@Pokoyô, metade da sua desconfiança está certa. Uma dieta com restrição moderada por algumas semanas, com o atleta ainda com gordura razoável, baixa a testosterona pouco. E testículo visivelmente atrofiado em poucas semanas de preparação natural não é algo que eu conheça descrito. Nesse ponto, quem aparece com testículo pequeno e testosterona no chão merece, sim, a suspeita.
O que muda a conta é a combinação de duração, tamanho do déficit e gordura que sobra. O caso do Rossow não foi de algumas semanas, foi uma preparação de cerca de seis meses até um percentual de gordura de palco. E o exemplo mais forte nem vem do fisiculturismo, vem do exército americano. No curso de Rangers, em que soldados magros passam oito semanas com déficit de mais ou menos 1.000 kcal por dia, pouco sono e esforço o dia inteiro, a testosterona caiu pela metade ou mais já no primeiro mês, e voltou rápido quando eles voltaram a comer. Ninguém ali usava nada. O déficit energético grande e prolongado é suficiente para levar o número a uma faixa que, num exame isolado, pareceria de usuário.
Então 200 ng/dl em cima de um palco natural não prova uso, mas também não prova inocência. O que separa um caso do outro é o resto do exame, como LH e FSH, e a velocidade com que tudo volta depois da competição. No natural, a testosterona sobe junto com a comida em poucas semanas. No pós-ciclo, a volta é bem mais lenta e às vezes não vem sem tratamento.
As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
Por
Cláudio Chamini ·
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