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BF 20% Cutting ou Bulking?

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Bom pessoal, tenho 1,66m, peso atualmente 70kg, já fui gordo na infância 87kg e eliminei com o tempo, hoje sou um falso magro.. na região das minhas costas eu vejo que tenho muita gordura acumulada (pneuzinhos) e na frente tenho gordura na barriga e no peito.. devo fazer um cutting e abaixar meu bf? Na minha última avaliação meu bf estava em 22% e me sinto muito incomodado com essas gordurinhas.. enfim cutting para abaixar esse bf? Malho a 3 meses (sendo o primeiro com dedicação aeróbica e agora cortei os aeróbicos para focar na musculação).

 

Quando eu sento parece que sou gordo novamente a minha barriga se estende.. 

  • 7 anos depois...
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@gsouza1303, seu tópico ficou sem nenhuma resposta. Vou responder a pergunta direta e depois acrescentar uma informação sobre o seu histórico que eu acho que vai te explicar bastante coisa.

A resposta curta: não faça um cutting agressivo. Não no seu caso, não agora.

O motivo.

Você tem 1,66 metro, 70 quilos e 22 por cento de gordura, com três meses de treino. O que você descreve como falso magro é exatamente isso: percentual de gordura moderadamente elevado combinado com pouca massa muscular.

O problema é que o cutting agressivo só ataca metade disso. Se você entrar em déficit forte agora, vai sair de 70 para uns 62 quilos, vai perder músculo junto, porque tem pouco a proteger e pouco tempo de treino, e vai chegar lá continuando a se achar mole. Só que menor.

O aspecto de falso magro vem tanto da falta de músculo quanto do excesso de gordura. Cortar resolve um lado e piora o outro.

O que funciona no seu caso é um déficit pequeno, mantendo o treino de força. Você reúne as três condições em que a recomposição corporal acontece de forma consistente: iniciante, percentual de gordura elevado, e provavelmente vindo de uma ingestão de proteína baixa.

Na prática:

Déficit de 300 a 400 calorias por dia, não mais. Mire perder algo em torno de 0,5 quilo por semana.

Proteína entre 130 e 155 gramas por dia. Em déficit, proteína alta é o que preserva e constrói músculo, e no seu caso ela é o item mais importante da dieta inteira.

Mantenha a musculação com progressão de carga registrada. É ela que sinaliza ao corpo o que preservar.

Nesse ritmo, em quatro a seis meses você sai dos 22 por cento para a casa dos 15, tendo ganhado músculo no caminho, e aí o resultado é o que você quer. Não é o caminho mais rápido na balança. É o único que chega no lugar certo.

Um ajuste: você cortou o aeróbico completamente para focar na musculação. Não precisa. A ideia de que aeróbico destrói ganhos é exagerada, e o efeito de interferência aparece principalmente com volumes altos de treino de resistência aeróbica, não com duas ou três sessões moderadas por semana. No seu caso o aeróbico ajuda a compor o déficit sem precisar cortar tanta comida, e faz bem por conta própria. O que não pode é ele tomar o lugar da musculação.

Agora a parte que acho mais importante, e é sobre o seu histórico.

Você mencionou que foi gordo na infância, chegando a 87 quilos. Isso tem uma consequência fisiológica concreta que quase ninguém conta.

Na infância e na adolescência, o ganho de gordura acontece em parte por aumento do número de células de gordura, e não só pelo tamanho delas. Esse número é em grande medida estabelecido até o início da vida adulta e não diminui depois. Quando um adulto emagrece, as células de gordura encolhem, mas continuam lá, na mesma quantidade.

Isso significa três coisas para você:

Primeira, atingir percentuais bem baixos tende a ser mais trabalhoso para quem teve obesidade na infância do que para quem não teve. Não é impressão sua.

Segunda, a tendência a recuperar peso é maior, e ela é fisiológica, não moral. O organismo tem mecanismos que empurram no sentido de reocupar aquelas células, e isso se expressa como fome e como redução do gasto durante e depois do emagrecimento. Não é falta de força de vontade, e você já perdeu 17 quilos ao longo da vida, o que mostra bem que disciplina não é o seu problema.

Terceira, e é a conclusão prática: no seu caso, a manutenção importa mais que a velocidade. Um déficit moderado que você sustenta por seis meses e consegue manter depois vale muito mais do que um corte agressivo de dois meses seguido de recuperação do peso. O plano que você consegue manter para sempre é o único que funciona para você a longo prazo.

Por último, dois ajustes de medição.

Sobre a barriga que se estende quando você senta: isso acontece com todo mundo, inclusive com pessoas em percentual de gordura de competição. A pele e o tecido subcutâneo do abdômen dobram quando o tronco flexiona. Não é indicador de nada, e usar isso como termômetro só vai te frustrar.

O que vale acompanhar é a circunferência de cintura, medida em pé, relaxado, na altura do umbigo, sempre nas mesmas condições, uma vez por semana. Para homens, abaixo de 94 centímetros é a faixa de risco baixo, e é um marcador de saúde de verdade, ligado à gordura visceral.

E acompanhe a média semanal do peso, nunca o peso de um dia isolado. Variação de um ou dois quilos entre dias é água e conteúdo intestinal.

Com três meses de treino, aliás, o melhor indicador de que está dando certo nem é aparência nem peso. É a carga subindo nos exercícios. A aparência vem depois, e vem de repente.

As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.

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