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Enzimas corporais: a nova aliada no refinamento do contorno corporal
Durante muito tempo, quando falávamos em gordura localizada, parecia que existiam apenas duas possibilidades: aceitar aquela região ou recorrer a uma cirurgia. Hoje, a estética avançou — e, com ela, surgiu uma possibilidade interessante para pacientes que desejam melhorar o desenho do corpo sem necessariamente passar por um procedimento cirúrgico. É nesse contexto que entram as chamadas enzimas corporais, utilizadas em protocolos de lipólise injetável para auxiliar na redução de pequenas áreas de gordura localizada e no refinamento do contorno corporal. Na minha prática, esse é justamente o ponto que considero mais interessante: não estamos falando de emagrecimento, mas de lapidar o contorno. Quando o corpo está bem, mas ainda existe aquela gordura que incomodaÉ muito comum receber pacientes que já emagreceram, treinam, cuidam da alimentação e, mesmo assim, continuam incomodados com determinadas regiões. Pode ser aquela gordura abaixo do abdômen, nos flancos, nas costas, nos braços, na parte interna das coxas ou em outras pequenas áreas que parecem não acompanhar o restante do corpo. Esses pacientes não necessariamente precisam emagrecer mais. Muitas vezes, precisam apenas de uma estratégia direcionada para aquela região. É aí que vejo um dos grandes benefícios da lipólise injetável: trabalhar de forma localizada, buscando melhorar o desenho corporal e tornar o contorno mais harmônico. E existe ciência por trás disso?Sim. Um dos principais ativos estudados nessa área é o desoxicolato, uma substância capaz de romper as membranas das células de gordura. Quando utilizado de maneira adequada, ocorre um processo de destruição dessas células, seguido pelo trabalho natural do organismo na remoção dos resíduos celulares. (PubMed Central (PMC)) Um estudo clínico controlado avaliou aplicações na região abdominal e encontrou redução significativa da espessura da gordura subcutânea na área tratada. Os pesquisadores observaram que o tratamento foi capaz de reduzir o volume e a espessura da gordura localizada. (PubMed Central (PMC)) Outro estudo, realizado com 441 pacientes, avaliou a utilização de lipólise injetável em diferentes regiões com gordura localizada. Foram observadas reduções médias de circunferência após as aplicações, incluindo aproximadamente 3,7 cm na parte superior do abdômen, 3,9 cm na parte inferior do abdômen, 1,9 cm nas coxas e 1,6 cm nos braços, embora os resultados variem de acordo com a região e com cada paciente. (ScienceDirect) Ou seja: há evidência clínica de que determinados protocolos de lipólise injetável podem contribuir para a redução de gordura localizada e para a melhora do contorno corporal. E é justamente essa possibilidade de tratar pequenas áreas que torna o procedimento tão interessante. O objetivo não é emagrecer. É refinar.Essa diferença muda completamente a forma como devemos enxergar o tratamento. Eu não indico enzimas para substituir dieta, exercício ou emagrecimento. O paciente ideal é aquele que já apresenta uma condição corporal relativamente estável e possui depósitos localizados de gordura que comprometem o contorno de determinada região. Nesses casos, podemos utilizar a estratégia para buscar uma silhueta mais definida, proporcional e harmônica. É aquele detalhe que muitas vezes faz diferença no resultado final. O que podemos esperar do tratamento?O resultado acontece de maneira progressiva. Não é um procedimento que deve ser vendido como uma transformação imediata. O organismo precisa de tempo para responder ao tratamento e para que o processo de redução daquele tecido seja percebido visualmente. Um estudo multicêntrico que avaliou 221 pacientes e 273 áreas de gordura localizada utilizou aplicações com intervalo de aproximadamente seis semanas. Foram necessárias, em média, 3,14 sessões por área tratada até que o resultado clínico fosse considerado satisfatório. Abdômen e flancos estiveram entre as regiões com melhores respostas. (PubMed) Outro trabalho com 1.269 pacientes utilizou, em média, quatro sessões com intervalos de quatro semanas, demonstrando resultados particularmente interessantes em algumas regiões, incluindo braços e determinadas áreas de gordura localizada. (PubMed Central (PMC)) Por isso, quando falamos em número de sessões, gosto de explicar que não existe uma receita única. Cada corpo responde de uma maneiraA quantidade de gordura, a região tratada, a qualidade da pele, o metabolismo individual e a resposta obtida ao longo das sessões são fatores que influenciam diretamente o planejamento. O que considero mais importante no meu trabalho Para mim, a grande diferença não está simplesmente em aplicar um produto. Está em saber quem realmente tem indicação. Antes de qualquer procedimento, é necessário avaliar o corpo como um todo. Não adianta reduzir gordura de uma determinada região se existe uma flacidez importante naquela área. Da mesma forma, não faz sentido indicar um tratamento localizado para alguém que ainda precisa trabalhar questões relacionadas ao peso corporal. O resultado mais bonito é aquele em que conseguimos equilibrar redução de gordura, qualidade da pele e proporção corporal. É por isso que considero o refinamento corporal uma estratégia individualizada. O mercado está evoluindoA estética corporal está passando por uma mudança importante. Estamos saindo daquela ideia de que todos os pacientes precisam do mesmo protocolo e caminhando para tratamentos cada vez mais personalizados. Uma revisão sistemática publicada recentemente avaliou os estudos disponíveis sobre agentes lipolíticos injetáveis utilizados para redução de gordura em regiões corporais diferentes da região abaixo do queixo. Os autores identificaram resultados promissores em diferentes áreas e destacaram o crescimento dessa linha de tratamento como uma alternativa minimamente invasiva para o contorno corporal. (PubMed) Também existem estudos mais recentes avaliando especificamente o uso do ácido desoxicólico para gordura nos flancos, utilizando medidas por ultrassom, avaliação clínica e satisfação dos pacientes. (PubMed) Isso mostra algo que considero muito importante: o mercado está deixando de olhar para a lipólise injetável apenas como uma tendência estética e passando a estudá-la de maneira cada vez mais estruturada. A estética do futuro será cada vez mais personalizadaAcredito que o futuro dos tratamentos corporais não está em prometer grandes transformações em poucas sessões. Está em entender cada corpo. Um paciente pode precisar emagrecer. Outro pode precisar melhorar a flacidez. Outro pode ter uma excelente composição corporal, mas apresentar uma pequena área de gordura localizada que interfere no contorno. É nesse último perfil que as enzimas podem se tornar uma ferramenta extremamente interessante. ConclusãoQuando existe indicação, planejamento e acompanhamento, podemos utilizar a tecnologia para valorizar o que o paciente já conquistou, refinando determinadas regiões e buscando um contorno corporal mais definido e proporcional. E talvez essa seja a melhor maneira de explicar o tratamento: não é sobre mudar o corpo inteiro. É sobre cuidar dos detalhes que fazem esse corpo ficar ainda mais harmônico. É justamente nessa busca pelo detalhe, pela proporção e pela individualização que vejo uma das grandes oportunidades da estética corporal atual. Referências científicasKlein AW, et al. Metabolic and Structural Effects of Phosphatidylcholine and Deoxycholate Injections on Subcutaneous Fat: A Randomized, Controlled Trial. Dermatologic Surgery. (PubMed Central (PMC)) Salti G, Ghersetich I, Tantussi F, et al. Phosphatidylcholine and Sodium Deoxycholate in the Treatment of Localized Fat: A Double-Blind, Randomized Study. Dermatologic Surgery. 2008. (Biblioteca Online Wiley) Thomas MK, D’Silva JA, Borole A. Injection Lipolysis: A Systematic Review of Literature and Our Experience with a Combination of Phosphatidylcholine and Deoxycholate over a Period of 14 Years in 1269 Patients. (PubMed Central (PMC)) Bertossi D, et al. Evaluation of Safe and Effectiveness of an Injectable Solution Acid Deoxycholic Based for Reduction of Localized Adiposities. (PubMed) Carrion K, et al. A Systematic Review of Injectable Lipolytic Agents for Non-Submental Fat Reduction. Plastic and Reconstructive Surgery. 2025. (PubMed) Namakizadeh Esfahani N, et al. Evaluating the Efficacy and Safety of Deoxycholic Acid Injection in Reduction of Flank Fat. Journal of Cosmetic Dermatology. 2025. (PubMed)
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Talita Spineli entrou na comunidade
Hoje
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R E L A T O - 15on clembuterol ( pulmonil gel )
Esse relato de dois mil e quatro é detalhado e honesto, e por isso mesmo vale voltar nele com o que se sabe hoje. Tem uma coisa registrada aqui que, lida com calma, é um aviso sério. No décimo quarto dia, com a dose já bem aumentada, o @Fibomb relatou a primeira taquicardia, começando na esteira. Isso não é um detalhe do relato, é o efeito adverso principal da substância se manifestando. Clembuterol é um agonista beta dois de ação longa, e a lista de complicações descritas na literatura em humanos inclui taquicardia prolongada, taquicardia supraventricular, fibrilação atrial, hipertensão, queda de potássio e de fósforo no sangue, isquemia do miocárdio, rabdomiólise e choque cardiogênico. Num levantamento de casos de intoxicação, mais de oitenta por cento das pessoas afetadas precisaram de atendimento hospitalar, e os sintomas duram de um a oito dias, porque a substância permanece muito tempo no corpo. Ou seja, taquicardia durante exercício, em quem está usando, não é sinal de que está funcionando. É o momento de parar e procurar atendimento. E existe um agravante específico do produto usado aqui. Formulação veterinária é dosada para cavalo, em concentração e volume pensados para um animal de quatrocentos quilos, e a medida é feita em mililitros de gel ou xarope, sem marcação clínica. Existe caso publicado de fisiculturista que ingeriu um volume dez vezes maior do que pretendia usando um produto veterinário desse tipo, e acabou com alteração cardíaca e de eletrólitos. O erro de conversão é a regra, não a exceção, e o @Fibomb estava fazendo exatamente isso, calculando a partir da posologia por cem quilos de animal. Sobre as proteções que circularam no tópico, e aqui é importante corrigir, @LOUKO e @pompem: Reposição de potássio por conta própria é perigosa. Potássio é uma faca de dois gumes: em excesso ele causa hipercalemia, que altera o ritmo cardíaco e pode ser fatal, e o risco é maior em quem tem qualquer problema renal. Potássio se repõe com exame de sangue mostrando que está baixo, e não preventivamente. Aspirina não mantém pressão. Ela é antiagregante plaquetário e analgésico, não tem efeito sobre pressão arterial nesse contexto, e ainda aumenta risco de sangramento gástrico. Silimarina não protege fígado nesse cenário, e clembuterol nem é o problema hepático principal aqui. Álcool, que apareceu no começo do relato, soma com o efeito cardíaco e piora a desidratação e a perda de potássio. Agora, a parte mais interessante, que é o que os próprios números do tópico mostram. O @Fibomb saiu de vinte e seis por cento de gordura, com treino de musculação três vezes por semana, aeróbio, alimentação regrada, sem beber e dormindo cedo, como ele mesmo escreveu com orgulho. Ele mudou tudo de uma vez. Não dá para atribuir o resultado ao clembuterol, porque a variável que mais muda percentual de gordura, que é o conjunto de dieta e treino, mudou junto e mudou muito. E o @Maxx-RJ registrou a outra metade da história: terminou o mesmo ciclo sem tremor, sem insônia, sem cãibra e sem mudança visual relevante. Duas pessoas, o mesmo protocolo, resultados opostos. Quando isso acontece, a explicação mais provável não é resposta individual à substância, é que o resultado vinha das outras variáveis. E a evidência acompanha isso. Em animais o efeito do clembuterol sobre massa muscular é claro, mas em humanos a evidência é escassa e o efeito é bem menor, com o agravante de que a sinalização beta dois dessensibiliza com o uso, ou seja, o próprio efeito diminui com o tempo. É por isso que existem tantos esquemas de dias alternados e de aumento progressivo de dose, como os discutidos aqui: eles são tentativas de contornar uma resposta que se apaga sozinha. @Marcus Vinicius da Hora, não vou responder a sua pergunta sobre como organizar o esquema, e acho que o motivo ficou claro acima. O que eu responderia é que a fome descontrolada que o @Fibomb relatou no pós ciclo é a parte que sempre volta, e é ela que costuma desfazer o resultado em poucas semanas. @AussieNZ, você tinha dezessete anos e perguntou como convencer um médico a te acompanhar. A resposta é que não se convence médico a supervisionar isso, principalmente aos dezessete anos, e desde dois mil e vinte e três existe resolução do Conselho Federal de Medicina que proíbe prescrição dessa classe de substâncias com finalidade estética. O que existe, e é bem mais útil, é procurar endocrinologista ou nutricionista para avaliar e organizar alimentação e treino. Nessa idade, com treino consistente e comida ajustada, o corpo responde melhor do que responderia com qualquer coisa depois. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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Cláudio Chamini reacted to uma postagem em um tópico:
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Ciclo Winstrol X Primobolan : OPINEM, por favor
@arakboy, não vou montar nem ajustar cronograma de ciclo, mas tem coisa técnica aqui que vale corrigir, e uma informação sua que muda tudo e que passou quase despercebida no tópico. Você tinha dezenove anos e seis meses de treino. Essa é a resposta mais importante da página. Seis meses é o período em que o corpo mais responde ao treino sozinho, e é matematicamente impossível você já ter esgotado o que a alimentação e a progressão de carga entregariam. O que vier depois, a partir de qualquer coisa que se use, é construído em cima da base que ainda não existe. E o @GirlGYM fez a pergunta certa logo no começo, perguntando idade e tempo de treino, mas a resposta que você deu não mudou a orientação de ninguém. Agora as correções técnicas. Sobre os protetores, e aqui o @Coleman acertou quase tudo. Xantinon é basicamente colina, metionina e vitaminas do complexo B, e não protege fígado de nada nesse contexto. O óleo de prímula não tem relação com o assunto. E a silimarina, que era o Legalon, tem evidência fraca e não previne a toxicidade dos esteroides alquilados. Nada disso funciona como escudo, e a crença de que funciona é o que faz muita gente aumentar dose achando que está coberta. Sobre a ideia de que essas duas substâncias são mais brandas: as duas são derivadas de di hidrotestosterona e não convertem em estrogênio, e é daí que vem a fama de não reter líquido e de serem seguras. Só que não reter água não é sinônimo de segurança. Esse perfil justamente é o que mais derruba o HDL, o colesterol bom, e é o mais associado a queda de cabelo com padrão masculino em quem tem predisposição. O estanozolol soma ainda hepatotoxicidade, mesmo na forma injetável, e ressecamento articular com maior fragilidade de tendão. Ou seja, a ausência de inchaço esconde os efeitos, ela não os elimina. E, @marombaNET, respondendo a sua preocupação de estar jogando dinheiro fora: no mercado paralelo isso é uma possibilidade concreta, e não paranoia. O @TribalWolf e o @Coleman apontaram em dois mil e três que aquele produto específico era alvo de falsificação constante. E, @arakboy, sobre a sua pergunta de existir teste para saber se é original: não existe teste caseiro. Aparência, cor, cheiro, ardência, dor no local e decantação não dizem nada sobre conteúdo, dose ou esterilidade. Vendedor conhecido e sem reclamações também não é garantia, porque ele próprio compra de alguém. Sobre o objetivo que você descreveu, secar e definir: nenhuma dessas substâncias queima gordura. Definição é percentual de gordura, e percentual de gordura é resultado de déficit calórico sustentado por semanas, com treino de força para preservar músculo. A impressão de secar vem de não haver retenção de água, o que melhora o contorno sem mudar a gordura embaixo. @Albari Dias, o seu caso de dois mil e dezessete é diferente e merece resposta própria. Aos quarenta anos, com doze de treino, a primeira coisa não é escolher composto, é fazer exames. Testosterona total e livre em duas manhãs diferentes em jejum, LH, FSH, hemograma, perfil lipídico, glicemia, função hepática e renal, com endocrinologista. Se houver hipogonadismo real, existe tratamento acompanhado, que é outra coisa e tem outro risco. E o fato de o ciclo anterior não ter feito muita diferença aponta para o mesmo lugar de sempre: quando a alimentação e a progressão não estão organizadas, o ganho é pequeno e volta rápido. @Wolf2104, você resumiu bem em dois mil e quinze: não existe protocolo único e a resposta individual varia muito. Eu só acrescentaria que essa variabilidade é um argumento a favor de acompanhamento médico, e não contra. É justamente porque não dá para prever quem vai ter o problema que se mede antes e durante. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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Ciclo Winstrol X Primobolan : OPINEM, por favor
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Ciclo Winstrol X Primobolan : OPINEM, por favor
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Dura e Stanozolol 100mg/ml e Agulha da medida correta
Não vou entrar em dose, mas a parte técnica de aplicação discutida aqui merece correção, porque duas informações que ficaram registradas em dois mil e quatro são hoje contraindicadas, e uma delas trata como susto uma lesão que pode ser permanente. Sobre aspirar o êmbolo antes de aplicar, @nicoletti e @marcoshsbr1: essa prática deixou de ser recomendada na maioria dos locais de aplicação. As diretrizes atuais orientam não aspirar em deltoide, ventroglúteo e vasto lateral, porque não há vasos de calibre relevante nessas regiões e porque a manobra prolonga o procedimento e aumenta a dor. O único local em que ainda se recomenda aspirar é justamente o glúteo alto, o dorsoglúteo, que é a região discutida aqui, pela proximidade de estruturas vasculares. E vale acrescentar que injetar mais rápido, sem aspirar, dói menos. Mas o ponto mais importante é outro, e é o motivo pelo qual o dorsoglúteo deixou de ser o local preferido em enfermagem: o nervo ciático passa por ali. @nicoletti, com respeito, dizer que pegar um nervo é só um susto não procede. Lesão de ciático por injeção é uma complicação descrita, e pode deixar sequela, com dor irradiada, formigamento persistente, fraqueza para levantar o pé e, em parte dos casos, déficit permanente. Não é comum, e é justamente por isso que se mudou a orientação: o local recomendado hoje é o ventroglúteo, na lateral do quadril, que fica longe do ciático e de vasos grandes, ou o vasto lateral na coxa. @marcoshsbr1, essa era exatamente a sua pergunta, e a resposta honesta é: sim, existe risco real, e ele diminui muito mudando o local. Sobre a agulha, já que foi a dúvida original do @Gasp e do @Maxx-RJ, e aqui a informação do tópico está quase certa. O número maior é o comprimento em milímetros e o menor é o diâmetro. Trinta por sete significa trinta milímetros de comprimento e zero vírgula sete milímetro de espessura. Comprimento de trinta milímetros é o padrão para intramuscular em adulto. A de vinte e cinco pode não atravessar a camada de gordura em quem tem sobrepeso, e aí o produto fica no subcutâneo, o que causa nódulo, dor prolongada e inflamação local. Ou seja, @Maxx-RJ, escolher a mais curta por medo da primeira vez é justamente o que aumenta a chance de dar problema. O diâmetro maior é necessário para líquido oleoso ou para suspensão, que é o caso das duas coisas discutidas aqui. Agulha fina entope ou exige uma pressão que descontrola o movimento. E existe um detalhe que quase ninguém faz e que reduz muito a dor: usar uma agulha para aspirar o conteúdo do frasco e trocar por outra, nova, para aplicar. A ponta perde o fio ao furar a borracha, e agulha cega dilacera mais tecido. @nicoletti, mais uma correção ao procedimento que você descreveu: se voltar sangue, o certo não é reposicionar a mesma agulha ao lado. Descarta se aquela agulha e usa se uma nova, porque ela já está contaminada com sangue e já perdeu o corte. Duas coisas que não foram ditas em nenhum momento e que são as que mais causam dano de verdade nesse meio. Nunca compartilhar agulha ou seringa, nem uma vez, nem entre amigos. É a via clássica de hepatite B, hepatite C e HIV, e o compartilhamento de material de aplicação é documentado entre usuários de anabolizantes. E o descarte. Agulha usada não vai no lixo comum. A norma brasileira para descarte de perfurocortante prevê recipiente rígido e resistente à perfuração. Na prática, muitas unidades de saúde e farmácias recebem esse material, e vale perguntar na sua. @Gleyci Cordeiro II, sobre a sua pergunta de dois mil e dezessete, o @Toxi te respondeu com dureza mas com razão. Quem não sabe converter miligrama em mililitro não tem como calcular o que está colocando no corpo, e nessa situação o erro não é de dez por cento, é de dez vezes. Se a decisão for usar de qualquer forma, o mínimo é conversar com um profissional de saúde, e isso não é sermão, é a diferença entre um efeito colateral e uma internação. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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Durateston X Espinhas
@MINQiz, a sua preocupação em dois mil e três era bem fundamentada, e o @Moderation te deu o relato honesto. Só que a resposta que ficou registrada no tópico, sobre existir anabolizante que não dá acne, não se sustenta, e é ela que precisa ser corrigida, porque as duas indicações que apareceram aqui estão erradas. Primeiro, o mecanismo, que explica por que não existe versão isenta. A glândula sebácea tem receptor de andrógeno. Quando o nível de andrógeno sobe, essa glândula aumenta de tamanho e produz mais sebo. Mais sebo, somado à descamação do folículo e à proliferação da bactéria que vive ali, é a receita da acne. Ou seja, o efeito não é uma impureza do produto nem uma reação alérgica, é uma consequência direta do que a substância faz. Qualquer coisa que aumente atividade androgênica aumenta a produção de sebo em quem tem essa sensibilidade. Por isso, @Pircing e @Moderation, não existe anabolizante que não cause acne. Estanozolol é derivado de di hidrotestosterona e é justamente um dos mais associados a acne e a queda de cabelo. E o decanoato de nandrolona também aumenta oleosidade e acne, ainda que costume ser um pouco mais brando nesse aspecto específico. O que muda entre as substâncias é o grau, e o grau varia mais de pessoa para pessoa do que de composto para composto. Alguns números, que faltavam. Até cerca de metade dos usuários desenvolve algum grau de acne. E a acne que aparece nesse contexto costuma ser mais severa que a comum: nodular ou cística, com lesões profundas e doloridas, e frequentemente em regiões que não costumam ter acne, como costas, ombros e peito. É esse tipo que deixa cicatriz permanente, e cicatriz de acne nodular não sai com creme depois. @MINQiz, respondendo direto o que você perguntou: pele já oleosa indica maior atividade dessas glândulas, ou seja, é justamente o perfil que tende a responder mais. Você tinha razão em se preocupar antes de começar. @Willian Cruz, o seu caso é o mais claro de todos. Quem já está com o rosto cheio de acne está com o processo ativo, e acrescentar estímulo androgênico piora, sem exceção prevista. E existe uma complicação rara e grave que vale conhecer: a acne fulminante, em que as lesões explodem em poucas semanas, com febre, dor articular e mal estar, às vezes desencadeada exatamente por esse tipo de uso. Isso é caso de dermatologista com urgência, e não de esperar passar. Sobre o tratamento, já que o @Rafael Dickinson mencionou o custo. O tratamento que resolve acne severa é a isotretinoína oral, que reduz o tamanho da glândula sebácea e ataca os quatro mecanismos da acne ao mesmo tempo. Ela funciona bem, inclusive nesses casos. Mas ela exige acompanhamento médico e exames periódicos, principalmente função hepática e perfil lipídico, e aqui está o problema: esteroides anabolizantes já pressionam esses dois exames, alterando enzimas hepáticas e derrubando o HDL. Juntar as duas coisas é empilhar efeito sobre o mesmo alvo, e é uma das razões pelas quais o dermatologista costuma pedir a suspensão do anabolizante para tratar direito. Isotretinoína também é fortemente teratogênica, com regras rígidas de prevenção de gravidez. E existe o óbvio que ninguém disse no tópico: em muitos casos, o tratamento mais eficaz da acne induzida é interromper a causa. Ela costuma melhorar bastante nos meses seguintes à suspensão, e as lesões que já viraram cicatriz é que ficam. Três coisas práticas para quem estiver passando por isso agora, enquanto marca dermatologista. Não espremer, porque é o que transforma lesão em cicatriz. Não usar sabonete abrasivo nem esfoliação agressiva, que pioram a inflamação. Lavar duas vezes ao dia com produto suave resolve mais. E trocar roupa suada logo depois do treino, e lavar a região das costas, porque abafamento e atrito pioram bastante a acne do tronco. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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PROBIOTICA o que vcs acham ??
@rbmoreira, esse tópico é de dois mil e dois e a pergunta continua sendo feita toda semana no fórum. Só que hoje existe uma forma bem melhor de responder do que dizendo qual marca é boa, e é isso que eu queria deixar registrado aqui. Primeiro, por que a resposta por marca envelhece mal. Em vinte e três anos, empresas de suplemento mudaram de dono, de fábrica, de fórmula e de fornecedor de matéria prima várias vezes. Marca que era referência em dois mil e dois pode não ser a mesma empresa hoje, e o contrário também vale. Quem compra por reputação antiga está comprando memória, e não produto. Segundo, e mais importante: os dois produtos que você perguntou são casos completamente diferentes. Creatina é praticamente uma commodity. O que tem evidência é a monoidratada, e monoidratada é monoidratada em qualquer rótulo, desde que seja realmente aquilo. Não existe versão premium com efeito superior. Ou seja, @Lombrão, a sua resposta de dois mil e dois estava certa pelo motivo certo: aquilo era creatina pura e micronizada, e micronizada quer dizer só partícula menor, o que ajuda a dissolver e às vezes reduz desconforto intestinal. Nada além disso. Aqui o critério de escolha é preço por grama e procedência, e mais nada. Proteína em pó é o oposto, é onde existe variação real, e por dois motivos. Um é a composição, porque concentrado, isolado e hidrolisado têm percentuais de proteína diferentes e custos diferentes. O outro é o que de fato está lá dentro. E é aqui que a conversa mudou desde dois mil e dois. Existe uma fraude documentada, o amino spiking, em que parte da proteína é substituída por aminoácidos avulsos baratos, tipicamente glicina e taurina, que enganam a medição clássica porque ela conta nitrogênio. Numa análise recente de cento e vinte e quatro produtos vendidos no Brasil, trinta e nove por cento apresentaram sinais dessa prática, envolvendo cerca de metade das marcas avaliadas, e houve suspensão de venda de dezenas de produtos. A norma brasileira tolera variação de até vinte por cento entre rótulo e análise, e boa parte estourava esse limite. Então, o que eu recomendaria hoje, em vez de escolher marca por fama. Olhe a lista de ingredientes em ordem de quantidade. Se aparecerem aminoácidos isolados, como glicina, taurina ou alanina, logo no início dessa lista, é sinal de alerta. Faça a conta de preço por grama de proteína, e não por quilo de pó. Um produto com sessenta por cento de proteína e preço baixo pode sair mais caro por grama que um com oitenta por cento. Verifique se a marca aparece em alguma lista recente de suspensão de venda, porque essas listas passaram a existir e são públicas. E, para quem compete em esporte com controle antidoping, procure produto com certificação independente de análise por lote, que é o único jeito de reduzir o risco de contaminação cruzada com substância proibida. Uma última coisa, que era o subtexto da pergunta original sobre nacional contra importado: o país de origem não é o critério. Existem fraudes documentadas dos dois lados, e o processo de fabricação de whey é o mesmo em qualquer lugar, porque a matéria prima é subproduto da indústria de queijo. O que separa produto bom de ruim é controle de qualidade e honestidade de rótulo, e isso não vem escrito na bandeira. E, encerrando com o que economiza mais dinheiro para quem chega aqui: proteína em pó é conveniência, não necessidade. Se a comida do dia já entrega a proteína que você precisa, o pote é apenas praticidade. E se não entrega, ovo e leite costumam resolver por menos.
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Quantos aqui tem mais de 40cm de braço?
Tópico divertido, e tem três coisas aqui que valem ser fixadas, porque quem chega pelo Google querendo saber se o braço está bom encontra isso. Primeiro, o @rolfo17 deu sem querer a melhor aula do tópico. Ele contou que tinha trinta e oito centímetros com dezesseis por cento de gordura e passou a ter trinta e seis e meio com onze por cento. Isso não é regressão, é a demonstração de que fita métrica mede tudo que está ali, inclusive gordura e água. Dois braços com a mesma medida podem ser completamente diferentes, e um braço de trinta e seis e meio seco costuma parecer maior que um de trinta e oito com gordura por cima. Não era desculpa de frango, era o dado mais honesto da página. Segundo, a @Nina19 levantou o ponto certo logo no começo, e o @-Simbiose- confirmou na prática: proporção importa mais que o número. Quarenta centímetros num sujeito de um metro e sessenta e quatro e quarenta e três num de um metro e noventa são coisas visualmente muito diferentes, e o @Sussegado percebeu isso ao dizer que com a altura dele nem parecia. Quem tem estrutura óssea mais estreita, punho e clavícula menores, aparenta mais com a mesma medida. Se alguém quiser um número que compare gente de tamanhos diferentes, existe um melhor que a fita no braço: o índice de massa livre de gordura, que relaciona a massa magra com a altura. O estudo clássico sobre isso analisou cento e cinquenta e sete atletas e observou que os que não usavam esteroides ficavam com valor em torno de vinte e cinco no máximo, enquanto cerca de metade dos usuários passava disso, alguns chegando perto de trinta. Não é uma linha divisória mágica, existem exceções genéticas documentadas acima disso, mas dá uma noção muito melhor de onde alguém está do que a circunferência do braço. Terceiro, e aí é a parte que responde à dúvida prática que apareceu entre o @Mcfly e o @Carioca-JPA: como medir. O padrão de avaliação física é braço relaxado, medido no ponto médio entre o acrômio e o olécrano, ou seja, entre a ponta do ombro e a ponta do cotovelo, com o braço solto ao lado do corpo. Essa é a medida que se compara com tabela. A medida contraída, que é a que todo mundo usa em conversa de academia, também vale, desde que seja sempre do mesmo jeito, no mesmo ponto, com a mesma tensão de fita. O que estraga tudo é justamente a tensão da fita e o momento. Braço medido depois do treino de bíceps pode dar um centímetro a mais, e isso é sangue e água, não músculo. Por isso a regra prática é medir frio, sempre no mesmo dia da semana e no mesmo horário. E, @allan.araujo.78, medir quente é o modo mais generoso que existe, então quarenta e um quente e quarenta e um frio são medidas diferentes. E o @Sussegado descreveu algo que quase ninguém explica para iniciante: até uns trinta e sete cresceu rápido, depois ficou lento, e depois dos quarenta e um ficou bem lento. Isso é a curva normal. O ganho de massa é mais rápido no primeiro ano e vai desacelerando, e é por isso que centímetros de braço no começo saem quase de graça e depois custam anos. @tenista e @Jonhy Walker, vocês tinham quinze e dezesseis anos e falavam em chegar a quarenta e cinco, e vale saber disso: parte do que vocês ganhariam nos anos seguintes viria simplesmente de terminar de crescer. Fechando com o que eu diria para quem chega aqui hoje comparando o próprio braço com o dos outros: quarenta centímetros virou número redondo por acaso, não por significar alguma coisa. A medida que interessa é a sua de seis meses atrás, feita do mesmo jeito, com o mesmo percentual de gordura. E o resto é conversa boa de fórum, que também tem valor.
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16 anos, Devo tomar creatina????
@enigmatico, você fez três perguntas em dois mil e quatro e recebeu respostas contraditórias, o que era natural para a época. Hoje esse é provavelmente o suplemento mais estudado que existe, então dá para responder com segurança. Efeitos colaterais e contraindicação, primeiro. @leobecker, a sobrecarga renal não se confirmou. Estudos de curto e de longo prazo, incluindo uso de até trinta gramas por dia durante cinco anos, não mostraram prejuízo de função renal em pessoas saudáveis. O que acontece é uma confusão de exame: a creatina eleva a creatinina do sangue, que é um subproduto dela, e a creatinina é justamente o marcador que se usa para estimar função renal. Ou seja, o exame parece alterado sem que exista doença. Quem tem doença renal prévia é outra conversa, e aí a decisão é do médico. @Abboud, as cãibras também não se sustentam. Os estudos que investigaram isso não encontraram aumento de cãibra nem de desidratação, e alguns encontraram o contrário, menos cãibra em quem usava. A ideia surgiu porque a creatina puxa água para dentro da célula muscular, e alguém supôs que faltaria água no resto do corpo. Não é o que acontece. O efeito colateral real e frequente é ganho de peso de dois a três quilos nas primeiras semanas, que é água dentro do músculo, e desconforto gastrointestinal em algumas pessoas, principalmente com doses grandes de uma vez. Isso melhora dividindo a dose ou tomando junto com comida. Sobre a idade, que era o coração da sua pergunta. A posição da sociedade internacional de nutrição esportiva é que não existe evidência científica de que crianças e adolescentes não devam usar. Ao mesmo tempo, faltam estudos controlados nessa faixa, então a recomendação prática da maioria dos profissionais é que antes dos dezoito anos qualquer suplementação seja avaliada caso a caso, com orientação de nutricionista ou médico, e com participação dos pais. Não é proibido, mas também não é decisão que se toma sozinho num fórum. E o @Abboud e o @Opedra estavam certos por outro motivo, que é o mais importante: com dois meses de treino, não era o momento. Não por risco, mas por prioridade. Nos primeiros meses o corpo responde muito bem a qualquer estímulo, e essa é a fase de aprender técnica, criar hábito e organizar a comida. Suplemento nessa etapa costuma receber crédito por um resultado que teria acontecido de qualquer jeito. Uma correção ao modo de usar, @driano e @P4n1c0: não é preciso ciclar. Não existe adaptação nem perda de efeito que justifique parar dois meses. A creatina satura o músculo e se mantém enquanto você toma. Parar simplesmente devolve os níveis ao normal ao longo de algumas semanas, e você perde o benefício naquele período. Também não é obrigatório fazer fase de saturação com dose alta: tomando de três a cinco gramas por dia, todo dia, você chega ao mesmo lugar em três ou quatro semanas, com menos desconforto intestinal. O horário não importa muito, e nem precisa ser com carboidrato. @Luis, respondendo você, que perguntou em dois mil e dezenove: se você não treina, não vale a pena. E o @Foston respondeu isso com precisão. A creatina não constrói músculo sozinha. O que ela faz é permitir uma ou duas repetições a mais em séries curtas e intensas, e é esse trabalho extra, repetido por meses, que vira músculo. Sem o estímulo do treino, ela não tem em que se apoiar. Fazer alguns exercícios pela manhã já é melhor que nada, e se esses exercícios envolverem carga e progressão, aí sim ela passa a fazer sentido. Aos dezesseis anos, com sessenta e dois quilos e vontade de ganhar massa, o que mais rende é começar um treino de força e comer mais, nessa ordem. A creatina custa pouco e é segura, mas ela é o último detalhe, e não o primeiro passo. E uma observação prática, porque isso aparece o tempo todo: a forma que tem evidência é a creatina monoidratada, que também é a mais barata. Todas as versões vendidas como novas gerações, com nomes diferentes e preço maior, não mostraram vantagem sobre ela.
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Qual foi o PIOR suplemento que você já tomou?
Esse tópico é um dos mais úteis do fórum, e não pelo motivo que parece. Ele é praticamente uma lista das categorias de suplemento que a ciência derrubou, escrita por gente que descobriu no bolso antes de ter estudo publicado. Vale organizar isso, porque quase todas as decepções aqui têm explicação. Primeiro, os produtos que nunca poderiam ter funcionado, por impossibilidade e não por má fabricação. @edupn e @Biologist, o gel de hormônio de crescimento sublingual não tinha como dar resultado. Hormônio de crescimento é uma proteína grande, e proteína não atravessa a mucosa da boca nem sobrevive ao estômago, por isso ele existe em farmácia apenas em forma injetável. Essa categoria virou caso de fiscalização nos Estados Unidos: houve acordo de vinte milhões de dólares em ressarcimento a consumidores por publicidade enganosa de pílulas e sprays que prometiam aumentar hormônio de crescimento, e mais de noventa empresas receberam notificação. Ou seja, os cento e quinze reais que você chamou de mais mal gastos da vida foram gastos numa categoria inteira que era propaganda enganosa por definição. @JuniorCol, @Maquiavel e @mgomes, os produtos de óxido nítrico com arginina seguem a mesma lógica. A ideia veio de estudos em que arginina foi aplicada na veia, em dose alta, o que realmente mexe em alguns marcadores por uma hora. Tomada pela boca, em cápsula, ela não reproduz aquilo. A promessa de hemodilatação vendia a sensação de inchaço, e não resultado. @Kobe, proteinato de cálcio é proteína do leite ligada a cálcio, ou seja, é uma proteína comum vendida com nome técnico. Não tem nada de especial e a quantidade nas doses vendidas costumava ser pequena. E as fórmulas de aminoácidos em comprimido, que o @Neymargym e o @pedrolopes665 citaram, esbarram em aritmética. O @BigBro fez a conta certa: onze comprimidos entregando onze gramas de proteína equivalem a três claras de ovo, e custam muitas vezes mais. Não existe fórmula que contorne isso, porque proteína ocupa espaço e pesa. Segundo, o problema que atravessa metade das reclamações aqui: o rótulo não bater com o conteúdo. Vocês desconfiaram disso em dois mil e cinco e o @apeectru chegou a propor a análise. Vinte anos depois isso está documentado. A prática se chama amino spiking, e consiste em substituir parte da proteína por aminoácidos avulsos baratos, tipicamente glicina e taurina, que enganam o método clássico de medição porque ele conta nitrogênio. Numa análise recente de cento e vinte e quatro produtos no Brasil, trinta e nove por cento apresentaram sinais dessa fraude, envolvendo cerca de metade das marcas avaliadas, e houve suspensão de venda de dezenas de produtos. A norma brasileira permite variação de até vinte por cento entre rótulo e análise, e boa parte estourava isso. @Fuzaum66, você perguntou por que todo mundo bate nas marcas nacionais baratas, e a resposta honesta é: não é questão de nacionalidade, é de preço por quilo de matéria prima. Proteína de leite tem um custo de mercado. Quando o produto final sai muito abaixo desse custo, alguma coisa foi substituída. Isso vale para marca nacional e importada igualmente, e existem fraudes documentadas nos dois lados. Terceiro, e é a parte mais importante deste tópico: @Vitruvius, você escreveu em dois mil e oito que nenhum suplemento tinha dado resultado em um ano e dois meses, e ninguém te respondeu. A resposta é que o problema quase nunca é o suplemento. Suplemento, no melhor cenário, responde por uma fração pequena do resultado. O que constrói músculo é carga aumentando ao longo dos meses, proteína total suficiente no dia, calorias suficientes e sono. Você mencionou que reduziu de cinco para três dias de treino, o que não é problema por si só, mas se nesses três dias a carga não subiu ao longo de um ano, aí está a explicação inteira. Ninguém compensa treino sem progressão com pote nenhum. Fechando com o que funciona, para equilibrar a lista de decepções. A parte da prateleira com evidência boa é pequena e barata: creatina monoidratada, que é o suplemento mais estudado que existe, cafeína para desempenho, proteína em pó como conveniência quando falta comida, e vitamina D ou outro nutriente específico se houver deficiência comprovada em exame. O resto da loja é, em graus variados, otimismo. E, @Taurino, obrigado por ter aberto isso em dois mil e cinco. Um tópico onde as pessoas contam o que não funcionou vale mais que dez tópicos de propaganda, e o que vocês registraram aqui envelheceu bem melhor que a publicidade da época.
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Suplemento Total Protein da DNA é bom?
@Leops, essa pergunta de dois mil e cinco é sobre custo benefício, e vinte e um anos depois a resposta melhorou bastante, inclusive com números. E o @Guembezão foi quem chegou mais perto da verdade, com um raciocínio que merece ser elogiado. O método dele foi simplesmente comparar preços por quilo de cada matéria prima e concluir que um produto vendido muito abaixo do custo do whey não pode ser majoritariamente whey. Isso é raciocínio econômico aplicado a rótulo, e é exatamente o que a fiscalização faz hoje. E aqui está o que mudou desde então, que é a parte que vocês não tinham como saber. Existe uma prática chamada amino spiking, que consiste em substituir parte da proteína do leite por aminoácidos isolados baratos ou por outras proteínas mais baratas. Os mais usados são glicina e taurina, justamente por serem os mais baratos. O truque funciona porque o método clássico de medir proteína em alimento mede nitrogênio, e esses aminoácidos avulsos contam nitrogênio como se fossem proteína completa. O rótulo fecha, e o produto entrega bem menos do que promete para construção muscular. E não é raro. Numa análise recente de cento e vinte e quatro produtos no Brasil, trinta e nove por cento apresentaram sinais de amino spiking, envolvendo cerca de metade das marcas avaliadas. A legislação brasileira permite variação de até vinte por cento entre o valor declarado e o encontrado, e boa parte das reprovações passava disso. Ou seja, a desconfiança de vocês em dois mil e cinco não era implicância, era percepção correta de um problema que só foi documentado direito muito depois. Agora as correções técnicas, porque três coisas ditas aqui não se sustentam. @Tulio Soria, a ideia de catabolizar enquanto digere não procede. A janela pós treino é bem mais larga do que se acreditava, provavelmente algumas horas, e uma digestão mais lenta não faz ninguém perder músculo. Aliás, para a maior parte das situações, a velocidade de absorção da proteína importa pouco: o que decide é o total de proteína do dia e a quantidade por refeição. @AndProenca e @Guembezão, sobre a proteína de soja: ela não é ruim. Proteína isolada de soja é completa, tem todos os aminoácidos essenciais e atinge a pontuação máxima na escala de qualidade proteica usada em nutrição. @Leops, você estava certo nesse ponto específico e o artigo que você leu não estava errado. O que existe de real é uma diferença menor: a soja tem menos leucina que o whey, e o estímulo agudo de síntese proteica costuma ser um pouco menor. Na prática, isso se compensa comendo um pouco mais dela. Soja não é o problema desse produto, o problema é pagar preço de whey por soja sem saber. E, sobre misturar proteínas de velocidades diferentes, que o tópico tratou como defeito: isso não é defeito, é um formato que existe até nos produtos caros, vendido como blend. Não é motivo para desqualificar nada. O que eu responderia ao seu problema original, que era ter pouco dinheiro. Primeiro, whey é conveniência, e não necessidade. Ninguém precisa de suplemento para ganhar massa. Ele é proteína em pó, prática, com bom perfil de aminoácidos, e mais nada. Segundo, o @Guembezão te deu o melhor conselho do tópico: com vinte e cinco reais em frango, ovo ou leite você compra mais proteína de qualidade garantida do que com o mesmo dinheiro em qualquer pó barato. Ovo continua sendo a melhor relação entre preço, qualidade proteica e disponibilidade que existe no Brasil. Terceiro, se ainda assim quiser um pó, hoje vale olhar duas coisas que não existiam em dois mil e cinco: a lista de ingredientes em ordem de quantidade, e se aparecem aminoácidos isolados logo no começo dessa lista, o que é a assinatura do amino spiking. E vale conferir se a marca aparece em alguma lista recente de suspensão de venda. E, para deixar registrado para quem chega aqui hoje: dois meses de treino, que era o seu caso, é a fase em que o corpo mais responde e em que suplemento menos importa. Comer bem, dormir e aumentar carga durante o primeiro ano rende mais que qualquer pote.
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Suplementos e ração para cachorros! Há diferença quanto aos produtos para humanos?
@williamsuane, essa pergunta de dois mil e cinco virou piada no tópico, mas ela tem resposta técnica boa, e a piada esconde um risco real. Vale responder, ainda mais porque isso voltou a circular como moda de internet nos últimos anos. Começando pelo argumento do @-lipkno†, que é o mais inteligente do tópico e está meio certo. Ele tem razão em dizer que creatina é creatina, independente do rótulo. Uma molécula não muda de identidade por causa do público a que o produto se destina, e é verdade que boa parte dos anabolizantes usados por aí é de linha veterinária. Nesse ponto o raciocínio dele é sólido. O que o argumento deixa de fora é que o problema não é a molécula, é tudo o que vem junto com ela. E aí a diferença é grande. Alimento para animais no Brasil é regulado pelo Ministério da Agricultura, com regras próprias, e não pela vigilância sanitária de alimentos para pessoas. Isso não significa que seja um produto ruim, significa que ele é fabricado sob um padrão desenhado para outra espécie. As fontes de proteína usadas nessa indústria incluem subprodutos e farinhas de origem animal classificados como impróprios para consumo humano, e a linha de produção não precisa atender aos requisitos de uma fábrica de alimentos para gente. O segundo ponto é a formulação. Vitaminas e minerais são dosados para o metabolismo do cão, que é diferente do nosso em coisas específicas. Cachorro, por exemplo, produz a própria vitamina C, e nós não. As proporções de vitamina A, vitamina D e minerais são calculadas para o peso e a necessidade do animal, e não são pensadas para alguém que vai comer aquilo em quantidade grande todo dia. Excesso de vitaminas lipossolúveis se acumula. E o terceiro ponto é o que fecha a discussão, porque não é teoria. Ração seca já causou surto de salmonela em pessoas. Entre dois mil e seis e dois mil e oito, setenta e nove casos em vinte e um estados americanos foram ligados a ração seca contaminada por Salmonella Schwarzengrund, com recall nacional do fabricante. Metade dos infectados eram crianças pequenas, e vinte e quatro por cento dos casos com informação disponível precisaram de internação. A maioria dessas crianças nem comeu a ração, apenas teve contato com ela ou com a vasilha. Alguém que come direto do pacote está numa exposição bem maior. Ou seja, @zapatista, a sua conclusão estava certa mesmo com o mecanismo errado. Não é questão de flora intestinal nem de anticorpo para carne crua. É questão de padrão de fabricação e de contaminação microbiológica, com um limite de tolerância pensado para outra espécie. @binho5, um ajuste ao que você escreveu: os aminoácidos desses suplementos não são tóxicos para humanos. Aminoácido é o mesmo em qualquer espécie. O problema é o resto do produto e a procedência. E existe o argumento que ninguém fez e que talvez seja o mais convincente de todos: nem como estratégia isso funciona. Ração é feita para ser calórica e barata, não para ser proteica. Cada cem gramas trazem em torno de trezentas e cinquenta a quatrocentas calorias, com boa parte vinda de gordura e de amido, e uma proporção de proteína bem pior que a de ovo, frango, leite ou até de feijão com arroz. Quem come ração para bater proteína está comendo muita caloria e pouca proteína, pagando por isso, e ainda arriscando contaminação. @-lipkno†, sobre a sua experiência com aquele suplemento veterinário: o inchaço e a disposição que você descreveu são compatíveis com creatina, que era o principal componente ativo dele para esse efeito. Ou seja, você pagou por gosto de vômito para ter o efeito de um pote de creatina, que é um dos suplementos mais baratos e mais estudados que existem. Isso resume bem o custo benefício da ideia. Respondendo a sua última pergunta, @williamsuane, que ninguém respondeu: dar suplemento humano para cachorro também não é boa ideia. O sentido inverso tem os mesmos problemas, com um agravante, porque existem coisas comuns em suplemento humano que são tóxicas para cães, incluindo xilitol, adoçante presente em vários produtos, que causa hipoglicemia grave e lesão hepática no cachorro. Suplementação de animal se resolve com veterinário.
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Cobavital: tomar por quanto tempo?
@TecoSantos, você perguntou em dois mil e três por quanto tempo dá para tomar, e essa pergunta nunca foi respondida com base em bula. A resposta é: quando usado como estimulante de apetite, o tempo máximo recomendado de tratamento é de seis meses, e o uso deve ser acompanhado. O @M.A.R.O.M.B.A chegou perto com a ideia de ciclos de três a seis semanas com pausa, e a lógica dele até faz sentido por outro motivo, que explico abaixo. Antes, o que o remédio é de fato, porque metade do tópico funciona em cima de uma crença errada. Ele tem dois componentes. A cobamamida é uma forma ativa da vitamina B doze. A ciproeptadina é um anti histamínico de primeira geração, que também bloqueia serotonina, e é ela que abre o apetite agindo no sistema nervoso central. É também ela a responsável pelo sono que quase todo mundo aqui relatou. Ou seja, @TecoSantos e @driano: a parte de estimular síntese proteica não procede do jeito que foi dito. Vitamina B doze participa do metabolismo, mas repor B doze só faz diferença em quem está com deficiência dela. Em alguém que come carne, ovo e leite, e cujos níveis estão normais, dar mais B doze não aumenta massa muscular nem síntese proteica. Não é anabolizante natural, e o @Polêmico já tinha dito isso corretamente em dois mil e quatro. Ou seja, ele não engorda ninguém sozinho, como o @Reinaldo.Gomes e o @japo. resumiram bem. O que ele faz é tirar a barreira do apetite. Quem come mais por causa disso ganha peso pelas calorias, e não pelo comprimido. E quem já come muito, seu caso, tende a sentir pouco efeito, exatamente como você relatou. Sobre o sono, que apareceu no tópico inteiro. @claytont e @eduardobjj, ele é efeito esperado, é sedação de anti histamínico. Costuma diminuir nos primeiros dias com a adaptação, e o @Carioca-JPA e o @TuGh estavam certos nisso. Se não passa, e no seu caso atrapalhava treino e rotina, a decisão de parar foi correta. Vale saber ainda que esse efeito soma com álcool e com qualquer outro remédio que dê sono, e que dirigir sob esse efeito é um risco real. Existem outros efeitos que ninguém citou e que importam: boca seca, tontura, prisão de ventre e retenção urinária. E existem contraindicações, incluindo glaucoma de ângulo fechado, retenção urinária por problema de próstata, e alguns quadros respiratórios. Idosos são especialmente sensíveis a esse tipo de medicamento. Sobre a tolerância, que responde a ideia dos ciclos: parte das pessoas percebe queda do efeito com o tempo de uso contínuo. Não existe dependência química descrita, mas o efeito tende a se atenuar, o que explica a impressão de que pausar e voltar funciona melhor. Agora, o que importa mais que tudo isso, e é o que ninguém disse ao longo de dezessete anos de tópico. @louko_ e @slimshady, vocês relataram catorze e nove quilos. @binho5 fez a pergunta certa e o @louko_ respondeu com honestidade: parte era massa magra e parte era gordura. É isso mesmo. Comer mais faz ganhar os dois, e a proporção depende do treino e da proteína, não do remédio. @Nailto, três quilos e onze centímetros de peito em nove dias não é possível. Isso é variação de água, de intestino e de fita métrica mal posicionada. O @Marguelão-Stack desconfiou com razão. E o @NeSKaU e o @JoseNeto acertaram no essencial: os primeiros meses de treino rendem ganhos rápidos em qualquer pessoa, com ou sem qualquer coisa, e é por isso que tudo que se toma nessa fase parece milagroso. @trutabr, @patydeliciaa e @Bruna Marques, vocês chegaram aqui com dezessete, quinze e uma idade não informada, querendo ganhar peso, e a resposta certa não é sobre quantas cartelas. Estar abaixo do peso na adolescência pede avaliação médica antes de qualquer medicamento, porque existem causas que precisam ser descartadas, de verminose a problema de tireoide e doença celíaca. E ciproeptadina em adolescente é decisão médica, não escolha de fórum. @patydeliciaa, respondendo o que você perguntou: tomar sem fazer atividade física nenhuma tende a produzir ganho principalmente de gordura, o que provavelmente não é o que você quer. E, @Bruna Marques, sobre economizar dividindo cartelas: o dinheiro rende muito mais em comida. Um remédio que abre apetite não serve para nada se a comida não estiver disponível na geladeira. Arroz, feijão, ovo, leite, banana, aveia e pão custam menos que a cartela e são o que efetivamente faz ganhar peso. Fechando com o que eu diria a quem chegar aqui hoje: se o problema é falta de apetite mesmo, isso se investiga com médico. Se o problema é dificuldade de comer o suficiente, a solução costuma ser prática, com refeições líquidas, que enganam a saciedade, alimentos mais calóricos por volume e o hábito de comer em horários fixos mesmo sem fome, em vez de esperar a vontade aparecer. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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Duvida - Hemorroidas
@AlemaO___, você tinha dezesseis anos, estava assustado e fez duas perguntas boas que ninguém respondeu direito: se isso some e se a musculação tem culpa. Dá para responder as duas. Primeiro, o que provavelmente era. Uma bolinha que aparece de repente na borda do ânus, dolorida, costuma ser uma hemorroida externa trombosada, ou seja, um coágulo dentro de uma veia dilatada ali. Isso responde a sua pergunta principal: não fica para sempre. O coágulo é reabsorvido, a dor melhora em poucos dias, e o inchaço regride ao longo de duas a três semanas. Às vezes fica uma pequena prega de pele mole no lugar, que é só sobra de pele e não incomoda. E existe um detalhe de tempo que vale para quem passar por isso: quando a dor é forte, a retirada cirúrgica do coágulo nas primeiras setenta e duas horas resolve muito mais rápido, com melhora em cerca de quatro dias contra mais de três semanas do tratamento conservador, e com menos recorrência. Depois desse prazo já não compensa, porque o corpo começou a reabsorver sozinho. Ou seja, se acontecer de novo e doer muito, procurar atendimento nos primeiros dias muda o desfecho. Agora, a musculação tem culpa? A resposta honesta é: um pouco, mas ela não é a causa principal. Os fatores de risco estabelecidos são constipação, esforço para evacuar, passar muito tempo sentado no vaso, diarreia crônica, gravidez, obesidade e história familiar. O @NichFernandes listou isso certinho em dois mil e onze, e o @marciano acertou o mecanismo: existe predisposição individual, do mesmo jeito que existe para varizes de perna, porque o problema é de tecido vascular e de sustentação. Levantamento de peso entra como fator agravante, e não como causa. O motivo é a manobra de Valsalva, aquele prender a respiração e fazer força que todo mundo faz no agachamento e no terra pesado. Ela aumenta muito a pressão dentro do abdome, e essa pressão se transmite às veias da região. Em quem já tem predisposição, isso pode desencadear ou piorar um episódio. É por isso que várias pessoas aqui, incluindo o @eXtremeX e o conhecido que o @douglas_sc citou, associaram o quadro ao agachamento, e não estavam imaginando coisas. Só que a mesma literatura mostra o outro lado: sedentarismo aumenta o risco, e fibra de cereais reduz. Ou seja, parar de treinar não é solução, e provavelmente piora o quadro geral. O que dá para ajustar é como se treina durante a crise. O que eu faria, na prática, e isso responde o @Alexp, que contou ter parado a academia três vezes por causa disso. Durante a crise, evitar por alguns dias os exercícios de carga máxima com prender a respiração, principalmente agachamento e terra. Manter o treino com cargas moderadas, mais repetições e respiração controlada, sem apneia. Caminhada está liberada e ajuda. Fora da crise, a prevenção é intestinal, e não muscular. Fibra em torno de vinte e cinco a trinta gramas por dia, água suficiente, e o hábito mais subestimado de todos: não ficar sentado no vaso além do necessário. Ficar dez, quinze minutos no celular ali é pressão contínua na região, e é uma causa moderna que não existia neste tópico em dois mil e três. Banho de assento com água morna por dez a quinze minutos alivia bastante na fase aguda. E, @Taerone, um ajuste: pimenta e álcool não causam hemorroida. A pimenta pode arder na hora de evacuar e piorar o desconforto de quem já tem, o que explica a fama, mas ela não é a origem do problema. Uma parte importante que ninguém disse, e é a que mais interessa a qualquer pessoa que chegue aqui pelo Google: sangramento pelo ânus nunca deve ser assumido como hemorroida por conta própria. Hemorroida é a causa mais comum, mas outras coisas sangram do mesmo jeito, incluindo fissura, doença inflamatória intestinal e tumor. Isso vale especialmente para quem tem mais de quarenta anos, história familiar, alteração do hábito intestinal ou perda de peso sem explicação. Exame do proctologista é rápido e resolve a dúvida. @NexusBrz, respondendo a sua pergunta lateral sobre a hidrocele: o @Cintra estava certo, isso é mito. Hidrocele é acúmulo de líquido na bolsa escrotal e não tem relação com o modo de segurar barra ou com a posição das pernas. O que existe de real na vizinhança dessa história é a hérnia inguinal, que o @Abomai-xms mencionou, e essa sim tem relação com aumento de pressão intra abdominal em quem já tem fragilidade na parede. O sinal é um abaulamento na virilha que aparece com esforço e some ao deitar, e isso é caso de avaliação cirúrgica. E, @AlemaO___, uma última coisa: você fez a coisa certa aos dezesseis anos ao procurar médico logo e ao perguntar depois. Esse é o tipo de assunto que a maioria das pessoas esconde por vergonha durante anos, e a demora costuma ser o único motivo pelo qual um problema simples vira um problema grande. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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Duvida sobre a receita certa pra pegar anabol na farmacia !!
Não vou ajudar com o que foi perguntado no primeiro post, e acho que vale explicar por quê, porque tem informação errada circulando aqui que pode custar caro para quem ler. Receita falsificada não é contravenção pequena. Falsificar receituário e usar documento falso são crimes previstos no Código Penal, e o carimbo de um médico que não prescreveu nada agrava a situação, porque envolve o nome e o registro profissional de um terceiro. Um dos participantes foi o único do tópico a apontar isso com clareza em dois mil e quatro, ao dizer que falsificar é crime, e estava certo. E, @Sem Noção, a sua sugestão tem um erro de fato: comprar substância controlada sem receita não é estar dentro da lei, é o oposto. Anabolizantes estão na lista de substâncias sob controle especial da Portaria trezentos e quarenta e quatro, e a venda exige receita retida e registro. A farmácia que vende sem isso está irregular, e quem compra está adquirindo medicamento controlado fora do que a norma permite. A diferença entre isso e a receita falsa é só o tamanho do problema. Agora, o que mudou desde dois mil e quatro, e que muda a conversa inteira. Desde abril de dois mil e vinte e três existe resolução do Conselho Federal de Medicina que proíbe médicos de prescrever esteroides androgênicos e anabolizantes com finalidade estética, para ganho de massa muscular ou para melhora de desempenho esportivo. A prescrição segue permitida apenas para tratar condições clínicas, como hipogonadismo, puberdade atrasada e caquexia. Ou seja, hoje não existe caminho legítimo de receita para o uso que este tópico discute. O médico que prescreve para esse fim responde no conselho. A Anvisa também tem publicado proibições periódicas de lotes e de produtos irregulares dessa classe, incluindo apresentações de metandrostenolona vendidas no mercado paralelo. @LuizFilipe, respondendo o que você perguntou em dois mil e dezessete: no caso de uma receita legítima, é verdade que a pessoa que compra não precisa ser a mesma que vai usar, porque parente ou cuidador pode retirar medicamento. O que a farmácia precisa é da receita válida, dentro do prazo, com os dados do prescritor e do paciente, e o registro da dispensação. O problema no contexto deste tópico não é quem retira, é a origem da receita. E existe uma parte prática que costuma ser esquecida por quem acha que resolveu tudo conseguindo o papel: essas dispensações ficam registradas e são fiscalizadas. Quando aparece um padrão, sobra para a farmácia, para o farmacêutico responsável e para o médico cujo nome foi usado. Não é um risco teórico. Se o que motiva alguém aqui for realmente uma suspeita clínica, e não estética, o caminho existe e é simples: consulta com endocrinologista, dosagem de testosterona total em duas manhãs diferentes, em jejum, além de LH, FSH e prolactina. Hipogonadismo verdadeiro tem tratamento coberto, acompanhado e sem risco legal nenhum. E, se for o caso, a diferença entre reposição orientada e ciclo é enorme, tanto no resultado quanto na segurança. Para quem chegar aqui pelo Google procurando como preencher uma receita: esse não é um detalhe burocrático a ser resolvido com esperteza. É a diferença entre um problema de saúde e um problema criminal somado a um problema de saúde. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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Dúvida Ginecomastia !
Esse tópico atravessa quinze anos e virou o lugar onde muita gente foi parar depois da cirurgia de ginecomastia. Vale organizar as respostas, porque várias perguntas boas ficaram no ar. @kami, sobre a sua dúvida original, o @Barth e o @Pharmabio estavam certos, e o tempo confirmou os dois. Depois da retirada completa do tecido glandular, o caroço que se sente não é a ginecomastia voltando, é tecido cicatricial. Ele se forma porque toda cirurgia deixa um espaço que o corpo preenche com colágeno, e no começo esse tecido é grosso e endurecido. Respondendo o que você perguntou depois e não foi respondido: esse tecido é feito principalmente de colágeno produzido por células chamadas fibroblastos, e ele passa por uma fase de remodelação que leva meses. É por isso que ele amolece e diminui progressivamente, e é por isso que a impressão de estar tudo igual nos primeiros meses engana tanta gente. O @avalon relatou melhora só a partir do quinto mês, e isso é o curso normal. E a razão pela qual a recidiva é improvável é simples: retirada a glândula, não sobra tecido para responder a estímulo hormonal. O que pode aumentar depois é gordura na região, que é outra coisa e se resolve por outro caminho. @Lohan Mesquita, líquido acumulado com mamilo inchado um mês depois da cirurgia costuma ser seroma, que é coleção de líquido no espaço cirúrgico. É comum e na maior parte das vezes reabsorve, mas o acompanhamento é obrigatório, porque seroma persistente às vezes precisa de punção e pode infectar. Sinais de alerta são vermelhidão, calor, dor crescente e febre, e nesse caso é contato com o cirurgião no mesmo dia. @ootavio, um ajuste ao que você escreveu: drenagem linfática pode ajudar no conforto e no inchaço, mas ela não é o que define o resultado, e não desfaz fibrose. Quem determina isso é a técnica, a compressão orientada e o tempo. E qualquer massagem na região operada só se faz com liberação do cirurgião, porque manipular cedo demais atrapalha. @welliton88, você escreveu com quinze anos e ninguém te respondeu direito. O que você descreveu, aumento embaixo do mamilo começando por volta dos doze anos, é o quadro típico de ginecomastia puberal. Ela é muito comum, atinge algo em torno de metade dos meninos nessa fase, e acontece porque o equilíbrio entre testosterona e estrogênio fica temporariamente desajustado durante a puberdade. Na maioria dos casos ela regride sozinha em seis meses a dois anos. O @valterchaves respondeu isso com bom senso na época. Só acrescento que não se espera passivamente: vale ser avaliado por endocrinologista, porque existem causas que precisam ser afastadas, e porque se passar de doze a dezoito meses sem regredir o tecido vira fibroso, e aí remédio não resolve mais. Isso responde também a dúvida geral do tópico sobre tratamento sem cirurgia. O tamoxifeno funciona na fase inicial e ativa, quando ainda existe dor e sensibilidade e o tecido é glandular. Depois de cerca de um ano, quando já se instalou a fibrose, ele deixa de resolver, e aí a cirurgia é o único caminho. Ou seja, @Razel e @valterchaves, vocês estavam certos para os casos já estabelecidos, mas a frase de que só se resolve com cirurgia não vale para quem está no começo do quadro. Nessa fase existe janela para tratamento clínico, e ela fecha. @netinho13, respondendo as suas duas perguntas de dois mil e onze. Ginecomastia por anabolizante costuma começar semanas depois do início do uso, e o primeiro sinal quase nunca é o volume, é dor ou sensibilidade embaixo do mamilo, às vezes só de um lado. Esse é o momento de agir, e não quando o caroço já está visível. E não, oxandrolona não aromatiza em estrogênio, então ela não é causa típica de ginecomastia. O dianabol que você usou é justamente o oposto: aromatiza bastante. E o período sem terapia pós ciclo é de risco alto, porque a testosterona própria está suprimida enquanto o estrogênio ainda circula, e essa relação desfavorável é gatilho clássico. @LLucianoo, sobre fazer novo ciclo já tendo ginecomastia instalada: o tecido que já existe tende a responder a novo estímulo estrogênico, então sim, existe risco de piorar. E, se o tecido já estiver fibrosado, o remédio não vai devolver o que já se instalou. Essa é uma conversa para endocrinologista, com exame de estradiol, testosterona e prolactina, e não para ser resolvida com automedicação. @Pool93 e @towkien, sobre a faixa compressiva e os edemas embaixo dela: o tempo de uso varia bastante entre cirurgiões, de duas a seis semanas, e é a orientação de quem operou que vale, porque depende da técnica usada em cada caso. Inchaço irregular embaixo da faixa nas primeiras semanas é comum e costuma se acomodar. Uma última coisa, e é o que mais importa neste tópico. Ginecomastia é um dos assuntos em que o sujeito costuma esconder o problema por anos, inclusive do médico, por vergonha. O @kami escreveu ali no começo que nem procurou uma segunda opinião para não ofender o cirurgião. Segunda opinião é direito do paciente, é prática normal em medicina e nenhum profissional sério se ofende com isso. Se o resultado incomoda, ou se a explicação não convence, procurar outro cirurgião é a coisa certa a fazer. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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3ª semana de DECA - resultados
Esse tópico começou em dois mil e três com um relato e terminou em dois mil e dezoito com uma conversa que merece resposta melhor do que recebeu. Vou nas duas pontas. @Rambinho, sobre o seu relato: dois centímetros de braço e três quilos em três semanas, com decanoato de nandrolona, não são três semanas de músculo novo. O éster decanoato é lento, e o efeito anabólico dele mal começou a aparecer nesse prazo. O que muda rápido é volume de água e de glicogênio dentro do músculo, e é isso que infla medida de fita métrica em dias. Ninguém constrói dois centímetros de braço em vinte e um dias, nem com ajuda química. A parte real do ganho aparece a partir da quarta ou quinta semana, e some boa parte quando o composto sai. E vale registrar uma coisa que você escreveu quase de passagem: você disse que ali ninguém sabia que você estava usando. Isso é o padrão, e é um problema de segurança concreto. Quem chega desacordado no pronto socorro, ou com um quadro cardiovascular agudo, tem muito mais chance de ser tratado corretamente se alguém souber informar o que ele estava tomando. Agora a parte mais importante, e é a conversa de dois mil e dezoito. @Morena87, você chegou perguntando se decanoato de nandrolona era boa escolha para ganhar glúteo e perna, e no fim estava discutindo com um vendedor uma dose bem alta. O @Locemar te respondeu com honestidade, e o @Foston também, e eu queria reforçar a parte que ficou solta, porque acho que ela não foi dita com a clareza necessária. Os efeitos de virilização que foram listados no tópico não são todos iguais. Alguns passam quando se interrompe, como acne, oleosidade e irritabilidade. Outros não voltam ao normal, mesmo parando na hora, e os principais são o engrossamento permanente da voz e o aumento do clitóris. Também é comum aumento de pelos no rosto e no corpo, e queda de cabelo com padrão masculino, que costumam melhorar apenas em parte. Ou seja, não é um risco que se corrige depois. É uma decisão com uma parte irreversível dentro dela. E existe uma particularidade da nandrolona que torna o cálculo pior. Ela estimula receptor de progesterona e pode elevar prolactina, o que traz retenção de líquido, alteração do ciclo menstrual e, com frequência, interrupção da menstruação. Ela também é o composto de maior janela de detecção que existe nessa classe, podendo aparecer em exame por muitos meses, o que o @Locemar apontou corretamente. Sobre a comparação com a oxandrolona que você fez: você contou que ganhou um quilo e que não teve efeito adverso aparente. Isso não significa que a oxandrolona seja segura para mulheres, significa que você teve sorte com a dose e com o tempo. A bula aprovada desse medicamento afirma de forma explícita que parte das alterações virilizantes pode ser irreversível mesmo com a suspensão imediata, e que elas não são prevenidas pelo uso concomitante de estrogênios. Muita gente repete que dá para reverter tomando algo junto, e isso não procede. E o resultado ruim que você teve com ela aponta para outra coisa, e aqui o @Locemar acertou em cheio: um quilo em um ciclo inteiro sugere que o problema não estava na substância, estava na comida e no treino. Glúteo e perna crescem com déficit calórico? Não. Crescem com superávit calórico, proteína suficiente e progressão de carga em agachamento, terra romeno, avanço e elevação de quadril, por muitos meses. Nenhum composto compensa alimentação insuficiente, e quem está longe do próprio limite natural é justamente quem mais tem a ganhar sem nada. Sobre a dúvida do rouco: se em qualquer momento você notar a voz mudando, ficando mais grave ou rouca, isso é sinal de parar imediatamente e procurar médico no mesmo dia, porque quanto mais cedo se interrompe, menor a chance de ficar permanente. E o acompanhamento adequado para mulher que usa ou usou esse tipo de substância é com endocrinologista, e não com quem vende. @Diords Ramos, respondendo o que você perguntou em dois mil e dezessete: não existe dose de primeira vez para ganhar peso, existe uma pergunta anterior, que é se a sua alimentação e o seu treino já estão organizados. Se a resposta for não, e quase sempre é, o ciclo vai render pouco e devolver quase tudo. Uma correção técnica ao debate entre o @Locemar, o @Joulker e a @maga1408, porque a discussão ficou empatada por ambiguidade da frase. Os dois estavam certos em coisas diferentes. Quem está muito além do que o corpo sustenta naturalmente perde muito ao parar, e isso é o que o @Locemar descreveu. E quem nunca explorou o próprio potencial tende a manter melhor o pouco que ganhou, porque aquilo ainda cabe dentro do que a fisiologia dele sustenta sem ajuda, que foi o que o @Joulker e a @maga1408 quiseram dizer. As duas afirmações convivem. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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1º Ciclo com Winstrol-V
@francofs, você fez perguntas específicas em dois mil e quatro e recebeu resposta para quase nenhuma. Vale fechar, porque tem coisa aqui que se repete até hoje, e uma inversão importante para corrigir. Primeiro, a pergunta central: existe algum efeito imediato que prove que o produto é verdadeiro? Não existe. Boca seca não indica nada, dor no local não indica nada, e o teste de deixar decantar também não indica nada. Estanozolol injetável é uma suspensão aquosa, ou seja, partículas sólidas em água, e toda suspensão se separa quando fica parada, com o pó descendo e o líquido claro ficando em cima. Um produto falsificado com qualquer pó em água faz exatamente a mesma coisa. Isso não é teste, é a física de qualquer suspensão. E não existe teste caseiro que confirme conteúdo, dose ou esterilidade. O @Overkill estava certo em dois mil e quatro ao avisar que aquela marca específica estava entre as mais falsificadas do mercado. Sobre a dor: ela é esperada e não é sinal de nada. Suspensão aquosa dói mais que óleo justamente porque as partículas sólidas irritam o tecido, e essa reação inflamatória local é comum. Só que ela também é indistinguível, no começo, do início de um abscesso. O que diferencia é a evolução: dor de aplicação melhora ao longo dos dias, e infecção piora, com vermelhidão, calor, endurecimento e febre. Esse segundo caso é pronto socorro no mesmo dia. Agora a correção mais importante do tópico, @Maxx-RJ, porque ela está exatamente ao contrário. Creatina não sobrecarrega fígado e rim em pessoa saudável. Essa é uma das substâncias mais estudadas do esporte, com uso de até trinta gramas por dia por cinco anos sem prejuízo de função renal em gente saudável. O que ela faz é elevar a creatinina no exame de sangue, que é um subproduto dela, e isso é confundido com dano renal por quem não sabe que o sujeito toma creatina. É exame parecendo doença, e não doença. Quem estava sobrecarregando o fígado ali era o estanozolol, e não a creatina. O estanozolol é alquilado, o que o torna hepatotóxico mesmo na versão injetável, ao contrário do que muita gente acreditava na época. E ele tem outro efeito que quase nunca é citado: derruba o HDL, o colesterol bom, de forma acentuada, e sobe o LDL. Além disso é conhecido por ressecar articulação, com dor articular e maior fragilidade de tendão, o que é um problema sério para quem está ganhando força rápido justamente enquanto o tendão fica menos resistente. Sobre o efeito que o tópico discutia, e aqui o @Foston já tinha resumido certo em dois mil e dezoito: estanozolol não queima gordura. A aparência de seco vem de não haver retenção de água, porque ele não aromatiza em estrogênio. A pessoa não fica mais magra, ela fica menos inchada, e como o contorno melhora dá a impressão de ter perdido gordura. Quem está com gordura alta continua com gordura alta. @Deis Souza Seegatto, isso responde a sua pergunta de dois mil e dezoito diretamente: estanozolol não é medicamento para perda de peso e não serve para isso. E, se você é mulher, existe um agravante que precisa ser dito com clareza: em mulheres, esse tipo de substância causa alterações que não voltam ao normal depois que se interrompe, especificamente o engrossamento da voz e o aumento do clitóris, além de acne e queda de cabelo com padrão masculino. Rouquidão ou mudança de voz é sinal de parar imediatamente. E, @francofs, sobre o seu caso específico, o @skimcharlie te deu o melhor conselho do tópico e você não deu ouvidos. Sessenta e um quilos, com a suplementação que você já usava, era um corpo com margem enorme para crescer sem nada. Você escreveu que nem a creatina te faz crescer e que tem muita dificuldade. Isso quase sempre significa comer menos do que se imagina. Quem é magro e não ganha peso costuma superestimar bastante o quanto come, e a solução é chata: pesar a comida por uma semana, ver o total real, e aumentar de forma consistente por meses. Ciclo em cima de uma dieta insuficiente rende pouco e devolve quase tudo, porque o que sobra depois é sempre o que a comida e o treino sustentam. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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CICLO BÁSICO DE GH!
Esse tópico tem quatorze anos de gente pedindo dose de GH. Não vou dar protocolo, porque isso é prescrição e não cabe em fórum. Mas dá para responder as perguntas técnicas que ficaram sem resposta, e principalmente corrigir uma confusão que aparece aqui e que é a causa mais comum de acidente com esse produto. Começando pelo que o @IGNORANTINHO perguntou em dois mil e quatro e ninguém explicou direito: o que significa UI e quanto isso dá em mililitros. UI é unidade internacional, uma medida de atividade biológica, e não de volume nem de peso. Uma unidade internacional de somatropina corresponde a aproximadamente zero vírgula trinta e três miligramas do hormônio. E a resposta para a segunda parte é a mais importante: não existe equivalência fixa entre UI e mililitros. O frasco vem em pó liofilizado e é reconstituído com um diluente, e a concentração final depende de quanto líquido foi colocado ali dentro. O mesmo frasco pode virar um mililitro ou três mililitros de solução, com concentrações completamente diferentes. E é exatamente aí que mora o problema que o @Frederico Cesar Miranda Gomes e o @Mestre kame levantaram e que ninguém resolveu. A seringa de insulina é marcada em unidades de insulina, e essas unidades não têm relação nenhuma com as unidades do hormônio de crescimento. As marcações da seringa medem volume, calibradas para a concentração da insulina. Contar risquinho para dosar GH é chute, e é assim que alguém toma cinco ou dez vezes a dose que imagina estar tomando. Alguém dizer para tomar sempre no quarto risquinho, sem saber com quanto líquido o frasco foi diluído, é uma orientação sem sentido e perigosa. Sobre o armazenamento, que também foi perguntado: somatropina é proteína e é sensível. Refrigeração entre dois e oito graus, sem congelar nunca, porque o congelamento destrói a molécula, e protegida da luz. Depois de reconstituído o prazo é curto. Fora da geladeira por algumas horas, o produto perde atividade, e é por isso que produto comprado em viagem, transportado em bolsa por um dia inteiro, muitas vezes já não é mais nada quando chega em casa. Agora o que o GH faz de verdade, que é a informação que faltava para quase todo mundo aqui. Em adultos jovens e saudáveis, o GH altera composição corporal, reduz gordura e aumenta massa magra medida na balança, mas não aumenta força muscular nem capacidade aeróbia. E parte importante dessa massa magra que aparece é água, porque o hormônio causa retenção de líquido. Ou seja, os quatro quilos que o @francofs relatou em sete semanas provavelmente eram, em boa medida, água e não músculo funcional. Isso responde direto três pessoas deste tópico. @Vitor Caetano, você queria trincar a barriga com sessenta quilos e um metro e setenta, e o @Taerone te respondeu bem: para o seu caso não valia. Definição abdominal é percentual de gordura, e a que falta ali é músculo e tempo de dieta, não hormônio. @Robson Lopes, @Rodrigo Dias Markes e @Relva Pereira, o mesmo raciocínio. Barriga saliente com peso normal e corpo magro que não passa de sessenta e cinco quilos são problemas de alimentação e de treino, e GH não resolve nenhum dos dois. Os efeitos adversos, que praticamente não aparecem em quatorze anos de tópico. Resistência à insulina, com risco de intolerância à glicose e diabetes tipo dois. Retenção de líquido, com inchaço e síndrome do túnel do carpo, aquele formigamento e dormência na mão que é queixa clássica de quem usa. Dor articular. Crescimento de tecidos moles, com o padrão acromegálico de mãos, pés, mandíbula e vísceras, incluindo o intestino, que é o motivo daquela barriga estufada que a gente vê no fisiculturismo moderno. E cardiomiopatia, que é a complicação mais grave. E existe a parte que ninguém controla: o mercado. Muito do que se vende como GH fora da farmácia é falsificado, subdosado ou não contém o princípio ativo. Já se documentou produto rotulado como hormônio de crescimento contendo insulina, o que pode causar hipoglicemia grave em quem tomou achando que era outra coisa. Sobre a insulina, que várias pessoas perguntaram se é necessária tomar junto: essa é, de longe, a parte mais perigosa de tudo que se discutiu aqui. Insulina fora de contexto médico causa hipoglicemia, que pode evoluir para convulsão, coma e morte, e existem casos publicados de fisiculturistas em coma hipoglicêmico. E, diferente de outras coisas, o erro aqui mata em minutos e não em anos. Se alguém, por qualquer motivo, estiver usando e apresentar tremor, suor frio, confusão ou fraqueza súbita, é açúcar na boca imediatamente e serviço de emergência. Uma palavra para quem chegou aqui como mulher perguntando dose, caso da @Regianemartins150@gmail. Com e da @primengarcia: além de tudo acima, os efeitos de anabolizantes em mulheres incluem alterações que não voltam depois de suspender, especificamente voz e clitóris. Isso vale para a oxandrolona que foi citada, e não é prevenido por nada. E, respondendo a pergunta que o @redox fez e que era a mais sensata do tópico, sobre onde ler mais: o lugar certo para essa conversa é o consultório de um endocrinologista. GH tem uso médico legítimo, com indicação, exame e acompanhamento, e nesse contexto ele é seguro. Fora dele, você está pagando caro por um produto de origem incerta, para um efeito que a literatura descreve como mudança de composição corporal sem ganho de força, com uma lista de riscos que ninguém aqui mede. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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Torrone antes do treino
@tomlima, você fez uma pergunta razoável em dois mil e três e levou vinte respostas de deboche antes de alguém responder de fato. O @rodrigobb.a.missao e o @VitorFJV estavam certos ao defender você, e a resposta técnica que faltava é bem menos escandalosa do que o tópico sugere. Primeiro, o que é o torrone. Basicamente amendoim, açúcar ou glicose de milho, e clara de ovo, como a @Mariana Couto apontou lá em dois mil e dezessete. Ou seja, é carboidrato de digestão rápida com um pouco de gordura e proteína vinda do amendoim. Uma barra pequena, de trinta gramas, fica em torno de cento e trinta calorias, majoritariamente de açúcar. Isso é gorduroso? Não muito, era essa a sua dúvida específica. A gordura do amendoim é em boa parte monoinsaturada, e a quantidade numa barra pequena é modesta. O que ele tem em excesso é açúcar, e não gordura. E, @Bruno Duarte, você está certo de que na comparação com boa parte das barras de cereais do mercado o torrone não sai perdendo, porque muita barrinha é açúcar com xarope e cobertura, vendida com aparência saudável. Agora a parte que muda a conversa, e que ninguém sabia em dois mil e três: o que você come antes de treinar importa bem menos do que se acreditava. A revisão do tema mostra que o carboidrato antes do treino de musculação praticamente não muda o desempenho numa sessão comum. O efeito aparece em sessões longas, acima de mais ou menos quarenta e cinco minutos, e em quem treina depois de oito horas ou mais sem comer. Fora esses casos, comer um pouco antes serve mais para você não treinar com fome e mal disposto do que para abastecer músculo, porque o glicogênio que você usa hoje foi construído com a comida dos dias anteriores, e não com o lanche de vinte minutos atrás. Ou seja, respondendo direto a sua pergunta original: para o objetivo de perder gordura, o torrone antes do treino não é um crime. Ele só não é uma escolha eficiente, e o motivo é diferente do que o tópico dizia. O problema real dele para quem está em dieta é a saciedade. Cento e trinta calorias de açúcar somem em três mordidas e não seguram fome. As mesmas cento e trinta calorias em banana com um punhado de aveia, ou num pão com peito de peru, como o @CKIKO e o @annhas sugeriram, ocupam mais espaço no estômago, têm fibra e proteína, e te seguram até a próxima refeição. Quem está em déficit calórico precisa de comida que sacie, porque o inimigo da dieta é a fome do fim do dia, e não a caloria da barrinha. E aqui vale registrar o melhor conselho do tópico inteiro, que veio da @annhas: ela contou que perdeu oito por cento de gordura em três meses e que o pré treino dela não tinha nada de mirabolante, era uma fruta. É exatamente isso. O que fez ela chegar lá foi o conjunto da alimentação e do treino ao longo dos meses, e não a escolha do lanche. Duas coisas práticas, para fechar o que você queria saber. Se você não consegue treinar sem comer nada, coma. Uma fruta, um pão pequeno, um iogurte. Trinta a sessenta minutos antes basta. Não precisa ser nada específico, e nenhum alimento aqui é obrigatório. E não trate o torrone como veneno nem como suplemento. Ele é um doce. Cabe na semana de quem está em déficit desde que entre na conta, e rende mais como sobremesa que como pré treino, justamente porque a função dele é dar prazer, e não desempenho. E, sobre o tom que o tópico tomou, o @rodrigobb.a.missao resumiu bem: quem chega perguntando é porque não sabe, e é para isso que existe um fórum. Você fez a pergunta certa, só recebeu vinte respostas erradas antes das duas úteis.
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Meu treino... ABCDEF !!!!!
@NoWayPunk, você pediu crítica construtiva em dois mil e cinco e recebeu principalmente que o treino era uma bosta. O @TONY HORTON tinha razão ao apontar isso em dois mil e dezenove. Então vamos ao que dá para fazer com esse treino, porque o problema principal dele não é nenhum dos que foram apontados. O que o pessoal viu certo: sim, o volume por sessão é alto. Cinco exercícios de quatro séries dão vinte séries num único músculo, e num dia dedicado só a bíceps ou só a tríceps isso é muito mais do que esses músculos precisam. O que ninguém apontou, e que é o defeito maior: nessa divisão cada músculo é treinado uma vez por semana. Esse é o ponto fraco de verdade. Concentrar vinte séries num dia e deixar o músculo sete dias sem estímulo rende menos que dividir esse mesmo total em dois dias. A qualidade das séries despenca no fim de um treino desses, ou seja, boa parte daquele volume é trabalho cansado, que gera fadiga sem gerar estímulo proporcional. Os números que faltavam. A relação entre volume semanal e crescimento tem retorno decrescente. A maior parte do resultado aparece nas primeiras dez séries semanais por músculo, e a partir daí cada série extra acrescenta cada vez menos. Existe benefício adicional até algo em torno de vinte séries semanais para gente treinada, mas com ganho pequeno e custo alto de recuperação. Vinte séries num dia só, com sete dias de intervalo, fica do lado ruim dessa conta. @Vitor Damasceno, sobre as dezoito a vinte e cinco séries por músculo que você citou: se for por sessão, é bem acima do que a evidência sustenta. Se for por semana, está no limite superior da faixa em que ainda pode haver ganho, e vale para gente treinada, com boa recuperação, e não como ponto de partida. E a parte de aumentar conforme a condição melhora está certa, esse é justamente o princípio da progressão de volume. @YYZ, uma ressalva ao seu comentário: síndrome de overtraining de verdade é rara e exige semanas de carga alta somada a sono e alimentação ruins. O que acontece com treino assim, na prática, não costuma ser overtraining nem lesão certa, é estagnação, dor articular em cotovelo e ombro, e desânimo. Que já é motivo suficiente para mudar, sem precisar de profecia. O @rambo1236 e o @zagolee deram sugestões boas na direção certa, principalmente o @zagolee, que juntou grupos e criou frequência de duas vezes por semana com descanso planejado. Uma sugestão minha, mantendo o espírito do que você gostava. Se quiser manter seis dias de academia, use uma divisão que passe duas vezes por cada músculo. Empurrar, puxar e perna, repetido duas vezes na semana, é a que melhor faz isso. Dia de empurrar tem peito, ombro e tríceps. Dia de puxar tem costas e bíceps. Dia de perna tem tudo de perna. Nessa organização, cada músculo grande fica com oito a doze séries semanais bem feitas, e cada músculo pequeno com quatro a oito séries diretas, lembrando que bíceps e tríceps já trabalham pesado nas puxadas e nos supinos. Isso corta o volume pela metade e melhora o resultado. Duas observações sobre a lista de exercícios em si. Puxada por trás da nuca é a única coisa ali que eu tiraria por segurança. Ela ativa menos o dorsal que a puxada por frente e força uma posição de ombro que é justamente a de maior risco. Rosca inversa e flexão de punho para antebraço, cinco exercícios num dia só de bíceps: o antebraço já trabalha em toda puxada, remada e rosca. Uma série ou duas resolvem, se você quiser. Sobre a maltodextrina durante o treino, que você levantou: para uma sessão de até uma hora, ela não é necessária, e não é ela que impede perda de massa magra. Carboidrato durante o exercício passa a fazer diferença em atividades longas, acima de mais ou menos noventa minutos. Numa musculação de uma hora, com uma refeição decente antes e proteína suficiente ao longo do dia, o efeito é praticamente nulo. Esse dinheiro rende mais em comida. E o mais importante: você escreveu que estava gostando do treino e que parecia estar pegando bem. Isso conta. Um treino que você faz com prazer por meses vence um treino perfeito que você abandona. A mudança que eu faria não é para você sofrer menos, é para você repetir cada músculo duas vezes por semana e conseguir subir carga, que é o que constrói.
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Ovo x Colesterol
@_TST_, a resposta para a sua pergunta de dois mil e cinco mudou completamente, e mudou a seu favor. Quatro ovos por semana, para alguém sem alteração de colesterol, não representa risco relevante. E o mais interessante é que quem estava certo naquele tópico era a minoria. O que mudou, e por quê. A restrição de colesterol da dieta vinha de uma regra antiga de trezentos miligramas por dia. Essa regra caiu: desde dois mil e quinze e dois mil e dezesseis as diretrizes alimentares americanas deixaram de estabelecer esse limite fixo, e a orientação foi mantida nas revisões seguintes. O motivo é que o colesterol que a gente come tem efeito pequeno sobre o colesterol do sangue na maioria das pessoas. O fígado produz a maior parte do colesterol circulante e reduz a própria produção quando você come mais. O gatilho alimentar que de fato mexe no colesterol ruim é a gordura saturada, e não o colesterol em si. E os dados sobre ovo especificamente. Uma meta análise reunindo mais de três milhões de participantes não encontrou associação entre maior consumo de ovo e aumento de risco de doença coronariana ou de derrame. Num estudo com cerca de meio milhão de pessoas, consumir até um ovo por dia foi associado a menor risco cardiovascular. A recomendação atual da associação americana de cardiologia é de que adultos saudáveis podem comer de um a dois ovos por dia. @Nina19, o artigo do doutor Santarém que você citou estava certo, e você foi a única do tópico a trazer a informação correta, mesmo tendo optado por não seguir. Vinte e um anos depois, ele venceu a discussão. Agora a parte que interessa para quem treina, e que ninguém sabia em dois mil e cinco. @Dandons e @slimshady-bh1338434217, jogar a gema fora custa mais do que parece. Um estudo comparou ovo inteiro contra clara de ovo depois do treino de força, com a mesma quantidade de proteína nos dois grupos, ou seja, sem vantagem de quantidade para nenhum lado. A resposta de síntese proteica muscular foi maior com o ovo inteiro. A explicação mais provável é que a gema traz gordura, vitaminas e outros compostos que participam desse processo, e que a proteína não trabalha sozinha. Além disso, a gema é a parte onde estão quase todos os micronutrientes do ovo: colina, vitamina D, vitamina B doze, vitamina A, ferro, selênio, luteína e zeaxantina, que são importantes para a retina. E ela concentra também cerca de quarenta por cento da proteína do ovo. Comer só clara é jogar fora a metade mais nutritiva por causa de uma regra que já não existe. @gabows888, um ajuste ao que você escreveu: a gordura da gema não é toda insaturada. Ela é mista, com predomínio de monoinsaturada, uma parte poliinsaturada e uma parte saturada. Isso não muda a conclusão, só o detalhe. @ninga, aquela tabela que você postou, com faixas diferentes para sedentário, hipertenso e para quem tem colesterol alto, era o consenso da época e foi honesta em separar os casos. O que se sabe hoje é que mesmo essas faixas eram mais restritivas do que precisavam ser. Continua valendo bom senso individual para quem tem doença cardiovascular estabelecida, diabetes ou colesterol muito alto, porque parte das pessoas responde mais ao colesterol da dieta que a média, e isso se acompanha com exame e com médico, e não com regra de fórum. Na prática, respondendo direto o que você perguntou em dois mil e cinco: pode comer os quatro por semana sem preocupação, e provavelmente poderia comer bem mais. Um a dois ovos inteiros por dia é seguro para gente saudável, é barato, é uma das melhores proteínas que existem em qualidade e é comida de verdade, que é mais do que se pode dizer da maior parte do que se vende em pote. Dois detalhes práticos, já que o assunto é ovo. Não vale comer clara crua, porque a proteína crua é pior absorvida e existe risco de salmonela. E, para quem come muito ovo por dia, vale acompanhar o perfil lipídico no exame de rotina, não por medo do ovo, mas porque quem treina e come bastante costuma ter outras coisas na dieta que mexem mais no colesterol.
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Perda eficiente de gordura
Esse tópico tem várias perguntas boas que ficaram sem resposta e algumas orientações que não sobreviveram ao tempo. Vou pegar as principais, na ordem em que apareceram. @megadeth e @mestresha, vocês fizeram a mesma pergunta, com meses de diferença, e ela nunca foi respondida: é verdade que correr depois de treinar perna anula o treino? Existe algo real aí, chama se efeito de interferência, mas é bem menor do que a lenda. A meta análise mais citada sobre o assunto, com vinte e um estudos, mostrou que treinar força junto com corrida prejudicou hipertrofia e força, enquanto com bicicleta a interferência não foi significativa. O efeito é proporcional ao volume e à duração do trabalho aeróbio, e é pior quando as duas coisas acontecem coladas no mesmo dia. Ou seja, quinze a trinta minutos de aeróbio moderado não anulam nada. Uma hora de corrida logo depois da perna, todos os dias, atrapalha mesmo. Se der para separar as sessões por algumas horas, ou colocar o aeróbio em dias sem perna, ou usar bicicleta em vez de corrida, o problema praticamente some. @FaroFFeRO, isso responde também a sua sugestão de fazer aeróbio antes do peso. É o contrário. Se o objetivo é ganhar massa e força, os pesos vêm primeiro, enquanto você está descansado. Fazer aeróbio antes derruba o desempenho do treino de força, e a ideia de acelerar o metabolismo antes não muda o resultado da gordura, porque quem decide isso é o balanço calórico do dia inteiro, e não a ordem dentro da sessão. @strongdf, a orientação de ficar dez horas sem carboidrato antes do aeróbio para queimar gordura não se confirmou. Foi testado direto: mulheres em dieta hipocalórica fazendo uma hora de aeróbio três vezes por semana, um grupo em jejum e outro alimentado, com o mesmo volume de exercício e a mesma dieta. As duas perderam peso e gordura, sem diferença significativa entre elas. É verdade que em jejum você oxida mais gordura durante o exercício, mas o corpo compensa nas horas seguintes e o saldo do dia é o mesmo. Treinar em jejum vale se você prefere assim, e não porque queima mais. @Nadim, você perguntou se dá para perder a barriga sem perder peso, e contou que estava cada vez mais magro e fraco com a barriga no lugar. Isso é o retrato do que acontece quando se corta comida sem treino de força. Redução localizada não existe, o corpo mobiliza gordura de forma sistêmica, e a região abdominal costuma ser a última a ceder em muita gente. Ficar mais magro e mais fraco significa que boa parte do que saiu foi músculo, e músculo perdido piora o contorno justamente na região que você quer melhorar. O caminho é o oposto do que estava sendo feito: treino de força com progressão, proteína suficiente, e déficit calórico moderado em vez de agressivo. E, @FaroFFeRO, drenagem linfática não remove gordura. Ela mobiliza líquido e pode dar impressão de medida menor por algumas horas. É massagem, não emagrecimento. @Aiedail, você escreveu de Portugal contando que treinava três a quatro vezes por semana havia dois meses e que o peso e o volume não mudavam, e ninguém te respondeu. A resposta é quase sempre a mesma, e não é agradável: se o peso não se mexe em dois meses, a alimentação está compensando o gasto. Exercício sozinho é um instrumento fraco de emagrecimento, porque ele gasta menos do que se imagina e aumenta a fome. Sem mexer no que entra, o corpo se equilibra rápido. O que eu sugeriria é anotar tudo o que come por uma semana, sem mudar nada, só para ver o tamanho real das porções, e a partir daí ajustar. E manter o treino de força, porque é ele que garante que o peso perdido venha da gordura. @Ek21 e @josemarbarone, sobre perder gordura sem prejudicar a massa magra, a fórmula é simples e chata: déficit moderado, algo entre trezentas e quinhentas calorias por dia, proteína entre um vírgula seis e dois vírgula dois gramas por quilo, treino de força mantendo carga, e paciência de meses. Déficit grande acelera a balança e come músculo, que é exatamente o que o @adilson pereira santos descreveu ter vivido na pele, e o relato dele é o melhor aviso deste tópico. @Henrique Punisher, rotação de tronco com barra nas costas não queima gordura lateral, porque redução localizada não existe, e ela é mesmo um exercício desaconselhado. O motivo é que a coluna lombar tem pouquíssima amplitude de rotação, e girar o tronco de forma repetida sob carga estressa disco e articulações sem ganho nenhum. O seu instrutor estava certo em condenar. E existem duas coisas neste tópico que são mais sérias que a discussão sobre aeróbio. @VIVI CORTEZ, você contou que tinha começado winstrol e perguntou sobre o aeróbio. Nenhuma resposta abordou a parte importante. Estanozolol em mulher causa virilização, e parte dessas alterações não volta ao normal mesmo interrompendo o uso, especificamente o engrossamento da voz e o aumento do clitóris. Também é comum acne, queda de cabelo com padrão masculino e alteração do ciclo menstrual. E é bom saber que a bula de anabolizante da mesma família diz de forma explícita que essas mudanças não são prevenidas pelo uso de estrogênio junto. Se você notar rouquidão ou mudança na voz, isso é sinal de parar imediatamente e procurar médico, porque quanto mais cedo se interrompe, menor a chance de ficar permanente. @criatura, você tinha dezessete anos e escreveu que ia ciclar deca com dianabol porque o treinador te zoou quando você falhou no supino. Respondendo a sua pergunta sobre a idade: sim, existe algo específico. Nessa faixa etária as placas de crescimento ainda podem estar abertas, e esteroides aceleram o fechamento delas, o que pode custar altura definitiva. Além disso, o eixo hormonal ainda está amadurecendo, e interromper ele nessa fase tem consequência maior que no adulto. Não existe dose pequena que contorne isso. E, sinceramente, falhar nas últimas três repetições com cento e vinte e dois quilos aos seus dezessete anos não era motivo de zoação nenhuma, era um número muito acima da média. Fechando com o que o @Ronaldo FIBRA escreveu lá em dois mil e seis, que segue de pé: musculação merece o papel principal e o aeróbio o papel de coadjuvante. O que mudou desde então é que hoje se sabe que quem decide o resultado é o déficit calórico sustentado por meses, e o papel da musculação é decidir se o que você perde é gordura ou músculo. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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Dúvida sobre ADE
Esse tópico atravessa quinze anos e tem gente aqui que se machucou de verdade. Vou responder as perguntas que ficaram abertas, principalmente as das pessoas que voltaram depois, e corrigir duas informações perigosas que ficaram registradas. Começando pelo que o @dtzao perguntou em dois mil e quatro e nunca foi respondido direito: o óleo sai sozinho? Não. E esse é o ponto central de tudo aqui. O corpo humano não tem enzima capaz de degradar esse tipo de óleo. Ele não é absorvido, não é metabolizado e não vai embora com o tempo. O que o organismo faz é cercá lo: as células de defesa se organizam em volta e formam uma reação de corpo estranho, que se chama oleoma ou lipogranuloma. Aquilo endurece e vira um nódulo fibroso permanente, misturado ao músculo e à gordura. Ou seja, @Common, o que você descreveu em dois mil e quatro como o inchaço voltando ao normal em duas semanas é só a parte inflamatória aguda cedendo. O óleo continua lá dentro. E a orientação de fazer massagem e compressa quente para espalhar é ruim: espalhar o óleo aumenta a área de tecido afetada e dificulta qualquer remoção futura. E vale dizer com todas as letras: ADE é vitamina injetável de uso veterinário, não é anabolizante e não constrói músculo. O volume que aparece é inflamação e óleo ocupando espaço, não fibra muscular. A própria bula desses produtos traz advertência de que o uso em seres humanos causa graves riscos à saúde. Os riscos documentados são abscesso, infecção com necessidade de drenagem cirúrgica, celulite, fibrose permanente, dor crônica, lesão de nervo, necrose muscular, ulceração da pele, e, quando o óleo cai na circulação, embolia pulmonar. Existem também casos de granulomatose pulmonar e de hipercalcemia por migração do material. Some a isso o excesso de vitaminas A e D, que são lipossolúveis e se acumulam. Agora as respostas para quem chegou aqui machucado. @Luizza Amorim, os nódulos que você notou no glúteo anos depois são exatamente isso, oleomas. Eles não somem sozinhos e a avaliação é com cirurgião plástico. @Cheila Lopes, no seu caso, com deformidade instalada há dois anos, o caminho é o mesmo, cirurgia plástica, e vale procurar serviço universitário ou hospital público de referência, porque esse tipo de correção existe na rede pública e não é raro. E é importante saber que você não é a única, e que ter sido enganada sobre o que era o produto não é motivo para vergonha diante do médico. Eles já viram isso muitas vezes. @AnaIsis12, o volume que você descreveu é grande. Nesses casos, a punção com agulha raramente resolve, porque o óleo já não está em coleção líquida solta, ele está infiltrado no tecido. O tratamento estabelecido é cirúrgico, com retirada do tecido afetado, e quanto antes melhor, porque o processo granulomatoso continua trabalhando ali. E, respondendo a sua pergunta sobre como fica depois: isso depende do quanto de tecido precisa sair, e é uma conversa com o cirurgião. Mas o critério que o pessoal já te disse aqui é o correto: a pergunta não é como vai ficar se tirar, é o que acontece se não tirar. @Alex lima ferreira, braço que incha de vez em quando anos depois da aplicação, sem dor e sem vermelhidão, é compatível com reação inflamatória crônica em volta do material que continua ali. Isso pede avaliação com exame de imagem, e ultrassom já mostra bastante. @Carol12345, você perguntou qual especialidade procurar, e essa pergunta merecia resposta clara. Se houver sinal de infecção, ou seja, vermelhidão, calor, febre, pus ou dor crescente, é emergência no mesmo dia, em pronto socorro. Se não houver infecção, e é o seu caso, sensibilidade persistente dois meses depois, o profissional é o cirurgião plástico, com apoio de ultrassom para mapear onde o material está. Infectologista faz sentido se houver infecção confirmada, então a sua consulta não foi errada, ela só pode não ser a definitiva. E, por favor, pare a drenagem manual. Massagear tende a espalhar o material para áreas ainda não afetadas, o que é o oposto do que se quer. Agora a correção mais importante deste tópico, @Nicolasrox: synthol não é mais seguro que ADE. Synthol é óleo de triglicerídeos de cadeia média com álcool benzílico e lidocaína, e a literatura sobre ele é uma lista de complicações graves: fibrose muscular dolorosa, granulomas, nódulos permanentes, necrose muscular, dano nervoso, embolia pulmonar, obstrução de artéria pulmonar, acidente vascular cerebral, e há relatos de morte. O tratamento descrito nos casos publicados é excisão cirúrgica do tecido fibrosado, e a biópsia mostra um padrão de queijo suíço no músculo. Pagar mais caro não compra segurança, compra o mesmo problema com nome importado. E, @Kami Back, você tinha razão no espírito, mas a assepsia só evita a infecção. Ela não evita o oleoma, que acontece mesmo com técnica perfeita e produto de procedência conhecida, porque o problema é o óleo estar dentro do músculo, e não a bactéria. Uma última coisa, para quem chegar aqui pelo Google pensando em usar. O que esse produto entrega é volume por inflamação e por óleo ocupando espaço, com contorno que fica irregular com o tempo, sem força nenhuma junto. E é permanente até que alguém corte para tirar. Não existe versão segura disso, não existe protocolo que resolva, e não existe dose pequena que garanta nada. As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
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Conservante do leite de caixinha pode ser prejudicial?
@Guerrelheiro, a sua pergunta de dois mil e quatro já tinha sido bem respondida pela @Krisca no dia seguinte, e a resposta dela continua correta hoje. O problema é que doze anos depois o tópico recebeu uma informação errada que circula até hoje, e essa merece ser corrigida com nome e sobrenome. Primeiro, a resposta direta: o leite de caixinha não tem conservante. E o @Taurino acertou o mecanismo já em dois mil e quatro ao desconfiar que a durabilidade vinha do tratamento térmico. É isso mesmo. O leite longa vida passa pela ultrapasteurização, aquecido entre cento e trinta e cento e cinquenta graus por poucos segundos e resfriado logo em seguida, o que inativa os microrganismos. Depois ele é embalado de forma asséptica, sem contato com o ar. Não sobra o que estragar, e por isso não precisa de conservante nem de geladeira enquanto a caixa estiver fechada. A legislação brasileira, aliás, não permite adição de conservante ao leite. Fazer isso não é uma escolha da indústria, é fraude, com fiscalização do Ministério da Agricultura e da Anvisa. O único aditivo que pode aparecer é um estabilizante, tipicamente citrato ou fosfato de sódio, em quantidade pequena. Ele não conserva nada. A função dele é evitar que a proteína do leite coagule durante o choque de temperatura. Citrato, inclusive, já existe naturalmente no leite. Agora a correção, @Pinheiro Pinheiro. Não é verdade que se adiciona peróxido de hidrogênio e soda cáustica ao leite de caixinha para prolongar a validade. Essa alegação foi checada e é falsa. Ela não descreve o processo do leite longa vida, que não precisa de nada disso justamente porque o calor já eliminou os microrganismos. E vale explicar de onde essa história vem, porque ela não nasceu do nada, e é aí que está a parte legítima da desconfiança. Existiram casos reais de fraude no Brasil, com destaque para as operações no Rio Grande do Sul há mais de dez anos, em que se encontrou adição de água, ureia e peróxido de hidrogênio ao leite cru, na etapa do transporte, para mascarar leite já deteriorado. Isso foi crime, deu cadeia, e não é o processo normal do leite de caixinha. Confundir uma fraude criminosa punida com o funcionamento padrão de um produto é o que mantém o boato vivo até hoje. @Krisca, a sua pergunta sobre o alumínio da embalagem nunca foi respondida, e ela é boa. A caixa cartonada tem seis camadas. O alumínio fica no meio, e serve para barrar luz e oxigênio. A camada que encosta no leite não é o alumínio, é polietileno, um plástico inerte de grau alimentício. Ou seja, o leite não toca no alumínio em nenhum momento. As embalagens são avaliadas quanto à migração de componentes para o alimento, e é justamente esse tipo de barreira que permite guardar o leite sem refrigeração. Sobre o desnatado, já que era o seu caso, @Guerrelheiro. Ele mantém praticamente a mesma proteína e o mesmo cálcio do integral, com menos gordura e menos calorias. Perde parte das vitaminas lipossolúveis, que se vão com a gordura, e por isso muitos são enriquecidos com A e D. Para quem está em déficit calórico, é uma troca boa. Para quem quer ganhar peso, o integral entrega mais caloria pelo mesmo volume. E, sobre a comparação com o leite de saquinho: o pasteurizado tem sabor mais próximo do leite fresco, porque o aquecimento é bem mais brando, mas justamente por isso ele precisa de geladeira do começo ao fim e dura poucos dias. Nutricionalmente os dois são praticamente equivalentes, com diferença pequena em algumas vitaminas sensíveis ao calor. Escolha por preço, sabor e conveniência. @Gamma, sobre tirar o leite por trinta dias e sentir melhora: isso acontece com parte das pessoas, e tem explicação concreta. A maioria dos adultos tem alguma redução da produção de lactase, e nesses casos leite em quantidade causa gases, inchaço e desconforto, e tirar melhora mesmo. Só que isso é intolerância à lactose, que é individual e mensurável, e não uma propriedade ruim do leite. Quem digere bem não ganha nada excluindo, e ainda perde uma das fontes de proteína e cálcio mais baratas que existem. E vale a ressalva de sempre: retirar um alimento por trinta dias e sentir melhora em tudo é o tipo de teste que também melhora quando a pessoa passa a prestar atenção no que come. Se a suspeita for real, existe teste específico para confirmar.
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Qual é a diferença entre fazer o leg press com as pernas mais abertas ou mais fechadas?
@novo, essa pergunta é de dois mil e três e continua sendo uma das mais feitas em academia. O @Nuevo respondeu com o quadrinho clássico que todo instrutor repetia na época, e hoje dá para separar o que dele se confirmou do que não se confirmou. Começando pelo que não se confirmou, que é justamente a parte da sua pergunta. Abrir ou fechar as pernas muda muito pouco. Quando isso foi medido com eletromiografia no leg press, comparando pés na largura do quadril com pés a uma vez e meia essa largura, e variando também o ângulo das pontas dos pés, não apareceu diferença de ativação em nenhum dos músculos avaliados. E a crença mais comum de todas, a de que virar a ponta dos pés para fora com as pernas abertas trabalha adutor, também não se sustenta: a ativação de adutor não aumenta com a base mais aberta. No agachamento aparece alguma vantagem para o glúteo com base bem aberta, mas mesmo lá o efeito é pequeno. Ou seja, respondendo direto: a diferença entre pernas abertas e fechadas no leg press é pequena demais para você planejar o treino em cima dela. Nenhuma das duas está errada. Agora o que se confirmou, e é a parte boa da resposta do @Nuevo: a altura dos pés na plataforma muda mais que a largura, e por um motivo mecânico claro. Com os pés na parte alta da plataforma, o quadril flexiona mais e o joelho se desloca menos. Isso aumenta a participação de glúteo e posterior de coxa, e alivia o joelho. Com os pés na parte baixa, acontece o contrário: o joelho percorre mais caminho e o quadríceps assume mais trabalho, com mais estresse na articulação do joelho e mais exigência de mobilidade de tornozelo. Quem tem dor patelar costuma sentir mais nessa posição. Não é que um músculo entre e o outro saia. Você continua usando quadríceps, glúteo e posterior nas duas versões. O que muda é a proporção do trabalho entre quadril e joelho. E existe uma variável que ninguém citou no tópico e que importa mais que todas as anteriores: a amplitude. Descer até onde o quadril começa a se enrolar para fora do encosto é o limite. Passar disso tira a lombar do apoio e é onde acontece a maior parte das lesões nesse aparelho. Descer pouco, apenas dobrando o joelho um terço com quinze anilhas, é o erro mais comum do leg press e o motivo de tanta gente fazer carga absurda ali sem perna nenhuma. Então, o que eu recomendaria de fato. Escolha a posição em que você consegue descer mais fundo sem tirar o quadril do encosto e sem dor no joelho. Essa é a posição certa para você, e depende do tamanho do seu fêmur e da sua mobilidade, e não de tabela. Pés um pouco mais altos se você quer poupar o joelho ou dar mais trabalho para glúteo e posterior. Pés um pouco mais baixos se o alvo é quadríceps e o joelho aguenta bem. Ponta dos pés levemente para fora, uns quinze a trinta graus, que é o alinhamento natural, e não porque isso muda músculo. E, se o objetivo é adutor de verdade, o que muda a conta é agachamento com base aberta, avanço e afundo, e não a posição dos pés no leg press. Uma última observação sobre o aparelho em si: leg press é excelente por permitir carga alta com pouca exigência técnica e com a coluna apoiada, o que faz dele uma boa opção para quem tem problema lombar. Só não vale substituir todo o treino de perna por ele, porque falta o trabalho de estabilização que agachamento e afundo dão. E vale conferir se o encosto tem regulagem, porque em muita academia ele fica num ângulo que empurra a lombar antes da hora.