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Imagem sintética e meramente ilustrativa. Não é uma foto real.

Masteron® RedShark é bom? O que o teste químico mostrou

No teste de reagente, o Masteron® da RedShark ficou roxo, quase sem verde na borda, e passou. Mas, em 2024, a PF achou falsos 23 de 40 casos do produto.

O Masteron® da RedShark surpreendeu no teste de reagente. Quem testou esperava a cor da testosterona e um verde forte de mistura, e viu o roxo que o kit espera do Masteron®. Por incrível que pareça, passou. No teste, meio mililitro do óleo vai para um pires e recebe gotas de um reagente que muda de cor. Pela tabela do kit, o Masteron® demora a reagir e depois fica lilás e roxo. Um verde na borda indicaria testosterona misturada, e quase não apareceu.

O teste é do canal Testes Ergogênicos, que avalia marcas de anabolizantes, em “MASTERON® REDSHARK: PASSOU OU NÃO? | TESTE QUÍMICO”. Com a escassez de matéria-prima "no mundo hoje", a aposta era de reprovação. Fazia tempo que um laboratório underground não aparecia na série com Masteron® de verdade, e talvez fosse a primeira vez que um deles "colocou Masteron® no seu Masteron®".

O que é o Masteron® da RedShark

É o produto que a marca vende como Masteron®, a drostanolona. No relatório de 2024 da Polícia Federal, o Masteron® da RedShark aparece com o nome Mastered, propionato de drostanolona no rótulo e nenhum país de origem declarado.

A RedShark é um laboratório underground, como o mercado chama a fabricação clandestina de anabolizantes. Não tem registro no Brasil e é "muito conhecida" pelo marketing apelativo. É uma marca que "já passou no jornal, já caiu, já voltou". Em 2025, uma reportagem do Núcleo Jornalismo contou cerca de 266 anúncios da marca ativos no Facebook e no Instagram num único dia. Depois do contato da reportagem, o TikTok e o YouTube apagaram as contas da RedShark.

A pergunta do teste era uma só: o óleo "bonitinho, limpinho" tem o que diz o rótulo? O teste não diz o que usar nem como usar.

O que foi vistoMasteron® RedShark
Aspecto do óleoBonito e limpo, a olho nu
Óleo colocado no teste0,5 mL
Reagente3 gotas, de um frasco novo
Cor no começoMarrom escuro: mais escuro que o esperado para Masteron®, mais claro que a testosterona da marca
Cor depois da esperaLilás e roxo, sob lanterna azul
Borda verdeQuase imperceptível no começo, nenhuma depois
TexturaHomogênea no começo, coagulou depois de misturar de novo
VereditoAprovado

Como foi o teste com 0,5 mL

A borracha do frasco foi limpa com algodão e álcool, e a amostra saiu com seringa e agulha novas: 0,5 mL "cravados", o mesmo volume de todos os testes da série, sem bolha de ar. O reagente é chamado de "Marx", provavelmente o Marquis, à base de ácido sulfúrico. O frasco do reagente era novo e foi bem agitado antes, porque "reagente sem misturar não dá bom". Para Masteron®, costumam ir quatro gotas. Foram três, a mesma conta do teste do Masteron® Actiza.

Do marrom escuro ao roxo

Logo depois das gotas, a mistura ficou marrom bem escuro, mais escuro do que deveria para Masteron®, que costuma começar num marrom mais claro. Comparada com a testosterona da própria RedShark, testada antes, a cor era mais clara. Por isso, pareceu mais o marrom de Masteron® ou de um éster curto, o propionato, do que o de testosterona de éster longo, como enantato, cipionato ou decanoato.

No começo, a reação ficou limpa e homogênea, bem diferente da Durateston® da marca, que coagulou e virou uma pasta. Esse resultado está em Durateston® RedShark: o teste de reagente.

Nos primeiros momentos, nada aconteceu, e é isso que a tabela do kit prevê para o Masteron®. Com a espera, surgiram tons lilás e depois um roxo "considerável". Quanto mais tempo passava, mais roxa ficava a amostra.

A lanterna usada é azul, e isso pode confundir a leitura. Para separar uma cor da outra, o teste comparou dois pontos: onde a luz batia sem produto, a cor era azul, e onde havia mais óleo, era roxa. A conferência também foi feita a olho nu, fora da câmera.

Depois de misturar de novo, a reação começou a coagular e a ficar com aspecto estranho. O roxo continuou visível mesmo assim.

Quase nada de verde na borda

São dois propionatos diferentes. O Masteron® costuma ser drostanolona propionato. O verde do kit aponta outra substância, a testosterona propionato, e ele aparece em volta da mancha, na borda. Nesse Masteron®, o verde ficou num ponto da borda e era "quase imperceptível". Depois de mais tempo, nem isso: "Nada de verde". Se houver testosterona propionato, "tem tão pouco que o teste nem pega".

Para esse pouco de verde, a explicação levantada foi o resto de outro produto na máquina de envase. Quando a mesma máquina filtra e envasa dois produtos em seguida, um pode contaminar o outro. Já houve caso de enantato da ZPHC contaminado com propionato. É uma hipótese: o teste não separa resto de máquina de mistura feita de propósito.

Na lembrança de quem testou, outras marcas foram pior: o Masteron® da Cinexis reprovou de todo, e o da RX Pharma tinha menos roxo. Num teste publicado depois, o Masteron® da RX Pharma teve roxo fraco e muita borda verde, como mostra Masteron® RX Pharma (Drostabol): o teste químico.

Por que o Masteron® RedShark foi aprovado

O critério de aprovação é a tabela do kit: sem reação no começo, roxo depois e pouco verde na borda. A amostra cumpriu os três pontos. O veredito vem com ressalvas. Não foi o melhor Masteron® já testado, e o marrom do começo, "meio escuro", deixou a suspeita de alguma testosterona junto, apesar de ser mais claro que o da testosterona da marca. Mesmo assim: "tem Masteron® sim, isso eu não posso negar".

A reação não foi a melhor do mundo e ficou um pouco coagulada, "mas pelo menos tem a matéria-prima aqui dentro". Para um laboratório underground, ter o que o rótulo diz já põe a marca "anos luz à frente".

O que a cor não prova

O roxo não separa Masteron® de Primobolan®. A dúvida entre os dois apareceu no próprio teste, e a leitura ficou com o Masteron®, que é o que diz o rótulo. Saber qual dos dois está no frasco exige análise de laboratório.

Teste de cor é triagem. Uma revisão de 2017 sobre métodos de análise de drogas lembra que a cor muda com a concentração, com o que está misturado e com a luz, e que misturas confundem a leitura. O reagente também erra: num estudo italiano de 2013, comprimidos apreendidos reagiram no Marquis como anfetamina, e eram anabolizantes.

A dose fica sem resposta. Medir quantos miligramas há em cada mililitro exige laboratório com método validado, que compara a amostra com drostanolona pura em quantidade conhecida. A cor também não mostra se o óleo é estéril. E o resultado vale para esse frasco, de lote não informado, e não para todos os frascos da marca. O teste do Masteron® King Pharma esbarrou no mesmo limite.

O que a Polícia Federal achou na RedShark

Em 2024, a Polícia Federal periciou 571 casos de produtos RedShark, 565 deles em encomendas enviadas de Vila Velha, no Espírito Santo. Em abril daquele ano, um homem foi preso em flagrante despachando encomendas da marca numa agência dos Correios, e a investigação chegou ao laboratório que fabricava os produtos.

A perícia no local achou instalações impróprias para fazer injetáveis, que precisam ser estéreis, e óleo de semente de uva e benzoato de benzila sem a pureza exigida. Achou também instruções de preparo que orientavam a troca de princípio ativo entre os produtos. Para a PF, não há "qualquer compromisso" entre o que o rótulo diz e o que vai no frasco.

O Mastered entra nessa conta. Dos 40 casos dele periciados em 2024, 23 foram classificados como falsos: o exame químico achou composição diferente da do rótulo. O relatório não detalha o que havia em cada frasco. Entre todos os medicamentos falsos do ano, o problema mais comum era uma substância ativa diferente da anunciada. A RedShark teve 9 dos 21 produtos falsos mais frequentes, e a Durateston® da marca, a Durared, foi o primeiro da lista.

Na mesma série de testes, a trembolona RedShark não bateu com o rótulo. A amostra ficou meio roxa, com verde de propionato, e pareceu "Masteron® com propionato", e não trembolona. O reagente usado ali, porém, não é o indicado para Masteron®. Troca de princípio ativo é justamente o que as instruções achadas pela PF em 2024 previam.

Como um frasco aprovado convive com 23 casos falsos? Cada lote de laboratório clandestino pode ter um conteúdo, e um frasco que passou não diz nada sobre o próximo. O problema é antigo no Brasil: entre 2006 e 2011, 31,7% dos 2.818 anabolizantes apreendidos e analisados pela PF eram falsos.

A RedShark tem registro na Anvisa?

Não. A lista oficial de medicamentos registrados na Anvisa não tem nenhum produto da RedShark nem nenhum medicamento com drostanolona. A Lei nº 6.360/1976 exige registro antes de vender um medicamento no país.

Os riscos da drostanolona, como os de qualquer anabolizante, estão em por que o Masteron® não aromatizar não significa ser seguro. Num produto clandestino, quem aplica não sabe a dose, a pureza nem a esterilidade do que entra no músculo. Se você pensa em usar um injetável, leve o produto e essas dúvidas a um médico.

Conclusão

No teste de cor, o Masteron® RedShark foi bom: demorou a reagir, ficou lilás e roxo e quase não mostrou verde na borda. O resultado surpreendeu, mesmo com o marrom escuro do começo e a reação que coagulou no fim. Como produto, ninguém pode garantir. A cor não mede a dose, a pureza nem a esterilidade, e em 2024 a PF achou composição diferente do rótulo em 23 dos 40 casos do Mastered.

Perguntas frequentes

O Masteron® RedShark é bom?

No teste de cor, passou. A amostra ficou roxa, como o kit espera do Masteron®, e quase sem o verde que indicaria testosterona misturada. A cor não diz a dose nem separa Masteron® de Primobolan®, e em 2024 a Polícia Federal classificou como falsos 23 dos 40 casos periciados do mesmo produto.

O laboratório RedShark é confiável?

É uma marca clandestina, sem registro na Anvisa. Em 2024, a Polícia Federal achou o laboratório dela em Vila Velha (ES), com instruções para trocar o princípio ativo entre os produtos. Nove dos produtos falsos mais frequentes do ano eram da marca.

Qual a cor do Masteron® original no teste?

No kit da série, o Masteron® começa num marrom claro, demora a reagir e depois fica lilás e roxo. Verde na borda indica testosterona propionato misturada. O Masteron® RedShark começou num marrom mais escuro que o ideal, mas chegou ao roxo.

Como saber se o Masteron® é original?

Só um laboratório com análise química responde. A embalagem quase nunca basta: entre os anabolizantes falsos apreendidos no Brasil de 2006 a 2011, só 4,6% puderam ser identificados pela embalagem. O teste de reagente ajuda a descartar uma troca grosseira, mas não mede a dose.

Qual a melhor marca de Masteron®?

Nenhuma marca de Masteron® tem registro na Anvisa, então todas vêm do mercado ilegal, sem controle de qualidade. Nos testes de cor da série, Actiza, King Pharma e RedShark ficaram roxas com pouco ou nenhum verde, e a RX Pharma saiu misturada. A cor de um frasco não garante a do próximo lote.

Como foram os outros produtos da RedShark no teste?

A Durateston® da marca teve sinal de testosterona, mas a reação coagulou e virou uma pasta no pires. A trembolona reprovou e pareceu Masteron® com propionato. Em 2024, a Durateston® da RedShark, a Durared, foi o produto falso mais frequente nas perícias da Polícia Federal.

O Masteron® é bomba?

Sim. "Bomba" é como a academia chama os anabolizantes, e a drostanolona é um esteroide anabolizante derivado da DHT. Como remédio, foi usada contra o câncer de mama em mulheres e nunca teve registro no Brasil.

Referências

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