Pular para o conteúdo
Imagem sintética e meramente ilustrativa. Não é uma foto real.

Carne sem boi da JBS: o que é a carne cultivada e se ela faz mal

A JBS abriu em Florianópolis um centro para fazer carne de células de boi. Como ela é feita, se a Anvisa aprovou e o que a margarina ensina sobre isso.

A maior empresa de carne do mundo abriu em Florianópolis um centro de pesquisa capaz de fazer carne sem boi. Carne sem boi, aqui, quer dizer carne animal de verdade, feita de células de boi multiplicadas dentro de um tanque de aço. Hambúrguer de ervilha e soja ficam de fora: isso é carne vegetal, outra coisa. A carne cultivada da JBS ainda não está à venda, porque nenhum produto desse tipo foi aprovado pela Anvisa.

A nutricionista Lua Ferrari, que há cinco anos come carne de produtor conhecido e publica os próprios exames, contou essa história em "A JBS Está Fazendo CARNE SEM BOI !! E Eu Sei Como Isso Termina." e separou o que é fato do que é opinião dela. Os fatos são o centro de pesquisa, o dinheiro e a regra da Anvisa. A opinião é que o caminho lembra o da margarina, que a carne de verdade não precisa de substituto e que ela não vai comer carne de biorreator, mesmo aprovada. Ela também deixa claro que não afirma que a carne cultivada faz mal, porque não tem como provar isso.

O que é carne cultivada?

Carne cultivada, também chamada de carne de laboratório ou carne de células, é tecido animal produzido fora do animal. Os técnicos tiram uma pequena amostra de células de um boi vivo (ou usam células guardadas em banco), multiplicam essas células em grande quantidade e fazem com que elas virem músculo e gordura. O boi da biópsia continua vivo, e o produto final é carne de boi no sentido biológico.

O tanque onde isso acontece se chama biorreator: um recipiente de aço fechado, com temperatura, oxigênio e nutrientes controlados.

Como é feita a carne de laboratório

No boi, quem fabrica o músculo é o próprio corpo: circulação, metabolismo, hormônios, microbiota do intestino, movimento, pasto e sol. No biorreator, essa fisiologia não existe, e tudo o que a célula precisa é colocado à mão:

  • meio de cultura: o líquido em que as células vivem, com aminoácidos, vitaminas, sais e uma fonte de energia
  • fatores de crescimento: proteínas-sinal que mandam a célula se multiplicar e, depois, virar músculo ou gordura
  • suporte físico (scaffold): uma estrutura comestível onde as células se prendem e se organizam como tecido

O relatório da FAO e da Organização Mundial da Saúde divide a produção em quatro etapas: obter as células (de biópsia ou de um banco de células já caracterizado), fazê-las crescer no biorreator, colher a massa e processá-la em alimento.

O que a JBS inaugurou em Florianópolis

O JBS Biotech Innovation Center foi inaugurado em 1º de abril de 2026, no Sapiens Parque, em Florianópolis. Tem mais de 4.000 m² e mais de 20 laboratórios, e até o fim de 2026 a empresa terá investido US$ 37 milhões nele. Quando anunciou as obras, em 2023, a JBS falava em US$ 22 milhões para o centro e uma planta-piloto, e em até US$ 62 milhões se o plano chegasse a uma unidade de demonstração em escala industrial.

Na inauguração, a empresa apresentou o centro como um laboratório de "superproteínas": além de carne cultivada, ele trabalha com saúde animal, nutrição de precisão e proteínas funcionais. O prédio está de pé e funcionando como centro de pesquisa com planta-piloto. Bife cultivado à venda ainda não sai de lá.

O tamanho de quem está por trás ajuda a entender a aposta. A JBS fechou 2025 com receita líquida recorde de US$ 86,2 bilhões, perto de meio trilhão de reais no câmbio do ano, e é a maior empresa de proteína animal do planeta. Em novembro de 2021, ela comprou 51% da BioTech Foods, empresa de San Sebastián, na Espanha, especializada em carne cultivada em biorreator. A fábrica espanhola, cuja construção começou em 2023, foi planejada para mais de 1.000 toneladas por ano e também não tem produto à venda, porque a União Europeia ainda não aprovou nenhuma carne cultivada.

Quem mais faz carne cultivada no Brasil

A JBS não está sozinha. Em 2021, a BRF, dona da Sadia e da Perdigão, fechou parceria com a israelense Aleph Farms para desenvolver carne cultivada e distribuí-la no Brasil. Em janeiro de 2024, a Aleph recebeu de Israel a primeira autorização do mundo para vender carne bovina cultivada. Em agosto de 2026, Singapura deu a ela a segunda.

A Embrapa, a empresa pública de pesquisa agropecuária, também trabalha com cultivo celular. O projeto dela usa microcarreadores vegetais (pequenas esferas comestíveis onde as células crescem) para fazer um tipo de linguiça com células de boi, porco e frango. A película comestível que envolve essa linguiça tem protótipo previsto para 2027.

A Anvisa já aprovou carne cultivada?

Não. Circula na internet que a Anvisa liberou a carne de laboratório no Brasil em 2023, e isso está errado. O que aconteceu foi a publicação da RDC 839, de dezembro de 2023, que entrou em vigor em 16 de março de 2024. Ela define como novos alimentos e ingredientes, entre eles os produzidos a partir de culturas de células, precisam provar que são seguros antes de chegar ao mercado.

A resolução cria o caminho, mas não entrega o produto. Cada empresa precisa pedir autorização para cada produto, com composição, processo de fabricação e estudos de segurança. Até outubro de 2026, nenhuma carne cultivada foi aprovada para venda no Brasil.

Onde a carne cultivada já é vendida e onde foi proibida

Singapura foi o primeiro país a autorizar a venda, em 2020, com o frango cultivado da GOOD Meat. Os Estados Unidos vieram em 2023, com frango da UPSIDE Foods e da GOOD Meat, e depois liberaram salmão e gordura de porco. Israel aprovou a carne bovina da Aleph em 2024, e Austrália e Nova Zelândia aprovaram em 2025 uma codorna cultivada da empresa Vow. No Reino Unido, só a ração para pets foi liberada até agora.

No sentido oposto, a Itália proibiu produzir e vender carne cultivada no fim de 2023. Nos Estados Unidos, a Flórida proibiu a venda em 2024, e o Texas aprovou em 2025 uma proibição temporária, válida até 2027.

Margarina: a gordura que o Brasil baniu em 2023

Em 1º de janeiro de 2023, entrou em vigor no Brasil a proibição de produzir, importar, usar e vender óleos e gorduras parcialmente hidrogenados em alimentos. A regra é da Anvisa, de 2019 (Resolução 332, hoje incorporada a uma norma de 2022). Essa gordura era o ingrediente principal da margarina de antigamente e a principal origem da gordura trans industrial nos alimentos. A margarina continua no mercado, feita por outros processos. O Brasil proibiu o ingrediente, e proibiu de vez, sem só limitar a quantidade.

Contada como uma sequência de quatro passos, a história da margarina fica assim:

  1. Um substituto mais barato: a margarina nasce em 1869, na França, quando o químico Hippolyte Mège-Mouriès responde a um prêmio de Napoleão III por um substituto barato da manteiga. A primeira receita, aliás, era de sebo de boi com leite desnatado. Ela nasceu pelo preço.
  2. Uma narrativa científica: décadas depois, ganha força a ideia de que a gordura saturada é a grande culpada da doença do coração. A manteiga vira vilã, e o óleo vegetal hidrogenado vira solução.
  3. O selo das instituições: cartilha, campanha, recomendação oficial e pirâmide alimentar passam a indicar a margarina como escolha de quem cuida do coração. Uma geração de brasileiros ouviu isso em casa e no consultório.
  4. A conta chega: mais tarde, fica claro que a gordura trans industrial faz mal ao coração. Em junho de 2015, a agência americana FDA decide que os óleos parcialmente hidrogenados deixam de ser reconhecidos como seguros. O Brasil bane o ingrediente em janeiro de 2023.

Do primeiro passo ao último, passaram-se mais de 100 anos, e durante décadas muita gente comeu margarina tranquila, porque tinha selo.

A comparação tem limite. A margarina é quimicamente diferente da manteiga desde o primeiro dia, e a carne cultivada começa de célula animal de verdade. O paralelo proposto é institucional, e não químico. O que se repetiria é o processo de decisão: a indústria desenvolve o substituto, a narrativa de saúde chega junto, a instituição carimba e o consumidor descobre depois. A lição tirada da margarina é que aprovado hoje não é sinônimo de seguro para sempre.

Carne cultivada faz mal à saúde?

Ninguém pode afirmar que faz mal, porque não há dado mostrando dano. E ninguém pode garantir o longo prazo, porque esse dado ainda não existe.

Para se multiplicar sem parar dentro de um tanque, a célula precisa de uma característica que a célula comum do corpo não tem. Várias empresas usam linhagens imortalizadas, ou seja, células que continuam se dividindo indefinidamente. No frango da UPSIDE Foods, por exemplo, isso veio da seleção em cultura ou da inserção de um gene da própria galinha, o da telomerase, enzima que impede a célula de "envelhecer" a cada divisão. A carne bovina da Aleph usa células sem modificação genética.

Os órgãos reguladores avaliam essas linhagens, e até agora o entendimento é de que elas não representam risco no consumo. A FDA analisou o frango da UPSIDE e aceitou a conclusão de que ele é seguro para comer. O relatório da FAO e da OMS, de 2023, lista o que precisa ser controlado em cada etapa: contaminação por microrganismos durante o cultivo, identidade e estabilidade da linhagem, resíduos do meio de cultura, alergênicos que entram pelo suporte e pelos ingredientes e o efeito do processamento final.

O ponto que fica é de tempo. A carne cultivada tem histórico de consumo humano medido em anos, e a carne de boi e de outros ruminantes, em milênios. Ausência de dado é diferente de prova de segurança. Cada pessoa decide com o que existe hoje, sem esperar o que talvez apareça em 2050.

Carne cultivada tem os mesmos nutrientes da carne?

No boi, o alimento é uma matriz. No tanque, é uma formulação. Matriz, aqui, é o conjunto de nutrientes que o corpo do animal já organizou dentro do músculo. Na formulação, tudo o que estiver na carne cultivada está lá porque alguém decidiu colocar, e o que faltar falta porque alguém decidiu não colocar ou porque ninguém percebeu que faltava.

O bife traz vitamina B12, ferro heme (a forma de ferro que o corpo absorve melhor), zinco, colina, creatina, taurina e carnosina, além de coenzima Q10 e um pouco de vitamina K2. Esses compostos chegam ao bife pelo organismo do animal: alguns ele fabrica, como a creatina e a carnosina, e outros ele acumula da alimentação, como o ferro e o zinco. A ciência ainda está catalogando outros, e a matriz de um alimento real funciona como um sistema.

Quem quer entender o peso do ferro e da B12 da carne numa dieta sem ela encontra os números em outra matéria do site. A carne também fornece creatina, em quantidade pequena perto da dose usada como suplemento.

Na carne cultivada, a composição é decidida na formulação: depende da linhagem, do meio de cultura, do suporte, da proporção de músculo e gordura e de eventual fortificação. As revisões científicas de 2020 e 2023 sobre o tema concluem que dá para ajustar gordura, ferro ou B12 para cima ou para baixo, mas ainda faltam análises do produto pronto. A carne cultivada só pode ser chamada de equivalente ao bife depois de medida.

"Livre de gordura saturada": o argumento que pode voltar no rótulo

Quando a carne cultivada chegar à prateleira, é fácil imaginar o rótulo: inovação, sustentabilidade, tecnologia, sem antibiótico, sem abate. No verso, talvez "livre de gordura saturada, livre de colesterol". Para quem vê a gordura saturada como vilã injustiçada, é o mesmo argumento da margarina numa embalagem nova.

A evidência mais forte vai em outra direção. A revisão Cochrane de 2020, que juntou 15 ensaios com 56.675 pessoas, concluiu que reduzir a gordura saturada diminuiu em 17% os eventos cardiovasculares somados (infartos, derrames e outros problemas do coração e das artérias), sobretudo quando ela foi trocada por gordura poli-insaturada. A mesma revisão não encontrou efeito claro sobre a mortalidade. Uma linha minoritária, representada por uma revisão narrativa publicada no JACC em 2020, defende julgar o alimento inteiro, porque laticínios integrais e carne não processada não aparecem associados a mais risco nos estudos observacionais.

A matéria sobre gordura saturada e LDL detalha esses estudos. Para a carne cultivada, a conclusão prática é simples: "sem gordura saturada" diz o que o produto não tem, mas não diz nada sobre o que ele perdeu em relação ao bife.

Boi não se patenteia: a questão da concentração

A diferença entre o boi e o biorreator vai além da biologia: muda quem produz. O Brasil tem mais de 2,5 milhões de estabelecimentos rurais com gado bovino, segundo o Censo Agropecuário de 2017. É uma produção espalhada e difícil de concentrar.

O biorreator depende de patente, capital, planta industrial, licença sanitária e insumos técnicos. Isso é descrição de mercado: mercado com barreira de entrada alta tende a concentrar. Quando a produção concentra, a decisão concentra junto. O que vai estar na prateleira, a que preço e com qual formulação deixa de ser disputa entre milhões de produtores e passa a ser decisão de poucas empresas.

Se o alimento original existe, funciona e está disponível, por que investir dezenas de milhões de dólares só em Florianópolis, fora a fábrica espanhola, para construir um substituto? Uma resposta possível cabe em duas frases. Boi não se patenteia. Célula em biorreator, sim.

Carne sem boi: fato ou boato?

AfirmaçãoVereditoO que dá para dizer
A JBS abriu em Florianópolis um centro para fazer carne sem boiFatoInaugurado em 1º de abril de 2026, com mais de 4.000 m², mais de 20 laboratórios e US$ 37 milhões de investimento até o fim de 2026
A JBS já vende carne cultivada no BrasilFalsoO centro é de pesquisa, com planta-piloto, e nenhum produto foi aprovado
A Anvisa liberou a carne de laboratório em 2023FalsoA RDC 839/2023, em vigor desde março de 2024, criou a regra de avaliação. Cada produto precisa de autorização própria
O Brasil proibiu a margarina em 2023Meia verdadeProibiu a gordura parcialmente hidrogenada, o ingrediente da margarina antiga. A margarina feita por outros processos continua à venda
Carne cultivada já é vendida em algum paísFatoSingapura (desde 2020), Estados Unidos (desde 2023), Israel, Austrália e Nova Zelândia já aprovaram produtos
Carne cultivada tem os mesmos nutrientes do bifeNão demonstradoA composição depende da formulação e precisa ser medida no produto pronto
Carne cultivada faz malNão demonstradoNão há dado de dano, e também não há histórico de consumo de longo prazo

Conclusão

Há duas perguntas diferentes nessa história. A primeira é se dá para fabricar carne sem boi. Dá, e o feito é impressionante, com gente brilhante trabalhando nisso, inclusive no Brasil. A segunda é por que trocar o alimento original pelo substituto. Quem aposta na carne cultivada responde com o fim do abate e com promessas ambientais, que ainda dependem de escala e custo para se provar. Quem fica com o boi responde que a carne alimentou a humanidade até aqui e não é um problema que precisa de solução.

No Brasil, hoje, a escolha nem está na prateleira. Quando estiver, a decisão é de cada leitor. Quem prefere continuar no boi, comprando de açougue e de produtor que consegue olhar no olho, pode ver um caso real de cinco anos de dieta carnívora com os exames abertos. Para quem fez essa escolha, uma aprovação futura não muda a resposta.

FAQ

Carne sem boi da JBS é verdade?

É verdade que a JBS abriu um centro de pesquisa para isso. Ele fica em Florianópolis, foi inaugurado em abril de 2026 e tem mais de 20 laboratórios. A carne, porém, ainda não está à venda.

Carne cultivada faz mal?

Não há estudo mostrando dano. Também não há histórico de consumo de longo prazo, só de alguns anos. Os reguladores avaliam cada produto, com atenção à linhagem de células, à contaminação e aos resíduos do meio de cultura.

Como é feita a carne sem boi?

Com células tiradas de um boi vivo por biópsia. Elas se multiplicam num tanque de aço com meio de cultura e fatores de crescimento, viram músculo e gordura sobre um suporte comestível e depois são colhidas e processadas.

O que é carne cultivada em biorreator?

É o nome técnico da carne sem boi. Biorreator é o tanque fechado onde as células crescem, com temperatura e oxigênio controlados. Carne de laboratório, de células e de tanque são outros nomes para o mesmo produto.

O que é uma fazenda de carne cultivada?

É uma fábrica com biorreatores grandes, em vez de pasto. A planta da BioTech Foods na Espanha, controlada pela JBS, foi projetada para mais de 1.000 toneladas por ano.

Carne cultivada já existe?

Sim. Ela é vendida em poucos lugares, como Singapura e Estados Unidos, em quantidades pequenas. No Brasil existe só em pesquisa.

A carne cultivada foi aprovada pela Anvisa?

Ainda não. A Anvisa criou em 2023 a regra para avaliar novos alimentos, inclusive os de cultivo celular, mas até outubro de 2026 nenhum produto foi autorizado.

Como identificar carne de laboratório?

No Brasil, por enquanto, não há o que identificar, porque nenhuma carne cultivada está à venda. Qualquer produto desse tipo vai precisar de autorização própria da Anvisa antes de chegar ao mercado.

Qual foi o primeiro país a aprovar carne cultivada?

Singapura, em 2020, com um frango cultivado. A primeira carne bovina cultivada foi aprovada em Israel, em janeiro de 2024.

Carne cultivada é vegana?

Não. Ela é feita de células animais e, biologicamente, é carne. O hambúrguer de ervilha ou soja é que é vegetal.

Carne cultivada é saudável?

Ainda não dá para dizer. O valor nutricional depende do que vai no meio de cultura e de eventual fortificação, e as revisões pedem análise do produto pronto antes de compará-lo ao bife.

Referências

  1. AGÊNCIA BRASIL. Carne de laboratório: conheça a técnica desenvolvida pela Embrapa. Correio do Estado. Campo Grande, 14 jun. 2026. Disponível em: https://correiodoestado.com.br/economia/carne-de-laboratorio-conheca-a-tecnica-desenvolvida-pela-embrapa/468122/. Acesso em: 7 out. 2026.
  2. AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. Resolução RDC nº 332, de 23 de dezembro de 2019. Define os requisitos para uso de gorduras trans industriais em alimentos. Anvisa Legis. Brasília, DF, 23 dez. 2019. Disponível em: https://anvisalegis.datalegis.net/action/ActionDatalegis.php?acao=abrirTextoAto&link=S&tipo=RDC&numeroAto=00000332&seqAto=000&valorAno=2019&orgao=RDC%2FDC%2FANVISA%2FMS&cod_modulo=310&cod_menu=8542. Acesso em: 7 out. 2026.
  3. AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. Resolução RDC nº 632, de 24 de março de 2022. Anvisa Legis. Brasília, DF, 24 mar. 2022. Disponível em: https://anvisalegis.datalegis.net/action/ActionDatalegis.php?acao=abrirTextoAto&link=S&tipo=RDC&numeroAto=00000632&seqAto=000&valorAno=2022&orgao=RDC%2FDC%2FANVISA%2FMS&cod_modulo=310&cod_menu=8542. Acesso em: 7 out. 2026.
  4. AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. Resolução RDC nº 839, de 14 de dezembro de 2023. Dispõe sobre a comprovação de segurança e a autorização de uso de novos alimentos e novos ingredientes. Anvisa Legis. Brasília, DF, 14 dez. 2023. Disponível em: https://anvisalegis.datalegis.net/action/ActionDatalegis.php?acao=abrirTextoAto&link=S&tipo=RDC&numeroAto=00000839&seqAto=000&valorAno=2023&orgao=RDC%2FDC%2FANVISA%2FMS&cod_modulo=310&cod_menu=8542. Acesso em: 7 out. 2026.
  5. ASTRUP, A. et al. Saturated fats and health: a reassessment and proposal for food-based recommendations: JACC state-of-the-art review. Journal of the American College of Cardiology, [S. l.], v. 76, n. 7, p. 844-857, 18 ago. 2020. DOI: 10.1016/j.jacc.2020.05.077. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32562735/. Acesso em: 7 out. 2026.
  6. ATAMAN, Deniz. Where countries stand on cultivated meat regulation in 2026. FoodNavigator. Crawley, 18 fev. 2026. Disponível em: https://www.foodnavigator.com/Article/2026/02/18/cultivated-meat-regulation-where-countries-stand-in-2026/. Acesso em: 7 out. 2026.
  7. BENNIE, R. Z. et al. A risk-based approach can guide safe cell line development and cell banking for scaled-up cultivated meat production. Nature Food, [S. l.], v. 6, n. 1, p. 25-30, jan. 2025. DOI: 10.1038/s43016-024-01085-9. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/39753758/. Acesso em: 7 out. 2026.
  8. BROUCKE, K. et al. Cultured meat and challenges ahead: a review on nutritional, technofunctional and sensorial properties, safety and legislation. Meat Science, [S. l.], v. 195, art. 109006, jan. 2023. DOI: 10.1016/j.meatsci.2022.109006. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/36274374/. Acesso em: 7 out. 2026.
  9. CREWS, Joel. Aleph Farms, BRF S.A. to bring cultured beef to Brazil. Meat+Poultry. Kansas City, 4 mar. 2021. Disponível em: https://www.meatpoultry.com/articles/24629-aleph-farms-brf-sa-to-bring-cultured-beef-to-brazil. Acesso em: 7 out. 2026.
  10. FEDERAÇÃO DAS INDÚSTRIAS DO ESTADO DE SANTA CATARINA. JBS inaugura em Florianópolis centro de biotecnologia para desenvolver “superproteínas”. FIESC. Florianópolis, 1 abr. 2026. Disponível em: https://fiesc.com.br/pt-br/imprensa/jbs-inaugura-em-florianopolis-centro-de-biotecnologia-para-desenvolver-superproteinas. Acesso em: 7 out. 2026.
  11. FLORIDA SENATE. CS/CS/SB 1084 (2024): Department of Agriculture and Consumer Services. The Florida Senate. Tallahassee, 2024. Disponível em: https://www.flsenate.gov/Session/Bill/2024/1084. Acesso em: 7 out. 2026.
  12. FOOD AND AGRICULTURE ORGANIZATION OF THE UNITED NATIONS; WORLD HEALTH ORGANIZATION. Food safety aspects of cell-based food. FAO. Rome, 2023. Disponível em: https://doi.org/10.4060/cc4855en. Acesso em: 7 out. 2026.
  13. FOOD SAFETY NEWS. Israel approves sale of Aleph Farms’ cultivated beef. Food Safety News. Seattle, 19 jan. 2024. Disponível em: https://www.foodsafetynews.com/2024/01/israel-approves-sale-of-aleph-farms-cultivated-beef/. Acesso em: 7 out. 2026.
  14. FOOD STANDARDS AUSTRALIA NEW ZEALAND. A1269 – Cultured Quail as a Novel Food. FSANZ. Canberra, 2025. Disponível em: https://www.foodstandards.gov.au/food-standards-code/applications/A1269-Cultured-Quail-as-a-Novel-Food. Acesso em: 7 out. 2026.
  15. FOODNAVIGATOR. Cultivated beef steak to hit Singapore food scene with historic approval. FoodNavigator. Crawley, 4 ago. 2026. Disponível em: https://www.foodnavigator.com/Article/2026/08/04/cultivated-beef-steak-to-hit-singapore-food-scene-with-historic-approval/. Acesso em: 7 out. 2026.
  16. FOODNAVIGATOR. Italy bans cultivated meat, restricts plant-based meat labelling. FoodNavigator. Crawley, 21 nov. 2023. Disponível em: https://www.foodnavigator.com/Article/2023/11/21/Italy-bans-cultivated-meat-restricts-plant-based-meat-labelling/. Acesso em: 7 out. 2026.
  17. FRAEYE, I. et al. Sensorial and nutritional aspects of cultured meat in comparison to traditional meat: much to be inferred. Frontiers in Nutrition, [S. l.], v. 7, art. 35, 2020. DOI: 10.3389/fnut.2020.00035. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32266282/. Acesso em: 7 out. 2026.
  18. GUAIRANEWS. Carne cultivada avança e se aproxima da produção em escala. GuairaNews. Guaíra, 16 set. 2026. Disponível em: https://www.guairanews.com/2026/09/16/carne-cultivada-producao-escala/. Acesso em: 7 out. 2026.
  19. HOOPER, L. et al. Reduction in saturated fat intake for cardiovascular disease. Cochrane Database of Systematic Reviews, [S. l.], v. 8, n. 8, art. CD011737, 21 ago. 2020. DOI: 10.1002/14651858.CD011737.pub3. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/32827219/. Acesso em: 7 out. 2026.
  20. INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Tabela 6910: número de estabelecimentos agropecuários com bovinos, efetivos e venda (Censo Agropecuário 2017). SIDRA. Rio de Janeiro, 2019. Disponível em: https://sidra.ibge.gov.br/tabela/6910. Acesso em: 7 out. 2026.
  21. J&F INVESTIMENTOS. JBS posts record revenue of US$ 86.2 billion and closes 2025 with US$ 2 billion in net income. J&F. São Paulo, mar. 2026. Disponível em: https://jfsa.com.br/en/jbs-registra-receita-recorde-de-us-862-bi-e-fecha-2025-com-us-2-bi-de-lucro-liquido/. Acesso em: 7 out. 2026.
  22. JBS. Empresa da JBS inicia construção da maior fábrica de proteína bovina cultivada do mundo. JBS. São Paulo, jun. 2023. Disponível em: https://www.jbs.com.br/imprensa/empresa-da-jbs-inicia-construcao-da-maior-fabrica-de-proteina-bovina-cultivada-do-mundo/. Acesso em: 7 out. 2026.
  23. JBS. JBS entra no mercado de proteína cultivada com aquisição da BioTech Foods e construção de fábrica na Europa. JBS. São Paulo, 18 nov. 2021. Disponível em: https://www.jbs.com.br/imprensa/jbs-entra-no-mercado-de-proteina-cultivada-com-aquisicao-da-biotech-foods-e-construcao-de-fabrica-na-europa/. Acesso em: 7 out. 2026.
  24. JBS. JBS inaugura centro de biotecnologia avançada para desenvolver “superproteínas”. JBS. São Paulo, 2 abr. 2026. Disponível em: https://www.jbs.com.br/imprensa/jbs-inaugura-centro-de-biotecnologia-avancada-para-desenvolver-superproteinas/. Acesso em: 7 out. 2026.
  25. JBS. JBS inicia obras do primeiro Centro de Pesquisas em proteína cultivada do Brasil. JBS. São Paulo, 20 set. 2023. Disponível em: https://www.jbs.com.br/imprensa/jbs-inicia-obras-do-primeiro-centro-de-pesquisas-em-proteina-cultivada-do-brasil/. Acesso em: 7 out. 2026.
  26. LEROY, F. et al. The role of meat in the human diet: evolutionary aspects and nutritional value. Animal Frontiers, [S. l.], v. 13, n. 2, p. 11-18, abr. 2023. DOI: 10.1093/af/vfac093. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37073319/. Acesso em: 7 out. 2026.
  27. LUA FERRARI. A JBS Está Fazendo CARNE SEM BOI !! E Eu Sei Como Isso Termina. | Lua Ferrari Nutri. [S. l.], 21 ago. 2026. YouTube. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=z-fG7S_W4SE. Acesso em: 7 out. 2026.
  28. NESTA. The Napoleon III Butter Substitute Prize. Nesta. London, [s.d.]. Disponível em: https://www.nesta.org.uk/feature/guide-historical-challenge-prizes/the-napoleon-iii-butter-substitute-prize/. Acesso em: 7 out. 2026.
  29. PRAVST, I.; ZMITEK, K.; ZMITEK, J. Coenzyme Q10 contents in foods and fortification strategies. Critical Reviews in Food Science and Nutrition, [S. l.], v. 50, n. 4, p. 269-280, abr. 2010. DOI: 10.1080/10408390902773037. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/20301015/. Acesso em: 7 out. 2026.
  30. SCHURGERS, L. J.; VERMEER, C. Determination of phylloquinone and menaquinones in food. Effect of food matrix on circulating vitamin K concentrations. Haemostasis, [S. l.], v. 30, n. 6, p. 298-307, 2000. DOI: 10.1159/000054147. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/11356998/. Acesso em: 7 out. 2026.
  31. SINGAPORE FOOD AGENCY. Safety of Alternative Protein. SFA. Singapore, 16 fev. 2023. Disponível em: https://www.sfa.gov.sg/food-information/risk-at-a-glance/safety-of-alternative-protein. Acesso em: 7 out. 2026.
  32. TEXAS LEGISLATURE. SB 261, 89th Legislature: bill history. Texas Legislature Online. Austin, 2025. Disponível em: https://capitol.texas.gov/BillLookup/History.aspx?LegSess=89R&Bill=SB261. Acesso em: 7 out. 2026.
  33. UNITED STATES. FOOD AND DRUG ADMINISTRATION. Final Determination Regarding Partially Hydrogenated Oils. Federal Register. Washington, DC, 17 jun. 2015. Disponível em: https://www.federalregister.gov/documents/2015/06/17/2015-14883/final-determination-regarding-partially-hydrogenated-oils. Acesso em: 7 out. 2026.
  34. UNITED STATES. FOOD AND DRUG ADMINISTRATION. Inventory of Completed Pre-Market Consultations for Human Food Made with Cultured Animal Cells. FDA. Silver Spring, fev. 2026. Disponível em: https://www.hfpappexternal.fda.gov/scripts/fdcc/index.cfm?set=animalcellculturefoods. Acesso em: 7 out. 2026.
  35. UNITED STATES. FOOD AND DRUG ADMINISTRATION. Scientific memo: cell-cultured chicken, UPSIDE Foods (CCC 000002). FDA. Silver Spring, 14 nov. 2022. Disponível em: https://www.fda.gov/media/163261/download. Acesso em: 7 out. 2026.

Vídeo no YouTube sobre o tema

Feedback do Usuário

Comentários Recomendados

Pokoyô

Membro
(editado)

Breve poderrmos estar consumindo carne artificial misturada com carne de verdade sem a gente saber, assim como tem leite e composto lácteo..o composto é leite com celulose...e cuidado com os influencers que estão sendo pagos pela indústria da carne.

Editado em por Pokoyô

Oi, @Pokoyô! Tudo bem? ☺️

Lendo o seu comentário, percebi que muita gente ainda acaba caindo nesse terrorismo nutricional e nas teorias da conspiração que circulam soltas pela internet. Mas vamos conversar com calma e colocar os pingos nos is. Aqui no fórum a gente gosta de trabalhar com ciência e fatos reais, sem espaço para achismos ou pânico sem motivo.

Você levantou a preocupação de que vão misturar carne artificial na nossa comida sem a gente saber. Se a gente der uma olhada atenta no que diz exatamente a matéria "Carne sem boi da JBS: o que existe e o que ainda não foi aprovado", vamos ver que a realidade da ciência e do mercado é bem diferente desse desespero todo.

A JBS não está vendendo carne cultivada aqui no Brasil. Eles apenas inauguraram um centro de pesquisa e uma planta-piloto, o que passa longe de ser uma fábrica comercial vendendo bifes no supermercado. Além disso, existe uma barreira tecnológica e financeira gigante. Fazer carne cultivada não é brincadeira. É um processo muito complexo reproduzir a estrutura de um bife de verdade, com todas as fibras, gordura e vasos. Ninguém gastaria milhões em uma tecnologia que ainda está em desenvolvimento só para esconder isso no meio da carne convencional de forma barata.

A Anvisa definiu a resolução RDC 839/2023, que exige uma avaliação prévia de segurança super rígida para cada alimento novo. Até o momento, não existe absolutamente nenhum produto de carne cultivada aprovado para o consumidor brasileiro. São tantas exigências de rastreabilidade de lotes, identidade celular e composição que inviabiliza totalmente essa mistura clandestina desenfreada.

Você também tocou no assunto do leite. As pessoas adoram inventar que leite de caixinha não é leite ou criar uma paranoia enorme com celulose. Fazem isso só para gerar pânico e tentar te vender dietas super restritivas ou suplementos caros. É claro que a concentração de patentes e o monopólio da indústria alimentar são questões econômicas muito reais e que merecem a nossa vigilância. Mas a gente não pode viver na paranoia e acreditar em influenciador picareta que ganha dinheiro botando medo em você com falácias.

O grande segredo do nosso esporte e da nutrição é parar de seguir modinhas, parar de procurar pelo em ovo e focar no básico bem feito que sempre funciona. Concorda? ❤️

meat bbq GIF

Pokoyô

Membro
(editado)

Oi Alice.

Que bom que você voltou.

Suas opiniões sempre me colocam pra refletir.

Sobre a carne artificial ela tá na mesma situação das canetas...será a solução pra um grande problema da humanidade ou será um problema de saúde no futuro? O fututo dirá.

Eu sei que ela não está ainda nas prateleiras do Brasil. Parece que no exterior já está a venda inclusive como hamburguer.

Que bom se a gente acabasse com a fome no mundo e ainda parasse de assassinar animais.

Sobre o leite é sim um alimento perigoso para quem tem algum tipo de intolerância principalmente quando consumido a noite.

Falo de minha própria experiência..quando eu comecei a treinar em 84 vi nas revistas americanas de musculação, já que não havia internet, que havia necessidade de alimentos proteicos...e também não existia whey na época.

Resolvi então tomar leite desnatado com gelatina em pó antes de dormir, porque o desnatado tem mais proteína que o integral e a gelatina tem muita proteína.

Comecei a sentir fortes dores, depois veio muco e sangue nas fezes..desenvolvi fissuras e me curei delas suspendendo o leite e comendo mamão.

Possivelmente o leite desnatado resseca muito as fezes e provoca problemas nos tecidos do intestino, principalmente na parte final...irritar tecidos intestinais ou mexer com a biota intestinal é muito perigoso.

Hoje como lácteos com moderação, nunca leite desnatado e evito ingerir à noite.

Agora mesmo, Pokoyô disse:

Oi Alice.

Que bom que você voltou.

Suas opiniões sempre me colocam pra refletir.

Sobre a carne artificial ela tá na mesma situação das canetas...será a solução pra um grande problema da humanidade ou será um problema de saúde no futuro? O fututo dirá.

Eu sei que ela não está ainda nas pratrleiras do Brasil. Parece que no exterior já está a venda inclusive em hamburguer.

Que bom se a gente acabasse com a fome no mundo e ainda parasse de assassinar animais.

Sobre o leite é sim um alimento perigoso para quem tem algum tipo de intolerância principalmente quando consumido a noite.

Falo de minha própria experiência..quando em comecei a treinar em 84 vi nas revistas americanas de musculação, já que não havia internet que havia necessidade de alimentos proteicos.

Resolvi então tomar leite desnatado com gelatina em pó antes de dormir, poque o desnatsdo tem mais proteína que o integral e a gelatina tem miita proteína.

Comecei a sentir fortes dores, depois veio muco e sangue nas fezes..desenvolvi fissuras e me curei delas suspendendo o leite e comendo mamão.

Possivelmente o leite desnatado resseca muito as fezes e provoca problemas nos tecidos do intestino, principalmente na parte final.

Hoje como lácteos com moderação, nunca leite desnatado e evito ingerir à noite.

Editado em por Pokoyô

  • Moderador
Em 22/08/2026 às 15:29, Pokoyô disse:

Breve poderrmos estar consumindo carne artificial misturada com carne de verdade sem a gente saber, assim como tem leite e composto lácteo..o composto é leite com celulose...e cuidado com os influencers que estão sendo pagos pela indústria da carne.

Eu sempre busco a alimentação mais natural possível... apesar de nem sempre conseguir à risca... como você, fugindo de conservantes, corantes, aromatizantes, acidulantes, edulcorantes e outras químicas... boa @Pokoyô!

Cláudio Chamini

Colaborador

@Pokoyô, a preocupação com transparência de rótulo eu acho totalmente válida. O ponto em que eu seria mais cauteloso é concluir que daqui a pouco estaremos comendo carne cultivada misturada à convencional sem saber. Hoje não existe evidência de que isso esteja acontecendo no Brasil e, até a data em que a matéria foi publicada, não havia produto de carne cultivada autorizado pela Anvisa para venda ao consumidor. A própria matéria procurou justamente separar o centro de pesquisa da JBS de uma autorização comercial que ainda não existe.

Agora, se essa tecnologia chegar efetivamente ao mercado brasileiro, aí eu concordo que rotulagem clara deveria ser uma exigência fundamental. E já temos exemplos interessantes fora daqui. Na Austrália e na Nova Zelândia, por exemplo, a carne de codorna cultivada foi autorizada em 2025 e a norma determina que esses alimentos sejam identificados no rótulo como “cell-cultured” ou “cell-cultivated”. Ou seja, a tendência regulatória não é esconder a origem do alimento, mas justamente identificá-la.

E só faria uma correção naquela comparação com composto lácteo. Composto lácteo não significa simplesmente “leite com celulose”. A regra atual do MAPA define o produto como um alimento em pó feito com leite ou derivados; quando existem ingredientes não lácteos, mais de 50% da formulação ainda precisa ser constituída por ingredientes lácteos. Podem existir açúcares, amidos, gelatina, maltodextrina, óleos, frutas, fibras etc., dependendo da formulação. Inclusive a regra determina que apareça no painel principal a informação de que “composto lácteo não é leite em pó”. Então dá para discutir se o consumidor presta atenção ou se a apresentação comercial pode induzir confusão, mas tecnicamente são produtos diferentes e isso deve estar declarado.

Sobre a carne cultivada, você está certo: ela já saiu do laboratório em alguns países. Singapura autorizou frango cultivado como ingrediente de nuggets; nos Estados Unidos, produtos de frango cultivado passaram pelo processo regulatório da FDA e do USDA; e Austrália/Nova Zelândia autorizaram codorna cultivada em 2025. Portanto, não estamos mais falando de uma tecnologia puramente hipotética. Ao mesmo tempo, isso ainda ocorre numa escala minúscula perto da pecuária convencional e está muito longe de demonstrar que será solução para a fome mundial.

Quanto à segurança de longo prazo, concordo com a maneira como você colocou: o futuro fornecerá muito mais informação do que temos hoje. Aprovação sanitária significa que determinado produto e processo apresentaram dados considerados suficientes dentro do conhecimento disponível naquele momento. Não significa receber um certificado de que absolutamente nada poderá ser descoberto após décadas de consumo. Isso vale para carne cultivada, medicamentos, aditivos, alimentos e praticamente qualquer tecnologia nova. Por isso são importantes farmacovigilância no caso de medicamentos e vigilância sanitária e epidemiológica no caso dos alimentos.

Sobre sua experiência com o leite, aí eu separaria bem a experiência pessoal da explicação fisiológica. Se você retirou o leite e melhorou, não há motivo nenhum para insistir em consumi-lo. Mas não dá para concluir daí que o leite desnatado resseca as fezes ou lesa o tecido intestinal, porque não conheço boa evidência que demonstre esse efeito. Intolerância à lactose costuma provocar distensão abdominal, gases, cólicas, náusea e principalmente diarreia. Sangue nas fezes não é manifestação típica de intolerância à lactose. Fissura anal, por outro lado, pode realmente aparecer associada à passagem de fezes muito duras e constipação.

Também não existe uma regra fisiológica de que a intolerância à lactose seja especialmente perigosa porque o leite foi consumido à noite. O indivíduo pode perceber pior tolerância naquele horário por volume da refeição, hábitos intestinais, refluxo ou simplesmente pela própria sensibilidade, mas isso é diferente de dizer que o horário transforma o leite em um alimento mais agressivo.

Tem ainda uma curiosidade naquela sua dieta de 1984. O leite desnatado não tem uma quantidade dramaticamente maior de proteína que o integral; a diferença por volume costuma ser pequena. E a gelatina realmente possui bastante proteína em termos quantitativos, mas é uma proteína nutricionalmente bastante diferente de leite, ovos, carne ou whey. Ela é deficiente em triptofano e pobre em vários aminoácidos essenciais, portanto não é uma boa proteína para ser usada como principal fonte visando hipertrofia. Hoje sabemos isso muito melhor.

Então eu preservaria uma coisa importante do seu relato: você observou que determinada combinação alimentar lhe fazia mal e mudou a dieta. Isso é perfeitamente razoável. Só não dá para transformar retrospectivamente essa associação em mecanismo comprovado, principalmente diante de sintomas como muco e sangue nas fezes, que podem ter diversas causas.

@Alice Oliveira S., concordo com praticamente toda a essência do seu comentário. Eu só colocaria um freio em uma afirmação: regulação sanitária e rastreabilidade não tornam fraude impossível. Nenhum sistema regulatório consegue garantir isso. O que podemos afirmar é que a comercialização legal de um alimento produzido por cultivo celular depende de avaliação prévia e que não há evidência hoje de carne cultivada sendo clandestinamente misturada à carne convencional vendida no Brasil.

Acho importante fazer essa distinção porque existe um meio-termo saudável entre acreditar em toda teoria conspiratória e acreditar que empresa, fiscalização ou tecnologia são infalíveis. Eu quero saber exatamente o que estou comprando, quero composição, processo produtivo, segurança, rastreabilidade e rotulagem clara. Se isso estiver disponível, cada consumidor decide se quer colocar o produto no prato ou não. Esse, para mim, é um debate muito mais produtivo.

@fisiculturismo, eu pessoalmente prefiro uma alimentação baseada principalmente em alimentos in natura ou minimamente processados e tento não exagerar em produtos com muitos aditivos. Mas faço uma ressalva: conservantes, corantes, aromatizantes, acidulantes e edulcorantes não são automaticamente prejudiciais só porque são “químicos”. Inclusive, tecnicamente, tudo o que comemos é formado por substâncias químicas. A segurança depende da substância, da quantidade consumida e da exposição ao longo do tempo. Aditivos autorizados pela Anvisa possuem limites e condições de uso específicos. Minha preferência pelo mais natural possível é muito mais uma escolha alimentar e uma forma simples de priorizar alimentos menos processados do que uma afirmação de que todo aditivo faz mal.

Da mesma forma, “natural” não é sinônimo automático de saudável, assim como “industrializado” ou “sintético” não significa automaticamente perigoso. O mais racional é analisar composição, quantidade, evidências de segurança e contexto da dieta.

Pokoyô

Membro
(editado)

Chamini se eu passar três dias seguidos tomando 1 copo de leite antes de dormir vou começar a sentir dores ao evacuar e se insistir haverá sangue ....se leite irrita a mucosa do final do intestino pode também irritar o intestino em outros segmentos e talvez provocar pólipos, mas a ciência prefere acreditar que queimadinho de churrasco é que provoca câncer kkkkkkk...

Deve existir vários tipos de intolerância a componentes do leite, não só quanto à lactose mas também à caseína e outros.

Mas tem coisas que eu sei que nem a medicina sabe...eles não sabem que produto baixa o colesterol e eu sei...tou vendendo o segredo por 20 milhão.. sic.. kkkkkk...porque a estatina tá fazendo muito mal.

Você sabe que cachorro mordido de cobra não come linguiça e já retirei perto de 10 pólipos do intestino...sempre coloquei a culpa nos lácteos tipo sustagen principalmente na época em que usava em maior quantidade..a fase do desnatado durou pouco..na embalagem ele tinha 30% de proteína e o integral tinha 24%...isso antes do whey e eu achava importante isso...outro alimento suspeito é a bebidinha social do sábado a noite

Na minha santa ignorância jogo na fogueira das bruxas da inquisição um monte de tipos de produtos...com corantes, acidulantes, aromantizantes etc...enlatados..até os transgênicos...o câncer aumentou até entre jovens e ninguém sabe a causa.

Você já viu quantos quimicos tem no biscoito cream craker?

De outro lado já há muitos produtos com poucos químicos como certas marcas de goma úmida pra tapioca, extrato de tomate, ketchup, a pipoca que chamam de canjiquinha doce, shoyu...alguns ainda tem poucos conservantes...é uma tendência da indústria..tem muita gente checando ingredientes antes de comprar qualquer produto...acho que 1% da população foge dos químicos dos alimentos...é só ver as pessoas entulhando o caixa dos supermercados com biscoitos, bombons, yogurtes e lácteos coloridos, presunto, salsicha..só de ver sinto náuseas.

Tal como o Fisiculturismo nem sempre consigo e tomo um pouco de coca cola zero...e muitos outros produtos que possuem químicos...inclusive essas carnes nobres que uso que devem ser tratadas com químicos antes de serem ensacadas.

E infelizmente vegetais são tratados com muitos químicos no solo e os orgânicos não raramente são fraudes.

Mas..vida que segue..a degeneração começa cedo..ficamos míopes na infância, a vesicula vai falir antes dos 60...e se tivermis cuidados e sorte passaremos dos 80 , pra depois perdemos a luta final.

Editado em por Pokoyô

Cláudio Chamini

Colaborador

@Pokoyô, no seu caso eu não desprezaria o relato de jeito nenhum. Se você repete o teste e três dias de leite antes de dormir são suficientes para surgir dor ao evacuar, existe uma associação individual muito consistente e, pragmaticamente, não vejo motivo para você continuar tomando leite. O ponto em que eu continuo colocando o pé no freio é na explicação do mecanismo. Dor, fissura e principalmente sangue não fazem parte do quadro típico de intolerância à lactose, cujos sintomas clássicos são distensão, gases, cólicas, náusea e diarreia. Então uma coisa é dizer “leite me faz mal”; outra, bem diferente, é concluir “o leite desnatado agride a mucosa, provoca fissura e pode produzir pólipos”. A primeira afirmação o seu próprio organismo está demonstrando; a segunda precisaria de evidência.

E você tem razão em outra coisa: lactose não é a única possibilidade de reação ao leite. Existem reações às proteínas do leite, inclusive caseína e proteínas do soro. Só que aí entramos em mecanismos imunológicos e alergias alimentares, que são outra coisa, fisiologicamente, que deficiência de lactase. Além disso, há pessoas com intestino irritável e outras condições gastrointestinais nas quais determinados alimentos funcionam como gatilho sem que exista propriamente uma “intolerância à caseína”.

Agora, sobre os pólipos eu tomaria bastante cuidado antes de colocar a culpa nos lácteos ou no Sustagen. Curiosamente, quando olhamos estudos populacionais, a direção encontrada para câncer colorretal não é essa: o conjunto das evidências avaliadas pelo World Cancer Research Fund considera provável um efeito protetor dos laticínios e do cálcio contra câncer colorretal. Isso obviamente não quer dizer que você precise consumir leite nem que lácteos façam bem para todo mundo; significa apenas que não temos base para transformar o seu histórico de pólipos numa relação causal com leite.

Quanto ao “queimadinho do churrasco”, aí vou defender um pouco a ciência porque ela não escolheu o queimadinho por simpatia. Quando a carne é submetida a temperaturas muito altas, especialmente chama direta, podem se formar aminas heterocíclicas e hidrocarbonetos aromáticos policíclicos. Eles são mutagênicos em estudos experimentais. Em seres humanos, a associação específica desses compostos com câncer ainda não é tão simples nem definitiva quanto às vezes parece nas manchetes. Já para carne processada, a evidência de associação causal com câncer colorretal é bem mais forte; a IARC a classificou como carcinogênica para humanos. Portanto, presunto, salsicha, bacon e semelhantes me preocupam cientificamente bem mais do que simplesmente contar quantos nomes difíceis aparecem no rótulo de um cream cracker.

E álcool entrou na sua lista de suspeitos com razão. Para câncer colorretal, por exemplo, a OMS relaciona entre os fatores modificáveis consumo de carnes processadas e vermelhas em excesso, baixa ingestão de frutas e vegetais, sedentarismo, obesidade, tabagismo e consumo de álcool. Ou seja, a realidade é bem mais “multicausal” do que encontrar um único vilão dentro da embalagem.

A parte dos “químicos” é justamente onde eu acho que nós três estamos chegando a um meio-termo interessante. Eu também olho rótulo e prefiro comida simples. Se tenho duas opções semelhantes e uma tem uma lista enorme de ingredientes enquanto a outra tem três ou quatro, normalmente escolho a segunda. Só que faço isso como estratégia alimentar, e não porque o número de substâncias determina toxicidade. Um conservante com nome complicado pode estar numa concentração centenas de vezes abaixo daquela capaz de produzir efeito adverso, enquanto substâncias completamente naturais também podem ser tóxicas. Para aditivos existem avaliações toxicológicas e, quando aplicável, uma ingestão diária aceitável calculada justamente considerando exposição durante toda a vida e margens de segurança.

Por isso eu também não colocaria transgênico, corante, acidulante, conservante, adoçante, salsicha e agrotóxico todos dentro do mesmo saco chamado “química”. São problemas completamente diferentes e precisam ser analisados separadamente. Dá para defender uma dieta predominantemente in natura ou minimamente processada sem precisar afirmar que cada aditivo aprovado é prejudicial. Aliás, eu continuo achando essa a maneira mais simples de comer bem: carne, ovos, arroz, feijão, tubérculos, frutas, verduras, legumes e deixar os produtos altamente processados como parcela menor da dieta.

Sobre o aumento do câncer em jovens, aí você tocou numa questão realmente importante. Pelo menos no câncer colorretal, o fenômeno é real: dados recentes mostram aumento relevante entre adultos mais jovens. E a parte interessante é justamente que a causa ainda não está esclarecida. A própria IARC iniciou um grande projeto internacional em 2026 para investigar exposições precoces, microbiota e outros fatores que possam explicar esse crescimento. Portanto, eu acho legítimo desconfiar das mudanças ambientais e alimentares ocorridas nas últimas décadas; o que não podemos fazer ainda é escolher previamente “foram os conservantes”, “foram os transgênicos”, “foram os lácteos” ou qualquer outro culpado e depois procurar evidência que confirme a hipótese.

E sobre a estatina, aí eu quero conhecer esse seu segredo de 20 milhões. Se ele baixar LDL de forma consistente, não causar efeitos adversos e principalmente demonstrar redução de infarto, AVC e mortalidade em ensaios clínicos, talvez os 20 milhões estejam baratos. Mas não concordo com a generalização de que “estatina está fazendo muito mal”. Existem pacientes que apresentam efeitos adversos e precisam trocar dose, molécula ou estratégia; isso é diferente de dizer que a classe inteira faz mal. A diretriz cardiovascular de 2026 continua colocando estatinas entre os pilares da redução farmacológica do risco aterosclerótico quando existe indicação clínica.

No fim, acho que sua postura de olhar o rótulo e desconfiar um pouco da alimentação industrial é até saudável. Eu só não transformaria desconfiança em condenação antecipada. Foi exatamente esse o raciocínio que tentei colocar na matéria sobre carne cultivada: nem “a indústria disse que é seguro, portanto acabou a discussão”, nem “é artificial, portanto vai causar doença”. Quero composição, dose, estudos, acompanhamento e tempo de uso. Depois disso a gente vai formando opinião.

As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.

Crie uma conta ou entre para comentar

Conta

Navegação

Buscar

Buscar

Configure browser push notifications

Chrome (Android)
  1. Tap the lock icon next to the address bar.
  2. Tap Permissions → Notifications.
  3. Adjust your preference.
Chrome (Desktop)
  1. Click the padlock icon in the address bar.
  2. Select Site settings.
  3. Find Notifications and adjust your preference.