O texto tem mérito e envelheceu bem em uma parte e mal em outra, e vale separar as duas, porque o tópico continua sendo consultado por quem quer testar o método.
A parte que envelheceu bem é a observação de abertura, de que métodos revolucionários costumam ser recombinações de coisas conhecidas há décadas. Isso vale integralmente para o FST sete, que é, na prática, um bloco final de sete séries de um exercício isolado com pausa muito curta.
A parte que não se sustenta é justamente a premissa que dá nome ao método, ou seja, alongar a fáscia por meio do pump para dar espaço ao músculo crescer. A fáscia é um tecido conjuntivo bastante resistente, e a pressão gerada pelo acúmulo de sangue e água durante uma série está muito abaixo do necessário para deformá la de forma permanente. Não existe demonstração de que o inchaço temporário do treino alongue a fáscia nem de que a fáscia esteja limitando o crescimento de quem treina. Ou seja, o mecanismo anunciado é o ponto fraco.
Isso não significa que o método não funcione, e é aqui que vale ser justo. Ele funciona pelo que tem de trivial, ou seja, ele acrescenta volume de trabalho ao final da sessão para um músculo específico. Volume é uma das variáveis mais associadas à hipertrofia, então acrescentar sete séries dirigidas a um ponto fraco produz efeito. Existe ainda a hipótese do inchaço celular, que é a ideia de que a entrada de água na fibra funcione como sinal anabólico, e ela é plausível, mas continua sendo hipótese e não explica sozinha resultado nenhum.
E existe um custo que o texto não menciona. O intervalo de trinta a quarenta e cinco segundos entre as séries é curto demais para manter carga. Quando se compara diretamente intervalo curto e intervalo longo em treino de hipertrofia, o intervalo maior produz mais ganho de massa e de força, porque o volume de carga levantada se mantém. Ou seja, o bloco de sete séries entrega estímulo, mas entrega um estímulo de baixa carga, e por isso ele faz sentido como complemento no fim da sessão, depois do trabalho pesado, e não como substituto dele.
Respondendo à dúvida do @lelooo, que não foi respondida por completo. Não precisa ser um grupo muscular por dia. A resposta do @Locemar está certa quanto à mecânica, ou seja, faz se o bloco final de cada grupo treinado. Vale só acrescentar dois cuidados. Aplicar o método em dois ou três grupos na mesma sessão gera fadiga acumulada alta e sessão muito longa, então o uso mais inteligente é escolher um ponto fraco por sessão. E o bloco deve vir depois dos exercícios de carga, nunca antes, sob pena de comprometer o que realmente sustenta o crescimento.
Duas observações de segurança que faltaram. Sete séries com pausa curta em exercícios com articulação exposta, como crucifixo com amplitude máxima, extensão de tríceps acima da cabeça e cadeira extensora, é volume articular alto, e é onde aparece dor de cotovelo e de ombro em quem adota o método por meses seguidos. Escolher máquinas e cabos para o bloco final reduz esse risco.
E vale um comentário sobre uma previsão do texto, porque ela é útil como lição. Em dois mil e oito se dizia que em poucos anos teríamos SARMs com todos os benefícios e nenhum efeito colateral. Quase duas décadas depois, nenhum SARM foi aprovado para uso humano em lugar nenhum, e o que se acumulou foi relato de toxicidade hepática, alteração de colesterol e supressão do eixo hormonal, além de análises mostrando que boa parte dos produtos vendidos com esse nome não contém o que promete. Ou seja, a promessa de anabolismo sem consequência continua sendo promessa, e vale lembrar disso sempre que ela reaparecer com nome novo.
Por
Cláudio Chamini ·
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