Tópico velho que voltou à tona ano passado, e ele merece, porque essa dúvida aparece toda semana na academia e a resposta que se dá costuma ser a menos interessante das possíveis. Quase todo mundo responde pelo lado estético, e o argumento bom não é esse.
Antes disso, uma correção que vale porque a confusão é geral. Abdutor e adutor não são vizinhos, são opostos. A cadeira abdutora, aquela em que você abre as pernas, trabalha glúteo médio, glúteo mínimo e tensor da fáscia lata, ou seja, a lateral do quadril, e não tem nada a ver com o desenho da parte de dentro da coxa. Quem faz aquela linha interna que dá a impressão das pernas se fecharem por dentro é o grupo adutor, que é a cadeira em que você fecha as pernas. Então, para quem quer o efeito visual que o Emmanuel descreveu, a máquina é a outra.
Sobre os adutores, tem um detalhe que muda a resposta do tópico. Eles não são um musculozinho acessório. O adutor magno é um dos maiores músculos da coxa, e além de fechar a perna ele é extensor de quadril, ou seja, ele trabalha junto com o glúteo e o posterior em qualquer coisa que envolva subir de uma posição baixa. Por isso o Locemar está certo, e agora com um mecanismo por trás. Agachamento profundo, agachamento sumô, afundo e búlgaro dão trabalho pesado ao adutor magno de verdade, com carga alta, e nenhuma cadeira adutora chega perto disso. Se o seu treino tem esses movimentos com boa amplitude, o adutor está sendo treinado, você só não percebeu.
Agora o motivo bom para fazer abdução, e ele não é estético. Glúteo médio é o músculo que impede o joelho de cair para dentro. Quando ele é fraco, o joelho colapsa para dentro na subida do agachamento e no apoio de uma perna só, e isso é uma das causas mais comuns de dor no joelho em quem treina, principalmente em corrida e em quem tem quadril mais largo. Ou seja, o argumento não é ter a lateral bonita, é conseguir agachar pesado sem o joelho fugir. E existe um detalhe de execução que quase ninguém sabe. Na cadeira abdutora, incline o tronco para a frente em vez de ficar recostado. Com o quadril mais fechado a solicitação vai muito mais para o glúteo médio, que é o que interessa, e recostado sobra mais para o tensor da fáscia lata. Junte a isso abdução deitado de lado e caminhada lateral com elástico, que rendem mais que a máquina, e o problema se resolve.
Sobre a carga, o Kabul acertou em cheio e vale reforçar. Essas duas máquinas são as campeãs de peso desnecessário. Elas têm amplitude curta e alavanca curta, então o número na placa engana, e quando alguém empilha carga o que acontece é o tronco jogar para trás, o quadril sair do assento e o movimento virar impulso. Carga moderada, amplitude inteira e sem pressa valem muito mais aqui do que em qualquer outro exercício.
E sobre o buraco na coxa do rapaz que o Blackened citou, com todo respeito, essa quase nunca é a causa. Formato de coxa, onde o adutor insere e até onde ele desce em direção ao joelho é genética pura, e existe gente que treina adutor a vida inteira e mantém o mesmo desenho. Não dá para tirar de um caso isolado a conclusão de que faltou máquina.
Por último, ducarion, ninguém pegou o mais importante do seu treino, e o Reinaldo chegou perto. Cento e quarenta quilos no leg press por doze repetições e cinquenta quilos no agachamento livre por doze é uma diferença grande demais. Isso quase sempre significa que o agachamento está travado por técnica ou por mobilidade, não por força de perna. É ali que está a sua perna inteira parada, e não na cadeira abdutora. Coloque o agachamento no começo do treino, com o corpo inteiro descansado, invista nele por alguns meses, e o adutor e o abdutor viram detalhe. Ah, e agachamento hack com os pés juntos até a falha é a combinação que mais cobra do joelho, vale afastar um pouco os pés.
Resumindo, é necessário fazer. Só que pelo motivo certo, na máquina certa e depois que o básico estiver no lugar.
Por
Cláudio Chamini ·
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