Tomar 1 Durateston® por semana significa injetar 250 mg de ésteres de testosterona a cada sete dias, cerca de 2,5 vezes a dose usada para repor o hormônio. A dose faz efeito: num estudo de 20 semanas, homens que não treinaram durante o estudo ganharam pouco mais de 5 kg de massa magra com uma dose parecida. O corpo de um fisiculturista profissional, porém, está fora do alcance dela.
O título de “1 DURATESTON® POR SEMANA: EXPECTATIVA MENTIROSA DE FICAR GRANDE”, do médico Gabriel Feitosa, critica a expectativa. Para ele, a ampola semanal amplifica o ganho de quem já treina e come bem e pode levar a um físico acima da média. Como médico, ele contraindica o uso: a dose não é saudável, e anos de uso pesam no coração, mesmo com exames de sangue normais.
O que tem numa ampola de Durateston®
A Durateston® mistura quatro ésteres de testosterona, com durações de ação diferentes, que viram testosterona assim que chegam ao sangue. Cada ampola de 1 mL tem 30 mg de propionato, 60 mg de fenilpropionato, 60 mg de isocaproato e 100 mg de decanoato. São 250 mg de ésteres no total, dos quais 176 mg são testosterona. O resto é o peso da parte que se solta da molécula.
Para o homem com testosterona baixa, a bula prevê uma ampola a cada 3 semanas. A diretriz da Endocrine Society, a sociedade americana de endocrinologia, cita como dose inicial típica da reposição injetável 75 a 100 mg de enantato ou cipionato por semana. Uma ampola por semana fica em cerca de 2,5 vezes isso, numa conta aproximada, porque cada éster pesa diferente. É uma dose acima da reposição. Como se divide a dose de quem faz reposição de verdade está na matéria sobre fracionar a testosterona na TRT.
Para estética e desempenho, essa dose não tem indicação médica e não faz bem à saúde. Uma exceção possível, e ainda hipotética, seria a pessoa com perda grave de músculo e de força (sarcopenia), em quem uma dose acima da reposição talvez melhorasse a qualidade de vida. Como muita gente usa mesmo assim, vale conhecer o risco com precisão.
Uma Durateston® por semana é dose baixa?
Perto do que circula nas academias, parece pouco. Ciclos de 500 a 600 mg por semana são comuns, e há quem passe de 1 grama. Por isso a ampola semanal ganhou o apelido de low dose. Só que 2,5 vezes a dose de reposição já é uma dose considerável, capaz de produzir efeito anabólico de verdade, como mostra o estudo mais abaixo. As doses de 500 mg e 1 grama estão na matéria sobre onde acaba a TRT e começa a aposta alta.
O efeito colateral depende de duas coisas: a dose e o tempo de uso. Quanto mais tempo uma dose acima da reposição é mantida, mais os efeitos colaterais se acumulam, principalmente no coração e nos vasos. Uma dose menor, usada por muitos anos, também acumula risco.
O que é ficar grande com 1 Durateston® por semana
Depende do que você chama de grande. Se a meta é um físico de praia, magro e com músculo aparente, uma ampola por semana pode levar até lá, e há quem chegue nesse físico sem hormônio nenhum. Isso vale só para parte de quem usa. A genética é o que mais pesa na resposta, e com a mesma dose uns vão longe e outros ficam pelo caminho.
O fisiculturista profissional é outra história, e é coisa para poucos. Nem com doses muito maiores esse corpo sai fácil. O atleta precisa de genética para responder bem ao hormônio e também para aguentar os efeitos colaterais. Muita gente abusa, cresce e para no meio do caminho porque a saúde quebra.
O hormônio age com ou sem treino: no estudo de 2001, descrito mais abaixo, os homens não treinaram e ganharam massa magra. O treino multiplica esse ganho. Num estudo de 1996, homens que tomaram 600 mg de enantato por semana durante 10 semanas e treinaram três vezes por semana ganharam 6,1 kg de massa magra, e a área do quadríceps deles cresceu quase o dobro da de quem tomou a mesma dose sem treinar. Os efeitos colaterais vêm de qualquer jeito. Para quem não treina nem come direito, a conta pende para o lado do colateral.
Quem atende usuários de esteroide relata um quadro frequente: gente com efeito colateral, sem base sólida de dieta e treino e sem entender por que o resultado não veio. Com a popularização dos esteroides nos últimos anos, esse quadro ficou mais comum.
O hormônio também não substitui disciplina. Tem quem use para conseguir, com menos esforço, um resultado que teria naturalmente, e paga com a saúde por um físico que não compensa o custo. Junto com dieta e treino, dormir bem e controlar o estresse pesam no resultado. Fumar ou beber em cima de um anabolizante soma risco a um corpo já sobrecarregado.
O estudo que mais se aproxima de uma ampola por semana
A melhor referência para essa dose é um estudo americano publicado em 2001. Ele reuniu 61 homens saudáveis de 18 a 35 anos, com experiência em musculação e sem anabolizante no ano anterior. Uma injeção mensal desligou a produção própria de testosterona de todos, para que o nível no sangue dependesse só da dose estudada. Cada grupo tomou uma dose semanal de enantato de testosterona: 25, 50, 125, 300 ou 600 mg, por 20 semanas. Força, gordura e colesterol por dose estão na matéria sobre o que o estudo de Bhasin mostrou.
A Durateston® e o Deposteron® costumam ser tratados como intercambiáveis com o enantato, embora a Durateston® misture ésteres de durações diferentes. Os 300 mg de enantato têm cerca de 216 mg de testosterona, um pouco acima dos 176 mg de uma ampola de Durateston®. É o grupo do estudo mais perto de uma ampola por semana.
| Dose semanal de enantato | Testosterona no sangue | Massa magra | Gordura | Força no leg press |
|---|---|---|---|---|
| 25 mg | 253 ng/dL | −1,0 kg | +3,1 kg | −1,2 kg |
| 50 mg | 306 ng/dL | +0,6 kg | +3,5 kg | +22,7 kg |
| 125 mg | 570 ng/dL | +3,4 kg | 0,0 kg | +18,4 kg |
| 300 mg | 1.345 ng/dL | +5,2 kg | −0,5 kg | +72,2 kg |
| 600 mg | 2.370 ng/dL | +7,9 kg | −1,1 kg | +76,5 kg |
A testosterona foi medida na semana 16, uma semana depois da injeção, no ponto mais baixo. Antes do estudo, a média dos grupos ficava entre 553 e 653 ng/dL. Para o grupo de 125 mg, o resumo do artigo informa 542 ng/dL e a tabela do artigo, 570. As mudanças de massa magra, gordura e força são a diferença entre o começo e a semana 20.
As duas doses mais baixas deixaram a testosterona abaixo da natural. Esses homens ganharam mais de 3 kg de gordura sem ganhar músculo: atrapalharam mais do que ajudaram. A dose de 125 mg, parecida com uma ampola de Durateston® a cada 14 dias, manteve a testosterona perto do nível de antes, como numa reposição. Para quem tem produção normal, uma dose assim costuma ser vista como trocar seis por meia dúzia, porque a injeção toma o lugar do hormônio que o corpo deixa de fazer. No estudo, mesmo assim, esse grupo ganhou 3,4 kg de massa magra. Nas doses baixas, a força no leg press variou sem um padrão claro.
O resultado mais claro veio com 300 e 600 mg, três e seis vezes a dose de reposição. Com 300 mg, a massa magra subiu 5,2 kg e a gordura caiu 0,5 kg, o que dá cerca de 4,7 kg a mais na balança em 20 semanas. A força no leg press subiu 72 kg. Nenhum estudo mediu uma ampola por semana em quem treina.
Parte desse peso seria água? No estudo, a água do corpo cresceu na mesma proporção da massa magra, sem retenção além da que acompanha o músculo novo. Fora do laboratório, às vezes a retenção aparece, conforme a dieta, e infla o número da balança.
O resultado poderia ter sido maior. A dieta foi fixada em 36 kcal por quilo de peso por dia, o que dá 3.600 kcal para um homem de 100 kg, e 1,2 g de proteína por quilo. Para quem faz musculação, uma revisão de 49 estudos viu benefício até cerca de 1,6 g por quilo, numa estimativa que vai de 1,0 a 2,2 g. E os participantes foram orientados a não fazer musculação nem aeróbico moderado ou intenso, orientação repetida a cada 4 semanas. Com treino, mais proteína e calorias ajustadas a cada pessoa, o mesmo hormônio tende a render mais, como no estudo de 1996. A calculadora de proteínas diárias faz a conta para o seu peso.
Para comparar: quem treina sem hormônio e passa a comer acima do que gasta pode ganhar perto de 5 kg de peso em 20 semanas, e com boa genética às vezes em 12, nem sempre só de músculo. O magro que nunca comeu acima do gasto ganha peso rápido. Quem engorda com facilidade e exagera nas calorias ganha gordura. Esses são quilos de balança, e não massa magra medida em laboratório.
Dentro de cada grupo, a resposta variou muito de um homem para outro. Os autores citam como causas possíveis o nível de atividade, a alimentação e diferenças genéticas.
Onde uma Durateston® por semana faz diferença
Na prática, a dose funciona como amplificador do que já está bem feito e transforma o físico aos poucos. Em 20 semanas, o estudo deu cerca de 5 kg de massa magra, e há quem relate até 10 kg de balança, com bastante retenção junto. O ganho tende a ser mais rápido nas primeiras semanas de uso e depois a desacelerar. A partir daí, a dose talvez ajude na recuperação e no progresso ao longo dos meses.
Por isso, com essa dose, o que separa quem usa de quem não usa é mais o tempo. Há quem prefira uma ampola por semana durante mais tempo, com dieta e treino bem ajustados, em vez de um ciclo curto de 500 a 600 mg. Antes de usar qualquer coisa, a pessoa precisa saber como o próprio corpo responde à dieta e ao treino.
O uso longo sobrecarrega o organismo, e parar em algum momento faz sentido, principalmente pela fertilidade e pelo coração.
E para competir?
Na maioria das categorias, não dá para competir com uma ampola por semana. No Men’s Physique profissional, do jeito que é hoje, também não. Só um fenômeno genético numa categoria menos musculosa fugiria da regra. No Men’s Physique amador é possível, e competir por realização pessoal também vale.
Como dose de manutenção
Atletas e ex-atletas que construíram o físico com doses muito maiores às vezes descem para uma ampola por semana. Com uma base sólida, mantêm grande parte do que ganharam, com um dano à saúde menor que o das doses antigas, mas ainda presente. Esse físico foi construído com outra dose, e a ampola semanal só o mantém.
O que o exame de sangue deixa de mostrar
Uma ampola por semana raramente causa sintoma forte logo de cara. Muita gente se apoia nisso: não sente nada e os exames de sangue vêm normais. O exame de sangue, porém, não mostra o músculo do coração. Para isso existe o ecocardiograma, de preferência com a medida de strain, que mostra como o músculo do coração se deforma a cada batida.
Um estudo de 2017 com 140 homens de 34 a 54 anos que faziam musculação mostra o que o tempo faz. Os 86 que tinham usado anabolizante por pelo menos 2 anos esvaziavam uma parte menor do coração a cada batida que os 54 que nunca usaram (fração de ejeção de 52% contra 63%). Eles também tinham mais placa nas artérias do coração, e quanto mais anos de uso, mais placa. O estudo não testou uma dose específica, como uma ampola por semana.
Quem estava sem usar na época da avaliação tinha o coração mais forte que quem estava usando (fração de ejeção de 58% contra 49%), o que sugere que parte dessa força volta quando a pessoa para. A placa nas artérias acumula com os anos. Por isso, quando o dano aparece no exame depois de anos de uso, parte dele pode ser permanente.
Alguns sinais aparecem, sim, no exame de sangue. No estudo de 2001, com 300 mg, o HDL, o colesterol bom, caiu 5,7 mg/dL e a hemoglobina subiu 6,1 g/L em 20 semanas, mudanças que pela estatística ficaram na margem de dúvida. Com 600 mg, as duas ficaram claras. Hemoglobina alta deixa o sangue mais grosso (hematócrito alto). Na reposição, a diretriz da Endocrine Society recomenda acompanhar a testosterona e o hematócrito, e hematócrito elevado é motivo para nem começar o tratamento.
A bula lista, entre outras reações, acne, aumento das mamas no homem (ginecomastia), pressão alta, retenção de líquidos e queda na produção de espermatozoides. Nas doses de abuso, ela inclui queda de cabelo, atrofia dos testículos, infertilidade e eventos cardiovasculares graves, alguns fatais.
A injeção também desliga a produção própria de testosterona, que pode demorar a voltar. Num estudo dinamarquês, ex-usuários de anabolizante, em média 2,5 anos depois de parar, tinham testosterona mais baixa que homens que nunca usaram, e 27% deles estavam abaixo do limite normal. Como o eixo hormonal se comporta durante o uso está na matéria sobre dose de reposição com eixo suprimido.
Conclusão
Uma Durateston® por semana está bem acima da dose de reposição e não trata doença nenhuma. Sozinha, sem treino, uma dose parecida deu cerca de 5 kg de massa magra em 20 semanas. Com treino e dieta, o ganho tende a ser maior, e dá para chegar a um físico acima da média, às vezes o mesmo que outra pessoa alcançaria sem hormônio. O corpo de um fisiculturista profissional fica fora do alcance. A lesão do músculo do coração cresce com os anos sem aparecer no exame de sangue, por isso quem usa precisa de avaliação cardíaca e de acompanhamento médico.
Perguntas frequentes
1 Durateston® por semana faz mal?
Faz, sobretudo com o tempo. A injeção desliga a produção própria de testosterona, e no estudo mais próximo o HDL caiu e a hemoglobina subiu em 20 semanas, de forma clara na dose de 600 mg e no limite da estatística na de 300 mg. Anos de anabolizante estão ligados a um coração mais fraco e a mais placa nas artérias.
1 mL de Durateston® por semana faz efeito na hipertrofia?
Sim. No estudo de 20 semanas, a dose mais parecida, 300 mg de enantato, aumentou a massa magra em 5,2 kg e a força no leg press em 72 kg, em homens que não treinaram durante o estudo. Com treino e dieta ajustados, o ganho tende a ser maior.
1 Durateston® por semana é reposição?
Não. A bula indica uma ampola a cada 3 semanas para o homem com testosterona baixa, e a dose inicial típica da reposição é de 75 a 100 mg de enantato ou cipionato por semana. A ampola semanal fica bem acima disso. A dose de quem faz reposição é definida pelo médico, com exame de sangue.
Meia ampola de Durateston® por semana faz efeito?
Meia ampola, 125 mg de ésteres, fica perto da faixa de reposição. No estudo de 2001, 125 mg de enantato por semana mantiveram a testosterona perto do nível natural e somaram 3,4 kg de massa magra em 20 semanas, sem treino. Em quem produz o próprio hormônio, a injeção desliga essa produção.
Pode tomar 2 mL de Durateston® por semana?
Duas ampolas são 500 mg de ésteres, cerca de cinco vezes a dose de reposição. No estudo de 2001, 600 mg de enantato deram mais músculo (7,9 kg de massa magra), mas o HDL caiu 8,4 mg/dL e a hemoglobina subiu 14,2 g/L. Quanto maior a dose, maior o risco.
1 mL de Durateston® por semana bate quanto de testosterona?
Depende da pessoa e do dia da coleta. No estudo de 2001, 300 mg de enantato por semana deixaram a testosterona total em 1.345 ng/dL no ponto mais baixo, uma semana depois da injeção. A ampola de Durateston® tem um pouco menos testosterona e outra mistura de ésteres, então o número dela pode ser diferente.
1 mL de Durateston® por semana emagrece?
Quase nada. No estudo de 2001, com 300 mg de enantato, a gordura caiu 0,5 kg em 20 semanas, uma diferença que a estatística não confirma. A mudança real foi na massa magra.
1 mL de Durateston® por semana aumenta a libido?
Em quem tem testosterona normal, não necessariamente. No estudo de 2001, o desejo e a atividade sexual ficaram iguais em todas as doses, de 25 a 600 mg por semana. Segundo a bula, a melhora da libido aparece na reposição de quem tem testosterona baixa.
1 mL de Durateston® por semana causa ginecomastia?
Pode causar. A ginecomastia está na lista de reações da bula, ao lado de acne e retenção de líquidos. A frequência fica em aberto: a bula a classifica como desconhecida.
1 mL de Durateston® por semana faz cair cabelo?
É possível. A bula registra queda de cabelo entre as reações do uso abusivo de testosterona e informa que ela já foi relatada com a Durateston®.
Quem toma 1 Durateston® por semana precisa de TPC?
O ponto crítico é a volta da produção própria, que a injeção desliga. Num grupo de ex-usuários na Dinamarca, mais de um quarto ainda tinha testosterona baixa dois anos e meio depois de parar. Se vale usar remédio para estimular essa volta, e qual, é decisão médica, com exames hormonais.
Dá para usar 1 Durateston® por semana para sempre?
Sem indicação médica, esse uso tem risco crescente. No estudo de 2017, quanto mais anos de anabolizante, mais placa nas artérias do coração.
1 mL de Durateston® por semana faz efeito na mulher?
Faz, com risco de masculinização. A bula diz que a Durateston® não é indicada para mulheres e lista, nas doses de abuso, aumento do clitóris e redução das mamas.
Referências
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