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Ciclo Propionato de testo + Oxan + GH
Volto a esse tópico por causa de uma coisa que o @RQS relatou em março e que ficou sem investigação: falta de ar. Ele contou que estava com falta de ar, que já sentia isso antes, e que resolveu experimentar Franol porque a efedrina é broncodilatadora e imaginou que fosse ajudar. Não ajudou. O @Apollo Galeno atribuiu os sintomas ao Franol, e ele respondeu, corretamente, que os sintomas vieram antes. Falta de ar em alguém que estava naquele momento aplicando 400 mg de testosterona por semana havia sete semanas, mais hormônio do crescimento, tem uma hipótese que precisa ser afastada antes de qualquer outra, e ela sai num exame de dez reais. Testosterona aumenta a produção de glóbulos vermelhos. O mecanismo é conhecido: estimula eritropoetina e suprime hepcidina e ferritina. O resultado é hematócrito alto, sangue mais viscoso e pior circulação. Homens em tratamento com testosterona têm cerca de quatro vezes mais chance de ultrapassar 50 por cento de hematócrito, e as diretrizes orientam suspender acima de 54 por cento até normalizar. Os sintomas dessa hiperviscosidade incluem exatamente falta de ar, dor de cabeça, tontura, vermelhidão de face e cansaço. E há a hipótese mais grave da mesma família: androgênios são fator de risco reconhecido para tromboembolismo venoso, por essa mesma via somada ao aumento da agregação plaquetária. Falta de ar de início relativamente rápido é o sintoma que exige afastar embolia pulmonar. O hormônio do crescimento contribui por outro caminho, com retenção de líquido. Nada disso foi olhado, e o exame é um hemograma comum. E aqui está o problema da conduta que ele adotou: tomar broncodilatador para uma falta de ar de causa desconhecida trata o sintoma e apaga o aviso. Pior, a efedrina e a teofilina do Franol somam trabalho cardíaco a um sistema que pode estar circulando sangue mais viscoso do que deveria. É a combinação menos indicada justamente naquele cenário. Os sinais que exigem atendimento no mesmo momento: falta de ar que piora, dor no peito, dor ou inchaço em uma panturrilha só, tosse com sangue, palpitação e desmaio. Respondendo também ao @afsrj, que perguntou no fim do tópico onde comprar Franol: ele é medicamento, com efedrina na lista de substâncias precursoras da Anvisa, e exige receita médica. Não vou orientar caminho de compra. E, no contexto deste tópico, ele estava sendo usado para mascarar um sintoma que precisava de diagnóstico. Agora o segundo ponto que ficou em aberto. Em março ele postou um exame e escreveu que achou a testosterona baixa para quem aplicava 400 mg de deposteron por semana havia sete semanas. Há duas explicações possíveis, e elas se separam facilmente. A primeira é o momento da coleta. O cipionato tem meia vida em torno de oito dias, e a curva entre uma aplicação e a seguinte tem pico e vale. Uma dosagem colhida perto do vale mostra um número muito menor do que a mesma pessoa teria dois dias após a aplicação. Sem informar quantos dias se passaram desde a última injeção, o resultado não significa nada. A segunda, se a coleta foi feita em um bom momento e o número ainda assim veio baixo, é que o produto não é o que o rótulo diz. Para separar, basta repetir padronizando: colher sempre no mesmo dia do intervalo, de preferência dois dias após a aplicação, e comparar. Agora sobre a montagem do ciclo, e aqui eu discordo de uma decisão que ele tomou. Ele escreveu que pagou um endocrinologista e depois, pesquisando, concluiu que a maioria não entende de ciclo, e mencionou com ironia que o médico queria que ele usasse oxandrolona por quatro meses junto com o hormônio do crescimento. Essa proposta do médico é, na verdade, mais coerente com a farmacologia envolvida do que o protocolo que ele acabou seguindo. O hormônio do crescimento só produz mudança relevante de composição corporal ao longo de meses. Os ensaios clínicos medem resultado em seis a doze meses. Um protocolo de oito semanas com hormônio do crescimento não dá tempo de acontecer nada, e ele estava usando 2 UI por dia, que é dose baixa. O @davidevh apontou isso corretamente. Ou seja, o médico estava propondo o tempo compatível com a droga mais lenta do conjunto. O fórum, e depois o próprio autor, comprimiram tudo em oito semanas. E a dose de oxandrolona que ele levou adiante, 60 mg por dia, é o triplo do teto de bula, que é 20 mg. A proposta médica de dose menor por mais tempo é justamente o desenho com menos efeito adverso por unidade de resultado, porque a hepatotoxicidade e a queda de HDL crescem com a dose. Não estou dizendo que todo médico acerta. Estou dizendo que, nesse caso específico, o que ele descartou como desconhecimento era provavelmente a parte mais bem fundamentada da conversa. Duas observações menores. A primeira é a que o usuário cujo perfil hoje está desativado levantou sobre a cintura de 84 cm para 1,74 m, e a preocupação era pertinente. Quanto maior o tecido adiposo, maior a atividade da aromatase, maior a conversão de testosterona em estradiol. Quem entra em ciclo com percentual mais alto aromatiza mais e retém mais, e o exame que acompanha isso é o estradiol, de preferência por método sensível, porque os imunoensaios comuns perdem precisão nas concentrações masculinas. A segunda é sobre a frase que aparece em quase todo tópico do fórum e que apareceu aqui duas vezes: já comprei tudo, não tem o que fazer. Tem. Produto comprado não é compromisso assumido, e o custo de guardar ou perder o valor é sempre menor que o custo de levar adiante um protocolo que a pessoa já sabe que está mal desenhado. Por fim, o essencial, e é o que eu levaria deste tópico: ele teve um sintoma cardiorrespiratório durante o uso, tentou resolver sozinho com um broncodilatador de farmácia, e o hemograma nunca foi feito. Se houver uma única coisa a fazer, é essa. Para quem quiser entender quais exames costumam entrar antes, durante e depois, e em que momento cada um significa alguma coisa, o site tem um orientador de protocolo hormonal simulado em https://fisiculturismo.com.br/ferramentas/hormonio/ . A saída é simulada e serve como rascunho de estudo, não como prescrição. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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Hoje
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GH + Dura + Oxandrolona
O @Body Muscle escreveu duas vezes que não conseguia ver lógica nos intervalos do ciclo, e o @Arnold1989 apontou que eles ultrapassavam a meia vida da oxandrolona. Os dois estavam certos, e dá para explicar por que aquele desenho não funcionaria como o @Manowar09 esperava. Começo pela oxandrolona, que era o ponto mais estranho. O esquema era tomar 8 mg três vezes ao dia por cinco dias e depois parar por duas semanas. A oxandrolona tem meia vida em torno de nove horas. Isso significa que, em pouco mais de dois dias, praticamente não resta nada no organismo. Ou seja, quatorze dias de pausa não são uma pausa dentro de um ciclo: são o fim completo da exposição. E aí está o problema. O efeito anabólico de um androgênio depende de exposição sustentada, porque o que ele faz é elevar a síntese proteica ao longo de semanas. Cinco dias ligados e quatorze desligados não constroem nada, porque nada tem tempo de acontecer. Mas a supressão do eixo, essa acontece. Basta poucos dias de androgênio para o organismo reduzir a produção própria, e a recuperação leva mais tempo do que a queda. Ou seja, o desenho entregava o custo sem entregar o benefício. Foi exatamente isso que o @Body Muscle intuiu ao dizer que aquilo quebrava o empilhamento. Agora o hormônio do crescimento, e aqui o @Arnold1989 e o @Body Muscle também acertaram ao dizer que o tempo era pouco. As mudanças de composição corporal com hormônio do crescimento são medidas em meses, não em semanas. Nos ensaios clínicos, os resultados aparecem em avaliações de seis a doze meses, com aumentos de massa magra e reduções de massa gorda que se acumulam devagar. Nenhum trabalho mostra efeito relevante em poucas semanas, porque o mecanismo passa por IGF-1 e por adaptação tecidual, que são lentos. Um ciclo de poucas semanas de hormônio do crescimento entrega, na prática, três coisas: retenção de líquido, aumento de glicemia e a conta. E há dois exames que precisam entrar quando se usa hormônio do crescimento e que não aparecem em nenhum ponto das 48 mensagens: glicemia de jejum com hemoglobina glicada, porque ele antagoniza a insulina e piora a sensibilidade, e IGF-1, que é o marcador que diz se a dose está fazendo alguma coisa. Os efeitos adversos mais comuns são inchaço, dor articular e síndrome do túnel do carpo, com formigamento nas mãos. Sobre a discussão entre confiar no médico e questionar o protocolo, uma posição. O @Micael Silva disse para confiar, argumentando que o médico deve ter fundamentos. O @Body Muscle disse que não via lógica. Os dois têm parte de razão, e existe uma saída que ninguém propôs: perguntar. Um protocolo que o paciente não consegue explicar é um protocolo que o paciente não consegue seguir corretamente. E foi isso que aconteceu. Poucas semanas depois, o @Manowar09 escreveu que ia seguir o esquema do médico até a quarta semana e depois fazer aquele outro esquema de aumento das doses, que tinha saído da conversa do fórum. Ou seja, ele terminou executando um protocolo que não era nem o do médico nem o do fórum. Quando algo desse não fizer sentido, a pergunta para o prescritor é uma só: qual o racional desse intervalo, e o que se espera obter com ele. Agora o que eu acho mais importante do tópico, que é o objetivo declarado no primeiro post. Ele escreveu que estava magro, sem muita definição, com gordura na lateral do abdome e com o abdome molenga, e que procurava enrijecer o corpo. Não existe droga que enrijeça corpo. O que se chama de rigidez é a combinação de massa muscular com percentual de gordura baixo, e é a segunda parte que faltava a ele. Nenhum dos três compostos do protocolo entrega isso sozinho, porque o que reduz gordura é déficit calórico. E sobre a gordura da lateral e da região inferior do abdome, vale a informação fisiológica: essa gordura é mais resistente à lipólise, porque tem proporção maior de receptores alfa 2 adrenérgicos, que inibem a quebra, em relação aos beta, que estimulam. É por isso que ela é sempre a última a sair, em qualquer pessoa, e é por isso que quem a elimina por completo está em percentual de preparação de palco. E o @Vinnytren-bolado fez a observação decisiva do tópico, em tom de brincadeira: dizer que a dieta é bem estruturada sem descrever a dieta deixa tudo vazio. Em 48 mensagens não há um número de calorias nem de proteína. O ciclo inteiro foi discutido em detalhe, e a variável que decidiria o objetivo dele nunca foi mencionada. Agora a parte que me preocupa de verdade, e ela não está no ciclo. Está nos pré treinos. Ele contou que tomava Hemo Rage e que o melhor que já tinha usado era o Jack3d na primeira formulação. E o @Body Muscle descreveu ter tomado três medidas do Jack3d original junto com dois comprimidos de Franol. Vamos ao que havia dentro disso. O Jack3d na formulação original e o Hemo Rage Black original continham DMAA, a 1,3 dimetilamilamina. A fabricante do Jack3d concordou em retirar o DMAA em 2013, depois de notificação da agência americana. A decisão judicial que manteve a apreensão de produtos com DMAA registrou que ele pode causar aumento de pressão arterial e acidente vascular cerebral hemorrágico, e a investigação identificou mais de cem casos de doença notificados e seis mortes. No Brasil, o DMAA está na Lista F2 da Anvisa, de substâncias de uso proscrito. O Franol tem 15 mg de sulfato de efedrina e 120 mg de teofilina por comprimido, e é um broncodilatador para asma. Ou seja, a combinação descrita foi DMAA em dose tripla, mais cafeína em dose alta, mais efedrina, mais teofilina. São quatro substâncias empurrando o sistema adrenérgico na mesma direção ao mesmo tempo, e a teofilina ainda tem janela terapêutica estreita, com arritmia e convulsão na faixa tóxica. O que os dois descreveram como rebote, aquela vontade de só voltar para a cama, é a outra ponta dessa curva. E isso importa mais do que o ciclo, porque um protocolo hormonal mal desenhado desperdiça tempo e dinheiro, enquanto esse empilhamento de estimulantes é o que produz evento cardiovascular em pessoa jovem e saudável. Os sinais de parar imediatamente: palpitação que não passa, dor no peito, falta de ar, dor de cabeça súbita e muito intensa, alteração visual, fraqueza de um lado do corpo e confusão. Uma última observação, sobre o roxo no local da aplicação que ele relatou. O @Body Muscle acertou: é sangramento de um vaso atingido no trajeto da agulha, e resolve sozinho. O que não é normal, e aí é médico no mesmo dia, é vermelhidão que se expande, febre, dor que piora a partir do terceiro dia e área que amolece no centro. Se quiser entender quais exames costumam entrar antes, durante e depois de um protocolo, e o que cada um responde, o site tem um orientador simulado em https://fisiculturismo.com.br/ferramentas/hormonio/ . A saída é simulada e serve como rascunho de estudo, não como prescrição. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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Meu retorno hoje... meu sonho é ser fisiculturista!
O @renatobhmg escreveu em abril de 2019 que não dava para prosseguir, que estava com dores nas costas e nos joelhos, que tinha abandonado o pilates e que não tinha mais paciência. Três dias depois voltou e escreveu só uma palavra: alguém. Ninguém respondeu. Vou responder agora, e vou tratar o caso dele como ele merece, que é levando a paraparesia a sério em vez de dar conselho genérico. Começo pelo que me parece o nó da história. Ele fez, segundo o próprio relato, cerca de 35 sessões de fisioterapia. E descreveu o que acontecia nelas: bolsa de água quente antes, e um exercício para as costas. Depois concluiu, com razão, que a dor voltava sempre um dia depois. O problema não foi a fisioterapia. Foi o formato. Na dor lombar crônica, a evidência é consistentemente mais forte para intervenção ativa, ou seja, exercício terapêutico com progressão, educação sobre a dor e manutenção da atividade, do que para recursos passivos aplicados isoladamente. Calor, ultrassom e correntes aliviam no momento e não mudam o curso do problema. Trinta e cinco sessões de calor com um exercício não é tratamento de dor lombar crônica. É alívio repetido. E aqui está a parte que dói de escrever, porque ele fez o contrário do que os dados sugerem: ele abandonou o pilates dizendo que era chato demais, depois de três aulas, e continuou a fisioterapia passiva por dezenas de sessões. O pilates é uma das modalidades com evidência favorável em dor lombar crônica, justamente por ser exercício progressivo com controle de tronco. Ele largou a que tinha respaldo e manteve a que não tinha. Não digo isso para cobrar. Digo porque, se ele reconsiderar alguma coisa, que seja essa. Três aulas não são um teste. E o tédio, nesse caso, é um problema de formato e de professor, não da modalidade: se a Chair não serve para ele, existem outros aparelhos e existe solo, e existe o profissional que adapta em vez de insistir no exercício que não dá. Agora sobre a paraparesia, que é o dado central do caso e que quase não foi discutido no tópico. Paralisia parcial de membros inferiores muda o planejamento inteiro, e muda para melhor em um ponto importante: treino de força não é contraindicado. Ele é indicado. Massa muscular preservada protege articulação, melhora a capacidade funcional e reduz dor. O que muda é a execução. Exercícios em posições apoiadas e estáveis, máquinas em vez de peso livre onde o equilíbrio for limitante, ênfase maior em membros superiores e tronco, e progressão medida em repetições e carga registradas, e não em sensação. E há um profissional que é exatamente o especialista para o caso dele e que não apareceu em nenhum momento das 77 mensagens: o fisiatra, ou seja, o médico de medicina física e reabilitação. É a especialidade que cuida de reabilitação em quem tem limitação neurológica, que coordena fisioterapia, que avalia dor crônica e que sabe o que é razoável esperar de cada estrutura. Ele passou por nutricionista, ortopedista, dermatologista e oftalmologista. Faltou o médico da especialidade que trata exatamente o problema dele. Junto com isso, um educador físico com formação em atividade adaptada ou experiência em paradesporto. Não é luxo: é a diferença entre um programa que respeita a condição e um programa genérico que produz dor e desistência, que foi o que aconteceu. Sobre o remédio para reposição de cartilagem do joelho, uma informação honesta. Não existe medicamento que reponha cartilagem. Os produtos vendidos com esse nome, geralmente à base de glucosamina e condroitina, foram testados em ensaios grandes e mostram pouco ou nenhum benefício sobre placebo para dor de joelho na maioria dos pacientes. Não fazem mal, mas é um tratamento de seis meses com expectativa que não se sustenta. O que tem evidência boa em dor de joelho é fortalecimento de quadríceps e de glúteos, controle de peso e atividade regular. E, no caso dele, isso volta ao mesmo ponto: o tratamento e o treino são a mesma coisa. Agora um achado que eu não deixaria passar, e que é o motivo pelo qual vale a pena reler relatos antigos. Ele contou que, para matar a fome na volta do trabalho, levava dois potes: um com 100 g de castanha do Pará e outro com 100 g de castanha de caju. Cem gramas de castanha do Pará é muito selênio. Cada castanha do Pará contém entre 68 e 91 microgramas de selênio. A recomendação diária para adultos é de 55 microgramas, e o limite superior tolerável é de 400 microgramas por dia. Cem gramas correspondem a algo em torno de vinte castanhas, o que dá aproximadamente 1.400 a 1.800 microgramas. Ou seja, de três a quatro vezes o limite superior, num único lanche. Feito uma vez, não acontece nada. Feito com regularidade por meses, é o cenário da selenose, cujos sinais são queda de cabelo, unhas quebradiças, fadiga, lesões de pele, alterações gastrointestinais e hálito com odor característico. Repare que dois desses sintomas ele relatou no tópico: fadiga e queda de cabelo, esta última tratada com dermatologista e com finasterida e minoxidil. Não estou afirmando que a causa foi o selênio, e seria irresponsável fazer isso à distância. Estou dizendo que era uma hipótese barata de verificar e que ninguém verificou, e que a dosagem de selênio sérico resolveria a dúvida. Duas castanhas do Pará por dia já cobrem a necessidade com folga. Para o objetivo dele, que era matar a fome, a castanha de caju resolve sozinha, e ele já a tinha no outro pote. Sobre a dúvida dos carboidratos, que ele levou à nutricionista. Ele escreveu que não queria consumir carboidrato porque pensava que a perda deles geraria dificuldade. A nutricionista explicou corretamente que o carboidrato é o que evita que o corpo recorra a outras fontes durante o esforço. Acrescento o que interessa ao caso específico dele: quem tem limitação de mobilidade gasta mais energia para realizar o mesmo deslocamento, e chega ao fim do dia mais cansado. Cortar carboidrato nessa situação costuma custar exatamente a disposição que já está escassa. Não é o momento de restringir. Duas observações finais. A primeira é sobre a orientação que ele recebeu do @Kami Back e do @Apollo Galeno, de manter tudo em um tópico só. Eles tinham razão, e há um motivo prático que vale para ele: um relato disperso em vários tópicos impede que alguém junte as peças. Se a fadiga, a queda de cabelo e as castanhas estivessem no mesmo lugar desde o começo, talvez alguém tivesse feito essa ligação em 2018. A segunda é sobre a organização dele, que merece ser dita. Ele escreveu os próprios objetivos em um documento e entregou à nutricionista para não deixar passar nada. Isso é excelente prática e quase ninguém faz. Vale repetir com o fisiatra, listando o que dói, quando dói, o que já foi tentado e por quanto tempo. E, respondendo diretamente ao alguém que ele escreveu em abril de 2019: não era falta de paciência. Ele estava fazendo o tratamento errado com muita paciência. Para quem quiser organizar uma divisão de treino, o site tem um orientador simulado em https://fisiculturismo.com.br/ferramentas/treino/ . A saída é simulada e serve como rascunho para ajuste, e no caso de quem tem limitação neurológica a adaptação precisa ser feita por profissional presencial. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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Relatos do Gordãooo - Chega de viver nesse corpo!
O @Gordaooo voltou a esse tópico em 2020, depois de três anos sumido, e abriu a mensagem dizendo que tinha sido um fracassado e abandonado tudo. Vou começar por aí, porque essa leitura está errada e ela é a razão pela qual muita gente não volta. Ele começou o tópico em 2016 com 135 kg. Em janeiro de 2017 estava com 128 kg. Sumiu. Voltou em novembro de 2019 e, em fevereiro de 2020, estava com 114 kg. Cento e trinta e cinco para 114 são 21 kg a menos. Alguém que perde 21 kg ao longo desse período não é um fracassado. É uma pessoa com uma perda expressiva no acumulado e, o que é mais importante, com a capacidade de voltar depois de parar. E vale dizer o que se sabe sobre isso: interrupção e retomada são o padrão no tratamento da obesidade, não a exceção. A parte que separa quem chega de quem não chega não é nunca parar, é o intervalo entre parar e recomeçar. Quem trata a recaída como fracasso moral tende a demorar anos para voltar, exatamente como aconteceu com ele. Quem trata como parte do processo volta em semanas. Ele já provou duas vezes que volta. Essa é a informação mais relevante do tópico inteiro. Agora o assunto que ele mesmo resolveu sozinho e que merece ficar registrado com os números, porque outras pessoas vão ler isso. Em março de 2016, ele relatou estar tomando OxyElite Pro. E descreveu, no segundo dia, sensação de pressão subindo, aceleração, vontade de sair correndo, sede intensa e supressão total da fome. Em 2020, ele escreveu que tinha parado de tomar aqueles venenos. Ele estava certo, e o caso é bem documentado. Em setembro de 2013, o departamento de saúde do Havaí foi notificado de um agrupamento de casos de hepatite aguda e insuficiência hepática fulminante em pessoas expostas ao OxyElite Pro. A investigação identificou 97 pessoas com hepatite aguda não viral, sendo 72 com exposição relatada a algum produto da linha. Pelo menos 47 foram internadas, ao menos 3 precisaram de transplante de fígado e houve uma morte. O produto foi recolhido pela fabricante em novembro de 2013. A formulação anterior continha DMAA, que depois foi substituído por aegelina, e foi logo após essa troca que o surto apareceu. Vale registrar, porque ele tomou em 2016, depois do recolhimento: quem compra esse tipo de produto por canais informais não tem como saber qual formulação está no pote. Os sinais que exigem médico no mesmo dia, para quem estiver usando qualquer termogênico: urina escura como chá, fezes claras, amarelado nos olhos, coceira pelo corpo sem lesão de pele, náusea persistente, dor no lado direito de cima da barriga e cansaço desproporcional. Agora sobre a ginecomastia, que ele mencionou no primeiro post e que nunca foi retomada. Ele contou que adquiriu ginecomastia por causa da obesidade e que o médico disse para perder o máximo de peso antes de operar. O médico estava certo, e vale explicar por dois motivos. Primeiro, existem duas coisas diferentes com aparência parecida. A pseudoginecomastia é acúmulo de gordura na região peitoral, e ela some com a perda de peso. A ginecomastia verdadeira é crescimento de tecido glandular, e essa não some com dieta. O exame que separa as duas é a ultrassonografia de mamas, e é ela que define se há cirurgia a fazer e de que tipo. Segundo, e é o mais interessante: o tecido adiposo é onde acontece boa parte da conversão de testosterona em estradiol, pela enzima aromatase. Quanto mais gordura, mais aromatização, mais estradiol e mais estímulo ao tecido mamário. Ou seja, a obesidade não só imita a ginecomastia como também alimenta a de verdade. Isso significa que perder peso ataca a causa hormonal, e é por isso que a orientação de operar depois faz sentido: opera-se o que sobrar, uma vez só, com o resultado estético melhor. Agora os exames que não aparecem em nenhum ponto das 59 mensagens. Um homem de 35 anos com 1,85 m e 135 kg está com índice de massa corporal em torno de 39. Nessa faixa, o que se procura é: glicemia de jejum e hemoglobina glicada, perfil lipídico completo, TGO, TGP e gama GT por causa de gordura no fígado, ácido úrico, TSH e pressão arterial aferida. E há um que quase nunca é lembrado e que pode ser decisivo para ele: apneia obstrutiva do sono. Ela é muito frequente nessa faixa de peso, e os sinais são ronco alto, pausas na respiração percebidas por quem dorme junto, sono não reparador, dor de cabeça ao acordar e sonolência durante o dia. Isso importa para o objetivo dele por um motivo prático: dormir mal sabota a perda de gordura de forma direta. Em estudo com restrição de sono e dieta hipocalórica, o grupo que dormiu pouco perdeu uma fração muito menor de gordura e uma fração muito maior de massa magra, comendo exatamente a mesma coisa. Tratar a apneia costuma destravar processos que pareciam travados por outra razão. Sobre a dieta cetogênica que ele adotou em 2019 com a nutricionista, uma observação equilibrada. Ela funciona, e para ele pode ser uma boa escolha. Só vale entender o motivo certo: quando se comparam dietas com as mesmas calorias e a mesma proteína, a diferença entre cortar carboidrato e cortar gordura é pequena ou nula. No estudo mais controlado que existe, feito em enfermaria metabólica, a restrição de carboidrato produziu menos perda de gordura que a restrição de gordura, com calorias iguais. O que a cetogênica entrega de verdade é saciedade e simplicidade de regras, e isso é decisivo para quem precisa sustentar a dieta por anos. É uma vantagem real, e é a que importa no caso dele. O que eu acrescentaria a ela é proteína. Para alguém de 114 kg em déficit, com muito peso a perder, a proteína é o que protege a massa magra, e a referência prática é usar o peso alvo em vez do peso atual: algo em torno de 1,8 a 2 g por quilo de peso desejado. Duas observações sobre o treino. A primeira é que ele escreveu estar indo à academia todos os dias. Aos 114 kg, treinar sete dias por semana sem folga é o caminho mais curto para dor articular e para a próxima interrupção. Quatro ou cinco dias, com dois de descanso, entregam o mesmo e são sustentáveis. A segunda é a que ele mesmo corrigiu em 2017 e merece elogio: em 2016 ele só fazia esteira e ia embora, e depois passou a fazer séries de membros superiores e inferiores mais o elíptico. Essa mudança é a mais importante do relato, porque treino de força é o que preserva massa magra durante a perda de peso. Sem ele, boa parte dos quilos perdidos é músculo. E uma sugestão que rende mais do que a academia inteira no caso dele: ele escreveu, no primeiro post, que é sedentário de exercícios mas ativo, que anda para lá e para cá e não para um minuto. Isso é a favor dele. O gasto com atividade fora do exercício varia muito entre pessoas, e adotar um padrão de movimentação mais alto vale em torno de 350 kcal por dia, mais do que a maioria das sessões de treino. Uma meta de passos diária é a intervenção de melhor retorno para quem já tem esse perfil. Por fim, um caminho que ninguém mencionou e que é legítimo. Com índice de massa corporal na casa de 39, e principalmente se algum dos exames acima vier alterado, existe indicação formal de tratamento medicamentoso da obesidade, e há critérios estabelecidos para avaliação cirúrgica. Isso não é atalho nem desistência: é a mesma medicina que trata pressão alta e diabetes. Vale conversar com endocrinologista, sem culpa. Se quiser refazer os números da dieta com a proteína calculada sobre o peso alvo, o site tem um gerador de dieta simulada em https://fisiculturismo.com.br/ferramentas/dieta/ . A saída é simulada e serve como rascunho para ajuste, não como prescrição. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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Mãe de 3, Estudante, Dona de Casa, Buscando qualidade de vida!
A @ladot saiu de 66,6 kg para 61,2 kg em pouco mais de três meses, sem usar nada, treinando às 18 horas com três filhos em casa. Vale começar pelo número, porque ele é melhor do que parece: 5,4 kg em cerca de quinze semanas dão aproximadamente 0,35 kg por semana. Essa é exatamente a faixa que se recomenda para preservar massa magra. Ela acertou o ritmo. Volto ao tópico por três motivos: há um dado do primeiro post que foi perguntado e nunca retomado, há um ajuste simples na dieta que renderia bastante, e o tópico termina numa pausa que merece resposta. Começo pelo dado esquecido. Ela informou três cesarianas, e o @Apollo Galeno perguntou quando tinha sido a última. Ela respondeu, três anos e meio, e o assunto não voltou. Isso importa muito para o objetivo dela, e por uma razão específica: diástase abdominal. Depois de gestações, principalmente múltiplas, os dois lados do músculo reto do abdome podem permanecer afastados, com a linha alba alargada. O resultado é uma barriga que não fica plana por mais que o percentual de gordura caia, e uma protuberância no meio do abdome ao fazer esforço. Quem tem diástase e não sabe passa anos atribuindo isso a gordura, corta cada vez mais a dieta, e não resolve, porque não é gordura. O teste é simples e ela pode fazer em casa: deitada de barriga para cima, com joelhos dobrados, levante apenas a cabeça e os ombros e passe os dedos na linha do meio da barriga, acima e abaixo do umbigo. Se houver um vão em que os dedos afundam, medindo mais de dois dedos de largura, vale levar a um fisioterapeuta pélvico ou ao ginecologista. E aqui vem a parte que contraria o que costuma circular: exercício abdominal não é proibido na diástase. A ideia de que se deve evitar abdominal e fazer apenas hipopressivos não se sustenta, e os estudos que compararam hipopressivos a controle não mostraram redução maior da distância entre os retos. O que se recomenda é trabalho de fortalecimento com progressão orientada, e não evitar o abdome. Um segundo ponto ligado às três gestações e ao parto: assoalho pélvico. Se houver escape de urina ao tossir, espirrar, pular ou fazer esforço, isso tem tratamento e não é para conviver. É fisioterapia pélvica, e funciona bem. Agora a dieta, e aqui está o ajuste com melhor retorno. Os macros dela eram 51 g de gordura, 128 g de carboidrato e 97 g de proteína. Isso dá aproximadamente 1.360 kcal. Os 97 g de proteína equivalem a cerca de 1,46 g por quilo. Para alguém em déficit calórico e treinando, a faixa que preserva massa magra fica entre 1,8 e 2,2 g por quilo, o que no caso dela daria algo entre 120 e 145 g. E isso importa mais para ela do que para a maioria, por dois motivos. Ela é iniciante, e iniciante consegue ganhar massa magra mesmo em déficit, desde que a proteína esteja adequada. E ela estava em déficit razoavelmente grande, que é justamente quando a proteína protege mais. Na prática, dá para chegar lá sem mudar a estrutura das refeições dela: subir o frango do almoço de 100 g para 150 g, acrescentar um ovo no lanche da tarde e trocar parte do arroz do jantar por mais uma porção de proteína já resolvem. Uma observação sobre a dieta ajustada que ela recebeu, que era boa: ela ficou com whey em duas refeições, no pré e no pós treino. Whey é prático e resolve, mas sai caro por grama de proteína. Ovo é a fonte mais barata do mercado brasileiro por larga margem, e para quem tem três filhos e orçamento a fazer render, essa troca libera dinheiro sem perder nada. Agora dois exames que eu pediria e que não aparecem no tópico. O primeiro é ferritina, junto com hemograma. Mulher de 29 anos, com três gestações, menstruando, comendo 1.360 kcal por dia com pouca carne vermelha, é o perfil clássico de reserva de ferro baixa. E deficiência de ferro produz exatamente cansaço, falta de disposição e queda de rendimento no treino, que é o que costuma matar projeto. É barato e pode mudar completamente a sensação de treinar às seis da manhã. O segundo é vitamina D, pelo mesmo motivo de custo e benefício. Agora o fim do tópico, que é o que mais merece resposta. Em dezembro ela escreveu pedindo desculpas por não atualizar, contou que estavam mudando de cidade, que o marido já tinha ido na frente, que ela ficou sozinha com as crianças e que estava praticamente impossível sair para treinar. E perguntou se podia dar uma pausa até se reestruturarem. Podia, claro. Mas a resposta mais útil não é sim ou não, é outra. Esse é o ponto em que a maioria dos projetos termina, e quase nunca por falta de vontade. Termina porque a rotina que sustentava tudo desapareceu de uma vez, e voltar do zero depois é psicologicamente muito mais caro do que nunca ter parado. O que funciona nessas fases é reduzir o protocolo ao mínimo que ainda conta, em vez de suspender. Alguma coisa assim: Duas sessões por semana, de trinta minutos, de corpo inteiro, em casa se preciso. Agachamento, flexão apoiada, remada com o que houver, ponte de glúteo e prancha já cobrem o essencial. Manter apenas a meta de proteína, sem pesar o resto. É a parte da dieta que protege a massa magra, e é a mais simples de acompanhar. Pesar uma vez por semana, no mesmo dia. Não para cobrar resultado, mas para não perder o contato com o número. Com isso ela não avança, e não é para avançar. É para não voltar ao ponto de partida, o que muda tudo quando a vida se organizar de novo. E vale registrar o que ela relatou no meio do caminho e que costuma ser subestimado: melhora do aspecto da pele e do intestino, e calças que estavam muito apertadas sobrando. Fita métrica e roupa são medidas melhores do que a balança, porque não oscilam com água e com ciclo menstrual. Uma mulher com três filhos, que nunca tinha treinado mais de duas semanas na vida, que montou a própria dieta, treinou às cinco da manhã, depois ajustou o horário para conseguir se dedicar melhor, e sustentou 97 por cento de aderência por meses, não tem nada a provar sobre disciplina. Se quiser recalcular os números com a proteína corrigida, o site tem um gerador de dieta simulada em https://fisiculturismo.com.br/ferramentas/dieta/ . A saída é simulada e serve como rascunho para ajuste, não como prescrição. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
Ontem
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Ciclo Oxan + Stano com 40 anos prescrito por endócrino
A @drika41 escreveu uma frase no primeiro dia do tópico que resume um dilema que aparece muito por aqui: fui ao médico para não ter erro e acontece isso. Ela procurou um endocrinologista do esporte, tinha nutricionista acompanhando, e recebeu uma prescrição. Três horas depois, o fórum disse que o médico havia se equivocado na dose e nas combinações. Ela ficou em pânico e começou a ajustar por conta. Vou dar minha leitura, porque acho que os dois lados acertaram em coisas diferentes e ninguém separou uma da outra. Primeiro, as doses isoladas. A prescrição foi oxandrolona 5 mg com stanozolol 1 mg, de oito em oito horas, ou seja, 15 mg de oxandrolona e 3 mg de stanozolol por dia. Quinze miligramas de oxandrolona está dentro da bula, que vai até 20 mg, embora acima da faixa de 5 a 10 mg mais usada em mulher. Três miligramas de stanozolol é uma dose baixa. Ou seja, o médico não prescreveu doses absurdas. Isoladamente, os números são contidos. O que de fato merecia a preocupação era outra coisa, e ela não foi bem nomeada: são três androgênios ao mesmo tempo, em alguém que nunca tinha usado nada. Oxandrolona, stanozolol e testosterona injetável, todos começando praticamente juntos. Nesse arranjo, se algo der certo, não se sabe o que funcionou. Se algo der errado, não se sabe o que causou. E não há como retirar um sem mexer nos outros. Segundo, a testosterona, que é onde o número realmente pesa. Ela informou 130 mg divididos em quatro semanas, ou seja, cerca de 30 mg por semana. A referência de testosterona total em mulher fica, na maioria dos laboratórios, entre aproximadamente 15 e 70 ng por decilitro. Trinta miligramas por semana de testosterona injetável leva uma mulher para bem longe dessa faixa, provavelmente para a faixa masculina. A estimativa que apareceu no tópico, de algo em torno de 250, é plausível em ordem de grandeza. Isso não é reposição. Reposição em mulher com testosterona baixa trabalha com doses muito menores, e o alvo é trazer o valor para dentro da faixa feminina, não ultrapassá-la. E há um agravante que foi corretamente apontado: a oxandrolona e o stanozolol derrubam a SHBG, que é a proteína que sequestra androgênio. Com a SHBG baixa, a fração livre da testosterona sobe ainda mais. Ou seja, os três compostos se potencializam, e o efeito final é maior que a soma aparente das doses. Terceiro, e é o ponto que eu mais queria deixar registrado, porque ele explica por que ela não conseguiu seguir nenhum dos conselhos que recebeu. Ela escreveu: mandei manipular, não tenho como separar as duas drogas. Esse é um problema sério de formulação, e ninguém comentou. Quando duas substâncias são manipuladas juntas numa mesma cápsula, você perde três coisas de uma vez. Não dá para ajustar a dose de uma sem mexer na outra. Não dá para retirar uma se ela produzir efeito adverso. E não dá para atribuir nenhum efeito a nenhuma delas. Foi exatamente o que aconteceu: recomendaram que ela tirasse o stanozolol, ela concordou, e a resposta possível foi tomar um comprimido por dia em vez de três, o que reduziu tudo junto, inclusive a oxandrolona. Quando o protocolo prevê ajuste, o certo é manipular separado, mesmo que saia um pouco mais caro. É a diferença entre ter e não ter controle sobre o próprio tratamento. Sobre o stanozolol em mulher, a preocupação do fórum era legítima e vale o motivo técnico. Ele é o pior de todos os androgênios para o perfil lipídico. Em estudo controlado, reduziu o HDL em 33 por cento e elevou o LDL em 29 por cento. E é dos que mais virilizam. E aqui está o exame que, no caso dela, importa mais do que qualquer outro e que precisa ser pedido explicitamente: perfil lipídico completo, com LDL, HDL, triglicérides e não HDL, antes e ao longo do uso. Ele é silencioso, não muda nada no espelho e não aparece em hemograma. Quando ela postou resultados e ouviu que estava tudo normal e controlado, a pergunta que ninguém fez foi quais exames eram. Se o perfil lipídico não estava entre eles, o principal não foi olhado. O outro que não estava na lista: os sinais de virilização não são exame, são observação. Rouquidão, voz mais grave, dificuldade nas notas altas da fala e aumento de clitóris são de parada imediata e não regridem. Acne, oleosidade, pelo, queda de cabelo e alteração de ciclo regridem. Agora onde eu discordo de uma orientação dada a ela. Foi sugerido que pedisse à nutricionista 3 g de proteína por quilo e que, se ela questionasse, respondesse que era porque queria. Duas coisas. A faixa em que o benefício da proteína se estabiliza é de 1,6 a 2,2 g por quilo, podendo subir um pouco em déficit acentuado. Três gramas não faz mal, mas não entrega nada a mais e ocupa espaço de carboidrato, que é o que sustenta o treino. E, mais importante, a nutricionista tem os exames e o histórico dela. Se a orientação do fórum for boa, ela sobrevive a ser discutida com quem acompanha. O que não funciona é impor número a profissional dizendo que é porque quer. O mesmo vale para a prescrição médica. As preocupações levantadas aqui eram pertinentes, especialmente sobre o stanozolol e sobre a dose de testosterona. O destino delas era o retorno com o endocrinologista, com as perguntas escritas, e não o ajuste por conta de uma cápsula que ela nem conseguia dividir. Duas observações finais. A primeira é sobre a testosterona que ela descreveu: injetável, sem nome no frasco, apenas com a palavra testosterona e a dosagem. Manipulado sem identificação de laboratório e sem laudo é o cenário em que todos os cálculos feitos acima passam a depender de uma declaração que ninguém verificou. A segunda é a que o @Foston levantou e que ficou sem desfecho: quatro semanas de testosterona não sobem e mantêm nada. Quando termina, volta ao ponto de partida. Se o diagnóstico era testosterona baixa, isso é tratamento contínuo com acompanhamento, e não um ciclo de quatro semanas. Se não era, então a indicação precisa ser revista. Essa pergunta era a mais importante da conversa e nunca foi respondida. Aos 40 anos, com dificuldade real de ganhar massa magra e testosterona baixa documentada, ela fez a coisa certa procurando endocrinologista e nutricionista. O que faltou não foi profissional: foi voltar até eles com as dúvidas em vez de resolvê-las sozinha. Para quem quiser entender quais exames costumam entrar antes, durante e depois, e o que cada um responde, o site tem um orientador de protocolo hormonal simulado em https://fisiculturismo.com.br/ferramentas/hormonio/ . A saída é simulada e serve como rascunho de estudo, não como prescrição. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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Testosterona gel pra mulheres
Esse tópico rendeu muita informação boa ao longo de mais de um ano, e há duas perguntas nele que ficaram sem resposta correta. Uma delas foi feita pelo próprio @fisiculturismo logo na segunda mensagem. Vou responder as duas, e antes preciso comentar o primeiro post, porque ele tem uma inversão que ninguém apontou. A @Cah83 escreveu que precisava parar a oxandrolona porque estava com o colesterol altíssimo, que tem história familiar para isso e que a oxandrolona piorou muito. E, na mesma mensagem, contou que tinha comprado testosterona em gel e começado naquele dia. O problema é que a testosterona faz a mesma coisa. A queda de HDL é o efeito adverso mais consistente de todos os androgênios, e ela acontece com a testosterona também. Ou seja, ela interrompeu um medicamento por causa de um efeito adverso e iniciou outro que produz o mesmo efeito, no mesmo dia, sem intervalo. E a história familiar que ela mencionou merece atenção maior do que recebeu. Colesterol muito alto com histórico na família levanta a hipótese de hipercolesterolemia familiar, que é bem mais comum do que se imagina, é subdiagnosticada, não responde bem a dieta e tem tratamento próprio. Vale perguntar se há caso de infarto precoce na família e levar isso ao médico com o perfil lipídico completo na mão, com LDL, HDL, triglicérides e não HDL separados. Registro também a dose: 40 mg por dia de oxandrolona durante cinco meses. A bula vai de 2,5 a 20 mg, e os 20 mg são o teto. Para mulher, a faixa usual é 5 a 10 mg. E o tempo de exposição pesa mais no risco de virilização do que a dose. O que me leva ao ponto seguinte, e é o mais importante de todo o tópico. Perguntada sobre colaterais, ela respondeu que teve muito poucos, e que às vezes a voz fica diferente, mas logo volta. Essa frase precisa ser desfeita. Alteração de voz por androgênio não é um efeito passageiro. O que acontece na laringe é hipertrofia do músculo tireoaritenóideo com espessamento da prega vocal, e prega mais espessa vibra em frequência mais baixa. Essa mudança é estrutural e não desfaz quando a substância é interrompida. Existe, sim, um componente reversível: edema de mucosa, que produz rouquidão e pigarro e que melhora. É provavelmente isso que ela sentia indo e voltando. Mas qualquer queda sustentada de tom, ou dificuldade nova nas notas altas da fala ou do canto, é a parte que fica. Depois de cinco meses em 40 mg, com relato de voz oscilando, o exame que eu faria é laringoscopia com otorrinolaringologista. É simples e mostra a prega vocal. Junto com isso, o outro sinal que não regride é o aumento de clitóris. Acne, oleosidade, pelo, queda de cabelo e alteração de ciclo regridem. Agora a pergunta do @fisiculturismo, que era se a testosterona em gel pode mesmo ser comprada em farmácia sem prescrição, e que ficou com respostas divergentes: ela disse que não precisa de receita, e o @Gamma disse que nunca tinha visto isso. O @Gamma estava certo. A testosterona de uso tópico está na Lista C5 da Portaria 344 de 1998, que é a lista dos anabolizantes. Ela exige Receita de Controle Especial em duas vias, com a primeira via retida na farmácia e a segunda devolvida ao paciente com carimbo de atendimento. A receita vale 30 dias, e a quantidade máxima por prescrição corresponde a até 60 dias de tratamento. Ou seja, não é medicamento de venda livre. Se alguma farmácia vendeu sem receita, vendeu irregularmente. Isso importa por um motivo prático além do legal: é justamente essa exigência que cria o ponto de contato com o médico, e é nesse ponto que os exames aparecem. Agora um comentário sobre a conta que o @Foston fez, porque ela está correta e merece contexto. Ele calculou que um gel a 1,2 por cento entrega 12 mg por dose, com absorção de aproximadamente 55 por cento em pentravan, resultando em 6,6 mg por dia, ou 46,2 mg por semana. A conta está certa. O que falta é a referência. Uma mulher produz naturalmente algo em torno de 0,1 a 0,4 mg de testosterona por dia. Seis vírgula seis miligramas por dia é, portanto, da ordem de vinte vezes a produção fisiológica feminina. Isso não invalida o uso, e ele foi transparente ao informar a dose. Só coloca o número no lugar: aquilo não é reposição, é dose suprafisiológica, e é por isso que produz os resultados que produz e cobra o que cobra. E vale a mesma observação que fiz em outros tópicos sobre a nandrolona que ele mencionou depois: ela tem éster longo e permanece agindo por meses após a última aplicação. Em mulher, isso significa não ter freio se um sinal irreversível aparecer. Agora o caso da @AleBraga0501, que trouxe o dado mais interessante do tópico e cuja pergunta ficou sem resposta. Ela relatou testosterona total em 25, testosterona livre baixa e SHBG em 103, com retenção de líquido e sem perder medidas. E contou que a médica prescreveu 500 mg de metformina, sem que houvesse diabetes ou alteração nos exames. A SHBG em 103 explica o quadro dela por inteiro. A SHBG é a proteína que captura a testosterona no sangue, e só a fração livre age. Com SHBG muito alta, quase tudo o que o gel entrega fica preso e indisponível. Por isso a total estava baixa e a livre estava ainda mais baixa: não é que o gel não estivesse sendo absorvido, é que o hormônio absorvido estava sendo sequestrado. E aqui está o ponto que precisa ser dito com clareza. A insulina suprime a produção hepática de SHBG. A metformina melhora a sensibilidade à insulina e, ao reduzir a insulina circulante, retira essa supressão. O resultado é que a metformina aumenta a SHBG, e a metanálise sobre o tema encontrou elevação expressiva em mulheres. Ou seja, no caso específico dela, a metformina tende a aumentar ainda mais o número que já estava alto, e a reduzir ainda mais a testosterona livre, que era exatamente o que ela queria elevar. Isso não significa que a médica errou. A metformina tem outras indicações legítimas, inclusive metabólicas, e quem examinou tinha informações que o tópico não tem. Significa que essa é uma pergunta que ela deveria levar ao retorno: se o objetivo é subir a testosterona livre, como a metformina se encaixa, dado o efeito conhecido dela sobre a SHBG. Uma última observação, sobre os contraceptivos. Foi dito no tópico que o dispositivo intrauterino hormonal não é de efeito local e que muitas mulheres podem ter tido câncer sem associar aos contraceptivos. A primeira parte está correta, e os números apresentados também: ele libera de 10 a 20 mcg de levonorgestrel por dia, contra 150 mcg por comprimido nas pílulas, e não contém estrogênio. A segunda parte merece ajuste, porque a leitura é o contrário do que os dados mostram em pelo menos um ponto importante: o dispositivo de levonorgestrel se associa a redução do risco de câncer de endométrio, e é inclusive usado no tratamento de hiperplasia endometrial. Quanto ao câncer de mama, existe associação descrita com contraceptivos hormonais, mas o aumento é pequeno em termos absolutos e precisa ser pesado contra os riscos de não usar contracepção, principalmente em quem está usando androgênio. E esse é o ponto que atravessa as 187 mensagens sem nunca aparecer: androgênios são teratogênicos e virilizam feto feminino. Não existe cenário em que a resposta certa seja usar isso sem método contraceptivo definido. Para quem quiser entender quais exames costumam entrar antes, durante e depois, e o que cada um responde, o site tem um orientador de protocolo hormonal simulado em https://fisiculturismo.com.br/ferramentas/hormonio/ . A saída é simulada e serve como rascunho de estudo, não como prescrição. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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Eduardo Correa: por que o físico muda após parar anabolizantes
Um físico menor depois dos anabolizantes não conta, sozinho, a história de quanto músculo foi perdido — e muito menos permite diagnosticar doença. A mudança de volume pode reunir perda de tecido muscular, redução de glicogênio e água, além da retirada de um estímulo hormonal que ajudava a sustentar um tamanho extraordinário. Em “Por que o físico ‘murcha’ quando o uso termina? O caso Eduardo Corrêa”, Waldemar Guimarães associa a mudança de Eduardo à interrupção do uso, que atribui a uma declaração do próprio atleta. A partir desse caso, explica a fisiologia da redução de volume e um desafio igualmente importante: construir uma identidade que não dependa de manter o corpo de competição. Eduardo Correa e a diferença entre perder volume e perder saúde A comparação entre fases da carreira de Eduardo repete uma situação observada há décadas entre fisiculturistas. Durante o auge muscular, o tamanho desperta admiração, críticas ou desconfiança. Quando diminui, aparecem surpresa e perguntas como “você está doente?”. O problema é que aparência não é exame clínico. Sem avaliações de composição corporal, histórico detalhado e exames, não é possível dizer quanto da mudança de Eduardo corresponde a proteína muscular, água ou glicogênio. Também não é possível concluir, apenas pelo físico, como está sua produção hormonal. Há uma distorção frequente nessa comparação: o extraordinário vira referência. Um tamanho mantido em condições de preparação esportiva passa a ser tratado como o padrão obrigatório daquele indivíduo. Qualquer afastamento desse padrão parece deterioração, mesmo quando a pessoa está reorganizando sua vida e suas prioridades. Isso não significa que toda mudança seja inofensiva. Significa que a pergunta sobre saúde precisa ser respondida com avaliação, não com o julgamento de duas aparências. O tamanho muscular não depende apenas de proteína Reconhecer que os anabolizantes aumentam a capacidade de ganhar massa não equivale a considerá-los seguros. Doses suprafisiológicas, acima das condições hormonais habituais do organismo, favorecem processos anabólicos. Negar esse efeito não ajuda a entender por que o corpo muda quando a exposição termina. Ao recordar seu livro Anabolismo Total, Guimarães descreve uma época em que buscava discutir esses efeitos de maneira mais franca. O balanço nitrogenado positivo era uma das explicações que utilizava: o organismo passa a reter mais nitrogênio do que elimina, algo compatível com acúmulo de proteínas. Nitrogênio é um elemento presente nos aminoácidos que formam as proteínas, não uma molécula exclusiva do músculo. Esse mecanismo continua relevante, mas não explica sozinho tudo o que aparece no espelho. O volume muscular envolve componentes diferentes: Proteínas musculares: incluem estruturas contráteis que participam da produção de força e podem aumentar com a hipertrofia. Glicogênio muscular: reserva de carboidrato dentro do músculo, que também contribui para seu conteúdo e volume. Água intracelular: participa da composição da fibra muscular e acompanha mudanças metabólicas e de armazenamento de glicogênio. Uma pesquisa com nove participantes, publicada em 2015 por Fernández-Elías e colaboradores, documentou a relação entre recuperação do glicogênio e água muscular após exercício no calor. Ela ajuda a entender por que o volume não equivale apenas a proteína, mas não estudou a retirada de anabolizantes nem permite calcular o que aconteceu com Eduardo. Nem tudo é água, e nem toda redução de volume é perda de tecido contrátil. Os dois extremos simplificam demais a fisiologia. Por que a mudança pode aparecer mesmo com o treino mantido A retirada do estímulo farmacológico não funciona como um interruptor. Dependendo da substância e da formulação, seus efeitos podem persistir após a última administração e diminuir progressivamente. Em um pequeno estudo de 1998, Ferrando e colaboradores observaram aumento da síntese proteica muscular cinco dias depois de uma aplicação de testosterona em sete homens. O resultado demonstra que o efeito pode se estender por dias, mas não estabelece um calendário universal de perda de massa após o uso. À medida que essa ação diminui, o corpo deixa de contar com o mesmo estímulo à síntese proteica e à retenção de nitrogênio. Mudanças nas reservas de glicogênio e na água muscular podem somar-se à redução de tecido muscular ao longo do tempo. A imagem de um balão que perde volume ajuda a visualizar a mudança, desde que não seja interpretada como se o músculo estivesse apenas cheio de água. O treinamento pode continuar, mas o ambiente fisiológico já não é o mesmo. Ficar menor não prova que o treino foi abandonado. Quando a produção natural de testosterona ainda não se recuperou Existe outro componente: a exposição a andrógenos pode suprimir os sinais que estimulam a produção hormonal dos testículos. Assim, o efeito externo pode estar diminuindo enquanto a produção própria de testosterona ainda está suprimida. No estudo HAARLEM, que acompanhou 100 homens, a testosterona se normalizou em até três meses após a interrupção para a maioria dos participantes. Contudo, 11% dos avaliados ainda apresentavam valores abaixo do normal ao final do acompanhamento, realizado um ano depois do início do ciclo. Portanto, recuperação frequente não significa recuperação garantida nem prazo igual para todos. Esses resultados não descrevem os exames de Eduardo. Eles explicam por que quem pretende interromper ou já interrompeu o uso precisa de avaliação individual, especialmente se perceber alterações persistentes de disposição, libido ou bem-estar. Não se deve improvisar medicamentos para tentar corrigir o quadro. Estudo de 2026: o que aconteceu três meses depois do ciclo Verdegaal e colaboradores acompanharam 79 homens, com mediana de idade de 30 anos, que decidiram usar andrógenos por conta própria. A duração mediana foi de 10 semanas, com dose semanal mediana de 600 mg. São características da exposição observada, não uma recomendação de uso. Durante o ciclo, o aumento médio foi de 4,9 kg no peso corporal e 4,4 kg de massa livre de gordura. Três meses após seu encerramento, os saldos em relação ao início eram de 1,6 kg e 1,2 kg, respectivamente. Mais da metade do ganho de massa livre de gordura, portanto, já não estava presente. A composição corporal foi estimada por bioimpedância de dupla frequência. Massa livre de gordura inclui água e outros componentes, não apenas músculo contrátil. O estudo não permite transformar toda essa redução em quilos de proteína muscular perdida. Por ser observacional, também não define quanto cada pessoa perderá. E nenhum desses números representa uma dose ou um resultado pessoal de Eduardo Correa. Memória muscular não garante manter o físico de competição O tamanho pode diminuir sem que todas as adaptações celulares desapareçam no mesmo ritmo. Uma hipótese envolve os mionúcleos, núcleos existentes nas fibras musculares que participam da regulação de suas atividades. Nielsen e colaboradores estudaram 25 homens, incluindo sete ex-usuários de anabolizantes. Nesse grupo, cerca de quatro anos após a interrupção, encontraram maior densidade de mionúcleos em fibras do tipo II em comparação com controles sem uso prévio. Esse resultado é compatível com uma possível base celular da memória muscular. Entretanto, o desenho transversal compara pessoas em um momento específico e não prova que qualquer indivíduo recuperará todo o volume, que a vantagem será permanente ou que o uso seja uma estratégia aceitável para obter benefícios futuros. Preservar uma adaptação celular não é o mesmo que preservar o tamanho do músculo. Essa distinção explica por que memória muscular e redução visual podem coexistir. Como lidar com a vida depois do auge muscular A mudança de aparência também pode mexer com pertencimento, autoestima e reconhecimento. Se o corpo se tornou a principal fonte de admiração, perder volume pode parecer perder espaço nas relações. Ao revisitar um texto escrito cerca de 30 anos antes sobre encerrar ciclos e preservar a identidade masculina, Guimarães reconhece a necessidade de atualizar esse enquadramento para um contexto em que o uso por mulheres também está mais presente. O desafio não é provar masculinidade ou feminilidade. É manter pertencimento, autoestima e vida social sem depender de um tamanho muscular específico. Pensar na vida depois do uso exige não concentrar todas as expectativas no tamanho do corpo. Algumas decisões ajudam a tornar essa ideia concreta: Separar aparência de avaliação de saúde. Uma comparação de físicos não substitui consulta, histórico e exames quando indicados. Rever a referência de normalidade. O auge competitivo não precisa funcionar como uma obrigação estética permanente. Preservar interesses fora da academia. Hobbies, convivência e atividades culturais ampliam as fontes de realização. Reconhecer pensamentos obsessivos sobre o corpo. Quando a preocupação domina a rotina ou causa sofrimento, buscar apoio psicológico é mais útil do que tentar recuperar tamanho a qualquer custo. Cultivar valores e projetos pessoais. Espiritualidade pode fazer parte desse processo para quem a considera importante, sem substituir cuidado médico ou psicológico. Também vale lembrar que beleza não é uma medida universal. Um físico extremamente hipertrofiado pode ser admirado por algumas pessoas e não representar o ideal de outras. Transformar uma preferência estética em condição para o próprio valor torna qualquer mudança mais difícil de enfrentar. No caso de Eduardo, a avaliação de Guimarães é de maturidade na maneira de atravessar essa fase, com aprendizados sobre comportamento, espiritualidade e desenvolvimento pessoal. É um reconhecimento de sua postura, não uma conclusão médica baseada na aparência. Conclusão O físico pode perder volume após a interrupção dos anabolizantes porque parte do tamanho dependia de um ambiente hormonal que deixou de existir. Proteína muscular, glicogênio, água e recuperação da produção hormonal entram nessa equação, sem que seja possível separar cada parcela por fotografias. O caso de Eduardo Correa também lembra que sair de uma fase de grande volume muscular não precisa significar perder identidade ou valor. Compreender a mudança, cuidar da saúde e cultivar uma vida que vá além do espelho são partes da mesma transição. Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação profissional. Os dados sobre exposição a esteroides não constituem prescrição, orientação para montar ciclos ou indicação de tratamento após a interrupção. FAQ Parar anabolizantes faz perder todo o músculo? Não necessariamente. A redução de volume pode combinar perda de tecido muscular e mudanças no glicogênio e na água. A quantidade preservada varia, e não é possível estimá-la apenas pelo espelho. O físico pode diminuir mesmo continuando a treinar? Sim. Manter o treino não mantém automaticamente o ambiente hormonal existente durante a exposição suprafisiológica. A redução de volume, por si só, não comprova falta de dedicação. A aparência de Eduardo Correa permite concluir que ele está doente? Não. Fotografias não estabelecem diagnóstico nem informam níveis hormonais. Qualquer conclusão sobre sua saúde exigiria dados clínicos que não podem ser deduzidos da mudança de tamanho. Memória muscular impede a perda de volume? Não. Adaptações celulares podem persistir mesmo quando o músculo diminui. Isso não garante conservar ou recuperar integralmente o físico de competição. Existe um prazo igual para a recuperação hormonal de todos? Não. Os resultados médios de pesquisas não funcionam como prazo individual. A recuperação deve ser avaliada de acordo com o histórico, os sintomas e os exames, sem automedicação. Referências GUIMARÃES, Waldemar. Por que o físico “murcha” quando o uso termina? O caso Eduardo Corrêa. [S. l.], 26 ago. 2026. YouTube. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=z0_BrivPt0A. Acesso em: 4 set. 2026. VERDEGAAL, Tijs Johannes et al. Effect of real-world androgen abuse on body composition: a prospective cohort study. The Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism, v. 111, n. 9, p. e2127–e2134, 2026. DOI: 10.1210/clinem/dgag142. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/41915785/. Acesso em: 4 set. 2026. FERRANDO, Arny A. et al. Testosterone injection stimulates net protein synthesis but not tissue amino acid transport. American Journal of Physiology, v. 275, n. 5, p. E864–E871, 1998. DOI: 10.1152/ajpendo.1998.275.5.E864. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/9815007/. Acesso em: 4 set. 2026. FERNÁNDEZ-ELÍAS, Valentín E. et al. Relationship between muscle water and glycogen recovery after prolonged exercise in the heat in humans. European Journal of Applied Physiology, v. 115, n. 9, p. 1919–1926, 2015. DOI: 10.1007/s00421-015-3175-z. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/25911631/. Acesso em: 4 set. 2026. SMIT, Diederik L. et al. Disruption and recovery of testicular function during and after androgen abuse: the HAARLEM study. Human Reproduction, v. 36, n. 4, p. 880–890, 2021. DOI: 10.1093/humrep/deaa366. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33550376/. Acesso em: 4 set. 2026. NIELSEN, Jakob Lindberg et al. Higher myonuclei density in muscle fibers persists among former users of anabolic androgenic steroids. The Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism, publicação online, 2023. DOI: 10.1210/clinem/dgad432. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37466198/. Acesso em: 4 set. 2026.
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Comer 4 ovos por dia: benefícios, colesterol e cuidados
O ovo é pobre em proteína, só 6g, 1 bife de patinho tem 25g ou mais. Na verdade acho que ele é mais usado para palatabilizar a ingestão de claras pausterizadas, peito de frango desfiado e carne moída, as claras pauterizadas sim podem acrescentar mais proteína da melhor qualidade e é um dos pilares da hipertrofia. Quatro ovos fritos têm quase 500 calorias e um bife de peito de frango tem 120...pra quem quer queimar gordura é mal negócio.
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Gestrinona em Pentravan e Testosterona Gel - Feminino
Esse tópico da @Beta1978 é um dos mais bem conduzidos do fórum, com acompanhamento médico de verdade, exames e relato honesto ao longo de dois anos. Volto a ele por causa de uma tensão clínica que atravessa o caso desde o primeiro post sem nunca ter sido nomeada, e por causa de uma substância que apareceu no fim e que merece mais atenção do que recebeu. Começo pela tensão do primeiro post. Ela contou que tem síndrome dos ovários policísticos e que usou anticoncepcional oral por 26 anos por causa disso. E o tratamento proposto foi gestrinona. A síndrome dos ovários policísticos é, por definição, uma condição de hiperandrogenismo. É o excesso de androgênio que produz a acne, o hirsutismo e boa parte da irregularidade menstrual dela, e é por isso que o contraceptivo combinado foi usado tanto tempo: ele eleva a SHBG e reduz o androgênio livre. A gestrinona é derivada da 19 nortestosterona e tem atividade androgênica. Ela é, estruturalmente, da mesma família dos trienos 19 nor, e o @Foston acertou ao notar a semelhança com a trembolona. Ou seja, a proposta era acrescentar androgênio a uma condição definida por excesso de androgênio. Isso não significa que a conduta esteja errada. Significa que ela é uma decisão que exige justificativa específica, e a justificativa depende de um dado que o tópico não trouxe: como estava a testosterona dela naquele momento. Vinte e seis anos de pílula suprimem bastante o eixo, e é possível que ela estivesse com androgênio baixo ao parar, mesmo tendo a síndrome. Ela escreveu que os exames vieram péssimos sobretudo na testosterona, mas sem dizer para que lado. E o @Foston fez exatamente essa pergunta, quando questionou se ela tinha tido colateral decorrente da síndrome e lembrou que ela pode induzir hiperandrogenismo. Era a pergunta certa, e ficou sem resposta clara. Para quem chegar aqui com quadro parecido, essa é a informação que muda tudo: mulher com síndrome dos ovários policísticos precisa saber se está com androgênio alto ou baixo antes de acrescentar androgênio, e os exames que respondem isso são testosterona total e livre, SHBG e androstenediona. Agora o segundo ponto, que é o que mais me preocupa e que apareceu em dezembro de 2018. Ela relatou estar usando hormônio do crescimento, T3 manipulado e oxandrolona. O T3 é o que merece destaque, porque é o menos discutido e o de consequência mais silenciosa. T3 exógeno em pessoa com tireoide normal desliga a produção própria. O TSH cai, a tireoide reduz a atividade, e a recuperação desse eixo leva meses depois da interrupção. Durante o uso, a pessoa fica em estado equivalente a um hipertireoidismo leve. E o problema é o que o hipertireoidismo faz com a composição corporal: a perda de peso que ele produz inclui gordura, mas inclui também massa muscular e massa óssea. Ou seja, ele acelera a perda das três coisas ao mesmo tempo, e duas delas são exatamente as que ela passou vinte anos construindo. Faço a ressalva honesta de que os dados sobre risco cardiovascular e ósseo do T3 em uso terapêutico são mistos, e há coortes longas sem excesso de fibrilação atrial ou fratura. A diferença é que essas coortes tratam pessoas com hipotireoidismo, repondo o que falta. Usar T3 em quem tem tireoide funcionante é outra coisa, e é onde o efeito muscular e ósseo pesa. Os sinais que exigem revisão imediata com o médico: palpitação, batimento irregular, tremor, insônia, intolerância ao calor, perda de peso rápida demais e fraqueza. E há uma combinação no protocolo dela que merece nota, pela própria condição que ela tem. O hormônio do crescimento antagoniza a ação da insulina no músculo e aumenta a produção hepática de glicose. Resistência à insulina é justamente um dos eixos centrais da síndrome dos ovários policísticos. É uma associação que pode ser feita com acompanhamento, mas exige olhar glicemia de jejum, insulina e hemoglobina glicada com regularidade, e isso não aparece em nenhum ponto do relato. Sobre a discussão de gel em pentravan contra implante, uma informação que faltava e que resolve parte do debate sobre preço. O uso original da gestrinona foi por via oral, em cápsulas registradas, com indicação de endometriose, e o esquema de bula era de 2,5 mg duas vezes por semana. Ou seja, a apresentação mais estudada não é nem o gel nem o implante. E não há estudos de segurança e eficácia da gestrinona por via parenteral, particularmente por implante. Isso reposiciona a conversa: a escolha entre gel e implante não é entre duas opções equivalentes de custo, é entre duas vias com pouco respaldo, sendo que uma delas, o implante, tem a desvantagem adicional de não poder ser interrompida se algo der errado. E aqui está o argumento que, no meu entender, é o mais forte a favor do gel e que ninguém usou: reversibilidade. Gel se suspende no mesmo dia. Implante não. Isso importa porque os sinais que exigem parada imediata em mulher são rouquidão, voz mais grave, dificuldade nas notas altas da fala e aumento de clitóris, e nenhum deles regride. Com um implante, não há como agir sobre eles. Uma atualização importante para quem chega a este tópico hoje, posterior a ele. Os medicamentos industrializados com gestrinona tiveram os registros cancelados no Brasil. O Conselho Federal de Medicina publicou a Resolução 2.333 de 2023, que veda a prescrição de terapias com esteroides androgênicos anabolizantes com finalidade estética, de ganho de massa muscular ou de melhora de desempenho esportivo. E a Anvisa proibiu os implantes hormonais manipulados. Isso não invalida nada do que foi relatado aqui entre 2017 e 2019, feito com acompanhamento. Muda o cenário de quem procura a mesma coisa agora. Agora respondendo à @TaiK, que chegou em janeiro de 2019 e cuja dúvida ficou pela metade. O @Foston fez a pergunta certa e vale completá-la. Ela escreveu que o médico receitou gestrinona 1 g e testosterona em pentravan gel 1 por cento. Um grama é a quantidade de gel, não a dose do hormônio. O que importa é a concentração. Se o gel é a 1 por cento, então 1 g de gel contém 10 mg de princípio ativo. Se for 0,5 por cento, contém 5 mg. Sem esse número, não dá para saber se ela estava usando dose baixa ou alta, e essa informação está na receita e na etiqueta da farmácia. Três coisas para ela, e para quem estiver na mesma situação. A primeira é que ela escreveu não ter tirado medidas nem fotos antes de começar, e não estar seguindo a dieta. Sem linha de base, não existe como avaliar resultado, e sem dieta o hormônio trabalha sozinho contra o principal fator. A segunda é o cuidado que o gel de testosterona exige e que quase nunca é dito: ele transfere por contato de pele. Parceiro, criança, qualquer pessoa que encoste na área aplicada recebe hormônio. Exige local coberto, tempo de secagem e atenção ao contato. A terceira é contracepção. Tanto a gestrinona quanto a testosterona são teratogênicas, e a gestrinona reduz a ovulação sem ser método contraceptivo confiável. Não existe cenário em que a resposta certa seja usar isso sem método definido, e esse ponto não aparece em nenhuma das 241 mensagens do tópico. Dois exames que também não aparecem e que eu colocaria na frente de qualquer outro nesse protocolo: perfil lipídico completo, porque a queda de HDL é o efeito mais consistente dos androgênios e é silenciosa, e hemograma com hematócrito. Por fim, o que a @Beta1978 fez de melhor e que merece ser dito. Ela procurou três profissionais, fez exames antes, relatou por dois anos, mudou de médico quando quis outra visão e voltou para contar. Aos 39 anos, treinando desde os 17, com uma condição crônica no meio, ela conduziu isso com muito mais método do que a maioria dos relatos daqui. As perguntas que faltaram não são falha dela: são as que ninguém do fórum fez. Para quem quiser entender quais exames costumam entrar antes, durante e depois, e o que cada um responde, o site tem um orientador de protocolo hormonal simulado em https://fisiculturismo.com.br/ferramentas/hormonio/ . A saída é simulada e serve como rascunho de estudo, não como prescrição. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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Comer 4 ovos por dia: benefícios, colesterol e cuidados
Quatro ovos por dia podem acrescentar proteína e nutrientes à alimentação. Mas a mesma quantidade não serve automaticamente para todo mundo, nem transforma um alimento em tratamento para anemia, perda de memória ou doenças cardiovasculares. Para decidir quanto comer, é preciso separar o valor nutricional do ovo das promessas feitas em seu nome. Em “Se você comer 4 ovos todo dia o que será que acontece!”, Dr. Marco Menelau defende o consumo diário de ovos caipiras e organiza os benefícios em sete áreas: músculos, peso, saúde cardiovascular e câncer, anemia, cérebro, imunidade e olhos. Esses temas ajudam a entender o alimento, desde que funções dos nutrientes não sejam confundidas com garantia de prevenir ou curar doenças. [1] Quatro ovos representam quanto de alimento? Contar unidades é prático, mas ovos têm tamanhos diferentes. Como exemplo, quatro unidades com 50 g de parte comestível cada somam 200 g, sem a casca. Usando a média da Tabela Brasileira de Composição de Alimentos para ovo inteiro cozido sem sal, essa porção fornece aproximadamente: 250 kcal de energia. 20,8 g de proteína. 17,4 g de gorduras. 2,8 g de carboidratos. 728 mg de colesterol alimentar. São valores calculados para essa massa e essa entrada da tabela, não uma composição fixa de qualquer conjunto de quatro ovos. Tamanho, amostras e preparo alteram o resultado. O ovo tem poucos carboidratos, mas não é literalmente zero carboidrato nem um alimento sem calorias. [2] A gema concentra gorduras e vários micronutrientes. A clara também fornece proteína e não deve desaparecer da conta. Há vitaminas A, D, E e B12, folato, selênio, zinco e outros minerais em quantidades diferentes. Isso não significa abundância de todas as vitaminas nem uma alimentação completa: ovos não fornecem fibras e não substituem a variedade do prato. [2] Caipira ou convencional: o que realmente observar O sistema de criação pode importar para quem valoriza bem-estar animal, características de produção e sabor. Conferir a informação do produtor e o que está declarado na embalagem é mais útil do que se orientar apenas por imagens de galinhas no campo. Galinhas livres de gaiolas não necessariamente têm o mesmo manejo que galinhas com acesso a uma área externa. Entretanto, rejeitar todo ovo convencional como se não tivesse valor nutricional não se justifica. Tampouco é correto explicar a produção avícola como uma rotina de aplicação de hormônios: o Conselho Federal de Medicina Veterinária esclarece que esse uso na criação de aves é um mito e que a legislação brasileira o proíbe. [3] Também não se pode concluir, só pelo tipo de criação, que todos os ovos convencionais tenham resíduos perigosos de antibióticos ou que todo ovo caipira esteja livre de problemas sanitários. São afirmações sobre segurança que exigem controle e avaliação, não uma dedução pela aparência. Gema mais laranja não é certificado de qualidade total A cor da gema é influenciada pelos pigmentos presentes na alimentação da galinha. Uma dieta com mais pigmentos amarelos e alaranjados pode produzir gemas mais intensas. A tonalidade não mede, sozinha, proteína, ferro, frescor ou ausência de contaminação. [4] O critério de compra deve incluir procedência, validade, integridade da casca e condições de conservação. Pagar mais por um sistema de criação pode ser uma escolha legítima, mas não é necessário atribuir poderes medicinais ao ovo mais caro. Colesterol: o que o caso dos 720 ovos demonstra Colesterol presente no alimento e colesterol medido no sangue não são a mesma coisa. A resposta depende do organismo e do conjunto da dieta. Isso não autoriza concluir que qualquer quantidade de gema seja indiferente para todos ou que o LDL deixe de merecer acompanhamento. O caso de consumo extremo associado a um estudante de medicina de Harvard é o experimento pessoal de Nick Norwitz. No relato original, de setembro de 2024, foram 24 ovos por dia durante 30 dias, totalizando 720 ovos. Os números não são 20 por dia nem 400 ou 500 no mês. [5] Segundo o próprio participante, o LDL caiu 2% nas primeiras duas semanas e mais 18% nas duas seguintes. Há um detalhe decisivo: nas duas semanas finais, ele acrescentou cerca de 60 g diários de carboidratos líquidos, principalmente de frutas. Portanto, a dieta não permaneceu igual durante todo o período. [5] Trata-se de uma experiência com uma pessoa, sem grupo de comparação, e com outra mudança alimentar simultânea. Ela não permite atribuir a queda aos ovos, recomendar 24 unidades nem garantir a segurança de quatro ovos diários para a população. Uma análise publicada no BMJ em 2020, reunindo três coortes norte-americanas e uma meta-análise atualizada, não encontrou associação geral entre consumo moderado de ovos, até cerca de uma unidade diária, e risco cardiovascular. Isso é diferente de demonstrar que quatro por dia previnem infarto ou são adequados para qualquer pessoa. [6] Cozimento: oito minutos não substituem o ponto seguro O método proposto na fonte é bastante específico: colocar os quatro ovos quando a água já estiver fervendo, contar oito minutos, retirar a água quente e resfriar rapidamente com água fria ou um banho de água com gelo. O resfriamento tem a intenção de interromper o cozimento e facilitar o descasque. [1] O tempo, porém, não garante sozinho que o centro do ovo atingiu um ponto seguro. O tamanho da unidade, a temperatura inicial e as condições de preparo variam. A orientação de segurança da FDA é cozinhar até que clara e gema estejam firmes. Para receitas cruas ou pouco cozidas, devem ser usados ovos ou produtos de ovos pasteurizados apropriados para esse uso. [7] Salmonella não é um problema restrito à sujeira visível na casca. Mesmo ovos limpos e íntegros podem estar contaminados. Uma gema cremosa na fotografia não funciona como prova de segurança alimentar. [4, 7] Ovo cru não tem vantagem automática de aproveitamento Em um estudo de 1998 com cinco pessoas com ileostomia, a digestibilidade ileal da proteína foi de aproximadamente 90,9% para ovos cozidos e 51,3% para crus. É uma pesquisa pequena e em uma população específica, mas mostra por que “cru preserva tudo” não significa “cru é melhor aproveitado”. [8] Também não existe fundamento para tratar o ovo preparado na frigideira como um alimento que perdeu toda a proteína e todas as vitaminas. Cozinhar em água evita acrescentar gordura. Outros métodos exigem atenção à gordura adicionada, ao excesso de aquecimento e ao cozimento completo. Óleo de coco ou manteiga ghee não tornam a fritura automaticamente melhor, assim como o simples uso de uma frigideira não zera o valor do alimento. Sete efeitos dos ovos na alimentação, com seus limites 1. Proteína para os músculos, junto com treino e dieta suficiente Os aminoácidos funcionam como unidades de construção das proteínas. O ovo oferece proteína de boa qualidade e pode ajudar a compor a alimentação de quem faz musculação ou precisa preservar massa muscular. O benefício depende também do treinamento e da quantidade de proteína e energia no conjunto da dieta, não apenas de comer quatro unidades. Não é necessário considerar o ovo superior a toda carne, peixe ou outra fonte proteica para reconhecer seu valor. Também não cabe fixar uma digestão de 30 minutos para ovos e duas horas para carne: tempo no estômago e aproveitamento dos aminoácidos não são a mesma medida. A albumina ingerida não vai intacta diretamente para o sangue. As proteínas passam por digestão antes de serem absorvidas. Usar alimentos para alcançar as necessidades proteicas pode dispensar um shake em algumas rotinas. Em outras, um suplemento é uma opção de conveniência. A decisão não precisa ser uma disputa entre “natural” e “artificial”, mas uma avaliação de quanto falta na alimentação e de como completar essa necessidade. 2. Saciedade pode ajudar no controle do peso Uma refeição com ovos pode ajudar a controlar a fome, mas não provoca emagrecimento independentemente do restante da alimentação. Adicionar quatro ovos sem ajustar nada também acrescenta energia. Pouco carboidrato não significa que as calorias deixaram de importar. Em um ensaio com 152 adultos, um café da manhã com dois ovos, consumido em pelo menos cinco dias da semana, foi comparado a outro com bagel e energia semelhante. Após oito semanas, o grupo que combinou ovos com dieta de energia reduzida teve maior perda de peso. Sem a orientação de redução energética, não houve diferença significativa de emagrecimento entre os cafés da manhã. [9] Isso sustenta o uso dos ovos como parte de uma estratégia alimentar, não como um queimador de gordura. Tampouco a presença de vários nutrientes garante que uma dieta baseada quase só em ovos seja completa ou evite todas as deficiências. 3. Nutrientes não garantem prevenção de câncer e infarto Vitaminas A e E participam de funções importantes do organismo. A B12 participa do metabolismo da homocisteína. Nenhum desses fatos, isoladamente, demonstra que quatro ovos por dia previnam câncer ou infarto. A diferença entre mecanismo e resultado clínico é importante: em um ensaio com 5.522 pessoas com doença vascular ou diabetes, a suplementação com ácido fólico e vitaminas B6 e B12 não reduziu significativamente o conjunto de eventos cardiovasculares maiores. A existência de um nutriente no alimento não autoriza prometer prevenção de infarto. [10] Ovos podem integrar uma alimentação saudável. Não devem ser apresentados como substitutos da avaliação do risco cardiovascular, de tratamentos indicados ou de medidas de prevenção de câncer. O acompanhamento do colesterol precisa considerar o quadro individual, e não uma experiência extrema divulgada na internet. 4. Ferro, folato e B12 não transformam ovo em tratamento para anemia O ferro participa da formação da hemoglobina. Folato e vitamina B12 são importantes para a produção adequada de células sanguíneas. Mas anemia tem causas diferentes, e comer ovos não identifica nem necessariamente corrige a causa. O NIH informa cerca de 1 mg de ferro em um ovo grande cozido. Já suplementos apenas de ferro frequentemente fornecem dezenas de miligramas, como 65 mg de ferro elementar em algumas apresentações. A comparação ilustra a diferença de escala, não uma dose a ser escolhida sem orientação. [11] Não substitua o sulfato ferroso ou outro tratamento prescrito por ovos. É incorreto afirmar que o ovo fornece necessariamente mais ferro que um comprimido ou que o medicamento não funciona. Intolerância, resposta insuficiente ou dúvida sobre o tratamento devem ser discutidas com o profissional responsável. 5. Colina contribui para funções cerebrais, sem promessa de memória em um mês A gema é uma fonte relevante de colina, nutriente necessário à produção de acetilcolina e de componentes das membranas celulares. Um ovo grande cozido fornece aproximadamente 147 mg, segundo o NIH. Colina é um nutriente essencial, não deve ser chamada simplesmente de vitamina B8. [12] Isso não comprova que comer quatro ovos diariamente resolva esquecimento, falta de foco ou dificuldade para acompanhar um parágrafo em um mês. Função biológica de um nutriente não equivale a um prazo garantido de melhora cognitiva. A evidência sobre aumentar a ingestão de colina e melhorar a cognição ainda é limitada. [12] Vitaminas do complexo B e os ácidos graxos presentes no alimento fazem parte da alimentação, mas sua existência não transforma o ovo em remédio para perda de memória. Queixas persistentes merecem avaliação, em vez de esperar que um alimento resolva tudo. 6. Selênio e zinco participam da imunidade normal O sistema imunológico precisa de nutrientes como selênio e zinco para funcionar adequadamente. Corrigir uma deficiência é diferente de elevar indefinidamente a defesa do organismo com mais alimento ou suplemento. [13] Ovos podem contribuir para a ingestão desses minerais. Não há, por isso, uma garantia de que quatro por dia façam alguém pegar menos gripe, resfriados ou viroses. Um alimento nutritivo não cria uma proteção específica contra infecções. 7. Luteína e zeaxantina interessam à saúde dos olhos A gema fornece carotenoides como luteína e zeaxantina, relacionados à pigmentação e de interesse para a saúde ocular. Porém, a intensidade da cor não informa com precisão a dose de cada composto nem garante prevenção de degeneração macular. As pesquisas AREDS e AREDS2, conduzidas pelo National Eye Institute, investigaram formulações específicas de suplementos para pessoas em determinadas fases da degeneração macular relacionada à idade. Elas não demonstram que quatro ovos previnam o aparecimento da doença e não devem ser traduzidas como uma receita alimentar equivalente ao tratamento estudado. [14] O benefício possível é contribuir para uma dieta nutritiva. Alterações visuais e acompanhamento de doenças dos olhos continuam exigindo avaliação oftalmológica. Como decidir se quatro ovos cabem na sua rotina O número diário deve responder a uma necessidade alimentar, não a uma promessa de saúde universal. Antes de adotar quatro ovos todos os dias, vale considerar: Quantidade total: quanto de proteína e energia já existe no restante das refeições? O exemplo de quatro ovos não é uma obrigação nem a única maneira de completar proteína. O que será substituído: os ovos entram no lugar de outro alimento ou apenas aumentam uma alimentação que já atende às necessidades? Histórico e resposta individual: colesterol elevado, doença cardiovascular e outras condições justificam discutir frequência, porção e acompanhamento com médico ou nutricionista. Segurança e variedade: procedência e cozimento importam. Ovos não devem ocupar o lugar de todos os demais grupos de alimentos nem de tratamentos prescritos. Conclusão Comer ovos pode ajudar a fornecer proteína, colina e micronutrientes, além de contribuir para a saciedade. O preparo bem cozido e a escolha de um produto de procedência confiável são cuidados concretos. Não é necessário demonizar o alimento por conter colesterol, nem atribuir a ele poderes de medicamento. Quatro ovos por dia são uma quantidade a contextualizar, não uma recomendação universal. Mais importante que repetir esse número é ajustar a porção à dieta, observar a resposta individual e não trocar tratamento de anemia, avaliação de memória ou prevenção cardiovascular por uma promessa alimentar. Esta matéria é informativa e não substitui avaliação profissional. FAQ Posso comer quatro ovos todos os dias? Não existe uma resposta única. A porção depende das necessidades, do restante da dieta e do histórico de saúde. Estudos sobre consumo moderado não comprovam que quatro por dia sejam adequados para todos. Ovo caipira é o único que tem benefícios? Não. O ovo convencional também fornece nutrientes. O sistema de criação pode orientar preferências, mas gema alaranjada e preço maior não são garantias de superioridade nutricional em todos os aspectos. Oito minutos de cozimento deixam qualquer ovo seguro? Não necessariamente. Tamanho e temperatura inicial influenciam o resultado. O critério de segurança é clara e gema firmes, não apenas o cronômetro. [7] Comer ovo substitui o ferro prescrito para anemia? Não. Anemia exige investigação e tratamento conforme a causa. O ovo não é equivalente a uma dose terapêutica de ferro e não justifica suspender a medicação. [11] Quatro ovos por dia fazem emagrecer ou melhoram a memória em um mês? Não há garantia desses resultados. Saciedade pode ajudar uma estratégia alimentar, enquanto colina contribui para funções normais do organismo. Isso não equivale a emagrecimento automático nem a tratamento de problemas de memória. Referências MENELAU, Marco. Se você comer 4 ovos todo dia o que será que acontece! [S. l.], 23 ago. 2026. YouTube, 21 min 13 s. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=7ysjKrwOwbY. Acesso em: 4 set. 2026. TABELA BRASILEIRA DE COMPOSIÇÃO DE ALIMENTOS. Ovo, galinha, inteiro, cozido, s/ sal, Brasil: média de várias amostras. Código BRC0010J. São Paulo: USP/FoRC, [s.d.]. Disponível em: https://www.tbca.net.br/base-dados/int_composicao_estatistica.php?n0REd3kv7e86D%2BViXWYUnQ%3D%3D=eLfu6UDeKVunpDwry%2FKA1A%3D%3D. Acesso em: 4 set. 2026. CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA VETERINÁRIA. Uso de hormônios na criação de aves é mito. Brasília, 22 dez. 2016. Disponível em: https://www.cfmv.gov.br/uso-de-hormonios-na-criacao-de-aves-e-mito/comunicacao/noticias/2016/12/22/. Acesso em: 4 set. 2026. UNITED STATES DEPARTMENT OF AGRICULTURE. Shell Eggs from Farm to Table. Food Safety and Inspection Service, [s.d.]. Disponível em: https://www.fsis.usda.gov/food-safety/safe-food-handling-and-preparation/eggs/shell-eggs-farm-table. Acesso em: 4 set. 2026. NORWITZ, Nick. I Ate 720 Eggs in 1 Month. Here's What Happened to my Cholesterol. [S. l.], 9 set. 2024. YouTube. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=bhUMUCoJOsc. Acesso em: 4 set. 2026. DROUIN-CHARTIER, Jean-Philippe et al. Egg consumption and risk of cardiovascular disease: three large prospective US cohort studies, systematic review, and updated meta-analysis. BMJ, v. 368, m513, 2020. DOI: 10.1136/bmj.m513. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32132002/. Acesso em: 4 set. 2026. FOOD AND DRUG ADMINISTRATION. What You Need to Know About Egg Safety. [S. l.], [s.d.]. Disponível em: https://www.fda.gov/food/buy-store-serve-safe-food/what-you-need-know-about-egg-safety. Acesso em: 4 set. 2026. EVENEPOEL, P. et al. Digestibility of cooked and raw egg protein in humans as assessed by stable isotope techniques. The Journal of Nutrition, v. 128, n. 10, p. 1716–1722, 1998. DOI: 10.1093/jn/128.10.1716. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/9772141/. Acesso em: 4 set. 2026. VANDER WAL, J. S. et al. Egg breakfast enhances weight loss. International Journal of Obesity, v. 32, n. 10, p. 1545–1551, 2008. DOI: 10.1038/ijo.2008.130. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/18679412/. Acesso em: 4 set. 2026. LONN, Eva et al. Homocysteine lowering with folic acid and B vitamins in vascular disease. The New England Journal of Medicine, v. 354, n. 15, p. 1567–1577, 2006. DOI: 10.1056/NEJMoa060900. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/16531613/. Acesso em: 4 set. 2026. NATIONAL INSTITUTES OF HEALTH. Iron: Health Professional Fact Sheet. Office of Dietary Supplements, [s.d.]. Disponível em: https://ods.od.nih.gov/factsheets/Iron-HealthProfessional/. Acesso em: 4 set. 2026. NATIONAL INSTITUTES OF HEALTH. Choline: Health Professional Fact Sheet. Office of Dietary Supplements, [s.d.]. Disponível em: https://ods.od.nih.gov/factsheets/Choline-HealthProfessional/. Acesso em: 4 set. 2026. NATIONAL INSTITUTES OF HEALTH. Dietary Supplements for Immune Function and Infectious Diseases: Health Professional Fact Sheet. Office of Dietary Supplements, [s.d.]. Disponível em: https://ods.od.nih.gov/factsheets/ImmuneFunction-HealthProfessional/. Acesso em: 4 set. 2026. NATIONAL EYE INSTITUTE. AREDS/AREDS2 Clinical Trials. [S. l.], [s.d.]. Disponível em: https://www.nei.nih.gov/eye-health-information/clinical-trials/age-related-eye-disease-studies-aredsareds2/about-areds-and-areds2. Acesso em: 4 set. 2026.
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NOVO RELATO DO POKOYO e o segredo do emagrecimento.
O @Pokoyô fez uma pergunta na quarta mensagem deste tópico, em 2016, e ela ficou sem resposta por quatro anos. Ele voltou ao assunto várias vezes, testou dieta atrás de dieta, e terminou em 2020 dizendo que ainda estava procurando o segredo. A pergunta era esta: se é boa ideia não usar proteína alta na musculação natural, já que naturais têm poucos hormônios para aproveitar muita proteína. Ele usava 1 g por quilo, ou seja, cerca de 70 g por dia, dentro de uma dieta de 1.500 a 1.600 kcal. A resposta é o inverso da intuição dele, e essa inversão explica boa parte da história do tópico. Quem não usa hormônio precisa de mais proteína por quilo, não de menos. E a necessidade sobe ainda mais em déficit calórico, que era exatamente a situação dele. A revisão sistemática de referência sobre atletas treinados e magros em restrição calórica conclui que a faixa fica entre 2,3 e 3,1 g por quilo de massa livre de gordura, e que ela sobe quanto mais severo é o corte e mais magra é a pessoa. Fazendo a conta com os números dele: 69,6 kg, e supondo algo em torno de 18 por cento de gordura, dá aproximadamente 57 kg de massa livre de gordura. A faixa recomendada seria de aproximadamente 130 a 175 g de proteína por dia. Ele estava em 70 g. Menos da metade do piso. Isso importa porque perder peso em déficit com proteína baixa custa massa magra. E massa magra perdida reduz o gasto de repouso, o que torna os quilos seguintes mais difíceis. É o mecanismo mais provável por trás dos últimos dois quilos que ele perseguiu por anos. Agora a parte mais interessante, que é o argumento que ele usou para justificar a proteína baixa. Ele escreveu que proteína é ineficiente para gerar energia, com apenas 30 a 60 por cento sendo convertida. Essa observação está correta, e é justamente por isso que a conclusão precisa ser a oposta. Essa ineficiência tem nome: efeito térmico do alimento. A proteína gasta de 20 a 30 por cento das próprias calorias apenas para ser digerida e metabolizada. O carboidrato gasta de 10 a 15 por cento, e a gordura de 0 a 10 por cento. Ou seja, 100 kcal de proteína entregam efetivamente entre 70 e 80 kcal ao organismo. Cem calorias de gordura entregam de 90 a 100. Para alguém tentando baixar percentual de gordura, essa ineficiência é a vantagem, não o defeito. Ele descartou o macronutriente exatamente pela característica que mais o favorecia. E há um segundo efeito que se encaixa com outra coisa que ele escreveu. Ele contou que ajustou a dieta para não sentir fome. A proteína é o macronutriente mais saciante dos três. Ela era a ferramenta que resolveria o problema que ele estava tentando resolver por outros caminhos. Agora o ponto que ele mesmo levantou e não explorou, e que no meu entender é o segredo que ele procurava no título do tópico. Ele escreveu que não tinha nível de atividade elevado no dia a dia, que fazia apenas uma caminhada de doze minutos, musculação três vezes por semana, e que cada sessão gastava entre 250 e 350 kcal. Vamos fazer a conta que ele não fez: 300 kcal, três vezes por semana, dão cerca de 130 kcal por dia quando se distribui pela semana. Somando a caminhada de doze minutos, algo em torno de 180 kcal por dia. O treino inteiro dele representava menos de 200 kcal diárias. Enquanto isso, existe o gasto energético de atividade não relacionada ao exercício, que é tudo o que se gasta andando, ficando em pé, subindo escada e se deslocando. A variação desse gasto entre duas pessoas do mesmo tamanho pode chegar a 2.000 kcal por dia. E estima-se que uma pessoa sedentária que adote o padrão de movimentação de uma pessoa magra gaste cerca de 350 kcal a mais por dia. Trezentas e cinquenta calorias é quase o dobro de todo o gasto de treino dele. Ou seja, a variável com maior potencial de mudança no caso dele não estava na academia nem na proporção de macronutrientes. Estava nas horas em que ele não estava fazendo nada. Uma meta de passos diária teria feito mais do que qualquer uma das dietas testadas nesses quatro anos. Sobre a divisão entre ecto e endo, que ele usou várias vezes para explicar as diferenças entre ele e o @Batata..., vale um ajuste. Os somatotipos vêm de uma classificação dos anos 1940, criada a partir de observação visual, sem consistência entre avaliadores, e que foi progressivamente abandonada porque não prediz resposta metabólica nem resposta a dieta. O que se observa hoje é que composição corporal é resultado de alimentação, atividade e histórico, e não de uma categoria fixa. E existe uma explicação melhor para a diferença que ele notou. O @Batata... é alguém que se descreve como muito ativo. O @Pokoyô descreveu doze minutos de caminhada por dia. A diferença que ele atribuía a biotipo tem um nome mais simples e, o que é melhor, é modificável. Sobre as estruturas de dieta que ele testou ao longo dos anos, e ele testou quase todas: cetogênica, ciclo de carboidratos, quatro dias cetogênicos com dois dias de mais carboidrato, low carb parcial. Vale a informação que fecha esse ciclo de tentativas. Quando se comparam essas estruturas com calorias e proteína igualadas, a diferença de resultado é pequena ou nula. No estudo mais controlado que existe, feito em enfermaria metabólica, a restrição de carboidrato produziu 53 g de gordura perdida por dia e a restrição de gordura produziu 89 g, com as mesmas calorias. Ou seja, não havia segredo escondido em nenhuma das estruturas. O que decide é o balanço calórico, a proteína adequada e a aderência. E aqui o @Pokoyô já tinha chegado sozinho à conclusão certa, duas vezes. Em 2020 ele escreveu que a dieta com quatro dias cetogênicos prejudicava muito a qualidade de vida e só servia para pessoas obstinadas. E, no fim, definiu a própria filosofia como comer moderadamente, sem excesso de nenhum macronutriente. Ele estava certo. O que faltava era só corrigir a proteína para cima e acrescentar movimento fora da academia. Duas observações menores. O @Mestre trouxe uma contribuição honesta e correta ao dizer que é muito suscetível a queda de rendimento quando baixa o carboidrato e que isso varia entre pessoas. Isso é real, e é uma das razões legítimas para escolher uma estrutura em vez de outra: não porque uma queime mais gordura, mas porque uma é sustentável para aquela pessoa e a outra não. E, sobre a rotina caseira que ele montou em 2020, com barra fixa, flexões e abdominais, ela é boa e resolve manutenção. O único ajuste que eu faria é a distribuição: cinco dias com um grupo por dia deixa cada músculo sendo treinado uma vez por semana. Com o volume igualado, treinar cada grupo duas vezes rende mais. Dois ou três dias com o corpo inteiro entregariam mais no mesmo tempo. Por fim, sobre o vídeo que ele postou em 2020 dizendo que naturais não desenvolvem muito, e o "porém" que ele escreveu logo depois. Aquele porém estava certo. Alguém de 1,64 m que atravessa quatro anos registrando dieta, treinando três vezes por semana sem parar e voltando ao tópico para corrigir as próprias conclusões, inclusive quando elas o desfavoreciam, já demonstrou a única coisa que de fato separa quem chega de quem não chega. Se quiser refazer os números com a proteína corrigida, o site tem um gerador de dieta simulada em https://fisiculturismo.com.br/ferramentas/dieta/ . A saída é simulada e serve como rascunho para ajuste, não como prescrição.
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Nhoque de Mandioquinha com Aveia
Sabe aquela frustração de criar contas em várias corretoras só para fazer uma troca simples? A Godex elimina esse problema completamente. Inspirada pela ideia original de anonimato das criptomoedas, a plataforma não coleta dados pessoais e não exige registro. Você pode trocar mais de 300 criptomoedas de forma rápida e segura, sem burocracia. Para quem precisa de um conversor de criptomoeda rápido e sem complicações, a Godex é uma excelente opção. A taxa de câmbio é fixada no momento da confirmação e a execução da ordem leva de 5 a 30 minutos. A plataforma está disponível 24 horas por dia, 7 dias por semana. É a ferramenta que faltava para quem quer fazer trocas sem dor de cabeça.
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Serg Zorg começou a seguir Nhoque de Mandioquinha com Aveia
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Serg Zorg entrou na comunidade
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1° Ciclo Oxandrolona - comprei 100 cápsulas de 10mg
O @Pierre1980 abriu esse tópico com uma premissa que merece ser testada, porque ela é a razão pela qual muita gente começa a ciclar cedo demais. Ele escreveu que, aos 37 anos, com cinco anos de treino, tinha chegado ao máximo natural. Dá para verificar isso com uma conta, e ela é simples. Existe um índice usado para estimar quanto de massa magra uma pessoa carrega em relação à altura, chamado índice de massa livre de gordura. Ele foi calculado num estudo com 157 atletas, comparando usuários e não usuários de esteroides. Os que nunca tinham usado ficaram todos abaixo de 25. Os usuários iam de 25,4 a 32,4. Vale a ressalva de que esse limite é descritivo, não é uma barreira física, e existem naturais documentados em 26 ou 27. Mas ele serve como régua. Fazendo a conta com os números dele: 1,69 m e 71 kg. Mesmo supondo um percentual de gordura otimista, ele fica na faixa de 20 a 21. Ou seja, ele não estava no máximo natural. Estava a uma distância considerável dele, e essa distância representa vários quilos de massa magra ainda disponíveis sem nada. E há um segundo dado no tópico que confirma isso. Quando ele postou a foto, o comentário que recebeu foi que havia volume na parte superior, mas que uma camada de gordura impedia a definição e que as pernas eram zero. Isso não é descrição de alguém que esgotou o potencial. É descrição de alguém com um grupo muscular inteiro sem treino e com percentual de gordura acima do que ele gostaria. As duas coisas se resolvem com treino e dieta, e nenhuma delas se resolve com oxandrolona. Cinco anos treinando não significa cinco anos progredindo. Se as pernas estão para trás e a dieta não está fechada, o que travou não foi a genética. Agora a escalada que aconteceu no tópico, que é o motivo principal de eu ter voltado. Ele chegou propondo 30 mg por dia durante quatro semanas. Foi corretamente advertido de que aquilo suprimiria o eixo, e ainda assim decidiu seguir. Depois cogitou 20 mg por 50 dias. E, na última mensagem, o @Batata... sugeriu comprar mais produto e fazer 6 a 8 semanas com pelo menos 50 mg por dia, com o argumento de que, já que ia mexer com o eixo mesmo, então que valesse a pena. Ele respondeu que aquilo o animou e que ia para cima. Preciso desmontar esse argumento, porque ele é sedutor e circula muito. A premissa é que a supressão do eixo é um interruptor: ou você mexe ou não mexe. Não é. Ela é dependente de dose e de tempo, e o mesmo vale para tudo o mais que importa. A oxandrolona é 17 alfa alquilada, e a hepatotoxicidade dessa classe cresce com a dose e com a duração. A queda de HDL cresce com a dose. A profundidade da supressão cresce com a dose, e o tempo até o eixo voltar cresce com a duração. Então passar de 30 mg por quatro semanas para 50 mg por oito semanas não é apenas aproveitar melhor um custo já pago. É multiplicar por mais de três a exposição total, com aumento proporcional em cada um desses eixos. E há o número de referência: a bula da oxandrolona vai de 2,5 a 20 mg por dia, e os 20 mg são o teto. Cinquenta miligramas é duas vezes e meia o máximo terapêutico. Vale ainda notar que a resposta da oxandrolona não cresce proporcionalmente à dose. Passado certo ponto, os receptores já estão ocupados e o que continua subindo é o custo. Os 50 mg não entregam o dobro do resultado de 25 mg. Sobre a informação de que 15 mg suprimem 30 a 40 por cento do eixo em cinco dias, ela está na direção certa e há dados que a sustentam. Em estudo com dose de apenas 2,5 mg por dia durante três meses, o LH caiu de 1,7 para 1,1 e a testosterona sérica caiu praticamente pela metade. Com 30 ou 50 mg, a supressão é bem maior. E aqui está o ponto que fecha o argumento contra o oral isolado, e que o visitante que respondeu tinha razão em levantar. A oxandrolona desliga a produção própria e não repõe à altura, porque ela é fraca como androgênio sistêmico. O usuário fica com a testosterona no chão e sem substituto equivalente, e daí vêm o cansaço, a libido baixa e a dificuldade de manter o pouco que ganhou. Agora respondendo ao que ele perguntou duas vezes e nunca foi respondido, que era o que fazer de terapia pós ciclo. Ela não é uma lista de comprimidos. É a resposta a uma pergunta: o eixo voltou? E isso se responde com exame, não com calendário. O que faz sentido, na ordem: Antes de tudo, exames de base: testosterona total e livre, LH, FSH, estradiol, hemograma com hematócrito, perfil lipídico e perfil hepático. Sem o valor de antes, nada do que vier depois significa alguma coisa. Depois do fim, esperar a droga sair, o que com a oxandrolona é rápido, porque a meia vida dela é de cerca de nove horas. Então repetir LH, FSH e testosterona. Se o LH voltou, o eixo religou. Se não voltou, aí existe indicação de tratamento, com médico. O quadro tem nome na medicina: hipogonadismo induzido por androgênio exógeno. E o profissional que mais lida com isso é o urologista com foco em saúde do homem. Aos 37 anos, esse cuidado pesa mais do que aos 20, porque a produção própria já não está no pico e a recuperação tende a ser mais lenta. Uma última observação sobre a frase que apareceu duas vezes: já comprei, não queria desperdiçar. Cem cápsulas compradas não são um compromisso assumido. Se sobrar produto ao fim do que faz sentido, o certo é sobrar. E, no caso dele, o mais provável é que o dinheiro melhor empregado fosse em nenhuma cápsula. O que eu faria no lugar dele: seis meses treinando pernas de verdade, duas vezes por semana, com carga registrada, e a dieta com número em vez de impressão. Alguém com 1,69 m e 71 kg, longe do teto estimado e com um grupo muscular inteiro atrasado, tem muito mais a ganhar aí do que com qualquer coisa discutida neste tópico. Se quiser reorganizar a divisão para incluir inferiores com frequência adequada, o site tem um orientador de treino simulado em https://fisiculturismo.com.br/ferramentas/treino/ . A saída é simulada e serve como rascunho para ajuste, não como prescrição. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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Laércio Refundini: por que é difícil parar de usar anabolizantes
Saber que um hábito cobra um preço não significa conseguir abandoná-lo. Quando músculos passam a representar reconhecimento, proteção e valor pessoal, diminuir o físico pode parecer uma perda de identidade. É esse conflito que Laércio Refundini expõe em “Por que quero voltar a ser Natural... Mas não consigo”, ao discutir por que desejava interromper os anabolizantes depois de aproximadamente 20 anos de uso. O depoimento é de fevereiro de 2024. Naquele momento, ele já havia deixado as competições, reduzido o peso de cerca de 120 para 104 kg e mantinha testosterona em uma dose que descrevia como reposição. O desejo de parar ainda não era uma interrupção concluída. Sua dificuldade principal era aceitar um corpo menor sem sentir que também se tornaria uma pessoa menor. [1] Quando o campeonato deixou de compensarDurante a fase competitiva, o troféu ocupava o centro das decisões. Dificuldades que prejudicavam a rotina pareciam toleráveis porque estavam subordinadas à preparação. Com o tempo, essa balança se inverteu: o custo de manter o físico passou a pesar mais que a próxima disputa. Os exemplos pessoais são concretos. Ele descreve dificuldade para calçar meias por causa do tamanho corporal, falta de ar ao subir escadas, desconforto para permanecer em pé e dores nas articulações. A aparência que impressionava no palco não se traduzia, necessariamente, em facilidade para realizar tarefas comuns. O desgaste também alcançava as relações e o trabalho. Segundo seu relato, a então esposa não gostava dos períodos de preparação, e ele passou a reconhecer que podia ficar mais difícil de conviver. Como personal trainer, percebia uma perda de alunos durante essas fases e uma recuperação depois das competições. Essa sequência descreve sua experiência, mas não permite atribuir cada mudança de comportamento exclusivamente aos hormônios. A decisão de recusar uma nova preparação ganhou força em uma conversa com o gerente de operações, também amigo próximo. O recado foi que, quando entrava em preparação, a equipe deixava de poder contar com ele. Havia projetos em andamento que precisavam de sua participação. Continuar competindo significava prejudicar responsabilidades que já haviam se tornado mais importantes. Parar de competir, porém, não foi o mesmo que parar de usar testosterona. Primeiro veio a saída dos palcos. Depois, a manutenção de um físico menor com uso hormonal ainda presente. Só então a possibilidade de abandonar também essa etapa passou a ser discutida. De 120 para 104 kg: a meta passou a ser viver melhorCom 1,80 m de altura, o peso informado no depoimento era de aproximadamente 104 kg, depois de já ter chegado a 120 kg. São cerca de 16 kg de diferença entre os dois marcos, sem informação suficiente para separar quanto dessa mudança correspondeu a músculo, gordura ou água. A meta pessoal era ficar abaixo de 100 kg. Não porque esse número seja uma fronteira universal entre saúde e doença, mas porque ele associava pesos menores a uma rotina mais confortável. Calçar uma meia, caminhar, subir escadas e dormir melhor haviam ganhado importância em relação ao tamanho máximo possível. O IMC de 32,1 não conta a história inteiraPara 104 kg e 1,80 m, o cálculo de peso dividido pela altura ao quadrado resulta em IMC de aproximadamente 32,1 kg/m². Numericamente, o valor está na faixa de obesidade grau I do índice. Isso não basta, isoladamente, para diagnosticar excesso de gordura em uma pessoa muito musculosa. O CDC esclarece que o IMC não distingue gordura, músculo e massa óssea. A avaliação individual precisa considerar também histórico, exame físico e outros dados clínicos. Logo, não é correto concluir que 104 kg formados por diferentes proporções de tecidos representam necessariamente o mesmo risco. [2] Também não é correto usar a musculatura para descartar sintomas. Falta de ar, dor e sono comprometido merecem investigação, independentemente da aparência. A meta abaixo de 100 kg pertence à experiência descrita, não a uma regra segundo a qual o corpo humano não poderia ultrapassar esse peso. Apneia e CPAP: o sono entrou na contaOutro motivo para desejar a redução corporal era o sono. Laércio afirmou ter apneia do sono e dormir com uma máscara conectada a um CPAP. O aparelho fornece pressão positiva contínua para ajudar a manter as vias aéreas abertas durante o sono. Não é um recurso para aumentar músculos, mas um tratamento respiratório. [1, 3] Na apneia obstrutiva, a passagem de ar pode se estreitar ou bloquear durante o sono. Obesidade, características do pescoço, língua e amígdalas, idade e outros fatores podem contribuir. Reduzir a explicação a “músculos do pescoço que pesam e fecham a garganta” deixa de fora a complexidade do problema. [4] O ponto relevante para a decisão pessoal era simples: um físico valorizado esteticamente podia coexistir com uma necessidade concreta de tratamento. Querer dormir melhor passou a fazer parte da comparação entre manter o tamanho e reduzir o peso. Emagrecer ou se sentir melhor não é motivo para abandonar o CPAP por conta própria. A necessidade e os ajustes do tratamento devem ser reavaliados pelo profissional responsável. [3] Usar menos testosterona não resolve toda a questãoA dose de testosterona durante a fase competitiva era descrita como maior que a utilizada no momento do depoimento. Ele também dizia ter conhecido pessoas que usavam três ou quatro vezes o que ele usava. Essa comparação não estabelece uma dose segura: o fato de alguém usar mais não comprova que a exposição menor esteja livre de efeitos adversos. Não foram informados miligramas, frequência de aplicação ou exames que permitam avaliar o esquema individual. A expressão “dose de TRT” é a descrição pessoal de uma terapia de reposição de testosterona, não uma confirmação independente de indicação clínica. A comparação com homens de 50 ou 60 anos que fazem reposição também não transforma idade em critério suficiente para tratamento. Na diretriz da Endocrine Society, o diagnóstico de hipogonadismo exige sinais ou sintomas compatíveis e concentrações de testosterona consistentemente baixas, com confirmação laboratorial. A decisão de tratar envolve investigar a causa e acompanhar a resposta e os efeitos adversos. Não é apenas escolher uma dose menor que a de um ciclo. [5] A mesma diretriz recomenda não iniciar testosterona em homens com apneia obstrutiva grave não tratada, entre outras situações. Isso reforça a importância de avaliar o sono, mas não permite julgar a indicação individual de alguém que relata usar CPAP e não apresenta seus exames. [5] O medo de perder músculos pode ser medo de perder quem se éO tamanho corporal não era apenas um resultado de treinamento. Ele havia se tornado uma maneira de ser reconhecido. A imagem do personal muito grande ajudava a definir como os outros o viam e, progressivamente, como ele próprio se enxergava. Ramon Dino, Zancanelli e Rafael Brandão aparecem como exemplos de atletas cuja imagem pública é fortemente associada ao físico. Isso ilustra uma associação profissional, não autoriza concluir o que esses atletas sentem ou diagnosticar sua relação com o corpo. A pergunta útil é outra: quando o reconhecimento depende do tamanho, o que acontece com a autoestima se esse tamanho diminui? Em sua trajetória, a identificação chegou ao ponto de preferir uma vida mais curta com um corpo grande a uma vida longa com menos músculos. Ele rejeita essa antiga prioridade ao reconsiderar o preço que estava disposto a pagar. O problema não era desconhecer racionalmente a importância da saúde, mas sentir que abrir mão da musculatura ameaçava algo central em sua vida. Três funções que o físico assumiu na vida deleO trabalho em análise o levou a interpretar a própria trajetória por três caminhos: Identidade: o físico passou a ocupar o lugar da pessoa. Ter músculos e ser alguém de valor pareciam a mesma coisa. Proteção: o tamanho funcionava, em sua percepção, como uma barreira contra o mundo. Intimidar outras pessoas oferecia uma sensação de defesa diante das próprias inseguranças. Reconhecimento: ser grande e subir ao palco ajudava a atrair o olhar que desejava receber. Ele relaciona parte dessa busca à falta que sentia da atenção do pai na infância e à vontade de demonstrar conquistas por meio de troféus. Essa é uma interpretação pessoal construída em seu processo de análise. Não significa que todo fisiculturista tenha a mesma história familiar, use músculos como defesa ou compita para compensar uma carência. A imagem do palco elevado, com luzes e plateia voltadas ao atleta, ajuda a explicar o significado que ele atribuiu à própria busca por visibilidade, não a causa universal de uma modalidade esportiva. Separar o que se tem, o que se faz e quem se éSer professor, produzir conteúdo e competir são atividades. Ter um corpo musculoso é uma característica. Nenhuma delas, sozinha, precisa resumir a identidade de uma pessoa. A comparação com um violinista ajuda a entender essa distinção. É possível organizar grande parte da vida em torno de uma atividade e encontrar realização nela. O conflito ganha outra dimensão quando preservar essa identidade passa a exigir uma exposição farmacológica que a própria pessoa deseja abandonar. A mudança descrita era gradual. Mesmo depois de reduzir o peso, ele admitia sentir algum incômodo ao encontrar alguém maior. Antes, isso vinha acompanhado da necessidade de alcançar aquele tamanho. Reconhecer que a comparação ainda existia fazia parte do processo, em vez de anunciar uma superação completa. Imagem corporal e dependência: sem diagnóstico à distânciaPreocupação com o tamanho muscular e uso de anabolizantes podem estar associados, mas não são sinônimos. Em um estudo de 2006 com 89 homens que treinavam com pesos, sendo 48 usuários e 41 não usuários de anabolizantes, o grupo de usuários apresentou mais sintomas de dismorfia muscular. Como a pesquisa era transversal, não estabeleceu se essas preocupações causaram o uso ou resultaram dele. [6] Dependência também não pode ser presumida apenas pela aparência. Um estudo de 2009 avaliou separadamente 20 homens com critérios adaptados de dependência de anabolizantes, 42 usuários sem dependência e 72 não usuários. A própria distinção entre grupos é importante: nem todo usuário tem o mesmo padrão de comportamento ou o mesmo quadro clínico. [7] O relato pessoal permite discutir medo de perder volume, dificuldade de mudança e reconhecimento social. Não fornece uma avaliação clínica suficiente para diagnosticar dependência ou dismorfia muscular no autor, muito menos nos outros atletas mencionados. Ainda assim, quando o desejo de interromper o uso entra em conflito com o medo de diminuir, esse sofrimento merece atenção profissional. O que avaliar antes de começar ou tentar pararA reflexão mais prática não é procurar a menor dose capaz de manter o mesmo corpo a qualquer custo. É identificar qual problema se espera resolver com os músculos e o que já está sendo sacrificado para preservá-los. Reconhecimento: se o tamanho deixasse de chamar atenção, quais relações, atividades e qualidades continuariam sustentando a autoestima? Comparação: encontrar alguém maior provoca apenas admiração ou gera uma pressão para aumentar novamente o corpo e o uso de substâncias? Funcionamento diário: calçar meias, subir escadas, permanecer em pé e dormir estão sendo prejudicados? Esses sinais devem ser levados à avaliação clínica, não normalizados como preço obrigatório do físico. Relações e trabalho: pessoas próximas e colegas percebem um afastamento durante as preparações? O episódio com o gerente mostra por que ouvir esse retorno pode alterar prioridades. Mudança acompanhada: o cuidado médico contempla a exposição hormonal e o sono? Há espaço para trabalhar o medo de perder tamanho com um profissional de saúde mental? Essas perguntas organizam uma reflexão, não um teste diagnóstico. Tampouco substituem uma avaliação para decidir se, quando e como modificar um tratamento hormonal. Interromper anabolizantes não garante recuperação hormonal imediata. No estudo prospectivo HAARLEM, que acompanhou 100 homens, a testosterona se normalizou em até três meses após a interrupção na maioria dos participantes, enquanto a recuperação da produção de espermatozoides levou mais tempo. Esses resultados não permitem prever o que acontecerá com alguém após cerca de 20 anos de uso. Não são um calendário de retirada nem justificam montar uma terapia pós-ciclo por conta própria. [8] ConclusãoA dificuldade de parar os anabolizantes pode envolver muito mais que aceitar a perda de alguns quilos. No caso de Laércio Refundini, a musculatura estava ligada à identidade, à sensação de proteção e ao desejo de reconhecimento. Rever essa relação exigia considerar o sono, a mobilidade, os vínculos e a presença no trabalho, não apenas o espelho. Ao expor o conflito, ele disse buscar dois resultados: ajudar outras pessoas a refletir e enfrentar o próprio processo. A mudança central era aprender que ter um físico menor não significa valer menos. O depoimento não anuncia uma interrupção concluída e não oferece um protocolo para copiá-la. Trata-se de uma reflexão pessoal que reforça a importância de acompanhamento médico e de saúde mental. Esta matéria é informativa e não substitui avaliação individual. FAQPor que pode ser difícil parar de usar anabolizantes?Além das questões hormonais, pode haver medo de perder tamanho, reconhecimento e autoestima. Esses fatores variam entre pessoas e devem ser avaliados sem reduzir a dificuldade a falta de força de vontade. Uma dose chamada de TRT é automaticamente segura?Não. Reposição de testosterona exige indicação clínica, investigação e acompanhamento. Uma dose menor que a usada em competição não comprova, por si só, necessidade de tratamento ou ausência de riscos. [5] Um fisiculturista com IMC alto tem necessariamente excesso de gordura?Não. O IMC não separa gordura, músculo e osso. Ele precisa ser interpretado com outros dados, sem servir para diagnosticar excesso de gordura nem para ignorar sintomas em pessoas musculosas. [2] Reduzir o peso permite abandonar o CPAP?Não automaticamente. A necessidade do CPAP deve ser reavaliada pelo profissional responsável. Melhorar o peso ou a percepção do sono não comprova que a apneia tenha desaparecido. [3] Quem para anabolizantes recupera a produção natural de testosterona imediatamente?Não há garantia de recuperação imediata ou de um prazo igual para todos. O histórico de exposição e a avaliação clínica importam. Resultados observados em um grupo de pesquisa não substituem o acompanhamento individual. [8] ReferênciasREFUNDINI, Laércio. Por que quero voltar a ser Natural... Mas não consigo. [S. l.], 5 fev. 2024. YouTube, 15 min 31 s. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=Mn-DeDYoq9k. Acesso em: 3 set. 2026. CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION. BMI Frequently Asked Questions. [S. l.], [s.d.]. Disponível em: https://www.cdc.gov/bmi/faq/index.html. Acesso em: 3 set. 2026. NATIONAL HEART, LUNG, AND BLOOD INSTITUTE. Sleep Apnea: Treatment. Bethesda, 9 jan. 2025. Disponível em: https://www.nhlbi.nih.gov/health/sleep-apnea/treatment. Acesso em: 3 set. 2026. NATIONAL HEART, LUNG, AND BLOOD INSTITUTE. Sleep Apnea: Causes and Risk Factors. Bethesda, 9 jan. 2025. Disponível em: https://www.nhlbi.nih.gov/health/sleep-apnea/causes. Acesso em: 3 set. 2026. ENDOCRINE SOCIETY. Testosterone Therapy for Hypogonadism Guideline Resources. [S. l.], 19 mar. 2018. Disponível em: https://www.endocrine.org/clinical-practice-guidelines/testosterone-therapy. Acesso em: 3 set. 2026. KANAYAMA, Gen et al. Body image and attitudes toward male roles in anabolic-androgenic steroid users. American Journal of Psychiatry, v. 163, n. 4, p. 697–703, 2006. DOI: 10.1176/ajp.2006.163.4.697. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/16585446/. Acesso em: 3 set. 2026. KANAYAMA, Gen et al. Features of men with anabolic-androgenic steroid dependence: a comparison with nondependent AAS users and with AAS nonusers. Drug and Alcohol Dependence, v. 102, n. 1–3, p. 130–137, 2009. DOI: 10.1016/j.drugalcdep.2009.02.008. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/19339124/. Acesso em: 3 set. 2026. SMIT, D. L. et al. Disruption and recovery of testicular function during and after androgen abuse: the HAARLEM study. Human Reproduction, v. 36, n. 4, p. 880–890, 2021. DOI: 10.1093/humrep/deaa366. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33550376/. Acesso em: 3 set. 2026.
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Boldenona + Masteron - Ciclo feminino
A @Jhessy trouxe dois problemas nesse tópico e a conversa resolveu bem um deles. Vou fechar o outro, que é o que mais a preocupava, e depois responder à @kari_38, que chegou no meio com uma pergunta que ninguém respondeu. Começo pela coceira, que era a queixa principal. Ela descreveu coceira intensa no local da aplicação, região quente e nódulo, quatro semanas depois de começar. As respostas foram sobre assepsia e sobre rodízio de locais, que são cuidados corretos, mas nenhum deles explica coceira. Coceira não é sinal de infecção. É sinal de reação de hipersensibilidade. E ela quase sempre não é à substância, é ao veículo. Injetáveis oleosos usam óleos vegetais como veículo e trazem conservantes e solubilizantes, tipicamente álcool benzílico e benzoato de benzila. São esses componentes que produzem reação alérgica local, e a apresentação clássica é exatamente a que ela descreveu: prurido, vermelhidão, calor e endurecimento no ponto da injeção. Isso muda a conduta em três pontos. Primeiro, essa reação tende a piorar com a repetição, e não a melhorar. Cada nova exposição ao mesmo veículo encontra um sistema imune já sensibilizado. Continuar aplicando o mesmo produto na expectativa de que o corpo se acostume costuma dar o resultado inverso. Segundo, a solução, quando é veículo, é trocar de apresentação ou de fabricante, porque a proporção de solubilizante varia bastante entre produtos. Não é o caso de mudar apenas o local. Terceiro, e é o cuidado que importa: reação alérgica a algo injetado no músculo pode deixar de ser local. Os sinais que exigem atendimento imediato são urticária espalhada pelo corpo, inchaço de lábios, língua ou pálpebras, chiado no peito, falta de ar e sensação de aperto na garganta. E vale a distinção que fecha o assunto, porque as duas coisas se confundem: Reação ao veículo coça, aparece nas primeiras horas, fica restrita ao ponto e melhora entre uma aplicação e outra. Infecção não coça, dói, a vermelhidão se expande em vez de recuar, vem com febre e mal estar, e pode amolecer no centro. Diante disso é médico no mesmo dia. Agora a outra parte, que é por que ela não sentia nada em quatro semanas. A @Joaninha deu a resposta certa e merece o número que a sustenta. O undecilenato de boldenona tem meia vida em torno de catorze dias. O nível estável só se atinge depois de aproximadamente cinco meias vidas, ou seja, cerca de dez semanas. Na quarta semana, ela estava mais ou menos no meio do caminho da subida. Não estava acontecendo nada porque ainda não podia acontecer. E o alerta que a @Joaninha deu junto é o mais importante de todos: não adianta aumentar a dose a cada duas semanas. Quem faz isso está empilhando doses cujo efeito ainda não chegou, e o resultado é que tudo aparece de uma vez lá pela décima semana, com uma quantidade acumulada muito maior do que a pretendida. E aqui entra o ponto que eu gostaria de deixar registrado, e ele vale para toda mulher que ler este tópico. Boldenona é, no meu entender, uma das piores escolhas possíveis para mulher, e o motivo não é potência. Com meia vida de catorze dias, ela continua liberando por meses depois da última aplicação. Isso significa que, se aparecer um sinal de virilização, não existe freio. Mesmo parando tudo no mesmo dia, a exposição continua. Compare com a oxandrolona, que tem meia vida de nove horas e sai do organismo em dois dias. Com ela, parar é parar. Os sinais que exigem parada imediata são rouquidão, voz mais grave, dificuldade nas notas altas da fala, e aumento de clitóris. Esses não regridem. Acne, oleosidade, pelo, queda de cabelo e alteração de ciclo regridem. Ou seja, a droga de éster longo tira justamente a capacidade de agir sobre o único aviso que importa. Sobre o masteron, o relato da @Sereiafit tem base mecanística e vale confirmar. A drostanolona é derivada de DHT, e a alopecia androgenética depende de DHT. A queda de cabelo que a levou a interromper é o efeito esperado dessa família, e não azar isolado. E a sugestão dela e da @Joaninha, de usar uma droga só num primeiro contato, é a melhor orientação do tópico. Com dois compostos ao mesmo tempo, um de ação rápida e outro de ação muito lenta, não há como saber a origem de nenhum efeito, bom ou ruim. O @Locemar fez a observação que fecha o quadro: para alguém que treina há oito anos e já competiu, esse não era o ciclo indicado. Agora respondendo à @kari_38, que perguntou em março e nunca foi respondida além do encaminhamento para abrir tópico próprio. Ela vinha de oito semanas de oxandrolona 10 mg, com 1,68 m, saindo de 65 kg para 68 kg com redução de gordura no abdome, glúteos e pernas. E queria acrescentar masteron, oxandrolona 20 mg, boldenona 200 mg e mais um produto, por indicação de uma amiga. Três coisas. A primeira é sobre o resultado que ela já teve. Ganhar 3 kg perdendo gordura em oito semanas, com uma dose baixa, é um resultado muito bom. E a retenção que a preocupou provavelmente não é retenção: a oxandrolona não aromatiza e retém pouca água. O que aumenta é glicogênio muscular, que traz água para dentro do músculo, e isso é o que faz o músculo parecer mais cheio. É o efeito que se quer, não o que se combate. A segunda é sobre o salto proposto. Ela sairia de uma droga em dose baixa para quatro produtos simultâneos, incluindo dois novos androgênios e um de éster longo, por indicação de uma amiga. É a mesma armadilha do começo do tópico, multiplicada. A terceira é sobre o produto que ela mesma identificou como de uso veterinário, e aqui eu prefiro ser honesto: não consegui confirmar a composição dele em fonte confiável, e não vou chutar. Mas essa dificuldade é, ela própria, a resposta. Ela escreveu que estava com um pouco de medo justamente por ser veterinária e reconhecer um produto de uso animal na lista. Ela tinha razão em ter medo, e por um motivo que a formação dela ensina melhor que a maioria: os limites de esterilidade, de partículas e de endotoxina de um produto veterinário são fixados considerando a espécie, o peso e a expectativa de vida do animal de destino. São adequados para aquele fim, e é exatamente isso que os torna inadequados para outro. Quando não se consegue saber com precisão o que há dentro de uma ampola, a informação que falta não é um detalhe. É a informação principal. Por fim, um exame que não apareceu em nenhum ponto do tópico e que deveria ser o primeiro da lista das duas: perfil lipídico, antes e ao fim. A queda de HDL é o efeito adverso mais consistente dos androgênios, é ainda mais marcada com os não aromatizáveis, que é o caso do masteron e da oxandrolona, e não dá sintoma nenhum. Sem o valor de antes, não há comparação depois. E a @Joaninha fez a pergunta que resume tudo, lá na terceira resposta: quais colaterais sentiu, tem exames. Nenhuma das duas tinha. Para quem quiser entender quais exames costumam entrar antes, durante e depois de um protocolo, o site tem um orientador simulado em https://fisiculturismo.com.br/ferramentas/hormonio/ . A saída é simulada e serve como rascunho de estudo, não como prescrição. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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Ciclo de Typhon + Cobavital
Esse tópico tem uma pergunta muito boa feita logo no começo e que ficou sem resposta, e ela explicava o caso inteiro. O @davidevh perguntou: se o problema era comida, por que não usou só o cobavital? Era exatamente essa a questão, e o desfecho do relato deu razão a ele. Vou por partes. O @SuperClockMDS tinha 20 anos, 1,79 m, 78 kg, dez meses de academia, e praticava caratê e taekwondo praticamente todos os dias, mais pedalada nos sábados e domingos. Ele disse que tinha muita dificuldade de ganhar peso. Não é mistério, e não é metabolismo. São duas coisas somadas. A primeira é o gasto. Ele treinava luta seis dias por semana e pedalava nos outros dois, além da musculação. Não havia um dia de recuperação na semana inteira. A segunda é o chamado efeito de interferência. A metanálise sobre treino concorrente mostra que volume alto de trabalho aeróbico e de impacto prejudica ganhos de força e de hipertrofia, principalmente de membros inferiores. Ou seja, o caratê e o taekwondo não estavam apenas queimando calorias, estavam competindo diretamente com o estímulo da musculação. O @davidevh apontou isso quando disse que a rotina dele prejudicava muito o treino de musculação, e estava certo. E a terceira parte, que atravessa o tópico inteiro sem nunca aparecer: em nenhum momento, nas 43 mensagens, existe um número de calorias. Existe chá de casca de abacaxi em jejum, omelete com quatro ovos, leite com achocolatado no pós treino, lata de energético como pré treino, mas não existe um total. Alguém que treina luta seis dias por semana e não consegue ganhar peso tem um problema aritmético, e ele nunca foi calculado. O @Locemar tocou nesse ponto ao perguntar se o pré treino dele não tinha comida, e o @davidevh perguntou como ele sabia que tinha metabolismo para comer aquela quantidade de calorias. As duas perguntas eram as certas. Agora o desfecho, que é a parte mais interessante. Ele começou com 77 a 78 kg e terminou com 81 kg. E escreveu, no meio do caminho, que tinha achado uma merda e dinheiro jogado fora. As duas coisas são verdadeiras ao mesmo tempo, e a explicação está na pergunta do @davidevh. Ele tomou duas coisas: o produto vendido como pró hormônio e o cobavital. O cobavital é ciproeptadina com cobamamida, e a ciproeptadina é um anti histamínico cujo efeito colateral conhecido é aumentar a fome. É um estimulante de apetite, e é usado exatamente para isso. Ou seja, o único item do protocolo com mecanismo claro e documentado para o problema dele, que era não conseguir comer o suficiente, foi o cobavital. E os 3 a 4 kg que ele ganhou são compatíveis com um rapaz de 20 anos comendo mais durante um mês. Ele podia ter obtido o mesmo resultado com o item mais barato e mais previsível da lista, sem nada mais. Foi literalmente o que lhe perguntaram no primeiro dia. Vale a ressalva sobre o cobavital: a bula orienta reduzir a dose pela metade quando a sonolência for marcada, e ele treinava luta à noite. Sonolência e reação mais lenta em treino de luta não combinam. Sobre o produto vendido como pró hormônio, uma observação que o @davidevh também já tinha feito e que merece ficar registrada. O problema desses produtos não é serem falsificados. É que o rótulo não permite saber o que há dentro em quantidade útil, e por isso não há como planejar controle de efeito colateral nem terapia pós ciclo com precisão. Ele mesmo escreveu, ao fim, que provavelmente o produto era original e que não era esse o problema. Agora a parte que eu preciso comentar com clareza, sobre a terapia pós ciclo que ele montou. Ele planejou tamoxifeno e cabergolina, obtidos com o irmão médico. O tamoxifeno tem lógica em protocolo pós ciclo, ainda que a necessidade dele depois de quatro semanas de um produto de composição incerta seja discutível. A cabergolina não tem. Ela é agonista dopaminérgico, indicada para hiperprolactinemia, ou seja, para prolactina alta comprovada em exame. Ele nunca dosou prolactina. Tomar cabergolina sem prolactina elevada é tratar um exame que não foi feito, e ela tem efeitos próprios: náusea, tontura e queda de pressão são comuns, e o uso prolongado em doses altas se associa a alteração de válvula cardíaca. Ter acesso a uma receita não é o mesmo que ter indicação. É a diferença entre conseguir o medicamento e precisar dele. Sobre a discussão final com o @Lobeca, vale um comentário equilibrado, porque os dois tinham parte de razão. O @Lobeca está certo em que ciclo oral isolado, sem testosterona, deixa o eixo desligado sem nada repondo, e que isso cobra em disposição, humor e recuperação, além da libido. E ele está certo em que existe sinergia. E o @SuperClockMDS está certo em que protocolos de dose baixa existem, são defensáveis e reduzem efeitos adversos. A discordância entre os dois é real e legítima dos dois lados. O que eu acrescentaria é que a resposta dele sobre a libido, dizendo que aquilo não seria problema para ele, resolve um ponto da lista e não os outros. Testosterona baixa produz cansaço, humor ruim, perda de densidade óssea e piora do perfil lipídico, e nada disso depende de interesse sexual. E há uma coisa que não foi dita a ele em nenhum momento. Ele tinha 20 anos e dez meses de academia. Aos 20 anos, a produção natural de testosterona está no pico absoluto da vida. Dez meses de treino é o começo do período em que se ganha mais massa magra sem nada, e ele nem tinha chegado perto de esgotar isso. Além disso, o protocolo de três drogas sugerido no fim do tópico, com testosterona, nandrolona e stanozolol por doze semanas, é uma escalada enorme para alguém que chegou ali reclamando que um suplemento não tinha feito efeito. O caminho que resolveria o problema declarado dele, e que ninguém montou, é bem mais simples: reduzir o volume de luta e de pedalada para dois ou três dias, deixar um dia de descanso real, comer com número em vez de com ritual, e treinar cada grupo muscular duas vezes por semana com carga registrada. Com dez meses de treino e 20 anos, isso rende mais do que qualquer coisa discutida aqui. E o @renatobhmg deu o conselho mais sensato do tópico logo no começo: juntar as próprias ideias com as do fórum e levar a um profissional. Se quiser começar pelo número que faltava, o site tem um gerador de dieta simulada em https://fisiculturismo.com.br/ferramentas/dieta/ . A saída é simulada e serve como rascunho para ajuste, não como prescrição. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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Enantato + Decadurabolin + Dianabol + Hemogenin
Volto a esse tópico por causa da mensagem de 14 de maio, que ficou pela metade e nunca teve continuação. Ela é, de longe, a coisa mais importante que aconteceu aqui. O @profake escreveu que acordou muito mal, queimando em febre, com respiração pesada e forçada, sem ser asmático, e com os batimentos em 148. Foi ao médico, recebeu pulseira laranja na triagem, que é classificação de alta prioridade, e o relato para nesse ponto. Três semanas depois ele voltou dizendo que o protocolo seguia normalmente e que apenas tinha deixado de postar. O diagnóstico nunca apareceu, e ninguém perguntou. Vou dizer por que isso não podia passar em branco. Febre com falta de ar e frequência cardíaca de 148 em um homem que naquele momento estava usando testosterona, nandrolona e dianabol tem uma lista de hipóteses que precisa ser afastada, e a primeira delas é tromboembolismo pulmonar. O motivo é direto. Androgênios elevam o hematócrito, e o mecanismo é conhecido: estimulam eritropoetina, suprimem hepcidina e ferritina. Sangue mais viscoso circula pior. Além disso, testosterona intramuscular aumenta a densidade de receptores de tromboxano A2 nas plaquetas e a agregação plaquetária. A literatura recomenda considerar os esteroides androgênicos anabolizantes como fator de risco para tromboembolismo venoso, e existem relatos publicados de embolia pulmonar associada ao uso. E há um agravante específico do protocolo dele, que ninguém notou. A oximetolona, o hemogenin que ele acrescentou, tem como indicação médica formal justamente o tratamento de anemias por produção deficiente de glóbulos vermelhos. Ela estimula a eritropoetina e a eritropoese. É literalmente um medicamento para fabricar hemácias. Ou seja, no fim do protocolo ele estava somando três agentes que empurram o hematócrito para cima ao mesmo tempo: 750 mg de testosterona por semana, nandrolona e um estimulante de eritropoese. E em nenhum ponto das 49 mensagens aparece um hemograma. Esse é o exame mais barato da lista, o mais fácil de conseguir e o único que responde a essa pergunta. As diretrizes orientam suspender testosterona acima de 54 por cento de hematócrito. Não dá sintoma até dar, e quando dá costuma dar de uma vez. Não estou dizendo que foi isso que ele teve. Pode ter sido pneumonia, pode ter sido virose. Estou dizendo que ele foi triado como alta prioridade, que a causa nunca foi esclarecida no relato, e que ele retomou o protocolo sem que ninguém soubesse o que tinha acontecido. Agora as doses, porque elas precisam de referência. A dose de dianabol subiu assim ao longo das semanas: 160 mg, 220 mg, 280 mg e 350 mg por dia. O metandienona, quando era medicamento, tinha dose recomendada de 5 a 10 mg por dia para homens. Trezentos e cinquenta miligramas por dia é da ordem de 35 a 70 vezes a dose terapêutica de um oral 17 alfa alquilado. E ele estava tomando isso enquanto tomava 500 mg de testosterona e 300 mg de nandrolona por semana. O @Joulker resumiu em duas palavras: muita droga. O @Batata... apontou que eram dois orais bem tóxicos no mesmo ciclo e sugeriu usar somente um deles. O @Arnaldo Santos. perguntou para que tanta testosterona. Os três estavam certos, e nenhum recebeu resposta além de que ele estava seguindo instruções. Vale registrar de quem eram as instruções: ele escreveu que sentou com o professor da academia e reformulou o ciclo. Professor de academia não prescreve medicamento, e o que está descrito aqui é um protocolo de quatro fármacos controlados com um inibidor de aromatase, HCG e tadalafila. Agora o ponto que eu mais gostaria de corrigir, porque é uma crença muito difundida e ela funciona ao contrário. Ele explicou, logo no começo, que a nandrolona entrava para proteger as articulações, porque o dianabol e o hemogenin dão muita força e a pessoa acaba exagerando na carga. A lógica está invertida. A nandrolona aumenta a síntese de colágeno e a retenção de água no tecido conjuntivo, e o resultado disso é que a articulação para de doer. Ela não deixa o tendão mais forte na velocidade em que o músculo fica mais forte. Ela apaga o aviso. E o aviso é justamente o que impediria o exagero que ele descreveu. Quem tem força subindo depressa e dor articular silenciada não está protegido: está sem o freio. É por isso que ruptura de tendão é a lesão característica desse cenário, e não a dor que vai piorando aos poucos. Uma segunda correção técnica, sobre o anastrozol que aparece na tabela dele. A oximetolona não aromatiza. Ela produz efeitos estrogênicos, mas por ativação direta do receptor de estrogênio, e não por conversão em estradiol. A consequência prática é que o inibidor de aromatase não tem onde agir contra os efeitos dela. Quem toma anastrozol achando que está coberto durante o hemogenin acaba não vendo efeito, subindo a dose, e derrubando o estradiol vindo dos outros compostos, o que traz seus próprios problemas: libido baixa, dor articular e humor ruim. Sobre as doses em mililitros, um alerta que vale para o fórum inteiro. Ele anotou 1 ml de Decadurabolin igual a 300 mg. A Deca Durabolin de farmácia tem 50 mg por mililitro. Trezentos miligramas por mililitro é concentração de laboratório clandestino, e ele mesmo informou que todos os produtos eram de um laboratório desse tipo. Isso significa que todos os números da planilha dele são declarações de rótulo de um fabricante sem controle. A precisão da tabela é aparente: ela organiza com duas casas de exatidão uma informação que não é verificável. Sobre o HCG, respondendo à dúvida dele, que estava correta na conta. Ele acertou: com 5.000 UI em 1 ml, 5 unidades da seringa de insulina, que correspondem a 0,05 ml, entregam 250 UI. A confusão comum é achar que a unidade da seringa é unidade do hormônio, e ele não caiu nela. O que eu não faria é o que ele cogitou em seguida, que era deixar vinte seringas prontas guardadas. Solução aquosa em seringa aberta é meio de cultura, e a estabilidade do produto reconstituído depende de refrigeração e do diluente correto. E o Chorulon, mencionado na conversa, é produto veterinário, com limites de esterilidade e endotoxina definidos para outra espécie. Por fim, duas observações sobre o depois. A primeira é que ele encerrou o ciclo e emendou direto em cruise, ou seja, uso contínuo de testosterona sem interrupção, e já vinha aplicando durateston semanalmente desde janeiro, antes mesmo do ciclo, chamando isso de reposição. Reposição é tratamento para quem tem hipogonadismo diagnosticado, com duas dosagens matinais, LH, FSH e prolactina, em quem não está usando nada que suprima o eixo. Um homem de 90 kg com 11 por cento de gordura aplicando uma ampola por semana por conta não está repondo nada, está em uso contínuo suprafisiológico. A segunda é sobre a decisão de manter isso indefinidamente aos 90 kg. Quem opta por uso contínuo precisa saber o que monitorar, e a lista é curta e barata: hemograma com hematócrito, perfil lipídico, função hepática, pressão arterial, estradiol por método sensível, e ecocardiograma de tempos em tempos, porque o uso acumulado se associa a redução de fração de ejeção. E, sobre o conselho que o @Lobeca deu no fim, de priorizar o abdome porque tratamos como secundário justamente o que mais falta, é o melhor conselho de treino do tópico inteiro e não custa nada. Para quem quiser entender quais exames costumam entrar antes, durante e depois, e o que cada um responde, o site tem um orientador de protocolo hormonal simulado em https://fisiculturismo.com.br/ferramentas/hormonio/ . A saída é simulada e serve como rascunho de estudo, não como prescrição. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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[RELATO] Anadraulic GT!
O @sperms fez um relato diário com cargas anotadas, o que é raro e é exatamente o que transforma um relato em informação. Volto ao tópico porque os próprios números dele respondem a pergunta que ele queria responder, e porque há uma combinação feita no quinto treino que merece um alerta. Começo pelo que os dados dele mostram. Ele registrou as sensações todos os dias, e a sequência foi esta: no primeiro treino sentiu bastante coisa, no segundo escreveu que não sentiu tanta coisa e que a vasodilatação foi quase nada, no quarto anotou disposição total e fadiga zero mas força normal, no sexto escreveu que ainda preferia o Jack3d. Ou seja, o próprio autor concluiu, no sexto dia, que o produto não era o melhor que ele já tinha usado, e a oscilação das notas dele não acompanha o uso do produto: acompanha o dia. Isso não é crítica ao relato, é elogio ao método. Ele anotou tudo, inclusive o que não favorecia o produto, e é por isso que dá para ler alguma coisa aqui. Agora o alerta, que é o motivo principal de eu ter voltado. No quinto treino ele escreveu que começou o fullbody e que passou a mandar Lipo 6 Black Ultra Concentrado no desjejum, junto com o pré treino que já estava tomando. Essa combinação merece atenção, porque são dois produtos estimulantes somados no mesmo dia. O Lipo 6 Black Ultra Concentrado traz cafeína, teobromina, sinefrina, ioimbina e rauwolscina. Isso é cafeína somada a três substâncias adrenérgicas. A ioimbina e a rauwolscina são antagonistas de receptor alfa 2, e o efeito clássico delas é ansiedade, palpitação, tremor e elevação de pressão. Vale registrar, para quem chega aqui, que a ioimbina no Brasil é medicamento, e não suplemento. A sinefrina, por sua vez, é aparentada da efedrina e age na mesma direção. Somar isso a um pré treino estimulante significa empilhar substâncias que agem todas sobre o mesmo sistema. E, quando algo dá errado nesse arranjo, não há como saber qual delas foi. Os sinais diante dos quais se para: palpitação que não passa, dor no peito, falta de ar, tremor intenso, ansiedade fora do normal, dor de cabeça forte e insônia persistente. Aqui entra uma informação que não existia em 2011 e que fecha o tópico. O Jack3d, que ele disse preferir, era formulado com DMAA, a 1,3 dimetilamilamina. Dois anos depois desse relato, a fabricante concordou em retirar o DMAA do Jack3d e do OxyElite Pro, depois de notificação da agência americana. O DMAA foi associado a mais de cem casos de doença notificados e a seis mortes. A decisão judicial que manteve a apreensão do produto registrou que ele pode causar aumento de pressão arterial e acidente vascular cerebral hemorrágico. E, no Brasil, o DMAA foi incluído pela Anvisa na Lista F2, de substâncias de uso proscrito. Ou seja, o produto que ele achou melhor era melhor justamente porque tinha dentro dele uma substância que hoje é proibida nos dois países. A comparação que ele fez estava correta em termos de sensação, e é exatamente por isso que sensação é um péssimo critério para escolher suplemento. Agora uma observação metodológica sobre o relato, que vale para qualquer teste de suplemento. No quinto treino ele mudou duas coisas ao mesmo tempo: começou o fullbody e acrescentou o Lipo 6. A partir dali, nenhuma sensação anotada podia mais ser atribuída ao produto que ele estava testando, porque havia três variáveis se movendo juntas. É o mesmo problema que aparece em quase todos os relatos do fórum, e a solução é simples: mudar uma coisa de cada vez, e manter o treino fixo durante o teste. E há um detalhe prático que atrapalhou a parte mais valiosa do relato dele, que eram as cargas. Em vários exercícios ele anotou o número de barras da máquina dizendo que não sabia quanto pesava cada uma. Puxador com 15 barras, flexão de joelho fechando a máquina, abdução e adução com 20 barras. Isso torna metade do registro incomparável, inclusive com ele mesmo em outra academia. A solução é anotar o número da placa junto com o nome da máquina, e usar os exercícios com carga conhecida, como supino, agachamento, stiff e halteres, como referência de progressão. Ele fez isso nos livres, e é por isso que dá para ver que ele colocou 100 kg no supino reto e 250 kg no leg press pesando 84 kg. Sobre a mudança para fullbody três vezes por semana, foi uma boa decisão e vale explicar por quê. A divisão anterior tinha um dia para cada grupo, ou seja, cada músculo era treinado uma vez por semana. A metanálise que comparou frequências, com o volume semanal igualado, mostra que treinar cada grupo pelo menos duas vezes por semana produz mais hipertrofia do que uma vez. No fullbody três vezes, cada grupo aparece três vezes. Ele mesmo reconheceu, no terceiro e no quarto treino, que estava treinando com pouco descanso e que aquilo estava errado. Reconhecer isso e mudar a estrutura em vez de aumentar o suplemento é o que muita gente não faz. Uma última observação, e é a que mais importa para o resultado que ele buscava. Em onze mensagens de relato diário, com cargas, séries, disposição, fadiga, força e vasodilatação anotadas, não há uma linha sobre o que ele comia. Ele estava medindo com precisão a variável que menos importa e não estava medindo a que mais importa. Um homem de 84 kg colocando 100 kg no supino tem estrutura de treino de sobra. O que decide daí para a frente é caloria e proteína. E, respondendo ao @ujr, que comentou ter escolhido outro pré treino da mesma época: a lógica vale para os dois. Pré treino é cafeína com alguns acompanhantes. O que ele entrega é disposição para treinar, o que é real e tem valor, principalmente para quem treina cedo ou depois do trabalho. O que ele não entrega é resultado próprio, e o preço de perseguir sensação cada vez mais forte é justamente a escalada que levou aos produtos que acabaram proibidos. Se quiser reorganizar a divisão de treino mantendo cada grupo duas ou três vezes por semana, o site tem um orientador de treino simulado em https://fisiculturismo.com.br/ferramentas/treino/ . A saída é simulada e serve como rascunho para ajuste, não como prescrição. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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Meu ciclo de Stano
Volto a esse tópico por causa de uma linha do relato da terceira semana que não recebeu nenhuma resposta, e ela é a informação mais importante de toda a conversa. A @Bella.fit escreveu, entre os colaterais, leve inchaço no clitóris. Isso não é um colateral leve. É o sinal de parada. Aumento de clitóris é, junto com a alteração de voz, um dos dois efeitos de virilização que não regridem. O tecido responde ao androgênio crescendo, e ele não volta ao que era quando o uso termina. Todos os outros efeitos que ela relatou, e que costumam assustar mais no dia a dia, são reversíveis: acne, oleosidade, pele áspera, pelo e queda de cabelo regridem. A única resposta que aquela mensagem recebeu foi uma orientação sobre como fotografar. Não é crítica a quem respondeu, porque a informação estava no meio de um relato positivo e passou. Mas é justamente por passar despercebido que esse sinal precisa estar escrito em algum lugar, e é por isso que estou escrevendo. Para quem chegar aqui pela busca, e principalmente para a @genoviafit, que voltou ao tópico em 2019 dizendo que tinha começado um ciclo de stanozolol e queria saber o resultado: essa é a lista que importa. Parada imediata: rouquidão, voz mais grave, dificuldade nas notas altas da fala ou do canto, e aumento de clitóris. Não são motivo de pânico e regridem: acne, oleosidade, pele áspera, pelo, queda de cabelo e alteração do ciclo menstrual. Agora a dose. O personal dela recomendou 30 mg por dia, divididos em três tomadas de 10 mg. O @Toxi respondeu corretamente logo na primeira resposta, dizendo que metade daquilo já seria suficiente e que os resultados seriam semelhantes com bem menos risco. Ele estava certo: para mulher, a faixa em que se aprende a própria resposta ao stanozolol fica entre 5 e 10 mg por dia. Trinta miligramas é dose masculina. Ela respondeu que ia reduzir. Cinco dias depois, escreveu que continuava com três comprimidos de oito em oito horas. E foi nessa dose que o clitóris respondeu, duas semanas depois. Registro isso sem nenhuma censura a ela, porque quem estava orientando o protocolo era o profissional que ela pagava. Só vale dizer com clareza: personal trainer não prescreve medicamento. Isso está fora do escopo da profissão, e stanozolol é medicamento controlado. Quem prescreve é médico, com exames. Agora duas correções técnicas, que são úteis para quem lê. A primeira responde à pergunta da @Xiriuu123, sobre a diferença entre oral e injetável. A resposta que ela recebeu está certa quanto à meia vida, e errada em um ponto importante: foi dito que o oral é altamente hepatotóxico, dando a entender que o injetável não seria. O stanozolol é a exceção da regra. Ele é 17 alfa alquilado nas duas apresentações, oral e injetável, porque é a mesma molécula, apenas suspensa em água em vez de comprimida. A alquilação é o que causa a hepatotoxicidade, e ela não é removida por injetar. Ou seja, na maioria dos compostos, injetar poupa o fígado. Com stanozolol, não poupa. Essa é uma das confusões mais difundidas do meio, e ela leva gente a trocar o comprimido pela ampola achando que resolveu. Além disso, o stanozolol injetável é uma suspensão de microcristais que não se dissolvem no músculo, o que explica a fama de doer muito e de formar nódulo, inclusive abscesso sem bactéria nenhuma envolvida. A segunda correção é sobre o que o @Foston respondeu quando ela perguntou se era normal dar baixo astral. Ele disse que os que mexem com o psicológico costumam ser os terminados em ona, e que nunca tinha visto isso com stanozolol. A terminação do nome não é uma categoria farmacológica, e o stanozolol tem, sim, relatos consistentes de irritabilidade, agressividade e alteração de humor. Dito isso, a explicação dela era melhor que a nossa: ela contou que a avó estava muito doente. Isso é motivo suficiente, e ela foi honesta ao dizer. Agora o exame que ninguém mencionou e que, no caso do stanozolol, é o mais importante de todos. O stanozolol é o pior de todos os androgênios para o perfil lipídico. Em estudo controlado, ele reduziu o HDL em 33 por cento e elevou o LDL em 29 por cento. Em outra série, o HDL caiu de 59 para 29 mg por decilitro. Isso é completamente silencioso. Não dá sintoma, não aparece no espelho e não muda o treino. O único jeito de saber é o perfil lipídico, e ele precisa ser feito antes, porque sem o valor de antes não existe comparação. E vale repetir dois meses depois do fim, porque a recuperação leva tempo. Junto com ele, perfil hepático, pelo motivo já explicado. E as cãibras que ela relatou merecem nota: o stanozolol é conhecido por ressecar articulações e por queixas de dor articular e cãibra, e vale ficar atento à hidratação e ao potássio, principalmente com 30 minutos de cardio depois do treino. Duas observações finais. A primeira é sobre contracepção. Ela disse que não usava anticoncepcional havia seis meses, e tem um filho pequeno. Androgênio é teratogênico e viriliza feto feminino. Não existe cenário em que a resposta certa seja usar androgênio sem método contraceptivo, e isso não apareceu em nenhum ponto do tópico, apesar de a pergunta sobre anticoncepcional ter sido feita logo no início por outro motivo. A segunda é sobre o que ela conquistou antes do ciclo, e que merece ser dito. Ela treinava havia um ano, com 1,68 m e 58 kg, com dieta acompanhada, tinha perdido a gordura abdominal da gestação e tinha uma divisão de treino organizada. Isso é uma base muito boa, construída sem nada. Um ano de treino consistente é pouquíssimo tempo para concluir que era hora de acrescentar farmacologia, e a evolução que ela descreveu na terceira semana, de força e rigidez muscular, ela provavelmente teria de qualquer forma naquele período. E, respondendo à @genoviafit, que perguntou como tinha terminado: o tópico parou nas fotos que nunca foram postadas, e é por isso que relato interrompido tem tão pouco valor. O que ficou registrado dele, e que serve para quem chega agora, foi o sinal da terceira semana. Para quem quiser entender quais exames costumam entrar antes, durante e depois de um protocolo, o site tem um orientador simulado em https://fisiculturismo.com.br/ferramentas/hormonio/ . A saída é simulada e serve como rascunho de estudo, não como prescrição. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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1º Ciclo com Oxandrolona e retenção de líquidos
A @ThaisBruna abriu esse tópico com uma premissa que precisa ser desfeita, e o @Locemar a desfez na quarta resposta com a frase mais importante da conversa: a oxandrolona não vai te secar, e esse é um erro comum. Ele estava certo, e vale desenvolver, porque ela escreveu no primeiro post que pesquisou e viu que a oxandrolona seria ideal para o objetivo dela, que era secar e definir. Oxandrolona não queima gordura. Ela não age no tecido adiposo de forma relevante, não aumenta o gasto energético e não tem efeito lipolítico digno de nota. O que ela faz é ajudar a preservar massa magra enquanto a pessoa está em déficit calórico. A confusão vem de uma observação real: quem usa oxandrolona costuma parecer mais seco. Só que isso acontece por dois motivos indiretos. Primeiro, porque o músculo preservado sob a mesma pele muda o aspecto. Segundo, porque ela não aromatiza, então não traz a retenção de água que outros compostos trazem, e a pessoa compara com o inchaço que esperava e conclui que secou. Quem seca é o déficit calórico. A oxandrolona só protege o que estaria sendo perdido junto. Agora a parte em que eu discordo do que foi recomendado a ela, e é uma discordância de fundo. Foi sugerido que, antes de pensar em oxandrolona, ela experimentasse dieta low carb, especificamente Atkins ou cetogênica, com 5 por cento de carboidrato, 25 por cento de proteína e 70 por cento de gordura, mantendo até 40 g de carboidrato por dia. A sugestão de tentar dieta antes do hormônio está corretíssima. É a proporção e o motivo que eu ajustaria. Existe um estudo que testou exatamente essa hipótese no cenário mais controlado possível. Pessoas com obesidade ficaram internadas em enfermaria metabólica, com tudo pesado e medido, e receberam duas dietas com exatamente as mesmas calorias: uma restringindo carboidrato e outra restringindo gordura. A restrição de carboidrato realmente aumentou a oxidação de gordura, como a teoria prevê. E produziu perda de 53 g de gordura corporal por dia. A restrição de gordura não aumentou a oxidação e produziu 89 g por dia. Ou seja, no braço em que se queimava mais gordura, perdeu-se menos gordura. O que decide é o balanço de energia, não a proporção dos macronutrientes. Isso não significa que low carb não sirva. Serve muito bem para muita gente, e por um motivo legítimo: proteína e gordura saciam mais, e quem sente menos fome cumpre a dieta. É uma vantagem de aderência, e aderência é o que produz resultado no mundo real. O que muda é a expectativa. Se ela adotasse cetogênica esperando queimar gordura por uma via metabólica especial, e o resultado fosse igual ao de qualquer outra dieta com o mesmo déficit, a conclusão errada seria de que o corpo dela não funciona. E há uma consideração específica para o caso dela: 70 por cento das calorias em gordura, com carboidrato abaixo de 40 g, para uma mulher que treina há três anos, costuma cobrar no rendimento do treino. E rendimento do treino é justamente o que protege a massa magra em déficit, que era a preocupação dela. Uma observação sobre o que ela chamou de retenção. Ela contou que era ex gordinha, que chegou a pesar 96 kg e que estava com 78 kg e 1,74 m. E disse que ainda tinha um pouco de retenção. Depois de uma perda de 18 kg, o que costuma incomodar na região abdominal e nos braços não é retenção de água nem gordura teimosa: é pele que ainda não retraiu, e ela retrai parcialmente, ao longo de um a dois anos, dependendo da magnitude da perda, da idade e da genética. Isso importa porque nenhuma dieta e nenhum hormônio resolvem excesso de pele. Se ela estiver perseguindo com dieta agressiva uma coisa que é de outra natureza, vai cortar cada vez mais e não vai chegar onde quer. Agora sobre o protocolo que ela montou, e aqui vale um elogio. Ela propôs 5 mg nas semanas 1 e 2, 10 mg nas semanas 3 e 4, 15 mg da 5 à 8, 10 mg na 9 e 10 e 5 mg na 11 e 12. Isso é subir devagar, ficar quatro semanas no topo e descer, com pico de 15 mg, que está dentro do teto de bula de 20 mg. É um dos protocolos mais sensatos que já vi alguém montar sozinha no fórum. O ajuste que eu faria é no tempo total, e não na dose. Doze semanas é longo para mulher, e o tempo de exposição pesa mais no risco de virilização do que a dose. Oito semanas entregariam praticamente o mesmo com menos exposição. E há uma informação que faltou por completo no tópico, e que é a mais importante para qualquer mulher: os sinais que exigem parada imediata são rouquidão, voz mais grave ou dificuldade nas notas altas da fala, e aumento de clitóris. Esses não regridem. Acne, oleosidade, pelo, queda de cabelo e alteração de ciclo regridem e não são motivo de pânico. Vale também dois exames simples: perfil lipídico antes e ao fim, porque a queda de HDL é o efeito adverso mais consistente dos androgênios orais não aromatizáveis e é completamente silenciosa; e perfil hepático, porque a oxandrolona é 17 alfa alquilada. E, se ela usa anticoncepcional, ou se pretende parar, vale registrar: a oxandrolona é teratogênica, e não existe cenário em que a resposta certa seja ficar sem método contraceptivo durante o uso. Duas coisas ficaram sem resposta e merecem registro. O @Locemar perguntou como estava a divisão de treino e o aeróbico, e nunca foi respondido. Para o objetivo dela, que é reduzir gordura preservando massa, o treino de força é a variável que decide, e o aeróbico é acessório. Cada grupo muscular duas vezes por semana, com carga registrada, rende mais do que acrescentar cardio. E a sugestão dele de trocar o leite do pré treino por batata doce com frango era boa e prática. Por fim, uma palavra sobre uma frase do primeiro post que passou batida: ela escreveu que tinha medo de acabar ganhando peso. Uma mulher de 1,74 m com 78 kg, que veio de 96 kg, está num peso perfeitamente razoável, e parte do que ela pode ganhar na balança nos próximos meses é massa magra, que é exatamente o que ela quer. Vale trocar a balança pela fita métrica na cintura e pela foto mensal na mesma luz. Quem veio de uma perda grande costuma continuar se medindo pelo número que assustava antes, e esse número deixou de ser a informação certa. Se quiser um ponto de partida para calcular a necessidade energética e montar a dieta com números, que foi a primeira coisa sugerida a ela e a mais acertada, o site tem um gerador de dieta simulada em https://fisiculturismo.com.br/ferramentas/dieta/ . A saída é simulada e serve como rascunho para ajuste, não como prescrição. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
- relato ginseng brasileiro + catuaba em pó "ambos"
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vitorferreira começou a seguir relato ginseng brasileiro + catuaba em pó "ambos"
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relato ginseng brasileiro + catuaba em pó "ambos"
Esse relato do @vitorferreira é de 2012 e ele fez o que quase ninguém faz: relatou dia a dia por quase dois meses e voltou no fim para dar as considerações finais, inclusive as desfavoráveis. Volto ao tópico porque há uma confusão botânica atravessando tudo, e porque uma das plantas que ele acrescentou no meio do caminho tem uma interação que merece estar registrada. Começo pela confusão, porque ela muda o que se pode esperar. Ginseng brasileiro e ginseng coreano não são a mesma planta, nem são parentes. O ginseng brasileiro é do gênero Pfaffia, da família Amaranthaceae, e no Brasil o nome cobre três espécies diferentes, também conhecidas como suma e paratudo. O ginseng coreano é Panax ginseng, da família Araliaceae. A única semelhança entre os dois é a aparência da raiz, que foi justamente o motivo de a Pfaffia ter passado a ser vendida como substituta do Panax. Os princípios ativos são diferentes. O Panax tem ginsenosídeos. A Pfaffia tem outros compostos, entre eles ecdisteroides. Isso importa para o relato dele porque ele comparava efeitos entre os dois como se fossem versões mais fortes ou mais fracas da mesma coisa, e não são. E há uma correção específica, sobre uma frase dele que costuma circular: ele escreveu que o ginseng coreano tem esteroides. Os ginsenosídeos são saponinas triterpênicas, ou seja, moléculas de origem vegetal com estrutura em anéis. Elas não são esteroides androgênicos, não se ligam ao receptor de androgênio e não aumentam testosterona. O nome parecido é o que gera a confusão, e é a mesma confusão que faz gente achar que esteroide vegetal e anabolizante são a mesma família. Agora a dose, que foi o que mais chamou atenção. Ele estava tomando 15 g de raiz em pó por dia, divididos em três tomadas de 5 g. Para comparação, os estudos com Panax ginseng usam extratos padronizados em doses de 200 a 400 mg, ou raiz em pó na faixa de 1 a 2 g por dia. Quinze gramas é bem acima disso. E o @punk77 fez a observação mais interessante do tópico, quando contou que tomou manipulado, achou interessante no começo e depois parecia que nem estava tomando, o que o levava a aumentar a dose. Essa descrição é de tolerância, e é justamente o padrão dos adaptógenos estimulantes. Sobre a catuaba, uma informação que quase ninguém sabe e que é bem relevante no Brasil. Catuaba não é uma planta, é um nome popular aplicado a várias espécies não relacionadas entre si. As mais comuns são Trichilia catigua e Erythroxylum vaccinifolium, que são de famílias botânicas completamente diferentes. E há levantamentos de amostras comerciais em que boa parte do que estava no pacote não correspondia ao que o rótulo dizia. Ou seja, duas pessoas tomando catuaba podem estar tomando plantas distintas, e nenhuma das duas tem como saber. Isso explica por que os relatos sobre catuaba são tão contraditórios, e é o motivo pelo qual eu não conseguiria dizer a ele se funcionou ou não: não dá para avaliar o efeito de uma coisa cuja identidade é incerta. Agora a parte de segurança, que é o motivo principal de eu ter voltado aqui. No meio do relato ele trocou o ginseng puro por uma cápsula de ginseng com ginkgo biloba. O ginkgo tem uma ação farmacológica bem estabelecida que as outras plantas do tópico não têm: o ginkgolídeo B inibe o fator de ativação plaquetária, reduzindo a agregação das plaquetas. Na prática, ele deixa o sangue menos propenso a coagular. Isso significa que ele soma efeito com anticoagulantes e antiagregantes, e há relatos de reações adversas graves com o uso concomitante de ácido acetilsalicílico, clopidogrel e ticlopidina. Também vale para anti inflamatórios comuns, que muita gente da academia toma sem pensar. E há uma situação em que isso pesa e que ninguém lembra: cirurgia e procedimento odontológico. A orientação usual é suspender ginkgo com antecedência antes de qualquer procedimento, e informar ao cirurgião o que se está tomando. Fitoterápico não entra na lista de medicamentos que as pessoas declaram, e deveria. Sobre a planta que ele chamou de semente de bode tarado e apontou como o melhor vasodilatador. Ela é o Epimedium, e o composto de interesse é a icariina, que de fato tem ação inibidora de fosfodiesterase tipo 5 demonstrada em laboratório, que é a mesma via dos medicamentos para disfunção erétil. Só que a potência é muito baixa em comparação, e as concentrações que produzem esse efeito em bancada não são alcançadas com as doses dos suplementos. Então a ideia não é inventada, é apenas superestimada. Agora sobre a conclusão dele, e aqui eu não vou desqualificar o que ele relatou. Ele listou mais disposição como efeito vantajoso, e reportou 2 kg no período, ressalvando por conta própria que estava no fim do bulk e que o ganho era lento. Foi honesto nas duas pontas. E o efeito de disposição do ginseng não é invenção. Existe pesquisa apontando efeito sobre fadiga e sensação de bem estar, com resultados modestos e nem sempre consistentes. Não é o suficiente para recomendar, e também não é o suficiente para chamar o relato dele de imaginação. O que eu acrescentaria é o contexto que ele mesmo forneceu: ele treinava pesado, comia bem e estava em bulking. Nesse cenário, atribuir 2 kg à raiz é a parte que não se sustenta, e ele foi o primeiro a dizer isso. Uma observação sobre um ponto que ele levantou e que tem razão. Ele escreveu que os pré treinos caros vendidos em pote têm justamente esses ingredientes na composição, e que valia a pena olhar o rótulo. Isso é verdade em parte, e vale o ajuste. Muitos pré treinos são, na prática, cafeína com beta alanina e alguns extratos vegetais em dose baixa demais para fazer qualquer coisa. Nesses casos, ele está certo: paga-se caro por embalagem. A diferença é que os extratos de pote costumam ser padronizados, ou seja, com teor declarado de princípio ativo, enquanto a raiz a granel varia enormemente de lote para lote. Nenhum dos dois é ideal, mas as falhas são diferentes. E, para fechar, o que efetivamente produziu os 40 cm de braço com 1,66 m que ele reportou no fim: dois meses de treino diário registrado, dieta de bulking e constância suficiente para postar todo dia durante quase dois meses. É a parte menos interessante do tópico e é a única que explica o resultado. Se quiser conferir se a alimentação está sustentando o treino, o site tem um gerador de dieta simulada em https://fisiculturismo.com.br/ferramentas/dieta/ . A saída é simulada e serve como rascunho para ajuste, não como prescrição. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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Boldenona + oxandrolona: espinha e voz presa
Volto a esse tópico por causa de uma frase da primeira mensagem da @Aaaaataa que ficou sem comentário e que, no meu entender, era a informação mais importante de todo o relato. Ela escreveu, ainda no primeiro mês, que tinha percebido muito pouco efeito colateral, só a voz. Só a voz. Alteração de voz é, junto com o aumento de clitóris, o efeito de virilização que não regride. Ele não é um colateral entre outros, é o sinal de parada. E ele apareceu no primeiro mês, com a menor dose de todo o protocolo, antes de a dose triplicar. Vou explicar o mecanismo, porque ele importa e porque explica também o outro sintoma dela. O androgênio age diretamente na laringe. O músculo tireoaritenóideo, que compõe a prega vocal, sofre hipertrofia e hiperplasia, o tecido conjuntivo diminui e a mucosa fica edemaciada. A prega vocal fica mais espessa, e prega mais espessa vibra em frequência mais baixa. Por isso a voz fica mais grave e as notas altas se perdem. E essa mudança estrutural não desfaz quando a substância é interrompida. Há relatos de virilização permanente da voz após uso de curta duração, e a literatura registra que uma única aplicação de testosterona já foi suficiente para produzir alteração vocal irreversível em mulher. Isso muda completamente a leitura do que ela relatou no segundo mês. Ela descreveu inflamação na garganta que não passava, sensação de queimação no céu da boca e na faringe e acúmulo de catarro. Ela interpretou como infecção de garganta. Existe outra explicação, e ela é bem mais provável nesse contexto: são sintomas laríngeos do próprio androgênio. O edema de mucosa que acompanha a virilização produz exatamente essa sensação de irritação persistente, garganta que não melhora e pigarro com sensação de secreção. Infecção de garganta melhora ou piora, ela não fica igual por semanas. Ou seja, o corpo dela estava avisando duas vezes, e as duas foram interpretadas como coisa menor. Faço questão de dizer que não estou fazendo diagnóstico à distância, e que quem examina é o médico. O que estou dizendo é que essa hipótese precisava estar na mesa, e o profissional que responde por ela é o otorrinolaringologista, com laringoscopia. É um exame simples, e ele mostra a prega vocal. Agora sobre a escolha das substâncias, e aqui está o ponto que eu mais gostaria que ficasse registrado para quem chegar a este tópico. Ela usava oxandrolona junto com boldenona. A oxandrolona tem meia vida em torno de nove horas. Isso significa que, se um sinal de virilização aparece, parar resolve rápido: em dois dias praticamente não há mais droga no organismo. A boldenona é undecilenato, com meia vida em torno de catorze dias. Ela permanece liberando por meses depois da última aplicação. A consequência prática é decisiva: quando a voz começou a mudar no primeiro mês, ela não tinha como interromper a exposição. Mesmo que tivesse parado tudo naquele dia, a boldenona continuaria agindo por muito tempo. É por isso que, para mulher, composto de éster longo é a pior categoria de escolha que existe. Não é uma questão de potência, é de reversibilidade. Com meia vida curta, você tem freio. Com éster longo, você não tem. Sobre a dose, um registro. A bula da oxandrolona vai de 2,5 a 20 mg por dia, e os 20 mg são o teto para qualquer pessoa. A faixa usual em mulher é de 5 a 10 mg. Ela terminou em 30 mg por dia. E o @Locemar tinha previsto exatamente o que aconteceu, na segunda mensagem do tópico, quando disse que era bem provável que os colaterais se agravassem com o passar do ciclo e com o aumento das doses. Ele acertou. Sobre os medicamentos que ela tomava junto, duas observações. A primeira é a espironolactona, que ela usava para acne. Ela é um antiandrogênio, ou seja, ela bloqueia justamente o receptor que a oxandrolona e a boldenona estão tentando ativar. Usar as duas coisas ao mesmo tempo é pisar no acelerador e no freio. Além disso, a espironolactona é diurética e poupadora de potássio, e o potássio alto é o efeito adverso que exige atenção, principalmente em quem faz cardio e treina. E há um detalhe que merece ser dito com todas as letras: a espironolactona é teratogênica e pode feminilizar feto masculino. Quem usa precisa de contracepção eficaz, e a mesma exigência vale pela outra ponta, já que os androgênios virilizam feto feminino. A segunda é a glutationa, tomada para tentar evitar problemas. Não há evidência de que ela proteja o fígado do dano de 17 alfa alquilados, e a glutationa por via oral é mal absorvida, sendo quebrada no intestino antes de chegar ao sangue. O que protege o fígado é dose menor e tempo menor. O que monitora são TGO, TGP, gama GT e bilirrubinas. O @Toxi levantou a questão da quantidade de drogas e recebeu uma resposta que merece ser respondida com cuidado. Ela disse que não se considerava usuária recreativa porque estava em preparação para a primeira competição, em março. O ponto é justo, e a distinção existe. Mas ela não muda a farmacologia. A prega vocal não sabe se a pessoa vai subir num palco. E há uma ironia difícil nessa história: a voz acompanha a pessoa por décadas, no trabalho, na faculdade que ela mencionou estar cursando e em todas as conversas da vida. O campeonato dura um fim de semana. Sobre os números que ela trouxe: 1,63 m, de 62 kg para 68 kg, com 20 por cento de gordura, em bulking até dezembro, competindo no fim de março. Vale uma observação prática, porque ninguém fez a conta do calendário. Vinte por cento de gordura no fim de novembro, com competição no fim de março, significa cortar bastante em quatro meses, e categorias de fisiculturismo feminino exigem percentuais bem mais baixos que isso. É um prazo apertado, e prazo apertado é justamente o que empurra para mais droga e para cortes mais agressivos. Uma observação final sobre a sensibilidade nos dentes, que ela relatou e que não tem relação conhecida com androgênio. As causas mais comuns nesse contexto são bruxismo, que aparece com ansiedade e com estimulantes, e retração de gengiva. Ela mencionou usar manipulados para ansiedade. Vale levar ao dentista, porque tem solução simples e não tem nada a ver com o ciclo. Para quem chegar aqui pela busca, os sinais de parada imediata em mulher, que valem mais que qualquer cronograma e que qualquer competição: rouquidão, voz mais grave, dificuldade nas notas altas da fala ou do canto, e aumento de clitóris. Esses não voltam. Acne, oleosidade, pelo, queda de cabelo e alteração de ciclo regridem e não são motivo de pânico. Para quem quiser entender como se organiza um protocolo hormonal e quais exames costumam entrar antes, durante e depois, o site tem um orientador simulado em https://fisiculturismo.com.br/ferramentas/hormonio/ . A saída é simulada e serve como rascunho de estudo, não como prescrição. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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Alguém já fez uso? Protein Complex Premium (1800g) New Millen (Millen)
O @Turinacelo perguntou se valia o custo benefício e o tópico virou uma discussão sobre soja, que é uma das mais antigas do fórum. Ela tem resposta hoje, e vou dá-la. Mas antes vou responder a pergunta original, porque ela ficou perdida no meio e tem uma resposta objetiva. Começo pela lista de ingredientes, que um dos participantes teve o cuidado de transcrever e que é a informação mais útil do tópico inteiro. A ordem era: proteína concentrada do soro do leite, proteína isolada de soja, albumina desidratada, maltodextrina, colágeno hidrolisado, proteína isolada do soro do leite, proteína hidrolisada do soro do leite, proteína isolada e hidrolisada da carne, caseína, aromatizantes e edulcorante. A regra que resolve tudo é esta: ingredientes vêm em ordem decrescente de quantidade. Aplicando ao rótulo, o que a embalagem vendia como três tipos de whey, albumina, caseína e beef aparece assim na realidade: o produto é majoritariamente whey concentrado e soja isolada, com albumina em terceiro. Tudo o que vem depois da maltodextrina, que é o quarto item, está em quantidade menor que a maltodextrina. Ou seja, o isolado, o hidrolisado, o beef e a caseína são presença de rótulo, não de fórmula. E o @ynjm acertou em cheio quando disse que o beef teria grandes chances de ser colágeno. A lista confirma: o colágeno hidrolisado aparece em quinto, bem antes da proteína da carne. Isso importa por um motivo prático que ninguém explicou. Colágeno é proteína incompleta: falta triptofano e ele é muito pobre em aminoácidos essenciais. Ele conta como proteína no rótulo, porque a análise mede nitrogênio, mas não conta como proteína útil para construir músculo. É por isso que colágeno é o ingrediente preferido de quem quer inflar o número da tabela nutricional gastando pouco. Então, respondendo diretamente ao que ele perguntou: 1,8 kg por 108 reais dá um custo por grama de proteína razoável, mas parte dessa proteína é colágeno, e essa parte não serve para o objetivo dele. Agora a discussão sobre soja, que é o que faz esse tópico continuar sendo encontrado. A alegação foi que a soja seria enganação, que teria fitoestrógenos que ativam receptores de estrogênio e que seria carcinogênica. Sobre os hormônios masculinos, existe resposta direta e ela é sólida. Uma metanálise que reuniu 41 estudos, com testosterona total medida em 1.753 homens e estradiol em 1.000, concluiu que nem a proteína de soja nem as isoflavonas afetam testosterona total, testosterona livre, estradiol ou estrona em homens, independentemente da dose e da duração. Vou acrescentar a ressalva honesta, porque a literatura evoluiu. Uma metanálise de dose e resposta mais recente encontrou aumentos pequenos em doses muito altas: estradiol subindo cerca de 6,5 pg por mililitro com aproximadamente 72 mg de isoflavonas por dia, e SHBG subindo com cerca de 120 mg por dia. Só que essas doses estão muito acima do que qualquer pessoa recebe de uma dose de suplemento com soja isolada como segundo ingrediente. E o próprio processo de obtenção do isolado remove boa parte das isoflavonas, o que o participante que respondeu já tinha apontado corretamente. Ou seja, para o consumo real de que se estava falando, a resposta é que não há efeito hormonal. Sobre o câncer, a evidência aponta na direção contrária à alegação. Em análise conjunta, consumo alto de soja se associou a redução modesta do risco de câncer de mama, com razão de chances de 0,86. Em estudos prospectivos, cada 10 mg por dia a mais de isoflavonas se associou a 3 por cento menos risco. E, em mulheres que já tiveram câncer de mama, as isoflavonas se associaram a 26 por cento menos risco de recidiva. Chamar a soja de carcinogênica inverte o que os dados mostram. E vale o crédito ao @Thomy Bombando, que voltou ao tópico dois dias depois e escreveu que talvez tivesse exagerado. Isso é raro na internet e merece registro. Sobre a qualidade da proteína de soja, o @Frutuoso fez a coisa certa: foi procurar estudo antes de opinar, e encontrou o essencial. A soja é a exceção entre as proteínas vegetais. Enquanto feijão, lentilha e grão de bico têm valor biológico baixo, a proteína isolada de soja tem escore de qualidade próximo do máximo, perdendo pouco para o whey. Onde ela realmente perde é em leucina, que é o aminoácido que dispara a síntese proteica, e em metionina. Por isso, dose por dose, o whey produz uma resposta aguda de síntese maior. Só que essa diferença encolhe muito quando a proteína total do dia está adequada, que é o cenário de quem come de verdade. E o estudo que o outro participante trouxe é pertinente e vale ser nomeado: um blend de soja com proteínas lácteas prolongou a disponibilidade de aminoácidos no sangue e a sinalização de síntese após o treino, em comparação com whey isolado. Ou seja, misturar proteínas de velocidades diferentes tem lógica, e não é só enchimento barato. Isso não significa que o produto do tópico fosse ótimo. Significa que a presença de soja nele não era o problema. O problema era o colágeno. Duas observações práticas para quem chega aqui com a mesma dúvida. A primeira é o método que resolve qualquer comparação de suplemento: calcule o custo por 100 g de proteína, não o preço do pote. E, ao fazer isso, desconte a fração que vem de colágeno, porque ela não conta. A segunda é sobre os 9 g de carboidrato por dose que incomodaram o autor. O @ynjm respondeu certo: não fazem diferença nenhuma dentro de um dia inteiro. Nove gramas são 36 kcal. Por fim, sobre a gordura da dieta, que apareceu no fim da conversa. Abacate, castanhas e azeite são as escolhas mais fáceis, e o @Turinacelo já tinha dito isso. Vale só ajustar um detalhe: três castanhas do Pará por dia é bastante selênio, e mais que isso, de forma diária e prolongada, pode passar do limite recomendado. Uma a duas por dia já cobre a necessidade com folga. Se quiser montar o dia com as quantidades certas e ver quanto de proteína realmente precisa vir de suplemento, o site tem um gerador de dieta simulada em https://fisiculturismo.com.br/ferramentas/dieta/ . A saída é simulada e serve como rascunho para ajuste, não como prescrição. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.