A Durateston® Landerlan Gold ficou marrom-clara e verde no teste de reagente, mas a mistura também engrossou, ficou pegajosa e deixou de se misturar direito. O frasco recebeu aprovação pelo critério visual usado no ensaio. Para quem quer saber se o produto é original e contém os 250 mg/mL do rótulo, essas são perguntas que a mudança de cor deixa em aberto. Há também uma proibição da Anvisa para produtos atribuídos à empresa Landerlan de CNPJ desconhecido, incluindo a Plus Gold, detalhada adiante.
O canal Testes Ergogênicos registrou esse resultado em “DURATESTON® LANDERLAN GOLD: BATEU OU DEU RUIM? 🔬 TESTE QUÍMICO”. A comparação principal foi com o enantato da mesma marca: a reação mudou bastante. A descrição informa que o teste apresenta a reação da amostra e que falta um laudo de composição, pureza, concentração e autenticidade.
A Durateston® Landerlan Gold tem três ésteres
O nome na embalagem é Durateston® Plus Gold. A fórmula declarada soma 250 mg de três ésteres de testosterona por mL: 50 mg de propionato, 100 mg de fenilpropionato e 100 mg de isocaproato. Éster é a parte ligada à testosterona que muda a velocidade com que o hormônio é liberado após a aplicação.
A diferença para o Durateston® da Aspen, vendido em farmácias brasileiras, vai além do frasco de 10 mL. A fórmula da Aspen tem quatro ésteres, incluindo 100 mg de decanoato. Na Gold, esses 100 mg foram distribuídos entre os outros três, mantendo o total declarado de 250 mg/mL.
| Éster de testosterona | Landerlan Plus Gold | Durateston® Aspen |
|---|---|---|
| Propionato | 50 mg | 30 mg |
| Fenilpropionato ou fempropionato | 100 mg | 60 mg |
| Isocaproato | 100 mg | 60 mg |
| Decanoato | Ausente na fórmula | 100 mg |
| Total | 250 mg | 250 mg |
Fenilpropionato e fempropionato são nomes usados para o mesmo éster. Como as fórmulas são diferentes, o total de 250 mg/mL, sozinho, é insuficiente para tratar os produtos como equivalentes. Também falta neste teste uma avaliação de quanto tempo a Gold mantém a testosterona no sangue.
O frasco testado era do lote 25399
A amostra veio de um frasco multidose de 10 mL, lote 25399, com validade em novembro de 2027. A embalagem tinha bula, adesivo dourado com efeito holográfico e a letra “L” na tampa. O óleo era muito claro, transparente e fácil de puxar para a seringa.
Foi mencionada a possibilidade de existir um lote posterior com validade em abril de 2028, sem confirmação. O resultado apresentado pertence ao frasco do lote 25399.
Como foi feito o teste com 0,5 mL e três gotas
Primeiro, a tampa de borracha do frasco foi limpa antes da retirada da amostra. Foram colocados 0,5 mL de óleo em um pratinho. O reagente foi agitado antes do uso. Depois, três gotas foram adicionadas ao óleo. A mistura foi mexida após uma espera sem tempo exato informado.
O objetivo era comparar as cores com uma tabela e verificar se a Gold se comportava de forma diferente do enantato testado anteriormente. A composição do reagente e a validação da tabela para identificar cada éster ficaram sem documentação pública na demonstração.
O que mudou: marrom claro, verde e aspecto de cola
A primeira impressão foi de uma reação muito clara, quase difícil de enxergar. Em seguida, a mistura começou a engrossar e ficou com aspecto de cola. Mesmo depois de mexer, os componentes se misturavam mal.
Depois apareceu verde, interpretado no ensaio como sinal de propionato de testosterona. Também permaneceu uma parte marrom-clara. Foram descritas a ausência de lilás, roxo e azul e uma diferença entre aquele verde e o tom associado à trembolona na tabela usada.
No teste anterior com enantato, a reação havia sido descrita como neutra. Esse era o resultado esperado no ensaio. Na Gold, o verde e a mudança de consistência apareceram. A tabela associava um marrom mais escuro ao enantato e ao cipionato, dois ésteres de ação prolongada.
Apesar do aspecto pegajoso, o veredito foi favorável: a Gold passou pelo critério usado. A diferença visual entre os dois produtos ficou registrada.
O óleo declarado pelo fabricante é Miglyol 840
O óleo do frasco foi chamado de óleo de amendoim e comparado a água pela transparência. Também foram citados óleos de semente de uva e de arroz como possíveis motivos para outras misturas ficarem mais escuras. Essas comparações eram hipóteses para explicar a cor.
A ficha atual da Landerpharma lista Miglyol 840 e álcool benzílico como excipientes, os ingredientes que acompanham o hormônio. Já a bula do Durateston® da Aspen declara óleo de amendoim e álcool benzílico. A aparência do líquido é insuficiente para decidir qual desses veículos existe no frasco testado.
Uma revisão sobre métodos de análise de drogas, publicada em 2017, explica que diluentes, contaminantes e concentração podem mudar a cor dos testes. Isso torna plausível uma interferência do veículo. A demonstração, porém, deixou sem comprovação a explicação específica de que o óleo claro teria causado o marrom mais fraco.
O verde confirma testosterona ou os 250 mg/mL?
A leitura mais útil é tratar a cor como uma pista para investigação. Um teste presuntivo é uma triagem: compara a reação com um padrão visual e levanta uma hipótese sobre a substância. A confirmação exige um método que identifique os componentes, especialmente em uma mistura de três ésteres.
Um caso forense de 2013 ajuda a entender esse limite. Dezoito comprimidos apreendidos na Itália reagiram ao teste Marquis como se contivessem anfetamina. A análise por cromatografia com espectrometria de massas identificou dois anabolizantes, metandienona e metiltestosterona. Esse caso usou outro reagente e outra apresentação, mas mostra por que uma cor isolada pode levar à identificação errada.
Para conferir a Gold, um laboratório precisaria separar os três ésteres e medir cada um com padrões conhecidos. A cromatografia separa os componentes, e a espectrometria de massas ajuda a identificá-los. Com o método validado para essa mistura, a análise pode responder à pergunta que interessa: quantos miligramas de cada éster há por mL?
| Pergunta | O que ficou registrado | O que falta conferir |
|---|---|---|
| A reação mudou em relação ao enantato? | Sim, surgiram verde e aspecto pegajoso | A causa química de cada diferença |
| Há propionato, fenilpropionato e isocaproato? | O verde foi associado ao propionato pela tabela | Identificação separada dos três ésteres |
| Existem 250 mg/mL? | A concentração estava no rótulo | Medição quantitativa |
| O frasco é original? | Embalagem, lote e validade foram inspecionados | Autenticidade e rastreabilidade da unidade |
| O líquido é estéril? | O óleo parecia transparente | Análise microbiológica |
A incerteza sobre o conteúdo tem consequência prática. Uma revisão de 2022 reuniu 19 estudos e 5.413 amostras de anabolizantes do mercado paralelo. Estimou 36% de produtos falsificados e 37% fora da especificação em análises distintas, com grande variação entre os estudos. Essas porcentagens descrevem o mercado pesquisado, e não a Landerlan ou este lote. O problema aparece também no levantamento sobre esteroide falso ou subdosado.
A mistura pegajosa explica a dor após a aplicação?
Quando a amostra ganhou aspecto de cola, surgiu a dúvida sobre um lote que estaria causando dor e inflamação após a aplicação. A suspeita ficou sem resposta no próprio teste. A mistura engrossou depois do contato com o reagente, portanto essa observação, sozinha, é insuficiente para diagnosticar o que aconteceria no músculo.
Um estudo holandês com 63 produtos do mercado paralelo, publicado inicialmente em 2025 e na versão final de 2026, encontrou bactérias em 2 de 22 frascos multidose usados e em 1 de 41 apresentações ainda fechadas. Nenhum participante desenvolveu infecção ligada aos produtos contaminados. Houve também queixas de dor e inchaço com produtos em que a cultura ficou negativa. Dor, aparência do óleo e presença de bactérias são questões distintas.
Para quem usa testosterona, os riscos incluem aumento do hematócrito, a proporção de glóbulos vermelhos no sangue, acne, alterações da fertilidade e reações no local de aplicação. A avaliação exige acompanhamento médico, com atenção aos exames de sangue e às reações após a aplicação. A ficha de testosterona no banco de fármacos aprofunda seus efeitos e riscos.
Como conferir a originalidade e a situação no Brasil
A Landerpharma orienta verificar o QR code pelo aplicativo ou consultar o número do lote em seu site. A empresa também alerta para produtos com validações em excesso do mesmo código e oferece análise de fotografias quando a checagem falha. Essa verificação trata da embalagem e do sistema de autenticação.
A Resolução-RE nº 4.922, de 4 de dezembro de 2025, publicada no Diário Oficial da União em 5 de dezembro, determinou medidas preventivas para medicamentos atribuídos à empresa Landerlan. O item 2 do anexo inclui Durateston® Plus Gold, em todos os lotes.
A proibição abrange comercialização, distribuição, importação, propaganda e uso. A Anvisa documentou a venda e a divulgação de medicamentos sem registro, notificação ou cadastro, fabricados por empresa sem autorização de funcionamento para fabricar medicamentos. O anexo identifica a empresa como “Não Identificada”, com CNPJ desconhecido, e estende as ações aos medicamentos fabricados pela empresa Landerlan. A notícia oficial, corrigida em 6 de dezembro de 2025, esclarece que a medida se aplica aos produtos dessa empresa irregular. O Durateston® registrado pela Aspen no Brasil permanece fora dessa proibição.
O produto foi enviado por um fornecedor
O frasco foi enviado por Gui e pelo grupo Hiperforma para a realização do teste. A descrição e o comentário fixado indicam um grupo de WhatsApp. Esse vínculo comercial precisa entrar na avaliação de quem lê uma aprovação: a amostra recebida e o resultado de uma única unidade têm alcance limitado.
Outros resultados de blends podem ser comparados nos testes da Durateston® ZPHC e da Durateston® RedShark.
Conclusão
A Durateston® Landerlan Gold do lote 25399 passou pelo critério visual do ensaio. Com 0,5 mL de amostra e três gotas de reagente, surgiram marrom claro, verde e uma consistência pegajosa, em uma reação diferente da observada no teste com enantato.
O resultado permite comparar o comportamento das amostras. Para saber se esse frasco contém os três ésteres nas quantidades declaradas, o próximo dado necessário é um laudo que os separe e meça. A segurança microbiológica e a originalidade da unidade também precisam de verificação própria.
FAQ
A Durateston® Landerlan Gold é boa?
O frasco analisado recebeu avaliação favorável no teste de cor. A dose, a pureza e a esterilidade ficaram sem medição. Por isso, a aprovação visual tem alcance menor que uma comprovação de qualidade farmacêutica.
Quais são os três ésteres da Durateston® Landerlan Gold?
Propionato, fenilpropionato e isocaproato. A fórmula declarada não inclui decanoato. A ficha consultada não explica a razão dessa composição.
Qual é a cor da Durateston® Landerlan Gold?
O óleo do frasco testado era muito claro e transparente. Depois de receber o reagente, a amostra apresentou marrom claro e verde, além de engrossar. Esses aspectos devem ser diferenciados: a cor do produto antes do teste e a reação química depois dele.
Como saber se a Durateston® Landerlan Gold é original?
O fabricante orienta consultar o lote no site ou escanear o QR code pelo aplicativo. Se o mesmo código aparecer como validado muitas vezes, vale contatar a empresa. A checagem de autenticidade é uma etapa diferente da medição dos hormônios e da avaliação de esterilidade.
Para que serve a Durateston® Landerlan Gold?
É uma mistura injetável de ésteres de testosterona. A ficha do fabricante inclui hipogonadismo masculino, quando há deficiência na produção do hormônio, entre suas indicações. Isso descreve a finalidade terapêutica declarada, enquanto a situação regulatória no Brasil precisa ser avaliada separadamente.
Como se aplica a Durateston® Plus Gold?
A via declarada pelo fabricante é intramuscular. O teste com reagente ficou sem dados para definir dose, intervalo ou técnica de aplicação. A escolha de um tratamento depende da indicação e da avaliação médica.
A Durateston® Landerlan Gold pode causar efeitos colaterais?
Sim. A testosterona pode causar acne, aumento da proporção de glóbulos vermelhos no sangue, alterações da produção de espermatozoides e reações locais.
Referências
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- AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. Resolução-RE nº 4.922, de 4 de dezembro de 2025. Diário Oficial da União, seção 1, n. 232, p. 228. Brasília, DF, 5 dez. 2025. Disponível em: https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/resolucao-re-n-4.922-de-4-de-dezembro-de-2025-673560541. Acesso em: 9 out. 2026.
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