A TRT de Renato Cariani é uma reposição de testosterona feita, segundo ele, com 70 mg de cipionato a cada cinco dias. Ele conta que fez essa mudança após sua última competição, em 2022. A prioridade declarada agora é cuidar da saúde, com acompanhamento de um endocrinologista e ajuste pelos exames.
Cariani explicou essa decisão na entrevista “Renato Cariani AO VIVO: o império, o processo e a decisão sobre 2026”, do Podcast Café com Ferri. Ele faz uma distinção que importa para quem pensa em seguir o mesmo caminho: tratamento de reposição depende de diagnóstico, e não apenas de uma dose menor.
O que mudou depois da competição de 2022
A testosterona continua presente na rotina de Cariani, agora em um tratamento que ele descreve como reposição. O objetivo declarado é preservar a saúde e ter o coração funcionando até os 90 anos.
Cariani não apresenta os exames feitos antes de começar a TRT nem as doses usadas para competir. Também fica sem resposta como estava sua produção hormonal antes do tratamento. Esses dados fazem diferença para entender a indicação individual.
TRT e dose baixa: qual é a diferença?
Cariani usa 100 mg e 250 mg de testosterona por semana como exemplos de uma confusão comum: chamar uma quantidade menor de TRT. “Low dose” significa dose baixa em comparação com outro uso. Já a terapia de reposição de testosterona, ou TRT, tem a finalidade de tratar uma deficiência hormonal diagnosticada.
A Endocrine Society reafirmou em 2026 que o diagnóstico precisa reunir sintomas compatíveis e testosterona consistentemente baixa. São necessárias pelo menos duas coletas pela manhã, em jejum. Cansaço e libido baixa também podem ter outras causas, que entram na investigação antes de decidir pelo tratamento.
Por isso, duas pessoas usando a mesma quantidade podem ter indicações e respostas diferentes. O objetivo do uso, o diagnóstico e a concentração alcançada precisam ser considerados juntos. A matéria sobre anabolizantes em dose baixa e seus riscos aprofunda essa diferença.
70 mg de cipionato a cada cinco dias
O esquema descrito por Cariani combina a quantidade aplicada com um intervalo definido. Ele também relata testosterona entre 700 e 1.200 ng/dL, atribuindo o valor mais alto a um pico por volta de 48 horas depois da aplicação. Os dados representam sua descrição do tratamento:
| Informação | O que Cariani relata |
|---|---|
| Substância | Cipionato de testosterona |
| Quantidade por aplicação | 70 mg de cipionato |
| Intervalo | Cinco dias |
| Testosterona no sangue | Entre 700 e 1.200 ng/dL |
| Momento atribuído ao pico | Por volta de 48 horas após a aplicação |
Para comparar intervalos diferentes, vale fazer a conta: 70 mg divididos por cinco dias, multiplicados por sete, equivalem a uma média de 98 mg de cipionato por semana. Essa média serve apenas para comparar quantidades. O esquema relatado continua sendo uma aplicação a cada cinco dias.
Os 70 mg indicam a quantidade de cipionato aplicada. Já ng/dL indica a concentração de testosterona encontrada no sangue. A quantidade aplicada, sozinha, não informa qual será o resultado do exame.
O que significam os exames entre 700 e 1.200 ng/dL
O momento da coleta muda a interpretação. A diretriz da Endocrine Society orienta que, para cipionato ou enantato injetáveis, a testosterona seja medida no meio do intervalo entre aplicações. A meta indicada é a parte intermediária da faixa normal, com ajuste da quantidade ou da frequência quando necessário.
Uma coleta feita no pico e outra no meio do intervalo precisam ser interpretadas de formas diferentes. Sem os laudos e o momento exato de cada coleta, o relato de Cariani deixa sem resposta se o pico de 1.200 ng/dL é adequado ao seu tratamento. Para o leitor, a referência clínica é a meta da diretriz, e não reproduzir a faixa de 700 a 1.200 ng/dL de outra pessoa.
O amigo de mais de 50 anos com 800 ng/dL
Quando perguntam se todos deveriam fazer reposição, Cariani responde que não. Ele conta que um amigo empresário, de 50 e poucos anos, queria começar apesar de ter aproximadamente 800 ng/dL de testosterona. Sua reação foi desencorajar o início.
Passar dos 50 anos, por si só, não indica reposição. Os critérios de diagnóstico continuam sendo sintomas compatíveis e deficiência hormonal confirmada. Ter vontade de elevar o número do exame oferece pouca informação sobre a necessidade do tratamento.
A decisão de cuidar do coração e os limites da evidência
Chegar aos 90 anos com o coração funcionando é um objetivo pessoal de Cariani. Os estudos disponíveis acompanham poucos anos de tratamento. Por isso, esse desejo precisa ser separado do que já foi demonstrado sobre a segurança da TRT.
O estudo TRAVERSE acompanhou 5.246 homens de 45 a 80 anos, com sintomas e deficiência de testosterona confirmada. Todos tinham doença cardiovascular ou risco elevado de desenvolvê-la. Eles receberam gel de testosterona ou placebo, uma preparação sem o hormônio. O acompanhamento durou cerca de 33 meses, em média.
Morte cardiovascular, infarto ou AVC ocorreram em 7,0% do grupo testosterona e 7,3% do grupo placebo. Os grupos tiveram frequências semelhantes desses três eventos.
Houve mais episódios de fibrilação atrial, um tipo de arritmia, lesão renal aguda e embolia pulmonar no grupo testosterona. Além disso, o estudo usou gel ajustado para 350 a 750 ng/dL. Seus resultados se referem a essa população e a esse tratamento, sem testar o esquema de cipionato relatado por Cariani.
Na prática, acompanhar a pressão e o hemograma faz parte do cuidado. A FDA, agência reguladora dos Estados Unidos, passou a exigir alerta sobre aumento da pressão arterial nos produtos de testosterona.
A diretriz também orienta medir o hematócrito, a proporção do sangue ocupada pelos glóbulos vermelhos. Acima de 54%, a diretriz orienta suspender temporariamente a testosterona e investigar a causa do aumento. O médico define a retomada com ajuste de dose depois da normalização.
Depois dos ciclos, a TRT precisa ser para sempre?
A necessidade depende da recuperação da produção própria e da causa da deficiência. Uma revisão publicada em 2023 encontrou recuperação hormonal muito variável depois da interrupção de anabolizantes. Ela pode levar meses e, em alguns homens, continuar incompleta. O caso de outra pessoa oferece pouca informação sobre como será a sua recuperação.
A reposição fornece testosterona de fora e pode reduzir a produção de espermatozoides. Por isso, desejo de ter filhos, sintomas e histórico de uso mudam a avaliação. Quem precisa entender a duração do tratamento encontra os critérios em quando a reposição de testosterona pode ser interrompida.
Passar dos ciclos à reposição também é diferente de recuperar a produção natural. Essa distinção aparece no caso de Eduardo Correa após parar os anabolizantes. Para quem já usa hormônios, a decisão de manter, ajustar ou interromper deve ser planejada com o médico que acompanha o histórico completo.
Conclusão
A mudança relatada por Cariani foi de prioridade: encerrar o uso para competir e passar a um tratamento que ele descreve como reposição. Os 70 mg de cipionato a cada cinco dias são um dado de seu caso. O critério que ele reforça para o leitor é outro: começar pelo diagnóstico, acompanhar os exames e ajustar o tratamento à resposta individual, em vez de escolher uma dose só porque ela é menor que a de um ciclo.
Perguntas frequentes
Qual é a diferença entre TRT e ciclo?
A TRT trata uma deficiência de testosterona confirmada por sintomas e exames. O ciclo busca aumentar o desempenho ou a massa muscular com hormônios. Uma quantidade menor de hormônio, sozinha, não define reposição.
A TRT precisa ser feita para sempre?
Pode ser necessária por toda a vida quando a deficiência tem uma causa permanente. Depois de anabolizantes, a produção própria pode se recuperar, mas o tempo e o grau de recuperação variam. A avaliação da causa da deficiência é que orienta a duração.
Qual é a melhor testosterona para TRT?
A melhor escolha depende da resposta ao tratamento, dos efeitos adversos e da rotina de aplicação que a pessoa consegue manter. Existem apresentações injetáveis e em gel, com diferenças na forma de usar e acompanhar. A diretriz também considera preferência e custo ao escolher a apresentação.
Quais são os benefícios da TRT?
Em homens com deficiência confirmada, a reposição pode melhorar a libido e a função sexual. Na revisão de pesquisas usada pela diretriz de 2018, essas melhoras foram pequenas, em média. Cansaço e libido baixa também podem ter outras causas, que precisam ser investigadas.
Como começar a reposição de testosterona?
O primeiro passo é investigar os sintomas e confirmar a deficiência com exames em pelo menos duas manhãs. Se houver indicação, o médico escolhe a apresentação e acompanha a resposta, a testosterona no sangue e possíveis efeitos adversos. Os 70 mg a cada cinco dias são o esquema pessoal relatado por Cariani, sem servir de dose inicial para o leitor.
Referências
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