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Imagem sintética e meramente ilustrativa. Não é uma foto real.

Durateston® ZPHC é boa? O que o teste químico mostrou

A Testosterone Mix da ZPHC ficou marrom e muito verde no reagente, mas cheia de partículas e com tons de roxo. Veja o que a cor prova e o que não prova.

A Durateston® ZPHC, vendida como Testosterone Mix, passou no teste químico de cor: ficou com o marrom que o kit associa à testosterona e com muito verde nas bordas, que o kit associa ao propionato. A reação, porém, foi menos limpa que a da Dura Actiza, testada do mesmo jeito: a mistura ficou cheia de partículas e mostrou tons de roxo. O resultado é compatível com um mix de testosterona, sem dizer a dose, a pureza nem se o óleo é estéril.

O teste está em "DURATEST0N ZPHC BATEU? | TESTE QUÍMICO REVELA SE É ORIGINAL!", do canal Testes Ergogênicos, que testa anabolizantes pingando um reagente no óleo e comparando a cor com uma tabela. O canal tratou a ZPHC como um laboratório "premium", muito bem falado, e testou uma única ampola, enviada por uma loja.

O que é a Durateston® ZPHC

É o nome que o mercado dá à Testosterone Mix da ZPHC: uma mistura de testosteronas com ésteres diferentes, como o Durateston® e o Sustanon®. Éster é a parte presa à testosterona que define a velocidade com que ela é liberada depois da injeção. A frente da caixa declara 250 mg/mL de "blend of testosterones" e 2.500 mg no kit de 10 ampolas de 1 mL, sem listar quais ésteres entram na mistura. Há também um "bujão", frasco de várias doses com 10 mL, vendido como o mesmo produto. O teste foi feito na ampola.

O Durateston® de farmácia declara quatro ésteres em cada ampola de 1 mL: 30 mg de propionato, 60 mg de fempropionato, 60 mg de isocaproato e 100 mg de decanoato de testosterona. O propionato é o éster curto, liberado mais rápido. O registro ativo do Durateston® na Anvisa é da Aspen Pharma. Na lista de medicamentos registrados da agência não há nenhum produto da ZPHC.

Embalagem caprichada não prova o conteúdo

A caixa impressiona. Tem efeitos holográficos, textos em inglês, um QR code com área de raspar para validar o produto no site da marca e selos de lacre dos dois lados. Lote e uma data que parece ser a validade, o fim de 2029, aparecem na caixa e vêm gravados em cada ampola.

Acabamento assim, porém, não diz o que há no óleo. Num estudo com 2.818 anabolizantes apreendidos pela Polícia Federal entre 2006 e 2011, só em 4,6% dos falsos a embalagem bastou para revelar a fraude. Nos outros, foi preciso análise química. O QR code mostra que aquele número está cadastrado no site da marca.

Como foi o teste

A ampola, dura de quebrar, foi aberta no gargalo. O óleo foi puxado com seringa nova e agulha 30x7 nova, mais fina que a 40x12 de costume, porque da ampola o óleo sobe fácil. Depois de tirar o ar e acertar 1 mL na seringa, meio mililitro foi para um pires, com três gotas do reagente para testosterona. Depois de alguns minutos, a mistura foi mexida e iluminada com uma lanterna de luz azul, que ajuda a ver as cores das bordas.

A escolha da agulha para puxar e para aplicar, e por que a ampola de vidro pede agulha de filtro, está em qual agulha para testosterona.

Marrom de testosterona, mas com partículas

No começo, a cor veio certa: o marrom que a tabela do kit mostra para a testosterona. O óleo era bem fino. Com o passar dos minutos, a mistura deixou de ser homogênea e se encheu de partículas, por mais que fosse mexida.

No teste da Dura Actiza, da mesma série, a mistura ficou bem mais homogênea e fluida, e a diferença entre as duas foi descrita como "considerável na qualidade da reação". Uma revisão de 2017 sobre testes de drogas lembra, porém, que um teste de cor muda com a concentração, com o que está misturado ao produto e com a luz. As partículas levantam dúvida sobre o que há no óleo, mas não dizem a causa.

Muito verde nas bordas: propionato

Sob a luz azul, as bordas ficaram verdes, e bastante. No kit usado, o verde indica propionato. Um enantato puro fica só marrom, como no teste do Enantato Landerlan. Como o Durateston® tem propionato, o verde era esperado. A Dura Actiza também ficou verde, mas menos.

Mais verde, porém, não quer dizer mais propionato: a cor do kit não foi calibrada com amostras de quantidade conhecida, e o tom também muda com a luz. Para separar e medir cada éster, o laboratório usa cromatografia com espectrometria de massas, um método que separa as substâncias e pesa cada uma, comparando com padrões de quantidade conhecida.

E o roxo?

Com a lanterna, apareceram tons de roxo na parte de baixo da mistura. Foi descrito como algo nunca visto numa Durateston®. A da Landerlan não puxa para o roxo, e a Dura Actiza também não puxou. A tabela do kit cita esse roxo, e a suspeita, sem certeza, foi a qualidade da matéria-prima. Outro teste de mix de testosterona da série está na matéria da Durateston® Landerlan Gold.

No mesmo tipo de kit, roxo e lilás são as cores esperadas para outros anabolizantes, como no teste do Masteron® King Pharma e no do Primobolan® Landerlan. Um teste de cor responde à mistura inteira, e a cor sozinha não aponta a causa do roxo. Só uma análise de laboratório diz o que mais há na ampola.

O que o teste não prova

A conclusão do teste foi "aprovada": o marrom bate com a tabela e o verde indica propionato. O resultado aponta para testosterona com um éster curto, numa única ampola. Os 250 mg por mL, os outros ésteres do mix e a pureza ficam sem resposta, e só a análise de laboratório com padrão de referência mede a quantidade.

Anabolizantes do mercado ilegal falham no rótulo com frequência. Uma revisão de 2022 juntou 19 estudos com 5.413 amostras: em média, 36% eram falsificadas e outros 37% tinham qualidade abaixo do padrão. Num estudo australiano de 2025, 9 de 46 amostras tinham uma substância diferente da do rótulo, e 15 das 36 que tiveram a quantidade medida estavam com concentração diferente da declarada.

A esterilidade também não aparece na cor. Um estudo holandês de 2025 cultivou esteroides do mercado paralelo e achou bactérias em 2 de 22 frascos de várias doses já usados e em 1 de 41 frascos e ampolas ainda fechados. No bujão, furado a cada aplicação, isso pede agulha nova e álcool na borracha em toda entrada.

A ZPHC e a Anvisa

No Brasil, a Lei nº 6.360/1976 exige registro na Anvisa antes da venda de qualquer medicamento industrializado, inclusive importado. Como a ZPHC não tem registro, nenhuma autoridade brasileira fiscaliza a fabricação nem o que vai em cada lote.

Em outubro de 2026, a Anvisa mandou apreender e proibiu a venda de produtos sem registro anunciados num site com o nome da marca, o zphcstore: retatrutida e tirzepatida, inclusive em canetas. A resolução não cita a Testosterone Mix nem diz quem fabrica esses produtos, mas mostra que o nome ZPHC já aparece em produtos sem registro vendidos no país.

Conclusão

No critério do kit, a Durateston® ZPHC passou no básico: marrom de testosterona e verde de propionato, como se espera de um mix desse tipo. No mesmo teste, ficou atrás da Dura Actiza, que se misturou de forma homogênea, e mostrou um roxo que nem a Actiza nem a Landerlan mostraram. Foi uma ampola só, de uma marca sem registro, e a caixa caprichada não compensa isso. Se você pensa em usar testosterona, leve o produto e estas dúvidas a um médico.

Perguntas frequentes

A Durateston® ZPHC é boa?

Passou no básico do teste de cor: reagiu como testosterona com propionato, o que se espera de um mix como o Durateston®. Ficou atrás da Dura Actiza, com mistura cheia de partículas e tons de roxo. A dose e a pureza seguem desconhecidas, e a marca não tem registro na Anvisa.

O que é a ZPHC?

É uma marca de anabolizantes vendida no mercado paralelo, com caixas holográficas e código de validação no site, sem registro na Anvisa. A origem da marca não é confirmada por fonte oficial.

Para que serve a Testosterone Mix da ZPHC?

É um mix de testosteronas como o Durateston®. O Durateston® de farmácia é indicado para repor testosterona em homens com hipogonadismo, a produção baixa do hormônio. Fora do tratamento médico, o mix é usado em ciclos de anabolizantes, sem controle de dose nem de qualidade.

Como saber se a Durateston® ZPHC é original?

Pela caixa, não dá. Holograma, selo e código de raspar não dizem o que há no óleo, e num estudo com anabolizantes apreendidos no Brasil só 4,6% dos falsos se denunciaram pela embalagem. Como a marca não tem registro, também não há um original fiscalizado para comparar. Só a análise de laboratório diz o que há no óleo.

Ampola ou bujão de 10 mL: qual a diferença?

São vendidos como o mesmo produto, com a mesma concentração. A ampola é de uso único, e o bujão de 10 mL é furado a cada aplicação. Por isso, ele pede álcool na borracha e agulha nova a cada entrada, sem agulha grossa na tampa, como explica qual agulha para testosterona.

Qual é o Durateston® original?

O Durateston® com registro ativo na Anvisa é o da Aspen Pharma, em ampola de 1 mL. Em 2023, a Anvisa mandou apreender Durateston® e Deca-Durabolin® falsificados que traziam a Schering-Plough como fabricante no rótulo.

Quanto 1 mL de Durateston® aumenta a testosterona?

Pela bula, uma ampola de 1 mL leva a testosterona a cerca de 70 nmol/L, perto de 2.000 ng/dL, em 24 a 48 horas. O nível volta ao limite inferior do normal em cerca de 21 dias. O número vale para o Durateston® de farmácia, e não para um produto sem registro.

E a tirzepatida e a retatrutida do site zphcstore?

A Anvisa mandou apreender e proibiu, em outubro de 2026, a retatrutida e a tirzepatida anunciadas no site zphcstore, por não terem registro. A resolução não diz quem as fabrica. Na lista de registros da Anvisa não há retatrutida, e a única tirzepatida é o Mounjaro®, da Eli Lilly.

Referências

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