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Pró-hormonal funciona? O que os estudos com DHEA e andro mostram

DHEA e androstenediona foram testados em uma dúzia de estudos. Nos que mediram treino, não deram mais músculo nem força, e o estradiol subiu.

Pró-hormonal funciona? O DHEA, a androstenediona e o androstenediol foram vendidos como "testosterona natural" e testados em mais de uma dezena de estudos controlados. Nos cinco que acompanharam homens treinando, nenhum deu mais músculo nem mais força que o placebo. O que subiu com frequência foi o estradiol, o principal hormônio feminino. Em vários estudos, o HDL, o colesterol bom, caiu.

Esses estudos são o centro de "Eleve sua testosterona sem tomar BOMBA: pró hormonais (DHEA, androstenediona...)", do canal do professor Paulo Gentil. Ele responde a quem pede um suplemento para deixar a testosterona ótima. Para ele, não existe nível ótimo, existe uma faixa normal, e quem toma pró-hormonal fica com os efeitos colaterais sem o benefício.

O que é pró-hormonal

A testosterona é um hormônio esteroide, e tudo começa no colesterol. Numa cadeia de etapas, o colesterol vira DHEA, o DHEA vira androstenediona, e a androstenediona tem dois destinos: vira testosterona ou passa por uma enzima, a aromatase, e vira estrogênio. Essa conversão em estrogênio se chama aromatização.

Pró-hormonal é qualquer substância dessa cadeia vendida para "empurrar" a produção de testosterona sem tomar o hormônio pronto. O DHEA fica dois passos antes da testosterona, e a androstenediona, um passo antes. A moda pegou quando atletas que batiam recordes contaram que usavam DHEA e androstenediona. Na época, suplementos que prometiam subir a testosterona costumavam trazer um dos dois. Nos Estados Unidos, a androstenediona virou substância controlada em 2005, e o DHEA ficou de fora da lei.

DHEA aumenta testosterona?

Num estudo de 1999, 19 jovens de 23 anos treinaram musculação por 8 semanas tomando 150 mg de DHEA por dia ou placebo. A testosterona livre e a total não mudaram, e a força e a massa magra subiram igual nos dois grupos. Nesse estudo, o estradiol também ficou igual. O que subiu foi a androstenediona, o passo seguinte da cadeia.

E quem já passou dos 40? No mesmo ano, 40 homens treinados com idade média de 48 anos tomaram 100 mg por dia de DHEA, de androstenediona ou placebo por 12 semanas. A testosterona não subiu, e os pequenos ganhos de massa magra e de força foram iguais aos do placebo. O DHEA em outras situações, como libido e envelhecimento, está na matéria DHEA funciona? O que a ciência mostra sobre hormônio, libido e riscos.

Androstenediona: o que os estudos mostram

Se o DHEA está longe da testosterona, a androstenediona está a um passo dela. Os estudos com ela são os mais numerosos, e o padrão se repete: a testosterona total quase não se mexe, o estradiol sobe e o músculo não cresce mais que com placebo.

EstudoQuem e quantoTestosteronaEstradiolMúsculo e força
King, 199920 jovens treinando, 300 mg/dia por 8 semanasSem mudança+27% a +41%Iguais ao placebo
Leder, 200042 homens de 20 a 40 anos, 100 ou 300 mg/dia por 7 diasTotal +34% nas horas após a dose, só com 300 mg+42% (100 mg) e +128% (300 mg)Não medidos
Brown, 200055 homens de 30 a 56 anos, 300 mg/dia por 4 semanasTotal sem mudança, livre +45%+68%Não medidos
Rasmussen, 20006 jovens, 100 mg/dia por 5 diasSem mudançaSubiuSíntese de proteína muscular sem mudança
Ballantyne, 200010 jovens, 200 mg/dia por 2 diasSem mudançaCerca de +83% depois do treinoNão medidos
Broeder, 200050 homens de 35 a 65 anos treinando, 200 mg/dia de androstenediona ou de androstenediol por 12 semanas+16% no 1º mês, de volta ao início em 12 semanasSubiuIguais ao placebo
Beckham, 20038 homens de 40 a 48 anos, 200 mg/dia por 4 semanasSem mudançaSem mudançaNão medidos

Nos homens de meia-idade, que em tese mais precisariam, a testosterona total não mudou, e só a parte livre subiu 45%. A DHT, hormônio derivado da testosterona ligado à queda de cabelo e à próstata, subiu 83%, e o HDL caiu 10%. Em jovens, o +34% apareceu nas horas seguintes à dose, depois de uma semana de uso. Na manhã seguinte, a testosterona já tinha voltado ao normal.

Uma alta de 30% a 45% parece muito, mas está longe do que um anabolizante faz, que é multiplicar a testosterona várias vezes. E nem esse pouco virou músculo em quem treinou por 2 meses: em 20 jovens, 300 mg por dia não mudaram a testosterona, o tamanho das fibras musculares nem a força. No maior desses estudos, com 50 homens de 35 a 65 anos em 12 semanas de musculação, a androstenediona e o androstenediol deram o mesmo resultado que o placebo.

Misturar com tribulus resolve?

A indústria tentou somar ingredientes que, sozinhos, não funcionam. Um produto testado juntava por dia 300 mg de androstenediona, 150 mg de DHEA, 750 mg de Tribulus terrestris e extratos vendidos como bloqueadores de estrogênio (crisina, indol-3-carbinol e saw palmetto). Em 55 homens de 30 a 59 anos, a androstenediona no sangue subiu 342% e a testosterona livre, 38%. A testosterona total não mudou, o estradiol dobrou (+103%) e o HDL caiu.

Em jovens que treinaram musculação por 8 semanas, a mesma mistura não mudou a testosterona livre nem a total. Os hormônios femininos subiram, e a força cresceu igual à do placebo. Um produto parecido, com 300 mg de androstenediol e 1.350 mg de tribulus, subiu o estradiol em 86%, baixou o HDL e deixou a testosterona total igual. Os extratos "bloqueadores" não seguraram o estrogênio.

Por que o excesso vira estrogênio e não testosterona

O corpo regula a testosterona pela necessidade. Quando ele percebe que já tem o suficiente, não fabrica mais, porque testosterona demais também dá problema. Sobra androstenediona no sangue, e boa parte dela segue o outro caminho, a aromatização: vira estrogênio.

Os exames mostram esse freio. No estudo de 12 semanas com homens de 35 a 65 anos, a testosterona subiu 16% no primeiro mês e voltou ao nível inicial. Nesse tempo, o LH, o hormônio do cérebro que manda o testículo produzir, caiu de 18% a 33%. Em homens de 40 a 48 anos, a resposta à androstenediona encolheu depois de 4 semanas de uso.

Efeitos colaterais: estradiol e colesterol

O suplemento vendido como hormônio masculino subiu o hormônio feminino na maioria dos estudos. O outro efeito que se repete é a queda do HDL. Em jovens, ele caiu de 42 para 37 mg/dL em 2 semanas com 300 mg por dia de androstenediona e ficou baixo até o fim. No estudo de 12 semanas, o HDL caiu nos grupos que tomaram o suplemento e subiu 5% no grupo placebo, que só treinou.

HDL baixo pesa no risco do coração. Somando os estudos, quem toma pró-hormonal fica com o colateral e não ganha músculo. Uma revisão de 2006 sobre DHEA, androstenediona, androstenediol e as versões chamadas 19-nor, parentes da nandrolona, concluiu que eles não têm efeito anabólico nem melhoram o desempenho em homens, e podem fazer mal à saúde.

E os pró-hormonais vendidos hoje?

Muitos frascos vendidos hoje como "pró-hormonal" são outra coisa: esteroides anabolizantes orais de design, como a metasterona. Eles agem como anabolizante, com o risco de um anabolizante oral. Nos Estados Unidos, a lei de 2014 incluiu a metasterona e outros esteroides de design na lista de controlados.

O risco maior é o fígado. Numa rede americana que acompanha lesão do fígado por remédio e suplemento, 44 homens, com idade média de 33 anos, tiveram lesão por suplemento de musculação depois de cerca de 73 dias de uso. Todos ficaram com icterícia, 84% com coceira, e 71% foram internados. Ninguém morreu, mas a recuperação foi lenta, e vários produtos analisados tinham esteroides controlados que não estavam no rótulo. Na Espanha, a lesão de fígado por uso ilícito de anabolizantes passou de menos de 1% para 8% dos casos registrados entre 2001 e 2013. Os compostos e seus riscos estão no ranking de anabolizantes.

No Brasil, nenhum deles pode ser vendido como suplemento. A regra dos suplementos proíbe as substâncias da lista de doping da Agência Mundial Antidopagem, onde estão a androstenediona, o androstenediol, a metasterona e o DHEA, e as que estão sob controle especial. O DHEA (prasterona) está na lista C5 dos anabolizantes, que exige receita de controle especial, e a Anvisa já multou uma loja online que vendia DHEA como suplemento.

Como subir a testosterona sem pró-hormonal

O que mexe na testosterona natural é o básico: comer bem, dormir bem e treinar. Numa revisão de seis estudos com 206 homens, a dieta pobre em gordura baixou um pouco a testosterona total e a livre. A gordura da dieta é matéria-prima, já que o hormônio é feito a partir do colesterol. Dormir 5 horas por noite durante uma semana baixou a testosterona do dia em 10% a 15% em homens jovens. Estresse alto também atrapalha.

O treino não multiplica a testosterona, mas faz o corpo aproveitar melhor os próprios hormônios. A rotina completa, com sono, treino e hábitos, está em rotina para testosterona alta. E o que vale e o que não vale entre os suplementos vendidos para esse fim está em suplementos para aumentar testosterona: quais valem a pena.

Conclusão

DHEA, androstenediona, androstenediol e as misturas com tribulus foram testados em jovens e em homens de meia-idade, com e sem treino. Nenhum deu mais músculo ou mais força que o placebo. A maioria subiu o estradiol, e em cinco estudos o HDL caiu. A testosterona, quando subiu, ficou na casa dos 30% a 40%, pouco para mudar o resultado. Para a testosterona natural, o que funciona é dieta com gordura suficiente, sono e treino.

Perguntas frequentes

Pró-hormonal funciona?

DHEA, androstenediona e androstenediol, não. Em estudos controlados com jovens e homens de meia-idade, eles não deram mais músculo nem força que o placebo. Na maioria dos estudos o estradiol subiu, e em vários o HDL caiu. Os "pró-hormonais" de design vendidos hoje agem como anabolizante, com risco para o fígado.

Tomar DHEA aumenta a testosterona?

Pouco ou nada em homens. Com 150 mg por dia por 8 semanas, jovens que treinavam não tiveram mudança na testosterona livre nem na total. Com 100 mg por dia por 12 semanas, homens de 48 anos também não.

Qual a diferença entre pré-hormonal e pró-hormonal?

Nenhuma na prática. Os dois nomes são usados para o mesmo tipo de produto: uma substância que o corpo transformaria em testosterona, como a androstenediona e o DHEA. Na loja, o nome também aparece em esteroides de design, que já são anabolizantes.

Pró-hormonal é anabolizante?

O clássico, como a androstenediona, é um precursor que mal vira testosterona. Muitos produtos vendidos hoje com esse nome são esteroides anabolizantes orais, como a metasterona, que a lei americana passou a controlar em 2014. No Brasil, nenhum deles pode ser vendido como suplemento.

Quais os efeitos colaterais do pró-hormonal?

Com androstenediona e misturas, o estradiol subiu até 128% e o HDL caiu cerca de 10% a 12% nos estudos que deram a porcentagem. Com os produtos de design, o risco maior é o fígado: numa série americana de 44 homens com lesão por suplemento de musculação, todos tiveram icterícia e 71% foram internados.

Pró-hormonal inibe o eixo?

Pode. Em 12 semanas de androstenediona, o LH, hormônio que manda o testículo produzir testosterona, caiu de 18% a 33%, e a testosterona voltou ao nível inicial.

Pró-hormonal com tribulus funciona?

Não nos estudos. Misturas com 300 mg de androstenediona, 150 mg de DHEA e 750 mg de Tribulus terrestris não mudaram a testosterona total, dobraram o estradiol e, com treino, deram a mesma força que o placebo.

Pró-hormonal serve para ganhar massa muscular?

Os clássicos, não: nos ensaios com treino, a massa magra e a força subiram igual com placebo. Para subir a testosterona natural, o que funciona é dieta com gordura suficiente, sono e treino.

Referências

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