O Masteron® da Landerlan era um dos testes mais pedidos, e passou no teste de cor. A amostra ficou marrom clara e depois lilás sob a lanterna, a sequência que a tabela do kit associa à drostanolona. Pela mesma tabela, testosterona daria um marrom mais escuro, sem o lilás. Duas diferenças apareceram: mais partículas no pires do que no Masteron® de outra marca e um lilás mais fraco que o roxo do Primobolan® da Landerlan.
O teste é do canal Testes Ergogênicos, que avalia marcas de anabolizantes com um kit de reagentes, em “MASTERON® LANDERLAN BATEU? TESTE QUÍMICO REVELOU A VERDADE! É ORIGINAL?”. A pergunta era se o frasco tem só Masteron® ou alguma mistura, e se pagar mais caro por outra marca faz diferença. O canal diz que o objetivo é só o teste: mostrar se o conteúdo bate com o rótulo, para quem não quer cair em laboratório de fundo de quintal.
O que é o Masteron® da Landerlan
É a drostanolona da Landerlan, marca de anabolizantes de um fabricante paraguaio. Na ficha do site do fabricante, o Masteron® tem 100 mg de propionato de drostanolona por mililitro, em frasco de 10 mL, e é vendido no Paraguai sob receita. A ficha não diz qual óleo é usado: os ingredientes além do hormônio aparecem só como "excipientes".
O frasco testado era de um lote novo, com validade até 2028. A caixa traz nome, concentração, lote e um QR code, que pode ser conferido no aplicativo do fabricante ou, pelo número do lote, no site. Os lotes novos vêm com relevo na caixa, e há lotes originais com adesivos diferentes. O fabricante avisa que, se o mesmo código já foi consultado muitas vezes, o produto pode não ser autêntico. Essa conferência mostra se o lote existe, e não o que há dentro do frasco.
O óleo era bem claro, limpo e filtrado, de cor parecida com a do Primobolan® da marca. A Landerlan é descrita no teste como uma marca que usa óleo de amendoim, "como vocês já sabem", com o lembrete de que muita gente tem alergia. A ficha do fabricante não informa o óleo, então isso fica sem confirmação. Para quem tem alergia, a dúvida pesa: remédios com óleo de amendoim, como a Durateston® da Aspen, são contraindicados para quem tem alergia a amendoim ou a soja.
Na época do teste, o Masteron® da Landerlan andava em falta. "Nem no Paraguai" se achava, e o preço subiu com a escassez.
| O que foi visto | Masteron® Landerlan |
|---|---|
| Rótulo | Só drostanolona, sem outro hormônio declarado |
| Lote | Novo, com validade até 2028 |
| Aspecto do óleo | Claro, limpo e filtrado, a olho nu |
| Óleo colocado no teste | 0,5 mL |
| Reagente | 3 gotas, como no teste do Masteron® Actiza |
| Cor no pires | Marrom claro, sem escurecer |
| Cor sob a lanterna | Lilás, mais claro que o roxo do Primobolan® da marca |
| Textura | Mais partículas que a do Masteron® Actiza |
| Resultado no teste de cor | Aprovado |
Como foi o teste com 0,5 mL
O teste é simples: 0,5 mL do óleo vão para um pires e recebem três gotas de um reagente, um líquido à base de ácido que muda de cor conforme a substância. A cor é lida a olho e depois sob uma lanterna de luz azul. Antes de puxar o óleo, a borracha do frasco foi limpa com algodão e álcool, e a mistura ficou pelo menos um minuto reagindo.
As quantidades foram as mesmas do Masteron® Actiza, de outra marca, testado antes no mesmo kit, que ficou lilás e depois roxo. Assim dá para comparar os dois. O reagente é chamado de "Marx" e parece ser o Marquis, à base de ácido sulfúrico, usado na triagem de drogas.
Do marrom claro ao lilás
O Masteron® demora a reagir. Pela leitura do kit, ele precisa ficar num marrom clarinho e depois puxar para o lilás. Logo no começo, a reação já foi "bem diferente" da do Masteron® Actiza.
Pela tabela do kit, o tom de marrom ajuda a separar as substâncias. Masteron® dá um marrom claro, testosterona um marrom mais escuro, e trembolona fica quase preta. O Masteron® da Landerlan ficou no marrom claro e não escureceu com o tempo.
A diferença para a Actiza estava na textura. A mistura da Actiza tinha ficado homogênea. A da Landerlan ficou com mais partículas, como se o reagente não se misturasse por inteiro ao óleo e ficasse em pontinhos.
Sob a lanterna, a amostra "já bateu", sem precisar esperar muito. A luz é azul, mas onde ela batia no produto a cor virava lilás. Com os minutos, a reação foi ficando mais nítida: marrom claro no pires e lilás sob a luz.
O lilás ficou mais claro que o roxo do Primobolan® da mesma marca, como mostra o teste do Primobolan® Landerlan. O veredito foi direto: "Masteron® aí verdadeiro", "aprovado". A Actiza e a Landerlan foram postas no mesmo grupo, de "indústrias" e não de fundo de quintal, e a escolha entre as duas, segundo o teste, "vai do gosto".
Aprovado, aqui, quer dizer uma coisa: a cor bateu com a tabela do kit para Masteron®, e não com a de testosterona. A dose e a pureza ficam para outro tipo de análise, como mostram as seções abaixo.
As partículas querem dizer alguma coisa?
A explicação dada no teste está no insumo: a matéria-prima, a filtragem e o óleo mudam de marca para marca. Pela mesma leitura, as partículas não indicam propionato de testosterona misturado ao Masteron® da Landerlan.
É uma hipótese. Uma revisão de 2017 sobre métodos de análise de drogas lembra que a cor e o aspecto de um teste de reagente mudam com a concentração, com o que mais houver na amostra e com a luz. Na prática, as partículas não mudaram o veredito do teste, e o que elas significam só um laboratório responde, medindo pureza e concentração.
O que a cor não prova
O lilás não separa Masteron® de Primobolan®: o Primobolan® da mesma marca também ficou roxo no mesmo kit, só mais forte. Pelas recomendações do SWGDRUG, grupo internacional de laboratórios de análise de drogas, o teste de cor está entre os métodos que menos distinguem uma substância de outra. Para saber qual das duas está no frasco, é preciso combinar com outros exames, como a cromatografia.
O reagente também erra. Num estudo italiano de 2013, comprimidos apreendidos reagiram no Marquis como anfetamina, e eram anabolizantes. A cor veio do ácido sulfúrico reagindo com uma estrutura comum a vários esteroides.
A dose fica sem resposta. Para confirmar 100 mg/mL, um laboratório compara a amostra com drostanolona pura, em quantidade conhecida. Numa revisão de 19 estudos, com mais de 5 mil amostras do mercado ilegal, 36% em média eram falsificadas. Nos 8 estudos que mediram a qualidade, mais 37% estavam abaixo do padrão.
Esterilidade e contaminantes também ficam de fora. Num estudo holandês publicado em 2026, 1 de 41 frascos fechados de hormônios masculinos do mercado ilegal tinha micróbios, e 2 de 22 já usados. Num estudo australiano de 2025, pago por uma empresa que vende kits de reagente, 15 de 28 amostras de anabolizantes tinham rótulo errado ou eram outra coisa, e havia metais pesados em injetáveis e orais.
O resultado vale para esse frasco, desse lote. No teste do Masteron® Bratva, publicado dois dias depois, uma amostra da Landerlan que reagia havia 50 minutos foi posta ao lado da do Bratva. As duas estavam lilás, a da Landerlan um pouco mais forte pelo tempo a mais. O Bratva também ficou sem o verde na borda que a tabela do kit associa à testosterona propionato. O Masteron® King Pharma, testado mais tarde, também reagiu como drostanolona, sem provar a dose.
“Indústria farmacêutica” no Paraguai, proibida no Brasil
A confiança na marca vem de ela ser "uma indústria farmacêutica", que "não costuma decepcionar", e não um laboratório de fundo de quintal: comprar Landerlan seria como comprar Durateston® da Aspen. No Paraguai, o fabricante se apresenta como indústria e vende o Masteron® sob receita. No Brasil, o quadro muda.
A Durateston® da Aspen tem registro na Anvisa e bula aprovada aqui. Os produtos da Landerlan não têm. Em dezembro de 2025, a Resolução-RE nº 4.922 da Anvisa proibiu a venda, a distribuição, a importação, a propaganda e o uso de 30 apresentações atribuídas à marca, em todos os lotes. O Masteron® está na lista com o nome "Drostanolona Masteron® Propionato 100mg/ml", e a medida vale para todos os medicamentos fabricados pela Landerlan.
O motivo é o registro. Os produtos não foram registrados no Brasil, e a empresa não tem Autorização de Funcionamento da Anvisa para fabricar medicamentos. A Lei nº 6.360/1976 exige registro antes da venda. Sem registro, os lotes ficam fora do controle da Anvisa, e a proibição trata disso, e não da composição de cada frasco.
Não foi a primeira medida contra a marca. A Anvisa já tinha publicado resoluções em 2021 e 2022 proibindo os produtos da Landerlan, e, segundo a Polícia Federal, eles não podem ser importados nem para uso pessoal.
O que a Polícia Federal encontrou na Landerlan
Nas perícias da Polícia Federal em 2024, a Landerlan foi a marca com mais casos entre os medicamentos examinados: 26,8% do total. A maior parte dos 20 produtos mais frequentes era dela. O Masteron® da marca, listado como Drostanolona Propionato, foi o 10º da lista, com 69 casos, e 2.499 frascos foram apreendidos no ano.
O relatório separa dois tipos de produto irregular. "Sem registro" é o que não foi aprovado pela autoridade sanitária do país onde é vendido. "Clandestino" é o que não tem registro em país nenhum e sai de laboratório de fundo de quintal. O relatório chama a RedShark de clandestina, e a Landerlan de empresa paraguaia, cujos produtos não têm registro no Brasil.
Falso, para a PF, é o produto cujo exame químico acha composição diferente da do rótulo. Em 2024, 46,3% dos clandestinos examinados eram falsos, contra 5,0% dos que eram só sem registro. O relatório não dá essa taxa por marca, e a Landerlan tem cópias: entre os medicamentos falsos mais frequentes do ano está a Durateston® da marca, com 12 casos e 6.219 ampolas. O Masteron® da Landerlan não aparece nessa lista, e o da RedShark aparece: 23 dos 40 casos periciados eram falsos, como mostra o teste do Masteron® RedShark.
Por isso, o lilás no pires fala daquele frasco, e o QR code, do lote que a empresa cadastrou. O próximo frasco com o mesmo rótulo pode ter saído de outro lugar. A mesma leitura vale para os outros produtos da marca que passaram pelo kit, como o enantato da Landerlan e a Durateston® Landerlan Gold.
Os riscos da drostanolona, como os de qualquer anabolizante, estão em Masteron® para que serve? Efeitos colaterais da drostanolona. Um frasco aprovado no reagente continua sendo anabolizante, e um produto proibido no Brasil chega sem controle sanitário daqui sobre dose, pureza e esterilidade. Se você pensa em usar um injetável, leve o produto e essas dúvidas a um médico.
Conclusão
No teste de cor, o Masteron® Landerlan foi bem: marrom claro, lilás sob a lanterna e nada de escurecer, com mais partículas que o da Actiza e um lilás mais claro que o roxo do Primobolan® da marca. A cor fica longe de medir dose, pureza e esterilidade, e o lilás vale também para o Primobolan®. E a "indústria farmacêutica" do teste, no Brasil, é uma marca proibida pela Anvisa em todos os lotes, a de mais casos nas perícias da Polícia Federal em 2024 e com cópias falsas circulando.
Perguntas frequentes
O Masteron® Landerlan é bom?
No teste de cor, passou: ficou marrom claro e depois lilás, como a tabela do kit prevê para a drostanolona, e não escureceu como a testosterona. É uma triagem, sem medida de dose ou pureza. No Brasil, o produto é proibido pela Anvisa.
Como saber se o Masteron® Landerlan é original?
Pelo QR code, lido no aplicativo do fabricante, ou pelo número do lote, no site, dá para ver se o lote foi cadastrado pela empresa. Código consultado muitas vezes é sinal de alerta, segundo o próprio fabricante. O conteúdo do frasco só um laboratório confirma.
A Landerlan é confiável?
Depende do país. No Paraguai, o fabricante se apresenta como indústria farmacêutica. No Brasil, a Anvisa proíbe todos os medicamentos da marca, que não têm registro. A Polícia Federal não a chama de clandestina, mas achou cópias falsas da Durateston® da Landerlan em 2024.
Quantos mg tem o Masteron® Landerlan?
Pelo rótulo e pela ficha do fabricante, 100 mg de propionato de drostanolona por mililitro, em frasco de 10 mL. O teste de cor não confere essa conta: medir a concentração exige laboratório.
Para que serve o Masteron® Landerlan?
É drostanolona, um esteroide anabolizante. Na ficha do fabricante, a indicação é genérica: doenças e estados que pedem mais síntese de proteína. Como remédio, a drostanolona foi usada contra o câncer de mama em mulheres, e nenhum medicamento com ela aparece na lista de registrados da Anvisa. Efeitos e riscos estão em Masteron® para que serve?.
A Landerlan tem Masteron® enantato?
No site do fabricante, a busca por drostanolona mostra só o propionato, em frasco de 10 mL e em caixa com ampolas de 1 mL. A diferença entre propionato e enantato está em Masteron® enantato ou propionato.
Existe Masteron® Landerlan em comprimido?
Existe um comprimido vendido como Drostenoland Masteron®, mas com outra substância: 10 mg de metildrostanolona, uma versão da drostanolona modificada para funcionar por via oral. O Androlic tem 25 mg de mesterolona, um hormônio masculino oral que o fabricante indica para homens com pouca testosterona. Os dois estão na lista de proibições da Anvisa.
Referências
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