A Lyly fez uma pergunta bem concreta no fim e recebeu como resposta que abrisse outro tópico. Vou responder aqui, porque a pergunta é ótima e é a mesma de muita gente que chega neste tópico.
O que comer entre as refeições, com proteína e sem depender de suplemento: iogurte natural ou grego, ovo cozido, que dá para levar pronto na bolsa, queijo branco ou ricota com pão, leite ou leite com achocolatado, atum em lata, castanha ou pasta de amendoim com fruta. Nenhum desses precisa de geladeira por poucas horas nem de tempo para preparar. Dois lanches desses por dia resolvem o buraco entre oito e meio-dia e entre meio-dia e seis e meia, que era exatamente onde estava faltando comida.
E, sobre a meta de proteína, a conta que ela leu estava um pouco inflada. Para cinquenta e nove quilos, algo entre noventa e cento e vinte gramas por dia dá conta com folga. Isso é bem mais fácil do que parece: um ovo tem seis, um copo de leite tem oito, um pote de iogurte grego tem quinze, um filé de frango tem trinta e cinco, e o feijão e o arroz do almoço somam mais uns dez. Quatro ou cinco itens desses no dia já fecham a conta sem suplemento nenhum.
Uma correção com carinho no que o Lipstick disse: não é a falta de comer de três em três horas que trava resultado. O que decide é o total do dia. Só que, no caso específico dela, o total do dia estava mesmo pequeno, e comer mais vezes é justamente o jeito mais prático de aumentar esse total quando as refeições principais são pequenas. Ou seja, o conselho serve, mas pelo motivo certo.
Sobre o medo de fazer dieta e emagrecer, o Fernando Bull e o Reinaldo já responderam bem, e eu só reforço: dieta para ganhar peso existe, é só comer acima do que se gasta. E, sobre não achar nutricionista esportivo por causa do preço, eu discordaria um pouco do que foi dito aqui. Nutricionista comum resolve muito bem um caso de alguém que come pouco e precisa comer mais. Não deixe de procurar por não achar o especialista.
Agora, a parte que ninguém tocou e que eu acho que era o problema principal, porque ela mesma deu a pista.
Ela escreveu que tem resistência mas não tem força. Isso não é uma característica dela, é o resultado direto do treino que estava fazendo. Quatro séries de quinze no leg press, quatro de vinte na panturrilha, três de quinze na extensora, tudo com o mesmo peso, semana após semana. Esse treino ensina o corpo a aguentar mais tempo, e não a ficar mais forte, e é por isso que um ano passou sem mudança visível.
O que muda isso são duas coisas. A primeira é a faixa de repetições: nos exercícios grandes de perna, trabalhar entre seis e doze repetições, com um peso que realmente termine difícil na última série. A segunda, e é a que decide tudo, é anotar o peso de cada série e subir sempre que a série sair fácil. Sem esse registro, é fácil passar meses repetindo o mesmo cem quilos.
E vale colocar exercício que carregue de verdade. O agachamento livre, que o Locemar e o Reinaldo já indicaram, mais um levantamento terra romeno ou uma mesa flexora, e uma elevação de quadril, que é dos melhores exercícios que existem para glúteo e que raramente aparece em treino montado em academia. O treino que o Reinaldo sugeriu, com perna duas vezes na semana em três dias, é uma base bem melhor do que o que ela vinha fazendo.
Sobre o whey que estava chegando, o Reinaldo tem razão em dizer que não era prioridade. Ele resolve uma coisa só, que é praticidade quando não dá para comer. Como atalho para os dias corridos de trabalho, tem valor. Como solução para um dia de mil e quatrocentas calorias, não tem.
E, sobre o leite antes de dormir que ela chamou de vício: mantenha. É proteína, ajuda a dormir e é uma das poucas coisas boas que já estavam na rotina dela.
Por
Cláudio Chamini , · Postado 14 horas atrás 14 hr
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