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  2.    Cláudio Chamini reacted to uma postagem em um tópico: Masteron
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  4.    Cláudio Chamini reacted to uma postagem em um tópico: Masteron
  5. @rodrigo sales, tem alguns números circulando no tópico que precisam de ajuste, porque é com base neles que você vai decidir. Começando pelo que o @icaroplive escreveu. Primeiro, um durateston de 250 mg não entrega 250 mg de testosterona. Aqueles 250 mg são a massa dos quatro ésteres somados, e o éster é uma parte considerável do peso da molécula. Descontando, sobram cerca de 176 mg de testosterona de fato. É uma diferença de quase 30 por cento, e ela aparece em toda conta que se faça depois. Segundo, e mais importante: o nível não fica subindo indefinidamente conforme se empilha. Quando você aplica em intervalo fixo, a concentração sobe até o ponto em que o que você elimina por semana iguala o que você aplica por semana, e ali ela estaciona. Isso é o estado de equilíbrio, e com esse tipo de éster ele se estabelece em cerca de quatro a seis semanas. Depois disso, o valor médio não muda mais, por mais que você continue aplicando. A ideia de que a média vai escalando até 1500 não descreve o que acontece. Com um durateston semanal, a média em equilíbrio costuma ficar bem abaixo disso. Terceiro, sobre não ter colateral visível. A palavra visível é que engana. Os efeitos que mais importam nesse tipo de uso contínuo não são visíveis: hematócrito subindo, HDL caindo, pressão arterial deslizando para cima. Nenhum deles aparece no espelho e todos aparecem no exame, que é justamente o que você veio perguntar. E há um problema específico do durateston para uso contínuo semanal, que é a mistura de ésteres. O propionato entra rápido e sai rápido, e o decanoato demora tanto que uma aplicação semanal nunca deixa a curva assentar. O resultado é uma oscilação grande dentro da própria semana, com pico nos primeiros dois dias e queda no fim. Para quem quer estabilidade, que é o objetivo declarado de um uso conservador contínuo, enantato ou cipionato fracionado em duas aplicações semanais dá uma curva bem mais plana pelo mesmo custo. E dói menos, porque o propionato é o componente que mais arde. Sobre a lista do outro participante, ela é boa e cobre bem mais do que a maioria pede. Eu faria três ajustes. DHT e PSA rendem pouco na tua idade e podem sair sem prejuízo se o orçamento apertar. Em compensação, acrescente ApoB ao lipidograma, porque estima risco cardiovascular melhor que o LDL isolado, e a relação albumina sobre creatinina em amostra de urina, que detecta lesão renal muito antes da creatinina se alterar. E dentro do hemograma, o que você vai acompanhar de verdade é hematócrito e hemoglobina, então marque esses dois. Estradiol, peça por método sensível. Uma observação sobre creatinina: ela vem do músculo, então em quem tem bastante massa magra costuma vir no limite superior sem que exista problema renal nenhum. Se der alterada, não entre em pânico e peça cistatina C, que não sofre essa interferência. Ao @Bacana, a sugestão da agulha de insulina é boa e vale só corrigir o nome. Com agulha curta de insulina você não está fazendo intramuscular superficial, está fazendo aplicação subcutânea. E funciona: existe uso clínico consolidado de testosterona por via subcutânea, com absorção adequada e níveis estáveis, muito menos dor e sem os hematomas de aplicação profunda. Só exige volume menor por aplicação, o que combina com fracionar a dose semanal em duas. Por fim, o ponto que o @Bacana levantou e que é o mais relevante de todos: a tua testosterona é 500 e você não tem queixa clínica. Você não vai corrigir nada, vai adicionar. Isso é uma escolha legítima e você tem idade e informação para fazê-la, mas convém que ela seja feita com o nome certo. Não é reposição, é uso contínuo supra-fisiológico por tempo indeterminado, e a partir do momento em que começa, o eixo desliga e a testosterona de 500 que você tem hoje deixa de estar disponível caso você mude de ideia. Se filhos estiverem no horizonte, congelar sêmen antes é barato e resolve a parte irreversível. Coleta o basal completo antes da primeira aplicação. Sem ele, nenhum exame futuro tem com o que ser comparado. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
  6. Tópico valioso, e o @Zuco e o @Caio Polin trouxeram a experiência de quem vive a doença, o que vale muito. O @Apollo Galeno apontou o ponto certo ao dizer que num metabolismo dependente de insulina nada é padrão. Quero acrescentar coisas concretas que não apareceram e que mudam conduta no dia a dia de quem é diabético tipo 1 e usa esteroide. A primeira, e é a mais importante de todas. Androgênios em dose alta aumentam a massa magra, e músculo é o principal tecido captador de glicose do corpo. Somado a isso, a testosterona melhora a sensibilidade à insulina. O resultado prático é que a necessidade de insulina cai ao longo do ciclo. Quem não percebe isso vai ter hipoglicemias repetidas nas primeiras semanas, sem entender por quê. Mas o perigo maior não está aí, está na saída. Quando o ciclo termina e os níveis caem, a sensibilidade volta ao que era, e a necessidade de insulina sobe de novo. Quem ajustou as doses para baixo durante o ciclo e não reajusta ao sair passa semanas em hiperglicemia, e em tipo 1 isso não é só glicada ruim, é risco de cetoacidose. Ou seja, os dois momentos de maior atenção são a entrada e a saída, e não o meio, que é justamente quando a maioria relaxa. @mwagner_dm1_pmrs, se você usa deca, testosterona e boldenona em bloco, marque no calendário as duas semanas seguintes ao fim de tudo como período de monitorização intensificada. A segunda é sobre o comportamento da glicemia em torno do treino, que confunde muita gente. Musculação pesada com séries curtas e intensas tende a elevar a glicemia agudamente, por descarga de catecolaminas e glicogenólise hepática. Aeróbio contínuo tende a baixar. Então o diabético que sai da sala de musculação, vê o número alto e aplica um bolus de correção corre risco real de hipoglicemia uma ou duas horas depois, porque aquele pico ia se resolver sozinho enquanto a captação muscular aumentada continuava agindo. E essa sensibilidade aumentada pelo exercício persiste por muitas horas, às vezes até o dia seguinte, o que torna a madrugada após treino pesado o horário de maior risco de hipoglicemia noturna. A terceira é sobre o Libre, já que você usa. Sensor de glicose mede líquido intersticial, não sangue, e existe um atraso de mais ou menos dez a quinze minutos em relação à glicemia capilar. Em repouso isso não atrapalha. Em torno do treino, quando o valor está mudando rápido, o número na tela pode estar bem defasado, e a seta de tendência importa mais que o valor. Antes de corrigir algo no contexto do treino, vale confirmar com ponta de dedo. Corrigir com base num número atrasado é uma das causas mais comuns de hipoglicemia grave em quem confia só no sensor. A quarta é a que menos se fala e a que mais me preocupa no teu caso. Diabetes tipo 1 de longa data tem como principal complicação silenciosa o rim, e esteroide anabolizante em dose alta soma nessa direção por vários caminhos: eleva pressão arterial, aumenta a carga de filtração e há relatos de glomeruloesclerose em usuários crônicos de grande massa muscular. Então o exame que precisa entrar no teu acompanhamento e que raramente é pedido é a relação albumina sobre creatinina em amostra de urina, que detecta lesão renal anos antes de a creatinina se alterar. E vale lembrar que creatinina sérica é um marcador ruim em quem tem muita massa magra, porque ela vem do músculo. Se der alterada, o exame que resolve a dúvida é a cistatina C. Pressão arterial aferida em casa, com regularidade, entra na mesma lista. Uma quinta coisa, sobre as 5500 kcal. O @Apollo Galeno insistiu nos macros e ele tem razão, mas para diabético tipo 1 existe um motivo extra: a contagem de carboidrato é a base do cálculo do bolus. Se você não sabe quantos gramas de carboidrato tem cada refeição, você não está calculando insulina, está estimando. E há um detalhe que quase ninguém aplica: refeições muito grandes e ricas em gordura e proteína, como as dessa dieta, atrasam o esvaziamento gástrico e elevam a glicemia tardiamente, duas a quatro horas depois. É a situação clássica em que o bolus normal não cobre e a pessoa acaba alta no meio da tarde sem entender. Bolus estendido ou dividido resolve isso, e é conversa para o teu endocrinologista. E uma observação sobre o protetor hepático que você mencionou usar: no teu esquema, testosterona, nandrolona e boldenona são todos injetáveis e nenhum é 17-alfa-alquilado, então não há a hepatotoxicidade que esse tipo de produto pretende endereçar. O gasto ali não está comprando o que se imagina. Parabéns pelo projeto, e é justamente porque ele tem alcance que vale fazer com médico junto. Diabetes tipo 1 não impede o físico que você quer, mas encurta bastante a margem de erro. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
  7.    Cláudio Chamini reacted to uma postagem em um tópico: Diabético rumo aos palcos
  8. Relato bem documentado, @ZOI, e com exames no meio, o que já coloca este tópico acima da média. Vou pegar três afirmações que ficaram no ar e que merecem correção, porque elas estão orientando decisões de quem lê. A primeira é do @Jeff1986: a ideia de que a nandrolona aparece como testosterona no exame e por isso o resultado não é real. Isso não procede. Os imunoensaios usados na rotina para testosterona não têm reatividade cruzada relevante com nandrolona, e os métodos por espectrometria de massa separam as moléculas de forma inequívoca. Só que a observação prática que você fez está certa, e a explicação é melhor que o mito: a nandrolona suprime o eixo com força, então a tua testosterona endógena cai de verdade. O exame não estava mentindo, ele estava mostrando exatamente o que acontecia. Usar nandrolona sem uma base de testosterona junto deixa a pessoa com androgênio circulando, mas com testosterona baixa, e é daí que vem boa parte do mal-estar. A segunda é sobre a queda de ereção com nandrolona, que o @ZOI relatou e que o @Foston tentou resolver com proporção 3 para 1. A proporção ajuda, mas o motivo não é matemático, é bioquímico, e vale entender porque muda a conduta. São dois mecanismos somados. O primeiro é que a nandrolona sofre 5-alfa-redução e o produto dessa reação é a di-hidronandrolona, que é menos potente que a molécula original. É o oposto do que acontece com a testosterona, que ao ser reduzida vira DHT e fica mais potente. Como o tecido peniano é rico nessa enzima, a nandrolona chega ali e é enfraquecida justamente onde a testosterona seria fortalecida. O segundo mecanismo é que a nandrolona tem afinidade pelo receptor de progesterona e tende a elevar prolactina, e prolactina alta derruba libido e função erétil de forma bem direta. A consequência prática é objetiva: se o problema voltar, o exame a pedir é prolactina, e não só estradiol. E é por isso que o proviron que o @Jeff1986 mencionou funciona nesse contexto. Ele é derivado de DHT, não aromatiza, ocupa o espaço androgênico que a nandrolona não ocupa e ainda reduz a SHBG, liberando mais testosterona livre. Não é suplemento de libido genérico, é uma peça que resolve um buraco específico desse protocolo. A terceira é sobre protetor hepático para o dianabol. A maioria do que se vende com esse nome, silimarina à frente, não tem evidência de proteger contra a colestase induzida por 17-alfa-alquilado. O que tem alguma base para colestase é o ácido ursodesoxicólico e o TUDCA, e ainda assim como manejo, não como escudo preventivo. O risco de acreditar em protetor hepático é sutil: ele não faz mal, mas licencia dose e tempo maiores do que a pessoa aceitaria sem ele. Melhor controlar por GGT e bilirrubinas, que não sofrem interferência do treino, ao contrário de TGO e TGP. Um comentário sobre o quadro geral, @ZOI. Você tem 24 anos e escreveu blast eterno no título, e nos teus próprios números o HDL já estava em 40 depois do primeiro bloco, quando ainda era o começo. HDL é o marcador que mais responde a androgênio oral e ele desce rápido e sobe devagar. Como o teu plano é de longo prazo e você já tem o hábito de medir, eu acrescentaria ApoB ao lipidograma, porque prevê risco melhor do que LDL isolado, e um ecocardiograma agora, como referência. A hipertrofia de ventrículo esquerdo com prejuízo do relaxamento diastólico é o achado mais consistente em usuários crônicos, e é silenciosa. Ter o basal hoje é o que vai permitir interpretar qualquer coisa daqui a cinco anos. @Jeff1986, sobre a tua perda de peso mantendo a mesma dieta depois que o proviron acabou e sobrou só a nandrolona: é bem provável que seja o que descrevi acima, testosterona endógena suprimida sem base exógena adequada. Vale dosar testosterona total, livre e prolactina antes de mexer em qualquer dose. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
  9. @pedrohcleal, vou responder a pergunta dos exames, que é objetiva, mas antes preciso apontar um problema de nomenclatura que muda o significado do teu plano inteiro. Você chama de cruise 250 mg de enantato por semana. Isso não é cruise nem reposição. Um homem produz naturalmente algo em torno de 5 a 7 mg de testosterona por dia, e uma reposição que devolve nível fisiológico costuma ficar entre 100 e 150 mg semanais. 250 mg por semana coloca você acima da faixa normal de forma contínua. Ou seja, o que você descreve como estado de base permanente é, na prática, um ciclo leve que nunca termina. Isso importa porque você está calculando o risco como se fosse reposição, e o risco é o de uso supra-fisiológico crônico. E tem o outro lado: você tem 24 anos e testosterona total de 580, com exames normais. Você é eugonadal. Não há nada a repor. Aos 24, para sempre significa cinquenta ou sessenta anos de exposição. Essa é a decisão de verdade do tópico, não a escolha entre 20 mg por 8 semanas ou 40 mg por 4. Sobre os colaterais que você espera, a lista está incompleta. Desligamento de eixo e infertilidade são os visíveis, os que aparecem cedo e que a pessoa consegue aceitar em troca. Os que cobram no uso crônico são outros e não dão aviso: aumento de hematócrito com sangue mais viscoso, queda expressiva do HDL com elevação de ApoB, hipertensão, e o que mais preocupa em usuários de longo prazo, que é a remodelação do coração. Estudos com ecocardiografia em usuários crônicos mostram hipertrofia de ventrículo esquerdo com prejuízo do relaxamento diastólico e, em parte deles, queda da fração de ejeção. Isso não dói, não aparece no espelho e não melhora sozinho quando se percebe. Se o plano é permanente, esse é o item a monitorar e não o eixo. Sobre fertilidade, um conselho prático que vale mais do que qualquer ajuste de dose: se existe qualquer chance de você querer filhos um dia, congele sêmen antes de começar. É barato, é feito em clínica de reprodução em qualquer capital, e resolve de forma definitiva um problema que depois pode custar anos de tratamento com hCG e FSH sem garantia de recuperação. Aceitar infertilidade aos 24 é fácil no papel, e a criopreservação transforma essa aposta irreversível numa reversível por um custo pequeno. Uma correção pontual: não existe um gatilho na quinta semana de oxandrolona. A hepatotoxicidade dos 17-alfa-alquilados é contínua e depende de dose e tempo, não de um limiar que se cruza numa data. Aliás, a oxandrolona é das menos agressivas ao fígado do grupo. O preço dela é outro e é subestimado: ela derruba o HDL de forma bem acentuada, mais do que a maioria dos injetáveis. Como você planeja usar isso dentro de um contexto crônico, esse é o dado que interessa. Agora a lista de exames, que foi o que você pediu. Basal antes de começar e depois a cada três a seis meses. Hormonal: testosterona total e livre, SHBG, estradiol por método sensível, LH, FSH e prolactina. Sangue: hemograma completo, olhando hematócrito e hemoglobina, que são os que sobem. Metabólico e cardiovascular: perfil lipídico completo, e se puder acrescentar ApoB, que prevê risco melhor que o LDL isolado. Glicemia de jejum e hemoglobina glicada. Pressão arterial aferida em casa, várias vezes, não só no consultório. Fígado: ALT, AST, GGT e bilirrubinas. Lembrando que ALT e AST também sobem por treino pesado, então colete depois de alguns dias leves, e use GGT e bilirrubina para saber se o sinal é hepático mesmo. Rim: creatinina com uma ressalva importante, que é a de que creatinina superestima problema em quem tem muita massa magra, porque ela vem do músculo. Se der alterada, peça cistatina C, que não sofre essa interferência. E, por ser plano de longo prazo, eu acrescentaria um ecocardiograma agora, enquanto você ainda está limpo. Ter esse basal é o que permite saber daqui a cinco anos se algo mudou. Sem ele, qualquer achado futuro fica sem comparação. Sobre o @Mistakes sugerir procurar endócrino em vez de levar lista, concordo com o espírito, com uma ressalva: check-up de rotina não inclui estradiol sensível, SHBG nem ApoB. Vale levar a lista mesmo. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
  10. @Hcds159, o @Foston resumiu numa frase o que resolve o teu tópico, e vale insistir com números porque a conclusão é contraintuitiva. Com 1,74 m e 65 kg, o teu IMC está em torno de 21,5. Você não tem gordura sobrando para tirar. Se você cortar comida e chegar a 58 kg, vai ter exatamente a mesma aparência de agora, só que menor e mais fraco. A sensação de falso magro não vem de excesso de gordura, vem de falta de músculo por baixo. Definir, no teu caso, é sinônimo de construir. Não existe atalho por subtração. E aí está a parte difícil de aceitar: você escreveu que come pouco e que faz só almoço e jantar. Esse é o item que mais atrapalha, mais que academia, mais que método de treino. Sem material de construção, treino nenhum constrói. Como o orçamento é apertado, vamos ao concreto. A meta de proteína no teu peso fica entre 100 e 130 gramas por dia, e as fontes mais baratas do Brasil dão conta disso sem drama. Ovo é a melhor relação de proteína por real que existe, e não há motivo para limitar a quantidade em quem é jovem e saudável. Coxa e sobrecoxa de frango custam bem menos que peito e têm quase a mesma proteína. Sardinha em lata é barata e ainda entrega ômega 3. Fígado bovino é dos alimentos mais baratos do açougue e é denso em ferro, vitamina A e B12. Leite em pó ou leite integral rende bem. E arroz com feijão, na proporção usual do prato brasileiro, tem perfil de aminoácidos que se complementa e entra na conta da proteína do dia, coisa que muita gente ignora. O ajuste mais simples e mais eficaz é acrescentar uma refeição no café da manhã. Três ovos com pão e leite já colocam algo perto de 25 a 30 gramas de proteína e umas 500 calorias no teu dia, e isso sozinho pode ser a diferença entre estagnar e crescer. Não precisa ser suplemento. Whey é conveniência, não é necessidade, e é o primeiro item a cortar quando o dinheiro é curto. Sobre a calistenia, ela funciona bem para quem está começando, e o @fisiculturismo te deu opções práticas. O que você precisa entender desde já é onde ela falha: o gargalo é progressão de carga. Como você não pode acrescentar quilos na barra, a progressão vem de outros lugares. Aumentar repetições até certo ponto, depois migrar para variações mais difíceis, depois unilateral, depois controle de cadência com descida lenta, e por fim carga externa improvisada, que pode ser uma mochila com livros ou garrafas de água. Uma mochila carregada transforma agachamento búlgaro, flexão e barra fixa em exercícios com progressão real por bastante tempo. Membros inferiores são os que mais sofrem sem equipamento, então priorize as variações unilaterais ali. Agora um ponto que você mencionou de passagem e que pesa mais do que parece. Você disse que vive estressado e usa ansiolítico. Sem entrar no mérito do tratamento, que é assunto do teu médico, vale saber que o sono é onde a recuperação acontece, e que benzodiazepínicos, embora ajudem a pegar no sono, tendem a reduzir a proporção de sono profundo de ondas lentas, que é justamente a fase em que ocorre a maior liberação de hormônio do crescimento. Somado a cortisol cronicamente alto por estresse, que favorece catabolismo, você tem um ambiente hormonal que trabalha contra o ganho de massa. Isso não é motivo para mexer em medicação por conta própria, jamais. É motivo para contar ao teu médico que ganhar massa é um objetivo teu, e para tratar sono e estresse como parte do treino e não como assunto separado. Uma última coisa, sobre as fotos de referência. Os dois shapes que você mostrou como objetivo provavelmente estão acima do que se alcança sem droga, ou pelo menos a anos de distância. Isso não é motivo para desanimar, é motivo para trocar a régua: acompanhe o peso na barra e a circunferência dos braços e das pernas mês a mês, não a semelhança com a foto. Quem persegue foto desiste, quem persegue número progride. Para calcular quantas calorias você precisa e como distribuir os macros, tem uma ferramenta no site em https://fisiculturismo.com.br/ferramentas/dieta/ As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
  11. Hoje

  12. @Manolo.5, o @Foston levantou os pontos certos e a conclusão dele sobre a dose ser alta demais para o teu caso está correta, mas vale ajustar dois detalhes e acrescentar o que me parece ser o erro estrutural do protocolo. O primeiro ajuste é sobre a ideia de que o ciclo só funciona nas duas ou três primeiras semanas e depois estagna. Isso circula muito em fórum, mas não é o que os estudos controlados mostram. No trabalho clássico de dose e resposta com testosterona em homens saudáveis, o protocolo durou 20 semanas e a massa magra continuou aumentando de forma proporcional à dose ao longo de todo o período. A taxa de ganho desacelera, isso sim, mas não vai a zero na terceira semana. O argumento contra 20 semanas é outro e é melhor: quanto mais longo o período com o eixo desligado, mais demorada e mais incerta a recuperação, e mais tempo o perfil lipídico, a pressão e o hematócrito passam alterados. É custo, não é inutilidade. Vale dizer certo porque quem acredita na versão da estagnação acaba concluindo que pode usar dose maior em menos tempo, o que é pior. O segundo ajuste é que este não é o teu primeiro ciclo. Você já fez um só com oxandrolona e outro de testosterona com estanozolol. Isso muda a leitura, embora não mude a conclusão sobre a dose. Agora o problema central, que é a oxandrolona da semana 13 à 20 como ponte para a TPC. Essa lógica não se sustenta, e o motivo é simples: oxandrolona também suprime o eixo. Ela reduz LH e FSH de forma relevante, e além disso derruba bastante a SHBG. Ou seja, a ponte que deveria segurar os ganhos enquanto o eixo religa é exatamente o que impede o eixo de religar. Você termina o enantato na semana 15, os níveis do éster caem ao longo de três a quatro semanas, e é justo nessa janela, quando o LH poderia começar a subir, que você mantém um oral supressor circulando. O resultado prático é que você adia a recuperação em mais um mês e chega na TPC com o eixo tão desligado quanto estaria sem ponte nenhuma, só que com mais tempo de exposição hepática somado. Se o objetivo é cutting, tem outra coisa a dizer. Definição vem de déficit calórico, e você já provou que sabe fazer isso, porque sair de 33 para 15 por cento de gordura com acompanhamento é um resultado grande e é mérito da dieta e do treino, não de composto nenhum. A oxandrolona no cutting serve para preservar massa magra em déficit, não para queimar gordura, e para isso 10 a 20 mg por dia por seis semanas cumprem o papel. Colocá-la em oito semanas no final não entrega proporcionalmente mais. Um desenho mais coerente com o teu histórico seria encurtar: testosterona por 10 a 12 semanas numa dose menor, algo entre 300 e 400 mg por semana fracionada em duas aplicações, com a oxandrolona ocupando as últimas seis semanas em 10 a 20 mg, e a TPC começando de duas a três semanas após a última aplicação do enantato, sem ponte nenhuma no meio. Sobre o anastrozol em mãos, o certo é o que você já sinalizou fazer com a TPC: usar conforme exame. Inibidor de aromatase preventivo, sem estradiol dosado e sem sintoma, costuma derrubar o estradiol demais, e isso cobra em libido, humor, articulação e densidade óssea. Colete estradiol junto com hematócrito e perfil lipídico por volta da semana 6. E o comentário do @Foston sobre o estanozolol merece ser guardado. Ele é 17-alfa-alquilado inclusive na versão injetável, o que muita gente não sabe, e o impacto dele no HDL é dos mais severos entre os orais. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
  13. @maumurix, tem uma peça no teu relato que ninguém comentou e que muda a leitura inteira: você diz que parou a finasterida. Esse detalhe é o centro do teu caso, tanto para a libido quanto para o cabelo. Sobre o cabelo, a pergunta que você fez foi se a dose causa queda. Mas na tua situação específica a queda já estava contratada antes da testosterona entrar. A finasterida bloqueia a 5-alfa-redutase e reduz o DHT, que é o androgênio que miniaturiza o folículo em quem tem predisposição. Ao suspender, o DHT volta ao normal em algumas semanas e a alopecia retoma o curso de onde teria parado. E aí vem o agravante: testosterona exógena é substrato para essa mesma enzima. Você tirou o freio e vai pisar no acelerador ao mesmo tempo. Não é que a dose seja alta, é que a combinação de eventos é a pior possível para quem tem componente genético. O @Foston está certo quanto ao fundo da questão. Sobre a libido, existe uma ironia grande na prescrição. Anastrozol é inibidor de aromatase, ele derruba o estradiol. E estradiol em homem não é vilão, ele participa diretamente da libido, do humor, da função erétil e da manutenção óssea. Homem com estradiol raspado costuma relatar exatamente o que você foi tratar: libido no chão, articulação seca, humor ruim. Prescrever anastrozol de saída, junto com a testosterona e sem ter dosado o estradiol antes, é conduta que pode piorar o sintoma que motivou a consulta. O uso racional de inibidor de aromatase em reposição é reativo, quando existe estradiol alto documentado com sintoma correspondente, e não profilático por padrão. Sobre a apresentação, o @Foston também tem razão e vale precisar: propionato de testosterona isolado não é comercializado como medicamento de farmácia no Brasil. O que existe registrado com propionato dentro é o Durateston, que é uma mistura de quatro ésteres em que o propionato entra em quantidade pequena. Então ou houve confusão com o nome, ou o que você tem em mãos não veio de canal regular. Vale conferir a caixa, porque isso importa até para saber a concentração real. E há um problema prático com o propionato em reposição, mesmo quando alguém consegue. O éster é curto, com meia-vida de cerca de um a dois dias. Manter nível estável com ele exige aplicar em dias alternados, às vezes diariamente. Se a orientação foi aplicar 200 mg uma vez por semana, o que você vai ter não é reposição, é um pico alto nos primeiros dois dias e nível baixo no resto da semana, com oscilação de humor e de libido acompanhando a curva. Vale confirmar com o médico qual é a frequência prescrita, porque essa informação faltou. Por último, o ponto de fundo. Testosterona baixa não é diagnóstico, é achado. O que interessa é por quê. Testosterona total isolada não fecha nada e, se ela estava só um pouco baixa, o caminho antes de repor seria: repetir a coleta pela manhã e em jejum, porque há variação grande ao longo do dia, e pedir testosterona livre ou SHBG, LH, FSH, prolactina, TSH e hemograma. Se LH e FSH vierem baixos ou normais com testosterona baixa, o problema é central e existem opções que estimulam a produção própria em vez de substituí-la, o que preserva fertilidade e não desliga o eixo. Se o LH vier alto, o problema é testicular e a reposição passa a ser mesmo a saída. São condutas diferentes e a diferença aparece nesses exames. Se ainda não fez esse painel, seria o que eu levaria para a próxima consulta antes de iniciar. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
  14. @barbie, o @t0xic tem razão no mérito, mas o argumento de esperar costuma soar como sermão, então deixa eu trocar por dois motivos concretos, sendo que o segundo é específico do teu caso por você ser mulher. O primeiro é econômico. Os dois primeiros anos de treino são o período em que o corpo mais responde na vida inteira. É a fase em que dá para ganhar músculo e perder gordura ao mesmo tempo, coisa que depois deixa de acontecer e não volta. Você está exatamente dentro dessa janela, com dois meses. Usar hormônio agora não soma em cima do que viria de graça, ele apenas ocupa o lugar. Você paga por um resultado que já estava a caminho, e quando chegar no ponto em que a droga faria diferença real, você já vai ter gasto a primeira resposta do corpo e vai precisar de dose maior para conseguir menos. Quem começa cedo não chega mais longe, chega no mesmo lugar tendo pago mais caro. O segundo motivo é o que quase ninguém explica para mulher em fórum. O balanço de risco não é o mesmo entre os sexos. No homem, os efeitos adversos principais são em boa parte reversíveis ou manejáveis: o eixo tende a voltar, a retenção sai, a gineco tem tratamento. Na mulher, uma parte do que a virilização faz não volta depois de instalada, mesmo suspendendo tudo no mesmo dia. Engrossamento de voz é permanente porque envolve mudança estrutural da laringe. Crescimento de clitóris regride pouco. Alopécia androgenética no padrão masculino, uma vez desencadeada em quem tem predisposição, segue seu curso. Não é questão de dose baixa evitar, é que quando o sinal aparece o dano já começou. Esse é um cálculo diferente do que os homens do fórum estão fazendo quando pesam prós e contras, e é por isso que a mesma resposta não serve. Agora o que provavelmente está travando de fato a tua evolução. Com 158 cm e 52 kg, você está em torno de 21 de IMC, e o objetivo que você descreve é evoluir, ou seja, construir. Só que na maioria das vezes que uma mulher diz que está com dieta bem regrada, essa dieta é restritiva, porque foi montada com a lógica de emagrecer, que é a lógica com que quase toda mulher aprendeu a comer. Não se constrói músculo em déficit calórico depois das primeiras semanas. Se você quer ganhar, precisa de um pequeno superávit e de proteína na faixa de 1,6 a 2,2 gramas por quilo, o que no teu peso dá algo entre 85 e 115 gramas por dia. Vale conferir quanto você está comendo hoje, porque é muito comum a resposta estar aí e não na farmácia. E um alerta de saúde que vem junto: treinar cinco vezes por semana comendo pouco leva à baixa disponibilidade de energia, e o primeiro sistema que o corpo desliga nessa situação é o reprodutivo. Ciclo menstrual irregular ou ausente não é sinal de que o treino está funcionando, é sinal de déficit energético crônico, e ele cobra em densidade óssea de forma silenciosa. Se a menstruação mudou de padrão nesses meses, isso é mais urgente do que qualquer discussão sobre esteroide. Vale checar também ferritina e hemograma, porque deficiência de ferro é frequente em mulher que treina e derruba desempenho de um jeito que parece falta de evolução. Para acertar as calorias e os macros com base no teu peso e no teu nível de atividade, tem uma ferramenta no site em https://fisiculturismo.com.br/ferramentas/dieta/ Um comentário ao @Daviddscosta: a resposta sobre acumular o corpo por décadas parece ter sido escrita para outro perfil, porque não descreve a situação dela. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
  15. Cláudio Chamini respondeu a uma postagem em um tópico em Tópicos sobre esteroides
    Antes de escolher qual testosterona, tem um problema anterior no tópico: o autor diz que vai aplicar 1 ml por semana, e 1 ml não é dose. Mililitro é volume, não é quantidade de hormônio. Um frasco pode vir a 100, 200 ou 250 mg por mililitro, e existe até apresentação a 300. Ou seja, o mesmo 1 ml por semana pode significar uma reposição modesta ou o dobro de um ciclo comum, e quem não olha a concentração no rótulo não sabe em qual dos dois está. É a origem de metade dos protocolos malfeitos que aparecem aqui. Confira a concentração antes de qualquer outra decisão. Sobre o hemogenin, vale fazer a conta com os números que o autor deu. São 60 cápsulas de 50 mg para um plano de 8 semanas, que são 56 dias. Isso significa uma cápsula por dia, 50 mg diários, durante as oito semanas inteiras. Aí está o ponto que mais preocupa, mais até do que a escolha da testosterona. A oximetolona é 17-alfa-alquilada, o que é justamente a modificação que permite que ela sobreviva à passagem pelo fígado e chegue à circulação, e é também o que a torna hepatotóxica. Essa toxicidade depende de dose e de tempo. Oito semanas contínuas de 50 mg é bem mais longo do que o que se costuma considerar aceitável mesmo entre quem usa. A prática mais conservadora fica em quatro semanas, e boa parte das pessoas responde muito bem a 25 mg por dia, metade da cápsula, com bem menos custo. Aumentar de 25 para 50 quase não muda o resultado e muda bastante o preço hepático, porque a curva de resposta da oximetolona satura cedo. Duas coisas específicas dela que vale saber antes de começar. A primeira é que a oximetolona provoca ginecomastia com frequência, mas não pelo caminho de sempre. Ela praticamente não aromatiza. Ela mesma tem atividade sobre o receptor de estrogênio. Consequência prática: inibidor de aromatase não resolve esse problema, porque não há aromatização para inibir. Quem tenta controlar com anastrozol descobre isso tarde. O que atua aí é um modulador do receptor, tipo tamoxifeno, e ainda assim de forma parcial. A segunda é sobre como monitorar. Muita gente pede TGO e TGP e se assusta ou se tranquiliza com o resultado errado, porque essas duas enzimas também vêm do músculo esquelético e sobem com treino pesado, sem que o fígado tenha nada a ver com isso. Para separar o que é fígado do que é músculo, peça também GGT e bilirrubinas, que não sofrem interferência do treino. Se GGT e bilirrubina estiverem subindo, aí o sinal é hepático de verdade. E colete depois de alguns dias sem treino pesado, senão o exame não vale nada. Sinais que pedem parada imediata: urina escura como chá, fezes claras, coceira generalizada sem lesão de pele, amarelado no branco dos olhos e dor abaixo das costelas do lado direito. Sobre a pergunta original, o @Batata... deu a orientação usual e ele mesmo ressalvou que não é regra. O raciocínio por trás é que o propionato tem éster curto e sai rápido, o que combina com protocolos de poucas semanas, enquanto enantato e cipionato têm liberação lenta e demoram para estabilizar, o que só faz sentido em algo mais longo. Como o teu plano é de 8 semanas com oral pesado junto, e considerando que eu encurtaria o oral, o par com enantato ou cipionato numa base de testosterona semanal fracionada em duas aplicações é o mais previsível. Para dar uma opinião fechada, faltam informações: idade, peso, altura, tempo de treino, ciclos anteriores e exames recentes. Sem isso, qualquer dose que eu escrevesse seria chute. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
  16. Deixando de lado o tom que o tópico tomou, a pergunta tem resposta técnica e ela interessa a bastante gente que chega aqui pelo Google na mesma situação: aplicou uma vez, se arrependeu, e quer saber se dá para desfazer. Não dá, e o motivo está na farmacologia do éster. O enantato de testosterona é praticamente insolúvel em água. Depositado no músculo em veículo oleoso, ele forma um reservatório que vai se dissolvendo devagar no tecido, e é essa dissolução lenta que limita a velocidade de tudo. Não existe antídoto, não existe como aspirar de volta, e não adianta nada tentar acelerar. A meia-vida efetiva fica em torno de quatro a cinco dias, o que significa que a maior parte já saiu em duas semanas e o resíduo se esgota em torno de cinco semanas. É esperar. Agora, a parte que a pessoa nessa situação realmente precisa ouvir: uma aplicação isolada não é um evento grave. Ela suprime LH e FSH enquanto o nível está alto, e o eixo volta sozinho depois que o éster se esgota. Não é caso de TPC. Tomar tamoxifeno ou clomifeno por causa de uma dose única é criar um problema onde não havia, porque esses medicamentos têm efeitos próprios e são indicados para recuperar eixo suprimido por semanas ou meses de uso, não por uma aplicação. O corpo resolve isso sozinho. O que pode aparecer nesse período, e é passageiro: acne, oleosidade, alteração de humor ou de libido e alguma retenção de líquido. Nada disso exige intervenção. O que mereceria atenção é a região da aplicação, e aí sim vale acompanhar. Dor que piora depois do terceiro ou quarto dia em vez de melhorar, vermelhidão que se espalha, calor local, endurecimento crescente ou febre são sinais de infecção e pedem avaliação médica sem esperar passar. Esse é o risco real de uma aplicação feita às pressas, e não o hormônio em si. Se um dia você retomar a ideia com calma, o caminho começa com exames e não com o frasco. Mas para o susto de agora, a resposta é simples: não aplique mais, e em algumas semanas seu corpo estará exatamente onde estava antes. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
  17. @gabriel soldado, o teu raciocínio tem uma inversão no meio, e ela é interessante porque muita gente comete a mesma. Você está usando a ausência de atrofia como prova de que o produto é falso. Mas a atrofia testicular é consequência da supressão do eixo, e a supressão é proporcional à quantidade de androgênio exógeno que chega no sangue. Produto fraco suprime pouco. Produto subdosado deixa o LH ainda circulando alguma coisa e o testículo continua trabalhando. Se fosse para tirar alguma conclusão do teu relato, ela iria no sentido oposto do que você imaginou: bola cheia depois de um ano de uso contínuo levanta mais suspeita de dosagem baixa do que de dosagem correta. Só que nem essa conclusão inversa se sustenta sozinha, porque a percepção do próprio testículo é um instrumento ruim. O volume testicular é composto em quase toda a sua massa por túbulos seminíferos, e é a espermatogênese que ocupa espaço ali. A redução acontece, mas costuma ser gradual e modesta em termos de centímetros, e quem convive com o próprio corpo todo dia não enxerga variação lenta. Existe gente que perde volume claro e gente que percebe pouquíssimo com o mesmo protocolo. Isso não separa produto bom de produto ruim. E a libido separa menos ainda. Libido não é um medidor de dose. Ela responde à testosterona, mas também ao estradiol, e a curva não é linear: sobe até certo ponto e depois não melhora mais, e em alguns casos até piora quando o estradiol vai longe demais. Estar com a libido alta significa que existe androgênio suficiente circulando, o que já é alguma informação, mas não diz se são 200 ou 600 miligramas por semana. O teste que resolve isso de verdade custa pouco e é definitivo. Peça testosterona total, LH e FSH numa mesma coleta, com horário fixo em relação à tua última aplicação. A leitura é direta. Se LH e FSH estiverem suprimidos, tem androgênio exógeno real entrando, porque nada mais desliga esses dois. Se a testosterona total vier alta e o LH no chão, o produto é legítimo e está dosado. Agora, se o LH estiver normal e a total estiver na faixa comum de um homem sem usar nada, então você passou um ano injetando óleo, e nesse caso o que te deixa disposto é outra coisa qualquer. Existe uma terceira possibilidade que vale considerar: o frasco não conter cipionato de testosterona, e sim algum outro androgênio mais barato. Nesse cenário o LH também estaria suprimido, mas a testosterona total viria baixa, porque o exame mede testosterona e não o que estiver ali no lugar dela. Essa combinação, LH suprimido com total baixa, é o padrão mais revelador de todos. Um comentário sobre o que ninguém perguntou mas que importa mais que a dúvida do tópico. Um ano de uso contínuo sem interrupção não é ciclo, é uso crônico, e ele cobra em lugares silenciosos. Vale conferir hematócrito e hemoglobina, porque testosterona estimula a produção de glóbulos vermelhos e o sangue engrossando é o efeito adverso mais frequente do uso prolongado. Vale conferir o perfil lipídico e a pressão arterial. E se filho estiver nos planos em algum momento, espermograma, porque a fertilidade é o que demora mais para voltar e às vezes não volta inteira. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
  18. @RafaelAiello, indicação de revendedor eu não dou, e não é frescura de moderação. É que qualquer nome que eu escrevesse aqui seria um palpite meu apresentado como garantia para alguém que vai injetar aquilo no próprio músculo. Mas dá para responder o que está por trás da pergunta, que é como não tomar prejuízo nem no bolso nem na saúde. E o caso português tem particularidades que valem ser ditas. Sobre o enquadramento legal, a coisa é menos simples do que parece pelos dois lados. Em Portugal, o consumo de esteroides anabolizantes não é crime. O que a lei antidopagem criminaliza é o tráfico, e a legislação em vigor hoje é a Lei 81/2021, com a lista de substâncias proibidas fixada pela Portaria 312/2021, que substituíram o regime anterior da Lei 38/2012. Existe até discussão pública sobre a aplicação dessas normas a praticantes não federados, porque o texto nasceu para o desporto de competição. Só que esse não é o único regime que incide. Esteroides anabolizantes são medicamentos sujeitos a receita médica, e comprar de site sem autorização, com envio internacional, esbarra no regime do medicamento fiscalizado pelo Infarmed, com apreensão na alfândega como desfecho mais provável. O Infarmed tem alertas próprios sobre medicamentos falsificados vendidos por essa via. Aliás, uma ironia local: Portugal já apareceu em reportagens e em operações da Polícia Judiciária como ponto relevante de produção e exportação de esteroide clandestino. Ou seja, boa parte do que circula como marca europeia sofisticada sai de laboratório improvisado que pode estar bem mais perto de ti do que o rótulo sugere. Sobre o @Daviddscosta e o ranking de lojas: eu trataria essas avaliações com bastante ceticismo. São plataformas em que a própria loja tem interesse comercial direto no resultado, e a moeda dali é reputação comprável. O que se sabe de análises independentes de produtos de laboratório clandestino, feitas em vários países, é que o problema mais comum não é o produto ser água, é a dosagem não bater com o rótulo, para mais ou para menos, e a variação entre lotes da mesma marca. Aqui está a parte prática que resolve o teu problema de verdade. Só existe um teste confiável de que o que você comprou é o que diz ser, e é um exame de sangue. Testosterona total colhida no meio do ciclo, num momento fixo em relação à aplicação, comparada com o basal que você mediu antes de começar. Se você aplica o equivalente a 500 mg por semana e a total não sai bem acima do limite superior de referência, o produto está subdosado e você descobriu isso por 20 euros em vez de descobrir por três meses perdidos. Isso vale mais do que qualquer marca recomendada em fórum, porque testa o teu frasco e não a reputação de alguém. E vale lembrar que em Portugal o acesso médico é real e não é caro. Se o motivo por trás da pergunta for sintoma, cansaço, libido baixa, humor, o caminho de consultar e medir vem antes. Testosterona prescrita é produto com controlo de lote, e sai mais barato do que a maioria imagina. Para responder direito ao teu caso, ajudaria saber idade, peso, altura, tempo de treino e se já houve ciclo antes. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
  19. @Rafael Pastor, a imagem não me permite concluir grande coisa sozinha, então prefiro te dar o roteiro para você mesmo separar as possibilidades, porque elas são bem diferentes entre si e a conduta muda em cada uma. A primeira pergunta é sobre o tempo. Esse buraco apareceu de uma hora para outra, associado a algum treino pesado de supino ou supino declinado, com estalo, dor aguda e depois mancha roxa descendo pelo braço ou pelo peito? Se a resposta for sim, a hipótese é ruptura do peitoral maior, geralmente na inserção no úmero, e isso tem prazo. A correção cirúrgica dá resultado bem melhor quando feita nas primeiras semanas, porque depois o músculo retrai e cicatriza encurtado. Nesse cenário, ortopedista de ombro sem esperar. Se não houve evento nenhum e você simplesmente reparou agora, o quadro é outro e não é urgente. Aí as possibilidades mais comuns são três. A mais frequente é simplesmente assimetria de desenvolvimento. Com nove meses de treino você começou a ter músculo suficiente para enxergar o próprio relevo, e ninguém tem os dois lados iguais. A porção esternocostal inferior do peitoral costuma ser a última a preencher, e uma depressão logo acima da borda das costelas é achado comum nessa fase. A segunda é deformidade de caixa torácica. Um pectus excavatum leve, ou uma cartilagem costal levemente mais afundada de um lado, produz exatamente a impressão de buraco embaixo do peito, e não tem nada a ver com músculo. É estrutura óssea e cartilaginosa, então não muda com treino, embora fique menos aparente quando o peitoral por cima cresce. A terceira, mais rara mas que vale conhecer porque é sempre unilateral e explica muito caso mal resolvido, é a ausência congênita da porção esternocostal do peitoral maior. A pessoa nasce sem aquele feixe, e o resultado é um vazio no terço inferior do peito de um lado só, com a prega axilar anterior menos definida daquele lado. Costuma vir acompanhada de mamilo menor ou mais alto do mesmo lado, e às vezes de particularidades na mão do mesmo lado. Para diferenciar em casa: fique de frente ao espelho, junte as palmas na frente do peito e empurre uma contra a outra com força. Isso contrai o peitoral inteiro. Depois compare os dois lados olhando três coisas. A borda inferior do músculo, se está presente e definida dos dois lados. A prega da axila, aquela corda que se forma quando você leva o braço à frente, se tem a mesma espessura. E a posição e o tamanho dos mamilos. Se a borda inferior existe dos dois lados e o buraco continua ali mesmo com o músculo contraído, é mais provável que seja caixa torácica. Se de um lado falta o feixe inferior inteiro, aí o assunto é outro. Nenhuma dessas três últimas exige pressa, mas se te preocupa, um ortopedista ou cirurgião torácico resolve a dúvida em consulta, e o exame de imagem, quando necessário, é simples. Aproveitando: mande as informações de idade, peso, altura e como está a tua divisão de treino. Com nove meses de treino ainda dá para melhorar bastante a simetria mudando a ordem dos exercícios e adicionando trabalho unilateral no lado atrasado. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
  20. Cláudio Chamini respondeu a uma postagem em um tópico em Tópicos sobre nutrição
    O texto que o autor do tópico trouxe está bem construído e o raciocínio central é correto: iniciante ganha massa mesmo sem superávit, porque o estímulo é tão novo que o corpo consegue financiar músculo usando a própria gordura como fonte. Vale só acrescentar o que costuma ficar de fora dessa conversa, que é o prazo. Essa janela de recomposição não é permanente. Ela é ampla nos primeiros meses, encolhe ao longo do primeiro ano e praticamente fecha depois disso. Quem entende que dá para ganhar músculo e perder gordura ao mesmo tempo geralmente descobre tarde demais que isso era verdade sobre a fase, não sobre o corpo dele. Ou seja, é justamente no início que não se deve desperdiçar tempo com dieta bagunçada. Uma correção pequena no critério de percentual de gordura: os cortes de 15 e 20 por cento fazem sentido para homem. Para mulher, a faixa fisiológica é naturalmente mais alta, e uma mulher com 20 por cento está bastante magra, não em situação de cutting. Aplicar os mesmos números nos dois sexos leva mulher a cortar calorias sem precisar. @Line, sobre a tua pergunta, que é a mais concreta do tópico. Duas gestações mudam a leitura do abdome, e existe uma coisa específica que vale você checar antes de aceitar que é gordura teimosa: diástase dos retos abdominais. É a separação da linha alba, o tecido conjuntivo no meio dos dois lados do reto abdominal, que se afasta com a distensão da gravidez e nem sempre volta a aproximar depois. Quando ela persiste, o abdome mantém um contorno arredondado e uma projeção central mesmo em quem está magra, e nenhuma dieta resolve, porque não é gordura, é a parede abdominal não sustentando o conteúdo. O teste dá para fazer em casa. Deitada de costas, joelhos dobrados, pés no chão. Levante só a cabeça e os ombros, como no começo de um abdominal, e com a outra mão apalpe a linha central acima do umbigo, no umbigo e abaixo dele. Você vai sentir os dois lados do músculo e um vão entre eles. Um vão de mais ou menos dois dedos é considerado dentro do normal. Bem mais largo que isso, ou uma projeção que sobe em forma de crista quando você contrai, merece avaliação com fisioterapeuta pélvico. E é aqui que eu discordaria do @MashleMuscle. Se houver diástase, abdominal tradicional é exatamente o exercício a evitar no início. O crunch aumenta a pressão dentro do abdome e empurra o conteúdo contra a linha alba justamente onde ela está frouxa, o que tende a alargar a separação em vez de fechar. O trabalho que aproxima é o de transverso abdominal e de resistência à extensão, coisas como prancha bem executada, dead bug e respiração com ativação profunda. Depois que a parede estabiliza, aí sim o resto entra. Vale registrar também que abdominal não tira gordura da barriga. Redução localizada não existe, nem por treino nem por droga. Os gomos aparecem quando o percentual de gordura cai, e caiu por dieta. O treino de abdome aumenta a espessura do músculo, o que ajuda no contorno, mas não escolhe de onde sai a gordura. Sobre as pernas, essa parte é a mais fácil de conseguir. Membros inferiores respondem bem, e mulher costuma tolerar volume e frequência maiores em perna do que em superiores, com recuperação boa. Duas sessões de inferiores por semana, progredindo carga e cobrindo padrão de agachamento, extensão de quadril e flexão de joelho, entregam bastante em doze meses. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
  21. @IamJefferson, a resposta honesta é que os dois não treinam a mesma coisa, e é por isso que o @Foston fazer os dois no mesmo treino não é indecisão, é a solução. A diferença está na curva de resistência. Com halter, a carga puxa sempre para baixo, e o torque no ombro é o peso multiplicado pela distância horizontal entre a mão e a articulação. Com o braço junto ao corpo, no ponto inicial, essa distância é praticamente zero. Ou seja, na posição em que o deltoide medial está mais alongado, a resistência sobre ele é quase nula. O torque só cresce conforme o braço sobe e chega ao máximo perto dos 90 graus. Todo o esforço fica concentrado no terço final da amplitude. Na polia, o vetor de resistência é a direção do cabo, não a gravidade. Se você posiciona a roldana embaixo e do lado oposto, passando o cabo pela frente ou por trás do corpo, existe tensão já no primeiro grau de movimento, exatamente onde o halter não oferece nada. A resistência fica bem mais uniforme ao longo da amplitude. Isso deixou de ser detalhe nos últimos anos porque a tensão na posição alongada parece pesar bastante no estímulo de hipertrofia. Quer dizer, a polia cobre justamente o trecho que o halter desperdiça. E o halter, por sua vez, permite carga maior e mais estabilidade no trecho de pico. Um complementa o buraco do outro. Se for para escolher só um, eu ficaria com a polia unilateral, porque o trecho inicial é o mais difícil de estimular por qualquer outra via. Mas ficar alternando entre eles a cada mesociclo é melhor do que escolher em definitivo. Dois detalhes de execução que valem mais do que a escolha do implemento. O primeiro é a rotação do úmero. Aquele hábito de girar o punho para baixo no topo, como quem despeja uma jarra, coloca o braço em rotação interna e estreita o espaço subacromial justamente na posição de maior elevação. É um jeito eficiente de irritar o manguito ao longo dos meses sem ganhar nada em troca. Mantenha o polegar neutro ou levemente acima. O segundo é a amplitude. Acima de mais ou menos 90 graus, a escápula precisa rodar para cima, e quem faz isso é o trapézio superior com o serrátil. Não é erro, mas o deltoide medial já entregou o que tinha para entregar ali. Se a intenção é isolar o medial, parar na linha do ombro rende mais do que subir até a orelha com o trapézio compensando. @MashleMuscle, esse teu esquema de cinco séries de cada já contempla os dois trechos da curva sem que você tivesse formulado assim. Se quiser refinar, coloca a polia primeiro, enquanto o deltoide está descansado o bastante para tolerar carga no alongamento, e deixa o halter para o final. Se estiver montando divisão e volume semanal por grupo, tem uma ferramenta no site que ajuda a organizar isso em https://fisiculturismo.com.br/ferramentas/treino/
  22. @Anderson001, dá para separar as duas coisas em casa antes de qualquer exame, e o teste é simples. Deite de costas, coloque a mão atrás da cabeça e apalpe a região abaixo da aréola com a ponta dos dedos, em pinça. Tecido glandular se apresenta como um disco firme, meio emborrachado, concêntrico em relação ao mamilo, com borda que dá para sentir onde termina, e costuma doer ou incomodar à pressão. Gordura é diferente: é mole, difusa, sem núcleo delimitado, e não dói. Se você sente um caroço definido bem debaixo do mamilo, é glândula. Se a mão afunda em algo uniforme e macio do mesmo jeito que afunda no flanco, é lipomastia. A ultrassonografia de mamas fecha o diagnóstico e é um exame barato. Isso importa porque a resposta à sua pergunta depende do resultado. Lipomastia sai com emagrecimento, é gordura como qualquer outra. Ginecomastia verdadeira não sai, porque tecido glandular não é consumido em déficit calórico. E tem um detalhe temporal que quase ninguém comenta: nos primeiros meses a glândula ainda está em fase proliferativa e responde a tratamento medicamentoso. Passado mais ou menos um ano, ela fibrosa, e a partir daí nenhum remédio reverte, sobra a via cirúrgica. Como o seu caso vem desde a época em que você era magro, é provável que já esteja nessa fase madura, se for glândula mesmo. Agora o ponto que mais pesa no seu caso concreto. Com 1,75 m e 95 kg, o seu IMC está por volta de 31. Tecido adiposo é o principal sítio de aromatase fora dos testículos, ou seja, é ali que testosterona é convertida em estradiol. Quanto mais gordura, mais conversão, mais estradiol circulando e maior o estímulo sobre a mama. Isso cria um ciclo que se alimenta sozinho, e é também o motivo pelo qual emagrecer não é só questão estética aqui: reduz o estímulo hormonal na origem. Mesmo que exista glândula e ela não vá sumir sozinha, sair da faixa de obesidade muda a aparência do peito de forma bem maior do que você imagina hoje, porque boa parte do volume atual é gordura por cima. E uma coisa que vale checar, dado o que você contou sobre a depressão: vários medicamentos causam ginecomastia como efeito adverso. Alguns antipsicóticos, especialmente os que elevam prolactina, alguns antidepressivos, espironolactona, cimetidina e finasterida estão nessa lista. Se você usa ou usou algo contínuo nesses anos, leve essa informação para o médico junto com a queixa. É uma causa que passa despercebida com frequência e que às vezes explica um quadro inteiro. Sobre a estratégia, o @fisiculturismo apontou o caminho certo. De 2013 para cá foram 30 kg. Não tente resolver isso com pressa, porque a pressa é justamente o que fez você abandonar as tentativas anteriores. Um déficit modesto, proteína alta para preservar massa magra e treino de força três a quatro vezes por semana entregam mais em um ano do que qualquer método agressivo entrega em três meses. Se quiser um ponto de partida para calcular as calorias e a distribuição de macros, tem uma ferramenta no site em https://fisiculturismo.com.br/ferramentas/dieta/ @joao felipe1794, o mesmo raciocínio serve para você, inclusive o teste de palpação. E sobre a dificuldade de manter dieta, na maioria das vezes o problema não é força de vontade, é que o plano escolhido era restritivo demais para sustentar. Um déficit que você aguenta por doze meses vence um déficit agressivo que você aguenta por três semanas. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
  23. Cláudio Chamini respondeu a uma postagem em um tópico em Tópicos sobre esteroides
    Tem uma coisa passando batido neste tópico. A autora escreve no feminino, e as sugestões que vieram depois parecem ter sido montadas para um homem. Isso muda tudo, então vale separar. @icaroplive sugeriu testosterona com nandrolona. Para um homem iniciante, é de fato o arroz com feijão que funciona. Para uma mulher, é a combinação que eu menos recomendaria. Testosterona em dose masculina viriliza rápido, e a nandrolona tem dois problemas somados: o decanoato tem meia-vida longa, de modo que se aparecer engrossamento de voz não existe como parar o efeito, ele continua circulando por semanas, e a alteração de timbre não regride depois de instalada. Não é uma questão de dose baixa resolver. É que a droga não te dá botão de emergência. Sobre o Strong Nabolic e a pergunta central do tópico, se o veterinário é o mesmo que o humano: a molécula pode até ser a mesma, mas o produto não é. O que diferencia um injetável de uso humano não é o princípio ativo, é o processo. Esterilidade validada, controle de endotoxina, concentração conferida lote a lote, veículo e conservante testados para tecido humano. Produto veterinário é registrado para outra espécie, outra massa corporal e outro padrão de exigência, e no Brasil boa parte do que circula com esse nome nem é o que diz o rótulo. @Batata... está certo ao apontar que, se o objetivo é algo na linha do estanozolol, existe versão humana disponível. E há um detalhe do estanozolol que raramente se menciona: ele é 17-alfa-alquilado também na forma injetável. Muita gente acha que só o comprimido carrega a sobrecarga hepática, e não é assim. Ele também derruba bastante a SHBG, o que altera a leitura de qualquer exame hormonal feito durante o uso. Sobre o Mercado Livre, a resposta prática é que não existe canal legítimo de esteroide anabolizante em marketplace aberto no Brasil. São medicamentos de controle especial. O que aparece ali chega sem cadeia de custódia nenhuma, e o risco não é só pagar caro por óleo vegetal, é aplicar algo não estéril no músculo. Se a decisão é mesmo usar, o caminho de menor dano para mulher passa por oxandrolona em dose fixa e baixa, na faixa de 5 a 10 mg por dia, por 6 a 8 semanas, e não por masteron, que é di-hidrotestosterona metilada e tem uma das piores relações entre efeito anabólico e efeito androgênico que existem. Rouquidão, crescimento de clitóris e acne súbita e severa são os sinais de parada imediata. Uma informação que ajudaria muito na avaliação: idade, peso, altura, tempo de treino e o que exatamente foi usado no ciclo anterior de testosterona, em dose e duração. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
  24. O @Foston já pegou o nó do tópico, e vale desenvolver porque a confusão é comum e muda toda a conduta daqui para frente. TRT é tratamento de reposição, indicado para hipogonadismo diagnosticado, e não tem data de término porque não corrige a causa, apenas repõe o que a pessoa deixou de produzir. Quem entra em TRT de verdade fica nela. O que o autor do tópico descreve, 100 mg por semana durante 10 semanas e acabou, é um ciclo curto de testosterona com nome de tratamento. Isso importa por um motivo prático: se era TRT porque havia hipogonadismo confirmado em exame, interromper foi voltar para o quadro que motivou o tratamento. Se não havia hipogonadismo, então o eixo estava funcionando e acabou de levar 10 semanas de supressão. Nos dois casos, começar outro ciclo sete dias depois é a pior janela possível. Depois de 10 semanas de testosterona exógena, LH e FSH estão suprimidos e a produção própria está no chão. Emendar significa nunca descobrir se o eixo voltaria sozinho. E aqui está a parte que costuma custar caro: quem encadeia ciclos sem nunca deixar o eixo se recuperar tem chance real de acabar dependente de testosterona injetável para o resto da vida, que é exatamente a TRT que o autor achou que estava fazendo por escolha. Ela deixa de ser escolha. Antes de qualquer coisa, a pergunta certa não é qual ciclo, é qual foi o exame que indicou a primeira aplicação e o que ele mostra agora. Testosterona total e livre, LH, FSH, estradiol, hematócrito, perfil lipídico. Sem esses números, escolher composto é chute, e o resultado do chute só aparece anos depois. Sobre o objetivo de ganhar massa e definir ao mesmo tempo em 12 semanas: com 18 meses de treino, ainda há bastante margem natural, e é justamente nessa faixa que o corpo consegue ganhar músculo e perder gordura ao mesmo tempo sem droga nenhuma, desde que a proteína esteja alta e o déficit seja pequeno. Depois de mais alguns ciclos essa janela fecha e não volta. Gastar agora o que ainda daria retorno de graça é o pior câmbio possível. E um comentário sobre o motivo declarado, interromper o acompanhamento por custo. O acompanhamento é a parte barata. Hemograma, lipidograma e hormonais saem por uma fração do que custa um ciclo, e são eles que mostram hematócrito subindo ou HDL despencando enquanto ainda dá para corrigir. Se o orçamento aperta, o item a cortar é a droga, não o exame. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
  25. @shape.sonhos, tem uma troca aqui que vale examinar antes de qualquer dose. Você conclui que a oxandrolona foi fraca porque não deu ganho, e a resposta que você tira disso é ir para o masteron. Só que o masteron é, dose por dose, menos anabólico que a oxandrolona. Se a primeira droga não entregou, a segunda entrega menos ainda pelo mesmo caminho. O @Batata... e o @Foston já apontaram isso e eles estão certos. O ponto que muda a conversa é outro. Masteron é 2-alfa-metil-di-hidrotestosterona. Ele já é DHT na origem, não precisa ser convertido por nada, e por isso a relação entre efeito anabólico e efeito androgênico dele é das piores que existem para uso feminino. Oxandrolona é escolhida em mulher justamente porque essa relação é favorável. Você está considerando sair da droga com a melhor margem de segurança virilizante para entrar numa das piores, e o motivo declarado é não querer mais cápsula. Esse motivo não paga o preço. Sobre definir perna e braço: nenhum esteroide faz isso. Gordura sai por déficit calórico e sai na ordem que a sua genética determina, não na ordem que você escolhe. Redução localizada não acontece com treino nem com droga. Se as pernas e os braços são as regiões que você enxerga como atrasadas, ou é a última gordura a sair no seu padrão de distribuição, ou é massa muscular faltando ali, e no segundo caso o que resolve é volume de treino e comida, não composto novo. E há uma leitura mais direta do seu primeiro ciclo. Você foi de 5 mg a 20 mg. 20 mg por dia é dose alta para mulher, não é dose insuficiente. Quando alguém quadruplica a dose e não vê diferença, o gargalo quase nunca é a droga. Ou a dieta não estava em déficit real, ou o treino não progrediu carga, ou o produto era subdosado. Vale conferir os três antes de gastar um composto mais agressivo tentando resolver o que não é problema hormonal. Se ainda assim você decidir usar masteron, duas coisas práticas. Prefira o propionato de drostanolona ao enantato, porque a meia-vida curta permite parar e ver o nível cair em dias. Com o enantato, se aparecer sinal de virilização você fica com a droga circulando por semanas sem poder fazer nada. E defina antes qual é o sinal de parada: rouquidão ou mudança de timbre, crescimento de clitóris e acne súbita e severa. Alteração de voz não regride depois de instalada, mesmo suspendendo. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
  26. @LellaB você escreveu a explicação inteira do teu ganho de peso sem perceber que era uma explicação. A frase é essa: parei de treinar devido a uma nova rotina, comi mais e bebi mais. Não houve perda de controle sobre o corpo. Houve remoção de três variáveis ao mesmo tempo, e o resultado foram 6 a 8 kg, que é exatamente o que se espera. Isso importa porque quem perdeu peso por causa desconhecida tem um problema a investigar, e quem sabe exatamente o que mudou tem um problema a reverter. O teu caso é o segundo, e ele é bem mais fácil. E aqui vai o argumento que, na minha opinião, deveria pesar mais na tua decisão. Você está voltando a treinar depois de uma pausa, e essa é a fase de melhor resposta que existe. Quem já treinou e parou mantém núcleos celulares adquiridos dentro da fibra muscular, e esses núcleos permanecem por muito tempo mesmo com o músculo reduzido. É por isso que quem volta recupera em três a seis meses o que levou anos para construir na primeira vez. Você está prestes a viver o período de maior progresso do teu histórico, e ele vai acontecer com ou sem oxandrolona. O problema de usar justamente agora é que você vai atribuir à droga um resultado que era teu de qualquer jeito. E a conclusão natural quando o ciclo terminar vai ser que você precisa dela para manter. É assim que uma pessoa que só queria voltar ao peso antigo acaba entrando num uso recorrente. Se a ideia é usar em algum momento, o momento em que ela realmente acrescenta alguma coisa é depois que os ganhos fáceis já foram colhidos, não antes. O @Foston já disse o principal e vale reforçar com o mecanismo: oxandrolona não emagrece. Ela não é lipolítica e não é diurética. O que ela faz é ajudar a preservar massa magra durante um déficit e dar algum ganho de força. Quem emagrece é o déficit calórico. E a @RenatinhaSA tem razão sobre a ordem, com percentual mais baixo você colhe mais benefício e assume menos risco. Com 1,62 m e 64 kg você está com índice de massa corporal em torno de 24, ou seja, dentro da faixa normal. Não há nada patológico aí. O que mudou foi a composição, porque você perdeu músculo parada e ganhou gordura. Isso é corrigido treinando com peso e comendo com proteína adequada, e não necessariamente emagrecendo muito na balança. Duas coisas específicas para você levar aos exames de sábado. A primeira é o álcool, que você mesma citou. Oxandrolona é alquilada na posição 17 alfa, e é justamente essa modificação que a torna hepatotóxica. Álcool soma carga no mesmo órgão. Se a bebida continuar na rotina durante o ciclo, esse é o risco concreto do teu caso, mais do que qualquer outro. Vale decidir isso antes e não no meio. A segunda é a idade. Aos 39 anos começa a ser comum a fase de transição, com alterações no ciclo menstrual que por si só mudam composição corporal, distribuição de gordura e sono. Se o teu ciclo mudou de padrão no último ano, vale incluir FSH e estradiol na lista, junto com TSH e T4 livre. Peça também hemograma, ferritina, vitamina D, glicemia, hemoglobina glicada, perfil lipídico completo e enzimas hepáticas. Sobre o lipidograma, uma observação. Mulher costuma ter HDL alto, o que é fator protetor cardiovascular importante, e a oxandrolona é justamente a droga que mais derruba HDL entre os orais, com quedas que podem passar da metade. Se o teu HDL vier bom, saiba que ele é um patrimônio e que você vai gastá lo durante o uso. Vale repetir o exame no meio do ciclo. Se você seguir adiante, o desenho de menor risco é dose baixa e fixa, entre 5 e 10 mg por dia, sem escalada ao longo das semanas, por seis a oito semanas. E um alerta que vale mais que todos: qualquer rouquidão ou mudança no timbre da voz é motivo para parar imediatamente, porque é o colateral que não volta atrás. Por último, sobre o entusiasmo. Ele é ótimo para a academia e é péssimo para calibrar expectativa. Oxandrolona em mulher, nessa faixa de dose, entrega ganho discreto de força e ajuda a segurar massa magra. Ela não transforma ninguém e ela não vai ser a responsável pelo antes e depois que você quer postar. O responsável vai ser voltar a treinar e organizar a comida, que é a parte que você já sabe fazer, porque manteve 56 a 58 kg durante anos. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
  27. @Allane tem um argumento técnico que decide sozinho a escolha entre boldenona e oxandrolona em mulher, e ele é o mais importante do teu tópico. O undecilenato de boldenona tem meia vida em torno de quatorze dias. Isso significa que, depois de uma única aplicação, a droga continua sendo liberada por mais de um mês. Agora pense no que acontece se aparecer sinal de virilização, ou seja, engrossamento da voz, aumento do clitóris, pelos em padrão masculino. Com a boldenona, você para de aplicar e continua exposta por semanas, assistindo ao efeito avançar sem poder fazer nada. Com a oxandrolona, cuja meia vida é de cerca de nove horas, você para hoje e amanhã já não há praticamente droga circulando. Isso muda tudo, porque os colaterais de virilização são cumulativos e alguns não voltam atrás. A mudança de voz em particular é estrutural na prega vocal, não é inchaço passageiro. Ou seja, o critério para escolher droga em protocolo feminino não é qual é mais forte, é qual você consegue interromper rápido se der errado. Éster longo em mulher é justamente o que tira de você o botão de emergência. Por isso a escolha do teu médico é ruim, e não porque boldenona seja terrível em si. Sendo justo com ele, existe um único ponto a favor da boldenona no teu caso, que provavelmente foi o raciocínio dele: ela aumenta bastante o apetite, e o teu problema é ganhar peso. É uma lógica compreensível. Só que aumentar apetite é algo que se consegue com estratégia alimentar, e não justifica assumir um risco irreversível. Já a justificativa que ele deu contra a oxandrolona está de fato invertida, como o @Foston apontou. Oxandrolona não é diurético e não seca ninguém, ela não elimina água nem gordura por mecanismo próprio. E ela não causa anemia. Androgênios fazem o contrário, estimulam a produção de glóbulos vermelhos pela via da eritropoietina. Se algum efeito ela teria no hemograma, seria de elevar, não de reduzir. O @Foston também está certo sobre a pós ciclo. Mulher não faz pós ciclo no sentido masculino. Tamoxifeno e clomifeno servem para religar o eixo do homem bloqueando o sinal do estradiol no hipotálamo. No ciclo feminino essa mesma ação interfere na ovulação e não tem indicação nenhuma nesse contexto. O ciclo menstrual se restabelece sozinho após a suspensão, e é ele o marcador que você deve acompanhar. Se ele se alterar durante o uso, isso é sinal para parar. Agora o que me preocupa mais e que ninguém abordou. Você tem 1,59 m e 43 kg, o que dá índice de massa corporal em torno de 17, faixa de magreza. Chegou a pesar 38 kg. Desmamou há dois meses e menciona estresse emocional forte. Antes de anabolizante, isso pede investigação de causa. Perda de peso importante no primeiro ano após o parto tem causas comuns e tratáveis que passam despercebidas. A que eu levantaria primeiro é a tireoidite pós parto. Ela aparece tipicamente entre dois e doze meses depois do nascimento, atinge uma parcela relevante das mulheres e a fase inicial cursa com perda de peso, ansiedade, palpitação e cansaço. É diagnosticada com TSH, T4 livre e anticorpo anti TPO. Vale também investigar anemia com hemograma e ferritina, além de vitamina B12, vitamina D, glicemia e sorologia para doença celíaca, que é uma causa clássica de dificuldade em ganhar peso e passa anos sem diagnóstico. E vale falar do que você escreveu de forma discreta, que estava muito desanimada e se sentindo feia. Isso é comum depois do parto e tem nome e tratamento. Se estiver pesando na tua rotina, na tua vontade de comer e no teu sono, conversar sobre isso com um profissional vai te ajudar muito mais rápido do que qualquer ampola. Não é fraqueza, é a mesma lógica de investigar a tireoide, que é olhar a causa antes de tratar o sintoma. Sobre o caminho prático, o @Batata... e o @Foston acertaram no essencial. Dois meses de academia é muito cedo, e é justamente a fase em que o corpo mais responde sem droga nenhuma. Para ganhar peso a partir de 43 kg, você precisa de superávit calórico consistente, provavelmente algo entre 2.000 e 2.200 calorias por dia, com 70 a 85 gramas de proteína, e usando alimentos calóricos e fáceis de comer, porque quem tem pouco apetite não consegue com salada e frango grelhado. Azeite, pasta de amendoim, castanhas, abacate, leite integral, aveia, tapioca e vitaminas batidas resolvem isso sem exigir volume no prato. Para montar essa conta dá para usar isso aqui https://fisiculturismo.com.br/ferramentas/dieta/ Se, depois de resolver essas coisas, você ainda decidir usar, o que faz sentido é oxandrolona em dose baixa e fixa, entre 5 e 10 mg por dia, por seis a oito semanas, sem escalada, com exames antes e no meio, e atenção a qualquer rouquidão. E vale registrar uma coisa sobre a orientação de comprar com o personal. Existe uma resolução do Conselho Federal de Medicina, a 2.333/2023, que veda a prescrição de anabolizante com finalidade estética ou de ganho de massa. É provavelmente por isso que ele desviou. Só que isso deixa você sozinha com a decisão e sem acompanhamento, que é o pior arranjo possível. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
  28. @COACHLEANDROTEAM bom resumo e boa citação. Deixo alguns complementos que costumam faltar nesse assunto, principalmente para quem cair aqui pelo Google procurando como usar direito. Começando pelo mecanismo, porque ele explica quase tudo o que vem depois. A cafeína não fornece energia. Ela é antagonista dos receptores de adenosina, principalmente A1 e A2A. A adenosina se acumula no cérebro ao longo do dia e é ela que produz a sensação de cansaço e a pressão para dormir. A cafeína ocupa o receptor e bloqueia esse aviso. Ou seja, ela esconde o cansaço, não o resolve. A adenosina continua se acumulando enquanto isso, e é por isso que quando o efeito passa a sensação de fadiga vem de uma vez. Vale corrigir uma explicação antiga que ainda circula em rótulo de pré treino, a de que a cafeína age inibindo fosfodiesterase e aumentando a liberação de cálcio no músculo. Isso até acontece, mas em concentrações muito acima das que se atinge tomando cafeína por via oral, inclusive acima das tóxicas. Na dose real, o efeito é praticamente todo pela via da adenosina, no sistema nervoso central. Sobre a dose, eu estreitaria a faixa que você citou. A janela com melhor sustentação é de 3 a 6 mg por quilo. Acima disso, e principalmente perto de 9 mg por quilo, o que aumenta é o colateral e não o desempenho. Para muita gente, 2 a 3 mg por quilo já entregam quase todo o benefício. O pico plasmático ocorre entre 30 e 60 minutos após a ingestão, então tomar quinze minutos antes de entrar na academia é cedo demais. O ponto mais prático de todos é a meia vida, e ela é longa. Fica entre 3 e 7 horas, variando bastante de pessoa para pessoa. Isso significa que uma dose de 300 mg tomada às 16 horas ainda deixa por volta de 150 mg circulando às 22 horas. Uma regra que resolve a maior parte dos problemas de sono é não consumir nada com cafeína nas 8 horas anteriores ao horário de dormir. E aqui vai o dado que mais surpreende quem diz que café não atrapalha o sono dele. Nos estudos com medida objetiva de sono, a cafeína tomada à tarde reduz o tempo de sono profundo mesmo em pessoas que relatam ter dormido normalmente. Ou seja, a percepção não acompanha o prejuízo. Quem treina e depende de recuperação precisa levar isso a sério, porque sono ruim custa mais do que a cafeína rende. Sobre a enorme variação entre pessoas, existe base genética conhecida. O principal gene é o CYP1A2, que codifica a enzima responsável por metabolizar a maior parte da cafeína no fígado, e as variantes separam metabolizadores rápidos de lentos. Também há o gene do receptor de adenosina, o ADORA2A, associado à resposta de ansiedade e de sono. Isso explica por que a mesma dose faz uma pessoa render bem e outra ficar trêmula e sem dormir, sem que nenhuma das duas esteja fazendo nada errado. Sobre tolerância, vale desfazer um mito comum. É verdade que o efeito subjetivo de alerta perde força com o uso diário. Mas os dados sobre o efeito ergogênico, ou seja, força, potência e repetições, indicam que ele permanece em boa parte mesmo em usuários habituais. Isso significa que aquela prática de ficar dias sem cafeína antes de uma competição para potencializar o efeito tem sustentação fraca, e quem faz isso costuma pagar com dor de cabeça e desânimo justamente na semana mais importante. Complementando os colaterais que você listou, eu acrescentaria ansiedade e tremor em quem é sensível, aumento da frequência cardíaca, e o refluxo, que costuma ser mais incômodo que a irritação gástrica genérica. Sobre a pressão arterial, a elevação é modesta e tende a atenuar com o uso habitual, mas ela importa em quem já tem hipertensão, arritmia ou transtorno de ansiedade. Em gestantes a recomendação usual é limitar a 200 mg por dia. Dois cuidados específicos para o público daqui. Primeiro, pré treino comercial frequentemente não informa quanto de cafeína tem, escondendo a quantidade dentro de uma mistura proprietária, e ainda soma outros estimulantes como sinefrina ou ioimbina. Somar estimulantes de vias diferentes eleva pressão e frequência cardíaca de um jeito que nenhum deles sozinho faria. Segundo, quem está usando esteroides anabolizantes já convive com pressão e hematócrito elevados, e nesse cenário a cafeína em dose alta deixa de ser detalhe. Por fim, duas crenças que a evidência não sustenta. Café não anula o efeito ergogênico da cafeína, então a versão em cápsula não é obrigatória, ela só é mais fácil de dosar com precisão. E a suposta interferência entre cafeína e creatina não se confirma na maior parte dos estudos, portanto não há motivo para separar as duas. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
  29. @Philippelopes a tua pergunta parece simples e não é. A resposta curta é que muda sim, e existem três motivos, sendo que dois deles quase nunca aparecem nessas discussões. O primeiro é que as calorias não ficam realmente iguais. Aquele valor de 4 calorias por grama para carboidrato e proteína é uma média de tabela e ela ignora o custo de processar cada nutriente, o chamado efeito térmico dos alimentos. Proteína gasta entre 20 e 30 por cento da própria energia só para ser digerida, absorvida e metabolizada. Carboidrato gasta algo entre 5 e 10 por cento. Fazendo a conta no teu caso, 40 gramas de proteína são 160 calorias das quais o corpo queima de 32 a 48 só no processamento, enquanto 40 gramas de carboidrato são as mesmas 160 calorias custando de 8 a 16. A diferença líquida fica entre 25 e 35 calorias por dia a favor da versão com mais proteína. É pouco por dia, mas ao longo de meses conta, e é a resposta objetiva para a tua pergunta sobre a queima de gordura. O segundo é a saciedade. Proteína é o macronutriente que mais segura fome, com boa distância dos outros dois. Numa fase de corte isso costuma valer mais do que as 30 calorias do parágrafo anterior, porque adesão é o que decide dieta. O terceiro é o que você perde nessa troca, e é onde a resposta muda conforme o objetivo. Quarenta gramas de carboidrato a menos significam menos glicogênio disponível. Isso pode custar volume e qualidade de treino nas séries mais intensas, e glicogênio é justamente o que deixa o músculo com aspecto cheio, porque cada grama estocado carrega perto de três gramas de água junto. Ou seja, em fase de ganho essa troca costuma ser um downgrade e em fase de corte costuma ser um upgrade. Agora tem uma informação que falta para responder com precisão: qual é o teu peso. Isso porque o ganho de massa em função da proteína tem um teto. A resposta sobe até algo em torno de 1,6 grama por quilo, com margem até uns 2,2 gramas em fase de déficit, e a partir daí o gráfico achata. Se você pesa 80 kg, os teus 140 gramas já dão 1,75 por quilo, e os 40 gramas extras vão render praticamente nada de músculo adicional, sobrando só o efeito térmico e a saciedade. Se você pesa 100 kg, aí a história é outra e a troca faz mais diferença. A explicação do @Batata... sobre as proporções está correta e bem didática. Eu só acrescentaria um cuidado. Calcular gramas por quilo de peso total superestima bastante em quem tem percentual de gordura alto, porque gordura não demanda proteína. Nesse caso é mais preciso calcular sobre a massa magra ou sobre um peso alvo, senão a conta sai inflada. E o ponto que a @RenatinhaSA levantou é dos mais úteis do fórum, então vale colocar números. Peito de frango cru tem por volta de 22 a 23 gramas de proteína a cada 100 gramas, então 150 gramas dão perto de 33 gramas de proteína, e não 150. E tem uma pegadinha extra: cozido, o mesmo frango perde água e concentra, chegando a cerca de 30 gramas por 100 gramas. Ou seja, 100 gramas de frango pesado cru e 100 gramas pesado depois de assado não são a mesma coisa, a diferença passa de 30 por cento. Escolha se você vai pesar sempre cru ou sempre cozido e mantenha o critério, senão a dieta inteira sai errada sem você perceber. Sobre a troca do abacate por azeite, cuidado para não trocar grama por grama. Oitenta gramas de abacate têm por volta de 12 gramas de gordura, porque o resto é água e fibra. Oitenta gramas de azeite seriam 80 gramas de gordura, ou seja, quase sete vezes mais. Para manter a mesma gordura, o equivalente seria algo perto de uma colher de sopa, uns 12 a 13 mililitros. Vale também lembrar que o azeite entrega só a gordura, enquanto o abacate traz fibra, potássio e micronutrientes, então se a substituição for permanente, compense com outras fontes. Respondendo a tua outra dúvida, sobre secar primeiro ou ganhar primeiro, a regra prática mais usada é olhar o percentual de gordura atual. Homem acima de uns 15 a 17 por cento costuma se dar melhor cortando antes, porque em percentual mais baixo a sensibilidade à insulina melhora e uma fração maior do superávit vai para músculo em vez de gordura. Abaixo disso, começar pelo ganho costuma render mais. Se quiser montar as contas e testar os dois cenários que você propôs, dá para fazer isso aqui https://fisiculturismo.com.br/ferramentas/dieta/
  30. @Levy Cardoso o teu último post é o que mais precisa de resposta, e ele passou quase despercebido no meio da discussão. Você escreveu que está mandando boldenona, durateston, trembolona, cipionato de testosterona e deca. Vale olhar essa lista com atenção, porque ela tem dois problemas estruturais. O primeiro é que durateston e cipionato são a mesma coisa. Os dois entregam testosterona, mudando apenas a velocidade de liberação por causa do éster. Usar os dois juntos não soma efeito, só torna impossível você saber quantos miligramas de testosterona está tomando por semana. Escolha um. O segundo é mais sério. Deca e trembolona são as duas 19 nor. Ambas têm atividade no receptor de progesterona, e usar as duas ao mesmo tempo dobra essa carga. Essa é justamente a via que produz disfunção sexual e sintoma mamário sem estradiol alto, ou seja, aquela que não melhora com inibidor de aromatase, e é também a que mais atrasa a recuperação do eixo depois. Se a ideia é usar 19 nor, use uma de cada vez. Sobre a discussão do tribulus, o @Marcos...V está certo e vale o mecanismo. Tribulus terrestris não é pós ciclo porque ele não age no eixo. Ele não estimula a hipófise e não eleva LH nem FSH. Os estudos controlados em homens não mostram aumento de testosterona, e os dados que sustentam a fama vieram de modelos animais que não se reproduziram em gente. Quem faz o trabalho de religar o comando são os moduladores do receptor de estrogênio, tamoxifeno e clomifeno, que bloqueiam o sinal de estradiol no hipotálamo e fazem a hipófise voltar a mandar LH e FSH. São coisas de categorias diferentes. Sobre o comentário do @x6NurbWiLL de que a trembolona não é hepatotóxica, isso está certo pela metade e vale precisar. Ela realmente não é alquilada na posição 17 alfa, então não tem o tipo de agressão hepática característica dos orais como o hemogenin ou o dianabol. Mas ela não é inofensiva para os órgãos. Ela é a droga da categoria com mais sinais de sobrecarga renal, elevando creatinina com frequência, e é famosa por deixar a urina escura por causa dos metabólitos. Portanto o cuidado que você mencionou fazia sentido, só que ele deveria estar direcionado ao rim e ao coração, e não ao fígado. Sobre a frequência, você aplicava segunda e sexta, e é aqui que a confusão do tópico começou. Isso depende do éster e você precisa olhar o rótulo do frasco. Enantato de trembolona tem meia vida de sete a onze dias e duas aplicações por semana funcionam bem. Acetato tem meia vida de aproximadamente um dia e exige aplicação diária ou em dia sim dia não, senão você fica dias praticamente sem droga. O @Arnaldo Santos. deu os dois esquemas corretamente. E o mais importante: pare de raciocinar em mililitros e passe a raciocinar em miligramas por semana. Um mililitro pode ser 75 mg ou 200 mg dependendo do frasco, e sem esse número ninguém consegue te orientar de verdade. Sobre misturar na mesma seringa, ele também está certo. Dois oleosos podem ser aspirados juntos sem problema químico. O único cuidado é o volume total no mesmo ponto, que idealmente não passa de dois mililitros, e o fato de que se der reação local você não vai saber qual dos dois causou. Um ponto sobre o relato inicial, e digo isso sem qualquer deboche. Aumento de braço em poucas semanas de uso é quase todo composto de água intracelular e glicogênio, mais o ganho neural de força que aparece rápido. Tecido contrátil novo se acumula em meses, não em cinco aplicações. Isso importa porque quem interpreta o inchaço inicial como músculo tende a concluir que a droga é fantástica e a empilhar mais, e é exatamente isso que aconteceu ao longo desse tópico, de uma trembolona isolada até cinco drogas simultâneas. E medida de braço tirada logo depois do treino é sempre maior do que a medida real em repouso. Por fim, você mencionou lá atrás que os triglicerídeos tinham subido bastante. Esse detalhe vale mais que todo o resto. Com o que você descreveu estar usando agora, os marcadores que precisam ser acompanhados são hematócrito e hemoglobina, pressão arterial aferida em casa, perfil lipídico completo, creatinina e ureia, TGO, TGP e gama GT, estradiol e prolactina. Trembolona e deca juntas derrubam o HDL de forma acentuada, e é o tipo de coisa que não dá sintoma nenhum até dar. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
  31. @Edmundo Veg você mesmo desconfiou da causa certa quando escreveu que o tempo de recuperação pode não estar sendo suficiente. Olhando o teu treino A, dá para apontar isso com bastante precisão. Conte quantos exercícios ali carregam o ombro. Supino reto, supino inclinado, crucifixo, flexão de solo, desenvolvimento e elevação lateral. São seis movimentos que passam pela articulação do ombro, somando por volta de 26 séries, todos levados à falha ou perto dela, e isso duas vezes por semana. Some as costas do treino B e o ombro está trabalhando praticamente em todas as sessões. Para alguém com pouco mais de um ano de treino e 47 anos, isso é volume alto demais para a estrutura que ainda está se adaptando. E tem um detalhe clínico no que você relatou depois que vale ouvir com atenção. Você disse que levantar o braço pela frente ainda vai, mas pela lateral está complicado. Dor que aparece especificamente na elevação lateral, principalmente naquela faixa intermediária do movimento, é o padrão descrito como arco doloroso e costuma apontar para a região subacromial, ou seja, tendão do supraespinal e bursa. Não estou fechando diagnóstico pela internet, mas o quadro é bem característico e ele importa porque muda a conduta. Aos 47 anos, esse é o tipo de coisa que não convém deixar rolando. Depois dos 40 é comum já existir algum grau de desgaste degenerativo no manguito rotador, e o supraespinal tem irrigação sanguínea pobre justamente na região que mais sofre, o que faz a recuperação ser lenta. Três semanas piorando, com limitação de movimento, já passou do ponto de esperar para ver. Vale procurar um ortopedista de ombro ou um fisioterapeuta agora. Se houver dor à noite que atrapalhe o sono, ou fraqueza real e não só dor ao levantar o braço, aí é motivo para investigar com imagem, porque pode haver lesão parcial. Sobre a orientação do @Batata..., a direção está certa e eu faria dois ajustes. O primeiro é que repouso total não é o melhor tratamento para tendão. Tendinopatia responde a carga controlada, não a imobilidade. O que se faz é retirar o que dói e manter o que não dói, com progressão. Parar tudo por semanas costuma deixar o ombro mais fraco e o problema volta assim que você retorna. O segundo é sobre o anti inflamatório. Pomada de diclofenaco no local é razoável. Já anti inflamatório por via oral aos 47 anos merece parcimônia, por conta de estômago, rim e pressão, e nunca por semanas seguidas por conta própria. Ele alivia o sintoma e mascara o aviso, o que faz muita gente voltar a treinar pesado cedo demais e piorar a lesão. Enquanto você não é avaliado, o que eu faria no treino. Tire o desenvolvimento e a elevação lateral por enquanto, que são justamente os movimentos de elevação acima da linha do ombro. Reduza os supinos para dois movimentos no total em vez de quatro, e trabalhe com pegada neutra, com halteres, sem descer demais e sem levar à falha. Tire o crucifixo, que é o que mais estressa a parte da frente do ombro em amplitude aberta. E acrescente o que quase sempre está faltando nesses casos: trabalho de rotadores externos e de escápula. Rotação externa com elástico, remada com foco na retração, face pull e trabalho de trapézio inferior. A maioria dos ombros que doem em quem treina tem uma desproporção grande entre volume de empurrar e volume de puxar, e rotador externo fraco. Corrigir isso muda o quadro mais do que qualquer pomada. Uma observação sobre a filosofia do treino. Levar composto a quase falha e isolado à falha em toda sessão, com 5x10 em vários exercícios, cobra recuperação de tendão e articulação, que se adaptam bem mais devagar que o músculo. Aos 47 anos essa defasagem é maior ainda. Dá para progredir muito guardando uma ou duas repetições de reserva na maioria das séries e reservando a falha para poucos momentos. Se quiser reorganizar a divisão com volume mais equilibrado entre empurrar e puxar, dá para usar isso aqui https://fisiculturismo.com.br/ferramentas/treino/ E uma última coisa que ajuda mais do que parece: sono e tempo entre sessões. Você treina segunda, terça, quinta e sexta, o que é uma boa distribuição. O problema não é a frequência, é o quanto se acumula dentro de cada sessão. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.

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