O laudo de whey que comparou Dark Lab, Growth e Max Titanium com o rótulo deu três resultados diferentes. A Dark Lab trouxe 4% a mais de proteína do que o rótulo promete. A Max Titanium ficou praticamente no número declarado. A Growth veio 5% abaixo. Mesmo assim, em pesos iguais de pó, o whey da Growth foi o que mais teve proteína dos três.
Os resultados foram mostrados em "SEM ACHISMO: OS LAUDOS DE GROWTH, DARK E MAX TITANIUM ESTÃO AQUI !!!", do canal de Felix Bonfim, que mandou analisar um pote de cada marca em laboratório. Ele se recusou a apontar um vencedor. A ideia é mostrar os números e deixar cada um decidir o que é melhor para o próprio bolso e o próprio gosto.
O resultado de cada whey no laudo
Foram analisados três produtos: o 100% Whey da Max Titanium, em pote de 900 g, o whey protein concentrado da Dark Lab, em pote de 1 kg, e o whey protein da Growth. O resultado traz dois números por dose, proteína e carboidrato, comparados com o valor impresso na tabela nutricional.
| Produto | Dose | Carboidrato no rótulo | Carboidrato no laudo | Proteína no rótulo | Proteína no laudo |
|---|---|---|---|---|---|
| Max Titanium 100% Whey (lote 2532402) | 30 g | 5,60 g | 5,41 g (-3,4%) | 21 g | 20,61 g (-1,9%) |
| Dark Lab whey concentrado (lote 1012628) | 50 g | 11 g | 9,32 g (-15,3%) | 32 g | 33,32 g (+4,1%) |
| Growth Whey Protein (lote não informado) | 30 g | 3,40 g | 3,89 g (+14,4%) | 23 g | 21,88 g (-4,9%) |
Max Titanium: quase no número do rótulo
O 100% Whey da Max Titanium promete 21 g de proteína e 5,60 g de carboidrato na dose de 30 g. O laudo encontrou 20,61 g de proteína, 1,9% a menos, e 5,41 g de carboidrato, 3,4% a menos. Foi o produto que mais se aproximou do próprio rótulo nos dois números.
Dark Lab: mais proteína e menos carboidrato que o prometido
O concentrado da Dark Lab usa uma dose maior, de 50 g, e declara 32 g de proteína e 11 g de carboidrato. O laudo achou 33,32 g de proteína, 4,1% acima do rótulo, e 9,32 g de carboidrato, 15,3% abaixo. Das três, foi a única marca com mais proteína do que prometeu.
Growth: proteína abaixo e carboidrato acima
O whey da Growth declara 23 g de proteína e 3,40 g de carboidrato em 30 g. O laudo encontrou 21,88 g de proteína, 4,9% abaixo, e 3,89 g de carboidrato, 14,4% acima. Foi o único dos três que errou para o lado ruim nos dois números ao mesmo tempo. O carboidrato chegou mais perto do limite que a Anvisa tolera, e a proteína ficou longe dele.
Dark Lab ou Growth: qual tem mais proteína de verdade?
A dose de 50 g faz a Dark Lab parecer a mais proteica, com 33 g por dose. Só que ela também põe mais pó no copo. Para comparar wheys de doses diferentes, a conta certa é a proteína em 100 g de produto: divida a proteína da dose pelo peso da dose e multiplique por 100. É a mesma regra que vale para comparar o whey com o frango.
| Produto | Proteína em 100 g (rótulo) | Proteína em 100 g (laudo) | Carboidrato em 100 g (laudo) | Proteína numa colher de 30 g (laudo) |
|---|---|---|---|---|
| Growth Whey Protein | 76,7 g | 72,9 g | 13,0 g | 21,9 g |
| Max Titanium 100% Whey | 70,0 g | 68,7 g | 18,0 g | 20,6 g |
| Dark Lab whey concentrado | 64,0 g | 66,6 g | 18,6 g | 20,0 g |
Por essa conta, a ordem se inverte. Mesmo com 5% a menos do que promete, o whey da Growth tem 72,9 g de proteína em cada 100 g de pó. A Dark Lab, que superou o próprio rótulo, fica em 66,6 g. A diferença está no ponto de partida: o rótulo da Growth promete 76,7 g de proteína em 100 g, e o da Dark Lab, 64 g.
Na prática, um quilo do whey da Growth analisado tem uns 729 g de proteína, um quilo da Max Titanium tem uns 687 g, e um quilo da Dark Lab, uns 666 g. Para sair empatado no custo de cada grama de proteína, o quilo da Dark Lab precisa custar uns 9% menos que o da Growth, e o da Max Titanium, uns 6% menos. Para ver como o whey se compara com ovo, frango e outras fontes no preço por grama de proteína, há um ranking de proteína barata por custo e calorias.
No carboidrato, a Growth também leva vantagem: 13 g em 100 g de pó, contra 18 a 19 g da Dark Lab e da Max Titanium. Numa colher de 30 g, isso dá de 1,5 a 1,7 g de carboidrato a mais nas duas, uma diferença pequena. Nenhum desses números deixa um produto ruim. O whey concentrado vendido no mundo vai de 25% a 89% de proteína, conforme o processo, e o resto do pó é principalmente lactose e gordura, mais adoçante e aromatizante nas versões com sabor.
Bater o rótulo e ter mais proteína são perguntas diferentes, e isso vale para qualquer marca. Um produto pode prometer pouco e cumprir, e outro pode prometer muito e entregar um pouco menos, e ainda assim ser o mais proteico.
Qual margem a Anvisa aceita entre rótulo e laudo?
Pela regra da Anvisa para a tabela nutricional (RDC 429, de 2020), a fiscalização aceita uma margem de 20%. A proteína encontrada não pode ficar mais de 20% abaixo do valor declarado. Carboidrato, açúcares, gorduras, sódio e calorias não podem passar mais de 20% acima. A mesma norma reconhece que o rótulo traz um valor representativo: a matéria-prima varia, a fabricação varia e o método de análise tem margem de erro.
Os três wheys ficaram dentro dessa margem. A maior falta de proteína foi a da Growth, 4,9%, bem longe dos 20%. O maior excesso de carboidrato também foi o da Growth, 14,4%, mais perto do limite, mas ainda abaixo dele. A Dark Lab ficou com carboidrato abaixo e proteína acima do rótulo, a direção que favorece quem compra. Um laudo isolado não equivale a uma fiscalização, que exigiria amostragem e método definidos pela autoridade sanitária, mas os números apresentados não mostram nenhuma diferença fora do que a regra tolera.
O que um laudo de proteína mede, e o que deixa passar
O teste mais comum para proteína não mede a proteína diretamente. Ele mede o nitrogênio da amostra (método de Kjeldahl) e multiplica por um fator, que para as proteínas do leite é 6,38. Como quase todo o nitrogênio de um alimento está nas proteínas, a conta funciona bem para comida comum.
O problema é que aminoácidos soltos e creatina também têm nitrogênio. Um fabricante desonesto pode misturar glicina, taurina ou creatina, que custam pouco, e o teste de nitrogênio conta tudo como proteína. Essa fraude ganhou o nome de amino spiking, e a matéria sobre o whey de R$ 44,90 explica o conceito junto com outros sinais de alerta no rótulo e no preço. Para saber se há aminoácido solto inflando a proteína, é preciso uma análise de aminoácidos (o aminograma), que mede cada um separadamente.
Os resultados de Max Titanium, Dark Lab e Growth trazem só proteína e carboidrato por dose. O laboratório e o método de análise não foram informados. Por isso, eles mostram se a tabela nutricional bate com o produto, mas não dizem se parte dessa proteína é aminoácido solto.
Um lote só não condena nem absolve uma marca
Cada laudo vale para o lote analisado. Novas rodadas foram prometidas, com outros lotes, e com um recado: existe variação entre lotes que o consumidor ainda não conhece. Até lá, os números falam de um pote de cada marca.
As pesquisas brasileiras mostram os dois lados. Uma análise de 20 marcas publicada em 2016 encontrou proteína abaixo do rótulo em sete das dez fabricadas no Brasil e em quatro das dez fabricadas nos Estados Unidos. Um estudo mais recente, de 2024, analisou 51 suplementos proteicos vendidos no país e encontrou valores de proteína compatíveis com o rótulo e dentro da margem de 20%. Os dois estudos analisaram marcas e amostras diferentes, então não dá para concluir que o mercado melhorou. Eles mostram que acertar o rótulo é possível e que errar também acontece, e por isso um resultado bom ou ruim pede repetição antes de virar veredito sobre a marca.
Como escolher o whey usando esses números
Estes critérios ajudam a decidir entre essas três marcas ou qualquer outra:
- Proteína em 100 g: compare a concentração, e não o número da dose, que cada fabricante define do seu jeito.
- Preço por grama de proteína: divida o preço do pote pelos gramas de proteína que ele contém. Um pote de 900 g com 70 g de proteína em 100 g tem 630 g de proteína. Se ele custar R$ 100, sai a R$ 0,16 por grama.
- Carboidrato e gordura: em dieta de corte, o que não é proteína também entra na conta das calorias.
- Laudo com dados: laudo que vale como informação traz o lote, o laboratório, a data e o método. Se trouxer o aminograma, melhor ainda.
- Lotes diferentes: um resultado repetido em mais de um lote diz muito mais sobre a marca do que um pote isolado.
Também vale lembrar para que serve o whey. Numa meta-análise de 49 estudos com quase 1.900 pessoas que faziam musculação, quem tomou suplemento de proteína ganhou um pouco mais de massa muscular e de força, e, em média, o benefício extra deixou de aparecer acima de 1,6 g de proteína por quilo de peso por dia, somando comida e suplemento (a margem de incerteza vai até perto de 2,2 g). O que importa é o total de proteína do dia, e o whey é um jeito prático de completar o que falta. Calcule quanta proteína você precisa por dia antes de decidir quantas doses fazem sentido.
Conclusão
No laudo, a Max Titanium ficou quase exata, a Dark Lab entregou mais proteína do que prometeu e a Growth ficou um pouco abaixo, com as três dentro da margem de 20% da Anvisa. Na proteína por 100 g de pó, porém, a Growth continuou na frente, porque o rótulo dela parte de uma concentração bem maior. Do jeito que os resultados foram apresentados, a escolha fica com quem compra, agora com a conta certa na mão: proteína em 100 g e preço por grama de proteína. Um lote mostra só aquele pote, e a consistência da marca aparece com testes repetidos.
FAQ
Qual é melhor, whey Dark Lab ou Growth?
Depende do critério. No laudo de um lote de cada, a Dark Lab entregou 4% a mais de proteína do que o rótulo promete, e a Growth, 5% a menos. Em 100 g de pó, porém, a Growth teve 72,9 g de proteína, contra 66,6 g da Dark Lab. Por isso, o quilo da Growth pode custar quase 10% a mais e ainda empatar no preço por grama de proteína.
Qual é melhor, whey Dark Lab ou Max Titanium?
Na proteína, a Max Titanium, por pouco. O 100% Whey dela teve 68,7 g de proteína em 100 g de pó, e o concentrado da Dark Lab, 66,6 g. Por dose, a Dark Lab parece maior (33 g contra 20,6 g) só porque a dose dela é de 50 g, e a da Max Titanium, de 30 g.
O whey da Dark Lab é bom?
No laudo, o concentrado de 1 kg da Dark Lab (lote 1012628) teve mais proteína e menos carboidrato do que declara. A concentração, de uns 67% de proteína, é a menor das três marcas comparadas, e o produto testado não foi o 100% Whey nem as versões isoladas da marca.
A Dark Lab é uma marca confiável?
No lote analisado, a tabela nutricional bateu com o produto e ficou a favor do consumidor. Um lote só não prova a consistência da marca. Confiança se constrói com resultados repetidos em lotes diferentes, de preferência com aminograma, que mostra se há aminoácido solto inflando a proteína.
O whey da Dark Lab passou no laudo?
Sim, dentro do que foi medido. O concentrado de 1 kg teve 33,32 g de proteína na dose de 50 g, contra 32 g no rótulo, e 9,32 g de carboidrato, contra 11 g. O laudo mediu só proteína e carboidrato, sem aminograma.
O whey da Growth tem laudo?
Tem uma análise independente de um lote, e o resultado ficou um pouco abaixo do rótulo: 21,88 g de proteína na dose de 30 g, contra 23 g declarados, e 3,89 g de carboidrato, contra 3,40 g. As duas diferenças ficaram dentro da margem de 20% que a Anvisa aceita na fiscalização.
O whey Max Titanium tem laudo?
Tem uma análise independente do 100% Whey em pote de 900 g, lote 2532402. O resultado foi o mais próximo do rótulo entre os três: 20,61 g de proteína contra 21 g declarados, e 5,41 g de carboidrato contra 5,60 g, na dose de 30 g.
O que é o laudo da Abenutri?
A Abenutri é a associação que reúne empresas fabricantes de suplementos. O programa dela de monitoramento do mercado manda produtos para análise e já publicou listas de proteínas aprovadas e reprovadas, inclusive por amino spiking, como as de 2022. Como a entidade representa as próprias empresas do setor, o resultado dela funciona como mais um dado, e a fiscalização oficial continua sendo da Anvisa.
Whey Dark Lab é bom para emagrecer?
Nenhum whey emagrece sozinho. Uma revisão de 13 revisões sistemáticas não encontrou efeito do whey sobre o peso, o IMC ou a cintura de adultos com sobrepeso ou risco de diabetes. No emagrecimento, ele serve para completar a proteína do dia com poucas calorias, e aí o carboidrato também conta. Em 100 g de pó, o concentrado da Dark Lab tem 18,6 g, quase o mesmo que a Max Titanium e uns 5 g a mais que a Growth.
Referências
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