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Imagem sintética e meramente ilustrativa. Não é uma foto real.

Ozivy® é seguro? Preço, quanto emagrece e diferença do Ozempic®

O Ozivy® foi aprovado para diabetes tipo 2. Veja o que muda por ser sintético, quanto peso se perde com 1 mg e quanto a caneta custa hoje.

O Ozivy® é seguro dentro do que a Anvisa aprovou: tratar diabetes tipo 2 em adultos. A agência avaliou eficácia, segurança e qualidade antes do registro, em maio de 2026. O que ainda falta são estudos publicados do próprio produto. E há um cuidado prático: a caneta fica na geladeira o tempo todo, enquanto o Ozempic® aberto aguenta até 30 °C por seis semanas.

A semaglutida fabricada no Brasil pela EMS é o tema de "Ozivy®: NOVO Ozempic® nacional BARATO é SEGURO?", do cardiologista Gustavo Lenci Marques. Ele explica por que a caneta custa tão menos e o que muda em relação ao Ozempic® e ao Mounjaro®. Desde a gravação, em julho, chegaram novas concorrentes e os preços caíram mais.

O que é o Ozivy® e para que ele foi aprovado

O Ozivy® tem semaglutida, o mesmo princípio ativo do Ozempic® e do Wegovy®, na mesma concentração do Ozempic® (1,34 mg por mL). A semaglutida imita o hormônio GLP-1: aumenta a insulina quando a glicose está alta e diminui o glucagon, o hormônio que faz o açúcar do sangue subir. A aplicação é uma vez por semana.

A bula tem uma indicação só: adultos com diabetes tipo 2 sem controle, junto com dieta e exercício. O Ozivy® pode ser o único remédio, quando a metformina não serve para a pessoa, ou entrar junto com outros remédios para diabetes. Até outubro de 2026, ele continua sem indicação para obesidade e sem a dose de 2,4 mg que o Wegovy® usa para emagrecer.

A molécula é igual à do Ozempic®, mas o processo de fabricação é outro (veja abaixo). Por isso a Anvisa registrou o Ozivy® como medicamento novo, e não como genérico. Em julho de 2026, ele entrou na Lista de Medicamentos de Referência. A lei brasileira não prevê genérico de remédio biológico, como o Ozempic®. Então genéricos e similares da semaglutida sintética precisavam de uma referência sintética, e o Ozivy® foi a primeira. (As outras semaglutidas registradas como medicamento novo foram comparadas com o Ozempic®.)

A entrada na lista já teve efeito. Em agosto, a Anvisa aprovou o primeiro genérico de semaglutida do país, da própria EMS, vendido sem marca. Vieram também dois similares, que têm nome comercial próprio: o Semaclique®, da Germed, e o Yluméc®, da EMS. Os três usam o Ozivy® como referência.

Como o Ozivy® é fabricado

A EMS largou na frente quando a patente da semaglutida caiu no Brasil, em 20 de março de 2026. O pedido de registro do Ozivy® estava na Anvisa desde novembro de 2023. E a empresa já fabricava um remédio parecido, a liraglutida, vendida como Olire® (obesidade) e Lirux® (diabetes), concorrentes do Saxenda® e do Victoza®. Com a linha de peptídeos pronta em Hortolândia (SP), a caneta chegou às farmácias em junho.

A diferença para o Ozempic® está no jeito de produzir a molécula. O Ozempic® sai de micro-organismos geneticamente modificados: leveduras da espécie Saccharomyces cerevisiae, a mesma do fermento de pão (e não bactérias, como se costuma ouvir). Elas fabricam a semaglutida em grandes tanques, e o produto passa por purificação. Manter essa produção sem contaminação exige cuidado enorme, e isso pesa no preço.

A semaglutida do Ozivy® é montada em laboratório, peça por peça, por síntese química, até formar a mesma sequência. Um processo é biológico, e o outro é químico.

O insumo vem da China

"Produzido no Brasil" vale para a caneta, e não para a matéria-prima. O insumo farmacêutico ativo (IFA), a semaglutida em pó que vira a solução da caneta, vem da chinesa Sinopep-Allsino, especializada em peptídeos. A Anvisa validou o dossiê desse fornecedor em 25 de maio de 2026, um dia antes de registrar o Ozivy®. A EMS lembra que cerca de 97% dos IFAs usados no Brasil vêm de fora.

Há quem diga que o contrato com a Sinopep prevê levar essa tecnologia para o Brasil até 2030. Os documentos públicos não mostram essa transferência nem esse prazo. O acordo de nacionalização que existe é outro: em 2025, a EMS e a Fiocruz assinaram a transferência da síntese do IFA de liraglutida e semaglutida para Farmanguinhos, no Rio de Janeiro, sem prazo divulgado.

Ozivy® é seguro?

Sintético não quer dizer mais seguro, nem menos. No biológico, a preocupação é contaminação, formação de grumos de proteína (agregados) e reação do sistema imune. Na síntese, a molécula pode carregar restos de solventes, de catalisadores metálicos e impurezas muito parecidas com a semaglutida. A Anvisa citou exatamente esses pontos ao aprovar o Ozivy®.

Um dos riscos avaliados nas versões sintéticas é a imunogenicidade: o corpo fabricar anticorpos contra o remédio, que podem tirar o efeito ou causar reação. A Anvisa diz que usa como modelo o guia do FDA americano e que analisa impurezas, agregados, esterilidade e anticorpos antes de aprovar. A análise reprova pedidos: em abril de 2026, a agência negou o registro de uma semaglutida da indiana Dr. Reddy's e de duas liraglutidas da Cipla.

O que os estudos mostram até agora

A EMS e a Anvisa ainda não publicaram os dados de comparação do Ozivy®. O que existe são estudos de outra semaglutida sintética, da indiana Sun Pharma, dona do Seemasun® e do Orsema® aprovados aqui. No diabetes tipo 2, 314 pacientes usaram a versão sintética ou o Ozempic® por 24 semanas, com doses que subiam até 2 mg. A hemoglobina glicada, exame que mostra a média do açúcar no sangue, caiu 2,04 pontos percentuais com a sintética e 1,95 com o original. Nenhum paciente formou anticorpos contra o remédio.

Em obesidade, 267 pessoas compararam a versão sintética da Sun com o Wegovy® por 24 semanas e perderam 13,8% e 14,1% do peso. Os dois estudos foram pagos pelo fabricante e duraram menos de seis meses. Endocrinologistas indianos que analisaram essas versões lembram que os ensaios de vários anos com a semaglutida original não valem automaticamente para cada versão, e que cada produto precisa dos próprios dados.

Fora do Brasil, a via sintética já foi aceita. Desde abril de 2026, o Canadá aprova semaglutida genérica e descreve esses produtos como "sintéticos complexos" equivalentes ao biológico de marca. Até outubro, a Anvisa não divulgou nenhum alerta, recolhimento ou lote falso do Ozivy®.

Na prática, a segurança depende de receita, compra em farmácia, geladeira e acompanhamento médico. Caneta de origem desconhecida, manipulada ou trazida do Paraguai perde as garantias do registro, como mostrou o caso da tirzepatida vendida no Paraguai. Quem tiver uma reação inesperada deve avisar o médico e pode notificar a Anvisa pelo VigiMed, aberto a qualquer cidadão.

Efeitos colaterais e sinais de alerta

Náusea e diarreia são as reações mais frequentes, em mais de 1 a cada 10 pessoas, e costumam melhorar com o tempo. Vômito, azia, prisão de ventre, gases, arrotos, dor de cabeça, tontura, cansaço e cálculo na vesícula aparecem em até 1 a cada 10. Quem também usa insulina ou sulfonilureia (um tipo de comprimido para diabetes) tem mais risco de hipoglicemia, e o médico pode reduzir a dose desses remédios antes de começar.

Quem treina deve pensar também na perda de massa muscular durante o emagrecimento com caneta, assunto tratado a partir do Mounjaro® em efeitos colaterais da caneta no músculo, no cabelo e na pele.

Alguns sintomas pedem atendimento no mesmo dia:

  • Dor forte e contínua na barriga, às vezes indo para as costas: pode ser pancreatite.
  • Piora repentina ou rápida da visão, inclusive perda de visão sem dor num olho.
  • Inchaço no rosto, nos lábios, na língua ou na garganta, com falta de ar: reação alérgica grave.
  • Vômito ou diarreia que não param, com sinais de desidratação, principalmente em quem tem problema nos rins.

O Ozivy® não serve para diabetes tipo 1 nem substitui insulina. Quem tem retinopatia diabética ou gastroparesia, ou tem caso pessoal ou na família de carcinoma medular de tireoide ou de neoplasia endócrina múltipla tipo 2, precisa conversar com o médico antes de usar. Na gravidez, o remédio fica proibido: quem planeja engravidar deve parar pelo menos 2 meses antes.

Doses e como aplicar

O esquema começa devagar, para o estômago se acostumar. São 0,25 mg uma vez por semana nas quatro primeiras semanas, depois 0,5 mg. Se a glicose continuar alta, o médico pode subir para 1 mg por semana, o teto da bula. A aplicação é embaixo da pele da barriga, da coxa ou do braço, a qualquer hora, de preferência no mesmo dia da semana.

Há duas canetas. A de início tem 1,5 mL (2 mg) e faz as doses de 0,25 e 0,5 mg: rende 4 doses de 0,25 mg e 2 de 0,5 mg, ou 4 doses de 0,5 mg. A de manutenção tem 3 mL (4 mg) e faz 4 doses de 1 mg, um mês de tratamento. A dose é escolhida girando o seletor até o contador mostrar o valor. O seletor faz cliques enquanto gira, mas a bula mede a dose pelo contador, e não por número de cliques.

Esqueceu a dose? Com até 5 dias de atraso, aplique assim que lembrar e mantenha o dia de sempre. Com mais de 5 dias de atraso, pule a dose. Para trocar o dia da semana, deixe pelo menos 3 dias desde a última aplicação. E não aplique dose extra para compensar.

Se o contador não voltar ao 0 depois de apertar o botão, a agulha pode ter entupido, e o remédio pode não ter saído. A bula manda trocar a agulha e refazer a aplicação com a dose inteira. Na dúvida sobre quanto entrou, fale com o médico ou o farmacêutico antes de repetir. Usar agulha nova em cada aplicação é o que a bula indica para evitar o entupimento.

Ozivy® precisa de geladeira o tempo todo

Esse é o detalhe que mais muda a rotina. O Ozivy® fica entre 2 °C e 8 °C antes e depois de aberto, longe do congelador e protegido da luz. Aberta, a caneta vale 8 semanas (56 dias). O Ozempic®, depois da primeira aplicação, aguenta até 30 °C por seis semanas. Entre as concorrentes sintéticas, o Owozy® informa até 42 dias fora da geladeira depois do primeiro uso, até 30 °C.

Em viagem, a caneta vai numa embalagem térmica e nunca na mala despachada: o porão do avião pode congelar o remédio, e caneta congelada pode perder o efeito. A solução deve ser límpida e incolor. Se estiver turva ou com partículas, não use. Outra mudança no aspecto pede conversa com o farmacêutico.

Ozivy® emagrece? Quanto se perde com 1 mg

Emagrece, mas menos do que as canetas de obesidade. O teto do Ozivy® é 1 mg por semana, a dose de diabetes do Ozempic®. Nos estudos com 1 mg em pessoas com diabetes tipo 2, a perda foi de 4,5 kg em 30 semanas, 6,5 kg em 40 semanas e 7% do peso em 68 semanas:

EstudoQuem participouDose e tempoPerda de peso
SUSTAIN 1 (2017)Diabetes tipo 2, sem outro remédio1 mg, 30 semanas4,5 kg (placebo: 1 kg)
SUSTAIN 7 (2018)Diabetes tipo 2, cerca de 95 kg1 mg, 40 semanas6,5 kg
STEP 2 (2021)Diabetes tipo 2 com sobrepeso1 mg, 68 semanas7,0% do peso
STEP 2 (2021)Diabetes tipo 2 com sobrepeso2,4 mg, 68 semanas9,6% do peso
STEP 1 (2021)Obesidade, sem diabetes2,4 mg, 68 semanas14,9% do peso

Os 15% que viraram manchete vêm da dose de 2,4 mg, em pessoas sem diabetes, e essa dose não existe no Ozivy®. Usar o Ozivy® para emagrecer é uso fora da bula: o médico pode prescrever, mas a decisão é dele, caso a caso. Aumentar a dose por conta própria traz mais enjoo e mais risco. Os estudos de obesidade incluíram pessoas com índice de massa corporal (IMC) a partir de 30, ou a partir de 27 com alguma doença ligada ao peso. Quem está nesse grupo encontra as opções com dose aprovada em canetas para emagrecer: quem deve usar.

O peso é só uma parte do efeito da semaglutida, que também tem estudos de coração, rins e fígado, reunidos em benefícios do Mounjaro® e do Ozempic® além do emagrecimento.

Ozivy®, Ozempic® e Mounjaro®: qual a diferença

Ozivy® e Ozempic® têm a mesma molécula, na mesma concentração, com as mesmas doses de 0,25 a 1 mg para diabetes tipo 2. Mudam a fabricação, a conservação e o preço:

Ozivy®Ozempic®
Princípio ativoSemaglutida feita por síntese químicaSemaglutida feita em levedura
FabricanteEMS (Brasil, insumo chinês)Novo Nordisk (Dinamarca)
Indicação no BrasilDiabetes tipo 2Diabetes tipo 2
Depois de abertoGeladeira, 56 diasAté 30 °C, 6 semanas
Caneta de 1 mg em programa do fabricanteR$ 333 (3 por R$ 999, julho)R$ 999 (NovoDia, setembro)

O Mounjaro® é outro remédio. Ele tem tirzepatida, que age em dois receptores (GLP-1 e GIP). No estudo SURMOUNT-5, em pessoas com obesidade sem diabetes, a tirzepatida tirou 20,2% do peso em 72 semanas, contra 13,7% da semaglutida nas doses de 1,7 ou 2,4 mg. A patente da tirzepatida vai até 2036, por isso ela não tem cópia aprovada. Quem pensa em trocar uma caneta pela outra encontra a conta das doses e do custo em trocar Mounjaro® por Ozivy®.

Quanto custa o Ozivy®

O preço é o que tornou o Ozivy® famoso. No lançamento, em junho, a caneta saía a partir de R$ 452. Em julho, a EMS passou a vender três canetas de 1 mg por R$ 999 no seu programa de desconto, com receita e cadastro. O que se pagava por uma caneta de Ozempic® de 1 mg no programa do fabricante (R$ 999) passou a comprar três de Ozivy®.

O Ozempic® também caiu. Em junho, a Eurofarma, que vende o Ozempic® da Novo Nordisk com o nome Extensior®, anunciou a caneta de 1 mg a R$ 309 no início do tratamento. Em agosto, ela baixou o Poviztra®, o Wegovy® que também vende, para R$ 829 (1,7 mg) e R$ 1.169 (2,4 mg). No programa da própria Novo Nordisk, o Ozempic® de 1 mg seguia a R$ 999 em setembro.

As novas semaglutidas sintéticas entraram no mesmo patamar. A Semavy®, da Hypera, chegou em setembro a R$ 333 por caneta. O Owozy®, lançado pela Biolab com a Sandoz, chega em novembro a R$ 349 por caneta levando três. Em setembro, a Anvisa proibiu a propaganda da Semavy® em painéis do aeroporto de Congonhas e nas redes, porque remédio de tarja vermelha não pode ser anunciado ao público.

Caneta de 1 mgPreço anunciado em programaTeto da CMED (SP, out/2026)
Ozivy®R$ 333 cada, em pacote de 3 (julho)R$ 1.314,37
Semavy®R$ 333 (setembro)R$ 1.314,37
Owozy®R$ 349 cada, em pacote de 3 (a partir de novembro)R$ 1.314,37
Extensior® (Ozempic® da Eurofarma)R$ 309 no início do tratamento (junho)R$ 1.314,37
Ozempic®R$ 999 (NovoDia, setembro)R$ 1.314,37

O teto da CMED é o preço máximo que a farmácia pode cobrar, e não o preço praticado: para a caneta de 1 mg, ele é igual para o Ozivy® e o Ozempic®. A caneta de início do Ozivy® (0,25 e 0,5 mg) tem teto menor, de R$ 664,02. Os preços de programa exigem cadastro e receita e mudam com frequência. Desde 2025, toda caneta de GLP-1 exige receita em duas vias, uma fica retida na farmácia, e a receita vale 90 dias.

O preço deve cair mais?

A tendência é de queda, porque a fila de concorrentes é longa. Em março de 2026, a Anvisa tinha 17 pedidos de registro de semaglutida, 8 deles já em análise. Entre julho e agosto, oito novas semaglutidas foram aprovadas depois do Ozivy®, três delas do grupo da EMS:

CanetaEmpresaTipoAprovação
Owozy®Ávita Care (lançado pela Biolab com a Sandoz)Medicamento novoJulho de 2026
Seemasun®SunMedicamento novoJulho de 2026
Zempneo®Brainfarma (Hypera)Medicamento novoJulho de 2026
Semavy®Cosmed (Hypera)Medicamento novoJulho de 2026
Orsema®Ranbaxy (Sun)Medicamento novoJulho de 2026
Semaglutida (genérico)EMSGenérico do Ozivy®Agosto de 2026
Semaclique®Germed (grupo EMS)Similar do Ozivy®Agosto de 2026
Yluméc®EMSSimilar do Ozivy®Agosto de 2026

Todas são semaglutida sintética para diabetes tipo 2. Nomes que aparecem nas buscas, como Poviztra® e Extensior®, são o Wegovy® e o Ozempic® da Novo Nordisk vendidos pela Eurofarma. O Olire® é liraglutida, outro remédio. Empresas que se apresentavam como candidatas, como a indiana Biocon (parceira da Biomm), a Prati-Donaduzzi e a Cimed, ainda não tinham registro até outubro.

Com tanta oferta, há quem aposte numa caneta de 1 mg entre R$ 130 e R$ 150 em julho de 2027. É uma projeção, sem preço anunciado que a sustente. Entre junho e outubro de 2026, os menores preços anunciados em programas ficaram entre R$ 309 e R$ 349 por caneta.

A pressão chegou também ao Mounjaro®, mesmo com a patente. Em junho, a Lilly baixou o kit inicial de 2,5 e 5 mg de cerca de R$ 3.350 para R$ 2.250 no programa de fidelidade. A próxima onda pode vir da retatrutida, que age em três receptores e tirou 28% do peso em 80 semanas no estudo TRIUMPH-1. A previsão de que ela chegue em uns dois anos é plausível: a Lilly prevê pedir o registro nos Estados Unidos no começo de 2027, e no Brasil a chegada depende de outro pedido à Anvisa.

Conclusão

O Ozivy® é a mesma semaglutida do Ozempic®, feita por síntese química no lugar das leveduras. Sintético não é mais nem menos seguro: cada processo tem seus riscos, e a Anvisa os avaliou antes do registro. Faltam estudos publicados do próprio produto. O preço caiu para um terço, o Ozempic® também ficou mais barato, e a tendência é de nova queda com a chegada das outras semaglutidas.

Para quem tem diabetes tipo 2, o Ozivy® entrega o efeito da semaglutida de 1 mg, com perda de 4,5 a 6,5 kg em menos de um ano nos estudos. Para tratar obesidade, ele fica abaixo da dose estudada. Em qualquer caso, a caneta deve ser usada com receita, comprada em farmácia, guardada na geladeira e acompanhada por um médico.

Perguntas frequentes

Ozivy® é seguro?

É, para o que foi aprovado: diabetes tipo 2 em adultos, com receita e acompanhamento. A Anvisa avaliou eficácia, segurança e qualidade antes do registro, e não há alerta nem recolhimento do produto até outubro de 2026. Enjoo e diarreia são as reações mais comuns, e o cuidado extra em relação ao Ozempic® é a geladeira o tempo todo.

O que é o Ozivy® e para que serve?

É uma caneta de semaglutida sintética da EMS, fabricada em Hortolândia (SP), para tratar diabetes tipo 2 em adultos. A semaglutida aumenta a insulina quando a glicose está alta e diminui o glucagon, o hormônio que sobe o açúcar no sangue. A aplicação é uma vez por semana, embaixo da pele.

Ozivy® é o genérico do Ozempic®?

Não. O Ozivy® tem a mesma semaglutida, na mesma concentração, mas foi registrado como medicamento novo, porque é feito por síntese química e o Ozempic® é biológico, feito em levedura. A lei brasileira não prevê genérico de biológico. Hoje o próprio Ozivy® é a referência dos genéricos e similares sintéticos.

Ozivy® ou Ozempic®: qual é melhor?

Depende do que pesa mais para você. O Ozempic® tem anos de estudos próprios e aguenta seis semanas fora da geladeira depois de aberto. O Ozivy® custava um terço do preço no programa de julho, mas exige geladeira o tempo todo e ainda não tem estudo publicado do próprio produto.

Ozivy® emagrece?

Emagrece, mas a bula é só para diabetes tipo 2, e o uso para emagrecer fica fora da bula. Com 1 mg por semana, a dose máxima, pessoas com diabetes perderam de 4,5 a 6,5 kg nos estudos. Para tratar obesidade, a dose estudada é 2,4 mg, que o Ozivy® não tem.

Quantos quilos o Ozivy® emagrece?

De 4,5 a 6,5 kg em 30 a 40 semanas, com 1 mg por semana, em pessoas com diabetes tipo 2. Dá menos de 1 kg por mês em média. No estudo mais longo, de 68 semanas, a perda foi de 7% do peso.

Ozivy® emagrece igual ao Mounjaro®?

Não. O Mounjaro® tem tirzepatida, que age em dois receptores. Em pessoas com obesidade, a tirzepatida tirou 20,2% do peso, contra 13,7% da semaglutida nas doses de 1,7 ou 2,4 mg. Com o teto de 1 mg do Ozivy®, a distância é ainda maior.

Quanto custa o Ozivy®?

No programa de desconto da EMS, três canetas de 1 mg saíam por R$ 999, ou R$ 333 cada, com receita e cadastro, na oferta anunciada em julho. Na farmácia, o preço varia, e o teto da CMED em São Paulo é R$ 1.314,37 para a caneta de 1 mg e R$ 664,02 para a de início. Cada caneta de 1 mg dura um mês.

Existe Ozivy® de 2,4 mg?

Não. A maior dose do Ozivy® é 1 mg por semana, e as canetas à venda têm só as doses de 0,25, 0,5 e 1 mg. No Brasil, a semaglutida de 2,4 mg, a dose de obesidade, só existe no Wegovy® e no Poviztra®, da Novo Nordisk.

Quais são as doses do Ozivy®?

Começa com 0,25 mg por semana durante quatro semanas, depois sobe para 0,5 mg. Se a glicose continuar alta, o médico pode passar para 1 mg por semana, o máximo da bula. A caneta de início faz as doses de 0,25 e 0,5 mg, e a de 3 mL faz só a de 1 mg.

Quantos cliques tem a dose de 0,25 e 0,5 mg do Ozivy®?

A bula não traz número de cliques. O seletor faz cliques enquanto gira, mas a dose é conferida no contador, que deve mostrar 0,25 ou 0,5 mg na caneta de início. Doses no meio do caminho, contadas por clique, ficam fora do que foi testado.

Uma caneta de Ozivy® dá quantas aplicações?

A de 1 mg dá 4 aplicações, um mês de tratamento. A caneta de início rende 4 doses de 0,25 mg e 2 de 0,5 mg, ou 4 doses de 0,5 mg. As caixas vêm com 1 ou 2 canetas, e cada caneta aberta vale 56 dias.

Quanto tempo o Ozivy® pode ficar fora da geladeira?

A bula não prevê tempo fora da geladeira. O Ozivy® fica entre 2 °C e 8 °C antes e depois de aberto, e vale 56 dias depois da primeira aplicação. Se a caneta ficou fora, fale com o farmacêutico antes de usar.

Como aplicar o Ozivy®?

Embaixo da pele da barriga, da frente da coxa ou do braço, uma vez por semana, com agulha nova a cada vez. Pode ser em qualquer horário, com ou sem comida, de preferência no mesmo dia da semana. Segure o botão até o contador voltar a 0: se ele não voltar, a agulha pode ter entupido.

Precisa de receita para comprar Ozivy®?

Precisa. Desde 2025, toda caneta de GLP-1 é vendida com receita em duas vias, e a farmácia fica com uma. A receita vale 90 dias.

Ozivy® dá diarreia, dor de cabeça ou sono?

Pode. Diarreia e náusea atingem mais de 1 a cada 10 pessoas e costumam passar com o tempo. Dor de cabeça e cansaço aparecem em até 1 a cada 10. Sono, suor frio e tremor juntos podem ser sinal de hipoglicemia, mais provável em quem também usa insulina ou sulfonilureia.

Ozivy® corta o efeito do anticoncepcional?

Pela bula europeia da semaglutida, não se espera queda no efeito da pílula: nos testes, o nível dos hormônios não caiu, e o de levonorgestrel até subiu 20%. A bula do Ozivy® recomenda usar anticoncepcional durante o tratamento e parar a caneta pelo menos 2 meses antes de engravidar.

Ozivy®, Semavy®, Extensior® ou Poviztra®: qual é melhor?

Ozivy® e Semavy® são semaglutidas sintéticas de 1 mg para diabetes, com o mesmo preço de programa. Extensior® e Poviztra® são o Ozempic® e o Wegovy® da Novo Nordisk vendidos pela Eurofarma, e só o Poviztra® tem a dose de 2,4 mg para obesidade. O Olire® é outro remédio, a liraglutida, aplicada todo dia.

Referências

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  2. AGÊNCIA BRASIL. Anvisa aprova novas canetas de semaglutida, incluindo 1ª genérica. Brasília, 17 ago. 2026. Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2026-08/anvisa-aprova-novas-canetas-de-semaglutida-incluindo-1a-generica. Acesso em: 28 out. 2026.
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  5. AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. Anvisa nega registro a produtos à base de semaglutida e liraglutida. Brasília, 13 abr. 2026. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/noticias-anvisa/2026/anvisa-nega-registro-a-produtos-a-base-de-semaglutida-e-liraglutida. Acesso em: 28 out. 2026.
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  16. EXAME. Novo Nordisk retoma venda direta de Ozempic e Wegovy: veja preços. São Paulo, 1 set. 2026. Disponível em: https://exame.com/invest/mercados/novo-nordisk-retoma-venda-direta-de-ozempic-e-wegovy-veja-precos/. Acesso em: 28 out. 2026.
  17. FOLHAPRESS. Anvisa inclui Ozivy, caneta brasileira de semaglutida sintética, na lista de referência para genéricos. Maceió, 10 jul. 2026. Disponível em: https://www.tnh1.com.br/noticia/nid/anvisa-inclui-ozivy-caneta-brasileira-de-semaglutida-sintetica-na-lista-de-referencia-para-genericos/. Acesso em: 28 out. 2026.
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  19. FORBES BRASIL. Anvisa proíbe propaganda de caneta emagrecedora Semavy. São Paulo, 25 set. 2026. Disponível em: https://forbes.com.br/forbes-saude/2026/09/anvisa-proibe-propaganda-de-caneta-emagrecedora-semavy/. Acesso em: 28 out. 2026.
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  24. ICTQ. Ozivy chega às farmácias a partir de R$ 287, acirrando disputa no mercado de GLP-1. São Paulo, 2 jun. 2026. Disponível em: https://ictq.com.br/varejo-farmaceutico/ozivy-chega-as-farmacias-a-partir-de-r-287-acirrando-disputa-no-mercado-de-glp-1. Acesso em: 28 out. 2026.
  25. JORNAL DE BRASÍLIA. Patente do Ozempic já expirou; e a do Mounjaro, quando cai?. Brasília, 24 mar. 2026. Disponível em: https://jornaldebrasilia.com.br/noticias/saude/patente-do-ozempic-ja-expirou-e-a-do-mounjaro-quando-cai/. Acesso em: 28 out. 2026.
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