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Acne por anabolizantes: o primeiro ciclo de Carol Sanches

Com menos de 40 dias de ciclo, a nutricionista teve acne grave e mais de um ano e meio de tratamento. Veja o que causa a acne e o risco do produto falso.

A acne por anabolizantes pode ser grave e aparecer em poucas semanas, até em quem nunca teve acne forte. Foi o que aconteceu com a nutricionista Carol Sanches aos 20 anos: com menos de 40 dias do primeiro ciclo, o rosto ficou irreconhecível, ela parou tudo e precisou de mais de um ano e meio de tratamento para recuperar a pele.

Ela conta a história em "ELA TOMOU BOMBA... E O PREÇO FOI ALTO | CAROL SANCHES", publicado no canal da Dragon Pharma Brasil, marca que vende anabolizantes. O relato é um alerta para quem pensa em começar a usar hormônio sem controle.

O primeiro ciclo aos 20 anos

Carol começou a treinar aos 16 anos e nunca parou. Aos 18, namorava um atleta e conheceu o fisiculturismo de perto. Depois de um ano e meio de psicologia, trocou o curso por nutrição. Aos 20, com quatro anos de treino, decidiu competir e procurou o coach do namorado. Ela queria a categoria wellness, e ele disse que levaria anos, mas que o biquíni era possível.

O protocolo tinha três hormônios, dois injetáveis e um oral, para um ciclo de três meses. Os produtos chegavam em frascos identificados com fita crepe, e ela não tinha como saber se o conteúdo era o anunciado. Até hoje não sabe se a reação veio de um produto diferente do rótulo ou da combinação das substâncias. Ela diz que não culpa o coach nem a si mesma, porque não tinha conhecimento.

Antes de 40 dias, o rosto estava deformado pela acne. Com medo, frustrada e sem saber o que fazer, ela parou tudo. O coach também não sabia o que fazer, e ela procurou dermatologistas. Para ela, o primeiro sinal visível é a hora de parar. O tratamento levou mais de um ano e meio e custou caro, em dinheiro e emocionalmente. A pele voltou, mas ela diz que o dano emocional ficou para o resto da vida: o trauma a fez desistir de competir, e ela nunca subiu ao palco.

Por que ela diz que não era para ela

Para Carol, ela não estava pronta para ser atleta. Ir à academia todo dia não significa treinar certo, e comer saudável não é fazer dieta de competição. Ela ainda não sabia contrair bem o músculo. Também não tinha dinheiro para fazer do jeito certo: um atleta que usa hormônio precisa de cardiologista, endocrinologista e, às vezes, hematologista e nefrologista, além de nutricionista, treinador, fisioterapeuta, psicólogo e até psiquiatra. Sem esse dinheiro, ela chegou aos frascos de fita crepe.

A decisão, para ela, não depende de ter acesso, que hoje é fácil e barato. Depende de já ter chegado ao limite natural e de ter um motivo que justifique o risco, como um atleta que aceita o risco em troca da carreira. Ela diz não ser contra o uso de hormônio, mas defende alinhar a expectativa: o físico de praia é possível sem hormônio, e o de palco cobra um preço.

Por que o anabolizante causa acne

Os anabolizantes são derivados da testosterona e estimulam as glândulas que produzem a oleosidade da pele. Por isso a acne está entre os efeitos colaterais mais comuns do uso. Em alguns casos ela vira acne fulminans, uma forma grave, com feridas abertas, dor e às vezes febre. Para os dermatologistas, esse quadro deve levantar a suspeita de uso de anabolizantes.

Carol não diz qual tratamento fez, só que foi longo. Na acne fulminans, o consenso de especialistas recomenda controlar a inflamação antes de começar a isotretinoína, o remédio mais forte para acne. Há relatos de casos em que a isotretinoína piorou a acne de quem ainda usava anabolizante. O cuidado com a pele durante e depois do ciclo está na matéria sobre acne por esteroides.

O que vem dentro do frasco

Carol lembra que, mesmo com rótulo bonito e caixa caprichada, quem compra fora da farmácia não sabe o que leva. As análises confirmam o risco. Na fronteira da Suíça, menos de 20% de 1.190 produtos apreendidos tinham a substância anunciada na dose anunciada. Na França, 80% dos anabolizantes apreendidos não eram originais. No Brasil, a venda de anabolizantes só é permitida com receita de médico ou dentista, que fica retida na farmácia.

O papel do coach

Carol procurou o coach por conta própria, e ele passou o protocolo. Para ela, muitos coaches cuidam de dieta, treino, lesão e hormônio ao mesmo tempo, sem formação para tudo isso. Em estudos pequenos com mulheres que usam anabolizantes, a orientação de um homem de confiança aparece com frequência: num estudo sueco, 7 de 8 usuárias tiveram um homem próximo incentivando o início, e num norueguês, com 16 mulheres, quase todas foram orientadas por parceiro, amigo ou coach na escolha da substância e da dose.

Efeitos internos e efeitos nas mulheres

Carol lembra que os efeitos podem ser internos e silenciosos, e que muitas vezes só são percebidos quando a doença já avançou. Em homens que usam anabolizantes há anos sem sintomas, exames mostram coração bombeando pior e placa nas artérias. A Sociedade de Endocrinologia americana aponta riscos para o coração, a mente, o fígado e os rins. O exame periódico encontra parte desses problemas antes dos sintomas.

Nas mulheres, há ainda os efeitos masculinizantes. Carol cita o engrossamento da voz entre os riscos, e ele pode ser definitivo. Também aparecem aumento do clitóris, mais pelos, queda de cabelo e alterações na menstruação e na ovulação. Num estudo com 25 usuárias, 56% tiveram sintomas de euforia exagerada durante o uso e 40% sintomas de depressão ao parar, sem chegar a um diagnóstico. Os sinais de virilização estão em anabolizantes em mulheres.

Genética e expectativa

Para Carol, nem todo mundo nasceu para ter físico de palco, com ou sem hormônio, e a internet vende a ideia de que basta disciplina. Ela acredita que algumas pessoas toleram o hormônio com risco menor, nunca sem risco, e que outras, como ela, têm problema já no primeiro ciclo. A resposta ao treino de fato varia muito: em 585 adultos treinando por 12 semanas, o crescimento do bíceps foi de -2% a 59%. Não existe, porém, exame que diga com antecedência quem vai tolerar o hormônio.

O uso com médico, anos depois

Cerca de cinco anos depois, com dinheiro para isso, Carol voltou a usar hormônio de farmácia com um médico do esporte, em doses controladas e com exames de sangue e de imagem. Usou, pausou e voltou mais de uma vez, e hoje diz estar sem hormônio. O retorno começou por volta de 2019, antes de 2023, quando o Conselho Federal de Medicina proibiu médicos de prescrever anabolizantes para estética ou desempenho. O acompanhamento reduz a incerteza sobre o produto, mas não tira o risco do hormônio.

O básico bem feito

A conclusão dela é que um físico bonito e definido é possível com treino, dieta, aeróbio, sono e suplementação. O exercício também ajuda a cabeça: numa revisão de estudos, ele reduziu sintomas de depressão, com a musculação entre as atividades de maior efeito. Esse caminho tem risco muito menor que o do hormônio.

Conclusão

Em menos de 40 dias, um ciclo de três hormônios de procedência desconhecida deixou Carol Sanches com o rosto irreconhecível, mais de um ano e meio de tratamento e o fim do plano de competir. A pele voltou, o trauma ficou. Os efeitos internos e, nas mulheres, a voz mais grossa podem ser permanentes. O critério que ela propõe é perguntar se já chegou ao limite natural e se há motivo para correr o risco antes de seguir a indicação de um amigo ou de um coach.

Perguntas frequentes

Anabolizante causa acne?

Sim, e é um dos efeitos mais comuns. O hormônio estimula as glândulas de oleosidade da pele, e a acne pode virar acne fulminans, uma forma grave com feridas abertas.

O que aconteceu com Carol Sanches no primeiro ciclo?

Aos 20 anos, com menos de 40 dias de um ciclo de três hormônios de procedência desconhecida, ela teve acne grave no rosto e parou tudo. O tratamento levou mais de um ano e meio, e o trauma a fez desistir de competir.

Como tratar a acne causada por anabolizante?

Com dermatologista. Na acne fulminans, a forma grave, o consenso recomenda controlar a inflamação antes de começar a isotretinoína, e há relatos de piora quando o remédio foi usado junto com anabolizante.

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