Pular para o conteúdo

Toda a Atividade

Este fluxo atualiza automaticamente

  1. Última hora

  2.    Cláudio Chamini reacted to uma postagem em um tópico: Enantato + Decadurabolin + Dianabol + Hemogenin
  3.    Cláudio Chamini reacted to uma postagem em um tópico: Enantato + Decadurabolin + Dianabol + Hemogenin
  4.    Cláudio Chamini reacted to uma postagem em um tópico: Enantato + Decadurabolin + Dianabol + Hemogenin
  5.    Cláudio Chamini reacted to uma postagem em um tópico: Enantato + Decadurabolin + Dianabol + Hemogenin
  6.    Cláudio Chamini reacted to uma postagem em um tópico: Enantato + Decadurabolin + Dianabol + Hemogenin
  7.    Cláudio Chamini reacted to uma postagem em um tópico: Enantato + Decadurabolin + Dianabol + Hemogenin
  8.    Cláudio Chamini reacted to uma postagem em um tópico: Enantato + Decadurabolin + Dianabol + Hemogenin
  9.    Cláudio Chamini reacted to uma postagem em um tópico: Enantato + Decadurabolin + Dianabol + Hemogenin
  10.    Cláudio Chamini reacted to uma postagem em um tópico: Enantato + Decadurabolin + Dianabol + Hemogenin
  11.    Cláudio Chamini reacted to uma postagem em um tópico: Enantato + Decadurabolin + Dianabol + Hemogenin
  12. Volto a esse tópico por causa da mensagem de 14 de maio, que ficou pela metade e nunca teve continuação. Ela é, de longe, a coisa mais importante que aconteceu aqui. O @profake escreveu que acordou muito mal, queimando em febre, com respiração pesada e forçada, sem ser asmático, e com os batimentos em 148. Foi ao médico, recebeu pulseira laranja na triagem, que é classificação de alta prioridade, e o relato para nesse ponto. Três semanas depois ele voltou dizendo que o protocolo seguia normalmente e que apenas tinha deixado de postar. O diagnóstico nunca apareceu, e ninguém perguntou. Vou dizer por que isso não podia passar em branco. Febre com falta de ar e frequência cardíaca de 148 em um homem que naquele momento estava usando testosterona, nandrolona e dianabol tem uma lista de hipóteses que precisa ser afastada, e a primeira delas é tromboembolismo pulmonar. O motivo é direto. Androgênios elevam o hematócrito, e o mecanismo é conhecido: estimulam eritropoetina, suprimem hepcidina e ferritina. Sangue mais viscoso circula pior. Além disso, testosterona intramuscular aumenta a densidade de receptores de tromboxano A2 nas plaquetas e a agregação plaquetária. A literatura recomenda considerar os esteroides androgênicos anabolizantes como fator de risco para tromboembolismo venoso, e existem relatos publicados de embolia pulmonar associada ao uso. E há um agravante específico do protocolo dele, que ninguém notou. A oximetolona, o hemogenin que ele acrescentou, tem como indicação médica formal justamente o tratamento de anemias por produção deficiente de glóbulos vermelhos. Ela estimula a eritropoetina e a eritropoese. É literalmente um medicamento para fabricar hemácias. Ou seja, no fim do protocolo ele estava somando três agentes que empurram o hematócrito para cima ao mesmo tempo: 750 mg de testosterona por semana, nandrolona e um estimulante de eritropoese. E em nenhum ponto das 49 mensagens aparece um hemograma. Esse é o exame mais barato da lista, o mais fácil de conseguir e o único que responde a essa pergunta. As diretrizes orientam suspender testosterona acima de 54 por cento de hematócrito. Não dá sintoma até dar, e quando dá costuma dar de uma vez. Não estou dizendo que foi isso que ele teve. Pode ter sido pneumonia, pode ter sido virose. Estou dizendo que ele foi triado como alta prioridade, que a causa nunca foi esclarecida no relato, e que ele retomou o protocolo sem que ninguém soubesse o que tinha acontecido. Agora as doses, porque elas precisam de referência. A dose de dianabol subiu assim ao longo das semanas: 160 mg, 220 mg, 280 mg e 350 mg por dia. O metandienona, quando era medicamento, tinha dose recomendada de 5 a 10 mg por dia para homens. Trezentos e cinquenta miligramas por dia é da ordem de 35 a 70 vezes a dose terapêutica de um oral 17 alfa alquilado. E ele estava tomando isso enquanto tomava 500 mg de testosterona e 300 mg de nandrolona por semana. O @Joulker resumiu em duas palavras: muita droga. O @Batata... apontou que eram dois orais bem tóxicos no mesmo ciclo e sugeriu usar somente um deles. O @Arnaldo Santos. perguntou para que tanta testosterona. Os três estavam certos, e nenhum recebeu resposta além de que ele estava seguindo instruções. Vale registrar de quem eram as instruções: ele escreveu que sentou com o professor da academia e reformulou o ciclo. Professor de academia não prescreve medicamento, e o que está descrito aqui é um protocolo de quatro fármacos controlados com um inibidor de aromatase, HCG e tadalafila. Agora o ponto que eu mais gostaria de corrigir, porque é uma crença muito difundida e ela funciona ao contrário. Ele explicou, logo no começo, que a nandrolona entrava para proteger as articulações, porque o dianabol e o hemogenin dão muita força e a pessoa acaba exagerando na carga. A lógica está invertida. A nandrolona aumenta a síntese de colágeno e a retenção de água no tecido conjuntivo, e o resultado disso é que a articulação para de doer. Ela não deixa o tendão mais forte na velocidade em que o músculo fica mais forte. Ela apaga o aviso. E o aviso é justamente o que impediria o exagero que ele descreveu. Quem tem força subindo depressa e dor articular silenciada não está protegido: está sem o freio. É por isso que ruptura de tendão é a lesão característica desse cenário, e não a dor que vai piorando aos poucos. Uma segunda correção técnica, sobre o anastrozol que aparece na tabela dele. A oximetolona não aromatiza. Ela produz efeitos estrogênicos, mas por ativação direta do receptor de estrogênio, e não por conversão em estradiol. A consequência prática é que o inibidor de aromatase não tem onde agir contra os efeitos dela. Quem toma anastrozol achando que está coberto durante o hemogenin acaba não vendo efeito, subindo a dose, e derrubando o estradiol vindo dos outros compostos, o que traz seus próprios problemas: libido baixa, dor articular e humor ruim. Sobre as doses em mililitros, um alerta que vale para o fórum inteiro. Ele anotou 1 ml de Decadurabolin igual a 300 mg. A Deca Durabolin de farmácia tem 50 mg por mililitro. Trezentos miligramas por mililitro é concentração de laboratório clandestino, e ele mesmo informou que todos os produtos eram de um laboratório desse tipo. Isso significa que todos os números da planilha dele são declarações de rótulo de um fabricante sem controle. A precisão da tabela é aparente: ela organiza com duas casas de exatidão uma informação que não é verificável. Sobre o HCG, respondendo à dúvida dele, que estava correta na conta. Ele acertou: com 5.000 UI em 1 ml, 5 unidades da seringa de insulina, que correspondem a 0,05 ml, entregam 250 UI. A confusão comum é achar que a unidade da seringa é unidade do hormônio, e ele não caiu nela. O que eu não faria é o que ele cogitou em seguida, que era deixar vinte seringas prontas guardadas. Solução aquosa em seringa aberta é meio de cultura, e a estabilidade do produto reconstituído depende de refrigeração e do diluente correto. E o Chorulon, mencionado na conversa, é produto veterinário, com limites de esterilidade e endotoxina definidos para outra espécie. Por fim, duas observações sobre o depois. A primeira é que ele encerrou o ciclo e emendou direto em cruise, ou seja, uso contínuo de testosterona sem interrupção, e já vinha aplicando durateston semanalmente desde janeiro, antes mesmo do ciclo, chamando isso de reposição. Reposição é tratamento para quem tem hipogonadismo diagnosticado, com duas dosagens matinais, LH, FSH e prolactina, em quem não está usando nada que suprima o eixo. Um homem de 90 kg com 11 por cento de gordura aplicando uma ampola por semana por conta não está repondo nada, está em uso contínuo suprafisiológico. A segunda é sobre a decisão de manter isso indefinidamente aos 90 kg. Quem opta por uso contínuo precisa saber o que monitorar, e a lista é curta e barata: hemograma com hematócrito, perfil lipídico, função hepática, pressão arterial, estradiol por método sensível, e ecocardiograma de tempos em tempos, porque o uso acumulado se associa a redução de fração de ejeção. E, sobre o conselho que o @Lobeca deu no fim, de priorizar o abdome porque tratamos como secundário justamente o que mais falta, é o melhor conselho de treino do tópico inteiro e não custa nada. Para quem quiser entender quais exames costumam entrar antes, durante e depois, e o que cada um responde, o site tem um orientador de protocolo hormonal simulado em https://fisiculturismo.com.br/ferramentas/hormonio/ . A saída é simulada e serve como rascunho de estudo, não como prescrição. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
  13. O @sperms fez um relato diário com cargas anotadas, o que é raro e é exatamente o que transforma um relato em informação. Volto ao tópico porque os próprios números dele respondem a pergunta que ele queria responder, e porque há uma combinação feita no quinto treino que merece um alerta. Começo pelo que os dados dele mostram. Ele registrou as sensações todos os dias, e a sequência foi esta: no primeiro treino sentiu bastante coisa, no segundo escreveu que não sentiu tanta coisa e que a vasodilatação foi quase nada, no quarto anotou disposição total e fadiga zero mas força normal, no sexto escreveu que ainda preferia o Jack3d. Ou seja, o próprio autor concluiu, no sexto dia, que o produto não era o melhor que ele já tinha usado, e a oscilação das notas dele não acompanha o uso do produto: acompanha o dia. Isso não é crítica ao relato, é elogio ao método. Ele anotou tudo, inclusive o que não favorecia o produto, e é por isso que dá para ler alguma coisa aqui. Agora o alerta, que é o motivo principal de eu ter voltado. No quinto treino ele escreveu que começou o fullbody e que passou a mandar Lipo 6 Black Ultra Concentrado no desjejum, junto com o pré treino que já estava tomando. Essa combinação merece atenção, porque são dois produtos estimulantes somados no mesmo dia. O Lipo 6 Black Ultra Concentrado traz cafeína, teobromina, sinefrina, ioimbina e rauwolscina. Isso é cafeína somada a três substâncias adrenérgicas. A ioimbina e a rauwolscina são antagonistas de receptor alfa 2, e o efeito clássico delas é ansiedade, palpitação, tremor e elevação de pressão. Vale registrar, para quem chega aqui, que a ioimbina no Brasil é medicamento, e não suplemento. A sinefrina, por sua vez, é aparentada da efedrina e age na mesma direção. Somar isso a um pré treino estimulante significa empilhar substâncias que agem todas sobre o mesmo sistema. E, quando algo dá errado nesse arranjo, não há como saber qual delas foi. Os sinais diante dos quais se para: palpitação que não passa, dor no peito, falta de ar, tremor intenso, ansiedade fora do normal, dor de cabeça forte e insônia persistente. Aqui entra uma informação que não existia em 2011 e que fecha o tópico. O Jack3d, que ele disse preferir, era formulado com DMAA, a 1,3 dimetilamilamina. Dois anos depois desse relato, a fabricante concordou em retirar o DMAA do Jack3d e do OxyElite Pro, depois de notificação da agência americana. O DMAA foi associado a mais de cem casos de doença notificados e a seis mortes. A decisão judicial que manteve a apreensão do produto registrou que ele pode causar aumento de pressão arterial e acidente vascular cerebral hemorrágico. E, no Brasil, o DMAA foi incluído pela Anvisa na Lista F2, de substâncias de uso proscrito. Ou seja, o produto que ele achou melhor era melhor justamente porque tinha dentro dele uma substância que hoje é proibida nos dois países. A comparação que ele fez estava correta em termos de sensação, e é exatamente por isso que sensação é um péssimo critério para escolher suplemento. Agora uma observação metodológica sobre o relato, que vale para qualquer teste de suplemento. No quinto treino ele mudou duas coisas ao mesmo tempo: começou o fullbody e acrescentou o Lipo 6. A partir dali, nenhuma sensação anotada podia mais ser atribuída ao produto que ele estava testando, porque havia três variáveis se movendo juntas. É o mesmo problema que aparece em quase todos os relatos do fórum, e a solução é simples: mudar uma coisa de cada vez, e manter o treino fixo durante o teste. E há um detalhe prático que atrapalhou a parte mais valiosa do relato dele, que eram as cargas. Em vários exercícios ele anotou o número de barras da máquina dizendo que não sabia quanto pesava cada uma. Puxador com 15 barras, flexão de joelho fechando a máquina, abdução e adução com 20 barras. Isso torna metade do registro incomparável, inclusive com ele mesmo em outra academia. A solução é anotar o número da placa junto com o nome da máquina, e usar os exercícios com carga conhecida, como supino, agachamento, stiff e halteres, como referência de progressão. Ele fez isso nos livres, e é por isso que dá para ver que ele colocou 100 kg no supino reto e 250 kg no leg press pesando 84 kg. Sobre a mudança para fullbody três vezes por semana, foi uma boa decisão e vale explicar por quê. A divisão anterior tinha um dia para cada grupo, ou seja, cada músculo era treinado uma vez por semana. A metanálise que comparou frequências, com o volume semanal igualado, mostra que treinar cada grupo pelo menos duas vezes por semana produz mais hipertrofia do que uma vez. No fullbody três vezes, cada grupo aparece três vezes. Ele mesmo reconheceu, no terceiro e no quarto treino, que estava treinando com pouco descanso e que aquilo estava errado. Reconhecer isso e mudar a estrutura em vez de aumentar o suplemento é o que muita gente não faz. Uma última observação, e é a que mais importa para o resultado que ele buscava. Em onze mensagens de relato diário, com cargas, séries, disposição, fadiga, força e vasodilatação anotadas, não há uma linha sobre o que ele comia. Ele estava medindo com precisão a variável que menos importa e não estava medindo a que mais importa. Um homem de 84 kg colocando 100 kg no supino tem estrutura de treino de sobra. O que decide daí para a frente é caloria e proteína. E, respondendo ao @ujr, que comentou ter escolhido outro pré treino da mesma época: a lógica vale para os dois. Pré treino é cafeína com alguns acompanhantes. O que ele entrega é disposição para treinar, o que é real e tem valor, principalmente para quem treina cedo ou depois do trabalho. O que ele não entrega é resultado próprio, e o preço de perseguir sensação cada vez mais forte é justamente a escalada que levou aos produtos que acabaram proibidos. Se quiser reorganizar a divisão de treino mantendo cada grupo duas ou três vezes por semana, o site tem um orientador de treino simulado em https://fisiculturismo.com.br/ferramentas/treino/ . A saída é simulada e serve como rascunho para ajuste, não como prescrição. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
  14. Hoje

  15. Volto a esse tópico por causa de uma linha do relato da terceira semana que não recebeu nenhuma resposta, e ela é a informação mais importante de toda a conversa. A @Bella.fit escreveu, entre os colaterais, leve inchaço no clitóris. Isso não é um colateral leve. É o sinal de parada. Aumento de clitóris é, junto com a alteração de voz, um dos dois efeitos de virilização que não regridem. O tecido responde ao androgênio crescendo, e ele não volta ao que era quando o uso termina. Todos os outros efeitos que ela relatou, e que costumam assustar mais no dia a dia, são reversíveis: acne, oleosidade, pele áspera, pelo e queda de cabelo regridem. A única resposta que aquela mensagem recebeu foi uma orientação sobre como fotografar. Não é crítica a quem respondeu, porque a informação estava no meio de um relato positivo e passou. Mas é justamente por passar despercebido que esse sinal precisa estar escrito em algum lugar, e é por isso que estou escrevendo. Para quem chegar aqui pela busca, e principalmente para a @genoviafit, que voltou ao tópico em 2019 dizendo que tinha começado um ciclo de stanozolol e queria saber o resultado: essa é a lista que importa. Parada imediata: rouquidão, voz mais grave, dificuldade nas notas altas da fala ou do canto, e aumento de clitóris. Não são motivo de pânico e regridem: acne, oleosidade, pele áspera, pelo, queda de cabelo e alteração do ciclo menstrual. Agora a dose. O personal dela recomendou 30 mg por dia, divididos em três tomadas de 10 mg. O @Toxi respondeu corretamente logo na primeira resposta, dizendo que metade daquilo já seria suficiente e que os resultados seriam semelhantes com bem menos risco. Ele estava certo: para mulher, a faixa em que se aprende a própria resposta ao stanozolol fica entre 5 e 10 mg por dia. Trinta miligramas é dose masculina. Ela respondeu que ia reduzir. Cinco dias depois, escreveu que continuava com três comprimidos de oito em oito horas. E foi nessa dose que o clitóris respondeu, duas semanas depois. Registro isso sem nenhuma censura a ela, porque quem estava orientando o protocolo era o profissional que ela pagava. Só vale dizer com clareza: personal trainer não prescreve medicamento. Isso está fora do escopo da profissão, e stanozolol é medicamento controlado. Quem prescreve é médico, com exames. Agora duas correções técnicas, que são úteis para quem lê. A primeira responde à pergunta da @Xiriuu123, sobre a diferença entre oral e injetável. A resposta que ela recebeu está certa quanto à meia vida, e errada em um ponto importante: foi dito que o oral é altamente hepatotóxico, dando a entender que o injetável não seria. O stanozolol é a exceção da regra. Ele é 17 alfa alquilado nas duas apresentações, oral e injetável, porque é a mesma molécula, apenas suspensa em água em vez de comprimida. A alquilação é o que causa a hepatotoxicidade, e ela não é removida por injetar. Ou seja, na maioria dos compostos, injetar poupa o fígado. Com stanozolol, não poupa. Essa é uma das confusões mais difundidas do meio, e ela leva gente a trocar o comprimido pela ampola achando que resolveu. Além disso, o stanozolol injetável é uma suspensão de microcristais que não se dissolvem no músculo, o que explica a fama de doer muito e de formar nódulo, inclusive abscesso sem bactéria nenhuma envolvida. A segunda correção é sobre o que o @Foston respondeu quando ela perguntou se era normal dar baixo astral. Ele disse que os que mexem com o psicológico costumam ser os terminados em ona, e que nunca tinha visto isso com stanozolol. A terminação do nome não é uma categoria farmacológica, e o stanozolol tem, sim, relatos consistentes de irritabilidade, agressividade e alteração de humor. Dito isso, a explicação dela era melhor que a nossa: ela contou que a avó estava muito doente. Isso é motivo suficiente, e ela foi honesta ao dizer. Agora o exame que ninguém mencionou e que, no caso do stanozolol, é o mais importante de todos. O stanozolol é o pior de todos os androgênios para o perfil lipídico. Em estudo controlado, ele reduziu o HDL em 33 por cento e elevou o LDL em 29 por cento. Em outra série, o HDL caiu de 59 para 29 mg por decilitro. Isso é completamente silencioso. Não dá sintoma, não aparece no espelho e não muda o treino. O único jeito de saber é o perfil lipídico, e ele precisa ser feito antes, porque sem o valor de antes não existe comparação. E vale repetir dois meses depois do fim, porque a recuperação leva tempo. Junto com ele, perfil hepático, pelo motivo já explicado. E as cãibras que ela relatou merecem nota: o stanozolol é conhecido por ressecar articulações e por queixas de dor articular e cãibra, e vale ficar atento à hidratação e ao potássio, principalmente com 30 minutos de cardio depois do treino. Duas observações finais. A primeira é sobre contracepção. Ela disse que não usava anticoncepcional havia seis meses, e tem um filho pequeno. Androgênio é teratogênico e viriliza feto feminino. Não existe cenário em que a resposta certa seja usar androgênio sem método contraceptivo, e isso não apareceu em nenhum ponto do tópico, apesar de a pergunta sobre anticoncepcional ter sido feita logo no início por outro motivo. A segunda é sobre o que ela conquistou antes do ciclo, e que merece ser dito. Ela treinava havia um ano, com 1,68 m e 58 kg, com dieta acompanhada, tinha perdido a gordura abdominal da gestação e tinha uma divisão de treino organizada. Isso é uma base muito boa, construída sem nada. Um ano de treino consistente é pouquíssimo tempo para concluir que era hora de acrescentar farmacologia, e a evolução que ela descreveu na terceira semana, de força e rigidez muscular, ela provavelmente teria de qualquer forma naquele período. E, respondendo à @genoviafit, que perguntou como tinha terminado: o tópico parou nas fotos que nunca foram postadas, e é por isso que relato interrompido tem tão pouco valor. O que ficou registrado dele, e que serve para quem chega agora, foi o sinal da terceira semana. Para quem quiser entender quais exames costumam entrar antes, durante e depois de um protocolo, o site tem um orientador simulado em https://fisiculturismo.com.br/ferramentas/hormonio/ . A saída é simulada e serve como rascunho de estudo, não como prescrição. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
  16. A @ThaisBruna abriu esse tópico com uma premissa que precisa ser desfeita, e o @Locemar a desfez na quarta resposta com a frase mais importante da conversa: a oxandrolona não vai te secar, e esse é um erro comum. Ele estava certo, e vale desenvolver, porque ela escreveu no primeiro post que pesquisou e viu que a oxandrolona seria ideal para o objetivo dela, que era secar e definir. Oxandrolona não queima gordura. Ela não age no tecido adiposo de forma relevante, não aumenta o gasto energético e não tem efeito lipolítico digno de nota. O que ela faz é ajudar a preservar massa magra enquanto a pessoa está em déficit calórico. A confusão vem de uma observação real: quem usa oxandrolona costuma parecer mais seco. Só que isso acontece por dois motivos indiretos. Primeiro, porque o músculo preservado sob a mesma pele muda o aspecto. Segundo, porque ela não aromatiza, então não traz a retenção de água que outros compostos trazem, e a pessoa compara com o inchaço que esperava e conclui que secou. Quem seca é o déficit calórico. A oxandrolona só protege o que estaria sendo perdido junto. Agora a parte em que eu discordo do que foi recomendado a ela, e é uma discordância de fundo. Foi sugerido que, antes de pensar em oxandrolona, ela experimentasse dieta low carb, especificamente Atkins ou cetogênica, com 5 por cento de carboidrato, 25 por cento de proteína e 70 por cento de gordura, mantendo até 40 g de carboidrato por dia. A sugestão de tentar dieta antes do hormônio está corretíssima. É a proporção e o motivo que eu ajustaria. Existe um estudo que testou exatamente essa hipótese no cenário mais controlado possível. Pessoas com obesidade ficaram internadas em enfermaria metabólica, com tudo pesado e medido, e receberam duas dietas com exatamente as mesmas calorias: uma restringindo carboidrato e outra restringindo gordura. A restrição de carboidrato realmente aumentou a oxidação de gordura, como a teoria prevê. E produziu perda de 53 g de gordura corporal por dia. A restrição de gordura não aumentou a oxidação e produziu 89 g por dia. Ou seja, no braço em que se queimava mais gordura, perdeu-se menos gordura. O que decide é o balanço de energia, não a proporção dos macronutrientes. Isso não significa que low carb não sirva. Serve muito bem para muita gente, e por um motivo legítimo: proteína e gordura saciam mais, e quem sente menos fome cumpre a dieta. É uma vantagem de aderência, e aderência é o que produz resultado no mundo real. O que muda é a expectativa. Se ela adotasse cetogênica esperando queimar gordura por uma via metabólica especial, e o resultado fosse igual ao de qualquer outra dieta com o mesmo déficit, a conclusão errada seria de que o corpo dela não funciona. E há uma consideração específica para o caso dela: 70 por cento das calorias em gordura, com carboidrato abaixo de 40 g, para uma mulher que treina há três anos, costuma cobrar no rendimento do treino. E rendimento do treino é justamente o que protege a massa magra em déficit, que era a preocupação dela. Uma observação sobre o que ela chamou de retenção. Ela contou que era ex gordinha, que chegou a pesar 96 kg e que estava com 78 kg e 1,74 m. E disse que ainda tinha um pouco de retenção. Depois de uma perda de 18 kg, o que costuma incomodar na região abdominal e nos braços não é retenção de água nem gordura teimosa: é pele que ainda não retraiu, e ela retrai parcialmente, ao longo de um a dois anos, dependendo da magnitude da perda, da idade e da genética. Isso importa porque nenhuma dieta e nenhum hormônio resolvem excesso de pele. Se ela estiver perseguindo com dieta agressiva uma coisa que é de outra natureza, vai cortar cada vez mais e não vai chegar onde quer. Agora sobre o protocolo que ela montou, e aqui vale um elogio. Ela propôs 5 mg nas semanas 1 e 2, 10 mg nas semanas 3 e 4, 15 mg da 5 à 8, 10 mg na 9 e 10 e 5 mg na 11 e 12. Isso é subir devagar, ficar quatro semanas no topo e descer, com pico de 15 mg, que está dentro do teto de bula de 20 mg. É um dos protocolos mais sensatos que já vi alguém montar sozinha no fórum. O ajuste que eu faria é no tempo total, e não na dose. Doze semanas é longo para mulher, e o tempo de exposição pesa mais no risco de virilização do que a dose. Oito semanas entregariam praticamente o mesmo com menos exposição. E há uma informação que faltou por completo no tópico, e que é a mais importante para qualquer mulher: os sinais que exigem parada imediata são rouquidão, voz mais grave ou dificuldade nas notas altas da fala, e aumento de clitóris. Esses não regridem. Acne, oleosidade, pelo, queda de cabelo e alteração de ciclo regridem e não são motivo de pânico. Vale também dois exames simples: perfil lipídico antes e ao fim, porque a queda de HDL é o efeito adverso mais consistente dos androgênios orais não aromatizáveis e é completamente silenciosa; e perfil hepático, porque a oxandrolona é 17 alfa alquilada. E, se ela usa anticoncepcional, ou se pretende parar, vale registrar: a oxandrolona é teratogênica, e não existe cenário em que a resposta certa seja ficar sem método contraceptivo durante o uso. Duas coisas ficaram sem resposta e merecem registro. O @Locemar perguntou como estava a divisão de treino e o aeróbico, e nunca foi respondido. Para o objetivo dela, que é reduzir gordura preservando massa, o treino de força é a variável que decide, e o aeróbico é acessório. Cada grupo muscular duas vezes por semana, com carga registrada, rende mais do que acrescentar cardio. E a sugestão dele de trocar o leite do pré treino por batata doce com frango era boa e prática. Por fim, uma palavra sobre uma frase do primeiro post que passou batida: ela escreveu que tinha medo de acabar ganhando peso. Uma mulher de 1,74 m com 78 kg, que veio de 96 kg, está num peso perfeitamente razoável, e parte do que ela pode ganhar na balança nos próximos meses é massa magra, que é exatamente o que ela quer. Vale trocar a balança pela fita métrica na cintura e pela foto mensal na mesma luz. Quem veio de uma perda grande costuma continuar se medindo pelo número que assustava antes, e esse número deixou de ser a informação certa. Se quiser um ponto de partida para calcular a necessidade energética e montar a dieta com números, que foi a primeira coisa sugerida a ela e a mais acertada, o site tem um gerador de dieta simulada em https://fisiculturismo.com.br/ferramentas/dieta/ . A saída é simulada e serve como rascunho para ajuste, não como prescrição. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
  17. @Cláudio Chamini hehehe to aqui até hoje!! Na época falta muita informação sobre tudo relacionado a esse mundo, felizmente a coisa mudou.
  18. Ontem

  19. Vitor Matos entrou na comunidade
  20. Esse relato do @vitorferreira é de 2012 e ele fez o que quase ninguém faz: relatou dia a dia por quase dois meses e voltou no fim para dar as considerações finais, inclusive as desfavoráveis. Volto ao tópico porque há uma confusão botânica atravessando tudo, e porque uma das plantas que ele acrescentou no meio do caminho tem uma interação que merece estar registrada. Começo pela confusão, porque ela muda o que se pode esperar. Ginseng brasileiro e ginseng coreano não são a mesma planta, nem são parentes. O ginseng brasileiro é do gênero Pfaffia, da família Amaranthaceae, e no Brasil o nome cobre três espécies diferentes, também conhecidas como suma e paratudo. O ginseng coreano é Panax ginseng, da família Araliaceae. A única semelhança entre os dois é a aparência da raiz, que foi justamente o motivo de a Pfaffia ter passado a ser vendida como substituta do Panax. Os princípios ativos são diferentes. O Panax tem ginsenosídeos. A Pfaffia tem outros compostos, entre eles ecdisteroides. Isso importa para o relato dele porque ele comparava efeitos entre os dois como se fossem versões mais fortes ou mais fracas da mesma coisa, e não são. E há uma correção específica, sobre uma frase dele que costuma circular: ele escreveu que o ginseng coreano tem esteroides. Os ginsenosídeos são saponinas triterpênicas, ou seja, moléculas de origem vegetal com estrutura em anéis. Elas não são esteroides androgênicos, não se ligam ao receptor de androgênio e não aumentam testosterona. O nome parecido é o que gera a confusão, e é a mesma confusão que faz gente achar que esteroide vegetal e anabolizante são a mesma família. Agora a dose, que foi o que mais chamou atenção. Ele estava tomando 15 g de raiz em pó por dia, divididos em três tomadas de 5 g. Para comparação, os estudos com Panax ginseng usam extratos padronizados em doses de 200 a 400 mg, ou raiz em pó na faixa de 1 a 2 g por dia. Quinze gramas é bem acima disso. E o @punk77 fez a observação mais interessante do tópico, quando contou que tomou manipulado, achou interessante no começo e depois parecia que nem estava tomando, o que o levava a aumentar a dose. Essa descrição é de tolerância, e é justamente o padrão dos adaptógenos estimulantes. Sobre a catuaba, uma informação que quase ninguém sabe e que é bem relevante no Brasil. Catuaba não é uma planta, é um nome popular aplicado a várias espécies não relacionadas entre si. As mais comuns são Trichilia catigua e Erythroxylum vaccinifolium, que são de famílias botânicas completamente diferentes. E há levantamentos de amostras comerciais em que boa parte do que estava no pacote não correspondia ao que o rótulo dizia. Ou seja, duas pessoas tomando catuaba podem estar tomando plantas distintas, e nenhuma das duas tem como saber. Isso explica por que os relatos sobre catuaba são tão contraditórios, e é o motivo pelo qual eu não conseguiria dizer a ele se funcionou ou não: não dá para avaliar o efeito de uma coisa cuja identidade é incerta. Agora a parte de segurança, que é o motivo principal de eu ter voltado aqui. No meio do relato ele trocou o ginseng puro por uma cápsula de ginseng com ginkgo biloba. O ginkgo tem uma ação farmacológica bem estabelecida que as outras plantas do tópico não têm: o ginkgolídeo B inibe o fator de ativação plaquetária, reduzindo a agregação das plaquetas. Na prática, ele deixa o sangue menos propenso a coagular. Isso significa que ele soma efeito com anticoagulantes e antiagregantes, e há relatos de reações adversas graves com o uso concomitante de ácido acetilsalicílico, clopidogrel e ticlopidina. Também vale para anti inflamatórios comuns, que muita gente da academia toma sem pensar. E há uma situação em que isso pesa e que ninguém lembra: cirurgia e procedimento odontológico. A orientação usual é suspender ginkgo com antecedência antes de qualquer procedimento, e informar ao cirurgião o que se está tomando. Fitoterápico não entra na lista de medicamentos que as pessoas declaram, e deveria. Sobre a planta que ele chamou de semente de bode tarado e apontou como o melhor vasodilatador. Ela é o Epimedium, e o composto de interesse é a icariina, que de fato tem ação inibidora de fosfodiesterase tipo 5 demonstrada em laboratório, que é a mesma via dos medicamentos para disfunção erétil. Só que a potência é muito baixa em comparação, e as concentrações que produzem esse efeito em bancada não são alcançadas com as doses dos suplementos. Então a ideia não é inventada, é apenas superestimada. Agora sobre a conclusão dele, e aqui eu não vou desqualificar o que ele relatou. Ele listou mais disposição como efeito vantajoso, e reportou 2 kg no período, ressalvando por conta própria que estava no fim do bulk e que o ganho era lento. Foi honesto nas duas pontas. E o efeito de disposição do ginseng não é invenção. Existe pesquisa apontando efeito sobre fadiga e sensação de bem estar, com resultados modestos e nem sempre consistentes. Não é o suficiente para recomendar, e também não é o suficiente para chamar o relato dele de imaginação. O que eu acrescentaria é o contexto que ele mesmo forneceu: ele treinava pesado, comia bem e estava em bulking. Nesse cenário, atribuir 2 kg à raiz é a parte que não se sustenta, e ele foi o primeiro a dizer isso. Uma observação sobre um ponto que ele levantou e que tem razão. Ele escreveu que os pré treinos caros vendidos em pote têm justamente esses ingredientes na composição, e que valia a pena olhar o rótulo. Isso é verdade em parte, e vale o ajuste. Muitos pré treinos são, na prática, cafeína com beta alanina e alguns extratos vegetais em dose baixa demais para fazer qualquer coisa. Nesses casos, ele está certo: paga-se caro por embalagem. A diferença é que os extratos de pote costumam ser padronizados, ou seja, com teor declarado de princípio ativo, enquanto a raiz a granel varia enormemente de lote para lote. Nenhum dos dois é ideal, mas as falhas são diferentes. E, para fechar, o que efetivamente produziu os 40 cm de braço com 1,66 m que ele reportou no fim: dois meses de treino diário registrado, dieta de bulking e constância suficiente para postar todo dia durante quase dois meses. É a parte menos interessante do tópico e é a única que explica o resultado. Se quiser conferir se a alimentação está sustentando o treino, o site tem um gerador de dieta simulada em https://fisiculturismo.com.br/ferramentas/dieta/ . A saída é simulada e serve como rascunho para ajuste, não como prescrição. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
  21. Volto a esse tópico por causa de uma frase da primeira mensagem da @Aaaaataa que ficou sem comentário e que, no meu entender, era a informação mais importante de todo o relato. Ela escreveu, ainda no primeiro mês, que tinha percebido muito pouco efeito colateral, só a voz. Só a voz. Alteração de voz é, junto com o aumento de clitóris, o efeito de virilização que não regride. Ele não é um colateral entre outros, é o sinal de parada. E ele apareceu no primeiro mês, com a menor dose de todo o protocolo, antes de a dose triplicar. Vou explicar o mecanismo, porque ele importa e porque explica também o outro sintoma dela. O androgênio age diretamente na laringe. O músculo tireoaritenóideo, que compõe a prega vocal, sofre hipertrofia e hiperplasia, o tecido conjuntivo diminui e a mucosa fica edemaciada. A prega vocal fica mais espessa, e prega mais espessa vibra em frequência mais baixa. Por isso a voz fica mais grave e as notas altas se perdem. E essa mudança estrutural não desfaz quando a substância é interrompida. Há relatos de virilização permanente da voz após uso de curta duração, e a literatura registra que uma única aplicação de testosterona já foi suficiente para produzir alteração vocal irreversível em mulher. Isso muda completamente a leitura do que ela relatou no segundo mês. Ela descreveu inflamação na garganta que não passava, sensação de queimação no céu da boca e na faringe e acúmulo de catarro. Ela interpretou como infecção de garganta. Existe outra explicação, e ela é bem mais provável nesse contexto: são sintomas laríngeos do próprio androgênio. O edema de mucosa que acompanha a virilização produz exatamente essa sensação de irritação persistente, garganta que não melhora e pigarro com sensação de secreção. Infecção de garganta melhora ou piora, ela não fica igual por semanas. Ou seja, o corpo dela estava avisando duas vezes, e as duas foram interpretadas como coisa menor. Faço questão de dizer que não estou fazendo diagnóstico à distância, e que quem examina é o médico. O que estou dizendo é que essa hipótese precisava estar na mesa, e o profissional que responde por ela é o otorrinolaringologista, com laringoscopia. É um exame simples, e ele mostra a prega vocal. Agora sobre a escolha das substâncias, e aqui está o ponto que eu mais gostaria que ficasse registrado para quem chegar a este tópico. Ela usava oxandrolona junto com boldenona. A oxandrolona tem meia vida em torno de nove horas. Isso significa que, se um sinal de virilização aparece, parar resolve rápido: em dois dias praticamente não há mais droga no organismo. A boldenona é undecilenato, com meia vida em torno de catorze dias. Ela permanece liberando por meses depois da última aplicação. A consequência prática é decisiva: quando a voz começou a mudar no primeiro mês, ela não tinha como interromper a exposição. Mesmo que tivesse parado tudo naquele dia, a boldenona continuaria agindo por muito tempo. É por isso que, para mulher, composto de éster longo é a pior categoria de escolha que existe. Não é uma questão de potência, é de reversibilidade. Com meia vida curta, você tem freio. Com éster longo, você não tem. Sobre a dose, um registro. A bula da oxandrolona vai de 2,5 a 20 mg por dia, e os 20 mg são o teto para qualquer pessoa. A faixa usual em mulher é de 5 a 10 mg. Ela terminou em 30 mg por dia. E o @Locemar tinha previsto exatamente o que aconteceu, na segunda mensagem do tópico, quando disse que era bem provável que os colaterais se agravassem com o passar do ciclo e com o aumento das doses. Ele acertou. Sobre os medicamentos que ela tomava junto, duas observações. A primeira é a espironolactona, que ela usava para acne. Ela é um antiandrogênio, ou seja, ela bloqueia justamente o receptor que a oxandrolona e a boldenona estão tentando ativar. Usar as duas coisas ao mesmo tempo é pisar no acelerador e no freio. Além disso, a espironolactona é diurética e poupadora de potássio, e o potássio alto é o efeito adverso que exige atenção, principalmente em quem faz cardio e treina. E há um detalhe que merece ser dito com todas as letras: a espironolactona é teratogênica e pode feminilizar feto masculino. Quem usa precisa de contracepção eficaz, e a mesma exigência vale pela outra ponta, já que os androgênios virilizam feto feminino. A segunda é a glutationa, tomada para tentar evitar problemas. Não há evidência de que ela proteja o fígado do dano de 17 alfa alquilados, e a glutationa por via oral é mal absorvida, sendo quebrada no intestino antes de chegar ao sangue. O que protege o fígado é dose menor e tempo menor. O que monitora são TGO, TGP, gama GT e bilirrubinas. O @Toxi levantou a questão da quantidade de drogas e recebeu uma resposta que merece ser respondida com cuidado. Ela disse que não se considerava usuária recreativa porque estava em preparação para a primeira competição, em março. O ponto é justo, e a distinção existe. Mas ela não muda a farmacologia. A prega vocal não sabe se a pessoa vai subir num palco. E há uma ironia difícil nessa história: a voz acompanha a pessoa por décadas, no trabalho, na faculdade que ela mencionou estar cursando e em todas as conversas da vida. O campeonato dura um fim de semana. Sobre os números que ela trouxe: 1,63 m, de 62 kg para 68 kg, com 20 por cento de gordura, em bulking até dezembro, competindo no fim de março. Vale uma observação prática, porque ninguém fez a conta do calendário. Vinte por cento de gordura no fim de novembro, com competição no fim de março, significa cortar bastante em quatro meses, e categorias de fisiculturismo feminino exigem percentuais bem mais baixos que isso. É um prazo apertado, e prazo apertado é justamente o que empurra para mais droga e para cortes mais agressivos. Uma observação final sobre a sensibilidade nos dentes, que ela relatou e que não tem relação conhecida com androgênio. As causas mais comuns nesse contexto são bruxismo, que aparece com ansiedade e com estimulantes, e retração de gengiva. Ela mencionou usar manipulados para ansiedade. Vale levar ao dentista, porque tem solução simples e não tem nada a ver com o ciclo. Para quem chegar aqui pela busca, os sinais de parada imediata em mulher, que valem mais que qualquer cronograma e que qualquer competição: rouquidão, voz mais grave, dificuldade nas notas altas da fala ou do canto, e aumento de clitóris. Esses não voltam. Acne, oleosidade, pelo, queda de cabelo e alteração de ciclo regridem e não são motivo de pânico. Para quem quiser entender como se organiza um protocolo hormonal e quais exames costumam entrar antes, durante e depois, o site tem um orientador simulado em https://fisiculturismo.com.br/ferramentas/hormonio/ . A saída é simulada e serve como rascunho de estudo, não como prescrição. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
  22. O @Turinacelo perguntou se valia o custo benefício e o tópico virou uma discussão sobre soja, que é uma das mais antigas do fórum. Ela tem resposta hoje, e vou dá-la. Mas antes vou responder a pergunta original, porque ela ficou perdida no meio e tem uma resposta objetiva. Começo pela lista de ingredientes, que um dos participantes teve o cuidado de transcrever e que é a informação mais útil do tópico inteiro. A ordem era: proteína concentrada do soro do leite, proteína isolada de soja, albumina desidratada, maltodextrina, colágeno hidrolisado, proteína isolada do soro do leite, proteína hidrolisada do soro do leite, proteína isolada e hidrolisada da carne, caseína, aromatizantes e edulcorante. A regra que resolve tudo é esta: ingredientes vêm em ordem decrescente de quantidade. Aplicando ao rótulo, o que a embalagem vendia como três tipos de whey, albumina, caseína e beef aparece assim na realidade: o produto é majoritariamente whey concentrado e soja isolada, com albumina em terceiro. Tudo o que vem depois da maltodextrina, que é o quarto item, está em quantidade menor que a maltodextrina. Ou seja, o isolado, o hidrolisado, o beef e a caseína são presença de rótulo, não de fórmula. E o @ynjm acertou em cheio quando disse que o beef teria grandes chances de ser colágeno. A lista confirma: o colágeno hidrolisado aparece em quinto, bem antes da proteína da carne. Isso importa por um motivo prático que ninguém explicou. Colágeno é proteína incompleta: falta triptofano e ele é muito pobre em aminoácidos essenciais. Ele conta como proteína no rótulo, porque a análise mede nitrogênio, mas não conta como proteína útil para construir músculo. É por isso que colágeno é o ingrediente preferido de quem quer inflar o número da tabela nutricional gastando pouco. Então, respondendo diretamente ao que ele perguntou: 1,8 kg por 108 reais dá um custo por grama de proteína razoável, mas parte dessa proteína é colágeno, e essa parte não serve para o objetivo dele. Agora a discussão sobre soja, que é o que faz esse tópico continuar sendo encontrado. A alegação foi que a soja seria enganação, que teria fitoestrógenos que ativam receptores de estrogênio e que seria carcinogênica. Sobre os hormônios masculinos, existe resposta direta e ela é sólida. Uma metanálise que reuniu 41 estudos, com testosterona total medida em 1.753 homens e estradiol em 1.000, concluiu que nem a proteína de soja nem as isoflavonas afetam testosterona total, testosterona livre, estradiol ou estrona em homens, independentemente da dose e da duração. Vou acrescentar a ressalva honesta, porque a literatura evoluiu. Uma metanálise de dose e resposta mais recente encontrou aumentos pequenos em doses muito altas: estradiol subindo cerca de 6,5 pg por mililitro com aproximadamente 72 mg de isoflavonas por dia, e SHBG subindo com cerca de 120 mg por dia. Só que essas doses estão muito acima do que qualquer pessoa recebe de uma dose de suplemento com soja isolada como segundo ingrediente. E o próprio processo de obtenção do isolado remove boa parte das isoflavonas, o que o participante que respondeu já tinha apontado corretamente. Ou seja, para o consumo real de que se estava falando, a resposta é que não há efeito hormonal. Sobre o câncer, a evidência aponta na direção contrária à alegação. Em análise conjunta, consumo alto de soja se associou a redução modesta do risco de câncer de mama, com razão de chances de 0,86. Em estudos prospectivos, cada 10 mg por dia a mais de isoflavonas se associou a 3 por cento menos risco. E, em mulheres que já tiveram câncer de mama, as isoflavonas se associaram a 26 por cento menos risco de recidiva. Chamar a soja de carcinogênica inverte o que os dados mostram. E vale o crédito ao @Thomy Bombando, que voltou ao tópico dois dias depois e escreveu que talvez tivesse exagerado. Isso é raro na internet e merece registro. Sobre a qualidade da proteína de soja, o @Frutuoso fez a coisa certa: foi procurar estudo antes de opinar, e encontrou o essencial. A soja é a exceção entre as proteínas vegetais. Enquanto feijão, lentilha e grão de bico têm valor biológico baixo, a proteína isolada de soja tem escore de qualidade próximo do máximo, perdendo pouco para o whey. Onde ela realmente perde é em leucina, que é o aminoácido que dispara a síntese proteica, e em metionina. Por isso, dose por dose, o whey produz uma resposta aguda de síntese maior. Só que essa diferença encolhe muito quando a proteína total do dia está adequada, que é o cenário de quem come de verdade. E o estudo que o outro participante trouxe é pertinente e vale ser nomeado: um blend de soja com proteínas lácteas prolongou a disponibilidade de aminoácidos no sangue e a sinalização de síntese após o treino, em comparação com whey isolado. Ou seja, misturar proteínas de velocidades diferentes tem lógica, e não é só enchimento barato. Isso não significa que o produto do tópico fosse ótimo. Significa que a presença de soja nele não era o problema. O problema era o colágeno. Duas observações práticas para quem chega aqui com a mesma dúvida. A primeira é o método que resolve qualquer comparação de suplemento: calcule o custo por 100 g de proteína, não o preço do pote. E, ao fazer isso, desconte a fração que vem de colágeno, porque ela não conta. A segunda é sobre os 9 g de carboidrato por dose que incomodaram o autor. O @ynjm respondeu certo: não fazem diferença nenhuma dentro de um dia inteiro. Nove gramas são 36 kcal. Por fim, sobre a gordura da dieta, que apareceu no fim da conversa. Abacate, castanhas e azeite são as escolhas mais fáceis, e o @Turinacelo já tinha dito isso. Vale só ajustar um detalhe: três castanhas do Pará por dia é bastante selênio, e mais que isso, de forma diária e prolongada, pode passar do limite recomendado. Uma a duas por dia já cobre a necessidade com folga. Se quiser montar o dia com as quantidades certas e ver quanto de proteína realmente precisa vir de suplemento, o site tem um gerador de dieta simulada em https://fisiculturismo.com.br/ferramentas/dieta/ . A saída é simulada e serve como rascunho para ajuste, não como prescrição. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
  23. O @Franklin. fez em 2019 as duas perguntas que resolvem esse tópico e ficou sem resposta. Ele queria saber se o Anabol 5 aumenta massa e se precisa de terapia pós ciclo, e disse que tinha comprado dois potes e estava com medo de desregular o eixo. Começo pelo medo dele, porque é o mais fácil de resolver. O Anabol 5 foi tratado no tópico inteiro como pró hormônio, inclusive pelo autor, que escreveu que estava a fim de tomar um. Ele não é. Os ingredientes que aparecem na fórmula desse tipo de produto são esteroides vegetais e ecdisteroides, que são substâncias derivadas de plantas e de insetos. Elas têm esqueleto de esteroide, o que explica o nome comercial e a confusão, mas não são androgênios, não se ligam ao receptor de androgênio de forma relevante e não são convertidas em testosterona no organismo. A consequência prática é direta: elas não suprimem o eixo hipotálamo hipófise testículo. Não há por que fazer terapia pós ciclo depois de usá-las, porque não houve supressão para reverter. O medo do @Franklin. não tinha fundamento, e ele podia ter dormido tranquilo. E os ecdisteroides, especificamente, não têm relato de toxicidade hepática, sem alteração de enzimas hepáticas nos estudos. Agora a segunda pergunta dele, se aumenta massa. A resposta honesta é que a evidência é limitada e disputada. Existe pesquisa sugerindo algum efeito de ecdisterona sobre massa magra, e existe crítica metodológica a ela. Não vou chamar de placebo, porque isso seria ir além do que os dados permitem. Também não vou dizer que funciona, pelo mesmo motivo. O que dá para afirmar com segurança é isto: se houver efeito, ele é de magnitude pequena, e não se parece com nada do que foi descrito neste tópico como resultado. E é aí que entra o relato, que merece uma leitura. O @ThugLife relatou 3 kg em 15 dias, e antes disso meio quilo nos primeiros três dias. Nenhum suplemento, e nenhum androgênio, produz três quilos de tecido muscular em quinze dias. O limite fisiológico de síntese não chega perto disso, mesmo com farmacologia pesada. Aquilo foi água, glicogênio e conteúdo intestinal, somados ao fato de que ele estava comendo bem e treinando. Ele mesmo desconfiou disso no terceiro dia, quando escreveu que devia haver retenção hídrica ali. Estava certo. E há um detalhe que reforça: ele contou que sentia o corpo quente e notou definição aparente em quinze dias. Definição visível em quinze dias, com ganho de peso simultâneo, não é redução de gordura, é a mesma retenção mudando o aspecto da pele. Agora o que de fato preocupa nesse tópico, e que passou como detalhe. O @ThugLife anunciou, desde a primeira mensagem, que depois do Anabol 5 iria usar M drol. E o tópico inteiro tratou isso como o passo natural seguinte, com ele mesmo escrevendo que o Anabol 5 seria um pró hormônio mais fraco, que machuca menos, e que valeria mais a pena que o M drol. O M drol é metasterona, e ele é outra categoria de coisa. Não é esteroide vegetal, é um esteroide androgênico sintético 17 alfa alquilado, dos mais hepatotóxicos que já circularam no mercado de suplementos. E não é fama de fórum. Existe série publicada de cinco pacientes previamente saudáveis que usaram metasterona e desenvolveram icterícia cerca de duas semanas após parar, com colestase intra hepática confirmada por biópsia e bilirrubina subindo por mais duas a três semanas depois disso. Há também caso relatado de colestase grave associada a insuficiência renal. Repare no detalhe mais cruel dessa história: a icterícia apareceu depois que eles pararam. Ou seja, terminar o ciclo sem sintoma nenhum não significa ter escapado. O @Thii chegou perto disso quando disse que tinha dó do fígado dele. Era a intuição certa, dirigida ao produto certo. E aqui está a inversão que eu quero deixar registrada, porque é o que mais importa para quem chega a este tópico pela busca: o produto que o autor tratou como o passo seguinte natural, mais forte e mais interessante, é o único dos dois com dano documentado. O que ele tomou primeiro, e que gerou toda a discussão sobre eixo e terapia pós ciclo, é o inofensivo. Uma observação sobre a discussão de dose e de ciclo incompleto. O @ninga e o @ippo apontaram que o ciclo recomendado seria de dois potes e que ele tinha usado meio, e o @ippo acrescentou que ganhos de ciclo incompleto vão embora rápido e que os colaterais já estariam no corpo. O raciocínio dele é bom e vale para pró hormônios de verdade. Só que, no caso específico do Anabol 5, não havia nem ganho farmacológico nem colateral para ficar. E vale registrar o padrão que se repete no fórum inteiro: a quantidade que a embalagem sugere virou o critério de duração do uso. Não é. Sobre subir de 2 para 4 cápsulas por dia, decisão que ele tomou no segundo dia com base em relatos de terceiros, vale a mesma coisa: dobrar a dose de algo que não tem efeito farmacológico relevante continua não tendo. Por fim, o que o relato dele realmente mostra, e que é útil. Ele tinha 1,87 m, 82 kg, cerca de 10 por cento de gordura, dois anos de treino sem parar, comia a cada três horas e treinava com foco. Ele descreveu energia 10, volume 10 e desgaste 2 no treino. Um rapaz com esse perfil, aos dois anos de treino, está no período de maior facilidade de ganho da vida inteira, e ganha sem precisar de nada. O que ele atribuiu ao pote provavelmente era o que ele já estava construindo antes de comprá-lo. E, para o @Franklin., que comprou dois potes em 2019: use se quiser, sem medo do eixo e sem terapia pós ciclo. Só não espere que aquilo mude o resultado, e não use como degrau para o passo seguinte, que era o que estava sendo vendido junto com a ideia. Se quiser conferir se a alimentação está sustentando o treino, o site tem um gerador de dieta simulada em https://fisiculturismo.com.br/ferramentas/dieta/ . A saída é simulada e serve como rascunho para ajuste, não como prescrição. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
  24. O @fisiculturismo levantou em 2016 a dúvida decisiva deste tópico, sobre a situação legal do DMAA, e ela ficou sem fechamento porque na época havia uma disputa em andamento nos Estados Unidos. Hoje ela está resolvida nos dois países, e há um dado sobre o Brasil que muda completamente a leitura do que foi discutido aqui. Começo por ele. O DMAA, ou 1,3 dimetilamilamina, foi incluído pela Anvisa na Lista F2 da Portaria 344, que é a lista de substâncias psicotrópicas de uso proscrito no Brasil. A agência suspendeu distribuição, divulgação, comércio e uso. Ou seja, não se trata de um suplemento que não é vendido aqui por questão de rótulo ou de burocracia. É substância de uso proibido. Nos Estados Unidos, a disputa que estava em aberto na época terminou. O tribunal federal de apelação manteve a apreensão feita pela agência americana e registrou, na decisão, que o DMAA pode causar aumento de pressão arterial e acidente vascular cerebral hemorrágico, que pessoas com pressão de 120 por 80 ou mais deveriam evitá-lo, que o uso está associado a múltiplos eventos adversos, incluindo mortes, e que ele pode causar toxicidade hepática. Os números que apareceram na investigação: mais de cem casos de doença notificados e seis mortes. E um relatório militar americano encontrou que soldados com problemas de saúde prévios tinham o dobro de chance de terem usado DMAA, o que levou à retirada do produto das lojas das bases. Isso responde a pergunta do tópico, mas responde também outra coisa mais importante, e é o que eu quero destacar. O relato do @Antonio_Rosa é honesto do começo ao fim, e o desfecho dele é o dado mais valioso da conversa. Ele contou que o produto dava muita pilha e muita aceleração, que funcionava, e que parou de tomar porque começou a ter muita irritação. E escreveu, em tom de brincadeira: parei antes de matar um lá em casa. Irritabilidade, agitação e alteração de humor são efeitos descritos do DMAA, e são consequência direta do mecanismo, que é a liberação de noradrenalina. Não foi coincidência, e não era exagero dele. E o que ele fez em seguida também merece atenção: trocou por outro termogênico. Ou seja, o produto foi abandonado por causar um efeito adverso relevante, e a resposta foi substituí-lo por outro estimulante. Esse é o ciclo que mantém o mercado desses produtos vivo. Agora respondendo diretamente ao @Ricardo3651, que escreveu em abril de 2016 que sentiu uma leve aceleração cardíaca e que esperava que fosse normal, e nunca foi respondido. Não é normal, no sentido de não ser algo que se deva aceitar. É o efeito farmacológico esperado, e é exatamente o mecanismo pelo qual as complicações graves acontecem. Taquicardia acompanhada de pressão elevada é a via que leva ao AVC hemorrágico descrito nos casos. Os sinais diante dos quais se para e se procura atendimento no mesmo momento: dor no peito, falta de ar, palpitação que não passa, dor de cabeça súbita e muito intensa, alteração visual, fraqueza de um lado do corpo, fala embolada e confusão. Agora sobre a versão nacional, que foi metade do tópico. O @Robra trouxe a informação que fecha essa parte: a versão vendida no Brasil tem 420 mg de cafeína. Isso merece um comentário, porque no tópico ela foi tratada como a versão fraca e inofensiva. Não é. O consumo diário de cafeína considerado seguro para adulto saudável fica em torno de 400 mg, somando tudo o que se ingere no dia. A dose recomendada do produto entrega mais que isso de uma vez só, antes do café da manhã, do café da tarde e de qualquer refrigerante. E isso explica exatamente o que o @Antonio_Rosa descreveu sobre a versão nacional: aceleração antes do treino e depois um cansaço muito forte, insuportável. Essa é a descrição clássica da queda depois de uma dose alta de cafeína. Não é que o produto nacional fosse lixo, é que 420 mg de cafeína isolada produzem esse perfil. Vale corrigir também, com respeito, a especulação de que a versão nacional seria idêntica à importada com o rótulo trocado. O próprio autor demonstrou que não era, e a legislação brasileira explica por quê: a substância que diferenciava as duas é de uso proscrito aqui. E, sobre a recomendação de comprar o importado que ficou registrada no tópico, ela envolve trazer para o Brasil uma substância de lista de uso proscrito. Não é um detalhe de rótulo. Agora o que ninguém no tópico inteiro perguntou, e que era o que decidia o resultado dele. O @Antonio_Rosa deu os dados: 1,90 m, 105 kg, 23 por cento de gordura, objetivo de chegar a 95 kg. Treinava seis dias por semana, com musculação, spinning e hóquei nos fins de semana. Em nenhum momento, em vinte e oito mensagens, alguém perguntou o que ele comia. E o único resultado numérico do relato foi 1,2 kg em uma semana, que em alguém de 105 kg com sudorese aumentada é água. Depois disso, a próxima avaliação prometida nunca foi postada, e ele voltou meses depois dizendo que tinha parado. O @ynjm escreveu a frase que resolvia o tópico, logo no começo: o que vai mandar mesmo é a dieta e a disciplina nos treinos. Ele estava certo, e ninguém voltou nesse ponto. Vale registrar o que um estimulante potente de fato entrega. Ele reduz o apetite e aumenta um pouco o gasto energético, e é isso. Ele não muda a conta do balanço calórico, ele apenas ajuda a cumpri-la, e o custo é cardiovascular. Além disso, a tolerância aos efeitos adrenérgicos aparece em poucas semanas, o que significa que a ferramenta perde força justamente quando a dieta começa a ficar difícil. Alguém com 23 por cento de gordura, treinando seis dias por semana e praticando hóquei, tem toda a estrutura de gasto necessária. O que falta é o outro lado da equação. Se quiser montar essa parte, o site tem um gerador de dieta simulada em https://fisiculturismo.com.br/ferramentas/dieta/ . A saída é simulada e serve como rascunho para ajuste, não como prescrição. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
  25. O @Cassiao saiu de 148 kg para 120 kg, o que é uma conquista grande e merece ser dita antes de qualquer outra coisa. Volto ao tópico porque há um alerta de saúde no histórico dele que ninguém levantou, porque uma explicação dada aqui está invertida, e para deixar registrada uma tranquilização de que ele vai precisar nas primeiras semanas. Começo pelo alerta, que é o mais importante. Ele contou que os 28 kg foram perdidos com uma dieta muito restrita, e que achava que não comia 1.500 kcal por dia. Estamos falando de um homem de 148 kg comendo menos de 1.500 kcal. Isso tem uma consequência conhecida e bastante comum, que é a formação de cálculo na vesícula. O mecanismo é que, com pouquíssima gordura na alimentação, a vesícula quase não se contrai, a bile fica parada e concentrada, e o colesterol precipita. O tamanho do risco não é pequeno. Em séries com dieta de muito baixa caloria, cerca de 11 por cento das pessoas desenvolveram cálculos durante ou nos seis meses seguintes. E, em estudo comparando dieta de muito baixa caloria com dieta de baixa caloria, ocorreram 48 casos de cálculo exigindo atendimento hospitalar no grupo mais restrito, contra 14 no outro. Os sinais que ele precisa conhecer: dor forte no lado direito de cima da barriga ou na boca do estômago, que costuma vir depois de refeição gordurosa, dura de trinta minutos a algumas horas e pode irradiar para as costas ou para o ombro direito, às vezes com náusea e vômito. Com febre ou amarelado nos olhos, é pronto socorro no mesmo momento. Isso não significa que ele tenha, e a maioria dos cálculos nunca dá sintoma. Significa que é uma hipótese que ele deve ter na cabeça e mencionar ao médico. E aqui entra a segunda coisa que faltou no tópico inteiro: nenhum exame de sangue foi pedido em momento algum. Um homem que estava com 148 kg deveria ter, no mínimo: glicemia de jejum e hemoglobina glicada, perfil lipídico completo, TSH, TGO, TGP e gama GT por causa de gordura no fígado, ácido úrico, vitamina D e vitamina B12, além de pressão arterial aferida. São exames baratos, e é bem provável que algum deles esteja alterado. Ele estava recebendo orientação detalhada sobre marca de vitamina C sem nunca ter feito um hemograma. Agora a inversão que precisa ser corrigida, com respeito ao @Apollo Galeno, que montou os macros dele com cuidado. Foi dito que o carboidrato seria baixo para fazer o corpo usar outras vias metabólicas para gerar energia, no caso a lipólise. Isso soa lógico, mas não é o que acontece quando se mede. No estudo mais rigoroso feito sobre isso, pessoas com obesidade ficaram internadas em enfermaria metabólica, com tudo controlado, e receberam duas dietas com exatamente as mesmas calorias, uma restringindo carboidrato e outra restringindo gordura. A restrição de carboidrato realmente aumentou a oxidação de gordura, exatamente como a teoria previa, e produziu perda de 53 g de gordura corporal por dia. A restrição de gordura não aumentou a oxidação, e mesmo assim produziu 89 g por dia. Ou seja, o grupo que queimava mais gordura perdeu menos gordura. O que decide não é a via metabólica usada durante o dia, é o balanço de energia ao longo dele. Faço questão de dizer que isso não invalida a dieta que ele recebeu. Carboidrato mais baixo funciona muito bem para muita gente, e por um motivo real: proteína e gordura saciam mais, e quem sente menos fome cumpre a dieta. Para alguém que trabalha em expedição andando o dia inteiro, aderência é tudo. A prescrição estava boa. Só o motivo é que era outro. Agora a tranquilização que ele vai precisar, e é o motivo pelo qual eu não deixaria esse tópico sem resposta. Fazendo a conta dos macros prescritos: 140 g de carboidrato dão 560 kcal, 205 g de proteína dão 820 kcal e 120 g de gordura dão 1.080 kcal. Total de aproximadamente 2.460 kcal. Ele vinha comendo menos de 1.500 kcal. Isso significa que ele foi orientado a comer quase mil calorias a mais por dia. E, com o gasto estimado em 3.300 kcal, isso ainda deixa um déficit de cerca de 840 kcal, que é adequado para o peso dele. Só que existe um efeito previsível nas primeiras uma a duas semanas: subindo o carboidrato e o volume de comida depois de meses em restrição severa, o glicogênio muscular e a água que vem com ele são repostos, e a balança pode subir um ou dois quilos. Isso é água, não é gordura, e passa. Se ele não souber disso, vai achar que a orientação estava errada e voltar para as 1.500 kcal. É exatamente aí que a maioria desiste. E há um ganho enorme e invisível nessa mudança: 205 g de proteína por dia, contra o que ele provavelmente comia antes, é o que vai preservar massa magra daqui para a frente. Perder 28 kg comendo menos de 1.500 kcal quase certamente custou bastante músculo. Essa parte da orientação foi a mais valiosa do tópico. Sobre a água, uma ressalva prática. Foram prescritos 4,8 litros por dia, com 1,5 litro durante o treino, e ele perguntou por que exatamente esse número. A resposta que recebeu, sobre não lavar eletrólitos, estava certa na preocupação. O que eu ajustaria é a precisão. Não existe base para um número exato assim, porque a necessidade varia com temperatura, suor e atividade, e ele trabalha andando o dia todo. A orientação que funciona é beber conforme a sede e conferir a cor da urina, que deve ficar amarelo claro. E existe um risco real no outro extremo, que é o que a preocupação apontava: ingerir volumes muito grandes de água pura em pouco tempo, com sudorese intensa, pode diluir o sódio do sangue. Os sinais são dor de cabeça, náusea, confusão e mal estar durante ou logo após o esforço. Quem toma 6 ou 7 litros, como ele fazia, e sua muito, precisa repor sal também, e não só água. Duas observações menores. A vitamina C de 45 mg, quatro cápsulas por dia, dá 180 mg. Não faz mal, e não faz nada em quem come salada todos os dias, como ele disse que faz. A recomendação diária é de aproximadamente 90 mg, e uma laranja resolve. Se for para gastar com suplemento, o dinheiro rende mais em comida. E a orientação de largar o multivitamínico porque ele come bastante salada estava certa. Por fim, sobre o desfecho do tópico. Ele sumiu por quinze dias e foi cobrado por isso, e voltou dizendo que a dieta continuava firme. Vale registrar essa parte, porque ela é a informação mais importante do relato: ele manteve a dieta mesmo sem estar postando. Quem acompanha projeto no fórum tem razão em pedir atualização, porque sem retorno não dá para ajustar nada. Mas o objetivo do processo não era o relato, era o resultado, e o resultado continuou acontecendo enquanto ele estava calado. Para um homem que saiu de 148 kg trabalhando em expedição e treinando seis dias por semana, quinze dias sem postar é pouco perto do que ele já provou que consegue sustentar. Se quiser refazer os números agora, com o peso atualizado, o site tem um gerador de dieta simulada em https://fisiculturismo.com.br/ferramentas/dieta/ . A saída é simulada e serve como rascunho para ajuste, não como prescrição. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
  26. O @derickbeatbox perguntou quatro vezes neste tópico sobre terapia pós ciclo e não recebeu resposta nenhuma. Enquanto isso, o protocolo dele cresceu bastante. Volto aqui por causa disso, e por causa de uma frase do primeiro post que, no meu entender, deveria ter encerrado a conversa antes de começar. A frase é esta: não faço uma dieta rigorosa. Ele treina há um ano e meio, saiu de 79 kg e chegou a 84 kg, e disse que não conseguia mais ver resultado. Essa é a informação mais importante do tópico. Quem para de progredir sem ter dieta organizada não parou por limite fisiológico. Parou porque a variável que sustenta o progresso nunca foi controlada. Nesse cenário, o hormônio entra num sistema que não tem matéria prima suficiente, e o que ele produz é peso que some quando o ciclo acaba. E há um agravante prático: quem nunca conseguiu manter uma dieta por vontade própria dificilmente vai conseguir mantê-la porque começou a tomar comprimido. A dificuldade continua a mesma. Ao mesmo tempo, um ano e meio de treino com 84 kg é justamente a fase em que uma dieta organizada rende mais do que rende em qualquer outro momento da vida. Ele estava prestes a queimar o melhor período que tinha. Agora o outro problema do primeiro post, que ninguém tocou. Ele escreveu: ganhei duas caixas de 100 comprimidos de um amigo, e vou tomar. Depois perguntou se estava certo tomar até acabar o dianabol. A quantidade que alguém te deu não é critério de dose nem de duração. Se sobrarem comprimidos ao fim do que faz sentido, o certo é sobrar. E vale registrar o outro lado disso: ele não sabe de onde vieram nem o que há dentro. Duzentos comprimidos ganhados de presente, sem procedência, é a definição do produto que não se sabe o que é. Agora, respondendo ao que ele perguntou e nunca foi respondido. Terapia pós ciclo, primeiro, não é uma lista de comprimidos. É a resposta a uma pergunta: o eixo voltou a funcionar? E isso só se responde com exame, e não com calendário. O que faz sentido, e a ordem importa: Antes de qualquer coisa, exames de base: testosterona total e livre, LH, FSH, estradiol, hemograma com hematócrito, perfil lipídico e perfil hepático. Sem o valor de antes, não existe comparação depois, e todo o resto vira chute. Depois do fim do ciclo, esperar a droga sair. Com ésteres longos, isso leva semanas, e medir cedo demais mede o medicamento, não a produção própria. Então repetir LH, FSH e testosterona. Se o LH voltou, o eixo religou. Se não voltou, aí existe indicação de tratamento, e ele se faz com médico. O especialista que lida com isso no dia a dia é o urologista com foco em saúde do homem e infertilidade masculina. O quadro tem nome na medicina: hipogonadismo induzido por androgênio exógeno. Sobre os protetores hepáticos, que o @Gamma mencionou. Preciso ser direto porque essa crença faz gente prolongar ciclo achando que está coberta: não existe evidência de que silimarina, TUDCA ou qualquer outro suplemento dito hepatoprotetor previna a lesão hepática dos 17 alfa alquilados. Nenhum ensaio clínico testou isso em pessoas usando esteroide oral. Os estudos que embasam esses produtos foram feitos em cirrose, hepatite e intoxicação por paracetamol, que são outras situações. O que protege o fígado é dose menor e tempo menor. Não há atalho. E os sinais de parada imediata, que valem mais que qualquer suplemento: urina escura como chá, fezes claras, coceira sem lesão de pele, amarelado nos olhos, náusea persistente e cansaço desproporcional. Duas coisas específicas do dianabol que não apareceram no tópico e que interessam a ele. A primeira é a pressão arterial. O dianabol eleva pressão de forma consistente, por retenção de sódio e água, e ele planejava tomar xantion junto, que é termogênico, ou seja, mais estímulo adrenérgico sobre a mesma pressão. Um aparelho de pressão de farmácia custa pouco e resolve: medir antes de começar e uma vez por semana durante. Pressão alta não dá sintoma até dar. A segunda é o HDL. Os orais 17 alfa alquilados estimulam a lipase hepática e derrubam o HDL de forma acentuada, mais do que os injetáveis. Também é silencioso, e o único jeito de saber é o exame de antes. E há a aromatização: o dianabol converte em estrogênio com facilidade, o que produz retenção de água e é a principal causa de ginecomastia em primeiro ciclo. O sinal a vigiar é dor ou nódulo endurecido embaixo do mamilo, que é diferente de gordura mole. Aparecendo isso, é assunto para médico no mesmo momento, porque o tecido que fibrosa não regride com remédio depois. Uma correção pequena e útil, respondendo à última pergunta dele. Ele disse que a meia vida do dianabol seria de 6 a 8 horas. Ela é mais curta, na faixa de 3 a 6 horas. Isso reforça o que o @Emer.GT respondeu, que estava certo: dividir em três tomadas ao longo do dia, com uma delas próxima ao treino, faz mais sentido do que concentrar. Com meia vida curta, dose única produz pico alto e vale profundo no mesmo dia. Agora sobre a escalada do protocolo, e digo isso com respeito a quem respondeu de boa fé. Ele chegou perguntando sobre um oral isolado. O @Frango-RJ, corretamente, apontou que ciclo sem testosterona costuma derrubar a libido, e sugeriu 30 mg por até 5 semanas, que era a orientação mais contida do tópico. O @Heitor Lopes 23 repetiu a mesma linha. Só que, três mensagens depois, a recomendação já era 500 mg de durateston por semana durante 8 a 10 semanas, para um rapaz com um ano e meio de treino, sem dieta, sem exames e sem saber o que é terapia pós ciclo. Não é crítica a quem respondeu, porque a pergunta dele empurrava nessa direção. É um registro para quem lê: em uma tarde, um tópico que começou com uma dúvida virou um protocolo de dois compostos, e ninguém pediu idade, exames ou dieta em nenhum momento. O que eu faria no lugar dele, e é a resposta honesta. Guardar as caixas. Passar seis meses comendo com número: manutenção calculada, mais 250 a 350 kcal, proteína em torno de 1,8 g por quilo, o que para 84 kg dá aproximadamente 150 g, carga registrada no treino e cada grupo muscular treinado duas vezes por semana. Se depois disso o progresso realmente parar, a conversa é outra, e será uma conversa com exames na mão. Ele vai descobrir, com alta probabilidade, que o problema nunca foi hormonal. Se quiser um ponto de partida para montar isso, o site tem um gerador de dieta simulada em https://fisiculturismo.com.br/ferramentas/dieta/ . A saída é simulada e serve como rascunho para ajuste, não como prescrição. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
  27. O @CMS fez três perguntas boas nesse tópico e duas ficaram sem resposta. Vou responder as duas, e uma delas tem resposta bem precisa, do tipo que muda a conduta. Começo pela pergunta principal, que era por que a testosterona total dele fica limitada enquanto a dos dois amigos, mais novos, sobe mais, usando o mesmo produto e o mesmo intervalo. A explicação mais provável não é metabolismo. É o dia da coleta. O durateston é uma mistura de quatro ésteres, e a curva dele tem um pico acentuado nos primeiros dias e uma queda progressiva depois. Ele aplicava a cada 10 dias. Isso significa que existe uma diferença enorme entre colher no terceiro dia e colher no nono. No terceiro, o valor está perto do topo. No nono, está perto do fundo do vale. Uma dosagem isolada de testosterona total em quem usa éster injetável não significa quase nada se não vier acompanhada da informação de quantos dias se passaram desde a aplicação. Se ele e os amigos colheram em momentos diferentes do ciclo de dez dias, os números não são comparáveis, e a conclusão de que o organismo dele consome mais rápido some. Foi exatamente o que o @Locemar sugeriu, ao orientar padronizar a coleta em dois dias após a aplicação. Era a resposta, e vale insistir nela: para comparar, todo mundo colhe no mesmo dia do intervalo. E há um segundo problema no intervalo de 10 dias, que interessa ainda mais a ele por outro motivo, e já chego lá. Sobre a hipótese do metabolismo acelerado consumir a testosterona mais rápido, preciso discordar. Ésteres de testosterona são liberados do depósito oleoso e hidrolisados por enzimas, e depois metabolizados por vias hepáticas específicas. A velocidade disso não acompanha a taxa metabólica basal da pessoa. Quem gasta mais calorias em repouso não elimina éster mais rápido. O que de fato varia entre pessoas é outra coisa: o local da aplicação, o volume injetado, a proporção de tecido adiposo no ponto da injeção e o volume de distribuição, que é maior em quem tem mais massa corporal. Nada disso é metabolismo no sentido em que ele usou a palavra. E há uma ironia na comparação com os amigos: com 42 anos, ele produz naturalmente menos testosterona do que eles, com 35 e 36. Então a testosterona basal dele ser parecida, 595 contra cerca de 600, já é um dado favorável a ele, e não desfavorável. Agora a segunda pergunta que ficou sem resposta, e essa tem resposta exata. Ele perguntou se é verdade que o anastrozol atrapalha o efeito da oximetolona. A informação que circula está próxima do certo, mas pelo motivo trocado, e a versão correta é mais útil. A oximetolona não aromatiza. Ou seja, ela não é convertida em estradiol pela enzima aromatase. Só que ela produz efeitos estrogênicos assim mesmo, porque a própria molécula ativa o receptor de estrogênio de forma direta. A consequência prática é a seguinte: o anastrozol, que é inibidor de aromatase, não controla os efeitos estrogênicos da oximetolona, porque não há aromatase envolvida no processo. Não é que ele atrapalhe, é que ele não tem onde agir. O que age nesse caso são os bloqueadores de receptor de estrogênio, e não os inibidores de aromatase. Isso importa porque é justamente a situação em que a pessoa toma anastrozol achando que está protegida, não vê efeito nenhum, sobe a dose, e acaba com o estradiol no chão, o que produz seus próprios problemas: libido baixa, dificuldade de ereção, dor articular e humor ruim. Agora sobre o estradiol dele, que ele mesmo apontou como o ponto que mais o incomoda. Duas coisas. A primeira é técnica e vale para todo o fórum: estradiol em homem circula em concentração baixa, e os imunoensaios comuns perdem precisão justamente nessa faixa. A recomendação é dosar por método sensível, por espectrometria de massa, que costuma aparecer no pedido como estradiol ultrassensível. Muita discussão sobre estradiol masculino aqui é feita em cima de um número que não é confiável. A segunda é a que resolve o problema dele na prática, e ela conversa com o intervalo de 10 dias. Quanto maior a variação entre pico e vale, maior a oscilação do estradiol, porque a aromatização acompanha a testosterona disponível. Aplicar a cada 10 dias produz um pico alto e um vale profundo, e é nessa montanha russa que aparecem os sintomas que ele descreveu como estradiol descontrolado tirando o barato. A correção não passa necessariamente por inibidor de aromatase. Passa por achatar a curva: mesma dose semanal total, dividida em duas aplicações menores por semana. Isso reduz o pico, sobe o vale, e costuma resolver boa parte da oscilação de humor e de retenção sem acrescentar remédio nenhum. Sobre a frase de que o corpo dele quer pesar 70 kg, que ele ouviu por aí. O @Apollo Galeno chamou de bobagem e está certo. Mas vale explicar o que de fato acontece, porque o padrão dele é real e se repetiu duas vezes. No ano passado ele foi de 70 kg a 78 kg, parou em dezembro, perdeu o ritmo, ficou dois meses sem treinar por causa da pandemia e voltou com 75 kg. Este ano saiu de 75 kg e chegou a 81 kg. Repare que ele não voltou aos 70 kg. Ele terminou o ciclo anterior 5 kg acima de onde tinha começado. O que ele perdeu foi a parte que dependia de estar em superávit e treinando, que era água, glicogênio e uma fração de massa magra que não foi sustentada por dois meses de parada. Não existe peso que o corpo queira. Existe peso que a rotina sustenta. Ele mesmo escreveu isso, quando disse que se tivesse mantido o ritmo e a alimentação teria conservado melhor. E o @Apollo Galeno acertou o diagnóstico geral: se os exames estão bons e o treino é levado a sério, o que sobra é a dieta. Ganhar 5 kg em dois meses, como ele relatou, é rápido demais para ser tudo massa magra, e uma parte disso é retenção e gordura, o que também alimenta a sensação de estradiol alto. Uma ressalva pequena ao @Foston, que escreveu que, havendo indicação e doses fisiológicas, não há riscos. O espírito está certo: reposição indicada e monitorada é segura e é outra categoria de uso. Só que ela não é isenta. Mesmo em dose fisiológica, é preciso acompanhar hematócrito, porque testosterona aumenta a produção de glóbulos vermelhos e homens em tratamento têm cerca de quatro vezes mais chance de ultrapassar 50 por cento, com orientação de suspender acima de 54 por cento. E é preciso saber que a produção de espermatozoides fica suprimida. São coisas administráveis, mas exigem acompanhamento, e não zero cuidado. Sobre a referência que o @Locemar trouxe, ela é sólida e vale nomear: é o estudo de Bhasin, com homens saudáveis usando enantato por vinte semanas, mostrando ganho de massa livre de gordura dependente da dose. E o cálculo que ele apresentou é o que costuma ser usado como base: o homem produz na faixa de 50 a 70 mg de testosterona por semana, e 100 mg semanais de enantato entregam aproximadamente 72 mg de testosterona, ou seja, algo próximo de repor a produção natural. Por fim, a decisão que ele tomou no fim do tópico, encorajada pelo @JNS, foi a certa: parar de improvisar, organizar dieta e treino no período sem hormônio, e só depois montar um protocolo com orientação. Ele mesmo reconheceu que o intervalo de 10 dias era teoria própria, e um sujeito de 42 anos que já fez isso duas vezes e voltou para contar tem exatamente a experiência necessária para fazer diferente na terceira. Para quem quiser entender como se organiza um protocolo hormonal e quais exames costumam entrar antes, durante e depois, o site tem um orientador simulado em https://fisiculturismo.com.br/ferramentas/hormonio/ . A saída é simulada e serve como rascunho de estudo, não como prescrição. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
  28. Esse tópico tem uma pergunta bem colocada, uma resposta correta que veio de quem menos se achava capaz de dá-la, e uma decisão tomada no fim que, no meu entender, merecia bem mais discussão do que teve. Começo pela resposta certa, que foi da @Joaninha. Ela escreveu, pedindo desculpas por não ser especialista, que a oxandrolona suprime o eixo, que o valor baixo dele estaria dentro do esperado considerando isso, e perguntou se o problema não seria a testosterona oral que não estava adiantando nada. Era exatamente isso, nas duas partes. Ela acertou o tópico inteiro. Vou destrinchar, porque explica o exame sem precisar de nenhuma hipótese assustadora. Primeiro: a oxandrolona suprime, e suprime bastante. Em estudo com meninos usando apenas 2,5 mg por dia durante três meses, o LH caiu de 1,7 para 1,1 e a testosterona sérica caiu de 1,9 para 0,8 nmol por litro, ou seja, praticamente pela metade, com uma dose oito vezes menor do que a que ele estava usando. Segundo, e é o ponto que fecha: a oxandrolona não aparece como testosterona no exame. Ela é uma molécula diferente. Então, quando o eixo é desligado por ela, a testosterona medida cai, e não há nada substituindo aquele número. Ou seja, uma testosterona total baixa durante um ciclo de oxandrolona é o resultado esperado. Não é sinal de que algo deu errado, é a demonstração de que a droga está agindo. Terceiro: a testosterona oral que ele estava tomando, 15 mg por comprimido, três vezes ao dia, de fato não estava fazendo praticamente nada. O @Apollo Galeno chamou de cápsula de vento e estava certo, e vale o porquê. Testosterona pura, sem modificação, é quase toda destruída na primeira passagem pelo fígado. É por isso que não existe apresentação oral de testosterona simples que funcione. As duas soluções que a indústria encontrou foram esterificar como undecanoato, que é absorvido pela via linfática e precisa ser tomado com gordura, ou alquilar na posição 17 alfa, como a metiltestosterona, que funciona mas é hepatotóxica. Testosterona pura em cápsula manipulada não está em nenhum desses dois casos. Ela entrega uma fração ínfima do que está escrito no rótulo. E é justamente por isso que a hipótese de que a testosterona do comprimido seria farinha, levantada no tópico, não era necessária: mesmo se fosse testosterona de primeira linha, o resultado no exame seria praticamente o mesmo. Agora, sobre a sugestão de tumor no testículo. Foi dito a ele que a testosterona baixa daquele jeito poderia ser tumor testicular. Eu retiraria essa hipótese da mesa, pelo menos como primeira. Testosterona baixa em alguém que está tomando um supressor conhecido do eixo há semanas tem uma explicação óbvia e suficiente. Além disso, tumor de testículo tipicamente não se manifesta por testosterona baixa: ele se manifesta por nódulo endurecido e indolor no testículo, que se identifica no exame físico e no ultrassom, não no exame hormonal. O que era pertinente na preocupação, e isso vale, é que ninguém deveria iniciar reposição de testosterona sem antes saber por que a testosterona está baixa. Nisso a colocação estava certa, mesmo com o exemplo errado. Sobre a dose que ele estava usando, um registro. Três comprimidos com 20 mg de oxandrolona cada dão 60 mg por dia. A bula da oxandrolona vai de 2,5 a 20 mg, e os 20 mg são o teto. Ele estava no triplo do máximo terapêutico, e revelou depois que não eram cinco semanas, e sim quase quatro meses. Quatro meses de um 17 alfa alquilado em dose tripla, sem exame hepático mencionado em momento nenhum. Os sinais de parada imediata: urina escura como chá, fezes claras, coceira sem lesão de pele, amarelado nos olhos, náusea persistente e cansaço desproporcional. Agora o que eu considero o ponto mais importante do tópico, e que passou como piada. Ele escreveu que já tem uma filha de seis anos, que a esposa estava grávida de um menino, que ia fechar a fábrica de qualquer forma, e por isso decidiu entrar com testosterona injetável. E a conversa que se seguiu tratou isso como se estivesse resolvido. Três coisas precisam ser ditas. A primeira é que testosterona exógena suprime a produção de espermatozoides, e essa supressão pode ser profunda. Só que ela não é contracepção confiável. Existe gente que mantém produção residual suficiente. Quem decidiu não ter mais filhos e trata a testosterona como método anticoncepcional está correndo um risco real e desnecessário. O método definitivo, quando é isso que se quer, é a vasectomia, com urologista. A segunda é o outro lado, e é o que mais me preocupa numa decisão tomada aos 33 anos. A recuperação da produção de espermatozoides após uso prolongado de testosterona exógena costuma levar de seis meses a dois anos depois da interrupção, e há quem não recupere totalmente. Aos 33 anos, com dois filhos pequenos, muita coisa muda. É uma decisão que merece ser tomada com um urologista, e não como consequência lateral de um ciclo. E há uma medida barata que resolve o dilema inteiro e que ninguém mencionou: congelar sêmen antes de começar. Um espermograma e uma criopreservação custam muito menos do que qualquer tratamento de fertilidade lá na frente, e transformam uma decisão irreversível em reversível. A terceira é sobre a proposta de manter 300 mg por semana como reposição contínua. Reposição de testosterona é tratamento para toda a vida quando há diagnóstico de hipogonadismo, e o diagnóstico exige duas dosagens de testosterona total em jejum, colhidas pela manhã, junto com LH, FSH e prolactina, em quem não está usando nada que suprima o eixo. Ele não tinha nada disso, porque estava sob efeito de oxandrolona quando colheu. Além disso, 300 mg por semana não é dose de reposição. Reposição fisiológica em homem costuma ficar bem abaixo disso, e o alvo é trazer o valor para dentro da faixa normal, não acima dela. E, sobre o acompanhamento, os dois exames que faltaram na lista o tópico inteiro. O primeiro é hematócrito: testosterona aumenta a produção de glóbulos vermelhos, e homens em tratamento têm cerca de quatro vezes mais chance de ultrapassar 50 por cento, com orientação de suspender acima de 54 por cento. Não dá sintoma, e sai num hemograma comum. O segundo é o perfil lipídico, pela queda de HDL, que também é silenciosa. Duas observações menores. O @Apollo Galeno explicou corretamente que a oxandrolona eleva a testosterona livre por reduzir a SHBG, sem elevar a total. É por isso que muita gente se sente bem com a oxandrolona enquanto o exame de testosterona total mostra número baixo: são duas coisas diferentes sendo medidas. E a sugestão de repetir o exame em outro laboratório era boa e barata, e vale sempre que um resultado surpreende. Só que, neste caso, o resultado não surpreendia. Para quem quiser entender quais exames costumam entrar antes, durante e depois, e em que momento cada um significa alguma coisa, o site tem um orientador de protocolo hormonal simulado em https://fisiculturismo.com.br/ferramentas/hormonio/ . A saída é simulada e serve como rascunho de estudo, não como prescrição. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
  29. A @Tata88 abriu esse tópico dizendo que tinha dificuldade de achar informação sobre gestrinona oral, e ela tinha razão: quase tudo o que circula é sobre implante. Volto aqui porque essa informação existe, porque ela muda a leitura da dose dela, e porque duas coisas ditas no tópico merecem ajuste. Começo confirmando o que o @Beta1978 escreveu, porque estava certo e passou como curiosidade. A gestrinona não nasceu como implante. Ela nasceu por via oral, foi registrada no Brasil como Dimetrose em cápsulas de 2,5 mg, e a indicação era endometriose. Ou seja, o uso oral não é a exceção, é o uso original. E é justamente aí que aparece o número que faltava no tópico. O esquema de bula da gestrinona oral era de 2,5 mg duas vezes por semana, sempre nos mesmos dias, em tratamento contínuo. Isso dá 5 mg por semana. A @Tata88 estava usando 1,25 mg por dia, o que dá 8,75 mg por semana. São aproximadamente 1,75 vez a dose semanal licenciada, e com uma diferença adicional importante: a bula prevê tomadas espaçadas, duas vezes por semana, e ela estava tomando todos os dias, sem os vales entre as doses. Isso não significa que o médico dela esteja errado, e ela estava com acompanhamento a cada dois meses e exames, o que é o que se deve fazer. Significa que ela estava num esquema acima do descrito em bula, e essa é uma informação que ela tinha o direito de saber para poder perguntar. Sobre a estranheza dela com a prescrição oral em vez de gel, que ela disse que ia questionar na consulta. O @Foston sugeriu pedir em gel, e a lógica dele é a que todo mundo usa: oral passa pelo fígado. Mas nesse caso específico a via oral era a via original do medicamento, com registro e com estudos. A via transdérmica e o implante é que não têm o mesmo respaldo, e não há estudos de segurança e eficácia da gestrinona por via parenteral, particularmente por implante. Ou seja, aqui é o contrário do senso comum do fórum: a via que ela achava estranha era a mais estudada das três. Agora o que eu acrescentaria sobre a substância, porque a conversa tratou a gestrinona como algo de perfil brando e ela não é. A gestrinona é derivada da 19 nortestosterona, ou seja, é da mesma família estrutural da nandrolona. Ela tem atividade androgênica, e os efeitos adversos descritos na literatura de endometriose são exatamente os que se esperaria disso: acne, seborreia, aumento de pelos, ganho de peso, alteração de voz e alteração importante do perfil lipídico, com queda expressiva de HDL. Três consequências práticas. A primeira é que os sinais de parada imediata são os mesmos de qualquer androgênio em mulher: rouquidão, voz mais grave ou dificuldade nas notas altas da fala, e aumento de clitóris. Esses não regridem. Acne, oleosidade e pelo regridem, mas pelo que virou grosso e escuro nem sempre volta ao que era. A segunda é o perfil lipídico. A queda de HDL é o efeito adverso mais consistente e é completamente silenciosa. Se o médico dela pede marcadores hepáticos a cada dois meses, vale garantir que o lipidograma completo esteja junto, com valor de antes para comparar. A terceira, e a mais séria, é a contracepção. A gestrinona é teratogênica e contraindicada na gravidez. Ela reduz a ovulação, mas não é contraceptivo confiável, e a orientação em bula é usar método não hormonal durante o uso. Isso não apareceu em nenhum momento do tópico, e é o tipo de coisa que precisa estar escrita. Uma correção sobre a receita, que ficou registrada de um jeito que pode induzir alguém ao erro. Ela comentou que a farmácia não reteve a receita e concluiu que provavelmente venderiam sem receita. O @Beta1978 já tinha respondido corretamente, e vale reforçar: a manipulação de gestrinona exige prescrição médica. A retenção ou não da receita é regra de escrituração e varia conforme a lista em que a substância está, e não indica que o produto seja de venda livre. E há uma atualização importante para quem chegar a este tópico hoje, que é posterior a ele. Os medicamentos industrializados com gestrinona tiveram os registros cancelados no Brasil, e hoje ela existe apenas como manipulado, com indicação para endometriose e mediante prescrição. Além disso, o Conselho Federal de Medicina publicou a Resolução 2.333 de 2023, que veda a prescrição médica de terapias com esteroides androgênicos anabolizantes com finalidade estética, de ganho de massa muscular ou de melhora de desempenho esportivo. E a Anvisa proibiu implantes hormonais manipulados, os chamados chips da beleza. Isso não invalida o relato dela, que é de 2018 e foi feito com acompanhamento. Mas muda completamente o cenário de quem lê isso hoje pensando em procurar a mesma coisa. Agora a parte estética, que foi o que motivou tudo. O @Locemar deu a resposta honesta sobre o que ela chamava de pança, e vale acrescentar o mecanismo, porque ele explica a frustração dela com os procedimentos. A gordura subcutânea da região abdominal inferior é fisiologicamente mais resistente à lipólise. Ela tem proporção maior de receptores alfa 2 adrenérgicos, que inibem a quebra de gordura, em relação aos beta adrenérgicos, que a estimulam. É por isso que ela é sempre a última a sair, em qualquer pessoa, e é por isso que quem consegue eliminá-la completamente está em percentual de gordura de preparação de palco, que não se sustenta o ano todo. E há um detalhe do relato dela que fecha esse raciocínio: a profissional recusou a criolipólise dizendo que não havia gordura suficiente. Ela mesma concluiu que o incômodo era mais com a espessura da pele do que com gordura. Se é isso, nenhum protocolo hormonal resolve, porque não é tecido adiposo o alvo. Por fim, uma observação sobre o que ela conquistou sozinha e que ela descreveu como sofrido. Cinco quilos ganhos em cinco anos de treino, em uma mulher, com dieta, é um resultado bom. Ganho de massa magra em mulher acontece na ordem de um a dois quilos por ano em quem já treina, e some com qualquer interrupção. O que ela chamou de sofrido é, na verdade, a taxa normal do processo. Para quem quiser entender como se organiza um protocolo hormonal e quais exames costumam entrar antes, durante e depois, o site tem um orientador simulado em https://fisiculturismo.com.br/ferramentas/hormonio/ . A saída é simulada e serve como rascunho de estudo, não como prescrição. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
  30. A @Taty33 fez tudo o que pediram e voltou para contar, o que é raro e merece registro. Volto ao tópico porque a conclusão a que ele chegou, no meu entender, aponta para a variável errada, e porque há duas coisas no histórico dela que passaram quase despercebidas e que são mais sérias do que o assunto que dominou a conversa. Começo pela conclusão do tópico. Foi dito a ela, por três pessoas diferentes, que a culpa do não sucesso depois de dez anos de treino estava no método contraceptivo. E, na mesma conversa, ela escreveu: não faço dieta. Depois descreveu o dia dela. Fruta ou suco de manhã, chá com quatro torradas e requeijão, almoço, fruta com iogurte à tarde, dois pães de brioche com suco no fim do dia, jantar. Nesse dia inteiro, a proteína provavelmente não passa de 50 a 60 g. Não há nenhuma fonte proteica em quatro das seis refeições. Ou seja, existem duas explicações possíveis para dez anos sem resultado. Uma é um contraceptivo que aumenta a SHBG e reduz a testosterona livre. A outra é uma alimentação sem proteína e sem controle nenhum, admitida pela própria autora. Entre as duas, os dados apontam claramente para a segunda. Quando se mede o desfecho, e não o mecanismo, comparando mulheres em treino de força usando e não usando contraceptivo combinado, não se encontra diferença relevante de ganho de massa magra nem de força. O efeito é pequeno ou nulo. Não é que o mecanismo da SHBG não exista. É que ele é pequeno perto de comer 55 g de proteína por dia durante dez anos. E há uma consequência prática nisso, porque ela saiu do tópico e foi marcar a troca do método contraceptivo por causa dessa orientação. Vale que ela saiba o que está trocando. O DIU de cobre, que foi o recomendado, tem como efeito adverso mais conhecido o aumento do fluxo e da cólica menstrual, a ponto de sangramento aumentado ser uma das principais causas de retirada do dispositivo. Isso não o torna ruim, é um método excelente e não hormonal. Só significa que a troca tem um custo que precisa entrar na conta, e essa conta é com a ginecologista dela, com o histórico menstrual na mão. O @Odin foi correto ao dizer que o DIU hormonal também não atrapalharia o projeto dela, e essa é uma informação importante que ficou solta no meio da conversa. Se ela tem fluxo intenso, o DIU hormonal costuma ser a escolha melhor. E é justo registrar que o @Apollo Galeno escreveu a resposta certa do tópico, em letras maiúsculas: reeducação alimentar, e oxandrolona não indicada para o caso dela. Ele estava certo, e a primeira parte é a que resolve. Agora as duas coisas do histórico dela que precisam de atenção maior. A primeira são os pelos. Ela relatou, no primeiro ciclo, que os pelos cresceram muito e grossos. No segundo ciclo, que a hidroclorotiazida segurou os outros colaterais, mas que os pelos continuaram crescendo muito e grossos. E fez um terceiro ciclo depois. Isso se chama hirsutismo, e é um dos efeitos androgênicos que não regridem por completo. Diferente da acne e da oleosidade, que somem, o folículo que foi convertido em pelo terminal por estímulo androgênico tende a permanecer assim. O que se faz depois é tratamento estético para remover, não reversão. Ou seja, o único colateral que ela relatou como persistente e progressivo era justamente o que não volta, e ela repetiu o ciclo três vezes com ele acontecendo. Se em algum momento houver um quarto ciclo, esse é o sinal que muda a conversa, junto com rouquidão, voz mais grave e aumento de clitóris, que também não regridem e que felizmente ela não teve. A dose também merece nota: 30 mg por dia, sendo que a bula da oxandrolona vai de 2,5 a 20 mg e os 20 mg são o teto. Para mulher, a faixa em que se aprende a própria resposta é de 5 a 10 mg. A segunda coisa é a hidroclorotiazida, e essa me preocupa mais. Ela contou que usou hidroclorotiazida para segurar os colaterais, e ninguém comentou. Hidroclorotiazida é um diurético tiazídico, usado para hipertensão. Ela não tem nenhuma ação sobre efeito androgênico. Não reduz acne, não reduz oleosidade, não reduz pelo. O que ela faz é eliminar água e sódio. Então a melhora que ela percebeu foi de retenção hídrica, ou foi coincidência com a variação natural da acne, e não do que ela pensava estar tratando. E o custo é real: uso de tiazídico sem indicação e sem controle produz queda de potássio e de sódio, com cãibra, fraqueza, palpitação e, em desidratação associada a treino e calor, arritmia. Também eleva ácido úrico e glicemia. É um remédio de pressão sendo usado às cegas. Se ela usou junto com aquela alimentação, sem proteína e com pouco potássio, o cenário fica pior. Uma correção técnica ao comentário do @ThE_ImperatoR, que estava certo na conclusão e merece o porquê. Ele disse para trocar a oxandrolona sublingual por comprimido, comparando com GH sublingual. Ele acertou nas duas coisas, por dois motivos diferentes. A oxandrolona é 17 alfa alquilada, e é exatamente essa modificação que a protege da destruição na primeira passagem pelo fígado e que a torna eficaz por via oral. Ela já é absorvida muito bem engolida. A via sublingual não acrescenta nada, e boa parte do que se coloca embaixo da língua acaba sendo deglutida de qualquer forma. Ou seja, não é que sublingual não funcione: é que não há nada para melhorar. O GH sublingual é outro caso e não funciona mesmo, porque a somatropina é uma proteína de 191 aminoácidos, grande demais para atravessar a mucosa e destruída no trato digestivo. Nesse ele estava certo por inteiro. Sobre os exames, o @Odin montou uma lista boa e acrescentou corretamente o lipidograma, a função hepática e a tireoide completa, já que ela só tinha T4. Eu acrescentaria dois pontos. O primeiro é que a queda de HDL é o efeito adverso mais consistente dos androgênios orais, especialmente dos não aromatizáveis como a oxandrolona, e não dá sintoma nenhum. Depois de três ciclos, esse é o número que mais interessa. O segundo é que, se ela estiver mesmo usando hidroclorotiazida, sódio, potássio, creatinina e ácido úrico entram na lista com prioridade. E respondendo à pergunta dela que ficou sem resposta, sobre quantos quilos precisa perder. Não é a pergunta certa, e a resposta honesta é que ninguém consegue dizer isso por foto. O que importa para o objetivo dela é composição, não peso na balança. Com dez anos de treino e uma dieta sem proteína, é bem provável que ela ganhe massa e perca gordura ao mesmo tempo nos primeiros meses de alimentação organizada, e a balança pode praticamente não se mexer enquanto o espelho muda muito. O acompanhamento que vale é medida de cintura, foto na mesma luz e no mesmo horário a cada quatro semanas, e carga registrada no treino. Sobre os macros sugeridos, 113 g de proteína está numa faixa razoável e é o maior salto que ela pode dar, porque significa mais que dobrar o que come hoje. Só ajustaria uma coisa: 1.500 kcal foi um número estimado sem os dados dela. Vale calcular a manutenção pelo peso e pelo nível de atividade e tirar 300 a 400 kcal, em vez de partir de um valor fixo. Se quiser um ponto de partida para montar isso, o site tem um gerador de dieta simulada em https://fisiculturismo.com.br/ferramentas/dieta/ . A saída é simulada e serve como rascunho para ajuste, não como prescrição. Por fim, o que ela fez no último post foi exemplar: exames de sangue, ultrassom transvaginal e de mama, preventivo em dia, e a decisão de só voltar a ciclar com orientação. Depois de dez anos treinando sem dieta, a única coisa que ela ainda não testou é comer direito por seis meses. É bem provável que essa seja a variável que faltava. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
  31. A história do @Enoque é das melhores do fórum e merece ser dita em voz alta: ele saiu de 110 kg, perdeu 30 kg em dois anos de dieta e treino, sem usar nada. Isso é mais difícil e mais raro do que qualquer ciclo descrito por aqui. Volto ao tópico porque, lendo a sequência inteira, existe um padrão que se repete e que ele mesmo apontou no último post sem se dar conta. E porque há uma dose no meio do caminho que precisa de ajuste. Começo pelo padrão. Ele abriu o tópico dizendo que queria aumentar bastante a massa magra e que os ombros eram lisos. O primeiro ciclo dele, com enantato e boldenona, foi feito em déficit calórico, e ele contou que secou bastante. O ciclo seguinte, orientado no tópico, foi montado explicitamente para melhorar definição, com dieta de 240 g de proteína, 240 g de carboidrato e 80 g de gordura, o que dá aproximadamente 2.640 kcal. E no último post ele escreveu: secou bem, está com 77 kg, chassi de fusca, e está doido para encher. Ou seja, ele pediu massa três vezes e fez corte três vezes. Saiu de 110 kg para 77 kg encadeando fases de secagem, uma atrás da outra, sem nunca ter passado por um período comendo acima da manutenção. Essa é a resposta do tópico, e ela não envolve escolher droga nenhuma. Nenhum androgênio constrói tecido novo em quantidade relevante sem excedente calórico. O que ele faz em déficit é preservar o que existe e melhorar a aparência, que foi exatamente o resultado que ele obteve todas as vezes. Para encher, o que falta é comida, e faltou nas três tentativas. Com 77 kg, para começar a construir, o caminho seria: calcular a manutenção, acrescentar 250 a 350 kcal, manter proteína em torno de 1,8 a 2,2 g por quilo, ou seja, algo entre 140 e 170 g, e acompanhar o peso semanalmente, buscando algo entre 0,3 e 0,5 por cento do peso corporal por semana. Se subir mais rápido que isso, o excedente está indo para gordura. Repare que a proteína de 240 g que ele estava usando é bem acima do necessário para 77 kg, e cada grama dela estava ocupando o lugar do carboidrato num dia que já era apertado. Baixar proteína e subir carboidrato, mantendo o total, já mudaria o rendimento no treino. Agora a dose, e faço a ressalva com respeito ao @Apollo Galeno, que acompanhou o caso com atenção e cujo raciocínio de priorizar definição fazia sentido para o estado dele naquele momento. Foram propostos 60 mg de oxandrolona por dia, por 8 semanas, com possibilidade de estender até 12. A bula da oxandrolona prevê de 2,5 a 20 mg por dia, e os 20 mg são o teto. Sessenta miligramas é o triplo do máximo terapêutico, mantido por até três meses. E há um detalhe que torna essa dose ainda menos vantajosa: a resposta da oxandrolona não cresce proporcionalmente à dose. Passado certo ponto, os receptores já estão ocupados e o que continua subindo é a sobrecarga hepática e a queda de HDL. Ou seja, 60 mg não entregam o triplo de 20 mg. Entregam aproximadamente o mesmo, com o triplo do custo e vários múltiplos do risco. A oxandrolona é 17 alfa alquilada, e é justamente essa modificação que permite que ela sobreviva à passagem pelo fígado e que a torna hepatotóxica. Os sinais que exigem parada imediata e médico no mesmo dia: urina escura como chá, fezes claras, coceira sem lesão de pele, amarelado nos olhos, náusea persistente e cansaço desproporcional. O @Apollo Galeno pediu corretamente os exames antes: TSH, T4, estradiol, testosterona total e livre, SHBG, perfil lipídico e perfil hepático. Foi a melhor parte da orientação. Só que o ciclo acabou acontecendo sem que os exames tivessem sido postados. E acrescentaria um à lista, que quase sempre falta: hematócrito. Testosterona eleva a produção de glóbulos vermelhos, é o efeito adverso que mais frequentemente exige ação, não dá sintoma nenhum e sai num hemograma comum. Sobre o NPP que ele anunciou no fim, com 300 mg por semana junto com enantato. Aqui há uma informação que muda a decisão e que não apareceu no tópico. A nandrolona tem atividade progestogênica, ou seja, ela age também no receptor de progesterona. Isso reduz o tônus dopaminérgico no hipotálamo e favorece a elevação de prolactina, e prolactina alta produz queda de libido, dificuldade de ereção e anorgasmia. Esse é o efeito conhecido por quem já usou e que costuma pegar de surpresa quem não sabe do mecanismo: a pessoa está com testosterona alta e mesmo assim sem libido nenhuma. E há um segundo ponto que interessa diretamente à preocupação declarada dele. Ele disse desde o primeiro post que a maior preocupação era retenção, porque já retém e não queria voltar a parecer gordo. Nandrolona retém líquido, e bastante. É provavelmente a escolha menos alinhada com o objetivo que ele descreveu. Sobre o comentário do @davidevh, de que não existe isso de tal composto dar determinado tipo de ganho e que quem dita é a dieta e o treino, ele está certo no essencial, e é a observação mais útil do tópico. Só faço uma ressalva: os compostos diferem, sim, em aromatização e retenção hídrica, e era exatamente sobre isso que o @Enoque estava perguntando. A pergunta dele era boa. Agora o assunto que ele levantou duas vezes e que ninguém respondeu, e que no meu entender é o mais importante da vida dele hoje. Ele escreveu que tem muita pele, porque era obeso, e que a pele do abdome está bem fina. Isso merece uma resposta honesta. Quem perde 30 kg vindo de 110 kg costuma ter retração parcial da pele ao longo de um a dois anos, e ela depende da idade, do tempo que a pessoa passou no peso alto e da genética. Uma parte volta. Outra parte, frequentemente, não volta. E é aqui que o padrão de repetir ciclos se explica: ele está tentando encher com músculo uma pele que não vai ser preenchida por músculo. Nenhuma quantidade de massa magra resolve excesso de pele abdominal, porque o abdome não é um músculo que se expande a ponto de ocupar aquele espaço. Quando há excesso significativo, com repercussão funcional, existe indicação médica formal de dermolipectomia, e ela é feita inclusive na rede pública em determinados casos. Saber disso não é desistir, é parar de perseguir com farmacologia um problema que é de tecido. Sobre os ombros lisos, que foi o objetivo estético declarado. Não existe droga que direcione ganho para um músculo específico. O que resolve deltoide é volume de treino dirigido, e a porção mais frequentemente subtreinada é a posterior, que quase todo mundo negligencia porque não aparece no espelho. Elevações laterais com carga controlada e trabalho de posterior duas vezes por semana rendem mais nesse ponto do que qualquer troca de composto. Por fim, um registro sobre o que ele conseguiu. Ele perdeu 30 kg sozinho, com dieta e treino, e chegou a um ponto em que a força aumentou muito e ele mesmo se disse satisfeito com a definição. Aos 29 anos, dois anos depois de sair da obesidade, com esse histórico, o que falta para ele não é ciclo. É uma fase organizada de superávit, com paciência, e uma conversa com cirurgião sobre a pele. Se quiser montar essa fase de superávit com os números no lugar, o site tem um gerador de dieta simulada em https://fisiculturismo.com.br/ferramentas/dieta/ . A saída é simulada e serve como rascunho para ajuste, não como prescrição. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
  32. O @SteveReeves montou esse protocolo com cuidado e trouxe dados completos, o que ajuda muito. Volto ao tópico porque há um argumento central que ele repetiu duas vezes e que está incorreto, há um número que muda a decisão inteira, e há um detalhe da vida dele que ninguém levou até o fim, apesar de ser o mais importante de todos. Começo pelo detalhe, porque ele muda tudo. Ele contou, no meio do tópico, que é atleta de jiu jitsu, professor e competidor, e que semanas antes tinha lutado o Mundial Master em Las Vegas. A ostarina está na lista de substâncias proibidas da Agência Mundial Antidopagem, na categoria de outros agentes anabólicos, proibida em todos os momentos e em todos os esportes. Ela não é uma zona cinzenta: é uma das substâncias que mais gera resultado analítico adverso no mundo, com dezenas de casos por ano, e é detectável por muito tempo depois do uso. O @Apollo Galeno chegou perto quando perguntou se as ervas eram por causa de exame antidopagem, mas a pergunta ficou sem resposta clara e a conversa seguiu. E há um agravante que quase ninguém sabe: já houve atletas suspensos por quantidades mínimas de ostarina compatíveis com contaminação de suplemento, ou seja, sem uso intencional. Isso significa que, para quem compete, o risco existe mesmo em quem apenas usa suplementos de origem duvidosa. Quem toma de propósito não tem defesa nenhuma. Se ele competia em federação com controle antidopagem, esse era o assunto do tópico, e não os miligramas. Agora o argumento que precisa ser desfeito, com todo o respeito, porque ele foi a base da decisão. Ele escreveu que esteroides são corticoesteroides, e que por isso preferia o SARM, que seria apenas anabolizante. Isso confunde duas classes que não têm relação funcional nenhuma. Corticosteroides, como prednisona e dexametasona, agem no receptor de glicocorticoide. Eles são catabólicos para músculo, elevam glicemia, causam osteoporose, atrofia de pele e supressão do eixo do cortisol. É deles que vêm a cara inchada e a perda de massa muscular que as pessoas associam a bomba. Esteroides anabolizantes, como testosterona e oxandrolona, agem no receptor de androgênio. São anabólicos para músculo, e não fazem nada disso. As duas classes compartilham apenas o esqueleto químico de quatro anéis, que é o que a palavra esteroide descreve. Chamá-las de a mesma coisa é como agrupar sal de cozinha e cianeto porque os dois são sais. O @Toxi tentou corrigir isso duas vezes, dizendo que anabolizante também não é corticoide, e tinha razão. Registro aqui porque essa confusão é comum e leva gente a escolher pelo motivo errado. Agora o número, que é o ponto principal. Ele afirmou que a ostarina, nos piores cenários e em ciclos longos, baixaria a testosterona em até 40 por cento. Os ensaios clínicos de fase 2 com enobosarm, que é o nome farmacêutico da ostarina, mostraram supressão de testosterona total dependente da dose: cerca de 31 por cento com 1 mg por dia, e cerca de 57 por cento com 3 mg por dia. Ele planejava 12,5 mg por dia. Ou seja, quatro vezes a maior dose testada nesses estudos, e essa maior dose já derrubava a testosterona pela metade. Não existe medida publicada do que 12,5 mg fazem, porque ninguém estudou. Isso dá razão ao @Toxi por um caminho que ele não tinha como demonstrar em 2018, quando disse que a supressão com 10 mg de oxandrolona provavelmente seria menor que a daquela ostarina. A comparação dele estava correta na direção. E aqui entra o outro lado da mesma moeda, que também vale saber. Nesses estudos, o ganho de massa magra em doze semanas ficou na casa de um quilo, e em população idosa ou com caquexia, ou seja, pessoas com muito espaço para ganhar. Ele é um homem com 23 anos de treino, 10 por cento de gordura, e o objetivo declarado era ganhar 5 kg. Cinco quilos de massa magra, nessa condição, não estão ao alcance de nenhum SARM. O que ele iria receber é aproximadamente um quilo, com metade da testosterona. Três informações de segurança que não apareceram no tópico. A primeira é o fígado. No ensaio de fase 2 com a dose de 3 mg, houve elevação de TGP em 20,8 por cento dos participantes. E existem relatos publicados de lesão hepática colestática grave associada à ostarina, em pessoas jovens e saudáveis, algumas com icterícia prolongada. Em 2017 a agência americana emitiu alerta a fabricantes justamente sobre toxicidade hepática dos SARMs e sobre possível aumento de risco de infarto e AVC. A segunda é o HDL, que cai com a ostarina como cai com androgênios em geral, e não dá sintoma nenhum. A terceira é sobre a expressão SARM ser tratada como sinônimo de seguro. Seletividade, nesse contexto, significa que o composto age mais em músculo e osso do que em próstata e pele. Não significa que ele não suprima o eixo, e os números acima mostram que suprime bastante. Seletivo não é sinônimo de leve. Sobre o MK-677, que ele citou como não suprimindo nada. Está correto quanto ao eixo, e por um motivo simples: ele não é um SARM. É um secretagogo de hormônio do crescimento, que age em outro sistema. Só que ele tem os efeitos próprios dessa via, que são retenção de líquido, aumento de glicemia e piora da sensibilidade à insulina, além de aumento de apetite. Para um atleta que precisa bater peso de categoria, retenção de líquido é justamente o que atrapalha. Sobre o protocolo montado com seis substâncias simultâneas, o @Apollo Galeno deu a melhor observação do tópico. Quando se toma ostarina, tongkat ali, zinco, boro, raiz de urtiga e o que mais vier ao mesmo tempo, e alguma coisa dá errado, não há como saber de onde veio. E, se der certo, também não há como saber o que funcionou. É o problema de desenho experimental que atravessa quase todos os relatos do fórum. E ele acrescentou algo que vale reforçar: fitoterápico não é sinônimo de inofensivo. Tongkat ali, por exemplo, tem relatos de elevação de enzimas hepáticas, e produtos importados dessa categoria já foram encontrados com contaminação por metais pesados e com adulteração por medicamentos de verdade. Para quem compete, essa é outra porta de contaminação. Sobre a sugestão de tamoxifeno ou clomifeno para elevar testosterona endógena. Preciso fazer duas ressalvas. A primeira é a mesma do começo: moduladores hormonais e metabólicos estão na lista proibida da antidopagem, então para um competidor a conversa termina aí. A segunda é que ele relatou testosterona em torno de 500, que é um valor normal. Usar um modulador de receptor de estrogênio para elevar testosterona em quem tem testosterona normal é uso fora de indicação, com efeitos próprios, incluindo alteração visual com clomifeno e risco de trombose com tamoxifeno. E a relação de 5 a 7 vezes entre as doses das duas substâncias, mencionada no fim, não tem respaldo que eu tenha encontrado. As doses usadas na prática clínica para estimular o eixo são de ordem de grandeza parecida entre as duas. Por fim, o que eu diria a ele, e ele tem uma vantagem que quase ninguém no fórum tem. Ele lutou uma categoria acima da dele, com 77 kg contra atletas de até 82 kg, e escreveu que não sentiu a diferença de peso, que estava forte e ágil, e que atribuiu isso à técnica. Ele chegou à final da chave num mundial master, aos 39 anos, sem nunca ter usado nada. Quem está nessa situação tem muito mais a perder com uma suspensão por dopagem do que a ganhar com um quilo de massa magra. E os 5 kg que ele queria, num competidor de categoria leve, iriam justamente empurrá-lo para fora da categoria em que ele vinha vencendo. Para quem quiser entender como se organiza um protocolo hormonal e quais exames costumam entrar antes, durante e depois, o site tem um orientador simulado em https://fisiculturismo.com.br/ferramentas/hormonio/ . A saída é simulada e serve como rascunho de estudo, não como prescrição. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
  33. O @marcelobarreto encerrou esse tópico com uma pergunta que ficou sem resposta, e ela é boa demais para ficar assim. Vou respondê-la, e antes disso preciso comentar três coisas do meio da conversa, porque uma delas tem um erro de conta e outra pode gerar uma frustração desnecessária lá na frente. Começo pela pergunta que ele fez por último: como saber a hora de parar o cutting e começar um bulking. Existem dois critérios, e o mais confiável é o de gordura corporal. Para homem, a faixa em que vale a pena parar de cortar e começar a construir fica em torno de 10 a 12 por cento. Daí se constrói até algo entre 15 e 17 por cento, e então se corta de novo. Abaixo de 10 por cento a fome fica difícil de administrar e o rendimento cai. Acima de 17 por cento a proporção do ganho que vai para gordura aumenta bastante. O segundo critério é prático e serve para quem não tem uma medida confiável de gordura corporal, que é a maioria. Sinais de que o corte já cumpriu o papel: A carga do treino começa a cair semana após semana. A fome deixou de ser administrável e passou a dominar o dia. Sono piorou, libido caiu, disposição foi embora. O peso parou por três semanas seguidas mesmo com a dieta sendo cumprida de verdade. Quando dois ou três desses aparecem juntos, o corte já rendeu o que tinha para render. E, no caso dele, há um dado específico. Ele saiu de 120 kg. Quem vem de uma perda grande costuma se beneficiar de uma fase de manutenção antes do bulking, de algumas semanas comendo na manutenção, para o organismo se estabilizar no peso novo, antes de partir para o superávit. Agora as três observações do meio do tópico. A primeira é uma conta que não fecha. Foi sugerido a ele 3 g de proteína por quilo e 1,5 g de gordura por quilo, com o total em 2.250 kcal. Fazendo a conta para um homem na faixa de 95 kg: 285 g de proteína dão 1.140 kcal, e 142 g de gordura dão 1.278 kcal. Somando, 2.418 kcal, sem um grama de carboidrato. Ou seja, os macros propostos já estouravam o teto calórico antes de começar. Vale corrigir também as faixas. Proteína em déficit, para quem treina, rende entre 1,8 e 2,2 g por quilo de peso, podendo subir um pouco em quem já está bem magro. Três gramas não é perigoso, é só desnecessário e ocupa espaço. E gordura em 1,5 g por quilo é bastante alto para uma dieta de corte, justamente porque gordura é o macronutriente mais calórico. A distribuição que ele já vinha usando, com 188 g de proteína, 141 g de carboidrato e 63 g de gordura, era bem mais coerente. E foi corretamente avaliada como razoável quando ele a mostrou. Vale registrar também a intervenção do @Batata..., que corrigiu um ponto importante e foi reconhecido: não se tira o déficit da taxa metabólica basal, e sim do gasto calórico diário, que é a basal multiplicada pelo fator de atividade. É um erro comum e ele custa caro, porque leva a dietas absurdamente baixas. A segunda observação é sobre a pele, e essa eu faço com cuidado, porque a intenção de quem respondeu era boa. Foi dito a ele que tivesse paciência, que a pele em excesso vai encolher. Encolhe em parte, e não é uma questão só de paciência. O quanto a pele retrai depende da magnitude da perda, de quanto tempo a pessoa passou no peso alto, da idade, da genética e do quanto de massa muscular ocupa o espaço. Quem perde 25 ou 30 quilos costuma ver boa recuperação ao longo de um a dois anos. Quem perde muito mais, e ele estava vindo de 120 kg, frequentemente fica com excesso que não retrai. Digo isso porque a expectativa errada é o que mais desanima quem chegou lá. Se sobrar pele, isso não significa que ele fez algo errado nem que faltou paciência. Significa que existe uma etapa a mais, que é cirúrgica, e a dermolipectomia tem indicação médica reconhecida quando há repercussão funcional, com atendimento inclusive pela rede pública em certos casos. Saber disso antes é melhor do que descobrir depois de dois anos esperando. A terceira é sobre a memória do corpo. Foi dito que o corpo vai querer voltar aos 120 kg. Aqui há um fundo verdadeiro que merece ser dito com precisão, porque a versão popular assusta sem ajudar. O estudo de referência acompanhou pessoas com obesidade por um ano após uma perda de peso importante. Ao fim das dez semanas de dieta, a leptina, o peptídeo YY, a colecistoquinina, a insulina e a amilina, que são os sinais de saciedade, estavam reduzidos, e a grelina, que é o sinal de fome, estava aumentada. Um ano depois, essas alterações persistiam, junto com a sensação de fome aumentada. Ou seja, não existe uma memória que puxe o peso de volta. O que existe é uma alteração real e duradoura nos hormônios que regulam a fome. Isso não impede manter o peso, e não é uma sentença. Só explica por que manter exige estrutura, e por que a manutenção não é o momento de relaxar o controle. Quem entende isso para de achar que fracassou por falta de força de vontade. Agora, o ponto que ele levantou logo na primeira mensagem e que ninguém respondeu, apesar de ser provavelmente o mais importante do caso dele. Ele contou que virou programador, trabalha remoto, não se desloca e passa o dia sentado, e que foi aí que chegou aos 120 kg. Isso tem nome: gasto energético de atividade não relacionada ao exercício. É toda a energia que você gasta fora do treino, andando, subindo escada, ficando em pé, se deslocando. E o tamanho disso é maior do que quase todo mundo imagina. A variação desse gasto entre duas pessoas do mesmo tamanho pode chegar a 2.000 kcal por dia, dependendo da ocupação e do estilo de vida. E, em estudo de superalimentação controlada, quem mais aumentou esse gasto foi quem menos ganhou gordura, com variação de dez vezes entre os participantes. Estima-se que uma pessoa sedentária que adote o padrão de movimentação de uma pessoa magra gaste cerca de 350 kcal a mais por dia. Trezentas e cinquenta calorias por dia é mais do que a maioria dos cortes de dieta que ele estava tentando fazer. Para quem trabalha remoto, isso se resolve com coisas quase bobas: uma meta de passos diária, levantar a cada ciclo de trabalho, reuniões caminhando quando não precisa de tela, uma caminhada no horário em que antes existia o deslocamento. É a intervenção de melhor retorno para o problema exato que ele descreveu, e não custa nada. Sobre os exames, uma sugestão de foco. Foi sugerido testosterona e T4 livre. Eu começaria por outro conjunto, mais provável de render alguma coisa em quem veio de obesidade: glicemia de jejum e hemoglobina glicada, perfil lipídico completo, TSH com T4 livre, e TGO, TGP e gama GT, por causa de gordura no fígado, que é comum e silenciosa. Testosterona vale medir, sim, e há um detalhe que ele precisa saber: excesso de tecido adiposo aumenta a conversão de testosterona em estradiol e derruba a testosterona total. Só que, nesse cenário, o tratamento é a perda de peso, e a testosterona sobe sozinha conforme o peso cai. Não é caso de repor. E a informação prática que ele pediu está correta: em laboratório particular, pagando, não é preciso pedido médico para a maioria dos exames. Em plano de saúde e na rede pública, é preciso. Por fim, ele perguntou duas vezes se valia mudar o treino, e não teve resposta clara. Para quem está em déficit calórico, a orientação é o contrário do que a maioria faz: mantenha o treino. Déficit não é hora de trocar tudo nem de aumentar volume. É hora de tentar sustentar as cargas que você já levanta, porque carga mantida em déficit é o melhor sinal de que a massa magra está sendo preservada. Se quiser um ponto de partida para montar os números da fase de manutenção antes do bulking, o site tem um gerador de dieta simulada em https://fisiculturismo.com.br/ferramentas/dieta/ . A saída é simulada e serve como rascunho para ajuste, não como prescrição. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
  34. O @Rocket fez três perguntas neste tópico e só uma foi respondida. Vou responder as outras duas, e antes disso preciso comentar o ajuste de dieta que ele recebeu, porque o medo que ele manifestou logo depois estava tecnicamente correto e foi tratado como frescura. Primeiro, o que aconteceu com os números dele. Ele estava com 3.750 kcal, 250 g de proteína, 400 g de carboidrato e 130 g de gordura. Saiu de lá para 2.075 kcal, 125 g de proteína, 225 g de carboidrato e 75 g de gordura. Isso é um corte de aproximadamente 45 por cento das calorias, de uma vez, num rapaz de 17 anos com 14,2 por cento de gordura corporal. E o mais importante: a proteína caiu pela metade exatamente no momento em que as calorias caíram. Isso é o inverso do que se faz. Ele escreveu, logo em seguida, que estava com medo de perder massa magra. Ele estava certo, e a resposta que recebeu foi uma brincadeira. A revisão sistemática de referência sobre proteína em atletas treinados e magros em restrição calórica conclui que a necessidade fica entre 2,3 e 3,1 g por quilo de massa livre de gordura, e que ela sobe quanto mais severo é o corte e mais magra é a pessoa. Fazendo a conta com os números dele: 77 kg com 14,2 por cento de gordura dão cerca de 66 kg de massa livre de gordura. Isso coloca a faixa recomendada entre aproximadamente 150 e 205 g de proteína por dia. Ele foi colocado em 125 g. Ou seja, abaixo do piso, num corte agressivo, que é precisamente a combinação que faz perder massa magra. Agora, sendo justo com a outra metade da história, porque o diagnóstico que ele recebeu estava certo. O bulking dele estava mesmo acelerado demais. Ele ganhou 2,5 kg em um mês. Um iniciante ganha músculo, no melhor cenário, na faixa de 0,25 a 0,5 por cento do peso corporal por semana, o que para ele daria algo entre 0,8 e 1,5 kg por mês. Tudo o que passa disso é gordura. Então os 3.750 kcal estavam excessivos, e o @Apollo Galeno estava correto ao apontar isso. O que eu ajusto é o tamanho da correção. O caminho intermediário, que é o que eu faria, é este: Manter superávit, mas pequeno, entre 250 e 350 kcal acima da manutenção, o que para ele daria algo entre 2.900 e 3.100 kcal. Proteína entre 150 e 170 g, que é próximo de 2 g por quilo de peso e dentro da faixa segura. Gordura em torno de 0,8 a 1 g por quilo, ou seja, 60 a 77 g. O restante em carboidrato. Acompanhar o peso semanalmente e ajustar as calorias para ficar naquela faixa de 0,8 a 1,5 kg por mês. Se subir mais rápido, corta um pouco. Se travar, acrescenta. Com 14,2 por cento de gordura aos 17 anos ele não precisava de corte nenhum. Precisava só de um bulking mais lento. E há um detalhe da idade que muda a leitura: aos 17 anos ele ainda está crescendo, e parte do peso ganho é desenvolvimento normal, não é gordura de bulking. Cortar 45 por cento das calorias nessa fase cobra caro, e não só em massa magra. Agora as duas perguntas que ficaram sem resposta. A primeira, que ele repetiu três vezes, era sobre o treino. A divisão que ele postou tem peito na segunda, dorsal na terça, e segue nessa lógica de um grupo por dia. Isso significa que cada músculo é treinado uma vez por semana. Essa é a mudança que mais renderia para ele. A metanálise que comparou frequências, com volume semanal igualado, mostra que treinar cada grupo pelo menos duas vezes por semana produz mais hipertrofia do que uma vez. Repare no detalhe: com o mesmo total de séries na semana. Não é fazer mais, é distribuir melhor. Para quem treina cinco vezes na semana, como ele, a organização que faz mais sentido é empurrar, puxar e pernas repetido, ou superior e inferior alternados. Nas duas, cada grupo aparece duas vezes. Na prática, ele estaria pegando o mesmo trabalho que já faz e obtendo mais resultado, sem gastar um minuto a mais na academia. Para alguém com nove meses de treino, é o ajuste de maior retorno disponível. Uma observação sobre o treino de peito que ele descreveu: manguito na polia, flexão, supino reto com halter, supino inclinado, crucifixo inclinado na máquina e pullover. São seis exercícios com muita sobreposição, quatro deles empurrando em ângulos parecidos. Dois ou três exercícios bem executados, com séries próximas da falha e carga registrada, rendem o mesmo ou mais. A segunda pergunta, feita no último post e nunca respondida, era sobre quanto tempo de aeróbico fazer. Para o objetivo dele, que é ganhar massa, o aeróbico não é obrigatório, mas vale por saúde cardiovascular e por condicionamento, que ajuda a recuperar entre séries. Duas a três sessões de 20 a 30 minutos em intensidade leve a moderada resolvem, feitas em dias separados do treino de pernas ou no fim da sessão. E há um detalhe que costuma passar batido: existe o chamado efeito de interferência, e a metanálise sobre treino concorrente mostra que a corrida atrapalha ganhos de força e hipertrofia de membros inferiores, enquanto o ciclismo não. Ou seja, se for para fazer aeróbico enquanto tenta crescer, bicicleta e caminhada inclinada são escolhas melhores que corrida. Duas coisas menores sobre a dieta nova que ele montou. O almoço ficou com 40 g de frango, o que provavelmente foi erro de digitação, mas vale conferir, porque é uma quantidade muito pequena e ajuda a explicar a proteína baixa do dia. E a mudança de leite integral para desnatado em todas as refeições tirou gordura e calorias justamente de quem já estava em corte severo. Para quem quer crescer, o integral é o mais indicado. Por fim, vale registrar que ele fez tudo certo do ponto de vista de método: pesou os alimentos, calculou os macros, postou a dieta digitada, aceitou o ajuste e refez. Com nove meses de treino, aos 17 anos, com esse nível de organização e sem usar nada, ele está no melhor período que vai ter na vida inteira para ganhar massa. É literalmente o único momento em que o hormônio está no pico sem precisar de nada. Se quiser reorganizar a divisão para colocar cada grupo duas vezes por semana sem aumentar o tempo de treino, o site tem um orientador de treino simulado em https://fisiculturismo.com.br/ferramentas/treino/ . A saída é simulada e serve como rascunho para ajuste, não como prescrição.
  35. O @euripedesroo trouxe uma frase que aparece em quase todo tópico de emagrecimento, e é a que mais atrapalha quem a repete: que já tentou de tudo, que o corpo viciou nas dietas e que nenhuma funciona. Existe um estudo que responde exatamente a isso, e ele responde de forma incômoda, mas útil. Pesquisadores pegaram pessoas que se descreviam como resistentes à dieta, ou seja, gente que jurava comer pouco e não emagrecer, e mediram tudo em laboratório por catorze dias com água duplamente marcada, que é o método de referência. O que elas relatavam comer: cerca de 1.028 kcal por dia. O que elas de fato comiam: 2.081 kcal por dia. A subestimação média foi de 47 por cento, e a atividade física foi superestimada em 51 por cento. E o resultado mais importante: o gasto energético e o metabolismo de repouso delas estavam dentro de 5 por cento do previsto para a composição corporal. Não havia nada de errado com o metabolismo. Trago isso porque encaixa quase exatamente no caso dele. O dia que ele descreveu foi: um sachê de proteína no pós treino, uma maçã ou banana no café, almoço com proteína magra e legumes de baixa caloria, uma fruta no lanche e 120 g de peito de frango com salada no jantar. Isso dá em torno de mil calorias. Um homem de 84 kg comendo mil calorias por dia emagreceria depressa, e sem exceção. Como ele não estava emagrecendo, uma das duas informações está incompleta. E ele mesmo deu a pista, sem se dar conta, quando explicou depois que aquilo era um exemplo de um dia e que não era assim todo dia, e que a dieta dele define tipos de alimento e não quantidades, porque almoça e janta no trabalho. Ou seja, ele não estava registrando o que comia. Estava registrando uma categoria. Comer proteína de carne branca hoje pode ser 100 g de frango grelhado ou 300 g de frango à parmegiana, e a diferença entre as duas é de mais de 500 kcal. Almoçar e jantar fora, sem pesar, é justamente o cenário em que a subestimação de 47 por cento do estudo acontece. Isso não é acusação de má fé, e faço questão de deixar claro. As pessoas do estudo eram sinceras. É que estimar caloria de comida feita por outra pessoa, sem balança, é impossível para qualquer um. E a boa notícia é grande: se o problema não é o metabolismo, então ele é corrigível. Corpo não vicia em dieta. Agora, o que eu faria de diferente, e são três coisas. A primeira é a proteína, que é o buraco mais evidente da dieta dele. Contando o que foi descrito, ele deve estar em algo entre 80 e 100 g de proteína por dia. Para 84 kg, o alvo em déficit calórico fica entre 130 e 170 g. E isso importa muito no caso específico dele, porque ele fez bioimpedância e o resultado apontou massa muscular baixa. Emagrecer em déficit com proteína insuficiente é a forma mais eficiente de perder justamente a massa magra que ele já tem pouca. Ele estaria trocando o problema do peso pelo problema da composição. Junto com isso, o treino em jejum com proteína baixa é a pior combinação possível para quem está tentando recuperar massa. A segunda é sobre a lesão, que ninguém do tópico comentou e que é o fato mais importante da história dele. Ele teve fratura de coluna, passou por cirurgia, ficou nove semanas deitado e ficou com dor cervical. A massa muscular baixa que a bioimpedância apontou não é mistério metabólico, é atrofia por desuso, que é exatamente o que nove semanas de repouso produzem. É um achado esperado, e é reversível com treino de força. Mas isso também significa que o conselho de treinar como um cavalo, dado com boa intenção pelo @Batata..., não serve para ele. Quem passou por cirurgia de coluna precisa de progressão orientada, com atenção a exercícios que carregam a coluna axialmente, e o profissional que resolve isso é o fisioterapeuta ou o educador físico com experiência clínica, e não o volume de treino. Ele fez pilates antes, e essa transição do pilates para a musculação era o ponto que mais merecia planejamento no tópico inteiro. A terceira é o colesterol, que ele mencionou três vezes e que ninguém respondeu. Colesterol alto não é um número só. O que decide conduta é a fração: LDL, HDL e triglicérides, além do não HDL. Vale pedir o perfil lipídico completo e olhar cada um. E há um detalhe que interessa a ele em particular. Perda de peso derruba muito os triglicérides e mexe pouco no LDL. Então, se o problema principal dele for LDL alto, emagrecer vai ajudar menos do que ele espera, e o caminho passa por outras coisas: fibra solúvel, que é aveia, feijão, lentilha e frutas com casca, redução de gordura saturada, e avaliação médica sobre necessidade de tratamento. E há uma hipótese que vale levar ao médico, justamente por causa da frase dele de que já tentou de tudo: se o LDL estiver muito alto e não responder a nada, existe uma condição genética chamada hipercolesterolemia familiar, que é bem mais comum do que se imagina, é subdiagnosticada, e não se resolve com dieta. Vale perguntar sobre histórico de infarto precoce na família. Sobre a bioimpedância e o comentário de que ele teria massa muscular extremamente baixa do quadril para cima, a estranheza do @Batata... tinha fundamento. Bioimpedância não mede músculo. Ela mede a resistência à passagem de uma corrente elétrica e estima composição corporal a partir da água do corpo. O resultado varia bastante com hidratação, com a última refeição, com treino recente e até com a bexiga cheia. Ela é razoável para acompanhar tendência ao longo do tempo, sempre nas mesmas condições, e é fraca para afirmações regionais desse tipo. O que ele tem de sólido é bem mais simples e não precisa de aparelho: fratura de coluna, cirurgia, nove semanas na cama, pandemia sem treinar. Isso explica tudo, e a conduta é a mesma. Duas correções finais sobre orientações que se contradizem dentro do próprio tópico. Foi dito a ele que vai ter que passar fome. E foi dito, corretamente, para manter um déficit de 200 a 400 kcal. As duas coisas não convivem. Um déficit de 200 a 400 kcal é praticamente imperceptível, e é justamente por isso que ele funciona: dá para sustentar por meses. Dieta que dá fome é dieta que acaba, e provavelmente é essa a história das dietas que ele diz terem falhado. E vale registrar as boas perguntas da @TataBarb, que foi a única a perguntar se aquilo era tudo o que ele comia no dia, quem tinha montado, os horários e o que acontecia nos fins de semana. Eram exatamente as perguntas certas, e nunca foram respondidas por completo. A resposta a elas provavelmente resolveria o caso. Se quiser um ponto de partida para transformar categoria de alimento em quantidade, que é o que falta, o site tem um gerador de dieta simulada em https://fisiculturismo.com.br/ferramentas/dieta/ . A saída é simulada e serve como rascunho para ajuste, não como prescrição. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
  36. O @Vini0000 chegou com um problema muito comum e recebeu boas ideias, mas ninguém questionou a premissa que estava criando o problema. Ela está na primeira linha do post dele. Ele escreveu que estava se esforçando para comer de três em três horas. Esse é o ponto. Ele não estava com dificuldade de comer o suficiente. Estava com dificuldade de comer aquilo tudo naquele intervalo, o que é outra coisa. E a regra das três em três horas não tem sustentação. A metanálise mais citada sobre frequência de refeições encontrou associação positiva à primeira vista, mas a análise de sensibilidade mostrou que o resultado inteiro vinha de um único estudo, e os próprios autores concluíram que a evidência não sustenta o benefício. Trabalhos mais recentes chegam ao mesmo lugar: o que decide é o total do dia e a distribuição de proteína, não o número de refeições. Ou seja, ele podia comer o mesmo total em quatro refeições em vez de seis, e o resultado seria idêntico. E o problema de a comida não descer sumiria, porque o intervalo maior dá tempo de esvaziar o estômago. Essa é a resposta mais simples do tópico, é de graça, e resolve o caso dele. Agora a segunda parte, que o @Enigma0012 acertou em cheio e que merece nome próprio. O que ele descreveu, ao sugerir alimentos que entregam muito carboidrato em pouco volume, chama-se densidade energética. É a quantidade de calorias por grama de alimento, e é a variável que importa para quem tem dificuldade de comer. Uma correção pequena, com todo o respeito ao visitante que respondeu junto: ele associou isso a carga glicêmica, e são conceitos diferentes. Carga glicêmica é sobre a resposta da glicose no sangue. Densidade energética é sobre quantas calorias cabem em cada colherada. Para o problema do @Vini0000, que é volume, só a segunda importa. Na prática, os alimentos que mais resolvem são: Azeite e óleos, com 9 kcal por grama, que é o dobro de qualquer carboidrato ou proteína. Uma colher de sopa no arroz acrescenta cerca de 120 kcal sem ocupar espaço nenhum. Pasta de amendoim, castanhas e nozes. Leite integral, que resolve caloria e proteína ao mesmo tempo e é líquido. Aveia, mel, frutas secas e as passas que ele mesmo citou. Abacate. E o @TTEFrangoMutante deu a outra ponta da solução, que é substituir uma ou duas refeições por líquido. Isso funciona por um motivo fisiológico: alimento líquido esvazia o estômago mais rápido e produz menos saciedade que o mesmo conteúdo em forma sólida. É por isso que se consegue tomar um copo de vitamina com 700 kcal e não se consegue comer um prato equivalente. Agora uma coisa que ninguém olhou e que provavelmente estava no centro do problema. A refeição dele começava com 6 claras mais um ovo inteiro, e o almoço tinha 200 g de carne, repetidos às 15 horas. Proteína é, de longe, o macronutriente mais saciante dos três. E a orientação que ele recebeu foi de 2 a 3 g de proteína por quilo. A faixa em que o benefício da proteína para hipertrofia se estabiliza é de 1,6 a 2,2 g por quilo. Tudo acima disso não faz mal, mas ocupa espaço no estômago sem entregar resultado adicional. Baixar de 3 g para 1,8 g por quilo liberaria uma quantidade enorme de volume no dia dele, que poderia ser preenchida com carboidrato e gordura, que são mais fáceis de comer. Ou seja, parte da dificuldade de comer vinha de estar comendo proteína demais. E vale registrar que ninguém perguntou o peso, a altura nem o objetivo dele em nenhum momento do tópico. Sem isso, não dá para saber se aquele total fazia sentido. O @Enigma0012 apontou isso quando disse que nada daquilo funcionaria sem saber os macros, e estava certo. Sobre o cobavital, que apareceu como solução. Ele é ciproeptadina com cobamamida. A ciproeptadina é um anti histamínico de primeira geração, e o estímulo de apetite é justamente efeito colateral dela. A @Sereiafit avisou corretamente sobre o sono, e a própria bula orienta reduzir a dose pela metade quando a sonolência for marcada. Vale para quem dirige, estuda ou trabalha em turno. E o biotônico, citado junto, é outra coisa: é um tônico com vitaminas do complexo B e ferro, sem ação relevante sobre apetite em quem não tem deficiência. Nenhum dos dois é necessário no caso dele, porque o problema não era falta de fome. Era excesso de volume mal distribuído. Agora a sugestão que eu preciso contestar de forma clara. O @Nicolasrox sugeriu 0,5 ml de boldenona duas vezes por semana para abrir o apetite. Não faria, por quatro motivos. Primeiro, a fama da boldenona como estimulante de apetite vem do uso veterinário em bovinos, e não há demonstração disso em pessoas. Boldenona nunca foi aprovada para uso humano em lugar nenhum, e nunca passou por ensaio clínico humano. Segundo, a dose está em mililitros, ou seja, ninguém sabe quantos miligramas está tomando, porque isso depende da concentração do frasco. Terceiro, a boldenona é undecilenato, com meia vida em torno de catorze dias. Ela permanece no organismo por meses depois da última aplicação, e a supressão do eixo acompanha esse tempo. Não é uma coisa que se experimenta e se desfaz. Quarto, e mais importante: o problema apresentado era não conseguir comer todo o arroz do almoço. A resposta a isso é redistribuir refeições e usar azeite, não injetar um androgênio de uso veterinário com supressão de meses. É desproporção enorme entre o problema e a solução. Resumindo o que eu faria no lugar dele, e é tudo de graça: Quatro refeições em vez de seis, com mais intervalo entre elas. Proteína em torno de 1,8 g por quilo, e não 3. Azeite, pasta de amendoim e castanhas para acrescentar caloria sem volume. Uma das refeições em forma líquida, com leite integral, aveia, banana e pasta de amendoim, que é o hipercalórico caseiro que o @TTEFrangoMutante mencionou e que sai por uma fração do industrializado. E, se quiser conferir se o total do dia está no lugar certo, o site tem um gerador de dieta simulada em https://fisiculturismo.com.br/ferramentas/dieta/ . A saída é simulada e serve como rascunho para ajuste, não como prescrição. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
  37. Esse tópico tem dois casos diferentes, e nos dois há uma explicação simples que não apareceu. Começo pelo do @Jdbjj, que abriu a conversa e nunca teve resposta. Ele estava na segunda aplicação de deposteron, uma ampola por semana, prescrita pela endocrinologista, e relatou queda de libido, ejaculação rápida e dificuldade de ereção. Foi levantada a hipótese de estradiol alto, e o @davidevh observou com razão que uma ampola por semana dificilmente elevaria o estradiol a esse ponto. A explicação mais provável é de farmacocinética, e ela é direta. O cipionato de testosterona tem meia vida em torno de oito dias. Isso significa que o nível estável no sangue só é atingido depois de aproximadamente cinco meias vidas, ou seja, cerca de quarenta dias, algo entre cinco e seis semanas. Na segunda aplicação, ele estava no oitavo dia. E aqui está o problema: a supressão do eixo é rápida. Bastam poucos dias de testosterona exógena para o organismo desligar a produção própria. Já a subida do nível exógeno até o platô é lenta. Ou seja, existe uma janela nas primeiras semanas em que a produção natural já foi desligada e a reposição ainda não chegou ao nível que vai atingir. É exatamente nessa janela que ele estava, e é exatamente aí que costumam aparecer queda de libido e dificuldade de ereção em quem começa. Isso costuma se resolver sozinho conforme o nível estabiliza, e é por isso que quase ninguém relata esse problema no fim do ciclo. Não é sinal de que algo deu errado, é o formato normal da curva. E existe uma forma de reduzir muito esse efeito, que o @Apollo Galeno sugeriu mais adiante para o outro participante e que vale igualmente aqui: dividir a ampola semanal em duas ou três aplicações menores ao longo da semana. Com meia vida de oito dias e injeção única semanal, a variação entre pico e vale é grande, e é essa oscilação que muita gente sente como altos e baixos de libido e humor. Aplicações menores e mais frequentes achatam a curva. O @Locemar deu a resposta correta ao dizer que aquilo era assunto para a médica dele, e ele fez isso. Só que a lista de exames que ela pediu, testosterona total, TGO e TGP, tem uma ausência importante que ninguém notou no tópico, e que vale para qualquer pessoa em uso de testosterona: hematócrito. Testosterona aumenta a produção de glóbulos vermelhos. Homens em tratamento têm cerca de quatro vezes mais chance de ultrapassar 50 por cento de hematócrito do que quem recebe placebo, e as diretrizes orientam suspender acima de 54 por cento até normalizar, retomando com dose menor. É o efeito adverso que mais frequentemente exige ação, ele não dá sintoma até ficar alto, e um hemograma simples resolve. As diretrizes recomendam checar aos três, seis e doze meses. Um hemograma custa pouco e responde a pergunta que nenhum outro exame da lista responde. Agora o segundo caso, do @Felipe201114, que é mais delicado. Ele fez quatro aplicações, sentiu dor nos testículos, fez exames e encontrou LH e FSH quase zerados e prolactina alta. A leitura que recebeu foi de que estava em situação preocupante e que precisaria abortar o ciclo e entrar em terapia pós ciclo imediatamente. Preciso discordar do ponto de partida. LH e FSH quase zerados durante o uso de testosterona exógena não são um achado alarmante. São o achado esperado. É literalmente o que a testosterona exógena faz: o cérebro percebe androgênio suficiente no sangue e para de mandar o sinal. Todo mundo que aplica testosterona tem LH e FSH no chão enquanto aplica. O @Apollo Galeno disse exatamente isso, que a hipófise está parada e que é normal que estejam lá embaixo, e ele estava certo. Vale destacar porque a conversa seguiu na direção oposta. O que esse exame não diz é justamente o que ele queria saber, que era se o eixo dele iria voltar. Isso só se mede depois, quando a droga sai. LH e FSH dosados no meio do ciclo não têm valor prognóstico nenhum. Então ele interrompeu o ciclo por causa de um exame que estava apenas confirmando o funcionamento normal do medicamento. Sobre a dor nos testículos, que foi o sintoma que mais o assustou. A explicação levantada, de atrofia em quatro dias, não é plausível. Atrofia testicular por supressão leva semanas a meses e, além disso, não dói. Testículo que atrofia diminui, e não dói. Dor testicular aguda é outra categoria de problema e merece exame físico, não fórum. As causas que precisam ser afastadas são torção testicular, que é emergência cirúrgica com janela de horas, epididimite, que é infecciosa e tem tratamento, e varicocele. Um exame físico com ultrassom com doppler resolve em uma consulta. Esse era o único ponto verdadeiramente urgente do tópico, e foi o que menos atenção recebeu. Sobre a prolactina alta, que virou o centro da conversa. A hipótese apresentada foi que o produto talvez contivesse nandrolona ou trembolona, o que elevaria prolactina. É uma hipótese possível e ela foi apresentada honestamente como suposição. O problema é que, três mensagens depois, ela já era tratada como certeza, e ele concluiu que era aquilo com certeza. Antes de aceitar isso, o caminho é o mesmo de sempre: repetir a prolactina em jejum, em repouso, sem ter treinado antes e sem coleta estressante, com pesquisa de macroprolactina junto. Prolactina é o hormônio mais fácil de vir falsamente alto que existe. Se confirmar, aí se investiga. E vale lembrar que a explicação que ele recebeu sobre a prolactina e o período refratário depois do orgasmo está correta no essencial. Prolactina sobe após o orgasmo e participa da queda de desejo que vem em seguida. Uma prolactina cronicamente alta produz esse estado o tempo todo. Agora três pontos sobre as condutas sugeridas. O primeiro é sobre onde procurar ajuda. Foi dito a ele que dificilmente encontraria um médico, endocrinologista ou urologista, que soubesse lidar com essas alterações. Discordo, e essa crença é o que mantém as pessoas resolvendo isso em fórum. O quadro tem nome na medicina: hipogonadismo induzido por androgênio exógeno, ou ASIH na literatura internacional. Existem artigos de diagnóstico e tratamento em revistas de urologia e de medicina reprodutiva. O especialista que mais lida com isso na prática é o urologista com foco em saúde do homem e infertilidade masculina. Chegando com esse vocabulário em vez da sigla de fórum, a conversa muda. O segundo é sobre o HCG veterinário. Produto de uso veterinário tem limites de esterilidade, de partículas e de endotoxina definidos para a espécie de destino, e não para pessoas. Não é a mesma coisa, ainda que o princípio ativo seja. O terceiro eu digo de forma direta e sem sermão: comprar medicamento controlado informando nome e CRM de um médico que não atendeu você é falsificar prescrição, e não vou orientar por esse caminho. O caminho que resolve o mesmo problema é a consulta com o urologista descrito acima, que pode prescrever de verdade e ainda acompanhar o resultado. Por fim, o que ele decidiu no fim do tópico, de parar, se recuperar e voltar a estudar antes de tentar de novo, foi uma decisão madura e ele merece o crédito. Ele estava sem trabalho, com dinheiro contado, e escolheu não jogar dinheiro fora. Só acrescento que a interrupção precipitada, no caso dele, foi motivada por uma leitura equivocada de exame, e que a dor testicular, que era o que realmente importava, continuou sem investigação. Para quem quiser entender quais exames costumam entrar antes, durante e depois, e em que momento cada um responde alguma coisa, o site tem um orientador de protocolo hormonal simulado em https://fisiculturismo.com.br/ferramentas/hormonio/ . A saída é simulada e serve como rascunho de estudo, não como prescrição. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
  38. O @Guimazo fez uma pergunta que muita gente faz e recebeu boas respostas, mas o tópico terminou com uma leitura de exame invertida e com o problema dele sem solução prática. Como ele postou os números, dá para fechar as duas coisas. Começo pela correção, com respeito ao @Gamma, que escreveu no último post que o estradiol estava um pouquinho acima da referência. Está abaixo. O valor dele foi 4,8, e a faixa de referência para homem começa em torno de 10 a 15 conforme o laboratório. Ele não estava com estradiol alto, estava com estradiol baixo. Faço questão de corrigir porque a consequência prática é grande. Quem lê que o estradiol está alto costuma partir para inibidor de aromatase, e derrubar um estradiol que já está no chão produz exatamente o quadro que as pessoas atribuem ao ciclo: libido baixa, dificuldade de ereção, dor articular, humor ruim e perfil lipídico pior. Estradiol não é vilão no homem, é hormônio necessário. Dito isso, há uma segunda camada nesse número, e ela é mais interessante ainda. Um valor de 4,8 num homem provavelmente não é confiável do jeito que foi medido. Estradiol em homem circula em concentrações muito baixas, e os imunoensaios comuns, que são os que quase todo laboratório usa, perdem precisão justamente abaixo de 20. A recomendação técnica é que estradiol em homem seja dosado por método sensível, por espectrometria de massa, que costuma vir descrito no pedido como estradiol ultrassensível ou por LC-MS. Ou seja, antes de concluir qualquer coisa sobre o estradiol dele, o exame precisaria ser refeito pelo método certo. E isso vale para todo mundo que discute estradiol masculino no fórum com base em imunoensaio comum. Agora o achado que ninguém explorou, e que é o mais relevante dos exames dele. A prolactina saiu de 9,3 antes para 29 depois. Ela triplicou e ficou bem acima da referência. Prolactina elevada em homem é causa reconhecida de libido baixa e disfunção erétil, e produz isso mesmo com testosterona normal. A nutricionista que o atendeu apontou corretamente que era o único valor claramente alterado, e ela estava certa. O que faltou foi o passo seguinte. Antes de tratar, repete-se, porque prolactina é o hormônio mais fácil de alterar por bobagem: estresse na coleta, punção difícil, exercício antes, refeição, sono ruim e estímulo de mamilo elevam de forma transitória. A coleta correta é em jejum, em repouso e sem ter treinado. E, na repetição, pede-se junto a pesquisa de macroprolactina, que é a prolactina ligada a anticorpo, sem atividade biológica, e que aparece no exame como se fosse hormônio de verdade. Se confirmar, aí a investigação segue com revisão de medicamentos em uso e, dependendo do valor, imagem de hipófise. Agora o ponto técnico que muda a interpretação de todo o resto, e que é a coisa mais útil que eu tenho para acrescentar aqui. Ele mediu a testosterona três semanas depois da última aplicação de durateston e encontrou 770, contra 490 antes do ciclo. Isso foi lido no tópico como prova de que o eixo tinha se recuperado sozinho, e a conclusão animou todo mundo. O problema é que esse exame não mediu a produção dele. Mediu o que ainda restava do medicamento. Durateston é uma mistura de quatro ésteres de testosterona, e o mais longo deles é o decanoato, cuja liberação se estende por semanas. Três semanas após a última ampola, boa parte do que apareceu naquele exame ainda era droga em circulação. Uma testosterona de 770 nesse momento não diz nada sobre a capacidade dos testículos dele de produzir. E há uma confirmação disso dentro dos próprios números: se aquilo fosse produção própria retomada, o estradiol não estaria em 4,8, porque testosterona endógena em bom nível aromatiza e sustenta estradiol. O exame que responderia à pergunta certa não foi feito em momento nenhum: LH e FSH. São eles que dizem se a hipófise voltou a mandar sinal. Testosterona sozinha, logo depois de um ciclo, é o exame mais fácil de interpretar errado que existe. O que eu faria: repetir o painel de seis a oito semanas após a última aplicação, com testosterona total e livre, LH, FSH, estradiol sensível e prolactina em jejum e repouso. Aí sim os números significam alguma coisa. Isso não invalida o que o @Locemar e o @Guilherme Candeira disseram, e é justo registrar. Um ciclo curto, de seis semanas com uma ampola por semana, num homem de 32 anos, tem alta probabilidade de recuperação espontânea, e isso está descrito. O que eu ajusto é só a conclusão de que ela já tinha acontecido em três semanas, porque os exames não mostravam isso. Agora a questão central do tópico, que era encontrar profissional, e onde eu acho que está a solução prática que ele não recebeu. Ele foi a quatro médicos, incluindo endocrinologista, e ouviu que não sabiam o que era TPC. O @Locemar deu a melhor resposta da conversa, e ela merece ser repetida: prefiro um médico que diz que não sabe a um que finge saber. E ele estava certo também ao dizer que a sigla não existe na literatura médica. TPC é vocabulário de fórum. Mas há um detalhe que resolve o impasse, e que é a informação que faltava. O quadro existe na medicina, só que com outro nome. Ele se chama hipogonadismo induzido por androgênio exógeno, e na literatura internacional aparece como ASIH. É descrito, estudado, tem artigos de diagnóstico e tratamento em revistas de urologia e endocrinologia reprodutiva, e apresenta-se tipicamente como hipogonadismo hipogonadotrófico após a interrupção. Ou seja, quando ele chegou dizendo TPC, a médica ouviu uma sigla de internet. Se ele tivesse dito que usou testosterona exógena por seis semanas, que queria avaliar supressão do eixo e recuperação, e pedido dosagem de LH, FSH, testosterona total e livre, estradiol e prolactina, provavelmente teria tido outra conversa. E o profissional que mais costuma dominar isso não é o endocrinologista geral: é o urologista com foco em saúde do homem e infertilidade masculina, porque é ele quem atende no dia a dia homens com eixo suprimido, seja por uso de androgênio, seja por reposição mal indicada. Vale como sugestão para quem chegar aqui pela busca com o mesmo problema. Duas observações menores. O @Edson Rodrigues deu a orientação prática mais usada, de começar dezoito dias depois da última aplicação de durateston, e o raciocínio dela é o correto: espera-se a queda do éster mais longo. Só que esse número é convenção de fórum, e a decisão honesta se toma com LH e FSH na mão, não com contagem de dias. E o @Miguel V fez exatamente as perguntas certas ao longo do tópico, pedindo testosterona livre e total, estradiol e prolactina, antes e depois. Faltou só o LH e o FSH na lista, que é o que teria fechado o caso. Por fim, o mais importante: ele relatou não estar sentindo nada de errado três semanas após o ciclo. Isso é bom sinal e vale mais do que qualquer protocolo profilático. Terapia pós ciclo não é obrigação automática, é conduta para quem tem eixo comprometido demonstrado. Quem está bem e com exames adequados não precisa tratar exame de fórum, precisa apenas confirmar, na hora certa, que a produção própria voltou. Para quem quiser entender quais exames costumam entrar antes, durante e depois, e em que momento cada um faz sentido, o site tem um orientador de protocolo hormonal simulado em https://fisiculturismo.com.br/ferramentas/hormonio/ . A saída é simulada e serve como rascunho de estudo, não como prescrição. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
  39. Esse tópico começou sobre whey barata e, no meio dele, o @SARADO22 escreveu a frase mais importante de toda a conversa. Ela foi tratada como desculpa, e não era. Vou começar por ela, porque é o que muda o caso inteiro, e depois volto à pergunta original, que também tem resposta boa. Ele escreveu que não era a comida, que eram os antipsicóticos que ele usa que engordam, e que o ameaçavam de internação se ele não tomasse. Isso é verdade, está bem documentado, e ele foi respondido com deboche. Ganho de peso induzido por antipsicótico é um dos efeitos adversos mais estudados dessa classe de medicamentos. Ele não é fruto de falta de disciplina: os antipsicóticos de segunda geração agem em receptores de histamina e serotonina que regulam saciedade, aumentam a fome de forma marcante e pioram a sensibilidade à insulina. Algumas moléculas produzem ganho de dezenas de quilos ao longo do tratamento, e isso é justamente uma das principais causas de as pessoas abandonarem a medicação. Ou seja, um rapaz de 22 anos com 115 kg e 1,84 m, em uso de antipsicótico, que relata ter tentado várias dietas e travar sempre na mesma faixa de peso, está descrevendo um quadro clínico conhecido, não uma desculpa. E aqui está o que ninguém lhe disse em todos esses anos, que é a parte útil. Primeiro, e mais importante: não se para o antipsicótico. Nunca por conta, e não é isso que estou sugerindo. A interrupção de antipsicótico traz risco de recaída, e o peso é um problema muito menor do que aquele que a medicação está controlando. Segundo: existe o que fazer, e é conversa com o psiquiatra, não com o balconista da loja de suplementos. Há diferença grande de perfil entre as moléculas. Algumas têm risco baixo de ganho de peso, e a literatura de troca mostra que mudar de um antipsicótico de alto ganho para um de perfil mais neutro melhora peso e parâmetros metabólicos, quando o quadro psiquiátrico permite. Quem decide isso é o médico dele, e a pergunta que ele pode levar é simplesmente esta: existe alternativa com menos impacto no peso para o meu caso. E há uma opção que nem exige trocar de remédio. A metformina é o único agente com evidência consistente para prevenir e tratar o ganho de peso induzido por antipsicótico. Numa revisão sistemática, o grupo com metformina ganhou em média cerca de 4 kg a menos que o controle. É medicamento barato, disponível no SUS, e é o tipo de coisa que o psiquiatra pode avaliar acrescentar. Nada disso ele ia descobrir num fórum de suplementos, e é exatamente por isso que valia estar escrito aqui. Sobre o termogênico que ele pediu, e essa é a parte de segurança. Ele pediu ajuda para conseguir um queimador de gordura. Eu não usaria, e o motivo é específico do caso dele. Vários antipsicóticos prolongam o intervalo QT no eletrocardiograma, o que aumenta o risco de arritmia grave. Estimulantes adrenérgicos, que é o que existe dentro desses produtos, somam risco cardiovascular exatamente na mesma direção. Além disso, estimulantes potentes podem desestabilizar quadros psiquiátricos, e alguns interagem com a medicação psiquiátrica. Ou seja, das pessoas que poderiam usar um termogênico de venda livre, ele era das que menos deveriam. E isso também é informação que só se resolve com o médico que o acompanha. E o que funciona no lugar disso, sem contraindicação nenhuma, é o mais chato e o mais eficaz: caminhada diária, sono regular e o que o @Kabul apontou logo no começo, que era procurar orientação nutricional. Ganho de peso por medicação responde a déficit calórico, ele só exige mais consistência, porque a fome está aumentada por mecanismo farmacológico e não some por força de vontade. Agora, voltando à pergunta que abriu o tópico, que tem resposta objetiva. A pergunta era qual whey vale a pena por 50 reais. A resposta é nenhuma, e o @Kabul explicou o motivo certo: existe um piso de custo de matéria prima abaixo do qual o produto não fecha conta. Whey vem de soro de leite processado, e esse insumo tem preço internacional. Quando o preço final fica muito abaixo disso, ou a concentração é baixa, ou há enchimento. O que ele chamou de farinha tem nome técnico: adulteração por adição de nitrogênio. Como a análise padrão de proteína mede nitrogênio e não proteína, dá para inflar o resultado adicionando substâncias baratas ricas em nitrogênio, como glicina, taurina ou ureia. O laudo fecha, o produto não entrega, e é por isso que o @SARADO22 sentiu que o dele parecia achocolatado fraco. A percepção dele estava certa. E é por isso que a pergunta do @Kabul ao @bradador continua sendo a certa: um laudo dizendo 83 por cento de proteína não diz de onde veio esse nitrogênio. O que responde isso é o perfil de aminoácidos, e não o teor de proteína total. Mas o melhor conselho do tópico veio de duas pessoas que ninguém levou a sério. O @Kabul fez a conta que encerra o assunto: com 50 reais dá para comprar cerca de 5 kg de frango, o que dá mais de 1 kg de proteína, contra os 500 g que uma whey duvidosa de 1 kg entregaria no melhor cenário. E o @ynjm dizia desde a primeira resposta para investir na dieta. A @criscouto foi ainda mais longe e, embora tenha soado como brincadeira, a conta dela fecha: duas galinhas poedeiras a 30 reais cada, algo em torno de 200 ovos por ano cada uma, por dois anos, dão 800 ovos e aproximadamente 4,4 kg de proteína, pelo preço de um pote. É a melhor relação de custo por grama de proteína que apareceu em todo o tópico. E a @larissaeasestacoes acertou também ao sugerir leite e ovos como base. O método geral, para quem chega aqui com pouco dinheiro, é este: calcule o custo por 100 g de proteína, e não o preço do pote. Pegue o preço, veja quantos gramas de proteína o alimento tem, divida. Feito isso em qualquer mercado do Brasil, o ranking se repete: ovo é o mais barato por larga margem, seguido de leite em pó, frango inteiro ou coxa e sobrecoxa, sardinha em lata, fígado bovino e as leguminosas. Whey cai no meio, e cortes bovinos nobres ficam entre os mais caros. Uma correção pequena a algo que ele fez e que não vale a pena repetir: ele guardou a albumina que já tinha em casa, aberta, para priorizar a whey. Foi ao contrário do que a conta recomenda. Albumina é clara de ovo desidratada, tem valor biológico alto e custa uma fração da whey. Aberta, ela deveria ter sido usada primeiro. Duas observações finais sobre a dieta que ele postou. A primeira é que ela era quase toda arroz, feijão e batata doce, com pouca proteína e quase nenhuma verdura, o que o @Kabul e o @Regis Rock apontaram corretamente. Com 115 kg e o objetivo de emagrecer, o problema não era falta de suplemento, era estrutura. A segunda é que ele começava o dia às 9h30 com arroz, carne e feijão, e o @Zikaue deu uma sugestão prática e boa nesse ponto. Fecho com uma observação sobre o tom. Ele foi respondido, quando contou que usava antipsicótico, com a sugestão de que era mentira e que bastava tomar o remédio sem comer para descobrir. E foi respondido, mais adiante, com a sugestão de arrumar cinco empregos. Ele era um rapaz de 22 anos, com um transtorno psiquiátrico grave o bastante para haver ameaça de internação, cinquenta reais no bolso e disposição para tentar. Ele merecia a informação sobre metformina e sobre troca de medicação, que existia e existe, e que teria mudado bem mais o caso dele do que qualquer pote. Se quiser montar a alimentação com comida barata em vez de suplemento, o site tem um gerador de dieta simulada em https://fisiculturismo.com.br/ferramentas/dieta/ . A saída é simulada e serve como rascunho para ajuste, não como prescrição. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.

Conta

Navegação

Buscar

Buscar

Configure browser push notifications

Chrome (Android)
  1. Tap the lock icon next to the address bar.
  2. Tap Permissions → Notifications.
  3. Adjust your preference.
Chrome (Desktop)
  1. Click the padlock icon in the address bar.
  2. Select Site settings.
  3. Find Notifications and adjust your preference.