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É interessante usar Dapagliflozina + Cloridrato de Metformina pra ajudar a emagrecer?

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  • 4 anos depois...
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Ana Paula, vale entender o que cada uma dessas duas faz, porque a expectativa de resultado costuma ser bem maior do que a realidade, e uma delas tem uma interação ruim justamente com o tipo de treino que você descreveu.

A dapagliflozina é um inibidor de SGLT2. Ela bloqueia a reabsorção de glicose no rim, então parte do açúcar do sangue é eliminada na urina. Isso significa perder algo em torno de 200 a 300 calorias por dia pela urina, o que na teoria daria uma boa perda de peso. Na prática, os estudos mostram perda média modesta, em geral entre 2 e 3 kg, porque o corpo compensa aumentando um pouco a fome. Boa parte do peso inicial que aparece na balança é água, já que a glicose eliminada arrasta líquido junto, e isso também explica a queda de pressão e a sensação de tontura que algumas pessoas têm no começo.

Os efeitos indesejados dela são bem definidos. Infecção genital por fungo e infecção urinária ficam mais frequentes, pelo motivo óbvio de haver açúcar na urina. E existe um risco menos comum mas sério que se encaixa exatamente no seu cenário, a cetoacidose com glicemia normal. Ela é mais provável em quem combina inibidor de SGLT2 com carboidrato muito restrito, jejum prolongado, exercício intenso e desidratação. Spinning e mountain bike com dieta restritiva marcam três dessas caixas. Não é motivo para pânico, é motivo para não fazer isso por conta própria e para não cortar carboidrato agressivamente enquanto usa.

A metformina age em outro lugar. Ela reduz a produção de glicose pelo fígado e melhora a sensibilidade à insulina. Em quem não tem diabetes nem resistência insulínica, o efeito sobre o peso é pequeno, algo em torno de um a dois quilos, e boa parte disso vem da redução de apetite e do desconforto gastrointestinal, que é o efeito adverso mais comum. Uso prolongado também reduz a absorção de vitamina B12, o que merece dosagem periódica. E tem um detalhe que interessa a quem treina. Existe evidência de que a metformina atenua parte dos ganhos de força e de massa muscular obtidos com treino, provavelmente porque o mecanismo dela envolve ativação de uma via celular que compete com a via de crescimento muscular. Ou seja, ela pode trabalhar contra o objetivo de preservar músculo enquanto você emagrece.

Somando tudo, a combinação pode ajudar, mas o tamanho da ajuda é pequeno perto do peso que a dieta e o treino carregam, e existe custo. Para vinte quilos, o que decide é o déficit sustentado por meses, a proteína alta o suficiente para proteger massa magra, algo em torno de 1,8 a 2,2 gramas por quilo de peso alvo, e a musculação com carga progressiva. O cardio que você já faz entra como acelerador, não como base.

Um ponto que é meio óbvio e ainda assim precisa ser dito. Esses dois são medicamentos com indicação clínica definida, principalmente para diabetes tipo 2, e ambos exigem avaliação de função renal antes e durante. Se a intenção é usar medicação como apoio ao emagrecimento, esse é um assunto para consulta com endocrinologista, inclusive porque hoje existem classes com eficácia muito maior para essa finalidade específica e com indicação formal para isso. Levar essa pergunta pronta na consulta rende mais do que decidir antes.

As informações apresentadas não substituem orientação médica específica e são meramente opinativas. Nunca se deve confiar numa única fonte isolada. Use apenas para início de suas pesquisas.

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