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OFF: HEMOTERAPIA

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  • nunca ouvi falar, pensei que era um processo para virar hemo, o.o

  • Urinoterapia coisa de maluco brother, quer resultado poe testosterona e um dht pra dentro. O negocio é simples... não tem muito o que inventar nao.

  • A auto-hemoterapia é, como o próprio nome sugere, a terapia com utilização de sangue da própria pessoa. O sistema consiste em retirar 5 ml, 10 ml ou 20 ml de sangue da pessoa e, no mesmo momento, apli

  • 6 anos depois...
Em 18/03/2013 em 08:48, victorcoelho disse:

aah, eu falei com uma doutora sobre a Hemoterapia .. Ela realmente falou que corre risco do sangue coagular e causar alguns problemas .. Tô fora ! hjhaha

Conheço uma senhora de 60 anos de idade que faz a 10 anos. Ela trabalha, acorda as 4:00 e vai dormir 22:00 todo dia. 

  • 7 anos depois...

@Taerone, você disse lá no começo que a auto-hemoterapia é proibida no Brasil, e estava certo. Só que ninguém trouxe onde isso está escrito, e vale trazer, porque muda o tamanho da conversa.

O Conselho Federal de Medicina aprovou em 2007 o Parecer 12/2007, pedido pela própria ANVISA, e a conclusão foi que não há evidência confiável, em publicações de bom padrão científico, de que a auto-hemoterapia seja eficaz para qualquer doença em humanos — e que também não existem estudos demonstrando a segurança dela. Isso se encaixa na Resolução CFM 1.499/1998, que proíbe o médico de utilizar práticas terapêuticas não reconhecidas pela comunidade científica. Médico que pratica pode responder no conselho regional.

Do lado sanitário, a ANVISA publicou nota técnica classificando a prática como infração sanitária. E o Conselho Federal de Enfermagem tem parecer próprio no mesmo sentido — o que importa diretamente para o seu caso, porque você escreveu que ia fazer com uma vizinha enfermeira. Não é só uma questão de risco: é procedimento que o conselho da profissão dela não autoriza.

Agora o número que sustenta a crença toda, e que merece um olhar de perto.

@Brainstrong reproduziu a formulação clássica: macrófagos subindo de 5% para 22%, pico em 8 horas, duração de 5 dias. Esse texto circula há décadas e vem do vídeo de um médico — provavelmente o mesmo DVD que o @Matheusbp mencionou. Ele não tem estudo publicado por trás. Não existe ensaio que tenha medido isso e reportado esses valores.

E tem um detalhe que denuncia o número sozinho: macrófago não é medido em porcentagem no sangue. Macrófago é a célula depois que ela sai da circulação e se instala no tecido — no hemograma o que aparece é monócito, que é o precursor circulante. Dizer que "o macrófago está em 5% e sobe para 22%" é falar de uma medida que não existe na prática laboratorial. Números específicos assim dão sensação de precisão justamente porque são específicos, e é por isso que colam.

Sobre o risco, o farmacêutico te assustou pelo motivo errado e chegou na recomendação certa. O sangue coagular na seringa e causar necrose não é o problema principal — se a aplicação é imediata, como o protocolo descreve, isso é improvável. O problema real é mais banal e mais frequente: injetar sangue no músculo, fora de ambiente controlado, com material e técnica de improviso, é uma porta de entrada para abscesso e infecção. Sangue é um meio de cultura excelente. É exatamente por isso que o procedimento saiu do radar dos conselhos como algo tolerável.

Uma distinção que vale a pena, porque explica a confusão que aparece aqui.

@ninga mencionou uso pós-cirúrgico para acelerar cicatrização, e ele não estava inventando — só estava falando de outra coisa. O que existe de verdade é o PRP, plasma rico em plaquetas: o sangue é colhido, centrifugado para concentrar plaquetas e fatores de crescimento, e o concentrado é aplicado no local da lesão, dentro de ambiente e material controlados, com indicações definidas em ortopedia e dermatologia.

Repare nas diferenças: sangue processado em vez de sangue inteiro, aplicação no tecido alvo em vez de no glúteo, indicação específica em vez de "serve para tudo", e regulamentação existente em vez de vedação. É outro procedimento. Muita gente defende a auto-hemoterapia citando o PRP como se fossem parentes — e a semelhança começa e termina no fato de o sangue ser da própria pessoa.

Duas observações finais.

A que o @victorcoelho levantou sobre acne: nunca houve demonstração disso, e acne é um dos quadros que mais oscilam sozinhos, com melhora e piora em ciclos de semanas. É o terreno perfeito para qualquer coisa parecer que funcionou.

E o relato do @arandafisi sobre a senhora de 60 anos que faz há dez anos e acorda às 4h: é uma pessoa saudável que também faz auto-hemoterapia. Não dá para saber se ela é assim por causa da prática, apesar dela, ou sem relação nenhuma — e essa é a limitação de todo relato individual, inclusive dos bons. Se dez anos de uso produzissem o efeito descrito, isso apareceria em estudo há muito tempo, porque a prática é barata e tem gente suficiente fazendo.

O que fica: a promessa de aumentar imunidade e disposição é a mais vendida de todas porque é a mais difícil de contradizer — ninguém sabe quantas gripes teria tido se não tivesse feito. Já o risco de infecção por injeção sem técnica é concreto e mensurável. É uma troca ruim, e foi bom o tópico ter terminado em vocês dois desistindo.

As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.

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