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Quanto tempo de descanso (OFF) entre ciclos????????

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@Maxx-RJ, este tópico tem respostas bem melhores que a média, e o @Locemar deu a única que resolve de verdade: só exame diz se o eixo voltou, o resto é achismo. Vou acrescentar o que os dados de hoje mostram, porque eles mudam a pergunta. O problema não é só quanto tempo esperar. É que existe um pedaço grande da recuperação que nenhum dos exames citados aqui mede, e é justamente ele que decide se o próximo ciclo é seguro.

Primeiro, sobre os seis meses.

O @Common disse seis meses, o @jackalrj disse três, o @power erguido disse que varia de cinco meses a um ano e que depende da androgenicidade e da duração, e o @Ronaldo FIBRA listou as variáveis certas. O @power erguido e o @Ronaldo FIBRA estão mais perto do que se sabe hoje.

Os números atuais são estes. Para quem usou por até um ano, a maioria recupera a função do eixo em três a seis meses depois de parar. A testosterona total costuma normalizar em torno de três meses. Mas a produção de espermatozoides demora bem mais, com média em torno de doze meses para recuperação completa. E, o mais importante: numa parcela relevante de ex usuários, algo em torno de um quarto em algumas revisões, o hipogonadismo persiste, com testosterona baixa anos depois de parar. E existe relação de dose e tempo: quanto mais longa a exposição acumulada, maior o prejuízo da função testicular.

Isso muda o sentido da pergunta original, que era como ciclar sem comprometer a saúde. A resposta honesta é que o intervalo entre ciclos não zera a conta. Ele reduz o dano por ciclo, mas o que se acumula ao longo dos anos é o tempo total de exposição. Fazer dois ciclos por ano durante dez anos não é o mesmo que fazer dois ciclos na vida, mesmo respeitando seis meses toda vez.

Segundo, e essa é a parte que ninguém falou: o que significa recuperado.

O @marcos v. ia dosar nível de testosterona dois meses depois, o @Body Muscle corrigiu bem lembrando que a contagem é a partir do fim do pós ciclo e não do fim do ciclo, e o @Locemar completou a lista com prolactina, LH, FSH, estradiol, colesterol e diidrotestosterona. É uma boa lista. Faltam três coisas para ela funcionar.

Uma. Testosterona sozinha engana. Quem termina um pós ciclo com clomifeno ou tamoxifeno pode ter testosterona bonita ainda sob efeito do medicamento. Por isso a dosagem só vale um tempo depois de encerrar o pós ciclo, e não durante. E, principalmente, ela precisa vir com LH e FSH. Testosterona normal com LH e FSH baixos significa eixo ainda suprimido, e é exatamente o cenário que passa despercebido quando se olha só a testosterona.

Duas. Existe regra de coleta, e ela não é detalhe. Testosterona varia muito ao longo do dia e de um dia para o outro, e cai com alimentação. A recomendação é colher em jejum, de manhã cedo, e confirmar em duas manhãs diferentes antes de concluir qualquer coisa. Um valor isolado não fecha diagnóstico nem de deficiência nem de recuperação.

Três. Espermograma. Se existe intenção de ter filho em algum momento, esse é o exame que informa a parte da recuperação que a testosterona não mostra, e é a que demora mais. É o exame mais ausente das listas de fórum e o mais relevante para quem tem vinte e poucos anos.

Terceiro, sobre o hCG, porque a resposta do @power erguido foi boa e merece complemento. Ele está certo: o Profase é gonadotrofina coriônica humana, age como o LH direto no testículo e não age na hipófise. A consequência prática que costuma faltar é que, usado no fim do ciclo em dose alta, ele pode manter o eixo suprimido no andar de cima justamente enquanto sobe a testosterona, e aí a pessoa se sente bem e acha que recuperou. É por isso que hCG não é pós ciclo por si só, e é por isso que a dosagem de LH tem que vir depois que ele já saiu.

Quarto, o que é ver de verdade se está tudo bem, porque a frase do @Common de que fez todos os exames de fígado e nunca teve nada tem uma armadilha. As alterações que mais importam nesse contexto são silenciosas e não aparecem em TGO e TGP. São o HDL, que despenca com oral e demora a voltar, o hematócrito, que sobe e engrossa o sangue, e a pressão arterial. Nenhum dos três dá sintoma. Fígado normal com HDL de vinte e quatro e hematócrito de cinquenta e cinco não é estar bem, é estar sem sintoma.

Então, respondendo a sua pergunta em uma frase: não existe intervalo que torne o uso repetido seguro, e o intervalo mínimo defensável é o tempo necessário para que LH, FSH e testosterona voltem sozinhos, medidos em jejum de manhã em dois dias diferentes, longe do pós ciclo, com hematócrito e lipidograma normalizados junto. Em quem usou pouco, isso costuma ser de três a seis meses. Em quem usou muito ou por muito tempo, pode não voltar.

E fica o registro para quem chega hoje: existe a resolução dois mil trezentos e trinta e três, de dois mil e vinte e três, do Conselho Federal de Medicina, que veda a prescrição de esteroides androgênicos e anabolizantes com finalidade estética, de ganho de massa ou de desempenho. O tópico é de dois mil e quatro e a regra é bem posterior, mas quem lê hoje precisa saber.

As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.

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