A pergunta é boa e o @Locemar já apontou o caminho certo. Dá para fechar a resposta com o que se sabe hoje, porque a diferença entre as duas versões não é só de sensação, e ela tem uma consequência prática.
A diferença está na curva de resistência, ou seja, em que ponto do movimento o exercício é mais difícil.
Com halter, a resistência depende da gravidade e do ângulo do braço. Com o braço abaixado, o halter fica alinhado com o ombro e o esforço é praticamente nulo. A dificuldade aumenta conforme o braço sobe e chega ao máximo quando ele fica paralelo ao chão. Ou seja, a parte inicial do movimento, que é justamente aquela em que o deltoide está mais alongado, quase não tem carga.
Com o cabo, o ponto de maior resistência depende de onde está a roldana e de onde a pessoa fica em relação a ela. Com a polia baixa e o cabo passando por trás do corpo, existe tensão desde o começo, ou seja, exatamente onde falta no halter.
E é aí que a resposta deixa de ser só teórica. A evidência mais recente sobre hipertrofia mostra vantagem de treinar com o músculo em maior comprimento, ou seja, na posição alongada. Isso favorece a versão no cabo, que carrega justamente a porção inicial do movimento. Não faz do halter um exercício ruim, mas significa que os dois não são substitutos perfeitos.
Então, respondendo diretamente à dúvida dele sobre estar repetindo o mesmo exercício em dois treinos. Não está. Os estímulos são complementares, e manter os dois na semana é uma decisão acertada, não um desperdício.
Sobre a observação de que o cabo mantém tensão contínua, ela está correta e vale acrescentar o motivo. Com halter, se a pessoa desce o braço até colar no corpo, o músculo descansa por um instante a cada repetição. Com o cabo, isso não acontece. Quem quiser reproduzir esse efeito com halteres pode parar a descida um pouco antes de colar o braço no tronco.
Uma correção pontual. A ativação do supraespinhoso não é um efeito do cabo. Ele participa dos primeiros graus de afastamento do braço em qualquer variação, porque é ele quem inicia o movimento antes de o deltoide assumir. A diferença é de carga na parte inicial, não de músculo recrutado.
Sobre a dúvida a respeito de não passar da altura do ombro, a explicação dada está tecnicamente correta. Acima de aproximadamente noventa graus, quem continua o movimento é a rotação da escápula, com o trapézio, e o deltoide lateral já fez a parte dele. Duas consequências práticas. Para dar ênfase ao deltoide lateral, parar na altura do ombro faz sentido. E subir acima disso não é errado nem perigoso, apenas passa a ser um exercício também de trapézio. O que realmente importa é outra coisa, que é não iniciar o movimento encolhendo o ombro em direção à orelha, porque aí o trapézio superior rouba o exercício desde o começo. Manter o ombro para baixo e iniciar afastando o cotovelo resolve.
Sobre a elevação lateral inclinada, ela é uma boa variação e faz exatamente o que se comentou aqui. Deitado de lado em um banco inclinado, com o braço para baixo, existe tensão desde o começo do movimento, ou seja, é a versão com halter que mais se aproxima do cabo. Vale como escolha permanente, e não apenas como variação de uma semana.
E aqui vai a observação que eu acho mais importante para o treino que ele montou. Trocar exercícios a cada oito semanas para dar mais estresse não é o que faz crescer. O músculo não se acostuma com um exercício. O que gera crescimento é a carga ou o número de repetições subindo ao longo das semanas, e trocar de exercício zera essa progressão, obrigando a recomeçar com peso menor. Manter os mesmos movimentos e registrar carga e repetições rende mais. Muda se quando trava por algumas semanas, e não pelo calendário.
Por fim, uma observação sobre o objetivo declarado. Deltoide lateral é de fato a parte treinável que mais contribui para a impressão de ombro largo, e a decisão de priorizá lo está correta. Só vale lembrar que boa parte da largura vem do comprimento da clavícula e da caixa torácica, e essa parte não muda com treino. E a sugestão de dar atenção proporcional à porção posterior é acertada, tanto pela aparência de perfil quanto pela saúde do ombro.
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Cláudio Chamini · 2 hours ago 2 hr
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