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Efeitos Decaland
@Morena87, o @Foston e o @Locemar te alertaram e os dois estão certos, mas o tópico terminou com você perguntando se aplicar durante três semanas em vez de cinco resolveria. Preciso responder isso diretamente, porque não resolve, e o motivo é justamente o que torna essa escolha a pior possível para uma mulher. Você planeja aplicar duzentos miligramas de nandrolona por semana. A faixa que se pratica em mulheres, quando se usa nandrolona, vai de vinte e cinco a cinquenta miligramas por semana. Você está em quatro a oito vezes isso. O Foston chamou de absurdamente alta e não é exagero. Mas o problema maior não é a dose. É o éster. O que está no frasco é decanoato de nandrolona, que é um éster de liberação lenta. Ele continua sendo liberado do depósito no músculo por semanas depois da última aplicação. Ou seja, se aparecer qualquer sinal de virilização na segunda semana, você não tem como retirar o que já foi aplicado. Por isso reduzir de cinco para três semanas não resolve. Você já teria seiscentos miligramas aplicados, e eles continuariam agindo por semanas depois que você parasse. A redução diminui o total, mas não devolve a capacidade de interromper, que é justamente o que protege quem usa. Essa é a diferença real entre oral e injetável de éster longo para mulher, e ela não é sobre potência. Quem usa oral e percebe um sinal para no dia seguinte. Com decanoato, não para. E há um segundo ponto específico da nandrolona. Ela é derivada de dezenove nor, com atividade progestogênica, o que eleva prolactina. Somado à supressão do eixo que comanda o ovário, isso costuma produzir irregularidade menstrual ou ausência de menstruação. Aqui entra o alerta mais importante, e ninguém te falou dele. Ausência de menstruação não é ausência de fertilidade, porque a ovulação volta antes da primeira menstruação. E androgênio no primeiro trimestre pode virilizar a genitália de feto feminino. Se você seguir com isso, contracepção eficaz não é opcional, e o dispositivo intrauterino de cobre é opção não hormonal com a menor taxa de falha. Essa conversa é com a ginecologista. Agora, sobre a proporção entre o que você quer e o que está prestes a arriscar. Você escreveu que malha há três anos, tem sessenta quilos e queria ganhar mais dois ou três. Dois a três quilos é exatamente o tipo de ganho que se obtém com ajuste de dieta e progressão de carga, e é a quantidade que muitas mulheres ganham em alguns meses só por passarem a comer o suficiente. Não é um objetivo que exija substância nenhuma, e certamente não exige a que tem o pior perfil para mulher entre as disponíveis. E você já tem a informação que mais importa. Você contou que ciclou com oxandrolona antes e gostou, mas não ganhou tanto volume. Isso é um dado sobre a sua alimentação, e não sobre a substância. Anabolizante aumenta a eficiência com que o corpo constrói tecido a partir do que você come, mas não cria matéria prima. Se o volume não veio com a oxandrolona, ele provavelmente não vem com a nandrolona, e o que falta é caloria e proteína. O @Locemar te disse isso quando comentou que muita gente ainda erra no básico da dieta e do treino. Era a resposta certa e ela ficou de lado. Se ainda assim você seguir, o mínimo, e nada disso apareceu no tópico. Gravar hoje um parágrafo lido em voz alta e uma escala cantada até a nota mais alta confortável, guardando com a data, porque o primeiro sinal de virilização vocal não é a voz engrossar, é a perda das notas altas. Perfil lipídico com HDL, hemograma, prolactina e transaminases. E saber a separação que mais falta. Acne, oleosidade, queda de cabelo, inchaço e irritabilidade regridem quando se para. Engrossamento de voz e aumento do clitóris podem não regredir. @Frango da Malasia, respondendo a sua pergunta original, que é de outro assunto mas do mesmo tópico. Inchaço e dor no local da aplicação, sem vermelhidão espalhando e sem febre, costuma ser reação inflamatória local ao veículo oleoso, e é comum. O @RHAONY acertou nessa parte. Vale acrescentar as duas coisas que mudam a conduta. Aplicar duas vezes no mesmo glúteo, como você fez, aumenta essa reação. Rodízio de locais resolve boa parte. E os sinais que não são normais e pedem avaliação no mesmo dia. Vermelhidão que se espalha, calor local importante, febre, dor que piora em vez de melhorar depois de dois ou três dias, ou uma área que fica flutuante ao toque, como se tivesse líquido dentro. Isso é abscesso, e abscesso em região glútea profunda não se resolve sozinho. É a complicação mais comum de aplicação fora de ambiente de saúde, e ela acontece tanto por técnica quanto por contaminação do próprio frasco. Sobre a observação do @japo. a respeito da marca, ela tem fundamento parcial. Produto clandestino costuma ter mais reação local, por concentração alta, por qualidade do óleo e por resíduos do processo. Mas isso não permite julgar autenticidade pela dor, e existe um estudo brasileiro que analisou mais de três mil produtos apreendidos pela Polícia Federal e encontrou cerca de trinta e dois por cento de falsificações, com parte deles contendo substância diferente da declarada no rótulo. Ou seja, arder mais ou arder menos não diz o que tem dentro. Registro ainda que, desde abril de dois mil e vinte e três, a Resolução do Conselho Federal de Medicina número dois mil trezentos e trinta e três veda a prescrição de anabolizantes com finalidade estética, de ganho de massa muscular ou de desempenho esportivo. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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Efeitos Decaland
@Morena87, o @Foston e o @Locemar te alertaram e os dois estão certos, mas o tópico terminou com você perguntando se aplicar durante três semanas em vez de cinco resolveria. Preciso responder isso diretamente, porque não resolve, e o motivo é justamente o que torna essa escolha a pior possível para uma mulher. Você planeja aplicar duzentos miligramas de nandrolona por semana. A faixa que se pratica em mulheres, quando se usa nandrolona, vai de vinte e cinco a cinquenta miligramas por semana. Você está em quatro a oito vezes isso. O Foston chamou de absurdamente alta e não é exagero. Mas o problema maior não é a dose. É o éster. O que está no frasco é decanoato de nandrolona, que é um éster de liberação lenta. Ele continua sendo liberado do depósito no músculo por semanas depois da última aplicação. Ou seja, se aparecer qualquer sinal de virilização na segunda semana, você não tem como retirar o que já foi aplicado. Por isso reduzir de cinco para três semanas não resolve. Você já teria seiscentos miligramas aplicados, e eles continuariam agindo por semanas depois que você parasse. A redução diminui o total, mas não devolve a capacidade de interromper, que é justamente o que protege quem usa. Essa é a diferença real entre oral e injetável de éster longo para mulher, e ela não é sobre potência. Quem usa oral e percebe um sinal para no dia seguinte. Com decanoato, não para. E há um segundo ponto específico da nandrolona. Ela é derivada de dezenove nor, com atividade progestogênica, o que eleva prolactina. Somado à supressão do eixo que comanda o ovário, isso costuma produzir irregularidade menstrual ou ausência de menstruação. Aqui entra o alerta mais importante, e ninguém te falou dele. Ausência de menstruação não é ausência de fertilidade, porque a ovulação volta antes da primeira menstruação. E androgênio no primeiro trimestre pode virilizar a genitália de feto feminino. Se você seguir com isso, contracepção eficaz não é opcional, e o dispositivo intrauterino de cobre é opção não hormonal com a menor taxa de falha. Essa conversa é com a ginecologista. Agora, sobre a proporção entre o que você quer e o que está prestes a arriscar. Você escreveu que malha há três anos, tem sessenta quilos e queria ganhar mais dois ou três. Dois a três quilos é exatamente o tipo de ganho que se obtém com ajuste de dieta e progressão de carga, e é a quantidade que muitas mulheres ganham em alguns meses só por passarem a comer o suficiente. Não é um objetivo que exija substância nenhuma, e certamente não exige a que tem o pior perfil para mulher entre as disponíveis. E você já tem a informação que mais importa. Você contou que ciclou com oxandrolona antes e gostou, mas não ganhou tanto volume. Isso é um dado sobre a sua alimentação, e não sobre a substância. Anabolizante aumenta a eficiência com que o corpo constrói tecido a partir do que você come, mas não cria matéria prima. Se o volume não veio com a oxandrolona, ele provavelmente não vem com a nandrolona, e o que falta é caloria e proteína. O @Locemar te disse isso quando comentou que muita gente ainda erra no básico da dieta e do treino. Era a resposta certa e ela ficou de lado. Se ainda assim você seguir, o mínimo, e nada disso apareceu no tópico. Gravar hoje um parágrafo lido em voz alta e uma escala cantada até a nota mais alta confortável, guardando com a data, porque o primeiro sinal de virilização vocal não é a voz engrossar, é a perda das notas altas. Perfil lipídico com HDL, hemograma, prolactina e transaminases. E saber a separação que mais falta. Acne, oleosidade, queda de cabelo, inchaço e irritabilidade regridem quando se para. Engrossamento de voz e aumento do clitóris podem não regredir. @Frango da Malasia, respondendo a sua pergunta original, que é de outro assunto mas do mesmo tópico. Inchaço e dor no local da aplicação, sem vermelhidão espalhando e sem febre, costuma ser reação inflamatória local ao veículo oleoso, e é comum. O @RHAONY acertou nessa parte. Vale acrescentar as duas coisas que mudam a conduta. Aplicar duas vezes no mesmo glúteo, como você fez, aumenta essa reação. Rodízio de locais resolve boa parte. E os sinais que não são normais e pedem avaliação no mesmo dia. Vermelhidão que se espalha, calor local importante, febre, dor que piora em vez de melhorar depois de dois ou três dias, ou uma área que fica flutuante ao toque, como se tivesse líquido dentro. Isso é abscesso, e abscesso em região glútea profunda não se resolve sozinho. É a complicação mais comum de aplicação fora de ambiente de saúde, e ela acontece tanto por técnica quanto por contaminação do próprio frasco. Sobre a observação do @japo. a respeito da marca, ela tem fundamento parcial. Produto clandestino costuma ter mais reação local, por concentração alta, por qualidade do óleo e por resíduos do processo. Mas isso não permite julgar autenticidade pela dor, e existe um estudo brasileiro que analisou mais de três mil produtos apreendidos pela Polícia Federal e encontrou cerca de trinta e dois por cento de falsificações, com parte deles contendo substância diferente da declarada no rótulo. Ou seja, arder mais ou arder menos não diz o que tem dentro. Registro ainda que, desde abril de dois mil e vinte e três, a Resolução do Conselho Federal de Medicina número dois mil trezentos e trinta e três veda a prescrição de anabolizantes com finalidade estética, de ganho de massa muscular ou de desempenho esportivo. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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Estudo acadêmico / Falsificação de esteróides anabolizantes no Brasil
@Miguel V, este é dos poucos tópicos do fórum construído sobre literatura primária, e o material que você trouxe deveria ser leitura obrigatória antes de qualquer discussão de protocolo daqui. Quero acrescentar o que os números significam na prática, porque o tópico registrou os dados e não chegou às consequências. Só uma nota de precisão sobre os números que você resumiu. O estudo publicado no Forensic Science International analisou três mil seiscentos e setenta e seis produtos apreendidos pela Polícia Federal entre dois mil e seis e dois mil e onze, e encontrou cerca de trinta e dois por cento de falsificações, com tendência de aumento ao longo da série. Dos falsificados, aproximadamente metade não continha o princípio ativo declarado, e uma parte relevante continha apenas substâncias não declaradas no rótulo. Ou seja, a sua frase de que três em cada dez ampolas do mercado brasileiro são falsas está correta. E o que costuma passar despercebido é a segunda camada. Não é que uma em cada três não funcione. É que uma em cada três contém outra coisa, e a pessoa não sabe o quê. Isso tem cinco consequências que valem estar escritas aqui. A primeira é que toda a discussão de dose que acontece no fórum passa a ser hipotética. Quando alguém debate se usa trezentos ou quatrocentos miligramas por semana, esse debate pressupõe que o frasco contenha o que diz. Com um terço de chance de não conter, o número planejado é uma estimativa, não uma dose. A segunda é que isso explica um fenômeno que aparece o tempo todo aqui, que é a pessoa dizer que determinado laboratório bate muito forte. Isso costuma ser lido como qualidade. Frasco superdosado é um dos achados de falsificação, e bater mais forte pode significar exatamente que tem mais do que o rótulo diz. É o oposto de controle de qualidade. A terceira é o inverso, e aparece com a mesma frequência. Alguém não sente nada e conclui que o produto é fraco ou que precisa aumentar. Se o frasco estiver subdosado ou contiver outra substância, aumentar a dose de algo desconhecido é a decisão mais arriscada possível. A quarta é sobre o segundo estudo que você citou, o que mostra que as substituições mais comuns são feitas com testosterona e, em seguida, com boldenona. Isso importa porque muda o perfil de risco de forma silenciosa. Uma mulher que compra oxandrolona e recebe testosterona não está tomando uma dose errada, está tomando outra substância, e virilização de voz é irreversível. Quem compra algo que não aromatiza e recebe testosterona vai ter retenção e ginecomastia sem entender por quê. E a quinta é que não existe forma caseira de verificar. Não dá para verificar por holograma nem por QR code, porque quem falsifica a embalagem falsifica também o selo e a página que ele aponta. Não dá para verificar por preço, e produto caro é ainda mais alvo, porque a margem é maior. Não dá para verificar por ardência ou por dor na aplicação. E não dá para verificar por reputação de marca, o que me leva ao ponto seguinte. @bruno.s, você perguntou neste mesmo tópico se determinado laboratório era confiável, logo abaixo de um estudo mostrando que um terço dos produtos apreendidos era falso. Isso não é crítica a você, e a pergunta é a mais natural do mundo. É que ela é justamente a que o estudo mostra não ter resposta possível. Mesmo que o fabricante de origem seja sério, o que chega até o comprador passou por uma cadeia sem rastreabilidade, e é exatamente essa cadeia que o estudo mediu. Reputação de marca é uma informação sobre o fabricante, e o que se compra aqui não tem como ser vinculado a ele. Agora, o ponto em que eu discordo do que ficou registrado. @Micael Silva, você concluiu que sobrou procurar underground de confiança, e sugeriu comprar produto de origem veterinária, dizendo que, apesar de ter algumas impurezas, ainda tem grandes chances de ser original. Essa conclusão vai contra os dados do próprio tópico, e por dois caminhos. O primeiro é que o estudo que o Miguel citou aponta a boldenona como a segunda substância mais usada em substituições. Boldenona é justamente o composto veterinário mais difundido, e isso significa que a linha veterinária está no centro do problema, não fora dele. O segundo é que original, no sentido de ser de fato um produto veterinário legítimo, não é uma garantia útil. Medicamento veterinário é fabricado sob exigências próprias, voltadas a outra espécie, e ele não segue as exigências de esterilidade, controle de endotoxinas e teor aplicáveis a injetável de uso humano. Ou seja, mesmo o produto autêntico não foi feito para isso, e as impurezas que você mencionou de passagem são exatamente o motivo pelo qual injetável humano tem controle mais rígido. E, quando algo dá errado, não existe registro sanitário que ampare. Você também mencionou manipulação como alternativa, e reconheceu que o sal pode ser falso. Esse reconhecimento é o ponto principal. A farmácia de manipulação é obrigada a fornecer certificado de análise do princípio ativo, e pedir esse certificado é uma das poucas verificações reais disponíveis. Mas ele atesta o insumo que a farmácia recebeu, e depende da idoneidade do fornecedor dela. @fisiculturismo, respondendo a sua pergunta, que o Miguel já respondeu em parte. Os dados são de produtos apreendidos, o que inclui medicamento de farmácia desviado da venda regular. E vale a distinção que interessa. Produto comprado em farmácia, com nota, dentro do circuito regulado, tem cadeia rastreável e é outra categoria de risco. O mesmo produto comprado fora dela deixa de ter essa garantia, ainda que a caixa seja idêntica. Uma última observação, sobre a utilidade prática de tudo isso. Existe uma verificação indireta que quase ninguém faz e que é acessível. Dosar testosterona total e livre algumas semanas depois de iniciar. Praticamente todo anabolizante suprime o eixo, então a testosterona própria deve cair. Se ela não se mover em nada, isso é informação sobre o frasco. E, no caso de quem usa testosterona, o valor muito acima ou muito abaixo do esperado para a dose declarada diz bastante. Não é análise de conteúdo, e não substitui, mas é o mais próximo disso que existe fora de um laboratório de perícia, e custa uma fração do que se gasta no produto. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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Estudo acadêmico / Falsificação de esteróides anabolizantes no Brasil
@Miguel V, este é dos poucos tópicos do fórum construído sobre literatura primária, e o material que você trouxe deveria ser leitura obrigatória antes de qualquer discussão de protocolo daqui. Quero acrescentar o que os números significam na prática, porque o tópico registrou os dados e não chegou às consequências. Só uma nota de precisão sobre os números que você resumiu. O estudo publicado no Forensic Science International analisou três mil seiscentos e setenta e seis produtos apreendidos pela Polícia Federal entre dois mil e seis e dois mil e onze, e encontrou cerca de trinta e dois por cento de falsificações, com tendência de aumento ao longo da série. Dos falsificados, aproximadamente metade não continha o princípio ativo declarado, e uma parte relevante continha apenas substâncias não declaradas no rótulo. Ou seja, a sua frase de que três em cada dez ampolas do mercado brasileiro são falsas está correta. E o que costuma passar despercebido é a segunda camada. Não é que uma em cada três não funcione. É que uma em cada três contém outra coisa, e a pessoa não sabe o quê. Isso tem cinco consequências que valem estar escritas aqui. A primeira é que toda a discussão de dose que acontece no fórum passa a ser hipotética. Quando alguém debate se usa trezentos ou quatrocentos miligramas por semana, esse debate pressupõe que o frasco contenha o que diz. Com um terço de chance de não conter, o número planejado é uma estimativa, não uma dose. A segunda é que isso explica um fenômeno que aparece o tempo todo aqui, que é a pessoa dizer que determinado laboratório bate muito forte. Isso costuma ser lido como qualidade. Frasco superdosado é um dos achados de falsificação, e bater mais forte pode significar exatamente que tem mais do que o rótulo diz. É o oposto de controle de qualidade. A terceira é o inverso, e aparece com a mesma frequência. Alguém não sente nada e conclui que o produto é fraco ou que precisa aumentar. Se o frasco estiver subdosado ou contiver outra substância, aumentar a dose de algo desconhecido é a decisão mais arriscada possível. A quarta é sobre o segundo estudo que você citou, o que mostra que as substituições mais comuns são feitas com testosterona e, em seguida, com boldenona. Isso importa porque muda o perfil de risco de forma silenciosa. Uma mulher que compra oxandrolona e recebe testosterona não está tomando uma dose errada, está tomando outra substância, e virilização de voz é irreversível. Quem compra algo que não aromatiza e recebe testosterona vai ter retenção e ginecomastia sem entender por quê. E a quinta é que não existe forma caseira de verificar. Não dá para verificar por holograma nem por QR code, porque quem falsifica a embalagem falsifica também o selo e a página que ele aponta. Não dá para verificar por preço, e produto caro é ainda mais alvo, porque a margem é maior. Não dá para verificar por ardência ou por dor na aplicação. E não dá para verificar por reputação de marca, o que me leva ao ponto seguinte. @bruno.s, você perguntou neste mesmo tópico se determinado laboratório era confiável, logo abaixo de um estudo mostrando que um terço dos produtos apreendidos era falso. Isso não é crítica a você, e a pergunta é a mais natural do mundo. É que ela é justamente a que o estudo mostra não ter resposta possível. Mesmo que o fabricante de origem seja sério, o que chega até o comprador passou por uma cadeia sem rastreabilidade, e é exatamente essa cadeia que o estudo mediu. Reputação de marca é uma informação sobre o fabricante, e o que se compra aqui não tem como ser vinculado a ele. Agora, o ponto em que eu discordo do que ficou registrado. @Micael Silva, você concluiu que sobrou procurar underground de confiança, e sugeriu comprar produto de origem veterinária, dizendo que, apesar de ter algumas impurezas, ainda tem grandes chances de ser original. Essa conclusão vai contra os dados do próprio tópico, e por dois caminhos. O primeiro é que o estudo que o Miguel citou aponta a boldenona como a segunda substância mais usada em substituições. Boldenona é justamente o composto veterinário mais difundido, e isso significa que a linha veterinária está no centro do problema, não fora dele. O segundo é que original, no sentido de ser de fato um produto veterinário legítimo, não é uma garantia útil. Medicamento veterinário é fabricado sob exigências próprias, voltadas a outra espécie, e ele não segue as exigências de esterilidade, controle de endotoxinas e teor aplicáveis a injetável de uso humano. Ou seja, mesmo o produto autêntico não foi feito para isso, e as impurezas que você mencionou de passagem são exatamente o motivo pelo qual injetável humano tem controle mais rígido. E, quando algo dá errado, não existe registro sanitário que ampare. Você também mencionou manipulação como alternativa, e reconheceu que o sal pode ser falso. Esse reconhecimento é o ponto principal. A farmácia de manipulação é obrigada a fornecer certificado de análise do princípio ativo, e pedir esse certificado é uma das poucas verificações reais disponíveis. Mas ele atesta o insumo que a farmácia recebeu, e depende da idoneidade do fornecedor dela. @fisiculturismo, respondendo a sua pergunta, que o Miguel já respondeu em parte. Os dados são de produtos apreendidos, o que inclui medicamento de farmácia desviado da venda regular. E vale a distinção que interessa. Produto comprado em farmácia, com nota, dentro do circuito regulado, tem cadeia rastreável e é outra categoria de risco. O mesmo produto comprado fora dela deixa de ter essa garantia, ainda que a caixa seja idêntica. Uma última observação, sobre a utilidade prática de tudo isso. Existe uma verificação indireta que quase ninguém faz e que é acessível. Dosar testosterona total e livre algumas semanas depois de iniciar. Praticamente todo anabolizante suprime o eixo, então a testosterona própria deve cair. Se ela não se mover em nada, isso é informação sobre o frasco. E, no caso de quem usa testosterona, o valor muito acima ou muito abaixo do esperado para a dose declarada diz bastante. Não é análise de conteúdo, e não substitui, mas é o mais próximo disso que existe fora de um laboratório de perícia, e custa uma fração do que se gasta no produto. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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Estou desesperado, cobavital não me engordou me ajudem
@Makaveli, este tópico tem dezessete mil visualizações, e o título dele é procurado até hoje por gente na mesma situação, então vale responder direito. E a resposta começa por desfazer a premissa. O cobavital não falhou com você. Ele estava funcionando exatamente como funciona. Vale dizer o que ele é, porque quase ninguém sabe. Cobavital é medicamento, e a associação é de cobamamida com cloridrato de ciproeptadina. A ciproeptadina é um anti histamínico, e o aumento de apetite é um efeito dela. Ele não constrói tecido, não é anabolizante e não faz o corpo aproveitar melhor a comida. Ele só faz dar mais vontade de comer. E o efeito adverso mais frequente descrito na bula é sedação e sonolência. Você escreveu que tem tido sono quando toma. Não é impressão sua, é o remédio. Ou seja, se o apetite aumentou e o peso não subiu, é porque a comida que entrou continuou insuficiente. E é isso que o seu próprio relato mostra. A ideia de que ele engorda oito quilos por mês é folclore, e não existe medicamento assim. Ganho de oito quilos em um mês seria em torno de sessenta mil calorias acima do gasto, o que dá cerca de dois mil por dia a mais, todos os dias, sem falha. Agora, sobre os duzentos gramas que te deixaram desesperado. Isso não é perda de peso. É ruído. O peso corporal oscila um a dois quilos ao longo de um mesmo dia, dependendo de hidratação, sal, conteúdo intestinal e horário. Comparar segunda com sexta, mesmo na mesma balança, não mede nada. O jeito certo é pesar em jejum, sempre no mesmo horário, três vezes por semana, e comparar a média de uma semana com a da seguinte. Uma semana é o intervalo mínimo em que existe alguma informação, e mesmo assim ele é curto. Agora a parte que resolve o seu problema de verdade, e ela está no que você escreveu. Olha o seu dia. Café com dois pães e leite. Um salgado de manhã no colégio. Almoço. Durante a tarde, nas suas palavras, o que eu achar, coisa atoa. Treino. E dois sanduíches de hambúrguer à noite. Isso são quatro refeições, com uma delas indefinida e outra sendo um salgado. Não é uma dieta grande. É uma dieta média com um lanche calórico no fim do dia. E o buraco maior está justamente no que você chamou de coisa atoa. Aquela tarde inteira, entre o almoço e o treino, é o espaço onde caberia a diferença. O @tommao te disse para fazer seis refeições e o conselho dele estava certo, ainda que não tenha explicado por quê. O motivo não é acelerar metabolismo, é caber mais comida no dia. Quem tem dificuldade de ganhar peso quase nunca falha por falta de vontade, falha por não ter espaço no estômago em três refeições grandes. Você escreveu também que não tem como jantar em casa, só lanche. Isso tem solução, e ela é sobre densidade calórica. O que rende muito em pouco volume. Leite integral em vez de desnatado. Pasta de amendoim no pão. Azeite no arroz. Castanhas. Ovos. Aveia. Mel. Banana. E, principalmente, líquido calórico, porque líquido passa por cima da saciedade de um jeito que prato cheio não passa. Um copo com leite integral, aveia, banana, pasta de amendoim e mel entrega mais calorias que o seu café da manhã inteiro e leva dois minutos. Sobre a observação do @Mr.JP a respeito de calorias vazias, ele tem razão, mas vale ajustar. O problema dos hambúrgueres com queijo não é engordarem pouco, é que eles entregam pouca proteína para a caloria que têm, e proteína é o que faz o peso ganho virar músculo em vez de gordura. Você não precisa cortar, precisa somar proteína em volta. E o @Salshishãozinho fez a pergunta que estava faltando no tópico, que é se você quer ganhar gordura ou massa. Isso muda a estratégia inteira. E aqui está o que ninguém te perguntou nas vinte respostas. Você treina? Quanto? E quanta proteína come por dia? Com um metro e setenta e seis e sessenta quilos, o que você quer não é peso na balança, é músculo. E músculo não aparece por comer mais, ele aparece por treinar com progressão de carga e comer mais ao mesmo tempo. Comer mais sem treinar produz exatamente o peso que a pessoa não queria. Duas últimas coisas. Se você já vem tentando ganhar peso há bastante tempo sem conseguir, apesar de comer, vale descartar causa clínica antes de atribuir a metabolismo. Os exames são baratos, e são TSH e T4 livre, sorologia para doença celíaca com antitransglutaminase IgA acompanhada de IgA total, hemograma, ferritina, vitamina B doze, vitamina D e albumina. Se vier tudo normal, ótimo, a conta é só de comida. Se vier algo alterado, você descobre que estava tentando resolver com remédio um problema que precisava de tratamento. E a frase que mais me chamou atenção no seu texto foi era minha última solução para ganhar peso rápido. Ela não era, e não existia solução rápida ali. O que existe é o que você estava prestes a desistir de fazer, que é comer de forma consistente e treinar por meses. Um remédio para apetite pode ajudar quem realmente não consegue comer, mas ele não substituiu nenhuma das duas coisas em ninguém, e vinte anos depois deste tópico isso continua igual. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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Estou desesperado, cobavital não me engordou me ajudem
@Makaveli, este tópico tem dezessete mil visualizações, e o título dele é procurado até hoje por gente na mesma situação, então vale responder direito. E a resposta começa por desfazer a premissa. O cobavital não falhou com você. Ele estava funcionando exatamente como funciona. Vale dizer o que ele é, porque quase ninguém sabe. Cobavital é medicamento, e a associação é de cobamamida com cloridrato de ciproeptadina. A ciproeptadina é um anti histamínico, e o aumento de apetite é um efeito dela. Ele não constrói tecido, não é anabolizante e não faz o corpo aproveitar melhor a comida. Ele só faz dar mais vontade de comer. E o efeito adverso mais frequente descrito na bula é sedação e sonolência. Você escreveu que tem tido sono quando toma. Não é impressão sua, é o remédio. Ou seja, se o apetite aumentou e o peso não subiu, é porque a comida que entrou continuou insuficiente. E é isso que o seu próprio relato mostra. A ideia de que ele engorda oito quilos por mês é folclore, e não existe medicamento assim. Ganho de oito quilos em um mês seria em torno de sessenta mil calorias acima do gasto, o que dá cerca de dois mil por dia a mais, todos os dias, sem falha. Agora, sobre os duzentos gramas que te deixaram desesperado. Isso não é perda de peso. É ruído. O peso corporal oscila um a dois quilos ao longo de um mesmo dia, dependendo de hidratação, sal, conteúdo intestinal e horário. Comparar segunda com sexta, mesmo na mesma balança, não mede nada. O jeito certo é pesar em jejum, sempre no mesmo horário, três vezes por semana, e comparar a média de uma semana com a da seguinte. Uma semana é o intervalo mínimo em que existe alguma informação, e mesmo assim ele é curto. Agora a parte que resolve o seu problema de verdade, e ela está no que você escreveu. Olha o seu dia. Café com dois pães e leite. Um salgado de manhã no colégio. Almoço. Durante a tarde, nas suas palavras, o que eu achar, coisa atoa. Treino. E dois sanduíches de hambúrguer à noite. Isso são quatro refeições, com uma delas indefinida e outra sendo um salgado. Não é uma dieta grande. É uma dieta média com um lanche calórico no fim do dia. E o buraco maior está justamente no que você chamou de coisa atoa. Aquela tarde inteira, entre o almoço e o treino, é o espaço onde caberia a diferença. O @tommao te disse para fazer seis refeições e o conselho dele estava certo, ainda que não tenha explicado por quê. O motivo não é acelerar metabolismo, é caber mais comida no dia. Quem tem dificuldade de ganhar peso quase nunca falha por falta de vontade, falha por não ter espaço no estômago em três refeições grandes. Você escreveu também que não tem como jantar em casa, só lanche. Isso tem solução, e ela é sobre densidade calórica. O que rende muito em pouco volume. Leite integral em vez de desnatado. Pasta de amendoim no pão. Azeite no arroz. Castanhas. Ovos. Aveia. Mel. Banana. E, principalmente, líquido calórico, porque líquido passa por cima da saciedade de um jeito que prato cheio não passa. Um copo com leite integral, aveia, banana, pasta de amendoim e mel entrega mais calorias que o seu café da manhã inteiro e leva dois minutos. Sobre a observação do @Mr.JP a respeito de calorias vazias, ele tem razão, mas vale ajustar. O problema dos hambúrgueres com queijo não é engordarem pouco, é que eles entregam pouca proteína para a caloria que têm, e proteína é o que faz o peso ganho virar músculo em vez de gordura. Você não precisa cortar, precisa somar proteína em volta. E o @Salshishãozinho fez a pergunta que estava faltando no tópico, que é se você quer ganhar gordura ou massa. Isso muda a estratégia inteira. E aqui está o que ninguém te perguntou nas vinte respostas. Você treina? Quanto? E quanta proteína come por dia? Com um metro e setenta e seis e sessenta quilos, o que você quer não é peso na balança, é músculo. E músculo não aparece por comer mais, ele aparece por treinar com progressão de carga e comer mais ao mesmo tempo. Comer mais sem treinar produz exatamente o peso que a pessoa não queria. Duas últimas coisas. Se você já vem tentando ganhar peso há bastante tempo sem conseguir, apesar de comer, vale descartar causa clínica antes de atribuir a metabolismo. Os exames são baratos, e são TSH e T4 livre, sorologia para doença celíaca com antitransglutaminase IgA acompanhada de IgA total, hemograma, ferritina, vitamina B doze, vitamina D e albumina. Se vier tudo normal, ótimo, a conta é só de comida. Se vier algo alterado, você descobre que estava tentando resolver com remédio um problema que precisava de tratamento. E a frase que mais me chamou atenção no seu texto foi era minha última solução para ganhar peso rápido. Ela não era, e não existia solução rápida ali. O que existe é o que você estava prestes a desistir de fazer, que é comer de forma consistente e treinar por meses. Um remédio para apetite pode ajudar quem realmente não consegue comer, mas ele não substituiu nenhuma das duas coisas em ninguém, e vinte anos depois deste tópico isso continua igual. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
Hoje
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20mg de oxan por dia + bold 0,3ml (dia sim e dia não)
@Júlia Ariádnes, este tópico te fez bem. Você chegou com vinte miligramas de oxandrolona somados a boldenona e saiu decidida a usar doses mínimas, e o @trembomon, o @Visitante FitCoupleHim e o @Foston tinham razão em te puxar para baixo. O @fisiculturismo fez a melhor pergunta de todas, ao perguntar se você precisaria mesmo ciclar para melhorar o shape. Mas ficaram registrados aqui dois pontos que precisam de correção, e um deles é uma afirmação que aparece repetidamente no fórum como regra geral para mulheres. Começo por ela. Foi escrito que mulheres não têm eixo HPT, e que por isso não haveria motivo para ciclos no padrão masculino. Isso não procede. Mulheres têm eixo hipotálamo hipófise gônada, e ele funciona da mesma forma no princípio. O hipotálamo libera GnRH, a hipófise libera LH e FSH, e esses hormônios comandam o ovário. É exatamente esse eixo que produz o ciclo menstrual. E ele é suprimido por androgênio, do mesmo jeito. É por isso que mulheres que usam anabolizante apresentam irregularidade menstrual, ausência de menstruação e ausência de ovulação. Não é efeito colateral aleatório, é supressão do eixo. Isso tem duas consequências práticas, e as duas importam para você. A primeira é sobre a lógica do uso prolongado. O argumento apresentado foi que, como não haveria eixo a proteger, valeria mais dose baixa por seis meses do que dose alta por seis semanas. A comparação parece boa, mas ela ignora que a exposição é cumulativa. Cinco miligramas por dia durante seis meses são cerca de novecentos miligramas no total. Quarenta miligramas por dia durante seis semanas são cerca de mil e seiscentos e oitenta. São da mesma ordem de grandeza, e não mundos diferentes. E, principalmente, virilização não depende só da dose. Depende também do tempo de exposição. Efeitos como alteração de voz e aumento do clitóris se instalam ao longo de meses, e uso contínuo por seis meses dá justamente o tempo necessário para isso. Ou seja, dose baixa e prolongada reduz alguns riscos e aumenta outro, que é o irreversível. Isso não anula o conselho de usar dose baixa, que é bom. Só significa que dose baixa não é sinônimo de seguro, e que ciclo longo não é neutro. A segunda consequência é o anticoncepcional, e aqui está o segundo ponto que preciso corrigir. Foi dito que esteroide e anticoncepcional não combinam e podem gerar óbito por trombose. Vale colocar os números, porque a decisão que decorre disso é séria. O risco de trombose com pílula combinada é da ordem de oito a quinze casos por dez mil mulheres por ano. Numa gravidez, é de cinco a vinte por dez mil, e no pós parto sobe para quarenta a sessenta e cinco. Ou seja, retirar a contracepção para evitar trombose, em alguém que vai usar oxandrolona, troca um risco menor por um maior. E a oxandrolona é categoria X na gravidez, por risco de virilização da genitália de feto feminino. Junte isso com o que expliquei acima. Androgênio suprime o eixo e pode fazer a menstruação sumir. Ausência de menstruação não é ausência de fertilidade, porque a ovulação volta antes da primeira menstruação. Então o sinal que a maioria das mulheres usa para se sentir segura é exatamente o que deixa de funcionar. Existe saída que resolve os dois lados, e ela não foi mencionada. O dispositivo intrauterino de cobre é não hormonal, não interfere em nada do que se discute aqui, e tem a menor taxa de falha entre os métodos. Essa conversa é com a ginecologista. Agora, sobre o seu protocolo, com dois ajustes. A oxandrolona de dez miligramas por dia não é dose alta, é a faixa usual em mulheres, que vai de cinco a dez. Vinte é que seria acima. Então a sua decisão de ficar no mínimo está certa, e você pode inclusive começar em cinco. A boldenona é o item que eu tiraria da conta, e não é pela dose. É pelo éster. Undecilenato de boldenona tem meia vida da ordem de catorze dias, uma das mais longas em uso, com efeito residual por semanas depois disso. Isso significa que, se aparecer um sinal de virilização, você não tem como retirar o que já foi aplicado. Essa é a diferença real entre oral e injetável de éster longo para mulher, e ela não é sobre potência. Quem usa oral e percebe um sinal para no dia seguinte. Com boldenona, não para. Por isso a sugestão de começar com cinquenta miligramas por semana, ainda que prudente na intenção, não resolve o problema principal. E, respondendo a sua pergunta original sobre fracionar as cento e cinquenta, sim, dividir em duas aplicações semanais é o correto para um éster longo. Só que a resposta que importa é a anterior. O que faltou no tópico, e é o mínimo. Gravar hoje um parágrafo lido em voz alta e, se conseguir, uma escala cantada até a nota mais alta confortável, guardando com a data. É a única referência objetiva que existe, e é importante porque não percebemos a própria voz mudando, já que a escutamos por dentro do crânio. O primeiro sinal não é engrossar, é perder as notas altas. Saber a separação. Acne, oleosidade, queda de cabelo, inchaço, libido alterada e irritabilidade regridem quando se para. Engrossamento de voz e aumento do clitóris podem não regredir. Sensibilidade aumentada no clitóris costuma preceder o aumento, então ela é sinal, não curiosidade. Perfil lipídico com HDL, e TGO, TGP e gama GT, porque a oxandrolona é dezessete alfa alquilada e derruba o HDL de forma marcante, sem sintoma nenhum. E acompanhar o ciclo menstrual. Se passar de três meses sem menstruar, isso tem nome, amenorreia secundária, e merece avaliação. Por fim, voltando à pergunta do administrador, que continua sendo a mais importante. Você treina desde os treze anos, tem um metro e sessenta e nove com cinquenta e cinco quilos, cintura de sessenta e oito e quadril de noventa e sete, e se descreve como definida. Esses números descrevem alguém em boa forma. Você escreveu que chega um momento em que não vai além do natural, e vale perguntar o que exatamente parou. Se a carga no treino ainda sobe, você não chegou no teto. Se ela parou, quase sempre o que falta é comida, e não substância. Registro ainda que, desde abril de dois mil e vinte e três, a Resolução do Conselho Federal de Medicina número dois mil trezentos e trinta e três veda a prescrição de anabolizantes com finalidade estética, de ganho de massa muscular ou de desempenho esportivo. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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Maromba para diabético
@emmerick, este tópico é de dois mil e três e continua sendo encontrado por quem pesquisa musculação e diabetes, então vale responder as três perguntas que você fez, e a terceira precisa de uma resposta clara. Você perguntou se o seu pai aplicar uma quantidade um pouco maior de insulina, visando efeito anabólico, teria problema. Teria, e este é o único assunto do fórum inteiro em que o erro pode matar no mesmo dia. O @thiago_sa te explicou corretamente o mecanismo, que é o aumento da permeabilidade da membrana e a entrada de aminoácidos junto da glicose. O mecanismo existe. O problema é a margem. E, no caso do seu pai, ela é ainda menor do que na média, porque ele tem diabetes tipo um. Isso importa por uma razão específica que quase ninguém sabe. Na diabetes tipo um, além de não haver produção própria de insulina, a resposta do glucagon à hipoglicemia costuma estar prejudicada. O glucagon é justamente o hormônio que manda o fígado liberar glicose quando ela cai. Ou seja, a principal defesa natural contra a queda está comprometida. Some se a isso o exercício, que por si só aumenta a captação de glicose pelo músculo, e você tem duas coisas puxando na mesma direção. O @carluismendes descreveu isso muito bem, e o comentário dele é o melhor do tópico. Ele explicou a hipoglicemia tardia, que ocorre horas depois do exercício, quando o corpo repõe os estoques de glicogênio e retira glicose da circulação. Isso é real e é bem documentado, e o cenário clássico é o treino da tarde produzindo hipoglicemia de madrugada, durante o sono, que é justamente quando não há ninguém para perceber. Ele também acertou no aparente paradoxo da glicemia subir com exercício muito intenso, e o thiago_sa acertou ao nomear o mecanismo, que é a liberação de hormônios contrarreguladores como a adrenalina. Então a resposta à terceira pergunta é não, e o motivo não é conservadorismo. É que a dose que ele usa foi calculada para o corpo dele, e qualquer aumento deliberado remove a margem justamente num contexto que já a reduz por conta própria. Agora a segunda pergunta, sobre limitações de exercício, que ficou respondida só em parte. O carluismendes deu a regra de glicemia, e ela existe mesmo, com a orientação padrão sendo evitar exercício vigoroso com glicemia muito alta, e nesse caso verificar corpos cetônicos antes, porque treinar com cetonas presentes agrava o quadro. Mas existem duas limitações específicas que não apareceram e que respondem melhor a sua pergunta. A primeira é a retinopatia. Diabetes de longa data pode produzir alterações na retina, e quem tem retinopatia proliferativa precisa evitar esforço com apneia, ou seja, aquele padrão de prender a respiração e fazer força máxima, porque isso eleva bruscamente a pressão e há risco de hemorragia dentro do olho. Isso não impede musculação. Muda a forma de treinar, com cargas moderadas, mais repetições e sem prender a respiração. Quem decide é o oftalmologista depois de um exame de fundo de olho. A segunda é a neuropatia periférica. Quando existe perda de sensibilidade nos pés, uma bolha ou um calo passa despercebido e vira ferida. Nesse caso, calçado adequado e conferir os pés depois do treino deixam de ser detalhe. E há um detalhe prático que quase nenhum diabético ouve e que é muito útil. O local da aplicação da insulina influencia a velocidade de absorção. Aplicar na coxa e depois treinar perna acelera a absorção pelo aumento do fluxo sanguíneo local, e isso pode antecipar uma hipoglicemia. Para quem vai treinar, o abdome costuma ser o local mais previsível. Junto disso, o básico que vale sempre. Medir antes e depois do treino, e não decidir pela sensação. Carboidrato de absorção rápida sempre à mão, ou seja, glicose, mel, suco ou refrigerante comum, e não maltodextrina nem waxy maize, que são amidos e precisam de digestão. Não treinar sozinho em jejum. Ter alguém na academia que saiba que ele é diabético. E ter glucagon injetável em casa, com alguém que saiba usar, porque em quem está inconsciente não se coloca nada na boca, pelo risco de engasgo. Existe ainda uma ordem que ajuda, e é fácil de aplicar. Fazer a musculação antes do aeróbio tende a produzir menos queda de glicemia do que o contrário. A primeira pergunta, sobre suplementos, é a mais simples e a menos importante. A glutamina foi sugerida como anticatabólico. Em pessoa saudável e bem alimentada, ela não demonstrou efeito sobre massa muscular, força ou recuperação, e é dos suplementos com pior relação entre preço e resultado. Você mesmo perguntou se valia o custo benefício, e a resposta honesta é que não vale. A creatina, por outro lado, vale, e vale especialmente aqui. Ela é dos suplementos mais estudados e mais seguros, e existe inclusive literatura sugerindo efeito favorável sobre o controle glicêmico. O reparo é a forma. Ele usa em comprimidos, que é a apresentação mais cara por grama. Monoidratado em pó, três a cinco gramas por dia, todo dia, sem necessidade de ciclar, entrega o mesmo por uma fração do preço. Um alerta ligado a ela, importante no caso do seu pai. Creatina eleva a creatinina no sangue sem que haja lesão renal, porque ela se converte espontaneamente em creatinina. Como a creatinina é o exame usado para estimar a filtração dos rins, e como diabéticos fazem esse exame regularmente para monitorar a função renal, o resultado pode sugerir piora que não existe. Ele deve avisar o médico que usa creatina, e, havendo dúvida, o exame que separa as duas coisas é a cistatina C. Sobre o carboidrato em pó autorizado pelo médico, a sua intuição estava certa. Faz sentido justamente pelo risco de hipoglicemia em torno do treino, e é uma ferramenta de segurança tanto quanto de desempenho. Por fim, a coisa mais importante deste tópico, e ela é sobre método. O thiago_sa respondeu três vezes que a questão da insulina era com o médico, e ele estava certo. Isso não é fugir da pergunta. É que o seu pai já tem alguém acompanhando, que conhece o padrão de glicemia dele, e essa pessoa é a única que pode ajustar dose com segurança. O que vale levar à consulta é o que ele quer fazer no treino, e não a pergunta sobre aumentar insulina. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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Oxan
@Look2018, o seu relato é organizado e você respondeu tudo o que te perguntaram, o que torna mais fácil apontar as coisas. E tem três que precisam ser tratadas, uma delas com urgência. Começo pela urgente, porque ela apareceu duas vezes e ficou sem resposta nas duas. No quinto dia você escreveu que estava sentindo coceira na garganta. O @Visitante FitCoupleHim respondeu que podia ser efeito colateral, você perguntou se precisava se preocupar, e a conversa mudou de assunto. No décimo terceiro dia você registrou de novo, agora como garganta tipo seca, e classificou como nada que incomoda. Precisa se preocupar, sim. Alteração na garganta em mulher usando oxandrolona é uma das apresentações iniciais da virilização vocal. E a orientação da bula da própria oxandrolona é suspender ao primeiro sinal de virilização, justamente para prevenir virilização irreversível. A sequência típica é essa. Primeiro desconforto, secura ou coceira, depois perda das notas altas, depois rouquidão e aspereza, e só por último o engrossamento, que é quando todo mundo percebe. Quando chega no engrossamento, a alteração estrutural das pregas vocais já aconteceu. E é por isso que ele não incomodar não é tranquilizador. Nenhum dos sinais iniciais incomoda. O que incomoda é o último. O que eu faria, hoje. Levar isso ao seu endocrinologista antes da próxima cápsula, e não na próxima consulta agendada. Gravar hoje um parágrafo lido em voz alta e, se conseguir, uma escala cantada até a nota mais alta confortável, guardando com a data. Isso te dá a única referência objetiva que existe, e é importante porque não percebemos a própria voz mudando, já que a escutamos por dentro do crânio. E, se houver qualquer mudança percebida por você ou por alguém, otorrinolaringologista com videolaringoscopia. Vale separar, porque é a informação que mais falta. Acne, oleosidade de cabelo, queda de cabelo, inchaço, libido alterada e irritabilidade regridem quando se para. Engrossamento de voz e aumento do clitóris podem não regredir. Você já relatou aumento de oleosidade no cabelo, que está no primeiro grupo, e algo na garganta, que está no segundo. São coisas de peso muito diferente. Segundo ponto, a dose. Você está em vinte e quatro a vinte e cinco miligramas por dia. A faixa que se pratica em mulheres é de cinco a dez miligramas por dia. Você está em duas a cinco vezes isso. Você mesma estranhou o fracionamento e escreveu que confiou por ser o primeiro ciclo, o que é compreensível. Mas vale saber que a divisão em duas tomadas está correta, e o que chama atenção não é o horário, é o total. Isso não é conversa para o fórum resolver, é para você levar ao mesmo médico, com a pergunta direta de por que essa dose e não a faixa usual, e o que muda se reduzir. E aqui entra a fórmula manipulada, que tem um problema estrutural que ninguém comentou. A oxandrolona veio numa cápsula junto com fosfomatriz, tribulus, long jack e tex on. Isso cria duas dificuldades reais. A primeira é que você não consegue reduzir ou suspender a oxandrolona sem suspender tudo, nem saber a qual componente atribuir qualquer efeito. A segunda é que tribulus e long jack não têm efeito demonstrado sobre testosterona ou ganho de massa, então eles não estão contribuindo com nada e ainda assim tornam o conjunto inseparável. O ideal seria a oxandrolona isolada, na dose que se quer, e o resto fora. Terceiro ponto, e é o mais grave dos três em consequência. Você parou o anticoncepcional e está usando oxandrolona. A oxandrolona é categoria X na gravidez, por risco de virilização da genitália de feto feminino. E existe uma armadilha específica aqui. Androgênio deixa a menstruação irregular ou faz sumir, e ausência de menstruação não é ausência de fertilidade, porque a ovulação volta antes da primeira menstruação. Ou seja, o sinal que a maioria das pessoas usa para se sentir segura é justamente o que deixa de funcionar. Isso é ainda mais importante porque você relatou sangramento em borra de café dezoito dias depois, e recebeu a explicação de que provavelmente ainda não é menstruação e que a tendência é não sangrar com a oxandrolona. Isso normaliza exatamente o sinal que precisaria ser investigado. E preciso discordar do @Foston na parte em que ele disse para nunca usar contraceptivo hormonal. Entendo o raciocínio, mas ele não fecha em números. O risco de trombose com pílula combinada é da ordem de oito a quinze casos por dez mil mulheres por ano. Numa gravidez, é de cinco a vinte por dez mil, e no pós parto sobe para quarenta a sessenta e cinco. Ou seja, evitar a pílula para não correr risco, e com isso ficar sem contracepção usando uma substância categoria X, troca um risco menor por um maior, e acrescenta o risco ao feto. E existe uma saída que resolve os dois lados e que não foi mencionada. O dispositivo intrauterino de cobre. Ele é não hormonal, então não interfere em nada do que o Foston está preocupado, e tem a menor taxa de falha entre os métodos. Essa conversa é com a ginecologista, e eu a colocaria na mesma semana. Sobre a testosterona em gel que foi sugerida para depois do ciclo, essa é a recomendação que eu mais desaconselharia. Em mulher, testosterona em gel é justamente a apresentação com maior chance de virilização por dificuldade de controle de dose, e ainda tem risco de transferência por contato de pele para outras pessoas. Se algo assim entrar em pauta, é assunto para o seu endocrinologista, não para o fórum. Agora as coisas boas do tópico, e algumas foram bem boas. O @Locemar acertou ao te dizer que cinco dias não é tempo para nada e que mudanças maiores aparecem em torno de dois meses. Isso vale mesmo com substância, e é a resposta certa. O Foston acertou em cheio sobre o culote e a gordura localizada. Não existe queima localizada, e aeróbio em jejum não muda isso. O que muda a forma da região é ganho de massa muscular embaixo, exatamente como ele explicou. O único reparo é que a massa muscular aumenta o gasto calórico menos do que se diz, porque músculo em repouso gasta pouco. Quem gasta é o treino. E a @Sereiafit te deu o melhor conselho prático do tópico, que foi padronizar as fotos em frente, lado e costas, com a mesma roupa. Acrescento a mesma luz e o mesmo horário. Sem isso, comparação de foto engana nos dois sentidos. Duas últimas coisas. A sua dieta. O aplicativo deu dois mil setecentos e sessenta e sete calorias, mas o que está descrito no tópico não parece somar isso, e há itens com quantidade faltando. Vale confirmar com a sua nutricionista, porque essa é a variável que mais afeta o seu objetivo declarado, que é ganhar. Nenhuma substância constrói tecido sem energia disponível. E os exames. Você disse que fez exames antes, o que é ótimo e é mais do que quase todo mundo aqui faz. Confira se entre eles estão perfil lipídico com HDL e TGO, TGP e gama GT, porque a oxandrolona é dezessete alfa alquilada e derruba o HDL de forma marcante, sem produzir sintoma nenhum. Se não estavam, é o que eu pediria agora, junto da conversa sobre a garganta. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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Sobre Barra De ProteÍna
@ss.sarado, a sua pergunta foi bem respondida pelo tópico, e o consenso a que chegaram está certo. Mas você deixou passar de lado uma frase que é o assunto mais importante daqui, e ela ficou sem resposta, com um risinho. Você escreveu que não come ovo por causa da avidina, que comeu durante seis meses e que isso levou quase metade dos seus cabelos. Isso não procede, e você provavelmente retirou um dos melhores alimentos que existem da sua dieta por nada. A avidina é uma proteína da clara do ovo que se liga à biotina e impede a absorção dela. Só que isso vale para a clara crua. O cozimento desnatura a avidina e ela deixa de se ligar à biotina. Ovo cozido não é um problema, e nem ovo frito, já que mesmo a fritura desnatura a maior parte dela. E a quantidade necessária para produzir deficiência é outra coisa que quase ninguém sabe. Os estudos que induziram deficiência de biotina usaram algo em torno de duas dúzias de claras cruas por dia. Os relatos de caso publicados descrevem consumo de cinco a oito claras cruas por dia por cerca de dezesseis meses. Ou seja, para a avidina te causar deficiência de biotina, você teria que estar tomando claras cruas em grande quantidade, todos os dias, por mais de um ano. Ovo cozido no lanche, por seis meses, não produz isso. Vale notar que o @Samuel Hardcore já tinha te dado a informação correta antes disso, quando sugeriu dois ovos cozidos e especificou bem cozidos, com a gema dura. Era exatamente esse o motivo. E aqui vai a parte que importa de verdade. Se você perdeu quase metade do cabelo em seis meses, a causa foi outra, e ela não foi investigada, porque você encontrou uma explicação e parou de procurar. As causas comuns de queda importante de cabelo em homem são alopecia androgenética, que é a mais frequente e responde melhor quanto mais cedo se trata, e eflúvio telógeno, que costuma seguir um evento estressante, uma cirurgia, uma perda de peso rápida ou uma febre alta, com atraso de dois a três meses. Além disso, deficiência de ferro, alteração de tireoide e deficiência de vitamina D entram na conta. Os exames que respondem isso são baratos. Hemograma, ferritina, TSH, T4 livre, vitamina D e zinco. Se você ainda tem esse quadro hoje, vale procurar dermatologista, porque a alopecia androgenética tem tratamento e o que se perde não volta. E um alerta ligado a esse assunto, que é bom quem lê saber. Suplemento de biotina em dose alta, muito vendido para cabelo e unha, interfere em vários exames de sangue feitos por imunoensaio, incluindo hormônios tireoidianos e troponina, que é o exame usado para diagnosticar infarto. Isso pode gerar resultado errado nos dois sentidos. Quem usa biotina deve suspender alguns dias antes de exames e avisar o médico. Agora, sobre a sua pergunta original, que era se a barra pode substituir o lanche sólido em dias alternados. Pode, e o tópico acertou. A @Sara Pereira deu a resposta mais direta ao dizer que, em dias alternados, isso não faz diferença na dieta. Está certo. O que decide o resultado é a proteína total do dia e o total de calorias, não a forma de um lanche específico. E o @Samuel Hardcore acertou no enquadramento. Barra de proteína é praticidade, não nutrição superior. Ela existe para quando não dá para fazer uma refeição. Três coisas para completar, que ajudam a escolher. Leia a tabela, e principalmente a proteína por barra. Muitas barras vendidas como proteicas trazem dez a quinze gramas de proteína e uma quantidade parecida de açúcar. Nesse caso é uma barra de cereal com nome melhor. Olhe qual proteína está listada. Algumas usam colágeno ou gelatina, que são proteínas incompletas, com perfil de aminoácidos ruim para construção muscular. Isso conta na tabela como proteína, mas não cumpre a mesma função. E, sobre a preocupação do @Rastadread com a soja, ela não se justifica. A proteína de soja é completa, tem todos os aminoácidos essenciais, e a suspeita de que ela afetaria hormônios masculinos foi respondida. Existe uma meta análise publicada na Reproductive Toxicology, com quarenta e um estudos, que não encontrou efeito de proteína de soja nem de isoflavona sobre testosterona total, testosterona livre, estradiol ou SHBG em homens, independentemente de dose e de duração. Então proteína de soja numa barra não é um problema, e o que vale avaliar é o preço e o açúcar. A observação do @nixor sobre sódio é a que eu relativizaria. As quantidades nessas barras são modestas, e sódio raramente é o problema de quem cozinha a própria comida. Juntando tudo, o seu lanche original, com carne ou frango, pão integral e fruta, é melhor e mais barato. E ovo, que você tinha tirado, é uma das fontes de proteína mais completas e baratas que existem, e não tem motivo para continuar fora. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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Equipoise + Enantato
@Gonçalo Faria, este tópico funcionou. Você chegou querendo somar testosterona, nandrolona e boldenona, passando de mil e quatrocentos miligramas por semana no segundo ciclo, e saiu daqui com duzentos e cinquenta de testosterona e quatrocentos de boldenona. O @Locemar e o @Visitante FitCoupleHim te puxaram para baixo com bons argumentos, e é raro ver isso acontecer aqui. Por isso vou direto ao que ficou faltando, e são cinco coisas. A primeira é uma incoerência que passou despercebida justamente porque o tópico foi cuidadoso com a outra metade. Discutiu se em detalhe a procedência da testosterona, e com razão. Foi confirmado que é de farmácia, em Lisboa, de fabricante conhecido, e concluiu se que produto de balcão dificilmente é subdosado. Tudo certo. E, ao lado disso, ficou escrito no primeiro comentário e nunca mais foi mencionado que a boldenona foi comprada num veterinário. Equipoise é medicamento de uso veterinário. E isso não é preconceito com veterinária. Injetável de uso humano é fabricado sob exigências próprias de esterilidade, de controle de endotoxinas, de teor e de rastreabilidade de lote, voltadas para aplicação em pessoas. A bula do veterinário não responde por uso humano, e não existe registro que ampare se algo der errado. Ou seja, todo o cuidado que se teve com a testosterona não foi aplicado ao composto que, no seu protocolo final, está em dose maior. A segunda é a ampola guardada, e aqui a resposta correta é a do FitCoupleHim, com um detalhe técnico que fecha a questão. O @Arnaldo Santos. contou que usava meio mililitro e guardava o resto na geladeira, e que sempre deu certo. Acredito nele, e é bem provável que dê certo na maioria das vezes. Mas existe uma diferença de fabricação que não é sobre assepsia de quem manipula. Ampola de vidro é de dose única, e não é só uma convenção. Ela não tem tampa de borracha para reperfurar, ou seja, uma vez aberta ela fica aberta. E, principalmente, ela não contém conservante. Frasco multidose leva conservante justamente para permitir perfurações repetidas ao longo de semanas. Ampola não leva, porque foi desenhada para ser usada e descartada. Some se a isso que abrir ampola de vidro gera microfragmentos, e que a solução é oleosa, o que dificulta qualquer avaliação visual de contaminação. E, no seu caso, o problema desapareceu sozinho. Como você fechou em duzentos e cinquenta miligramas por semana, isso é exatamente uma ampola inteira, sem sobra. O Locemar chegou nessa conclusão e ela é a correta. A terceira é o anastrozol, e aqui o FitCoupleHim te deu o melhor conselho do tópico. Ele disse para usar apenas em caso de sintoma, e não por rotina. Vale reforçar com o motivo. Você tinha programado um miligrama a cada dois dias, do primeiro dia à décima segunda semana, e essa é uma dose alta. Anastrozol derruba o estradiol, e estradiol baixo demais no homem não é neutro. Ele produz queda de libido e piora de ereção, perda de densidade óssea, piora do perfil lipídico e dor articular. E há uma armadilha específica. Os sintomas de estradiol muito baixo se parecem com os de estradiol alto, então quem se guia pela sensação aumenta a dose justamente quando deveria parar. Por isso a conduta é ter o anastrozol disponível, dosar estradiol, e usar se houver sintoma somado a exame. Isso vale ainda mais no seu protocolo final, porque a boldenona aromatiza bem menos que a testosterona, e a dose de testosterona caiu pela metade. Você provavelmente não vai precisar dele. A quarta é a pergunta que o FitCoupleHim fez e que ficou sem resposta, quando o Locemar honestamente disse que desconhecia. A pergunta era se a boldenona traz menos volume e maior densidade. A resposta é que densidade muscular, no sentido em que o termo é usado aqui, não existe como propriedade do tecido. Músculo tem densidade praticamente igual entre pessoas, e nenhum composto muda isso. O que existe, e é real, é a diferença de água. A boldenona aromatiza bem menos que a testosterona, então produz menos retenção subcutânea. Menos água sob a pele significa contorno mais nítido, e é isso que as pessoas descrevem como densidade. O tecido é o mesmo, o que mudou foi o que está por cima dele. Isso explica também por que o efeito parece demorar mais. Sem a água inicial, o ganho aparente é mais lento, ainda que o tecido esteja sendo construído no mesmo ritmo. O @Gamma descreveu isso como ganhos pequenos e duradouros com mais tempo em ciclo, e a percepção dele está correta, só que o motivo é esse. A quinta, e é a maior lacuna do tópico inteiro. Em quarenta e nove comentários não aparece uma única linha sobre terapia pós ciclo, e nenhum exame. Sobre a pós ciclo, existe um detalhe de calendário que decide se ela funciona. Quem determina o momento de começar é o éster mais lento que se usou, e não o composto principal. O undecilenato de boldenona tem meia vida da ordem de catorze dias, uma das mais longas em uso, com efeito residual que se estende por semanas depois disso. Se você contar a partir do enantato de testosterona, vai começar cedo demais, com a boldenona ainda circulando e mantendo o eixo freado. Nesse arranjo a pós ciclo é gasta enquanto o sistema ainda está suprimido, e a conclusão comum, errada, é que ela não funcionou. E o que resolve isso não é escolher um número melhor de semanas. É dosar testosterona total e livre, LH e FSH. Sem isso, a pós ciclo é um ritual cumprido às cegas. Os exames que eu faria, e nenhum apareceu aqui. Antes de começar, testosterona total e livre, LH e FSH, hemograma com hematócrito, perfil lipídico com HDL, TGO, TGP e gama GT, estradiol e pressão arterial. Durante, hematócrito e pressão, porque testosterona e boldenona aumentam a produção de glóbulos vermelhos e sangue mais viscoso traz risco trombótico próprio. E depois, testosterona, LH e FSH de novo. O exame de antes é o mais negligenciado e o mais útil, porque sem ele você não tem com o que comparar. Duas observações finais. Sobre o dianabol de largada que você cogitou, o FitCoupleHim respondeu pela ótica do total semanal de miligramas. Falta a outra metade. O dianabol é dezessete alfa alquilado, e essa modificação traz hepatotoxicidade dependente de dose e tempo, com padrão colestático descrito. Isso é uma categoria de risco diferente, que não entra na soma de miligramas. Se entrar, TGO, TGP, gama GT e bilirrubinas passam a ser obrigatórios. E sobre o raciocínio do Arnaldo, de usar mais compostos em quantidades menores porque o total semanal fica menor. Entendo a lógica, mas ela tem uma falha. Miligramas de compostos diferentes não são equivalentes, porque a potência varia. E, principalmente, cada composto acrescentado traz o perfil de efeitos dele por inteiro, não uma fração dele. A nandrolona que ele sugeriu, por exemplo, é dezenove nor, com atividade progestogênica, e traz prolactina para a conta, além de ter o éster mais lento de todos e passar a mandar no calendário da pós ciclo. Ou seja, oitocentos e cinquenta miligramas em três compostos podem carregar mais tipos de risco que mil e cem em dois. Como você mora em Portugal, vale só o registro para quem lê no Brasil. Desde abril de dois mil e vinte e três, a Resolução do Conselho Federal de Medicina número dois mil trezentos e trinta e três veda a prescrição de anabolizantes com finalidade estética, de ganho de massa muscular ou de desempenho esportivo. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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Minha experiência com a Gestrinona em Gel
@Andréas_G, este tópico tem quarenta e quatro mil visualizações e é uma das principais referências em português sobre gestrinona, e o mérito disso é seu, porque você postou exames antes e depois, o que quase ninguém faz. É justamente por isso que dá para responder aqui coisas que ficaram em aberto na discussão. Começo pela mais importante, e ela não é sobre gestrinona. Você não tem tireoide. Isso apareceu de passagem, como explicação para o seu metabolismo ser diferenciado, e ninguém voltou ao assunto. Mas ele muda a leitura de todo o seu relato. Quem não tem tireoide depende inteiramente da dose de levotiroxina, e essa dose foi calibrada para o seu corpo antes da gestrinona. Acontece que androgênios reduzem as proteínas de transporte do sangue, e isso não vale só para a SHBG. Vale também para a TBG, que é a globulina que carrega o hormônio tireoidiano. E o seu exame mostra exatamente essa queda acontecendo. A sua SHBG caiu de oitenta e cinco vírgula nove para vinte e um em um mês. Isso é uma redução de cerca de setenta e cinco por cento das proteínas de ligação, e é um deslocamento grande. Está descrito na literatura que a administração de androgênio reduz a TBG e altera a necessidade de levotiroxina, com relatos específicos em mulheres hipotireoideas em uso de L T4. Ou seja, a sua dose de reposição pode ter deixado de ser a correta, e isso aconteceu sem que ninguém mexesse nela. E aqui está o motivo pelo qual isso importa tanto no seu caso. Olhe a lista de queixas que você atribuiu à gestrinona. Ganho de peso, retenção de líquido, inchaço, rosto mais arredondado, queda de cabelo, cabelo seco e sem brilho, pele mudando de aspecto. Essa lista é indistinguível de disfunção tireoidiana. Ela não prova que a causa seja a tireoide, e a gestrinona também explicaria parte. Mas você não tem como separar as duas coisas, e a única forma de tentar é dosar. E, na sua lista de exames de acompanhamento, TSH e T4 livre não aparecem em nenhum momento. Foram dosados testosterona, DHT, progesterona, estradiol, SHBG e lipídios, mas não a tireoide, que é justamente o sistema que você não tem. É o que eu levaria à próxima consulta antes de qualquer outra coisa. Segundo ponto. A pergunta sobre a queda de cabelo foi respondida pelos seus próprios exames, e ninguém fez a conta. O @Foston levantou as duas hipóteses corretas. Ou a gestrinona agindo diretamente no couro cabeludo, já que é um dezenove nor e não converte em DHT, ou a gestrinona derrubando a SHBG e com isso aumentando a testosterona livre, que converte em DHT. Os seus números respondem, e apontam para a segunda. SHBG de oitenta e cinco vírgula nove para vinte e um. Testosterona livre de zero vírgula trinta e sete para zero vírgula sessenta e quatro, ou seja, quase o dobro. Testosterona biodisponível de nove para quinze. E DHT de duzentos e quatro para duzentos e oitenta e oito, um aumento de cerca de quarenta por cento. Repare que a testosterona total praticamente não mudou, indo de trinta e quatro para vinte e oito. Se alguém olhasse só a testosterona total, concluiria que nada aconteceu. O que mudou foi a fração disponível, exatamente pelo caminho que o Foston descreveu na hipótese b. Isso tem uma consequência prática. A dutasterida, que a sua nutróloga acrescentou, faz sentido no seu caso. O Foston disse que ela só serviria se o DHT estivesse alto e que você só saberia com exame de sangue. Você tinha o exame, e ele mostra o DHT subindo quarenta por cento. Terceiro ponto, e discordo do Foston aqui, porque é o oposto do que ficou registrado. Ele escreveu que a espironolactona apenas abaixa a testosterona, que não age na conversão em DHT, e que não haveria lógica no uso. A espironolactona é antagonista do receptor androgênico. Ela compete diretamente com a testosterona e com o DHT pelo sítio de ligação no receptor, inclusive nas células da glândula sebácea e do folículo. Além disso, ela inibe a cinco alfa redutase, que é justamente a enzima que converte testosterona em DHT, e aumenta a SHBG. Ou seja, ela faz exatamente as três coisas que o seu quadro pede. Ela é, aliás, terapia antiandrogênica de primeira linha recomendada por diretriz para acne e hirsutismo em mulheres na pré menopausa sem planos de gravidez, em doses de cinquenta a cem miligramas por dia. A prescrição da sua nutróloga estava coerente. O único cuidado real com ela é que exige contracepção eficaz, pelo risco ao feto masculino. Quarto ponto, um exame seu que passou despercebido. O seu HDL caiu de cinquenta e quatro vírgula oito para quarenta e dois vírgula cinco em um mês. É uma queda de cerca de vinte e dois por cento, e é o efeito clássico de androgênio sobre o perfil lipídico. Isso não dá sintoma nenhum, o que é justamente o problema. Quando o Foston escreveu que os seus marcadores estavam bons, esse item passou. Ele merece acompanhamento, principalmente porque você agora acrescentou testosterona à gestrinona, e as duas empurram o HDL na mesma direção. Quinto ponto, sobre o método de acompanhamento. Você faz bioimpedância a cada quinze dias, e tomou decisões a partir dela, inclusive cortando carboidrato do café da manhã e reduzindo o da noite por conta própria. Olhe as variações que você registrou. Massa muscular de vinte e um vírgula oito para vinte e dois vírgula dois e depois vinte e dois vírgula três. Percentual de gordura de vinte e três vírgula nove para vinte e três vírgula cinco e depois vinte e três vírgula dois. Essas diferenças estão dentro da margem de erro do método. A bioimpedância estima composição corporal a partir da condutividade elétrica, ou seja, ela mede água e infere o resto. Em alguém que está com retenção documentada, como você relatou, o aparelho vai reportar mais massa magra justamente quando há mais água. É por isso que os seus dois números se moveram juntos, água corporal e massa muscular. Quinze dias é intervalo curto demais para essa ferramenta, e isso importa porque você reduziu a própria dieta com base nesses números. O que serve nesse intervalo é fita métrica, foto padronizada na mesma luz e roupa, e carga registrada no treino. Sexto ponto, e é o que precisa de mais cuidado no tópico inteiro. Foi dito que a gestrinona evitaria carcinoma mamário, pela redução de estrogênio, com a comparação de que homens raramente têm a doença. Isso não se sustenta e não deve circular. Gestrinona não tem indicação nem evidência de prevenção de câncer de mama, e a comparação com homens não funciona, porque a diferença de incidência envolve muito mais que nível de estrogênio, incluindo a própria quantidade de tecido mamário. Aliás, no seu próprio relato você menciona ter lido sobre uma mulher que teve câncer de mama depois do implante. Na mesma linha, foi dito que a testosterona, por ser bioidêntica, evitaria a possibilidade de colaterais. Bioidêntico descreve a estrutura da molécula, não o efeito. Testosterona em mulher produz virilização de forma bem documentada quando a dose ou a exposição são altas, e ser idêntica ao hormônio humano não muda isso. Sétimo ponto, a progesterona para hipertrofia. O argumento que você trouxe, de que a progesterona é precursora na cascata hormonal, é comum e vale desfazer. Estar acima em um diagrama de síntese não significa que o que se administra siga aquele caminho. A conversão depende de enzimas presentes em tecidos específicos e é regulada, então progesterona aplicada em gel não vira testosterona em quantidade relevante. O Foston tem razão nessa parte. Agora, três coisas que não apareceram em cinquenta e oito comentários e que eu incluiria. A voz. Gestrinona é derivada de dezenove nor e tem atividade androgênica, e o seu DHT subiu quarenta por cento. Grave hoje um parágrafo lido em voz alta e, se conseguir, uma escala cantada até a nota mais alta confortável, guardando com a data. É a única referência objetiva que existe, e é importante porque não percebemos a própria voz mudando. Vale separar o que regride do que pode não regredir. Queda de cabelo, acne, oleosidade, retenção e celulite regridem. Engrossamento de voz e aumento do clitóris podem não regredir. A contracepção. Você escreveu no início que resistia ao implante porque não queria deixar de ovular, e depois a sua médica disse que provavelmente você já não ovula. Provavelmente não é o mesmo que não. Gestrinona é teratogênica, e a dutasterida e a espironolactona também exigem contracepção eficaz. O dispositivo intrauterino de cobre é opção não hormonal, com a menor taxa de falha, e não interfere em nenhuma das medições que você está acompanhando. E o implante, para quem lê hoje. Desde outubro de dois mil e vinte e quatro a ANVISA proibiu a manipulação e o uso de implantes hormonais manipulados no Brasil. Ou seja, aquele investimento de quatro mil reais que você estava avaliando não é mais uma opção regular, e essa informação importa mais para quem chega ao tópico agora do que importava em dois mil e dezoito. Por último, uma nota sobre a decisão que você tomou. Você optou por testar o gel antes de colocar o implante, justamente porque o implante não tem como ser removido facilmente e o dinheiro não volta. Essa foi a melhor decisão de todo o relato, e é a que eu destacaria para as outras mulheres que chegarem aqui. Você conseguiu descobrir que não se adapta bem à substância pagando o preço de um gel, e não o de um procedimento irreversível. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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Gel de testosterona - alguém com relatos?
Olá @Cláudio Chamini Eu acabei de ler seu post e gostaria de acrescentar a informação que dei sobre a SOAP , eu tive quando mais jovem na adolescência, quando parei de usar o Diane por causa de nódulos no fígado, o médico disse que eu já não tinha mais esse problema pq meus hormônios andrógenos já não estavam mais em superprodução como antes, pelo contrário tinham decaído, por isso entramos com a modulação hormonal . Sobre a Gestrinona informo que fiz uso dela em forma de gel transdérmico por aproximadamente 3 meses por indicação de tratamento de miomas uterinos e parei por não estar mais aguentando os efeitos colaterais (sangramento contínuo) mas assim que parei repetimos os exames e constatamos a regressão dos miomas na época, o tratamento foi um sucesso. Após a retirada mantivemos os outros géis (testo+progestreona) e entramos com a Ox sublingual, tratamento que faço uso até hj com colaterais controlados .
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Andréas_G começou a seguir Gel de testosterona - alguém com relatos?
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CALORIAS NÃO EXISTEM!
@TribalWolf, você abriu este tópico em dois mil e três dizendo que não dava vinte anos para a ciência provar que você estava certo. Passaram se mais de vinte, e dá para fechar a conta com dados que não existiam quando o tópico foi escrito. Ela não fecha do seu lado, mas fecha menos do lado dos seus críticos do que eles imaginavam. Começo pela parte que não se sustenta. Você escreveu que não há diferença significativa entre uma dieta de mil calorias e uma de duas mil e quinhentas. Há, e ela é enorme. O ponto que resolve isso não é argumento, é experimento controlado. Existem estudos feitos em enfermaria metabólica, ou seja, com as pessoas internadas, comendo apenas o que a equipe fornece, com tudo pesado e a atividade controlada. Um dos mais citados, do grupo do Hall, publicado na Cell Metabolism, colocou pessoas com obesidade em duas dietas com a mesma quantidade de calorias, uma cortando carboidrato e outra cortando gordura, e mediu a perda de gordura corporal diretamente. As duas produziram perda de gordura. E, no curto prazo, a que cortou gordura perdeu mais, apesar de a que cortou carboidrato ter aumentado a oxidação de gordura. Ou seja, mesmo o desenho que a intuição diria ser o vencedor não venceu quando as calorias foram igualadas. Esse é o experimento que responde a sua tese, e responde nos dois sentidos, porque ele também mostra que a origem da caloria não faz o efeito desaparecer. O @Tank Abbott fez o argumento certo logo no começo, com a lista absurda de comida saudável, e você respondeu que teria indigestão. Essa resposta é reveladora, mas não do jeito que você pensou. Ela concede o ponto. Se a razão para não engordar é não conseguir comer aquilo tudo, então a quantidade importa. O que aconteceu foi só que o limite veio pelo estômago em vez de pela conta. Agora a parte em que você tinha razão, e ela é maior do que o tópico reconheceu. Primeiro, o número na tabela é aproximado. As calorias dos rótulos vêm de fatores de conversão médios, atribuídos por macronutriente, e não de medida individual do alimento. Existem estudos mostrando que a energia realmente absorvida de castanhas e amêndoas é bem menor que a calculada, porque parte da gordura permanece presa na matriz da fibra e sai nas fezes. Ou seja, comer duzentas calorias de amêndoas não é a mesma coisa que absorver duzentas calorias. Segundo, digerir custa energia, e custa diferente. O efeito térmico dos alimentos é de cerca de vinte a trinta por cento para proteína, cinco a dez por cento para carboidrato e quase nada para gordura. Então cem calorias de frango e cem calorias de azeite não entregam a mesma coisa depois do processamento. O @GORO mencionou isso quando escreveu que digestão gasta energia, e essa foi a observação mais precisa de todo o tópico. Terceiro, o grau de processamento muda quanto se extrai do mesmo alimento. Comida moída, cozida e refinada é absorvida com mais eficiência que a mesma comida inteira e crua. E quarto, que é o que mais importa na prática, a mesma quantidade de calorias sacia de forma completamente diferente. Trezentas calorias de peito de frango com batata e salada e trezentas calorias de refrigerante produzem comportamentos alimentares opostos no resto do dia. Então a síntese honesta é essa. O balanço energético existe e é o que determina ganho e perda de gordura. Isso não é uma teoria, é o que os estudos controlados mostram. Nesse sentido, a sua tese não se sustenta. Mas a contagem de calorias é um instrumento com erro considerável, e a qualidade do alimento importa muito, só que ela importa por outros caminhos, que são a saciedade, o custo da digestão, o quanto de fato se absorve e a facilidade de manter aquilo por meses. Nesse sentido, a sua intuição estava apontando para algo real, e a discussão que você provocou tinha valor. E é por isso que, na prática, quem se alimenta bem quase sempre acaba comendo menos sem contar nada. O Tank Abbott já tinha dito isso no terceiro comentário, aliás, quando explicou que restringir a comida a alimentos saudáveis costuma colocar a pessoa em déficit sozinho, por causa de fibra e saciedade. Uma correção sobre um ponto do GORO, que envelheceu. Ele usou a comparação entre ectomorfo e endomorfo. Os somatotipos foram propostos como sistema de classificação e não se sustentaram como ferramenta preditiva de resposta a dieta ou treino. Isso não afeta o argumento dele, que era o de que a necessidade calórica varia entre pessoas, e essa parte continua certa, só que ela varia por peso, massa magra e nível de atividade, não por tipo corporal. Para quem chega hoje neste tópico, a conclusão prática é curta. Contar calorias não é obrigatório, e muita gente atinge o objetivo sem contar nada. Mas quando o resultado não vem, contar por duas ou três semanas é o instrumento de diagnóstico mais barato que existe, porque quase sempre revela uma diferença grande entre o que a pessoa acha que come e o que ela come. E o número não precisa estar certo em valor absoluto para servir, já que o que interessa é a direção da mudança e a comparação com o peso ao longo das semanas.
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Pré treino Bone Crusher
@Roberto Cunha, a sua experiência tem explicação simples, e ela não é o produto ser falso. Mas a única resposta que você recebeu foi uma sugestão que eu preciso contestar de forma direta, então começo por ela. @TTEFrangoMutante, você sugeriu ao Roberto vinte e um miligramas de cloridrato de ioimbina seguidos de dois cafés feitos na hora, e escreveu no mesmo comentário que a dose máxima para o seu peso seria dezessete. Não recomende isso a ninguém, e principalmente não a ele. Roberto tem um metro e setenta e quatro e noventa e um quilos, treina há trinta e cinco anos, o que significa que ele não tem vinte anos, e abriu o relato dizendo que escolhe suplemento com cuidado porque o pai morreu de câncer. Esse é o perfil de alguém para quem qualquer estimulante pede avaliação cardiovascular antes, e não sugestão de fórum. E existe um caso concreto neste mesmo fórum. Em outro tópico sobre termogênicos, um usuário relatou que usou ioimbina por quatro dias e teve hepatite medicamentosa, fezes brancas, que indicam colestase, e parou no hospital com frequência cardíaca de duzentos e quarenta batimentos por minuto, revertida com adenosina. Isso é taquicardia supraventricular, e adenosina é medicação hospitalar usada para interromper o circuito elétrico do coração. A ioimbina bloqueia receptores alfa dois adrenérgicos, e o quadro descrito com ela inclui insônia, ansiedade, palpitação, dor no peito, sudorese, elevação de pressão e as arritmias acima. As orientações de uso são explícitas em evitar associação com outros estimulantes, exatamente pela soma sobre pressão e frequência. Ela é contraindicada em doença cardiovascular, hipertensão, doença hepática ou renal, e em quadros de ansiedade e pânico. E, no Brasil, ioimbina é medicamento, não ingrediente autorizado de suplemento alimentar. O que se vende em loja com esse nome está fora do circuito regulado, sem controle de teor, o que significa que o número de miligramas do rótulo é uma informação sem garantia. Reconhecer que se está acima da própria dose máxima calculada e usar assim mesmo é o tipo de decisão que só tem consequência quando tem, e aí ela é grande. Não estou dizendo isso para constranger você, e sim porque este tópico é lido por quem chega buscando pré treino. Agora, Roberto, sobre o que aconteceu com você. Você não sentiu nada porque não há muito a sentir. A fórmula do Bone Crusher, pelo rótulo transcrito em outro tópico daqui, é basicamente taurina, cafeína, maltodextrina, cálcio quelato, acidulante, aromas, adoçante e corante. Uma dose de cinco gramas contém cento e quarenta miligramas de cafeína e quatrocentos miligramas de taurina. Cento e quarenta miligramas de cafeína é aproximadamente uma xícara e meia de café coado. Ou seja, o produto é um suplemento de cafeína em dose modesta. Se você toma café no dia a dia, e a maioria das pessoas toma, essa quantidade não produz nada perceptível, porque o seu organismo já opera com essa exposição. Não há mistério, não foi lote ruim e não foi o vendedor. E aí está a resposta à sua dúvida sobre a expectativa. Os sintomas que todos relatam, como formigamento e explosão de energia, não vêm dessa fórmula. Formigamento é a parestesia característica da beta alanina, que não consta na composição transcrita. Energia intensa costuma vir de doses de cafeína bem maiores, ou de estimulantes que não estão ali. Vale registrar, aliás, que a categoria tem histórico ruim exatamente nesse ponto. Vários pré treinos que ficaram famosos por bater forte continham DMAA, ou seja, dimetilamilamina, proibida pela ANVISA em dois mil e doze depois de notificações de eventos graves, incluindo hemorragia cerebral e infarto. Outros passaram a usar DMHA depois, também classificado como adulterante pela agência americana. Quando alguém diz que um pré treino é muito melhor porque bate muito mais, essa costuma ser a explicação, e ela não é uma qualidade. O que de fato funciona, e é o que eu diria a quem treina há trinta e cinco anos e conhece o assunto. A parte com efeito demonstrado nessa categoria é a cafeína, na faixa de três a seis miligramas por quilo, tomada trinta a sessenta minutos antes. Nos seus noventa e um quilos, isso seria algo entre duzentos e setenta e quinhentos e quarenta miligramas, e a faixa mais baixa já basta. Isso está em café, custa uma fração do preço, e você controla a dose. Duas ressalvas que importam mais na sua situação do que na de um jovem. Cafeína eleva pressão arterial de forma transitória, e vale saber a sua. E ela tem meia vida de cerca de cinco horas, então uma dose às dezoito horas ainda está pela metade na hora de dormir, e sono ruim custa mais em recuperação do que qualquer pré treino entrega em desempenho. Por fim, sobre o motivo que você deu para escolher suplemento com cuidado. Ele é legítimo, e o cuidado está no lugar certo. Só acrescento onde ele rende mais. O risco relevante nessa categoria não está no whey nem na creatina, que são dos produtos mais estudados que existem. Está exatamente nos estimulantes, que é a categoria em que aparecem substâncias não declaradas no rótulo e adulterantes retirados do mercado. Quem quer minimizar exposição a coisa desconhecida faz bem em evitar justamente o que estava sendo sugerido a você neste tópico. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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Dieta ( Sugestões)
@fernandordgs17, o seu tópico ficou sem nenhuma resposta, e ele merecia, porque a dieta está bem montada. Vou avaliar como você pediu, apontar o que falta e responder o que está por trás da observação que você fez no fim. Antes, um ajuste de dado. No corpo do texto você escreveu um metro e setenta e quatro, e no seu perfil consta um metro e sessenta e quatro. Dez centímetros mudam bastante a leitura, então vale corrigir onde estiver errado. Vou seguir com um metro e setenta e quatro, que foi o que você escreveu ao pedir a avaliação. O que está bom, e é a maior parte. A estrutura é sólida. Proteína bem distribuída em seis momentos do dia, o que é justamente o que a literatura sustenta. Somando as fontes, você está em algo em torno de cento e quarenta a cento e cinquenta gramas de proteína, o que dá cerca de dois gramas por quilo. É a faixa correta, e não precisa subir. O ponto de quebra identificado em meta análise fica em torno de um vírgula seis grama por quilo, com margem até cerca de dois vírgula dois, então você está dentro e qualquer aumento seria dinheiro gasto sem retorno. Creatina cinco gramas por dia está certo, e não precisa ciclar. O efeito depende de o músculo permanecer saturado, então o correto é usar continuamente. O pré treino com maltodextrina, pasta de amendoim e fruta funciona. E ter carboidrato em quase todas as refeições, sem medo, é o que sustenta o treino de quem quer ganhar peso. Agora o que eu mudaria, em ordem de importância. O primeiro e principal. Não aparece em nenhum lugar o total de calorias, e é ele que define se você ganha ou não. Isso é ainda mais decisivo no seu caso, porque você mesmo escreveu que tem facilidade para perder peso e dificuldade para ganhar. Quem tem esse perfil quase sempre está comendo menos do que imagina, e uma dieta que parece grande no papel não é necessariamente suficiente. O jeito de resolver não é calcular melhor, é medir. Siga essa dieta exatamente como está por duas semanas e pese se em jejum três vezes por semana, sempre no mesmo horário e nas mesmas condições. Tire a média de cada semana. Se o peso não subiu, a dieta é de manutenção para você, por mais completa que pareça, e é só somar em cima. Acrescentar por volta de trezentas calorias e reavaliar em duas ou três semanas. O ritmo que costuma render bem, em quem já treina, é algo próximo de trezentos gramas por semana. E, quando precisar somar, o caminho mais fácil já está na sua dieta. Aumentar a pasta de amendoim, colocar azeite no arroz, trocar leite desnatado por integral, aumentar as castanhas de seis para doze e acrescentar mel. Isso adiciona bastante caloria sem adicionar volume, o que importa porque o limite de quem tem dificuldade para ganhar quase nunca é apetite por comida boa, é espaço no estômago. O segundo ponto é o que está faltando na dieta, e não é proteína. Em todo o dia aparecem uma fruta no pré treino e um suco ou fruta à noite, além da salada nas duas refeições principais. Isso é pouco em vegetais e frutas, e isso não é preciosismo, é fibra e micronutriente. Vale acrescentar mais fruta nos lanches, o que também ajuda no total calórico, e não custa nada. O terceiro é uma observação sobre o pós treino. Você tem whey com creatina às dezoito e vinte, e a próxima refeição sólida só às vinte e vinte. Está tudo bem, e a janela de trinta minutos depois do treino é bem menos importante do que se dizia. Só valeria acrescentar carboidrato junto do whey pós treino, já que o seu objetivo é ganhar peso e essa é uma refeição pequena num dia que precisa ser calórico. Agora o que está por trás da sua observação final, e é o item mais importante da resposta. Facilidade para perder e dificuldade para ganhar, de forma persistente e apesar de esforço, às vezes tem causa clínica. Vale descartar antes de concluir que é metabolismo ou genética. Os exames que respondem isso são baratos. TSH e T4 livre, sorologia para doença celíaca com antitransglutaminase IgA acompanhada de IgA total, hemograma, ferritina, vitamina B doze, vitamina D e albumina. Isso não é dizer que há algo errado com você. É que, se houver, é tratável, e nesse caso todo o esforço que você já está fazendo passa a render muito mais. E, se vier tudo normal, você segue com a tranquilidade de saber que a conta é só de comida, e aí é só somar calorias até o peso subir. Uma última coisa, que não estava na sua pergunta mas que decide mais que a dieta. Você não mencionou o treino. Ganho de massa depende de progressão de carga registrada ao longo dos meses, e a dieta só entrega o resultado se existir o estímulo para isso. Se a carga não sobe, comer mais vira gordura. Anote carga e repetição, semana a semana, e essa é a única planilha que precisa existir junto com a da dieta. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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Tenho medo de emagrecer e sobrar pele
@Carlos, o @Locemar te respondeu bem e a resposta dele está certa. Vou completar com o que ninguém te disse, porque tem uma parte da sua situação que é bem mais importante que a pele e que passou em branco. Primeiro, respondendo direto a sua pergunta. Aos dezessete anos, a chance de sobrar pele depois de perder quarenta quilos é pequena, e o Locemar acertou nos motivos. Idade é o fator mais favorável que existe para retração de pele, porque a produção de colágeno e elastina está no auge e a capacidade de remodelação é máxima. Quem precisa de cirurgia para retirar pele costuma ser quem perdeu peso muito maior, em idade mais avançada, ou depois de cirurgia bariátrica com perda muito rápida. Três coisas ajudam concretamente, e você controla todas. A velocidade. Perda gradual dá tempo para a pele acompanhar. Algo entre meio quilo e um quilo por semana é o ritmo que se sustenta e que preserva massa magra. Nos seus quarenta quilos, isso dá algo entre dez meses e um ano e meio, e você mesmo escreveu que não planeja emagrecer rápido, o que já é a decisão certa. A musculação, e aqui vale a precisão. Ela não reduz pele. O que ela faz é preencher, ou seja, o músculo ocupa o espaço que a gordura deixou, e o resultado visual é de firmeza. É por isso que duas pessoas com o mesmo peso final têm aparências completamente diferentes conforme tenham ou não construído músculo no processo. E a proteína, que é o item mais negligenciado em emagrecimento. Ela é o que protege a massa magra durante o déficit. Sem ela, boa parte do que se perde é músculo, e aí a pele fica com ainda menos coisa por baixo. Uma nota sobre o que o Locemar disse a respeito de o músculo acelerar o metabolismo. Isso é verdade, mas o efeito é menor do que se costuma dizer, porque músculo em repouso gasta pouco. O que realmente aumenta o gasto é o treino em si e o fato de a pessoa se mover mais. A conclusão dele continua valendo, só não é pelo motivo que se repete por aí. Agora a parte que ninguém tocou, e que é a razão principal de eu ter escrito. Você tem dezessete anos e cento e dez quilos, e disse que quer emagrecer pela saúde. Então vale fazer o que responde exatamente isso, que é um exame de sangue. Nessa faixa de peso, o que se procura é o seguinte, e nada disso dá sintoma no começo. Glicemia de jejum e hemoglobina glicada, porque resistência à insulina e pré diabetes são comuns e silenciosos. Perfil lipídico completo. TGO, TGP e gama GT junto de uma ultrassonografia de abdome, porque gordura no fígado é a alteração mais frequente nesse contexto e é totalmente reversível quando pega cedo. TSH e T4 livre. E pressão arterial aferida. Vale também uma pergunta sobre sono. Se você ronca alto, acorda cansado mesmo dormindo bastante, ou se alguém já percebeu que você para de respirar dormindo, isso é apneia do sono, é comum nessa faixa de peso e tem tratamento. Ela atrapalha o emagrecimento por conta própria, além de afetar a disposição e a concentração no dia. Tudo isso é importante justamente porque, na sua idade, quase tudo o que aparecer aí reverte. Aos dezessete, o corpo perdoa. Essa mesma lista aos quarenta e cinco é uma conversa bem diferente. Uma correção sobre o número que você usou como meta. Você disse que o seu peso ideal seria entre sessenta e setenta quilos. Para um metro e setenta e oito, a faixa considerada adequada vai de cerca de cinquenta e nove a setenta e nove quilos, então sessenta é o piso dela, e não o alvo. E existe um detalhe que muda esse cálculo. Se você fizer musculação durante o processo, vai construir músculo, e músculo pesa. É perfeitamente possível você terminar com setenta e oito quilos e uma aparência muito melhor do que teria com setenta. Por isso eu não perseguiria um número na balança. Mediria fita na cintura, foto na mesma luz e no mesmo horário uma vez por mês, e carga registrada no treino. Esses três dizem se o processo está indo bem, e a balança sozinha não diz. E tem mais um fator a seu favor. Aos dezessete você provavelmente ainda vai crescer um pouco, e cada centímetro melhora a relação sem que você faça nada. Duas últimas coisas, práticas. Não corte demais. A tentação, com quarenta quilos pela frente, é fazer dieta muito restritiva para acelerar. Isso funciona por algumas semanas e falha por meses, e nessa idade, em fase de crescimento e formação óssea, restrição severa cobra caro. O que emagrece de verdade é o déficit moderado que você consegue manter por um ano. E procure orientação, se for possível. Com dezessete anos e cento e dez quilos, nutricionista e pediatra ou clínico acompanhando fazem diferença real, e boa parte disso está disponível pela rede pública. Você escreveu que quer isso pela saúde, e não por causa do que os outros falam. Essa é a motivação que dura, e é a que faz alguém chegar ao fim de um processo de um ano. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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Sintomas de quem ciclou sem ciclar (falta de libido, disfunção)
@lucalbn, você escreveu que já passou por vários médicos e que não sabe mais o que fazer. Vou tentar te dar o que faltou, e começo por uma coisa que está bem visível no seu exame e que passou batida pelo tópico inteiro, porque todo mundo, inclusive você, olhou só para os hormônios. O seu colesterol. Você registrou que ele baixou de trezentos e trinta e oito para duzentos e quarenta e cinco, e citou isso como boa notícia. E é, o esforço funcionou. Mas o número que importa é o de antes. Colesterol total de trezentos e trinta e oito em alguém de dezenove ou vinte anos não é dieta ruim. Esse é um valor que, em critérios diagnósticos usados internacionalmente, entra na faixa que levanta suspeita de hipercolesterolemia familiar, que é uma condição genética em que o organismo remove mal o LDL do sangue. Ela é bem mais comum do que se imagina, com prevalência estimada em torno de um a cada duzentas e cinquenta pessoas, e apenas quinze a vinte por cento dos casos chegam a receber diagnóstico. Ou seja, a regra é passar despercebida, exatamente como aconteceu com você. E o seu LDL atual, cento e setenta e cinco, com o total ainda em duzentos e quarenta e cinco, mesmo depois de você ter melhorado alimentação e começado a treinar, é justamente o padrão que reforça a suspeita. Quem tem colesterol alto por dieta costuma normalizar quando corrige a dieta. Quem não normaliza tem outra coisa acontecendo. Isso importa porque é o único item de toda a sua investigação com consequência séria a longo prazo, e é tratável. Vale conversar com um médico especificamente sobre isso, e o que ele vai querer saber é o histórico familiar. Se alguém da família teve infarto, angina, ponte de safena, stent ou derrame antes dos cinquenta e cinco anos nos homens e sessenta nas mulheres, isso pesa muito no diagnóstico. Vale também pedir para olharem os tendões, principalmente o de Aquiles, e um arco esbranquiçado ao redor da íris, que são sinais físicos associados. Peça também para os seus pais e irmãos dosarem colesterol. Se a condição existir, metade dos parentes de primeiro grau tem, e essa é a forma mais eficiente de descobrir. Agora, a parte hormonal, que é o que você foi investigar. Primeiro, uma leitura dos seus números que ninguém fez. O @Locemar te disse que quatrocentos e cinquenta e um é um valor perfeitamente normal, e ele está certo quanto ao número em si. Mas tem um detalhe importante no seu próprio relato. Você contou que a testosterona era duzentos e quinze antes, e que usou testosterona em gel. Duzentos e quinze aos dezenove anos não é normal. É baixo de verdade, e para essa idade é bastante baixo. E aí vem a pergunta que precisa ser respondida antes de qualquer outra coisa. O exame de quatrocentos e cinquenta e um foi colhido enquanto você usava o gel, ou depois de parar, e depois de quanto tempo? Isso muda tudo. Se foi durante o uso, o número não diz nada sobre a sua produção própria, e o LH de dois vírgula três e o FSH de dois vírgula zero dois, ambos na parte baixa da faixa, são exatamente o que se espera de alguém recebendo testosterona de fora, porque ela suprime o comando do cérebro. Nesse caso o exame está medindo o gel, não você. E, se foi depois de parar, então você tem um padrão de testosterona baixa com LH e FSH baixos, o que tem nome, é hipogonadismo hipogonadotrófico, ou seja, o problema não está no testículo, está no comando central. Esse padrão tem causas específicas e investigáveis, e uma delas me chama atenção no seu caso e não foi levantada por ninguém. Hemocromatose. É uma condição em que o corpo absorve ferro em excesso e o acumula em órgãos, incluindo a hipófise. Em homens jovens, ela se manifesta justamente assim, com queda de libido, disfunção erétil e cansaço, e existe descrição na literatura de caso com essa apresentação inicial em paciente de vinte e quatro anos. Os exames laboratoriais mostram testosterona baixa com LH e FSH baixos, que é o seu padrão. E existem duas razões para procurar isso. É barato, com saturação de transferrina e ferritina, exames simples. E é tratável, com sangrias, sendo que há relatos de reversão do hipogonadismo com a retirada do ferro, principalmente quando o tratamento começa cedo e em paciente jovem. Junto disso, os outros que valem e não aparecem no seu relato. TSH e T4 livre. Glicemia de jejum e hemoglobina glicada. Vitamina D. E, se houver ronco alto, sono não reparador ou pausas na respiração relatadas por alguém, avaliação de apneia do sono, que é causa comum de cansaço e de queda de libido e passa anos sem diagnóstico. Uma nota sobre a prolactina e a SHBG, para não repetirem exame à toa. As duas foram dosadas e vieram normais, com prolactina em oito vírgula quatro e SHBG em vinte e três vírgula seis. Isso é útil, porque afasta as causas mais comuns nessa faixa etária. Sobre o estradiol de dezessete vírgula oitenta e cinco, um cuidado. A faixa de referência impressa no seu exame, de vinte e cinco vírgula oito a sessenta vírgula sete, não é a que se usa para homem adulto. Então ele não está necessariamente baixo. Ainda assim, estradiol baixo em homem causa exatamente queda de libido e piora de ereção, então ele merece ser interpretado por quem estiver acompanhando, e não descartado. Agora um ponto analítico, e este é importante porque o tópico chegou à conclusão contrária. O @fisiculturismo te fez a pergunta certa, que era se a falha acontece na masturbação ou só com uma parceira, e explicou que se fosse só com parceira apontaria para o psicológico. O raciocínio dele está correto. Só que a sua resposta foi que acontece nos dois casos, e que é pior na masturbação. Isso aponta na direção oposta da conclusão que o tópico tirou. Ansiedade de desempenho piora justamente na situação com outra pessoa, e costuma poupar a masturbação. Um quadro que é igual ou pior sozinho é menos compatível com causa puramente psicológica. E existe uma pergunta que ninguém te fez e que é a de maior valor em toda essa investigação, porque ela separa orgânico de psicológico melhor que qualquer exame. Você acorda com ereção, e tem ereções durante a noite? Se sim, e se elas são firmes, o aparelho vascular e nervoso está funcionando. Se você não tem ereção matinal há anos, isso muda completamente o rumo da investigação. Leve essa resposta ao próximo médico, porque ela vale mais que a próxima bateria de exames. Sobre a sugestão do @RafaelAlvares, dois comentários. A ideia de excesso de estímulo com conteúdo erótico é discutida, e existe gente que relata melhora com pausa. Não é bobagem, e como não custa nada, tentar não faz mal. Mas isso não está estabelecido como diagnóstico, e não deve substituir a investigação, principalmente porque o seu quadro começou aos catorze ou quinze anos e é pior na masturbação, o que não se encaixa bem nessa explicação. O que eu não acompanharia é a maca peruana, e registro que aquele comentário veio com link de venda. Maca não tem efeito estabelecido sobre função erétil, e a evidência sobre libido é fraca. Não vai resolver o seu caso, e no seu lugar o dinheiro rende muito mais em saturação de transferrina e ferritina. Por fim, uma coisa que você mencionou de passagem e que vale considerar sem julgamento. Você citou que fumava maconha de vez em quando. Uso regular está associado a redução de libido e a disfunção erétil, e o efeito é dependente da frequência. Se hoje o uso for esporádico, provavelmente não explica cinco anos de sintoma. Mas, se em algum período foi frequente, isso entra na conta e vale mencionar ao médico, que é a única pessoa para quem isso precisa ser dito. Você tem vinte anos e cinco anos de sintoma, e isso é tempo demais para seguir sem uma explicação. O que eu levaria à próxima consulta, em uma folha, é isto. O colesterol de trezentos e trinta e oito aos dezenove anos e o histórico familiar cardiovascular. A dúvida de se o exame recente foi feito sob uso de gel. E o pedido de saturação de transferrina e ferritina. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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Duvidas com Dieta
@Giovanni Bruno, este tópico terminou bem, e vale começar por isso. Você recebeu o conselho de voltar e conversar com a sua nutricionista, fez exatamente isso, ela ajustou, e funcionou. Esse é o desfecho mais raro do fórum inteiro, porque quase ninguém volta para contar. Mas a sua pergunta específica ficou sem resposta técnica, e ela é boa. Vou respondê la, porque muita gente vai chegar aqui com a mesma dúvida. Você perguntou se é preciso ter uma quantidade de carboidrato para que a gordura possa ser eliminada. A resposta é não. Não é preciso carboidrato para queimar gordura. E a frase que o @Locemar citou, de que a gordura queima numa fogueira de carboidratos, é justamente a origem desse mal entendido. Ela é um ditado antigo de bioquímica, e ele descreve algo real de forma exagerada. A ideia vem de que a oxidação de gordura no ciclo de Krebs depende de oxaloacetato, que é reposto a partir de carboidrato. Só que o corpo tem outras rotas para repor isso, principalmente a partir de proteína, e além disso ele produz corpos cetônicos quando o carboidrato é baixo. Ou seja, ninguém para de queimar gordura por comer pouco carboidrato. Se fosse assim, dietas de baixo carboidrato não emagreceriam ninguém, e elas emagrecem. O Locemar acerta na conclusão, que é a que importa. O que determina a perda de gordura é o total de calorias, e se a sua dieta está calculada para déficit, você perde gordura. Só corrijo a metade da frase que sustenta a explicação. Agora, onde o carboidrato de fato faz falta no seu caso, e por que a sua percepção não estava totalmente errada. Você treina seis vezes por semana. Carboidrato não é necessário para oxidar gordura, mas é o combustível principal do trabalho intenso. Com pouco carboidrato, o que cai não é a queima de gordura, é o desempenho no treino. E desempenho no treino é o que preserva massa magra durante o emagrecimento, que é justamente a diferença entre emagrecer perdendo gordura e emagrecer perdendo músculo. Olhando a dieta que você postou, é isso que eu teria apontado. O único carboidrato de fato do dia inteiro são cento e cinquenta gramas de mandioquinha no pré treino, mais três frutas. Para quem treina seis vezes por semana, isso é pouco, e provavelmente o total calórico também era baixo. E há um segundo motivo, que é aderência. Dieta muito restritiva funciona por algumas semanas e falha por meses, e a dieta que funciona é a que se consegue cumprir. Como você mesmo escreveu depois que ela ajustou e você passou a ver diferença na cintura e no abdome, provavelmente foi nessa direção que o ajuste foi. Duas observações menores sobre a dieta original. O BCAA no pré treino não acrescenta nada quando a proteína total do dia está adequada, e a sua estava, com ovos e três porções de carne. BCAA são três aminoácidos que já vêm em qualquer proteína completa, em quantidade maior. É o suplemento com pior relação entre preço e utilidade da lista. E a proteína, que estava bem colocada. A faixa que a literatura sustenta é de um vírgula seis a dois vírgula dois gramas por quilo, e ela é ainda mais importante em déficit, porque é ela que protege a massa magra. Agora uma coisa que ninguém no tópico comentou e que eu levaria à consulta. Você escreveu que se afastou da academia por três meses por motivos de saúde e ganhou quinze quilos nesse período. Quinze quilos em três meses é bastante, e a inatividade sozinha raramente explica isso. Se houve uso de corticoide no tratamento, isso explicaria com folga, e nesse caso a conduta muda. Vale também checar tireoide, com TSH e T4 livre, e glicemia de jejum. Não é para procurar problema onde não há, é que, se houver algo assim, ele muda a estratégia, e você estaria remando contra uma causa que não é dietética. Sobre a resposta que você recebeu do @Visitante FitCoupleHim, ela veio dura, mas tinha uma pergunta que valia. Ele perguntou se você sabia quantas calorias e quantos macronutrientes comia por dia. Essa é de fato a informação que faltava para você mesmo avaliar a sua dieta, e é o que eu recomendaria a quem chega com a mesma dúvida. Anotar o que come por uma semana, sem mudar nada, resolve a maior parte dessas incertezas antes mesmo da consulta. E a @Dra. Shalimar Diniz te deu o melhor conselho do tópico, que era voltar e conversar em vez de ajustar por conta própria. Você fez isso, e é por isso que este tópico terminou com resultado em vez de terminar com você abandonando a dieta e concluindo que nutricionista não serve. Vale registrar isso para quem lê, porque a dúvida que você teve é a mesma que faz muita gente parar no meio do caminho sem nunca perguntar. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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Montando minha dieta.
@BuchechaBjj, o @Locemar te fez as perguntas certas e nunca recebeu resposta completa, e é por isso que o tópico não saiu do lugar. Vou te dar o que dá para dar sem esses dados, e corrigir três coisas que ficaram escritas aqui. A primeira é a proteína. Foi sugerido três a quatro gramas por quilo, depois dois e meio a três, e nos setenta e quatro quilos isso vira mais de duzentos e vinte gramas por dia. Isso é muito acima do necessário, e existe número para dizer isso. A meta análise de referência sobre o assunto, publicada no British Journal of Sports Medicine, reuniu quarenta e nove estudos com mais de mil e oitocentos participantes e identificou um ponto de quebra em torno de um vírgula seis grama por quilo por dia. Acima disso, não se detecta ganho adicional de massa magra com treino de força. O intervalo de confiança se estende até cerca de dois vírgula dois, e é daí que vem a faixa prática de um vírgula seis a dois vírgula dois que se usa hoje. Ou seja, nos seus setenta e quatro quilos, algo entre cento e vinte e cento e sessenta gramas por dia. Metade do que foi sugerido. E isso não é só economia. Tem custo prático, e no seu caso ele é grande. Cada grama de proteína a mais desloca espaço de carboidrato e de gordura no prato e no orçamento. Você luta jiu jitsu e ainda treina musculação, e a demanda energética disso é alta. Carboidrato é o combustível do trabalho intenso e intermitente, que é exatamente o perfil de um treino de luta. Comer duzentos e vinte gramas de proteína e faltar carboidrato é o arranjo que piora o rendimento no tatame enquanto se acredita estar fazendo o máximo. A segunda correção é o azeite de linhaça. Foi dito que ele dá um boot na testosterona por causa do ômega três e seis. Isso não procede, e vale explicar por quê, porque a linhaça é justamente a semente que tem argumento na direção contrária. A linhaça é rica em lignanas, que no intestino são convertidas em enterolignanas, e essas se ligam à SHBG, que é a proteína que transporta os hormônios sexuais. Há também descrição de inibição da cinco alfa redutase, que é a enzima que converte testosterona em DHT. Em homens saudáveis, os estudos com uma a duas colheres de linhaça moída por dia não mostram efeito significativo sobre testosterona total ou livre, então também não é caso de alarme. Mas em nenhuma leitura a linhaça aumenta testosterona. E, sobre o ômega três, existe um detalhe que quase todo mundo desconhece. O ômega três da linhaça é ALA, e a conversão de ALA em EPA e DHA no corpo humano é muito baixa. Ou seja, se o objetivo é ômega três de fato, linhaça é uma fonte ruim, e o que serve é peixe gordo ou óleo de peixe. A linhaça é ótima como fibra e como fonte de gordura, e é só isso. A terceira coisa é onde o @TTEFrangoMutante acertou, e vale registrar porque foi o comentário mais útil do tópico. Ele disse que aquele número de gasto calórico que as calculadoras dão é gasto sem fazer nada, e que quem treina, corre, nada e luta gasta muito mais, então somar quinhentas calorias em cima do número errado pode deixar a pessoa em déficit sem perceber. Isso está certo, e é o erro número um de quem tenta ganhar peso treinando muito. A confusão está entre taxa metabólica basal, que é o gasto em repouso, e gasto energético total, que inclui atividade. Quem soma superávit em cima do basal está somando em cima de um número que não inclui os treinos. E, no seu caso, isso é ainda mais crítico. Jiu jitsu tem gasto alto e muito variável entre sessões, e é praticamente impossível estimar isso por fórmula. Por isso a resposta prática para o seu objetivo não é calcular melhor, é medir o resultado. O método é simples. Anote o que come por uma semana sem mudar nada, e pese se em jejum três vezes por semana, sempre no mesmo horário. Tire a média semanal. Se o peso está parado, esse é o seu gasto real, com todos os treinos incluídos. A partir daí acrescente cerca de trezentas calorias por dia e reavalie em duas ou três semanas. Se o peso não subir, acrescente mais. Se subir mais que meio quilo por semana, boa parte está vindo como gordura. E aqui entra o que é específico de quem luta e quer subir de categoria. O objetivo não é subir peso, é subir peso útil. Ganhar rápido demais em quem já treina muito costuma render mais gordura, o que te leva ao topo da categoria nova sem a força correspondente, que é o pior lugar para estar. Meio quilo a cada duas semanas é um ritmo que costuma se sustentar bem. Sobre a estrutura da dieta em si, o que o @Juzé sugeriu funciona como base. Ovos, carnes, leite e derivados, castanhas e azeite, e carboidratos complexos. Só ajustaria as proporções, na direção de menos proteína e bastante mais carboidrato, principalmente no entorno dos treinos de luta. E um detalhe que costuma ser o que realmente falta em quem treina muito e não ganha peso. Não é o cardápio, é o volume que cabe. Quem faz musculação e jiu jitsu na mesma semana costuma não conseguir comer o necessário em comida sólida. O que resolve isso é densidade calórica e líquido. Leite integral, azeite no arroz, pasta de amendoim, castanhas, mel, e um shake calórico feito em casa. Volume de comida sacia e limita, líquido calórico passa por cima disso.
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Porque não usar termogênicos (Clembuterol, Ioimbina ou efedrina com t3)!
@Locemar, o texto que você trouxe está certo no essencial e presta um serviço. Mas este tópico tem um relato dentro dele que ficou sem uma única resposta, e ele vale mais do que o artigo inteiro. Começo por ele. @Majestade Art, você escreveu que usou ioimbina por quatro dias, teve hepatite medicamentosa, fezes brancas, e parou no hospital com frequência cardíaca de duzentos e quarenta batimentos, revertida com adenosina. E que ficou com ansiedade depois. Isso é um relato grave, e ninguém respondeu. Deixa eu registrar o que aconteceu com você, porque quem lê precisa entender o tamanho disso. Duzentos e quarenta batimentos por minuto revertidos com adenosina é taquicardia supraventricular. A adenosina é um medicamento de uso hospitalar que interrompe o circuito elétrico do coração por alguns segundos, e ela é usada justamente quando a arritmia não cede sozinha. Ou seja, isso não foi mal estar, foi emergência cardiológica. E as fezes brancas são o achado que mais me chama atenção, porque elas indicam colestase, ou seja, interrupção do fluxo de bile. É isso, e não a hepatite em si, que explica a má absorção que você descreveu, já que sem bile o intestino não absorve gordura nem as vitaminas que vêm com ela. A hepatotoxicidade da ioimbina está descrita na literatura, inclusive em bases dedicadas a lesão hepática por medicamento, e ela não é dependente de uso prolongado. O seu caso, em quatro dias, é compatível com o que está descrito. E a ansiedade que ficou também não é frescura. Passar por uma arritmia com essa frequência deixa marca, e isso tem nome e tem tratamento. Vale conversa com profissional, se ainda incomoda. Obrigado por ter escrito. Relato de coisa que deu errado é o que menos aparece em fórum, porque quem se dá mal costuma sumir. O seu tem mais valor do que dez relatos de resultado. E aqui está o motivo de eu ter começado por ele. @TTEFrangoMutante, você respondeu logo depois disso que usa ioimbina com cafeína e que não te faz mal algum, só te deixa tipo Hulk. Esse comentário veio cinco dias depois do relato acima, no mesmo tópico. Não estou apontando isso para constranger. Estou apontando porque a sequência mostra exatamente o raciocínio que produz esses casos, e ele é o de que ausência de sintoma até agora prova segurança. Arritmia não funciona assim. Ela não vem depois de um aviso gradual, e não é proporcional a quantas vezes deu certo antes. É um evento elétrico, e as condições que favorecem são justamente as que a ioimbina cria, ou seja, estímulo adrenérgico, prolongamento do intervalo QT e potássio caindo, e a cafeína soma nesse conjunto. Alguém pode usar cinquenta vezes sem nada e ter o evento na cinquenta e uma. E existe uma informação de contexto que quase ninguém sabe. No Brasil, ioimbina é medicamento, e não ingrediente autorizado de suplemento alimentar. O que se vende em loja de suplemento com esse nome está fora do circuito regulado, sem controle de teor. As orientações de uso da substância são explícitas em evitar associação com outros estimulantes, exatamente pela soma sobre a pressão arterial, e ela é contraindicada em quem tem doença cardiovascular, hipertensão, doença hepática ou renal, e em quem tem transtorno de ansiedade ou síndrome do pânico. Agora, sobre o artigo em si, com dois reparos que melhoram o argumento em vez de enfraquecê lo. O primeiro é a frase de que todo termogênico corrompe o metabolismo. Ela é forte demais e, por ser forte demais, é o tipo de afirmação que faz o leitor descartar o resto. A termogênese adaptativa existe e está bem descrita, mas ela é resposta à perda de peso e ao déficit energético, e não um dano causado pelo estimulante. Quem emagrece sem nenhum termogênico também passa por ela. O que os estimulantes fazem é permitir déficits maiores e mais prolongados do que a pessoa sustentaria sozinha, e é isso que amplifica o efeito. A distinção importa porque coloca a culpa no lugar certo, que é o tamanho e a duração do déficit. O segundo é a estagnação atribuída ao organismo se ajustando. Isso é verdade, mas com mecanismo específico e útil de saber. No caso dos adrenérgicos, o receptor beta sofre dessensibilização com uso continuado, que é exatamente o motivo de as pessoas usarem em blocos. Ou seja, a perda de efeito é previsível e programada, não é azar. Sobre a discordância do @fisiculturismo a respeito dos termogênicos naturais, ele tem razão em separar as categorias, e o @Kami Back deu a resposta mais precisa do tópico ao dizer que os naturais se encaixam mais em uma dieta e que boa parte já é consumida no dia a dia. Vale só dimensionar. O único com efeito consistentemente demonstrado é a cafeína, e o efeito é modesto, na faixa de três a seis miligramas por quilo. Chá verde, cafeína associada a catequinas, capsaicina e afins têm efeitos pequenos, da ordem de algumas dezenas de calorias por dia, o que é menos do que a variação de uma refeição. L carnitina e CLA não sustentaram o efeito. Nenhum deles é perigoso, e nenhum deles resolve dieta. E, sobre a efedrina, que aparece no título, um registro que faltou. No Brasil ela é substância sob controle especial, sujeita a controle da Portaria trezentos e quarenta e quatro, e por isso o que circula como efedrina em academia é, em geral, produto sem procedência. Para fechar, o argumento do artigo que eu acho o mais forte e que merece ser repetido. A sustentabilidade do resultado. Nenhum desses recursos pode ser usado para sempre, e o corpo com que a pessoa fica é o corpo que os hábitos dela sustentam. Se os hábitos não mudaram, o resultado volta, e volta com os quilos que estavam antes. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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Perda de gordura
@Débora Candido, a sua pergunta acabou soterrada por uma discussão entre o @Locemar e o @Arnaldo Santos., e ela ficou sem resposta. Vou fechar a discussão primeiro, porque ela é de fato importante, e depois responder você. A divergência era se repetição alta define e repetição baixa dá volume. O Locemar está certo, e existe literatura que fecha isso. Há meta análises comparando treino com carga alta e carga baixa, e o achado é consistente. Os ganhos de força máxima são maiores com cargas altas, mas as mudanças em hipertrofia são semelhantes entre as condições, desde que as séries sejam levadas próximo da falha. Ou seja, o músculo cresce numa faixa ampla de repetições, e o que muda com a carga é principalmente força. Só que o Arnaldo não estava errado em tudo, e vale ser preciso, porque a parte que ele acertou é justamente a que a literatura confirma. Ele disse que se sente diferença entre cinquenta e cinco quilos e que a intensidade não é a mesma. Está certo. E a percepção dele de que carga alta com poucas repetições está associada a um tipo de resultado também tem fundamento, só que esse resultado é força, e não volume muscular. A parte que não se sustenta é a segunda metade da regra, a de que muitas repetições com pouca carga definem. E é aí que está o erro de origem, que vale explicar porque é o mais difundido da musculação. Definição não é um resultado do treino. Definição é percentual de gordura. Ela aparece quando a gordura que cobre o músculo diminui, e isso é determinado pelo balanço calórico, ou seja, pela dieta. Nenhuma faixa de repetição queima gordura de forma localizada nem produz aparência mais definida por conta própria. Séries longas gastam um pouco mais de calorias durante a sessão, e é só isso, uma diferença pequena diante do que se come no dia. Por isso a frase do @Gamma, de que o músculo não sabe contar, é uma boa síntese. O músculo responde a tensão e a esforço próximo do limite, e não ao número em si. Sobre o atrito que ficou no meio disso, uma observação. Arnaldo, o que você aprendeu aos dezoito anos era o consenso da época, e não era burrice sua. Essa regra foi ensinada em academia no mundo inteiro por décadas. O que mudou não foi você, foi a evidência. E, Locemar, você tinha razão no conteúdo, e a discussão teria terminado no segundo comentário se o motivo tivesse vindo junto com a discordância, porque a informação de que hipertrofia é parecida numa faixa ampla de repetições é justamente o que faltava ali. Agora, Débora, respondendo o que você perguntou. O Locemar tem razão em dizer que não dá para montar dieta sem os seus dados, e você não informou peso, idade, há quanto tempo treina nem o que come. Mas dá para te dar o que serve para qualquer ponto de partida, e é o que ninguém te deu. Sobre o treino, primeiro. Não existe treino para secar e treino para crescer. O que existe é treino de musculação com progressão de carga registrada. Para o seu objetivo, o desenho que funciona é simples. De três a quatro sessões por semana, cobrindo o corpo todo ou dividido em duas partes, com ênfase em exercícios que movem muita massa muscular ao mesmo tempo, que são agachamento ou leg press, levantamento terra ou stiff, remada, puxada, supino ou flexão e desenvolvimento. De duas a quatro séries por exercício, entre seis e quinze repetições, sempre chegando perto do ponto em que você não conseguiria fazer mais duas. E a única coisa que precisa ser anotada é carga e repetição, semana a semana. Se esses números sobem ao longo dos meses, está funcionando. Se não sobem, nada mais importa. Sobre a dieta, o que é preciso saber antes de qualquer cardápio. Perder gordura e ganhar massa ao mesmo tempo é possível, mas acontece bem em duas situações. Em quem está começando a treinar, e em quem tem percentual de gordura mais alto. Fora disso, a rota mais rápida é escolher um objetivo por vez. E existe um ponto que aparece muito em mulher que treina, e que vale considerar antes de cortar comida. Comer pouco demais por período longo atrapalha os dois objetivos ao mesmo tempo, porque compromete a recuperação e a construção de músculo enquanto o corpo se ajusta gastando menos. Se você já vem comendo pouco, o caminho para ficar mais definida pode passar por comer mais e não menos, pelo menos por um período. O que decide isso é a sua ingestão atual, e é por isso que ela é a primeira informação que qualquer profissional vai pedir. Se você anotar tudo o que come por uma semana, sem mudar nada, você chega na consulta com a parte mais difícil já pronta. Por fim, o item que mais protege o resultado nesse objetivo específico. Proteína adequada, em torno de um vírgula seis a dois gramas por quilo de peso, distribuída ao longo do dia. É ela que preserva a massa magra quando existe déficit, e é a diferença entre emagrecer perdendo gordura e emagrecer perdendo músculo, que é o que produz o resultado que ninguém quer, de estar mais leve e com aparência pior. E, se puder acompanhar por medida de fita e foto na mesma luz em vez da balança, melhor. Nesse tipo de processo a balança é o instrumento que menos informa, porque músculo pesa e água oscila com o ciclo menstrual.
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Dieta recomendada por nutrologo
@wnadalin, você pediu avaliação e o tópico te deu algumas respostas boas, principalmente a do @frangofranca. Vou completar, porque tem um problema central aqui que ninguém nomeou, e ele não é a dieta nem a dose. Você fez uma pergunta direta que ficou pela metade. Um nutrólogo por acaso não pode fazer um tratamento hormonal. A resposta honesta é a seguinte. Nutrologia é especialidade médica, então sim, um nutrólogo é médico e prescreve medicamento. O @Pokoyô estranhou e o instinto dele estava certo, mas o motivo não era esse. E hoje a resposta mudou. Desde abril de dois mil e vinte e três, a Resolução do Conselho Federal de Medicina número dois mil trezentos e trinta e três veda a prescrição de anabolizantes com finalidade estética, de ganho de massa muscular ou de desempenho esportivo. Ou seja, o que aconteceu com você em dois mil e treze hoje é vedado, independentemente da especialidade. Mas o que mais me chama atenção não é isso. É o que faltou na consulta. Você recebeu receita de durateston e oxandrolona por oito semanas, e no relato inteiro não aparece um único exame. Nem antes, nem durante, nem depois. E não aparece terapia pós ciclo nenhuma. Isso é o que eu apontaria a qualquer médico. Não a decisão de prescrever, mas prescrever sem nada com que comparar depois. O exame de antes é o mais negligenciado e o mais valioso, porque sem ele você nunca vai saber se o seu eixo voltou. Se a testosterona vier em setecentos daqui a um ano, isso é bom ou ruim? Depende de quanto era antes, e você não tem esse número. Perdeu se essa informação. O mínimo que deveria ter vindo junto da receita. Testosterona total e livre, LH e FSH antes. Hemograma com hematócrito, porque testosterona aumenta a produção de glóbulos vermelhos e sangue mais viscoso traz risco trombótico próprio. Perfil lipídico com HDL, porque a oxandrolona é dezessete alfa alquilada e derruba o HDL de forma marcante. TGO, TGP e gama GT, pela mesma razão, já que a alquilação é da molécula e não depende da via. Estradiol, pressão arterial aferida em casa. E, no fim, testosterona, LH e FSH de novo. Sobre a dose, que você achou pequena. Duzentos e cinquenta miligramas de durateston não são duzentos e cinquenta de testosterona. Parte da massa é o éster, então sobram por volta de cento e setenta e cinco. É uma dose modesta, e nisso a sua percepção estava certa. Só que dose modesta não é supressão modesta. Testosterona vinda de fora suprime a produção própria de qualquer forma, e a oxandrolona também suprime. Ou seja, esse protocolo custa quase o mesmo em supressão que um mais forte, entregando menos. É o pior lado da conta, e por isso a ausência de plano de pós ciclo pesa ainda mais. Agora a dieta, e aqui está a contradição que organiza tudo. Ela é uma boa dieta. Só que ela é uma dieta de emagrecimento, e você foi lá para ganhar massa. Olha a estrutura. Metade do dia em verduras, legumes e frutas. Carboidrato de fato, ou seja, arroz, feijão ou aipim, limitado a duas ou três colheres e só três vezes por semana. Proteína medida pela palma da mão. Isso é um desenho clássico de déficit calórico, com muito volume e pouca densidade energética. E vale a aritmética que decide tudo. Anabolizante aumenta a eficiência com que o corpo constrói tecido a partir do que você come. Ele não cria matéria prima. Sem superávit calórico e com proteína apenas suficiente, o resultado do ciclo fica limitado pelo prato, e a conclusão que a pessoa tira, errada, é que a dose estava baixa. O @frangofranca te deu o melhor conselho do tópico, que foi fazer a dieta primeiro e deixar os anabolizantes para depois. Acrescento o motivo. Fazendo os dois ao mesmo tempo, você nunca vai saber qual dos dois produziu o que aconteceu, e vai atribuir tudo à substância. E o @juniin_ e o Pokoyô acertaram no reparo do pós treino, ainda que o esclarecimento tenha resolvido. Vale dizer que a preocupação com janela de trinta minutos depois do treino é bem menos importante do que se dizia. O que conta é a proteína total do dia e a distribuição ao longo dele. Alguns reparos pontuais na dieta. O caqui excluído por índice glicêmico. Isso não se sustenta. Índice glicêmico de fruta isolada perde relevância dentro de uma refeição mista, com fibra, gordura e proteína, e caqui não tem nada que justifique proibição. O mesmo vale para a beterraba excluída. Essas duas exclusões são especialmente estranhas numa dieta que autoriza mortadela e salame no café da manhã, que são carnes processadas e têm classificação de risco própria. Quatro claras e uma gema. A restrição de gema por colesterol é orientação antiga, e a gema é justamente onde estão as vitaminas e a colina. Em quem quer ganhar peso, tirar gema é tirar caloria e nutriente sem ganho nenhum. O óleo de fígado de peixe vale atenção, porque ele é rico em vitamina A pré formada, e vitamina A em excesso e por tempo longo acumula, com toxicidade hepática e óssea descrita. Se a intenção é ômega três, existe óleo de peixe comum, que não traz essa carga. O suco vinte minutos depois do almoço não tem base fisiológica, e é só uma regra a mais para cumprir. E o pré treino que você usa, o 1MR, merece um registro para quem lê hoje. A formulação original desse produto continha DMAA, ou seja, dimetilamilamina, que foi retirada do mercado americano em dois mil e doze e proibida no Brasil pela ANVISA no mesmo ano, depois de notificações de eventos adversos graves e mortes, incluindo hemorragia cerebral e infarto. O produto foi reformulado na época, e a versão que voltou depois passou a usar DMHA, outro estimulante também classificado como adulterante pela agência americana. Ou seja, é uma linha de produto que já trocou duas vezes de estimulante proibido, e vale sempre conferir o rótulo do que está em mãos. Duas observações menores. As suas dobras cutâneas não fecham. Bíceps de um milímetro não é uma medida obtenível, e abdominal de quarenta milímetros junto com tricipital de três é uma combinação que não ocorre. Provavelmente houve erro de anotação ou de técnica, e isso importa porque foi dali que saiu o percentual de gordura de dezoito por cento que orientou a conversa. E ectomorfo. Somatotipo não prevê resposta a treino nem a dieta, e a classificação foi abandonada como ferramenta preditiva. Ela costuma funcionar como explicação para não comer o suficiente. Um último ponto, sobre o rumo que o tópico tomou. Duas pessoas pediram o contato do médico, uma delas dois anos depois. Isso mostra o que de fato circulou daqui, que foi o acesso à receita, e não a dieta nem o resultado. Vale dizer, para quem chega hoje, que a parte desta consulta que valia ser copiada era a orientação alimentar, e mesmo essa estava desenhada para o objetivo oposto ao que você tinha. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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Por que os fisiculturistas não têm acne mesmo usando esteroides!?
@Joulker, a pergunta é boa e você mesmo já tinha a peça principal na mão quando citou que cerca de metade dos indivíduos apresenta acne nos estudos. O @Locemar e a @Sereiafit responderam pela observação direta, e os dois estão certos. Vou dar o restante da explicação, porque a resposta tem três partes e a terceira é a que interessa em termos práticos. A primeira parte é a mais simples. Eles têm acne. O que muda é o que chega até você. No palco, a pele está coberta por camadas de bronzeador artificial, sob luz forte e frontal, que apaga relevo. A distância mínima da plateia é de metros. E a foto que circula depois passou por edição. Ou seja, você está avaliando uma superfície que foi construída justamente para não mostrar textura. A segunda parte é onde a acne aparece, e isso reforça o ponto. A acne induzida por androgênio se concentra em tronco, ombros e costas, mais do que no rosto. Essas regiões estão sempre visíveis no palco, mas praticamente nunca nas fotos que viram referência, que são de rosto e de pose frontal com braços levantados. Nos casos mais graves, o quadro é nodular e deixa cicatriz. A terceira parte responde a sua pergunta sobre medicamento, e a resposta é sim. A isotretinoína é largamente usada nesse meio, e é ela que produz a pele lisa que se vê. Ela reduz de forma drástica a produção de sebo, que é justamente o mecanismo pelo qual o androgênio causa acne. E aqui está o ponto que vale este tópico existir, porque essa combinação específica tem risco documentado. Existem relatos publicados de acne fulminante desencadeada pelo uso de anabolizante somado a isotretinoína. A acne fulminante não é acne grave. É um quadro de início súbito, com lesões nodulares e ulceradas, acompanhado de sintomas sistêmicos como febre e dor articular, e ela deixa cicatriz importante. Os fatores de risco descritos são exatamente esses dois, testosterona elevada e uso de isotretinoína, e há relatos com dose baixa de isotretinoína junto de testosterona. Existe também sobreposição hepática e lipídica. A isotretinoína eleva triglicerídeos e colesterol em parte relevante dos pacientes e pode elevar transaminases. Anabolizantes fazem as duas coisas, e orais dezessete alfa alquilados fazem de forma marcante. Ou seja, os dois empurram os mesmos exames na mesma direção, e a pessoa que usa os dois sem monitorar não sabe qual está fazendo o quê. Isso não significa que a combinação seja proibida, e dermatologista trata isso com frequência. Significa que a conduta segura é a pessoa contar o que está usando, começar com dose menor, e acompanhar perfil lipídico e transaminases desde o início e em intervalos curtos. Quem omite o uso de anabolizante na consulta de acne recebe uma dose calculada para outra situação. Vale acrescentar dois fatores que também explicam a diferença que você notou. O primeiro é qual substância. A acne androgênica depende do estímulo à glândula sebácea, e ele não é igual entre compostos. Trembolona e testosterona em dose alta estão entre os que mais produzem, e a oxandrolona entre os que menos. Então dois atletas com doses grandes podem ter peles muito diferentes só pela escolha do que usam. O segundo é seleção. Quem desenvolve acne grave e cicatricial nas primeiras experiências costuma sair do caminho, seja por escolha, seja por não conseguir seguir. Quem chega ao palco depois de anos é, em boa parte, quem tolerou. Então o grupo que você observa não é uma amostra aleatória dos cinquenta por cento, é o subconjunto que passou pelo filtro. E uma correção geral que vale para todo mundo que lê. Acne por anabolizante não é problema estético menor, e não é falta de higiene. É efeito farmacológico, com mecanismo conhecido, e nas formas graves deixa cicatriz permanente. O momento de procurar dermatologista é quando aparecem os primeiros nódulos doloridos, e não quando já existe cicatriz, porque cicatriz não tem tratamento que devolva o que estava lá. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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Quem tem problemas renais pode tomar suplementos?
@EDGLEVENY, este tópico tem mais de dez mil visualizações e a sua pergunta foi respondida em parte, mas ficou faltando a coisa mais importante, e ela não é sobre suplemento. Você escreveu que voltou a sentir dor nos rins, e que é a mesma dor de quando teve os cálculos aos dezesseis anos. Isso não se resolve escolhendo suplemento. Isso se investiga. Cálculo renal recidiva com frequência alta, e dor no mesmo padrão de antes, em quem já teve, é motivo de avaliação com urologista ou nefrologista, e não de ajuste de dieta por conta própria. E existe um motivo prático além do óbvio. Quem já formou cálculo tem uma pergunta pendente que muda toda a orientação alimentar, que é de que tipo era a pedra. Oxalato de cálcio, ácido úrico, fosfato de cálcio, estruvita e cistina pedem condutas diferentes, às vezes opostas. Sem essa informação, qualquer recomendação de dieta é chute. Se você ainda tiver relatório da época, ou se eliminou alguma pedra e ela foi analisada, esse dado vale mais que tudo o que está escrito neste tópico. A investigação padrão nesse caso inclui urina tipo um, urina de vinte e quatro horas com dosagem de cálcio, oxalato, citrato, ácido úrico, sódio e volume, além de cálcio, ácido úrico e creatinina no sangue. É isso que diz por que você forma pedra, e é o que permite prevenir de verdade. Agora, respondendo o que você perguntou, e aqui é onde o tópico precisa de correção, porque o que ficou escrito mistura coisas certas com erradas. O @FrancoSirena te deu conselhos bons. Hidratação é de fato o item mais importante na prevenção de cálculo, e a orientação padrão é volume urinário de mais de dois litros por dia, o que costuma exigir ingestão em torno de dois e meio a três litros. E ele também acertou ao dizer que dieta vem antes de suplemento e que creatina não é essencial. Onde eu completo é no seguinte, e é a parte que faz diferença no seu caso específico. Para pessoa com rim saudável, a ideia de que proteína e creatina fazem mal aos rins não se sustenta. Isso já foi respondido por revisões sistemáticas, e creatina de três a cinco gramas por dia não prejudica função renal em pessoas saudáveis, inclusive em uso por mais de um ano. Mas você não está nessa categoria. Você é formador de cálculo, e aí a conversa muda, e muda com dado. Existe literatura específica sobre isso. Aumento de proteína animal na dieta eleva a excreção urinária de cálcio e de oxalato, aumenta a excreção de ácido úrico pela carga de purinas e reduz o citrato urinário, que é justamente o inibidor natural da formação de pedra. Em estudo com formadores de cálculo, a probabilidade calculada de formar pedra subiu de forma marcante durante o período de ingestão alta de proteína animal. Ou seja, a intuição dos seus amigos de academia estava certa na conclusão e errada no motivo. Não é que proteína danifique o rim. É que, em quem já forma cálculo, ela desloca vários fatores urinários na direção que favorece a formação de pedra. E isso te dá uma resposta útil, que é diferente de parar tudo. Proteína continua sendo necessária para construir músculo, e cortar não é a solução. O que se faz é ficar numa faixa adequada e não exagerada, algo em torno de um vírgula seis a dois gramas por quilo, distribuir ao longo do dia, e cuidar dos fatores que estão junto. Reduzir sódio, que aumenta a perda urinária de cálcio, aumentar frutas e vegetais, que aumentam o citrato, e beber água de forma constante, e não só quando dói. Um detalhe que quase todo mundo erra. Não se corta cálcio da dieta para evitar pedra de cálcio. É o contrário. Cálcio adequado na refeição se liga ao oxalato no intestino e reduz a absorção dele. Cortar cálcio aumenta o oxalato urinário e piora. Agora um ponto técnico que ninguém aqui mencionou e que é o mais importante de todos para você, porque pode te levar a um susto desnecessário. Creatina eleva a creatinina no sangue. Isso acontece porque a creatina se converte espontaneamente em creatinina, e quanto maior o estoque, maior a produção. Não é lesão renal. Mas a creatinina é justamente o exame que se usa para estimar a filtração dos rins, e a fórmula que calcula isso não sabe que você toma creatina. O resultado é que o exame pode indicar função renal reduzida em quem tem rim perfeitamente normal. Se isso acontecer com você, que já tem histórico renal, o risco é receber um diagnóstico que não existe, ou perder tempo com ele. O jeito de resolver é a cistatina C, que é um marcador de filtração que não sofre influência de massa muscular, de dieta nem de suplementação de creatina. Sempre que houver dúvida, é esse o exame que separa as duas coisas. E, na dúvida, avise o laboratório e o médico que você usa creatina. Essa informação isolada evita muita confusão. Sobre o comentário do @Leco Silva Farias, ele acertou a conclusão e errou o caminho, então vale separar. Ele acertou ao dizer que quem tem suspeita de problema renal deve investigar antes de continuar suplementando, e ao lembrar que urina tipo um é exame simples e barato. Isso está certo, e é exatamente o que eu disse acima. O que precisa de reparo é o mecanismo. Proteína na urina, que é a proteinúria, não significa proteína acumulada no rim, e não vem da proteína que se come. Ela indica que a barreira de filtração está deixando passar proteína do próprio sangue, principalmente albumina. Tomar whey não coloca proteína na urina, e parar de tomar whey não tira proteína de dentro do rim, porque ela não está lá. E o número que ele citou não corresponde a um limite usado na prática, então melhor não guiar conduta por ele. Uma última coisa sobre a sua suplementação atual. Você citou óleo de cártamo. Ele foi vendido durante anos como auxiliar na perda de gordura abdominal, e essa alegação não se sustentou. É uma fonte de gordura, com as calorias correspondentes, e não tem efeito de emagrecimento demonstrado. As barras de proteína, por sua vez, costumam ter menos proteína e mais açúcar e gordura do que aparentam. Vale ler a tabela. E sobre o seu receio final, de perder o que conquistou se parar. Ninguém está sugerindo que você pare de treinar. O que está sendo sugerido é investigar a dor antes de continuar aumentando a carga de proteína, e isso não custa nada em resultado. Cinco meses de treino é justamente o início da fase em que o corpo mais responde, e você não vai perder isso por marcar uma consulta. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.