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Cristiano Ronaldo , pode ser considerado um projeto de fisiculturista?

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Em 12/07/2018 em 16:26, Pokoyô disse:

Ele tá  sim com físico de culturista. ...dorsal boa mas não excepcional. ...braços  finos....na certa por excesso de aeróbicos.

Hoje em dia o físico dele decaiu muito, mas na época destas fotos estava trincadaço mesmo, parecia um culturista, faltava só como você muito bem falou mais volume nos braços e na minha opinião um peitoral mais volumoso também, de resto achava sensacional o shape dele, quanto mais levando em conta que é um jogador de futebol e não culturista, ele se destacava demais perante aos físicos dos outros atletas em termos de desenvolvimento muscular

  • 3 anos depois...
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  • Boa definição. ...pouca massa muscular. ..dorsal precisaria ver expandida pra poder avaliar melhor.

  • O Shape dele realmente tem uma linha boa,mas seria necessário a adição de mais massa muscular e uma cintura um pouco mais fina.

  • Rafael Marzochio
    Rafael Marzochio

    Não a Categoria Men's Physique ele não se encaixaria. Silhueta com pouca densidade muscular sem falar que no atual BF ele perderia alguns pontinhos, talvez no Bodyshape e/ou Games Classic ele se encai

Tópico antigo e divertido, e o pessoal avaliou bem o shape. Queria só entrar com o outro lado da pergunta, que é o porquê. Porque a resposta explica bastante coisa útil para quem treina.

Projeto de fisiculturista ele não é, e não é por falta de disciplina ou de tempo, é porque as duas coisas puxam o corpo para lados opostos. Um jogador de futebol de alto nível corre em torno de dez quilômetros por partida, e treina correndo boa parte da semana. Esse volume de trabalho aeróbio atrapalha o ganho de massa, principalmente nas pernas, que é justamente onde ele acontece. O nome disso é efeito de interferência, e é o motivo de você não ver maratonista musculoso nem culturista com fôlego de meio-campista. Ele não é um culturista incompleto, ele é um atleta otimizado para outra coisa.

O Pokoyô cravou que os braços finos vinham do excesso de aeróbio, e ele está perto, mas eu diria de outro jeito. Interferência pega mais o que é treinado junto com a corrida, ou seja, perna. Braço fino em jogador tem uma explicação mais simples ainda, braço grande é peso morto para quem precisa acelerar e saltar. Ninguém naquela posição quer carregar cinco quilos a mais de bíceps pelo campo. Não é que ele não conseguiu, é que não interessava.

Sobre o percentual de gordura, o palpite de sete ou oito por cento das fotos é plausível para ele. Só vale lembrar que competidor sobe no palco abaixo disso, e por poucos dias, num estado que não dá para manter e que atrapalharia o desempenho dele em campo. E tem o detalhe que engana o olho, o mesmo percentual em quem tem menos volume muscular entrega aquele aspecto seco e fibroso, enquanto em quem tem muita massa entrega outra coisa completamente diferente. Definição e condição de palco não são a mesma medida.

Na questão do Men's Physique, concordo com o que o Rafael Marzochio escreveu, e por um motivo específico da categoria. Ela é julgada de bermuda, então perna quase não conta, o que em tese ajudaria alguém vindo do futebol. Só que ela premia justamente largura de dorsal e volume de ombro para formar o V, e é aí que faltaria bastante. Sem contar a apresentação, que é metade do resultado e é um ofício próprio.

E fica a parte que interessa para quem lê isso pensando no próprio treino. Aquele shape que todo mundo achou impressionante é, de longe, o mais alcançável de todos os físicos famosos. Ele é feito de gordura baixa, ombro e dorsal decentes e muita constância, e não de uma quantidade absurda de massa. Para a maioria das pessoas que entra na academia querendo se parecer com alguém, esse é um alvo bem mais honesto do que o de um Mister Olympia.

Parece que ele é adepto de dieta zero carb...e numa dessas foto tá com grande assimetria nas dorsais..até hoje ele está definido mas com pouco volume..mas é melhor assim pra ele porque é jogador de futebol.

Há 13 minutos, Cláudio Chamini disse:

Tópico antigo e divertido, e o pessoal avaliou bem o shape. Queria só entrar com o outro lado da pergunta, que é o porquê. Porque a resposta explica bastante coisa útil para quem treina.

Projeto de fisiculturista ele não é, e não é por falta de disciplina ou de tempo, é porque as duas coisas puxam o corpo para lados opostos. Um jogador de futebol de alto nível corre em torno de dez quilômetros por partida, e treina correndo boa parte da semana. Esse volume de trabalho aeróbio atrapalha o ganho de massa, principalmente nas pernas, que é justamente onde ele acontece. O nome disso é efeito de interferência, e é o motivo de você não ver maratonista musculoso nem culturista com fôlego de meio-campista. Ele não é um culturista incompleto, ele é um atleta otimizado para outra coisa.

O Pokoyô cravou que os braços finos vinham do excesso de aeróbio, e ele está perto, mas eu diria de outro jeito. Interferência pega mais o que é treinado junto com a corrida, ou seja, perna. Braço fino em jogador tem uma explicação mais simples ainda, braço grande é peso morto para quem precisa acelerar e saltar. Ninguém naquela posição quer carregar cinco quilos a mais de bíceps pelo campo. Não é que ele não conseguiu, é que não interessava.

Sobre o percentual de gordura, o palpite de sete ou oito por cento das fotos é plausível para ele. Só vale lembrar que competidor sobe no palco abaixo disso, e por poucos dias, num estado que não dá para manter e que atrapalharia o desempenho dele em campo. E tem o detalhe que engana o olho, o mesmo percentual em quem tem menos volume muscular entrega aquele aspecto seco e fibroso, enquanto em quem tem muita massa entrega outra coisa completamente diferente. Definição e condição de palco não são a mesma medida.

Na questão do Men's Physique, concordo com o que o Rafael Marzochio escreveu, e por um motivo específico da categoria. Ela é julgada de bermuda, então perna quase não conta, o que em tese ajudaria alguém vindo do futebol. Só que ela premia justamente largura de dorsal e volume de ombro para formar o V, e é aí que faltaria bastante. Sem contar a apresentação, que é metade do resultado e é um ofício próprio.

E fica a parte que interessa para quem lê isso pensando no próprio treino. Aquele shape que todo mundo achou impressionante é, de longe, o mais alcançável de todos os físicos famosos. Ele é feito de gordura baixa, ombro e dorsal decentes e muita constância, e não de uma quantidade absurda de massa. Para a maioria das pessoas que entra na academia querendo se parecer com alguém, esse é um alvo bem mais honesto do que o de um Mister Olympia.

s aí a dorsal tá muito asso.etrico...continua até hoje assim..muito definido e sem muito golume muscular...até porque peatica futebol.

Pokoyô, dieta zero carboidrato é a única parte que eu contestaria, e vale explicar porque essa ideia pega muita gente que treina.

Futebol é o esporte que mais depende de glicogênio muscular que existe. Não é corrida contínua, é esforço intermitente de alta intensidade, com sprint, freada e mudança de direção, e esse tipo de trabalho usa carboidrato como combustível principal, sem substituto. As recomendações para jogador profissional ficam na faixa de cinco a sete gramas por quilo por dia em dia de treino, subindo para sete a doze em período de jogo e recuperação. Para um jogador de oitenta e cinco quilos, isso são quatrocentas a seiscentas gramas de carboidrato por dia. Zero carb ali não é uma escolha excêntrica, seria inviabilizar o ofício.

E há medida disso. Quando se compara jogadores que entram em campo com o estoque de glicogênio cheio e com o estoque baixo, os de estoque baixo percorrem menos distância e fazem menos sprint, e a queda aparece justamente no segundo tempo. Ou seja, o preço de faltar carboidrato não é sentir fraqueza vaga, é render menos exatamente nos minutos que decidem jogo.

O que costuma gerar essa impressão de zero carb é que o cardápio divulgado dele evita farinha refinada, pão e massa branca, e privilegia arroz integral, batata, aveia, quinoa e legumes. Isso não é ausência de carboidrato, é escolha de fonte. Coisa bem diferente, e a confusão entre as duas é o que faz gente aqui no fórum cortar carboidrato achando que está imitando atleta e depois não entender por que o treino caiu de rendimento.

Sobre a assimetria de dorsal, ela é a regra e não a exceção. Praticamente todo mundo tem um lado mais desenvolvido, e em esporte com dominância de perna e de giro isso é ainda mais esperado. Só vira assunto quando é grande a ponto de mudar a mecânica ou quando aparece junto com dor ou perda de força. Em foto, ângulo e rotação do tronco criam assimetria que não existe.

E uma correção no que eu mesmo escrevi acima. Eu disse que o palpite de sete ou oito por cento era plausível. Fui buscar dado melhor depois e o cenário é outro: levantamentos com densitometria em jogadores profissionais mostram média em torno de doze por cento, e valores abaixo de dez por cento são raros mesmo na elite, com atacantes e laterais um pouco mais magros que meio campistas. Então o mais provável é que ele estivesse na faixa de dez a doze por cento, e não abaixo. Continua sendo excelente para quem sustenta isso a temporada inteira, mas fica o registro, porque estimativa por foto quase sempre chuta para baixo, e é assim que se cria expectativa impossível em quem lê.

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