@marciomendonsa, você terminou o tópico dizendo que ficou triste, e eu acho que a tristeza veio de uma troca de pergunta no meio do caminho. Vou desfazer isso, porque a resposta para o que você perguntou é sim.
O tópico mudou de alvo sem perceber
Você perguntou sobre ficar no estilo capa da Men's Health.
E o tópico passou a discutir Felipe Franco e Jeff Seid, que são atletas competitivos de Men's Physique, com 45 a 46 centímetros de braço e preparação de palco.
Esses dois alvos não têm quase nada a ver um com o outro.
Modelo de capa de revista costuma estar entre 10 e 12 por cento de gordura, com musculatura boa mas moderada, fotografado com luz de estúdio, com o músculo congestionado na hora e com retoque digital depois.
Atleta de palco é outra categoria, com outro nível de massa e com uma preparação que ele próprio não sustenta o ano inteiro.
Você foi desencorajado a partir de um alvo que não era o seu.
O número que responde a sua pergunta
Existe uma forma de estimar o teto natural, chamada índice de massa livre de gordura.
O trabalho de referência comparou usuários e não usuários de anabolizantes e encontrou que, entre os não usuários, o índice normalizado raramente ultrapassa 25, enquanto os usuários passavam disso com facilidade. Esse valor de 25 virou a estimativa mais usada para o limite natural.
Traduzindo para o que interessa: um homem de 1,80 metro, com 10 por cento de gordura e índice de 23 a 24, pesa entre 82 e 87 quilos.
Isso é um físico excelente, e é exatamente o que aparece em capa de revista.
Ou seja, o alvo que você descreveu está dentro da faixa natural. O que ele exige é tempo, algo como três a cinco anos de treino consistente, e não farmácia.
O @Pokoyô estava certo, e o debate dele tem desfecho
A discussão histórica que ele travou com o @Arnold1989 e com o @frangofranca se resolve por data.
O Arnold1989 acertou nos fatos: a testosterona foi sintetizada em 1935 por Butenandt e Ruzicka, que ganharam o Nobel em 1939.
Mas o uso no fisiculturismo só começou de fato nos anos 50, e o dianabol foi lançado em 1958.
Steve Reeves competiu no fim dos anos 40 e chegou a cerca de 97 quilos com 1,85 metro, com braço em torno de 46 centímetros. Reg Park é da mesma geração.
Ou seja, Pokoyô, os seus exemplos são legítimos. E eles provam justamente o seu ponto: aquele físico é alcançável naturalmente, e é bem maior do que o tópico estava sugerindo ser possível.
Repare na ironia: o @oozaru mencionou o braço de 46 centímetros do Jeff Seid como prova de que precisa de anabolizante, e o Steve Reeves tinha praticamente o mesmo número, quarenta anos antes, sem ter o que tomar.
Sobre a pele fina e a vascularização
@Arnold1989, o seu ponto aqui é válido e merece complemento, porque ele diminui a frustração de muita gente.
Aquela vascularização extrema e a pele aparentemente colada no músculo são, em boa parte, condição do dia: depleção e recarga de carboidrato, manipulação de água e sódio nas 48 horas anteriores, congestionamento na hora, óleo na pele e iluminação de estúdio.
Nem os próprios atletas estão assim numa terça-feira comum. O que se vê na foto existe por algumas horas.
Comparar-se com uma imagem produzida é comparar-se com algo que nem o modelo sustenta.
Uma correção necessária, porque é conselho ruim
@Micael Silva, a receita que você deu tem quatro itens e os quatro atrapalham.
Não comer gordura nenhuma é prejudicial. Abaixo de 0,6 a 0,8 grama por quilo, a produção hormonal e a absorção de vitaminas lipossolúveis são comprometidas. E aí vem a ironia: isso derruba a testosterona, ou seja, trabalha contra exatamente o objetivo.
Controlar retenção e beber muita água é manobra de palco, feita em dias contados antes de uma competição. Não é estilo de vida e não faz ninguém ficar fitness.
Aeróbico em jejum não produz mais perda de gordura quando as calorias do dia são iguais. Isso foi comparado diretamente e a diferença não aparece.
E proteína sem parar tem teto: acima de 2,2 gramas por quilo não há ganho adicional.
Digo isso porque é justamente esse tipo de protocolo que faz a pessoa se esforçar muito, não chegar a lugar nenhum e concluir que sem anabolizante é impossível.
O que de fato leva você ao alvo
Treino de força com carga progressiva registrada, três a cinco vezes por semana, por anos.
Proteína entre 1,6 e 2,2 gramas por quilo.
Calorias ajustadas para subir devagar, com 0,25 a 0,5 por cento do peso por semana em fase de ganho.
Percentual de gordura administrado, sem ciclos de engordar muito e secar muito.
Sono de sete a nove horas.
O @RCruz2011 já tinha dito o essencial em 2013: dá para chegar num shape muito bom, mas exige anos de determinação. Ele estava certo, e isso não é motivo para tristeza. É só o preço, e ele é pagável.
As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.
Por
Cláudio Chamini ·
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