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Trembolona RedShark é boa? O que o teste químico mostrou

No teste de reagente, a trembolona RedShark ficou meio roxa, com pontos verdes, e não verde por inteiro. Veja o que a cor mostra e o que a PF achou.

A trembolona da RedShark reprovou no teste de reagente. Nesse teste, a trembolona deixa a mistura verde por inteiro. A amostra da marca ficou com um fundo meio roxo e só alguns pontos verdes, com cara de musgo. A leitura de quem testou foi que aquilo parecia Masteron® com um pouco de testosterona propionato, e não trembolona.

O teste é do canal Testes Ergogênicos, que avalia marcas de anabolizantes, em “TREMBO REDSHARK REPROVADA? CLANDESTINO DESMASCARADO! NÃO É TREMBO | TESTE QUÍMICO”. A RedShark é um laboratório underground "muito conhecido", que "deu o que falar": há quem diga que o produto é bom e quem diga que não presta.

O que é a trembolona RedShark

É o frasco que a marca vende como trembolona acetato, um anabolizante injetável. A RedShark é clandestina: não tem registro na Anvisa, e a lista oficial de medicamentos registrados no país não tem nenhum produto com trembolona. Nos Estados Unidos, a trembolona acetato é aprovada como implante para gado, com o nome Finaplix®.

O teste de reagente compara o frasco com o rótulo. Entre laboratórios underground, a troca é comum: o rótulo diz Masteron® ou trembolona e o frasco tem testosterona, como a testosterona propionato, uma forma de testosterona de ação curta. O nome confunde porque o Masteron® também é um propionato, o de drostanolona, outra substância.

A amostra foi comprada por um seguidor, e não enviada pela RedShark. Um frasco pedido direto ao laboratório poderia ser escolhido a dedo e não ser igual ao que chega a quem compra.

Como foi o teste com 0,5 mL

A borracha do frasco foi limpa com álcool para tirar bactérias e impurezas. Com seringa e agulha novas, uma 40x12, mais grossa para puxar o óleo com facilidade, saíram 0,5 mL sem bolha de ar. O óleo recebeu o reagente Mandelin, o usado para trembolona. Foram três gotas e mais uma, porque uma delas caiu fraca, misturada com ar.

ItemTrembolona RedShark
Origem da amostraComprada por um seguidor
Óleo no teste0,5 mL
ReagenteMandelin, 4 gotas
Cor esperada para trembolonaVerde por inteiro
Cor obtidaFundo meio roxo com pontos verdes de "musgo"
ResultadoReprovado

A cor que a trembolona deveria dar

Para comparar, havia ao lado uma reação de trembolona feita antes, e a de testosterona também foi mostrada. A de trembolona estava "inteira verde", um verde forte e uniforme. É essa cor que se espera da trembolona acetato nesse reagente. No mesmo reagente, a trembolona Landerlan ficou verde no teste químico.

O que apareceu no lugar do verde

A primeira reação foi de dúvida: "não foi igual eu esperava". Com a luz, ainda antes de misturar, surgiram pontinhos verdes no meio da mancha, e a primeira impressão foi de trembolona. A diferença está no jeito do verde. O da trembolona toma a mistura inteira. Aqui, o verde ficou em pontos soltos, com aspecto de "musgo" ou "lodo", e foi lido como um pouco de testosterona propionato.

O resto da mancha ficou meio roxo, e a mistura pareceu Masteron® com um pouco de testosterona propionato. Essa leitura tem um limite: o Mandelin não é o reagente indicado para Masteron®, que se testa com outro, o Marquis, e a amostra não foi repetida no Marquis. No Marquis, o Masteron® da RedShark ficou roxo e foi aprovado.

A conclusão foi de que não havia trembolona no frasco ou, se houvesse, "muito pouco". O produto foi reprovado.

O que a cor não prova

Teste de cor é triagem. Ele serve bem para mostrar que o frasco não reagiu como deveria, e foi isso que aconteceu aqui. Para dizer o que está no lugar, a cor é fraca: ela muda com a concentração, com a luz e com o que está misturado. A ideia de que o roxo é Masteron® e o musgo é testosterona propionato fica como hipótese.

O Mandelin é um dos 12 testes de cor que um estudo de 2000 validou para triagem de drogas. Cada teste foi feito com 28 a 45 substâncias, e a cor final é comparada com uma cartela de referência. Os testes se mostraram muito sensíveis, mas a mesma cor pode aparecer com substâncias diferentes, e as normas de laboratório forense pedem outro método para confirmar.

A dose em miligramas por mililitro, a esterilidade e a presença de metais também ficam sem resposta. Num estudo australiano com 28 amostras de anabolizantes doadas por usuários, 15 tinham rótulo errado ou eram outra substância, só 4 de 21 estavam a até 5% da dose do rótulo, e o laboratório achou metais pesados nos injetáveis e nos orais. Para saber o que há no frasco, é preciso análise com cromatografia e espectrometria de massas.

O que a Polícia Federal achou na RedShark

A própria PF registrou troca de substância na marca. Em 2024, ela periciou 571 casos de produtos RedShark, 565 deles em encomendas enviadas de Vila Velha, no Espírito Santo. No laboratório, a perícia achou instalações impróprias para fazer injetáveis e instruções de preparo que orientavam a troca de princípio ativo entre os produtos. Para a PF, não há "qualquer compromisso" entre o rótulo e o que vai no frasco.

A trembolona da RedShark não aparece nas tabelas de produtos mais periciados do relatório. Nove produtos da marca estão entre os 21 falsos mais frequentes, com o Durared, a mistura de testosteronas da RedShark, em primeiro lugar. O Mastered, o Masteron® da marca, teve 23 de 40 casos classificados como falsos. Cada lote de laboratório clandestino pode ter um conteúdo diferente.

No Brasil, entre 2006 e 2011, 31,7% dos 2.818 anabolizantes apreendidos e analisados pela PF eram falsos. Numa revisão de 19 estudos com 5.413 amostras de vários países, a média foi de 36% de produtos falsificados e mais 37% com qualidade abaixo do padrão. Em 2025, uma reportagem do Núcleo Jornalismo contou cerca de 266 anúncios da RedShark ativos no Facebook e no Instagram num único dia.

Por que a troca importa

Quem aplica um frasco que diz trembolona e tem outra coisa decide dose, exames e expectativa de efeito a partir de um rótulo errado. A pessoa pode sentir algum efeito e concluir que o produto era bom, sem saber qual substância usou. A Lei nº 6.360/1976 exige registro antes da venda de qualquer medicamento no Brasil, e o registro sujeita o fabricante à fiscalização do que vai no frasco. Produto clandestino fica fora desse controle.

Os efeitos da trembolona no humor, no sono e na agressividade estão em trembolona: efeitos psicológicos e o que ela faz no cérebro. Quem já usou um frasco suspeito e sentiu algo diferente do esperado deve contar ao médico o que aplicou e levar o frasco, porque a substância real pode ser outra.

Conclusão

No teste de reagente, a trembolona RedShark ficou meio roxa e com verde só em pontos, longe do verde inteiro da trembolona, e foi reprovada. O substituto provável, Masteron® com testosterona propionato, é uma leitura de cor, sem confirmação de laboratório. O resultado basta para desconfiar do frasco, numa marca em que a PF achou instruções para trocar o princípio ativo.

Perguntas frequentes

A RedShark é boa?

Ninguém garante nenhum frasco da marca. No teste de cor, a trembolona da RedShark reprovou e o Masteron® passou. Em 2024, a Polícia Federal achou o laboratório da RedShark em Vila Velha (ES) com instruções para trocar o princípio ativo entre os produtos, e 23 de 40 casos do Masteron® da marca eram falsos.

Como saber se a trembolona é original?

Só a análise de laboratório responde com segurança. No teste de reagente com Mandelin, a trembolona deixa a mistura verde por inteiro, e um resultado diferente, como o da RedShark, sugere outra substância. A cor não mede a dose, e trembolona para uso humano não tem registro no Brasil.

Como foram os outros produtos da RedShark?

No teste de cor, o Masteron® da marca ficou roxo e passou. Nas perícias da Polícia Federal de 2024, o Durared, a mistura de testosteronas da RedShark, foi o produto falso mais frequente, e o enantato de testosterona da marca também aparece entre os falsos.

Referências

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