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Oxandrolona -5mg - manipulada -help!!!
O relato da @babizinha_ourobello foi bem acompanhado e a turma que respondeu deu muita coisa boa. Volto nele por causa de uma frase específica que ficou registrada no meio do tópico, porque ela é perigosa e continua sendo repetida por aqui, e por causa de um detalhe do primeiro post que passou despercebido por todo mundo. Começo pela frase, que é o motivo principal de eu estar escrevendo. Foi dito a ela, por um usuário cujo perfil hoje está desativado, que nos dez dias seguintes poderiam aparecer características típicas da oxandrolona, entre elas escurecimento de mamilos e axilas e aumento de clitóris, e que, se isso não ocorresse, seria quase certo que o produto fosse falso ou subdosado. Isso precisa ser desfeito, porque inverte completamente o sinal. Aumento de clitóris é um dos efeitos de virilização que não regridem. É o sinal diante do qual a orientação é parar imediatamente, e não um selo de autenticidade do produto. Uma mulher que leia esse tópico e passe a esperar esse sinal como confirmação de que comprou coisa boa está sendo ensinada a torcer justamente pelo dano permanente, e a interpretar a ausência dele como decepção. E existe um problema lógico embutido também. O raciocínio que se seguiu no tópico foi: não apareceu nada, logo deve ser falsa, logo vamos subir a dose. Repare que ele não fecha de nenhum dos dois lados. Se o produto for falso, subir a dose de nada continua sendo nada. Se o produto for verdadeiro, você acabou de dobrar a exposição de uma pessoa que não estava tendo problema nenhum, sem nenhuma evidência de que precisava. Agora, como se responde de verdade a pergunta que ela repetiu o tópico inteiro, que era se a oxandrolona manipulada dela era cilada. Não é pela cor da pele, nem pela oleosidade, nem pela libido, que são todos subjetivos e influenciados por expectativa. É por exame, e os dois marcadores são baratos e diretos: A SHBG cai de forma acentuada com oxandrolona, inclusive em dose baixa. É o marcador mais sensível que existe para dizer se há androgênio ativo circulando. O HDL cai, e a queda é mais pronunciada justamente com androgênios orais e não aromatizáveis, que é exatamente o caso dela. E em mulheres a relação inversa entre androgênio e HDL é ainda mais clara. Ou seja, um perfil lipídico e uma SHBG antes e depois de três a quatro semanas respondem objetivamente a pergunta que o tópico inteiro tentou responder no olho. Se SHBG e HDL não se moveram, o produto não está agindo. Se se moveram, está. E aqui vale a inversão que faz esse exame valer ainda mais: essa queda de HDL não é um efeito colateral opcional, é o efeito adverso mais consistente dos androgênios, e ela não dá sintoma nenhum. Quem faz o exame para saber se o produto é bom acaba, de quebra, fazendo o exame que realmente importa para a saúde. É o melhor negócio disponível. Agora o detalhe do primeiro post que ninguém comentou, e que no meu entender é o mais importante do tópico inteiro. Ela escreveu que a oxandrolona foi receitada por endocrinologista, e trouxe o protocolo completo do médico: sete semanas, subindo de 5 para 15 mg e descendo de volta para 5 mg. Ela mesma disse que achou curto e propôs mudar. A partir dali, o tópico reescreveu o esquema do médico. Sugeriu-se 12 semanas, depois 10, depois manter 5 mg fixo, depois subir para 10 mg. Nenhuma dessas mudanças foi levada de volta a quem a examinou. E ela tinha, de graça, a coisa mais valiosa da conversa: uma endocrinologista com o histórico e os exames dela na mão, e uma consulta de retorno disponível. A pergunta sobre alongar o ciclo e sobre subir a dose era para ser feita lá, não aqui. Além disso, se ela alterar o esquema por conta, a médica precisa saber no retorno, porque sem isso não há como interpretar o resultado nem os exames. Não é preciosismo. É que o protocolo dela tinha uma lógica: subir devagar, ficar três semanas no topo e descer. E a mesma pessoa que receitou também receitou testosterona em gel, o que sugere um plano maior do que a caixa de oxandrolona. Sobre essa testosterona em gel, aliás, que ela perguntou e ficou meio no ar. Foi respondido que era subir de nível e que talvez fosse melhor deixar para depois. Concordo com o deixar para depois, mas pelo motivo certo, que não foi dito: testosterona em gel em mulher tem um problema que a oxandrolona não tem, que é a transferência por contato de pele. Parceiro, filho pequeno, qualquer pessoa que encoste na área de aplicação recebe hormônio. Isso exige cuidado com o local, com o tempo de secagem e com roupa por cima, e é o tipo de coisa que se combina com quem prescreveu. Sobre a dieta, que foi o outro eixo do tópico. A distribuição sugerida foi 1510 kcal com 174 g de proteína, 53 g de gordura e 85 g de carboidrato, para uma mulher de 57,8 kg. São cerca de 3 g de proteína por quilo, quase metade das calorias do dia vindo de proteína. A faixa em que o benefício de proteína para hipertrofia se estabiliza está em torno de 1,6 a 2,2 g por quilo. No caso dela, isso daria algo entre 95 e 125 g. Os 174 g não estão errados no sentido de fazer mal, e proteína alta protege massa magra em déficit. O problema é o custo de oportunidade: cada grama de proteína acima do necessário está ocupando o lugar de carboidrato num dia que já estava com apenas 85 g. E carboidrato é o combustível de quem treina de quatro a seis vezes por semana. Isso conecta com duas coisas que ela relatou e que foram deixadas de lado. A primeira é a insônia. Ela contou que passou duas noites dormindo quatro ou cinco horas, e a resposta que recebeu foi que provavelmente era ansiedade. Pode ser, e a @Joaninha tinha razão em que expectativa mexe com sono. Mas havia outras duas hipóteses na mesa que nem foram levantadas: carboidrato muito baixo à noite atrapalha o início do sono em muita gente, e o próprio androgênio pode reduzir o tempo de sono. E dormir pouco não é um detalhe de conforto nesse contexto, é sabotagem do objetivo. Em estudo de restrição de sono com dieta hipocalórica, o grupo que dormiu pouco perdeu uma fração muito menor de gordura e uma fração muito maior de massa magra, comendo exatamente a mesma coisa. Ou seja, duas noites de quatro horas custam mais resultado do que a oxandrolona de 5 mg entrega. A segunda é a contradição entre o objetivo e o plano. Ela disse que queria desenvolver glúteos e posteriores de coxa e melhorar membros superiores, ou seja, queria construir. E foi colocada em dieta de corte. Construir músculo em déficit calórico é possível para quem está começando, mas é o cenário mais lento que existe, e ainda por cima com um androgênio fraco no meio. O comentário de que ganhar volume de perna não significa estar melhor tem fundo verdadeiro, mas no caso dela ganhar perna era literalmente o objetivo declarado. Sobre a celulite, que apareceu na conversa com a promessa de que ia reduzir ou sumir. Vale ajustar, porque essa expectativa frustra muita gente. Celulite não é só gordura. É a forma como os septos fibrosos que ligam a pele ao músculo se organizam na mulher, puxando a pele para baixo enquanto a gordura se projeta entre eles. Por isso ela aparece em mulheres magras e praticamente não existe em homens com androgênios normais. Reduzir percentual de gordura ajuda, e o ambiente androgênico também tende a melhorar o aspecto, o que explica os relatos positivos que circulam por aqui. Mas prometer sumiço é prometer o que a dieta não entrega. Duas coisas que foram ditas e que estão certas, e que merecem ser reforçadas porque contrariam o senso comum da academia. O @Arnaldo Santos. disse que o corpo não se acostuma com a dose baixa e que é possível usar 5 mg por meses evoluindo. Está correto. Não existe tolerância ao androgênio no sentido em que as pessoas usam a palavra, e o que faz o resultado desacelerar é a aproximação do limite genético, não o receptor cansar. E o alerta de que não se sabe o que há dentro de uma manipulada é legítimo. Farmácia de manipulação trabalha com matéria prima comprada de fornecedor, e o teor final não é verificado lote a lote como em indústria com registro. Isso não significa que seja ruim, significa que é desconhecido, e volta ao ponto dos exames: com SHBG e HDL você deixa de depender de fé. Sobre a rigidez muscular e a força que ela notou na terceira semana, o @Foston respondeu bem. É esse o ritmo, e é uma percepção real, não é impressão. E, para quem chegar aqui querendo montar a alimentação sem depender de alguém calcular por você, o site tem um gerador de dieta simulada em https://fisiculturismo.com.br/ferramentas/dieta/ . A saída é simulada e serve como rascunho para ajuste, não como prescrição. Por fim, os sinais que valem mais que qualquer cronograma, para qualquer mulher usando qualquer androgênio: rouquidão, voz mais grave ou dificuldade nas notas altas, e aumento de clitóris. Esses são de parada imediata e não regridem. Acne, oleosidade, pelo, queda de cabelo e alteração de ciclo regridem e não são motivo de pânico. Essa lista é o oposto exato da que foi apresentada no tópico como prova de qualidade do produto, e é a que deveria ficar registrada aqui. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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Oxandrolona 100mg manipulada: 8/8hrs por 7 semanas
Esse relato do @ectobruto é um dos mais honestos do fórum, porque ele voltou meses depois para dizer que não tinha funcionado. Isso é raro e vale muito. Só que a conclusão a que ele chegou, no meu entender, não é a que os fatos do próprio tópico sustentam, e há um episódio no meio do caminho que passou completamente batido e que era o mais importante de todos. Começo pelo episódio. No dia 22 de junho ele escreveu que passou muito mal, vomitou e teve diarreia que durou dois dias, e suspeitou que a oxandrolona tivesse ao menos contribuído. Ninguém no tópico voltou nesse ponto. E ele estava, naquele momento, tomando 100 mg de oxandrolona por dia havia três semanas. Náusea, vômito e desconforto abdominal estão entre os primeiros sinais de sofrimento hepático por 17 alfa alquilado. Não é o único diagnóstico possível, e uma virose explicaria igualmente bem. A diferença é que uma virose se resolve sozinha e a outra hipótese não, e a única forma de separar as duas custava o preço de um hemograma com TGO, TGP, gama GT e bilirrubinas. Os sinais que fecham o quadro e que valem para quem estiver lendo isso agora, em uso de qualquer oral: urina escura como chá, fezes claras, coceira pelo corpo sem lesão de pele, amarelado nos olhos e cansaço desproporcional. Diante de qualquer um deles, para e vai ao médico no mesmo dia. Agora a dose, que é o centro do tópico e que ninguém questionou. A bula da oxandrolona prevê 2,5 mg a 20 mg por dia, e os 20 mg são o teto. O protocolo relatado começou em 100 mg por dia e chegou a ser anunciada uma subida para 120 mg. Isso é cinco a seis vezes o máximo terapêutico, mantido por semanas, e é a variável que explica tanto o custo quanto o mal estar quanto boa parte da frustração final. E existe um detalhe que torna essa dose ainda menos defensável: a resposta da oxandrolona não cresce proporcionalmente à dose. Acima de determinado ponto, os receptores já estão saturados e o que continua subindo é a sobrecarga hepática e a supressão do eixo. Ou seja, os 100 mg não entregaram cinco vezes o resultado de 20 mg. Entregaram aproximadamente o mesmo resultado, com cinco vezes o custo financeiro e vários múltiplos do risco. O visitante que acompanhou o relato inteiro deu a orientação correta quando sugeriu baixar a oxandrolona, e depois insistiu duas vezes para ir com calma. A leitura dele estava certa do começo ao fim. Sobre a conclusão de que ciclo sem testosterona não presta. Ela tem um fundo verdadeiro e um erro de atribuição. O fundo verdadeiro é o seguinte, e o visitante já tinha explicado no tópico: oxandrolona suprime o eixo, como qualquer androgênio suprime. Só que ela é um androgênio fraco para efeitos sistêmicos, ou seja, desliga a produção própria e não repõe à altura. O usuário fica com a testosterona endógena no chão e sem substituto equivalente, e daí vêm a libido baixa, o cansaço e a dificuldade de manter o ganho. Nisso ele acertou, e a decepção dele tem base real. O erro de atribuição é achar que a testosterona teria salvo esse ciclo. Olhando o relato de fora, ele foi assim: começou com oxandrolona isolada, mudou o intervalo das tomadas no segundo dia, cogitou subir a dose no terceiro, adicionou durateston no décimo terceiro, cogitou acrescentar dianabol, planejou subir para 120 mg, ficou sem conseguir mais durateston depois de duas aplicações, adoeceu, parou, voltou com 60 mg e encerrou. Nenhum protocolo permaneceu tempo suficiente para produzir resultado, e nenhuma variável foi mantida fixa o bastante para permitir dizer o que funcionou. O ciclo não falhou por falta de testosterona. Falhou porque foi reescrito cinco vezes em três semanas. E vale registrar que ele mesmo tinha diagnosticado isso no dia 14, quando o @Nug disse que a pressa era a pior inimiga e ele respondeu com humildade pedindo conselho. A resposta estava ali. Sobre o peso, que é a parte que mais engana quem lê relatos. Foram 79 kg no início e 87 kg dezenove dias depois. Oito quilos em menos de três semanas. Isso não é possível como tecido muscular em nenhum cenário, com ou sem hormônio, porque o limite fisiológico de síntese não chega perto disso. Aquilo era água, glicogênio e conteúdo intestinal, com o durateston contribuindo bastante na retenção. A prova veio do próprio autor meses depois, quando contou que do pico de 85 kg voltou para 80 kg. Registro isso porque é o tipo de número que faz outro leitor achar que perdeu alguma coisa e correr atrás. Não perdeu. Aqueles oito quilos nunca existiram como massa. Três observações menores. A primeira é sobre o cobavital, que ele passou a usar para conseguir comer mais. Ele é ciproeptadina com cobamamida, e a ciproeptadina é um anti histamínico de primeira geração, cujo efeito colateral mais comum é justamente sedação e sonolência. Ele estava fazendo plantão em CTI e acordando às cinco da manhã. Isso merecia atenção, e a bula orienta reduzir a dose pela metade quando a sonolência é marcada. Vale para quem dirige ou opera qualquer coisa. A segunda é sobre o ganho de força no primeiro e no segundo dia, que ele próprio desconfiou não ser real. Ele estava certo em desconfiar. Nenhum androgênio produz ganho de força mensurável em vinte e quatro horas, porque o mecanismo passa por síntese proteica e adaptação, que levam semanas. O que sobe no primeiro dia é a disposição de tentar uma carga que você vinha evitando, e isso é motivação, não farmacologia. É real como comportamento e é passageiro. A terceira é sobre a mudança de 8 em 8 horas para 12 em 12 horas. Com meia vida em torno de nove horas, as duas formas são defensáveis e isso não afetou o resultado. Foi a única mudança do ciclo que realmente não teve importância nenhuma. E fica uma pergunta que atravessa o tópico inteiro sem nunca ter sido feita: qual era a dieta. Ele disse que estava comendo direitinho e que ia detalhar depois, e o detalhamento nunca veio. Não há em nenhum ponto do relato um número de calorias ou de proteína. Um sujeito de 1,79 m que queria sair de 79 kg em superávit precisa saber quanto está comendo, e o superávit é a condição sem a qual nada do resto opera. É bem possível que o resultado modesto tenha vindo daí, e não da ausência de testosterona. Se quiser conferir esse ponto, o site tem um gerador de dieta simulada em https://fisiculturismo.com.br/ferramentas/dieta/ . A saída é simulada e serve como rascunho para ajuste, não como prescrição. Por fim, uma palavra ao @brunofox, que anunciou no meio do tópico que ia começar com 30 mg por dia aos 70 kg, e ao @dio5 lugano, que estava em dúvida por causa dos relatos contraditórios. Os relatos são contraditórios porque a maioria deles, como este, muda de protocolo no meio e não mede nada. Se for para fazer, o mínimo que transforma um relato em informação útil é: exames antes, uma dose única mantida do começo ao fim, dieta registrada, carga registrada e exames depois. Feito assim, um relato de 30 mg vale mais que dez relatos de 100 mg. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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Saindo pus no lugar da aplicação de Stanozolol
O tópico é antigo e a @brendaleee resolveu o caso dela, mas ele continua sendo encontrado por quem está passando pela mesma coisa agora, e há duas informações erradas circulando aqui que podem custar caro para quem chegar assustado e seguir o que leu. Começo pela mais importante. Saindo pus, é abscesso. E abscesso não se trata com antibiótico. Trata-se com drenagem. Isso não é detalhe. O antibiótico circula pelo sangue, e dentro de uma coleção de pus não há circulação. A cavidade fica isolada, com pressão alta e sem oxigênio, e é justamente o ambiente em que o antibiótico não chega em concentração útil. Por isso a conduta padrão em abscesso de pele e partes moles é abrir e drenar, e o antibiótico entra como coadjuvante depois disso, não no lugar disso. O @hallspreta acertou em cheio quando disse que abscesso é simples de resolver, basta abrir e drenar, e que só médico faz isso. Era a resposta certa do tópico. Agora a segunda parte, que ninguém verificou. Ela contou que estava tomando amoxicilina por conta própria. Abscesso de pele é, na esmagadora maioria dos casos, causado por estafilococo, e boa parte dessas cepas na comunidade é resistente. Amoxicilina sozinha, sem clavulanato, é justamente uma das opções com pior cobertura para estafilococo. Os esquemas usados nos estudos dessa situação são outros. Ou seja, ela estava tomando um remédio que provavelmente não agia sobre a bactéria que ela tinha, enquanto adiava a única coisa que resolveria, que era a drenagem. E existe um efeito colateral pior do que não funcionar: o antibiótico parcialmente ativo costuma reduzir a dor e a vermelhidão o suficiente para dar sensação de melhora, sem eliminar a coleção. Foi exatamente o que ela relatou depois, dor melhorando e pus ainda saindo. Isso não é melhora, é abscesso drenando sozinho por um trajeto que ele abriu na pele. Uma correção também na primeira orientação que ela recebeu, feita com boa intenção pela @Katrinny. Gelo e anti-inflamatório servem para dor de aplicação sem infecção. Diante de pus, os dois atrapalham. O gelo diminui o fluxo de sangue na área, que é o oposto do que se quer, e o anti-inflamatório derruba febre e vermelhidão, que são exatamente os sinais que indicariam a gravidade. Nesse quadro, calor ajuda mais que frio, e o que decide é o médico, não a compressa. Sobre o medo de contar, que foi o que mais pesou na decisão dela. Médico é obrigado a sigilo. Isso é dever profissional, e vale mesmo quando o que a pessoa fez é irregular, mesmo em cidade pequena e mesmo em hospital público. Quebrar sigilo é infração ética. E existe uma razão prática ainda mais forte para contar: sem saber que houve injeção de óleo ou de suspensão no local, o médico pensa em furúnculo e trata como furúnculo. Sabendo, ele considera reação ao veículo, granuloma e abscesso profundo, que são outra coisa e têm outra conduta. Omitir não protege a pessoa, atrapalha o próprio atendimento dela. O @Locemar e o @Batata... foram diretos nisso e estavam certos. Agora uma informação técnica que faltava e que muda a leitura do caso. Ela estava usando stanozolol injetável, que não é uma solução oleosa como a maioria dos injetáveis, e sim uma suspensão aquosa de microcristais. Esses cristais não se dissolvem no músculo. Eles precisam ser dissolvidos e removidos lentamente, e enquanto isso irritam mecanicamente o tecido. É por isso que o stanozolol injetável tem fama de doer muito mais que os outros e de formar nódulo com facilidade, inclusive abscesso sem nenhuma bactéria envolvida, o chamado abscesso estéril. Isso importa por dois motivos. Primeiro, porque significa que a reação dela pode ter começado sem falha de assepsia, e a culpa que apareceu na conversa talvez fosse injusta. Segundo, e mais importante, porque abscesso estéril também precisa de drenagem, e antibiótico nesse caso não faria absolutamente nada. Sobre a discussão de local, um acerto e uma correção. O @R souza estava certo no espírito, mas a nomenclatura não é quadrante superior direito, e sim quadrante superior lateral, ou seja, o de fora, do lado oposto ao sulco. Isso vale para os dois glúteos. E a região que a enfermagem hoje considera mais segura nem é essa: é a ventroglútea, aplicada na lateral do quadril, com músculo mais espesso, menos gordura e distância bem maior do nervo ciático. A suspeita do @Locemar, de que a aplicação foi baixa demais, é a hipótese mais comum quando se atinge região com pouco músculo e muita gordura, porque produto depositado na gordura absorve mal e inflama. O que o @davidevh comentou sobre aplicar em quatro pontos diferentes é o outro lado da mesma moeda, e é a prática correta: rodízio evita fibrose e evita concentrar agressão num ponto só. Sobre a pergunta que ficou sem resposta no fim, feita por um usuário cujo perfil hoje está desativado, sobre qual era a marca do produto. Ela é pertinente e vale explicar por quê. Suspensão aquosa exige esterilidade e controle de tamanho de partícula na fabricação. Produto sem controle pode vir com cristal grande demais, com carga bacteriana ou com concentração diferente da declarada, e os três aumentam a chance exatamente do que aconteceu aqui. Por fim, uma coisa que não foi discutida em nenhum momento do tópico e que eu não deixaria passar, já que a autora é mulher. Stanozolol é dos androgênios com maior potencial de virilização, e alguns dos efeitos não regridem depois. Rouquidão ou voz mais grave e aumento de clitóris são sinais de parada imediata, não de ajuste de dose. Acne, oleosidade, queda de cabelo e alteração do ciclo regridem. Se em algum momento a decisão for continuar com algum protocolo, a conversa correta é com endocrinologista ou ginecologista, com exames antes, e não com dose escolhida por relato. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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Apliquei sustanon e minha bunda está inchada e rosa
O @Barboza84 fez uma pergunta que aparece muito no fórum, e o tópico chegou perto da resposta sem fechá-la. Vou fechar, porque tem uma informação na própria composição do produto que explica o caso inteiro, e tem um detalhe de segurança que ninguém levantou. Primeiro, a causa mais provável. Ele disse algo decisivo no meio da conversa: com o enantato foi tudo bem, o problema começou quando trocou para o sustanon. Isso já elimina a hipótese de erro de técnica, porque a técnica era a mesma. Mudou o produto. E o sustanon é conhecido justamente por isso. Ele tem dois componentes que doem. O primeiro é o veículo, que é óleo de amendoim. Ele é mais viscoso que os óleos usados em outras apresentações, entra com mais resistência e irrita mais o tecido. O segundo é o álcool benzílico, que entra como conservante em concentração alta. Álcool benzílico é irritante de tecido conhecido, e a irritação é cumulativa quando se aplica sempre na mesma região. Some a isso o fato de o sustanon ser uma mistura de quatro ésteres, e o propionato, que é o mais curto deles, ser o campeão de dor local entre todos. Ou seja, a dor que ele descreveu é o comportamento esperado desse produto específico, e não sinal de que ele fez algo errado. Agora o detalhe de segurança que precisa ser dito, e que é o motivo pelo qual eu voltei nesse tópico. Óleo de amendoim é contraindicado para quem tem alergia a amendoim, e por extensão a soja. Isso está na bula, não é ressalva de fórum. Quem tem essa alergia e aplica sustanon sem saber pode ter uma reação bem pior que dor local. Vale conferir antes, e vale ficar registrado para quem chegar aqui pela busca. Sobre como distinguir dor normal de problema de verdade, que é a parte que faltou. Dor pós aplicação com inchaço, endurecimento e vermelhidão que aparece nas primeiras horas, melhora dia a dia e some em três a cinco dias é reação inflamatória ao produto. É chata e é isso. O que não é isso, e exige médico no mesmo dia: Febre. Vermelhidão que se expande em vez de recuar, principalmente se você marcar o contorno com caneta e ele crescer. Calor local intenso e pele muito tensa. Área que amolece no centro e parece ter líquido dentro, o que sugere abscesso. Qualquer saída de secreção. Risco vermelho subindo pela perna em direção à virilha, que é linfangite. Dor que piora a partir do terceiro dia em vez de melhorar. E aqui entra uma ressalva à sugestão de nimesulida ou ibuprofeno, que o @hallspreta deu de boa fé e que funciona para dor. O problema é o seguinte: anti-inflamatório derruba a febre e reduz a vermelhidão. Se por baixo houver uma infecção começando, ele mascara justamente os sinais que serviriam de alerta, e a pessoa só descobre quando já está grande. Então anti-inflamatório para dor local, tudo bem. Anti-inflamatório para tocar a semana ignorando os sinais acima, não. A compressa quente que o @Locemar recomendou está certa e é o que mais ajuda, junto com contrair e movimentar o músculo, porque a movimentação dispersa o depósito. Ficar parado piora. Sobre a discussão da troca de agulha, o @hallspreta estava certo e o @Frango-RJ merece a explicação do porquê, já que o argumento dele tinha lógica. A agulha que atravessou a borracha do frasco realmente perde o fio, mas o problema não é só esse. São dois. Primeiro, a ponta deformada rasga em vez de cortar, e tecido rasgado inflama mais. Segundo, e mais importante, ao aspirar o óleo fica produto na parte externa da agulha, e esse produto é depositado no trajeto, inclusive na gordura e na pele, onde ele não deveria estar. É esse resíduo no subcutâneo que produz boa parte dos nódulos doloridos. Não dá nada na maioria das vezes, como ele disse. Mas quando dá, dá exatamente isso. Duas correções práticas sobre local de aplicação. A primeira é sobre o quadrante superior lateral do glúteo, que é a referência clássica. Ele funciona, mas a técnica hoje considerada mais segura para essa região é a ventroglútea, aplicada de lado do quadril e não atrás. O ponto se acha assim: com a mão espalmada sobre o trocânter, o dedo indicador na espinha ilíaca ântero superior e o dedo médio afastado ao longo da crista ilíaca, aplica-se no meio do triângulo formado. Essa região tem músculo mais espesso, menos gordura e distância muito maior do nervo ciático. A segunda é sobre a ideia do amigo de Londres, de aplicar sempre no mesmo lugar e resolver com compressa quente. Isso é o inverso do que se deve fazer. Aplicação repetida no mesmo ponto produz fibrose, e músculo fibrosado absorve pior, dói mais e forma nódulo permanente. Rodízio de locais não é preciosismo, é o que evita chegar num ponto sem retorno. E, respondendo à pergunta direta que ficou no ar, sobre aplicar de novo no mesmo local depois de uma semana: não. Enquanto a área estiver dolorida ou endurecida, ela está fora da lista. O @Frango-RJ acertou nisso. Por fim, sobre o frasco de enantato que cristalizou com o frio. Isso é normal e reversível, e a solução é aquecer o frasco na mão ou em água morna até o líquido voltar a ficar transparente antes de aspirar. O que não se deve fazer é aspirar com cristal ainda presente, porque aí sim o material particulado entra no músculo e a reação local é garantida. Se depois de aquecido o produto não voltar a ficar límpido, o problema não é temperatura, e aí a dúvida passa a ser sobre o que há dentro do frasco. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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1º Ciclo Oxandrolona com 17 anos
O tópico é de 2017 e o @unknown19 hoje já é adulto, mas a pergunta dele continua chegando aqui toda semana, e há três coisas no meio da conversa que nunca foram esclarecidas. Duas delas mudam bastante a leitura do caso. Começo pela dose, que passou batida. O plano apresentado era subir de 40 mg até 80 mg por dia de oxandrolona. A dose terapêutica de bula vai de 2,5 mg a 20 mg por dia, divididos em duas a quatro tomadas, e mesmo os 20 mg são o teto. Ou seja, a proposta era de duas a quatro vezes o limite máximo de uso médico, num rapaz de 60 quilos e 17 anos. E o @Foston, quando citou o estudo, falou em 2,5 a 5 mg por dia. É essa a faixa que aparece na literatura pediátrica. A distância entre 5 mg e 80 mg não é uma questão de intensidade, é outra categoria de risco. Junto com isso, uma correção pequena mas útil sobre o raciocínio das duas porradas no fígado. Dividir a dose em duas tomadas não dobra a agressão hepática. O que determina a lesão é a dose diária total e o tempo de exposição, não em quantas vezes você reparte. Tanto é assim que a própria bula manda dividir em duas a quatro tomadas por dia. Então buscar um comprimido de 40 mg para tomar de uma vez não protegeria nada, e a preocupação estava dirigida à variável errada. A variável certa era o número que ele pretendia atingir. Agora o ponto que considero o mais importante do tópico, e que merece um ajuste técnico. O @Foston acertou na conclusão e a orientação dele era a certa, mas o mecanismo do fechamento das epífises funciona ao contrário do que ficou registrado. Quem fecha placa de crescimento é o estradiol, e o estradiol vem da aromatização da testosterona. É por isso que a oxandrolona, que é derivada de DHT e não aromatiza, foi justamente a droga escolhida nos estudos de atraso constitucional do crescimento em meninos. Nesses estudos, ela acelerou a maturação óssea e antecipou a parada do crescimento, mas a altura final não diferiu da do grupo controle, e uma metanálise recente confirmou isso. Repare no que isso significa na prática, porque é o contrário do que a conversa sugeriu. A oxandrolona em dose baixa era a menos ruim das opções para a idade dele exatamente por não aromatizar. E o rapaz, ao ser desaconselhado, respondeu perguntando sobre enantato, durateston e dianabol. Todos os três aromatizam. Ele estava propondo trocar a única droga que não fecharia epífise por três que fechariam. Ou seja, a resposta certa não é escolher outra coisa. É a que o @Locemar e o @Gamma deram: não é hora. Sobre a supressão do eixo, a discussão do tópico terminou no lugar certo. Oxandrolona suprime, sim. LH e FSH caem de forma significativa durante o uso, e a testosterona endógena acompanha. Isso está descrito inclusive nas doses baixas. O visitante que participou da conversa deu a melhor sugestão possível para resolver a dúvida, que era dosar LH, FSH e testosterona antes, durante e ao fim. É um teste que qualquer pessoa pode fazer e que encerra o assunto sem depender de vídeo nenhum. E vale o registro de que a queda de libido que o próprio autor mencionou é consequência direta disso: a testosterona endógena cai, e a oxandrolona não a repõe, porque ela é fraca como androgênio de manutenção. Não é efeito colateral inesperado, é o eixo desligado sem substituição à altura. Sobre o HCG cinco dias após a última aplicação: não é assim que se usa. HCG estimula o testículo, mas não recupera a parte alta do eixo, que é hipotálamo e hipófise. Ele não é terapia pós ciclo sozinho, é apenas uma peça, e usado isoladamente pode inclusive atrapalhar, porque aumenta a aromatização e o estradiol alto segura o retorno do LH. Por fim, o que ninguém no tópico chegou a perguntar e que era o dado mais revelador de todos. Ele disse que era balofo, cresceu, emagreceu muito e estava com 60 quilos. Um rapaz de 17 anos que perde peso involuntariamente enquanto cresce não tem um problema hormonal, tem um problema de ingestão calórica. O corpo dele estava gastando com crescimento e com treino mais do que estava recebendo. Nenhum ciclo resolve isso, porque hormônio melhora o aproveitamento do que chega e não cria o que não chegou. A pergunta do @Gamma na segunda mensagem, sobre onde estavam o treino e a dieta, era literalmente a resposta do tópico. Para quem chegar aqui na mesma situação, o caminho que funciona nessa idade é bem menos interessante e bem mais eficaz: comer acima do gasto de forma consistente, com proteína entre 1,6 e 2 g por quilo, treinar duas a três vezes por semana cada grupo muscular e registrar carga. Aos 17 anos a produção natural de testosterona está no pico da vida inteira, e é o único momento em que ganhar massa é gratuito. Se quiser um ponto de partida para montar isso, o site tem um gerador de dieta simulada em https://fisiculturismo.com.br/ferramentas/dieta/ . A saída é simulada e serve como rascunho para ajuste, não como prescrição. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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DEBATE: Mesa dos professores: qual é a melhor divisão de treino?
Esse debate é de 2012 e o @fisiculturismo pediu atualização em 2017. Ela existe, e mudou bastante o que se considerava certo na época. Vou trazer os dados, responder a pergunta sobre hormonizados e não hormonizados, e desfazer um mito que apareceu logo na segunda mensagem. Começo pelo que mais mudou: a frequência. Em 2012, a divisão dominante era treinar cada grupo muscular uma vez por semana, com muito volume no dia. Uma metanálise de 2016 comparou frequências de uma a três vezes por semana com volume igualado, e o resultado foi claro: treinar cada grupo pelo menos duas vezes por semana produz mais hipertrofia do que uma vez, mesmo quando o número total de séries semanais é o mesmo. Repare no detalhe que faz toda a diferença: com o volume igualado. Não é que quem treina duas vezes faça mais trabalho. É que o mesmo trabalho distribuído em duas sessões rende mais do que concentrado em uma. Se três vezes por semana é melhor que duas, isso ainda não está estabelecido. Na prática, isso significa que a divisão que era considerada padrão, com um dia para cada grupo, é a menos eficiente das opções. E significa que a resposta do professor mais clássico da mesa, que defendia um AB duas vezes na semana para a maioria das pessoas, envelheceu muito melhor do que parecia na época. Ele estava certo, e por um motivo que só foi bem demonstrado depois. Para quem lê hoje procurando uma orientação prática: Quem treina três vezes por semana rende mais com corpo inteiro nos três dias, ou com um AB alternado. Quem treina quatro vezes rende mais com superior e inferior alternados. Quem treina cinco ou seis vezes pode usar empurrar, puxar e pernas repetido duas vezes. Em todos esses desenhos, cada grupo é treinado duas vezes por semana. A divisão com um grupo por dia só faz sentido para quem treina cinco ou seis vezes e tem volume muito alto, e mesmo aí é discutível. Agora a pergunta sobre hormonizados e não hormonizados, que ficou sem resposta. A leitura de que quem usa recupera mais rápido está correta na direção, e o mecanismo é conhecido: androgênios aumentam a síntese proteica e a retenção de nitrogênio, e a recuperação entre sessões melhora. Isso é o que permite a usuários tolerarem volumes e frequências que destruiriam um praticante natural. O que eu acrescentaria é que a conclusão prática vai no sentido inverso do que muita gente imagina. Quem não usa nada precisa de mais frequência, e não de menos. O estímulo de uma sessão eleva a síntese proteica por um período limitado, algo em torno de 24 a 48 horas em quem já é treinado. Depois disso, o músculo volta ao basal e fica esperando. Em quem usa, existe um efeito anabólico contínuo preenchendo esse intervalo. Em quem não usa, não existe, e é justamente por isso que reestimular duas vezes por semana rende mais. Ou seja, o natural precisa de mais dias de descanso entre sessões do mesmo grupo em termos de volume por sessão, mas se beneficia de mais frequência com menos volume de cada vez. É a mesma quantidade de trabalho, melhor distribuída. E é por isso que copiar a rotina de um atleta profissional é o erro mais comum da academia: não é a rotina que produziu o físico dele, é a rotina que o físico dele suportava. Agora o mito, que o @-H- levantou em 2012 e que continua circulando. Não é verdade que depois de 45 minutos de treino o corpo passa a consumir massa magra. Isso nasceu de uma leitura equivocada da curva de cortisol durante o exercício. O cortisol realmente sobe com o esforço, mas ele é um hormônio de mobilização de energia, e a sua elevação aguda durante o treino é normal e faz parte da resposta adaptativa. Ela não corresponde a perda de músculo. Aliás, treinos que produzem mais elevação aguda de cortisol estão entre os que mais produzem hipertrofia. O que de fato limita a duração útil de uma sessão é bem mais prosaico: depois de certo tempo, a qualidade das séries cai, a concentração some, e as últimas séries são feitas com carga menor e execução pior. Não é catabolismo, é rendimento. A faixa de 45 minutos a 1h30 que foi sugerida no debate segue sendo uma orientação razoável, e pelo motivo certo. Sobre a pergunta do @vitorferreira, de 2012, que também ficou sem resposta clara. Ele perguntou se a contagem de 8 a 10 exercícios por treino inclui abdominal, e disse ter chegado a 9 exercícios sem abdominal e 12 com. A resposta hoje é que exercício não é a unidade de medida certa. O que a literatura mede é o número de séries semanais por grupo muscular, e a relação de dose e resposta aponta para algo entre 10 e 20 séries semanais por grupo para a maioria das pessoas. Doze exercícios num treino podem ser pouco ou muito, dependendo de quantas séries cada um tem e de quantos grupos estão sendo cobertos. Então a conta que vale fazer é: quantas séries o meu peitoral recebe por semana, somando tudo? E o mesmo para cada grupo. Feita assim, a pergunta sobre contar ou não o abdominal se resolve sozinha, porque abdominal entra na conta do abdominal e não interfere na dos outros. E fica um último ponto, que talvez seja o mais útil de tudo isso. Nada do que foi discutido aqui, nem divisão, nem frequência, nem duração da sessão, tem uma fração da importância da progressão de carga registrada e da dieta. As divisões discutidas nessa mesa são todas defensáveis. Nenhuma delas funciona sem as duas coisas que ninguém discute porque são chatas.
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Comprei uma caneta de GH eutropin que já veio com o remédio misturado, isso está certo?
@vieirarodrigo, o tópico virou outra conversa no meio do caminho, mas a sua pergunta original tem resposta técnica e ela é útil para muita gente. Vou dá-la, e ela combina com a desconfiança que o @AnabolLecter levantou depois. Primeiro, sobre a informação de que a caneta já vem misturada e pode ser guardada fora da geladeira. A primeira parte é verdadeira e existe. Canetas de somatropina em solução, prontas para uso, são uma apresentação legítima, e o @Locemar trouxe bem a informação sobre o produto em frasco, que é aquele que exige reconstituição com diluente. A segunda parte é onde mora o problema, e a resposta correta é: parcialmente, e por pouco tempo. Tomando como referência uma das apresentações em caneta mais conhecidas, a regra de armazenamento é a seguinte. Antes do primeiro uso, obrigatoriamente entre 2 e 8 graus. Depois do primeiro uso, existem duas opções: manter na geladeira entre 2 e 8 graus e usar em até 4 semanas, ou manter em temperatura ambiente até 25 graus e usar em até 3 semanas. Ou seja, existe sim uma janela em que a caneta pode ficar fora da geladeira, mas ela é curta, só vale depois de aberta, e o limite de 25 graus é um problema real no Brasil, onde boa parte do país passa disso em vários meses do ano. Temperatura ambiente na bula não significa temperatura ambiente daqui. Somatropina é uma proteína, e proteína desnatura com calor. Uma vez desnaturada, ela não avisa: o líquido continua com o mesmo aspecto e a caneta funciona normalmente. A pessoa aplica e não recebe nada. Vale também registrar o cuidado que apareceu na bula citada e que muita gente ignora: não agitar. Movimentos giratórios lentos, nunca chacoalhar, porque a agitação também desnatura o hormônio. Agora o ponto que ninguém verificou e que, no meu entender, é o mais importante do tópico. Você disse que comprou uma caneta com 300 UI. As canetas farmacêuticas de somatropina são apresentadas em miligramas, e as apresentações usuais vão de 5 mg a 30 mg. Convertendo, 30 mg correspondem a aproximadamente 90 UI, e essa é a maior caneta que existe nesse formato. Trezentas unidades em uma caneta única não corresponde a nenhuma apresentação farmacêutica conhecida. Isso, por si só, já indica que o produto não é o que o rótulo sugere. Junte isso com o que veio depois no tópico, sobre o pacote laminado vindo por outra rota e sobre a ausência de qualquer informação verificável do laboratório, e o quadro fecha. A desconfiança do @AnabolLecter tinha base, e a orientação dele sobre nota fiscal é o teste mais simples que existe: medicamento de verdade tem rastreabilidade. E existe uma consequência prática desagradável para quem comprou. Como o produto não tem procedência, não dá para saber nem o que contém nem em que condições foi transportado. Isso significa que, se não funcionar, não há como distinguir entre produto falso, produto real degradado pelo calor e dose muito abaixo do declarado. Você não tem como aprender nada com o resultado. Duas observações finais. A primeira é uma correção pequena a uma afirmação que apareceu, de que certas marcas seriam melhores para o fisiculturismo. Não são. Somatropina recombinante é a mesma molécula de 191 aminoácidos em todas as marcas registradas. O que difere entre elas é o sistema de aplicação, a estabilidade da formulação e o controle de qualidade da fabricação. E é exatamente por isso que a escolha da marca importa: não pelo efeito, mas pela garantia de que dentro tem o que está escrito. A segunda é sobre o preço, já que ele foi discutido. A diferença enorme entre o valor citado no mercado paralelo e o valor de um produto com registro não é margem de lucro, é a diferença entre um produto com controle de fabricação e cadeia de frio documentada e outro sem nada disso. Quando o preço de um biológico está muito abaixo do de mercado, o mais provável não é oportunidade, é que não seja aquilo. E, se em algum momento a intenção for usar hormônio do crescimento de forma séria, vale saber que existe indicação médica formal para deficiência de GH em adulto, com diagnóstico feito por teste de estímulo e acompanhamento de IGF-1, glicemia e hemoglobina glicada. É o único caminho em que se sabe o que se está tomando e o que está acontecendo. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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Oxandrolona - Relato feminino
@Whey30, o tópico foi bem acompanhado e o seu relato é dos mais completos que já vi por aqui. Volto nele por causa de uma orientação específica que apareceu no começo, porque ela é repetida com frequência no fórum e, no meu entender, produz o efeito contrário do pretendido. A sugestão foi fazer um desmame paulatino da oxandrolona no fim, distribuindo as cápsulas que sobrassem, com uma por dia, depois uma em dias alternados, depois uma a cada três dias, para minimizar as chances de crash hormonal. Eu não faria isso, por três motivos. O primeiro é farmacológico. A oxandrolona tem meia-vida curta, na casa de nove horas. Isso significa que ela sai do organismo praticamente por completo em pouco mais de dois dias, independentemente de você reduzir devagar ou parar de uma vez. Não existe efeito de retirada que o desmame previna, como acontece com corticoide ou com alguns psicotrópicos. Reduzir devagar apenas entrega doses cada vez menores por mais tempo. O segundo é sobre o que realmente se recupera. Em mulher, o que foi suprimido é o eixo que regula o ciclo menstrual, e ele volta no seu próprio tempo, que se conta em semanas ou poucos meses. A velocidade dessa volta não é influenciada por como você tomou as últimas quinze cápsulas. O que serve de indicador é a menstruação: se ela não retomar o padrão normal em um ou dois meses após o fim, é hora de procurar a ginecologista. O terceiro é o que mais me preocupa, e é prático. Esse tipo de desmame estende o tempo total de uso. E, em mulher, o tempo de exposição pesa mais no risco de virilização do que a dose. Ou seja, o desmame feito para reduzir risco acaba aumentando justamente a variável que mais importa. E existe uma armadilha embutida na sua situação específica. Você mencionou que a prescrição era de 45 dias com 135 cápsulas, e a discussão passou a ser como distribuir as cápsulas que sobrariam. Repare no que aconteceu: a quantidade comprada virou o critério do tempo de uso. Se sobrarem cápsulas no fim do prazo previsto, o certo é sobrar. Não é razão para esticar o ciclo. Sobre a orientação de seguir a prescrição da médica que te atendeu, ela está certa e vale reforçar: você fez o caminho correto, procurou uma profissional e voltou para o retorno. Se você tem dúvida sobre o esquema, a pessoa para responder é ela, com a sua história e os seus exames na mão. E, se você alterar alguma coisa por conta, vale contar no retorno, porque ela precisa saber o que de fato foi feito para interpretar o resultado. Três acréscimos que eu faria ao seu acompanhamento. O primeiro é perfil lipídico completo antes, ao fim e uns dois meses depois. A queda de HDL é o efeito mais consistente dos androgênios, inclusive da oxandrolona, e ela não dá nenhum sintoma. Sem o valor de antes, não há comparação. O segundo são os sinais de parada imediata, que valem mais que qualquer cronograma: rouquidão, voz mais grave ou dificuldade nas notas altas da fala, e aumento de clitóris. Esses não regridem. Acne, oleosidade, pelo e queda de cabelo regridem e não são motivo de pânico. O terceiro é sobre a bursite que te tirou do treino no ano anterior. Vale um cuidado que quase ninguém menciona: durante o ciclo, a força costuma subir mais rápido do que o tendão e a bursa se adaptam. Quem tem histórico de bursite tende a ter recidiva justamente quando a carga sobe depressa. A recomendação prática é subir carga com mais calma nos movimentos de ombro do que você seria capaz de subir, e não tratar dor articular como coisa que se atravessa. Duas observações menores sobre a suplementação. O BCAA no pré e no pós treino não faz nada de útil para quem já come proteína suficiente ao longo do dia. Ele só teria função em quem tem ingestão proteica muito baixa. A glutamina, na mesma linha, não tem evidência de benefício em pessoas saudáveis que treinam. Se quiser realocar esse valor, creatina em 3 a 5 g por dia é o suplemento com melhor evidência disponível e ajuda em força e em preservação de massa magra. E a ceia com meio abacate mais whey é uma boa escolha, essa eu manteria. Por fim, uma palavra para a @inicianteNath, que apareceu no fim do tópico com a mesma dúvida. A resposta que você recebeu foi boa, e a pergunta do @Apollo Galeno é a que eu faria também: existe indicação para usar? Antes de escolher dose, vale responder três coisas. Há quanto tempo você treina de forma consistente? A sua proteína está em 1,6 a 2 g por quilo? E o seu peso está se movendo na direção do seu objetivo com a dieta atual? Se alguma dessas respostas for não, a oxandrolona vai render pouco, porque ela melhora o aproveitamento do que chega, e não cria o que não chegou. Se quiser um ponto de partida para conferir isso, o site tem um gerador de dieta simulada em https://fisiculturismo.com.br/ferramentas/dieta/ . A saída é simulada e serve como rascunho para ajuste, não como prescrição. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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Não tenho dinheiro para tomar suplemento direto. Posso tomar mês sim, mês não?
@eduardodu, a resposta direta à sua pergunta é: não, não faz diferença, e o motivo é que a premissa está errada. Um mês sim e outro não não vai prejudicar o seu resultado, porque o suplemento não estava produzindo o resultado para começo de conversa. O @Locemar deu o conselho certo e eu assino: gaste esse dinheiro em comida. E o @fisiculturismo fez uma ressalva justa, de que às vezes o whey sai mais barato por grama de proteína do que carne vermelha nobre. Vou juntar as duas coisas com o método que resolve a discussão. A conta que importa não é o preço do pote nem o preço do quilo. É o custo por 100 g de proteína. Faça assim, uma vez, com os preços do seu mercado: Pegue o preço do produto, veja quantos gramas de proteína ele tem por 100 g de alimento, e divida. Por exemplo, se um quilo de peito de frango custa X e tem cerca de 220 g de proteína no total, o custo por 100 g de proteína é X dividido por 2,2. Quando você fizer essa conta para vários alimentos, vai encontrar um ranking que costuma se repetir em qualquer mercado do Brasil: Ovo é quase sempre o mais barato por grama de proteína, e por larga margem. Depois vêm leite em pó, frango inteiro ou coxa e sobrecoxa, sardinha em lata, fígado bovino, e as leguminosas como feijão, lentilha e grão-de-bico, que somadas ao arroz formam proteína de boa qualidade. Whey costuma ficar no meio do ranking, às vezes empatado com peito de frango. E os cortes bovinos nobres, como patinho, alcatra e filé, ficam entre os mais caros, muitas vezes acima do whey. É exatamente esse o caso que o @fisiculturismo apontou, e ele está certo. Ou seja, a comparação honesta não é whey contra comida. É whey contra o alimento específico que você usaria no lugar. Contra filé mignon, o whey ganha. Contra ovo, o whey perde feio. Agora, o mais importante, e é onde o seu dinheiro rende mais. Você está começando na academia. Nessa fase, o que decide o seu resultado nos próximos doze meses é o total de proteína e de calorias do dia, e a progressão de carga no treino. Nada disso depende de suplemento. Whey é proteína em pó, com a mesma função de qualquer proteína, e a única vantagem real dele é praticidade: resolve 25 g de proteína em trinta segundos, sem cozinhar, o que é útil para quem tem rotina apertada. Se a sua limitação é dinheiro e não tempo, a escolha é fácil. Três coisas práticas que eu faria com esse orçamento: Ovos, em quantidade. Seis ovos por dia dão cerca de 36 g de proteína e custam uma fração de qualquer suplemento. E a preocupação antiga com colesterol da gema não se sustenta para pessoas saudáveis. Leite integral, que resolve calorias e proteína ao mesmo tempo e é dos alimentos mais baratos para quem precisa ganhar peso. E, se sobrar algum dinheiro para um único suplemento, que seja creatina, e não whey. Creatina é o suplemento com melhor evidência que existe, custa pouco por dose, 3 a 5 g por dia resolvem, e ela age em força e em massa magra, que é exatamente o que você quer. Whey não faz nada que a comida não faça. Creatina faz. E, sobre tomar de forma intermitente, um detalhe técnico relevante: se algum dia você usar creatina, aí sim a continuidade importa, porque o efeito depende da saturação muscular e ela leva algumas semanas para se estabelecer. Com whey, o mês sim e mês não é indiferente. Com creatina, não é. Se quiser montar o dia com as quantidades certas usando comida barata em vez de suplemento, o site tem um gerador de dieta simulada em https://fisiculturismo.com.br/ferramentas/dieta/ . A saída é simulada e serve como rascunho para ajuste, não como prescrição.
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Aeróbico em jejum emagrece ou não?
Esse tópico começou em 2002 e atravessou quase vinte anos sem uma resposta fechada. Hoje existe. Vou trazer os números, responder a pergunta que o @Rodrigo Torres deixou em aberto no fim e comentar um relato que merece ser explicado. A resposta curta: os dois lados desse debate estavam parcialmente certos, e é por isso que ele nunca terminou. Quem dizia que em jejum se queima mais gordura tinha razão. Uma metanálise com 27 estudos e 273 participantes confirmou que a oxidação de gordura durante o exercício é significativamente maior em jejum do que alimentado. Quem dizia que isso não faz diferença no resultado também tinha razão. E essa é a parte que decide. O tamanho da vantagem é o seguinte: aproximadamente 3 gramas de gordura a mais oxidados por sessão, algo em torno de 27 kcal. Ou seja, cerca de meia bolacha. E, quando se olha o desfecho que interessa, a vantagem desaparece. Um ensaio randomizado com 20 mulheres em dieta hipocalórica, comparando aeróbico em jejum e alimentado por quatro semanas, não encontrou diferença de composição corporal entre os grupos. Metanálises que reuniram os estudos de perda de peso e composição corporal encontram efeitos triviais entre as condições, tanto para massa corporal quanto para percentual de gordura e massa magra. A explicação é simples e vale entender, porque ela resolve a confusão de vez: o corpo não faz contabilidade por sessão, faz por dia. A gordura que você não oxidou durante o exercício alimentado é oxidada nas horas seguintes, e a que você oxidou a mais em jejum é reposta depois. No fim das 24 horas, quem manda é o balanço calórico. Ou seja, o @Mvrck acertou logo na segunda mensagem do tópico, em 2002, ao dizer que a diferença é tão pequena que não compensa. Foram necessários quinze anos de estudos para confirmar aquilo. Isso não significa que aeróbico em jejum seja ruim. Significa que ele é uma opção entre outras. Se você prefere treinar em jejum porque é mais prático, porque se sente melhor sem comida no estômago ou porque só tem esse horário, faça, não há prejuízo. Se você rende mais alimentado, também faça, não está perdendo nada. Escolha pela preferência, porque é ela que sustenta a constância, e constância é o que de fato produz resultado. Duas ressalvas honestas. A primeira é que, em sessões longas ou intensas, o jejum costuma reduzir o rendimento. E rendimento menor significa gasto calórico menor, o que anula a vantagem dos 27 kcal e ainda fica devendo. A segunda é sobre a preocupação, levantada logo no começo do tópico, de perder massa muscular em jejum. Ela tem algum fundamento em sessões longas e em quem está com déficit calórico agressivo e proteína baixa, e o @Batata... relatou exatamente isso, bons resultados com alguma perda de massa magra junto. O que protege nesses casos não é evitar o jejum, é manter proteína adequada ao longo do dia e treino de força com carga. Agora respondendo ao @Rodrigo Torres, que perguntou se corrida em jejum de 30 minutos somada a intervalado de 15 minutos depois do treino faria uma técnica prejudicar a outra. Prejudicar, tecnicamente não. Mas o desenho não é bom, por dois motivos. Primeiro, é bastante volume de trabalho de pernas somado ao treino de força, e existe o chamado efeito de interferência: uma metanálise sobre treino concorrente mostrou que a corrida, especificamente, prejudica ganhos de força e hipertrofia de membros inferiores, enquanto o ciclismo não. Segundo, 45 minutos de aeróbico por dia com déficit calórico costuma comprometer recuperação em pouco tempo. Se quiser fazer os dois, eu trocaria a corrida por bicicleta ou caminhada, ou colocaria o intervalado em dias separados do treino de perna. E, sobre o relato da @Larissa Oliveira, de ter perdido 700 gramas em um treino em jejum: aqueles 700 gramas foram água e conteúdo intestinal, e voltam com a primeira refeição e a primeira ingestão de líquido. Para perder 700 gramas de gordura seriam necessárias aproximadamente 5.400 kcal de déficit, o que nenhum treino de manhã produz. Registro isso não para diminuir o entusiasmo, que era genuíno, mas porque a balança logo depois do treino é a leitura que mais engana e a que mais frustra quando o número volta no dia seguinte. O que ela relatou de verdadeiramente relevante foi outra coisa: correr dez minutos sem parar quando antes não conseguia cinco. Isso é ganho de condicionamento, é real e não some. Por fim, uma correção a uma preocupação que apareceu no começo do tópico, quando disseram que treinar em jejum poderia causar coma e dano cerebral irreversível. Isso não acontece em pessoa saudável. Depois de uma noite de sono, o fígado tem glicogênio suficiente para manter a glicemia por horas, e não há risco de hipoglicemia grave. A situação muda para quem usa insulina ou certos medicamentos para diabetes, aí sim o cuidado é real e a conversa é com o médico. E, para quem chegar neste tópico procurando o método que mais queima gordura, a resposta continua a mesma que estava na segunda mensagem, em 2002: o método é o déficit calórico. O horário do aeróbico é detalhe. Se quiser conferir se o seu déficit está de fato acontecendo, o site tem um gerador de dieta simulada em https://fisiculturismo.com.br/ferramentas/dieta/ . A saída é simulada e serve como rascunho para ajuste, não como prescrição.
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Ciclo de esteroide para redução de celulites
@fisiculturismo, a pergunta é ótima e o tópico juntou relatos consistentes. Fui atrás da literatura antes de opinar, porque esse é o tipo de assunto em que é fácil descartar como impressão o que várias mulheres relataram de forma independente. E, neste caso, o relato delas tem respaldo mecanístico. Vou explicar por quê, e no caminho corrigir uma premissa que apareceu no tópico. Primeiro, o que é celulite de fato. A aparência acolchoada vem em boa parte do espessamento e da esclerose dos septos fibrosos que atravessam a derme e o tecido adiposo, num processo associado a edema, congestão vascular e hipóxia local. Ou seja, o protagonista não é a gordura em si, é a arquitetura do tecido conjuntivo que a segmenta. Isso já corrige a premissa que apareceu aqui, de que a celulite provém da gordura e que reduzir o percentual necessariamente reduz a celulite. Não é bem assim. A celulite acomete algo entre 85 e 98 por cento das mulheres após a puberdade, e está presente em mulheres magras, com índice de massa corporal normal e até abaixo do normal. E existe um achado que explica exatamente o caso da mulher que originou a pergunta, que está satisfeita com o percentual de gordura e ainda assim tem celulite: os adipócitos das regiões propensas têm propriedades diferentes dos de outras partes do corpo. São células grandes, metabolicamente mais estáveis e menos responsivas à lipólise induzida pela perda de peso. Ou seja, quando alguém diz que dieta resolveu, a leitura correta é: dieta reduziu o volume que empurrava a pele contra os septos, o que melhora bastante a aparência. Mas o septo continua lá, e é por isso que existe um ponto a partir do qual emagrecer mais não melhora mais. Agora a parte que dá razão aos relatos sobre oxandrolona. A literatura descreve a celulite como fortemente ligada ao ambiente hormonal feminino, com o estrogênio como peça central. O estrogênio, junto com estresse oxidativo e inflamação, favorece proliferação de fibroblastos e formação de colágeno, e influencia retenção de líquido alterando a vasculatura e a drenagem linfática local. E dois dados fecham o raciocínio. Primeiro, a celulite melhora depois da menopausa. Segundo, ela não está presente em homens com níveis normais de andrógenos. Isso significa que um ambiente mais androgênico é, plausivelmente, um ambiente menos favorável à celulite. Então quando a @Dexterina, a @Cosminha e a @Vero relatam melhora durante o ciclo, isso não é ilusão nem só efeito da dieta que veio junto. Existe mecanismo que sustenta. O que eu não afirmaria é que existe ciclo indicado para isso, e essa era a pergunta original. Não existe estudo controlado de anabolizante para celulite. O que existe é mecanismo plausível somado a relatos consistentes, e isso é razão para levar a sério, não para tratar como comprovado. E a @Dexterina fez a leitura mais equilibrada do tópico ao dizer que foi um combo, com a alimentação como fator principal e o ciclo como parte. Assino isso. Agora, o que tem evidência de verdade, já que ninguém citou. Como o problema central é o septo fibroso, os tratamentos que atacam o septo são os que mostram resultado mais consistente. Dois caminhos: a subcisão, que é o rompimento mecânico dos septos com agulha ou lâmina, feita por dermatologista ou cirurgião plástico, e a colagenase injetável, desenvolvida especificamente para isso e testada em ensaios clínicos de fase três. Vale a ressalva de que a disponibilidade da colagenase variou bastante ao longo dos anos e ela pode não estar acessível por aqui, então isso é conversa para o dermatologista. O que não tem evidência: cremes, drenagem linfática e massagem modeladora para efeito duradouro. Elas reduzem edema temporariamente e o resultado aparece por algumas horas ou dias, o que explica a satisfação relatada, mas não mudam o septo. E creme de oxandrolona, especificamente, não tem estudo que sustente absorção e efeito local significativos. Também vale desfazer uma ideia que apareceu: água não elimina toxinas relacionadas à celulite, porque não existem toxinas envolvidas nisso. Hidratação é boa por outros motivos, e nenhum deles é esse. Uma observação de segurança sobre a gestrinona, que a @Cosminha mencionou. A gestrinona é um derivado 19-nor com atividade androgênica marcante, e é bem mais potente nesse aspecto do que a oxandrolona. Em implante, existe um problema específico: se aparecer virilização, não há como interromper, o implante continua liberando por meses até ser retirado cirurgicamente. Os sinais que não regridem continuam sendo os mesmos, aumento de clitóris e alteração de voz. A preocupação que ela mesma expressou é justificada, e o acompanhamento com quem implantou é essencial. Resumindo o que eu diria à mulher da pergunta original: existe fundamento no que ela ouviu sobre andrógenos e celulite, mas não existe ciclo indicado para isso, e o custo de virilização irreversível é alto para um objetivo estético. Se ela já está satisfeita com o percentual de gordura e com o volume muscular, o caminho com melhor relação entre resultado e risco é dermatologia com foco no septo, e não farmacologia. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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ciclo Oxandrolona Feminino 10 mg por dia durante 6 semanas: sem resultados!
@Carla S. Santos, a sua pergunta original tem uma resposta simples que se perdeu no meio da discussão sobre dose. Vou dá-la primeiro, e depois falo com a @mamediei, que apareceu no fim do tópico com uma dúvida parecida. Você perguntou por que a oxandrolona não deu resultado nenhum. A resposta não é a dose. É que você fez o ciclo dentro de uma dieta restritiva para secar. Anabolizante não cria músculo do nada. Ele aumenta a retenção de nitrogênio e a síntese proteica, ou seja, melhora o aproveitamento do que você come. Em déficit calórico, não há excedente para construir nada. O que a oxandrolona faz nesse cenário é preservar a massa magra que você já tem enquanto perde gordura, e é um efeito real e valioso, mas ele é invisível no espelho. Ninguém enxerga o músculo que não foi perdido. Isso, aliás, também explica por que o primeiro ciclo pareceu funcionar melhor. Você usou stanozolol enquanto fazia dieta por conta própria, sem restrição controlada, e viu a coxa engrossar. Depois usou oxandrolona dentro de uma dieta de definição e não viu nada. A diferença principal entre os dois casos não foi o composto nem a dose, foi a caloria. E aqui está o ponto mais importante do seu caso, que atravessou o tópico inteiro sem ser dito: O seu objetivo declarado é desenvolver o vasto lateral. Isso é hipertrofia. E você tentou obtê-lo duas vezes dentro de dietas de secar. São objetivos que puxam em direções opostas. Se o alvo é volume de quadríceps, o caminho é superávit calórico com progressão de carga, por meses. Com 1,54 m e 52 kg, você tem bastante margem para ganhar peso sem que isso vire gordura, e é justamente essa fase que você nunca fez. Sobre o ajuste que veio depois, e uma pequena correção técnica. Foi dito que durante o ciclo você absorve melhor os nutrientes. Não é bem isso. A absorção intestinal não muda. O que muda é o que o corpo faz com o que foi absorvido, principalmente a retenção de nitrogênio e a síntese proteica. Parece detalhe, mas muda a conduta: não adianta comer o mesmo esperando aproveitar mais, é preciso comer mais. Ciclar carboidrato, como o seu nutricionista propôs, é uma estratégia legítima. Só que ela é uma ferramenta de definição, não de ganho. Se a meta virou o vasto lateral, o caminho é subir carboidrato todos os dias, e não alternar dias com e sem. Agora a parte em que eu discordo, e é a que mais me preocupa. Foi sugerido estender o uso de oxandrolona por 15 a 20 semanas, com doses variando de 5 a 15 mg. Eu não faria isso. Em mulher, a duração do uso pesa mais no risco de virilização do que a dose. Quinze a vinte semanas é o dobro ou mais do que eu consideraria aceitável. Seis a oito semanas é o intervalo que eu respeitaria, com pausa longa depois. E vale relembrar por que isso importa tanto: acne, oleosidade, pelo e queda de cabelo regridem quando se para. Aumento de clitóris e alteração de voz não regridem. Rouquidão, voz mais grave ou dificuldade nas notas altas da fala são alteração estrutural da prega vocal, e o sinal é de parada imediata. Sobre a ideia de começar em 5 mg e ir subindo para o organismo se adaptar, ela também não corresponde a nada da farmacologia. Não existe adaptação que justifique a escalada. O que a dose menor faz é apenas dar menos efeito nas primeiras semanas. O motivo legítimo para começar baixo é outro e é bom: observar se aparecem colaterais antes de comprometer o ciclo inteiro. Mas isso se resolve em uma ou duas semanas, não em meses de escalada. Duas coisas sobre o vasto lateral, já que é o que você quer há cinco anos. A primeira é que ele responde muito à posição do pé e à amplitude. Agachamento com passada mais estreita, leg press com os pés mais baixos na plataforma, hack e agachamento com os calcanhares elevados aumentam bastante a participação do quadríceps. A segunda é que quem tem facilidade de posterior e glúteo tende a jogar o quadril para trás em quase todo agachamento sem perceber, o que tira o quadríceps do movimento. Se o seu vasto não aparece depois de cinco anos, vale filmar uma série de agachamento de lado e olhar. @mamediei, agora a sua pergunta, que ficou sem resposta. Você escreveu que treina há um ano, saiu de 69 para 64 kg com 1,62 m, e que começou oxandrolona há duas semanas tomando 20 mg por dia, com o professor orientando seis semanas. Sobre a dose: eu não aumentaria, eu reduziria. Vinte miligramas por dia é o topo da faixa usada por mulheres, e é justamente onde os efeitos irreversíveis ficam bem mais prováveis. Para o seu peso e sendo o primeiro contato, 10 mg por dia divididos em duas tomadas dão o resultado com bem menos risco. Sobre o tempo, seis semanas é adequado e eu não passaria disso. E sobre o contexto, que é o que mais importa: com um ano de treino, praticamente todo o seu ganho natural ainda está na mesa. Nos primeiros dois anos de treino consistente, com dieta em ordem, uma mulher costuma ganhar de 4 a 6 kg de massa magra sem usar nada. É mais do que a oxandrolona acrescentaria, e vem sem supressão e sem risco de virilização. Se quiser ajustar as calorias para o objetivo certo, seja ganho ou perda, o site tem um gerador de dieta simulada em https://fisiculturismo.com.br/ferramentas/dieta/ . A saída é simulada e serve como rascunho para ajuste, não como prescrição. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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Lipostabil relato da aplicação
@Lorrane Gomez, obrigado por escrever o relato. Você fez isso justamente para que outras pessoas soubessem como é, e é por causa dessas pessoas que eu vou acrescentar as informações que faltaram no tópico. A primeira é a mais importante e ninguém falou dela: o Lipostabil está proibido no Brasil. A Anvisa proibiu a comercialização, a propaganda e o uso do produto para finalidade estética em 2002, com resolução publicada em janeiro de 2003. O motivo declarado foi a ausência de estudos que definissem segurança e eficácia para esse uso. E existe um detalhe que vale muito no seu caso: o próprio laboratório fabricante afirmou, na época, que sem estudos clínicos para a indicação estética não havia como garantir o uso por aplicação subcutânea sem risco relacionado à dissolução excessiva de gordura ou à desnutrição de tecidos que não sejam células adiposas. Ou seja, o risco reconhecido pelo próprio fabricante é o de o produto danificar tecidos além da gordura. Isso significa pele. E a segunda informação é o mecanismo, que explica exatamente o que você sentiu. O produto combina fosfatidilcolina com desoxicolato, e o desoxicolato é um detergente. Ele não reconhece gordura, ele rompe membranas de células. Rompe a do adipócito, e rompe a de qualquer outra célula com que entre em contato. É por isso que a reação é inflamatória e dolorosa, e é por isso que a sua barriga ficou parecendo picada de abelha e a dor foi aumentando ao longo das horas. O que se descreve depois de aplicações assim inclui nódulos endurecidos, fibrose, áreas de necrose de pele, hiperpigmentação e resultado irregular, com depressões onde o produto se concentrou. E, quando o produto vem de origem clandestina, o que hoje é a única forma de consegui-lo no Brasil, soma-se a isso a incerteza sobre o que exatamente foi injetado e sobre a esterilidade. Se aparecer área endurecida que não melhora, vermelhidão que se espalha, febre, ou pele com aspecto acinzentado ou com ferida, isso é procurar atendimento médico no mesmo dia e contar exatamente o que foi aplicado. Agora, sobre o que motivou tudo isso, e aqui é que eu acho que você merece uma resposta melhor do que a que recebeu. Você descreveu uma saliência que se formou acima da cicatriz da cesárea e que permaneceu mesmo quando você estava no seu peso ideal. O @Locemar argumentou que você não tentou dieta o suficiente, e a @Sereiafit contou que conseguiu reduzir a dela com dieta. Os dois estão falando de boa-fé, mas nenhum dos dois está falando da mesma coisa que você. O que você descreveu tem nome e não é gordura: é a chamada saliência supra-umbilical da cesárea, que se forma quando a cicatriz adere aos planos profundos e a pele acima dela fica projetada. Existe uma segunda causa possível, que você mesma citou: a diástase dos retos, ou seja, o afastamento dos músculos abdominais no meio. Nos dois casos, a explicação de por que ela permanece com você magra é simples: não é tecido adiposo. Não há gordura ali para dieta remover, e não há gordura ali para o Lipostabil dissolver. E isso, na verdade, é uma informação boa para você. Significa que a frustração de anos não foi falta de esforço, e significa que a solução não passa por comer menos. O que existe de concreto: Para a diástase, fisioterapia pélvica e abdominal com profissional que trabalhe especificamente com pós-parto. E vale saber que abdominal não é proibido, ao contrário do que muita gente diz. O que se evita é o exercício que faz a barriga estufar para fora ou formar um cume no meio durante o esforço. A @Sereiafit, aliás, chegou nisso sozinha, com vácuo e isometria, e o relato dela de que piora quando ela abandona o trabalho abdominal é exatamente o que se espera. Para a aderência da cicatriz, existe trabalho manual de liberação da cicatriz, também feito por fisioterapeuta, e ele costuma melhorar bastante o aspecto da dobra. E, se em algum momento houver condição de cirurgia, a correção da diástase é feita junto com a abdominoplastia. Mas ela não é o primeiro passo, e uma avaliação com fisioterapeuta custa uma fração disso. Uma última coisa, que é sobre a dieta. Você escreveu que está acostumada a ficar muito tempo sem comer, que a nutricionista explicou que o corpo tende a armazenar, e que por isso você afrouxou a dieta e partiu para a injeção. Duas semanas realmente não é tempo para nada, e nisso a observação que te fizeram está certa. Mas o ponto mais útil é outro: ficar muito tempo sem comer não faz o corpo guardar gordura por si só. O que acontece é bem mais prosaico, a fome acumulada leva a comer muito depois, e o total do dia sobe sem que se perceba. Distribuir a comida em quatro a cinco refeições, com proteína em todas, resolve isso melhor do que qualquer estratégia de restrição. E, no seu caso, sem a pressão de estar tentando resolver com dieta uma coisa que dieta não resolve. Se quiser um ponto de partida com as refeições distribuídas ao longo do dia, o site tem um gerador de dieta simulada em https://fisiculturismo.com.br/ferramentas/dieta/ . A saída é simulada e serve como rascunho para ajuste, não como prescrição. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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Irmãos Bárbaros (Barbarian Brothers): como chegar próximo deste shape deles?
@Gynoug, a sua pergunta é boa e ficou um ano parada. E o @fisiculturismo fez a pergunta certa em seguida, sobre qual droga evoluiu tanto daquela época para cá. Vou responder as duas, porque a resposta é a mesma e é contraintuitiva. Começo pela segunda, que é a mais fácil de errar. Do ponto de vista dos anabolizantes, praticamente nada evoluiu. Testosterona, nandrolona, metandrostenolona, oximetolona, estanozolol, metenolona e drostanolona já existiam todos nos anos 60. Os irmãos tinham acesso ao mesmo arsenal que existe hoje, e em alguns casos com qualidade farmacêutica melhor do que boa parte do que circula agora. Não apareceu nenhum anabolizante novo relevante desde então. A trembolona, que muita gente imagina ser moderna, é dos anos 60 também, usada em gado. O que mudou de verdade foram três coisas, e nenhuma delas é anabolizante. A primeira é o hormônio do crescimento. Ele existia antes, mas era extraído de hipófise de cadáver, escasso e caríssimo. O GH recombinante chegou ao mercado em 1985, e foi ele que tornou possível o uso em dose alta e contínua. A segunda é a insulina usada com finalidade anabólica, que se popularizou no meio nos anos 90. A terceira são os diuréticos em protocolo de palco, que produziram a aparência de pele fina sobre volume enorme. E é exatamente essa combinação que define a diferença entre o físico dos anos 80 e o dos anos 2000 em diante. A cintura larga e o abdômen protuberante que apareceram nos palcos dos anos 2000 não vieram de anabolizante, vieram de GH e insulina em dose alta por anos. Ou seja, a sua premissa de que eles chegaram lá com muito menos recursos está certa, mas o que faltava a eles não era anabolizante. Era GH e insulina. Agora a sua pergunta principal, se um praticante amador de hoje chegaria perto daquilo. A resposta honesta é não, e o motivo principal não é droga. É genética, e existe número para isso. Existe um estudo clássico que mediu o índice de massa livre de gordura, que é a massa magra dividida pelo quadrado da altura, normalizada para 1,80 m. Foram 157 atletas, sendo 83 usuários de esteroides e 74 não usuários. Entre os não usuários, nenhum passou de 25. Entre os usuários, os valores foram de 25,4 a 32,4, com média de 26,4. Repare no dado mais interessante desse estudo: vinte campeões do Mister América da era pré-esteroides, entre 1939 e 1959, tinham índice médio estimado de 25,4. Ou seja, homens sem nenhuma substância, há oitenta anos, alcançaram um valor que hoje seria a média dos usuários. Isso diz que a variável que mais pesa não é o que se toma, é com que estrutura se nasce. Os irmãos eram gêmeos idênticos, o que por si só é revelador: dois corpos com o mesmo material genético alcançaram o mesmo físico extremo. E eles vinham do levantamento de peso, com anos de carga pesada em movimentos básicos antes de qualquer coisa. Aquilo é um ponto de partida que a maioria das pessoas nunca vai ter. Sobre as 7.500 calorias por dia com 7 por cento de gordura, vale ceticismo. Relatos de consumo alimentar da era dourada são notoriamente exagerados, e medições de gordura corporal da época eram feitas por dobras cutâneas, que erram bastante em pessoas muito musculosas. Provavelmente comiam muito, mas não necessariamente aquilo, e provavelmente não estavam em 7 por cento fora de competição. E fica uma última observação, que acho a mais importante. O que mais impressiona no físico deles, olhando com calma, não é o tamanho absoluto. É a proporção de força e volume construída sobre uma base de anos de levantamento pesado. Isso é a única parte da equação que está disponível para qualquer um. A genética não se escolhe e o arsenal farmacológico cobra caro, mas dez anos de progressão de carga bem registrada em movimentos básicos é o que separa quem parece que treina de quem só frequenta. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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Terceiro ciclo primobolan
@Mariane Souza, esse tópico tem discussão técnica boa, e a resposta do @Bruno APC sobre fracionar a dose é a mais útil de todas. Vou acrescentar três coisas: uma correção pequena, uma ressalva sobre um conselho que apareceu, e um ponto do seu histórico que ninguém comentou e que é o mais importante. Começo pela correção, que é técnica e vale para quem lê. Foi dito que a metenolona, apesar de ser um DHT, é convertida em di-hidroboldenona, e que por isso seria menos aromatizante. A relação entre as duas moléculas existe, mas não é essa. A metenolona é derivada da di-hidrotestosterona, e estruturalmente ela é a di-hidroboldenona com um grupo metil adicionado no anel A. Ou seja, o parentesco é estrutural, não metabólico. Não existe conversão de uma na outra dentro do corpo. E a consequência prática é até mais favorável do que foi dito: a metenolona não aromatiza. Não é que ela aromatize menos, é que ela não é substrato da aromatase, como nenhum derivado de DHT é. Por isso primobolan não retém água e não dá ginecomastia por via estrogênica. Não muda a conduta, mas o motivo importa. O resto do que ele escreveu está certo e vale reforçar: o injetável é enantato, o oral é acetato, e a orientação de fracionar em 0,3 ml a cada dois ou três dias, ou 0,5 ml duas vezes por semana, é exatamente o que eu faria. Quanto menor o pico, menor a chance de efeito androgênico em mulher. E a observação de que o primobolan demora, aparecendo por volta da terceira semana, também é acertada e evita que você aumente a dose por ansiedade nas duas primeiras. Agora a ressalva, sobre a frase de que mulher não precisa de terapia pós-ciclo. É verdade que mulher não faz o que homem faz depois do ciclo. Não há sentido em tamoxifeno ou clomifeno para reativar um eixo que funciona de outro jeito, e a redução gradual da dose no fim, que foi sugerida, é uma conduta razoável. Só que "não precisa de TPC" costuma ser entendido como "não há nada para acompanhar depois", e isso não é verdade. Anabolizante androgênico suprime o eixo hormonal feminino também, e o sinal disso é o ciclo menstrual. O acompanhamento pós-ciclo em mulher é justamente esse: a menstruação voltou ao padrão normal dentro de um ou dois meses depois do fim? Se ficar irregular ou ausente além disso, é motivo para procurar ginecologista, e não para esperar passar. Vale também dosar perfil lipídico completo ao fim, porque a queda de HDL é o efeito mais consistente dos androgênios e não dá sintoma nenhum. Agora o ponto que ninguém comentou, e é o que mais me chamou atenção no seu relato. Você escreveu que usou stanozolol aos 16 anos, saindo de 45 para 57 kg. Aos 16, as placas de crescimento ainda podem estar abertas, e androgênios aceleram o fechamento das epífises. Quando isso acontece antes da hora, a estatura final fica abaixo do potencial. Você diz que é alta, então provavelmente as suas já estavam fechadas ou perto disso, e nesse caso não houve prejuízo. Mas é uma informação que vale você ter, porque explica por que ninguém deveria usar androgênio nessa idade, e porque é a única coisa do seu histórico que não teria volta. E tem uma segunda leitura desse mesmo dado, que é útil para o seu plano atual. Você fez três ciclos entre os 16 e os 23 anos, sendo o primeiro em plena adolescência. Isso é bastante exposição para pouca idade. Não é motivo para pânico, mas é motivo para espaçar bem os ciclos daqui para frente e para dosar hormônios antes de começar este, incluindo LH, FSH, estradiol e testosterona total, além do perfil lipídico e da função hepática. Sobre as suas perguntas específicas, agora. Sobre manter 120 mg por semana o ciclo inteiro ou dar um up na quarta e quinta semana: manteria fixo. A ideia de subir no meio não tem base farmacológica, e em mulher o risco de virilização é a variável que você mais quer manter estável. Além disso, com o primobolan demorando três semanas para aparecer, subir a dose justamente na quarta semana é subir bem na hora em que o efeito da dose original estava começando a se manifestar. Você acabaria atribuindo à dose maior um resultado que já estava chegando. Sobre 120 mg por semana ser muito: é uma dose de faixa média para mulher, não é baixa. Como você não vai conseguir 100 mg exatos com uma concentração de 120 mg por ml, a solução prática é fracionar, como já sugeriram, e aceitar os 120. Fracionado, o pico fica mais baixo do que 100 mg aplicados de uma vez só. Sobre virilização, os sinais que regridem são acne, oleosidade, pelo e queda de cabelo. Os que não regridem são aumento de clitóris e alteração de voz. Rouquidão, voz mais grave ou dificuldade nas notas altas da fala pedem parada imediata. E sobre oito semanas: está no limite superior do que eu faria, e como o primobolan demora a aparecer, é o composto em que esse limite mais incomoda. Ainda assim eu não passaria disso, porque tempo pesa mais que dose no risco. Por fim, a parte que provavelmente vale mais do que todo o resto, e que o @Locemar apontou bem: a sua dificuldade de quadríceps se resolve no treino, não na farmacologia. Duas coisas específicas para isso. A primeira é que quadríceps responde muito a amplitude e a posição do pé: agachamento com passada mais estreita, leg press com os pés baixos na plataforma e agachamento com apoio nos calcanhares elevados aumentam bastante a participação do quadríceps. A segunda é que quem tem facilidade de glúteo tende a jogar a carga para trás sem perceber em quase todo exercício de perna, o que reforça o padrão. Se o seu glúteo cresce sozinho e o quadríceps não, é bem provável que os dois estejam fazendo o trabalho do mesmo exercício. Se quiser rever o desenho do ciclo com o fracionamento e a dose fixa, o site tem um orientador de protocolo hormonal simulado em https://fisiculturismo.com.br/ferramentas/hormonio/ . A saída é simulada e serve como rascunho de leitura, não como prescrição. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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Treino: foco no momento é perder aquela gordurinha teimosa
@Lilika43, o treino que a @Joaninha reorganizou está muito bom, e a orientação dela de subir carga e adicionar uma repetição por semana até fechar as cinco séries é exatamente o tipo de progressão que funciona. Não mexeria nisso. Venho acrescentar duas coisas, e a primeira dá base de evidência para o conselho que o @davidevh e o @Apollo Galeno já tinham te dado por experiência. Você faz 15 minutos de intervalado depois de todos os treinos, muitas vezes na esteira, inclusive nos dias de perna. Os dois te disseram para não fazer isso em dia de perna, e eles estão certos. Existe uma metanálise sobre o chamado efeito de interferência, com 21 estudos e 422 tamanhos de efeito, que testou justamente isso. Duas conclusões dela interessam ao seu caso. A primeira é que a interferência é específica da região trabalhada: os prejuízos apareceram em força e hipertrofia de membros inferiores, e não de superiores, depois de exercício aeróbico predominantemente de pernas. A segunda é a mais útil, e é sobre a modalidade: a corrida prejudicou força e hipertrofia, enquanto o ciclismo não. A explicação provável é o componente excêntrico da corrida, que causa mais dano muscular, e o maior estresse metabólico por envolver mais grupos musculares. Ou seja, você tem duas alternativas e uma delas é bem melhor no seu caso. Se quiser manter o intervalado depois do treino de perna, faça na bike e não na esteira. E, se quiser eliminar a interferência de vez, separe: aeróbico em outro horário ou em outro dia. E, aproveitando a observação de que o seu treino de musculação já é de certa forma um intervalado, ela é acertada. Séries pesadas com pouco intervalo, complexos e leg press unilateral sem descanso já produzem bastante estresse metabólico. Somar mais 15 minutos de esteira depois disso rende pouco e custa recuperação. Agora a segunda coisa, e ela é sobre o objetivo que você declarou: a gordura teimosa do abdômen e do glúteo. Vale saber que essa teimosia tem explicação fisiológica e não é impressão sua. As células de gordura têm dois tipos de receptor adrenérgico. Os beta favorecem a liberação de gordura, e os alfa-2 inibem. A proporção entre eles varia por região do corpo, e as regiões glúteo-femoral e abdominal baixa em mulher têm densidade maior de alfa-2. Por isso essas áreas respondem por último, mesmo com tudo certo. Isso tem três consequências práticas que mudam a estratégia: Primeira, não existe forma de acelerar a saída dessa região especificamente. Nenhum exercício local, nenhum abdominal, nenhuma cinta. O que resolve é continuar reduzindo a gordura total, e aceitar que essas áreas são o último capítulo, não o primeiro. Segunda, e é a mais importante para você: como essa gordura sai por último, a tentação é apertar cada vez mais o déficit para acelerar. É aí que a maioria perde massa magra e trava. O jeito de vencer gordura teimosa é tempo em déficit moderado, e não déficit agressivo. Terceira, mais massa magra na região melhora bastante o aspecto mesmo com a mesma gordura por cima. No seu caso, glúteo maior significa a mesma camada de gordura distribuída sobre mais volume, e isso muda a aparência. É outro motivo para priorizar carga em vez de somar aeróbico. Sobre a sua dieta, dois pontos. Ela é boa. Ovos, aveia, fruta, castanha, carne, arroz, legumes, iogurte proteico, whey. A proteína deve estar em algo entre 100 e 120 g, o que provavelmente está no alvo, e as calorias parecem estar num déficit moderado. Isso é bem melhor do que a média que aparece por aqui. O que eu ajustaria é o pós treino. Você escreveu que às vezes pula o whey quando está muito cansada. Como você treina às 19h30 e o pré treino é leve, pular o pós treino significa passar da tarde até o café da manhã seguinte praticamente sem proteína. Não é o fim do mundo, a janela anabólica não é tão estreita quanto se dizia, mas o total do dia importa, e é justamente esse total que cai quando você pula. Deixar o whey já pronto na garrafa antes de sair de casa resolve. E uma observação sobre o docinho depois do almoço, que você mencionou junto com a ansiedade do trabalho: não vale se cobrar por isso. Um doce pequeno cabe numa dieta que está funcionando. O que atrapalha de verdade é o ciclo de proibir, escorregar e compensar cortando comida depois. Uma última coisa. Você escreveu que o treino varia um pouco toda semana. Como o plano novo tem progressão semanal definida, com repetições subindo até fechar as séries, é importante que os exercícios principais fiquem fixos por algumas semanas. Sem o mesmo movimento repetido, não há como saber se a carga subiu, e a progressão que a Joaninha montou depende exatamente disso. Se quiser conferir se o seu déficit e a sua proteína estão nos valores que eu estimei, o site tem um gerador de dieta simulada em https://fisiculturismo.com.br/ferramentas/dieta/ . A saída é simulada e serve como rascunho para ajuste, não como prescrição.
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Avaliação Treino ABCX2
@TarcisioC, você fez a melhor pergunta do tópico e ela quase passou batida: "Qual a importância de alterar meu treino? Posso continuar com o mesmo treino, aumentando cargas ou mudando técnicas, por meses ou talvez anos?" A resposta que veio foi que sim, se pode deixar umas oito semanas, e que é sempre bom mudar para não deixar o corpo se acostumar. A primeira parte é razoável. A segunda merece ser revista, porque a ideia de que o corpo se acostuma e por isso é preciso confundi-lo não se sustenta. O que existe de mais direto sobre isso é um estudo em homens treinados, com pelo menos dois anos de experiência, divididos em dois grupos por oito semanas. Um grupo fez sempre os mesmos exercícios. O outro teve os exercícios sorteados por aplicativo a cada treino, dentro dos mesmos padrões de movimento. Os dois grupos fizeram o mesmo número de séries por grupo muscular e treinaram até a falha na faixa de 6 a 12 repetições. Resultado: não houve diferença significativa em crescimento muscular, composição corporal ou ganho de força. Houve, sim, uma diferença: o grupo da variação teve aumento significativo de motivação intrínseca para treinar. Ou seja, variar é bom, mas pelo motivo certo. Variar deixa o treino mais interessante e sustenta a adesão. Não existe músculo que se acostume e pare de responder por reconhecer o exercício. Vale a ressalva honesta de que foi um estudo de oito semanas, com dezenove participantes e sem análise de poder estatístico, então não é palavra final. Mas é o que temos, e ele aponta na direção contrária do que se repete na academia. E isso responde diretamente à sua pergunta: sim, você pode manter o mesmo treino por meses, desde que a carga suba. Não só pode como, no seu caso, é o que eu recomendaria. Você treina há um ano. O maior ganho disponível para você não está na escolha de exercício, está na progressão registrada. Aliás, tem um custo em trocar demais que quase ninguém menciona: se você muda os exercícios toda semana, você perde a referência de carga. Sem a mesma barra e o mesmo movimento repetidos ao longo do tempo, não dá para saber se você está progredindo. E progressão que não é medida costuma não acontecer. O que eu faria, na prática: manter o mesmo conjunto de exercícios por 8 a 12 semanas, anotando série, repetição e carga de cada um. Trocar quando a carga travar de verdade por três a quatro semanas, ou quando aparecer dor articular, ou quando você simplesmente estiver entediado. Entediado é motivo válido, e é o motivo que o estudo apoia. Sobre a outra observação que te fizeram, de que os seus treinos estavam volumosos e seria melhor focar na intensidade, eu daria uma nuance. Volume é um dos principais determinantes de hipertrofia, e revisões sistemáticas mostram relação de dose e resposta: mais séries semanais por grupo muscular tendem a produzir mais crescimento, até certo ponto. Ou seja, volume alto não é defeito em si. O que costuma ser defeito é volume alto mal distribuído. Doze exercícios num treino em que os quatro últimos são feitos sem energia nenhuma rendem menos que oito bem executados. E é aí que a crítica faz sentido: o problema não é a quantidade de séries, é a quantidade de exercícios diferentes tentando cobrir o mesmo músculo. E a sugestão que veio junto está certíssima, essa eu assino: priorize exercícios compostos e coloque os básicos no começo do treino. Supino, agachamento, terra, remada, barra fixa e desenvolvimento são os que mais recrutam massa e os que mais respondem à progressão de carga. Isolador é complemento, não é base. Uma correção pequena mas que vale, sobre a sua pergunta de peitoral. Você disse que quer focar no peitoral menor. O peitoral menor é um músculo pequeno e profundo, que fica embaixo do peitoral maior, e ele não tem nenhum papel visual. Ele não é o que se vê. O que as pessoas chamam de peito inferior é a porção esternocostal do peitoral maior, que é o que o supino declinado e as paralelas enfatizam, como te responderam. Se a sua meta é a parte de baixo do peito, o caminho é o que já te disseram. Só vale trocar o nome, para você não se perder pesquisando por peitoral menor e achar conteúdo de alongamento postural, que é onde esse músculo realmente importa. Duas coisas para fechar. A primeira é que a sua iniciativa de montar o próprio treino é acertada e o retorno que você recebeu foi de alta qualidade. Quem entende o porquê de cada exercício treina melhor do que quem segue ficha sem saber, e isso dura a vida toda. A segunda é o que provavelmente vai determinar o seu resultado no próximo ano, e não foi discutido no tópico: o que você come. Com um ano de treino, o seu potencial de ganho está todo disponível, e ele só se realiza com proteína no alvo, entre 1,6 e 2,2 g por quilo, e com calorias suficientes. Se o peso não subir de 200 a 300 g por semana, não há superávit, e nenhuma organização de treino compensa isso. Se quiser conferir se as suas calorias e a sua proteína estão no lugar, o site tem um gerador de dieta simulada em https://fisiculturismo.com.br/ferramentas/dieta/ . A saída é simulada e serve como rascunho para ajuste, não como prescrição.
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Novo Ciclo (Proposta)
@Bella, o projeto foi bem conduzido, o resultado apareceu e a observação do @Foston sobre dose baixa render mais que dose alta em mulher é das coisas mais certas escritas neste fórum. Volto no tópico por causa de uma linha do seu formulário que atravessou 245 respostas sem ser comentada nenhuma vez. Problemas de saúde: síncope neurocardiogênica. Isso é relevante, e fica ainda mais relevante quando se junta com três coisas que o projeto incluiu. A síncope neurocardiogênica, também chamada vasovagal, acontece quando a pressão e a frequência cardíaca caem de forma reflexa e o cérebro fica momentaneamente sem fluxo adequado. E o que mais desencadeia esse reflexo é justamente volume circulante baixo: desidratação, sal reduzido e exercício prolongado. Agora olhe o desenho do seu protocolo. Dois cardios por dia, de 40 minutos cada. Um dia por semana com zero carboidrato. E chá de hibisco e chá verde nos intervalos das refeições, sendo que os dois têm efeito diurético. Cada um desses itens, isolado, reduz volume circulante. Os três juntos, em alguém com diagnóstico de síncope neurocardiogênica, formam exatamente o cenário que mais provoca episódio. E não é hipótese: mais adiante no tópico você escreveu que estava com falta de fome, dor de cabeça e a pressão se mantendo baixa. Isso foi lido como reflexo dos problemas pessoais que você estava enfrentando, e o contexto pesa mesmo. Mas dor de cabeça com pressão persistentemente baixa, nessa condição e nesse protocolo, é sinal fisiológico e não apenas emocional. O que a orientação para síncope neurocardiogênica recomenda é o oposto do que estava sendo feito. As diretrizes falam em aumentar líquido e sal: algo em torno de 2 a 3 litros de líquido por dia e 6 a 9 g de sal. E existe um detalhe importante que muita gente erra: aumentar só a água, sem aumentar o sal, não melhora a tolerância ortostática. Foi testado e não funcionou. É a dupla que resolve. Ou seja, no seu caso especificamente, cortar sal seria contraindicado, e é justamente o que muita dieta de definição faz por reflexo. Três ajustes que eu teria feito no seu protocolo por causa disso: Não fazer os dois cardios de 40 minutos no mesmo dia sem reposição de líquido e sal entre eles. Não fazer dia de zero carboidrato. Carboidrato retém água junto com ele, então tirar todo o carboidrato tira volume circulante, e é o dia com maior chance de episódio. E trocar os chás diuréticos por água com sal ou por água de coco nos intervalos. Se a intenção era saciedade, chá de camomila ou de erva-cidreira cumpre o mesmo papel sem puxar líquido. Isso não é para assustar, e você atravessou o projeto sem intercorrência. É para ficar registrado, porque essa condição não vai embora e vai voltar a ser relevante no próximo projeto de definição. E, se em algum momento aparecer tontura ao levantar, visão escurecendo, suor frio ou sensação de que vai desmaiar, existe uma manobra simples que aborta boa parte dos episódios: sentar ou deitar imediatamente e cruzar as pernas contraindo coxa e glúteo com força, ou apertar as mãos uma contra a outra. Isso empurra sangue de volta para o centro. Vale saber, porque funciona. Duas observações técnicas sobre o protocolo em si. A primeira é sobre as doses anotadas em unidades de seringa. Você registrou 25 ui de masteron e 7 ui de testosterona três vezes por semana. Unidade de seringa é volume, não é dose. Sem saber a concentração do produto, não dá para reconstruir quanto foi em miligramas, e isso vale ouro para os próximos ciclos: sem o valor em miligramas, você não tem como repetir o que deu certo nem evitar o que deu errado. Nos seus ciclos anteriores aconteceu o mesmo, você mesma anotou "não lembro mg" para o primobolan e para o stanozolol. Vale passar a registrar sempre a concentração do frasco. A segunda é sobre a queda de 68,1 para 66,4 kg durante a gripe, que animou. Nesse contexto, quase tudo aquilo foi água e conteúdo intestinal, com dois dias sem treinar e menos comida. Não foi gordura, e voltou depois. Registro isso porque é o tipo de leitura da balança que gera decisão errada. E, para fechar com o que importa: o comentário de que baixas doses geraram resultado onde altas doses antes geravam colateral suficiente para obrigar a interromper é a lição mais valiosa deste tópico. No seu histórico anterior você usou primobolan e stanozolol em doses maiores e por oito semanas cada, sem saber a dosagem. Neste projeto, com dose baixa e acompanhamento, o resultado veio e você relatou cabelo bem, acne razoável e libido estável. Isso não é sorte, é dose. Se algum dia retomar, vale rever o desenho considerando a síncope como parte da conta, e o site tem um orientador de protocolo hormonal simulado em https://fisiculturismo.com.br/ferramentas/hormonio/ . A saída é simulada e serve como rascunho de leitura, não como prescrição. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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CICLO Trembolona ACE + Enantato de testo + Clembuterol
@Xandz, o seu tópico ficou sem resposta técnica e terminou com alguém perguntando qual foi o desfecho. Espero que tenha sido bom. Vou responder assim mesmo, porque tem coisa aí que precisa estar escrita, e a mais urgente não é a trembolona. É o clembuterol. Você escreveu que tomou 5 ml, divididos em 3 ml de manhã e 2 ml antes do treino. Vou começar pelo problema mais básico dessa frase: mililitro não é dose. Mililitro é volume. A dose depende da concentração do produto, e existem apresentações que variam bastante. Sem saber quantos microgramas há em cada mililitro, você não sabe quanto está tomando, e essa é a definição de dose desconhecida. E o clembuterol é uma das piores substâncias para se tomar às cegas, por causa da farmacocinética dele. A meia-vida em humanos fica entre 25 e 39 horas. É muito longa. Isso significa que doses diárias se acumulam por vários dias antes de estabilizar, e que os sintomas de toxicidade, quando aparecem, duram de um a oito dias. Não é como um estimulante que passa em algumas horas. Os efeitos cardiovasculares descritos incluem taquicardia, palpitação, hipertensão, arritmias e hipertrofia do miocárdio. Em intoxicação, aparecem fibrilação atrial, taquicardia supraventricular e ventricular, isquemia miocárdica e até infarto e rabdomiólise. E o clembuterol causa hipocalemia, ou seja, derruba o potássio, o que por si só altera o eletrocardiograma com prolongamento do QT e favorece arritmia. Num relato publicado, mais de 80 por cento das pessoas que desenvolveram efeitos tóxicos precisaram de atendimento hospitalar. Agora junte isso com o resto do que você descreveu no mesmo dia: uma dose antes do treino, 6,5 km de cardio somando duas sessões, e trembolona. Cardio pesado é exatamente quando o coração está mais exigido, e você está colocando um beta-agonista de meia-vida longa bem antes disso, ainda por cima com o potássio provavelmente baixo por causa do próprio clembuterol. É a combinação de fatores que mais aumenta a chance de arritmia. Se você usar clembuterol em algum momento, três coisas mudam bastante o risco: saber a concentração e dosar em microgramas, nunca tomar antes de cardio ou de treino intenso, e acompanhar o potássio no exame de sangue. E, se aparecer palpitação que não passa, dor no peito, tontura ou desmaio, isso é pronto-socorro no mesmo dia. Agora a trembolona, e a sua pergunta específica. Você perguntou se coloca 75 ou 100 mg em dia sim, dia não. Cem miligramas em dias alternados dão cerca de 350 mg por semana, e isso é bastante para um primeiro contato com trembolona, ainda mais aos 21 anos. O que eu faria seria começar bem abaixo, na faixa de 150 a 200 mg por semana, por um motivo prático que vale mais que qualquer teoria: a trembolona tem uma resposta individual enorme. Insônia, sudorese noturna, irritabilidade, ansiedade e falta de ar em esforço aparecem em algumas pessoas em dose baixa e em outras nem em dose alta, e não dá para saber antes. Começar alto significa descobrir isso do jeito ruim. Sobre a proporção com a testosterona, você propôs 100 mg de cada em dias alternados, ou seja, 350 mg de cada por semana. Aqui tem um detalhe importante: a trembolona não aromatiza, então ela não produz estradiol nenhum. Quem sustenta o seu estradiol no ciclo inteiro é só a testosterona. Com a trembolona igualando a testosterona, o estradiol tende a ficar na faixa baixa, e estradiol baixo em homem custa libido, humor, articulação e densidade óssea. Ou seja, se eu fosse manter a trembolona, deixaria a testosterona acima dela, e não igual. E vale um aviso específico da trembolona que quase ninguém dá: ela é progestagênica. Isso significa que existe caminho para ginecomastia mesmo com o estradiol controlado, porque a via é outra. Se aparecer sensibilidade ou nódulo embaixo do mamilo, não adianta subir inibidor de aromatase. Agora, o que eu realmente faria no seu lugar, e é aqui que eu discordo do plano inteiro. Você tem 21 anos e a observação que te fizeram no tópico está certa: nessa idade a sua produção própria está no auge. O eixo ainda amadurece até por volta dos 23 a 25 anos, e a supressão nessa fase costuma demorar mais a se recuperar. Você já fez dois ciclos antes disso. Mas o argumento mais forte não é esse. É a memória muscular. Você tinha 80 kg com 8 por cento de gordura, parou dois anos e voltou com o mesmo peso e 18 por cento. Ou seja, você perdeu massa magra que já teve. E músculo que já foi construído volta muito mais rápido do que músculo novo, porque os núcleos das fibras permanecem depois da atrofia. Isso está bem descrito e é a razão de quem volta a treinar recuperar a forma em meses, e não em anos. Ou seja, boa parte do que você quer de volta ia voltar sozinha com treino e dieta, e você não precisaria pagar por ela com trembolona aos 21. Sobre o cutting, três coisas práticas: Você já estava em 200 mg de enantato por semana havia um mês e disse que a gordura já tinha caído para 12 a 13 por cento. Isso mostra que a dieta está funcionando. Trembolona não vai acelerar isso na proporção do risco que carrega. Seis vírgula cinco quilômetros de cardio por dia, somados a déficit calórico, são bastante. Se em algum momento a força cair, é sinal de excesso, e o que se corta primeiro é cardio, não comida. E, se a decisão for seguir com o que já está comprado, os exames que eu faria no meio do caminho são hemograma com hematócrito, potássio, perfil lipídico completo, função hepática e renal, mais pressão aferida em casa. O potássio entra por causa do clembuterol, e é justamente o que ninguém pede. Se quiser rever o desenho, principalmente a proporção entre trembolona e testosterona, o site tem um orientador de protocolo hormonal simulado em https://fisiculturismo.com.br/ferramentas/hormonio/ . A saída é simulada e serve como rascunho de leitura, não como prescrição. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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Ciclo para baixar o bf e ganho de massa: tenho muita retenção
@Atenanunes, sei que faz tempo e que o tópico terminou com você sumindo. Escrevo mesmo assim, porque na sua última atualização você deixou um sinal que ninguém acompanhou, e ele é importante. Você escreveu que estava se sentindo mais desinchada, mas mais fraca no treino, e que sentia que estava morrendo antes. Perder força no treino durante um projeto de emagrecimento não é normal e não é sinal de que está funcionando. É sinal de que o déficit ficou grande demais, ou de que o carboidrato está baixo demais para o volume que você treina. Nos dois casos, o que o corpo faz é economizar, e a primeira coisa que ele corta é rendimento. A segunda é massa magra. Quando isso aparece, o ajuste certo é subir o carboidrato nas refeições próximas ao treino e reduzir o déficit por algumas semanas, mesmo que a balança pare. Se tivesse sido feito naquele momento, é bem provável que você não tivesse desanimado logo depois. Agora, a queixa que você trouxe no primeiro post e que nunca foi resolvida de verdade, que é a fome e a ansiedade. Você foi bem específica: sente mais depois do almoço, e quando dorme à tarde acorda querendo comer um boi pela perna. Isso não é falta de disciplina, é o desenho das refeições. Olhe o seu almoço: aipim ou arroz, mais frango ou patinho, mais salada. Não tem feijão, não tem gordura e a proteína é magra. É uma refeição com bastante carboidrato, pouca gordura e pouca fibra. Esse é justamente o perfil que produz uma subida rápida da glicose seguida de uma queda, e a queda vem acompanhada de fome intensa, sonolência e aquela sensação de ansiedade. Muita gente chama isso de compulsão e é, na maior parte das vezes, composição de refeição. Três ajustes que costumam resolver isso em poucos dias, e nenhum deles é comer menos: Volte o feijão ao almoço. Você mesma disse que não costuma comer, e ele é uma das melhores fontes de fibra e de saciedade que existem na comida brasileira. Acrescente gordura ao almoço. Uma colher de azeite na salada, ou abacate, ou trocar o patinho por uma carne menos magra de vez em quando. Gordura retarda o esvaziamento gástrico e é o macronutriente que mais prolonga a saciedade. E coma alguma coisa antes de dormir à tarde, ou logo ao acordar do cochilo. Acordar de um cochilo em jejum, algumas horas depois de uma refeição rica em carboidrato e pobre em gordura, é a combinação perfeita para a fome extrema que você descreveu. Sobre o restante da sua alimentação, uma observação que talvez te surpreenda: ela é boa. Ovos, pão integral, panqueca de aveia com banana, frango, patinho, aipim, arroz, salada, fruta com pasta de amendoim. Você escreveu que está tudo desregrado, mas o que está faltando não é qualidade, é quantidade definida e a composição das refeições. São coisas bem mais fáceis de arrumar do que começar do zero. Agora, sobre o anticoncepcional, e aqui eu preciso discordar de uma parte. Foi dito que anticoncepcional e anabolizante não combinam definitivamente, e a orientação foi parar de usar. O mecanismo por trás disso existe: contraceptivo combinado eleva a SHBG, e SHBG mais alta reduz a testosterona livre. Mas, quando se olha o que importa, que é ganho de massa magra e de força com treino, o efeito dos contraceptivos hormonais é pequeno ou nulo. Não há evidência de que o método esteja te custando resultado. E o risco do outro lado é concreto: anabolizante androgênico é teratogênico, com risco de virilização de feto feminino. Você tem duas gestações no histórico, então fertilidade comprovada. Parar a contracepção justamente no período de uso é assumir o risco no pior momento possível. Dito isso, a sugestão de DIU de cobre que apareceu no tópico é boa e merece ser destacada, porque é a saída correta para quem quer sair do hormônio sem ficar desprotegida. Ele não tem hormônio nenhum, dura anos e tem eficácia alta. A ressalva honesta é que ele costuma aumentar o volume do fluxo menstrual e as cólicas nos primeiros meses, o que incomoda parte das mulheres. Vale conversar com a ginecologista. Preservativo também funciona, mas é o método com maior diferença entre a eficácia teórica e a eficácia no uso real. Como único método durante um ciclo, eu não confiaria. Sobre ciclar, uma opinião que talvez seja a mais útil de tudo isso. Você treina há três anos e escreveu, no primeiro post, "sem dieta no momento". Ou seja, você chegou até aqui, com o corpo que todo mundo no tópico elogiou, sem nunca ter feito dieta estruturada. Isso significa que o ganho ainda disponível para você com comida organizada e progressão de carga é grande, e ele vem sem supressão, sem risco de virilização e sem exame de acompanhamento. Faria seis meses de dieta de verdade antes de considerar qualquer composto. E, se depois disso a decisão for usar, que seja com a contracepção resolvida antes. Uma última coisa. Você sumiu por causa de trabalho, casa e filhos, e voltou pedindo desculpas. Não precisava. Quem tem essa rotina não abandona projeto por falta de vontade, abandona porque o plano não coube na vida. Um plano que cabe é melhor que um plano perfeito, e o seu estava perto de caber. Se quiser retomar com as quantidades definidas e as refeições montadas para segurar a fome da tarde, o site tem um gerador de dieta simulada em https://fisiculturismo.com.br/ferramentas/dieta/ . A saída é simulada e serve como rascunho para ajuste, não como prescrição. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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Horário das refeições e glicose alta: 7 ajustes práticos na rotina
Controlar a glicose não depende apenas de escolher alimentos. Quantidade, combinação do prato, medicamentos, atividade física, sono e estresse continuam fundamentais, mas o relógio também interfere na forma como o organismo responde às refeições. Comer muito tarde, concentrar grande parte das calorias no jantar e mudar completamente os horários no fim de semana podem dificultar a regulação metabólica. Em “Endocrinologista Revela: O VERDADEIRO motivo da sua GLICOSE ALTA”, a endocrinologista Monalisa Azevedo organiza sete ajustes em ordem crescente de importância. A ideia central é tornar a rotina mais previsível sem criar uma lista de alimentos proibidos. “A agenda é o verdadeiro vilão” funciona como síntese prática, não como explicação única para hiperglicemia ou diabetes. O corpo usa horários e luz para antecipar o diaFígado, pâncreas, intestino, tecido adiposo e músculos possuem relógios biológicos regulados pelo ciclo claro-escuro, sono, atividade e alimentação. Quando uma pessoa almoça habitualmente ao meio-dia, sinais digestivos e hormonais podem começar a mudar antes da refeição. Isso é chamado de antecipação alimentar. A analogia da “máquina de previsão” ajuda a visualizar o processo, mas não significa que uma refeição fora do horário encontre um corpo incapaz de digeri-la. O efeito depende de vários fatores, incluindo a fase circadiana, o tempo acordado, a composição da refeição, a sensibilidade à insulina, o sono da noite anterior e os medicamentos usados. Em um pequeno ensaio cruzado, almoçar às 16h30 em vez de 13h elevou em 46% a área sob a curva de glicose acima da linha de base. Outro experimento, com oito homens jovens, comparou refeições equivalentes às 8h30, 13h30 e 19h30 com um cronograma tardio às 12h, 17h e 23h. A glicose média de 24 horas foi maior no horário tardio. Os estudos são pequenos, mas sustentam a ideia de que o momento da refeição pode alterar a resposta metabólica. 7. Vinagre diluído pode ser um ajuste pequenoVinagre de maçã não derrete gordura e não substitui medicamento, exercício ou planejamento alimentar. Uma meta-análise de ensaios controlados encontrou redução modesta da resposta pós-prandial de glicose e insulina quando o vinagre foi consumido junto ou próximo da refeição. Os trabalhos, porém, variaram em dose, população e método. O exemplo prático apresentado é uma colher de sopa diluída em um copo de água antes do café da manhã ou do almoço. Outra opção é usá-la como tempero da salada. Beber puro aumenta o contato ácido com dentes e esôfago, por isso não é recomendado. Esse recurso não serve para todas as pessoas. Refluxo, gastrite, dificuldade de deglutição, doença renal, uso de diuréticos e alguns medicamentos podem mudar a decisão. Quem utiliza insulina ou remédios que provocam hipoglicemia também não deve somar estratégias por conta própria. 6. Fibras na primeira refeição reduzem a velocidade de absorçãoA proposta usa duas colheres de sopa de linhaça, gergelim ou chia. Semente de abóbora, farelo de aveia e psyllium aparecem como alternativas. Fibras solúveis formam uma mistura viscosa no intestino, retardam a absorção de carboidratos e podem suavizar a elevação da glicose após a refeição. Não é necessário juntar todas as opções. Uma escolha compatível com tolerância, hidratação e alimentação habitual é suficiente. Aumentar fibras rapidamente pode causar gases, distensão abdominal ou constipação. Psyllium também pode interferir no horário de absorção de medicamentos, o que exige orientação individual. O ponto mais útil não é transformar sementes em remédio. É garantir que a primeira refeição tenha mais estrutura do que pão, açúcar ou tapioca isolados. Frutas inteiras, aveia, leguminosas, verduras, castanhas e sementes contribuem dentro de um padrão alimentar completo. 5. Luz pela manhã e menos claridade à noite organizam o relógio biológicoA luz é o principal sincronizador do relógio central do cérebro. A sugestão é buscar luz natural nos primeiros 30 minutos depois de acordar, abrindo a janela, indo à varanda ou saindo de casa. À noite, a orientação é reduzir a intensidade da iluminação nas duas horas antes de dormir e evitar que telas ocupem todo esse período. Esses números funcionam como regras práticas, não como uma prescrição universal para baixar glicose. Ensaios humanos sobre luz e metabolismo ainda são pequenos e produzem resultados mistos. O benefício mais consistente é reforçar a diferença entre dia e noite, facilitar um horário de sono regular e evitar claridade intensa quando o organismo deveria se preparar para dormir. Quem trabalha à noite ou alterna turnos precisa de estratégia própria. Nesse cenário, “manhã” deve ser interpretada em relação ao período principal de vigília, e o plano precisa considerar segurança, exposição solar, deslocamento e sono diurno. 4. Proteína no começo do dia ajuda a controlar a fomeUm café da manhã formado apenas por carboidratos de rápida absorção pode produzir pouca saciedade. Acrescentar ovo, queijo, iogurte natural ou outra fonte proteica compatível com a rotina tende a deixar a refeição mais completa. Em um ensaio cruzado com 11 homens com diabetes tipo 2, 15 g de whey protein consumidos antes do café da manhã e do almoço reduziram em 13% a resposta glicêmica total após o café da manhã e aumentaram a saciedade. Outro estudo pequeno encontrou resposta de glicose mais baixa depois de um café da manhã com 35% das calorias provenientes de proteína, comparado a 15%. Esses resultados não transformam whey, ovo ou queijo em tratamento isolado. A resposta depende do restante da refeição, da quantidade total de energia, da função renal e da medicação. Pessoas com doença renal precisam discutir metas proteicas com a equipe de saúde. 3. Concentrar mais comida cedo pode diminuir a fomeMuita gente passa a manhã com café e pouca comida, almoça correndo e transforma o jantar na maior refeição do dia. Inverter parte desse padrão pode reduzir a fome noturna e facilitar escolhas mais planejadas. Um ensaio cruzado acompanhou 30 adultos com sobrepeso ou obesidade em duas dietas com as mesmas calorias. Uma distribuía 45% no café da manhã, 35% no almoço e 20% no jantar. A outra fazia o inverso, com 20%, 35% e 45%. Concentrar calorias de manhã não aumentou o gasto energético nem produziu maior perda de peso, mas reduziu significativamente fome e apetite. Esse resultado confirma a ressalva da própria fonte: estudos não mostram de forma consistente que um café da manhã maior emagrece mais. O benefício mais confiável parece estar na saciedade e na possibilidade de evitar que toda a ingestão se acumule no final do dia. Não é obrigatório tomar café da manhã. Pessoas que não sentem fome cedo podem deslocar gradualmente parte da energia para o almoço ou antecipar o jantar. O princípio é evitar longos períodos de baixa ingestão seguidos de uma refeição enorme perto da hora de dormir. 2. Termine a última refeição cerca de três horas antes de dormirO ajuste propõe fechar a cozinha três horas antes de deitar. A distância entre jantar e sono reduz a sobreposição da digestão com a fase biológica noturna e pode ajudar quem sente refluxo, desconforto ou sono pior depois de refeições grandes. Isso não significa jantar obrigatoriamente às 17h. Quem costuma comer à meia-noite e dormir à 0h30 pode começar antecipando o jantar para 22h. A mudança já aumenta o intervalo sem exigir uma reforma imediata da rotina. A regra de três horas não é um limite clínico universal. Pessoas com diabetes tipo 1, gestantes, idosos frágeis, atletas, quem usa insulina e quem apresenta hipoglicemia noturna podem precisar de outra distribuição. A mesma cautela vale para quem trabalha em turnos. Ajustar o horário sem rever a medicação pode ser perigoso. 1. Regularidade importa mais do que buscar o horário perfeitoO ajuste de maior prioridade é repetir horários possíveis. A rotina descrita contrasta acordar às 6h de segunda a sexta com levantar às 11h no domingo, ou jantar às 19h durante a semana e à meia-noite no sábado. Essa diferença entre relógio social e biológico recebe o nome de jet lag social. Uma revisão de 68 estudos encontrou associações entre maior jet lag social e indicadores como índice de massa corporal, circunferência da cintura, pressão sistólica e hemoglobina glicada. A certeza é baixa, a heterogeneidade foi alta e a maioria dos dados era observacional. Portanto, a associação não prova que variar horários seja a causa isolada desses resultados. Como meta simples, a fonte sugere manter as refeições dentro de uma janela de aproximadamente uma hora para cada lado. Uma pessoa que janta perto das 21h todos os dias pode ter mais previsibilidade do que alguém que alterna 18h, 22h e meia-noite. Não existe evidência de que 21h seja sempre o melhor horário. O ganho está em reduzir oscilações extremas. Como aplicar sem virar escravo do relógioOs sete ajustes não precisam começar juntos. Uma sequência realista pode ser: Anotar por uma semana os horários de acordar, jantar e dormir. Identificar a maior variação entre dias úteis e fim de semana. Antecipar o jantar em 30 minutos ou reduzir em uma hora a diferença do fim de semana. Acrescentar fibra e proteína a uma refeição que hoje depende quase só de carboidrato refinado. Buscar luz natural ao acordar e diminuir a iluminação antes de dormir. Avaliar vinagre apenas como detalhe opcional, nunca como tratamento principal. Para quem monitora glicose, o efeito deve ser observado com método. Compare refeições semelhantes, horários, sono, atividade física e medicação. Um valor isolado não mostra tendência. Pessoas que usam insulina ou sulfonilureias precisam combinar mudanças de horários com o profissional responsável para reduzir o risco de hipoglicemia. A agenda pesa, mas a comida continua importandoDizer que a agenda é o vilão chama atenção para uma barreira real. Quase ninguém janta às 23h porque decidiu que aquele seria o horário metabólico ideal. Trabalho, deslocamento, cuidados com filhos e imprevistos definem quando sobra tempo. Ainda assim, glicose alta não nasce apenas da agenda. A quantidade e a qualidade dos carboidratos, o total energético, gordura, proteína, fibras, massa muscular, sono, estresse, infecções, hormônios, medicamentos e produção de insulina continuam determinantes. Os Standards of Care de 2026 da American Diabetes Association reforçam que não existe um padrão alimentar único para todas as pessoas com diabetes. O planejamento deve considerar preferências, cultura, metas metabólicas, tratamento e condições clínicas. Para quem usa doses fixas de insulina, manter padrões relativamente consistentes de horário e quantidade de carboidrato pode melhorar a segurança. ConclusãoHorário não substitui alimentação adequada, mas também não é detalhe. Refeições tardias e uma rotina muito variável podem piorar a resposta glicêmica e a fome em algumas pessoas. O ajuste mais útil é construir previsibilidade possível, não perseguir um relógio perfeito. Comece pela maior desorganização da agenda. Antecipe um pouco o jantar, reduza a diferença do fim de semana, fortaleça a primeira refeição com fibra e proteína e cuide do contraste entre luz do dia e escuridão noturna. Vinagre diluído pode ser um complemento modesto, mas está longe de ser o centro da estratégia. Quem tem diabetes, utiliza insulina ou apresenta episódios de hipoglicemia deve fazer essas mudanças com acompanhamento médico e nutricional. Alterar horário, quantidade de comida e intervalo noturno sem ajustar o tratamento pode causar mais risco do que benefício. FAQExiste um horário perfeito para jantar e controlar a glicose?Não. Jantar mais cedo pode favorecer a resposta metabólica, mas o melhor horário depende de sono, trabalho, medicação e rotina. Regularidade e distância razoável da hora de dormir são objetivos mais úteis do que um horário universal. Quem tem diabetes pode ficar três horas sem comer antes de dormir?Depende. Pessoas que usam insulina, sulfonilureias ou têm hipoglicemia noturna precisam revisar o plano com a equipe. A regra de três horas não deve ser aplicada automaticamente. Vinagre de maçã baixa a glicose?Estudos indicam efeito modesto sobre glicose pós-prandial, mas vinagre não substitui tratamento. Se for usado, deve estar diluído ou entrar como tempero. Pessoas com refluxo, problemas gastrointestinais ou determinados medicamentos precisam de cautela. Pular o café da manhã piora a glicose?Não obrigatoriamente para todas as pessoas. A fonte prioriza proteína e fibra cedo porque isso pode aumentar saciedade. Quem não sente fome pela manhã pode organizar almoço e jantar sem concentrar toda a ingestão tarde da noite. Quanto os horários podem variar entre os dias?A sugestão prática é manter as refeições dentro de cerca de uma hora para cada lado. Isso não é um limite médico rígido. O objetivo é reduzir diferenças grandes e recorrentes, especialmente entre semana e fim de semana. ReferênciasAZEVEDO, Monalisa. Endocrinologista Revela: O VERDADEIRO motivo da sua GLICOSE ALTA. Dra. Monalisa Azevedo, 2026. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=isamPZ35RPc. Acesso em: 2 set. 2026. AMERICAN DIABETES ASSOCIATION PROFESSIONAL PRACTICE COMMITTEE. Facilitating Positive Health Behaviors and Well-being to Improve Health Outcomes: Standards of Care in Diabetes—2026. Diabetes Care, v. 49, supl. 1, 2026. Disponível em: https://diabetesjournals.org/care/article/49/Supplement_1/S89/163932/5-Facilitating-Positive-Health-Behaviors-and-Well. BANDÍN, Cristina et al. Meal timing affects glucose tolerance, substrate oxidation and circadian-related variables: a randomized, crossover trial. International Journal of Obesity, v. 39, p. 828-833, 2015. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/25311083/. TAKAHASHI, Masaki et al. Delayed Eating Schedule Raises Mean Glucose Levels in Young Adult Males: a Randomized Controlled Cross-Over Trial. The Journal of Nutrition, 2023. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/36858920/. SHISHEHBOR, Farideh et al. Vinegar consumption can attenuate postprandial glucose and insulin responses: a systematic review and meta-analysis of clinical trials. Diabetes Research and Clinical Practice, v. 127, p. 1-9, 2017. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28292654/. RUDDICK-COLLINS, L. C. et al. 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Planejamento do 5° Ciclo
Esse é dos tópicos mais bem planejados que já li aqui. Planejar o ciclo com três meses de antecedência, condicionar o início ao resultado dos exames e pedir avaliação cardiológica e angiológica antes é postura de quem leva a sério, e é rara mesmo entre gente experiente. O acompanhamento do @Apollo Galeno, da @Joaninha e do @Batata... também foi de bom nível. Então não venho aqui dar aula de básico. Venho trazer duas coisas específicas. A primeira responde diretamente à pergunta que ficou no ar, sobre quanto seria preciso manter para segurar a massa magra acima do limite natural. A resposta honesta é: o suficiente para nunca mais parar de verdade. E é justamente por isso que ela merece um número em cima da mesa. Existe um estudo publicado na Circulation em 2017 que é o mais direto que temos sobre esse cenário. Foram 140 levantadores de peso experientes, de 34 a 54 anos, sendo 86 com pelo menos dois anos de uso acumulado e 54 sem uso, avaliados com ecocardiograma e angiotomografia de coronárias. Os resultados: a fração de ejeção do ventrículo esquerdo dos usuários ficou em 52 por cento contra 63 por cento dos não usuários. A função diastólica também estava pior, com velocidade de relaxamento precoce de 9,3 contra 11,1 cm por segundo. E o volume de placa coronariana era maior nos usuários, com a associação mais forte sendo com a dose acumulada ao longo da vida: cada dez anos a mais de uso somaram 0,60 desvio padrão no ranking de volume de placa. O ponto que importa para você não é o susto, é qual variável manda. Não foi a dose de pico de um ciclo, foi a exposição acumulada ao longo dos anos. E é exatamente isso que a estratégia de manter massa acima do limite natural exige: exposição contínua, por tempo indeterminado. Ou seja, a pergunta "quanto preciso manter para segurar" tem uma resposta técnica, mas ela vem com um custo que se paga no décimo ano, não no primeiro. Achei que valia a pena colocar o número na conversa, já que você está justamente na fase de decidir isso. E, como você já ia fazer avaliação cardiológica, três exames que eu pediria especificamente, porque não vêm por padrão: Ecocardiograma com foco em fração de ejeção e função diastólica, e não só nas dimensões das câmaras. A alteração diastólica aparece antes da sistólica e é o sinal mais precoce. Escore de cálcio coronariano. É simples, barato, sem contraste, e é o exame que enxerga o que aquele estudo mediu. E lipoproteína (a), uma única vez na vida. É determinada geneticamente, não muda com dieta, e se estiver alta muda completamente a leitura do seu risco cardiovascular. Junto disso, o básico que você já faz: hematócrito, hemoglobina, perfil lipídico completo, função hepática e renal, PSA, estradiol e pressão aferida em casa. A segunda coisa é sobre o cruise, e é o ponto em que eu discordo do desenho. Você descreveu o cruise atual como 125 mg de testosterona mais 50 mg de nandrolona por semana. Cinquenta miligramas de nandrolona não é dose de reposição de nada, e ela muda a natureza da fase de descanso. A nandrolona é progestagênica, e o cruise deixa de ser um período de menor exposição para virar um período de exposição contínua a um progestagênio. Isso tem três consequências práticas: o eixo continua suprimido sem chance nenhuma de recuperação parcial, o risco de ginecomastia por via progestagênica permanece ativo o ano inteiro, e a espermatogênese fica suprimida de forma contínua, sendo que a nandrolona é justamente o composto com recuperação mais lenta nesse quesito. Se a ideia do cruise é dar algum descanso ao sistema, testosterona sozinha em dose de reposição cumpre esse papel. Com nandrolona junto, o que existe é um blast mais fraco, não um cruise. Duas observações sobre o ciclo planejado. A primeira é sobre a trembolona em 300 mg por semana junto de 350 mg de testosterona. Essa proporção, com trembolona quase igual à testosterona, é onde os efeitos neurológicos e de sono costumam aparecer com mais força, e são eles que fazem a maioria das pessoas abandonarem o composto. Como você relatou que a trembolona foi excelente experiência no ciclo anterior, vale registrar em que dose foi, porque a diferença entre 100 e 300 mg costuma ser grande justamente em insônia, sudorese noturna e irritabilidade. E vale saber que a trembolona não aromatiza, então ela não sustenta estradiol: com ela dominando o ciclo, quem segura o estradiol é a testosterona, e derrubar demais com masteron ou inibidor no meio disso costuma cobrar em libido e articulação. A segunda é sobre o dianabol 30 mg por dia nas quatro primeiras semanas junto de boldenona 500 mg. Ambos elevam bastante o hematócrito, e a boldenona é conhecida por isso. Eu doaria sangue ou repetiria o hemograma na semana 6, e não só no fim. E, sobre a próstata, já que você citou: PSA é útil, mas em quem usa dose suprafisiológica o valor isolado engana nos dois sentidos. Vale acompanhar a série de valores ao longo do tempo, com o mesmo laboratório, e não um número solto. Uma última coisa, e é sincera. O objetivo de chegar aos 100 kg é legítimo e você tem todo o direito de persegui-lo com informação na mão. O que eu não faria é atravessar isso sem cardiologista de verdade, alguém que saiba o que você usa e por quanto tempo. Não pelo diagnóstico de hoje, que provavelmente vai vir normal, mas para ter a série de exames ao longo dos anos. É a série que mostra a curva, e é a curva que decide quando parar. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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Começando ciclo 1 de oxandrolona da landerlan
@Cabralkarina, você recebeu um plano bem montado e um acompanhamento atencioso do @Apollo Galeno. Vou discordar de uma parte dele, e a discordância não é sobre a qualidade do plano, é sobre a direção. Você escreveu que treina e controla a dieta para hipertrofia. Esse é o seu objetivo declarado. E a orientação que veio foi um mês de dieta mais restrita, aeróbico intensificado e perda de medidas antes de começar a oxandrolona. Isso é orientação de quem quer secar. Você disse que quer crescer. Olhe os seus números: 1,60 m e 53 kg, o que dá índice de massa corporal de 20,7, dentro da faixa normal e mais para o lado magro. Não há gordura sobrando para justificar um mês de restrição antes de nada. E a dieta que você já faz, de 1.800 kcal, provavelmente já é manutenção ou até um déficit leve para quem treina cinco vezes na semana. Ou seja: você está pedindo hipertrofia e o plano proposto vai na direção contrária. Se você fizer um mês de restrição com aeróbico intensificado e depois entrar com a oxandrolona, é bem provável que fique mais seca e menor, e não maior. Vale dizer que a lógica por trás da sugestão não é sem sentido. Ela vem de uma prática comum, que é chegar com gordura baixa para que o ganho apareça mais definido, e faz sentido em quem tem gordura de sobra. No seu caso, a premissa não se aplica. O que eu faria, se o objetivo é hipertrofia: Subir as calorias para algo entre 2.100 e 2.300 kcal por dia, e não descer. Isso é um superávit leve, que é o que constrói músculo em mulher sem virar gordura. Manter a proteína entre 85 e 105 g, o que os seus 25 por cento já entregam. Colocar o carboidrato como o macronutriente que sobe, porque ele é o que sustenta rendimento e volume de treino. E o indicador: o peso precisa subir de 100 a 250 g por semana. Se ele ficar parado, não há superávit e não há hipertrofia acontecendo, com ou sem oxandrolona. Sobre a oxandrolona em si, quatro pontos. Primeiro, a dose. Dez miligramas por dia é adequada para mulher e é a faixa certa para um primeiro ciclo. Divida em duas tomadas de 5 mg, com cerca de doze horas de intervalo, porque a meia-vida é curta e isso estabiliza sem mudar a dose. Segundo, as oito semanas que você propôs estão no limite superior do que eu faria. Em mulher, a duração pesa mais que a dose no risco de virilização, então de seis a oito semanas é o intervalo, e não menos que isso pelo tempo e mais pela dose. Terceiro, e é o que mais importa saber antes de começar: acne, oleosidade, pelo e queda de cabelo regridem quando se para. Aumento de clitóris e alteração de voz não regridem. Rouquidão, voz mais grave ou dificuldade nas notas altas da fala são alteração estrutural da prega vocal e são permanentes. Se aparecer, é parar no mesmo dia. Quarto, e é uma questão prática que ninguém levantou: você escreveu que não usa medicação nenhuma, o que inclui contraceptivo. Oxandrolona é teratogênica. Se houver possibilidade de gravidez, é preciso ter um método eficaz durante todo o ciclo. Isso é conversa com a ginecologista, e é para resolver antes do primeiro comprimido. E os exames que valem a pena: perfil lipídico completo, com HDL e LDL, mais TGO, TGP e gama GT, antes e ao fim. Em dose baixa a agressão hepática é pequena, mas a queda de HDL é real e não dá sintoma nenhum. Sem o valor de antes, não há comparação depois. Agora, o ponto que decide o seu resultado e que vale mais do que toda essa conversa sobre protocolo. Você escreveu que treina há um ano, parando e voltando. Isso significa que praticamente todo o seu potencial natural está intacto. Nos primeiros dois anos de treino realmente consistente, com superávit calórico e progressão de carga, uma mulher costuma ganhar de 4 a 6 kg de massa magra sem usar absolutamente nada. A oxandrolona, num ciclo de oito semanas, acrescenta algo em torno de 1 a 2 kg. Faça a conta: você tem 4 a 6 kg esperando de graça e está considerando pagar supressão e risco de virilização por 1 a 2 kg. Não é que a oxandrolona não funcione, é que ela é o menor dos dois ganhos disponíveis, e o maior deles depende de uma coisa só, que é não parar. Duas observações sobre a rotina. A sua refeição antes do treino, tapioca com queijo às 5h30 ou 6h, está boa. Só evitaria treinar com whey e banana sozinhos, como consta no plano ajustado, se você sentir queda de rendimento, porque uma hora de musculação com 200 kcal é apertado. E o intervalado de quinze minutos depois do treino, feito três vezes por semana mais sábado e domingo, é bastante aeróbico para quem quer crescer. Se o objetivo é hipertrofia, eu deixaria em duas a três sessões e não mais. Sobre a divisão de treino, ela está bem montada. Perna três vezes e superiores duas vezes por semana, para mulher que quer priorizar membros inferiores, é uma escolha acertada. O que eu acrescentaria é anotar a carga de cada exercício e buscar subir. É a única coisa que separa um ano de treino de um ano de frequência. Se quiser um ponto de partida com as calorias no nível certo para hipertrofia em vez de restrição, o site tem um gerador de dieta simulada em https://fisiculturismo.com.br/ferramentas/dieta/ . A saída é simulada e serve como rascunho para ajuste, não como prescrição. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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Ajuda para baixar BF
@Katis, você escreveu uma frase quase no fim do tópico que, no meu entender, explica mais do seu caso do que a dieta inteira. Ela passou quase batida. "Durmo mal por conta do filho que acorda mil vezes na noite. E devido ao costume de acordar muitas vezes na noite, até quando ele dorme melhor, eu acordo várias vezes. Quando fiz exames o cortisol tava alto e a testosterona baixa." Isso não é detalhe de contexto, é o eixo do problema. Existe um estudo que mede exatamente a sua situação. Dez adultos com sobrepeso passaram por duas fases de catorze dias, com a mesma restrição calórica, dormindo 8,5 horas numa fase e 5,5 horas na outra, tudo em ambiente controlado. A perda de peso foi igual nas duas. Mas, na fase de sono curto, a proporção do peso perdido que veio de gordura caiu 55 por cento, e a perda de massa magra aumentou 60 por cento. A oxidação de gordura diminuiu, e a fome e a grelina circulante aumentaram. Leia isso de novo trocando os nomes: mesma dieta, mesmo déficit, sono curto, e o corpo perde músculo em vez de gordura, e ainda sente mais fome. Isso é exatamente o que você descreveu. Você seguiu a consulta nutricional sem furos, por meses, e o resultado não veio. Não foi falta de adesão sua, e provavelmente não foi só a nutricionista. Você estava fazendo a dieta certa com o sono errado. E o cortisol alto com testosterona baixa não é um achado independente, é a assinatura fisiológica de privação de sono crônica somada a estresse. Trabalhar das 7 às 20 horas, cuidar de criança pequena, fazer especialização no fim de semana e acordar várias vezes na noite é uma carga real, e o corpo responde a ela. Então, no seu caso, o item de maior retorno não é dieta e não é suplemento. É sono. Não é fácil com filho pequeno, eu sei, e não vou fingir que é. Mas três coisas costumam ser possíveis mesmo nessa fase: Antecipar o horário de deitar em trinta a quarenta minutos, o que compensa parcialmente os despertares. Tratar os despertares que sobraram por hábito, e não por causa da criança. Você mesma percebeu que acorda mesmo quando ele dorme. Isso costuma responder bem a rotina fixa de horário, quarto escuro e nada de tela na última meia hora, e responde muito bem a terapia cognitivo-comportamental para insônia, que é o tratamento de primeira linha e tem boa evidência. E dividir as noites com alguém, se houver com quem dividir, nem que seja duas noites por semana. Agora vem a contradição que eu preciso apontar, porque ela está dentro do próprio tópico. Foi sugerido que você comprasse cápsulas de cafeína de até 150 mg para substituir o café do pré treino, já que você vai do trabalho direto para a academia. A sugestão resolve o problema logístico, mas ela colide de frente com o problema principal: você treina depois das 20 horas e dorme mal. A meia-vida da cafeína gira em torno de cinco horas, então 150 mg tomados às 20h ainda estão em boa parte circulando à meia-noite. Ou seja, o estimulante melhoraria o treino de hoje e pioraria justamente aquilo que está impedindo o seu resultado. No seu caso específico, eu não usaria cafeína à noite. Se precisar de algo, use a cafeína de manhã, quando ela não custa nada. Sobre a fórmula manipulada que você transcreveu, item por item, e tem uma coisa ali que precisa ser conferida. Picolinato de cromo 150 mg, duas vezes ao dia. Isso precisa ser verificado com a farmácia, porque as doses usuais de picolinato de cromo são de 200 microgramas, e não miligramas. Cento e cinquenta miligramas seriam centenas de vezes a dose habitual. Muito provavelmente é erro de transcrição ou de digitação na receita, mas é o tipo de coisa que vale confirmar antes de mandar manipular de novo. E, de qualquer forma, o cromo não tem efeito demonstrado sobre composição corporal em quem não é diabético, então eu tiraria. Tribulus terrestris não eleva testosterona em pessoas saudáveis, e a revisão sistemática mais recente não encontrou evidência robusta disso. Turkesterone não tem estudo em humanos que sustente as promessas, apenas dados em insetos e animais. Mucuna pruriens tem levodopa e mexe com prolactina, o que não é banal e não deveria estar numa fórmula de rotina sem indicação clara. GABA por via oral, para dormir, também tem pouco fundamento: a molécula atravessa mal a barreira que separa o sangue do cérebro, então tomar GABA não é o mesmo que ter mais GABA no sistema nervoso. Como o seu problema de sono é real e importante, essa é uma conversa que merece um médico, e não um manipulado. O que eu manteria da lista é o que já foi apontado no tópico: creatina, 3 a 5 g por dia, que é o suplemento com melhor evidência disponível e ajuda justamente na força e na preservação de massa magra. E a vitamina D, com uma ressalva: 5.000 UI por dia todos os dias está acima do limite superior tolerável de 4.000 UI, e vitamina D é lipossolúvel e acumula. O certo é dosar a 25-hidroxivitamina D e repor conforme o valor. Sobre a oxandrolona que você comprou, a leitura feita no tópico está correta e a evidência é o próprio relato: aumento de 4 kg, retenção intensa, barriga e piora de celulite, sem nenhum dos efeitos androgênicos típicos. Oxandrolona não aromatiza e praticamente não retém água, então esse quadro é incompatível com ela. Muito provavelmente era outra substância, e existe a possibilidade de ter sido algum composto com ação estrogênica ou até corticoide. E o mais importante disso: os 4 kg e a retenção não são permanentes. Você parou. Água sai, e nas semanas seguintes a maior parte disso se resolve sozinha, mesmo sem você fazer nada de diferente. Duas coisas rápidas para fechar. Manter a mesma dieta nos dias com e sem treino, como foi orientado, é acertado e facilita muito a adesão. E trocar amendoim por castanha não muda nada de relevante. Sobre o treino, com trinta minutos disponíveis e uma criança pequena, eu priorizaria carga em vez de aeróbico. O intervalado de quinze minutos pode ficar, mas se algum dia tiver que cortar alguma coisa, corte o aeróbico e não a musculação. É a carga que preserva a massa magra que o sono curto está tentando levar embora. E uma última: você treinou cinco anos, chegou a 17 por cento de gordura, parou para ter um filho e voltou. O corpo que você teve não desapareceu, e a memória muscular é real. O que está atrapalhando agora é uma fase da vida, e fases passam. Se quiser um ponto de partida para redistribuir as refeições dentro da sua jornada das 7 às 20 horas, o site tem um gerador de dieta simulada em https://fisiculturismo.com.br/ferramentas/dieta/ . A saída é simulada e serve como rascunho para ajuste, não como prescrição. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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PRIMEIRO CICLO : OXAN + DEPOSTERON (RELATOS_FOTOS)
@cmatheus, o tópico te deu boas correções pontuais, mas o ponto central do seu caso ficou de fora. Ele está numa frase sua: "Alimentação: não vou fazer nenhuma dieta, apenas vou usar o bom senso." Com 1,63 m e 56 kg, essa frase é o seu problema inteiro, e nenhum composto vai contorná-la. Vamos aos números. Para o seu peso e rotina, o gasto diário fica em algo entre 2.200 e 2.400 kcal. Para ganhar massa, o alvo é de 2.500 a 2.700 kcal, com 110 a 125 g de proteína. Agora repare no que você escreveu: alimentação recheada de verdura, legumes, frutas e proteína, redução de açúcar e carboidrato, e "nunca fico com fome". Essa combinação é a assinatura clássica de quem está comendo bem abaixo do alvo. Verdura, legume e fruta ocupam muito volume e entregam pouca caloria, e cortar carboidrato num magro que quer ganhar peso é remar contra a maré. E existe um detalhe do seu relato que quase ninguém entende e que vale muito: "nunca fico com fome" não é sinal de que está comendo o suficiente. É sinal de que a comida escolhida sacia demais para a caloria que entrega. Quem precisa ganhar peso precisa comer alimentos que sejam fáceis de comer em quantidade, e não os que enchem mais rápido. Ou seja, e aqui eu concordo com a observação que te fizeram no tópico: sem pesar a comida e sem seguir algo fixo, o resultado tende a ser decepcionante. E eu acrescento: seria decepcionante mesmo com nandrolona e testosterona em dose alta, que foi a sugestão que te deram para explodir. Sobre a sua rotina, que é a parte difícil. Você sai às 8h30 e volta entre 23h40 e meia-noite. São quinze horas fora de casa. Isso não é impedimento, mas exige planejamento, e as sugestões genéricas não servem. O que funciona nesse cenário é cozinhar no domingo. Três a quatro marmitas com arroz generoso, feijão, carne e uma fonte de gordura, guardadas na geladeira ou no freezer, resolvem o almoço e o jantar da semana. Junto disso, uma bolsa térmica com o que não estraga: castanhas, pasta de amendoim, pão, banana, barra de cereal e leite em caixinha. E, entre todas as refeições, a que mais muda o seu caso é o café da manhã, porque é a única em que você está em casa com tempo. Ovos, pão, aveia, banana, leite integral e pasta de amendoim, tudo junto, resolvem de 800 a 900 kcal antes das 8h30. Isso é um terço do seu alvo diário garantido logo cedo. Agora o protocolo. Sobre o Deposteron ter meia-vida curta, a correção que te fizeram está certa e vale registrar o número: o cipionato de testosterona tem meia-vida de 5 a 8 dias, ou seja, é éster longo. Se você quisesse mesmo éster curto, seria propionato, com aplicações em dias alternados. E a decisão de subir de 100 para 200 mg por semana faz sentido, porque 100 mg é dose de reposição e não de ciclo. Nessa parte você corrigiu bem. Sobre acrescentar nandrolona, eu discordo, e por dois motivos. O primeiro é o que você mesmo escreveu como objetivo: conhecer como o seu corpo reage sem fazer besteira. Esse objetivo é excelente e é raro, e ele é incompatível com usar três substâncias de uma vez. Se aparecer acne, pressão alta, alteração de humor ou queda de libido, você não vai saber de qual delas veio. Com testosterona sozinha, você aprende algo que serve para o resto da vida. O segundo é específico da nandrolona. Ela é o composto com pior fama em relação a libido e função erétil, e a recuperação do eixo depois dela costuma ser mais lenta. Os dados mais claros que existem são de modelos animais, e nesses estudos os parâmetros de espermatozoides melhoraram após a suspensão, mas não recuperaram completamente nem após catorze semanas sem tratamento. É evidência em animal, então cabe cautela na extrapolação, mas ela conversa com o que se observa na prática clínica. Para um primeiro ciclo, é o pior lugar para começar. Sobre a oxandrolona manipulada, a ressalva que te fizeram é justa e não é implicância com o seu fornecedor. Manipulado sem controle de lote traz incerteza de dose, e a incerteza vale nos dois sentidos: pode estar abaixo, e aí você não vê efeito, ou acima, e aí o efeito colateral chega antes do esperado. Se der para conseguir a versão de registro, é o caminho mais previsível. E, sobre a sua escalada de 10 para 15 ou 20 mg conforme o resultado: eu manteria fixo. Ajustar dose "vendo os resultados" no meio do caminho costuma não funcionar, porque a resposta em massa magra leva semanas para aparecer e o que se enxerga na semana 4 é retenção e força, não músculo. Escolha a dose, mantenha, e avalie no fim. Agora, a informação mais importante do seu tópico, e ela veio de você. Você contou que o seu irmão ciclou com orientação médica e desenvolveu pressão arterial alta e eliminou um cálculo renal, e que isso te deixou preocupado. Essa preocupação é legítima e merece ser levada a sério, não descartada. Anabolizante eleva pressão arterial por dois caminhos: retenção de sódio e água, e aumento do hematócrito, que deixa o sangue mais viscoso. E hematócrito alto com hidratação baixa é justamente o cenário que favorece cálculo renal. Repare que você tomou 1,5 litro de água por dia como referência. Para quem vai usar testosterona, isso é pouco. Eu subiria para 3 litros, e mais nos dias de treino. Sobre a sua meta de urina quase incolor, ela é razoável como sinal de hidratação, mas o que interessa mesmo é o volume total do dia. Três coisas que eu faria por causa desse histórico familiar: Aferir a pressão em casa duas vezes por dia, sentado e depois de cinco minutos de repouso, e anotar. Uma alta isolada não diz nada, duas semanas de registro dizem tudo. Repetir o hemograma no meio do ciclo, olhando especificamente hematócrito e hemoglobina. Se o hematócrito subir muito, isso é motivo para reavaliar. E manter a hidratação alta o ciclo inteiro, não só nos primeiros dias. Uma última coisa, que é elogio. Você foi ao endocrinologista, fez os exames e voltou para a consulta antes de decidir. Isso é o caminho certo e quase ninguém faz. O que eu não faria é o que veio depois: pegar a orientação médica de oxandrolona 10 mg por dois meses e transformá-la, por conta própria, num protocolo de quinze semanas com dois compostos. Se você confia nesse médico a ponto de ir até ele, vale voltar e contar o que pretende fazer. Ele já tem os seus exames na mão. Se quiser um ponto de partida para as calorias dentro da sua rotina de quinze horas fora de casa, o site tem um gerador de dieta simulada em https://fisiculturismo.com.br/ferramentas/dieta/ . A saída é simulada e serve como rascunho para ajuste, não como prescrição. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.