Caíque Parça começou no marketing de influência com 20 fórmulas de uma farmácia de manipulação e uma lista de contatos de atletas. Anos depois, passou a administrar contratos de cerca de 1.500 criadores para diferentes marcas. No caminho, tornou-se sócio de negócios que vão de farmácia a turismo.
A trajetória foi contada pelo próprio empresário na entrevista “Caíque Parça - MARCAS E INFLUENCIADORES - Podcast Sem Filtro”. Sua principal atividade é negociar a relação entre empresas e influenciadores. Os valores de vendas e o tamanho das equipes apresentados a seguir são estimativas declaradas por ele.
Quem é Caíque Parça?
Caíque Parça é empresário e gestor de influenciadores do mercado fitness. Seu trabalho envolve encontrar criadores para marcas, negociar contratos e acompanhar quanto essas parcerias vendem. Em seu site profissional, ele também oferece mentoria para influenciadores e empresas.
A empresa que usa para fazer essa gestão chama-se Brava Network. A operação atende marcas, enquanto uma parte menor do trabalho consiste em representar comercialmente o próprio influenciador. São relações diferentes, com formas diferentes de remuneração.
Aos 40 anos, ele dizia ter aprendido a atividade na prática, sem graduação concluída. Antes disso, tentou seguir carreira no futebol até aproximadamente os 22 anos. Passou pelas categorias de base de Athletico Paranaense, Coritiba e Paraná e integrou elencos profissionais de Foz e Paraná, segundo seu relato.
Nas categorias de base, chegou a disputar partidas. No profissional, treinou com os elencos, mas contou que não entrou em jogo. A mudança para o mercado fitness aconteceu depois dessa tentativa de viver do esporte.
O começo na Miligrama: 20 fórmulas e contatos de atletas
A primeira empresa em que trabalhou com esse modelo foi a Miligrama, farmácia de manipulação de Curitiba. O projeto inicial era desenvolver produtos com Kaminski, que trabalhava com atletas e preparou 20 fórmulas para uma linha com sua assinatura.
Caíque pediu autorização para enviar os produtos aos atletas de Kaminski. Recebeu os telefones, começou a ligar e passou a construir a relação entre a farmácia e quem poderia apresentar os produtos ao público. A contratação de influenciadores surgiu desse contato comercial, antes de existir uma agência estruturada.
Kaminski também o apresentou a Renato Cariani. Essa aproximação abriu espaço para um episódio que ampliou sua visibilidade: conseguir uma academia vazia para uma gravação e, depois, sugerir uma partida de futevôlei.
Como uma academia vazia aproximou Caíque de Cariani
Depois de um Sardinha Classic em Santa Catarina, Cariani precisava gravar em uma academia vazia na manhã seguinte. Caíque ouviu o pedido e se ofereceu para resolver. Ainda faltava encontrar o local.
Ele começou a ligar para conhecidos até que seu personal conseguiu a chave da Wave, em Balneário Camboriú. A gravação abordou dez coisas para evitar na academia. O favor aproximou o grupo e colocou Caíque diante das câmeras.
Quando surgiu a necessidade de produzir mais uma gravação para a Integralmédica, ele sugeriu usar a bola de futebol que estava no carro. Na praia, Caíque e Kaminski enfrentaram Cariani e Giga no futevôlei. A partida improvisada levou a dupla de fisiculturistas para uma situação que fugia da rotina da musculação.
Caíque lembrava de 12 ou 13 milhões de visualizações na última vez em que havia conferido aquela publicação. É uma lembrança da época, sem atualização da contagem. Para ele, a repercussão mostrou a força comercial daquela audiência.
Da Oficial Farma ao trabalho com a Doctor Peanut
Depois da Miligrama, veio a Oficial Farma. A mudança incluiu uma equipe de aproximadamente 35 pessoas, entre elas Cariani, Ramon, Gnomo, Gui e Kaminski. Na nova empresa, Caíque passou a cuidar também de influenciadores que já estavam contratados.
Foram dois anos na Oficial Farma, onde conheceu Gorgonoid. Quando saiu, já prestava serviços para a Doctor Peanut e a Army. Os trabalhos se sobrepunham, em vez de formar uma sequência de empregos exclusivos.
Na Doctor Peanut, acompanhou uma fase de crescimento expressivo. Segundo suas estimativas, a empresa faturava de R$ 100 mil a R$ 200 mil por mês quando ele entrou e de R$ 10 milhões a R$ 12 milhões quando saiu. Esses números descrevem o período em que trabalhou com a marca, sem medir isoladamente a contribuição dele para o resultado.
Sua relação com a Doctor Peanut era de prestação de serviço. Ele afirmou que não recebeu participação no dinheiro da venda da empresa. Essa diferença ajuda a entender por que trabalhar com uma marca grande e ser sócio dela são situações distintas.
Como surgiu a sociedade na G Farma
A oportunidade de ter uma operação própria apareceu numa conversa com Rodrigo Cardoso, então ligado à Doctor Peanut. Cardoso conhecia uma farmácia com cerca de 50 anos de atividade que ainda não tinha comércio eletrônico. A proposta inicial era criar uma sociedade para o e-commerce da Galênica, mantendo a operação antiga com seus donos.
O grupo convidado incluía Cariani, Kaminski, Lucas, Simone Camargo, Cardoso e Caíque. Cariani e Kaminski permaneceram na Oficial Farma após uma contraproposta. Gorgonoid recebeu depois o convite para entrar como sócio e aceitou.
Nos primeiros três meses, Cardoso, Lucas e Simone deixaram a sociedade. Caíque atribuiu a saída a uma questão de conflito de interesses envolvendo seus vínculos empresariais. O capital investido foi devolvido, e o negócio continuou com ele, Gorgonoid e os sócios da farmácia original.
A rede chegou a aproximadamente 400 influenciadores em um ano. Mais tarde, Cariani decidiu participar. A entrada foi negociada com a redução da participação dos sócios ligados à farmácia original, e parte da participação ligada a ele foi destinada a Júlio Balestrin e Maurício.
Com a mudança, a marca passou a se chamar G Farma. Em outubro de 2026, Caíque declarou que ele, Cariani e Gorgonoid reuniam 56% da sociedade. O percentual informado por ele se refere aos três juntos.
A estimativa era de 700 a 800 influenciadores na G Farma, além de afiliados que ficavam fora dessa conta. Parte recebia produtos e comissão sobre vendas. O modelo permitia trabalhar com vários perfis menores, sem um pagamento fixo para todos.
Qual é a relação de Caíque Parça com a Soldiers?
Caíque passou dois anos na Integralmédica antes de começar a trabalhar com a Soldiers por volta de março de 2026. Na Soldiers, atua como prestador de serviço na gestão comercial de influenciadores. A marca disponibiliza um orçamento, e a operação negocia as contratações dentro desse valor.
Em outubro, ele estimava quase mil pessoas na equipe que administrava para a Soldiers. A empresa também mantinha uma equipe própria separada. Os números de cada marca podem incluir os mesmos criadores, por isso somá-los ao total de 1.500 produziria uma contagem enganosa.
Quais são as empresas de Caíque Parça?
A Brava Network concentra a gestão de influenciadores. A G Farma é uma sociedade assumida também em seu site profissional. Outros negócios citados por ele ampliam a atuação para produtos, viagens e tecnologia.
| Negócio | Relação apresentada publicamente |
|---|---|
| Brava Network | Empresa usada para gerir influenciadores e contratos com marcas. |
| G Farma | Sociedade com atuação comercial na rede de influenciadores. |
| Hapz | Sócio do negócio de cremes ligado ao Grupo Brava. |
| Alpha Co. | Sócio com participação descrita por ele como pequena, sem percentual confirmado. |
| Pousar / PousarTrip | Agência de turismo em sociedade com Leandro Twin e Cariani. |
| Projetos de software | Participação na criação de uma ferramenta para influenciadores e de um sistema de nutrição com Dudu Haluch. Estavam em desenvolvimento ou início de operação na época. |
Na Hapz, Caíque integra a equipe executiva ao lado de Cardoso, Cariani, Plínio Fabretti e Simone Camargo, conforme a apresentação publicada pela Exame. A marca integra o Grupo Brava. Os atributos do alimento estão detalhados na comparação nutricional do creme Hapz.
Na Alpha Co., Caíque descreveu uma participação pequena numa sociedade com três integrantes. Já a Pousar nasceu da aproximação entre alguém que entendia de passagens e pontos e dois parceiros com audiência, Twin e Cariani. Ele mencionou R$ 3 milhões por mês para o negócio de viagens, sem detalhar margem, lucro ou a parcela que lhe cabia.
Os projetos de tecnologia seguiam a mesma proposta de conectar conhecimento técnico e público. Um deles era um software de nutrição com Dudu Haluch. Outro reunia métricas das redes sociais, mídia kit e gestão para influenciadores. Ambos foram descritos como quase prontos, com planos de divulgação ou lançamento até o fim de 2026.
Como ele ganha dinheiro com influenciadores?
A principal receita descrita por Caíque vem das marcas. Ele recebe um percentual das vendas geradas pelo conjunto de influenciadores que administra. Também recebe distribuição de lucros das empresas das quais é sócio.
Uma parcela menor vem da representação comercial de criadores. Dos aproximadamente 1.500 nomes com contratos ativos na base das marcas, cerca de 15 também tinham com ele uma relação de representação comercial. É nesse grupo que há comissão sobre os contratos negociados para o próprio criador.
O gestor de influenciadores conecta uma marca a pessoas que podem apresentar seus produtos e vender. O empresário de um criador negocia oportunidades em nome daquele profissional. Quando as duas relações se cruzam, Caíque diz informar a marca sobre a comissão e registrar a divisão no contrato.
O exemplo dado foi um contrato hipotético de R$ 100 mil com comissão de 10%. Nesse caso, o influenciador emitiria uma nota de R$ 90 mil e a empresa de Caíque, outra de R$ 10 mil. Esses valores explicam o mecanismo, sem estabelecer uma comissão padrão para o mercado.
Ele também relatou abrir mão da cobrança em alguns primeiros contratos ou quando a renda do criador ainda era pequena. Num caso, deixou de receber algo entre R$ 500 e R$ 1.000 porque avaliou que o dinheiro faria mais diferença para o influenciador. A decisão foi apresentada como escolha naquele atendimento, sem promessa de condição para todos.
R$ 40–50 milhões em vendas: quanto disso era renda pessoal?
Caíque estimou gerar de R$ 4 milhões a R$ 5 milhões por mês em vendas por cupons para as marcas atendidas. Para 2025, citou uma faixa de R$ 40 milhões a R$ 50 milhões. São valores de compras atribuídas aos criadores da rede.
O dinheiro dessas compras entra nas marcas. A remuneração de sua empresa depende do percentual contratado, que ficou sem divulgação. Sem esse dado e os custos da operação, não é possível calcular seu faturamento, lucro ou renda pessoal a partir do volume vendido.
Ele situou a melhora de sua vida financeira nos quatro ou cinco anos anteriores à entrevista, depois da pandemia. Não apresentou um valor de patrimônio ou salário mensal. A estimativa de vendas para clientes deve ser lida separadamente dessas informações.
Por que a maior parte da equipe não é de atletas?
Embora tenha se aproximado do público pelo fisiculturismo, Caíque estimou que apenas cerca de 20% dos criadores da base fossem atletas. A maioria era composta por influenciadores que produziam outros tipos de conteúdo, inclusive sobre a própria rotina.
Seu critério comercial é a capacidade de vender para uma audiência, que pode ser diferente da capacidade de atrair visualizações. Para quem está do outro lado da negociação, o guia para conseguir patrocínio fitness explica os critérios de contratação e manutenção da parceria.
Até então acostumado a trabalhar nos bastidores, ele disse ter começado a produzir conteúdo sobre a própria atividade cerca de quatro meses antes da entrevista. Sua experiência com marcas já era longa, mas construir uma audiência própria era uma etapa recente.
Conclusão
Caíque Parça construiu sua trajetória aproximando quem domina um produto de quem consegue apresentá-lo a uma audiência. Começou com fórmulas e contatos de atletas, ampliou a gestão para diferentes marcas e passou a participar de empresas. O fio que une essas atividades é a negociação comercial.
Para entender seu papel no mercado fitness, observe a relação com cada negócio: em alguns ele presta serviço, em outros representa o criador, e em outros participa como sócio. É essa distinção que permite interpretar os contratos, as equipes e os números de vendas sem transformá-los em uma estimativa de fortuna.
Perguntas frequentes
Quem é Caíque Parça?
Caíque Parça é um empresário do mercado fitness que negocia parcerias entre marcas e criadores. Além desse trabalho comercial, participa de negócios como G Farma, Hapz e Pousar. A carreira começou com produtos de uma farmácia de manipulação e contatos de atletas.
O que faz um gestor de influenciadores digitais?
Ele seleciona criadores para uma marca, negocia contratos e acompanha os resultados da parceria. No modelo descrito por Caíque, a empresa disponibiliza um orçamento para essas contratações. O trabalho exige distinguir quem atrai audiência de quem consegue gerar vendas.
Qual é a empresa de gestão de influenciadores de Caíque?
É a Brava Network. Caíque apresentou esse nome como a empresa usada para gerir influenciadores e contratos com marcas. A prestação de serviço por essa operação é diferente das participações societárias que ele tem em outros negócios.
Como Caíque começou a trabalhar com influenciadores?
O início foi na Miligrama, com uma linha de 20 fórmulas assinadas por Kaminski. Caíque pediu os contatos dos atletas para enviar os produtos e começou a negociar a divulgação. Ele contou que aprendeu a atividade fazendo esse trabalho, sem graduação concluída.
Como Caíque Parça ganha dinheiro e quanto recebe?
Ele recebe das marcas um percentual das vendas geradas pela rede de influenciadores e também participa dos lucros de suas sociedades. O percentual e a renda mensal pessoal ficaram sem divulgação. A faixa de R$ 40 milhões a R$ 50 milhões citada para 2025 era de vendas para clientes, e não do que ele recebeu.
Os 1.500 influenciadores pagam comissão para Caíque?
A base de aproximadamente 1.500 nomes reúne os contratos das marcas que ele atende. Cerca de 15 também eram representados comercialmente por ele e tinham comissão sobre os contratos do próprio criador. Na gestão para marcas, a remuneração principal vem da empresa contratante.
Caíque, Cariani e Gorgonoid são sócios da G Farma?
Sim. Caíque citou os três entre os sócios e declarou que, juntos, reuniam 56% da sociedade em outubro de 2026. O número corresponde à participação somada do trio, com outros sócios no negócio.
Como Gorgonoid entrou na G Farma?
Gorgonoid foi convidado para ser sócio quando a operação ainda se chamava Galênica. Caíque o conhecia do trabalho na Oficial Farma e fez o convite depois que Cariani e Kaminski decidiram permanecer naquela empresa. A entrada de Cariani na sociedade aconteceu mais tarde.
Caíque Parça é dono da Soldiers?
Ele descreveu a relação com a Soldiers como prestação de serviço na gestão comercial de influenciadores. O trabalho começou por volta de março de 2026, após dois anos na Integralmédica. Caíque não informou participação societária na Soldiers.
Caíque recebeu dinheiro com a venda da Doctor Peanut?
Ele afirmou que não recebeu parte do dinheiro da venda da empresa. Sua relação com a Doctor Peanut foi apresentada como prestação de serviço. Os valores de crescimento que citou se referiam ao faturamento mensal da marca durante o período em que trabalhou com ela.
Referências
- CAIQUE PARÇA. Caique Parça — Expert em mkt de influência. [S. l.], [s.d.]. Disponível em: https://caiqueparca.com.br/. Acesso em: 29 out. 2026.
- CAMATTA, Bianca. Ex-CEO da Dr. Peanut e influenciador desafiam Nutella com nova marca de creme saudável. Exame. [S. l.], 17 out. 2026. Disponível em: https://exame.com/negocios/ex-ceo-da-dr-peanut-e-renato-cariani-desafiam-nutella-com-nova-marca-de-creme-saudavel/. Acesso em: 29 out. 2026.
- PODCAST SEM FILTRO. Caíque Parça - MARCAS E INFLUENCIADORES - Podcast Sem Filtro. [S. l.], 22 out. 2026. YouTube. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=lPJWW-FqCR8. Acesso em: 29 out. 2026.
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