A barriga de fisiculturista pode ficar projetada mesmo quando os músculos abdominais estão visíveis. Esse aspecto é conhecido como palumboísmo. Em uma pesquisa com 45 homens, os fisiculturistas que usavam fármacos tinham órgãos maiores. Os rins eram mais de 50% maiores do que os dos naturais.
Menno Henselmans explicou essa pesquisa em "Steroid gut isn’t bloat. It's much worse – MRI study". A história do apelido e os exemplos de palco aparecem em "Palumboísmo: Cuando el Culturismo Lleva el Abdomen al Límite", do canal Jorgie Verse.
O que é palumboísmo e de onde vem o nome
Dave Palumbo ficou conhecido no fisiculturismo dos anos 1990 pelo volume muscular e pelo abdômen que se projetava para a frente, mesmo com definição. Seu sobrenome acabou associado popularmente a esse aspecto. Daí veio o termo palumboísmo. Em inglês, a aparência também é chamada de bubble gut ou steroid gut.
O apelido descreve uma aparência. Uma revisão científica publicada em 2024 observou que faltavam critérios formais para tratar o palumboísmo como um diagnóstico específico. Por isso, reconhecer uma barriga projetada em uma fotografia é diferente de identificar sua causa.
Os músculos visíveis ficam na parede do abdômen. Atrás deles estão estômago, intestinos, fígado e outros órgãos. Essa anatomia ajuda a entender como alguém pode ter pouca gordura por baixo da pele e ainda apresentar aumento do volume abdominal.

Dave Palumbo na academia. Registro via Jorgie Verse, editado com IA: detalhes reconstruídos e fundo substituído por bokeh.
Ronnie Coleman: abdômen contraído e relaxado
Ronnie Coleman respondeu às críticas sobre sua barriga em uma entrevista à FLEX publicada em 2005. Ele afirmou que conseguia recolher o abdômen nas poses de duplo bíceps e expansão de dorsais de frente. Essas posições estão no orientador de poses de fisiculturismo. Segundo seu relato, a projeção aparecia principalmente quando relaxava entre as poses. Ele também relacionou parte desse volume à quantidade de comida necessária para manter seu tamanho.
Fotografias de uma pose contraída e de um intervalo podem registrar apresentações diferentes do mesmo atleta. A explicação sobre a comida era a interpretação de Coleman, sem exames que medissem o tamanho de seus órgãos naquela entrevista.

Ronnie Coleman em registro de palco, com abdômen projetado. Reprodução via Tertuzz/TikTok, editada com IA: detalhes reconstruídos e fundo em bokeh.
Phil Heath e a discussão sobre os atletas maiores
Phil Heath e Kai Greene também aparecem entre os exemplos que popularizaram a discussão sobre a barriga dilatada no fisiculturismo. Na geração seguinte, a cintura e o controle abdominal de Nick Walker passaram a fazer parte do mesmo debate. Esses casos ilustram a preocupação com a estética da categoria Open, na qual competem os atletas de maior volume muscular.
Os registros originais mostram a aparência dos atletas naquele momento. As imagens desta matéria receberam edição com IA para melhorar a apresentação, com reconstrução de detalhes e troca do fundo. Para saber se existe aumento de órgãos, é preciso medi-los. Nenhum dos nomes citados pode receber esse diagnóstico apenas pela fotografia.

Phil Heath em vista lateral, com abdômen projetado. Foto original: Matthias Busse/Team-Andro.com, reproduzida em r/bodybuilding. Edição com IA: detalhes reconstruídos e fundo em bokeh.
O que a ressonância comparou
Os pesquisadores dividiram 45 homens em três grupos de 15 participantes: praticantes recreativos ativos, fisiculturistas naturais competitivos e fisiculturistas competitivos que usavam fármacos para aparência e performance. Todos fizeram ressonância para medir músculos e órgãos. A massa magra foi avaliada por DXA, um exame de composição corporal, e a alimentação foi registrada durante sete dias.
| Medida | Ativos recreativos | Naturais | Uso de fármacos |
|---|---|---|---|
| Idade média | 29 anos | 30 anos | 31 anos |
| Massa corporal | 80,9 kg | 86,1 kg | 102,4 kg |
| Gordura corporal | 17,8% | 11,7% | 10,7% |
| Massa magra | 62,8 kg | 72,7 kg | 87,8 kg |
| Proteína diária | 1,4 g/kg | 2,5 g/kg | 2,9 g/kg |
| Treinos por semana | Sem musculação estruturada | 6 | 6 |
Os dois grupos de fisiculturistas tinham percentual de gordura semelhante. O grupo que usava fármacos carregava, em média, 15,1 kg a mais de massa magra do que os naturais. Massa magra inclui músculos, órgãos e outros tecidos que não são gordura.
Coração, fígado, baço e rins eram maiores
Os fisiculturistas naturais tinham mais músculos do que os praticantes recreativos, mas o volume dos órgãos era semelhante. No grupo que usava fármacos, coração, fígado, baço e rins eram maiores do que nos outros dois grupos.
| Órgão | Ativos recreativos | Naturais | Uso de fármacos |
|---|---|---|---|
| Coração | 0,83 L | 0,89 L | 1,20 L |
| Fígado | 1,79 L | 1,82 L | 2,57 L |
| Rim esquerdo | 215 mL | 219 mL | 337 mL |
| Rim direito | 190 mL | 210 mL | 317 mL |
Em comparação com os naturais, o coração era aproximadamente 35% maior e o fígado 41% maior. A média dos dois rins passou de cerca de 215 mL para 327 mL, uma diferença de aproximadamente 52%. O artigo resume as diferenças em cerca de 35% a 40% para coração, fígado e baço, além de mais de 50% para os rins.
A pesquisa não mediu quanto esse aumento contribuía para a projeção da barriga. O nome do aumento dos órgãos é visceromegalia. Os números são médias de grupos, com diferenças individuais. O estudo ainda deixa em aberto se o crescimento resulta de adaptação à maior demanda do organismo, de alteração associada a dano ou de uma combinação das duas.
A proteína alta não explicou o aumento dos órgãos
Uma hipótese era que comer muita proteína faria fígado e rins crescerem. Os naturais consumiam 2,5 g de proteína por quilo de peso ao dia, e os usuários, 2,9 g/kg. Os usuários comiam um pouco mais. Pela estatística, porém, essa diferença poderia ocorrer só pela variação entre os participantes.
Mesmo com ingestão proteica aproximadamente 80% maior do que a dos praticantes recreativos, os naturais tinham volumes semelhantes de coração, fígado, baço e rins. A comparação enfraquece a hipótese de que a proteína alta, sozinha, explique o aumento observado entre os usuários.
Os valores de 2,5 e 2,9 g/kg descrevem a alimentação dos participantes, sem estabelecer uma meta para quem treina. Para definir a quantidade da sua dieta, veja como avaliar a quantidade diária de proteína e os riscos do excesso.
As doses e os seis anos de uso relatados
O grupo relatou, em média, seis anos de uso de fármacos. Na apresentação estatística, o tempo foi de 6 ± 3 anos, em que o sinal ± descreve a variação em torno da média. Quatorze dos 15 participantes usavam ésteres de testosterona. Entre esses 14, a dose média era 435 ± 257 mg por semana, com faixa de 131 a 750 mg.
Somando todos os andrógenos, o grupo de 15 homens relatou uma média de 1.019 ± 760 mg por semana. Os valores individuais iam de 58 a 2.100 mg. Esses números descrevem o que os participantes usavam. A pesquisa não estabeleceu uma dose segura ou um protocolo de uso.
- Ésteres de testosterona: 93,3% dos participantes.
- Outros derivados de testosterona: 20%, incluindo boldenona ou di-hidroboldenona.
- Derivados de DHT: 60%, incluindo metenolona, drostanolona, oxandrolona e stanozolol.
- Derivados de 19-nortestosterona: 46,7%, incluindo nandrolona ou trembolona.
- Inibidores de aromatase: 33,3%.
- GH ou insulina: 20%.
- Estimulador da liberação de GH: ibutamoren (MK-677), relatado por 6,7%.
- Hormônios tireoidianos: 20%.
- Clenbuterol: 20%.
Os participantes combinavam substâncias. Essa mistura impede atribuir o aumento dos órgãos a um composto específico. Os percentuais da lista podem incluir as mesmas pessoas, por isso não devem ser somados.
GH e insulina explicam a barriga de fisiculturista?
O hormônio do crescimento (GH) e a insulina aparecem com frequência nas explicações sobre o palumboísmo. Uma revisão publicada em 2024 reuniu mecanismos possíveis, incluindo crescimento de órgãos e alterações nos tecidos da parede abdominal. Os próprios autores reconheceram a escassez de pesquisas diretas com fisiculturistas e o peso de dados indiretos nessa discussão.
Na pesquisa de 2026, apenas três dos 15 usuários relataram uso atual de GH ou insulina. A ressonância encontrou órgãos maiores no grupo, mas esse resultado precisa ser lido junto com o histórico incompleto de exposição. O uso passado desses compostos poderia ter contribuído, e os pesquisadores desconheciam a participação de cada substância.
Comida, gases e controle abdominal também podem influenciar
É possível reunir diferentes fatores na aparência de uma barriga estufada: conteúdo do estômago e do intestino, distensão gastrointestinal, gordura ao redor dos órgãos, musculatura abdominal desenvolvida e o momento em que o atleta relaxa a parede abdominal. Essas possibilidades ajudam a explicar por que duas pessoas com o abdômen projetado podem ter causas diferentes.
A ressonância de 2026 mediu coração, fígado, baço e rins. Estômago e intestinos ficaram fora dessa medição. O estudo também não calculou quanto do formato externo da barriga vinha de cada fator.
O que o tamanho dos órgãos diz sobre a saúde
O coração merece atenção especial. No grupo que usava fármacos, a frequência cardíaca de repouso foi de 71 batimentos por minuto, contra 58 nos outros dois grupos. A pressão sistólica, o primeiro número da medida de pressão, chegou a uma média de 130 mmHg, contra 117 mmHg nos praticantes recreativos.
Em uma pesquisa de 2017 com 140 homens que treinavam com pesos, os usuários de esteroides apresentaram pior capacidade de contração e relaxamento do coração e mais placas nas artérias coronárias. Esses resultados ajudam a entender por que o aumento cardíaco em usuários merece investigação. A matéria sobre efeitos colaterais dos anabolizantes no coração e na fertilidade aprofunda esses riscos.
Para fígado e rins, o exame de volume precisa ser interpretado junto com a função dos órgãos. A ressonância de 2026 não demonstrou falência desses órgãos. Se você usa fármacos e percebe uma mudança persistente no abdômen, leve ao médico o histórico completo de substâncias e doses para orientar a investigação.
O que a pesquisa ainda deixa em aberto
- Associação e causa: os homens foram avaliados em um momento. O estudo não acompanhou o crescimento dos órgãos antes e depois do início do uso.
- Tamanho da amostra: havia 15 homens em cada grupo.
- Relato de uso: os participantes informaram as substâncias, sem confirmação por exames de sangue.
- Combinações: doses, compostos e formas de administração variavam.
- Retenção de água: pode ter contribuído para parte do volume de tecido medido.
- Outros públicos: mulheres, iniciantes e pessoas em reposição hormonal médica ficaram fora dessa comparação.
Conclusão
A história de Dave Palumbo deu nome à discussão. O relato de Ronnie Coleman mostra como a contração abdominal muda a apresentação no palco. A ressonância acrescentou uma informação que as fotografias deixam escondida: nos 15 usuários avaliados, havia aumento de coração, fígado, baço e rins.
Os naturais consumiam 2,5 g/kg de proteína por dia e tinham órgãos de tamanho semelhante aos dos praticantes recreativos. Entre os usuários, os rins eram mais de 50% maiores. Esse achado merece atenção além da estética, com a causa e a função investigadas por exames.
Perguntas frequentes
O que é palumboísmo?
É o nome popular associado a Dave Palumbo para o abdômen muito projetado, mesmo com músculos visíveis. O termo descreve a aparência e reúne possíveis causas diferentes. Faltam critérios padronizados para usá-lo como um diagnóstico específico.
Por que fisiculturistas têm barriga grande mesmo definidos?
Pouca gordura sob a pele permite ver os músculos, mas o volume abdominal também depende do que está atrás deles e do controle da parede abdominal. Em um estudo com usuários de fármacos, a ressonância encontrou órgãos maiores. Conteúdo intestinal e relaxamento muscular também podem participar da aparência.
O que é a chamada barriga de GH?
É um apelido para a barriga projetada atribuída ao hormônio do crescimento, cuja sigla em inglês é GH. A revisão de 2024 apresenta mecanismos pelos quais esse hormônio poderia contribuir. Já a pesquisa de 2026 avaliou pessoas que combinavam substâncias e desconhecia parte do histórico de uso. Por isso, o formato da barriga sozinho não permite apontar o GH como causa.
A insulina é a responsável pelo palumboísmo?
O estudo de 2026 agrupou GH e insulina na apresentação dos dados e avaliou pessoas que combinavam várias substâncias. Os resultados deixam sem resposta qual parcela do aumento dos órgãos poderia ser atribuída à insulina.
Comer muita proteína faz os órgãos crescerem?
No estudo de 2026, os naturais consumiam 2,5 g/kg de proteína por dia e tinham órgãos de tamanho semelhante aos dos praticantes recreativos, que consumiam 1,4 g/kg. Entre os usuários, a ingestão era de 2,9 g/kg. Essa comparação enfraquece a proteína alta como explicação única para os órgãos maiores. Ela também deixa sem resposta o efeito de todas as quantidades de proteína e de dietas mantidas por outros períodos.
Quem treina natural também pode ficar com a barriga estufada?
Sim. Gases e distensão podem ocorrer em qualquer pessoa, inclusive em quem treina sem fármacos. Isso precisa ser separado do aumento dos órgãos: os 15 fisiculturistas naturais avaliados por ressonância tinham volumes semelhantes aos do grupo recreativo. O estudo descreve essa amostra, sem estabelecer que todo natural terá os mesmos resultados.
Como diferenciar gases de órgãos aumentados?
Gases podem causar sensação de estufamento e, em algumas pessoas, aumento visível do abdômen. Uma fotografia ou a medida da cintura registra o aspecto externo, sem revelar o tamanho de cada órgão. Na pesquisa de 2026, essa informação veio da ressonância. A investigação clínica considera os sintomas e escolhe os exames necessários para esclarecer a causa.
Palumboísmo tem cura?
A resposta depende da causa do aumento abdominal. A revisão de 2024 encontrou uma base de pesquisas muito limitada para definir tratamento. O estudo de 2026 mediu os órgãos em um momento e deixou sem resposta se o aumento regride após parar o uso. Essas pesquisas também não demonstram que treinar vácuo abdominal reduza órgãos aumentados. Conseguir recolher a barriga em uma pose e reduzir o volume dos órgãos são resultados diferentes.
Mulheres podem ter barriga de fisiculturista?
O estudo de ressonância avaliou apenas homens. Por isso, ele não informa a frequência do fenômeno em mulheres nem permite aplicar a elas os percentuais de aumento encontrados. Uma barriga projetada exige investigação da causa, em qualquer pessoa.
Comecei a treinar e minha barriga está crescendo. É palumboísmo?
O aumento da barriga depois de começar a treinar, por si só, não identifica palumboísmo nem crescimento dos órgãos. Observe se há relação com refeições e mudanças intestinais. Gases podem aumentar após certos alimentos ou quando você come muito rápido. Procure avaliação se a mudança for repentina, incomodar ou vier com dor, prisão de ventre, diarreia ou perda de peso.
Referências
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