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Imagem sintética e meramente ilustrativa. Não é uma foto real.

Xyosted®: a caneta de testosterona é melhor que Durateston®?

O Xyosted® deixa a testosterona mais estável na semana, mas não tem registro no Brasil. Compare com Deposteron® e Durateston® e veja o que falta provar.

O Xyosted® é enantato de testosterona dentro de uma caneta: o próprio paciente aplica, uma vez por semana, na gordura da barriga, sem a injeção no músculo de Deposteron® e Durateston®. A promessa é fugir dos picos e vales, a testosterona que sobe muito logo depois da injeção e cai antes da próxima. Nos estudos da caneta, a curva da semana ficou mesmo estreita. O produto, porém, não tem registro no Brasil.

Quem compara as três opções é o urologista e andrologista Claudio Guimarães, no vídeo “XYOSTED® TESTOSTERONA SUBCUTÂNEA VS. DEPOSTERON® E DURATESTON®: QUAL É MELHOR?”. Para ele, o Xyosted® “parece ser um produto superior” para quem busca uma reposição estável e com menos efeitos colaterais, e vale pagar mais caro por isso. A estabilidade tem apoio em estudos. Nos efeitos colaterais, há um estudo a favor da caneta contra o cipionato e nenhum contra o Durateston®.

O que é o Xyosted®

É o mesmo enantato de testosterona usado há décadas na injeção no músculo, num autoinjetor de dose única com 0,5 mL de óleo de gergelim. Há três doses: 50, 75 e 100 mg. A bula manda começar com 75 mg por semana, sempre no abdômen, e evitar o músculo e a veia. Mais sobre o éster em enantato de testosterona.

Há quem ajuste a dose pela testosterona total, pela SHBG, a proteína que prende a testosterona no sangue, e pelos sintomas. A bula usa uma regra mais simples. Depois de 6 semanas, mede-se a testosterona total 7 dias após a última aplicação. Abaixo de 350 ng/dL, a dose sobe 25 mg. A partir de 650 ng/dL, desce 25 mg.

Xyosted®Deposteron®Durateston®
TestosteronaEnantatoCipionatoQuatro ésteres (propionato, fempropionato, isocaproato e decanoato)
Dose por aplicação50, 75 ou 100 mg200 mg250 mg de ésteres, que equivalem a 176 mg de testosterona
Volume0,5 mL2 mL1 mL
ÓleoGergelimAmendoimAmendoim
Via na bulaSubcutânea, no abdômenIntramuscular profunda, no glúteoIntramuscular profunda
Intervalo na bulaSemanalA cada 2 semanas (a bula admite de 2 a 4)A cada 3 semanas
Registro na AnvisaNãoSimSim

Picos e vales: o que os estudos mostram

Na escala de estabilidade, o Xyosted® fica no topo, o Durateston® tem os picos mais altos e o Deposteron® fica no meio. Os números de cada um vêm de estudos diferentes, e nenhum colocou os três lado a lado.

Com o Xyosted®, a testosterona chega ao máximo cerca de 12 horas depois da aplicação e cai devagar até a semana seguinte. Na 12ª semana do estudo da bula, 90% dos 150 homens tinham a média da semana dentro da faixa normal, de 300 a 1.100 ng/dL, e nenhum passou de 1.500 ng/dL no pico. No estudo anterior da caneta, feito com participação da fabricante e 39 homens, a variação ao longo da semana foi pequena em comparação com 200 mg de enantato no músculo.

Com 200 mg de cipionato no músculo, a dose de uma ampola de Deposteron®, a testosterona triplicou entre o 2º e o 5º dia e voltou ao nível de antes perto do 14º dia, num estudo com 11 homens com hipogonadismo. A meia-vida do cipionato, o tempo para o corpo eliminar metade da dose, é de cerca de 8 dias, segundo a bula.

O Durateston® mistura um éster rápido, o propionato, com outros mais lentos, até o decanoato. Uma ampola leva a testosterona a perto de 2.000 ng/dL em 24 a 48 horas, quase o dobro do topo da faixa normal, e ela volta ao limite inferior em cerca de 21 dias, segundo a bula. Por isso a aplicação é a cada 3 semanas. Dividir a ampola para achatar a curva tem limites, explicados em fracionar o Durateston®.

Protocolos ajustados de Deposteron® podem chegar a uma estabilidade perto disso. A diretriz da Endocrine Society, sociedade americana de endocrinologia, prevê cipionato ou enantato em 75 a 100 mg por semana, como alternativa aos 150 a 200 mg a cada 2 semanas. E num estudo de 2022, descrito adiante, o cipionato semanal no músculo levou a testosterona à faixa normal tanto quanto a caneta.

Os picos e vales têm efeito? A diretriz diz que a oscilação da testosterona nas injeções a cada 2 semanas pode vir acompanhada de oscilação dos sintomas. O autor da comparação diz que não sente essa diferença: já parou a testosterona sem fazer a TPC, a terapia usada para religar a produção natural, e não notou mudança. Ele mesmo lembra que usou por pouco tempo e que muitos pacientes sentem.

Dá para aplicar Deposteron® e Durateston® na subcutânea?

A subcutânea aceita pouco volume. A ampola de Deposteron® tem 2 mL, e o ideal seria menos de 0,5 mL, o volume da caneta, mas esse limite não está em bula. Num estudo com 4 mL de undecilato de testosterona, a aplicação na gordura doeu mais no dia seguinte que a no músculo.

A gordura tem menos vasos que o músculo, e isso muda a liberação do hormônio. Uma revisão de 2022 sobre testosterona na subcutânea diz que a absorção depende da viscosidade do óleo, da concentração, do volume e do local. Nos estudos, as reações na pele foram em geral leves e passageiras, como vermelhidão e pequenos nódulos.

Óleo mais viscoso na subcutânea traria mais risco de nódulo, inflamação e má absorção, e uma mistura de ésteres como o Durateston® poderia ter absorção “errática”. Não há estudo publicado do Durateston® na gordura, então isso fica como hipótese.

O cipionato vendido nos Estados Unidos vem em óleo de algodão, e não no de amendoim do Deposteron®. Há quem use esse cipionato fora da bula na subcutânea, em doses menores, duas a três vezes por semana e sempre com pouco volume. Os estudos publicados usaram uma aplicação por semana, de cipionato ou de enantato. Num deles, com 63 homens trans, que também usam testosterona, todos chegaram à faixa masculina normal, e os que vieram da injeção no músculo preferiram a nova via. Em outro, com 11 pessoas, a testosterona ficou estável entre as aplicações.

As bulas do Deposteron® e do Durateston® só preveem a via intramuscular. As duas usam óleo de amendoim, e a do Durateston® proíbe o uso em quem tem alergia a amendoim ou soja. Os estudos da subcutânea estão em testosterona subcutânea ou intramuscular, e a técnica de cada via, em como aplicar testosterona.

Menos efeitos colaterais?

O Xyosted® também tem efeitos. A bula registra aumento médio de 3,9 mmHg na pressão sistólica, a máxima, e de 1,5 mmHg na diastólica depois de 12 semanas, medidas por 24 horas, e 10% dos homens começaram ou mudaram remédio de pressão no estudo de um ano. Até julho de 2025, esse aviso vinha numa caixa de destaque no topo da bula. Hoje está entre as precauções, com a recomendação de medir a pressão de tempos em tempos. Hematócrito alto, sinal de sangue mais grosso, apareceu em 14% dos homens no mesmo estudo.

Contra uma injeção do mesmo éster do Deposteron®, há um estudo a favor da caneta. Em 2022, 234 homens com hipogonadismo receberam 100 mg por semana de enantato em autoinjetor subcutâneo ou de cipionato no músculo. A testosterona subiu igual nos dois grupos, e com o autoinjetor o estradiol e o hematócrito ficaram mais baixos. Como o éster e o aparelho mudaram ao mesmo tempo, não dá para saber qual dos dois fez a diferença. Com o Durateston®, não há comparação. Os números que pedem atenção nos exames estão em hematócrito e pressão.

Na dor, a escala vai de baixa no Xyosted® a intermediária no Deposteron® e intermediária a alta no Durateston®, e nenhum estudo mediu as três. No estudo de um ano da caneta, mais de 95% dos homens disseram não sentir dor na aplicação. Para quem tem dor ou medo da agulha no músculo, isso pesa na hora de manter o tratamento.

Custo, dose fixa e o Brasil

Os limites do Xyosted® são o custo alto e a dose menos flexível. São só três canetas, de 50, 75 e 100 mg, e o ajuste anda de 25 em 25 mg. Com a ampola, a dose e o intervalo mudam com mais liberdade.

Nos dados abertos da Anvisa, não há registro do Xyosted® nem de nenhum enantato de testosterona. Com registro ativo, há cipionato (Deposteron® e Testocyp®), undecilato injetável (Nebido® e similares), Durateston® e testosterona em gel. Os implantes, lembrados como opção, não têm registro, e os manipulados com hormônios androgênicos para estética, massa ou desempenho foram proibidos pela Anvisa em 2024.

Vale pagar mais pela estabilidade? Aqui, a pergunta prática é outra: com o que está à venda, o médico pode encurtar o intervalo do cipionato para deixar a curva mais plana. Tudo isso vale numa reposição de verdade, com hipogonadismo confirmado em exames. O Conselho Federal de Medicina proíbe a prescrição de anabolizantes, testosterona incluída, para estética, ganho de massa ou desempenho. Antes de escolher a forma, vale entender quando a reposição é para sempre.

Conclusão

Nos estudos da caneta, o Xyosted® manteve a testosterona dentro da faixa normal ao longo da semana, sem os picos altos que a bula do Durateston® mostra. Contra o cipionato no músculo, teve hematócrito e estradiol menores num estudo de 2022, mas a própria bula registra aumento de pressão e de hematócrito. Com o Durateston®, nenhum estudo comparou. No Brasil, a alternativa mais próxima é o cipionato em dose semanal, com receita e exames.

Perguntas frequentes

O Xyosted® é vendido no Brasil?

Não. Nos dados abertos da Anvisa não há registro do Xyosted® nem de outro enantato de testosterona. Ele é vendido nos Estados Unidos.

O que tem dentro da caneta de Xyosted®?

Enantato de testosterona em óleo de gergelim: 50, 75 ou 100 mg em 0,5 mL, numa caneta de dose única para aplicar uma vez por semana na barriga.

Posso aplicar Deposteron® ou Durateston® na subcutânea?

As duas bulas preveem só a via intramuscular. Há estudos com cipionato e enantato na subcutânea, em volumes pequenos, mas nenhum com o Durateston®, e a ampola de 2 mL do Deposteron® passa do volume da caneta.

A testosterona subcutânea funciona?

Nos estudos, sim: com enantato ou cipionato semanal na gordura, a maioria chegou à faixa normal de testosterona. A comparação completa com o músculo está em testosterona subcutânea ou intramuscular.

Qual injeção de testosterona dura 3 meses?

É o undecilato de testosterona, como o Nebido®: 1.000 mg em 4 mL de óleo de rícino, aplicados no músculo a cada 10 a 14 semanas, segundo a bula.

Existe adesivo de testosterona no Brasil?

Nos dados abertos da Anvisa, não há adesivo de testosterona com registro. Para a pele, existem géis, como Androgel® e Testogel®.

Qual a melhor testosterona para injetar?

Não há uma melhor para todos. A diretriz da Endocrine Society lista enantato e cipionato a cada 1 ou 2 semanas e o undecilato de longa duração. A escolha depende do diagnóstico, da resposta nos exames, da dor, do custo e do que está à venda.

Referências

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