Anabolizante faz mal ao coração, e muitas vezes o estrago só aparece tarde. Um rapaz de 24 anos, musculoso e sem gordura, foi achado sem reação na banheira na manhã do Ano-Novo. Por fora, parecia saudável. Por dentro, tinha a principal artéria do lado esquerdo do coração fechada por placa de gordura e por um coágulo, e o laudo pôs a culpa nos anabolizantes.
O canal Dark Science parte desse caso em "The Dark Science of Steroids", em inglês, para explicar por que o coração sofre junto com o ganho de músculo. Os estudos mais recentes completam a conta: o anabolizante engrossa e enfraquece o músculo do coração, derruba o colesterol bom, deixa o sangue mais grosso e sobe a pressão.
O rapaz de 24 anos achado na banheira
Em 1º de janeiro de 2019, depois da festa de Réveillon, a namorada encontrou o rapaz sem reação dentro da banheira. Os socorristas tentaram reanimá-lo, sem sucesso. Ele não tinha lesão, e o exame de sangue não achou cocaína, maconha nem outras drogas de abuso.
O exame achou estanozolol, nandrolona e testosterona. Segundo os amigos, ele vinha injetando estanozolol, testosterona, tamoxifeno, mesterolona e nandrolona havia seis meses, em doses que ninguém soube dizer. Também havia álcool, 0,90 g por litro de sangue, mas o laudo atribuiu a morte ao anabolizante.
Ele media 1,78 m e pesava 85 kg. O coração pesava 420 g, acima dos 358 g esperados para o peso dele, mas dentro da faixa normal, que ia até 473 g. O problema estava nas coronárias, as artérias que levam sangue ao próprio coração: a placa fechava mais de 75% da passagem, como se vê em gente bem mais velha.
A causa da morte foi infarto. Um coágulo se formou em cima da placa e fechou de vez a principal artéria do lado esquerdo do coração. Havia também cicatriz na parede de trás e sinais de um infarto de alguns dias antes. Na família não havia colesterol alto, placa precoce nem doença do coração, e os médicos atribuíram a placa e o coágulo ao anabolizante.
O sinal de alerta tinha aparecido meses antes: uma dor no peito. Em quem usa anabolizante, dor no peito pede avaliação do coração na hora.
Como o anabolizante faz o coração crescer
Para mandar um músculo contrair, o cérebro usa os nervos, como um fio ligado direto ao músculo. Mas o nervo só manda contrair ou relaxar. Para mandar crescer, o corpo usa hormônios, que funcionam como Wi-Fi: viajam pelo sangue e entregam o recado a qualquer célula que tenha o receptor certo.
A testosterona é um desses recados. O cérebro manda os testículos produzi-la, ela circula até se encaixar no receptor de andrógeno da célula muscular, e a célula passa a fabricar mais actina e miosina, as proteínas que formam as fibras do músculo. O corpo mantém a testosterona sob controle para o músculo não crescer sem limite e sobrar proteína para o resto do organismo.
O anabolizante fura esse controle. Os esteroides anabolizantes androgênicos são versões da testosterona que ocupam o mesmo receptor em excesso, e a célula recebe ordem de fabricar proteína além do normal. Só que o músculo do coração também tem receptor de andrógeno. Quando os músculos de fora crescem, o coração cresce junto.
Até um ponto, um coração mais forte é bom: bombeia mais sangue e aguenta mais esforço. O problema é quando a parede engrossa demais. O coração enche de sangue e se contrai para empurrá-lo. Se a parede fica grossa e rígida, ele enche mal, contrai mal, e o sangue começa a sobrar dentro dele. É o caminho da insuficiência cardíaca.
Os exames confirmam a perda de força. Num estudo americano de 2017 com 140 homens que treinavam havia anos, o coração de quem somava pelo menos dois anos de anabolizante na vida empurrava, a cada batida, 52% do sangue que tinha dentro. Essa medida é a fração de ejeção. Nos que nunca usaram, ela ficou em 63%. Entre os usuários, quem estava em uso no dia do exame ficou com 49%, e quem tinha parado, com 58%.
Quanto pesa o coração de um fisiculturista?
O coração de um homem adulto costuma pesar entre 280 e 350 g, e acima de 450 g já se fala em coração aumentado, a cardiomegalia. Como o peso do coração acompanha o peso do corpo, o valor esperado para cada pessoa muda: no rapaz de 85 kg, eram 358 g. Em casos de abuso de anabolizante, o coração passa de meio quilo.
Um levantamento de 2022 reuniu seis laudos públicos de fisiculturistas que morreram antes dos 50 anos, com média de 36 anos e 104 kg. O coração deles pesava em média 575 g, 74% acima do valor que os autores usaram como referência para um homem adulto, 332 g. Os autores lembram que atletas de força sem drogas também têm coração maior, e que seis casos não provam causa.
O tamanho do corpo explica parte da diferença, mas não toda. Na Suécia, peritos compararam 87 homens mortos que tinham anabolizante no organismo com 173 mortos sem uso. Mesmo descontando peso, altura, idade e treino de força, o coração dos usuários era mais pesado.
É isso que separa o coração do atleta do coração do usuário. O treino também engrossa a parede, mas o coração do atleta bombeia bem. No estudo norueguês de 2022, que comparou usuários com atletas de força sem droga, a parede dos usuários era mais grossa, e no americano a força de bombeamento era menor.
O que as autópsias de morte súbita mostram
Uma revisão publicada em 2020 na revista Medicina reuniu 33 mortes súbitas do coração em usuários confirmados ou suspeitos de anabolizantes, descritas em 13 artigos. Eram 31 homens, com idade média de 30 anos, e o fisiculturismo era o esporte mais comum entre eles. Os anabolizantes mais achados foram nandrolona, testosterona e estanozolol.
O que mais aparecia:
- Coração aumentado: 11 dos 33 casos (33%).
- Ventrículo esquerdo engrossado: 10 casos (30%).
- Cicatriz no músculo do coração (fibrose): 21 casos.
- Áreas de músculo morto (necrose): 17 casos.
A cicatriz é a marca de uma lesão que já aconteceu e foi substituída por tecido duro, que não contrai. O músculo morto aparece quando falta sangue para o próprio coração, como num infarto. Os dois achados são raros aos 30 anos e criam o terreno para a arritmia, a batida descompassada que mata de repente, principalmente durante o esforço.
A revisão descreve quatro caminhos até a morte: placa nas artérias, coágulo, espasmo das artérias e lesão direta do músculo do coração. O caso da banheira juntou os dois primeiros.
Um estudo bem maior, de 2025, olhou só para competidores. Ele acompanhou 20.286 fisiculturistas que subiram ao palco da IFBB entre 2005 e 2020 e achou 46 mortes súbitas do coração. Nas autópsias disponíveis, o coração estava sempre aumentado e com parede grossa. Os profissionais tiveram 5,2 vezes o risco de morte súbita do coração dos amadores. O estudo não sabia quem usava anabolizante, e as mortes foram achadas por busca na internet, que pode ter deixado casos de fora.
Hematócrito alto: o sangue fica mais grosso
Num estudo norueguês de 2022, 51 homens com três anos ou mais de anabolizante foram comparados com 21 atletas de força que não usavam, com exames de sangue e urina para confirmar quem usava. A hemoglobina dos usuários ficou em 16,8 g/dL, contra 15,0. O hematócrito, a parte do sangue ocupada pelos glóbulos vermelhos, ficou em 50%, contra 44%.
Há quem explique essa alta como resposta a um coração fraco, que entregaria pouco oxigênio. O que os estudos mediram é um efeito direto do hormônio. A testosterona aumenta a eritropoetina, o hormônio que manda a medula fazer glóbulos vermelhos, e baixa a hepcidina, um hormônio do fígado que segura o ferro. Com mais ferro disponível, a medula produz mais. Num ensaio com gel de testosterona em homens idosos, a hemoglobina subiu 7% e o hematócrito, 10%, em seis meses.
O sangue mais grosso corre com mais dificuldade e coagula com mais facilidade. Na Dinamarca, os usuários de anabolizante tiveram 2,4 vezes mais trombose nas veias do que homens da mesma idade, e o hematócrito alto é um dos caminhos possíveis.
Colesterol: o HDL despenca e o LDL tende a subir
Além dos efeitos que todo mundo conhece, como acne, testículo menor, testosterona natural baixa e mudança de humor, o anabolizante costuma subir o LDL, o colesterol ruim, e derrubar o HDL, o colesterol bom, que ajuda a tirar gordura das artérias.
No estudo norueguês, o HDL dos usuários ficou em cerca de 27 mg/dL, contra 48 mg/dL dos atletas sem droga, cerca de 45% menor. Uma revisão de 1991 da Archives of Internal Medicine calculou que, em média, o LDL sobe 36%, e uma das partes do HDL, o HDL2, cai 52%.
A queda do HDL tem mecanismo conhecido. O fígado produz uma enzima, a lipase hepática, que desmonta o HDL, e alguns anabolizantes aceleram essa enzima. O efeito muda com o composto e a forma de uso. Num estudo com levantadores de peso, 6 mg por dia de estanozolol em comprimido subiram a lipase em 123% e cortaram o HDL em 33%. A testosterona injetável, 200 mg por semana, cortou o HDL em 9%, sem alta importante da enzima, e até baixou o LDL. Os comprimidos, como o estanozolol oral, pesam mais no colesterol. A oxandrolona, outro comprimido, tem o mesmo problema, como mostra a matéria sobre a oxandrolona e o HDL.
Com os anos, esse colesterol vira placa nas artérias. No estudo americano de 2017, os usuários tinham mais placa nas coronárias do que quem nunca usou, e quanto maior a dose somada ao longo da vida, mais placa. No norueguês, 17% dos usuários já tinham doença nas coronárias na tomografia.
Pressão alta e aorta mais rígida
A pressão também sobe. Num estudo dinamarquês de 2018 com 100 homens que treinavam, entre usuários, ex-usuários e quem nunca usou, um aparelho mediu a pressão durante 24 horas. Em quem estava usando anabolizante, a máxima ficou em média em 132 mmHg, o 13,2 da linguagem do consultório, contra 124 mmHg em quem nunca usou. Metade dos usuários tinha pressão alta, contra 17% dos outros. A aorta, a maior artéria do corpo, estava mais rígida tanto em quem usava quanto em quem já tinha parado.
Quanto o risco sobe: infarto, arritmia e insuficiência
Um grande acompanhamento sobre anabolizantes e coração veio da Dinamarca, onde as academias fazem teste antidoping. O estudo, de 2025, seguiu por 11 anos 1.189 homens pegos nesses testes e os comparou com 59.450 homens da mesma idade. Os usuários tiveram:
- Infarto: 3 vezes mais.
- Angioplastia ou ponte de safena: 2,9 vezes mais.
- Trombose nas veias: 2,4 vezes mais.
- Arritmia: 2,3 vezes mais.
- Insuficiência cardíaca: 3,6 vezes mais.
- Doença do músculo do coração (cardiomiopatia): 8,9 vezes mais.
Esses números comparam usuários e não usuários, mas o estudo não consegue separar o efeito da droga de outros hábitos de quem usa. Autópsias, exames de coração e medidas de colesterol, pressão e sangue apontam para o mesmo lado. Quase todos os dados vêm de homens.
O coração volta ao normal depois de parar?
Em boa parte, sim. A coorte holandesa HAARLEM acompanhou usuários amadores antes, durante e depois do ciclo, e a maioria das alterações voltou ao normal depois que eles pararam. Os autores alertam que, em quem usa por anos, as mesmas alterações de pressão, hematócrito, colesterol e estrutura do coração parecem explicar a placa precoce e a doença do músculo do coração.
Algumas marcas ficam. Ex-usuários dinamarqueses, parados havia cerca de dois anos e meio, ainda tinham a contração do coração um pouco pior que a de quem nunca usou, num ultrassom mais sensível, que mede quanto o músculo encurta a cada batida. A aorta continuava mais rígida. E o HDL de atletas que pararam ainda não tinha voltado ao valor de antes seis semanas depois, e demorou mais em quem tinha feito 14 semanas de ciclo do que em quem fez 8.
Testosterona de reposição faz mal ao coração?
Testosterona em dose de reposição, a TRT, é outra situação. No estudo TRAVERSE, de 2023, 5.246 homens de 45 a 80 anos, com testosterona baixa e doença do coração ou risco alto de tê-la, usaram gel de testosterona ou placebo. O alvo era manter o hormônio dentro da faixa normal, entre 350 e 750 ng/dL. Infarto, AVC e morte por doença do coração aconteceram na mesma proporção nos dois grupos, 7,0% e 7,3%.
O mesmo estudo achou mais fibrilação atrial, embolia pulmonar e lesão aguda dos rins no grupo da testosterona. E o resultado vale para a dose de reposição, com acompanhamento médico, em homens mais velhos. Os ciclos de academia usam doses várias vezes maiores, e é nesse uso que aparecem os achados das seções anteriores.
Que exames fazer se você usa
Uma diretriz britânica de 2024 para médicos que atendem quem usa anabolizante pede hemograma, colesterol e medida da pressão, entre outros exames. Hematócrito acima de 52% em homens, ou 48% em mulheres, pede reduzir ou parar o anabolizante e repetir o exame. Acima de 60% em homens, ou 56% em mulheres, o encaminhamento ao hematologista é urgente. Qualquer HDL abaixo do normal já pede conversa sobre o risco do coração.
A força e a espessura da parede do coração aparecem no ecocardiograma, o ultrassom do coração que mostrou a parede grossa e a perda de força nos usuários. Esse exame o cardiologista pode pedir. Dor no peito, falta de ar sem explicação ou coração disparado pedem avaliação na hora, e não no fim do ciclo. A lista completa, com preços e quando coletar, está em exames para quem usa anabolizantes.
Por que tão pouca gente fala desse risco
Uma razão é o tamanho do grupo. Nas redes, parece que todo mundo usa, mas é uma visão distorcida. Uma revisão de 2014 que juntou 187 estudos estimou que 3,3% das pessoas no mundo já usaram anabolizante alguma vez, e 6,4% dos homens. Com pouca gente usando, os estudos também são pequenos, e o problema chama menos atenção.
Com o cigarro foi diferente. Em 1964, um relatório do governo americano ligou o fumo ao câncer, e o problema atingia muita gente: em 1965, 42% dos adultos americanos fumavam. Com tanta gente afetada, a mudança veio rápido.
A outra razão provável são as redes sociais. Influenciadores de fitness glorificam ou ignoram o uso, e a atenção vira dinheiro, com venda de planos de treino e patrocínio. Somadas à pressão de competição, às metas de força e ao corpo irreal das redes, essas imagens empurram jovens para os anabolizantes. Afinal, funcionou para o influenciador. Por esse caminho, o abuso pode crescer até virar uma epidemia.
As redes também espalham suspeitas sem prova. Quando um influenciador jovem morre, a culpa cai logo no anabolizante, mesmo sem ligação comprovada com o uso. O alemão Jo Lindner, muito seguido nas redes, morreu em junho de 2023, aos 30 anos, por aneurisma, segundo a namorada. Ele tinha passado quase um ano sem anabolizantes e havia voltado a repor testosterona. Nada do que foi divulgado liga a morte dele ao uso, e o caso mostra como as redes misturam fato e boato.
Quem sente que não consegue parar pode ler sobre os sinais de dependência de anabolizante.
Conclusão
O anabolizante ataca o coração por vários lados ao mesmo tempo, e quase nada disso dá sinal por fora. O rapaz de 24 anos tinha músculo, pouca gordura e uma artéria quase fechada. Parte do estrago volta quando o uso para, mas a perda de força do coração e a aorta rígida podem ficar.
Sem informação, muitos jovens vão descobrir esse risco pela tragédia. Para quem usa ou já usou, a decisão prática é medir pressão, hematócrito e colesterol e contar ao cardiologista sobre o uso, para ele decidir se pede o ecocardiograma.
Perguntas frequentes
Testosterona faz mal ao coração?
Depende da dose. Em reposição, mantendo o hormônio na faixa normal, um estudo com 5.246 homens não viu mais infarto, AVC ou morte por doença do coração, mas viu mais fibrilação atrial e embolia pulmonar. Nas doses de ciclo, acima do normal, os estudos mostram coração mais fraco, mais placa nas coronárias e três vezes mais infarto.
Testosterona protege o coração?
Não há prova disso. No TRAVERSE, homens mais velhos com testosterona baixa tiveram infarto, AVC e morte por doença do coração na mesma proporção com o gel ou com o placebo. A reposição não diminuiu esses eventos.
Testosterona aumenta o coração?
Em doses de anabolizante, sim. O músculo do coração tem receptor de andrógeno e engrossa junto com os outros músculos. Na Suécia, o coração de homens mortos que usavam anabolizante pesava mais, mesmo descontando o peso do corpo e o treino.
Como é o coração de um fisiculturista que usa anabolizante?
Maior e com a parede mais grossa. Em seis laudos de fisiculturistas mortos antes dos 50 anos, o coração pesava em média 575 g, cerca de 70% acima do normal. Em quem usa anabolizante há anos, ele também bombeia com menos força, e nas autópsias de morte súbita aparecem cicatriz e áreas de músculo morto.
Anabolizante aumenta o hematócrito?
Sim. A testosterona estimula a medula a fazer mais glóbulos vermelhos, e usuários de longo prazo ficaram, em média, com hematócrito de 50%, contra 44% de atletas sem droga. Pela diretriz britânica, acima de 52% em homens o certo é reduzir ou parar o anabolizante e repetir o exame.
Anabolizante causa trombose?
Aumenta o risco. Num acompanhamento de 11 anos, a trombose nas veias foi mais que o dobro da de homens da mesma idade. O sangue mais grosso, com hematócrito alto, é um dos caminhos possíveis.
Anabolizante altera o colesterol?
Sim, quase sempre para pior: o colesterol bom cai e o ruim tende a subir. Os comprimidos, como o estanozolol oral, derrubam bem mais o HDL que a testosterona injetável, e o HDL pode continuar baixo semanas depois de parar.
Anabolizante dá pressão alta?
Com frequência. Num estudo com medida de 24 horas, metade de quem estava usando tinha pressão alta, contra 17% de quem nunca usou. Vale medir a pressão durante o ciclo.
Anabolizante causa falta de ar?
Pode, quando o coração começa a bombear mal. Na Dinamarca, usuários tiveram 3,6 vezes mais insuficiência cardíaca que homens da mesma idade. Falta de ar sem explicação, em quem usa, pede avaliação do coração.
Testosterona causa arritmia?
Pode causar. Usuários de anabolizante tiveram 2,3 vezes mais arritmia, e até a dose de reposição aumentou a fibrilação atrial no estudo TRAVERSE. Coração disparado ou descompassado pede avaliação.
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