mal, mas não conte com isso para resolver o seu caso. Resumindo o próximo passo: leve para reavaliação com ortopedista de ombro pedindo radiografia com incidência acromioclavicular, peça que testem a rotação externa passiva para descartar capsulite, e converse com o fisioterapeuta sobre migrar o programa para exercício com carga progressiva. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
-
Avaliação de treino full body duas vezes na semana para Ectomorfo.
@caiosilva-5, o treino tem uma base melhor do que a média do que aparece por aqui. Faixa de repetição coerente em tudo, escolha de exercícios sensata, nada de bobagem. Os ajustes são de dosagem e de duas lacunas. Primeiro o volume. Somando, você tem doze blocos de exercício e algo entre 37 e 40 séries por sessão. Isso é sessão de quase duas horas. Para um full body feito duas vezes por semana, é demais, e o problema não é o tempo, é que as últimas séries são executadas cansado, com carga baixa, e rendem pouco. Entre 18 e 22 séries por sessão é a faixa em que um full body funciona bem. Menos exercícios, com carga de verdade em cada um. Agora as duas lacunas, e a primeira é grande: não existe nenhum movimento de dobradiça de quadril no treino. Nem stiff, nem levantamento terra romeno, nem elevação pélvica, nada. A mesa flexora trabalha só a flexão do joelho e deixa de fora a parte do posterior que atua no quadril, além de não pegar glúteo praticamente nada. Esse é o buraco mais importante a corrigir, e é justamente o grupo que dá espessura na parte de trás da perna. A segunda lacuna é mais simples: falta agachamento. Extensora e leg press cobrem quadríceps, mas nenhum dos dois pede estabilização nem permite progressão tão longa quanto o agachamento livre ou o hack. No peito acontece algo parecido em menor escala. Você tem supino inclinado e crossover, ou seja, uma pressão e um isolado. Com só duas sessões por semana, eu colocaria um supino reto ali no lugar do crossover, porque é pressão pesada que constrói peito, e o crossover é acessório. Um detalhe de dosagem que vale inverter: você deu 4 séries para elevação lateral, flexora e panturrilha, e 3 séries para supino, puxada, remada e leg press. Está ao contrário. Composto pesado merece mais série que isolado. E eu cortaria a rosca inversa. Com duas sessões semanais, bíceps e antebraço já recebem estímulo alto em toda puxada e remada que você faz segurando a barra. Esse espaço rende mais em perna. Uma reorganização possível, mantendo full body duas vezes na semana mas alternando A e B, para caber tudo sem inchar a sessão: A: agachamento livre ou hack 4x6-10, supino reto 4x6-10, remada curvada 4x8-12, desenvolvimento com halteres 3x8-12, mesa flexora 3x10-12, panturrilha 3x10-15, prancha B: stiff ou levantamento terra romeno 4x8-12, supino inclinado com halteres 4x8-12, puxada alta 4x8-12, leg press 3x10-12, elevação lateral 3x12-15, tríceps testa 3x10-12, rosca alternada 3x10-12 Isso fica em torno de 22 a 24 séries por sessão, com cada padrão de movimento coberto e as pernas recebendo empurrar e dobradiça de quadril. Mais uma coisa sobre ordem: como o título fala em ectomorfo e perna costuma ser o ponto de reclamação nesse perfil, alterne quem começa a sessão. Se a perna vem sempre no fim, depois de todo o superior, ela recebe o pior do seu dia. Um dia comece por ela. E o ponto mais importante, que não está no treino. Se o objetivo é ganhar massa e você se identifica como ectomorfo, o treino quase nunca é o fator limitante. O limitante é o total de calorias e a consistência ao longo de anos. O critério objetivo é simples: peso corporal subindo de 250 a 400 gramas por semana, medido em jejum, sempre no mesmo dia. Se isso não está acontecendo, nenhum ajuste de exercício vai resolver. Se você postar idade, altura, peso, tempo de treino e o que come em um dia, dá para afinar bem mais a resposta. E se quiser um ponto de partida estruturado para montar a divisão, o site tem um gerador gratuito em https://fisiculturismo.com.br/ferramentas/treino/ . A saída é simulada e serve de rascunho para ajustar, não como programa fechado.
-
Creatina X perda de peso
Não corte a creatina, @Medo_do_Cruise. Ela não é a causa do que você está vendo, e no seu momento ela está jogando a favor. O @Locemar já matou o principal: creatina praticamente não tem caloria e não vira gordura. Mas vale completar o mecanismo, porque ele muda a interpretação da balança. A água que a creatina puxa é intracelular, ou seja, entra dentro da célula muscular junto com a creatina. Isso não é inchaço, é literalmente volume muscular. É esperado o peso subir de 1 a 2 kg nas primeiras semanas de uso, e esse peso é exatamente o tipo de peso que você quer ganhar. Some a isso o fato de que, em déficit calórico, ela ajuda a manter força e massa magra, que é justamente o que se perde junto com a gordura quando a dieta é longa. Sobre esperar três meses para começar, como o @Odin sugeriu, eu discordo e explico o porquê. Não existe processo de adaptação do corpo que precise acontecer antes. Creatina é um dos suplementos mais estudados que existem, com perfil de segurança muito bem estabelecido, e funciona por saturação gradual do músculo ao longo de algumas semanas, independente de tempo de treino. O único inconveniente real de começar agora é esse que você acabou de viver, ela embaralha a leitura da balança nas primeiras semanas. E a solução para isso é mudar a forma de medir, não adiar um suplemento que está te ajudando. Sobre o hambúrguer, faça a conta: para ganhar 500 g de gordura de verdade seria preciso um excedente de cerca de 3500 kcal acima do seu gasto. Um hambúrguer não faz isso. O que subiu foi sódio, glicogênio e o conteúdo do próprio trato digestivo. Uma refeição com muito carboidrato repõe glicogênio, e cada grama de glicogênio carrega cerca de três gramas de água junto. Isso some em dois ou três dias. O sódio que você mencionou fecha o quadro, inclusive o rosto mais cheio. Retenção por sal é rápida para aparecer e igualmente rápida para ir embora. Não precisa cortar sal, só voltar ao normal. Sobre a urina amarela mesmo bebendo mais de 4 litros, se você estiver tomando multivitamínico, aí está a explicação. A vitamina B2, a riboflavina, é fortemente pigmentada e deixa a urina amarelo bem vivo, às vezes quase fluorescente, independente de hidratação. É inofensivo e é só o excesso sendo eliminado. Agora, sobre o platô de duas semanas, e essa é a parte mais útil. Ele é absolutamente normal e não significa que a dieta parou de funcionar. A gordura sai de forma contínua, mas a água mascara isso por períodos, e depois o peso desce de uma vez. Quem acompanha só o número do dia vive em montanha-russa e toma decisões erradas por causa disso. O que eu faria no seu lugar: pese-se todo dia, sempre em jejum e depois de urinar, e anote. Mas ignore o valor diário. Olhe apenas a média dos sete dias e compare com a média da semana anterior. Isso filtra quase toda a variação de água e mostra a tendência de verdade. Acrescente uma medida de cintura por semana, sempre na mesma altura, e uma foto a cada quinze dias. Em duas semanas de balança parada é comum a cintura ter diminuído do mesmo jeito. E tem um dado no seu relato que vale mais que a balança inteira. Você saiu de 15 kg naquele aparelho e chegou a 3 séries de 12 com 35 kg e uma de 8 com 40, em pouco mais de um mês, enquanto perde peso. Parte disso é adaptação neural, que é normal no começo, mas força subindo desse jeito durante um déficit é o melhor sinal possível de que você está preservando massa magra e perdendo o que deve perder. Isso vale muito mais do que 500 gramas na balança depois de um hambúrguer.
Ontem
-
Perder barriga e hipertrofia
@Beka, vou começar pela conta, porque ela explica quase tudo. Seus macros atuais, 150 g de carboidrato, 50 g de proteína e 20 g de gordura, somam cerca de 980 kcal por dia. Com 20 anos, 1,53 m, 52,5 kg e treinando seis vezes por semana, seu gasto está por volta de 1800 a 1900 kcal. Ou seja, você está comendo praticamente metade do que gasta. Isso é déficit grande demais, e é justamente o que impede a segunda parte do seu objetivo, que é ganhar massa magra. E o número mais crítico ali é a proteína. Cinquenta gramas por dia é pouquíssimo para alguém que treina. Para o seu peso, o alvo fica entre 100 e 110 g. Proteína é o que protege e constrói massa magra, e é também o macro que mais dá saciedade. Aumentar isso vai te ajudar nas duas pontas. Um alvo bem mais adequado para o que você quer: por volta de 1700 a 1800 kcal, com 105 g de proteína, 190 a 210 g de carboidrato e 50 g de gordura. Ainda é um déficit leve, o suficiente para reduzir gordura devagar, e com proteína e caloria suficientes para você realmente construir músculo. Com 20 anos, dez meses de treino e esse percentual de gordura, você está no cenário em que dá para perder gordura e ganhar massa ao mesmo tempo. Mas isso só funciona com proteína alta e comida suficiente, nunca com 980 kcal. Sobre a sugestão de macros que o @Apollo Galeno te deu, subir a proteína está certíssimo, era o ajuste mais urgente. Só faço duas ressalvas. A primeira é que aquela combinação soma cerca de 1100 kcal, ou seja, praticamente não muda o problema principal, que é a quantidade total. A segunda é específica do seu caso: 55 g de gordura com apenas 70 g de carboidrato, para quem tem refluxo, tende a atrapalhar. Gordura retarda o esvaziamento do estômago e é um dos fatores que mais piora refluxo. Eu manteria a gordura mais moderada, na faixa de 50 g, e colocaria a caloria que falta no carboidrato, que esvazia mais rápido e ainda abastece seis sessões de treino por semana. Aliás, sobre o refluxo, sua dieta já está bem construída para isso, com preparações cozidas, pouca fritura e alimentos leves. Só ficam três pontos de atenção. Café em jejum às sete da manhã é um gatilho comum. Tangerina aparece três vezes na sua rotina e cítrico é outro gatilho clássico. E o jantar às 18h é um ótimo horário, mantenha, porque a distância entre a última refeição e o deitar é o que mais protege à noite. Se algum dia precisar comer mais tarde, prefira algo leve e com pouca gordura e espere ao menos duas horas antes de deitar. Sobre as gorduras boas que você perguntou, a @Degcastro e o @willdajoia já te deram a lista certa: azeite, gema de ovo, castanhas, nozes, amendoim e abacate. Acrescento peixe gordo como sardinha e salmão. E como você precisa aumentar a proteína, o ovo inteiro resolve as duas coisas de uma vez. Onde encaixar a proteína que falta, sem mudar a estrutura que você já tem: No café da manhã, acrescente dois ovos à tapioca. São 12 g de proteína a mais. No lanche da manhã, troque o iogurte zero por iogurte grego natural ou acrescente uma dose de whey. O iogurte zero comum tem pouquíssima proteína. No almoço e no jantar, aumente a porção de frango, patinho ou tilápia para algo em torno de 150 g de peso cozido em cada uma. Volte a fazer a ceia com regularidade, com iogurte grego ou queijo cottage. Só isso já te leva de 50 para perto de 105 g. Uma última observação, sobre o treino. No seu ABC, dois dos três dias são de perna, e o dia B junta abdômen, peito, braço e costas na mesma sessão. Isso significa que todo o seu tronco recebe uma única sessão a cada três treinos, dividida entre quatro grupos. Se um dos objetivos é ganhar massa magra, o membro superior está bem subtreinado. Uma opção simples é transformar em quatro dias, dois de inferior e dois de superior, alternando. Cada grupo passa a ser treinado duas vezes por semana com volume decente, e ainda sobra um dia a mais de descanso. E sobre aeróbico quatro vezes por semana: com a alimentação atual eu não acrescentaria. Primeiro coloca a comida no lugar por umas três semanas. Depois, se quiser incluir, duas ou três sessões de trinta minutos já cumprem o papel. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
-
Finasterida + minoxdil + TRT
@Medo_do_Cruise, a terceira opção que você levantou, somar testosterona ao combo, é justamente a que joga contra. E o motivo é simples: testosterona é a matéria-prima do DHT. Quanto mais testosterona circulando, mais substrato para a 5-alfa-redutase trabalhar, e mesmo com finasterida bloqueando parte da conversão, o DHT absoluto no couro cabeludo sobe. Aceleração de calvície é, aliás, um dos efeitos mais consistentemente relatados em quem entra em reposição de testosterona. Você estaria pisando no acelerador e no freio ao mesmo tempo, com o acelerador mais forte. E tem o outro lado, que é ainda mais pesado. Reposição de testosterona desliga o seu eixo. Depois de meses, a produção própria não volta do mesmo jeito para uma parte considerável das pessoas, e o que era um tratamento vira compromisso vitalício, com aplicação para o resto da vida, controle de hematócrito, de estradiol, de próstata e de fertilidade. Assumir isso para compensar um possível efeito colateral de um comprimido de 1 mg é trocar um problema pequeno por um grande. Agora a sua segunda opção, minoxidil sozinho para sempre. Ela é legítima, muita gente faz e funciona. Só que a sua própria analogia do balde está correta, e vale entender por quê. Os dois remédios agem em lugares diferentes do processo. A finasterida atua na causa, reduzindo o DHT e freando a miniaturização progressiva do folículo. O minoxidil atua no efeito, prolongando a fase de crescimento do fio e aumentando o calibre dele, sem mexer em hormônio nenhum. Ou seja, com minoxidil isolado você melhora a aparência dos fios que ainda existem, mas o processo que está encolhendo os folículos continua rodando por baixo. Na prática isso significa resultado bom nos primeiros anos e perda gradual de terreno depois, porque cada vez sobram menos folículos para o minoxidil engrossar. Não é uma estratégia ruim. É uma escolha consciente de tratar só metade do problema em troca de zero colateral hormonal. Para quem tem muito receio dos efeitos sexuais, faz todo sentido. Se você quiser atacar a causa com menos exposição sistêmica, existe caminho do meio que não estava no seu post. A finasterida tópica foi criada exatamente para isso, e dados de farmacovigilância sugerem perfil de risco menor que o do comprimido, embora a evidência de qualidade ainda seja limitada. Dutasterida tópica segue a mesma lógica. E o microagulhamento associado ao minoxidil tem estudos mostrando resultado melhor que minoxidil isolado, sem nenhum efeito hormonal. Três coisas práticas sobre o minoxidil que quase ninguém avisa e que fazem gente desistir sem necessidade: Nas primeiras quatro a oito semanas costuma haver uma queda aumentada, o chamado shedding. É esperado, acontece porque os fios em fase de repouso são empurrados para fora dando lugar aos novos, e passa. Muita gente acha que piorou e abandona exatamente aí. O resultado real só se avalia em quatro a seis meses. Antes disso, nem foto resolve. A formulação em solução costuma conter propilenoglicol, que é a causa mais comum de coceira, descamação e irritação do couro cabeludo. A versão em espuma normalmente não tem, e resolve o problema para a maioria. Uma última consideração, e vale para as duas opções: nenhuma delas é temporária. Tanto minoxidil quanto finasterida exigem uso contínuo, e ao parar você perde em seis a doze meses tudo que ganhou, além do que teria perdido naturalmente no período. O único procedimento que não depende de manutenção química para manter o que já foi feito é o transplante, e mesmo ele não impede a queda dos fios nativos que ficaram. E, sobre o receio de colateral com finasterida: dá para testar com segurança. Registre antes como está sua libido, qualidade de ereção e volume de ejaculado, comece, e reavalie em três meses. Quem tem colateral costuma perceber nas primeiras semanas, e suspender logo ao primeiro sinal é o que mais diferencia caso reversível de caso arrastado. Só faça um de cada vez, minoxidil primeiro ou finasterida primeiro, porque começando os dois juntos você não saberá a qual atribuir o que sentir. Já que você está num processo sério de emagrecimento, eu deixaria esse assunto para depois de estabilizar aquilo, que tem impacto muito maior na sua saúde. E testosterona, de todo modo, não é ferramenta para isso. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
-
Exames de sangue relativamente altos
@element1818, boa notícia: os dois valores que te preocuparam não estão altos. SHBG de 36 nmol/L está no meio da faixa normal para homem adulto, que costuma ir de algo como 18 a 54, variando conforme o laboratório. E estradiol de 32 pg/ml também está dentro do esperado para homem, cuja faixa usual vai até por volta de 40. Nenhum dos dois é motivo de alarme, principalmente em quem nunca usou nada. E eles conversam entre si de um jeito que confirma isso. Sua testosterona total está em 571,94 ng/dL, no meio da faixa, e a livre em 11,656 ng/dL, também normal. Se o SHBG estivesse realmente alto, a total estaria normal e a livre desproporcionalmente baixa. Não é o caso. Está tudo coerente. Uma dica que vale para qualquer exame: compare sempre com o intervalo de referência impresso no seu próprio laudo, não com valor achado na internet. Método e unidade mudam de laboratório para laboratório, e é assim que muita gente se assusta à toa. Dito isso, olhando o conjunto, o que me chama atenção não é o que está alterado, é o que está faltando. O LH não foi dosado. Isso é uma lacuna relevante, porque o seu FSH está em 1,70 mUI/mL, que fica na borda inferior da faixa. FSH e LH são as duas gonadotrofinas e sempre se lê uma junto com a outra. Com testosterona normal, um FSH baixinho isolado costuma não significar nada. Mas se o LH também vier baixo, aí vale um olhar mais atento sobre o eixo hipófise-testículo. Sem esse valor, não dá para fechar a leitura. Na tireoide, faltam TSH e T4 livre, que são justamente os dois exames que importam. T3 e T4 totais medem o hormônio ligado a proteína carreadora, então eles sobem e descem por causa da proteína, não da função da tireoide. Os seus estão normais, mas são exames fracos para essa finalidade. Peça TSH e T4 livre. A insulina de 4,7 uUI/mL é um valor bom, sugere boa sensibilidade. Só que ela só faz sentido lida junto com a glicemia de jejum, porque é a relação entre as duas que dá o índice HOMA. Se você tiver a glicemia entre os exames que ficaram na sua casa, vale conferir. O cortisol de 13,41 ug/dL está normal para coleta matinal, supondo que tenha sido pela manhã, que é quando ele deve ser colhido. Cortisol colhido à tarde tem outra interpretação inteiramente. E o único valor que eu realmente acompanharia é a fosfatase alcalina em 124 U/L, que fica no limite superior da maioria das referências. Isso normalmente não é nada, e em pessoa jovem e ativa costuma ter origem óssea, já que o osso em remodelação produz essa enzima. Existe um jeito simples e barato de resolver essa dúvida: dose gama GT junto. Se a gama GT estiver normal e a fosfatase alcalina permanecer no limite, a origem é óssea e não há o que investigar. Se a gama GT também estiver elevada, aí a origem é hepatobiliar e vale seguir adiante com ultrassom de abdome. Resumindo, o que eu pediria numa próxima coleta: LH, TSH, T4 livre, gama GT, glicemia de jejum, hemograma completo e perfil lipídico. Coleta pela manhã, em jejum, e de preferência sem treino pesado no dia anterior, porque exercício intenso altera enzimas musculares e pode confundir a leitura. Se você conseguir postar os exames que ficaram na sua casa, principalmente glicemia, hemograma e as enzimas hepáticas, dá para fechar melhor a interpretação do conjunto. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
-
Treino para ectomorfo
@netynn, respondi hoje o seu outro tópico, sobre coxa e panturrilha, então não vou repetir a parte de alimentação aqui. Vou direto ao treino que você postou, e já adianto que a observação mais importante está na última linha dele. Você escreveu que ainda não decorou o treino de pernas. E no outro tópico perna é justamente o que você apontou como ponto fraco. Essa frase explica muita coisa sozinha. Aqui você detalhou cinco exercícios de costas, cinco de peito, oito blocos de ombro, dois de antebraço e três de trapézio, e a perna ficou como aquela parte que você ainda vai ver. O grupo muscular que menos atenção recebe é sempre o que menos cresce. Sobre o treino em si, o problema principal não são os exercícios escolhidos, é a faixa de repetição. Olhando tudo, quase nada fica abaixo de 12 repetições, e a maior parte está em 18 ou 20. Repetição alta funciona para hipertrofia, isso é verdade, desde que você chegue perto da falha. Mas fazer o treino inteiro assim tem dois custos. Primeiro, a carga fica necessariamente baixa, e você perde o estímulo de tensão alta, que é o que mais desenvolve força e o que constrói base em quem está voltando. Segundo, e mais prático, a progressão fica difícil de enxergar, porque acrescentar peso numa série de 20 é bem mais lento do que numa série de 8. O ajuste que eu faria: no primeiro exercício de cada grupo, trabalhe entre 6 e 10 repetições com carga que exija esforço real. Deixe as repetições altas para os dois últimos exercícios. O seu supino reto já está quase assim, com 18, 15, 10 e 8, e é o melhor formato da planilha inteira. Repita essa lógica no resto. Alguns pontos por grupo: Costas tem cinco exercícios e todos são em polia ou máquina. Falta puxar peso livre. Coloque remada curvada com barra ou remada unilateral com halter no lugar de um dos pulldowns. E tire a puxada por trás, que coloca o ombro na posição de maior estresse da articulação sem entregar nada a mais que a puxada à frente. Peito tem cinco exercícios, sendo quatro variações de supino. É redundante. Dois supinos, um reto e um inclinado, mais crucifixo ou pullover, dão conta. Ombro está montado como oito blocos de uma série cada, alternando desenvolvimento e elevação. Isso é mais circuito do que treino de força, e com uma série só por exercício você não acumula estímulo em nenhum. Simplifique para desenvolvimento em 3 séries de 8 a 10, elevação lateral em 3 de 12 a 15 e crucifixo inverso em 3 de 15. Menos exercício, mais série, mais carga. Antebraço e trapézio com trabalho isolado eu tiraria nessa fase. Antebraço já recebe estímulo de sobra em toda remada, puxada e rosca em que você segura a barra, e trapézio trabalha em qualquer remada alta e encolhimento que já esteja no treino. Esse tempo rende mais gasto em perna. Treinar cada músculo duas vezes por semana está certo e é uma boa decisão. Mantenha. Só garanta que a perna receba a mesma frequência dos outros, e não sobras do que der tempo. E, igual ao que falei no outro tópico: anote carga e repetições de todas as séries. Enquanto esses números sobem, o treino está funcionando, seja ele qual for. Esse caderno responde a pergunta "vale a pena copiar esse treino?" melhor do que qualquer opinião nossa aqui.
-
Pode tomar o hipercalórico com suco?
Pode sim, @Grasiela. Não existe nenhuma interação que atrapalhe, e se misturar com Tang é o que faz você conseguir tomar, isso já resolve o problema principal, porque suplemento que dá enjoo é suplemento que fica no armário. Sobre a creatina junto, vale desmontar o medo mais comum: dizem que o meio ácido do suco destrói a creatina. Ela realmente se converte em creatinina em solução ácida, mas isso leva horas ou dias, não minutos. Se você bate e bebe, não perde praticamente nada. O que não vale é deixar o copo pronto desde manhã para tomar à noite. Sobre o Tang especificamente, ele é basicamente açúcar, acidulante e aromatizante, com pouquíssimo valor nutricional. Em qualquer outro contexto eu sugeriria evitar, mas dentro de um hipercalórico o açúcar extra é justamente o que você está buscando, então não faz diferença nenhuma no seu caso. Se o enjoo for do próprio hipercalórico, e costuma ser, três coisas ajudam mais que o sabor: divida a dose em duas menores ao longo do dia em vez de uma grande, aumente a quantidade de líquido para deixar menos encorpado, e tome gelado. Maltodextrina concentrada em pouca água é o que mais embrulha o estômago. Canela, cacau em pó ou meia banana batida junto também cortam bem o gosto enjoativo, e ainda acrescentam alguma coisa. E sobre a dúvida original da @Clara00, a resposta do site está certa: se for usar suco, que seja natural, e a fruta inteira é sempre melhor que o suco dela.
-
Baixa libido em mulher
O mecanismo que o pessoal apontou está certo, @Mr-Ferreira, e vale detalhar porque tem desdobramento prático importante. O etinilestradiol, que é o estrogênio sintético da maioria das pílulas combinadas, passa pelo fígado e aumenta muito a produção de SHBG, a proteína que carrega hormônio sexual no sangue. O aumento não é discreto, chega a ser de duas a quatro vezes. Como só a testosterona livre é biologicamente ativa, o resultado é uma mulher com testosterona total até normal no exame e testosterona livre no chão. Daí a queda de libido, e frequentemente também ressecamento vaginal e dificuldade de chegar ao orgasmo. Tem um detalhe que quase ninguém conhece e que muda a conversa: o SHBG demora a normalizar depois que a pílula é suspensa. Leva meses, e existem trabalhos sugerindo que em parte das mulheres ele não volta completamente ao valor original. Essa última parte é controversa e a evidência não está fechada, então não dá para afirmar como certeza. Mas serve de aviso contra a expectativa de que basta parar hoje para a libido voltar na semana que vem. O prazo realista para avaliar é de três a seis meses. Agora, sobre a ideia do testogel, a orientação de contraindicar está correta e eu reforço com o número. Gel de testosterona formulado para homem entrega em torno de 50 mg de testosterona por aplicação. A dose usada em protocolos femininos é cerca de um décimo disso. Dar gel masculino para mulher, sem dose calibrada e sem controle de exame, é caminho direto para virilização, e os efeitos mais graves dessa lista, engrossamento da voz e aumento do clitóris, têm boa chance de serem definitivos. Some a isso o ponto que o Bravo Costa levantou sobre trombose, que é real: anticoncepcional combinado já aumenta risco tromboembólico, e androgênio em cima aumenta mais. Para ser justo com o tema, existe sim uso de testosterona em mulher com respaldo. Uma declaração de consenso internacional de 2019 apoia o uso de testosterona em dose fisiológica feminina para transtorno do desejo sexual hipoativo, mas especificamente em mulheres na pós-menopausa, com diagnóstico feito e com acompanhamento de exame. Para mulher jovem na pré-menopausa, não há evidência suficiente de eficácia nem de segurança, e não é recomendado. Ou seja, a coisa existe, mas não é o caso dela. Agora o que eu acho que faltou no tópico e que é a resposta mais útil. Todo mundo disse para ela parar o anticoncepcional, mas ela provavelmente está tomando porque precisa de contracepção. "Para de tomar" sem oferecer alternativa não é conduta, é meio caminho. O que existe de alternativa, e vale levar para a ginecologista dela: Trocar o progestágeno. Nem toda pílula age igual. Os progestágenos com atividade antiandrogênica, como acetato de ciproterona, drospirenona e clormadinona, são justamente os que mais derrubam libido, porque além do efeito do SHBG eles bloqueiam o receptor de andrógeno. Trocar por uma formulação com progestágeno de perfil mais androgênico, como levonorgestrel, resolve o problema em uma parte das mulheres sem abandonar a pílula. DIU de cobre, que foi a sugestão do Bravo Costa, é a opção sem hormônio nenhum e faz sentido. DIU hormonal com levonorgestrel é outra opção interessante, porque a ação é predominantemente local no útero e o impacto sistêmico sobre SHBG é bem menor que o da pílula. E vale ela conferir os exames antes de atribuir tudo à pílula: testosterona total e livre, SHBG, prolactina, TSH, ferritina e vitamina D. Prolactina alta, hipotireoidismo e deficiência de ferro derrubam libido do mesmo jeito e são comuns em mulher jovem. Uso de antidepressivo da classe dos inibidores de recaptação de serotonina é outra causa frequentíssima e costuma passar batido. Concluir que é o anticoncepcional sem olhar o resto é o erro mais comum aqui. Uma última coisa, e você mencionou que a libido também importa para você. Vale ela conversar com a ginecologista sobre isso de forma direta, porque queda de desejo é queixa legítima e motivo suficiente para trocar de método contraceptivo. Muita mulher não menciona por achar que é frescura, e continua anos num método que não serve para ela. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
-
Coach vale a pena?
Respondendo a pergunta direto, @Medo_do_Cruise: para quem não usa anabolizante, um bom profissional vale a pena exatamente pelo motivo oposto ao que a maioria imagina. Não é pelo protocolo secreto nem pela planilha mágica. É por execução, progressão e adesão, que são as três coisas que fazem quase todo o resultado e são também as três que a pessoa sozinha erra sem perceber. Mas antes disso, um critério prático que vale mais que qualquer opinião na hora de escolher: coach não é profissão regulamentada no Brasil. Qualquer pessoa pode se chamar assim. Quem tem respaldo legal para prescrever treino é profissional de educação física com registro no CREF, quem prescreve dieta é nutricionista com CRN, e quem prescreve medicamento ou hormônio é médico. Se alguém oferece o pacote completo sozinho, incluindo dieta detalhada e protocolo hormonal, essa pessoa está exercendo ilegalmente pelo menos duas profissões. Esse é o filtro que separa o profissional do aventureiro, e ele é objetivo, não é questão de gosto. Sobre o seu caso especificamente, com dois meses de academia, eu não contrataria coach agora. Não porque não ajude, mas porque no seu estágio quase qualquer programa razoável funciona, desde que você apareça e aumente a carga. O ganho marginal de ter alguém acompanhando de perto é menor agora do que será daqui a um ou dois anos, quando a progressão fácil acabar. O que eu faria com esse dinheiro, e isso rende muito: pague algumas sessões avulsas com um bom profissional de educação física, só para aprender a executar agachamento, levantamento terra, supino, remada, desenvolvimento e puxada. Três ou quatro sessões resolvem. Execução aprendida direito no começo evita anos de dor lombar e de ombro e vale mais do que mensalidade de acompanhamento remoto. E uma consulta com nutricionista, para montar a base da alimentação, também tem retorno alto e é gasto único. O @Befit e o @Locemar deram o resto da resposta e concordo com os dois. Postar tópico organizado aqui, com dados, fotos, treino e dieta, funciona bem. A ressalva honesta é que fórum é assíncrono e depende de você trazer informação boa. Quem posta pouco recebe pouco. Agora, o que mais me chamou atenção no tópico não foi a pergunta, foi o número que você soltou de passagem. De quase 119 kg para 106,5 kg, com o primeiro mês só de caminhada. São 12,5 kg em cerca de dois meses, o que dá algo perto de 1,5 kg por semana. Isso é um resultado e tanto, e mostra que o comprometimento está lá de verdade. O ponto é que esse ritmo não deve continuar assim. As primeiras semanas de qualquer mudança alimentar têm muita água e glicogênio junto, então uma parte desses quilos não era gordura. Daqui para frente, perder mais que 1 por cento do peso corporal por semana começa a cobrar caro: mais massa magra vai embora junto, o rendimento no treino cai e a fome fica difícil de administrar. Existe também um risco concreto e pouco comentado, a perda de peso muito rápida aumenta a formação de cálculo na vesícula, e isso é bem documentado. No seu peso atual, mirar entre 800 gramas e 1 kg por semana é o ponto de equilíbrio. E os dois itens que protegem sua massa magra nesse processo são proteína alta, na faixa de 1,8 a 2 g por quilo de peso, e treino de musculação com carga progressiva, não só caminhada. Caminhada é ótima para gasto e para o coração, mas é o peso que diz ao corpo para preservar músculo. Já que você tem acompanhamento médico, mantenha. Peça para reavaliar os exames a cada dois ou três meses, principalmente glicemia, hemoglobina glicada, perfil lipídico e enzimas hepáticas. Ver esses números melhorando junto com a balança é o tipo de coisa que segura a motivação nos meses em que o peso trava. E ele vai travar em algum momento, isso é normal e não significa que você errou. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.