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Ostarina: efeitos colaterais nos testículos, hormônios e fígado

Ostarina pode encolher os testículos, baixar a testosterona e o HDL e lesar o fígado. Veja o que os estudos mediram, em que dose, e o que não foi provado.

Os efeitos colaterais da ostarina que mais assustam quem treina são os do sistema reprodutor. Num levantamento com 343 usuários de SARMs, a classe da ostarina, 20,7% disseram que os testículos diminuíram. Nos ensaios clínicos, a ostarina baixou a testosterona total e o HDL, o colesterol bom. O dano grave mais relatado é no fígado. Já a prova de que ela encolha o pênis não existe: a evidência é fraca e inconclusiva.

O cirurgião ortopédico Chris Raynor fez a mesma pergunta em "Do SARMS Shrink Your Chestnuts?", no canal Dr. Chris Raynor | Not Your Everyday Ortho. "Chestnuts", castanhas, é gíria em inglês para testículos. Ele desconfia da propaganda: os SARMs são vendidos como esteroide sem colateral, mas os problemas atribuídos a eles atingem os mesmos órgãos que os esteroides atingem.

O que é a ostarina e como ela age

A ostarina, também chamada de MK-2866 ou enobosarm, é o SARM com mais ensaios clínicos em pessoas. A sigla quer dizer modulador seletivo do receptor androgênico, uma classe proposta em 1999. A empresa GTx desenvolveu a ostarina para tratar perda de massa muscular e osteoporose, a doença em que o osso perde densidade e quebra com facilidade. Os primeiros testes em pessoas vieram no começo dos anos 2000.

Ela age no mesmo lugar que a testosterona: o receptor androgênico, que fica dentro das células. A molécula se encaixa numa espécie de bolso desse receptor, ele muda de forma e passa a ligar genes que aumentam a produção de proteína no músculo. O formato da molécula decide onde ela age. Algumas se encaixam em receptores de muitos tecidos. Outras foram desenhadas para agir mais no músculo e no osso.

A promessa dos SARMs nasce daí: o efeito anabolizante no músculo e no osso, sem estimular a próstata, a pele e o resto do corpo. Por isso eles são vendidos como uma versão mais segura do esteroide. A palavra que importa nessa frase é o "talvez": mais segura, talvez, e os estudos ainda não resolveram a dúvida.

Seletiva em ratos, pouco seletiva em pessoas

A testosterona é transformada no corpo em DHT, um hormônio mais forte na próstata e na pele. Os SARMs não passam por essa transformação. Uma revisão de 2025 mostrou que boa parte da seletividade vista em ratos vem daí: o SARM parece poupar a próstata porque não ganha o reforço do DHT, e não porque escolha o músculo. Em pessoas, a seletividade é pequena, e faltam comparações diretas com a testosterona.

Há um segundo problema. A testosterona também vira estradiol, o estrogênio de que o homem precisa para a libido, a ereção e o osso. Os SARMs não viram estrogênio. Quando um SARM derruba o comando do cérebro sobre o testículo, testosterona e estradiol podem cair juntos, e o SARM não repõe o estradiol. Em homens, falta de estrogênio aumenta a gordura e piora a função sexual.

Ostarina é SARM, mas cardarine e MK-677 não são

Ostarina, ligandrol e RAD-140 são vendidos em cápsula, pó ou líquido, muitas vezes rotulados como suplemento. A lista de nomes que aparece nesses produtos mistura classes diferentes de droga:

Nome no mercadoCódigoClasse
OstarinaMK-2866, enobosarm, GTx-024SARM
LigandrolLGD-4033SARM
TestoloneRAD-140SARM
AndarineS4SARM
YK-11YK-11Vendido como SARM e listado pela WADA nessa classe
CardarineGW501516Agonista de PPAR-delta, não é SARM
IbutamorenMK-677Estimula a liberação de GH, não é SARM

A diferença importa na hora de entender um efeito colateral. Quem toma ostarina com cardarine e MK-677 está somando três mecanismos diferentes. Se o fígado ou os exames mudarem, o rótulo "SARM" não diz qual dos três causou. A ficha de cada molécula, com mecanismo e colaterais, está no orientador de fármacos: ostarina e ligandrol.

Ostarina encolhe os testículos?

Pode encolher, principalmente nas doses usadas fora dos estudos. O testículo trabalha sob comando do cérebro. O hipotálamo e a hipófise mandam dois hormônios, o LH e o FSH, que fazem o testículo produzir testosterona e espermatozoides. Quando uma droga ativa o receptor androgênico de fora, o cérebro pode entender que há hormônio de sobra e reduzir o comando. Com menos estímulo, o testículo produz menos e pode diminuir de volume, a chamada atrofia testicular.

A dose muda o quadro. No ensaio da ostarina, com até 3 mg por dia, o LH e o FSH dos homens não mudaram. Com o ligandrol, mais potente, o FSH caiu já com 1 mg por dia. Nos relatos de lesão no fígado que informaram a dose, a média foi de 12,6 mg de SARM por dia, e no uso real, com doses maiores e várias drogas juntas, a supressão do eixo hormonal é o efeito endócrino mais relatado.

O dado mais direto sobre os testículos vem do levantamento publicado no International Journal of Impotence Research em 2022, feito com participantes recrutados em fóruns do Reddit. Das 520 pessoas que responderam, 343 tinham usado SARMs. Quase todas eram homens, a maioria de 18 a 29 anos, e mais de 90% compraram pela internet sem passar por médico:

Entre 343 usuários de SARMsResultado
Homens98,5%
De 18 a 29 anos72,3%
Compraram pela internet, sem médicoMais de 90%
Tiveram algum efeito colateralMais da metade
Oscilação de humor22,4%
Testículos menores20,7%
Acne15,2%
Relataram mais músculo e ficaram satisfeitosMais de 90%

Os números são o que as pessoas contaram. Ninguém mediu o testículo com ultrassom, fez espermograma ou analisou o que havia no frasco. Mesmo assim, o resultado combina com o que a farmacologia prevê, e a FDA, a agência de medicamentos dos Estados Unidos, inclui encolhimento testicular e infertilidade entre os problemas associados aos SARMs. A satisfação com o ganho conviveu com efeito colateral em mais da metade dos usuários.

A ostarina ainda é uma droga em pesquisa. Quem a usa hoje vira, na prática, cobaia de um teste de segurança, sem o acompanhamento que os voluntários dos estudos têm.

E o pênis, encolhe?

Não há prova de que encolha. Há quem diga que os esteroides anabolizantes reduzem o pênis e que os SARMs fariam o mesmo, mas a evidência que liga SARM a encolhimento do pênis é de nível baixo e inconclusiva. Os ensaios mediram hormônios e massa magra, não o tamanho do órgão. Também não há prova de que não encolha. O que existe é ligação entre SARMs e saúde sexual, parecida com a dos esteroides.

A FDA lista disfunção sexual entre os riscos associados aos SARMs. Libido baixa e impotência também são atribuídas a eles, mas nenhum estudo controlado mediu isso. Um mecanismo provável é a falta de estradiol. No ensaio da ostarina, com 1 a 3 mg, o estradiol dos homens não mudou, então o risco cresce com doses maiores e com outras drogas. Ereção mais fraca pode deixar o pênis menor na hora, mas isso é função, e não perda de tamanho.

O que os estudos clínicos mostraram

A ostarina funciona para ganhar massa magra. O problema é o que vem junto. Os dois ensaios com placebo mais citados testaram doses baixas, em pessoas selecionadas e com exames de sangue frequentes. Fora desses poucos ensaios, quase tudo o que se sabe sobre benefício e risco dos SARMs vem de relatos de usuários.

Ostarina: 1,3 kg de massa magra e HDL 27% menor

O ensaio da própria GTx acompanhou 120 pessoas, homens com mais de 60 anos e mulheres na pós-menopausa, por 12 semanas. Com 3 mg por dia, o ganho de massa magra foi 1,3 kg maior que no placebo, e a gordura ficou cerca de 0,6 kg abaixo da do placebo. O peso total não mudou. O teste de subir escada e a resistência à insulina melhoraram com 3 mg. Junto com isso:

  • HDL: caiu 17% com 1 mg e 27% com 3 mg por dia.
  • Testosterona total dos homens: caiu 6,4 nmol/L com 1 mg e 7,4 nmol/L com 3 mg a mais que no placebo, cerca de 185 e 213 ng/dL na unidade dos laudos brasileiros.
  • SHBG dos homens: a proteína que carrega a testosterona no sangue caiu cerca de 60% em relação ao valor inicial com 3 mg.
  • Testosterona livre, estradiol, LH e FSH dos homens: sem diferença do placebo.
  • Mulheres: LH, FSH e SHBG caíram.
  • Fígado: a enzima ALT subiu em 8 participantes, 6 deles no grupo de 3 mg, e um saiu do estudo por isso.

Como a SHBG despencou junto, a queda da testosterona total nesse estudo não mostra queda da testosterona ativa. Mas o resultado desmente a ideia de uma droga neutra para os hormônios e o colesterol. Os efeitos mais comuns foram dor de cabeça e dor nas costas, na mesma frequência do placebo.

Ligandrol derrubou hormônios em 21 dias

O LGD-4033, o ligandrol, foi testado em 76 homens saudáveis de 21 a 50 anos, com 0,1 mg, 0,3 mg ou 1 mg por dia durante 21 dias. A massa magra subiu conforme a dose. Testosterona total, SHBG, HDL e triglicerídeos caíram também conforme a dose. Com 1 mg, a testosterona livre e o FSH caíram de forma clara.

As revisões mais recentes chegam ao mesmo quadro. Nos ensaios, os SARMs acrescentam cerca de 1 a 1,5 kg de massa magra e baixam testosterona, SHBG e HDL. A melhora de força e de mobilidade é inconsistente entre os estudos. Em mais de 25 anos de pesquisa, nenhum SARM foi aprovado como remédio.

Fígado: o efeito colateral grave mais relatado

Uma revisão sistemática de 2023 juntou 33 estudos, com 1.447 pessoas expostas a SARMs. Entre os relatos de caso, houve 15 lesões no fígado causadas pela droga, a maioria com ligandrol, RAD-140 ou ostarina, uma ruptura do tendão de Aquiles e uma rabdomiólise, a destruição de músculo que pode lesar o rim. Nos ensaios, a enzima ALT, que sobe quando o fígado sofre, aumentou em média em 7 de cada 100 participantes.

A lesão típica é a colestase: a bile fica presa no fígado. Os sinais são coceira forte no corpo, cansaço, urina escura e pele ou olhos amarelados, a icterícia. Num caso de 2021, um homem de pouco mais de 40 anos usou ostarina por dois meses para musculação e chegou ao hospital com icterícia, perda de apetite e de peso, cansaço e diarreia. A biópsia confirmou a lesão.

Num relato de 2024, um rapaz de 24 anos que tomou ostarina para ganhar músculo chegou com icterícia grave e coceira intensa. Precisou de cinco sessões de diálise de albumina, um suporte que filtra o sangue no lugar do fígado. A bilirrubina, o pigmento que deixa a pele amarela, só voltou ao normal cerca de seis meses depois da primeira cápsula. No uso real, essa lesão é o dano grave dominante. Costuma ser demorada e, na maioria dos casos, reversível.

Coração, acne e ginecomastia

Entre os riscos associados aos SARMs, a FDA lista aumento do risco de infarto e de AVC. Relatos de casos citam miocardite, inflamação do músculo do coração. Há também a suspeita de espessamento da parede do ventrículo esquerdo, a hipertrofia ventricular esquerda, sem confirmação nos ensaios em pessoas citados aqui. Nesses ensaios, o sinal mais consistente para o coração é a queda do HDL.

A acne apareceu em 15,2% dos usuários do levantamento. Outra lesão de pele atribuída aos SARMs é a foliculite por Malassezia, causada por um fungo da pele: bolinhas e espinhas que coçam no peito e nas costas.

A ginecomastia, o crescimento de glândula mamária no homem, também é atribuída aos SARMs. Ela surge quando estrogênio e testosterona ficam desequilibrados, e o esteroide anabolizante é uma das causas principais. Como os SARMs atuais não viram estrogênio, parte desses casos pode vir de outra substância no frasco.

O frasco de ostarina pode ter outra droga

Em 2016, pesquisadores compraram pela internet 44 produtos vendidos como SARM e analisaram o conteúdo com os métodos dos laboratórios antidoping. Um mesmo produto pode aparecer em mais de uma linha:

O que a análise achouProdutos
Tinham pelo menos um SARM23 de 44 (52%)
Tinham outra droga não aprovada17 de 44 (39%)
Não tinham nenhum ativo4 de 44 (9%)
Tinham substância fora do rótulo11 de 44 (25%)
Quantidade igual à do rótulo18 de 44 (41%)
Quantidade muito diferente do rótulo26 de 44 (59%)

As drogas trocadas incluíam ibutamoren (MK-677), GW501516 (cardarine) e SR9009. Quase nenhum relato de lesão no fígado analisou o produto usado, então não dá para descartar outro hormônio escondido. O efeito que a pessoa sente pode ser de uma mistura que o rótulo não conta.

Como o uso acontece fora dos estudos

O roteiro do uso real é outro. A pessoa escolhe o SARM pelo que leu de alguém da academia, junta dois ou três e decide sozinha quanto tomar e quando. Como a testosterona cai, entra outra rodada de drogas para tentar religar o corpo. Quando os exames melhoram, muitos começam outro ciclo.

Uma revisão sistemática de 2025 sobre atletas confirma o retrato. Os casos relatados eram de homens, com mediana de 32 anos, que tomaram SARM por via oral por cerca de 8 semanas, em doses bem acima das testadas nos estudos, compradas pela internet. Cinco deles negaram usar droga ilícita, sinal de que achavam o produto legal.

Boa parte do que se lê de bom sobre ostarina vem de quem ganha com a venda. Sites e revistas que publicam rankings de "melhores SARMs" costumam ter link de afiliado para a loja, e a recomendação vem junto com o link de compra.

Medicamentos fortes são usados todos os dias na medicina, com paciente escolhido, dose definida e monitoramento. No uso de SARM, essas três coisas faltam.

Parar a ostarina recupera os hormônios?

Para a ostarina, não há dado publicado de recuperação depois do uso recreativo. O ensaio mais próximo é o do ligandrol: hormônios e colesterol voltaram ao normal nas cinco semanas depois da suspensão. Era uma droga de pureza controlada, fabricada para o estudo, usada por 21 dias em homens saudáveis acompanhados. Não dá para estender esse resultado a meses de uso, doses maiores, combinações e frascos de conteúdo desconhecido. O ligandrol também tem meia-vida longa e se acumula no corpo.

Testículos menores, libido baixa que não volta, ereção pior, infertilidade ou mamas aumentadas pedem avaliação médica. Os exames costumam medir o que os estudos mostraram mexer: testosterona total em coleta pela manhã, SHBG, LH, FSH, estradiol, HDL e enzimas do fígado. Quando a dúvida é ter filhos, o espermograma responde. Quais exames pedir e quanto custam estão em exames para quem usa anabolizantes.

Tomar tamoxifeno, clomifeno ou outro remédio por conta própria para "religar o eixo" soma mais uma droga ao quadro. O que a TPC consegue e o que ela não resolve está em TPC pós-ciclo, e o papel de cada remédio, em hCG, clomifeno e tamoxifeno na TPC. Coceira forte, urina escura ou olhos amarelos pedem atendimento logo, sem esperar a TPC.

Ostarina é proibida? Anvisa, FDA e doping

No Brasil, a ostarina não é suplemento nem remédio. A Anvisa informa que não existe medicamento registrado com SARM. A Resolução RE 791/2021 proibiu a venda, a distribuição, a fabricação, a importação, a manipulação, a propaganda e o uso desses produtos, nacionais ou importados, de fábrica ou manipulados, em loja física ou pela internet.

Nos Estados Unidos, a FDA também não aprovou nenhum SARM e proíbe a venda como suplemento. No Canadá, eles só podem ser importados para pesquisa.

No esporte, a Agência Mundial Antidoping (WADA) põe a ostarina na classe S1.2, de outros agentes anabolizantes, proibida dentro e fora de competição. A proibição vale do atleta de elite ao amador. O campeão olímpico do salto com vara Thiago Braz foi suspenso por 16 meses por ostarina, e a substância também apareceu no exame de Tandara, jogadora da seleção brasileira de vôlei.

Os casos positivos por SARM nos laboratórios antidoping subiram de 15 em 2014 para 142 em 2019 e ficaram em 106 em 2024. A maioria vem de quem comprou o produto de propósito. A tese de contaminação de suplemento comum tem pouca prova.

Conclusão

A ostarina não é um esteroide sem efeito colateral. Em 12 semanas, com 3 mg por dia, ela acrescentou 1,3 kg de massa magra, mas baixou o HDL em 27% e mexeu nos hormônios. O ligandrol derrubou testosterona e FSH em 21 dias. Testículos menores foram relatados por um em cada cinco usuários de SARMs, o que combina com a supressão hormonal vista nas doses maiores do uso real.

Pode ser que a ostarina não encolha o pênis, mas ninguém provou isso, e o resto da conta pesa tanto quanto: fígado, coração, colesterol, função sexual e fertilidade, os mesmos alvos dos esteroides. Some a isso um frasco que, em mais da metade das vezes, não traz o que o rótulo diz. Quem já usa e notou mudança no corpo deve procurar um médico, de preferência endocrinologista ou urologista.

Perguntas frequentes

Ostarina faz mal?

Pode fazer. Nos ensaios, a ostarina baixou o HDL e a testosterona total mesmo em doses de 1 a 3 mg por dia. Fora dos estudos, o dano grave mais relatado é a lesão no fígado com icterícia, e usuários de SARMs relatam testículos menores, acne e oscilação de humor.

Para que serve a ostarina?

Ela foi criada para tratar perda de massa muscular e osteoporose, mas não virou remédio aprovado em nenhum lugar. No mercado, é usada para ganhar massa magra e perder gordura. No Brasil, a Anvisa proíbe a venda e o uso.

Ostarina é anabolizante?

Sim, embora não seja um esteroide. Ela faz parte da classe dos moduladores seletivos do receptor androgênico, os SARMs, e ativa o mesmo receptor que a testosterona. A WADA a classifica entre os agentes anabolizantes.

Ostarina aumenta ou diminui a testosterona?

Diminui a testosterona total. Com 3 mg por dia por 12 semanas, ela caiu 7,4 nmol/L a mais que no placebo, junto com a SHBG, enquanto a testosterona livre e o LH não mudaram. Com o ligandrol 1 mg, a testosterona livre e o FSH caíram. Nas doses maiores do uso real, a supressão do eixo é o efeito hormonal mais relatado.

Ostarina precisa de TPC?

Não existe protocolo de TPC testado para a ostarina. Nas doses de uso, ela pode suprimir o eixo hormonal, e quem usa costuma recorrer a outras drogas para tentar recuperá-lo. No ensaio curto do ligandrol, os hormônios voltaram sozinhos em cinco semanas, mas isso não vale para meses de uso nem para frascos adulterados. Testículos menores ou libido baixa depois de parar pedem exames e avaliação médica.

Existe SARM seguro?

Nenhum foi aprovado como remédio em mais de 25 anos de pesquisa. Os testados em ensaios baixaram testosterona e HDL, e os casos graves de fígado aparecem com ostarina, ligandrol e RAD-140. A segurança a longo prazo nunca foi demonstrada.

Dá para confiar no frasco de ostarina?

Não. Numa análise de 44 produtos vendidos como SARM pela internet, só 52% tinham algum SARM e só 41% traziam a quantidade do rótulo. Um em cada quatro tinha substância não declarada.

Quais são os benefícios da ostarina?

Ganho de massa magra pequeno. Com 3 mg por dia por 12 semanas, foram 1,3 kg a mais que no placebo, com cerca de 0,6 kg a menos de gordura. O teste de subir escada melhorou nesse ensaio, mas, somando os estudos com SARMs, a melhora de força e de função física é inconsistente.

Ostarina emagrece?

Muito pouco. No ensaio de 12 semanas, a gordura caiu cerca de 0,6 kg a mais que no placebo, e o peso total não mudou, porque a massa magra subiu. Não é um remédio para emagrecer.

Ostarina tem efeito colateral em mulher?

Tem. No ensaio com mulheres na pós-menopausa, a ostarina baixou LH, FSH e SHBG, além do HDL, embora não tenha aumentado pelos nem oleosidade da pele. A ideia de que ela não tem ação androgênica nenhuma nas mulheres não se sustenta.

Ostarina tem bula ou é vendida em farmácia?

Não. A Anvisa informa que não há medicamento registrado com SARM, então não existe bula nem venda legal em farmácia. Produto vendido como suplemento com ostarina é irregular.

Por que ostarina é doping?

Porque tem efeito anabolizante. A WADA lista a ostarina na classe S1.2, proibida dentro e fora de competição. Ela levou à suspensão de 16 meses de Thiago Braz e apareceu no exame de Tandara, do vôlei.

Cardarine e MK-677 são SARMs?

Não. A cardarine (GW501516) age no receptor PPAR-delta, e o MK-677 (ibutamoren) estimula a liberação de hormônio do crescimento. As duas aparecem em produtos vendidos como SARM, às vezes sem estar no rótulo.

Como funcionam os SARMs?

Eles ativam o receptor androgênico, o mesmo da testosterona, e foram desenhados para agir mais no músculo e no osso. Parte dessa seletividade vem de não virarem DHT. Em pessoas, a diferença em relação à testosterona é menor do que a propaganda diz.

Referências

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