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Como Jo Lindner morreu? O que se sabe dele e de Larissa Borges

Jo Lindner morreu de aneurisma, segundo a companheira, sem laudo público. Veja o que é confirmado, o que Jo contou sobre hormônios e o caso Larissa Borges.

Como Jo Lindner morreu? Segundo a companheira, o fisiculturista alemão, conhecido como Joesthetics, morreu de um aneurisma no fim de junho de 2023, aos 30 anos, na Tailândia, depois de três dias reclamando de dor no pescoço. Nenhum laudo foi divulgado, nem o local do aneurisma. Dois meses depois, a influenciadora brasileira Larissa Borges, de 33 anos, morreu após duas paradas cardíacas, e a necropsia apontou insuficiência cardíaca.

O cirurgião ortopédico Chris Raynor analisou as duas mortes em "Why Are Fitness Influencers DYING? Surgeon Explains | Dr Chris Raynor", usando trechos de uma entrevista que Jo deu meses antes ao canal de Bradley Martyn, "Jo Lindner On Teenage Substance Abuse, Thoughts on America & The Fitness Industry". A análise tenta separar o que se sabe do que é suposição, e a resposta curta é que nenhuma das duas mortes tem causa única comprovada.

Larissa Borges: duas paradas cardíacas em oito dias

Larissa, de Brasília, passou mal em Gramado, no Rio Grande do Sul, em 20 de agosto de 2023. Teve uma parada cardíaca, ficou em coma no hospital por mais de uma semana e morreu depois de uma segunda parada, em 28 de agosto. O relato do namorado sobre o que o casal consumiu numa festa virou linha de investigação da polícia.

Em junho de 2024, a Polícia Civil informou que a necropsia apontou insuficiência cardíaca. O exame toxicológico não encontrou as substâncias pesquisadas, e o álcool não pôde ser medido, porque a amostra foi colhida oito dias depois do primeiro mal-estar. A delegada disse que a insuficiência "pode ter ocorrido pelo uso de drogas", hipótese que o exame não confirmou. O inquérito não teve conclusão pública até novembro de 2026. Não há informação de que Larissa usasse anabolizantes.

O que se dizQuanto está confirmado
Primeira parada em 20 de agosto e segunda em 28 de agosto de 2023Confirmado pela polícia e pela imprensa
Insuficiência cardíaca na necropsiaConfirmado pela delegada responsável
Consumo de álcool e drogas antes do mal-estarRelato do namorado, usado na investigação
Uma droga causou a morteHipótese da delegada, sem confirmação no toxicológico

Parada cardíaca é o momento em que o coração deixa de bombear sangue, e não diz o que a causou. Em pessoas de 1 a 35 anos, a morte súbita do coração muitas vezes fica sem explicação mesmo depois da autópsia, e as causas encontradas com mais frequência são doença das artérias do coração e doenças do músculo cardíaco. Sem prontuário e laudo completos, uma causa única seria palpite.

Jo Lindner: dor no pescoço antes do aneurisma

Jo morava na Tailândia. Segundo a companheira, ele reclamou de dor no pescoço durante três dias antes de morrer. Um amigo disse que esperava a autópsia, mas nenhum resultado foi publicado, nem se o aneurisma era no cérebro, no pescoço, na aorta ou em outro vaso.

Aneurisma é uma dilatação da parede de uma artéria. Quando ele se rompe, pode causar hemorragia rápida e morte, e quando não rompe, um coágulo formado dentro dele pode fechar a passagem de sangue para o cérebro ou outro órgão. A ruptura de um aneurisma no cérebro costuma dar dor de cabeça súbita e muito forte e rigidez na nuca. A dissecção, um rasgo na parede das artérias do pescoço, causa dor no pescoço e dor de cabeça e é causa importante de AVC em jovens.

Dor no pescoço é comum e quase sempre benigna. O que pede atendimento de emergência é a dor forte e súbita, ou acompanhada de dor de cabeça intensa, alteração na visão, fraqueza de um lado do corpo, fala enrolada ou desmaio.

O que Jo contou sobre os anabolizantes

Na entrevista, publicada em junho de 2023, Jo disse que defendia a menor dose que funciona, mas contou exposições bem diferentes ao longo da vida. A maior dose de testosterona que usou foi 750 mg por semana. O ciclo que chamou de mais louco foi passado por um antigo coach: 100 mg de propionato de testosterona e 100 mg de trembolona por dia, o que dá 700 mg de cada por semana. Nessa preparação, ele foi de 105 para 102 kg sem precisar de aeróbio.

Para um campeonato em março de 2023, contou um esquema menor: 250 mg de testosterona, 75 mg de trembolona por semana e 100 mg de Primobolan®, sem dizer a frequência dos dois. Ele também comparou iniciantes que usam 2 mL de testosterona por semana com quem teria o mesmo efeito com 0,5 mL. Sem saber a concentração do frasco, volume não diz a dose em miligramas.

Esses números sozinhos são insuficientes para ligar uma substância ao aneurisma. Uma série de casos descreveu rasgos na aorta em atletas que usavam anabolizantes, mas é uma associação, sem prova de causa.

Insulina, diurético e desidratação

Jo contou que sempre teve medo de insulina e que a usou poucas vezes, antes do treino, com bebida doce. Disse algo como "uso cinco", sem dizer a unidade. Quando fazia séries a mais e esquecia o carboidrato durante o treino, ficava agitado, encharcado de suor e cansado, e contou duas situações em que chegou perto de uma emergência. A conclusão dele foi "isso dá medo, não façam". É o quadro de uma hipoglicemia, que nos casos graves leva a convulsão, coma e morte.

Ele explicou que, para ficar seco antes de competir, cortava o sal, bebia muita água, depois parava de beber e ainda tomava diurético, a ponto de mal conseguir andar. Disse ter medo de que o coração parasse e que por isso evitava competir demais. Essa sequência mexe com o volume de sangue e com o sódio, o potássio e o magnésio, dos quais o coração depende para bater no ritmo certo.

O que os anabolizantes fazem com o coração

Num estudo com 86 usuários de anabolizantes há anos e 54 homens que treinavam sem usar, o coração dos usuários bombeava menos sangue a cada batida, com fração de ejeção de 52% contra 63%, e de 49% em quem estava usando no momento. Eles tinham mais placa nas artérias do coração, e a placa aumentava com o tempo de uso.

Na Dinamarca, 1.189 homens punidos por doping com anabolizantes foram acompanhados por cerca de 11 anos e comparados com 59.450 homens. Eles morreram 2,8 vezes mais, com 33 mortes, 16 por causas naturais. Na mesma população, os usuários tiveram mais infarto, arritmia, trombose, insuficiência cardíaca e doença do músculo do coração. Os números falam de grupos, e não da morte de Jo, mas mostram que ser jovem e forte é pouca proteção para quem usa. O que as autópsias e os estudos mostram sobre o coração está em anabolizante faz mal ao coração.

O risco do produto clandestino

A hipótese de que os produtos de Jo estivessem contaminados chegou a ser levantada, mas não existe análise do que ele usava. O risco geral é real: numa revisão de 19 estudos com 5.413 amostras das Américas e da Europa, 36% dos anabolizantes do mercado clandestino eram falsificados e 37% estavam fora do padrão. O dado vale para o mercado e mostra que a caixa e a confiança no vendedor são garantias fracas.

Vacina, plasmaférese e metais pesados: o que não foi provado

Jo contou ter tomado quatro doses de vacina contra a covid-19 e ter feito duas sessões de plasmaférese, uma limpeza do sangue, depois de ouvir de um médico que havia partículas e metais pesados no sangue. O relato muda ao longo da conversa: uma formação branca no tubo, tratada como coágulo, depois foi chamada de ar. Nenhum resultado com valor e método foi mostrado. A plasmaférese é tratamento real para algumas doenças, o que por si só não confirma o diagnóstico que levou ao procedimento.

Uma síndrome rara chamada VITT, trombose com plaquetas baixas, foi descrita depois de vacinas de vetor de adenovírus, como a da AstraZeneca, e aparece de 5 a 48 dias depois da dose, com coágulos em vasos grandes, plaquetas baixas e um anticorpo específico no exame. Jo nunca relatou esse diagnóstico.

A miocardite depois das vacinas de mRNA é rara: nos Estados Unidos, foram 1.626 casos em cerca de 354 milhões de doses, com risco maior em homens de 12 a 24 anos depois da segunda dose. É uma doença diferente de aneurisma, e nenhum documento liga a vacinação de Jo à morte dele.

Rippling muscle disease não é cãibra no coração

Jo dizia ter rippling muscle disease, uma doença rara do músculo esquelético que faz ondas visíveis quando o músculo é tocado ou alongado. Ele chamava de "cãibra" e tinha medo de que o coração, que também é músculo, tivesse uma cãibra. O coração, porém, é um músculo de outro tipo, e a doença atinge o músculo esquelético. Ela pode ser hereditária, ligada a genes como CAV3 e CAVIN1, ou autoimune. Variantes do CAV3 já foram ligadas a uma alteração do ritmo do coração, mas não há estudo que ligue a doença a aneurisma.

O shape não mostra o coração

Jo descrevia uma rotina de treinar, gravar e publicar todos os dias, sempre seco. O físico mostra a composição do corpo, mas não a pressão, o ritmo do coração, as artérias nem o que havia nos frascos usados para chegar a ele. Dor no peito, falta de ar, palpitação e desmaio são sinais para procurar atendimento. Quem usa hormônio, estimulante, insulina ou diurético precisa de acompanhamento médico, com pressão, eletrocardiograma, ecocardiograma e exames de sangue.

Conclusão

Jo Lindner morreu de aneurisma aos 30 anos, segundo a companheira, sem laudo público. Larissa Borges morreu aos 33, com insuficiência cardíaca na necropsia e um inquérito sem conclusão. Nenhuma das duas mortes tem causa única comprovada, e a vacina não aparece em nenhum documento como causa. Os estudos mostram que anabolizantes, insulina, diurético e desidratação aumentam o risco para o coração, mesmo num corpo que parece saudável. As causas de morte mais comuns no esporte estão em por que fisiculturista morre cedo.

Perguntas frequentes

Qual foi a causa da morte de Jo Lindner?

Um aneurisma, segundo a companheira dele, depois de três dias de dor no pescoço. Não foi divulgado laudo nem o local do aneurisma.

Jo Lindner morreu com quantos anos?

Com 30 anos, no fim de junho de 2023, na Tailândia, onde morava.

Referências

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