@Limpbr, antes da pergunta sobre trocar suplemento, tem um número no seu post que muda a ordem das prioridades e ninguém comentou.
Você tem 1,84 m e 54 kg. Isso dá um índice de massa corporal em torno de 16. A faixa considerada normal começa em 18,5, abaixo de 17 já é classificado como magreza grave. Não é ser magro, é estar bastante abaixo do peso, e nesse patamar a pergunta relevante deixa de ser qual hipercalórico comprar e passa a ser por que o seu corpo está nesse peso.
Isso importa porque baixo peso persistente em adulto tem causas identificáveis e tratáveis, e a maioria não se resolve comendo mais. Doença celíaca, que é subdiagnosticada e cursa justamente com dificuldade de ganhar peso. Hipertireoidismo, que acelera o gasto e vem com coração acelerado, calor e ansiedade. Doenças inflamatórias intestinais. Intolerâncias e má absorção. Diabetes. E também questões de comportamento alimentar, que são frequentes e nada vergonhosas. A boa notícia é que a triagem inicial é barata: hemograma, ferritina, TSH e T4 livre, glicemia, vitamina B12, vitamina D, proteínas totais e albumina, e sorologia para doença celíaca. Se algo aí aparecer, o ganho de peso deixa de ser força de vontade e passa a ser consequência do tratamento.
Uma coisa a favor da endocrinologista que você consultou: procurar médico foi acertado, e o plano baseado em batidas líquidas faz sentido justamente para quem não consegue comer volume, porque líquido sacia menos que sólido e passa mais rápido pelo estômago. Essa parte estava correta.
E sobre o comentário dela de que hipercalóricos podem conter hormônios, que foi rejeitado aqui de forma dura, é justo dizer que a forma ficou ruim mas a preocupação não é infundada. Existem levantamentos que analisaram suplementos esportivos e encontraram, numa parcela deles, substâncias não declaradas no rótulo, incluindo agentes anabólicos e estimulantes. Isso é real e é motivo legítimo de cautela médica com produtos de origem incerta. Ou seja, ela não estava inventando, apenas não explicou.
Sobre a discussão prática, algumas observações.
O Ovomaltine foi retirado por ser açúcar. Faz sentido para quem quer emagrecer, mas o seu caso é o oposto: você precisa de calorias e precisa que a bebida desça fácil. Palatabilidade é um recurso terapêutico para quem tem pouco apetite. Nesse contexto, açúcar numa vitamina não é o vilão, e retirá lo tira calorias que você não está conseguindo repor por outro caminho.
O @Locemar tem razão de que o Fortifit é caro pelo que entrega, e a substituição por um whey comum resolve isso. E a observação sobre distribuição de proteína ao longo do dia também é pertinente. Só vale lembrar que a sua prioridade número um é caloria total, e proteína vem em seguida.
Uma nota sobre o remédio para abrir o apetite. Não é suplemento, é medicamento, costuma causar sonolência importante e não deve ser usado por conta própria nem por tempo indeterminado. Ele pode ajudar em uma fase, mas trata o sintoma, não a causa, e é mais uma razão para investigar o que está por trás.
Um cuidado que quase nunca é mencionado e que se aplica a quem está bem abaixo do peso: aumentar a ingestão de forma muito abrupta pode provocar desequilíbrios importantes de eletrólitos, principalmente de fósforo e potássio. Por isso, no seu caso, subir calorias de forma progressiva ao longo de semanas é mais seguro do que dobrar tudo de uma vez, e é outro motivo para fazer isso acompanhado.
Por fim, dois quilos e meio a três quilos em dois meses, para quem tem dificuldade de comer, não é pouco. É cerca de um quilo e meio por mês, ritmo que muita gente gostaria de ter. Se conseguir manter isso, chega aos 64 kg em algo próximo de sete meses. E vale garantir que o ganho seja de músculo e não só de peso, o que exige treino de força consistente, coisa que não apareceu no seu relato.
As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
Por
Cláudio Chamini ·
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